Última atualização: 30/03/2022

Prólogo

2012


— Sinto muito, . — O garotinho de cabelos loiros dizia, segurando uma flor.

A menina continuava em silêncio com os olhos avermelhados, fungando uma vez ou outra. Não falava nada, somente olhava o chão. Ela tinha algumas cicatrizes no rosto e um gesso no braço com coisas desenhadas.

Eles tinham acabado de sair do enterro da mãe e do padrasto, um acidente de carro levou os dois, mas a menina só quebrou o braço e levou alguns pontos na testa.

— Ei, , sabe... minha mãe também foi embora, não do mesmo jeito, claro, mas foi triste também...

— Eu não quero ir morar com meu pai, JJ, eu quero ir morar com o John B! — Ela disse tão baixo que quase soava como um sussurro.

JJ não sabia quem era o pai dela, a amiga sempre morou com a mãe. Conheceu-a por John B, seu melhor amigo e primo da garota, quando ele tinha 7 anos e nunca mais se desgrudaram.

— A gente vai dar um jeito nisso, tá bom? A gente pode falar com o Big John e ele vai resolver isso. — A menina assentiu com a cabeça. — Um dia, , a gente vai se casar e eu vou tirar você dessa ilha! — JJ falava animado, encarando os olhos da garota.

— E quem disse que eu vou casar com você? Eu quero casar com o kook velho, JJ! Para eu poder ficar com o dinheiro depois, igual nas novelas que mamãe assistia! — A menina riu, vendo o menino fechar o rosto. — Mas, se eu não achar nenhum, eu caso com você. — Falou, botando a mão no ombro do garoto.

John B e seu pai chegaram, o garotinho de cabelos castanhos se sentou ao lado dos dois.

— Vou fazer de tudo para você ficar com a gente, , não vou te entregar para um homem que nem te quer de verdade. — Disse o homem, olhando a menina juntamente com os dois garotos.

E ele fez, foi adotada pelo tio alguns meses depois.

Capítulo 1

teve uma vida particularmente boa, tirando o fato de que, com 7 anos, sofreu um acidente de carro que acabou levando a mãe e o padrasto, mas a vida tem dessas, não é? Altos e baixos, era sempre isso que falavam para ela, pelo menos.

O homem que ela não gostava de denominar como pai era um homem rico e importante que nunca quis saber da filha, já que ela era a prova que o homem traiu a verdadeira mulher.

sabia que tinha um irmão por parte de pai, mas nunca quis saber da vida dele, aliás, quem precisa de uma família rica e importante quando se tem os pogues? Bem, a parte do "rica" lhe deixava interessada, mas quanto às pessoas que faziam parte da família, ela nem se dava o trabalho de se importar.

Logo após a morte de sua mãe, seu tio - que ela sempre chamou de pai - conseguiu sua custódia, ela viveu ao lado do primo - que era o termo que os dois jovens Routledge's mais odiavam, aliás, eles eram irmãos e nada mudaria isso - e os pogues.

Pescar, surfar e trabalhar, uma vida e tanto, não é?

O grupo de adolescentes se encontrava bebendo cerveja em uma grande casa em construção, vários quartos, dois andares, um deck e uma varanda grande no segundo andar.

— Se você cair, eu vou dar risada. — dizia ao observar o irmão em cima do telhado.

— É uma queda de três andares? — Pope dizia, o observando. — Te dou uma a três de chance de sobreviver.

John B colocou o dedo indicador na boca, o molhando e o estendendo, sentindo o vento bater no mesmo.

— Então eu devo pular?

— Isso, pula e eu atiro. — Pope pegava uma furadeira, apontando para o menino.

— Vai atirar em mim?

— Vou.

Os dois brincavam, fingindo estar atirando um no outro, enquanto Kiara saía de dentro da casa.

— Cara, eles vão ter privadas japonesas e aquecedor de toalhas!

— Claro, sem toalhas quentes não dá. — O loiro disse, como se fosse óbvio.

o olhou e os dois se observaram sem dizer nada, sem emitir algum som, somente se encaravam, sorrindo um para o outro, como se estivessem só eles dois lá.

— Aqui era um habitat natural de tartarugas, mas quem liga para as tartarugas, não é? — Eles foram tirados da pequena bolha pela voz de Kiara.

— Se serve de consolo, Kie, eu ligo para as tartaruguinhas, tá? — Disse , indo até Kie, colocando os braços pelos seus ombros, o que fez a morena rir.

— Se você derrubar a cerveja, eu não vou te dar outra. — JJ disse, voltando a atenção ao John B.

Segundos depois, o garoto derrubou a cerveja no chão, fazendo JJ se ajeitar no andaime que estava sentado para pegar outra cerveja.

— Mas é claro que ele derrubou a cerveja. — A loira disse, no meio dos outros xingamentos dos amigos para o garoto.

— Ei, , você não pode falar muita coisa, às vezes você é pior! — John B se defendeu.

Um carro se aproximou da casa, buzinando.

— HEY! PARADOS AÍ!

— Gente, nosso tempo acabou, são os seguranças. — Pope disse ao olhar pela grade da varanda, avistando os seguranças.

— Vamos lá! — Kiara cantarolava com um sorriso no rosto, todos sabiam o que iria acontecer.

Todos começaram a correr, rindo e gritando freneticamente, não era a primeira vez que eles eram perseguidos pelos seguranças, - e provavelmente não seria a última - mas toda vez eles se divertiam do mesmo jeito.

— Gary, é você? — JJ gritou.

— Vocês sabem que sou eu!

JJ acabou caindo e dando de cara com o segurança, fazendo a garota rir enquanto corria.

— Ei, cara, foi mal, mas não curto abraços! — O garoto disse, se afastando do homem.

— VOLTEM AQUI!

— Vamos, Pope! — dizia, correndo.

Ao chegar na cerca, JJ passou as mãos pela cintura da loira, dando um pequeno impulso, ajudando-a a pular a cerca.

— Não queremos ficar para trás, queremos, princesa?

Os dois se olharam, rindo, e voltaram a correr.

— VOLTEM AQUI, SEU MERDINHAS!

Chegaram na Kombi, rindo, e ainda sendo perseguidos pelo segurança.

— Gary tá querendo um aumento! — Pope disse.

— Ele vai ter um ataque cardíaco! — Dizia Kiara, fazendo a loira rir.

— Vamos lá, cara, você está tão perto! — JJ falava, com o corpo para fora da Kombi.

— Voltem... voltem aqui! — O homem dizia, cansado, mas ele ainda corria atrás do veículo.

— Hey, Jay, dá uma cerveja para ele! — disse, entregando a cerveja para o loiro.

— Okay. Pega aqui, cara, você merece! — O loiro jogou a cerveja para o homem, que ainda corria ou tentava.

— Tá bom, já chega! — Kiara fechou a porta da Kombi, fazendo John B acelerar o veículo, indo embora do local.

— Qual é, esse cara está pedindo para sofrer.

Eles ainda riam do que tinha acabado de acontecer, sobre a pequena perseguição, de Pope caindo e de como Gary era estúpido por conseguir achar que conseguiria alcançá-los somente correndo.

E, para , não tinha coisa melhor que aquilo, ela simplesmente adorava o sentimento de liberdade e adrenalina que passava. Ela estava ali com os pogues, sua família.

Outer Banks
O paraíso na terra

Esse é o tipo de lugar que você tem duas casas ou dois trabalhos. Duas tribos, uma ilha.

Primeiro, tem o figure 8, o lado rico da ilha, local dos kooks, carrinhos de golfe, empresários e tudo isso.

E tem o cut, lar dos trabalhadores, garçons, limpadores de iates, pilotos de barcos, no caso, o lado dos pogues.

***

— Bom dia, . — John B dizia, batendo nas costas da garota para acordá-la.

A menina murmurou um xingamento quase inaudível enquanto se levantava.

— Temos que falar com o conselho tutelar hoje, Bunny.

Bunny, o apelido que tinha ganhado do pai. John B era o Bird e lembrava sempre das histórias que seu pai inventava para eles dormirem quando eram crianças: "As aventuras de Bird e Bunny".

Há exatamente 9 meses, o seu pai desapareceu no oceano. Mesmo sendo realista e sabendo que seu pai estava possivelmente morto, John B só dizia que só iria assinar os papeis quando ele visse o corpo.

— Ficamos sabendo que vocês são menores de idade, não emancipados vivendo sozinhos. — A assistente social dizia calmamente, olhando para os dois jovens.

— Não. — John B negou com a cabeça, rindo — Não.

Ele era um péssimo mentiroso.

— Precisam ser honestos para que possamos ajudá-los. É o que nós queremos, certo?

— Estamos sendo honestos. — Os dois adolescentes disseram juntos.

— Certo, quando foi a última vez que falaram com seu tio?

— Há uns 34 minutos. — A menina dizia, olhando o relógio invisível que o irmão mostrava para ela.

Os dois se olharam ao reparar que a mulher anotava algo.

— Quando o viram pela última vez?

— Há 2 horas e 43 minutos.

— John, , iremos lá amanhã falar com o tio de vocês, se ele não estiver lá, irão para um lar adotivo. — Ela anotou mais algumas coisas. — Garanto que encontraremos um lar seguro e amoroso para vocês.

sentiu medo e fazia de tudo para não demonstrar, ao contrário de John B que estava visivelmente tenso. Então ela fez o que sabia fazer de melhor: mentir.

— Esperamos por vocês lá! — Ela se levantou, juntamente com o irmão, até a porta, com um sorriso no rosto. — Na verdade, John B, o tio T. não tem alguns exames marcados para amanhã? Por causa da coluna, né?

John B somente assentiu com o rosto, ele concordava com tudo que a irmã falava.

— Um raio x, alguns exames de sangue. — A menina falava, pensativa, fingido lembrar mais de algo. — Ah, ele falou que tinha até colesterol envolvido. — Ela deu um sorriso triste para a moça. — Não tem como remarcar?

— Desculpem, mas realmente não podemos remarcar. — A mulher olhou para eles novamente. — Só queremos ajudar.

— Não precisamos de ajuda. — O menino colocou suas mãos nas costas da irmã, tirando-a do escritório.

Eles saíram da sala em silêncio, até chegarem na Kombi.

— Estamos ferrados! — John B falou, se apoiando no volante.

— Eu sei.

Capítulo 2

JJ e dividiam o sofá-cama - já que no quarto da garota tinha uma goteira enorme que a incomodou mais à noite do que o próprio furacão Agatha, que tinha acontecido ontem.

Ao acordar, sentiu o braço de JJ abraçando sua cintura, o que a fez sentir mil espécies de borboletas em seu estômago. Tentando se levantar, ouviu um resmungo de JJ que se parecia com um "fica quieta, ". Mas ela ignorou os resmungos dele e se levantou do sofá.

Caminhou em sentido à cozinha, comendo um único pedaço de pão, logo vendo o irmão acordar.

— Bom dia, . — O irmão falava, ainda com uma voz de sono.

— Bom dia, Johnny.

— Ei, já foi lá fora? — John B falou, passando por JJ, dando um pequeno tapa em suas costas para acordá-lo.

— Não dá, cara, tenho pólio, não consigo andar! — JJ murmurava, ainda deitado. passou por ele dando um peteleco em sua orelha, fazendo-o resmungar.

— Ca-ra-lho. — A menina exclamou pausadamente. — Eu limpei isso essa semana! — Choramingou.

O quintal estava totalmente acabado, árvores caídas e galhos para todo lado.

— Isso não é bom... isso não é bom. — John B murmurava.

— Agatha fez muito estrago, não é? — JJ disse ao lado de , assustando-a.

— Porra, quer me matar de susto?

— Você tem que relaxar, . — Dizia o loiro, massageando os ombros da garota. — E eu sei o que está te fazendo falta.

— Não, JJ, eu prometi que iria parar. — Falou, se afastando.

JJ revirou os olhos enquanto caminhavam até John B, que estava em cima do HMS Pogue tirando os galhos que haviam caído dentro do barco.

— Está pensando no mesmo que eu? — Os irmãos se encaravam, sorrindo.

— Com certeza estou. — John B respondeu.

— No que vocês estão pensando? — O JJ falou, confuso.

— Que a tempestade empurrou todos os caranguejos para o pântano e que os peixes vão atrás deles. — John B explicou, sorrindo.

— O conselho tutelar não iria vir hoje? — O loiro perguntou.

— Eles não vão entrar em uma lancha, Jay. — passava o braço pelo ombro do loiro, sorrindo. — É Deus nos mandando pescar!

Os três estavam dentro do barco, John B pilotava enquanto e JJ estavam em pé, perto de John B.

— Hey, Sra. Amy! Vocês sobreviveram? — John B falava enquanto acenava para a filha da mulher.

— Ainda estamos aqui. — A mulher respondeu.

reparou a filha da mulher acenando para ela de volta, mas a menina, na verdade, encarava o JJ de uma forma nada discreta.

— Ela super me olhou. — JJ falou, fazendo a garota revirar os olhos enquanto John B concordava.

— Cara, olha esse lugar. — John B falava, olhando toda a sujeira que o furacão tinha feito na ilha.

— Agatha, o que você fez? — JJ falou.

— Vamos limpar isso o verão inteiro. — reclamou.

— Esse é o meu pesadelo. — O barco se aproximava do cais dos Heyward. — Olha o que temos aqui. — John B colocava a mão no ombro imitando um walkie-talkie. — Temos uma reunião de segurança, presença obrigatória. — Terminou com um barulho, como se estivesse desligado o aparelho imaginário.

— Não dá, meu pai não me deixa sair. — Pope franziu a testa, JJ o zombou.

— Qual é, cara, seu pai é um covarde, câmbio. — JJ disse, recebendo um tapa no braço de .

— Eu ouvi isso, seu pequeno bastardo. — O Sr. Heyward se aproximava do barco.

— Olá, Sr. Heyward. — A loira acenou, sorrindo como se fosse uma criança.

— Olá, , já falei que não deveria andar com esses garotos. — O homem sorriu para a garota, aconselhando-a.

— Não é como se eu tivesse muita escolha. — A menina deu de ombros.

— A gente precisa do seu filho! — John B falou, olhando o homem.

— Regras da ilha, o dia depois do furacão é livre. — JJ lembrou.

— Quem diabos inventou isso? — O homem falou, bravo. — Acha que eu sou burro?

— O Pentágono, eu acho, nós fomos autorizados pela segurança. — Dizia JJ, coçando a nuca enquanto falava.

ria da fala de JJ, vendo Pope discutir com o pai.

— Pula no barco, vem logo. — A menina disse baixo, fazendo o amigo pular dentro do barco enquanto o Sr. Heyward ainda reclamava. — Vamos devolvê-lo inteiro!

— Não gosto dos seus amigos! — O pai de Pope gritou uma última vez em direção ao barco que se afastava, fazendo todos rirem.

A loira se sentava no convés perto de Pope enquanto se aproximavam do cais da casa de Kiara.

— Olá, princesa! — disse ao cumprimentar a amiga, que era ajudada por JJ a entrar no barco.

Kiara distribuía as cervejas que tinha dentro do cooler que ela tinha trazido, se sentando ao lado da amiga.

e Kie já estavam sentadas na borda do HMS Pogue enquanto Pope dirigia o pequeno barco.

— Olhem esse truque. — JJ pegou mais uma cerveja, subindo em cima do convés, ficando bem na ponta do barco. — Ei, Pope, dá para acelerar um pouco?

— Já tentamos isso umas seiscentas vezes, não funciona. — John B disse, indo para o fundo do barco.

— Vai desperdiçar a cerveja! — falou, olhando para ele.

Pope acelerou o barco, JJ colocou a garrafa de cerveja em frente à sua boca, tentando tomar o líquido que voava para todos os lados, fazendo todos reclamarem por causa da cerveja.

— Cara, tem cerveja no meu cabelo. — Kiara falava enquanto colocava a mão sobre o rosto para tentar se esconder.

O barco bateu forte em algo, fazendo JJ ser jogado para fora do barco. quase bateu a cabeça e Kiara caiu enquanto Pope e John B se seguravam.

— Pope! — Exclamou John B, ajudando a irmã a se levantar.

— Qual foi, cara? — Kiara disse, se levantando.

fechou os olhos com força por causa da pequena dor misturada com tontura que sentiu. Seguiu até a ponta do barco, vendo o garoto que estava com uma cara péssima, mas com a garrafa de cerveja em mãos, segurando a mesma um pouco mais alto.

— JJ, você está bem? — foi a primeira a perguntar.

— Acho que meus calcanhares bateram na minha nuca. — Ele disse, grunhindo por causa da dor. — Pope, o que você fez?

— Tem um banco de areia, o canal mudou. — Pope disse, olhando JJ nadar para perto do barco.

— Ei, , você viu? — JJ olhou a garota que franzia as sobrancelhas, confusa. — Salvei a cerveja! — A garota somente riu fraco, negando com a cabeça.

se aproximou da beirada do barco, observando o garoto.

— Ei, Pope. — puxou o amigo pelo braço, o trazendo para a ponta do convés. — Não tem um barco ali? — Disse, apontando para o oceano.

— Cala a boca. — Disse John B, rindo, ao ouvir a fala da irmã.

— Não, ela está certa, tem realmente um barco ali. — Pope falou e todos se aproximaram da borda do barco, olhando o barco afundado.

Eles se apressaram em tirar suas roupas. viu JJ observá-la.

Os quatro adolescentes que ainda estavam no barco pularam, nadando em direção ao barco afundado.

respirou fundo, mergulhando junto com os amigos até o barco afundado, mas logo sentiu a falta de ar em seus pulmões, subindo para a superfície com os pogues.

— Vocês viram aquilo? — Pope perguntou, abismado.

— Era Grady White. — JJ falou.

Capítulo 3

não era totalmente uma especialista em barcos, mas sabia que um Grady-White não chegava nem perto de ser um barco barato.

— Um Grady-White custa 500 mil dólares fácil, mano. — JJ comentou, surpreso, subindo no HMS Pogue juntamente com os amigos.

— Quem é o idiota que naufraga um barco de 500 mil dólares? — perguntou, esticando o braço para JJ, que a ajudava a subir no barco.

— É o mesmo barco que eu e o Pope vimos quando surfamos na tempestade! — Falou John B, chamando a atenção de sua irmã.

— Você só pode estar de brincadeira, né, John B? — falou, colocando a mão na cintura.

No fundo, talvez ela também quisesse surfar em uma tempestade, mas também tinha um pouco de senso em sua cabeça dizendo que seria perigoso demais.

— Vocês surfaram em uma tempestade? — Kiara também parecia brava com o ato dos amigos.

As garotas olhavam John B e Pope, esperando uma resposta.

— Esses são meus garotos, estilo pogue! — JJ falou, animado, fazendo um toque com John B, fazendo as garotas revirarem os olhos.

— Espera, nós sabemos de quem é o barco? — Perguntou Pope, fazendo os amigos se entreolharem.

— Não, mas vamos descobrir! — John B falou, tirando a âncora do compartimento do barco.

— É muito fundo, cara, eu não vou te ressuscitar, eu não sei fazer boca-a-boca. — Disse, observando o amigo desenrolar a corda da âncora.

suspirou, tirando a camisa e ficando na ponta do barco, vendo os amigos a observarem, confusos.

— John B, passa a âncora, quem vai pular sou eu. — A garota esticou a mão, olhando o irmão.

— Eu definitivamente sei fazer boca-a-boca, fiz um curso de salva-vidas na quinta série, pode ir tranquila, ! — Maybank falou, sorrindo, olhando a Routledge.

revirou os olhos, vendo o irmão se aproximar dela.

— Você não vai descer lá embaixo. — Ele falou, encarando-a.

— Vou sim. Se não me der essa âncora, eu pulo sem ela. — falou, decidida.

Os dois Routledge se encararam, como se fosse uma pequena discussão silenciosa entre os dois.

— Parem de fazer isso e só pulem logo! — Pope falou, ansioso. — Odeio quando vocês conversam em silêncio, é agoniante. — Bufou.

Era um hábito muito comum entre os irmãos conversarem "em silêncio" até um ceder ou decidirem algo. Não se lembravam quando essa mania deles começara, mas era algo que sempre deixava os amigos nervosos, já que eles dificilmente entendiam o que estava acontecendo.

John B finalmente cedeu, deixando a irmã pular juntamente com ele. Os dois seguraram a âncora e olharam os amigos.

— A missão é de vocês, marujos. — Pope disse, fazendo continência para os amigos, que responderam ao sinal.

— Tomem cuidado. — Kiara disse, preocupada.

— Prontos? — JJ perguntou, vendo os Routledge assentiram. — Então, vai. — O loiro falou, empurrando os dois para a água.

Os irmãos afundaram rapidamente por causa da âncora que os empurrava com força para o fundo do oceano. Quando chegaram perto do barco, se soltaram e nadaram em direção ao barco, procurando pistas de algo.

tentava conter todo o oxigênio possível em seus pulmões enquanto tentava procurar algo no barco juntamente com seu irmão. Mas era difícil ver algo embaixo d’água, principalmente agora que seus olhos ardiam e estavam, provavelmente, vermelhos e irritados.

Mas, para o seu desgosto, seus pulmões já pediam fortemente por ar e ainda não tinha achado nada no barco. Se assustou ao sentir a mão de John B tocando seu braço, mostrando uma chave. A garota deu um sorrisinho e os dois pegaram impulso com os pés enquanto John B segurava o braço da irmã, ajudando-a a nadar para a superfície mais rápido.

— Vocês demoraram demais! — Falou Kiara, preocupada.

John B ignorou e nadou com para perto do barco, subindo e ajudando-a a subir.

— Acharam um cadáver? — Questionou Pope.

— Não, mas eu podia ter trazido o da . — Disse, bravo.

— Deus! Você é tão dramático! — A irmã exclamou. — Eu estou bem.

— Bem? Quase desmaiou lá embaixo! — John B falou alto.

— Chega! Os dois! — Kiara chamou a atenção dos amigos. — , você está bem? — Perguntou, olhando a amiga, que assentiu com a cabeça murmurando um "uhum". — Ótimo, então o que vocês acharam lá embaixo?

John B deu a chave para Kiara.

— Uma chave... — Pope falou, desanimado.

— A chave de um motel? — Kiara disse, confusa, olhando a chave.

— Pelo menos é de um motel… — Ele disse, olhando , que revirou os olhos.

— Deveríamos entregar para a guarda costeira, talvez a gente ganhe uma recompensa ou sei lá. — Kiara comentou.

— Eu gosto da ideia de ganharmos dinheiro por achar um barco naufragado. — falou, animada, enquanto botava sua roupa novamente.

Decidiram ir até a guarda costeira entregar a chave e falar sobre o Grady-White, esperando ganharem, pelo menos, uma pequena recompensa por isso.

Pope dirigia o barco e se sentava atrás dele nos bancos que se localizavam lá; Kie, John B e JJ estavam mais à frente, no convés, até o loiro olhar para trás e caminhar em direção à amiga.

— Você está bem mesmo? — Maybank perguntou enquanto se sentava ao lado de . — Não se afogou?

— Não, só fiquei com falta de ar, John B é dramático. — Ela falou, dando de ombros.

— Sabe, , se quisesse mesmo o boca-a-boca, era só pedir, não precisava quase se afogar. — Ele brincou.

— Você é um idiota. — Ela respondeu, rindo.

— Agora é sério, deveria falar com ele. — JJ falou, olhando-a. — Ele só ficou preocupado, sabe disso.

— Eu concordo com o JJ. — Disse Pope, se metendo na conversa. — Deveria falar com ele.

— Pope Heyward, seu pai não te ensinou que é feio ouvir as conversas dos outros? — riu juntamente com JJ.

— É sério, , fala com ele. — Pope aconselhou e ela bufou.

— Está bom! — Ela aceitou, fazendo os dois amigos sorrirem. — Pope, vá mais devagar para eu falar com ele antes de a gente chegar, por favor, e Jay, chama ele para mim. — A garota choramingou, fazendo os dois meninos fazerem o que ela pediu.

Maybank caminhou até o convés, mas não foi preciso chamar John B, já que ele só estava esperando o amigo sair de lá para poder conversar com a irmã.

— Ei, Bunny, está tudo bem? — John B perguntou, se sentando ao lado dela; a garota murmurou um "uhum". — Me desculpe por ter surtado antes.

— Está tudo bem, então, me desculpe por ter sido teimosa. — Ela sorriu, olhando o irmão.

— Me desculpe por ter surfado na tempestade.

— Eu também surfaria na tempestade, acho que fiquei brava por não ter sido chamada. — Ela falou, rindo, enquanto Pope estacionava o barco.

— Você super surfaria na tempestade. — Ele riu. — Estamos quites? — John B levantou a mão em forma de soco.

— Estamos, Bird. — Sorriu, respondendo ao toque.

Os pogues observaram a doca cheia. Havia uma grande movimentação de pessoas no local, até mesmo policiais andando para todos os lados, o que deixou assustada, já que dificilmente os policiais ajudavam o pessoal da periferia, então ela tinha duas teorias: tinha acontecido algo realmente sério ou a tempestade foi tão forte que até os policiais se comoveram para ajudar.

O Agatha tinha destruído muitas casas e ela sabia disso, o que a fez agradecer pelo castelo — o apelido que seu pai deu à casa deles — ter aguentado firme durante o furacão.

John B e JJ foram falar com os policiais enquanto os outros ficaram esperando lá fora.

— Cara, tem policiais para todo lado. — falou, assustada.

— Agatha acabou com tudo por aqui, devem estar tentando ajudar. — Pope respondeu.

Observaram que os dois garotos voltaram bufando de volta da pequena cabine.

— Ignoraram a gente. — JJ falou, estressado.

— E o que a gente faz agora? — Kiara perguntou.

Os dois irmãos se encararam, sorrindo, e John B jogou a chave para a irmã, que a pegou no ar. sabia exatamente o que o irmão queria fazer. Os dois voltaram a encarar os amigos e, agora, JJ também sorria.

***


— Motel ou laboratório de metanfetamina? — Kiara falou, fazendo uma cara de nojo ao se aproximarem do local que parecia cair em pedaços.

— Tomara que a gente veja o Walter White aqui. — JJ falou, fazendo referência a série que eles assistiram na casa de Kiara a um tempo atrás, depois de Pope implorar por meses para eles assistirem.

— Walter White perdeu tudo mesmo. — falou, fazendo os amigos rirem.

— Não me parece o tipo de local onde alguém com um Grady-White estaria. — John B disse.

— Me parece um local onde alguém com um Grady-White seria morto. — Pope pontuou.

O barco foi atracado e JJ, e John B pularam para fora do barco.

, cuida deles! — Pope falou, apontando para ela.

— Eu posso tentar. — Disse, olhando o amigo.

— Ei, John B, é sério, toma cuidado. — Kie disse, olhando-o seriamente.

JJ e se encararam, confusos com a cena, e seguiram andando em direção ao motel junto com John B.

— Eu sou a melhor amiga dela! — falou, indignada. — Ela mal olhou para mim. — JJ riu.

Subiram as escadas, andava à frente dos dois garotos, andando de costas, olhando-os.

Aí, John B, toma cuidado. — JJ disse, tentando imitar a voz de Kiara, se agarrando em John B. — Me dá logo o seu John P. — Terminou, fazendo a garota gargalhar alto.

— Me larga, cara! — Falou, se soltando dos braços de JJ.

— Que palhaçada foi aquela? — JJ perguntou.

— Sei lá, JJ, ela só queria que a gente tomasse cuidado.

riu ironicamente ao ouvir a resposta do irmão, ainda andando de costas.

— Cara, você precisa fazer algo sobre isso. — JJ falou, passando a mão na bochecha de John B.

concordava com JJ, sabia que seu irmão tinha, pelo menos, um mínimo sentimento por Kiara e, depois das últimas ações da amiga, não duvidava que ela também podia ter sentimentos por ele.

— Você conhece a regra, mano, pogue não pega pogue. — John B falou.

— Sempre pode existir uma exceção, cara. — Ele falou, piscando para , que riu, ignorando o assunto.

— Ei, é essa aqui! — Ela estralou os dedos e mostrou o número da porta, chamando a atenção dos garotos.

— Será que ele está aí? — JJ pensou alto. — Camareira! — Falou, tentando fazer uma voz fina.

— Cara? — falou, confusa, apontando para si mesma como se fosse um "eu podia fazer isso".

Esperaram respostas por alguns segundos, mas, como o quarto parecia estar vazio, decidiram entrar no cômodo.

— Talvez tenha algo na bolsa, deem uma olhada. — John B sinalizou.

— Achei um casaco. — JJ falou, chamando a atenção dela. — Não tem nome, mas é maneiro.

— Ele deve ter uns 50 anos, usa sapato de velho. — John B falou, fazendo uma careta.

caminhou pelo quarto escuro, tentando achar algo que fosse relevante para eles.

— Ei, venham aqui, deve ser aqui que eles estão pescando. — JJ olhava para o mapa, mostrando para os irmãos Routledge.

— Não dá, JJ, aí é fora da plataforma continental, tem muita onda, um barco de pesca não fica 5 minutos aí. — Explicou a garota.

Voltaram à busca enquanto JJ furtava algo do banheiro do motel. John B se separou com um cofre, os dois se aproximaram.

— Tenta qualquer coisa, logo deve abrir! — JJ falou.

deu um tapa na mão do irmão, que iria tentar mais uma combinação.

— Não mexe, pode travar o cofre. — Ela falou, óbvia.

caminhou até uma escrivaninha, achando um papel com uma combinação de números, o que a fez sorrir vitoriosa.

— Tenta isso. — Falou, confiante, entregando o papel ao irmão.

John B fez a combinação no papel, fazendo o cofre abrir. Os olhos de brilharam ao ver o que tinha no cofre. Era dinheiro, muito dinheiro.

— Puta merda! — Ela exclamou.

Mas JJ foi rápido em pegar uma arma que tinha dentro do cofre.

— Mano, olha isso! — JJ falou, animado.

— JJ, solta isso, as suas digitais vão ficar aí. — Ela falou, repreendendo-o.

— É uma semiautomática, cara! — Disse, ignorando as repreensões. — Ei, tira uma foto minha!

— JJ, solta essa arma, você não sabe de onde veio. Tem certeza que quer uma foto com isso? — Foi a vez de John B repreender o garoto. — Não vamos levar isso.

se apressou em pegar um maço de dinheiro que tinha no cofre. Aliás, dinheiro era uma das coisas que ela e o irmão mais necessitavam.

Um barulho de janela foi ouvido, fazendo os três se encararem e fazendo JJ correr para a janela.

— Polícia do condado de Kildare. — Ouviram uma voz após batidas na porta.

correu até a janela, saindo por ela logo após JJ e sendo seguida por seu irmão. JJ segurou-a fortemente pela cintura, com medo de deixá-la cair.

A Routlegde fechou os olhos com força, tentando regular a respiração, que estava agitada.

— Está tudo bem, . Eles não vão ver a gente, eu prometo. — JJ sussurrou no ouvido dela.

A garota sentiu todas as borboletas em seu estômago voltarem. Agora, tinha outro ponto: tentar não pensar no quão próxima estava de JJ naquele momento.

Um barulho alto foi ouvido, fazendo a garota pular de susto.

JJ realmente tinha pegado a arma?

— Me desculpe, me desculpe. — JJ falou rapidamente. — Por favor, , não se mexa. — Ele falou, fazendo carinho na cintura dela.

Merda! Foi o único pensamento da garota, que agora segurava o ar em seus pulmões, tentando controlar as mil borboletas que estavam em seu estômago e seu rosto que estava nitidamente vermelho.

A situação de JJ não era muito diferente, já que se sentia em conflito interno com a sua aproximação com a garota. JJ sentia o corpo queimar e sua mente rodar enquanto tentava protegê-la de cair. Respirou, observando a garota, e até achou um pouco engraçado ao perceber que ela estava corada enquanto ele acariciava sua cintura, tentando acalmá-la.

Quando os policiais foram embora, os três desceram apressados do telhado enquanto somente encarava o chão, tentando tirar a voz de JJ de sua cabeça.

— Podiam ter avisado antes. — falou, olhando Pope e Kiara no barco.

— Tentamos, mas o Pope era do grupo de matemática. — Kiara ironizou. — Pelo menos acharam algo?

— Se achamos? Olhem isso. — JJ tirou a arma do bolso e cutucou para mostrar o dinheiro, fazendo JJ, John B e sorrirem.

— Vocês tiraram uma evidência da cena de um crime? — Pope falou. — Eu não vou perder minha bolsa de estudos por causa de vocês.

Os adolescentes seguiram até a doca com o barco enquanto Pope e Kiara ainda xingavam o trio por ter roubado evidências de uma cena de um crime.

Chegando lá, viram ainda mais policiais em volta do local. Tinha um senhor dando depoimento para um policial e alguns bombeiros levando uma maca.

— Quem é? — John B perguntou para a garota que estava com eles.

— Scooter Grubs. — Ela começou a falar. — Ele estava no mar durante a tempestade. Olhem a foto que eu tirei. — Disse a garota, mostrando a foto do cadáver.

olhou a foto, fazendo uma careta estranha; a foto era nojenta.

— Qual era o barco dele? — JJ perguntou.

— Não sei como aquele Zé Ninguém tinha um Grady-White novinho. — Ela riu ironicamente. — Está todo mundo procurando o barco.

respirou fundo, olhando para os amigos, mas logo voltou a pôr sua atenção em Lana Grubs, que chorava abraçada ao corpo do marido.

Eles estavam muito ferrados.

Capítulo 4

— Um cadáver! A porra de um cadáver — falou, em choque.

Os pogues estavam no castelo, novamente discutindo o que fariam, depois de verem o cadáver de Scooter Grubbs e descobrirem que o mesmo era dono do Grady-White. Todos estavam assustados, sem saberem o que fazer.

— Não vimos nada, não sabemos de nada — Pope falou. — Precisamos ter uma amnésia coletiva.

— Pope está certo — JJ falou, caminhando até o lado de . — Nós negamos, negamos e negamos.

— Não podemos ficar com a grana! — Kiara comentou.

quis rolar os olhos ao ouvir a amiga falar, já que Kiara não iria sentir tanta falta do dinheiro como os outros pogues.

— Nem todo mundo pode bancar dados ilimitados, Kiara — JJ resmungou.

— Temos que entregar o dinheiro, senão dá karma negativo! — Kiara disse, ignorando JJ.

— Também é karma negativo se envolver em um crime! — Pope disse, apreensivo. — Temos que ser discretos.

— Se ser discretos quer dizer ficar com a grana, então eu concordo — JJ falou, fazendo rir.

— Isso é sério? — Kiara falou, incomodada. — Tenho certeza que a concorda comigo, certo, ?

— Desculpe, Kie, mas eu acho que realmente deveríamos ficar com o dinheiro e nos manter fora disso — falou, recebendo um sorriso de JJ e uma revirada de olhos de Kiara.

— Eu não concordo — John B falou, deixando e os garotos confusos. — Quer realmente devolver o dinheiro?

— Pensem um pouco! — exclamou. — Scooter Grubbs é o cara que compra cigarro fiado. Eu o vi pedindo dinheiro no posto porque 'tava sem gasolina. Esse cara é um marinheiro que nunca teve mais que quarenta dólares no bolso e, do nada, ele aparece com um Grady-White? Pensem nisso!

John B estava certo, não era difícil ver o homem pedindo dinheiro no sinal ou em qualquer outro lugar da cidade.

— Pope, como um cara desses compra um Grady-White? — John B perguntou.

— Prostituição! — Pope respondeu.

riu, negando com a cabeça, passando as mãos sobre o rosto.

— Maconha! — JJ e falaram juntos e sorrindo um para o outro, vendo John B concordar.

— Sem chamar atenção, sem fiscalização. Não fazem isso durante os furacões — John B apontou para o JJ. — E o que isso significa, JJ?

— Contrabando! — JJ falou, fazendo John B assentir.

— E eu garanto para vocês, tem muito contrabando naquele naufrágio — John B falou.

— Se tem contrabando no barco, é porque é de alguém — Pope falou, óbvio.

— Isso é só detalhe — Kiara falou.

Todos ficaram em silêncio, John B começou a pensar em algo e JJ acendeu um cigarro, tragando o mesmo, e logo ofereceu para , que negou rapidamente.

— Você é tão sem graça! — JJ resmungou ao lado dela. — Você já foi mais divertida, .

— Eu sou divertida naturalmente, Jay, por isso não preciso mais disso aí — respondeu, sorrindo.

— Mas a minha maconha também é natural — JJ respondeu, fazendo-a rir.

— Mas e como a gente vai entrar no barco? — perguntou, olhando para o irmão.

— Eu não sei, mas, enquanto isso, precisamos ser discretos — John B falou, fazendo todos concordarem.

— Com um Kegger! — Kiara falou, animada.

, tudo bem se fizermos uma festa? — John B perguntou.

não tinha problemas com festas, até gostava, mas a garota tinha um grande com socialização, o que a fazia, às vezes, ficar meio isolada. Ela sabia que seus amigos adoravam os Kegger na praia, até Pope sempre achava alguém para conversar, mas ficava sozinha.

— Ah, sim, pode ser, não temos outra escolha mesmo — falou, um pouco desanimada.

— Ei, , se anima! Vai que o loirinho bonitinho aparece lá de novo — Kie falou, rindo, vendo a garota corar e JJ revirar os olhos.

— Qual? O que parecia com o Robert Pattinson? — Pope falou, vendo John B e Kiara concordarem, rindo.

— Qual é? Eu sou mais bonito que aquele cara do Kegger — JJ pensou alto.

— Ok... — Pope falou, tentando mudar de assunto. — Então nós iremos fazer a festa.

estava no terceiro copo de cerveja, a festa não estava tão ruim quanto pensou. Ela se encontrava sentada em um uma árvore caída na praia, um pouco mais afastada de seus amigos.

Para felicidade dela (e, aparentemente, para a infelicidade de JJ, que ficava encarando os dois constantemente) o "loirinho bonitinho", como Kiara o apelidou, estava lá também e, agora, ela o reconhecia como Rick Johnson, que estava visitando sua avó em Outer Banks.

— Você nasceu em Londres! — ela falou, animada. — Cara, isso é muito legal.

— Sim, mas faz tempo que não vou para lá — ele riu da animação da garota. — A minha cerveja acabou, quer que eu pegue uma para você também?

— Não precisa, mano. — JJ chegou no meio da conversa com um copo vermelho de plástico. Rick olhou para a garota, sorrindo, enquanto se afastava dela.

— Ei, , preciso falar com você — JJ falou.

— Não dá para ser depois? — a garota o olhou com o cenho franzido enquanto o outro garoto ia buscar a bebida.

— Você 'tá maluca, ? Aceitar bebida de estranhos? — JJ a xingou.

— Você estava ouvindo nossa conversa, por um acaso? — ela falou, desconfiada.

— Não, só vim te trazer uma bebida — ele entregou o copo vermelho à garota. — Posso falar com você ou não?

— Cara, eu nunca falo com ninguém nas festas! — reclamou. — É muito importante mesmo?

— Não — ele falou rápido, olhando para o outro menino que se aproximava novamente. — Só vai devagar na bebida, é seu quarto copo, já.

JJ se afastou, bufando, deixando a garota totalmente confusa, olhando Rick que se aproximava, rindo, enquanto começava a falar sobre um cara que quase desmaiou tentando tomar o barril de cerveja.

continuou a falar com o outro garoto sobre qualquer assunto possível, mesmo desviando sua atenção para JJ que conversava com John B, que estava perto da fogueira. Rick sorriu para ela e colocou a mão em sua cintura, deixando-os mais próximos, mas eles ouviram gritos e uma multidão se formou perto do mar.

A Routledge olhou para o garoto, assustada, saiu dali e correu em direção à pequena multidão, ela se assustou ao ver JJ e Topper brigando.

— JJ, para! — gritou para JJ, que encarou ela e o outro garoto, ignorando, voltando a brigar com Topper.

— Seus pogues de merda — Topper falou.

Isso foi o suficiente para fazer John B se estressar, ele empurrou Topper fortemente, sendo revidado por Topper com um soco. Sarah Cameron, Kiara e gritavam para os dois garotos pararem com a briga enquanto as outras pessoas da multidão gritavam, os incentivando.

Topper acertou mais um soco em John B, fazendo-o cair na água. sentiu o ar faltar em seus pulmões e a ansiedade começou a aparecer; ela tentou se mover e puxar o irmão, mas foi segurada pelo garoto que conversava com ela antes.

— Me solta! É meu irmão! — O garoto soltou-a, mas JJ colocou o braço em frente à garota, a encarando.

… — JJ a olhou, mas parou quando ouviu Topper falar.

— Ei, John B, não me faça te afogar igual ao seu pai — Topper falou, fazendo a raiva aparecer nos dois Routledge.

— Vai, John B! Acaba com esse filho da puta! — falou, incentivando o irmão, que sorriu para ela.

John B se levantou e jogou Topper na água, eles continuavam sendo incentivados a continuar brigando, mas sentiu tudo ficar em câmera lenta e teve que se segurar em Pope quando viu Topper tentar afogar seu irmão na água.

— Topper, para! — a Routledge gritou, sentindo segurar o choro. — Alguém faz algo!

Para JJ, pareceu que a frase com a voz falhada da garota foi o gatilho para ele começar a agir, então, todos começaram a gritar desesperadamente enquanto JJ colocava a arma na cabeça de Topper. No mesmo instante, o kook soltou John B e ergueu as mãos para cima, se xingou internamente por querer agradecer JJ por ter pegado a arma.

— JJ, larga isso! — a Cameron falou, assustada.

— Disse algo, princesa? — JJ falou, irônico, ele ainda estava bravo, não era difícil perceber isso por causa de seu tom de voz. — Agora todo mundo me escuta, quero todos fora do nosso lado da ilha! — ele disse, apontando a arma para cima e disparando três tiros para o céu.

Todos os adolescentes que estavam na festa corriam para longe, Sarah corria segurando a mão do namorado, Kiara e Pope gritavam para JJ, o xingando, e conteve toda a sua vontade de socar o loiro por ele ser tão idiota e correu até John B, que desmaiou assim que ela chegou perto dele.

Todos os pogues se encontravam na Kombi, John B estava no banco de trás com a cabeça apoiada no ombro de , Kiara e Pope continuavam xingando JJ enquanto ele e a Routledge trocavam olhares pelo espelho retrovisor.

Depois de Maybank deixar Kiara e Pope em casa, chegaram ao castelo e ele ajudou a colocar John B no sofá, já que a garota estava com pena de acordar o irmão. e JJ estavam na varanda, sentados em silêncio, os dois se olhavam, às vezes, mas nunca falavam nada.

— Ei, Jay — a garota o chamou, ouvindo-o murmurar. — Você é um idiota por ter atirado no meio da praia.

O garoto bufou e revirou os olhos, começando a resmungar uns xingamentos e algo como “pelo menos eu o salvei”, fazendo-a rir fraco e se aproximar dele, ficando em sua frente.

— Ei, Jay — falou, sorrindo, fazendo-o olhar para a garota, confuso. — Obrigada por ter sido um idiota, você o salvou.

JJ sorriu, se levantando, ficando em frente à ela; o loiro encarava os olhos de , JJ se aproximou, fazendo as borboletas no estômago da garota aparecerem.

— Eu vi — ele falou baixo.

— O que você viu? — respondeu com as sobrancelhas franzidas.

— Você e o… — Ele ficou em silêncio por alguns segundos, pensando. — Sam? Você e o Sam, se beijando. Ou acho que eu vi.

— Rick — ela corrigiu, rindo fraco. — E, não, a gente não se beijou.

— Ah, não consegui ver direito, estava ocupado batendo no Topper — ele disse, arrogante, fazendo os dois rirem.

— Quando você foi me entregar a bebida, você disse que precisava falar comigo, o que era? — perguntou e o garoto engoliu em seco, sem responder nada. — JJ, você estava ahm… com ciúmes? — perguntou, timidamente, com as bochechas rosadas.

JJ riu fraco, se aproximando, os dois se encararam novamente, mas o garoto voltou para a realidade, se afastando, e deixando um beijo na testa da garota.

— Boa noite, . — Foi a única coisa que ele disse antes de dar as costas e sair do castelo.


***


No dia seguinte, acordou ao lado do irmão, que já estava acordado. A garota não pensou duas vezes antes de abraçá-lo fortemente e o abraço foi retribuído no mesmo momento.

— Eu achei que ia perder você — a garota disse, triste.

, você não vai me perder tão cedo, não vou deixar você se livrar de mim tão facilmente — John B falou, acariciando os cabelos da irmã.

— Então, você está bem? — ela perguntou, olhando o irmão, que assentiu com a cabeça, sorrindo.

Uma batida à porta interrompeu o momento entre os dois irmãos, que se encararam, confusos. John B levantou-se para abrir a porta, dando de frente com a xerife Peterking.

— Xerife Peterking! Que honra ter sua presença em nossa humilde moradia! — disse, ironicamente, olhando a xerife entrando na casa.

— Desculpem atrapalhar, mas recebi uma ligação do conselho tutelar — a mulher falou, ignorando a fala da garota e entrando na casa.

— Belo olho roxo… — a xerife apontou para John B. — Como estão?

— Ah, sabe como é, trabalhar, surfar e limpar essa casa sozinha — falou, olhando para o irmão, que falava algo como: “eu ajudo, às vezes”.

John B começou juntando algumas latinhas de cerveja que tinham na sala, colocando em um saco de lixo.

— Fico feliz que estejam bem — ela deu uma pausa, olhando John B. — Mas ouvi algumas coisas que me preocuparam, uma das coisas é que o tio de vocês, Teddy, saiu do estado há três meses! — estava pronta para dizer que aquilo era uma mentira (mesmo não sendo), mas foi interrompida pela xerife. — Não precisa dizer nada, sei que é verdade — ela suspirou, se encostando à parede. — Liguei para a escola de vocês, disseram que eram bons alunos, mas agora…

era uma boa aluna, sempre era meio preguiçosa e não fazia uma lição ou outra, nada que a fizesse reprovar de ano, sempre foi a aluna mediana, nem boa demais, nem muito ruim, mas, desde o desaparecimento do pai e todos os olhares, teorias e comentários, desistiu da escola, não fazia nada e nem ia para a escola.

— Você, , está a ponto de reprovar de ano, você faltou um mês inteiro. John B reprovou em tudo.

— Só reprovei em história, o cara me persegue! — John B falou, se defendendo.

— Soube que teve uma briga na praia ontem e tinha uma arma envolvida — ela disse, ignorando o garoto.

— Arma? Sério, xerife, não deveria acreditar nas besteiras que falam por aí — falou, recebendo uma encarada séria da mulher. — Arma só se for pistolinha d'água.

— Eu me meti em uma briga? Sim, mas havia uma arma? Não, de jeito nenhum — John B falou, dando alguns tapinhas nas costas da xerife.

— Tudo bem, eu sei quem era, vou chegar nele — disse, olhando para , que se movia até a cozinha. — Só quero ter certeza que estão em um lar seguro.

— Aqui é seguro — falou, dando soquinhos na parede.

— Viu? Seguro e resistente — John B continuou. — E tio Teddy vai voltar, então…

— Foi ele que disse isso? — a mulher perguntou.

— Sim — os irmãos responderam juntos.

— Então, se ele vai voltar, acho melhor deixar vocês ficarem. — Os dois adolescentes se encararam, sorrindo. — Mas, se eu vou me arriscar por você, vocês precisam me ajudar. Uma mão lava a outra, concordam? — Os dois assentiram.

— Encontraram um corpo no pântano ontem, vocês foram ao pântano ontem?

John B e se encararam, nervosos, mas aquela foi a única comunicação necessária para eles saberem que deveriam manter a calma e seguirem o plano que fizeram com os amigos.

— Sim, estávamos pescando — John B falou, nervoso, já que a xerife o encarava seriamente.

— Pegaram algo? — dessa vez, ela encarou a garota.

— Não — ela respondeu, olhando a mulher.

Mas a policial não parecia acreditar nem um pouco em nenhum dos dois.

— Viram algum barco naufragado?

— Não — eles responderam juntos. A xerife suspirou.

— Vocês estão na beira do precipício. Aqui embaixo fica o lar adotivo e reformatório — a mulher simbolizava com as mãos. — Uma queda e tanto para pessoas espertas como vocês e tenho certeza que não querem se separar — exclamou, os encarando. — Aqui em cima estão vocês e seus amiguinhos fazendo o que querem. Outer Banks ou lar adotivo no continente. Estão a centímetros do precipício, se fosse vocês, eu começaria a recuar. — A mulher fez uma pausa. — Vocês têm certeza que não viram um barco naufragado ontem?

— Temos certeza.

— Melhor não terem visto mesmo! Vou fazer vista grossa, desde que fiquem fora do pântano. — Peterking falou, antes de se despedir brevemente e sair da casa.

***


Os pogues se encontravam no castelo, estava sentada ao lado de Pope, olhando para JJ. Ela se achava burra por ter perguntado ao garoto se ele estava com ciúmes dela, algo que ele, obviamente, não sentiu. A única certeza que tinha era que ela iria colocar a culpa na bebida.

— Estamos pulando fora — John B falou, olhando para todos. — Peterking falou que iria nos ajudar com o conselho tutelar, se a gente ficar fora do pântano.

— Você acreditou em uma policial? — JJ se indignou.

— Só precisamos ficar longe do pântano por uns dois dias e ela irá nos ajudar! — John B falou. — Você sair atirando não ajudou muito.

— Eu deveria deixar Topper te afogar! — JJ disse, irritado.

— Ele ia mesmo?

— Você já se olhou no espelho? — perguntou e o irmão revirou os olhos.

— Eles sempre vencem! Kooks contra pogues, eles sempre vencem! — JJ disse, frustrado.

— Ok, ‘tá tudo bem! — Kiara falou, tentando acalmar os dois.

— Não está tudo bem! John B, já viu sua cara? — JJ estava cada vez mais estressado. — Se não nos querem no pântano, é porque tem algo lá e você sabe disso — JJ disse. — Entendo que não querem, você é um garoto de ouro, tem muito a perder — ele apontou para Pope. — E você já é rica para caralho — apontou para Kiara. — Mas, John B, o que eu, você e temos a perder? — ele olhou para John B, que permaneceu em silêncio. — Isso mesmo, nada!

— Não quero mais falar sobre isso — John B disse, estressado, saindo de lá.

— Eu tenho um plano! — JJ o seguiu. — Tem a chave do barco dos Cameron, tem equipamento de mergulho lá, você vai lá e pega, vamos ver o barco hoje à tarde.

Pope, e Kiara trocaram olhares confusos, já que tinha muitas chances de o plano dar errado.

— Já viu garotos ricos em lar adotivo? — JJ falou e John B olhou para a irmã.

sabia que John B tinha aceitado o plano idiota de JJ.

Capítulo 5

suspirou, frustrada, ao ver os tanques de ar vazios, eles estavam no barco tentando seguir o plano de JJ, que tinha exatamente tudo para dar errado. Kiara terminava de olhar o último cilindro.

— Certo, esse tem um pouco. É o bastante para um de nós — Kiara falou, olhando o último tanque.

— Adoro quando o plano dá certo — Pope ironizou

— Alguém sabe mergulhar? — Kiara perguntou, olhando para os pogues.

— Eu posso tentar — falou, recebendo um olhar severo de John B.

— Eu já li a respeito — Pope falou e Kiara revirou os olhos.

— Ótimo, Pope já leu a respeito, então alguém vai morrer! — Kiara riu, irônica.

— É só colocar a paradinha na boca e respirar, qual é a dificuldade? — JJ falou, olhando para os tanques.

— Se você subir muito rápido, o nitrogênio vai para o sangue e da descompressão — Pope explicou.

— Então, você fica doidão? — ele falou, fazendo uma pose estranha.

— Não, Jay, você morre — riu, passando os braços pelo pescoço do garoto, que fazia uma careta.

— Eu mergulho — John B falou.

— Desde quando você virou sereia para sair mergulhando? — o questionou, arrancando risadas de JJ.

John B a ignorou enquanto andava para perto de Pope, que fazia algumas contas e explicava para ele o quão fundo deveria ir. E, pela expressão do irmão, sabia que John B não estava entendendo nada do que Pope falava.

Kiara tirou a blusa e pulou na água, os amigos se olharam, confusos.

— O que foi isso? — Pope perguntou para , que também não entendeu o que aconteceu.

— Eu não sei, mas eu gostei muito — JJ falou, fazendo revirar os olhos.

— Amarrei minha camiseta na âncora a três metros, é onde você precisa parar — Kiara falou, assim que emergiu da água.

— Tente respirar o mínimo possível — Pope falou.

— Entendi.

Antes de John B pular, Kiara se aproximou e deu um beijo na bochecha dele, fazendo JJ e trocarem alguns olhares. John B mergulhou.

— Pessoal, polícia! — Pope falou, fazendo arregalar os olhos.

O medo apareceu por todo o corpo de . Se a polícia a visse ali, Peterking descobriria e não os ajudaria mais com o conselho tutelar e isso resultaria na separação dos dois.

, mergulha — Kiara falou rapidamente.

A garota concordou, mergulhando, se segurando na corrente da âncora, tentando procurar o irmão embaixo d’água.

Tomou um susto quando sentiu John B ao seu lado, ela apontou para cima, tentando mostrar o outro barco da polícia ao lado do HMS Pogue.

se forçava a controlar a respiração embaixo d'água enquanto ouvia a conversa abafada dos policiais com os amigos na superfície. Ouviu o motor do barco ser ligado enquanto se afastava do local.

A garota subiu com o irmão para a superfície o mais rápido possível, seus pulmões imploravam por ar, e, quando ela sentiu o oxigênio de novo, começou uma crise de tosse.

JJ e John B ajudaram a garota a subir no barco, ela se apoiava nos joelhos enquanto JJ passava as mãos pelas suas costas, pedindo para ela se acalmar e respirar devagar.

— Você está bem? — John B perguntou, vendo assentir levemente com a cabeça.

— Vocês dois estão bem? — Kiara perguntou para os irmãos Routledge, recebendo respostas positivas de ambos.

— Encontrou alguma coisa? — Pope perguntou, olhando John B.

— Se eu encontrei? — John B falou, sorrindo, levantando uma bolsa preta e a colocando no chão do barco.

— Esse é o meu garoto! — JJ falou animadamente.

— Tem um barco ali — falou baixo, avisando os amigos. Um barco que a garota não reconhecia se aproximava do deles.

— O que fazem aqui, se o pântano está fechado? — Pope questionou. — Devemos esperar?

— Não mesmo — falou. — Johnny, vai!

— Não estou gostando disso — John B falou, ligando o barco, começando a dirigir para o mangue.

— Pessoal, eles estão nos seguindo! — Kiara falou, fazendo John B acelerar o barco. — Se abaixem!

— Toma cuidado, Bird! — falou para John B, que estava dirigindo o barco.

Um disparo foi ouvido e Kiara segurou a mão de com força, se jogando junto com a garota no chão; a Routledge olhou para a rede de pesca, logo depois fazendo um sinal para Kiara a ajudar.

, não faz besteira! — JJ falou.

A garota o ignorou, levantando e pegando a rede, Kiara se levantou também e ajudou a desenrolar a rede. Ouvia os barulhos dos tiros serem disparados e toda vez sentia seu coração parar com medo de alguns de seus amigos serem atingidos.

Kiara e jogaram a rede no pântano, fazendo o barco de trás estremecer ao acertar as hélices, fazendo o barco travar e parar. As garotas sorriram, aliviadas, uma para outra e Kiara abraçou fortemente.

Os pogues estavam no cais do castelo esperando, ansiosamente, para que John B abrisse logo a bolsa preta.

— O que vocês acham que é? — Kiara perguntou.

— Deve ser dinheiro — John B comentou.

— Ou alguns quilos de drogas valendo alguns milhões! — JJ falou animadamente.

— Dá para abrir logo? — Pope disse, ansioso, fazendo todos olharem para ele.

— Pope está certo, abram logo, 'tô ansiosa! — falou.

John B abriu a bolsa, tirando um recipiente metálico que, assim que abriu, uma bússola caiu nas mãos do garoto. Os irmãos se olharam, desacreditados, com os olhos arregalados.

— Bom trabalho, achamos uma bússola! — Pope ironizou.

— Cara, isso não vale nada — JJ falou, desanimado.

segurou as lágrimas, fazendo seus olhos arderem, Kiara olhou para e John B.

— Isso era do nosso pai — falou com a voz falhada.

Os pogues ficaram mais um tempo com eles enquanto John B tentava explicar um pouco sobre a bússola. estava quieta em um canto, ela não falava muito, somente assentia com a cabeça, às vezes.

Quando Kiara e Pope foram para casa, correu para seu quarto, se sentando na cama, ela não entendia como a bússola do seu pai estava naquele barco, não fazia sentido, as mil perguntas na cabeça de a faziam ficar ansiosa e querer chorar.

se sentia fraca, não queria chorar, as dúvidas apareciam em sua mente e a deixavam confusa, ela pensou muito em seu pai, sentia sua falta. Nos últimos meses, antes de ele ir embora, eles brigaram muito, se culpava por isso.

Talvez, se eles não tivessem discutido tanto, ela ainda teria seu pai, ela e John B não teriam que fugir do conselho tutelar, tentava não se culpar, mas não conseguia, era culpa dela.

Uma palpitação em seu peito apareceu, ela sabia o que estava acontecendo, as lágrimas inundaram seu rosto enquanto ela soltava alguns soluços baixos com medo de seu irmão ouvir.

Uma batida na porta de seu quarto foi ouvida, se apressou em secar as lágrimas em seu rosto, olhando para ela, viu a figura de um garoto loiro de olhos azuis.

— Posso entrar? — ele perguntou e somente assentiu com a cabeça. — Você está bem?

— Onde está John B?

— Está no quarto dele — JJ falou enquanto se sentava ao lado da garota. — Ei, , pode falar comigo.

— Eu estou bem — ela disse, com a voz falha, dando espaço para o garoto se sentar ao seu lado. — Você vai dormir aqui?

— Provavelmente. Vai trabalhar amanhã? — ele perguntou, vendo a garota assentir.

tentava o máximo possível segurar as lágrimas, ela odiava chorar, principalmente, na frente de outras pessoas, mesmo que fosse na frente de JJ.

O loiro não disse nada, apenas puxou a garota para seu peito, a abraçando enquanto ele acariciava os cabelos da garota. se permitiu chorar.

— Se eu e John B não tivéssemos brigado com ele — ela fez uma pausa, fungando —, você acha que ele estaria aqui ainda? Eu acho que foi minha culpa.

— O que? Não! , não foi sua culpa! — JJ falou, ainda segurando-a em seus braços. — Big John era tão teimoso quanto você e o John B juntos, ele iria de qualquer jeito. Não é sua culpa, .

Ela ficou em silêncio, limpando suas lágrimas com as mãos de vez em quando, ela sabia que não precisava falar nada, JJ ficaria ali com ela até ela não precisar mais.

Às vezes, Maybank contava uma história tosca ou falava algo que a fazia rir, porque, ao contrário de , JJ não conseguia ficar em silêncio por muito tempo, então ele falava qualquer baboseira que aparecia em sua cabeça.

— Eu e John B vamos ver Lana Grubs amanhã — ele falou. — Se quiser ir junto, podemos esperar você sair do trabalho.

— A esposa do Scooter? Por quê? — questionou, confusa.

— John B acha que, como a bússola estava no barco dele, ela pode saber de algo — disse, simples.

— Eu vou junto, se os filhos da Sra.Walker não me matarem amanhã cedo — ela riu fraco.

— Você odeia crianças, me diga como acabou indo trabalhar em uma colônia infantil? — JJ perguntou, confuso.

— Eu faço tudo por dinheiro.

Eles voltaram a ficar em silêncio por mais um tempo sem saber exatamente o que falar. Agora, os dois estavam deitados e continuava deitada sobre o peito de JJ. Os dois dormiram minutos depois.

***


terminava de se despedir das crianças, mesmo não gostando de admitir, gostava de seu trabalho, tinha algumas crianças que ela sentia um carinho especial, mas tinha outras que ela queria jogar no meio do oceano.

Saindo do Country Club, encontrou a Kombi de John B, que buzinou, a fazendo rir. Ela entrou, olhando os dois garotos sorrindo.

— Como foi o trabalho? — John B perguntou.

— Fiquei com as crianças mais novas, foi facinho — ela respondeu.

— Voltando ao assunto — JJ olhou para o John B —, não sei porque você não tenta nada com a Kiara, ela claramente gosta de você.

— Eu concordo — olhou para o irmão. — Ela te beijou.

— Foi na bochecha, não foi nada demais — John B riu nervosamente.

— Eu vejo nos seus olhos. E você fica vermelho — JJ falou, fazendo concordar.

— Eu fico vermelho? — ele olhou para a irmã.

— Fica — ela falou, sorrindo.

Os três chegaram, observou um pouco em volta, era uma casa de madeira velha que parecia estar vazia por causa do grande silêncio que fazia no local.

— Sabe a impressão que essa casa passa? — JJ perguntou, olhando para os Routledge. — De que quem mora aqui fuma muita maconha.

, fica para trás — John B falou. — Espera um pouco.

Mas o silêncio acabou quando os gritos de Lana foram ouvidos pelo trio, fazendo-os se assustarem e JJ pegar a mão de , a levando para perto da casa, onde os três se apoiaram à parede.

— Vamos voltar depois…

— Cala a boca, JJ — John B falou.

John B pedia para fazer silêncio enquanto os gritos dos homens assustavam , ainda mais quando eles começaram a falar sobre a bússola; a garota ainda segurava a mão de JJ e os sustos a faziam apertar forte a mão dele.

assistia os homens se afastarem da casa. Ela reconheceu o barco e olhou assustada para os dois garotos.

— Foram eles que atiraram na gente! — disse baixo.

Os três entraram na casa da Sra. Lana, ela estava destruída, móveis quebrados, coisas jogadas no chão, soltou a mão de JJ ao ver a mulher jogada no chão do banheiro.

— Sra. Lana! Está tudo bem, sou só eu, John B e JJ — ela disse, se sentando ao seu lado. — Chama a polícia e um médico.

— Não, por favor, sem polícia — a mulher implorava. — Não deveriam estar aqui.

— Vamos embora. Para mim, já chega. — JJ falou, saindo antes de John B o puxá-lo de volta.

— O que sabe sobre esses caras? — John B perguntou.

— Eles estavam procurando algo.

John B mostrou a bússola para mulher, que entrou em desespero instantâneo, falando que aquela bússola não estava com Scooter e que eles deveriam ir embora.

— Sra. Lana, por favor, você quer que eu busque uma água? — falou, preocupada. — Podemos conversar com calma, eles não vão voltar.

, vamos — JJ falou, puxando-a.

deu uma última olhada para a Sra. Lana, que continuava a chorar no banheiro, antes de ser puxada para fora da casa por JJ.

Todos estavam no castelo conversando sobre o que tinha acontecido na casa de Lana Grubs. JJ estava mais agitado que nunca, John B tentava explicar sobre a bússola, Pope e Kiara tentavam dar uma sessão de terapia em John B enquanto assistia sem dar muita opinião.

— Então, vocês viram os caras que atiraram na gente? — Pope perguntou para JJ.

— Sim.

— Conseguiu vê-los? — Pope voltou a perguntar.

— Como eles eram? — Kiara perguntou.

— Fortes — JJ falou.

— Fortes? — Kiara e Pope falaram, confusos, deixando JJ mais nervoso.

— Calma! — falou, arrancando a atenção de todos. — Deixem-no respirar! — olhou para JJ, que acendia um cigarro. — Eles eram altos e fortes, como JJ falou, ambos tinham barba — ela falou, fazendo Pope revirar os olhos.

— A gente não conseguiu tirar fotos mentais dos caras, beleza? — JJ falou, tragando o cigarro. — Estávamos sob pressão, os gritos da Sra. Lana não ajudavam muito.

— ‘Tá, mas por que eles queriam a bússola? Aquilo não vale nem cinco dólares! — Pope falou. — Sem ofensas — ele disse, olhando John B e .

— O escritório do nosso pai! — John B falou, olhando para . — Ele sempre deixou trancado com medo de roubarem as coisas do Royal Merchant.

se apressou a levantar, pegando a chave do chaveiro e indo abrir a porta do escritório.

Os cinco entraram no cômodo, sentiu o gosto da bile subir em sua garganta, era esquisito estar ali, nunca entrava lá quando seu pai estava vivo, entrar depois que ele se foi era mais estranho ainda.

— Eu já dormi aqui umas seiscentas vezes e nunca vi essa porta aberta — Pope comentou.

— Aqui, olhem! — John B falou, mostrando a foto. — Esse foi o dono original.

— Robert Q. Routledge, 1890 a 1920 — Kiara falou, mostrando a foto. — Olha a bússola da sorte aqui.

— Na verdade, ele morreu logo depois que comprou a bússola — John B falou, fazendo Kiara arregalar os olhos.

Depois de olhar toda a árvore genealógica dos Routledge, John B explicou sobre cada dono da bússola e como que, logo depois que conseguia o objeto, ele morria.

— Legal, vocês têm uma bússola da morte — Pope falou, sarcasticamente.

— Não temos uma bússola da morte! — John B o repreendeu.

— Vocês têm, sim — Kiara, Pope e JJ falaram juntos.

ignorou os comentários sobre a bússola, pegando-a e abrindo a parte de trás.

— O que está fazendo? — Pope perguntou.

— Nosso pai falava de um compartimento secreto, onde você podia deixar recados. — Ela mostrou a parte de trás aberta.

— Isso não estava aí antes, é a letra dele! — John B falou, animado.

— Como podem ter certeza? — Pope perguntou.

— Ele fazia esse R estranho — falou, passando os dedos pela letra.

— O que está escrito? Red… isso é um a? — A tentativa falha de leitura de JJ fez a garota rir.

— É Redfield! — Kiara falou. — Mas o que é Redfield?

— Além do nome mais comum do condado? — Pope respondeu.

sabia somente pelos olhos de John B o quanto ele estava esperançoso e animado, mas a garota sabia que não iria acabar do jeito que ele queria, o irmão sorria para ela e, mesmo não acreditando nas mesmas coisas que ele, se forçava a sorrir para ele, como se estivesse animada também.

— Talvez seja uma pista de onde ele esteja escondido! — John B falou, animado.

— Uma pista? É sério, cara? — Pope falou. — Talvez um anagrama.

John B foi rapidamente pegar um papel e tentar montar alguma coisa enquanto Kiara e Pope o ajudavam.

— Alguém faz esse galo calar a boca! — Pope falou, estressado.

— Cuidado com o jeito que você fala do meu galo! — falou, dando um tapa no braço de Pope.

— JJ e amam esse galo — Kiara falou, rindo.

— Ele é nosso galo — JJ falou.

— Meu galo — a garota o corrigiu.

Os dois começaram uma discussão sobre quem era o dono do galo, mas a atenção de foi embora quando viu um carro preto estacionando em frente ao castelo.

— Gente! Tem alguém aqui — os avisou, chamando a atenção dos amigos.

olhou pela janela, junto com os pogues, e reconheceu os homens que tentaram atirar neles e ameaçaram Lana Grubs.

— JJ, cadê a arma? — John B perguntou.

— A arma? Eu não sei, talvez, eu sei lá! — JJ disse, desesperado.

— Quando a gente precisa da arma você não traz? — Kiara perguntou, indignada.

segurou os braços do loiro e com a outra mão segurou sua cabeça fazendo-o olhar diretamente para ela.

— Jay, respira, olha para mim — ela falou, séria, olhando o garoto. — Agora me diz onde você deixou a arma.

O garoto travou alguns segundos, pensando.

— Na mochila! — ele falou e sorriu.

— Na varanda? — John B perguntou.

— Na varanda — JJ falou, se apressando em sair do escritório, mas voltou rapidamente, fechando a porta.

— John e Routledge! — os dois homens gritaram, entrando na casa. — Cadê a bússola?

Os homens gritavam por toda a casa na procura dos irmãos, JJ, Pope e Kiara tentavam abrir a janela, que Big John lacrou; John B e seguravam a porta com medo dos homens entrarem.

A janela foi aberta e JJ foi o primeiro a agarrar a mão de , tirando-a o mais rápido possível de lá. Todos estavam no galinheiro, Kiara chorava e tentava manter a cabeça no lugar e não surtar completamente.

— Faz esse galo ficar quieto! — Pope falou.

— Como eu vou fazer isso? — JJ perguntou.

— Faz carinho nele — Kiara disse.

— JJ, não, por favor. — Os olhos de arderem ao ver o garoto segurando o galo contra o chão.

fechou os olhos com força e escondeu seu rosto no ombro de Kiara, um "crec" foi ouvido, o que fez Kiara soluçar baixo, realmente gostava do galo.

JJ puxou a Routledge para perto, voltando a segurar a mão dela forte, com a cabeça de apoiada em seu ombro. Enquanto ela via o galo morto no chão, ele murmurava "me desculpe pelo nosso galo."

Capítulo 6

estava com a cabeça apoiada na janela da Kombi, John B dirigia para o farol Redfield em busca de pistas sobre o desaparecimento do pai. Ela não acreditava em nenhuma palavra ou teoria que John B explicava, mas sabia que estava sendo difícil para o irmão e, mesmo querendo jogar um grande balde de água fria nele — o que era o certo a se fazer —, gostava de ouvir o garoto tão animado com a ideia.

JJ não falou com ela, imaginou que o garoto se sentiu culpado pelo galo, reparou o quanto aquilo mexeu com ele, mas, no final, ele ajudou a todos matando o galo.

Quando chegaram ao farol, todos desceram da twinkie (o apelido da Kombi). John B respirou fundo e olhou a irmã, que tentou sorrir para ele, o incentivando o máximo que podia.

— Você vai ficar aqui, vigiando — John B falou, apontando para o loiro.

— Por que eu? — JJ falou, confuso.

— Porque você não vai — Pope falou, óbvio.

Uma discussão entre os três garotos começou, e Kiara trocaram olhares cansados enquanto a loira se apoiava com a cabeça no ombro da amiga.

— Você ‘tá legal? — Kiara perguntou a ela.

— Eu só estou preocupada com ele — falou, olhando o irmão —, ao mesmo tempo que quero falar para ele que está alucinando com essa história, eu quero…

— Que ele continue assim, porque o ajuda a ficar bem — Kiara completou e assentiu com a cabeça.

— Só não quero que ele sofra mais, depois — ela suspirou, triste.

— ‘Tá bom, chega! — John B falou, chamando a atenção de todos. — JJ, você vai ficar aqui com e Pope, se nos desencontrarmos, nos encontramos na casa do JJ.

Todos assentiram e voltou a se sentar dentro da Kombi, vendo seu irmão e Kiara caminharem até o farol enquanto Pope estudava sobre algo e JJ brincava de fazer embaixadinha com uma laranja que ele achou no chão.

— Quer? — JJ ofereceu o cigarro de maconha dele, mesmo sabendo que a garota iria recusar.

— Na verdade, eu quero sim — ela sorriu, pegando o baseado e tragando enquanto JJ olhava para ela, chocado. — Por Deus, John B vai me matar se descobrir.

— Minha garota está de volta! — ele disse, animado, fazendo a garota rir.

Barulhos de sirenes foram ouvidos à distância, fazendo os três se encararem, confusos. Pope ligou a Kombi e dirigiu para longe dali.

— E o que a gente faz agora? — olhou para os dois garotos.

— Eu vou para casa, 'tô cansado — JJ falou, se deitando no colo da , fazendo-a sorrir.

Os dois se encaram por alguns segundos até começar a fazer cafuné nos cabelos loiros de JJ, os dois sorriram um para o outro e a garota mordeu o lábio inferior, nervosa. Maybank quebrou o contato visual quando reparou que seu coração começou a bater mais forte do que deveria.

— Ei, Pope, quer ir lá em casa? — falou, olhando o amigo pelo retrovisor.

— Pode ser, eu tento ajudar a arrumar as coisas — Pope falou.

voltou a olhar o garoto que estava de olhos fechados, ainda deitado em suas pernas, fazendo-a respirar fundo e tentar não pensar sobre as idiotices de seus sentimentos.


***


— Cara, eles mexeram até na minha caixa de fotos — falou, se ajoelhando, pegando as fotos esparramadas no chão.

Pope e tinham chegado à casa há alguns minutos, até tentaram arrumar a sala, mas tinha tanta bagunça — a qual metade tinha sido os pogues que fizeram —, que decidiram ver o que os homens desconhecidos tinham feito no resto da casa.

O quarto da garota não estava tão bagunçado, tinha a caixa de fotos jogada ao chão e algumas gavetas do seu guarda-roupa abertas.

— Ei, olhe essa foto aqui — Pope falou, mostrando uma foto dos pogues no Kegger.

— Cara, esse dia foi tão legal! — riu, lembrando. — JJ estava tão bêbado nesse dia.

— Eu lembro, ele se jogava no mar e dizia que era uma sereia — o garoto falou, os fazendo gargalharem com as memórias do dia.

— Não tinha ninguém tentando matar a gente nesse tempo — falou, olhando para o garoto.

— Bons tempos — Pope riu fraco, voltando a pegar as outras fotos no chão.

adorava fotografia, sempre tirava foto de tudo que era possível, era comum ver a garota com a sua câmera polaroid no pescoço e a Routledge guardava todas as fotos que tirava em uma caixa de madeira que a sua mãe lhe dera.

A caixa era feita de uma madeira clara, tinha uma árvore e folhas gravadas na tampa da caixa e em cima estava escrito "Memórias da " com a letra de sua mãe.

— Sabia que esse é o meu pai rico? — falou, mostrando uma foto velha de dois adultos na antiga casa da mãe da garota.

— Você sabe o nome dele? — Pope perguntou, olhando a foto.

— Não, minha mãe sempre colocava um adesivo tapando o nome dele na minha certidão de nascimento. — falou, guardando as fotos na caixa de madeira.

— Espera, ele te registrou? — Pope falou, confuso, vendo a garota assentir. — Mas você nunca recebeu pensão.

— Não — olhou para ele —, eu nem sei quem ele é, Pope, e agora meu guardião é o Big John. Ou era, sei lá.

— Sabe quem ele parece? O Topper — Pope falou, rindo, mostrando a foto para a garota que riu, concordando.

Os dois pararam de rir, se encarando por alguns segundos até voltarem a olhar a foto.

— Você é irmã do Topper! — Pope falou com os olhos arregalados. — Você é filha de James Thornton!

— Não sou não! — falou, nervosamente. — Não tem como, Pope.

, pensa um pouco — Pope falou, colocando a mão em seu ombro.

A garota parou por alguns segundos, ela olhou para Pope, que parecia tão em choque quanto a garota com a nova descoberta.

— Se ele é mesmo meu pai, ele me deve dez anos de pensão. — Um sorriso começou a surgir no rosto da garota. — E, com esse dinheiro, eu posso dar um jeito de Johnny e eu não irmos para lares adotivos.

, não é bem assim que funciona — Pope alertou a garota.

— Eu vou dar um jeito nisso — falou, olhando o amigo —, mas, por enquanto, não pode contar a ninguém, nem para Kie, JJ e muito menos para o John.

— Tudo bem, — Pope suspirou, sabendo que não poderia mais mudar a cabeça da garota. — Só não faça besteira. — A garota abraçou o amigo, o agradecendo e o fazendo rir.

— Está tudo bem? — John B falou, confuso.

— Está sim, eu já estou de saída — Pope falou, se despedindo de e John B.

Pope fez um toque elaborado, ele encarou a amiga mais uma vez, fingiu trancar a boca com uma chave e depois jogou a chave imaginária fora, saindo da casa dos amigos.

***


olhou para o irmão ao seu lado enquanto eles encaravam o escritório; depois que Pope foi embora, John B explicou para a irmã que eles precisavam seguir em frente e jogar tudo que tinha no escritório do pai, fora.

— Tem certeza que quer fazer isso? — olhou preocupada para o irmão.

— Tenho. — Ele olhou para ela antes de começar a levar as caixas para o jardim.

— Você também tem a impressão que conhece algo com Redfield? — perguntou, levando uma caixa para fora e John B assentiu com a cabeça.

Quando levaram tudo para fora e John B cobria as coisas com gasolina para queimar tudo de uma vez, aproveitaram para jogar fora alguns lixos que estavam na casa e jogou o fósforo, fazendo o fogo emergir por todas as coisas.

— Estou orgulhosa de você — ela falou, segurando a mão do irmão.

Mas, segundos depois, John B pegou uma cortiça que tinha a foto de alguns antigos familiares enquanto tentava apagar o fogo com os pés. ficou confusa e imaginou que ele tivesse se arrependido de jogar fogo nas coisas, mas, então, ele apontou para uma mulher em específico.

Olivia R. Routledge

arregalou os olhos, entendendo completamente o que o irmão queria dizer, eles sorriram um para o outro, animados, e, dessa vez, acreditava que realmente seu pai tinha deixado algo para eles.

***


estava no banco do carona, tinham acabado de buscar JJ e Pope e agora esperavam Kiara sair do The Wreak, o restaurante de seus pais.

— Ela disse que não vai — Pope falou, fazendo JJ e trocarem olhares, confusos.

— O que você fez, cara? — JJ perguntou.

— Eu vou falar com ela — disse, antes de ser impedida pelo irmão.

— Não, deixa que eu resolvo — John B falou, saindo da Kombi.

— Querem apostar quanto que eles se beijaram? — olhou para Pope e JJ no banco de trás.

— Você acha? — Pope olhou para a garota, que assentiu com a cabeça. — E o lance de pogue não pega pogue?

— Eu já falei que deveríamos acabar com isso, cara, essa regra nem faz sentido — JJ falou, fazendo rir.

Não demorou muito para Kiara e John B voltarem, John B sentou no lugar do motorista novamente enquanto Carrera se sentava nos bancos de trás com os garotos.

— Eu sei que errei sobre o farol, ok! E sobre quase todo o resto — John B falou, dirigindo. — Mas eu estava certo sobre uma coisa, meu pai está tentando nos dizer algo.

Um vinco surgiu nas sobrancelhas de Kiara. Quando viram a amiga sorrir, animada, os três adolescentes no banco de trás se olharam, confusos, enquanto John B estacionava o veículo em frente ao cemitério. Todos desceram da Kombi e começaram a seguir e John B.

— John B, esse lugar é assustador — Kiara falou, apontando a lanterna para conseguir ver por onde andava. — Para onde estamos indo?

— Sabe quando você quer se lembrar de uma música, mas não se lembra de quem canta? — John B falou, fazendo os amigos concordarem. — Esse tempo todo eu achei que Redfield era um lugar, até eu e descobrirmos… — ele apontou para a irmã, fazendo-a completar o que ele falava.

— Que Redfield não é um lugar, é uma pessoa! — ela completou, animada, e John B sorriu.

— Espera, agora também 'tá nessa? — Pope falou, confuso, olhando a amiga.

— Johnny ‘tá certo, Big John quer falar algo para a gente — ela falou, olhando para os amigos atrás deles.

JJ, Pope e Kiara soltaram suspiros, preocupados. O loiro passou a mão pelo cabelo, se culpando por ter oferecido o cigarro para a garota mais cedo, mesmo no fundo sabendo que isso não era culpa da maconha.

Os cinco pararam em frente ao grande túmulo e no rumo estava escrito: Redfield, com letras grandes.

— Apresento a vocês nossa tataravó, Olivia Redfield! — falou, parando em frente ao túmulo, apontando para o sobrenome gravado em cima da lápide.

— Redfield é o sobrenome de solteira dela! — John B completou. — Me ajudem aqui com essa porta!

Os três garotos foram em direção à porta, quando foi se aproximar, Kiara segurou sua mão, impedindo.

— Está falando sério? — Kiara olhou para a amiga. — Acredita nisso tudo, mesmo?

— Acredito que ele não iria embora sem deixar nada, não é? — sorriu fraco. — Não sei se ele morreu ou não, mas sei que ele quer nos falar algo, Kie, ele sabia que só eu e John B conseguiríamos descobrir sobre nossa avó e…

Antes que conseguisse concluir sobre o que falava, uma cobra saiu de dentro do túmulo, fazendo os cinco se assustarem e, segundos depois, JJ começou a latir.

— Que porra você está fazendo? — perguntou, o puxando.

— É uma mocassim d'água, são venenosas e todos sabem que elas têm medo de cachorros — ele falou como se fosse óbvio. — E, se tem uma, provavelmente tem mais! — JJ disse, voltando a latir.

— Para, você vai acordar os mortos — Pope falou.

— Você quer parar? Está me assustando — Kiara reclamou, apreensiva, mas o garoto a ignorou.

tentava segurar o riso, Kiara a encarava, séria, então a garota puxou o loiro pelo braço novamente, o fazendo encará-la.

— Jay, sem latir para as cobras, ‘tá? — falou e JJ assentiu, resmungando.

Os garotos começaram uma discussão sobre como e se, realmente, deveriam entrar no túmulo. analisava a estrutura quando viu uma pequena passagem e mordeu o lábio inferior, tentando conter o medo de entrar dentro do túmulo.

— Eu posso entrar! — ela falou, olhando os garotos.

— O quê? Não! — JJ e John B falaram ao mesmo tempo.

— É pelo papai, eu posso fazer isso — falou, olhando para os amigos.

— Eu posso ir com ela! — Kiara falou, fazendo a garota sorrir.

— Ótimo, as duas podem morrer! — Pope falou, estressado.

— A única pessoa morta lá dentro vai ser a vovó — falou, fazendo todos ficarem em silêncio.

— Meio pesado, — John B falou, olhando a loira.

— Pois é, só reparei depois que eu falei, desculpa — ela disse, envergonhada.

Depois de mais algumas discussões breves, decidiram que as duas garotas entrariam. JJ respirou fundo, se apoiando na pedra do túmulo e fazendo um apoio com a mão.

— Você coloca o pé aqui e eu te dou impulso, você sobe e Kiara vai atrás de você — JJ explicou. — , toma cuidado.

sorriu e assentiu com a cabeça, respirou fundo antes de pular e entrar dentro do túmulo. Ela ligou a lanterna, olhando as teias de aranhas e os insetos que tinham lá.

— Oi, vó, desculpa atrapalhar o seu descanso, juro que já vamos embora — falou, nervosa.

— Está falando com quem? — Kiara falou, confusa, aparecendo atrás dela.

— A gente ‘tá invadindo um túmulo, estou tentando ser legal — ela falou, fazendo a amiga rir.

— A gente precisa de mais luz! — Kiara falou.

Os meninos apontaram uma lanterna para dentro, as duas começaram a procurar por algo e já estava perdendo as esperanças, até ouvir Kiara chamando-a.

! — Kiara entregou um envelope a ela.

O coração de bateu forte. Sem saber exatamente o que fazer, as mãos dela tremiam com o envelope em mãos; seu pai realmente deixou algo para eles, Kiara a abraçou de lado.

— Vamos embora, — Carrera falou e a loira assentiu.

As duas saíram do túmulo, e passaram as mãos pelas roupas, tentando tirar um pouco da sujeira. andou com um envelope em mãos até John B, que sorriu, a abraçando, quando ela entregou.

— Você estava certo, Bird — ela sorriu.

— Isso é do nosso pai — John B falou, emocionado, e Kiara sorriu para os dois.

— Código vermelho! Traficantes! — JJ falou.

Os cinco se esconderam atrás do grande túmulo enquanto Pope e John B tentavam apagar as lanternas e JJ tentava apagar o cigarro na parede. Kiara, e JJ olhavam para os homens que saíam de um carro estilo carrinho de golfe.

— Acha que são os caras que invadiram o castelo? — Kiara pediu.

— Não sei, ‘tá muito escuro — falou baixo.

— Aquele ali está armado — JJ falou.

— Foda-se — Kiara se levantou e correu em direção ao portão.

Kiara foi a primeira a pular o muro, logo depois foi John B, e JJ, Pope tentou pular a grade do portão, mas acabou enroscando o calção. A Routledge fez Maybank abaixar a arma que ele segurava, ela tentava parecer o mais brava e preocupada possível, mas, no fundo, tentava segurar o riso, porque, no fundo, ela amava as situações caóticas que os pogues conseguiam se colocar.

O calção de Pope rasgou e os cinco correram em direção à Kombi, mas agora todos riam do constrangimento de Pope.

— Bela cuequinha, Pope — falou, rindo.

— A minha é mais bonita, você quer ver? — JJ provocou, fazendo a garota rir, mas ela reparou os olhares sérios de John B pelo retrovisor.

— Cara, porque pular pela grade? — falou, mudando de assunto rapidamente.

— Eu 'tava nervoso, não pensei direito — falou, apressado.

Quando chegaram ao castelo, JJ foi para a cozinha, alegando estar morrendo de fome, Kiara e Pope se colocaram em volta de John B, que esperava a irmã trocar de blusa, já que a blusa estava suja, fazendo-a ficar com alergia.

— Esse pão mofou há uns três dias! — avisou JJ.

— Vou tirar as partes mofadas e ele fica bom, além disso o mofo é um organismo natural, deve fazer bem — Maybank falou, se concentrando em tirar algumas partes mofadas do pão.

— Uau, a maconha não está acabando com seu cérebro ainda — falou, se aproximando do garoto.

— Quer falar sobre maconha, ? — perguntou, retórico, lembrando de quando a garota fumou mais cedo.

— Shhh — colocou o dedo indicador sobre sua própria boca, saindo da cozinha e ouvindo JJ rir.

se colocou ao lado de John B, apertando seu ombro, fazendo o irmão olhar para ela e sorrir fraco.

— Pronta? — ele falou, olhando para ela.

— Pronta e você? — falou, ansiosa.

John B abriu o envelope, pegando o mapa que tinha dentro dele e abrindo em cima da mesa, arregalou os olhos ao ver as anotações no mapa.

— Porra! — Foi a única coisa que ela conseguiu falar.

— O x marca o local — Pope falou, apontando para o x desenhado no mapa.

— Longitude, latitude… — John B falou, olhando o mapa. — Deve ter mais alguma coisa no envelope.

se apressou em pegar o envelope, tirando um gravador de voz de dentro dele e o analisando de maneira curiosa.

— O que é isso aí? — JJ perguntou para , que tinha o gravador na mão.

— Um gravador, idiota — Kiara falou, olhando o objeto ao lado da amiga.

colocou em cima da mesa e deu play no gravador.

— Querido Bird, querida Bunny.

John B pausou o gravador por alguns segundos, a loira respirou fundo ao ouvir a voz do pai saindo do gravador, a mão de John B voou para a dela, segurando a mão da irmã forte e dando play novamente.

Odeio dizer que avisei vocês, mas eu avisei e vocês duvidaram do seu velho. Conhecendo vocês, acredito que estejam cheios de dúvidas e raiva de vocês mesmos por causa da nossa última briga e, não, , você não é a culpada por isso. Mas não se matem ainda, crianças. Eu também não esperava achar o Merchant. Vocês tinham razão em jogar tudo na minha cara, eu mereci a bronca, não fui o melhor pai do mundo. Mas o que eu posso fazer? Senti cheiro de ouro, espero que a gente esteja ouvindo isso no nosso casarão na Costa Rica, vivendo de rendimentos passivos e investindo em imóveis. Se não for o caso e vocês encontrarem isso por razões ruins, é para isso que serve o mapa. Lá está ele, o Merchant naufragado. Se algo acontecer comigo, crianças, façam a melhor aventura de Bird e Bunny e terminem o que eu comecei, peguem o ouro. Eu amo vocês, mesmo sem demonstrar, cuidem um do outro. Vejo vocês do outro lado!

não soube dizer quando as lágrimas começaram ou quando JJ pegou sua mão. Quando tudo começou a doer? Ela nem sequer sabia como ainda estava em pé.

— Não se preocupe, . Peguei você — JJ falou, abraçando-a. escondia seu rosto cheio de lágrimas no peito de JJ.

já sabia que seu pai estava morto, já tinha superado o luto, mas, agora, ela tinha certeza disso, não podiam mais fantasiar que talvez um dia ele voltasse, não existia mais dúvida, era real, seu pai estava morto. Não deveria doer tanto, mas doía para caralho.

— Não se preocupe, eu estou aqui — JJ murmurou, ainda abraçando-a.

Capítulo 7

O som do ukulele de Kiara era ouvido, a garota dedilhava algumas notas. Todos os pogues se encontravam na doca do castelo, sentindo a brisa fresca do vento. estava sentada ao lado de seu irmão; desde a descoberta, nenhum dos dois tinha falado algo um para o outro, mas ambos sabiam que não precisavam falar sobre aquilo, apenas a presença um do outro já estava de bom tamanho.

— Quanto era mesmo? — JJ perguntou, cortando o silêncio. — Quatro milhões?

— Quatrocentos milhões — Pope respondeu, o corrigindo.

— Certo, antes que falem para a gente dividir por igual, devo lembrar que sou o único que pode nos defender daqueles traficantes — JJ falou, erguendo a arma. — E proteção custa caro.

— Você nem tem treinamento! — Pope falou, fazendo os outros pogues concordarem.

— Youtube, cara! Mereço, pelo menos, uns 5% a mais, alguma objeção? — JJ falou, e Kiara levantaram as mãos, mas ele as ignorou. — Acho que não!

— O que vai fazer com seus 80 milhões, Pope? — Kiara falou, olhando o garoto em sua frente.

— Pagar a faculdade adiantada e os livros, que são muito caros — Pope explicou.

— E você, Kiara? — perguntou JJ.

— É, o que uma socialista faz quando fica rica? — A pergunta de Pope fez rir.

— Quero gravar um álbum. Sobre Outer Banks, pogues… — ela sorriu. — No meu estúdio, o Peter Tosh vai produzir.

— Peter Tosh não morreu? — perguntou, confusa.

— A alma de Tosh nunca morre — Kiara falou. — E você, JJ?

— Vou comprar uma casa enorme no Figure 8, com uma estátua minha em frente! Vou virar um kook — ele disse, animado.

— Eu não vou te visitar — Kiara falou, rindo.

— E você, ? — JJ perguntou, olhando a garota.

— Vou me mudar para o México ou para o Brasil, talvez abrir o meu próprio bar, andar de skate todo dia, só eu e o Sirius — fantasiou, animada.

— Sirius? — Pope perguntou, confuso.

— Meu futuro cachorro — os seus amigos riram. — E você, Johnny?

— Um brinde a virar um kook! — John B falou, erguendo sua latinha de cerveja, fazendo todos os amigos gritarem, animados.

Depois de conversar e mais algumas latinhas de cerveja, todos se encontravam dentro de casa novamente. John B já tinha ido para o seu quarto, Kiara estava jogada no sofá-cama, Pope se ajeitava em uma poltrona.

respirou fundo, olhando o porta-retrato, no criado-mudo, com a foto em que ela e John B ainda eram crianças com Big John e a mãe dela ao lado deles. Ela sorriu para a foto, ficando triste ao perceber que nunca poderiam recriá-la, agora era só ela e John B.

Então, se lembrou da foto que tinha seu verdadeiro pai, pensou na possibilidade de ele ser James Thornton, e, quando começou a reparar que todas as peças realmente se encaixavam e como tudo aquilo fazia sentido, ficou um pouco incomodada e nem sequer sabia o motivo.

? Está tudo bem? — A voz de JJ a assustou, ele estava apoiado no batente da porta, a encarando.

— Sim, só um dia meio merda — sorriu, olhando o amigo.

Os dois ficaram em silêncio sem saber muito o que falar, se jogou em sua própria cama e encarou o garoto por alguns segundos enquanto brincava com os próprios dedos.

— Quer dormir aqui? — perguntou, olhando o garoto.

— Relaxa, eu… — JJ começou a falar, mas foi cortado pela garota.

— Jay, eu não quero ficar sozinha — admitiu, rapidamente.

JJ assentiu em silêncio, fechou a porta do quarto e se deitou ao lado dela. Eram sentimentos conflitantes. pensou que poderia dizer ao garoto o quanto ela gostava dele, como aqueles malditos olhos azuis a faziam sentir borboletas no estômago e como faziam meses que ela não conseguia parar de pensar nele.

Mas não era tão corajosa assim, estava com medo de dizer tudo para JJ e ele apenas rir da cara dela ou dizer que ela era como uma irmã ou algo do tipo, aliás, eles eram amigos desde os sete anos e tinha uma regra que os proibia disso ("pogue não pega pogue") e ela não sabia descrever como a odiava.


***



— Certo, olhos abertos — JJ falou, mostrando a arma. — Estamos em território inimigo.

— Guarda essa porcaria! — falou.

— Cuidado nunca é demais — respondeu JJ.

Depois de alguns breves xingamentos de todos, John B arrancou a arma de JJ e guardou no porta-luvas da Kombi enquanto o loiro reclamava de algo, pegando o seu crachá.

— Para onde estamos indo? — Pope perguntou.

— Vamos usar a internet, porque só os ricos têm eletricidade — explicou JJ.

Os pogues saíram da Kombi em direção ao hotel, na tentativa de conseguirem internet para procurarem informações, de como acharem o Royal Merchant, mas tinha outra coisa em mente: achar o máximo de informações possíveis sobre James Thornton. Não que fosse muito difícil descobrir sobre um dos homens mais importantes de Outer Banks, mas queria saber se ele realmente batia com o homem que estava junto com a sua mãe na foto.

Quando pisou seu primeiro pé no hotel, seu celular apitou com as notificações, já tinha trabalhado lá algumas vezes. Quando ouviu a primeira notificação, arrancou o celular do bolso, entrou em todas as redes sociais possíveis à procura de alguma imagem que fosse compatível com a foto do homem, o que foi um trabalho um pouco mais difícil do que ela imaginava, já que as redes sociais de Thornton, a maioria das vezes, eram sobre sua empresa, mas, rolando um pouco o Instagram de sua esposa, ela achou a foto premiada que mostrava James Thornton igualzinho ao homem que estava com sua mãe.

estava tão focada em stalkear o seu suposto pai, que nem reparou quando já estavam na sala dos computadores, onde os seus amigos estavam procurando sobre as coordenadas do Royal Merchant naufragado. A garota apenas se apoiou em um canto da sala, focada em seu celular, e pensou por alguns segundos até entrar no Google e pesquisar: "como somar uma pensão alimentícia?", entrando em um site que imaginou ser um pouco confiável e onde ela entenderia a explicação. Apenas tirou alguns prints para ler sobre aquilo mais tarde.

! — Pope a chamou. — Vamos!

desligou o celular e caminhou até os amigos de volta para a Kombi, onde eles comentavam sobre um drone. Até tentou entender toda a conversa, mas desistiu no meio do caminho. A única coisa que ela sabia era que iriam até o ferro velho roubar o drone. O plano era que Kiara e tentariam distrair o segurança para os garotos entrarem e pegarem o equipamento.

— Os humanos são os únicos animais que não diferenciam a fantasia da realidade — Pope murmurou.

— Espera, você inventou isso, Pope? — perguntou John B.

— Albert Bernstein falou isso, mas se aplica direitinho à nossa caça ao tesouro — disse Pope. — Então, fantasia ou realidade?

— Pope, por que você é tão estranho, cara? — JJ disse, terminando de enrolar o baseado de maconha.

— Fantasia, mas, provavelmente, realidade — Kiara falou, sorrindo.

— Realidade — John B concluiu, sorrindo para a irmã, que sorriu de volta.

— Realidade virtual — comentou JJ, tentando acender o cigarro.

— Não perde o foco — Pope falou, jogando o baseado do loiro para longe. — Realidade? É sério? — o garoto reclamou.

— De todos os animais selvagens, o homem jovem é o mais difícil de lidar — falou , sorrindo, enquanto olhava para Pope.

— Você citou Sócrates para mim? — Pope disse, incrédulo.

— Desde quando você sabe algo sobre Sócrates? — Kiara perguntou para a amiga.

— O quê!? Eu gostava das aulas de filosofia — deu de ombros.

— O professor sempre parecia ter usado algo antes da aula — comentou John B.

— Eu e ele sempre estávamos na mesma vibe — riu, começando a ver a fachada do ferro velho.

Minutos depois, as garotas desceram da Kombi enquanto repassavam o que iriam falar para o segurança do local. JJ e John B não pareciam gostar muito da ideia, mas e Kiara não iriam desistir com tanta facilidade. As duas caminharam até o guarda e os garotos correram para se esconder.

— Olá, pode nos ajudar? — Kiara perguntou para o segurança que se aproximava delas e as encarava do outro lado da grade.

— Claro, o que precisam? — o cara perguntou.

— Bem, a gente acha que o pneu do nosso carro furou, a gente não sabe trocar — disse, fingindo estar tímida.

— Claro, garotas, eu ajudo vocês — o homem falou. Kiara e fingiram um sorriso enquanto ele voltava para buscar uma caixa de ferramentas.

— Foi facinho — falou baixo, sorrindo para a amiga.

— Que otário — sussurrou Kiara, fazendo rir.

Enquanto isso, os garotos se escondiam atrás de um carro, assistindo as garotas se aproximarem do segurança e falar com o homem, esperando o momento certo para entrarem no ferro velho.

— E como estão as coisas entre você e a Kiara? — JJ perguntou, olhando John B.

— Ah, nem um pouco estranhas — John B disse, mas ele não tirava os olhos das garotas por causa da preocupação.

— Eu e Pope tínhamos certeza que ela estava a fim de você — JJ riu. — Então ela te deu um pé na bunda mesmo?

— É, com toda certeza ela deu — John B respondeu, rindo sem humor.

— Talvez ela goste de outra pessoa — falou Pope e logo após olhou JJ. — E você e a ?

— O que tem eu e a ? — respondeu, nervoso.

— O que tem JJ e ? — John B perguntou ao mesmo tempo.

— Ah, sei lá, você dormiu junto com ela ontem, vocês sempre flertam, achei que estava rolando algo... E tem o fato da tensão sexual estranha entre vocês — Pope disse e, pela primeira vez, John B tirou os olhos das duas garotas, encarando JJ.

— Não rola nada, cara! — JJ se apressou a falar. — A gente dorme na mesma cama desde os sete anos, não me levem a mal, mas não me vejo com a , não acho que esse tipo de relacionamento combine comigo, sou mais de aproveitar o momento, saca?

— É melhor mesmo — John B murmurou.

JJ sabia que já estava se perdendo em sua própria mentira, ele sentiu que foi um milagre quando viu o portão ser aberto e eles conseguiram correr para dentro do ferro velho, mas, do mesmo jeito, ele não conseguia parar de pensar na mentira que contou para John B e Pope. Talvez, ele apenas não deveria encarar aquilo como uma mentira, mas como uma forma de não ser morto pelo seu melhor amigo.

Se tinha alguém que JJ se imaginava junto, essa pessoa era . Já tinha perdido as contas das vezes que se imaginou com a garota andando de mãos dadas juntos, fazendo coisas bregas de casal, ou das vezes que ele sonhou que os dois namoravam. Aquele sentimento confuso no peito de JJ estava acabando com a pequena dose de sanidade mental que restava em sua cabeça, já que, além de ganhar um provável pé na bunda de , de acompanhamento receberia uma surra de John B.


***



— Roubar um drone dá fome — comentou Kiara, entrando no restaurante.

Os pogues entraram no The Wreak, o restaurante estava vazio, visto que já estava tarde e, provavelmente, os Carrera estavam arrumando as coisas para fechar o lugar. Kiara foi em direção aos pais enquanto os quatro esperavam apoiados à janela. Quando os pais de Kie os olharam, eles acenaram para o casal, ambos os quatro com uma cara de cachorros perdidos que não comiam há dias.

— Vão sentar! — Kiara disse, fazendo os pogues comemorarem.

estava sentada ao lado de JJ, devorando a batata frita que Kiara tinha acabado de entregar a ela, enquanto todos devoravam suas próprias comidas e conversavam.

, presta atenção! — John B a chamou, mostrando que iria jogar a batata frita. Ela acenou com a cabeça, fazendo o irmão jogá-la em sua direção e ela pegar com a boca, fazendo os dois gritaram, animados.

— Consegui! — falou, fazendo um high-five com o irmão por cima da mesa.

— Não brinquem com a comida! — Kiara os xingou.

Kiara terminou de servir os amigos, deixando a jarra de água em cima da mesa. A morena começou a dançar ao som de “It's Never Enough” do Audiodub, fazendo rir. Segundos depois, Kiara e John B dançavam juntos de forma engraçada no meio do restaurante, a Routledge reparou o olhar estranho de Pope para os dois amigos que dançavam. guardou isso para perguntar ao amigo no momento certo.

— Está bem, ? — JJ perguntou e a garota assentiu, deitando a cabeça no ombro dele. — O que aconteceu no hotel? Você não saiu do celular.

— Saudades da internet — mentiu . JJ também apoiou a cabeça nela.

No mesmo instante, percebeu os olhares de John B. Sabia que, a partir daquele momento, ele teria o garoto o vigiando em qualquer tipo de aproximação que tivesse com a . JJ queria estrangular Pope, as coisas já estavam difíceis sem John B estar em cima dele, mas, dali em diante, seria muito pior.

— Quer ir dançar? — perguntou, sorrindo, se levantando da cadeira.

— Dançar não é a minha praia — disse JJ, fazendo a garota revirar os olhos.

— E você, Pope? Dança comigo? — O garoto fez uma careta em negação enquanto recebia uma comida de alguma funcionária. — Por favor, Pope. — sentiu JJ segurar a sua mão e arrastá-la para perto de onde John B e Kiara estavam.

— Estou te salvando dessa, cara! — JJ disse para Pope.

— O que seria da minha vida sem você? Te devo uma — Pope dramatizou, fazendo lhe enviar o dedo do meio.

O loiro começou a mexer os ombros de forma engraçada, fazendo rir. A garota começou a se movimentar de um lado para o outro, agora os dois dançavam juntos ao som de uma música que tocava na rádio, a qual ambos desconheciam. JJ rodopiou e a garota copiou o ato, fazendo o loiro rir enquanto girava.

— Eu adoro o fato de você não saber dizer não para mim — disse, ainda dançando.

— Claro que eu sei dizer não para você — teimou o garoto.

— Tem certeza? Então, por que está dançando comigo quando não queria? — perguntou e o garoto riu.

Os olhos de se encontraram com os azuis dele, com toda certeza os olhos de JJ eram seu ponto fraco, as borboletas sempre apareciam quando os olhares deles se cruzavam. Eles sorriram um para o outro assim que a música acabou.

— Afasta — John B disse, empurrando levemente o loiro para trás, fazendo rir.

Um tempo depois, todos se despediram. Kiara foi com os pais dela, Pope e JJ receberam carona de John B e , que, depois que deixaram os amigos em casa, voltaram para o castelo, não demorando muito para irem para seus quartos dormir.

passou metade da noite lendo os prints do site sobre a pensão. Depois de reler muitas vezes e achar que tinha entendido algo, ela começou a se perguntar se realmente valeria a pena ir atrás do homem, nem sabia se conseguiria falar algo na frente dele, mas o fato de conseguir, pelo menos, uns duzentos dólares a fazia querer se levantar da cama e ir no mesmo instante até lá. Era isso, iria lá no dia seguinte de manhã, assim não teria tempo de se arrepender ou fazer alguma besteira.

No dia seguinte, ela acordou mais cedo que John B, provavelmente por causa da ansiedade. Ela deixou um bilhete, mentindo que teria que trabalhar nesse dia, então apenas pegou suas coisas, seu skate e foi até o Figure 8, repassando um pouco sobre o que falaria. Uma coisa que JJ ensinara a ela sobre mentir e blefar era sempre manter confiança, aliás, se você estiver confiante no que fala, as pessoas dificilmente vão achar que você está mentindo. não via muito sentido, mas resolveu seguir a dica do loiro aquele dia.

respirou fundo antes de criar coragem para bater à porta da mansão Thornton. Após alguns segundos, a porta foi atendida por uma mulher um pouco velha, de cabelos escuros, vestindo uma roupa de marca: Cynthia Thornton tinha atendido a porta.

— Os filhos dos funcionários devem entrar pela porta dos fundos — falou grosseiramente. se segurou para não revirar os olhos.

— Não sou filha de funcionário, na verdade… — Não conseguiu terminar de falar antes de ser interrompida.

— Não, não estamos fazendo doações no momento, desculpe — ela cortou a garota.

— Com licença, senhora Thornton. Mas não vim pedir dinheiro a vocês — falou, olhando para a mulher. — Tenho assuntos, vamos dizer… pendentes, com o senhor Thornton.

— O que você quer com o meu marido? — Cynthia perguntou, curiosa.

— Como eu disse, meus assuntos são somente com James Thornton. — reparou que a mulher a encarava, confusa. — Se tiver alguma dúvida, fale para ele que Routledge está aqui, ele saberá com quem irá falar — a garota falou, convencida.

— Está bem, entre, ele está no escritório — a mulher falou, finalmente dando passagem para a menina entrar, a guiando para o escritório do homem.

Passando pela sala de estar, observou Rafe e Topper a observando, confusos, ao ver a pogue sendo guiada pela mãe de Topper. Cameron não tirou os olhos de , o que fez a garota engolir em seco. Bateu à porta do escritório, ouvindo um "entra". Entrou no cômodo, fechando a porta.

— Olá, pai, quanto tempo, não? — ela sorriu um pouco mais irônica do que realmente gostaria, olhou o homem que tinha uma feição confusa em seu rosto.

— Com licença, acredito que esteja me confundindo com alguém — ele riu, negando com a cabeça, sem ao menos olhar para ela —, não tenho uma filha.

— Tem sim, eu estou aqui, não é? — falou, respirando fundo, se sentando em uma das cadeiras que tinham em frente à mesa do homem. — Vamos ser rápidos, eu prometo.

…— ele encarou a menina pela primeira vez, ficando em um pequeno transe. — Está igual a ela — o homem falou. — Sinto muito pela sua mãe e pelo seu tio também.

— Um pouco atrasado, mas obrigada — a menina suspirou, tentando não pensar muito em sua mãe ou em Big John. — Agora, James, temos que tratar de algo importante: os dezesseis anos que você me deve pensão.

— Os sete — ele corrigiu. — Você foi morar com seu tio aos sete.

— Filhos na guarda de terceiros continuam recebendo pensão — a garota sorriu. — Ligue para seu advogado, se duvidar.

— Onde quer chegar? — o homem suspirou, olhando a garota.

— Você me deve cento e noventa e dois meses de pensão, vim cobrar — falou, e o homem riu, incrédulo. — E, antes de ligar para o seu advogado, pense que ele vai querer levar isso para um tribunal, onde você vai perder, porque essa pensão é meu direito, o que só vai te fazer gastar dinheiro. Ou você pode me ouvir e negociar com uma adolescente.

— E por qual motivo eu pagaria? — o homem perguntou.

— Além das provas que eu tenho que você traiu sua mulher com a minha mãe? — perguntou.

— Diga logo o seu valor — ele falou rapidamente.

— Mil dólares por mês — disse, simples.

— Quinhentos — James Thornton falou.

— Senhor Thornton, para um homem tão rico, você é um mão de vaca — reclamou a garota.

— Não consegui tudo que tenho gastando meu dinheiro com qualquer coisa — explicou o homem.

— Você gastou 200 mil dólares em um Malibu-24 MXZ para o Topper! E não quer me dar mil pratas? — disse, incrédula.

— Entende de lancha, ? — perguntou o homem, mudando de assunto.

— Não me enrola, eu quero meus mil dólares — disse .

, o que você acha de fazermos um acordo diferente? — o homem perguntou e a garota assentiu, esperando-o falar. — Você pode vir aqui uma vez por semana me pedir um valor até duzentos dólares.

— Mas se eu vier aqui toda semana e pedir duzentos dólares, vai dar mil ao final do mês — concluiu a garota. — Não é mais fácil você só me dar os mil dólares?

, você não acha que minha mulher vai reparar se sumir mil dólares da minha carteira? — o homem perguntou. — Eu não ando com muito dinheiro vivo e eu tenho quase certeza que você não tem um cartão de crédito.

— Sua mulher olha sua carteira? Achei um pouco obsessivo da parte dela — comentou , o homem revirou os olhos. — Mas, tudo bem, aceito.

James abriu a carteira e lhe entregou os duzentos dólares, fazendo a garota tentar reprimir o sorriso. Ela realmente não achou que seria tão fácil, mas ficou meio decepcionada em saber que leu toda aquela pesquisa sobre pensão totalmente à toa. Mas, agora, ela tinha certeza que iria economizar esse dinheiro e, talvez assim, de alguma forma, conseguiria fazer a si e seu irmão não serem enviados para lares adotivos.

— Foi um prazer fazer negócios com você, senhor Thornton — disse, pegando o dinheiro em cima da mesa, caminhando até a porta.

? — Thornton a chamou. — Talvez, se você quiser, podemos jantar só eu e você, seria bom eu saber um pouco como você está, se você estiver se sentindo meio sozinha…

— Não se preocupe, James, eu já tenho minha própria família — disse —, mas, quem sabe um dia? Uma comida kook de graça não seria nada ruim — falou, saindo do escritório.

Capítulo 8

— Você fez o quê? — Pope disse, incrédulo.

— Eu sei, foi uma tremenda burrice, mas deu certo — a garota falou.

— Certo? — ironizou o amigo. — Mil dólares por mês para ele não é nada, !

— Eu sei, mas eu não sabia quanto pedir! — reclamou. — E como eu iria aparecer com mais de mil dólares para o John B? Ele iria me perguntar de onde eu tirei e não sei se quero contar para ele.

Os dois estavam na loja do Heyward, discutindo sobre tudo o que a garota tinha feito, até como descobriu sobre o homem. Pope achava uma burrice ela ter ido até lá sem ter falado com ele antes, mas sabia que, se esperasse alguma resposta do amigo, já teria perdido toda a sua coragem e não iria mais.

— Ele até me chamou para jantar… — começou a explicar, mas parou ao ouvir alguém chegar.

— Quem te convidou para jantar? — JJ falou, se aproximando dos dois.

— O cara do Kegger — Pope disse, rapidamente.

— Não pode sair com aquele babaca! — protestou JJ.

— Ele nunca agiu como um babaca — falou, olhando o garoto —, mas eu não vou sair com ele.

Logo, JJ e Pope começaram a explicar para a garota sobre o drone — ou ROV, como Pope falava. Disseram que depois que tivessem as imagens do barco, teriam que falar com um advogado ou algo do tipo. encarou o loiro, que explicava as coisas animadamente, e sorriu.

Minutos depois, o pai de Pope o chamou para fazer algumas entregas. e JJ concordaram em ajudar o amigo, nenhum dos dois tinha nada melhor para fazer. O Sr. Heyward agradeceu pela ajuda enquanto Pope começava a pilotar o barco até o lado rico da ilha.

— Nem parece que a tempestade afetou esse lugar — comentou , observando o Figure 8.

— Eles têm geradores, , é sempre assim, já deveria estar acostumada — falou JJ. — Dizem que no Cut vamos ficar sem luz o verão inteiro.

— Dever ser legal ser um kook — falou Pope.

— Yeah, babacas de sorte — disse JJ.

Quando atracaram o barco, os três combinaram que Pope e iriam juntos fazer uma entrega e JJ, sozinho, faria outra. Os dois conversavam enquanto seguravam as sacolas na mão a caminho, sabiam que não era algo bom estarem no Country Club, o lugar era praticamente a Kooklândia.

— E, aí cara, quer quanto por uma cerveja? — Rafe falou, apressadamente, com o taco de golfe em mãos.

— Não estão à venda, se quiser, pode encomendar outras — disse, se colocando centímetros à frente do amigo.

— Se eu encomendar, você vem entregar as minhas cervejas também? — Rafe falou, arrogante.

— Mas vocês têm tantas e nós não temos nenhuma. — Foi a vez do Topper falar, em um tom ameaçador.

— Já foram vendidas — Pope falou. — Agora, nos deixem em paz!

— Já foram vendidas? — Rafe perguntou, ironicamente, gargalhando logo depois. — Vocês devem ter roubado isso aí! — ele pegou o taco de golfe, rasgando a sacola.

— Que merda! — Pope gritou. — Está me devendo agora!

— Não estou te devendo nada, pogue imundo — Rafe falou, dando um soco no rosto dele e o empurrando no chão logo em seguida. Quando Pope tentou se levantar, foi acertado com o taco de golfe.

demorou alguns segundos para agir, se colocou em frente a Rafe, o empurrando forte, e o garoto deu um soco perto de sua boca.

— A princesinha pogue quer brigar? — Rafe perguntou, retoricamente. — É um desperdício você ser uma pogue.

deu um soco no estômago de Cameron, fazendo a briga continuar por mais alguns minutos, até Topper intervir, fazendo Rafe sair dali, totalmente agitado. se levantou devagar do chão e sentiu que choraria. Um gosto de sangue surgiu em sua boca, causado pelo corte do soco de Rafe. Olhou Pope, caído no chão, e se sentiu fraca por não ter conseguido proteger seu melhor amigo. As mãos dela também tremiam e uma se colocou sobre ela: era Pope, estendendo a mão para ela se levantar.

— Você está bem? — perguntou.

— Meu pai vai me matar — grunhiu Pope.

— Ei, relaxa, eu pago por isso, não se preocupe — falou.

Os dois caminharam até o barco em silêncio, esperando a volta de JJ. estava no convés do barco, sentindo a pequena brisa bater em seu rosto, o que fazia aliviar um pouco a dor, a calmaria era o que aliviava. Quando JJ chegou, apenas jogou seu cabelo para frente, fazendo, de alguma forma, o mesmo esconder o machucado, o que, provavelmente, não resolveria.

— Cara, foram os melhores cem dólares que eu já recebi! — JJ disse, mas logo parou de falar ao perceber que os dois estavam muito quietos. — O que aconteceu? — O loiro se aproximou de Pope, arrancando o boné de sua cabeça e vendo o machucado. — Caralho, o que aconteceu com o seu rosto? Quem fez isso?

— Rafe e Topper — respondeu Pope.

? — JJ caminhou até a , que se negou a olhar para ele, sempre virando o rosto. O loiro tirou o cabelo dela da frente do rosto, mas, mesmo assim, a garota não olhava em seus olhos. Ele acariciou a bochecha dela, passando a mão pelo machucado. — Vamos acabar com eles, eu prometo.

— Podem me deixar em casa? Por favor — foi a única coisa que falou.

A primeira coisa que fez quando chegou em seu quarto foi chorar, se sentiu fraca, queria ter protegido Pope. Ela se deitou na cama em posição fetal enquanto suas mãos tremiam, ela não queria se mexer, apenas ficar parada ali, esperando o sentimento ruim passar.

Ela encarou fixamente a porta, com medo de John B entrar por ela e perguntar o que tinha acontecido, não queria o irmão envolvido e não queria incomodar, já que ele estava cheio de coisas em sua cabeça. viu o tempo passar lentamente, os minutos pareciam horas, o choro apenas acalmou, não soube dizer quando, mas parou. A dor não, a pequena pontada de culpa continuava ali, mas achou que iria conseguir ignorar aquele sentimento por um tempo.

Suspirou, enxugando as últimas lágrimas em seu rosto, ela sabia que não seria uma boa ideia John B ver sua boca um pouco roxa, então apenas pegou seu kit de maquiagem, tentando cobrir um pouco o machucado, e, depois de alguns minutos cobrindo o local, pareceu funcionar um pouco.

Ela saiu de seu quarto, procurando o irmão em todos os cantos. Olhando para o jardim, ela assistia Sarah Cameron conversando sobre algo com John B, um vinco se formou na testa de , queria poder ouvir o que os dois conversavam. A Cameron jogou um pacote de salgadinho para ele e saiu andando, passando pela loira.

— Oi, ! — Sarah disse, sorrindo.

— Oi — acenou.

— Trouxe isso para você — disse a garota, tirando um pacote de balas de gelatina da sua bolsa, jogando para ela.

— Ah, obrigada — sorriu, confusa, vendo a garota sorrir e logo se afastar.

Enquanto isso, JJ e Pope analisavam a nova lancha de Topper, a sede de vingança de ambos era de se reparar de longe, principalmente do loiro, que parecia querer quebrar aquela lancha aos socos. Maybank sentia o gosto ruim em sua garganta toda vez que a imagem de com o rosto machucado aparecia em sua cabeça.

— Um Malibu 2020, 24-MXC, o melhor wakesetter do mundo — Pope começou a falar. — Número um em qualidade, luxo e desempenho.

— Isso é guerra, Pope. Eles atacaram — JJ falou, colocando a bandana em seu rosto —, a gente revida.

Não demorou muito para Pope nadar até lá e tirar o pino da lancha, provavelmente não demoraria mais do que dez minutos para afundar, e, quando o garoto voltou com pino nas mãos, JJ sorriu.

— Você conseguiu — JJ falou, animado. — Eu estou tão orgulhoso, cara, puta merda!

— JJ, você não pode contar a ninguém — Pope falou, subindo no barco, fazendo o loiro assentir. — É sério, cara, nem para Kie, nem John B e nem para .

— Relaxa, minha boca é um túmulo — JJ falou, assentindo.

Ele não era ruim em contar mentiras, pelo contrário, JJ Maybank era um ótimo mentiroso, mas era difícil manter segredo de , as coisas simplesmente saíam da boca dele, não era algo que ele conseguia simplesmente controlar. JJ assentiu novamente para Pope, pegando o pino da lancha em sua mão e jogando no mar.


***


sempre esteve em uma linha tênue entre dinheiro não trazer felicidade e dinheiro resolver metade dos problemas dela, já que, se ela tivesse dinheiro, provavelmente não precisaria ver a si e seu irmão se acabando em trabalhar e sua vida seria mais fácil, o que, com toda certeza, a faria mais feliz. Mas o dinheiro não traria sua mãe e nem Big John de volta. Eles a faziam feliz também, o dinheiro nunca os compraria.

Ela acreditava no tesouro, achava que realmente tinha algo para eles acharem, mas ela era realista demais para ficar fantasiando que eles realmente conseguiriam achar o ouro. não iria desistir, seu pai pediu para ela e John B terminarem o que ele começou, então, pelo menos, tentaria por ele.

Eles estavam no meio do mar, todos os cinco animados com a ideia de achar o Royal Merchant. Algumas ondas batiam calmamente no barco, cada um deles tinha um trabalho a fazer: Pope controlava o ROV, John B olhava a câmera do drone, JJ dirigia o barco, já Kiara e cuidavam do cabo que segurava o ROV.

— ‘Tá legal, JJ, para aqui — falou John B.

— Beleza, o X marca o local — disse JJ, controlando o barco.

— Senhoras e senhores, vamos todos virar kooks! — John B sorriu, animado, olhando para a irmã, que sorriu de volta. — Certo, JJ, estamos bem em cima, dez segundos, noroeste.

— Beleza, dez a noroeste.

— 30 metros! — Kiara falou, logo após ela e verem a marcação no cabo do drone, fazendo todos do barco escutarem. A Routledge fez a marcação com giz.

A maré já tinha começado a mudar e, cada vez mais, a ansiedade aumentava entre o grupo de amigos, dava para sentir facilmente o clima tenso e, talvez, um pouco desesperador e caótico no barco. A corda do drone estava começando a descer com muita rapidez, dificultando um pouco as marcações das duas garotas. Até aquele momento, Pope e John B não tinham visto nada na câmera do aparelho e já estava se preocupando com a tempestade que estava começando a aparecer em alto mar.

Quando o barco começou a se mexer violentamente, a ansiedade de estava começando a desesperá-la, não só pelo fato de, talvez, eles virarem em uma tempestade, mas, também, por causa do maldito ouro e do barco naufragado que não aparecia nunca.

— Jay, a gente vai virar na tempestade! — exclamou . — 274 metros!

— JJ, firma o barco! — falou John B, preocupado.

— 280! — Dessa vez, foi Kiara quem falou.

— Muda para norte-noroeste! Dez segundos — gritou John B.

e Kiara praticamente lutavam contra o cabo do drone enquanto o seguravam com força, a corda corria pelas mãos das garotas depressa demais, além de estar sendo quase levado pela correnteza forte.

— Bird, a corrente ‘tá muito forte! Vamos perder o drone! — disse , ainda ajudando a amiga a segurar a corda.

sentia que até os peixes debaixo d’água estavam conseguindo ouvir os seus desesperados batimentos cardíacos, que ficaram ainda mais acelerados quando John B a chamou para olhar o drone, que já tinha chegado no fundo. Então, eles viram o Royal Merchant no fundo do mar.

— Ai, meu deus! — disse .

— Vocês estão vendo alguma coisa? — a voz curiosa de JJ, que ainda estava na cabine controlando o barco, foi ouvida.

— É o Royal Merchant — falou John B, sorrindo.

Mas não demorou muito para toda aquela animação ir por água abaixo, não tinha nada no barco. conferiu a imagem do drone umas cinco vezes, para ter certeza que não tinha deixado de ver algo, mas nunca tinha nada. O irmão olhou para ela e apenas bufou, Pope tentava animar John B, dizendo que eles deveriam carregar o drone e tentarem de novo mais tarde, mas ele não parecia querer fazer o que o amigo aconselhava.

também estava deprimida, não por que ela tinha muitas esperanças de o ouro estar realmente lá, mas sim, pelo sentimento de falha ou pelo fato de que ela sabia como isso iria afetar John B de forma grandiosa, novamente. Agora, todos os pogues estavam em silêncio no barco. Kiara tentava reconfortar John B, mas não parecia funcionar muito, Pope tentava ajeitar o drone de alguma forma e estava sentada dentro da cabine, vendo JJ pilotar o barco.

— Não tinha nada lá? — JJ perguntou. — Tipo, nem um restinho de ouro?

— Nada Jay, totalmente vazio — suspirou, desanimada.

— E o que o John B falou sobre o seu… — JJ mudou de assunto, apontando para sua própria boca, tentando falar sobre o machucado da garota.

— Ah, eu disse que caí de skate, ele acreditou numa boa — ela deu de ombros.

O silêncio prevaleceu por alguns segundos, até ser puxada por JJ, o loiro não disse nada, apenas colocou-a entre o volante do barco e ele. O garoto repousou o queixo no topo da cabeça dela, como se fosse um sinal para ela não sair de lá — não que quisesse se mover. Então, apenas aproveitou o silêncio agradável entre os dois.

Não demoraram muito para chegarem no Heyward, onde o barco de John B estava. Os pogues se despediram e os Routledge seguiram o seu caminho para casa em silêncio. não sabia o que falar para o irmão e, mesmo tendo um pouquinho de vontade, não iria falar "eu avisei", porque ela mesma fantasiou aquilo por um tempo e tinha certeza que, se era frustrante para ela, para John B era muito mais.

— Que merda, Johnny, parece que a gente não acerta uma! — reclamou , abrindo a porta de casa.

— Olá, crianças — disse a assistente social. teve certeza que sua cabeça começou a doer só por causa da voz da mulher.

— Sabe, Cheryl, é uma péssima hora para visitas — falou John B, sentado na mesa da cozinha.

— Não estamos aqui para visita, vamos levar vocês — disse a mulher.

— Hoje? Sério? — perguntou . — Já esperou um tempão, espera mais uma semana, não vai mudar nada — falou, se sentando na cadeira ao lado do irmão.

— Serão só umas semanas, até a audiência de vocês — disse Cheryl.

— Ah, claro, a audiência em que decidem me separar do John B — falou, irônica.

— Não, Cheryl, não vamos para um lar adotivo, não iremos participar desse sistema de vocês — falou John B, batendo a mão na mesa. Eles se levantaram, assustados, ao verem o policial se aproximar.

— John, , esse é o policial Thomas, ele trabalha com os casos de menores para o departamento da xerife.

e John B correram para longe do guarda, ficando de frente para a assistente social, e a mulher se levantou do sofá, olhando os dois.

— Eu sei que o tio de vocês está no Mississipi trabalhando em um cassino.

— Olha, isso é meu pesadelo! — falou John B. — É isso, eu quero emancipação, vou cuidar da , sempre cuidei.

— Eu que cuido de você — murmurou a garota.

— Emancipação de quem? Não há ninguém além de vocês dois aqui! — a mulher respondeu.

— Queremos asilo, então! — falou , rapidamente, e o garoto assentiu com a cabeça.

— Com base em quê?

— Com base civil, religiosa, sei lá! — ele disse, revoltado. — Estou me sentindo perseguido pelo sr. Cabeçudo ali — John B apontou para o guarda.

— ‘Tá me olhando porque, cara? Vai fazer o quê? Me dar um choque? — perguntou , após se mover e o policial a seguir. Os irmãos se encararam por alguns instantes, tentando decidir o que fazer.

teve certeza que aquele olhar de John B significava "corra", mas o dela apenas dizia "não sem você". A mulher da assistência social e o policial já tinham começado a estranhar os dois adolescentes se encarando sem dizer nem uma palavra, os dois correram, mas o guarda se colocou em frente a John B.

, corre! — disse John B. — Não se preocupe, Bunny, te encontro ao final da estrada.

sabia o que aquilo significava, era uma referência das histórias que o pai deles contava, aquela frase estava mais para um: “vou sair dessa, não se preocupe”. apenas obedeceu ao irmão, a assistente social até tentou segurá-la pelo braço, mas ela foi mais rápida, pegando o seu skate na varanda da casa.

— Ei, Cheryl! Thomas! Vão se fuder! — chamou, fazendo os dois olharem para ela, então apontou o dedo do meio para os dois, saiu correndo, subindo no skate, e saindo de lá o mais rápido possível para que não fosse pega.

A Routledge teve certeza para onde iria, mesmo que a casa de JJ fosse um pouco mais longe do que o The Kreek ou da loja dos Heyward. Simplesmente parecia certo ir até a casa de Maybank, ela não ia muito para lá, sabia que Luke, pai de JJ, era um idiota, mas imaginou que ele não estaria em casa, já que, normalmente, ele nunca estava. Demorou alguns minutos para chegar à casa do loiro, além do nervosismo de não saber como estava seu irmão, também estava com medo de Cheryl achá-la. Quando se aproximou da casa, conseguiu ver JJ atirando em um ursinho de pelúcia, provavelmente com o propósito de treinar a pontaria.

— JJ! Que merda você 'tá fazendo? — perguntou, saindo de cima do skate e se aproximando do garoto, que parou de atirar.

! O que você está fazendo aqui? — ele perguntou.

— Fugindo do conselho tutelar, John B também deve ter conseguido fugir — falou, dando de ombros. — Mas, enfim, já disse para você não usar a arma!

— Princesa, se eu não treinar, não vou poder defender a gente — disse JJ, como se fosse óbvio, fazendo revirar os olhos.

JJ parecia estar tenso e a garota não entendia o exato motivo, ele não parecia ter se metido em encrenca e brigado com o seu pai — tudo bem que ir atrás do ouro no Royal Merchant tinha sido uma grande encrenca, mas ninguém sabia disso. Ele apenas parou de olhar para , voltando aos tiros, fazendo a garota se estressar. No mesmo instante, Pope corria nervosamente, encarando a amiga, confuso.

— JJ! — Pope o chamou, fazendo o garoto parar de atirar e olhar para ele. — Eles sabem!

— Quem sabe o quê? — perguntou, confusa.

— Não cara, eles não sabem — afirmou JJ.

— O que ‘tá acontecendo!? — bufou , chamando a atenção dos dois garotos.

— A gente fez merda. Eu fiz, a ideia foi totalmente minha — falou Pope, nervoso.

— Desembuchem logo.

não acreditava nas palavras que Pope dizia, ela se sentia em um universo paralelo, já que nunca imaginou que o garoto fosse fazer algo parecido. Ter afundado um barco por pura vingança não parecia algo que o Heyward faria, ela até pensou na hipótese de ter sido JJ e Pope ter levado a culpa, mas ela conhecia o garoto o suficiente para saber que ele nunca faria isso, com nenhum de seus amigos.

— É simples, se eles encontrarem a gente, o que nós fazemos? — perguntou JJ.

— Negamos a porra toda — Pope falou e os dois olharam para . — Então, ?

— O quê? Topper afundou a própria lancha? — se fingiu de desentendida, fazendo os garotos sorrirem.

— Nós vamos negar, negar, negar.


Continua...



Nota da autora: Sem nota.





Nota da beta: Eitaaaaa, agora que as coisas vão ficar boas! Quero só ver o que vai acontecer quando descobrirem que a Alya é filha do Thornton! Imagina o Rafe descobrindo que a "princesinha pogue" na verdade é irmã dele? 🗣️🗣️🗣️ ansiosa por mais ❤️

Outras Fanfics:

➽ The Other Malfoy (Longfic - Em andamento)
➽ The Pogue Christmas (Shortfic - Finalizada)


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