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Última atualização: 28/06/2022

Prólogo

1 MÊS ANTES
Era segunda feira e esperava ansiosamente pela ligação que poderia mudar sua vida. Após acordar, fazer sua higiene matinal, ela decidiu que tomaria um café em sua cafeteria favorita, pois aquele dia queria que fosse o dia” então tomou um banho e após vestir uma roupa quente, era inverno nos Estados Unidos e ela não queria ficar doente por causa de um café fora, saiu de seu pequeno apartamento e quando foi em direção ao elevador para sair do prédio encontrou Shirley, uma mulher muito mal-encarada que morava no final do corredor e sempre implicava com a garota. estava decidida que seria um ótimo dia, olhou para a senhora lhe desejando um caloroso bom dia e ela ficou um pouco assustada com o entusiasmo da morena que não foi respondida, resolveu ignorar e entrou no elevador afim de não deixar nada lhe abalar naquele dia.
A cafeteria favorita da garota era a duas quadras de seu apartamento, tinha conhecido o local após se mudar para o bairro a quase 2 anos, após terminar a faculdade e ir para Nova York para tentar uma carreira. Apesar do frio resolveu ir caminhando e quando chegou ao local que era bem fechado e quente, sentou-se na mesa de sempre, no fim da cafeteria e perto de uma estante de discos, de onde estava tinha uma visão privilegiada do local e ainda curtia a música que era sempre agradável. Naquele dia Bob, um senhor de mais ou menos 56 anos e muito simpático tinha escolhido Elvis Presley e tocava Can't Help Falling In Love, uma das músicas favoritas da moça. Deixou seu celular em cima da mesa e após checar três vezes se tinha sinal e se estava no volume alto, acenou para uma das garçonetes que prontamente conhecendo a garota já anotou e pediu para prepararem seu pedido e a garota agradeceu sorrindo então enquanto esperava resolveu ficar olhando o movimento da rua naquele horário.
Quando o pedido chegou à garota, agradeceu a garçonete e tomou seu chocolate quente e um brownie de gotas de chocolate com calma apreciando tudo ao seu redor, resolveu ligar para os pais e após falar com todos da família e explicar sobre a ligação que estava esperando, deixando seus pais mais ansiosos que a garota, desligou com os olhos cheios de lágrimas sorrindo para o celular, quando olhou para cima Bob havia sentado de frente para a garota e a olhava sorrindo:
— Como vai minha cliente favorita? Estou vendo que está com carinha de choro, o que houve? — O senhor perguntava a ela que sorria tristemente para ele, colocou as mãos no queixo e respondeu.
— Ah Bob, é a saudade de casa sabe? Da família e principalmente do calor. — Disse rindo para ele que riu também imaginando como seria o clima brasileiro.
— Eu entendo, não deve ser fácil querida. Mas lembre-se do seu sonho, você não pode desistir agora, falta pouco – O homem sabia do momento que ela vivia e para ele a morena era como uma filha, queria ajudá-la já que seus pais estavam tão longes, queria suprir um pouco do carinho— Ah e me conta, já recebeu a ligação?
— Ainda não Bob, estou quase subindo pelas paredes de tão ansiosa — ela disse mudando rapidamente de expressão e agora sorrindo e dando alguns pulos na poltrona.
— Eu imagino, querida, mas eu tenho certeza de que você vai conseguir!
Ela sorriu para ele agradecendo e levantando a carteira para fazer o pagamento, por seu pedido ser sempre ele já sabia de cabeça o valor da conta, US$15 dólares, porém foi impedida por Bob e ela olhou um pouco assustada para o senhor:
— Hoje é por conta da casa querida, como um presente pelo que está por vir — Ele disse sorrindo para a garota que negou com a cabeça.
— De jeito nenhum, Bob, eu insisto – Ela dizia, empurrando o dinheiro para a mesa a fim de deixar lá e uma garçonete pegar.
— Nada disso , eu insisto. Só prometa que não vai se esquecer da gente e vai sempre vir aqui quando der — Ele dizia agora um pouco triste só de pensar em não ter a garota mais ali para conversar e tomar café com ele.
Após abraçar Bob e se despedir de todos os funcionários do local saiu em direção à rua e resolveu caminhar um pouco para não ficar pensando na ligação que tanto esperava. O dia tinha esquentado um pouco, era possível ver o sol, mas ainda fazia muito frio mesmo assim ela resolveu caminhar um pouco pelo bairro. Andando pelas ruas de Nova York ela entrou em uma veterinária e por pouco não adotou um gato que estava ali para adoção, após fazer carinho e conversar um pouco com a veterinária do local saiu e foi caminhando pelas lojas da rua. De repente estava em frente a uma loja de luxo e se viu encantada por um vestido que de acordo com a garota era simplesmente perfeito, era preto e com uma grande fenda na frente, estava encantada porém quando olhou o preço na vitrine quase caiu para trás, era pelo menos 3 salários da morena e se viu triste por não poder comprar, sorriu sozinha e decidiu que se o universo conspirasse a seu favor naquele dia, ela compraria aquele vestido futuramente e quando se virou para ir embora não conseguiu dar nem dois passos pois naquele momento seu telefone tocou e ela olhou ansiosa para o aparelho “número desconhecido” e entendeu o sinal do universo, a partir dali tudo mudaria:
— Alô?
— Olá, senhorita Amaral? Aqui é o Zak Brown será que podemos conversar?


Capítulo 1

ATUALMENTE

~ POV~

Naquela tarde minha vida mudou completamente, não é todo dia que você tem Zak Brown te ligando. Após terminar a ligação comecei a gritar sozinha na rua o que chamou atenção de todo mundo, mas eu nem liguei, eu estava tão feliz. A primeira coisa que fiz foi correr de volta a cafeteria e dar a notícia a Bob e aos meus pais por chamada de vídeo, foi muitas parabenizações e choro dos meus pais e Bob me abraçando dizendo que já tinha certeza de que eu passaria.
Ah, deixa eu começar de novo, me chamo, , mas todos me chamam de , tenho 26 anos e sou do interior de Minas Gerais, sim, sou brasileira. Fiz minha faculdade de publicidade na minha cidade e após juntar todas minhas economias, conseguir uma pequena bolsa vim aos Estados Unidos para fazer minha pós em marketing e acabei conseguindo um estágio em uma agência de publicidade. Faz cerca de dois anos que eu consegui a vaga, porém eles não me sobem de cargo, mesmo trabalhando mais que todos e mostrando competência. Um pouco depois que eu entrei na empresa ela foi passada ao filho dos fundadores, um homem difícil de se trabalhar e muito conservador. Com isso resolvi que já era hora de trilhar novos caminhos e comecei a procurar outros empregos. Quando Mark, meu amigo do trabalho, disse que seu amigo Peter, que morava em Londres, estava procurando uma assistente pessoal eu não pensei duas vezes antes de dizer que eu queria me inscrever, mas foi quando ele disse que era para a McLaren, a famosa equipe de Fórmula 1 eu quase cai dura no refeitório da empresa.
Desde muitos novos eu e meu irmão acompanhamos as corridas de fórmula 1. Era um evento obrigatório aos domingos de manhã em casa, então acabamos crescendo nesse mundo, mas eu nunca imaginei que acabaria trabalhando na área. Então Mark me passou o contato do amigo e o rapaz me encaminhou para o email de Zak Brown para eu enviar meu currículo. Uma semana depois fiz uma entrevista com o CEO por videoconferência e que ficou de me retornar naquela segunda feira após fazer outras entrevistas. Eu surtei? Com certeza sim, e quando ele me retornou me chamando para trabalhar eu não poderia estar mais realizada. Após a ligação, todas as informações como contratos, visto e principalmente minha mudança para Woking em Londres, sede da empresa, foi feita virtualmente com o time de RH da empresa.
Eu não poderia estar mais feliz e realizada, claro que Nova York sempre foi meu sonho, mas poder trabalhar para uma grande empresa e diretamente para a fórmula 1 era muito maior do que imaginei, era uma oportunidade única. O contrato era para uma temporada, ou seja, um ano e se eu fosse bem e entregasse uma alta performance poderia ser contratada efetivamente. Meus pais não gostaram muito dessa mudança para mais longe no começo, mas quando contei que era para a McLaren meu pai quase infartou, confesso que me deixou preocupada, meu irmão só queria saber quando eu o levaria para conhecer os pilotos e minha mãe chorava dizendo que ficaria mais difícil de me ver.
Enfim, agora estou aqui no meu último dia em Nova York, arrumando minhas últimas malas e olhando em volta me certificando que estava tudo certo. Após um acordo com a dona ficou decidido que eu poderia deixar meus móveis aqui, caso não desse certo lá, e ela poderia alugar o apartamento desde que não estragassem nada e os locadores estarem cientes que era provisório. Fizemos esse acordo depois que o representante do RH me informar que seria me disponibilizado um loft para que eu morasse, uma regalia que eles me dariam já que passaria pouco tempo na cidade. Após conferir mais uma vez meus documentos e minhas malas eu fui dormir pela última vez naquele apartamento.
A despedida com todos que eu conhecia na cidade tinha sido mais cedo e foi uma choradeira e muita comoção, eu tinha feito poucos amigos na cidade, mas eram tão leais e amorosos que eu quase desisti de tudo e fiquei por ali. Fomos a um restaurante, jantamos e nos divertimos em um karaokê, eu ia sentir muita falta disso. A empresa que eu trabalhei não gostou muito quando resolvi pedir demissão até porque eu era a famosa faz tudo para eles e não era reconhecida, mas eu estava feliz demais com a minha escolha e quando sai do local com minha caixa na mão só consegui sentir um grande alívio pela escolha que eu havia feito.

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~3º POV~
Aquela quarta feira estava fazendo mais frio que o normal em Nova York e acordou mais cedo que o despertador. Estava tão ansiosa que mal dormiu naquela noite, mesmo assim resolveu levantar-se, tomar um banho bem quente e se arrumar para viajar. sabia que se tomasse café ia fazer sujeira e não poderia limpar o que deixaria a dona Shirley furiosa, afinal ela ficaria responsável pelo apartamento para as futuras locações. Pediu um taxi, enquanto ele chegava foi descendo suas malas e por fim deixou a chave com a vizinha, despedindo rapidamente da senhora rabugenta. Encontrou Mark e Bob aguardando pela morena, o mais novo lhe abraçou e o senhor deixou um capuccino com um brownie para a garota comer enquanto ia ao aeroporto, a moça sorriu com o ato e chorou abraçando os dois, agradecendo e prometendo visita–los quando pudesse. O taxi chegou em menos de 5 minutos, após se despedirem, tiraram uma selfie juntos, ela entrou no carro informando o caminho ao motorista, deu tchau aos amigos do vidro do veículo enquanto ele saia em direção ao aeroporto. Aproveitou o caminho para ir tomando o café que Bob a tinha preparado.
Ao chegar no aeroporto percebeu aquele clima agitado costumeiro, pegou um carrinho para levar as malas e após pagar o taxista foi ao guichê de atendimento mesmo sabendo que havia chegado duas horas mais cedo. Mas sabia que era ansiosa e seria impossível esperar até às 9 horas para o check-in. Depois de despachar as malas foi caminhar pelas lojas do aeroporto, para se distrair, mandou mensagem para os pais com a selfie que tirou mais cedo com os amigos e resolveu ir a uma loja de perfumes que havia por ali. Enquanto sentia seus perfumes favoritos ouviu um homem perto dela pedindo ajuda para comprar um presente a uma amiga. A vendedora sem prestar muita atenção falou que atenderia ele em instantes e foi ao caixa com pressa. Quando olhou para o rapaz quis gritar de tanta emoção, era Valteri Bottas ali no mesmo aeroporto que ela, o piloto da Mercedes olhava distraidamente as prateleiras de perfume e a garota sabia que não poderia deixar aquela chance passar, apesar da timidez foi até o rapaz e de uma maneira sutil e disse:
— Oi com licença eu ouvi que o você precisa de uma ajuda com perfumes femininos?
— Ah você trabalha aqui? — O piloto perguntou a morena, que riu sem graça gesticulando com as mãos enquanto respondia.
— Ah não, me desculpa é que eu percebi que você está um pouco perdido e a vendedora não pode ajudar no momento, sou uma grande fã de fórmula 1 e de perfumes também —ela disse rindo sem graça para o rapaz que riu junto com a garota.
— Oh que legal, qual sua equipe favorita? — O rapaz dizia simpático e completando disse— E será que você pode me ajudar a escolher um bom perfume? É para uma amiga que vai fazer aniversário, estou voltando para casa e preciso levar um presente, não deu tempo enquanto eu estava por aqui.
— Bom eu sempre admirei a Mercedes, não é puxando saco – disse rindo, o que fez o rapaz rir e balançar a cabeça concordando — Mas estou indo trabalhar com a McLaren que é uma das minhas equipes favoritas — Ela dizia enquanto mostrava alguns perfumes para o rapaz que sentia o cheiro atentamente a cada frasco que ela apresentava.
— McLaren, hum, interessante — O rapaz dizia interessado no assunto enquanto sentia o cheiro de um perfume da Dior chamado “Jadore Body Mist” – Hm este eu não gostei, é estranho o cheiro urgh... — riu e enquanto mostrava outro frasco ao piloto resolveu respondê-lo.
— Sim, eu estou muito empolgada, ainda não sei bem o que vou fazer e trabalhar com Fórmula Um nunca foi um sonho até eu conseguir a vaga e eu perceber que era tudo o que eu sempre quis, entende?
— Eu entendo perfeitamente, a McLaren é um bom time ... Oops, por favor não diga a ninguém que eu falei isso ok? Eu vou desmentir tudo — Ele disse rindo e gesticulando com as mãos na boca e acabou rindo super alto o que acabou chamando a atenção de algumas pessoas em volta e pediu desculpas disfarçadamente, depois de sentir algumas fragrâncias o rapaz pegou um Chanel nª 5 e apontando para a morena respondeu — Eu vou levar esse aqui.
— Ótima escolha! – disse entregando um perfume na caixa para o rapaz que prontamente pegou e acenou com a cabeça.
Neste momento a vendedora chegou um pouco afobada pedindo desculpas e informando que houve um problema com uma venda no caixa. sorriu dando um passo para trás e Bottas respondeu a vendedora:
— Oh não sem problemas, está garota me ajudou muito — Virou-se para para se despedir — Foi um prazer enorme te conhecer ... me desculpa eu não perguntei seu nome, que ignorância a minha — ficou sem graça corando e torcendo os pés respondeu.
— Ah é , mas pode me chamar de , o prazer foi meu Sr. Bottas – Ela disse estendendo a mão para o rapaz que estendeu de volta.
— Ah que isso garota vamos se ver várias vezes ainda, sem esse de Sr. Bottas pode me chamar de Valteri ou Valter, você me ajudou demais – disse para ela agradecendo pela ajuda com o perfume – Obrigada pela consultoria inclusive, quando nos vermos novamente eu te digo se ela gostou.
Ele conversava com tão naturalmente e foi ali que ela percebeu que esse era seu novo status. Conversar com pilotos famosos com a maior naturalidade e caramba ela gostou muito disso. Se despediram enquanto o rapaz ia para o caixa e ele saiu acenando para ela. Olhando Bottas de longe ela riu sozinha da sorte que acabou de ter. Resolveu comprar um apoio para o pescoço, sabia que a viagem seria longa e depois de passar no caixa saiu em direção a sala de espera para seu voo. Sentou-se em uma das cadeiras e ficou mexendo no celular. Um tempo depois seu voo foi anunciado e ela foi ao embarque, entregando o passaporte e as informações a comissária que lhe mostrou seu acento. Depois de se acomodar e enquanto aguardavam os outros passageiros resolveu chamar os pais no facetime e contar tudo que havia acontecido mais cedo na loja, sua mãe dizia que era um sinal de que ela tinha feito a escolha certa e o pai e o irmão perguntavam por que ela não tinha pedido para tirar uma foto para mandar para eles.
Léia sua mãe, era muito carinhosa e espirituosa, tinha se casado cedo com o pai de e juntos se mudaram para a cidade em que a garota nasceu, construíram um pequeno comércio na região e com isso sustentaram a família até hoje. Era a filha mais nova de 8 irmãos e os pais não aceitaram bem o casamento dos dois já que ele bem mais velho que ela, quase 10 anos. Então a mulher fugiu de casa com o marido para viverem juntos. Ainda tinha contato com alguns irmãos, mas outros a ignoravam por conta dos pais e apesar da falta que sentia ela amava sua família e não se arrependia da sua escolha. Noberto era um homem bem sério, mas para os mais íntimos era o cara mais engraçado do mundo, seu pai era um homem incrível e ela se sentia muito sortuda por isso. Ele sempre acreditou nos sonhos dela e ralou muito para ajudá–la a realizar. Quando fugiu de casa com a mulher a muitos anos atrás, sua família os ajudou e deu todo o suporte que ambos precisariam para começar. Léia era muito grata e sempre recebeu amor e carinho dos sogros. nasceu pouco tempo depois que se casaram e sempre foi a “filinha do papai”, sempre sonhadora e determinada fez de tudo para quando terminasse a faculdade fosse para o exterior e depois de trabalhar com o pai, fazer alguns bicos de babá na vizinhança e trabalhar em um restaurante aos finais de semana na cidade tinha conseguido trabalhar no Estados Unidos. Fez curso de inglês enquanto morava no Brasil e se especializou morando no exterior. Três anos depois veio Junior, seu irmão mais novo. Ele tinha 23 anos e era estudante de medicina, tinha passado em uma Universidade Federal que ficava em uma cidade bem próxima de onde eles moravam por isso decidiu continuar morando com os pais e indo de carro para as aulas todos os dias, a viagem era curta e levava menos de 30 minutos.
Quando encerraram a ligação depois das ordens da comissária. ajeitou os cintos e preparou-se para decolar, colocou sua nova almofada no pescoço e ajeitou os fones de ouvido e nos embalos de sua playlist favorita acabou pegando no sono. A viagem duraria 7 horas, um pouco mais da metade do trajeto a morena acordou com fome, chamou a aeromoça e pediu um lanche simples, mas que custaram o olho da cara, para comer. O rapaz ao seu lado dormia tranquilamente e ela não quis incomodar para ir ao banheiro por isso aguardou até ele acordar para que se levantasse e pudesse fazer sua higiene. Quando voltou ao seu assento aproveitou que estava sem sono para assistir a alguns filmes e séries que havia na pequena TV que ficava acoplado a poltrona a sua frente. Às 4 horas da tarde estava pousando em Londres. Woking ficava a 50 minutos da capital e na saída do aeroporto um motorista da empresa esperava pela garota com uma pequena placa com seu nome. Sorrindo para o rapaz, se cumprimentarem, saíram do aeroporto em direção a uma Range Rover Velar preta e seguiram em direção a sede da empresa.
Durante o trajeto conheceu mais sobre a companhia e sobre a cidade em que seria sua residência a partir de agora. Quando chegaram a cidade o motorista a conduziu primeiramente a sede da empresa explicando que seria para acertar os últimos detalhes, conhecer a equipe e depois onde moraria. Não teve muito tempo de agradecer o motorista, pois em pouco tempo já estava diante de um lindo e imponente prédio. A construção era gigante, com grandes janelas de vidro, possuindo um design único e com um enorme lago na frente.

~ POV~
Quando John, o motorista, abriu a porta eu estava de queixo caído. Ele me guiou a entrada para a recepção e me informou que as malas ficariam no carro e que ele me levaria ao loft no final do dia, agradeci por isso e fui de encontro a secretária.
— Olá, com licença sou Amaral e estou aqui para a vaga de assistente pessoal – disse um pouco ansiosa para a mulher que estava ali.
— Ah sim, estávamos te esperando querida, sou Jennifer a secretária da McLaren e vou te guiar até o senhor Brown – disse muito simpática para mim e automaticamente eu gostei dela. Jennifer era uma mulher madura e parecia ser séria no local de trabalho, mas divertida fora dele, vestia uma saia lápis que ia até os joelhos e uma camisa social e desfilava em um salto alto, coisa que eu não ousaria fazer já que era um pouco desengonçada.
Enquanto me levava até o Sr. Brown, Jenny, como ela pediu que eu a chamasse, me apresentava a algumas pessoas que passavam por nós e a alguns espaços do prédio, depois da recepção uma grande porta se abria em direção a um imponente hall com diversos carros da McLaren que ficavam expostos por ali. Confesso que me senti um pouco deslocada naquele prédio, todos eram tão sérios e educados que parecia coisa de outro mundo. Subimos por um elevador todo de vidro e fomos em direção a uma sala no final do corredor, Jenny bateu na porta e uma voz grave disse “Pode entrar”. Quando a porta se abriu pude ver uma enorme sala de reunião com no mínimo 10 cadeiras e de frente com uma grande janela toda espelhada com vista para o lago, havia também um pequeno frigobar no canto da sala com uma bancada de café e uma pia. Na ponta da mesa o Sr. Brown, que eu já havia conhecido na entrevista de emprego. Nas outras cadeiras de costas para a janela tinham três rapazes bem—vestidos conversando com ele.
— Com licença, Sr. Brown, está e Amaral a nova assistente pessoal – A secretária dizia me guiando até o senhor a minha frente.
— Ah claro, obrigada Jenny, seja bem-vinda senhorita Amaral – ele se levantou-se me cumprimentando com um aperto de mão que rapidamente devolvi me apresentando.
— Muito obrigada Sr. Brown, é um prazer e uma honra estar aqui – eu nunca estive tão nervosa em toda minha vida, se deixei transparecer provavelmente nunca saberia, mas eu quis passar uma confiança que eu não estava tendo no momento.
— Sente-se. Estes são Tom, Peter e Josh, eles são da área do recursos humanos e irão nos ajudar com toda sua documentação e estadia – ele dizia apontando aos três rapazes que também me cumprimentaram e se apresentarem, fizemos uma breve reunião para finalizarmos algumas questões legais. Peter era o tal amigo de Mark e que me indicou a vaga. Era bom ter um rosto amigo ali. O rapaz sorriu para mim confiante e eu sorri de volta.
Confesso que estava um pouco nervosa, quando me contrataram não me informaram de quem eu seria assistente apenas me ofereceram a vaga e agora eu percebo que eu também não tinha perguntado, talvez a ansiedade e o nervosismo tivessem me atrapalhado. Cerca de 30 minutos depois, já tínhamos acertado as documentações, o Sr. Brown olha para mim e perguntou:
— Então é isso, Peter vai te ajudar com a questão da moradia, o loft que lhe entregaremos fica a mais ou menos 20 minutos da sede e tem um ônibus que te deixa aqui na porta, ele passa a cada 30 minutos e o ponto é duas quadras do loft – ele disse após explicar um pouco mais sobre a cidade — Você tem alguma dúvida?
— Sim, eu acho que com a ansiedade e a correria da mudança eu acabei não perguntando, mas eu serei sua assistente pessoal, é isso? – Eu disse gesticulando bastante com as mãos demonstrando um pouco minha ansiedade, Zak Brown começou a rir e os rapazes da sala também e eu não entendi nada.
— Oh não querida, você vai ser assistente pessoal do nosso piloto Daniel Ricciardo.



Capítulo 2

~ POV~
Quase não acreditei que eu iria trabalhar diretamente para um piloto de fórmula 1, fiquei de boca aberta o que deve ter causado uma certa preocupação aos rapazes que estavam na sala, mas parecia diverti—los com a minha expressão. Logo depois Zak Brown continuou me respondendo.
— Bom, senhorita no final do ano passado o rapaz que trabalhava com o Ricciardo se demitiu, o coitado não aguentou o Daniel— ele disse rindo com os outros rapazes, pareceu como um piada interna para os homens que estavam na sala e sorri fraco para não parecer arrogante– E precisamos de uma pessoa firme e que seja principalmente amiga do rapaz, algumas pessoas não sabem lidar com o bom humor e as brincadeiras do Daniel ou seu jeito irresponsável de levar as coisas e é por isso que você está aqui. Seu currículo me impressionou, mas principalmente pelo seu perfil. Acho que vai ser bom para ele.
— Eu fico honrada Sr. Brown, eu realmente não imaginava que seria para ser diretamente com um piloto, mas agradeço principalmente por ter me escolhido, imagino que você deva ter entrevistado várias pessoas. Ser escolhida é uma honra – dizia gesticulando com as mãos um pouco nervosa e sorrindo ao final – prometo que não vou decepcionar.
— Eu não disse que ela seria perfeita para o cargo, Josh? – Tom e Zac disseram ao mesmo tempo o que causou uma crise de riso entre nós.
— Agora senhorita Amaral o Peter irá te guiar durante sua visita ao prédio e te levará ao seu loft para você se ajeitar e descansar— Zak disse apontando ao rapaz do meio que deu um sorriso e se levantou – Daniel está viajando, aproveitando as férias, mas nosso trabalho começa amanhã com treinamentos, apresentação para o time e você se familiarizar com todo mundo, ok?
— Tudo bem Sr. Brown, muito obrigada! – Disse me levantando e cumprimentando o senhor, que sorrindo, apertou minha mão. Após me despedir de todos, Peter veio ao meu lado e finalmente nos apresentamos decentemente, pois ele era o rapaz que Mark me apresentou me indicando a vaga. Conversamos sobre o rapaz que estava em Nova York e fomos contando algumas histórias enquanto caminhávamos pelo prédio. Peter era um rapaz muito simpático e bonito, tinha 28 anos e trabalhava no time a mais ou menos dois anos. Era alto, possuía olhos castanhos, cabelos loiros escuros e músculos que se evidenciavam na camiseta de linho que usava naquele dia. Trabalha com o time de contratações na empresa e por ter me indicado ao cargo pediu para ficar responsável em me apresentar as instalações da empresa. Será que todos os ingleses eram bonitos como ele?

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Depois de me apresentar a alguns espaços do prédio como cafeteria, refeitório, escritórios, salas dos mecânicos, o salão de veículos e conhecer algumas pessoas pelo caminho. Peter e eu fomos em direção a saída. Já eram quase nove horas da noite quando nos despedimos de Jenny, a secretária e entramos no carro em direção ao loft. Woking era uma pequena cidade localizada a 50 minutos de Londres, porém a sede da empresa ficava um pouco mais afastado da cidade e por isso era necessário carro ou ônibus para chegar ao local.
Na saída do complexo Peter me mostrou onde ficava o ponto de ônibus da companhia, era ao lado da portaria e isso ajudaria bastante já que eu ainda não possuía carro. Cerca de 10 minutos depois o veículo estacionou em frente a um prédio tipicamente londrino. Após pegar uma mala, John disse que levaria o resto, fui com Peter na frente a fim de conhecer meu novo lar. Subimos dois andares do prédio e seguimos ao fim do corredor para uma porta a direita. Quando Peter abriu a porta pude ver um amplo e espaçoso apartamento. A primeira coisa que vi foram enormes janelas ao fundo do local, a minha frente uma cozinha com uma bancada para refeições, uma pequena mesa de jantar redonda, logo depois a sala de estar com um sofá e uma televisão grande que davam para a janela com vista para a rua. Para haver mais privacidade, a janela contava com duas cortinas que cobriam toda sua extensão. Ao lado da sala tinha uma escada com acesso a um mezanino onde ficava um quarto aberto que podia ver toda a extensão do local, além de um banheiro com uma banheira e na porta ao lado um armário embutido. Olhei encantada para Peter que sorriu respondendo.
— Eu sei, é incrível! Esse loft foi recém reformado – Ele respondeu na maior naturalidade – Liza, a assistente do Lando Norris mora no andar de cima e caso necessite de alguma coisa pode me ligar ok?
— Peter eu não posso aceitar isso! É demais —disse me sentindo um pouco deslocada – Olha, se tiver que pagar um aluguel eu tento pagar, descontar do salário eu não sei...
—Fica tranquila , posso te chamar assim? – acenei sorrindo – deixei algumas comidas e bebidas no armário para você nos próximos dias, não tem muita coisa e você pode ir ao mercado aqui perto, para abastecer a casa com o que você gosta.
— Obrigada! Serei eternamente grata por isso — eu dizia realmente agradecida.
— Você só vai precisar se preocupar com as contas de água, luz, internet e alimentação ok? Alguns apartamentos do prédio são da McLaren e o Sr. Brown deixou para os assistentes dos pilotos ou CEOs, é uma regalia de ser assistente, para não se preocuparem com estadia já que vocês quase não param pela cidade... Infelizmente eu não tenho isso – disse fingindo estar triste com uma carinha de choro e acabamos rindo – eu moro mais para o centro, em um apartamento que eu alugo com mais um amigo da empresa – me informou.
Nesse momento John chegou com todas as malas pedindo licença, entrando no apartamento, deixando as malas e eu o agradeci. Só conseguia pensar como eu iria subir 5 malas para o mezanino, mas eu daria um jeito, todos já tinham sido prestativos demais até aqui. Após Peter me mostrar mais sobre o apartamento e me indicar o local e os horários de onde eu pegaria o ônibus até a sede no dia seguinte, eles se despediram e foram embora. Fechei a porta do apartamento então comecei a sorrir sozinha, comecei a pular empolgada e fui em direção as minhas malas. Eu estava tão cansada que tudo que eu fiz foi pegar meu pijama, tomar um banho e cair na minha cama nova.

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No dia seguinte acordei com o despertador, confesso que foi difícil levantar porque meu corpo implorava para ficar na cama, meu corpo demoraria para se acostumar com o fuso horário. Após uma certa resistência, me levantei em direção ao banheiro para fazer minha higiene matinal e tomar café. Sr. Brown tinha dito que eu poderia entrar um pouco mais tarde. Eu, preocupada com o horário e com a primeira impressão que causaria, acordei por volta das 8 horas para até as 10 estar na sede. Após meu banho troquei de roupa, optei por uma calça jeans, tênis e uma camiseta de lã. Londres era fria naquela época do ano, porém como ficaria dentro da empresa, onde era mais quente então podia ficar só com a lã, então separei mais um casaco para usar na hora que saísse e desci para preparar um café da manhã. Me sentindo um pouco nostálgica sorri para a xicara com as lembranças do café do Bob e de sua companhia.
Enquanto aguardava a cafeteira senti meu celular vibrar e só naquele momento me toquei que eu não havia tirado do modo silencioso desde ontem quando tinha chegado à sede da McLaren. Quando peguei o aparelho havia pelo menos 15 ligações perdidas e um pouco mais de 20 mensagens. Eu estava ferrada. As primeiras dez ligações eram dos meus pais, seguidas de Bob, Mark e Junior. Resolvi responder a ligação dos meus pais primeiro enquanto aguardava o café e preparava um pão quente. No terceiro toque meus pais me responderam e eu deixei no viva voz para que eu conseguisse finalizar meu café.
AMARAL POR QUE VOCÊ NÃO ATENDE AS MINHAS LIGAÇÕES???? EU QUASE LIGUEI PARA A POLÍCIA MENINA – Sua mãe gritava brava ao telefone.
— Eu sei mãe me desculpa, ontem foi muito corrido, eu não consegui parar um segundo. Depois acabei deitando–se e dormindo rapidamente – dizia desesperada já que sabia que tinha sido um pouco irresponsável de não ter mandado nenhuma mensagem.
— Me desculpa, fiquei um pouco preocupada e nervosa. Você não me deu notícias desde o aeroporto filha, me deixou aflita — disse mais calma e agora querendo saber mais do meu dia.
Após uma longa conversa com meus pais, eles me pediram para mandar uma mensagem para o meu irmão que também estava preocupado. Ao mesmo tempo em que conversávamos eu ia tomando café da manhã e quando terminamos a ligação eu já estava subindo para terminar de me arrumar. Fui escovar meus dentes, tentei ligar para meu irmão, porém ele estava em aula e não me atendeu. Resolvi mandar mensagem de áudio enquanto me maquiava contando sobre meu dia e como estavam as coisas até agora, além de fotos do loft para ele mostrar aos meus pais.
Quando estava pronta percebi que de acordo com os horários me informado, o ônibus passaria em poucos minutos então sai do apartamento apressada, trancando a porta e indo em direção ao ponto de ônibus. Desci as escadas afobada enquanto tentava inutilmente guardar a chave e o celular na pequena bolsa que havia escolhido mais cedo, distraída acabei esbarrando em uma pessoa que também descia apressada e nos trombamos no segundo degrau da escada.
— Ai, me desculpa, eu estava distraída enquanto guardava meu celular na bolsa— eu dizia pedindo desculpas a mulher.
— Imagina, eu que peço desculpa, me distrai também – Ela dizia para mim enquanto descíamos juntas os lances de escada – Espera eu nunca te vi aqui, você é nova?
— Sou sim, sou , mas pode me chamar de – disse enquanto apontava para mim mesma a fim de me apresentar, já que estávamos em uma escada e não dava para cumprimentar com a mão.
— Oh você é a , é um prazer querida. Eu sou a Liza – Disse parando em minha frete no degrau de baixo, me deixando um pouco mais alta e me abraçou rapidamente. Fiquei tão perdida que quase cai em cima dela, o que causou uma risada em ambas – Sou a assistente do Lando Norris.
— Ah sim Peter me falou de você ontem – Eu dizia enquanto abríamos a porta do hall e caminhávamos em direção à rua – Você vai pegar o ônibus fretado?
— Ah aquele Peter ... Espero que ele tenha falado bem – Ela disse rindo junto comigo e eu acenei positivamente— Eu vou sim, não tenho carro ainda e gosto de pegar o ônibus, eu economizo dinheiro já que estou planejando meu casamento.
Enquanto caminhávamos fui conhecendo um pouco mais sobre Liza. Ela era filha única e tinha 30 anos, o que me surpreendeu porque ela parecia mais nova. Quando comentei com ela isso ela disse “você é muito fofa querida” e riu. Tinha nascido na Australia e começou a trabalhar com Lando na temporada anterior e ficou permanentemente graças ao bom desempenho e ao respeito que Lando tinha por ela. Liza me contou que era noiva e que o “felizardo” trabalhava como engenheiro no time da McLaren. Ela o amava e o relacionamento nunca atrapalhou seu trabalho. Eu morria de medo disso acontecer comigo, confesso que só tive um namorado e ele ficou no Brasil, terminamos porque ele me traiu dias antes da minha mudança para Nova York. Segundo ele “nós não tínhamos mais uma relação, já que eu havia aberto mão de nosso relacionamento quando resolvi morar em outro continente” palavras do infeliz. Demorei para superar e hoje em dia eu tinha um relacionamento apenas com a minha carreira. Quando morei nos Estados Unidos confesso que tive uma ou outra paquera, mas nunca deu em nada.
Mal tínhamos chegado no ponto de ônibus quando ele chegou, subimos e depois de alguns minutos aguardando ele saiu em direção a empresa. O caminho foi curto, Liza me contou um pouco mais sobre a empresa e que estava indo hoje a sede só para apresenta—la a mim. Confesso que me senti um pouco mal já que era para ela estar de férias. Porém me garantiu que eu poderia ficar tranquila pois como o noivo era mecânico de Lando e estava trabalhando na construção dos carros para a próxima temporada só poderiam tirar férias na próxima semana. Segundo ela, eles iriam para um roteiro romântico por algumas cidades da Itália. Rapidamente chegamos à empresa e nos dirigimos a entrada, Jenny nos esperava sorridente, já me entregando um novo crachá e alguns papeis sobre a empresa. Liza me guiou ao setor do RH para algumas informações pessoais, tirar minhas medidas para meus novos uniformes da temporada. Quando sai de lá fomos em direção ao refeitório para um café e quando chegamos, Liza foi em direção a um rapaz que estava de costas para nós e lavava um copo na pia. Deduzi ser seu noivo, já que a mulher o abraçou por trás e ele se virou dando um selinho nela.
esse é Louis meu noivo, Louis essa e a a nova assistente do Daniel – Ela dizia apontando para nós dois, o rapaz me olhou assustado e riu.
— Oh primeiramente boa sorte!— Me disse rindo junto com a noiva – e brincadeiras à parte, é um prazer te conhecer .
— O prazer é todo meu – eu disse para o rapaz após rir junto com eles – Eu gostaria que as pessoas não dissessem isso toda vez que me apresentam como assistente dele, me deixa um pouco preocupada.
Eu não quis parecer grossa, mas enquanto estava caminhando pelos corredores mais cedo ouvi algumas rodinhas sobre “a nova assistente do Daniel” e algo como “a última esperança para a empresa” o que me deixou um pouco irritada já que tudo que sempre vi do rapaz eram coisas boas, sempre muito simpático e sorridente dentro do paddock.
— O que? Ah não me desculpa, é que Daniel é um cara um pouco difícil de trabalhar, é muito brincalhão e irresponsável. O último assistente acabou desistindo depois que o piloto pregou uma peça ao pobre coitado e ele saiu fumegando da sala do Zak dizendo algo como “não sou obrigado a passar por isso, eu tenho formação e não sou pago para ser babá” alguma coisa assim...
— Ok querido ela não precisa saber disso, hoje é só o segundo dia – Liza disse enquanto o noivo ria se lembrando do momento, o que me deixou um pouco preocupada, eu saberia lidar?
— Eu adoro um desafio e tenho certeza de que eu e ele vamos nos dar muito bem viu – disse garantindo ao rapaz. Sem demonstrar a verdadeira preocupação que estava sentindo.
Peguei uma xicara de café junto com Liz e nos sentamos na mesa que havia no local, seu noivo aproveitou mais um tempo ali conosco, era muito nítida a admiração e o amor que eles tinham um pelo outro, era fofo, ficamos conversando sobre engenharia, alguns diferenciais no carro para o próximo ano e o que eles estavam projetando no design junto com o time de marketing e depois de uns trinta minutos conversando, nos levantamos a fim de conhecer outros departamentos. Confesso que me apresentei para tanta gente que demoraria para eu lembrar o nome de todos, mas eles foram bem simpáticos e prestativos. Fomos a sala de reunião para conhecer mais uma pessoa e que segundo a Liza me guiaria ali dentro. Era Marcela e sim ela é brasileira. Logo nos simpatizamos, ela se apresentou como parte do time de recursos humanos com foco em treinamentos e capacitações. Depois das devidas apresentações, ela ligou o projetor e me apresentou a história da empresa, a fórmula um, os chefes, o carro e meu dia a dia.
Eu seria a assistente pessoal e profissional de Daniel Ricciardo. Seria responsável pelos horários, os compromissos, a agenda e graças a minha formação também administraria as redes sociais dele. Eu teria que enviar aos administradores da redes sociais oficial da McLaren posts sobre o piloto, além de garantir que ele estivesse focado e preparado mentalmente a cada corrida. Nunca tinha trabalhado com nada assim antes, mas eu estava ansiosa. Eu começaria logo após as férias do rapaz, que seria até o final do mês. A temporada de fórmula um começa em março e termina no final de novembro. Eu teria um ano para mostrar um bom desempenho não só meu, mas de Daniel também. Eu conhecia os pilotos dessa temporada? Claro que sim, mas eu acompanhava a vida pessoal? Não, confesso que fiz uma breve pesquisa sobre o rapaz como data e local de nascimento, assisti a algumas entrevistas e até segui ao rapaz nas redes sociais para ficar por dentro de tudo.
Ao final da reunião Marcela me entregou um Ipad, de última geração para me ajudar na organização além de um novo telefone só para o trabalho. Tudo isso, segundo ela, era para que não houvesse danos ao meu aparelho pessoal ou uso dele no horário de trabalho evitando assim um processo para a empresa. Sorri agradecida me familiarizando aos aparelhos, Liza me mostrou como ela fazia com a agenda de Lando e me deu dicas muito preciosas que com certeza eu seguiria, ela era muito organizada. No horário do almoço, Marcela nos convidou para irmos ao restaurante fora da sede e fomos no carro dela. A região onde ficava a empresa era rodeada por grandes fazendas e vales, ou seja, muito verde. Marcela nos levou em um restaurante que parecia em um rancho, era sofisticado e rústico. Nos sentamos em um deck com vista para um grande gramado onde podíamos ver a magnifica paisagem. Após tirar algumas fotos e enviar aos meus pais e a Bob, que havia me mandado mensagem mais cedo perguntando como eu estava e o que estava achando. Marcela puxou a conversa e nos apresentamos devidamente.
Ela era de São Paulo e estava na McLaren a quase 5 anos, largou a vida no Brasil, depois de perder um emprego. Quando decidiu morar em Londres fez um curso de especialização e foi quando conheceu Zak em uma conferência e ele a chamou para trabalhar na empresa. Tinha vinte e oito anos. Tinha 1,60 e possuía lindos olhos verdes e cabelos loiros e segundo a mulher estava comprometida com seu emprego. Mah ou Cela, como pediu que eu a chama—se, morava próximo ao meu loft e prometeu que me levaria para conhecer as noites londrinas. Rimos sobre algumas histórias que ela me contava e então resolvemos fazer nossos pedidos. Enquanto aguardávamos, elas me contavam sobre a empresa e sobre a vida naquela região. Segundo elas era uma cidade muito boa para se morar, porém era um pouco pacata, com poucos bares e baladas, as meninas me contaram que era comum alugarem um hotel ou apartamento com os amigos em Londres para aproveitarem a noite londrina, que era mais divertida que Woking. Quando nossos pedidos chegaram ficamos em silêncio apreciando a comida. Depois do almoço, o garçom nos trouxe uma xicara de chá, enquanto aguardávamos a conta. Um costume que eu teria que me acostumar, já que nunca fui muito fã de chás.
— Você gostou da comida ? Aqui é muito bom, fui apresentada quando o Sr. Brown me contratou – Marcela dizia bebericando seu chá e eu concordei com a cabeça.
— É realmente maravilhoso, eu amei a comida e o espaço... E nossa, olha essa vista— eu dizia gesticulando abertamente com as duas mãos, conversávamos em inglês para que Liza não sentisse deslocada.
— É incrível aqui, a noite é ainda mais bonito. O céu fica bem estrelado e essas luzes do pisca ficam acesas... É tudo maravilhoso– Liza dizia um pouco sonhadora – Só é realmente muito frio aqui, porém a vista faz valer cada centavo.
— É verdade, é bem gelado – disse para elas passando a mão em meus ombros, mesmo de casaco ainda sentia um vento forte, devido à altura que estávamos.
Após dividirmos a conta, voltamos em direção a empresa. As meninas me guiaram a área de funcionários onde havia um grande banheiro feminino que possuía cabines com os sanitários, sauna, ducha e até mesmo uma área com secador e chapinhas. Fiz minha higiene e retoquei minha maquiagem. Quando sai do local Liza me guiou a sala de Zak Brown, o CEO a procurou dizendo que queria conversar comigo. Fui me tremendo toda durante o caminho, ninguém queria ser chamada no primeiro dia para a sala do chefe. Ri de nervoso, quando bati na porta ele pediu para que eu entrasse, Liz me desejou boa sorte e saiu em direção ao corredor. Quando entrei na sala, Zac estava no telefone, com as mãos gesticulou para que eu me sentasse e aguardasse. Assim eu fiz, fiquei olhando para minhas mãos um pouco sem graça por estar ouvindo a conversa, cerca de 5 minutos depois ele desligou o telefone e se sentou:
— Desculpe, Srta. Amaral, é o fornecedor de motor para a próxima temporada – ele disse desligando o aparelho, enquanto colocava—o sobre a mesa e se sentava em sua cadeira, de frente para mim – Mas eu te chamei aqui para perguntar, como você está? Como foi seu primeiro dia?
— Sem problemas Sr. Brown, inclusive pode me chamar de se quiser – Eu dizia nervosa – É menos formal – sorri nervosa e ele apenas acenou seriamente, apoiando a mão no queixo — Olha tem sido muito legal. As pessoas são bem simpáticas e prestativas. A Liza e a Marcela têm me ensinado tudo, sobre a empresa, meu dia a dia e alguns processos importantes — dizia super nervosa — Mas foi bem enriquecedor, elas já me instruíram quanto ao meu papel com o Sr. Ricciardo e me deram os aparelhos e materiais para eu começar a trabalhar.
— Oh eu fico feliz querida, e pode me chamar de Zak também. Todos me chamam assim por aqui – Ele dizia sendo bem gentil — mas continuando, é muito bom que você esteja se adaptando. Somos uma grande família aqui e não estou dizendo isso da boca para fora. Eu gosto da proximidade e da confiança direta que temos aqui dentro, isso é muito importante para o trabalho entende?
— Eu sei bem, com toda a certeza a confiança é essencial para esse trabalho. Estou muito empolgada para começar – disse realmente empolgada, dando pequenos pulinhos na cadeira.
— Sobre isso então... Quero também esclarecer alguns pontos poque acho importante – disse sentando–se de maneira relaxada em sua cadeira, depois passando a mão no rosto em sinal de cansaço continuou — todos nós sabemos que Daniel é um grande piloto, mas anda muito sem direção, sem foco no lado profissional — disse pausadamente e com uma voz tranquila – O que você precisa trabalhar é isso, ele precisa desse foco e do preparo. Não queremos que ele mude a personalidade em frente às câmeras, pelo contrário, a mídia ama isso, mas ele precisa de mais empenho não só dentro, mas fora das pistas, entende o que quero dizer? Ele esquece os compromissos, faz as coisas de qualquer jeito, não posta muito nas redes sociais e não tem alguém ali de pulso firme para mandá–lo, então é aí que você entra.
— Eu entendo totalmente senhor. Pode ter certeza de que vou trabalhar para ele entregar um bom desempenho este ano e se depender de mim ele vai ser um novo homem, tanto dentro quanto fora das pistas – disse com uma confiança que nem eu sabia que tinha e me comprometendo com algo que seria muito difícil cumprir, estávamos falando de um rapaz de trinta anos e que precisava amadurecer?
— Ótimo eu fico feliz, investimos muito dinheiro nele. Talvez um dos contratos mais caros da história da empresa e preciso do retorno entende? Tenho pessoas me cobrando o tempo todo — Ele me disse olhando seriamente e naquele momento eu entendi, o Sr. Brown parecia sobre uma grande pressão por parte dos acionistas já que uma grande bolada foi investida na contratação do piloto no ano anterior e até agora não havia tido o retorno. Gelei, porque sabia da responsabilidade que estava nas minhas mãos e nas costas do CEO, ambos seríamos cobrados no fim da temporada e teríamos muito a perder. No fim, tudo se resume ao dinheiro, principalmente na fórmula um. Como eu transformaria um piloto dentro e fora das pistas em apenas um ano? Essa pergunta rondava minha cabeça e eu sorri tentando passar confiança ao homem na minha frente. Mas no minuto seguinte o CEO deu uma cartada final e fez eu perceber o tamanho da responsabilidade que tinha em minha mãos a partir daquele momento.
— E irei te contar um segredo , mas ele irá ficar aqui porque PRECISO e QUERO confiar em você – disse enfatizando essas palavras, dando uma pausa então se posicionando melhor na cadeira e respirando fundo continuando – Se Daniel Ricciardo não entregar um bom resultado durante o ano serei obrigado a demiti–lo no final da temporada.



Capítulo 3

’s POV
Saí da sala de Zak um pouco atordoada, mas também compreendendo o lado do CEO. Todos os pilotos já tiveram seus altos e baixos e infelizmente, esse esporte era movido por dinheiro; todo mundo que conhece a Fórmula Um sabia disso; grandes pilotos já deixaram a categoria por esse motivo. Eu estava determinada a tornar Daniel um grande piloto novamente, pois não era só o futuro dele que dependia disso, era o meu também.
Depois que deixei a sala, as meninas se encontraram comigo e indagaram se estava tudo bem, respondi positivamente e ambas me guiaram para tomar um café. Ficamos conversando, repassando algumas informações e Marcela me disse que eu estava liberada. Os próximos dias eu estaria de folga para descansar e conhecer a cidade. Eu retornaria na segunda para realmente começar os trabalhos.
Fui em direção a saída, me despedi de Jenny após conversar com ela sobre meu dia e caminhei para o ponto de ônibus. Liza, entretanto, ficou na empresa pois esperaria o noivo para irem embora juntos.
Fiquei sentada esperando o ônibus e mexendo no celular. Postei um carrossel de fotos que tirei durante o dia em meu Instagram, e enquanto conversava com algumas pessoas por mensagem, meu ônibus finalmente chegou. Adentrei-o, subindo, e me sentei em uma poltrona próxima à janela ao final do veículo, esperando que a partida fosse iniciada em breve.
Consegui distinguir Peter correndo um pouco afobado para não perder o transporte, rindo levemente com o ato. Assim que entrou, foi escolher um lugar para sentar-se e seu olhar encontrou o meu. Não pude evitar um leve sorriso, enquanto o rapaz viera até mim:
— Oi, , posso me sentar aqui? — ele disse, um pouco receoso. Sorri para ele em retrospecto, respondendo que positivamente. — Sabe eu nunca pego esse ônibus, mas meu carro quebrou hoje bem cedo e eu não consegui consertar a tempo. Acabei chegando atrasado e quase o perdi agora na saída novamente.
— Caramba, seu dia foi agitado, hein! — respondera em meio a uma risada, seguida pelo rapaz que concordara com a fala, colocando sua mochila no compartimento.
— Eu realmente gostei de pegar esse ônibus, é bem rápido e eu ainda consigo aproveitar a vista.
— É verdade — ele disse pensativo e continuou — mas me conta, como foi seu primeiro dia?
— Nossa foi muito diferente, mas ao mesmo tempo, tão divertido. Eu aprendi tanta coisa em apenas um dia, e todos foram tão amigáveis... Por enquanto, tudo indo bem.
— Ah sim, eu fico feliz — dissera, sorrindo verdadeiramente e depois olhando fixamente para mim — Muitos funcionários possuem mais de dez anos de carreira na empresa, então acabam se tornando realmente uma família e isso é muito importante, por que você se sente parte da empresa, entende?
Eu concordei, sorrindo, e de repente percebi que o ônibus já estava a caminho da cidade e eu nem havia me dado conta. Permanecemos conversando animadamente até chegar à rua que eu deveria descer. Quando o momento chegou, peguei minhas coisas e me despedi de Peter.
Após retirar-me do ônibus, fui caminhando até ao loft e aproveitei para conhecer melhor o bairro. Na rua de trás ao meu apartamento, havia uma pequena livraria, e eu sabia que iria passar algumas horas ali nas minhas folgas na cidade e na esquina um pequeno pub decorado que estava relativamente cheio para uma quinta-feira.
Alguns amigos estavam sentados em uma mesa do lado de fora do estabelecimento, outros conversavam animadamente do lado de dentro e sorri internamente com a possibilidade de ir futuramente ao local com Marcela e Liza.
Encontrei um casal de idosos sentados em um banco na mesma rua e resolvi me aproximar para perguntar onde havia um mercado, pois precisava abastecer os armários do meu novo lar, além de necessitar urgentemente de uma boa garrafa de vinho.
— Com licença, me desculpem atrapalhar, mas será que vocês poderiam me informar onde fica o supermercado mais próximo? — eu indaguei para eles um pouco receosa, sabia que os ingleses tinham fama de serem menos receptivos.
— Oh, imagina, está vendo o pub no fim da rua? — A senhora informou, apontando disfarçadamente ao local e eu apenas confirmei com a cabeça. — Certo, você seguirá reto, então verá uma floricultura de esquina, o mercado fica duas ou três casas ao lado.
Ela sorriu simpaticamente e o marido concordou. Sorri de volta, agradecendo a ajuda e fui na direção a qual ela me informou. Estava com uma mochila que havia ganhado mais cedo no escritório com todos os meus novos aparelhos, carteira e visto.
Cerca de três quadras depois do tal pub, avistei a floricultura do lado esquerdo e então atravessei a rua, encontrando o supermercado, que era um pouco maior do que imaginei. Entrei no estabelecimento e fui em direção às prateleiras de mantimentos e higiene pessoal, pegando apenas essencial.
No caixa, a atendente me informou que não havia sacolas plásticas e precisei comprar sacolas recicláveis. O trajeto de volta fora dificultoso, e eu instantaneamente me arrependi de ter comprado tanta coisa, pois estava muito pesado e a mochila dificultava o trajeto. Mesmo em meio às adversidades, cheguei em casa alguns minutos depois, parando algumas vezes devido ao cansaço.
Quando abri a porta, deixei as sacolas jogadas na cozinha, coloquei a mochila na mesa e me sentei exausta no sofá. Olhei para as compras e resolvi tomar um banho, para depois organizar tudo, guardando apenas os itens de geladeira para não estragarem.
Subi em direção ao banheiro e após fazer minha higiene e de colocar um pijama confortável, desci para a cozinha e liguei a caixinha de som que havia, então após colocar Taylor Swift para tocar, abri uma garrafa de vinho e resolvi começar a organização.
Já era tarde da noite quando fui dormir, depois de organizar a cozinha, meus materiais de trabalho e conversar com a minha família sobre meu primeiro dia, fui descansar e adormeci rapidamente. Nos dias seguintes aproveitei a folga para arrumar o loft e deixar a casa mais do “meu jeito”, após ir ao centro comprar alguns itens de decoração.

*_____________*_____________*


Os dias se passaram rapidamente. Apesar de ter bastante tempo para trabalhar e organizar as agendas, nunca me senti tão esgotada. Eram muitas reuniões, encontros, organização anual de compromissos que Daniel deveria cumprir e fechamento de novos contratos. Conheci Alex, o preparador físico do rapaz e decidimos juntos alguns programas da agenda do piloto, além de poder conhecer toda a equipe de mecânicos que trabalhava com ele.
Cada piloto tinha seu próprio “time”. Haviam os mecânicos que cuidavam desde o primeiro parafuso até as asas e pneus do carro; o time técnico que era responsável pelos gráficos e dados para os pilotos, o assistente, engenheiro e preparador físico. Estes trabalhavam a temporada toda com o piloto, ou seja, eram essenciais que estivessem em sincronia.
O que não era segredo, é que dentro de cada equipe, havia uma competição entre os pilotos para a conquista de pontos ou podiums. Existiam até apostas de quem seria o campeão no final da temporada e na McLaren não era diferente. Até o momento, Lando dominava as apostas.
Algumas semanas já tinham se passado e eu já estava mais acostumada com o lugar, as pessoas, além de ter feito boas amizades como Marcela, Liza, Jenny e Peter. Esse último mandava mensagens aos finais de semana para passearmos, me levando para conhecer a cidade, fomos a algumas festas de seus amigos e com isso acabamos criando uma boa amizade. Marcela e Jenny diziam que o rapaz estava interessado em mim, porém eu não acreditava muito nisso. Peter era um cara bonito, qualquer um concordaria com isso; até ouvia suspiros vindo de algumas mulheres da empresa quando ele passava. Mas, como já havia dito para minhas amigas, eu não estava interessada no momento, meu foco é no meu trabalho.
A última semana de janeiro chegou rapidamente. Daniel informou a Zak que só voltaria na próxima semana, o que não agradou o CEO e me deixou em alerta. Se Ricciardo não mudasse e se tornasse mais responsável, teríamos problemas. Isso acabou atrasando o meu encontro com o rapaz e me deixando cada vez mais ansiosa.
Já que Daniel não voltaria naquela semana, Zak me informou que eu poderia descansar e me preparar mentalmente, já que na semana seguinte, teríamos várias reuniões, entrevistas e fotos para comparecermos. Aproveitei para colocar meu sono em dia e como meus novos amigos estavam trabalhando, fui passear sozinha pela cidade, a fim de me familiarizar ainda mais com a cultura local.

*_____________*_____________*


Era uma segunda-feira fria e chuvosa em Woking, quando me levantei e fui me arrumar para mais um dia de trabalho. Após vestir meu casaco, calçar uma bota de chuva e colocar meu sapato para o trabalho na bolsa, para usar quando chegasse, fui pegar o ônibus fretado, que atrasou alguns minutos. O dia já não havia começado bem.
Quando o grande automóvel estacionou em frente à sede, corri com o guarda-chuva até a entrada, mas ele simplesmente quebrou, me deixando desamparada no meio do caminho, e com isso, tive de ir correndo em direção à entrada, tomando um belo banho de chuva. Quando cheguei a recepção dei de cara com Jenny rindo do meu desespero:
— Ah meu Deus, , parece que você foi para a guerra e só levou esse guarda-chuva como defesa. — a garota praticamente gargalhou da minha cara, enquanto eu tentava consertar o artefato inutilmente.
— Bom dia, Jenny. — resmunguei com sua graça inapropriada, bufando levemente. — Olha, eu não nasci para tempo chuvoso e frio não sabia? Eu sou brasileira e amo o sol e clima quente!
Irritada, deixei que o guarda-chuva inútil recaísse na lixeira.
— Hey, calma! Venha cá que eu vou te ajudar — pronunciou, me direcionando até o banheiro que havia no local, após pegar uma bolsa em um armário na recepção. — Eu sempre deixo um secador caso precise arrumar meu cabelo, sabe? Antes de alguém importante chegar — Ela sorriu gentilmente para me confortar, deixando-me mais à vontade em meio a raiva. — Então aproveita, arruma seu cabelo e deixa esse casaco lá na área de funcionários para secar, antes de ir encontrar com o Sr. Brown e o Daniel. Fica tranquila, eles ainda não chegaram aqui.
Depois de agradecê-la imensamente pela gentileza, aproveitei esse tempo para fazer o que ela me disse. Após sair da área de funcionários, agora devidamente seca, com meus sapatos baixos, além do meu tablet, agenda e o telefone do trabalho em mãos.
Fui a cafeteria pedir um chocolate-quente para me aquecer. Enquanto aguardava meu pedido, recebi uma mensagem de Alex, avisando que eles já estavam me esperando, então corri para a sala com minha bebida em mãos. Após dar duas batidas leves na porta, Zak pediu que eu entrasse.
— Olá, bom dia — pronunciei gentilmente ao passo que adentrava o local, reparando que além de Alex, também estavam presentes na sala Simon, o engenheiro do rapaz, Daniel e Zak Brown.
Coloquei meus pertences na mesa, cumprimentando cordialmente os três rapazes que eu conhecia, deixando que Zak apresentasse Daniel diretamente a mim.
— Bom dia, , como você está? — Ele indagou, receptivo.
Respondi com um aceno silencioso, me aproximando dele e de Daniel, que estava ao seu lado, em pé na mesa de café que havia preparada ali.
— Bom, vamos às devidas apresentações. Daniel esta é sua nova assistente, Amaral. , este é o nosso piloto Daniel Ricciardo.
Após nos cumprimentarmos com as mãos, o rapaz deu um grande sorriso e respondeu:
— É um prazer, . Posso te chamar assim? — ele me perguntou e confirmei com a cabeça, gentilmente. — Alex e Zak estavam me falando sobre você, só coisas boas... Acredite.
Ao passo que ele dissera aquilo, todos da sala — incluindo a mim —, riram e eu agradeci também, respondendo:
— É um prazer, Ricciardo, espero que possamos trabalhar bem juntos. E o que você precisar eu estou aqui, ok?
Ficamos conversando, enquanto eles tomavam cafés e eu meu chocolate-quente. Ao passo que os rapazes debatiam sobre o campeonato de futebol, fui me sentar para organizar e me preparar para a reunião. Cerca de cinco minutos depois, todos ocuparam seus lugares e Zak Brown iniciou, dizendo:
— Vamos começar. Bom... Eu convoquei essa reunião separada com a sua equipe, Daniel, pois você teve significativas mudanças no time esse ano, com a chegada de Alex e . Acredito que são dois grandes perfis que vão somar e te ajudar muito nessa temporada. — apontou para nós dois, ao passo que prosseguia sua fala imperativa. — Eu quero e preciso que vocês se deem bem, pois a equipe precisa de pontos e de podiums nessa temporada.
— Eu entendo, Zak, prometo dar o meu melhor neste ano. Sei que dei algumas mancadas no ano passado e pretendo consertar esses erros nessa temporada — Ricciardo dissera sério e eu realmente percebi em seu olhar, que estava dizendo a verdade, parecendo ligeiramente preocupado com as palavras do CEO.
— Ótimo, assim eu espero. — Zak dissera, agora apontado para mim. — Por favor, , se apresente para Daniel e nos conte mais do que preparou durante esse período.
— Bom, Daniel, eu sou , mas todos me chamam de . Tenho 26 anos e sou de Minas Gerais, no Brasil — pronunciei, muito nervosa, pois odiava me apresentar e ter tantos olhares fixamente em mim. — Eu gosto muito de Fórmula Um, mas isso não é novidade — todos riram na sala, como previsto. —, mas também sou vidrada por filmes, séries e músicas do mundo geek. — relaxei os ombros antes de prosseguir, respirando fundo. — Toda sua agenda já foi organizada e está disponível em seu e-mail. Para executar qualquer alteração, preciso de, pelo menos, vinte e quatro horas de antecedência.
Antes que eu pudesse prosseguir a explicação, fui interrompida educadamente pelo piloto:
— Oh, brasileira? Eu amo o seu país — ele disse de modo simpático. — As pessoas são tão alegres e animadas, eu adoro isso.
— Nós sabemos bem disso, não é, pessoal? — Zak riu conjuntamente aos outros rapazes, o que acabou me fazendo rir também, por conhecer a fama do rapaz.
— Mas voltando ao assunto — Dani cessou as risadas dos demais, regressando ao foco. —, fico feliz por isso. Acho que vamos nos dar super bem, pois também adoro o universo geek e a Fórmula Um. Mas quanto a organização, deixo nas suas mãos e eu seguirei à risca.
— Isso é importante, Daniel, já que todos os seus dias estão cronometrados, excetos os finais de semana de folga. Não queremos tirar sua liberdade ou te prender a uma rotina, por isso, nesses dias, nada de trabalho, agenda ou nossas carinhas te incomodando.
Rimos em uníssono, porém continuamos conversando mais um pouco sobre mim e algumas curiosidades do Brasil, para iniciar a reunião pouco tempo depois, apresentando alguns projetos que preparamos para o piloto durante o ano. O trabalho já começava naquela semana, com uma reunião com os engenheiros para decidirem os detalhes do carro desta temporada.
Zak nos deixou um tempo depois para participar de outra reunião, então ficamos na sala, conversando e decidindo alguns eventos da agenda. Quando começamos a ficar com fome, fomos almoçar juntos para nos socializarmos; o tempo todo, eu ria mais do que falava. Daniel era um cara incrível, de riso fácil, sempre tínhamos assunto. Parecia que nos conhecíamos há muito tempo e não há apenas algumas horas.

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A agenda de Daniel estava tão cheia, que as semanas se passaram rapidamente. Era fim de fevereiro, nos aproximávamos do começo do campeonato e das apresentações dos carros. Dani estava colaborando muito, o que ajudou no meu trabalho e de Alex; esse vinha fazendo o piloto se exercitar mais, ter uma rotina regrada com os horários de alimentação, filmes e até a hora de dormir. Ricciardo não tinha gostado muito no começo, mas Alex era firme e muito sério deixando o pobre coitado sem muitas opções.
Já meu trabalho estava indo bem. Nos primeiros dias, precisei acordar o rapaz e lhe entregar as refeições durante o caminho, pois ele não parecia querer cooperar conosco. Um desses dias, foi na sessão de fotos que precisava comparecer, e ele simplesmente não chegou.
Faltava cerca de cinco minutos, quando percebi que o rapaz realmente não viria e não atendia as ligações, furiosa pedi uma hora aos responsáveis que depois de muita briga aceitaram e eu corri para casa dele. Encontrei o piloto jogando videogame e quando indaguei o que havia acontecido, ele apenas me respondeu “eu esqueci, ” dando de ombros. Fiquei irada, desliguei o console da tomada, irritando-o, mas ordenando que o australiano fosse para o banho. Cerca de quinze minutos depois, entretanto, voltei ao local, agora com ele para começamos a sessão.
O último sábado do mês chegou com um sol radiante na fria Woking. Eu havia acordado a pouco tempo e apreciava meu café tranquilamente, sentada na bancada, quando fortes batidas na porta foram ouvidas, me assustando. Fui até a porta, xingando em português quem quer que fosse àquela hora da manhã, me deparando com Ricciardo entrando em meu apartamento, apenas me cumprimentando com um beijo rápido em minha testa:
— Eu não acredito que você acabou de acordar, — ele sorriu, deitando-se em meu sofá e mudando de canal para uma luta de UFC.
— Primeiramente, bom dia, Daniel, dormiu de calça jeans? — Eu fechei a porta, me sentando na poltrona ao lado do sofá. O rapaz adotou uma expressão confusa para a minha pergunta. — É uma expressão brasileira... Ah, esquece.
Ele me olhou rindo e consequentemente comecei a rir também. Era natural e leve estar com o rapaz. Estava focado na luta que passava na televisão e sem prestar muita atenção em mim. respondeu:
— Se você tivesse olhado minhas milhões de mensagens, saberia que eu estava a caminho, minha querida amiga — ironizou, apontando para o aparelho celular.
Levantei-me, indo em direção à bancada pegar o meu aparelho e quando a tela se acendeu, notei as milhares de mensagens que havia, não só dele, como da minha família, Marcela e Peter.
— Ah, tudo bem, agora que eu li o que você quer dizer com “se arruma que vamos sair”, há trinta minutos. Mas querido, você acha que eu fico pronta tão rápido? E aliás, se não sei aonde vamos, como saberei o que devo vestir? Ou o que devo levar?
Daniel gargalhou alto, levantando-se do estofado, enquanto eu gesticulava furiosamente para ele. Odiava ser pega desprevenida, e pela convivência, ele já deveria saber disso. Entretanto, o australiano apenas segurou meus ombros e disse:
— Eu sei disso e peço desculpas, mas você tem quinze minutos para ficar pronta. Vamos em um almoço de um amigo em Londres, ou seja, você precisa ser rápida e isso começa... AGORA.
Ele disse tão entusiasmado quanto uma criança, apontando para o relógio em seu pulso, começando a bater palma para me apressar. Esse gesto mesmo que inocente me irritou, lançando um olhar furioso para o rapaz, que fez apenas pose de rendição. Subi em passos rápidos para me arrumar, enquanto xingava ele mentalmente.
— Ok, mas saiba que eu só estou indo porque é em Londres e comida de graça — informei, conforme separava minhas roupas e me encaminhava ao banheiro.
Cerca de dez minutos depois, eu estava em minha penteadeira, fazendo uma maquiagem leve com apenas um protetor solar com base, um pó, um delineado preto, meu rímel e um batom nude. Desci e encontrei Dani concentrado na luta. Fui em direção a bancada da cozinha para pegar meus pertences pessoais e arrumar a pequena bolsa que havia escolhido.
O look escolhido era básico, já que Ricciardo me informou que era um almoço simples entre amigos. Estava vestida com uma calça jeans escura, um cropped branco e um cardigan de lã por cima. Londres mesmo com sol, ainda era fria, e eu estava começando a entender o clima da cidade.
Aproveitei que Daniel estava concentrado na televisão para responder as mensagens que eu tinha recebido. Peter havia me perguntado o que eu faria hoje e se eu queria me encontrar com ele mais tarde, informei que almoçaria com Daniel em Londres e não sabia que horas chegaríamos. O rapaz me respondeu apenas com “ok, bom almoço”. Não entendi o porquê daquilo, mas resolvi ignorar dizendo que ele podia passar em casa à noite para assistirmos um filme, o rapaz me informou que ia ver se daria.
Depois, resolvi responder outras pessoas, como meus pais e então, mandei mensagem para Marcela e Liza no grupo que tínhamos, informando que iria almoçar em Londres com Daniel. Liza respondeu com “sortuda, eu queria ir nesse almoço” e Marcela completou “oh eu também, depois me conta tudo”. Primeiramente não entendi o que elas queriam dizer com aquilo, olhando para Daniel, chamando-o para informar que estava pronta.
— Quem é o seu amigo, Daniel? Que iremos almoçar hoje. — Perguntei, enquanto desliguei as luzes e abri a porta.
O piloto saiu e permaneceu aguardando no corredor:
— Relaxa, , você o conhecerá.
Tranquei a porta e seguimos em direção a escada, mas bufei curiosa com relação ao nosso destino. Cumprimentei um rapaz que trabalhava na sede conosco e fomos em direção ao seu carro, uma McLaren 720s azul escura. Fiquei boquiaberta com o veículo, o que fez o rapaz rir, me empurrando em direção ao banco do passageiro.
Conforme abri a porta e ela subiu, sorri internamente por ter a oportunidade de andar em um carro desses. Daniel fechou minha porta, despretensioso, entrando no carro e dando partida no veículo.
A viagem de Woking até Londres levava cerca de cinquenta minutos, em um carro normal. Com o carro de Daniel e o piloto querendo mostrar a potência do motor, chegamos em, aproximadamente, meia hora. Gravei alguns stories e mandei um vídeo para meu pai, que ficou muito animado com o ronco do motor.
Quando chegamos à capital, Riccardo fora me mostrando alguns locais e eu como boa turista, olhava atentamente para poder conhecer futuramente em um passeio pela cidade. Confesso que nesse um mês e meio morando aqui, ainda não tinha conhecido Londres, mas a cidade estava na minha lista.
Pedi que Daniel parasse em uma padaria para que comprássemos uma sobremesa para levarmos, ele me perguntou o porquê daquilo. E então, eu expliquei para ele que no Brasil seria rude chegarmos em um almoço com as mãos vazias; ele prontamente entendeu e parou em uma doceria, esperando no carro. Quase infartei com o preço dos doces, mas escolhi uma belíssima e deliciosa torta de morango. Paguei, voltando ao veículo rapidamente.
Fomos nos distanciando do centro, indo em direção a um bairro extremamente elegante, com enormes mansões. Permaneci boquiaberta a cada casa que passávamos, pois todas eram lindas, elegantes e algumas bem modernas.
De repente, o carro parou em frente a uma casa de dois andares, com um muro baixo e um belo jardim na frente. Daniel estacionou um pouco mais a frente, pois havia outros caríssimos veículos estacionados na rua. Após abrir a porta para mim, já que me encontrava segurando a torta, fomos juntos em direção a casa.
O piloto abriu o portão e fomos em direção a porta. Indaguei-me internamente se aquelas pessoas não tinham medo de serem assaltadas, já que todas as casas da rua ou tinham muros superbaixos, como essa, ou sequer havia muros ou portões. Ri comigo, mesma tentando me arrumar enquanto Daniel tocava a campainha.
Quando o dono da residência abriu a porta, meu mundo parou, por um segundo: minhas pernas ficaram bambas e eu perdi o ar. Na minha frente, estava ninguém menos que Lewis Hamilton, sorrindo e cumprimentando Daniel. Quando os olhos do piloto caíram sobre mim, sabia que tinha morrido e só podia estar no céu, porque aqueles olhos e aquele homem não podiam ser reais.
— Olá, você deve ser a assistente e amiga do Daniel, seja bem-vinda! — ele sorria, abrindo espaço para entrarmos na casa.
Dani entrou primeiro, acostumado com o ambiente, enquanto sorri timidamente atrás dele. Após parecer uma idiota o encarando, sem saber como agir, apenas respondi seu cumprimento educado:
— Oi, muito prazer, eu sou , mas pode me chamar de . — respondi educadamente o piloto, sem poder cumprimenta-lo com as mãos, devido a sobremesa que as ocupava.
Depois de me encarar sorridente, seu olhar caiu para meu colo. Seguindo seus olhos, percebi que ele observava curioso a sobremesa em minha mão.
— Oh, me desculpe, essa é uma sobremesa para comermos após o almoço. — Entreguei a forma ao rapaz, delicadamente, para que não afetasse o doce. — É uma torta de morango, espero que goste.
— Não precisava, , mas quer saber um segredinho — ele pegou a sobremesa das minha mãos, guiando-me para dentro da residência, enquanto o olhava curiosa. — morango é uma das minhas frutas favoritas;
Rimos juntos, conforme ele me guiava para a sala, pedindo que eu ficasse à vontade. Sorri, agradecendo-o, indo em direção ao Daniel e às outras pessoas que estavam no local.
Quando cheguei na sala, todos olharam para mim e naquele momento, eu gostaria que tivesse um buraco para eu cavar e me enfiar. Odiava ser o centro das atenções. Daniel, contudo, levantou-se rapidamente para me apresentar ao resto do grupo, notando meu nervosismo:
— Pessoal, está é minha nova assistente e agora amiga, — apontou para mim e depois a cada um do grupo, respectivamente conforme falava. — , esses são Carlos Sainz e a sua namorada, Isabel; aqueles dois no outro sofá, são Sebastian Vettel e a esposa, Hanna. Ah, e aquele pequeno ser solitário na poltrona, é Pierre Gasly, o namoradinho Charles o deixou sozinho hoje — o mesmo riu com escárnio, mostrando o dedo do meio ao rapaz.
Sorri, ainda envergonhada, mas me apresentando para cada um cordialmente. Após isso, me sentei entre Gasly e Daniel, com inúmeras perguntas sendo disparadas para mim. “De onde eu era”, “como fui parar na McLaren” e ainda mais, “quantos anos eu tinha” e até se “eu tinha namorado”. Respondi todas e na última, um pouco sem graça, respondi que não.
Depois do interrogatório, ficamos conversando sobre assuntos diversos. Hamilton se juntou a nós um tempo depois, me entregando uma garrafa de cerveja e informando que ouviu a pequena apresentação sobre mim da cozinha e ficou interessado, fazendo mais algumas perguntas sobre o Brasil, pois segundo ele, era um de seus países favoritos. Lewis chamou todos para a área externa da casa, em que havia uma piscina, quadra de futebol com cesta de basquete e alguns sofás para nos sentarmos.
Os rapazes engataram em uma conversa sobre a temporada, futebol e UFC, enquanto as meninas me puxaram para nos sentarmos na beira da piscina e conversarmos melhor. Como eu estava de calça jeans, não me arrisquei a colocar meus pés na água, então me sentei de lado para elas e de costas para os rapazes.
Permanecemos conversando sobre o dia a dia delas, os nossos trabalhos e Hanna me disse que era mãe de três crianças que ficaram em casa com os avós. Fiquei surpresa, pois ela parecia tão nova e era tão esbelta que nem parecia. Isabel olhou para o grupo dos meninos e depois para mim com um sorriso, olhou para Hanna que sorriu cúmplice.
— O que foi? — perguntei curiosa, olhando para trás rapidamente, sem entender, voltando meu olhar para elas.
— Ah, menina você perdeu, o Hamilton estava olhando fixamente para você — Isabel disse e Hanna concordou, comentando que também tinha reparado, o que instantaneamente me deixou envergonhada.
— O que? Não! — neguei com a cabeça e sorri sem graça, pois quando olhei novamente para trás, ele olhava para nós. — vocês estão imaginando coisas.
— Ah, meu Deus, você ficou com vergonha ! Que fofa. — Hanna disse, rindo, deixando-me com mais vergonha ainda.
Resolvi mudar de assunto rapidamente e elas resolveram deixar essa história de lado, para minha sorte. Cerca de uma hora depois, Hamilton perguntou se podíamos ajuda-lo a arrumar a mesa e nós concordamos, nos levantando. O anfitrião ficou responsável pela comida e depois de uma pesquisa rápida com os presentes, eles me informaram que o piloto era um bom cozinheiro. Eu e as meninas arrumamos a mesa e em menos de dez minutos, nos sentamos para almoçar.
O almoço foi muito divertido, Daniel e Sainz faziam várias piadas e brincadeiras, que fazia todos da mesa rirem. Ficamos um bom tempo ainda sentados, conversando. Na sobremesa, tínhamos a torta que eu trouxe, o que segundo todos os presentes ali era fofo e educado da minha parte, além de alguns potes de sorvetes. Aproveitamos para jogar UNO, enquanto deixávamos as peças sujas na máquina de lavar-louça (nota mental: comprar uma dessas para o loft).
A tarde passou divertida e rapidamente. Mais tarde, ficamos jogados na sala, conversando e assistindo um filme, quando Daniel se levantou para “roubar” mais sorvete na cozinha. Lewis, entretanto, sentou-se ao meu lado para conversar um pouco mais comigo, que fez Hanna sorrir e Isabel olhar para mim, fazendo beijinhos com a mão. O simples ato me deixou vermelha e sem graça:
— E aí, , o que achou do almoço? — ele indagou baixinho para não acordar Pierre, que dormia no colchão no chão bem aos meus pés. — Inclusive a torta estava divina.
— Estava incrível Lewis, você é um ótimo cozinheiro — eu o respondi, um pouco sem graça por elogiá-lo, me virando para a televisão para disfarçar, o que não passou despercebido para o rapaz.
Qual é estávamos falando do maior piloto da atualidade, eu nem sabia como agir perto dele.
— Não precisa ficar com vergonha, , está tudo bem, eu sei que sou um ótimo cozinheiro — Hamilton se gabou, me empurrando levemente com os ombros, o que me fez corresponder o sorriso.
— Eu acho que eu não deveria ter te elogiado, não é mesmo? — ri contida, pausando para prosseguir. — Seu ego cresceu demais, eu hein!
Ele riu alto, fazendo com que Vettel olhasse para o rapaz, pedindo silêncio. O inglês pediu desculpas, voltando-se para mim:
— Gostei de você, , acho que vamos nos dar super bem — colocou o braço em volta de mim, depois virou-se para a TV, me deixando super envergonhada por aquele momento.
Daniel chegou, brigando com o amigo por ter roubado o lugar dele e se sentou no outro sofá que havia no local. Ficamos à tarde toda assim, depois os rapazes engataram em um papo sobre a temporada desse ano e eu e as meninas ficamos jogando UNO na sala de jantar.
Quando já eram quase oito horas da noite, Daniel me chamou para irmos embora e eu concordei, me levantando e despedindo-me de todos. Peguei o número das meninas e prometemos manter contato, principalmente porque nos veríamos durante algumas corridas quando elas acompanhavam seus maridos.
Depois de me despedir dos rapazes, fomos em direção a porta. Daniel saiu primeiro, se despedindo do dono da casa e eu fui novamente atrás dele, como se não soubesse andar sozinha. Ri, envergonhada, e fui me despedir de Hamilton. Nesse momento, ele me abraçou e eu fiquei inebriada pelo cheiro de seu perfume.
— Eu com certeza espero te ver mais vezes, — sussurrou, causando leves arrepios por todo meu corpo. —, foi um grande prazer te conhecer.



Capítulo 4

’s POV
O começo do campeonato estava se aproximando, portanto, a agenda de Daniel estava sempre cheia. Eram inúmeras sessões de fotos, reuniões, testes, propagandas, além de uma preparação física intensa por parte de Alex. Hoje eu e toda a equipe estávamos em um circuito próximo a sede para o último teste no carro, antes do início da pré-temporada. A equipe de Lando havia feito o teste no dia anterior e o garoto havia se adaptado rapidamente, fazendo bons tempos e conseguindo manter a constância.
Havia uma certa apreensão para que Daniel conseguisse fazer o mesmo no dia de hoje. Estávamos no pit lane, enquanto os mecânicos terminavam os últimos ajustes no veículo, ao passo que Daniel e Simon conversavam sobre as mudanças do carro. Otimizei o tempo para responder alguns e-mails e organizar a agenda do piloto, que sempre estava em constante movimento, além de publicar alguns stories no Instagram da McLaren. Após colocar os equipamentos e receber as últimas instruções, Daniel saiu em direção a pista para as primeiras voltas.
Voltei a me sentar na bancada, em frente a várias telas, em que algumas apresentavam detalhadamente informações do veículo, e outras, demonstravam a visão do piloto de dentro do carro. Eu assistia apreensiva, roendo o esmalte de minhas unhas, conforme Daniel fazia as primeiras voltas de aquecimento do pneu. Quando estava indo para a terceira volta, Simon pediu que o rapaz acelerasse e foi o que ele fizera prontamente. Daniel conseguiu fazer um bom tempo na primeira volta com 1’43.405, porém quando começou a sentir confiança com o veículo, conseguiu chegar a 1’41.760. Um resultado incrível e o colocando a frente de Lando que fez 1’41.968 no dia anterior.
Daniel continuava na pista, quando alguns fiscais da FIA chegaram para inspecionar o veículo e a equipe, a fim de verificar se não havia nenhuma irregularidade. Essa inspeção era obrigatória pois podia fazer com que a equipe fosse punida até com a desclassificação no campeonato se houvesse alguma irregularidade no veículo. Enquanto eles conversavam com Zak Brown, Simon e os outros engenheiros, resolvi me levantar e ir comer alguma coisa. Fui em direção a pequena lanchonete que havia por ali e depois de fazer meu pedido, me sentei e percebi que havia recebido uma nova mensagem de Peter, já aproveitando para respondê-lo:
WHATSAPP
Peter
On-line

Oi, , como andam as coisas por aí?

Hey Pet, tudo ótimo. Dani está indo bem e conseguindo se adaptar rapidamente ao carro.

Ainda bem, fico feliz 😊 Eu queria te perguntar...

Você gostaria de jantar comigo, no sábado à noite?

Ou não, quer dizer... Ah deixa pra lá, . Acho que me precipitei.


Ri da última mensagem do rapaz e fiquei pensando se deveria ou não aceitar seu convite. Antes de respondê-lo com precisão, mandei mensagem para Liza e Marcela no nosso grupo, para saber o que elas achavam. Depois de muita conversa e conselho das minhas amigas, resolvi deixar as inseguranças de lado e aceitar o pedido do rapaz. Ficamos conversando mais um pouco e voltei ao pit lane, a fim de acompanhar o encerramento da inspeção.
Quando cheguei ao local, Daniel já estava estacionado em frente a cabine e tirava seu capacete, conforme os fiscais observavam o veículo minuciosamente. O piloto veio até mim, já me abraçando e comemorando pelo bom desempenho do treino.
— Você viu, , eu arrasei lá na pista! — disse, depois de sair do meu abraço, indo agradecer aos mecânicos e a equipe. Depois, retornou para meu lado, enquanto observávamos a vistoria do carro ao longe.
— Você foi muito bem Dani, parabéns! Essa é a pegada! — pronunciei, realmente feliz pela conquista do rapaz.
— Obrigado, , eu realmente quero ser um piloto melhor esse ano. — ele cruzara os braços, admitindo o fato honestamente.
— Eu sei! — falei, admitindo também com sinceridade e sorrindo para o rapaz. — O que me lembra... Amanhã você tem aquela sessão de fotos com o Lando para a FIA, junto com a gravação da vinheta de introdução; à tarde, uma reunião com a empresa de confecção da sua marca e a noite você estará livre.
— Caramba, eu nem me lembrava desses compromissos! — ele bateu as mãos na testa, exasperado. — Que horas eu preciso estar lá?
— Às 08:00h da manhã. E por favor, Daniel, não se atrase — Olhei em sua direção, que apenas concordou com a cabeça e voltamos a olhar para os fiscais.
Zak acenou para Daniel, que me puxou junto em direção ao CEO e aos fiscais da FIA.
— Daniel, eu e os rapazes estávamos conversando sobre seu desempenho na pista — Zak dizia, enquanto colocava a mão nos ombros do rapaz que sorriu, agradecendo.
— Estou feliz pelo meu desempenho e pelo carro incrível que conseguimos desenvolver esse ano, sinto que vamos muito bem no campeonato! E se eu não for, o máximo que vai acontecer é eu perder minha vaga, não é mesmo.
Todos riram, incluindo o Sr. Brown e eu, que tentamos disfarçar o desconforto pela piada do rapaz. O piloto não tinha noção que isso poderia acontecer se ele não fosse bem no campeonato, era tudo ou nada. Ficamos conversando mais um pouco e os fiscais informaram que mandariam o relatório nos próximos dias por e-mail.

*_____________*_____________*


No dia seguinte, eram 7:30 da manhã quando cheguei a casa de Daniel. O rapaz havia me dado a chave depois que o mesmo perdeu o ensaio fotográfico algumas semanas atrás. Quando adentrei a cozinha, me surpreendi. Ele estava pronto e tomava café, enquanto mexia em seu celular.
— Bom dia Daniel — pronunciei com estranheza, enquanto deixava minha bolsa no balcão e colocava café no meu copo térmico. — Eu não acredito que você já está pronto, o que houve? Está doente?
— Haha, engraçadinha, bom dia para você também! — o australiano se levantou e caminhou até o banheiro mais próximo, provavelmente para escovar os dentes. — Estou tentando ser responsável por aqui; , me dê os créditos!
Pouco tempo depois, Daniel saiu do banheiro anunciando que estava pronto para iniciar o dia. Conforme sua admissão, acenei positivamente com a cabeça e saímos da residência em direção a garagem. Daniel possuía vários carros, e naquele dia, o rapaz escolheu uma McLaren GT na cor dourada e fomos em direção ao local do ensaio.
Quando chegamos, algum tempo depois, encontramos Liza e Lando no estacionamento. Enquanto os dois pilotos conversavam um pouco mais a frente, aproveitamos e gravamos uma sequência de stories deles para postar no Instagram oficial e rapidamente, tiveram diversos comentários dos fãs.
Entramos no set e fomos conversar com a equipe, ao passo que os meninos foram conduzidos ao camarim para se arrumarem. Deixamos os dois nas mãos das maquiadoras, permanecendo do lado de fora, conversando animadamente com o fotógrafo durante o período.
No entanto, ouvimos algumas risadas altas e uma gritaria no corredor dos camarins. Quando chegamos, ficamos estáticas com a pequena bagunça que os dois rapazes faziam. Acontece que Daniel tentou passar batom em Lando, quando a maquiadora estava o preparando e quando o rapaz abriu os olhos ficou irado, o que causou risos em todos na sala. Então Lando, infantilmente, pegou um delineador e tentou passar no rosto do mais velho, que caiu no sofá, mas Lando o segurou e deslizou a caneta pelo rosto dele.
Depois de algumas fotos e vídeos escondidos, Liza deu um grito que assustou todo mundo no local e então os dois rapazes pararam, com Daniel deitado — com o rosto todo riscado — e Lando em pé com a caneta na mão, sendo impedido pelas duas mãos do australiano.
— Já chega vocês dois — ela disse, assumindo uma posição séria e prosseguiu, nervosa. — Vocês têm quantos anos? — gesticulou brava com as mãos. — Daniel, levanta daí e deixa a garota limpar esse rosto e te maquiar! Lando guarda essa caneta e vai tirar esse batom, agora.
Ela mal tinha terminado de falar e os dois rapazes correram para suas bancadas, obedecendo rapidamente. Sorri confidente para ela e olhei para os pilotos, que riam baixinho sem graça por terem sido “pegos no flagra”. Quando saímos da sala, ela comentou comigo:
— Está vendo, , é assim que se faz! — a garota pronunciou, rindo e fizemos um high-five.
Os rapazes chegaram em menos de dez minutos, já com o novo uniforme do campeonato e maquiados. O fotógrafo pediu que primeiro Lando fosse fazer as fotos sozinhos, depois foi a vez de Daniel e então tiraram diversas fotos juntos. Cerca de três horas depois foi a vez da gravação da vinheta para a nova temporada. A equipe começou a preparar os meninos e depois de uma hora e meia foram liberados para se trocarem e irem embora.
Saímos nós quatro em direção a garagem, e quando chegamos ao carro, nos despedimos de Liza e Lando, que iriam para outro compromisso. Daniel dirigia em direção a um drive-thru para almoçarmos. Depois que compramos nosso pedido, paramos o carro no estacionamento e almoçamos dentro do veículo, pois já estava em cima da hora para a próxima reunião do dia, para decidir os produtos e designs da nova coleção by Daniel Ricciardo. A coleção possuía bonés, camisetas, moletons e para essa nova temporada eles discutiam a criação de mini capacetes, canecas, bermudas e até óculos de sol.
Já era tarde quando saímos daquele prédio. Daniel me convidou para jantar e jogar videogames com ele em sua casa e eu como não tinha nada para fazer, resolvi aceitar. Jantamos pizza, que compramos no caminho e depois ficamos jogando até tarde da noite. Já era começo da madrugada quando o piloto me deixou em casa, estava tão exausta que tudo que fiz foi tomar um banho rápido e dormir.
Devido a agenda lotada de compromissos, mal tinha me dado conta que sairia para meu primeiro encontro na Inglaterra, até que na sexta à noite, Marcela e Liza me ligaram informando que viriam cedo para passar o dia aqui para fofocarmos e ajudarem a me arrumar antes do encontro com Peter.
— Meninas, vocês não sabem — Marcela disse, se sentando rapidamente. — Conheci um cara essa semana, o nome dele é Rick e ele é de Londres! — ela saltitou, batendo palminhas. — E ele me convidou para sair!
Comemoramos enquanto enchemos ela de perguntas. Ela o conheceu quando fora até a cidade para uma convenção e ele era um dos palestrantes. Ele era lindo, ela fez questão de mostrar as redes sociais do rapaz; segundo a loira, Rick era fã de esportes radicais, era muito simpático e ela não via a hora de sair com ele. Depois de falarmos do futuro casal Marcela e Rick, Liza nos contou que ela e o noivo já haviam escolhido a data do casamento, para o começo do ano que vem e o local da festa. Fomos preparar o almoço juntas enquanto conversávamos sobre os projetos do casamento.
À tarde, resolvemos assistir um filme e quando decidi me arrumar, as duas correram para o segundo andar, a fim de me ajudar na escolha de looks e maquiagem. Após tomar um banho relaxante e fazer a depilação, me sentei na cama enquanto as duas brigavam na escolha do meu look. Por fim, como estava esfriando ficou decidido por uma meia fina preta, saia curta e uma blusa de lã mais grossa; nos pés, uma bota preta que ia até o comprimento dos joelhos e um casaco por cima para completar o look.
Pontualmente, às sete horas, eu estava em frente ao loft, quando Peter chegou de carro. O rapaz desceu do veículo e veio me cumprimentar, e como um bom cavalheiro, abriu a porta do carro para que eu entrasse e depois sentou-se no banco do motorista, dando partida no veículo.
Quando chegamos ao local, Peter deixou o carro com o manobrista e me conduziu à entrada. O restaurante era lindo e sofisticado, estava lotado de pessoas, porém o que me surpreendeu, é que só haviam carros de luxo e pessoas da alta sociedade. Olhei para Peter estranhando um pouco, já que ele havia me dito que era um restaurante simples, mas ele sorriu para mim, conduzindo-me em direção à entrada com a mão na minha cintura.
Quando adentramos o local, uma mulher altíssima, que parecia ter saído de uma capa de revista, nos recepcionou. Após Peter dar nossos nomes, fomos direcionados educadamente a nossa mesa. Enquanto caminhávamos, fui observando o restaurante, que de simples não havia nada.
Na primeira entrada, era possível encontrar um luxuoso bar com bancadas de mármores verdes escuras e a cor se estendia por todas as cadeiras do restaurante. Haviam diversas flores espalhadas pelo teto e chão que deixava o ambiente mais leve. Ainda na área do bar, tinham algumas mesas e logo depois, uma enorme porta em vidro, que abria direto para o resto do restaurante com a mesma decoração. Enormes lustres decoravam o local, o que dava um ar mais íntimo e acolhedor.
Quando chegamos em nossa mesa, me sentei de costas para a janela e o rapaz sentou-se de frente para mim. Estávamos próximos à lareira que havia ao fundo do restaurante, que estava ligada devido ao frio do lado de fora. A hostess pediu que ficássemos à vontade e que logo um garçom chegaria. Agradecemos e ficamos observando o local em silêncio. Em uma mesa no centro havia algumas subcelebridades locais, que faziam diversos vídeos e fotos e faziam um pouco de bagunça — o que não agradava um casal de idosos que se sentava próximo, sendo que a esposa chegou a reclamar do barulho com o garçom, que infelizmente, não podia fazer muita coisa.
Quando o garçom chegou com os cardápios em nossa direção, agradecemos e decidimos escolher nossos pedidos.
— Estarei optando por uma taça de vinho, o que acha, ? — ele indagou; conforme folheava a dedo as diversas garrafas que o estabelecimento possuía.
Concordei com a cabeça e decidimos tomar um Very Old Single Harvest Port 1968. Confesso que não entendia nada de vinho, porém meu bolso não ia nos mais caros do local, era quase um órgão humano. Para comer, optei pelo delicioso filé de salmão da Tasmânia com purê de cenoura holandês e o rapaz, escolhera outro prato de nome francês que não prestei atenção.
Peter começou a me contar mais sobre sua família e como veio parar na equipe. Começamos a conversar sobre diversos assuntos e eu percebi como nossas conversas fluíam tão bem, era divertido e leve, era como estar com um amigo de infância. Quando nossas refeições chegaram, ficamos em silêncio apreciando deliciosamente o sabor dos alimentos.
Ora ou outra, Peter me contava sobre uma de suas aventuras com alguns amigos e, de repente, me distraindo, olhei para a entrada e me surpreendi. Lewis Hamilton entrava pelo local com uma garota e um casal de amigos o acompanhando.
— E então, eu estava de frente para a cachoeira e Mark apostou que eu não pularia daquela altura! Eles apostaram cem euros que eu não conseguiria e então eu pulei! — Ele ria, empolgado com a própria fala, mas eu não prestava atenção verdadeiramente. — Sabe o que foi maluco? Não foi minha quase morte, foi que eu nem recebi o dinheiro!
Peter se pegou rindo mais alto do que deveria, então naquele momento, voltei minha atenção a ele rindo fraco, sem prestar muita atenção em seu enredo. Peter percebeu que estava distraída e seguiu meu olhar para a entrada do restaurante, local em que o piloto conversava com o garçom e era encaminhado para a mesa.
— Ah, é o Lewis Hamilton, ouvi dizer que ele conhece os donos. — Observei Lewis novamente, agora entendendo por que ele estava ali. — Aquela modelo do lado dele é uma nova influencer ou modelo, não sei bem — Peter pronunciou, enquanto eu reparava a beleza da mulher que sorria abertamente enquanto o piloto segurava sua cintura e sussurrava alguma coisa em seu ouvido. De repente, senti uma leve pontada no estômago, o que era aquilo? — Agora a gente sabe por que ela está saindo com ele. — o rapaz concluiu, apontando para os paparazzis do lado de fora do local.
— Espera aí, o que quer dizer com isso? E como você sabe dessas coisas? — Eu indaguei curiosa, agora prestando atenção no rapaz.
Peter apenas riu sugestivamente em retrospecto, enquanto tomava sua taça de vinho.
— Ah, qual é . Ele é Lewis Hamilton! — apoiou o cotovelo na mesa, conforme apontava discretamente para o inglês. — É impossível não saber da vida dele, minha irmã é muito fã, então sempre estou recebendo notícias e sabendo de tudo por ela. Até eu conseguir um autógrafo ou vídeo, esse é meu castigo — disse rindo e eu ri instantaneamente, contagiada.
Depois da chegada do piloto e de seus amigos, diversas pessoas começaram a prestar atenção no grupo e cochichar, tentaram até tirar fotos para postar em suas redes sociais. Eles se sentaram em uma mesa próxima a nossa, mas não ousaram olhar para os lados. Depois da refeição, Peter e eu resolvemos pedir uma sobremesa, eu escolhi um delicioso Petit Gateau de chocolate e sorvete de creme, e Peter, entretanto, um Crepe Suzette.
Depois de terminarmos a refeição, aproveitamos mais um pouco o restaurante e então resolvemos pedir a conta. Quando o garçom chegou com a conta, Peter não queria que eu pagasse, porém após eu insistir, dividimos as despesas e resolvemos sair do estabelecimento. Quando nos levantamos, Peter se colocou atrás de mim pois o corredor era pequeno e fomos nos direcionando a saída, porém como nem tudo são flores, quando dei alguns passos pude ouvir alguém me chamar.
, é você? — Era Lewis Hamilton que, no mesmo momento, se levantou para me cumprimentar. Sorri sem graça, acenando com uma mão e ele veio em minha direção. — Ah meu Deus, é você sim, que surpresa te encontrar aqui — o rapaz me abraçou, surpreso.
— Oi Lewis. Pois é, viemos jantar e conhecer o lugar. — pronunciei, retribuindo o abraço e quando olhei para a mesa do piloto, todos me olhavam curiosos, incluindo um certo rapaz atrás de mim que pigarreou sem graça. — Oh desculpe, Lewis este é Peter e Peter, este é Lewis — gesticulei animadamente, enquanto apresentava os dois, que em um toque tipicamente masculino, se cumprimentaram um pouco sério demais.
Logo após, o piloto voltou seu olhar para mim.
— Já estão de saída? Eu posso pedir para o garçom colocar uma mesa aqui e vocês podem se sentar conosco! — ele sorriu receptivo, chamando instantaneamente um garçom que rapidamente chegou ao seu lado, apenas aguardando o pedido dele.
— Oh não, por favor não se incomode — prontamente pedi desculpas ao garçom pelo incômodo, tentando me desvencilhar para irmos embora. — Já estamos de saída, foi bom te ver Lewis!
Sorri tímida, acenando para o rapaz um pouco sem graça, pois não sabia reagir perto dele.
— Poxa, é realmente uma pena, mas tudo bem, não quero atrapalhar vocês. .Foi bom te ver também, .
No entanto, quando presumi que ele voltaria para sua mesa, o rapaz virou-se rapidamente e veio ao meu encontro dar um beijo na bochecha, educada e carinhosamente:
— Ouvi dizer que é assim que vocês se despedem no Brasil… — pronunciou baixinho, depois que me viu ficar com as bochechas coradas. — Tenha uma boa noite... Foi um prazer te conhecer, Peter. — ele se despediu, por fim sentando-se e acenou em direção ao companheiro do meu lado.
Sorri sem graça e saímos em direção a entrada do restaurante. Peter deu o ticket ao manobrista que foi em direção ao estacionamento para pegar o carro do rapaz. Enquanto aguardávamos a chegada do veículo, Peter olhou para mim e eu tentei disfarçar, mexendo no celular. Sabia o que ele ia dizer e não queria entrar nesse assunto. Mesmo assim ele resolveu perguntar.
— Eu estou confuso, desde quando você conhece Lewis Hamilton? — indagou ríspido, me olhando sério.
Vendo que não iria adiantar eu fingir estar ocupada no celular — e por não ter gostado do tom que ele usou quando citou o nome do piloto —, resolvi responder.
— Bom, se lembra daquele almoço que fui com o Daniel, em Londres? — virei de frente para ele, que apenas concordou com a cabeça. — Foi lá que nos conhecemos, ele era o tal amigo — finalmente respondi, apontando para dentro do restaurante. — Acredite, eu só fiquei sabendo quando chegamos lá.
— E você não achou interessante me contar? — ele parecia frustrado, porém o motorista chegou nesse momento e resolvemos entrar no veículo, deixando-o sem uma resposta correta.
Ele deu partida, indo em direção ao meu loft. Tudo que se podia ouvir dentro do carro era nossas respirações e o rádio ligado em uma estação de música qualquer. Eu resolvi não responder, pois pelo tom da conversa ele estava procurando por alguma discussão e eu não estava interessada. Quando chegamos ao meu apartamento, Peter estacionou o carro em frente ao prédio e após desligar o veículo olhou diretamente para mim. Resolvi olhá-lo e desafiar para entender aonde ele queria chegar.
— Olha, me desculpe — ele iniciou, dizendo enquanto tirava o cinto de segurança. — Eu passei dos limites, quer dizer... é a sua vida — disse gesticulando, envergonhado pelos próprios atos. — Apenas fiquei um pouco, eu não sei, enciumado?
— Eu entendo, Peter, mas isso não te dá o direito de ser evasivo comigo! — o respondi seriamente, após retirar meu cinto e olhar para o rapaz. — Sabe por que eu não contei? Porque essa é minha vida agora, conhecer essas lendas do automobilismo e tratá-los como pessoas normais, como elas são e eu só o vi uma vez.
— Eu sei, eu me excedi! — ele parecia constrangido, respirou fundo, tentando prosseguir. — É que eu gosto de você, , mais do que apenas amigos — o encarei séria e sem saber como reagir às palavras dele, carregadas de sinceridade. — Eu estou esperando a noite toda para te falar isso e quando te vi com o Lewis, como você ficou sem graça perto do rapaz e como já pareciam ter uma intimidade, eu só fiquei um pouco irritado, não sei o que aconteceu.
— Eu nem sei o que te responder, Pete — eu o respondi, levando meu olhar, tentando disfarçar a timidez e a falta de experiência com esse assunto. — Eu apenas… Não sei. Gostaria de poder dizer que eu sinto o mesmo por você, mas eu estaria mentindo para nós dois.
— Eu sei, e não estou te cobrando nada, tudo no seu tempo — ele justificou-se, levantando meu queixo e olhando diretamente nos meus olhos. — Gostaria muito que você se desse uma chance sabe, para viver, sei como você ama sua carreira e pensa muito no futuro! — olhei para ele, não entendendo onde essa conversa ia chegar. — mas você precisa pensar no presente, se permitir ser feliz agora. — com os olhos ameaçando cair uma lágrima, sorri para ele. — E se for comigo, eu estarei aqui para te ajudar com isso, mas se não for — deu uma breve pausa, suspirando. —, está tudo bem também, porque tudo que eu quero para você é a felicidade, você é uma mulher incrível!
Naquele momento, eu estava sem palavras. Em um ato rápido e sem pensar direito me aproximei de seu rosto. Quando nossos narizes se aproximaram, um breve sorriso surgiu em nossos rostos e então nossas bocas se tocaram em um breve selinho, porém quando sua língua pediu passagem, não hesitei. Eu sei que o que estava fazendo não era o certo, mas não pude evitar. Depois do vinho, da pequena briga em frente ao restaurante e de suas palavras, algo dentro do meu coração se aqueceu e quando vi estávamos nos beijando. Quando nos faltou ar, paramos o beijo; quando ele colocou seus olhos em mim, sabia que o que tinha feito era errado, eu tinha brincado com os sentimentos dele.
— Pete, me desculpa! — eu supliquei quando nos separamos e o rapaz me olhou confuso. — não pelo beijo, quer dizer, eu quis te beijar — eu suspirei fundo, parecendo um pouco confusa. — Só não quero que crie expectativas nisso aqui. Não quero magoar ou confundir seus sentimentos — concluí a fala, um pouco perdida.
Por ter me relacionado apenas uma vez, eu não tinha muita experiência com isso e meus casos em Nova York foram relacionamentos tão rápidos, coisa de uma noite ou algumas saídas no tédio. Então, não era comum chegar nessa essa parte, sempre terminava meus breves relacionamentos antes.
— Hey , está tudo bem? — ele perguntou, sendo sincero. — Eu não vou ficar trancado no meu quarto chorando e ouvindo Taylor Swift porque a garota que eu gosto não me correspondeu — ele disse e acabamos rindo juntos com a fala. — Entendo e agradeço sua honestidade e se me permite, gostaria que continuássemos amigos.
Eu concordei, sorrindo para ele e depois abracei que retribuiu sorrindo, soltando uma piada logo após o momento.
— Amigos com benefícios se você quiser tá? Essa pessoa aqui — principiou após sairmos do abraço e apontou para si. —, é ótima nessa área, tudo no mais completo sigilo.
Eu ri alto e dei um tapa em seu ombro. Indaguei se ele queria subir e assistir um filme ou beber algo, mas ele me informou que precisava ir embora. Talvez não desejasse prolongar aquela situação.
— Sabe, é algo com meu ego ferido por uma garota aí, entende? — ele falou teatralmente, colocando as mãos no peito e fingindo chorar.
— Para de ser ridículo, Pete — apenas ri, desfazendo o teatro dele e dando outro tapa em sua perna.
— Estou brincando. Amanhã preciso ir à casa dos meus pais para um almoço em família, então é melhor eu dormir cedo porque a viagem até a casa dos meus pais é longa. — Peter colocou o cinto, sorrindo em retrospecto.
Seus pais moravam em Farnborough, o que dava cerca de 30 minutos de Woking. Majoritariamente longe.
— Tudo bem então, obrigada pelo jantar e pela companhia, independentemente de tudo, eu amei nosso encontro. — admiti para o rapaz, que apenas sorriu para mim; concordando e me abraçou para nos despedirmos.
— Eu também amei, e quero que saiba que nossa amizade não mudará. Obrigado por ser sincera e a gente se vê na segunda — o rapaz me soltou do abraço e eu abri a porta.
Quando estava do lado de fora sorri acenando para o rapaz, que buzinou saindo com o carro. Entrei no condomínio já subindo as escadas, quando parei no meu andar, resolvi subir mais um e me encontrar com Liza para contar sobre o jantar. Quando toquei a campainha dela, ela gritou um “já estou indo”.
— Ops, acho que atrapalhei algo — eu disse rindo, depois de perceber que ela colocava um moletom enquanto abria a porta.
— Ah não, menina, entra — ela justificou-se, deixando a porta aberta e entrando no loft. — Eu acabei de sair do banho. Louis está lá em cima assistindo um filme.
Ri, já entrando e fechando a porta. Deixei minha bolsa e casaco na bancada ao lado da entrada, ao passo que Louis me cumprimentara com um grito animado.
—Mas me conta, como foi seu encontro? — Liza perguntou, toda empolgada. — Eu estava comentando agora com a Marcela sobre isso, já que você não deu nenhuma notícia!
— Ah, Liz, o restaurante era incrível e a comida de primeira! Mas… — nem pude continuar, já que ela me interrompeu, dizendo:
—Ah, não tem um mas, vai, me conta tudo!
Apenas respirei fundo antes de prosseguir:
— Então, estava tudo indo bem, até que…
E dali em diante, narrei o completo caos, desde o encontro com Lewis, a conversa fora do restaurante, a declaração, nosso beijo, como eu me senti e como ele ficou após tudo isso. Liza escutava tudo atentamente, fazendo algumas interrupções para perguntar algo como “como assim o Lewis estava lá?” ou “Eu não acredito que ele se declarou para você, quer dizer eu achava que ele gostava de você, mas se declarar assim e ainda ser tão fofo e maduro, uau”. Ri com essa última frase e depois que terminei de contar, deixei que ela falasse e dissesse o que achava.
— Sendo sincera, acho que você fez bem. Quer dizer, você gosta dele, mas só como amigo e foi sincera ao invés de deixá-lo esperar por algo que provavelmente nunca vai existir — dissera, pegando na minha mão e sorriu sinceramente. — Ele é adulto, vai superar isso. E cá entre nós, ele é um colírio para os olhos. — Nesse momento, um Louis meio sonolento grita “EU OUVI ISSO, HEIN, AMOR!” e nós rimos juntas. — Eu não me surpreenderia se vocês virassem amigos coloridos e até apoio, mas precisa tomar cuidado para não confundir os seus sentimentos e os dele também, isso nunca acaba bem.
— Eu concordo totalmente e não quero isso! Sei que amizades coloridas nunca terminam bem e o fato dele ter sentimentos por mim pode confundir ele mais ainda, não sou esse tipo de pessoa.
— Eu sei que não é, e sei que vai fazer a coisa certa.
Sorri para ela, verdadeiramente feliz por finalmente ter uma boa amiga, companheira e conselheira. Eu estava começando a me sentir em casa e me sentir parte de algo. Depois daquilo, ficamos conversando mais um pouco e eu resolvi descer para o meu apartamento, para finalmente descansar. Me despedi dela na porta e gritei dando tchau para Louis que não respondeu, tudo que ouvimos foi um ronco.
Quando cheguei ao meu apartamento, fui em direção ao meu quarto para tomar um banho e descansar. Quando me deitei na cama, peguei meu celular e havia uma ligação de Daniel. Seu nome estava salvo como “Honey Badger”, pois era seu apelido e como o rapaz salvou seu contato em meu celular, depois de uma briguinha boba, porque eu tinha salvado apenas como “Daniel”. Resolvi ligar direto, pois sabia que estava acordado, assim que o primeiro toque surgiu o rapaz atendeu já dizendo.
— Fiquei sabendo que você estava em um encontro hoje mocinha e não me contou nada!
— Como o senhor ficou sabendo? E sim, eu estava em um encontro.
— Eu tenho minhas fontes. Com quem posso saber?
— Eu sei que foi o Lewis quem te contou. — suspirei, cansada. — Mas foi com o Peter, do Recursos Humanos.
O próximo grito de Daniel me fez afastar o celular da orelha:
— COM O PETER, É SÉRIO?
Apenas ri baixo em resposta, tomando coragem antes de respondê-lo:
— Qual o problema? Ele é um cara muito legal, sabia? — resmunguei, me espreguiçando. De repente, senti a necessidade de alterar o foco desconfortável do assunto. — E posso saber por que o senhor ainda está acordado, Ricciardo?
— Ah, me desculpe, é que o cara é o maior bobão e todas as mulheres daquele escritório são caidinhas por ele! Achei que você seria diferente… — ele resmungou consigo, se remexendo do outro lado da ligação. — E hoje é sábado, eu posso. Preciso de um pouco de paz, ao menos.
— Bom, ele me chamou para sair e somos só amigos. Foi divertido!
Daniel pareceu não dar importância ao que foi dito, completando sua fala por cima da minha:
— Lewis me perguntou de você. — ele dissera tão rapidamente que mal fiquei nervosa por ser interrompida. — Ficou me perguntando quem era o rapaz que você estava e me disse que você estava bonita... Posso saber o que está rolando entre vocês?
Nesse momento me sentei na cama e fiquei sem resposta. Então Lewis perguntou de mim e ainda me elogiou? Milhares de indagações rondavam minha cabeça e percebi que ainda não havia respondido ao rapaz.
O que você respondeu para ele?
Se conhecesse bem Daniel, saberia que ele estaria dando de ombros naquele momento.
— Que eu não sabia quem era e que eu iria descobrir. — ele pareceu se esforçar para se recordar, de modo cínico. — Bom, e depois eu perguntei se ele queria seu telefone e ele respondeu que sim.
O que Daniel me dissera, fizera-me engasgar com a saliva:
— VOCÊ O QUE, DANIEL RICCIARDO?
De repente meu celular apitou com uma nova notificação pop-up e como se estivesse esperando por aquele momento, uma nova mensagem chegou. Eu nem precisei adivinhar quem era, ao passo que Daniel desligou a ligação em meio ao meu surto.
WHATSAPP
Desconhecido
On-line

Olá, , é o Lewis.

Pedi seu telefone ao Dani e ele me passou, tudo bem para você?



Capítulo 5

~ POV~

Como em todos os anos, o pré-campeonato da Fórmula Um se iniciaria algumas semanas antes da primeira corrida oficial. marcou a janela de testes para as equipes e pilotos demonstrarem seus veículos antes do início do campeonato. De acordo com os novos regulamentos da FIA, os testes aconteceriam em três dias, dois para treinos livres e uma corrida amistosa no domingo, a fim de preparar os fãs para uma temporada eletrizante. Era sempre uma grande correria e confusão, já que muitas equipes ainda não estavam com os carros prontos, pilotos não se adaptavam e acabava rendendo muita manchete aos jornalistas e dores de cabeças aos chefes de equipes.
Era um domingo à noite, quando toda a equipe da McLaren se preparava para embarcar rumo ao primeiro destino, a Austrália. Daniel estava ao meu lado, não parava quieto um segundo sequer; o piloto de origem australiana estava superanimado para correr em sua “casa”, sentindo-se confiante e ansioso para rever a família. Toda a equipe viajaria no mesmo avião, fretado pela companhia aérea para transportar apenas o nosso time. Os engenheiros, Zak Brown, os pilotos e os assistentes (incluindo Liza e eu), fomos direcionados à primeira classe. Eu nunca havia viajado de primeira classe, e confesso que estava empolgada e ansiosa ao mesmo tempo.
Felizmente, Daniel deixou que eu me sentasse à janela, ficando ao meu lado. Cada banco era como um pequeno quarto, sendo fechados, embora possuíssem um sistema para que fosse possível conversar com a pessoa ao lado, como uma espécie de janela que subia e descia. A poltrona era como uma grande cama, possuindo uma pequena televisão com diversos filmes e séries, bancada e até mesmo um abajur. Eu parecia uma criança de tão animada, apertando todos os botões para descobrir o que faziam, arrancando um riso do rapaz ao meu lado. Pouco tempo depois, a comissária trouxe nossos travesseiros e cobertas, sendo correspondida pelos nossos agradecimentos.
Enquanto aguardávamos o resto da equipe e a preparação para a decolagem do voo, ficamos conversando com as outras pessoas que estavam ali. Consegui dialogar um pouco mais com Lando; eu estava pegando um grande carinho pelo rapaz, pois tínhamos conversado mais nos últimos dias e ele era sempre educado e gentil. Depois de enviar uma foto à Marcela no grupo com Liz, ficamos jogando conversa fora e depois de nos despedir (Cela não viajava, pois fazia parte do time do escritório), deixei meu celular de lado me preparando para a decolagem. A viagem era longa, era um dia e meio de Londres à Melbourne — isso sem nenhuma parada —, o que era nosso caso. Chegaríamos na quarta à tarde e os trabalhos já começariam na quinta-feira com apresentações, treinos e a corrida no domingo.
Quando a aeromoça nos informou que o uso de aparelhos celulares estava disponível, peguei meu aparelho para checar novas mensagens e havia algumas da minha família, da conversa com Marcela e de um certo piloto inglês. Desde a primeira mensagem, Lewis e eu conversávamos quase todos os dias. Costumávamos conversar sobre nossas rotinas, sobre Daniel e de vez em quando, o rapaz jogava alguma cantada ou fazia alguma graça, que eu tentava ignorar. Lewis era um bom homem, era determinado, simpático e humilde e mesmo sendo considerado o melhor piloto da atualidade — seis vezes campeão, lutar por causas significantes fora das pistas —, ele ainda conseguia manter os pés no chão. Isso havia me encantado ainda mais depois de conhecê-lo pessoalmente.

WHATSAPP
Lewis C. Hamilton
On-line

Já está indo para Melbourne?

Já estamos sim 😉

Mal voamos e eu já estou entediada 😫

E pensar que ainda tem um dia e meio pela frente 😴

Se você estivesse aqui seria mais divertido 😏


Fiquei surpresa pela audácia do piloto. Automaticamente, sorri sozinha e isso despertou Daniel ao meu lado, que nesse momento mínimo de distração, pegou o celular da minha mão e começou a ler nossa conversa.
— Hm, eu não acredito, , vocês já estão nesse nível de intimidade — Daniel dizia, conforme lia nossas conversas.
Obviamente, tentei puxar o aparelho da mão dele, que apenas ria, enquanto colocava o celular na outra mão e levantava o braço para o alto, para que eu não conseguisse alcançar.
— Devolve meu aparelho agora, Daniel, ou eu juro que vou furar os quatro pneus do seu carro para a corrida — exasperei brava ao rapaz, que nesse momento virou-se para mim. Quando viu minha face furiosa, parou de rir na hora e lentamente começou a abaixar o braço.
— Tudo bem, esquentadinha — ele pôs o meu celular nas minhas mãos e eu sorri falsamente para ele. — calma, , era só uma brincadeira.
— Eu sei, me desculpa, só não gosto quando invadem minha privacidade sem me consultar. — olhei para o rapaz ao meu lado e resolvi conversar com ele sobre Lewis — ‘Tá, ok, o que você quer saber?
— Eu quero entender onde isso começou? Lewis é um cara legal, — quando disse isso, Daniel se acomodou melhor na poltrona e deitou-se para descansar e eu repeti o gesto do piloto. — Ele é reservado e faz muito tempo que não o vejo assim com uma garota.
— Você se lembra daquele almoço na casa dele? — o rapaz prontamente confirmou com a cabeça. — Então, acho que começou ali e depois nos encontramos no restaurante. Quando você disse que ele tinha me achado bonita e ele me mandou mensagem, começamos a conversar, mas não é como se fosse rolar alguma coisa entre nós.
— Eu sei, mas lembre-se que ele é só um cara qualquer antes de ser campeão mundial de Fórmula Um. — Daniel disse, praticamente defendendo o amigo e eu concordei. — Acho que ele está interessado em você sim, até porque se não tivesse, ele não teria enviado essa mensagem. Se eu posso dar um conselho, seja cautelosa — concordei com a cabeça, enquanto pegava meu aparelho celular que havia caído na poltrona e desbloqueei para ver se havia mensagens novas. Sem novidades, retornei meu olhar ao rapaz. — Vocês dois são pessoas incríveis que já se magoaram antes e se não der certo, serão obrigados a conviver e eu não quero escolher um lado. Gosto dos dois igualmente.
Concordei com a cabeça, pensando em cada detalhe do que Daniel me dizia, pensando se Lewis e eu poderíamos construir uma relação. Não entendi quando Daniel disse que ele também tinha sido magoado, mas também não fiz perguntas. Afinal, quando ele se sentisse à vontade, me contaria. Lewis era um cara incrível, mas primeiro era um piloto da Fórmula Um, rico, modelo e famoso e eu era apenas uma assistente de um piloto da equipe rival. Ele tinha o mundo nas mãos, eu estava começando a conquistar meu sucesso profissional, não queria nem imaginar o que aconteceria se ficássemos juntos. Somos de equipes diferentes, de mundos diferentes e isso nunca daria certo.
Ficamos mais um tempo conversando, até que uma aeromoça nos trouxe uma refeição e logo depois acabamos pegando no sono. Algumas horas depois, acabei acordando, pois esqueci de fechar a cortina da janela e um belíssimo sol se abria entre as nuvens, me deixando animada. Observei que algumas pessoas transitavam pelos corredores e outras faziam suas refeições, então aproveitei para me espreguiçar. Daniel dormia tranquilamente ao meu lado, portanto, me levantei e precisei pular o rapaz, que se mexeu levemente, porém continuou dormindo tranquilamente.
Depois de fazer minha higiene e voltar ao meu assento, coloquei o fone de ouvido que recebemos e comecei a assistir um filme. Coloquei “esposa de mentirinha” com Adam Sandler, pois era um dos meus filmes favoritos e ainda consegui assistir a outro filme enquanto o rapaz não acordava. Daniel acordou apenas na metade do segundo filme, e depois de se levantar, fazer sua higiene, voltou e acabou assistindo comigo. E o resto da viagem passou assim, repleto de filmes, conversas, organização da agenda e mais alguns cochilos até chegarmos em Melbourne.

*_____________*_____________*


Quando chegamos na cidade, fomos direto para o hotel nos instalarmos. Chegamos à recepção, fazendo uma fila para cada um retirar sua chave. Arrastei minha mala de rodinhas ao balcão, ansiosa para chegar logo ao quarto Uma curiosidade, é que todos os funcionários possuíam malas idênticas, mas cada uma possuía um número (o meu número era 94) e a mala dos pilotos, entretanto eram os números de seus carros. Tudo isso para que não houvesse confusão ou troca de malas.
A McLaren possuía uma parceria corporativa com os hotéis Hilton, portanto nossas estadias eram “cortesia”. Chegamos por volta das três horas da tarde, estávamos tão cansados porém Zak pediu que fizéssemos alguns stories dos pilotos e depois que enviamos ao time responsável, que também gravou alguns stories do resto da equipe, compartilhamos e fomos liberados para descansar. Os pilotos ficavam no mesmo andar, porém em quartos individuais. Liz e eu ficamos juntas em uma suíte no final do corredor, para estarmos próximas dos rapazes.
— Uau, que quarto bonito — Liza disse, quando entramos e cada uma escolhia sua cama. — Olha, , o tamanho desse banheiro — a garota me puxou, entrando dentro do cômodo que parecia do tamanho do meu apartamento em Nova York.
— É lindo mesmo! — eu respondi, encantada.
Quando abri a cortina, fiquei ainda mais absorvida pela vista do hotel, que dava para um parque lindíssimo à frente de onde estávamos hospedadas.
— Olha essa vista Liz.
— Eu já estava com saudades dos hotéis. — a mulher sentou-se na cama, retirando os sapatos. — Você vai amar, é um mais bonito que o outro.
— Se forem todos no nível desse, eu mal posso esperar! — sorri comigo mesma, jogando meu corpo para trás na cama, sentindo o tecido macio me atingir. — Nossa, eu estou tão cansada…
— Nem me fale, eu também — Liza deitou-se na cama e olhamos uma para a outra. — Lando disse que vai ficar no hotel descansando, então posso ficar tranquila.
Fiquei pensando se Daniel ficaria no hotel, pois não havia me dito nada. Sentei-me na cama e mandei uma mensagem ao piloto, que não estava online. Deixei meu telefone de lado, imaginando que ele estava dormindo ou tomando banho. Resolvi deixá-lo descansar e aproveitei o resto da minha folga como o Sr. Brown nos disse para fazermos, amanhã o trabalho pesado começaria.
— Bom, está tudo maravilhoso, mas eu vou tomar um banho e jantar fora com o meu noivo. — Liza disse, se levantando e pegando a roupa íntima. Toda a equipe, exceto os pilotos, engenheiros ou o próprio Zak Brown dividia o quarto com algum colega de equipe. Havia quartos que eram divididos por até três colaboradores. Louis estava alguns andares abaixo e dividia uma suíte com Antonie, um rapaz simpático e mecânico do Lando. — Ele descobriu um restaurante aqui pertinho que é super-romântico!
— Espera aí, deixa eu te emprestar um creme maravilhoso. — Corri para abrir minha mala e entreguei-lhe um creme bifásico, com odor de morango nas mãos da mulher, que sorriu conforme abrira o frasco, sentindo o cheiro. — Meus pais me mandaram antes de eu vir para Londres, é um creme de uma empresa brasileira que eu ainda não encontrei por aqui e deixa um cheiro maravilhoso na pele. É só usar durante o banho e tirar com a água.
— Caramba, , é muito cheiroso! — Liz encarou o rótulo, fazendo uma careta. — Eu queria entender alguma coisa do que está escrito aqui. — a mulher riu, já que estava tudo escrito na língua portuguesa. — Obrigada, vou usar sim.
Depois que ela fechou a porta, aproveitei que estava sozinha para organizar minhas coisas. Não tiraria as roupas da mala, pois ficaríamos pouco tempo na cidade, mas não podia deixar tudo jogado pelo quarto. Recebi uma nova mensagem e quando peguei o aparelho acreditei ser de Daniel, porém era de Lewis. O homem estava me perguntando se eu havia chegado bem. Ficamos conversando mais um pouco sobre os próximos dias, porém o que me intrigava, era que Daniel não respondera a mensagem e nem estava online. Liza saiu do banheiro e ficou de roupão, já que ainda estava cedo para se arrumar. Ficamos assistindo Supernatural que passava na televisão e acabei deixando meu celular de lado.
Quando ela começou a se arrumar, ligamos para Marcela no facetime, ficamos nós três fofocando enquanto eu fazia o cabelo de Liz e Cela ia dando dicas de maquiagem. Marcela era conhecida por ser a maquiadora do time, ela estava sempre impecável e nos disse que havia feito alguns cursos anos atrás. Aquelas horas foram superdivertidas e às oito em ponto, Liz estava pronta com um lindo vestido tubinho preto, maquiagem leve e os cachos que eu havia feito em seu cabelo. Pegou sua bolsa, mandou um beijo para mim e saiu para encontrar o noivo.
Depois que ela saiu do quarto, fui tomar um banho para descansar. Quando saí do banheiro com meu roupão felpudo, me senti uma rainha em um belíssimo hotel, liguei para a recepção e pedi um jantar. Enquanto aguardava, fiz outra chamada de vídeo, agora com a minha família, para mostrar o hotel para eles.
Depois do jantar me despedi deles, fiz minha skincare, ativei o despertador, coloquei meu pijama e postei um carrossel de fotos da viagem no Instagram. Desde que a mídia noticiou sobre a nova assistente de Daniel, eu havia ganhado milhares de seguidores, Liza me aconselhou a não privar meu perfil, os fãs amavam acompanhar nossas rotinas e isso dava mais publicidade para a McLaren.

*_____________*_____________*


Na quinta-feira de manhã, após acordar com a ajuda do despertador, pois estava exausta, me levantei e fui ao banheiro para fazer minha higiene matinal. Quando saí do banho, acordei Liza, enquanto me trocava. Nosso uniforme consistia em calça, saia ou bermuda cinza, camiseta branca com alguns detalhes em laranja ou o modelo metade laranja e metade cinza e um tênis simples. Não podíamos usar outra cor que não fosse a de nosso time ou alguma cor que remetesse ao time rival.
Após escolher pela camiseta branca, calça, tênis preto, prender o cabelo em um coque e fazer uma maquiagem leve, aguardei por Liz e fomos tomar café da manhã juntas. Chamamos o elevador para irmos em direção ao buffet, ao passo que atualizamos os e-mails recebidos, com Liz narrando atentamente sobre a noite anterior. Hoje seria o primeiro dia de entrevistas, reuniões de estratégia e os mecânicos preparariam o carro para as apresentações à mídia no dia seguinte.
Quando chegamos ao térreo, Louis já estava nos esperando e enquanto o casal ia a frente, aproveitei para olhar as mensagens do meu celular e percebi que ainda não havia recebido nenhuma resposta de Daniel. Como os pilotos precisavam descansar, deixamos que dormissem até um pouco mais tarde e na recepção, já pedimos que entregassem o café da manhã no quarto deles. Alex e o preparador de Lando, já tinham avisado o hotel sobre a alimentação dos rapazes, que fora seguida à risca pelos funcionários.
Eu estava terminando meu café da manhã com Alex, Liza, Louis e outros colegas, quando um funcionário do hotel veio ao meu lado e cautelosamente me informou que ao bater na porta para deixar o café a Daniel, o rapaz não respondeu e por isso havia deixado ao lado da porta. Estranhei, pois ele já deveria estar acordado naquele horário. Depois de terminar minha refeição me levantei, pedi licença ao pessoal da mesa e fui em direção ao quarto de Daniel verificar se estava tudo bem. Quando cheguei na frente de sua porta, encontrei o café da manhã parado ali, intocado. Resolvi ligar e quando percebi que não se ouvia nenhum barulho dentro do quarto me preocupei. Precisávamos estar no paddock em uma hora e eu não tinha notícias do rapaz.
Liguei para Alex perguntando sobre Daniel e o homem também não sabia do paradeiro dele. Do outro lado do corredor, Lando saiu de seu quarto e eu resolvi pará-lo para perguntar:
— Ei, Lando, bom dia — disse, chamando-o ao passo que ele viera em minha direção, me cumprimentando educadamente. — Você sabe onde Daniel está? Estou tentando falar com ele desde ontem e não tenho nenhuma notícia.
— Oh, eu o vi sair ontem um pouco depois que nós chegamos. — ele confessou tranquilamente, me deixando desesperada. Eu não conhecia nada e nem ninguém na cidade, como eu iria encontrá-lo?
— Caramba, ele é maluco! — Exasperei, furiosa, expressando minha raiva batendo em uma parede próxima. — Como eu vou encontrar ele, se o bonito não atende nenhuma ligação? — Pronunciei mais para mim do que para Lando, que ficou sem graça, me perguntando se poderia ajudar em algo. — Tudo bem, Lando, muito obrigada. E mais uma coisinha ... — o parei antes de caminhar em direção ao elevador. — Por favor, não comente com ninguém sobre isso, pode ser? Eu vou dar um jeito.
— Claro, pode ficar tranquila. — ele pôs as mãos no meu ombro, sorrindo em retrospecto. — Você precisa ser rápida, porque se o Zak souber, você está morta e Daniel vai junto. — Ele riu com meu desespero, causando-me um calafrio na espinha. — Agora você precisa correr.
Lando saiu em direção ao elevador e quando a porta se abriu, Liz saiu e pediu que ele esperasse no hall, enquanto ela pegava seu material e escovava os dentes. O garoto me deu tchau do elevador e me desejou boa sorte e eu sorri para ele.
— Ué, o que houve, ? — ela me indagou, indo em direção ao nosso quarto e eu a acompanhei. Fechei a porta e me sentei em sua cama, frustrada.
— Eu perdi o Daniel. Desde ontem que ele não está no hotel e eu não consigo contato com ele! — me levantei, pegando meu aparelho telefônico e ligando novamente para o piloto. — Caixa postal, DE NOVO! O QUE EU FAÇO, LIZA? — Gritei desesperada, com medo de falhar já na primeira viagem.
— Calma, respira — ela saiu do banheiro, segurando em meus ombros e me sentando em sua cama. —, você já tentou pesquisar nas redes sociais e ver se tem alguma menção ao rapaz?
Respondi que não, então nós duas entramos em nossas redes sociais, mas não havia nada, nenhuma foto ou menção do piloto desde o aeroporto, quando alguns fãs nos pararam para tirar foto. Comecei a ficar desesperada e sem saber o que eu diria ao Sr. Brown. Que tal um “desculpa, Zak, mas na primeira corrida do ano eu já estraguei tudo e perdi seu piloto!”. Essa seria uma ótima carta de demissão.
— Liza e se eu não o encontrar? Eu vou perder meu emprego! O que eu vou dizer pro Sr. Brown ou para a minha família?
— OK, EU JÁ SEI! — Liz gritou, de repente, e eu levei um pequeno susto. — Eu não queria usar esse recurso, mas será necessário. — Eu não entendi o que ela quis dizer com aquilo, então ela pegou seu celular ligou para Louis que em menos de cinco minutos, estava batendo na porta do quarto. Abri e fiquei surpresa com o rapaz por ali. — Ótimo você está aqui! precisa localizar o Daniel e você me ajudou aquela vez com o Lando, faz sua mágica aí e eu vou enrolar a equipe lá no paddock.
Liza saiu correndo e Louis entrou no quarto, já se sentando na mesa e ligando meu computador. Eu estava um pouco confusa, mas quando ele pediu o número do rapaz eu lhe informei, e ele começou a abrir algumas páginas. Eu não estava entendendo nada, apenas observando atentamente tudo que ele fazia.
— Louis, o que você está fazendo? — indaguei, me sentando ao seu lado e prestando atenção na tela.
— Estou rastreando o telefone do Daniel — olhei surpresa para o rapaz, que riu e terminou de explicar. —, olha, os pilotos possuem iPhones e isso facilita a localização. Basta ter o programa no computador que eu baixei aqui e se o aparelho estiver ligado, você consegue rastrear pelo GPS onde ele está. — pronunciou naturalmente, como se fosse algo corriqueiro. Fiquei pensando se isso era legal, porém naquele momento, não podia me dar o luxo de seguir as regras da lei.
Zak Brown e uma demissão me assustavam muito mais que o Estado.
— Eu deveria saber sobre isso? — adotei uma expressão séria para ele, que concordou com a cabeça, rindo.
— Olha, legalmente não, porque os pilotos não autorizaram. Mas você precisa encontrá-lo, estou correto? — concordei, sem me preocupar muito com as possíveis consequências disto. Demorou mais alguns segundos para que o rapaz falasse algo novamente. — ACHEI!
Quando o rapaz me deu a localização, peguei minhas coisas e agradeci Louis, que saiu correndo, pois já estava atrasado. Desci rapidamente à recepção e pedi a chave extra do quarto dele ao funcionário, que depois de muita insistência concordou. Fui ao seu quarto para pegar o uniforme e desci pedindo um Uber rapidamente. Os pilotos iam juntos no mesmo carro com o motorista, porém como Lando já havia saído, não tive muita opção. Dei o endereço ao motorista e fomos em direção ao local.
Cerca de dez minutos depois, paramos em frente a uma casa relativamente simples e o rapaz me informou que era a casa à frente. Agradeci, pedindo que esperasse, já colocando um novo endereço no aplicativo, enquanto ia até a porta. Bati três vezes até alguém atender. Quando a porta se abriu, uma moça de cabelos ruivos e sardas atendeu com um sorriso preguiçoso e vestida com a camiseta que eu me lembrava ser de Daniel, no qual ele estava usando no dia anterior quando chegamos a cidade.
— Pois não querida? Posso te ajudar? — ela dizia, sorrindo falsamente e eu que já estava furiosa só me estressei ainda mais.
Logo, não pude deixar de responder da maneira mais sarcástica possível:
— Sim, você pode — respondi, subindo mais um degrau e ficando na mesma altura que ela. — Por favor, chame o Daniel Ricciardo agora ou eu mesma terei que entrar aí e tirá-lo à força.
No entanto, ela nem se mexeu.
— E você quem seria? — a mesma me olhou de cima a baixo e eu fiquei com muita vontade de socar a cara dela naquele momento.
— Olha eu não tenho tempo, garota, você precisa acordar o dono desta camiseta agora — apontei para a peça que ela vestia. — e pedir para ele descer urgente ou pode informá-lo que entregarei pessoalmente a demissão dele ao Sr. Brown — praticamente gritei, já ameaçando entrar na residência e ela me bloqueou abruptamente. — Trabalho para a McLaren e sou assistente dele, o Ricciardo tem cinco minutos para ficar pronto. Fui clara?
Ela ficou séria rapidamente, pegou a bolsa da minha mão e fechou a porta na minha cara. Fiquei esperando por exatamente sete minutos. Quando a porta se abriu novamente, dessa vez Daniel saía do local com a roupa que eu trouxe e descia as escadas, apressado. Entramos no carro e durante o caminho nenhuma palavra foi dita, mas o clima pesado se instaurou no veículo.
Quando chegamos ao destino, paguei o motorista que sorriu e pediu uma foto ao piloto, que sorridente aceitou. Fomos em direção a entrada, após passarmos a catraca, saímos em direção ao motorhome, e eu aproveitei para avisar Liza que havíamos chegado, pois ela estava em entrevista com o Lando e estava ganhando tempo para nós.
— Olha, , me desculpa — ele andou de um lado para o outro, olhando para mim. —, eu sei que está furiosa, mas não foi nada demais, né? E ainda deu tempo de chegarmos antes da minha entrevista.
Quando ele disse isso, eu parei, olhando para o rapaz que sorria como se não tivesse feito nada errado.
— NÃO FOI NADA DEMAIS, DANIEL? — Gritei, chamando a atenção de algumas pessoas que passavam por nós. — Você sabe quanto tempo eu levei te procurando? Como eu fiquei preocupada?
Diminuí meu tom de voz e retornei a caminhada, tentando permanecer calma.
— Eu sei que errei, foi mal. — Ele repetiu enquanto caminhávamos para sua cabine.
Quando fechei a porta, o rapaz sentou-se na cama que havia ali e eu fiquei em pé, esperando pela desculpa esfarrapada dele.
— Isso não vai acontecer novamente, ela é só uma velha amiga.
— Não me interessa quem ela é, Daniel, você tinha um compromisso. — continuei caminhando pelo local e mandando mensagem para os maquiadores. — Para você, isso aqui pode não ser importante, mas é o meu emprego que está em jogo! — Sentei-me em uma poltrona que havia por ali, respirando fundo. — Eu achei mesmo que você estava mudando e amadurecendo, mas eu estava enganada.
Pela primeira vez durante nossa pequena briga, vi seu olhar de desapontamento e tristeza com o que eu disse. Ele pediu desculpas novamente, abaixou seu olhar para as mãos em seu colo e eu me levantei, avisando que esperaria do lado de fora. Naquele momento, os maquiadores bateram na porta e eu abri já saindo do local, encontrando Liza e Lando caminhando em minha direção.
— Olha eu ganhei o máximo de tempo que deu, falei para os jornalistas que Daniel não se sentiu bem e estava se recuperando. — Fizemos uma pequena roda, falando baixo. — Lando também tentou ganhar tempo dando respostas longas e conversando um tempo a mais com os jornalistas. — ela disse rindo e o rapaz sorriu concordando. Agradeci imensamente aos dois.
— Relaxa, , eu sei que a culpa não é sua. — Lando pronunciou, colocando as mãos no meu ombro e olhando nos meus olhos. Nesse momento, Daniel saiu da cabine. Lando se virou para ele: — Você é um idiota né? A propósito, está me devendo um novo jogo de videogame, já que precisei ficar lá com os jornalistas ganhando tempo para seja lá o que você estivesse fazendo.
Ele sorriu sem graça, concordando e agradecendo ao amigo. Depois de nos despedirmos, informando que nos encontraríamos depois para o almoço, fomos em direção a sala de imprensa. O castigo do piloto foi passar horas com vários jornalistas fazendo diversas entrevistas. Fiz questão de agendar mais entrevistas com pequenos jornais de última hora só para ele não ter tempo para nada. O que foi bom para o nosso marketing, já que agora todos diziam como Daniel estava simpático e atencioso esse ano, ao dar entrevistas à rádios, televisões e até canais do YouTube. Depois de uma hora em entrevista com uma rádio local, nos despedimos e fomos em direção ao restaurante para almoçarmos. Em nenhuma entrevista Daniel foi antipático e mal-educado, o que ajudou muito.
Quando chegamos, o restaurante estava relativamente vazio, já que todos já haviam feito suas refeições e estavam em seus intervalos para as reuniões da tarde. Acabamos pedindo os mesmos pratos e comemos em silêncio. Estava claro que ele queria conversar, mas não sabia como começar, acreditando que eu ainda estava brava com ele, o que não era uma mentira, mas nesse momento, a raiva já estava passando. O fato é que depois de comer, ele não iria descansar, mas sim para a reunião até tarde e ainda treinaria com o Alex a noite, o que me deixava mais vingada pelo que ele havia aprontado mais cedo.
Depois de receber uma mensagem informando que Daniel deveria ir até a sala de reunião, me levantei, chamei o australiano que prontamente me obedeceu e corremos em direção ao motorhome. Daniel entrou na sala de reunião e eu fui me encontrar com Liza do lado de fora. Como éramos assistentes, não precisávamos participar, o que era bom, pois elas eram sempre longas e cansativas. Estávamos sentadas em um banco do lado de fora em uma pequena área que havia por ali para socialização, quando de repente Lewis Hamilton despretensiosamente vinha caminhando com Roscoe e com Ângela sua fisioterapeuta, coach e melhor amiga do piloto inglês.
— Olá, meninas, o que fazem por aqui? — ele indagou, simpático, quando Roscoe veio em nossa direção pedindo por carinho. Rimos e eu me abaixei para brincar com ele.
— Oi amiguinho, como você é fofo — eu dizia, fazendo cócegas na barriga com voz de criança, — Ah desculpa, olá, Lewis — levantei a cabeça e olhei para o rapaz, que estava em pé me olhando e depois para sua assistente, que estava ao seu lado. — Oi, Ângela, como estão?
Eles sorriram para nós e eu acabei me distraindo.
— Estamos esperando os rapazes, que estão em reunião de equipe — Liz disse simpática, depois de cumprimentar os dois.
— Estamos indo tomar um café, querem ir conosco? — Ângela nos convidou, educadamente. Lewis acenou positivamente e então resolvemos aceitar. Me levantei e Roscoe veio para meus pés, pedindo por mais carinho. — Acho que você perdeu seu cachorro, Lewis.
— Eu percebi. Acho que pela primeira vez estou com inveja do meu cachorro — o piloto sorriu malicioso, me deixando completamente envergonhada e causando risadas no resto do grupo, acompanhado de uma singela piscada de olho por parte do inglês.
Fomos caminhando em direção a cafeteria que consistia em um food truck no paddock, enquanto conversávamos sobre o dia, como tinham sido as entrevistas e etc. Quando chegamos ao local, Lewis pediu que nos sentássemos, pois ele faria nossos pedidos. Depois de ouvir atentamente o que cada uma queria, ele voltou sentando-se ao meu lado. Roscoe, seu fiel companheiro, ficou deitado no seu pé apenas descansando. O food truck ficava próximo a pista, com isso tínhamos uma visão privilegiada do belíssimo pôr do sol que beijava o horizonte e brilhava a pista naquele momento. Tirei algumas fotos, já postando em meus stories, pois aquilo era lindo e merecia ser compartilhado. Liza e Ângela estavam imersas em uma conversa sobre a preparação de seu casamento, enquanto Lewis e eu observávamos elas conversarem empolgadas.
— E então... — Lewis iniciou um diálogo depois de um tempo e olhou diretamente para mim. — Como foi sua manhã? — ele disse despreocupado e eu o olhei sorrindo. Ele ficava ainda mais bonito sobre a luz do entardecer.
— Nossa, nem me fale sobre isso, foi um verdadeiro inferno! — não pude evitar rir da situação agora que eu estava mais calma. Ele obviamente estranhou a reação. — Basicamente Daniel sumiu e eu me vi sendo mandada embora já na primeira corrida.
Nós dois rimos, enquanto eu explicava toda a situação ao rapaz.
— Daniel é um cara difícil, mas tenho certeza de que você dá conta. — Hamilton olhou diretamente nos meus olhos e nesse momento, senti um calafrio por todo meu corpo.
Desviei o olhar até a garçonete, que vinha em direção a mesa com nossos pedidos, depois de fazer outra viagem com o que faltou, ela sorriu tímida pedindo uma foto ao campeão mundial, que simpaticamente concordou. Enquanto apreciamos nossos pedidos, Ângela nos contou sobre a festa que teria no dia seguinte. Fiquei surpresa, porque não sabia do evento, Liza, que estava ao meu lado, informou que estaríamos lá e eu sorri concordando, sem saber mais o que responder.
Como era a mais nova no paddock na mesa, Ângela me explicou como funcionava essas festas. Basicamente todo começo de temporada, a FIA realizava uma confraternização entre as equipes em um local privativo e sem imprensa, porém depois que os responsáveis iam embora, podia rolar de tudo, o que rendia fofoca por um bom tempo no paddock.
— Eu ia te convidar, mas a Ângela foi mais rápida — Lewis disse para mim, após eu tomar mais um gole do meu capuccino. — mas fico feliz que você vai, vamos nos divertir bastante.
Senti instantaneamente seu olhar sugestivo para mim, o que me fez engasgar com certa vergonha. O ato causou uma crise de riso no piloto, deixando as outras duas mulheres sem entender nada.
, você está bem? — Liza e Ângela perguntaram e eu acenei informando que sim.
Lewis segurou em meus ombros enquanto eu recuperava meu fôlego. Logo após me recuperar, mostrei o dedo do meio ao rapaz por ter feito eu quase morrer sem ar, o que fez ele rir mais ainda.
— Que coisa feia, , não se mostra o dedo do meio para um campeão mundial! — Lewis provocou cinicamente, colocando as mãos no peito em sinal de ofensa, fazendo drama.
, que horror, você vai ser demitida por isso — Liza brincou conosco, fazendo todos na mesa rirem.
— Vão se foder todos vocês! — tomei outro gole do café, fingindo irritação. — Eu quase morri aqui e vocês aí rindo e tirando onda com a minha cara!
Confesso que estava fazendo um pouco de drama, mas como estávamos em um momento de descontração, achei apropriado. Eu me sentia leve, mesmo na presença de Lewis, o que era bom.
Depois do momento, acabamos conversando sobre a festa e algumas fofocas que rolaram do ano anterior, pedimos outra rodada de café, pois o assunto estava muito divertido. Quando fui pegar meu celular para verificar o horário, vi que tinha novas mensagens. Depois de responder a todas, uma nova notificação me chamou atenção, era Peter.
Desde o jantar o clima tinha esfriado um pouco, conversávamos superficialmente e o assunto acabava rapidamente, sem ambos saberem o que falar. Sua mensagem perguntava se estava tudo bem e como estavam as coisas na Austrália. Sorri para a notificação, pois logo abaixo havia uma figurinha engraçada, o que não passou despercebido por Lewis, que virou o pescoço curioso.
— Hm, mocinha rindo para o celular, só pode ser uma mensagem carinhosa, né.
O que me chamou atenção naquela abordagem, é que o sorriso de minutos atrás havia desaparecido e seu semblante parecia sério.
— Ah, é do Pete, um rapaz que trabalha no time e meu amigo. — apenas respondi a mensagem, enquanto Lewis concordava com a cabeça e olhava para o outro lado em silêncio.
— Peter... Aquele seu amigo que estava com você no restaurante? — ele me perguntou pensativo e eu concordei com a cabeça — ele te levou para um restaurante super intimista e você diz que é só um amigo?
— Sim Lewis, ele é só um amigo. E para sua informação, aquele jantar “intimista” — fiz aspas com a mão, debochando. — era entre dois amigos em um momento de descontração em uma inauguração de um restaurante da cidade.
Eu não gostava de ser contrariada, talvez fosse meu signo. Por me lembrar de tudo que havia acontecido com Peter, da briga, de como havíamos nos distanciado depois desse dia e agora a maneira que Lewis disse me deixou irritada, achei que havia sido grossa mas não me importei. Eu já não estava em um dia bom e a insinuação dele não foi legal.
Lewis se calou rapidamente, e nesse momento meu telefone tocou, era Alex informando que a reunião havia se encerrado e eles estavam nos esperando para o próximo compromisso. Me levantei e fui me despedir primeiro de Ângela, um pouco brava com Lewis, porém minha mãe me educou direito e isso me impedia de dar as costas para o piloto. Quando fui me despedir do inglês com um rápido abraço, ele segurou levemente meu braço e olhando para os lados para verificar se ninguém estava ouvindo, Liza e Ângela conversavam animadamente sobre a tal festa um pouco a frente, o rapaz disse:
não fica bravo comigo, não foi minha intenção te irritar — Lewis umedeceu os lábios, e não pude deixar de reparar nesse pequeno gesto já que acabei ficando hipnotizada. Era sexy. — Espero que possamos nos ver na festa e eu possa consertar isso — disse piscando para mim e quase me fazendo esquecer o motivo da minha raiva e beijá-lo ali mesmo.
Concordei, sem muita reação ainda pelo choque daquele momento e saímos em direção ao motorhome. Encontramos os rapazes e fomos para o próximo compromisso, uma sessão de fotos dos pilotos com as equipes, além de um vídeo para o nosso canal do YouTube. Era muito divertida e amigável a relação dos pilotos, isso tornava a atmosfera do local mais leve e tudo fluía naturalmente, o que era um prato cheio para a equipe.
Já era noite quando saímos do paddock e fomos em direção ao hotel, quando chegamos Daniel foi convocado por Alex a se trocar e encontrá-lo na área da piscina para realizar o treino e eu estava liberada para descansar. Quando peguei a chave do quarto, estava conversando distraidamente com Liz quando o Sr. Brown chegou colocando a mão em meu ombro.
— Bom trabalho com o Daniel hoje Sra. Amaral, sabia que eu tinha escolhido bem — disse já atendendo o telefone que tocava enquanto conversávamos.
Sorri internamente feliz por ter sido elogiada já no meu primeiro dia. Mal sabia ele o sufoco que eu havia passado mais cedo, mas graças a Deus deu tudo certo. Liza sorriu para mim me incentivando e fomos em direção ao hall dos elevadores. Quando a cabine da esquerda chegou, entramos junto com os pilotos e fomos em direção ao nosso andar. Daniel e Lando conversavam animadamente, enquanto nós duas verificávamos a agenda deles para o dia seguinte.
Quando a porta se abriu, saímos e os rapazes seguiam para o lado direito em direção ao seus quartos, ao passo que nós duas fomos em outra direção, para a nossa suíte. Lando se despediu da gente com um abraço e eu estava começando a me apegar a esse menino, agora eu entendia por que ele era o rostinho favorito da mídia atualmente. Daniel me puxou para conversar depois que Liza e Lando saíram em direção aos quartos.
— Quando você vai me perdoar, ? Poxa, eu errei e prometo não fazer novamente!
Seu tom parecia semelhante a um desespero quase que palpável, segurando minhas mãos na altura dos meus seios em sinal de súplica. Olhei em sua direção, já respirando fundo, pedindo a todos os deuses possíveis para me dar paciência.
— Olha, Daniel, eu queria muito acreditar em você, mas não é a primeira falha que você comete. E já percebi que não vai ser a última também.
Tive de olhar em seus olhos ao expressar a última frase, expressando todo o meu cansaço, em vista que parecia que eu estava lidando com um adolescente, não com um piloto maduro na casa dos trinta anos.
— Eu sei que sempre digo isso mas dessa vez é verdade, você precisa entender!
— Daniel eu não preciso entender nada, quem precisa entender aqui é você— o interrompi, perdendo o pouco da sanidade que me restava. —, um homem adulto que tem um emprego dos sonhos, ganha muito bem e deveria já ter a maturidade de entender que trabalho é trabalho, e diversão é diversão! — soltei nossas mãos, gesticulando ansiosamente. — Você tem lidado como um adolescente e eu nem sei por que, não adianta vir com palavras dóceis e pedidos de desculpas se daqui duas semanas isso vá se repetir.
Ricciardo estava parado e ouvia atentamente, mas parecia um pouco assustado pelas minhas palavras, já que ele não esperava que eu fosse explodir tão facilmente. Eu estava cansada física e mentalmente e ele merecia ouvir.
, isso não vai se repetir, eu prometo! — Ricciardo suplicou novamente e eu fiz uma pequena cara de deboche, fingindo acreditar em suas palavras. — Sei que nada do que disser vai adiantar agora, porque o que eu fiz é inaceitável, mas vou tentar melhorar, tá legal?
— Se você acha mesmo que eu vim aqui para desistir, você está muito enganado, Ricciardo. — caminhei pelo pequeno corredor que estávamos, irritada. — Eu preciso e quero esse emprego, não vou deixar que você estrague isso. Se para você isso aqui não é importante, já que seu salário milionário está todos os meses na conta, independente do resultado e você tem dinheiro para o resto da vida... — sem pensar muito nas consequências de dizer todas aquelas verdades para ele, continuei. — Faça ao menos pelos outros colaboradores, pois é esse trabalho que você não leva a sério que alimenta a mesa de muitas famílias e realiza o sonho de muitas pessoas! — nesse momento Daniel parecia estático na minha frente sem falar nada, pois sabia que eu tinha razão — Então comece a levar a sério, não por você mas por essas pessoas que ralam muito o mês todo para garantir que você tenha as melhores condições dentro e fora das pistas para ganhar o salário no fim do mês. — eu estava realmente furiosa, já que para ele era tudo uma grande festa, ele não estava nem aí para nada. Mas se ele acha que vai me vencer e fazer tudo o que quiser, estava bem enganado. — Agora vai trocar de roupa porque o Alex está te esperando para treinar.
— Olha, ... — ele dizia pausadamente e baixo sem saber como prosseguir. — Eu vou consertar isso, ok? E vou levar a sério por essas pessoas como você disse. — e então ele me abraçou, forte e protetoramente. — obrigada e me perdoa novamente.
Abracei Daniel de volta, sorrindo internamente, feliz por talvez ter entrado alguma noção em sua cabeça e depois que nos soltamos eu disse.
— Eu espero, Dani, não vou desistir de você, por mais que você tente me afastar e aja como essa pessoa que eu sei que não é — sorrimos e ele concordou com a cabeça — agora vai levar essa sua bunda pequena para malhar para ver se ganha algum glúteo e apareça alguma saliência nesse shorts.
Ele deu uma de suas famosas gargalhadas e eu percebi naquele momento, que não importava quantas vezes eu ficasse brava ou brigássemos, desde que no final do dia pudéssemos estar juntos e rindo sobre qualquer coisa tudo ficaria bem. Sua amizade era muito importante para mim. Nesse momento, Alex apareceu bufando e encontrando nós dos rindo no meio do corredor, o preparador parou com as mãos na cintura bravo e sem entender o que estava acontecendo.
— O que vocês estão fazendo? Daniel, já era para você estar pronto e lá embaixo para treinarmos!
Dani e eu olhamos um para o outro e começamos a rir, o que deixou o preparador físico confuso e depois de me despedir deles, entrei em meu quarto ainda rindo. Fechei a porta e Liza estava saindo do banho e me olhou confusa, expliquei o que havia acontecido e depois fui tomar um banho. Quando saí do banheiro, Liza deu a ideia de irmos jantar com alguns membros da equipe em um restaurante próximo ao hotel. Escolhi um vestido verde de bolinhas brancas, all stars brancos e uma jaqueta por cima e fiz uma maquiagem leve. Liza escolheu uma calça jeans, uma regata e um blazer por cima. Saímos em direção ao hall e encontramos o resto da equipe, fomos a pé até o restaurante já que era próximo ao hotel.
Liza e Louis conversavam animadamente comigo e fui conhecendo outros membros da equipe. Estávamos em um grupo grande de quinze pessoas entre equipe do Lando e a equipe do Daniel. A galera era superdivertida, então rapidamente me socializei. Descobri que alguns mecânicos eram pais de família, outros assim como eu, tinham deixado seus países atrás do sonho de trabalhar na fórmula um. Quando chegamos ao restaurante, pedimos para nos sentarmos do lado de fora, em que havia uma espécie de varanda cercada que nos separava da calçada. Depois de uma pequena bagunça para organizarmos as mesas e ficarmos todos juntos, os garçons nos deram os cardápios e resolvemos começar pelas bebidas, então escolhi um vinho branco.
Resolvi gravar alguns stories e postei uma foto minha que Liz tirou enquanto eu tomava meu vinho e que havia ficado linda. Do meu lado esquerdo, estava Liza e seu noivo e do meu lado direito Taylor, um dos mecânicos do Ricciardo. Conversávamos animadamente sobre o Brasil, o rapaz que amava viajar conheceu o país em um mochilão pela América do Sul e se apaixonou, desde então, já havia ido três vezes e ele me contava sobre algumas praias e cidades que ele passou. Quando peguei meu celular, percebi que havia uma nova mensagem no Instagram. Lewis não havia me seguido na rede social, até achei bom, pois isso poderia me causar problemas e para ele muitas suposições no twitter, mas dias atrás, em uma de nossas conversas ele pediu para eu aceitar sua mensagem. Meu direct era bloqueada devido aos milhares de fãs que me mandavam mensagens todos os dias. Também foi necessário depois de alguns haters me xingarem e desde então, ele estava sempre vendo meus stories.

DM INSTAGRAM
@LewisHamilton

Respondeu ao seu stories:

Poxa, eu não acredito que você não me chamou!

Desculpe, senhor piloto, mas esse passeio é só para membros da McLaren.

Ah, e onde eu me inscrevo para fazer parte?

Então quer dizer que podemos sonhar em um retorno de Lewis Hamilton para a McLaren?

Hahaha, engraçadinha... Divirta-se por mim!

Lewis Hamilton enviou uma foto.


Quando cliquei na foto, era o rapaz sentado em um aparelho de ginástica. Pasmem ele estava sem camisa e todo suado. Fiquei sem reação, olhando fixamente para o aparelho apreciando a beleza do piloto enquanto todos conversavam animadamente. Percebendo minha distração, Taylor puxou meu celular, bloqueando a tela e colocando o mesmo no meio da mesa.
— Está proibido aparelhos celulares na mesa, quem pegar, vai pagar a conta de uma pessoa que está aqui — incentivou, enquanto eu e Liza protestávamos querendo pegar nossos celulares. Acabei percebendo que eu não havia respondido o inglês, ficando nervosa. — Nem vem vocês duas, os rapazes estão de castigo no hotel e vocês estão de folga, desapeguem!
Depois de todos colocarem seus aparelhos no centro da mesa, começamos a conversar e nem ligamos mais para os celulares. Resolvemos escolher nossos pratos, pedindo outra taça de vinho, pois eu realmente havia gostado daquela safra. Mike no fim da mesa, puxou uma conversa sobre filmes e ficamos entretidos por um tempo nesse assunto. Quando meu jantar chegou, suspirei de tão gostoso que estava. Taylor me olhando sorriu.
— Me conta, , de zero a dez como está sua refeição? — indagou, animado, enquanto eu fazia caras e bocas para o prato na minha frente.
— Com certeza dez! — respondi, depois de tomar outro gole do vinho — Eu estou apaixonada por esse prato, eu posso casar com ele? — fiz graça e o rapaz ao meu lado gargalhou se divertido.
— Eu acho um pouco difícil casar com o prato, mas a gente pode providenciar o chefe — apontou para um senhor de idade, pequeno e robusto que aparecia na porta do lado de dentro do restaurante.
Olhamos um para o outro rindo, ficamos entretidos em uma conversa sobre países que iríamos conhecer e nem percebemos que criamos nossa própria bolha. Cerca de trinta minutos após, estávamos todos apenas conversando e tomando nossas bebidas, quando o dono do local colocou um som no ambiente. Kate, uma das nossas colegas de trabalho, mudou o tópico da conversa para relacionamentos, me senti um pouco deslocada, já que todos pareciam ter várias experiências.
De repente, enquanto eu prestava atenção em uma das respostas, todos os olhares se voltaram para mim devido a uma pergunta e eu só queria me esconder:
— E você, , me conta, deixou algum amor em Nova York? Ou no Brasil? — o comentário surgiu sugestivo, deixando minhas bochechas vermelhas quase que instantaneamente, super sem graça. — Pode nos contar querida, estamos entre amigos!
— Oh não, meu relacionamento acabou no Brasil quando ele me traiu um pouco antes de ir embora para Nova York. E por lá, apenas casos passageiros e queridos amigos que ficaram para trás. — pronunciei cabisbaixa ao me recordar de Pedro.
— Um filho da puta! — Liza disse revoltada colocando as mãos na cintura — Ainda bem que você foi para Nova York, , você se livrou de um idiota — todos na mesa concordaram e eu sorri um pouco envergonhada.
— Concordo com a Liza — disse Kate, depois levantando a taça para todos na mesa. — Um brinde aos nossos corações partidos e que graças a Deus ficaram no passado!
Todos nós levantamos a taça fazendo um singelo brinde, sorrindo em retrospecto. Logo após esse singelo momento, Anitta começou a tocar nas caixas de som, todos começaram a se levantar. Um fato sobre mim, é que eu amo dançar, porém em público simplesmente morro de vergonha. Liza e Kate me puxaram para a pista, então começamos a improvisar alguns passos.
Tentei ensinar o pessoal a dançar funk, o que não deu muito certo, mas rendeu vários vídeos escondidos que Kate gravou enquanto estávamos distraídos. O dono do restaurante se animou com a bagunça que acontecia do lado de fora, colocando outras músicas brasileiras por indicação minha e passamos grande parte da noite dançando e alguns colegas tentavam cantar em português, causando uma crise de riso.
Fazia muito tempo que eu não me divertia tanto, a noite tinha sido muito animada. Voltamos todos muito bêbados para o hotel e levamos uma bronca dos dois recepcionistas que estavam no local naquele horário. Subimos para o quarto. Depois de fazer minha higiene, trocar de roupa fui me deitar, peguei o telefone e havia diversas marcações nos stories de Kate, depois de repostar no meu stories coloquei meu celular para carregar e quando fui dar “boa noite” para Liza a mesma já se encontrava dormindo tranquilamente. Apaguei a luz do abajur na escrivaninha ao lado e dormi.



Capítulo 6

~ POV~
Quando acordei no dia seguinte, me arrependi de ter bebido tanto. Minha cabeça explodia e meu corpo pedia por mais algumas horas de sono. Hoje seria o primeiro treino oficial, o que significava um dia corrido por todo o paddock, eu precisava estar preparada. Depois que Liz e eu nos arrumamos, saímos juntas em direção ao salão para tomarmos café da manhã. Estávamos encostadas no elevador em silêncio, nenhuma das duas tinham forças para iniciar uma conversa sem antes tomar um bom café.
Assim que chegamos ao local, encontrei alguns colegas na mesma situação que a nossa. Depois de cumprimentá-los e rir de algumas situações da noite anterior, fui me sentar com os pilotos que pareciam distraídos com algo no celular de Lando. Assim que me sentei ao lado do australiano, Lando rapidamente bloqueou o aparelho e Daniel me olhou sorridente:
— Bom dia, , está preparada para hoje? Porque eu estou! — Dani disse enquanto me abraçava pelos ombros, dando um beijo em minha têmpora. Em retrospecto, eu sorri sucinta em sua direção.
— É sério que você está todo animado? — respondi, tomando o remédio que estava em cima da mesa, que os rapazes havia deixado para nós — Eu só vou começar a funcionar depois do meu café da manhã.
— Ninguém mandou as duas madames passarem a noite na balada! — Lando provocou, rindo da minha cara e de Liza. — Se tivessem ficado tranquilas no hotel, dormindo, não estariam assim.
Mostrei o dedo do meio para o rapaz, que apenas riu em resposta, mandando um beijinho no ar para mim. Daniel me contou sobre o treino de ontem e que marcou com a família de almoçarem juntos; apenas concordei, já marcando na agenda e reservando uma mesa no restaurante próximo ao paddock para a família do rapaz. Comi minha refeição em silêncio, enquanto ouvia a conversa dos pilotos ao meu lado, sem realmente prestar atenção.
— Eu estou superanimado. — Dani confessou, totalmente feliz e animado, dando pequenos pulinhos na cadeira. — É o primeiro dia oficial com o carro, vai ser muito bom e tem tudo para ser incrível além de ser aqui na Austrália.
Depois de tomar um bom café da manhã, nos levantamos e fomos em direção aos carros. Como já estávamos atrasados, levei minha necessaire para terminar de me arrumar depois. Enquanto chegávamos encontramos alguns fãs, Dani abaixou o vidro, tirando algumas fotos com eles e Lando fez o mesmo. Quando o veículo estacionou, fomos em direção as cancelas, sendo que alguns fotógrafos tiravam foto dos rapazes, que sorriam animadamente e até faziam poses.
Quando chegamos ao motorhome, fui fazer minha higiene e uma maquiagem básica para disfarçar minha feição cansada. Acabei me dando conta que não havia respondido a DM de Lewis, porém quando ia pegar o aparelho, fui interrompida por Daniel, que já gritava, me chamando para os boxes. Quando chegamos ao local, alguns mecânicos faziam um aquecimento e Dani recebia algumas ordens de Simon, o engenheiro-chefe e depois o chamou para se prepararem com os testes de reflexo.
, meus pais vão te ligar quando chegarem no estacionamento, você pode recebê-los por favor? — Daniel me indagou gentilmente, enquanto saia em direção a sua cabine.
Eu apenas concordei silenciosamente, ficando para trás, visto que minha presença não era necessária nesse teste e o rapaz iria para a sala dos comissários para algumas instruções, assim como todos os outros pilotos e Simon o acompanharia. Resolvi esperar por ali e me sentei perto das mesas de controle de costas para os mecânicos; depois de enviar alguns e-mails que Daniel havia me pedido mais cedo, desliguei o tablet e pude finalmente pegar meu celular e responder as chamadas perdidas da minha mãe, que havia ligado mais cedo enquanto eu dormia. Enquanto eu ligava e conversava com meus pais, Liz sentou-se ao meu lado, conforme postava alguns stories em seu instagram. Ela sorrira, mandando um beijo aos meus pais e alguns minutos depois, desliguei a ligação, prometendo fazer uma videochamada assim que possível. Fiquei mexendo em minhas redes sociais, até me lembrar dos stories de Lewis que eu não havia respondido, apenas curti a foto comentando algo como “essa foto e uma legenda motivacional vai completar o dia das suas fãs”. É, eu realmente não sei flertar.
— Hm, , que conversinha é essa com Lewis e que foto que ele te mandou em? — Liz perguntava, já lendo nossa conversa.
Eu realmente não ligava que ela lesse, pois confiava na mulher. Contei sobre a foto, que infelizmente, não abria mais devido ao algoritmo do aplicativo.
— Ele me mandou uma foto sem camisa e todo suado na academia e eu não respondi ontem porque não podíamos sequer pegar no celular — pronunciei, agora a olhando e depois bloqueando o aparelho. — Ele não me seguiu, o que é bom, já que isso atrairia mais fofoca, mas visualiza todos os meus stories, e de vez em quando, responde também.
— Meu Deus, como ele é safadinho, hein?! Se bem que ele sempre posta esse tipo de foto nos stories com uma frase motivacional, né, amiga — ela riu e eu não fiquei atrás, repetindo o gesto. — A gente sabe que ele adora exibir os músculos e está tudo bem porque a gente adora ver!
Tive que concordar com a minha amiga, pois o que é para ser bonito é para ser mostrado e Lewis com certeza era uma belíssima visão. Ficamos ali conversando por um tempo sobre homens que achávamos bonitos, até que cerca de vinte minutos depois, recebi uma ligação desconhecida, eram os pais do Daniel. Joe e Grace haviam chegado no paddock e me aguardavam na entrada, assim que encontrei o casal que ria animadamente com Christian Horner, sorri, me apresentando e ambos foram muito simpáticos e carinhosos. Não foi difícil para que eu pudesse entender de onde Daniel havia herdado tamanho carisma.
Levei o casal ao motorhome da McLaren, em que ficamos conversando sobre o piloto. Depois os levei para caminhar pelo paddock, enquanto nos conhecíamos melhor, em conversas sucintas. Quando contei que era brasileira, eles fizeram várias perguntas sobre o Senna e o Brasil, pois também eram grandes fãs do falecido piloto. Paramos para tomar um café e o casal me contou diversas histórias sobre o australiano quando criança e me mostravam fotos que tinham no aparelho celular. Eles eram encantadores e rapidamente me apeguei a ambos.
Um tempo depois, seguimos em direção ao box do Ricciardo para assistirmos aos treinos livres que começaria logo. O rapaz, que já se preparava para entrar no cockpit, assim que viu os pais, correu para o abraço, me agradecendo logo depois pelo suporte. Eu sorri em sua direção, desejando boa sorte e o rapaz sorriu em retrospecto, virando-se para entrar no veículo. Depois de uma sessão decepcionante por parte dos dois pilotos, que terminaram seus treinos em 10º e 11º, os demais condutores foram direcionados as entrevistas, que não foram muito agradáveis. Assim que retornamos ao motorhome da equipe, encontrei o casal sentado no sofá e depois de consolarem o filho, que foi tomar banho para almoçarem, ficamos por ali conversando por um tempo.
— E então, daquele tamanho, um toquinho de gente, saiu correndo pelado pela rua enquanto gritava... — mas ela não pode continuar já que Daniel jogou-se em seu colo e tampou a boca para que ela não terminasse, o que me causou uma grande crise de risos.
— Ok, mãe, a não precisa saber disso... Quer dizer, ninguém precisa! — e ele ficou tentando cobrir a boca dela, enquanto a mesma tentava se desvencilhar e terminar de contar. Seu pai riu da situação e prosseguiu:
— E ele gritava, : “Eu sou o rei do mundo” e os vizinhos só riam, imagina as outras crianças! — quando ele terminou de contar, começamos a rir sem parar. Daniel, embora também risse, já havia se sentado e fez um bico.
— Eu era uma criança ok e tinha assistido muitos filmes — todos olharam um para o outro e voltamos a rir da desculpa do rapaz. — Chega, , se você contar isso para alguém eu te mato.
— O que? Esse vai ser meu grande triunfo, Ricciardo — Provoquei-o, fazendo uma careta maligna, enquanto arrastava as duas mãos em sinal de maldade. — Eu, com certeza, vou querer saber mais histórias, sabe? Caso eu precise um dia...
— Ok, você não precisa saber de nada, já chega, família, nós vamos almoçar! — Daniel se levantou abruptamente.
Seu pai se levantou conjuntamente ao rapaz, o abraçando e o australiano retribuiu, agradecendo por estarem ali. Sua mãe o abraçou de lado, saindo juntos em direção ao estacionamento.
, querida, por que você não vem almoçar conosco? — A mãe de Ricciardo perguntou, simpática, ao passo que eu caminhava junto a ela em direção à saída, carregando minha bolsa.
— Agradeço o convite, mas preciso resolver algumas coisas por aqui e combinei de almoçar com a minha amiga. — sorri agradecida.
Apesar de tudo, queria que Daniel tivesse esse momento com a família, sem ninguém do trabalho para interferir. A mãe dele sorriu, em retrospecto, voltando a dizer:
— Tudo bem, então no jantar você vai!
— Mãe, hoje nós temos aquela festa, eu te disse... — Ricciardo disse para a mãe, se desvencilhando do abraço de lado e a olhando seriamente.
— Não tem problema, Daniel, nós jantamos com a sua família e depois vamos a festa. — respondi, já organizando tudo, pois sabia como a família era importante para o rapaz e que ele teria pouco tempo a partir das próximas semanas.
— Ai, querida, obrigada! — A mãe de Ricciardo veio ao meu encontro e me abraçou. — nos vemos mais tarde. — sorri, me despedindo da família e fui me encontrar com Liz.
Acenei, andando de costas e dando tchau, porém acabei esbarrando em uma pessoa que vinha a minha frente e não pude avistar de quem se tratava.
— Oh, caramba, me desculpa — pronunciei, levemente envergonhada, agora olhando para frente e sorrindo.
Identifiquei a figura a minha frente, e pude ver que era Bottas quem estava ali. Desde o aeroporto, nós não tínhamos nos encontrado e eu nem sabia se ele iria me reconhecer, de qualquer forma.
— Ei, é a garota do aeroporto — o piloto disse, apontando para mim e continuou. — Espera, não fala, é... Léia, Kelly. Téia... — O rapaz olhava sério em meu rosto, tentando lembrar meu nome, enquanto gesticulava com as mãos e foi impossível não rir de sua reação estabanada.
— É , mas pode me chamar de — respondi e ele deu um soco no ar como se estivesse decepcionado consigo mesmo por não ter lembrado meu nome.
— Caramba! Quanto tempo — me abraçou, de repente, me surpreendendo com o ato. Nesse momento, Lewis vinha caminhando com sua equipe e parou, olhando de longe para nós dois. — Que legal te ver por aqui, e nossa, obrigado pela ajuda com o presente, minha amiga amou — ele me disse, depois que me soltou do abraço.
— Ah, que isso, fico feliz que ela tenha gostado — agradeci, sendo sincera e feliz por ele ter lembrado de mim. — Estou superanimada de estar por aqui, é muito legal trabalhar nos bastidores. — Pronunciei, empolgada, enquanto pegava o celular que não parava de receber mensagens. Era Liz, me procurando para almoçarmos.
— Eu sei como é, eu amo estar por aqui também... Ah, você vai a festa hoje à noite? — Bottas me perguntou, quando seu assistente o chamou. Apenas concordei com a cabeça, pois Lewis nos olhava intrigado de longe e acabei ficando um pouco sem graça. — Ótimo, nos vemos lá, quero te apresentar minha namorada Tiffany, você vai amá-la.
Sorri para o simpático finlandês, que de longe acenou, se despedindo de mim, fazendo com que eu repetisse o gesto carregado de gentileza. Lewis, que estava ao seu lado, acenou para mim, ao passo que sorri, enquanto acenava com a cabeça. Nesse momento meu celular tocou novamente, sendo que era Liza me ligando novamente para saber onde eu estava. Respondi que já estava a caminho e corri em direção ao restaurante.
Quando cheguei, ela quis saber de tudo e eu fui contado os mínimos detalhes ao mesmo tempo que almoçávamos. Contei detalhadamente até como Lewis nos observava de longe e como conheci Bottas semanas atrás. Liza disse que ele estava só de olho para ver se o amigo não iria roubar a garota que ele estava a fim, o que certamente não tinha fundamento, já que ele era compromissado.
— Para de ser maluca, Liza, ele não está a fim de mim não. E o Bottas namora, argh! — respondi, enquanto mexia distraidamente em meu copo de refrigerante. — Eu disse uma vez e vou repetir, ele é Lewis Hamilton, heptacampeão mundial.
— E qual o problema, amiga? Você é um mulherão, toda linda e gostosona, você tem que pensar em que homem não olharia para você. E depois da foto de ontem, eu não duvido nada que ele esteja sim a fim da senhorita! — Liza me disse, enquanto apontava com o garfo para mim, toda animada com suas suposições.
— Ai, Liza, você é muito engraçada — disse abafada pelas risadas, ao passo que enxugava uma lágrima que caíra após uma crise de risos e ela fazia uma cara de interrogação a minha frente.
— Eu não disse nenhuma mentira, amiga, qualquer homem teria sorte em ter você. —sorri agradecida e um pouco tímida, pois não é todos os dias que você tem uma amiga levantando sua autoestima daquela forma. — E outra, na festa de hoje você vai estar tão gata que qualquer homem ali vai implorar para dançar contigo.
— Caramba, Liza, eu não trouxe nenhuma roupa para a festa. — Reclamei, colocando as mãos em minha cabeça, desesperada. Só havia me tocado que era um evento chique e que eu não havia levado nenhuma roupa apropriada. — O que eu vou fazer? Não vou poder ir... Minha nossa!
— Relaxa, garota, eu já preparei tudo! — Liza pegou em minhas mãos, olhando diretamente em meus olhos. — Você confia em mim? — Respondi que sim e ela continuou. — Ótimo, porque eu trouxe um vestido que vai ficar perfeito em você! Eu ia te contar da festa ontem, porém Angel foi mais rápida e o look será um presente e eu não aceito não como resposta.
— Você é perfeita — respondi, animada, enquanto sorria realmente agradecida — Obrigada por ser tão incrível, sério!
— Ok, vamos parar, porque senão vou chorar também e vai ficar muito triste esse almoço — Liza brincou, se recompondo e tomando um gole de seu suco. — Você só vai ter que confiar que Marcela e eu fizemos um ótimo trabalho escolhendo o vestido e você vai ficar linda! — Ela disse toda empolgada, dançando na cadeira.
— Agora eu realmente estou com medo — eu ri, conforme pegava o aparelho celular —, você e a Marcela que escolheram e não me falaram nada? Eu estou ferrada! — ri e naquele momento constatei que estávamos atrasadas para uma pequena reunião que o Sr. Brown convocou com Liza e eu.
Pagamos nossa refeição e fomos correndo em direção ao motorhome, subimos ao segundo andar até a sala do CEO e o encontramos já nos esperando. Depois de acertarmos alguns pontos sobre as próximas campanhas dos rapazes, saímos junto com o empresário em direção aos boxes para o segundo treino livre. Encontrei Daniel já preparado com seu macacão e por estratégia da equipe, os pilotos só correram os últimos trinta minutos. No final do TL2, todos os colaboradores foram convocados para uma reunião dentro do motorhome. Cerca de vinte minutos, quando todos já haviam se espalhado pelo local, o Sr. Brown começou a apresentar as falhas e erros cometidos por todos durante os treinos, pediu alguns feedbacks.
O CEO foi incisivo e direto nas palavras, informou que não havia espaço para erros e que no dia seguinte estivessem preparados pois não toleraria falhas para o restante do campeonato. Cerca de duas horas depois, fomos liberados para descansarmos e nos arrumarmos para a festa. Encontramos Grace e Joe conversando com Pierre Gasly, os chamamos para irmos embora e depois de conversar um pouco com o rapaz, saímos em direção ao estacionamento. Liz, eu e os pais do Daniel fomos em um Uber e os rapazes com o motorista, o casal ficou em um hotel próximo ao Hilton e nós seguimos ao nosso destino.

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As oito horas eu já estava pronta, Liz tinha razão quando disse que a roupa era perfeita. O tema da festa era “All Luxury” ou seja, muito luxo, riqueza e glamour e por isso, Liz havia escolhido a combinação perfeita, um vestido preto com uma fenda na coxa esquerda e uma renda transparente por cima de um forro da cor do vestido. Meu cabelo foi preso e a maquiagem contrastava perfeitamente com as joias e a roupa. Eu nunca me senti tão bonita, e consequentemente, pedi para que Liz tirasse umas fotos, para que eu pudesse postar depois e a mulher ficou toda animada, mandando fotos e vídeos à Marcela que estava orgulhosa do look que havia escolhido.
Enquanto Liz e eu conversávamos, aproveitei para começar a organizar a minha bolsa quando de repente alguém bateu na porta, minha amiga rapidamente foi abrir e Daniel entrou cumprimentando a mulher, estava tão distraída enquanto arrumava minhas coisas e procurava meus sapatos que não reparei o rapaz parado com a boca aberta. Assim que calcei os saltos, olhei para o piloto, que depois de um tempo se pronunciou:
— Caramba, , você está muito gata! — o rapaz disse, agora vindo ao meu encontro e me abraçando de lado. — A gente até podia fingir que somos um casal né? Olha que elegantes que estamos — Ricciardo falou, fazendo com que eu reparasse no rapaz, vestido com um belíssimo terno preto, uma camiseta branca e os primeiros dois botões abertos e sem gravata. Arqueei uma das sobrancelhas, questionando pela falta de “luxo” no look do rapaz. — Não me olha assim, , eu estou chique do meu jeito e eles vão ter que aceitar.
Rimos e o moreno pediu para tirar uma foto nossa para ele fazer “inveja” aos amigos. Ri sem graça e depois de algumas fotos, saímos para encontrar os pais do australiano em um restaurante próximo ao hotel. Depois de chamarmos um Uber, fomos em direção ao local e quando chegamos, foi inevitável não repararem em nós, já que estávamos mais arrumados que o normal para a ocasião. Entramos e fomos de encontro ao casal que já nos aguardavam em uma mesa no final do restaurante. Assim que nos aproximamos a mãe do piloto se levantou e veio nos abraçar, sempre querida e atenciosa:
— Ai meu Deus, vocês estão lindos demais — a mulher sentou-se sorrindo e cobrindo a boca com as mãos, um pouco emocionada. — Joe olha que lindo que eles estão, seria um casal perfeito, não é, querido?
Naquele momento, estava me arrumando na cadeira, acabei tropeçando no tecido da mesa, me segurando em Daniel para não cair e o rapaz ao meu lado começou a rir descontroladamente, chamando a atenção de algumas pessoas ao redor e seu pai o acompanhou, enquanto bebia um gole de seu vinho tinto.
— Meu Deus, mãe, para com isso — o rapaz se levantou para me ajudar, já que naquele momento, meu sapato ainda estava preso no tecido e assim que consegui me sentar, pedi desculpa pela gafe e pedi uma água para me recompor. — e eu somos somente amigos, ela ‘tá mais para minha segunda mãe, já que pega mais no meu pé que você.
Todos nós rimos animadamente com o comentário fofo de Ricciardo e rapidamente um garçom me trouxe um copo d’água. Porém, quando fui beber, quase cuspi o liquido depois que Daniel, sem nenhum filtro, soltou na mesa:
E outra, a já está de caso com o Hamilton.
— Que fofo, , o Hamilton é uma gracinha, né? Além de muito lindo. — A mulher riu e seu marido o olhou feio. Ricciardo, contudo, ao meu lado riu da expressão do pai. — Faz bem, querida, o Hamilton é um bom partido, faço gosto por esse relacionamento.
— Não, que isso Sra. Ricciardo, nós não temos nada não. —gesticulei em ato de defesa, fuzilando Daniel com os olhos. — Isso é brincadeira do Daniel, Hamilton é só um colega!
— Por parte dela viu, mãe, porque se dependesse dele... — E todos riram incessantemente, me fazendo ficar corada rapidamente, me afundando na cadeira e olhando para o cardápio na minha frente.
Bati com o objeto no braço do piloto ao meu lado que riu junto com os pais, constrangida com sua suposição. Ficamos conversando durante a refeição sobre minha vida no Brasil, algumas curiosidades e a conversa estava tão boa, que nem vimos a hora passar. A refeição estava deliciosa e eu não quis beber, já que ainda nem havíamos chegado de fato à festa. A família Ricciardo era muito gentil e sorridente, era clara a admiração do piloto pelos pais e o orgulho que eles possuíam pelo filho.
Já era por volta das dez horas quando saímos do local em direção a festa, seus pais se despediram na porta e disseram que iam andar pela cidade. Daniel pediu novamente um Uber e quando chegamos ao local, milhares de paparazzis estavam do lado de fora, a festa ocorria na cobertura de um chiquérrimo hotel que foi fechado só para a festa. Assim que descemos do carro, milhares de flashs foram disparados em nossa direção, Daniel saiu na minha frente e segurei em seu terno para não nos perdemos. Abaixei minha cabeça e depois de uns dois minutos de muita bagunça, ajuda de uns seguranças, conseguimos entrar no hall. Entregarmos nossos documentos um dos recepcionistas que liberou um dos elevadores para nós, agradecemos e subimos em direção ao último andar.
Assim que as portas se abriram, um belíssimo salão com dois andares foi revelado. O lugar já estava lotado e as poucas luzes que havia pelo local davam um ar mais íntimo a festa. Diversas pessoas conversavam e riam enquanto garçons e garçonetes tentavam driblá-los, para que não houvesse nenhum acidente nos caríssimos vestidos e smokings dos convidados. Daniel e eu saímos do elevador e fomos prontamente em direção a um grupo de homens que estavam conversando próximo ao bar. Na roda de colegas, estavam Carlos Sainz, Lando Norris, Zak Brown e Sebastian Vettel conversando animadamente.
— Você é antigo como eu, vamos lá, Sebastian, aqueles carros eram incríveis, você não concorda comigo? — o CEO dizia com as mãos no ombro do piloto alemão, sorrindo.
Calma lá, Zak, eu não sou tão velho assim! Qual é, cara, também não me detona — e todos riam alto, ao passo que o piloto fez um bico, desviando o olhar momentaneamente de onde estava originalmente. — Uau, quem é essa beldade ao seu lado, Ricciardo?
— E aí, pessoal, vocês estão finalmente apresentáveis, hein! — o australiano disse em meio a uma gargalhada e depois pegando um whisky para ele e um martini para mim. — Essa é a , minha assistente.
— Olá, rapazes. — pronunciei de forma tímida, ao passo que Lando rapidamente veio me abraçar, sussurrando em meu ouvido o quanto eu estava bonita. Apenas agradeci e abracei o Sr. Brown e cumprimentei os outros dois rapazes, a qual ainda não havia me apresentado ainda.
— Caramba, Zak, finalmente alguém que colocou o Ricciardo nos eixos! — Carlos riu, dando leves tapinhas nas costas do empresário, que riu, tomando um gole de sua bebida. — Ouvi dizer que depois que você chegou, , Daniel finalmente aprendeu para o que funciona o aplicativo despertador no telefone.
Foi inevitável que uma risada alta ecoasse em uníssono, deixando o moreno ao meu lado altamente constrangido, tentando se justificar em meio aos seus gaguejos desconcertantes.
— Foi bom falar com vocês rapazes, mas vou me encontrar com minha amiga. Lando, sabe se a Liz já chegou? — perguntei ao mais novo, que concordou e apontou a direção em que ela estava. Agradeci e pedi licença, indo ao encontro da minha amiga.
Encontrei alguns conhecidos pelo caminho e fui cumprimentando cada um, parando também para conversar. Nesse pouco tempo que estou inserida no mundo da Fórmula Um, já pude conhecer algumas pessoas da FIA e até de outras equipes que também eram sempre simpáticos, a rivalidade só ficava dentro das pistas mesmo. Depois de algumas fotos, de conversar com alguns colegas, eu finalmente encontrei Liz e seu noivo conversando com algumas pessoas que eu ainda não conhecia. Assim que me viu, minha amiga acenou para mim e troquei minha bebida recém terminada por uma taça de champanhe que um dos garçons acabara de entregar.
— Pessoal, essa é a Amaral, minha amiga e assistente de Daniel! — Liz sorriu me cumprimentando e eu pude conhecer as outras pessoas ao seu lado.
Genevieve era a mulher ao lado da minha amiga e trabalhava para a Mercedes, já Richard e John trabalhavam para a Aston Martin. Ficamos conversando um bom tempo, até que avistei de longe Bottas e sua namorada, que conversavam animadamente com algumas pessoas, que por estarem de costas, não pude reconhecer. Como se notasse que estava sendo observado, o finlandês levantou seu olhar em direção ao salão e seus olhos vieram em minha direção. Sorri, levantando a taça em sinal de cumprimento, e de repente o rapaz sussurrou algo para sua namorada a seu lado, ao passo que logo ambos vieram em minha direção.
— Olá, , você está muito bonita. — o rapaz disse simpático, dando um abraço tímido. — Essa é minha namorada, Tiffany Cromwell; amor, essa é a que eu te falei — a mulher, como se recordasse, rapidamente sorriu e veio em minha direção me abraçar. Um pouco sem graça retribuí, sorrindo.
— É um grande prazer te conhecer, você salvou meu namorado de comprar um presente péssimo para uma amiga nossa. — ri junto com o casal e ela continuou. — Se não fosse você, era capaz dele trazer um perfume masculino para ela.
— Que isso, foi um prazer poder ajuda-lo, depois que eu percebi que ele estava completamente perdido! — resolvi brincar com a situação, o que levou a mulher a minha frente rir e o piloto ao nosso lado emburrar e fazer um bico, o que levou a mulher a segurar as bochechas do rapaz e beijá-lo. Fiquei um pouco sem graça por estar presenciando aquela cena, então dei um gole em minha bebida.
— Mas falando sério, é um prazer finalmente conhecê-la, querida, tenho ouvido muitas coisas sobre você, — Tiffany disse, abraçando de lado o namorado e voltando-se para mim.
— Eu espero que boas. — Ri soprado e ela concordou.
— Pode acreditar, está uma leve disputa de quem fala melhor, Lewis ou Bottas. — Ela gesticulou com as mãos e o namorado riu alto ao seu lado, me deixando completamente sem graça.
— Amor, eu disse para você não comentar nada, você não se lembra? — Bottas falou, puxando a mulher mais para si, ficando vermelho rapidamente, como se tivesse sido pego no flagra fofocando para alguém.
— Ai, desculpe, mas é engraçado porque eu sinto que logo mais a McLaren vai perder a garota para a Mercedes, do tanto que vocês gostam dela.
Sinceramente, se eu pudesse naquele momento, cavaria um buraco, me enfiaria e nunca mais voltava, de tanta vergonha que senti pelo comentário. Rapidamente, Liz apareceu ao meu lado, puxando conversa com o casal a minha frente, fazendo-me agradecer aos deuses.
— Desculpe. mas vocês estão querendo roubar a melhor aquisição da McLaren em anos? Quem autorizou? — a mulher chegou rindo, se apresentando ao casal que entrou na brincadeira, rindo também. — A McLaren não vende e nem faz troca, amigo, pode tirando os olhos da .
Eu não sou nem louco de brincar com vocês — Bottas disse, depois de tomar um gole de sua bebida. —, mas se não valorizarem a gente rouba viu.
— Oh, Sr. Brown, vem cá — Liz disse alto, como se tentasse achar o empresário no mar de pessoas ao nosso redor. — A brasileira já é nossa amigo, a Mercedes não tem vez.
— Opa, alguém disse Mercedes? — Então ele apareceu, com sua voz alta e grave atrás de nós.
Quando me virei, foi como se só houvesse nós dois naquele espaço. As vozes de nossos amigos ficaram ao fundo e a conexão de olhares que trocamos naquele momento, poderia incendiar aquele prédio inteiro. Lewis estava impecável em seu smoking preto, com uma blusa branca e uma gravata borboleta preta; suas tranças estavam presas em um coque, que o deixava incrivelmente sexy e único. O piloto cumprimentou cada um que estava na roda, mas quando chegou ao meu lado, uma de suas mãos foi a minha cintura e a outra segurou meu rosto em sua direção, assim que um beijo foi estalado em minha bochecha, sua boca voltou-se ao meu ouvido sussurrando:
Você está perfeita, .
Sorri sem graça, inebriada com seu odor, e meu corpo se arrepiou rapidamente com o toque do rapaz em minha cintura. O casal a minha frente e minha amiga ao meu lado sorriram cumplices em meio ao meu desespero. Rapidamente embalamos em uma conversa sobre o novo filme que estava em cartaz, séries que assistíamos e conversas banais. Confesso que estava um pouco difícil eu me concentrar na conversa que acontecia ali, já que Lewis seguia ao meu lado, porém sua mão não me tocava mais. Meu corpo sentia falta da sensação de seu toque e minha cintura parecia dormente desde que sua mão passou pelo local.
Uma música começou a tocar no local e algumas pessoas começaram a se arriscar na pista de dança, que havia ao centro da sala. De repente, outros pilotos se aproximaram de nós e começamos a conversar; Lewis foi em busca de uma bebida para si e eu fiquei conversando com Lando e Russell, sendo que o rapaz era muito simpático e educado. Lance Stroll, sua namorada Sara Pagliaroli, Charles Leclerc, Charlotte, Ocon e Elena se aproximaram de nós, então embalamos em uma conversa divertida sobre quem era melhor na pista. Eu confesso que estava amando estar cercada de vários pilotos tão jovens e talentosos, eles eram divertidos e simpáticos e suas namoradas não ficavam atrás e me acolheram rapidamente ao grupo. Lando trouxe outra bebida para mim, agradeci, já pegando meu aparelho para poder tirar algumas fotos. Lando veio ao meu lado para tirarmos uma selfie, os rapazes perceberam a movimentação e se juntaram para uma foto em grupo, Liz tirou a foto e depois eu acabei sendo levada por eles para a pista de dança.
Rihanna tocava animadamente ao fundo e de forma desengonçada, começamos a dançar, rindo já que todos os olhares se voltaram para nós, Liz que estava com meu telefone começou a gravar rindo com Louis ao seu lado. Depois de mais algumas músicas, me canse e fui em direção ao casal e os encontrei sentados em um sofá que havia por ali, assim que me sentei percebi como o objeto era confortável e me acolheu como um abraço quentinho, sorri pensando que aquele era o sofá mais caro que eu já havia me sentado na vida e que eu poderia facilmente viver nele, provavelmente eu já estava bêbada. Cansada, joguei minha cabeça para trás e fechei meus olhos enquanto Liz me entregava uma água. Abri meus olhos, reparando que todo o andar era fechado por janelas de vidro e ao lado do sofá havia uma porta para a varanda do local.
— Você arrasou na pista, hein, , até um boneco de posto dançava mais do que vocês — Louis empurrou minhas pernas, Liz me entregou o aparelho com o vídeo aberto e eu comecei a rir alto pois estava muito engraçado, porque claramente nenhum ali estava sincronizado e sequer se preocupavam em estar arrasando.
— Eu claramente tenho um dom, sabe, a dança é a minha paixão — o rapaz riu alto ao meu lado, negando e dizendo: “Por favor, , não faz isso.”
Resolvi me levantar e tomar um ar do lado de fora da festa. As portas de vidro se abriam para uma enorme varanda com uma piscina, algumas mesas e sofás espalhadas por todo o local, havia diversos casais espalhados conversando e o lugar era iluminado por algumas luzes suspensas, dando um ar mais romântico ao local. Me aproximei da sacada, sentindo o vento em meu rosto e pude finalmente respirar, mal podia acreditar na sorte e no privilégio que estava tendo em poder estar não só trabalhando dentro da fórmula um mas de conhecer pessoas incríveis em tão pouco tempo e viver daquela paixão de infância. Estava divagando sobre esse momento quando sinto um paletó ser colocando sobre meus ombros, Lewis está ao meu lado sorrindo com as mãos no bolso e depois de olhar para mim se vira para frente.
— Um euro pelo seu pensamento — Lewis disse, encostando na sacada, ficando de costas para a vista e olhando diretamente para mim, parecendo um pouco preocupado. —, por que está sozinha aqui do lado de fora?
— Estou pensando sobre como a vida pode mudar em tão pouco tempo — respondi, me abrindo. já que estávamos apenas só nos dois e eu me sentia à vontade para conversarmos. — Há alguns meses atrás, eu estava vivendo uma vida pacata em Nova York, não que eu estivesse reclamando — me justifiquei, enquanto gesticulava com as mãos — mas olha onde estou hoje, em uma cobertura, do outro lado do mundo com pilotos da Fórmula Um, vestindo uma roupa linda, chique e conversando na varanda com o melhor piloto da atualidade na qual eu sempre admirei e tinha um crush.
O rapaz ao meu lado, que até então estava com os braços cruzados, enquanto prestava atenção no que eu dizia, soltou um grande sorriso e veio para minha frente, ainda de costas para a vista incrível da cidade. E foi então eu me toquei do que havia dito, eu só podia estar bêbada mesmo, o que eu estava dizendo?
— Então quer dizer que você tem um crush em mim, Amaral? — disse todo sorridente e entrelaçando nossas mãos, enquanto a outra repousava em seu bolso. Como ele conseguia ser sexy com um simples ato?
— Não, eu quis dizer... Eu disse que... — Fiquei nervosa sem saber bem o que dizer e ficando envergonhada na hora, o rapaz riu da minha falta de jeito. — Ah, para Lewis, não me faz ficar ainda mais envergonhada, ok?
— Tudo bem, darling, vai ser nosso segredinho — ele disse cinico, depois de soltar minha mão, levando seu dedo indicador aos lábios fazendo sinal de segredo, revirei os olhos e o rapaz sorriu fazendo um leve carinho em minha bochecha. — Você está incrível hoje, , a mulher mais bonita da festa com toda certeza.
— Até parece, Lewis, não exagera vai! — Fiquei constrangida e agradecendo ao deuses quando um garçom passou por nós com taças de vinho rosè, me virei para o rapaz que sorriu me entregando uma taça e agradeci logo me virando para Hamilton que continuava ali, com as duas mãos no bolso me olhando impassivo. — Quer dizer... olha essas mulheres, com toda a certeza o vestido delas vale milhões e elas estão impecáveis, não desajeitadas e suadas depois de dançar igual uma maluca na pista de dança.
— E ainda sim continua sendo a mulher mais bonita da festa — o britânico disse, tirando uma mecha de cabelo do meu rosto enquanto eu tomava uma taça do vinho. — Você estava radiante na pista, eu acompanhei de longe e posso dizer com toda a certeza... — fez uma pausa dramática e continuou — Que você não leva jeito nenhum para dança. — Então começou a rir, me levando a gargalhadas também, dei leves tapas no ombro do rapaz que tentou escapar indo para o lado.
Saímos dali para nos sentarmos em um dos sofás que ficavam mais ao fundo da varanda, onde a iluminação era mais fraca e a vista da cidade ficava à nossa frente. Depois que me sentei, ajeitei o paletó pois havia esfriado rapidamente e meu vestido era de alça, Lewis sentou-se ao meu lado e ficamos alguns minutos apenas apreciando a vista da cidade. Estar com Lewis era fácil, sua presença era agradável e me trazia paz, era como estar em casa em uma tarde ensolarada de inverno. Ao fundo podíamos ouvir uma música que tocava animadamente e pela gritaria provavelmente os responsáveis já haviam ido embora e agora a “verdadeira festa” como Daniel havia dito mais cedo podia acontecer.
Lewis sorriu, olhando para trás e quando me virei, pude ver Daniel em cima de uma mesa, enquanto Alonso virava uma garrafa de bebida que deduzi ser alcoólica na boca do rapaz e as pessoas em volta ser divertiam com a cena. Como sua assistente fiquei um pouco preocupada, mas tinha jurado ao rapaz mais cedo que não lhe incomodaria, lembro-me de suas palavras “não aja como minha mãe, ”. Dois segundos depois, uma mulher subiu a mesa, também bebendo com o rapaz e abrindo lentamente a camiseta dele, enquanto derrubava a bebida em seu tórax e lambia a região. Olhei estranhamente para a cena que eu vi e então senti Lewis me virando para frente.
— Esquece isso, , ninguém merece ver essa cena — o inglês disse, rindo enquanto negava com a cabeça e eu olhava intrigada —, isso não é nada, comparado a festa do ano passado.
Olhei na hora em direção ao rapaz, curiosa e o mesmo ignorou, rindo e dizendo que “o que acontecia ali ficava ali”, dando como encerrado o assunto. Engatamos em alguns outros tópicos durante esse período, que nem vimos o tempo passar, o garçom veio mais umas duas vezes trocar nossas bebidas e eu sabia que a partir dali, já era o álcool atuando e resolvi trocar por água. Lewis nunca deixava o silêncio pairar sobre nós, ali só nos dois estávamos em uma sintonia tão boa e leve que passaria anos e eu nunca esqueceria o momento. De repente, uma corrente de vento soprou sobre ambos, fazendo com que eu me encolhesse ainda mais no terno do piloto que se aproximou e me abraçou de lado, para me aquecer.
— Tem certeza de que não quer entrar? — indagou, me olhando e eu neguei com a cabeça. — está muito frio, , você pode ficar doente.
— Estou muito bem aqui — respondi, me aconchegando em seus braços e deitando minha cabeça em seu ombro.
Eu tenho certeza de que era o álcool falando. pois em sã consciência, provavelmente eu não teria coragem de fazer isso. O rapaz sorriu, deitando sua cabeça na minha e ficamos alguns minutos em silêncio absorvendo tudo o que estava acontecendo.
— Sabe, , pode parecer loucura, mas eu me sinto tão bem perto de você — Lewis pronunciou, levantando sua cabeça e me olhando. Estiquei meu pescoço, olhando em seus olhos e sorri com gentileza.
— Eu também, Lewis — respondi, de olhos fechados, enquanto sorria sem saber mais o que falar, pois era uma verdade inegável.
De repente, de maneira lenta, o rapaz levantou-se me puxando para que eu ficasse em pé, estranhei o movimento, então parei em sua frente com as mãos cruzadas. Com cuidado e carinho, Lewis puxou minha mão, entrelaçando nossos dedos enquanto sorria sem desviar o olhar.
— O que pensa que está fazendo Lewis? — perguntei séria, porém meu estômago se revirava em milhões de cambalhotas, isso incentivou o rapaz a continuar com seu sorriso presunçoso.
— Estou apenas puxando a garota mais bonita da festa para uma dança.
Sem saber bem como reagir depois disso, sorri timidamente, me aproximando do rapaz, que soltou minhas mãos e instintivamente elas foram parar em seu pescoço enquanto as suas foram para minha cintura.
— Lewis, a música não é bem apropriada para isso, né — apontei para dentro, onde uma música animada tocava e não fazia jus ao momento “romântico” que acontecia entre nós. Lewis virou-se para mim sorrindo sorrateiramente, me afagando em seus braços.
— Então imagine, baby — sussurrou em meu ouvido.
Novamente as malditas borboletas em meu estômago se fizeram presentes e todos os pelos do meu corpo se arrepiaram. Acreditando que fosse o vento gelado no andar mais alto daquele prédio, mexi a cabeça, ignorando a sensação e me encostei em seu ombro. Começamos a dançar em silêncio, encostei minha cabeça em seu ombro sorrindo do lado contrário, em um momento único Lewis começou a cantar uma música de John Legend e meu corpo parecia estar magnetizado pela sensação única daquele momento. Será que aquele homem tinha algum defeito?
Em um segundo, viramos e de repente estávamos nos olhando em uma conexão única, Lewis que até então cantava bem baixinho parou umedecendo os lábios, então aproximou seu nariz encostando no meu e de maneira lenta e torturante deslizou pela minha face, eu podia sentir sua respiração próxima e instantaneamente fechei os olhos enquanto sentia seu calor. Seus braços que estavam em minha cintura me puxaram para ainda mais perto, como se já não estivéssemos próximos o suficiente. No momento em que nossas testas se tocaram e nossos olhos se encontraram. eu mal podia esperar para que ele me beijasse, porém em uma fração de segundos nosso momento foi interrompido por um grito animado de Daniel, que corria sem camisa em direção a piscina. Assustada, me virei deixando Lewis para trás e indo de encontro ao meu amigo que com o alvoroço. puxou outras pessoas que caíram junto, todos bêbados demais para repararem no frio. Senti Lewis ao meu lado rindo enquanto tentava convencer Perez a sair da piscina ao lado da esposa que estava furiosa com o comportamento do marido.
— SAIA DESSA PISCINA AGORA, SÉRGIO PEREZ MENDOZA OU EU JURO QUE VOCÊ VAI DORMIR NO CORREDOR DO HOTEL! — a mulher de Sérgio gritava para o homem que ria e tentava jogar água nos pés da esposa — Argh! Eu desisto!
Checo, cara, é melhor você sair da piscina, amigo, sabe que sua esposa não blefa, né?! — Lewis provocou, com as mãos no bolso e uma expressão tranquila no rosto, se controlando para não rir das brincadeiras do amigo com a esposa.
— Lewis, meu amigo, eu te procurei a noite toda para bebermos e nos divertirmos — o rapaz dizia meio embolado, devido ao álcool em seu organismo — Cadê meu amigo que bebia todas comigo? Você me abandonou a noite toda... — não continuei para ouvir a conversa, já que nesse momento, Daniel nadou para o outro lado e fui em sua direção.
— DANIEL RICCIARDO, SAI DESSA PISCINA AGORA, MEU DEUS, O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO? — eu gritava furiosa, enquanto tentava desviar de algumas pessoas que jogavam água enquanto nadavam e pulavam.
, é você! Vem, pula comigo, tá quentinha a água — o rapaz tentava nadar para a borda, enquanto um braço estava esticado. — Você prometeu que não ia ser minha babá hoje — ele dizia arrastado e bravo, fazendo um pequeno bico que se eu não estivesse realmente preocupada acharia fofo.
— Isso foi antes de você agir como maluco e pular em uma piscina gelada no meio da madrugada! — gritei furiosa, me abaixando e conversando mais próxima dele. — Vamos, Daniel, sai daí ou você vai ficar doente.
— Eu não, está muito bom, — Daniel disse, nadando para o outro lado e puxando alguns amigos, agora organizando uma briga de galo e deixando com que uma garota qualquer subisse em seu ombro, enquanto outra estava sobre os ombros de outro rapaz que eu não conhecia.
— Ai, meu Deus, eu desisto — e sai em direção ao salão para procurar Liz, mas Lando me disse que ela já havia ido embora.
Brava por minha amiga ter saído sem me avisar, voltei para fora, agora com uma toalha para tirar Daniel daquela piscina. Encontrei Lewis já com Perez sentado em uma espreguiçadeira. enquanto sua esposa em pé gesticulava brava com o mexicano. Lewis, que estava com os braços apoiados ao joelho, olhou seriamente para mim e sem saber o que fazer fui chamar Daniel para irmos embora. O que teria acontecido se Daniel não tivesse interrompido? Teríamos nos beijado? O que eu estava fazendo, eu quase havia beijado Lewis Hamilton! MEU DEUS.
Depois de alguns minutos gritando e convencendo o australiano a sair da piscina, o rapaz saiu rindo com as modelos, puxei para uma cadeira e entreguei a toalha. Peguei suas coisas com Lando e o puxei para irmos embora, sem conversar com ninguém, pois só Deus sabe o que Daniel Ricciardo bêbado podia falar. No momento em que entramos no elevador e puxei meu aparelho da bolsa para pedir um Uber, é que eu havia me tocado que ainda estava com o paletó do inglês. Sorri sentindo seu cheiro e me acolhi na peça enquanto Daniel ao meu lado ria da voz da mulher do elevador. Pedi para que os funcionários deixassem o motorista estacionar na garagem reservada para que os paparazzis não vissem Daniel daquele jeito e quando entramos no carro fomos diretamente para o hotel.
Assim que entrei no automóvel, meu celular apitou e ali estava a mensagem do inglês perguntando se eu havia chegado bem, resolvi responder assim que chegasse pois precisava lidar com um piloto ao meu lado que ficava cantando alto para o motorista que ria sem acreditar talvez na sorte que estava tendo em ter Daniel Ricciardo de madrugada em seu carro bêbado. Assim que chegamos ao nosso hotel, agradeci ao motorista pedindo que não divulgasse nada e ele concordou depois de tirar uma foto com Daniel sorridente e todo molhado que agora tremia de frio. Com certa dificuldade, consegui chegar ao quarto de Daniel e assim que abri a porta deixei nossos pertences na cama e coloquei o rapaz dentro do banho quente, pedi que tirasse a roupa e tomasse um banho. Fechei a porta e sentei na cama, cansada e ainda pensando no que havia acontecido mais cedo na festa com Lewis, me toquei que ainda não havia respondido o rapaz então resolvi chamá-lo.
DM INSTAGRAM
@lewishamilton

Oi, Lewis, acabei de chegar e estou cuidando do Ricciardo que quase teve uma hipotermia no caminho.

Estou com seu paletó, assim que nos vermos eu te devolvo. Obrigada pela noite 😉

Que bom, ! Daniel não aprende nunca, né? Hahaha! Fica tranquila, o importante é que você não passou frio.

Queria estar com você ☹

Mas bom sonhos! Espero estar neles 😉

Sorri sem graça, bloqueando o aparelho e logo depois Daniel saiu do banheiro com a toalha no quadril indo trocar de roupa, de costas esperei o rapaz trocar-se, para então me virar e perguntar se estava tudo bem. Quando olhou para mim, totalmente derrotado e sem graça comecei a rir. me jogando para trás no colchão, eu também não estava na melhor situação.
— Isso mesmo, querida amiga, ria da minha desgraça — jogou a toalha molhada em mim, que devolvi jogando em seu rosto — toma essa camiseta para você dormir e por favor não me acorde cedo amanhã.
— Eu só estou dormindo aqui porque não sei se Liz está no meu quarto com Louis e estou com preguiça demais para ir até lá ver — disse já me levantando, pedindo ajuda ao rapaz para abrir meus vestido.
Fui em direção ao banheiro e depois de tirar a maquiagem e fazer minha higiene, fui me deitar ao lado do piloto que, naquele momento, já estava apagado embaixo das cobertas. Deitei e depois de me cobrir e apagar as luzes, sorri me lembrando dos momentos naquela varanda. Seria impossível não sonhar com Lewis Hamilton.

*_____________*_____________*


Como os treinos ocorreriam no período da tarde, tivemos uma folga pela manhã para podermos descansar. Já era quase onze horas quando chegamos ao motorhome para nos organizarmos. Daniel e Lando foram para a reunião de estratégias, enquanto Liz e eu ficamos tomando café no hall principal que havia dentro do local.
— E aí, querida, como foi sua noite em? — Liz dizia, me empurrando com os ombros, enquanto tentava esfriar seu café e eu sorri sorrateira, já tomando um gole do meu. Assim que viu minha expressão, gritou: — Eu não acredito, vocês se beijaram? — olhou espantada, enquanto chamava a atenção de algumas pessoas que passavam por nós.
— Fala baixo, Liza, tá doida?! — respondi depois de deixar meu café na bancada e me virar para ela, olhando se tinha alguém perto de nós e depois contando tudo que havia acontecido, nos mínimos detalhes.
— Eu não acredito que eu perdi tudo isso! Louis passou mal e precisei levar ele embora, amiga — acenei, agora entendendo por que ela havia ido embora cedo. — Eu não sei nem o que dizer, meu Deus,
— Eu sei, quer dizer, se o Daniel não tivesse interrompido, o que teria acontecido? Nos beijaríamos e então, o que? Ele é da equipe rival, é atualmente o melhor piloto do mundo e mais velho que eu... O que estávamos pensando? — Soltei tudo que estava passando pela minha cabeça e minha amiga ouviu em silêncio.
, respira fundo, você não precisa pensar demais querida — respondeu, chegando mais próximo de mim e me abraçando de lado —, é claro que existem essas “complicações” — disse, fazendo aspas com as mãos e continuou —. mas é tão claro o clima que rola entre vocês… E você é nova demais para não se permitir viver algo tão bonito.
— Liz, ele é da Mercedes e um piloto, quer dizer, não qualquer piloto... É Lewis Hamilton, eu sempre fui a maior fã dele e agora estou aqui, vivendo algo completamente novo em tão pouco tempo! Isso vai passar, tenho certeza é só a excitação pelo novo — exasperei, nervosa, tentando convencer nós duas disso.
— Vai tentando se convencer disso! Lewis é um ser humano incrível e você sabe disso, acha mesmo que ele faria isso só por você ser uma “novidade” por aqui? Eu nunca o vi de conversa com ninguém novo assim — questionou, enquanto me olhava séria e eu sabia que estava dizendo a verdade. — Lewis não é um garoto, , como seu ex que lhe traiu ou os rapazes que você ficava em Nova York; é um homem que sabe o que quer e tem convicção do que procura, então se ele realmente está a fim de você, então se permita, pois vocês podem viver algo incrível no futuro. No entanto, se deixarem com que essas preocupações fúteis atrapalhem, nunca saberão o que é amar de verdade. Acredite, vocês são lindos juntos.
Sem saber bem o que falar e com algumas lágrimas ameaçando descer pelo rosto, sorri, a abraçando e agradecendo pelas palavras. Liza tinha razão, mas para mim é difícil me levar pelo coração, somos de mundos completamente diferentes e isso me assusta. Era difícil descrever o teor do nosso relacionamento no momento e eu não podia lidar com isso agora, precisava estar focada no meu trabalho já que estava indo bem naquele âmbito.




Capítulo 7

~Hamilton POV~

Desde que vi no paddock conversando com Bottas no dia anterior, não conseguia tirar a imagem da mulher da cabeça, imaginando como ela estaria vestida na festa e como eu queria ser aquele quem tiraria sua roupa no fim da noite. Quando nos conhecemos eu me encantei pela delicadeza e sorriso fácil da mulher que não havia encantado só a mim, mas aos meus amigos que desde então vinham comentando sobre como a garota era engraçada, responsável e até Bottas que eu descobri ontem que havia a conhecido no aeroporto antes de mim já estava encantado por ela. Confesso que no começo não entendi a aproximação dos dois e de longe observando a interação deles me deu um certo incômodo, mas quando meu colega me contou tudo e me perguntou se eu estava a fim dela, desconversei.
Eu não sabia distinguir o que estava sentindo. Desde meu último relacionamento sério, eu não havia assumido, mas ninguém e a mídia sempre me questionava sobre quando eu me aposentaria e formaria uma família. Meus pais também vinham me cobrando, principalmente minha mãe que sempre me ligava perguntando de novos amores e quando lhe daria um neto. Para mim, família era extremamente importante, mas estava em uma competição tão grande dentro das pistas com meu rival Max Verstappen, que meu foco estava em se manter invicto e vencer o campeonato.
Enquanto dançava com naquela varanda, pude sentir uma paz que nunca havia sentido com ninguém, mas foi quando a mulher colocou seus olhos em mim, que senti que ali era o lugar certo. Como se independente de qualquer circunstância ou acaso de nossas vidas, o destino nos colocaria ali naquele exato momento para vivenciarmos algo que era único nosso. O destino nos queria ali. Quando Ricciardo apareceu e nos atrapalhou eu nunca quis tanto bater no australiano, poderia afogar ele naquela piscina por ter afastado a mulher de mim. Depois que tirou o moreno da piscina, não a vi mais e quando fui procurá-la Lando me informou que tinha ido embora e levado Daniel ao hotel. Mandei uma mensagem e depois que fiquei sozinho não senti graça em continuar na festa então fui embora para descansar. Quando cheguei ao quarto, senti meu celular vibrar em meu bolso e era ela respondendo a minha mensagem, e depois de respondê-la, tirei minha roupa e me deitei para dormir.
Na manhã seguinte, fui acordado por Angel que me chamava enquanto abria as cortinas, me levantei indo direto para o banheiro para fazer minha higiene, tomar banho e quando sai do cômodo minha roupa já estava pronta em cima da cama. Depois que terminei de me arrumar, encontrei a mulher no buffet do hotel para o café da manhã e então saímos em direção ao circuito para o primeiro treino classificatório do ano. A Mercedes vinha construindo uma brilhante carreira ao longo dos anos e me dado não só vitórias dentro das pistas, mas uma família, nossa parceria já durava anos, eu não podia decepcioná-los. Cheguei ao motorhome em cima da hora para a reunião de estratégias e acabei não tendo tempo para ir ver a garota que vinha dominando meus pensamentos nas últimas semanas.
Depois da reunião, fui para a coletiva com George Russell que estava cotado para ser meu companheiro no próximo ano, o garoto prodígio corria atualmente pela Williams, mas por ser um dos pilotos da academia Mercedes e por vir tendo um ótimo desempenho, já estava sendo cotado para a vaga na equipe, no lugar de Bottas. Desviamos de algumas perguntas sobre isso, mas de resto, a entrevista foi leve e divertida, assim que terminou encontrei Angel já me esperando com uma garrafa de água e meu óculos de sol. Saímos em direção novamente ao motorhome, porém nosso caminho foi interrompido por Daniel Ricciardo que parecia um pouco aéreo enquanto conversavam, não parecendo em nada com o cara da noite anterior que saiu completamente bêbado daquela piscina. parecia furiosa, já que o rapaz não estava lhe dando muita atenção, o moreno entregou o copo de café a mulher que segurou a tempo de deixar a tampa cair e olhou irritada.
— Lewis, que bom te ver — Daniel dizia animado já me abraçando— A festa estava incrível ontem, eu mal te vi, senti falta do meu parceiro de crime — disse, depois que me soltou e nesse momento o olhar de caiu sobre mim, sorri torto a olhando e depois desviando o olhar para o rapaz a minha frente.
— É bom ver que você já se recuperou de ontem Ricciardo — disse rindo colocando uma mão em seus ombros e o chacoalhando que riu sem graça.
— Pois é, depois que a estragou minha festa, eu fui obrigado a ir dormir e hoje só estou em pé graças a ela — disse a abraçando de lado e a mulher sorriu fraco.
— Oi, , como você está? — tive a necessidade de perguntar quando percebi que ela não dirigia o olhar para mim e parecia cabisbaixa, o que será que havia acontecido?
— Estou bem e você? — respondeu séria, enquanto digitava algo no seu celular, ainda sem olhar em minha direção. — Precisamos ir Daniel, a gente se vê, Lewis — então saiu puxando Daniel pela mão em direção a sala de entrevistas.
Fiquei parado por alguns segundos sem entender o que havia acontecido e sem entender por que a mulher que ontem parecia um anjo em meus braços estava tão distante hoje. Angel me chamou, então me despertei indo com a mesma para os boxes. Nesse tempo, me questionei se havia feito algo, mas nada me veio à mente, pensei em mandar mensagem, porém antes que pudesse pensar em algo, Angel puxou o aparelho e pediu que eu me concentrasse apenas no treino classificatório.
Depois de receber alguns direcionamentos, me equipei e entrei no cockpit fechando os olhos e fazendo um exercício de respiração, me desliguei de todos os problemas, assim que voltei a realidade, fechei a viseira focando apenas na corrida. No momento em que fui liberado para a pista, já estávamos na metade do Q3, aproveitei que havia poucos carros para aquecer os pneus e sentir o veículo, já que devido ao novo regulamento imposto pela FIA, os carros desta temporada sofreram grandes mudanças e para nós pilotos era algo completamente novo. Logo, era necessário uma nova confiança e isso podia levar tempo. Eu já havia feito alguns testes antes e estava mais confiante, mas o carro é imprevisível, por isso era necessário cautela nesses primeiros minutos de treino. Sabia que eu precisava lutar bravamente este ano, pois meu adversário Max também vinha com um bom carro e com muita garra atrás da primeira vitória no campeonato. Inclusive, estávamos brigando neste momento pela primeira posição, em que por décimos Max vinha a minha frente.
Quando o neerlandês foi para os boxes, Bono me informou que o rapaz teve um problema de motor e não terminaria os treinos, consegui me concentrar na pista a minha frente e tirar bons tempos. No entanto, quando faltavam poucos minutos para o final do Q2, Pierre Gasly, piloto da Alpha Tauri bateu de frente com um muro de proteção e tivemos que diminuir a velocidade devido a bandeira vermelha, depois de passar em frente ao acidente perguntei a equipe como o rapaz estava e meu engenheiro me respondeu com um sonoro “ele está ok” me acalmando, então segui para as entradas dos boxes, enquanto aguardava a liberação do restante do treino. Trinta minutos depois, após o muro ser consertado e o carro retirado, fomos liberados para o Q3, apesar de algumas dificuldades consegui me classificar em primeiro com um tempo bom de 1m16s224 e Bottas em segundo com 1m16s561 e Sérgio Perez em terceiro com 1m15s542. Max largaria em último devido a um problema em seu motor que lhe impediu de seguir o treino e precisaria ser feito a troca do componente.
Depois do treino classificatório sai do carro relativamente mais leve, mas foi só eu caminhar em direção ao motorhome enquanto Angel passava algumas instruções e ver caminhando preocupada ao lado de Riccardo para meus músculos enrijecerem e a preocupação do momento mais cedo voltar. Entrei em meu quarto tenso, a equipe me deixou ficar sozinho, entendendo que eu precisava me concentrar. Depois de descansar e almoçar fui em direção a sala de reunião para a reunião estratégica. Resolvi me focar apenas no meu trabalho, deixando essas preocupações com a mulher de lado.

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~ POV~

Quando o treino classificatório começou naquele sábado, eu não sabia mais que unha roer de ansiedade. Me sentei próximo aos mecânicos para acompanhar aquela sessão e tentar me distrair, mas todos estavam tão tensos quanto eu, sabíamos do potencial dos dois pilotos, porém ali parecia que algo não estava certo. Os engenheiros conversavam agitados, enquanto rabiscavam papéis e mapeavam gráficos na tela. Aparentemente estava havendo uma falha nos motores, mas os engenheiros precisariam de mais tempo para confirmarem, ainda era cedo para entender o que estava acontecendo com os carros. O auge do treino foi a batida que Pierre Gasly havia sofrido, nervosa me levantei da cadeira e comecei a caminhar pelo box, assistimos às corridas pela transmissão da FIA, e por isso, consegui ouvir o áudio de Lewis perguntando se o piloto francês estava bem, sorri automaticamente. Depois que a câmera focou em Pierre saindo do veículo caminhando e acenando ao público, consegui me sentar novamente e me concentrar na corrida. Lando terminou o treino classificatório em sexto e Daniel em nono e isso os deixou furiosos.
Assim que a sessão terminou Daniel saiu do veículo deixando capacete, balaclava e o HANS (dispositivo de segurança para impedir que durante um acidente o pescoço do piloto sofra com o impacto) dentro do carro e veio em minha direção, entreguei a garrafa de água e uma toalha e saímos em direção ao motorhome. No caminho fui explicando um pouco do que pude ouvir dos engenheiros e o rapaz concordava enquanto olhava ao redor, de repente ele parou abruptamente me assustando.
— Teve alguma notícia do Gasly? — parou me olhando, virou-se e já caminhando em direção ao setor hospitalar.
— Daniel não podemos entrar lá, já mandei uma mensagem a Gareth e ele me informou que ele está bem e fazendo exames que são obrigatórios nesse caso — Gareth era o assistente do francês e que eu havia conhecido no dia anterior durante a festa e já havia até me colocado no grupo dos assistentes dos pilotos (que até então eu não sabia que existia) para agendarmos uma festa juntos.
Daniel não me ouviu, continuou caminhando enquanto alguns fotógrafos caminhavam ao nosso redor. Pude ver de longe Lewis entrar seriamente em seu motorhome e voltei meu olhar ao australiano que caminhava com um semblante preocupado até o local. Assim que chegamos, como previsto não podíamos entrar até onde Pierre estava pois era reservado a familiares e equipe do rapaz e o mesmo estava fazendo alguns exames. Daniel não quis ouvir, enquanto brigava com a equipe médica, mandei uma mensagem ao assistente do piloto da AlphaTauri que avisou que o mesmo já estava liberado e já estavam de saída, puxei Daniel pedindo desculpas aos médicos enquanto explicava a novidade ao australiano, sorrimos aliviados e esperamos sentados em uma poltrona que haviam por ali.
— Caramba, Daniel, não consegue viver sem a minha presença, hein — Gasly dizia enquanto caminhava em nossa direção, rapidamente o piloto ao meu lado se levantou e foi abraçá-lo e perguntando como ele estava — com algumas dores no corpo, mas eu vou ficar bem, estou pronto para o próximo — disse rindo.
— Nem brinca com isso Pierre, ficamos muito preocupados — disse enquanto o abraçava sorrindo — é bom ver que está bem, nos deu um grande susto.
— Nem me fale, por um momento eu estava lá fazendo o melhor setor e do nada acabei indo parar no muro, foi tudo tão rápido — disse colocando as mãos no quadril e nos explicando sobre o acidente — ainda não sei bem o que houve, vou ver com a minha equipe e precisamos dar um jeito no carro rapidamente para eu poder correr amanhã, vou largar em último, mas vou lutar.
— Você nem devia correr amanhã, sabia? Deveria ficar de castigo por nos dar um susto desse — disse o abraçando de lado e saímos todos juntos da ala hospitalar — você deveria ir pro hotel descansar, não é, Gareth? — o rapaz que estava ao meu lado sorriu concordando e começamos a conversar enquanto levávamos os dois até a saída do paddock, por recomendação médica o piloto foi liberado naquele dia para descansar e mesmo contrariado aceitou. Nos despedimos na entrada do circuito, os rapazes voltariam para o hotel e Pierre já parecia abatido devido aos remédios que tomou para suas dores. Abracei o rapaz que agradeceu a atenção e sorri lhe desejando melhoras. Me virei para Daniel que depois de se despedir do amigo voltou-se para mim e fomos caminhando em direção ao nosso motorhome, dessa vez para que Daniel pudesse almoçar e depois ir a reunião, o rapaz que até então estava em silêncio comentou.
— Sabe, , depois da morte de Anthoine eu comecei a me preocupar ainda mais com esse esporte, claro que eu sempre soube dos riscos, mas fazia muito tempo que não acontecia nada igual e Anthoine era muito amigo de Gasly — dizia enquanto caminhávamos lentamente e olhava em direção ao horizonte — eu me preocupo muito com ele, pois sei como ficou arrasado depois da morte do francês.
— Eu imagino, me desculpe por não ter lembrado disso e tentado impedi-lo de ir ver ele no centro hospitalar — enrolei meu braço com o seu e encostei minha cabeça em seu ombro — eu nem consigo imaginar como foi para vocês passarem por aquilo.
— Foi muito difícil, é muito doloroso quando isso acontece, mexe demais com nosso psicológico, principalmente para Gasly que estava enfrentando a saída da Red Bull para a AlphaTauri naquele ano e ainda ter que perder um dos melhores amigos foi mais doloroso ainda e por isso acabamos nos aproximando — me olhou sorrindo genuinamente, entramos no motorhome e fomos em direção às mesas enquanto esperávamos as refeições, voltamos a conversar — então quando vi o acidente quase não consegui me concentrar mais na corrida, perguntei se ele estava bem e quando a resposta foi positiva pude soltar o ar que estava prendendo, por isso quis vê-lo assim que terminou a corrida, pois precisava saber se ele realmente estava bem.
Concordei com a cabeça, agora entendendo o silêncio do rapaz quando saímos do veículo, comemos em silêncio já que éramos os únicos por ali, Lando e o restante da equipe já haviam se retirado, já que Daniel e eu nos atrasamos e depois que sobrou uns minutos ficamos descansando em seu quarto, mas logo o rapaz foi chamado para a reunião. Depois que Daniel saiu aproveitei para me deitar em sua cama e fiquei mexendo em meu celular, fui olhar algumas fotos e vídeos da festa anterior, gargalhei com todos os vídeos porque havia vários super aleatórios e resolvi postar nos meus stories, alguns minutos depois de ver alguns stories fui olhar as visualizações e Lewis já estava lá, me lembrei da noite anterior e me perguntei por que o havia tratado daquele jeito mais cedo. Não foi minha intenção, mas quando o vi algo forte dentro de mim despertou e envergonhada não soube bem como lidar, sei que deveria pedir desculpas logo ou acharia que tinha feito algo errado, o que claramente não é o caso.

*_____________*_____________*


Algumas horas depois saímos em direção ao local onde Daniel daria algumas entrevistas, o rapaz parecia mais relaxado e tranquilo, quando uma pergunta sobre o desempenho do veículo ou o que estava acontecendo com a equipe era lhe direcionada o piloto desconversava e fazia alguma piada, o que era típico dele. Quando estávamos saindo Lewis e Bottas estavam chegando, parabenizamos os dois rapidamente, evitei olhar para o inglês, pois havia muitas câmeras à nossa volta. Encontramos com os outros pilotos e depois de conversarmos fomos em direção ao motorhome, o local estava vazio já que a equipe principal estava nos boxes trabalhando nos carros e os poucos funcionários que se encontravam pelo local já se preparavam para irem embora. Depois de pegarmos nossas coisas, nos despedimos de todos e nos deslocamos ao estacionamento, assim que o motorista saiu em direção à rua vários fãs se aglomeravam em volta do carro, devagar o motorista foi conseguindo sair do aglomerado e seguiu em direção ao hotel, olhei para Daniel me perguntando se ele iria querer falar com alguns fãs, mas o rapaz já estava de olhos fechados encostados ao encosto tentando descansar, o dia havia sido bem cheio.
Chegamos ao hotel cerca de vinte minutos depois, sem muita conversa fomos direto para nosso andar, Daniel parecia exausto, se despediu com um abraço e foi para o quarto descansar. Fui em direção ao meu quarto, pois precisava de um banho, assim que abri a porta me deparei com Liza que jantava na mesa que tínhamos no local enquanto assistia televisão. Cumprimentei ela que me informou que tinha um hambúrguer para mim na mesa, agradeci e fui direto para o banho. Depois que saí do banheiro já trocada, jantei enquanto conversávamos sobre o dia.
— Louis me ligou alguns minutos atrás e disse que encontraram o erro do carro e que mais umas duas horas conseguiram deixar tudo certo para amanhã — sorri empolgada para a corrida de amanhã e por terem encontrado o erro a tempo.
— Nossa ainda bem, achei que Zak iria explodir de tão vermelho e irritado que ele estava — começamos a rir enquanto nos lembrávamos da cena, terminei a refeição e me juntei a ela em sua cama enquanto assistimos um episódio de Friends — Gareth acabou de mandar uma mensagem no grupo avisando que Gasly acordou melhor, está se recuperando e vai conseguir correr amanhã.
— Nossa ainda bem, fiquei desesperada quando vi o acidente — pegou seu celular conferindo a mensagem do amigo e respondendo com um emoji — vi que você e Daniel foram até a ala hospitalar, fiquei sabendo que ele brigou com os médicos, é verdade?
— Como você soube disso? — me virei para ela que deu de ombro respondendo que logo depois que saímos, um comissário foi até Zak e informou sobre o ocorrido que furioso deu uma bronca em Daniel durante a reunião — eu sabia que isso poderia acontecer, esse temperamento do Daniel pode acabar prejudicando-o ainda mais — respondi frustrada enquanto balançava a cabeça.
— O que você quer dizer com isso? — Liz me perguntou seriamente e eu dei de ombros pedindo para deixar para lá essa conversa, ela concordou se virando para a televisão e me encostei em seu ombro ficando em focando-se apenas na televisão. Prometi ao Sr. Brown que não contaria a ninguém e ele contava com a minha descrição, precisava tomar mais cuidados com o que dizia. Depois de assistirmos mais alguns episódios senti meu celular vibrar com uma nova notificação, peguei o aparelho que estava entre as cobertas e sorri para o visor assim que desbloqueei e vi de quem era.
22:56 Lewis H: Não sei se você ainda está acordada, mas eu precisava escrever antes do dia acabar, pois não parei de pensar sobre o que houve mais cedo, você parecia magoada comigo e eu gostaria de saber o que aconteceu, foi algo que eu fiz ou falei ontem?
22:56 Lewis H: Tivemos uma noite ótima e não consigo pensar em nada que eu possa ter feito a não ser o que eu não fiz...
Não sabia o que responder, mostrei para Liz que me incentivou a ligar para o rapaz já que assim poderíamos esclarecer a situação e não ficar um clima ruim. Depois de contar para ela sobre o encontro mais cedo na sala de conferências e ter que ouvir um sermão por ter sido imatura, ela pegou o celular da minha mão e ligou direto para o rapaz. No terceiro toque pude ouvir o sotaque carregado do inglês do outro lado da linha, me levantei rapidamente da cama enquanto silenciosamente xingava a minha amiga.
é você? Está aí? — perguntou depois que fiquei uns cinco segundos muda na ligação, sai do quarto para ter mais privacidade para conversarmos e me sentei na parede ao lado da porta que me deixava de frente para o extenso corredor.
— Oi Lewis estou sim, estava procurando um lugar mais silencioso — respondi agora me ajeitando no chão, devido ao horário não havia movimentações e barulhos o que era bom, pois podia ouvir a respiração pesada do piloto do outro lado da linha. Ficamos em silêncio alguns segundos, que pareciam horas até ele responder.
Acho que precisamos conversar, quero entender o que houve, e porque me tratou daquele jeito mais cedo — disse na lata, me arrumei enquanto esticava minha perna e buscava o que dizer — eu sei que está aí, consigo ouvir sua respiração.
— Me desculpa Lewis, eu fui uma idiota... quer dizer, depois de tudo que aconteceu ontem naquela festa e o que poderia ter acontecido entende e te ver hoje me deixou nervosa porque não sei bem como lidar com tudo isso — respondi sincera enquanto apoiava meu braço esquerdo em meu joelho e roía uma unha nervosa.
Eu entendo, e fico pensando no que poderia ter acontecido e acredite se tivéssemos mais alguns minutos não teríamos pelo que se arrepender — por sorte não havia ninguém no corredor e ele não estava na minha frente porque rapidamente fiquei corada, sem saber o que falar.
— Você precisa parar de fazer isso Lewis, nunca sei se está brincando ou falando sério — brinquei querendo descontrair, levando-o a gargalhar do outro lado da linha.
Com você eu nunca estou brincando darling — esse apelido carinhoso a qual ele havia me chamado no dia anterior ainda ressoava em minha cabeça e durante meu sono podia o ouvir sussurrando em meus ouvidos, automaticamente fiquei arrepiada gaguejando na ligação, bufando logo depois pela risada que ele soltou — preciso saber que está tudo bem entre nós, , não quero que sejamos dois estranhos toda vez que nos virmos pessoalmente.
— Eu sei, foi imaturo da minha parte e isso não vai acontecer mais eu prometo — respondi sincera enquanto puxava alguns fiapos da manga da minha blusa — quero que sejamos amigos Lewis, quero que a gente possa conversar sobre tudo, como é com Daniel — sorri me lembrando do rapaz que dormia algumas portas a frente e como havíamos criado uma intimidade tão rápido — não sei se posso lidar com qualquer tipo de relacionamento amoroso no momento, acabei de entrar na fórmula um, não quero arriscar minha carreira — houve um silêncio do outro lado da linha, arrisquei olhar para o aparelho, mas a ligação continuava ativa — Lewis?
— Estou aqui, apenas digerindo que acabei de levar um fora — brincou com a situação me fazendo rir do outro lado da linhaeu também quero poder lhe conhecer melhor, , mas não sei se poderíamos ser só amigos — respondeu um pouco ríspido, porém continuou — mas já que você quer assim eu prefiro seus termos à nos afastarmos, então acho que consigo ser só seu amigo, Amaral — pareceu sério mas depois de alguns segundos de pausa brincou — mas não lhe prometo nada.
— Eu estou falando sério Lewis — depois de nós dois rirmos continuei agora me sentando com as duas pernas cruzadas enquanto com uma mão contornava os desenhos do carpete — eu preciso entender o que estou sentindo, é muitas mudanças ao mesmo tempo, mas não posso pensar nisso no momento, minha cabeça está focada na temporada, assim como a sua precisa estar — estava me segurando para não chorar devido a tudo que vinha sentindo, principalmente meus sentimentos por ele que ainda pareciam confusos e recentes demais. Levantei a cabeça para o teto reparando no belíssimo lustre e continuei — mas não quero me afastar de você e mesmo se eu quisesse, acredito que não conseguiria.
Tudo bem, eu consigo lidar com isso — respondeu sincero enquanto podia o ouvir se arrumando na cama — quanto mais você pisa no meu coração mais eu me apaixono — gargalhamos juntos.
— LEWIS! — balancei a cabeça sem acreditar no que estava ouvindo e o rapaz do outro lado da linha suspirou.
Tudo bem, eu parei... mas mudando de assunto soube que você estava com Gasly, como ele está? Não pude vê-lo depois do acidente, mas fiquei realmente preocupado — perguntou e passamos mais alguns minutos conversando sobre o piloto francês e sobre nossos dias até nos despedirmos com a promessa de conversarmos pessoalmente no dia seguinte. Desliguei a ligação, me levantando e em seguida indo em direção do quarto, assim que abri a porta encontrei o lugar todo escuro com apenas um abajur ligado ao lado da minha cama enquanto Liz dormia tranquilamente, assim que conferi a hora percebi que passamos mais de 25 minutos conversando, sorri para o aparelho com uma mensagem de boa noite que o rapaz me enviou e rapidamente dormi.

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O domingo amanheceu ensolarado em Melbourne, depois de me vestir peguei meu aparelho celular e percebi que Daniel havia me mandado uma mensagem avisando que já estava tomando café com os pais no hotel. Esperei Liza terminar de se arrumar, encontramos Lando no corredor e fomos em direção ao buffet realmente encontrando Daniel e os pais por lá, tivemos um café da manhã animado e divertido. Trinta minutos depois do café nos encontramos no saguão, os pais de Daniel iriam em seu próprio carro, nós direcionamos para o veículo que nos conduziria ao autódromo, um carro de oito lugares como aqueles de filmes americanos que era blindado para a segurança dos pilotos.
Assim que entramos no paddock alguns fotógrafos nos perseguiram enquanto íamos em direção ao motorhome, incluindo o câmera do time que fazia os vídeos de bastidores para o canal do Youtube da McLaren. Fomos recebidos por alguns famosos que estavam por ali convidados pelo Sr. Brown como Hugh Jackman e Chris Hemsworth. Minhas pernas ficaram moles quando ambos vieram me cumprimentar, parecia uma idiota de tanto que eu tremia e gaguejava. Daniel percebendo meu momento fangirl perguntou aos atores se poderíamos tirar uma foto juntos que prontamente foi aceito pelos homens, ao lado de Chris eu sorria afobada com os olhos cheios de lágrimas, postei a foto em meu instagram e rapidamente havia milhares de curtidas e comentários. Depois que meu surto de fã passou, consegui conversar um pouco com eles que foram muito simpáticos e Chris até chegou a fazer uma piada comigo (o auge do meu dia). Uma hora depois foquei em meu trabalho, tive uma reunião com o time para acertar alguns pontos então pude seguir com Daniel para os boxes pois haveria a sessão de aquecimento dos veículos, era tudo ou nada para o time que havia passado boa parte do dia e da noite anterior consertando ambos os carros.
Fiz alguns stories da preparação física do rapaz, gravei os bastidores do time e quando percebi que não precisariam de mim por um tempo sai em direção aos outros boxes pelo pit lane. Encontrei Mick conversando animadamente com Vettel, depois de cumprimentar ambos e conversar um pouco segui em direção a AlphaTauri para ver como Pierre estava. Encontrei o rapaz ouvindo instruções de sua equipe, quando me viu sorriu pedindo licença e veio em minha direção.
que bom te ver, como você está? — me abraçou e depois voltou a beber sua garrafinha de água.
— Eu é quem deveria te perguntar isso — brinquei e o rapaz deu de ombros informando que estava tudo bem e que não tinha sentido mais dores desde a noite anterior — fico feliz que esteja bem e espero que esteja falando a verdade Pierre.
— Estou, , não brincaria com isso não — quando o rapaz ia continuar falando Lewis chegou ao meu lado e cumprimentou o rapaz me deixando surpresa por sua presença ali.
— Como você está dude, sei que nos falamos ontem, mas queria conferir pessoalmente — o inglês disse se virando para mim e sorrindo enquanto colocava seu braço direito em meus ombros e beijava minha bochecha — e você darling, como está? — e deu mais um de seus sorrisos fofos e cativantes que me derretiam por dentro
— Pera aí por que eu não estou sabendo dessa fofoca entre vocês em? — perguntou apontando para nós dois e eu só queria cavar um buraco e sumir pela vergonha que estava sentindo enquanto Lewis gargalhava chamando a atenção de algumas pessoas ao redor, mas como estava cedo não havia câmeras pelo local — Charles tem muito para me contar viu, mas estou bem como disse para um pouco antes de você chegar, as dores passaram ontem noite.
— Ainda bem cara, foi um baita susto e eu só consegui me concentrar quando me informaram que você estava bem — disse sendo sincero e agora indo abraçar o jovem piloto a nossa frente que agradeceu pedindo licença pois havia sido chamado pelo seu treinador. Lewis voltou seu olhar para mim enquanto me virava andando em direção aos boxes da McLaren que por ironia do destino eram ao lado da Mercedes — e você senhorita, espero que tenha dormido bem.
— Dormi sim Lewis, como um bebê — sorri de lado enquanto podíamos ouvir o grito da torcida do outro lado da pista, Lewis acenou para a galera — obrigada por ontem, sei que sou meio complicada de lidar, mas quero que saiba que me importo muito com você e não quero perder nossa amizade.
— Claro, amizade... — respondeu meio cabisbaixo e voltando-se para mim continuou — como eu disse, aceito os seus termos porque depois de tê-la em meus braços por alguns minutos não conseguiria ficar longe nem se eu quisesse.
— Ok, nós precisamos impor limites, não pode falar essas coisas para mim e mexer ainda mais com a minha cabeça Lewis — cruzei os braços em sinal de defesa, pois as malditas borboletas voltaram assim que o inglês finalizou aquela maldita frase.
— Não está mais aqui quem falou — levantou os braços em sinal de rendição e continuou — mas eu só disse a verdade, não pode me impedir de dizê-las — sorri sem acreditar na audácia do rapaz e mexi a cabeça em sinal negativo, conversamos mais um pouco até chegarmos em frente ao box de Daniel, me despedi desejando boa sorte ao rapaz que assim que sai do abraço propôs.
— Se eu ganhar você vai ter que aceitar um passeio comigo em Mônaco — disse simples assim como se Woking fosse a dez minutos de Mônaco.
— Lewis está maluco, eu moro em Londres e não tenho como ir para Mônaco — respondi sem acreditar em sua proposta.
— Você sabe que Daniel tem uma casa lá, certo? — respondi que sim, apesar do rapaz ter passado um bom tempo em Londres por conta da agenda de trabalho, Ricciardo era apaixonado pela cidade e havia comprado uma casa nos dois locais. — depois desse fim de semana ele me disse que vai passar um tempo lá e Daniel sempre dá as melhores festas quando está em Mônaco e ele não vai deixar você para trás então você vai sair comigo caso eu vença essa corrida, como amigos... é claro.
— Lewis, eu não tenho muita certeza disso — o rapaz me olhou sério esticando a mão para selarmos o acordo, pensativa resolvi aceitar, pois que mal havia dois amigos saindo juntos? Selamos o acordo e nos despedimos com um abraço, depois que me virei encontrei Daniel que nos encarava curioso, informei que explicaria tudo depois e ele concordou com a cabeça se arrumando para entrar no cockpit.
Assim que a equipe posicionou o carro de Daniel na largada corri para seu lado para entregar a garrafa de hidratação e posicionei o pequeno ventilador sobre o piloto para refresca-lo, fazia 33º C e na pista a temperatura era ainda maior, todo cuidado é pouco com os pilotos que sofriam grande desgaste durante toda a corrida. Enquanto aguardávamos o começo da corrida, alertei sobre alguns pontos que a equipe havia sinalizado e o rapaz ouvia atentamente enquanto balançava a cabeça em sinal de concordância, o barulho da torcida naquela tarde era ensurdecedor o que deixava Daniel ainda mais animado. Ricciardo largaria em nono que lhe dava vantagem para ficar entre os dez primeiros, mesmo que fosse apenas uma corrida amistosa havia toda uma competição nada amigável entre as equipes que lutava com unhas e dentes para serem os melhores e mostrarem ao público que haveria muita competição durante toda a temporada. Assim que nossa saída foi sinalizada, desejei boa sorte e aguardei a saída dos veículos ao lado esquerdo da pista, junto com o restante da equipe. Às onze horas no horário local, os veículos foram liberados para a volta de apresentação, todos enfileirados desfilando pelas sinuosas curvas do circuito de Albert Park.
Depois que os veículos saíram fomos correndo em direção aos boxes e depois dos mecânicos se organizarem nos sentamos em frente aos monitores que haviam pelo local, Liz sentou-se ao meu lado e ficamos assistindo juntas. O primeiro a chegar à largada foi Lewis que estacionou seu carro na marcação e aguardava os outros pilotos, assim que todos se organizaram em suas marcas, o bandeira deu o sinal de largada e então houve um breve silêncio em todo o circuito até que as luzes foram acessas, os motores aceleraram e Lewis saiu a frente de Bottas que de maneira limpa conseguiu bloquear Perez que vinha logo atrás. Daniel havia largado bem e conseguiu tomar a posição de Stroll ficando agora em oitavo. Apreensiva acompanhava a corrida enquanto balançava freneticamente a perna direita, quanto estávamos na décima segunda volta Lando foi chamado para os boxes e a equipe conseguiu um bom tempo de troca de pneus, fazendo com que o rapaz perdesse apenas duas posições. Daniel foi chamado na décima sexta volta e conseguiu perder apenas uma posição voltando para nono, o que foi ótimo já que seus adversários ainda não haviam ido aos boxes. Max escalava o pelotão e de maneira brilhante já estava em sexto, enquanto corria em busca do primeiro lugar.
Já estávamos na volta trinta e oito quando Charles Leclerc que era oitavo colocado, perdeu potência no motor e acabou abandonando a prova, Daniel que estava a um segundo do colega conseguiu passar o rapaz e agora estava entre os dez pilotos, houve uma grande comemoração dentro dos boxes, mas sabíamos que a corrida ainda não havia terminado. No pelotão da frente Max havia chegado em primeiro, graças a uma boa ultrapassagem entre os pilotos Mercedes, porém começou a reclamar em seu rádio do seu pneu já estar desgastado, dando vantagem a Lewis que duas voltas depois foi ao box e voltava com um pneu médio novo. Lewis então conseguiu avançar para mais próximo de Max e quando o rapaz foi obrigado a entrar nos boxes para troca de pneu o inglês liderou a corrida deixando o neerlandês para trás com uma diferença de quase sete segundos, já que o rapaz teve uma péssima parada nos boxes devido a um erro dos mecânicos no pneu traseiro esquerdo. Nas voltas finais Daniel já estava em sétimo e Lando em quinto o que já era ótimo para a equipe, mas uma estratégia diferente e um segundo box de Ricciardo que voltou com pneus médios ajudaram o piloto a ultrapassar Giovinazzi ficando em sexto e tirando um grito de toda a equipe pela linda ultrapassagem no italiano. Lewis abriu a última volta e eu estava extremamente nervosa, torcendo para que Daniel e Lando não perdessem suas posições.
Logo que Lewis passou pela bandeira quadriculada a torcida gritou excitada pela incrível corrida que presenciaram naquela tarde. Lando chegou em quinto e Daniel em sexto o que era ótimo para nós que estamos enfrentando dificuldades com esse novo veículo, toda a equipe se levantou orgulhosa pelo excelente trabalho, nos abraçamos felizes e já não sabíamos quem havia ganhado a corrida devida a tanta animação por ali. Peguei a garrafa de água e a toalha e fui me encontrar com Ricciardo que depois de pesar com a equipe da FIA, vinha animado em minha direção.
— EU FIQUEI EM SEXTO, ! NÓS CONSEGUIMOS — me abraçou todo sorridente, concordei pedindo logo depois que tirasse o capacete para tomar água e rapidamente o rapaz fez deixando todo o equipamento dentro do cockpit. Lando chegou por trás do rapaz lhe abraçando e sorrindo também e ambos saíram pulando animadamente para dentro dos boxes.
Não era o resultado que queríamos, já que viemos para vencer, mas depois de todo o trabalho que tivemos naquele final de semana, era um bom resultado e motivo para comemorar aquela noite. Os rapazes foram ovacionados pela equipe assim que entraram nos boxes e depois da pequena bagunça nos direcionamos as entrevistas, os rapazes elogiavam o trabalho de todo o time e pareciam mais animados quanto ao restante da temporada. Após uma série de entrevista, fomos ao motorhome para uma reunião sobre algumas falhas cometidas naquela corrida, o que precisávamos melhorar para a próxima corrida e nossas agendas para as próximas semanas. Duas horas depois os rapazes foram liberados para irem embora, foram tomar um banho e então trocaram de roupa para jantarmos todos juntos no hotel, cortesia de Zak Brown graças aos bons resultados do final de semana.
Os pais de Daniel já os esperava do lado de fora do local pois iriam conosco para o jantar, convidados minutos antes pelo CEO. Saímos conversando sobre a corrida e de vez em quando os rapazes eram parados para fotos e autógrafos, já era noite quando saímos do local por isso havia poucos fãs por ali o que era ótimo e podíamos sair conversando tranquilamente e o silêncio já se fazia presente, podíamos ouvir apenas os barulhos dos operários que desmontavam toda a operação. Já estávamos quase chegando à portaria de entrada quando ouço alguém me chamando ao fundo, assim que nos viramos Lewis corria em minha direção fazendo com que Angel lhe acompanhasse.
— Eu estava te procurando — parou respirando colocando as mãos em seu quadril continuando — eu ganhei a corrida você viu? Sabe o que significa?
— Meus parabéns Lewis! Inclusive ia te mandar mensagem daqui a pouco parabenizando — respondi fugindo de sua pergunta, pois não achei que o rapaz lembraria, mas foi a primeira coisa que pensei assim que o vi passar pela bandeira quadriculada.
— Você está fugindo de mim, não respondeu minha pergunta — ri sem acreditar em sua audácia e sem graça pois todos os cinco estavam olhando para nós empolgados pela nossa interação — Se eu me lembre bem, nós apostamos que se eu ganhasse você sairia comigo em Mônaco, estou certo?
— Sim Lewis, correto — concordei com a cabeça e o rapaz sorriu animado esperando pela minha resposta — eu irei sair com você em Mônaco — disse um pouco entediada pois não gostava de perder apostas e não sabia como iria viajar para lá, já que eu não tinha dinheiro para uma passagem de avião no momento.
— Ótimo, vou passar todos os detalhes por mensagem — respondeu me abraçando rapidamente, dando um beijo em minha bochecha e cumprimentando o resto do pessoal — Daniel mora no mesmo condomínio que eu então te busco na casa dele — voltando-se para mim disse já pegando a garrafa de água de Angel, se despedindo pois disse que havia um compromisso e que já estava atrasado.
Embasbacada pelo momento tive que lidar com diversas perguntas em minha direção e depois de fugir de várias caminhei rapidamente para o carro onde o motorista já nos aguardava. No caminho para o hotel Lando ficou trocando mensagens no celular, Liz conversava com o rapaz que não parecia prestar muita atenção e a mãe de Ricciardo voltou conosco para ficar mais próxima do filho e o pai voltou com o carro do casal, mãe e filho conversavam animadamente sobre planos para as próximas semanas.
— Filho fica um tempinho por aqui, passa uma semana conosco e depois você volta para casa querido — a mãe sorria enquanto olhava para o rapaz e suplicava pela minha ajuda — fala com ele, — olhava agora para mim ansiosa.
— Daniel, sua mãe tem razão — olhei para ele, deixando meu celular de lado e ajudando a Sra. Ricciardo a ter o filho por mais alguns dias. —, você deveria ficar mais alguns dias aqui e passar um tempo com sua família, pode ser bom para você e te dar mais ânimo para a temporada.
— Mãe, por que você não vai para Mônaco comigo? Você e o pai poderiam passar uns dias lá — disse saindo do abraço da mãe e a mulher sorriu pensando na ideia — e a com certeza deveria ir conosco, você não acha mãe? Até porque agora ela tem um encontro para ir — me olhou e de repente o olhar de todos se voltaram para mim que estava no último banco já ficando sem graça e me encolhendo no local.
— Ei, não é um encontro ok — disse já ficando ereta no banco, apontando para o australiano que riu fingindo que concordava — é apenas um passeio, Daniel, e provavelmente não vou aceitar, pois não tenho como ir para lá no momento. — respondi sendo sincera já que não havia recebido salário do mês ainda.
— E quem disse que você terá que pagar alguma coisa? — o piloto me respondeu com um cara debochada — minha amiga e assistente não vai andar de classe comercial para ir de Londres a Mônaco não, vai comigo no avião particular — respondeu fazendo graça e eu agradeci, mas não aceitando, era demais andar em aviões particulares e ficar na casa do piloto, eu não poderia aceitar. — Não tem desculpas, , já está fechado até porque se eu não te levar, um certo piloto inglês nunca vai me perdoar e nós somos uma dupla muito boa no campeonato de baralho.
— Isso mesmo, querida, não há desculpas — Grace disse me confortando e sorrindo sincera para mim. — Você merece e precisa descansar uns dias, Mônaco é incrível e eu tenho certeza que a vista da praia, almoçando um maravilhoso risoto com aquele homem gostoso a sua frente tornará essa viagem ainda mais paradisíaca — terminou rindo e o filho, que até então ria, fechou o rosto e o resto do carro gargalhava.
— MÃE!? — Daniel gritou sem graça. — Se controle, mulher — ela ria, enquanto dizia “ué, e eu tô mentindo?” que nos fez rir mais ainda.
Chegamos ao hotel e depois de nos organizarmos, descemos para o restaurante em que todos já estavam reunidos. Nos sentamos em uma mesa com os engenheiros e depois de um singelo brinde do Sr. Brown, o jantar foi liberado, enquanto os garçons desfilavam pelas mesas entregando os pratos. Duas horas depois, já estávamos todos satisfeitos com a sobremesa e aproveitávamos para conversar e relaxar um pouco, depois de dias tão tensos. Cansada, me levantei, já me despedindo de todos e indo em direção ao meu quarto para um bom banho e dormir cedo para o dia seguinte, porém Daniel bateu em minha porta e o plano de dormir cedo foi por ralo abaixo, pois o rapaz parecia animado e já buscava um filme para assistirmos, enquanto se deitava em minha cama.
— Onde está a Liz? — perguntou olhando ao redor do quarto, não encontrando a mulher, aproveitei para terminar de passar meus cremes no rosto e fechei a porta, já deitando ao seu lado.
— Está com Louis e os rapazes lá embaixo, estavam em uma partida de poker quando eu mandei mensagem — me arrumei, já me cobrindo e pegando o celular para me distrair.
— Certo, então agora você já pode me contar tudo, e não me esconda nada, o que foi aquilo no pit lane mais cedo? — Se virou em minha direção e eu concordei, já começando a contar tudo que havia acontecido desde a festa até o momento citado. Ricciardo ouvira sem expressar alguma reação e me deixava ainda mais ansiosa. — Bom, acho que você fez o certo, , é normal estar confusa e entender seus sentimentos é importante, vocês se conhecem há pouco tempo, mas parece que tudo é muito intenso entre vocês.
— É exatamente isso que eu penso, Dani — concordei, batendo uma palma e apontando para o rapaz, que riu da minha reação movimentando a cabeça. — Eu estou confusa com tudo isso, entende? Primeiro o Peter e de repente, esse turbilhão de sentimentos que aparecem quando estou perto do Lewis e eu não sei distinguir se é real ou algo de fã, sabe?
— Eu entendo, deve ser meio confuso mesmo, mas sei que você é uma mulher incrível e que tem feito um ótimo trabalho como babá desse rapaz lindão que vos fala, então primeiro pensa bem: cuida do que está sentindo aí dentro, para depois se abrir para seja lá o que for — Daniel me entendia como ninguém, era incrível como sabia as palavras corretas para dizer no momento. Sorri com sua piada, mas concordei feliz por tê-lo em minha vida, abracei-o, agradecendo pelas palavras, então nos viramos para assistir ao filme que ele havia escolhido.
Daniel tinha razão, eu não agiria pela emoção e entender o que estou sentindo é importante nesse momento. Me aconcheguei na cama, encostando minha cabeça no ombro do meu amigo e sem perceber, acabei pegando no sono. Senti apenas quando o rapaz se levantou, já me arrumando e apagando as luzes e então apaguei, só ouvindo Liza agradecê-lo, enquanto fechava a porta do quarto. Naquela noite, sonhei que estava em uma praia, em que caminhava animada em direção ao mar, até que percebi que alguém vinha ao meu encontro; sua pele reluzia sobre o sol e seu sorriso era acolhedor. Quando me puxou para seus braços, me beijou profundamente e então acordei assustada. Eu havia sonhado com Lewis. Parecia tão real que precisei me sentar para perceber que tudo não passava de uma fantasia. Sem conseguir dormir novamente, peguei meu celular e desbloqueei, constatando que era de madrugada, olhando para Liz que dormia profundamente e então me deitei novamente. Aparentemente a noite seria longa.


Capítulo 8

~ POV~
Melbourne era linda naquela época do ano, Daniel resolveu passar uns dias com os pais na cidade depois que o Sr. Brown o liberou prometendo que voltasse na próxima semana para algumas reuniões. Como seus pais não poderiam ir para Mônaco como queriam, o australiano então resolveu ficar na cidade na companhia da família. Como assistente do piloto, fui liberada para acompanhá-lo, o que foi de bom grado da família Ricciardo, que pediu veemente para que eu ficasse com eles. Além de poder conhecer diversos pontos turísticos, também pude conhecer um lado muito reservado de Daniel, o lado família. O rapaz era um bom filho e pude reparar que também um bom tio, seu sobrinho era vidrado por ele, aqueles dias na casa dos avós o pequeno garoto não desgrudava do mais velho, onde Daniel estava, o pequeno estava atrás. Nesse período não tentei pensar muito no trabalho e nem no passeio com Lewis, conversávamos todos os dias, sobre qualquer assunto mas não tocávamos na aposta perdida. Na quinta-feira a noite, os pais do Ricciardo resolveram promover um jantar com toda a família e amigos do filho, já que seria a última noite do piloto com todos por um bom tempo, logo começaria a temporada e se veriam poucas vezes durante todo o ano. Estávamos reunidos na mesa de jantar conversando animadamente sobre a infância do piloto e dos amigos enquanto a Sra. Ricciardo colocava a última travessa na mesa.
— Uma vez nós cabulamos a aula para o Leonard aqui... — Daniel disse segurando com o braço esquerdo o ombro do amigo — Ficar com uma menina, você lembra?
— Caramba cara, você tinha que lembrar disso — Leo disse enquanto todos nós riamos, peguei minha taça de vinho bebericando rapidamente — Nós dois não sabíamos o que estávamos fazendo na época, foi horrível.
— Qual era o nome dela? — Junior, outro amigo do Ricciardo, perguntou.
— Sally, nunca mais soube dela — Leo disse dando de ombros, dando um gole em sua cerveja.
— E aquela sua namoradinha Daniel? — Junior perguntou rindo com Leo, alguma piada entre eles — Soube que ela ainda está com o Justin.
— Opa, que história é essa? — Perguntei rindo, da careta que o piloto fez, ficando sério.
— No primeiro ano, Daniel namorou uma garota que trocou ele por esse Justin, o Daniel ficou mal por semanas — Leo contou, tirando risadas de todos os presentes da mesa.
— Ficou dizendo que nunca mais se apaixonaria novamente, que o amor doía e que as mulheres erram horríveis — Joe, o pai de Ricciardo contou rindo e ele acabou rindo ao se lembrar do momento.
— Eu era uma criança ok? — Daniel disse tomando um gole de sua cerveja — Hoje sou um grande apreciador das mulheres, elas me amam e eu amo elas.
— Safado! — Brinquei e ele piscou maroto em minha direção.
Passamos um bom tempo ali conversando sobre vários assuntos, eles pareciam curiosos sobre como era o Brasil, como eu cresci, como eram os meus pais e de repente passamos boa parte da madrugada ali, conversando, bebendo enquanto jogávamos banco imobiliário e aproveitávamos a presença um do outro. Na sexta feira, deixamos o país em direção a Londres, a viagem seria longa, chegaríamos no domingo à tarde e na segunda já teríamos algumas reuniões na sede. Quando chegamos a capital londrina fomos diretos para Woking onde Daniel me deixou em casa e foi para a sua, descansar. Assim que cheguei ao loft, deixei minhas coisas e passei o resto da tarde com minha melhor amiga no andar de cima. Já era noite quando voltei para casa para tomar um banho e dormir. Os próximos dias seriam cheios e eu precisava estar preparada.
Na manhã seguinte, na segunda feira, acordei animada para voltar a sede da empresa, estava morrendo de saudades da Marcela e do restante da turma. Acordei antes do despertador, fiz minha higiene, tomei banho e exatamente as oito horas aguardava Liz para irmos juntas pegar o ônibus fretado. A mulher bateu na porta dois minutos depois e informou que naquele dia Louis nos daria uma carona e como Daniel só iria mais tarde ao escritório, não quis incomodá-lo naquela manhã. A caminho, nós três conversávamos sobre nossos próximos dias, quando recebi uma mensagem de Peter perguntando se eu iria para a sede, então depois que responder sua mensagem percebi que fazia dois dias que Lewis e eu não conversávamos, o rapaz que havia visualizado minha última mensagem, ainda não havia respondido. Dei de ombros focando na conversa do casal a minha frente e bloqueei o aparelho depois largando dentro da bolsa. Assim que chegamos, Louis estacionou o veículo na vaga de funcionários e fomos em direção a entrada, encontrando Jhenny animada na recepção.
— Olá, queridos, bom dia — A mulher nos cumprimentava sorridente, e nós respondemos em seguida enquanto ela entregava alguns documentos em nossa mão — O Sr. Brown pediu que vocês revisassem esse contrato e entregassem assinado pelos rapazes as dezesseis horas em sua sala, ok?
— Ok, Liz, obrigada — Respondemos juntas e saímos em direção a cafeteria.
Depois de escolhermos nossos pedidos, cumprimentamos algumas pessoas que estavam por ali e nos sentamos para tomar nossos cafés. Louis pegou seu café para viagem, se despediu da noiva com um beijo e depois de se despedir de mim com um aceno correu em direção a garagem. Assim que nossos pedidos chegaram, ficamos comentando algumas mudanças da sede quando ouvimos os saltos agudos e o grito animado de Marcela que corria em nossa direção sem ligar para as pessoas ao redor.
— Ai, meu Deus, que saudades! — Abraçou Liz e depois de me abraçar sentou-se em nossa frente para conversarmos — Essa sede fica tão chata sem vocês, as minhas fofoqueiras favoritas, ai nossa eu tenho tanta coisa para contar a vocês — Sinalizava para uma garçonete que já lhe conhecendo corria para preparar seu pedido —, mas primeiro eu quero saber de tudo que aconteceu nesses dias lá na Australia... E a festa? Você e o Lewis... , sua safada — Sem graça sorri, tomando um longo gole do meu café e depois que a garçonete lhe entregou seu pedido passamos os próximos trinta minutos comentando tudo sobre a festa, os dias em Melbourne, a família de Daniel e minha aproximação com o piloto inglês.
— Ai, , eu não acredito que perdi tudo isso, as vezes é um porre ser do escritório — Dizia apoiando a mão no queixo —, mas na minha opinião você está certa amiga, vai devagar mesmo... Mas eu deixa eu contar para vocês, se lembram do boy que eu estava saindo e que tínhamos os mesmos gostos — Depois de respondermos que sim, ela continuou —, saímos algumas vezes enquanto vocês estavam fora e ai meu Deus aquele homem é de tirar o fôlego, se é que vocês me entendem... — Dizia enquanto se abanava com as mãos, rimos já entendendo a referência e a mulher continuou — Então, estamos namorando!!!
— Ai, caramba, Ma, não acredito, parabéns! — Pegando sua mão por cima da mesa respondi e Liz me acompanhou pegando a outra mão e passamos mais um tempo fazendo diversas perguntas sobre o rapaz. Marcela prometeu que conheceríamos ele no próximo jantar que faria em sua casa.
— Estou feliz por você amiga, caramba! — Liz disse, abraçando a amiga e tomando um gole de seu café — Vocês não sabem o que o Louis me falou ontem à noite?
— O que? — Marcela e eu perguntamos ao mesmo tempo, sorrindo uma para a outra.
— Ele veio com o assunto de filhos, falando sobre quanto teríamos e já falou até em nomes —Liz dizia um pouco espantada e um pouco nervosa.
— Vocês nunca conversaram sobre isso amiga? — Marcela perguntou séria, segurando uma das mãos da mulher, que concordou com a cabeça.
— Liz vocês vão casar, é normal que esse assunto surja — Eu tentei tranquilizar minha amiga que concordou — Então qual seria o seu medo?
— Eu não sei, só acho que ainda não estou preparada — Liz suspirou — Mal nos casamos, ainda não temos uma casa para ter uma criança, olha como é nossa rotina...Como vamos ter uma criança no meio dessa loucura toda?
— Eu entendo amiga, sei o que você quer dizer — Marcela a afagou, abraçando Liz de lado — É normal ter medo, pensar demais e nós nunca estamos preparadas para ser mãe, mas eu concordo, é uma loucura pensar em ter filhos em uma rotina tão maluca como a nossa.
— Eu entendo, também acho que ainda não é a hora e acho que você deveria conversar com ele sobre isso — eu disse segurando sua mão, lhe confortando.
— Exato, vocês deveriam conversar e tenho certeza que ele vai te entender — Marcela comentou, enquanto pegava seu aparelho celular, depois de receber uma nova mensagem.
— Você não precisa ter medo, vocês são incríveis e isso não vai afetar o relacionamento de vocês — Disse, terminando meu café.
— Vocês tem razão meninas, vou conversar com ele sim — Liz disse decidida, já se levantando e indo jogar o copo vazio no lixo — Obrigada, vocês são incríveis.
— Querida, nós estamos juntas até o fim — Marcela disse puxando nós duas para um abraço coletivo, tirando uma risada gostosa de nós três.
Nós três seguimos para a parte dos escritórios, onde eu e Liz tínhamos uma mesa junto com o restante da equipe para começarmos os trabalhos. Assim que passamos pelas portas reencontramos alguns colegas, batemos um papo e me sentei para começar a trabalhar, deixando meus aparelhos a mesa, abri o envelope e comecei a analisar o tal contrato. O documento com quase cem páginas, era o contrato com os novos patrocinadores da McLaren e que a partir da primeira corrida do campeonato já fariam parte do time e com isso os pilotos teriam novas obrigações de propagandas, publicidades em redes sociais etc. Sabia que Lando e Daniel não gostavam de ficar vendendo produtos mas aquele patrocínio era ótimo para a equipe e teriam que fazer aquele sacrifício. O dinheiro que receberiam seria muito bom e ajudaria o time durante todo o ano, pra isso, só teriam que fazer alguns vídeos apresentando o produto e participando de algumas campanhas da marca durante todo o ano.
— E aqui fica os escritórios do time de Recursos Humanos, marketing e no final do corredor é a sala do Sr. Zak Brown ... — Já estava algumas horas lendo as papeladas e fazendo algumas anotações, quando ouvi a voz inconfundível de Peter na entrada do escritório e levantei a cabeça para olha-lo, parecia descontraído mas sério enquanto apresentava alguns colegas para o grupo de pessoas — Ah e aqui estão Liz e as assistentes de Lando e Daniel — O moreno disse vindo em nossa direção nos abraçando em seguida — Que saudade de vocês, como estão? — Perguntou depois que saiu do abraço e nós lhe respondemos juntas — Estes são nossos novos colaboradores, é o primeiro dia e estou fazendo um tour pela sede com eles.
— Sejam muito bem-vindos pessoal! — Respondi animada e Liz me acompanhou — Espero que seja um grande jornada para todos — Depois de conhecer cada um e me despedir voltei meus olhos para o contrato, terminando as últimas páginas. Daniel chegou algum tempo depois, estava tomando água quando o rapaz entrou animado pelo local junto com Lando que riam e cumprimentavam todos por ali. Como já estava no horário do almoço o local estava mais vazio, os rapazes vieram em nossa direção e depois de nos cumprimentarmos resolvemos ir almoçar juntos para matar as saudades.
Zak Brown saiu de sua sala com alguns empresários e depois de se despedir dos homens, nos chamou para almoçarmos no restaurante que eu havia ido nos primeiros dias com as meninas. Fomos todos no carro do CEO e quando chegamos lá fomos rapidamente direcionados para uma mesa no lado de fora do local, onde ficava o belo jardim. Ficamos um bom tempo conversando sobre vários assuntos e naquele momento pude notar como o CEO a nossa frente era carismático e humilde, um excelente líder e por isso todos não só na empresa mas no paddock gostava do homem que esbanjava felicidade por onde passava.
— E como está a sua adaptação, ? — Zak perguntou, dando um gole de sua água, enquanto todos comiam e conversavam entre si, terminei de mastigar e então consegui respondê-lo empolgada.
— Muito bem Sr. Brown, a única coisa que me deixa meio maluca é o fuso horário — Disse brincando e o homem gargalhou, concordando com a cabeça.
— Isso é verdade, quando começamos a nos acostumar, já estamos mudando de país — Zak disse, encostando na cadeira.
— Eu me lembro que uma vez quase perdi o treino porque não acordei — Lando disse rindo, voltando para nossa conversa e o Ricciardo aproveitou para contar que também já aconteceu isso com ele, deixando todos nós rindo alto.
— E como foram os dias em Melbourne? É verdade que a família dele já te adotou? — Zak perguntou rindo e Daniel sorriu concordando com a cabeça.
— No segundo dia minha mãe já estava chamando ela de filha — Ricciardo disse rindo, me deixando sem graça.
— Eles são muito amorosos, confesso que já estava quase chamando ela de mãe — Brinquei e o Sr. Brown riu.
— Eles são espetaculares — O empresário comentou e Daniel ao meu lado ficou sem graça pelo elogio.
Passamos cerca de duas horas no restaurante, já que depois do almoço ainda ficamos conversando sobre alguns pontos do carro, o campeonato e sobre os novos patrocinadores. Por isso quando voltamos a sede, já entramos na sala de reunião e acertamos as últimas questões burocráticas dos patrocinadores, no começo os garotos não gostaram muito das exigências da marca, mas acabaram cedendo e assinando a papelada. Depois de um longo dia fomos liberados para irmos embora e na volta Daniel acabou me dando uma carona então fomos conversando sobre os próximos dias, o rapaz teria que ir a Londres para algumas sessões de fotos de sua marca, agendamos o horário que me buscaria e depois de me deixar em frente ao meu loft, o piloto disparou para casa onde iria rever alguns amigos.

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A semana passou rapidamente, como Daniel tiraria as próximas duas semanas de folgas antes do início do campeonato, o rapaz precisou adiantar grande parte dos trabalhos para poder relaxar e por isso foi para Londres com seu empresário para os próximos trabalhos. No sábado à noite Marcela nos convidou para jantar em sua casa para conhecermos o seu namorado, que segundo a loira prepararia todo o jantar, pois cozinhar era um de seus hobbies. Depois de várias brincadeiras no nossos grupo, Marcela informou que havia convidado Peter e logo depois recebi uma mensagem dele informando que nos levaria e informando o horário. Pontualmente as sete e meia o inglês chegou, mandando uma mensagem informando que estava esperando do lado de fora do prédio, liguei para Liz que já estava pronta e descemos todos juntos em direção ao carro. Depois que entramos no veículo, nos cumprimentamos e saímos em direção a casa da Marcela.
— É isso, hoje você é o piloto da rodada meu amigo — Louis dizia animado no banco de trás, causando risadas em todos e Liz aproveitou para retocar seu batom no espelho da bolsa — E me conta, como andam as coisas ... Ainda está saindo com a Jessi do marketing? — Louis perguntou, olhei para o rapaz ao meu lado que parecia mais tenso e segurava o volante com mais força.
— Não cara, não deu em nada — Respondeu dando a seta para virar à direita, prestando atenção no trânsito — Saímos algumas vezes mas não foi nada demais — Respondeu encerrando o assunto e depois olhando diretamente para mim, sei que não deveria cobrar nada até porque éramos apenas amigos mas queria que ele tivesse me contado, Jessi era uma boa garota, sempre solicita e educada, Peter e ela formariam um belo casal.
— Que pena cara, você vai encontrar a garota certa — O noivo da minha melhor amiga respondeu, agora encostando no banco e segurando a mão da mulher que sorriu fechado e olhou diretamente para mim pelo retrovisor. O caminho até a casa da Marcela foi rápido, assim que chegamos o rapaz estacionou o carro atrás do carro que estava parado na entrada, que supus ser do tal namorado de Marcela e saímos em direção a entrada da residência. Tocamos a campainha e dois segundos depois a porta foi aberta, por uma Marcela alegre em um vestido solto de alças azul, uma sapatilha e o cabelo preso em um rabo de cavalo.
— Vocês chegaram! Sejam bem vindos a minha casa — Abrindo a porta e pedindo que entrássemos a mulher nos guiou em direção a sala, deixando nossos casacos no armário ao lado da entrada — Venham vou apresentar o Isaac, ele está na cozinha, terminando a sobremesa — Seguimos a mulher que apresentava a casa e assim que passamos pela sala de jantar que já estava posta ela nos entregou uma taça de vinho e fomos para a cozinha — Pessoal este é o Isaac, amor esses são meus amigos — Marcela apresentava cada um de nós que íamos em sua direção cumprimentá-lo e o loiro pediu para que sentássemos a mesa pois o jantar já seria servido. Assim que nos sentamos começamos a conversar e rapidamente entendi o porquê minha amiga estava caidinha por ele, além de cozinheiro o rapaz era lindo e muito educado, tratava minha amiga como uma rainha e ela que não era boba se aproveitava, essa é minha garota.
— Me conta Isaac, com o que você trabalha? — Peter perguntou, enquanto apreciávamos o jantar. O homem havia preparado uma deliciosa massa, acompanhada de uma carne de forno.
— Sou empresário no ramo imobiliário — Isaac respondeu, tomando um gole de sua taça de vinho.
— E você mora aqui em Woking? — Liz perguntou, apreciando outra taça de seu vinho, segurando a mão do namorado ao seu lado.
— Atualmente estou morando em Londres, mas confesso que a cidade tem me encantado cada dia mais — Ele disse piscando para a namorado ao seu lado, segurando sua mão por cima da mesa, deixando a mulher sem graça.
— Ok, mas eu preciso perguntar — Louis de repente ficou sério, apoiando as mãos sobre a mesa — Você gosta de fórmula um?
— Tenho certeza de que Mah nem teria aceitado o pedido de namoro se eu não gostasse — Ele brincou e todos nós rimos enquanto concordávamos com a cabeça, sabendo que aquilo era verdade.
— Eu só não consegui fazer ele trocar de equipe, infelizmente ele torce para a Mercedes — Mah brincou, fingindo estar triste e todos nós fizemos o mesmo.
— Que decepção cara — Louis disse, balançando a cabeça negativamente.
— Bom, ela queria alguém que gostasse de fórmula um, não especificou a equipe — Isaac brincou com a situação — Então eu torço para o maior.
— A pode te ajudar, ela e o Hamilton são amigos — Louis apontou para mim, enquanto todos me olhavam e Isaac mais empolgado que o normal.
— Espera, você é amiga do Hamilton? — Ele perguntou sorrindo em minha direção, Peter ao meu lado se remexeu na cadeira, sorrindo sorrateiro junto com Louis — Por que não me contou amor? Caramba que legal!
— É nós conversamos de vez em quando — Disse dando de ombros, pedindo ajuda com o olhar as duas mulheres que estavam na mesa.
— Tá bom, já chega — Marcela se levantou, tirando alguns pratos da mesa, recebendo ajuda de Liz — É hora da sobremesa.
Logo depois o assunto foi encerrado rapidamente, ajudamos ela a retirar os pratos e travessas enquanto colocávamos a sobremesa, um mousse de limão que estava delicioso. Passamos boa parte da noite sentados a mesa conversando, riamos de algumas histórias do empresário, até que um tempo depois, Louis deu a ideia de irmos à sala jogarmos alguma coisa, Marcela disse que tinha Twister e assim arrastamos alguns móveis da sala e demos início ao jogo. Nesse meio tempo já estávamos na terceira garrafa de vinho, o que já tinha nos deixado leves e eu mal sabia o que era direito e esquerdo, causando risos por parte de todos. Estávamos na segunda partida, já que a primeira eu acabei caindo e levando todo o grupo no começo da partida e não havia contado.
No tapete estavam Liz, eu, Peter e Isaac já que Marcela não estava participando e Louis já havia perdido, estávamos todos embaralhados no tapete e Marcela aproveitou a deixa para gravar alguns stories em meu celular que estava apoiado ao braço do sofá, como não havia senha a mulher se aproveitou do momento e gravou enquanto eu estava distraída. Louis girou o tabuleiro informando que minha mão esquerda deveria ir no verde e eu dei um gritinho de raiva, estávamos todos emaranhados, Liz passava o braço esquerdo por baixo de Isaac, que estava com as pernas no verde e no amarelo, Peter com a mão no vermelho e a perna no verde, então quando fui me mexer acabei desequilibrando e caindo em cima de Peter que me segurou pela cintura, assim que meu corpo se chocou com o seu, sem perceber levamos Liz junto, sobrando apenas Isaac que agora comemorava a vitória. Inevitavelmente, Peter e eu acabamos nos olhando por tempo demais até que Marcela nos distraiu quando veio em nossa direção, se jogando em cima de nós com o namorado, ficamos rindo e eu rolei para o lado, depois de quase ser sufocada pelo grupo. Me levantei rindo, me sentando no sofá, pegando minha taça de vinho e tomando um longo gole. Depois do jogo resolvemos ficar apenas ali conversando até que senti meu celular vibrando com uma nova notificação do instagram.

DM INSTAGRAM
@lewishamilton

Parece que está se divertindo, hein.

Achei que viria para Mônaco 🤔

A margarida resolveu aparecer.

Nossa estou me divertindo muito...

Sim, “senhor consigo tudo que eu quero”... Vou amanhã com Daniel.

Acho que o álcool está falando por você, amanhã conversamos.

E você mais do que ninguém deveria saber que eu não consigo tudo que eu quero, dorme bem darling.


Sabia que era o álcool agindo, mas Lewis e eu não nos falávamos a dias, o rapaz havia sumido e não deu nenhuma satisfação, estava triste e frustrada e por isso resolvi descontar mas não contava com um de seus comentários engraçadinhos. Bufando, larguei meu celular no sofá e fui ao banheiro me recompor, os últimos dias sem falar com Lewis haviam me mexido comigo mais do que deveria, era estranho não ter o homem no meu dia a dia. Assim que voltei para meu cômodo, meus amigos já se levantavam para irmos embora, peguei minhas coisas e me despedir do casal, que prometeu mais encontros como esse para as próximas vezes.
Entramos no veículo já ligando o aquecedor, visto que já era de madrugada e o frio já se fazia presente, liguei o rádio e ao som de Katy Perry voltamos para casa, Liz e eu cantávamos animadas e Peter o único sóbrio ria do nosso show enquanto Louis praticamente dormia no banco ao lado. Quando chegamos ao loft, Liz precisou acordar Louis e depois de alguns minutos o casal saiu, agradecendo a Peter pela carona e se despedindo de mim, enquanto corriam para casa. No carro, o rádio tocava Ed Sheeran enquanto estávamos ali em silencio, o rapaz se virou em minha direção enquanto eu procurava a chave na minha bolsa, assim que encontrei, levantei meu olhar para Peter que me olhava sério.
— Você quer subir? Acho que está muito tarde e se quiser pode dormir no sofá — Respondi sincera já que a garoa virava uma forte chuva e seria perigoso dirigir de volta para casa naquele estado, ele me olhou em silencio, parecia pensar se deveria aceitar ou não — Estou falando sério Peter, está chovendo forte e está tarde — Alguns segundos depois ele sorriu concordando já estacionando o carro na garagem depois que acionei o controle e subimos para meu apartamento.
— Amanhã cedo vou embora, , não quero lhe atrapalhar — Disse pegando uma roupa no porta-malas, respondi que não havia problema e então subimos juntos as escadas em direção ao loft, assim que entramos no local, liguei as luzes e me toquei que as malas da viagem ainda estavam abertas por todo o local — Você vai viajar?
— Ah sim, vou para Mônaco com Daniel para passar uma semana e depois volto para os últimos compromissos, antes do início do campeonato — Respondi enquanto tirava as malas do sofá ainda abertas, colocando-as no chão, chamei o rapaz que trancou a porta, subi ao quarto para pegar uma toalha e ainda do segundo andar joguei para ele — Pode subir e tomar um banho, eu vou depois.
— Que horas você vai viajar amanhã? Acho melhor eu ir embora para não lhe atrapalhar — Respondeu me olhando do andar de baixo, joguei meu sapatos ao lado da minha cama e desci descalço enquanto abria a cortina e podia curtir o barulho da chuva que batia na janela.
— Para de besteira Peter, só vou sair a tarde e Daniel vem me buscar — Disse próxima a ele, sorrindo enquanto organizava alguns documentos em cima da mesa — Se eu disse que pode ficar é porque você pode ficar.
— Tudo bem então — Concordou agora mais tranquilo se sentando no sofá e depois de tirar os tênis se levantou indo em direção ao segundo andar — Vou tomar um banho, obrigada, — Sorri concordando, enquanto o rapaz tomava banho, organizei o sofá para ele dormir, tomei água e subi para fazer minha skincare.
— Queria que tivesse me contado sobre a Jessi — Falei deitada assim que o rapaz saia do banheiro com a toalha na cintura, pode ver seu tórax definido e como se tivesse sido pega fazendo algo errado o olhar do rapaz caiu sobre mim que riu se sentando na ponta da cama — Achei que fossemos amigos.
— E somos, , mas não é fácil contar para a garota que você gosta e te deixou na friendzone que você está superando e saindo com outras mulheres — Se virou em minha direção sorrindo e eu concordei com a cabeça — Ela é uma boa garota e eu estava gostando dela mas acho que estávamos em fases diferentes, não sei explicar.
— Eu entendo o que quer dizer — Me levantei indo para o banheiro para tirar o restante da maquiagem — Se quer meu conselho, acho que vocês fariam um belo casal e falo isso porque a Jessi é uma boa garota e sei de vários caras por ali que fariam de tudo por uma chance com ela — Gesticulava com o algodão em sua direção enquanto tirava a maquiagem.
— É eu sei, mas estou conhecendo outras mulheres e se o destino quiser que fiquemos juntos então assim será — Respondeu jogando o corpo para trás na cama e eu sorri concordando.
— Desde quando meu amigo é um romântico que acredita em destino? — Brinquei já fechando a porta e me trocando por ali.
— Desde que ele foi deixado na friendzone — Respondeu sincero e assim que sai do banheiro parei na porta um pouco sem graça — É brincadeira, , eu já superei nós dois, só fiquei nervoso no carro porque eu queria contar para você sobre a Jessi, mas Louis tem um bocão e foi mais rápido — Se levantou, vindo em minha direção e me abraçando rapidamente.
— Tudo bem Peter, eu nem deveria estar te cobrando nada e peço novamente desculpas se magoei você. Nunca foi minha intenção — Honesta respondi levantando a cabeça e olhando em seus olhos.
— Eu sei e te admiro ainda mais por isso — Disse voltando para o banheiro colocando sua roupa novamente e indo para o andar de baixo, aproveitei para enfim tomar meu banho, sai vestida e pronta para dormir, depois de ver se estava tudo certo com Peter, subi, desliguei as luzes e então me deitei, apreciando o som da chuva, eu amava aquele som — acha que deveria dar uma nova chance à Jessi?
— Acho que você seria louco e se arrependeria se não desse — Respondi honesta já me virando para o lado da janela — Você merece ser feliz e dá para ver um brilho em seus olhos quando você fala dela, não sei o que houve mas acho que dá tempo de concertar.
— Obrigada, , você também merece ser feliz ... Boa noite — Respondeu e sozinha no andar de cima acolhi suas palavras pensando em tudo que vinha acontecendo em minha vida e se um dia eu seria feliz ao lado de alguém.
Na manhã seguinte acordei com um barulho na porta e algumas conversas no andar de baixo, não sabia que horas eram mais assim que peguei meu celular dei um pulo da cama, correndo para me arrumar. Daniel havia me avisado no dia anterior que me buscaria as duas horas da tarde para irmos pegar o jatinho, que estava programado para decolar as três horas, ou seja, já estávamos atrasados. Assim que desci encontrei Daniel e Peter sentados na bancada conversando superficialmente e assim que me viram o piloto veio em minha direção me abraçar.
— Eu não acredito que você perdeu a hora, monstrinha— O piloto havia me dado alguns apelidos, esse foi depois de me ver acordar na manhã seguinte após uma noite regada a cerveja com seus amigos em Melbourne — Já terminei sua mala e só falta seus documentos, precisamos corre,r .
— Bom Dia para você também Honey — Brinquei rindo enquanto o ignorava e ia em direção a cafeteira, cumprimentei Peter.
— Já são duas horas, , não é mais bom dia a muito tempo — Ele disse rindo, roubando uma maçã da mesa e mordendo na mesma hora
— Em algum lugar do mundo é, não concorda Peter? — Depois de pegar me café fui em sua direção e lhe abracei que rindo concordou, se levantou logo depois lavando sua xicara e veio se despedir.
— Obrigada pela estadia, , a gente se vê semana que vem — O rapaz me abraçou, conversamos alguns minutos então depois de pegar sua chave e sua carteira se despediu de Daniel que estava sério e não havia falado mais nada, até o rapaz sair do local.
— Você pode me explicar o que aconteceu aqui e por que ele dormiu na sua casa? — Daniel parecia bravo e em pé com os braços cruzados enquanto esperava minha resposta. Me levantei já lavando as xicaras, terminando de organizar a casa e minhas coisas, quando finalmente lhe respondi.
— Não me lembro de ter que dar satisfações sobre quem pode ou não dormir na minha casa — Respondi ríspida pois sabia da pequena birra de Daniel com Peter — Como eu já te disse, somos amigos e ontem ficamos até tarde na casa da Marcela e chovia muito por isso ele dormiu aqui, satisfeito?
— Não sei por que ofereceu sua casa, ele não mora perto? — Me perguntou enquanto me ajudava a fechar as malas e agora levando para a entrada.
— Daniel para de ser ciumento, ele dormiu aqui sim e não aconteceu nada, meu Deus — Respondi já sem paciência pegando meu documentos, colocando em minha bolsa e depois de desligar tudo fechei a porta o ajudando com as malas.
— Sabe quem não vai gostar nadinha disso? — Parou com uma das malas nas escadas quase me derrubando o que causou alguns xingamentos por minha parte — Lewis.
— Ele também não tem nada a ver com isso e vê se não abre sua boca grande para ele — Irritada sai em sua frente já descendo os lances de escada bufando e encontrei o motorista do rapaz que nos aguardava, entreguei nossas malas e entrei no veículo esperando pelo australiano. Assim que o rapaz entrou no carro o motorista deu partida no veículo e saímos em direção ao aeroporto.
— Só para lembrá-la que na minha casa o que vale são minhas regras monstrinha então você não vai poder agir como minha mãe, até porque nós dois estamos de férias — Virando-se para mim pegou meu celular comercial e desligando colocou em minha bolsa — Sem celulares, sem tablet, sem contratos e sem falar de trabalho nos próximos sete dias, entendido?
— Oh Daniel não é assim que as coisas funcionam não ok? Eu tenho um trabalho e mesmo que estejamos de folga eu ainda tenho pendências para resolver — Respondi pegando o celular de volta e ligando o aparelho.
— Você é muito chata monstrinha, credo — Se virou para a janela e quando seu celular apitou o sorriso do rapaz aumentou — Opa sexta feira festa lá em casa e uma galera já confirmou.
— Daniel o intuito dessas duas semanas de férias era para você descansar, não acredito que já está programando uma festa — Parei de responder à mensagem da minha amiga, agora o olhando e o sorriso do rapaz aumentou.
— O que eu disse segundos atrás, ? Minha casa, minhas regras ou seja vai ter festa sim. Estamos em Mônaco é obvio que teríamos uma festa — Deu um high five com o rapaz que estava no banco da frente que até então eu não havia reparado — Esse é o Tom, meu amigo e meu empresário, ele vai conosco para casa — O rapaz se virou para mim me cumprimentando e eu fiz o mesmo. Chegamos ao aeroporto com alguns minutos de atraso, fomos direcionados ao avião particular que já nos esperava e assim que entramos, nos sentamos então o piloto começou a decolagem. Aproveitei as próximas duas horas que tínhamos de Londres a Mônaco para conhecer mais sobre Tom, conversei com Daniel sobre meus amigos e quando contei sobre o namoro de Marcela com Isaac o sorriso do rapaz murchou, achei estranho mas não questionei, poderia ser o cansaço da viagem.

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Mônaco era conhecido por todo seu luxo, pessoas influentes e milionárias que moravam na cidade-estado e desfrutavam de uma vida privilegiada e abundante. Enquanto Daniel dirigia pelas ruas limpas e bonitas da cidade, pude reparar que por ali ninguém estava para brincadeira, carros luxuosos desfilavam tranquilamente e casais passeavam banhados com suas peças de ouro sem se preocuparem com a segurança. Eu só conseguia pensar que se Mônaco era assim, imagina os países árabes. Ri sozinha, enquanto entrávamos no condomínio do piloto, recebi uma mensagem de Lewis me perguntando se eu já havia chegado, respondendo que sim levantei meus olhos pelo horizonte e fiquei chocada com o lugar. As casas eram luxuosas, enormes e com uma vista espetacular do horizonte banhado pelo mar. Além de casas o condomínio também possuía apartamentos, um clube e até comercio como um mercado e um salão de cabelereiros.
— Nesses apartamentos moram o Max e o Lewis, viu, ? — o rapaz contava me olhando pelo retrovisor causando risos em todos do carro que por acharem que eu era apenas uma fã não desconfiavam de nada— Naquela casa da frente mora o Charles Leclerc ... — E continuava apontando em direção a algumas casas onde morava algum piloto ou celebridade. Viramos à direita e lá estava a casa do rapaz, com uma incrível vista para o mar, a residência possuía uma linda fachada. Entramos no local e era mais bonita por dentro, eram dois andares com quatro quartos, duas salas, bar, cinema, uma belíssima cozinha toda equipada, piscina com borda infinita, área da churrasqueira e um enorme gramado para festas.
Depois de conhecer toda a casa, Daniel mostrou o quarto onde eu iria ficar, ao lado do seu e com vista para o mar. Animada entrei no cômodo sorrindo com todo aquele espaço que seria meu nos próximos dias, assim que passei pela porta vi um gaveteiro encostado na parede, a janela dava para uma varanda compartilhada com o quarto de Daniel e na parede de trás uma grande cama de casa e uma porta ao lado que dava para um lindo banheiro com uma banheira ao lado do chuveiro. Era enorme e maior do que eu esperava, sorri agradecida e o rapaz informou que me deixaria a vontade e que estariam na piscina me esperando. Abri a mala em cima da cama e depois de organizar o gaveteiro e o closet que havia do outro lado da parede, coloquei um biquini hotpant verde de bolinhas brancas e por cima um vestido que era uma saída de praia, peguei meu óculos de sol e desci para a área da piscina encontrando Daniel, Tom e mais dois rapazes por ali.
— Pessoal essa é a , e , esses são Bill e Ashton — Apontou para os rapazes que estavam tomando suas cervejas sentados na beira da piscina junto com os outros dois que já se encontravam dentro e nadavam animados — O Vicent que eu te falei, chega nos próximos dias.
— É um prazer conhecê-los, Daniel me falou muito sobre vocês nas últimas horas— Respondi me sentando ao lado deles e Bill me entregou uma cerveja do culler ao seu lado, abri já tomando um gole pois estava quente naquele dia — Obrigada.
— É bom saber que esse bobão fala de nós, ele também nos contou muito sobre você. Eu sinto que já te conheço a um tempão — Rimos e ficamos um tempo conversando por ali, Bill se jogou na piscina e consequentemente acabou nos molhando, depois disso, resolvi tirar minha saída de praia ficando apenas de biquini e alguns olhares voltaram-se para mim, Bill assobiou, me deixando sem graça e de onde estava Daniel jogou água na cara do rapaz.
— É a minha amiga pô, se toca cara — Daniel respondia bravo e o rapaz pedia desculpas, sorri dizendo que não tinha problema — Já vou deixando claro que a está proibida, ela é minha melhor amiga e se eu vir um de vocês com graça para cima dela, vai apanhar.
— O Daniel pode parar de bancar o chato, você não é meu dono, sabia? — Gritei para ele que estava do outro lado da piscina bravo e seus amigos riam do comentário do rapaz —Ah gente ele não fica fofo com ciúmes — Puxei uma graça com os rapazes que seguiram a brincadeira e começaram a afogá-lo, deixando minhas coisas na espreguiçadeira ao lado, entrei na piscina para me juntar aos rapazes. Um tempo depois, estávamos brincando de briga de galo, eu já havia perdido duas vezes para Daniel e Ashton, o segundo estava em cima do rapaz já que era mais magro que o piloto, e eu estava fazendo dupla com Bill que segurava minhas pernas para eu não cair, quando ouvimos um pigarro e Daniel gritou animado.
— Lewis meu amigo vem se juntar a gente, Bill e estão perdendo feio aqui — O inglês que estava vestindo uma bermuda e uma regata me olhou de cima a baixo e rapidamente me joguei para trás mergulhando na piscina e desmanchando a dupla com Bill — Aceita uma cerveja? Tem ali no culler ou na geladeira ali da churrasqueira — Ele apontava para os locais e o piloto foi em direção ao culler se sentando em uma das espreguiçadeiras, onde estavam minhas coisas.
— É bom ver vocês pessoal — Todos responderam e começaram a conversar entre eles, percebi que estava sobrando então resolvi sair e tomar um sol, assim que subi os degraus da piscina senti o olhar de Lewis sobre mim e quando cheguei perto dele me deitei na espreguiçadeira ao seu lado e ele virou para mim dizendo — É bom ver que você está se divertindo, , você não me respondia então vim te ver pessoalmente.
— Me desculpe Lewis, nem vi sua mensagem, ficamos conversando e meu celular ficou de lado — Respondi enquanto pegava meu bronzeador e passava sobre o corpo, o olhar de Lewis seguia cada passo do meu corpo, não me senti exposta, pelo contrário me senti desejada e isso me incentivou a continuar, parecia que não havia mais ninguém ali, só nós dois.
— Oh Lewis, mais um pouco e sua baba começa a escorrer aqui para a piscina, buddy — Daniel disse rindo com os outros rapazes e então Lewis sem graça virou-se para os amigos apontando o dedo do meio falando alguns palavrões. Ri e depois de terminar de passar o creme, me deitei e em silêncio.
— Vim aqui para saber quando vamos sair juntos — Disse sentando mais próximo de mim e consequentemente os pelos do meu corpo se arrepiaram pela sua presença e o tom de sua voz, ignorei colocando a camisa de Ricciardo sobre meu rosto, já que o sol estava muito quente — Quanto tempo ficará na cidade?
— Vou ficar até domingo, a noite volto para Londres pois tenho algumas reuniões — Respondi sem olhar devido ao forte sol e a camisa de Daniel em minha cara — É só marcar Lewis, já disse que eu vou. Não vou fugir.
— Eu sei que não coração, só quero garantir que estamos alinhados — Tomou outro gole de sua cerveja e de repente começou a passar levemente seus dedos pelo meu braço que descansava ao lado do meu corpo, arrepiando novamente todos os pelos do meu corpo, mas dessa vez acendendo um alerta já que meu corpo inteiro reagiu.
— Ok, Lewis o que conversamos sobre limites? — Respondi tirando rapidamente meu braço e o rapaz apoiou seu queixo sobre sua mão que estava apoiado ao joelho e sorriu como se soubesse o que havia causado, safado.
— Certo, quero te levar para conhecer a cidade, podemos ir amanhã as nove horas, tudo bem para você? — Concordei com a cabeça pois realmente gostaria de conhecer a cidade e Daniel disse que já tinha planos para o dia seguinte então não quis lhe atrapalhar até por que já havia dito que eu poderia pegar um de seus carros e sair — Ótimo vá com uma roupa confortável e não se esqueça o biquini — Depois disso se levantou dando um beijo em minha bochecha, cheguei a levar um susto já que estava com o rosto tampado e fez o rapaz rir sobre meu corpo causando outra onda de arrepios por estarmos muito próximos. Pegou outra cerveja e depois de se despedir dos rapazes saiu pela porta da frente.
Cerca de uma hora depois que o sol já havia ido embora, resolvi sair pois já estava esfriando, os rapazes ainda continuavam na área da piscina, mas dessa vez apenas bebiam e conversavam do lado de fora. Estava subindo para meu quarto, quando os funcionários da residência informaram que o jantar seria servido em uma hora, sorri agradecendo e logo depois corri para o quarto, depois de um banho bem quente e um pijama de flanelas, desci me encontrando com os rapazes, que já estavam todos de banho tomado e me aguardavam para jantarmos juntos. Enquanto nos serviam, os amigos do piloto me contava algumas histórias do grupo e principalmente de Daniel que por diversas vezes já haviam metido eles em diversas furadas, o que causou muita risada e conversa noite adentro. E assim terminou aquele dia, com uma sensação incrível de que ali do outro lado do mundo, a milhares de quilômetros do meu país eu finalmente estava em casa.


Capítulo 9

~Lewis POV~
Sempre fui um cara vaidoso, que preza pela minha rotina e cuidados pessoais. Todos os dias acordava cedo, tomava meu café da manhã, corria na praia, treinava e, então começava a trabalhar. Porém, naquela manhã de sábado, me permiti ficar mais tempo na cama, não treinei, tomei café da manhã tranquilamente, brinquei com Roscoe e então comecei a me arrumar para sair com , confesso que a ideia de passar o dia todo com ela estava me deixando, digamos, ansioso. Quando Daniel me contou que levaria ela para a cidade a algumas semanas atrás, meu instinto foi convidá-la para um encontro, mas com sua relutância em me ver apenas como amigo, resolvi deixar apenas com um passeio pela cidade durante o dia. Suas palavras um pouco amargas, sobre sermos apenas amigos, ainda me atormentavam e me deixava confuso, confesso que nunca havia sido rejeitado e isso me deixou muito intrigado, o fato dela ter se arrepiado ontem, com meu toque, significava que ela sentia algo, não é?
Estávamos um pouco distantes nas últimas semanas, grande parte por culpa minha, já que havia viajado com a minha família para o interior da França, no meu iate e no meio do mar o sinal não funcionava muito bem. No sábado quando voltamos para terra firme, abri o Instagram e me deparei com o maldito vídeo, aquele que me atormentou, ela jogava o que parecia ser twist, ela parecia feliz, leve e animada, na segunda parte do vídeo ela caia por cima de um rapaz, depois de tentar seguir a ordem daquele maldito tabuleiro. Instantaneamente algo dentro de mim se remexeu, bufei irritado e quando percebi já estava mandando uma mensagem, sarcástico e sem paciência. Precisei de todas as rezas para conter aquela sensação, aquela pressão na boca do estomago que estava me deixando maluco de ver ela nos braços de outro, eu prometi a ela que respeitaria seu espaço e que seriamos amigos, mas minha vontade naquele momento era pegar o primeiro avião até ela e arrancá-la dos braços daquele cara e fazê-la minha.
Divagando sobre esses pensamentos enquanto calçava meus sapatos, me levantei da cama e sai de casa ou poderia me atrasar, desci para a garagem e aproveitando o belo sol da cidade resolvi sair com a minha Mercedes -benz AMG GT branca. Mandei uma mensagem informando que já estava a caminho e em poucos segundos ela me respondeu, informando que me aguardava do lado de fora da residência do Ricciardo, sorri como um adolescente na puberdade que estava saindo com uma garota pela primeira vez e bufei, eu já era um homem rico, bonito, famoso e bem resolvido e não poderia ter esse tipo de chilique por uma garota.
A casa do Daniel ficava a menos de cinco minutos da minha, rapidamente cheguei ao local, buzinando e abaixando o vidro do passageiro, a encarando e sorrindo. estava sentada nas escadas, mexia no celular distraída e quando me viu, levantou o rosto, sorrindo enquanto caminhava na minha direção. Enquanto ela vinha em minha direção pude reparar em sua roupa, ela usava uma saia lápis clara, com uma fenda na perna esquerda e com botões verticais, uma camiseta branca larga, com a manga curta dobrada e um tênis da mesma cor, o cabelo que estava sempre preso, estava solto, volumoso, ela usava uma maquiagem leve e estava deslumbrante, linda. Assim que entrou no carro, me cumprimentou com um beijo na bochecha, suspirei com a aproximação e voltou para sua posição, colocando o cinto.
— Eu estou tão animada, obrigada por me convidar — Ela então se virou para mim, colocando as duas mãos sobre as pernas.
— Eu que agradeço por você aceitar, como um bom morador de Mônaco, eu tenho uma certa obrigação de lhe mostrar essa cidade incrível e todos seus pontos turísticos — Respondi sorrindo e dando partida no veículo.
—Certo e qual vai ser nosso primeiro destino? — perguntou enquanto ajeitava a bolsa no chão e ligava o rádio, conectando seu celular e escolhendo uma música.
A olhei um pouco curioso, mas feliz por ela se sentir à vontade dentro do carro, comigo e como ela parecia diferente da garota que era sempre tão séria e fechada que eu via pelo paddock. Sorri sozinho enquanto dirigia em direção a portaria, Hymn for the Weekend (Coldplay) começou a tocar, aumentou o volume e de repente ela começou a cantar baixinho, chamando minha atenção para sua voz.
—Primeiro, nós vamos Exotic Garden que é vazio esse horário e depois vamos ao museu oceanográfico e o restante é surpresa — acenei ao segurança na saída e peguei a direita em direção ao primeiro destino.
Mônaco era a cidade que eu escolhi a alguns anos para chamar de lar, o fato de ser uma cidade litorânea, já ter muitos famosos e ser mais afastado da cidade grande, contribuía para que eu pudesse andar tranquilamente sem ser abordado o tempo todo, o que facilitava meu dia a dia, eu era apenas mais um morador e isso me trazia uma certa paz e, claro, muita segurança. Como não era época de corrida, havia poucos turistas, então e eu podíamos passear sem atrair olhares curiosos. Escolhi o jardim pois em uma de nossas conversas, me disse que amava plantas e o Exotic Garden era um dos pontos mais bonitos da cidade, contemplava diversos tipos de plantas e ainda possuía uma linda vista de toda a região, como turista, era um ponto indispensável a se conhecer, no caminho, e eu fomos conversando o tempo todo, nós discutíamos nossos gostos músicas e ela, curiosa, me perguntava sobre a minha carreira na música.
Chegamos ao local e por conta do horário estava relativamente vazio, havia apenas dois casais e uma família, que não pareceu se incomodar com a nossa presença ali. Enquanto caminhávamos, ela me contava mais sobre seus dias na McLaren, eu contei um pouco sobre o tempo que estive na equipe, ela começou a me explicava mais sobre algumas plantas que estavam ali, as curiosidades que leu na internet, durante o caminho e eu ouvia atentamente, era encantador a forma que ela sorria enquanto comentava, quando gesticulava e mexia no cabelo ou quando eu a flagrei conversando sozinha com uma planta, o que causou boas risadas depois. Estávamos na metade do caminho quando um casal se aproximou, pedindo uma foto e eu sorri, posando para a selfie eu vi caminhar sozinha mais a frente e rapidamente me despedi dos dois e corri para alcançá-la.
— Eu juro que quando chegar em casa, vou procurar uma academia —Ela comentou, parando e colocando as mãos nos joelhos, cansada.
— Falta pouco , vamos lá! —Eu disse animado, puxando ela pelo braço e ela riu, deixando ser levada.
—Tudo bem, já me recuperei —Ela me soltou e continuou caminhando ao meu lado, resolvi diminuir os passos para que ela não ficasse tão cansada.
—Prometo que vai valer a pena —Eu a olhei e me surpreendi quando encontrei seus olhos focados em mim, ficamos alguns segundos assim até que ela sorriu, sem graça e caminhou um pouco mais a frente, me deixando para trás, mas logo depois chegamos ao ponto mais alto do jardim, esquecendo aquele momento.
—Ai meu Deus Lewis, isso aqui é lindo! — Ela praticamente gritou, assim que parou na frente da pequena mureta de proteção, tendo a bela visão da cidade, do mar e do sol, que brilhava no horizonte.
não parou de sorrir em nenhum segundo, confesso que fiquei vidrada pelo sorriso e pela alegria dela, fiquei alguns segundos parado, com as mãos no bolso apenas a observando. De repente ela começou a tirar algumas fotos, selfies, gravava vídeos e então me surpreendendo mais uma vez, ela me puxou para tirar algumas fotos juntos. Nos viramos de costas para o mar, ela passou os braços sobre meu ombro enquanto meu braço direito segurava sua cintura e o esquerdo no meu bolso, a primeira tiramos sorrindo, mas as próximas começamos a fazer caretas, nos sentamos na mureta e ficamos por ali mais alguns minutos conversando sobre a cidade, quando eu me mudei e como foi a adaptação e aproveitei para mostrar alguns lugares conhecidos da cidade, apontando para que ela pudesse ver dali. Cerca de trinta minutos depois, descemos para a entrada e correu para comprar algumas lembranças para a família enquanto eu esperava apoiado ao veículo. Quando ela se aproximou, entrei no carro, colocando o cinto e ela fez o mesmo quando se sentou. Estava colocando a carteira e o celular no compartimento no meio quando vejo ela sorrindo e me entregando um pequeno e delicado chaveiro, ele era redondo, feito de resina e dentro dele havia uma imitação do lindo cenário da praia da região, com a areia, o céu azul de fim de tarde e o pôr do sol e estava escrito “Mônaco-Monte Carlo”. Instantaneamente eu sorri, olhei com carinho, feliz por aquele gesto e por ela ter se lembrado de mim, me peguei a olhando encantado enquanto via seu lindo sorriso em minha direção.
— Você gostou? —Ela me perguntou, sorridente enquanto eu olhava embasbacado.
— Eu amei , mas não precisava —Eu a respondo, concordando com a cabeça.
— Besteira, é uma lembrança para que você nunca se esqueça de mim e desse passeio — Ela sorria, guardando os outros na pequena bolsa e eu neguei com a cabeça por aquela constatação, coloquei o chaveiro junto com a minha chave de casa e liguei o veículo.
— Você sabe que isso é impossível... —Eu comecei, olhando para ela, que me olhou com uma das sobrancelhas levantadas — Me esquecer de você.
— Ah Lewis, que isso — Ela riu, ficando sem graça e abaixando a cabeça —Você é campeão em me deixar sem graça.
— Cortesia da casa, minha querida — Eu pisquei marota, enquanto ela ria e escolhia uma música.
— E agora vamos ao oceanográfico? — Ela perguntou, mudando de assunto.
— Isso, você vai amar — Eu respondi, sorrindo em sua direção e ela sorri de volta, concordando com a cabeça.
— Tenho certeza de que sim — Deu de ombros, observando a rua enquanto eu a olhei rápido e voltei minha atenção ao caminho.
—Você gostou do jardim? — Perguntei, para saber mais se eu havia feito uma boa escolha no passeio.
—É perfeito, eu não acredito que vocês possuem um lugar assim no meio da cidade, — Respondeu animada, dando pequenos pulinhos no assento e nós dois rimos, enquanto ela voltava a escolher uma música nova— Eu tenho certeza de que se morasse aqui, iria visitar todos os dias.
—Eu amo aquele espaço, as vezes venho caminhar com Roscoe e subo lá e fico um bom tempo pensando sobre tudo sabe? É um ótimo lugar para relaxar e meditar — Eu contei, poucas pessoas sabiam daquilo e era um momento somente meu e dele.
—Sabe que estou morrendo de saudades do Roscoe? Posso vê-lo qualquer dia? — Ela perguntou virando em minha direção com um olhar de súplica e eu sorri concordando com a cabeça enquanto ela comemorava animada — Eu amo animais mas não quero ter por enquanto por conta dessa rotina complicada de viagens e ainda não saber se serei efetivada no final da temporada, mas eu vejo seu cuidado com ele e acho tão fofo.
— Eu realmente amo animais, Roscoe é meu melhor amigo e meu grande companheiro de viagens. Eu sei que não posso levar ele em todas as corridas até porque é cansativo e ele é um buldogue e já tem idade, então deixo em um hotel para cachorros aqui em Mônaco— falar do meu melhor amigo sem lembrar da Coco ainda é bem difícil já que eles foram meus companheiros por muito tempo — quando comecei a viajar para os campeonatos me sentia muito sozinho e adotar o Roscoe e a Coco foi a melhor coisa que eu fiz para minha saúde mental, mas quando a Coco morreu eu fiquei arrasado, sofri muito e precisei cuidar ainda mais dele que desde então é meu fiel escudeiro.
—Eu entendo, não é fácil se afastar dos seus amigos, familiares e passar tanto tempo longe de casa —Ela sorriu, compreensiva —você fez muito bem Lewis, Roscoe é incrível e dá pra ver um brilho diferente quando vocês estão juntos no paddock.
— Obrigada, tem semanas que são mais difíceis que as outras —Comentei, parando o carro no farol e me virando para olhá-la percebi seu sorriso compreensivo, balançando a cabeça.
— Eu sei bem disso, sinto muita falta da minha família — Ela confessou, sorrindo triste e eu a olhei sério —Já vai fazer quase dois anos que não os vejo.
— Caramba, eu não tinha noção — Comentei, depois de alguns segundos em silêncio.
— É por isso que estou contando os dias para o GP de Interlagos — Ela respondeu, de repente ganhando um brilho na voz — Combinamos que eles irão para São Paulo.
—Eles não são de lá? — Perguntei curioso, já que ela não falava muito da família.
—Não, são de outra cidade, bem longe de lá —Ela respondeu, trocando a música e deu de ombros.
O restante do trajeto passou rapidamente, ela não deu continuidade no assunto e eu resolvi não forçar a barra, nosso passeio estava super agradável e eu não queria estragar nada, ela ficou trocando de música enquanto eu dirigia em silencio, quando chegamos, estacionei, deixando a chave com o manobrista e corri para abrir a porta dela, que saiu ajeitando a saia e me agradeceu sorrindo. observava tudo, me mostrava alguns objetos que estavam dispostos por ali e eu a observava com as mãos no bolso enquanto nos aproximávamos da bilheteria, por sorte o local estava vazio e não tivemos problemas com filas, me aproximei do balcão e quando ela pegou a bolsa para pegar a carteira, fui mais rápido, pagando a atendente, pegando nossos ingressos, sorri animado levantando os tickets enquanto ela me olhava emburrada.
—Você é ridículo Lewis, eu posso comprar meu próprio ingressos, sabia? — respondeu cruzando os braços, fiquei a observando enquanto ela fazia um bico muito fofo que me distraiu por alguns segundos —Ei, eu estou aqui.
—Desculpe, eu sei disso — molhei os lábios, sem graça por ter sido flagrado e com um braço estendido, mostrei a direção da entrada a ela — E sei que você pode comprar, mas eu não quero que compre, pois hoje você é minha convidada e está proibida de pagar qualquer coisa.
—Sabe que isso não vai acontecer, não é? Só para deixar bem claro— me desafiou olhando de cima a baixo, pegou o ticket da minha mão e então me abandonou para trás enquanto caminhava em direção ao segurança. Inevitavelmente foi impossível não reparar que a mulher rebolava enquanto caminhava irritada chamando a atenção não só minha mas de um grupo de homens que vinham ao meu lado, bufei e corri em sua direção, colocando a mão em sua cintura enquanto entregava meu ingresso ao atendente, depois dela.
—Não me provoque , saiba que eu sempre venço e se eu disse que você não vai precisar pagar nada hoje, porque é minha convidada então você não irá precisar pagar —Sussurrei em seu ouvido, sem soltar sua cintura enquanto entrávamos no local.
—Então você vai precisar aprender a perder Sr. Hamilton — Ela respondeu, soltando meu braço de sua cintura e eu levantei a sobrancelha — Por que eu não preciso da sua caridade, então a partir de agora você não vai pagar nada ou vou sair imediatamente deste local em direção a casa do Ricciardo e você vai ficar aqui plantado sozinho, estamos entendidos?
— Não é caridade , eu só quero poder pagar pelo passeio da garota que eu convidei — Cruzei os braços, irritado e quando observei seu olhar incisivo e decidido, bufei ainda mais furioso —Estamos entendidos.
—Ótimo, então vamos começar o passeio —De repente ela deu um pequeno pulinho, dando de ombros e sorriu, caminhando em direção a guia, que nos aguardava um pouco a frente.
Ela me deixou para trás, enquanto se apresentava a guia que passava algumas instruções e respirando fundo a acompanhei, me apresentando e caminhamos juntos enquanto a funcionária apresentava mais sobre o lugar. Já passava das onze horas da manhã quando saímos do museu, depois de muitas fotos, vídeos e dúvidas que a guia gentilmente ia respondendo e até eu que já conhecia o local e havia visitado com minha família pude saber um pouco mais. Quando entramos no veículo, nos sentamos e quando nos olhamos nossas barrigas roncaram alto, informando que estava na hora de comermos algo, nós dois rimos sem graça e então dei partida em direção ao restaurante.
— Eu não sabia que você estava com tanta fome —Eu comentei, rindo enquanto dirigia em direção ao restaurante.
— Nem eu, estava tão distraída no museu, que eu esqueci totalmente—Ela riu, contando enquanto abria o vidro e sentia a brisa do mar.
— O que está achando do passeio até agora? —Eu perguntei, a olhando rapidamente.
— Estou adorando —Ela sorriu, feliz —Até o passeio de carro é interessante, porque é cada cantinho bonito que tem aqui, as casas, os prédios, as ruas.
—É verdade, eu amo essa cidade —Comentei enquanto observava rapidamente ela se apoiar na janela e fechar os olhos, sorrindo e aquela visão iria ficar na minha memória para sempre, sorri automaticamente e olhei para frente.
—Eu também amaria, olha isso — Ela comentou, abrindo os olhos e apontando para uma antiga escola que ocupava metade de um quarteirão —É lindo.
—Se eu não me engano, o Charles estudou aí —Comentei, me lembrando que ele havia dito em uma das festas que estávamos na região.
—Sério? —Ela perguntou e eu concordei com a cabeça —Uau, estou impressionada.
—Por ele ter estudado aí? —Perguntei, curioso.
—Eu sei que ele é monegasco, só não sabia que era naquele palácio — Comentou, apontando para trás e eu concordei com a cabeça.
—Pois é, ele comentou a um tempo atrás —Eu respondi, dando de ombros.
Logo depois o assunto ficou para trás, havíamos acabado de chegar no restaurante, um bistrô pequeno, mas elegante e que ficava próximo ao nosso destino. O lugar era de um amigo meu e que tinha um excelente cardápio vegano, assim que entramos, fomos direcionados para uma mesa mais ao fundo e o garçom que havia acabado de puxar a cadeira para , que o agradeceu sorrindo, entregou os cardápios, nos deixando a sós. Enquanto escolhíamos nossos pratos, conversamos um pouco mais sobre o local, contei de quem era, como eu havia entrado como um dos sócios e sobre o cardápio vegano, que eles tinham, como um pedido pessoal meu ao chefe. O garçom se aproximou, fizemos nossos pedidos e rapidamente ele voltou com nossos sucos e ficamos conversando enquanto aguardávamos as refeições. Entre muitas histórias e risadas, o garçom nos entregou a entrada enquanto ela tentava me convencer a levá-la ao cassino.
—Mas, Lewis você precisa me levar ao Cassino Monte Carlo, por favor — pedia já apoiando os cotovelos na mesa em sinal de súplica, neguei com a cabeça e ela bufou já apoiando os braços na cadeira e virando para a janela — você é um péssimo guia, sabia?
—O cassino é legal mas é tão óbvio , fora que é apenas para sócios e membros — Respondi e ela concordou com um bico fofo nos lábios, suspirei com o gesto, me segurando na cadeira, como se lesse minha mente, o garçom se aproximou, entregando nossas refeições principais. Almoçamos na maior parte do tempo em silêncio, vez ou outra comentávamos sobre o gosto, elogiávamos o prato e discutíamos sobre nossos gostos culinários.
—Certo e qual será o nosso próximo destino? — perguntou, depois de terminar sua sobremesa e agradecer ao garçom que havia acabado de retirar os pratos, pedi a conta e ele acenou, nos deixando a sós.
—Você falou sobre alguns pontos turísticos de Mônaco certo? — ela concordou já pegando a carteira em sua bolsa, sem perceber o olhar torto que lancei em sua direção pelo ato mas sem poder falar muito para não estragar nosso dia — Até chegou a mencionar o palácio do príncipe nessa lista... então — Fomos interrompidos pelo garçom, trazendo a conta e a máquina de pagamento, em um gesto rápido, entregou o cartão ao rapaz, que me olhou confuso e viu meu olhar bravo, direcionado a ela.
— Sem discussões — Ela respondeu, quando viu meu olhar sério sobre si.
—Não vou deixar você pagar tudo isso sozinha —Eu disse, pegando o cartão e entregando também ao garçom —Se eu não posso pagar tudo, então vamos dividir.
—Por que você é tão teimoso? — perguntou, suspirando, mas concordou com a cabeça.
— Então, continuando, agora nosso passeio é pelo palácio do príncipe —Eu respondi, enquanto o rapaz passava o segundo cartão, dela.
—É sério Lewis? Que legal!!! — Perguntou, empolgada e eu concordei com a cabeça — Eu vi na internet que é pago e você não pode conhecer todos os lugares já que lá é realmente a casa dele.
—Sim, mas aí vem a surpresa... — Eu contei, enquanto saímos e esperávamos o manobrista trazer o carro, estávamos de frente um para o outro e ela parecia empolgada — O príncipe é um colega meu e por isso autorizou nossa entrada por todo o local e não só isso, vai ser nosso guia por todo o castelo.
—AI MEU DEUS, VOCÊ ESTÁ BRINCANDO LEWIS? — Ela gritou ao meu lado, me assustando um pouco e rapidamente pediu desculpas, me abraçando rapidamente e eu neguei com a cabeça — Eu não acredito que você conseguiu isso Lewis, e não precisou pagar nada? É sério Lewis? Ou eu juro que te mato.
—Nadinha, eu juro. Ele é um cara legal e um dos que bancam a Fórmula 1 e quando eu pedi, ele rapidamente aceitou e até nos chamou para um chá — Eu comentava enquanto entrávamos no carro e ela ainda me olhava desconfiada, mas realmente foi fácil, bastou uma ligação e um pedido e ele prontamente aceitou, ainda me lembro de suas palavras “seria uma honra ter o Sir Lewis Hamilton em minha residência”.
—Certo, então tudo bem — Respondeu, depois de alguns segundos em silêncio, colocando o cinto e pegando o celular, falando em português e me deixando um pouco frustrado, por estar me deixando de lado.
—Com quem você tanto fala em português já que desde que começamos o passeio você não desgrudou do aparelho? — perguntei, curioso e um pouco enciumado.
—São meus pais, quando disse que ia conhecer Mônaco, eles ficaram super empolgados e ficam me perguntando a cada hora onde eu estou e querendo fotos dos lugares — Ela disse, rindo, enquanto mostrava alguns vídeos que havia feito durante os passeios, todos em português.
—Eu adoraria conhecer seus pais, eles parecem ser superlegais e eu preciso agradecer por ter colocado você no mundo sabe, uma obra de arte —A cantei, piscando com um olho e ela gargalhou, parecendo sem graça.
—Se eu contasse a eles que estou nesse passeio com você provavelmente meu pai surtaria, além de ser um grande fã seu, ainda sou a garotinha dele e meu irmão torce para o Max, iria testar toda a minha paciência, que é quase inexistente —Ela comentou, sorrindo e largando o aparelho sobre a perna, a olhei curioso, por que ela não contava sobre mim para eles?
— E o que tem? Acha que eles não gostariam de me conhecer? —Eu perguntei, curioso e um pouco decepcionado, por ela querer não me apresentá-los.
—Eu já disse a eles que te conheci, meu pai surtou e não acho que eles precisam saber de todos os detalhes que acontecem na minha vida —Ela me respondeu, dando de ombros —Eles sabem que eu te conheci, que tomamos café naquela tarde no paddock e que somos amigos.
—É claro...Amigos —Respondi baixo, sério e para abafar o silêncio, aumentei o som e me olhou, parecia me analisar e eu não correspondi, ainda um pouco magoado pelas suas palavras.
Ficamos em silêncio até chegarmos ao castelo, evitou me olhar novamente, focada em seu celular e eu batucava os dedos no volante enquanto cantava baixo a música. Quando chegamos um segurança nos guiou até onde podíamos estacionar e logo eu manobrei o veículo, parando e encostando alguns segundos no banco, me soltei do cinto, suspirando e me olhou, retirava o cinto enquanto parecia me analisar, sai ainda em silêncio e ela fez o mesmo, caminhamos alguns passos até que ela parou na metade do caminho e eu a acompanhei, ela segurou minha mão, me virando em sua direção e ficou olhando em volta, enquanto parecia refletir sobre alguma coisa.
—Eu não quero estar brigada com você Lewis — Ela me olhou triste e foi a minha vez de suspirar — É a segunda vez no mesmo dia e eu não gosto disso, por favor combinamos de ser amigos. Meus pais sabem sim sobre você, minha mãe vive me aconselhando sobre nossa relação mas como já disse é complicado e não quero perder o que temos.
— Eu sei, eu também não estou facilitando e prometo que vou melhorar — Respondi, sorrindo em sua direção, passando meus dedos por sua bochecha — Me desculpe eu não sei o que aconteceu — Confessei, mas no fundo eu sabia, estava chateado por querer me esconder de sua família, por me apresentar apenas como um amigo, que havia tomado um café em uma tarde no paddock.
— Tudo bem, então vamos recomeçar e não brigarmos mais —Me surpreendendo, me puxou pelo pescoço, me abraçando e instantaneamente retribui sorrindo. Segurei em sua cintura e afundei meu rosto em seu pescoço, sentindo o delicioso cheiro de flores e baunilha de seu perfume, senti a mulher se desvencilhar, dando um beijo na minha bochecha, logo depois, ela esticou o braço, pegando na minha mão e caminhamos juntos até o portão da residência, me deixando completamente surpreso.
Não foi necessário muita apresentação, rapidamente os funcionários abriram os portões e entramos observando cada canto do local, comentávamos sobre as decorações, alguns minutos depois, finalmente chegamos à entrada do palácio e o próprio príncipe Alberto II apareceu, sorrindo, vestindo um elegante terno azul claro, esticou a mão direita para me cumprimentar e soltou minha mão, somente naquele momento.
—Lewis, quanto tempo — Me cumprimentou primeiro e eu sorri, retribuindo enquanto o mesmo me soltava e sorria para a mulher ao meu lado, que parecia nervosa.
—Eu sou Alberto, e você deve ser a ? — Ele esticou a mão e ela retribuiu rapidamente, nervosa.
—Isso mesmo, é um grande prazer, senhor — Ela sorriu, mas estava com uma postura rígida, séria enquanto eu sorria, colocando minha mão esquerda no dorso das suas costas.
—O prazer é meu, se você é amiga do Lewis então também e minha amiga — Ele era um homem muito polido e simpático, me olhou nervosa e eu ri — Vamos que tenho muita coisa para mostrar para vocês.
Dois funcionários se aproximaram, pegando a bolsa dela, guardando em uma sala e então começamos a tour pelo local. O palácio era enorme, com mais de dez quartos, quinze banheiros, sala de cinema, academia, sala de jogos, piscina interna e externa, quadras de futebol, tênis, vôlei e algumas salas, com quadros, objetos, móveis históricos. Por onde passávamos, Alberto contava mais sobre cada cantinho da história que possuía ali, contava sobre as reformas que fez de modernização e expansão e prestava atenção, estava atenta e fazendo diversas perguntas, parecia muito empolgada de estar ali e eu observava quieto.
—Esse lugar é lindo — comentou, assim que ele nos levou em direção ao jardim, onde havia preparado uma mesa de chá para nós.
—É sim, minha esposa que cuida desse cantinho — Ele comentou, sorrindo e contando que a mulher estava na França, viajando com os filhos —E me conta mais sobre você , você trabalha na Mercedes com o Lewis?
—Oh não, eu sou assistente do Daniel Ricciardo, na McLaren — Ela respondeu, sentando-se ao meu lado e um funcionário rapidamente a serviu com um chá tradicional da família.
—Ah sim, que interessante — Ele comentou, coçando a barba e nos olhando atentamente e ela acenava enquanto tomava seu chá.
tem feito um excelente trabalho na McLaren —Comentei, sorrindo em sua direção e tomando um gole do chá.
—Bem, estou tentando — Ela riu e o príncipe gargalhou, tomando um gole do chá.
—Será que eu poderia conhecer um pouco mais do jardim? Poderia tirar algumas fotos para mostrar a minha família? —Ela perguntou, um pouco receosa e o homem concordou com a cabeça, ela sorriu, agradecendo e se levantando, nos deixando a sós.
— Sabe Lewis, sua namorada é uma garota muito inteligente e educada... — Engoli em seco, segurando mais firme a xícara e suspirando.
—Ah não, ela não é minha namorada, — Respondi, sem graça e desviando o olhar dele, observando a mulher caminhar em direção a uma rosa branca, tirando algumas fotos — Somos apenas amigos.
—Oh, eu não sabia... —Ele parecia sem graça, deixando a xícara sobre o pires e me olhando curioso —Até quando acham que vão conseguir esconder o sentimento de vocês? — Me perguntou e eu ri, sem graça.
—Acredite, não tem sido fácil —Eu respondi e ele riu alto —Mas ela acha melhor assim.
—Entendo, não deve ser fácil para ela — Ele comentou, observando-a de longe —Tenho certeza de que ela batalha todos os dias contra esse sentimento, assim como você.
— Pode ter certeza de que sim — eu comentei, bebericando um gole do meu chá, nós rimos e ela nos olhou curiosa, enquanto caminhava de volta para a mesa.
—Isso aqui é realmente incrível, estou apaixonada por cada detalhe — Ela comentava, suspirando — Eu tirei fotos lindas.
—Eu tenho certeza que sim, minha esposa tem muito orgulho desse cantinho aqui — Ele comentava sobre a mulher com um olhar apaixonado.
—Bom, acho melhor nós irmos — respondi desviando a atenção e nós dois nos levantamos —Ainda precisamos terminar o passeio.
—É uma pena irem tão cedo —O príncipe comentou, nos acompanhando até a entrada, uma funcionária entregou a bolsa dela, que sorriu agradecendo.
—Outro dia voltamos, quem sabe —Eu comentei, sorrindo, assim que paramos na entrada.
Nos despedimos do homem, agradecendo o tour por todo o local, comentava sobre alguns pontos que havia gostado, sobre a linda decoração e ele agradecia, sorrindo. Ele se despediu dela com um aperto de mão, agradecendo a visita e a convidando para voltar mais vezes e ela agradeceu, prometendo que voltaria. já estava do lado de fora quando ele me parou, me puxando para um abraço rápido e sussurrando, comentou:
—Você seria um tolo se perdesse essa garota Lewis, não faça isso — O olhei assustado, concordando com a cabeça enquanto do lado de fora, ela nos olhava curiosa.
Passei pela porta um pouco desconcertado e ele agradeceu, acenando com a mão enquanto nós retribuíamos sorrindo, instintivamente segurei sua mão enquanto caminhávamos em direção ao portão de entrada, fiquei em silêncio enquanto ouvia atentamente ela comentar mais sobre o passeio.
—O que foi que ele disse a pouco? — Perguntou assim que passamos pelo portão de entrada e nos aproximávamos do veículo. Fiquem em silêncio, pensando se deveria comentar com ela sobre aquilo ou não e pensando que ela poderia não agir bem, resolvi desconversar.
—Ah nada, algumas coisas sobre a Fórmula Um — Respondi entrando no veículo e colocando o cinto, ela fez o mesmo e se virou, me observando atentamente.
—Ah sei, ele é um cara legal — Respondeu, dando de ombros e pareceu ignorar o assunto.
Enquanto eu dirigia para nosso último destino, ela comentava sobre como havia amado conhecer o palácio, contava sobre uma das peças históricas, me mostrava algumas fotos que havia tirado, ria quando falávamos sobre os quadros e como alguns eram estranhamente bizarros. Rapidamente chegamos à praia de Larvotto, sorriu, me olhando assim que eu estacionei o veículo.
—Praia? É sério —Ela me perguntou, sorridente.
—Sim, como uma boa turista você deve conhecer pelo menos uma praia de Montecarlo — Eu comentei, retirando o cinto e ela sorriu, pegando sua bolsa, saímos do carro em direção as cabines fixas com banheiros para se trocar e eu a acompanhei.
Menos de cinco minutos depois, caminhamos em direção à praia, estava simplesmente maravilhosa, vestia um biquini relativamente curto, rosa e chamava a atenção de alguns caras que observavam de longe, bufei irritado, disfarçando meu rolar de olhos com meu óculos de sol. A mulher não parecia estar prestando a atenção a isso, caminhava contando mais sobre algumas praias do Brasil e observava tudo atentamente. Ela estendeu uma canga colorida sobre a areia e nós dois nos sentamos, observando o movimento da praia naquele horário e atentos ao barulho do mar. Meu queixo ainda estava caído, observando o corpo da mulher muito próximo do meu, ela se apoiou com os cotovelos, ficando meio deitada, colocou o óculos de sol, balançando a cabeça, parecia relaxada e feliz e a visão dela daquela forma, demoraria para sair da minha cabeça, eu ainda estava estático, a observando.
—Eu estou completamente encantada, esse lugar é lindo —Ela comentou, voltando seu olhar para o meu, engoli em seco, disfarçando meu olhar de volta para o mar.
—É sim, uma das praias mais bonitas da região — Comentei, apoiando meus braços no meu joelho e olhando para frente.
—No Brasil a gente tem praias incríveis, mas isso aqui também é muito lindo —Ela contava mais sobre algumas praias e regiões do país e eu sorria, animado para conhecer com ela.
—Você poderia me levar para conhecer, quando formos para lá —Eu comentei, sem graça e ela voltou a se sentar, me olhando.
—Um dia, quem sabe —Ela comentou, dando de ombros.
—É sério? —Eu perguntei, genuinamente feliz.
—Sim, por que não —Ela respondeu, rindo —Tem muitos lugares que nem eu conheço, seria legal visitar com você.
—Olha que eu vou cobrar —Comentei rindo e ela gargalhou, concordando com a cabeça.
—Tenho certeza que sim —Ela riu e eu a empurrei com os ombros —Vem, vamos entrar no mar.
—Ah não, eu não estou com vontade não — Comentei assim que ela se levantou, parando na minha frente e precisei subir meu olhar até seu rosto, desenhei cada parte de seu corpo, que parecia esculpido, como uma obra de arte bem desenhada.
—Ei, meus olhos estão aqui em cima — Ela comentou, estralando o dedo e chamando minha atenção.
—Desculpe, mas não pode me culpar —Eu comentei, sorrindo safado e ela negou com a cabeça, sem graça.
—Para de graça e vamos no mar —Ela pediu, me olhando e me cutucando enquanto eu ria —Para de ser velho ranzinza Lewis, olha esse mar...Nós viemos aqui para aproveitar— Ela disse, me abandonando e caminhando em direção ao mar. A olhei, rindo e negando com a cabeça, aquela mulher tinha muito poder sobre mim, eu não poderia negar, corri em sua direção e a peguei no colo, colocando seu corpo sobre meu ombro direito e ouvindo seus protestos enquanto eu gargalhava.
—LEWIS HAMILTON ME COLOCA NO CHÃO AGORA! — Ela batia nas minhas costas, mas ria enquanto algumas pessoas nos observava. Fui caminhando com ela até a água chegar na cintura e finalmente a joguei no mar —Você é ridículo.
—Quem é o velho agora em mocinha? — Perguntei, abraçando a mulher por trás e fazia cócegas, ouvia ela gargalhar enquanto se debatia sobre meu corpo. Aquilo parecia como droga para meu organismo, uma dose de serotonina que meu corpo precisava para ficar bem. Paramos ao mesmo tempo, ficamos nos encarando em silêncio e de repente mais nada importava.
—Lewis o que está fazendo? — perguntou já de desvencilhando dos meus braços e desviando o olhar.
—Fala que você também não sentiu a mesma coisa que eu nesse momento? — Perguntei sério, enquanto por dentro estava ansioso por sua resposta, ela suspirou, colocando a mão na cintura e olhando para a pequena onda que nos cortava.
—Não é sobre isso Lewis, prometemos que manteríamos uma amizade e eu já te disse sobre limites, não pode fazer isso aqui, na praia e na frente de todos — Respondeu, apontando ao nosso redor mas ninguém parecia se importar com nós dois ali, a praia estava relativamente vazia e as pessoas que estavam ali não pareciam se importar com a nossa presença.
—Essa é uma preocupação apenas sua , como podemos reparar ninguém se importa com a nossa presença — Bufei jogando uma água no rosto e agora me agachando para molhar meu corpo para dissipar todos aqueles mistos de sensações — E a questão aqui não é essa, você fugiu da minha pergunta então vou levar como um “sim Lewis, eu também senti as mesmas coisas”. Você pediu que fossemos amigos e eu aceitei mas não pode impedir isso que acontece entre nós — Apontei para nós dois enquanto a mesma me imitava e se abaixava para molhar todo o corpo —Aconteça, mesmo que você tente, no fundo sabe que é impossível.
—Sabe que não é isso Lewis, basta um vídeo, uma foto e a minha carreira está acabada e a sua pode ficar totalmente comprometida — Ela me respondeu triste, suspirando —Acho melhor nosso passeio acabar por aqui, estou muito cansada e prometi ao Daniel que jantaria com ele e alguns amigos em um restaurante — E sem dizer mais nada, me deu as costas, voltando para a areia, bufei frustrado e mergulhei para esfriar a cabeça, antes de voltar para ela.
Quando voltei para terra firme, a mulher se secava e colocava seu vestido, me passou a toalha em silêncio, puxou o tecido da areia, dobrando e guardando em uma sacola, eu observei, me sentindo impotente e sem graça. O caminho de volta até em casa foi totalmente diferente de mais cedo, ao meu lado, não dirigiu uma palavra a mim e não fez nem questão de ligar sua playlist. Para dissipar o clima pesado presente entre nós, liguei o rádio no mesmo instante que Girls Like You (Marrom 5 e Cardi B) tocava, estávamos na metade do caminho quando meu celular tocou, parei no semáforo e atendi, ouvindo atentamente meu empresário, que contava sobre uma nova campanha que eu teria que participar nos próximos dias, desliguei em poucos minutos e suspirei.
—Vou precisar viajar para Nova York nos próximos três dias, eu sinto muito que nosso passeio tenha terminado desse jeito — Eu contei, voltando a prestar atenção no trânsito a minha frente que havia aumentado consideravelmente devido ao horário — Eu sei que disse mais cedo que não aconteceria mais, só que é impossível quando você nega o que está estampado para nós dois.
—Eu nunca neguei Lewis, mas já disse que não é tão simples assim — Ela suspirou, mexendo freneticamente em seus dedos, parecendo nervosa e agora observando a vista pela janela — Para você pode até parecer ser, mas entenda que eu estou começando minha carreira em algo grande agora e não posso arriscar tudo isso porque estou gostando de um piloto, ser mulher e trabalhar nesse meio tão machista já é muito difícil, agora consegue imaginar se eu estivesse namorando um piloto, como me taxariam, duvidariam da minha capacidade e da posição que eu conquistei? Você consegue imaginar?
—Eu sei como esse mundo pode ser preconceituoso, não se esqueça que sou o único piloto negro da categoria — Respondi e a mulher pediu desculpas, sem graça —Só acho que você não seria taxada de coisa nenhuma já que batalhou muito para chegar aonde está e se você sabe disso, nada mais importa. Deixe que falem, você sabe o caminho que percorreu.
—Deus sabe como eu queria que fosse tão simples assim —Ela comentou, negando com a cabeça e passando a mão sobre as pernas —Mas o mundo não é justo Lewis, nós dois sabemos como eles podem massacrar e não quero me afastar de você e muito menos perder esse emprego.
—Eu entendo, não vou te perturbar mais com essa história ok? Você tem razão, eu não consigo compreender como é ser mulher e ter que lidar com esse mundo tão machista, mas não se esqueça eu também tenho minhas lutas e enfrento todas de frente e de cabeça erguida — Eu respondi, a olhando e me permitindo segurar sua mão enquanto eu dirigia.
—Eu sei e te admiro demais por isso — Ela sorriu, fazendo carinho na mão que estava entrelaçada com a minha —Me desculpe se de alguma forma eu te feri.
—Tudo bem, não me feriu darling — Respondi enquanto entrávamos no condomínio em direção a casa dela — Uma pena que não vamos poder nos ver nos próximos dias, essa campanha veio de última hora e vou precisar correr para Nova York, ainda hoje.
—Não tem problema, até porque hoje foi incrível e eu já te enchi a paciência o dia todo então imagino que esse compromisso seja desculpa para fugir de mim —Ela riu e eu gargalhei, negando com a cabeça, observando-a ajeitar a bolsa e pegar a chave de casa que Daniel deixou para ela.
—Eu nunca me canso de você , mesmo que tente se afastar eu não iria para lugar nenhum — Ela sorriu sem graça e eu acompanhei seu olhar tímido em direção as nossas mãos entrelaçadas — Eu realmente amei nosso dia e espero que tenha gostado do passeio — respondi assim que parei o veículo em frente à residência e ela se virou em minha direção após retirar o cinto.
—Você está brincando? Eu amei todos os lugares, sua companhia, a refeição — Ela comentava, sorrindo e numerando com os dedos cada lugar que conhecemos — E meu Deus, eu conheci um príncipe de verdade, quer dizer, não só conheci, como também visitei sua residência e tomei café da tarde com ele... não poderia ser mais perfeito Lewis, muito obrigada!
—Não tem de que, eu que agradeço a companhia e por ter me dado a honra de sua presença, senhorita —Fiz uma graça enquanto pegava sua mão e beijava o dorso com delicadeza.
—Para de graça homem, quer me deixar ainda mais envergonhada? —Ela respondeu, soltando a mão e dando um tapa em minha perna.
—Essa é sempre a minha intenção, mon amour — Nós dois rimos e ficamos mais alguns minutos conversando sobre algumas impressões daquele dia até que ela suspirou cansada.
—Eu preciso ir agora Lewis, mas muito obrigada por tudo e novamente me desculpe ok? Espero que dê tudo certo nesses próximos dias em Nova York e que você consiga voltar a tempo para a festa do Ricciardo no final de semana — Ela me abraçou rapidamente, deixando um beijo na minha bochecha e saindo do veículo, observei entrar em casa e só dei partida quando a mesma fechou a porta.
Deixei a casa dela, com uma sensação ruim, de ter deixado algo que me pertencia para trás, eu realmente não queria viajar, queria ficar o restante dos dias com ela, aproveitar sua companhia e fugir para o meio do mar, no meu iate. Sabia que ela ficaria bem com o Daniel e seus amigos nos próximos dias, apesar de não confiar muito neles, se eu conhecia bem aqueles amigos, ficariam de graça para cima dela e me atormentaria pelos próximos dias. Fiz uma nota mental de voltar a tempo da festa, independentemente de qualquer coisa, estaria lá por ela, então poderíamos aproveitar juntos e quem sabe, poderíamos nos resolver. Entrei em meu apartamento, encontrando Ângela, meus seguranças e meu empresário me aguardando, minha mala já estava feita e o grupo me esperava para um banho, antes de partimos para os Estados Unidos. Fiz um carinho e brinquei um pouco com Roscoe e depois de uma hora e meia estávamos a caminho do aeroporto para pegarmos o jatinho que nos levaria até a cidade.
Era começo da madrugada quando chegamos a cidade, um carro foi disponibilizado para nos buscar e nos levar até meu apartamento. A alguns anos atrás percebi a necessidade de adquirir um imóvel no país, devido a agenda de trabalhos que eu cumpria por ali, o lugar possuía uma linda vista para o Central Park e ficava no quarteirão mais caro da cidade, um ponto estratégico para mim e minha equipe. Deitei na cama, cansado depois de um longo e divertido dia, pensei na assistente que ficou a milhares de quilômetros de mim, se já estaria dormindo e se estava bem, peguei meu telefone, respondendo algumas mensagens e abri o Instagram, postando algumas fotos do dia, postei a selfie que tirei no alto do Exotic Garden e logo depois bloqueei o aparelho, o deixando de lado e dormindo rapidamente.

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~ POV~
Meu primeiro dia em Monaco não poderia ser mais incrível. Lewis havia me levado para conhecer lugares lindos, eu havia conhecido o príncipe de Mônaco e ainda pude desfrutar de uma praia paradisíaca da região. Confesso que quando propôs ontem esse passeio não tinha noção nenhuma de onde ele poderia me levar, principalmente quando mandou eu levar um biquíni, Daniel até cogitou que fosse um passeio de barco, já que segundo ele o inglês possuía um dos maiores iates da região. Não me surpreendi com esse fato, Lewis realmente tinha dinheiro e para esse povo rico e da região era normal ter barcos para passar as férias.
Quando ele pagou meus ingressos no aquário meu sangue ferveu, eu poderia não ter condições para ficar indo e vindo para Mônaco sempre que quisesse, mas eu poderia bancar meus passeios ou almoço sem depender do grande milionário Lewis Hamilton. No almoço fiz questão de dividir a conta para mostrá-lo que não preciso do dinheiro dele e ainda paguei a taxa ao garçom. O passeio todo foi bem, tranquilo, apesar das pequenas discussões que tivemos, conseguimos aproveitar bem o passeio. É claro que eu precisei lidar com todo meu autocontrole quando as malditas borboletas reapareceram quando segurei sua mão e eu pude sentir um leve carinho que ele começou a fazer com os seus dedos ou quando me segurou pela cintura, me abraçando e suas mãos tocaram meu corpo para fazer cócegas. Àquela altura eu nem sei mais para quem eu estava tentando disfarçar, Lewis mexia comigo, mas não era tão simples assim, Daniel insistia na história que eu estava tentando me enganar porque já estava estampado em nossa cara que nos gostávamos. Eu não concordava.
Depois daquele momento na praia, pedi que fossemos embora pois não era fácil lidar com aquele turbilhão de sentimentos que rondavam nós dois quando ficávamos nos olhando daquele jeito. A Fórmula 1 é um mundo muito machista, não quero ser taxada como mulher de piloto, que eu só cheguei aonde eu cheguei porque um homem me ajudou, eu tinha planos bem estabelecidos para os próximos anos: Ser assistente, subir de cargo para chefe de comunicação e liderar uma equipe dentro do time e começar a me relacionar com um piloto poderia atrapalhar todos meus planos profissionais. Se eu me relacionasse com o Lewis eu ainda teria meu emprego dentro de qualquer equipe sem colocar minha capacidade a prova?
Me despedi de Lewis, com um sentimento mais leve por termos nos resolvido e quando entrei em casa o lugar estava um completo silêncio, provavelmente os funcionários já haviam ido embora e o dono do lugar ainda não havia chegado. Subi as escadas indo direto para meu quarto, mandando mensagem durante o caminho para saber se Daniel ia demorar e se ainda íamos jantarmos fora, não esperei pela resposta, larguei meus pertences em cima da cama e fui direto pra o banho, tirando toda a área e água da praia do corpo. Vinte minutos depois, sai do banho com a toalha no cabelo e o roupão felpudo branco e me deitei, pegando o celular e respondendo a mensagem do piloto que havia informado que já estava chegando e que ainda iriamos jantar fora com seus amigos. Respondi algumas mensagens e depois fui olhar meu Instagram, curtindo alguns comentários e respondendo alguns stories até atualizar o feed e me deparar com o carrossel de fotos que Lewis havia postado a menos de uma hora, havia diversas fotos daquele dia e as duas últimas me surpreenderam.
A penúltima foto era o pequeno e delicado chaveiro que eu havia dado de presente para ele e estava sobre a palma de sua mão e a segunda era uma selfie dele no alto do Exotic Garden e ao fundo estava a linda vista da cidade, porém o que chamava a atenção era algumas pessoas que estavam no cenário e eu era uma delas, eu sorria tirando uma selfie que eu nem me lembrava, mas como se fosse proposital, ele havia tirado aquela foto e postado em sua rede social, talvez não tenha percebido, havia gostado da foto e postou, eu não sei, mas aquilo poderia ser ruim, e se relacionassem nós dois juntos durante aquele passeio. Eu tomei cuidado, não me aproximava quando estávamos no meio das pessoas e evitava qualquer tipo de contato, claro que quando tirei as selfies com ele não havia ninguém por ali no momento e não havia postado, iria guardar para mim. Mas, foi impossível não sorrir, Lewis havia postado sobre nosso passeio, ele havia gostado assim como eu, e sentia-se seguro, a vontade para isso, curti a foto e de repente levei um susto quando Daniel abriu a porta, se jogando na cama e perguntando sobre o meu dia. Ficamos um tempo conversando enquanto eu me arrumava e Daniel ouvia atentamente, aconselhava e fazia suas típicas piadas sobre nós dois sermos um casal, eu ria e jogava um travesseiro nele e duas horas depois nós saímos em direção ao restaurante, onde seus amigos já nos esperavam.





Continua...



Nota da autora: Oi, pessoal, estou muito feliz que estejam gostando da história. Meu amor por livros e automobilismo me trouxeram até aqui e estou muito feliz por estarem curtindo e lendo Flying Lap. Estamos entrando em uma fase muito boa da história e por isso deem uma chance para esse capítulo, o cerco está se fechando para o nosso casal favorito? Quando eles vão ficar juntos? O que vai rolar nesse passeio por Mônaco? Deve ser difícil para a ver todos esses casais se dando bem e a coitada na friendzone com o Lewis, mas gente quem deixa aquele homem na friendzone? O próximo capítulo é todinho do nosso casal principal e vai ser babadeiro meus amores.
Ah agora nós temos uma comunidade no instagram, por lá divulgo todas as novidades e spoilers do que está por vir. Segue lá.



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