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Última atualização: 11/07/2021

Capítulo 1: Formatura com dinossauros




Estava terminando de arrumar minha mala, tentando fechar, na verdade, e com aquela impressão de que estava esquecendo alguma coisa ou praticamente tudo. Sentia meu humor oscilando e isso estava me detonando, para ser bem sincero. Sempre foi meu maior sonho ir ao Jurassic Park, desde criança quando lia as reportagens de que o parque tinha sido fechado e nem chegado a inaugurar devido às inúmeras falhas que aconteceram. Desde então sonhava com o dia que ele fosse reaberto para que então eu pudesse realizar um dos meus grandes sonhos. Só que parado na frente da minha mala, faltando apenas algumas horas para pegar o vôo, não me sentia nada feliz. Não estava ansioso.
Peguei meu iPhone e desbloqueei a tela, indo direto naquela mesma conversa, na qual a última vez que aconteceu alguma coisa foi há algumas semanas atrás. Engoli a seco e comecei a digitar, mas obviamente que apaguei antes mesmo de terminar a mensagem. Queria perguntar ao meu melhor amigo o que ele levaria para a viagem, mas a droga da verdade era que não estávamos mais nos falando e aquela viagem parecia não fazer sentido algum, já que passamos anos de nossas vidas planejando como seria quando ela finalmente chegasse. Respirei fundo e tentei mais uma vez digitar qualquer coisa, nem que fosse um simples “oi”, mas não conseguia mandar. Então apenas suspirei e soltei um grunhido de ódio, e de pura frustração comigo mesmo.
, a Brenda está aqui — minha mãe berrou da sala, fazendo eu acordar dos meus pensamentos.
— Pode deixar ela subir — pedi, terminando de fechar aquela droga de mala.
— De jeito nenhum! O voo tem horário, então você vai descer e se despedir dela por cinco minutos enquanto seu irmão e eu colocamos suas coisas no carro. — Foi bem taxativa e eu sabia que com aquele tom de voz não havia nem discussão.
Rolei meus olhos e apenas coloquei meu celular dentro do bolso da calça jeans, saindo do meu quarto rapidamente e ignorando meu irmão no corredor, que usava uma máscara de algum dinossauro. Desci as escadas rapidamente e vi Brenda na porta de casa com o rosto inchado e lágrimas rolando em seu rosto. Uni as sobrancelhas com aquilo, não entendendo o motivo de ela estar chorando na porta da minha casa.
— Juro que não vou ser devorado por um dinossauro — falei logo de uma vez, me aproximando dela e a puxando para um abraço apertado, ouvindo ela soluçar. — Santo Deus, o que houve? Quem morreu?
— Você vai arranjar outra garota lá, . Isso que vai acontecer. Não vou nessa droga de viagem e você vai estar livre — respondeu aos prantos, só me tirando uma careta.
— Tá de brincadeira comigo, não é? — a soltei e olhei em seu rosto, buscando seus olhos. — Vou estar em um parque com dinossauros e você acha mesmo que vou estar ligando para garotas? Faça-me o favor, Brenda! — fiz outra careta, demonstrando meu desgosto e descontentamento com aquela afirmação dela.
— Mas você está solteiro agora e nossa escola inteira vai estar nessa droga de viagem! E sei lá mais quantas pessoas. Você não vai ficar vendo dinossauros todo tempo do mundo, , larga mão de ser sonso! — esbravejou, apontando seu dedo para mim, e ouvi minha mãe rir quando passou com a minha mala.
— Se eu fosse você, sentia ciúmes do dinossauro mesmo, querida. — Estreitei meus olhos para minha mãe com aquele comentário e Brenda chorou ainda mais.
— Relaxa, Brenda, nem o T-Rex quer o mala sem alça do meu irmão. — Agora foi a vez de Kayden se pronunciar.
— Vão caçar o que fazer — mandei, voltando minha atenção para ela. — Para de chorar! Quer saber? Tá livre para enfiar sua língua em outra pessoa também — falei de uma vez, perdendo a porra da minha paciência. — Estou atrasado agora. — Bufei, ouvindo a garota soluçar ainda mais alto.
— Você é um escroto, um baita de um babaca! — berrou, só me fazendo lhe dar as costas e subir novamente para o meu quarto.
— Brenda, deixa a porta aberta mesmo, querida. Obrigada, tá? — ouvi o cinismo na voz da minha mãe e dessa vez eu ri nasalado.
Terminei de pegar minhas coisas, vestindo o blazer com o emblema da escola, e me senti na creche naqueles passeios que costumávamos fazer. Seria ridículo todo mundo com aquele mesmo blazer no aeroporto, balsa e no trem, sem falar andando pelo parque. Mas tudo bem, isso não estava me incomodando antes, mas neste momento absolutamente tudo parecia errado. Pois é, meu humor estava de fato oscilando e eu sabia que isso era uma verdadeira droga. E ele só ficou pior quando desci até o carro e ouvi meu irmão e minha mãe rirem da ceninha que a Brenda tinha feito na porta de casa.
— Sem piadas — mandei secamente, fechando a porta do carro assim que entrei do lado do passageiro.
— Quer chocolate para a TPM, filho? Eu tenho no porta-luvas — comentou, tirando mais risadas do meu irmão, que estava no banco de trás. Abri o porta-luvas e peguei mesmo todos que tinham, já recebendo um baita de um tapa na mão, me fazendo derrubar todos. — Era uma piada, ! — Então a empurrei e tentei pegar os chocolates que tinha derrubado, mas a ridícula segurou minha orelha e a puxou, me fazendo grunhir.
— Mãe! Assim não! — segurei seu pulso e ouvi meu irmão rir ainda mais.
— Vai, mãe, acaba com ele! — pirralho maldito, isso que ele era.
— Solta. Os. Meus. Chocolates. — Torceu um pouco minha orelha e eu esbocei uma careta, soltando os chocolates. — Bom garoto! — sorriu toda orgulhosa, dando uns tapinhas no meu ombro. — Vamos passar para pegar o ? — perguntou e eu fechei minha expressão no mesmo segundo.
— Não — respondi com a voz baixa, colocando o cinto e olhando para frente.
— Vocês ainda estão brigados? Credo, , manda mensagem para ele! — mandou, batendo no volante.
— Manda você, oras — rebati, fazendo um bico emburrado e cruzando meus braços.
— Tá bom. — Vi ela pegar seu celular, mas no mesmo instante tirei ele da mão dela.
— Dá pra ligar a droga do carro e irmos logo? Meu voo tem horário marcado! Que inferno! — soltei o ar bem irritado já com tudo aquilo, tirando uma risadinha dela e finalmente ouvindo ela dar partida.
— Isso daí se chama saudades, seu emburrado orgulhoso. O que que custa mandar mensagem para o garoto que é seu melhor amigo? — travei meu maxilar com aquilo e decidi não responder.
Fiquei em silêncio durante o caminho todo até o aeroporto, ouvindo apenas meu irmão e ela conversaram de tudo que não tinha nexo algum, como cachorro voar e coisas desse tipo. O assunto mais normal que aconteceu naquele carro foi que aliens já vieram à terra algum dia em algum ano e minha mãe disse que tinha certeza que nossa vizinha era um deles. Minha mãe era uma pessoa bem estranha, a qual me teve com apenas dezessete anos e foi expulsa de casa quando ficou grávida. Mas ela sempre soube se virar muito bem, nunca quis se casar com cara nenhum, nem com meu pai, que eu nem sabia o nome, e muito menos com o pai do meu irmão, o idiota que ainda levava buquês de flores toda vez que ia visitá-lo. Ela era autêntica, excêntrica e também uma excelente pessoa. Poderia não ser considerada a “mãe exemplar”, mas para mim ela era a melhor.
Assim que paramos no aeroporto, peguei minha mochila e ela fez questão de levar a mala, me abraçando de lado e me fazendo abraçar o pirralho do meu lado também; e, logo quando entramos e seguimos até a parte de embarcar, os soltei assim que vi uma galera de uniforme da minha escola. Fiz uma careta leve quando meu professor de biologia veio até nós, pegando meus documentos para ele fazer o check-in junto com os dos outros alunos que ele já tinha em mão. Ignorei totalmente a minha mãe querendo rir pelo professor parecer ter uns cento e vinte anos, afinal ele parecia mesmo.
Oh my Johanna, Johanna, Johanna. Who am I? Who am I? Couldn't tell ya, couldn't tell ya apareceu correndo com sua mala, cantando, e abriu os braços fazendo uma coreografia na frente da minha mãe, e dando um sorriso enorme para ela, pegando sua mão e a girando. Quis rir daquilo, mas apenas retraí meus lábios, vendo ela rir em divertimento. — Who am I? — soltou, unindo as sobrancelhas e depois tirou seu fone de ouvido. — Achei a sua música! Eu disse que iria achar uma com o seu nome — disse para a minha mãe e lhe deu um abraço, esmagando a cabeça dela contra seu peito enquanto tinha chamado toda atenção do aeroporto para eles. Mordi minha bochecha internamente, olhando em volta com a cara bem fechada para aqueles intrometidos.
— Já considero a melhor música, afinal, para uma musa feito euzinha aqui! — ela respondeu toda se achando, fazendo uma dancinha antes de devolver o abraço dele, o apertando de volta.
— Ah, com toda certeza. Não tenho dúvida disso. Mesmo que a Johanna da música tenha uns cento e noventa anos. — Implicou com ela, rindo um pouco mais e recebendo um cutucão na costela por isso; riu mais alto agora. — Trouxe meus chocolates?
— Era minha tataravó, mais respeito, por favor — mandou, se pagando de séria, e o soltou. — Quem te deixou sair de casa assim? Tem pasta de dente na sua cara. — Implicou de volta com ele, apontando o seu rosto enquanto segurava a risada. Ele tentou limpar sem saber exatamente onde. Aquilo me tirou um riso fraco. — Olha só, meu filho ainda sabe rir! Nem tudo estava perdido. — Brincou e isso me fez emburrar de novo no mesmo instante, e eu virei o rosto para o outro lado. — Toma, . — Então, entregou os chocolates para ele e eu arregalei meus olhos no mesmo instante. Ele os pegou feliz da vida, já abrindo um e começando a comer.
— Eu não podia comer, mas ele pode? — questionei no mesmo segundo.
— Era para os dois, mas agora ele pode dividir contigo — respondeu e eu entendi o que ela queria fazer. A odiei naquele instante. ergueu as sobrancelhas e ainda mastigando estendeu o chocolate mordido em minha direção.
— Sua tataravózinha com toda certeza era a Vênus. — Balançou a cabeça de forma pensativa, e depois começou a rir. — Johanna, eu não tenho culpa. Era sair assim ou perder o voo. Você disse que ia me dar uma carona, fiquei esperando. Tive que pedir um uber. — Rolou os olhos como se tivesse contrariado com aquilo, mas era apenas cena, tanto que ele sorriu depois. — Ele não resiste quando estou perto. — Deu uma piscadinha para mim e eu estreitei meus olhos em sua direção. — Não fique tão rabugento, eu te dou um pedaço, mas não abusa — falou sobre o chocolate em pura implicância.
— Quero um inteiro e não um pedaço — respondi sério, indicando os outros que ele tinha ganhado. olhou para os doces em sua mão e me deu o que ele menos gostava. A sorte que eu não era fresco e acabei pegando mesmo, puxando de sua mão bem rapidamente, e ele fez uma careta com isso.
— Pensei que a carona estava de pé ainda, mas não me deixaram te enviar mensagem, sabe? — minha mãe soltou bem alto, como se ele não soubesse de quem ela estava falando e mais uma vez eu rolei meus olhos. — Papo sério agora, meninos — falou, batendo uma palma para que prestássemos atenção nela. mordeu o chocolate e a olhou enquanto mastigava, curioso para saber o que ela iria falar. — Parem de briguinhas os dois, é sério mesmo. Vocês são melhores amigos desde sei lá quando, e vocês vão para um lugar onde os bichos tudo come gente. Então, cuidem um do outro e deixem essa briguinha de colegial para trás. Estamos combinados? — os olhos dela passavam tanto em mim quanto nele.
— Entendo, entendo. — Balançou a cabeça e me olhou de relance. Ele sabia o motivo. — Johanna, eu não posso fazer nada se ele me odeia agora. Mas pode deixar, se eu vir um velociraptor correndo atrás dele vou gravar e te mandar — contou, rindo um pouco e acabando de comer o chocolate que minha mãe havia lhe dado. — Eu trouxe band-aid de dinossauro para ele — falou baixo, mas ainda assim consegui ouvir. Encarei ele por alguns segundos, antes de voltar olhar para minha mãe.
— O ama uma novela mexicana. Não odeio ninguém. — Rolei meus olhos, ajeitando a mochila nas minhas costas. — Enfim, tchau, mãe. Vou despachar a mala — avisei, me aproximando dela e dando um abraço apertado, sentindo ela retribuir da mesma forma. — Vou sentir saudades. Fica bem. — Então a soltei.
— Manda mensagem quando chegar lá, filho, por favor. Se cuida — respondeu, alisando meu braço, e então abraçou de novo. — Você também manda mensagem, e se cuida, tá? Nada de encostar nas grades dos dinossauros. — Quis rir daquilo, mas apenas sorri disfarçadamente e abracei meu irmão.
— Não odeia? Poxa, imagina quando odiar então, né? — foi totalmente sarcástico agora, e eu senti o veneno em suas palavras, ainda mais na forma como me olhou. Ignorei aquilo, rolando meus olhos. — Pode deixar que vou fazer uma video chamada. E vou me lembrar de não encostar nas grades. — Sorriu abertamente para minha mãe, a abraçando como antes. — Obrigado pelos chocolates. — Então deu um beijo em sua cabeça e depois bagunçou o cabelo dela, recebendo um tapa no braço. riu e se afastou. — Vou despachar a mala também. Até a volta, Joh! — acenou para ela e saiu correndo quase, derrubando os outros ainda. Quase soltei um riso, mas o segurei.
— Cuida da mamãe — pedi ao meu irmão e o soltei do abraço, e antes de me afastar, dei um beijo no rosto dela. — Te amo — falei, e então comecei a caminhar para onde o maluco tinha corrido.
— Te amo também, filho. Cuide do também, por favor, tentem fazer as pazes. — Seu tom continha uma certa súplica e eu apenas suspirei, balançando a cabeça e segui meu caminho.

[...]


Estava sentado na poltrona, esperando o avião decolar, enquanto colocava os fones de ouvido para escolher alguma coisa para assistir, enquanto também estava aquela bagunça de pessoas procurando seus lugares e os professores dando um surto nos corredores do avião para fazer a contagem dos alunos ainda. Santo Deus! Precisava achar algo logo para assistir, até que um dos professores indicou o lugar ao meu lado para e eu mordi de leve meu lábio inferior, olhando para ele. Seus olhos verdes encararam os meus, então ele se virou para o professor.
— Não gosto de ficar depois da asa do avião, tem muita turbulência e eu passo mal — falou com o professor sem me olhar agora.
— Mas foi passada uma lista perguntando dos números dos assentos, . E lembro bem de vocês dois fazendo uma bagunça para sentarem juntos — o professor comentou, olhando para nós dois por cima de seus óculos, que tinham escorregado para a ponta do nariz.
— Eu não prestei atenção no layout na hora de escolher, eu não vi que a 22A era depois da asa. — Deu de ombros e continuou olhando para o homem, esperando que cedesse logo. Rolei meus olhos com aquilo, voltando a colocar meus fones e escolhendo alguma coisa para assistir.
— Certo, . Você vai sentar comigo lá na frente, então — falou, dando espaço para ele voltar o caminho.
— Pensando melhor, acho que trouxe meu remédio para enjoo — respondeu rapidamente e passou por cima de mim, batendo ainda com a mochila na minha cabeça.
— Que inferno, ! — resmunguei, empurrando a mochila dele e passando a mão na minha cabeça.
— Que inferno, ! — Imitou, fazendo uma careta para mim, e abriu sua mochila, começando a mexer dentro dela e pegando outro chocolate.
Rolei meus olhos, ficando emburrado com aquilo, e coloquei qualquer filme para rodar, de terror mesmo porque geralmente eu dormia em filmes de terror. Mas o fato da minha mãe ter dado os chocolates para ele e não para mim ainda estava me incomodando. Por que ela não pegava ele pra ela então?
— Tem muita turbulência e eu passo mal. — O imitei também, mudando o tom de voz e fazendo uma careta. — Mentiroso — resmunguei.
— Acho que vou vomitar em cima de você antes do avião decolar. Quer ver. — Ele fez barulho de quem ia vomitar mesmo. Olhei bem feio para ele.
— Posso vomitar de volta em você e vai os dois banhados a vômito. Pronto. — Rebati, cruzando meus braços. — E eu quero mais um chocolate.
— Vomita. Vai ser ótimo. Aposto que o professor vai adorar o cheiro que vai ficar no avião. — Debochou e deu de ombros, comendo mais um pedaço do chocolate. Ignorei aquilo, esboçando uma careta. — Ah, quer mesmo? — perguntou de boca cheia.
— Sim, eu quero. Você vai passar mal comendo todos eles — falei, estendendo uma das minhas mãos na direção dele.
— Bom que te incomodo bastante passando mil vezes por cima de você para ir no banheiro. — Deu de ombros e enfiou o resto do chocolate todo na boca olhando bem na minha cara. — Acabou. — Mal deu para entender o que ele disse.
— Espero que você passe a droga da viagem toda no banheiro, então — desejei com raiva, virando meu rosto de novo para o filme e aumentando o volume. Então ele simplesmente jogou outro chocolate no meu peito, o qual eu peguei e comecei a comer. — Valeu — falei bem baixinho.
— Problema é seu, porque vou ter que passar todas as vezes por aí. — Então arrancou o fone de ouvido do plug só para me irritar. — Dei só para a sua praga não pegar.
— Qual é a droga do seu problema comigo? — questionei, colocando o fone de novo no plug. — Agradeci do mesmo jeito. Foda-se.
— Você é a droga do problema — respondeu irritado, pegando o celular no bolso do casaco e abrindo o spotify.
— Ah, me perdoa por existir. — Debochei, rolando meus olhos e respirando fundo.
— Deveria ser o contrário, né. — Rebateu e me olhou de relance, então colocou uma música do Linkin Park para tocar bem alto. Tirei um dos seus fones de uma forma bruta.
— Eu não te odeio. Não queria que você não existisse. — Deixei aquela merda bem clara mais uma droga de vez.
— Mas finge que eu não existo. Então dá no mesmo. — Pegou o fone da minha mão da mesma forma que eu fiz.
— Você fez a droga de uma confusão e queria que a minha reação fosse qual? — questionei, rolando meus olhos pela milésima vez.
— Eu sou um otário mesmo por achar que pudesse me entender — retrucou e voltou a colocar o fone, olhando pela janela e respirando fundo, travando o maxilar.
— Só queria ter meu melhor amigo de volta — sussurrei, sabendo que ele não iria ouvir mesmo, e voltei encostar minha cabeça na poltrona, fechando meus olhos e soltando o ar pesadamente.
Não demorou muito e eu acabei cochilando mesmo com aquele filme tedioso que era o Massacre da serra-elétrica, desejando acordar já no lugar de embarcação da balsa que nos levaria à Ilha Nublar. Porém acordei na metade do caminho com a droga de uma turbulência mesmo que chacoalhou a droga do avião inteiro, indicando tempestade. Soltei uns resmungos por ser tido acordado daquela forma e olhei em volta, coçando meus olhos levemente e olhando pela janelinha, vendo como as nuvens estavam cinzas e carregadas, e clarões apareciam no meio delas. Os olhos de estavam fixos olhando a tempestade, parecendo não estar se importando com ela, totalmente submerso em seus pensamentos enquanto seus lábios se moviam de forma muda acompanhando a música que tocava em seus fones, que pelo visto ainda era a mesma banda de antes. Ele tinha o hábito de ouvir Linkin Park ou Limp Bizkit quando estava irritado, quando mais alto, pior era. dizia que as músicas das duas bandas o puxavam da realidade, e isso o acalmava depois de um tempo. Respirei fundo, olhando para a tela agora desligada na minha frente e vendo que todo avião estava mais escuro, e só os raios lá fora que o clareavam.
Queria poder chamá-lo e tentar conversar, também queria poder conversar sobre qualquer coisa com ele, até mesmo zoar os professores, os alunos babacas, e falar sobre tudo o que iríamos fazer quando chegássemos lá. Qual seria a primeira atração, que camiseta iríamos trazer, e no mínimo quantas vezes iríamos ver o T-Rex. Pensar tudo aquilo fazia meu peito se fechar e doer, na verdade arder como uma ferida aberta. tinha me machucado demais e eu sabia que agir da forma como eu agi também tinha o machucado. Mas simplesmente não conseguia só passar uma borracha naquilo para voltar agir como se nada tivesse acontecido. Não quando ele parecia realmente só ter pensado em si mesmo, não ter pensado em nada na nossa amizade e no quanto ela era importante. Pelo menos para mim era. Odiava ser exposto, odiava ser assunto na escola ou em qualquer lugar, e odiava até mesmo apresentar trabalho lá na frente. Então, não tinha como eu fingir que nada tinha acontecido quando ele teve culpa. E agora a viagem dos meus sonhos estava sendo uma verdadeira merda!
Queria berrar de ódio por chegar a pensar que era melhor eu nem ter vindo.
Virei meu rosto para o outro lado, encarando o corredor e a janela do outro lado, até meus olhos se fecharem de novo e eu me forçar a dormir mais uma vez. Porém não consegui, apenas me mantive assim até a tempestade passar e todos começaram a murmurar exclamações de que tínhamos chegado e foi o bastante para que olhasse pela janela, vendo toda a paisagem e me tirando um sorriso fechado, ouvindo o anúncio de que iríamos aterrissar. Aquilo me deu uma leve ansiedade até, fazendo com que eu tirasse um dos fones de para ele ouvir o anúncio também, isso fez com que me olhasse irritado, e pegou o fone de volta, o colocando e retornando a encarar a janela sem falar nada. Dei de ombros com aquilo e senti aquele mesmo friozinho na barriga na hora que o avião estava descendo para a pista, até aterrissar. E assim que fomos liberados para o desembarque, tirei o cinto de segurança e me levantei, pegando minha mochila no bagageiro na parte de cima e começando a caminhar junto com o fluxo no corredor até sair do avião de uma vez.
Nossos professores entregaram nossas passagens e uns crachás de identificação para colocarmos em nossos pescoços e eu achei aquilo absurdamente ridículo. Mas tudo bem. Vesti aquela merda e olhei minha passagem da balsa, sendo logo direcionado junto dos outros alunos em direção ao porto que ficava ali mesmo, onde saíam as balsas a caminho do parque. Mais uma meia hora de pura confusão para agrupar aquele povo todo e finalmente conseguimos pegar a balsa, a qual foi somente nosso pessoal, e o tempo estava perfeito. Estava quente, o dia estava claro e limpo, nos deixando apreciar todo o caminho, até mesmo apreciar o quanto aquela ilha era incrivelmente enorme. Acabei me distraindo o caminho todo enquanto olhava tanto para o mar quanto para a ilha que nem percebi quando tínhamos chegado e o professor nos gritava para entrarmos no trem que nos levaria diretamente ao parque. Então me apressei para descer da balsa e corri para a fila, me sentando em um dos assentos mais na frente, esperando todos entrarem e ficando um pouco melhor por estar ansioso, e aquela ansiedade não me deixava com o humor tão estragado como estava antes. Peguei meu celular e tirei uma foto, mandando para minha mãe logo em seguida, e assim que voltei olhar para frente vi o entrar, e por puro impulso segurei o braço dele.
— Senta aqui — pedi com certo receio. Ele uniu as sobrancelhas, me olhando totalmente confuso, depois encarou minha mão, e apenas se sentou, sem falar nada.
Guardei meu celular e fiquei olhando para frente com bastante curiosidade e atenção enquanto o trem começava a correr nos trilhos, nos fazendo subir um pouco a montanha entre a mata, e sorri fechado ao ouvirmos barulhos que geralmente não eram do nosso cotidiano. Até então meus olhos brilharam ao ver a incrível e fenomenal entrada, com aquela grande porta de madeira, as tochas, uma de cada lado, e a grande placa em cima:

“Bem-vindos ao Jurassic Park”


Capítulo 2: Hotel, dinossauros e meu melhor amigo



Sabia que deveria estar super empolgado com aquilo tudo como tinha chegado no aeroporto. Havia dito para mim mesmo antes de sair de casa que não iria estragar as coisas de novo, mas adivinha só, já tinha conseguido isso antes de chegar na ilha. Às vezes era meio difícil controlar minhas emoções, especialmente minha língua, tinha hora que ela não cabia na boca. E com perto de mim, parecia que as coisas ficavam mais, como eu poderia descrever, intensas. Os acontecimentos sempre voltavam à minha mente, mas quando ele estava perto de mim, a forma como ele havia me olhado na última vez quando ainda éramos amigos, totalmente decepcionado comigo, ficava martelando na minha cabeça. E tudo que conseguia sentir era raiva de mim mesmo enquanto meu peito se apertava com força, juntamente de um calor infernal. Ele não queria nem mais olhar na minha cara, e a pior parte, era que isso era totalmente compreensível mesmo que eu achasse que a única pessoa que poderia entender o que fiz, era
o próprio . Mas claramente não era possível. Não sabia ainda porque ainda esperava que ele fosse falar comigo, me ligar ou apenas mandar uma mensagem, porque tinha se passado semanas, e nada havia acontecido. Pensei em pedir desculpas de novo, porém sabia que não iria adiantar, porque não iria reverter a situação. Sinceramente não sabia o que fazer.
Meus olhos foram para o professor quando me puxou pelo casaco, e percebi que tínhamos chegado no hotel. Estava tão disperso que não tinha nem ao menos me dando conta de como era realmente a entrada do parque, assim como não ouvi nada do que falaram e muito menos o que o senhor Wales estava dizendo naquele momento. Sua boca se movia enquanto o Chester Bennington berrava em meus fones de ouvido. Então apenas concordei com a cabeça segurando a alça da minha mochila e esperei o pessoal ir na frente, tentando evitar o tumulto quando estava irritado. Ainda não tinha entendido a reação de ao me puxar para sentar ao seu lado quando tinha fingido que eu simplesmente não existia nas últimas semanas, e achei melhor não perguntar nada, ou provavelmente eu acabaria sendo um idiota, mas não queria dizer que não tinha gostado, porque eu odiava gostar tanto de ficar ao lado dele, e sinceramente, estava morrendo de saudades. Admitir aquilo para mim mesmo doía, e a pior parte era saber que estávamos daquele jeito por minha causa. No avião não quis me sentar ao seu lado por ter certeza que apenas minha presença o incomodava e agora não estava entendendo mais nada. Afinal, me queria por perto ou não? Sentia que se ficasse pensando nisso meu cérebro iria virar omelete.
Segui o pessoal até o hotel, ainda na minha, ouvindo minha música. Por que era tão difícil ficar entusiasmado? Porra, eu estava no Jurassic Park, um lugar que sempre quis vir com o . Esse pensamento fez meu peito ficar pesado e se apertou dentro do meu uniforme que estava começando a ficar mais quente a cada passo que eu dava. Aquilo era algo que queríamos fazer juntos, que tínhamos planejado desde que éramos crianças. O que faríamos e até criamos várias teorias sobre como seria se um dia estivéssemos aqui. E agora estávamos, e não nos falávamos mais. Parabéns, . Você merece até um prêmio por isso.
Soltei o ar de forma irritada e entrei na recepção do hotel vendo as filas que foram formadas na frente do balcão com suas duplas a quais iriam dividir o quarto. Mordi minha bochecha e fiz um pequeno bico. e eu tínhamos combinado de dividir o quarto, o roteiro todo da viagem, tudo que iria acontecer, que deveria ser feito em dupla, nós colocamos nossos nomes. Isso seria um grande problema. O professor chegou perto de mim e colocou um adesivo colorido no meu braço.
— O que é isso? Gincana agora? — perguntei dando pause na música e olhando aquilo e fazendo uma careta, vendo que tinha um no braço de da mesma cor com o mesmo número.
— É para saber quem é sua dupla — o senhor Wales respondeu seguindo para a próxima dupla.
— Se quiser posso tentar convencer ele a trocar dupla — ofereci com , porque não estava afim de obrigar ele a ficar olhando para a minha cara o tempo todo. Isso o fez respirar fundo e me olhar. É, eu deveria calar a boca e continuar fingindo que não existia.
— Não, eu não quero nada disso — respondeu baixo, desviando o olhar e abaixando a cabeça. — Só queria ter a viagem que planejamos. Só isso.
— A viagem que planejamos era para melhores amigos — falei, e puxei o ar, sentindo que entrou meio preso, e isso me fez morder um pedacinho do meu lábio inferior com força com meu peito ficando ainda mais apertado. Aquilo fez virar o rosto, e pude ver ele respirar fundo novamente. — Não quero que se sinta desconfortável por minha causa. Então não vou ficar chateado se você quiser outra dupla — até porque, se eu ficasse, seria mais babaca do que já tinha sido com ele.
— Não quero outra dupla — respondeu, voltando a me olhar mais certo do que tinha respondido. Umedeci meus lábios e apenas concordei com a cabeça. — A gente tem que resolver isso, entende? Isso é… uma merda — soltou o ar agora e passou sua mão em seu cabelo de forma cansada. E agora foi a minha vez de desviar o olhar.
— Está bem. Vou pegar as nossas chaves — declarei e saí andando, indo para a fila que parecia estar menor. Realmente, aquilo era uma merda e nós tínhamos que resolver, mas não queria voltar de novo naquele assunto.
se encostou em uma pilastra um pouco perto da fila onde eu estava e pegou seu celular, parecendo estar ligando para alguém, provavelmente sua mãe, e isso me fez lembrar que tinha dito a Johanna que ligaria quando chegasse, porém eu odiava mentir para ela, muito menos fingir que estava bem. Achava engraçado como eu tinha mais apego pela Joh do que pela minha própria mãe, deve ser porque ela vivia ocupada demais com meu pai e minha irmã, e quase nunca me mandava mensagem. Então eu acabava conversando sobre tudo com a mãe de , inclusive, ela sabia da verdade antes mesmo que tivesse lhe contado, e a forma como me acolheu, me fez sentir como se aquele segredo não fosse tão pesado assim. Então decidi apenas mandar uma mensagem.

“Estamos na fila do hotel. Chegamos bem, mas brigamos no avião. Eu fui babaca com ele, de novo. Mais tarde faço uns vídeos e te mando. Saudades.”

Para minha mãe, apenas mandei uma mensagem falando que já estava na ilha. Sabia que não iria responder, ou só mandaria um emoji qualquer. Ela sempre fazia isso. Às vezes pensava que se eu morresse, ela só notaria quando a conta da funerária chegasse, nem notava quando eu ficava fora de casa mesmo. Já me perguntei se ela lembrava que tinha filho, mas odiei a resposta. Guardei o celular e encostei no balcão porque tinha chegado a nossa vez. Assinei a folha do check-in e acenei para vir assinar também. Ele guardou seu celular também e correu até onde eu estava, assinando a folha logo em seguida. Então peguei nossas chaves magnéticas e entreguei uma para ele que segurou logo a guardando, e segui para o elevador. Ele veio logo atrás, e outro professor estava perto dos elevadores para verificar quais alunos já tinham pegado as chaves e estavam subindo. Balancei a chave que estava na minha mão e ele olhou para meu adesivo e de , liberando para que pudéssemos ir. Apertei o botão do andar que iriamos e me joguei contra a parede no meio dos outros alunos, sentindo os olhares de todos em mim, e sabia muito bem o motivo.
— Olha só, largou a namorada para trás e finalmente vai assumir o casal, ? — o idiota do Maxton se pronunciou, rindo de um jeito maldoso. Ergui uma sobrancelha e olhei para o infeliz. — É a lua de mel, ? — virou seu rosto e me encarou agora.
— Certeza que sim. Espero que seu quarto esteja do lado do nosso para nos ouvir a noite toda fodendo. Por que não cala a porra da boca? Acho que seria lindo você correndo de um T-Rex, sabia? — então o olhei por inteiro e estalei a língua no céu da boca. — Bem, nem um T-Rex correria atrás de você — ouvi umas risadinhas dentro do elevador.
— Que bonitinho, defendendo o namorado — provocou mais um pouco, e o seu amigo babaca riu com ele. Então acompanhei, porque claramente a piada ali dentro era Maxton fazendo graça sobre aquilo. — E eu preferiria correr de um dinossauro do que ouvir vocês dois — respondeu mais rispidamente.
— Já chega! Por que você não cuida da porra da sua vida, Maxton? — ergueu o tom de voz agora, parecendo querer explodir mesmo.
— Eu ia falar exatamente agora que ele não precisava de defesa, mas bem… — fiz um bico e ergui as sobrancelhas mostrando que era óbvio. — E obviamente que você tem medo que sua masculinidade seja afetada caso escute dois caras se pegando. Não sabia que ela era tão frágil assim. Ai gente, cuidado com os vídeos gays, a masculinidade do Maxton pode ser prejudicada — provoquei sabendo que isso poderia me fazer levar um soco e mais gente riu. Passei a ponta da minha língua no canto dos meus lábios dando um sorrisinho.
— Prejudicada vai ser essa sua cara, seu babaca! — e realmente Maxton se irritou e veio para cima, mas o empurrou para longe, fazendo as costas dele bater contra seu amigo que estava atrás. E já começou o tumulto ali dentro, o elevador balançando, o pessoal já berrando. Tudo o que fiz foi gargalhar. Amava ver o circo queimar.
— Dá pra parar com essa porra? Já chega! — pediu mais uma vez, apontando para ele e depois me olhou. — Para de provocar também, por favor — ergui minhas mãos de forma declarando inocência.
— Chora não, Max — falei olhando para o garoto que estava com muita raiva. — Posso te dar um beijinho depois sem ninguém ver — pisquei para o garoto, que grunhiu tentando vir para cima de mim novamente. — Ah, mas você quer agora?
— Não é problema meu se você está preso com seu namoradinho a viagem toda e vai ter que beijar só ele — Maxton respondeu, puto da vida, tentando se soltar dos braços do seu amigo que tentava o segurar.
Eu tinha um sério problema com provocações, eu não sabia a hora de parar. Então me aproximei bruscamente dele e o tumulto ficou ainda pior, o pessoal gritando achando que iria socá-lo, arrumar mais briga, porém apenas parei com meu rosto bem perto do dele e tombei de leve a cabeça para o lado olhando bem dentro de seus olhos e desci o olhar para seus lábios. Torci de leve o nariz e sorri de lado.
— Meu andar já chegou, dá licença — falei vendo a porta se abrir e passei por Maxton bruscamente, o prendendo contra seu amigo na parede do elevador e saí.
Não demorou nada e ouvi os passos pesados de atrás de mim, até que passou por mim, tirando a chave de seu bolso e abrindo a porta do nosso quarto assim que chegou nela, entrando rapidamente. Ri nasalado com aquilo, sabia que estava puto por ter continuado provocando Maxton, mas ele me conhecia bem para saber que eu não iria parar. Então entrei no quarto e comecei a rir, porque me veio a letra de uma música na cabeça. Se eu cantasse me socaria? Não duvidava.
— A cama da janela é minha — avisei quando vi o layout do quarto.
Ele deu de ombros apenas, jogando a mochila em cima da outra cama junto com o blazer e logo em seguida correu para abrir a porta da sacada e assim que abriu, tivemos a visão do parque inteiro e até mesmo de alguns dinossauros que ficavam ao ar livre. Coloquei a minha mochila sobre a mesa e segui até lá, abrindo meu casaco e parando ao seu lado, olhando lá para baixo.
— Eu ainda acho que são animatronics — comentei, dando um pequeno riso e tirando um dele também. Porque aquilo era tão louco e irreal. Os bichos viveram há milênios e milênios de anos. Era inacreditável que conseguiram clonar mesmo eles.
— Não começa com essas coisas que eu te empurro para o mosassauro só pra você ver se são mesmo ou não, palhaço — respondeu em um tom zombeteiro, rindo baixinho enquanto olhava para baixo também. Isso me fez olhá-lo com um sorriso fechado. — Isso é tão incrível, — comentou baixinho, abrindo um sorriso. Meu olhar ficou em seu sorriso, detestava como aquele sorriso era fofo e ridiculamente charmoso. Mas não pude deixar de notar que tinha me chamado pelo apelido também.
— Você não faria isso — disse, unindo as sobrancelhas e fazendo uma careta. — Ainda acho que pode ser um dos parques da Disney — brinquei rindo fraco e voltando a olhar lá para fora.
— Não. Não faria mesmo, meu coração é mole — respondeu, esboçando uma careta por isso. — É nada. Quero ver sua cara vendo o T-Rex comendo a vaca! — falou, soltando outra risada baixa.
— Eu sei que é — ri um pouquinho com aquilo. — Cara, deixe a vaca em paz. Eu não vou ver isso. Fala sério. Dá uma árvore para ele comer — pedi, soltando um suspiro e negando com a cabeça. Coitada da vaquinha.
— Uma árvore para um animal carnívoro? Ah, ! Qual é? Você vai ver sim porque quero ver sua cara de espanto! — falou, rindo um pouquinho e me empurrou de leve. Aquilo me fez sorrir mais abertamente.
— Que vire vegetariano, oras. Eu vou fechar os olhos na hora que eles derem a vaca, você vai ver essa atrocidade sozinho. Não vou compactuar com assassinatos — declarei, mas acabei rindo em seguida.
— Vai ver sim, senhor! Vou segurar seus pulsos na hora. Não é assassinato, é ver o Tirenossauro Rex comendo! — soltou todo empolgado com aquilo, me olhando com certo entusiasmo.
— Não vai segurar meus pulsos coisa nenhuma. Eu fecho os olhos — rebati fazendo um pequeno bico e ele mostrou a língua para mim. Eu estava adorando vê-lo empolgado daquela forma. — Eu já te vi comendo muitos anos, ! — falei como se fosse a coisa mais óbvia do mundo que eu não precisava ver um T-Rex comendo, porque já tinha visto.
— Tá me chamando de T-Rex? — perguntou, fingindo estar ofendido. — Vou te chamar de Pterossauro! — apontou o dedo para mim, esboçando uma careta.
— Você me respeite que aquele bicho é feio pra diabo! O T-Rex pelo menos tem seu charme, agora o Pterossauro parece um morcego com a cabeça achatada — reclamei, então cruzei meus braços como se estivesse muito irritado com a comparação. acabou rindo mais alto com a comparação. — Se você for parar para analisar, ele parece o cruzamento de um morcego com um picapau, talvez uma galinha também — comentei de forma pensativa, mas sorri.
— Olha, ele é bem mais velho e antigo do que o morcego e o picapau, talvez. Capaz que ele seja o fundador desses animais aí, vai saber, não é? — ergueu as sobrancelhas, parecendo analisar. Na verdade, ele tinha razão. Então concordei com a cabeça. — Quando formos na jaula deles podemos comparar melhor e mais de perto — comentou, sorrindo animado com isso.
— Tomara que eles mordam a sua bunda, engraçadinho — disse fazendo uma careta para ele, então rolei meus olhos dando um riso fraco, voltando para o quarto e tirando meu casaco. — Quero ver o Braquiossauro primeiro — avisei colocando o casaco pendurado no cabide do armário.
— Vão morder nada — respondeu, rindo fraquinho me seguindo com o olhar. — Ah, eles ficam na área externa ali mesmo, vai ser fácil vê-los. Tem a parte dos filhotinhos ali, eles são adoráveis. E podemos ir para a girosfera também — vi o quão empolgado ele estava ao falar o que poderíamos fazer, enquanto me olhava. Então me joguei na cama olhando para .
— Vão sim, vão rasgar sua calça ainda — impliquei, rindo um pouquinho. — Eles são realmente adoráveis, por isso são meus favoritos… — contei mesmo ele já sabendo daquilo.
— Garoto, vou te jogar para o T-Rex — ameaçou de novo, rindo fraquinho. Ergui minhas sobrancelhas em um “tenta”. — Eles são sim — respondeu mais baixinho, desviando o olhar e voltando a olhar para fora. Apenas fiquei calado olhando para .
— Foi mal o lance do elevador — comentei mais baixo, porque sabia que aquilo tinha deixado ele nervoso.
— Você sabe que vamos ouvir mais desses comentários durante toda a viagem, não é? — questionou, se virando de novo e entrando no quarto, indo até sua cama. Fui seguindo ele com o olhar.
— Sei, e você sabe que sou péssimo em ficar de boca fechada — declarei, mesmo que não fosse necessário.
— Só não quero que aconteça uma briga e você sabe o que elas causam, tumulto, mais exposição e sem falar que perderíamos toda a nossa viagem. Os professores nos deixariam suspensos, presos no quarto por conta de briga — soltou o ar pesadamente e se sentou em sua cama. Rolei meus olhos com aquilo.
— Então eu só devo deixar os babacas preconceituosos da escola ficarem falando um monte de bostinha? — questionei, e virei meu rosto, encarando o teto do quarto agora.
— Por que a gente só não pode se divertir na viagem? — perguntou naquele tom cansado e suspirou.
— Ok, — respondi, fechando meus olhos. Eu ficaria calado.
— Se você não quiser andar comigo pelo parque ou pelos passeios, está tudo bem — ele falou ainda mais baixo.
— Nunca disse que não queria andar contigo — então abri meus olhos e me virei na cama, o olhando. — Vou tentar ficar quieto.
— Mas também não disse que queria — respondeu ainda com o tom baixo, fazendo um pequeno bico. — Obrigado.
— Quando eu não quis andar contigo, ? — perguntei o olhando bem sério.
Ele era meu melhor amigo desde sempre, em qualquer lugar que ia, eu ia junto e vice versa. A única vez que paramos de andar juntos foi por causa dessa nossa última briga.
— Depois de tudo que aconteceu e pela forma que vimos nos tratando desde o aeroporto — seus olhos ficaram em mim enquanto suas palavras saíram ainda no mesmo tom.
— Você não falou comigo desde aquele dia e sempre desvia de mim em todos os lugares que nos encontramos. Eu só estou irritado com a merda da situação que criei, e claramente você também — tentei ser claro e mais direto possível quando não gostava de falar sobre aquele assunto.
— Não estou mais irritado, . Só machucado — contou, mordendo de leve seu lábio inferior. Aquilo me deixou pior ainda, então desviei o olhar sentindo meu peito voltar a se apertar juntamente com minha garganta agora. Eu tinha machucado a pessoa mais importante para mim. — Mas a falta que você faz na minha vida e nos meus dias doem mais — voltei a encará-lo novamente, olhando bem em seu rosto.
— Não imaginava que tinha te machucado. Desculpa — pedi mais uma vez depois de tudo. — Sinto demais sua falta. Todos os dias — confessei mais baixo e puxei o ar.
— Eu te desculpo, de verdade. Só, por favor, converse comigo antes de tomar qualquer atitude que diz respeito a mim. Por favor — implorou, me olhando bem sério. — Vamos aproveitar essa viagem como sempre planejamos, então? — sorriu de leve.
— Não vai mais acontecer. Prometo — disse sendo totalmente sincero. Eu tinha errado e não iria repetir aquilo, não queria arriscar perder novamente. Ele assentiu com a cabeça, sem deixar de me olhar. — Vamos — respondi abrindo um pequeno sorriso.
, eu nunca iria deixar de ser seu amigo independente de qualquer coisa, tá? Mesmo depois de tudo que aconteceu, eu ainda quero você de volta, porque amigos de verdade perdoam o outro. E mesmo se você não tivesse feito daquela forma, só conversando comigo, eu jamais iria me afastar de você — falou com sinceridade. Apenas dei um pequeno sorriso em agradecimento.
— Obrigado. Eu só tive medo mesmo do que iria acontecer se eu falasse — contei e fechei meus olhos.
— Você não iria me perder — falou baixinho. — Mas eu respeito e entendo seu medo. Só queria que as coisas tivessem sido diferentes. Só isso.
— Mas eu quase perdi, não é mesmo? — perguntei mesmo que aquilo fizesse meu peito ficar pequeno. — Nunca tinha imaginado que as coisas seriam daquele jeito. Sempre quando pensei em te falar a verdade, não era daquela forma. Eu só estava irritado com a Brenda, e acabei descontando a merda em você. Não pensei na hora como iria se sentir, só estava afim de que aquela menina desaparecesse logo — disse e dei um longo suspiro fechando meus olhos. — Sei que não é justificativa, mas foi como me sentia na hora. E mais uma vez, me desculpa por isso. Eu fui um babaca egoísta.
— Não por causa do que sente e sim pela exposição desnecessária — respondeu rapidamente, mas ainda com a voz baixa. Assenti com a cabeça. Eu tinha sido um imbecil mesmo. — Vamos esquecer o que aconteceu, por favor. Não vamos mais voltar naquilo, pode ser? Não tem mais Brenda, realmente terminamos — e então se virou na cama, olhando para o teto. Certo, esquecer aquilo tudo. Queria dizer que eu também deveria fingir que não falei nada sobre o que sinto? Acho que de qualquer forma aquilo não importava mais, pelo menos tinha conseguido sua amizade de volta. Mas uma parte minha estava satisfeita em saber que eles tinham terminado. É, eu era péssimo mesmo. Voltei a olhar para o teto também. — Da próxima vez que agir feito um babaca egoísta comigo, eu realmente te jogo para o T-Rex — ameaçou em tom de brincadeira.
— Está bem. Só esquecer de tudo. Vamos fazer isso — falei, mas meu peito se apertou bem forte. Sabia que seria difícil esquecer o que eu sentia, mas poderia tentar por ele, ou pelo menos fingir que não existia nada além da nossa amizade de anos. — Pode deixar que eu mesmo me jogo para o T-Rex — garanti, e dei um pequeno riso ouvindo ele fazer o mesmo.
— Qual será a programação para hoje? Não quero ficar só nesse quarto! — falou e se levantou, vindo até minha cama e me puxando com ele. Arregalei um pouco meus olhos e ri fraco.
— Tem um papel na mesa, certamente está com todas as programações — respondi ficando de pé, bem na sua frente, e tive que olhar um pouquinho para cima para encarar seus olhos tão de perto. Ele sorriu para mim e depois olhou para a mesa. — Com certeza o senhor Wales vai acompanhar cada programação e fazer seus comentários infinitos o qual vamos acabar dormindo.
— Hm, e que tal ignorarmos completamente o chato do Wales? Podemos roubar um mapa do parque e escapar daquele velho chato — sugeriu, erguendo uma sobrancelha bem travesso mesmo e voltando a me olhar.
— Você sabe que não pode me falar essas coisas, não é? — perguntei unindo as sobrancelhas e o olhando bem feio. soltou uma risadinha e estalou a língua no céu da boca, levantando os ombros. Ele ainda não tinha se afastado, e eu muito menos, certamente não tinha percebido. — É só a gente comprar um mapa na recepção e podemos marcar todos os pontos que queremos ir. O que acha?
— Fechado! O seu plano é melhor, afinal comprar é melhor que roubar. Mas usei “roubar” para dar mais emoção — comentou, soltando uma risada e umedeceu seus lábios, encarando meus olhos agora. — É melhor levarmos uma jaqueta diferente, alguma coisa que nos separe do restante — falou, descendo seus olhos por mim e depois para ele. Que merda, ! Por que você tinha que fazer isso?
— Com certeza ficou mais emocionante roubar — ri daquilo mordendo de leve meu lábio inferior olhando seus olhos e me proibindo de crescer o olhar para seus lábios. — Ótima ideia. Podemos colocar uma camisa por baixo do uniforme qualquer coisa. — Então o olhei por inteiro, e me arrependi, porque tive que segurar o ar.
— Fugir por aí também vai ser ainda mais com dinossauros — respondeu, rindo fraquinho e negando de leve com a cabeça. E eu contornei com ele. — Podemos levar as mochilas e colocar as camisetas dentro delas — fez um biquinho pensativo. Estalei os dedos apontando em sua direção, era uma ótima ideia. Então se aproximou um pouco mais de mim e meu ar parou de entrar, porque eu o segurei todo dentro de meus pulmões. — … — me chamou, retraindo seus lábios e eu o olhava com atenção sentindo meu coração extremamente disparado com receio do que iria me pedir. — Posso te abraçar? — naquele momento eu só soltei o ar de forma aliviada. Ele só queria um abraço.
Então sorri e o puxei para perto, passando meus braços ao redor de seu tronco e o abraçando apertado, porque estava morrendo de saudade do meu melhor amigo. Senti passar seus braços em volta do meu pescoço, apertando meus ombros com seus braços cruzados em minhas costas, me apertando contra si. Apoiei meu rosto em seu ombro e meio que escondido na curva de seu pescoço tentando não respirar seu perfume, mas era impossível quando o mesmo invadiu meus pulmões e me fez relaxar naquele abraço. Era como estar em casa novamente após uma longa e cansativa viagem.
— Nunca mais fica sem falar comigo, tá? — pedi baixinho o apertando um pouco mais, sentindo ele fazer o mesmo comigo.
— Não consigo. Esses dias foram uma tortura para mim também, e eu não quero mais passar por isso. Nunca mais — sua voz era extremamente baixa e sussurrante, enquanto ele me apertava ainda mais contra si, deitando seu rosto no meu ombro. Não sabia como o abraço de alguém poderia ser tão perfeito.
— Então não vamos passar por isso. Nunca mais — repeti, apertando de leve seu corpo contra o meu e ficando naquele abraço onde eu simplesmente poderia morar.
apertou meus ombros mais um pouco e senti uma de suas mãos alisarem de forma leve e sútil minhas costas. Aquela sensação era tão boa. Meus dedos torceram o tecido de seu casaco, o segurando como se ele fosse escapar dos meus braços a qualquer momento. Ele ficou um pouco mais naquele abraço também, parecendo relutar em se afastar até pelo fato de demorar para fazer tal coisa, mas então seus braços foram se afrouxando lentamente e por último senti ele beijar meu ombro. Fechei meus olhos com isso e soltei o ar, mas os abri logo em seguida, porque não queria que visse as minhas reações por causa dele, ou as coisas ficariam estranhas entre nós e eu não queria que meus sentimentos deixassem as coisas estranhas.
— Vamos esvaziar um pouco nossas mochilas e levar só o necessário — sorriu empolgado e foi até sua cama novamente, pegando sua mochila e começando a tirar algumas coisas mesmo.
— Vamos — concordei com ele ainda o olhando por uns segundos olhando para aquele sorriso que era capaz de me deixar louco.
Então neguei de leve com a cabeça por causa daquele pensamento e fui até minha mochila. Tirei praticamente tudo de dentro dela, deixando apenas o meu carregador de celular, uma garrafa de água, chocolates, mais uns biscoitos e um casaco de moletom. Ouvimos alguém bater na porta, era um dos monitores falando que deveríamos descer para a recepção, porque iríamos comer alguma coisa para podermos começar a expedição pelo parque.
Pegamos nossas mochilas e descemos. Antes eu já sentia os olhares por mim quando passava, agora que estava junto, parecia que tinha piorado. Eu não me importava com isso, mas meu amigo claramente se incomodava. Se pudesse seguraria sua mão e diria que estava tudo bem, mas isso só faria as pessoas olharem ainda mais, achando que realmente estávamos juntos quando tínhamos acabado de entrar em um acordo no quarto de que iríamos esquecer tudo aquilo, além do que, isso chamaria mais atenção, e ele odiava isso. Então a única coisa que fiz foi colocar as mãos no bolso do meu casaco e ficar calado, porque tinha prometido que faria isso. Sem confusões. Só que do mesmo jeito, quando entramos no elevador, as coisas pareciam tensas. Fui para o canto na parte de trás para não ficar no meio e mais visível. Odiava essas coisas, ficar praticamente me escondendo, queria que todo mundo fosse a merda, porque eles não tinham nada a ver com a minha vida. estava ao meu lado, e apesar dele estar quieto, o conhecia bem o bastante para saber que ele estava desconfortável com aquela atenção toda que estávamos recebendo. Então da forma mais discreta que consegui, porque parecia que aquele elevador estava demorando uma eternidade para chegar no térreo, tirei minha mão do bolso e deixei meus dedos tocarem os dele de forma sutil. Pela forma como seus ombros desceram dava pra ver que ele tinha soltado o ar, ficando menos tenso e senti ele tocar meus dedos da mesma forma que havia feito. Aquilo me deixou mais calmo, e me fez querer sorrir também, porém me contive e só deixei mesmo meus dedos passarem pelos do meu melhor amigo, em um carinho quase imperceptível. Eu só queria que ele ficasse bem novamente. Só isso que importava.
Senti ele retribuir o carinho bem aos poucos, aquilo me fez fechar os olhos por um segundo e soltar o ar, até que a porta do elevador se abriu e o pessoal começou a sair primeiro. Deixei que aquele bando de predadores fosse na frente. virou seu rosto para mim e sorriu de um jeito agradecido, se afastando e saindo do elevador também. Apenas dei um pequeno sorriso fechado e o segui segurando a alça da minha mochila. Então Maxton passou por mim e deu um esbarrão em meu ombro. Mordi minha língua para não falar alguma gracinha para aquele babaca. Aquilo estava beirando o ridículo. De duas, uma. Ele tinha um tesão fodido por um de nós dois, ou era um imbecil preconceituoso. Porque não tinha a menor lógica o cara agir daquele jeito. Só que fiquei quieto e continuei andando e comecei a encarar o pessoal de volta que ficava me olhando, e até que funcionou, eles ficavam sem graça e desviavam. Parei ao lado de respirando profundamente.
— Qual é a chance de qualquer aluno virar comida de T-Rex em vez da vaca? Já tenho algumas sugestões — cochichei baixinho para meu amigo, virando o rosto e o encarando. — O Maxton pode ser o primeiro?
— Hmm, poderíamos empurrar ele sem querer perto da grade. O que acha? — sugeriu baixinho, dando um sorrisinho.
— Achei uma ideia formidável — falei em um tom extremamente gentil, como um daqueles lordes de antigamente aceitando para tomar um chá da tarde. deu risada daquilo. — Será que tem um café para tomarmos enquanto assistimos o T-Rex se alimentar?
— Acho ótimo que a vaca você taparia os olhos, mas nosso querido colega de escola você até assistiria bebendo café. Vou ver até se tem donuts para acompanhar — respondeu, parecendo até falar bem sério, olhando em volta como se procurasse.
— A vaquinha é um bicho inocente, tadinha. Fez mal para ninguém. Agora o Maxton… — olhei meus olhos. Preferia a vaca do que aquele garoto, era algo incontestável. — Donuts de chocolate, tá? Com creme no meio.
— Não posso discordar — comentou em resposta, estalando a língua no céu da boca. — Claro, . Mais alguma coisa? — fingiu estar anotando meu pedido enquanto mordia sua bochecha internamente parecendo segurar a risada. Claro que eu queria mais uma coisa, um beijo seu, porém não poderia fazer tal pedido.
— Quero, mas vou deixar para mais tarde — pisquei um olho para e dei um sorrisinho de lado, vendo ele apenas estreitando seus olhos na minha direção, mas logo sorriu de lado também. O professor Wales apareceu com seus mil e duzentos anos, arrastando sua perna e batendo sua bengala de madeira no chão, a qual sempre insistia em acertar nossas canelas com aquilo. — Sempre me pergunto como ele ainda dá aula.
— O cara já é aposentado há cem anos e ainda dá aula. Não é possível um negócio desses e veio supervisionar uma viagem com dinossauros — fez uma careta com aquilo. — Digamos que seja impressionante até.
— Ele veio visitar a família dele — soltei junto com uma risada alta.
— Será que ele nem volta então com a gente? — entrou na onda, rindo junto.
— Acho que não, hein — brinquei mais um pouco ainda rindo, e o empurrei de leve com meu ombro. — É bom poder rir contigo novamente — comentei mais baixo e desviei o olhar, encarando a lojinha da recepção, e vendo os mapas. — Vem — puxei de leve a manga do seu casaco.
— É ótimo rir contigo novamente — respondeu baixinho mesmo assim, e pelo seu tom de voz parecia que estava sorrindo, e isso me fez sorrir um pouco mais. — A hora de fugir é essa, aproveitando que todos estão comendo e preocupados demais com o que tem no seu prato, principalmente nossos professores — comentou, enquanto me seguia e mostrou os professores realmente interessados no que comiam.
— Eles vão fazer a contagem antes de sairmos, e vão acabar ficando e tentando achar a gente. Acho melhor a gente comer e quando todo mundo estiver saindo, a gente se mistura com os outros turistas — observei enquanto seguíamos para a loja e paramos no balcão. Ele concordou com a cabeça. — Olha essas camisetas do parque — apontei uma preta com o símbolo do Jurassic Park. — Acho que vou comprar uma.
— Compra! Vou querer um boné — comentou, apontando para os modelos e riu empolgado.
— Gosto daquele — indiquei um dos modelos de Trekking verde escuro com o símbolo do parque também. Ele abriu um sorriso e pegou o boné. — Eu vou querer a camisa raglan branca com preta tamanho M do parque e um mapa daqueles — falei com a vendedora, apontando o que eu queria.
— E eu o boné — pediu, sorrindo fechado e então assim que pagamos, recebendo nossos pedidos, guardou o boné na mochila. — Vai ajudar no disfarce — comentou, piscando um dos seus olhos para mim.
— Verdade. Vai ficar com ainda mais cara de turista — brinquei guardando as coisas também. — Vamos comer antes de irmos — acenei com a cabeça para irmos para o restaurante.
— Vou mesmo — respondeu, rindo um pouco mais. — Uhum. Não me deixa exagerar no que comer, por favor. Caso tenhamos que correr vou acabar vomitando — pediu naquele tom de zoeira, já chegando no buffet e me estendeu um dos pratinhos, pegando um para ele.
— Vai correr do que? Só se for para ver o T-Rex comendo uma vaca — disse fazendo uma careta com aquilo. — Valeu — agradeci pegando o prato e sorri para meu amigo, então caminhei olhando o que tinha para comer.
— Disso mesmo. Estou doido para ver as atrações — respondeu, pegando algumas coisas e colocando em seu prato. Ri fraquinho negando com a cabeça, adorando vê-lo tão empolgado desse jeito. — De nada — sorriu de volta e eu fiquei olhando para ele por alguns segundos. Achava aquele sorriso lindo e fofo demais.
O vi pegando uns doces e quando foi seguir para pegar algo para beber, o babaca do Maxton deu um encontrão proposital e o fez derrubar seu prato no chão. Então quando ele foi passar por mim, só dei um toquinho de leve em seu pé, o fazendo tropeçar em suas botas e cair em cima de uma mesa das meninas, virando tudo. segurou a risada enquanto assistia aquela cena.
— Cuidado, meninas. As atrações do parque estão atacando — avisei dando um pequeno riso.
— Você é um merda mesmo, — Maxton rosnou, me fuzilando com seus olhos. Olhei para os lados fingindo que estava procurando com quem ele estava falando, porque o único merda ali era ele. — Os dois estão fodidos comigo nessa viagem — apontou para nós dois. Eu queria dar um soco na cara dele, dê preferência naquele nariz plastificado dele.
— Não estamos nem aí para você — respondeu para ele, vindo até mim e estendendo sua mão na minha direção. Uni as sobrancelhas com aquilo e depois ergui meu olhar até o de meu amigo.
— Aí, Maxton. Tá sujo aí — apontei para sua camisa que estava molhada de suco de uva, e ri fraco. Então peguei a mão de e apertei, vendo meu amigo sorrir levemente, e isso me fez sorrir para ele de volta. — A gente compra algo para comer no parque — falei para que saíssemos logo dali e foda-se a contagem.
— Perfeito — sussurrou, e então me puxou com ele, ignorando o Maxton falando inúmeros palavrões para nós dois. — Estou realmente pensando sério em jogar esse garoto para o T-Rex — falou, me olhando e esboçando uma careta. Isso só me fez sorrir abertamente.
— Acho mais do que justo. Isso se o T-Rex não cuspir e ainda ficar puto com a gente — comentei rolando meus olhos e rindo daquilo enquanto saímos do hotel, mas não soltei a mão de .
— Daí estamos fodidos, né? — riu um pouco mais alto, me dando um puxão e fazendo com que a gente corresse um pouco. Ri alto daqui, e corri com ele pelo meio das pessoas.
— Vou falar para o T-Rex que a ideia foi sua — falei rindo quando ainda corríamos para qualquer lado. — Braquiossauros. Por aqui — puxei quando vi a placa.
— Daí eu te empurro pro mosassauro e você se resolve com ele — rebateu, mostrando a língua e rindo. — Lá dentro, vamos nos livrar dos uniformes, — se lembrou, apontando nossas roupas enquanto andávamos até onde os braquiossauros ficavam.
— Está louco para se livrar de mim me dando de comida para o mosassauro mesmo, né? — impliquei, mostrando a língua de volta e apertando sua mão, o puxando para mais perto só para empurrá-lo de levinho com meu ombro, mas sem soltar sua mão. Ele riu alto daquilo e apertou minha mão. — Isso. Tem um banheiro ali — indiquei um quiosque.
— Não quero me livrar não — respondeu rapidamente e me abraçou de lado, bem fortinho. — Vamos lá — sorriu, me soltando do abraço e correu novamente até o quiosque, ainda segurando minha mão. Aquilo me fez sorrir ainda mais.
— Sei — estreitei meus olhos em sua direção já entrando no banheiro.
— Duvida de mim não — mostrou sua língua, entrando em uma das cabines e soltando minha mão antes de entrar, abrindo sua mochila enquanto empurrava a porta com o pé.
— Ok, não vou duvidar mais — ergui minhas mãos em rendição.
Ri negando com a cabeça, e mordi de leve meu lábio inferior olhando para a porta da cabine fechada. Então por um segundo imaginei como seria se eu entrasse ali e beijasse . Na minha mente aquilo pareceu ótimo, mas sabia que a realidade seria muito diferente. Apenas vamos esquecer isso. Era assim que deveria ser.
Virei e coloquei minha mochila em cima do mármore da pia e tirei meu casaco, e em seguida abri aquela gravata horrorosa que a gente tinha que usar. Não sabia qual era a necessidade daquilo, mas enfim. Tirei aquela porcaria e comecei a desabotoar minha camisa sem parar de pensar naquela cena que minha mente fantasiou, e sentindo meu ar ficando pesado e depois leve. Era uma merda você gostar do seu melhor amigo, e saber que nada nunca iria rolar, porque para ele você era praticamente o irmão que a mãe dele não teve. Para de pensar nisso, , pelo amor de Deus.
Rolei meus olhos comigo mesmo bufando levemente irritado e tirei minha camisa, a dobrando junto com o casaco da escola e colocando sobre o mármore. Abri a mochila e peguei a blusa que tinha comprado, arranquei a etiqueta e então a vesti. Guardei a minha roupa na mochila e me olhei no espelho, vendo que meu cabelo tinha ficado bagunçado, e isso me tirou um pequeno riso. Passei os dedos nos fios, os arrumando e pronto. saiu logo em seguida vestindo uma camiseta preta, uma jaqueta jeans amarrada na cintura e o boné que ele tinha comprado em sua cabeça. Ele estava… Lindo.
— Ficou ótimo com a camiseta, — comentou, apontando para mim e sorrindo abertamente.
— Valeu — agradeci, deixei meus olhos descerem por ele todo. — Você também. Ficou ótimo o boné. Disfarça bem — então me aproximei e arrumei um pedaço do seu cabelo que tinha ficado para frente de sua orelha, colocando a mecha atrás dela. O sorriso em seus lábios aumentou um pouco enquanto seus olhos ficaram no meu rosto. — Pronto — sorri.
— Obrigado, — respondeu em um tom gentil, passando sua mão em meu cabelo e o bagunçando um pouco mais, gemi manhoso com aquilo, porque eu tinha acabado de arrumar. — Vamos — pegou minha mão de novo e indicou a saída do banheiro.
Aquilo estava sendo estranho, a gente assim de mãos dadas, mas eu não iria abrir a minha boca para falar nada, porque estava gostando. E também evitei fazer qualquer questionamento a mim mesmo. só estava sendo legal como sempre foi, apenas isso.
— Ah, ! — resmunguei me olhando no espelho e ajeitando de novo meu cabelo. Ele riu disso. — Vamos — disse pegando minha mochila e passando a alça por um só ombro. — Temos que comer ainda alguma coisa — avisei, porque era capaz do ficar tão empolgado que nem iria se lembrar de comer.
— Vamos ver os braquiossauros primeiro e depois comemos. Que tal? — ergueu suas sobrancelhas em sugestão, já saindo do banheiro comigo e indo em direção ao campo cercado onde ficavam os animais.
— Eu te conheço, você vai acabar ficando empolgado e iremos acabar sem comer. Vamos comprar algum lanche e ir comendo então — rebati, o puxando até uma das lojinhas de comida que tinha ali. foi meio arrastado, fazendo uma careta. — Ou vou fofocar para a Joh que você não está comendo — estreitei os olhos em sua direção.
Ele apenas me mostrou a língua, ficando com uma expressão contrariada, mas não falou nada, apenas me acompanhou para uma das lanchonetes. Ri daquilo achando fofo.
— Fica me mostrando essa língua mesmo, fica! Vou pegar ela e passar sabão — brinquei, mas o que queria passar nela era outra coisa.
— Shiu — respondeu, me empurrando pelo ombro. Paramos na frente da lanchonete. — Oi, vou querer aquele pedaço de pizza, por favor — pediu apontando qual queria para a atendente que sorriu e olhou para mim, esperando meu pedido.
— Shiu, né. Shiu. Você vai ver. Vou comprar um sabão já já — ameacei, rindo também e empurrando seu ombro de volta. Ele riu agora e passou sua outra mão no meu rosto todo, rindo mais. — ! — falei alto rindo daquilo e dei um tapinha em sua mão. — Hmm — soltei olhando a tela com o menu. — Vou querer um pedaço de pizza de palmito e uma coca-cola — pedi, dando um sorriso de volta para a atendente.
— Sem sabão! — mandou, ainda rindo da nossa bobeira e negou de leve com a cabeça. Apenas assenti com um riso fraco. — Ah, bem lembrado. Vou querer coca-cola também — sorriu para mim e depois para a atendente que já se virou para trazer nossos pedidos, não demorando tanto assim para voltar.
Fiquei olhando para achando perfeito poder vê-lo sorrindo e feliz daquele jeito. Era um sonho para ele estar naquele parque. Desde que o conheço, meu amigo sempre falou daquele lugar e me lembro como chorou quando disse que tinham fechado da última vez. Então prometi a ele que se um dia o Jurassic Park abrisse de novo, iríamos vir juntos. E bem, aqui estamos nós.
— Obrigado — agradecei e entreguei meu cartão chave para ela colocar o consumo na conta do quarto, que me devolveu rapidamente. — Vem cá — chamei e peguei meu celular. Ele se aproximou. — Vamos mandar uma foto para a Joh — falei já abrindo a câmera frontal.
sorriu com aquilo, pegando o pedaço de pizza e fez uma pose de quem ia colocar o pedaço todo na boca. Ri daquilo e tirei uma foto nossa. Depois cheguei mais perto como se fosse morder a pizza dele. Ele sorriu abertamente, fingindo colocá-la em minha boca, então tirei mais uma foto daquilo. Então me afastei um pouco, rindo e mandei as duas fotos. estava agora comendo seu pedaço e assistiu enquanto eu mandava as fotos, e logo em seguida fez um gesto para irmos logo. Então tive que soltar sua mão para pegar meu pedido, e guardei o celular. Começamos a caminhar em direção ao campo dos braquiossauros enquanto comíamos, até que senti meu celular vibrando.
— Deve ser sua mãe, olha para mim — pedi, pegando a sua lata de coca-cola para sua mão ficar livre. E indiquei meu iPhone no bolso da frente da minha calça.
— Claro — respondeu, puxando meu celular do bolso e olhando para tela, sua expressão mudou um pouco repentinamente, fazendo ele morder sua bochecha por dentro. Uni as sobrancelhas por causa daquilo.
— O que foi, ? — perguntei, preocupado.
Ele sorriu um pouco sem graça e virou meu celular para eu ver a mensagem de sua mãe, a qual tinha mandado:
Já podiam postar no Instagram com a legenda ‘viajando com meu namorado.’ Seria perfeito. Divirtam-se!!
Eu ri daquilo negando com a cabeça. Seria perfeito se fosse verdade mesmo, porém não era, e nunca seria.
— Joh é terrível. Não perde uma — comentei, voltando a comer minha pizza. — Responde ela. Manda um áudio — ele assentiu com a cabeça, colocando para gravar.
— Estamos já nos divertindo, mãe — falou, dando um riso fraco, e aproximou meu iPhone do meu rosto.
— Você não presta, Johanna! O quase jogou meu celular para o T-Rex por causa da sua mensagem, você ia me comprar um iPhone novo se isso acontecesse — falei em um tom divertido, rindo daquilo e olhei para meu amigo de relance que riu daquilo. — Ele voltou a falar comigo. Seria um milagre da ciência também? — brinquei.
— Cala a boca — ele mandou em um tom divertido, rindo e me empurrou de levinho. — Tchau, mãe. Vamos logo ver dinossauros! — falou agora naquele tom todo mandão que eu achava gostoso.
— Mas ainda rosna — impliquei mostrando a língua para ele, vendo ele mostrar de volta. — Tchau, Joh. Beijos. Te amo — falei rapidamente antes que mandasse o áudio.
— Te amo, mãe! — falou também, soltando seu dedo e enviando o áudio.
— Minha mãe mandou alguma mensagem? — perguntei rapidamente voltando a comer minha pizza. olhou para meu celular e depois para mim.
— Ela deve estar trabalhando ainda. À noite com certeza ela manda — respondeu, sorrindo de leve e em seguida guardou meu iPhone de volta no meu bolso. Aquilo embrulhou meu estômago e quase parei de comer, mas apenas concordei com a cabeça tomando um gole de refrigerante. — Vem! Vamos ver dinossauros! — falou empolgado, pegando sua coca-cola comigo, e me chamou com a cabeça para segui-lo.
Assenti e o segui em silêncio, acabando de comer aquela pizza praticamente forçando e engolindo com a ajuda da bebida. Seguimos até onde os braquiossauros ficavam. também tinha terminado seu pedaço de pizza, e só bebia da coca-cola. Então mesmo que achasse que fosse invasivo da minha parte, segurei sua mão devagarinho sem saber se aquilo iria incomodá-lo. Mas ele apenas segurou minha mão de volta, a apertando um pouco em seus dedos até que paramos perto da cerca e os olhos do meu melhor amigo brilharam. Aquilo me fez sorrir, e olhei para o enorme braquiossauro que estava ali perto.
— É de verdade mesmo? — perguntei baixinho, porque aquilo era surreal demais. Podia ser um brinquedo gigante muito bem feito, não é? — Eu quero tocar.
, é sim! É realmente de verdade! Eu não acredito que estou vendo um dinossauro mesmo — respondeu absolutamente admirado e continua até certa emoção em seu tom de voz, então apertei sua mão de leve. — Você pode — disse, e então ergueu nossas mãos juntas. — Só se inclinar um pouco. Não tem placa proibindo — comentou, olhando em volta.
— Nem eu, ! Ela é tão linda e fofa — falei admirado, encarando aquele dinossauro gigantesco. — Será que ela chega perto? — perguntei mordendo de leve meu lábio inferior.
— Ela é linda demais, perfeita! — respondeu, ainda naquele mesmo tom. — Não sei, mas seria ótimo — então suspirou, tentando se inclinar um pouco e então pegou um galho de árvore caído ali perto encostado na cerca e o estendeu. — Ei, menina, aqui — a chamou, balançando o galho e chamando a atenção do animal.
— Ela não é um cachorro, — Brinquei com ele, mas soltei sua mão e passei meu braço em sua cintura, o segurando para não cair para o outro lado da cerca.
— Vai que dá certo — respondeu, rindo um pouco e continuou balançando o galho para cima até o dinossauro realmente curvar seu enorme pescoço até chegar perto de nós dois, puxando o galho de folhas da mão de . — ! — ele soltou extremamente empolgado.
— Não é que deu certo mesmo! — estiquei minha mão e toquei de leve na cabeça do braquiossauro e ela fechou os olhos. — , ela é perfeita — falei dando um sorriso enorme e fiz um carinho nela, ainda segurando a cintura do meu amigo.
— Ela é incrível! — concordou e então soltou o galho, levando sua mão perto da minha e alisou levemente a cabeça dela que ainda estava de olhos fechados, fazendo um barulho junto. Fofa demais! — Com certeza ela está ronronando — comentou, sorrindo abertamente e me olhou e o encarei de volta, rindo um pouco. — Está melhor do que nos meus sonhos — ele sussurrou, abrindo um pouco mais seu sorriso. Aquilo me tirou um pouco o ar e apenas sorri de lado para ele, concordando com a cabeça.
— Já sabemos de onde o gato veio — brinquei, rindo fraquinho e tirando um dele também. — Está mesmo — concordei com , ainda o olhando.
Então sentimos ela se mexer e isso fez se afastar da cerca, vendo ela mastigar o galho e procurando por outro já. Soltei ele e fiquei olhando para o braquiossauro. Meu amigo riu disso e voltou segurar minha mão que estava em sua cintura. Meu olhar virou para e sorri.
— Queria poder levar ela pra casa — contou de um jeito manhoso, rindo baixinho.
— Aposto que ia deixar ela dormir na sua cama — falei rindo um pouco. Então peguei meu celular e tirei umas fotos dela. — Será que a gente consegue tirar uma selfie com essa menina linda?
— Daí eu teria que dormir no colchão contigo — respondeu, rindo um pouquinho. — Acho que sim. Tenta mirar mais baixo que acho que pega ela comendo aquele galho.
— Você é enorme, ia ficar apertado comigo no colchão, mas se não se importa, por mim tudo bem — levantei os ombros rindo mais. — Vamos ficar lindos — falei dando uma risada e tentando fazer como tinha dito, mas ficou muito ruim e ele riu. — Acho melhor deixar ela sozinha na foto.
— Ia ficar melhor comigo do que com ela. Porque ela é bem maior — respondeu, dando mais risada. — Muito melhor ela sozinha. Estamos estragando a foto dela — riu mais alto e voltou olhar para o braquiossauro, dando um sorriso admirado novamente. Então tirei uma foto dele daquele jeito.
— Bem, é verdade — ponderei com a cabeça, sorrindo. — Eu, né? Porque você fica bonito de qualquer jeito — contei mais baixo e olhei as fotos que tiramos.
— Para. Não fico nada — negou rapidamente, fazendo uma careta e se aproximando, olhando as fotos também. — Mas adorei as fotos — comentou baixinho. Então olhei com um sorriso nos lábios. — Quero postar, me manda depois, por favor — pediu, me olhando e sorrindo.
— Não discute, — mandei mostrando a língua para ele. — Mando agora — falei, voltando a olhar para o celular e já encaminhando as fotos, vendo ele pegando seu celular e soltando minha mão para poder mexer.
Então postei no stories a do braquiossauro e a de olhando para ela escrito “até chorou de emoção” e marquei ele. Queria escrever a legenda que Joh falou? Queria. Mas não tinha como. Ouvi meu melhor amigo rir e compartilhar nos seus stories com emojis de choro mesmo. Em seguida recebi a notificação de que ele tinha me marcado em uma publicação no feed e fui olhar, vendo que era nossas fotos na lanchonete com a legenda “Para muitos ‘meu melhor amigo’. Para outros ‘meu namorado.’ Mas para mim, simplesmente a pessoa mais importante.” Aquilo me pegou de um jeito que não sabia nem explicar como estava me sentindo. Olhei para e sorri.
— Não autorizei os termos de uso que você poderia me atirar assim. Cadê, me mostra onde autorizei — mandei virando meu celular para ele com a foto que postou.
— Não tô vendo tiro nenhum. Cadê? Acho que preciso de óculos — se fez de sonso, rindo nasalado e guardando seu celular no bolso. Então empurrei seu ombro de leve. — Vamos ver o T-Rex?
— Vou falar é nada, ! — estreitei meus olhos em sua direção e ele sorriu inocente. — Ele não vai comer agora, né? — fiz uma careta guardando o celular.
— Não começa com isso! O Rex é o rei do Jurassic Park, é uma honra vê-lo comer o que tiver no menu. Talvez seja um cordeiro — respondeu em tom brincalhão, me puxando pela mão.
— Honra nenhuma em uma vaca morrer. Eu não vou ver ninguém matando um cordeiro! ! — choraminguei dando uns passos relutantes, mas o seguindo.
— Infelizmente ele não comeria uma árvore inteira se dessem para ele. E ele também não come animais já mortos, precisam estar vivos e frescos — comentou enquanto dava passos largos e apressados para chegar logo no padoque do T-Rex.
— Por isso que o braquiossauro é meu favorito. Ela está lá na dela, tranquila, comendo os matos dela, sem matar ninguém — rebati ainda fazendo uma careta. — E ela é fofinha que nem você ainda — observei acompanhando .
— Mas não tem graça vir no Jurassic Park e ver só os dinossauros herbívoros — comentou de volta, olhando para mim e dando um riso engraçado. — Eu sou fofinho? — ergueu as sobrancelhas, dando um sorriso bonito.
— Ah, ! É claro que tem! — fiz uma careta para ele, mas sorri em seguida, dando mais uns passos apressados para ficar ao seu lado. Ele riu do que eu disse e mostrou a língua, e eu levantei um ombro meu e lhe dei língua também, que nem uma criança mesmo, soltando uma risada alta depois. — É sim. Especialmente quando sorri — confessei olhando para aquele sorriso dele. Ele conseguia ser perfeito sem precisar fazer nada.
— Ah, você é bem fofo quando sorri também — respondeu, ainda sorrindo e então apertou de leve minha bochecha, rindo fraco em seguida.
— Nossa, sou nada! Você para com isso, — mandei torcendo o nariz, rindo depois e tentei segurar sua outra mão também.
— Só a verdade. Não discute comigo porque eu que sei — falou todo mandão, dando um tapinha na minha mão que tentava segurar sua outra mão e então paramos na fila que nos levaria para a atração do T-Rex. Então virei e fiquei na frente de .
— É sério mesmo que você me acha fofo? — perguntei, e um sorriso idiota não queria sair dos meus lábios por causa daquilo.
— É sim. Gosto bastante de quando você sorri — respondeu com sinceridade, olhando em meus olhos e depois desceu seu olhar para o meu sorriso, abrindo ainda mais o seu.
— Valeu — disse ligeiramente sem graça e abaixando um pouco a cabeça, rindo um pouco bobo ainda por causa daquilo, então olhei para nossas mãos juntas. — … — mordi de leve meu lábio inferior, e voltei a encará-lo. — Por que você quis segurar a minha mão na frente da nossa turma? — ousei perguntar.
— Porque não estou nem aí com que aquele bosta do Maxton fala junto com as outras pessoas. E você é a única pessoa que eu me importo de verdade que está aqui — respondeu com simplicidade, apertando de leve minha mão. Uni as sobrancelhas fazendo um pequeno bico ainda com aquilo.
— Então você quis segurar a minha mão — falei, parecendo algo bobo. Talvez fosse para ele, mas aquilo tinha me afetado. Cocei minha bochecha e segurei sua mão com um pouco mais de firmeza. — Também não me importo com o que ele diz. Só fico preocupado do fato de você não gostar de chamar atenção, e eu… Bem, sou praticamente uma alegoria, ainda mais quando estou afim de provocar alguém.
— Quis. Está tudo bem para você? — agora perguntou com um tom mais preocupado, torcendo de leve seus lábios. Apenas concordei com a cabeça. — Estávamos chamando atenção sem fazermos nada, quando estava apenas ao seu lado e ficava caçando assunto com a gente. E pelo menos segurando sua mão, posso te puxar para longe de confusões, seu encrenqueiro! — brincou no final, rindo fraquinho. Acabei sorrindo com aquilo dando um riso nasalado.
— Ah, então é por isso que você tá segurando minha mão, é?! — perguntei empurrando seu ombro de leve, rindo um pouco mais.
— Para te puxar caso precisarmos correr tanto de dinossauros ou de algo muito pior que eles — falou, fazendo aquela pausa dramática. — Nosso professor, no caso — então soltou uma risada.
— Como se eu não soubesse correr, né? — rolei meus olhos, rindo mais um pouco da nossa brincadeira, mas apertei sua mão de leve indicando que não queria que soltasse.
— Não disse isso. Mas não quero me perder de você também — respondeu, sorrindo agora e apertando minha mão de volta, enquanto a fila já tinha andado bastante.
— Não vai se perder de mim, porque eu não vou sair do seu lado — falei mais sério dando uns passos para trás e puxando comigo para a gente acompanhar o pessoal.
— Acho bom mesmo — estreitou seus olhos e voltou a rir baixinho, me acompanhando. — Você contou para minha mãe? — perguntou mais baixo, olhando em meus olhos.
— Depois de você, ela é a pessoa que mais confio. Eu estava irritado comigo mesmo e triste também. Então fui conversar com ela, e contei tudo… — levantei de leve meus ombros, desviando o olhar, encarando o cimento sob nossos pés. — Ela disse que já sabia — acabei rindo nasalado com aquilo.
— Não estou chateado por você ter contado para ela, provavelmente eu teria também — senti ele alisar minha mão com seu polegar, então meus olhos subiram para nossas mãos, e eu me senti bem naquele momento. — Aquela mulher sabe tudo, parece até uma bruxa — disse em tom de brincadeira, rindo nasalado também.
— Desculpa ter falado antes de você — pedi, porque afinal, Johanna era a sua mãe e não a minha, não sabia bem se tinha o direito de ter falado o que rolou. — Ela é mesmo. Acho que ela presta atenção demais na gente — ergui a cabeça e encarei . — Realmente não ficou incomodado por eu ter contado a ela?
— Você precisava desabafar com alguém e eu fico feliz que você e minha mãe se dão bem até demais. Ela te ama de verdade, você sabe disso — sorriu docemente com aquilo, ainda alisando minha mão. Aquilo me fez sorrir abertamente. — Ela presta sim — concordou, rindo um pouco. — Relaxa, tá? Não fiquei não, eu juro. Como eu disse, eu acabaria contando também.
— Eu não confio em ninguém da escola além de você. Provavelmente teria virado uma fofoca sem tamanho e a sua mãe é incrível também. Ela me acalmou, me deu uns conselhos e colo — ri daquilo, mordi a ponta da minha língua. — Está bem, então.
— Já viramos fofocas, certo? Olha só como estamos sendo ainda mais interessantes do que os dinossauros — respondeu, rindo baixo. — Tenho medo desses conselhos, ela é meio doida, tá? Você sabe disso. Adepta a ir para as montanhas procurar discos voadores, e o sonho dela é viajar para Chernobyl — comentou naquele tom divertido e a fila andou mais um pouco, nós seríamos os próximos.
— Viramos mesmo. É cada coisa que escuto — rolei meus olhos, soltando o ar e rindo. — Os conselhos dela são os melhores, tá?! — balancei nossas mãos, apertando de leve. Ele negou rapidamente, discordando. — Olha, em Chernobyl eu iria com ela. Mas será que o Maxton deixa a gente entrar na casa dele? — perguntei dando risada, e o puxando de novo comigo dando mais passos para trás e me encostei na grade. gargalhou com aquilo.
— Sinto muito por tudo que está acontecendo — falou extremamente baixo, dando um pequeno suspiro. — Melhor já pedir para ele, hein. Será que ele não tem mesmo um crush em você? Ele parece muito incomodado conosco — comentou, erguendo uma sobrancelha.
— Não foi culpa sua, foi minha. Eu estou tranquilo, só estou mesmo preocupado contigo. Não me importo com o que falam, na verdade, me importo por você — expliquei o olhando mais sério agora apertando sua mão de leve e passei meu polegar pelo seu. — Vou pedir quando vê-lo novamente — ri daquilo, negando de leve com a cabeça. — Hm, eu pensei nisso, sabia? Pode ser que tenha crush em você também, até porque… — fiz um pequeno bico, calando a minha boca quando eu tinha tendência a falar demais. — Ele também pode ser só um babaca preconceituoso ou querer pegar garotos e não tem coragem para fazer, aí projeta a raiva na gente por causa do que rolou — levantei meus ombros.
— Está tudo bem agora. Depois dessa viagem não vamos precisar ver mais ninguém daquela escola — respondeu, soltando o ar pesadamente. Apenas assenti, sentindo que aquilo tinha mesmo o incomodado. — Hm, tenho certeza que o crush não é em mim — tinha mais certeza no seu tom de voz, e então ele desviou seus olhos, encarando as pessoas à nossa frente. Uni minhas sobrancelhas de leve por causa daquilo. — Pode ser isso também. Mas, a verdade verdadeira é que ele não deixa de ser um escroto babaca — disse por fim.
— Nossa, quanta certeza — rebati, rindo mais um pouco. — O crush seria em mim, então? Sério? — ergui minhas sobrancelhas, rindo um pouco. — Exatamente. Não deveriamos nem estar perdendo nosso tempo falando dele. Vamos falar de algo mais interessante. Tipo… — mordi de leve o canto do meu lábio inferior, porque eu ia soltar mais uma besteira. — Nós dois — ri fraquinho e ele erguei suas sobrancelhas, sorrindo um tanto divertido. Então a grade foi aberta, e eu quase caí para trás por estar encostado nela, mas me segurei em , o qual riu um pouco mais alto e me segurou de volta.
— Sério. Seria sim — balançou a cabeça bem certo daquilo, e vi um sorriso pequeno no canto de seus lábios, que me fez sorrir mais. Então neguei com a cabeça. Embora concordasse, achava mais válido o crush ser nele, mas sabia que era porque gostava de , e logo achava que todo mundo também deveria gostar ou ser afim dele. — Agora temos um encontro marcado com o T-Rex — fez um biquinho e apertou de leve minhas costelas em tom de cócegas me tirando risadas, mas me puxou com ele para dentro do lugar que era um corredor enorme, como se fosse uma gaiola de vidro e por fora era a floresta.
— Aposto que você pede o T-Rex em casamento hoje — brinquei, rindo e o acompanhando, apertando um pouco mais sua mão. deu risada daquilo e ponderou com a cabeça.
Eu não comia carne e ver um dinossauro comendo uma vaca viva não era muito agradável, na verdade, não era nada. Só de pensar naquilo sentia meu estômago embrulhar. Então tentei não ficar olhando muito para os lados mesmo que tudo fosse de vidro. A sorte era que tinha bastante gente ali, então limitava um pouco a visão. A vaca tinha sido posta para o T-Rex vir e fazer seu espetáculo que todos ali pareciam ansiosos para ver, mas apenas me virei de lado e fiquei olhando para mesmo, ele era muito mais interessante do que um dinossauro comendo outro bicho vivo. No entanto, o animal não deu nem sinal de vida e já começou os cochichos de todos presentes ali. Olhei de relance pelo vidro, vendo a pobre coitada da vaca ali, mugindo, provavelmente sem saber o que estava prestes a lhe acontecer. Eu não conseguia ficar olhando para aquilo, me dava até um aperto no peito, então olhei para novamente e respirei bem fundo, e cheguei mais perto dele, encostando minha testa em seu ombro. Senti meu amigo encostar levemente sua cabeça na minha e ele voltou com o carinho que fazia em minha mão quando estávamos na fila, e aquilo me fez fechar os olhos, relaxando um pouco.
— Será comum ele demorar tanto assim? — ouvi ele perguntar baixinho.
— Não sei. São quantos T-Rex? Toda vez que entra uma leva de gente é uma vaca que morre? — perguntei com agonia.
— Só um, eu acho. Não sei — pareceu pensativo. — Não, tem horário o espetáculo. É quando ele vai comer que eles deixam as pessoas entrarem.
— Hm, entendi. Então ele vai mesmo sair para comer agora — fiz uma careta com aquilo apertando sua mão.
— É o que estamos esperando — respondeu baixinho, e senti sua outra mão apertar de leve meu ombro. — Quer sair?
— Não, está tranquilo — disse baixinho ainda com os olhos fechados e respirando fundo. Eu só não queria olhar mesmo a vaca sendo comida.
— Atenção! Em nome da equipe e direção do parque, pedimos para que todos se retirem e voltem no próximo horário, por favor. Tivemos alguns problemas técnicos com essa atração e pedimos perdão pela demora e tempo perdido na fila — ouvimos um dos funcionários comunicar no alto-falante. Dei graças a Deus por isso e ergui minha cabeça no mesmo instante.
— Não é agora que peço o Rex em casamento — comentou baixinho, fazendo um bico triste e já começando a caminhar em direção a saída.
— Que bom, porque eu estava na fila antes — brinquei e já fui andando pelo meio das pessoas para sair mais rápido dali puxando comigo.
— A gente pode casar se você for comigo ver o mosassauro — pediu, com aquele olhar “pidão” que ele sabia fazer.
— O tubarão que ele vai comer pelo menos tá morto, né? — perguntei, o olhando com certa preocupação.
— Sim! Está morto sim — respondeu, dando risada. — Você preocupado com os animais é adorável, — sorriu de um jeito admirado enquanto me olhava.
— Ótimo. Então vamos — sorri mais abertamente. — Eu fico mesmo, os bichinhos são inocentes, fizeram mal para ninguém, não deveriam morrer assim. Imagina que dor você ser mastigado por oitenta e seis dentes — torci o nariz, aquilo deveria ser uma morte horrível.
— Mas os dinossauros são animais também e é da natureza deles. Cadeia alimentar e tudo mais. Porém, eu te entendo e respeito você não querer ver. Seria bem legal se todos eles fossem vegetarianos — comentou, abrindo mais o sorriso.
— Eu odeio a cadeia alimentar, é isso — brinquei, rindo fraquinho. — Seria perfeito se todo mundo fosse vegetariano — balancei a cabeça, seria um sonho mesmo. — Sem bichinhos mortos.
— Olha, quando eu estou contigo eu não como carne. Deveria ter um antídoto para todos usarem e virarem vegetarianos — disse, ainda sorrindo.
— Eu já reparei isso, acho extremamente adorável — confessei mordendo de leve meu lábio inferior e olhei para meu melhor amigo. — Olha, será que tem?
— Carne realmente nem faz falta — contou, levantando os ombros. — Será? Você que tem que saber, é feito de você mesmo — então, me empurrou de leve, rindo fraco e o acompanhei.
— Está mesmo parando de comer carne? — perguntei o olhando feliz com isso. — Olha, levando em consideração que você já não come comigo, acho que temos um antídoto aí.
— Ah, não estou sentindo mais tanta vontade de comer — respondeu de um jeito doce que só me fez sorrir ainda mais, e por um impulso, dei um beijo em seu rosto. rapidamente encolheu seus ombros, e vi ele olhar em volta rapidamente, mordendo seu lábio inferior. — Temos sim. Mas não vou dividir você com milhares de pessoas — falou, apertando minha mão e segurando a risada.
— Desculpa — pedi em seguida. Eu não deveria ter feito aquilo. Olhei para frente um pouco sem graça. Era uma merda ser impulsivo. — Poxa, seria ótimo a humanidade virar vegetariana — suspirei como se estivesse triste agora.
— Eu que peço desculpa, é que… Bem, você sabe — ouvi ele suspirar pesadamente. Sabia como ele era nesse quesito em público mesmo que estivéssemos andando de mãos dadas pelo parque desde que saímos do hotel. — Podemos achar uma maneira para que eu não precise te dividir tanto assim — me empurrou levemente.
— Relaxa. Deixa para lá. Foi mal mesmo. Eu esqueço às vezes que você não gosta dessas coisas — falei dando um sorriso para ele. — Não está querendo me dividir. É isso mesmo, ? Está ficando ciumento? — ergui minhas sobrancelhas.
— Estou melhorando até, sabe… — comentou, apontando nossas mãos e sorrindo de volta, me fazendo sorrir um pouco mais para ele. Então apenas concordei. — Sempre fui, ! Lembra daquela festa de Halloween que você combinou fantasia com o Brian? Nem na festa eu quis ir — se lembrou, fazendo uma careta. Rolei meus olhos.
— E eu iludido achando que era implicância sua com o Brian. Então você ficou com ciúmes? — perguntei rindo daquilo e o empurrei de leve enquanto andávamos.
— Obviamente que sim. Onde já se viu combinar fantasia com o Brian e me excluir? — estreitou seus olhos na minha direção.
— Ah, desculpa aí se eu não posso combinar fantasia com outra pessoa sem ser você — impliquei, rindo mais ainda.
— Tá bom, então. Combina com todo mundo. Monta uma equipe e vai de X-Men na próxima — debochou, ficando emburrado logo em seguida.
— Olha, gostei da ideia. Acho que vou fantasiado de Noturno. O que acha? Será que o Brian vai ficar bem de Lince Negra? — então mordi seu ombro para tirar aquela cara de emburrado.
— Acho que ele vai preferir ir fantasiado de algum personagem de Naruto — respondeu, rolando seus olhos.
— Ah, então eu vou combinar uma fantasia do Naruto com ele — impliquei mais um pouco e empurrei de leve , o qual rolou os olhos. — Ou podemos ir de meninas Super Poderosas. Você vai de Docinho, e eu de Lindinha, então o Brian vai de Florzinha. O que acha?
— Ah, agora eu estou incluso? — perguntou, erguendo as sobrancelhas e me olhando.
— Ok, se não quiser se fantasiar com a gente tudo bem — estava mesmo começando a acreditar que ele estava com ciúmes daquilo. Ele me olhou feio com aquilo. — Você não está falando sério, né? — parei de andar e o segurei para não me puxar.
— Falando sério sobre o que? — questionou, parando na minha frente.
— Está com ciúmes do Brian — falei, agora sério, porque eu não estava mais zoando sobre aquilo.
— Sim, fiquei sim — respondeu sério também.
— E está com ciúmes dele agora de novo — completei apenas para ter certeza e segurei sua mão com mais força.
— Olha, a fila para o mosassauro está bem curta — mudou completamente de assunto, me puxando e apontando para o lugar, mas o trouxe de volta, fazendo ficar na minha frente.
— Não precisa ter ciúmes de ninguém porque a minha escolha sempre vai ser você. Só você — disse bem sério olhando dentro de seus olhos.
respirou bem fundo, me olhando de volta, e então vi nascer um sorriso pequeno em seus lábios e de uma forma bem sutil, calma e até devagar, ele se aproximou mais de mim e me abraçou. Fiquei meio sem reação com aquilo, porque nem abraço ele gostava de dar em público, mas retribui no mesmo instante, o apertando contra meu corpo. Era bom fazer isso, não tínhamos muito costume de nos abraçar, e hoje estava sendo um recorde, dois abraços em um dia. Eu não me esqueceria disso nunca mais.
— Obrigado por nunca me deixar — sussurrou entre o abraço, me apertando um pouco mais contra si e fazendo sua mão alisar levemente minhas costas.
— Não agradeça por isso, ok? Nunca será uma opção te deixar — falei bem baixo perto do seu ouvido e apertei seus ombros.
— Nunca será uma para mim também — respondeu no mesmo tom, então ele se afastou um pouco e beijou meu ombro, me fazendo sorrir.
— Vem, vamos ver o mosassauro — dei uns passos para trás já o puxando comigo.




Continua...



Nota das autoras: Sem nota.





Nota da beta: Ai, pensa que é um sonho que eu queria realizar também... Amei o capítulo e todas as emoções que os dois vêm sentindo nesse passeio. Vamos torcer pro Maxton acordar pra vida e edeixar de ser um pé no saco. E torcer mais ainda pro capítulo 3 chegar rapidinho pra gente saber como esse "não-casal" vai ficar e descobrir porque o t-rex não comeu a pobre vaquinha...

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.



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