Última atualização: 10/07/2021

Prefácio

Before you let go, just one more time.
(Antes de soltar, só mais uma vez.)

Take off your clothes, pretend that it's fine.
(Tire a roupa, finja que está tudo bem)

A little more hurt won't kill you tonight.
(Um pouco mais de dor não vai te matar esta noite)

Mama says you don't look happy.
Close your eyes.

(Minha mãe diz que você não parece feliz.
Feche seus olhos.)

I know that you're wrong for me
(Eu sei que você é errado para mim)

Gonna wish we never met on the day I leave
(Vou desejar que a gente nunca tivesse se conhecido no dia que eu partir)

I brought you down to your knees
(Eu te coloquei de joelhos)

'Cause they say that misery loves company
(Porque dizem que o sofrimento adora companhia)

And it's not your fault I ruin everything
(E não é sua culpa eu estragar tudo)

It is not your fault I can't be what you need
(Não é sua culpa que eu não sou o que você precisa)

Baby, angels like you can’t fly down hell with me
(Querido, anjos como você não podem voar para o inferno comigo)

I'm everything they said I would be
(Eu sou tudo o que eles disseram que eu seria)


Angels Like You - Miley Cyrus

Capítulo 1

— Sinceramente, , essa é a última vez que eu te deixo me atrasar para uma festa.
Sten reclamava com a amiga antes mesmo de adentrarem na nobre Mansão Black. Rowle tinha a odiosa mania de chegar atrasada aos lugares para fazer entradas dramáticas e chamar a atenção das pessoas, o que, para o loiro, só servia para fazê-los perder parte da diversão.
— Faz parte do charme, Hodges, você já sabe. — ela respondeu risonha, jogando seus cabelos para trás em brincadeira.
— Hoje não estou interessado em ser charmoso, , estou interessado em ficar bêbado. — ele disse sem paciência e finalmente abriu as grandes portas do Largo Grimmauld, nº 12, se deparando com uma multidão de jovens bruxos, um forte odor de álcool e música alta.
A primeira coisa que Arthur Hodges fez quando entraram foi agarrar uma garrafa inteira de hidromel que estava dando bobeira na mesinha de canto à sua frente e dar um grande gole em seu conteúdo.
— Realmente, alguém quer ficar bêbado. — riu diante do amigo que virava a garrafa sem pudor enquanto atravessavam o hall de entrada. Algumas cabeças curiosas começaram a virar para encarar quem havia chegado, cochichando entre si e encarando a dupla de cima a baixo. Não se podia negar que a tática de atraso da garota era efetiva.
— Não venha com seus papos de capitã para cima de mim hoje. — ele sorriu apontando a garrafa. — Só quero sair dessa festa quando os trasgos criarem asas. Eu mereço, depois desse ano infernal.
— Com isso, nós não poderíamos estar mais de acordo.
, Sten e todos presentes na festa compartilhavam do mesmo sentimento: Precisavam extravasar todo o estresse acumulado. Era o primeiro dia das férias de verão de um ano cansativo para os que estavam nos últimos anos.
Conciliar suas responsabilidades como artilheira e capitã da Sonserina com os estudos dos NIEMs não havia sido uma tarefa fácil para Rowle, e lhe rendeu noites em branco e muita exaustão. Mas todo o esforço foi compensado com seu completo sucesso, estava muito confiante de que teria bons resultados nos exames e havia levado seu time à conquista da Taça da Copa de Quadribol em seu primeiro ano como capitã.
Sten estendeu a garrafa para a jovem sonserina, esperando que ela também aceitasse se embebedar rapidamente.
— Obrigada, anjo, mas eu vou pegar um copo. — ela disse empurrando a garrafa de volta para ele e seguindo em direção à mesa de bebidas no canto oposto da sala. — Sou civilizada.
— Civilizada, sei. — Hodges soltou uma gargalhada indo atrás dela — Te conheço, Rowle.
apenas sorriu por cima do ombro e deu uma piscadinha para o loiro, seguindo ainda mais fundo na multidão de jovens agitados, e aproveitou para cumprimentar alguns conhecidos no meio do caminho. Caminhava como uma deusa, se sentindo poderosa em cima de seus saltos e se exibindo num caro vestido prateado.
Quanto mais adentravam na festa, mais percebiam como estava cheia. Tudo estava decorado com verde e prata, em homenagem à Sonserina, casa que enchia seus alunos de orgulho, principalmente agora, com as conquistas das tão almejadas Taça das Casas e de Quadribol. Os jovens aproveitavam a festa como se fosse a última noite de suas vidas, regados com hidromel, cerveja amanteigada e uísque de fogo ao som de uma música bruxa qualquer. Álcool, hormônios e excitação para as férias de verão eram a combinação perfeita para uma festa memorável e a celebração ideal para aquele ano letivo de sucesso.
— Ei, capitã! — a garota ouviu uma voz lhe chamar quando estava concentrada em encher um copo com o máximo de cerveja amanteigada.
Era Regulus Black, o apanhador do time. Fitou-lhe de longe e pôde perceber que ele vestia a blusa de quadribol da Sonserina e uma calça preta em um estilo mais despojado do que o habitual, as vestes escuras ressaltaram sua pele clara e olhos verdes, dando-lhe um charme a mais. Em suas mãos, trazia desajeitadamente uma bandeja com alguns drinks coloridos que borbulhavam.
acenou com um sorriso e foi ao seu encontro, deixando Sten com alguns amigos no bar para cumprimentar e ajudar o moreno com a bandeja, a qual mal havia sido disposta sobre a mesa e já teve metade dos copos tomados pelos colegas ao redor.
— Saúde! — disse Regulus virando o líquido de um dos copos de uma só vez. Fez uma breve careta ao sentir a bebida queimar sua garganta, não fazia ideia de que mistura era aquela, mas era forte, isso que importava.
A garota riu de sua reação e ergueu o copo que já tinha em mãos, como se fizesse um brinde, também tomando de uma vez mais da metade do seu conteúdo.
— Obrigada pela festa, Black. — disse após se recuperar do virote.
— É o mínimo depois que você nos levou à vitória da Taça. — ele disse levando as mãos ao peito, brincando com a capitã por ser tão egocêntrica.
— Levei mesmo. — ela deu de ombros. — Continue com essa atitude e você não vai ganhar a vaga de capitão que tanto sonha.
— Longe de mim, vossa alteza! — Regulus ainda dramatizava e virou a outra metade da cerveja amanteigada.
— Isso mesmo, respeite meu trono. — ela jogou os cabelos para trás sem conter um sorriso e reparou como a festa estava agitada. — Ei, precisa de ajuda com algo mais? Acha que deveríamos colocar mais feitiços em torno da festa, por causa dos seus pais?
— Não se preocupe. — o garoto respondeu, dando ombros. — Meus pais só voltam de viagem na próxima semana. Até lá, eu e Monstro deixaremos tudo impecável.
Alguns amigos do ano de Regulus o chamaram de longe, acenando para que ele fosse até a improvisada pista de dança, e atraíram o olhar dos dois.
— Obrigado, Rowle. Já sabe, sinta-se em casa. — Regulus sorriu e deu uma piscadela antes de deixar a garota e se juntar a eles.
o viu se afastar e abraçar os amigos, depois localizou uma garrafa de hidromel na mesa e encheu seu copo. As pessoas que passavam por ela paravam para elogiar sua performance esportiva ou sua roupa. Ela acenava e sorria para os colegas a sua volta como uma celebridade. E, realmente, se sentia uma. A garota tinha tudo.
Rowle era de uma rica, nobre e conhecida família puro-sangue que se orgulhava muitíssimo do fato. , a mais nova da linhagem, tinha boas notas, talento nato para o quadribol e estava sempre rodeada de amigos ricos como ela, que apreciavam sua companhia. Ela fazia de tudo por eles, aliás, sempre fazia tudo que queria. Não censurava os próprios desejos e não se importava com opiniões alheias.
Lucinda Talkalot, uma amiga da equipe de quadribol, passou por acompanhada de um grupo, rindo alto e balançando os braços entusiasmada.
— Vem dançar, ! — a garota loira a puxou para a pista de dança, onde se juntaram a mais membros do time.
era a mais velha de todos eles e tinha grande apego pelos seus jogadores. Apesar dos muitos estresses como capitã, o quadribol era uma de suas paixões.
Aproveitando a sensação de liberdade que sentia, amplificada pela música alta e pelo álcool em seu sangue, ela dançou animada. Empoderada por esse sentimento, a jovem sonserina fechou os olhos e jogou a cabeça para trás curtindo o momento.
Quando abriu os olhos novamente, encontrou Regulus dançando com seus amigos e a observando a alguns metros, sem desgrudar os olhos da jovem, nem mesmo para beber de seu copo ou quando alguém dançando desengonçado esbarrava nele. Ela podia sentir o olhar do garoto olhar queimando em sua pele. Naquele momento, ele não a admirava como capitã ou amiga, mas com muito desejo e malícia.
Apesar de ser um ano mais novo, Black era atraente e tinha um belo corpo de atleta. A sonserina sabia muito bem disso, pois convencido como era, ele parecia fazer questão de tirar a camisa no final dos treinos para chamar a atenção das colegas da equipe. Seu cabelo ondulado caía em seu rosto cheio de charme e também tinha certeza que ele sabia o quão sexy era quando ele ajeitava os fios com os dedos.
Se lembrava muito bem de quando ele havia feito o teste para o time há um par de anos, embora ainda não fosse capitã na época. Não demorou nada para que eles se aproximassem e se tornassem grandes amigos, pois compartilhavam dos mesmos gostos e ideais. Além disso, os dois sabiam aproveitar muito bem a vida de privilégios que tinham, cheia de festas, camarotes, bebidas e roupas caras.
Apesar do companheirismo entre os colegas de time, nas últimas semanas, eles começaram a perceber uma forma de aproveitar ainda mais a companhia um do outro. Regulus nunca fora inseguro, mas, provavelmente devido ao seu sucesso como jogador, estava vivendo um grande momento de confiança no qual arriscava alguns flertes com sua capitã, sempre correspondidos. não via o que poderia dar errado naquilo, muito pelo contrário, se a amizade deles já era boa, uma amizade com benefícios seria melhor ainda.
Assim, desejando fazer absolutamente tudo que tinha direito naquela noite, se aproximou mais dele, dançando bem perto do garoto, que a tomou pela cintura, acompanhando seus movimentos em uma dança sensual.
A música os conduzia, eles mexiam seus corpos colados no ritmo das batidas fortes. Regulus passava suas mãos sem pudor pelo corpo da garota que rebolava contra si. Era hipnótico e viciante. fechou os olhos, aproveitando o momento e os toques quentes do garoto. Quando voltou a abri-los, encontrou o sorriso torto e carregado de segundas intenções de seu amigo a encarando. Ela subiu uma das mãos ao pescoço dele, aumentando ainda mais a proximidade entre os dois, Black entendeu aquilo como um sinal e selou seus lábios em um beijo quente.
As mãos do rapaz agora acariciavam a bunda da capitã e ela segurava seus cabelos com pouco carinho. Uma das mãos da garota deslizou para dentro da blusa de Regulus e ela arranhou seu abdômen, fazendo o garoto apertar sua bunda mais forte e trazê-la para mais perto ainda.
O casal se afastou um pouco da pista, se colocando contra a parede e continuando o beijo. Ela agora podia sentir o volume na calça de Regulus contra si e mexeu seu quadril em provocação, fazendo o garoto gemer contra seus lábios, não contendo a excitação. Uma das mãos de Black subiu da cintura para a nuca da garota, afastando fios do local para depositar deliciosos beijos e mordidas que faziam se arrepiar.
— O que acha de me levar para o seu quarto? — ela disse em seu ouvido.
— É para já, senhorita. — Regulus fez a garota abrir um sorriso e a puxou pela mão escada acima.

~

Sirius Black entrou sorrateiro na mansão de sua família pela primeira vez em dois anos. Devido ao feitiço antirruído que os jovens colocaram na casa, ele não havia percebido a movimentação até atravessar o hall de entrada. Tinha sido informado de que seus pais estariam fora da cidade por algumas semanas e, assim, esperava encontrar a casa vazia, pegar o que desejava e sair de lá o mais rápido possível.
Por um breve momento, achou que os planos da Ordem tinham ido por água abaixo. Uma festinha de adolescentes arrogantes da Sonserina podia colocar muita coisa a perder. No entanto, em razão do estado alcoolizado dos convidados, sua presença passou totalmente despercebida pelos jovens.
Sem tempo a perder, Sirius aproveitou a distração coletiva e resolveu dar continuidade ao que viera fazer, esgueirando-se pela escada até seu antigo quarto sem muito se preocupar. Talvez até parasse para um drink na volta, pensou divertido na hipótese enquanto observava as cabeças decapitadas dos elfos domésticos expostas no corredor. Nunca ia se acostumar com as bizarrices daquela família.
O andar de cima estava ligeiramente mais calmo e silencioso que o de baixo. Quando cruzou o corredor para chegar em seu aposento, deu de cara com Rowle descabelada saindo do quarto de Regulus. Antes que ela fechasse a porta atrás de si, Sirius espiou brevemente o irmão sem camisa sentado na cama bagunçada.
— Sirius? — a garota disse num pulo, ajeitando rapidamente seu cabelo e seu vestido.
... — disse em tom de voz baixa com uma expressão maliciosa em seu rosto após entender o que ela estava aprontando no quarto de seu irmãozinho. Ela era gostosa demais para ele, na sua opinião.
Os dois se cruzavam constantemente no castelo, mas já fazia um bom tempo desde seu último encontro. Por isso, o rapaz não perdeu a oportunidade de observar a garota de cima a baixo e constatar que ela continuava incrivelmente atraente. A sonserina também não pôde deixar de observá-lo com extrema curiosidade. Para que Sirius Black fosse até sua antiga casa ele deveria ter um bom motivo, e um sorriso maldoso ocupou os lábios de diante das várias possibilidades que poderiam resultar daquele encontro. Agora sim a festa estava ficando boa.

Capítulo 2

— O que você está fazendo aqui?
encarava surpresa o Black renegado, que andava casualmente pelo corredor da casa logo antes de trombar com a garota em frente ao quarto do irmão. Ele era a última pessoa que ela esperava ver na festa sonserina.
— Não é da sua conta, docinho. — o maroto respondeu. Tinha a certeza que, de todas as pessoas que poderia ter esbarrado enquanto se esgueirava pela mansão, Rowle era a que mais se aproveitaria da situação, petulante como era. Os olhos da sonserina estavam brilhando com as possibilidades.
— Ah, sim? Talvez seja da conta de Regulus... — ela enunciou com um tom desafiador e um sorrisinho, esticando a mão à porta de onde havia saído havia segundos.
— Não! — antes que pudesse tocar na maçaneta do quarto de Regulus, Sirus segurou seu pulso com pouca delicadeza, evitando que tomasse alguma atitude idiota. — Melhor evitar que ele saiba dessa visita.
A aproximação permitiu que o maroto sentisse a mistura dos cheiros do perfume fresco de e do álcool forte e doce que exalava do corpo da garota, e algumas possibilidades começaram a surgir em sua própria mente. Ele diminuiu ainda mais a distância entre eles para sussurrar em seu ouvido:
— Você vai ser uma boa menina e não vai dizer nada sobre nosso encontrinho para ninguém. — seu indicador alternava apontando para os dois, aproveitando para lançar seu conhecido sorriso galanteador, que fazia qualquer garota — ou garoto — ceder às suas vontades. Contudo, parece que não surtira o efeito esperado na jovem que agora o encarava com um misto de curiosidade e diversão.
— E por que diabos eu faria isso, Black? — ela recolheu seu braço que estava preso a ele e levantou a sobrancelha.
Ele estava certo, ela não perderia a chance de brincar com Sirius Black. Além do mais, ela queria descobrir, por bem ou por mal, o que ele fazia ali. Rowle não estava acostumada a ter nada negado a ela, dessa vez não seria diferente, daria um jeito de arrancar tudo o que queria do Black mais velho.
— Você acha que eu caio nesse seu charme barato? Já superei essa fase. — ela cruzou os braços, olhando desafiadora para Sirius por baixo dos cílios bem pintados.
e Sirius já se conheciam há alguns anos, mas não eram exatamente amigos. A relação dos dois — se é que se pode chamar alguns breves e eventuais momentos de intensa pegação pelos cantos de Hogwarts de relacionamento — sempre foi direta, casual e pautada em provocações, assim como aquelas que aconteciam no corredor da mansão.
O rapaz cerrou os olhos diante da fala que lhe parecia um absurdo, mas antes que pudesse revidar a afronta, ouviu a tranca da porta de Regulus clicar de repente. Sirius puxou a garota junto de si para dentro do recinto ao lado, a fim de evitar que fossem vistos pelo irmão. Sabia que ela não estava blefando quando o chantageava, e se a deixasse no corredor, muito provavelmente contaria sobre sua indesejada visita. Ele conheceu o suficiente de para não duvidar de seu prazer na inconsequência e na desgraça alheia. Quanto ao fato de ela largar Regulus sozinho minutos depois do sexo, bom... Aquilo não era problema de Sirius, que apenas rezava para que tivesse sido rápido o suficiente e o irmão não tivesse notado sua presença.
— Era só o que me faltava. — gargalhou cínica, se vendo escorada na parede do quarto do irmão errado, onde ainda havia um casal de sextanistas se engolindo contra uma das paredes.
O quarto de Sirius ainda tinha quadros de mulheres trouxas seminuas pregados com algum feitiço de cola e coisas da Grifinória — uma flâmula vermelha e dourada reluzia levemente acima dos sextanistas —, numa tentativa do rapaz de continuar provocando seus pais mesmo longe dali. Havia uma cama sem lençóis, janelas que provavelmente estavam fechadas há muito tempo e móveis vazios e descombinados. não pôde deixar de notar como o cômodo era totalmente diferente do quarto de Regulus.
Black, uma vez desprendido da sonserina, voltou a focar-se no que viera de fato fazer ali, e a deixou para trás ao se aproximar da antiga cama. No caminho, bateu palmas para chamar atenção dos dois adolescentes que se beijavam, bêbados demais para notar sua presença antes que ele dissesse:
— Eu até me juntaria a vocês, mas estou com um pouco de pressa. — ele gesticulou em direção à porta semiaberta, ao lado da qual permanecia parada encarando as próprias botas. — Saiam!
O casal frustrado estava tão bêbado que apenas se arrastou para fora aos risos, recebendo um olhar de desgosto de Rowle na saída.
— Ela conseguiria algo muito melhor que Gale McGall.
A sonserina comentou distraída enquanto ia atrás de Black, que buscava algo embaixo de sua cama.
— Aha! — ele exclamou minutos depois, com um par de pequenos espelhos nas mãos, os cabelos desajeitados tampando parte do rosto sorridente.
— Você veio escondido até aqui só para isso, seu grande narcisista? — o observava com os braços cruzados, decepcionada com a descoberta que lhe custara tanta extorsão.
— Não, bonitinha. — ele disse fazendo a mesma pose que ela, em deboche, e jogando os cabelos para trás charmosamente.
Não queria (e nem poderia, de acordo com o que foi recomendado por Dumbledore) entrar em detalhes, pois não confiava plenamente na jovem, cujo vários membros de sua família eram simpatizantes do Lorde das Trevas, muito embora soubesse que era inofensiva. Assim, apenas mostrou-lhe um dos espelhos do par, onde ela não viu seu próprio reflexo, mas sim a imagem de Sirius, que olhava para o outro espelho do conjunto.
— Por que eu ia querer olhar para essa sua cara de cachorro largado ao invés da minha? — ela perguntou fitando o reflexo.
— Está encantado para que você veja a pessoa com quem mais deseja estar. — Sirius sorriu maldoso.
— O quê? — disse desacreditada, tomando o espelho em suas mãos nervosamente.
— Estou brincando, Rowle. — Sirius soltou uma larga risada. — É um meio de comunicação.
— Poxa, que engraçado. — ela disse com ironia e uma pitada de (falsa) indiferença.
— De qualquer forma, obrigado por essa reação genuína. Mais tarde você pode me dizer de quantas formas diferentes você me deseja. — completou enquanto tomava o espelho de volta da garota. — Sei que sou uma delícia, mas achei que já tinha superado meu charme barato.
A garota mal teve tempo de abrir a boca para responder, Sirius já estava a enxotando do quarto, justamente agora que ela queria ficar. Não sabia muito bem porque estava atrás do maroto minutos depois de ter transado com seu irmão mais novo. Com Sirius tendo deixado Hogwarts naquele ano, pensava que suas escapadinhas juntos tinham terminado. Agora era o momento de novos garotos em sua vida, afinal, era seu último ano e ainda tinha muito o que explorar no castelo. Mas a ideia de estar com o outro Black no mesmo dia era excitante e, sinceramente, as provocações que trocava com Sirius eram melhores do que qualquer coisa que faria com Regulus ou qualquer garoto. Certamente, o álcool que esquentava seu sangue também amplificava sua vontade.
— Obrigado pela companhia. — Sirius disse abrindo a porta para que ela saísse, estendendo o braço. — Volte sempre!
caminhou com uma cara de desdém para fora do quarto, estava ficando irritada pelo espelho idiota — cuja importância ainda não entendia — estar recebendo mais atenção que sua pessoa. O ex-grifinório, então, tomou sua mão antes que ela saísse corredor afora, o mínimo toque fazendo algo esquentar no interior dela.
— Esse vai ser nosso segredo, ‘tá bom? — Black indicou os espelhos, olhando no fundo dos olhos da sonserina. Olhos que não ousavam perder nenhum relance das miradas e sorrisos sedutores de Black.
Custou pouco para ela se sentir imersa nele, imersa naquele jogo. Era sempre assim. Ainda por cima, o hidromel no organismo de implorava por mais contato com o rapaz e a cara de cafajeste dele não ajudava em nada.
— Se souberem que estive aqui, vou fazer com que descubram da sua festinha. — ele completou.
— Não precisa me chantagear, querido. — ela respondeu, subindo seus dedos lentamente pelo braço de Sirius, sentindo sua pele que já fora mais macia e os pelos que costumavam se arrepiar com as falas da sonserina. Ela não ousou desviar o olhar. — Ficarei quietinha.
Como previa, ele se arrepiou sob sua carícia. Ela aproveitou que tinha sua atenção para dar mais uma conferida nada discreta nele. Ele estava ainda mais gostoso do que na época da escola, com vestes escuras e o cabelo castanho quase na altura dos ombros.
— Vai aproveitar a visita e ficar para a festa? — ela perguntou cheia de segundas intenções, deixando logo claro que suas provocações eram mais que simples brincadeiras.
Sirius, percebendo a malícia na fala da garota, a mirou de cima a baixo, lentamente. sentia como se seu olhar a queimasse, era delicioso, e aos olhos de Black, ela também era... Bem, já estava lá mesmo, uns minutos a mais para diversão não matariam ninguém, além de que ambos sabiam que a festa à qual se referia não era a que acontecia no andar de baixo.
— Um drink nunca faz mal, não é mesmo? — ele sorriu quando voltou os olhos para o rosto dela. — Me traz um daqueles que...
— Ah, me poupe! Eu pareço sua empregada, Sirius? — a garota riu, se afastando um pouco para escorar-se no batente da porta.
— Você já foi mais solícita, Rowle. — Sirius ainda tinha o sorriso cheio de charme e maldade nos lábios. — Não lembro de ouvir muitos “não” durante seu quinto ano.
— Eu não dizia “não” porque você me oferecia exatamente o que eu queria, lindinho. — ela lhe tocou a pontinha do nariz. — Se situe.
— Uns beijinhos no armário de poções era tudo o que você queria? — ele riu desconfiado, erguendo uma de suas sobrancelhas.
O tom desafiador de Sirius mostrava que ele, assim como , sabia que ainda restava uma última coisa que queriam fazer com o outro, e que não haviam tido a chance nos últimos anos em Hogwarts.
A sonserina havia investido naquele projeto de relação com o rapaz por quase dois anos, onde tinham direito à troca de instigações e amassos quentes. Bons momentos entre os intervalos das aulas. Nada mais que isso. Aquilo era muito divertido para ambos, mas fazia acumular a vontade de ir mais além dos beijos. A única coisa que não tinha conseguido arrancar do maroto eram suas calças, mas a julgar pela linguagem corporal de Sirius, aquela definitivamente seria sua grande noite.
— Para ser sincera, o que eu quero agora é um copo caprichado de cerveja amanteigada... — ela sorriu sacana.
— Eu...
— Te espero com ele no sótão! — ela interrompeu colocando o dedo indicador nos lábios do rapaz para que parasse de falar e fizesse logo o que queria.
— Algo mais, senhorita? — ele perguntou entre seu dedo, se dando por vencido à sua vontade.
— Você saberá lá em cima. — ela lhe lançou um sorriso genuíno, se virando e indo em direção ao sótão. Black observou sem pudor sua bunda antes de correr até o andar de baixo para buscar os drinks.
Sirius agora andava se escondendo de seu irmão, que, graças a Merlin, não tinha mais sido visto pela casa. Pôde pegar um drink colorido para si e a cerveja de sem ser notado, subindo de volta na mesma rapidez com que descera.
A música estava bem mais baixa lá em cima, mas ainda era audível. cantarolava a letra, observando a decoração estranha do sótão, quando Black chegou com o álcool.
— Um brinde! — ele disse estendendo o copo para ela.
— À Sonserina! — ela disse animada, virando o copo de uma vez. Sirius lhe mandou o dedo do meio, também bebendo todo o seu conteúdo de seu copo.
— Agora vamos ao que interessa. Já esperei por tempo demais. — Rowle declarou, indo para o centro do sótão, deixando um Sirius confuso escorado no batente da porta. Puxou o zíper e deixou o vestido reluzente cair aos seus pés, expondo seu corpo seminu.
Ele tentava disfarçar a surpresa, passando a mão pelo queixo sem conter o sorriso maldoso que nascia em seu rosto. Agradecia mentalmente a Dumbledore por ter lhe mandado buscar os espelhos naquela noite, a qual iria terminar bem melhor do que imaginara.
Encarou a jovem sonserina dos pés à cabeça com luxúria. Seu corpo parecia ter sido esculpido pelos anjos. Ou melhor, demônios, porque os pensamentos que fazia despertar em sua cabeça eram totalmente impuros e perversos. A calcinha e o sutiã brancos que vestia pareciam ser da renda mais cara e contrastavam perfeitamente com sua pele bronzeada, estava ansioso para tirá-los com suas mãos quentes. Reparou que ainda vestia suas botas de salto e o encarava provocativa. Ela estava absolutamente sexy.
Black, sentindo o calor aumentar no sótão, se apressou também em se despir, tirando os sapatos e as roupas e jogando-os em um canto qualquer. Com seu corpo coberto apenas pela cueca boxer preta, deu uma voltinha no lugar.
— Gosta do que vê? — disse brincando ao perceber o olhar sedento da garota em seu corpo.
riu e fez o mesmo movimento, porém bem mais lento e sedutor. Quando encontrou novamente os olhos do garoto, o viu estagnado. Ele sabia que Rowle era gostosa, mas aquilo ia além do seu imaginário. Com o que havia vivido com a sonserina em seu último ano em Hogwarts, havia desenvolvido várias especulações e imaginado como seria seu corpo, mas jamais havia de fato visto ela completamente nua. Por um momento se perguntou como tinha chegado até ali, parecia surreal constatar que finalmente transaria com Rowle depois de anos tentando.
— Não vou perguntar se você gosta, porque sua cara já diz tudo. — ela sorriu, passando a língua pelos lábios, e deu um passo em direção ao maroto.
Tomado pelo tesão que crescia em sua carne, Black puxou pela cintura, lhe beijando com ardor. O beijo era urgente e revelou todo o desejo acumulado naqueles anos. Ela levou as mãos às costas do maroto, arranhando a região. Ele, por sua vez, deslizava suas mãos por suas curvas, apalpando sem qualquer sutileza. Sem desprender seus corpos, como se fossem um só, os dois foram em direção ao sofá que estava ali em meio à antiga mobília.
Se atiraram no móvel velho e gasto, levantando um pouco de poeira sem nem perceberem. O corpo de Sirius por cima de , que tinha as pernas ao redor de seu quadril, fazendo com que as partes mais íntimas e sensíveis dos dois ficassem em contato praticamente direto, separados tão somente pelos tecidos finos de suas roupas íntimas. Com aquilo, a garota se deu conta que haviam poucas coisas no mundo que ela gostava mais do que sentir o membro duro de Black contra ela, sentir totalmente como ele a cobiçava.
Ainda com seus lábios colados e envolvidos, a sonserina desenhou com a ponta dos dedos um caminho do peitoral até a cueca de Sirius, apalpando o volume rígido sob o tecido.
— Alguém estava bem ansioso por esse momento. — ela disse parando o beijo e acariciando seu membro.
— Veja quem fala, a Senhorita “já esperei muito tempo”. — Black respondeu quase se perdendo nas palavras diante do toque da garota. Era óbvio que estava ansioso, tinha grande curiosidade para experimentar o sexo da garota, o que se somava ao fato de que já deveria ter voltado à sede da Ordem há muito tempo.
Ele passou os dedos pelas costas da sonserina, acariciando até encontrar a abertura do sutiã, e então expôs os seios de à leve brisa do sótão. Logo em seguida, ele tirou sua cueca, largando as peças no chão e recebendo um curioso olhar de Rowle sob seu pênis, que passou despercebido. Sirius estava ocupado demais admirando a visão diante de si.
Queria gravar cada detalhe do corpo exposto de Rowle. Mais uma vez, a garota sentia como se o olhar dele despertasse cada nervo em sua pele, o modo como ele a assistia era indecente e fazia seu corpo suplicar por mais.
— Não precisa ser tímido. — ela sorriu sedutora, esperando que ele entendesse o claro recado.
— Obrigado, docinho. — ele a olhou com malícia, já que também não era nada bobo. — Ficarei bem à vontade, então.
Black levou os lábios aos seus seios, envolvendo um dos mamilos da garota com a boca e mordiscando devagar. fechou os olhos, aproveitando a sensação. A boca do maroto desceu pela barriga dela, a língua quente dele passeando pelo do corpo dela, causando-lhe arrepios, e chegando até sua calcinha encharcada. Sirius soltou um leve e contente risinho ao constatar o quão molhada havia deixado a garota sem nem ao menos tocá-la ali.
— O que você estava dizendo sobre eu estar ansioso? — ele disse ainda rindo, sem tirar os olhos da intimidade de a centímetros dele.
A sonserina já tinha uma resposta pronta para aquilo, mas quando Black depositou um único, porém demorado beijo ali, as palavras lhe fugiram. Ele logo tirou a única peça de roupa que restava entre os dois.
— Pelo menos não me negue que você está com pressa. — disse se recuperando e rindo da velocidade na qual se livraram de suas roupas.
— Desculpa por isso. — ele falou soltando uma risada abafada, nervoso pela quantidade de coisas que queria fazer com . Tinha uma lista completa de obscenidades em sua cabeça, mas lhes faltava tempo. — Mas você sabe que eu nem devia estar aqui....
— Não me importo com isso, Sirius. — ela disse entrelaçando seus dedos pelos cabelos castanhos já bagunçados dele, puxando de leve. — Eu só quero que você me foda.
Black não conteve um pervertido sorriso. Levou seus dedos para dentro da garota e sua boca até seu ouvido, sussurrando:
— Você vai ser uma boa menina?
se arrepiou com o hálito quente de Sirius e com as carícias gostosas em seu interior. Enquanto dois de seus dedos a penetravam, seu polegar pressionava seu clitóris em movimentos precisos.
Não estava acostumada a ser submissa a ninguém em nenhuma situação, e não queria admitir que estava gostando. Em qualquer contexto diferente daquele, ela responderia prontamente um comentário malcriado, mas, naquele momento, estava completamente rendida a Sirius Black.
— Vai fazer o que eu mandar? — ele continuou sussurrando em seu ouvido, insistindo em ouvir responder, porque sabia que não gostava de obedecer.
Ela, por sua vez, por mais que estivesse com absurda vontade de ceder tudo que Black a pedisse, era orgulhosa o suficiente para não revelar isso ao seu parceiro. Mas, nessa altura, seu corpo já não obedecia mais sua mente, sua respiração estava descompassada e gemidos reprimidos escaparam de sua garganta em resposta.
Sirius estava decidido a levar a garota ao seu limite e penetrou os dedos ainda mais fundo e mais rápido. Os quadris dela se moveram involuntariamente contra seus dedos, enquanto beijos eram distribuídos em seu pescoço. Calafrios a faziam arrepiar, percorrendo sua pele sem parar. Se a sensação de ter seus dedos no meio de suas pernas já era tão prazerosa, mal podia conter a excitação ao pensar como seria transar com aquele homem.
— Diga que você é minha essa noite.
Aquilo fez perder totalmente o controle da situação, sentia como se chamas fizessem toda a extensão de sua pele formigar, não conseguiu evitar o largo gemido que deixou sua boca, expressando a urgência com a qual precisava do garoto naquele momento.
— Eu sou sua, Black. — disse num suspiro. — Agora, cala a boca e me fode.
— Eu vou. — ele disse com um sorriso. — Vou te mostrar o que é sexo de verdade.
Ela não tinha dúvidas daquilo. Sabia que a experiência que teria com Sirius seria diferente de todos os outros, inclusive de Regulus. Tinha tanta certeza disso simplesmente porque cada afronta de Sirius levava a um desafio de , e vice-versa, sempre tinham algo para responder ao outro. Era notável que se queriam na mesma intensidade e se instigavam da mesma maneira. Pareciam um encaixe perfeito.
E realmente eram. Quando Black posicionou seu membro em sua entrada molhada, penetrando-a com força, uma onda de energia percorreu cada centímetro do corpo dos dois. Os movimentos de Sirius se intensificaram, fazendo com que mordesse o lábio para conter um gemido alto. Ainda não satisfeita, ela entrelaçou mais as pernas ao redor da cintura do rapaz em busca de mais contato para que ele pudesse meter ainda mais fundo.
Sirius parecia sempre atingir os pontos certos e usava a perfeita dosagem de força nos cabelos e nas costas dele. Seus corpos se envolviam em uma dança erótica, sem que nenhum dos dois fizesse grandes esforços, a conexão era involuntária e instintiva. As baixarias que diziam também faziam o corpo do outro estremecer exatamente como deveria:
— Mais forte, Black...
Cada investida dentro dela parecia trazer à tona o forte desejo que sempre sentiram pelo outro, materializados em seus lábios na forma de gemidos. Os barulhos da música e das pessoas na festa desapareceram por completo, o único som que ecoava na sala era o da respiração forte dos dois e de seus corpos se chocando.
— Senta em mim. — Sirius mandou, puxando a garota para cima de si e sentando no sofá. Ela o fez sem questionar e perdeu o ar por um segundo, quando o sentiu inteiro pulsando dentro dela. Em reflexo ao movimento, ele apertou com força sua cintura, afundando seu rosto na curva do pescoço de , explorando a área com sua boca e dentes. Um suspiro saiu dos lábios do maroto quando ela começou a cavalgar em seu colo.
A garota arfava enquanto rebolava e o rapaz se aproveitou da posição para desferir um tapa em sua nádega, como forma de aprovação aos movimentos que ela fazia. Sentia como se estivesse diante de uma performance ao ver a maneira como sentava nele, sem perder o compasso nem mesmo por um segundo, com seus cabelos caindo pelas suas costas, cheios de sensualidade. Era claro que ela estava totalmente entregue ao momento e se satisfazendo por completo, isso era o que mais atiçava Sirius.
— Adoro essa sua cara de safada. — ele disse com um sorriso de lado, segurando o rosto da sonserina sem delicadeza, fazendo com ela mordesse o lábio inferior a fim de provocá-lo.
Ouvir ordens de Sirius era melhor do que ela imaginava, mas agora estava satisfeita de ter certo controle. De acordo com o que seu próprio corpo pedia, tornava seus movimentos mais lentos ou mais rápidos, com uma das mãos entre os cabelos de Black e a outra em seu peitoral, arranhando levemente a região, totalmente envolvida.
Seus olhos procuraram um ao outro, ambos com expressões de pleno prazer, porém não disseram nada. Provavelmente pela primeira vez em suas vidas, estavam sem palavras diante do outro. Nenhuma provocação, nenhum insulto, nenhuma piadinha poderia expressar o quanto o contato dos dois era incrível.
Sentiam o ápice se aproximando, como um súbito e delicioso frio percorrendo seus corpos quentes e suados. voltou a fechar os olhos, desfrutando de cada fração daquela crescente sensação de prazer e escutou a voz de Sirius ecoar:
— Goza para mim.
Isso bastou para que suas pernas falhassem e ela gemesse alto. O orgasmo invadiu seu corpo como nunca antes, os músculos internos de sua vulva se contraíram em resposta. Ela jogou sua cabeça para trás e se contorceu diante da eletrizante sensação. Algumas reboladas depois, Sirius também gozou, apertando o corpo de contra o dele e soltando um grunhido satisfeito, depois relaxando todos os seus músculos. Ele não saiu de imediato de dentro dela, permaneceram alguns segundos abraçados, recobrando os sentidos e apreciando o calor de seus corpos suados um contra o outro.
encarava os fundos do sótão e Sirius encarava o teto. Os corações um contra o outro, em batidas desritmadas, como se ainda estivessem no meio do furacão que fora aquele orgasmo. O que haviam acabado de fazer? Sirius estava em uma missão e havia acabado de deixar o quarto de Regulus, deveriam sentir algum tipo de culpa? Nenhum dos dois sentia nada além de imensa satisfação.
— Admita. — ele finalmente falou, virando seu rosto para ela — Admita que fui o melhor da sua vida.
— Você só vai me ouvir dizer isso nos seus sonhos, Black. — disse dando um selinho naquele a sua frente, rindo antes de se levantar. Seria necessário muito Veritaserum para que ela admitisse aquilo.
Ela pegou suas coisas, espalhadas pelo sótão, se vestindo novamente. Sirius apenas a observava, estirado sob o sofá, com uma reprimida vontade de puxá-la de volta e reviver a última hora toda novamente.
Uma vez pronta, jogou os cabelos para trás e olhou para Black pela última vez, com um sorriso vitorioso por ter conseguido o que queria.
— Boa sorte com seus espelhinhos. — ela disse abrindo a porta.
— Até a próxima, Rowle. — ele respondeu com um sorriso convencido e a sonserina riu, deixando o sótão.

~

Não podia esconder o maldoso sorriso que levava nos lábios enquanto descia de volta para o centro da festa no primeiro andar da mansão. se sentia radiante e poderosa, nada como uma, ou melhor, duas boas rodadas de sexo para revigorar a alma. Ainda mais depois de ter realizado uma das fantasias sexuais que nem sabia que tinha até o momento: dormir com irmãos na mesma noite. E, principalmente, ter finalmente transado com Sirius Black após anos de enrolação e provocação. Ela não se esqueceria tão cedo o segundo orgasmo da noite.
Conferiu seu visual no espelho quando teve a oportunidade e aparentemente não restava nenhuma suspeita do que havia acontecido há pouco, seus cabelos e sua roupa estavam alinhados o suficiente e sua maquiagem estava praticamente intacta agora que tinha retocado o batom.
— Você! — Sten disse, a puxando com pouca sutileza quando ela chegou ao pé da escada. — Você sumiu, mulher! Onde estava?
— Ai, Sten... Nem sei por onde começar. — a sonserina ria, definitivamente satisfeita com os incidentes da noite.
Percebendo que algo de realmente interessante havia acontecido na noite da amiga, Hodges largou imediatamente seu copo em qualquer lado e puxou para um canto onde pudessem sentar e conversar.
Com os olhos cinzas do melhor amigo concentrados sobre si, tinha incertezas do quanto poderia dizer a ele. Havia acabado de transar com os dois irmãos Black e queria contar cada emocionante detalhe ao loiro, sabia que ele iria surtar com a notícia, mas também sabia que a visita de Sirius era indesejada e que Regulus explodiria se soubesse daquilo. Apesar de confiar plenamente em Sten, ainda estava processando tudo aquilo e decidiu guardar apenas para si parte dos ocorridos da noite, pelo menos por enquanto.
— Acabei de transar com Regulus. — ela disse, dando um leve sorriso para disfarçar a bagunça em sua mente.
Seu melhor amigo, que estava chocado o suficiente com a informação pela metade, deixou o queixo cair e abriu um sorriso.
. Me conte. Tudo!
— Foi... — certamente, o adjetivo que usaria em seguida seria outro, se ela não tivesse acabado de experimentar Sirius também. O irmão mais novo não havia sido insignificante, mas não tinha metade da graça do mais velho. — Foi bom o suficiente para eu querer repetir a dose.
— Trabalho com detalhes, ! — Hodgers batia palmas animado e parecia mais alegre com os acontecimentos que a própria Rowle, torcia pelo casal há mais tempo que a amiga sabia. — Quero os três sagrados números!
suspirou, fazendo um pouco de esforço para se lembrar do: tamanho do rapaz, quanto tempo havia durado e quantas vezes ela havia gozado. Uma brincadeira que criaram em seu quinto e virou tradição entre eles.
— Hm, talvez 17... — ela disse tentando lembrar dos detalhes com mais clareza.
— OK! — Sten assentiu mexendo a cabeça ansioso.
— Uns 70 minutos e apenas uma vez.
— OK! Legal! — ele sorria ainda afirmando com a cabeça. — Realmente repetível, está bem acima da média para um sextanista.
— Definitivamente digno de uma segunda sentada. — sorriu, sabendo que seu amigo não entenderia o sentido maior por trás da frase.
— Espere aí. — ele disse, fazendo o sorriso da sonserina se desfazer com o temor. — Nós dois nos separamos faz tempo, você ficou uma hora com Regulus?
O desdém no rosto de Hodges para Rowle claramente se referia ao pouco tempo de sexo, ela pôde reconhecer. Graças a Merlim, apenas isso.
— Eu e ele também dançamos, bebemos, conversamos... — ela argumentou, mas seu amigo não apoiava aquela ideia de confraternização e a encarava impaciente — Tudo bem, admito que Regulus não foi a melhor parte da noite de hoje, mas teremos muito tempo durante o verão para isso.
— Sim querida, você devia ter o prendido naquele quarto.
— É, você está certo. — disse mais para si mesma que para o loiro. — Ele não foi mesmo a melhor parte de hoje.
— Mas pelo menos você gozou, está satisfeita?
— Ah, sim. Isso sim... — ela abriu um largo e maldoso sorriso, fazendo o amigo rir.
Como poderia não estar satisfeita com o dobro da dose?

Capítulo 3

Flashback on
Hogwarts – 1978


Era mais uma quinta-feira de primavera e as paredes de pedras das masmorras já começavam a parecer mais frias. Sirius Black tentava sem sucesso roubar um pouco de calor do fogo do caldeirão, sem muito interesse na aula de Poções que acontecia.
— Excelente, Lily! — o professor Slughorn disse, mostrando para toda a classe o cadeirão da ruiva com o resultado perfeito.
O sorriso no rosto de James forçou o amigo a bater palmas junto com o restante da turma, mesmo que já houvesse desistido de fazer sua poção se parecer com a de Evans há algum tempo. Para seu alívio, a aula terminou poucos minutos depois, e Sirius deixou a sala acompanhado dos colegas de casa.
— Toda aula Slughorn elogia sua poção e toda aula eu fico impressionado. — como usual, James estava endeusando Lilly, tentando conquistá-la ainda mais.
— Ele exagera, gosta de puxar saco. — Evans respondeu. — E você também.
Sirius caminhava lado a lado com o casal de amigos, alheio à conversa melosa dos dois, principalmente porque, assim que deixaram a sala, avistou Rowle no final do corredor.
A sonserina deixava sua sala comunal, atipicamente desacompanhada, com a capa em uma das mãos e uma pilha de livros em outra, vestindo a saia do uniforme um palmo mais curta do que o recomendado pelas regras de vestimenta da escola por cima de uma meia-calça fina. Ela parecia não ter notado o grupo de alunos deixando a aula de Poções, mas Black não deixou de encará-la, seu sorriso externalizando as ideias sacanas que surgiram quase imediatamente.
— Encontro com vocês no almoço. — ele disse a James e Lily, abandonando os amigos antes mesmo de ouvir suas respostas e seguindo na direção oposta a eles em passos largos.
Sirius passou pela garota como quem não quer nada, tomando uma mecha de seus cabelos em mãos e dizendo:
— Rowle, o que faz por aqui? Pensei que nesse horário você estaria intimidando primeiranistas.
— Só faço isso às quartas, querido. — ela deu um sorrisinho, desacelerando o passo, mas não parando totalmente. — E você? Não está atrasado para encontrar sua garota das 11h?
— Você é minha garota das 11h.
— Ah, sei... — ela riu, se voltando novamente ao caminho para a biblioteca e tentando ignorar o grifinório. Mas Sirius se virou e seguiu em seu encalço.
— É verdade, e visto que já são quase 11:30, me diga se vai continuar se fazendo de difícil. Posso encaixar mais uma garota nesse meio tempo.
Tentador, Black era extremamente tentador. Faria o dia de bem melhor, com certeza. Mas ela já tinha se organizado para estudar naquela tarde, havia procrastinado o suficiente e os N.O.M.s eram uma prioridade maior que um Sirius entediado que achava que a tinha nas mãos.
— Fique à vontade.
O dia estava apenas começando, talvez ela estivesse livre no jantar... Talvez ela pudesse ir atrás dele e mostrar quem estava nas mãos de quem.
— Está mais agressiva que o normal, Rowle. — ele tomou seu braço, impedindo que continuasse a caminhar e a puxou para o canto. Seu corpo prendia o dela na parede, obrigando-a a dar atenção ao moreno. — Não teve seu sono de beleza hoje?
— Você sinceramente acha que eu preciso de um? — ela perguntou cerrando os olhos. Quase involuntariamente, a mão livre dela deslizou para o abdômen dele, sem verdadeira vontade de afastar o delicioso corpo de Sirius de tão perto.
Black encarou bem seu rosto. Levou uma das mãos à bochecha rosada da sonserina, notando pela primeira vez pequenas pintinhas que enfeitavam seu rosto como estrelas. Seus olhos pararam na boca de , que trazia mais diversão e calor em dias chatos como aquele. Tocou-lhe os lábios com o polegar, macios e instigantes.
— Não, você não precisa de nada. — ele disse mais baixo, tirando o ar da sonserina por um momento. Mas ela se recuperou rápido.
— Você quer me beijar? — ela disse provocativa, fazendo o grifinório voltar a olhá-la nos olhos. — Quer possuir meus lábios e colocar sua língua na minha boca, para ver se melhoramos esse diazinho sem graça?
— Que bom que estamos pensando no mesmo. — o rapaz sorriu, levando os lábios ao maxilar de Rowle e dando beijos molhados ali.
— Pena que não estamos. — se esforçava para não se entregar a ele, tentava pensar na quantidade de deveres que tinha e nas aulas da tarde. — Estou ocupada, Sirius.
— Claramente, ocupada comigo. — ele disse em seu ouvido, a mão descendo para o quadril de , fazendo um arrepio delicioso percorrer a espinha dela e dar um nó em seu interior.
Foi quando ela jogou para o ar todas as tarefas que tinha que fazer. Queria literalmente largar aqueles livros no chão e colocar os braços em torno de Black. Sentir seu toque quente. Usar disso para reabastecer suas energias antes de seguir com seus compromissos do dia. Não seria mais uma rendição, mas um perfeito aproveitamento.
Não se opôs mais ao que o maroto fazia e se permitiu aproveitar da gostosa sensação de sua boca por seu pescoço. A carícia que os dentes e os lábios dele faziam ali pareceu despertar um emaranhado de nervos na parte mais baixa e mais íntima de .
— Vamos sair daqui. — ela disse, colocando a mão no peito do maroto.
— Agora sim, algo que eu gostei de ouvir. — ele sorriu preguiçosamente, dando passagem para a sonserina.
— Tenho muito mais coisas, muito mais sujas, que quero te dizer, Black, então acelere e me leve para algum de seus quartinhos particulares.
Diante daquilo, Sirius não ousou desperdiçar mais nenhum segundo em que não estivesse agarrado com . Tratou de arrastá-la rapidamente à sala que guardava o estoque do professor de Poções, no primeiro andar, que sabia que ficava aberto entre a última aula da manhã e a primeira depois do almoço, já que Slughorn se apressava para comer naquela hora.
Passaram por alguns colegas que iam para o Salão Principal, mas ignoraram todos, assim como a hora da refeição. De repente, o almoço não parecia mais tão importante.
Mesmo repleta de prateleiras de ponta a ponta, a sala era relativamente grande. Ainda contava com uma grande poltrona preta e uma pequena escrivaninha, onde o professor parecia estar analisando uma planta mais cedo. ficou impressionada como o diretor de sua casa, além de ter uma sala própria bastante espaçosa, tinha também a maior sala de aula do castelo e agora um quarto para estoque. Se fosse para ser um professor, que pelo menos exigissem tanto quanto o diretor sonserino.
Sirius fechou a porta atrás de si depressa, enquanto olhava o recinto, largando seus materiais em qualquer lugar. Ele não tinha a chave, então estavam expostos a um pequeno risco, mas em qualquer lugar de Hogwarts era assim e Black tinha certeza de que não veriam o professor Horácio em nenhum lugar até o final do almoço.
— Você vem aqui para aumentar seu aprendizado, é? — debochou enquanto bisbilhotava a prateleira, de costas para um Sirius escorado na porta.
— Minha matéria predileta de fato é ficar encarando sua bunda. — ela olhou por cima do ombro para constatar que ele tinha o olhar ali e deu um sorrisinho.
— Encarar é suficiente para você? — a sonserina manteve o sorriso sacana enquanto andava lentamente em direção a ele.
— Nem fodendo. — ele soltou uma risada abafada, trazendo para bem perto com um puxão ríspido em sua cintura.
A mão de Black deslizou da cintura até a bunda de , por cima da saia cinza do uniforme, dando um apertão forte e demorado. Rowle apenas manteve a cara de superior, o que já requereu grande esforço.
— Sabia que eu amo te ver de meia-calça? — o grifinório continuou, agora levando a outra mão à coxa de acariciando — Você tem pernas lindas, mas fica muito sexy com isso.
A carícia se tornou outro apertão e Rowle conteve um suspiro de prazer, mordendo o lábio. Estava, como era de sua natureza, muito adentro no jogo de superioridade para dar para Sirius essa satisfação.
— Fico feliz que você admira a obra de arte. — ela disse, puxando Sirius pela camisa e girando, fazendo com que ela ficasse entre ele e a parede mais uma vez — Agora, não vamos mais perder tempo, vamos?
Sem esperar pela resposta, puxou o grifinório mais uma vez, colando suas bocas. A mão pousada em sua bunda apertou a região quase automaticamente e a que estava em sua coxa subiu para seu rosto, aproximando os dois mais ainda.
A sonserina desabotoou alguns botões da camisa de Sirius, passando as mãos frias e as unhas pelo abdômen dele e fazendo um delicioso arrepio percorrer seu corpo, o sangue do maroto bombeando e descendo diretamente para o meio de suas pernas. Com isso, ele abriu a boca para que suas línguas entrassem em contato.
O que a língua de Sirius fazia era mágico, intenso, quase como se estivesse faminto, mas não era desesperado, e sim caloroso e cativante. ficava presa todas as vezes, se deleitando nas sensações impuras que se afloravam, seu interior querendo cada vez mais dele.
Sem parar o beijo, Black a puxou em direção à primeira bancada que viu, apoiando contra ela. As mãos da garota firmaram em seu cabelo e suas costas, expressando seu desejo com puxões e arranhões. Ele pôde sentir suas calças ficarem absolutamente justas, e a sonserina não perdeu a chance de erguer a perna para aumentar o contato com o volume. Ela não pôde conter o suspiro dessa vez.
Sirius segurou sua coxa, acariciando enquanto a beijava, sua outra mão se apoiando na bancada. Seu toque igualmente intenso fazia o núcleo de torcer e arder, ela ainda o mantinha perto com uma das mãos em sua nuca e começou a descer a outra para o membro dele.
Quando sentiu os dedos de Rowle o agarrarem sobre a calça, Black moveu seus lábios para o pescoço de . Cada centímetro tocado pelos lábios de Black era despertado por arrepios e a garota mordeu o lábio, começando a sentir algo próximo do desespero para ser tocada lá embaixo. Sua mão foi em direção à de Sirius, para que ela conseguisse o que seu corpo pedia, mas a tranca da porta soou alto.
Os dois viraram a cabeça com o susto, vendo a porta se abrir, sem tempo para se recompor. A camisa de Sirius estava metade aberta e ambos tinham os cabelos desalinhados e as bocas vermelhas e inchadas, além de peitos que subiam e desciam rápido demais, só agora percebendo que mal estavam respirando durante todo aquele momento. se afastou da bancada e do maroto, torcendo para que fosse algum outro aluno entrando, mesmo sabendo que não era.
— Mas o que... — Slughorn encarou os dois alunos meio boquiaberto, enquanto os dois permaneciam paralisados diante dele. — Pelas barbas de Merlin.
O professor suspirou alto, passando a mão na testa.
— Venham. — ele disse — Preciso levar você até a professora McGonagall, Sr. Black. Depois vamos nós dois para a minha sala, Srta. Rowle.
Sem mais acrescentar, o professor deu meia-volta e saiu da sala, com e Sirius atrás dele, passando as mãos pelo cabelo e roupas para se ajeitarem. Os dois não disseram absolutamente nada, eram espertos demais para saber que tinham sido pegos absolutamente no flagra.
Black ouviu um longo esporro de Minerva McGonagall, principalmente no que dizia respeito a não ser o tipo de pessoa no qual ele devia confiar, já que seu pai e irmão simpatizavam com o Lorde das Trevas. A professora estava mais preocupada com os relacionamentos da família Rowle do que com o fato de ele ter ficado de pau duro na sala de um professor. Mesmo assim, ele acabou com uma semana de detenção.
fez o que pôde para barganhar e contornar a situação, saindo da sala de Slughorn com cinco dias de detenção.
Não viu Sirius quando saiu e nem se deu o trabalho de pensar nele. Com todas as coisas que já tinha para fazer, ainda teria que lidar com a detenção. Isso porque, por pouco, ela não ficou de fora do próximo jogo de Quadribol, mas Slughorn era mais fácil de manipular do que ele imaginava.
E o mais inacreditável, os dois diretores foram idiotas o suficiente para colocar e Sirius na detenção juntos. É claro que McGonagall estava muito mais preocupada com uma questão da guerra bruxa e Slughorn só queria acabar com aquilo logo, porém acabaram deixando os dois sozinhos na sala de troféus no meio da noite, enquanto dormiam tranquilos, Horácio mais que Minerva.
No entanto, quando chegou à sala de troféus levando o balde que o zelador lhe entregou, Rowle não estava nem um pouco ansiosa para ver Sirius. Era bem mais fácil culpá-lo por toda aquela desgraça do que assumir que sua própria vagina a tinha colocado naquela situação, então ela fez isso tranquilamente.
Os dois estavam com os suéteres de suas casas, como já estava mais frio. não tinha a camisa por baixo como Sirius e havia prendido bem o cabelo em um coque, mostrando bem os acessórios pretos que usava. Seus sapatos fizeram barulho na pedra, ecoando pelo castelo adormecido e atraindo o olhar de Black, que já estava lá com um troféu nas mãos.
— Demorou, docinho. — ele disse voltando o olhar para o troféu pouco depois.
— Não comece. — revirou os olhos.
A sala de troféus mais parecia um depósito, mas como qualquer sala em Hogwarts, era larga e tinha o pé direito alto. Uma das paredes era praticamente toda de vidro, com nenhuma vista interessante, e outra era literalmente inteiramente composta de prateleiras com prêmios e mais prêmios conquistados ao longo dos anos pelos alunos. Algumas poltronas desemparelhadas se espalhavam pelo lugar, algumas mesinhas também, como se alguém fosse passar tempo ali admirando o que mais pareciam latas que troféus. Black estava em uma delas.
— Está estressadinha pela detenção? É novata nisso, né? — ele soltou uma risada, colocando o troféu de lado e cruzando os braços.
— Estou estressadinha porque você me colocou na detenção. — ela largou seu balde do lado dele, fazendo mais barulho do que deveria àquela hora da noite. — Eu tinha muito mais o que fazer do que ficar presa com você limpando troféus velhos.
— É, era eu quem estava prestes a implorar para ser desvestido mais cedo.
— Pelo que eu me lembro, era seu pau que já estava implorando. — ela cerrou os olhos com deboche e Sirius ficou calado, com o sorriso de cafajeste que lhe caía demasiado bem.
A sonserina então se virou para a prateleira lotada de troféus sujos e oxidados. Não parecia um serviço nada fácil e muito menos agradável, já tinha segurado alguns troféus, porém nunca um pano encharcado de produtos de limpeza. Que tipo de bruxo sequer havia? Não era difícil saber um feitiço para limpeza, mas o castigo era justamente não usá-los. Melhor seria acabar logo com aquilo.
— E pelo que eu sei, foi você quem deixou meu pau assim. — Sirius disse quebrando o silêncio. permanecia de costas, mas sabia que ele estava sorrindo enquanto se aproximava. — Então não se faça de boba, principalmente quando você continua usando as meia-calças.
— Meu Deus. — se virou com uma risada debochada, constatando que Sirius estava mais perto dela do que ela pensou. — Está frio. Não é tudo sobre você, sabia?
— Eu acho que é sim. — ele abriu o sorriso, ajeitando o cabelo.
A sonserina sacudiu a cabeça, passando por ele sem encará-lo e pegando seu balde para trabalhar no troféu. Sirius também voltou para onde limpava o seu, sentado numa cadeira de frente para Rowle.
Quanto mais ela esfregava, mais percebia como aquele trabalho demoraria. As marcas de oxidação não saíam por nada.
O maroto a olhava durante todo o processo. No início, o ignorava sinceramente, mas foi ficando difícil não sentir a queimação vinda daqueles olhos castanhos e maliciosos. Ela se recusava a questionar ou olhar de volta, determinada a provar que não se importava, nem mesmo quando um sorriso começou a se formar no rosto dele.
— Sabe de uma coisa? — ele disse em algum momento, Rowle apenas levantou o olhar, notando-o confortavelmente estirado na sua poltrona. — McGonagall e Slughorn são muito burros.
— Em nos deixar sozinhos? Eu esperava mais, sinceramente. — ela murmurou, ainda lutando com a sujeira do troféu.
— Ou não, na verdade. — ele também baixou o tom de voz. — Quer dizer, pode ser um verdadeiro castigo ver quanto tempo duramos sem voltar a nos agarrar. — Rowle levantou a cabeça o encarando, sem sorrisinhos. — Você perderia.
— Mesmo? — Black deu aquele sorriso felino, apoiando o cotovelo no braço da poltrona. — Estamos competindo, então?
Aquele era um jogo que ela jamais permitiria que ele ganhasse.
— Black, eu poderia te puxar e te beijar contra aquela janela. — o olhar do grifinório despertou, acompanhando atento a fala da garota. — Contra as prateleiras e mesmo sentar em cima de você em uma dessas poltronas. — e então o sorriso debochado apareceu entre os lábios de . — Se eu quisesse.
— Certo. — o sorriso de Sirius vacilou um momento e ele voltou sua atenção para o troféu.
Ela fez o mesmo, triunfante.
Mais alguns segundos de silêncio se passaram, antes que a sonserina se irritasse de vez com aquele trabalho.
— Argh, por que não simplesmente jogam esses troféus fora? — ela bufou, encarando o troféu prateado — Sinceramente, quem é Ivor Ivery?
— Você não sabe? Foi o melhor apanhador de Hogwarts. — Black disse sem parar de trabalhar no troféu.
— É sério? — se virou para ele, se segurando para não perguntar se ele era sonserino. Devia ser.
— Claro que não. — ele soltou uma risada genuína. — Quem é Igor Grivery?
— Ivor Ivery. — ela corrigiu sem conter uma risadinha.
— Eles só mantêm esses troféus aqui para terem o que colocar como detenção. — Sirius continuou, olhando seu troféu de diferentes ângulos. — Eu tenho certeza que já limpei este antes.
— Você saberia, praticamente mora na detenção.
— Hm, atenta aos meus afazeres, docinho? — seu sorrisinho fez revirar os olhos e se levantar de sua poltrona.
Ela desistiu do troféu que estava tentando limpar e foi procurar um outro menos oxidado. Black foi atrás dela.
— Não estive na detenção tantas vezes assim, sou mais esperto que isso, caso você tenha se esquecido. — ele disse, pegando uma mecha que caía do coque de .
— É difícil lembrar quando você colocou nós dois aqui. — ela debochou, tomando a mecha de volta e a ajeitando no coque.
— É sempre importante lembrar que eu estava desprevenido e que sua mão estava no meu pau. — ele sorriu divertido quando olhou para ele. — Essa última parte você parece estar se esquecendo facilmente.
A sonserina cerrou os olhos, impaciente. Black a ignorou quando levou uma das mãos ao ombro dela.
— Gosto do seu cabelo preso. — ele deslizou a mão até sua nuca exposta, com um gesto delicado que fez um arrepio involuntário descer pelas costas de Rowle. — Deixa uma área que eu gosto bastante livre...
Ele se aproximou, dirigindo os lábios para o ponto onde tinha tocado, mas se afastou, usando sua frustração por estar de detenção como força de vontade.
Sirius deu um pequeno sorriso.
— Desculpa, esqueci que você não quer sentir meus beijos na sua nuca, lábios, nem pelo seu corpo. Nem que eu te pressione contra essa prateleira, nem contra a janela, enquanto minhas mãos passeiam pelas suas pernas e quadris e seios.
engoliu em seco, sua voz saindo muito mais impotente que o planejado quando ela completou: — Nem na poltrona.
— Isso. — seu sorriso cresceu e ele se afastou para alcançar o troféu que eles tinham ido buscar ali. — Sinceramente, posso saber se você “não vai querer” nada disso por mais sete dias? É uma oportunidade para se desperdiçar.
Ele sabia que a resposta era não, e sabia que ele não ia escutá-la da boca da sonserina. Sirius sabia e entendia que ela estava estressada pela detenção e estava descontando isso nele, mas era o primeiro dia ainda e não havia a menor chance de passar tanto tempo com Rowle e não ser divertido.
— Arraste outra garota para cá da próxima vez, talvez ela ache a ideia mais fascinante. — ela mentiu com um sorriso.
— Hm, agora eu te arrasto para lugares. — Sirius murmurou, em diversão e descrença. — Seu ponto de vista é engraçado.
— Além de que eu só vou vir cinco noites. — continuou, ignorando seu comentário.
— Sério? Como? — ele retomou o foco.
— Os mesmos olhos sedutores que te fazem querer fazer de tudo comigo também funcionam em professores.
— Você seduziu Slughorn para ficar dois dias a menos aqui? — Rowle não sabia se ele estava debochando ou se realmente pensava aquilo.
— Deixe de ser idiota, eu sei negociar.
— Ah, agora passamos de arrastar para negociar! O que você faz quando eu te levo para alguma sala secreta são negócios, então? — ele riu, se colocando bem diante da sonserina. — Você se arrepiando com minha boca na sua pele, suspirando quando eu te toco e gemendo quando eu te beijo. Isso é estar diante de Rowle negociando?
Ele não parava de jogar. Tão grifinório.
— Você não costuma dizer não para mim. — ela disse encarando Black por baixo de seus cílios, de repente ele parecia perto demais. — Eu não preciso negociar se você já faz o que eu quero.
— Hoje a noite está girando muito em torno do que você quer, docinho. Por que você não me diz, então? — ele já não sorria.
Seus olhos estavam atentos ao rosto da garota, revezando entre seus lábios e seus olhos. Sua respiração quente chegava à bochecha dela. Quando ele havia se aproximado tanto?
— O que você quer que eu faça com você agora, Rowle? — ele repetiu quase num sussurro.
— Eu... — ela disse baixo antes de ser interrompida por passos no corredor, que a fizeram se virar bruscamente com o susto e derrubar alguns troféus da prateleira. O som absolutamente alto pareceu fazer acordar de um transe.
Ela e Sirius se abaixaram para pegá-los antes de olhar quem vinha. Na verdade, Black ainda olhava para a sonserina, enquanto ela estava atenta à porta.
? — o sonserino de cabelos pretos ondulados chamou desde onde estava no grande portal, se aproximando devagar.
— Regulus! — ainda não recuperada do último susto, ela largou o troféu que tinha apanhado e caminhou rapidamente até ele, deixando Sirius catar os últimos troféus caídos. — O que você tá fazendo aqui?
— Você disse mais cedo ao Sten que estaria na detenção hoje. — ele justificou com o olhar em Sirius no fundo da sala. — Vim te ajudar a terminar isso mais rápido, sei que você tem que estudar para os N.O.M.s essa semana.
— Ah, obrigada. — ela disse com um pequeno sorriso, se recompondo.
— Não sabia que você já tinha um ajudante. — ele apontou com a cabeça para Sirius.
— É. — puxou o amigo para um canto da sala para que se sentassem bem longe do maroto.
Regulus nutria um ódio quase inexplicável pelo irmão mais velho. Bem, era fácil para ele explicar como Sirius havia traído e envergonhado seus pais e como o mais novo tinha o dobro de pressão sobre si agora, mas ainda era difícil para entender como ter ideias diferentes era tão humilhante aos olhos dos Black, ao ponto de o expulsarem de casa. Sinceramente, ela não entendia nada quando o assunto era política bruxa, e não se importava o suficiente para tentar se inteirar.
Assuntos políticos ou não, ela não podia perder aquela situação de controle, pelo simples e delicado fato de nunca ter mencionado a Regulus que ela andava se agarrando com Sirius e muito menos que tinham sido pegos no flagra (tinha dito a Sten que estava de detenção por ser grosseira com a professora Trelawney, algo fácil de acreditar, pois ela não gostava mesmo dela).
— Na verdade, acho que ele está sempre aqui. — ela disse baixo, revirando os olhos.
— Típico. — Regulus riu, finalmente movendo o olhar para e suavizando o rosto. Ele só não começou um discurso de ódio sobre o maroto porque Rowle estava linda com os cabelos presos e merecia mais sua atenção.
— Você fugiu no meio da noite para me ajudar a limpar troféus na detenção? — perguntou confusa, apenas agora se dando conta do fato.
— Tipo isso. — o sonserino deu de ombros e sorriu.
— Bom, vou pegar as coisas. — ela disse se levantando atrás do balde.
Graças a Merlin, Sirius estava de volta a sua cadeira, longe do balde e dos troféus sujos. Rowle não olhou para ele enquanto caminhava, mesmo certa de que ele sim a tinha assistido caminhar até o material e voltar.
— Aqui. — ela bufou, se jogando em uma poltrona ao lado de Regulus e esfregando um troféu avidamente enquanto ele pegava outro. Céus, que Regulus não reparasse naquilo. Que Regulus não sentisse a tensão.
— Você não espera conseguir limpar todos, né? — ele disse com uma careta, alheio.
— São cinco noites e mesmo assim não vou terminar. — ela suspirou e acrescentou rápido: — Você nem pense em vir nos outros dias também, ninguém merece detenção de graça.
— Pelo menos posso passar um tempo com você, só tenho te encontrado nos treinos. — Regulus deu de ombros. — Ou você prefere ficar com Sirius?
levantou a cabeça para rir para o amigo, comprando a piada, mas Sirius, a quem podia ver pelo ombro de Regulus, a encarava do outro lado da sala.
Ele enxugava o troféu, mantendo o olhar fixo nela com um sorrisinho e Rowle simplesmente sabia que ele estava pensando em como ele havia conseguido provocá-la há poucos momentos.
— Sirius... — aquilo saiu mais baixo do que ela pretendia, ela voltou ao amigo — Sirius nem fala comigo, é óbvio que prefiro sua companhia. Mas não nessa sala estúpida.
— Claramente, eu posso pensar em muitas coisas melhores para fazer com você. — Regulus deu um sorriso tímido e o peito de apertou. — Caramba, isso é difícil de limpar.
Ele esfregava o troféu com extrema força e nada acontecia. suspirou.
— Nem me fale.
— Sabe o que isso me lembra? — Black ria antes mesmo de continuar. — Quando aquele quintanista vomitou na sala comunal na última festa de fim de jogo. Cara, foi impossível tirar a mancha do tapete.
— Argh, foi terrível! — riu com a lembrança. Se lembrava de como Regulus ficou desesperado em tentar limpar aquilo, esquecendo que não era sua responsabilidade.
O que Regulus se lembrava era que estava maravilhosa naquela noite. Como haviam ganhado o jogo, ela estava radiante, principalmente no vestido branco que usava.
— Essa seria uma das coisas melhores que poderíamos fazer. — o sonserino ainda ria.
— Limpar tapetes ou vomitar neles? — sorria.
— Cair nele de tanto beber. — os dois riram com lembranças boas de noites daquelas.
O olhar de viajou casualmente para Sirius no fundo da sala. Ela não pôde evitar se perguntar se ele estava escutando a conversa, se ele estava desconfortável em estar sem companhia e pela presença do irmão. Provavelmente não. Black já tinha uma pilha de troféus limpos e torceu para que ele fosse embora de uma vez.
Percebendo seu olhar sobre ele, o grifinório a olhou de volta. Antes que ela desviasse, Sirius sorriu e piscou um olho, com um charme difícil de engolir. bufou, voltando para Regulus.
— Acabei com esses. — disse o mais novo, colocando o troféu dourado no chão. — Pode ir pegar outro para mim? Não quero cruzar com ele.
Quando Regulus olhou para trás para mostrar Sirius, ele estava nas prateleiras em busca de mais um troféu.
— Sério, ele não podia ser mais insuportável. — o sonserino sacudiu a cabeça.
— De acordo. — estava certa de que ele mudaria de opinião se soubesse como o irmão beijava bem. — Não se preocupe em limpar mais, saio em dez minutos, você deveria ir antes que Filch venha.
— Antes, vou te ajudar a guardar isso. — Regulus disse guardando os materiais de limpeza no balde e juntando os troféus.
— Você é um anjo, Black. — sorriu pegando os troféus das mãos dele.
— Sim, algo por aí. — ele sorriu de volta, mantendo o olhar em Rowle por mais tempo. — Você vai poder ir a Hogsmeade amanhã ou sua detenção inclui ficar fora disso?
— Não, eu posso ir, provavelmente vou. — os dois se levantaram das cadeiras.
— Ótimo, te vejo no Três Vassouras. — Regulus lhe entregou também o balde.
— Te vejo lá. — ela assentiu com a cabeça. — Muito obrigada por vir.
Regulus apenas lhe deu outro sorriso antes de sair, dando uma última checada no irmão antes.
suspirou, levando os troféus de volta para a pilha de limpos ao lado de Sirius. Dessa vez, olhou para ele para confirmar que ele também havia juntado suas coisas.
— Parece que ele tem uma quedinha por você, o pirralho. — o maroto disse sorrindo.
— Por favor. — Rowle bufou, já com nenhuma paciência.
— Eu te disse, são as meias-calças. — Black se levantou para guardar seu último troféu ao lado da sonserina. — Quer dizer, pode ser também a bunda e a cintura fina, ou até essa atitude de mandona.
— Talvez minha atitude funcione como uma poção do amor, deu certo com você. — ela debochou, terminando de ajeitar tudo.
— Vai saber. — Sirius disse com ironia, finalizando de fato seu serviço da noite.
Depois de deixar o balde, ele se aproximou da garota por um momento, descendo os dedos pelas costas dela e dizendo em seu ouvido, como um segredo:
— A única coisa certa é que eu e você vamos continuar o que começamos hoje.
Antes que ela pudesse reagir, ele se virou e saiu, sem olhar para trás.

Capítulo 4

Como era normal no mês de agosto, o Sol brilhava forte ao meio-dia e a ausência de umidade aumentava ainda mais a vontade de passar o dia no lago aos fundos da mansão Rosier, família de Evan, um dos amigos sonserinos de .
exibia seu corpo em um biquíni preto, com tiras que faziam zigue-zagues em torno de sua cintura, deitada ao Sol com Sten à beira do lago, enquanto os outros nadavam e riam alto, poucos metros diante da dupla. A sonserina observava a cena e tinha seu olhar particularmente direcionado para um deles, Regulus Black, que sorria para ela de tempos em tempos.
— Vocês vão ser o casal do ano. — Hodges disse, chamando a atenção da garota.
Ela deu um leve sorriso, suspirando em seguida.
— Sten... Você sabe muito bem que não vamos continuar juntos.
— Sei, mas não entendo o porquê. — o loiro riu, se virando para a amiga.
— Não gosto dele dessa forma. — ela voltou a encarar Black no lago se divertindo com os amigos. — Ele merece uma relação de verdade, me recuso a iludir ele.
— OK, você tem um ponto, . Mas já imaginou? O apanhador e a artilheira da Sonserina, dois puro-sangue de nobres famílias, você é gata, ele é gato...
— Ótimo, Sten, você acabou de descrever o maior clichê romântico de Hogwarts. — ela riu e revirou os olhos. — Mas numa coisa você está certo, nossas famílias estão amando isso.
soltou um largo suspiro. Regulus a entendia o suficiente para concordar que aquilo não duraria mais que um verão, e estava tudo bem por ele. Ela havia sido absolutamente sincera sobre suas intenções. Ambos sabiam que o relacionamento que mantinham era totalmente casual e com data para terminar. Mesmo que Regulus desejasse exibir Rowle como sua namorada por aí, o rapaz se contentava em poder dar amassos com a amiga, afinal, o sexo nos lençóis de seda não era algo no qual nenhum dos dois podia reclamar.
— Já escolheu suas aulas para esse ano? — Sten perguntou.
— Ainda não. Não decidi o que vou fazer depois da escola. — respondeu impaciente, aquele era outro assunto recorrente em sua vida e que odiava pensar sobre. Não estava preparada para a vida adulta, muito menos para atender às expectativas de sua família, que esperava que ela alcançasse um alto cargo no Ministério da Magia.
— Como assim, garota? Você estava toda animada com aquele estágio no Ministério.
— Até eu perceber que lá é o lugar mais chato do mundo.
Antes do verão, seu pai havia lhe arranjado um estágio no Gabinete do Assessor do Ministro da Magia. Todo status do cargo, a ideia de fazer parte do alto escalão do mundo bruxo, de ser uma pessoa influente e poderosa, havia feito ela gostar bastante da ideia. Havia conversado com Slughorn sobre as aulas que deveria tomar para de fato chegar ao cargo e estava tranquila em relação aos exames. Contudo, a cada dia que passava ela se dava conta de como aquele trabalho era extremamente monótono e sem graça. O poder combinava com ela, mas passar uma vida sentada atrás de uma mesa o dia todo como secretária de alguém, nem tanto. Agora, voltava a se estressar pela indecisão.
— E você, que aulas vai fazer? — perguntou ao amigo, a fim de mudar o foco da conversa de si e afastar aqueles pensamentos da mente.
— Tenho notas suficientes para fazer todas as matérias exigidas para ser Mestre em Poções. — Hodges sorriu orgulhoso por todo trabalho duro que havia dado nos últimos anos.
— Que ótimo, Sten! — a garota tomou a felicidade do amigo para si abrindo um grande sorriso — Você se decidiu, então?
O loiro afirmou com a cabeça empolgado. Os Mestres em Poções geralmente possuíam fama e eram altamente requisitados, e Hodges gostava daquilo tanto quanto a amiga. Além disso, ele era realmente habilidoso com opções, sendo um dos melhores alunos de seu ano, tinha total potencial para a profissão.
— Seus pais gostaram da ideia? — ela perguntou.
— Sempre disse a eles que era isso que eu queria. — Hodges explicou. — E eles sempre aprovaram, ainda mais com meu tio Augustus no ramo...
A garota assentiu com a cabeça, sem dizer mais nada. A sorte de seu amigo parecia imensa comparada à dela, que não estava nem perto de ter certeza do que queria fazer, mas sabia que muito provavelmente não seria o que os pais queriam para ela.
— Está tendo problemas com os seus? — Sten perguntou diante do silêncio e da cara frustrada de . Foi a deixa que ela precisava para liberar o que sondava sua mente e apertava seu coração.
— Eles dão muito palpite, sabe? — nem sequer esperou a resposta do amigo para continuar seu desabafo, e ele escutava atento. — Eu juro que sempre dou valor aos conselhos deles, e eu vou deixá-los orgulhosos, eu sei que vou conseguir isso. Mas trabalhar para o Ministro... Não sei, eu... Eu quero mais, quero fazer algo diferente e grande, nem que eu tenha que largar tudo para trás e, sei lá, viajar muito. Tem tantos feitiços e azarações para serem descobertos ainda... — ela não conseguiu evitar o sorriso que surgia com a ideia. — Isso sim me faria ser uma bruxa realmente poderosa, e não ficar presa no entediante Ministério.
— Meu Deus, ... É uma ideia e tanto, tão rebelde. — o amigo tentou permanecer sério, mas aquelas ideias malucas eram tão típicas da amiga que ele não aguentou e começou a rir. — Podemos até dizer que você está parecendo o Sirius Black.
A garota gelou com a menção do nome. Sten ria tanto de sua própria piada que levou a mão à barriga, porém ela o encarava quase em desespero. Sirius podia ser sexy o quanto quisesse, mas ainda desprezava seus valores e o que havia feito com sua família. A rebeldia e a atitude davam um charme ao maroto e Rowle gostava daquilo em seus momentos íntimos, mas a última coisa que ela queria era ser comparada a ele nesse sentido. Não tinha nenhuma vontade de seguir os passos de Black.
— Vai ser aurora, agora? — o loiro continuou rindo. — Tem certeza de que está ficando com o irmão certo?
Ela não sabia o que dizer. Sabia que o amigo estava brincando, não tinha como ele ter descoberto de sua escapadinha com o Black mais velho, ainda mais gargalhando como estava. Se ele soubesse, a reação não seria bem engraçada.
— Por Merlin, Sten. — ela disse finalmente, passando a mão pelos cabelos e tentando disfarçar o nervosismo. — Estou falando sério.
— Desculpa... — ele tentava controlar o riso e apoiar a melhor amiga, o que não estava dando muito certo. — É que eu nunca pensei muito nisso, meus pais nunca me criticaram quanto à mestria em poções...
De fato, Sten não sabia muito bem como poderia ajudar, muito menos queria incentivá-la nessa ideia maluca, pois imaginava que era algum surto passageiro. De qualquer forma, naquele mesmo momento, Regulus e os demais amigos saíam do lago e iam em direção à dupla deitada no Sol, impedindo que continuassem a conversa.
Rowle forçou um sorriso para o moreno, que já chegou dando-lhe um abraço molhado.
— Ai, você está gelado! — ela disse rindo. Por mais que ainda não tivesse superado totalmente o dilema de Sirius e que a água fria no corpo de Regulus conflitasse com a pele banhada de Sol da garota, ela não podia negar que a companhia do garoto a confortava de certa forma.
Ele não se preocupava com o peso de seu corpo em cima dela, passando um dos braços por trás das costas de e a mantendo tão perto em uma espécie de abraço desajeitado e brincalhão, e a sonserina só percebeu naquele momento que precisava muito de um, o som da risada de Regulus perto do seu ouvido, servindo de alívio.
— Argh, está mesmo! — Sten disse ao sentir alguns respingos da água no corpo de Black caírem sobre ele.
— Não se preocupe, Hodges, tenho um pouco para você também. — Regulus falou, abraçando também o loiro e jogando a água de seus cabelos nos dois.
Sten bufou com a ruim sensação de frio. ainda sorria quando Regulus voltou a se abraçar a ela, deitando ao seu lado sem soltar sua cintura. Os cachos molhados lhe deixavam sexy e seus olhos verdes estavam realçados pela grama onde estava recostado.
— Você está se lembrando do jantar lá em casa hoje, né? — ele disse passando a mão livre pelos cabelos dela.
— Estou. — resistiu à vontade de responder com amargura, aqueles jantares entre os Black e os Rowle pareciam estar acontecendo com mais frequência agora que estava saindo com Regulus. A garota estava só esperando a hora que seus pais tocariam em assuntos de noivado e, do jeito que sua mãe era inconveniente, temia que fosse breve. Só a indesejável ideia de matrimônio com Regulus era suficiente para a fazer querer sumir para bem longe.
Black se aproximou para dar um beijo em , mas eles foram interrompidos pelos outros amigos, agitados em volta deles e gritando por mais álcool e mais música.
— Quer dar uma volta? — Regulus convidou enquanto a garota observava os amigos sem limites.
— Por favor. — ela disse rindo enquanto pegava seu short para vestir.
O casal se levantou e caminhou de mãos dadas pelo entorno do lago, que refletia os raios dourados do Sol. Eles se sentaram com os pés na água, onde já não podiam identificar as falas dos amigos nos gritos distantes, e o garoto passou os braços em torno dos ombros de . Aquele momento a fez se lembrar porque estava com Regulus. Eram tão íntimos e próximos, principalmente agora que haviam quebrado todas as barreiras de sua relação, qualquer coisa que fizessem parecia confortante. Podiam ser sinceros um com o outro e falar de suas ideias malucas sem medo, mesmo que as reviradas de olhos de e os deboches de Regulus fossem constantes, mesmo que nem sempre estivessem de acordo, os dois sabiam que tinham um ao outro.
A jovem, que observava os próprios pés na água, levantou o olhar para Black, que sorriu. O braço dele que estava em torno da garota deslizou para a cintura dela, aproximando seus corpos. Rowle tomou seu rosto em suas mãos e lhe deu um beijo suave, mas como era comum da sonserina, a suavidade não durou muito tempo.
Ela levou suas mãos à nuca de Regulus e o puxou para que se deitassem na grama, seu corpo em cima do dela. O toque de suas peles expostas e o contraste das temperaturas dos dois tornava difícil resistir à vontade de irem mais a fundo. o beijava como se estivesse sedenta por aquilo, queria extravasar tudo aquilo que rodeava sua mente mais cedo. Enquanto estivesse ocupada sentindo prazer, poderia fugir de seus problemas. Ela passeava com os dedos pelo corpo do sonserino, acariciando suas costas, abdômen e peitoral, às vezes deixando marcas com as unhas.
O rapaz desceu os lábios para o pescoço de em uma trilha de beijos intensos, seus toques quentes fizeram-na arfar em resposta. Aproveitando de sua reação, Regulus desceu uma de suas mãos para dentro de seu short, acariciando sua intimidade ainda coberta pela calcinha do biquíni.
Talvez fosse o calor da estação ou apenas excitação natural, mas a necessidade de ser tocada cresceu ainda mais no corpo de , que gemia baixo ao toque carinhoso que recebia.
Pedindo por mais, ela começou a rebolar seu quadril contra a mão que a tocava. Em resposta, Black adentrou então na calcinha da garota e penetrou-a com dois dedos, sentindo sua umidade, passando a masturbá-la. Um gemido rouco escapou da garganta de , a qual, na falha intenção de silenciar seus sons, mordeu o ombro nu do garoto, arrancando-lhe um suspiro.
Enquanto Regulus beijava seu pescoço e a tocava daquele jeito, olhava para as nuvens no céu, se sentindo tão leve como uma delas e se deliciando com a agilidade dos dedos de Black em sua intimidade. Um toque certeiro em seu ponto mais sensível a fez fechar os olhos quase involuntariamente, mas de repente sua mente foi levada para Sirius no sótão da mansão. A imagem não solicitada do maroto sob ela, com sua encantadora e provocativa cara de tesão, a fez se afastar de Regulus subitamente, empurrando o peito do garoto. Toda a tentativa de esquecer seus problemas no orgasmo haviam ido por água abaixo, aliás, agora se encontrava ainda mais perturbada.
— O que houve? — ele perguntou, vendo a garota se sentar.
— Eu... Quero guardar isso para mais tarde. — ela mentiu, sorrindo de forma maliciosa e olhando sedutora para o garoto ao seu lado.
Regulus, que acreditou no que dizia, sorriu cheio de pensamentos impuros. Estava um pouco frustrado, mas sabia como era imprevisível e suas ideias, sempre surpreendentes.
A garota desviou o olhar dele, respirando fundo. Se sentia novamente atordoada e novamente pelo maldito maroto. Principalmente, porque não entendia o motivo de sua mente ter trazido a lembrança de Sirius naquele momento, optando por culpar Sten e suas piadas ridículas por aquilo.
Vendo o lago diante de si, pensou que um mergulho podia esfriar sua cabeça. Ela se levantou para tirar seus shorts e com um olhar convidou Regulus a se juntar a ela. Ele também se levantou, mas chamava pela sonserina, que se apressava em entrar na água.
— Ei, ... — ele dizia indo atrás dela. — , quero te contar uma coisa.
— Era só o que me faltava. — a sonserina resmungou baixinho, sem que ele pudesse ouvir, imaginando que alguma declaração amorosa fosse sair da boca dele, o que ela definitivamente queria evitar.
Contudo, mesmo já dentro do lago, não pode impedir que Black se juntasse a ela e confessasse o que tanto queria. A garota deu um profundo mergulho, que refrescou sua cabeça e tentou se preparar para o que quer que viesse em seguida.
, eu... — Regulus parecia nervoso, passava sem parar as mãos pelos cabelos, ansioso por sua reação — Eu decidi que quero me tornar um Comensal da Morte.
— Você o quê?! — ela não conseguia decidir se aquilo era pior ou melhor que uma declaração de amor. Seu olhar procurou rapidamente pela marca no braço esquerdo do rapaz, não era possível que ela não a tivesse percebido, principalmente ali, descoberto no lago.
— Eu ainda não sou um Comensal. — ele disse notando o que seus olhos procuravam. — Estava esperando que seu irmão pudesse me apresentar ao Lorde das Trevas.
— Meu irmão não conhece o Lorde.
Na verdade, não tinha muita certeza dessa informação. Quando escutava o irmão contar sobre sua vida e seus compromissos, não fazia muitas perguntas e não refletia sobre isso. A política bruxa nunca fora um assunto do qual ela gostava. Talvez nunca tivesse se dado conta do que Cyprus realmente fazia. Mas, em todo caso, não queria ser a pessoa responsável por introduzir Regulus naquele mundo.
— Mas conhece muitas pessoas do meio, você sabe.
suspirou, afastando a imagem do próprio irmão mais velho com a marca negra no braço. Será que ele tinha uma?
— Eu quero contar para os meus pais hoje à noite, principalmente porque seu irmão estará lá. — Black aproximou-se ainda mais da garota, segurando seu rosto com uma das mãos. — E você estará lá comigo, seu apoio é importante para mim.
Aquela tarde agradável de verão definitivamente não estava correndo de acordo com os planos da sonserina, muito pelo contrário, em questão de minutos, havia se tornado um desastre; parece que todos seus fantasmas resolveram assombrá-la. Para piorar, agora estava preocupada com Regulus e suas escolhas, não fazia ideia no que ele estava se metendo, muito menos sabia como poderia apoiá-lo. E, afinal, como um bruxo de 16 anos poderia ser útil ao Lorde das Trevas? Qual era seu objetivo com tudo aquilo? O jovem à sua frente poderia responder essas perguntas facilmente, mas não tinha paciência para uma conversa daquelas naquele momento.
— Certo, estarei lá para você. — foi tudo que ela conseguiu dizer.
Regulus sorriu e tentou lhe dar um abraço que quase fez os dois se afogarem. Ele ria da cena, porém refletia se as coisas seriam mais fáceis caso ela realmente se afogasse, estava a fim de sumir naquele momento e fugir de todas as questões em sua mente.

~

Para o jantar na Mansão dos Black naquela noite, devido à temperatura mais baixa que acompanhava o entardecer na Grã-Bretanha, usava um vestido midi preto de mangas compridas e ombreiras ressaltadas. A peça era justa em seu corpo e possuía uma sutil fenda em uma das pernas, deixando parte de sua coxa amostra. A cor escura de seu vestido combinava perfeitamente com as sandálias prateadas de salto que calçava.
Sua mãe, Azura, usava igualmente um vestido de mangas compridas, porém de uma seda esmeralda, com sapatos de saltos pretos. Já seu pai, Maverick, trajava um belo terno de linho preto e abraçava as duas mulheres ao seu lado. Por último, Cyprus, o primogênito dos Rowle, estava de braços dados com a mãe, em vestes também negras.
Os quatro Rowle tinham acabado de aparatar diante da porta da famosa mansão Black e aguardavam o elfo doméstico para recebê-los como de costume.
— Boa noite, Monstro. — disse Azura enquanto os quatro passavam pelo hall, os saltos dos sapatos ecoavam pela casa ao caminharem em direção à sala. A residência estava bem mais silenciosa e melancólica do que no dia da festa sonserina no começo do verão.
Sempre que entrava ali, se sentia ansiosa ao lembrar do que havia acontecido naquela festa e sempre guardava consigo a expectativa de que Sirius aparecesse na casa novamente, mesmo sabendo que era impossível. Justamente hoje suas lembranças estavam mais presentes que o usual, e não estava suportando o rapaz invadindo sua mente de tempos em tempos, atormentando-a. Não podia acreditar que uma simples rapidinha havia ficado tão marcada em seus pensamentos e isso a incomodava. Suspirou olhando o topo da escada, onde havia trombado com ele.
— Você está linda. — Regulus disse a cumprimentando, e ela sorriu levemente estressada pela questão dos irmãos.
Comprimentos empolgados e apertos de mão cruzaram os dois jovens e se forçava a sorrir para evitar dizer alguma grosseria, certa de que aquela noite seria longa.
Orion Black, o chefe da casa, levou seus convidados até a farta mesa de jantar, onde todos se serviram de cerveja amanteigada e peixe com legumes assados.
— Por que você insiste em me arrastar para estes jantares? — disse baixo para Regulus, ao seu lado, enquanto comia algumas cenouras em seu prato.
— Não te arrastei para nada. — Regulus soltou uma risada debochada, surpreso com a fala grosseira da garota.
— Você sabe como essas confraternizações me dão tédio. — ela bufou, bebendo um grande gole da cerveja. O álcool sempre deixava os encontros bem mais interessantes, mas nem jarras de cerveja amanteigada pareciam melhorar o jantar.
— Não se preocupe, assim que nós dois terminarmos de comer, vamos para o meu quarto, capitã. — o garoto sussurrou e sorriu um pouco mais empolgada com a ideia de finalmente relaxar de verdade.
— E sobre o que você queria contar aos seus pais? — ela levou o olhar ao seu antebraço, indicando o assunto de mais cedo.
— Acho que não vou dizer nada... — ele torceu a boca, amarelando.
— Regulus. — Maverick chamou, dispersando a conversa do casal. — Estava contando a seu pai sobre o estágio que consegui para no Ministério. Se você tiver interesse, talvez consiga algo para você também.
A jovem Rowle bateria com a cabeça na mesa se não houvesse aprendido sobre elegância. As pessoas pareciam insistir nos assuntos mais inconvenientes, e para piorar, não havia contado a Regulus sobre o estágio.
— Obrigado, Sr. Rowle, parece muito interessante. — o garoto lançou um discreto olhar para antes de continuar, a reprimindo pelo segredo ao mesmo tempo que buscava um pouco de coragem em seus olhos — Mas... Já tenho planos para meu futuro.
— Ah, sim? — seu pai, Orion, o encarou desconfiado.
— Sim, pai. Na verdade, eu queria aproveitar o jantar de hoje para falar sobre isso.
Os olhos de Regulus ainda voltavam aos de constantemente, mesmo passeando por todos na mesa, ele procurava o apoio da amiga. Aquilo fez a sonserina amolecer e afastar seus próprios problemas para dar força a ele, pegando sua mão embaixo da mesa e dando um leve apertão, incentivando-o a continuar.
— Eu decidi me tornar um Comensal da Morte. — Black falou, arrancando alguns sons de surpresa e sorrisos de todos ali presentes.
— Filho... — Walburga Black tinha as mãos sobre o peito e sorria para seu filho mais novo.
— Me parece uma interessante ideia. — Orion disse, ainda com pouca confiança.
— Deixe-me adivinhar... — Cyprus sorriu entre goles na cerveja amanteigada. se perguntou mais uma vez se havia uma marca negra sob o tecido chumbo de sua camisa. — Precisa de alguém que o apresente ao Lorde?
Regulus sorriu, confirmando o que o irmão de dizia. Todos na mesa falavam sobre a notícia positivamente e nenhum deles parecia preocupado pelo bem do garoto, como Rowle estava.
— Você sabia disso? — sua mãe, sentada ao seu outro lado, lhe perguntou em voz baixa enquanto os outros faziam perguntas a Regulus.
— Soube hoje mais cedo. — ela disse sem empolgação.
— Não está pensando em fazer o mesmo, está? — Azura, que também sabia da tendência para maluquices da filha, imaginava que ela não entraria nessa pelos mesmos motivos de Regulus, mas tudo era possível quando se tratava de e temia por sua garotinha.
— Não, mamãe. — ela riu, definitivamente parecia uma piada — Não há a menor chance de você me ver com uma marca daquelas no braço.
— Ótimo, não combinaria nada com seu tom de pele. — a Sra. Rowle voltou seu foco ao próprio prato e por um momento sentiu que poderia conversar com sua mãe sobre o que havia contado a Sten.
A mulher era tão inconveniente e arrogante na maior parte do tempo que se esquecia que também era companheira. De qualquer forma, preferiu esperar outra oportunidade para falar com a mãe, talvez até em outro dia, para amadurecer melhor a ideia, voltando a atenção ao amigo.
Regulus parecia aliviado e contente pelas reações em resposta à sua novidade. Estava ansioso para entrar naquela vida, era algo que cogitava há algum tempo e sabia que iria orgulhar sua família.
— Sinceramente, acho que hoje em dia servir o Lorde das Trevas é a melhor opção que se pode ter. — Maverick disse entre garfadas. — Uma grande mudança se aproxima e devemos estar do lado certo.
— Não só uma mudança, uma salvação, eu diria. — Walburga concordou gesticulando assiduamente com suas mãos.
— Com certeza, a situação dos sangue-ruins está cada vez pior. Acham que são dignos da magia. Para mim, são aberrações. — completou Cyprus. — Realmente precisamos de alguém como o Lorde das Trevas, para acabar com essa escória.
— Somos sortudos em ter uma família como temos. — disse Azura, aterrorizada com a ideia do mundo bruxo ser tomado por nascidos trouxas.
— Muita! Valorizem isso, crianças. Não sejam como Sirius, desonrando o nome da família e se juntando àqueles mestiços imundos. — Walburga disse com asco, mirando e Regulus.
não podia acreditar no que estava acontecendo. Definitivamente deveria ter se afogado no lago mais cedo. A essa altura, havia perdido totalmente o controle da situação. Nunca imaginou que sua família pudesse ir tão longe na ideia de supremacia sangue-puro. Ela mesma acreditava que a pureza do sangue os tornava sim mais especiais que os sangue-ruins, mestiços e trouxas, mas não a ponto de desejar seu extermínio. não podia estar menos aí para eles, apenas aproveitava tranquilamente de seus privilégios.
— Não entendo como alguém pode ser tão estúpido a ponto de agir como ele. — Regulus disse com raiva, enquanto espetava o garfo na carne com mais força que o necessário.
Falar do irmão era um assunto delicado para o garoto, via como seus pais ficaram abalados com a traição de Sirius e tentava ao máximo atender a todas as expectativas do casal.
— É um ingrato. — Orion pronunciou amargurado. — Demos tudo para esse mal-agradecido e ele teve coragem de manchar nosso nome.
— Ele nunca foi um Black de verdade. — o irmão de disse com ternura, se direcionando para os pais de Regulus, que assentiram.
Todo aquele assunto estava deixando enjoada, mal havia tocado em seu peixe. Ela observava a discussão sem dizer nada, principalmente agora que Sirius era mencionado a cada dez segundos. O rapaz já atormentava seus pensamentos sem que ninguém dissesse seu nome, não precisava ouvir uma conversa inteira sobre ele.
Além disso, a forma como falavam dele a incomodava profundamente. Não estava de acordo com suas atitudes e via seus defeitos, mas o Sirius que conhecia era extrovertido, engraçado e alegre. Nunca havia ouvido tantos comentários de desprezo contra o maroto de uma vez só e não concordava com eles também. Em sua opinião, Sirius tinha qualidades que importavam mais do que a pureza de sangue.
— Talvez seja lunático. — Azura sugeriu, como se tivesse acabado de encontrar a resposta do porque alguém poderia tomar tais atitudes.
— Não, me parece apenas um traidor, e um dos piores. — Cyprus murmurou.
— Sim, um grande traidor. Mas basta de falar de Sirius. — Walburga encerrou o assunto sobre o filho mais velho e suspirou relativamente alto, voltando seu coração e respiração ao normal.
! — Orion gritou do outro lado da mesa sorrindo. — Está contente de caminhar mais um ano como capitã do time da Sonserina?
— Ah, sim, senhor. — a garota esboçou um sorriso. Era absolutamente estranha a naturalidade com a qual eles misturavam assuntos inofensivos e o preconceito explícito.
— Nossa garota nos orgulha cada dia mais. — comentou Azura com o peito estufado.
— Deve ser bastante difícil conciliar os exames e a equipe. — Walburga disse sorrindo — Deveriam realmente estar todos orgulhosos.
— Eu sei que estou. — Regulus sorriu, tocando sua mão sobre a mesa e fazendo suas famílias olharem o gesto com incrível atenção.
— E vocês dois, quando vão... — a mãe de começou a dizer, mas a garota se levantou da mesa o mais rápido que pôde para evitar que sua noite ficasse ainda mais estressante.
— Com licença, vou procurar Monstro com a sobremesa.
Ela desapareceu pela porta, respirando fundo quando percebeu que estava sozinha no corredor.
, o que está acontecendo? — Regulus apareceu atrás dela. — Eu sei que você não gosta desses jantares, mas está mais nervosa que o normal.
— Está tudo bem. — ela mentiu, se encostando na parede e tentando se recompor, não precisava de mais perguntas. — Obrigada, Regulus.
— Por que não me contou sobre o estágio? — o garoto lhe tocou o braço gentilmente, dava para ouvir a mágoa em sua voz. A sonserina finalmente decidiu parar de tentar bancar a durona e ser sincera com o amigo.
— Porque eu não quero mais fazer o estágio. Minha família está me deixando doida! Talvez seja por isso que eu quero tanto sair do país.
— Você quer ir embora da Inglaterra? — ele não conteve um riso diante da inusitada ideia.
— Quero viajar, Regulus. Quero descobrir coisas novas para a comunidade bruxa.
— Uau, é uma ideia e tanto. Não vou dizer que esperava isso de você, mas acho que pode te fazer muito bem conhecer outros lugares.
se sentia um tanto mais leve em ter confessado aquilo a Black, sabia que desabafar com ele era sempre diferente.
— Regulus, posso perguntar uma coisa? — ela disse meio insegura. — Essa coisa de Comensal... Eu ainda posso te fazer desistir?
— Não pode. — ele disse com um sorriso decidido, encostando na parede do lado oposto do corredor e encarando de frente.
— Isso pode ser perigoso, você não acha que...
, não se preocupe comigo. Além do mais, Evan Rosier vai se juntar aos comensais também.
— Ah, ótimo! — ela soltou uma risada e carregou a voz de ironia. Evan era um grande idiota e não duraria uma semana com o Lorde. — Agora sim eu me sinto tranquila!
— Pare com isso, vem aqui.
Regulus a puxou para um amigável abraço, mais uma vez a surpreendendo com o quanto ela precisava daquilo. Se sentiu mais calma no conforto de seus braços e queria poder viver ali ao invés de enfrentar seus problemas.
Com a cabeça contra o peito do sonserino, se lembrou de outra coisa que martelava em sua cabeça e incomodava em seu peito. Talvez sua vida fosse mais fácil se gostasse do rapaz de outra forma além da amizade, pelo menos parte de seus problemas estariam resolvidos.
— Black. — ela chamou receosa com a voz abafada, sem desfazer o abraço.
— Rowle. — ele respondeu brincalhão no mesmo tom.
— Ainda vamos ser amigos quando o verão acabar?
— Como assim? — ele franziu a testa em confusão, a garota estava especialmente estranha naquela noite.
— Você sabe... Esse romance que estamos tendo vai chegar ao fim.
— Graças a Merlim! Você sabe quantas garotas gatas de Hogwarts eu tive que rejeitar no último mês por sua causa?
— Me poupe! — ela riu, desencostando do rapaz e dando-lhe um empurrão.
— Está tudo bem entre nós, Rowle. — ele ainda ria. — Prefiro mil vezes sua amizade do que te perder.
— Mesmo? Você perdoaria qualquer merda que eu fizesse?
— Claro que... Do que você está falando, ?
— Você promete que vamos continuar bem?
— Prometo, Rowle. Nós não vamos perder um ao outro. Mas me diga agora se existe algum problema.
Ela ponderou. Regulus a mirava com tanto carinho, havia tanta confiança e disposição naquela relação. Ela sentiu mais do que nunca que deveria fazer a coisa certa, mesmo sem saber exatamente o que era. abriu a boca para falar:
— Não há nada. Está tudo bem. Estou feliz que estejamos na mesma página.
— Mas... — Regulus disse se reaproximando da garota. — Já que o verão ainda não acabou...
Ele selou seus lábios em um breve beijo. O toque do rapaz era diferente das outras vezes, não estava carregado de malícia como usual, mas sim de carinho. Após se separarem, eles se encaravam com um sorriso no rosto.
— Que tal ignorarmos a sobremesa e irmos direto para o seu quarto? — sugeriu mordendo o lábio inferior.
— Acho uma ótima ideia.




Continua...



Nota da autora: Sem nota.
Nota da beta: Oi! O Disqus está um pouco instável ultimamente e, às vezes, a caixinha de comentários pode não aparecer. Então, caso você queira deixar a autora feliz com um comentário, é só clicar AQUI.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


comments powered by Disqus