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Última atualização: 28/07/2021

Prólogo

1 MÊS ANTES
Era segunda-feira e esperava ansiosamente pela ligação que poderia mudar sua vida. Após acordar e fazer sua higiene matinal, ela decidiu que tomaria um café em sua cafeteria favorita. Queria que aquele dia fosse “O dia”, então tomou um banho e, após vestir uma roupa quente – era inverno nos Estados Unidos e ela não queria ficar doente por causa de um café fora –, saiu de seu pequeno apartamento.
Quando foi em direção ao elevador para sair do prédio, encontrou Shirley, uma mulher muito mal-encarada que morava no final do corredor e sempre implicava com a garota. estava decidida que seria um ótimo dia, então olhou para a senhora lhe desejando um caloroso bom dia, deixando-a um pouco assustada com o entusiasmo da morena, que não foi respondida, mas resolveu ignorar e entrou no elevador a fim de não deixar nada lhe abalar.
A cafeteria favorita da garota era a duas quadras de seu apartamento. Tinha conhecido o local após se mudar para o bairro há quase 2 anos, após terminar a faculdade e ir para Nova York para tentar uma carreira. Apesar do frio, resolveu ir caminhando e, quando chegou ao local que era bem fechado e quente, sentou-se na mesa de sempre, no fim da cafeteria e perto de uma estante de discos. De onde estava, tinha uma visão privilegiada do local e ainda curtia a música, que era sempre agradável. Naquele dia Bob, um senhor de mais ou menos 56 anos e muito simpático, tinha escolhido Elvis Presley e tocava Can't Help Falling In Love, uma das músicas favoritas da moça. Deixou seu celular em cima da mesa e, após checar 3 vezes se tinha sinal e se estava no volume alto, acenou para uma das garçonetes que, prontamente reconhecendo a garota, já anotou e pediu para prepararem seu pedido, ao que a garota agradeceu sorrindo. Resolveu então, enquanto esperava, ficar olhando o movimento da rua naquele horário.
Quando seu pedido chegou, agradeceu a garçonete e tomou seu chocolate quente e seu brownie de gotas de chocolate com calma, apreciando tudo ao seu redor. Resolveu ligar para os pais e, após falar com todos da família e explicar sobre a ligação que estava esperando, o que deixou seus pais mais ansiosos que a própria garota, desligou com os olhos cheios de lágrimas, mas sorrindo. Quando olhou para cima, Bob havia se sentado de frente para a garota e a olhava com um sorriso.
— Como vai minha cliente favorita? Estou vendo que está com carinha de choro hein, o que houve? — O senhor perguntou e ela sorriu tristemente para ele, colocou as mãos no queixo e respondeu:
— Ah Bob, é a saudade de casa, sabe. Da família e principalmente do calor — disse rindo para ele, que riu também, imaginando como seria o clima brasileiro.
— Eu entendo, não deve ser fácil, querida. Mas lembre-se do seu sonho, você não pode desistir agora, falta pouco. — O homem sabia do momento que ela vivia e, para ele, a morena era como uma filha. Queria ajudá-la já que seus pais estavam tão longe, queria suprir um pouco do carinho. — Ah, e me conta, já recebeu a ligação?
— Ainda não, Bob. Estou quase subindo pelas paredes de tão ansiosa — ela disse mudando rapidamente de expressão, agora sorrindo e dando alguns pulos na poltrona.
— Eu imagino, querida, mas eu tenho certeza de que você vai conseguir!
Ela sorriu para ele, agradecendo e levantando a carteira para fazer o pagamento. Por seu pedido ser sempre o mesmo, já sabia de cabeça o valor da conta, US$15 dólares, porém foi impedida por Bob e ela olhou um pouco assustada para o senhor:
— Hoje é por conta da casa, querida, como um presente pelo que está por vir — ele disse sorrindo para ela, que negou com a cabeça.
— De jeito nenhum Bob, eu insisto. — Empurrou o dinheiro para a mesa a fim de deixar lá e uma garçonete pegar.
— Nada disso, , eu insisto. Só prometa que não vai se esquecer da gente e vai sempre vir aqui quando der — ele dizia, agora um pouco triste só de pensar em não ter a garota mais ali para conversar e tomar café com ele.
Após abraçar Bob e se despedir de todos os funcionários do local, saiu em direção à rua e resolveu caminhar um pouco para não ficar pensando na ligação que tanto esperava. O dia tinha esquentado um pouco, era possível ver o sol, mas ainda fazia muito frio. Mesmo assim ela resolveu caminhar um pouco pelo bairro. Andando pelas ruas de Nova York, ela entrou em uma veterinária e por pouco não adotou um gato que estava ali para adoção. Após fazer carinho nele e conversar um pouco com a veterinária do local, saiu e foi caminhando pelas lojas da rua.
De repente estava em frente a uma loja de luxo e se viu encantada por um vestido que, de acordo com a garota, era simplesmente perfeito, era preto e com uma grande fenda na frente. Estava encantada, porém quando olhou o preço na vitrine, quase caiu para trás: era pelo menos 3 salários da morena e se viu triste por não poder comprá-lo. Sorriu sozinha e decidiu que, se o universo conspirasse a seu favor naquele dia, ela compraria aquele vestido futuramente. Quando se virou para ir embora, não conseguiu dar nem dois passos antes que seu telefone tocasse. Ela olhou ansiosa para o aparelho, que exibia as palavras “número desconhecido”, e entendeu o sinal do universo, a partir dali tudo mudaria:
— Alô?
— Olá, senhorita Amaral? Aqui é Zak Brown, será que podemos conversar?


Capítulo 1

~’s POV~

Naquela tarde minha vida mudou completamente. Não é todo dia que você tem Zak Brown te ligando. Após terminar a ligação, comecei a gritar sozinha na rua, o que chamou atenção de todo mundo, mas eu nem liguei, eu estava tão feliz. A primeira coisa que fiz foi correr de volta à cafeteria e dar a notícia a Bob e aos meus pais por chamada de vídeo, foram muitas parabenizações e choro dos meus pais, e Bob me abraçando, dizendo que já tinha certeza que eu passaria.
Ah, deixa eu começar de novo: me chamo , mas todos me chamam de , tenho 26 anos e sou do interior de Minas Gerais. Sim, sou brasileira. Fiz minha faculdade de publicidade na minha cidade e, após juntar todas minhas economias e conseguir uma pequena bolsa, vim aos Estados Unidos para fazer minha pós em marketing. Aí acabei conseguindo um estágio em uma agência de publicidade. Faz cerca de dois anos que eu consegui a vaga, porém eles não me sobem de cargo, mesmo trabalhando mais que todos e mostrando competência. Um pouco depois que eu entrei na empresa, ela foi passada ao filho dos fundadores, um homem difícil de se trabalhar e muito conservador. Com isso resolvi que já era hora de trilhar novos caminhos e comecei a procurar outros empregos. Quando Mark, meu amigo do trabalho, disse que seu amigo Peter, que morava em Londres, estava procurando uma assistente pessoal, eu não pensei duas vezes antes de dizer que eu queria me inscrever, mas quando ele disse que era para a , a famosa equipe de Fórmula 1, eu quase cai dura no refeitório da empresa.
Desde muito novos, eu e meu irmão acompanhamos as corridas de Fórmula 1. Era um evento obrigatório aos domingos de manhã em casa, então acabamos crescendo nesse mundo, mas eu nunca imaginei que acabaria trabalhando na área. Então Mark me passou o contato do amigo e o rapaz me encaminhou para o e-mail de Zak Brown para eu enviar meu currículo. Uma semana depois, fiz uma entrevista com o CEO por videoconferência e ele ficou de me retornar naquela segunda-feira após fazer outras entrevistas. Eu surtei? Com certeza sim, e, quando ele me retornou, me chamando para trabalhar, eu não poderia estar mais realizada. Após a ligação, todas as informações como contratos, visto e principalmente minha mudança para Woking, perto da sede da empresa em Londres, foram acertadas virtualmente com o time de RH da empresa.
Eu não poderia estar mais feliz e realizada. Claro que Nova York sempre foi meu sonho, mas poder trabalhar para uma grande empresa e diretamente para a Fórmula 1 era muito maior do que imaginei, era uma oportunidade única. O contrato era para uma temporada, ou seja, um ano, e se eu fosse bem e entregasse uma alta performance, poderia ser contratada efetivamente. Meus pais não gostaram muito dessa mudança para ainda mais longe no começo, mas, quando contei que era para a , meu pai quase enfartou, confesso que me deixou preocupada. Meu irmão só queria saber quando eu o levaria para conhecer os pilotos e minha mãe chorava dizendo que ficaria mais difícil de me ver.
Enfim, agora estou aqui no meu último dia em Nova York, arrumando minhas últimas malas e olhando em volta me certificando que estava tudo certo. Após um acordo com a dona, ficou decidido que eu poderia deixar meus móveis aqui, caso não desse certo lá, e ela poderia alugar o apartamento desde que não estragassem nada e os locatários estivessem cientes que era provisório. Fizemos esse acordo depois que o representante do RH me informou que seria me disponibilizado um loft para que eu morasse, uma regalia que eles me dariam já que passaria pouco tempo na cidade. Após conferir mais uma vez meus documentos e minhas malas, eu fui dormir pela última vez naquele apartamento.
A despedida com todos que eu conhecia na cidade tinha sido mais cedo e foi uma choradeira e muita comoção. Eu tinha feito poucos amigos na cidade, mas eram tão leais e amorosos que eu quase desisti de tudo e fiquei por ali. Fomos a um restaurante, jantamos e nos divertimos em um karaokê, eu ia sentir muita falta disso. A empresa que eu trabalhei não gostou muito quando resolvi pedir demissão, até porque eu era a famosa faz tudo para eles e não era reconhecida, mas eu estava feliz demais com a minha escolha e, quando sai do local com minha caixa na mão, só consegui sentir um grande alívio pela escolha que eu havia feito.

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~3º POV~
Aquela quarta-feira estava fazendo mais frio que o normal em Nova York e acordou mais cedo que o despertador. Estava tão ansiosa que mal dormiu naquela noite. Mesmo assim resolveu levantar, tomar um banho bem quente e se arrumar para viajar. sabia que, se tomasse café, ia fazer sujeira e não poderia limpar, o que deixaria a dona Shirley furiosa, afinal ela ficaria responsável pelo apartamento para as futuras locações. Pediu um táxi e, enquanto ele não chegava, foi descendo suas malas e, por fim, deixou a chave com a vizinha, se despedindo rapidamente da senhora rabugenta.
Encontrou Mark e Bob aguardando por ela. O mais novo lhe abraçou e o senhor deixou um cappuccino com um brownie para a garota comer enquanto ia ao aeroporto, a moça sorriu com o ato e chorou abraçando os dois, agradecendo e prometendo visitá-los quando pudesse. O táxi chegou em menos de 5 minutos, após se despedirem, tiraram uma selfie juntos e ela entrou no carro, informando o caminho ao motorista, e deu tchau aos amigos pela janela do veículo enquanto ele saía em direção ao aeroporto. Aproveitou o caminho para ir tomando o café que Bob tinha preparado.
Ao chegar no aeroporto, percebeu aquele clima agitado costumeiro, pegou um carrinho para levar as malas e, após pagar o taxista, foi ao guichê de atendimento mesmo sabendo que havia chegado duas horas mais cedo. Mas sabia que era ansiosa e seria impossível esperar até as 9 horas para o check-in. Depois de despachar as malas, foi caminhar pelas lojas do aeroporto para se distrair, mandou mensagem para os pais com a selfie que tirou mais cedo com os amigos e resolveu ir a uma loja de perfumes que havia por ali. Enquanto sentia seus perfumes favoritos, ouviu um homem perto dela pedindo ajuda para comprar um presente a uma amiga. A vendedora sem prestar muita atenção falou que o atenderia em instantes e foi ao caixa com pressa. Quando olhou para o rapaz, quis gritar de tanta emoção, era Valteri Bottas ali no mesmo aeroporto que ela, o piloto da olhava distraidamente as prateleiras de perfume e a garota sabia que não poderia deixar aquela chance passar. Apesar da timidez, foi até o rapaz e de uma maneira sutil disse:
— Oi, com licença. Eu ouvi que você precisa de uma ajuda com perfumes femininos?
— Ah, você trabalha aqui? — O piloto perguntou à morena, que riu sem graça, gesticulando com as mãos enquanto respondia.
— Ah não, me desculpa, é que eu percebi que você está um pouco perdido e a vendedora não pode ajudar no momento. Sou uma grande fã de Fórmula 1 e de perfumes também. — Ela disse para o rapaz, que riu junto com a garota.
— Oh, que legal, qual sua equipe favorita? — O rapaz perguntou, simpático. — E será que você pode me ajudar a escolher um bom perfume? É para uma amiga que vai fazer aniversário. Estou voltando para casa e preciso levar um presente, não deu tempo enquanto eu estava por aqui.
— Bom, eu sempre admirei a , não é puxando saco — disse rindo, o que fez o rapaz rir e balançar a cabeça concordando. — Mas estou indo trabalhar com a , que é uma das minhas equipes favoritas. — Ela dizia enquanto mostrava alguns perfumes para o rapaz, que sentia o cheiro atentamente a cada frasco que ela apresentava.
, ahn? Interessante. — Respondeu interessado no assunto, enquanto sentia o cheiro de um perfume da Dior chamado "J'adore Body Mist” — Hm, este eu não gostei, é estranho o cheiro urgh... — riu e, enquanto mostrava outro frasco ao piloto, resolveu respondê-lo:
— Sim, eu estou muito empolgada. Ainda não sei bem o que vou fazer e trabalhar com Fórmula 1 nunca foi um sonho, até eu conseguir a vaga e perceber que era tudo o que eu sempre quis, entende?
— Eu entendo perfeitamente, a é um bom time… ops, por favor não diga a ninguém que eu falei isso, ok? Eu vou desmentir tudo. — Ele riu e gesticulou com as mãos na boca, e acabou rindo super alto, o que acabou chamando a atenção de algumas pessoas em volta. Ela pediu desculpas disfarçadamente. Depois de sentir mais algumas fragrâncias, o rapaz pegou um Chanel nº 5 e, apontando para a morena, anunciou: — Eu vou levar esse aqui.
— Ótima escolha! — disse, entregando um perfume na caixa para o rapaz, que prontamente pegou e acenou com a cabeça.
Neste momento, a vendedora chegou um pouco afobada, pedindo desculpas e informando que houve um problema com uma venda no caixa. sorriu, dando um passo para trás, e Bottas respondeu a vendedora:
— Oh não, sem problemas, esta garota me ajudou muito. — Virou-se para para se despedir: — Foi um prazer enorme te conhecer... me desculpa, eu não perguntei seu nome, que ignorância a minha. — ficou sem graça. Corando e torcendo os pés, respondeu:
— Ah, é , mas pode me chamar de . O prazer foi meu, Sr. Bottas. — Ela estendeu a mão para o rapaz, que estendeu de volta.
— Ah, que isso, garota. Vamos nos ver várias vezes ainda. Sem essa de “Sr. Bottas”, pode me chamar de Valteri ou Valter. Você me ajudou demais — disse, agradecendo pela ajuda com o perfume — Obrigada pela consultoria, inclusive. Quando nos virmos novamente, eu te digo se ela gostou.
Ele conversava com tão naturalmente e foi ali que ela percebeu que esse era seu novo status. Conversar com pilotos famosos com a maior naturalidade e caramba, ela gostou muito disso. Se despediram enquanto o rapaz ia para o caixa e ele saiu acenando para ela. Olhando Bottas de longe, ela riu sozinha da sorte que acabou de ter. Resolveu comprar um apoio para o pescoço, sabia que a viagem seria longa e, depois de passar no caixa, saiu em direção à sala de espera para seu voo. Sentou-se em uma das cadeiras e ficou mexendo no celular.
Um tempo depois, seu voo foi anunciado e ela foi ao embarque, entregando o passaporte e as informações à comissária, que lhe mostrou seu assento. Depois de se acomodar e enquanto aguardavam os outros passageiros, resolveu chamar os pais no Facetime e contar tudo que havia acontecido mais cedo na loja. Sua mãe dizia que era um sinal de que ela tinha feito a escolha certa e o pai e o irmão perguntavam por que ela não tinha pedido para tirar uma foto para mandar para eles.
Léia, sua mãe, era muito carinhosa e espirituosa. Tinha se casado cedo com o pai de e juntos se mudaram para a cidade em que a garota nasceu, construíram um pequeno comércio na região e com isso sustentavam a família até hoje. Era a filha mais nova de 8 irmãos e os pais não aceitaram bem o casamento dos dois, já que ele era bem mais velho que ela, quase 10 anos. Então a mulher fugiu de casa com o marido para viverem juntos. Ainda tinha contato com alguns irmãos, mas outros a ignoravam por conta dos pais e, apesar da falta que sentia, ela amava sua família e não se arrependia da sua escolha. Noberto era um homem bem sério, mas para os mais íntimos era o cara mais engraçado do mundo. Seu pai era um homem incrível e ela se sentia muito sortuda por isso. Ele sempre acreditou nos sonhos dela e ralou muito para ajudá-la a realizar. Quando fugiu de casa com a mulher muitos anos atrás, sua família os ajudou e deu todo o suporte que ambos precisaram para começar. Léia era muito grata e sempre recebeu amor e carinho dos sogros. nasceu pouco tempo depois que se casaram e sempre foi a “filhinha do papai”, sempre sonhadora e determinada, fez de tudo para, quando terminasse a faculdade, ir para o exterior e, depois de trabalhar com os pais, fazer alguns bicos de babá na vizinhança e trabalhar em um restaurante aos finais de semana na cidade, tinha conseguido trabalhar no Estados Unidos. Fez curso de inglês enquanto morava no Brasil e se especializou morando no exterior. Três anos depois dela, veio Junior, seu irmão mais novo. Ele tinha 23 anos e era estudante de medicina, tinha passado em uma Universidade Federal que ficava em uma cidade bem próxima de onde eles moravam, por isso decidiu continuar morando com os pais e indo de carro para as aulas todos os dias, a viagem era curta e levava menos de 30 minutos.
Encerraram a ligação e, depois das ordens da comissária, ajeitou os cintos e preparou-se para decolar: colocou sua nova almofada no pescoço, ajeitou os fones de ouvido e, nos embalos de sua playlist favorita, acabou pegando no sono. A viagem duraria 7 horas. Um pouco depois da metade do trajeto, a morena acordou com fome, chamou a aeromoça e pediu um lanche simples, mas que custou o olho da cara, para comer. O rapaz ao seu lado dormia tranquilamente e ela não quis incomodar para ir ao banheiro, por isso aguardou até o mesmo acordar para se levantar e fazer sua higiene. Quando voltou ao seu assento, aproveitou que estava sem sono para assistir a alguns filmes e séries que havia na pequena TV que ficava acoplada a poltrona à sua frente. Às 4 horas da tarde estava pousando em Londres. Woking ficava a 50 minutos da capital e na saída do aeroporto um motorista da empresa esperava pela garota com uma pequena placa com seu nome. Sorrindo para o rapaz, se cumprimentarem, saíram do aeroporto em direção a uma Range Rover Velar preta e seguiram em direção a sede da empresa.
Durante o trajeto, conheceu mais sobre a companhia e sobre a cidade que seria sua residência a partir de agora. Quando chegaram lá, o motorista a conduziu primeiramente à sede da empresa, explicando que seria para acertar os últimos detalhes, conhecer a equipe e depois onde moraria. Não teve muito tempo de agradecer o motorista, pois em poucos instantes já estava diante de um lindo e imponente prédio. A construção era gigante, com grandes janelas de vidro, possuindo um design único e com um enorme lago na frente.

~’s POV~

Quando John, o motorista, abriu a porta, eu estava de queixo caído. Ele me guiou da entrada para a recepção e me informou que as malas ficariam no carro e que ele me levaria ao loft no final do dia, agradeci por isso e fui de encontro à secretária.
— Olá, com licença, sou Amaral e estou aqui para a vaga de assistente pessoal — expliquei um pouco ansiosa para a mulher que estava ali.
— Ah sim, estávamos te esperando, querida. Sou Jennifer, a secretária da , e vou te guiar até o senhor Brown. — Disse muito simpática para mim e automaticamente eu gostei dela. Jennifer era uma mulher madura e parecia ser séria no local de trabalho, mas divertida fora dele. Vestia uma saia lápis que ia até os joelhos e uma camisa social, e desfilava em um salto alto, coisa que eu não ousaria fazer, já que era um pouco desengonçada.
Enquanto me levava até o Sr. Brown, Jenny, como ela pediu que eu a chamasse, me apresentava a algumas pessoas que passavam por nós e a alguns espaços do prédio. Depois da recepção uma grande porta se abria em direção a um imponente hall com diversos carros da que ficavam expostos por ali. Confesso que me senti um pouco deslocada naquele prédio, todos eram tão sérios e educados que parecia coisa de outro mundo. Subimos por um elevador todo de vidro e fomos em direção a uma sala no final do corredor, Jenny bateu na porta e uma voz grave disse “Pode entrar”. Quando a porta se abriu, pude ver uma enorme sala de reunião com no mínimo 10 cadeiras e, de frente para uma grande janela toda espelhada com vista para o lago, havia também um pequeno frigobar no canto da sala com uma bancada de café e uma pia. Na ponta da mesa o Sr. Brown, que eu já havia conhecido na entrevista de emprego. Nas outras cadeiras de costas para a janela tinham três rapazes bem-vestidos conversando com ele.
— Com licença, Sr. Brown, está é Amaral, a nova assistente pessoal — A secretária dizia, me guiando até o senhor à minha frente.
— Ah claro, obrigada Jenny. Seja bem-vinda, senhorita Amaral. — Ele levantou-se, me cumprimentando com um aperto de mão que rapidamente devolvi, me apresentando.
— Muito obrigada, Sr. Brown. É um prazer e uma honra estar aqui. — Eu nunca estive tão nervosa em toda minha vida, se deixei transparecer provavelmente nunca saberia, mas eu quis passar uma confiança que eu não estava tendo no momento.
— Sente-se. Estes são Tom, Peter e Josh, eles são da área de recursos humanos e irão nos ajudar com toda sua documentação e estadia — ele explicou apontando aos três rapazes, que também me cumprimentaram e se apresentaram. Fizemos uma breve reunião para finalizarmos algumas questões legais. Peter era o tal amigo de Mark que me indicou a vaga. Era bom ter um rosto amigo ali. O rapaz sorriu para mim confiante e eu sorri de volta.
Confesso que estava um pouco nervosa, quando me contrataram, não me informaram de quem eu seria assistente, apenas me ofereceram a vaga e agora eu percebia que também não tinha perguntado, talvez a ansiedade e o nervosismo tivessem me atrapalhado. Cerca de 30 minutos depois, quando já tínhamos acertado as documentações, o Sr. Brown explicou um pouco mais sobre a cidade.
— Então é isso, Peter vai te ajudar com a questão da moradia, o loft que lhe entregaremos fica a mais ou menos 20 minutos da sede e tem um ônibus que te deixa aqui na porta, ele passa a cada 30 minutos e o ponto é a duas quadras do loft. Você tem alguma dúvida?
— Sim. Eu acho que com a ansiedade e a correria da mudança eu acabei não perguntando, mas eu serei sua assistente pessoal, é isso? — Eu disse gesticulando bastante com as mãos demonstrando um pouco minha ansiedade. Zak Brown começou a rir e os rapazes da sala também e eu não entendi nada.
— Oh não, querida. Você vai ser assistente pessoal do nosso piloto .


Capítulo 2

~’s POV~
Quase não acreditei que eu iria trabalhar diretamente para um piloto de Fórmula 1. Fiquei de boca aberta, o que deve ter causado um pouco de preocupação aos rapazes que estavam na sala, já que pareciam se divertir com a minha expressão, porém logo depois Zak Brown continuou:
— Bom, senhorita , no final do ano passado o rapaz que trabalhava com o se demitiu, o coitado não aguentou o . — Ele riu com os outros rapazes, parecia uma piada interna para os homens da sala e sorri fraco para não parecer arrogante. — E precisamos de uma pessoa firme e que seja principalmente amiga do rapaz. Algumas pessoas não sabem lidar com o bom humor e as brincadeiras do ou seu jeito irresponsável de levar as coisas e é por isso que você está aqui. Seu currículo me impressionou, mas principalmente pelo seu perfil. Acho que vai ser bom para ele.
— Eu fico honrada, Sr. Brown, eu realmente não imaginava que seria para ser diretamente com um piloto, mas agradeço principalmente por ter me escolhido, imagino que você deva ter entrevistado várias pessoas. Ser escolhida é uma honra — dizia gesticulando com as mãos um pouco nervosa e sorrindo no final. — Prometo que não vou decepcionar.
— Eu não disse que ela seria perfeita para o cargo, Josh? — Tom e Zac disseram ao mesmo tempo, o que causou uma crise de riso entre nós.
— Agora, senhorita Amaral, o Peter irá te guiar durante sua visita ao prédio e te levará ao seu loft para você se ajeitar e descansar — Zak disse apontando ao rapaz do meio, que deu um sorriso e se levantou. — está viajando, aproveitando as férias, mas nosso trabalho começa amanhã com treinamentos, apresentação para o time e você se familiarizar com todo mundo, ok?
— Tudo bem, Sr. Brown, muito obrigada! — Respondi me levantando e cumprimentando o senhor, que, sorrindo, apertou minha mão. Após me despedir de todos, Peter veio ao meu lado e finalmente nos apresentamos decentemente, pois ele era o rapaz que Mark me apresentou me indicando a vaga. Conversamos sobre o rapaz que estava em Nova York e fomos contando algumas histórias enquanto caminhávamos pelo prédio. Peter era um rapaz muito simpático e bonito, tinha 28 anos e trabalhava no time há mais ou menos dois anos. Era alto, possuía olhos castanhos, cabelos loiros escuros e músculos que se evidenciavam na camiseta de linho que usava naquele dia. Trabalhava com o time de contratações na empresa e, por ter me indicado ao cargo, pediu para ficar responsável em me apresentar as instalações da empresa. Será que todos os ingleses eram bonitos como ele?

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Depois de me apresentar a alguns espaços do prédio como cafeteria, refeitório, escritórios, salas dos mecânicos, o salão de veículos e conhecer algumas pessoas pelo caminho, Peter e eu fomos em direção à saída. Já eram quase nove horas da noite quando nos despedimos de Jenny, a secretária, e entramos no carro em direção ao loft. Woking era uma pequena cidade localizada a 50 minutos de Londres, porém a sede da empresa ficava um pouco mais afastada da cidade e por isso era necessário carro ou ônibus para chegar ao local.
Na saída do complexo, Peter me mostrou onde ficava o ponto de ônibus da companhia, era ao lado da portaria e isso ajudaria bastante, já que eu ainda não possuía carro. Cerca de 10 minutos depois, o veículo estacionou em frente a um prédio tipicamente londrino. Após pegar uma mala, John disse que levaria o resto e fui com Peter na frente a fim de conhecer meu novo lar. Subimos dois andares do prédio e seguimos ao fim do corredor para uma porta à direita.
Quando Peter abriu, pude ver um amplo e espaçoso apartamento. A primeira coisa que notei foram enormes janelas ao fundo do local, à minha frente uma cozinha com uma bancada para refeições e uma pequena mesa de jantar redonda, logo depois a sala de estar com um sofá e uma televisão grande que davam para a janela com vista para a rua. Para haver mais privacidade, a janela contava com duas cortinas que cobriam toda sua extensão. Ao lado da sala tinha uma escada com acesso a um mezanino onde ficava um quarto aberto que podia ver todo o apartamento, além de um banheiro com uma banheira e, na porta ao lado, um armário embutido. Olhei encantada para Peter, que sorriu respondendo:
— Eu sei, é incrível! Esse loft foi recém reformado — ele respondeu na maior naturalidade. — Liza, a assistente do , mora no andar de cima. Caso necessite de alguma coisa, pode me ligar, ok?
— Peter, eu não posso aceitar isso! É demais — disse me sentindo um pouco deslocada — Olha, se tiver que pagar um aluguel, eu tento pagar, descontar do salário, eu não sei...
— Fica tranquila, , posso te chamar assim? — Acenei sorrindo. — Deixei algumas comidas e bebidas no armário para você nos próximos dias, não tem muita coisa e você pode ir ao mercado aqui perto para abastecer a casa com o que você gosta.
— Obrigada! Serei eternamente grata por isso — eu dizia realmente agradecida.
— Você só vai precisar se preocupar com as contas de água, luz, internet e alimentação, ok? Alguns apartamentos do prédio são da e o Sr. Brown deixou para os assistentes dos pilotos ou CEOs. É uma regalia de ser assistente, para não se preocuparem com estadia, já que vocês quase não param pela cidade... Infelizmente eu não tenho isso — disse fingindo estar triste com uma carinha de choro e acabamos rindo. — Eu moro mais para o centro, em um apartamento que eu alugo com mais um amigo da empresa — me informou.
Nesse momento John chegou com todas as malas pedindo licença, entrando no apartamento para deixá-las, e eu o agradeci. Só conseguia pensar como eu iria subir 5 malas para o mezanino, mas eu daria um jeito, todos já tinham sido prestativos demais até aqui. Após Peter me mostrar mais sobre o apartamento e me indicar o local e os horários de onde eu pegaria o ônibus até a sede no dia seguinte, eles se despediram e foram embora. Fechei a porta do apartamento e então comecei a sorrir sozinha, comecei a pular empolgada e fui em direção às minhas malas. Eu estava tão cansada que tudo que eu fiz foi pegar meu pijama, tomar um banho e cair na minha cama nova.

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No dia seguinte acordei com o despertador, confesso que foi difícil levantar porque meu corpo implorava para ficar na cama. Eu demoraria para me acostumar com o fuso horário. Após uma certa resistência, me levantei em direção ao banheiro para fazer minha higiene matinal e tomar café. Sr. Brown tinha dito que eu poderia entrar um pouco mais tarde. Eu, preocupada com o horário e com a primeira impressão que causaria, acordei por volta das 8 horas para até as 10 estar na sede. Após meu banho, troquei de roupa, optei por uma calça jeans, tênis e uma camiseta de lã. Londres era fria naquela época do ano, porém como ficaria dentro da empresa, onde era mais quente, podia ficar só com a lã, separei mais um casaco para usar na hora que saísse e desci para preparar um café da manhã. Me sentindo um pouco nostálgica, sorri para a xícara com as lembranças do café de Bob e de sua companhia. Enquanto aguardava a cafeteira, senti meu celular vibrar e só naquele momento me toquei que eu não havia tirado do modo silencioso desde ontem quando tinha chegado na sede da . Quando peguei o aparelho havia pelo menos 15 ligações perdidas e mais de 20 mensagens. Eu estava ferrada. As primeiras dez ligações eram dos meus pais, seguidas de Bob, Mark e Junior.
Resolvi responder à ligação dos meus pais primeiro enquanto aguardava o café e preparava um pão quente. No terceiro toque meus pais me atenderam e eu deixei no viva voz para que eu conseguisse finalizar meu café.
AMARAL POR QUE VOCÊ NÃO ATENDE AS MINHAS LIGAÇÕES?! EU QUASE LIGUEI PARA A POLÍCIA, MENINA! — Minha mãe gritava brava ao telefone.
— Eu sei, mãe, me desculpa, ontem foi muito corrido, eu não consegui parar um segundo. Depois acabei deitando e dormindo rapidamente — dizia desesperada já que sabia que tinha sido um pouco irresponsável de não ter mandado nenhuma mensagem.
— Me desculpa, fiquei um pouco preocupada e nervosa. Você não me deu notícias desde o aeroporto, filha, me deixou aflita — disse mais calma e agora querendo saber mais do meu dia.
Após uma longa conversa com meus pais, eles me pediram para mandar uma mensagem para o meu irmão, que também estava preocupado. Ao mesmo tempo em que conversávamos, eu ia tomando café da manhã, e quando terminamos a ligação eu já estava subindo para terminar de me arrumar. Fui escovar meus dentes, tentei ligar para meu irmão, porém ele estava em aula e não me atendeu. Resolvi mandar mensagem de áudio enquanto me maquiava contando sobre meu dia e como estavam as coisas até agora, além de fotos do loft para ele mostrar aos meus pais.
Quando estava pronta, percebi que, de acordo com os horários que tinham me informado, o ônibus passaria em poucos minutos, então sai do apartamento apressada, trancando a porta e indo em direção ao ponto de ônibus. Desci as escadas afobada enquanto tentava inutilmente guardar a chave e o celular na pequena bolsa que havia escolhido mais cedo. Distraída, acabei esbarrando em uma pessoa que também descia apressada e nos trombamos no segundo degrau da escada.
— Ai me desculpa, eu estava distraída enquanto guardava meu celular na bolsa — eu dizia pedindo desculpas à mulher.
— Imagina, eu que peço desculpa, me distrai também — ela dizia para mim enquanto descíamos juntas os lances de escada. — Espera, eu nunca te vi aqui, você é nova?
— Sou sim. Sou , mas pode me chamar de — disse enquanto apontava para mim mesma a fim de me apresentar, já que estávamos em uma escada e não dava para cumprimentar com a mão.
— Oh, você é a , é um prazer, querida. Eu sou a Liza — disse parando em minha frente no degrau de baixo, me deixando um pouco mais alta que ela e me abraçou rapidamente. Fiquei tão perdida que quase cai em cima dela, o que causou uma risada em ambas. — Sou a assistente do .
— Ah sim, Peter me falou de você ontem. — Lembrei enquanto abríamos a porta do hall e caminhávamos em direção à rua. — Você vai pegar o ônibus fretado?
— Ah, aquele Peter... Espero que ele tenha falado bem. — Ela riu junto comigo e eu acenei positivamente — Eu vou sim, não tenho carro ainda e gosto de pegar o ônibus. Eu economizo dinheiro, estou planejando meu casamento.
Enquanto caminhávamos, fui conhecendo um pouco mais sobre Liza. Ela era filha única e tinha 30 anos, o que me surpreendeu porque ela parecia mais nova. Quando comentei isso, ela disse “você é muito fofa, querida” e riu. Tinha nascido na Austrália, começou a trabalhar com na temporada anterior e ficou permanentemente, graças ao bom desempenho e ao respeito que tinha por ela. Liza me contou que era noiva e que o “felizardo” trabalhava como engenheiro no time da . Ela o amava e o relacionamento nunca atrapalhou seu trabalho. Eu morria de medo disso acontecer comigo, confesso que só tive um namorado e ele ficou no Brasil, terminamos porque ele me traiu dias antes da minha mudança para Nova York. Segundo ele, "nós não tínhamos mais um relacionamento, já que eu havia aberto mão de nosso relacionamento quando resolvi morar em outro continente", palavras do infeliz. Demorei para superar e hoje em dia eu tinha um relacionamento apenas com a minha carreira. Quando morei nos Estados Unidos, confesso que tive uma ou outra paquera mas nunca deu em nada.
Chegamos no ponto de ônibus e mal tínhamos nos sentado quando ele chegou. Subimos e depois de alguns minutos aguardando ele saiu em direção a empresa. O caminho foi curto, Liza me contou um pouco mais sobre a empresa e que estava indo a sede hoje para apresentá-la a mim. Confesso que me senti um pouco mal já que era para ela estar de férias, porém me garantiu que eu poderia ficar tranquila pois, como o noivo era mecânico de e estava trabalhando na construção dos carros para a próxima temporada, só poderiam tirar férias na próxima semana.
Segundo ela, eles iriam para um roteiro romântico por algumas cidades da Itália. Rapidamente chegamos à empresa e nos dirigimos à entrada, Jenny nos esperava sorridente, me entregou um novo crachá e alguns papéis sobre a empresa. Liza me guiou ao setor do RH para algumas informações pessoais, tirar minhas medidas para meus novos uniformes da temporada e, quando saímos de lá, fomos em direção ao refeitório para um café. Quando chegamos, Liza foi em direção a um rapaz que estava de costas para nós e lavava um copo na pia. Deduzi ser seu noivo, já que a mulher o abraçou por trás e ele se virou dando um selinho nela.
, esse é Louis, meu noivo. Louis, essa é a , a nova assistente do — ela dizia apontando para nós dois, o rapaz me olhou assustado e riu.
— Oh primeiramente boa sorte! — Me disse rindo junto com a noiva. — E brincadeiras à parte, é um prazer te conhecer, .
— O prazer é todo meu — eu disse para o rapaz após rir com eles. — Eu gostaria que as pessoas não dissessem isso toda vez que me apresentam como assistente dele, me deixa um pouco preocupada.
Eu não quis parecer grossa, mas enquanto estava caminhando pelos corredores mais cedo ouvi algumas rodinhas sobre “a nova assistente do ” e algo como “a última esperança para a empresa”, o que me deixou um pouco irritada, já que tudo que sempre vi do rapaz eram coisas boas, sempre muito simpático e sorridente dentro do paddock.
— O quê? Ah não, me desculpa, é que é um cara um pouco difícil de trabalhar, é muito brincalhão e irresponsável. O último assistente acabou desistindo depois que o piloto pregou uma peça com o pobre coitado e ele saiu fumegando da sala do Zak, dizendo algo como “não sou obrigado a passar por isso, eu tenho formação e não sou pago para ser babá”, alguma coisa assim...
— Ok, querido, ela não precisa saber disso, hoje é só o segundo dia — Liza disse enquanto o noivo ria se lembrando do momento, o que me deixou um pouco preocupada. Eu saberia lidar?
— Eu adoro um desafio e tenho certeza de que eu e ele vamos nos dar muito bem, viu? — Disse garantindo ao rapaz, sem demonstrar a verdadeira preocupação que estava sentindo.
Peguei uma xícara de café junto com Liz e nos sentamos na mesa que havia no local. Seu noivo aproveitou mais um tempo ali para nos conhecermos mais, era muito nítida a admiração e o amor que eles tinham um pelo outro, era fofo. Ficamos conversando sobre engenharia, alguns diferenciais no carro para o próximo ano e o que eles estavam projetando no design junto com o time de marketing. Depois de uns trinta minutos conversando, nos levantamos a fim de conhecer outros departamentos e algumas pessoas da empresa, confesso que foi tanta gente que demoraria para eu lembrar o nome de todos, mas eles foram bem simpáticos e prestativos. Fomos à sala de reunião para conhecer mais uma pessoa e que segundo a Liza me guiaria ali dentro, era Marcela e sim, ela é brasileira. Logo nos simpatizamos e ela se apresentou como parte do time de recursos humanos com foco em treinamentos e capacitações. Depois das devidas apresentações, ela ligou o projetor e me apresentou sobre a empresa, a Fórmula 1, os chefes, o carro e meu dia a dia.
Eu seria a assistente pessoal e profissional de . Seria responsável pelos horários, os compromissos, a agenda, graças à minha formação também administraria as redes sociais dele e teria que enviar aos administradores das redes sociais oficiais da posts sobre o piloto, além de garantir que ele estivesse focado e preparado mentalmente a cada corrida. Nunca tinha trabalhado com nada assim antes, mas eu estava ansiosa. Eu começaria logo após as férias do rapaz, que seriam até o final do mês. A temporada de Fórmula 1 começaria em março e terminaria no final de novembro. Eu teria um ano para mostrar um bom desempenho não só meu, mas de também. Eu conhecia os pilotos dessa temporada? Claro que sim, mas eu acompanhava a vida pessoal? Não, confesso que fiz uma breve pesquisa sobre o rapaz como data e local de nascimento, assisti a algumas entrevistas e até segui ao rapaz nas redes sociais para ficar por dentro de tudo.
Ao final da reunião Marcela me entregou um Ipad de última geração para me ajudar na minha organização, além de um novo telefone só para o trabalho. Tudo isso, segundo ela, era para que não houvesse danos ao meu aparelho pessoal ou uso do mesmo no horário de trabalho, evitando assim um processo para a empresa . Sorri agradecida me familiarizando aos aparelhos, Liza me mostrou como ela fazia com a agenda de e me deu dicas muito preciosas que com certeza eu seguiria, ela era muito organizada.
No horário do almoço, Marcela nos convidou para irmos ao restaurante fora da sede e fomos no carro dela. A região onde ficava a empresa era rodeada por grandes fazendas e vales, ou seja, muito verde. Marcela nos levou em um restaurante que parecia um rancho, era sofisticado e rústico. Nos sentamos em um deck com vista para um grande gramado onde podíamos ver a magnífica paisagem. Após tirar algumas fotos e enviar aos meus pais e a Bob, que havia me mandado mensagem mais cedo perguntando como eu estava e o que estava achando, Marcela puxou a conversa e nos apresentamos devidamente.
Ela era de São Paulo e estava na há quase 5 anos, largou a vida no Brasil depois de perder um emprego. Quando decidiu morar em Londres, fez um curso de especialização e foi quando conheceu Zak em uma conferência e ele a chamou para trabalhar na empresa. Tinha vinte e oito anos. Tinha 1,60m e possuía lindos olhos verdes e cabelos loiros e, segundo a mulher, estava comprometida com seu emprego. Mah ou Cela, como pediu que eu a chamasse, morava próximo ao meu loft e prometeu que me levaria para conhecer as noites londrinas. Rimos sobre algumas histórias que ela me contava e então resolvemos fazer nossos pedidos. Enquanto aguardávamos, elas me contavam sobre a empresa e sobre a vida naquela região. Segundo elas, era uma cidade muito boa para se morar, porém era um pouco pacata, com poucos bares e baladas, as meninas me contaram que era comum alugarem um hotel ou apartamento com os amigos em Londres para aproveitarem a noite londrina, que era mais divertida que Woking. Quando nossos pedidos chegaram, ficamos em silêncio apreciando a comida. Depois do almoço, o garçom nos trouxe uma xícara de chá enquanto aguardávamos a conta, algo com que eu teria que me acostumar, já que nunca fui muito fã de chás.
— Você gostou da comida, ? Aqui é muito bom, fui apresentada quando o Sr. Brown me contratou — Marcela dizia bebericando seu chá e eu concordei com a cabeça.
— É realmente maravilhoso, eu amei a comida e o espaço... E nossa, olha essa vista — eu dizia gesticulando abertamente com as duas mãos, conversávamos em inglês para que Liza não se sentisse deslocada e pudesse participar.
— É incrível aqui, à noite é ainda mais bonito. O céu fica bem estrelado e essas luzes de pisca-pisca ficam acesas... É tudo maravilhoso — Liza dizia um pouco sonhadora — Só é realmente muito frio aqui, porém a vista faz valer cada centavo.
— É verdade, é bem gelado — disse para elas passando a mão em meus ombros, mesmo de casaco ainda sentia um vento forte, devido à altura que estávamos.
Após dividirmos a conta, voltamos para a empresa. As meninas me guiaram à área de funcionários, onde havia um grande banheiro feminino que possuía cabines com os sanitários, sauna, ducha e até mesmo uma área com secador e chapinhas. Fiz minha higiene e retoquei minha maquiagem.
Quando sai do local, Liza me guiou à sala de Zak Brown. O CEO a procurou dizendo que queria conversar comigo. Fui me tremendo toda durante o caminho, ninguém queria ser chamada no primeiro dia para a sala do chefe. Rindo de nervoso, bati na porta e ele pediu para que eu entrasse. Liz me desejou boa sorte e saiu em direção ao corredor. Quando entrei na sala, Zac estava no telefone, com as mãos gesticulou para que eu me sentasse e aguardasse. E assim eu fiz, fiquei olhando para minhas mãos um pouco sem graça por estar ouvindo a conversa, cerca de 5 minutos depois ele desligou o telefone e se sentou:
— Desculpe, Srta. Amaral, é o fornecedor de motor para a próxima temporada — ele disse desligando o aparelho enquanto colocava sobre a mesa e se sentava em sua cadeira, de frente para mim. — Mas eu te chamei aqui para perguntar, como você está? Como foi seu primeiro dia?
— Sem problemas, Sr. Brown, inclusive, pode me chamar de se quiser — eu dizia nervosa. — É menos formal. — Sorri nervosa e ele apenas acenou seriamente, apoiando a mão no queixo — Olha, tem sido muito legal. As pessoas são bem simpáticas e prestativas. A Liza e a Marcela têm me ensinado tudo, sobre a empresa, meu dia a dia e alguns processos importantes, mas foi bem enriquecedor, elas já me instruíram quanto ao meu papel com o Sr. e me deram os aparelhos e materiais para eu começar a trabalhar.
— Oh, eu fico feliz, querida, e pode me chamar de Zak também. Todos me chamam assim por aqui — ele dizia sendo bem gentil. — Mas continuando, é muito bom que você esteja se adaptando. Somos uma grande família aqui e não estou dizendo isso da boca para fora. Eu gosto da proximidade e da confiança direta que temos aqui dentro, isso é muito importante para o trabalho, entende?
— Eu sei bem, com toda a certeza a confiança é essencial para esse trabalho. Estou muito empolgada para começar — disse realmente empolgada, dando pequenos pulinhos na cadeira.
— Sobre isso então... Quero também esclarecer alguns pontos porque acho importante — disse sentando de maneira relaxada em sua cadeira, depois, passando a mão no rosto em sinal de cansaço, continuou: — Todos nós sabemos que é um grande piloto, mas anda muito sem direção, sem foco no lado profissional — disse pausadamente e com uma voz tranquila. — O que você precisa trabalhar é isso, ele precisa desse foco e do preparo. Não queremos que ele mude a personalidade em frente às câmeras, pelo contrário, a mídia ama isso, mas ele precisa de mais empenho não só dentro mas fora das pistas, entende o que quero dizer? Ele esquece os compromissos, faz de qualquer jeito, não posta muito nas redes sociais e não tem alguém ali de pulso firme para mandar e guiar ele, então é aí que você entra.
— Eu entendo totalmente, senhor. Pode ter certeza de que vou trabalhar para ele entregar um bom desempenho este ano e, se depender de mim, ele vai ser um novo homem, tanto dentro quanto fora das pistas — disse com uma confiança que nem eu sabia que tinha e me comprometendo com algo que seria muito difícil cumprir. Estávamos falando de um rapaz de trinta anos e que precisava amadurecer?
— Ótimo, eu fico feliz, investimos muito dinheiro nele. Talvez um dos contratos mais caros da história da empresa, e preciso do retorno, entende? Tenho pessoas me cobrando o tempo todo, — ele me disse olhando seriamente e naquele momento eu entendi. O Sr. Brown parecia cansado, sob uma grande pressão por parte dos acionistas, já que uma grande bolada foi investida na contratação do piloto no ano anterior e até agora não havia tido o retorno. Gelei, porque sabia da responsabilidade que estava nas minhas mãos e nas costas do CEO, ambos seríamos cobrados no fim da temporada e teríamos muito a perder. No fim, tudo se resume ao dinheiro, principalmente na Fórmula 1. Como eu transformaria um piloto dentro e fora das pistas em apenas um ano? Essa pergunta rondava minha cabeça e eu sorri passando confiança ao homem na minha frente. Mas no minuto seguinte o CEO deu uma cartada final e fez eu perceber o tamanho da responsabilidade que tinha em minha mãos a partir daquele momento. — E irei te contar um segredo, , mas ele irá ficar aqui porque PRECISO e QUERO confiar em você — disse enfatizando essas palavras, dando uma pausa, então se posicionando melhor na cadeira e respirando fundo, continuou: — Se não entregar um bom resultado durante o ano, serei obrigado a demiti-lo no final da temporada.




Continua...



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