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Última atualização: 26/06/2021

Capítulo 1

Rich me mandou uma mensagem falando que estava indo para a manifestação no centro. Beleza! Era hora de ir. Peguei uma bandana com desenho de caveira em cima da minha cama e a dobrei no meio, cobrindo metade do meu rosto. Passei a mão em meu cabelo, jogando os fios dourados para trás, e me olhei no espelho antes de sair. Calça preta, tênis e três casacos de moletom, porque estava frio lá fora. Peguei meu capacete e apanhei a chave da minha moto.
Passei na frente do quarto de Davi e ele não estava. Bem, então eu teria que sair sem avisar para ninguém para onde estava indo, já que meus pais estavam para o hospital. Eles viviam de plantão e eu ficava a maior parte do tempo sozinho em casa com meu irmão. Desci as escadas trotando rapidamente, fazendo o som ecoar pela casa vazia. Saí pela porta de trás, minha moto estava na garagem. Coloquei a chave na ignição e me sentei em cima dela. Olhei para meu capacete. Porra, eu estava indo para uma manifestação, ia acabar perdendo isso. Foda-se. Coloquei ele em cima do meu carro e acelerei a moto.
Abri o portão da garagem com o controle e saí de casa, apertando o botão de novo para que o portão se fechasse. Cheguei no centro e estacionei a moto em um estacionamento que ainda estava aberto. Nem fodendo que ia deixar ela na rua. Paguei adiantado por umas três horas e saí rumo à manifestação, mandando mensagem para o Rich avisando que já tinha chegado, mas encontrei os meninos antes de ele me responder.
— Como estão as coisas aqui? — perguntei vendo a galera agitada demais.
— Os policiais estão bloqueando a rua, não querem deixar a gente passar. Não tem como chegar no DP. — Rich contou olhando para o lado. Ponderei com a cabeça.
— É, mas essa não é a única rua que leva até o departamento de polícia. — falei dando um sorriso mesmo que não pudesse ver por causa da minha bandana. — Vocês sabem se tem manifestantes na rua de trás? Ou está todo mundo reunido aqui? — perguntei já com o plano em mente.
— Não, está todo mundo aqui. O plano era fechar só essa rua. — explicou e eu concordei com a cabeça.
— Eu vou até o departamento de polícia. Se vocês quiserem me acompanhar. — virei e saí andando apressado, olhando por cima das pessoas a confusão que começava a se armar com os policiais.
Eles estavam tentando fazer com que a galera toda recuasse, já empurrando o pessoal com o escudo de proteção, seria tempo até eles começarem a lançar bombas de gás moral. Se foder, babacas de merda. Os garotos começaram a me seguir, e pelo jeito não foram os únicos. Dei a volta no quarteirão, já pegando um cano que achei no lixo. Sabia que quando chegasse lá, eles já viriam para cima com força e eu não ficaria esperando para ver eles me socarem de graça. A rua de trás estava bloqueada com tapumes de madeira. Filhos da puta desgraçados. Chutei aquela merda e ele nem se mexeu.
— Rich! Me joga por cima. — pedi, ele era enorme de forte mesmo.
O ruivo parou ao lado de uma parede de madeira e eu corri em sua direção, me apoiando em sua mão, e ele me lançou para cima. Pulei para o outro lado e o pessoal começou a fazer o mesmo, ali estava vazio, eles acharam que aquilo ia mesmo segurar a gente.
— Vamos derrubar! — berrei enfiando o cano de aço na fresta por baixo de um dos tapumes.
Uns caras me ajudaram, e nós conseguimos levantar ele um pouco. Os moleques do outro lado lá começaram a empurrar com força fazendo ele balançar, e a gente tentava levantar as outras paredes de madeira para o pessoal tentar derrubar. Quando a primeira caiu, uma onda de gente já passou por ali correndo com tochas, tacos, pedaços de madeira e qualquer coisa para se defender. Conseguimos levantar mais uma parede e o pessoal a derrubou. Ótimo, já tinha espaço para uma boa quantidade de gente passar.
— Valeu. — falei com os caras e saímos andando.
Encontrei com Rich e os outros e seguimos com a galera até o DP, e quando chegamos, o caos já estava lá. Os policiais vieram para cima da gente com tudo, e nisso me perdi dos meninos. Chutei o escudo de plástico de um policial que tentou me derrubar, mas ele recuou. Bati com o cano no escudo dele, e aquilo não fez nem cócegas. Senti uma porrada na minha costela e isso me fez olhar por cima de meu ombro vendo um policial com um porrete. Filho da puta. O que estava na minha frente me empurrou com o escudo, me fazendo cair no chão. Nisso o cano escapou na minha mão. Inferno, rosnei, me virando para levantar. Mas eles me acertaram mais duas vezes com aquela merda de porrete nas costas e na costela, me fazendo ficar no chão perdendo o ar. Rich apareceu com um taco na mão e acertou um deles, e Kevin, nosso amigo, já me puxou para cima.
— Precisamos sair daqui, agora! — Karina berrou com a gente, já tossindo. Eles tinham jogado bombas de efeito moral ali. Comecei a tossir também.
— Vamos. — Kevin já me puxava e Rich vinha logo atrás. Saímos correndo. Meus olhos queimavam assim como minha garganta por causa da bomba, e era péssimo para respirar. — Minha moto está no estacionamento na outra rua. — avisei, precisava ir até lá buscar.
— Deixa essa moto lá, amanhã você pega. Vamos de metrô! — Rich berrou comigo, e eu concordei com a cabeça.
Seguimos para a entrada do metrô mais próxima, e tinha uma confusão enorme ali. Acabou que nos perdemos uns dos outros e o portão do metrô foi fechado. Começaram a aparecer mais policiais nos cercando. Foda-se. Eu precisava sair dali ou seria preso com a galera que já estava sendo pega. Corri e entrei em um beco, pulando e alcançando a escada de emergência de um prédio, subindo até o último andar para fugir daquela loucura lá embaixo. Levantei minhas roupas vendo o roxo que já se formava em minhas costelas e não queria nem ver nas costas. Aquela merda estava doendo. Filhos da puta do caralho. Peguei meu celular e liguei para Davi, ele podia me buscar. A ligação foi direto para a caixa postal. Deveria estar sem bateria, ele nunca andava com o carregador daquela merda. Então procurei pelo número de , o melhor amigo do meu irmão e meu também, geralmente eles estavam juntos, então daria no mesmo. Não demorou muito para ele atender.
— Hey, Wen. — falei como quem não queria nada. — Tudo bem? — perguntei rindo um pouco enquanto andava pelo terraço do prédio, o som do caos no fundo me entregava que eu estava no meio da loucura.
Fala, . — sorri quando ele já atendeu todo gente boa como sempre. — Nada de novo na estrela da morte. Sabe? Os Sith, Jedi, Primeira Ordem... Tudo na mesma. E aí? tinha o temperamento infinitamente melhor do que de Davi, e isso era bom, evitava que meu irmão quisesse me matar a maioria das vezes.
— Deus, fala a minha língua. Dos terráqueos, sim. — pedi dando uma risada, não entendendo nada. Estrela da morte? Quê? Ouvi sua pequena risada mesmo que o som ao meu redor não ajudasse muito. Para que as sirenes berravam tão alto?! Ninguém era surdo não. Eu hein. — OK. Acho que entendi que está tudo tranquilo aí. — comentei com um riso nasalado e olhei o centro ao meu redor. — Sabe, tudo em cima. Tudo embaixo. Tudo no lugar. Estou bem. — dei uma de maluco também só para descontrair.
Mas bem, exatamente, eu não estava. Tinha três belos hematomas e teria sorte se minha costela não tivesse trincado ou coisa parecida, mas acho que estava tudo nos conformes, eu ainda conseguia respirar sem achar que estava perdendo um pedaço do pulmão.
Tá tudo bem, . — respondeu com um ar zombeteiro. Ri, confirmando a minha certeza de que era aquilo mesmo que ele tinha falado em outra língua. — Isso, tá tudo tranquilo. — ele riu fraquinho, me tirando um pequeno sorriso. — Tudo no lugar? Sei, tá parecendo mesmo. — sua pergunta seguida do tom de deboche me fez rolar os olhos, batendo os pés no chão andando de um lado para o outro.
Sério que ele tinha que me conhecer tão bem e saber que eu estava mentindo? Que nada estava de boas, e que eu estava muito fodido, tipo mesmo? Merda federal! Não me importava muito estar doendo minhas costelas ou costas, aquilo era o de menos, já tinha me acostumado de tanto cair de skate por aí, e dar porradas que os caras me davam quando eu zoava com eles. A bosta seria se a polícia me pegasse mesmo. Deus! Eu deveria ter corrido mais.
Eu desisto de você, ! É isso! Já chega! — ouvi a voz de Samantha e o que ela disse me fez rir.
— Diz para a Sammy que mandei um beijo. — pedi de um jeito engraçado. Eu não valia nada. Ela deveria estar querendo sentar loucamente no e eu estava enchendo o saco dele. Mas fazer o que, não é mesmo? Eu era muito mais interessante que ela. — Tá favorável... Eu acho. — disse, fazendo uma careta chegando na beira do parapeito e vendo o pessoal fugindo lá embaixo. Meus olhos ainda queimavam um pouco por conta da bomba de efeito moral. Desgraçados.
Provavelmente ela vai mandar você enfiar o beijo naquele lugar. Então vou te poupar de escutar o óbvio. — gargalhei imaginando o estado que Samantha deveria estar para me mandar enfiar o beijo no cu. Wen riu também. — Favorável? Hm, sei o seu favorável, . — murmurou. Sorri com seu questionamento quase rindo.
Ah, ele sabia meu favorável. sabia mais coisas de mim do que eu mesmo às vezes. Diria que era um ótimo observador, além de ter vivido minha vida toda com ele, era meio óbvio me conhecer mesmo, só que ele tinha um dom que às vezes nem Davi tinha. Wen me olhava de longe e eu via em seus olhos fortemente verdes que ele sabia antes mesmo que minha boca abrisse para dizer um simples oi. Achava aquilo engraçado e ainda jogava na cara de meu irmão que me conhecia melhor do que ele. Davi logo pirava de ciúmes e isso me fazia rir, me mandando me mudar logo para a casa de seu amigo, falando que ele deveria me adotar, que seria um favor que estava fazendo a ele. Isso me arrancava sempre boas risadas.
— Aposto que não está deixando ela sentar em você de novo. — soltei com uma risada mais baixa. — Trocou ela pelo que hoje? — quis saber morrendo de curiosidade, e esperava que eu tinha sido essa troca. Adorava empatar a foda alheia, era ótimo, mas em contrapartida as pessoas vinham raivosas em cima de mim, e por milagre nunca quis me agredir por isso, ainda.
Eu deixo ela sentar, mas não a toda hora. Ela exagera. — murmurou, rindo baixinho. Sua risada era muito boa. Eu gargalhei de novo, mais alto agora. — Você não vale nada mesmo. — ele riu um pouco mais alto. — Mas eu tinha um artigo pra terminar. — Concordei com a cabeça sobre o artigo. e seus artigos, livros, documentários, séries e filmes nerds, qualquer coisa daquelas era mais importante para ele do que comer Samantha. Eu me acabava de rir sempre com aquilo, e a garota sempre queria me matar apenas com o olhar. — E quando eu ia deixar ela sentar, você ligou... Então ela te odeia um pouco mais do que ontem. — comentou como se fosse algo normal, mas era mesmo.
— Ela deve querer te matar. — comentei sabendo que a loira era um cão. — Por que vocês não namoram? — perguntei com uma curiosidade repentina. Ela estava sempre na casa do ou atrás dele, e parecia que eles tinham algo, que se gostavam, sei lá, eu não era bom com isso. — E é exatamente por não valer nada que você gosta de mim. — sorri de lado como se ele fosse ver aquilo. — Mais? Pensei que ela já me odiava pelas próximas três vidas mesmo. — soltei rindo um pouco mais, adorando saber que tinha empatado a foda deles, e não estava nem aí pelo visto.
Ela quer sim. — confirmou. Acabei rindo de novo. — Para namorar com alguém, você tem que se doar para ela. Gostar dela de verdade. Querer passar o máximo de horas do seu dia com aquela pessoa e eu não sinto isso por ela. — o que me respondeu foi um belo tapa na cara, não na minha, é claro, no da loira ninfomaníaca mesmo. Mas ouvi-lo dizer que não sentia aquilo por ela fez um sorriso aparecer em meus lábios. — Não só por isso. — rebatou, soltando o ar pelo nariz como se fosse uma risada. — Errado você não deve tá mesmo. — riu por saber que ela me odiava mesmo nessa intensidade.
— Uma pena, não e mesmo? Para ela, é claro. — soltei em tom de piada. Entendia porque aquela garota queria me matar sempre que me via, ali estava a resposta. — Não? — perguntei erguendo as sobrancelhas e apoiando meus cotovelos no parapeito do terraço como se estivesse atento em suas palavras para saber quais eram os outros motivos que ele gostava de mim tirando o que eu não valia nada. — Aprenda, . Eu estou sempre certo. — me gabei jogando meu cabelo para trás rindo um pouco.
Eu era um desgraçado que adorava atrapalhar sua vida não amorosa com . Lembro até que outro dia que entrei no quarto do Wen e me sentei na mesa em que estava o notebook e comecei a mexer ali procurando um filme para ver com eles dois transando na cama, fingindo que eles nem ao menos estavam ali. A louca berradeira parou na hora de gemer e quase me lançou o abajur de lavas do meu amigo, me mandando sair dali. Obviamente que a ignorei e só aí quando pediu, com seu notebook na mão e falando que estava esperando ele para ver filme, que iria preparar a pipoca. Logicamente ele não demorou muito para descer enquanto eu ouvia os gritos de Samantha declarando seu ódio contra mim para a cidade toda ouvir.
Uma pena nada. Ela acha outro melhor quando ver que eu sou um pé no saco. — a risada de me puxou de volta para o mundo, me fazendo sorrir. Adorava fazer ele rir, era ótimo. — Não. Mas não vou falar as outras coisas, abusado. — ouvi sua língua estalando no céu da boca e isso me fez morder o lábio inferior querendo rir. — Que ego enorme é esse? Andou comendo o que no café da manhã? — perguntou como se tivesse indignado e surpreso.
— Putts, então ela nunca vai arranjar outro, porque você não é um pé no saco. Aff, isso é uma droga, sabia? Preciso arranjar um jeito de fazer Samantha correr. — coloquei a mão na cintura e fiz um bico, como se estivesse bolando um plano mirabolante para fazer a loira estressada ir embora de uma vez por todas da vida do . Acabei rindo daquilo. Porque era brincadeira, eu não ligava para ela, se estava com o Wen ou não, contato que não tentasse jogar água quente no meu ouvido enquanto dormia, está ótimo. — Você é sem graça demais, . — reclamei revirando meus olhos. Não custava nada ele encher meu ego um pouquinho só. Mas queria mesmo ouvir os outros motivos que o faziam gostar de mim. — Falou o cara supermodesto, né? — rebati, ele também tinha um ego de dar inveja.
Ah eu sou sim, encrenca. Uma hora ela arranja um cara que dê mais valor para ela do que para um artigo. É o que eu realmente torço. — o resto da frase perdeu o efeito por ter me chamando de encrenca com carinho. — Tá aí o seu jeito! Arranja um cara pra ela. — deu uma risadinha em seguida e eu fiz uma careta. — Eu sou mesmo bem sem graça. Agora me conta algo novo. — respondeu no mesmo instante. — Tudo bem, não sou mesmo modesto. Mas não é sempre que nasce alguém com meu cérebro incrível. — usou sua voz de superioridade. Revirei meus olhos com o ego dele e nem me dei o trabalho de responder. Deveria repensar se continuaria a amaciar seu ego, uma hora ele ia explodir de tão grande que andava ficando.
— Shiiiiiiu. — falei para que ele parasse de falar tanta besteira, ignorando o fato de me chamar de encrenca daquele jeito. — Sua vida não tem que ser para ela o tempo todo. Tem que ter hora para seus artigos também, e tudo bem por isso. Mas é só com ela tá? — avisei, porque se ele me trocasse por um de seus artigos, ia ser uma vez só, e depois nunca mais iria querer me ver, porque eu ia sair apagando tudo, e foda-se. — Ela não aceitaria nenhuma recomendação minha. — contei dando de ombros. A loira certamente ia achar que era uma cilada, e errada não estava, além de crer que eu estaria tentando tirar o dela. Em todo caso, não poderia dizer que estava totalmente errada. — Para de cortar minha onda, cara. — mandei fazendo cara de emburrado. Sem graça ele. Nem para me contar as coisas.
Só com ela, né? Eu sei bem que se eu troco rolê nosso por algum artigo, não sobra nada do meu quarto. — brincou de volta. Meu sorriso ficou maior ao ouvir rindo por minha causa. Era ótimo como pegava as coisas no ar, eu nunca gostava de ser direto, bem, nem tanto, mas ele pegava as entrelinhas perfeitamente, e quando não conseguia, eu apenas me calava, porque era melhor. — Faz sentido, nem do Davi também. — suspirou de forma cansativa, rindo logo em seguida.
— Bem... — e mais uma vez não confirmei nada, e nem precisava.
Eu iria acabar com qualquer artigo se me trocasse. Simples assim. Você vê o artigo, e agora não vê mais. Como mágica em minhas mãos. E eu era um ótimo mágico. Ri quando disse que também não aceitaria nem se Davi arranjasse outro, até porque eu era daquele jeito por um bom motivo, tive um mestre. Davi adorava também atazanar a vida dos outros, e eu odiava com todas as minhas forças quando fazia aquilo comigo, até que aprendi a revidar, aí seu jogo ficou mais difícil, e hoje em dia meu irmão tinha outros alvos que não o mordiam de volta.
Você ia levar uns tapas se apagasse um artigo meu, só para deixar isso claro. — sorri ouvindo ele não acreditando em mim, mas também não argumentei porque sabia que haveria palavras que o fizesse me levar mesmo a sério.
— Assim, por acaso o meu irmão estaria na sua humilde e esplêndida companhia? — quis saber, mordendo meu lábio inferior. Se eles não estivessem juntos, eu estaria fodido para voltar para casa.
Onde você tá? — sua pergunta me fez torcer o nariz olhando para os lados. No inferno seria a resposta certa. — Seu irmão não tá aqui não. Foi mal, jovem aprendiz. — estalou a língua no céu da boca. Bufei, levemente irritado por saber que Davi não estava com . Droga. Quando eu precisava daquele cuzão ele nunca estava por perto. Inferno mesmo.
— Eu? Eu estou admirando o céu da morte? — não, era a estrela da morte que ele tinha dito naquela hora. Tanto faz. O céu estava preto mesmo. E seria minha morte se eu descesse e os policiais me pegassem, aí que seria o meu céu da morte. Ia ficar defunto no asfalto olhando para cima. — Jovem aprendiz? Deus, . — Soltei fazendo uma careta. Eu estava aprendendo nada. Tinha acabado de sair da escola e nem tinha ido para a faculdade ainda.
Céu da morte... riu do meu céu da morte. Eu sempre saía com umas que arrancavam risadas dele, era engraçado, eu gostava, me fazia rir. — Gostei desse nome. Céu da morte. Que cor que ele é para você? Preto? Eu imagino preto com fumaça vermelha... tipo sangue. — aquilo me fez sorrir abertamente. Gostava como ele me via e me conhecia.
— Hm. — parei olhando para cima e vendo as cores no meio da fumaça. — É preto. Quase não tem estrelas. E tem fumaça, ela é vermelha e laranja. Eu adoro laranja. — comentei rindo um pouco. E eu gostava mesmo, era uma das minhas cores favoritas. — Sem sangue, só roxo mesmo. — falei. Eu não estava sangrando... ainda. Mas isso não queria dizer muita coisa quando vinha de mim.
Caraca! Parece melhor do que na minha imaginação. Laranja com vermelho soa uma boa combinação junto com preto. Sem estrelas, parece até um conto do King. — comentou, e eu fiquei interessado naquilo. — Ai, ai, ... — umedeci meus lábios, deixando um sorriso de leve aparecer quando disse meu nome já sabendo também o que significava o meu roxo, eu estava machucado e lia isso em minhas palavras escondidas. — Esse é o favorável. — disse de volta o que tínhamos falado antes.
— Você não faz ideia. — sussurrei ainda olhando para cima. O céu do caos era meio lindo, e eu poderia ficar olhando para ele enquanto o pintava. — Qual livro? — quis saber porque me pareceu interessante pelo seu tom de voz.
Fiquei curioso. — pisquei meus olhos, deixando eles descerem pelo céu da morte com o seu sussurro do outro lado da linha enquanto puxava o ar lentamente. — Escuridão total sem estrelas. — falou o nome do livro. — Você ia curtir. Tem uns contos bizarros, bem doidos.
— Talvez eu te mostre um dia. — comentei baixo. O céu do caos não era algo do tipo do , ele era mais o estilo céu com estrelas infinitas que brilhavam enquanto seus olhos as encaravam, fazendo o universo girar dentro deles. — Vou comprar. — disse gravando o nome do livro em minha mente, não ia esquecer.
Adoraria ver. — por mais que tivesse barulho ao meu lado, parecia que por um segundo tudo tinha ficado silêncio só para que pudesse ouvir perfeitamente o que falou bem baixo. — Você vai curtir.
Aquilo me fez prender o ar e deixar meu olhar se erguer de novo, se fixando na fumaça no meio da escuridão. Ele adoraria ver o céu da morte? Sabia que era lindo, mas Wen gostaria mesmo da sua beleza quando é oposto de tudo que ele era? era metódico, gostava de padrões, das coisas no lugar delas, e o caos era simplesmente tudo que ele não gostava. O arrancava do eixo. Enquanto para mim, o caos era tudo. Fazia me sentir vivo, meu sangue ferver, mas fazia sorrir no meio dele admirado com sua essência. Por algum motivo eu apenas não respondi. E apenas concordei sobre que provavelmente iria gostar do livro.
Aquele silêncio na ligação ficou ligeiramente estranho, e não entendi como tínhamos chegado naquilo. Então distraí minha mente por alguns segundos para não pensar naquilo. Eu podia criar uma batida perfeita com os sons ao meu redor e cantar algo que se encaixasse perfeitamente com o caos. Aquela ideia me fez sorrir fraco. Adorava fazer isso, juntar um pouco de cada e transformar algo realmente bom.
Qual foi a encrenca? Desembucha, . — ele sabia que eu não tinha ligado para ficar jogando papo fora e nem falando de céus da morte.
— Por acaso, assim... Você não está afim de dar um rolê no centro? E sem querer me ver na rua e me dar uma carona? — pedi quando ele quis saber o que eu queria logo. Não ia falar que estava sendo caçado pelos policiais, ou aí mesmo que não iria vir. — Eu te pago um McLanche Feliz.
No centro? Tá rolando manifestação aí, ... OK, já entendi. já sabia que eu estava no centro e metido na manifestação. Aquele cérebro brilhava, e eu poderia até lamber se fosse possível. — Onde você tá aí? — perguntou e eu o ouvia andando pela casa, pegando as chaves e tudo mais. — E eu vou cobrar o McLanche Feliz. Eles tão vendendo os brinquedos de Star Wars e só falta o Yoda para mim. — eu sabia que era verdade. — Manda sua localização que eu já tô no carro. — o ouvi entrar no carro agora e abrir o portão de sua garagem.
— Olha só, eu gosto de como você é inteligente. Eu já disse isso? — comentei como quem não queria nada. Era bom elogiar as pessoas quando precisávamos de um favor delas. — Eu estou em um prédio. Não se preocupe, estou super seguro, OK? — disse apenas para não se preocupar. — Ah eu sei que vai, Wen. Você sempre cobra. — rolei os olhos. Se eu prometesse e não cumprisse, iria me cobrar até que eu o fizesse. — OK. Vou mandar agora. Estou te esperando, meu príncipe encantado, venha logo resgatar seu princeso em perigo. — zombei, rindo um pouco daquela palhaçada, e ele soltou uma risada alta. Coloquei o celular no viva-voz e mandei minha localização para ele.
Não disse. Pode falar de novo, gostei de ouvir. — estreitei meus olhos mesmo que não pudesse ver. Abusado querendo que eu encha mais seu ego. — Só pedir, . Não precisa puxar o saco não, já passamos dessa fase. — disse em um tom de repreensão. — Mas eu gosto de elogios. — revirei meus olhos e dei um pequeno sorriso com aquilo. — Hm, não tô preocupado. Vou ir até devagar, parar no posto de gasolina antes. Tem pressa? — brincou de volta, soltando o ar em forma de um riso nasalado. — Que bom que você já sabe disso. — respondeu. — Só não vou a cavalo, tá? Desculpa te decepcionar, e eu passo o beijo de amor verdadeiro também. — falou como se fosse sério.
— Ah, só falo de novo se for para sussurrar em seu ouvido bem gostoso. — impliquei, soltando uma risada enquanto passava a mão em meu cabelo, o tirando de meus olhos. — Você é sem graça, nem me deixa amaciar seu ego para depois sentar na sua cabeça. — bufei rolando os olhos porque ele tinha cortado meu barato. gargalhou um pouco e meu sorriso veio dançando em meus lábios por causa disso. — Eu sei que gosta, suas covinhas sempre aparecem quando te elogio. — contei sorrindo lembrando das covinhas que eram ridiculamente perfeitas juntamente com aquele sorriso. Alguém deveria proibir aquele cara de sorrir, era um sorriso e a garota já estava com as pernas abertas falando “Me fode, .” Aquilo era uma puta sacanagem! Enquanto eu, um pobre reles mortal tinha que passar um dobrado para pegar as minas. — Ótimo que não está preocupado e nem com pressa. Eu também não estou. O céu continua bonito, posso ficar aqui a noite inteira olhando para ele. Meu céu da morte. — disse de forma divertida, mas no final eu estava mesmo falando sério. O céu estava lindo. Ri fraco. — Como assim você não vai vir de cavalo? — perguntei super indignado. — Eu só vou embora se você vier de cavalo, senão, nada feito. — coloquei a mão na cintura e bati meu pé no chão como se estivesse irritadíssimo. — Ah não, Wen! O beijo não. Já não vai vir de cavalo e agora não vai me dar o meu beijo de amor? O que eu sou para você, ? Uma piada? — joguei aquilo tudo como se eu estivesse irritado com ele enquanto segurava meu riso alto que queria sair. não podia me dar corda porque eu me enforcava bem facinho com ela, e ainda fazia rindo.
Hmmm, sussurra. — mordi a ponta da minha língua com o gemido de tesão que o ridículo deu, e ainda riu em seguida. — Seu pervertido implicante. — zombou, me fazendo rir fraco. — Sentar na minha cabeça. Que fofo, bem meigo você. — debochou mesmo, ainda rindo. — Anda reparando nelas, ? — a ponta da minha língua deslizou pelas pontas dos meus dentes com a sua pergunta. — Perfeito então, odeio dirigir com pressa. E o céu da morte parece tá incrível mesmo, tira uma foto para mim. — pediu calmamente. Olhei novamente para cima, encarando o meu céu da morte. — Eu te compenso pelo cavalo, princeso. Prometo! — falou todo galanteador. Eu não aguentei e acabei rindo mais uma vez. — Só depois do casamento que eu vou beijar, vai que eu não consiga parar. Não quero te desvirtuar, minha doce donzela. — mudou o tom de voz, deixando sua voz mais cantada como se fosse um príncipe da Disney declarando seu amor verdadeiro.
— Vou sussurrar bem, mas bem gostosinho. — joguei mais lenha na fogueira e só faltava berrar “Queima!”. — Eu? Calúnia. — fiz cara de desentendido como se estivesse contando uma baita mentira de mim. — Ah, eu sou mesmo. Muito fofinho. — pisquei meus olhos rapidamente várias vezes até parecendo que meu amigo iria ver aquilo. — Hm. — soltei em forma de talvez. Talvez eu tenha reparado, talvez não... Mas fala sério, como não reparar naquelas covinhas? Estava ali para todo mundo ver e eu não era cego. — Não vou tirar foto. — disse só para implicar com ele um pouco. — Estou ocupado falando contigo no telefone que precisaria usar para tirar a foto. — debochei rindo um pouco mais. Já, já ia me mandar ver se ele estava na praça. Estava vendo isso. — Espero que compense mesmo, . — falei seu nome em tom autoritário como se estivesse muito bravo pela falta do meu cavalo, mas eu não conseguia me manter sério por muito tempo, porque em seguida eu já estava rindo de novo. — O quê? Só depois do casamento? E se o seu beijo não for bom? Eu faço o quê? Peço divórcio? — indaguei achando um absurdo sem tamanho. Que depois do casamento o quê! Isso era uma afronta à minha pessoa! Acabei rindo com ele quando gargalhou. — Sua doce donzela já é desvirtuada, foi mal aí. — contei bem sério e mais uma acabei rindo. Puta merda, eu não me aguentava mesmo.
Vou esperar esse sussurro mesmo, encrenca. — deixou sua voz sair um tantinho rouca e provocativa. Umedeci meus lábios e mordi o inferior com força depois com me chamando de encrenca de novo, ainda mais daquele jeito. Aquilo não foi justo, nada justo mesmo. Então mais uma vez só não respondi. Ficar calado às vezes era melhor do que falar alguma das minhas besteiras absurdas, eu tinha aprendido aquilo na marra. — Ah tá! — debochou, e eu acabei rindo de novo. Era difícil ficar sério perto dele. — Tão fofinho que dá vontade de apertar. — brincou, fazendo a voz que fazia para irritar seu irmãozinho mais novo. — Isso não foi uma resposta. Mas tudo bem... — suspirou frustrado e tive que morder meu lábio inferior para não rir de novo. — Você judia demais de mim, . — Estalou a língua no céu da boca, respirando como se tivesse decepcionado. Gargalhei com o drama dele falando que eu judiava. Eu, claro. não estava contando todas as vezes que me deixava curioso de graça e simplesmente não me contava as coisas que estava pensando ou fazendo, só jogava mais lenha deixando minha mente louca pensar o que eu quisesse. Talvez tenha aprendido a fazer aquilo com ele mesmo. — Ainda fica no deboche para cima de mim. Eu deixei de transar por você, tá? Mereço uma foto, pelo menos. — debochou de volta. — Compenso do jeito que você quiser. — respondeu com convicção, e riu baixo depois. — Meu beijo é muito bom, tá? Só para você saber. — deixou isso bem claro, como se tivesse puto com o lance do divórcio. — Já? Então não quero mais. Um príncipe de respeito como eu, um absurdo. — dramatizou mais ainda, bufando alto. Mas acabou acompanhando minha risada em seguida.
— Não aperte muito não, eu posso morder em algum momento. — avisei, mas ele sabia como eu era. De repente estava de boas, do nada eu mordia e saía andando, e depois voltava como se nada tivesse acontecido. — É sim. E estou deixando livre para você interpretar da forma que quiser. — provoquei de leve em um tom mais sério, querendo rir depois, mas dessa vez consegui me segurar. — Olha, você não transou com ela porque não quis. Eu podia esperar você dar uma metida de meia hora. — avisei fazendo cara de esnobe querendo que ele pudesse ver. Não me importava de esperar, tanto que uma hora ele fosse mesmo me buscar. — Hm, agora as coisas ficaram interessantes, Wen. — sussurrei seu nome baixo e com um tom levemente rouco para provocar mesmo, como se tivesse muito tentado em sua proposta. — É bom? Não sei, nunca te beijei. Talvez você tenha que me provar que ele é bom mesmo. — rebati dando um riso pela sua aparentemente indignação comigo que queria pedir o divórcio. — Olha aqui, . Você está mesmo me dispensado? É isso? Você vai se arrepender amargamente por isso, OK? — ameacei como se fosse guardar aquilo pelo resto da minha vida, que provavelmente seria curta.
Ando te deixando sem palavras, encrenca? — minhas sobrancelhas se ergueram com sua provocação, ainda mais com aquele “encrenca”. Sério, ? Sério mesmo? — Vai ser só um pouquinho, prometo. — respondeu, deixando sua voz sair manhosa. — Você sabe que me deixar interpretar da forma que eu quiser é meio... perigoso. — disse no mesmo tom que eu. Lambi meus lábios e soltei um riso fraco. — Ela ia querer mais que meia hora, meu caro. Era bem capaz de me prender no meu próprio quarto e querer sentar em mim pela noite toda. — falou em tom de zoeira, mas era bem a Samantha mesmo. — Agora estão? Safado. — rebatou, e consegui ouvir ele segurando a risada. — Te provar que eu beijo bem? Vou ter que enfiar minha língua na sua boca então para isso. Mas e se você virar uma Samantha 2? Não sei se aguento não, hein. — zombou, não conseguindo parar de rir mesmo. Samantha 2? Só pode estar de sacanagem com a minha cara. Tudo bem que eu era loiro também, mas era muito mais bonito que ela. — Não estou dispensando, estou chateado pela minha donzela já ser tão experiente assim. Pensei que eu seria o único... Ai, ai, essas desilusões da vida. — sua voz saiu como se tivesse segurando um soluço, bem decepcionado. Obviamente que logo em seguida acabou rindo de novo por nunca conseguir manter o drama ou o teatrinho.
— Não. Claro que não. Eu preciso que você venha me buscar, não vou ficar falando besteira, vai que você desiste. — falei como se eu fosse um puta interesseiro, mas não era isso, longe disso, eu só preferia não falar mesmo o que estava na minha mente. Às vezes as coisas saíam de minha boca de uma forma estranha, e eu tinha que rir ou falar algo bem cabeludo para disfarçar o embaraço que eu mesmo causava a mim. — OK, não reclama se eu te morder do nada. — fiz um pequeno bico, porque era bem capaz que do nada eu empurrasse ele depois de um tempo me apertando. Eu era louco, não tinha muito o que se fazer a respeito. — Gosto do perigo. — sussurrei o provocando segurando a risada. — Deus! Ela é uma máquina de sexo? — perguntei rindo um pouco. Uma sentada de meia hora estava bom, servia para relaxar e tocar a vida. Mas parecia que para Samantha meia hora não era nada. — Estão. Muito — disse de um jeito manso só porque me chamou de safado. É, talvez eu fosse mesmo. — É. Vai, me prova, Wen. — pedi jogando lenha na fogueira. — Assim você me ofende, ! Samantha 2? Eu sou muito melhor do que isso. — aquilo não tinha cabimento. — Não importa a experiência que a sua donzela tenha, você vai continuar sendo o único.
Tinha horas em que eu era terrível. Muitas vezes não pensava antes de falar, só saía soltando tudo, e bang! Já era. Que nem agora. Neguei com a cabeça fazendo o cabelo cair em meu rosto. Péssimo. Não deveria estar provocando , não mesmo. Mas sempre quando via já era tarde demais, e não tinha como retirar o que já tinha sido dito, ainda mais a forma como foi.
Então você vai falar pessoalmente? Encrenca mesmo! — usou seu tom julgador. Mordi a ponta da língua, sabendo que estava me chamando de encrenca apenas para me provocar, fazia isso. — Dependendo da mordida até gosto. — sua voz saiu séria mesmo que ainda estivéssemos brincando. — Eu sei mesmo que gosta. Se delicia nele todo. — minha língua passeou pelos meus lábios, os lambendo como se tivesse doce neles por causa das palavras de Wen. — Ela tem um fogo meio do além mesmo. — respondeu, rindo também. Apenas ri quando disse que Samantha tinha um fogo do além, e não duvidava nenhum pouco de suas palavras. — Eu posso deixar mais interessante. — puxei o ar sentindo meu peito se encher totalmente. O seu tom manso foi como uma onda me acertando. — Provo sim, encrenca. — deixou o apelido sair rouco e sussurrante mais uma vez. Me virei andando pelo terraço em passos lentos. Retraí meus lábios, porque estava começando a realmente me sentir provocado pela forma como estava me chamando. Não deveria, mas estava. — Desculpa, desculpa. Falei sem pensar. Precisa ficar ofendido não. — pediu em meio às risadas. O filho da puta riu da minha cara com a minha indignação com o “Samantha 2”, mas era mesmo de tal absurdo me comparar àquela garota. Não respondi como se tivesse ficado realmente puto por aquilo, até mesmo virei a cara como se ele fosse ver aquele meu gesto. — Hmmm, o único? Estou levemente tentado para conhecer toda essa experiência. — tentou usar seu tom mais safado mesmo que não conseguisse muito porque sempre saía com a risada presa o que se entregava total.
— Se eu tiver com vontade, posso até falar pessoalmente... Bem baixo... No seu ouvido. — ele estava pedindo por aquilo de volta, então dei o que queria. O provoquei mesmo falando em um tom levemente rouco e como se sussurrasse, porque não tinha como falar muito baixo por causa da barulheira, ou ele não escutaria. — Fala como você gosta que te morda, então. — pedi dando um riso curioso para saber o que iria falar. Ele soltou uma risadinha baixa. — Ainda bem que sabe. — rebati sobre o perigo. Eu gostava mesmo, amava para ser mais específico. O perigo me excita demais. — Deixa. — pedi querendo saber como ele faria aquilo ficar mais interessante. Esperei ansioso para saber como ele deixaria as coisas mais interessantes. Pude ouvir sua respiração longa, e ela me pareceu meio pesada também. Eu deveria parar com essas coisas, parecia estar ficando incomodado de verdade com isso, e não queria que ficasse chateado comigo com minhas bobeiras. — Pode provocar, eu gosto. Provocava mais, Wen. — o seu apelido saiu como um sussurro pelos meus lábios como se falasse em seu ouvido. — Está? — questionei em um tom levemente safado de volta. — Mas é uma pena mesmo, porque não vai conhecer. Me dispensou. Perdeu, cara. — rebati logo em seguida, realmente desaforado, eu tinha guardado aquele chute, ele não me ganharia tão fácil assim não.
Só se você tiver com vontade? Vou nem me iludir então. — segurei o riso com o que disse. — Não tão forte para machucar, mas não tão leve também. E de preferência na nuca, descendo pelas costas. No pescoço eu sinto muitas cócegas. — fiquei calado quando começou a explicar como que gostava que o mordessem, e meu ar foi ficando mais pesado imaginando exatamente suas palavras. Minha mente era extremamente fantasiosa, eu sempre pirava na batatinha quando lia algum livro, porque imaginava tudo com muitos detalhes, e às vezes isso me fazia demorar para terminar de ler, porque eu ficava lá olhando para a parede viajando. E agora não tinha sido diferente. Nem tão forte e nem tão leve. Na nuca e descendo pelas costas. Meus olhos se fecharam, sentindo um arrepio subir pela minha espinha, fazendo todos os meus pelos se eriçarem. Parecia gostoso. Droga. Abri os olhos percebendo que tinha passado tempo demais em silêncio absorvendo aquilo. pigarreou. — Mas fica entre a gente, gosto que descubram essas coisas sem eu falar e geralmente nunca descobrem. — suspirou frustrado por isso. — O físico alemão Max Planck tinha como foco os estudos das radiações eletromagnéticas. E foi quando ele criou uma das mais importantes constantes da física quântica, que a gente chama de Constante de Planck. — deixou minha voz ir saindo mansa, rouca e até sussurrante enquanto contava como chegamos da física Quântica. Como sempre, era sinônimo de perfeição, eu não tinha ideia de quem era o tal de Max. Então apenas gargalhei alto com sua explicação. — Ficaram interessantes, ? — provocou baixinho. — Não provoco não, eu sei que gosta mesmo. Depois eu que caio nas suas arapucas e saio todo ferrado. — rebateu parecendo sério. Retraí meus lábios me sentindo culpado, mas isso fez algo se acender em minha mente louca. — Estou. — respondeu rapidamente. — Perdi mesmo? Estou falando que você só judia de mim, oferece o doce, esfrega na minha cara, e quando eu vou pegar, você tira. Cansei, não quero mais também. — devolveu como se tivesse mesmo chateado, até fungou como se fosse chorar a qualquer momento. Ri um pouco quando disse que estava sem nem ao menos pensar. Ergui minhas sobrancelhas com o desaforo dele.
— Poxa, gosto quando você se ilude. É gostoso. Aí eu posso me iludir junto. — arregalei meus olhos com o que eu tinha falado. OK, já podia encerrar a ligação agora, né? Já tinha falado besteira demais. Onde era o botão que aperto para que eu fosse cancelado? — Hm, anotei aqui. Não vou esquecer. — soltei em um tom de provocativo para o deixar ele sem graça e para que não questionasse o motivo do meu silêncio. — Não vou falar para ninguém, Wen. Vou guardar só para mim. — contei em um sussurro mesmo, dando um riso fraco no final. — Na boa, . Se você não existisse, teriam que te criar. — contei a ele, ainda rindo um pouco. Nerd para caralho. — Ficou tão interessante que tive orgasmos mentais. — debochei rindo mais nem conseguindo usar um tom de provocação. — , eu te afeto? — perguntei realmente sério, querendo saber daquilo. Porque logo se ele saía ferrado, era logicamente que minhas provocações o atingiam de alguma forma, e duvidava que estivesse se referindo que o deixava sem graça. Precisava saber disso, e dependendo de sua resposta eu pararia com minhas brincadeiras idiotas. — Estou entendendo qual é a sua, ! Você me dispensa e eu tenho que achar que tá OK! Agora quando eu falo que não... Aí nossa! A madame faz um chororô danado. OK. Você não quer mais? OK. OK. OK! — e de forma que não tivesse me dado conta, tinha me irritado de leve com aquilo. Ele não queria mais. OK. Eu também não ia querer. Passei meu braço livre ao redor do meu tronco como se pudesse cruzar os dois e fiquei irritado por estar com a mão ocupada segurando meu celular junto à orelha.
Ah tá bom, . Tá bom. — e também tentei não pensar sobre aquilo, porque não fazia o menor sentido. — Anotou para quê? ! — chamou meu nome com meu tom de dar bronca mesmo. Umedeci meus lábios segurando a risada que queria sair por causa do seu tom de voz comigo. — Assim que eu gosto, encrenca. — sussurrou de volta. Retraí meus lábios com ele me chamando de encrenca de novo, e não rebati. Ele estava fazendo para me afetar. Eu sabia disso. — Talvez eu exista apenas na sua imaginação e a na do Davi. Sou o amigo imaginário de vocês. — brincou, rindo dessa vez e aumentando o som da risada. — Eu tenho orgasmos com informações assim mesmo, aff. — ele ficou em silêncio quando quis saber se o afetava, e isso foi me deixando apreensivo, ansioso, realmente nervoso. Passei a palma da minha mão no jeans da minha calça, porque ela começava a suar. Não tinha sentido para ficar daquele jeito apenas esperando por uma resposta, mas talvez fosse o medo que ela causaria em nós que me fazia ficar assim. Eu não queria ser diferente com , e não queria que ele fosse diferente comigo, só que também não queria que se chateasse com minhas idiotices. — Eu me ferro porque eu sempre fico com cara de pastel por não saber responder suas provocações, encrenca. Sou nerd demais para provocar de volta. — então ele começou a explicar o que disse, saindo da resposta do que eu havia perguntado, mas aquilo era minha resposta. Ele ficava afetado e não queria falar por saber que as coisas entre nós ficariam estranhas. E agora era a hora que eu dava uma de e fingia que nada tinha acontecido e agiria normalmente, porque era assim que também queria. Mais uma vez me calei. — O que me afeta realmente é seu irmão dormir com os pés para fora da coberta. Cara, isso não se faz. — ri fraco quando ele disse do meu irmão dormindo com os pés para fora da coberta. Nunca entendi o sentido disso, mas era o Davi. Ele não fazia tanto sentido quanto eu. — Você tá irritado, é? — fiz um bico ainda maior com seu questionamento. — Não me faça realmente te dar uns beijos, encrenca, porque eu dou só para você parar com esse drama todo. — soou sério e talvez fosse.
— Um dia você vai ver. — respondi sobre o que tinha anotado. tinha contado como gostava que o mordesse para a pessoa errada. Ele apenas deu um pequeno riso e não disse nada. — Você é muito bom apenas para ser um delírio coletivo, . — contei com um pequeno sorriso. Era a verdade. Minha mente e a de Davi não seriam capazes de criar algo tão bom quanto Wen era. — Não! — respondi em tom de irritação mesmo e virei de costas como se fosse virar de costas para o próprio , mas ele estava no outro lado da linha mesmo. — Não vem me iludir não. Porque eu vou esperar a porcaria desse beijo que você nunca vai me dar mesmo. — Soltei que nem uma criança mimada, mas ri no final.
Sou muito bom mesmo. Mas posso afirmar o mesmo dos meus melhores amigos. — respondeu de um jeito bem fofo, imaginava até que estava sorrindo abertamente, e isso me fez sorrir também. — Garoto, eu vou enfiar minha língua na sua boca até você engasgar! Seu palhaço! — brincou, mas parecendo estar dando bronca e fazendo aquela promessa realmente.
— Ah, é?! Então enfia! Vai! Até na minha garganta! Quero ver! — rebati bem afrontoso unindo as sobrancelhas e fazendo um bico como se ele fosse ver aquilo. Então gargalhou, e eu rolei meus olhos.
Tem hora que você não existe mesmo. — respondeu em meio às gargalhadas.
— Claro que existo, estou bem aqui esperando meu príncipe chegar com meu beijo. — rebati, colocando minha mão livre na cintura e acabei rindo também.
Ele já tá chegando preparado para enfiar a língua dele em você. — falou enquanto ainda dava risada.
— OK, estou esperando bem ansioso por isso. — brinquei rindo um pouco mais e mordendo de leve meu lábio inferior. — Sabe, dos amigos do meu irmão o que mais gosto é de você. — continuei, mas isso era a verdade.
era o mais legal deles, e o mais fiel também. Nunca ouvi Davi xingá-lo falando que tinha o ferrado com algo. E ele conversava direito comigo, não era que nem os outros que me chamava de pirralho e ficava tentando me irritar só porque eu era mais novo. Bando de idiotas. E o mais ridículo era que eu era maior que todos eles, e ainda tinham a cara de pau de me chamar de criança. Me poupe. me tratava normalmente, sempre foi assim, sempre me senti como se tivesse sua idade independente de quantos anos eu tivesse, e nossa diferença de três anos nunca foi um problema para nós. Tudo bem que às vezes eu ficava zoando, mas gostava dos papos profundos, me fazia ver que eu não era um completo idiota como a maioria. Coisa de verdade que a gente falava. Umas conversas loucas que não tinha com nenhum amigo meu. Era realmente bom. Agradável mesmo que às vezes ele usasse umas palavras que eu não fazia ideia do que significava, mas apenas concordava e acenava como os pinguins de Madagascar me ensinaram.
Hm, eu sei disso. Eu sou o mais bonito e o mais legal mesmo. — brincou. — Aliás, eu já limpei tantos vômitos seus. Eu merecia ser o seu preferido mesmo. — estalou a língua no céu da boca.
— O quê? Eu não disse que você era o mais bonito. Você está surdo e sua mente está fantasiando coisas. Você quer que eu te ache bonito, Wen? — provoquei querendo rir de novo. Se tinha uma coisa que eu adorava fazer era colocar fogo no parquinho. — Disso você sinceramente não precisava lembrar, viu. — falei com ele fazendo cara de nojo lembrando de uma das vezes que eu enchi o rabo de bebida e vomitei na porta do carro do meu irmão. teve que lavar para meu irmão não comer nosso cu. — E você não é o meu preferido por isso, OK? — só deixei bem claro mesmo, porque eu não gostava dele por causa dessas coisas, bem, também, mas era além disso, bem além mesmo.
Você não disse, mas eu estou falando os fatos. Você já viu os outros amigos do seu irmão? Fico me perguntando de que filme do Alien vs Predador eles saíram. — brincou, soltando uma risadinha nasalada. Fiz uma careta. Ele tinha razão. Os outros amigos de Davi eram cães. Um mais medonho que o outro. — Não quero nada, . Você acha se você quiser. — respondeu, soltando levemente o ar. Estreitei meus olhos. Eu achava o que eu quisesse. Era um maldito mesmo. — Você me acha bonito? — provocou de volta, mostrando que eu sabia provocar também. — Foi mal, eu tento apagar da minha mente todos os dias. Cenas lamentáveis. — estalou a língua no céu da boca. — Eu sei que não, . — respondeu em um tom sincero, sorrindo por saber que ele gostava de mim bem além daquilo. Não era só limpar meus vômitos, era uma parceria que a gente tinha que era bem doida, eu curtia também. — Parecem que saíram daqueles filmes trashes, com aquelas máscaras medonhas. Aqueles filmes me dão medo. — encolhi meus ombros lembrando do filme A Mosca. Deus, aquilo era nojento!
— Só se eu fosse cego, né ? — foi o que recomendo se o achava bonito. O cara era um ridículo lindo para caralho, e não tinha como negar aquilo, só não ia admitir pois sabia que seu ego ficaria maior do que já era. era um prato cheio para as garotas, lindo e inteligente, além de parecer foder bem. Mais o que uma mulher iria querer tem? O sujeito era o sonho de consumo de todas! E eu odiava ir para festas com o só por causa disso, era uma merda conseguir pegar alguém quando aquele cara estava lá, todas sempre o queriam. Se ele sorrisse então... Aí sim eu podia desistir porque não ia pegar mais ninguém na noite, porque ele tinha levado todas. — Você não está apagando certo. Porque eu... Ow nem me lembro. — Fiz um gesto com a mão como se estivesse abanando as lembranças para longe. Mas era verdade, quando chegava no estado dele ter que me ajudar, o máximo que lembrava eram de flashes no dia seguinte, quando não era um branco total.
Deve ser tática do seu irmão. Andar com uns aliens pra parecer um Deus grego. Pegar mais gente e tal. Sei bem essa tática. — gargalhei com o que falou. — Que pena! E eu achando que tinha chances com você. — brincou, ainda rindo baixinho. — Me ensina a apagar então, porque olha...
— Tenho pena das meninas! Imagina. Compra uma BMW e não consegue andar! — soltei rindo ainda mais alto. Meu irmão era bonito, mas todos sabiam que seu pau não dava conta do serviço, ou pelo menos eram o que achavam, porque eu tinha espalhado isso por aí. — E quem disse que não tem chance? — perguntei colocando uma mão na cintura querendo ouvir qual seria a sua reação com aquilo. Eu não podia falar explicitamente que ele era bonito, mas não queria dizer que não podia insinuar, iria amaciar seu ego de forma indireta pelo menos. — Toma a quantidade de tequila que eu tomo e aí você vai ver se não apaga até seu nome da mente. — soltei rindo contando qual era meu segredo para apagar as coisas.
Coitadas mesmo, mano! A BMW com defeito e só fica na garagem mesmo. — Joguei minha cabeça para trás, gargalhando com o que disse sobre meu irmão. Davi nos odiava demais por essas coisas, mas ele era bonitão, e tinha seu charme, as meninas não ligava para os rumores. ficou em silêncio e olhei para a tela do celular para ver se a ligação não tinha caído, mas não. Quando pensei em chamá-lo para ver se estava tudo bem, sua voz veio. — Você disse que só me acharia bonito se fosse cego. Logo penso que não tenho chances nenhuma com você. Devo dizer que vou até parar de lutar para que você me note logo. — comentou baixinho, contando como se realmente estivesse desistindo de um sonho, mas acabou deixando um riso nasalado escapar. — Eu provavelmente entro em coma alcoólico se fizer isso. Ou você que acabaria limpando o meu vômito. — respondeu com aquele tom de professor explicando a matéria chata da aula do dia.
— Sinto que teremos que inventar outra desculpa para Davi para de pegar geral. Pensei em falar que ele tem chulé, mas é só jogar um talco e tá tudo certo. O que podemos espalhar por aí agora? Que ele peida quando transa? — perguntei achando que poderíamos ter uma ideia melhor que aquela enquanto ouvia Wen rindo com cada uma delas. — Não! Eu disse que só não te acharia bonito se fosse CEGO! Porque eu não poderia ver sua beleza. E não precisa lutar, Wen. Eu já te noto... Mais do que deveria. — e naquele momento eu tinha me tocado do que tinha acabado de admitir e meus olhos se arregalaram. Puta que pariu, ! Que caralho foi esse que saiu da sua boca? Então ri para disfarçar. Era zoeira. Só brincadeirinha besta. Respirei fundo passando a mão em meu cabelo o empurrando para trás e o segurando por uns segundos. Eu deveria falar alguma besteira, mas acho que era só melhor fingir demência agora. — Mas é exatamente essa a intenção! Coma alcoólico sempre resolve a situação. — contei rindo demais como se os problemas dele fossem se resolver daquele jeito. — Mas pensando bem, melhor não. Eu ia acabar no seu vômito de tão bêbado que estaria. — fiz uma cara de nojo, mas era provavelmente que isso acontecesse, real.
Eu bêbado não tinha dono. Saía por aí fazendo muita bosta e nunca lembrava. Davi sempre ficava para morrer querendo me socar no dia seguinte. Mas é a vida, amigos. Lembro da vez que acordei na casa de um pessoal que nunca vi na vida com mais de cinquenta chamadas de Davi no meu celular, sendo que já passava das duas da tarde. Não liguei de volta, apenas fui para casa com minha ressaca clássica. E quando cheguei, Wen me abraçou preocupado, enquanto Davi já vinha para cima de mim parecendo que tinha sido tomado por um dos dragões dos filmes que gostava. O bicho cuspia fogo, e só não me socou porque Wen não deixou. Foi a maior confusão e eu tive que dormir uma semana na casa do porque Davi não queria olhar na minha cara de tanta raiva que tinha ficado. Um absurdo, nem tinha feito nada. Só sumi por umas horas, poxa.
Peidar é uma boa mesmo! Hm, a transa dele durar somente cinco minutos, a ejaculação dele ser de um adolescente que acabou de descobrir a masturbação e goza depois de minutinhos. — comentou outra ideia, rindo dela por nós dois sermos péssimos. — Ou a gente aceita a derrota, encrenca. — suspirou baixo como se se sentisse um total fracassado por isso. Percebi o silêncio novamente na linha depois da minha provocação, e sorri. Bingo, o deixei sem graça! — Nota nada. Por que você notaria? Sou só o seu melhor amigo nerd, chato, viciado em artigos. Não tenho nenhum caos para atrair o seu, encrenca. — respondeu em tom de lamento. Mordi a lateral da língua com a sua pergunta. Fingi não ouvir de novo ele me chamando de encrenca pela décima vez só naquela ligação. Ah, , eu vou te caçar, desgraça. — Eca, ! Vamos manter eu lembrando e cuidando de você que soa melhor. — ri alto com ele sentindo nojo da situação do vômito, mas era nojento mesmo.
— Olha, acho que pode funcionar viu. Falar que ele é meia bomba, que depois de três sentadas ele já tá gozando. Aposto que as meninas iam ficar indignadas. — levei a mão até meu queixo pensando sobre aquilo. Wen soltou uma risada alta. — O quê? Nunca aceito uma derrota, . — ainda ia conseguir queimar o filme de Davi de alguma forma, eu precisava transar e com meu irmão no pedaço era quase impossível, o maldito levava todas junto com . — Se quiser posso listar os motivos pelos quais te notaria, Wen. — falei já pensando em algum nesse meio tempo. — Sua calmaria atrai meu caos. — resolvi só dizer aquilo para entender que era além das suas qualidades. Eu realmente gostava de ficar perto de , ele me deixava calmo, fazia o caos se tornar menor. Pisquei meus olhos me perguntando porque estava pensando naquilo. Dei um tapa na minha própria cabeça para dispersar aquele pensamento nada a ver. — OK. Gosto disso.
E gostava mesmo dele cuidando de mim nas minhas ressacas, porque Davi não era bom nisso. Já tinha perdido as contas de quantas vezes meu irmão tinha me acordado jogando um copo de água na minha cara, e todas as vezes eu me afogava. Entrava água no meu nariz, mano. Era uma merda. O que custava ser que nem o e me acordar me mansinho com uma caneca de café adoçada perfeitamente? Meu humor sempre melhorava quando ele fazia isso.
As meninas vão odiar! Lutar por um cara que acaba minutinhos depois é decepcionante. — disse com convicção, topando aquela ideia de queimar o filme do Davi de novo. — Então só vamos para essa batalha, . — comentou em meio às risadas porque Davi iria nos matar se soubesse daquilo. — Atrai? O seu caos é atraído pelo oposto então? — quis saber mais. Fiquei calado por alguns segundo com suas perguntas.
— Nossa, eu iria odiar. — comentei gargalhando pensando nas meninas com raiva de dar três sentadas e pronto. Acabou. Péssimo. gargalhou também. Não valemos nada mesmo. — Partiu! — disse já pensando quando seria a próxima festa para poder queimar o filme do Davi. — Sim. Eu gosto disso. — foi tudo o que respondi. Meu caos se atraía pelo oposto. Às vezes eu apenas queria silêncio.
Partiu! — repeti, rindo animado. — Eu também. Gosto de como você tira as coisas de mim fácil. Gosto de quando você fica me olhando sempre que eu explico alguma coisa. — mordi meus lábios por dentro ouvindo falar o que gostava, então respirei fundo.
Eram duas verdades. Não precisava apertar muito ele para que falasse as coisas. E era fato, eu sempre prestava muita atenção quando estava explicando qualquer coisa, o olhava sem querer piscar, porque não queria perder nada. Soltei o ar em forma de suspiro. Algo em mim gostou de saber que ele gostava da forma como o olhava. E não falei nada, apenas fiquei com aquilo para mim.
Ei, maluco. Estou chegando. — avisou, me trazendo de volta a realidade. — Se apressa, tá?
— Ok, estou descendo. — disse encerrando a ligação e guardando o celular que estava até quente.
Corri até a escada de emergência e desci rapidamente, saltando alguns degraus até. Tentando ir o mais rápido que conseguia como ele tinha pedido. Eu só corri mesmo como se não houvesse amanhã. Pulei do último degrau aterrissando no chão e avistei o carro de na entrada do beco, então disparei em sua direção rapidamente, esperando que nenhum policial nos pegasse, ou certamente seríamos presos.




Continua...



Nota da autora: Sem nota.



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