FFOBS - FANCY, por Bru A.

Contador:
Última atualização: 24/12/2021

Prólogo

Vou narrar uma história muito interessante. Confesso, enquanto acontecia, não parecia tão interessante assim. Na realidade, parecia perigosa, tinha muitos altos e baixos, falsidade e mágoas, mas a gente está cansado de saber que, no fim, as coisas dão certo. Independente de como.
Mesmo sabendo o começo, o meio e o fim de tudo que falarei, garanto a todos que serei o mais imparcial possível. Você irá descobrir o que precisa descobrir no momento certo. Não sou de dar spoilers, mas gosto de dar pistas.
Talvez, até o fim dessa história, vocês descubram a verdade e até mesmo quem eu sou. Mas se isso não acontecer, não se preocupe: tudo vai se esclarecer.

Eu prometo.


Capítulo 1 - Nós odiamos todos os homens

Era quinta-feira de manhã. tinha o costume incontrolável de gesticular em cada palavra que falava. Era assim desde criança, sempre precisava movimentar suas mãos. A terapeuta sentada à sua frente nem ligava mais, já estava acostumada.
– Eu acho que estou atrasada para o trabalho. – Assim que disse isso, sua bolsa vibrou. Ambas as mulheres ali presentes se assustaram com o barulho inesperado. observou a tela de seu celular e, em um pulo, se levantou. – Sim, estou. Tenho uma reunião agora e tinha me esquecido. – A terapeuta aproveitou para deixar uma risada escapar.
– Corre, garota. E me avisa quando você vem na próxima semana, alguns pacientes querem mudar de horário e eu preciso me organizar. – concordou enquanto saia da sala. – Boa reunião!
– Obrigada, Rose! – As duas mulheres se despediram e correu para o trabalho. Tinha o costume de fazer a maioria das coisas a pé, o escritório era do lado da terapia, que era do lado da sua casa e tudo funcionava bem assim.
O caminho até o prédio da FANCY, revista que é editora-chefe, era bem tranquilo. Precisava apenas cruzar duas ruas até chegar na avenida do escritório. A mulher adorava essa facilidade de locomoção, podia fazer tudo quase que ao mesmo tempo e, por isso, dizia que "nunca estava atrasada".
– Está atrasada. – Fred, seu chefe, reclamou assim que a mulher adentrou pela porta da sala de reunião. sussurrou um pedido de desculpas e tomou seu lugar na mesa. Frederick é o diretor executivo da revista, mas , mesmo tendo um cargo inferior, acredita trabalhar e se esforçar bem mais do que ele. Daniel, editor assistente e melhor amigo de , também estava na reunião e sorriu para a mulher assim que ela se sentou ao seu lado.
Frederick começou dizendo que iria aceitar o tema que sugeriu para a próxima campanha da FANCY. Sabia que seria polêmico, assim como o anterior, mas achava que deveriam continuar se posicionando sobre assuntos que a maioria das revistas evitam falar.
Diferente das concorrentes, a FANCY estava indo bem. Conseguiu se reinventar bem no mundo digital e isso deveria continuar. tinha ideias brilhantes, o diretor sabia, mas precisava aparar as asas da mulher, senão ela poderia voar alto demais e acabar caindo em um lugar difícil de sair. Frederick não queria, de forma nenhuma, perder a melhor funcionária que tinha.
– Isso era tudo que eu precisava ouvir. – Foi a primeira frase que disse assim que seu chefe parou de falar. – Eu tenho certeza que vai dar certo, assim como a anterior. Vamos fazer a melhor campanha do mundo!
– Nós não temos dúvidas disso, , sério. Se tem uma pessoa capaz de tocar uma campanha desse culhão é você. – Dan disse, feliz pela amiga. Todos dentro da FANCY confiavam muito no trabalho da mulher, alguns até concordavam que ela deveria assumir o cargo de diretor executivo no lugar de Fred, mas é óbvio que ninguém falava isso em voz alta.
A reunião continuou com algumas exigências do chefe: "se é para fazer uma nova campanha, que seja ainda melhor do que a anterior", dizia, como forma de pressionar e também de incentivar os funcionários ali sentados. ouvia tudo aquilo com o brilho mais forte no olhar, era a chance que precisava para afirmar ainda mais o seu nome no mundo da moda.
Há 3 meses, tinha encabeçado uma campanha chamada "The Ugly Side of Fashion", que falava sobre como o mundo da moda foi e continua sendo cruel com as mulheres. usou a voz que a FANCY lhe deu para expor como toda essa história de inclusão e diversidade é falsa. A cota de uma única mulher gorda por desfile, ou de uma negra para 20 brancas, ou o fato do "plus size" ser um grande mito. A jornalista expôs também a problemática dos backstages com essa ditadura da magreza, muita cocaína e até fome. fez questão de falar sobre tudo que acontecia e, mesmo com medo, usou seu próprio nome para assinar a campanha.
A jornalista também reuniu os melhores especialistas sobre cada assunto, contando com um time de convidados bastante diverso e fora do padrão. O objetivo era justamente dar voz a quem é tão silenciado e permitir que eles tivessem seu devido lugar de fala.
Nas entrevistas que deu sobre a campanha, sempre dizia que, como mulher, tinha mais motivos para odiar o mundo fashion do que amar, mas preferiu se unir a ele e mudar o que conseguisse. Esse assunto, inclusive, foi tema de seu mestrado e também do seu primeiro e único livro publicado, chamado "As Leis de ".
A campanha da jornalista foi traduzida para mais de dez idiomas diferentes e fez com que o nome de divagasse país afora. Ela era constantemente chamada para palestras, eventos e até mesmo para se tornar professora em universidades, convite que nunca aceitou – pelo menos até o momento.
A ideia da nova campanha que também seria encabeçada por era falar sobre a masculinidade tóxica. Como a própria diz: o objetivo é cutucar a onça com vara curta. , através de seus estudos, sabia dos privilégios do sexo masculino e queria provocar um desconforto, mostrando de que forma o machismo pode ser um grande problema para os homens também. Ela gostava dessa ideia porque era exatamente o que precisava para sair da zona de conforto. estudava os fenômenos da moda e como as mulheres são afetadas há anos, é mestre nisso – literalmente. Agora, queria falar sobre o outro lado da moeda.
– E é aqui que iniciamos a campanha "We Hate All Man". – Frederick estranhou o nome e olhou curioso para a mulher. – Vai dizer que não amou?
– Só estranhei… É literal? – Fred e Dan se entreolharam e fitaram a mulher, que ria.
– Claro que é. – Respondeu, ainda rindo. Os dois homens passaram a rir também, jurando que a jornalista estava brincando, mas mal sabiam eles que ela falava bem sério.
– Agora vão, vai. – Fred dizia, enquanto expulsava gentilmente seus dois funcionários com as mãos. – Tenho uma reunião com o Sr. Lamar e vocês estão me atrasando. – sorriu, olhando para o chefe. Desde que entrou na empresa era apaixonada por Wander Lamar, o dono real oficial da FANCY e de outras quatro revistas.
O Sr. Lamar era muito reservado. Tudo que acontecia dentro de qualquer setor das cinco revistas passava por ele, mas ele nunca estava presente no escritório, era como se não existisse. até já tinha o visto por fotos e vídeos, mas nunca chegou a conhecê-lo pessoalmente. Os funcionários até tinham o costume de chamá-lo de "Charlie", uma referência direta ao chefe das Panteras que nunca revelava sua identidade. Fred, nesse cenário, era o Bosley, obviamente.
Daniel é o filho mais novo do Sr. Lamar, mas sempre odiou falar sobre qualquer coisa relacionada a sua família. Infelizmente, não tinha uma boa relação com o pai e trabalhava na empresa mais por consideração à irmã, Denise, que praticamente o criou. Ela logo assumiria completamente os negócios da família e acabava estando sempre mais presente do que o Sr. Lamar.
Dos 4 filhos do homem, apenas Denise e Dan trabalhavam com a empresa da família. Os outros dois, Dylan e Dustin, seguiram caminhos completamente diferentes e dificilmente apareciam, nem mesmo no Natal.
– Não posso participar? – arriscou, sabendo que a resposta seria não. De todos ali na empresa, o único que tinha um contato direto com o Sr. Lamar era Fred, o Bosley. Sempre foi assim.
– Você sabe que não. – O chefe piscou para a funcionária. Fred queria muito que a resposta fosse sim, pois sabe que é mais do que capaz de estar ali, mas não podia desobedecer ordens. A mulher entendia, diferente de Dan, que odiava a forma como seu pai se posicionava.

***

– Eles aceitaram, ? Meu Deus, tô tão feliz por você. – Claire comemorava junto de sua chefe o início da nova campanha. Fazia quase um ano que ela trabalhava como estagiária de e as duas, inclusive, já tinham criado uma grande amizade, mesmo com Claire sendo oito anos mais nova. – Eu tinha certeza que você conseguiria. Você é brilhante.
– Você que é incrível, Claire. – sorriu para a garota. – Vou precisar da sua ajuda mais do que nunca agora, vai ser difícil achar homens que topem participar dessa campanha… – Comentou. Claire sabia que estava certa. Trabalharam juntas na The Ugly Side of Fashion e tiveram muita dificuldade em encontrar mulheres que quisessem falar e, mais que isso, se identificar. No caso dos homens, acreditava ser quase impossível. Ainda assim, ambas sabiam que valia a tentativa e que aquilo era muito importante para o futuro da FANCY. – Eu tenho um amigo que pode nos ajudar, o nome dele é Michael Fischer, Claire, anota aí, por favor. – Claro que a caneta e o caderno já estavam nas mãos da estagiária há tempos. Depois de tantos meses trabalhando com a mulher, Claire já conhecia até mesmo virada do avesso. As duas faziam praticamente tudo juntas, não tinha nenhuma novidade, projeto ou pauta que passasse por sem passar por Claire. – Faz tempo que não falo com ele, mas sei que ele toparia ajudar ou conhece alguém que toparia. Tenta achar um e-mail ou telefone, tá? Aí você mesma pode falar com ele, se sente à vontade para isso?
– Claro! Com toda certeza do mundo – Claire comemorou. Agradecia todos os dias por ter uma chefe como , que possibilitou que ela conhecesse pessoas que ela nunca imaginou conhecer, como Gisele Bündchen, por exemplo. A übermodel participou da The Ugly Side of Fashion junto de outras modelos que foram linha de frente da Victoria's Secret durante anos. Aliás, foi exatamente a VS que impulsionou a querer estudar sobre isso, já que foi onde conseguiu seu primeiro estágio e consequentemente um dos maiores objetos de estudo da sua vida e da campanha.
– Que ótimo! Então, combinado. Você fala que estamos começando uma nova campanha aqui na FANCY e que, na hora, pensamos nele. Pode perguntar se ele quer marcar uma reunião presencial ou falar por zoom mesmo, o que ficar melhor. Nem sei se ele está no país. – Claire anotava as informações atentamente em seu caderno, gostava de fazer tudo 100% certo.
A estagiária deixou a sala assim que elas terminaram a conversa. Iria mandar um e-mail para Michael, mas antes aproveitou para procurar o perfil do homem no Instagram. Para a sua surpresa, ele era stylist de diversas personalidades masculinas, incluindo atores da Marvel. Foi nesse momento que Claire quase perdeu a compostura, era uma das maiores fãs do MCU desde que se conhecia por gente. Depois disso, sabia que esse trabalho seria um dos melhores da sua vida.
aproveitava para fazer algumas ligações de dentro de sua sala. Queria muito que algum artista envolvido no mundo da moda encabeçasse a campanha junto com ela. Sabia, sim, que dava conta sozinha, mas precisava adentrar na mente masculina e não podia fazer isso sendo uma mulher, não faria sentido algum.
A hipótese de usar Fred como co-worker nem passava pela sua cabeça. Afinal, para a jornalista, ele é a maior personificação de homem que finge gostar de mulher. Fred esconde seu machismo com uma equipe quase 100% feminina, mas todos suspeitam que isso é porque ele acha que moda é coisa de mulher. Alguns, inclusive, acreditam que Fred só está à frente da FANCY hoje porque é um homem de contatos: qualquer coisa que qualquer um precise, é só ir falar com ele, o diretor sabe exatamente quem deve procurar.
E esse era mais um motivo para não querer trabalhar com ele. Gostava do chefe, mesmo, mas sabia que a FANCY tinha conquistado seu lugar no ranking de melhores revistas de moda do mundo mais pelo trabalho dela e dos outros funcionários do que pelo dele.
– Harry? – disse, assim que o homem do outro lado da linha atendeu o aparelho.
– Mulher, você tá viva? Nunca mais te vi, quanto tempo! – Harry Lambert, o famoso stylist por trás de Harry Styles, dizia. Divertido como sempre, pensou , sabendo que realmente tinha se afastado de muita gente nos últimos meses por causa da The Ugly Side of Fashion.
– Estou morrendo de saudades, sério. Como você tá? – Respondeu, sincera.
– To bem, , e você? Já até sei… Trabalhando muito, como sempre. – ria enquanto ouvia o homem falar, Harry a conhecia o suficiente para saber que o trabalho a consumia quase 100%.
explicou o que tinha em mente para a próxima campanha da FANCY e ele comemorou pelo tema proposto. Como um homem que buscava sempre se desconstruir, Harry sabia que esse era um assunto polêmico e complicado. Por isso, ouvia atentamente tudo o que a mulher dizia.
A jornalista pensou em marcar uma reunião com ele, mas faria isso mais para frente, com quem topasse participar. Harry era um homem muito ocupado, e sabia que ele não conseguiria se envolver de cabeça nisso, mas, assim como Michael, poderia conhecer alguém que pudesse.

***

A maioria dos funcionários da FANCY já tinha ido embora, mas continuava reunindo alguns nomes masculinos para a prospecção do dia seguinte.
Depois da ligação com Lambert, chegou a entrar em contato com a assessoria de Harry Styles, mas o convite foi recusado, já que ele está ocupado com o lançamento de seu próximo álbum. Também tentou falar com Jaden Smith e Lil Nas X: o primeiro não chegou a responder, já o segundo recusou educadamente o convite pelo mesmo motivo de Styles.
sabia que aquela era só a ponta do iceberg, até porque uma campanha não se constrói em um só dia. Tinha muito pelo que batalhar e iria, é do tipo que não descansa até conseguir o que quer, por mais cansativo que o caminho seja.
– Tô indo, viu, ? – Dan disse, encostado no batente da porta da sala. A mulher sorriu, observando o amigo. – Quer que eu te espere? – Dan e frequentemente iam embora juntos, já que moram bem perto um do outro. Esse, inclusive, foi um dos grandes motivos para a amizade crescer. adorava a companhia do homem e o sentimento era mais do que recíproco.
– Hoje não precisa, Dan. Vou ficar mais um pouco. – Respondeu, sorrindo. A mulher até cogitou a ideia de ir, mas achou melhor ficar mais um tempo. Quanto mais adiantasse hoje, mais tranquila ficaria amanhã. O amigo balançou a cabeça em negação. Sabia como a jornalista amava o que fazia, mas não concordava com essas horas extras que nem sequer eram remuneradas. A mulher trabalhava mais do que qualquer um ali dentro. riu da reação e deu de ombros. – Nosso sábado ainda tá de pé, né? – O homem revirou os olhos enquanto sorria.
– É claro que sim! – Daniel tinha combinado de acompanhar até a Madison Avenue para ajudá-la a fazer compras, afinal a jornalista simplesmente ama as lojas que ficam ali, como a Hermès e a Maje, uma marca francesa que ela conheceu durante a mais recente Semana de Moda de Paris. Além disso, Dan dificilmente recusava uma oportunidade de ficar perto de . – Estou querendo comprar um novo relógio. – Dessa vez, foi que revirou os olhos. Dan era viciado nesse acessório, tinha uma grande coleção e sempre estava pensando em comprar o próximo. – Não me julgue com esse olhar, , você é igual com botas. – Disse, com um sorriso irônico nos lábios. O homem não estava errado, realmente era apaixonada por botas e tinha muitos pares em seu armário. – Não fica até muito tarde, tá? Estou falando sério.
– Não vou, fica tranquilo. – O homem concordou e se despediu, deixando a jornalista sozinha no escritório.
olhou seu celular para ter certeza do horário. Oito e meia. Em ponto. Aquilo era mais do que hora extra e exagero até mesmo para ela, que era a pessoa mais workaholic que existia. Maldito ascendente em capricornio, pensou, antes de começar a arrumar suas coisas para correr até Dan e aceitar a companhia.
Estava prestes a desligar seu computador quando recebeu uma chamada pelo zoom com o nome de Michael Fisher apontando na tela. Por mais que seus olhos, cansados, insistissem que ela fechasse o aparelho e resolvesse isso amanhã, seu coração falou mais alto, pensando que Michael ligando essa hora só podia ser um bom sinal.
Os cumprimentos assim que aceitou a chamada não poderiam ter sido mais histéricos. Faziam meses que os dois não se viam e aquilo era 100% culpa de , que nunca tinha tempo quando o amigo estava no país.
Michael é um dos stylists do The Wall Group, empresa que reúne diversos profissionais de moda e beleza para trabalhar com os artistas mais famosos dos Estados Unidos e da Europa. No momento, ele estava em Portugal, e fez questão de dizer o quanto sentia falta da amiga e que esperava finalmente encontrá-la quando voltasse para os Estados Unidos. faria de tudo para esse encontro acontecer, até porque também sentia falta do amigo.
– Sua estagiária é uma fofa! Incrível como você sempre tem os melhores funcionários, também adoro o Dan. – riu, concordando. Realmente, tinha tirado a sorte grande com Claire. Era uma menina incrível, dedicada e prestativa. Não a trocaria por ninguém nesse mundo e esperava levar ela para a vida, independente de como. A mesma coisa com Dan, que era constantemente sua válvula de escape dentro e até mesmo fora do trabalho. – A Claire me explicou sobre o esquema da nova campanha e eu fiquei morrendo de medo por você. Já vai entrar em outro assunto polêmico?
– Eles me perseguem, Michael, e eu já tenho alguns processos na conta, mais um não vai fazer diferença. – A fala provocou uma risada em Michael, que sabia que a amiga falava sério. Apesar do retorno positivo da The Ugly Side of Fashion, também teve o negativo e é óbvio que a grande maioria caiu no colo de . Mas ela não reclamava do amparo que teve da FANCY, até porque a empresa cuidou de todos os processo jurídicos e arcou com muitas das finanças que teria.
– Bom saber disso, então, porque tenho a pessoa perfeita para te ajudar. – não acreditou no que ouvia. Sabia que encontraria alguém, mas não achou que seria tão rápido. Michael é a melhor pessoa que existe, pensou. – Ele é um dos meus clientes mais próximos e tá passando por uns problemas bem chatos relacionados a processos, que nem você, sabe? Mas é tudo uma puta de uma injustiça, eu acredito muito na verdade dele. – concordou com a cabeça. Se tem uma coisa que a mulher não suporta é injustiça, e ela sabia muito bem como o judiciário americano conseguia ser injusto. – Estou te falando tudo isso porque te conheço e sei que você vai entrar num dilema enorme assim que eu te falar quem é. – estranhou a informação, não conseguindo entender aonde Michael queria chegar. Apesar de confiar no amigo, estava com medo de quem ele pretendia indicar.
– Fala, Michael, quanto mistério. – Ela riu, tentando se tranquilizar. – Qual o nome dele? – Michael suspirou. Estava com medo por ele e pelo amigo, não queria que as coisas dessem errado e nem que surtasse pelo nome que sairia da sua boca. Conhecia o homem que indicaria bem o suficiente para saber que tudo pelo que foi acusado é mentira, mas não. E, sabendo como ela é, suspeitava que poderia ver com outros olhos.
– O nome dele é Sebastian Stan.


Capítulo 2 - As Leis de

Era quinta-feira à tarde. O homem fazia carinho em seu cachorro, Elvis, enquanto navegava por seus e-mails. Com a barba maior do que o costume, se perguntava se deveria sair um pouco de casa hoje. Não que nunca saísse, até tinha o costume de passear no Central Park de vez em quando, mas quase sempre se sentia intimidado, os olhares que recebia na maioria das vezes não eram tão agradáveis como antes.
Sempre, desde que começou a trabalhar como ator, tentou manter sua vida particular restrita. Não se incomodava de ser perguntado sobre namoros ou coisas relacionadas, mas preferia sempre manter em sigilo – pelo menos enquanto conseguisse.
Uma nova mensagem chegou em sua caixa de entrada e, antes que ele pudesse abrir, seu celular tocou do outro lado da sala de seu apartamento. O homem deixou seu cachorro no chão e caminhou até o aparelho, atendendo com um sorriso no rosto logo depois de ver o nome na tela.
– Fala, Michael! – Sebastian disse, empolgado. Tinha falado com o amigo há menos de três ou quatro semanas, mas gostava de conversar com ele, já que Michael é o tipo de pessoa que todo mundo adora ter por perto: engraçado, divertido e companheiro. Aquele amigo que nunca, nunca mesmo, te abandona.
– E aí, Seb! Como você está? Já conseguiu sair um pouco de casa? – Sebastian riu. Havia comentado anteriormente com Michael que tinha receio de sair de casa mas que, ao mesmo tempo, sabia que precisava fazer isso com mais frequência. Ficar sozinho e isolado não iria ajudar, já dizia sua terapeuta, familiares e amigos. Por isso, desde que os dois se falaram da última vez, algumas coisas já tinham mudado.
Quando tudo aconteceu, a vida pessoal e profissional de Sebastian virou de ponta cabeça. O homem começou a sentir dificuldade de se relacionar com os outros, coisa que nunca tinha sentido antes. Não conseguia manter uma simples conversa às vezes e, claro, desconfiava da maioria das pessoas. Ele perdeu um pouco da fé que tinha, mas trabalhava isso semanalmente na terapia e as coisas estavam melhorando.
– Tenho ido bastante ao Central Park com o Elvis e voltei para a academia, mas a que tem aqui no prédio mesmo. – Ele riu. – Pelo menos vou quase todos os dias. – Michael acompanhou o amigo nas risadas. – Também tenho visto o Anthony aos finais de semana, a gente sempre tá fazendo alguma coisa juntos.
– Eu fico muito feliz de ouvir isso, de verdade. – Michael foi sincero, amava Sebastian e odiava ver tudo que seu amigo estava passando, principalmente por ter a certeza de que era uma enorme injustiça. – Você é forte, Seb, vai dar tudo certo. – Sebastian concordou com a cabeça, mesmo sabendo que seu amigo não veria.
– Vai sim, tenho fé que vai. – Os dois sorriram, cada um de um lado da linha. Michael havia ligado para Sebastian porque tinha uma novidade importante para dar ao amigo. Sabia que o ator havia perdido muitas oportunidades desde que as coisas começaram a acontecer. Por isso, quando ficava ciente de qualquer trabalho que pudesse passar para ele, o fazia.
Não foi diferente quando recebeu o e-mail da Claire, estagiária de , sua amiga. Enquanto lia a mensagem com informações resumidas, mas claras, sobre a nova campanha, só pensava no amigo e em como ele ficaria empolgado com aquele trabalho, principalmente por ter um pouco de conhecimento sobre o tema.
Sebastian sempre foi um homem artístico. Conforme os anos, se tornou um ator excepcional e conquistou uma grande legião de fãs, principalmente depois da sua atuação impecável como Bucky Barnes, o Soldado Invernal, da Marvel, que foi o auge de sua carreira. Sebastian fez história por viver com tanta emoção e sensibilidade um personagem que de vilão nunca teve nada.
Com o sucesso do segundo filme do Capitão América que apresentou o seu personagem, em 2014, Sebastian passou a receber inúmeros convites irrecusáveis, principalmente para se tornar embaixador de marcas muito famosas, como a Hugo Boss, chegando a estampar anúncios da grife por mais de 2 anos. A partir disso, virou um homem vidrado no mundo da moda. Acompanhava desfiles de perto, na primeira fila, e sempre estava nos rankings de homens mais bem vestidos do mundo. Sua presença em revistas também era frequente.
Apesar de muito introvertido, Sebastian se tornou uma referência por não esconder que gostava, sim, de se vestir bem e que adorava, inclusive, estar presente nesse mercado. Exatamente por isso que Michael se sentia honrado de ser o stylist de Sebastian e de quebra um de seus grandes amigos.
As coisas desandaram depois das polêmicas envolvendo seu nome. Sebastian passou por um escândalo muito grande que o afastou dos holofotes. Em uma decisão em conjunto com seus advogados, familiares e amigos, optou por se resguardar até a poeira baixar. Por isso, finalizou seu acordo com a Boss e acabou sendo cortado dos próximos projetos que tinha em agenda. O único contrato que Sebastian não perdeu foi com a Marvel. A empresa, em respeito ao ator e ao seu legado no MCU, fez questão de dizer que esperaria o resultado do processo para tomar uma atitude, se fosse necessário.
De toda forma, o contrato de Sebastian estava em stand by. O filme que iria finalizar a fase 3 do universo, chamado Vingadores: Ultimato, ainda seria lançado. Então, até o momento, Sebastian não sabia o que seria do seu personagem na próxima fase do MCU. Porém, quanto a isso, estava tranquilo. Mantinha contato frequente com seus amigos de elenco que também não sabiam o que seria de seus personagens. Afinal, era sempre assim: a Marvel nunca contava seus próximos planos até achar que era o momento certo.
– Seguinte, Seb, eu tenho uma amiga, a , ela é editora da FANCY e tem um currículo muito foda no mundo da moda. – Sebastian ouvia o amigo com muita atenção. – Não sei se você chegou a conhecer ela. – O homem negou. Fazia alguns meses que já não estava tão presente no mundo da moda e apesar de continuar acompanhando os desfiles, red carpets e tendências, não se lembrava de nenhuma . – Ela ficou responsável por criar uma nova campanha sobre masculinidade tóxica na moda, com o objetivo de disseminar mais informações sobre esse tema. – Sebastian franziu a sobrancelha. Achou a ideia interessante, afinal sabia muito bem o que era masculinidade tóxica. Já presenciou diversas situações chatas e tinha certeza que muitas delas estavam relacionadas com isso e com o machismo enraizado na sociedade. – E ela queria a ajuda de alguém envolvido no mundo da moda, sabe? De um homem, no caso. A estagiária dela, Claire, me mandou uma mensagem ontem. Eu até encaminhei no seu e-mail, depois dá uma olhada, ela explica melhor. – Sebastian voltou sua atenção ao notebook e abriu a mensagem, mas não chegou a ler. – Eu pensei em você na hora, acho que pode ser sua chance de voltar a fazer algo que gosta. Essa campanha tem tudo a ver contigo. Você tem contatos, vai saber como e por onde começar, tem influência para ajudar a como ninguém... E se ajudar também, né? Tudo que você precisa agora é ocupar sua cabeça com algo que gosta. – Sebastian divagou um pouco antes de responder o amigo. Concordava e muito que aquela poderia ser sua chance de voltar a trabalhar, de se ocupar e, principalmente, de estar em contato com algo que gosta. Mesmo que moda não seja sua profissão direta, era uma área que ele adorava. E Sebastian ainda tinha contatos, seria útil para a mulher se tivesse a chance de conseguir o trabalho.
– Eu achei essa ideia incrível. – O ator finalmente respondeu. – Mas será que ela vai querer trabalhar comigo? As pessoas têm medo, é complicado associar a marca com alguém que está sendo processado pela ex-namorada. – Michael suspirou, sabia que Sebastian tinha razão. Da última vez, tentou colocar o ator para divulgar o desfile da Valentino, como ele já tinha feito antes, mas a empresa optou por não aceitar. Apesar de chateado, Sebastian entendia. Qual companhia gostaria de ter sua imagem associada a polêmicas? – Eu topo demais, inclusive, adoraria participar disso. – Michael sorriu. – Só fico receoso…
– Eu entendo seus medos, Seb, por isso vou conversar com ela mais tarde. Conheço a , ela não é injusta e o processo ainda está em andamento, você não foi declarado culpado de nada. – Sebastian concordou, pensando que logo seria provado que ele é de fato inocente. – Vou ser sincero com ela, e te conto o que rolou depois.
O ator concordou. Iria esperar o retorno do amigo para tomar alguma atitude, mas não podia negar que estava empolgado. Diferente das outras vezes, algo lhe dizia que esse contrato iria para frente.
Michael recomendou que Sebastian procurasse sobre no Google para entender melhor quem é a mulher e tudo que ela já fez. Apesar de receoso, o homem resolveu buscar. Tem uma relação de amor e ódio com o site, já que procurar por seu nome é pedir para se chatear.
Os resultados da pesquisa mostraram uma mulher de 27 anos que Sebastian não deixou de notar como era bonita. Viu que as últimas matérias a seu respeito falavam de uma campanha chamada The Ugly Side of Fashion e riu ao ver que ela também tinha alguns processos nas costas. Talvez eles realmente se entendessem, afinal.
Aproveitou para entrar no site da campanha e ver todo o trabalho que tinha feito. Era uma plataforma multimídia, recheada de vídeos, fotos, podcasts e textos sobre os problemas da indústria da moda. Não sabia como poderia descrever o que via sem usar ao menos a palavra incrível. Nunca tinha visto um trabalho tão completo e com tanta gente importante no meio. Naquele momento, desejou ainda mais poder fazer parte da campanha em questão.
Sebastian também parou para ler uma entrevista de que falava sobre sua trajetória no mundo da moda. A mulher se formou em jornalismo na Universidade de Nova York, estagiou durante dois anos no marketing da Victoria's Secret e depois por um ano na Vogue, onde foi efetivada como redatora de conteúdo e permaneceu por mais outro ano. Deixou a Vogue para focar em seu mestrado, que tinha como tema moda e feminismo, e depois de finalizá-lo voltou para a revista, dessa vez como repórter de desfile. Finalmente, aos 26 anos, começou a trabalhar na FANCY, como editora-chefe, que é onde está até hoje. Um puta currículo, pensou. A mulher parece ser muito inteligente.
Sebastian deixou seu computador de lado para ir à terapia. Quinta-feira à noite era sagrado e ele não escondia o quanto gostava de conversar com a Srta. Stewart. Passou a frequentar o local desde que começou a sofrer com as consequências do processo, foi essa decisão que salvou sua saúde mental, pois, do contrário, poderia estar com ainda mais problemas agora.
Já sentado junto à sua terapeuta, Sebastian contou sobre a proposta de Michael. Com uma leve empolgação na voz, o homem insistia em dizer que dessa vez sentia que seria diferente e que ele realmente estava esperançoso. A terapeuta ouvia tudo atentamente, bem contente pelo seu paciente, sabia melhor do que ninguém o que Sebastian havia enfrentado nos últimos meses.
– E essa … Ela parece ser mesmo muito inteligente. – Sebastian dizia. – Eu realmente queria trabalhar nessa campanha, acho que seria bom. – Srta. Stewart sorriu, também queria muito que ele conseguisse o contrato. Sebastian já estava há um tempo sem nenhum trabalho, e isso só não o enlouqueceu porque, conforme o tempo, ele passou a se esforçar muito para lidar com essa situação. Apesar disso, a terapeuta estaria mentindo se dissesse que o ator está 100%. Sebastian ainda enfrenta diversos bloqueios, principalmente em socializar.
Depois que tudo acabou com sua ex-namorada e as polêmicas começaram, o homem passou a desconfiar de todos a sua volta, principalmente de seus amigos e familiares. Antes de começar a terapia, dificilmente se abria, não saia muito de casa e não fazia questão de ver ninguém. Com o tempo, passou a aceitar ajuda, não só da Srta. Stewart, como de seus amigos também, e foi assim que tudo começou a evoluir.
Porém, mesmo com a significativa melhora, Sebastian ainda travava uma batalha quando o assunto era conhecer novas pessoas ou relacionamentos amorosos. O ator não fazia questão nenhuma de esconder que realmente não queria se relacionar sério com alguém novamente, até arriscava dizer que isso nunca mais aconteceria. Apesar desses pontos, a Srta. Stewart tinha muito orgulho da evolução de Sebastian, e fazia questão de lhe mostrar e dizer isso sempre.
A terapeuta caminhou até sua prateleira de livros, puxando um deles e entregando na mão do homem que, a princípio, não entendeu, até ler o nome da obra: "As Leis de ".
– Faz um tempo que ganhei esse livro de presente de um paciente e, olha, confesso que ela é realmente muito inteligente. – A terapeuta dizia, enquanto voltava a se sentar. O livro entregue foi escrito por ninguém mais, ninguém menos, que . Sebastian podia não conhecê-la até Michael falar sobre ela, mas sua terapeuta a conhecia.
– Beleza, ela tem um livro. – O homem respondeu, surpreso. Não tinha prestado atenção nisso quando pesquisou sobre ela. A terapeuta riu da reação e assentiu com a cabeça.
– Pode pegar emprestado, se quiser. Já terminei de ler. – Sebastian aceitaria. Ficou realmente curioso sobre e essa parecia a melhor forma de entender mais sobre ela e seu trabalho. Agradeceu à Srta. Stewart pelo livro pensando que, de fato, a jornalista parecia ser muito interessante.
Sebastian se despediu da mulher e caminhou até seu carro. O único lado negativo da terapia era a distância, que impossibilitava o homem de ir a pé. Porém, naquela altura do campeonato, já nem ligava mais: não trocaria a Srta. Stewart por nada nesse mundo.
Assim que Sebastian entrou no carro, seu celular tocou. Na tela, o nome de Michael brilhava. O amigo tinha enviado uma mensagem e o ator sorriu com a possibilidade de receber boas notícias.

"Conversei com a agora há pouco, Seb. Ela não sabia quem você era quando eu disse seu nome hahahaha mas depois acabou se lembrando por causa da Hugo Boss ;) ela não sabe muito sobre as polêmicas, tá por fora total, então eu acabei nem falando nada porque acho que essa é a deixa. Se você conversar com ela e contar seu lado, você toca no coração. Tenho certeza. Inclusive, se eu fosse você, dava uma passada no escritório dela amanhã mesmo. Vou te mandar o endereço."

Sebastian comemorou internamente enquanto lia a mensagem. Nunca achou que ficaria tão feliz por alguém não conhecê-lo. Por isso, seguiria o conselho do amigo e iria até o escritório da jornalista amanhã. Vou precisar fazer a barba, pensou, antes de dar partida no carro e ir para casa.
Eram dez horas da noite. Sebastian se juntou ao seu cachorro, Elvis, no sofá da sala e ligou a TV. A princípio, pensou em continuar assistindo Brooklyn 99, sua série de conforto, mas seus olhos foram de encontro ao livro de , que estava em cima da mesa. Se iria conversar com a mulher amanhã, que ao menos conhecesse um pouco mais sobre ela.


Capítulo 3 - Who the hell is Sebastian Stan?

Era sexta-feira de manhã. já estava de cabelo em pé porque Fred insistia em deixar tudo na mão da mulher, já que não tinha a capacidade de controlar o que, supostamente, deveria ser a sua equipe. Mês de fevereiro, edição de março: o homem exigiu uma matéria especial com as meninas do Blackpink, que iriam estrear pela primeira vez como capa da FANCY. Segundo ele, já estava fechado com a assessoria do grupo, mas precisavam pensar em como rechear a revista com temas relevantes sobre kpop.
surtou. Fred queria que fosse uma edição especial porque sabia do poder dos fãs de kpop e que a revista iria estourar assim que fosse anunciada. Por isso, exigiu algo diferente, só não disse o que, e jogou toda a responsabilidade de ir atrás disso nas costas dela.
Às dez e meia, organizou uma reunião de pauta com todo o pessoal de conteúdo e de arte para reunir ideias. Fred nem sequer participou. A jornalista, então, sugeriu que o foco da revista não fosse o kpop em si, mas sim o continente asiático. Só que, para a mulher, não faria sentido uma edição sobre o continente sem ter um colaborador asiático sequer. Para a infelicidade de , a redação não era tão diversa, por isso sugeriu que as meninas do Blackpink fossem convidadas a serem editoras da revista e que assinassem como tal. Dessa forma, ninguém tomava o local de fala de ninguém. Respeitar isso era muito importante para .
A equipe adorou a ideia e mais algumas foram surgindo. Iriam apresentar estilistas e profissionais asiáticos do ramo que estavam em ascensão no mundo da moda ou que mereciam atenção, como uma espécie de glossário. Pensaram em uma entrevista multimídia com a grife Private Policy, uma marca nova criada por descendentes asiáticos que já vestiu Kendall Jenner e Bella Hadid e que tem sede em NY. Sugeriram também uma matéria sobre como a Ásia é o maior polo de consumo e de produção de peças de luxo do mundo e também sobre o racismo contra pessoas amarelas.
– Ah, gente, tive uma ideia melhor. Ao invés de chamar as meninas do Blackpink para a editoria, vamos apostar em outros artistas asiáticos. Elas já vão ocupar a capa, podemos dar espaço para mais gente – A equipe concordou com o que a mulher dizia. – De cabeça, penso na Liu Wen, ela nasceu na China. Mais alguém?
– A Lana Condor de Para Todos os Garotos Que Já Amei é ótima, e nasceu no Vietnã – Claire disse e fez comemorar.
– A princípio, entramos em contato com as duas. Claire, você faz isso, por favor? – Claire concordou com o famoso sorriso no rosto. Adorava, mais do que tudo, entrar em contato com os artistas. Se sentia realmente importante. – Pensem em homens asiáticos envolvidos na moda também e me avisem.
finalizou a reunião logo depois de dividir as tarefas. Ainda iria aceitar ideias de novas pautas, pois queria rechear a revista da melhor forma possível. Além disso, estava esperançosa em relação a Liu e Lana, tinha certeza que as mulheres teriam muito a oferecer.
Aproveitou o tempo antes do almoço para organizar a agenda de cada um do time conforme haviam combinado na reunião. Além de editora-chefe, também cuidava da parte de operações, algo que sinceramente odiava. Insistia que Fred contratasse uma pessoa para isso, mas ele achava uma perda de tempo. Claro, não é ele que faz, pensou.
, você está ocupada? – Claire dizia, adentrando a porta da chefe bastante afobada. estava sempre ocupada. Era incrível como não existia nenhuma hipótese de tempo livre para ela. Mas tudo bem, já era sexta-feira.
Naquele momento, olhava para o nome de Sebastian Stan escrito no post-it rosa colado em seu notebook, pensando se deveria ou não procurar o nome do homem no Google. Michael tinha sugerido que a amiga não o fizesse e que entrasse em contato diretamente com ele, para conversarem pessoalmente, mas ela estava realmente tentada a procurar.
– Pra você? Nunca. Pode dizer. – Respondeu, olhando para as roupas da garota e sorrindo. amava de paixão o estilo de Claire, era jovem e alegre, assim como ela. A estagiária sempre usava roupas coloridas, na maioria das vezes fluorescentes e brilhosas, que sempre estavam de acordo com sua maquiagem do dia. considerava a estagiária a própria "Miu Miu Girl'', e sempre que queria presenteá-la, dava algo da marca, ou da Versace.
Hoje, por exemplo, ela usava uma blusa rosa fluorescente com gola alta e manga comprida e um vestido estampado com verde e laranja por cima. Nas pernas, uma meia calça amarela e nos pés saltos baixos, como na maioria das vezes.
– Não é exatamente para mim… – Claire começou, enquanto mordia os lábios. percebeu que a estagiária estava nervosa, só não sabia com o que. – Não posso surtar… Tá. Calma – riu, curiosa, não estava entendendo a reação da menina. Claire tentava respirar fundo para explicar o que estava acontecendo. – Ai, , o Sebastian Stan tá aqui. Eu fiquei tão nervosa que nem consegui perguntar se ele queria um café, só entrei correndo aqui.
– O Sebastian? Aqui? – cerrou os olhos. Não tinha combinado nada com o homem, mas pensou que, provavelmente, Michael aconselhou que ele viesse. Achou bastante irônico, aliás. Há menos de 5 minutos estava travada pensando se deveria ou não "googlar" o seu nome. Talvez esse fosse o momento de conhecê-lo e de decidir se deveria ou não escalá-lo para encabeçar essa campanha com ela. Agradeceu por não ter pesquisado o nome do homem, e mais ainda por ele a ter procurado. – Claire, pede para ele entrar, por favor. Assim que terminarmos aqui, te chamo pra tirar uma foto com ele, pode ser? – Naquele momento, Claire achou que fosse cair. Era muito fã da Marvel e conhecer Sebastian Stan iria valer pelo seu ano inteiro. Não sabia como agradecer sua chefe, mas proferiu um "muito obrigada" eufórico antes de sair da sala para chamar o ator. achou graça porque entendia exatamente como a garota se sentia. Desde que entrou no mundo da moda, teve contato com artistas que jamais imaginou um dia conhecer.
, né? – A mulher tirou os olhos do computador e fitou a porta, onde Sebastian estava. se levantou e caminhou até o homem, que notou ser bem mais alto do que ela. A jornalista também não deixou a beleza de Sebastian passar batida, lembrava dele nas campanhas da Boss e podia garantir que pessoalmente ele conseguia ser ainda mais bonito. Sua postura, a barba milimetricamente perfeita e a roupa bem escolhida chamaram a atenção da mulher, fazendo-a pensar que ele deve ser do tipo que chama atenção por onde passa e não só por ser famoso.
mal sabia que Sebastian só tinha feito a barba para encontrá-la. O homem queria passar uma boa impressão e sempre foi o tipo de cara que se preocupa muito com a aparência. Por isso, inclusive, havia pedido a ajuda de Michael para escolher uma roupa marcante, mas longe de ser exagerada. É apaixonado por jaquetas de couro e tem uma enorme coleção no seu armário. Para encontrar com , não pensou diferente: vestiu uma blusa social preta com a jaqueta por cima, calça e sapatos também pretos. Sabia que all black era sempre a melhor opção e agradecia Michael pela dica.
Sebastian reparou bem na mulher à sua frente. Era observador até demais para não fazer isso e tinha o costume chato de julgar o estilo alheio. Afinal, acredita que a roupa é a primeira impressão que passamos e que diz muito sobre quem somos. Olhou de cima a baixo com todo o respeito e discrição que tinha.
Apesar da temperatura agradável dentro do escritório, estava muito frio em NY. vestia uma saia xadrez bem solta com comprimento um pouco abaixo do joelho. Na parte de cima, uma blusa de manga comprida lilás de tecido grosso, quase que um moletom. Nos pés, botas over the knee na cor marrom, peça pela qual a jornalista é apaixonada. Também usava alguns poucos acessórios de ouro e o cabelo solto. Sebastian sorriu ao observá-la, gostava de mulheres que se vestiam bem e sem dúvida estava muito elegante.
Do outro lado, claro que não deixou de observar o look do homem parado à sua frente. Não podia negar o charme de Sebastian, ainda mais usando preto, estava impecável. A jornalista gostava de homens que deixavam o tradicional terno de lado, e a jaqueta de couro substituiu muito bem.
– Eu mesma. – estendeu sua mão para Sebastian, que a apertou. Ambos sorriram um para o outro. Aquilo estava apenas começando. – É um prazer, Sebastian. Vamos sentar? – O homem concordou e tomou seu lugar na cadeira na frente da mesa de .
– Pode me chamar só de Seb. – Mal sabia ele que a mulher tinha uma dificuldade enorme com apelidos, principalmente de pessoas que mal conhecia. Iria insistir em Sebastian por algum tempo até se sentir íntima o suficiente para partir para o apelido. – Peço desculpa por não ter avisado que estava vindo, espero não estar atrapalhando. – O homem disse, enquanto observava a mulher se sentar também.
– De jeito nenhum, Sebastian. – O ator cerrou os olhos e passou a língua entre os lábios, percebendo que ela não tinha usado o apelido. Estava tão acostumado com pessoas forçando uma amizade precoce que estranhou o fato de não fazer o mesmo. – Eu estava mesmo pensando em te mandar um e-mail, por isso fico feliz que tenha aparecido aqui. Michael falou com você? – O homem concordou com a cabeça.
– Falou, foi ele que sugeriu que eu passasse aqui hoje, inclusive. – já tinha imaginado isso. Conhecia Michael e sabia como ele era ansioso – Achei uma boa ideia, assim posso me apresentar melhor antes que você leia algumas coisas… – Ele disse, mordendo os lábios. Estava receoso com o que deveria ou não falar, não queria estragar algo que nem sequer começou.
– Então agradeça que eu não pesquisei seu nome no Google. – Ela respondeu usando um tom mais divertido. Se fosse para ter uma conversa séria e que envolve processos, que seja da forma mais leve possível. Sebastian ficou mais tranquilo com a resposta bem humorada de . A mulher podia não fazer ideia, mas isso tirou um peso enorme das suas costas.
– Nunca achei que iria comemorar por alguém não me conhecer. – O homem disse, rindo, ao lembrar que ele não só tinha procurado o nome dela, como também estava lendo o seu livro. Porém, achou melhor não comentar, talvez em uma outra hora.
– Michael te disse isso? É mentira! – se mostrou afetada pela fala de Sebastian e ambos riram. – Eu te conheço, sim, da Boss. Só faz tempo que não te vejo, acabei não associando o nome a pessoa.
– Vou sobreviver. – Respondeu, também divertido, enquanto a mulher ainda ria. Sebastian não tinha nem noção de como explicar tudo que estava acontecendo em sua vida para . Pelo pouco que pesquisou sobre ela, percebeu que a mulher tinha tolerância zero com qualquer tipo de discriminação, preconceito e abuso. Claro que com ele não era diferente, condenava qualquer um desses temas, assim como ela, mas o buraco, pelo menos ali, parecia ser bem mais embaixo. Sebastian estava sendo acusado de um crime muito sério, e mesmo sabendo de sua inocência, era a palavra dele contra a de Serena, sua ex-namorada. aparentava ser uma mulher que lutava por direitos, afinal escrevia e ensinava sobre isso. As chances dela acreditar nele, sinceramente, eram bem baixas, mas Sebastian seria sincero. Afinal, essa era uma das suas maiores qualidades. – Então… A minha ex-namorada abriu um processo contra mim alegando que… Que eu a agredi. E isso tomou uma proporção enorme na mídia. – se assustou e muito com a confissão. Achou que o ator fosse falar que estava metido com drogas e foi parar em um centro de reabilitação, ou que estava falido… Mas realmente não esperava isso. Sebastian podia ver na cara de que ela não tinha gostado nem um pouco do que ouviu. – Mas eu realmente não fiz isso. Eu sei que aqui, conversando com você, é a minha palavra contra a dela. A palavra de um homem contra a palavra de uma mulher, e também sei sobre os casos de abuso e agressões que as mulheres sofrem diariamente. Mas eu não fiz isso. Nunca faria. – continuou muda. Não sabia o que dizer e nem se ele esperava que ela dissesse alguma coisa. No entanto, não pôde deixar de observar a suavidade e sensibilidade com a qual Sebastian falava sobre o assunto. Ele parecia tomar muito cuidado com cada palavra que usava. Dava para perceber que o tema o afetava, e muito. – Eu sei que é muito pedir para que você simplesmente acredite em mim, afinal você nem me conhece, mas o processo ainda está em andamento. Eu posso provar que sou inocente, e vou.
passou a mão no cabelo e encostou suas costas na cadeira enquanto pensava o que poderia responder. Agora, mais do que nunca, faz muito sentido o ator ter sumido de todos os holofotes. Provavelmente perdeu contratos, como o da Boss, e agora deveria estar sobrevivendo com economias. não queria ser injusta, mas precisava ser sincera. Trabalhar com Sebastian, caso ele fosse culpado, era simplesmente ignorar tudo pelo que lutava. Ao mesmo tempo, recusar Sebastian era declará-lo culpado sendo que ele nem havia sido condenado.
Na faculdade de jornalismo, aprendeu que não se deve chamar ninguém de agressor até que isso seja provado. A mesma coisa vale para assassinos, ladrões e traficantes. Deveria, sempre, em qualquer hipótese, usar "suspeito", até que a justiça determinasse o que de fato aconteceu.
Mas, sendo do sexo feminino, aprendeu a sempre ficar do lado da mulher. Sabia, com anos de estudo, como era delicado denunciar uma agressão, como isso poderia literalmente acabar com a saúde mental e até mesmo física de uma pessoa.
estava em um fogo cruzado.
– Nossa, Sebastian. – Foi o que conseguiu responder, antes de passar a mão no rosto.
– Eu sei, é demais para digerir. – Ele sorriu sem mostrar os dentes, estava tentando parecer confortável falando sobre aquilo, mas claramente não estava. Nem um pouco. – Você pode pensar, se quiser. Não precisa me dizer nada agora. Eu só te peço que… Sabe… Pense. Por favor. Esse trabalho seria muito importante para mim.
– Você perdeu muitos contratos por causa disso, né? – Sebastian assentiu usando apenas a cabeça.
– Muitos, e pensa em uma pessoa que não conseguia ficar parada, era eu. Saía de um projeto e já entrava de cabeça em outro. Eu gosto de me sentir útil, e eu sei que seria muito útil para você nessa campanha. – Disse, com confiança. Não era mentira. Sebastian tem muitos contatos no mundo da moda, sabe quem procurar e poderia ajudar melhor do que ninguém. Ele falou do lado negativo da sua contratação, mas agora falaria do lado positivo: – Nesses anos que eu estive dentro do mundo da moda, percebi que metade dos homens não tem nem ideia do que é masculinidade tóxica, nem eu tinha, sendo sincero. Fui entender mais quando comecei a questionar algumas coisas que aconteciam e, claro, quando comecei a terapia. – ouvia atentamente. – Já participei de muitas campanhas e até já fui embaixador da Boss, como você sabe, então presenciei coisas bem chatas… Artistas se recusando a usar uma roupa com medo de terem sua sexualidade colocada em dúvida, ou que se recusaram a posar comigo porque já fiz um personagem gay. – franziu o cenho e Sebastian balançou a cabeça. – Já vi estilista se recusar a usar modelo gay porque dizia que sua marca era masculina e que não faria sentido, fora esse negócio de que gostar de moda ou ter um estilo menos masculino automaticamente te torna homossexual. Parece que é algo inconsciente, mas as pessoas realmente acreditam que moda é exclusivamente de mulher.
– É inconsciente. – disse. – É algo tão enraizado na nossa sociedade que a gente nem sequer percebe, e nós reproduzimos esses padrões diariamente. – Sebastian concordou com a cabeça. – Os homens são ensinados desde a infância a não demonstrar fragilidade, fraqueza, serem viris, alfas… Como se fossem deuses gregos. – O ator continuou concordando. – Esse não é e nunca foi meu campo de estudo, mas como você mesmo disse, muitos homens não sabem o que é masculinidade tóxica e não tem nem ideia de como os afeta… Ela é responsável por muitos distúrbios emocionais, pode levar ao suicídio e também motivar alguém a matar outra pessoa. É algo que precisa ser falado, debatido e explicado. – Sebastian parou para pensar o quão problemático tudo isso era e em como gostaria de trabalhar em uma campanha como essa, de tamanha importância. parecia a pessoa certa para falar desse assunto e ele sabia que poderia ajudar.
– Seria incrível participar desse trabalho com você, , realmente acho que todo mundo precisa saber mais sobre isso, inclusive eu. – Sebastian sorriu. – Acho mesmo que conseguiria te ajudar, principalmente porque fiquei muito interessado. – sorriu.
– Você parece ter muito a oferecer, Sebastian. – O ator concordou com a cabeça, rindo de leve por ela realmente não usar seu apelido. – Gostei muito do seu interesse.
– Espero que isso signifique que você vai pensar. – Sebastian afirmou, sorrindo.
– Eu vou. – A mulher também sorriu. – E a gente volta a se falar semana que vem, se não for um problema para você. – Sebastian balançou a cabeça em negação.
– De jeito nenhum. – Ambos sorriram. Tinham iniciado algo ali, mas não faziam a menor ideia.
– E eu nem te ofereci um café, que falta de educação. – Sebastian riu com vontade. Tinha o costume de jogar a cabeça para trás e arrumar o cabelo que caia no rosto toda vez que dava risada. achou uma graça e sorriu com a cena, agradecendo por ele levar na brincadeira e não pensar que ela fosse mal educada, algo que nem sequer passou pela cabeça do ator. – Você ainda aceita? – Sebastian negou, sem deixar de sorrir.
– Fica para a próxima. – Disse, na esperança de realmente ter uma próxima vez. percebeu que ele estava torcendo para isso.
– Combinado. – A mulher apertou a mão do homem enquanto ambos sorriam um para o outro. chamou Claire pelo telefone e Sebastian aproveitou para observá-la. A mulher tinha uma pinta de mandona, mas ao mesmo tempo parecia ser super tranquila. Talvez seja um pouco dos dois, pensou, e naquele momento desejou poder conhecê-la um pouco mais. Seus pensamentos foram interrompidos pela estagiária de que apareceu na porta. – Essa é a minha melhor funcionária, a Claire, e ela é muito sua fã. – fez questão de enfatizar o "muito" na frase. – Será que rola uma foto? – Finalizou, divertida, enquanto Claire ficava vermelha de vergonha.
– Oi! – Sebastian disse, animado, enquanto olhava Claire. – Claro! Tudo bem com você, Claire? – A estagiária respondeu o mais baixo possível e era muito visível que a garota estava morrendo de vergonha. achou graça da cena, e fofo o jeito como ambos estavam lidando com a situação. Sebastian parecia ser um homem muito educado.
– Eu tiro a foto, dá seu celular aqui. – disse, pegando o aparelho de Claire que, a essa altura, abraçava Sebastian enquanto posavam juntos para a foto. devolveu o celular para a estagiária, que agradeceu a ambos os presentes na sala. Sebastian piscou para a garota. – Aproveita e leva ele até a porta, Claire, assim vocês se conhecem melhor. – A garota fitou , envergonhada. A mulher tentou tranquilizar a estagiária com o olhar.
– Vamos lá. – Sebastian chamou, olhando pela última vez. – Até mais – A mulher apenas sorriu e acenou com a mão. Agora, tinha uma decisão bem difícil em suas mãos e precisaria de ajuda. Afinal, não queria ser precipitada e muito menos prejudicar a campanha ou sua carreira.
Claire e Sebastian caminharam juntos até a porta do escritório e a estagiária aproveitou para dizer que era muito fã do Chris Evans. Sebastian, então, prometeu que conseguiria um vídeo do ator mandando um beijo para ela. Antes de ir embora, Claire pediu outro abraço para o homem, que deu, se mostrando ser muito simpático. A estagiária por pouco não chegou aos berros no escritório da chefe. Sabia que, com , poderia comemorar o quanto quisesse, mas com outras pessoas do ambiente profissional poderia pegar mal.
, você é a melhor chefe do mundo e eu nunca vou cansar de dizer isso. – Claire confessou ao entrar na sala da mulher. Estava em êxtase. – Sério, eu sou fã da Marvel há muito tempo e ver o Sebastian tão de perto valeu pela minha vida inteira. – riu. – Ele é tão bonito e educado, me deu dois abraços.
– Também achei, viu. – confessou sem olhar Claire, estava conferindo alguns papéis. – E bem estiloso. – Algo dentro da cabeça da jornalista pareceu acender quando ela percebeu o que a estagiária tinha falado. – Pera, ele está nesses filmes da Marvel? – Claire olhou a mulher com uma careta, bastante indignada com a pergunta. – Eu acho que só assisti ao primeiro Capitão América.
– Ele está exatamente nesse filme. – Claire respondeu, surpreendendo a chefe. – É o melhor amigo do Capitão América, , depois ele volta como Soldado Invernal. – A estagiária explicou e apertou os olhos. A ficha estava caindo.
– É esse que tem um braço de metal? – Claire ainda continuava indignada, mas agora ria da cara que a chefe fazia. A estagiária assentiu, confirmando o que tinha perguntado. – Puts, Claire, meu irmão é louco por ele. – disse, enquanto ria de sua própria gafe e passava a mão pelo rosto. A mulher soltou um grunhido. – Eu nunca ia me tocar, ele é muito diferente pessoalmente. Nem cheguei a ver o filme, mas meu irmão tem uma coleção de bonecos e posters desse personagem no quarto, fora o braço de metal que meu pai deu para ele de aniversário ano passado. – Claire riu, imaginando o quarto do garoto lotado de coisas sobre o Soldado Invernal. Apesar do seu preferido ser o Capitão América, ainda amava o personagem de Sebastian e entendia muito bem a paixão de Artur, irmão de .
– Agora você tem a obrigação de fechar com ele para a campanha. – parou para refletir sobre a afirmação da estagiária. Talvez Claire pudesse ajudá-la nessa decisão.
– Aproveita e me diz uma coisa, o que você acha de toda essa polêmica que ele está envolvido?
– Da ex-namorada dele? Olha, no fandom ninguém nunca foi com a cara dela. Acham que ela usou o Sebastian para conseguir fama, ele estava no auge quando o namoro começou. – riu baixo.
– E quando que fã vai com a cara de namorada do ídolo, Claire? Até então isso é só teoria, preciso que seja mais imparcial. – Claire riu também, concordando.
– Primeiro que a Serena nem boa atriz é… – levantou os olhos para Claire. – Ok, desculpa. Vou deixar meu lado fã fora disso. – A chefe sorriu, achando graça, enquanto agradecia. – Ela chegou a ser cancelada no Twitter por blackface e apropriação cultural.
– Wow. Que? – Claire balançou a cabeça positivamente.
– Sim, é bem sério. Posso reunir as notícias para você ler.
– Por favor, e isso tudo rolou depois deles namorarem?
– Durante. – arregalou os olhos. – A gente acha que foi um dos motivos do término, mas sem certezas. – A mulher suspirou pensando se aquela história poderia ficar ainda mais podre. – Falando como alguém que acompanhou todo o bafafá, , eu acredito sim na inocência do Sebastian. Ele já namorou outras vezes, inclusive com a Leighton Meester, e isso nunca aconteceu antes. Sei que não é uma boa desculpa, mas boatos que nem provas concretas sobre o que aconteceu a Serena tem.
– Ele namorou a Leighton? – perguntou, com uma careta no rosto e Claire confirmou.
– Na época de Gossip Girl, senão me engano.
– Hã? – franziu o cenho e Claire arqueou as sobrancelhas.
- O Sebastian fez o Carter Baizen em Gossip Girl, . – A ficha da jornalista caiu e ela abriu a boca, em choque.
– Fez? – , quando mais nova, era uma das maiores fãs da série. Maratonou mais de 3 vezes e sempre se inspirou nos looks da personagem da Blake Lively para montar os seus, inclusive nos dias de hoje. Estava chocada. – Eu não lembrava disso. – A mulher levou a mão à boca e riu da sua própria gafe junto da estagiária.
Assim como Michael, Claire também acreditava na inocência de Sebastian e estava realmente tentada a lhe dar o benefício da dúvida. Gostou da confiança de Sebastian, dava para ver pelo jeito que o homem fala que ele curte o mundo da moda e tem conhecimento e interesse sobre o tema. Fora isso, o processo ainda está sendo investigado, e ela odiaria tirar conclusões precipitadas sem que tudo fosse devidamente finalizado. Afinal, é uma jornalista.
Já ao fim do dia, não se conteve e resolveu pesquisar pelo menos os filmes que Sebastian já havia estrelado. Assim que os resultados apareceram, a mulher arregalou os olhos ao ver que o homem estava em obras como Perdido em Marte e Cisne Negro, algo que nunca tinha notado, apesar de já ter assistido a ambos os filmes. Talvez eu tenha dormido em uma cena ou outra, pensou, e notou que suas participações de grande destaque realmente eram nos filmes da Marvel.
– E não é que ele fez mesmo o Carter? – A jornalista disse para si mesma, antes de fechar o notebook e deixar o escritório da FANCY.


Capítulo 4 - Querem Acabar Comigo


Era domingo à noite. Sebastian passou o fim de semana com Anthony e Chris, seus melhores amigos. Os três ficaram no apartamento de Sebastian bebendo, conversando e jogando vídeo game, os dois mais do que Seb, claro, que não era e nunca foi muito fã de jogos de basquete e futebol.
Sebastian não conseguiu esconder dos amigos a ansiedade que estava em relação a campanha da FANCY. Contou sobre o tema, sobre a revista e sobre , que foi a parte que mais chamou atenção dos outros dois homens. Falaram sobre a beleza da mulher e que Sebastian deveria aproveitar isso para investir em um novo romance – ideia a qual o homem detestou. Nunca negaria que é bonita e atraente, mas tinha pavor de pensar em relacionamentos por agora. Afinal, passou por algo inimaginável com Serena que mexeu com sua saúde mental e o fez adquirir um enorme receio de se envolver com quem quer que fosse. Sebastian realmente preferia ficar na dele, principalmente se isso significasse ficar longe de novos problemas.
Seus amigos, apesar das brincadeiras, sabiam muito bem disso.
Além do mais, Sebastian estava totalmente interessado na campanha e no trabalho. Passou quase todo o fim de semana falando sobre isso com os amigos, que ficaram felizes de ver o ator tão empolgado, mesmo não entendendo muito sobre o assunto.
Sebastian, inclusive, não esqueceu o vídeo de Claire. Tinha esperança de que voltaria a ver a garota e pediu que o amigo gravasse uma mensagem especial, o que ele fez com a maior boa vontade. Chris, dos três, era o que mais sabia lidar com os fãs. Tinha um cuidado e uma delicadeza enorme na hora de falar com qualquer um deles, era bonito de ver. Anthony e Sebastian adoravam isso.
Era tarde da noite e os outros dois homens já se preparavam para ir embora do apartamento de Sebastian. Chris voltaria para Boston, cidade que está morando desde o fim das filmagens da Marvel, e Anthony, que morava próximo de Sebastian, iria para casa.
Enquanto Chris terminava de se arrumar e Sebastian preparava seu cachorro para dar uma volta, Anthony mexia no celular. Já estava pronto, só a espera dos amigos.
– Vocês sabiam que jornalistas não podem noticiar suicídio? – Anthony comentou, enquanto lia algo no celular. Chris e Sebastian olharam um para o outro, com uma certa curiosidade no olhar, se questionando porque Anthony estava lendo algo assim. – A Netflix anunciou um documentário sobre isso. Eu não fazia ideia.
– Por que você está lendo isso? – Chris perguntou, curioso.
– Sei lá, às vezes eu entro no Twitter, e isso tá nos assuntos do momento. – Anthony se defendeu, dando de ombros e fazendo os amigos rirem. – Mas é sério, achei interessante, escuta: "A Netflix lançou, nesta sexta-feira, um novo documentário sobre como a mídia trata ou deveria tratar o suícidio. Usando casos famosos como de Cory Monteith, Chester Bennington, Alexander McQueen e Joseph Finnegan, a obra aborda o papel dos veículos de comunicação na prevenção ao suícidio e se a escolha de não noticiar seria ou não eficaz".
– Nossa, eu fiquei abalado com o suícidio do Chester. – Chris comentou, enquanto se sentava ao lado de Anthony para poder ler mais da matéria. – Linkin Park marcou minha adolescência.
– O caso do Joseph me pegou também, viu… Conhecia o cara, era um grande ator. – Sebastian entrou no assunto. Estava com seu cachorro no colo. – Ele até chegou a fazer teste para o Bucky, mas eu acabei conseguindo. Depois disso nunca mais ouvi falar dele, fiquei mexido quando soube como ele faleceu…
– Deus que me perdoe, mas não existe Bucky sem Sebastian. É sério. Que bom que o papel é seu. – Anthony respondeu, sincero, e arrancou um sorriso do amigo.
– Mas eu não sabia que a mídia não pode noticiar suícidio, sempre vejo notícias sobre isso. – Sebastian rebateu, confuso. Chris concordou com ele.
– Não é que não podem, é que algumas escolhem não falar, principalmente as emissoras de TV. Bom, é o que diz aqui, mas você pode perguntar para a sua nova amiga jornalista, ela com certeza sabe responder. – Chris voltou a rir, enquanto se jogava no ombro de Anthony, que gargalhou também. O loiro tinha a mania de encostar nas pessoas quando achava algo muito engraçado. Sebastian, inclusive, adorava imitar esse jeito do amigo.
– Ou só pesquisar no Google, né? É o tipo de coisa fácil de achar. – Respondeu, enquanto revirava os olhos. – Vai, Anthony, vamos. Preciso passear com o Elvis. – Sebastian apressou os amigos e logo os três deixaram o apartamento. Chris ainda precisava pegar um voo para Boston, enquanto Anthony iria andando para casa. Sebastian resolveu acompanhar o amigo junto de seu cachorro.
Os três homens ficaram inseparáveis desde que começaram a trabalhar juntos na Marvel. Tanto nos filmes, como na vida real, eram melhores amigos. Anthony e Sebastian se viam com mais frequência, já que moravam perto, mas Chris sempre fazia questão de visitar os amigos quando podia.
– E a Serena? – Anthony perguntou enquanto andava ao lado de Sebastian, que fez uma careta. Não queria falar sobre aquilo, mas sabia que o amigo se preocupava. Até o momento, não havia nenhuma novidade sobre o processo. A audiência seria marcada e até lá Sebastian tinha que se manter longe da mulher, respeitando a medida protetiva. Isso não era muito difícil de fazer, afinal, o que ele mais queria era ficar longe de problemas e, consequentemente, de Serena.
– Ah, cara, nunca mais falei com ela… Nem posso, né. – Ele riu forçado. Não queria mesmo que as coisas fossem assim, mas não tinha outra alternativa a não ser lutar pela sua inocência. – É horrível essa situação, você sabe. – Anthony realmente sabia. Estava do lado do amigo desde sempre, dividindo suas dores e dando todo o apoio possível.
– É mesmo, e não suporto te ver passando por isso. Mas você está bem, Seb, tá lidando bem. – Sebastian concordou, mas isso não fazia com que as coisas ficassem mais fáceis. Queria que Serena desistisse, mas sabia que dificilmente isso iria acontecer. – E agora, com essa campanha, acho que as coisas vão melhorar pra você. É bom te ver tão empolgado. – Sebastian sorriu. Realmente estava feliz e esperançoso, queria que as coisas dessem certo.
– Valeu, cara. Mesmo. – Os dois homens sorriram e se abraçaram, antes de Anthony entrar em seu prédio. Sebastian esperou que o amigo finalmente adentrasse para ir embora, enquanto pensava como era grato por tê-lo em sua vida.
Quando Serena resolveu expor toda essa história na internet, Anthony e Chris foram as primeiras pessoas a procurar Sebastian para entender o que estava acontecendo. Por muitas vezes, inclusive, o acolheram e o ouviram chorar. No começo, foi muito complicado, mas agora Sebastian já se sentia mais preparado para lidar com tudo que estava acontecendo. Junto de seu cachorro, ele voltou para casa. Estava ansioso para as novidades que a semana traria.
Assim que chegou em seu apartamento, seu celular começou a tocar. Na tela, o nome de sua agente, Hilary. Sebastian atendeu o aparelho e a voz empolgada da mulher chamou sua atenção.
– Bom, agora que já está tudo certo, eu posso te contar. – Ela dizia. – A equipe da Boss te convidou para o desfile de outono/inverno desse ano. – Sebastian arregalou os olhos. Não imaginava, nem por um momento, ouvir isso. Apesar de ter encerrado o contrato com a grife por conta própria, nunca passou pela sua cabeça que ainda seria convidado para qualquer evento deles. – Boatos que esse vai ser o último desfile da marca na Semana de Moda de Nova York, então talvez eles queiram fechar com chave de ouro, sabe? Convidaram muita gente, vai ter after party… Um espetáculo.
– Nossa, Hilary, não esperava. – Ele disse, abrindo a porta de casa com o maior sorriso do mundo no rosto. – Será que eu devo ir? – A mulher revirou os olhos no outro lado da linha, mesmo sabendo que o homem não poderia ver.
– Claro que você deve. – Afirmou, convicta, fazendo Sebastian rir. – Seb, entenda: você ainda não é culpado de nada, e nem vai ser. – O homem sorriu ainda mais, pensando em como estava feliz de frequentar outro evento de moda novamente. – O desfile vai acontecer daqui duas semanas. Vou te passar todos os detalhes por e-mail e entrar em contato com o Michael. – Sebastian concordou, enquanto se jogava no sofá. Isso seria ótimo para ajudar na campanha de , pensou. Se ele chegar a participar, é claro. – A gente vai se falando, tá?
– Beleza. – Ele disse. – E Hilary?
– O que?
– Obrigado.

***

O fim de semana de havia sido ótimo. A jornalista passou o sábado fazendo compras na Madison Avenue junto de Daniel, como combinado, e ambos aproveitaram para gastar o que podiam naquela tarde.
comprou algumas peças da nova coleção da Maje e teve que segurar o impulso para não levar a loja inteira. Inclusive, acabou evitando passar na Hermés, porque não queria deixar o consumismo lhe controlar ainda mais.
Dan também segurou a vontade de levar todos os relógios da Bulgari e saiu de lá com apenas um, que assim como os outros, nunca usaria, pois gostava de mantê-los guardados. e todos no escritório achavam isso um absurdo, mas Dan ignorava as reclamações. Aquela era sua coleção e ele podia usá-la da forma que quisesse.
A jornalista estava esperando o momento certo para desabafar com Dan sobre Sebastian. A verdade é que ela não sabia o que fazer. Ainda precisaria analisar os outros artistas que havia selecionado, como Billy Porter e Ben Barnes, mas não podia mentir: gostou do interesse de Sebastian pelo tema e pela campanha em si. Seria bom trabalhar com alguém empolgado como ele.
Mas, ao mesmo tempo, não podia ignorar as questões jurídicas pelas quais o homem estava passando. Queria ouvir o amigo e saber o que ele achava da ideia antes de tomar qualquer decisão, apesar de já suspeitar qual seria a posição de Daniel. Afinal, o amigo sempre foi muito regrado, principalmente por ser filho do dono da empresa. Por isso, tinha certeza que ele pensaria na reputação da FANCY acima de qualquer coisa, e não tirava a razão dele.
A mulher, então, resolveu contar enquanto tomavam um café no Starbucks. Explicou sobre a conversa com Sebastian, disse que também falou com Claire e Michael e que ambos acreditavam na inocência do ator. Enquanto isso, o amigo parecia bastante incomodado, principalmente com a empolgação da mulher falando sobre o homem.
Dan era o braço direito de e às vezes até o esquerdo, mas sabia que, nesse caso em específico, não poderia abraçar o entusiasmo da amiga.
, você sabe que sempre tô contigo, mas não consigo apoiar a ideia de contratar o Sebastian. – Dan respondeu, enquanto murchava na cadeira. – Sei que ele é bem ligado ao mundo da moda, e achei legal ele saber do assunto, mas conseguimos alguém melhor e com a ficha limpa. – Ele sorriu e a mulher desviou os olhos. Claro que sabia que conseguiriam outra pessoa, mas aquilo a chateava. conseguia se colocar no lugar de Sebastian, afinal, também iria enlouquecer se ficasse tempo demais sem trabalhar e, mais que isso, se fosse acusada de algo injustamente. Ainda que existisse 50% de chance dele ser culpado, também existia 50% de ser inocente. E, poxa, ele estava tão interessado.
Dan ficou bastante surpreso com o que a amiga contou. Nunca passou pela sua cabeça que ela pensaria em contratar alguém como Sebastian Stan. O homem, inclusive, ficou muito incomodado ao ver falando do ator com tamanho entusiasmo. Até chegou a se perguntar se a amiga não teria, talvez, uma queda por ele, pensamento que odiou cogitar. Não que conhecesse Sebastian, muito pelo contrário, nunca chegou nem perto de vê-lo pessoalmente, mas odiaria ter qualquer tipo de relação com ele, e também não queria que tivesse.
Era um risco enorme se envolver com Sebastian e Dan sabia. Naquele momento, torceu para que a amiga percebesse isso e abandonasse a ideia dessa contratação. Caso contrário, precisaria fazer alguma coisa.
A conversa sobre Sebastian não se estendeu muito. não queria mais conversar sobre o assunto com o amigo porque sabia das preocupações que ele tinha com a FANCY e que os dois tinham um jeito muito diferente de pensar. Não achava que Dan estava errado, muito pelo contrário, mas também não podia mentir: ela gostaria de trabalhar com Sebastian.
Dan e terminaram o sábado comendo pizza na casa da jornalista e assistindo ao novo documentário da Netflix, chamado "Devemos falar sobre isso?", que aborda a escolha de grandes veículos de comunicação em não noticiar suicídios. O filme atraiu o interesse de por falar sobre Alexander McQueen, um de seus estilistas preferidos, e Cory Monteith, ator que a jornalista acompanhava na época de Glee. Além dessas duas personalidades, o cantor Chester Bennington e o ator Joseph Finnegan também eram citados.
adorou o documentário, assim como Dan, que sentiu falta de assistir mais sobre a família do estilista. Diferente de como foi feito com Cory e Chester Bennington, as famílias de Alexander e Joseph foram pouco citadas.
– Deve ser porque a mãe do McQueen morreu também, sei lá… É um assunto muito delicado para as famílias. – A mulher dizia, enquanto levava Dan até o hall do prédio. Já era tarde da noite e o homem estava indo para casa. até sugeriu que o amigo dormisse em seu apartamento, mas ele recusou porque sua irmã, Denise, chegaria em NY no dia seguinte e ele prometeu buscá-la no aeroporto. – Será que sua irmã vai até a empresa nesta semana?
– Não sei, , ela ainda não me disse nada. – não gostava muito de Denise. As duas já haviam se encontrado em eventos da FANCY e em alguns desfiles de moda, mas dificilmente se falavam. a achava mimada, enquanto Denise achava a jornalista arrogante. – Relaxa, tá? Provavelmente ela nem vai aparecer muito na FANCY, não esqueça que ela tem cinco revistas para cuidar.
– E a FANCY é a que mais gera receita, né? Eu tenho certeza que ela vai querer se meter em tudo. – Dan deu risada e apertou o rosto da mulher entre seu indicador e polegar.
– Vou pedir pra ela respeitar nosso espaço. – O homem deixou um beijo na testa de , que sorriu. – Posso fazer mais alguma coisa por você? – O homem disse, ironicamente, e a mulher sorriu.
– Pensar melhor sobre o Sebastian? – Dan revirou os olhos e se afastou de , enquanto ela tentava voltar a se aproximar dele. – Eu tô brincando, Dan, relaxa. – O amigo conhecia a mulher o suficiente para saber que tinha verdade naquela frase, e era exatamente isso que o incomodava.
Daniel não queria que trabalhasse com Sebastian.
, você sabe que eu posso fazer essa campanha com você. – A mulher sabia que sim, mas ela queria que a campanha fosse além do ambiente FANCY, e envolver alguma celebridade na pauta era a melhor forma disso acontecer. Seria importante para dar mais relevância ao tema. Dan suspirou. – Podemos falar disso depois? Pleno domingo, a semana nem começou, e a gente já está brigando por trabalho. Odeio isso.
– Não é uma briga, Dan. – tocou o ombro do amigo e ele sorriu, concordando com a cabeça. – Vai com cuidado e me avise quando chegar.
Dan deixou um beijo na bochecha de e foi em direção ao seu carro. O homem queria que a amiga se contentasse em fazer a campanha com ele, mas conhecia e sabia que isso não iria acontecer. Pensou, portanto, que se fosse para contratar mesmo alguém, que pelo menos ele pudesse escolher.

***

Era terça-feira. A semana tinha começado muito bem para a FANCY. Liu e Lana toparam fazer parte da edição de fevereiro e a primeira reunião seria na quarta-feira. Tudo iria dar certo. sabia.
Apesar de estar aliviada por ver a edição de março dando certo, ainda estava aflita com as questões da campanha. Chegou a mandar e-mail para a assessoria de Billy Porter, que respondeu informando que o homem estava completamente sem tempo para encabeçar um projeto desse tamanho, pois além de estar ocupado com as gravações da série Pose, também havia sido escalado para o novo filme da Cinderella.
Ben Barnes, infelizmente, também estava fora de questão. Segundo sua assessoria, não era um assunto pelo qual o ator tinha muito conhecimento. Por isso, preferia não se envolver.
recebeu um novo e-mail em sua caixa de entrada enquanto terminava de analisar os outros nomes que tinha em sua lista. A mensagem era de Claire, com o compilado de notícias e threads do Twitter sobre as polêmicas de Sebastian e Serena, conforme havia pedido. A jornalista sorriu, satisfeita em ver como a estagiária era competente.
As notícias sobre o processo de Sebastian eram rasas já que, segundo o The Sun, algumas evidências estavam sob sigilo judicial. O jornal ainda afirma que se Sebastian for condenado, deverá pagar uma indenização de cerca de 100 mil dólares para a ex-namorada.
Outras notícias mostravam que há um vídeo em posse dos advogados de Serena que garante comprovar todas as acusações da atriz, mas que não será divulgado à imprensa, e sim apresentado ao juiz no dia da audiência. Já a defesa de Sebastian deu somente uma declaração sobre o caso, falando justamente desse tal vídeo, e garantindo que "a única prova que a acusação tem é um vídeo editado que não prova que Sebastian tenha feito o que está sendo acusado".
Além disso, Claire também mandou um compilado de Tweets que falavam sobre as acusações de apropriação cultural e blackface por parte de Serena. mordeu os lábios enquanto lia o conteúdo do link. As fotos falavam por si só: Serena realmente pintou sua pele de uma cor mais escura para uma festa a fantasia, além de também ter vestido uma roupa muito importante para a cultura asiática como se fosse… Nada.
A jornalista passou a mão pelo rosto. Os Tweets também diziam que a mulher não chegou a se desculpar conforme as críticas apareceram, apenas limitou suas redes sociais e bloqueou diversas pessoas.
sabe como esse assunto é delicado e também que, às vezes, a pessoa realmente não tem conhecimento. Mas a situação fica complicada quando, ao invés de aprender com o próprio erro, ela prefere passar por cima e fingir que nada aconteceu, como Serena fez.
Ao fim dos Tweets, era informado que também foi cobrado um posicionamento de Sebastian em relação às atitudes da namorada na época, mas que, assim como Serena, o homem nada fez ou falou.
Nesse momento, suspirou e teve ainda mais certeza da importância da edição de março da FANCY. Faria questão de entregar uma edição na casa do ator – e quem sabe na casa de Serena também?
– Sebastian Stan? Sério? – Fred dizia, enquanto entrava na sala de . A mulher levantou os olhos para o chefe, assustada. Afinal, ainda não tinha comentado nada desse assunto com ele. – Você está brincando comigo? – Disse, enquanto a olhava.
– Calma lá, Fred. Abaixa o tom. – Respondeu, olhando firmemente para o homem. Não aceitava qualquer tipo de desrespeito, ainda mais no ambiente de trabalho. O homem se recompôs, ajeitando a postura que antes estava totalmente agressiva. – A gente só conversou, eu não tenho nada confirmado. Estou procurando outras pessoas. – Fred soltou uma risada nasalada. quis morrer pensando na hipótese de Dan ter dado com a língua nos dentes antes de permitir que ela mesma falasse com o chefe.
– Pera aí, é sério mesmo? Você está cogitando trabalhar com ele? – se surpreendeu com a reação do chefe e não teve tempo de responder. – Você já viu pelo que ele está sendo investigado? – Falou, voltando com a postura agressiva.
– Sim, eu já vi. – Fred riu. Muito. Claramente debochando da funcionária. – Fala sério, Frederick. – Respondeu, séria, desacreditando da postura imatura de seu chefe.
– Estou falando muito sério, . Me surpreende você, que se diz tão ligada nos feminismos, cogitar contratar esse cara. – se ofendeu e ficou muito chocada com a fala do homem. Frederick não poderia desmerecer o que batalhou durante toda a sua vida por essa situação. O comentário havia sido desnecessário. – Não consigo acreditar nisso.
– Então somos dois. – disse, enquanto se levantava. O homem percebeu que tinha ido longe demais nas palavras e na mesma hora se arrependeu. – Que bom que meus feminismos não me impedem de te mandar sair da minha sala. – Respondeu, irônica – Então, por favor, saia. – apontou para a porta. O homem realmente pensou em rebater, mas sabia que tinha exagerado. Não deveria ter falado o que falou e muito menos da forma como fez. Respirou fundo antes de se virar para deixar a sala. sentou, passando a mão pelo rosto.
– Olha, , eu realmente acho isso um tiro no pé. – Fred disse, se virando para a mulher, que evitou olhá-lo. – Digo isso pensando mais em você do que na FANCY. – Continuou, enquanto apoiava a mão no encosto da cadeira à frente da mesa de . – Mas eu confio no seu trabalho. Mais que isso, confio em você. Você é minha melhor funcionária e eu vou respeitar a decisão que tomar mesmo não concordando, só espero que você pense muito bem antes de decidir qualquer coisa. – A sementinha tinha sido plantada na cabeça de . A mulher já não tinha certeza de nada. Mesmo que Fred estivesse lhe dando o poder de escolha, ela sabia que era um jogo mental. Contrate-o e acabe com a sua carreira, , vá em frente.
– Fred. Pode sair? Por favor? – Pediu, pausadamente e com toda a educação que conseguia ter no momento. Sinceramente, estava com ódio do chefe. Nunca o tinha visto assim, sendo tão baixo e desrespeitoso. até entendia que ele estava pensando na reputação da FANCY e na dela, mas isso não era motivo para elevar o tom e muito mesmo ser grosseiro e agressivo.
A jornalista estava com raiva, queria gritar para aliviar um pouco desse sentimento que sentia, mas não podia. Afinal, estava trabalhando, e precisava manter o pouco da classe que ainda tinha.
No momento, pensava em acabar com a raça de Dan por ter jogado sujo pelas suas costas. Sabia que o homem priorizava o que era melhor para a empresa, mas ir até o chefe antes mesmo que ela tivesse a chance foi golpe baixo. Eles eram amigos e ela confiou uma informação a ele fora do ambiente de trabalho.
Daniel não foi nem um pouco justo com ela.

***

Era quarta-feira. deveria mediar a reunião com Liu Wen e Lana Condor, que aconteceria às dez e meia da manhã. Claire participaria, assim como Daniel.
Enquanto aguardava o horário, a estagiária se mostrava muito ansiosa para conhecer Lana. Assistiu ao filme da atriz mais de 5 vezes e era apaixonada por toda a trama de Lara Jean e Peter Kavinsky. Chegou até a comprar o livro.
Claire estava sentada em sua mesa, que ficava bem de frente para a sala de , quando avistou uma mulher loira, alta e muito bonita adentrar o cômodo. Na hora, a reconheceu. Era Serena. Sim, a ex-namorada de Sebastian. O coração da estagiária até bateu mais forte enquanto se perguntava o que raios aquela mulher fazia ali.
Atendeu a moça como fazia com todos que desejavam falar com . Sabia que a chefe ficaria ocupada durante todo o dia, afinal estava com 3 reuniões agendadas, mas tinha certeza que iria querer saber o que Serena fazia ali tanto quanto ela queria.
– A ex-namorada do Sebastian? Aqui? – respondeu enquanto arregalava os olhos para a estagiária. – Esse escritório virou um reality show? Não é possível. Enfim, né, deixa entrar. – Naquele momento, eram dez e quinze da manhã. Em alguns minutos, deveria mediar a reunião com as duas convidadas especiais da edição de fevereiro, mas sabia que aquele encontro com Serena poderia atrasar as coisas. – E pede para o Dan começar a reunião sem mim, por favor. E você acompanhe ele, conforme o que conversamos, tá? Tudo bem por você? – Claire ficou assustada, mas não podia deixar a chefe na mão, ainda mais naquele momento, além de também estar doida para saber o motivo da visita de Serena.
Na hora que a loira entrou na sala, não deixou de notar como a moça era bonita. Seu cabelo por pouco não batia na bunda e era de uma coloração linda, parecia realmente ter sido queimado pelo sol. Inclusive, tinha adorado o chapéu preto que ela usava.
A jornalista também observou a roupa que Serena vestia, suspeitando que as peças eram da última coleção da Celine. Ela é a cara da marca, pensou. Serena usava um vestido longo, marrom estampado, com um cinto marcando a cintura e um sobretudo preto por cima. Nos pés, uma bota marrom. A loira se vestia muito bem.
Serena também observou e não pôde negar como ela era elegante. A jornalista estava toda de preto. Também usava um vestido estampado, mas diferente de Serena, com símbolos um pouco mais discretos. Não era muito fã de estampas, preferia as roupas lisas ou, no máximo, em xadrez. Na parte de cima, uma blusa de couro fechada até um pouco abaixo do pescoço e um cinto do mesmo tecido na cintura. Nos pés, como sempre, botas, dessa vez na cor preta.
A jornalista recebeu a loira na porta com um sorriso e a convidou para se sentar. Serena retirou o chapéu e arrumou os cabelos, enquanto se acomodava na cadeira à frente da mesa. também se sentou.
– Confesso que estou me perguntando o motivo da visita. – A jornalista comentou, tentando não parecer grossa. Não tinha mentido. Em sua cabeça não havia motivo nenhum para Serena estar ali.
– Nem eu sei o que vim fazer aqui. – Confessou. A loira também não estava mentindo. Se sentia bastante deslocada e intimidada por estar ali, mas precisava tomar uma atitude, antes que as coisas ficassem piores. – Eu soube que você e o meu ex-namorado, o Sebastian, estão conversando... – Começou. entortou a cabeça.
– Não do jeito que você está pensando. – Respondeu, de prontidão. Só falta ela ter vindo até o meu ambiente de trabalho brigar comigo, pensou. Mas não parecia isso. Na verdade, estava longe de parecer isso.
– Eu sei. Desculpa, acho que comecei errado. – se manteve calada, queria saber, e logo, o que estava acontecendo ali. – Eu vim te pedir para não trabalhar com ele… Porque… Ele não… Merece isso. – A loira começou a se enrolar e uniu as sobrancelhas, enquanto Serena suspirava e apertava os olhos. A atriz gesticulava muito com as mãos e sabia que aquilo era sinal de nervosismo, porque sofria do mesmo problema.
– Serena, você quer uma água? – ofereceu, gentilmente. A loira negou com a cabeça.
– Não precisa, obrigada. Só é muito difícil tudo isso. – continuou fitando Serena, sem saber que reação deveria ter. – Enfim, eu não sei o que ele te disse, mas é melhor para todos nós se você ficar longe dele. – Falou, dessa vez com mais firmeza na voz. – Por favor.
– Todos nós? – Indagou, confusa. – Todos nós quem? – Serena desviou o olhar da jornalista e franziu a sobrancelha, achando toda essa situação extremamente estranha. Serena não parecia estar ali por vontade própria e se mostrava totalmente desconfortável, sem nem ao menos saber o que falar. suspirou baixo, isso é demais até mesmo para ela. Não trabalhava com a polícia e nada perto disso para saber como lidar com uma situação dessas. Só queria seguir com sua campanha, com ou sem o ator. – E como você sabe da minha conversa com Sebastian? – Serena continuou sem responder, e nem teve a chance, já que Dan adentrou a sala com pressa e chamou a atenção das duas mulheres ali presentes.
, a reunião… – O homem começou a dizer, mas se calou quando viu que estava acompanhada. Serena e Dan trocaram um olhar rápido, já que a loira logo desviou o contato visual. Se sentia intimidada e não conseguia esconder isso. O homem ainda regulou a mulher por um tempo antes de encontrar os olhos de . – A reunião vai começar agora.
– Eu não vou conseguir ir, Dan. – Serena balançou a cabeça em negação e se levantou, puxando sua bolsa consigo.
– Não. Eu já falei o que tinha para falar, não quero atrapalhar mais nada. – A loira disse.
– A gente ainda não acabou de conversar, Serena. Senta aí, por favor. – respondeu, gentilmente. Afinal, as duas ainda tinham o que conversar. Porém, a loira se recusou e aquilo claramente incomodou a jornalista. Odiava enigmas, ainda mais sobre assuntos que ela não tinha nenhum conhecimento. Serena não poderia dizer tudo que disse e ir embora sem ao menos ter uma conversa decente. Mas, para a infelicidade de , a loira simplesmente levantou e deixou o escritório sem mais explicações.
A jornalista apoiou o cotovelo na mesa e passou os dedos pelo rosto, sem acreditar – e entender – o que tinha acabado de acontecer.
Nesse momento, soube que o melhor era não contratar o ator. E precisaria falar com ele sobre isso.
– E o que ela queria, afinal? – Dan perguntou, com indignação no tom de voz. realmente pensou em mandar o amigo calar a boca. Afinal, ainda estava puta da vida com o que tinha acontecido ontem, mas respirou fundo o suficiente para se controlar e reprimir a vontade.
– O que todo mundo quer ultimamente: me enlouquecer, óbvio. Acabar comigo. – Respondeu, enquanto bufava e pegava seu notebook. – Mas enfim, né, vamos para a reunião?
– Vai na frente, vou aproveitar que ainda não começamos e dar um pulo no banheiro. – concordou e foi para a sala de reunião, onde encontrou Claire. A estagiária explicou que Dan a ignorou totalmente quando ela comentou que não participaria da reunião e a chefe entendeu. Agora sabia como Daniel podia ser enxerido.
Fred estava deixando o elevador no exato momento em que Serena adentrava. O homem acompanhou a moça com o olhar até a porta se fechar e virou a tempo de ver Daniel saindo do banheiro. Os dois se olharam.
– Vai participar da reunião? – Dan comentou. O chefe assentiu com a cabeça e estendeu o braço, indicando que ele fosse na frente. A verdade é que Fred não sabia do que se tratava a reunião. No momento, se encontrava mais preocupado com o que acabara de ver.
Afinal, conhecia a loira, e estava ansioso para descobrir o que de fato tinha acontecido ali.


Capítulo 5 - Gimme! Gimme! Gimme! (A Man After Midnight)


Era quinta-feira. Sebastian estava voltando de uma corrida no Central Park com Elvis e aproveitou para passar no mercado e comprar algumas coisas para sua casa. Era melhor do que pedir delivery de novo. Não podia brincar com as economias que tinha até, pelo menos, voltar a receber mais do que tem gastado.
Estava ansioso para o fim de semana. Combinou de passar o sábado com sua mãe e aproveitar o domingo com Anthony, pescando. O amigo realmente o tinha viciado nessa atividade depois de tanto insistir.
Anthony sabe que Sebastian é o tipo de cara que adora ficar em casa, justamente por ter esse jeito mais reservado, mas se recusava a deixar o amigo sozinho, ainda mais nesse momento. Por isso, desde que tudo começou, sempre programava atividades diferentes para eles fazerem no fim de semana. "Quer ficar em casa? Fique, mas somente de segunda a quinta. De sexta até domingo a gente vai sair ou pelo menos ficar junto", era o que Anthony sempre dizia para Sebastian, que gostava, e muito, da dedicação do amigo em animá-lo. Sempre dava certo.
Os dois formavam uma dupla muito amada por todos os fãs e pela mídia também. Durante as divulgações dos filmes da Marvel, Anthony e Sebastian apareciam frequentemente em programas de TV. Era clara a intimidade e cumplicidade entre os dois. Nunca esconderam o quanto se gostavam, apesar de implicarem sempre um com o outro, principalmente ao vivo.
Os personagens de ambos, Sam Wilson e Bucky Barnes, também eram muito queridos. A Marvel tinha até planos de criar uma série sobre os dois melhores amigos do Capitão América, já que o último filme que vai estrear irá encerrar a trajetória do herói, mas ainda não tinha nada 100% certo. Sebastian torcia pelo dia que receberia uma ligação de Kevin Feige dizendo: "beleza, Seb, já descansou demais. Vamos continuar os trabalhos".
Assim como toda a semana, hoje era dia de ir para a terapia. Sebastian agradecia por isso, pois estava apreensivo. Não tinha recebido nenhum retorno de e começou a sentir que as coisas não dariam tão certo como imaginava. Afinal, faltava um dia para a semana acabar e a mulher ainda não tinha aparecido.
Na terapia, foi sincero com a Srta. Stewart. Disse que abriu o coração da melhor forma que conseguiu para a jornalista, mas que toda a confiança que estava antes foi embora. Tinha dúvidas e odiava se sentir assim. Sempre foi um homem confiante, mas com tudo isso acontecendo, não poderia abusar muito do otimismo.
Além disso, confessou que já tinha finalizado o livro de . Deixou Brooklyn 99 de lado e engoliu a obra da jornalista em menos de uma semana. Sabia que a mulher era inteligente e dedicada, mas não esperava que o livro fosse tão bom.
Na obra, usa leis que ela mesma criou para exemplificar como o machismo tenta impedir mulheres como ela de chegar aonde querem. O plot twist é, com certeza, o final, em que ela revela que o livro foi escrito por 213 mulheres de diferentes raças, etnias e classes sociais.
– É bizarro de bom. – Sebastian dizia à terapeuta. – Ela faz a gente pensar que tudo aquilo aconteceu somente com ela, e antes que alguém possa usar o argumento de que "nem todas passam por isso" ou coisa do tipo, o final vem e te surpreende.
– Nunca foi só sobre ela. – Srta. Stewart respondeu. Também tinha adorado o livro e ficou muito feliz por ver que Sebastian entendeu aonde queria chegar com ele. – No site oficial do livro tem o relato de cada uma das 213 mulheres explicando como foi participar.
– BOOM. – Gritou, enquanto usava as mãos para sinalizar que sua cabeça tinha explodido ao ouvir aquela informação. Sebastian estava encantado e não parava de balançar a cabeça, desacreditando de como aquilo era incrível. – Ela é muito boa. – Srta. Stewart ria com vontade. Sebastian era muito engraçado e a terapeuta adorava isso, seu bom humor era invejável. – Mas, nossa, já vai fazer uma semana e nada dela me ligar… Acho que vou morrer de ansiedade.
– Não vai, não. – Srta. Stewart respondeu, balançando a cabeça em negação. – Sei de um lugar ótimo para você ir e parar de pensar um pouco nas leis de . – Sebastian sorriu, enquanto mordia os lábios. Touché.
– O que tem em mente? – Perguntou, ainda com o sorriso no rosto, curioso.
– Um restaurante no Brooklyn que vira uma boate à noite, chama Santô. – A terapeuta começou dizendo. – E adivinha… Amanhã vai rolar karaokê.
– Não brinca comigo. – Srta. Stewart riu, e muito. Sabia como seu paciente amava karaokê e tinha certeza que ele iria se divertir muito. – Você sabe que não resisto a um karaokê… – Disse, empolgado, fazendo a mulher rir ainda mais.
Sebastian realmente adorava karaokê. Sabia que não era um cantor profissional, e nem queria, mas era afinado. Iria arrastar Anthony consigo e obrigar o amigo a interpretar ABBA com ele. Com certeza iria.

***

Era sexta-feira. estava aliviada por isso, já que era quando ela finalmente poderia descansar e, dessa vez, ver sua família. Tinha ficado muitos meses afastada de seu pai, madrasta e irmão na época que trabalhava na The Ugly Side of Fashion. Quando tudo acabou, há 6 meses atrás, passou a visitar a família com mais frequência. Eles moravam na Filadélfia, que fica há menos de 2 horas de NY, e sempre fazia questão de ir de carro. Adorava dirigir, mas odiava o trânsito de NY. Por isso, usava o fim de semana para pisar fundo na estrada até a Pensilvânia.
A reunião de quarta-feira com Liu e Lana foi ótima. Combinaram de fazer uma matéria especial contando um pouco da trajetória das duas no mundo da fama e também que ambas iriam ler todos os conteúdos antes da revista ser publicada. Assim, qualquer mudança que fosse solicitada pelas mulheres seria feita.
, precisa de mais alguma coisa? – Claire entrou na sala da chefe enquanto a mesma terminava de comer seu donuts. tinha pedido uma porção do doce para todos no escritório.
– Não, Claire. Pode ir. – Respondeu, sorrindo. – Bom fim de semana! – A estagiária agradeceu e desejou o mesmo enquanto deixava a sala. também já estava prestes a ir embora, não queria e nem poderia ficar até mais tarde. Precisava encontrar seus pais, que estavam em NY, para irem juntos à Filadélfia.
Já tinha deixado tudo organizado em seu apartamento e estava com uma pequena mala de viagem, somente para passar o fim de semana. Deveria encontrar com Robert e Maggie, seu pai e madrasta, no Brooklyn em menos de duas horas.
– Ei, , podemos conversar? – Dan se encostou na porta da sala da amiga e perguntou, na defensiva. O homem tinha evitado a mulher durante a semana inteira, mas parece que agora a água finalmente bateu na bunda, pensou
– Na verdade, não. É sexta-feira, Dan, vou ver meus pais. – O homem concordou e saiu da sala sem tentar insistir. estava triste por toda aquela situação, mas ele deveria tê-la procurado antes. Segunda-feira iria falar com ele, pois no momento estava mais preocupada com o encontro de mais tarde.
Deixou o escritório em um Uber até o Brooklyn. Já que iria de carona com seus pais para a Filadélfia, não precisaria usar seu carro. Na volta, provavelmente, pegaria o trem. Era uma viagem bem tranquila e ela já estava acostumada. Desde o mês passado, Robert e Maggie passaram a ir bastante para NY, já que eram sócios de um restaurante-boate chamado Santô, que ficava no Brooklyn. Ambos eram contadores e trabalhavam em conjunto com os donos do estabelecimento.
Seus pais tocavam o serviço tranquilamente da Filadélfia, do escritório que abriram. Mas, de vez em quando, iam até NY para participar presencialmente das reuniões. Segundo Robert, o plano era inaugurar um segundo estabelecimento na Filadélfia mesmo. Com esse cenário, era mais comum ir para a Pensilvânia junto com eles do que de carro sozinha.
O Santô é um lugar muito eclético e moderno. Acabou ficando bastante conhecido pela noite de karaokê, que acontece uma vez por mês, nas sextas-feiras. Hoje, inclusive, era um desses dias.
Não eram nem oito e meia da noite e observou que o local já tinha uma fila enorme na porta, como o esperado. Noite de karaokê, pensou, antes de cumprimentar os seguranças e entrar. Precisaria passar por uma multidão de pessoas com uma mala de viagem e não imaginava como faria.
O estabelecimento é dividido em três andares. No primeiro, localizado bem ao centro do espaço, há um pequeno palco, onde o DJ fica. Por toda a sua volta, fica um enorme bar. Um dos maiores do Brooklyn, inclusive. O resto do espaço é a pista de dança. Até tem alguns bancos espalhados, mas dificilmente alguém senta por lá.
Aliás, quem quer se sentar, acaba indo para o segundo andar, onde ficam as mesas e cadeiras, já que é o local onde os presentes podem pedir e comer comida. Descer com qualquer alimento para o andar de baixo é 100% proibido. No entanto, para o andar de cima, é permitido, pois o último andar é um lindo terraço ao ar livre onde as pessoas podem sentar em poltronas, puffs e até mesmo no chão. Podem dançar também, quando tem show ao vivo, ou cantar, quando tem karaokê.
O bar não é tão grande como o do primeiro andar, mas ainda assim é uma ótima escolha. O local é rodeado de plantas, luzes e espelhos, fora a vista, que possibilita uma visão privilegiada da Ponte do Brooklyn. Vários ensaios fotográficos da FANCY já foram feitos ali. Inclusive, outros fotógrafos, como Russell James, e marcas famosas, como a Guess, também já alugaram o local para suas experiências de moda.
O primeiro andar, para a alegria de , não estava tão cheio. Ela conseguiu passar com facilidade, apesar de ter recebido alguns olhares curiosos. A mulher pegou o elevador e foi até o terceiro andar, que dava acesso a sala dos funcionários. O karaokê estava a todo o vapor e, diferente do primeiro piso, ali estava muito cheio. A mulher precisaria atravessar as pessoas para subir outra pequena escada que a levaria para onde seus pais estavam.
Enquanto caminhava com dificuldade por meio de tantas pessoas, umas em pé e outras sentadas, percebeu que Frederick estava do outro lado do local. Até então, isso não era nenhuma novidade. Afinal, o chefe já esteve presente ali antes. O que a surpreendeu foi ver que ele tinha companhia, e essa pessoa estava bem longe de ser Catherine, sua mulher. Era loira também, mas com o cabelo muito maior. apertou os olhos para focar melhor e se chocou ao finalmente reconhecer quem era.
Quando a jornalista percebeu, já estava boquiaberta e com sua blusa toda encharcada. O barulho do balde cheio de cervejas caindo no chão fez com que a maioria dos presentes olhassem para ela e, consequentemente, para o homem à sua frente, com quem havia esbarrado. , em uma atitude mal pensada, puxou o sujeito para baixo, forçando-o a se agachar no chão junto com ela.
– Sebastian? – Grunhiu, sem acreditar que era ele. O ator também não estava entendendo, não tinha reconhecido até que ela o puxou. – Está fazendo o que aqui?
? Por que você está sussurrando? – Perguntou, com um certo olhar de julgamento. Afinal, estava puto da vida. Anthony quem tinha pagado por aquelas cervejas e iria matá-lo por tê-las derrubado. Ao mesmo tempo, também estava confuso. Se queria ajuda para recolher as bebidas, que pedisse. Não precisava puxá-lo e nem ficar sussurrando, como se estivessem fugindo de algo.
Ok. – Disse, fechando os olhos, como uma forma de tentar acalmar a si mesma. – O que você, meu chefe e sua ex estão fazendo aqui? – finalmente perguntou, enquanto pensava em um jeito de sair dali sem atrair o olhar dos outros dois presentes. Não queria ser vista por eles até descobrir o que faziam ali, juntos.
– Que? – Sebastian não sabia se tinha entendido certo e torceu para que repetisse a informação, o que não aconteceu.
Vem. – Foi o que a mulher respondeu antes de puxá-lo pela camisa. Foi difícil andar agachada segurando Sebastian com uma mão e a sua mala em outra, mas , por incrível que pareça, conseguiu. Enquanto isso, andando agachado atrás da mulher, Sebastian continuava atordoado. Logo seria sua vez de cantar ABBA com Anthony e ele não queria perder aquilo por nada.
puxou Sebastian para dentro do bar, onde poderiam se esconder melhor. Cumprimentou os funcionários do local que a olharam com dúvidas até perceberem que se tratava da filha dos chefes.
Deixariam ela ficar ali por quanto tempo quisesse, por mais estranho que aquilo fosse.
, espera, o que está acontecendo? – Sebastian disse, fazendo a mulher perceber que ainda segurava sua camisa e soltá-la. estava ensopada e muito confusa, assim como Sebastian, que esperava ansioso por uma explicação.
– Eu que te pergunto. – Ela disse, arqueando a sobrancelha e se limpando com os papéis toalha que encontravam-se em cima do balcão. – É sua ex lá, com meu chefe, e você aqui. O que significa isso? É uma pegadinha?
Sebastian percebeu que havia entendido certo: Serena estava mesmo na boate. Neste momento, a expressão em seu rosto mudou de confusa para séria, preocupada, já que poderia ser preso. Mesmo sem saber, acabou desrespeitando a medida protetiva.
– Não sei, . Só sei que preciso sair daqui. – Disse, olhando fundo nos olhos da mulher, como se pedisse ajuda. – Ela tem uma medida protetiva contra mim, e eu não fazia ideia que ela estava aqui. – Complementou, tentando se defender. Não queria que pensasse que ele era um stalker ou obcecado por Serena, não queria mesmo. Mas é claro que ela não achava isso. No momento, só queria entender porque seu chefe estava junto de Serena, e aparentemente Sebastian estava longe de saber o motivo.
olhou com cuidado para o outro lado do bar, tentando ver se os dois ainda estavam ali e os achou com facilidade, ainda conversando. Sebastian também levantou a cabeça e foi empurrado para baixo com pouca delicadeza pela mulher.
– Toma cuidado! – bravejou, fazendo o ator arquear as sobrancelhas. – Com essa cabeçona eles vão te ver. – Disse, de forma espontânea e até um pouco agressiva. Logo levou a mão à boca, se arrependendo amargamente. Não tinha um pingo de intimidade com o homem para ter dito aquilo. Sebastian fez uma careta de indignação.
– Eu nem tenho uma cabeça tão grande assim. – Sua voz chegou a afinar com a resposta. Não ficou ofendido e até achou engraçado, mas de fato não acreditava que sua cabeça fosse tão grande. – Exagero.
– Desculpa, mas sua cabeça é grande sim. – Respondeu, dando de ombros. Já tinha falado mesmo, agora não dava para voltar atrás. – Enfim… Só… Olhe com cuidado. – Disse, antes mesmo que ele pudesse responder o comentário anterior. Sebastian estava em um verdadeiro dilema sobre o tamanho de sua cabeça naquele momento e até chegou a esquecer onde estava por alguns segundos.
– Ninguém nunca me disse isso. – Respondeu, frisando o "nunca" e levantando com cuidado para procurar pelos dois. Assim que achou, cerrou seus olhos para ver melhor. Era ela mesmo. Droga, pensou, e voltou até . – Francamente, você acha mesmo que uma pessoa que faz filme de super herói não saberia como olhar alguém sem ser notado? – Sebastian respondeu, fazendo revirar os olhos e rir fraco, achando graça da piada, mas não querendo demonstrar. O ator respirou fundo. – Mas sério, me ajuda a sair daqui? – Pediu, olhando fundo nos olhos da mulher. A jornalista suspirou.
– Vem comigo. – segurou o braço de Sebastian e o puxou junto consigo, e antes que pudesse segurar a mala, o homem a pegou e a levou junto de si, recebendo um pequeno sorriso de agradecimento. andou com Sebastian até a sala dos funcionários.
– Não sabia dessa parte aqui. – Comentou, enquanto olhava o local espaçoso. Diferente dos outros andares, ali era um ambiente corporativo, onde ficavam os escritórios e a sala de reuniões.
– É porque aqui é a área dos funcionários. – Disse, enquanto adentrava ainda mais o ambiente. Sebastian continuava empurrando a mala de rodinhas. – Meus pais são sócios, por isso posso vir para cá. – Continuou, provocando uma feição de surpresa no rosto do homem.
– Sério? Caramba, aproveita e diz para eles que esse lugar é bom demais. – Respondeu, sorrindo. Sebastian foi sincero, como sempre era.
– Você pode dizer, se quiser. – Ela apontou com a cabeça para as duas pessoas sentadas em um sofá na primeira sala do enorme corretor. – Oi, gente. – cumprimentou, entrando no mesmo cômodo em que seus pais estavam. Sebastian a seguiu. A jornalista abraçou os dois e recebeu um olhar curioso de Maggie, devido à roupa manchada. deu de ombros e sussurrou um "depois explico", antes de se virar para o ator. – Esse, como vocês já devem imaginar, é o Sebastian, ator que faz o Soldado Invernal. – Claro que seus pais sabiam quem ele era.

Artur.

– Nossa, meu filho vai ficar maluco quando eu contar que te conheci. – Robert, o pai de , disse, enquanto estendia a mão para Sebastian, que o cumprimentou. – Robert. É um prazer te conhecer.
– O prazer é todo meu. – Respondeu, cumprimentando também a mulher, que se apresentou como Maggie. – Então seu filho gosta da Marvel?
– O Artur? Tem só 10 anos, mas vive pelos Vingadores. – A madrasta disse, soltando uma risada. – E por mais irônico que seja, você é o preferido dele.
– Sério? – Sebastian abriu um sorriso e não deixou de observar a felicidade do homem em ouvir aquilo, ele literalmente sorria com os olhos. A jornalista, inclusive, achou uma graça. Sebastian amava quando era o favorito de alguma criança. Geralmente, ficava atrás de outros personagens, como Capitão América e Hulk, mas dessa vez ele era realmente o favorito. – Ganhei meu dia! Espero ter a chance de conhecer o Artur.
– Mas antes você precisa sair daqui, né? – disse, tentando atrair a atenção do homem. Sebastian concordou com ela.
– Na verdade, primeiro eu preciso avisar meu amigo, ele deve estar uma fera com meu sumiço. – Sebastian confessou, mordendo o lábio inferior. Os dois seriam os próximos no karaokê e o amigo ficaria muito irritado se o ator fosse embora sem nem ao menos explicar o porquê. – Nossa, aproveitando a presença de vocês, esse lugar é demais, fazia tempo que eu não vinha em uma boate tão boa no Brooklyn. Parabéns! – Sebastian dizia, enquanto apontava para os pais de . – Eu realmente queria ter cantado hoje.
– Ainda dá tempo. – Maggie respondeu, animada.
– Hoje não vai dar, infelizmente. – Sebastian disse, se mostrando bastante chateado. Não queria explicar o motivo para eles, tinha vergonha e realmente não achava necessário essa exposição. Portanto, preferiu mudar de assunto. – Vou mandar uma mensagem para o meu amigo. Licença. – Comentou, educado, dessa vez olhando para . A mulher concordou e Sebastian se afastou um pouco dos três. Os pais de estavam bastante confusos com essa amizade que eles nem sabiam que existia e comentaram isso com a jornalista, que garantiu que explicaria tudo depois. Queria conversar melhor com Sebastian e, talvez, entender o que Fred e Serena estavam fazendo ali. – Ele disse que me encontra lá fora… Por acaso, tem uma forma de sair daqui sem ser por lá? – Sebastian apontou para a porta, indicando o lado de dentro da boate. Maggie e Robert se entreolharam.
– Tem a escada de incêndio. – Robert respondeu, bastante curioso, desviando o olhar para a filha.
– Pai, eu juro que explico depois. Agora vou descer com ele, mas já volto. – Garantiu. O ator se despediu dos pais da mulher e a seguiu pelas escadas de incêndio. não poderia demorar muito, já que iria para a Filadélfia com seus pais ainda nesta noite.
A descida até a rua não demorou muito, já que eram somente três andares. , neste momento, estava com um enorme ponto de interrogação na cabeça. Afinal, não fazia ideia do que estava acontecendo ali, e ainda demoraria muito para descobrir.
Já Sebastian não estava tão curioso para descobrir o que Serena fazia ali, pelo contrário, só queria ficar o mais longe possível da mulher. Sua prioridade era falar com e descobrir se eles conseguiriam trabalhar juntos na campanha, já que esse era seu maior interesse no momento.
Logo os dois estavam parados na frente da boate esperando pelo tal amigo do ator. Sebastian aproveitava a enorme multidão de pessoas que tentavam entrar para se esconder, enquanto o observava sem fazer muita questão de disfarçar. A mulher mal sabia, mas Sebastian fritava de nervosismo ao sentir o olhar dela sobre si. Sua timidez sempre aparecia nos piores momentos, e ele odiava isso.
– Não acredito que a gente não conseguiu cantar ABBA hoje por causa da sua ex. – Anthony dizia enquanto se aproxima de Sebastian e . O homem que chegava cerrou os olhos ao finalmente perceber que o amigo não estava sozinho. – Me encontra lá fora porque a Serena está aqui. – Anthony continuou, imitando a voz de Sebastian enquanto lia a mensagem que tinha recebido do amigo. – Ela realmente está aqui ou foi só uma desculpa? – Ele finalmente terminou de falar e olhou para , dando a entender que a desculpa seria por ela. A mulher riu, enquanto Sebastian revirou os olhos.
– Você não sabe o que fala. – Sebastian repreendeu o amigo, enquanto balançava a cabeça em negação. – Essa é a . – Disse, apontando para a mulher. Anthony estendeu sua mão para a jornalista e ela abriu a boca assim que se deu conta de quem era o amigo.
– Como assim o seu amigo é o Anthony Mackie? – exclamou, surpresa, sem perceber que ainda ignorava a mão estendida do homem. – Eu devo ter assistido todos os seus filmes! – Ela finalmente percebeu a mão de Anthony parada e o cumprimentou, enquanto sussurrava um pedido de desculpas. – Quando Sebastian falou "meu amigo" eu nunca imaginei que era você. De verdade, é um prazer te conhecer.
– O prazer é meu, acredite. – Anthony respondeu, apertando a mão da mulher e olhando para o outro homem com um sorriso divertido nos lábios. Sebastian sabia o que estava por vir e poderia matar o amigo ali mesmo se tivesse chance. – Seb falou muito de você. – cruzou o cenho e olhou de Anthony para Sebastian. – Sobre a campanha, claro. O possível contrato e tal… Ele está todo empolgado.
– Eu fico feliz de ouvir isso. – disse, tentando esconder que, na verdade, tinha ficado ainda mais apreensiva, já que sabia que o contrato infelizmente não aconteceria. – Mas Sebastian não mentiu, a Serena realmente está aqui.
– Sim. – O homem citado se aproximou dos dois e olhou para Anthony. – Eu não menti. riu, achando graça da situação. Sebastian e Anthony pareciam dois adolescentes juntos. – E ainda preciso sair daqui. A gente pede um Uber ou vamos a pé? – Ele olhou para o amigo. Os dois moravam a poucas quadras da boate e tinham ido até lá a pé. O plano, dependendo da hora que fossem embora, era voltar de Uber, mas estava cedo e faria mais sentido ir andando.
– Ah, cara, acho que a gente pode ir a pé mesmo. – continuou observando os dois homens e ficou incomodada com o fato de Sebastian ainda não ter falado com ela sobre o que tinha acontecido há alguns minutos atrás, pensava que o homem poderia ao menos responder se conhece ou não Fred.
Enquanto isso, Sebastian realmente acreditava que existia a possibilidade de ir embora com eles, para assim eles conversarem reservadamente.
– Você vem? – O ator perguntou, olhando para ela. A jornalista ficou surpresa.
– Eu? – Queria ter certeza que a pergunta era séria e Sebastian assentiu, confirmando. – Não posso, vou para a Filadélfia ainda hoje.
– Sério? – Ele respondeu, se mostrando surpreso e até um pouco chateado. Queria que ele e tivessem a chance de conversar. Tinha perguntas em relação à campanha, e não queria mais esperar. A mulher balançou a cabeça em resposta.
– Vou passar o fim de semana com meus pais… Eles moram lá. – Ela disse, também chateada. Queria aquela conversa tanto quanto Sebastian, ele só não sabia disso. pensou em avisar os pais que atrasaria um pouco, mas sabia dos horários dos dois. Artur, seu irmão, estava com a au pair neste momento e Maggie odiava segurar a garota de sexta-feira. – Talvez outro dia. – não queria que fosse outro dia, assim como Sebastian, e Anthony começou a perceber que o clima ali era mais tenso do que ele imaginava. Conhecia o jeito do amigo e sabia que ele estava descontente. Quando notou que nenhum dos dois tomaria uma atitude, soube o que fazer:
– Vocês ficam e eu vou embora. – Disse, quebrando o silêncio que havia se instalado e atraindo a atenção dos outros dois. Sebastian e se olharam enquanto Anthony dava alguns passos para trás. – É sério, eu tô indo. Talvez eu volte para a boate, sei lá, não se preocupem comigo. Queria que o Chris estivesse aqui? Queria, mas eu te amo, Seb. Conta comigo. – Anthony continuou dizendo conforme se afastava cada vez mais dos dois. Sebastian não sabia se agradecia ou não ao amigo por deixá-lo sozinho com , pois foi só ele sair que o silêncio voltou a se instalar.
– Eu queria muito uma foto com ele. – A mulher foi a primeira a falar e fez Sebastian rir da confissão.
– Tenho certeza que você terá outras chances. – Ela sorriu, torcia para que sim, adorava o trabalho de Anthony dentro e fora dos filmes. – Então… A gente pode conversar? – A resposta para essa pergunta com certeza era sim, mas não teve tempo de responder. Um grupo de fãs do homem se aproximou dos dois e roubou completamente a atenção. Tinham visto Anthony e logo suspeitaram que Sebastian também estaria por perto.
– Tira uma foto com a gente? Por favor. – Uma das meninas pediu e Sebastian aceitou com o maior sorriso do mundo. Enquanto o homem atendia os fãs, chegou até a esquecer o que estava fazendo ali. Ficou encantada com a forma como o ator sorria e interagia com eles. Achou Sebastian muito educado e carismático, estava sendo um querido com todos do grupo.
A verdade é que o ator estava muito feliz por receber todo aquele carinho. Afinal, fazia um certo tempo que não era parado por um grupo tão grande como esse. Estava com o coração cheio de alegria e fez questão de estampar isso no seu sorriso. É um homem sensível, ainda mais com tudo que estava rolando, e acabou ficando carente desse contato com os fãs. Por pouco não se emocionava quando isso acontecia.
Ao mesmo tempo que dava atenção ao grupo, não conseguia tirar os olhos de . Sabia que a mulher precisaria ir embora em breve e não queria perder a chance de conversar com ela.
– A gente viu o Anthony lá na frente e na hora pensamos que você estaria por aqui também, em algum lugar. – Um dos fãs disse. – Mas não vamos mais atrapalhar. – Continuou, olhando para e sorrindo, com certa malícia no olhar. A mulher riu, enquanto passava a língua entre os dentes e cruzava os braços, achando a situação engraçada. Sebastian também sorriu, enquanto arrumava o cabelo.
– Imagina… Vocês nunca atrapalham. – Respondeu, arrancando sorrisos e gritinhos dos fãs. O grupo se despediu de Sebastian e também de , para voltar para a fila da balada. – Será que agora… – O homem começou a dizer, mas novamente foi interrompido, dessa vez pelo celular de . Era Robert. atendeu e teve uma conversa rápida com ele, dizendo que logo estaria voltando para dentro da boate. Sebastian mordeu os lábios. – Então… Segunda-feira? – Sugeriu, assim que a mulher desligou o aparelho, desistindo de tentar conversar com a jornalista nesta noite.
sorriu sem mostrar os dentes, concordando. Estava incomodada, queria muito conversar com Sebastian sobre Fred e Serena e, do jeito que é ansiosa, passaria o fim de semana pensando nisso. Não estava nem um pouco satisfeita com essa situação, mas não queria admitir isso para Sebastian, tinha medo de passar a impressão de que estava com raiva por ele ter dado atenção aos fãs.
O ator também evitou demonstrar qualquer tipo de chateação, afinal, era óbvio que a mulher deveria viajar com seus pais.
– Sebastian. – disse, chamando a atenção do homem que delirava em seus pensamentos – Acho que eu posso ir amanhã para a Filadélfia. – Falou, finalmente, o surpreendendo completamente. – Antes, acredito que seria melhor a gente conversar.
– Eu concordo. – Sebastian respondeu, enquanto balançava a cabeça. Apesar de quererem falar sobre assuntos diferentes, ambos ficaram aliviados por poderem ter essa conversa.
– Só vou avisar meus pais, e acho melhor a gente sair daqui. Você é famoso, as pessoas podem imaginar até demais. – Disse, enquanto piscava para o homem. Sebastian sorriu, concordando. Sabia que ela tinha razão, além de ter achado o comentário interessante. – Você mora mesmo aqui por perto? – Perguntou, e logo se sentiu mal por sugerir desse jeito que eles fossem para a sua casa. Afinal, os dois ainda nem se conheciam direito.
Sebastian, por outro lado, não ficou nem um pouco incomodado com a pergunta. Preferia que eles conversassem em um lugar mais reservado do que de frente para uma boate. As pessoas podiam mesmo pensar algo, e ele ainda é uma pessoa pública, que atrai olhares facilmente.
Fora isso, Serena estava ali do lado. Precisava ir embora, e nada melhor do que ir para o seu próprio apartamento.
– Posso chamar um Uber?


Capítulo 6 - Nunca leve uma jornalista para a sua casa

O percurso até a casa do ator duraria menos de 10 minutos. A boate era realmente muito próxima, mas Sebastian preferiu sugerir um Uber, já que estava de salto alto.
Na sua opinião, inclusive, a mulher estava muito bonita. Usava um vestido de manga comprida na cor verde escuro, com uma fenda na perna esquerda e um cinto marcando sua cintura. Nos pés, botas pretas de cano baixo.
Sebastian desejou ter a oportunidade de dizer o quanto a acha estilosa algum dia.
No carro, indo para seu apartamento, o ator não conseguia parar de pensar em Serena. Já não se culpava mais por tudo que aconteceu, mas gostaria de ter uma conversa decente com a mulher, sem que advogados e juízes estivessem no meio. No entanto, sabia que isso era impossível devido à medida protetiva. Teria que esperar o andamento do processo e torcer para que tudo ocorresse de forma justa. Afinal, ele não tinha feito nada do que era acusado.
Ao mesmo tempo, não deixava de pensar na campanha e, consequentemente, em . O fato de Serena supostamente conhecer o chefe da jornalista poderia prejudicar tudo e suas economias até conseguiam sustentá-lo por mais um tempo, mas nunca se sabe o dia de amanhã. Precisava do trabalho pelo bem de sua saúde mental e também de sua saúde financeira. Por isso, esperava que tudo não passasse de uma coincidência ou de um grande mal entendido.
tinha a impressão de que não era uma coincidência e muito menos um mal entendido. Faziam só dois dias que a loira tinha ido até a FANCY e vê-la com seu chefe fez com que muitas perguntas surgissem em sua mente.
De um lado, a razão de dizia que ela deveria mandar uma mensagem para Fred e perguntar diretamente se ele conhecia Serena e o que estavam fazendo com ela. Do outro, sua intuição gritava que essa era a última atitude que deveria ser tomada.
Pensar na possibilidade de Fred estar influenciando suas decisões indiretamente, apelando até mesmo para uma terceira pessoa que nem sequer trabalha na FANCY, a irritou. Já não bastava a traição direta de Daniel, agora precisaria lidar com seu chefe agindo pelas suas costas também?
Nem e nem Sebastian sabiam, mas as respostas iriam aparecer. Logo.
– Você tem muito o que me explicar. – O ator quebrou o silêncio que preenchia o carro e atraiu a atenção de , que mexia no celular. – Como pode você conhecer o Anthony e não me conhecer? – A jornalista fez uma careta com a pergunta egocêntrica de Sebastian e soltou o ar pelo nariz, dando uma risada discreta.
– Seu ego compete com a sua cabeça? – Questionou, ironicamente, enquanto o observava. Sebastian passou a língua entre os lábios, confuso. – Você sabe, para saber qual é maior. – Nesse momento, o homem segurou a risada e fitou a jornalista, perplexo.
– Jesus. – Respondeu, enquanto balançava a cabeça em negação. – Você tem algum problema com a minha cabeça.
– Eu não tenho problema nenhum com a sua cabeça. – Garantiu, também segurando o riso.
Beleza. – Ele concordou, suavemente. – Então você só gosta de falar de cabeças? – riu, dando de ombros, enquanto o observava. O homem passou a língua entre os dentes. A jornalista ainda não havia percebido a ambiguidade na frase de Sebastian.
– Talvez. – Respondeu, sorrindo. O ator voltou a segurar o riso e passou a língua entre os lábios. Estava achando a conversa engraçada, mesmo que não soubesse exatamente o porquê. – Mas acho que seu ego ganha. – O ator deu de ombros, se recompondo.
– Depois que ele descobriu que você não sabia quem eu sou, acho que não. – Ela revirou os olhos, enquanto o homem sorria. – Estou só brincando. – Ele levantou as mãos, como se estivesse se rendendo. – É que eu e Anthony trabalhamos juntos nos filmes da Marvel. – Respondeu, como se fosse óbvio, e fez a jornalista arquear as sobrancelhas.
Talvez ela não tenha visto todos os filmes de Anthony como tinha pensado.
– Em minha defesa, você muda muito de um papel para outro. – Confessou, sendo sincera. – Não consegui relacionar você aos seus personagens logo de cara, apesar de ter visto muitos de seus filmes. – Sebastian arqueou a sobrancelha. Não sabia se ficava ofendido ou honrado com a confissão da mulher. – E, na minha humilde opinião, é isso que faz um ator ser bom: a singularidade que ele coloca em cada papel. – Sebastian continuou olhando para ela, que sorriu e voltou a prestar atenção no celular. Honrado, foi como ele se sentiu.
– Obrigado. – Respondeu, atraindo novamente o olhar de , enquanto coçava a parte de trás da cabeça. Mesmo com anos de fama, nunca aprendeu a lidar com elogios. – Isso foi muito bom de ouvir. – Ela sorriu. – E aumentou meu ego. – Sebastian piscou para e a mulher revirou os olhos, enquanto ria debochadamente.
– Mas tem uma coisa. – Respondeu, fazendo com que Sebastian a olhasse curioso. – Eu devo ter assistido a no máximo dois filmes da Marvel, então não se empolga. – O homem deixou que sua boca abrisse e balançou a cabeça em negação, não acreditando no que ouviu. Sebastian se aproximou de , ainda com a mesma expressão de incredulidade.
– Seu irmão sabe disso? – Ele sussurrou, sem hesitação, enquanto cerrava os olhos. o encarou durante um tempo e não conseguiu segurar a gargalhada, assim como Sebastian, que riu junto.
Alguns minutos depois, os dois já estavam na casa do homem. observou como o apartamento era bonito, espaçoso e com uma ótima decoração, totalmente clean. A jornalista ficou encantada com o local e mais ainda com o cachorro que foi recebê-los logo quando os dois chegaram. Sebastian apresentou Elvis para e logo os dois dois já estavam sentados no sofá da sala de estar, pensando sobre o que exatamente deveriam conversar.
– Desculpa por praticamente me convidar para vir à sua casa. – finalmente falou, enquanto ria sem graça. – Não consegui pensar em outro lugar.
– Não precisa pedir desculpa por isso. – Ele sorriu. – Eu teria te convidado de todo jeito. – respirou aliviada, enquanto sorria. Afinal, não queria parecer insolente. – Você queria falar alguma coisa? – A mulher balançou a cabeça positivamente.
– Sim. Quer dizer… Eu só achei estranho você, meu chefe e sua ex-namorada juntos lá, queria entender o porquê… Ou se você sabe o porquê. – Sebastian mordeu o lábio inferior.
– Eu não sabia que a Serena estaria lá, se soubesse, não teria ido. Não posso brincar com a justiça. – Respondeu, um pouco mais agressivo do que pretendia. – E eu sinceramente não faço ideia de quem é o seu chefe, . – A jornalista o fitou sem dizer nada. Sebastian não parecia estar mentindo. Ainda assim, tudo era muito suspeito. – Mas você, pelo jeito, conhece minha ex, né? – Questionou, arqueando a sobrancelha e apontando para . A mulher franziu o cenho.
– Depois dela ter ido até o meu escritório fica difícil não conhecer. – Falou, provocando uma reação de espanto em Sebastian.
– A Serena? No seu escritório? – Ele disse, depois de alguns segundos em silêncio. franziu novamente o cenho. – Como assim? Quando? – Soltou, com um tom elevado de indignação. Sebastian não estava entendendo nada. Seu intuito em conversar com era falar sobre a campanha, e do nada foi bombardeado por perguntas que ele não sabia responder e por informações que ele não tinha nenhum conhecimento.
– Essa semana, na quarta. Você não sabia? – Perguntou, confusa.
– Claro que não. Eu não falo com ela… Eu não posso falar com ela. – Ele coçou a cabeça. – E o que ela foi fazer lá?
– Me contar o lado dela da história, basicamente. Parece que não quer que eu trabalhe com você. – O homem passou a mão na boca e olhou para baixo, pensativo. – Mas eu não sei como ela descobriu sobre.... Isso. – Disse, apontando dela para Sebastian. – Quer dizer, agora tenho um palpite.
Seu chefe? – Sugeriu. deu de ombros, ela acreditava que sim. – Só pode ser… Eles estavam juntos hoje, não? Você mesma disse.
– Sim. – Concordou, suspirando. – Mas por quê? – Perguntou, mesmo sabendo que Sebastian provavelmente não saberia responder. O homem parecia ainda mais perdido que ela. – Não faz nenhum sentido.
– Queria muito dizer que sei responder isso, , mas estou tão confuso quanto você, até porque nem sabia que a Serena tinha ido ao seu escritório, e muito menos que ela conhece seu chefe. – Sebastian deu de ombros. – Talvez ele só não queira que você trabalhe comigo.
– Isso eu tenho certeza. – A mulher afirmou, convicta, enquanto fitava Sebastian. O ator deu de ombros, já estava acostumado com isso. – Mas ainda é muito estranho, principalmente porque a Serena disse que seria melhor para todos nós se eu ficasse longe de você. – Sebastian franziu o cenho.
– Todos nós quem? – negou com a cabeça.
– Isso ela não respondeu. – Sebastian franziu o cenho novamente, enquanto apoiava o queixo na palma da mão e balançava levemente a cabeça. O homem bufou.
– Era só o que me faltava. – Disse, depois de se manter em silêncio durante alguns segundos. respirou fundo, observando o ator. Ele parecia bastante perplexo com as informações, olhando para o nada, aparentemente sem entender onde e como tudo se ligava. E antes que qualquer um dos dois pudesse falar mais alguma coisa, a campainha do apartamento tocou. A jornalista olhou com dúvida para Sebastian, que também parecia não saber quem poderia ser. O homem levantou e caminhou até a porta, observando o visitante pelo olho mágico. – Serena? – Sussurrou, antes de se virar para e repetir a informação. – É a Serena. – A jornalista correu até a porta e também olhou pelo objeto, se assustando assim que a campainha foi tocada novamente.
– O que ela está fazendo aqui? – Sussurrou de volta ao homem, que deu de ombros. A campainha tocou de novo. – Atende, eu espero na cozinha. – sugeriu.
– Eu não posso ficar perto dela. – Disse, baixo, com suas veias do pescoço quase saltando para fora. Estava nervoso.
– Então dá um jeito de tirar ela daqui. – sussurrou de volta e se afastou de Sebastian. – Vai.
– Espera no meu quarto e fecha a porta. – Serena tocou novamente a campainha. Sebastian estava começando a ficar impaciente e percebeu isso apenas pelo seu olhar. A jornalista tocou o ombro do homem, chamando sua atenção por um instante.
– Não fala nada sobre o Fred. – Dito isso, não chegou a esperar pela resposta e foi para o quarto, fechando a porta logo que entrou. Assim como o restante do apartamento, o quarto de Sebastian também era bem espaçoso. A mulher se sentou na cama de casal que estava desarrumada e viu que Elvis, o cachorro do ator, tinha a seguido até lá.
Por que você está aqui, Serena? – percebeu que conseguiria escutar tudo do quarto e não se sentiu mal por isso. Não podia negar que queria muito saber o que os dois iriam conversar, afinal poderia descobrir algo sobre o Fred. Fofoqueira não, jornalista, pensou. – Você pode me ferrar ainda mais com isso. Vai embora, é sério.
Eu não vou demorar. – A loira respondeu. Sua voz era mais baixa do que a de Sebastian e precisou chegar mais perto da porta para ouvir. O homem nada respondeu, e eles ficaram em silêncio durante alguns segundos. – Você tem algo com a jornalista? – Serena perguntou. A mulher escondida no quarto revirou os olhos, assim como o homem na sala. – Está cheio de fotos de vocês no Twitter. – Essa última frase saiu tão baixa que não foi capaz de escutar, mas Sebastian sim, e se preocupou por um momento sobre como seria a reação da jornalista ao saber disso.
Com a ? – Sebastian sabia que a dúvida de Serena não fazia sentido algum, mas ainda assim achou melhor responder. – É óbvio que não, acha mesmo que eu tenho cabeça para isso agora? – Serena sabia que a resposta era não.
Não sei, Sebastian. – A loira disse. – Mas obrigada por ser sincero.
Não sou eu que tenho que ser sincero, você sabe muito bem disso. – Sebastian cuspiu a frase sem dó e nem piedade. Naquele momento, passou a se sentir mal por ouvir toda aquela conversa, mas não iria parar agora. – Vai embora.
Só mais uma coisa. – Sebastian estava bastante desconfortável e preocupado, essa simples visita poderia lhe causar sérios problemas no processo. Ele queria que Serena fosse embora o mais rápido possível. – Me perdoa por tudo isso, Sebastian, nunca quis que as coisas fossem tão longe… Eu realmente não tive escolha. – Serena disse, enquanto desviava o olhar do homem e observava um acessório suspeito em cima do sofá… Uma bolsa feminina. A loira gelou assim que percebeu que ele provavelmente não estava sozinho.
Como assim não teve escolha? – Sebastian perguntou, apreensivo.
Só… Me perdoa. – Esse diálogo fez uma chavinha virar dentro da cabeça de . Se antes ela já tendia a acreditar em Sebastian, agora ela passaria a acreditar ainda mais. Afinal, depois disso, era óbvio: o ator estava falando a verdade.
O que e Sebastian ainda não sabiam é: por que Serena inventaria uma mentira desse nível? E porque ela diz que não teve escolha?
A partir disso, os dois não disseram mais nada. só ouviu o barulho da porta se fechar e esperou que Sebastian desse algum sinal de vida para que ela pudesse finalmente sair do quarto.
A mulher se sentou na cama a tempo de ver o ator abrindo a porta. Ele não aparentava estar bem, e realmente não estava, mas tentaria ao máximo não demonstrar isso.
– Tudo bem? – A jornalista perguntou. Sebastian entortou a cabeça, enquanto se apoiava no batente da porta e dava de ombros.
– Você ouviu? – Questionou, ignorando a pergunta da mulher. balançou a cabeça positivamente, fazendo-o bufar e revirar os olhos, fingindo indignação. – Nunca mais trago uma jornalista para a minha casa. – O homem respondeu em seu melhor tom de ironia, provocando uma risada em .
A partir desse momento, Sebastian tinha certeza de que ela sabia das fotos, e preferiu não tocar no assunto.
– Amanhã mesmo vou estampar essa conversa todinha na capa da FANCY. – respondeu enquanto gesticulava com as mãos. Sebastian riu e se sentou na cama, distante de onde estava.
– Estaria me fazendo um favor. – Ele piscou para a jornalista e ela desviou o olhar, tentando disfarçar a timidez inusitada que tomou conta de seu corpo nesse momento. – Desculpa por isso, não fazia ideia de que ela viria aqui. – Sebastian suspirou, enquanto passava a mão pelo rosto. – Não queria que você presenciasse isso, e nem que a Serena tivesse ido falar com você. – Ele fitou a mulher. – Espero que isso não te prejudique. Em nada.
– Sebastian, não se preocupe comigo. – Ela afirmou, tentando confortá-lo. – Sou a menor das suas preocupações.
– Que isso. – Ele riu, fraco. – Você está longe de ser uma preocupação. – Sebastian disse, sem olhá-la, e acabou não percebendo o sorriso singelo que se formou nos lábios da mulher. Ele havia sido sincero. Para o ator, estava mais para solução. Isso, claro, se tudo desse certo com a campanha.
Além disso, o homem estava perdido com tantas informações em uma só noite. Não imaginava que Serena tinha ido até , e muito menos que apareceria em sua casa para pedir desculpa. Se ela realmente quisesse seu perdão, precisaria tomar uma atitude decente e contar a verdade.
– Por que ela mentiu, Sebastian? – questionou, firmemente, se referindo às acusações que a atriz tem contra o homem. Ele entendeu a pergunta, mas ao contrário do que gostaria, não tinha uma resposta. Assim como , não sabia um terço do que estava acontecendo. – Ela teve algum motivo?
– Eu me pergunto isso todos os dias. – Sebastian não olhou para quando respondeu, e ela passou a língua entre os lábios, sem saber o que dizer. Não conseguia imaginar o que ele estava passando, e muito menos o motivo por trás dessa falsa denúncia de Serena. A situação parecia ainda mais complicada do que ela imaginava. Por outro lado, Sebastian já estava cansado de saber sobre a gravidade da situação. Ele só não sabia os motivos de Serena, ou se mais alguém estava envolvido, mas era inocente, e provaria isso. – Enfim, voltando para o seu chefe… Meu palpite é que eles podem estar se envolvendo. É o que parece fazer mais sentido. – Ele disse, voltando a olhar para .
– Fred é casado. – A mulher respondeu, depois de permanecer quieta por alguns segundos. – Não que isso o impeça de algo, né? – Sebastian arqueou a sobrancelha e balançou a cabeça negativamente.
– É. – Disse, enquanto ria baixo. A mulher revirou os olhos, soltando um grunhido.
– Que baixaria. – balançou a cabeça negativamente, enquanto o ator mordia o lábio inferior e a fitava.
– Não pira nisso, , certeza que seu chefe tem uma explicação plausível para tudo isso. – Sebastian não tinha certeza nenhuma de nada, mas queria tranquilizá-la de alguma forma. sorriu. O ator, por um momento, voltou a pensar na campanha. Mesmo sabendo que os dois dificilmente trabalhariam juntos, ainda mais depois de tudo que aconteceu nesta noite, achou que deveria perguntar: – Será que ainda existe a possibilidade de trabalharmos juntos? – Ele sorriu sem mostrar os dentes. – Depois disso tudo… Sei lá… Você sabe… Eu realmente queria participar dessa campanha.
O coração de , nesse momento, faltou partir em pedaços. Na própria reunião ela já havia notado a empolgação do homem, e ouvir isso só fez com que as coisas ficassem ainda mais difíceis.
– Não acho que vai acontecer, infelizmente. Não tenho como ficar contra o meu chefe, Sebastian, e eu acho que seu processo seria um problema. – O homem abaixou os olhos e concordou lentamente com a cabeça. Estava bastante chateado, mas entendia, como sempre. Sabia que precisava pensar na reputação da FANCY e que não podia passar por cima de seu chefe, mas não deixava de ficar frustrado, principalmente pelas expectativas que havia criado. – Eu sinto muito por isso.
– Eu entendo, , entendo mesmo. – Sebastian respondeu enquanto via a mulher suspirar. Ele tentou sorrir, mas não queria parecer falso. – Está tudo bem.
– Mas se serve de consolo ou qualquer coisa do tipo, eu realmente acredito que você é inocente. – Para Sebastian, aquilo servia muito mais do que só como um consolo, principalmente vindo de . Em uma semana, a mulher já o surpreendeu mais do que ele poderia contar. Sebastian já a admirava por toda sua trajetória profissional, e agora ainda mais, pelo pouco que conheceu da sua personalidade.
– Pelo jeito você é muito boa com consolos. – Ele disse, enquanto sorria. A mulher deu de ombros. – Obrigado, .
– Imagina. – Ela respondeu, sorrindo de volta. – Só fui sincera, e espero que a verdade apareça.
– Eu também. – Os dois permaneceram quietos por um tempo, trocando olhares confusos e calorosos. Era uma tentativa de conforto, de passar um sentimento positivo para o outro através do olhar depois da noite inusitada que tiveram. Apesar de não se conhecerem tão bem, a atitude inocente e bem intencionada de ambas as partes deu certo, pois depois de um longo período sem dizer nada, os dois trocaram um sorriso sincero e involuntário.
– Nossa, já é uma hora da manhã. – disse, enquanto observava o horário pelo celular e se levantava. – Preciso ir.
– Aonde você mora? – O homem a acompanhou, se levantando da cama também.
– Tribeca. Meu apartamento fica a umas duas quadras da FANCY. – respondeu, enquanto os dois caminhavam juntos até a sala, onde a mulher pegou sua bolsa no sofá.
– Eu te levo. – Ela recusou com a cabeça.
– Claro que não, você vai gastar uma hora indo e voltando. Eu peço um Uber, sua noite já foi cheia o suficiente, melhor você descansar. – Respondeu, sem olhá-lo, enquanto abria o aplicativo de transporte no celular.
– Que tipo de homem vou ser se não te levar em casa? – odiava esse tipo de pergunta.
– O tipo que respeita minha decisão de querer ir de Uber? – Respondeu ironicamente, sendo mais grossa do que gostaria, mas falando sério. Não queria mesmo que Sebastian tivesse o trabalho de levá-la, sendo que depois ainda precisaria voltar. O homem fez uma careta e levantou as mãos, como se estivesse se rendendo.
– Acho que um tapa doeria menos, mas você tem toda razão. – olhou para Sebastian e riu.
– Desculpa, não quis ser grossa. Só não é necessário… Quem sabe outro dia? – Soltou, de forma espontânea e morreu de vergonha logo depois. Era a segunda vez que se oferecia para ir à casa dele só nesta noite.
Quem sabe outro dia. – Ele repetiu a frase da mulher como resposta. Os dois sorriram um para o outro, pensando no que poderia surgir dessa nova relação. – Mas me avise quando chegar, pelo menos. – A jornalista concordou e logo informou ao ator que seu Uber estava chegando. Sebastian a acompanhou até o hall do prédio.
O aperto de mão da reunião de sexta passada evoluiu para um beijo no rosto. sorriu para o homem pela milésima vez na noite e entrou no carro, que logo partiu. Sebastian esperou que o Uber virasse a esquina para voltar para seu apartamento. A noite tinha sido cheia e, agora, só conseguia pensar em tomar um banho e dormir.
No elevador, percebeu que seu grupo no WhatsApp com Chris e Anthony tinha mais de 100 mensagens não lidas e começou a se perguntar o que os amigos teriam conversado tanto para atingirem esse número exorbitante de mensagens. Quando abriu o grupo, logo de cara viu as fotos dele com que Anthony havia pegado no Twitter. Então era disso que Serena estava falando, pensou.
Anthony enviou as imagens e junto delas alguns prints de fãs comentando sobre os dois. Claro que o amigo só escolheu os comentários positivos, e Sebastian até gostou do que leu:

"Seb tá tão bonito nessas fotos que eu vou até ignorar o fato de estar com uma mulher do lado"

"Sebastian com essa barba perfeita… Ele tá cada dia mais lindo, como pode"

"Essa mulher do lado do Sebastian é simplesmente a jornalista mais incrível que existe nesse mundo e eu não sei vocês, mas eu shippei forte"

Anthony complementou o último print com uma mensagem dizendo que "também shippa" os dois. Sebastian riu e revirou os olhos lendo aquilo, parando para pensar como seria a reação de ao ver as fotos.
Pelo pouco que conhece da mulher, acreditava que ela iria rir e dizer algo como: "agora um homem e uma mulher não podem ser vistos juntos que todo mundo quer shippar?". Além disso, tinha certeza que a jornalista ficaria preocupada com sua reputação ao ser vista com ele.
Mas o ator não poderia estar mais errado.
Pensou em encaminhar as fotos para ela e se explicar, mas foi nesse exato momento que percebeu que ainda não tinha o celular da mulher. Como ela vai avisar que chegou? pensou. Até cogitou mandar uma mensagem para Michael pedindo o número, mas deveriam ser cinco horas da manhã em Portugal e o amigo com certeza estava dormindo.
Sebastian deixou o celular de lado e tomou um banho rápido. Vestiu um conjunto de moletom para dormir, já que estava um frio absurdo em NY, e se deitou na cama bem ao lado de Elvis, que já dormia. Antes de pensar em fazer o mesmo que o cachorro, resolveu olhar o celular uma última vez, a tempo de ver que tinha recebido um novo e-mail.

"Oi… percebi que não tenho seu número de celular e tive que apelar pra cá hahahaha só pra te avisar que já cheguei e que tá tudo bem, obrigada pela preocupação! Ahh, e a Claire me mandou umas fotos nossas que seus fãs postaram no Twitter… Não te falei que você tem uma cabeçona? ;)"

Sebastian gargalhou com a mensagem, aliviado pela reação da mulher e também pela resposta ter sido mil vezes melhor do que seu palpite. O homem estava bastante surpreso com o fato de não ter ficado puta ou brava com as imagens, e pensava muito sobre como a jornalista conseguiu surpreendê-lo tantas vezes em menos de uma semana. não era só inteligente, era também muito divertida e sincera, qualidades que ele admirava, e que a deixavam ainda mais interessante.
Droga. – O ator sussurrou, antes de pegar seu celular novamente e voltar nas fotos que Anthony mandou para ver se ele realmente tem uma cabeçona.

***

Era madrugada. Serena finalmente chegou em sua casa. Havia esperado do lado de fora do prédio de Sebastian durante alguns minutos antes de ir embora, a tempo de ver a fancy girl sair e entrar em um carro que a loira desconhecia. Ela tinha certeza que aquela bolsa pertencia à jornalista. Sua intuição nunca falhava.
Por esse motivo, engoliu em seco. A amizade dos dois a preocupava, e ela não queria mais um problema em sua vida.


Capítulo 7 - Septuagésimo oitavo distrito


Era sábado de manhã e havia chegado na Filadélfia há algumas horas. Acordou antes das seis da manhã para se arrumar e ir. Artur, seu irmão, estava mais do que ansioso para vê-la, já que os dois sempre foram muito apegados.
Quando a jornalista chegou, a recepção não poderia ter sido melhor. O garoto não só pulou no colo da irmã, como a encheu de beijos e abraços. Para , essa era a melhor parte de ir para a casa dos pais.
Artur foi adotado por Maggie e Robert quando já tinha 17 anos. O processo de adoção, ao todo, levou quase 2 anos e meio para ser concluído, já que foi internacional. Durante todo esse tempo, os pais de tiveram contato quase que diário com a agência de adoção e gastos enormes com as idas até a Etiópia, país natal de Artur, e também com os custos de imigração. O casal estava preparado para isso, claro, mas não deixou de ser um período muito desgastante, principalmente devido à espera. Mas claro que no fim tudo valeu a pena.
– Artur, tenho uma proposta para te fazer. – disse ao irmão enquanto almoçavam em família. – Topa assistir a todos os filmes da Marvel comigo? – Artur por pouco não caiu da cadeira, tamanha era a felicidade que ficou. É apaixonado pela Marvel e seu quarto denunciava isso com a quantidade de posters e bonecos que tinha.
– Isso é tudo que eu sempre quis ouvir. – Confessou, fazendo e seus pais rirem. – Mas você sabe que são mais de 20 filmes, né? – É claro que não sabia disso, mas agora que tinha instigado o garoto, não poderia mais voltar atrás.
– Então é melhor a gente começar o quanto antes. – A jornalista não fazia ideia de como iria assistir a todos esses filmes sem dormir, mas precisaria fazer um esforço pelo irmão e também pelo bem da sua curiosidade, já que queria muito ver a atuação de Sebastian. Os irmãos terminaram de almoçar e foram assistir aos filmes no quarto de , onde a cama era maior.
Passaram o sábado e o domingo assistindo aos filmes da Marvel, mas preferiu não respeitar a ordem cronológica. A verdade é que só queria ver a atuação de Sebastian, por isso, não fez muita questão de assistir aos filmes que ele não estava no elenco. Acabou que a jornalista deixou de entender algumas diversas cenas e referências, e Artur teve que ajudá-la.
estava apaixonada pelo universo Marvel e ficou se perguntando durante boa parte dos filmes porque nunca tinha parado para assistir. Acabou criando esse pré-conceito de que era coisa de criança, mas está bem longe de ser. A mulher estava encantada com os efeitos, as histórias, os diálogos e as amarrações que eles fizeram em cada um dos filmes.
No fim, era verdade: adorou os filmes, principalmente essa coisa de cena pós-créditos, como ela mesma descreveu. Artur, inclusive, ficou muito feliz com o convite da irmã, já que era viciado na Marvel e nunca se cansava de assistir.
A jornalista também ficou encantada com a atuação de Sebastian, principalmente no segundo e terceiro filme do Capitão América. Agora conseguia facilmente entender o fascínio do irmão pelo personagem: ele rouba toda a cena em cada momento que aparece.
não via a hora de contar para Claire, e quem sabe até mesmo para Sebastian, que tinha assistido aos filmes. A propósito, ficou muito feliz de ver Anthony Mackie também. Em sua opinião, o ator é um dos melhores de todos os tempos.
Era domingo à noite. estava se preparando para ir embora e passou a pensar bastante nas coisas que haviam acontecido durante a semana. Sabia que tinha algo muito errado nessa relação entre Serena e Fred e, por isso, não conseguia parar de criar teorias.
No fim, talvez Sebastian tenha razão e os dois estejam realmente se envolvendo, mas isso não parecia do feitio de Fred. O homem sempre falou muito bem da mulher e parecia respeitá-la. E, bom, uma traição mexeria muito com o resto da boa imagem que tem do chefe.
Por outro lado, pensava que poderia realmente ser uma forma de Frederick se meter em seu trabalho, de fazer com que ela siga o que ele quer, mas sem agir diretamente. Afinal, Fred sabia que a conversa com Serena provavelmente mexeria com a jornalista, e pode muito bem ter agido de caso pensado.
– Já vai? – Maggie entrou no quarto de , chamando sua atenção. A jornalista a olhou.
– Daqui a pouco. – Respondeu, voltando a arrumar sua mala que estava na cama. Resolveu deixar algumas roupas na casa dos pais, assim não precisaria ficar levando novas peças o tempo todo.
– Você ainda nem me contou sobre o Soldado Invernal. – riu e revirou os olhos antes de olhar para a madrasta. – Tá rolando algo?
– Sim, e se chama trabalho. – A jornalista respondeu enquanto se sentava na cama, sendo acompanhada pela outra mulher. – Sexta no Santô foi só uma coincidência… – começou dizendo e pensou em quanta coisa teria que explicar para Maggie se fosse contar a história inteira. – É muita coisa, Maggie.
– Me explica, vai. Ainda temos tempo? – Maggie respondeu e pensou que talvez a mulher pudesse ajudá-la nas teorias, já que a madrasta sempre foi muito boa em conselhos.
começou a explicar tudo para Maggie. Contou sobre a campanha e sobre a ajuda de Michael. Disse que ficou muito feliz com a empolgação de Sebastian sobre o trabalho e que o homem realmente parecia ter gostado do tema. Contou sobre o processo de Sebastian e confessou à madrasta que gostaria de trabalhar com o ator, mas que tudo foi por água abaixo quando falou com Dan, que contou para Fred.
Maggie, nesse momento, ficou bastante chocada com a conduta do amigo da enteada, já que conhecia Dan e, assim como , não esperava esse tipo de atitude. Para finalizar, explicou a cereja do bolo, que era o que mais a incomodava: a visita de Serena e o encontro da mulher com seu chefe.
– O Fred estava com a ex-namorada do Sebastian na sexta-feira? – Maggie disse, tentando processar a informação. balançou a cabeça em sinal de confirmação. – Isso não faz nenhum sentido.
– Nenhum mesmo. Sebastian disse que nem sabe quem é meu chefe, e eu não acho que ele esteja mentindo. – Confessou, recebendo um sorriso de Maggie. – A principal teoria é que Fred e Serena tenham algum caso. – gesticulava com as mãos enquanto falava, claro sinal de que estava nervosa. – Ou que ele só não quer que eu trabalhe com o Sebastian.
– Bom, se quer saber minha opinião, não faz sentido o Fred ter ido atrás dela somente para te fazer não contratar o Sebastian, , ele poderia só te proibir. É seu chefe. – fitou a parede, pensando no que a madrasta tinha acabado de falar. Ela concordava com a mulher. – Eles devem ter alguma coisa, resta saber há quanto tempo.
– Não sei se quero saber. – Ela afirmou, revirando os olhos. – Não vou conseguir lidar com isso sem sentir ódio do Fred. – Maggie tocou o ombro da enteada.
– São teorias, , a gente não sabe o que está rolando de verdade. – A mulher tentou tranquilizá-la. – Mas talvez valha a pena ficar mais esperta em relação a ele. Você não sabe as verdadeiras intenções e tudo que temos é achismo, né? – A mais nova concordou, enquanto suspirava pesadamente. – De toda forma, no fim, ele pode ter uma ótima explicação. Tenta não pensar nisso. – concordou com a cabeça.
Esperava realmente que tudo não passasse de uma grande coincidência.

***

Era segunda-feira à tarde. tinha liberado dois roteiros de entrevista: um com a marca de roupas Private Policy e o outro com Ross Butler, ator singapurense que Lana Condor tinha indicado para fazer parte da edição de março. Claire e Dan fariam a entrevista e as fotos com o Ross, que seria quinta-feira, no Santô, enquanto organizava com uma equipe de filmagem a possibilidade de uma gravação na próxima semana com o pessoal da Private Policy. Assim, poderiam adicionar um QR Code na revista que direciona o leitor para um vídeo da entrevista completa.
Ainda não tinha tido tempo para pensar na campanha, pois precisava organizar as pautas da edição de março que eram prioridade.
Claire estava em sua mesa, pesquisando informações adicionais sobre Ross Butler quando recebeu uma mensagem em seu grupo de amigas. Todas, sem exceção, eram fãs da Marvel e tinham acabado de ficar sabendo de algo muito chato. Na hora que Claire teve acesso às mensagens, seu coração parou e ela só conseguiu pensar em um nome: .
A estagiária viu que a chefe estava em uma ligação e pensou se deveria ou não lhe contar o que tinha acabado de descobrir. Sabia que a possibilidade de ver aquilo era muito grande, mesmo sem Claire dizer, então achou que seria melhor contar. Perguntou para as amigas tudo que elas sabiam sobre o caso e esperou a chefe desligar o telefone. Estava aflita.
, posso falar com você rapidinho? – estava buscando especialistas sobre racismo contra pessoas amarelas naquele momento. Tinha falado com um no telefone há pouco tempo e iria preparar um roteiro de entrevista para enviar. Em paralelo, buscava obras e artigos sobre o tema para conseguir formular as melhores perguntas possíveis. – É importante.
– Claro, estava marcando uma entrevista com um professor da Universidade de Columbia que a Liu Wen comentou na reunião, mas já desliguei. Pode falar sim. – finalmente olhou para a garota e percebeu que ela parecia preocupada. – Está tudo bem, Claire? – A garota suspirou antes de entrar na sala da chefe e fechar a porta. Naquele momento, começou a pensar que alguma coisa muito séria tinha acontecido.
– Eu não sabia se deveria te dizer isso, mas acho que você vai acabar descobrindo de todo jeito. – franziu o cenho. – Entra no site do TMZ, é melhor você ler. – A jornalista continuou achando tudo muito estranho, mas fez o que a estagiária pediu e acessou o site.
O Sebastian foi preso? – Por pouco não gritou. Esperava ler qualquer coisa, menos que Sebastian havia acabado de ser preso. – Mas por quê? O que aconteceu? – A jornalista disse, enquanto acessava a matéria para poder entender. Claire se sentou e começou a ler em voz alta o que estava escrito no site: - "O ator Sebastian Stan, 36, famoso por dar vida ao personagem Soldado Invernal nos filmes da Marvel, foi preso na manhã desta segunda-feira pela polícia de Nova York. Segundo apurado pelo TMZ, Stan desrespeitou a medida protetiva que a ex-namorada, a atriz Serena Cavalcanti, 29, tem contra ele, indo até a mesma boate que a mulher estava na noite de sexta-feira." - parou de ler e permaneceu muda, já Claire não sabia se deveria ou não falar alguma coisa. – Mas isso é mentira. – finalmente se pronunciou. – Sebastian nem sequer sabia que Serena estava na boate, e assim que soube entrou em desespero e me pediu para tirar ele de lá. Eu lembro. Nós saímos do Santô e fomos direto para o apartamento dele. – A jornalista disse, provocando uma expressão de surpresa no rosto de Claire. A estagiária sabia que os dois se encontraram na sexta. Afinal, viu as fotos no Twitter, mas não sabia que tinha ido parar no apartamento do ator. – E a Serena ainda apareceu lá depois. Ou seja, não foi ele que atrás dela, foi ela que foi atrás dele.
– Você foi para a casa do Sebastian? – Foi a primeira pergunta que veio à mente de Claire quando ela retomou a consciência. Aquilo era muito mais do que a estagiária poderia imaginar.
– Foi só essa parte que você ouviu, né? – Claire assentiu com a cabeça, ainda em choque e com os olhos arregalados. riu da reação da garota, mesmo não conseguindo achar graça de nada que estava acontecendo, pois era muito sério. Se Serena denunciou Sebastian como acredita que fez, a mulher deu uma queixa falsa. Afinal, o homem não foi atrás dela, pelo menos não naquele dia, e sabia muito bem disso. – Na matéria não diz para qual delegacia ele foi levado. Você sabe?
– Posso ver se consigo descobrir pelo Twitter. – concordou e agradeceu Claire, sabia que tinha a possibilidade do delegado não conceder fiança devido ao processo que o ator já enfrenta e precisava fazer alguma coisa. Seria injusto demais Sebastian ficar preso por algo que não fez, ainda mais com sabendo da verdade. Não podia deixar isso acontecer. – Uma menina chegou a postar que viu ele dando entrada no septuagésimo oitavo distrito, ela inclusive postou fotos. Acho que é verdade. – Claire mostrou o celular para que assentiu com a cabeça e procurou pela delegacia no Google.
– Bem provável que seja, fica no Brooklyn. O Sebastian mora lá. – pensou como faria para ir até a delegacia e o que falaria. Acreditava que, nesse momento, o advogado de Sebastian já deveria estar por lá. – Claire, eu vou até a delegacia e você precisa me dar cobertura aqui. Se alguém perguntar por mim, qualquer pessoa que seja, você diz que tive um imprevisto bancário e volto depois do almoço, tudo bem? – Claire concordou e se sentiu dentro de um filme de ação. Adoraria ir com a chefe, inclusive, mas sabia que nesse caso ela era somente a assistente que ajudava a espiã. – Vou precisar pegar meu carro. – A jornalista disse enquanto se levantava. – Se você ver ou ouvir qualquer coisa estranha ou suspeita, me manda mensagem, principalmente vindo do Fred. – Foi a última coisa que disse a Claire antes de deixar o escritório e correr para a sua casa.
Foram menos de 20 minutos até já estar a caminho da delegacia. Sua cabeça fritava pensando na possibilidade de Fred ter alguma relação com isso, mas ela rezava para que sua intuição estivesse errada. Pela primeira vez em muito tempo, realmente não queria estar certa.
Enquanto dirigia, pensou em formas de provar para o delegado que o que dizia era verdade. Poderia facilmente ter acesso às câmeras do Santô se pedisse ao seu pai e pensava em sugerir que eles fossem atrás das filmagens do prédio de Sebastian, que mostrariam Serena chegando. Sabia que, no caso da segunda, somente conseguiriam com um mandato e que isso poderia demorar muito, prejudicando o processo e aumentando o tempo de Sebastian na prisão.
parou o carro no estacionamento do 78° Departamento de Polícia de Nova York e olhou em volta. Aparentemente, não havia nenhum paparazzi ali, mas nunca se sabe. não estava preocupada em ser vista com Sebastian, mas sim com o que isso poderia resultar dentro do seu ambiente de trabalho, pensando especificamente em Fred.
A mulher colocou suas botas do lado de fora do carro e caminhou para dentro da delegacia. Assim que entrou, deu de cara com Anthony, que estava ao lado de um outro homem engravatado, que constatou ser o advogado. A jornalista se aproximou dos dois enquanto o barulho de seu salto batendo no solo chamava a atenção de todos ali dentro.
? – Anthony disse e a jornalista não conseguiu conter um sorriso ao ver que ele se lembrou do nome dela. O ator se virou para o homem ao seu lado. – Sr. Lachowski, essa é a , a mulher de quem estava te falando. – A jornalista cumprimentou o homem engravatado, percebendo que o rosto do mesmo deu uma aliviada assim que Anthony a apresentou.
– Como estão? – Perguntou, educadamente, sem esperar uma resposta – Desculpa aparecer assim, mas minha estagiária me mostrou a notícia e eu não pude deixar de achar tudo isso uma grande injustiça.
– E é. – Anthony disse, enquanto cruzava os braços. – Um absurdo. – concordou com a cabeça e observou a delegacia com mais calma, o local era enorme. – Mas que bom que você veio, . Comentei com o Sr. Lachowski que você estava com a gente na sexta.
– Sim, estava, e vim com o intuito de ser testemunha. – Anthony sorriu para a mulher pensando em como seria a reação de Sebastian ao descobrir isso. – Será que é possível? – O advogado assentiu com a cabeça.
– É sim. – soltou a respiração aliviada naquele momento. – O delegado vai falar primeiro com o Sebastian e eu vou acompanhar, depois digo que temos duas testemunhas para confirmar o álibi dele, que é quando vocês entram. Só peço que não mintam, por favor. – Anthony e , que ouviam tudo atentamente, concordaram com o homem.
– Temos que provar algo? – A jornalista perguntou e essa também era a dúvida de Anthony. O Sr. Lachowski negou com a cabeça.
– No momento, não. Provavelmente, vai acontecer o seguinte: Sebastian tem um álibi que vai ser sustentado por vocês. A partir disso, o delegado pode ou não conceder a fiança para que ele continue aguardando em liberdade. – e Anthony novamente suspiraram aliviados. – Só que essa suposta quebra da medida protetiva provavelmente vai ser adicionada ao processo e pode ser usada pela defesa da Serena, por exemplo. É aí que as provas entram, perante ao juiz.
– Eu consigo ter acesso às filmagens da boate que a gente estava na sexta, meus pais são donos, então já vai ser alguma coisa. – A jornalista sugeriu.
– É alguma coisa sim, Srta. . Obrigado. – O advogado disse e sorriu, sussurrando um "não tem de que". O celular de Anthony começou a tocar.
– É o Chris, já volto. – Antes que Anthony voltasse, o delegado apareceu e chamou pelo advogado de Sebastian, que logo entrou e deixou sozinha. A mulher se sentou em uma das cadeiras do local e ficou pensando no que deveria falar, se iria demorar e se as coisas dariam certo. Seria sincera, claro, e torcia para que o delegado acreditasse e concedesse a fiança.
Logo Anthony voltou e sentou ao lado de , explicando que Chris havia ligado porque viu as notícias e ficou preocupado com Sebastian. Anthony explicou ao amigo que ele e já estavam na delegacia, assim como o advogado de Seb, esperando para resolver as coisas. O ator riu na ligação quando Chris ficou tão chocado quanto ele ao ouvir o nome de , afinal nenhum dos dois esperava que ela fosse até lá por livre e espontânea vontade.
Uma hora tinha passado e nada de Sebastian, Sr. Lachowski ou o delegado aparecer. estava ainda mais aflita, principalmente porque precisava voltar para o trabalho e não queria que Fred suspeitasse de onde ela havia ido. A jornalista olhava constantemente o celular, esperando alguma mensagem de Claire, mas até o momento a estagiária não deu sinal de vida.
não sabia se isso era um bom ou mau sinal.
– Qual dos dois vai agora? Eu não posso entrar com vocês, mas vou aguardar aqui. – Sr. Lachowski disse assim que chegou até e Anthony.
– Pode ir, , sei que você precisa voltar para o trabalho. – A mulher respirou aliviada e sussurrou em agradecimento a Anthony.
– Srta. , fique tranquila e só fale a verdade, tudo bem? – não estava nervosa, ela estava preocupada. Sabia que que só precisava ser sincera, mas tinha medo disso não ser o suficiente. A jornalista concordou com o homem antes de ser revistada e acompanhada por uma policial até a sala do delegado.
– Bom dia, Srta. , como vai? Eu sou o delegado Montez. – Foi o que ouviu assim que entrou na sala onde o delegado estava. O local era exatamente igual aos filmes, com uma mesa bem ao centro e uma cadeira em cada lado. As paredes eram escuras e o homem tinha uma cara agradável. Pelo menos isso, pensou. A jornalista se sentou enquanto respondia que estava bem. O delegado sorriu. – Nossa conversa será gravada, tudo bem? – concordou apenas com a cabeça. – Muito bem… Vamos começar. Me fala seu nome completo, sua idade, ocupação e qual sua relação com o Sr. Stan, por favor.
– Meu nome é , tenho 27 anos, sou jornalista, editora-chefe da revista FANCY e amiga do Sebastian. Acho que posso definir assim. – O homem balançou a cabeça, concordando.
– Então, Srta. , você se incomoda em me contar como foi sua noite de sexta-feira?
– Não. – Ela respondeu sem tirar os olhos do homem. – Eu esbarrei com Sebastian por acaso no Santô, a boate que estávamos. Meus pais são sócios de lá e eu tinha combinado de encontrar com eles. – O delegado não falava nada, apenas ouvia atentamente tudo que dizia. – E nisso eu vi a Serena e minutos depois o Sebastian. Acabei comentando sobre ela e ele ficou bem assustado e foi nessa hora que me contou sobre a medida protetiva. – Em nenhum momento desviou seu olhar do homem à sua frente. – Eu o ajudei a sair de lá, fomos embora pela saída de incêndio.
– Então você conhece a Srta. Cavalcanti, ex-namorada do Sr. Stan? – balançou a cabeça negativamente.
– Não diria que a conheço, só sei quem ela é. – A jornalista respondeu, convicta.
– Certo. Você confirma que o Sr. Stan não sabia que Serena Cavalcanti estava na boate? – O homem apoiou os dois cotovelos na mesa enquanto olhava para .
– Confirmo. – balançou a cabeça positivamente.
– Você gostaria de dizer mais alguma coisa? – pensou se aquilo era um teste, se Sebastian teria ou não falado sobre a ida de Serena a sua casa.
Pela primeira vez, não soube o que deveria responder.
– Sim. – confirmou enquanto engolia em seco, aquela foi a primeira vez que demonstrou nervosismo na frente do homem. – Depois da boate, eu fui com Sebastian para o seu apartamento e a Serena apareceu lá. Foi ela que foi até ele, e não o contrário. – O homem assentiu.
– O que vocês foram fazer na casa do Sr. Stan? – cruzou o cenho, pensando se aquela pergunta era válida.
– Isso vem ao caso? – Perguntou, deixando clara sua indignação e o homem nada disse. – A gente queria conversar em um lugar mais reservado, e só. Não acho que isso influencie em nada, delegado Montez. Prossiga com perguntas condizentes, se possível, por favor. – Não que Sebastian e tivessem feito muita coisa no apartamento naquela sexta-feira, mas para a jornalista essa pergunta era extremamente irrelevante.
– Você viu quando a Srta. Cavalcanti chegou ao apartamento do Sr. Stan? – O delegado perguntou, sem responder as falas anteriores da mulher. teve certeza que a pergunta anterior era uma forma de desvalidar seu depoimento, colocando-a como uma possível ficante de Sebastian que poderia mentir para tirá-lo da cadeia.
– Sim, eu estava junto com ele. – continuou olhando o homem no fundo de seus olhos. – Ela tocou a campainha várias vezes e Sebastian resolveu atender e pedir que ela fosse embora. Eu esperei no quarto. Foi isso que aconteceu.
– Por que você esperou no quarto? – suspirou, achando todas essas perguntas muito chatas.
– Porque eu não conheço a Serena e eu não fazia ideia de qual seria sua reação ao me ver, só preferi evitar uma dor de cabeça ainda maior. – O homem concordou com a cabeça.
– Durante quanto tempo eles conversaram? Você sabe dizer? – A mulher lambeu os lábios.
– Por menos de 10 minutos. – Garantiu. O homem voltou a balançar a cabeça.
– Mais alguma coisa que queira me dizer? – não sabia se aquilo também era um teste, mas já tinha falado tudo que sabia.
– Não, é só isso. – O delegado concordou e se levantou, estendendo sua mão para a jornalista, que o cumprimentou. realmente não sabia se tinha ajudado ou não, mas foi sincera e disse a verdade, como o próprio advogado de Sebastian orientou. – Obrigada.
– Eu quem agradeço, Srta. . Tenha um bom dia. – A mulher sorriu pela última vez para o delegado e deixou a sala, sendo acompanhada por um policial até o lado de fora, onde Anthony esperava sua vez de entrar. O ator sorriu assim que viu a mulher e entrou pela porta que a mesma havia saído há alguns segundos. se aproximou do Sr. Lachowski.
– Espero ter ajudado. – O homem sorriu, concordando com a cabeça. – Será que ainda precisam de mim? Preciso muito ir.
– Não, fique tranquila. Pode ir sim. Obrigado pela ajuda, Srta. . – Ela sorriu e cumprimentou o homem com um aperto de mão. Mas antes de finalmente ir embora, procurou por seu cartão de visitas na bolsa e entregou ao homem.
– Se precisar de qualquer coisa, me ligue, por favor. – Sr. Lachowski pegou o pequeno papel e sorriu para a mulher, balançando sua cabeça positivamente. – Até mais. – deixou a delegacia e correu para seu carro. A mulher olhou seu celular e arregalou os olhos assim que viu as horas, tinha chegado na delegacia às 10 da manhã e já seria uma hora da tarde. A jornalista não fazia ideia que tinha passado tanto tempo dentro da sala com o delegado. Seu coração apertou ainda mais quando viu que tinham 5 ligações perdidas de Claire, fora as milhares de mensagens que a estagiária havia mandado. suspirou fundo e telefonou de volta. – Me perdoa, Claire, só consegui pegar o celular agora. O que aconteceu? Está tudo bem?
– Eu consegui segurar as pontas bem, acho que ninguém suspeitou que você foi até aí. – jogou a cabeça para trás e soltou o ar com força, estava muito aliviada por ouvir aquilo. – Mas você foi clara quando me pediu para te ligar se eu visse qualquer coisa estranha.
– O que você viu? – perguntou, estava aflita. Quando disse isso para a Claire não achou que a garota fosse realmente ver algo suspeito.
– Foi o que eu ouvi, na verdade. – A estagiária, do outro lado da linha, caminhava até o banheiro para conseguir falar com discrição. – O Fred deixou a porta encostada e eu consegui ouvir um pouco da conversa dele ao telefone, achei estranho ele falar do assunto, ainda mais depois de como surtou com você… Enfim. – Claire suspirou, enquanto segurava fortemente a respiração. – Eu consegui ouvir ele dizer: "Sim, eu já sei que o Sebastian foi preso".


Capítulo 8 - Vermelho é a cor mais quente?


Era segunda-feira à noite. Sebastian deixou a delegacia acompanhado de seu advogado, o Sr. Lachowski, e de Anthony. O homem estava bastante abalado e não chegou a conversar muito com os dois, só entrou no carro do amigo, que iria levá-lo até sua casa.
Estava cansado de saber que Serena queria, a todo custo, prejudicá-lo, mas não imaginou que ela fosse capaz de inventar outra mentira para isso acontecer, ainda mais depois de ter ido pedir perdão. Já não bastava todo o problema envolvendo a denúncia, agora também teria que ser investigado por supostamente quebrar a medida protetiva.
Estava preocupado.
– Sua mãe ligou. – Anthony disse, chamando a atenção do amigo que estava sentado no banco do passageiro. Sebastian suspirou pensando em como sua mãe deve ter ficado preocupada. – Eu mandei mensagem há pouco tempo dizendo que deu tudo certo com a fiança, mas é melhor você ligar depois e conversar com ela.
– Vou fazer isso. – Sebastian respondeu sem olhar para Anthony. – Obrigado por ter vindo e por ter falado com ela. – Anthony balançou a cabeça positivamente.
– Sinto muito por tudo isso, Seb. – Sebastian fechou os olhos e jogou a cabeça para trás, suspirando.
– É uma merda atrás da outra, cara, impressionante. – O homem começou a desabafar. – A denúncia, o processo, os contratos… Não consegui o trabalho na FANCY também, e agora isso. – Anthony estava atento ao trânsito, mas não deixou de prestar atenção no que o amigo dizia. – É muita coisa dando errado.
– Você sabe que eu estou sempre ao seu lado. – Sebastian sabia muito bem disso.
– Obrigado por tudo que tem feito por mim. – Anthony aproveitou o sinal vermelho para olhar o amigo e bagunçar seu cabelo, enquanto sorria. Sebastian precisava conversar com Hilary para ver como as contas estavam antes de pensar em qualquer coisa, mas já imaginava que, com a fiança, precisaria tomar ainda mais cuidado com seus gastos, talvez até se mudar para um apartamento mais barato. Além disso, estava preocupado com o desfile da Boss. Queria mesmo ir, mas já imaginava que as coisas não seriam tão favoráveis para ele depois da prisão.
– Mas, olha… Dessa vez não fui só eu que te ajudei. – Anthony comentou com um sorriso divertido nos lábios. Estava louco para ver a reação do amigo ao descobrir que tinha ido até a delegacia.
– Como assim? – Anthony continuou sorrindo, mas não respondeu Sebastian, que franziu o cenho. – Fala, Anthony, para de suspense. – O amigo riu e Sebastian bufou. – Você sabe ser insuportável. – Anthony estacionou o carro na frente do prédio do outro homem e finalmente o olhou.
– Calma, cara, estava dirigindo. – Sebastian bufou novamente.
– Você sempre faz isso.
– Eu não fui sua única testemunha hoje. – Sebastian franziu o cenho e entortou a cabeça. – A foi até a delegacia também.
– A ? Que ? – Anthony revirou os olhos. – A fancy ? Que usa aquelas botas e bolsa de cinco mil dólares? Essa ?
– A única que eu conheço, você conhece outra? – O amigo respondeu, direto, enquanto arqueava as sobrancelhas.
– Só precisava ter certeza. – Anthony gargalhou e Sebastian sorriu, imaginando a cena de dentro de uma delegacia. O homem nunca, em hipótese alguma, chegou a imaginar que ela iria até lá. tem toda uma carreira e reputação, não fazia sentido que ela arriscasse manchar tudo que construiu por Sebastian. Talvez ela realmente acreditasse nele no fim das contas, e fosse justa o suficiente para não permitir que ele fosse preso por algo que não fez. – Ela é toda chique, sei lá, não consigo imaginar isso. – Ele suspirou, enquanto jogava a cabeça para trás. – Mas, cara, não. Vocês não deveriam ter chamado ela, não acho legal envolver a nessa merda toda, a gente nem se conhece direito… Eu já odeio ter envolvido você. – Anthony riu.
– Seb, ela foi até lá por livre e espontânea vontade. Não fui eu e nem o Sr. Lachowski que chamamos. Ela foi porque quis. – E mais uma vez a jornalista conseguiu surpreendê-lo. Sebastian ficou boquiaberto e Anthony estava adorando as expressões no rosto do amigo. – E ela estava mesmo usando bota. Preta. E uma roupa toda vermelha. Bem gata, viu? Os policiais ficaram alvoroçados, mas ela nem ligou.
– É, ela passa essa impressão de que nunca liga. – Sebastian sorriu enquanto imaginava, agora com ainda mais detalhes, a cena de na delegacia. – Parece que não dá a mínima para ninguém, sabe? Sei lá.
– Claro que sei, essas são as melhores e as piores ao mesmo tempo. – Anthony fez uma careta e provocou uma risada no amigo. – Fico nervoso sempre que tento chamar uma mulher dessas para sair. Elas tem todo esse negócio de "olha, eu te quero, mas eu não preciso de você, então se esforce muito". Eu não sei nem como me esforçar pouco, imagina muito. – Sebastian gargalhou do jeito de sempre: jogando a cabeça para trás e passando a mão no cabelo.
– E você sinceramente acha que algum homem sabe?
– É claro que não, e suspeito que minha mulher me deixou por isso. – Sebastian deu dois tapinhas no ombro do amigo.
– Eu tenho certeza. – A resposta fez com que Anthony distribuísse vários socos pelo corpo de Sebastian, que tentava desviar enquanto ria. – Para, você é forte. – Anthony sorriu ao ouvir isso e levantou os braços, mostrando seus músculos. – Mas olha, é isso daí que ela perdeu.
– Agora sim você foi um amigo decente. – Sebastian riu e balançou a cabeça negativamente, pensando no quanto Anthony era engraçado. – E então, por que você não liga para a e agradece? – Anthony sugeriu, sorrindo, e o amigo entortou a cabeça.
– Por incrível que pareça, eu ainda não tenho o número dela. – Sebastian respondeu e o amigo fez uma careta de indignação, sussurrando um "como assim?". – Mas preciso sim agradecer, sem dúvidas. – Confessou. Sabia que não tinha obrigação nenhuma de ter ido na delegacia, mas ainda assim foi. Por isso, precisava agradecer a jornalista da melhor forma possível. – O que ela fez por mim foi demais… Acho que é um ótimo momento para tentar me esforçar muito. – Anthony sorriu e voltou a dar vários tapas em Sebastian.
– É disso que eu tô falando. – Ele disse, parando de bater no amigo, que ria enquanto arrumava o cabelo. – O Chris está vindo para Nova York, inclusive, chega hoje mesmo. Pediu pra te avisar.
– Em plena segunda-feira? – Anthony deu de ombros.
– Quer ficar por perto, segundo ele. – Sebastian sorriu. Christopher é o mais carinhoso dos três e sempre faz questão de estar o mais próximo possível dos amigos. – Vai ficar na sua casa. – Sebastian revirou os olhos enquanto abria a porta do carro.
– Eu sabia que sobraria pra mim… Sabia. – Anthony deu risada e se despediu do amigo, que desceu do carro e caminhou para seu apartamento.
Sebastian entrou em casa e foi recebido com muita felicidade por Elvis. O ator até tinha pedido para Anthony cuidar do cachorro caso ficasse preso por muito tempo, mas não foi necessário, já que conseguiu a fiança. Estava, inclusive, aliviado por isso, e sabia que devia muito a , que foi até a delegacia mesmo sem ser chamada. Iria entrar em contato com a mulher e agradecer, mas antes precisava falar com Hilary e com sua mãe, que deveria estar surtando de preocupação.
O homem ligou primeiro para a agente, pois precisava saber como suas contas ficariam depois do pagamento da fiança e se seria necessário, talvez, mudar de apartamento. Hilary atendeu o telefone logo no primeiro toque. Conversou com o Sr. Lachowski e já sabia que Sebastian tinha sido liberado, mas estava preocupada com o cliente e também amigo, afinal os dois construíram uma ótima relação durante esses anos de trabalho.
Sebastian explicou por cima tudo que tinha acontecido e Hilary só faltou explodir do outro lado da linha. Odiava, assim como todos os amigos próximos ao homem, ver o que ele estava passando. Sebastian perdeu toda sua credibilidade por algo que nem sequer tinha feito, e isso deixava qualquer um que soubesse da verdade biruta da cabeça.
Hilary conseguiu acalmar Sebastian em relação às contas. A fiança com certeza estava fora da previsão de gastos futuros, mas o ator ainda conseguiria sobreviver com o que tinha investido nos muitos anos de carreira. A agente também deixou claro que não achava necessário nenhuma mudança por agora, mas que procuraria outros apartamentos mais em conta para deixar de stand-by. O homem agradeceu.
Sebastian estava pesaroso em perguntar sobre o desfile da Boss, afinal tinha certeza de que seria cortado e não queria lidar com mais uma decepção.
– E não, Seb, você não foi cortado do desfile da Boss. – A mulher disse como se tivesse lido os pensamentos do ator. – Está tudo certo, não surta, ok? – Sebastian riu da última frase, já que realmente estava prestes a surtar. Ouvir de sua agente que o evento ainda estava de pé era o que precisava para mudar seu humor. Se antes estava preocupado, agora já sentia o alívio de estar em casa, sem intenção de deixar seu apartamento e com o desfile de pé. – Inclusive, já está tudo organizado, tô enviando a agenda para o seu e-mail agora – Sebastian aproveitou para pegar o notebook, enquanto ouvia Hilary explicar os planos: – A equipe da Boss fechou o Public Hotel para todos os convidados, então é pra lá que você vai. O motorista ficou por nossa conta, claro, mas já fechei um carro que vai te buscar em casa. – O ator ouvia atentamente tudo que a agente falava, enquanto lia o e-mail com as informações completas. – No hotel você vai encontrar o Michael e o resto da equipe para fazer maquiagem, roupa e todo o resto que você já está acostumado. – Sebastian sorriu, pensando em como sentia falta disso. – O motorista vai te levar para o desfile e depois de volta para o hotel. Você se troca e vai para a after party.
– Vai ser no Public? – Hilary riu.
– Você acha mesmo? É claro que não. – Sebastian achou graça, o Public tinha um ótimo espaço para festas, tanto no terraço quanto no porão. Adorava as escadas rolantes iluminadas. – Vai ser na Paradise. – O ator arregalou os olhos.
– Wow. Nossa. – Respondeu, pausadamente.
– Não te falei que eles querem encerrar com chave de ouro? – O Paradise Club é uma casa de festas em Nova York que tem um teatro como uma das principais atrações, exibido no momento do jantar. Após a refeição, o local vira uma boate super colorida e cheia de luzes, com direito a show ao vivo e DJ. Estilistas como Jeremy Scott e The Blonds já fizeram várias festas lá. O lugar é realmente super requisitado e as reservas são caríssimas, o que não é à toa, afinal fica dentro do Times Square Edition. – Você volta no domingo, não tem horário para o check-out, mas preciso que fique atento ao motorista e avise quando quiser ir embora.
– Pode deixar. – Sebastian não conseguiu esconder a empolgação na voz. Estava realmente muito ansiosa para o desfile e mais ainda para a festa.

***

Era terça-feira. estava em seu horário de almoço e, diferente dos outros dias, estava sozinha. Recusou o convite de Claire, com quem almoçava quase sempre. Tinha muito o que pensar e não queria compartilhar esses pensamentos com ninguém, pelo menos por enquanto.
Passou a segunda-feira atualizando a página do TMZ para descobrir qualquer novidade sobre o caso de Sebastian e respirou aliviada quando leu a notícia de que ele havia sido solto após pagamento de fiança. A mulher pensou muitas vezes em mandar uma mensagem, um e-mail, na verdade, mas preferiu esperar as coisas acalmarem para ele antes de qualquer coisa. Não queria invadir o espaço do ator e nem conseguia imaginar o quão difícil era para ele estar passando por isso.
A outra metade do seu dia foi dedicada a pensar em Fred. Afinal, qual seria a sua relação com Sebastian e por que ele teria interesse em sua prisão? Depois que Claire contou sobre a conversa do homem ao telefone, a jornalista ficou aflita. Antes, até pensava na possibilidade de ser uma grande coincidência, mas agora parecia ser bem mais do que isso.
Para , era oficial: Fred e Serena estavam se envolvendo.
A jornalista voltou para a empresa e seguiu até o décimo terceiro andar, onde fica o escritório da FANCY. Ela adentrou o local e caminhou calmamente até sua sala, passando por Claire que a olhava com o maior sorriso do mundo no rosto. A mulher franziu o cenho para a estagiária.
– O que aconteceu? – tinha até medo de perguntar isso, pois já não sabia mais o que esperar como resposta.
– Entre na sua sala e veja com seus próprios olhos. – A mulher continuou com a mesma expressão de confusão nos olhos, mas fez o que a estagiária pediu. Assim que entrou em sua sala, se deparou com um enorme buquê de flores em cima de sua mesa. Eram diversas rosas vermelhas. – Meu. Deus. – Claire estava logo atrás da chefe e bateu duas palminhas assim que olhou novamente para as flores. Tinha recebido assim que foi almoçar e, desde então, estava aguardando ansiosamente pela chefe para ver sua reação. – Quem mandou isso? Meus pais?
– Eu não sei! – Claire respondeu, enquanto corria para perto das flores. – Tenho um palpite… Mas não quero me iludir. – olhou a estagiária e revirou os olhos, achando graça da expectativa da garota. – Tem um cartão! – Claire estava muito empolgada, mesmo, enquanto se encontrava totalmente chocada. Nunca tinha recebido flores, somente de seus pais, e essas não pareciam ter vindo deles. – Abre, , por favor, senão eu vou passar mal.
– Desse jeito eu também vou passar mal. – A mulher respondeu, ansiosa, fazendo a estagiária rir. A verdade é que não fazia ideia de quem poderia ter enviado as flores e estava nervosa para descobrir. Seu coração batia muito rápido e o frio na barriga estava praticamente a consumindo. caminhou para perto de Claire e pegou o cartão.
– Lê em voz alta, por favor? – Ela sorriu para a estagiária enquanto terminava de abrir o pequeno envelope.
– "Tenho a impressão de que vermelho combina com você. Obrigado pelo que fez ontem." – O coração de por pouco não parou ao ler a mensagem. Ela sentiu sua barriga formigar e se perguntou que tipo de sensação era aquela. A mulher não conseguiu segurar o sorriso e a felicidade que ficou por ter ganhado as flores. Fazia anos que não era agradada dessa forma por alguém. Achou lindo, estava encantada, ainda mais por ter vindo do…
– SEBASTIAN? – A estagiária gritou e tampou sua boca assim que recebeu um olhar de reprovação da chefe. – Meu Deus, me perdoa, mas é exatamente de quem eu queria que fosse. – Ao contrário de , Claire realmente tinha certeza de que o presente era de Sebastian. A chefe, por outro lado, não havia pensado no ator nem por um segundo. Aliás, não havia pensado em ninguém. – Você gostou? – deu a volta na mesa para se sentar, enquanto não tirava os olhos do bilhete. Claire a acompanhou com os olhos.
– Como não gostar? – A mulher respondeu com um sorriso, fazendo a estagiária pular de felicidade. – Só não sei como reagir a isso, até hoje as únicas pessoas que me deram um buquê foram os meus pais. – disse, dando de ombros. Claire arregalou os olhos e se sentou à frente da chefe.
– Sério? – A mulher finalmente tirou os olhos do bilhete para observar a estagiária. – Difícil de acreditar… Você parece o tipo de pessoa que sempre é chamada para sair, que é toda popular. – riu.
– Talvez seja o preço que se paga por ser uma mulher que estuda o que eu estudo, você acaba afastando os homens, mesmo sem querer. – Claire estava chocada com a confissão de . A estagiária sempre enxergou a chefe como uma das mulheres mais bonitas, inteligentes e atraentes que já conheceu, e saber que ela não tinha tantos pretendentes como deveria a assustou. , por outro lado, não se incomodava com esse assunto. Teve que aprender a não ligar com o passar dos anos, e hoje lidava com isso bem… Na medida do possível.
– Pois eu prefiro ser uma mulher que nem você a ter qualquer homem que seja ao meu lado. Você é incrível, . – A chefe sorriu para a garota, que retribuiu. – Mas, olha… Parece que conseguiu conquistar logo um dos maiores galãs de Hollywood, e sem esforço nenhum. – riu.
– Ele só está agradecendo pelo que fiz ontem, Claire, calma. – A estagiária levantou as sobrancelhas. realmente não conseguia enxergar o ato de outra forma, ou talvez não queria.
– Será que é só isso mesmo? – Disse, enquanto se levantava para deixar a sala. – De toda forma, é um lindo buquê, né? – Claire piscou para a chefe e saiu da sala, deixando-a sozinha.
leu novamente o bilhete. Tinha achado linda a atitude de Sebastian e estava em êxtase com o buquê, principalmente por ser cheio de rosas vermelhas. Foi literalmente um dos melhores presentes que ela já ganhou na vida, mesmo sendo tão simples. Eram suas primeiras flores, nunca nenhum homem chegou perto de presenteá-la com um buquê como Sebastian tinha feito hoje. Portanto, ela lembraria disso para sempre, e consequentemente lembraria do ator também.
A jornalista não conseguia tirar da cabeça que precisava agradecê-lo pelo presente e também falar sobre o que Claire ouviu de Fred. Até cogitou mandar um e-mail, mas não. Queria vê-lo pessoalmente. Afinal, no momento, Sebastian era a pessoa que mais confiava, justamente por estar sendo o mais prejudicado de todo esse rolo.
? – Dan apareceu na porta da mulher, chamando sua atenção. A jornalista olhou para o amigo. – Podemos conversar? – respirou fundo, antes de concordar com a cabeça e indicar com a mão que ele entrasse. Daniel fechou a porta atrás de si e se sentou na cadeira. Ela até tinha pensado em conversar com o homem ontem, mas depois de tudo que aconteceu, não teve tempo e nem cabeça. – Nossa, que buquê bonito… Quem te deu? – Dan perguntou, curioso. não notou, mas o amigo ficou bastante incomodado com o que viu, principalmente por imaginar que poderia ser do tal ator.
– Meus pais. – Mentiu, escondendo o bilhete embaixo do notebook sem que Daniel percebesse. A mulher até poderia falar a verdade, mas naquele momento sabia que o amigo provavelmente pensaria coisas até demais se soubesse que o buquê foi presente de Sebastian. Além disso, se falasse a verdade, teria que explicar o motivo de ter recebido, e daria mais razão para Dan vir com um enorme sermão sobre como-ela-não-deveria-se-meter-nesses-assuntos. – Contei sobre a campanha no fim de semana e, enfim, você sabe como eles são, né… Tudo é motivo para comemorar. – Para o alívio de , Dan acreditou. Afinal, conhecia mesmo os pais da mulher.
– São lindas. – sorriu. – Combinam com você.
– Obrigada. – Dan sorriu, um pouco sem jeito, e batucou os dedos na mesa. Não sabia como começar a se desculpar.
, me perdoa por ter contato sobre o Sebastian para o Fred, eu não tinha esse direito. – O homem finalmente disse, enquanto evitava olhar para a amiga.
– Você realmente não tinha. – A mulher respondeu, repreendendo a atitude do amigo. – Mas apesar de ter odiado o que você fez, eu consigo entender. Sei porque fez isso.
– Sabe? – Dan pareceu extremamente preocupado com a frase de .
– Claro… Você estava pensando na reputação da FANCY. Apesar de tudo, ainda é a empresa do seu pai. – Dan suavizou o rosto e balançou a cabeça positivamente.
– Sim, claro. Estava. – O homem desviou os olhos da mulher. – Era exatamente nisso que eu estava pensando. – achou a atitude de Dan estranha, mas preferiu deixar quieto. Não queria estender aquele assunto nem mais um dia sequer. – Estamos bem, então?
– Claro que estamos. – respondeu, animada. Tinha sentido falta do amigo nesses dias e estava feliz por voltarem a se falar. – Aproveitando, preciso falar com você. – A jornalista disse, enquanto abria a agenda de Dan em seu computador.
– Aconteceu alguma coisa? – sorriu com a preocupação do amigo.
– Não, claro que não. É sobre trabalho. – Dan concordou com a cabeça. – Eu consegui a filmagem com o pessoal da Private Policy para segunda-feira de manhã e queria muito saber se você não quer ir comigo. A Claire não pode porque está responsável por escrever a matéria com o Ross Butler e eu quero que ela se dedique 100% a isso. O resto da equipe também está com a agenda lotada, conforme eu mesma organizei. Sei que você tem a edição das fotos, mas se puder me acompanhar.
– Claro, , que pergunta. – Ele revirou os olhos. – Vamos sim, as fotos eu finalizo na sexta-feira ou até na segunda à tarde, não se preocupe com isso.
– Obrigada! Você entende bem mais de filmagem do que eu, então me sinto mais à vontade com você junto. – Dan piscou para a mulher, tinha ficado feliz com o convite da chefe.
– Vem cá, falando nisso. – Ele começa dizendo. – A matéria sobre a programação da Semana de Moda de Nova York já está pronta, só falta seu aval para publicarmos no site ainda hoje. – arregalou os olhos e Dan a encarou. – E os últimos convites já chegaram, temos que organizar o… Você esqueceu.
– Do NYFW? Totalmente. – fechou os olhos. – Dan, eu não posso pegar esse trabalho, com que tempo vou escrever todas as reviews? Incrível como a FANCY tem repórter para cobrir a semana de Paris, de Milão e de Londres, mas a de NY sempre sobra para mim. – Dan escutava atentamente a amiga. – Ano passado eu pedi que contratassem um repórter para isso, e nada. Eu tive que largar toda a campanha na época, deixei mil coisas na mão da Claire. Sempre sobra pra mim, mas dessa vez eu não vou cobrir.
– Não tem quem cobrir se não for você, . – O homem disse. – E você é ótima nas reviews… – A jornalista revirou os olhos. A verdade é que cobriu o NYFW durante os anos em que trabalhou como repórter de desfile da Vogue. Ela adorava, de verdade, mas sempre quis a oportunidade de fazer mais, principalmente depois do mestrado. Era exatamente esse 'mais' que tentava trazer para a FANCY.
– Depois de tantos anos escrevendo as reviews da Vogue Runway, você pega o jeito. – Ela disse. – Mas eu não vim pra FANCY pra isso, Dan. Sou editora-chefe agora, não sou mais repórter. Se eu tivesse tempo, tudo bem, não reclamaria, mas não é o caso. – O amigo balançou a cabeça, concordando. – Não é minha prioridade.
– Você sabe que eu entendo… Mas o Fred… Enfim. – respirou fundo. – Te espero para ir embora hoje? – O homem perguntou, empolgado, enquanto a mulher negava com a cabeça.
– Vou sair mais cedo porque tenho terapia hoje. – respondeu e Dan fez uma cara triste, estava com saudades da amiga, mas sabia que a terapia era sagrada para ela. – E eu perdi a da semana passada, não quero perder de novo – O amigo entendia e respeitava. Não iria invadir o espaço de novamente, ainda mais depois do que aconteceu. – Amanhã?
– Amanhã sem falta. – A mulher sorriu para o homem que lhe lançou um beijo no ar e deixou a sala.

***

estava na terapia conversando com Rose. Aproveitou para atualizar a mulher sobre o turbilhão de coisas que havia acontecido na sua vida só na semana passada. Contou sobre Sebastian, Serena e até mesmo sobre Fred, deixando clara sua indignação sobre não saber o que pensar do homem.
– Eu não quero mais falar desse assunto. – dizia, enquanto Rose arqueava a sobrancelha. – Só acho engraçado o Fred nisso tudo, sabe? Ele ficou puto comigo, Rose, chegou gritando na minha sala, com uma postura super agressiva. Eu nunca tinha o visto assim antes, totalmente desrespeitoso. – A mulher contou, recordando a cena. – E aí ele aparece em uma boate com a Serena dois dias depois dela ter ido até o meu escritório – revirou os olhos. – Me diz se não é suspeito?
– Isso porque você não quer mais falar desse assunto, né? – riu, assim como Rose. – Eu entendo muito bem as suas dúvidas e suspeitas, mas você não pode esquecer que Fred ainda é seu chefe e que a vida pessoal dele não te diz respeito. Se ele estiver se envolvendo com a Serena, o problema é todo dele.
– Mas ele trouxe isso para dentro do trabalho, Rose. – se defendeu firmemente e a mulher concordou.
– Sim, ele trouxe, e você pode muito bem dar um ponto final. – A terapeuta sugeriu. – Não tem porque insistir nesse assunto, . Você mesma disse que a contratação de Sebastian nem vai mais acontecer. – A paciente suspirou, sabia que a mulher tinha razão. – Não trave essa batalha com seu chefe, você sabe que ambos os lados vão sair perdendo. – não queria criar um clima chato com Fred, de jeito nenhum, mas pensava em Catherine, sua mulher, e em como isso iria arrasá-la. A jornalista a conheceu na festa de lançamento da The Ugly Side of Fashion e, por um momento, cogitou que talvez devesse contar sobre Fred e Serena para ela. – No que está pensando?
– Tanta coisa. – queria mudar de assunto. – Mas principalmente no buquê de flores que eu ganhei hoje. – Rose franziu o cenho com a frase, estranhando. Conhecia e sabia que isso era uma grande novidade. – Do Sebastian. – A terapeuta riu, enquanto batia palma.
– E você me jura que só rolou conversa na sexta-feira. – gargalhou da resposta da terapeuta.
– Eu não minto para você, a gente só conversou. – A jornalista revirou os olhos e atraiu um olhar desconfiado da terapeuta. – Ele me deu esse buquê em agradecimento por ontem.
– E como você se sentiu? – olhou para as unhas.
– Acho que de um jeito que nunca me senti antes. – Ela disse, da forma mais espontânea possível. A terapeuta ficou quieta durante um tempo, sabia que o ato de Sebastian havia sido extremamente importante para , mesmo que nem ela e nem ele soubessem disso. – Quero saber como ele está, e agradecer pelas flores, claro… Só não sei como. – fez uma careta e Rose riu. A mulher era tão esperta e independente para algumas coisas, mas tão inocente e despreparada para outras. Sabia que ela não tinha tido muitas experiências amorosas, para não dizer nenhuma, mas ainda assim achava engraçado.
– Para começar, por que não liga e agradece? – fez outra careta.
– Não tenho o celular dele. – Rose franziu o cenho. – Só o e-mail. – A resposta da paciente fez a terapeuta jogar a cabeça para trás em uma risada.
– Então vá até a casa dele. – olhou da mulher para o chão e do chão para a mulher, enquanto pensava sobre a sugestão que ela tinha acabado de dar. Já foi até a casa de Sebastian antes e tinha motivo de sobra para ir novamente. Afinal, não tem seu telefone, precisa agradecer pelas flores e também contar sobre o que achava de Fred e Serena.
– É uma boa ideia. – Respondeu, ainda pensativa e com o dedo indicador levantado. – Eu acho que ele não vai achar ruim.
– Depois das flores, eu tenho certeza que ele não vai achar ruim. – riu e foi acompanhada por Rose. Apesar da insistência da terapeuta e também de Claire, a jornalista não conseguia ver as flores com outros olhos. Pelo contrário, enxergava como um ato de pura gratidão que, na sua opinião, deixava tudo ainda mais bonito.
Enquanto isso, Rose tinha certeza que a história dos dois só estava começando.
Ao sair da sala de terapia, decidiu que iria sim até a casa do homem. Além de todos os milhões de motivos para vê-lo, queria saber se ele estava bem. Iria passar em casa, pegar o carro e dirigir o mais rápido que conseguisse. Sabia que teria que enfrentar o trânsito caótico de Nova York, mas não deixaria de ir por isso.
O caminho até a casa de Sebastian, que deveria levar menos de trinta minutos, demorou quase uma hora por causa do trânsito e ainda ficou mais alguns minutos procurando vaga. Ela foi liberada na portaria do prédio e logo já estava no elevador, indo para o apartamento de Sebastian.
Era um por andar, assim como em seu prédio, então o elevador parou quase dentro da residência. estava aproveitando o espelho para arrumar o cabelo, quando viu pelo reflexo a figura de um homem parado na frente da casa de Sebastian.
A mulher se virou com um leve sorriso no rosto, e com um pouco de vergonha, disse:
– Capitão América. – olhou o homem de cima a baixo, enquanto ele gargalhava com sua reação. Não conseguia pensar em outra forma de cumprimentar Chris Evans a não ser assim, e achou que esse era o melhor jeito de esconder que estava tímida. – Não sei se estou bem vestida o suficiente para te conhecer. – Disse, provocando mais uma risada no homem.
– Para, você está ótima. – Ambos sorriram e se cumprimentaram com um aperto de mão. – É um prazer – não fazia nem ideia, mas o homem já sabia muito bem quem ela era.
– Imagina, o prazer é meu. – estava chocada e até um pouco sem graça, em especial porque não esperava conhecer Chris Evans hoje, assim, do nada. – Foi você que me liberou pra subir? – A jornalista perguntou, enquanto deixava o elevador e entrava na casa de Sebastian. Não pôde deixar de notar um barulho alto vindo de dentro do apartamento, como se alguém estivesse cantando.
– Sim, fui eu. Sebastian está bem ocupado, como você pode ouvir. – Chris fechou a porta e parou para perceber que alguém realmente estava cantando, e que esse alguém era ninguém menos que Sebastian. – Show ao vivo do ABBA. – O homem disse, apontando em direção a sala de estar do apartamento, que já conhecia. A jornalista não pôde deixar de sorrir assim que viu Anthony e Sebastian cantando "Gimme! Gimme! Gimme! (A Man After Midnight)" no aparelho de karaokê conectado à TV. Os dois estavam muito empolgados, até arriscavam umas dancinhas e falsetes. A mulher olhou para Chris que deu de ombros, enquanto também ria da cena. estava feliz por ver Anthony de novo e, claro, por conhecer Chris Evans. Mas o brilho no seu olhar era ainda maior quando olhava para Sebastian, ela só não sabia disso. – Trazer esse karaokê foi a melhor coisa que fiz.
– Você que trouxe? – O homem concordou com a cabeça e cruzou os braços, sorrindo. – E não vai cantar? – A mulher perguntou, curiosa, enquanto franzia o cenho.
– Só tem dois microfones e eu já cantei Mamma Mia com o Sebastian e Dancing Queen com o Anthony. – riu enquanto imaginava a cena. – Sim, para entrar nesse apartamento tem que ser muito fã de ABBA, ou de karaokê, ou dos dois. Se for dos dois é melhor. – A mulher voltou a rir.
– Existe alguém em sã consciência que não seja fã dos dois? – Chris balançou a cabeça positivamente e sorriu.
– É exatamente esse o meu ponto. – e Chris caminharam para mais perto dos dois homens, que finalmente notaram a presença de . A mulher sorriu e balançou a mão, cumprimentando os dois de longe. Sebastian cerrou os olhos para ter certeza de que estava vendo certo. Até onde lembrava, não tinha combinado nada com a mulher e sinceramente não pensava que a veria tão cedo, mas não negaria que gostou da visita. – O porteiro falou que tinha um paparazzi querendo subir. Quando fui ver, olha quem era. – Chris disse, atraindo a atenção de todos, que riram em conjunto. revirou os olhos e balançou a cabeça negativamente.
– Tudo pela exclusiva. – A jornalista disse, enquanto se aproximava de Anthony e Sebastian. – Mataram a vontade de cantar ABBA? – Anthony sorriu, cumprimentando a mulher com um beijo na bochecha.
– Você viu? Chris fez uma. – Respondeu, olhando para o loiro, que revirou os olhos. se aproximou de Sebastian e sorriu para o homem. Ele parecia bem e isso era suficiente. O ator sorriu de volta, pensando se deveria abraçá-la ou apenas cumprimentá-la com um beijo no rosto. A mulher se adiantou e beijou sua bochecha, sem perceber que Sebastian pensava em fazer mais do que isso.
– Desculpa vir sem avisar, mas queria saber como você estava depois de ontem. – Ela sorriu, olhando para o homem, que ficou muito feliz em ouvir isso. Sebastian parou para observar e seu olhar caiu quase que automaticamente sobre seu pescoço, que pela primeira vez desde que se conheceram não estava coberto pelo cabelo. prendeu os fios em um rabo de cavalo, e ele não pôde deixar de pensar como queria ver mais do corpo dela sem aquele tanto de roupa que o clima de NY os obrigava a usar. – Não consegui ficar ontem porque precisei voltar para o trabalho.
– Magina, não precisava ter ficado. – Ele respondeu, sincero. Sebastian não queria mesmo que a mulher perdesse um dia inteiro de expediente por sua causa. – Eu estou bem, e muito grato pelo que você fez por mim ontem, sério. – A mulher se afastou do homem, sorrindo, e ele aproveitou para observá-la melhor. , como sempre, estava cem por cento coberta devido ao frio da cidade. Usava uma saia de couro longa e uma camisa de manga comprida por dentro, ambas as peças na cor preta. Nos pés, como sempre, botas, mas dessa vez na cor laranja. Sebastian sorriu pensando em como nunca errava nas roupas que escolhia. – Você não precisava… Mesmo.
– Não podia te deixar naquela situação, ainda mais sabendo a verdade. – Ela respondeu, ainda sorrindo. – E eu amei as rosas, Sebastian. Muito obrigada. – fitava os olhos azuis do ator enquanto falava, e sua frase provocou um sorriso involuntário nos lábios do homem. Sebastian realmente queria surpreendê-la de alguma forma e achou que as flores seriam uma boa opção, apesar de suspeitar que deveria ganhar flores frequentemente.
Bom, ele não faz nem ideia de que era justamente o contrário.
– Ainda acho pouco perto do que você fez por mim. – O homem sorriu. , pelo que já conhecia de Sebastian, achava ele um homem muito educado e generoso, que parecia tomar o maior cuidado com as próprias palavras e atitudes, ainda mais depois de tudo que já lhe aconteceu. Por isso, tinha a impressão de que ele havia sido muito cuidadoso na hora de escolher o buquê, o que deixava a atitude ainda mais bonita. olhou durante mais algum tempo para Sebastian antes de se afastar e sentar-se no sofá. Tinha ficado mexida com a proximidade de seus corpos e com o sorriso do homem. Anthony e Chris se entreolharam, pensando no clima que os dois tinham e nem sequer imaginavam.
– Fiquei muito chocada com o que aconteceu. – quebrou o silêncio enquanto olhava de Sebastian para os outros homens ali presentes, que concordaram.
– Mas não me surpreende a Serena ter mentido mais uma vez Anthony disse e Sebastian passou a mão na parte de trás da cabeça.
– Dessa vez, eu não consigo acreditar que foi a Serena que fez isso, cara. – O ator começou a falar, fazendo Anthony revirar os olhos. – Não faz sentido ela ter vindo aqui sexta me pedir perdão e dois dias depois me denunciar desse jeito. – Sebastian deu de ombros.
– Sei que você não quer acreditar que a mulher que você gosta é capaz de algo assim, mas eu concordo com o Anthony, Seb. – Chris se manifestou, enquanto sentava no sofá. Anthony fitou o homem, o repreendendo com o olhar por falar sobre os sentimentos de Sebastian pela ex na frente de . Chris olhou para a jornalista. – A mulher que ele gosta não. – Disse, franzindo o cenho e provocando uma expressão confusa em . – Ele nem gosta mais dela. – Sebastian olhou para o amigo horrorizado enquanto revirava os olhos. Anthony, por outro lado, caiu na risada e sussurrou um "cala essa boca, porra" para Chris. – Desculpa, vou ficar quieto. – riu.
– Vocês são engraçados. – disse. O fato dos homens falarem sobre os sentimentos de Sebastian por Serena não incomodava a jornalista nem um pouco. Afinal, não era novidade que os dois já haviam namorado e que, obviamente, ainda deveria ter algum sentimento. Porém, ao contrário do que a jornalista achava, Sebastian realmente não sentia mais nada por Serena, pelo menos não nesse sentido. – Mas eu concordo com o Sebastian, talvez a Serena não esteja mesmo envolvida, ou não tenha agido sozinha.
– Fred? – Sebastian sugeriu, arqueando a sobrancelha, assentiu.
– Acho que eles realmente estão se envolvendo… Eu não sei, não posso confirmar nada. – Explicou. Sebastian fez uma careta. – Minha estagiária ouviu ele falando sobre a sua prisão com alguém no celular. – Sebastian franziu o cenho. – Alguma coisa ele sabe.
– Mas por que seu chefe teria relação com a prisão do Seb? – Anthony perguntou, atraindo a atenção da mulher. deu de ombros e balançou a cabeça, indicando que não sabia responder a pergunta.
– Ele pode ter visto em algum site, ou no Twitter, assim como eu. – Chris disse e concordou.
– Sim, claro, mas não deixa de ser estranho ele estar comentando sobre isso, ainda mais depois de vermos ele e Serena juntos. – A mulher olhou para Sebastian. – Teoricamente, ele e Sebastian nem se conhecem, então qual seria o interesse dele nisso? Preciso descobrir o que está acontecendo. – O ator balançou a cabeça negativamente, enquanto se aproximava dela.
– Não precisa, não. – Respondeu. Ele estava de pé, na sua frente, enquanto ela permanecia sentada. – Estamos falando do seu chefe, , vai saber o que ele pode fazer quando descobrir que você está fuçando a vida pessoal dele. – Anthony e Chris concordaram com o amigo. – Isso não tem a ver com você, já foi suficiente você ter ido até a delegacia e ter vindo me contar isso. Por favor, não faça nada, eu mesmo resolvo isso. – Sebastian ainda não conhecia o suficiente para saber que a mulher não iria desistir de descobrir o que estava acontecendo. Fred era seu chefe, e se ele estava escondendo alguma coisa, ela precisava descobrir, mesmo que fosse uma traição.
– Tudo bem. – Concordou, sabendo que não ficaria fora disso. – Foi só eu chegar que acabou a noite de karaokê? – Diferente dos outros dois, Sebastian percebeu que estava tentando fugir do assunto, mas decidiu que não falaria com a mulher ali, e sim quando, e se, ficassem a sós. Não queria que a jornalista arriscasse seu trabalho investigando o chefe que eles nem tem certeza se está mesmo envolvido.
– Cantem vocês dois agora. – Anthony sugeriu, com um sorriso divertido nos lábios. olhou para Sebastian, que arqueou a sobrancelha.
– O que me diz? – A mulher amava karaokê, foi até a responsável pela ideia de colocar o aparelho na boate dos pais, mas estava morrendo de vergonha de cantar na frente de três homens que ela não tem nem um pouco de intimidade. Sem contar o fato de quem eram esses homens, apenas os heróis mais famosos do cinema. tampou o rosto com a mão e Sebastian colocou uma música no aparelho mesmo sem ter a resposta. Logo, a melodia de Lay All Your Love On Me começou a tocar.
– Eu amo essa música. – Anthony disse, enquanto se sentava ao lado de no sofá e lhe entregava o microfone. – A gente canta junto. – A mulher sorriu para o homem e desviou o olhar para Sebastian, que começou a cantar o início da música com Chris. Os dois estavam de pé, lado a lado, dividindo o microfone. A mulher parou para notar como os atores eram afinados, principalmente Sebastian, que tinha um timbre muito bonito.
Assim que o refrão começou, os três se juntaram para cantar. Chris, de longe, era o mais empolgado, chegando até a se ajoelhar no chão durante essa parte da música. observava a cena dando muita risada, enquanto pensava em quantas pessoas matariam para estar no lugar dela.
– Agora é você. – Sebastian apontou para a mulher enquanto sorria. o fitou, antes de respirar fundo e se levantar. Os três homens a olharam sorrindo e a jornalista apontou para Anthony.
– Você disse que cantaria comigo. – O homem riu e se posicionou ao lado dela, dividindo o microfone com a mulher e cantando a segunda parte da música com ela. Sebastian não conseguia tirar os olhos de e seu sorriso aumentava conforme ela se empolgava. A mulher chegou até a passar a mão pelo corpo, enquanto mexia de leve o quadril. Anthony se afastou de , dando espaço para que ela cantasse da maneira como quisesse, e foi nesse momento que Sebastian se aproximou com o outro microfone e passou a cantar junto com ela:
– Don't go wasting your emotion... – Sebastian chegou ainda mais perto de e os dois cantaram bem próximos um do outro. O olhar do homem foi direto para as mãos dela, que ainda passeavam pelo corpo, subindo da cintura até o pescoço. – ...lay all your love on me – Sebastian sorriu enquanto mordia os lábios, ficando tão entretido com os movimentos de que não se preocupou em continuar cantando, deixando que ela finalizasse o refrão sozinha: – Don't go sharing your devotion… – já estava mais do que empolgada naquele momento e sua vergonha do começo tinha ido quase toda embora. A mulher chegou a fechar os olhos e puxar a parte solta do rabo de cavalo para cima, enquanto cantava. – ...lay all your love on me. – olhou para Sebastian, que ainda não tinha parado de encará-la, e abriu um sorriso. A mulher não sabia exatamente o motivo do olhar e nem o que se passava na cabeça do homem, mas não podia negar que adorou ser fitada desse jeito.
Enquanto isso, Sebastian não conseguia parar de pensar em como era incrível. vê-la cantando desse jeito tão entregue o deixou completamente deslumbrado, se perguntando se a mulher tinha alguma ideia da sensualidade que havia exalado. Anthony e Chris, inclusive, concordavam com o amigo, também achavam a jornalista atraente e o pouco que ela resolveu se soltar foi bonito de ver. A verdade é que os três ficaram fascinados, e só estava se divertindo.
– Por que todo mundo parou de cantar? – A mulher perguntou, enquanto abaixava o microfone e fitava os três homens. – Isso é algum tipo de complô? – Os outros presentes caíram na risada, principalmente Sebastian, que gostava da espontaneidade da jornalista. deixou o microfone em cima do móvel da TV e se sentou.
– É que me deu fome. – Chris se manifestou, enquanto se levantava. – Vamos naquele restaurante chinês buscar alguma coisa? – O homem direcionou a pergunta a Sebastian, mas Anthony fez questão de responder:
– Eu vou contigo, bocó. Deixa os dois conversarem sobre o tal chefe. – Anthony piscou para , que riu, concordando. – Vocês querem alguma coisa? – Sebastian pediu um yakissoba e a mulher resolveu acompanhá-lo, pedindo a mesma coisa. Até tentou oferecer dinheiro para os homens, mas eles recusaram. prometeu que na próxima vez pagaria, e eles concordaram, mesmo sabendo que nunca deixariam isso acontecer. Anthony e Chris saíram do apartamento e Sebastian aproveitou para se sentar ao lado de , que estava no sofá.
– Por que será que eu sinto que você não vai deixar essa história do Fred de lado? – O ator perguntou e arqueou as sobrancelhas.
– Porque eu não vou. – Sebastian revirou os olhos. – Você pode achar que eu não tenho nada a ver com isso, e talvez eu realmente não tenha, mas o Fred ainda é meu chefe, e eu quero descobrir o que está acontecendo. – Começou, encarando os olhos do homem. gesticulava as mãos, enquanto ele revirava os olhos novamente. – Odeio incertezas, Sebastian. Fred ter surtado, Serena ter ido na FANCY, eles saindo juntos, e logo depois ele falar da sua prisão… – Ela arqueou a sobrancelha. – Tudo isso é muito suspeito, você não acha?
– É claro que eu acho. – Sebastian concordou.
– Não consigo tirar da cabeça o que a Serena falou sobre ser melhor para todo mundo se eu ficasse longe de você. Não sei se foi uma ameaça. – Ela constatou, séria. – Se o Fred estiver envolvido em alguma coisa, eu preciso saber. E você também. – Sebastian bufou. Ele concordava com a mulher, mas não queria envolvê-la em problema. – Relaxa, eu só vou ficar de olho, só isso.
– Tudo bem, , faça o que achar que tem que fazer. – O homem se deu por vencido. – Mas não me deixe fora disso, eu quero saber de tudo. – Ele disse, enquanto piscava. arqueou sua sobrancelha.
– Há um minuto você estava me julgando, e agora quer saber de tudo? – Questionou.
– Claro. – Ele sorriu para a jornalista. – Gosto de fofoca. – gargalhou. – Menos quando tem meu nome, aí eu não gosto não. – A jornalista riu ainda mais do complemento da frase e Sebastian a acompanhou. – Mas falando sério, também quero saber o que está acontecendo. – balançou a cabeça, concordando.
– E se eles estiverem realmente se envolvendo? – Ela perguntou, curiosa pela resposta do homem. Sebastian a olhou, sem entender. – Como você vai ficar? Ela é sua ex… – A jornalista jogou no ar.
– Não sei. – Ele respondeu, pensando que, às vezes, se odiava por ser tão sincero. o fitou, ainda curiosa. Entenderia se ele ficasse magoado. – Por enquanto, não senti nada além de indiferença, mas vai saber? – Antes que a mulher pudesse responder, Sebastian tossiu forçado e mudou de assunto. Era ótimo nisso, assim como . – E como vai a campanha? – Disse, curioso. Já que não vai fazer parte, que pelo menos acompanhe de fora. entortou a cabeça, percebeu a mudança repentina de assunto, mas sinceramente não ligou. Também não queria mais falar sobre Serena e muito menos sobre Fred.
– Sendo sincera? Nem eu sei. – Ela riu, sem graça. – Tenho tanta coisa para fazer que ainda nem consegui dar atenção a isso.
– Sério? – Ele perguntou, cabisbaixo. A mulher achou sua reação fofa. – Você parecia tão empolgada.
– E eu estou, mas minha rotina é uma loucura. – E era mesmo. Para , um dia precisava ter no mínimo 48 horas. – A gente está trabalhando na edição de março, então minha atenção está toda nela. Apesar de conseguir dividir bem as tarefas, eu ainda fico com uma grande parte e isso acaba me consumindo.
– Não sei se posso perguntar, mas sobre o que vai ser essa edição? – sorriu, gostou do interesse de Sebastian pelo seu trabalho. Isso nunca tinha acontecido antes.
Um homem interessado no que ela faz? Lenda urbana.
– Posso te dizer, mas se você vazar, vai enfrentar outro processo. – A mulher respondeu, enquanto apontava o dedo indicador para ele, que riu. – Tô falando sério.
– Da minha boca ninguém vai saber. Prometo. – Sebastian respondeu, fingindo estar na defensiva e fazendo rir.
– A capa desse mês vai ser com as meninas do Blackpink, o Fred conseguiu uma collab exclusiva. – Sebastian arregalou os olhos, impressionado. Nunca havia escutado nenhuma música desse tal de Blackpink, mas já ouviu falar que é uma banda famosa de k-pop e que foram responsáveis por quebrar vários recordes. – E surgiu essa ideia de fazer uma edição totalmente focada no continente asiático. Conseguimos entrevistas com atores, estilistas e vários especialistas. – Sebastian arregalou os olhos, impressionado.
– Nossa, que incrível. – Ele disse, sorrindo. – E você está coordenando tudo isso? – A mulher assentiu.
– Sim, sou responsável por organizar qual pauta fica com quem e por revisar todos os materiais. – Sebastian fez uma careta, pensando no trabalho que a mulher devia ter. – Fora as três matérias que eu estou fazendo.
– Agora eu entendi porque você não tem tempo para a campanha. – riu, concordando. – O que você vai escrever? – A mulher fitou Sebastian, tentando encontrar qualquer resquício de tédio, mas não achou. Ele realmente queria saber, e ela realmente queria falar.
– Fiquei com as mais interessantes, na minha opinião. – sorriu. – Vou falar sobre o racismo contra pessoas amarelas e como isso transparece na mídia, e claro, na moda. – Sebastian arqueou uma das sobrancelhas, extremamente interessado no que a jornalista falava. – Tenho uma matéria sobre economia também, mostrando como a Ásia é um dos continentes que mais consome itens de luxo e como isso disparou depois do desenvolvimento econômico na China, mas que também é um dos continentes com a mão de obra mais barata do mundo. – Sebastian estava realmente encantado. Ainda mais que antes, se isso for possível. – E, por último, tenho essa reportagem multimídia com uma grife chamada Private Policy. Eles ficam aqui em NY e todos tem descendência asiática. Conheci a marca fazendo uma matéria sobre o streetstyle da Kendall Jenner, eles são novíssimos no mundo da moda e deixaram a gente filmar um pouco do ateliê e tudo mais. Vai ser incrível. – O homem ficou um tempo em silêncio, raciocinando as palavras que tinha dito.
– Me sinto um ignorante por não saber quase nada sobre tudo que você falou agora. – não achava o homem ignorante, sabia muito bem que grande parte das pessoas realmente não fazia ideia. E não por falta de interesse, mas sim por falta de informação, ainda mais na grande mídia. – Mas acho que é isso que torna seu trabalho incrível… Você fala sobre assuntos que nenhuma outra revista fala. Bom, pelo menos não as que eu conheço. – Ele disse, rindo e sendo acompanhado por . – Sério, você faz o que eu nunca vi nenhum jornalista de moda fazer. – Ela sorriu, feliz de ouvir tudo isso. – Falo sério.
– São assuntos que a gente precisa falar, e as pessoas precisam saber. – Sebastian concordou com a cabeça, enquanto sorria. Tinha acabado de descobrir seu mais novo ponto fraco: ouvir falando sobre seu trabalho. – E relaxa, quando lançar, eu mando uma edição na sua casa. – Ela garantiu, lembrando da história de apropriação cultural que o ator se envolveu junto de Serena.
– Obrigado. – Ele sorriu. – Tenho muito a aprender com você. – Sebastian disse enquanto olhava fundo nos olhos da mulher. se perdeu no olhar do ator, tinha a impressão de que eram as íris azuis mais lindas que já tinha visto. O homem não mentiu em sua fala, e estava ansioso para aprender o que-quer-que-fosse com a jornalista. Estaria mentindo se dissesse que não a acha incrível, ainda mais depois do que ela fez por ele ontem. A jornalista sorriu antes de desviar o olhar e fitar suas próprias mãos. Ficou sem graça com o contato visual e não conseguiu disfarçar. Seus pensamentos não divagaram tanto quanto os de Sebastian, mas ainda assim estava sem reação. Não ficava perto assim de um homem que não fosse seu familiar ou amigo a mais tempo do que podia lembrar. Sebastian sorriu sem mostrar os dentes e também desviou seus olhos para qualquer lugar que não fosse . – Espero que não conte para ninguém o que viu aqui hoje. – O homem finalmente disse, tentando mudar de assunto e deixar ambos um pouco mais confortáveis. gargalhou.
– Você acha mesmo? – Finalmente a mulher voltou a olhá-lo. – A Claire vai ser a primeira a saber. – Sebastian sorriu, revirando os olhos, enquanto se lembrava do vídeo que Chris havia gravado para a estagiária da mulher.
– Inclusive, me passa seu nú… – Antes que Sebastian pudesse terminar a frase, Chris e Anthony adentraram o apartamento fazendo o maior barulho e chamando a atenção dos dois sentados no sofá, que riram.
– Vocês dois. Mesa. Agora. – Anthony dizia, enquanto corria para a cozinha com as sacolas de papel na mão. olhou para Sebastian, que deu de ombros e usou sua cabeça para apontar a mesa de jantar. A mulher se levantou e foi acompanhada por ele. Anthony já estava arrumando o local para que todos comessem e Sebastian agradeceu o amigo, com um timbre de orgulho na voz, já que o homem sabia exatamente onde cada objeto estava. assistia a cena dos três interagindo com um sorriso bobo no rosto, pensando que nunca, em toda sua vida, imaginou estar ali. Mas não iria mentir: estava adorando.
Os quatro finalmente se sentaram na mesa e começaram a comer. O motivo das risadas no momento era o amor de Anthony por fórmula 1 e o surto que ele teve quando soube que Logan Harrison, o piloto mais famoso do mundo, estava em Nova York. Chris contou que o amigo chegou a dar um grito dentro do restaurante assim que viu a notícia pela TV. ria muito, assim como Sebastian, já que ambos conheciam o piloto de outros carnavais.
Logo as risadas cessaram e deram lugar ao silêncio, fazendo com que Anthony soltasse uma pergunta que ninguém ali sabia responder:
– Mas e aí, detetives, o que descobrimos sobre o caso Sebastian e Serena? – O ator disse, olhando diretamente para , que estava sentada na sua diagonal. A jornalista olhou para Sebastian, à sua frente, e deu de ombros.
– Por enquanto, nada. – Confessou, enquanto voltava seu olhar para Anthony. – Mas, pelo que parece, tem mais de uma pessoa querendo prejudicar o Sebastian nessa história.


Capítulo 9 - O-homem-mais-bem-vestido-do-mundo

Era quinta-feira à tarde. Claire e Dan ainda estavam na entrevista com Ross Butler, enquanto terminava de conversar com um professor e mestre em filosofia indicado por Liu Wen.
O homem possui diversos estudos sobre as múltiplas faces do racismo amarelo e topou conversar com sobre o preconceito que atinge as pessoas asiáticas. A mulher estava encantada com cada resposta, e satisfeita por ter conseguido alguém tão bom para falar sobre o assunto.
Não poderia esquecer de agradecer Liu Wen depois.
? – Fred disse, baixo, enquanto dava duas batidinhas na porta da jornalista. A mulher, que estava na ligação de vídeo, sussurrou para o chefe que estava ocupada. Odiava quando isso acontecia, ainda mais porque ela organiza as agendas uma vez por semana e deixava disponível para todo o escritório ver. Fred poderia ter checado antes de atrapalhar. – Depois vá até a sala de reunião – A mulher concordou com a cabeça e se desculpou com o professor, que percebeu a distração da jornalista.
O homem falava sobre a importância de entender o que é a Ásia, de lembrar que é um continente enorme, com mais de 50 países com diferentes culturas, histórias e etnias. Fez questão de frisar que o preconceito e a xenofobia são enraizados na cultura estadunidense, e que isso tem relação direta com a supremacia branca. Explicou que o mundo da moda é altamente dependente da Ásia, afinal o continente é o maior produtor de roupas do mundo, mas que a representatividade de asiáticos em propagandas, desfiles e campanhas é muito baixa, e se torna uma das principais expressões do preconceito sofrido por toda essa população. Afinal, segundo o professor, que outra explicação teria, levando em conta que o continente asiático tem milhares de costureiras, modelistas, agricultores, designers e estilistas que não tem um pingo de visibilidade, já que não fazem parte da população branca?
Ainda nas palavras dele, seria crucial avaliar como a cultura pop, a arte e a moda se apropriam dos países asiáticos ao mesmo tempo que não lhe dão nenhum crédito ou valor. Ele afirma que essas indústrias produzem estereótipos de pessoas asiáticas, reduzindo-as a objetos que estão à disposição dos outros, principalmente da população branca, o que demonstra certa dominação e, em muitos casos, violência.
estava em choque depois da entrevista, pensando sobre como isso é pouco falado. O professor também sugeriu que indicasse nas matérias da revista os documentários The True Cost, Unravel, Made In Blangadesh e Traceable, que falam sobre as condições precárias de trabalho que muitas pessoas, em sua maioria asiáticas, enfrentam.
A mulher se despediu do homem logo depois de agradecê-lo pela aula incrível. O professor, que achou muito gentil, se colocou à disposição da jornalista. A mulher encerrou a ligação e caminhou até a sala de reunião.
Assim que chegou, deu de cara com Denise, que sorriu falsamente para ela. A mulher, que sempre foi ruiva, estava com os cabelos loiros e curtos dessa vez. A jornalista até gostou, mas não perderia tempo dizendo isso para ela, claro. devolveu o sorriso para Denise e entrou na sala, sendo observada também por Fred.
A irmã de Dan adora ousar nas roupas, sempre vestindo uma mais sensual que a outra. Não é à toa que suas marcas preferidas são LaQuan Smith, Mugler e Roberto Cavalli. A mulher parece amar as roupas de látex e as estampas de animais.
Quanto mais agarrada ao corpo, melhor.
Hoje, por exemplo, Denise vestia um look todo na cor vinho, desde a saia de couro com uma fenda, que passava um pouco do joelho, e a blusa de manga comprida até a bota de cano alto e a bolsa, que também eram de couro. até gostava do estilo da mulher, achava ousado, diferente. Mas eram roupas que ela nunca usaria.
Denise conseguia ser a mistura das duas maiores socialites que já pisaram no planeta terra: Paris Hilton e Kim Kardashian.
– Desculpa ter atrapalhado sua ligação, . – O homem começou dizendo e coçou os olhos, enquanto sentava e tentava não pensar em todas as suspeitas envolvendo o nome de Fred que passavam em sua cabeça desde sexta passada. Ele ainda é meu chefe, pensou, lembrando da conversa com Rose. – Era sobre o que?
– Está tudo na agenda, Fred. – A mulher começou dizendo, enquanto encarava o chefe. – Foi uma entrevista com um especialista em preconceito amarelo. – Ambos os presentes na sala ficaram sem entender o que falava. A jornalista cruzou o cenho. – Racismo contra asiáticos.
– Existe? – Denise perguntou, claramente indignada. não conseguiu deixar de revirar os olhos e Fred pareceu envergonhado. – Quando vamos falar sobre isso? E por quê? – ficou paralisada durante um tempo e olhou para o chefe, assim como Denise. – Ninguém vai me responder? – O homem ia começar a falar, mas se adiantou.
– Na edição de março, que vai ser sobre o continente asiático. – Começou. – Uma das matérias vai falar sobre isso. – Denise olhou de para Fred, que suspirou. – E ninguém vai derrubar essa pauta. – garantiu, enquanto apontava seu indicador para os dois.
– Eu deixei essa edição nas mãos dela, Denise. – Fred começou e riu internamente. Que edição ele não deixava nas mãos dela? – Se é sobre isso que ela escolheu falar, então é sobre isso que vai ser. Eu confio nela. – sorriu e agradeceu ao chefe. Ficou feliz em ver ele a defendendo. – Cadê o Dan? – Fred soltou, olhando para a jornalista.
– Em externa com a Claire. – respondeu, se segurando para não revirar os olhos mais uma vez. – Fred, está tudo na agenda. Por favor, olhe a agenda. – Ela pediu e o homem concordou com a cabeça, se desculpando.
– Vamos começar sem ele, então. – Denise disse, a tempo de ser interrompida por Dan, que entrou na sala de reunião ao lado de um homem que já conhecia: Logan Harrison, o piloto britânico de fórmula 1 que foi eleito o homem mais bem vestido do mundo no ano passado pela GQ. e Denise regularam o piloto de cima a baixo e, pela primeira vez, concordaram em alguma coisa: ele realmente estava muito bem vestido, usando um conjunto de terno e calça na cor rosa, e um tênis branco da adidas nos pés.
segurou uma risada, pensando como Anthony surtaria por isso.
– Olha só quem eu encontrei lá na portaria. – Dan começou dizendo e logo depois cumprimentou Denise com um beijo. foi cumprimentada da mesma forma.
– Achei que você só chegaria amanhã. – Denise disse, enquanto beijava a bochecha do piloto. não estava entendendo o que ele fazia ali.
– Eu avisei que chegaria em Nova York na terça, mas que só poderia vir aqui amanhã. – O homem dizia, enquanto terminava de cumprimentar todos na sala. foi a última e chegou a se levantar para cumprimentá-lo. O homem deixou um beijo em sua bochecha enquanto sussurrava "tudo bem?". Logan aproveitou o momento para regular de cima a baixo, exatamente como a jornalista fez há alguns minutos atrás. O piloto sorriu olhando-a e voltou sua atenção para Denise. – Mas felizmente consegui vir hoje. Quanto tempo, né? – Ele disse, atraindo toda a atenção da sala. Logan já posou uma vez para a capa da FANCY, logo depois de ter sido campeão mundial de fórmula 1 pela quinta vez. O homem era considerado o melhor, e realmente era. Na época, quem lidou diretamente com ele foi Dan, já que estava quase 100% focada na The Ugly Side of Fashion. Apesar de não conhecer Logan diretamente, sabia que o homem era louco pelo mundo da moda tanto quanto era pelo mundo da corrida, e também que tinha uma baita fama de galinha segundo os tabloides britânicos. Com o trabalho na FANCY, Dan e Logan acabaram se aproximando e até suspeitava de um romance com Denise, mas nada confirmado. Pelo menos não para . Claro que, agora, ninguém falava mais disso, já que Denise estava noiva. Logan voltou a fitar e sorriu de lado, arqueando a sobrancelha antes de dizer: – Mas e aí, Fred me adiantou os planos. Temos uma nova campanha, então? – A jornalista tirou os olhos do piloto para fitar seu chefe, sem entender se Logan falava do que ela realmente achava que ele falava.
– Isso mesmo. – Fred começou, ignorando o olhar de . – Não sei se você chegou a conhecer a quando trabalhamos naquela edição ano passado.
– Só de vista. – Ele respondeu, piscando para a jornalista que sorriu sem mostrar os dentes. – Mas só ouço bem de você, viu?
– Digo o mesmo. – Ela garantiu, e realmente não era mentira de nenhum dos dois. Dan e Fred sempre falavam muito bem de para o Logan, assim como falavam muito bem de Logan para a . A jornalista voltou a olhar para Fred, evitando qualquer contato visual com o piloto, já que não sabia de suas intenções. – Mas do que se trata tudo isso? – Perguntou, mais arisca do que gostaria. Denise revirou os olhos, pensando como a jornalista era prepotente.
– Comentei com o Logan que você está trabalhando em uma nova campanha sobre masculinidade frágil e moda, ele se interessou e quer te ajudar. – Fred disse, com um sorriso no rosto. arqueou as sobrancelhas.
– Comentou? – Disse. – A tarefa de achar alguém para trabalhar comigo era minha, Fred. – olhou para Logan. – Sem querer ofender.
– Não ofendeu. – O homem garantiu, sorrindo sem mostrar os dentes. Realmente, não tinha ofendido, mas Logan achou que sabia, e ver que ela nem sequer foi avisada o incomodou.
. – Dan chamou a amiga, que lhe olhou. – O Logan é uma ótima opção. Ele é presença em diversos eventos e desfiles, tem contato direto com pessoas muito importantes e influentes, fora que está sempre antenado sobre tudo. – Dan dizia, e percebeu que a escolha também tinha o dedo do amigo. A jornalista começou a ser tomada pela mesma sensação de dias atrás, quando Dan agiu pelas suas costas e Fred saiu com Serena. permaneceu quieta, fazendo o amigo se sentir na obrigação de continuar a falar: – A gente sabe que você gostou do Sebastian…
– Sim. Eu gostei do Sebastian. – Ela finalmente se manifestou. – Gostei da nossa conversa sobre campanha e achei que, talvez, faria sentido, mas isso não significa que eu não consideraria outras pessoas. – dizia, sem alterar nem um pouco seu tom de voz. Se tem uma coisa que a mulher nunca perde é a classe. – Poderia até considerar o Logan, quem sabe? Eu tinha uma lista. Sebastian foi o primeiro que eu conversei e vocês já surtaram por uma decisão que eu nem tinha tomado. – Fred tentou falar, mas foi mais rápida: – Eu odiei o fato de terem agido pelas minhas costas. Duas vezes, né, Daniel? – A jornalista olhou para o amigo, que se afundou na cadeira. – Poderiam só ter me falado. – Todos permaneceram em silêncio, apenas o barulho de Denise mascando chiclete era ouvido na sala. Logan, nesse momento, se perguntava o que estava acontecendo. Achou que havia aprovado a escolha de Fred e Dan e que ela tinha conhecimento de seu recente envolvimento com a campanha. Inclusive, sabia sobre Sebastian, mas não que estava ali para praticamente substituí-lo.
O piloto respirou fundo. Ficou interessado no tema e também em , que parecia ser uma pessoa bastante interessante de trabalhar, além de uma mulher linda. Logan, portanto, sabia que esse era o melhor momento para começar a conquistá-la:
– Se é que eu posso falar algo. – Disse, olhando para a jornalista. – Eu realmente não sabia que você não tinha sido avisada, , e te peço desculpa por isso. – A mulher sustentou o olhar do piloto, enquanto esperava ele terminar de falar: – Mas fiquei muito empolgado com a campanha e também ansioso para trabalhar com você. – Garantiu. – Claro, vou respeitar se você não quiser trabalhar comigo, mas te peço que me dê uma chance de tentar.
– Não é que eu não queira trabalhar com você, Logan, seria um prazer. – O homem sorriu e deu uma risada fraca. – Só é uma situação bem chata. – A jornalista fitou o chefe.
– Desculpa por isso, , nunca foi nossa intenção, falo por mim e pelo Dan. – Fred falou. A mulher sorriu sem mostrar os dentes, concordando com a cabeça, mesmo sem acreditar nas palavras do chefe. – Bom, eu tenho uma ideia. – O homem disse, feliz, atraindo a atenção de todos. – Amanhã começa o NYFW e temos alguns desfiles para cobrir, como em todos os anos. e Logan podem ir juntos e ver como trabalham em dupla. – Enquanto Logan adorou a ideia, odiou.
– Fred, eu não vou cobrir o NYFW dessa vez. – Garantiu, e antes que pudesse terminar de falar, foi interrompida por Denise:
– Como assim você não vai? – A ruiva, que agora é loira, fitou .
– Gente, o que mais vocês querem de mim? Já não basta a campanha, a edição de março, agora também querem que eu cubra o NYFW? – A mulher gesticulava com as mãos, enquanto alternava o olhar entre Fred e Denise – Eu sou uma só!
– Então por que pega tudo pra fazer? – Denise disse, fazendo bufar.
– A não pega tudo, Dê, é tudo que cai no colo dela. – Dan defendeu a amiga. – Eu posso ficar com a edição de março e a gente adia a campanha até você pelo menos terminar as coisas com o NYFW. – respirou fundo. Adorava ir nos desfiles e principalmente escrever sobre eles, de verdade, mas foi o tempo. Fez isso durante anos para a Vogue, essa realmente não era mais sua prioridade. Mas… O que poderia fazer?
– Tudo bem. – Dan sorriu, assim como Fred, que comemorou. – Mas é sério, gente, vocês precisam contratar um repórter para isso. Esse não é o meu trabalho. – dizia, séria, enquanto olhava para Denise. A mulher continuou mastigando seu chiclete, mas concordou com a cabeça. – Mesma coisa do ano passado?
– Sim. Você sabe, como sempre cobrimos os desfiles dessas marcas, não dá pra deixar de ir. – concordou. – Os outros a gente provavelmente vai ficar só com os releases, e aceitar review dos estudantes, claro – A jornalista adorava isso. Dan, em algum ano anterior cujo ainda não fazia parte da FANCY, deu a ideia de aceitar textos de estudantes de jornalismo, ou de moda, sobre os desfiles. Os textos eram avaliados e publicados no site da FANCY, com os devidos créditos e pagamento pelo trabalho, é claro. – Os desfiles que vocês vão acompanhar são: PH5, Ulla Johnson, Jason Wu, Area, Diane von Furstenberg, Michael Kors, Zimmerman, Carolina Herrera, Tom Ford e Boss, só não faço ideia da ordem. – utilizou seu celular para anotar as marcas. Depois, óbvio, precisaria colocar na agenda, criar uma para Logan, ver motorista e, dependendo de onde for, hotel. – Você organiza a agenda e vê o motorista com as meninas da secretaria. – sorriu, concordando, enquanto pensava que já sabia exatamente o que precisava fazer. – É isso, então. Obrigado a todos. Denise e Logan, vocês ficam, por favor? – sorriu novamente e deixou a sala, sendo acompanhada por Dan que sussurrou um "você é demais" em seu ouvido.
não estava satisfeita com o resultado da reunião, óbvio, mas em anos de trabalho aprendeu a não comprar uma briga que ela dificilmente iria vencer. Foi assim com o contrato do Sebastian e também com a Semana de Moda. Iria fazer o seu trabalho – até mais do que ele – como sempre, e depois pediria ajuda de Claire para selecionar alguns repórteres e enviar direto para Fred. Isso não iria mais se repetir.
A mulher se sentou em sua sala e aproveitou para mexer nas agendas. Tirou tudo que envolvia a edição de março, menos a matéria sobre preconceito amarelo, que fazia questão de escrever, principalmente depois da entrevista com o professor. Poderia ficar doida de tanto trabalhar, mas escreveria a reportagem. Organizou também a agenda de uma das redatoras que mais confiava para escrever a matéria de economia em seu lugar, e colocou para Claire acompanhar Dan na filmagem com a Private Policy na segunda. Sabia que a garota estava com a matéria de Ross, mas não conseguia pensar em alguém melhor para ir com Dan do que ela.
Também deixou a finalização e edição de todas as matérias com o amigo. Ele já fez isso antes, na época da The Ugly Side of Fashion, e se saiu muito bem. Ela confiava que não seria diferente dessa vez. Além do mais, Fred daria a última olhada, como sempre, e também teriam a ajuda de Liu e Lana. , observando que tudo parecia sob controle, ficou mais tranquila, mas ainda iria organizar uma reunião para falar sobre tudo isso com a equipe. Depois de organizar essas coisas, passou a mexer em sua agenda.
Precisaria estar presente em 10 desfiles ao todo, sendo que seis deles aconteceriam no sábado e no domingo e os outros quatro durante a semana: um na segunda, um na terça e dois na quinta, que seria o último dia.
Sábado era o dia que mais teria trabalho. Afinal, eram 5 desfiles: Zimmerman, Carolina Herrera, Ulla Johnson, Area e Boss. No domingo, tinha só um, que era Diane von Furstenberg. Na segunda, PH5; na terça, Jason Wu e, na quinta, Tom Ford e Michael Kors.
O dia mais complicado, de fato, seria no sábado, já que os desfiles não seriam tão próximos um do outro. Precisaria reservar o motorista da empresa para o dia inteiro, enquanto nos outros dias da semana isso seria mais tranquilo. se preparava para discar o número das meninas da secretaria quando Logan, o piloto inglês, apareceu na porta da sua sala.
– Posso falar com você rapidinho? – A jornalista sorriu, indicando que sim com a cabeça e deixando o telefone de lado. Falaria com as meninas depois. – Eu estava comentando agora com o Fred e com a Denise que estou com um motorista aqui em NY, ele pode levar a gente nos desfiles, sem problema. – arqueou uma sobrancelha.
– Tem certeza? – O homem concordou com a cabeça. – Temos que ir em 10 desfiles, cinco deles só no sábado, vai ser uma correria. – Logan riu.
– Nunca fui em tantos desfiles no mesmo dia, mas sei mais ou menos como funciona. Ele leva a gente sim. – concordou, sorrindo, menos um problema. – Ah, e deixa eu te falar, eu sou convidado VIP da Boss, então provável que não consiga ficar o tempo todo com você nesse desfile porque vou precisar fazer presença. – Ele riu, meio tímido, enquanto revirava os olhos. – Mas no desfile a gente fica juntos, peço para te colocarem do meu lado na primeira fileira. – desviou o olhar. Geralmente jornalistas não ficam na primeira fila.
– Não tenho nem roupa para esse evento. – Ela comentou, sorrindo, enquanto Logan ria.
– Se você usar a roupa de hoje já vai estar ótimo. – O homem disse, enquanto abria um sorriso. Logan foi sincero, achou a mulher muito estilosa logo quando a viu na sala de reunião. estava com uma calça de couro estilo pantacourt e uma blusa de seda de manga comprida na cor lilás. Nos pés, botas pretas. Ela riu com o comentário.
– Vestir qualquer marca que não seja Boss na primeira fila do desfile da Boss não me parece uma boa ideia. – Logan riu. – Vou ter que levar uma muda de roupa para esse desfile, e provavelmente me trocar no carro. – Ela disse, séria, provocando um sorriso divertido em Logan.
– Ou você pode ir para o Public comigo, os VIPs estão hospedados lá e eu também vou precisar me trocar antes do desfile. – A mulher fitou Logan. Realmente, não era uma má ideia, ainda mais porque o desfile da Boss seria do lado do hotel.
– Se não for um problema, eu aceito. – Respondeu, sorrindo. O homem balançou a cabeça negativamente.
– Problema nenhum. – Muito pelo contrário, Logan adorou a ideia de ter o acompanhando.
– Muito obrigada, Logan. – Ela sorriu, enquanto pedia o e-mail do homem para lhe enviar a agenda. Logo o celular do piloto apitou, indicando que a mensagem já tinha chegado. Ele aproveitou para abrir a planilha e observar os horários.
– Peço para o meu motorista te pegar às dez e meia, então, e já vamos direto para o desfile da Zimmerman, que é ao meio dia. Certo? – concordou, enquanto também olhava a agenda. – Depois, Carolina Herrera, às duas; Ulla Johnson, às três; Area, às cinco e, por último, Boss, às sete e meia. – mexia a cabeça em concordância com cada palavra que Logan dizia. – Temos duas horas e meia antes do desfile da Boss, mas eu preciso estar lá até no máximo seis e quarenta e cinco.
– Estaremos lá nesse horário. – O homem sorriu, gostando da firmeza na voz de , e concordou com a cabeça enquanto se levantava.
– Vamos nos falando, anota meu número. – A mulher salvou o telefone de Logan em sua lista de contatos do celular e se despediu do piloto, que logo deixou a sala. Até então, tinha gostado dele. Parecia ser um homem muito focado e organizado.
A jornalista fechou o notebook e deixou a sala, iria aproveitar que o dia estava mais tranquilo para fazer a reunião com o pessoal da equipe e comunicar sobre as alterações na agenda.

***

Era quinta-feira à noite. Sebastian estava na terapia e atualizava a Srta. Stewart sobre o que tinha acontecido ao longo da semana. O ator aproveitou para contar sobre Serena, inclusive da visita, da prisão, da campanha e de . A terapeuta ouvia tudo com muita atenção, bastante aliviada por saber que tudo tinha dado certo no final.
– O Anthony chegou a pedir para a ir lá confirmar seu álibi? – Srta. Stewart perguntou e Sebastian negou com a cabeça.
– Isso é o que mais me surpreendeu, ela foi até lá sem ninguém pedir. – A terapeuta sorriu. – Achei muito legal da parte dela.
– Parece que essa relação de vocês vai virar uma bela amizade, né? – Sebastian deu de ombros, sorrindo. – Quem diria, hein, Sebastian? Você permitindo que outra pessoa, ainda mais uma mulher, entre na sua vida. – O homem riu com o nariz.
– É que a é diferente… E foi tudo muito rápido. – Sebastian olhou para o chão. – Ela fez algo por mim que muitas pessoas não fariam. – Comentou, sorrindo. – Anthony e Chris gostam dela. – A terapeuta arqueou a sobrancelha.
– E você? – Sebastian olhou para a mulher e sorriu bobo.
– Acho que não tem como não gostar da . – A fala do ator fez a terapeuta sorrir. Gostou de ver que Sebastian está finalmente se relacionando com novas pessoas, principalmente que o fazem bem. – Ah, e você não sabe, fui convidado para ser VIP no desfile da Boss neste sábado. – Srta. Stewart arregalou os olhos.
– Que notícia maravilhosa, Sebastian! Meu Deus! – A terapeuta comemorou e o homem sorriu.
– Eu nem acreditei quando minha agente me contou. – Comentou. – Não esperava… Ainda mais depois da prisão.
– Eu imagino, mas o que importa é que você vai. – Ele concordou com a cabeça. – Espero ver muitas fotos suas na internet.
– Eu também. – Os dois sorriram. A terapeuta estava realmente muito feliz por Sebastian. Durante todos esses meses, acompanhou de perto a evolução do homem, que saiu de uma pessoa bem deprimida com tudo que passava para alguém esperançoso.
A conversa durou mais alguns minutos. O homem explicou como seria o dia de sábado e deixou a terapeuta ainda mais empolgada. Estava realmente feliz de ver que o paciente tinha tantas notícias boas em um só dia, mesmo com a prisão e os problemas com Serena, ele não parecia preocupado e muito menos abatido.
Sebastian, na verdade, estava confiante. Sabia que ir ao desfile poderia abrir novas portas e estava ansioso para isso. Pensou, inclusive, que deveria contar para sobre o evento.
Sebastian logo deixou o consultório e foi para seu carro. Mandaria o vídeo de Chris para a jornalista, já que estava devendo isso para a Claire, e aproveitaria para contar sobre o desfile da Boss. Dessa forma, poderia descobrir se também vai. Adoraria encontrar a mulher por lá.
O ator abriu seu e-mail e começou a digitar:

"Oi, , tudo bem? Já faz um tempo que estou para te enviar esse vídeo do Chris mandando um beijo para a Claire, mas sempre acabo esquecendo hahaha você passa para ela?

*vídeo*

Ah, e outra coisa. Fui convidado para o desfile da Boss nesse fim de semana, pensei que poderia conseguir alguma coisa para a sua campanha, se você quiser. Conheço o Ingo Wilts, chefe de marca da BOSS, e posso apresentar vocês dois, se você for. O que acha?"


Sebastian apertou o botão enviar e sorriu esperançoso, pensando que o evento seria mil vezes melhor se também fosse.
Mal sabia ele.

***

Era sexta-feira à noite. e Logan passaram o dia inteiro estudando sobre as marcas que iriam cobrir no NYFW. A jornalista se comprometeu em ajudar o homem e eles estavam há mais de quatro horas conversando. ficou muito feliz de ver que Logan estava realmente interessado, o homem prestava atenção em tudo que ela dizia e fazia perguntas e observações muito pertinentes.
A mulher nunca teve a chance de ter esse contato direto com Logan e até chegou a ficar com um pequeno pé atrás, mas isso já tinha passado e o homem estava a surpreendendo. Ainda não tinha decidido nada sobre trabalhar ou não com ele na campanha, esperaria o fim do NYFW para ter certeza que ele era realmente uma boa opção.
– Eu já fui em vários desfiles, e gosto muito, mas nunca consigo ter um olhar crítico, ou eu fico “isso é muito lindo” ou “isso é horroroso”. – riu. Logan pediu uma pizza para os dois e nesse momento eles estavam dando um tempo dos estudos e jantando juntos.
– É normal. – Ela disse, limpando os dedos sujos de queijo no guardanapo. – Para conseguir avaliar um desfile você precisa de anos de experiência, não é da noite para o dia, mas o primeiro passo é exatamente esse que estamos fazendo, estudar sobre a história da marca, sobre o estilo, propósito, ver coleções antigas, conhecer mais sobre o diretor criativo… – Logan tomava um gole de seu refrigerante enquanto ouvia atentamente tudo que falava. – E quando for ao desfile, você não tem que olhar a roupa só como um todo, é importante olhar as formas, o tecido, a estampa, os sapatos, as cores. Mas, claro, depende da marca e da coleção que estamos falando. – Ela entortou a cabeça. – Tem desfile que é totalmente comercial e usa a passarela justamente para chamar a atenção do consumidor, enquanto tem outros mais conceituais, que usam a passarela como uma espécie de teatro, sabe? – A mulher sorria enquanto falava e Logan estava encantado. Nunca tinha trabalhado diretamente com , nem sequer falado direito com ela, mas agora se arrependia amargamente disso. A jornalista parecia incrível e intensa, e Logan estava adorando isso. – Fora todo o entorno… A trilha sonora e a decoração são essenciais em um desfile. É tudo milimetricamente pensado, não é à toa que quase sempre tem um tema.
– Incrível. – Ele disse, fitando a mulher. – Mais incrível ainda é ouvir você falando sobre isso. – A mulher sorriu.
– É um assunto que eu gosto.
– Percebi pelo brilho dos seus olhos. – Logan disse, fitando a jornalista. apenas continuou sorrindo, sem saber o que responder, e bebeu um pouco do seu refrigerante. O homem mordeu os lábios ao perceber que deixou a mulher sem palavras. A verdade é que Logan ficou interessado na jornalista e não faria questão de esconder isso, muito pelo contrário, faria o possível para mostrar. – Quer me explicar mais sobre a campanha? – olhou seu celular e balançou a cabeça negativamente.
– Nossa, não. – Ela riu. – Já são dez horas da noite, melhor a gente ir embora e descansar para amanhã. – Disse, enquanto desligava o notebook. Logan concordou com a cabeça e observou arrumar suas coisas. – Falamos da campanha quando o NYFW acabar.
– Por mim, sem problemas. – Comentou, sorrindo. Os dois logo saíram do escritório, e caminharam juntos para o elevador. O celular de Logan começou a tocar e o piloto logo pegou o aparelho, engolindo em seco assim que leu o nome na tela.
– Não vai atender? – disse, e fez o homem dar um pequeno pulo. Logan sorriu sem mostrar os dentes.
– Não gosto de atender dentro do elevador. – Ela riu, concordando. – E não quero falar com ninguém enquanto ainda estou com você. – franziu o cenho.
– Que besteira. – Ela riu, negando com a cabeça.
– Vou mandar uma mensagem avisando que ligo depois.
– É uma boa. – sorriu, e desviou o olhar. Logan encostou-se na parede do elevador, tentando evitar que a jornalista pudesse olhar a tela de seu celular, e abriu seu aplicativo de mensagens antes de digitar:

"Ainda estamos juntos, depois te ligo. E relaxa, tá tudo certo, ela nem tocou no nome dele."


Capítulo 10 - Ela é Demais (NYFW 01)

Sábado de manhã.
09 horas para o desfile da Boss.

O motorista de Logan passou na casa de exatamente às dez e meia. A mulher preparou uma mala de rodinhas com diversos looks, já que realmente não fazia ideia de qual iria usar. Não tinha nenhuma roupa muito recente da Boss, mas também não estava a fim de gastar comprando uma nova.
Como sempre, estava frio em NY e permaneceria assim durante o dia inteiro. Por isso, acabou optando por um vestido preto que quase não aparecia graças ao sobretudo que estava por cima, também preto, e com gola de pelos sintéticos. Manteve o casaco fechado devido ao tempo e, claro, colocou botas da mesma cor. Logan estava todo de Boss. Segundo ele, essa era a única marca que usaria durante todo o dia. achou engraçado, e evidenciou como o homem estava estiloso. O piloto vestia uma blusa de tricot com gola alta e calça de moletom, ambas na cor branca. Assim como , também usava um sobretudo, mas em tom creme. Nos pés, tênis, como sempre.

***
Sábado de manhã.
07 horas para o desfile da Boss.

Sebastian dormiu pouco à noite, estava ansioso demais para sequer conseguir fechar os olhos. A madrugada de sexta para sábado nunca pareceu tão longa.
Michael combinou de encontrá-lo no Public. Tinha voltado para os Estados Unidos nesta semana só para cuidar do stylist de Sebastian. O ator ainda não sabia qual roupa usaria, mas confiava o suficiente em Michael para saber que seria a melhor.
O motorista passou na casa de Sebastian um pouco antes do meio-dia e logo o homem já estava em seu quarto espaçoso no Public Hotel. Michael e sua equipe também estavam lá, assim como Hilary, a agente de Sebastian, que o proibiu de falar com qualquer repórter do lado de fora do desfile. Afinal, lá seria impossível controlar as perguntas. Orientou que o homem chegasse, sorrisse e entrasse no evento. Lá dentro, sim, teria que tirar fotos e fazer presença, como todos os convidados VIPs devem fazer.
Sebastian sabe como as coisas funcionam. Estava tranquilo. Um pouco nervoso, mas nada preocupado. Tem conhecimento sobre como se portar em frente às câmeras, e tinha a impressão de que tudo daria certo.

***
Sábado à tarde.
05 horas para o desfile da Boss.


O desfile da Zimmerman tinha acabado fazia quase uma hora. Logan e aproveitavam para almoçar, já que faltava um tempo para o próximo, que era o da Carolina Herrera. A jornalista, durante os desfiles, ficava com seu iPad em mãos, anotando suas primeiras impressões para conseguir escrever a review depois. Era comum que ela fizesse isso, sempre anotava suas opiniões e depois batia com as informações que o próprio diretor criativo da marca passava. Assim, conseguia ver se o show transmitia o que ele queria ou não.
Logan, por outro lado, soltava alguns comentários bem pertinentes, principalmente em relação a decoração ou a trilha sonora. Os estudos do dia anterior tinham surtido algum efeito, afinal. O homem estava se mostrando bastante comprometido. A jornalista percebeu que ele se esforçava ao máximo para surpreendê-la, e de fato estava conseguindo.
Os dois almoçaram em um restaurante italiano bem próximo de onde seria o desfile da Carolina Herrera. Durante esse tempo, conversaram sobre moda, FANCY, fama e também sobre a campanha e, consequentemente, sobre Sebastian, um assunto que não conseguiu fugir.
A jornalista contou seus motivos para ter gostado do homem e também que acreditava em sua inocência, deixando de lado alguns detalhes, claro, como Fred e Serena. Não sabia qual era a proximidade entre o chefe e o piloto, por isso preferiu manter-se discreta.
– Ele pareceu tão empolgado quando conversamos, e sabia do assunto. Fora que tem muitos contatos dentro do mundo da moda, que nem você, sabe? E, assim, não deve ser nada fácil perder contratos, ficar sem trabalho, se ver praticamente sozinho. Eu queria ajudá-lo assim como ele queria me ajudar. – Logan concordou e a mulher sorriu. – Fora que ele é muito engraçado, uma ótima pessoa para ter por perto. – Disse, dando de ombros. Logan percebeu que talvez eles realmente fossem próximos. – Infelizmente não deu certo, e está tudo bem.
– Sinto muito. Só pelo jeito que você fala dá para perceber o quanto queria trabalhar com ele. – Logan não sentia tanto assim. Na verdade, não sentia quase nada. Ele queria estar na campanha e trabalhar junto com a jornalista, e para isso precisava que parasse de pensar em Sebastian. A mulher sorriu sem mostrar os dentes, enquanto bebia um pouco do seu suco.
– Você não precisa sentir nada, Logan, está tudo bem. – Ela queria mudar de assunto. – Você…
– Já encontrei com o Sebastian em alguns desfiles da Boss e ele sempre foi muito educado comigo. – O homem não permitiu que falasse e ela passou a língua entre os dentes, incomodada. Não queria continuar falando sobre Sebastian com Logan, ainda mais devido à relação do piloto com Fred. Tinha medo de falar demais. – Mas sei lá, depois disso tudo, não consigo vê-lo com os mesmos olhos. Peguei raiva, acho. – evitou olhar Logan e continuou comendo. – E não consigo defendê-lo também… – A jornalista entendeu isso como uma indireta e suspirou, tendo a certeza de que Fred e Logan conversaram alguma coisa.
– Eu não estou defendendo ninguém. – respondeu, enquanto passava o papel toalha na boca e finalmente olhava para Logan. – Estou esperando pelo julgamento. Não sou juíza, Logan, e nem você. – Disse, firme. O piloto ficou quieto durante um tempo, digerindo a resposta atravessada da mulher. Estava na cara que ficou incomodado, mas não tinha o costume de ficar quieta. – Podemos mudar de assunto, por favor? – Pediu, educadamente.
– Claro. – Ele estava sem graça. – Desculpa por isso, não queria te irritar, sei que o Sebastian é…
Logan. – disse, séria, enquanto fitava os olhos do piloto. Ele balançou a cabeça e sorriu.
– O que você anotou do desfile?

***

Sábado à tarde.
04 horas para o desfile da Boss.

Eram três horas da tarde quando Sebastian e Michael finalmente foram comer alguma coisa. Ficaram tão concentrados na conversa com Hilary que acabaram atrasando um pouco o almoço. O stylist fez questão de ir almoçar sozinho com Sebastian, já que queria saber o que tinha acontecido entre ele e .
O ator já imaginava que Michael estava curioso. Afinal, o amigo não parava de citar durante as conversas que tiveram no quarto. Hilary, que não sabia muita coisa, acabou estranhando e até pensou que a jornalista fosse o novo interesse romântico de Sebastian. Michael e o ator riram bastante nessa hora, mas ambos sabiam que a fala não era totalmente mentira.
Enquanto almoçavam, o ator aproveitou para resumir toda a história sobre a sua recente amizade com . Desde a reunião na FANCY até o dia do karaokê. Michael ouvia tudo com um sorriso no rosto.
– Pera, então você não vai participar da campanha, mas em compensação você e agora cantam karaokê? – O stylist perguntou, enquanto Sebastian ria. Resolveram almoçar pelo Public mesmo, que tinha um restaurante incrível no terraço.
– Infelizmente não consegui trabalhar com ela, mas… Sei lá… Olha o que ela fez por mim, né, cara. – O stylist sorriu ainda mais. Tinha ficado feliz em ouvir isso, já que gosta de Sebastian tanto quanto gosta de . – Eu pelo menos acho que é uma amizade… Ou talvez não. – Ele riu, sem graça. – Mandei um e-mail perguntando se ela iria para o desfile da Boss e fui ignorado. – O ator comentou, com uma careta. Tinha ficado incomodado com isso e sua voz não escondia.
– Um e-mail? Por que não uma mensagem? – Sebastian riu, enquanto arqueava a sobrancelha.
– Eu não tenho o número dela. – Michael franziu o cenho.
– Como assim? – O homem respondeu, indignado, enquanto revirava os olhos. – Pior que eu também não tenho. – Os dois gargalharam e Sebastian chegou a jogar a cabeça para trás, como sempre fazia. – A é intensa, Seb, você vai perceber. Eu acompanhei o trabalho dela na The Ugly Side of Fashion e foi nessa época que ela usava dois celulares, um pessoal e o outro profissional, eu falava com ela pelo pessoal. – Sebastian ouvia atentamente a tudo que Michael falava, estava adorando saber mais sobre . – E chegou um momento que ela simplesmente parou de me responder, e a partir disso eu nunca mais falei com ela. Mandava mensagem e nada. Ela sumiu, evaporou. – O ator arqueou a sobrancelha. – Depois de algumas semanas, acho, eu recebi o convite da festa de lançamento da campanha e claro que eu fui, né. Chegando lá, a doida veio dizer que eu que sumi, acredita? – Sebastian riu. – E eu fiquei ", eu te mandava mensagem quase todos os dias", foi aí que ela me contou que tinha perdido o celular pessoal e só foi notar umas semanas depois, quando o pai dela foi até o escritório tentar descobrir o que estava acontecendo porque ela não o respondia há dias. – O ouvinte arregalou os olhos. – E, bom, até hoje nada de ter o número da bonita. – Os dois riram do comentário. – Ela se joga de cabeça em tudo que faz, como você pode ver.
– É, ela parece mesmo ser muito dedicada. – Michael concordou com a cabeça enquanto terminava de tomar seu suco. – E meio doida. – Os dois riram.
– Sim, ela é, mas sabe o melhor? sabe muito bem o valor do próprio trabalho… E o valor dela. – Sebastian sorriu.
– É exatamente essa impressão que ela passa. – O ator sorriu, mordendo os lábios. – O trabalho dela é demais, Michael, eu nunca vi isso. – Sebastian passou a mão pelo cabelo enquanto suspirava. – Ela é demais. – O ator falou, baixo e perdido nos próprios pensamentos. Mal sabe ele que Michael conseguiu ouvir, e notou que parecia ter algo rolando ali.

***

Sábado à noite.
02 horas para o desfile da Boss.

e Logan já estavam saindo do penúltimo desfile, da grife Area, com o piloto dizendo o quanto havia adorado. O homem ficou até curioso para saber mais da marca, e gostou muito disso. Acompanhava o trabalho da Area há algum tempo e esperava que eles tivessem o reconhecimento que merecem.
Já no carro a caminho do hotel, Logan falava como estava ansioso para o desfile da Boss, garantindo para a jornalista que seria incrível. Adorava a grife e mais ainda o Ingo Wilts, chefe de marca da Boss, que segundo o piloto é um cara muito humilde e gente boa.
sorria enquanto ouvia Logan. Fazia anos que não comprava roupas da marca porque realmente não faziam o seu estilo, mas gostou de ver a maneira como o homem falava do assunto e mais ainda como sempre parecia interessado em aprender mais. Observando seu comportamento durante todo o dia, pensou que ele realmente poderia ser útil para a campanha, apesar do clima chato que rolou no almoço, quando falaram sobre Sebastian.
Contanto que Logan respeitasse seu espaço e vice-versa, as coisas seriam positivas.
O piloto pareceu ler os pensamentos da mulher naquele momento. Sabia que no almoço tinha feito um comentário desnecessário e que, nesses casos, deveria aprender a guardar sua opinião para si, antes de sair falando sobre algo que ninguém perguntou. Queria passar uma boa impressão para , até porque estava muito empolgado com a campanha, e sabia que precisaria ser mais cuidadoso do que tem sido para conquistar a jornalista.
– Aproveitando… – Ele disse, olhando para a mulher que estava sentada ao seu lado, ambos no banco de trás do carro. – Me desculpa mesmo por hoje no almoço, . Passei o dia pensando em como meu comentário foi estúpido. – A mulher olhou para Logan. – Eu não deveria ter falado daquele jeito, sei que você só está tentando ser justa.
– Você não precisa se desculpar de novo. – Garantiu, enquanto sorria sem mostrar os dentes.
– Quero que a gente tenha uma boa relação, porque espero de verdade poder trabalhar nisso com você. – Ele disse, sorrindo de volta. não pôde deixar de pensar em Sebastian com a frase de Logan, lembrando das vezes que o ator falou praticamente a mesma coisa. A jornalista suspirou e sorriu novamente para o piloto, tentando não transparecer que estava com o pensamento longe dali. – Quero que fique tudo bem entre a gente.
– Está tudo bem entre a gente. – Garantiu. Ele sorriu com a resposta e balançou a cabeça, concordando.
A partir disso, Logan não conseguiu tirar os olhos e nem os pensamentos da jornalista. De um jeito totalmente inconsciente, ser melhor que Sebastian acabou virando uma meta na sua cabeça. Ele sabia que, a essa altura, o ator tinha muitas vantagens em relação a ele, principalmente por ter criado esse laço com , mas também sabia que Sebastian não tinha algo muito importante: o apoio de Fred. Isso, em teoria, colocava o piloto na frente e a pouquíssimos passos da linha de chegada, que Logan estava disposto a fazer de tudo para ultrapassar.
acompanhou o piloto até o quarto e deu de cara com uma equipe de quase 20 pessoas lá dentro, que deveriam cuidar da roupa, maquiagem e cabelo de Logan. A princípio, ficou um pouco paralisada, sem saber o que fazer. Observou o homem sendo puxado de todos os lados e empurrado com rapidez para o banheiro. A jornalista riu, achando tudo muito engraçado, e resolveu aproveitar o alvoroço para sentar na varanda do quarto e ler as informações que tinha reunido sobre os desfiles do dia.
. – Logan gritou, chamando a atenção da mulher. Assim que procurou pelo piloto com o olhar, deu de cara com o homem usando apenas uma cueca box branca. A jornalista regulou Logan de cima a baixo e arqueou as sobrancelhas. Claro que já tinha visto muitas fotos dele de cueca na internet, mas ver pessoalmente teve um efeito totalmente diferente. Achava Logan muito bonito e não poderia negar isso em hipótese alguma. Quando percebeu que ainda estava encarando, mordeu o lábio e olhou para baixo, tentando esconder sua reação exacerbada. Porém, para a sua infelicidade, Logan percebeu e segurou um sorriso, gostava de ser desejado, e o objetivo era causar exatamente esse efeito em . – Desculpa por isso, vou colocar o roupão. – Disse, enquanto se vestia. – Pronto, foi mal. Não sabia onde você estava.
– Sem problemas, esse ainda é o seu quarto. – A mulher respondeu, sorrindo fraco.
– Você já pode usar o banheiro. – Ele afirmou, apontando para dentro do quarto. sorriu e agradeceu, enquanto caminhava até sua mala para pegar as coisas. – Ah, o pessoal pode cuidar do seu cabelo e maquiagem, se quiser.
– Seria ótimo. – O homem sorriu e se afastou de , que aproveitou para tomar um banho rápido e começar a se arrumar.
Enquanto Logan estava terminando o cabelo, algumas pessoas cuidavam da maquiagem de . Vez ou outra o olhar dos dois se encontrava e eles sorriam um para o outro. O clima não estava pesado como o piloto temeu que ficasse. Pelo contrário, eles estavam se dando bem até demais.
Mais alguns minutos se passaram e ambos estavam prontos. Logan conversava com seu agente na varanda, enquanto os cabeleireiros terminavam o babyliss de . A jornalista se olhava no espelho totalmente satisfeita com o que via. Adorava se arrumar sozinha, mas sabia que tudo ficava ainda melhor quando um profissional fazia. A mulher não segurou um sorriso para o seu próprio reflexo no espelho quando tudo finalmente acabou. se levantou da cadeira arrumando a roupa, e logo seu olhar encontrou com o de Logan, que estava parado mais à frente, a observando.
O piloto teve a mesma reação de quando o viu de cueca mais cedo. Assim como ela, não conseguiu segurar e a fitou de cima a baixo, com um sorriso bobo nos lábios. A jornalista arqueou a sobrancelha enquanto observava a reação do homem, esperando que ele falasse alguma coisa. Logan finalmente subiu os olhos até o rosto de e suspirou, enquanto sorria.
– Você está linda. – sorriu, sustentando o olhar do piloto. Não sabia o que tinha acontecido ali, mas não negaria que gostou do elogio. Logan se aproximou da mulher e estendeu seu braço, esperando que ela o segurasse. – Vamos?

Sábado à noite.
Desfile da Boss.

O ator desceu do carro com milhões de flashes atacando o seu rosto. Todos os paparazzis estavam ansiosos para fotografar Sebastian Stan, que estava longe dos holofotes há meses. A presença do ator no desfile foi guardada a sete chaves durante semanas, mas criou o maior burburinho assim que foi divulgada. Nunca tantos paparazzis apareceram na porta de um desfile como hoje. Todos queriam saber como o ator estava.
Sebastian tinha cerca de cinco seguranças à sua volta. A princípio, achou um exagero de Hilary, mas assim que viu a multidão cercando o seu carro, agradeceu mentalmente à agente.
O ator fez exatamente o que foi instruído. Desceu do carro, sorriu, acenou e foi direto para dentro do local. Não queria falar com ninguém, pelo menos não antes da audiência. Tinha recusado milhões de convites de entrevistas e preferia que fosse assim, qualquer coisa que falasse poderia ser usada contra ele mais para frente, de forma positiva ou negativa.
Já dentro do evento, Sebastian foi direcionado pela organização. Precisou posar para alguns fotógrafos na frente de um banner com o logo da Boss e depois pôde, finalmente, adentrar no local, dando de cara com uma estrutura impecável, repleta de luzes, manequins com looks da Boss e espelhos. O homem não deixou de sorrir ao olhar para as pessoas, chegando a suspirar de felicidade por estar ali.
Reconheceu alguns convidados presentes, como Dylan Sprouse e Barbara Palvin, e chegou a conversar com eles por algum tempo. Para seu alívio, ambos o trataram normalmente, com educação e respeito.
Logo depois, Sebastian foi novamente puxado pela organização, desta vez para posar junto de algumas celebridades para a revista Elle, que cobria o evento. Chegou até a gravar um vídeo para eles, enquanto morria de vergonha por estar sendo filmado tantas vezes. Talvez tenha esquecido como é ser o centro das atenções durante esses meses de isolamento.
A organização do evento levou Sebastian até o chefe de marca da Boss, Ingo, que também estava posando com algumas pessoas. Sebastian se aproximou e foi recebido com um abraço assim que foi visto pelo homem.
– Eu estou tão feliz de te ver aqui. – Ingo dizia, enquanto os dois posavam para os fotógrafos.
– E eu muito feliz de estar aqui. – O ator respondeu, sendo puxado pelo outro homem para fora do local das fotos.
– Não queria lançar outra coleção sem ter você na primeira fileira. – Comentou, enquanto sorria. Sebastian não conseguiu esconder sua felicidade ao ouvir isso. – Como você está? Precisamos conversar, marcar algo juntos.
– Estou bem, acho que as coisas estão caminhando. – O ator sorriu. – Precisamos, com toda certeza. É só me falar, você sabe que estou sempre disponível pra você. – Ingo riu.
– Eu vou ligar para a Hilary e cobrar isso eu mesmo. – Os dois riram. Foi nesse momento que Sebastian pensou em e na campanha. Independente da mulher ter ou não respondido, ele queria ajudá-la.
– Inclusive, você conhece uma jornalista chamada ? – Ingo levantou a cabeça, olhando para cima, enquanto pensava sobre o nome que Sebastian falou. – Ela trabalha na FANCY, e… – Sebastian pensou a melhor forma de definir . – Ela é demais, Ingo. Uma das melhores jornalistas de moda que eu já conheci.
– Eu acho que não sei quem é, Seb, se souber não estou lembrando.
– Eu queria muito te apresentar ela. – O homem ouvia atentamente a tudo que Sebastian falava. – tem um projeto novo e eu tenho certeza que você vai gostar de participar… Se a gente puder marcar alguma coisa com ela… – Ingo abraçou o homem pelo ombro enquanto sorria.
– Você sabe que estou sempre disponível pra você. – Ingo repetiu a frase que Sebastian disse há alguns minutos e os dois riram, enquanto se abraçavam novamente. – A gente marca algo e chama ela. – O homem disse, piscando para o ator.
Ambos logo foram novamente chamados pela organização para tirar mais fotos. Enquanto isso, Sebastian não conseguia deixar de olhar em volta, principalmente para a entrada do local, com a esperança de ver e poder apresentá-la ali mesmo para Ingo. Chegou até a tentar imaginar qual roupa a jornalista estaria vestindo se realmente fosse, mas considerou ser impossível: ela sempre o surpreendia.
Sua ficha de que a mulher poderia não estar lá caiu quando foi anunciado que faltavam cinco minutos para o início do desfile e que todos deveriam se dirigir para seus devidos lugares. Ingo se despediu de Sebastian e caminhou para o backstage, enquanto o ator se locomovia para o seu lugar na fileira A do desfile.
Sebastian acabou se sentando ao lado de algumas pessoas que não conhecia, mas que acabou conversando durante os minutos que faltavam. Assim como antes, também posou para mais fotos e vídeos.
Em pouco tempo, as luzes se apagaram e alguns refletores acenderam. Nesse momento, o coração de Sebastian chegou até a acelerar, tanto de ansiedade quanto de decepção. Ele realmente esperava ver ali, mesmo que isso significasse que ela ignorou sua mensagem.
A música invadiu o local e as luzes começaram a piscar, antes da primeira modelo finalmente entrar na passarela. Sebastian acompanhou o caminho da mulher, observando cada detalhe do look que ela usava, até que se distraiu e começou a observar as pessoas sentadas do outro lado. Foi nesse momento que cerrou os olhos e piscou algumas vezes, tentando ter certeza que estava enxergando certo.
E estava.
Sebastian arregalou os olhos assim que percebeu que era sentada na primeira fileira do outro lado da passarela, de frente para ele.
A jornalista estava totalmente concentrada na modelo que desfilava e não tinha sequer percebido que Sebastian estava ali, a olhando, enquanto o ator permanecia imóvel, sem prestar atenção em nada que acontecia à sua volta a não ser .
Ela estava incrível. Usava um conjunto de terno e calça na cor branca e dessa vez não estava de bota, mas sim com um salto aberto, da mesma cor da roupa. Sebastian sorriu enquanto observava cada detalhe da mulher, que estava com o cabelo solto e ondulado caindo sobre seus ombros. A visão o fez sorrir entre um suspiro. Na sua opinião, conseguiu ficar ainda mais bonita.
A mulher acompanhava atentamente o desfile e uma vez ou outra anotava algo no iPad que segurava. Chegou a fazer alguns comentários com o homem sentado ao seu lado, que Sebastian reconheceu ser Logan Harrison. O ator até franziu o cenho, se perguntando porque eles estavam juntos. Afinal, no jantar de terça-feira, quando falaram sobre o piloto, não comentou nada sobre isso.
Nesse momento, finalmente olhou para frente e encontrou com o olhar de Sebastian. Foi só isso acontecer para o ator sentir todo o seu corpo arrepiar, enquanto ela parecia paralisada, da mesma forma que Sebastian ficou há alguns minutos atrás quando a viu pela primeira vez. franziu o cenho, enquanto tentava entender o que ele fazia ali. Sua reação provocou um sorriso no ator, que apenas deu de ombros e continuou a olhá-la.
A partir do momento que viu Sebastian, não conseguiu prestar atenção em mais nada a não ser nele. Seus olhos, vez ou outra, até encontravam um look, ou Logan, mas era impossível parar de olhar para Sebastian. Ali, sentado, ele conseguiu ficar ainda mais bonito. Usava um terno verde escuro com calça de alfaiataria da mesma cor, e camisa creme por baixo. Como consequência, tanto de um lado da passarela quanto do outro, ambos passaram a desejar que o desfile acabasse o mais rápido possível.
estava tão perdida em seus pensamentos que nem sequer percebeu quando as palmas começaram. Logan cutucou a mulher para perguntar o que ela tinha achado e ela apenas sorriu, sem saber o que dizer. Afinal, não tinha prestado atenção em nada além de Sebastian.
A jornalista procurou pelo ator quando o desfile terminou, mas o homem já não estava mais ali. Até chegou a cogitar que aquilo deveria ser algum tipo de alucinação, mas seus pensamentos foram interrompidos por Logan, que segurou em sua mão e a puxou para longe da passarela, garantindo que agora iriam falar com Ingo. Os dois chegaram atrasados ao desfile, e acabaram não conseguindo conversar com o homem antes.
Logan achou Ingo conversando com algumas pessoas, que estavam próximas do enorme banner da Boss, usado para fazer as fotos oficiais do evento. Conforme os dois se aproximaram, percebeu que uma das companhias do homem era justamente Sebastian, que ria de alguma coisa que alguém havia falado.
Nada de alucinação. Ele estava mesmo ali.
Ingo percebeu a presença de Logan e sorriu para o piloto, enquanto Sebastian acompanhava o olhar do diretor e se deparava com .
– Ingo, que desfile maravilhoso! – O piloto dizia, enquanto abraçava o homem. Nesse momento, e Sebastian finalmente estavam frente a frente. O ator arriscou um sorriso sem graça para a jornalista, sem saber qual deveria ser sua reação, enquanto a mulher ainda não conseguia acreditar que ele estava realmente ali. Antes que ela pudesse falar qualquer coisa, Logan chamou sua atenção enquanto a abraçava pelo ombro. – Essa é a , a melhor jornalista que existe, juro. Ela é demais… Você precisa conhecer. – A mulher sorriu, sem graça, enquanto estendia a mão para cumprimentar o homem. Logan lançou um olhar para Sebastian que foi sustentado pelo do ator, ambos quietos e sem vontade nenhuma de cumprimentar um ao outro. Sebastian, apesar de não ter nada contra o piloto, só desejava que ele fosse para bem longe dali.
, parece que você realmente é demais. – Ingo disse, enquanto sorria e olhava para Sebastian. – Dois dos meus convidados favoritos falaram muito bem de você hoje. – também olhou para Sebastian, enquanto o sorriso de Logan murchava lentamente. – Tenho certeza que vou adorar te conhecer.
– Eu sinto o mesmo. – A jornalista disse, ainda impactada com o que o homem tinha acabado de falar. não sabia se olhava para Ingo, Sebastian ou Logan, então acabou por manter seu olhar sob o primeiro homem, que ainda segurava sua mão. Uma mulher de prancheta e crachá no pescoço chegou por trás de Ingo e sussurrou algo em seu ouvido. Nesse momento, aproveitou para olhar para Sebastian, que parecia estar esperando por isso. A mulher sorriu para o ator. – Preciso tirar mais algumas fotos e logo vou para a festa, encontro todos lá, né? ? – Antes que a jornalista pudesse responder, Logan foi mais rápido:
– Claro, ela vai comigo. – Sebastian revirou os olhos e fitou o piloto com dúvida, já que não estava ciente dessa festa. Ingo se despediu de todos e se afastou, deixando para trás os dois homens em um clima pouco amigável e em um fogo cruzado.
– Logan, você ainda não tirou suas fotos. – A mesma mulher de antes apareceu. – Vamos lá? – A verdade é que o piloto não queria sair dali. Afinal, não queria deixar sozinha com Sebastian. Logan fitou a mulher que o incentivou com o olhar. Além de não querer atrapalhar, queria ficar a sós com o ator, e esse seria o melhor momento.
Logan regulou Sebastian e viu um sorriso debochado surgir em seus lábios antes de seguir a moça. O ator, assim que finalmente ficou a sós com , olhou a mulher de cima a baixo e sorriu.
– Oi. – Sua voz saiu baixa, mas alta o suficiente para provocar um sorriso em . – Bom te ver.
– Bom te ver também. – Ela sussurrou, enquanto sorria sem mostrar os dentes. Sebastian deu um passo para frente, para ouvi-la melhor e também porque, inconscientemente, queria ficar mais perto. Sua atitude fez com que a mulher precisasse olhar ainda mais para cima para encontrar seus olhos.
– Você… – O ator coçou a garganta, se questionando porque ficava tão nervoso na presença da jornalista. – Você está linda. – não sabia dizer se sua respiração falhou devido à proximidade de Sebastian ou pela frase que tinha acabado de sair da sua boca. O homem sorriu de lado, enquanto observava cada reação do corpo de : seus olhos piscando mais rápido, a respiração ofegante, a boca entreaberta, as mãos fechadas… Nunca esteve tão perto, nem quando cantaram juntos no karaokê. – Eu não sabia que você vinha.
– Eu também não sabia que você vinha. – A resposta fez o ator franzir o cenho, sem entender. Sebastian entortou a cabeça, sem tirar os olhos de .
– Você não viu meu e-mail?
– Que e-mail? – Dessa vez, foi quem franziu o cenho.
– Te mandei um e-mail falando que viria. – balançou a cabeça negativamente. – Você não viu?
– Eu não recebi. – Garantiu. – Não recebi nenhum e-mail seu. – Sebastian passou a língua entre os lábios. Esse gesto poderia ter passado despercebido por se eles não estivessem tão próximos, mas não era o caso. A mulher se perdeu totalmente na boca do ator.
– Menos mal. – Ele riu. – Achei que tinha me ignorado.
– Sebastian, eu não faria isso. – Disse, séria, em um tom que o ator já tinha a visto usar antes. Ele fechou os olhos rapidamente, sentindo seu corpo reagir ao nome dele saindo da boca de . Nenhum toque foi necessário, apenas sua voz. A jornalista riu, um pouco sem graça e um pouco em dúvida sobre tamanha proximidade e interação. Pela primeira vez, Sebastian sentiu que a situação era recíproca, e que estava mexendo com tanto quanto ela estava mexendo com ele.
– Quando você vai começar a me chamar de Seb? – Ele sussurrou, sorrindo. Não perguntou isso porque não queria mais ouvir falando seu nome, mas sim porque estava louco para ouvi-la falando o seu apelido. A jornalista sorriu, pensando na hipótese de Sebastian estar flertando com ela devido ao seu tom de voz e proximidade. Não sabia exatamente como reagir, afinal fazia algum tempo que não flertava e nunca, em hipótese alguma, chegou a fazer isso com alguém como Sebastian.
– Acho que quando a gente for um pouco mais íntimo. – Só essa frase foi capaz de arrepiar todos os pelos do corpo do ator. Sebastian não soube dizer se a resposta tinha malícia, mas o clima que os dois criaram ali, sem nem mesmo saber, era o suficiente.
– Voltei, , vamos? – Logan apareceu, chamando a atenção de , que se afastou. Sebastian, por outro lado, continuou sem tirar os olhos da mulher. O piloto sorria, mas estava com as mãos trêmulas. Não gostou de ver a proximidade dos dois e começou a se perguntar o quão íntimo eles eram e o quão íntimo ele precisaria ser para reconhecê-lo.
– Vamos. – Ela afirmou, voltando a olhar para Sebastian. – Até mais? – O ator sorriu novamente.
– Até. – sorriu e finalmente deu as costas para Sebastian, sendo envolvida por Logan pelos ombros. O ator, que assistia a cena de longe, bufou, enquanto tirava o celular do bolso para descobrir o que tinha acontecido com o seu e-mail. Assim que clicou na mensagem, percebeu que ela não havia sido enviada, já que o tamanho do vídeo era muito grande. Sebastian riu sozinho enquanto comemorava internamente por não ter sido ignorado.
– Logan, me solta. – disse, rindo e empurrando o homem para longe. O piloto forçou uma cara de indignação.
– Milhões de garotas morreriam para estar no seu lugar, , valoriza. – A mulher parou de andar e olhou para ele, que sorria.
– Milhões de garotas já estiveram no meu lugar, Logan, você é bem rodado. – O piloto arregalou os olhos enquanto gargalhava. A mulher não mentiu, Logan tinha fama de galinha. – Como vai ser essa festa? – A jornalista não pensava em ir para a festa, principalmente porque não havia sido convidada e também porque o desfile da Diane Von Furstenberg era às onze horas da manhã. Porém, queria ver Sebastian de novo, ainda mais depois do que tinha acabado de acontecer, e sabia que uma festa seria um ótimo lugar para isso.
– Então você quer ir? – A jornalista revirou os olhos com o tom de voz de Logan. Os dois entraram no carro, que logo partiu para o Public.
– Acho que vai ser bom para distrair um pouco. – Ou para ver o Sebastian. – Só que amanhã temos um desfile às onze, então nada de se matar de beber. – Disse, séria, vendo Logan concordar com um sorriso divertido no rosto. – E outra, eu nem tenho roupa. – A jornalista finalizou, balançando a cabeça negativamente.
, logo você, que trouxe uma mala do tamanho da minha casa, não tem roupa? – A mulher bufou enquanto ria.
– Não roupa de festa. – Logan sorriu.
– Você faz qualquer roupa virar roupa de festa se quiser. – Ele respondeu, enquanto chegava perto da mulher e segurava sua mão. prendeu a respiração e fitou o piloto, que sorria de lado. – Te garanto.
– Espero que você esteja certo. – Logan riu com o nariz.
– Eu estou. – Respondeu, antes de soltar a mão de . – A festa vai ser ótima, e você vai estar linda, como sempre. – passou a língua entre os dentes, percebendo que em menos de uma hora foi elogiada por um ator de Hollywood e por um piloto de fórmula 1.
E a noite nem sequer havia começado.


Capítulo 11 - Dona Flor e seus Dois… Amigos? (NYFW 02)


Domingo de manhã.

"Ei, Seb, espero que você tenha conseguido descansar depois dessa noite totalmente caótica hahahaha só queria te agradecer mais uma vez, não só por ter me ajudado com o idiota do Logan, mas por tudo.
Espero que a gente se veja de novo.
E em breve.
Beijos
"

Algumas horas atrás.
Sábado à noite.

These boots are made for walking, and that's just what they'll do
(Essas botas são feitas para andar, e isso é o que elas farão)
One of these days these boots are gonna walk all over you
(Um dia desses essas botas andarão por cima de você)
Are you ready, boots? Start walking!
(Estão prontas, botas? Comecem a andar!)


Um remix de Nancy Sinatra tocava nos altos falantes da festa, enquanto e Sebastian estavam em espaços totalmente distantes dentro do ambiente. O homem se mantinha com um grupo de pessoas, que incluía Dylan Sprouse, Barbara Palvin e Romee Strijd, próximo ao DJ, enquanto se encontrava com os amigos de Logan no lado aberto do local.
Ambos estavam se divertindo, mas seus pensamentos se conectavam nas diversas vezes que pensavam um no outro.
Logan, por outro lado, estava aliviado de ainda não ter encontrado Sebastian. Afinal, queria manter longe do ator. De fato, talvez fosse até fácil controlar os passos da jornalista, mas os pensamentos? Impossível: vez ou outra rodava os olhos pelo local, procurando um par de íris azuis bastante específico.
O piloto percebia, inclusive, apesar de conseguir disfarçar muito bem seu leve incômodo com a situação. A verdade é que Logan não comprava a história do ator e, para o bem de todos os lados, gostaria de mantê-lo o mais longe possível.
And does he know that there is nobody quite like you… (E ele sabe que não tem ninguém igual a você?) – Logan aproveitava a música que tocava para cantar alguns versos para , que ria da interpretação do piloto. Feelings do Maroon 5 era a escolha da vez, e ambos estavam de pé, bebendo e dançando. – So let me tell you all the things he never told you. (Então deixa eu te dizer todas as coisas que ele nunca te disse) soltou uma risada quando o piloto esticou os braços para frente, apontando em sua direção e cantando o refrão com vontade: – I got these feelings for you and I can't help myself no more. (Eu tenho esse sentimentos por você e eu não posso me segurar mais) – A jornalista rolou os olhos, ainda rindo da performance.
Enquanto isso, do outro lado do local, Sebastian balançava a cabeça no ritmo da música e ria das coisas que a modelo Romee Strijd falava. Os dois já haviam trabalhado juntos em uma campanha da Boss e não se viam há muito tempo, precisavam colocar o papo em dia. O ator ficou aliviado pelo fato da modelo não tocar no assunto que o incomodava, e isso fez a conversa fluir naturalmente.
Enquanto tentava distrair sua mente, sentia seus pensamentos vagarem de vez em quando, e inconscientemente passava seus olhos pela multidão, procurando uma pessoa em especial. Porém, estava complicado: Sebastian não fazia nem ideia de como a pessoa estava vestida, apesar de ter certeza que estava linda.
usava um vestido roxo com um cinto prateado marcando sua cintura. Nos pés, botas até o joelho, da mesma cor do cinto. Nesse momento, estava se deixando levar por Womanizer de Britney Spears, já que é apaixonada pela música e queria curtir o máximo que pudesse.
– Já percebeu como essa letra é a sua cara? – A jornalista disse, olhando para Logan e rindo. – You're nothing but a womanizer. (Você não é nada além de um mulherengo.) – O piloto riu, pois não deixava de concordar: sabia que sua fama não era das melhores, mas assumia a culpa sem vergonha alguma.
, a Britney escreveu exclusivamente para mim. – gargalhou da resposta do amigo, que deu de ombros, rindo também. Logan, em meio às risadas, tropeçou nos próprios pés e tombou para frente, sendo amparado pelos braços finos de .
– Melhor maneirar na bebida, né? – A jornalista tentou puxar o copo da mão do homem, mas ele foi mais rápido em se afastar.
– Estou bem, só vou beber esse e parar. Prometo. – A mulher o fitou, descontente, mas cedeu. Não queria ter que tomar conta de ninguém. Por isso, torcia para que ele fosse responsável. O celular de Logan começou a tocar e automaticamente a feição do homem mudou. A jornalista chegou a perceber, mas não sabia se deveria perguntar. De toda forma, ele parecia bastante incomodado. – Eu já volto, fica aqui? Por favor? – Logan pediu, segurando pelos ombros. A mulher franziu o cenho, mas concordou, observando o piloto sumir pela multidão logo depois.
aproveitou a ausência do homem para se sentar em um lugar vago entre as poltronas. Nesse momento, começou a se perguntar se ela deveria estar ali. Por mais incrível que a festa esteja, ainda tinha compromissos importantes amanhã e, mesmo que não bebesse muito, estar com a mente cansada na cobertura do desfile seria horrível.
Para piorar, ela nem sequer achou Sebastian, motivo pelo qual estava lá. Tudo piorava quando ela lembrava que não sabia nem a roupa que ele usava, ou se chegaria mais tarde, ou se ele sequer chegou a ir.
Dessa vez, Rihanna tocava na caixa de som. This Is What You Came For invadia os ouvidos de todos os presentes, que dançavam a música sem nenhum pudor. Sebastian, então, aproveitou que a bebida de Romee havia acabado para se oferecer para buscar mais. Usaria isso como desculpa para achar a jornalista e, quem sabe, ficar algum tempo com ela. Para isso, caminhou pelo local até a parte aberta, com seus olhos bem atentos. Torcia para que Logan não estivesse por perto. Até ontem não tinha nada contra o piloto, mas não poderia dizer o mesmo vendo essa aproximação estranha e incomum dele com . Portanto, não faria questão alguma de gastar seu bom humor e educação com ele. Muito pelo contrário.
Em alguns segundos, o ator chegou ao lado aberto do ambiente. Seus olhos, novamente, percorreram todo o local, até o momento em que encontrou um par de botas cintilantes. Ali, só com esse pequeno detalhe, soube de quem se tratava, e a partir disso sua noite passou a valer a pena.
A dona das botas cintilantes deixou a bebida de lado para voltar a observar as pessoas, e finalmente cruzou seus olhos com aquelas duas famosas íris azuis. Foi quando tudo parou. Não existia festa, nem Rihanna, nem Logan. Não existia mais nada, apenas duas pessoas estáticas, se encarando fixamente por intermináveis segundos, até se darem conta de que finalmente se encontraram, mesmo sem saber porque se procuravam.

And everybody's watching her
(E todos estão assistindo ela)
But she’s looking at you
(Mas ela está olhando para você)

Em um pulo, se levantou, mas tudo pareceu voltar ao normal quando seus devaneios foram bruscamente interrompidos por Logan, que apareceu completamente fora de si ao seu lado. A jornalista franziu o cenho e se debruçou para frente, enquanto tentava segurar o corpo de Logan com medo que o homem fosse de cara no chão.
– Logan, o que foi? O que aconteceu? – segurou o rosto do piloto entre o polegar e o indicador, tentando ter uma resposta. Logan estava com os olhos abertos, respirando fundo, se esforçando para manter-se acordado. – O que você tem? – A mulher olhou em volta e percebeu alguns olhares curiosos para os dois. Foi quando, em uma atitude rápida, jogou o braço do homem sobre seus ombros e o puxou pela multidão. As pessoas pareciam não querer dar licença e isso dificultava a locomoção, já que custava para segurá-lo. – Logan, você precisa me ajudar, eu não consigo te carregar sozinha. – A mulher finalmente sentiu o peso nos seus ombros diminuir e olhou para o homem, a tempo de ver Sebastian do outro lado, ajudando-a a levá-lo para o banheiro. A jornalista por pouco não paralisou o vendo finalmente tão perto. Xingou mentalmente pela situação que estava e sentiu vontade de pedir desculpas, mas a única atitude que conseguiu tomar foi sorrir em agradecimento.
Os dois levaram Logan até o banheiro masculino. entrou sem se preocupar com quem estaria ali dentro, só precisava colocar o piloto em um lugar claro e com poucas pessoas. Sebastian o pegou no colo e o apoiou na porta de uma das cabines, de maneira que ele ficasse sentado. Logo se agachou na frente de Logan, assim como o ator.
– O que aconteceu? – Sebastian perguntou olhando para , que negou freneticamente com a cabeça. Não fazia ideia do que tinha acontecido. – Ele parece estar drogado. – O ator dizia, dessa vez olhando para Logan, enquanto a jornalista suspirava, assustada.
– Drogado?
– É… Isso não parece ser só bebida. – fitou Sebastian, que pôde ver o desespero em seus olhos.
Overdose? – Ela disse, nervosa, e Sebastian engoliu em seco, sem saber o que dizer. – Então a gente precisa levar ele para um hospital agora. – Nessa hora, Logan apertou o braço de , chamando sua atenção.
Não. – Disse, enquanto engolia em seco e abria os olhos com dificuldade. – Não me leva para nenhum hospital. – Nesse momento, Sebastian respirou aliviado por vê-lo falando, assim como .
– É claro que vou te levar. – A mulher respondeu com a voz um pouco embargada. Logan apertou ainda mais o braço dela e respirou fundo.
. – Falou, finalmente, demonstrando a mesma dificuldade de antes. – Eu… Não posso ser visto assim… Não me leva ao hospital. Por favor. – A jornalista olhou para Sebastian, tentando desesperadamente encontrar alguma resposta nos olhos do ator, que respirou fundo pela centésima vez. – Eu vou ficar… Bem. – passou a mão pelo rosto e suspirou, olhando novamente para Sebastian.
O que eu faço? – A mulher estava realmente desesperada, com a voz trêmula e os olhos perdidos. Nunca, em toda sua vida, tinha presenciado isso. O homem ao seu lado suspirou, pensando em formas de ajudá-la. Sebastian sabia que, naquele momento, ela precisava dele. E Logan também. Poderia estar encucado com a relação dos dois, mas não seria insensível ao ponto de deixá-los ali, sozinhos.
– Não acho que seja uma overdose, ele está consciente e conversando com a gente. – Afirmou, tentando tranquilizá-la. – Parece mais uma bad trip. – cerrou os olhos, sem entender o que aquilo significava. – Só vamos colocar ele perto da privada, porque ele com certeza vai querer vomitar. – assentiu sem nem perguntar como Sebastian poderia saber daquilo, e ajudou o ator a colocar Logan dentro de uma das cabines. – Olha, não precisamos levar ele para o hospital. Mas temos que tirá-lo daqui. Levar para o hotel, pelo menos, ele está no Public? – concordou com a cabeça. – Ótimo, então vamos no meu carro, eu tiro ele pelos fundos, vou tentar ser discreto. Você avisa o motorista dele?
– Não quero acabar com a sua noite. – A mulher disse, preocupada. – Tem certeza? – O ator sorriu sem mostrar os dentes, tentando passar tranquilidade.
Sim. Eu tenho certeza. – Respondeu, com firmeza, e viu sorrir como agradecimento. Nesse momento, deixou de lado os pensamentos negativos que insistiam em dizer que essa resposta era um erro. Afinal, os dois poderiam estar se envolvendo, e confirmar essa teoria de fato acabaria com a sua noite. Porém, por outro lado, tinha confiança de que dificilmente escolheria um homem como Logan Harrison para se relacionar, e isso o tranquilizava. – Deixa que eu tiro ele daqui, vai avisar o motorista, tá? E espera a gente na porta da frente, eu passo lá para te buscar. – A mulher assentiu e olhou para Logan, que estava totalmente desacordado. Sebastian a observou, notando que suas mãos estavam trêmulas e seus olhos marejados. Vendo isso, o ator teve certeza que tomou a decisão certa.
Nesse meio-tempo, finalmente se levantou e caminhou até a porta do banheiro em meio a um turbilhão de pensamentos.
Em paralelo, Sebastian refez os passos da mulher, a tempo de segurá-la pela mão e puxá-la para si com toda delicadeza que tinha, fazendo-a se virar. A jornalista, completamente surpresa com a reação, soltou um suspiro baixo, antes de seus olhos fitarem, agora de perto, as íris azuis do ator.
, apenas com esse pequeno toque de Sebastian, sentiu seu corpo tremer como há tempos não sentia. Consequentemente, desejou que ele não a soltasse, mas tão pouco sua vontade prevaleceu, já que o homem logo afrouxou o aperto e segurou apenas seus dedos trêmulos. A jornalista permaneceu paralisada, esperando pelo que viria a seguir, e Sebastian, com toda calma que conseguia ter no momento, sussurrou:
– Ele vai ficar bem, confia em mim. – A mulher, ainda anestesiada pela situação, apenas assentiu com a cabeça, observando o homem se afastar e voltar para perto do piloto. tocou os dedos, no exato lugar que havia sido tocada há alguns minutos atrás, e deixou o banheiro, ainda pensando sobre o que tinha acabado de acontecer. Nada demais, ela sabia, mas o simples toque despertou sensações que há muito tempo o seu corpo não sentia. Não era exagero dizer que faíscas acenderam dentro dela, como fogos de artifício em uma festa de ano novo.
A jornalista, entre um pensamento e outro, passou pela multidão novamente, mas dessa vez saindo da boate. Sebastian, de dentro do banheiro, segurou Logan no colo e o tirou dali. Não foi fácil sair sem chamar atenção, mas o ator teve a ideia de tapar o rosto do piloto com o capuz do casaco que ele usava, impedindo que as pessoas soubessem de fato quem era. Aproveitando o espaço dos fumantes, Sebastian finalmente deixou o local e encontrou com seu motorista, que estava o esperando na rua de trás. O ator já tinha deixado uma mensagem para o homem logo antes de sair do banheiro.
Enquanto isso, já havia falado com o motorista de Logan, que voltou para o hotel e pediu que ela o mantivesse informado, se possível. O homem conhecia o piloto há tempos, e entendeu que estava tentando ajudá-lo a não chamar atenção e prejudicar toda sua carreira.
Alguns minutos depois, o carro de Sebastian chegou, e entrou no veículo. A jornalista sentou-se ao lado do piloto, que ainda estava desacordado, enquanto Sebastian estava no banco da frente. Assim que se acomodou, a mulher afogou o rosto nas mãos e respirou fundo.
– Ei. – Ela disse, chamando a atenção do ator, que virou a cabeça para olhá-la. – Muito obrigada por isso. – Sebastian sorriu, balançando a cabeça, sem saber o que dizer. O ator não teria feito nada diferente. Estava preocupado com Logan e também com o rumo que a noite tomaria, mas aliviado por ter ajudado e também por tê-la por perto de novo.
Já no corredor do quarto do piloto, segurava o homem enquanto Sebastian usava o cartão de acesso para abrir a porta. Logan estava de olhos fechados, quase apagado, e se apoiava totalmente sobre o corpo de , que sentia que iria cair a qualquer momento. Antes que Sebastian pudesse finalmente voltar e ajudá-los, Logan se agarrou na jornalista e colocou tudo que havia comido e bebido durante à noite para fora. Metade foi para o chão, e a outra metade, claro, nela. A mulher fechou os olhos e em uma atitude impulsiva soltou o homem, que foi amparado por Sebastian. Naquela altura, os três já estavam sujos de vômito.
e Sebastian, assim que fecharam a porta, se olharam e, por incrível que pareça, começaram a rir. A noite estava bem longe de ser o que os dois imaginaram, claro, mas a situação era engraçada.
Sem muita dificuldade, Sebastian pegou o piloto no colo e o levou para o banheiro. acompanhou os dois e ajudou o ator a colocar Logan dentro do chuveiro, de roupa e tudo. O homem, assim que entrou em contato com a água, pareceu despertar. Sebastian segurou sua cabeça e o fez olhá-lo.
– Logan, como você se sente? – O piloto olhou do homem para a mulher e suspirou, percebendo o que estava acontecendo.
– O que houve? – Sebastian olhou para a tempo de ver a mulher respirar aliviada por ver que Logan já conseguia falar normalmente. A jornalista queria bombardear o piloto de perguntas, porém, sabia que não era o momento. Ele estava despertando, mas ainda totalmente fora de si. – Cadê meu celular? – Logan perguntou, aflito, enquanto tentava se levantar. Sebastian o segurou, forçando-o a se sentar novamente.
– Ei, campeão, calma aí. – disse, rindo, enquanto o empurrava levemente com a palma da mão. – Ninguém vai pegar o seu celular não, está junto das suas coisas, guardado. – O homem fitou e depois Sebastian, enquanto tentava disfarçar sua preocupação.
– Ok. – Concordou, enquanto relaxava novamente no chão do box. – Eu passei muito mal? O que aconteceu?
– Digamos que você só não morreu, o que já é ótimo. – O ator riu, sendo acompanhado por . – Mas você ficou muito mal sim. – Logan encostou a cabeça na parede do box e fechou os olhos. Odiava ter se colocado nessa situação, principalmente por estar tão vulnerável ao ponto de precisar ser ajudado por Sebastian. No entanto, não era mal educado e nem mal agradecido:
– Obrigado pela ajuda. – Disse, alternando o olhar de Sebastian para . O piloto se levantou, sendo segurado pelo ator, e tirou a camisa que vestia com dificuldade, já que estava molhada e grudada em seu corpo. Logo, estava só de cueca.
Sebastian ajudou o homem com um banho rápido enquanto procurava por uma roupa confortável para ele usar. O ator tirou Logan do box e o levou para o quarto, onde o ajudou a se vestir. observava de lado, mas por perto, já que Logan parecia não se sentir à vontade com a proximidade da jornalista.
Logo o piloto estava deitado e, dentro de poucos minutos, caiu no sono. ficou algum tempo sentada ao seu lado, o observando, para ter certeza de que ele estava bem, enquanto Sebastian ficou na sacada, admirando a vista do hotel e pensando sobre a noite que ainda nem havia acabado.
– Ele dormiu. – A jornalista disse, conforme se aproximava do ator. – Espero que acorde bem.
– Ele vai. – Sebastian respondeu, com firmeza. – Confia em mim. – sorriu, enquanto se encostava na grade da varanda e observava a vista ao lado do ator. Ela confiava.
– Obrigada… Mesmo. – Sebastian sorriu sem mostrar os dentes e os dois ainda ficaram um tempo ali, quietos, apenas olhando para os milhares de prédios que rodeiam a cidade de Nova York.
– Você e o Logan, então? – Ele perguntou, sem olhá-la. , no entanto, virou-se para fitá-lo.
– O que tem eu e o Logan? – Sebastian também se virou e encontrou seus olhos, que pareciam curiosos pela resposta. O ator deu de ombros.
– Você e o Logan, ué… – Ele disse, sem jeito. A jornalista riu.
– Aonde você quer chegar? – Sebastian voltou a olhar para os prédios. Estava curioso, ainda mais depois da forma como o piloto o olhou no desfile. – Somos amigos, sei lá, o que eu deveria responder? – achou graça ao vê-lo curioso sobre isso.
– Não sei. – Ele fez uma careta. – Não sabia que vocês se conheciam tanto.
– A gente não se conhece tanto. – Ela falou e atraiu novamente o olhar do homem. – Começamos a trabalhar juntos na quinta… Hã… Fred o escolheu como meu assistente. – Ela jogou no ar, meio sem jeito, e Sebastian assentiu, entendendo.
– É que você ficou tão preocupada… – Ele respondeu, sem certeza se deveria falar isso, mas mesmo assim falando. o fitou.
– E você não? – Sebastian permaneceu quieto, e sorriu sem mostrar os dentes. – Pode até não admitir, mas você também ficou. – A jornalista não estava mentindo e Sebastian sabia disso. O ator se preocupou com Logan, e além disso, com ela. Não queria deixar a mulher sozinha com o piloto naquele estado. – Pelo menos não chamamos tanta atenção tirando ele de lá, fiquei com medo disso. Quando chegamos na festa, todo mundo olhou para ele. Era flash para todo lado… Foi bizarro. – Ela comentou, pensativa, e Sebastian riu, olhando para os pés. – Está rindo do quê?
– O que te faz pensar que estavam olhando para ele? – franziu o cenho.
– Não é meio óbvio? – O ator negou com a cabeça, ainda com um sorriso divertido nos lábios. – O que foi, homem? – também ria, mas diferente dele, estava confusa.
– Não acho que olharam para ele. – Disse, fitando a mulher. – Acho que olharam para você. – A jornalista abriu a boca para falar, mas nada saiu. Ela não esperava essa resposta e logo percebeu que não sabia o que dizer. A mulher, então, apertou os lábios e observou o ator, que também tinha os olhos sob ela.
– Sebastian… – Disse, rindo, mas com a voz falha. Afinal, não esperava ouvir isso. Estava sem reação, como poucas vezes havia ficado em toda a sua vida. Sem exageros.
– Eu, sem dúvida alguma, olharia para você. – Ele disse, ainda a fitando incansavelmente. ficou em silêncio durante mais algum tempo, como se tivesse desaprendido a falar.
– Por que você está me dizendo isso? – Perguntou, séria.
– Porque eu seria louco se não dissesse. – parecia perdida e involuntariamente cortou o contato visual com o ator. Sebastian também desviou o olhar, voltando a observar a vista do hotel, enquanto esperava ansiosamente por qualquer reação da mulher.
E as reações vieram:
abriu um sorriso singelo e colocou o cabelo atrás da orelha, logo depois de suspirar. Sebastian observava tudo pelo canto do olho, satisfeito por ter finalmente conseguido deixá-la sem palavras.
– Eu não estava esperando por isso. – Ela admitiu, ainda sem olhá-lo. Era real e oficial: estava mexida.
– E essa é a melhor parte. – A jornalista voltou a olhá-lo, ainda sem saber o que dizer. Não podia negar: era realmente muito bom ouvir qualquer elogio vindo de Sebastian, e talvez ela nunca se acostumaria com isso. – Não é só você que tem resposta rápida para tudo, viu?
– Cala a boca. – Respondeu, de forma afiada, fazendo Sebastian rir. Os dois ainda ficaram mais um tempo em silêncio, com o ator se perguntando o que viria a seguir e se questionando sobre que horas deveria ser. Pensamentos bem alinhados, como podemos ver. – Você não viu meu celular por aí, né? – Questionou, percebendo que o aparelho não estava com ela. Sebastian a olhou e negou com a cabeça. – Acho que deixei no seu carro.
– É bem provável. – O ator riu e virou todo o corpo para ela. – Eu pego lá para você. – o seguiu até a porta do quarto e observou Logan, que ainda dormia tranquilamente. A jornalista suspirou aliviada ao ver que o piloto estava respirando. – Ele vai sobreviver. – assentiu, sorrindo, enquanto observava Sebastian deixar o quarto e seguir pelo corredor.
A mulher fechou a porta e encostou-se sobre ela, pensando na noite que estava tendo. Não conseguia imaginar o horário e nem como faria para ir ao desfile da Diane von Fürstenberg junto de Logan amanhã. O piloto poderia estar melhor, mas dificilmente estaria disposto para ir. até respeitaria isso, mas não sem saber exatamente o que tinha acontecido.
A jornalista finalmente tirou o vestido que usava, ficando apenas com uma camiseta de manga comprida na cor branca e um shorts preto, ambos usados como segunda pele. deixou a roupa sobre a pia do banheiro, tirou as botas e aproveitou para prender o cabelo e tirar a maquiagem. Estava cansada, e não teria condição alguma de ir para casa agora. Preferia dormir no sofá do quarto de Logan do que esperar um Uber e cruzar a cidade.
O barulho de alguém batendo na porta a assustou, e ela apenas vestiu a roupa que estava na pia e correu para recepcionar Sebastian novamente. Logo a mulher abriu a porta e sorriu para o ator, que felizmente segurava seu celular.
saiu do quarto para poder falar com o homem sem correr o risco de acordar Logan.
– Obrigada… De novo. – Ambos riram. – Eu não teria sobrevivido a essa noite sem você.
– Teria sim. – O homem garantiu, enquanto sorria de lado. – Dúvido que exista algo que você não seja capaz de resolver. – A mulher também sorriu, enquanto mirava os pés. Sabia que não era verdade, mas amou ouvir isso, principalmente vindo de Sebastian. – Porém… Fico feliz em ter te ajudado. – apertou o corpo com os braços e o olhou de volta, enquanto sentia uma certa timidez tomar conta da sua espinha. – Preciso tomar um banho e tirar essa roupa de vômito. – A jornalista por pouco não gargalhou e Sebastian, novamente, sorriu. A noite estava longe de ser o que ele esperava, mas ouvir o riso de era ótimo. Ele gostava. – Bom desfile amanhã.
– Obrigada. De novo. – Disse, enquanto dava um passo para trás. – Por tudo. – Sebastian sorriu. – Boa noite. – O homem abaixou-se levemente, como se fizesse reverência e, mesmo não querendo, deu as costas à .
O ator andou em direção ao elevador e virou-se assim que entrou, vendo que a mulher ainda o observava, pois, assim como ele, não queria que a noite acabasse ali.

***

Sebastian tinha acabado de deixar o banho e usava uma toalha para secar o cabelo. O ator não conseguia parar de pensar na jornalista. Independente de tudo que aconteceu, a figura de rindo conseguia ser maior do que qualquer outro pensamento negativo que o ator pudesse ter. Neste momento, ele só tinha uma certeza: aquela mulher viciada em botas de cano alto fez seu coração bater mais rápido de um jeito totalmente único. E intenso.
Quatro batidas vindas da porta tiraram Sebastian de seus pensamentos. O ator logo vestiu um roupão e caminhou até a entrada do quarto. Assim que abriu a porta, deu de cara com a dona de seus pensamentos mais recentes: .
A jornalista ainda vestia a mesma roupa de quando estavam juntos há alguns minutos atrás, e parecia não ter tomado banho. Um sorriso sem graça estampava seu rosto, e Sebastian estava bastante curioso pelo que viria em seguida.
– Me tranquei para fora do quarto. – Ela sorriu, enquanto coçava a cabeça. O homem franziu o cenho. – Acabei deixando a porta fechar quando fui me despedir de você e o acesso ficou lá dentro. – Sebastian riu, balançando a cabeça negativamente. – Desculpa te incomodar mais uma vez e dessa vez com outro problema… Mas não tenho para onde ir. Minha bolsa ficou lá dentro, nem a chave de casa eu tenho, só tô com meu celular e essa roupa toda vomitada. – A frase fez Sebastian gargalhar ainda mais, enquanto abria a porta do quarto para deixar a jornalista passar.
– Entra aí. – A mulher passou pela porta se sentindo totalmente intimidada. Aquilo era demais para ela. Já havia pedido a ajuda de Sebastian com Logan, tinha feito o homem perder a festa e agora também dormiria de favor em seu quarto? Tudo isso em uma única noite? Não parecia certo, mas ela não tinha o que fazer. Até cogitou ir na recepção e pedir uma chave reserva, mas é óbvio que ninguém iria dar o acesso do quarto de Logan Harrison para ela, sendo que, em tese, o homem estava hospedado sozinho. Além disso, tem o fato de que ela e Sebastian, a partir daquele momento, ficariam 100% sozinhos dentro de um quarto de hotel. Isso a assustava, principalmente depois do que sentiu com um simples toque do ator em sua mão e com as palavras que ele disse com tanta naturalidade na sacada do quarto. Faz meses, talvez anos, que a jornalista não se sente intimidada dessa forma por um homem, ainda mais por um homem como ele. Não era algo com o qual estava acostumada, e não fazia a mínima ideia de como deveria reagir. – Quer tomar um banho?
– Nossa, sim. Se possível. – Ela sorriu, nervosa. Desde que entrou, ficou parada em um lugar específico, sem se mexer. Sebastian estranhou tal reação, já que estavam juntos há poucos minutos e ela não parecia tão nervosa como agora.
– Você está com vergonha? – Ela bufou, fazendo uma risada escapar dos lábios do ator.
– Claro. – cruzou os braços. – Estou com uma roupa suja de vômito pedindo sua ajuda pela trigésima vez só hoje.
– Eu só vejo o vômito como um problema. – Ele disse, rindo, enquanto entrava no banheiro e tirava suas coisas de lá. – Tem toalha lá dentro, fica à vontade. – O ator disse, passando por ela e indo em direção a sua mala, que estava no chão ao lado da cama. A mulher sorriu em agradecimento e finalmente mexeu suas pernas, indo em direção ao banheiro.
tomou um banho rápido e não ousou lavar seu cabelo. Afinal, já era tarde da noite e secá-lo nesse horário estava fora de cogitação. A mulher deixou o box e se olhou no espelho do enorme banheiro durante um tempo, pensando em tudo que havia acontecido e se Logan estaria bem. Não tinha ideia de como faria para falar com o homem, que deveria estar capotado, e nem como iria para o desfile amanhã.
Fred com certeza iria surtar.
Enquanto se secava, notou que não tinha nenhuma troca de roupa e xingou baixo, percebendo que teria que pedir a ajuda de Sebastian mais uma vez. Não que isso fosse um grande problema, mas a jornalista se sentia mal por incomodá-lo tantas vezes em uma só noite.
se enrolou na toalha e abriu a porta do banheiro, chamando a atenção de Sebastian, que estava sentado na ponta da cama. Assim que percebeu a presença da mulher, o ator se levantou em um pulo e estendeu seu braço, segurando uma camiseta em sua mão.
– Eu não sei se você sente muito frio, então peguei essa camiseta sem manga, mas posso te dar um moletom, se preferir. – sorriu automaticamente, enquanto se aproximava do homem. Achou a atitude de Sebastian a coisa mais linda do mundo. Ele percebeu que ela não teria o que vestir e separou algo, e ainda se preocupou com o frio. A mulher ficou sem palavras. Quando diz que ele é um homem sensível e solidário, também era disso que estava falando. No entanto, ficou tanto tempo imersa em seus pensamentos que não conseguiu se mover para agradecer e muito menos para pegar a peça, só ficou sorrindo, como boba. Sebastian franziu o cenho. – Você não quer?
– Quero. – Ela disse, rápido demais e alto demais. A resposta ansiosa fez o ator rir. – Desculpa, não sei o que está acontecendo comigo. – O homem riu ainda mais. Na verdade, sabia: Sebastian estava acontecendo. A mulher não conseguia reagir na sua presença, pelo menos não estando de toalha e sozinha com ele em um quarto de hotel.
– Você tem a opção de ficar de toalha, se quiser. – A mulher levantou o olhar para Sebastian, que sorria, e franziu o cenho. O ator riu, dando de ombros, e a boca de se abriu levemente. – Não quis ser indecente. – Ele levantou a mão, como se estivesse se rendendo, mas já era tarde, a jornalista estava totalmente vermelha.
– Mas foi. – Ela pegou a roupa que ele estendia e o regulou de cima a baixo. – E seria injusto só eu ficar de toalha, não acha? – A mulher apenas respondeu isso antes de se virar, voltar para o banheiro e se trancar dentro do cômodo. Do lado de fora, Sebastian ficou atônito, da mesma forma que ficará no desfile, quando a mulher falou sobre intimidade. O ator respirou fundo e voltou a se sentar, tinha a sensação de que estava sempre um passo à sua frente, mesmo sem perceber.
A jornalista não sabia de onde tirou coragem para falar o que falou, mas estava feliz por ter feito. Não podia mentir: gostava da sensação de supostamente estar flertando com Sebastian, e ele já havia a deixado sem palavras por vezes demais em uma única noite.
Quando deixou o banheiro, encontrou Sebastian na mesma posição. O homem, assim como antes, se levantou rapidamente quando percebeu a presença de , engolindo em seco ao vê-la usando somente a sua camiseta branca. A mulher estava com as pernas completamente de fora, assim como os braços e o pescoço.
Por alguns longos segundos, o ator se perdeu no corpo da jornalista, e tratou de se recompor o mais rápido possível. Não queria ser indelicado, muito menos parecer um pervertido, mas a ver daquele jeito e não admirar seria um desperdício, até mesmo um crime. Ela é toda linda, por completo, e estava usando somente sua camiseta.
– Então… Quer comer? – disse, com a maior inocência do mundo em seu tom de voz, e fez Sebastian arregalar os olhos. Essa pergunta veio no pior momento possível, pelo menos para o ator, que a imaginou falando de qualquer coisa, menos de comida. O homem mordeu os lábios, enquanto desviava o olhar da mulher e fitava o chão, sorrindo. Ela o encarou, estranhando a reação e sem imaginar o que se passava em sua cabeça.
Quero. – Sebastian finalmente respondeu, agora olhando fundo nos seus olhos. franziu o cenho, não fazia a menor ideia do duplo sentido que a resposta dele carregava.
– O que foi isso? – Sebastian voltou a rir.
– Fome… Tô morrendo de fome. – Ele disse, com um tom irônico, e pegou seu celular. Sebastian queria muito ser sincero e dizer o que realmente pensou, mas sabia que as coisas não funcionavam assim. Pelo menos não por enquanto. – Hambúrguer?
– Por favor. – A mulher finalmente saiu da porta do banheiro e foi se sentar na cama, ao lado de Sebastian. cruzou as pernas no formato borboleta e fez o homem engolir em seco, olhando de soslaio e percebendo que ela usava um shorts preto por baixo. Sebastian, então, respirou aliviado, agradecendo aos deuses por não terem pegado ainda mais pesado com ele.
Os dois escolheram seus respectivos lanches e avisaram a recepção do hotel sobre o delivery, que logo chegou. Enquanto comiam, sentados na cama, trocavam um olhar ou outro e até arriscavam algumas risadas. Ficaram por um bom tempo quietos, só aproveitando a companhia um do outro, sem saber exatamente como deveriam reagir.
– Ei. – finalmente disse, chamando a atenção do homem que terminava de comer sua última batata. – Posso te perguntar uma coisa?
– Claro. – sorriu.
– Como você sabia que o Logan estava tendo uma… – Ela parou de falar, não lembrava a palavra.
Bad trip? – Ele completou e balançou a cabeça, concordando. – Porque eu também já tive. – Sebastian respondeu, simples, enquanto a fitava. A mulher travou ao ouvir essa informação, sem saber o que deveria dizer. – Ela acontece quando o efeito de alguma droga te faz muito mal. Pode atacar ansiedade, abaixar sua pressão, ou provocar taquicardia e até paranoia. – arregalou os olhos. – Quando eu passei por isso, estava sozinho, e tive que sobreviver. – Ele riu e passou a mão pelo rosto. – Vomitei muito, suei frio, fiquei tonto, com coração acelerado… A sorte é que estava em casa. Sozinho, mas em casa. Então fiquei esperando passar, mas cada segundo foi desesperador. Achei que era uma overdose e que iria morrer. – A jornalista engoliu em seco, se arrependendo por tê-lo feito falar sobre esse assunto. Apesar de estar explicando tudo com muita calma e suavidade, era um tema muito pesado para se conversar assim. – Depois disso, nunca mais usei nada, e tomei coragem para começar a terapia. Estou melhor. – ficou totalmente chocada por Sebastian ter se aberto assim com ela, mas ao mesmo tempo feliz por ele ter feito. – Obrigado por ouvir meu discurso, estou treinando para quando finalmente ganhar meu Oscar. – A jornalista gargalhou com a tentativa de descontrair do homem e revirou os olhos, enquanto se esticava para socar seu ombro de leve. Sebastian estava tranquilo falando sobre o assunto, mas, ao mesmo tempo, não queria deixar o clima pesado.
– Idiota! – Ela xingou, enquanto ria e tentava organizar os pensamentos. – Sinto muito por isso… Por tudo que você passou e está passando, mas fico feliz de ouvir que está melhor. Você parece bem. – Ele balançou a cabeça e sorriu. Sebastian estava bem, ainda mais ali, e surpreso também, por ter conseguido se abrir dessa forma com . A mulher lhe passava uma sensação boa, ele se sentia à vontade com ela, e gostava disso.
– Não tenho como fugir do meu passado, então tenho tentado lidar com ele. – estava muito feliz de ver como Sebastian conseguia ser um homem centrado, independente do que estava passando. Achou admirável a maneira como ele deu a volta por cima. – E você?
– Eu o que? – Ela perguntou, franzindo a sobrancelha. Sebastian deu de ombros. – Se você está perguntando sobre o meu passado, não é tão movimentado como o seu. – A frase da jornalista fez o ator gargalhar, enquanto fazia uma careta e levava a mão à boca. – Nossa, me desculpa. Eu não quis ser indelicada.
– Relaxa, não foi. – Ele sorriu. – Queria eu ter um passado não-movimentado, sem polêmicas e um relacionamento conturbado. – mordeu os lábios.
Força. – Ela falou, debochada, e fez Sebastian voltar a rir. – Mas eu realmente não tenho nada para contar, nunca me meti em polêmicas e nunca tive um relacionamento conturbado. – Disse, entortando a cabeça. – Mas isso deve ser porque nunca nem namorei. – Confessou. O homem franziu o cenho.
– Você nunca namorou?
– Eu não. – Ela disse, coçando a cabeça e rindo.
– Por quê? – deu de ombros.
– Não sei. – Confessou, sincera. – Acho que só nunca tive a oportunidade. – Sebastian arqueou as sobrancelhas, completamente surpreso. refletiu sobre o que disse e suspirou, rindo. – Na verdade, sendo bem sincera, acho que afasto os homens. – O ator a fitou, sorrindo, e arqueando novamente a sobrancelha. – Não de propósito. – Ela se explicou. – Mas parece que eles têm um certo medo de mim. – Finalizou, com um tom divertido na voz.
– Compreensível. – A mulher abriu a boca, chocada, e Sebastian riu. – Ah, … Não é óbvio? – A jornalista fez uma careta e negou com a cabeça.
– Não. – Franziu o cenho. – O que deveria ser óbvio? – O homem cruzou o braço, enquanto passava a língua entre os lábios e sorria, sem dizer nada. – Agora fala.
– Não sou bom explicando as coisas. – franziu o cenho e ficou assim por alguns segundos, antes de grunhir e revirar os olhos. – Mas o Ne-Yo é. – A mulher ficou confusa, sem entender aonde Sebastian queria chegar. Ele riu. – Sabe aquela música miss independent… Oh, the way you shine… Miss independent… ? – Sebastian cantarolou, e sorriu. Achava sua voz bonita.
– Sei. – O homem balançou a cabeça.
– Então. – Ele sorriu, enquanto mordia os lábios. – Você é a própria miss independent. – O sorriso de murchou, mas não por estar decepcionada, e sim por estar totalmente sem reação. Era apaixonada por essa música e sempre se imaginou sendo essa mulher. Na verdade, até acreditava que era, mas ouvir isso vindo de Sebastian fez com que tudo ficasse real. A mulher por pouco não gritou de emoção, nunca tinha ouvido algo tão lindo e profundo. Estava lisonjeada. – E acho que nem todo homem consegue lidar com isso… Ou merece isso. – Ele disse, dando de ombros. – Você sabe. – O ator fitou , enquanto apontava para ela e sorria.
– Sei? – Ela perguntou, séria.
– Sabe. – Ele balançou a cabeça, confirmando. sorriu. – Talvez esse seja até o motivo de você nunca ter namorado, o que me choca, inclusive, mas ao mesmo tempo faz sentido. – continuou o encarando, sem dizer nada. Ela estava chocada, essa era a verdade. Sebastian a leu muito bem. – Te deixei sem palavras? De novo?
– Sim. – Ela confessou e ele fez uma dança de comemoração com os braços, fazendo a mulher rir e revirar os olhos. – Mas não se acostuma. – Ele negou com a cabeça, com a feição mais irônica possível.
– De jeito nenhum. – Eles riram e o silêncio se instaurou durante certo tempo. A jornalista, de um lado, admirada por tudo que Sebastian havia falado. Nunca, em toda sua vida, foi tão bem elogiada. Se sentia especial… Única, valorizada. O ator havia mexido com ela. Sebastian, por outro, estava contente pela conversa tão sincera dos dois. Ele realmente enxergava dessa forma, sabia que ela nasceu para ser chefe, independente… E a música dizia tudo isso. O ator continuou a fitando, enquanto ela involuntariamente mordia os lábios em uma tentativa falha de não demonstrar que estava nervosa com o olhar. O homem ria da reação, pois havia percebido. – Vou jogar essas coisas no lixo lá de fora. – Sebastian disse, como uma forma de amenizar a timidez da mulher. concordou e observou o ator se levantar e reunir as embalagens dos lanches que haviam comido. Ela permaneceu sentada, de olho nos movimentos de Sebastian. Estar ali nem parecia real.
Enquanto o homem deixava o quarto para jogar as coisas no lixo, aproveitou para correr ao banheiro. A mulher quase mergulhou a cabeça dentro da água da pia, tentando recuperar seu foco e um pouco da normalidade. Não queria parecer tão estremecida, apesar de ter ficado. A jornalista levantou a cabeça e permaneceu com os olhos fechados, sentindo a água escorrer pelo seu rosto.
estava com as duas mãos apoiadas na pia, cotovelos esticados e corpo inclinado para frente. Nesse momento, pareceu esquecer que estava só de camiseta e que, como consequência da posição, sua bunda estava quase toda de fora, coberta apenas pelo shorts curto que usava.
Sebastian logo estava de volta ao quarto. Pretendia falar para que já eram seis horas da manhã e que ela deveria dormir, mas foi impedido pela cena que viu, responsável por acabar com o pouco da sanidade que lhe restava. O ator apertou os olhos e desviou seu olhar da jornalista, voltando a fitá-la de novo em poucos segundos.
Droga, , isso não, pensou, antes de morder os lábios e respirar fundo.
Tinha certeza que estava sendo testado. Se não pela mulher, pelas forças divinas.
. – Chamou, fazendo-a se assustar e finalmente abrir os olhos. Ela o fitou pelo reflexo do espelho, observando o homem parado ao lado de fora do banheiro, a olhando, sem nenhuma reação aparente. finalmente se virou para ele, sem ter ideia de como estava sendo difícil para Sebastian olhá-la na posição anterior. Ele segurou a vontade de dizer como o corpo dela é lindo, e de tocá-la. Queria muito senti-la, por inteiro, mas isso era inviável, pelo menos hoje, agora. Teria que manter os pensamentos e a vontade para si, mas esperava ansiosamente pela oportunidade de se abrir para ela algum dia. Sebastian respirou fundo pela vigésima vez, e finalmente disse: – São seis horas da manhã. arregalou os olhos, enquanto saia do banheiro atrás de seu celular.
– Seis? – Ela disse, assustada, enquanto voltava a olhar para Sebastian. – Eu preciso dormir, senão não vou ter cabeça e nem disposição para cobrir o desfile. – O homem concordou, ainda na mesma posição de antes, tentando acordar do transe e disfarçar como havia ficado estremecido. estava do outro lado da cama agora, longe, para o bem da sua sanidade.
– Fica com a cama, eu durmo no sofá. – Sebastian disse, e antes que ela pudesse argumentar, o homem levantou o indicador em sua direção e arqueou a sobrancelha: – Não sou eu que preciso dormir bem para cobrir um desfile. Fica aí, eu insisto. – A mulher sorriu, concordando com a cabeça. – Agora, sim. Boa noite, . – A jornalista observou Sebastian lhe dar as costas e mordeu os lábios, antes de dizer:
– Boa noite, Seb. – O homem parou de andar e ficou um tempo ali, sem se mover, sentindo o efeito que o seu apelido dito na voz de teve em seu corpo. Com os pelos do braço arrepiados e um sorriso bobo nos lábios, ele olhou para a mulher por cima dos ombros, que ainda o observava, e piscou, deixando o quarto em seguida e indo para o outro cômodo, onde ficava a pequena sala.

***

Era domingo de manhã, especificamente nove e meia. ainda dormia, na cama, assim como Sebastian, no sofá. A jornalista estava tendo um bom sono, que foi totalmente interrompido pelo toque de seu celular.
– Logan, finalmente, como você está? – disse assim que atendeu. A mulher se sentou na cama, coçando os olhos.
– Eu estou bem. – Ele disse, bocejando. – Com uma dor de cabeça absurda, mas bem. Acordei agora. – respirou aliviada. – Cadê você?
– No quarto do Sebastian. – Ela respondeu, tranquilamente.
– Do Sebastian? – Ele por pouco não gritou, estava indignado. – Você dormiu aí?
– Sim. – Ela respondeu, simples, e aproveitou para ver a hora, se assustando quando viu que os dois iriam se atrasar se não começassem a se arrumar agora. – Olha, são nove e meia, Logan, abre a porta do seu quarto para mim e vai se arrumar. Ainda temos um desfile hoje. – O homem grunhiu.
– Tá, mas depois eu quero saber melhor essa história de dormir no quarto do Sebastian. Onde já se viu? – A jornalista revirou os olhos e desligou o celular, sem se preocupar em se despedir de Logan.
se arrumou para deixar o quarto. Pegou seu blazer imundo e o restante da sua roupa. Teria que descer até Logan com a camiseta de Sebastian mesmo, já que não tinha condição nenhuma de colocar o blazer com vômito em seu corpo novamente. A jornalista passou pela sala do cômodo e viu que o ator ainda dormia, e para sua tranquilidade, parecia bem confortável no sofá. A mulher sorriu, aliviada, não queria que ele dormisse mal, ainda mais depois de ter sido tão solícito durante toda a noite e madrugada.
Antes de finalmente deixar o quarto, ainda observou o homem por um tempo e sorriu. Sebastian é lindo, e de quebra uma das pessoas mais incríveis que ela já conheceu. As coisas que ele disse ontem foram lindas, ela nunca iria esquecer.
A mulher aproveitou para pegar seu celular e deixar uma mensagem para o ator. Por mais que ele já soubesse do desfile, não queria deixar de falar alguma coisa – nem que fosse por e-mail.

***

Como eu estou? – Logan perguntava para pela décima vez, enquanto eles finalmente deixavam o Public para ir ao desfile da DVF. nunca, em toda sua vida, tinha se arrumado tão rápido, assim como Logan, que também se vestiu o mais breve possível. Logo os dois já estavam no carro em direção ao local onde o fashion show iria acontecer.
– Você está ótimo, Logan, já falei. – respondeu, revirando os olhos. O piloto sorriu, gostava de ouvir a mulher o elogiando na mesma medida que gostava de irritá-la. – E você ainda não me contou o que rolou ontem.
– E você também não me contou o que rolou ontem. – Ele devolveu, fazendo rir por perceber o incômodo evidente na voz do piloto. – Você dormiu com ele? – A jornalista gargalhou, enquanto passava a mão no rosto.
– Mereço. – Disse, se virando para o homem. – Eu perguntei primeiro, Logan. – O piloto fitou a mulher com os olhos cerrados e bufou, dando-se por vencido.
– Eu não sei o que rolou ontem. – Ele confessou, com o tom de voz baixo. – Eu não sei se colocaram algo na minha bebida, sei lá, não sei… Eu não uso nenhuma droga, , nem se eu quisesse… Sou piloto, não posso. – Ela balançou a cabeça, concordando, e tocou o ombro do homem.
– Eu sinto muito, então. – Ele a olhou e deu de ombros. Já havia acontecido, não tinha mais pelo que sentir. – Isso de droga na bebida é muito perigoso, mas pelo menos você está bem agora, porque ontem… Jesus. – Ela arregalou os olhos, divertida, e fez o homem bufar. – E sabe quem te ajudou? Ele mesmo, Sebastian Stan. – Logan fitou e revirou os olhos.
– Ele fez isso por você. – Respondeu, ríspido. balançou a cabeça enquanto revira os olhos. – Para te conquistar. – A mulher fitou Logan, mas agora com um sorriso divertido no rosto. Estava adorando seu surto sem motivo. – E deu certo, né? Você dormiu com ele.
– Ele fez por mim, mas por você também. – Ela finalmente respondeu, provocando um grunhido no homem. – Sebastian não é egoísta como você pensa.
– Ah é? – Ele rebateu, virando o corpo para a mulher. O carro finalmente parou na porta do desfile e sorriu, vendo que eles haviam chegado dentro do horário. – E como você sabe disso? – A jornalista colocou seu óculos de sol, antes de abrir a porta do carro e responder:
– Ué, Logan, não fui eu que dormi com ele? – debochou, piscando por cima do óculos e deixando o carro em seguida. O piloto ainda permaneceu durante um tempo no veículo, tentando processar a informação. E logo depois correu atrás da mulher.
– Ah não, , explica isso direito!

***

Era domingo à noite. Sebastian passou na casa de Anthony para pegar Elvis antes de ir para seu apartamento, já que havia deixado o cachorro com o amigo durante esse tempo que ficou fora.
Já na portaria, o ator foi surpreendido com uma carta que, aparentemente, alguém desconhecido deixou para ele. Por não estar esperando, ficou bastante curioso, e abriu logo que entrou em seu apartamento, estranhando o fato de estar sem remetente. Sebastian rasgou o envelope sem muito cuidado e abriu o papel.
Ainda com o objeto em mãos, suas sobrancelhas se juntaram e ele passou a fitar o nada, preocupado, assim que terminou de ler o conteúdo:

"Fique longe da , ou você não será o único a sofrer as consequências."


Capítulo 12 - Do luxo, ao lixo

A semana passou voando. Em um piscar de olhos, já era domingo de novo, e algumas – muitas – coisas haviam acontecido nesses sete dias.
Talvez seja necessário um pequeno resumo.
e Logan estavam ainda mais próximos, e o motivo disso era o trabalho que estavam fazendo sobre a Semana de Moda de Nova York. Os dois frequentaram os desfiles, se uniram para escrever as reviews e, como consequência, foram o assunto principal de diversas matérias em sites de fofocas. Em especial , que acabou ganhando uma notoriedade maior por ser uma pessoa, até então, anônima.
Pela GQ, foi eleita uma das mulheres mais bem vestidas da after party da Boss. Já pelo TMZ, foi citada como o novo affair do piloto britânico Logan Harrison, sendo que, antes, havia sido vista com Sebastian Stan. É.
Segundo Claire, isso parou o Twitter, e o nome de foi parar até nos assuntos mais comentados do momento.
chegou a receber um e-mail da redação do portal E! informando que a reportagem feita com ela no ano passado, logo após o lançamento da The Ugly Side of Fashion, chamada "Brilhante como : conheça a mulher que reinventou o jornalismo de moda", foi a mais lida da semana. Além disso, o contador de visitas do site da campanha disparou.
Todo mundo queria saber quem era .
Enquanto tudo isso acontecia, a jornalista mergulhou de cabeça em suas milhares de tarefas. Quando não estava com as reviews do NYFW, aproveitava para dar atenção à edição de março (que deveria ser finalizada até segunda-feira, pois precisava da aprovação de Liu e Lana e, claro, ser impressa pela gráfica), tentando finalizar a matéria de preconceito amarelo que fez questão de escrever. Em alguns momentos, chegou a discutir com Dan, pois o amigo insistia que a jornalista deixasse a matéria para outra pessoa, mas não tinha jeito: ela queria fazer. E é autoritária, e teimosa. Muito teimosa.
Na sexta-feira, por incrível que pareça, ela conseguiu finalizar a matéria do preconceito amarelo, que ficou mais extensa do que imaginava. Ou seja, infelizmente, precisaria passar um pente fino e tirar algumas coisas. Caso contrário, caberia a Fred fazer.
E ela não queria isso.
De jeito nenhum.
Foi assim que seu fim de semana se resumiu a vinho, uma playlist de músicas no Spotify e seu notebook. Ela deixaria a matéria perfeita, e a partir de segunda começaria os estudos da We Hate All Men com Logan.
Mas já era domingo, e ainda não tinha finalizado totalmente a reportagem, pelo menos não do jeito que gostaria. Enquanto estava sentada de frente para o seu notebook, pensando em formas de melhorar a matéria, seus ouvidos foram preenchidos por uma batida conhecida, de uma música que ela adorava, principalmente depois do domingo passado.
Enquanto a voz impecável de Ne-Yo cantava, só conseguia sorrir e pensar em um nome.

***

Sebastian passou a semana totalmente apreensivo. Afinal, o ator levou o conteúdo da carta muito a sério e preferiu ficar longe de , pelo menos até descobrir o quão verdadeira era a ameaça e de quem poderia ter vindo. Apesar de possuir um palpite em mente, o homem ainda estava relutante em acreditar que poderia ter vindo dessa pessoa.
Mas quem mais seria, afinal, se não Fred?
Seus dias se resumiram a teorias e, claro, a acompanhar as notícias, já que foi citado em grande parte delas como sendo o antigo affair de . Inclusive, enquanto lia as reportagens, sempre acabava revirando seus olhos e bufando uma vez ou outra, principalmente com a possibilidade absurda do novo affair de ser Logan Harrison.
O ator sabia melhor do que ninguém que Logan estava longe de ser o tipo de homem que merece, mas também não arriscava dizer quem estava perto de ser.
Anthony ficou por perto durante a semana e participou das teorias da conspiração elaboradas por Sebastian. Os dois logo constataram que, como detetives, são ótimos atores, já que não descobriram nada. Absolutamente nada.
Inclusive, o conselho de Anthony para o amigo, baseado na investigação falha dos dois, foi curto e grosso: fique longe dela. E claro que ele ficaria, mas pelo bem da jornalista, e não porque queria.
O sábado de Sebastian foi resumido em Anthony e seus quatro filhos, já que era o fim de semana do pai. As crianças estavam loucas para ir ao Museu de História Natural de Nova York, pois assistiram ao filme "Uma Noite no Museu" e ficaram extremamente encantadas com o enorme esqueleto de dinossauro.
Claro que os dois não poderiam negar um passeio histórico para quatro crianças, e foi assim que eles passaram o sábado à tarde.
Era domingo. Sebastian estava terminando de esquentar seu jantar, quando uma notícia na TV chamou sua atenção. O ator deixou sua comida em cima da mesa e se aproximou da televisão, sentando-se no sofá e aumentando o volume.
– "A Fox News teve acesso à informações exclusivas da nova operação do FBI, intitulada 'Do Luxo ao Lixo', que investiga uma denúncia contra três conglomerados do ramo de moda e beleza, o LVMH, responsável por marcas como Louis Vuitton, Fendi e Bulgari, o grupo Condé Nast, dono da revista Vogue e, por último, o LMR, conglomerado responsável pela maior revista de moda dos Estados Unidos, a FANCY. ”– Nesse momento, Sebastian levou a mão a boca, indignado. – "Ainda segundo informações oficiais, os crimes denunciados e investigados são caixa dois e manipulação do mercado financeiro. Voltamos com mais atualizações em breve.
– Puta que pariu. – Foi tudo que ele conseguiu dizer, antes de afundar o corpo no sofá e pensar em um nome específico.

***

Era segunda-feira. Todos da FANCY estavam reunidos na sala de reunião aguardando Denise, que ainda não havia chegado. Segundo Fred, a mulher gostaria de falar com todos sobre um assunto sério, e a maioria ali dentro já sabia do que se tratava.
A investigação do FBI.
De todos na sala, Fred era o mais preocupado. O homem andava de um lado para o outro com uma das mãos na boca enquanto resmungava bem baixo. , sentada próxima à porta, não conseguia tirar os olhos dele. Achava sua reação estranha, mas não poderia julgá-lo. Afinal, estar na mira do FBI era bastante preocupante.
Porém, ainda era só uma investigação. Não tinha nada 100% comprovado contra a FANCY ou contra qualquer outra empresa mencionada, então não era o momento de surtar. Pelo menos era isso que achava.
– Ei? – Dan disse, tentando chamar a atenção da amiga. – Alô? ? – A jornalista olhou para o homem e sorriu, buscando disfarçar que estava com a cabeça em outro lugar. – Você está bem?
– Claro que sim. – sorriu. – Só pensativa.
– Eu percebi. – Os dois sorriram um para o outro. ainda estava chateada com o homem, mas não conseguia destratá-lo. Ele é seu melhor amigo, e se errou, foi tentando ajudá-la. Decidiu que deveria deixar isso para trás.
– Denise está preocupada? – Dan deu de ombros.
– Nem tanto, sendo sincero. Ela sugeriu essa reunião justamente para tranquilizar a equipe. – concordou com a cabeça e voltou a fitar Fred. O homem continuava andando pela sala, inquieto. A jornalista mordeu os lábios e apertou uma mão na outra. Falaria com ele depois da reunião.
Em poucos segundos, Denise entrou na sala acompanhada de duas outras pessoas que não conhecia. A loira que agora é ruiva vestia uma calça azul metálica e uma blusa preta de gola alta com tecido transparente, coberto apenas na parte dos seios. Nos pés, um salto alto preto. A mulher logo se sentou em uma das cadeiras da enorme mesa e fez com que as pessoas que ainda estavam de pé seguissem seus passos. endireitou a postura.
– Bom dia, pessoal. Todos bem? – Denise começou, sorrindo. Ela realmente tentava passar esse ar de simpatia, mas diferente das outras pessoas, não engolia muito bem isso. – Acredito que a maioria já sabe o motivo dessa reunião, mas ainda assim eu vou explicar para quem não teve acesso às notícias das últimas horas. – Denise sorriu e entrelaçou os dedos. – Nossa empresa está na mira da nova operação do FBI. – As pessoas que ainda não sabiam da investigação não conseguiram esconder a feição de surpresa. – Eu conversei com o meu pai ontem e também com nossos advogados, que estão aqui presentes. – Denise apontou para as duas pessoas que , até então, não conhecia. – E decidimos que hoje mesmo vamos emitir uma nota informando que nosso grupo está permanentemente à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos necessários. – Enquanto Denise falava, os dois advogados concordavam com a cabeça. poderia ter o pé atrás que fosse com a mulher, mas não negaria que ela estava se saindo muito bem nessa gestão de crise. A maioria dos funcionários ali presentes, que antes estavam com expressões preocupadas, já se encontravam mais tranquilos. Era visível. – Se algum de vocês ficar com alguma dúvida ou preocupação iminente, não deixem de entrar em contato comigo, com o Sr. Johnson ou com a Sra. Walker.
– Se observarem qualquer atividade suspeita, sendo de alguém com cargo de chefia ou não, por favor, não hesitem em entrar em contato conosco também. – A mulher, no caso a Sra. Walker, complementou a fala de Denise e recebeu um sorriso da ruiva como agradecimento. – Nós vamos manter todos informados através de e-mails. Sempre que receberem uma mensagem da área jurídica, abram e leiam com atenção, combinado? – Assim como todos os presentes na sala, também balançou a cabeça em concordância.
– Se vocês forem procurados individualmente por qualquer força policial não hesitem em nos informar. A investigação abrange toda a empresa, para chegar em vocês, eles precisam passar por nós. – Dessa vez, Sr. Johnson quem falou. – Se isso acontecer, inclusive, vocês podem se recusar a falar e permanecer quietos. O silêncio nunca, em hipótese alguma, pode ser usado contra vocês. Lembrem disso. – Novamente os presentes concordaram. fitou Dan que a olhou de volta, sorrindo. A jornalista devolveu o gesto e desviou o olhar, deixando sua atenção cair novamente sobre Fred. O homem fitava as próprias mãos, e diferente das outras pessoas presentes na sala, não parecia muito interessado no assunto.
Pelo contrário, Frederick parecia totalmente imerso em seus próprios pensamentos. Neste momento, por mais que odiasse cogitar tal hipótese, cismou que ele poderia saber de alguma coisa, ou talvez estar envolvido em alguma coisa.
E se ele realmente estivesse, a jornalista não pensaria duas vezes antes de contatar Denise ou os dois advogados.
– Alguém tem alguma dúvida ou colocação? – Todos na sala se entreolharam, mas ninguém chegou a falar nada. Denise, portanto, sorriu. – Então, estão dispensados, podem voltar ao trabalho. Obrigada. – Logo após essa frase, todos os presentes ali se levantaram e deixaram a sala de reunião, assim como e Dan. O amigo piscou para a jornalista antes de descer o corredor sentido a área da redação, enquanto ficava na metade do caminho, já que seu escritório estava entre a redação e a sala de reuniões. Porém, antes de entrar em sua sala, resolveu dar meia volta e ir até o escritório de Fred.
O barulho de seus saltos batendo sobre o chão faziam as batidas de seu coração acelerarem. Nunca tinha ficado tão nervosa para falar com o homem como estava agora, e o principal motivo disso era sua desconfiança. Tinha alguma coisa errada com Fred, e não era de hoje que achava isso.
A mulher notou que a porta do escritório estava entreaberta, e apesar de escutar alguns murmúrios do chefe, não conseguiu entender de fato o que ele estava falando. Nesse momento, respirou fundo e deu algumas batidinhas, antes de colocar a cabeça para dentro e sorrir.
Frederick a observou e, em um primeiro instante, não teve nenhuma reação. Depois de alguns segundos, o homem finalmente se despediu da pessoa que conversava no telefone e sorriu para , indicando que ela entrasse.
– Não vou demorar muito. – Ela comentou, enquanto se aproximava do homem que aproveitou para sentar-se à mesa. – Só queria saber se você está bem, te senti estranho na reunião hoje. – Frederick passou a língua entre os lábios. – Posso ajudar com alguma coisa? – O homem sorriu, enquanto balançava a cabeça negativamente.
– Mais do que você já ajuda? – sorriu sem mostrar os dentes. – Estou bem, , só preocupado com essa questão da operação do FBI. – concordou com a cabeça, sussurrando um "eu imagino". – Só hoje já tivemos cinco reuniões, e ainda não são nem 10 horas da manhã. – A jornalista arregalou os olhos e mordeu o lábio inferior. – Mas está tudo bem. Não fique com isso na cabeça e nem se preocupe comigo, estamos lidando com a situação da maneira mais clara e franca possível. – concordou novamente com a cabeça. Estava tentando analisar se Fred mentia, mas até parece; fazia semanas que tentava descobrir quem estava mentindo e quem estava falando a verdade e nunca saia dessa bendita indecisão, não seria agora, com Frederick, que conseguiria. – Aproveitando que você está aqui, preciso te falar. Sua presença na after party da Boss foi um verdadeiro sucesso, né? – Fred queria mudar de assunto. Ela percebeu.
– Se você está dizendo. – riu e o chefe entortou a cabeça, enquanto abria seu notebook.
– Não só eu. – Frederick voltou a fitar a jornalista. – Todo mundo. sorriu. Ela sabia que sim. Afinal, leu as várias matérias que saíram. – Nossa review do desfile da Boss entrou para as mais lidas do site em menos de um dia e faz uma semana que está nessa posição. Parabéns. – A jornalista arregalou os olhos e permitiu que sua boca se abrisse. Estava bastante surpresa, já que geralmente as reviews não possuem tantos acessos assim. – Você fez um ótimo trabalho. Estou orgulhoso. – Mesmo com todas as suspeitas que tinha do chefe, ouvir isso era maravilhoso. Afinal, quem não gosta de ter seu trabalho valorizado?
– Obrigada, Fred. – Antes que o homem pudesse dizer mais alguma coisa, algo que ele faria, seu celular começou a tocar e neste momento sua feição mudou completamente. Seja lá de quem fosse a ligação, Fred não pareceu muito feliz em recebê-la. – Está tudo bem? – perguntou, enquanto arqueava uma sobrancelha. O chefe ainda permaneceu mais um tempo parado, sem respondê-la e nem olhá-la. Parecia estar raciocinando se deveria ou não atender. se levantou, e isso finalmente fez com que o homem saísse de seu transe.
– Sim, está. É a Catherine. – concordou com a cabeça, mesmo não acreditando que a pessoa do outro lado da linha era mesmo Catherine, sua esposa.
– Vou deixar você sozinho. – Informou. – Se precisar de algo, você sabe onde me encontrar. – Fred concordou e agradeceu, mas não atendeu o celular, que logo deixou de tocar. Era óbvio que ele não queria que ouvisse a conversa, e ela não acharia isso um problema se fosse antes. Agora, com as inúmeras dúvidas que inundam sua cabeça, aquilo era muito suspeito. Muito.
A jornalista deixou a sala do homem e fechou a porta, caminhando em passos lentos até sua sala. Seus pensamentos estavam a milhão, obviamente, e ela gostaria muito de descobrir quem foi capaz de deixar Fred tão atordoado.
Enquanto caminhava, chamou a atenção de Dan. O amigo percebeu a feição confusa no rosto da mulher e passou a segui-la até sua sala, querendo entender o que poderia ter acontecido. Assim que ambos entraram, o homem fechou a porta atrás de si e se sentou na cadeira, sem esperar que ela notasse sua presença. finalmente se virou e percebeu Dan sentado, a observando, o que fez um pequeno susto tomar conta do seu corpo. O amigo riu, enquanto levantava as mãos e sussurrava um pedido de desculpas. A jornalista se sentou e passou a mão pelo rosto, enquanto ria sem mostrar os dentes.
– Você me assustou. – Disse, observando melhor o homem. Daniel usava uma calça de alfaiataria preta, com uma regata na cor creme por dentro e uma jaqueta de couro branca e preta. A jornalista amava o estilo do amigo. Na sua humilde opinião, ele se veste muito bem.
– Você também me assustou. – O amigo comentou, cruzando as pernas. – Que cara é essa? O que aconteceu? – suspirou e fechou os olhos, passando novamente a mão pelo rosto. – Parece que viu um fantasma.
– Não aconteceu nada. – Garantiu, provocando uma feição de dúvida em Dan. É óbvio que ele não estava acreditando. – Nada além do que você já sabe. – O homem balançou a cabeça, concordando. – Estou preocupada.
– Não fique, . – Dan pediu, se aproximando da mesa e segurando a mão da amiga. – Não temos nada a esconder. E se alguém tiver, a polícia vai descobrir. – A mulher concordou com a cabeça, enquanto deixava seus olhos caírem sobre a mão de Dan, que segurava a sua com delicadeza. – Confia em mim. – Disse, sorrindo. devolveu o gesto e passou alguns segundos o fitando. Por que ela simplesmente não conseguia confiar nele novamente? Dan errou, mas entendia seu erro. Era da empresa de seu pai que estavam falando. Uma empresa que algum dia, provavelmente, será sua. Daniel é seu melhor amigo. Ela sempre confiou nele, agora não deveria ser diferente. Certo?
– Dan. – Chamou, o olhando. – O que você sabe do Fred? – Daniel franziu o cenho, sem entender a pergunta inesperada de . – Digo… Dos trabalhos passados dele, da vida, sei lá, qualquer coisa além de que ele é diretor executivo da FANCY. – Daniel deixou seu corpo cair sobre a cadeira e soltou o ar pela boca.
– Agora você me pegou. – Daniel cerrou os olhos. – A contratação do Fred foi feita totalmente pelo meu pai. – Começou. – Você sabe… Até ele entrar, nem existia o cargo de diretor executivo, mas meu pai insistiu que nós precisávamos de uma pessoa que ficasse acima da editoria e abaixo dos sócios. – concordou, já haviam conversado sobre isso antes. – E disso surgiu o Fred. Até onde eu sei, ele trabalhou durante uns bons anos na Vogue, mas não faço ideia se é jornalista como você ou publicitário como eu. – mordeu o lábio inferior, pensativa. – Por que? Está desconfiada dele?
– Um pouco. – Confessou, mesmo pensando que não deveria. – Eu não lembro do Fred no tempo que trabalhei na Vogue, e acho isso muito estranho. – Dan concordou com a cabeça, também pensando que a situação parecia suspeita. – Mas não fala nada. Por favor. – O homem revirou os olhos.
– Eu não vou, , aquilo não vai acontecer de novo. – A jornalista sorriu, aliviada. – Vamos só ficar de olho, qualquer coisa que eu suspeitar corro para te contar.
– Eu o mesmo. – A mulher sorriu, tentando disfarçar o fato de que não estava sendo totalmente sincera. Daniel deu a volta na mesa e deixou um beijo na bochecha de , que sorriu com a atitude carinhosa. Logo o homem já tinha deixado sua sala, e ela finalmente se encontrava sozinha.
Nesse momento, decidiu que mandaria um e-mail para sua antiga chefe na Vogue, Grace Bennett. Ainda mantinham um pequeno contato por redes sociais, trocando uma curtida ou outra. Ela com certeza responderia a dúvida de .

"Bom dia, Grace! Como vai? Quanto tempo! Te escrevo para tirar uma dúvida: sabe me dizer se algum Frederick MacKenzie já chegou a trabalhar por aí? Na Vogue? Estamos trabalhando juntos atualmente, e eu acho que me lembro de tê-lo visto por aí. Queria ter certeza de que é a mesma pessoa. Muito obrigada. Mil beijos."

Enquanto a mensagem era enviada, bateu o olho em seus e-mails antigos e, consequentemente, no nome Sebastian Stan, que estava quase sumindo devido ao tempo que não se falavam. A mulher chegou a abrir uma nova mensagem e digitar o e-mail do ator, que a essa altura já sabia de cor, mas sua atitude foi interrompida por três batidas na porta.
– Entre. – Disse, afastando o notebook. Logo a figura de Claire apareceu na porta e sorriu, chamando a garota para se sentar.
– Bom dia, . – Claire disse, enquanto se sentava.
– Bom dia. – A chefe respondeu. – O que me conta? – A estagiária sorriu, tímida, enquanto olhava os próprios pés. franziu o cenho. – Claire… O que aconteceu agora? – O medo que a mulher passou a sentir todas as vezes que perguntava isso para a garota era inexplicável.
– Eu tenho um encontro amanhã. – Disse, rápido, sem olhar para . A chefe soltou o ar, enquanto sorria e balançava a cabeça em negação.
– Claire, você sabe que eu sempre vou te ajudar, mas se você veio me pedir conselhos amorosos… Esquece. Tenho um total de zero experiências com isso. – A estagiária se permitiu rir, assim como , que revirou os olhos. A chefe não mentiu. É uma mulher que já teve diferentes experiências na vida, desde dar palestras para milhares de pessoas a escrever um best seller, mas nenhuma com relacionamentos ou com o sexo masculino. Nesses casos, ela realmente não entendia nada.
– Eu vim pedir sua ajuda com um look. – franziu o cenho. – Eu não quero me vestir desse jeito, estou com medo. – A chefe soltou o ar pelo nariz, enquanto observava a garota com ternura. Hoje, Claire usava um vestido longo laranja e um blazer cinza quadriculado por cima. Nos pés, um coturno preto. – E se ele não gostar do jeito que me visto? Ou não gostar de mim?
– Claire, você é a pessoa mais estilosa desse escritório. – A estagiária permaneceu quieta, mas permitiu que um sorriso escapasse. – Suas roupas mostram muito quem você é, essa garota super divertida e bem humorada, ímpar, autêntica. É impossível não gostar de você, assim como é impossível não gostar das suas roupas. – sorriu. – Mas, se por um acaso, ele não gostar, só agradeça por descobrir isso logo no primeiro encontro, tá bom? – A chefe piscou para a estagiária, que riu enquanto colocava o cabelo atrás da orelha.
– Tá bom. – Claire sorriu ainda mais, enquanto fitava . – Até porque eu quero muito usar um conjunto verde que eu comprei na Maisie Wilen. – bateu uma palma e apontou os dois dedos indicadores para a estagiária.
– Isso que eu gosto de ouvir, e não esquece de me mandar uma foto do look, tá? Por favor. – Claire balançou a cabeça positivamente, enquanto sorria.
– É óbvio. – Ela comemorou, mostrando que estava realmente muito ansiosa. Claire sempre teve muita dificuldade em sair para encontros, já que tem muitas inseguranças com o próprio corpo. Porém, dessa vez, ela sentia que seria diferente. Já conversava há algum tempo com o rapaz e estava confiante que ele era uma boa pessoa. – Nós vamos no Santô, inclusive. – arqueou as sobrancelhas, feliz com a notícia. – Estou nervosa.
– Vai dar tudo certo. – Disse, vendo a garota concordar. – Mas, claro, se precisar de qualquer coisa, pode me ligar. – Dessa vez, falou sério. A jornalista sabe como homens podem ser cruéis e não queria que Claire passasse por uma situação desagradavel, ainda mais sozinha, caso viesse a acontecer. Por isso, quis deixar claro que estava disponível para ajudá-la como e quando ela precisasse.
– Obrigada, . Por tudo. – A chefe piscou para a estagiária mais uma vez e a observou deixar seu escritório. torcia para que o encontro fosse ótimo e que Claire se divertisse muito. Afinal, a garota merece até demais.
Logo a jornalista voltou sua atenção ao notebook. Precisava atualizar as agendas ainda hoje, marcar a reunião de pauta para iniciarem a edição de abril e organizar os próximos passos da campanha com Logan, que deveria estar chegando no escritório.
Enquanto se organizava com a quantidade de coisas que deveria fazer, notou que Grace havia respondido seu e-mail. A mulher soltou um longo suspiro antes de finalmente abrir a mensagem e ler a resposta de sua ex-chefe.

***

Era segunda-feira. Sebastian passou boa parte da manhã se perguntando se deveria ou não mandar uma mensagem para se solidarizando com o que leu sobre a investigação na FANCY. Pelo que conhecia da mulher, sabia que ela deveria estar preocupada e chateada, até porque ela não esconde para ninguém o amor que sente pela revista.
Mas nem sequer teve tempo.
Antes mesmo que pudesse colocar o pé para fora da cama, recebeu uma ligação de Hilary, com novidades. E das boas. A mulher por pouco não gritava no telefone, tamanha era sua felicidade em contar para Sebastian o que tinha acontecido.
– Me fala logo, Hilary, por favor. – Pediu, enquanto coçava os olhos e observava Elvis, que parecia bastante ansioso para dar sua volta matinal.
– A Universidade da Pensilvânia está fazendo um evento em parceria com a Universidade Rutgers. Sim, a que você se formou. – Sebastian escutava tudo atentamente, enquanto abria as cortinas do seu quarto. – E eles querem chamar ex-alunos notáveis para conversar com os atuais estudantes e incentivá-los, principalmente nas áreas de arte, entretenimento e esporte, e você foi um dos artistas cotados em nome da Rutgers, até por já ter participado de outros eventos universitários e ter noção de como funciona. – Sebastian sorriu com a novidade. Adorava participar desses encontros, principalmente para incentivar os alunos a seguirem carreira no teatro.
– Não preciso nem dizer que eu topo, né?
– Não. – Hilary garantiu. – Eu já confirmei antes mesmo de você me dar o ok, Sebastian. Te conheço. – O ator riu. – Eles me mandaram mais informações no e-mail. A Elizabeth Banks e o John Legend estão confirmados também, eles vão representar a Universidade da Pensilvânia. Se não me engano, a Kristin Davis e a Carli Lloyd se juntam a você em nome da Rutgers. – Sebastian sorriu, feliz por saber que estaria ao lado de pessoas talentosas e importantes que com certeza teriam muito a contribuir para os alunos de ambas as universidades. – O evento vai ser na Pensilvânia, e os demais detalhes você vê no e-mail, tá bom?
– Combinado. – Ele respondeu, ainda sorrindo. – Obrigado, Hilary, sério.
– Você merece. – Ela disse, provocando outro sorriso no ator. – Depois a gente se fala melhor. Fim de semana é meu aniversário de casamento e eu estou organizando uma surpresa para a Daphne. Qualquer coisa, me ligue.
– Depois me conta da surpresa, tá? Por favor. – Ele pediu, e recebeu um "óbvio" como resposta, antes dos dois desligarem a ligação.
Sebastian permaneceu com o sorriso no rosto durante um bom tempo, até esqueceu que deveria levar Elvis para passear. Pediu desculpas ao cachorro, mas antes, claro, olharia o e-mail com mais detalhes sobre o evento. Estava ansioso.
Assim que abriu a mensagem, percebeu que as informações já eram bem detalhadas, e que de fato Elizabeth Banks e John Legend haviam confirmado presença pela Universidade da Pensilvânia. O evento duraria dois dias e já aconteceria no próximo fim de semana, com público reduzido apenas a estudantes das duas universidades e poucos profissionais da imprensa. Seria, literalmente, um grande bate-papo, com perguntas dos organizadores e também dos estudantes. Parecia muito interessante.
Antes de fechar o notebook, o ator notou que havia uma mensagem não lida em sua caixa de entrada, e seu coração automaticamente começou a bater mais rápido quando leu o nome na tela do aparelho.
Sebastian sabia que deveria ficar longe dela, mas não podia negar que estava sendo difícil. Afinal, se tem uma coisa que ele realmente não queria era ficar longe de , mas era necessário, pelo menos por agora. Sebastian não sabia quem havia mandado aquela carta. Poderia ser uma pessoa muito perigosa. Pensando nisso, o ator apenas apagou a mensagem sem ao menos ler. Era melhor assim e a jornalista algum dia entenderia.
Certo?



Capítulo 13 - Don't do anything stupid until I get back

Era terça-feira à noite. passou o expediente adiantando algumas ideias de pautas e convidados para a We Hate All Men com Logan. Liu e Lana haviam aprovado as matérias da edição de março, assim como Fred. O conteúdo foi todo enviado para a gráfica, que iria imprimir os exemplares e entregar na semana que vem, quando finalmente eles vão para as bancas e para a casa dos assinantes. Faltavam também poucos dias para o anúncio da capa e das entrevistas exclusivas nas redes sociais, e o time de marketing estava totalmente focado nisso.
Eram nove horas da noite e, como sempre, foi a última a deixar o escritório. Enquanto caminhava a passos lentos para o seu apartamento, a jornalista notou seu celular tocar dentro da bolsa, cerrando os olhos assim que viu o nome de Claire brilhar na tela.
– Oi, . – A estagiária começou dizendo, e notou que sua voz estava embargada. – Desculpa estar te ligando, é que não queria pedir para o meu pai e não queria pegar Uber desse jeito.
– Eu te busco. – Claire não precisou falar mais nada para entender o que estava acontecendo. Alguma coisa havia dado errado, e não existia a possibilidade da jornalista deixar a garota sozinha. – Fique aí dentro e me espere, vou pegar meu carro e estou a caminho.
– Obrigada. Mesmo. – Após isso, ambas desligaram a ligação. soltou um intenso suspiro antes de apressar os passos até sua casa. Assim que chegou, optou por nem subir ao apartamento. Tinha o costume de andar com a chave do carro na bolsa, então era só pegá-lo e ir. E foi exatamente isso que fez. Desceu até o subsolo do prédio e logo já estava a caminho do Santô, rezando para que Claire estivesse bem.
O trânsito a essa hora não estava dos melhores. ligou o rádio e aproveitou para mandar uma mensagem para Claire, informando que já estava a caminho. A jornalista nem sabia o que tinha acontecido, mas pela voz trémula de Claire, alguma coisa deu errado.
Foram 40 minutos até finalmente chegar no Santô. A mulher usou o estacionamento do estabelecimento, já que tinha passe-livre para isso, e desceu do carro, caminhando em passos apressados até a entrada. O local estava cheio, pois como era terça-feira à noite, eles priorizavam o restaurante que sempre era muito disputado.
localizou Claire sentada em uma das mesas do lado de fora do local, e franziu o cenho ao notar que a estagiária não estava sozinha. A garota se levantou e acenou assim que percebeu a presença de , atitude que fez a pessoa que a acompanhava virar e olhar na mesma direção. Neste momento, parou de andar. De todas as pessoas que pudessem estar sentadas ali, ela em nenhum momento parou para pensar no nome de…
– Sebastian? – Perguntou, confusa, assim que finalmente chegou até a mesa. O ator pareceu bastante atordoado em vê-la, assim como ela, que não esperava encontrá-lo ali, muito menos depois dele ter ignorado seu e-mail. – O que está fazendo aqui? – Claire notou as faíscas saindo da fala de , e percebeu que o homem engoliu em seco. Parecia estar pensando a melhor forma de se explicar.
– Eu só vim pegar minha comida, tenho encomendado daqui quase todos os dias. Odeio cozinhar. – Disse, enquanto gesticulava as mãos. Sebastian sabia que chegaria já que Claire havia comentado, mas ainda assim não soube como reagir. Afinal, estava evitando a mulher fazia dias e, pelo visto, ela começou a perceber.
– Ele me viu chorando e veio falar comigo, . Foi isso que aconteceu. – A estagiária explicou, enquanto dava de ombros e se envergonhava por ter chorado.
– Mas o que aconteceu? – perguntou, enquanto se sentava na cadeira vaga entre Sebastian e Claire. A garota suspirou e apontou para si mesma.
– Eu aconteci. – Sebastian balançou a cabeça negativamente e tocou a mão de Claire, que estava apoiada sobre a mesa. observou a atitude e sorriu sem mostrar os dentes com a delicadeza do gesto. – Ele disse que eu sou diferente das fotos.. Que o enganei. – fechou os olhos, tentando reprimir a vontade absurda de assassinar o rapaz e tocou o ombro da garota.
– Claire. – A mulher começou dizendo, com o olhar caloroso de Sebastian sobre si. – Eu sinto muito pelo que acabou de acontecer, mas eu preciso te dizer que essa situação diz muito mais sobre ele do que sobre você. – tomava muito cuidado com as palavras, e Sebastian conseguiu notar isso. – Nada disso é culpa sua. Nada. Você é uma das garotas mais incríveis que eu já conheci. Tem um jeito único e especial, um bom humor de invejar, e é tão divertida. – sorriu. – Mas, além disso, você é linda, Claire, e pode ter certeza que qualquer pessoa que não enxergue isso, não merece um terço de tudo que você tem a oferecer. A pessoa que você escolher para chamar de namorado ou o que for, vai respeitar seu estilo, vai respeitar seu gosto musical, vai respeitar sua profissão. Ela vai respeitar você. – Garantiu. – E sabe qual vai ser o melhor disso tudo? Olhar para ela e se sentir à vontade para ser quem você é, sem medos e receios. Sem mais, nem menos. – limpou uma lágrima solitária que Claire deixou cair de seus olhos e fez a garota olhá-la. – Lembra do que eu te falei ontem? Agradeça por ter descoberto o babaca que ele é logo no primeiro encontro. Assim, você não gasta mais nenhum look com alguém que não merece. – piscou para a garota, que arriscou um sorriso. Sebastian permaneceu com o olhar fixo na jornalista, sem saber o que dizer ou como reagir.
– Eu concordo com tudo que a falou, Claire. Só não sou tão bom com palavras como ela. – O ator finalmente disse, chamando a atenção das duas que por alguns segundos esqueceram que ele ainda estava na mesa. sorriu, segurando algumas lágrimas. Estava emocionada com a situação, ainda mais por sentir vontade de tirar toda e qualquer dor que Claire estivesse sentindo naquele momento. Sabia que dificilmente conseguiria, mas tentaria, independente do que fosse necessário fazer. – E eu sei que não é o momento, mas talvez eu saiba uma maneira de te alegrar. – Sebastian disse, enquanto arqueava a sobrancelha e puxava o celular do bolso. e Claire cruzaram o cenho. Logo o ator colocou um vídeo para tocar, e Claire levou a mão à boca assim que percebeu que era Chris Evans falando diretamente com ela.
– Mentira. – A garota disse, puxando o celular da mão do homem.
– Verdade. – Sebastian riu. – Faz um tempo que ele gravou, mas sinceramente? Acho que esse foi o melhor momento para te mostrar. – sorriu com a felicidade de Claire e fitou Sebastian, que parecia tão feliz quanto. Esse vídeo realmente salvaria a noite da estagiária.
– Sebastian. – Foi tudo que ela conseguiu dizer. – Você pode me enviar? Por favor? Sério. – Ela jogou a cabeça para trás e bateu os pés no chão. – Eu não consigo acreditar.
– Claro, pode enviar, se quiser. Fica à vontade. – Ele disse e Claire concordou com a cabeça, mostrando uma enorme empolgação. A jornalista continuava fitando Sebastian, enquanto ele evitava olhá-la. Estavam próximos demais e ele realmente não sabia como reagir. Não após tê-la ignorado. , por outro lado, estava tentando entender porque Sebastian se mostrava tão distante, ainda mais depois de terem se aproximado tanto na noite do hotel. Não conseguia imaginar o que tinha feito para ele ter assumido essa posição defensiva. Aliás, sabia que não tinha feito nada, então se ele está agindo assim, é um problema todo e completamente dele. – Conseguiu?
– Consegui. Tive que adicionar meu número, tá? Mas eu juro que não vou ficar te incomodando. – O ator riu, pegando o celular de volta e concordando. – Obrigada por isso, Sebastian, e agradece muito ao Chris. Isso fez a minha noite.
– Você merece isso e muito mais, Claire, como a disse, você é linda e muito estilosa. – O sorriso de Claire aumentava conforme Sebastian falava. – E eu adorei sua roupa de hoje. Se você postar uma foto, eu com certeza vou curtir e até enviar para o Chris. – O homem piscou e não só Claire, como , se perderam na beleza do ator.
– Não fala isso. – Os outros dois riram com a reação de Claire. – , eu só vou tirar uma foto no espelho lá de cima de já volto. Juro! – A jornalista sorriu e antes mesmo que pudesse responder, Claire já havia saído correndo, deixando os dois ali, sozinhos. Sebastian coçou a cabeça e se encostou no apoio da cadeira, visivelmente incomodado por estar a sós com . Ela notou.
– Você está estranho. – Comentou, enquanto o fitava. Sebastian suspirou e finalmente olhou para a jornalista.
– Estou? Acho que é impressão sua. – riu ironicamente e apoiou os cotovelos na mesa, aproximando seu corpo de Sebastian. O homem automaticamente segurou a respiração e desviou o olhar.
– Também é impressão minha você ter ignorado meu e-mail? – Questionou, fazendo o homem morder o lábio inferior.
Não só ignorou, como nem leu.
– Eu não mexi no meu e-mail ontem. – Ele respondeu sem olhá-la. balançou a cabeça, concordando ironicamente. – Não tive tempo.
– Conta outra, Sebastian. – Ela revirou os olhos. – O que aconteceu? Que comportamento é esse? – Questionou, com seu tom de voz um pouco mais agressivo dessa vez. Sebastian tremia o seu pé direito debaixo da mesa. Não sabia o que dizer, e odiava mentir. Odiava.
– Nada, . Eu só não vi, é sério. Hoje eu vejo. – A jornalista revirou os olhos enquanto bufava. Ela percebeu que tinha algo errado, e odiava saber que ele não falaria.
– Eu descobri algo sobre o Fred. – Sebastian permaneceu olhando para frente. Não queria olhá-la e muito menos falar sobre esse assunto, ainda mais em público, num local onde o próprio Fred frequentava. – A gente pode conversar? Sério. Eu deixo a Claire em casa e depois nós…
– Eu não posso, . – Sebastian a interrompeu e isso desconcentrou muito a mulher. Ela realmente não esperava essa resposta e muito menos uma interrupção. Na mesma hora, o ator se arrependeu pela atitude e tom de voz, mas nada poderia fazer. – E eu acho melhor você parar de fuçar a vida do Fred, você não sabe até onde isso é seguro. – Os dois continuaram se olhando sem nada dizer. estava confusa com a reação de Sebastian, e o ator chateado por ter que agir desse jeito. – Eu só vou esperar a Claire voltar para ir embora. – pensou muito sobre o que deveria responder. Sabia que o ator estava estranho, agindo de maneira nada normal, mas o que poderia fazer? Tudo indicava que ele não queria conversar com ela.
– Como quiser, Seb. – O corpo de Sebastian agiu assim que seu apelido saiu da boca de . Com seus pelos se arrepiando rapidamente e sua garganta secando, ele murchou na cadeira, tentando disfarçar que havia ficado… Mexido. Aquilo poderia não significar nada vindo de qualquer outra pessoa, mas na voz de o efeito era intenso, e seu corpo transparecia isso, mesmo que Sebastian não quisesse.
O homem estava odiando essa situação, principalmente por ter percebido como sua atitude havia a afetado. claramente não esperava isso, provavelmente estava confusa e decepcionada, mas o ator não poderia fazer nada, pelo menos não por enquanto.
Logo Claire estava de volta à mesa, e Sebastian aproveitou disso para se despedir da garota e, claro, de . A jornalista, neste momento, já estava totalmente aérea, tentando entender o comportamento estranho do ator.
Não demorou muito para as duas mulheres estarem a caminho de Greenwich Village, local onde Claire mora. Durante o percurso, a garota notou que a chefe estava quieta e chegou a perguntar o que aconteceu, mas preferiu não dizer, queria manter a atenção da noite somente nela, e não em si. Claire optou por não insistir.
Cerca de meia hora depois, estacionou seu carro na frente da casa de Claire. Sugeriu, inclusive, que a estagiária tirasse o dia de folga, recomendação que ela educadamente recusou, alegando que preferia ir para o trabalho e se distrair do que ficar em casa pensando no que havia acontecido. concordou, pois pensava exatamente da mesma forma.
Mais alguns minutos se passaram e estava em seu apartamento, ainda bastante pensativa sobre a situação com Sebastian. A jornalista sentou-se em sua cama com seu notebook no colo e abriu o e-mail de Grace, lendo-o novamente pela, talvez, vigésima vez no dia:

"Oi, ! Quanto tempo, poxa… Saudades de você! Olha, eu não me lembro de nenhum Frederick MacKenzie, mas me informei no RH e eles descobriram pelo sistema que nós já tivemos sim um colaborador com esse nome, mas não aqui, e sim na britânica. Eu tenho uma amiga lá que pode te ajudar melhor, o email dela é: maya@condenast.co.uk. Desculpe não poder ajudar mais :( beijos, querida!"

A jornalista passou a mão pelo rosto. Queria – e muito – mandar uma mensagem para a tal de Maya e descobrir mais sobre o passado de Fred, mas estava com receio da possibilidade do homem descobrir e do problema que isso iria gerar. De toda forma, nenhum problema parece maior do que Fred envolvido em toda essa confusão com o FBI. bufou e abriu a caixa de mensagens; iria sim falar com a Maya e tirar esse peso das costas.
Mas antes, escreveria para outra pessoa, talvez ainda mais importante para ela nesse momento:

"Oi, Sebastian. Só quero que saiba que entendo sua atitude de não querer se meter nesses assuntos. A única coisa que não entendo é você estar me evitando desse jeito. Você é uma das poucas pessoas que sinto que posso confiar no momento e o jeito me tratou chega a ser injusto. Não vejo sentido em seguir seu conselho. Vou fazer o que acho que devo, começando agora."

repensou se deveria ou não ser tão sincera na mensagem, mas não queria esconder o que estava sentindo. Depois de toda a chateação que sentiu com Dan e Fred, Sebastian era um dos poucos seguros que tinha. Vê-lo se afastando dela sem motivo aparente era dolorido, e se fosse para fazer isso, que pelo menos lhe explicasse o porquê.
Logo após apertar em enviar, ela abriu um novo e-mail e escreveu para a Maya. Tentou ser o mais discreta possível, informando que gostaria de conhecer mais o seu chefe e que sabia que ele já tinha trabalhado na Vogue UK. Em poucos minutos, este e-mail também foi enviado. A mulher, então, aproveitou para finalmente tomar um banho e se preparar para dormir. Já tinha jantado no escritório e agora poderia finalmente relaxar. Seu banho foi rápido, e ela escolheu um conjunto de moletom para dormir. Apesar do clima estar mais ameno, ainda estava muito frio e não arriscaria congelar durante à noite.
Assim que apagou as luzes da sua sala de estar, foi surpreendida pelo barulho da campainha. franziu o cenho e voltou a acender as lâmpadas, enquanto se aproximava da porta e a abria com uma clara feição de surpresa. Afinal, era quase uma hora da manhã.
– Seu porteiro jurou que eu era um tal de Daniel, e cá estou eu. – arqueou as sobrancelhas enquanto fitava com espanto o homem à sua frente. Sebastian usava a mesma roupa de antes: calça preta, blusa marrom, sobretudo preto e sapatos sociais. – O que você fez? – Sebastian recuperou o e-mail de que havia deletado ontem. Nele, a jornalista explicava que havia descoberto o contato de uma colaboradora da Vogue UK que poderia dar mais detalhes sobre Fred e que entraria em contato com ela, mas que gostaria que ele estivesse junto. Assim que tomou conhecimento dessa mensagem, há cerca de meia hora, não pensou duas vezes antes de ir direto para a casa da jornalista. – Você falou com a mulher? – permaneceu quieta. Estava surpresa com a visita, ainda mais depois da atitude que o homem teve com ela no Santô. Não esperava vê-lo tão cedo, e muito menos que ele fosse até a sua casa. Aliás…
– Como você descobriu onde eu moro? – Perguntou, ainda perplexa. Ambos permaneceram na porta. Sebastian não queria se convidar para entrar, e estava tão chocada que nem pensou em chamá-lo para dentro.
– Você tem uma estagiária que gosta bastante de mim. – O homem sorriu de lado e soltou o ar pela boca, estranhando o fato de agora Sebastian estar até fazendo piadinhas. – E ainda não me respondeu.
– A segurança desse prédio já foi melhor. – Reclamou, enquanto abria espaço para que o homem passasse. – Entra. – o convidou e ele, obviamente, atendeu ao pedido, tentando segurar o sorriso bobo que insistia em surgir em seus lábios. encostou a porta atrás de si e cruzou os braços sobre o peito, observando o homem olhar com atenção cada parte de seu apartamento. – Sim, eu falei com ela. Mandei um e-mail, na verdade – Disse, respondendo sem mais rodeios a pergunta inicial do ator. Sebastian suspirou antes de virar-se para ela e passar a língua entre os lábios.
– Com qual necessidade, ? – Ele não queria que a mulher insistisse nesta investigação. A jornalista poderia não saber, e demoraria muito para tal, mas essa situação o amedrontava, e ele tinha seus motivos, como uma tal carta que chegou à sua casa.
– Para tentar descobrir o que está acontecendo. – Disse, como se fosse óbvio. E até era, mas ela precisaria de mais que isso para convencer o homem à sua frente. Sebastian revirou os olhos.
– Você não sabe onde está se metendo… – Garantiu, com mais confiança do que deveria, e com mais certeza do que queria. cerrou os olhos e abraçou ainda mais o próprio corpo, desconfiada.
– E você sabe? – Sebastian odeia mentiras, e isso é algo que faz questão que todos saibam. É um homem muito sincero. Até demais, na verdade: consegue transparecer tudo que sente com a maior facilidade do mundo e, sinceramente, admira muito isso em si mesmo. Porém, nesse momento, ele não poderia falar a verdade, e agradeceu imensamente aos seus dotes artísticos que o permitiam encarnar um personagem da melhor maneira possível.
– Não, eu não sei. – Respondeu, firme e sem dúvidas. se convenceu da resposta. Ela acreditava em Sebastian. Mais do que isso, ela confiava no ator.
– Então pronto. – Bravejou, enquanto descruzava os braços e os deixava cair com força sobre suas coxas. – É capaz que ela nem me responda, Sebastian, não precisa criar um drama em cima disso. – O homem arregalou os olhos com uma visível careta de indignação.
– Quem está criando um drama é você que não consegue esquecer essa história. – O mais engraçado dessa frase é que concordava, mas não diria isso ao homem. De maneira alguma.
– Claro, até porque fui eu que sai a essa hora da noite para vir até aqui, né? – Disse, séria, e até um pouco irônica. Sebastian gostava dessa posição passivo-agressiva que ela adotava de vez em quando. Isso só mostrava para ele, e para todos, que a jornalista nunca perdia a pose durante uma argumentação e que tinha resposta para tudo. A reação do homem foi rir e revirar os olhos.
– Justo. – sorriu, satisfeita. – Você tem um bom ponto.
– O que eu mais tenho são bons pontos. – Ela disse.
– E que são bem perigosos, né? – Dessa vez, foi quem revirou os olhos. Os dois ainda estavam de pé na sala de estar.
– Você não sabe.
– Exato, e gostaria de continuar assim. – Garantiu, cruzando os braços e sorrindo, satisfeito com sua resposta. riu.
– Então eu só não te conto mais nada. – O sorriso de Sebastian murchou, enquanto dava de ombros.
– Mas eu quero saber. – Ele respondeu, enquanto ria de nervoso. Essa discussão já havia saído de algo sério e se tornado um simples charme de ambos os lados. Sebastian estava ali para tentar protegê-la de se meter em confusão, mas, além disso, para vê-la e se redimir pelo que fez no Santô. Já estava ali porque gostava da companhia de Sebastian, e também porque fazia questão de sair vitoriosa de toda e qualquer argumentação que entrasse.
– Então não surta comigo por querer saber também. – Pediu, sincera, e com o tom de voz um pouco mais ameno. Sebastian fechou os olhos e passou a palma da mão pelo rosto.
– Você é muito teimosa, mulher. – Sebastian se sentou no sofá e permaneceu quieta, observando o ator. – Tem essa investigação rolando, , se existir mesmo um esquema de corrupção e se por um acaso o Fred estiver envolvido, vão descobrir. Você se meter nisso só vai ser motivo para queima de arquivo, o que acredito que você saiba o que é. – A jornalista não deixava de concordar, novamente, com o homem. Sabia que poderia ser perigoso. – Mas eu não vim aqui para discutir com você. – Sebastian disse, fitando-a. – Seria burrice, inclusive, você sempre tem ótimos argumentos. – riu e se aproximou do sofá, sentando ao lado do ator.
– Você também tem. Eu não discordo de você. – Confessou, enquanto fitava suas próprias unhas. – Eu vou tentar deixar pra lá. De toda forma, o que eu precisava saber eu já sei: ele não mentiu sobre trabalhar na Vogue. E se estiver mesmo envolvido nisso, acho que a polícia vai descobrir. – Sebastian respirou aliviado e jogou seu corpo sobre o encosto do sofá, fazendo rir. – Satisfeito?
– Muito. – Ele confessou e o assunto morreu por um tempo. permaneceu fitando o homem, que não deixou de sustentar seu olhar. Nenhum dos dois sabia mais o que falar ou fazer. Porém, a situação não chegou a ficar constrangedora, pois ambos pareciam estar apreciando o silêncio e a companhia um do outro. Sebastian estava feliz por vê-la, por poder conversar com ela depois desses dias, e mais ainda por saber que ela desistiu da loucura que é se meter com Fred. Já a jornalista se sentia estremecida com a visita inesperada. – O principal motivo de eu estar aqui é para dizer que sinto muito por essa investigação na FANCY, imagino que você deve estar bem chateada. – deu de ombros, mas sorriu pela compaixão do ator, sem saber o que poderia dizer. – E me desculpar pela forma como te tratei mais cedo, estava com a cabeça cheia. – A jornalista continuou sem responder, até porque estava esperando ouvir muito mais do que isso. Queria entender a ausência do homem. Gostaria de uma explicação melhor. – Não queria passar essa impressão de que não ligo pra nada, porque eu ligo. Ligo até demais. Também quero descobrir o que está acontecendo, também estou preocupado e receoso… Talvez eu precise parar de pensar e começar a agir, ser mais como você.
– Eu não quero que você seja como eu. – Garantiu, negando com a cabeça e franzindo as sobrancelhas.
– Até porque seria impossível. – Ele concluiu. – Você é uma das pessoas mais singulares que já conheci. – sorriu. Esse elogio a pegou de surpresa.
– Assim como você. – Ela garantiu, fazendo com que o ator a fitasse. – Só saiba que eu confio em você, Sebastian, e que quero que confie em mim também. Descobrir mais sobre Fred pode nos fazer descobrir mais sobre a Serena, quem sabe? A gente tem essa possibilidade, não podemos deixar de tentar.
– Eu confio em você. – Afirmou, enquanto suspirava e passava a mão pelo rosto. A mulher sorriu. – Então, sei lá, vamos esperar a resposta da mulher da Vogue UK para ver o que fazemos… Pode ser? – concordou. O assunto por pouco não o fez falar sobre a carta e propor que os dois resolvessem isso juntos, mas ele ainda estava receoso. Não achava que era o momento e não queria pesar o clima mais do que já tinha feito com suas atitudes anteriores. Iria mudar de assunto.– Eu estive um pouco sem tempo nesses dias porque vou ministrar uma palestra no fim de semana, então acabei focando nisso. – Ele queria que soubesse do evento, pois precisava que ela o visse mais do que como o pobre-ator-que-se-envolveu-em-uma-polêmica-com-a-ex-namorada.
– Sebastian, isso é incrível! Que notícia maravilhosa. – A mulher comemorou com um largo sorriso no rosto. Neste momento, tentou deixar de lado suas chateações para comemorar essa conquista. – Como vai ser?
– É um evento reservado aos alunos da Universidade da Pensilvânia e da Rutgers, onde eu estudei, por isso me chamaram. Terão outros palestrantes famosos, como a Elizabeth Banks e o John Legend. – abriu a boca. Adorava ambas as celebridades citadas por Sebastian. – Acho que vai ser bem legal, é um evento fechado, ou seja, a imprensa é bastante limitada. Isso me tranquiliza.
– Acha? Eu tenho certeza que vai ser incrível. – Garantiu, ainda com o mesmo sorriso. Estava feliz pelo ator. – Inclusive, já são duas horas da manhã… Você pode dormir aqui, se achar melhor. – Sebastian se assustou com o convite inesperado, ao ponto da jornalista perceber. – Calma. – Ela riu. – É só porque está tarde, não sei se é uma boa ideia você ir embora agora. – Sebastian permaneceu quieto. É óbvio que queria dizer sim, mas o conteúdo da carta que recebeu ainda estava em sua mente. Enquanto não tomasse uma atitude, seja contando para ou se afastando da mesma, não poderia brincar com a situação que ele, infelizmente, não tem controle algum. – Não é como se a gente já não tivesse dormido no mesmo ambiente. – Ela falou, mais uma vez, quando percebeu que ele ainda parecia desconfortável.
– Eu acho melhor ir embora. – Confessou, lutando contra si mesmo para não dizer "sim, eu quero dormir aqui". – Não gosto de deixar o Elvis sozinho. – Ele não mentiu. Apesar de seu cachorro ficar bem sozinho, ele não gostava de fazer isso com o animal.
– Tem razão. – Ela sorriu, se lembrando da fofura que é o cachorro do ator.
– Quem sabe outro dia? – Ele disse, parafraseando a frase de da noite que ela estava em sua casa. A jornalista sorriu, relembrando, assim como ele, do dia em que tudo estava praticamente começando.
– Quem sabe outro dia. – confirmou, sorrindo. Neste momento, Sebastian sentiu muita vontade de tocá-la. Mas não com um beijo no rosto ou um simples cumprimento de amigos, ele queria mais. Queria colocar a mecha de cabelo que sempre caia sobre seus olhos atrás de sua orelha. Queria apertar o lado de trás de seu pescoço e vê-la fechar os olhos ao sentir seu toque. Queria observar seus olhos e sua boca com mais atenção e proximidade. Queria poder descer a mão até sua cintura e segurá-la, sabendo que esse seria o principal motivo dos arrepios pelo seu corpo. Ele queria muito, mas não faria, por diversos motivos. O primeiro deles, e talvez o mais importante, é porque é de que ele estava falando; uma das mulheres mais assustadoras que já conheceu. Ela nunca dava brecha: não demonstrava nervosismo, não demonstrava interesse e muito menos vontade. Era uma verdadeira incógnita. O segundo motivo era o medo. Não poderia se aproximar de enquanto essa pessoa, até então desconhecida, estivesse a ameaçando daquele jeito. O terceiro, e talvez último, é a sua insegurança. Ele sabia que se quisesse mesmo conquistá-la, precisaria ser muito mais do que é. – O que foi? – finalmente disse, depois de estranhar a forma como o homem a olhava. Sebastian riu e cerrou os olhos.
– Nada, só tentando te ler. – A mulher gargalhou com a resposta e balançou a cabeça negativamente.
– Sou um livro aberto. – Dessa vez, foi Sebastian quem gargalhou.
– Escrito em hebraico, né? – A mulher continuou o observando. – Só consegue ler quem já entende. - Ou nem assim, pensou. soltou um riso baixo e fitou as próprias pernas, enquanto as cruzava. O olhar de Sebastian, involuntariamente, foi atraído para o local. Sempre que estavam próximos assim, ele sentia que não era capaz de controlar as próprias atitudes. E isso o assustava, pois, novamente, era ali, a incógnita.
– Estar aberto não o torna mais fácil de ser lido. – voltou a observá-lo, a tempo de ver um sorriso se formar em seus lábios. Sebastian adorava que a jornalista sempre tinha as melhores respostas. Para tudo. – Mas nada é impossível.
– É isso que eu vou descobrir. – , dessa vez, ficou sem resposta, e Sebastian não escondeu que gostou. Afinal, não era sempre que acontecia. – Vou indo. – A jornalista concordou e se levantou com o homem. Os dois caminharam juntos até a porta e o ator esperou que ela abrisse para colocar-se para fora.
– Se cuida. – Pediu. Sebastian concordou com a cabeça.
– E você, não faça nenhuma burrice até eu voltar. – O ator sorriu, piscando para a mulher, que pareceu confusa com o que ele disse. Sebastian riu. – Se você soubesse mais sobre o Universo Marvel, entenderia o significado dessa frase. – O ator deu de ombros, apertando o botão do elevador. – Boa noite. – Foi tudo o que ele disse antes de partir. A jornalista, assim que entrou em seu apartamento, tratou de jogar a frase dita por Sebastian no Google para entender do que se tratava.
Enquanto isso, o ator entrava em seu carro e se preparava para dar partida. Seu celular, jogado no banco do passageiro, acendeu a luz, indicando que um novo e-mail havia chegado. Era , para sua surpresa. O homem não pensou duas vezes antes de abrir, e um sorriso genuíno surgiu em seu rosto assim que terminou de ler o conteúdo:

"Como eu poderia fazer? Está levando toda a burrice com você."

***

– Daniel estava interessado em saber mais sobre você nesta tarde. Depois de meses sem falar comigo, hoje me mandou uma mensagem. – Dominic Lamar e Fred estavam em uma ligação de vídeo, conversando sobre um assunto de conhecimento apenas dos dois. – Você sabe que tem dedo da nisso, né? Meu filho não teria capacidade de duvidar de você sozinho.
– Sei. – Fred concordou, enquanto suspirava. O homem do outro lado da ligação balançou a cabeça, preocupado. – Mas isso é fácil de resolver, Dominic. vive pelo trabalho, pela FANCY. Eu só preciso ocupá-la o suficiente para impedir que ela tenha tempo de procurar por qualquer outra coisa.
– Pois faça. É uma boa saída. – Sr. Lamar disse. – Use o Logan para isso. – Fred torceu o nariz.
– Estou tentando, mas não é o Logan que ela quer. – O mais velho sabia que o outro homem estava certo.
– Mas é o Logan que ela vai ter. – Afirmou, fazendo Fred concordar. – Seja cauteloso, Frederick, com essa situação que o FBI criou, vai sair ainda mais difícil.
– Pode deixar, Dominic. – Ele respondeu. – Vou continuar o trabalho.


Continua...



Nota da autora: Olá, amores! Estou de volta :) peço desculpas pela demora, além de ter ficado doente (tomem cuidado com essa gripe!) também trabalhei que nem maluca sem descanso!!! Foi corrido, mas finalmente trouxe a att pra vocês!
Agora vamos entrar mais a fundo nas investigações sobre: 1) Quem é Fred? 2) O que ele tem a ver com a Serena? 3) O que o FBI quer com a FANCY? 4) O QUE ESTÁ ACONTECENDO?
Espero que vocês curtam porque o mistério (e o romance...) está apenas começando.
É isso, meus amores. Um ótimo fim de ano para vocês! Que em 2022 a gente tenha muitas outras fanfics para surtar e, claro, mais capítulos de FANCY.
Um grande beijo!

PS: Não esqueçam que estou 100% disponível no Twitter para papear com vocês =)






Nota da scripter: Oi! O Disqus está um pouco instável ultimamente e, às vezes, a caixinha de comentários pode não aparecer. Então, caso você queira deixar a autora feliz com um comentário, é só clicar AQUI.

Para saber se essa história tem atualização pendente é só clicar AQUI.


Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


comments powered by Disqus