Contador:
Última atualização: 08/12/2021

Prólogo

1 MÊS ANTES
Era segunda feira e esperava ansiosamente pela ligação que poderia mudar sua vida. Após acordar, fazer sua higiene matinal, ela decidiu que tomaria um café em sua cafeteria favorita, pois aquele dia queria que fosse o dia” então tomou um banho e após vestir uma roupa quente, era inverno nos Estados Unidos e ela não queria ficar doente por causa de um café fora, saiu de seu pequeno apartamento e quando foi em direção ao elevador para sair do prédio encontrou Shirley, uma mulher muito mal-encarada que morava no final do corredor e sempre implicava com a garota. estava decidida que seria um ótimo dia, olhou para a senhora lhe desejando um caloroso bom dia e ela ficou um pouco assustada com o entusiasmo da morena que não foi respondida, resolveu ignorar e entrou no elevador afim de não deixar nada lhe abalar naquele dia.
A cafeteria favorita da garota era a duas quadras de seu apartamento, tinha conhecido o local após se mudar para o bairro a quase 2 anos, após terminar a faculdade e ir para Nova York para tentar uma carreira. Apesar do frio resolveu ir caminhando e quando chegou ao local que era bem fechado e quente, sentou-se na mesa de sempre, no fim da cafeteria e perto de uma estante de discos, de onde estava tinha uma visão privilegiada do local e ainda curtia a música que era sempre agradável. Naquele dia Bob, um senhor de mais ou menos 56 anos e muito simpático tinha escolhido Elvis Presley e tocava Can't Help Falling In Love, uma das músicas favoritas da moça. Deixou seu celular em cima da mesa e após checar três vezes se tinha sinal e se estava no volume alto, acenou para uma das garçonetes que prontamente conhecendo a garota já anotou e pediu para prepararem seu pedido e a garota agradeceu sorrindo então enquanto esperava resolveu ficar olhando o movimento da rua naquele horário.
Quando o pedido chegou à garota, agradeceu a garçonete e tomou seu chocolate quente e um brownie de gotas de chocolate com calma apreciando tudo ao seu redor, resolveu ligar para os pais e após falar com todos da família e explicar sobre a ligação que estava esperando, deixando seus pais mais ansiosos que a garota, desligou com os olhos cheios de lágrimas sorrindo para o celular, quando olhou para cima Bob havia sentado de frente para a garota e a olhava sorrindo:
— Como vai minha cliente favorita? Estou vendo que está com carinha de choro, o que houve? — O senhor perguntava a ela que sorria tristemente para ele, colocou as mãos no queixo e respondeu.
— Ah Bob, é a saudade de casa sabe? Da família e principalmente do calor. — Disse rindo para ele que riu também imaginando como seria o clima brasileiro.
— Eu entendo, não deve ser fácil querida. Mas lembre-se do seu sonho, você não pode desistir agora, falta pouco – O homem sabia do momento que ela vivia e para ele a morena era como uma filha, queria ajudá-la já que seus pais estavam tão longes, queria suprir um pouco do carinho— Ah e me conta, já recebeu a ligação?
— Ainda não Bob, estou quase subindo pelas paredes de tão ansiosa — ela disse mudando rapidamente de expressão e agora sorrindo e dando alguns pulos na poltrona.
— Eu imagino, querida, mas eu tenho certeza de que você vai conseguir!
Ela sorriu para ele agradecendo e levantando a carteira para fazer o pagamento, por seu pedido ser sempre ele já sabia de cabeça o valor da conta, US$15 dólares, porém foi impedida por Bob e ela olhou um pouco assustada para o senhor:
— Hoje é por conta da casa querida, como um presente pelo que está por vir — Ele disse sorrindo para a garota que negou com a cabeça.
— De jeito nenhum, Bob, eu insisto – Ela dizia, empurrando o dinheiro para a mesa a fim de deixar lá e uma garçonete pegar.
— Nada disso , eu insisto. Só prometa que não vai se esquecer da gente e vai sempre vir aqui quando der — Ele dizia agora um pouco triste só de pensar em não ter a garota mais ali para conversar e tomar café com ele.
Após abraçar Bob e se despedir de todos os funcionários do local saiu em direção à rua e resolveu caminhar um pouco para não ficar pensando na ligação que tanto esperava. O dia tinha esquentado um pouco, era possível ver o sol, mas ainda fazia muito frio mesmo assim ela resolveu caminhar um pouco pelo bairro. Andando pelas ruas de Nova York ela entrou em uma veterinária e por pouco não adotou um gato que estava ali para adoção, após fazer carinho e conversar um pouco com a veterinária do local saiu e foi caminhando pelas lojas da rua. De repente estava em frente a uma loja de luxo e se viu encantada por um vestido que de acordo com a garota era simplesmente perfeito, era preto e com uma grande fenda na frente, estava encantada porém quando olhou o preço na vitrine quase caiu para trás, era pelo menos 3 salários da morena e se viu triste por não poder comprar, sorriu sozinha e decidiu que se o universo conspirasse a seu favor naquele dia, ela compraria aquele vestido futuramente e quando se virou para ir embora não conseguiu dar nem dois passos pois naquele momento seu telefone tocou e ela olhou ansiosa para o aparelho “número desconhecido” e entendeu o sinal do universo, a partir dali tudo mudaria:
— Alô?
— Olá, senhorita Amaral? Aqui é o Zak Brown será que podemos conversar?


Capítulo 1

ATUALMENTE

~ POV~

Naquela tarde minha vida mudou completamente, não é todo dia que você tem Zak Brown te ligando. Após terminar a ligação comecei a gritar sozinha na rua o que chamou atenção de todo mundo, mas eu nem liguei, eu estava tão feliz. A primeira coisa que fiz foi correr de volta a cafeteria e dar a notícia a Bob e aos meus pais por chamada de vídeo, foi muitas parabenizações e choro dos meus pais e Bob me abraçando dizendo que já tinha certeza de que eu passaria.
Ah, deixa eu começar de novo, me chamo, , mas todos me chamam de , tenho 26 anos e sou do interior de Minas Gerais, sim, sou brasileira. Fiz minha faculdade de publicidade na minha cidade e após juntar todas minhas economias, conseguir uma pequena bolsa vim aos Estados Unidos para fazer minha pós em marketing e acabei conseguindo um estágio em uma agência de publicidade. Faz cerca de dois anos que eu consegui a vaga, porém eles não me sobem de cargo, mesmo trabalhando mais que todos e mostrando competência. Um pouco depois que eu entrei na empresa ela foi passada ao filho dos fundadores, um homem difícil de se trabalhar e muito conservador. Com isso resolvi que já era hora de trilhar novos caminhos e comecei a procurar outros empregos. Quando Mark, meu amigo do trabalho, disse que seu amigo Peter, que morava em Londres, estava procurando uma assistente pessoal eu não pensei duas vezes antes de dizer que eu queria me inscrever, mas foi quando ele disse que era para a McLaren, a famosa equipe de Fórmula 1 eu quase cai dura no refeitório da empresa.
Desde muitos novos eu e meu irmão acompanhamos as corridas de fórmula 1. Era um evento obrigatório aos domingos de manhã em casa, então acabamos crescendo nesse mundo, mas eu nunca imaginei que acabaria trabalhando na área. Então Mark me passou o contato do amigo e o rapaz me encaminhou para o email de Zak Brown para eu enviar meu currículo. Uma semana depois fiz uma entrevista com o CEO por videoconferência e que ficou de me retornar naquela segunda feira após fazer outras entrevistas. Eu surtei? Com certeza sim, e quando ele me retornou me chamando para trabalhar eu não poderia estar mais realizada. Após a ligação, todas as informações como contratos, visto e principalmente minha mudança para Woking em Londres, sede da empresa, foi feita virtualmente com o time de RH da empresa.
Eu não poderia estar mais feliz e realizada, claro que Nova York sempre foi meu sonho, mas poder trabalhar para uma grande empresa e diretamente para a fórmula 1 era muito maior do que imaginei, era uma oportunidade única. O contrato era para uma temporada, ou seja, um ano e se eu fosse bem e entregasse uma alta performance poderia ser contratada efetivamente. Meus pais não gostaram muito dessa mudança para mais longe no começo, mas quando contei que era para a McLaren meu pai quase infartou, confesso que me deixou preocupada, meu irmão só queria saber quando eu o levaria para conhecer os pilotos e minha mãe chorava dizendo que ficaria mais difícil de me ver.
Enfim, agora estou aqui no meu último dia em Nova York, arrumando minhas últimas malas e olhando em volta me certificando que estava tudo certo. Após um acordo com a dona ficou decidido que eu poderia deixar meus móveis aqui, caso não desse certo lá, e ela poderia alugar o apartamento desde que não estragassem nada e os locadores estarem cientes que era provisório. Fizemos esse acordo depois que o representante do RH me informar que seria me disponibilizado um loft para que eu morasse, uma regalia que eles me dariam já que passaria pouco tempo na cidade. Após conferir mais uma vez meus documentos e minhas malas eu fui dormir pela última vez naquele apartamento.
A despedida com todos que eu conhecia na cidade tinha sido mais cedo e foi uma choradeira e muita comoção, eu tinha feito poucos amigos na cidade, mas eram tão leais e amorosos que eu quase desisti de tudo e fiquei por ali. Fomos a um restaurante, jantamos e nos divertimos em um karaokê, eu ia sentir muita falta disso. A empresa que eu trabalhei não gostou muito quando resolvi pedir demissão até porque eu era a famosa faz tudo para eles e não era reconhecida, mas eu estava feliz demais com a minha escolha e quando sai do local com minha caixa na mão só consegui sentir um grande alívio pela escolha que eu havia feito.

*_____________*_____________*


~3º POV~
Aquela quarta feira estava fazendo mais frio que o normal em Nova York e acordou mais cedo que o despertador. Estava tão ansiosa que mal dormiu naquela noite, mesmo assim resolveu levantar-se, tomar um banho bem quente e se arrumar para viajar. sabia que se tomasse café ia fazer sujeira e não poderia limpar o que deixaria a dona Shirley furiosa, afinal ela ficaria responsável pelo apartamento para as futuras locações. Pediu um taxi, enquanto ele chegava foi descendo suas malas e por fim deixou a chave com a vizinha, despedindo rapidamente da senhora rabugenta. Encontrou Mark e Bob aguardando pela morena, o mais novo lhe abraçou e o senhor deixou um capuccino com um brownie para a garota comer enquanto ia ao aeroporto, a moça sorriu com o ato e chorou abraçando os dois, agradecendo e prometendo visita–los quando pudesse. O taxi chegou em menos de 5 minutos, após se despedirem, tiraram uma selfie juntos, ela entrou no carro informando o caminho ao motorista, deu tchau aos amigos do vidro do veículo enquanto ele saia em direção ao aeroporto. Aproveitou o caminho para ir tomando o café que Bob a tinha preparado.
Ao chegar no aeroporto percebeu aquele clima agitado costumeiro, pegou um carrinho para levar as malas e após pagar o taxista foi ao guichê de atendimento mesmo sabendo que havia chegado duas horas mais cedo. Mas sabia que era ansiosa e seria impossível esperar até às 9 horas para o check-in. Depois de despachar as malas foi caminhar pelas lojas do aeroporto, para se distrair, mandou mensagem para os pais com a selfie que tirou mais cedo com os amigos e resolveu ir a uma loja de perfumes que havia por ali. Enquanto sentia seus perfumes favoritos ouviu um homem perto dela pedindo ajuda para comprar um presente a uma amiga. A vendedora sem prestar muita atenção falou que atenderia ele em instantes e foi ao caixa com pressa. Quando olhou para o rapaz quis gritar de tanta emoção, era Valteri Bottas ali no mesmo aeroporto que ela, o piloto da Mercedes olhava distraidamente as prateleiras de perfume e a garota sabia que não poderia deixar aquela chance passar, apesar da timidez foi até o rapaz e de uma maneira sutil e disse:
— Oi com licença eu ouvi que o você precisa de uma ajuda com perfumes femininos?
— Ah você trabalha aqui? — O piloto perguntou a morena, que riu sem graça gesticulando com as mãos enquanto respondia.
— Ah não, me desculpa é que eu percebi que você está um pouco perdido e a vendedora não pode ajudar no momento, sou uma grande fã de fórmula 1 e de perfumes também —ela disse rindo sem graça para o rapaz que riu junto com a garota.
— Oh que legal, qual sua equipe favorita? — O rapaz dizia simpático e completando disse— E será que você pode me ajudar a escolher um bom perfume? É para uma amiga que vai fazer aniversário, estou voltando para casa e preciso levar um presente, não deu tempo enquanto eu estava por aqui.
— Bom eu sempre admirei a Mercedes, não é puxando saco – disse rindo, o que fez o rapaz rir e balançar a cabeça concordando — Mas estou indo trabalhar com a McLaren que é uma das minhas equipes favoritas — Ela dizia enquanto mostrava alguns perfumes para o rapaz que sentia o cheiro atentamente a cada frasco que ela apresentava.
— McLaren, hum, interessante — O rapaz dizia interessado no assunto enquanto sentia o cheiro de um perfume da Dior chamado “Jadore Body Mist” – Hm este eu não gostei, é estranho o cheiro urgh... — riu e enquanto mostrava outro frasco ao piloto resolveu respondê-lo.
— Sim, eu estou muito empolgada, ainda não sei bem o que vou fazer e trabalhar com Fórmula Um nunca foi um sonho até eu conseguir a vaga e eu perceber que era tudo o que eu sempre quis, entende?
— Eu entendo perfeitamente, a McLaren é um bom time ... Oops, por favor não diga a ninguém que eu falei isso ok? Eu vou desmentir tudo — Ele disse rindo e gesticulando com as mãos na boca e acabou rindo super alto o que acabou chamando a atenção de algumas pessoas em volta e pediu desculpas disfarçadamente, depois de sentir algumas fragrâncias o rapaz pegou um Chanel nª 5 e apontando para a morena respondeu — Eu vou levar esse aqui.
— Ótima escolha! – disse entregando um perfume na caixa para o rapaz que prontamente pegou e acenou com a cabeça.
Neste momento a vendedora chegou um pouco afobada pedindo desculpas e informando que houve um problema com uma venda no caixa. sorriu dando um passo para trás e Bottas respondeu a vendedora:
— Oh não sem problemas, está garota me ajudou muito — Virou-se para para se despedir — Foi um prazer enorme te conhecer ... me desculpa eu não perguntei seu nome, que ignorância a minha — ficou sem graça corando e torcendo os pés respondeu.
— Ah é , mas pode me chamar de , o prazer foi meu Sr. Bottas – Ela disse estendendo a mão para o rapaz que estendeu de volta.
— Ah que isso garota vamos se ver várias vezes ainda, sem esse de Sr. Bottas pode me chamar de Valteri ou Valter, você me ajudou demais – disse para ela agradecendo pela ajuda com o perfume – Obrigada pela consultoria inclusive, quando nos vermos novamente eu te digo se ela gostou.
Ele conversava com tão naturalmente e foi ali que ela percebeu que esse era seu novo status. Conversar com pilotos famosos com a maior naturalidade e caramba ela gostou muito disso. Se despediram enquanto o rapaz ia para o caixa e ele saiu acenando para ela. Olhando Bottas de longe ela riu sozinha da sorte que acabou de ter. Resolveu comprar um apoio para o pescoço, sabia que a viagem seria longa e depois de passar no caixa saiu em direção a sala de espera para seu voo. Sentou-se em uma das cadeiras e ficou mexendo no celular. Um tempo depois seu voo foi anunciado e ela foi ao embarque, entregando o passaporte e as informações a comissária que lhe mostrou seu acento. Depois de se acomodar e enquanto aguardavam os outros passageiros resolveu chamar os pais no facetime e contar tudo que havia acontecido mais cedo na loja, sua mãe dizia que era um sinal de que ela tinha feito a escolha certa e o pai e o irmão perguntavam por que ela não tinha pedido para tirar uma foto para mandar para eles.
Léia sua mãe, era muito carinhosa e espirituosa, tinha se casado cedo com o pai de e juntos se mudaram para a cidade em que a garota nasceu, construíram um pequeno comércio na região e com isso sustentaram a família até hoje. Era a filha mais nova de 8 irmãos e os pais não aceitaram bem o casamento dos dois já que ele bem mais velho que ela, quase 10 anos. Então a mulher fugiu de casa com o marido para viverem juntos. Ainda tinha contato com alguns irmãos, mas outros a ignoravam por conta dos pais e apesar da falta que sentia ela amava sua família e não se arrependia da sua escolha. Noberto era um homem bem sério, mas para os mais íntimos era o cara mais engraçado do mundo, seu pai era um homem incrível e ela se sentia muito sortuda por isso. Ele sempre acreditou nos sonhos dela e ralou muito para ajudá–la a realizar. Quando fugiu de casa com a mulher a muitos anos atrás, sua família os ajudou e deu todo o suporte que ambos precisariam para começar. Léia era muito grata e sempre recebeu amor e carinho dos sogros. nasceu pouco tempo depois que se casaram e sempre foi a “filinha do papai”, sempre sonhadora e determinada fez de tudo para quando terminasse a faculdade fosse para o exterior e depois de trabalhar com o pai, fazer alguns bicos de babá na vizinhança e trabalhar em um restaurante aos finais de semana na cidade tinha conseguido trabalhar no Estados Unidos. Fez curso de inglês enquanto morava no Brasil e se especializou morando no exterior. Três anos depois veio Junior, seu irmão mais novo. Ele tinha 23 anos e era estudante de medicina, tinha passado em uma Universidade Federal que ficava em uma cidade bem próxima de onde eles moravam por isso decidiu continuar morando com os pais e indo de carro para as aulas todos os dias, a viagem era curta e levava menos de 30 minutos.
Quando encerraram a ligação depois das ordens da comissária. ajeitou os cintos e preparou-se para decolar, colocou sua nova almofada no pescoço e ajeitou os fones de ouvido e nos embalos de sua playlist favorita acabou pegando no sono. A viagem duraria 7 horas, um pouco mais da metade do trajeto a morena acordou com fome, chamou a aeromoça e pediu um lanche simples, mas que custaram o olho da cara, para comer. O rapaz ao seu lado dormia tranquilamente e ela não quis incomodar para ir ao banheiro por isso aguardou até ele acordar para que se levantasse e pudesse fazer sua higiene. Quando voltou ao seu assento aproveitou que estava sem sono para assistir a alguns filmes e séries que havia na pequena TV que ficava acoplado a poltrona a sua frente. Às 4 horas da tarde estava pousando em Londres. Woking ficava a 50 minutos da capital e na saída do aeroporto um motorista da empresa esperava pela garota com uma pequena placa com seu nome. Sorrindo para o rapaz, se cumprimentarem, saíram do aeroporto em direção a uma Range Rover Velar preta e seguiram em direção a sede da empresa.
Durante o trajeto conheceu mais sobre a companhia e sobre a cidade em que seria sua residência a partir de agora. Quando chegaram a cidade o motorista a conduziu primeiramente a sede da empresa explicando que seria para acertar os últimos detalhes, conhecer a equipe e depois onde moraria. Não teve muito tempo de agradecer o motorista, pois em pouco tempo já estava diante de um lindo e imponente prédio. A construção era gigante, com grandes janelas de vidro, possuindo um design único e com um enorme lago na frente.

~ POV~
Quando John, o motorista, abriu a porta eu estava de queixo caído. Ele me guiou a entrada para a recepção e me informou que as malas ficariam no carro e que ele me levaria ao loft no final do dia, agradeci por isso e fui de encontro a secretária.
— Olá, com licença sou Amaral e estou aqui para a vaga de assistente pessoal – disse um pouco ansiosa para a mulher que estava ali.
— Ah sim, estávamos te esperando querida, sou Jennifer a secretária da McLaren e vou te guiar até o senhor Brown – disse muito simpática para mim e automaticamente eu gostei dela. Jennifer era uma mulher madura e parecia ser séria no local de trabalho, mas divertida fora dele, vestia uma saia lápis que ia até os joelhos e uma camisa social e desfilava em um salto alto, coisa que eu não ousaria fazer já que era um pouco desengonçada.
Enquanto me levava até o Sr. Brown, Jenny, como ela pediu que eu a chamasse, me apresentava a algumas pessoas que passavam por nós e a alguns espaços do prédio, depois da recepção uma grande porta se abria em direção a um imponente hall com diversos carros da McLaren que ficavam expostos por ali. Confesso que me senti um pouco deslocada naquele prédio, todos eram tão sérios e educados que parecia coisa de outro mundo. Subimos por um elevador todo de vidro e fomos em direção a uma sala no final do corredor, Jenny bateu na porta e uma voz grave disse “Pode entrar”. Quando a porta se abriu pude ver uma enorme sala de reunião com no mínimo 10 cadeiras e de frente com uma grande janela toda espelhada com vista para o lago, havia também um pequeno frigobar no canto da sala com uma bancada de café e uma pia. Na ponta da mesa o Sr. Brown, que eu já havia conhecido na entrevista de emprego. Nas outras cadeiras de costas para a janela tinham três rapazes bem—vestidos conversando com ele.
— Com licença, Sr. Brown, está e Amaral a nova assistente pessoal – A secretária dizia me guiando até o senhor a minha frente.
— Ah claro, obrigada Jenny, seja bem-vinda senhorita Amaral – ele se levantou-se me cumprimentando com um aperto de mão que rapidamente devolvi me apresentando.
— Muito obrigada Sr. Brown, é um prazer e uma honra estar aqui – eu nunca estive tão nervosa em toda minha vida, se deixei transparecer provavelmente nunca saberia, mas eu quis passar uma confiança que eu não estava tendo no momento.
— Sente-se. Estes são Tom, Peter e Josh, eles são da área do recursos humanos e irão nos ajudar com toda sua documentação e estadia – ele dizia apontando aos três rapazes que também me cumprimentaram e se apresentarem, fizemos uma breve reunião para finalizarmos algumas questões legais. Peter era o tal amigo de Mark e que me indicou a vaga. Era bom ter um rosto amigo ali. O rapaz sorriu para mim confiante e eu sorri de volta.
Confesso que estava um pouco nervosa, quando me contrataram não me informaram de quem eu seria assistente apenas me ofereceram a vaga e agora eu percebo que eu também não tinha perguntado, talvez a ansiedade e o nervosismo tivessem me atrapalhado. Cerca de 30 minutos depois, já tínhamos acertado as documentações, o Sr. Brown olha para mim e perguntou:
— Então é isso, Peter vai te ajudar com a questão da moradia, o loft que lhe entregaremos fica a mais ou menos 20 minutos da sede e tem um ônibus que te deixa aqui na porta, ele passa a cada 30 minutos e o ponto é duas quadras do loft – ele disse após explicar um pouco mais sobre a cidade — Você tem alguma dúvida?
— Sim, eu acho que com a ansiedade e a correria da mudança eu acabei não perguntando, mas eu serei sua assistente pessoal, é isso? – Eu disse gesticulando bastante com as mãos demonstrando um pouco minha ansiedade, Zak Brown começou a rir e os rapazes da sala também e eu não entendi nada.
— Oh não querida, você vai ser assistente pessoal do nosso piloto Daniel Ricciardo.



Capítulo 2

~ POV~
Quase não acreditei que eu iria trabalhar diretamente para um piloto de fórmula 1, fiquei de boca aberta o que deve ter causado uma certa preocupação aos rapazes que estavam na sala, mas parecia diverti—los com a minha expressão. Logo depois Zak Brown continuou me respondendo.
— Bom, senhorita no final do ano passado o rapaz que trabalhava com o Ricciardo se demitiu, o coitado não aguentou o Daniel— ele disse rindo com os outros rapazes, pareceu como um piada interna para os homens que estavam na sala e sorri fraco para não parecer arrogante– E precisamos de uma pessoa firme e que seja principalmente amiga do rapaz, algumas pessoas não sabem lidar com o bom humor e as brincadeiras do Daniel ou seu jeito irresponsável de levar as coisas e é por isso que você está aqui. Seu currículo me impressionou, mas principalmente pelo seu perfil. Acho que vai ser bom para ele.
— Eu fico honrada Sr. Brown, eu realmente não imaginava que seria para ser diretamente com um piloto, mas agradeço principalmente por ter me escolhido, imagino que você deva ter entrevistado várias pessoas. Ser escolhida é uma honra – dizia gesticulando com as mãos um pouco nervosa e sorrindo ao final – prometo que não vou decepcionar.
— Eu não disse que ela seria perfeita para o cargo, Josh? – Tom e Zac disseram ao mesmo tempo o que causou uma crise de riso entre nós.
— Agora senhorita Amaral o Peter irá te guiar durante sua visita ao prédio e te levará ao seu loft para você se ajeitar e descansar— Zak disse apontando ao rapaz do meio que deu um sorriso e se levantou – Daniel está viajando, aproveitando as férias, mas nosso trabalho começa amanhã com treinamentos, apresentação para o time e você se familiarizar com todo mundo, ok?
— Tudo bem Sr. Brown, muito obrigada! – Disse me levantando e cumprimentando o senhor, que sorrindo, apertou minha mão. Após me despedir de todos, Peter veio ao meu lado e finalmente nos apresentamos decentemente, pois ele era o rapaz que Mark me apresentou me indicando a vaga. Conversamos sobre o rapaz que estava em Nova York e fomos contando algumas histórias enquanto caminhávamos pelo prédio. Peter era um rapaz muito simpático e bonito, tinha 28 anos e trabalhava no time a mais ou menos dois anos. Era alto, possuía olhos castanhos, cabelos loiros escuros e músculos que se evidenciavam na camiseta de linho que usava naquele dia. Trabalha com o time de contratações na empresa e por ter me indicado ao cargo pediu para ficar responsável em me apresentar as instalações da empresa. Será que todos os ingleses eram bonitos como ele?

*_____________*_____________*


Depois de me apresentar a alguns espaços do prédio como cafeteria, refeitório, escritórios, salas dos mecânicos, o salão de veículos e conhecer algumas pessoas pelo caminho. Peter e eu fomos em direção a saída. Já eram quase nove horas da noite quando nos despedimos de Jenny, a secretária e entramos no carro em direção ao loft. Woking era uma pequena cidade localizada a 50 minutos de Londres, porém a sede da empresa ficava um pouco mais afastado da cidade e por isso era necessário carro ou ônibus para chegar ao local.
Na saída do complexo Peter me mostrou onde ficava o ponto de ônibus da companhia, era ao lado da portaria e isso ajudaria bastante já que eu ainda não possuía carro. Cerca de 10 minutos depois o veículo estacionou em frente a um prédio tipicamente londrino. Após pegar uma mala, John disse que levaria o resto, fui com Peter na frente a fim de conhecer meu novo lar. Subimos dois andares do prédio e seguimos ao fim do corredor para uma porta a direita. Quando Peter abriu a porta pude ver um amplo e espaçoso apartamento. A primeira coisa que vi foram enormes janelas ao fundo do local, a minha frente uma cozinha com uma bancada para refeições, uma pequena mesa de jantar redonda, logo depois a sala de estar com um sofá e uma televisão grande que davam para a janela com vista para a rua. Para haver mais privacidade, a janela contava com duas cortinas que cobriam toda sua extensão. Ao lado da sala tinha uma escada com acesso a um mezanino onde ficava um quarto aberto que podia ver toda a extensão do local, além de um banheiro com uma banheira e na porta ao lado um armário embutido. Olhei encantada para Peter que sorriu respondendo.
— Eu sei, é incrível! Esse loft foi recém reformado – Ele respondeu na maior naturalidade – Liza, a assistente do Lando Norris mora no andar de cima e caso necessite de alguma coisa pode me ligar ok?
— Peter eu não posso aceitar isso! É demais —disse me sentindo um pouco deslocada – Olha, se tiver que pagar um aluguel eu tento pagar, descontar do salário eu não sei...
—Fica tranquila , posso te chamar assim? – acenei sorrindo – deixei algumas comidas e bebidas no armário para você nos próximos dias, não tem muita coisa e você pode ir ao mercado aqui perto, para abastecer a casa com o que você gosta.
— Obrigada! Serei eternamente grata por isso — eu dizia realmente agradecida.
— Você só vai precisar se preocupar com as contas de água, luz, internet e alimentação ok? Alguns apartamentos do prédio são da McLaren e o Sr. Brown deixou para os assistentes dos pilotos ou CEOs, é uma regalia de ser assistente, para não se preocuparem com estadia já que vocês quase não param pela cidade... Infelizmente eu não tenho isso – disse fingindo estar triste com uma carinha de choro e acabamos rindo – eu moro mais para o centro, em um apartamento que eu alugo com mais um amigo da empresa – me informou.
Nesse momento John chegou com todas as malas pedindo licença, entrando no apartamento, deixando as malas e eu o agradeci. Só conseguia pensar como eu iria subir 5 malas para o mezanino, mas eu daria um jeito, todos já tinham sido prestativos demais até aqui. Após Peter me mostrar mais sobre o apartamento e me indicar o local e os horários de onde eu pegaria o ônibus até a sede no dia seguinte, eles se despediram e foram embora. Fechei a porta do apartamento então comecei a sorrir sozinha, comecei a pular empolgada e fui em direção as minhas malas. Eu estava tão cansada que tudo que eu fiz foi pegar meu pijama, tomar um banho e cair na minha cama nova.

*_____________*_____________*


No dia seguinte acordei com o despertador, confesso que foi difícil levantar porque meu corpo implorava para ficar na cama, meu corpo demoraria para se acostumar com o fuso horário. Após uma certa resistência, me levantei em direção ao banheiro para fazer minha higiene matinal e tomar café. Sr. Brown tinha dito que eu poderia entrar um pouco mais tarde. Eu, preocupada com o horário e com a primeira impressão que causaria, acordei por volta das 8 horas para até as 10 estar na sede. Após meu banho troquei de roupa, optei por uma calça jeans, tênis e uma camiseta de lã. Londres era fria naquela época do ano, porém como ficaria dentro da empresa, onde era mais quente então podia ficar só com a lã, então separei mais um casaco para usar na hora que saísse e desci para preparar um café da manhã. Me sentindo um pouco nostálgica sorri para a xicara com as lembranças do café do Bob e de sua companhia.
Enquanto aguardava a cafeteira senti meu celular vibrar e só naquele momento me toquei que eu não havia tirado do modo silencioso desde ontem quando tinha chegado à sede da McLaren. Quando peguei o aparelho havia pelo menos 15 ligações perdidas e um pouco mais de 20 mensagens. Eu estava ferrada. As primeiras dez ligações eram dos meus pais, seguidas de Bob, Mark e Junior. Resolvi responder a ligação dos meus pais primeiro enquanto aguardava o café e preparava um pão quente. No terceiro toque meus pais me responderam e eu deixei no viva voz para que eu conseguisse finalizar meu café.
AMARAL POR QUE VOCÊ NÃO ATENDE AS MINHAS LIGAÇÕES???? EU QUASE LIGUEI PARA A POLÍCIA MENINA – Sua mãe gritava brava ao telefone.
— Eu sei mãe me desculpa, ontem foi muito corrido, eu não consegui parar um segundo. Depois acabei deitando–se e dormindo rapidamente – dizia desesperada já que sabia que tinha sido um pouco irresponsável de não ter mandado nenhuma mensagem.
— Me desculpa, fiquei um pouco preocupada e nervosa. Você não me deu notícias desde o aeroporto filha, me deixou aflita — disse mais calma e agora querendo saber mais do meu dia.
Após uma longa conversa com meus pais, eles me pediram para mandar uma mensagem para o meu irmão que também estava preocupado. Ao mesmo tempo em que conversávamos eu ia tomando café da manhã e quando terminamos a ligação eu já estava subindo para terminar de me arrumar. Fui escovar meus dentes, tentei ligar para meu irmão, porém ele estava em aula e não me atendeu. Resolvi mandar mensagem de áudio enquanto me maquiava contando sobre meu dia e como estavam as coisas até agora, além de fotos do loft para ele mostrar aos meus pais.
Quando estava pronta percebi que de acordo com os horários me informado, o ônibus passaria em poucos minutos então sai do apartamento apressada, trancando a porta e indo em direção ao ponto de ônibus. Desci as escadas afobada enquanto tentava inutilmente guardar a chave e o celular na pequena bolsa que havia escolhido mais cedo, distraída acabei esbarrando em uma pessoa que também descia apressada e nos trombamos no segundo degrau da escada.
— Ai, me desculpa, eu estava distraída enquanto guardava meu celular na bolsa— eu dizia pedindo desculpas a mulher.
— Imagina, eu que peço desculpa, me distrai também – Ela dizia para mim enquanto descíamos juntas os lances de escada – Espera eu nunca te vi aqui, você é nova?
— Sou sim, sou , mas pode me chamar de – disse enquanto apontava para mim mesma a fim de me apresentar, já que estávamos em uma escada e não dava para cumprimentar com a mão.
— Oh você é a , é um prazer querida. Eu sou a Liza – Disse parando em minha frete no degrau de baixo, me deixando um pouco mais alta e me abraçou rapidamente. Fiquei tão perdida que quase cai em cima dela, o que causou uma risada em ambas – Sou a assistente do Lando Norris.
— Ah sim Peter me falou de você ontem – Eu dizia enquanto abríamos a porta do hall e caminhávamos em direção à rua – Você vai pegar o ônibus fretado?
— Ah aquele Peter ... Espero que ele tenha falado bem – Ela disse rindo junto comigo e eu acenei positivamente— Eu vou sim, não tenho carro ainda e gosto de pegar o ônibus, eu economizo dinheiro já que estou planejando meu casamento.
Enquanto caminhávamos fui conhecendo um pouco mais sobre Liza. Ela era filha única e tinha 30 anos, o que me surpreendeu porque ela parecia mais nova. Quando comentei com ela isso ela disse “você é muito fofa querida” e riu. Tinha nascido na Australia e começou a trabalhar com Lando na temporada anterior e ficou permanentemente graças ao bom desempenho e ao respeito que Lando tinha por ela. Liza me contou que era noiva e que o “felizardo” trabalhava como engenheiro no time da McLaren. Ela o amava e o relacionamento nunca atrapalhou seu trabalho. Eu morria de medo disso acontecer comigo, confesso que só tive um namorado e ele ficou no Brasil, terminamos porque ele me traiu dias antes da minha mudança para Nova York. Segundo ele “nós não tínhamos mais uma relação, já que eu havia aberto mão de nosso relacionamento quando resolvi morar em outro continente” palavras do infeliz. Demorei para superar e hoje em dia eu tinha um relacionamento apenas com a minha carreira. Quando morei nos Estados Unidos confesso que tive uma ou outra paquera, mas nunca deu em nada.
Mal tínhamos chegado no ponto de ônibus quando ele chegou, subimos e depois de alguns minutos aguardando ele saiu em direção a empresa. O caminho foi curto, Liza me contou um pouco mais sobre a empresa e que estava indo hoje a sede só para apresenta—la a mim. Confesso que me senti um pouco mal já que era para ela estar de férias. Porém me garantiu que eu poderia ficar tranquila pois como o noivo era mecânico de Lando e estava trabalhando na construção dos carros para a próxima temporada só poderiam tirar férias na próxima semana. Segundo ela, eles iriam para um roteiro romântico por algumas cidades da Itália. Rapidamente chegamos à empresa e nos dirigimos a entrada, Jenny nos esperava sorridente, já me entregando um novo crachá e alguns papeis sobre a empresa. Liza me guiou ao setor do RH para algumas informações pessoais, tirar minhas medidas para meus novos uniformes da temporada. Quando sai de lá fomos em direção ao refeitório para um café e quando chegamos, Liza foi em direção a um rapaz que estava de costas para nós e lavava um copo na pia. Deduzi ser seu noivo, já que a mulher o abraçou por trás e ele se virou dando um selinho nela.
esse é Louis meu noivo, Louis essa e a a nova assistente do Daniel – Ela dizia apontando para nós dois, o rapaz me olhou assustado e riu.
— Oh primeiramente boa sorte!— Me disse rindo junto com a noiva – e brincadeiras à parte, é um prazer te conhecer .
— O prazer é todo meu – eu disse para o rapaz após rir junto com eles – Eu gostaria que as pessoas não dissessem isso toda vez que me apresentam como assistente dele, me deixa um pouco preocupada.
Eu não quis parecer grossa, mas enquanto estava caminhando pelos corredores mais cedo ouvi algumas rodinhas sobre “a nova assistente do Daniel” e algo como “a última esperança para a empresa” o que me deixou um pouco irritada já que tudo que sempre vi do rapaz eram coisas boas, sempre muito simpático e sorridente dentro do paddock.
— O que? Ah não me desculpa, é que Daniel é um cara um pouco difícil de trabalhar, é muito brincalhão e irresponsável. O último assistente acabou desistindo depois que o piloto pregou uma peça ao pobre coitado e ele saiu fumegando da sala do Zak dizendo algo como “não sou obrigado a passar por isso, eu tenho formação e não sou pago para ser babá” alguma coisa assim...
— Ok querido ela não precisa saber disso, hoje é só o segundo dia – Liza disse enquanto o noivo ria se lembrando do momento, o que me deixou um pouco preocupada, eu saberia lidar?
— Eu adoro um desafio e tenho certeza de que eu e ele vamos nos dar muito bem viu – disse garantindo ao rapaz. Sem demonstrar a verdadeira preocupação que estava sentindo.
Peguei uma xicara de café junto com Liz e nos sentamos na mesa que havia no local, seu noivo aproveitou mais um tempo ali conosco, era muito nítida a admiração e o amor que eles tinham um pelo outro, era fofo, ficamos conversando sobre engenharia, alguns diferenciais no carro para o próximo ano e o que eles estavam projetando no design junto com o time de marketing e depois de uns trinta minutos conversando, nos levantamos a fim de conhecer outros departamentos. Confesso que me apresentei para tanta gente que demoraria para eu lembrar o nome de todos, mas eles foram bem simpáticos e prestativos. Fomos a sala de reunião para conhecer mais uma pessoa e que segundo a Liza me guiaria ali dentro. Era Marcela e sim ela é brasileira. Logo nos simpatizamos, ela se apresentou como parte do time de recursos humanos com foco em treinamentos e capacitações. Depois das devidas apresentações, ela ligou o projetor e me apresentou a história da empresa, a fórmula um, os chefes, o carro e meu dia a dia.
Eu seria a assistente pessoal e profissional de Daniel Ricciardo. Seria responsável pelos horários, os compromissos, a agenda e graças a minha formação também administraria as redes sociais dele. Eu teria que enviar aos administradores da redes sociais oficial da McLaren posts sobre o piloto, além de garantir que ele estivesse focado e preparado mentalmente a cada corrida. Nunca tinha trabalhado com nada assim antes, mas eu estava ansiosa. Eu começaria logo após as férias do rapaz, que seria até o final do mês. A temporada de fórmula um começa em março e termina no final de novembro. Eu teria um ano para mostrar um bom desempenho não só meu, mas de Daniel também. Eu conhecia os pilotos dessa temporada? Claro que sim, mas eu acompanhava a vida pessoal? Não, confesso que fiz uma breve pesquisa sobre o rapaz como data e local de nascimento, assisti a algumas entrevistas e até segui ao rapaz nas redes sociais para ficar por dentro de tudo.
Ao final da reunião Marcela me entregou um Ipad, de última geração para me ajudar na organização além de um novo telefone só para o trabalho. Tudo isso, segundo ela, era para que não houvesse danos ao meu aparelho pessoal ou uso dele no horário de trabalho evitando assim um processo para a empresa. Sorri agradecida me familiarizando aos aparelhos, Liza me mostrou como ela fazia com a agenda de Lando e me deu dicas muito preciosas que com certeza eu seguiria, ela era muito organizada. No horário do almoço, Marcela nos convidou para irmos ao restaurante fora da sede e fomos no carro dela. A região onde ficava a empresa era rodeada por grandes fazendas e vales, ou seja, muito verde. Marcela nos levou em um restaurante que parecia em um rancho, era sofisticado e rústico. Nos sentamos em um deck com vista para um grande gramado onde podíamos ver a magnifica paisagem. Após tirar algumas fotos e enviar aos meus pais e a Bob, que havia me mandado mensagem mais cedo perguntando como eu estava e o que estava achando. Marcela puxou a conversa e nos apresentamos devidamente.
Ela era de São Paulo e estava na McLaren a quase 5 anos, largou a vida no Brasil, depois de perder um emprego. Quando decidiu morar em Londres fez um curso de especialização e foi quando conheceu Zak em uma conferência e ele a chamou para trabalhar na empresa. Tinha vinte e oito anos. Tinha 1,60 e possuía lindos olhos verdes e cabelos loiros e segundo a mulher estava comprometida com seu emprego. Mah ou Cela, como pediu que eu a chama—se, morava próximo ao meu loft e prometeu que me levaria para conhecer as noites londrinas. Rimos sobre algumas histórias que ela me contava e então resolvemos fazer nossos pedidos. Enquanto aguardávamos, elas me contavam sobre a empresa e sobre a vida naquela região. Segundo elas era uma cidade muito boa para se morar, porém era um pouco pacata, com poucos bares e baladas, as meninas me contaram que era comum alugarem um hotel ou apartamento com os amigos em Londres para aproveitarem a noite londrina, que era mais divertida que Woking. Quando nossos pedidos chegaram ficamos em silêncio apreciando a comida. Depois do almoço, o garçom nos trouxe uma xicara de chá, enquanto aguardávamos a conta. Um costume que eu teria que me acostumar, já que nunca fui muito fã de chás.
— Você gostou da comida ? Aqui é muito bom, fui apresentada quando o Sr. Brown me contratou – Marcela dizia bebericando seu chá e eu concordei com a cabeça.
— É realmente maravilhoso, eu amei a comida e o espaço... E nossa, olha essa vista— eu dizia gesticulando abertamente com as duas mãos, conversávamos em inglês para que Liza não sentisse deslocada.
— É incrível aqui, a noite é ainda mais bonito. O céu fica bem estrelado e essas luzes do pisca ficam acesas... É tudo maravilhoso– Liza dizia um pouco sonhadora – Só é realmente muito frio aqui, porém a vista faz valer cada centavo.
— É verdade, é bem gelado – disse para elas passando a mão em meus ombros, mesmo de casaco ainda sentia um vento forte, devido à altura que estávamos.
Após dividirmos a conta, voltamos em direção a empresa. As meninas me guiaram a área de funcionários onde havia um grande banheiro feminino que possuía cabines com os sanitários, sauna, ducha e até mesmo uma área com secador e chapinhas. Fiz minha higiene e retoquei minha maquiagem. Quando sai do local Liza me guiou a sala de Zak Brown, o CEO a procurou dizendo que queria conversar comigo. Fui me tremendo toda durante o caminho, ninguém queria ser chamada no primeiro dia para a sala do chefe. Ri de nervoso, quando bati na porta ele pediu para que eu entrasse, Liz me desejou boa sorte e saiu em direção ao corredor. Quando entrei na sala, Zac estava no telefone, com as mãos gesticulou para que eu me sentasse e aguardasse. Assim eu fiz, fiquei olhando para minhas mãos um pouco sem graça por estar ouvindo a conversa, cerca de 5 minutos depois ele desligou o telefone e se sentou:
— Desculpe, Srta. Amaral, é o fornecedor de motor para a próxima temporada – ele disse desligando o aparelho, enquanto colocava—o sobre a mesa e se sentava em sua cadeira, de frente para mim – Mas eu te chamei aqui para perguntar, como você está? Como foi seu primeiro dia?
— Sem problemas Sr. Brown, inclusive pode me chamar de se quiser – Eu dizia nervosa – É menos formal – sorri nervosa e ele apenas acenou seriamente, apoiando a mão no queixo — Olha tem sido muito legal. As pessoas são bem simpáticas e prestativas. A Liza e a Marcela têm me ensinado tudo, sobre a empresa, meu dia a dia e alguns processos importantes — dizia super nervosa — Mas foi bem enriquecedor, elas já me instruíram quanto ao meu papel com o Sr. Ricciardo e me deram os aparelhos e materiais para eu começar a trabalhar.
— Oh eu fico feliz querida, e pode me chamar de Zak também. Todos me chamam assim por aqui – Ele dizia sendo bem gentil — mas continuando, é muito bom que você esteja se adaptando. Somos uma grande família aqui e não estou dizendo isso da boca para fora. Eu gosto da proximidade e da confiança direta que temos aqui dentro, isso é muito importante para o trabalho entende?
— Eu sei bem, com toda a certeza a confiança é essencial para esse trabalho. Estou muito empolgada para começar – disse realmente empolgada, dando pequenos pulinhos na cadeira.
— Sobre isso então... Quero também esclarecer alguns pontos poque acho importante – disse sentando–se de maneira relaxada em sua cadeira, depois passando a mão no rosto em sinal de cansaço continuou — todos nós sabemos que Daniel é um grande piloto, mas anda muito sem direção, sem foco no lado profissional — disse pausadamente e com uma voz tranquila – O que você precisa trabalhar é isso, ele precisa desse foco e do preparo. Não queremos que ele mude a personalidade em frente às câmeras, pelo contrário, a mídia ama isso, mas ele precisa de mais empenho não só dentro, mas fora das pistas, entende o que quero dizer? Ele esquece os compromissos, faz as coisas de qualquer jeito, não posta muito nas redes sociais e não tem alguém ali de pulso firme para mandá–lo, então é aí que você entra.
— Eu entendo totalmente senhor. Pode ter certeza de que vou trabalhar para ele entregar um bom desempenho este ano e se depender de mim ele vai ser um novo homem, tanto dentro quanto fora das pistas – disse com uma confiança que nem eu sabia que tinha e me comprometendo com algo que seria muito difícil cumprir, estávamos falando de um rapaz de trinta anos e que precisava amadurecer?
— Ótimo eu fico feliz, investimos muito dinheiro nele. Talvez um dos contratos mais caros da história da empresa e preciso do retorno entende? Tenho pessoas me cobrando o tempo todo — Ele me disse olhando seriamente e naquele momento eu entendi, o Sr. Brown parecia sobre uma grande pressão por parte dos acionistas já que uma grande bolada foi investida na contratação do piloto no ano anterior e até agora não havia tido o retorno. Gelei, porque sabia da responsabilidade que estava nas minhas mãos e nas costas do CEO, ambos seríamos cobrados no fim da temporada e teríamos muito a perder. No fim, tudo se resume ao dinheiro, principalmente na fórmula um. Como eu transformaria um piloto dentro e fora das pistas em apenas um ano? Essa pergunta rondava minha cabeça e eu sorri tentando passar confiança ao homem na minha frente. Mas no minuto seguinte o CEO deu uma cartada final e fez eu perceber o tamanho da responsabilidade que tinha em minha mãos a partir daquele momento.
— E irei te contar um segredo , mas ele irá ficar aqui porque PRECISO e QUERO confiar em você – disse enfatizando essas palavras, dando uma pausa então se posicionando melhor na cadeira e respirando fundo continuando – Se Daniel Ricciardo não entregar um bom resultado durante o ano serei obrigado a demiti–lo no final da temporada.



Capítulo 3

’s POV
Saí da sala de Zak um pouco atordoada, mas também compreendendo o lado do CEO. Todos os pilotos já tiveram seus altos e baixos e infelizmente, esse esporte era movido por dinheiro; todo mundo que conhece a Fórmula Um sabia disso; grandes pilotos já deixaram a categoria por esse motivo. Eu estava determinada a tornar Daniel um grande piloto novamente, pois não era só o futuro dele que dependia disso, era o meu também.
Depois que deixei a sala, as meninas se encontraram comigo e indagaram se estava tudo bem, respondi positivamente e ambas me guiaram para tomar um café. Ficamos conversando, repassando algumas informações e Marcela me disse que eu estava liberada. Os próximos dias eu estaria de folga para descansar e conhecer a cidade. Eu retornaria na segunda para realmente começar os trabalhos.
Fui em direção a saída, me despedi de Jenny após conversar com ela sobre meu dia e caminhei para o ponto de ônibus. Liza, entretanto, ficou na empresa pois esperaria o noivo para irem embora juntos.
Fiquei sentada esperando o ônibus e mexendo no celular. Postei um carrossel de fotos que tirei durante o dia em meu Instagram, e enquanto conversava com algumas pessoas por mensagem, meu ônibus finalmente chegou. Adentrei-o, subindo, e me sentei em uma poltrona próxima à janela ao final do veículo, esperando que a partida fosse iniciada em breve.
Consegui distinguir Peter correndo um pouco afobado para não perder o transporte, rindo levemente com o ato. Assim que entrou, foi escolher um lugar para sentar-se e seu olhar encontrou o meu. Não pude evitar um leve sorriso, enquanto o rapaz viera até mim:
— Oi, , posso me sentar aqui? — ele disse, um pouco receoso. Sorri para ele em retrospecto, respondendo que positivamente. — Sabe eu nunca pego esse ônibus, mas meu carro quebrou hoje bem cedo e eu não consegui consertar a tempo. Acabei chegando atrasado e quase o perdi agora na saída novamente.
— Caramba, seu dia foi agitado, hein! — respondera em meio a uma risada, seguida pelo rapaz que concordara com a fala, colocando sua mochila no compartimento.
— Eu realmente gostei de pegar esse ônibus, é bem rápido e eu ainda consigo aproveitar a vista.
— É verdade — ele disse pensativo e continuou — mas me conta, como foi seu primeiro dia?
— Nossa foi muito diferente, mas ao mesmo tempo, tão divertido. Eu aprendi tanta coisa em apenas um dia, e todos foram tão amigáveis... Por enquanto, tudo indo bem.
— Ah sim, eu fico feliz — dissera, sorrindo verdadeiramente e depois olhando fixamente para mim — Muitos funcionários possuem mais de dez anos de carreira na empresa, então acabam se tornando realmente uma família e isso é muito importante, por que você se sente parte da empresa, entende?
Eu concordei, sorrindo, e de repente percebi que o ônibus já estava a caminho da cidade e eu nem havia me dado conta. Permanecemos conversando animadamente até chegar à rua que eu deveria descer. Quando o momento chegou, peguei minhas coisas e me despedi de Peter.
Após retirar-me do ônibus, fui caminhando até ao loft e aproveitei para conhecer melhor o bairro. Na rua de trás ao meu apartamento, havia uma pequena livraria, e eu sabia que iria passar algumas horas ali nas minhas folgas na cidade e na esquina um pequeno pub decorado que estava relativamente cheio para uma quinta-feira.
Alguns amigos estavam sentados em uma mesa do lado de fora do estabelecimento, outros conversavam animadamente do lado de dentro e sorri internamente com a possibilidade de ir futuramente ao local com Marcela e Liza.
Encontrei um casal de idosos sentados em um banco na mesma rua e resolvi me aproximar para perguntar onde havia um mercado, pois precisava abastecer os armários do meu novo lar, além de necessitar urgentemente de uma boa garrafa de vinho.
— Com licença, me desculpem atrapalhar, mas será que vocês poderiam me informar onde fica o supermercado mais próximo? — eu indaguei para eles um pouco receosa, sabia que os ingleses tinham fama de serem menos receptivos.
— Oh, imagina, está vendo o pub no fim da rua? — A senhora informou, apontando disfarçadamente ao local e eu apenas confirmei com a cabeça. — Certo, você seguirá reto, então verá uma floricultura de esquina, o mercado fica duas ou três casas ao lado.
Ela sorriu simpaticamente e o marido concordou. Sorri de volta, agradecendo a ajuda e fui na direção a qual ela me informou. Estava com uma mochila que havia ganhado mais cedo no escritório com todos os meus novos aparelhos, carteira e visto.
Cerca de três quadras depois do tal pub, avistei a floricultura do lado esquerdo e então atravessei a rua, encontrando o supermercado, que era um pouco maior do que imaginei. Entrei no estabelecimento e fui em direção às prateleiras de mantimentos e higiene pessoal, pegando apenas essencial.
No caixa, a atendente me informou que não havia sacolas plásticas e precisei comprar sacolas recicláveis. O trajeto de volta fora dificultoso, e eu instantaneamente me arrependi de ter comprado tanta coisa, pois estava muito pesado e a mochila dificultava o trajeto. Mesmo em meio às adversidades, cheguei em casa alguns minutos depois, parando algumas vezes devido ao cansaço.
Quando abri a porta, deixei as sacolas jogadas na cozinha, coloquei a mochila na mesa e me sentei exausta no sofá. Olhei para as compras e resolvi tomar um banho, para depois organizar tudo, guardando apenas os itens de geladeira para não estragarem.
Subi em direção ao banheiro e após fazer minha higiene e de colocar um pijama confortável, desci para a cozinha e liguei a caixinha de som que havia, então após colocar Taylor Swift para tocar, abri uma garrafa de vinho e resolvi começar a organização.
Já era tarde da noite quando fui dormir, depois de organizar a cozinha, meus materiais de trabalho e conversar com a minha família sobre meu primeiro dia, fui descansar e adormeci rapidamente. Nos dias seguintes aproveitei a folga para arrumar o loft e deixar a casa mais do “meu jeito”, após ir ao centro comprar alguns itens de decoração.

*_____________*_____________*


Os dias se passaram rapidamente. Apesar de ter bastante tempo para trabalhar e organizar as agendas, nunca me senti tão esgotada. Eram muitas reuniões, encontros, organização anual de compromissos que Daniel deveria cumprir e fechamento de novos contratos. Conheci Alex, o preparador físico do rapaz e decidimos juntos alguns programas da agenda do piloto, além de poder conhecer toda a equipe de mecânicos que trabalhava com ele.
Cada piloto tinha seu próprio “time”. Haviam os mecânicos que cuidavam desde o primeiro parafuso até as asas e pneus do carro; o time técnico que era responsável pelos gráficos e dados para os pilotos, o assistente, engenheiro e preparador físico. Estes trabalhavam a temporada toda com o piloto, ou seja, eram essenciais que estivessem em sincronia.
O que não era segredo, é que dentro de cada equipe, havia uma competição entre os pilotos para a conquista de pontos ou podiums. Existiam até apostas de quem seria o campeão no final da temporada e na McLaren não era diferente. Até o momento, Lando dominava as apostas.
Algumas semanas já tinham se passado e eu já estava mais acostumada com o lugar, as pessoas, além de ter feito boas amizades como Marcela, Liza, Jenny e Peter. Esse último mandava mensagens aos finais de semana para passearmos, me levando para conhecer a cidade, fomos a algumas festas de seus amigos e com isso acabamos criando uma boa amizade. Marcela e Jenny diziam que o rapaz estava interessado em mim, porém eu não acreditava muito nisso. Peter era um cara bonito, qualquer um concordaria com isso; até ouvia suspiros vindo de algumas mulheres da empresa quando ele passava. Mas, como já havia dito para minhas amigas, eu não estava interessada no momento, meu foco é no meu trabalho.
A última semana de janeiro chegou rapidamente. Daniel informou a Zak que só voltaria na próxima semana, o que não agradou o CEO e me deixou em alerta. Se Ricciardo não mudasse e se tornasse mais responsável, teríamos problemas. Isso acabou atrasando o meu encontro com o rapaz e me deixando cada vez mais ansiosa.
Já que Daniel não voltaria naquela semana, Zak me informou que eu poderia descansar e me preparar mentalmente, já que na semana seguinte, teríamos várias reuniões, entrevistas e fotos para comparecermos. Aproveitei para colocar meu sono em dia e como meus novos amigos estavam trabalhando, fui passear sozinha pela cidade, a fim de me familiarizar ainda mais com a cultura local.

*_____________*_____________*


Era uma segunda-feira fria e chuvosa em Woking, quando me levantei e fui me arrumar para mais um dia de trabalho. Após vestir meu casaco, calçar uma bota de chuva e colocar meu sapato para o trabalho na bolsa, para usar quando chegasse, fui pegar o ônibus fretado, que atrasou alguns minutos. O dia já não havia começado bem.
Quando o grande automóvel estacionou em frente à sede, corri com o guarda-chuva até a entrada, mas ele simplesmente quebrou, me deixando desamparada no meio do caminho, e com isso, tive de ir correndo em direção à entrada, tomando um belo banho de chuva. Quando cheguei a recepção dei de cara com Jenny rindo do meu desespero:
— Ah meu Deus, , parece que você foi para a guerra e só levou esse guarda-chuva como defesa. — a garota praticamente gargalhou da minha cara, enquanto eu tentava consertar o artefato inutilmente.
— Bom dia, Jenny. — resmunguei com sua graça inapropriada, bufando levemente. — Olha, eu não nasci para tempo chuvoso e frio não sabia? Eu sou brasileira e amo o sol e clima quente!
Irritada, deixei que o guarda-chuva inútil recaísse na lixeira.
— Hey, calma! Venha cá que eu vou te ajudar — pronunciou, me direcionando até o banheiro que havia no local, após pegar uma bolsa em um armário na recepção. — Eu sempre deixo um secador caso precise arrumar meu cabelo, sabe? Antes de alguém importante chegar — Ela sorriu gentilmente para me confortar, deixando-me mais à vontade em meio a raiva. — Então aproveita, arruma seu cabelo e deixa esse casaco lá na área de funcionários para secar, antes de ir encontrar com o Sr. Brown e o Daniel. Fica tranquila, eles ainda não chegaram aqui.
Depois de agradecê-la imensamente pela gentileza, aproveitei esse tempo para fazer o que ela me disse. Após sair da área de funcionários, agora devidamente seca, com meus sapatos baixos, além do meu tablet, agenda e o telefone do trabalho em mãos.
Fui a cafeteria pedir um chocolate-quente para me aquecer. Enquanto aguardava meu pedido, recebi uma mensagem de Alex, avisando que eles já estavam me esperando, então corri para a sala com minha bebida em mãos. Após dar duas batidas leves na porta, Zak pediu que eu entrasse.
— Olá, bom dia — pronunciei gentilmente ao passo que adentrava o local, reparando que além de Alex, também estavam presentes na sala Simon, o engenheiro do rapaz, Daniel e Zak Brown.
Coloquei meus pertences na mesa, cumprimentando cordialmente os três rapazes que eu conhecia, deixando que Zak apresentasse Daniel diretamente a mim.
— Bom dia, , como você está? — Ele indagou, receptivo.
Respondi com um aceno silencioso, me aproximando dele e de Daniel, que estava ao seu lado, em pé na mesa de café que havia preparada ali.
— Bom, vamos às devidas apresentações. Daniel esta é sua nova assistente, Amaral. , este é o nosso piloto Daniel Ricciardo.
Após nos cumprimentarmos com as mãos, o rapaz deu um grande sorriso e respondeu:
— É um prazer, . Posso te chamar assim? — ele me perguntou e confirmei com a cabeça, gentilmente. — Alex e Zak estavam me falando sobre você, só coisas boas... Acredite.
Ao passo que ele dissera aquilo, todos da sala — incluindo a mim —, riram e eu agradeci também, respondendo:
— É um prazer, Ricciardo, espero que possamos trabalhar bem juntos. E o que você precisar eu estou aqui, ok?
Ficamos conversando, enquanto eles tomavam cafés e eu meu chocolate-quente. Ao passo que os rapazes debatiam sobre o campeonato de futebol, fui me sentar para organizar e me preparar para a reunião. Cerca de cinco minutos depois, todos ocuparam seus lugares e Zak Brown iniciou, dizendo:
— Vamos começar. Bom... Eu convoquei essa reunião separada com a sua equipe, Daniel, pois você teve significativas mudanças no time esse ano, com a chegada de Alex e . Acredito que são dois grandes perfis que vão somar e te ajudar muito nessa temporada. — apontou para nós dois, ao passo que prosseguia sua fala imperativa. — Eu quero e preciso que vocês se deem bem, pois a equipe precisa de pontos e de podiums nessa temporada.
— Eu entendo, Zak, prometo dar o meu melhor neste ano. Sei que dei algumas mancadas no ano passado e pretendo consertar esses erros nessa temporada — Ricciardo dissera sério e eu realmente percebi em seu olhar, que estava dizendo a verdade, parecendo ligeiramente preocupado com as palavras do CEO.
— Ótimo, assim eu espero. — Zak dissera, agora apontado para mim. — Por favor, , se apresente para Daniel e nos conte mais do que preparou durante esse período.
— Bom, Daniel, eu sou , mas todos me chamam de . Tenho 26 anos e sou de Minas Gerais, no Brasil — pronunciei, muito nervosa, pois odiava me apresentar e ter tantos olhares fixamente em mim. — Eu gosto muito de Fórmula Um, mas isso não é novidade — todos riram na sala, como previsto. —, mas também sou vidrada por filmes, séries e músicas do mundo geek. — relaxei os ombros antes de prosseguir, respirando fundo. — Toda sua agenda já foi organizada e está disponível em seu e-mail. Para executar qualquer alteração, preciso de, pelo menos, vinte e quatro horas de antecedência.
Antes que eu pudesse prosseguir a explicação, fui interrompida educadamente pelo piloto:
— Oh, brasileira? Eu amo o seu país — ele disse de modo simpático. — As pessoas são tão alegres e animadas, eu adoro isso.
— Nós sabemos bem disso, não é, pessoal? — Zak riu conjuntamente aos outros rapazes, o que acabou me fazendo rir também, por conhecer a fama do rapaz.
— Mas voltando ao assunto — Dani cessou as risadas dos demais, regressando ao foco. —, fico feliz por isso. Acho que vamos nos dar super bem, pois também adoro o universo geek e a Fórmula Um. Mas quanto a organização, deixo nas suas mãos e eu seguirei à risca.
— Isso é importante, Daniel, já que todos os seus dias estão cronometrados, excetos os finais de semana de folga. Não queremos tirar sua liberdade ou te prender a uma rotina, por isso, nesses dias, nada de trabalho, agenda ou nossas carinhas te incomodando.
Rimos em uníssono, porém continuamos conversando mais um pouco sobre mim e algumas curiosidades do Brasil, para iniciar a reunião pouco tempo depois, apresentando alguns projetos que preparamos para o piloto durante o ano. O trabalho já começava naquela semana, com uma reunião com os engenheiros para decidirem os detalhes do carro desta temporada.
Zak nos deixou um tempo depois para participar de outra reunião, então ficamos na sala, conversando e decidindo alguns eventos da agenda. Quando começamos a ficar com fome, fomos almoçar juntos para nos socializarmos; o tempo todo, eu ria mais do que falava. Daniel era um cara incrível, de riso fácil, sempre tínhamos assunto. Parecia que nos conhecíamos há muito tempo e não há apenas algumas horas.

*_____________*_____________*


A agenda de Daniel estava tão cheia, que as semanas se passaram rapidamente. Era fim de fevereiro, nos aproximávamos do começo do campeonato e das apresentações dos carros. Dani estava colaborando muito, o que ajudou no meu trabalho e de Alex; esse vinha fazendo o piloto se exercitar mais, ter uma rotina regrada com os horários de alimentação, filmes e até a hora de dormir. Ricciardo não tinha gostado muito no começo, mas Alex era firme e muito sério deixando o pobre coitado sem muitas opções.
Já meu trabalho estava indo bem. Nos primeiros dias, precisei acordar o rapaz e lhe entregar as refeições durante o caminho, pois ele não parecia querer cooperar conosco. Um desses dias, foi na sessão de fotos que precisava comparecer, e ele simplesmente não chegou.
Faltava cerca de cinco minutos, quando percebi que o rapaz realmente não viria e não atendia as ligações, furiosa pedi uma hora aos responsáveis que depois de muita briga aceitaram e eu corri para casa dele. Encontrei o piloto jogando videogame e quando indaguei o que havia acontecido, ele apenas me respondeu “eu esqueci, ” dando de ombros. Fiquei irada, desliguei o console da tomada, irritando-o, mas ordenando que o australiano fosse para o banho. Cerca de quinze minutos depois, entretanto, voltei ao local, agora com ele para começamos a sessão.
O último sábado do mês chegou com um sol radiante na fria Woking. Eu havia acordado a pouco tempo e apreciava meu café tranquilamente, sentada na bancada, quando fortes batidas na porta foram ouvidas, me assustando. Fui até a porta, xingando em português quem quer que fosse àquela hora da manhã, me deparando com Ricciardo entrando em meu apartamento, apenas me cumprimentando com um beijo rápido em minha testa:
— Eu não acredito que você acabou de acordar, — ele sorriu, deitando-se em meu sofá e mudando de canal para uma luta de UFC.
— Primeiramente, bom dia, Daniel, dormiu de calça jeans? — Eu fechei a porta, me sentando na poltrona ao lado do sofá. O rapaz adotou uma expressão confusa para a minha pergunta. — É uma expressão brasileira... Ah, esquece.
Ele me olhou rindo e consequentemente comecei a rir também. Era natural e leve estar com o rapaz. Estava focado na luta que passava na televisão e sem prestar muita atenção em mim. respondeu:
— Se você tivesse olhado minhas milhões de mensagens, saberia que eu estava a caminho, minha querida amiga — ironizou, apontando para o aparelho celular.
Levantei-me, indo em direção à bancada pegar o meu aparelho e quando a tela se acendeu, notei as milhares de mensagens que havia, não só dele, como da minha família, Marcela e Peter.
— Ah, tudo bem, agora que eu li o que você quer dizer com “se arruma que vamos sair”, há trinta minutos. Mas querido, você acha que eu fico pronta tão rápido? E aliás, se não sei aonde vamos, como saberei o que devo vestir? Ou o que devo levar?
Daniel gargalhou alto, levantando-se do estofado, enquanto eu gesticulava furiosamente para ele. Odiava ser pega desprevenida, e pela convivência, ele já deveria saber disso. Entretanto, o australiano apenas segurou meus ombros e disse:
— Eu sei disso e peço desculpas, mas você tem quinze minutos para ficar pronta. Vamos em um almoço de um amigo em Londres, ou seja, você precisa ser rápida e isso começa... AGORA.
Ele disse tão entusiasmado quanto uma criança, apontando para o relógio em seu pulso, começando a bater palma para me apressar. Esse gesto mesmo que inocente me irritou, lançando um olhar furioso para o rapaz, que fez apenas pose de rendição. Subi em passos rápidos para me arrumar, enquanto xingava ele mentalmente.
— Ok, mas saiba que eu só estou indo porque é em Londres e comida de graça — informei, conforme separava minhas roupas e me encaminhava ao banheiro.
Cerca de dez minutos depois, eu estava em minha penteadeira, fazendo uma maquiagem leve com apenas um protetor solar com base, um pó, um delineado preto, meu rímel e um batom nude. Desci e encontrei Dani concentrado na luta. Fui em direção a bancada da cozinha para pegar meus pertences pessoais e arrumar a pequena bolsa que havia escolhido.
O look escolhido era básico, já que Ricciardo me informou que era um almoço simples entre amigos. Estava vestida com uma calça jeans escura, um cropped branco e um cardigan de lã por cima. Londres mesmo com sol, ainda era fria, e eu estava começando a entender o clima da cidade.
Aproveitei que Daniel estava concentrado na televisão para responder as mensagens que eu tinha recebido. Peter havia me perguntado o que eu faria hoje e se eu queria me encontrar com ele mais tarde, informei que almoçaria com Daniel em Londres e não sabia que horas chegaríamos. O rapaz me respondeu apenas com “ok, bom almoço”. Não entendi o porquê daquilo, mas resolvi ignorar dizendo que ele podia passar em casa à noite para assistirmos um filme, o moreno me informou que ia ver se daria.
Depois, resolvi responder outras pessoas, como meus pais e então, mandei mensagem para Marcela e Liza no grupo que tínhamos, informando que iria almoçar em Londres com Daniel. Liza respondeu com “sortuda, eu queria ir nesse almoço” e Marcela completou “oh eu também, depois me conta tudo”. Primeiramente não entendi o que elas queriam dizer com aquilo, olhando para Daniel, chamando-o para informar que estava pronta.
— Quem é o seu amigo, Daniel? Que iremos almoçar hoje. — Perguntei, enquanto desliguei as luzes e abri a porta.
O piloto saiu e permaneceu aguardando no corredor:
— Relaxa, , você o conhecerá.
Tranquei a porta e seguimos em direção a escada, mas bufei curiosa com relação ao nosso destino. Cumprimentei um rapaz que trabalhava na sede conosco e fomos em direção ao seu carro, uma McLaren 720s azul escura. Fiquei boquiaberta com o veículo, o que fez o rapaz rir, me empurrando em direção ao banco do passageiro.
Conforme abri a porta e ela subiu, sorri internamente por ter a oportunidade de andar em um carro desses. Daniel fechou minha porta, despretensioso, entrando no carro e dando partida no veículo.
A viagem de Woking até Londres levava cerca de cinquenta minutos, em um carro normal. Com o carro de Daniel e o piloto querendo mostrar a potência do motor, chegamos em, aproximadamente, meia hora. Gravei alguns stories e mandei um vídeo para meu pai, que ficou muito animado com o ronco do motor.
Quando chegamos à capital, Riccardo fora me mostrando alguns locais e eu como boa turista, olhava atentamente para poder conhecer futuramente em um passeio pela cidade. Confesso que nesse um mês e meio morando aqui, ainda não tinha conhecido Londres, mas a cidade estava na minha lista.
Pedi que Daniel parasse em uma padaria para que comprássemos uma sobremesa para levarmos, ele me perguntou o porquê daquilo. E então, eu expliquei para ele que no Brasil seria rude chegarmos em um almoço com as mãos vazias; ele prontamente entendeu e parou em uma doceria, esperando no carro. Quase infartei com o preço dos doces, mas escolhi uma belíssima e deliciosa torta de morango. Paguei, voltando ao veículo rapidamente.
Fomos nos distanciando do centro, indo em direção a um bairro extremamente elegante, com enormes mansões. Permaneci boquiaberta a cada casa que passávamos, pois todas eram lindas, elegantes e algumas bem modernas.
De repente, o carro parou em frente a uma casa de dois andares, com um muro baixo e um belo jardim na frente. Daniel estacionou um pouco mais a frente, pois havia outros caríssimos veículos estacionados na rua. Após abrir a porta para mim, já que me encontrava segurando a torta, fomos juntos em direção a casa.
O piloto abriu o portão e fomos em direção a porta. Indaguei-me internamente se aquelas pessoas não tinham medo de serem assaltadas, já que todas as casas da rua ou tinham muros superbaixos, como essa, ou sequer havia muros ou portões. Ri comigo, mesma tentando me arrumar enquanto Daniel tocava a campainha.
Quando o dono da residência abriu a porta, meu mundo parou, por um segundo: minhas pernas ficaram bambas e eu perdi o ar. Na minha frente, estava ninguém menos que Lewis Hamilton, sorrindo e cumprimentando Daniel. Quando os olhos do moreno caíram sobre mim, sabia que tinha morrido e só podia estar no céu, porque aqueles olhos e aquele homem não podiam ser reais.
— Olá, você deve ser a assistente e amiga do Daniel, seja bem-vinda! — ele sorria, abrindo espaço para entrarmos na casa.
Dani entrou primeiro, acostumado com o ambiente, enquanto sorri timidamente atrás dele. Após parecer uma idiota o encarando, sem saber como agir, apenas respondi seu cumprimento educado:
— Oi, muito prazer, eu sou , mas pode me chamar de . — respondi educadamente o piloto, sem poder cumprimenta-lo com as mãos, devido a sobremesa que as ocupava.
Depois de me encarar sorridente, seu olhar caiu para meu colo. Seguindo seus olhos, percebi que ele observava curioso a sobremesa em minha mão.
— Oh, me desculpe, essa é uma sobremesa para comermos após o almoço. — Entreguei a forma ao rapaz, delicadamente, para que não afetasse o doce. — É uma torta de morango, espero que goste.
— Não precisava, , mas quer saber um segredinho — ele pegou a sobremesa das minha mãos, guiando-me para dentro da residência, enquanto o olhava curiosa. — morango é uma das minhas frutas favoritas;
Rimos juntos, conforme ele me guiava para a sala, pedindo que eu ficasse à vontade. Sorri, agradecendo-o, indo em direção ao Daniel e às outras pessoas que estavam no local.
Quando cheguei na sala, todos olharam para mim e naquele momento, eu gostaria que tivesse um buraco para eu cavar e me enfiar. Odiava ser o centro das atenções. Daniel, contudo, levantou-se rapidamente para me apresentar ao resto do grupo, notando meu nervosismo:
— Pessoal, está é minha nova assistente e agora amiga, — apontou para mim e depois a cada um do grupo, respectivamente conforme falava. — , esses são Carlos Sainz e a sua namorada, Isabel; aqueles dois no outro sofá, são Sebastian Vettel e a esposa, Hanna. Ah, e aquele pequeno ser solitário na poltrona, é Pierre Gasly, o namoradinho Charles o deixou sozinho hoje — o mesmo riu com escárnio, mostrando o dedo do meio ao rapaz.
Sorri, ainda envergonhada, mas me apresentando para cada um cordialmente. Após isso, me sentei entre Gasly e Daniel, com inúmeras perguntas sendo disparadas para mim. “De onde eu era”, “como fui parar na McLaren” e ainda mais, “quantos anos eu tinha” e até se “eu tinha namorado”. Respondi todas e na última, um pouco sem graça, respondi que não.
Depois do interrogatório, ficamos conversando sobre assuntos diversos. Hamilton se juntou a nós um tempo depois, me entregando uma garrafa de cerveja e informando que ouviu a pequena apresentação sobre mim da cozinha e ficou interessado, fazendo mais algumas perguntas sobre o Brasil, pois segundo ele, era um de seus países favoritos. Lewis chamou todos para a área externa da casa, em que havia uma piscina, quadra de futebol com cesta de basquete e alguns sofás para nos sentarmos.
Os rapazes engataram em uma conversa sobre a temporada, futebol e UFC, enquanto as meninas me puxaram para nos sentarmos na beira da piscina e conversarmos melhor. Como eu estava de calça jeans, não me arrisquei a colocar meus pés na água, então me sentei de lado para elas e de costas para os rapazes.
Permanecemos conversando sobre o dia a dia delas, os nossos trabalhos e Hanna me disse que era mãe de três crianças que ficaram em casa com os avós. Fiquei surpresa, pois ela parecia tão nova e era tão esbelta que nem parecia. Isabel olhou para o grupo dos meninos e depois para mim com um sorriso, olhou para Hanna que sorriu cúmplice.
— O que foi? — perguntei curiosa, olhando para trás rapidamente, sem entender, voltando meu olhar para elas.
— Ah, menina você perdeu, o Hamilton estava olhando fixamente para você — Isabel disse e Hanna concordou, comentando que também tinha reparado, o que instantaneamente me deixou envergonhada.
— O que? Não! — neguei com a cabeça e sorri sem graça, pois quando olhei novamente para trás, ele olhava para nós. — vocês estão imaginando coisas.
— Ah, meu Deus, você ficou com vergonha ! Que fofa. — Hanna disse, rindo, deixando-me com mais vergonha ainda.
Resolvi mudar de assunto rapidamente e elas resolveram deixar essa história de lado, para minha sorte. Cerca de uma hora depois, Hamilton perguntou se podíamos ajuda-lo a arrumar a mesa e nós concordamos, nos levantando. O anfitrião ficou responsável pela comida e depois de uma pesquisa rápida com os presentes, eles me informaram que o piloto era um bom cozinheiro. Eu e as meninas arrumamos a mesa e em menos de dez minutos, nos sentamos para almoçar.
O almoço foi muito divertido, Daniel e Sainz faziam várias piadas e brincadeiras, que fazia todos da mesa rirem. Ficamos um bom tempo ainda sentados, conversando. Na sobremesa, tínhamos a torta que eu trouxe, o que segundo todos os presentes ali era fofo e educado da minha parte, além de alguns potes de sorvetes. Aproveitamos para jogar UNO, enquanto deixávamos as peças sujas na máquina de lavar-louça (nota mental: comprar uma dessas para o loft).
A tarde passou divertida e rapidamente. Mais tarde, ficamos jogados na sala, conversando e assistindo um filme, quando Daniel se levantou para “roubar” mais sorvete na cozinha. Lewis, entretanto, sentou-se ao meu lado para conversar um pouco mais comigo, que fez Hanna sorrir e Isabel olhar para mim, fazendo beijinhos com a mão. O simples ato me deixou vermelha e sem graça:
— E aí, , o que achou do almoço? — ele indagou baixinho para não acordar Pierre, que dormia no colchão no chão bem aos meus pés. — Inclusive a torta estava divina.
— Estava incrível Lewis, você é um ótimo cozinheiro — eu o respondi, um pouco sem graça por elogiá-lo, me virando para a televisão para disfarçar, o que não passou despercebido para o rapaz.
Qual é estávamos falando do maior piloto da atualidade, eu nem sabia como agir perto dele.
— Não precisa ficar com vergonha, , está tudo bem, eu sei que sou um ótimo cozinheiro — Hamilton se gabou, me empurrando levemente com os ombros, o que me fez corresponder o sorriso.
— Eu acho que eu não deveria ter te elogiado, não é mesmo? — ri contida, pausando para prosseguir. — Seu ego cresceu demais, eu hein!
Ele riu alto, fazendo com que Vettel olhasse para o moreno, pedindo silêncio. O inglês pediu desculpas, voltando-se para mim:
— Gostei de você, , acho que vamos nos dar super bem — colocou o braço em volta de mim, depois virou-se para a TV, me deixando super envergonhada por aquele momento.
Daniel chegou, brigando com o amigo por ter roubado o lugar dele e se sentou no outro sofá que havia no local. Ficamos à tarde toda assim, depois os rapazes engataram em um papo sobre a temporada desse ano e eu e as meninas ficamos jogando UNO na sala de jantar.
Quando já eram quase oito horas da noite, Daniel me chamou para irmos embora e eu concordei, me levantando e despedindo-me de todos. Peguei o número das meninas e prometemos manter contato, principalmente porque nos veríamos durante algumas corridas quando elas acompanhavam seus maridos.
Depois de me despedir dos rapazes, fomos em direção a porta. Daniel saiu primeiro, se despedindo do dono da casa e eu fui novamente atrás dele, como se não soubesse andar sozinha. Ri, envergonhada, e fui me despedir de Hamilton. Nesse momento, ele me abraçou e eu fiquei inebriada pelo cheiro de seu perfume.
— Eu com certeza espero te ver mais vezes, — sussurrou, causando leves arrepios por todo meu corpo. —, foi um grande prazer te conhecer.



Capítulo 4

’s POV
O começo do campeonato estava se aproximando, portanto, a agenda de Daniel estava sempre cheia. Eram inúmeras sessões de fotos, reuniões, testes, propagandas, além de uma preparação física intensa por parte de Alex. Hoje eu e toda a equipe estávamos em um circuito próximo a sede para o último teste no carro, antes do início da pré-temporada. A equipe de Lando havia feito o teste no dia anterior e o garoto havia se adaptado rapidamente, fazendo bons tempos e conseguindo manter a constância.
Havia uma certa apreensão para que Daniel conseguisse fazer o mesmo no dia de hoje. Estávamos no pit lane, enquanto os mecânicos terminavam os últimos ajustes no veículo, ao passo que Daniel e Simon conversavam sobre as mudanças do carro. Otimizei o tempo para responder alguns e-mails e organizar a agenda do piloto, que sempre estava em constante movimento, além de publicar alguns stories no Instagram da McLaren. Após colocar os equipamentos e receber as últimas instruções, Daniel saiu em direção a pista para as primeiras voltas.
Voltei a me sentar na bancada, em frente a várias telas, em que algumas apresentavam detalhadamente informações do veículo, e outras, demonstravam a visão do piloto de dentro do carro. Eu assistia apreensiva, roendo o esmalte de minhas unhas, conforme Daniel fazia as primeiras voltas de aquecimento do pneu. Quando estava indo para a terceira volta, Simon pediu que o rapaz acelerasse e foi o que ele fizera prontamente. Daniel conseguiu fazer um bom tempo na primeira volta com 1’43.405, porém quando começou a sentir confiança com o veículo, conseguiu chegar a 1’41.760. Um resultado incrível e o colocando a frente de Lando que fez 1’41.968 no dia anterior.
Daniel continuava na pista, quando alguns fiscais da FIA chegaram para inspecionar o veículo e a equipe, a fim de verificar se não havia nenhuma irregularidade. Essa inspeção era obrigatória pois podia fazer com que a equipe fosse punida até com a desclassificação no campeonato se houvesse alguma irregularidade no veículo. Enquanto eles conversavam com Zak Brown, Simon e os outros engenheiros, resolvi me levantar e ir comer alguma coisa. Fui em direção a pequena lanchonete que havia por ali e depois de fazer meu pedido, me sentei e percebi que havia recebido uma nova mensagem de Peter, já aproveitando para respondê-lo:
WHATSAPP
Peter
On-line

Oi, Bea, como andam as coisas por aí?

Hey Pet, tudo ótimo. Dani está indo bem e conseguindo se adaptar rapidamente ao carro.

Ainda bem, fico feliz 😊 Eu queria te perguntar...

Você gostaria de jantar comigo, no sábado à noite?

Ou não, quer dizer... Ah deixa pra lá, Bea. Acho que me precipitei.


Ri da última mensagem do rapaz e fiquei pensando se deveria ou não aceitar seu convite. Antes de respondê-lo com precisão, mandei mensagem para Liza e Marcela no nosso grupo, para saber o que elas achavam. Depois de muita conversa e conselho das minhas amigas, resolvi deixar as inseguranças de lado e aceitar o pedido do rapaz. Ficamos conversando mais um pouco e voltei ao pit lane, a fim de acompanhar o encerramento da inspeção.
Quando cheguei ao local, Daniel já estava estacionado em frente a cabine e tirava seu capacete, conforme os fiscais observavam o veículo minuciosamente. O piloto veio até mim, já me abraçando e comemorando pelo bom desempenho do treino.
— Você viu, , eu arrasei lá na pista! — disse, depois de sair do meu abraço, indo agradecer aos mecânicos e a equipe. Depois, retornou para meu lado, enquanto observávamos a vistoria do carro ao longe.
— Você foi muito bem Dani, parabéns! Essa é a pegada! — pronunciei, realmente feliz pela conquista do rapaz.
— Obrigado, , eu realmente quero ser um piloto melhor esse ano. — ele cruzara os braços, admitindo o fato honestamente.
— Eu sei! — falei, admitindo também com sinceridade e sorrindo para o rapaz. — O que me lembra... Amanhã você tem aquela sessão de fotos com o Lando para a FIA, junto com a gravação da vinheta de introdução; à tarde, uma reunião com a empresa de confecção da sua marca e a noite você estará livre.
— Caramba, eu nem me lembrava desses compromissos! — ele bateu as mãos na testa, exasperado. — Que horas eu preciso estar lá?
— Às 08:00h da manhã. E por favor, Daniel, não se atrase — Olhei em sua direção, que apenas concordou com a cabeça e voltamos a olhar para os fiscais.
Zak acenou para Daniel, que me puxou junto em direção ao CEO e aos fiscais da FIA.
— Daniel, eu e os rapazes estávamos conversando sobre seu desempenho na pista — Zak dizia, enquanto colocava a mão nos ombros do rapaz que sorriu, agradecendo.
— Estou feliz pelo meu desempenho e pelo carro incrível que conseguimos desenvolver esse ano, sinto que vamos muito bem no campeonato! E se eu não for, o máximo que vai acontecer é eu perder minha vaga, não é mesmo.
Todos riram, incluindo o Sr. Brown e eu, que tentamos disfarçar o desconforto pela piada do moreno. O piloto não tinha noção que isso poderia acontecer se ele não fosse bem no campeonato, era tudo ou nada. Ficamos conversando mais um pouco e os fiscais informaram que mandariam o relatório nos próximos dias por e-mail.

*_____________*_____________*


No dia seguinte, eram 7:30 da manhã quando cheguei a casa de Daniel. O rapaz havia me dado a chave depois que o mesmo perdeu o ensaio fotográfico algumas semanas atrás. Quando adentrei a cozinha, me surpreendi. Ele estava pronto e tomava café, enquanto mexia em seu celular.
— Bom dia Daniel — pronunciei com estranheza, enquanto deixava minha bolsa no balcão e colocava café no meu copo térmico. — Eu não acredito que você já está pronto, o que houve? Está doente?
— Haha, engraçadinha, bom dia para você também! — o moreno se levantou e caminhou até o banheiro mais próximo, provavelmente para escovar os dentes. — Estou tentando ser responsável por aqui; , me dê os créditos!
Pouco tempo depois, Daniel saiu do banheiro anunciando que estava pronto para iniciar o dia. Conforme sua admissão, acenei positivamente com a cabeça e saímos da residência em direção a garagem. Daniel possuía vários carros, e naquele dia, o rapaz escolheu uma McLaren GT na cor dourada e fomos em direção ao local do ensaio.
Quando chegamos, algum tempo depois, encontramos Liza e Lando no estacionamento. Enquanto os dois pilotos conversavam um pouco mais a frente, aproveitamos e gravamos uma sequência de stories deles para postar no Instagram oficial e rapidamente, tiveram diversos comentários dos fãs.
Entramos no set e fomos conversar com a equipe, ao passo que os meninos foram conduzidos ao camarim para se arrumarem. Deixamos os dois nas mãos das maquiadoras, permanecendo do lado de fora, conversando animadamente com o fotógrafo durante o período.
No entanto, ouvimos algumas risadas altas e uma gritaria no corredor dos camarins. Quando chegamos, ficamos estáticas com a pequena bagunça que os dois rapazes faziam. Acontece que Daniel tentou passar batom em Lando, quando a maquiadora estava o preparando e quando o rapaz abriu os olhos ficou irado, o que causou risos em todos na sala. Então Lando, infantilmente, pegou um delineador e tentou passar no rosto do moreno, que caiu no sofá, mas Lando o segurou e deslizou a caneta pelo rosto dele.
Depois de algumas fotos e vídeos escondidos, Liza deu um grito que assustou todo mundo no local e então os dois rapazes pararam, com Daniel deitado — com o rosto todo riscado — e Lando em pé com a caneta na mão, sendo impedido pelas duas mãos do australiano.
— Já chega vocês dois — ela disse, assumindo uma posição séria e prosseguiu, nervosa. — Vocês têm quantos anos? — gesticulou brava com as mãos. — Daniel, levanta daí e deixa a garota limpar esse rosto e te maquiar! Lando guarda essa caneta e vai tirar esse batom, agora.
Ela mal tinha terminado de falar e os dois rapazes correram para suas bancadas, obedecendo rapidamente. Sorri confidente para ela e olhei para os pilotos, que riam baixinho sem graça por terem sido “pegos no flagra”. Quando saímos da sala, ela comentou comigo:
— Está vendo, , é assim que se faz! — a garota pronunciou, rindo e fizemos um high-five.
Os rapazes chegaram em menos de dez minutos, já com o novo uniforme do campeonato e maquiados. O fotógrafo pediu que primeiro Lando fosse fazer as fotos sozinhos, depois foi a vez de Daniel e então tiraram diversas fotos juntos. Cerca de três horas depois foi a vez da gravação da vinheta para a nova temporada. A equipe começou a preparar os meninos e depois de uma hora e meia foram liberados para se trocarem e irem embora.
Saímos nós quatro em direção a garagem, e quando chegamos ao carro, nos despedimos de Liza e Lando, que iriam para outro compromisso. Daniel dirigia em direção a um drive-thru para almoçarmos. Depois que compramos nosso pedido, paramos o carro no estacionamento e almoçamos dentro do veículo, pois já estava em cima da hora para a próxima reunião do dia, para decidir os produtos e designs da nova coleção by Daniel Ricciardo. A coleção possuía bonés, camisetas, moletons e para essa nova temporada eles discutiam a criação de mini capacetes, canecas, bermudas e até óculos de sol.
Já era tarde quando saímos daquele prédio. Daniel me convidou para jantar e jogar videogames com ele em sua casa e eu como não tinha nada para fazer, resolvi aceitar. Jantamos pizza, que compramos no caminho e depois ficamos jogando até tarde da noite. Já era começo da madrugada quando o piloto me deixou em casa, estava tão exausta que tudo que fiz foi tomar um banho rápido e dormir.
Devido a agenda lotada de compromissos, mal tinha me dado conta que sairia para meu primeiro encontro na Inglaterra, até que na sexta à noite, Marcela e Liza me ligaram informando que viriam cedo para passar o dia aqui para fofocarmos e ajudarem a me arrumar antes do encontro com Peter.
— Meninas, vocês não sabem — Marcela disse, se sentando rapidamente. — Conheci um cara essa semana, o nome dele é Rick e ele é de Londres! — ela saltitou, batendo palminhas. — E ele me convidou para sair!
Comemoramos enquanto enchemos ela de perguntas. Ela o conheceu quando fora até a cidade para uma convenção e ele era um dos palestrantes. Ele era lindo, ela fez questão de mostrar as redes sociais do rapaz; segundo a loira, Rick era fã de esportes radicais, era muito simpático e ela não via a hora de sair com ele. Depois de falarmos do futuro casal Marcela e Rick, Liza nos contou que ela e o noivo já haviam escolhido a data do casamento, para o começo do ano que vem e o local da festa. Fomos preparar o almoço juntas enquanto conversávamos sobre os projetos do casamento.
À tarde, resolvemos assistir um filme e quando decidi me arrumar, as duas correram para o segundo andar, a fim de me ajudar na escolha de looks e maquiagem. Após tomar um banho relaxante e fazer a depilação, me sentei na cama enquanto as duas brigavam na escolha do meu look. Por fim, como estava esfriando ficou decidido por uma meia fina preta, saia curta e uma blusa de lã mais grossa; nos pés, uma bota preta que ia até o comprimento dos joelhos e um casaco por cima para completar o look.
Pontualmente, às sete horas, eu estava em frente ao loft, quando Peter chegou de carro. O rapaz desceu do veículo e veio me cumprimentar, e como um bom cavalheiro, abriu a porta do carro para que eu entrasse e depois sentou-se no banco do motorista, dando partida no veículo.
Quando chegamos ao local, Peter deixou o carro com o manobrista e me conduziu à entrada. O restaurante era lindo e sofisticado, estava lotado de pessoas, porém o que me surpreendeu, é que só haviam carros de luxo e pessoas da alta sociedade. Olhei para Peter estranhando um pouco, já que ele havia me dito que era um restaurante simples, mas ele sorriu para mim, conduzindo-me em direção à entrada com a mão na minha cintura.
Quando adentramos o local, uma mulher altíssima, que parecia ter saído de uma capa de revista, nos recepcionou. Após Peter dar nossos nomes, fomos direcionados educadamente a nossa mesa. Enquanto caminhávamos, fui observando o restaurante, que de simples não havia nada.
Na primeira entrada, era possível encontrar um luxuoso bar com bancadas de mármores verdes escuras e a cor se estendia por todas as cadeiras do restaurante. Haviam diversas flores espalhadas pelo teto e chão que deixava o ambiente mais leve. Ainda na área do bar, tinham algumas mesas e logo depois, uma enorme porta em vidro, que abria direto para o resto do restaurante com a mesma decoração. Enormes lustres decoravam o local, o que dava um ar mais íntimo e acolhedor.
Quando chegamos em nossa mesa, me sentei de costas para a janela e o rapaz sentou-se de frente para mim. Estávamos próximos à lareira que havia ao fundo do restaurante, que estava ligada devido ao frio do lado de fora. A hostess pediu que ficássemos à vontade e que logo um garçom chegaria. Agradecemos e ficamos observando o local em silêncio. Em uma mesa no centro havia algumas subcelebridades locais, que faziam diversos vídeos e fotos e faziam um pouco de bagunça — o que não agradava um casal de idosos que se sentava próximo, sendo que a esposa chegou a reclamar do barulho com o garçom, que infelizmente, não podia fazer muita coisa.
Quando o garçom chegou com os cardápios em nossa direção, agradecemos e decidimos escolher nossos pedidos.
— Estarei optando por uma taça de vinho, o que acha, ? — ele indagou; conforme folheava a dedo as diversas garrafas que o estabelecimento possuía.
Concordei com a cabeça e decidimos tomar um Very Old Single Harvest Port 1968. Confesso que não entendia nada de vinho, porém meu bolso não ia nos mais caros do local, era quase um órgão humano. Para comer, optei pelo delicioso filé de salmão da Tasmânia com purê de cenoura holandês e o rapaz, escolhera outro prato de nome francês que não prestei atenção.
Peter começou a me contar mais sobre sua família e como veio parar na equipe. Começamos a conversar sobre diversos assuntos e eu percebi como nossas conversas fluíam tão bem, era divertido e leve, era como estar com um amigo de infância. Quando nossas refeições chegaram, ficamos em silêncio apreciando deliciosamente o sabor dos alimentos.
Ora ou outra, Peter me contava sobre uma de suas aventuras com alguns amigos e, de repente, me distraindo, olhei para a entrada e me surpreendi. Lewis Hamilton entrava pelo local com uma garota e um casal de amigos o acompanhando.
— E então, eu estava de frente para a cachoeira e Mark apostou que eu não pularia daquela altura! Eles apostaram cem euros que eu não conseguiria e então eu pulei! — Ele ria, empolgado com a própria fala, mas eu não prestava atenção verdadeiramente. — Sabe o que foi maluco? Não foi minha quase morte, foi que eu nem recebi o dinheiro!
Peter se pegou rindo mais alto do que deveria, então naquele momento, voltei minha atenção a ele rindo fraco, sem prestar muita atenção em seu enredo. Peter percebeu que estava distraída e seguiu meu olhar para a entrada do restaurante, local em que o piloto conversava com o garçom e era encaminhado para a mesa.
— Ah, é o Lewis Hamilton, ouvi dizer que ele conhece os donos. — Observei Lewis novamente, agora entendendo por que ele estava ali. — Aquela modelo do lado dele é uma nova influencer ou modelo, não sei bem — Peter pronunciou, enquanto eu reparava a beleza da mulher que sorria abertamente enquanto o piloto segurava sua cintura e sussurrava alguma coisa em seu ouvido. De repente, senti uma leve pontada no estômago, o que era aquilo? — Agora a gente sabe por que ela está saindo com ele. — o rapaz concluiu, apontando para os paparazzis do lado de fora do local.
— Espera aí, o que quer dizer com isso? E como você sabe dessas coisas? — Eu indaguei curiosa, agora prestando atenção no rapaz.
Peter apenas riu sugestivamente em retrospecto, enquanto tomava sua taça de vinho.
— Ah, qual é . Ele é Lewis Hamilton! — apoiou o cotovelo na mesa, conforme apontava discretamente para o moreno. — É impossível não saber da vida dele, minha irmã é muito fã, então sempre estou recebendo notícias e sabendo de tudo por ela. Até eu conseguir um autógrafo ou vídeo, esse é meu castigo — disse rindo e eu ri instantaneamente, contagiada.
Depois da chegada do piloto e de seus amigos, diversas pessoas começaram a prestar atenção no grupo e cochichar, tentaram até tirar fotos para postar em suas redes sociais. Eles se sentaram em uma mesa próxima a nossa, mas não ousaram olhar para os lados. Depois da refeição, Peter e eu resolvemos pedir uma sobremesa, eu escolhi um delicioso Petit Gateau de chocolate e sorvete de creme, e Peter, entretanto, um Crepe Suzette.
Depois de terminarmos a refeição, aproveitamos mais um pouco o restaurante e então resolvemos pedir a conta. Quando o garçom chegou com a conta, Peter não queria que eu pagasse, porém após eu insistir, dividimos as despesas e resolvemos sair do estabelecimento. Quando nos levantamos, Peter se colocou atrás de mim pois o corredor era pequeno e fomos nos direcionando a saída, porém como nem tudo são flores, quando dei alguns passos pude ouvir alguém me chamar.
, é você? — Era Lewis Hamilton que, no mesmo momento, se levantou para me cumprimentar. Sorri sem graça, acenando com uma mão e ele veio em minha direção. — Ah meu Deus, é você sim, que surpresa te encontrar aqui — o rapaz me abraçou, surpreso.
— Oi Lewis. Pois é, viemos jantar e conhecer o lugar. — pronunciei, retribuindo o abraço e quando olhei para a mesa do piloto, todos me olhavam curiosos, incluindo um certo rapaz atrás de mim que pigarreou sem graça. — Oh desculpe, Lewis este é Peter e Peter, este é Lewis — gesticulei animadamente, enquanto apresentava os dois, que em um toque tipicamente masculino, se cumprimentaram um pouco sério demais.
Logo após, o piloto voltou seu olhar para mim.
— Já estão de saída? Eu posso pedir para o garçom colocar uma mesa aqui e vocês podem se sentar conosco! — ele sorriu receptivo, chamando instantaneamente um garçom que rapidamente chegou ao seu lado, apenas aguardando o pedido dele.
— Oh não, por favor não se incomode — prontamente pedi desculpas ao garçom pelo incômodo, tentando me desvencilhar para irmos embora. — Já estamos de saída, foi bom te ver Lewis!
Sorri tímida, acenando para o rapaz um pouco sem graça, pois não sabia reagir perto dele.
— Poxa, é realmente uma pena, mas tudo bem, não quero atrapalhar vocês. .Foi bom te ver também, .
No entanto, quando presumi que ele voltaria para sua mesa, o rapaz virou-se rapidamente e veio ao meu encontro dar um beijo na bochecha, educada e carinhosamente:
— Ouvi dizer que é assim que vocês se despedem no Brasil… — pronunciou baixinho, depois que me viu ficar com as bochechas coradas. — Tenha uma boa noite... Foi um prazer te conhecer, Peter. — ele se despediu, por fim sentando-se e acenou em direção ao companheiro do meu lado.
Sorri sem graça e saímos em direção a entrada do restaurante. Peter deu o ticket ao manobrista que foi em direção ao estacionamento para pegar o carro do rapaz. Enquanto aguardávamos a chegada do veículo, Peter olhou para mim e eu tentei disfarçar, mexendo no celular. Sabia o que ele ia dizer e não queria entrar nesse assunto. Mesmo assim ele resolveu perguntar.
— Eu estou confuso, desde quando você conhece Lewis Hamilton? — indagou ríspido, me olhando sério.
Vendo que não iria adiantar eu fingir estar ocupada no celular — e por não ter gostado do tom que ele usou quando citou o nome do piloto —, resolvi responder.
— Bom, se lembra daquele almoço que fui com o Daniel, em Londres? — virei de frente para ele, que apenas concordou com a cabeça. — Foi lá que nos conhecemos, ele era o tal amigo — finalmente respondi, apontando para dentro do restaurante. — Acredite, eu só fiquei sabendo quando chegamos lá.
— E você não achou interessante me contar? — ele parecia frustrado, porém o motorista chegou nesse momento e resolvemos entrar no veículo, deixando-o sem uma resposta correta.
Ele deu partida, indo em direção ao meu loft. Tudo que se podia ouvir dentro do carro era nossas respirações e o rádio ligado em uma estação de música qualquer. Eu resolvi não responder, pois pelo tom da conversa ele estava procurando por alguma discussão e eu não estava interessada. Quando chegamos ao meu apartamento, Peter estacionou o carro em frente ao prédio e após desligar o veículo olhou diretamente para mim. Resolvi olhá-lo e desafiar para entender aonde ele queria chegar.
— Olha, me desculpe — ele iniciou, dizendo enquanto tirava o cinto de segurança. — Eu passei dos limites, quer dizer... é a sua vida — disse gesticulando, envergonhado pelos próprios atos. — Apenas fiquei um pouco, eu não sei, enciumado?
— Eu entendo, Peter, mas isso não te dá o direito de ser evasivo comigo! — o respondi seriamente, após retirar meu cinto e olhar para o rapaz. — Sabe por que eu não contei? Porque essa é minha vida agora, conhecer essas lendas do automobilismo e tratá-los como pessoas normais, como elas são e eu só o vi uma vez.
— Eu sei, eu me excedi! — ele parecia constrangido, respirou fundo, tentando prosseguir. — É que eu gosto de você, , mais do que apenas amigos — o encarei séria e sem saber como reagir às palavras dele, carregadas de sinceridade. — Eu estou esperando a noite toda para te falar isso e quando te vi com o Lewis, como você ficou sem graça perto do rapaz e como já pareciam ter uma intimidade, eu só fiquei um pouco irritado, não sei o que aconteceu.
— Eu nem sei o que te responder, Pete — eu o respondi, levando meu olhar, tentando disfarçar a timidez e a falta de experiência com esse assunto. — Eu apenas… Não sei. Gostaria de poder dizer que eu sinto o mesmo por você, mas eu estaria mentindo para nós dois.
— Eu sei, e não estou te cobrando nada, tudo no seu tempo — ele justificou-se, levantando meu queixo e olhando diretamente nos meus olhos. — Gostaria muito que você se desse uma chance sabe, para viver, sei como você ama sua carreira e pensa muito no futuro! — olhei para ele, não entendendo onde essa conversa ia chegar. — mas você precisa pensar no presente, se permitir ser feliz agora. — com os olhos ameaçando cair uma lágrima, sorri para ele. — E se for comigo, eu estarei aqui para te ajudar com isso, mas se não for — deu uma breve pausa, suspirando. —, está tudo bem também, porque tudo que eu quero para você é a felicidade, você é uma mulher incrível!
Naquele momento, eu estava sem palavras. Em um ato rápido e sem pensar direito me aproximei de seu rosto. Quando nossos narizes se aproximaram, um breve sorriso surgiu em nossos rostos e então nossas bocas se tocaram em um breve selinho, porém quando sua língua pediu passagem, não hesitei. Eu sei que o que estava fazendo não era o certo, mas não pude evitar. Depois do vinho, da pequena briga em frente ao restaurante e de suas palavras, algo dentro do meu coração se aqueceu e quando vi estávamos nos beijando. Quando nos faltou ar, paramos o beijo; quando ele colocou seus olhos em mim, sabia que o que tinha feito era errado, eu tinha brincado com os sentimentos dele.
— Pete, me desculpa! — eu supliquei quando nos separamos e o rapaz me olhou confuso. — não pelo beijo, quer dizer, eu quis te beijar — eu suspirei fundo, parecendo um pouco confusa. — Só não quero que crie expectativas nisso aqui. Não quero magoar ou confundir seus sentimentos — concluí a fala, um pouco perdida.
Por ter me relacionado apenas uma vez, eu não tinha muita experiência com isso e meus casos em Nova York foram relacionamentos tão rápidos, coisa de uma noite ou algumas saídas no tédio. Então, não era comum chegar nessa essa parte, sempre terminava meus breves relacionamentos antes.
— Hey , está tudo bem? — ele perguntou, sendo sincero. — Eu não vou ficar trancado no meu quarto chorando e ouvindo Taylor Swift porque a garota que eu gosto não me correspondeu — ele disse e acabamos rindo juntos com a fala. — Entendo e agradeço sua honestidade e se me permite, gostaria que continuássemos amigos.
Eu concordei, sorrindo para ele e depois abracei que retribuiu sorrindo, soltando uma piada logo após o momento.
— Amigos com benefícios se você quiser tá? Essa pessoa aqui — principiou após sairmos do abraço e apontou para si. —, é ótima nessa área, tudo no mais completo sigilo.
Eu ri alto e dei um tapa em seu ombro. Indaguei se ele queria subir e assistir um filme ou beber algo, mas ele me informou que precisava ir embora. Talvez não desejasse prolongar aquela situação.
— Sabe, é algo com meu ego ferido por uma garota aí, entende? — ele falou teatralmente, colocando as mãos no peito e fingindo chorar.
— Para de ser ridículo, Pete — apenas ri, desfazendo o teatro dele e dando outro tapa em sua perna.
— Estou brincando. Amanhã preciso ir à casa dos meus pais para um almoço em família, então é melhor eu dormir cedo porque a viagem até a casa dos meus pais é longa. — Peter colocou o cinto, sorrindo em retrospecto.
Seus pais moravam em Farnborough, o que dava cerca de 30 minutos de Woking. Majoritariamente longe.
— Tudo bem então, obrigada pelo jantar e pela companhia, independentemente de tudo, eu amei nosso encontro. — admiti para o rapaz, que apenas sorriu para mim; concordando e me abraçou para nos despedirmos.
— Eu também amei, e quero que saiba que nossa amizade não mudará. Obrigado por ser sincera e a gente se vê na segunda — o rapaz me soltou do abraço e eu abri a porta.
Quando estava do lado de fora sorri e acenei para o moreno que buzinou saindo com o carro. Entrei no condomínio já subindo as escadas, quando parei no meu andar, resolvi subir mais um e me encontrar com Liza para contar sobre o jantar. Quando toquei a campainha dela, ela gritou um “já estou indo”.
— Ops, acho que atrapalhei algo — eu disse rindo, depois de perceber que ela colocava um moletom enquanto abria a porta.
— Ah não, menina, entra — ela justificou-se, deixando a porta aberta e entrando no loft. — Eu acabei de sair do banho. Louis está lá em cima assistindo um filme.
Ri, já entrando e fechando a porta. Deixei minha bolsa e casaco na bancada ao lado da entrada, ao passo que Louis me cumprimentara com um grito animado.
—Mas me conta, como foi seu encontro? — Liza perguntou, toda empolgada. — Eu estava comentando agora com a Marcela sobre isso, já que você não deu nenhuma notícia!
— Ah, Liz, o restaurante era incrível e a comida de primeira! Mas… — nem pude continuar, já que ela me interrompeu, dizendo:
—Ah, não tem um mas, vai, me conta tudo!
Apenas respirei fundo antes de prosseguir:
— Então, estava tudo indo bem, até que…
E dali em diante, narrei o completo caos, desde o encontro com Lewis, a conversa fora do restaurante, a declaração, nosso beijo, como eu me senti e como ele ficou após tudo isso. Liza escutava tudo atentamente, fazendo algumas interrupções para perguntar algo como “como assim o Lewis estava lá?” ou “Eu não acredito que ele se declarou para você, quer dizer eu achava que ele gostava de você, mas se declarar assim e ainda ser tão fofo e maduro, uau”. Ri com essa última frase e depois que terminei de contar, deixei que ela falasse e dissesse o que achava.
— Sendo sincera, acho que você fez bem. Quer dizer, você gosta dele, mas só como amigo e foi sincera ao invés de deixá-lo esperar por algo que provavelmente nunca vai existir — dissera, pegando na minha mão e sorriu sinceramente. — Ele é adulto, vai superar isso. E cá entre nós, ele é um colírio para os olhos. — Nesse momento, um Louis meio sonolento grita “EU OUVI ISSO, HEIN, AMOR!” e nós rimos juntas. — Eu não me surpreenderia se vocês virassem amigos coloridos e até apoio, mas precisa tomar cuidado para não confundir os seus sentimentos e os dele também, isso nunca acaba bem.
— Eu concordo totalmente e não quero isso! Sei que amizades coloridas nunca terminam bem e o fato dele ter sentimentos por mim pode confundir ele mais ainda, não sou esse tipo de pessoa.
— Eu sei que não é, e sei que vai fazer a coisa certa.
Sorri para ela, verdadeiramente feliz por finalmente ter uma boa amiga, companheira e conselheira. Eu estava começando a me sentir em casa e me sentir parte de algo. Depois daquilo, ficamos conversando mais um pouco e eu resolvi descer para o meu apartamento, para finalmente descansar. Me despedi dela na porta e gritei dando tchau para Louis que não respondeu, tudo que ouvimos foi um ronco.
Quando cheguei ao meu apartamento, fui em direção ao meu quarto para tomar um banho e descansar. Quando me deitei na cama, peguei meu celular e havia uma ligação de Daniel. Seu nome estava salvo como “Honey Badger”, pois era seu apelido e como o rapaz salvou seu contato em meu celular, depois de uma briguinha boba, porque eu tinha salvado apenas como “Daniel”. Resolvi ligar direto, pois sabia que estava acordado, assim que o primeiro toque surgiu o rapaz atendeu já dizendo.
— Fiquei sabendo que você estava em um encontro hoje mocinha e não me contou nada!
— Como o senhor ficou sabendo? E sim, eu estava em um encontro.
— Eu tenho minhas fontes. Com quem posso saber?
— Eu sei que foi o Lewis quem te contou. — suspirei, cansada. — Mas foi com o Peter, do Recursos Humanos.
O próximo grito de Daniel me fez afastar o celular da orelha:
— COM O PETER, É SÉRIO?
Apenas ri baixo em resposta, tomando coragem antes de respondê-lo:
— Qual o problema? Ele é um cara muito legal, sabia? — resmunguei, me espreguiçando. De repente, senti a necessidade de alterar o foco desconfortável do assunto. — E posso saber por que o senhor ainda está acordado, Ricciardo?
— Ah, me desculpe, é que o cara é o maior bobão e todas as mulheres daquele escritório são caidinhas por ele! Achei que você seria diferente… — ele resmungou consigo, se remexendo do outro lado da ligação. — E hoje é sábado, eu posso. Preciso de um pouco de paz, ao menos.
— Bom, ele me chamou para sair e somos só amigos. Foi divertido!
Daniel pareceu não dar importância ao que foi dito, completando sua fala por cima da minha:
— Lewis me perguntou de você. — ele dissera tão rapidamente que mal fiquei nervosa por ser interrompida. — Ficou me perguntando quem era o rapaz que você estava e me disse que você estava bonita... Posso saber o que está rolando entre vocês?
Nesse momento me sentei na cama e fiquei sem resposta. Então Lewis perguntou de mim e ainda me elogiou? Milhares de indagações rondavam minha cabeça e percebi que ainda não havia respondido ao rapaz.
O que você respondeu para ele?
Se conhecesse bem Daniel, saberia que ele estaria dando de ombros naquele momento.
— Que eu não sabia quem era e que eu iria descobrir. — ele pareceu se esforçar para se recordar, de modo cínico. — Bom, e depois eu perguntei se ele queria seu telefone e ele respondeu que sim.
O que Daniel me dissera, fizera-me engasgar com a saliva:
— VOCÊ O QUE, DANIEL RICCIARDO?
De repente meu celular apitou com uma nova notificação pop-up e como se estivesse esperando por aquele momento, uma nova mensagem chegou. Eu nem precisei adivinhar quem era, ao passo que Daniel desligou a ligação em meio ao meu surto.
WHATSAPP
Desconhecido
On-line

Olá, Bea, é o Lewis.

Pedi seu telefone ao Dani e ele me passou, tudo bem para você?





Continua...



Nota da autora: Olá pessoal, tudo bem?
Primeiramente, gostaria de agradecer a todos vocês que estão lendo e curtindo a história! É minha primeira fanfic postada e eu tinha muito medo de não ser aceita, ou de vocês não gostarem, mas desde a postagem do prólogo, só tenho recebido comentários incríveis e isso só me motiva a continuar!
Sou apaixonada por Fórmula Um desde muito nova, mas só tive coragem de escrever no começo deste ano, graças a amigas incríveis que esse site me proporcionou. Sou grata a Julia, Thaís, Bruna, Milene, Thayane, Aline e a todas as meninas que sempre me deram feedbacks construtivos e mesmo sem acompanharem assiduamente F1, me ajudaram a desenvolver os personagens.
Sei que demoro um pouco para postar, mas tenham paciência comigo e não desistam! É só muita coisa acontecendo ao mesmo tempo e isso atrapalhou o desenvolvimento da história, mas estou voltando e logo, logo, virá muito romance, risadas e dramas para os próximos capítulos.
Não se esqueçam de comentar, pois é muito importante para uma autora iniciante. 😉 Beijos de luz!



Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.



CAIXINHA DE COMENTÁRIOS

O Disqus está um pouco instável ultimamente e, às vezes, a caixinha de comentários pode não aparecer. Então, caso você queira deixar a autora feliz com um comentário, é só clicar AQUI.


comments powered by Disqus