Última atualização: 03/10/2021

Prólogo

2012


- Sinto muito, . - O garotinho de cabelos loiros dizia, segurando uma flor.

A menina continuava em silêncio com os olhos avermelhados, fungando uma vez ou outra. Não falava nada, somente olhava o chão. Ela tinha algumas cicatrizes no rosto e um gesso no braço com coisas desenhadas.

Eles tinham acabado de sair do enterro da mãe e do padrasto, um acidente de carro levou os dois, mas a menina só quebrou o braço e levou alguns pontos na testa.

- Ei, , sabe... minha mãe também foi embora, não do mesmo jeito, claro, mas foi triste também...

- Eu não quero ir morar com meu pai, JJ, eu quero ir morar com o John B! – Ela disse tão baixo que quase soava como um sussurro.

JJ não sabia quem era o pai dela, a amiga sempre morou com a mãe. Conheceu-a por John B, seu melhor amigo e primo da garota, quando ele tinha 7 anos e nunca mais se desgrudaram.

- A gente vai dar um jeito nisso, tá bom? A gente pode falar com o Big John e ele vai resolver isso. - A menina assentiu com a cabeça. - Um dia, , a gente vai se casar e eu vou tirar você dessa ilha! - JJ falava animado, encarando os olhos verdes da garota.

- E quem disse que eu vou casar com você? Eu quero casar com o kook velho, JJ! Para eu poder ficar com o dinheiro depois, igual nas novelas que mamãe assistia! – A menina riu, vendo o menino fechar o rosto. – Mas, se eu não achar nenhum, eu caso com você. – Falou, botando a mão no ombro do garoto.

John B e seu pai chegaram, o garotinho de cabelos castanhos se sentou ao lado dos dois.

- Vou fazer de tudo para você ficar com a gente, , não vou te entregar para um homem que nem te quer de verdade. - Disse o homem, olhando a menina juntamente com os dois garotos.

E ele fez, foi adotada pelo tio alguns meses depois.

Capítulo 1

teve uma vida particularmente boa, tirando o fato de que, com 7 anos, sofreu um acidente de carro que acabou levando a mãe e o padrasto, mas a vida tem dessas, não é? Altos e baixos, era sempre isso que falavam para ela, pelo menos.

O homem que ela não gostava de denominar como pai era um homem rico e importante que nunca quis saber da filha, já que ela era a prova que o homem traiu a verdadeira mulher.

sabia que tinha um irmão por parte de pai, mas nunca quis saber da vida dele, aliás, quem precisa de uma família rica e importante quando se tem os pogues? Bem, a parte do "rica" lhe deixava interessada, mas quanto às pessoas que faziam parte da família, ela nem se dava o trabalho de se importar.

Logo após a morte de sua mãe, seu tio - que ela sempre chamou de pai - conseguiu sua custódia, ela viveu ao lado do primo - que era o termo que os dois jovens Routledge's mais odiavam, aliás, eles eram irmãos e nada mudaria isso - e os pogues.

Pescar, surfar e trabalhar, uma vida e tanto, não é?

O grupo de adolescentes se encontrava bebendo cerveja em uma grande casa em construção, vários quartos, dois andares, um deck e uma varanda grande no segundo andar.

- Se você cair, eu vou dar risada. - dizia ao observar o irmão em cima do telhado.

- É uma queda de três andares? - Pope dizia, o observando. - Te dou uma a três de chance de sobreviver.

John B colocou o dedo indicador na boca, o molhando e o estendendo, sentindo o vento bater no mesmo.

- Então eu devo pular?

- Isso, pula e eu atiro. - Pope pegava uma furadeira, apontando para o menino.

- Vai atirar em mim?

- Vou.

Os dois brincavam, fingindo estar atirando um no outro, enquanto Kiara saía de dentro da casa.

- Cara, eles vão ter privadas japonesas e aquecedor de toalhas!

- Claro, sem toalhas quentes não dá. - O loiro disse, como se fosse óbvio.

o olhou e os dois se observaram sem dizer nada, sem emitir algum som, somente se encaravam, sorrindo um para o outro, como se estivessem só eles dois lá.

- Aqui era um habitat natural de tartarugas, mas quem liga para as tartarugas, não é? - Eles foram tirados da pequena bolha pela voz de Kiara.

- Se serve de consolo, Kie, eu ligo para as tartaruguinhas, tá? - Disse , indo até Kie, colocando os braços pelos seus ombros, o que fez a morena rir.

- Se você derrubar a cerveja, eu não vou te dar outra. - JJ disse, voltando a atenção ao John B.

Segundos depois, o garoto derrubou a cerveja no chão, fazendo JJ se ajeitar no andaime que estava sentado para pegar outra cerveja.

- Mas é claro que ele derrubou a cerveja. - A loira disse, no meio dos outros xingamentos dos amigos para o garoto.

- Ei, , você não pode falar muita coisa, às vezes você é pior! - John B se defendeu.

Um carro se aproximou da casa, buzinando.

- HEY! PARADOS AÍ!

- Gente, nosso tempo acabou, são os seguranças. - Pope disse ao olhar pela grade da varanda, avistando os seguranças.

- Vamos lá! - Kiara cantarolava com um sorriso no rosto, todos sabiam o que iria acontecer.

Todos começaram a correr, rindo e gritando freneticamente, não era a primeira vez que eles eram perseguidos pelos seguranças, - e provavelmente não seria a última - mas toda vez eles se divertiam do mesmo jeito.

- Gary, é você? - JJ gritou.

- Vocês sabem que sou eu!

JJ acabou caindo e dando de cara com o segurança, fazendo a garota rir enquanto corria.

- Ei, cara, foi mal, mas não curto abraços! – O garoto disse, se afastando do homem.

- VOLTEM AQUI!

- Vamos, Pope! - dizia, correndo.

Ao chegar na cerca, JJ passou as mãos pela cintura da loira, dando um pequeno impulso, ajudando-a a pular a cerca.

- Não queremos ficar para trás, queremos, princesa?

Os dois se olharam, rindo, e voltaram a correr.

- VOLTEM AQUI, SEU MERDINHAS!

Chegaram na Kombi, rindo, e ainda sendo perseguidos pelo segurança.

- Gary tá querendo um aumento! - Pope disse.

- Ele vai ter um ataque cardíaco! - Dizia Kiara, fazendo a loira rir.

- Vamos lá, cara, você está tão perto! - JJ falava, com o corpo para fora da Kombi.

- Voltem... voltem aqui! - O homem dizia, cansado, mas ele ainda corria atrás do veículo.

- Hey, Jay, dá uma cerveja para ele! - disse, entregando a cerveja para o loiro.

- Okay. Pega aqui, cara, você merece! - O loiro jogou a cerveja para o homem, que ainda corria ou tentava.

- Tá bom, já chega! - Kiara fechou a porta da Kombi, fazendo John B acelerar o veículo, indo embora do local.

- Qual é, esse cara está pedindo para sofrer.

Eles ainda riam do que tinha acabado de acontecer, sobre a pequena perseguição, de Pope caindo e de como Gary era estúpido por conseguir achar que conseguiria alcançá-los somente correndo.

E, para , não tinha coisa melhor que aquilo, ela simplesmente adorava o sentimento de liberdade e adrenalina que passava. Ela estava ali com os pogues, sua família.

Outer Banks
O paraíso na terra

Esse é o tipo de lugar que você tem duas casas ou dois trabalhos. Duas tribos, uma ilha.

Primeiro, tem o figure 8, o lado rico da ilha, local dos kooks, carrinhos de golfe, empresários e tudo isso.

E tem o cut, lar dos trabalhadores, garçons, limpadores de iates, pilotos de barcos, no caso, o lado dos pogues.

***

- Bom dia, . - John B dizia, batendo nas costas da garota para acordá-la.

A menina murmurou um xingamento quase inaudível enquanto se levantava.

- Temos que falar com o conselho tutelar hoje, Bunny.

Bunny, o apelido que tinha ganhado do pai. John B era o Bird e lembrava sempre das histórias que seu pai inventava para eles dormirem quando eram crianças: "As aventuras de Bird e Bunny".

Há exatamente 9 meses, o seu pai desapareceu no oceano. Mesmo sendo realista e sabendo que seu pai estava possivelmente morto, John B só dizia que só iria assinar os papeis quando ele visse o corpo.

- Ficamos sabendo que vocês são menores de idade, não emancipados vivendo sozinhos. - A assistente social dizia calmamente, olhando para os dois jovens.

- Não. - John B negou com a cabeça, rindo - Não.

Ele era um péssimo mentiroso.

- Precisam ser honestos para que possamos ajudá-los. É o que nós queremos, certo?

- Estamos sendo honestos. - Os dois adolescentes disseram juntos.

- Certo, quando foi a última vez que falaram com seu tio?

- Há uns 34 minutos. - A menina dizia, olhando o relógio invisível que o irmão mostrava para ela.

Os dois se olharam ao reparar que a mulher anotava algo.

- Quando o viram pela última vez?

- Há 2 horas e 43 minutos.

- John, , iremos lá amanhã falar com o tio de vocês, se ele não estiver lá, irão para um lar adotivo. - Ela anotou mais algumas coisas. - Garanto que encontraremos um lar seguro e amoroso para vocês.

sentiu medo e fazia de tudo para não demonstrar, ao contrário de John B que estava visivelmente tenso. Então ela fez o que sabia fazer de melhor: mentir.

- Esperamos por vocês lá! - Ela se levantou, juntamente com o irmão, até a porta, com um sorriso no rosto. - Na verdade, John B, o tio T. não tem alguns exames marcados para amanhã? Por causa da coluna, né?

John B somente assentiu com o rosto, ele concordava com tudo que a irmã falava.

- Um raio x, alguns exames de sangue. - A menina falava, pensativa, fingido lembrar mais de algo. – Ah, ele falou que tinha até colesterol envolvido. - Ela deu um sorriso triste para a moça. - Não tem como remarcar?

- Desculpem, mas realmente não podemos remarcar. - A mulher olhou para eles novamente. - Só queremos ajudar.

- Não precisamos de ajuda. - O menino colocou suas mãos nas costas da irmã, tirando-a do escritório.

Eles saíram da sala em silêncio, até chegarem na Kombi.

- Estamos ferrados! - John B falou, se apoiando no volante.

- Eu sei.

Capítulo 2

JJ e dividiam o sofá-cama - já que no quarto da garota tinha uma goteira enorme que a incomodou mais à noite do que o próprio furacão Agatha, que tinha acontecido ontem.

Ao acordar, sentiu o braço de JJ abraçando sua cintura, o que a fez sentir mil espécies de borboletas em seu estômago. Tentando se levantar, ouviu um resmungo de JJ que se parecia com um "fica quieta, ". Mas ela ignorou os resmungos dele e se levantou do sofá.

Caminhou em sentido à cozinha, comendo um único pedaço de pão, logo vendo o irmão acordar.

— Bom dia, . — O irmão falava, ainda com uma voz de sono.

— Bom dia, Johnny.

— Ei, já foi lá fora? — John B falou, passando por JJ, dando um pequeno tapa em suas costas para acordá-lo.

— Não dá, cara, tenho pólio, não consigo andar! — JJ murmurava, ainda deitado. passou por ele dando um peteleco em sua orelha, fazendo-o resmungar.

— Ca-ra-lho. — A menina exclamou pausadamente. — Eu limpei isso essa semana! — Choramingou.

O quintal estava totalmente acabado, árvores caídas e galhos para todo lado.

— Isso não é bom... isso não é bom. — John B murmurava.

— Agatha fez muito estrago, não é? — JJ disse ao lado de , assustando-a.

— Porra, quer me matar de susto?

— Você tem que relaxar, . — Dizia o loiro, massageando os ombros da garota. — E eu sei o que está te fazendo falta.

— Não, JJ, eu prometi que iria parar. — Falou, se afastando.

JJ revirou os olhos enquanto caminhavam até John B, que estava em cima do HMS Pogue tirando os galhos que haviam caído dentro do barco.

— Está pensando no mesmo que eu? — Os irmãos se encaravam, sorrindo.

— Com certeza estou. — John B respondeu.

— No que vocês estão pensando? — O JJ falou, confuso.

— Que a tempestade empurrou todos os caranguejos para o pântano e que os peixes vão atrás deles. — John B explicou, sorrindo.

— O conselho tutelar não iria vir hoje? — O loiro perguntou.

— Eles não vão entrar em uma lancha, Jay. — passava o braço pelo ombro do loiro, sorrindo. — É Deus nos mandando pescar!

Os três estavam dentro do barco, John B pilotava enquanto e JJ estavam em pé, perto de John B.

— Hey, Sra. Amy! Vocês sobreviveram? — John B falava enquanto acenava para a filha da mulher.

— Ainda estamos aqui. — A mulher respondeu.

reparou a filha da mulher acenando para ela de volta, mas a menina, na verdade, encarava o JJ de uma forma nada discreta.

— Ela super me olhou. — JJ falou, fazendo a garota revirar os olhos enquanto John B concordava.

— Cara, olha esse lugar. — John B falava, olhando toda a sujeira que o furacão tinha feito na ilha.

— Agatha, o que você fez? — JJ falou.

— Vamos limpar isso o verão inteiro. — reclamou.

— Esse é o meu pesadelo. — O barco se aproximava do cais dos Heyward. — Olha o que temos aqui. — John B colocava a mão no ombro imitando um walkie-talkie. — Temos uma reunião de segurança, presença obrigatória. — Terminou com um barulho, como se estivesse desligado o aparelho imaginário.

— Não dá, meu pai não me deixa sair. — Pope franziu a testa, JJ o zombou.

— Qual é, cara, seu pai é um covarde, câmbio. — JJ disse, recebendo um tapa no braço de .

— Eu ouvi isso, seu pequeno bastardo. — O Sr. Heyward se aproximava do barco.

— Olá, Sr. Heyward. — A loira acenou, sorrindo como se fosse uma criança.

— Olá, , já falei que não deveria andar com esses garotos. — O homem sorriu para a garota, aconselhando-a.

— Não é como se eu tivesse muita escolha. — A menina deu de ombros.

— A gente precisa do seu filho! — John B falou, olhando o homem.

— Regras da ilha, o dia depois do furacão é livre. — JJ lembrou.

— Quem diabos inventou isso? — O homem falou, bravo. — Acha que eu sou burro?

— O Pentágono, eu acho, nós fomos autorizados pela segurança. — Dizia JJ, coçando a nuca enquanto falava.

ria da fala de JJ, vendo Pope discutir com o pai.

— Pula no barco, vem logo. — A menina disse baixo, fazendo o amigo pular dentro do barco enquanto o Sr. Heyward ainda reclamava. — Vamos devolvê-lo inteiro!

— Não gosto dos seus amigos! — O pai de Pope gritou uma última vez em direção ao barco que se afastava, fazendo todos rirem.

A loira se sentava no convés perto de Pope enquanto se aproximavam do cais da casa de Kiara.

— Olá, princesa! — disse ao cumprimentar a amiga, que era ajudada por JJ a entrar no barco.

Kiara distribuía as cervejas que tinha dentro do cooler que ela tinha trazido, se sentando ao lado da amiga.

e Kie já estavam sentadas na borda do HMS Pogue enquanto Pope dirigia o pequeno barco.

— Olhem esse truque. — JJ pegou mais uma cerveja, subindo em cima do convés, ficando bem na ponta do barco. — Ei, Pope, dá para acelerar um pouco?

— Já tentamos isso umas seiscentas vezes, não funciona. — John B disse, indo para o fundo do barco.

— Vai desperdiçar a cerveja! — falou, olhando para ele.

Pope acelerou o barco, JJ colocou a garrafa de cerveja em frente à sua boca, tentando tomar o líquido que voava para todos os lados, fazendo todos reclamarem por causa da cerveja.

— Cara, tem cerveja no meu cabelo. — Kiara falava enquanto colocava a mão sobre o rosto para tentar se esconder.

O barco bateu forte em algo, fazendo JJ ser jogado para fora do barco. quase bateu a cabeça e Kiara caiu enquanto Pope e John B se seguravam.

— Pope! — Exclamou John B, ajudando a irmã a se levantar.

— Qual foi, cara? — Kiara disse, se levantando.

fechou os olhos com força por causa da pequena dor misturada com tontura que sentiu. Seguiu até a ponta do barco, vendo o garoto que estava com uma cara péssima, mas com a garrafa de cerveja em mãos, segurando a mesma um pouco mais alto.

— JJ, você está bem? — foi a primeira a perguntar.

— Acho que meus calcanhares bateram na minha nuca. — Ele disse, grunhindo por causa da dor. — Pope, o que você fez?

— Tem um banco de areia, o canal mudou. — Pope disse, olhando JJ nadar para perto do barco.

— Ei, , você viu? — JJ olhou a garota que franzia as sobrancelhas, confusa. — Salvei a cerveja! — A garota somente riu fraco, negando com a cabeça.

se aproximou da beirada do barco, observando o garoto.

— Ei, Pope. — puxou o amigo pelo braço, o trazendo para a ponta do convés. — Não tem um barco ali? — Disse, apontando para o oceano.

— Cala a boca. — Disse John B, rindo, ao ouvir a fala da irmã.

— Não, ela está certa, tem realmente um barco ali. — Pope falou e todos se aproximaram da borda do barco, olhando o barco afundado.

Eles se apressaram em tirar suas roupas. viu JJ observá-la.

Os quatro adolescentes que ainda estavam no barco pularam, nadando em direção ao barco afundado.

respirou fundo, mergulhando junto com os amigos até o barco afundado, mas logo sentiu a falta de ar em seus pulmões, subindo para a superfície com os pogues.

— Vocês viram aquilo? — Pope perguntou, abismado.

— Era Grady White. — JJ falou.



Continua...



Nota da autora: Sem nota.




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