Letters To Them

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Última atualização: 24/05/2021

Prólogo


Estudar em Los Angeles era o meu maior objetivo desde que eu me entendia por gente. Cidade grande, cheia de diversidade e de pessoas com espírito jovem que possuem sede de viver. Los Angeles sempre me remeteria à realização de um sonho, algo que, assim que acontecesse, me tornaria feliz pelo resto da minha existência. Eu sempre me enxerguei muito maior do que tudo aquilo que a minha cidade natal poderia me proporcionar, o que, na verdade, não era nada: casar, ter filhos e me contentar com uma vida de dona casa.

Mas se Los Angeles deveria ser tudo aquilo que eu sempre imaginei, o lugar que me traria felicidade e liberdade, por que eu estava sentada em uma cadeira de balanço na merda da minha sacada com uma taça de vinho que já havia sido preenchida mais de quatro vezes, um maço de cigarro pela metade, algumas lágrimas de brinde e uma caneta e um papel na mão na tentativa de me despedir? E para onde eu iria exatamente? Me despedir por quê? Para quê? Será que eu era tão covarde a esse ponto? Logo eu?

Claro que eu precisava ter consciência de que tudo isso era minha culpa. Viver indo com muita sede ao pote sempre foi algo que me atrapalhou, eu nunca me contentei com o que eu tinha. Para uma garota que cresceu em um molde dentro de uma caixinha em uma cidade do interior, isso era bom, mas para a de Los Angeles era desperdiçar toda a chance de um futuro promissor. Se eu não tivesse sido tão irresponsável com as minhas emoções e com a dos outros, eu não estaria debulhada em lágrimas como estou agora.
Eu analisava as duas últimas cartas que havia escrito para eles, cartas que nunca haviam sido entregues — e nem seriam. Eu me questionava o tempo todo onde que eu estava com a cabeça quando tomei as decisões que me levaram para a situação em que me encontro agora.

"Eu me apaixonei pelas coisas bobas, me apaixonei pelas pequenas coisas.
Eu me apaixonei pelos incontáveis cafés da manhã na cama e beijos espalhados pela minha nuca.
Eu me apaixonei pelo seu bom dia.
Eu me apaixonei pelos seus gemidos e pela forma como seus olhos fecham quando você sorri, eu me apaixonei pela sua voz rouca e por quando você ri tanto que sua risada chega a ser silenciosa.
Eu me apaixonei pela sua mão entrelaçada na minha e pela ponta dos seus dedos percorrendo pela minha espinha.
Eu me apaixonei tanto por você! E eu juro que eu não queria isso, eu juro que eu tentei correr, mas a minha melhor versão é quando eu estou com você.

P.S: Quando eu assisto você dormindo ao meu lado, eu tenho certeza que você é a coisa mais bonita que meu coração já encontrou. — Com amor,



"Eu acho você gentil como o Sol em uma manhã preguiçosa de segunda-feira após um domingo chuvoso.
Eu lhe acho lindo como uma daquelas flores amarelas que eu tanto amo.
Eu acho você sábio, você sempre sabe a coisa certa a se dizer — como um guru normalmente faz.
Eu acho que preciso de você como eu preciso de um abraço quando eu estou deprimida.
Mas, mesmo assim, eu não consigo te amar do jeito que você gostaria. Você é algo a mais, meu amor — até para uma mulher como eu.
Eu não posso ser o que você quer que eu seja porque eu nunca vou ser doce, porém forte e quente o suficiente como você. Eu estou sempre entre algo frio e azedo. Talvez eu seja um pouco demais — até para um homem como você.

— Com amor,
"



Ao encarar ambas as cartas um pouco úmidas das minhas lágrimas e quase danificadas por cinzas de cigarro, soltei uma risada anasalada quando memórias de um passado próximo começaram a me assombrar. Era como se ele ainda estivesse aqui, como se eu pudesse sentir os fios encaracolados fazendo cócegas na região abaixo do meu umbigo enquanto sua língua performava o seu melhor desempenho em mim. Seu sorriso de canto de boca mostrando satisfação ao me ver lutando para não deixar um gemido alto escapar dos meus lábios ainda estava presente na minha memória. Ali, eu me sentia única, como se eu finalmente pertencesse a algo — a alguém. Eu era eu mesma, sem inibições, sem medos, mas minha mente também pregava peças em mim, fazendo com que eu lembrasse de outra pessoa e de como eu estava errada de ter me levado pelas minhas emoções, por me entregar a alguém que só poderia me amar temporariamente. Em compensação, eu sabia que era amada de verdade pela pessoa que deveria ser a certa para mim, que adorava até o chão onde eu pisava, mas eu não o merecia. Pelo menos não depois dessa noite. E se alguém descobrisse e perguntasse se eu me sentia suja de ter ido para cama com , eu mentiria e diria que sim, mas, no fundo, eu jamais seria capaz de renegar esse momento. Eu também pertencia a ele.

Era engraçado como meus sentimentos já haviam se misturado demasiadamente por duas pessoas diferentes. Eu havia perdido totalmente o meu controle, perdido o controle também das minhas atitudes e até do meu senso; eu já não sabia mais para quem eu direcionaria cada uma daquelas cartas. Logo eu, que nunca acreditei que era possível amar mais de uma pessoa na vida, quem dirá ao mesmo tempo. Naquele momento, eu me sentia uma cretina. Talvez eu tenha algumas contas para prestar ao karma quando ele bater na minha porta.


Capítulo 1

Do lugar onde eu venho, as pessoas vivem em uma zona de conforto. Ninguém acredita que é possível receber muito mais do que essa cidade de 1.237 habitantes no interior do estado do Alaska pode oferecer. Você nasce em Talkeetna, vive em Talkeetna e morre em Talkeetna... Simples assim! Mas essa regra não se aplicava a mim. Vamos começar pelo fato de que eu nem ao menos nasci nessa cidade, eu sou da Colômbia, e, por mim, preferia ter ficado por lá do que ter vindo para os Estados Unidos aos três anos de idade. Não tenho muitas lembranças da minha cidade natal, Bogotá, tudo o que eu sei é o que meu pai me conta desde que me entendo por gente, mas tenho certeza de que lá a liberdade percorre até pelos ventos. Em Talkeetna, eu nunca pude ser quem eu era de verdade, uma cidade tão aberta ao turismo e às artes nunca me recebeu de braços abertos. Talvez por eu ser latina, talvez por eu ser miscigenada — uma mistura de mãe de pele branca, mas, ainda sim, latina, e pai afro-americano — ou talvez por todo o combo que minha ancestralidade sempre precisou carregar. Eu sempre me enxerguei muito maior do que tudo isso aqui — e eu realmente era. Mas meu pai teve seus motivos para ter decidido voltar para sua cidade natal após a morte da minha mãe 18 anos atrás. Eu sei que para ele seria impossível continuar vivendo na América do Sul com memórias da história que eles viveram impregnadas até nas paredes. Pelo menos em Talkeetna ele tinha toda sua família e amigos por perto.

Mas por uma coisa eu precisava ser grata. Se nós não tivéssemos nos mudado para os Estados Unidos, eu não teria encontrado Louis. Ou, como preferimos dizer, reencontrado. Quando tínhamos quinze anos, entramos no consenso que já nos conhecíamos de vidas passadas, pois só isso poderia explicar nossa ligação, então tivemos um reencontro nessa vida. Louis era meu melhor amigo desde o jardim de infância, eu não lembro de um dia onde ele não estava presente para me fazer rir do seu jeito espalhafatoso ou de seus comentários ácidos. Louis era uma pessoa que não levava a vida tão a sério, ele conseguia enxergar o lado bom das coisas até nos piores momentos, o que, às vezes, era extremamente irritante. Eu dizia a ele que nem tudo era tão colorido como ele pintava e ele respondia de volta, me chamando de amarga ou coisas do tipo. Lou trazia um pouco de leveza para a minha vida e para os meus sonhos, até então frustrados. Ele também me ensinava o que significava lealdade e cumplicidade cada vez que segurava minha mão quando eu precisava. Louis é a família que eu havia escolhido para mim, nós éramos nós mesmos um ao lado do outro.

Eu lembro como se fosse ontem quando Louis se assumiu bissexual. Eu fui a primeira pessoa a saber, tamanha confiança que tínhamos um no outro. Louis sempre teve medo de ser julgado por ser quem ele era, mas eu não o julgaria nem se ele cometesse um crime. A mãe de Lou também o aceitou de braços abertos, mas era quando ela me chamava para comer um bolo caseiro em sua casa em uma sexta-feira à tarde, que ela chorava nos meus ombros dizendo que tinha medo do que Louis poderia enfrentar na sociedade se ele se apaixonasse por um homem e, secretamente, eu sabia que ela rezava para que o filho se apaixonasse por uma mulher e casasse com a mesma só para não sofrer as consequências da sua sexualidade. Eu tentava compreendê-la, claro. Entendia de onde vinha esse medo e essa preocupação, a sociedade ainda era extremamente arcaica e preconceituosa, fora que Lou era o único homem entre cinco irmãos e Johannah o protegia como se ainda fosse um bebê, mas eu conhecia o meu melhor amigo e sabia que ele estava disposto a encarar o mundo todo se fosse preciso, com toda força que ele possuía dentro de si, e eu estaria ao lado dele sempre, mas Louis se manteve no armário por toda a vida. Fora os garotos que ele beijava escondido em festas na nossa cidade — garotos esses que estavam no armário tanto quanto ele —, eu, Johannah e uma de suas irmãs, Charlotte — que tinha uma idade próxima a nossa — éramos as únicas pessoas que sabiam de sua bissexualidade, mas eu sabia que isso estava prestes a mudar assim que deixássemos essa porra dessa cidade para trás. Em Los Angeles ninguém iria conhecê-lo e Lou não se sentiria mais na obrigação de dever nada para ninguém. E, crescendo juntos dessa forma, nós tínhamos a certeza de que iríamos embora do estado do Alaska assim que possível.

E aqui estávamos, prontos para quebrar mais uma regra imposta por Talkeetna. Com toda nossa vida dentro de algumas malas, descemos do Uber em frente ao nosso novo apartamento e, o mais importante, a carta de aceitação para estudar na UCLA. Eu, definitivamente, também não morreria em Talkeetna.

— São 15 dólares! — A voz do motorista do Uber me tirou dos meus devaneios e assisti Louis tirar as notas equivalentes do bolso e entregar ao rapaz de aparência jovial. Logo em seguida, saímos do carro e retiramos nossos pertences do porta-malas. Nossos olhares estavam vidrados nos prédios e até no asfalto que preenchia as ruas do edifício que agora seria o nosso lar. Dizer que estávamos deslumbrados com a cidade dos anjos era um eufemismo.

Louis e eu caminhamos até a frente dos portões do condomínio e logo fomos recebidos por um senhor, que estava sentado em uma cabine. Com cabelos grisalhos, olhos azuis tão claros quanto o céu e trajando com seu uniforme preto, o mesmo deixou um sorriso sincero escapar entre os lábios quando percebeu que estávamos nos aproximando.
— Pois não?! — o senhor perguntou.
— Nós somos os novos moradores do apartamento 72. — respondi.
— Oh, claro! — o senhor ainda mantinha o mesmo sorriso enquanto analisava um papel que estava em sua mesa. — Louis Tomlinson e ...? — o senhor pigarreou enquanto tentava pronunciar o meu sobrenome e foi a primeira vez, desde que havia chegado, que vi o sorriso dele desaparecer de sua feição.
, senhor! — corrigi abruptamente, o que fez Louis rir baixo ao meu lado. Já estávamos acostumados com a dificuldade que a maioria tinha de pronunciar o sobrenome, já que era de origem hispânica.
! Muito bem. — o porteiro sorriu evidentemente sem graça. — Latina?
— Sim! — assenti com a cabeça.
— Desculpa, eu não falo espanhol.
— Está tudo bem, estou acostumada. — sorri de volta para o senhor.
— Bom, o senhor Scott, proprietário do apartamento que vocês alugaram, é um homem muito ocupado, então ele sempre deixa o vizinho de vocês, o senhor Payne, para entregar as chaves para novos moradores. Ele está no apartamento de frente para o de vocês, número 73. Meu nome é James e eu sou o porteiro do período da manhã aqui do condomínio, então nos veremos frequentemente. — ainda com sorriso nos lábios, o senhor James liberou a nossa entrada no condomínio ao apertar um botão em sua cabine, fazendo com que a porta automática se abrisse. — Antes de vocês subirem, eu vou pedir só para vocês me entregarem os documentos de vocês para realizar o cadastro e colocar o indicador neste aparelho. — disse, apontando logo em seguida para um dispositivo que gravava digitais. — Para que vocês possam entrar no condomínio livremente.

Louis e eu entregamos nossos documentos de identificação ao porteiro e, logo em seguida, fizemos o cadastro das nossas digitais.
— Isso aqui é tão chique! — Louis sussurrou para mim enquanto retirava o dedo do dispositivo, o que me fez rir.
— Estamos em outro mundo, Lou. — e realmente estávamos. Talvez essas coisas fossem comuns aqui na Califórnia, mas de onde vínhamos, tudo era novidade. As pessoas aqui pareciam tão felizes e satisfeitas, desde os funcionários do aeroporto até o motorista do Uber, e principalmente o senhor James, que não havia parado de sorrir desde o momento em que eu o vi.

Após realizar nosso cadastro, o senhor de olhos azuis nos devolveu nossos documentos e nos desejou as boas-vindas ao Residencial Empire. Louis e eu seguimos em direção ao elevador, onde apertamos o botão de número 7. Conversávamos sobre as impressões que havíamos tido do condomínio quando chegamos no hall do nosso andar.

— Hm, apartamento 73... — Louis disse virando-se para direita, exatamente de frente para a porta do apartamento do nosso vizinho que possuía nossas chaves. Estendi o meu braço para tocar a campainha da porta vizinha quando a porta do apartamento da frente, no caso o nosso, foi aberta.
Foi tudo tão rápido que eu mal pude processar o que estava acontecendo. Uma chuva de confetes caiu sob nossas cabeças e um barulho de vuvuzela soou tão alto que eu me perguntei se não estava, na realidade, assistindo a um jogo da copa do mundo pela televisão da sala de estar do meu pai.
— Caralho! — Louis indagou assustado, virando-se em direção à porta do nosso apartamento.
— Sejam bem-vindos ao Residencial Empire! — um garoto alto, de cabelos castanhos e que, mesmo usando uma jaqueta jeans, era evidente que ele possuía braços torneados, e uma garota de estatura mediana, com corpo magro e cabelos pretos lisos penteados em um rabo de cavalo disseram em uníssono. Ambos estavam sorrindo e, por algum motivo desconhecido, comemorando nossa chegada ao condomínio, e na mão direita de cada um deles estava um copo de shot com um líquido transparente.
— E sejam bem-vindos à UCLA! — a garota praticamente gritou gesticulando de forma exagerada. Louis e eu nos entreolhamos e rimos. Logo em seguida, Louis começou a comemorar com ambos através de gritos e os abraçou.
— Uau, eu nunca tive uma recepção tão calorosa. — brinquei, me aproximando dos três.
— Meu nome é Liam Payne e essa é a Rebeca, minha roommate. Somos seus vizinhos do apartamento 73. — disse, apontando para a porta da frente, o apartamento que procuramos quando pisamos no sétimo andar. — O proprietário de alguns dos apartamentos daqui é um grande amigo da minha família, então eu sempre fico responsável por fazer a apresentação dos apartamentos e, diga-se de passagem, sou um ótimo anfitrião. — Liam riu e piscou para nós dois, fazendo com que nós três também rissemos com ele.
— Vocês devem ser Louis e , certo? — Rebeca perguntou. — Ritual de boas-vindas para os novatos: um shot de tequila!
— Meu Deus, isso aqui é tudo o que eu sempre sonhei! — Louis pegou o copo de shot da mão de Liam e virou rapidamente. Louis era a pessoa mais festeira que eu já havia conhecido, então claro que essa recepção calorosa e, obviamente, festiva, só poderia deixá-lo ainda mais feliz com nossa chegada à Califórnia. — Vem, ! Sua vez. — Louis pegou o copo da mão de Rebeca e o entregou para mim. Eu não era a maior fã de bebidas alcoólicas que existia, para ser sincera. Eu apreciava um bom vinho e uma cerveja na companhia do meu pai, meu irmão e Louis aos domingos, mas dessa vez era uma ocasião especial. Dei de ombros, peguei o copo da mão de Louis e virei o shot, fazendo com que os três soltassem alguns gritinhos de comemoração. O líquido desceu rasgando pela minha garganta e eu não pude evitar de fazer uma careta enquanto o gosto ruim desaparecia aos poucos do meu paladar.
— Vocês sempre recepcionam novos moradores assim? Invadindo o apartamento deles e oferecendo shots de tequila? — brinquei enquanto devolvia o copo a Rebeca.
— Só os novatos da UCLA. — Liam sorriu de forma galanteadora para mim.
— Então vocês também são estudantes da UCLA? — Louis perguntou.
— Sim! A maioria dos inquilinos daqui são estudantes da UCLA, na verdade. A universidade é muito perto e o aluguel não é tão caro, então a maioria acaba ficando por aqui.
— Vocês não querem conhecer a nova casa de vocês? — Liam perguntou, logo após a explicação de Rebeca.
— Claro! — respondi.

E assim, Liam e Rebeca nos ajudaram a colocar as malas para dentro do apartamento e começaram a fazer um tour pelo local para nós. Nossa cozinha era o primeiro cômodo da casa, não era tão grande, mas era espaçosa, como um corredor largo com móveis planejados e eletrodomésticos de última geração e, logo no final, havia uma porta de vidro que dava para a lavanderia. A cozinha contava com um balcão e algumas banquetas e, logo atrás, havia a sala de estar com dois sofás, mesa de centro, televisão e tudo o que tínhamos direito — o apartamento era até grande demais só para eu e Louis. Logo atrás de um dos sofás, tinha uma cortina tampando a claridade que adentrava através da porta de vidro que dava direto para a nossa sacada, onde estavam algumas cadeiras de balanço e uma mesa de centro. O apartamento possuía um lavabo e duas suítes — e Louis foi mais rápido e mais esperto do que eu, escolhendo a suíte maior.

— Bom, vamos deixar vocês ficarem confortáveis e se alocarem. O que precisarem, estamos no apartamento da frente! — Rebeca anunciou.
— Hoje, às 16h, vai ter uma festa de boas-vindas aos novatos. Vai ser no jardim de uma das casas de fraternidade. Seria bem legal se vocês fossem, já conheceriam a melhor parte da universidade... — Liam sorriu, fazendo uma pausa dramática. — ...as festas!
— Claro que vamos! — Louis respondeu por nós dois e passou seu braço direito por volta do meu pescoço me puxando pra mais perto.
— Lou...
, não começa! — me repreendeu. — Nossas aulas só começam daqui dez dias, não tem com o que se preocupar ainda. A gente merece se divertir um pouco antes de tudo isso. — respirei fundo. Não é que eu não gostasse de festas e de me divertir, eu até gostava! Mas o jeito do Louis festejar era um pouco... Demais. E eu sei que sobraria para mim cuidar do meu melhor amigo no meio da madrugada e limpar o seu vômito.
— OK, tudo bem. — me dei por vencida. Se eu me recusasse a ir, Louis me mataria, então eu não tinha outra opção. — Mas promete para mim que você não vai misturar nada? — eu não queria passar a imagem de que meu melhor amigo era uma pessoa sem limites, mas a verdade é que ele era sim. A relação que eu tinha com cigarros era a que ele tinha com maconha e, para mim, estava tudo bem. Louis começou a fumar alguns anos atrás na tentativa de relaxar aos finais de semana, mas virou um hábito e, por mais que ele dissesse que maconha não vicia, ele era sim viciado na erva, tanto que ele nem ficava mais chapado, mas esse era o menor dos problemas — já que a planta nem fazia mais efeito nenhum no garoto. O problema é que Lou sempre gostava de usar uma coisinha a mais, tipo uma bala ou um LSD, e tudo isso misturado com álcool, e é aí que Louis passava dos limites. Uma vez ele havia me convencido de ir numa rave em uma espécie de montanha em alguma outra cidade esquisita do Alaska que ficava há 20 minutos de Talkeetna e eu acabei tomando a tal da bala que Lou descrevia como a segunda melhor sensação do mundo (perdendo só para o orgasmo, segundo ele) e eu só fiquei drogada o suficiente para suportar aquela batida estridente de música eletrônica por horas — eu já era a dona da pista de dança todas as vezes em que saíamos, eu não precisava de caralho de bala nenhuma para dançar a noite toda. Desde então, eu o julgava toda vez que ele tomava essa porcaria. Não sei qual era a graça de sentir o coração bater tanto a ponto de achar que poderia ter um infarto.
Louis, por sua vez, riu da minha cara emburrada e estendeu o dedo mindinho para mim com um sorriso de orelha a orelha.
— Promessa de dedinho, ! — o encarei com uma certa dúvida; até que momento Louis cumpriria com sua palavra? Eu já havia escutado esse papo outras vezes.
Decidi, mesmo assim, entrelaçar nossos dedos e Louis soltou alguns gritos de comemoração, o que fez com que eu, Rebeca e Liam gargalhássemos.
— Tenho certeza que vocês vão gostar. — Rebeca disse. — Então às 15:50 passamos aqui para chamar vocês e vamos todos juntos, o que acham?

Louis e eu concordamos e Rebeca e Liam se despediram, indo para o apartamento deles. Ainda eram 10:45 da manhã, teríamos muito tempo até o horário da festa.

— Pelo menos vizinhos legais já temos. — Louis disse após fechar a porta da nossa nova casa. — E o Liam é um gato! — encarei Louis e logo comecei a gargalhar. — O que foi?!
— Eu sabia que você estava olhando para ele.
— Eu tenho olhos, OK? — Louis se defendeu, mas rindo igualmente. — Vai dizer que você também não achou ele gato para cacete?
— Óbvio que eu achei. Eu tenho olhos, OK? — ironizei a fala anterior do meu melhor amigo, que continuou rindo.

Louis e eu decidimos explorar o apartamento e o conforto que ele iria nos oferecer durante os próximos quatro anos. Primeiro, fomos até a varanda e acendemos um cigarro enquanto admirávamos a vista de Los Angeles, que era extremamente diferente de tudo o que conhecíamos. O Sol brilhava forte acima de nós e a cidade estava ensolarada, quase podíamos sentir o cheiro do mar que ficava há alguns minutos de distância do nosso apartamento. Louis e eu apenas aproveitamos a companhia um do outro em silêncio, ambos realizados demais para acreditar que tudo aquilo era verdade. Era notório que Louis estava tentando manter sua postura confiante, mas sabia que para ele estava sendo um tanto quanto difícil ficar longe de sua mãe e suas irmãs. Louis balançava os pés incessantemente e tragava o cigarro mais rápido que o normal. Fitei-o por alguns segundos sem que ele percebesse e afaguei seu ombro esquerdo, o que fez com que ele virasse a cabeça para me olhar.

— Lou, vai ficar tudo bem! — ele não me respondeu nada de volta, mas o sorriso em seus lábios e os olhos marejados fizeram com que eu o entendesse sem dizer uma palavra sequer. Me aproximei de meu melhor amigo e entrelacei nossos braços, repousando minha cabeça em seu ombro logo em seguida. E ali ficamos mais alguns minutos admirando a vista da vizinhança de Westwood.

Depois, desfizemos as nossas malas e ajeitamos as nossas coisas no guarda-roupa espelhado que havia em cada um dos quartos e, enquanto finalizávamos a organização, senti meu estômago roncar alto até demais. Minha última refeição havia sido um café expresso no aeroporto logo quando chegamos a Los Angeles. Por conta disso, notei que o relógio já batia uma hora da tarde. Louis pediu um tipo de massa à bolonhesa no iFood para almoçarmos enquanto eu aproveitava um tempo sozinha na banheira da minha suíte, com a cabeça imersa em meus próprios pensamentos e planos para o futuro que eu praticamente rezava para que dessem certo.

O restante do dia, decidimos passar desfrutando do conforto do sofá na nossa sala de estar, que, apesar de não ser dos melhores, nos aconchegava de maneira quase que ideal. Nós também conversamos sobre como seriam os nossos próximos dias antes do início do ano letivo. Precisávamos abastecer os armários e a geladeira que, obviamente, estavam vazios, e Louis também queria visitar alguma concessionária para comprar um carro popular, já que o transporte público em Los Angeles era péssimo, e eu e meu melhor amigo estávamos preocupados se conseguiríamos algum emprego ou estágio com certa facilidade. Nós tínhamos uma espécie de auxílio mensal oferecido pela UCLA, visto que éramos bolsistas, mas o dinheiro ainda sim não cobria todos os gastos que teríamos. De qualquer forma, nós notamos que já estava perto das quatro horas da tarde quando eu e Louis decidimos encerrar nosso papo. Fomos para nossos quartos no intuito de nos arrumarmos para a tal festa de boas-vindas. Vesti um shorts preto larguinho de cintura alta que vinha até a metade das minhas coxas, uma blusa branca apertada e mais curtinha que deixava meus ombros e uma parte da minha barriga à mostra, meu inseparável par de Vans e um bucket hat da mesma cor do shorts. Essas eram uma das poucas peças de verão que eu possuía, já que no Alaska nunca fazia calor. Louis, por sua vez, usava uma camiseta preta lisa e bermuda da mesma cor, os Vans exatamente iguais aos meus e um boné branco.

— Faz tanto tempo que eu não te vejo sem jaqueta de pelo que até esqueci que você era gostosona. — Louis brincou assim que me juntei a ele na sala para esperar Liam e Rebeca.
— Amigo, desiste! Eu nunca vou dar para você. — brinquei de volta, mostrando a língua para ele, que fez uma cara de ofendido.
— Você sabe que meu sonho é tirar suas teias de aranha. — Louis revidou e eu, automaticamente, lancei uma das almofadas que estavam no sofá em sua direção, o que fez meu melhor amigo gargalhar.
— Filho da puta! Nem faz tanto tempo assim que eu não transo.
— Só... — Louis começou a fingir que estava fazendo uma conta nos dedos. — ...dois anos! — eu estava pronta para devolver algum xingamento para Lou quando fui interrompida pelo som da campainha. Louis e eu abrimos a porta dando de cara com um Liam e uma Rebeca extremamente animados.
— Primeira festa do semestre! — Liam comemorou. O rapaz usava uma camisa jeans que cobria até os seus bíceps (confirmando os braços malhados que eu já havia notado) e uma bermuda branca, o tênis esportivo da Adidas combinava com a peça debaixo trazendo tons de preto e branco e, em volta do seu pescoço, uma corrente de tecido branco segurava um copo de acrílico verde neon de 700 mL que batia na altura do seu abdômen.
— Gente, eu juro que o Liam também estuda, tá? Ele não pensa só em festa. — Rebeca brincou. A morena também não ficava muito pra trás quando o assunto era aparência, os cabelos lisos agora soltos caíam sobre seus ombros e ela usava um top cropped preto e shorts jeans na mesma cor, no seus pés um All Star de cano médio que completava o loOK all black e um copo exatamente igual ao de Liam, porém na cor rosa neon.
— Gostei do copo, Liam. — Louis disse em uma tentativa de puxar assunto com Liam e eu precisei comprimir meus lábios para não dar risada, Lou era muito ruim em tentativas de flerte.
— Obrigado, mate! Lá tem vários outros iguais, é uma tentativa das fraternidades de diminuir o consumo de red solo cups. Tem a ver com essa coisa toda de poluição do planeta, tempo de decomposição e coisas do tipo.

A UCLA ficava tão perto do nosso condomínio que fomos caminhando até o local do evento, e também aproveitamos para nos conhecer um pouco melhor. Rebeca era uma bolsista, assim como eu e Louis, e estava no quarto ano de medicina, mas ela ainda teria mais quatro anos de ensino acadêmico, já que precisaria escolher sua especialização daqui alguns meses, enquanto a graduação de Liam era em business, pois ele precisava se preparar para assumir os negócios do pai futuramente — que, segundo Rebeca, "era um velhote podre de rico". Quanto mais perto chegávamos da fraternidade — que era ao lado da UCLA —, mais pessoas podíamos ver nas ruas já alteradas pelo consumo de álcool. Algumas até se beijavam em esquinas e outras faziam desafios de virar um copo cheio de cerveja em menos de trinta segundos. Toda aquela pataquada de universidade de filmes clichês americanos era extremamente real.

— A Delta Sigma Phi é a responsável pelas festas de boas-vindas da UCLA e é a maior fraternidade daqui também.
— Ou seja, só tem homem gostoso porque todos os gostosões querem fazer parte dela.
— É, mais ou menos isso aí que a Rebeca tá falando. — Liam revirou os olhos, incomodado pelo comentário da amiga.
— Na cabeça do Liam, só ele é gostoso.

Logo, nosso foco se desviou para o palco principal no pequeno gramado da tal fraternidade. Algumas caixas de som e uma mesa de DJ estavam centralizadas no palco, alguma música pop tocava alto o suficiente para que eu mal pudesse ouvir o que meus novos amigos falavam. E, de repente, eu só conseguia ter olhos para uma pessoa específica. Claro que eu já havia visto homens extremamente bonitos, mas o garoto que se direcionava ao centro do palco roubava todos os holofotes para si, vestindo uma camiseta amarela com as siglas da fraternidade estampadas bem ao meio. Ele era diferente de todos que eu já havia visto. Sua pele naturalmente bronzeada e sua barba cheia davam um charme a mais para o sorriso que ele tinha nos lábios. Sua beleza era tão exorbitante que poderia ser comparado a algum dos deuses da mitologia grega, sua estatura era mediana e seus olhos eram tão pequenos que eu não conseguia enxergar a cor de suas íris e eu não pude evitar de pensar como ele deveria ser ainda mais atraente debaixo dessas vestimentas.
— Muito boa tarde veteranos e novatos da UCLA. — o rapaz anunciou no microfone quando o som parou abruptamente, fazendo com que as pessoas gritassem ao ouvir o seu chamado. — Para quem não me conhece, meu nome é e eu faço parte da Delta Sigma Phi. Quero desejar as boas-vindas aos calouros e um bom retorno aos meus colegas veteranos. Vamos fazer desse ano letivo o melhor de todos! — mais alguns gritos puderam ser ouvidos. — Se precisarem de alguma coisa, estou disponível! E meu amigo Niall também. — apontou para alguém que estava logo abaixo do palco, mas, pela distância, não conseguia enxergar quem era. — APROVEITEM! riu e, logo em seguida, direcionou-se às escadas no final do palco. Fiquei o assistindo descer com uma única coisa em mente... Gostoso para caralho, lindo para caralho!
— Vamos lá cumprimentá-lo! — Liam disse dando um gole na cerveja que estava depositada no copo verde neon. Eu estava tão fissurada pela beleza de que nem havia notado que todos já estavam bebendo alguma substância alcoólica, inclusive Louis, que agora tinha um copo rosa neon também.
— Espera aí! — indaguei. — Você o conhece?
— O Liam conhece todo mundo, . — Rebeca respondeu me puxando pela mão para seguir Liam e Louis que já estavam mais à frente.
— E aí, ! — Liam estendeu a mão para cumprimentá-lo e fizeram um som exageradamente alto quando suas mãos se chocaram.
— Payno, que bom te ver! — o abraçou. — Como foi o verão?
— Mesma merda de sempre. — Liam riu.
— Oi, Beca. — cumprimentou a morena que acenou de volta para ele.
, deixa eu te apresentar os novatos mais fodas desse semestre... — Liam disse, nos bajulando até um pouco demais — São nossos vizinhos de porta. Esse é o Louis. — apontou para o meu melhor amigo. — E essa é a .

me fitou e, por um instante, foi como se o mundo tivesse parado ali. Seus olhos, agora evidentemente , fizeram com que eu me sentisse quase despida. Nós nos encaramos por tanto tempo que um silêncio quase que constrangedor se instalou. Não sei se ele estava pensando a mesma coisa que eu, mas eu só conseguia imaginar que deveria ser uma delícia ouvir meu nome sair de seus lábios em meio a gemidos. Cara, eu realmente estava na seca, mas eu jamais daria razão ao péssimo comentário feito pelo Louis, alguns minutos atrás, referente à minha vida sexual.

— Prazer em conhecê-los. — estendeu a mão para cumprimentar Louis, mas seus olhos ainda estavam pousados nos meus. , em seguida, tomou minha mão direita nas suas e, da forma mais galanteadora e brega possível, a beijou. Pude sentir minhas bochechas queimarem e Rebeca rir atrás de mim. Que porra é essa? Rapidamente, retirei minhas mãos da sua, extremamente constrangida.
— O prazer é nosso! — Louis disse alto, claramente tentando segurar a risada. Eu tinha certeza que ele iria me zoar e zoar pelo resto da sua existência.
— É... — Liam pigarreou. — Vamos pegar mais cerveja?
— Vamos! — respondeu. Eu tinha certeza que o convite não havia se estendido a ele, mas tudo bem, porque eu não me importava de estar na companhia dele, fazia bem para os meus olhos.

E assim seguimos, nós cinco em direção a uma mesa que tinha uma variedade de bebidas e de copos neons. Escolhi um copo laranja que conseguia chamar mais atenção do que o membro da fraternidade ao meu lado e o enchi de cerveja.

— De onde vocês são? — perguntou.
— Talkeetna, no Alaska. — respondi, fazendo com que o garoto voltasse a me fitar.
— Essa não é a cidade que elegeu um gato como prefeito? — perguntou com o cenho franzido, fazendo com que Liam e Rebeca rissem.
— Nossa, começamos bem. Pensa na nossa reputação daqui uns meses, . — Louis disse, de forma irônica. — Em nossa defesa, isso é uma fake news! A cidade é tão pequena que nós não temos prefeito, não existe eleição.
— Então vocês vão estranhar Los Angeles. Aqui é tão grande que deveria ter um prefeito por condado.
— É isso que torna Los Angeles tão interessante, . — respondi, dando um gole no líquido gelado no meu copo de acrílico. riu anasalado e assentiu, imitando meu gesto ao tomar um gole da sua cerveja também.
— E aí, lads? — um garoto, praticamente gritando, disse ao se aproximar de nós. Com seus cabelos castanhos claros e uma camiseta igual à que usava, o rapaz passou seu braço por volta do pescoço de Liam.
— Lou, , esse é o Niall. — Liam apresentou, dando finalmente um rosto ao nome que havia pronunciado no palco.
— Prazer em conhecê-los, novatos. Espero que vocês gostem da UCLA. Nossa fraternidade dá as melhores festas, modéstia à parte. — Niall estava empolgado, o sorriso no seu rosto parecia permanente e sua voz era alta, o seu sotaque entregava que, assim como eu, também não era americano.
— Tudo de vocês é melhor, Niall. Já tinha esquecido disso. — Rebeca ironizou.
— Ainda chateada por ter sido expulsa da Alha Phi, Beca? — Liam e se entreolharam boquiabertos e tentaram segurar a risada, falhando mediocremente.
— Vai se foder. — Rebeca esbravejou.
— Pera... Expulsa? — Louis perguntou
— Longa história, Louis. — disse em meio a risadas. Lindo para caralho! Brega, mas lindo.
— A Rebeca deu uma surra em uma patricinha da sororidade e foi expulsa. Ela só não perdeu a bolsa porque é uma nerd puxa saco e os professores a salvaram. — Niall explicou.
— Corta para a parte que isso foi tudo culpa do Payno. — Rebeca se defendeu. — O chifre impede o cara de passar pela porta de casa até hoje. — e Niall gargalharam enquanto Liam mostrava o dedo do meio para a amiga.
— Basicamente... — Niall se direcionou a Louis e eu, que estávamos por fora do papo. — A Francesca meteu a galha no Liam e a Rebeca resolveu defender o melhor amigo dela aqui. — disse apontando para Liam com a cabeça, Niall ainda mantinha o braço em volta do pescoço do garoto. — Foi uma cena linda de se ver, diga-se de passagem. Um verdadeiro catfight.
— Niall, você é sempre tão babaca. — Beca implicou de novo com o garoto.
— E você me ama exatamente assim, do jeitinho que eu sou.
— Aí, vamos sair daqui. — revirando os olhos, Rebeca puxou Louis pelas mãos e saiu arrastando meu melhor amigo que ainda ria sobre a história da traição de Liam que acabávamos de descobrir.
— Vai atrás dela, cara. — Liam o aconselhou. — Vocês não conseguem ficar um minuto em paz. Depois eu não quero ouvir ninguém choramingando na minha porta. — Niall o encarou por alguns milésimos e logo saiu atrás de Rebeca e Louis. — Bom... E eu vou ver se acho a Danielle para ver se ela ainda me dá uma moral. Não falo com ela desde o início das férias.
— Boa sorte, dude. Ela deve estar te odiando.
— Obrigado pelo apoio. — Liam ironizou, levantando o seu copo para , que repetiu o gesto.

E ali ficamos, e eu sozinhos. Continuei a beber a cerveja em meu copo como se não fosse ter fim enquanto as vozes das pessoas ao nosso redor e a música alta evitavam o silêncio constrangedor mais uma vez.

— É, desculpa se eu te constrangi quando... — pigarreou, cortando o silêncio entre nós. — Beijei sua mão e tal... — deu um gole em sua bebida.
— Ah, tá tudo bem. Não tem problema.
— Acho que você ficou um pouco envergonhada.
— É... Meio piegas, não acha? — respondi. começou a rir.
— É. — concordou, fazendo uma careta. Suas bochechas coraram. — Desculpa mesmo. Vamos começar do zero. — ele estendeu a mão dessa vez para que eu pudesse cumprimenta-lo, mas eu a tomei na minha e repeti o seu gesto de antes, beijando as costas de sua mão. me olhou incrédulo e soltou uma gargalhada gostosa que fez com que eu o acompanhasse.
— Não precisa mais ficar com vergonha, estamos quites.
— Muito obrigada, .
— Não por isso. — pisquei para ele e dei um longo gole na cerveja. — Mas e aí? Qual é a do Niall e da Rebeca?
— Eles namoraram no primeiro ano, mas as coisas não deram muito certo. Niall terminou com ela sem mais nem menos e, desde então, eles se odeiam. Na verdade, Rebeca finge odiá-lo e Niall morre de amores por ela, aí eles ficam se provocando. — revirou os olhos. — Mas eles são obrigados a conviver já que acabamos conhecendo o Liam e nos aproximando dele.
— Entendi. — assenti. — Rebeca parece ter uma personalidade forte, deve ser difícil para o Niall.
— É, um pouco. — ele concordou. — Mas me fala mais sobre você... Por quê Los Angeles?
— Louis e eu somos apaixonados por essa cidade desde pequenos, até pela graduação que escolhemos que tem tudo a ver com LA.
— E qual a graduação de vocês?
— Louis vai fazer teatro e eu writing. — Então, você é uma escritora?
— Podemos dizer que sim.
— Interessante! Você escreve sobre o quê?
— Eu tenho algumas poesias e quando eu tinha quinze anos, comecei um livro que envolve romance e suspense, mas ainda não finalizei. Talvez o curso me dê um norte, sabe? Me traga mais inspirações para escrever. E melhores oportunidades também.
— Gostaria de ler alguma coisa sua um dia. — disse, preenchendo nossos copos de cerveja novamente.
— É, quem sabe um dia. — ri, podendo fitar novamente aqueles olhos que continuavam pousados nos meus. ainda me olhava como se me despisse, eu me sentia exposta, como se ele estivesse tentando me ler.

E assim passamos a tarde toda. Sentamos em um banco de madeira perto da mesa que nos dava um leque de opções de drinks, mas ficamos só na cerveja após eu dizer que só bebia isso e vinho. não era só um rosto bonito, de fato. O rapaz era de origem paquistanesa, mas havia nascido em Los Angeles. Sua mãe havia falecido quando era criança, assim como a minha, e por isso havia sido criado por sua madrasta, Anne, que tinha um filho um ano mais velho que , ao qual ele se referia como irmão apesar de não terem o mesmo sangue. vinha de uma família de advogados, mas quebrou os padrões quando decidiu estudar Design na UCLA. Ele era modesto e extremamente educado, não parecia se vangloriar pela sua aparência ou pelo poder aquisitivo que, evidentemente, sua família tinha. Pude até ver na galeria de seu celular alguns desenhos e grafites que ele havia feito e eu fiquei perplexa com o seu talento. prometeu que me desenharia qualquer dia desses e eu o fiz selar a promessa com um aperto de mãos. Ele ainda me encarava como se sua intenção fosse me deixar nua — infelizmente, só metaforicamente falando —, mas agora estava tudo bem para mim, eu me sentia estranhamente confortável... Ele parecia curioso, queria saber mais sobre minha história, de onde eu vinha e do que eu gostava. Nossa identificação perante o racismo era aconchegante, apesar de ser de outra etnia, ele entendia tudo o que eu sofria como uma mulher miscigenada vivendo nos Estados Unidos porque ele passava exatamente pelo mesmo. detalhou algumas vezes que foi chamado de terrorista nas ruas ou nos corredores da sua antiga escola durante o ensino médio. Agradeci por ele compartilhar suas fraquezas comigo e ele, em resposta, afagou minha mão esquerda com um sorriso entre os lábios, o que me causou um arrepio que passou despercebido pelo mais velho... Ainda bem. Que homem malditamente lindo! gostava de hip-hop, artistas como Tupac, Outkast e Notorious Big, seu filme preferido era O Lobo de Wall Street — o que eu achei clichê. Perguntei por diversas vezes se eu não estava o atrapalhando, talvez ele quisesse aproveitar a festa organizada pela sua fraternidade, mas ele parecia estar bem ali ao meu lado. Sua voz era acolhedora e seu sorriso a cada palavra que eu dizia fazia com que eu me sentisse alguém interessante. quebrava todo o clichê de garoto popular de fraternidade que os filmes adolescentes pintavam. Ele se divertia com as histórias bizarras de Talkeetna e eu me entretinha por cada fato que ele contava sobre a Califórnia, que ele conhecia como a palma de sua mão.
— Um dia desses eu te levo de moto para conhecer um pouco mais de Los Angeles.
— Mais uma promessa, . Eu vou cobrar. Nossos copos haviam sido completados tantas vezes que eu já podia sentir o efeito do álcool em minhas veias. ria da minha fala mole e se divertia com as piadas que eu fazia sobre as pessoas que passavam por nós, todas ridiculamente bêbadas. Por vezes, algumas pessoas iam até nós para cumprimentar e ele fazia questão de me apresentar a todos e eu, por minha vez, não havia decorado o nome de ninguém. também jogava futebol pela UCLA e morava na fraternidade. Ele disse que era a forma de ter um pouco de independência dos seus pais que moravam há dez minutos do campus.
— Cacete, ! Eu estava procurando você que nem louca. — e claro que como tudo que é bom dura pouco, Rebeca apareceu, um pouco embriagada, com o cabelo preso em um coque malfeito, interrompendo minha conversa com . — O Louis tá passando supermal, cara!
— Como assim?! — levantei em um supetão e pude sentir tudo ao meu redor girar. Eu não tinha me dado conta do quão bêbada estava. Naquele momento, lembrei do meu irmão que sempre falava que beber sentado não fazia bem, ele teorizava sobre como o efeito do álcool potencializa ou algo do tipo e, devido às circunstâncias em que eu me encontrava, esse papo já não parecia ser mais tão baboseira assim. me segurou pelos cotovelos, impedindo que eu caísse sentada de volta no banco em que estávamos antes. — Onde ele está?
— Com o Liam! Vamos. — a morena girou em seus calcanhares de uma forma tão rápida que, por pouco, eu não a perdi de vista. Pensei em voltar para ao lado de para, pelo menos, me despedir antes de salvar o meu melhor amigo de um possível coma alcoólico, mas não foi preciso, visto que eu pude sentir o aroma de seu perfume amadeirado logo atrás de mim, me escoltando.

Quando nos aproximamos dos meninos, a cena era um tanto quanto deplorável. Liam estava sentado na quina da calçada com Louis sentado ao seu lado direito. Liam segurava meu amigo pela cintura enquanto o mesmo tinha sua cabeça enfiada em um balde — provavelmente vomitando até suas tripas — e logo atrás Niall vomitava ao pé de uma árvore, sendo amparado por dois outros garotos que vestiam a mesma camiseta amarela da fraternidade que e Niall.
— Lou, pelo amor de Deus! — me ajoelhei em frente ao meu melhor amigo, — Misturou, né?
— Pior que não, . — Liam respondeu por Louis que estava sem condições de falar. — Ele e o Niall fizeram uma competição de quem virava mais canecas de chopp. — Liam gargalhou, o deboche estampado em sua cara. — Tá aí o resultado. — a risada de Liam foi interrompida pelo barulho grotesco que saiu da garganta de Louis quando ele vomitou mais uma vez. Levantei-me rapidamente, pois o cheiro do vômito fez meu estômago revirar enquanto Liam fez algumas caretas ao mesmo tempo que virou a cabeça para o lado oposto que meu amigo estava.
, eu chamei um Uber para vocês. — disse enquanto saía de perto do Niall e vinha em nossa direção.
, não precisava, o prédio é perto daqui, cinco minutinhos.
— Eu sei, mas você acha mesmo que o Louis vai conseguir andar até lá? — arqueou uma de suas sobrancelhas. — Ou que você vai conseguir carregá-lo nas costas?
— OK, você tem um ponto.
, nós ainda vamos ficar um pouco. — Liam nos interrompeu enquanto ainda segurava meu melhor amigo. — Tudo bem se vocês forem sozinhos? Você consegue subir com o Louis?
— Ué, mas é claro! — assenti como se fosse óbvio, já estava acostumada a carregar Lou em finais de festa.
— Eu... — pigarreou. — Eu posso ir com vocês.
— Ah, , não precisa se preocupar. Niall também não está bem, imagino que ele esteja precisando de você.
— Os meninos já estão o levando para o dormitório. Acho que você vai precisar de ajuda para subir com ele. — olhou de soslaio para o meu melhor amigo que agora levantava a cabeça do balde e repousava a mesma no ombro de Liam, seus olhos mal abriam e chegava até ser preocupante o que o álcool podia causar em uma pessoa que não respeitava os próprios limites.
— Eu acho uma boa ideia também, . — Rebeca opinou, entregando uma garrafa de água gelada nas minhas mãos logo em seguida. — Lou vai precisar disso amanhã. — assenti para minha nova amiga. Não é que eu não queria passar mais tempo ao lado de , na verdade, era muito pelo contrário, mas eu não me sentia confortável em deixar um desconhecido entrar na minha casa e é por isso também que eu nunca fui adepta de sexo casual ou encontros às cegas ou qualquer coisa do tipo que envolva algum desconhecido invadindo meu espaço. Me chame de chata se quiser, mas eu tenho algumas — muitas — regras.
— Liam, me dá uma força? — apontou para Lou com a cabeça e, de prontidão, ambos levantaram meu melhor amigo. e Liam passaram os braços por volta da cintura de Louis e os braços do garoto repousaram em torno do pescoço daqueles que o carregavam enquanto caminhávamos em direção ao veículo que esperava por nós três. Sinceramente? Lastimável!

— É... , será que você pode esperar aqui fora? — perguntei, assim que paramos na porta do meu apartamento. — Minha casa está uma bagunça, nós chegamos hoje mesmo, então... — sorri, tentando parecer simpática após contar uma mentira lavada com a maior cara de pau possível. Quando a gente está bêbado, nós realmente fazemos e falamos coisas que não faríamos. Se eu estivesse sóbria, com certeza lhe falaria a verdade, sem inventar desculpinhas... Ou não também, já que nunca se dispensa um cara bonito como . — Vou colocar o Louis para deitar também, então se você quiser voltar para a fraternidade, sem probl...
— Eu te espero aqui, . — riu anasalado enquanto jogava o peso de Louis, que ele segurava, para mim. Assenti para o rapaz à minha frente e abri a porta do apartamento, segurando Lou com toda a força que eu tinha. Meu melhor amigo não era tão mais alto e nem muito mais pesado do que eu a ponto de não conseguir carregá-lo com meus modestos um metro e sessenta e três, mas carregar alguém praticamente desacordado quando você está embriagada não é uma tarefa fácil. Fechei a porta atrás de mim com um dos meus pés e arrastei Louis até seu quarto. Deitei meu amigo em sua cama e até pensei em colocá-lo debaixo do chuveiro, mas eu não teria forças para segurá-lo e nem mesmo jeito para banhar alguém. Tirei o boné que ainda estava no topo de sua cabeça e em seguida desamarrei seus tênis, retirando eles e o par de meias. Louis estava como uma estátua, eu poderia ter facilmente o derrubado enquanto o carregava para dentro do quarto e, mesmo assim, ele não acordaria. Joguei o edredom por cima do corpo adormecido e deixei a garrafa de água, que Rebeca havia me dado minutos antes, em sua mesa de cabeceira. Apaguei as luzes, saindo do quarto logo em seguida.

— Obrigada por esperar, . — me esperava ainda do lado de fora do meu apartamento, mas agora sentado no chão com as costas apoiada na porta do apartamento de Liam e Rebeca. O moreno me lançou um sorriso de orelha a orelha e eu me juntei a ele, sentando ao seu lado. — Desculpa pela situação, acho que passamos uma ótima primeira impressão para você. — ironizei, fazendo soltar uma risada tão gostosa que eu me senti, mais uma vez, na obrigação de acompanhá-lo. — Você também não precisava ter largado a festa para vir até aqui.
— Eu sei que não, mas eu quis. — inclinou a cabeça para o lado, me fitando diretamente nos olhos. Nós dividíamos um espaço tão pequeno sentados em frente à porta de Liam e Beca que nossos ombros e nossas pernas estavam colados um ao outro e agora, com nossos rostos virados um para o outro também, parecia que a qualquer segundo a ponta dos nossos narizes iam se encontrar. Pude sentir borboletas no meu estômago, acho que eu não ficava perto de um homem atraente há... Meu Deus, dois anos! Louis estava, de fato, coberto de razão. Eu já poderia entrar em um clube de celibato e, com certeza, eu me tornaria líder em questão de semanas. — Sua companhia é muito mais agradável do que a de um monte de gente bêbada. — desceu seu olhar para os meus lábios e eu o acompanhei, sua boca era carnuda e tinha o tom mais natural possível de rosa, eu estava hipnotizada. O aroma do seu perfume invadiu minhas narinas e, em um reflexo, eu fechei meus olhos. Ele estava perto demais e eu gostava disso. Sua mão direita se encaixou perfeitamente na curva do meu pescoço, seus dedos compridos entrelaçados nos fios de cabelo grudados em minha nuca fizeram com que eu me arrepiasse mais uma vez ao lado de . Eu estava vidrada por esse homem muito antes de sequer beijá-lo. inclinava seu corpo em minha direção e eu, ao invés de ir ao seu encontro, em uma reação involuntária, acabei lançando meu corpo para trás.
— Ai! — gritei ao sentir minha cabeça bater no batente de madeira da maldita porta do apartamento da frente. Foi como se saíssemos de um transe. Meus olhos se abriram, minha mão agora estava na minha cabeça e eu agradecia por ainda estar com meu bucket hat que, felizmente, amorteceu a pancada. As mãos de estavam, agora longes da minha nuca, assim como seu corpo já não estava mais inclinado na minha direção da forma como deveria e minha vontade era de implorar por contato novamente como se eu fosse uma criança de cinco anos fazendo birra.
— Tá tudo bem? — perguntou, sua voz estava extremamente rouca e suas pupilas dilatadas.
— Sim, sim... Tá tudo bem! — menti. Minha cabeça doía para caralho. — Acho melhor eu entrar... — me levantei rapidamente fazendo com que novamente a Terra girasse ao meu redor e precisou me segurar mais uma vez para evitar minha queda, mas dessa vez suas mãos se firmaram em minha cintura. Não pude evitar ter os pensamentos mais sujos possíveis, suas mãos eram enormes e se eu e Louis não tínhamos muita diferença de altura, tinha, pelo menos, o dobro de centímetros que eu. Tudo nele era significativamente maior e eu torcia para que sua parte íntima fosse proporcional ao resto do corpo. Porra, dois anos na seca... Eu tinha o direito de pensar qualquer besteira que eu quisesse.
— Eu ia insistir para que você ficasse, mas você não tá se aguentando em pé. — riu ao soltar minha cintura e levantar-se logo em seguida.
— Isso foi rude, . — cutuquei o seu peitoral com meu dedo indicador como se estivesse brigando com ele por conta de sua fala. — Mas você tem razão.
— Então... Eu te vejo por aí, né? — colocou suas mãos dentro dos bolsos de suas calças. — Estou te devendo um passeio por Los Angeles.
— De moto!
— De moto! — riu.
— E um desenho também, não esquece.
— Pode deixar, boss. — caçoou, batendo continência em sequência. — Tchau, . — disse, depositando um beijo na minha testa e virando as costas para mim, caminhando direto até a porta do elevador. Naquele momento, eu senti raiva de , raiva genuína mesmo. Achava fofo ele ser um cavalheiro e meio que fazer de tudo para me agradar e me deixar confortável, mas naquele momento lhe faltava atitude. Poxa, ele podia muito bem me jogar contra essa parede e me beijar até que eu ficasse sem fôlego. Dois anos na seca! Eu merecia um momento romântico e sensual parecido com os filmes de comédia romântica que eu perdia meu tempo assistindo. Eu me sentia sexualmente frustrada em níveis inexplicáveis, então, por isso, acabei cuspindo algumas palavras que não deveria.
— Dois anos, ... — disse em voz alta, me arrependendo no mesmo momento em que a frase havia saído dos meus lábios como um sopro.
— Dois anos do que, ?! — inclinou a cabeça para me fitar mais uma vez, dessa vez mais distante, enquanto a porta do elevador se abria.
— Dois anos na seca. — continuou a me fitar por alguns milésimos enquanto mantinha seu braço estendido para impedir que a porta do elevador se fechasse. riu o suficiente para que as rugas ao lado dos seus olhos aparecessem.
— Boa noite, . — respondeu, entrando no elevador e sumindo do meu campo de visão. Meu Deus, qual era o meu problema? Se voltasse a dirigir uma palavra a mim, seria a prova de que os deuses gregos estavam ao meu lado. O que eu tinha na cabeça?
OK, a cachaça havia me ajudado a fazer um papel ridículo!
Mas que impressão eu tinha passado para o cara mais bonito que eu tinha visto em anos? Provavelmente a de que eu era uma pessoa com problemas sérios de socialização, um melhor amigo — e agora roommate — que sofria de falta de controle perante ao álcool e, com certeza, a fundadora de um clube de celibato. Eu era uma vergonha, sinceramente.
Eu não tinha a intenção de falar isso para ninguém, muito menos para o primeiro cara que me gerou interesse em anos. Eu falava demais, esse era o meu problema. A melhor coisa que eu podia fazer agora era voltar para o meu apartamento, deitar na minha cama e fingir que esse dia não aconteceu. Amanhã eu poderia lidar com isso de alguma forma, eu já tinha algumas notas mentais sobre o que fazer: cuidar da ressaca do Louis, contar para ele sobre a minha gafe e ouvir meu melhor amigo me zoar — como se eu já não tivesse me martirizando o suficiente — até que eu ameaçasse dar um soco na sua cara, e depois eu rezaria para que fosse o tipo de cara que faz e aceita qualquer coisa só para levar uma mulher que ele achou minimamente atraente para a cama, pois essa seria a única chance de ele ainda ter um pingo de interesse por mim. Se eu pudesse me definir em um adjetivo agora, eu diria patética em letras garrafais.


Continua...



Nota da autora: Olá para vocês que leram até aqui! 💜Queria dizer que estou muito nervosa em publicar minha primeira história, algo que eu sempre idealizei, mas nunca havia deixado a vontade e a criatividade sair da mente, mas com muita determinação e incentivo de pessoas maravilhosas, aqui estamos!
Quero agradecer a minha amiga e nossa escritora maravilhosa aqui do FFOBS, Kels, que me deu muito incentivo e muitos feedbacks pra começar. Amiga, você é muito importante nesse processo todo e também na minha vida! Mil vezes obrigada. E a minha melhor amiga, Luiza, que revisou tantas vezes essa história porque eu sempre achava um defeito com a minha autocrítica exagerada.
Espero que vocês tenham gostado do início de LTT e se quiserem conversar comigo, estou no twitter (o link tá ali embaixo). Quero partilhar essa história sempre com vocês. Comentem, se puderem!! Qualquer comentário será sempre muito bem-vindo 💜



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