Última atualização: 06/12/2021

Prólogo

Rosier sempre foi cercada por comensais da morte. Seus pais eram grandes fiéis do Lorde das Trevas, sendo esse um grande admirador da menina, que desde pequena se mostrava interessada na Artes das Trevas.
A garota estudava em Hogwarts desde os 11 anos, era respeitada por sua casa, Sonserina, sendo conhecida por sua personalidade forte e sua beleza invejável. Apesar de muitas vezes ficar sozinha, não se importava com isso e se dedicava muito em todas as matérias. Durante as férias, recebia aulas em casa, sendo sua preferida a de poções - matéria na qual seu professor a considerava avançada demais para a idade.
Embora tenha crescido em uma família preconceituosa, não fazia diferença entre sangues puros e outros, e isso era uma coisa que irritava seus pais. Mas ela não se importava, afinal, um de seus amigos, Severus Snape, era um mestiço e ela não via problema algum.
Quando completou 15 anos, recebeu a notícia de que logo se tornaria uma comensal; seu destino estava traçado e ela precisava se adaptar a isso. precisava provar sua lealdade e, para isso, teria que convencer o maior número de alunos a se juntarem ao Lorde. Ela deveria fazer isso junto a Regulus, filho mais novo da família Black e um dos poucos meninos que a garota tratava bem. Ela gostava da companhia dele, mas sabia que o garoto não conseguiria completar a missão. Por isso tinha tanta responsabilidade, precisava evitar que o plano falhasse.
Depois de passar boa parte das férias analisando cada aluno da escola, chegou a conclusão de que sua melhor opção era convencer Os Marotos. Dessa forma, poderia contar com a ajuda de Regulus, já que um dos meninos era seu irmão mais velho.
A garota estudou cada um deles. Começou com James Potter, capitão do time de quadribol da grifinória e um idiota apaixonado por Lílian Evans, uma grifinória que não retribuía seus sentimentos, apesar de ser uma garota legal que conversava algumas vezes com . Seu próximo alvo era Remus Lupin, provavelmente o mais sensato do grupo. não achava difícil se aproximar do garoto, já que ambos eram dedicados às aulas e ela simpatizava com ele. Mas as cicatrizes em seu rosto deixavam a garota curiosa sobre quem era o verdadeiro Lupin. Petter Pettigrew era o mais sem graça dos rapazes, não o achava interessante e tinha certeza de que era apenas um peso no grupo, o que era uma coisa boa para ela, uma vez que poderia facilmente manipulá-lo. E, por último, Sirius Black, o traidor; foi expulso da família e deixava claro sua raiva por Voldemort e seus seguidores. O garoto particularmente preocupava , os dois se odiavam desde os onze anos, tentar uma aproximação depois de tanto tempo seria no mínimo estranho.
Como já estava cansada de ficar em casa, a sonserina decidiu voltar dois dias antes do início das aulas para o castelo. Seus pais não se importaram com a volta antecipada e apenas se despediram, lembrando o quão importante era para a família que ela não falhasse.
Já em Hogwarts, se sentia em casa. Gostava de cada canto do castelo, tinha o costume de passar horas na torre de astronomia, observando as constelações; gostava da biblioteca, principalmente da sessão proibida, mas nada se comparava ao Lago Negro. Uma das coisas favoritas de ser uma sonserina era poder ter a visão direta para ele no salão comunal. E foi durante seu momento de reflexão, sentada na beira do lago, que foi atingida por uma pedra pequena, lançada em sua cabeça. A morena pegou a pedra e se levantou irritada, procurando o responsável por atrapalhar seus pensamentos.
- Por Merlin, Sirius, você não tem nada melhor para fazer? - A garota respondeu, vendo o garoto sorrir abertamente.
- O que seria melhor do que te ver estressada, Rosier? - O garoto perguntou, fazendo a revirar os olhos. Os dois nunca conversavam e quando trocavam palavras era apenas para brigar.
- Qualquer coisa, ir atrás das meninas que beijam seus pés é uma delas. - disse e começou a caminhar na direção contrária do rapaz, não queria perder seu tempo.
- Bom, as aulas ainda não voltaram, então estou sozinho. Meus amigos me abandonaram e entre ficar perto de você ou completamente entediado, eu prefiro você. - Sirius diz, correndo ao lado da garota, tinha conseguido uma distração.
- Talvez, se não tivesse abandonado sua família, teria um lugar melhor para ficar. - A garota disse e logo sentiu que Sirius não caminhava ao seu lado. Virou-se e viu que o habitual sorriso do maroto já não estava presente.
- Não diga coisas das quais você não sabe, Rosier, se aquela casa fosse um lugar melhor, eu ainda estaria lá. Apenas não se meta no que não lhe interessa. - O garoto disse e se adiantou ao entrar no castelo antes que ela pudesse responder. A sonserina não se sentia mal, mas sabia que não era desse jeito que iria se aproximar do Black. Após ver o garoto sumir entre os corredores, seguiu seu caminho até o dormitório. Sua colega de quarto era Narcisa, mas ela só chegaria no dia marcado, então, sozinha e sem opções do que fazer, a garota começou a arrumar suas malas e distribuir suas coisas pelo quarto, isso a distrairia até o fim do dia.



Capítulo 01

Durante os dias em que estava sozinha, se distraía andando pelo castelo e pensando em como sua vida iria mudar em pouco tempo. A garota pensou em procurar Sirius e aproveitar que ele estava sozinho para tentar uma aproximação, mas agora quem a ignorava era ele.
As aulas finalmente começaram, todos estavam reunidos no salão principal esperando o pronunciamento de Dumbledore. A seleção para as casas havia terminado e os alunos conversavam animadamente, até a voz grave do diretor ecoar pelo espaço.
- Antes de dar início ao banquete, eu gostaria de dizer algumas palavras: em primeiro lugar, bem vindos a Hogwarts. - Dumbledore dizia, mas não prestava atenção alguma. Seus olhos estavam fixos na mesa da Grifinória, onde os quatro garotos também ignoravam o diretor e sorriam entre si.
Potter havia feito uma rosa com seu guardanapo e dado para Lily, que apenas revirara os olhos. Todos sabiam da paixão platônica que James tinha pela ruiva, sendo que ela somente desprezava e achava o garoto extremamente infantil. Sirius flertava com uma garota loira da corvinal, Lupin estava quieto, apenas sorrindo e observando os amigos, e Peter esperava ansioso para começar a comer.
Seu foco mudou quando o discurso havia terminado e fora dado início ao tão esperado banquete. A garota pegou um prato pequeno de comida e comeu, trocando poucas palavras com os colegas da casa. Snape havia ficado doente e só voltaria para o castelo em três dias. Ao fim do jantar, saiu em direção a biblioteca, queria pegar um livro para ler durante a noite.
Madame Pince pensou em expulsar a garota quando ela entrou pelas portas perto do horário de fechar, mas depois de muita insistência lhe concedeu cinco minutos para escolher um livro. foi direto ao seu alvo: estudo avançado no preparo de poções. Quando pegou o livro, apenas fez o registro com a bibliotecária e saiu em direção às masmorras.
A noite era calma e a maioria dos alunos se encontravam em suas respectivas salas comunais acompanhados de alunos mais velhos. Enquanto caminhava distraída folheando seu livro, Rosier não percebeu a movimentação dos quatro garotos a sua frente, se dando conta, então, apenas quando esbarrou nas costas de um deles e caiu no chão em seguida.
O garoto em questão era Remus Lupin, que se virou no mesmo instante, assustado e pedindo desculpas para a garota.
- , perdão, você se machucou? - Lupin se prontificou a ajudá-la. Peter se aproximou com seu livro na mão, visto que o objetivo havia escorregado pelo corredor com a queda. Potter não dizia nada, apenas olhava curioso, enquanto Sirius revirava os olhos, não gostava da sonserina.
- Eu que peço desculpas, estava distraída e não vi que estavam por aqui. - Disse finalmente quando se levantou e ajeitou sua roupa. A menina agradeceu Peter com um aceno quando pegou seu livro.
- Distraída, típico - Sirius murmurou baixo, mas não o suficiente, já que ouviu e arqueou uma sobrancelha na direção do garoto.
- Sim, Black, distraída. Prefiro prestar atenção no meu livro do que em você ou nas próximas besteiras que planeja fazer.- disse, controlando sua raiva e deu um sorriso cínico em direção ao maroto.
Antes de sair, olhou mais uma vez para Lupin em agradecimento e continuou seu caminho. Os meninos apenas riram com a cara de mal humorado que Sirius tinha perto da garota.
Na manhã seguinte, estava pronta para iniciar seu plano. Sua primeira aula era de História da Magia com a grifinória e, apesar de nunca ter tirado uma nota ruim, a garota pretendia fingir algumas dificuldades para se aproximar de Lupin, o menino adorava a matéria. A ansiedade era tanta que a garota acordou duas horas antes do início das aulas, então aproveitou o tempo para se arrumar. Narcisa ainda dormia e ela apenas seguiu em direção a sala comunal. Se surpreendeu ao ver Regulus sentado em um dos sofás, distraído olhando seus calçados.
- Também perdeu o sono? - Perguntou, se sentando ao lado do garoto, que logo forçou um sorriso.
- Se ao menos tivesse conseguido dormir.- achou estranha a falta de sono do mais novo, afinal ele dormia em qualquer lugar; uma vez chegou a dormir na arquibancada de um jogo de quadribol e só acordou quando um pomo de ouro acertou seu rosto.
- Qual o problema? - Resolveu perguntar após notar o nervosismo evidente de Regulus. - Meu irmão pediu para que conversássemos hoje, acho que vai me pedir para mudar de lado.- O medo era notável através de seus olhos, sabia que não podia confiar na lealdade do garoto.
- E você vai mudar?- Perguntou, após pensar nas palavras. Não queria ser grossa, mas achava que estava diante de um possível traidor.
- Não, eu não sei, Sirius mudou e… - Regulus pretendia continuar, mas parou quando revirou os olhos.
- Está mesmo pensando em trair o Lorde das Trevas? Não sei se é muita coragem ou falta de cérebro, Sirius mudou e é um renegado, não respeita a própria família e vive às custas do Potter. Quer ter o mesmo destino que o seu querido irmão?- A garota dizia cada palavra com desprezo.
- Ele é minha única família.- O garoto disse, baixando o olhar. Seus pensamentos eram confusos e ele não tinha nenhum controle sobre a situação.
- Se ele se importasse com o significado de família, não teria te deixado sozinho. Pare de agir como um idiota, Regulus.- Rosier disse irritada e se levantou. - Apenas saiba que se mudar de lado, eu não vou te poupar de sofrer pelas minhas mãos.- Disse em sussurro para o garoto, que permaneceu com olhos arregalados, e saiu suspirando.
Por mais que estivesse irritada, não poderia demonstrar isso para outras pessoas. Então, respirou fundo e, quando chegou ao salão principal, notou que havia poucas pessoas tomando café da manhã. Foi quando seus olhos pararam em Peter Pettigrew, sentado sozinho na mesa da grifinória. Era o momento perfeito para uma aproximação, a garota logo forçou um sorriso e se sentou ao lado do garoto que a olhava assustado.
- Hm... oi?- Peter disse com as bochechas coradas, era realmente muito tímido.
- Olá. - forçou um sorriso e colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha. - Queria te agradecer por ontem, foi muito gentil.- Ela disse, se segurando para não dar risada da cara de bobo do garoto.
- Não foi nada.- Ele disse após um tempo em silêncio, olhando a garota assustado. Nunca havia trocado mais do que dez palavras com a sonserina e agora ela estava ali, o agradecendo.
- E então, ansioso para mais um ano?- Ela tentava puxar assunto e o garoto quase gaguejou procurando palavras para responder.
- Um pouco, estou com medo, esse é o ano dos NOMS, e eu vou mal em muitas matérias. - NOMS era um teste sobre Níveis Ordinários de Magia e definia a capacidade dos estudantes de continuarem determinada matéria ou não.
- Também estou com dificuldade em uma matéria, não consigo entender o conteúdo e acabo me perdendo.- sorriu de canto ao perceber que sua história estava convencendo o garoto.
- Sério? Você sempre foi uma das melhores da sala, não pensei que pudesse ter alguma dificuldade.- Peter disse e pegou um cacho de uvas oferecendo à garota, que recusou educadamente, não comia nada que não fosse da sua mesa na sonserina.
- Pois é, História da Magia tem sido meu ponto fraco.- Rosier disse, fingindo um desapontamento e Peter logo a olhou animado.
- Porque você não pede ajuda para o Moony? Ele entende tudo sobre isso e com certeza vai te ajudar. - Ele disse rápido e empolgado, mas não entendeu nada.
- Quem é Moony?- Perguntou confusa e arqueando uma sobrancelha.
- Ah, é o Lupin, Moony é um apelido que os meninos lhe deram.- Peter se explicou, corando levemente.
- Entendi, realmente o Lupin é muito inteligente, mas não sei se gostaria de me ajudar, mal nos falamos. - A garota disse e de longe conseguiu ver Regulus entrando no salão, com uma expressão séria.
- Lupin gosta de você desde o segundo ano quando o ajudou com um pergaminho para aula de poções. - Peter disse sem perceber e, quando se deu conta, arregalou os olhos. estava tão chocada quanto ele.
- O Lupin gosta de mim? - A garota disse, dessa vez sem fingir surpresa. Ela se lembrava de ter ajudado o garoto durante o segundo ano, mas logo se separaram e ela pensava que era indiferente para ele.
- Não, quer dizer, depende, gostar pode ser muitas coisas. Eu, por exemplo, gosto de viver, então por favor não conte a ele nem aos meninos que eu disse isso. - Peter praticamente implorava e teria dado risada se não estivesse tão pensativa.
- Não se preocupe, não vou dizer nada. Obrigada pela conversa, mas agora preciso ir, até mais, Peter.- A garota logo se levantou e saiu do salão sem esperar por uma resposta.
Quando chegou na porta da sala que teria aula, o corredor estava vazio. se apoiou na porta fechada e cruzou os braços, pensando: se o Lupin realmente gostasse dela, o plano de conseguir mais aliados para o Lorde das Trevas só estava melhorando, afinal ela poderia se envolver com o garoto e, aos poucos, ganhar a confiança dele e dos amigos. A garota sorriu abertamente ao perceber que Peter havia acabado de lhe dar uma notícia maravilhosa.



Capítulo 02

Depois da revelação de Peter sobre Lupin gostar de , a garota começou a observar o grifinório: durante as aulas, ele sempre estava focado no professor; em dias de treino de quadribol, ele acompanhava James e Sirius, mas apenas na arquibancada; durante as refeições, sempre dava risada ou repreendia algum dos meninos. Mas o que mais a intrigava era que após toda lua cheia, ele parecia exausto e, no dia seguinte, aparecia com alguns machucados.
Suas desconfianças sobre Lupin ser um lobisomem eram compartilhadas com Snape, que não dava importância, já que odiava os garotos. Mas estava decidida a ajudar com uma poção de acônito, então quando Lupin se transformasse teria consciência de tudo.
Ela sabia que era arriscado, afinal não tinha certeza de suas suspeitas, mas preferia tentar a sorte e conseguir a confiança do garoto do que apenas observar de braços cruzados.
Durante a segunda semana de aula, o professor Binns recomendou que procurasse a ajuda de Lupin para melhorar suas notas na matéria. Apesar de fazer parte de seu plano, a garota se sentia incomodada em pedir ajuda, afinal ela não tinha dificuldade alguma.
Após a última aula do dia, a sonserina foi para o dormitório e tomou um banho longo, precisava se arrumar para ir a biblioteca, tinha certeza que encontraria Lupin por lá. Devidamente vestida com seus trajes e pretos, seguiu seu caminho com sua bolsa com alguns livros, pergaminhos e penas.
Madame Pince era rigorosa em relação a barulhos e não gostava de ser contrariada, então os únicos sons no ambiente eram de penas sendo usadas no papel, páginas sendo passadas e alguns suspiros frustrados.
Um desses suspiros vinha de Remus Lupin. O garoto estava sentado próximo a uma janela e observava o céu estrelado. sabia que o suspiro vinha do fato de que em três dias aconteceria a lua cheia. A sonserina se aproximou, chamando a atenção, e puxou uma cadeira a sua frente, se sentando em seguida. Antes que Lupin pudesse a questionar ela ergueu a varinha e sussurrou um Abbafiato, evitando causar problemas com Madame Pince.
- Boa ideia, ela provavelmente nos expulsaria apenas por dizer um oi. - Lupin disse em tom normal e sorriu, apesar de curioso com a presença da Rosier.
- Ouvi dizer que ela expulsou um lufano na semana passada apenas por espirrar perto dela. - A garota disse e os dois sorriram, sabendo que não seria uma atitude incomum da bibliotecária.
- Qual o motivo da sua ilustre presença? Da última vez que conversamos sozinhos, eu estava com problemas em poções e, bom, agora estou me virando melhor. - Antes de responder, apoiou as mãos sobre a mesa e fez sua melhor cara de desapontada.
- Dessa vez eu que estou com problemas, o Professor Binns recomendou que eu viesse te procurar e cá estou.- Terminou e forçou um sorriso para o garoto que a encarava.
- Nunca imaginei que Rosier iria precisar da minha ajuda, será que estou sonhando e não percebi?- Dramatizou, dando alguns beliscos no braço.
- Não seja bobo, você é a única pessoa que pode me ajudar agora, então, por favor, vamos fazer dar certo. - disse e observou as bochechas do garoto corarem.
- Combinado, vamos fazer dar certo.- Ele repetiu a frase e estendeu a mão para que ela apertasse, o que ela logo fez e abriu um sorriso, estava tudo indo como o planejado.
Os dois combinaram de se encontrarem na biblioteca todos os dias antes do jantar para estudarem juntos. Lupin disse que uma vez por mês tiraria um dia de descanso, afinal "não era de ferro", apenas concordou, mas sabia que o real motivo era a lua cheia.
Logo após combinarem como seria a rotina de estudos ambos caminhavam juntos até o salão principal, era hora do jantar e estava faminta. Ao passar pela porta de entrada a garota sentiu olhares espantados olhando os dois. Ela não se importava, mas Lupin parecia tímido. A sonserina apenas se despediu com um sorriso e seguiu para a mesa da sua casa.
Se sentou ao lado de Snape e Narcisa, os dois não apoiavam a garota se juntar aos marotos, mas não a contrariavam, afinal, ninguém gostaria de arranjar briga com uma Rosier. Enquanto se servia, ainda sentia olhares em sua direção e procurou saber de quem seriam, até encontrar Sirius Black a encarando fixamente sem nenhuma expressão.
A fim de provocar o garoto, apenas pegou seu cálice com suco de abóbora e ergueu na sua direção com um sorriso cínico nos lábios. O Black nem se esforçou em esconder a irritação e revirou os olhos, desviando sua atenção para os amigos.
Durante todo o jantar, os dois ficaram se provocando. estava de bom humor e usava isso para irritar Black, que a qualquer momento poderia se levantar e ir até a mesa da sonserina confrontar a garota. Mas, ao invés disso, ele apenas se levantou seguindo uma garota qualquer da lufa-lufa, acabando então com a diversão da Rosier.
- Como foi sua conversa com o Lupin? - Snape perguntou enquanto andavam para o salão comunal, Narcisa caminhava mais à frente acompanhada de Lucius Malfoy.
- Boa, ele vai me ajudar, já que sou um desastre em história da magia.- respondeu cínica com um biquinho nos lábios, o que fez Snape sorrir.
- Vai ser engraçada sua cara de tédio ouvindo coisas que já sabe.- revirou os olhos, concordando, realmente teria que se esforçar para parecer interessada.
- Estou pensando em começar a poção acônito essa noite, não vai ficar pronta até a próxima lua cheia mas pode ser útil no próximo mês.- A garota diz em um tom mais baixo e Snape a olha indiferente.
- Ainda acho que é uma perda de tempo, vocês mal se conhecem, não é do seu feitio ajudar pessoas.- sabia que ele tinha razão, mas alguns sacrifícios como esses poderiam ser usados a seu favor.
- Não estou ajudando, é uma troca de interesses.
Logo o assunto mudou para o jogo de quadribol do dia seguinte, seria grifinória contra corvinal. Apesar de não ser um jogo da sua casa, iria acompanhar do mesmo jeito, era apaixonada pelo esporte e, se fosse pra torcer, seria para corvinal.



Capítulo 03

O dia havia começado cansativo para . A sonserina ficou preparando a poção de acônito no banheiro do terceiro andar até de madrugada e, quando voltou para o dormitório, teve apenas duas horas de sono. O tempo nublado refletia seu humor: estava péssimo. Somente com a derrota da grifinória poderia ficar feliz.
Enquanto caminhava pelos corredores, encontrou Alexander LeBlanc, um corvino alto, de cabelos castanhos ondulados e olhos como esmeraldas. Ele era apanhador do time e um dos garotos com quem Rosier havia se envolvido.
- Está indo me ver, princesa?- Perguntou, se aproximando da garota e dando um sorriso malicioso.
- Estou indo ver o jogo, e por consequência você vai estar lá.- Respondeu grossa, mas o garoto não se ofendeu, estava acostumado com o humor da sonserina.
- Vai torcer para corvinal, não é?- Ele mantinha seu sorriso entre os lábios.
deu uma risada baixa antes de responder. - Claro, ainda não estou louca o suficiente para torcer para grifinória.- Alexander pareceu satisfeito com a resposta, mas antes que pudesse responder, ouviu o capitão do time lhe chamar.
- Quando eu ganhar o jogo, podemos comemorar na torre de astronomia, o que acha? - apenas sorriu com a proposta e se despediu com um aceno, indo até o campo.
No caminho, encontrou garotas da casa do apanhador, que insistiram para que ela pintasse o rosto como elas, mas a sonserina fez apenas algumas bolinhas azuis e brancas nas bochechas. Em seguida, se dirigiu para a arquibancada e esperou o jogo começar.
A partida estava acirrada, o time da grifinória estava na frente com 20 pontos de diferença. Alexander disputava o pomo com Potter, que antes da partida havia espalhado que ganharia o jogo para Lily. A ruiva apenas ignorou e nem se importou em assistir o jogo.
Talvez por isso Potter estava tão desatento. sempre acompanhava os jogos e sabia que o maroto era um excelente apanhador, mas no jogo em questão ele estava demorando para pegar o pomo, o que levou a derrota da grifinória quando LeBlanc pegou após muito esforço.
Com o fim da partida, estava feliz pela derrota da casa adversária e não disfarçou seu sorriso para os alunos que a encaravam. Pensou em ir parabenizar Alexander pela partida, mas achou melhor esperar pelo encontro à noite.
Quando voltou para o castelo, procurou por Snape em alguns lugares, mas não conseguia achar o moreno em lugar algum. Apenas quando passou em um dos corredores próximos a sala comunal da grifinória, notou vozes alteradas e ela reconheceu uma delas sendo a de Severus.
Ao chegar no final do corredor, pôde observar a situação: Sirius ainda com seu uniforme de quadribol prensava Snape contra uma parede e o ameaçava com a varinha em seu pescoço. Seu olhar queimava e parecia prestes a lançar alguma imperdoável.
Diante da cena, não pensou duas vezes para pegar sua varinha e pronunciar com a voz firme. - Expelliarmus.- Sirius foi desarmado e sua varinha parou nas mãos da Rosier, ele soltou Severus, que caiu sentado no chão. O garoto olhava assustado para a amiga.
Sirius, por sua vez, parecia estar retomando a consciência e após ver sua varinha na mão da menina, arregalou os olhos e se aproximou.
- , eu… - Ele começou, mas não teve a chance de terminar.
- ?- A garota deu um sorriso nasalado e caminhou na direção do Black. Quando seus corpos estavam próximos o suficiente, olhou de canto de olho para Snape como se pedisse para que ele saísse, e ele obedeceu. - Acha que tem alguma intimidade comigo só porque está assustado, Black?
- Não estou assustado. - Sirius respondeu, dando um sorrisinho e desviando o olhar.
- Você pode até não estar, mas está completamente desesperado por atenção, atacar um garoto sem motivo, apenas por diversão, é patético até para você, Black.- disse, tentando conter a raiva.
- Como tem tanta certeza que foi sem motivo? Se quer defender seu namoradinho, ao menos procure saber se ele merece.- Sirius disse entre dentes, olhando fixamente para a garota, que não desviou o olhar por um segundo sequer. Apenas colocou a varinha de Sirius contra seu peito e tornou a falar.
- Me poupe, Black. Em primeiro lugar, Snape não é meu namoradinho e mesmo se fosse isso não seria problema seu. Segundo, eu não preciso de motivos, o simples fato de você ter prensado ele contra a parede sem dar chance de revidar já me diz muito sobre a pessoa que você é. E, por último, mas não menos importante, aprenda a ser menos idiota, quem sabe assim alguém além do Potter consiga te aturar genuinamente.- Rosier disse e jogou a varinha do garoto no chão antes de sair andando, não estava disposta a prolongar a discussão e queria ver como Snape estava.
Ao chegar nas masmorras, observou de longe o amigo conversar com Lily. A ruiva demonstrava preocupação ao ver o estado do sonserino e, por esse motivo, achou que ele estaria melhor com a grifinória, então, apenas seguiu para o salão comunal. Com a raiva de Sirius consumindo-a por completo, ela não via a hora de se vingar do maroto.



Capítulo 04

Apesar de toda sua irritação em relação a Sirius, não deixou que isso estragasse seus planos com Alexande, ambos passaram boas horas na torre de astronomia, trocando beijos e algo a mais. Já se passava da hora do toque de recolher quando decidiram ir para seus dormitórios em suas respectivas torres.
Diferente do dia anterior, esse havia começado ensolarado e quente. sempre preferiu dias assim, de certa forma, o clima fazia com que ela se sentisse acolhida; dias frios e cinzentos lembravam sua casa e os milhares de problemas que deveria enfrentar.
A sonserina, no entanto, não parecia feliz. Seu único pensamento era na aula que teria ao anoitecer com Remus, isso a deixava nervosa pelo fato de que seria o início de seu grande plano, e ela sabia que falhar não era uma opção.
Durante a manhã, teve o prazer de não ver Sirius Black. Pelos boatos que corriam pelos corredores, o maroto estava encrencado com Dumbledore depois de Lily convencer Snape a contar a verdade para o diretor. Esse, por sua vez, lhe deu uma detenção por uma semana. Rosier não sabia o motivo pelo qual o garoto tinha agido de tal forma, Severus evitava tocar no assunto e apenas a agradeceu com um sorriso fraco, ela entendeu aquilo como um ponto final.
Ao final da aula de transfiguração, a professora Minerva pediu para que esperasse alguns minutos para que pudessem conversar. Apesar de não entender o motivo, a sonserina respeitou a ordem e se manteve sentada até que a sala estivesse vazia.
- Senhorita Rosier, chegou até mim que a senhorita estava envolvida na pequena confusão dos garotos ontem, é verdade?- A professora perguntou com seus olhos fixos na garota.
- Apenas ajudei meu amigo, Sirius estava fora de controle e achei que o melhor era intervir. - respondeu simples, não entendia o porquê de estar sendo questionada por algo tão besta.
- A senhorita conhece as regras da escola, não é permitido o uso de magia nos corredores, mesmo que para ajudar. Deveria ter chamado algum professor. Sinto muito, mas terei que tirar dez pontos da sonserina e aplicar uma punição.- Minerva disse séria e pegou sua pena, anotando as seguintes palavras no pergaminho:


"Declaro que Rosier está em detenção por uma semana pelo uso proibido de magia nos corredores e deverá realizar a tarefa a ela designada todos os dias após o jantar. O descumprimento do castigo deverá ser relatado, será visto como uma afronta e resolvido com os pais da aluna presente.



Minerva McGonagall”

não conseguia acreditar que estava sendo punida apenas por ajudar um amigo, mas sabia que não deveria discutir isso com a professora, afinal não queria tornar o caso maior do que já era. Então, pegou o pergaminho e saiu da sala sem dizer nada, apenas com um pensamento: matar Sirius Black durante a detenção.
O resto do dia se baseou em Narcisa dizer o quanto estava apaixonada por Lucius enquanto e Snape fingiam prestar atenção. Mas, na verdade, queriam apenas sumir, a loira realmente ficava insuportável apaixonada.
Próximo do horário da sua primeira aula com Lupin, se despediu dos amigos e correu para o dormitório para se trocar e pegar alguns livros. Foi então que se lembrou que, após o jantar, cumpriria sua detenção. A sonserina suspirou irritada e, depois de pronta, saiu com seu material para a biblioteca.
Como o esperado, Lupin estava sentado sozinho na mesma mesa em que tiveram a última conversa. Dessa vez, ele notou a presença de logo ao chegar na porta e sorriu ao ver a garota. Ela, por sua vez, não retribuiu, afinal estava irritada demais para isso.
Após colocar seu material sob a mesa, lançou mais uma vez o feitiço Abaffiato, não queria correr o risco de ter a atenção chamada por Madame Pince. Com um aceno de cabeça, cumprimentou Lupin.
- Preparada para nossa primeira aula, Miss Simpatia?- Remus disse, sorrindo e não evitou deixar um sorriso crescer no canto dos lábios, mas logo disfarçou.
- Sempre estou preparada. - Disse sem esconder seu tom de superioridade, o garoto percebeu que ela não estava em seus melhores dias e apenas concordou.
Lupin era bem paciente e, apesar de se irritar facilmente e soltar comentários maldosos a cada cinco minutos, ele não se incomodou e explicou todo o conteúdo que deveriam estudar durante os meses até o exame final.
Ambos apenas se deram conta do horário quando a biblioteca estava praticamente vazia. Foi então que, ao olhar as horas, Rosier percebeu que se não chegasse para encontrar Filch em até cinco minutos estaria encrencada.
- Por Merlin, Remus, perdemos o jantar e minha detenção começa em cinco minutos, preciso ir agora. - Disse, se levantando e chamando a atenção de Madame Pince que a reprovou com o olhar. juntava suas coisas com pressa quando a mãos de Lupin pousaram sobre as suas, tentando acalmá-la.
- Ei, não se preocupe, posso guardar seus livros e te entrego amanhã na aula. Agora vai para sua detenção e boa sorte para aturar o Sirius, ele está insuportável. - O garoto sorriu e agradeceu educadamente antes de tirar suas mãos e sair correndo da biblioteca até os corredores atrás do Filch.
Por sorte, não foi difícil de encontrá-lo juntamente de Madame Nor-r-a e Sirius. A gata tinha o mesmo mau humor do dono e sempre encontrava um jeito de encrencar os alunos. Todos sabiam que deveriam ao máximo evitar estar na companhia dos dois, mas dessa vez nem conseguiu escapar.
- Está atrasada, típico de uma garota mimada e insolente… - Filch começou suas reclamações, mas logo foi interrompido pela voz séria da garota.
- Na verdade não, Senhor Filch, ainda faltam exatos 30 segundos para o horário marcado, não gosto de me atrasar para meus compromissos.- Respondeu com seu habitual sorriso de superioridade, deixando o zelador sem palavras. - Mas isso não vem ao caso, o que vamos fazer? - Foi então que seu olhar cruzou com o de Sirius e ela conseguiu reparar no pequeno sorriso que ele segurava.
- Vocês vão limpar e organizar a sala de troféus. Podem fazer isso o resto da semana, mas se não acabarem a tempo, vou falar diretamente com o diretor para aumentar nosso tempo juntos. - O zelador respondeu com um sorriso e um olhar ameaçadores.
- Sempre a mesma coisa. - Sirius murmurou e essa foi a primeira vez que ouviu a voz do garoto. Ninguém além dela ouviu o comentário graças à proximidade que os dois caminhavam atrás do zelador até a sala de troféus.
Quando a porta se abriu, a sonserina reparou no tamanho do espaço: estantes de até 10 metros de altura repletas de troféus empoeirados eram espalhadas pela sala, bandeiras de Hogwarts e suas casas também preenchiam o teto. Seria um lugar bem melhor se tivesse organizado.
Antes de começarem, o zelador pegou a varinha dos dois e guardou em uma caixa, avisando que só poderiam pegar quando acabasse a detenção; qualquer trapaça seria descoberta e relatada ao diretor. Sirius apenas jogou sua varinha, com certeza estava acostumado às "regras" da detenção, afinal toda semana se metia em uma. , por sua vez, apenas colocou a varinha sem pressa e olhou ao redor, procurando os utensílios que seriam utilizados na limpeza.
Filch entregou panos e produtos para os dois e, em seguida, saiu da sala para fazer a inspeção dos corredores e trancou a porta.
não disse uma palavra e apenas se virou para a primeira prateleira, segurou um troféu empoeirado nas mãos e, conforme foi limpando, observou pelo reflexo que Sirius continuava parado e a encarando.
- Algum problema, Black? Está tentando aprender para começar? É bem simples, olha - Rosier se virou para o maroto e ergueu a taça e o pano, começando a esfregar e limpar, como se ensinasse uma criança, sempre com um sorriso presunçoso nos lábios.
- Você acha que sou burro? Eu sei como se limpa uma taça, Rosier, apenas não quero fazer. - Sirius disse, se sentando em um amontoado de uniformes usados e rasgados. - E você acha que sou sua empregada? Você me colocou nessa detenção, quem deveria limpar tudo sozinho é você - disse irritada e jogou o pano sujo na direção do maroto, que apenas sorriu.
- Não te coloquei na detenção, foi a Minerva, e não vou limpar, porque daqui a pouco o Potter vem abrir a porta e vamos sair. Se for boazinha, até deixo você nos acompanhar.- Disse, dando uma piscadinha para Rosier, que suspirou e se sentou ao lado do garoto, também não estava disposta a limpar tudo sozinha.
- Como vai sair sem encontrar o Filch?- Perguntou intrigada e recebeu um olhar divertido em resposta.
- Há muitas coisas que você precisa aprender sobre Hogwarts, Rosier. Uma delas é que Filch não é tão mau quanto parece, aposto que já esqueceu que estamos aqui e está atrás do Pirraça nesse exato momento. - Sirius respondeu e começou a jogar o pano empoeirado para cima e para baixo.
- Pode parar com isso por favor? - perguntou, sentindo seu nariz arder e seus olhos marejaram, não demoraria muito para começar uma crise de espirros.
Antes que Sirius pudesse responder, os espirros começaram e mal conseguia respirar. Seu rosto estava vermelho e seus olhos escorriam, ela odiava o fato de ter alergia à poeira e odiava mais ainda não ter tomado a poção que evitava seus ataques.
- Rosier, tá tudo bem? O que eu preciso fazer? Você quer alguma coisa?- Black perguntava nervoso ao ver a garota descontrolada, mas a sonserina não conseguia responder. - Por Merlin, eu não sei o que fazer, você tá me assustando.- Ele apoiou as mãos sobre os ombros da garota e a segurou, começou a assoprar o rosto da menina até que a crise alérgica fosse diminuindo. Agora ela não espirrava mais.
- Não deveria estar tão assustado, Black, não é como se fosse ficar triste pela minha morte. - dramatizou e olhou o garoto à sua frente, suas mãos ainda estavam em seus ombros e ele parecia sério.
- Não mesmo, mas caso alguém entrasse aqui, poderia achar que eu te matei e seria mandado para Azkaban e, sinceramente, aquele lugar me dá arrepios só de pensar.- Sirius disse, sorrindo, e passou seus dedos pelas bochechas de Rosier, limpando algumas lágrimas. O menino só então notou a proximidade dos dois e como olhos da sonserina eram chamativos.
A tensão ficou visível quando seu olhar desceu para a boca da garota e Sirius sentiu uma vontade enorme de beijá-la. , por sua vez, acompanhava cada movimento do maroto sem conseguir se mover. De fato, Black era muito bonito, mas ainda sim era a pessoa que ela mais desprezava em toda Hogwarts.
Antes que algo pudesse acontecer, eles escutaram um barulho de porta abrindo e se separam no mesmo instante.
- O exército da salvação chegou para salvar o príncipe da grifinória das garras da… - Potter entrou gritando, sendo seguido por Peter e Remus. Eles pareciam discutir entre si até olharem para os dois sentados e a expressão de choro no rosto da sonserina chamar a atenção de Remus, que sussurrou um “Está tudo bem?”, recebendo apenas um aceno de cabeça de , que logo se levantou.
Ela ajeitou suas roupas e seu cabelo, tentando parecer apresentável, pegou sua varinha na caixa e deu uma última olhada para Remus, que ainda a encarava confuso pelo estado em que se encontrava. Sem dizer nada, caminhou para fora e seguiu seu caminho até as masmorras, não queria pensar sobre o que quase aconteceu; seu único desejo era dormir e fingir que tudo não passara de um sonho, na verdade, pesadelo.



Capítulo 05

A noite anterior foi estranha para , o momento exato em que Sirius encarou seus lábios se repetiu várias e várias vezes em sua cabeça. Ele iria mesmo beijá-la? E pior: ela queria?
Atordoada com seus pensamentos, a sonserina se sentia nervosa por ter que encontrá-lo durante a detenção e, pior ainda, encontrar Lupin durante as aulas particulares. O maroto demonstrava uma preocupação até então desconhecida por e exigiria explicações, e ela odiava ter que se sentir pressionada de alguma forma.
Como imaginava , logo quando adentrou na biblioteca, Remus a esperava com um olhar preocupado. Ela se sentou em silêncio e lançou o feitiço abaffiato para que houvesse privacidade.
- Seus livros. Pensei em deixar no salão comunal da sonserina, mas não conheço ninguém lá que faria esse favor para um grifinório. - Remus tirou os livros da mochila e colocou sobre a mesa, sorrindo de canto, e repetiu o gesto.
- Não é como se os grifinórios fizessem o mesmo por nós. - Respondeu, apenas dando de ombros.
- Eu faria, mas para uma sonserina em especial. - Remus encarou a garota e logo sentiu suas bochechas corarem, se dando conta do que havia dito.
- Eu também faria por um grifinório em especial. - respondeu, entrando na brincadeira, mas ao contrário do maroto, não ruborizou. - Qual o assunto de hoje?- Perguntou, notando a timidez do garoto.
- Vamos falar sobre os primeiros bruxos das trevas.- Remus disse, pegando um dos livros e procurando a página desejada.
sorriu abertamente e durante todo o tempo ficou em silêncio, apenas prestando atenção nas palavras ditas por ele. Ela conhecia a maior parte dos nomes listados, seus descendentes frequentavam sua casa há muito tempo e tinham uma forte aliança com seus pais. - Tem alguma dúvida? - Lupin perguntou quando notou que a garota estava quieta, apenas fazendo anotações. Recebeu apenas uma negação como resposta. - Acabamos por hoje e você ainda tem 30 minutos antes da detenção. - guardou sua pena e seus livros na bolsa e sorriu, agradecendo.
- O que acha sobre isso?- Perguntou, encarando o garoto. Rosier considerava importante saber com que tipo de pessoa estava lidando.
- Sobre os bruxos das trevas? - Remus perguntou e, depois de receber um aceno como resposta, suspirou. - Acho que a maioria apenas quer chamar a atenção, ninguém tem realmente um motivo para lutar.
- O motivo é diferente para cada um, alguns fazem por poder, outros para aprovação e a maioria por maldade. - respondeu com seriedade, apenas sorriu com o final, para não levantar suspeitas.
- Ainda acho motivos fúteis, grande parte dos comensais pertencem a famílias ricas, sendo assim, tem poder o suficiente para mandar em metade do mundo bruxo. A aprovação não deveria ser tão importante, Sirius é um exemplo de que se pode viver muito bem sem ela. E o último, na minha opinião, é o pior, quem faz mal aos outros apenas por prazer é tão ruim quanto Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado.
respirou fundo antes de concordar com o garoto. Apesar de querer contestar sua opinião, ela sabia que poderia se colocar em risco e fazer com que ele desconfiasse de suas intenções, e ela não poderia arriscar perder sua postura de boazinha.
- Nossa próxima aula é na semana que vem, não vou conseguir te ajudar durante esses dias. - Remus disse, evitando o olhar desconfiado de Rosier e apenas apertou as mãos em um sinal de desconforto.
O motivo pelo qual Remus não poderia comparecer durante esses dias era bem claro. Na noite seguinte, aconteceria a lua cheia, e isso já refletia no garoto a sua frente: sua pele estava pálida, seus olhos, fundos e vazios, seu sorriso era forçado e ele parecia se esforçar até para conversar. Por um momento, sentiu pena.
- Claro, tudo bem, vou levar esses dias como umas férias. - Ela respondeu e ele não evitou de sorrir, logo pegando um papel e anotando algumas coisas.
- Nada disso, quero que você leia esses livros e depois faça um resumo explicando como nosso mundo atual foi afetado pelos bruxos das trevas e os considerados comuns. Não tem uma resposta certa, então apenas escreva sua opinião. - Em seguida, ele lhe entregou uma lista com três livros, já tinha lido cada um deles, mas resolveu não comentar.
- Acho que você deveria ser professor no futuro, você leva jeito. - Rosier comentou, guardando a lista com os outros materiais em sua bolsa.
- Seria interessante, mas não sei se os alunos gostariam da ideia. - Respondeu com um sorrisinho e revirou os olhos, segurando uma risada.
- Tirando o fato de você me passar milhares de deveres e textos, eu não tenho do que reclamar. E se eu não reclamo, certamente ninguém mais fará. - Ela havia sido sincera, por mais que soubesse toda a matéria na ponta da língua e achasse uma perda de tempo estar ali, realmente apreciava a companhia do maroto e as conversas amigáveis durante os intervalos.
- Quem sabe um dia, né? E você, já pensou no que fazer? - Remus perguntou, ajeitando a franja que caía sobre os olhos. Por um segundo, controlou o impulso de ajeitar por ele, e apenas deu um sorriso de lado.
- Não, ainda não sei, gosto de muitas coisas, mas nada suficientemente bom para que meus pais aprovem. - Os pais da garota queriam que ela ajudasse o Lorde das Trevas, para que, dessa forma, a família tivesse sua riqueza e reputação intactas. Mas ela queria ir além, apesar de gostar do dinheiro, sabia que não era a única coisa que importava. Ela gostava mesmo era de desenhar, seu quarto na mansão Rosier era repleto de papéis com retratos de pessoas, pinturas e materiais para desenho.
- Seus pais parecem difíceis. - Foi a única coisa que o garoto respondeu e apenas soltou um riso fraco, ele não imaginava o quanto.
- Ei, moony, você não acredita no que a Lily fez. - Um Potter agitado chegou até a mesa dos dois e mesmo com as reclamações de Madame Pince o grifinório não se incomodou em continuar. - Eu estava andando no corredor sozinho, porque o Peter está dormindo, o Sirius com alguma garota nova e… - não ouviu o resto, pois congelou no momento em que ouviu o nome de Sirius e que ele estava com outra garota.
Ela não deveria estar surpresa, afinal, estavam falando de Sirius Black, o garoto que vivia rodeado das mais diversas companhias. Mas isso não evitou que o sangue da sonserina fervesse ao pensar que por pouco não fora burra o suficiente para se deixar levar pelo papo do maroto. Decidida a ignorar a frustração, voltou sua atenção até o garoto sorridente a sua frente e escutou o final da história.
- E, então, a Lily me olhou por mais de 10 segundos e eu juro por Merlim que ela estava com um olhar de apaixonada. - não conseguiu evitar a risada baixa e foi acompanhada de Lupin. - O que foi? Por que vocês estão rindo?
- Potter, já passou pela sua cabeça que ela poderia estar te olhando porque você está absolutamente ridículo com esse cabelo verde? - respondeu, se levantando, e tirou um pequeno espelho da bolsa, entregando na mão do garoto para que ele pudesse ver o desastre que estava.
- Eu não acredito, meu cabelo está assim desde a hora que eu cheguei? - Ele perguntou com os olhos arregalados ao olhar seu reflexo, e Lupin quase choravam de rir.
- Sinto em te dizer que sim, prongs. - O amigo respondeu e James parou por um instante e começou a pensar.
- Isso é coisa do Sirius, eu tenho certeza! Antes de sair do quarto, ele me deu um copo que dizia ser água e eu bebi, mesmo achando o sabor meio estranho. Agora, estou ridículo e minhas chances com a Lily foram arruinadas. - O garoto passou a mão pelos fios em um sinal claro de irritação, o que bagunçou mais ainda o desastre que estava seu cabelo. - Não sabia que ele tinha alguma chance com ela. - sussurrou próxima a Remus e ele concordou dando risada. - Sabe como consertar isso, né?- Perguntou, sabendo que o efeito passaria em 3 horas ou eles poderiam fazer uma poção para voltar ao normal.
- Sei, mas deixa ele sofrer mais um pouco. - Lupin respondeu e ambos continuaram dando risada da situação. Até que, ao olhar no relógio, percebeu que faltava poucos minutos para a detenção e não queria se atrasar como no dia anterior.
- Bom, meninos, por mais que eu goste de dar risada das besteiras que vocês fazem, preciso ir para a detenção e, quem sabe, parabenizar o Black por te dar um novo visual, Potter. - Rosier pegou sua bolsa e achou melhor deixar o espelho com James, já que ele estava se encarando há pelo menos 5 minutos. Antes de sair, ela deu um meio sorriso a Lupin, que retribuiu no mesmo instante, e então caminhou até a porta.
- Diga àquele desgraçado que não vou ajudar ninguém a fugir hoje. - Potter gritou e deu risada antes de ouvir Madame Pince se levantar e ir até o fundo brigar com o garoto.

*********

- Não estou atrasada, né? Não tive tempo de jantar, então só corri para o salão principal e consegui um pedaço de torta.- perguntou ao chegar na porta da sala de troféus e encontrar o Black sentado no chão.
- Não, o Filch ainda não chegou. - Sirius respondeu sem nenhuma animação ou sarcasmo, o que de fato era estranho, mas a sonserina apenas ignorou e comeu sua torta antes do zelador chegar.
Já fazia pelo menos duas horas que os dois estavam limpando os troféus em silêncio, poucas palavras foram trocadas e não passavam de perguntas sobre que horas eram ou se já estavam acabando.
Cansada de esfregar, desceu das escadas e se sentou no mesmo monte de bandeiras da noite passada. Sirius apenas a olhou de canto de olho, mas não disse nada, a garota não aguentou e antes que percebesse, falou:
- Está com algum problema comigo, Black?- Sirius permaneceu um tempo em silêncio e não se moveu antes de responder.
- Sempre tive, Rosier, não sei por que a surpresa. - revirou os olhos e suspirou, se colocando de pé e andando até a ponta da escada que o garoto estava.
- Não estou, mas é que até o seu silêncio me deixa desconfiada. - Dessa vez, Sirius sorriu e desceu da escada, parando em frente a garota.
- Quer que eu faça uma lista de coisas que desconfio em você? - O grifinório perguntou, cruzando os braços e arqueando as sobrancelhas.
- Fica à vontade. - respondeu sem perder a postura de indiferença.
- Certo, posso começar com o fato de que você nunca teve um amigo de verdade; em todos esses anos, ninguém ficou ao seu lado por mais de uma semana e eu acho isso estranho até para você. Segundo, seu olhar me intimida e você sempre encara todo mundo como se fosse superior. Terceiro, você certamente sabe esconder o que sente e até agora eu não entendo como você pode ignorar o que aconteceu ontem e… - Antes que o garoto pudesse continuar, soltou uma risada e interrompeu.
- Então é isso, Black? Está chateado, porque não fiquei beijando seus pés? Isso fere seu ego de “garoto mais galinha de Hogwarts?” - Rosier perguntou com um sorriso nos lábios e Sirius arregalou os olhos de surpresa.
- Não, não foi isso que eu quis dizer, eu só não entendo o que isso significa e… - Mais uma vez Sirius não teve a chance de terminar antes de ser interrompido.
- Isso não significa nada, a menos que você queira fazer isso significar alguma coisa, o que não é o caso, certo, Black?- perguntou com um sorriso irônico preenchendo seus lábios.
- Certo, Rosier, finalmente concordamos em alguma coisa. - Respondeu Sirius depois de um tempo e deu uma piscada para a garota, voltando a limpar o troféu em suas mãos.
- A propósito, gostei do novo visual do Potter. - disse após um silêncio desconfortável se instalar.
- Você viu? Ele ficou parecendo aquele quadro da árvore viva que tem no terceiro andar. - Sirius disse, concordando e dando risada.
E, naquela noite, os dois não tocaram mais no assunto do quase beijo, apenas conversaram algumas besteiras. Por um momento, Rosier sentiu o peso sair de seus ombros, mas não por muito tempo, já que na noite seguinte iria seguir os garotos para ter certeza de que suas desconfianças sobre Lupin poderiam ou não ser reais.


Capítulo 06

Potter realmente falou sério quando disse que não iria ajudar Sirius a se livrar da detenção na última noite. Sendo assim, ele e só foram liberados horas depois e tiveram que correr para os dormitórios, já que o toque de recolher havia tocado.
Mesmo com poucas horas de sono, Rosier se viu obrigada a levantar da cama na manhã seguinte e se arrumar para as aulas, a primeira delas seria de poções, com a lufa-lufa. Após colocar seu uniforme e arrumar seu material, a garota saiu em direção ao salão comunal, onde encontrou Regulus com um olhar ansioso sobre ela.
Conforme chegou ao final das escadas, o Black logo se aproximou e ambos saíram do salão, buscando um lugar mais calmo para conversar. Chegaram então na torre de astronomia, e antes que pudesse questionar o mais novo, se calou e pegou a carta que ele havia estendido em sua direção.
- O que é isso? - Perguntou ao notar o bordão da família Rosier juntamente com o da Black.
- Recebi hoje de manhã, não aguentei a ansiedade e acabei lendo, mas é para os dois. - Respondeu o mais novo e se encostou na janela, olhando o clima ensolarado lá fora. então começou a ler.

“Regulus e , estamos enviando essa carta como um aviso do quão importante é que vocês se mantenham firmes nas suas convicções e nos informem de tudo que está acontecendo. Isso deveria ter acontecido desde o primeiro dia de aula e a única coisa que recebemos foi um aviso de que Rosier está de detenção, sua mãe está decepcionada, . Contudo, nem tudo está perdido e, mesmo de longe, estamos de olho e achamos que ficariam felizes em saber que a família Malfoy tem interesse em se juntar à causa. Conversem com Lucius o quanto antes, ele será um bom aliado. Sigam com o objetivo para que no final todos possam ser recompensados como devemos, vamos aguardar por novidades.

Sam e Amelia Rosier, Orion e Walburga Black”


- Não sei por que espero pelo menos uma despedida decente. - Comentou , forçando um sorriso e Regulus concordou fazendo o mesmo.
- Vamos falar com o Lucius?- Perguntou o sonserino e negou, dobrando o papel ao meio e devolvendo ao garoto, não fazia questão de ficar com a carta.
- Por enquanto não, não confio nele, vamos continuar do jeito que planejamos, não precisamos ficar cumprindo ordens. Afinal, eles não se incomodaram nem em mandar uma carta separada para ver como os filhos estão. - A garota comentou com sarcasmo na voz e ambos decidiram descer para as aulas.
Apesar de mais novo Regulus era pelo menos uns 30 centímetros mais alto que e isso não passava despercebido pelos corredores enquanto andavam. Devido à aproximação dos dois e de suas famílias, todos achavam que ambos eram um casal, e apesar de não ser verdade eles se divertiam com isso. Logo, os dois sonserinos se separaram, já que teriam aulas diferentes.
Ao chegar na sala de poções, a maioria das mesas já estava ocupada e antes que se sentasse ao lado de Snape, o garoto explicou que o professor havia pedido para formarem duplas de casas diferentes.
, então, suspirou e depois de julgar internamente todos os lufanos, ela notou a garota de cabelos pretos sentada próxima à janela. Se não estava enganada, seu nome era Joana Roux e era uma das queridinhas da casa. Rosier só a conhecia, porque havia um boato de que ela gostava do Regulus, e foi por isso que ela resolveu se sentar ali, poderia se divertir.
- Posso? - Perguntou, forçando um sorriso e colocando os livros sobre a mesa. Joana a olhou surpresa e logo seu rosto repleto de sardas foi se corando.
- Claro, fica à vontade. - Respondeu a morena, dando espaço para Rosier, que se sentou e ajeitou o material.
Logo o professor chegou na sala e deu início à aula. As meninas não conversaram nada além do que havia sido proposto para aula e foram a primeira dupla a terminar com perfeição, ganhando tempo até a aula acabar. Segundo o horário de , ela estaria livre antes do almoço, então planejou acompanhar o treino de quadribol da grifinória.
- Qual a sua próxima aula? - Perguntou Joana, chamando a atenção da sonserina, que estava distraída por tempo demais.
- Não tenho aula antes do almoço, apenas depois. - Respondeu com um meio sorriso e então percebeu a inquietação da lufana ao seu lado. - Quer me dizer alguma coisa, Roux? - Perguntou , se segurando para não rir do nervosismo da garota ao lado.
- Não, quer dizer, sim, mas não sei se você vai gostar. - A garota então tomou coragem para encarar a sonserina e recebeu um olhar de interesse, a motivando a continuar. - Daqui a algumas semanas, vamos ter um baile para comemorar o início do solstício de verão, e bem eu não tenho um par e gostaria de convidar o Regulus Black. Mas se ele for com você, tudo bem, eu não me importo, posso procurar outra pessoa, tenho certeza de que o Isaac aceitaria, apesar dele ser muito sério e ter um cheiro estranho, mas…
- Ei, Roux! - Rosier estalou os dedos na frente da menina, chamando sua atenção e fazendo com que ela parasse de falar. - Fique à vontade para chamar o Regulus, não pretendo ir com ele e não ficarei chateada. - Respondeu com sinceridade. provavelmente não iria ao baile e não via motivos para impedir que Regulus fosse com alguém, principalmente sabendo que o interesse da garota era recíproco.
- Sério? Ai meu Deus, você é a melhor, não sei por que as pessoas têm medo de você… - A morena parou de falar no instante em que voltou à postura séria. - Quer dizer, obrigada, espero que possamos nos encontrar por lá.
A sonserina não respondeu nada, apenas deu um leve sorriso e permaneceu em silêncio o resto da aula. Ela sabia que sua reputação não era agradável e em alguns momentos aquilo a afetava mais do que gostaria de admitir, mas como sempre fora boa em disfarçar suas emoções, apenas se despediu da lufana antes de sair da sala e ir para seu dormitório.
Após um banho rápido para se livrar do cheiro de fumaça que os caldeirões de outros alunos deixaram em seu uniforme, colocou uma roupa mais leve e pegou seu caderno de desenhos. Depois, saiu do quarto e seguiu para o campo de quadribol.
O dia estava ensolarado e era tudo que ela precisava. A garota se sentou em um canto da arquibancada longe o suficiente para que nenhum balaço a atingisse ou algum grifinório a incomodasse. Mesmo com os gritos de Potter tentando organizar o time, ela se manteve imersa em seus desenhos por algum tempo, desenhou um retrato de Regulus quando o observou pela manhã; os cabelos despenteados, caindo no rosto, o uniforme perfeitamente ajustado, a pele pálida e os sinais de olheiras profundas, que ele com certeza tentava esconder com magia. Mesmo assim, achou lindo e a imagem ficou em sua cabeça até o momento que pode retratar no papel.
Após terminar o desenho, a sonserina notou que os gritos haviam cessado e que apenas o vento passando entre as árvores era audível, foi quando, ao olhar para frente, Rosier se deu conta de que tinha companhia.
Sirius estava sentado em sua vassoura, olhando a garota com um sorriso estampado nos lábios. O uniforme vermelho dava um tom selvagem no garoto, os cabelos presos em um coque mal feito iam caindo em seu rosto e grudavam em sua testa suada. sentiu vontade de desenhar aquela cena, mas, se fizesse, estaria admitindo que achava o Black digno de um retrato, e ele com certeza não era.
- Estava me perguntando quando você iria notar minha presença. - Disse o maroto e se aproximou mais um pouco com a vassoura. rapidamente fechou o caderno e revirou os olhos antes de responder. - Não acho que você seja bom o suficiente para ter minha atenção. - Respondeu, dando de ombros, e se levantou preparada para sair, logo teria que se arrumar para o plano noturno.
- Eu duvido muito disso, mas queria apenas te avisar dos meus planos para hoje. - Disse o maroto, a acompanhando pelo ar.
- E quais são seus planos? Colocar fogos de artifício na sala do Filch? Roubar a comida da cozinha? Se engraçar com alguma secundarista?
- São todas boas idéias, Rosier, você tem uma mente brilhante! Mas não, tenho algo importante para resolver, então não irei para a detenção. - Sirius respondeu, dando de ombros.
- E como você pretende escapar? - Perguntou , chegando ao chão e parando por um instante para observar o garoto.
- Vou me machucar e então irei para a enfermaria, onde ficarei o resto da noite. - Respondeu com um sorriso triunfante, como se acabasse de ter a melhor ideia de todas.
- Vai se machucar? Está planejando isso? - Perguntou Rosier, segurando o riso.
- Sim e, na verdade, vai acontecer exatamente agora. - Sirius deu uma piscada para a garota antes de pegar impulso e subir uma altura considerável, então se colocou em pé na vassoura e pulou.
- Meu Merlim, Sirius Black, no que você estava pensando? - perguntou ao correr em direção ao maroto deitado no chão.
- Agora, eu tenho um braço quebrado e não preciso ir para detenção, comemore comigo, Rosier. - Respondeu o garoto sorrindo abertamente, mas logo gemendo de dor. - Hm, você pode pegar minha vassoura e me levar até a enfermaria?
- Você é o maior idiota que eu conheço, Black. - Disse e caminhou até a vassoura caída, que, por sorte não havia quebrado. Enquanto estava de costas, ela se permitiu sorrir, mas logo voltou a postura séria e o ajudou a se levantar, caminhando até a enfermaria.
- Então, vou ter que ficar na detenção sozinha? Você sabe que o Filch e aquela gata dele me assustam. - Reclamou a sonserina enquanto passavam pelos corredores.
- Quem poderia imaginar que a temida Rosier teria medo de alguma coisa? Não posso esconder minha surpresa. - Sirius deu risada, a garota então deu um soquinho no braço quebrado do Black e ele logo parou, gemendo em resposta.
- Você poderia fazer o mínimo e me ajudar, afinal eu poderia ter te deixado caído no campo até agora, mas estou aqui demonstrando o mínimo de humanidade. - Dramatizou , ela não precisava de ajuda, sabia como se livrar de Filch, mas naquele instante viu a oportunidade perfeita para convencer Sirius e depois segui-lo.
O grifinório permaneceu um tempo em silêncio, observando com firmeza o rosto da sonserina, como se buscasse por alguma pista do que ela planejava, mas jamais conseguiria, sabia como convencer alguém.
- Certo, Rosier, vou te ajudar hoje, apenas me espere na sala de troféus, como todos os dias. Assim que o Filch sair para a ronda, o seu príncipe salvador, que caso não tenha ficado claro, sou eu, abrirá a porta e te salvará. - Finalizou com uma piscada.
não disse mais nada, apenas revirou os olhos e continuou segurando o Black até chegarem à enfermaria. Apesar de não demonstrar, estava extremamente satisfeita, tudo estava indo melhor do que o esperado.


Capítulo 07

Depois de deixar o grifinório na enfermaria e concordar com cada palavra de madame Pomfrey de como ele era irresponsável, seguiu para as masmorras. Estava implorando por um banho, só assim poderia se livrar do cheiro característico de Sirius Black.
- Você parece horrível, o que aconteceu? - Foi a primeira coisa que escutou ao entrar no quarto e ter a atenção de Narcisa.
- Cortesia do seu primo. - Respondeu Rosier, procurando por roupas limpas em suas gavetas.
- Por merlim, qual deles? Não me diga que foi o Sirius! Eu adoraria ter você na família, mas, você sabe, ele não é bem-vindo, então, escolha o Regulus e podemos sair em casais. Quer dizer, o Lucius não gosta muito dele, mas tudo bem, ele pode se acostumar com isso, estou tão feliz! Você é uma Black! - Narcisa disparou com excitação e até mesmo jogou os braços em volta da morena em um abraço desajeitado.
- Você só pode estar ficando louca, né? - se desvencilhou do abraço e olhou para Narcisa como se ela tivesse acabado de dizer algo absurdo, e realmente era. - Não fiz nada com nenhum dos dois e nem pretendo fazer. O renegado se machucou e eu ajudei levando-o para a enfermaria, só isso. Agora, saia da frente, preciso de um banho. - Em seguida, Rosier caminhou para o banheiro e fechou a porta com força.
Narcisa permaneceu em silêncio, com os olhos arregalados e o rosto corado de vergonha. pensou em sair para pedir desculpas, mas seria exigir demais, a sonserina não pedia desculpas a ninguém. No entanto, quando observou seu reflexo no espelho, não conseguiu esconder um meio sorriso e entender o porquê da companheira havia pensado que ela estava fazendo algo suspeito com algum Black.
Seu cabelo estava uma bagunça, repleto de nós, afinal, durante o caminho inteiro, Sirius se apoiou nela e ficou esfregando o braço nas mechas antes perfeitamente organizadas; seu rosto estava com algumas gotas de suor devido à caminhada e suas mãos sujas de terra e alguns resquícios de grama, se sentiu deplorável e seu único desejo era que Black tivesse quebrado todos os ossos durante a queda.
Ao sentir a água escorrer por todo seu corpo, se sentiu completamente relaxada, nada mais importava além da sensação de paz que a atingia naquele instante. Sua única preocupação era desembaraçar os fios bagunçados e deixá-los perfeitos novamente, mas o momento logo passou e deu início a uma inquietação constante: em algumas horas, ela teria que colocar outro sorriso angelical no rosto e agir como se não planejasse o pior dos destinos para os quatro marotos.

[…]
Do outro lado do castelo os meninos conversavam alegremente no dormitório, em dias como esse toda forma de animar Lupin era válida, até mesmo deixar que Lily lhes fizesse companhia.
- Sabe o que eu percebi?- Perguntou a ruiva, ela estava deitada na cama ao lado de Remus. Potter praticamente o fuzilava com o olhar, mas era ignorado fortemente pelos dois.
- O que, Evans? - Sirius demonstrou interesse após parar de rabiscar o gesso que Madame Pomfrey havia lhe dado.
- Já tem algum tempo que a Rosier não briga com vocês, na verdade, parece que estão se dando bem, aconteceu alguma coisa? Algum tipo de milagre? - Observou e sorriu, sendo acompanhada dos meninos.
- Ninguém consegue odiar a gente por muito tempo. - James respondeu, sorrindo. - E ela também tem algumas aulas particulares com o Moony, aposto que ele fala bem da gente. - Potter piscou na direção do amigo.
- Definitivamente não, na verdade, não conversamos nada além do que está na matéria.- Lupin comentou em um tom baixo e que soou desapontado.
- Você ainda gosta dela? - Peter foi direto em perguntar e todos presentes no quarto olharam surpresos para a cama onde o maroto estava.
- O quê? Como assim ainda? Você já gostou dela, Lupin? - Sirius foi o primeiro a perguntar, não escondendo o choque através das palavras.
- Obrigado, Peter, você é o melhor em guardar segredos. - Respondeu sarcástico e jogou uma almofada no menor, que apenas resmungou um pedido de desculpas. - É complicado, ela foi uma das primeiras garotas que chamou minha atenção desde o primeiro ano, mas nunca aconteceu nada e eu duvido que vá.
- Mas você quer que aconteça, não é? - Potter perguntou com um sorriso malicioso, deixando Remus envergonhado, tentando esconder uma risada. - Moony, Moony, você está se revelando mais perigoso a cada dia.
- Por que estamos falando sobre ela mesmo? Daqui a pouco anoitece e ainda não planejamos o que fazer essa noite. - Sirius resmungou sem nenhum tipo de divertimento na voz ou no rosto.
- Sirius tem razão. - Lily concordou após permanecer em silêncio, apenas escutando as besteiras que os marotos falavam.
- Tenho? - Black indagou, surpreso, e logo sorriu orgulhoso. - Claro que tenho.
A partir disso, o grupo de grifinórios começou a discutir como fariam para sair durante a noite: Lily ficaria no salão comunal, observando se alguém notaria a falta dos garotos enquanto estivessem na casa dos gritos.
Entretanto, só ela parecia realmente interessada em planejar algo. James concordava com tudo que Evans dizia, sem esconder o interesse na ruiva, Peter estava distraído demais com sua caixa de doces, Sirius planejava secretamente como iria ajudar Rosier a se livrar da detenção, e Lupin carregava uma expressão séria.
O garoto nunca havia parado para pensar sobre o que realmente sentia pela sonserina. Durante os primeiros anos, ele gostava dela em segredo - até o dia que Peter acordou no meio da noite e escutou o maroto resmungando o nome dela durante um sonho. Desde então, era um segredo dos dois, mas agora que todos sabiam, esses sentimentos reprimidos voltaram à tona. Ele percebeu, então, que estava completamente apaixonado por Rosier.
- Estou completamente fodido. - Sussurrou o maroto no ouvido de Lily.

[…]

Durante o resto do dia, fez suas lições para aula do Lupin, escreveu um resumo sobre cada um dos livros listados, deu uma lida rápida, uma vez que sabia todo o conteúdo, mas ainda assim não queria perder nenhum detalhe.
Um dos livros contava sobre os bruxos das trevas mais influentes e seus legados. Na opinião de Rosier, o mais inteligente deles foi Grindelwald, sua influência foi tão grande, que até mesmo países de outros continentes se aliaram a sua causa. Ele era tão experiente quanto Dumbledore, não era surpresa o fato deles terem sido próximos, antes do diretor o mandar para prisão.
repassava isso muitas vezes em sua cabeça. Não se considerava íntima de Lupin, Sirius ou qualquer um dos marotos, mas, se seu plano desse certo, ela logo se tornaria amiga deles e poderia compartilhar seus ideais, será que seria bem vista? Ou seria questão de tempo para que se virassem contra ela e lhe mandassem direto para Azkaban? Esse era o motivo pelo qual confiar em alguém era a tarefa mais difícil para a sonserina.
Mas falhar não era uma opção, não quando toda a família Rosier esperava apenas o melhor da única filha; quando o Lorde das Trevas a escolheu pessoalmente para servi-lo; quando o futuro de todos estava em suas mãos. não se deixaria ser vista como fraca por ninguém.
Completamente decidida a continuar com o plano, a morena guardou seu material e organizou o quarto antes de descer para o jantar. No caminho, ela não viu nenhum dos meninos e imaginou o porquê, sua única esperança era que Black se mantivesse fiel ao plano de ajudá-la a sair da detenção.
- É raro te ver durante o jantar. - Snape comentou casualmente enquanto a garota se sentava ao seu lado, se servindo de um purê de batatas e uma carne ao molho.
- Não costumo comer à noite. - respondeu simples. Na verdade, a garota não costumava comer nunca, estava sempre tão focada em algo que comer era uma de suas últimas preocupações, sendo considerada até mesmo perda de tempo.
- A poção de acônito deve ficar pronta em alguns dias. - Severus sussurrou, olhando para os lados e notando que ninguém prestava atenção na conversa.
- Ótimo, isso vai facilitar algumas coisas. - Rosier respondeu, sorrindo de canto. Apesar de ser muito boa em poções, ela estava tendo problemas com essa e então pediu ajuda para Snape, que no mesmo instante se ofereceu para terminar.
- Vai para a detenção hoje? Soube que o Black quebrou o braço e não vai estar lá, patético. - Resmungou o garoto ao seu lado.
- Vou, não sou idiota igual a ele para quebrar algum osso apenas para fugir. - deu de ombros e terminou sua refeição. Em seguida, se levantou e com um aceno se despediu do colega de casa.
No caminho para as masmorras, ela olhou para cada corredor, janela, sala e cantos suspeitos, na esperança de achar pelo menos um dos quatro marotos, mas não encontrou nada além de alunos insignificantes e espaços vazios.
Quando deu o horário da detenção, já havia trocado de roupa e usava um casaco, se fosse andar pelo castelo não gostaria de passar frio. A sala de troféus parecia mais suja e empoeirada que de costume, como se Filch sujasse todas as noites de propósito, e ela não duvidava disso.
Uma vez sozinha na sala empoeirada, a garota se sentou na mesma pilha de bandeiras de sempre e ficou observando o teto. Sua mente dizia que ela deveria parar de esperar alguma coisa vinda de Black, mas algo no fundo lhe dizia para esperar. E ela esperou, pelo que julgou ser dez, quinze, vinte minutos, até que a irritação tomou conta de seu corpo e ela se levantou, pronta para sair do seu próprio jeito.
havia achado um bastão velho no meio de uma caixa com itens de torcida. O ferro estava tão velho e marcado que deveria ter sido atingido muitas vezes por balaços durante os jogos, era o objeto perfeito para quebrar a fechadura e sair. Depois, quando recuperasse sua varinha, a garota poderia consertar o estrago.
A sonserina nunca se interessou em jogar quadribol, mas devido a sua obsessão em ser a melhor em tudo, ela aprendeu a jogar desde pequena. Se estivesse em um time, seria a batedora, sua habilidade com o bastão era surpreendente e, quando ela se aproximou da porta para bater, o objeto se movimentava perfeitamente em suas mãos.
No entanto, quando ela deu o impulso para acertar a fechadura, a porta subitamente se abriu e ela não teve tempo de parar seu movimento: o bastão então acertou o ar e em seguida caiu no chão, fazendo um estalo, resultando em um Sirius Black totalmente assustado e prestes a dar um chilique.
- MAS QUE PORRA?! ROSIER, NO QUE VOCÊ ESTÁ PENSANDO? - Gritou Sirius, com uma mão no coração e com os olhos arregalados. Por sorte, ele não foi atingido, se não teria de passar a noite na enfermaria.
- Cala boca, Black, quer acordar Hogwarts inteira? - disse de forma autoritária.
- Você definitivamente ficou louca, não é? Quer dizer, sempre achei que fosse, mas acabo de ter certeza. - Sussurrou o garoto, normalizando sua respiração e ajeitando os fios de cabelo bagunçados.
- Achei que você não ia aparecer, então estava dando meu jeito, não ia machucar ninguém. - respondeu com a voz baixa.
- Por que não apareceria? Eu disse que ia te ajudar, Rosier. - Sirius respondeu com um leve tom de ofensa na voz, suas sobrancelhas levantadas.
- Porque você demorou, Black, e fiquei cansada de esperar. - Respondeu, dando de ombros e guardando o bastão novamente na caixa, poderia vir a ser útil em outra ocasião.
- Devo te lembrar de que estou machucado, sendo assim, é muito mais difícil fazer alguma coisa. - Sirius ergueu o braço engessado para e ela reparou na quantidade de corações e frases desenhadas nele, a garota se segurou para não revirar os olhos. - A propósito, peguei sua varinha, me agradeça depois, Rosier. Estou com um pouco de pressa, então, vou indo. - O grifinório respondeu, jogando a varinha para garota, que segurou perfeitamente e saiu caminhando, sem esperar por uma resposta.
Sem pensar duas vezes, a sonserina fechou a porta, ajeitou suas roupas e empunhou a varinha para seguir Sirius de longe. Eles caminharam por pelo menos dez minutos, Black parecia nervoso e olhava o tempo todo para trás, se certificando de que estava sozinho. Por sorte, era muito boa em se esconder e rápida o suficiente para passar despercebida.
No entanto, quando chegaram ao jardim, Rosier perdeu o garoto de vista; ele simplesmente desapareceu, a deixando frustrada. Ela então se escondeu atrás de um arbusto e decidiu esperar até que ele ou algum dos meninos aparecesse.
Alguns minutos se passaram e nada além do vento era audível, a escuridão cercava o castelo e começava a sentir a ponta dos dedos tremerem de frio. Foi quando ela ouviu passos atrás de onde estava escondida e um cheiro de cachorro molhado que ela reconheceria como sendo de Sirius.
- Olha, Black, eu juro que não estava te seguindo, é que tá uma noite tão linda, pensei em vir tomar um ar, porque você sabe todo aquele pó da sala de troféus me faz mal e… - começou a se explicar, virando lentamente para trás, mas ao invés de encontrar Sirius, ela realmente se deparou com um cachorro.
O cachorro tinha um porte grande, preto como a noite, chegava até a cintura da sonserina e estava com a cabeça inclinada para o lado, com as orelhas em pé, como se prestasse atenção em cada palavra e com um olhar divertido no rosto.
se sentiu como uma idiota, se justificando para um cachorro, então deu risada, uma risada sincera e inesperada, fazendo até mesmo o animal estranhar.
- Ei, me desculpe, acho que te ofendi te chamando de Black, né? Você é muito mais bonito que aquele idiota. - Rosier sorriu e se abaixou, ficando na altura do cachorro, ergueu sua mão para acariciar sua cabeça, mas ele recuou, indo para trás.
Foi então que ela percebeu que ele estava com uma das patas machucadas, e no momento em que a garota se afastou, o cachorro soltou um choro baixo. Rosier sentiu seu coração apertado e tentou pensar em uma forma de ajudar.
- Você tá com a pata machucada, deixa eu te ajudar. - Ofereceu, se aproximando lentamente do animal. Dessa vez, ele não recuou, mas parecia inseguro em deixar ser tocado.
então tirou seu casaco e, com um pouco de esforço, rasgou uma das mangas. Olhou para o cachorro, ele mantinha seu olhar curioso, mas não se incomodou quando a garota colocou a pata machucada em sua coxa e enfaixou com o pedaço de tecido.
- Olha, é o que posso fazer agora, mas se você quiser aparecer pela manhã, tenho certeza de que alguém pode te ajudar. A Madame Pomfrey sabe mais sobre curativos do que eu. - A sonserina sorriu fraco e finalizou a atadura.
Quando seu olhar cruzou mais uma vez com o do animal, ela pôde observar algumas lágrimas se formando nos olhos escuros. nunca se sentiu tão grata por fazer algo bom e isso foi retribuído quando o animal pulou em seu colo, distribuindo lambidas em seu rosto.
- Ei, ei, eu tenho uma reputação a manter, não pode me deixar desarrumada assim. - Rosier brincou, dando risada e segurando o cachorro para controlá-lo; aproveitou para fazer um carinho e notou como seu pelo era macio e bem cuidado.
Com o plano de perseguir os garotos arruinado, não achou nada mais interessante para fazer do que ficar ali, sentada, brincando com o cão. Em muito tempo, ela não dava risada como naquele momento, e assim foi durante quase toda a noite. Ela desabafou sobre como se sentia sozinha em alguns momentos, contou sobre suas aulas com Lupin e como ele era extremamente inteligente, reclamou sobre como Sirius sempre conseguia tirá-la do sério e sorriu ao falar de como sua vida tem mudado a cada dia.
Apenas quando o sol começou a aparecer no horizonte que o animal se levantou e a olhou uma última vez antes de sair correndo em direção ao Salgueiro lutador. Ao contrário do que Rosier esperava, ele não se machucou e conseguiu entrar no que parecia ser um buraco, só então ela se levantou e caminhou de volta para o castelo.
No caminho, se desfez dos restos de seu casaco e não se incomodou em perder a peça, podia comprar outras iguais, mas nada seria capaz de preencher a sensação de paz que mantinha em seu coração, causada apenas por um cachorro bobo, atrapalhado e que cheirava estranhamente igual a Sirius Black.


Capítulo 08

Nenhuma lua cheia era considerada fácil para Lupin, o garoto costumava avaliar suas noites em uma escala de dor com números de 0-10. Ele só atingiu o 10 uma vez, quando tinha 5 anos e sua primeira transformação aconteceu, desde então todas as outras beiravam 9/9,5, mas nunca o 10.
Durante seus primeiros anos em Hogwarts, ele escondeu esse segredo de quase todos, apenas Dumbledore, Professora Minerva e Madame Pomfrey sabiam de sua condição. Já era difícil demais para ele receber os olhares de pena dos adultos, tudo só piorou quando os meninos descobriram e começaram a tratá-lo diferente.
Remus nunca precisou da pena de ninguém, sempre fora muito bom em resolver os próprios problemas, arcar com as consequências de seus atos e aceitar seu destino, mas isso não convenceu os outros três marotos. Os garotos passaram meses estudando formas para se transformarem em animagos - uma vez que lobisomens não atacam animais - e quando finalmente conseguiram, não passaram mais nenhuma noite longe do amigo.
Pelo menos não até agora, levando em consideração que Sirius não estava presente na última noite, aparecendo somente quando o sol estava nascendo e a transformação acabando. Isso lhe rendeu olhares furiosos de James e Peter e, por mais que Lupin não tocasse no assunto, sua chateação era clara.
Sirius se sentiu culpado e o pior amigo de todos, ele não havia notado como o tempo havia passado rápido perto de Rosier. No início, ele queria apenas assustá-la quando a encontrou entre os arbustos, mas ela se demonstrou uma pessoa totalmente diferente naquela noite, um lado que Sirius nunca pensou que poderia conhecer, e isso o deixou fascinado por horas.
ainda não era a pessoa perfeita, estava longe disso, mas definitivamente ela não era o monstro que ele e outras pessoas julgavam ser; isso apenas ficou mais claro quando a garota tirou o próprio casaco e fez um curativo desajeitado na pata do grifinório.
- Qual a sua desculpa? Se perdeu na sala precisa com alguma corvina? - James sussurrou, irritado, para que apenas Sirius escutasse enquanto os meninos caminhavam de volta para o castelo antes do café da manhã.
- Não James, não estava com nenhuma corvina. - “Era uma sonserina” pensou em responder, mas ficou quieto. - Me desculpa, certo? Não fiz de propósito, apenas perdi a noção de tempo.
- Você sabe o quanto é importante para o Lupin ter todos com ele e mesmo assim consegue estragar tudo, sinceramente, Sirius Black, esperava mais. - James aumentou o tom, chamando a atenção dos outros garotos à frente.
- James, chega, tá tudo bem. - Remus disse em um tom baixo, não queria discutir naquele momento, estava cansado demais.
- Não, Lupin, ele foi irresponsável e… - O garoto começou a falar, mas foi interrompido ao olhar para o amigo e notar sua expressão séria, com as veias saltadas.
- Eu disse chega, Potter. - Lupin rosnou baixo, o lobo ainda estava acordado e mexendo com suas emoções. Ele olhou arrependido para James, que entendeu no mesmo instante e não se incomodou, apenas foi para o lado do amigo, o acompanhando até enfermaria e deixando Sirius sozinho para trás.

[…]

estava tão cansada da última noite, que faltou às aulas da manhã. Seus olhos estavam baixos e ela não conseguia se concentrar em nenhuma atividade por mais de cinco minutos. Enquanto os alunos estavam em aula, a garota decidiu caminhar pelo castelo; dormir não era uma opção, uma vez que se fechasse os olhos seria capaz de acordar depois de dias. Então, caminhou entre os corredores até o jardim, na esperança de encontrar o cachorro e levá-lo até Madame Pomfrey.
Quando chegou na área externa, nada parecia evidenciar a presença do animal. Os poucos estudantes ali presentes olhavam a sonserina como se ela estivesse louca quando ela abaixou-se atrás de alguns arbustos e chamou baixo pelo cão.
não disfarçou sua frustração em encontrar nada além de galhos secos e folhas caídas, foi então que ela se lembrou de ter visto o animal entrar dentro do Salgueiro Lutador.
Sem pensar duas vezes, Rosier ajeitou suas roupas e correu até a árvore. De longe, ela pôde observar o comportamento agressivo da planta, seus galhos torcidos dançavam sobre o ar e atingiam até mesmo o menor dos pássaros. A garota não entendia como o cachorro havia conseguido passar por ali ileso, mas, ao se aproximar, notou um buraco próximo a raiz, como uma passagem.
Com o cenho franzido e a cabeça repleta de hipóteses e possibilidades, olhou para os lados, se certificando de que estava sozinha, e caminhou lentamente até o buraco, prestando atenção para não ser atingida.
O buraco não era muito maior do que alguns centímetros, o cachorro poderia passar com facilidade, mas uma pessoa teria que se esforçar. Não havia nenhuma iluminação e, por mais que se esforçasse para espiar o que havia do outro lado, a garota não encontrou nada além da escuridão.
Com a cabeça baixa e os pensamentos confusos, não percebeu quando o Salgueiro contorceu seus galhos e se preparou para um ataque. Tudo foi muito rápido, em um piscar de olhos, ela estava caída no chão e com um corte no rosto.
Por sorte, a garota estava a uma distância segura para ser atingida apenas de raspão pelo galho. Mesmo assim, o corte em sua bochecha sangrava e manchava seu uniforme e suas mãos, provavelmente estava mais feio do que ela imaginava.
Com dificuldade devido ao cansaço, a sonserina se levantou e permaneceu com a mão no rosto, tentando esconder o corte dos olhares curiosos, enquanto caminhava para seu dormitório. Ela poderia resolver isso sozinha, se fosse até Madame Pomfrey teria de dar explicações e ela não estava com cabeça para pensar em uma.
Tentar entrar em um buraco na árvore mais temperamental de Hogwarts foi definitivamente a pior idéia que teve em meses, e tudo por conta de um cachorro idiota! Sua irritação era clara conforme caminhava com pressa e soltava suspiros pesados.
Mas foi no meio do caminho que Rosier achou que iria perder a cabeça, quando esbarrou com Remus Lupin em um dos corredores e deixou que sua mão caísse do rosto, revelando o corte e as manchas de sangue.
- ?! O que aconteceu? Como você se machucou? - Lupin se apressou em perguntar e tirou o cabelo da garota de seus ombros, para que pudesse analisar melhor.
Por um instante, ele pensou que tinha culpa. Imaginou que, de alguma forma, havia perdido a cabeça durante a noite e atacado a garota e, por Merlim, se ele tivesse feito isso, jamais se perdoaria. Mas então ele se deu conta de que passou o tempo inteiro com os garotos e que não poderia ter feito nada sem que eles percebessem. Uma sensação de alívio percorreu seu corpo, mas logo a preocupação o tomou de volta, se não fora ele, quem poderia ter feito algo assim?
- Tá tudo bem, é apenas um corte. - A garota respondeu, ríspida, e deu um passo para trás, se afastando do moreno.
- Um corte muito feio, quer que eu te leve até a madame Pomfrey? - Remus perguntou com o cenho franzido, observando todo o sangue. O garoto não pareceu se incomodar com a rejeição e se aproximou mais uma vez, segurando o queixo da menor.
A garota não queria visitar a enfermaria, além de parecer fraca e precisar dar explicações, ela ainda teria que lidar com o fato de que seus pais seriam avisados. E ambos não ficariam felizes em saber que ela andava se machucando atrás de besteiras ao invés de fazer o que lhe foi mandado.
- Não, está tudo bem, já disse, agora preciso ir. - Assegurou, olhando a expressão no rosto do colega, ele parecia realmente preocupado e alheio a tudo que ela dizia.
- Vou te ajudar com isso. - Remus segurou pela mão e, mesmo com diversas reclamações, a guiou pelos corredores.
Enquanto caminhavam com pressa, Rosier observou como Lupin estava naquela manhã: ele também não havia frequentado as aulas e o motivo era óbvio, algumas faixas cobriam suas mãos, seus olhos estavam cansados e uma palidez incomum preenchia seu rosto, pelo jeito a noite não foi das melhores.
Durante todo o caminho, ninguém disse nada, suas mãos continuavam unidas e por mais que quisesse se separar, pensou que seria melhor aceitar ajuda, afinal, pela preocupação do garoto o corte deveria ser realmente feio.
No entanto, quando chegaram à torre da Grifinória, a sonserina travou e Lupin foi obrigado a fazer o mesmo. Ambos se encararam, Rosier com um olhar de confusão e Lupin sem entender o motivo.
- Eu não vou entrar aí.- Resmungou a garota, soltando sua mão e cruzando os braços, tentando manter a postura inabalável.
- A caixa de primeiros socorros está no banheiro, precisamos entrar para pegar. - Remus explicou em um tom calmo.
- Não, eu não sou bem-vinda e não quero ser vista. Obrigada, mas posso me virar sozinha. - Dito isso, a morena começou a andar na direção oposta do garoto.
- Estou cansado demais para correr atrás de você, então, por favor, volte e entre naquela torre antes que eu vá chamar a Madame Pomfrey. - Remus respondeu, se segurando para não revirar os olhos.
- Você não faria isso. - se virou, encontrando um olhar divertido no rosto do garoto.
- Não tenha dúvidas disso, quer apostar? - Provocou o garoto, passando ao lado da sonserina e dirigindo-se até as escadas.
- Não, espera. - Rosier segurou o braço de Remus. Sua força não foi calculada e no momento em que apertou o pulso do garoto por cima do uniforme, recebeu um gemido de dor em resposta. Assustada, ela tirou a mão e olhou arrependida. - Eu vou com você. - Disse em um tom baixo e não se importou em pedir desculpas, mesmo que no fundo soubesse que era o certo a se fazer.
- Ótimo. - Lupin sorriu satisfeito e juntou suas mãos mais uma vez, na tentativa de passar segurança à garota e garantir que estava tudo bem.
Enquanto Lupin dizia a senha para entrar no salão comunal, permaneceu quieta ao seu lado e ajeitou as roupas antes de entrar; não queria olhares julgadores sobre si, ela não estava com paciência para isso.
Como o esperado, o pequeno número de alunos ali presentes olharam a sonserina com reprovação, recebendo um sorriso cínico em troca e algumas reviradas de olhos da parte de Remus.
- Quer esperar aqui? - O grifinório sussurrou em tom de brincadeira e deu um sorriso fraco.
- Você realmente quer me jogar para os leões, né? - Disse, com a voz sarcástica, e acompanhou Remus em uma risada.
Ambos subiram as escadas até os dormitórios, achava o sistema de Dumbledore falho em momentos como esse, afinal do que adiantaria proibir meninos no dormitório feminino e ignorar a situação contrária. Quando chegaram na porta do quarto, Lupin abriu uma fresta e colocou a cabeça para dentro, se certificando que nenhum dos meninos estava ali. Só então ele a abriu por completo e deu um espaço para a garota entrar.
- Geralmente, eu te levaria para jantar antes de trazer ao meu quarto, mas acho que estamos um pouco adiantados. - Remus sorriu e ergueu o braço, coçando a nuca, em um sinal claro de timidez.
- Você pode me pagar esse jantar em outro momento, então… - respondeu, dando de ombros e sorriu em seguida.
O quarto dos marotos era exatamente como ela esperava, um caos completo, mas que parecia organizado para eles, apenas de olhar para as camas já era evidente a quem pertenciam.
A cama de James era uma explosão de vermelho e símbolos da Grifinória, um de seus travesseiros era o rosto de um leão, tinha pôsteres colados na parede, uniformes espalhados pelo chão, óculos quebrados em cima do baú, revistas e artigos esportivos, tudo era característico dele.
Do lado de Potter, estava a cama de Peter, perfeitamente organizada, com travesseiros volumosos e lençóis limpos; seu baú tinha algumas peças de roupa para fora e embalagens de doces por cima, um retrato dos meninos estava em sua mesa de cabeceira junto com uma revista em quadrinhos trouxa.
Do outro lado do quarto, estava a cama de Sirius, uma perfeita bagunça, lençóis revirados e roupas jogadas. Havia uma prateleira em cima da sua cama repleta de discos, livros e pôsteres, tudo de artistas trouxas; seu baú era o único aberto e a maioria das roupas eram iguais: pretas e de couro.
E, por último, em frente à janela, estava a cama de Remus, arrumada, apenas com alguns livros e pergaminhos espalhados sobre a colcha. Ele não tinha pôsteres, mas em sua mesa havia alguns rabiscos que julgou ser o desenho de um mapa; seu baú estava perfeitamente fechado e ela não viu nenhuma peça de roupa espalhada, com exceção do moletom dourado que ele tirou no momento em que entraram no quarto.
- É tão ruim assim? - A voz do garoto preencheu o cômodo após um tempo de silêncio enquanto Rosier analisava.
- O quê? O quarto? - Perguntou, olhando para ele e recebendo um aceno em confirmação. - Não, na verdade, não, estava esperando cortinas rasgadas, fogos de artifício, música alta e esse tipo de coisa que lembra vocês.
Lupin não aguentou e soltou uma risada alta, sua cabeça foi jogada para trás e ele teve que segurar a barriga para controlar o riso. achou adorável e o acompanhou durante um tempo.
- Acho que se o quarto fosse apenas do Sirius e do James, com certeza seria assim, mas eu e Peter gostamos de coisas organizadas. - Explicou o garoto após o momento descontraído. - Você pode se sentar na minha cama, vou apenas pegar a caixa no banheiro.
não recusou a oferta e se sentou, toda aquela emoção pela manhã combinada com a noite em claro havia deixado a garota exausta. Ao se sentar, cruzou as pernas e esperou pacientemente pela volta do garoto.
Lupin voltou com uma caixa de primeiros socorros em mãos, se ajoelhou na frente da garota para que ficasse na altura de seu rosto, olhou o rosto firme da sonserina antes de cuidadosamente tirar alguns fios de cabelo da frente do corte.
- Está muito feio? - perguntou quando notou que o garoto segurava uma careta conforme analisava o machucado.
- Quer ver? - Perguntou e, quando recebeu uma confirmação, se levantou e caminhou para a cama de Sirius. Abaixo de toda bagunça, ele encontrou um espelho pequeno e levou para a garota, se ajoelhando mais uma vez.
- Isso está horrível. - sussurrou baixo, segurando o espelho com uma mão e passando a ponta dos dedos sobre o sangue seco do corte. Definitivamente, era um machucado feio e deixaria uma cicatriz pequena perto de seu olho esquerdo.
- Já vi piores. - Remus apontou para as cicatrizes de seu rosto e sorriu sem humor. Antes que pudesse lhe questionar, ele pegou o espelho de suas mãos e molhou um pano com água para limpar o ferimento.
- Me sinto como uma criança. - Rosier resmungou, emburrada, e Remus sorriu tentando passar o pano de forma delicada, para que ela não se machucasse.
- Quer me contar como isso aconteceu? - O garoto perguntou, olhando nos olhos da sonserina, que desviou no mesmo instante.
- Só se você me contar como conseguiu as suas. - respondeu se referindo às cicatrizes do maroto e, dessa vez, foi ele quem desviou o olhar.
- Algumas coisas são melhores se mantidas em segredo - Disse simplesmente e jogou o pano úmido em uma lata de lixo próximo a sua cama.
- Ninguém me machucou. - Rosier afirmou, para que Lupin tirasse aqueles olhos preocupados de seu rosto.
- Que bom. - Respondeu simples e suspirou.
O silêncio se instalou, sendo interrompido apenas por alguns resmungos de quando seu corte ardia e seguidos sempre por pedidos de desculpas do grifinório a sua frente.
- Prontinho, senhorita “Não vou entrar na torre da grifinória” - Remus brincou, imitando a voz da garota e ambos deram risadas.
- Obrigada, senhor “Ameaço garotas inocentes para conseguir o que quero” - Rosier sorriu e o garoto a acompanhou.
- Você não é inocente. - Alegou o maroto com um sorriso.
- Você também não. - Retrucou quando percebeu o quão próximos estavam. As mãos do garoto estavam repousadas na cama, uma de cada lado de seu corpo, seus rostos estavam próximos o bastante para que suas respirações se misturassem; o olhar do moreno era diferente de qualquer outro que ela já havia recebido.
- Você traz o pior em mim. - Murmurou o maroto com os lábios se encontrando levemente com os da garota.
- Pode me agradecer depois. - Rosier respondeu, sorrindo, e no instante seguinte sentiu seus lábios serem prensados em um beijo urgente.
Sua mente parou por um instante e ela não sabia se deveria retribuir ou afastar o garoto, então fez a única coisa que parecia certa: escutou seu coração e colocou as mãos nos ombros de Lupin, aprofundando o beijo.
Nenhum dos dois saberia descrever a sensação que pairava sobre aquele momento. Lupin havia esperado anos por isso e nunca sentiu nada parecido com o toque do garoto sobre seus lábios e as mãos apertando levemente sua cintura.
O tempo parecia ter parado apenas para que o casal pudesse aproveitar cada instante, a sincronia dos dois era perfeita e sorrisos escaparam durante o beijo.
Mas logo a falta de ar se fez presente e ambos tiveram que se separar, ofegantes e com mil pensamentos correndo entre suas cabeças.
passou a língua entre os lábios e se preparou para dizer algo, mas Lupin a interrompeu, negando com a cabeça.
- Por favor, não fala nada, principalmente se for algo maldoso.- Disse, sorrindo fraco, e a garota fez o mesmo.
- Eu só ia agradecer pela ajuda e dizer que devo ir, daqui a pouco os meninos chegam e eu não quero ser expulsa aos berros por Sirius e James. - Os dois sorriram e Lupin sentiu seu rosto corar ao julgar a sonserina daquela forma.
- Tudo bem, te levo até as masmorras. - Respondeu, tentando segurar um suspiro de frustração ao perceber que ela teria que ir.
- Não precisa, você já fez muito por mim hoje, posso ir sozinha. Você precisa descansar, não deve ter sido uma noite fácil. - respondeu calmamente e passou a ponta dos dedos sobre as cicatrizes do garoto.
Lupin arregalou os olhos levemente, mas não parecia surpreso. Ele sabia que a sonserina era esperta demais para não ligar os fatos e descobrir seu segredo, então ele não se importava, não quando mesmo sabendo a verdade ela escolheu ficar ao seu lado.
Com isso, os dois se separaram e, mesmo com Remus insistindo que poderia levá-la, se recusou e praticamente o obrigou a ir dormir. Eles não comentaram sobre o beijo e a garota esperava que continuasse assim, ela não sabia como lidar com suas emoções e não queria magoar o garoto.
No caminho de volta, ela encontrou com os outros marotos saindo da aula. Nenhum deles pareceu dar importância a sua presença, exceto por Sirius, que a encarou fortemente enquanto passava ao seu lado. Ou melhor, encarou o curativo que ela usava, o mesmo que Lupin mantinha no banheiro do dormitório.


Capítulo 09

Poucas coisas eram capazes de tirar Rosier do eixo. A garota conseguia contar nos dedos quantas vezes não teve o controle de algo - disciplina e inteligência eram seus lemas desde pequena. As garotas da sua idade se preocupavam em brincar o dia inteiro, mas não se encaixava com elas. Em sua percepção, brincar com bonecas, treinar em vassouras e correr sem direção eram uma completa perda de tempo. Ela se divertia muito mais lendo livros, desenhando retratos e montando planos para um dia fugir de casa.
Rosier planejou muitas e muitas fugas. Todos os dias, arrumava uma mochila pequena com duas peças de roupas, uma maçã esquecida durante o café da manhã, um livro sobre defesa contra a arte das trevas e um cordão com a inicial de seu nome. O último sendo o mais importante, já que fora feito por um dos elfos que trabalhavam para a família há anos e talvez seu único amigo, Logon.
Em sua primeira fuga, a garota não conseguiu passar dos portões da mansão. Estava de noite e o vento atingia com força as janelas e portas e assobiava através das árvores. percebeu que não seria inteligente da sua parte continuar com a ideia, correndo até o risco de morrer congelada em questão de minutos. Então, voltou para casa e fez anotações em seu calendário dos dias mais frios do ano, precisava evitá-los.
Sua segunda fuga foi durante o verão, quando as noites eram longas e quentes o suficiente para que ela conseguisse caminhar por algumas horas sem sentir os dedos endurecerem. E foi o que ela fez. Caminhou por três horas até chegar ao centro de uma pequena cidade trouxa, ninguém ali pareceu se importar com uma criança vestida com botas de chuva e vestido de joaninhas.
foi levada para casa após uma hora no vilarejo. Sua mãe atravessou facilmente para lá e sem dizer uma palavra segurou a garota pelos braços e aparatou. A garotinha passou uma semana trancada no quarto, perdeu seus livros e desenhos; a única coisa que estava autorizada a fazer era praticar maldições em pequenas criaturas do jardim, sempre acompanhada da mãe.
A família Rosier nunca fora do tipo que se importava com regras. A garota começou a aprender sobre magia e tudo que envolvia seu mundo aos três anos de idade, logo quando começou a ler. Aos cinco, ganhou sua primeira varinha, feita de madeira de teixo com núcleo de fibra de coração de dragão. Aos seis, foi ensinada a voar e aos sete, introduzida a outros comensais.
sentia medo de todos. Durante as reuniões, se encontrava com homens e mulheres de famílias influentes, todos com expressões vazias e olhos fundos. Seu pai justificava a aparência horrível alegando ser fruto de muito trabalho para um mundo melhor.
Depois de cada reunião, a pequena tinha de escrever um pergaminho com tudo que lhe fora ensinado: melhores pretendentes para um futuro casamento, pessoas influentes para trabalhos no ministério, princípios e regras para atingir a perfeição, bruxos traidores de sangue e tantas outras regras supremacistas. Ninguém parecia notar ser coisa demais para alguém com apenas sete anos.
Outras tentativas de fugas vieram, todas acompanhadas de falhas e uma Amélia Rosier cada vez mais dura em suas punições, mesmo com a pouca idade, a garota colecionava uma porção de cicatrizes espalhadas pelo corpo.
Foi apenas ao completar seus dez anos que descobriu o porquê de seus planos sempre falharem, quando seu elfo, Logon, correu até o quarto da mais jovem em uma tarde ensolarada de novembro.

- Minha senhora, desculpe a intromissão, mas Logon descobriu uma coisa. - A respiração ofegante e os olhos saltados mostravam seu desespero.
- Logon, já te disse, não precisa me chamar de senhora. Apenas está bom. - A garota deu um sorriso de canto e se sentou na ponta da cama, indicando com o olhar para que a criatura se juntasse ao seu lado.
- Me desculpe, mas preciso contar uma coisa terrível, absurda. - O elfo negava com a cabeça, como se não acreditasse em suas palavras.
- Se acalme, respire e conte com calma. Estou te ouvindo. - estava tão aflita quanto o pequeno, mas não hesitou em colocar as mãos sobre as do elfo na tentativa de oferecer algum conforto.
Após respirar calmamente e contar até três, o elfo disparou:
- Minha garota, sua mãe enfeitiçou o colar que lhe dei para sempre saber sua localização. - Em seguida, começou a se bater, como forma de castigo por trair sua senhora.
levou algum tempo para assimilar a informação e foi só quando percebeu que o servo estava se machucando que se levantou e segurou os ombros da criatura com força, fazendo com que parasse e a olhasse.
- Você sabia disso quando me deu o colar? - Rosier perguntou em um tom de voz que nunca havia usado com ele, estava irritada.
- Não, minha senhora, de forma alguma trairia a menina Rosier. Juro por toda minha linhagem! - Seus olhos estavam marejados e as mãos trêmulas.
respirou fundo e voltou a se sentar, acompanhada de Logon. Seus dedos passavam pelo pingente no colar, depois da revelação era como se a jóia pegasse fogo em torno de seu pescoço.
- Preciso me livrar disso. - Exclamou, sentindo seus olhos queimarem com lágrimas se formando. Em um movimento rápido, a garota puxou o cordão do pescoço, partindo a corrente ao meio, e, sem pensar duas vezes, a jogou na lareira próxima a sua cama. A chama subiu e o fogo queimava através dos olhos da pequena.
- Senhora, sua mãe não vai gostar da sua atitude. Vou fazer outro para que ela não desconfie.
- Não precisa, eu quero que ela saiba que não sou uma garota patética que ela pode controlar quando quiser. A partir de hoje, eu escolho o que usar, o que fazer e o que dizer.


nunca esteve tão certa sobre algo, mas nem tudo saiu como o planejado, uma vez que suas fugas foram cada vez menos praticadas e sua presença nas reuniões com comensais cada vez mais requisitadas.
A sensação de não pertencer à família aumentava a cada dia e só piorou ao entrar em Hogwarts e notar a relação de outros bruxos e seus filhos. Sua mãe nunca a levara até a estação e seu pai apenas lhe dava dinheiro para comprar o material necessário. Nenhum dos dois parecia se importar.
Esse era o motivo pelo qual a garota se tornou cada dia mais fria e vazia. Ela não sabia como era ter amigos como James, que sem pensar duas vezes abrigou Sirius, ou como Lupin, que apesar de reprovar algumas atitudes dos marotos, sempre estava disposto a ajudar. queria isso. Desejou ser como eles desde o primeiro dia de aula em seu 1° ano, quando os garotos mal se conheciam e mesmo assim fizeram uma festa para comemorar a entrada dos quatro na grifinória.
sempre gostou de estudar em Hogwarts. Toda a complexidade do castelo dividido em salas, dormitórios, passagens e campos lhe atraía. Antes mesmo de sua entrada, a garota implorou por um exemplar de “Hogwarts: o Mistério”, para que pudesse ter vantagem sobre os outros novatos.
Então, não era prepotência da parte da morena dizer que conhecia algumas instalações que passavam despercebidas por outros bruxos, sendo uma delas a Sala Precisa, uma sala secreta que aparecia apenas quando o bruxo sentisse necessidade usá-la, podendo desaparecer no instante que não fosse mais útil.
O lugar perfeito para os encontros dos “Pequenos filhos das trevas” - nome dado ironicamente por Regulus, para representar os bruxos que queriam se juntar à causa, mas que agradou boa parte dos membros. Deles, a maioria era composta por sonserinos, sete, exatamente, Rosier, Regulus Black, Lucius Malfoy, Bartô Crouch Jr., Narcisa Black, Bellatrix Lestrange e Aleksander Nott.
Mas também contando com bruxos de outras casas, como Agnes e Alice Kyteler, irmãs gêmeas da corvinal e Thomas Asgard, da lufa-lufa.
- Acredito que todos saibam o porquê dessa reunião e o motivo por trás dela. Então, não vou me prolongar dando detalhes. - começou após sair do canto em que estava e se colocar na frente do grupo. - Estar aqui hoje é um passo para o grande futuro que espera por vocês. A guerra bruxa está cada dia mais perto e temos que estar preparados! Então, esses encontros serão para treinar habilidades com a varinha e corporais, afinal, nem sempre podemos contar com magia. O outro intuito do grupo é trazer mais aliados para o nosso lado, sendo assim, fiquem de olho ao seu redor e em pessoas com possível potencial para causa. Mas, cuidado, antes de revelar nossos encontros tenham a certeza de que a pessoa não é um traidor. Uma vez revelados os segredos daqui, não haverá segunda chance. E a punição virá diretamente do Lorde das Trevas. Estamos observando cada passo dado por vocês.
- Vamos encontrar com o Lorde? - Alice perguntou com um olhar de entusiasmo, enquanto a irmã parecia apreensiva ao seu lado.
- Por enquanto, não. Vamos ter alguns meses para treiná-los e testar sua confiança até o dia do encontro final. - Regulus prontamente respondeu e ganhou um aceno em resposta.
- Quando começamos? - Narcisa perguntou, ajeitando a gravata verde e prata em seu pescoço.
- Agora! As aulas serão divididas de forma igualitária. Vamos nos encontrar duas vezes por semana para discutir ideias, estratégias, feitiços, poções… Qualquer coisa que seja útil e ajude a nos fortalecermos. - Regulus novamente explicou, gesticulando com as mãos a quantidade de coisas que dizia.
- Vamos começar com duelos simples, alguém gostaria de me desafiar? - perguntou, olhando ao redor e notando os bruxos se entreolhando.
- Aposto que ela não faz ideia de como segurar uma varinha. - Malfoy desdenhou ao lado de Bartô, que lhe acompanhou em uma risada.
- Ótimo Lucius, já que está com tempo para sussurrar, certamente está pronto para um duelo. Vamos lá, não tenha medo. - A sonserina ajeitou a capa em seu corpo e colocou a varinha entre os dedos.
- Medo? De você? Nem pelas barbas de Merlim. - O loiro respondeu sorrindo e se levantou do pequeno sofá, caminhando até o círculo que havia se formado.
- É o que veremos. Agora, cale a boca e faça o cumprimento.- Rosier exigiu.
Sem contestar, o jovem sonserino se curvou, cumprimentando a oponente, que fez os mesmos movimentos. deu um passo para trás e esperou atentamente pelo ataque, a garota sabia que Lucius gostaria de dar o primeiro movimento e assim deixou.
- Levicorpus. - Malfoy exclamou e balançou a varinha em direção à sonserina.
- Protego.- A garota proferiu e logo em seguida lançou o próximo. - Immobilus.
Lucius não foi rápido o suficiente para se proteger e em poucos segundos estava paralizado na frente de todos, com uma expressão de fúria e cabelos bagunçados, típico do sonserino.
- Primeira lição: não lance um feitiço se não sabe nem ao menos se proteger. - comentou, sorrindo sarcástica e observando a situação de seu oponente. - Vamos esperar o efeito do feitiço passar e, enquanto isso, vou comentar sobre algumas formas básicas de ataque e proteção.
Dito isso, a garota explicou por aproximadamente duas horas como esperava que os feitiços fossem realizados e testou a habilidade de alguns dos bruxos ali presentes. Honestamente, ela achava que nenhum deles era bom o bastante.
No caminho de volta para seu dormitório, notou uma movimentação e alguns sussurros atrás de uma das tapeçarias. Foi quando ela viu sair do buraco quatro garotos sorrindo travessos.
- ! Que bom te ver, como estão as coisas? - Um James com óculos tortos e cabelos bagunçados perguntou sorridente.
- Muito bem, Potter. Desculpe, mas você está bem?- Respondeu, tentando segurar um riso.
- Não. Esses idiotas beberam além da conta e agora tenho que me virar para levá-los até a grifinória. - Sirius reclamou com uma carranca enquanto tentava apoiar os três garotos em seus braços e ombros.
- Logo você? Confesso estar surpresa por não estar tão mal quanto eles. - Debochou a sonserina, cruzando os braços e arqueando uma sobrancelha.
- Eles fizeram de propósito, é um castigo por ter faltado em um compromisso importante para gente. Agora, tenho que cuidar dos três. - Explicou, revirando os olhos.
- Eu diria que é justo, você precisa ser menos irresponsável, Black. - comentou, sorrindo.
- Já me redimi por isso, mas você poderia me ajudar. Afinal, tem uma certa culpa. - O garoto disse, fazendo uma careta ao perceber que Peter começava a pegar no sono em seu braço.
- O quê?! Eu tenho culpa? - indagou, colocando uma mão sobre o peito e fingindo estar ofendida.
- Claro! Graças às nossas noites de detenção, perdi boa parte das reuniões importantes e meus companheiros me culpam por isso. - Explicou o maroto.
- A detenção foi por uma atitude sua e eu acabei sofrendo as consequências. - Rebateu a garota, sentindo uma pontada de raiva a invadir apenas em lembrar da injustiça.
- Certo, Rosier, apenas detalhes. Agora, me ajude, porque o Lupin está ficando pesado.
Antes que a sonserina pudesse responder, Sirius jogou o garoto alto e magrelo em sua direção, fazendo com que a garota tivesse que segurá-lo com cuidado pela cintura, enquanto Black voltava a andar com os outros dois.
- Não liga pra ele, só está bravo porque queria estar bêbado e não pôde. - Lupin sussurrou em seu ouvido, seguido de uma risada.
- Você não estava mal?- perguntou, arqueando uma sobrancelha.
- Não estou mal desde que saímos do Três Vassouras, apenas queria ver Sirius sofrendo um pouquinho. - Explicou o maroto, colocando um braço em volta dos ombros de Rosier e apoiando sua cabeça sobre a dela.
- Então, não preciso te ajudar. - Provocou, ameaçando se afastar.
- Precisa, meu drama só acaba na torre da grifinória. - Discordou Lupin, apertando o braço em torno da menor.
- Olha que perverso esse Remus. - Zombou .
- Estou tentando virar um daqueles bruxos durões, que não se importam com a aula no dia seguinte, usam a gravata de qualquer jeito e resmungam sobre tudo. - Disse, entrando na brincadeira.
- Quer virar um sonserino? - A garota perguntou sorrindo.
- Você quem está dizendo.- Lupin deu de ombros e a acompanhou sorrindo.
- É porque a maioria dos garotos de lá são assim, por mais que eu odeie admitir. - Explicou a menina.
- E você não gosta desse tipo? - O maroto questionou com um tom de surpresa.
- Eu não tenho um tipo, mas, se tivesse, não seria nenhum deles. - Concluiu, sentindo um certo desgosto apenas de pensar em namorar alguém da mesma casa.
- Obrigada, chapéu seletor, por me fazer um grifinório. - Brincou o grifinório, juntando as mãos em uma espécie de agradecimento e olhando para cima.
- Você é um idiota até sóbrio. - Rosier comentou, tentando esconder uma risada.
- Eu não disse que estou sóbrio, só não estou bêbado o bastante para precisar de uma babá como Sirius. - Explicou Lupin enquanto observavam o garoto à frente.
- Black é uma criança cuidando de outras. - Concluiu quando notou que Sirius tentava manter Peter acordado, ao mesmo tempo que tentava arrumar os óculos de Potter para não caírem no chão.
- Senti sua falta essa semana. - A fala do maroto a fez desviar a atenção de Black para os olhos castanhos de Lupin.
- Sentiu? - Perguntou a sonserina, duvidando da confissão.
- Sim, não te vi pelos corredores e você evitou meus olhares em todas as aulas e refeições. Algum motivo em especial ou só está pensando no nosso beijo? - Sussurrou o garoto com um sorriso nos lábios.
- É, definitivamente você não está sóbrio. E é só por isso que não vou te amaldiçoar aqui mesmo. - ameaçou, desviando o olhar e torcendo para seu rosto não ter corado.
- Está fugindo do assunto, .
- Não estou, não.
Ela estava. Rosier fugiu do garoto a semana inteira. Não suportava a ideia de sentir seu rosto esquentar a cada olhar que trocavam ou o frio na barriga que preenchia seu corpo ao lembrar do beijo. E, por Merlim, que beijo. Ela já havia beijado outros rapazes e até mesmo outras garotas, mas nada se comparava aos lábios de Remus Lupin. Seu beijo era calmo e inofensivo de primeira, mas gerava um turbilhão de emoções por dentro. O tempo parecia parar e o ar não era necessário, apenas aquele momento valia a pena. E temia querê-lo para sempre.
- Não tem problema se você não quiser falar, mas eu quero, então, apenas me escute. - Ordenou o garoto ao seu lado, dando de ombros.
- Estou escutando. - Disse, olhando para cima e encontrando o olhar de Remus.
- Agora fiquei tímido, não me olhe. - Reclamou, virando o rosto da garota para frente.
- Tá bom. - Concordou Rosier, sorrindo.
- Eu queria ter falado no dia que aconteceu, mas você preferiu ir embora. De qualquer forma, o que eu quero dizer é que não me arrependo. Talvez você não tenha gostado, mas eu gostei e só consigo pensar nisso desde então. Não é como se eu estivesse apaixonado, até já estive no primeiro ano, mas agora não. É que porque eu esperei por tanto tempo que até agora a ficha não caiu, tipo, eu beijei Rosier. - Remus explicou de forma embolada e se empolgou ao dizer a última parte.
- Você quer subir na torre de astronomia e gritar isso pra Hogwarts inteira?- Repreendeu a garota, o encarando com raiva, mas logo se acalmou ao perceber que ninguém havia escutado.
- Não seria uma má ideia. - Deu de ombros.
- Seria uma péssima ideia, eu não quero que as pessoas saibam sobre a minha vida. - Discordou a sonserina.
- Por quê?
- Porque é uma coisa pessoal, não preciso contar pra ninguém. - Esclareceu, evitando o olhar do maroto.
- Então, você não contou? - Lupin questionou, juntando as sobrancelhas.
- Não, você contou? - se apressou em dizer e dessa vez voltou a encará-lo.
- Não. Pensei em contar para os meninos, mas James iria querer que eu me declarasse no mesmo dia, porque ele diz que não devemos perder tempo quando se trata de amor. Sirius não gosta muito de você e Peter provavelmente não acreditaria e diria que você é intimidadora demais para me dar atenção. - Concluiu com um riso abafado ao imaginar a reação de Peter.
- Potter acha que todo mundo deveria amar alguém da mesma forma que ele ama Lily, uma pena que ela não sente o mesmo. - acrescentou e os dois sorriram, concordando ao encararem James na frente contando para Sirius como Lily o tratou diferente essa manhã quando o olhou por mais de três segundos. - Também não sou uma fã do Black e é bom que seja assim. E Peter não passa de um garotinho medroso, qualquer um o intimida.
- Sirius não te odeia de verdade, dá pra perceber que ele finge a maior parte do tempo. - Lupin comentou, parecendo pensativo.
- Você só pode estar brincando! Se ele pudesse me lançar um avada nesse exato momento, ele lançaria. - Rosier sorriu sem humor.
- Parece difícil de acreditar, mas ele nunca seria capaz disso. Sirius é o melhor de todos nós. - Remus discordou, defendendo o amigo.
- Chegamos!
Rosier exclamou após avistarem a entrada da grifinória. Lupin se desvencilhou da garota de forma lenta apenas para provocar Black, que esperava ansiosamente com os outros marotos sonolentos em seus braços.
- Até nossa próxima aula. - O garoto se despediu, apenas roçando a ponta dos dedos nos da garota.
- Até, Lupin.
O grifinório caminhou lentamente até o outro maroto e ajudou o amigo, segurando Peter e entrando pela passagem. deu risada, observando os dois desajeitados. Foi quando seu olhar encontrou com o de Sirius e ele também sorria, mas não vendo os amigos. Na verdade, Black olhava para ela.
- Obrigado, Rosier.- Agradeceu com um aceno de cabeça. Os cabelos compridos bagunçados e cobrindo uma parte do rosto.
- Por nada, Black. - Retribuiu a garota com um meio sorriso.
- Boa noite. - Finalizou Sirius, ainda a encarando.
- Boa noite. - respondeu e se virou rapidamente voltando para sua comunal. Mesmo de costas, ela sentia o olhar de Sirius queimando sobre sua pele.


Capítulo 10

O dia seguinte à primeira reunião dos “pequenos filhos das trevas” foi caracterizado por todos os integrantes frequentando a biblioteca em busca de feitiços e técnicas para duelos. não fez companhia ao grupo, já que deveriam se encontrar em alguns dias e ela preferia ver o resultado em prática do que apenas escutar o que tinham para falar.
No entanto, não pôde evitar os olhares surpresos quando chegou no ambiente antes do jantar para encontrar Lupin e continuar com as aulas. Essas, por sua vez, pareciam cada vez mais sem sentido, uma vez que Rosier estava cansada de fingir.
- Algum problema? - Remus perguntou, unindo as sobrancelhas em um sinal de curiosidade.
- Nenhum, por quê? - respondeu, erguendo o olhar distraído do livro até o rosto do garoto, se perdendo entre os olhos castanhos por alguns segundos.
Remus Lupin não era do tipo disputado. Talvez por ser muito tímido para chegar em alguém ou talvez por ser visto apenas como “o amigo bonitinho de James e Sirius”. Mas ele era muito, muito mais do que isso. Lupin tinha quase 1,90m de altura, sendo o mais alto dos meninos. Seus cabelos eram tão macios quanto os de James (o que irritava profundamente Potter, já que ele passava pelo menos duas horas todos os dias para deixar os fios perfeitos, enquanto Lupin apenas acordava assim). Seu rosto nunca deixava de reluzir quando ele abria um sorriso, até mesmo suas cicatrizes pareciam atraentes. E, como se não bastasse, a personalidade do garoto era invejável, suas conversas iam de “por que não podemos usar magia para produzir mais dinheiro?” até assuntos mais profundos, como o início do mundo bruxo. E eram esses detalhes que tiravam o sono da sonserina ao seu lado.
- Você parece distraída. - Comentou, fechando o livro que estava lendo e apoiando as mãos sobre a capa.
- Não é nada. - insistiu, desviando o olhar de volta para suas anotações.
- Não parece nada.
- Está duvidando de mim? - Provocou arqueando uma sobrancelha e voltou a encará-lo.
- Sempre duvido de tudo. - O grifinório brincou, sorrindo de lado.
- Deveria aprender a confiar nas pessoas, então.
- Isso também serve pra você. - Lupin constatou, apontando na direção da garota com uma pena.
- Justo. - revirou os olhos, sorrindo.
- Mas, e então, como se sente com sua primeira cicatriz? Já está durona o suficiente para quebrar corações e fundar uma gangue? - Remus tentava puxar assunto enquanto brincava com o objeto entre os dedos.
- Essa? - Apontou para a pequena cicatriz próxima ao olho. - Não é a primeira. - A garota comentou, sorrindo sem humor.
- Sinto muito. - O garoto parou o movimento entre os dedos e deu um olhar triste para a garota.
- Não sinta, está tudo bem. - Respondeu seca após notar a diferença na forma como ele a olhava, não precisava da pena de ninguém.
O clima de repente havia se tornado frio, Lupin se culpava internamente por ter tocado no assunto e sentia seu sangue ferver de raiva. Ela sabia que ele não tinha a intenção de deixá-la assim, mas certas coisas eram inevitáveis. - Moony, preciso de ajuda. - O nevoeiro entre os dois se dissipou no momento em que Pettigrew atravessou as portas da biblioteca correndo e alcançou a mesa onde estavam.
- Peter, o que aconteceu? - O maroto perguntou, preocupado ao ver o estado do amigo: bochechas rosadas, suor se formando na testa e voz afobada.
O garoto pretendia começar a falar, mas ao notar a presença de , apenas deu um olhar para o amigo, que entendeu se tratar de um assunto particular e se levantou, pedindo licença para conversarem. A garota não se importou. Permaneceu sentada, fazendo algumas anotações enquanto os dois sussurravam a apenas alguns passos de distância.
- Ele fez o quê? - Lupin se exaltou, aumentando o tom de voz e chamando a atenção de e Madame Pince, que encarava o grupo com irritação, mas que se controlava enquanto conversava com um dos professores no balcão.
- Eu também não sei o que se passou pela cabeça dele, mas a situação saiu de controle e agora ele está trancado no quarto. - Peter explicava, gesticulando com as mãos como forma de demonstrar seu nervosismo.
- Precisamos tirá-lo de lá. - Concluiu Lupin.
- Eu sei, foi por isso que te procurei. Ele não quer ouvir nem o Sirius. - Com a menção do nome de Black, Rosier entendeu se tratar de uma conversa sobre Potter, o que a deixou curiosa.
- Mas eu também não sei o que falar. - Exclamou Lupin. - E você acha que eu sei? Se esqueceu que dei meu primeiro beijo há três dias?- Lembrou Peter, ficando com as bochechas ainda mais coradas.
Após longos anos a procura de alguém perfeito para o “momento especial”, Pettigrew finalmente havia beijado; e não qualquer pessoa, seu primeiro beijo fora com Morgan Nurse, uma corvina recém transferida de Beauxbatons e que havia achado Peter extremamente atraente com seus olhos azuis e seu sotaque francês duvidoso.
De qualquer forma, ela parecia realmente gostar dele. Os dois passavam horas sentados no jardim, comentando sobre as infinitas viagens que já haviam feito em família e como estavam felizes por se conhecerem. Para quem nunca havia beijado, Peter estava se saindo um beijoqueiro de primeira; sempre aproveitando a chance de aprimorar sua técnica.
- Talvez alguém possa nos ajudar. - Sugeriu Remus, apreensivo.
- Quem? - Peter perguntou, curioso, e recebeu apenas um aceno discreto do amigo em direção à Rosier, que fingia estar interessada nas palavras rabiscadas no papel, quando, na verdade, a conversa dos dois se tornava apenas mais interessante. - Sério? Ela? - Questionou, sem grandes expectativas.
- Tem alguma ideia melhor? - Retrucou, começando a perder a paciência.
- Talvez a Professora Minerva tenha um tempo livre antes da próxima aula e…
- Cala a boca, Peter. - Interrompeu Remus, dando um tapa em sua nuca e impedindo que o amigo continuasse dizendo alguma besteira que fazia sentido apenas para ele.
Após soltar um gemido de dor, o garoto seguiu Lupin de volta à mesa onde estava Rosier. Ela havia escutado a conversa, afinal, eles sequer disfarçaram, mas ela preferiu fingir indiferença enquanto arrumava seu material.
- Está disposta a fazer uma boa ação hoje?- Lupin arriscou, parando ao seu lado.
- Sinceramente? - perguntou, encarando o garoto com um olhar divertido. - Não.
- Por favor, você é nossa única salvação. - Peter não se conteve e praticamente implorou enquanto parava do outro lado da garota.
- O que aconteceu?- Perguntou cruzando os braços e alternando o olhar entre os garotos para ver quem iria explicar.
- Uma tragédia. - Peter se dispôs a falar.
- Alguém morreu? - Disse em um tom sarcástico.
- Ainda não. - Dessa vez foi Lupin que respondeu.
- Ainda? - A expressão de agora era de incerteza. Se Potter estava machucado ou passando mal, deveriam ir até Madame Pomfrey ao invés dela.
- Potter pode morrer a qualquer minuto de coração partido. - Acrescentou Remus.
- Ele levou outro fora da Evans? - A garota perguntou se controlando para não soltar um suspiro de cansaço, sempre a mesma história.
- Não foi só um fora, foi o pior de todos .- Peter se apressou em explicar.
- O que aconteceu? - Insistiu mais uma vez, tentando entender a situação. Nada parecia fazer sentido.
- Te contamos no caminho, vamos. - Remus ordenou e deu a volta, se afastando da garota.
Então os três bruxos apenas pegaram suas coisas e saíram pelos corredores em direção à torre da grifinória. Durante o trajeto, Peter contou que estava com James e Sirius no salão comunal quando Evans chegou irritada - aparentemente sem motivo - e caminhou até eles.
- Potter, como você pôde? - Lily estava com uma expressão nunca vista, seu rosto estava tão vermelho quanto seus fios de cabelo. Esses, por sinal, estavam bagunçados e presos em um coque mal feito. Sua respiração era ofegante e seus olhos encaravam James com fúria.
- O que você fez? - Sussurrou Black apenas para que James escutasse.
- Nada… - Murmurou Potter, se encolhendo no sofá conforme Evans se aproximava.
- Nada, James Potter? Mandar primaristas me entregarem flores e chocolates durante a aula é nada? - Lily tentava se controlar, mas a essa altura todos os grifinórios prestavam atenção na discussão.
- Eles invadiram a aula? Droga, mandei esperar terminar. - Perguntou James verdadeiramente indignado.
- Pois é, eles não esperaram! E agora, além de me deixar irritada, você conseguiu fazer a grifinória perder pelo menos 50 pontos. - Evans cruzou os braços e em volta do grupo foram ouvidos sussurros e reclamações pela perda de pontos.
- Olha, Lily, desculpa. Eu juro que a intenção era boa, eu pensei que talvez… - James começou a se explicar, levantando do sofá e parando em frente à ruiva.
- Potter, cala a boca! - Interrompeu Lily, fechando os olhos com força e suspirando. Quando abriu de novo, não tinha aquele olhar furioso, era apenas frio e carregava muita mágoa e decepção, o que James considerou ainda pior. - Apenas fique quieto por um minuto. Eu simplesmente não suporto ouvir a sua voz e sequer olhar pra você, é tão difícil perceber que não estou interessada? Você poderia me mandar todas as flores do mundo e milhares de chocolates e ainda sim eu te acharia um riquinho irresponsável, é tão difícil aceitar um não? Por Merlim, me esquece!
- Evans! Isso foi extremamente rude, James não merece ser tratado assim. Ele só queria… - Sirius se levantou no mesmo instante e começou a defender o amigo.
- Sirius, tá tudo bem, ela tem razão. - Potter interrompeu, apoiando uma mão no peito do amigo para impedi-lo de continuar.
- O quê? Como assim ela tem razão? - Sirius questionou, confuso.
- Me desculpe, Lily, por todo o tempo perdido, não vou mais te perturbar. - Potter finalizou, olhando sem expressão para o rosto da garota e caminhou para as escadas indo até o quarto.

- Então, quando subimos atrás, ele tinha se trancado no banheiro e se recusava a abrir a porta para qualquer um de nós. Tentamos de tudo: suborno, ameaças, trocas, mas nada adiantou. Foi então que achamos melhor te chamar. - Peter finalizou quando chegaram na torre.
Ao passar pelo quadro, mais uma vez foi recebida por olhares julgadores, mas ela nem se deu ao trabalho de contestá-los. Apenas seguiu os garotos pelas escadas e torceu para não encontrar Lily. Não tirava a razão da garota, mas achava que ela havia sido extremamente grossa, até mesmo para os padrões Rosier.
- Ainda bem que vocês chegaram! Eu ofereci algumas coisas para ele mas… Rosier? - Sirius começou a explicar saindo da porta do banheiro e caminhando em direção ao pequeno grupo, parando ao perceber a presença da garota.
- Black. - Cumprimentou com um aceno de cabeça.
- Não pergunte, ela é nossa melhor opção… - Se apressou Remus tentando evitar questionamentos desnecessários.
Sem muita escolha, caminhou até a porta do banheiro, desviando de Sirius, das roupas espalhadas pelo chão, embalagens de comida e coisas que ela nem ao menos reconhecia. A sonserina deu dois toques suaves na porta:
- Potter, podemos conversar? - Sussurrou apenas para que ele ouvisse.
Nenhuma resposta foi dada e ela se preparava para ir embora, se não fosse o fato de três garotos gigantes estarem a alguns passos de distância olhando com expectativa, fazendo com que ela tivesse certeza que não sairia tão fácil.
- Olha, Potter, não somos amigos e é por isso que devemos conversar. Não vou te julgar e também não pretendo apoiar. Estou aqui apenas para ouvir, se quiser falar. - Explicou, tentando continuar calma, apesar de ter certeza de que não era uma boa ideia estar ali.
Nenhuma resposta de novo, apenas o silêncio.
- Acho melhor eu ir embora. - Concluiu se virando para os outros rapazes, mas antes que pudesse caminhar para fora, um som de trinco se abrindo fez presente no ambiente.
- Você pode entrar. - James disse em um sussurro e deixou um pequeno espaço para que ela entrasse. Os meninos tentaram ver o que estava acontecendo, mas Potter se apressou em fechar a porta novamente.
Ao entrar no espaço, a sonserina notou que era o único lugar arrumado em todo o dormitório. Não havia roupas jogadas, manchas na parede e nem lixo espalhado, a organização realmente a surpreendeu.
- Não somos bárbaros, Rosier. - Potter comentou ao notar o olhar de surpresa da garota.
- Às vezes parece que sim. - respondeu sem pensar e ambos sorriram.
O espaço, apesar de organizado, era pequeno. estava apoiada contra o azulejo vermelho e Potter encostado na porta, alguns passos separavam os dois bruxos. Foi quando James saiu de seu lugar e entrou na banheira vazia, se sentando confortavelmente e refazendo o nó de seu roupão, em um sinal claro de nervosismo.
- Quer me contar o que aconteceu? - Perguntou Rosier, se aproximando da banheira e sentando no chão ao lado, ficando de frente para o grifinório deprimido.
- Hogwarts inteira não está comentando? - Sorriu sem humor e evitou olhar para a garota.
- Não sei. Peter não calou a boca durante o caminho, então só entendi a versão resumida dele, gostaria de saber a sua. - Explicou, dando de ombros.
- Não consigo lembrar de nada além das palavras dela. Lily me disse que odeia minha voz e não suporta me olhar, tipo, eu sou lindo, como ela não suporta olhar esse rostinho? - Apesar de tentar soar engraçado, o olhar do rapaz demonstrava toda sua tristeza.
James realmente tinha razão em se achar bonito. Diferente de Lupin, ele era extremamente cobiçado, mas desde que se encantara por Lily, dispensara todas as garotas que tentavam algo. Era deprimente vê-lo naquele estado: seu roupão cobria todo o corpo e até mesmo o pijama por baixo parecia deplorável; os cabelos estavam mais bagunçados do que após uma partida de quadribol, como se ele tivesse passado a mão por entre os fios muitas vezes; seus olhos estavam vermelhos no canto e pequenas lágrimas se formavam ao redor a cada palavra que saia da boca seca.
- Aposto que ela disse na hora da raiva. - se arriscou em tentar confortar o grifinório. - Não importa. No fundo, ela tem razão. Eu sou um idiota obcecado que não está acostumado a ouvir um não. - Bufou Potter, encostando a cabeça na parede de azulejos frios.
- Eu não te acho um obcecado. - Discordou a garota.
- Não? - Duvidou, erguendo o olhar e encarando a garota sentada a frente. Sua boca estava curvada para baixo e o olhar desamparado.
- Talvez você seja um pouco, mas não é apenas com ela. - explicou, ajeitando a postura e esticando as pernas que começavam a doer pelo chão duro.
- Continue.
- Eu sempre reparo nas coisas, então não me ache estranha por perceber isso, mas você é obcecado com 90% das coisas. Você vive pelo time de quadribol, vive pelo seus amigos, vive pela aprovação de pessoas mais velhas e, principalmente, vive pelo amor da Lily, mas ela não percebe isso. - Concluiu Rosier, tentando esconder um sorriso ao notar que o garoto estava surpreso por ela perceber tantos detalhes.
- Você acha que eu deveria esquecê-la? - Perguntou sincero após um tempo em silêncio, apenas encarando os olhos da sonserina.
- Você não conseguiria nem se sua vida dependesse disso, Potter. - Provocou sorrindo levemente, o que fez o garoto agir da mesma forma.
- Não mesmo, ela é tudo que sempre quis. - Confessou, suspirando baixo, parecia que a cada minuto que pensava na garota ruiva, Potter ficava mais cabisbaixo.
- Então, apenas espere. Nada é melhor para uma história de amor do que o tempo. Não corra atrás, você já fez o bastante. Deixe ela perceber o que realmente sente. - Aconselhou, dando de ombros.
- E se ela não vier? - James perguntou desanimado.
- Então, não era amor. - concluiu seriamente.
James não respondeu nada. No fundo, sabia que Rosier tinha razão. Não poderia esperar para sempre, mas temia estar deixando Lily escapar se não fizesse algo.
- Por que faço essas coisas idiotas? - o garoto questionou, sorrindo fraco.
- Toda essa situação é ridícula. - orriu com humor. - Tipo, James Potter está deprimido em uma banheira por causa de uma garota.
- Não é qualquer garota. - James acrescentou, erguendo um dedo na direção da garota, para enfatizar o que dizia.
- Certo, deprimido por uma garota específica. - Completou a garota, revirando os olhos.
- Você é uma ótima conselheira, . - Elogiou Potter.
- É mais fácil quando se trata da vida dos outros. - Suspirou levemente.
- Acho que não sou tão bom quanto você, mas se quiser desabafar prometo ouvir e entender. - Se propôs James.
Na verdade, o grifinório era o melhor entre os amigos para desabafar ou pedir ajuda. A maioria pensava que o título era de Lupin, mas Potter conhecia as pessoas como a palma da mão. Às vezes, com um olhar entendia o que mil palavras não poderiam explicar, mas era igual e não sabia como lidar com a própria vida.
- Obrigada Potter, mas não tenho nada a dizer. - Recusou educadamente.
- Nem sobre o beijo? - Arriscou James com um sorriso maroto.
- Como você sabe do beijo? - Perguntou, assustada, arregalando os olhos.
- Ele é meu melhor amigo, não escondemos nada um do outro. - Explicou, dando de ombros e sorrindo ao notar a surpresa da sonserina.
- Mas ele me disse que não tinha contado pra ninguém. - Reclamou Rosier, pensando em levantar daquele chão e ir até o quarto arremessar Lupin pela janela.
- Sirius me conta tudo. - Constatou Potter.
- Ah, Sirius… - Murmurou sem graça. De repente, toda raiva havia passado e agora se sentia envergonhada.
- Algum problema? - Perguntou ao ver a confusão da garota.
- Não, nenhum. Só fiquei surpresa por ele ter comentado. - Disfarçou Rosier.
- Mas, e então, como foi? Gosta dele? - Potter perguntou, sorrindo. Até mesmo dobrou as pernas e se aproximou o bastante para Rosier sentir sua respiração, parecia uma criança animada com um brinquedo novo.
- O quê?! Não, não gosto dele! - parecia ofendida, mas toda aquela negação só fazia James sorrir abertamente.
- Então por que se beijaram? - Provocou o maroto.
- Você só beija pessoas que gosta? - Rebateu, arqueando a sobrancelha.
- Depois de Lily, sim.- Potter confessou, dando de ombros.
- Você nem beijou ela. - Lembrou Rosier, segurando uma risada.
- Isso é apenas uma questão de tempo. - Afirmou em um tom sério. - Então, não sente nada por ele? - Insistiu novamente.
- Amorosamente?- a garota perguntou, recebendo um aceno em troca. - Não.
- Droga. - Reclamou Potter.
- Por quê? Ele gosta de mim? - estava curiosa, afinal, Potter não insistiria tanto em um assunto se não houvesse algo por trás.
- Ele nunca disse com essas palavras, mas acho que sim. - Sussurrou a última parte, escondendo um sorriso.
- Sério? Estamos falando do mesmo Black? O que não perde a chance de me irritar desde o primeiro ano? O que me fez ficar de detenção por uma semana? O que… -
- Tá bom, Rosier, já entendi. - Murmurou James, irritado. - Mas esse mesmo Sirius é o que fica te olhando em todas as aulas; o que às vezes é um saco porque somos uma dupla e se ele se distrai com você e eu com a Lily acabamos fazendo tudo errado. Esse Sirius é o mesmo que pergunta para o Lupin sobre você depois de todas as aulas, mesmo que a resposta seja sempre a mesma: “está tudo bem”; é o mesmo que só continua com essa implicância pra conseguir atenção. - Concluiu James com um sorrisinho ao notar que Rosier havia ficado sem palavras, e ele arriscaria dizer que até mesmo corada.
- Você está delirando. Toda essa história da Lily te deixou louco. - Disfarçou , forçando uma risada.
- Não estou, apenas comece a reparar nesses detalhes. Você vai entender sobre o que eu falo. - Piscou Potter.
não sabia o que responder, então optou por ficar em silêncio. Não achava possível que Sirius realmente prestasse tanta atenção nela, mas a dúvida tinha se instalado e ainda lhe causaria muitos questionamentos.
- Quer sair daqui? Acho que os meninos estão preocupados. - Perguntou a garota, querendo encerrar o assunto.
- Não vamos comentar sobre isso com ninguém. - James disse, sério.
- Tá bom. - a sonserina concordou com um aceno.
- Promete? - Insistiu o garoto, erguendo o dedinho da mão direita na direção de Rosier, que o olhou como se estivesse maluco.
- O que é isso? - Perguntou, confusa, sem entender o que deveria fazer.
- Minha mãe me ensinou quando era pequeno. É uma versão trouxa do voto perpétuo, mas sem a parte da morte. - Explicou de maneira simples para que a sonserina entendesse.
- Parece bem menos extremo. - Sorriu também, erguendo o dedinho da mão direita.
- É por isso que só faço promessas assim, não pretendo morrer tão cedo. - Sorriu James, juntando seus dedos.
- Gostei da ideia. - Disse Rosier, sorrindo enquanto observava seus dedos juntos. Era uma forma engraçada de selar uma promessa, mas ela havia gostado.
Os dois permaneceram sentados no espaço pequeno por algum tempo até escutar batidas na porta e a voz tímida de Peter atrás dela.
- Espero que os dois estejam bem porque o jantar terminou há 15 minutos, então peguei algumas coisas na cozinha e trouxe pra vocês.
Com a menção de comida, Potter praticamente pulou da banheira ao se levantar e seguiu até o quarto acompanhado por .
- Obrigado, Peter. - James agradeceu o amigo enquanto segurava um prato repleto de pães, purê, carnes e legumes.
- Bom, eu já vou indo, preciso terminar umas anotações antes de dormir. - Avisou ao notar que seu tempo ali já havia ultrapassado.
- Não vai comer nada? - Questionou Peter com um prato igual ao de James, provavelmente para ela.
- Ah não, não tenho o costume de jantar. - Explicou, sorrindo sem graça. Não esperava que ele também trouxesse algo para ela.
- Quando foi sua última refeição? - Perguntou Sirius e, pela segunda vez, ouvia sua voz desde que chegou ao dormitório mais cedo. O garoto estava extremamente quieto.
- Eu almocei alguns cogumelos e… - Começou a explicar após pensar por um tempo, mas logo foi interrompida por um som de engasgo e um Potter quase sem ar.
- Sua última refeição foi no almoço? - Perguntou, incrédulo, após se recuperar com a ajuda de Remus, que batia em suas costas.
- Sim, mas… - Rosier pretendia continuar, mas foi interrompida novamente pelo garoto.
- Mas nada! Você só sai desse quarto quando comer e isso não está aberto a discussões. - Potter falava sério enquanto apoiava o próprio prato na mesa de estudos e caminhava até Peter para pegar o de e entregar em suas mãos.
- Eu te ajudo e é assim que você me agradece? Idiota. - Resmungou a garota, emburrada.
- Senta aqui e para de reclamar. - Mandou James, pegando novamente seu prato e se sentando no tapete felpudo no chão, apontando para o lugar ao seu lado onde Rosier cedeu e sentou.
- São melhores amigos agora? - Perguntou Black com uma cara de poucos amigos.
queria dar risada, mas estava com a boca cheia, então apenas observou o garoto emburrado deitado na própria cama. Peter estava sentado no chão ao lado de James e Lupin no parapeito da janela, todos sorriam com o mau humor de Black.
- Ah, não seja tão ciumento, padfoot, o coração de James Potter é grande o suficiente para todos. - Brincou James, mandando beijinhos no ar para o amigo.
- Não estou com ciúmes, é só porque geralmente você conversa comigo e hoje bateu a porta na minha cara. - Resmungou Sirius, evitando olhar o melhor amigo.
James apenas colocou seu prato de lado, sorriu e olhou travesso para os outros amigos.
- Parece que alguém está emburrado e precisa de um abraço, rapazes? - Os outros dois já se preparavam para o que estava por vir e sorriam abertamente.
- Não, não preciso… - Sirius resmungou e se sentou na cama para impedir.
Antes de ter a chance de fugir, Sirius foi cercado pelos três garotos, que em um piscar de olhos se jogaram sobre ele. Black estava esmagado em um pequeno monte com Peter, James e Lupin por cima. Os quatro sorriam e reclamavam ao mesmo tempo, pareciam um bando de crianças fazendo bagunça.
também sorria observando a cena. O dormitório dos marotos era um caos, mas de alguma forma completamente aconchegante, por um instante ela imaginou que essa era a sensação de estar em casa.





Continua...



Nota da autora: Sem nota.






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