FFOBS - FANCY, por Bru A.

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Última atualização: 16/07/2021

Prólogo

Vou narrar uma história muito interessante. Confesso, enquanto acontecia, não parecia tão interessante assim. Na realidade, parecia perigosa, tinha muitos altos e baixos, falsidade e mágoas, mas a gente está cansado de saber que, no fim, as coisas dão certo. Independente de como.
Mesmo sabendo o começo, o meio e o fim de tudo que falarei, garanto a todos que serei o mais imparcial possível. Você irá descobrir o que precisa descobrir no momento certo. Não sou de dar spoilers, mas gosto de dar pistas.
Talvez, até o fim dessa história, vocês descubram a verdade e até mesmo quem eu sou. Mas se isso não acontecer, não se preocupe: tudo vai se esclarecer.

Eu prometo.


Capítulo 1 - Nós odiamos todos os homens

Era quinta-feira de manhã. tinha o costume incontrolável de gesticular em cada palavra que falava. Era assim desde criança, sempre precisava movimentar suas mãos. A terapeuta sentada à sua frente nem ligava mais, já estava acostumada.
– Eu acho que estou atrasada para o trabalho. – Assim que disse isso, sua bolsa vibrou. Ambas as mulheres ali presentes se assustaram com o barulho inesperado. observou a tela de seu celular e, em um pulo, se levantou. – Sim, estou. Tenho uma reunião agora e tinha me esquecido. – A terapeuta aproveitou para deixar uma risada escapar.
– Corre, garota. E me avisa quando você vem na próxima semana, alguns pacientes querem mudar de horário e eu preciso me organizar. – concordou enquanto saia da sala. – Boa reunião!
– Obrigada, Rose! – As duas mulheres se despediram e correu para o trabalho. Tinha o costume de fazer a maioria das coisas a pé, o escritório era do lado da terapia, que era do lado da sua casa e tudo funcionava bem assim.
O caminho até o prédio da FANCY, revista que é editora-chefe, era bem tranquilo. Precisava apenas cruzar duas ruas até chegar na avenida do escritório. A mulher adorava essa facilidade de locomoção, podia fazer tudo quase que ao mesmo tempo e, por isso, dizia que "nunca estava atrasada".
– Está atrasada. – Fred, seu chefe, reclamou assim que a mulher adentrou pela porta da sala de reunião. sussurrou um pedido de desculpas e tomou seu lugar na mesa. Frederick é o diretor executivo da revista, mas , mesmo tendo um cargo inferior, acredita trabalhar e se esforçar bem mais do que ele. Daniel, editor assistente e melhor amigo de , também estava na reunião e sorriu para a mulher assim que ela se sentou ao seu lado.
Frederick começou dizendo que iria aceitar o tema que sugeriu para a próxima campanha da FANCY. Sabia que seria polêmico, assim como o anterior, mas achava que deveriam continuar se posicionando sobre assuntos que a maioria das revistas evitam falar.
Diferente das concorrentes, a FANCY estava indo bem. Conseguiu se reinventar bem no mundo digital e isso deveria continuar. tinha ideias brilhantes, o diretor sabia, mas precisava aparar as asas da mulher, senão ela poderia voar alto demais e acabar caindo em um lugar difícil de sair. Frederick não queria, de forma nenhuma, perder a melhor funcionária que tinha.
– Isso era tudo que eu precisava ouvir. – Foi a primeira frase que disse assim que seu chefe parou de falar. – Eu tenho certeza que vai dar certo, assim como a anterior. Vamos fazer a melhor campanha do mundo!
– Nós não temos dúvidas disso, , sério. Se tem uma pessoa capaz de tocar uma campanha desse culhão é você. – Dan disse, feliz pela amiga. Todos dentro da FANCY confiavam muito no trabalho da mulher, alguns até concordavam que ela deveria assumir o cargo de diretor executivo no lugar de Fred, mas é óbvio que ninguém falava isso em voz alta.
A reunião continuou com algumas exigências do chefe: "se é para fazer uma nova campanha, que seja ainda melhor do que a anterior", dizia, como forma de pressionar e também de incentivar os funcionários ali sentados. ouvia tudo aquilo com o brilho mais forte no olhar, era a chance que precisava para afirmar ainda mais o seu nome no mundo da moda.
Há 3 meses, tinha encabeçado uma campanha chamada "The Ugly Side of Fashion", que falava sobre como o mundo da moda foi e continua sendo cruel com as mulheres. usou a voz que a FANCY lhe deu para expor como toda essa história de inclusão e diversidade é falsa. A cota de uma única mulher gorda por desfile, ou de uma negra para 20 brancas, ou o fato do "plus size" ser um grande mito. A jornalista expôs também a problemática dos backstages com essa ditadura da magreza, muita cocaína e até fome. fez questão de falar sobre tudo que acontecia e, mesmo com medo, usou seu próprio nome para assinar a campanha.
A jornalista também reuniu os melhores especialistas sobre cada assunto, contando com um time de convidados bastante diverso e fora do padrão. O objetivo era justamente dar voz a quem é tão silenciado e permitir que eles tivessem seu devido lugar de fala.
Nas entrevistas que deu sobre a campanha, sempre dizia que, como mulher, tinha mais motivos para odiar o mundo fashion do que amar, mas preferiu se unir a ele e mudar o que conseguisse. Esse assunto, inclusive, foi tema de seu mestrado e também do seu primeiro e único livro publicado, chamado "As Leis de ".
A campanha da jornalista foi traduzida para mais de dez idiomas diferentes e fez com que o nome de divagasse país afora. Ela era constantemente chamada para palestras, eventos e até mesmo para se tornar professora em universidades, convite que nunca aceitou – pelo menos até o momento.
A ideia da nova campanha que também seria encabeçada por era falar sobre a masculinidade tóxica. Como a própria diz: o objetivo é cutucar a onça com vara curta. , através de seus estudos, sabia dos privilégios do sexo masculino e queria provocar um desconforto, mostrando de que forma o machismo pode ser um grande problema para os homens também. Ela gostava dessa ideia porque era exatamente o que precisava para sair da zona de conforto. estudava os fenômenos da moda e como as mulheres são afetadas há anos, é mestre nisso – literalmente. Agora, queria falar sobre o outro lado da moeda.
– E é aqui que iniciamos a campanha "We Hate All Man". – Frederick estranhou o nome e olhou curioso para a mulher. – Vai dizer que não amou?
– Só estranhei… É literal? – Fred e Dan se entreolharam e fitaram a mulher, que ria.
– Claro que é. – Respondeu, ainda rindo. Os dois homens passaram a rir também, jurando que a jornalista estava brincando, mas mal sabiam eles que ela falava bem sério.
– Agora vão, vai. – Fred dizia, enquanto expulsava gentilmente seus dois funcionários com as mãos. – Tenho uma reunião com o Sr. Lamar e vocês estão me atrasando. – sorriu, olhando para o chefe. Desde que entrou na empresa era apaixonada por Wander Lamar, o dono real oficial da FANCY e de outras quatro revistas.
O Sr. Lamar era muito reservado. Tudo que acontecia dentro de qualquer setor das cinco revistas passava por ele, mas ele nunca estava presente no escritório, era como se não existisse. até já tinha o visto por fotos e vídeos, mas nunca chegou a conhecê-lo pessoalmente. Os funcionários até tinham o costume de chamá-lo de "Charlie", uma referência direta ao chefe das Panteras que nunca revelava sua identidade. Fred, nesse cenário, era o Bosley, obviamente.
Daniel é o filho mais novo do Sr. Lamar, mas sempre odiou falar sobre qualquer coisa relacionada a sua família. Infelizmente, não tinha uma boa relação com o pai e trabalhava na empresa mais por consideração à irmã, Denise, que praticamente o criou. Ela logo assumiria completamente os negócios da família e acabava estando sempre mais presente do que o Sr. Lamar.
Dos 4 filhos do homem, apenas Denise e Dan trabalhavam com a empresa da família. Os outros dois, Dylan e Dustin, seguiram caminhos completamente diferentes e dificilmente apareciam, nem mesmo no Natal.
– Não posso participar? – arriscou, sabendo que a resposta seria não. De todos ali na empresa, o único que tinha um contato direto com o Sr. Lamar era Fred, o Bosley. Sempre foi assim.
– Você sabe que não. – O chefe piscou para a funcionária. Fred queria muito que a resposta fosse sim, pois sabe que é mais do que capaz de estar ali, mas não podia desobedecer ordens. A mulher entendia, diferente de Dan, que odiava a forma como seu pai se posicionava.

***

– Eles aceitaram, ? Meu Deus, tô tão feliz por você. – Claire comemorava junto de sua chefe o início da nova campanha. Fazia quase um ano que ela trabalhava como estagiária de e as duas, inclusive, já tinham criado uma grande amizade, mesmo com Claire sendo oito anos mais nova. – Eu tinha certeza que você conseguiria. Você é brilhante.
– Você que é incrível, Claire. – sorriu para a garota. – Vou precisar da sua ajuda mais do que nunca agora, vai ser difícil achar homens que topem participar dessa campanha… – Comentou. Claire sabia que estava certa. Trabalharam juntas na The Ugly Side of Fashion e tiveram muita dificuldade em encontrar mulheres que quisessem falar e, mais que isso, se identificar. No caso dos homens, acreditava ser quase impossível. Ainda assim, ambas sabiam que valia a tentativa e que aquilo era muito importante para o futuro da FANCY. – Eu tenho um amigo que pode nos ajudar, o nome dele é Michael Fischer, Claire, anota aí, por favor. – Claro que a caneta e o caderno já estavam nas mãos da estagiária há tempos. Depois de tantos meses trabalhando com a mulher, Claire já conhecia até mesmo virada do avesso. As duas faziam praticamente tudo juntas, não tinha nenhuma novidade, projeto ou pauta que passasse por sem passar por Claire. – Faz tempo que não falo com ele, mas sei que ele toparia ajudar ou conhece alguém que toparia. Tenta achar um e-mail ou telefone, tá? Aí você mesma pode falar com ele, se sente à vontade para isso?
– Claro! Com toda certeza do mundo – Claire comemorou. Agradecia todos os dias por ter uma chefe como , que possibilitou que ela conhecesse pessoas que ela nunca imaginou conhecer, como Gisele Bündchen, por exemplo. A übermodel participou da The Ugly Side of Fashion junto de outras modelos que foram linha de frente da Victoria's Secret durante anos. Aliás, foi exatamente a VS que impulsionou a querer estudar sobre isso, já que foi onde conseguiu seu primeiro estágio e consequentemente um dos maiores objetos de estudo da sua vida e da campanha.
– Que ótimo! Então, combinado. Você fala que estamos começando uma nova campanha aqui na FANCY e que, na hora, pensamos nele. Pode perguntar se ele quer marcar uma reunião presencial ou falar por zoom mesmo, o que ficar melhor. Nem sei se ele está no país. – Claire anotava as informações atentamente em seu caderno, gostava de fazer tudo 100% certo.
A estagiária deixou a sala assim que elas terminaram a conversa. Iria mandar um e-mail para Michael, mas antes aproveitou para procurar o perfil do homem no Instagram. Para a sua surpresa, ele era stylist de diversas personalidades masculinas, incluindo atores da Marvel. Foi nesse momento que Claire quase perdeu a compostura, era uma das maiores fãs do MCU desde que se conhecia por gente. Depois disso, sabia que esse trabalho seria um dos melhores da sua vida.
aproveitava para fazer algumas ligações de dentro de sua sala. Queria muito que algum artista envolvido no mundo da moda encabeçasse a campanha junto com ela. Sabia, sim, que dava conta sozinha, mas precisava adentrar na mente masculina e não podia fazer isso sendo uma mulher, não faria sentido algum.
A hipótese de usar Fred como co-worker nem passava pela sua cabeça. Afinal, para a jornalista, ele é a maior personificação de homem que finge gostar de mulher. Fred esconde seu machismo com uma equipe quase 100% feminina, mas todos suspeitam que isso é porque ele acha que moda é coisa de mulher. Alguns, inclusive, acreditam que Fred só está à frente da FANCY hoje porque é um homem de contatos: qualquer coisa que qualquer um precise, é só ir falar com ele, o diretor sabe exatamente quem deve procurar.
E esse era mais um motivo para não querer trabalhar com ele. Gostava do chefe, mesmo, mas sabia que a FANCY tinha conquistado seu lugar no ranking de melhores revistas de moda do mundo mais pelo trabalho dela e dos outros funcionários do que pelo dele.
– Harry? – disse, assim que o homem do outro lado da linha atendeu o aparelho.
– Mulher, você tá viva? Nunca mais te vi, quanto tempo! – Harry Lambert, o famoso stylist por trás de Harry Styles, dizia. Divertido como sempre, pensou , sabendo que realmente tinha se afastado de muita gente nos últimos meses por causa da The Ugly Side of Fashion.
– Estou morrendo de saudades, sério. Como você tá? – Respondeu, sincera.
– To bem, , e você? Já até sei… Trabalhando muito, como sempre. – ria enquanto ouvia o homem falar, Harry a conhecia o suficiente para saber que o trabalho a consumia quase 100%.
explicou o que tinha em mente para a próxima campanha da FANCY e ele comemorou pelo tema proposto. Como um homem que buscava sempre se desconstruir, Harry sabia que esse era um assunto polêmico e complicado. Por isso, ouvia atentamente tudo o que a mulher dizia.
A jornalista pensou em marcar uma reunião com ele, mas faria isso mais para frente, com quem topasse participar. Harry era um homem muito ocupado, e sabia que ele não conseguiria se envolver de cabeça nisso, mas, assim como Michael, poderia conhecer alguém que pudesse.

***

A maioria dos funcionários da FANCY já tinha ido embora, mas continuava reunindo alguns nomes masculinos para a prospecção do dia seguinte.
Depois da ligação com Lambert, chegou a entrar em contato com a assessoria de Harry Styles, mas o convite foi recusado, já que ele está ocupado com o lançamento de seu próximo álbum. Também tentou falar com Jaden Smith e Lil Nas X: o primeiro não chegou a responder, já o segundo recusou educadamente o convite pelo mesmo motivo de Styles.
sabia que aquela era só a ponta do iceberg, até porque uma campanha não se constrói em um só dia. Tinha muito pelo que batalhar e iria, é do tipo que não descansa até conseguir o que quer, por mais cansativo que o caminho seja.
– Tô indo, viu, ? – Dan disse, encostado no batente da porta da sala. A mulher sorriu, observando o amigo. – Quer que eu te espere? – Dan e frequentemente iam embora juntos, já que moram bem perto um do outro. Esse, inclusive, foi um dos grandes motivos para a amizade crescer. adorava a companhia do homem e o sentimento era mais do que recíproco.
– Hoje não precisa, Dan. Vou ficar mais um pouco. – Respondeu, sorrindo. A mulher até cogitou a ideia de ir, mas achou melhor ficar mais um tempo. Quanto mais adiantasse hoje, mais tranquila ficaria amanhã. O amigo balançou a cabeça em negação. Sabia como a jornalista amava o que fazia, mas não concordava com essas horas extras que nem sequer eram remuneradas. A mulher trabalhava mais do que qualquer um ali dentro. riu da reação e deu de ombros. – Nosso sábado ainda tá de pé, né? – O homem revirou os olhos enquanto sorria.
– É claro que sim! – Daniel tinha combinado de acompanhar até a Madison Avenue para ajudá-la a fazer compras, afinal a jornalista simplesmente ama as lojas que ficam ali, como a Hermès e a Maje, uma marca francesa que ela conheceu durante a mais recente Semana de Moda de Paris. Além disso, Dan dificilmente recusava uma oportunidade de ficar perto de . – Estou querendo comprar um novo relógio. – Dessa vez, foi que revirou os olhos. Dan era viciado nesse acessório, tinha uma grande coleção e sempre estava pensando em comprar o próximo. – Não me julgue com esse olhar, , você é igual com botas. – Disse, com um sorriso irônico nos lábios. O homem não estava errado, realmente era apaixonada por botas e tinha muitos pares em seu armário. – Não fica até muito tarde, tá? Estou falando sério.
– Não vou, fica tranquilo. – O homem concordou e se despediu, deixando a jornalista sozinha no escritório.
olhou seu celular para ter certeza do horário. Oito e meia. Em ponto. Aquilo era mais do que hora extra e exagero até mesmo para ela, que era a pessoa mais workaholic que existia. Maldito ascendente em capricornio, pensou, antes de começar a arrumar suas coisas para correr até Dan e aceitar a companhia.
Estava prestes a desligar seu computador quando recebeu uma chamada pelo zoom com o nome de Michael Fisher apontando na tela. Por mais que seus olhos, cansados, insistissem que ela fechasse o aparelho e resolvesse isso amanhã, seu coração falou mais alto, pensando que Michael ligando essa hora só podia ser um bom sinal.
Os cumprimentos assim que aceitou a chamada não poderiam ter sido mais histéricos. Faziam meses que os dois não se viam e aquilo era 100% culpa de , que nunca tinha tempo quando o amigo estava no país.
Michael é um dos stylists do The Wall Group, empresa que reúne diversos profissionais de moda e beleza para trabalhar com os artistas mais famosos dos Estados Unidos e da Europa. No momento, ele estava em Portugal, e fez questão de dizer o quanto sentia falta da amiga e que esperava finalmente encontrá-la quando voltasse para os Estados Unidos. faria de tudo para esse encontro acontecer, até porque também sentia falta do amigo.
– Sua estagiária é uma fofa! Incrível como você sempre tem os melhores funcionários, também adoro o Dan. – riu, concordando. Realmente, tinha tirado a sorte grande com Claire. Era uma menina incrível, dedicada e prestativa. Não a trocaria por ninguém nesse mundo e esperava levar ela para a vida, independente de como. A mesma coisa com Dan, que era constantemente sua válvula de escape dentro e até mesmo fora do trabalho. – A Claire me explicou sobre o esquema da nova campanha e eu fiquei morrendo de medo por você. Já vai entrar em outro assunto polêmico?
– Eles me perseguem, Michael, e eu já tenho alguns processos na conta, mais um não vai fazer diferença. – A fala provocou uma risada em Michael, que sabia que a amiga falava sério. Apesar do retorno positivo da The Ugly Side of Fashion, também teve o negativo e é óbvio que a grande maioria caiu no colo de . Mas ela não reclamava do amparo que teve da FANCY, até porque a empresa cuidou de todos os processo jurídicos e arcou com muitas das finanças que teria.
– Bom saber disso, então, porque tenho a pessoa perfeita para te ajudar. – não acreditou no que ouvia. Sabia que encontraria alguém, mas não achou que seria tão rápido. Michael é a melhor pessoa que existe, pensou. – Ele é um dos meus clientes mais próximos e tá passando por uns problemas bem chatos relacionados a processos, que nem você, sabe? Mas é tudo uma puta de uma injustiça, eu acredito muito na verdade dele. – concordou com a cabeça. Se tem uma coisa que a mulher não suporta é injustiça, e ela sabia muito bem como o judiciário americano conseguia ser injusto. – Estou te falando tudo isso porque te conheço e sei que você vai entrar num dilema enorme assim que eu te falar quem é. – estranhou a informação, não conseguindo entender aonde Michael queria chegar. Apesar de confiar no amigo, estava com medo de quem ele pretendia indicar.
– Fala, Michael, quanto mistério. – Ela riu, tentando se tranquilizar. – Qual o nome dele? – Michael suspirou. Estava com medo por ele e pelo amigo, não queria que as coisas dessem errado e nem que surtasse pelo nome que sairia da sua boca. Conhecia o homem que indicaria bem o suficiente para saber que tudo pelo que foi acusado é mentira, mas não. E, sabendo como ela é, suspeitava que poderia ver com outros olhos.
– O nome dele é Sebastian Stan.


Capítulo 2 - As Leis de

Era quinta-feira à tarde. O homem fazia carinho em seu cachorro, Elvis, enquanto navegava por seus e-mails. Com a barba maior do que o costume, se perguntava se deveria sair um pouco de casa hoje. Não que nunca saísse, até tinha o costume de passear no Central Park de vez em quando, mas quase sempre se sentia intimidado, os olhares que recebia na maioria das vezes não eram tão agradáveis como antes.
Sempre, desde que começou a trabalhar como ator, tentou manter sua vida particular restrita. Não se incomodava de ser perguntado sobre namoros ou coisas relacionadas, mas preferia sempre manter em sigilo – pelo menos enquanto conseguisse.
Uma nova mensagem chegou em sua caixa de entrada e, antes que ele pudesse abrir, seu celular tocou do outro lado da sala de seu apartamento. O homem deixou seu cachorro no chão e caminhou até o aparelho, atendendo com um sorriso no rosto logo depois de ver o nome na tela.
– Fala, Michael! – Sebastian disse, empolgado. Tinha falado com o amigo há menos de três ou quatro semanas, mas gostava de conversar com ele, já que Michael é o tipo de pessoa que todo mundo adora ter por perto: engraçado, divertido e companheiro. Aquele amigo que nunca, nunca mesmo, te abandona.
– E aí, Seb! Como você está? Já conseguiu sair um pouco de casa? – Sebastian riu. Havia comentado anteriormente com Michael que tinha receio de sair de casa mas que, ao mesmo tempo, sabia que precisava fazer isso com mais frequência. Ficar sozinho e isolado não iria ajudar, já dizia sua terapeuta, familiares e amigos. Por isso, desde que os dois se falaram da última vez, algumas coisas já tinham mudado.
Quando tudo aconteceu, a vida pessoal e profissional de Sebastian virou de ponta cabeça. O homem começou a sentir dificuldade de se relacionar com os outros, coisa que nunca tinha sentido antes. Não conseguia manter uma simples conversa às vezes e, claro, desconfiava da maioria das pessoas. Ele perdeu um pouco da fé que tinha, mas trabalhava isso semanalmente na terapia e as coisas estavam melhorando.
– Tenho ido bastante ao Central Park com o Elvis e voltei para a academia, mas a que tem aqui no prédio mesmo. – Ele riu. – Pelo menos vou quase todos os dias. – Michael acompanhou o amigo nas risadas. – Também tenho visto o Anthony aos finais de semana, a gente sempre tá fazendo alguma coisa juntos.
– Eu fico muito feliz de ouvir isso, de verdade. – Michael foi sincero, amava Sebastian e odiava ver tudo que seu amigo estava passando, principalmente por ter a certeza de que era uma enorme injustiça. – Você é forte, Seb, vai dar tudo certo. – Sebastian concordou com a cabeça, mesmo sabendo que seu amigo não veria.
– Vai sim, tenho fé que vai. – Os dois sorriram, cada um de um lado da linha. Michael havia ligado para Sebastian porque tinha uma novidade importante para dar ao amigo. Sabia que o ator havia perdido muitas oportunidades desde que as coisas começaram a acontecer. Por isso, quando ficava ciente de qualquer trabalho que pudesse passar para ele, o fazia.
Não foi diferente quando recebeu o e-mail da Claire, estagiária de , sua amiga. Enquanto lia a mensagem com informações resumidas, mas claras, sobre a nova campanha, só pensava no amigo e em como ele ficaria empolgado com aquele trabalho, principalmente por ter um pouco de conhecimento sobre o tema.
Sebastian sempre foi um homem artístico. Conforme os anos, se tornou um ator excepcional e conquistou uma grande legião de fãs, principalmente depois da sua atuação impecável como Bucky Barnes, o Soldado Invernal, da Marvel, que foi o auge de sua carreira. Sebastian fez história por viver com tanta emoção e sensibilidade um personagem que de vilão nunca teve nada.
Com o sucesso do segundo filme do Capitão América que apresentou o seu personagem, em 2014, Sebastian passou a receber inúmeros convites irrecusáveis, principalmente para se tornar embaixador de marcas muito famosas, como a Hugo Boss, chegando a estampar anúncios da grife por mais de 2 anos. A partir disso, virou um homem vidrado no mundo da moda. Acompanhava desfiles de perto, na primeira fila, e sempre estava nos rankings de homens mais bem vestidos do mundo. Sua presença em revistas também era frequente.
Apesar de muito introvertido, Sebastian se tornou uma referência por não esconder que gostava, sim, de se vestir bem e que adorava, inclusive, estar presente nesse mercado. Exatamente por isso que Michael se sentia honrado de ser o stylist de Sebastian e de quebra um de seus grandes amigos.
As coisas desandaram depois das polêmicas envolvendo seu nome. Sebastian passou por um escândalo muito grande que o afastou dos holofotes. Em uma decisão em conjunto com seus advogados, familiares e amigos, optou por se resguardar até a poeira baixar. Por isso, finalizou seu acordo com a Boss e acabou sendo cortado dos próximos projetos que tinha em agenda. O único contrato que Sebastian não perdeu foi com a Marvel. A empresa, em respeito ao ator e ao seu legado no MCU, fez questão de dizer que esperaria o resultado do processo para tomar uma atitude, se fosse necessário.
De toda forma, o contrato de Sebastian estava em stand by. O filme que iria finalizar a fase 3 do universo, chamado Vingadores: Ultimato, ainda seria lançado. Então, até o momento, Sebastian não sabia o que seria do seu personagem na próxima fase do MCU. Porém, quanto a isso, estava tranquilo. Mantinha contato frequente com seus amigos de elenco que também não sabiam o que seria de seus personagens. Afinal, era sempre assim: a Marvel nunca contava seus próximos planos até achar que era o momento certo.
– Seguinte, Seb, eu tenho uma amiga, a , ela é editora da FANCY e tem um currículo muito foda no mundo da moda. – Sebastian ouvia o amigo com muita atenção. – Não sei se você chegou a conhecer ela. – O homem negou. Fazia alguns meses que já não estava tão presente no mundo da moda e apesar de continuar acompanhando os desfiles, red carpets e tendências, não se lembrava de nenhuma . – Ela ficou responsável por criar uma nova campanha sobre masculinidade tóxica na moda, com o objetivo de disseminar mais informações sobre esse tema. – Sebastian franziu a sobrancelha. Achou a ideia interessante, afinal sabia muito bem o que era masculinidade tóxica. Já presenciou diversas situações chatas e tinha certeza que muitas delas estavam relacionadas com isso e com o machismo enraizado na sociedade. – E ela queria a ajuda de alguém envolvido no mundo da moda, sabe? De um homem, no caso. A estagiária dela, Claire, me mandou uma mensagem ontem. Eu até encaminhei no seu e-mail, depois dá uma olhada, ela explica melhor. – Sebastian voltou sua atenção ao notebook e abriu a mensagem, mas não chegou a ler. – Eu pensei em você na hora, acho que pode ser sua chance de voltar a fazer algo que gosta. Essa campanha tem tudo a ver contigo. Você tem contatos, vai saber como e por onde começar, tem influência para ajudar a como ninguém... E se ajudar também, né? Tudo que você precisa agora é ocupar sua cabeça com algo que gosta. – Sebastian divagou um pouco antes de responder o amigo. Concordava e muito que aquela poderia ser sua chance de voltar a trabalhar, de se ocupar e, principalmente, de estar em contato com algo que gosta. Mesmo que moda não seja sua profissão direta, era uma área que ele adorava. E Sebastian ainda tinha contatos, seria útil para a mulher se tivesse a chance de conseguir o trabalho.
– Eu achei essa ideia incrível. – O ator finalmente respondeu. – Mas será que ela vai querer trabalhar comigo? As pessoas têm medo, é complicado associar a marca com alguém que está sendo processado pela ex-namorada. – Michael suspirou, sabia que Sebastian tinha razão. Da última vez, tentou colocar o ator para divulgar o desfile da Valentino, como ele já tinha feito antes, mas a empresa optou por não aceitar. Apesar de chateado, Sebastian entendia. Qual companhia gostaria de ter sua imagem associada a polêmicas? – Eu topo demais, inclusive, adoraria participar disso. – Michael sorriu. – Só fico receoso…
– Eu entendo seus medos, Seb, por isso vou conversar com ela mais tarde. Conheço a , ela não é injusta e o processo ainda está em andamento, você não foi declarado culpado de nada. – Sebastian concordou, pensando que logo seria provado que ele é de fato inocente. – Vou ser sincero com ela, e te conto o que rolou depois.
O ator concordou. Iria esperar o retorno do amigo para tomar alguma atitude, mas não podia negar que estava empolgado. Diferente das outras vezes, algo lhe dizia que esse contrato iria para frente.
Michael recomendou que Sebastian procurasse sobre no Google para entender melhor quem é a mulher e tudo que ela já fez. Apesar de receoso, o homem resolveu buscar. Tem uma relação de amor e ódio com o site, já que procurar por seu nome é pedir para se chatear.
Os resultados da pesquisa mostraram uma mulher de 27 anos que Sebastian não deixou de notar como era bonita. Viu que as últimas matérias a seu respeito falavam de uma campanha chamada The Ugly Side of Fashion e riu ao ver que ela também tinha alguns processos nas costas. Talvez eles realmente se entendessem, afinal.
Aproveitou para entrar no site da campanha e ver todo o trabalho que tinha feito. Era uma plataforma multimídia, recheada de vídeos, fotos, podcasts e textos sobre os problemas da indústria da moda. Não sabia como poderia descrever o que via sem usar ao menos a palavra incrível. Nunca tinha visto um trabalho tão completo e com tanta gente importante no meio. Naquele momento, desejou ainda mais poder fazer parte da campanha em questão.
Sebastian também parou para ler uma entrevista de que falava sobre sua trajetória no mundo da moda. A mulher se formou em jornalismo na Universidade de Nova York, estagiou durante dois anos no marketing da Victoria's Secret e depois por um ano na Vogue, onde foi efetivada como redatora de conteúdo e permaneceu por mais outro ano. Deixou a Vogue para focar em seu mestrado, que tinha como tema moda e feminismo, e depois de finalizá-lo voltou para a revista, dessa vez como repórter de desfile. Finalmente, aos 26 anos, começou a trabalhar na FANCY, como editora-chefe, que é onde está até hoje. Um puta currículo, pensou. A mulher parece ser muito inteligente.
Sebastian deixou seu computador de lado para ir à terapia. Quinta-feira à noite era sagrado e ele não escondia o quanto gostava de conversar com a Srta. Stewart. Passou a frequentar o local desde que começou a sofrer com as consequências do processo, foi essa decisão que salvou sua saúde mental, pois, do contrário, poderia estar com ainda mais problemas agora.
Já sentado junto à sua terapeuta, Sebastian contou sobre a proposta de Michael. Com uma leve empolgação na voz, o homem insistia em dizer que dessa vez sentia que seria diferente e que ele realmente estava esperançoso. A terapeuta ouvia tudo atentamente, bem contente pelo seu paciente, sabia melhor do que ninguém o que Sebastian havia enfrentado nos últimos meses.
– E essa … Ela parece ser mesmo muito inteligente. – Sebastian dizia. – Eu realmente queria trabalhar nessa campanha, acho que seria bom. – Srta. Stewart sorriu, também queria muito que ele conseguisse o contrato. Sebastian já estava há um tempo sem nenhum trabalho, e isso só não o enlouqueceu porque, conforme o tempo, ele passou a se esforçar muito para lidar com essa situação. Apesar disso, a terapeuta estaria mentindo se dissesse que o ator está 100%. Sebastian ainda enfrenta diversos bloqueios, principalmente em socializar.
Depois que tudo acabou com sua ex-namorada e as polêmicas começaram, o homem passou a desconfiar de todos a sua volta, principalmente de seus amigos e familiares. Antes de começar a terapia, dificilmente se abria, não saia muito de casa e não fazia questão de ver ninguém. Com o tempo, passou a aceitar ajuda, não só da Srta. Stewart, como de seus amigos também, e foi assim que tudo começou a evoluir.
Porém, mesmo com a significativa melhora, Sebastian ainda travava uma batalha quando o assunto era conhecer novas pessoas ou relacionamentos amorosos. O ator não fazia questão nenhuma de esconder que realmente não queria se relacionar sério com alguém novamente, até arriscava dizer que isso nunca mais aconteceria. Apesar desses pontos, a Srta. Stewart tinha muito orgulho da evolução de Sebastian, e fazia questão de lhe mostrar e dizer isso sempre.
A terapeuta caminhou até sua prateleira de livros, puxando um deles e entregando na mão do homem que, a princípio, não entendeu, até ler o nome da obra: "As Leis de ".
– Faz um tempo que ganhei esse livro de presente de um paciente e, olha, confesso que ela é realmente muito inteligente. – A terapeuta dizia, enquanto voltava a se sentar. O livro entregue foi escrito por ninguém mais, ninguém menos, que . Sebastian podia não conhecê-la até Michael falar sobre ela, mas sua terapeuta a conhecia.
– Beleza, ela tem um livro. – O homem respondeu, surpreso. Não tinha prestado atenção nisso quando pesquisou sobre ela. A terapeuta riu da reação e assentiu com a cabeça.
– Pode pegar emprestado, se quiser. Já terminei de ler. – Sebastian aceitaria. Ficou realmente curioso sobre e essa parecia a melhor forma de entender mais sobre ela e seu trabalho. Agradeceu à Srta. Stewart pelo livro pensando que, de fato, a jornalista parecia ser muito interessante.
Sebastian se despediu da mulher e caminhou até seu carro. O único lado negativo da terapia era a distância, que impossibilitava o homem de ir a pé. Porém, naquela altura do campeonato, já nem ligava mais: não trocaria a Srta. Stewart por nada nesse mundo.
Assim que Sebastian entrou no carro, seu celular tocou. Na tela, o nome de Michael brilhava. O amigo tinha enviado uma mensagem e o ator sorriu com a possibilidade de receber boas notícias.

"Conversei com a agora há pouco, Seb. Ela não sabia quem você era quando eu disse seu nome hahahaha mas depois acabou se lembrando por causa da Hugo Boss ;) ela não sabe muito sobre as polêmicas, tá por fora total, então eu acabei nem falando nada porque acho que essa é a deixa. Se você conversar com ela e contar seu lado, você toca no coração. Tenho certeza. Inclusive, se eu fosse você, dava uma passada no escritório dela amanhã mesmo. Vou te mandar o endereço."

Sebastian comemorou internamente enquanto lia a mensagem. Nunca achou que ficaria tão feliz por alguém não conhecê-lo. Por isso, seguiria o conselho do amigo e iria até o escritório da jornalista amanhã. Vou precisar fazer a barba, pensou, antes de dar partida no carro e ir para casa.
Eram dez horas da noite. Sebastian se juntou ao seu cachorro, Elvis, no sofá da sala e ligou a TV. A princípio, pensou em continuar assistindo Brooklyn 99, sua série de conforto, mas seus olhos foram de encontro ao livro de , que estava em cima da mesa. Se iria conversar com a mulher amanhã, que ao menos conhecesse um pouco mais sobre ela.


Capítulo 3 - Who the hell is Sebastian Stan?

Era sexta-feira de manhã. já estava de cabelo em pé porque Fred insistia em deixar tudo na mão da mulher, já que não tinha a capacidade de controlar o que, supostamente, deveria ser a sua equipe. Mês de fevereiro, edição de março: o homem exigiu uma matéria especial com as meninas do Blackpink, que iriam estrear pela primeira vez como capa da FANCY. Segundo ele, já estava fechado com a assessoria do grupo, mas precisavam pensar em como rechear a revista com temas relevantes sobre kpop.
surtou. Fred queria que fosse uma edição especial porque sabia do poder dos fãs de kpop e que a revista iria estourar assim que fosse anunciada. Por isso, exigiu algo diferente, só não disse o que, e jogou toda a responsabilidade de ir atrás disso nas costas dela.
Às dez e meia, organizou uma reunião de pauta com todo o pessoal de conteúdo e de arte para reunir ideias. Fred nem sequer participou. A jornalista, então, sugeriu que o foco da revista não fosse o kpop em si, mas sim o continente asiático. Só que, para a mulher, não faria sentido uma edição sobre o continente sem ter um colaborador asiático sequer. Para a infelicidade de , a redação não era tão diversa, por isso sugeriu que as meninas do Blackpink fossem convidadas a serem editoras da revista e que assinassem como tal. Dessa forma, ninguém tomava o local de fala de ninguém. Respeitar isso era muito importante para .
A equipe adorou a ideia e mais algumas foram surgindo. Iriam apresentar estilistas e profissionais asiáticos do ramo que estavam em ascensão no mundo da moda ou que mereciam atenção, como uma espécie de glossário. Pensaram em uma entrevista multimídia com a grife Private Policy, uma marca nova criada por descendentes asiáticos que já vestiu Kendall Jenner e Bella Hadid e que tem sede em NY. Sugeriram também uma matéria sobre como a Ásia é o maior polo de consumo e de produção de peças de luxo do mundo e também sobre o racismo contra pessoas amarelas.
– Ah, gente, tive uma ideia melhor. Ao invés de chamar as meninas do Blackpink para a editoria, vamos apostar em outros artistas asiáticos. Elas já vão ocupar a capa, podemos dar espaço para mais gente – A equipe concordou com o que a mulher dizia. – De cabeça, penso na Liu Wen, ela nasceu na China. Mais alguém?
– A Lana Condor de Para Todos os Garotos Que Já Amei é ótima, e nasceu no Vietnã – Claire disse e fez comemorar.
– A princípio, entramos em contato com as duas. Claire, você faz isso, por favor? – Claire concordou com o famoso sorriso no rosto. Adorava, mais do que tudo, entrar em contato com os artistas. Se sentia realmente importante. – Pensem em homens asiáticos envolvidos na moda também e me avisem.
finalizou a reunião logo depois de dividir as tarefas. Ainda iria aceitar ideias de novas pautas, pois queria rechear a revista da melhor forma possível. Além disso, estava esperançosa em relação a Liu e Lana, tinha certeza que as mulheres teriam muito a oferecer.
Aproveitou o tempo antes do almoço para organizar a agenda de cada um do time conforme haviam combinado na reunião. Além de editora-chefe, também cuidava da parte de operações, algo que sinceramente odiava. Insistia que Fred contratasse uma pessoa para isso, mas ele achava uma perda de tempo. Claro, não é ele que faz, pensou.
, você está ocupada? – Claire dizia, adentrando a porta da chefe bastante afobada. estava sempre ocupada. Era incrível como não existia nenhuma hipótese de tempo livre para ela. Mas tudo bem, já era sexta-feira.
Naquele momento, olhava para o nome de Sebastian Stan escrito no post-it rosa colado em seu notebook, pensando se deveria ou não procurar o nome do homem no Google. Michael tinha sugerido que a amiga não o fizesse e que entrasse em contato diretamente com ele, para conversarem pessoalmente, mas ela estava realmente tentada a procurar.
– Pra você? Nunca. Pode dizer. – Respondeu, olhando para as roupas da garota e sorrindo. amava de paixão o estilo de Claire, era jovem e alegre, assim como ela. A estagiária sempre usava roupas coloridas, na maioria das vezes fluorescentes e brilhosas, que sempre estavam de acordo com sua maquiagem do dia. considerava a estagiária a própria "Miu Miu Girl'', e sempre que queria presenteá-la, dava algo da marca, ou da Versace.
Hoje, por exemplo, ela usava uma blusa rosa fluorescente com gola alta e manga comprida e um vestido estampado com verde e laranja por cima. Nas pernas, uma meia calça amarela e nos pés saltos baixos, como na maioria das vezes.
– Não é exatamente para mim… – Claire começou, enquanto mordia os lábios. percebeu que a estagiária estava nervosa, só não sabia com o que. – Não posso surtar… Tá. Calma – riu, curiosa, não estava entendendo a reação da menina. Claire tentava respirar fundo para explicar o que estava acontecendo. – Ai, , o Sebastian Stan tá aqui. Eu fiquei tão nervosa que nem consegui perguntar se ele queria um café, só entrei correndo aqui.
– O Sebastian? Aqui? – cerrou os olhos. Não tinha combinado nada com o homem, mas pensou que, provavelmente, Michael aconselhou que ele viesse. Achou bastante irônico, aliás. Há menos de 5 minutos estava travada pensando se deveria ou não "googlar" o seu nome. Talvez esse fosse o momento de conhecê-lo e de decidir se deveria ou não escalá-lo para encabeçar essa campanha com ela. Agradeceu por não ter pesquisado o nome do homem, e mais ainda por ele a ter procurado. – Claire, pede para ele entrar, por favor. Assim que terminarmos aqui, te chamo pra tirar uma foto com ele, pode ser? – Naquele momento, Claire achou que fosse cair. Era muito fã da Marvel e conhecer Sebastian Stan iria valer pelo seu ano inteiro. Não sabia como agradecer sua chefe, mas proferiu um "muito obrigada" eufórico antes de sair da sala para chamar o ator. achou graça porque entendia exatamente como a garota se sentia. Desde que entrou no mundo da moda, teve contato com artistas que jamais imaginou um dia conhecer.
, né? – A mulher tirou os olhos do computador e fitou a porta, onde Sebastian estava. se levantou e caminhou até o homem, que notou ser bem mais alto do que ela. A jornalista também não deixou a beleza de Sebastian passar batida, lembrava dele nas campanhas da Boss e podia garantir que pessoalmente ele conseguia ser ainda mais bonito. Sua postura, a barba milimetricamente perfeita e a roupa bem escolhida chamaram a atenção da mulher, fazendo-a pensar que ele deve ser do tipo que chama atenção por onde passa e não só por ser famoso.
mal sabia que Sebastian só tinha feito a barba para encontrá-la. O homem queria passar uma boa impressão e sempre foi o tipo de cara que se preocupa muito com a aparência. Por isso, inclusive, havia pedido a ajuda de Michael para escolher uma roupa marcante, mas longe de ser exagerada. É apaixonado por jaquetas de couro e tem uma enorme coleção no seu armário. Para encontrar com , não pensou diferente: vestiu uma blusa social preta com a jaqueta por cima, calça e sapatos também pretos. Sabia que all black era sempre a melhor opção e agradecia Michael pela dica.
Sebastian reparou bem na mulher à sua frente. Era observador até demais para não fazer isso e tinha o costume chato de julgar o estilo alheio. Afinal, acredita que a roupa é a primeira impressão que passamos e que diz muito sobre quem somos. Olhou de cima a baixo com todo o respeito e discrição que tinha.
Apesar da temperatura agradável dentro do escritório, estava muito frio em NY. vestia uma saia xadrez bem solta com comprimento um pouco abaixo do joelho. Na parte de cima, uma blusa de manga comprida lilás de tecido grosso, quase que um moletom. Nos pés, botas over the knee na cor marrom, peça pela qual a jornalista é apaixonada. Também usava alguns poucos acessórios de ouro e o cabelo solto. Sebastian sorriu ao observá-la, gostava de mulheres que se vestiam bem e sem dúvida estava muito elegante.
Do outro lado, claro que não deixou de observar o look do homem parado à sua frente. Não podia negar o charme de Sebastian, ainda mais usando preto, estava impecável. A jornalista gostava de homens que deixavam o tradicional terno de lado, e a jaqueta de couro substituiu muito bem.
– Eu mesma. – estendeu sua mão para Sebastian, que a apertou. Ambos sorriram um para o outro. Aquilo estava apenas começando. – É um prazer, Sebastian. Vamos sentar? – O homem concordou e tomou seu lugar na cadeira na frente da mesa de .
– Pode me chamar só de Seb. – Mal sabia ele que a mulher tinha uma dificuldade enorme com apelidos, principalmente de pessoas que mal conhecia. Iria insistir em Sebastian por algum tempo até se sentir íntima o suficiente para partir para o apelido. – Peço desculpa por não ter avisado que estava vindo, espero não estar atrapalhando. – O homem disse, enquanto observava a mulher se sentar também.
– De jeito nenhum, Sebastian. – O ator cerrou os olhos e passou a língua entre os lábios, percebendo que ela não tinha usado o apelido. Estava tão acostumado com pessoas forçando uma amizade precoce que estranhou o fato de não fazer o mesmo. – Eu estava mesmo pensando em te mandar um e-mail, por isso fico feliz que tenha aparecido aqui. Michael falou com você? – O homem concordou com a cabeça.
– Falou, foi ele que sugeriu que eu passasse aqui hoje, inclusive. – já tinha imaginado isso. Conhecia Michael e sabia como ele era ansioso – Achei uma boa ideia, assim posso me apresentar melhor antes que você leia algumas coisas… – Ele disse, mordendo os lábios. Estava receoso com o que deveria ou não falar, não queria estragar algo que nem sequer começou.
– Então agradeça que eu não pesquisei seu nome no Google. – Ela respondeu usando um tom mais divertido. Se fosse para ter uma conversa séria e que envolve processos, que seja da forma mais leve possível. Sebastian ficou mais tranquilo com a resposta bem humorada de . A mulher podia não fazer ideia, mas isso tirou um peso enorme das suas costas.
– Nunca achei que iria comemorar por alguém não me conhecer. – O homem disse, rindo, ao lembrar que ele não só tinha procurado o nome dela, como também estava lendo o seu livro. Porém, achou melhor não comentar, talvez em uma outra hora.
– Michael te disse isso? É mentira! – se mostrou afetada pela fala de Sebastian e ambos riram. – Eu te conheço, sim, da Boss. Só faz tempo que não te vejo, acabei não associando o nome a pessoa.
– Vou sobreviver. – Respondeu, também divertido, enquanto a mulher ainda ria. Sebastian não tinha nem noção de como explicar tudo que estava acontecendo em sua vida para . Pelo pouco que pesquisou sobre ela, percebeu que a mulher tinha tolerância zero com qualquer tipo de discriminação, preconceito e abuso. Claro que com ele não era diferente, condenava qualquer um desses temas, assim como ela, mas o buraco, pelo menos ali, parecia ser bem mais embaixo. Sebastian estava sendo acusado de um crime muito sério, e mesmo sabendo de sua inocência, era a palavra dele contra a de Serena, sua ex-namorada. aparentava ser uma mulher que lutava por direitos, afinal escrevia e ensinava sobre isso. As chances dela acreditar nele, sinceramente, eram bem baixas, mas Sebastian seria sincero. Afinal, essa era uma das suas maiores qualidades. – Então… A minha ex-namorada abriu um processo contra mim alegando que… Que eu a agredi. E isso tomou uma proporção enorme na mídia. – se assustou e muito com a confissão. Achou que o ator fosse falar que estava metido com drogas e foi parar em um centro de reabilitação, ou que estava falido… Mas realmente não esperava isso. Sebastian podia ver na cara de que ela não tinha gostado nem um pouco do que ouviu. – Mas eu realmente não fiz isso. Eu sei que aqui, conversando com você, é a minha palavra contra a dela. A palavra de um homem contra a palavra de uma mulher, e também sei sobre os casos de abuso e agressões que as mulheres sofrem diariamente. Mas eu não fiz isso. Nunca faria. – continuou muda. Não sabia o que dizer e nem se ele esperava que ela dissesse alguma coisa. No entanto, não pôde deixar de observar a suavidade e sensibilidade com a qual Sebastian falava sobre o assunto. Ele parecia tomar muito cuidado com cada palavra que usava. Dava para perceber que o tema o afetava, e muito. – Eu sei que é muito pedir para que você simplesmente acredite em mim, afinal você nem me conhece, mas o processo ainda está em andamento. Eu posso provar que sou inocente, e vou.
passou a mão no cabelo e encostou suas costas na cadeira enquanto pensava o que poderia responder. Agora, mais do que nunca, faz muito sentido o ator ter sumido de todos os holofotes. Provavelmente perdeu contratos, como o da Boss, e agora deveria estar sobrevivendo com economias. não queria ser injusta, mas precisava ser sincera. Trabalhar com Sebastian, caso ele fosse culpado, era simplesmente ignorar tudo pelo que lutava. Ao mesmo tempo, recusar Sebastian era declará-lo culpado sendo que ele nem havia sido condenado.
Na faculdade de jornalismo, aprendeu que não se deve chamar ninguém de agressor até que isso seja provado. A mesma coisa vale para assassinos, ladrões e traficantes. Deveria, sempre, em qualquer hipótese, usar "suspeito", até que a justiça determinasse o que de fato aconteceu.
Mas, sendo do sexo feminino, aprendeu a sempre ficar do lado da mulher. Sabia, com anos de estudo, como era delicado denunciar uma agressão, como isso poderia literalmente acabar com a saúde mental e até mesmo física de uma pessoa.
estava em um fogo cruzado.
– Nossa, Sebastian. – Foi o que conseguiu responder, antes de passar a mão no rosto.
– Eu sei, é demais para digerir. – Ele sorriu sem mostrar os dentes, estava tentando parecer confortável falando sobre aquilo, mas claramente não estava. Nem um pouco. – Você pode pensar, se quiser. Não precisa me dizer nada agora. Eu só te peço que… Sabe… Pense. Por favor. Esse trabalho seria muito importante para mim.
– Você perdeu muitos contratos por causa disso, né? – Sebastian assentiu usando apenas a cabeça.
– Muitos, e pensa em uma pessoa que não conseguia ficar parada, era eu. Saía de um projeto e já entrava de cabeça em outro. Eu gosto de me sentir útil, e eu sei que seria muito útil para você nessa campanha. – Disse, com confiança. Não era mentira. Sebastian tem muitos contatos no mundo da moda, sabe quem procurar e poderia ajudar melhor do que ninguém. Ele falou do lado negativo da sua contratação, mas agora falaria do lado positivo: – Nesses anos que eu estive dentro do mundo da moda, percebi que metade dos homens não tem nem ideia do que é masculinidade tóxica, nem eu tinha, sendo sincero. Fui entender mais quando comecei a questionar algumas coisas que aconteciam e, claro, quando comecei a terapia. – ouvia atentamente. – Já participei de muitas campanhas e até já fui embaixador da Boss, como você sabe, então presenciei coisas bem chatas… Artistas se recusando a usar uma roupa com medo de terem sua sexualidade colocada em dúvida, ou que se recusaram a posar comigo porque já fiz um personagem gay. – franziu o cenho e Sebastian balançou a cabeça. – Já vi estilista se recusar a usar modelo gay porque dizia que sua marca era masculina e que não faria sentido, fora esse negócio de que gostar de moda ou ter um estilo menos masculino automaticamente te torna homossexual. Parece que é algo inconsciente, mas as pessoas realmente acreditam que moda é exclusivamente de mulher.
– É inconsciente. – disse. – É algo tão enraizado na nossa sociedade que a gente nem sequer percebe, e nós reproduzimos esses padrões diariamente. – Sebastian concordou com a cabeça. – Os homens são ensinados desde a infância a não demonstrar fragilidade, fraqueza, serem viris, alfas… Como se fossem deuses gregos. – O ator continuou concordando. – Esse não é e nunca foi meu campo de estudo, mas como você mesmo disse, muitos homens não sabem o que é masculinidade tóxica e não tem nem ideia de como os afeta… Ela é responsável por muitos distúrbios emocionais, pode levar ao suicídio e também motivar alguém a matar outra pessoa. É algo que precisa ser falado, debatido e explicado. – Sebastian parou para pensar o quão problemático tudo isso era e em como gostaria de trabalhar em uma campanha como essa, de tamanha importância. parecia a pessoa certa para falar desse assunto e ele sabia que poderia ajudar.
– Seria incrível participar desse trabalho com você, , realmente acho que todo mundo precisa saber mais sobre isso, inclusive eu. – Sebastian sorriu. – Acho mesmo que conseguiria te ajudar, principalmente porque fiquei muito interessado. – sorriu.
– Você parece ter muito a oferecer, Sebastian. – O ator concordou com a cabeça, rindo de leve por ela realmente não usar seu apelido. – Gostei muito do seu interesse.
– Espero que isso signifique que você vai pensar. – Sebastian afirmou, sorrindo.
– Eu vou. – A mulher também sorriu. – E a gente volta a se falar semana que vem, se não for um problema para você. – Sebastian balançou a cabeça em negação.
– De jeito nenhum. – Ambos sorriram. Tinham iniciado algo ali, mas não faziam a menor ideia.
– E eu nem te ofereci um café, que falta de educação. – Sebastian riu com vontade. Tinha o costume de jogar a cabeça para trás e arrumar o cabelo que caia no rosto toda vez que dava risada. achou uma graça e sorriu com a cena, agradecendo por ele levar na brincadeira e não pensar que ela fosse mal educada, algo que nem sequer passou pela cabeça do ator. – Você ainda aceita? – Sebastian negou, sem deixar de sorrir.
– Fica para a próxima. – Disse, na esperança de realmente ter uma próxima vez. percebeu que ele estava torcendo para isso.
– Combinado. – A mulher apertou a mão do homem enquanto ambos sorriam um para o outro. chamou Claire pelo telefone e Sebastian aproveitou para observá-la. A mulher tinha uma pinta de mandona, mas ao mesmo tempo parecia ser super tranquila. Talvez seja um pouco dos dois, pensou, e naquele momento desejou poder conhecê-la um pouco mais. Seus pensamentos foram interrompidos pela estagiária de que apareceu na porta. – Essa é a minha melhor funcionária, a Claire, e ela é muito sua fã. – fez questão de enfatizar o "muito" na frase. – Será que rola uma foto? – Finalizou, divertida, enquanto Claire ficava vermelha de vergonha.
– Oi! – Sebastian disse, animado, enquanto olhava Claire. – Claro! Tudo bem com você, Claire? – A estagiária respondeu o mais baixo possível e era muito visível que a garota estava morrendo de vergonha. achou graça da cena, e fofo o jeito como ambos estavam lidando com a situação. Sebastian parecia ser um homem muito educado.
– Eu tiro a foto, dá seu celular aqui. – disse, pegando o aparelho de Claire que, a essa altura, abraçava Sebastian enquanto posavam juntos para a foto. devolveu o celular para a estagiária, que agradeceu a ambos os presentes na sala. Sebastian piscou para a garota. – Aproveita e leva ele até a porta, Claire, assim vocês se conhecem melhor. – A garota fitou , envergonhada. A mulher tentou tranquilizar a estagiária com o olhar.
– Vamos lá. – Sebastian chamou, olhando pela última vez. – Até mais – A mulher apenas sorriu e acenou com a mão. Agora, tinha uma decisão bem difícil em suas mãos e precisaria de ajuda. Afinal, não queria ser precipitada e muito menos prejudicar a campanha ou sua carreira.
Claire e Sebastian caminharam juntos até a porta do escritório e a estagiária aproveitou para dizer que era muito fã do Chris Evans. Sebastian, então, prometeu que conseguiria um vídeo do ator mandando um beijo para ela. Antes de ir embora, Claire pediu outro abraço para o homem, que deu, se mostrando ser muito simpático. A estagiária por pouco não chegou aos berros no escritório da chefe. Sabia que, com , poderia comemorar o quanto quisesse, mas com outras pessoas do ambiente profissional poderia pegar mal.
, você é a melhor chefe do mundo e eu nunca vou cansar de dizer isso. – Claire confessou ao entrar na sala da mulher. Estava em êxtase. – Sério, eu sou fã da Marvel há muito tempo e ver o Sebastian tão de perto valeu pela minha vida inteira. – riu. – Ele é tão bonito e educado, me deu dois abraços.
– Também achei, viu. – confessou sem olhar Claire, estava conferindo alguns papéis. – E bem estiloso. – Algo dentro da cabeça da jornalista pareceu acender quando ela percebeu o que a estagiária tinha falado. – Pera, ele está nesses filmes da Marvel? – Claire olhou a mulher com uma careta, bastante indignada com a pergunta. – Eu acho que só assisti ao primeiro Capitão América.
– Ele está exatamente nesse filme. – Claire respondeu, surpreendendo a chefe. – É o melhor amigo do Capitão América, , depois ele volta como Soldado Invernal. – A estagiária explicou e apertou os olhos. A ficha estava caindo.
– É esse que tem um braço de metal? – Claire ainda continuava indignada, mas agora ria da cara que a chefe fazia. A estagiária assentiu, confirmando o que tinha perguntado. – Puts, Claire, meu irmão é louco por ele. – disse, enquanto ria de sua própria gafe e passava a mão pelo rosto. A mulher soltou um grunhido. – Eu nunca ia me tocar, ele é muito diferente pessoalmente. Nem cheguei a ver o filme, mas meu irmão tem uma coleção de bonecos e posters desse personagem no quarto, fora o braço de metal que meu pai deu para ele de aniversário ano passado. – Claire riu, imaginando o quarto do garoto lotado de coisas sobre o Soldado Invernal. Apesar do seu preferido ser o Capitão América, ainda amava o personagem de Sebastian e entendia muito bem a paixão de Artur, irmão de .
– Agora você tem a obrigação de fechar com ele para a campanha. – parou para refletir sobre a afirmação da estagiária. Talvez Claire pudesse ajudá-la nessa decisão.
– Aproveita e me diz uma coisa, o que você acha de toda essa polêmica que ele está envolvido?
– Da ex-namorada dele? Olha, no fandom ninguém nunca foi com a cara dela. Acham que ela usou o Sebastian para conseguir fama, ele estava no auge quando o namoro começou. – riu baixo.
– E quando que fã vai com a cara de namorada do ídolo, Claire? Até então isso é só teoria, preciso que seja mais imparcial. – Claire riu também, concordando.
– Primeiro que a Serena nem boa atriz é… – levantou os olhos para Claire. – Ok, desculpa. Vou deixar meu lado fã fora disso. – A chefe sorriu, achando graça, enquanto agradecia. – Ela chegou a ser cancelada no Twitter por blackface e apropriação cultural.
– Wow. Que? – Claire balançou a cabeça positivamente.
– Sim, é bem sério. Posso reunir as notícias para você ler.
– Por favor, e isso tudo rolou depois deles namorarem?
– Durante. – arregalou os olhos. – A gente acha que foi um dos motivos do término, mas sem certezas. – A mulher suspirou pensando se aquela história poderia ficar ainda mais podre. – Falando como alguém que acompanhou todo o bafafá, , eu acredito sim na inocência do Sebastian. Ele já namorou outras vezes, inclusive com a Leighton Meester, e isso nunca aconteceu antes. Sei que não é uma boa desculpa, mas boatos que nem provas concretas sobre o que aconteceu a Serena tem.
– Ele namorou a Leighton? – perguntou, com uma careta no rosto e Claire confirmou.
– Na época de Gossip Girl, senão me engano.
– Hã? – franziu o cenho e Claire arqueou as sobrancelhas.
- O Sebastian fez o Carter Baizen em Gossip Girl, . – A ficha da jornalista caiu e ela abriu a boca, em choque.
– Fez? – , quando mais nova, era uma das maiores fãs da série. Maratonou mais de 3 vezes e sempre se inspirou nos looks da personagem da Blake Lively para montar os seus, inclusive nos dias de hoje. Estava chocada. – Eu não lembrava disso. – A mulher levou a mão à boca e riu da sua própria gafe junto da estagiária.
Assim como Michael, Claire também acreditava na inocência de Sebastian e estava realmente tentada a lhe dar o benefício da dúvida. Gostou da confiança de Sebastian, dava para ver pelo jeito que o homem fala que ele curte o mundo da moda e tem conhecimento e interesse sobre o tema. Fora isso, o processo ainda está sendo investigado, e ela odiaria tirar conclusões precipitadas sem que tudo fosse devidamente finalizado. Afinal, é uma jornalista.
Já ao fim do dia, não se conteve e resolveu pesquisar pelo menos os filmes que Sebastian já havia estrelado. Assim que os resultados apareceram, a mulher arregalou os olhos ao ver que o homem estava em obras como Perdido em Marte e Cisne Negro, algo que nunca tinha notado, apesar de já ter assistido a ambos os filmes. Talvez eu tenha dormido em uma cena ou outra, pensou, e notou que suas participações de grande destaque realmente eram nos filmes da Marvel.
– E não é que ele fez mesmo o Carter? – A jornalista disse para si mesma, antes de fechar o notebook e deixar o escritório da FANCY.


Capítulo 4 - Querem Acabar Comigo


Era domingo à noite. Sebastian passou o fim de semana com Anthony e Chris, seus melhores amigos. Os três ficaram no apartamento de Sebastian bebendo, conversando e jogando vídeo game, os dois mais do que Seb, claro, que não era e nunca foi muito fã de jogos de basquete e futebol.
Sebastian não conseguiu esconder dos amigos a ansiedade que estava em relação a campanha da FANCY. Contou sobre o tema, sobre a revista e sobre , que foi a parte que mais chamou atenção dos outros dois homens. Falaram sobre a beleza da mulher e que Sebastian deveria aproveitar isso para investir em um novo romance – ideia a qual o homem detestou. Nunca negaria que é bonita e atraente, mas tinha pavor de pensar em relacionamentos por agora. Afinal, passou por algo inimaginável com Serena que mexeu com sua saúde mental e o fez adquirir um enorme receio de se envolver com quem quer que fosse. Sebastian realmente preferia ficar na dele, principalmente se isso significasse ficar longe de novos problemas.
Seus amigos, apesar das brincadeiras, sabiam muito bem disso.
Além do mais, Sebastian estava totalmente interessado na campanha e no trabalho. Passou quase todo o fim de semana falando sobre isso com os amigos, que ficaram felizes de ver o ator tão empolgado, mesmo não entendendo muito sobre o assunto.
Sebastian, inclusive, não esqueceu o vídeo de Claire. Tinha esperança de que voltaria a ver a garota e pediu que o amigo gravasse uma mensagem especial, o que ele fez com a maior boa vontade. Chris, dos três, era o que mais sabia lidar com os fãs. Tinha um cuidado e uma delicadeza enorme na hora de falar com qualquer um deles, era bonito de ver. Anthony e Sebastian adoravam isso.
Era tarde da noite e os outros dois homens já se preparavam para ir embora do apartamento de Sebastian. Chris voltaria para Boston, cidade que está morando desde o fim das filmagens da Marvel, e Anthony, que morava próximo de Sebastian, iria para casa.
Enquanto Chris terminava de se arrumar e Sebastian preparava seu cachorro para dar uma volta, Anthony mexia no celular. Já estava pronto, só a espera dos amigos.
– Vocês sabiam que jornalistas não podem noticiar suicídio? – Anthony comentou, enquanto lia algo no celular. Chris e Sebastian olharam um para o outro, com uma certa curiosidade no olhar, se questionando porque Anthony estava lendo algo assim. – A Netflix anunciou um documentário sobre isso. Eu não fazia ideia.
– Por que você está lendo isso? – Chris perguntou, curioso.
– Sei lá, às vezes eu entro no Twitter, e isso tá nos assuntos do momento. – Anthony se defendeu, dando de ombros e fazendo os amigos rirem. – Mas é sério, achei interessante, escuta: "A Netflix lançou, nesta sexta-feira, um novo documentário sobre como a mídia trata ou deveria tratar o suícidio. Usando casos famosos como de Cory Monteith, Chester Bennington, Alexander McQueen e Joseph Finnegan, a obra aborda o papel dos veículos de comunicação na prevenção ao suícidio e se a escolha de não noticiar seria ou não eficaz".
– Nossa, eu fiquei abalado com o suícidio do Chester. – Chris comentou, enquanto se sentava ao lado de Anthony para poder ler mais da matéria. – Linkin Park marcou minha adolescência.
– O caso do Joseph me pegou também, viu… Conhecia o cara, era um grande ator. – Sebastian entrou no assunto. Estava com seu cachorro no colo. – Ele até chegou a fazer teste para o Bucky, mas eu acabei conseguindo. Depois disso nunca mais ouvi falar dele, fiquei mexido quando soube como ele faleceu…
– Deus que me perdoe, mas não existe Bucky sem Sebastian. É sério. Que bom que o papel é seu. – Anthony respondeu, sincero, e arrancou um sorriso do amigo.
– Mas eu não sabia que a mídia não pode noticiar suícidio, sempre vejo notícias sobre isso. – Sebastian rebateu, confuso. Chris concordou com ele.
– Não é que não podem, é que algumas escolhem não falar, principalmente as emissoras de TV. Bom, é o que diz aqui, mas você pode perguntar para a sua nova amiga jornalista, ela com certeza sabe responder. – Chris voltou a rir, enquanto se jogava no ombro de Anthony, que gargalhou também. O loiro tinha a mania de encostar nas pessoas quando achava algo muito engraçado. Sebastian, inclusive, adorava imitar esse jeito do amigo.
– Ou só pesquisar no Google, né? É o tipo de coisa fácil de achar. – Respondeu, enquanto revirava os olhos. – Vai, Anthony, vamos. Preciso passear com o Elvis. – Sebastian apressou os amigos e logo os três deixaram o apartamento. Chris ainda precisava pegar um voo para Boston, enquanto Anthony iria andando para casa. Sebastian resolveu acompanhar o amigo junto de seu cachorro.
Os três homens ficaram inseparáveis desde que começaram a trabalhar juntos na Marvel. Tanto nos filmes, como na vida real, eram melhores amigos. Anthony e Sebastian se viam com mais frequência, já que moravam perto, mas Chris sempre fazia questão de visitar os amigos quando podia.
– E a Serena? – Anthony perguntou enquanto andava ao lado de Sebastian, que fez uma careta. Não queria falar sobre aquilo, mas sabia que o amigo se preocupava. Até o momento, não havia nenhuma novidade sobre o processo. A audiência seria marcada e até lá Sebastian tinha que se manter longe da mulher, respeitando a medida protetiva. Isso não era muito difícil de fazer, afinal, o que ele mais queria era ficar longe de problemas e, consequentemente, de Serena.
– Ah, cara, nunca mais falei com ela… Nem posso, né. – Ele riu forçado. Não queria mesmo que as coisas fossem assim, mas não tinha outra alternativa a não ser lutar pela sua inocência. – É horrível essa situação, você sabe. – Anthony realmente sabia. Estava do lado do amigo desde sempre, dividindo suas dores e dando todo o apoio possível.
– É mesmo, e não suporto te ver passando por isso. Mas você está bem, Seb, tá lidando bem. – Sebastian concordou, mas isso não fazia com que as coisas ficassem mais fáceis. Queria que Serena desistisse, mas sabia que dificilmente isso iria acontecer. – E agora, com essa campanha, acho que as coisas vão melhorar pra você. É bom te ver tão empolgado. – Sebastian sorriu. Realmente estava feliz e esperançoso, queria que as coisas dessem certo.
– Valeu, cara. Mesmo. – Os dois homens sorriram e se abraçaram, antes de Anthony entrar em seu prédio. Sebastian esperou que o amigo finalmente adentrasse para ir embora, enquanto pensava como era grato por tê-lo em sua vida.
Quando Serena resolveu expor toda essa história na internet, Anthony e Chris foram as primeiras pessoas a procurar Sebastian para entender o que estava acontecendo. Por muitas vezes, inclusive, o acolheram e o ouviram chorar. No começo, foi muito complicado, mas agora Sebastian já se sentia mais preparado para lidar com tudo que estava acontecendo. Junto de seu cachorro, ele voltou para casa. Estava ansioso para as novidades que a semana traria.
Assim que chegou em seu apartamento, seu celular começou a tocar. Na tela, o nome de sua agente, Hilary. Sebastian atendeu o aparelho e a voz empolgada da mulher chamou sua atenção.
– Bom, agora que já está tudo certo, eu posso te contar. – Ela dizia. – A equipe da Boss te convidou para o desfile de outono/inverno desse ano. – Sebastian arregalou os olhos. Não imaginava, nem por um momento, ouvir isso. Apesar de ter encerrado o contrato com a grife por conta própria, nunca passou pela sua cabeça que ainda seria convidado para qualquer evento deles. – Boatos que esse vai ser o último desfile da marca na Semana de Moda de Nova York, então talvez eles queiram fechar com chave de ouro, sabe? Convidaram muita gente, vai ter after party… Um espetáculo.
– Nossa, Hilary, não esperava. – Ele disse, abrindo a porta de casa com o maior sorriso do mundo no rosto. – Será que eu devo ir? – A mulher revirou os olhos no outro lado da linha, mesmo sabendo que o homem não poderia ver.
– Claro que você deve. – Afirmou, convicta, fazendo Sebastian rir. – Seb, entenda: você ainda não é culpado de nada, e nem vai ser. – O homem sorriu ainda mais, pensando em como estava feliz de frequentar outro evento de moda novamente. – O desfile vai acontecer daqui duas semanas. Vou te passar todos os detalhes por e-mail e entrar em contato com o Michael. – Sebastian concordou, enquanto se jogava no sofá. Isso seria ótimo para ajudar na campanha de , pensou. Se ele chegar a participar, é claro. – A gente vai se falando, tá?
– Beleza. – Ele disse. – E Hilary?
– O que?
– Obrigado.

***

O fim de semana de havia sido ótimo. A jornalista passou o sábado fazendo compras na Madison Avenue junto de Daniel, como combinado, e ambos aproveitaram para gastar o que podiam naquela tarde.
comprou algumas peças da nova coleção da Maje e teve que segurar o impulso para não levar a loja inteira. Inclusive, acabou evitando passar na Hermés, porque não queria deixar o consumismo lhe controlar ainda mais.
Dan também segurou a vontade de levar todos os relógios da Bulgari e saiu de lá com apenas um, que assim como os outros, nunca usaria, pois gostava de mantê-los guardados. e todos no escritório achavam isso um absurdo, mas Dan ignorava as reclamações. Aquela era sua coleção e ele podia usá-la da forma que quisesse.
A jornalista estava esperando o momento certo para desabafar com Dan sobre Sebastian. A verdade é que ela não sabia o que fazer. Ainda precisaria analisar os outros artistas que havia selecionado, como Billy Porter e Ben Barnes, mas não podia mentir: gostou do interesse de Sebastian pelo tema e pela campanha em si. Seria bom trabalhar com alguém empolgado como ele.
Mas, ao mesmo tempo, não podia ignorar as questões jurídicas pelas quais o homem estava passando. Queria ouvir o amigo e saber o que ele achava da ideia antes de tomar qualquer decisão, apesar de já suspeitar qual seria a posição de Daniel. Afinal, o amigo sempre foi muito regrado, principalmente por ser filho do dono da empresa. Por isso, tinha certeza que ele pensaria na reputação da FANCY acima de qualquer coisa, e não tirava a razão dele.
A mulher, então, resolveu contar enquanto tomavam um café no Starbucks. Explicou sobre a conversa com Sebastian, disse que também falou com Claire e Michael e que ambos acreditavam na inocência do ator. Enquanto isso, o amigo parecia bastante incomodado, principalmente com a empolgação da mulher falando sobre o homem.
Dan era o braço direito de e às vezes até o esquerdo, mas sabia que, nesse caso em específico, não poderia abraçar o entusiasmo da amiga.
, você sabe que sempre tô contigo, mas não consigo apoiar a ideia de contratar o Sebastian. – Dan respondeu, enquanto murchava na cadeira. – Sei que ele é bem ligado ao mundo da moda, e achei legal ele saber do assunto, mas conseguimos alguém melhor e com a ficha limpa. – Ele sorriu e a mulher desviou os olhos. Claro que sabia que conseguiriam outra pessoa, mas aquilo a chateava. conseguia se colocar no lugar de Sebastian, afinal, também iria enlouquecer se ficasse tempo demais sem trabalhar e, mais que isso, se fosse acusada de algo injustamente. Ainda que existisse 50% de chance dele ser culpado, também existia 50% de ser inocente. E, poxa, ele estava tão interessado.
Dan ficou bastante surpreso com o que a amiga contou. Nunca passou pela sua cabeça que ela pensaria em contratar alguém como Sebastian Stan. O homem, inclusive, ficou muito incomodado ao ver falando do ator com tamanho entusiasmo. Até chegou a se perguntar se a amiga não teria, talvez, uma queda por ele, pensamento que odiou cogitar. Não que conhecesse Sebastian, muito pelo contrário, nunca chegou nem perto de -lo pessoalmente, mas odiaria ter qualquer tipo de relação com ele, e também não queria que tivesse.
Era um risco enorme se envolver com Sebastian e Dan sabia. Naquele momento, torceu para que a amiga percebesse isso e abandonasse a ideia dessa contratação. Caso contrário, precisaria fazer alguma coisa.
A conversa sobre Sebastian não se estendeu muito. não queria mais conversar sobre o assunto com o amigo porque sabia das preocupações que ele tinha com a FANCY e que os dois tinham um jeito muito diferente de pensar. Não achava que Dan estava errado, muito pelo contrário, mas também não podia mentir: ela gostaria de trabalhar com Sebastian.
Dan e terminaram o sábado comendo pizza na casa da jornalista e assistindo ao novo documentário da Netflix, chamado "Devemos falar sobre isso?", que aborda a escolha de grandes veículos de comunicação em não noticiar suicídios. O filme atraiu o interesse de por falar sobre Alexander McQueen, um de seus estilistas preferidos, e Cory Monteith, ator que a jornalista acompanhava na época de Glee. Além dessas duas personalidades, o cantor Chester Bennington e o ator Joseph Finnegan também eram citados.
adorou o documentário, assim como Dan, que sentiu falta de assistir mais sobre a família do estilista. Diferente de como foi feito com Cory e Chester Bennington, as famílias de Alexander e Joseph foram pouco citadas.
– Deve ser porque a mãe do McQueen morreu também, sei lá… É um assunto muito delicado para as famílias. – A mulher dizia, enquanto levava Dan até o hall do prédio. Já era tarde da noite e o homem estava indo para casa. até sugeriu que o amigo dormisse em seu apartamento, mas ele recusou porque sua irmã, Denise, chegaria em NY no dia seguinte e ele prometeu buscá-la no aeroporto. – Será que sua irmã vai até a empresa nesta semana?
– Não sei, , ela ainda não me disse nada. – não gostava muito de Denise. As duas já haviam se encontrado em eventos da FANCY e em alguns desfiles de moda, mas dificilmente se falavam. a achava mimada, enquanto Denise achava a jornalista arrogante. – Relaxa, tá? Provavelmente ela nem vai aparecer muito na FANCY, não esqueça que ela tem cinco revistas para cuidar.
– E a FANCY é a que mais gera receita, né? Eu tenho certeza que ela vai querer se meter em tudo. – Dan deu risada e apertou o rosto da mulher entre seu indicador e polegar.
– Vou pedir pra ela respeitar nosso espaço. – O homem deixou um beijo na testa de , que sorriu. – Posso fazer mais alguma coisa por você? – O homem disse, ironicamente, e a mulher sorriu.
– Pensar melhor sobre o Sebastian? – Dan revirou os olhos e se afastou de , enquanto ela tentava voltar a se aproximar dele. – Eu tô brincando, Dan, relaxa. – O amigo conhecia a mulher o suficiente para saber que tinha verdade naquela frase, e era exatamente isso que o incomodava.
Daniel não queria que trabalhasse com Sebastian.
, você sabe que eu posso fazer essa campanha com você. – A mulher sabia que sim, mas ela queria que a campanha fosse além do ambiente FANCY, e envolver alguma celebridade na pauta era a melhor forma disso acontecer. Seria importante para dar mais relevância ao tema. Dan suspirou. – Podemos falar disso depois? Pleno domingo, a semana nem começou, e a gente já está brigando por trabalho. Odeio isso.
– Não é uma briga, Dan. – tocou o ombro do amigo e ele sorriu, concordando com a cabeça. – Vai com cuidado e me avise quando chegar.
Dan deixou um beijo na bochecha de e foi em direção ao seu carro. O homem queria que a amiga se contentasse em fazer a campanha com ele, mas conhecia e sabia que isso não iria acontecer. Pensou, portanto, que se fosse para contratar mesmo alguém, que pelo menos ele pudesse escolher.

***

Era terça-feira. A semana tinha começado muito bem para a FANCY. Liu e Lana toparam fazer parte da edição de fevereiro e a primeira reunião seria na quarta-feira. Tudo iria dar certo. sabia.
Apesar de estar aliviada por ver a edição de março dando certo, ainda estava aflita com as questões da campanha. Chegou a mandar e-mail para a assessoria de Billy Porter, que respondeu informando que o homem estava completamente sem tempo para encabeçar um projeto desse tamanho, pois além de estar ocupado com as gravações da série Pose, também havia sido escalado para o novo filme da Cinderella.
Ben Barnes, infelizmente, também estava fora de questão. Segundo sua assessoria, não era um assunto pelo qual o ator tinha muito conhecimento. Por isso, preferia não se envolver.
recebeu um novo e-mail em sua caixa de entrada enquanto terminava de analisar os outros nomes que tinha em sua lista. A mensagem era de Claire, com o compilado de notícias e threads do Twitter sobre as polêmicas de Sebastian e Serena, conforme havia pedido. A jornalista sorriu, satisfeita em ver como a estagiária era competente.
As notícias sobre o processo de Sebastian eram rasas já que, segundo o The Sun, algumas evidências estavam sob sigilo judicial. O jornal ainda afirma que se Sebastian for condenado, deverá pagar uma indenização de cerca de 100 mil dólares para a ex-namorada.
Outras notícias mostravam que há um vídeo em posse dos advogados de Serena que garante comprovar todas as acusações da atriz, mas que não será divulgado à imprensa, e sim apresentado ao juiz no dia da audiência. Já a defesa de Sebastian deu somente uma declaração sobre o caso, falando justamente desse tal vídeo, e garantindo que "a única prova que a acusação tem é um vídeo editado que não prova que Sebastian tenha feito o que está sendo acusado".
Além disso, Claire também mandou um compilado de Tweets que falavam sobre as acusações de apropriação cultural e blackface por parte de Serena. mordeu os lábios enquanto lia o conteúdo do link. As fotos falavam por si só: Serena realmente pintou sua pele de uma cor mais escura para uma festa a fantasia, além de também ter vestido uma roupa muito importante para a cultura asiática como se fosse… Nada.
A jornalista passou a mão pelo rosto. Os Tweets também diziam que a mulher não chegou a se desculpar conforme as críticas apareceram, apenas limitou suas redes sociais e bloqueou diversas pessoas.
sabe como esse assunto é delicado e também que, às vezes, a pessoa realmente não tem conhecimento. Mas a situação fica complicada quando, ao invés de aprender com o próprio erro, ela prefere passar por cima e fingir que nada aconteceu, como Serena fez.
Ao fim dos Tweets, era informado que também foi cobrado um posicionamento de Sebastian em relação às atitudes da namorada na época, mas que, assim como Serena, o homem nada fez ou falou.
Nesse momento, suspirou e teve ainda mais certeza da importância da edição de março da FANCY. Faria questão de entregar uma edição na casa do ator – e quem sabe na casa de Serena também?
– Sebastian Stan? Sério? – Fred dizia, enquanto entrava na sala de . A mulher levantou os olhos para o chefe, assustada. Afinal, ainda não tinha comentado nada desse assunto com ele. – Você está brincando comigo? – Disse, enquanto a olhava.
– Calma lá, Fred. Abaixa o tom. – Respondeu, olhando firmemente para o homem. Não aceitava qualquer tipo de desrespeito, ainda mais no ambiente de trabalho. O homem se recompôs, ajeitando a postura que antes estava totalmente agressiva. – A gente só conversou, eu não tenho nada confirmado. Estou procurando outras pessoas. – Fred soltou uma risada nasalada. quis morrer pensando na hipótese de Dan ter dado com a língua nos dentes antes de permitir que ela mesma falasse com o chefe.
– Pera aí, é sério mesmo? Você está cogitando trabalhar com ele? – se surpreendeu com a reação do chefe e não teve tempo de responder. – Você já viu pelo que ele está sendo investigado? – Falou, voltando com a postura agressiva.
– Sim, eu já vi. – Fred riu. Muito. Claramente debochando da funcionária. – Fala sério, Frederick. – Respondeu, séria, desacreditando da postura imatura de seu chefe.
– Estou falando muito sério, . Me surpreende você, que se diz tão ligada nos feminismos, cogitar contratar esse cara. – se ofendeu e ficou muito chocada com a fala do homem. Frederick não poderia desmerecer o que batalhou durante toda a sua vida por essa situação. O comentário havia sido desnecessário. – Não consigo acreditar nisso.
– Então somos dois. – disse, enquanto se levantava. O homem percebeu que tinha ido longe demais nas palavras e na mesma hora se arrependeu. – Que bom que meus feminismos não me impedem de te mandar sair da minha sala. – Respondeu, irônica – Então, por favor, saia. – apontou para a porta. O homem realmente pensou em rebater, mas sabia que tinha exagerado. Não deveria ter falado o que falou e muito menos da forma como fez. Respirou fundo antes de se virar para deixar a sala. sentou, passando a mão pelo rosto.
– Olha, , eu realmente acho isso um tiro no pé. – Fred disse, se virando para a mulher, que evitou olhá-lo. – Digo isso pensando mais em você do que na FANCY. – Continuou, enquanto apoiava a mão no encosto da cadeira à frente da mesa de . – Mas eu confio no seu trabalho. Mais que isso, confio em você. Você é minha melhor funcionária e eu vou respeitar a decisão que tomar mesmo não concordando, só espero que você pense muito bem antes de decidir qualquer coisa. – A sementinha tinha sido plantada na cabeça de . A mulher já não tinha certeza de nada. Mesmo que Fred estivesse lhe dando o poder de escolha, ela sabia que era um jogo mental. Contrate-o e acabe com a sua carreira, , vá em frente.
– Fred. Pode sair? Por favor? – Pediu, pausadamente e com toda a educação que conseguia ter no momento. Sinceramente, estava com ódio do chefe. Nunca o tinha visto assim, sendo tão baixo e desrespeitoso. até entendia que ele estava pensando na reputação da FANCY e na dela, mas isso não era motivo para elevar o tom e muito mesmo ser grosseiro e agressivo.
A jornalista estava com raiva, queria gritar para aliviar um pouco desse sentimento que sentia, mas não podia. Afinal, estava trabalhando, e precisava manter o pouco da classe que ainda tinha.
No momento, pensava em acabar com a raça de Dan por ter jogado sujo pelas suas costas. Sabia que o homem priorizava o que era melhor para a empresa, mas ir até o chefe antes mesmo que ela tivesse a chance foi golpe baixo. Eles eram amigos e ela confiou uma informação a ele fora do ambiente de trabalho.
Daniel não foi nem um pouco justo com ela.

***

Era quarta-feira. deveria mediar a reunião com Liu Wen e Lana Condor, que aconteceria às dez e meia da manhã. Claire participaria, assim como Daniel.
Enquanto aguardava o horário, a estagiária se mostrava muito ansiosa para conhecer Lana. Assistiu ao filme da atriz mais de 5 vezes e era apaixonada por toda a trama de Lara Jean e Peter Kavinsky. Chegou até a comprar o livro.
Claire estava sentada em sua mesa, que ficava bem de frente para a sala de , quando avistou uma mulher loira, alta e muito bonita adentrar o cômodo. Na hora, a reconheceu. Era Serena. Sim, a ex-namorada de Sebastian. O coração da estagiária até bateu mais forte enquanto se perguntava o que raios aquela mulher fazia ali.
Atendeu a moça como fazia com todos que desejavam falar com . Sabia que a chefe ficaria ocupada durante todo o dia, afinal estava com 3 reuniões agendadas, mas tinha certeza que iria querer saber o que Serena fazia ali tanto quanto ela queria.
– A ex-namorada do Sebastian? Aqui? – respondeu enquanto arregalava os olhos para a estagiária. – Esse escritório virou um reality show? Não é possível. Enfim, né, deixa entrar. – Naquele momento, eram dez e quinze da manhã. Em alguns minutos, deveria mediar a reunião com as duas convidadas especiais da edição de fevereiro, mas sabia que aquele encontro com Serena poderia atrasar as coisas. – E pede para o Dan começar a reunião sem mim, por favor. E você acompanhe ele, conforme o que conversamos, tá? Tudo bem por você? – Claire ficou assustada, mas não podia deixar a chefe na mão, ainda mais naquele momento, além de também estar doida para saber o motivo da visita de Serena.
Na hora que a loira entrou na sala, não deixou de notar como a moça era bonita. Seu cabelo por pouco não batia na bunda e era de uma coloração linda, parecia realmente ter sido queimado pelo sol. Inclusive, tinha adorado o chapéu preto que ela usava.
A jornalista também observou a roupa que Serena vestia, suspeitando que as peças eram da última coleção da Celine. Ela é a cara da marca, pensou. Serena usava um vestido longo, marrom estampado, com um cinto marcando a cintura e um sobretudo preto por cima. Nos pés, uma bota marrom. A loira se vestia muito bem.
Serena também observou e não pôde negar como ela era elegante. A jornalista estava toda de preto. Também usava um vestido estampado, mas diferente de Serena, com símbolos um pouco mais discretos. Não era muito fã de estampas, preferia as roupas lisas ou, no máximo, em xadrez. Na parte de cima, uma blusa de couro fechada até um pouco abaixo do pescoço e um cinto do mesmo tecido na cintura. Nos pés, como sempre, botas, dessa vez na cor preta.
A jornalista recebeu a loira na porta com um sorriso e a convidou para se sentar. Serena retirou o chapéu e arrumou os cabelos, enquanto se acomodava na cadeira à frente da mesa. também se sentou.
– Confesso que estou me perguntando o motivo da visita. – A jornalista comentou, tentando não parecer grossa. Não tinha mentido. Em sua cabeça não havia motivo nenhum para Serena estar ali.
– Nem eu sei o que vim fazer aqui. – Confessou. A loira também não estava mentindo. Se sentia bastante deslocada e intimidada por estar ali, mas precisava tomar uma atitude, antes que as coisas ficassem piores. – Eu soube que você e o meu ex-namorado, o Sebastian, estão conversando... – Começou. entortou a cabeça.
– Não do jeito que você está pensando. – Respondeu, de prontidão. Só falta ela ter vindo até o meu ambiente de trabalho brigar comigo, pensou. Mas não parecia isso. Na verdade, estava longe de parecer isso.
– Eu sei. Desculpa, acho que comecei errado. – se manteve calada, queria saber, e logo, o que estava acontecendo ali. – Eu vim te pedir para não trabalhar com ele… Porque… Ele não… Merece isso. – A loira começou a se enrolar e uniu as sobrancelhas, enquanto Serena suspirava e apertava os olhos. A atriz gesticulava muito com as mãos e sabia que aquilo era sinal de nervosismo, porque sofria do mesmo problema.
– Serena, você quer uma água? – ofereceu, gentilmente. A loira negou com a cabeça.
– Não precisa, obrigada. Só é muito difícil tudo isso. – continuou fitando Serena, sem saber que reação deveria ter. – Enfim, eu não sei o que ele te disse, mas é melhor para todos nós se você ficar longe dele. – Falou, dessa vez com mais firmeza na voz. – Por favor.
– Todos nós? – Indagou, confusa. – Todos nós quem? – Serena desviou o olhar da jornalista e franziu a sobrancelha, achando toda essa situação extremamente estranha. Serena não parecia estar ali por vontade própria e se mostrava totalmente desconfortável, sem nem ao menos saber o que falar. suspirou baixo, isso é demais até mesmo para ela. Não trabalhava com a polícia e nada perto disso para saber como lidar com uma situação dessas. Só queria seguir com sua campanha, com ou sem o ator. – E como você sabe da minha conversa com Sebastian? – Serena continuou sem responder, e nem teve a chance, já que Dan adentrou a sala com pressa e chamou a atenção das duas mulheres ali presentes.
, a reunião… – O homem começou a dizer, mas se calou quando viu que estava acompanhada. Serena e Dan trocaram um olhar rápido, já que a loira logo desviou o contato visual. Se sentia intimidada e não conseguia esconder isso. O homem ainda regulou a mulher por um tempo antes de encontrar os olhos de . – A reunião vai começar agora.
– Eu não vou conseguir ir, Dan. – Serena balançou a cabeça em negação e se levantou, puxando sua bolsa consigo.
– Não. Eu já falei o que tinha para falar, não quero atrapalhar mais nada. – A loira disse.
– A gente ainda não acabou de conversar, Serena. Senta aí, por favor. – respondeu, gentilmente. Afinal, as duas ainda tinham o que conversar. Porém, a loira se recusou e aquilo claramente incomodou a jornalista. Odiava enigmas, ainda mais sobre assuntos que ela não tinha nenhum conhecimento. Serena não poderia dizer tudo que disse e ir embora sem ao menos ter uma conversa decente. Mas, para a infelicidade de , a loira simplesmente levantou e deixou o escritório sem mais explicações.
A jornalista apoiou o cotovelo na mesa e passou os dedos pelo rosto, sem acreditar – e entender – o que tinha acabado de acontecer.
Nesse momento, soube que o melhor era não contratar o ator. E precisaria falar com ele sobre isso.
– E o que ela queria, afinal? – Dan perguntou, com indignação no tom de voz. realmente pensou em mandar o amigo calar a boca. Afinal, ainda estava puta da vida com o que tinha acontecido ontem, mas respirou fundo o suficiente para se controlar e reprimir a vontade.
– O que todo mundo quer ultimamente: me enlouquecer, óbvio. Acabar comigo. – Respondeu, enquanto bufava e pegava seu notebook. – Mas enfim, né, vamos para a reunião?
– Vai na frente, vou aproveitar que ainda não começamos e dar um pulo no banheiro. – concordou e foi para a sala de reunião, onde encontrou Claire. A estagiária explicou que Dan a ignorou totalmente quando ela comentou que não participaria da reunião e a chefe entendeu. Agora sabia como Daniel podia ser enxerido.
Fred estava deixando o elevador no exato momento em que Serena adentrava. O homem acompanhou a moça com o olhar até a porta se fechar e virou a tempo de ver Daniel saindo do banheiro. Os dois se olharam.
– Vai participar da reunião? – Dan comentou. O chefe assentiu com a cabeça e estendeu o braço, indicando que ele fosse na frente. A verdade é que Fred não sabia do que se tratava a reunião. No momento, se encontrava mais preocupado com o que acabara de ver.
Afinal, conhecia a loira, e estava ansioso para descobrir o que de fato tinha acontecido ali.


Capítulo 5 - Gimme! Gimme! Gimme! (A Man After Midnight)


Era quinta-feira. Sebastian estava voltando de uma corrida no Central Park com Elvis e aproveitou para passar no mercado e comprar algumas coisas para sua casa. Era melhor do que pedir delivery de novo. Não podia brincar com as economias que tinha até, pelo menos, voltar a receber mais do que tem gastado.
Estava ansioso para o fim de semana. Combinou de passar o sábado com sua mãe e aproveitar o domingo com Anthony, pescando. O amigo realmente o tinha viciado nessa atividade depois de tanto insistir.
Anthony sabe que Sebastian é o tipo de cara que adora ficar em casa, justamente por ter esse jeito mais reservado, mas se recusava a deixar o amigo sozinho, ainda mais nesse momento. Por isso, desde que tudo começou, sempre programava atividades diferentes para eles fazerem no fim de semana. "Quer ficar em casa? Fique, mas somente de segunda a quinta. De sexta até domingo a gente vai sair ou pelo menos ficar junto", era o que Anthony sempre dizia para Sebastian, que gostava, e muito, da dedicação do amigo em animá-lo. Sempre dava certo.
Os dois formavam uma dupla muito amada por todos os fãs e pela mídia também. Durante as divulgações dos filmes da Marvel, Anthony e Sebastian apareciam frequentemente em programas de TV. Era clara a intimidade e cumplicidade entre os dois. Nunca esconderam o quanto se gostavam, apesar de implicarem sempre um com o outro, principalmente ao vivo.
Os personagens de ambos, Sam Wilson e Bucky Barnes, também eram muito queridos. A Marvel tinha até planos de criar uma série sobre os dois melhores amigos do Capitão América, já que o último filme que vai estrear irá encerrar a trajetória do herói, mas ainda não tinha nada 100% certo. Sebastian torcia pelo dia que receberia uma ligação de Kevin Feige dizendo: "beleza, Seb, já descansou demais. Vamos continuar os trabalhos".
Assim como toda a semana, hoje era dia de ir para a terapia. Sebastian agradecia por isso, pois estava apreensivo. Não tinha recebido nenhum retorno de e começou a sentir que as coisas não dariam tão certo como imaginava. Afinal, faltava um dia para a semana acabar e a mulher ainda não tinha aparecido.
Na terapia, foi sincero com a Srta. Stewart. Disse que abriu o coração da melhor forma que conseguiu para a jornalista, mas que toda a confiança que estava antes foi embora. Tinha dúvidas e odiava se sentir assim. Sempre foi um homem confiante, mas com tudo isso acontecendo, não poderia abusar muito do otimismo.
Além disso, confessou que já tinha finalizado o livro de . Deixou Brooklyn 99 de lado e engoliu a obra da jornalista em menos de uma semana. Sabia que a mulher era inteligente e dedicada, mas não esperava que o livro fosse tão bom.
Na obra, usa leis que ela mesma criou para exemplificar como o machismo tenta impedir mulheres como ela de chegar aonde querem. O plot twist é, com certeza, o final, em que ela revela que o livro foi escrito por 213 mulheres de diferentes raças, etnias e classes sociais.
– É bizarro de bom. – Sebastian dizia à terapeuta. – Ela faz a gente pensar que tudo aquilo aconteceu somente com ela, e antes que alguém possa usar o argumento de que "nem todas passam por isso" ou coisa do tipo, o final vem e te surpreende.
– Nunca foi só sobre ela. – Srta. Stewart respondeu. Também tinha adorado o livro e ficou muito feliz por ver que Sebastian entendeu aonde queria chegar com ele. – No site oficial do livro tem o relato de cada uma das 213 mulheres explicando como foi participar.
– BOOM. – Gritou, enquanto usava as mãos para sinalizar que sua cabeça tinha explodido ao ouvir aquela informação. Sebastian estava encantado e não parava de balançar a cabeça, desacreditando de como aquilo era incrível. – Ela é muito boa. – Srta. Stewart ria com vontade. Sebastian era muito engraçado e a terapeuta adorava isso, seu bom humor era invejável. – Mas, nossa, já vai fazer uma semana e nada dela me ligar… Acho que vou morrer de ansiedade.
– Não vai, não. – Srta. Stewart respondeu, balançando a cabeça em negação. – Sei de um lugar ótimo para você ir e parar de pensar um pouco nas leis de . – Sebastian sorriu, enquanto mordia os lábios. Touché.
– O que tem em mente? – Perguntou, ainda com o sorriso no rosto, curioso.
– Um restaurante no Brooklyn que vira uma boate à noite, chama Santô. – A terapeuta começou dizendo. – E adivinha… Amanhã vai rolar karaokê.
– Não brinca comigo. – Srta. Stewart riu, e muito. Sabia como seu paciente amava karaokê e tinha certeza que ele iria se divertir muito. – Você sabe que não resisto a um karaokê… – Disse, empolgado, fazendo a mulher rir ainda mais.
Sebastian realmente adorava karaokê. Sabia que não era um cantor profissional, e nem queria, mas era afinado. Iria arrastar Anthony consigo e obrigar o amigo a interpretar ABBA com ele. Com certeza iria.

***

Era sexta-feira. estava aliviada por isso, já que era quando ela finalmente poderia descansar e, dessa vez, ver sua família. Tinha ficado muitos meses afastada de seu pai, madrasta e irmão na época que trabalhava na The Ugly Side of Fashion. Quando tudo acabou, há 6 meses atrás, passou a visitar a família com mais frequência. Eles moravam na Filadélfia, que fica há menos de 2 horas de NY, e sempre fazia questão de ir de carro. Adorava dirigir, mas odiava o trânsito de NY. Por isso, usava o fim de semana para pisar fundo na estrada até a Pensilvânia.
A reunião de quarta-feira com Liu e Lana foi ótima. Combinaram de fazer uma matéria especial contando um pouco da trajetória das duas no mundo da fama e também que ambas iriam ler todos os conteúdos antes da revista ser publicada. Assim, qualquer mudança que fosse solicitada pelas mulheres seria feita.
, precisa de mais alguma coisa? – Claire entrou na sala da chefe enquanto a mesma terminava de comer seu donuts. tinha pedido uma porção do doce para todos no escritório.
– Não, Claire. Pode ir. – Respondeu, sorrindo. – Bom fim de semana! – A estagiária agradeceu e desejou o mesmo enquanto deixava a sala. também já estava prestes a ir embora, não queria e nem poderia ficar até mais tarde. Precisava encontrar seus pais, que estavam em NY, para irem juntos à Filadélfia.
Já tinha deixado tudo organizado em seu apartamento e estava com uma pequena mala de viagem, somente para passar o fim de semana. Deveria encontrar com Robert e Maggie, seu pai e madrasta, no Brooklyn em menos de duas horas.
– Ei, , podemos conversar? – Dan se encostou na porta da sala da amiga e perguntou, na defensiva. O homem tinha evitado a mulher durante a semana inteira, mas parece que agora a água finalmente bateu na bunda, pensou
– Na verdade, não. É sexta-feira, Dan, vou ver meus pais. – O homem concordou e saiu da sala sem tentar insistir. estava triste por toda aquela situação, mas ele deveria tê-la procurado antes. Segunda-feira iria falar com ele, pois no momento estava mais preocupada com o encontro de mais tarde.
Deixou o escritório em um Uber até o Brooklyn. Já que iria de carona com seus pais para a Filadélfia, não precisaria usar seu carro. Na volta, provavelmente, pegaria o trem. Era uma viagem bem tranquila e ela já estava acostumada. Desde o mês passado, Robert e Maggie passaram a ir bastante para NY, já que eram sócios de um restaurante-boate chamado Santô, que ficava no Brooklyn. Ambos eram contadores e trabalhavam em conjunto com os donos do estabelecimento.
Seus pais tocavam o serviço tranquilamente da Filadélfia, do escritório que abriram. Mas, de vez em quando, iam até NY para participar presencialmente das reuniões. Segundo Robert, o plano era inaugurar um segundo estabelecimento na Filadélfia mesmo. Com esse cenário, era mais comum ir para a Pensilvânia junto com eles do que de carro sozinha.
O Santô é um lugar muito eclético e moderno. Acabou ficando bastante conhecido pela noite de karaokê, que acontece uma vez por mês, nas sextas-feiras. Hoje, inclusive, era um desses dias.
Não eram nem oito e meia da noite e observou que o local já tinha uma fila enorme na porta, como o esperado. Noite de karaokê, pensou, antes de cumprimentar os seguranças e entrar. Precisaria passar por uma multidão de pessoas com uma mala de viagem e não imaginava como faria.
O estabelecimento é dividido em três andares. No primeiro, localizado bem ao centro do espaço, há um pequeno palco, onde o DJ fica. Por toda a sua volta, fica um enorme bar. Um dos maiores do Brooklyn, inclusive. O resto do espaço é a pista de dança. Até tem alguns bancos espalhados, mas dificilmente alguém senta por lá.
Aliás, quem quer se sentar, acaba indo para o segundo andar, onde ficam as mesas e cadeiras, já que é o local onde os presentes podem pedir e comer comida. Descer com qualquer alimento para o andar de baixo é 100% proibido. No entanto, para o andar de cima, é permitido, pois o último andar é um lindo terraço ao ar livre onde as pessoas podem sentar em poltronas, puffs e até mesmo no chão. Podem dançar também, quando tem show ao vivo, ou cantar, quando tem karaokê.
O bar não é tão grande como o do primeiro andar, mas ainda assim é uma ótima escolha. O local é rodeado de plantas, luzes e espelhos, fora a vista, que possibilita uma visão privilegiada da Ponte do Brooklyn. Vários ensaios fotográficos da FANCY já foram feitos ali. Inclusive, outros fotógrafos, como Russell James, e marcas famosas, como a Guess, também já alugaram o local para suas experiências de moda.
O primeiro andar, para a alegria de , não estava tão cheio. Ela conseguiu passar com facilidade, apesar de ter recebido alguns olhares curiosos. A mulher pegou o elevador e foi até o terceiro andar, que dava acesso a sala dos funcionários. O karaokê estava a todo o vapor e, diferente do primeiro piso, ali estava muito cheio. A mulher precisaria atravessar as pessoas para subir outra pequena escada que a levaria para onde seus pais estavam.
Enquanto caminhava com dificuldade por meio de tantas pessoas, umas em pé e outras sentadas, percebeu que Frederick estava do outro lado do local. Até então, isso não era nenhuma novidade. Afinal, o chefe já esteve presente ali antes. O que a surpreendeu foi ver que ele tinha companhia, e essa pessoa estava bem longe de ser Catherine, sua mulher. Era loira também, mas com o cabelo muito maior. apertou os olhos para focar melhor e se chocou ao finalmente reconhecer quem era.
Quando a jornalista percebeu, já estava boquiaberta e com sua blusa toda encharcada. O barulho do balde cheio de cervejas caindo no chão fez com que a maioria dos presentes olhassem para ela e, consequentemente, para o homem à sua frente, com quem havia esbarrado. , em uma atitude mal pensada, puxou o sujeito para baixo, forçando-o a se agachar no chão junto com ela.
– Sebastian? – Grunhiu, sem acreditar que era ele. O ator também não estava entendendo, não tinha reconhecido até que ela o puxou. – Está fazendo o que aqui?
? Por que você está sussurrando? – Perguntou, com um certo olhar de julgamento. Afinal, estava puto da vida. Anthony quem tinha pagado por aquelas cervejas e iria matá-lo por tê-las derrubado. Ao mesmo tempo, também estava confuso. Se queria ajuda para recolher as bebidas, que pedisse. Não precisava puxá-lo e nem ficar sussurrando, como se estivessem fugindo de algo.
Ok. – Disse, fechando os olhos, como uma forma de tentar acalmar a si mesma. – O que você, meu chefe e sua ex estão fazendo aqui? – finalmente perguntou, enquanto pensava em um jeito de sair dali sem atrair o olhar dos outros dois presentes. Não queria ser vista por eles até descobrir o que faziam ali, juntos.
– Que? – Sebastian não sabia se tinha entendido certo e torceu para que repetisse a informação, o que não aconteceu.
Vem. – Foi o que a mulher respondeu antes de puxá-lo pela camisa. Foi difícil andar agachada segurando Sebastian com uma mão e a sua mala em outra, mas , por incrível que pareça, conseguiu. Enquanto isso, andando agachado atrás da mulher, Sebastian continuava atordoado. Logo seria sua vez de cantar ABBA com Anthony e ele não queria perder aquilo por nada.
puxou Sebastian para dentro do bar, onde poderiam se esconder melhor. Cumprimentou os funcionários do local que a olharam com dúvidas até perceberem que se tratava da filha dos chefes.
Deixariam ela ficar ali por quanto tempo quisesse, por mais estranho que aquilo fosse.
, espera, o que está acontecendo? – Sebastian disse, fazendo a mulher perceber que ainda segurava sua camisa e soltá-la. estava ensopada e muito confusa, assim como Sebastian, que esperava ansioso por uma explicação.
– Eu que te pergunto. – Ela disse, arqueando a sobrancelha e se limpando com os papéis toalha que encontravam-se em cima do balcão. – É sua ex lá, com meu chefe, e você aqui. O que significa isso? É uma pegadinha?
Sebastian percebeu que havia entendido certo: Serena estava mesmo na boate. Neste momento, a expressão em seu rosto mudou de confusa para séria, preocupada, já que poderia ser preso. Mesmo sem saber, acabou desrespeitando a medida protetiva.
– Não sei, . Só sei que preciso sair daqui. – Disse, olhando fundo nos olhos da mulher, como se pedisse ajuda. – Ela tem uma medida protetiva contra mim, e eu não fazia ideia que ela estava aqui. – Complementou, tentando se defender. Não queria que pensasse que ele era um stalker ou obcecado por Serena, não queria mesmo. Mas é claro que ela não achava isso. No momento, só queria entender porque seu chefe estava junto de Serena, e aparentemente Sebastian estava longe de saber o motivo.
olhou com cuidado para o outro lado do bar, tentando ver se os dois ainda estavam ali e os achou com facilidade, ainda conversando. Sebastian também levantou a cabeça e foi empurrado para baixo com pouca delicadeza pela mulher.
– Toma cuidado! – bravejou, fazendo o ator arquear as sobrancelhas. – Com essa cabeçona eles vão te ver. – Disse, de forma espontânea e até um pouco agressiva. Logo levou a mão à boca, se arrependendo amargamente. Não tinha um pingo de intimidade com o homem para ter dito aquilo. Sebastian fez uma careta de indignação.
– Eu nem tenho uma cabeça tão grande assim. – Sua voz chegou a afinar com a resposta. Não ficou ofendido e até achou engraçado, mas de fato não acreditava que sua cabeça fosse tão grande. – Exagero.
– Desculpa, mas sua cabeça é grande sim. – Respondeu, dando de ombros. Já tinha falado mesmo, agora não dava para voltar atrás. – Enfim… Só… Olhe com cuidado. – Disse, antes mesmo que ele pudesse responder o comentário anterior. Sebastian estava em um verdadeiro dilema sobre o tamanho de sua cabeça naquele momento e até chegou a esquecer onde estava por alguns segundos.
– Ninguém nunca me disse isso. – Respondeu, frisando o "nunca" e levantando com cuidado para procurar pelos dois. Assim que achou, cerrou seus olhos para ver melhor. Era ela mesmo. Droga, pensou, e voltou até . – Francamente, você acha mesmo que uma pessoa que faz filme de super herói não saberia como olhar alguém sem ser notado? – Sebastian respondeu, fazendo revirar os olhos e rir fraco, achando graça da piada, mas não querendo demonstrar. O ator respirou fundo. – Mas sério, me ajuda a sair daqui? – Pediu, olhando fundo nos olhos da mulher. A jornalista suspirou.
– Vem comigo. – segurou o braço de Sebastian e o puxou junto consigo, e antes que pudesse segurar a mala, o homem a pegou e a levou junto de si, recebendo um pequeno sorriso de agradecimento. andou com Sebastian até a sala dos funcionários.
– Não sabia dessa parte aqui. – Comentou, enquanto olhava o local espaçoso. Diferente dos outros andares, ali era um ambiente corporativo, onde ficavam os escritórios e a sala de reuniões.
– É porque aqui é a área dos funcionários. – Disse, enquanto adentrava ainda mais o ambiente. Sebastian continuava empurrando a mala de rodinhas. – Meus pais são sócios, por isso posso vir para cá. – Continuou, provocando uma feição de surpresa no rosto do homem.
– Sério? Caramba, aproveita e diz para eles que esse lugar é bom demais. – Respondeu, sorrindo. Sebastian foi sincero, como sempre era.
– Você pode dizer, se quiser. – Ela apontou com a cabeça para as duas pessoas sentadas em um sofá na primeira sala do enorme corretor. – Oi, gente. – cumprimentou, entrando no mesmo cômodo em que seus pais estavam. Sebastian a seguiu. A jornalista abraçou os dois e recebeu um olhar curioso de Maggie, devido à roupa manchada. deu de ombros e sussurrou um "depois explico", antes de se virar para o ator. – Esse, como vocês já devem imaginar, é o Sebastian, ator que faz o Soldado Invernal. – Claro que seus pais sabiam quem ele era.

Artur.

– Nossa, meu filho vai ficar maluco quando eu contar que te conheci. – Robert, o pai de , disse, enquanto estendia a mão para Sebastian, que o cumprimentou. – Robert. É um prazer te conhecer.
– O prazer é todo meu. – Respondeu, cumprimentando também a mulher, que se apresentou como Maggie. – Então seu filho gosta da Marvel?
– O Artur? Tem só 10 anos, mas vive pelos Vingadores. – A madrasta disse, soltando uma risada. – E por mais irônico que seja, você é o preferido dele.
– Sério? – Sebastian abriu um sorriso e não deixou de observar a felicidade do homem em ouvir aquilo, ele literalmente sorria com os olhos. A jornalista, inclusive, achou uma graça. Sebastian amava quando era o favorito de alguma criança. Geralmente, ficava atrás de outros personagens, como Capitão América e Hulk, mas dessa vez ele era realmente o favorito. – Ganhei meu dia! Espero ter a chance de conhecer o Artur.
– Mas antes você precisa sair daqui, né? – disse, tentando atrair a atenção do homem. Sebastian concordou com ela.
– Na verdade, primeiro eu preciso avisar meu amigo, ele deve estar uma fera com meu sumiço. – Sebastian confessou, mordendo o lábio inferior. Os dois seriam os próximos no karaokê e o amigo ficaria muito irritado se o ator fosse embora sem nem ao menos explicar o porquê. – Nossa, aproveitando a presença de vocês, esse lugar é demais, fazia tempo que eu não vinha em uma boate tão boa no Brooklyn. Parabéns! – Sebastian dizia, enquanto apontava para os pais de . – Eu realmente queria ter cantado hoje.
– Ainda dá tempo. – Maggie respondeu, animada.
– Hoje não vai dar, infelizmente. – Sebastian disse, se mostrando bastante chateado. Não queria explicar o motivo para eles, tinha vergonha e realmente não achava necessário essa exposição. Portanto, preferiu mudar de assunto. – Vou mandar uma mensagem para o meu amigo. Licença. – Comentou, educado, dessa vez olhando para . A mulher concordou e Sebastian se afastou um pouco dos três. Os pais de estavam bastante confusos com essa amizade que eles nem sabiam que existia e comentaram isso com a jornalista, que garantiu que explicaria tudo depois. Queria conversar melhor com Sebastian e, talvez, entender o que Fred e Serena estavam fazendo ali. – Ele disse que me encontra lá fora… Por acaso, tem uma forma de sair daqui sem ser por lá? – Sebastian apontou para a porta, indicando o lado de dentro da boate. Maggie e Robert se entreolharam.
– Tem a escada de incêndio. – Robert respondeu, bastante curioso, desviando o olhar para a filha.
– Pai, eu juro que explico depois. Agora vou descer com ele, mas já volto. – Garantiu. O ator se despediu dos pais da mulher e a seguiu pelas escadas de incêndio. não poderia demorar muito, já que iria para a Filadélfia com seus pais ainda nesta noite.
A descida até a rua não demorou muito, já que eram somente três andares. , neste momento, estava com um enorme ponto de interrogação na cabeça. Afinal, não fazia ideia do que estava acontecendo ali, e ainda demoraria muito para descobrir.
Já Sebastian não estava tão curioso para descobrir o que Serena fazia ali, pelo contrário, só queria ficar o mais longe possível da mulher. Sua prioridade era falar com e descobrir se eles conseguiriam trabalhar juntos na campanha, já que esse era seu maior interesse no momento.
Logo os dois estavam parados na frente da boate esperando pelo tal amigo do ator. Sebastian aproveitava a enorme multidão de pessoas que tentavam entrar para se esconder, enquanto o observava sem fazer muita questão de disfarçar. A mulher mal sabia, mas Sebastian fritava de nervosismo ao sentir o olhar dela sobre si. Sua timidez sempre aparecia nos piores momentos, e ele odiava isso.
– Não acredito que a gente não conseguiu cantar ABBA hoje por causa da sua ex. – Anthony dizia enquanto se aproxima de Sebastian e . O homem que chegava cerrou os olhos ao finalmente perceber que o amigo não estava sozinho. – Me encontra lá fora porque a Serena está aqui. – Anthony continuou, imitando a voz de Sebastian enquanto lia a mensagem que tinha recebido do amigo. – Ela realmente está aqui ou foi só uma desculpa? – Ele finalmente terminou de falar e olhou para , dando a entender que a desculpa seria por ela. A mulher riu, enquanto Sebastian revirou os olhos.
– Você não sabe o que fala. – Sebastian repreendeu o amigo, enquanto balançava a cabeça em negação. – Essa é a . – Disse, apontando para a mulher. Anthony estendeu sua mão para a jornalista e ela abriu a boca assim que se deu conta de quem era o amigo.
– Como assim o seu amigo é o Anthony Mackie? – exclamou, surpresa, sem perceber que ainda ignorava a mão estendida do homem. – Eu devo ter assistido todos os seus filmes! – Ela finalmente percebeu a mão de Anthony parada e o cumprimentou, enquanto sussurrava um pedido de desculpas. – Quando Sebastian falou "meu amigo" eu nunca imaginei que era você. De verdade, é um prazer te conhecer.
– O prazer é meu, acredite. – Anthony respondeu, apertando a mão da mulher e olhando para o outro homem com um sorriso divertido nos lábios. Sebastian sabia o que estava por vir e poderia matar o amigo ali mesmo se tivesse chance. – Seb falou muito de você. – cruzou o cenho e olhou de Anthony para Sebastian. – Sobre a campanha, claro. O possível contrato e tal… Ele está todo empolgado.
– Eu fico feliz de ouvir isso. – disse, tentando esconder que, na verdade, tinha ficado ainda mais apreensiva, já que sabia que o contrato infelizmente não aconteceria. – Mas Sebastian não mentiu, a Serena realmente está aqui.
– Sim. – O homem citado se aproximou dos dois e olhou para Anthony. – Eu não menti. riu, achando graça da situação. Sebastian e Anthony pareciam dois adolescentes juntos. – E ainda preciso sair daqui. A gente pede um Uber ou vamos a pé? – Ele olhou para o amigo. Os dois moravam a poucas quadras da boate e tinham ido até lá a pé. O plano, dependendo da hora que fossem embora, era voltar de Uber, mas estava cedo e faria mais sentido ir andando.
– Ah, cara, acho que a gente pode ir a pé mesmo. – continuou observando os dois homens e ficou incomodada com o fato de Sebastian ainda não ter falado com ela sobre o que tinha acontecido há alguns minutos atrás, pensava que o homem poderia ao menos responder se conhece ou não Fred.
Enquanto isso, Sebastian realmente acreditava que existia a possibilidade de ir embora com eles, para assim eles conversarem reservadamente.
– Você vem? – O ator perguntou, olhando para ela. A jornalista ficou surpresa.
– Eu? – Queria ter certeza que a pergunta era séria e Sebastian assentiu, confirmando. – Não posso, vou para a Filadélfia ainda hoje.
– Sério? – Ele respondeu, se mostrando surpreso e até um pouco chateado. Queria que ele e tivessem a chance de conversar. Tinha perguntas em relação à campanha, e não queria mais esperar. A mulher balançou a cabeça em resposta.
– Vou passar o fim de semana com meus pais… Eles moram lá. – Ela disse, também chateada. Queria aquela conversa tanto quanto Sebastian, ele só não sabia disso. pensou em avisar os pais que atrasaria um pouco, mas sabia dos horários dos dois. Artur, seu irmão, estava com a au pair neste momento e Maggie odiava segurar a garota de sexta-feira. – Talvez outro dia. – não queria que fosse outro dia, assim como Sebastian, e Anthony começou a perceber que o clima ali era mais tenso do que ele imaginava. Conhecia o jeito do amigo e sabia que ele estava descontente. Quando notou que nenhum dos dois tomaria uma atitude, soube o que fazer:
– Vocês ficam e eu vou embora. – Disse, quebrando o silêncio que havia se instalado e atraindo a atenção dos outros dois. Sebastian e se olharam enquanto Anthony dava alguns passos para trás. – É sério, eu tô indo. Talvez eu volte para a boate, sei lá, não se preocupem comigo. Queria que o Chris estivesse aqui? Queria, mas eu te amo, Seb. Conta comigo. – Anthony continuou dizendo conforme se afastava cada vez mais dos dois. Sebastian não sabia se agradecia ou não ao amigo por deixá-lo sozinho com , pois foi só ele sair que o silêncio voltou a se instalar.
– Eu queria muito uma foto com ele. – A mulher foi a primeira a falar e fez Sebastian rir da confissão.
– Tenho certeza que você terá outras chances. – Ela sorriu, torcia para que sim, adorava o trabalho de Anthony dentro e fora dos filmes. – Então… A gente pode conversar? – A resposta para essa pergunta com certeza era sim, mas não teve tempo de responder. Um grupo de fãs do homem se aproximou dos dois e roubou completamente a atenção. Tinham visto Anthony e logo suspeitaram que Sebastian também estaria por perto.
– Tira uma foto com a gente? Por favor. – Uma das meninas pediu e Sebastian aceitou com o maior sorriso do mundo. Enquanto o homem atendia os fãs, chegou até a esquecer o que estava fazendo ali. Ficou encantada com a forma como o ator sorria e interagia com eles. Achou Sebastian muito educado e carismático, estava sendo um querido com todos do grupo.
A verdade é que o ator estava muito feliz por receber todo aquele carinho. Afinal, fazia um certo tempo que não era parado por um grupo tão grande como esse. Estava com o coração cheio de alegria e fez questão de estampar isso no seu sorriso. É um homem sensível, ainda mais com tudo que estava rolando, e acabou ficando carente desse contato com os fãs. Por pouco não se emocionava quando isso acontecia.
Ao mesmo tempo que dava atenção ao grupo, não conseguia tirar os olhos de . Sabia que a mulher precisaria ir embora em breve e não queria perder a chance de conversar com ela.
– A gente viu o Anthony lá na frente e na hora pensamos que você estaria por aqui também, em algum lugar. – Um dos fãs disse. – Mas não vamos mais atrapalhar. – Continuou, olhando para e sorrindo, com certa malícia no olhar. A mulher riu, enquanto passava a língua entre os dentes e cruzava os braços, achando a situação engraçada. Sebastian também sorriu, enquanto arrumava o cabelo.
– Imagina… Vocês nunca atrapalham. – Respondeu, arrancando sorrisos e gritinhos dos fãs. O grupo se despediu de Sebastian e também de , para voltar para a fila da balada. – Será que agora… – O homem começou a dizer, mas novamente foi interrompido, dessa vez pelo celular de . Era Robert. atendeu e teve uma conversa rápida com ele, dizendo que logo estaria voltando para dentro da boate. Sebastian mordeu os lábios. – Então… Segunda-feira? – Sugeriu, assim que a mulher desligou o aparelho, desistindo de tentar conversar com a jornalista nesta noite.
sorriu sem mostrar os dentes, concordando. Estava incomodada, queria muito conversar com Sebastian sobre Fred e Serena e, do jeito que é ansiosa, passaria o fim de semana pensando nisso. Não estava nem um pouco satisfeita com essa situação, mas não queria admitir isso para Sebastian, tinha medo de passar a impressão de que estava com raiva por ele ter dado atenção aos fãs.
O ator também evitou demonstrar qualquer tipo de chateação, afinal, era óbvio que a mulher deveria viajar com seus pais.
– Sebastian. – disse, chamando a atenção do homem que delirava em seus pensamentos – Acho que eu posso ir amanhã para a Filadélfia. – Falou, finalmente, o surpreendendo completamente. – Antes, acredito que seria melhor a gente conversar.
– Eu concordo. – Sebastian respondeu, enquanto balançava a cabeça. Apesar de quererem falar sobre assuntos diferentes, ambos ficaram aliviados por poderem ter essa conversa.
– Só vou avisar meus pais, e acho melhor a gente sair daqui. Você é famoso, as pessoas podem imaginar até demais. – Disse, enquanto piscava para o homem. Sebastian sorriu, concordando. Sabia que ela tinha razão, além de ter achado o comentário interessante. – Você mora mesmo aqui por perto? – Perguntou, e logo se sentiu mal por sugerir desse jeito que eles fossem para a sua casa. Afinal, os dois ainda nem se conheciam direito.
Sebastian, por outro lado, não ficou nem um pouco incomodado com a pergunta. Preferia que eles conversassem em um lugar mais reservado do que de frente para uma boate. As pessoas podiam mesmo pensar algo, e ele ainda é uma pessoa pública, que atrai olhares facilmente.
Fora isso, Serena estava ali do lado. Precisava ir embora, e nada melhor do que ir para o seu próprio apartamento.
– Posso chamar um Uber?


Capítulo 6 - Nunca leve uma jornalista para a sua casa

O percurso até a casa do ator duraria menos de 10 minutos. A boate era realmente muito próxima, mas Sebastian preferiu sugerir um Uber, já que estava de salto alto.
Na sua opinião, inclusive, a mulher estava muito bonita. Usava um vestido de manga comprida na cor verde escuro, com uma fenda na perna esquerda e um cinto marcando sua cintura. Nos pés, botas pretas de cano baixo.
Sebastian desejou ter a oportunidade de dizer o quanto a acha estilosa algum dia.
No carro, indo para seu apartamento, o ator não conseguia parar de pensar em Serena. Já não se culpava mais por tudo que aconteceu, mas gostaria de ter uma conversa decente com a mulher, sem que advogados e juízes estivessem no meio. No entanto, sabia que isso era impossível devido à medida protetiva. Teria que esperar o andamento do processo e torcer para que tudo ocorresse de forma justa. Afinal, ele não tinha feito nada do que era acusado.
Ao mesmo tempo, não deixava de pensar na campanha e, consequentemente, em . O fato de Serena supostamente conhecer o chefe da jornalista poderia prejudicar tudo e suas economias até conseguiam sustentá-lo por mais um tempo, mas nunca se sabe o dia de amanhã. Precisava do trabalho pelo bem de sua saúde mental e também de sua saúde financeira. Por isso, esperava que tudo não passasse de uma coincidência ou de um grande mal entendido.
tinha a impressão de que não era uma coincidência e muito menos um mal entendido. Faziam só dois dias que a loira tinha ido até a FANCY e vê-la com seu chefe fez com que muitas perguntas surgissem em sua mente.
De um lado, a razão de dizia que ela deveria mandar uma mensagem para Fred e perguntar diretamente se ele conhecia Serena e o que estavam fazendo com ela. Do outro, sua intuição gritava que essa era a última atitude que deveria ser tomada.
Pensar na possibilidade de Fred estar influenciando suas decisões indiretamente, apelando até mesmo para uma terceira pessoa que nem sequer trabalha na FANCY, a irritou. Já não bastava a traição direta de Daniel, agora precisaria lidar com seu chefe agindo pelas suas costas também?
Nem e nem Sebastian sabiam, mas as respostas iriam aparecer. Logo.
– Você tem muito o que me explicar. – O ator quebrou o silêncio que preenchia o carro e atraiu a atenção de , que mexia no celular. – Como pode você conhecer o Anthony e não me conhecer? – A jornalista fez uma careta com a pergunta egocêntrica de Sebastian e soltou o ar pelo nariz, dando uma risada discreta.
– Seu ego compete com a sua cabeça? – Questionou, ironicamente, enquanto o observava. Sebastian passou a língua entre os lábios, confuso. – Você sabe, para saber qual é maior. – Nesse momento, o homem segurou a risada e fitou a jornalista, perplexo.
– Jesus. – Respondeu, enquanto balançava a cabeça em negação. – Você tem algum problema com a minha cabeça.
– Eu não tenho problema nenhum com a sua cabeça. – Garantiu, também segurando o riso.
Beleza. – Ele concordou, suavemente. – Então você só gosta de falar de cabeças? – riu, dando de ombros, enquanto o observava. O homem passou a língua entre os dentes. A jornalista ainda não havia percebido a ambiguidade na frase de Sebastian.
– Talvez. – Respondeu, sorrindo. O ator voltou a segurar o riso e passou a língua entre os lábios. Estava achando a conversa engraçada, mesmo que não soubesse exatamente o porquê. – Mas acho que seu ego ganha. – O ator deu de ombros, se recompondo.
– Depois que ele descobriu que você não sabia quem eu sou, acho que não. – Ela revirou os olhos, enquanto o homem sorria. – Estou só brincando. – Ele levantou as mãos, como se estivesse se rendendo. – É que eu e Anthony trabalhamos juntos nos filmes da Marvel. – Respondeu, como se fosse óbvio, e fez a jornalista arquear as sobrancelhas.
Talvez ela não tenha visto todos os filmes de Anthony como tinha pensado.
– Em minha defesa, você muda muito de um papel para outro. – Confessou, sendo sincera. – Não consegui relacionar você aos seus personagens logo de cara, apesar de ter visto muitos de seus filmes. – Sebastian arqueou a sobrancelha. Não sabia se ficava ofendido ou honrado com a confissão da mulher. – E, na minha humilde opinião, é isso que faz um ator ser bom: a singularidade que ele coloca em cada papel. – Sebastian continuou olhando para ela, que sorriu e voltou a prestar atenção no celular. Honrado, foi como ele se sentiu.
– Obrigado. – Respondeu, atraindo novamente o olhar de , enquanto coçava a parte de trás da cabeça. Mesmo com anos de fama, nunca aprendeu a lidar com elogios. – Isso foi muito bom de ouvir. – Ela sorriu. – E aumentou meu ego. – Sebastian piscou para e a mulher revirou os olhos, enquanto ria debochadamente.
– Mas tem uma coisa. – Respondeu, fazendo com que Sebastian a olhasse curioso. – Eu devo ter assistido a no máximo dois filmes da Marvel, então não se empolga. – O homem deixou que sua boca abrisse e balançou a cabeça em negação, não acreditando no que ouviu. Sebastian se aproximou de , ainda com a mesma expressão de incredulidade.
– Seu irmão sabe disso? – Ele sussurrou, sem hesitação, enquanto cerrava os olhos. o encarou durante um tempo e não conseguiu segurar a gargalhada, assim como Sebastian, que riu junto.
Alguns minutos depois, os dois já estavam na casa do homem. observou como o apartamento era bonito, espaçoso e com uma ótima decoração, totalmente clean. A jornalista ficou encantada com o local e mais ainda com o cachorro que foi recebê-los logo quando os dois chegaram. Sebastian apresentou Elvis para e logo os dois dois já estavam sentados no sofá da sala de estar, pensando sobre o que exatamente deveriam conversar.
– Desculpa por praticamente me convidar para vir à sua casa. – finalmente falou, enquanto ria sem graça. – Não consegui pensar em outro lugar.
– Não precisa pedir desculpa por isso. – Ele sorriu. – Eu teria te convidado de todo jeito. – respirou aliviada, enquanto sorria. Afinal, não queria parecer insolente. – Você queria falar alguma coisa? – A mulher balançou a cabeça positivamente.
– Sim. Quer dizer… Eu só achei estranho você, meu chefe e sua ex-namorada juntos lá, queria entender o porquê… Ou se você sabe o porquê. – Sebastian mordeu o lábio inferior.
– Eu não sabia que a Serena estaria lá, se soubesse, não teria ido. Não posso brincar com a justiça. – Respondeu, um pouco mais agressivo do que pretendia. – E eu sinceramente não faço ideia de quem é o seu chefe, . – A jornalista o fitou sem dizer nada. Sebastian não parecia estar mentindo. Ainda assim, tudo era muito suspeito. – Mas você, pelo jeito, conhece minha ex, né? – Questionou, arqueando a sobrancelha e apontando para . A mulher franziu o cenho.
– Depois dela ter ido até o meu escritório fica difícil não conhecer. – Falou, provocando uma reação de espanto em Sebastian.
– A Serena? No seu escritório? – Ele disse, depois de alguns segundos em silêncio. franziu novamente o cenho. – Como assim? Quando? – Soltou, com um tom elevado de indignação. Sebastian não estava entendendo nada. Seu intuito em conversar com era falar sobre a campanha, e do nada foi bombardeado por perguntas que ele não sabia responder e por informações que ele não tinha nenhum conhecimento.
– Essa semana, na quarta. Você não sabia? – Perguntou, confusa.
– Claro que não. Eu não falo com ela… Eu não posso falar com ela. – Ele coçou a cabeça. – E o que ela foi fazer lá?
– Me contar o lado dela da história, basicamente. Parece que não quer que eu trabalhe com você. – O homem passou a mão na boca e olhou para baixo, pensativo. – Mas eu não sei como ela descobriu sobre.... Isso. – Disse, apontando dela para Sebastian. – Quer dizer, agora tenho um palpite.
Seu chefe? – Sugeriu. deu de ombros, ela acreditava que sim. – Só pode ser… Eles estavam juntos hoje, não? Você mesma disse.
– Sim. – Concordou, suspirando. – Mas por quê? – Perguntou, mesmo sabendo que Sebastian provavelmente não saberia responder. O homem parecia ainda mais perdido que ela. – Não faz nenhum sentido.
– Queria muito dizer que sei responder isso, , mas estou tão confuso quanto você, até porque nem sabia que a Serena tinha ido ao seu escritório, e muito menos que ela conhece seu chefe. – Sebastian deu de ombros. – Talvez ele só não queira que você trabalhe comigo.
– Isso eu tenho certeza. – A mulher afirmou, convicta, enquanto fitava Sebastian. O ator deu de ombros, já estava acostumado com isso. – Mas ainda é muito estranho, principalmente porque a Serena disse que seria melhor para todos nós se eu ficasse longe de você. – Sebastian franziu o cenho.
– Todos nós quem? – negou com a cabeça.
– Isso ela não respondeu. – Sebastian franziu o cenho novamente, enquanto apoiava o queixo na palma da mão e balançava levemente a cabeça. O homem bufou.
– Era só o que me faltava. – Disse, depois de se manter em silêncio durante alguns segundos. respirou fundo, observando o ator. Ele parecia bastante perplexo com as informações, olhando para o nada, aparentemente sem entender onde e como tudo se ligava. E antes que qualquer um dos dois pudesse falar mais alguma coisa, a campainha do apartamento tocou. A jornalista olhou com dúvida para Sebastian, que também parecia não saber quem poderia ser. O homem levantou e caminhou até a porta, observando o visitante pelo olho mágico. – Serena? – Sussurrou, antes de se virar para e repetir a informação. – É a Serena. – A jornalista correu até a porta e também olhou pelo objeto, se assustando assim que a campainha foi tocada novamente.
– O que ela está fazendo aqui? – Sussurrou de volta ao homem, que deu de ombros. A campainha tocou de novo. – Atende, eu espero na cozinha. – sugeriu.
– Eu não posso ficar perto dela. – Disse, baixo, com suas veias do pescoço quase saltando para fora. Estava nervoso.
– Então dá um jeito de tirar ela daqui. – sussurrou de volta e se afastou de Sebastian. – Vai.
– Espera no meu quarto e fecha a porta. – Serena tocou novamente a campainha. Sebastian estava começando a ficar impaciente e percebeu isso apenas pelo seu olhar. A jornalista tocou o ombro do homem, chamando sua atenção por um instante.
– Não fala nada sobre o Fred. – Dito isso, não chegou a esperar pela resposta e foi para o quarto, fechando a porta logo que entrou. Assim como o restante do apartamento, o quarto de Sebastian também era bem espaçoso. A mulher se sentou na cama de casal que estava desarrumada e viu que Elvis, o cachorro do ator, tinha a seguido até lá.
Por que você está aqui, Serena? – percebeu que conseguiria escutar tudo do quarto e não se sentiu mal por isso. Não podia negar que queria muito saber o que os dois iriam conversar, afinal poderia descobrir algo sobre o Fred. Fofoqueira não, jornalista, pensou. – Você pode me ferrar ainda mais com isso. Vai embora, é sério.
Eu não vou demorar. – A loira respondeu. Sua voz era mais baixa do que a de Sebastian e precisou chegar mais perto da porta para ouvir. O homem nada respondeu, e eles ficaram em silêncio durante alguns segundos. – Você tem algo com a jornalista? – Serena perguntou. A mulher escondida no quarto revirou os olhos, assim como o homem na sala. – Está cheio de fotos de vocês no Twitter. – Essa última frase saiu tão baixa que não foi capaz de escutar, mas Sebastian sim, e se preocupou por um momento sobre como seria a reação da jornalista ao saber disso.
Com a ? – Sebastian sabia que a dúvida de Serena não fazia sentido algum, mas ainda assim achou melhor responder. – É óbvio que não, acha mesmo que eu tenho cabeça para isso agora? – Serena sabia que a resposta era não.
Não sei, Sebastian. – A loira disse. – Mas obrigada por ser sincero.
Não sou eu que tenho que ser sincero, você sabe muito bem disso. – Sebastian cuspiu a frase sem dó e nem piedade. Naquele momento, passou a se sentir mal por ouvir toda aquela conversa, mas não iria parar agora. – Vai embora.
Só mais uma coisa. – Sebastian estava bastante desconfortável e preocupado, essa simples visita poderia lhe causar sérios problemas no processo. Ele queria que Serena fosse embora o mais rápido possível. – Me perdoa por tudo isso, Sebastian, nunca quis que as coisas fossem tão longe… Eu realmente não tive escolha. – Serena disse, enquanto desviava o olhar do homem e observava um acessório suspeito em cima do sofá… Uma bolsa feminina. A loira gelou assim que percebeu que ele provavelmente não estava sozinho.
Como assim não teve escolha? – Sebastian perguntou, apreensivo.
Só… Me perdoa. – Esse diálogo fez uma chavinha virar dentro da cabeça de . Se antes ela já tendia a acreditar em Sebastian, agora ela passaria a acreditar ainda mais. Afinal, depois disso, era óbvio: o ator estava falando a verdade.
O que e Sebastian ainda não sabiam é: por que Serena inventaria uma mentira desse nível? E porque ela diz que não teve escolha?
A partir disso, os dois não disseram mais nada. só ouviu o barulho da porta se fechar e esperou que Sebastian desse algum sinal de vida para que ela pudesse finalmente sair do quarto.
A mulher se sentou na cama a tempo de ver o ator abrindo a porta. Ele não aparentava estar bem, e realmente não estava, mas tentaria ao máximo não demonstrar isso.
– Tudo bem? – A jornalista perguntou. Sebastian entortou a cabeça, enquanto se apoiava no batente da porta e dava de ombros.
– Você ouviu? – Questionou, ignorando a pergunta da mulher. balançou a cabeça positivamente, fazendo-o bufar e revirar os olhos, fingindo indignação. – Nunca mais trago uma jornalista para a minha casa. – O homem respondeu em seu melhor tom de ironia, provocando uma risada em .
A partir desse momento, Sebastian tinha certeza de que ela sabia das fotos, e preferiu não tocar no assunto.
– Amanhã mesmo vou estampar essa conversa todinha na capa da FANCY. – respondeu enquanto gesticulava com as mãos. Sebastian riu e se sentou na cama, distante de onde estava.
– Estaria me fazendo um favor. – Ele piscou para a jornalista e ela desviou o olhar, tentando disfarçar a timidez inusitada que tomou conta de seu corpo nesse momento. – Desculpa por isso, não fazia ideia de que ela viria aqui. – Sebastian suspirou, enquanto passava a mão pelo rosto. – Não queria que você presenciasse isso, e nem que a Serena tivesse ido falar com você. – Ele fitou a mulher. – Espero que isso não te prejudique. Em nada.
– Sebastian, não se preocupe comigo. – Ela afirmou, tentando confortá-lo. – Sou a menor das suas preocupações.
– Que isso. – Ele riu, fraco. – Você está longe de ser uma preocupação. – Sebastian disse, sem olhá-la, e acabou não percebendo o sorriso singelo que se formou nos lábios da mulher. Ele havia sido sincero. Para o ator, estava mais para solução. Isso, claro, se tudo desse certo com a campanha.
Além disso, o homem estava perdido com tantas informações em uma só noite. Não imaginava que Serena tinha ido até , e muito menos que apareceria em sua casa para pedir desculpa. Se ela realmente quisesse seu perdão, precisaria tomar uma atitude decente e contar a verdade.
– Por que ela mentiu, Sebastian? – questionou, firmemente, se referindo às acusações que a atriz tem contra o homem. Ele entendeu a pergunta, mas ao contrário do que gostaria, não tinha uma resposta. Assim como , não sabia um terço do que estava acontecendo. – Ela teve algum motivo?
– Eu me pergunto isso todos os dias. – Sebastian não olhou para quando respondeu, e ela passou a língua entre os lábios, sem saber o que dizer. Não conseguia imaginar o que ele estava passando, e muito menos o motivo por trás dessa falsa denúncia de Serena. A situação parecia ainda mais complicada do que ela imaginava. Por outro lado, Sebastian já estava cansado de saber sobre a gravidade da situação. Ele só não sabia os motivos de Serena, ou se mais alguém estava envolvido, mas era inocente, e provaria isso. – Enfim, voltando para o seu chefe… Meu palpite é que eles podem estar se envolvendo. É o que parece fazer mais sentido. – Ele disse, voltando a olhar para .
– Fred é casado. – A mulher respondeu, depois de permanecer quieta por alguns segundos. – Não que isso o impeça de algo, né? – Sebastian arqueou a sobrancelha e balançou a cabeça negativamente.
– É. – Disse, enquanto ria baixo. A mulher revirou os olhos, soltando um grunhido.
– Que baixaria. – balançou a cabeça negativamente, enquanto o ator mordia o lábio inferior e a fitava.
– Não pira nisso, , certeza que seu chefe tem uma explicação plausível para tudo isso. – Sebastian não tinha certeza nenhuma de nada, mas queria tranquilizá-la de alguma forma. sorriu. O ator, por um momento, voltou a pensar na campanha. Mesmo sabendo que os dois dificilmente trabalhariam juntos, ainda mais depois de tudo que aconteceu nesta noite, achou que deveria perguntar: – Será que ainda existe a possibilidade de trabalharmos juntos? – Ele sorriu sem mostrar os dentes. – Depois disso tudo… Sei lá… Você sabe… Eu realmente queria participar dessa campanha.
O coração de , nesse momento, faltou partir em pedaços. Na própria reunião ela já havia notado a empolgação do homem, e ouvir isso só fez com que as coisas ficassem ainda mais difíceis.
– Não acho que vai acontecer, infelizmente. Não tenho como ficar contra o meu chefe, Sebastian, e eu acho que seu processo seria um problema. – O homem abaixou os olhos e concordou lentamente com a cabeça. Estava bastante chateado, mas entendia, como sempre. Sabia que precisava pensar na reputação da FANCY e que não podia passar por cima de seu chefe, mas não deixava de ficar frustrado, principalmente pelas expectativas que havia criado. – Eu sinto muito por isso.
– Eu entendo, , entendo mesmo. – Sebastian respondeu enquanto via a mulher suspirar. Ele tentou sorrir, mas não queria parecer falso. – Está tudo bem.
– Mas se serve de consolo ou qualquer coisa do tipo, eu realmente acredito que você é inocente. – Para Sebastian, aquilo servia muito mais do que só como um consolo, principalmente vindo de . Em uma semana, a mulher já o surpreendeu mais do que ele poderia contar. Sebastian já a admirava por toda sua trajetória profissional, e agora ainda mais, pelo pouco que conheceu da sua personalidade.
– Pelo jeito você é muito boa com consolos. – Ele disse, enquanto sorria. A mulher deu de ombros. – Obrigado, .
– Imagina. – Ela respondeu, sorrindo de volta. – Só fui sincera, e espero que a verdade apareça.
– Eu também. – Os dois permaneceram quietos por um tempo, trocando olhares confusos e calorosos. Era uma tentativa de conforto, de passar um sentimento positivo para o outro através do olhar depois da noite inusitada que tiveram. Apesar de não se conhecerem tão bem, a atitude inocente e bem intencionada de ambas as partes deu certo, pois depois de um longo período sem dizer nada, os dois trocaram um sorriso sincero e involuntário.
– Nossa, já é uma hora da manhã. – disse, enquanto observava o horário pelo celular e se levantava. – Preciso ir.
– Aonde você mora? – O homem a acompanhou, se levantando da cama também.
– Tribeca. Meu apartamento fica a umas duas quadras da FANCY. – respondeu, enquanto os dois caminhavam juntos até a sala, onde a mulher pegou sua bolsa no sofá.
– Eu te levo. – Ela recusou com a cabeça.
– Claro que não, você vai gastar uma hora indo e voltando. Eu peço um Uber, sua noite já foi cheia o suficiente, melhor você descansar. – Respondeu, sem olhá-lo, enquanto abria o aplicativo de transporte no celular.
– Que tipo de homem vou ser se não te levar em casa? – odiava esse tipo de pergunta.
– O tipo que respeita minha decisão de querer ir de Uber? – Respondeu ironicamente, sendo mais grossa do que gostaria, mas falando sério. Não queria mesmo que Sebastian tivesse o trabalho de levá-la, sendo que depois ainda precisaria voltar. O homem fez uma careta e levantou as mãos, como se estivesse se rendendo.
– Acho que um tapa doeria menos, mas você tem toda razão. – olhou para Sebastian e riu.
– Desculpa, não quis ser grossa. Só não é necessário… Quem sabe outro dia? – Soltou, de forma espontânea e morreu de vergonha logo depois. Era a segunda vez que se oferecia para ir à casa dele só nesta noite.
Quem sabe outro dia. – Ele repetiu a frase da mulher como resposta. Os dois sorriram um para o outro, pensando no que poderia surgir dessa nova relação. – Mas me avise quando chegar, pelo menos. – A jornalista concordou e logo informou ao ator que seu Uber estava chegando. Sebastian a acompanhou até o hall do prédio.
O aperto de mão da reunião de sexta passada evoluiu para um beijo no rosto. sorriu para o homem pela milésima vez na noite e entrou no carro, que logo partiu. Sebastian esperou que o Uber virasse a esquina para voltar para seu apartamento. A noite tinha sido cheia e, agora, só conseguia pensar em tomar um banho e dormir.
No elevador, percebeu que seu grupo no WhatsApp com Chris e Anthony tinha mais de 100 mensagens não lidas e começou a se perguntar o que os amigos teriam conversado tanto para atingirem esse número exorbitante de mensagens. Quando abriu o grupo, logo de cara viu as fotos dele com que Anthony havia pegado no Twitter. Então era disso que Serena estava falando, pensou.
Anthony enviou as imagens e junto delas alguns prints de fãs comentando sobre os dois. Claro que o amigo só escolheu os comentários positivos, e Sebastian até gostou do que leu:

"Seb tá tão bonito nessas fotos que eu vou até ignorar o fato de estar com uma mulher do lado"

"Sebastian com essa barba perfeita… Ele tá cada dia mais lindo, como pode"

"Essa mulher do lado do Sebastian é simplesmente a jornalista mais incrível que existe nesse mundo e eu não sei vocês, mas eu shippei forte"

Anthony complementou o último print com uma mensagem dizendo que "também shippa" os dois. Sebastian riu e revirou os olhos lendo aquilo, parando para pensar como seria a reação de ao ver as fotos.
Pelo pouco que conhece da mulher, acreditava que ela iria rir e dizer algo como: "agora um homem e uma mulher não podem ser vistos juntos que todo mundo quer shippar?". Além disso, tinha certeza que a jornalista ficaria preocupada com sua reputação ao ser vista com ele.
Mas o ator não poderia estar mais errado.
Pensou em encaminhar as fotos para ela e se explicar, mas foi nesse exato momento que percebeu que ainda não tinha o celular da mulher. Como ela vai avisar que chegou? pensou. Até cogitou mandar uma mensagem para Michael pedindo o número, mas deveriam ser cinco horas da manhã em Portugal e o amigo com certeza estava dormindo.
Sebastian deixou o celular de lado e tomou um banho rápido. Vestiu um conjunto de moletom para dormir, já que estava um frio absurdo em NY, e se deitou na cama bem ao lado de Elvis, que já dormia. Antes de pensar em fazer o mesmo que o cachorro, resolveu olhar o celular uma última vez, a tempo de ver que tinha recebido um novo e-mail.

"Oi… percebi que não tenho seu número de celular e tive que apelar pra cá hahahaha só pra te avisar que já cheguei e que tá tudo bem, obrigada pela preocupação! Ahh, e a Claire me mandou umas fotos nossas que seus fãs postaram no Twitter… Não te falei que você tem uma cabeçona? ;)"

Sebastian gargalhou com a mensagem, aliviado pela reação da mulher e também pela resposta ter sido mil vezes melhor do que seu palpite. O homem estava bastante surpreso com o fato de não ter ficado puta ou brava com as imagens, e pensava muito sobre como a jornalista conseguiu surpreendê-lo tantas vezes em menos de uma semana. não era só inteligente, era também muito divertida e sincera, qualidades que ele admirava, e que a deixavam ainda mais interessante.
Droga. – O ator sussurrou, antes de pegar seu celular novamente e voltar nas fotos que Anthony mandou para ver se ele realmente tem uma cabeçona.

***

Era madrugada. Serena finalmente chegou em sua casa. Havia esperado do lado de fora do prédio de Sebastian durante alguns minutos antes de ir embora, a tempo de ver a fancy girl sair e entrar em um carro que a loira desconhecia. Ela tinha certeza que aquela bolsa pertencia à jornalista. Sua intuição nunca falhava.
Por esse motivo, engoliu em seco. A amizade dos dois a preocupava, e ela não queria mais um problema em sua vida.


Continua...



Nota da autora: Oi, gente! Espero que gostem desse capítulo <3 uma das primeiras interações DE VERDADE entre nossos complexos personagens, porque né, quanto mistério... Fofoca contada pela metade quase MATA fofoqueira! Entenda o caso! HAHAHAHAHA gostaria, inclusive, de agradecer pelas 600 visualizações em FANCY! Que sonho, viu, gente <3 obrigada demais! Não esqueçam de me contar o que acharam do capítulo e, claro, as teorias. Estou curiosa!!!!!!!

Beijos e se cuidem!




Nota da scripter: Oi! O Disqus está um pouco instável ultimamente e, às vezes, a caixinha de comentários pode não aparecer. Então, caso você queira deixar a autora feliz com um comentário, é só clicar AQUI.

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