Última atualização: 22/03/2021

Capítulo 1

“A quarentena pode separar ou aproximar os casais, diz filósofo.”

leu a notícia em um site na internet e riu internamente, se reconhecendo naquelas letras. Naquele momento, tudo o que ela queria era se livrar de , o cara com quem, aos trancos e barrancos, tem compartilhado a vida pelos últimos 4 anos. Até ali, os momentos bons sempre prevaleceram… mas agora as coisas pareciam estar mudando de figura.
No início daquele ano tudo estava indo bem com o casal e , eles até haviam juntado suas escovas, como diz o ditado popular. Era uma mudança “radical” para ambos, pois sempre disse a que não queria compromisso e por ela estava tudo bem, entrando na onda dele, mas em janeiro tudo mudou e ele a convidou para morar com ele. Em um anúncio online, ele havia visto uma casa para alugar em um bairro ao lado do trabalho dela e aquilo seria uma mão na roda para ambos: economia de tempo e dinheiro. Era claro que os prós eram vários, mas e os contras? Eles pesariam mais ou menos na balança do equilíbrio que ela buscava para sua vida? Será que ela conseguiria lidar com ele dentro de uma casa? Os dois eram amigos acima de tudo e a amizade colorida não era algo que pudesse atrapalhar, era?

Eles mudaram em janeiro sob uma chuva de verão, o que ocasionou em uma canseira ainda maior no casal. Quando por fim colocaram tudo dentro da nova casa, sentaram-se no chão para descansarem.
A chuva que caiu durante boa parte do dia fez a temperatura ficar mais amena à noite. A menina fez um chá quente para aquecer os dois e se abraçaram apertado, aquecendo corpos e almas. Combinaram que a arrumação da casa ficaria para o dia seguinte.
Ela, ainda sem entender muito bem o que acontecia em sua vida, quis pagar pra ver até onde iria aquela loucura toda. Mesmo gostando muito de , a menina sempre manteve um pé no chão e se resguardava, não confiava completamente nele. Sabia que se precisasse ela seria a responsável financeira por aquele lar, não que fosse um problema pra ela, mas sozinha ficaria muito pesado, além do combinado não ser aquele.

A fase de lua de mel da mudança durou pouco, pois logo após se juntarem recebeu uma grande oportunidade de trabalho.

- Ei, menina! - se aproximou de que estava deitada em sua cama lendo um livro.
- Oi, meu amor. - A moça sentou-se na cama, pra dar uma atenção maior o amigo colorido como ela mesma gostava de nomeá-lo.
- Sabe aquela oportunidade de trabalhar nos Estados Unidos? – a garota concordou com a cabeça. - Vai dar certo! Eu fui chamado e preciso viajar no final do mês.
- Uau, , parabéns! Vai ser ótimo pra sua carreira! - Ela o abraçou feliz.
- Vai sim, eu tô pirando! O trabalho será por um mês, podendo se estender, mas tem outra coisa. - Ele abaixou a cabeça e ela sabia que vinha bomba naquela conversa. - Eu vou aproveitar e ficar mais um mês e meio por conta própria, como umas férias, sabe? Trabalhando minha arte, relaxando…
- E aproveitando sua vida de solteiro, sei. - fechou a cara no mesmo instante, não conseguia disfarçar seus sentimentos, principalmente o ciúme que sentia por ele.
- É… - A voz de soou cambaleante, sem dar certeza à amiga se ele realmente viveria a vida de solteiro no outro país.
- Eu só quero deixar claro que se é pra você ser solteiro lá, eu serei aqui. - Eles sempre discutiam por isso. Se ele não queria compromisso com ela, ela não teria compromisso com ele, como ele demonstrava querer. concordou com a frase da amiga a contra gosto, mas não tinha muito o que contra-argumentar.

, no fundo, sentia que realmente gostava de , mas, pensando em ser moderna pro seu tempo, aceitou um pouco de má vontade as condições dessa amizade colorida. Em sua mente, se ele pode, ela também poderá e ele não tem como brigar contra isso; se quer exclusividade, que seja exclusivo também. Depois daquela conversa, o rapaz foi arrumar a mala e a jovem continuou com seu livro, mas a atenção já não era a mesma.
embarcou para o outro país uma semana depois do aviso à amiga. Com o visto e passaporte em dia, não foi difícil viajar poucos dias após a contratação, além de já estar sobre aviso, dando tempo de se preparar com calma. , por não gostar de demonstrar os sentimentos, não quis que fosse com ele até o aeroporto, era mostrar demais. Mesmo sendo amigos, o homem acreditava na frase: “trate mal que elas gamam”, e mesmo sabendo que ficaria muitos dias sem vê-la achou melhor, até pra ele, que ela não o acompanhasse. Desde quando ela chegou em sua cidade pra ficar mais próxima dele, e mudar sua vida -mas ele sabia no fundo que era por causa dele-, eles se viam toda semana, salvo quando viajavam separados. Era bom pra ele tê-la por perto, uma companhia, um bom sexo. Tanto tempo juntos, mas sem o compromisso do namoro! Estava perfeito, o melhor dos dois mundos.


Ei, menina! Parabéns, tudo de bom nesse dia! Viu como você é importante pra mim? Lembrei do seu aniversário :)

enviou a mensagem a amiga ao final do dia. A menina ao ler a mensagem, sentiu o corpo tremer e seu sorriso se expandiu pelo rosto em um segundo. Ela achava que ele não falaria com ela, e isso para ela é o fim. Entes queridos esquecerem seu aniversário era sinal de não amá-la.


Depois daquele dia, eles trocavam de mensagens toda semana, com assuntos do cotidiano, ele sempre informando em qual cidade ele estava, o que fazia. Ela contava sobre seu trabalho, os estudos, a vida dos dois continuou como se nada tivesse mudado, eram dois amigos solteiros que agora dividiam um lar.


Capítulo 2

Os dias se passaram. Muito próximo à data da volta do amado, há uma notícia de uma doença originada na China, e ela se alastra a outros países em pouco tempo. O pânico se apodera das pessoas, ninguém chega perto de ninguém. Porém aproveitou o carnaval como não houvesse amanhã, já que se ele tivesse a chance de ficar com alguém por lá, ele aproveitaria com certeza. Ela, entretanto, já não fazia pela disputa interna de quem era o mais desapegado, era por ela.

Em março, a doença já está avançada e a China e Itália estão dobrando o número de morte rapidamente... quando Nova Iorque torna-se o novo epicentro da doença, envia uma mensagem dizendo que seu voo foi adiantado e ele chegaria antes do previsto, pois, como as coisas estavam ruins por lá, pra fechar as fronteiras seria questão de tempo e não haveria prazo para retorno. Com isso, ele preferiu voltar antes do combinado para sua segurança e para alegria da garota, que colocou a casa em ordem e na véspera do retorno de reabasteceu a despensa e geladeira.

- Ei meu amor, já arrumou as malas? - enviou uma mensagem ao amigo colorido. Gostava de chamá-lo de amor, pois sabia que ele não gostava. Fazia por pura implicância mesmo, mas com o tempo, ele se acostumou a ser chamado assim e às vezes até curtia o apelido.
- O meu voo foi cancelado, sem previsão de quando vai ter outro. Eu tô ligando pra companhia aérea para ter mais informações.
- Poxa, , que pena! Espero que consiga voltar logo. Me mande notícias, viu? - bloqueou a tela do celular e sentiu o coração apertar. Não esperava por aquela notícia. E se não houver como ele voltar, quando vão se ver novamente?

***

Exatos dois dias depois, recebe uma nova mensagem de , avisando que alguém ia na casa deles montar um guarda roupas da mudança dele, que ainda estava pendente e pedindo que a menina deixasse a chave da casa na caixinha do correio, que a pessoa iria montar no horário do trabalho dela. sentiu-se constrangida em receber um desconhecido na casa. Uma coisa era deixar o restante da mudança dele na varanda. Mas entrar em casa? Realmente ficou desconfiada.

- Deixa de ser boba, você acha que eu colocaria um desconhecido em casa? É um amigo, alguém de confiança e ainda vai ter uma surpresa pra você. - A mensagem piscou em sua tela, depois dela descrever como se sentia insegura com a novidade.

cedeu, mas ficou intrigada com a palavra surpresa. não era daqueles que agradava com facilidade, ou mesmo de fazer surpresas. Será que ele estava voltando e não queria contar? A jovem saiu de casa pra trabalhar no dia seguinte desconfiada, deixou a chave de casa na caixinha do correio e sentiu-se esperançosa que fosse ele chegando de viagem naquele dia. Ela não queria um armário de roupas montado pra ter que lidar com mais uma arrumação da casa sozinha, como fez com todas as coisas dele no período de sua viagem. Queria cuidar da casa junto daquele que disse que a queria como uma companheira, mas naquele momento só se sentia como uma empregada mesmo.

Algumas horas se passaram e enfim voltou pra casa após seu horário de trabalho. Ansiosa, só pensava no que podia ser a surpresa alternando entre o armário armado e enfim em casa, porém não quis criar expectativas pra não se decepcionar. O rapaz ocupava tanto espaço em seu coração que ela não sabia a reação que teria ao vê-lo novamente. Desde quando se mudou pra cidade natal de seu amado, nunca ficaram tanto tempo se ver, e agora dois meses inteiros?? Era demais. Mesmo se distraindo com outras coisas no fim e início do dia era nele que ela pensava. Todo santo dia. Ela realmente estava com saudades daquele cara. quem diria que umas ficadas sem pretensões a trariam para onde estava agora...


Flashback on

Era o segundo encontro do casal e levou pra uma praia distante de sua cidade, essa não era aquela praia turística, mas sim uma praia que só os moradores costumam usar. Havia uma parte onde o turismo a explorava, mas noventa por cento de sua extensão basicamente era particular.
Ao final da orla, falésias formavam um paredão encantador e foi ali que ele a levou. Preparou uma cesta com pequenos lanches para os dois, uma garrafa de vinho e duas taças para os dois. Caminharam até ali, forraram um lençol na areia ao lado de um troco e se sentaram ali.

- Aqui é lindo, ! Dá pra viajar sem drogas! - riu um pouco animada, talvez pela terceira taça de vinho ter acabado de ser ingerida e ter começado a sentir tudo girar.
- Você não é acostumada com vinho, é? - perguntou percebendo a embriaguez da menina e a servindo uma fruta, pra ajudar a passar mais rápido, afinal havia uma boa caminha de volta.
- Nem um pouco. - riu abobalhada, porém parou, segundos depois, assim que começou a encarar o rapaz. Enquanto ela recebia uma porção de fruta em sua boca, percebeu o quão claros eram, e sentiu-se mais encantada por ele. Em pouco tempo quis beijá-lo, mas não sabia se era o efeito do álcool ou por ver os lábios do homem, onde um belo sorriso havia se formado. O riso bobo da mulher se encerrou no momento que reparou que ele também a olhava e se aproximava dela.
- Você vai me beijar não vai? Pois eu tô louca pra beijar você. - confessou.
- Eu vou sim. - mal a respondeu e sentiu os lábios da menina tocarem os seus. Atrás dos dois havia um tronco de coqueiro abandonado e foi ali que se apoiaram para prolongar o beijo e a única certeza que tinha era que queria aquilo muitas outras vezes.


Flashback off


Ao chegar em casa, deparou com o cadeado encostado, até aí tudo bem. Mas ao chegar à porta, a mesma se encontrava destrancada, sem barulho dentro de casa, só pensou que poderia ser mesmo, e o sorriso foi inevitável. Andou pela casa sem fazer barulho em busca dele. Ao chegar ao quintal da casa, se deparou com o homem relaxando em sua rede de estimação, admirando a vista da cidade, o que os fez alugar aquela casa. O sorriso dela intensificou-se em seu rosto e ela caminhou até ele que já havia sentido sua presença e sorria pelo canto de seus lábios, como se dissesse “surpresaaaaaa!”. Ela se aproximou dele, que enfim a olhou, sustentando o mesmo sorriso no rosto. Suas mãos agora a chamavam para um abraço bem apertado, que demorou longos segundos, pra depois um beijo de língua os conectarem, matando a saudade um do outro.


Capítulo 3

Após a volta de para o Brasil, nos primeiros dias sentiam-se em lua de mel, mas, com o passar dos dias, as coisas começaram a desandar. Não estavam acostumados a passar 24 horas juntos e os pequenos detalhes passaram a se transformar em enormes diferenças, cada um desejando que o outro se comportasse conforme sua vontade, e, convenhamos, isso nunca dá certo. Se relacionar com alguém significa ceder às vezes, e nenhum dos dois parecia dispostos a isso. , porém, mesmo querendo brigar e desistir de tudo, sempre se lembrava do conselho de sua mãe: “Se você quer mudança em alguém, mude você primeiro”. E foi nessa frase que ela se agarrou, afinal, se ela quisesse mudança, começaria por ela. Começou conciliando seu horário de almoço com o dele; por trabalhar de manhã em home office por causa da pandemia, seus horários não batiam tanto, mas agora ela se esforçava para comer no mesmo horário que ele, sendo ela a responsável por cozinhar a refeição. Depois teve a ideia de escrever pequenos bilhetes contando a ele o que ela mais gostava nele. Passou a ser mais carinhosa, mesmo ele dizendo não gostar muito de toques e afins. Por alguns dias as coisas pareceram melhorar. Um dia sem brigas, o outro também, ela estava se sentindo feliz por isso.

, essa toalha é a que eu trouxe pra cá? — Perguntou-lhe quando viu a toalha esticada numa cadeira do quarto.
— É, sim, .
— E você colocou aquela sua toalha azul, pra eu usar... — Coçou a cabeça tentando entender algo.
— Sim. Algum problema? — pensou em revirar os olhos, mas respirou fundo, esperando pra ver onde aquela conversa ia dar.
— É que eu ‘tô tentando entender porque você tá usando a minha toalha e eu usando a sua.
— Bem, eu achei que agora o que tem nessa casa é considerado nosso, não? — Questionou como se aquilo fosse óbvio.
— Sim, é considerado nosso, mas você tem a sua toalha e eu tenho a minha. Por que não usar a sua?
, você está fazendo questão de uma toalha, é isso? Ou vai querer que eu use os talheres que vieram da minha casa e o senhorzinho usa os seus... vai querer dividir a comida na geladeira também? — A tentativa de de não discutir foi em vão, pois naquele momento ela não conseguia entender o caso que o rapaz fizera com a toalha. — Não entendo, , o que é meu é nosso e o que é seu é seu? Por favor. — A menina sentou no sofá incrédula. — E a partir de agora, você usa o que é seu e eu o que é meu. Combinado?
— Não é assim também, . As coisas que só um tem, podemos usar sem problemas, eu só falei isso por questão de espaço mesmo.
— Você quer mais espaço? Você tem o seu quarto! Passa o dia todo no quintal refletindo e eu nem vou lá pra te dar espaço. E você quer mais? More sozinho então. — Dito isso, entrou em seu quarto e desabou em lágrimas, era a única forma de sua raiva passar... chorando.
Depois de tanto chorar, caiu no sono e foi acordada duas horas depois por seu amado; que naquela altura ela já não tinha mais certeza se ele ainda era, de fato, seu amado. deitou-se ao seu lado, abraçando-a e beijando suas costas como forma de acalmá-la. Ele sempre agia assim quando a menina se exaltava, ele a abraçava, mas ela não aceitava aquilo, via como uma forma de calá-la para que ele não precisasse ouvir suas reclamações ou conversar sobre elas.

- , eu não ‘tô fazendo questão de uma toalha, eu só não soube me colocar naquele momento. - disse logo depois de beijar as costas da menina.
- Você se incomoda com umas coisas que pra mim são bobeiras, , eu realmente não consigo entender, e muitas das vezes não possuo paciência suficiente para lidar com isso. - virou de frente para o rapaz para olhar para ele.
- Tá tudo bem, vamos passar uma borracha sobre esse assunto e não vamos mais comentar sobre isso. Eu sou meio doido, é difícil lidar comigo mesmo. É por isso que eu preciso de você, sendo minha companheira e me ajudando com as coisas.
- Você sabe que eu ‘tô aqui pro que der e vier, mas as vezes é complicado pra mim, é pra nós dois. Tudo novo, estamos na mesma casa por horas, sem poder sair, sem poder ver gente! Somos só nós dois, e em diversos aspectos, temos que encontrar uma maneira de fazer dar certo. - deitou-se de costas para a cama, colocando deitada em seu peito. Não falaram mais nada, mas ele sabia que precisavam, sim, dar um jeito, apenas não tinha ideia de como fazer.

***

Dois meses depois…


estava fazendo todo o possível para que não houvesse brigas naquela casa e vivessem em paz por mais alguns meses. As notícias em sua cidade sobre a Covid-19 não eram nada boas, havia uma pressão para que o comércio voltasse a funcionar, mesmo com o número de morte nas alturas. Além de seu trabalho em Home Office, possuía as atividades domésticas que continuavam sobre suas costas. Ao final do dia, sentia-se cansada e não queria fazer mais nada, nem mesmo namorar, aquela disposição para o sexo de antes, já não existia; o desejo e o libido ainda existiam, claro, mas se ele não tomasse a atitude, ela não ligava pra isso. Vez ou outra, ouvia alguma piadinha do rapaz quando ele a via deitada no sofá por exemplo, ou mesmo mexendo em seu computador em breves momentos de descanso. Para , vê-la ociosa era um absurdo, precisava estar fazendo algo, para poder agradá-lo, de preferência, servindo-o.
Certo dia, e foram à cidade comprar algumas coisas no mercado popular. Ao retornarem pra casa, saindo do carro e recolhendo as sacolas sozinha, deixou uma delas cair ao chão, quebrando uma garrafa de manteiga, muito utilizada na região que mora. Quando se deu conta do que aconteceu, seu rosto mudou imediatamente e sabia que iria ouvir poucas e boas pelo descuido. Apressou-se em pegar a sacola do chão, tentando recuperar qualquer coisa que pudesse, sem sucesso.
- Você precisa ser mais cuidadosa, , tem que segurar a sacola pelas duas alças, com a mão dentro delas e não a segurando em volta, desse jeito ela cai com o peso, óbvio. Agora vamos ficar sem manteiga, porque você deixou a sacola cair no chão.
- Talvez se você tivesse me ajudado a carregá-las, e não agisse como um patrão que foi às compras e a assistente aqui que carregue as coisas, a manteiga poderia estar inteira. - não levava o desaforo pra casa, sempre que podia respondia o namorado. Sabia que o que ele queria era que ela baixasse sua cabeça e concordasse com o que ele dizia a ela, mas não seria assim. E isso deixava ainda mais irritado. - Não se preocupe não que ainda tá cedo, eu posso ir lá comprar outra, vou deixar as coisas dentro de casa e volto ao mercado popular.
- Não precisa ir! Deixa que vamos outro dia. Tá muito perigoso ir à rua, a onda da Covid está bem alta, não podemos nos arriscar assim.
- Tudo bem, então. - entrou em casa com as coisas na mão, guardou-as em seu devido lugar e foi tomar um banho pra relaxar e mais uma vez chorar por tudo o que aconteceu.

As atitudes e palavras de sempre mexiam com ela. Por mais que tentasse não demonstrar que elas a afetavam, no fim do dia estava sempre se achando inferior, achando que não era mais capaz de fazer diversas coisas que fazia antes. Pra ela era muito bom quando moravam cada um em suas casas. Nesse momento de pandemia, estava mais difícil morar junto, pois a qualquer desavença eles precisavam estar no mesmo lugar, não podiam sair pra descontrair com os amigos e até mesmo compartilhar as tristezas e desentendimentos de casal. se sentia aprisionada, entrando em conflito. Queria continuar na relação, gostava e muito de , mas ao mesmo tempo não sabia se era capaz de aguentar as implicâncias do homem, que normalmente eram por pouca coisa mesmo. Começou a acreditar que ele pudesse mesmo ser louco ou ter algum distúrbio emocional, que nem ele mesmo podia controlar, apenas com terapia. Na verdade queria ela mesma começar um tratamento terapêutico, mas sabia que no fundo ia chegar à decisão que já pensara algumas vezes em tomar, mas que na verdade lhe faltava coragem para realizá-la.
Antes de tomar qualquer atitude trágica, escreveu outro bilhete ao namorado e o escondeu entre as louças do café da manhã. Ele o encontraria ao acordar…

Oi, meu bem, bom dia!
Sinto saudade das nossas carícias e beijos enlouquecedores de quando nos conhecemos. A rotina tem me desanimado, mas quando você chega perto de mim, meu corpo se acende e clama pelo seu. Aguardo ansiosa pelo seu chamado para arder em seus braços. Amo seus beijos pelo meu corpo.


ousou nesse bilhete. Queria estar nos braços de naquela noite e achou melhor informá-lo de sua intenção. Agora estava nas mãos dele, terem uma noite de sexo como acontecia antes de morarem juntos. A noite chegou e tomou banho com seu melhor sabonete e hidratou a pele pra que ficasse mais cheirosa, usou sua camisola mais sensual e passou pelo namorado na cozinha e sorriu. Ele a olhou de cima a baixo malicioso, mas, para o desespero de , não chegou até ela em seu quarto, a menina passou a noite sozinha mais uma vez e se perguntando quando essa agonia toda iria acabar!


Continua...



Nota da autora: Olha não tá fácil essa relação! Espero que vocês estejam curtindo essa história que logo, logo, vai sofrer sua reviravolta! Prometo não demorar tanto! Muito obrigada a todas que leram até aqui e não esqueça do comentário! Até breve.

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