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Última atualização: 15/05/2021

I — Our First Winter

— A cama é grande o suficiente para nós dois, Cap. Vamos fazer funcionar.
Steve Rogers engoliu em seco, mesmo forçando-se a concordar com as palavras da agente. Foi um susto quando ela abriu a porta da cobertura para ele, sua aparência irreconhecível a ponto de fazê-lo dar para trás ao imaginar ter tocado a campainha errada. O Vingador havia terminado uma missão com Bucky Barnes e a Agente Romanoff, mas foi escalado para aguardar contato e resgate em Paris. Os pombinhos decidiram tirar alguns dias da licença no Vale Mossele na Alemanha e depois embarcaram de Luxemburgo. Foi Maria Hill quem instruiu o soldado a encontrar a mulher no Hotel de Crillon em Paris, para que juntos pudessem retornar para Nova Iorque sem gastar o combustível de dois Quinjets separados.
Todos os encontros, deslocamentos e decisões foram tomadas de maneira desordenada e no último minuto, portanto tarde demais para que um quarto fosse reservado para Rogers na temporada mais desejada do ano, todos os detalhes culminando para que dividissem o quarto durante a noite antes de partirem na manhã da Véspera de Natal. Mas o problema começava e terminava na king size unitária do quarto. O Capitão Rogers imediatamente se ofereceu para dormir no sofá próximo a sacada, mas a Agente Edwards se recusou no mesmo instante.
— Não é justo que se encolha em um sofázinho quando tem uma cama enorme, Steve. — apontou com o queixo enquanto removia os próprios pertences da mesa de cabeceira que o ofereceu. — Tenho certeza de que deve estar ferido. E estaria ainda mais se Nat não estivesse com vocês.
Dando as costas para a amiga, Steve removeu a jaqueta e a camisa, ainda que os olhos curiosos dela não houvessem se desviado dele e agora trilhassem seus ombros e descessem para a curva de sua cintura, absorvendo o poder de cada músculo a mostra. Edwards estava deliciando-se com a vista até flagrar o hematoma em suas costelas esquerdas. Estava cianótico ao ponto de até mesmo ser violeta contra a pele alheia.
— Steve, o que aconteceu com você? — silvou, atravessando o quarto de hotel descalça para dedilhar a pele macia e tensa ao redor do ferimento. O Capitão estremeceu com o toque, mas não se moveu quando ela desceu a palma para baixo dele, descansando contra o quadril do soldado e com o dedão acariciando a sombra do machucado enquanto internamente xingava o bastardo que havia o ferido daquela maneira. Não que precisasse, claro; Rogers já devia ter quebrado o pescoço do idiota.
Edwards e Steve Rogers eram o combo favorito da SHIELD. A Agente Edwards era considerada um fantasma na Organização, assim como Natasha Romanoff também era antes de ingressar nos Vingadores de cabeça e abandonar qualquer ligação que possuísse com a espionagem. Mas era , em especial, que mantinha a SHIELD alicerçada em todo o mundo até o ano de 2012, quando encontraram Steve Rogers em um bloco de gelo no Ártico. A este ponto, a jovem oficial havia sido indicada por Nick Fury para manter o herói vivo e auxiliá-lo a adaptar-se à vida no Século XXI.
— Havia mais soldados do que eu esperava — a montanha de homem contou a ela, mãos entrelaçadas na frente do próprio corpo para que Edwards pudesse analisar seu machucado sem interrupções que a deixariam irritada. Steve correu a língua pelos lábios ao tentar lembrar-se do que havia acontecido após chegarem às instalações da HYDRA. — Buck estava preso no esquadrão sete e a Romanoff na sala de máquinas. Então escapei pela janela. — Rogers riu dolorido quando a costela quebrada se moveu. — Aterrissei errado.
— Não imaginei que pularia pela janela, Steve... — O Vingador sentiu uma dor física quando ouviu a resposta de , o som miúdo quando sabia que ela gostaria de soar irônica para lhe provocar. Era sua maior diversão comentar que essa era a única coisa que Steve conseguia fazer direito: pular de janelas. Isso se não adicionasse que também era o melhor em lançar frisbees. — Estou tão surpresa...
— Vai sumir em alguns dias — ele garantiu para a mais baixa, ciente da preocupação entrelaçada na voz dela igual a todas as vezes em que se machucava. — Estará curado até o ano novo. Juro. — Rogers pousou a mão maior sobre a destra pequena de acima do osso de seu quadril, entrelaçando os dedos nos dela para silenciosamente agradecer-lhe pela preocupação e confortá-la em troco.
O super-soldado sentia que devia mais explicações do que deveria para a Agente Edwards. Foi ela quem lhe contou sobre a vida no novo mundo e o ajudou a dar cada passo nos anos seguintes. o tinha ensinado sobre a televisão, onde filmes eram transmitidos da mesma forma que nos cinemas dos anos quarenta, jornais digitais nas pontas dos dedos dele em um aparelho minúsculo e o micro-ondas. Quem contasse ao avô de Edwards que o herói de suas histórias de guerra teria tanto medo de um micro-ondas, ah, levaria um soco. Ele sabia que era apenas um plano de Nick Fury para mantê-lo na linha, mas não conseguiu evitar tornar-se amigo da mulher. havia cumprido com a nova missão e mudou-se para o apartamento no Brooklyn com alguns outros agentes que permaneceriam por perto do Capitão por certo tempo, toda uma operação secreta sendo organizada nos arredores do herói.
E, para a surpresa dos dois, foi bom.
O casal de amigos permaneceu em silêncio por severos momentos, mãos entrelaçadas com o corpo de quase pressionado nas costas de Steven. Não era algo novo, afinal, desde Thanos, sempre acabavam em momentos íntimos assim quando menos esperavam, mas nunca planejaram dar um fim à coincidência. lembrava-se de tudo antes de virar pó em Wakanda. Da guerra contra Tony Stark na Alemanha para salvar Bucky Barnes de um destino desafortunado. Lembrava-se de passar dois anos fugindo com Rogers, Nat, Sam e Wanda. De motéis mofentos e clareiras em florestas. A glória da SHIELD destruída e sua história servindo de inspiração para os agentes restantes evitarem unir-se ao Capitão América. Porém, a Agente Edwards não podia evitar: estava presa com Rogers e não o deixaria seguir sozinho.
— Edwards? — A voz de Maria Hill soou pelo cômodo, atraindo a atenção dos dois. — Agente Edwards?
largou a mão do amigo como se esta estivesse em brasa e, lutando contra o frio, zarpou para a sacada com o celular no ouvido.
Edwards havia gostado dele no primeiro momento que o conheceu após deixar a base da SHIELD em 2011. Rogers não era falador como Clint Barton ou exaustivo como Tony Stark. Sim, foi necessário muito para que ele confiasse nela, mas no fim dos quatro primeiros meses, o relacionamento tornou-se mais fácil. Ela comprava comida chinesa no restaurante abaixo do apartamento e o convidava para jantar, negando qualquer ajuda dele para pagar e a oferta de comerem separados, pois era tarde para uma dama encontrar-se com um homem com quem não tinha um relacionamento. Depois de um ano, Rogers entendeu que os tempos haviam mudado e era normal que jantassem juntos sem companhia de um irmão mais velho ou os pais de . Havia, ainda mais, aprendido que não deveria perguntar sobre a família dela. Fury a havia dado uma única missão: ganhar a confiança de Rogers e garantir que ele a visse como aliada e confiasse na SHIELD. Steve sabia, era óbvio. Se Fury estava sempre dois passos na frente dos outros, o Capitão América estava a um e meio.
— O Quinjet chegará às 08:00 amanhã. — Quando retornou para o quarto de hotel, Steve já havia vestido uma camisa e calças limpas. — Pelo visto, vamos poder celebrar a ceia com os Barton na fazenda.
— Então vamos ter tempo de dormir e ainda cortar uma lenha para a Laura. — Rogers lhe deu um meio sorriso com os dentes perfeitos, possivelmente nem percebendo o quão belo ficava ao fazer tal. — Você não me contou sobre a sua missão.
— Estou guardando o assunto para a viagem de volta. — também sorriu, colocando o celular na cabeceira. De onde estava, podia ver o rubor rosado no rosto de Steve.
Enquanto se retirava para terminar de se aprontar para dormir, Rogers encontrou-se pensando de maneira profunda sobre Edwards. Ela havia lutado ao seu lado em mais batalhas que sequer podia contar. Era sempre quem designavam para acompanhá-lo em missões, pois era a única que podia prever, em detalhes, as ações do herói; tal dinâmica tendo os mantido vivos e seguros em situações traiçoeiras como o despertar do Soldado Invernal. E se Bucky era digno de ele virar as costas para a Pátria Americana, a Agente Edwards era digna de seu completo esquecimento para com o mundo.
Steve sentiu vontade de partir ao meio os policiais que a prenderam na Alemanha após sua fuga com James Barnes. No caminho até a base da HYDRA, ele viu pelo sistema do Quinjet quando ela foi presa junto a Wanda Maximoff. Observou com atenção o rosto da amiga enquanto era algemada e não resistia, ciente que fazia o certo pelo bem de Bucky. Um mês depois, quando o Steven invadiu a cadeia no meio do Pacífico onde ela estava reclusa, não a reconheceu.
Todo o brilho no rosto de havia sumido. Estava cinzenta e fraca pela desnutrição, nada semelhante à mulher que o ajudou a salvar meio milhão de pessoas em Sokovia. Mas, ainda assim, ele reconheceu quando Edwards disse seu nome antes de desfalecer a caminho de Wakanda, onde foi tratada, e ele soube que seu compasso moral não seguia mais a SHIELD, e sim, ela.
Já ultrapassava a meia noite quando Steve Rogers tinha chegado ao hotel e já vestia seu pijama, apenas lhe restando trancar a porta para a sacada e fechar as cortinas pesadas antes de cair na cama macia. Mesmo com os olhos fechados e corpo tremendo pelo frio, ela sentiu o movimentar das molas da cama quando o soldado se deitou ao seu lado. E ainda que pudesse jurar estar na borda da cama, o ombro dele descansava sobre seu travesseiro e o braço tocava suas costas, pois Rogers dormia com a barriga para cima.
Erguendo-se da cama, o olhou no breu até perceber que não era a única na ponta da cama, só assim deixando escapar uma risada enquanto deitava-se outra vez.
— O quê? — O maior, bem maior, questionou com falsa curiosidade, mesmo ciente que ocupava 3/4 da cama sem dificuldade e com todos os membros grudados em si. Virando a face para a mulher, Steve franziu as sobrancelhas em confusão para provocá-la.
— Nada, Capitão. A cama só é menor que eu esperava, ou você é duas vezes maior.
— Então... — Rogers iniciou, sentindo um ardor pinicar suas orelhas. — Então eu posso ir me deitar no chão.
O movimento do soldado foi rápido, pronto para levantar-se devido ao embaraço. Este era o detalhe com Steven, sua falta de costume em ser massivo. Em sua mente, ainda tinha lapsos de sua estatura e forma anterior — miúdo e doente — quando poderia quebrar no meio como um lápis. Contudo, antes de sequer erguer-se da cama, a palma de encontrou a gola de sua camisa e o afundou no colchão, como um cinto de segurança que o impedia de se levantar. Ela tinha virado o rosto para ele, curvada na sua direção e com o nariz pressionado no bíceps de Steve, agora com o outro braço sobre o peito do homem. Edwards jurava que era pelo ferimento que não podia encostar na costela do amigo, mas ambos sabiam que era pelo tamanho considerável do herói.
— Não inventa, Rogers — a mulher murmurou, sua voz ainda grogue pela sonolência. Puxando o braço que mais se assemelhava a uma almofada rolo bem recheada, ela o abraçou, indiferente ao relógio de pulso alheio contra seu estômago. — Está frio e você está quentinho.
— Se-senti a sua falta na ofensiva — Steve sussurrou quando a tensão em seu corpo se dissipou, músculos relaxando e a mão direita curvando-se no antebraço ao seu redor, prendendo a si. O dedão não hesitou em acariciar a pele macia da agente. Aquilo não era algo que o homem dizia para qualquer um, já tendo inúmeras saudades acumuladas na longa vida, então a admissão no quarto escuro e quieto encorajou a sorrir contra ele.
Para ela, haviam sido sete anos até tornar-se nível 7 da SHIELD, desde seus breves dezenove. Anos cansativos e recompensadores que foram lançados ao vento no instante em que Steve Rogers precisou de seu apoio. A sua presença na fuga dele foi essencial, afinal, Tony Stark jamais imaginou que Edwards trairia a SHIELD ao ponto de precisar retirá-la do sistema de segurança do Quinjet. Ela tinha preparado e programado a aeronave para facilitar a fuga de Steven e James Barnes, ficando para trás e sem condições de fugir com Natasha devido aos ferimentos acumulados em batalha.
Por um mínimo instante, já se recuperando em Wakanda, pensou que conseguiria afogar a necessidade de seguir Steve até o fim, isso até o encontrar dormindo em uma cadeira de hospital ao seu lado. E, durante seu período de recuperação, tomou completa e total consciência da afeição mais que amigável sentida por Rogers. Então, rasgando a insígnia da organização de seu uniforme, se despediu de seu passado no lado “correto” da lei.
Havia algo em Steve que ela não conseguia identificar, algo que a atraía mais que qualquer coisa que outro homem ou mulher (não que Natasha Romanoff fosse saber da queda da colega) pudesse fazer. Claro, sua aparência era essencial a ser ressaltada. Um homem grande, bonito e forte. Era óbvio que contribuía para o pacote. Mas havia mais em Steve que isso, em especial sua generosidade, respeito, educação e todo o ar de "fazer o que é certo, mesmo que não pareça". Por dois anos, ele foi o maior rebelde conhecido pelo sistema americano e ainda continuou sendo uma das pessoas mais corretas e honradas que já tinha conhecido. Imaginou que tinha sido enganada a vida inteira para pensar que pessoas corretas e honradas eram as que seguiam as regras. Tony Stark e Steve Rogers provaram o contrário, quando o que realmente importou foi seguir o compasso moral no que é melhor para os outros e não as regras.
Ela estava caindo no sono quando Steve respirou fundo.
— Quando eu digo que senti sua falta, não foi só por esses dias que passaram — Havia muito mais em sua voz do que Edwards poderia identificar em seu estado de sonolência. O capitão expressou um anseio doloroso ao explicar-se depois de tanto tempo. — E sim...
— Eu sei — retrucou ao tomar consciência.
Os cinco anos em que ficou morta junto à metade da população mundial foram amargos para Steve. Cruéis e impiedosos com o seu subconsciente ao lembrá-lo de tudo o que podia ter feito para impedir que ela se fosse sem saber, pois a aleatoriedade do Snap era impossível de ser controlada. Ele a viu partindo em Wakanda, a ouviu gritar por Sam — que se foi segundos antes dela — antes de desfazer-se em poeira cósmica, o vento quente levando consigo qualquer rastro da vida de . A apagando da existência como se sua origem fosse um breve sonho febril, uma alucinação que lhe deu adeus sem saber total verdade.
Não suportava que estivesse ela morta e absorta do quanto significava para ele. Como a companhia dela o impedia de ceder à irracionalidade durante seus anos de fuga, como era bondosa, altruísta e como havia muito mais segurança no destino insólito e inseguro que seguiam que em toda a existência do tal Capitão América. Steve estava certo de que não o deixaria, que não renunciaria a ele e também que jamais faria o mesmo com ela. Infelizmente, o destino não foi gentil com o futuro que idealizava, os desviando vez ou outra para erros e falhas de coragem que o impediam de contar a ela a verdade sobre seus sentimentos.
Contar a ela que quase morreu quando ela se foi.
— Acha que um dia vamos ter o mesmo que eles? — A suavidade na voz de Steve foi intencional, então logo a mulher pôde notar que a pergunta o rondava há muito tempo, o comendo vivo até que a questionasse. Erguendo o queixo e apoiando-o no braço do Capitão, buscou os olhos dele, mas eles estavam fechados, os belos e longos cílios louros descansando sobre as maçãs do rosto.
— Eles quem? — Questionou confusa.
Por mais genial e estrategista que fosse, questões do coração passavam facilmente despercebidas pela mulher. Agindo da mesma forma lenta e compassada para não a assustar (ou a si mesmo pelo minuto inesperado de coragem), Steve ponderou as próximas palavras com cuidado.
— Nat e Bucky — explicou-se melhor, o dedo incansável no braço da amiga vacilando, toda a sua energia concentrada em montar um raciocínio coerente. — Eles são tão apaixonados que eu passei a semana inteira desviando um rifle da cabeça do Buck por não aguentar mais. — Steve riu pelo nariz, enquanto a face de se torcia em confusão, o coração acelerado contra as costelas. — Eles encontraram uma perspectiva nova de vida um com outro, encontraram seus parceiros para toda vida e eu pensei ter encontrado a minha, mas talvez nunca vá acontecer. — Ele tentou se manter calmo, mas conforme as palavras se derramavam de seus lábios, não podia mais impedi-las. Estava sem fôlego pela dor em suas costelas e o peso da admissão, mas já estava investido demais na confissão para dar fim a ela.
Não haveria mais volta.
— Só consigo pensar no quanto queria que fôssemos nós dois. Gostaria de parar no meio do dia e aparecer no seu escritório, não para tomar café, mas para te beijar. Ou tomar a droga do café com você de manhã... Estar com você de alguma forma, qualquer forma sem me importar que vai haver algo capaz de interromper os pequenos momentos que temos sorte de dividir. Ainda assim, isso nunca vai acontecer, vai? — Rogers gaguejou como jamais tinha o visto fazer, tímido e envergonhado pelos seus desejos. — Sempre vai ter algo para nos interromper e, aparentemente, eu nunca vou ser homem suficiente para tentar.
O instante que lhe custou para tomar uma lufada de ar, sentiu os olhos marejarem com a inocência dos sentimentos alheios. O reconhecimento tardio que não só ela, mas os dois haviam lutado com todas as forças disponíveis para manter os sentimentos distantes do coração no medo de arriscar a amizade que nutriam, antes de perceber que a dor em manter a distância era muito pior de lidar. Steven havia erguido a mão e pressionado na linha d'água dos olhos azuis, consciente do ardor salgado.
respirou por alguns segundos antes de se aproximar, movendo-se na cama com cuidado e pressionando o joelho entre as pernas entreabertas do Capitão. Tomando o máximo de cuidado possível, a agente se moveu mais próximo a ele até estar pressionada contra o peito do herói. Levando a mão para o rosto dele, Edwards pensou que seria mais um de seus sonhos com finais incoerentes, isso até encostar o dedão nas maçãs do rosto do maior, o curvando até encontrar os lábios que lhe chamavam atenção sempre que ele falava algo. Analisando com cuidado a expressão de Steven, os olhos apertados com força, mas o ar escapando por sua boca devagar. Um impulso fez as borboletas no estômago de a se revirarem.
— Steve?
O chamado foi baixo, mais suave que ele podia esperar e mais doce que pretendia soar. Ela gostaria de ser mais incisiva, de cobrar-lhe uma explicação pelo o que havia dito. Queria ter certeza de que não era uma brincadeira e que não iria ter o seu coração partido, mas confiava nele com os olhos fechados e sabia que Steven jamais diria algo desta natureza da boca para fora. Então, Rogers abriu os olhos cansados para ela. Olhos azuis cristalinos de Steven buscaram os dela na luz amarelada do quarto, essa que atravessava as cortinas e iluminava o rosto de como o sol da meia noite.
E nem em sua juventude fértil, ele podia ter imaginado alguém tão bela como ela o olhando desta forma, ou sequer próxima o suficiente para que ele sentisse o ar que ela respirava abanar seus próprios lábios. Edwards era jovem, mas não tão jovem, evidenciando os sete anos de diferença entre os dois quando descontados as décadas que ele passou no gelo. E o rosto dela era gentil e amoroso, mesmo nervoso e com uma trilha brilhante que ele não reconheceu de primeira, não até que o caminho se estendesse para o queixo e pingasse em sua camisa. Lágrimas. chorava por ele. Com os lábios trêmulos, ela fez um último pedido.
— Você pode tentar agora? — Implorou ela. — Por mim?
O oceano profundo dos olhos de Steven estava preenchido de medo, a espuma pálida de amor também se fazia presente enquanto buscava conforto no olhar da amada, como sempre fazia e encontrava em seus piores momentos. E então aguardou pelo inevitável. A interrupção. Maria Hill em mais uma ligação, o hotel explodindo abaixo deles ou um monstro surgindo do banheiro. Esperando que algo maligno a arrancasse dos braços dele ou que terminasse por acordar do sonho que já havia tido milhares de vezes mas nunca tinha visto o fim.
Mas a interrupção nunca veio.
— Steve, por favor... — O coração partido dela estava evidente no pedido.
sabia um milhão de pequenas coisas sobre Steve Rogers. Cores que o acalmavam, comidas que remetiam à infância dele e outros detalhes minúsculos sobre o homem, mas quando ele a beijou, mal lembrava-se do próprio nome. Ainda assim, a consciência de pertencimento era pertinente, ela sabia que estava no lugar certo. Steven agarrou a face dela entre ambas as mãos e foi como se as luzes douradas de Paris fossem licor escorrendo de seus lábios e a embriagando. nunca havia se perdido em um beijo daquela maneira, com o mundo ao seu redor explodindo de tal forma ao ponto de seu coração perder o passo e a distância entre os dois, mesmo que mínima, ainda ser dolorida. Ela imediatamente retribuiu o selar, ignorando o curto-circuito de sua mente e empunhando a camisa de Steven tão perto que suas costelas se chocavam ao respirarem um no outro.
Um saborear breve e temeroso dos lábios de fez Steve perceber o quão faminto estava por ela, pela doçura de sua boca e o calor que fluía em suas veias. Ele já havia amado antes, mas estas memórias estavam embaçadas em sua mente, substituídas por . Em sua boca, em sua garganta, peito e cada parte de seu corpo e mente. Ela infinitas vezes recobrindo os painéis de amores passados como um lençol em móveis velhos. não era seu primeiro amor, mas aquele único que fez todos os passados romances de Steve insignificantes se comparados. O sentimento não parecia ter um prazo de validade, mas souberam — mesmo já cientes há anos — que aguardavam um pelo outro.
Quando o beijo finalmente se encerrou e o ar pareceu rejeitável por eles, as mãos grandes de Steven estavam no cabelo dela e suas testas pressionadas os mantinham afastados pelo bem de seus pulmões. Lágrimas desesperadas cascatearam por ambas as faces, o rosto avermelhado dele expressando como também havia sido pego de surpresa por sua coragem e a reciprocidade inquestionável, mas nada seria capaz de conter os sorrisos estampados em seus rostos.
— Eu mudei de ideia. — Steve respirou contra a bochecha de , a segurando contra si mesmo com todo o cuidado que podia, agraciando a pele delicada dela com selar mais suave que conseguiu. Sentindo a força que a morena colocou para se afastar, o herói não hesitou em escorregar as mãos para a curva sutil da coluna dela, evitando estremecer de dor quando a palma de Edwards empurrou seu peito para baixo ao se esquecer do hematoma dele.
— Perdão? — questionou agilmente. Ainda assim, Rogers sorriu ao perceber a feição chocada dela. Um beijo rápido no queixo amaciou a voz da mulher, seu coração trêmulo ainda incrédulo com a situação em que se encontravam. — Steven Grant Rogers, o que exatamente você quer dizer? — Perguntou outra vez, uma risada nervosa soprada entre as palavras, começando a se questionar se a falta de sono e as longas missões estavam o fazendo perder a cabeça.
— Eu não quero o que Bucky e Nat tem. — A mão dele descansou contra a mandíbula da mulher, as pontas dos dedos perdidas no emaranhado de fios dela, lábios tão perto que ela podia respirar o ar que ele expirava. Os cantos da boca de Steve se curvaram em um sorriso amoroso, que derreteu o coração de quando sussurrou: — Quero o que nós dois temos.


II — Our First Spring — Part I

Alerta de Gatilho: Este capítulo contém menções de tentativa de estupro. Uma personagem irá se recordar de um momento como este e embora não aprofundado, pode ser gatilho para quem for sensível ao assunto. Desta forma, recomendo que a leitura seja interrompida neste capítulo para aqueles com sensibilidade ao tema.


— O homem que estamos procurando se chama Peter Antone.
Natasha Romanoff iniciou o briefing com a atenção de todos os Vingadores direcionada a ela. Dois toques na tela sobre a mesa foram o necessário para que a imagem de um homem iluminasse a sala de reuniões com um holograma azul, o sorriso ao posar ao lado do Presidente dos Estados Unidos sendo a última coisa que importava para eles. Tocando os lábios com a ponta dos dedos, respirou fundo o mais baixo que podia, evitando que mais alguém percebesse seu descontentamento com o homem que caçariam. Ela se envergonhava de sua falha em matar Antone uma década atrás. Desta forma, Steve Rogers, Bucky Barnes e Sam Wilson se uniram às duas mulheres para a reunião, o quinteto sendo responsável por encontrar Antone e o retornar para casa a fim de que seus atos terroristas e os crimes à Pátria fossem julgados em solo estadunidense.
— Ele é um embaixador americano na República Popular da Chernaya. — Romanoff selecionou outra opção e um globo terrestre diminuiu até focar na localização do pequeno país europeu. Dados como densidade biográfica e idioma surgindo. — A já fez várias escoltas com ele durante o período de libertação da Chernaya e era uma das agentes na estação da SHIELD em 2009. — Olhares atentos se voltaram para a agente, que se manteve séria com a situação. Já Steve Rogers, a olhava por outro motivo. — Contudo, com o desmantelamento da SHIELD, muitos dos agentes que ainda restaram foram abandonados. Sem salários e não mais vistos como cidadãos americanos; sem possibilidade de retorno. Muitos deixaram de ser saldados devido às dívidas do Fury com o Congresso. — desviou os olhos. — Quase todos se uniram a um general do exército Chernaniano.
Antes, a missão seria dividida entre Natasha e , então era sua vez.
— Esse general se chama Armand Petrov e foi treinado pela União Soviética — ela iniciou ao coçar a sobrancelha. — Eu o conheci em um dos voos do Antone para o continente depois de deixar as Ilhas de Treinamento da SHIELD. Pelo que conversei com outros ex-agentes que permaneceram em Chernaya, ele usou a maioria deles para incitar rebeliões e acabaram "perdendo" o Presidente Zawadski no oceano. — Sam Wilson suspirou com o termo utilizado. — Depois disso, muitos civis morreram e ele proclamou que o exército era o novo dono de tudo. Fazendas, negócios civis, fábricas e tudo o que quisesse, incluindo os donos. — contava os “bens” do exército nos dedos das mãos. — Além disso, muitas mulheres e crianças foram estupradas e forçadas a manter gestações de filhos de soldados para "restaurar" Chernaya.
O Capitão pigarreou quando ela terminou.
— Isso significa que, além de manter os olhos bem abertos para a HYDRA lá, temos que dar atenção ao exército. — Fora a vez de Rogers fechar os olhos pacientemente. Sabia pouco sobre Antone, mas sabia que teria de prendê-lo e, com sorte, Bucky daria um jeito no tal Armand Petrov se ele pedisse. Ainda assim, Peter era o seu alvo principal. — Não conseguiremos muito se prendermos Antone e formos cercados por Petrov.
— Sim, mas a parte boa é que o exército está focado em uma insurreição estudantil. Então não tem muito risco — Bucky comentou de onde caçava amêndoas em uma tigela com mix de castanhas.
— Rebobinem um pouco, gente... — Sam espreguiçou-se na cadeira onde estava e aproximou-se do centro da mesa onde todos olhavam para o holograma. — Chernaya é da HYDRA, certo? Toda a coisa com a Alemanha de Hitler e países próximos. Lembro que até mesmo estiveram em guerra com a França durante a época dos fósseis. — Ele apontou de Bucky Banes para Steve, recebendo suspiros dos dois em troca.
e Natasha balançaram as cabeças em sincronia.
— Na verdade, Sam, quem tem maior influência lá é o Red Room — Edwards tomou a liberdade de responder pela amiga. Todos ali conheciam a história de Natasha Romanoff com a organização e não havia motivos para que ela tivesse de falar sobre um período tão triste em sua vida. — Eles estavam há anos infiltrados em altos cargos militares e tentando destruir focos da HYDRA e da SHIELD para ajudar o Petrov a ascender politicamente. — Se ela se atentasse, perceberia que Steve a olhava de soslaio, atencioso para como conseguia ser eloquente mesmo ao trabalhar com algo que fosse sentimental. — O Red Room orquestrou muitos assassinatos e sequestros em busca de alavancar os sistemas que tinham.
Em meio à tensão palpável da sala, Natasha riu baixinho.
— Quer que eu peça desculpas de novo? — Sua mão pousou no ombro da outra agente, que lhe correspondeu com um sorriso cansado.
— Não. — Havia sinceridade na resposta de mesmo que fosse uma brincadeira costumeira das duas, muito semelhante à forma que Nat e Clint brigavam sobre um certo mata-leão em Budapest. — Foi bem divertido, para falar a verdade. Aquela chave de perna me fez questionar minha sexualidade, Nat.
Foi a vez de Bucky se pronunciar.
— Os namorados agradecem.

*


Dizer que os outros membros do time haviam ficado satisfeitos com o relacionamento de e Steven era um acerto. Sam Wilson fez uma careta apertada quando descobriu, logo tirando cinquenta dólares da carteira e entregando a James Barnes muito à contragosto, pois “O Rogers foi mais rápido que imaginei”. Já Natasha Romanoff e Wanda Maximoff, não hesitaram em envolver a Agente Edwards em abraços de urso que lhe esquentaram o rosto. As mudanças foram óbvias até mesmo para aqueles sem a sorte de receber a notícia de primeira mão. As auxiliares de limpeza do Complexo dos Vingadores comentavam que o Capitão Rogers vivia no escritório da Agente Edwards, as garçonetes da lanchonete morriam de amores pelos pedidos do soldado com o café extra e Tony Stark gargalhava em seu laboratório quando o super-soldado xingava sempre que derramava café quente nos dedos ao trotar pelos corredores. Tony já sabia, é claro. Sabia que Steve estava louco por Edwards logo em 2012, no porta-aviões da SHIELD, a seguindo como um cãozinho perdido enquanto caçavam Loki.
O que não sabia era que lhe custou quatro meses completos desde o primeiro beijo para criar coragem e arranjar tempo para convidá-la a um encontro decente a fim de oficializar e celebrar o relacionamento tão esperado. O Capitão Rogers ficou de pé frente ao espelho por quase quinze minutos depois da reunião, consertando o cabelo que havia crescido desde o último corte e acertando a barba o melhor que podia para manter o tamanho que havia se habituado a gostar. Seus ideais o forçavam a tentar estar com a melhor aparência para todas as ocasiões e isso incluía ter usado o pós-barba que Clint e Laura lhe presentearam no Natal, o perfume que Sam comprou e vestir a camisa azul escura da Armani que Tony o forçou a aceitar.
— Olá, doll! — Steven cumprimentou ao adentrar o escritório da namorada.
Namorada, pois não é como se ele não tivesse se colocado de joelhos na manhã de Natal e a pedido em namoro durante o café. tinha gargalhado do exagero enquanto passava geleia em um croissant, afinal não esperava que um pedido fosse prosseguir à confissão que os manteve acordados durante toda a noite. E então, com os dedos sujos de geleia e creamcheese, ela aceitou, tendo em mente os modos pelos quais Steven havia sido criado e como isso era normal nos anos quarenta e, além do mais, o quanto era adorável que ele se preocupasse em dar um título para a relação. Após anos namorando idiotas da SHIELD, estar com alguém que se importasse tanto com o compromisso do namoro era refrescante.
— Quando me chama de “doll”, faz parecer que eu estou namorando o meu avô, Rogers. — A mulher sorriu mesmo com o tom de gozação.
Se ele a achava a criatura mais linda a pôr os pés na Terra antes do relacionamento, a comodidade de a ver com outros olhos conseguia deixar Steve bobo pela beleza de . A mulher mantinha o cabelo preso como sempre e usava um óculos de leitura ao repassar a missão que teriam em poucas horas, as roupas sociais a deixando mais elegante que o normal. O capitão não pôde evitar um sorrisinho ao tomar um relance das unhas vermelhas da agente, movendo-se para conseguir sentar-se diante dela e entregar-lhe o latte que sabia ser o seu favorito. E a impressão que ela mantinha sobre ele também não escapava de tais moldes, sentindo-se sortuda pela simples aparência do namorado. já havia estado em alguns relacionamentos, mas não alguém como Steve, do tipo que chamaria atenção de todos mesmo usando jeans e camiseta.
Não podia evitar sentir-se junto a um supermodelo.
— Tecnicamente, seu avô e eu nascemos no mesmo ano, — murmurou o maior, bebericando o próprio café e com os olhos azuis cristalinos evidenciados pela xícara da mesma cor. fingiu vomitar na própria boca.
— Não acredito que estou namorando um velho e não estou ganhando um centavo a mais por isso. — balançou a cabeça e segurou a xícara enorme entre as duas mãos, as aquecendo na porcelana morna. — Obrigada pelo café, Cap.
tomou uma golada exagerada do líquido adocicado. Steven sabia exatamente as medidas do pedido rotineiro dela: leite de soja, dois shots de expresso e um cubo de açúcar. não evitou o sentimento morno em seu peito ao lembrar-se que este era um dos momentos que Steve lhe contou desejar dividir com ela, memórias da confissão dele meses atrás ainda reluzindo em sua mente como um caleidoscópio sempre que se sentavam para um café juntos. E agora ele estava em sua sala, finalizando uma xícara absurda que não fazia efeito algum em seu metabolismo acelerado, mas era a bebida favorita dela.
— Não que eu não goste de um cara bonito na minha sala só como decoração, mas o que você está fazendo aqui, Rogers? — Ondulando as sobrancelhas, a mulher não conteve o desejo de elogiá-lo e ver o rosto de Steve brilhar com rubor. — Devia estar com o Bucky escolhendo o arsenal para a missão. Eu o amo, mas ele acha ser possível salvar o mundo com um rifle de assalto.
O homem coçou a barba.
— Natasha pediu por uma Glock 19. — Iniciou a contagem do arsenal nos dedos, mantendo contato visual com em claro desafio. Isso se prolongava muito além do relacionamento dos dois, afinal um mísero equívoco em qualquer armamento poderia significar uma subsequente falha na missão. Um erro sequer era inaceitável. — Eu e Sam escolhemos Sauers. Bucky queria uma SAW automática. — Então, o rubor nas orelhas do herói se tornou mais óbvio. — Para você, uma HK45C com barril de supressor e uma MK13.
— Me armando até os dentes, pelo visto. — Apoiando o rosto nas mãos entrelaçadas, Edwards ponderou o exagero de Steven em lhe separar duas armas. Dando de ombros após um tempo, assentiu. A MK13 era a sua arma favorita de todos os tempos, então não se surpreendeu pelo acerto em cheio. — Gostei. — Balançou a cabeça para afastar o assunto, sentindo uma pontada de enxaqueca só de imaginar entrar novamente no Quinjet com Steve e seguir em direção a um campo de batalha onde ele poderia, ainda que dificilmente, se ferir. — Tem notícias sobre o Bru...
— Você quer ir a um encontro?
Oh, Bucky e Sam fariam da vida dele um inferno se soubessem que Steve estava segurando o pedido há tanto tempo que o fez dessa forma. Mas ele aproveitou a oportunidade antes de uma outra mudança de assunto. Havia pensado nisso a semana inteira e se não fizesse naquele instante, literalmente iria se socar mais tarde. Em algum momento em sua conversa interna e o nervosismo, ele perdeu o tato e se surpreendeu com a admiração estampada no rosto de . Claro que havia o filete de um sorriso no respirar confuso da mulher, mas o nervosismo o impediu de flagrá-lo. Steve engoliu em seco, desejando mais café ao não entender o motivo da confusão da namorada.
— Encontro? — sorriu com a face esquentando pelo pedido espontâneo.
Steve engoliu em seco com a surpresa dela. Imaginava que namoros eram assim.
— É, quero dizer... Entendo se não quiser ir, mas pensei que...
— Oh, não! Steve, eu adoraria a um encontro com você. — O posterior sorriso bobo se tornou uma risada embaraçada, um sentimento ansioso preocupando ao imaginar se havia reagido errado e o feito repensar o pedido. — Sou sua namorada, não sou? Claro que irei sair contigo. Só fiquei surpresa porque normalmente a pessoas vão a jantares e encontros antes de namorarem, querido — explicou-se melhor, deixando a xícara sobre a mesa. — Só casais mais... Românticos, eu diria, costumam manter essa tradição depois de um tempo.
Steven se sentiu um nível acima de todos os homens da modernidade.
— Bom, então não vamos ter problemas nessa parte, certo? — Disse simplesmente e arrancou um sorrisinho envergonhado dela. “Não, não vamos pelo visto” a Agente Edwards pensou. — Está livre amanhã? — Ele questionou, já certo de que aquele seria um dia perdido, pois partiriam para Chernaya dentro de algumas horas e sem previsão de volta.
assentiu, bebericando do café para ocultar o rosto rubro.
— Contanto que voltemos vivos amanhã pela manhã e eu possa tirar uma soneca merecida, você vai me ter das duas da tarde até quando quiser — ela respondeu, já imaginando quais seriam os planos de Steven para eles. — Minha única preocupação no momento é onde você vai me levar, Rogers. — semicerrou os olhos com humor.
O herói fingiu pensar.
— Terá de esperar para ver.
E revirou os olhos.
— Se jogarem uma granada em você hoje à noite, saiba que fui eu.

*


sentia-se perto de congelar só de onde estava na porta do Quinjet. Enquanto Nova Iorque experenciava uma primavera com dias longos e muito pólen, Chernaya permanecia em seu inverno eterno, muito abaixo do que seria considerado confortável para atacar um petroleiro militar. Havia uma altura média onde poderiam ficar antes da nave ser detectada pelo exército de Petrov, então um salto para o navio seria o adequado. Sam havia descido primeiro e iniciado voo ao redor do local, tentando usar Redwing para encontrar Antone. Somente tendo a exata localização do diplomata poderiam atacar, evitando assim que ele fosse alertado e fugisse. Sam se manteve em silêncio por mais um tempo antes de marcar uma localização com o drone, a câmera térmica indicando onde Peter estava e a distância de onde os outros quatro desceriam.
— Certo — Steve Roger suspirou pesadamente, o escudo preso em sua costa e braços musculosos cruzados sobre o peito. — Bucky e eu vamos pelo centro do deque na direção da superestrutura onde devem ter mais soldados e fazemos uma limpa. Sam, eu ainda preciso que fique vigiando o ponto de comando e avise se o Antone for levado. — virou-se para olhá-lo, o Capitão muito atento ao mapeamento feito por Wilson para perceber que a namorada estava mais concentrada em seu uniforme do que na missão. — Natasha e vão por estibordo por trás dos containers e pegam o Antone. Sam, tem como elas passarem por lá para chegarem ao centro de comando?
decorou sua missão enquanto admirava Rogers dando comandos para o time. O traje azul escuro e com detalhes em prata fora definitivamente feito para a furtividade, sendo liso e leve para ajudá-lo a se mover mais rápido, algo já comprovado em outras missões. Porém, o que mais atraía a Agente Edwards era como Steven conseguia tornar-se ainda mais espetacular o vestindo. Ela não se considerava muito fã de homens em uniformes militares até conhecer Rogers ou o ver usar o mesmo uniforme.
“Elas conseguem facinho. Tem uns oito soldados a estibordo, todos armados até os dentes.” Edwards ouviu a resposta de Sam Wilson no ponto em seu ouvido e olhou para Natasha, a ruiva dando de ombros sem importar-se com isso. “Mas os containers estão vazios, acho que já se livraram dos barris de petróleo, então não tem risco de causarem explosão.” deixou os cantos dos lábios caírem e recebeu um sorriso companheiro da Agente Romanoff. Bucky Barnes podia jurar que as duas eram alma-gêmeas em outra vida. “Nat e Vanilla Ice, se preparem que estou indo buscar vocês. Barnes, eu acho melhor você não ter almoçado, da última vez deixou minha asa empenada.”
— Sam, se conseguirem mover o Antone antes de chegarmos nele, você vai ter que pará-lo — informou ao calçar as luvas escuras, já tendo segurado no ponto por um tempo para poder ser ouvida. — Ele não pode sumir outra vez. Tiros nas panturrilhas ou nos joelhos seriam melhores. Ele só precisa estar vivo para o levarmos daqui, não completamente inteiro. Quanto aos ajudantes, não precisa matar, mas se quiser...
Wilson confirmou enquanto Bucky se movia para a ponta do Quinjet, segurando em uma alça no teto para pendurar-se e não cair. Natasha o acompanhou, a mão delicadamente nas costas do namorado que fez questão de lhe olhar uma última vez antes de ambos saltarem de mais de setenta metros de altura e confiarem na sorte de serem apanhados por Sam antes de atingirem o chão. Com o coração quente, segurou o sorriso que a cena tinha levado ao seu rosto, a felicidade de Natasha ao estar com alguém que amava sendo muito mais que podia pedir para a amiga. Ela não se surpreendeu quando sentiu o toque de Steve em seu braço quando apenas eles restaram na nave, Rogers ainda não completamente confortável com demonstrações públicas de carinho para fazer isso quando os outros estavam por perto.
— Se você quiser ficar, tem noção que ninguém vai se opor, não é? — Steve propôs, as mãos descansando no ombro dela e os lábios próximos ao cabelo preso.
tocou a mão dele e balançou a cabeça. No fundo, ela sabia que ele entendia o que estava acontecendo. Todos sabiam sobre a sua história em Chernaya e sobre como serviu a SHIELD e protegeu Antone por dois anos, mas apenas Steven sabia por que, diferente dos outros agentes que foram abandonados, ela fugiu para a América não muito antes da revolução.
Você não vai se opor porque sabe de tudo, Steve — respondeu com uma azia nervosa. — Nat, Bucky e Sam não sabem e é melhor assim. — se virou para o soldado loiro e segurou em seu rosto, ficando nas pontas dos pés para assim pressionar um selar casto nos lábios rosados dele. Ambos precisavam deste conforto. Ela para não dar para trás e ele para não quebrar o pescoço de Antone assim que o visse. — Vamos — chamou ao se afastar e apanhar a carabina que descansava em um banco. Steve passou a língua pelos lábios e assentiu, removendo o escudo do ombro quando a voz de Sam soou pelo seu ponto, avisando que chegaria em cinco segundos.
O casal caminhou até a porta da nave, contando dois segundos e então saltaram sem olhar para trás. A queda livre fez a adrenalina correr pelas veias de ambos enquanto o vento gelado das temperaturas invernais passava por eles com rapidez. Sam se aproximava na mesma velocidade e não precisou de muito para agarrar as mãos dos dois quando estavam apenas há dezesseis metros do chão, o solavanco necessário para o capitão avançar em e Wilson os soltar. Apoiando as costas da mulher com o braço onde estava o escudo de vibrânio, Steve levou uma mão para proteger a cabeça dela do impacto.
Quando atingiram o chão, ele rolou para não cair sobre e ambos bufaram em agradecimento ao som abafado. odiava quedas assim, mas de tantas vezes que acontecia, não havia muito o que fazer além de aguentar a dor nas costas pela pressão do escudo. Foi Bucky quem a ajudou a se levantar, cuidadoso para que não perdesse o equilíbrio assim como Rogers que ainda apoiava sua cabeça. Os dois soldados tinham a mania de tratar as namoradas como bonecas de porcelana, mesmo sabendo que ambas suportavam muito mais do que a aparência podia indicar. Mas o que elas poderiam fazer senão agradecer a gentileza?
Natasha aguardava por atrás dos containers como combinado, empunhando a Glock direcionada ao chão enquanto observava a movimentação dos soldados. Edwards confirmou as contas de Sam, analisando a distância entre eles antes de acenar para Natasha seguir em frente. Dando um tapinha na arma em sua coxa, pendurou a carabina nas costas antes de seguir a ruiva, uma sombra escura atravessando a visão periférica dela. parou e Natasha percebeu, ambas escondidas atrás de diferentes containers. Mesmo no total silêncio necessário para uma invasão bem-sucedida, a Agente Edwards podia ouvir um som emborrachado há alguns metros de distância e teve certeza ser de uma bota. Olhando para onde o som vinha, viu uma sombra masculina na curva de onde estava escondida.
— O que uma mulher tão bonita está fazendo em um lugar como esse?
virou-se para encarar o soldado atrás dela, este trajando um uniforme completo, porém sem arma de fogo nenhuma à vista. A mulher sorriu para ele e acenou com os dedos, a provocação levando-o a sacar uma faca militar e não hesitar em avançar na direção dela. Os golpes que tentou deferir em foram inúteis, apenas conseguindo que a agente treinada desse passos rápidos para trás a fim de desviar da lâmina direcionada ao seu estômago e atingisse o militar com golpes no rosto e peito. agarrou seu pulso quando ele conseguiu raspar seu uniforme, girando a mão do soldado ruivo e abaixando-se para agarrar atrás de seu joelho, utilizando da própria força do homem para derrubá-lo de costas e rolar por cima dele, empurrando a própria faca na direção de seu rosto rubro. O homem urrou de dor quando, tentando desviar-se dela, acabou com o joelho de Edwards lhe esmagando a área entre as pernas, distraindo-o o suficiente.
arrancou a pistola da perna, encaixou no papo do soldado e disparou.
— Eu vim trabalhar, bonitão.
Ela suspirou, dando um tapinha na bochecha do homem que fora morto em poucos segundos pelo tiro e se retirou de cima dele, confiscando a faca que poderia a ajudar. A agente a enfiou por baixo da manga do uniforme para sacá-la quando quisesse. O som do disparo havia atraído mais militares julgando pelo som de passos pesados avançando na direção dela e logo Natasha a encontrou, pisando no pé do homem antes de ficar de costas para a amiga.
— Tem quatro do meu lado e três do seu, mas como já matou um... — Romanoff jogou o cabelo sobre o ombro ao se preparar com um sorrisinho. — Vamos empatar. — Como esperado, quatro homens surgiram em frente a ela e três diante de , as metralhadoras empunhadas arregalando os olhos das mulheres.
ergueu as mãos assim como a ruiva, engolindo em seco. Um homem que estava apontando a arma para Nat ordenou que as levassem para o galpão no fim do petrolífero. As mãos da Agente Edwards já tremiam e ela não emitia som algum ao tê-las presas atrás das costas por um soldado que também a agarrou pelo pescoço. Outro colocou a mão em seu ombro para guiá-la para onde quisessem. Natasha não estava mais com ela, sendo escoltada pelo deque enquanto a outra era levada por trás. Edwards respirava com o peito contraído depois que tomaram sua carabina e conforme os homens a empurravam, o ar frio enchendo seu nariz até que algo semelhante um fungar lhe escapasse.
— Querida. — O loiro com a mão em seu ombro espalmou a palma imunda no peito de , a impedindo de caminhar e arrancando uma risada suja do outro. — Não devia estar aqui, devia? — O soldado que seguia na frente não deixou de andar, abrindo caminho até onde a mulher podia identificar ser o centro de controle de Antone. Desviando os olhos para o chão, ela balançou a cabeça quando ele tocou seu rosto, aproximando-se como um predador para tentar pousar um beijo na bochecha macia de . — Agora tem de lidar com as consequências como uma mocinha.
Quando o rosto do soldado estava próximo o suficiente, não poupou força alguma ao dar uma cabeçada nele e um chute no joelho do que a mantinha presa, sons grotescos de ossos quebrados pelo impacto a seguindo. O mais nojento que havia tentado lhe beijar cambaleou para trás com a mão no rosto ensanguentado enquanto seu parceiro arfou de dor e afrouxou o aperto em o suficiente para que todo o tremor em suas mãos permitisse que a faca escorregasse e ela agarrasse o cabo, usando da dor alheia para esquivar-se e atingir o homem no queixo com o osso pontudo do cotovelo. O golpe teve o efeito de um nocaute, o derrubando como uma saco de batatas. O loiro correu para agarrá-la pelo pescoço e a pressionou na parede de um container laranja.
— Sua vadia mal-educada! — Rosnou com o sangue borbulhando em sua boca e rosto vermelho de raiva, apertando os dedos com força na garganta da mulher que escondeu a faca de novo.
não custou para o atingir com o próprio antebraço para desestabilizar o aperto e dar uma cotovelada na têmpora do homem que espirrou sangue nela pelo susto. Ela sabia ser baixa e sem muita força física como Rogers e Barnes, então os cotovelos e joelhos eram a melhor forma de se defender se aliados à sua agilidade. Agarrando a gola do uniforme militar, a mulher o puxou em sua direção e enfiou a perna entre as dele, o derrubando enquanto ainda tentava recuperar-se do ataque e socou a cabeça dele contra a parede de concreto.
Ela ouviu o terceiro soldado gritar ordens no rádio ao correr e sacou a faca de onde estava, precisando de pouco para mirá-la e lançar no homem que lhe apontava a metralhadora. A lâmina se cravou no crânio dele e os tiros ecoaram quando seus dedos se flexionaram em um reflexo antes morrer, caindo de joelhos e então de cabeça no chão.
— Quem é a mocinha agora? — empurrou o militar ensanguentado para longe, o rosto coberto de sangue que ela havia provocado. Pressionando o dedo no ponto em seu ouvido, voltou a correr para onde Steve havia indicado, certa de que Natasha havia seguido com o mesmo teatrinho que ela. Não havia nada mais fácil que enganar homens como esses e isto tornava o trabalho mais divertido. — Nat?
“Chegando no ponto de comando!”
As agentes se encontraram em uma curva antes de voltarem a correr para o local onde Antone estaria. já sentia um calor se espalhando em seu corpo pela expectativa de vê-lo. Romanoff atirou nos quatro homens nas escadarias, abrindo espaço para que subisse e o prendesse, a ruiva descendo para o deque em seguida para encontrar-se com Rogers e Barnes e os três organizarem-se com Sam para levarem o diplomata. A Agente Edwards não hesitou em chutar a porta do escritório e fazer o homem gritar pelo susto.
Peter Antone era gordo e alto, com metade do rosto derretido como uma vela e cabelo preto demais para quem tinha a face tão caída. Seu terno estava estufado e a gravata solta enrolada na mão. Os papeis espalhados pela mesa e o chão estavam todos a caminho da lareira atrás dele, fumegante de tanto que havia sido alimentada com documentos que poderiam lhe incriminar como apoiador e parte da HYDRA. Agora ele olhava para como se visse um fantasma, mãos erguidas enquanto ela apontava uma arma em sua direção e não parecia ter dúvidas em atirar no caso de qualquer movimento. Edwards sempre foi uma das melhores agentes que já tinha visto em ação décadas atrás nas Ilhas da SHIELD e ele sabia que se ela atirasse, não erraria.
— Olá, Antone. — O peito de subia e descia com pesar.
A última vez em que tinha posto os olhos em Peter foi em circunstâncias muito distintas, sendo ele a ter a mão do momento. Ele havia tentado forçá-la contra sua mesa de escritório na Embaixada Americana, uma tentativa de estupro que resultou na face do criminoso enfiada nas brasas de sua outra lareira pela mulher de quem tentou se aproveitar e que agora mirava em sua testa. Horas depois do crime, Edwards entrou em um navio que atracou em Londres e fugiu de volta para Nova Iorque. E agora tinha a chance de fazer Antone pagar por seus crimes hediondos praticados em outras mulheres que não tiveram as mesma sorte que ela.
— Agente Edwards, por favor, tenha misericórdia! — O diplomata implorou, erguendo o pescoço magrelo que não combinava com a barriga enorme. Infelizmente, estava cega demais para perceber tal ligação. — Eu sinto muito! Eu admito ser do alto comando da HYDRA, mas... — tocou o lábio com o indicador e ele deixou algumas lágrimas escaparem, engolindo as palavras que iria proferir assim como um soluço grotesco.
chutou a cadeira onde ele se sentava para as chamas e Antone ganiu.
— Ainda tem medo de fogo? — Ela sorriu de lado, pendendo a cabeça para tomar os reflexos do fogo na pele suada dele, esta que havia queimado. — Chernaya é famosa pelas nozes torradas no fogo a lenha. Imagino ter sido difícil se adaptar. — Dando de ombros, se aproximou mais, pedindo ao céus que ele, ainda se borrando como o estuprador imundo que era, não percebesse o leve tremor de suas mãos. — Peter Antone, você está preso. Tem o direito de permanecer em silêncio. Se mover um dedo ou fizer alguma gracinha, eu estouro a sua cabeça. Ou o que restou dela.
Um baque soou atrás de , que sequer se moveu quando Steve Rogers lançou um outro soldado para dentro da sala como se fosse a coisa mais leve do mundo. A criatura pousou ao lado dela, o uniforme militar diferente de todos os outros alertando o seu ranking. O homem tentou se erguer e o escudo do Capitão América atingindo sua nuca o derrubou de novo antes de retornar para o dono.
— Boa noite — Steve cumprimentou com um sorriso falso. — Você está sob custódia dos Vingadores e da SHIELD, acusado de envolvimento com a rede terrorista HYDRA, conspiração e implicação na reforma política ditatorial Chernayana dentre outros crimes que lhe serão informados por seus advogados — a voz de Steve ressoou pelo escritório com o tom mais grave que conhecia, rouca pela força interna que o super-soldado fazia para não ser ele a matar Antone. Rogers conhecia a história de sua namorada e o predador que tentou violentá-la, suas luvas de couro chiando quando apertou as mãos em punhos para extravasar a raiva que lhe subia a cabeça.
Ele pousou os olhos no homem, certo de jamais esquecer seu rosto. Talvez o pior de tudo era que Peter Antone parecia uma pessoa normal, muito distante da imagem monstruosa que alguém como ele deveria ter para alertar os outros. O capitão odiou a dúzia de medalhas em seu terno, provando que além de embaixador, tinha uma patente militar muito alta. Uma certa medalha chamou a atenção do herói, torta como se algo por trás do paletó a empurrasse para se soltar. Voltando a encarar o rosto de Antone, a face magra demais para a barriga que sustentava, os olhos azuis de Steve correram todo seu corpo até perceber que ele mantinha o dedão curvado dentro na mão, em cima de um anel.
— M-me desculpem... Mas eles não vão me deixar ir... — Peter começou a lamuriar quando os olhos de seguiram para a mão dele, que tremia no ar. Ela abaixou a arma ao fazer a conexão do que tal “despedida” podia significar. A este ponto, Antone chorava como uma criança. — Eles vão me matar de qualquer jeito! — O homem gritou com a voz rasgada e deu para trás. Apesar do horror, ela sentia-se vingada pela agonia dele. — Vindo aqui, vocês me mataram! — Antone berrou ao curvar-se. A face dele estava rubra quando Steve agarrou a namorada pelo braço e a puxou para si. — Me perdoe, .

*


Steven sabia do que poderia salvar sua vida durante uma explosão. Sabia que precisava de reflexos rápidos acima de qualquer coisa, algo que ninguém consegue aprender sem prática. Ou tinha ou não tinha; a segunda opção sempre resultando em finais catastróficos. E ele podia se mover na velocidade do pensamento com facilidade. Isso tinha o mantido vivo por anos. A segunda coisa era entender que não seriam chamas e estilhaços a lhe matar, mas que manter todos os músculos tensos impediria a entrada de corpos estranhos e era muito necessário. A terceira coisa: no caso de uma queda, deveria soltar o corpo. A força de uma explosão podia estourar vasos e romper inúmeros ligamentos e órgãos pela pressão.
Mas ele não conseguiu fazer nada que deveria ter feito. Não quando seu corpo e escudo eram as únicas coisas capazes de proteger e impedir que Antone a ferisse outra vez.
Os dois tiveram tempo de saltar por uma janela de vidro antes que as bombas presas no peito do diplomata explodissem, Steve com os braços ao redor da amada e o escudo nas costas para tentar poupar sua coluna da queda, mesmo quando seu destino era o oceano que podia ser visto da janela de Antone. O casal despencou mais de vinte metros até atingirem a água congelante, junto a estilhaços da parte do petroleiro que explodiu com o criminoso. soltou-se do namorado quando imaginou que ia desmaiar sem ar e nadou para cima, tentando subir e encher os pulmões de oxigênio, sendo prontamente seguida para a superfície por Rogers.
“Onde diabos vocês dois estão? Barnes, Nat! Tentem encontrar eles!” Sam Wilson gritava no ponto enquanto Steve tentava alcançar e ajudá-la. Com o uniforme pesando, ele nadou até namorada, que afastava o cabelo molhado grudado no rosto ao tremer pelo susto e o frio intenso.
! — Rogers chamou e ela virou-se alarmada, finalmente o encontrando no breu do oceano congelante. Trêmula, a mulher esticou os braços e segurou-se nele, abraçando o soldado com força para agradecer o resgate e também por ele ter sobrevivido a explosão. — Eu sei, doll... — Steve tocou no cabelo de , seus próprios dedos quase congelados enquanto analisava o rosto dela. — Você está bem?
— Sim — a voz da Agente Edwards estava vibrando pelo frio que a envolvia, os lábios azul acinzentados enquanto assentia. — Estou bem. — Ela encostou o rosto no dele, respirando ofegante pelo gelo. — Sam? — Questionou com os dentes batendo e pernas ao redor de Rogers, nem ousando soltá-lo, pois o herói tinha um péssimo histórico com águas congeladas.
“Se os pombinhos acabaram de encenar Titanic, ‘tô aqui para ajudar!”
E ali estava Wilson, sobrevoando acima dos dois com uma careta.

*

— Quebrei o pescoço de um dos meus — Romanoff vangloriou-se ao subir o zíper da calça, rindo um pouco com a amiga. — Derrubei outro do terceiro andar.
No fim das contas, o soldado que matou com a faca militar acabou a acertando com um tiro de raspão e ela só foi perceber quando estava no Quinjet. Seu uniforme, criado por Tony Stark, conseguiu a proteger de qualquer dano, menos da dor que seguiu após Romanoff espirrar um spray abrasivo onde ela havia sido arranhada, o que acabou arrancando um silvar dolorido de dela. A Agente Edwards permaneceu abanando o local enquanto Natasha trocava de roupa, substituindo o cat-suit apertado por jeans e uma blusa escura. Ela mesma já havia se desfeito do uniforme molhado e vestido roupas secas, tendo sido arrastada por Natasha para o fundo da nave, onde havia um cômodo para descanso e os heróis guardavam trocas de roupas e malas emergenciais no caso de uma fuga ser necessária.
— Então eu ganhei de você. — balançou os ombros convencida ao puxar uma blusa de sua mala sobre um dos beliches. O tecido fino e a forma da roupa não iriam interferir com seu curativo. — Um tiro na cabeça, um nocauteado e outro com facada na testa. — Natasha sorriu, conhecendo Edwards o suficiente para saber que ela não brincava. A mulher se vestiu. — Essa ideia de fingir se entregar é ótima, Nat. Um até tentou me beijar, acredita? Quebrei o nariz dele. E a cabeça, quem sabe.
Assim que o cabelo de havia secado, ela copiou Natasha e seguiu para fora do alojamento para encontrar os outros e discutir a missão falha. Com Peter Antone morto e os documentos que o ligavam à HYDRA destruídos, havia muito em jogo. Todos sabiam que mortes iriam acontecer e a ONU também já estava ciente, afinal fazia parte do segundo Acordo de Sokovia que toda ação promovida pelos Vingadores passasse pelo Conselho de Segurança. Mas, sem provas, todos teriam muitas dores de cabeça quando a segunda-feira chegasse.
O Sargento Barnes estava caçando algo no frigobar quando ela chegou.
— Buck, tem alguma coisa doce? — questionou ao se sentar.
— Tem sim, gatinha. Espera aí — ele assentiu e enfiou o braço metálico no mini freezer, empurrando algumas coisas para atrás antes de tirar um iogurte grego e estendê-lo para ela junto com uma colherzinha plástica. — Pronto.
Steve olhou para a namorada, que suspirava ao pegar uma colherada do lanche e não teve coragem de iniciar a reunião. Ele já havia se trocado também, mesmo tendo certa tolerância ao frio. Após Paris, as roupas que usou na Cidade Luz haviam sido lavadas pelo time de Stark e devolvidas para o Quinjet no caso de outra emergência. De certa forma, sentiu-se sortudo em não precisar pensar em mais uma combinação de vestuário, a moda do século vinte e um já deveras difícil com tantas opções. A camisa cinza, os jeans escuros e sapatos marrons eram uma escolha fácil.
— Steve — Natasha chamou baixinho, pousando a mão no ombro dele. Rogers a olhou com a boca apertada, esforçando-se para desviar os olhos de . — A está cansada. Todos estamos — Nat suspirou. — Deixa a reunião para a segunda-feira, tá? Vamos só descansar por hoje.
Ele assentiu e caminhou até , sentada em um canto afastado dos outros enquanto raspava o pequeno pote de iogurte. Ela abriu um pequeno sorriso ao lhe ver e afastou-se um pouco, abrindo espaço para que ele também se sentasse em um dos bancos. Steve se aproximou, tentando mergulhar na presença de para esquecer-se da missão incompleta e o risco que correram nas mãos de Antone. Recusou-se a pensar o que poderia ter acontecido se não estivesse correndo por trás do posto de controle e visse um homem subindo para a impedir de matar o diplomata. Talvez ela não estivesse aqui, segurando sua mão e encostando o rosto em seu braço.
— Não acredito que o Antone se matou — sussurrou para o herói, que moveu o braço, o passando pelo ombro dela e a puxando para ainda mais perto. Como estava tarde e era Sam que pilotava o Quinjet, as luzes abaixaram; apenas marcas azuis brilhantes no chão e o painel de controle iluminando a nave. Bucky e Nat também haviam se retirado para um canto. — Eu ficaria feliz o jogando em uma cela insalubre e lançando a chave no mar, porém não queria que se matasse. Não devia ter acabado assim.
— Sei que não devia. — Steve beijou a mão de com carinho, a acariciando. Seu compasso moral lhe mandava concordar com ela, mas seu coração dizia o contrário. Uma morte horrível em uma explosão era exatamente o que alguém como Antone merecia. — Mas não sabemos se ele não tinha conhecidos nos tribunais, ou se ao menos serviria seu tempo na prisão por completo. De certa forma, e com todo o respeito a aqueles feridos direta ou indiretamente por ele, é bom que esteja morto. É uma garantia.
— Esse sentimento vai perdurar por um tempo, Steve... Acho que vou precisar entender — sussurrou, o olhando, buscando conforto também em seu toque ao descansar a cabeça no ombro dele. — Pelo menos tenho um bom namorado que vai me levar a um encontro amanhã. E talvez me encha de vinho para ajudar a esquecer. — Ela sorriu aberto para o super-soldado, não mais querendo pensar em Antone e como ele estaria queimando no Inferno após se explodir e tentar matá-los.
Steve beijou a mão dela de novo, assentindo.
— Como descobriu que era uma vinícola? — Questionou nem tão surpreso com a perspicácia de Edwards em descobrir para onde iriam em seu dia especial. Ela sorria novamente, cruzando as pernas após uma turbulência que fez Sam grunhir um “lata-velha” para a nave.
— Ontem, enquanto fazia macarronada para mim, seu celular vibrou e eu vi a notificação. — deu de ombros. — Domaine Laroche Vinícola e Pousada, se não estou enganada. E, sejamos sinceros, eu nunca estou. — Steve balançou a cabeça, segurando um sorriso com o rosto apertado naquela tentativa falha que sempre aquecia o coração da agente ao seu lado. — Corajoso dizer que tem trinta e nove anos, soldado. Felizmente a sua doll continua jovem e linda com vinte e nove e vai poder se embriagar com segurança. — fingiu jogar o cabelo sobre o ombro.
Rogers riu.
— Você tinha vinte oito antes do Snap — ele relembrou e os olhos da mulher saltaram. — Bem-vinda à casa dos trinta e três, doll.


Continua...



Nota da autora: Olá! Espero que todas estejam muito bem. Quero agradecer o carinho imenso que deram a Four Seasons, mesmo tendo só um capítulo. Até aparecemos no Mais Lidas! <3 Muito obrigada a todas que comentaram e o apoio que deram a mim e a fic. Essa aqui é a primeira parte de duas que vão contar sobre a primeira primavera da e do Steve e eu espero mesmo que tenham gostado. Prometo que vou me esforçar para a parte dois sair em breve! Ah, também gostaria de saber a opinião de você sobre essa breve amostra da história da . Já tinha alguns “headcanons” prontos sobre ela há um tempo e estou adiantando detalhes importantes. De novo, muito obrigada por todo o apoio <3
Não deixem de me procurar no Instagram (@autoraelis), também!
OBS: Peter Antone e toda a trama de Chernaya são originadas do Contos de Suspense #100 do Matthew Rosenberg. É uma história bem recente (2017) e eu recomendo demais a leitura! É uma edição especial do Gavião Arqueiro e Soldado Invernal, então tem Bucky Barnes e uma versão decente do Clint :)



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