FFOBS - I Bet The Destiny Like Us Two, por Déb Ribeiro

Última atualização: 07/03/2022

Capítulo 1



Meu despertador do celular tocou e eu acordei mais disposta do que nunca. Hoje será o dia de conhecer nossos calouros! Esse momento é um dos mais esperados na vida de cada veterano, que tem o prazer de dividir todos os resumos dos dois primeiros semestres da faculdade e agir como irmãos mais velhos.
A diferença entre um veterano e um calouro é clara. Enquanto o primeiro se arrasta pelo campus depois de um ano exaustivo, que teve um começo cheio de festas, novas relações e o entusiasmo de finalmente estar na faculdade e um fim que massacrou o universitário com inúmeros trabalhos e provas. Já o calouro ainda não teve o choque de realidade e vive em uma utopia. As novas faces por todos os lugares, as festas nas fraternidades e os jogos de integração fazem com que o pobre calouro acredite que a faculdade é como em um filme feito para adolescentes. E hoje era o dia de participar dessa utopia.
Os jogos de integração moviam a UCLA desde 1984. Todos os calouros sonhavam com aquele momento, assim como os veteranos queriam passar por essa experiência de novo, mas agora como a principal peça de cada dupla.
– Animada? – , minha colega de quarto e melhor amiga perguntou, enquanto trocava de roupa.
– Nem sei dizer o quanto, você sabe como eu amo conhecer gente nova! – respondi sorrindo, enquanto ia em direção ao banheiro.
Viver em uma fraternidade não era tão ruim como eu esperava. Os filmes nos passam uma ideia meio "errada" sobre a funcionalidade delas, óbvio que tinham festas em alguns momentos, mas não era uma bagunça sempre.
As fraternidades eram uma oportunidade pra famílias que não tinham tanta grana, como a minha, que ao invés de pagar caríssimo em um apartamento de quarenta metros quadrados no centro de Los Angeles, poderiam pagar três vezes menos para viver em uma fraternidade.
A Kappa Nu era tranquila. 9 meninas para 5 quartos. A hóspede mais antiga ficava com um quarto só pra ela quando a antiga dona do quarto se formava e ia embora, e depois éramos divididas em duplas.
e eu entramos no mesmo ano e fomos sorteadas para ficar no mesmo quarto. Depois de todo esse tempo com ela eu percebi que não poderia ter ficado com uma parceira melhor. era muito querida e totalmente despreocupada ao mesmo tempo. Ela não se importa se eu deixar meus sutiãs jogados pelo quarto e não reclama quando eu escuto todo o Fine Line em looping.
Acabamos nos aproximando mais ainda quando me arrastou para uma viagem de família com destino a Napoli, já que ela não era o tipo de filha que se dava bem com os pais. Ela era uma das únicas exceções da Kappa Nu, já que não precisava estar ali por falta de dinheiro, mas porque – segundo ela mesma – queria viver novas experiências.
Tomei um banho rápido e escolhi uma roupa mais arrumada do que o normal, já que queria dar uma boa primeira impressão para meus calouros. Escolhi uma calça jeans flare, com lavagem escura e de cintura alta para combinar com meu cropped branco. Calcei meu Vans plataforma porque queria parecer pelo menos um pouco mais alta do que realmente era e prendi apenas duas mechas frontais do meu cabelo.
Passei alguns produtos básicos de maquiagem como corretivo, máscara de cílios, contorno e iluminador para tentar diminuir minhas olheiras causadas por noites em claro revendo todas as temporadas de Brooklyn 99 e desci para comer alguma coisa.
– Bom dia, Chloe. – falei, tentando parecer o mais animada possível, já que eu não ia muito com a cara da hóspede mais antiga da fraternidade.
– Bom dia, . – respondeu de um jeito debochado, antes de servir uma xícara de café, que era apenas o que ela consumia até a hora do almoço.
Revirei os olhos e segui para o geladeira, pegando os ingredientes para fazer uma torrada pra mim e outra para . Chloe – felizmente – não permaneceu por muito tempo na cozinha e saiu saltitando em direção a sala falando o quanto estava ansiosa para conhecer os novos calouros, principalmente os bonitos. Palavras dela, não minhas.
Ri nasalado ao lembrar do surto de ciúmes que Greg teve ontem. Gregory Sulkin, meu namorado e capitão do time de futebol da UCLA, não gostava quando eu ficava perto de meninos, principalmente quando esses eram considerados bonitos. Ontem quando assistíamos a algum filme romântico qualquer, ele enfatizou o quanto ficaria bravo se meu calouro tivesse um pênis entre as pernas, e eu não pude deixar de rir.
Conheci Greg no quarto mês da faculdade, quando fui arrastada pelas meninas da Kappa Nu para um dos jogos da final do campeonato. Segundo elas, o ano realmente só começava depois que o time ganhasse o campeonato e levasse a taça pra casa, e eu apenas assentia com a cabeça, enquanto prestava atenção em algo bem mais interessante que estava no meio do campo.
Como prometido, o time carregou a taça em direção à sala do diretor minutos depois. E então seguimos para a ADT Beta para a festa de comemoração. Greg chegou para conversar comigo após uns 15 minutos de festa e seguimos assim até as quatro da manhã, quando ele seguiu para meu quarto e desde então não desgrudamos mais.
não era muito fã do Greg. Segundo ela, ele era totalmente controlador e além disso não agia da mesma forma que exigia em que eu agisse, já que ela afirmou que viu ele flertando com uma das meninas do curso de Educação Física depois do treino. Eu fingi não me importar, não queria que nada mudasse entre nós porque me sinto bem quando Greg está comigo.


Capítulo 2


Seguimos em direção ao campus depois de tomar café e chegamos em menos de dez minutos. Abri um sorriso gigante depois de ver quantas pessoas estavam aglomeradas em um mesmo lugar depois de três meses sem aulas. Seguimos para o mini palco que era improvisado todos os anos para os veteranos de cada ano realizarem os sorteios das duplas.
Depois de uns 20 minutos conversando com meus amigos e alguns conhecidos de outros cursos, direcionamos nossos olhares ao Dalton, chefe da comissão de organizadores dos jogos, quando ele começou a falar.
– Bom dia, queridos calouros! Nós, veteranos, temos a honra de receber vocês esse ano na universidade e prometemos cuidar de cada um de vocês como se fossem irmãos mais novos. – vários aplausos e gritos fizeram com que eu ficasse mais animada ainda – Agora, realizaremos o sorteio para termos o resultado de que veterano ficará com qual calouro, peço que quem for chamado levante o braço, e assim seu veterano irá até você.
Torci milhares de vezes que fosse uma pessoa legal, que pudéssemos formar uma amizade além da parceria para os jogos e os antigos resumos. Poderia ser uma menina que gosta das mesmas coisas que eu. Seria incrível se passássemos algumas aulas falando sobre como o Heartbreak Weather é uma obra de arte!
. – Dalton leu meu nome depois de alguns outros e um frio na espinha me percorreu – Você ficará com… – falou enquanto mexia em vários pequenos papéis dobrados dentro do pote – ! – falou, um pouco mais alto para que todos pudessem ouvir.
Não seria ele, não é? James não citava esse nome desde que eu fui embora de Nova Jersey. Deve ser coincidência. Mas seria muita coincidência, não é? Mil pensamentos bombardearam meu cérebro em uma fração de segundo antes que eu descesse a escada para ir em busca do meu calouro. Pensei em todos os prós e contras no caminho.
Pró número um: Seria legal ter uma pessoa que eu já conheço comigo. Contra número um: Eu não falava com ele há mais de dois anos.
Pró número dois: Vivemos vários momentos legais juntos. Contra número dois: Esses momentos só aconteciam quando ele não estava me infernizando por, literalmente, qualquer motivo, fazendo com que isso terminasse em uma discussão idiota.
Pró número 3: Eu teria companhia para ir pra casa nos feriados. Contra número 3: Seria embaraçoso demais ficar mais de uma hora dentro de um avião com ele.
Não tive mais tempo de raciocinar porque já estávamos a menos de um metro de distância. Tive que encará-lo por alguns segundos para finalmente chegar a conclusão de que realmente era o que eu conhecia desde os 4 anos de idade. O cabelo na altura dos ombros foi substituído por um corte bem mais bonito que o deixou mais jovem, o corpo antes magro e esguicho, foi substituído por um definido e com uma postura que impunha respeito. Tive que cuidar para não abrir a boca em um perfeito "O", já que o amigo de infância do meu irmão havia se tornado em um dos caras mais gatos que eu já vi.
– Hm, ? – chamei, calmamente, enquanto via ele percorrer seu olhar curioso – e até meio perdido – por todos os lados, até chegar em mim.
E por incrível que pareça, eu acho que ele ficou mais chocado que eu.


O barulho estava tão alto que eu nem consegui ouvir qual nome foi chamado antes do meu. O que me restava era apenas ficar com o braço estendido e torcer para que meu veterano, ou veterana, fosse legal.
Percorri meu olhar por – quase – todo o enorme campus, pensando em quantas vezes teria que percorrer o mesmo caminho todos os dias para me acostumar e não me perder como um calouro que precisa de auxílio. Me virei instantaneamente depois de ouvir uma voz feminina me chamar, logo atrás de mim.
Tive que piscar milhares de vezes para acreditar do que eu estava vendo. Será que era mesmo possível? A irmã caçula do meu melhor amigo estava bem na minha frente. Aquela que eu gastei milhares de dias incomodando, só pelo prazer de ver a cara dela amarrada, bem diferente de como ela está nesse momento, devo acrescentar.
Me perdi naquele sorriso perfeitamente alinhado e comecei a pensar em como ela estava diferente. sempre foi uma menina bonita, desde criança vários meninos da escola lambiam o chão em que ela passava – o que fazia com que eu e James cerraremos os punhos cada vez que algum deles chegava perto dela – porque além de bonita sempre foi gentil e doce.
Atualmente o cabelo estava mais comprido do que eu estava acostumado a ver – e a puxar, apenas para ver ela resmungar me dando um tapa no braço logo após. O corpo estava mais desenhado e os seios – bem – mais volumosos. Mesmo com seu rosto diferente, já que agora ela era uma mulher, e não a menina que eu conheço desde sempre, seu olhar doce e seu sorriso gentil me lembravam muito uma coisa: casa.
– A-Ahn… Oi! – eu respondi, totalmente sem jeito e tentando não pensar em nada que me deixasse mais nervoso.
– Isso é tão estranho pra você quanto é pra mim? – sua autenticidade e seu riso fácil me fizeram soltar um ar que eu nem sabia que segurava, me deixando mais tranquilo.
– Com certeza é mais estranho pra mim! Eu sou 3 anos mais velho que você e você é a minha veterana na faculdade. Que humilhação. – falei batendo na testa e logo depois ouvi aquela risada que eu não lembrava que gostava tanto.
– Ei! Me respeita, tá? Caso contrário vou te dar meus resumos com anotações erradas. – falou enquanto me mostrava a língua, e eu apenas ri, sabendo que aquele ano me lembraria muito do passado, mas com várias novidades do futuro.
Nossas risadas e nosso diálogo não duraram mais de alguns segundos, já que logo depois um cara que vestia a camiseta do time de futebol da universidade se aproximou dela enquanto segurava fortemente seu braço.
– Então você já conheceu o seu calouro, huh? Vocês parecem bem íntimos. – ele disse em tom de deboche e pude ver raiva em seus olhos.
– Greg, esse é , nós nos conhecemos há bastante tempo. Ele é o melhor amigo do James. – disse dando um meio sorriso pra mim, claramente envergonhada com a atitude do provável namorado.
– E eu não estou interessado. Temos mais o que fazer, vem logo. – ele disse ríspido, e saiu andando. E marca vermelha que seus dedos deixaram no braço dela me fizeram cerrar os punhos.
– Desculpa por isso, te vejo à noite.
E completamente o oposto de como tinha chegado, ela foi embora, cabisbaixa e envergonhada. O que me fez querer socar esse tal de "Greg" instantaneamente.



Capítulo 3


A atitude de Greg há alguns minutos atrás havia me deixado completamente envergonhada, além de chateada. Eu nunca fui do tipo de mulher que aceitava qualquer tipo de desaforo de homem, mas enquanto seguia Greg até a ADT Beta tentei ponderar que sua atitude provavelmente foi gerada por uma crise de ciúmes. Como ele deixou claro no dia anterior que ficaria zangado caso meu calouro fosse um homem, decidi deixar o assunto pra lá e evitar mais problemas.
O time de futebol era encarregado por preparar praticamente todas as atividades da noite dos jogos um mês antes do início das aulas. Todas as atividades teriam que ser realizadas em dupla e eram eliminatórias a cada rodada. Depois de mais alguns minutos caminhando entrei vi o time arrumando os últimos detalhes da decoração e pude ver alguns acessórios que seriam usados nos jogos em cima de uma grande mesa.
! E aí, conheceu seu calouro? – Matt, que era o único amigo de Greg que não era um babaca me perguntou.
– Sim. E o seu amiguinho já teve uma crise de ciúmes. – revelei para Matt, enquanto revirava os olhos, já que éramos amigos há um tempo.
– O Sulkin é osso duro de roer… Mas você só sabe como lidar com ele.
– É, eu sei. Mas ele me chateia com essa personalidade explosiva, às vezes eu só quero fugir disso tudo. – desabafei, colocando os dedos em minhas têmporas.
– Ei, eu te entendo! Mas o Greg gosta muito de você, disso eu tenho certeza. – Matt sorriu abertamente pra mim e eu apenas assenti, em forma de agradecimento.
Sem querer prolongar meu pequeno diálogo com o lateral direito do time da universidade, fui ajudar algumas meninas que eu já tinha conversado algumas vezes pelo campus a pendurar o resto da decoração.
Terminamos tudo o que tínhamos pendente às cinco da tarde. Os jogos começariam às sete então eu teria tempo de descansar um pouco antes de me arrumar. Chegando na Kappa Nu subi direto para o meu quarto, reparando que não se encontrava ali. Sem dar muita importância me deitei e comecei a pensar sobre o quão inesperado era o fato de eu ser a veterana do .

Nova Jersey, Abril de 2007

– Eu tenho certeza que vou ser bombeiro! Já me imagino descendo aqueles canos antes de entrar no caminhão. – James respondeu, quando eu falei que nossa tarefa de casa era desenhar o que nossos amigos queriam ser quando crescessem. Como os meus amigos estavam todos na mesma turma que eu, o que me restou foi perguntar para meu irmão James, e o seu melhor amigo, , a caminho de casa quando saímos da escola.
– E eu quero ser jogador de futebol! Meu sonho é jogar na Champions League. – disse com brilho nos olhos.
– O que é a Champions League? – perguntei, inocentemente.
– Você é muito burra, . Nem adianta eu tentar te explicar. – debochou e riu, sendo seguido por James.
– Vocês dois são muito idiotas! E James, vou contar para a mamãe que você deixou o me chamar de burra! – falei, com lágrimas nos olhos enquanto corria na frente dos dois, querendo chegar em casa logo.


Acabei rindo sozinha com essa lembrança. sempre implicava comigo por qualquer razão e isso me deixava extremamente brava com ele. James até tentava impedir algumas de nossas brigas, mas era totalmente em vão.

Nova Jersey, Agosto de 2008

– James! O que o tá fazendo aqui? Eu não convidei esse idiota! – falei esbravejando, enquanto James passava pelo portão de casa junto com o , em direção à minha festinha de aniversário.
– Qual é, maninha, ele veio comigo! Prometo que ele não vai incomodar. – revirei os olhos e saí pisando forte, sabia que não iria adiantar ficar discutindo com James.
Estava tudo indo bem no meu aniversário. Minhas amigas da escola estavam todos ali e ele também. Tristan foi o meu primeiro amor. Nos conhecemos na terceira série e desde então eu o admiro secretamente. Duas únicas pessoas que sabiam disso, minha melhor amiga, Tessa e o James. Não porque eu contei, mas sim porque ele ouviu minha conversa com Tessa.
A hora do parabéns chegou e todas nós estávamos envolta da mesa que minha mãe tinha preparado com uma decoração rosa. As meninas tinham combinado de cantar o famoso "Com quem será?" pra mim, citando o nome do meu primeiro e eterno crush: Zac Efron.
Estava tudo dando certo, todas nós estávamos rindo, esperando o momento em que todas gritaríamos "Se o Zac Efron vai querer…", mas ao invés disso, o babaca do gritou trocou o nome para "Tristan" e começou a rir. Foi o momento mais embaraçoso de toda a minha vida. Entrei em casa mais vermelha do que um tomate e secando as lágrimas de vergonha, que insistiam em descer.
, tá tudo bem, ninguém percebeu e… – James me seguiu e segurou meu braço.
– Todos perceberam, James! Ninguém é surdo. Eu falei pra você não trazer o , eu sabia que ele ia estragar tudo! – gritei com toda a raiva que eu estava com naquele momento.
– Me desculpa, , eu não sabia… – estava vermelho de vergonha assim como eu.
– Não sabia o que, ? Que desde que eu te conheci você não me deixa em paz por nem um segundo? Você arruinou meu aniversário! Tá feliz agora? – esbravejei, sentindo outra lágrima cair – Eu te odeio ! E nada nunca vai mudar isso! – gritei enquanto subia as escadas, indo direto para meu quarto e batendo a porta com força.
Fiquei por algumas horas ali, deitada e chorando, sem se preocupar com minhas amigas que estavam lá embaixo, já que depois do ocorrido eu não queria mais olhar na cara de ninguém por algum tempo. Acabei pegando no sono e só percebi que havia dormido quando acordei com batidas na porta.
– Vai embora, James! Eu não quero conversar com ninguém. – falei, antes de enterrar minha cabeça no travesseiro.
Ouvi a porta abrindo e passos se aproximando, grunhi no travesseiro sabendo que eu teria que me levantar para expulsar ele do meu quarto.
– Eu já disse… ? – olhei incrédula pra ele – Sai do meu quarto agora! Que parte do "eu te odeio" você não entendeu?
– Você realmente me odeia? – e essa foi a primeira vez que eu vi , chorar?
– Você tá…chorando? – perguntei, desacreditada no que estava vendo, e por algum motivo meu coração apertou.
– Me desculpa, . Eu não queria estragar seu aniversário, eu só queria fazer uma brincadeira, mas acabei estragando tudo. – algumas lágrimas correram por seus olhos e encarando-os eu pude sentir que ele realmente estava dizendo a verdade.
– Eu não te odeio, . – disse e abracei ele instantaneamente, meu coração doeu quando eu vi ele chorando e eu não entendia porque meu estômago formigava.
– Eu também não odeio você, sunflower. – ele me envolveu com seus longos braços e seu cheiro invadiu minhas narinas. Naquele momento agradeci por estar com a cabeça encostada em seu peito, porque se eu tivesse olhado em seus olhos, minhas pernas provavelmente não aguentariam.


Sorri ao lembrar daquela memória. Fora o primeiro contato físico que tive com o sem a intenção de machucar um ao outro, muito pelo contrário, eu me senti tão segura em volta dos braços dele que a sensação vive na minha memória até hoje. E antes de pegar no sono, conclui que tenho medo de que qualquer contato fisico com deixe claro o quanto ele tem um espaço grande na minha mente.



Capítulo 4



Finalmente já havia anoitecido e poderíamos seguir em direção à fraternidade que pertencia aos jogadores do time da faculdade. Antes de sair de casa vesti uma camisa verde de botões com uma estampa de coqueiros, uma calça jeans clara com cinto – como os organizados dos jogos haviam pedido – e meu Nike branco.
Chequei se estava tudo certo com meu cabelo e borrifei bastante perfume antes de sair. Tentei ignorar o fato de que usei grande parte do frasco porque ficaria a noite inteira perto da , já que eu sabia o quanto ela gostava do meu cheiro.

Nova Jersey, Outubro de 2015

James tinha acabado de levar um fora de Bettany e ele reagiu melhor do que esperávamos. Desde que eu e havíamos visto ela dando em cima de um cara qualquer durante do churrasco na casa do Chris, o relacionamento deles ficou balançado.
– Você não tem que ficar se lamentando, James! Você tem é que agradecer por não ter que ouvir aquela voz irritante dela por mais nenhum segundo. – disse enquanto abraçava o irmão, fazendo-nos rir com o fim da frase.
– A gente pode sair pra se distrair, se você quiser. – sugeri, com as mãos dentro dos bolsos da calça, meio sem jeito com a situação.
– Boa ideia, poopface! A gente pode comprar vinho e alguma coisa pra comer. – sorriu pra mim de um jeito que me arrepiava a espinha depois de ter me chamado daquele apelido estúpido. Segundo ela, o motivo desse apelido foi porque desde que nos conhecemos eu revirava os olhos e fazia uma cara de quem cheirou cocô quando ela chegava perto.
– Então vamos! – James levantou animado, sendo seguido por mim e por logo em seguida.
Decidimos que iríamos para o South Lake, um lugar que costumávamos ir durante o dia para brincarmos quando éramos crianças, e agora na adolescência costumávamos ir a noite, quando se encontrava bem mais calmo. Antes de chegarmos passamos em um mercado do bairro para comprarmos o vinho mais barato que tivesse e alguns salgadinhos que cheiravam a chulé. espalhou as coisas enquanto sentávamos em uma espécie de rodinha.
Alguns minutos depois pegou o seu copo com vinho e disse que iria mais perto do lago, já que olhá-lo lhe acalmava. Segui ela com os olhos até levar uma cotovelada de James, que foi deixado no vácuo segundos antes.
Vendo que eu estava meio alheio à conversa, já que eu pensava em várias formas de tentar chegar mais perto de onde ela estava, James disse que iria procurar um lugar pra fazer xixi. Finalmente sozinho, pude caminhar até ela com as mãos nos bolsos da calça, pensando em que assunto puxar.
– O céu tá lindo, huh? – e como se lesse meus pensamentos, perguntou antes mesmo de eu sentar ao seu lado na grama.
– Tá mesmo. – falei sem nem mesmo ter checado, porque meus olhos só sabiam admirar o perfil de encarando as estrelas.
– Aquilo foi uma estrela cadente ou eu já bebi vinho demais? – riu serena, enquanto me apontava o copo.
– Eu fico com a segunda opção. – ri e ela também – Nunca vi ninguém ficar bêbada mais rápido do que você. – falei, empurrando levemente seu ombro com o meu.
– Ei! Eu posso ficar bêbada rápido, mas nunca dei PT! Diferentemente do James, eu sei beber. – e novamente nós dois rimos, lembrando da festa de um de nossos ex colegas em que James entrou em coma alcoólico. – Falando nisso, cadê ele? – perguntou, enquanto se deitava na grama, admirando o céu.
– Foi procurar um lugar pra fazer xixi. – ri nasalado, antes de me deitar no chão também.
– Você tá cheiroso demais, poopface! Vai encontrar alguém depois daqui? – Na mesma hora em que disse isso minhas bochechas enrubesceram, mal sabia ela que a quantidade absurda de perfume que eu havia passado era apenas para tentar chamar um pouco mais de sua atenção.
– Não! – respondi rápido demais, como se fosse um absurdo ela cogitar que eu veria outra pessoa – Quer dizer… Eu não sei ainda o que vou fazer antes de ir pra casa. – completei, tentando parecer mais descolado e menos desesperado.
– Eu gosto do seu cheiro. Desde que eu te conheço ele é o mesmo. – sorriu serena, enquanto me olhava nos olhos, fazendo meu estômago formigar.
– Bom saber, sunflower.


Fiquei frustrado ao lembrar o quanto eu era rendido pela . Na época em que eu me apaixonei por ela, ela estava no auge de seus 16 anos e eu estava quase completando 20, que situação constrangedora! Era difícil acreditar que a irmãzinha do meu melhor amigo de infância se tornou uma mulher linda e agora era minha veterana na faculdade e também era impossível não lembrar das milhares de coisas que fizemos juntos até eu ser recrutado para o exército.
Chequei o horário e percebi que precisaria correr um pouco para chegar exatamente no horário. Eu já sabia que era doida com horários e não estava afim de levar esporro na frente de outros veteranos. Caminhei sozinho em direção à ADT e já pude avistar uma grande quantidade de pessoas aglomeradas desde a esquina.
Não demorou muito para eu avistar conversando com algumas amigas, o que me fez sorrir de canto e caminhar em direção à ela.
– Hey! Desculpa pelo atraso! – falei enquanto me aproximava, incerto se tentava um abraço, ou pelo menos um toque de mão.
– Ahn… Oi. Não precisa de desculpar, você não está atrasado. – disse seca e totalmente alheia, sem mesmo nem me olhar nos olhos. – Você tem que ir se inscrever para os jogos no andar de cima, depois me procura. – ela disse e saiu, me deixando embriagado com sua mudança de humor repentina e o cheiro de seu clássico La Vie Est Belle.



Continua...



Nota da autora: Sem nota.



Nota da scripter: Oi! O Disqus está um pouco instável ultimamente e, às vezes, a caixinha de comentários pode não aparecer. Então, caso você queira deixar a autora feliz com um comentário, é só clicar AQUI.

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