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Última atualização: 17/01/2022

Prólogo

BROOKLYN, novembro de 2012


havia finalmente finalizado o trabalho da sua vida. Graças ao seu estágio nos laboratórios da Indústrias Stark e seus estudos dia e noite na Universidade Columbia, onde adquiriu o máximo de conhecimento possível sobre física quântica e suas tecnologias, ela conseguiu o que muitos pensavam, tempos atrás, ser impossível: a viagem no tempo. O pequeno relógio de bolso que transformou em um aparelho que viaja no tempo funcionou perfeitamente quando ela testou e voltou alguns minutos atrás. Tudo parecia normal quando testou novamente e viajou para um dia antes, como programado, e voltou para o presente.
Depois de muitas tentativas falhas, em que quase colocou fogo em seu minúsculo estúdio em Nova Iorque quando um protótipo explodiu, ela finalmente conseguia voltar exatamente para a data e o local que planejava nos testes. Contudo, todas as vezes em que tentou voltar para o único momento pelo qual ela começou todo aquele projeto, falhou.
O grande problema é que existem muitos perigos nas viagens no tempo. Qualquer simples e pequena mudança pode acarretar em um paradoxo temporal e, é claro, as consequências disso eram infinitas. Ela sabia bem disso, entretanto, ela não podia evitar fazer o que pretendia fazer. Não era para seu pai ter ido para o trabalho naquele dia, não era para ele ter ido consertar os malditos computadores novos. Era seu merecido dia de folga, mesmo assim, ele não pensou duas vezes antes de aceitar cobrir seu colega de trabalho que ficara doente. Ele não deveria estar lá. Essa era a justificativa que dava a si mesma segundos antes de viajar para o fatídico dia 11 de setembro em todas as tentativas mal sucedidas.
Ela olhou aflita para o relógio modificado. Restava apenas um fusível, o suficiente para ir e voltar. Depois disso, caso necessário, teria que surrupiar mais alguns daqueles fusíveis especiais que encontrou no laboratório. O Sr. Stark a perdoaria quando visse o que ela inventou, assim ela esperava. Era genial, para dizer o mínimo, e muito essencial nas mãos certas, é claro.
Mas antes de contar a alguém, precisava salvar o seu pai. Para isso, precisava voltar muitos minutos antes do tempo da última viagem. Ela precisava ir para sua casa, no exato momento em que o maldito telefone tocou. Então programou no relógio, girando os ponteiros originais às oito em ponto da manhã e os ponteiros, que ela mesma adicionou, no dia 11 de setembro de 2001.
“Ele não deveria estar lá”, ela repetiu seu mantra e apertou o botão lateral, sentiu a já conhecida tontura atingir sua cabeça, o aperto no estômago e a falta de ar quando tudo girou. Os últimos anos, como ela viu acontecer diversas vezes nas últimas horas, passaram em sua volta. Seu surto quando o relógio funcionou, sua admissão nos Laboratórios Stark, seu primeiro dia na faculdade, sua formatura na escola Midtown de Ciência e Tecnologia, seu primeiro beijo… Tudo o que seus pais não puderam ver, ela agora via pela sabe-se lá qual vez. Isso tudo não a interessava mais, seu único objetivo era chegar em seu quarto, pois é onde ela sabia que estava naquele dia.
Quando o ar voltou aos seus pulmões, finalmente abriu os olhos. Olhou em volta e teve que cobrir a boca para reprimir uma exclamação animada. Todo cuidado era pouco naquele momento, por mais eufórica que estivesse. Ela sabia que a de 11 anos estava no banho, fantasiando sobre como seria o dia com o seu pai enquanto cantava Destiny’s Child com animação. Ela sorriu para a porta fechada, ouvindo a si mesma cantar desafinada no banho, e saiu do quarto em silêncio. No andar de baixo, conseguiu ouvir Callum cantar animado, como a mesma fazia no andar de cima, enquanto preparava suas famosas panquecas (teve certeza ao sentir o cheiro da geleia caseira que fazia). Sentiu vontade de ir até a cozinha, abraçá-lo por trás e dizer o quanto o amava enquanto o ouvia cantarolar Something da banda The Beatles. Entretanto, quando ouviu os passos do homem se aproximarem da cozinha, correu para atrás do sofá e se escondeu o máximo possível. Com cuidado, ela levantou a cabeça o suficiente para ver o pai entrando no cômodo. Seu coração acelerou e doeu, tudo ao mesmo tempo, lhe tirando o ar novamente. Ela sabia o que o pai ia falar e sabia que agora faltavam poucos minutos para ela fazer o que precisava fazer. Conferiu seu relógio, eram 8:05.

— Filha, as panquecas estão prontas! — Ele gritou do pé da escada e deu um sorriso largo quando ouviu a filha responder “Estou indo!”.

segurou as lágrimas quando o homem se afastou, voltando a cantarolar. Era agora que ela precisava agir. Ainda abaixada, a garota engatinhou para o telefone fixo que tinha ao lado do sofá. Por sorte, seu pai achava o celular algo muito inútil e complicado de usar, mesmo sendo técnico de computadores e grande admirador de tecnologias. nunca entendeu tamanha controvérsia e imaginava que, se ele soubesse como os aparelhos estavam nos dias atuais, provavelmente teria o mais simples deles. Então aquele era o único meio de comunicação da família em meados de 2001. Conferindo novamente o relógio, puxou o cabo da linha telefônica e, como garantia, também tirou o de energia do telefone. Em seguida, ela correu para o banheiro, onde sabia que eles não iriam entrar tão cedo e aguardou. Em dois minutos, o telefone deveria tocar. Cada segundo que passava era insuportável. Ela se viu descendo as escadas, animada, tagarelando com o pai sobre irem ao Central Park e depois na Target para comprar mais canetas coloridas. O pai concordava com tudo, afinal, suas folgas eram sempre totalmente dedicadas à filha.
Tudo o que podia fazer era esperar. Ela iria dar pelo menos o tempo de eles saírem pela porta e voltaria para o futuro para encarar as mudanças que havia feito. Será que ainda teria seu apartamento? Ela não dava a mínima se não o tivesse, caso isso significasse poder morar com seu pai novamente, na mesma casa em que estava naquele momento. Tal pensamento lhe deu um frio na barriga pela ansiedade. Ela não via a hora.
E, falando na hora, não percebera os longos segundos passarem. Sua versão mais nova e seu pai se preparavam para sair, vestindo seus casacos e, assim que fecharam a porta, respirou, aliviada. Ela saiu do banheiro e tirou o relógio do bolso, pronta para partir, mas uma luz dourada ao seu lado lhe chamou a atenção, fazendo-a congelar no lugar. Do retângulo brilhante saíram três pessoas uniformizadas, o que a fez concluir que aquilo era provavelmente um portal. Porém, não teve tempo para admirar aquela tecnologia avançada demais até para os seus conhecimentos ou aterrorizar-se com os desconhecidos entrando em sua casa.

? — Uma mulher perguntou a enquanto conferia algo em uma espécie de tablet.
— Q-quem são vocês? — Ela perguntou, dando um passo para trás.
— A inclinação da ramificação está instável e subindo rápido, temos poucos segundos — A mulher falou com seus colegas que logo se puseram ao lado de . A mulher finalmente olhou para , depois novamente para o tablet. — Variante identificada, podem prendê-la.

No mesmo instante, um dos uniformizados prendeu algo em seu pescoço, sem sua permissão, enquanto outro posicionava um aparelho esquisito no chão de sua sala.

— Ei, o que…? Que merda é essa, tirem isso de mim! — Ela encostou no dispositivo, mas tudo o que sentiu foi um choque em suas mãos, repelindo-a.
, somos a Autoridade de Variância Temporal e você está sendo presa por crimes contra a Linha do Tempo Sagrada, por favor, venha conosco.
— Linha do quê!? — Ela deu mais um passo para trás. — E-eu não…
— Ela não vai vir por boa vontade, segurem-na — A mulher falou com firmeza e, ignorando os gritos de relutância da garota, ela atravessou o portal com seus colegas que carregavam com eles.


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SEDE DA AUTORIDADE DE VARIAÇÃO TEMPORAL (AVT) - 2012


Loki Laufeyson havia assistido toda a sua vida: passado, presente e futuro. E ele viu sua morte, lenta, dolorosa e cruel em uma projeção bem na sua frente, como se aquilo fosse um filme barato feito pelos terrestres. E é claro que isso afetaria qualquer um, até mesmo o grande Deus da Trapaça. Em seus muitos anos de vida, ele jamais imaginou passar por tamanha humilhação como estava passando dentro da Autoridade de Variação Temporal. Também jamais pensou que se sentiria tão… Vulnerável. Seu rosto se retorceu em desgosto ao pensar nisso. Ali, sentado naquela sala sufocante depois de tentar fugir diversas vezes, ele finalmente percebeu que não tinha muito o que pudesse fazer no momento a não ser ouvir o que tinham para falar. Mobius M. Mobius já havia jogado um grande balde de água fria nele, metaforicamente falando, e lá estava o homem novamente parado na sua frente, esperando algo que Loki não fazia ideia do que era. Uma confissão? Um pedido de desculpas por tudo o que fez? Ah, ele não faria isso, nem pensar. Mas, talvez, se abaixasse a guarda um pouco, eles pudessem se entender e, quem sabe, salvar sua pele e voltar para sua vida normal. Se isso fosse possível.

— Não posso voltar, posso? — Loki perguntou, cabisbaixo, para Mobius. Ele sentou em um degrau baixo dentro da sala de vídeo e encarava suas mãos há um bom tempo. — Para minha linha do tempo.

Mobius não respondeu, apenas permaneceu observando-o com curiosidade. Já o Deus da Trapaça suspirou, finalmente olhando o outro homem.

— Eu não gosto de machucar as pessoas — Ele recomeçou, vendo que não teria resposta. — Realmente não gosto, eu… Eu faço isso porque eu preciso, porque eu precisei.
— Certo, me explique — Mobius finalmente se pronunciou, cruzando os braços e olhando Loki com certa descrença.
— Faz parte da ilusão — Laufeyson continuou, gesticulando com as mãos. — É o truque cruel e elaborado conjurado pelos fracos para inspirar medo.
— Uma ação desesperada por controle — O analista retrucou. — Você sabe o que você é!
— Um vilão.
— Não é bem assim que eu te vejo.

Assentindo, Loki pegou o Tesseract ao seu lado, observando-o brilhar em sua mão com grande atenção. Passou anos atrás da Jóia do Infinito, depois a teve como fiel escudeira em suas últimas batalhas, inclusive foi a responsável por colocá-lo na situação em que estava. Entretanto, a maldita o deixou na mão quando mais precisava.

— Já tentou usar isso? — Mobius questionou, risonho, apontando para o objeto.
— Várias vezes — Loki respondeu, brincando com o cubo azul. — Até mesmo uma Jóia do Infinito é inútil aqui. A AVT é formidável.
— Essa tem sido minha experiência — Mobius retrucou, segurando seu bastão com menos firmeza que antes. — Escuta Loki, eu não posso te oferecer salvação, mas talvez eu possa te oferecer algo melhor. Uma Variante fugitiva está matando nossos Homens-Minuto.

Loki se levantou, caminhando lentamente até parar a alguns passos do analista que não moveu um músculo sequer em resposta. Com seu clássico tom de superioridade, o asgardiano perguntou:

— E você precisa do Deus da Mentira para deter esse cara?
— Isso mesmo.
— Por que eu?
— Porque a Variante que estamos caçando é... você.

Laufeyson tentou não parecer tão surpreso, contudo, o choque pelo que acabou de ouvir o atingiu em cheio. Ele só podia ter entendido errado.

— Perdão, o que disse? — Indagou, surpreso.

Mobius deu um sorriso, percebendo que finalmente deixou o Deus da Trapaça interessado. Ele tinha toda a atenção de Loki Laufeyson e precisava aproveitá-la.

Capítulo I

— Me lembre novamente por que não podemos ser só eu e você. — Loki pediu, olhando com certa irritação para Mobius que, em resposta, revirou os olhos.
— Essa outra Variante é um gênio, estudou na melhor escola e na melhor faculdade de Nova York.
— Nova York. — Loki riu, balançando a cabeça. — Que ironia.

O príncipe de Asgard recordou-se com certo prazer do pequeno caos que causou na cidade antes de escapar dos Vingadores e ser capturado pela AVT. Protagonizou bons (e outros nem tanto) momentos em Nova York, inclusive com seu irmão. Uma pontada acertou seu coração ao lembrar-se de Thor e das imagens que viu há pouco. Enquanto caminhavam em direção à outra sala como aquela, Loki se perguntou se um dia voltaria a vê-lo. Desejou secretamente que sim.

— Ela é um gênio, e daí?
— Sinto muito em lhe dizer, mas ainda não confio 100% em você, Loki. — Mobius continuou, sem parar de andar. — Ela vai nos ajudar a resolver alguns detalhes da missão e me ajudar a ficar de olho em você.
— Até parece…
— Assim como você — Mobius ignorou o comentário, finalmente parando em frente a uma porta dupla onde dois seguranças o esperavam —, não merecia morrer, o motivo pelo qual ela cometeu o crime foi… nobre e justificável, pelo menos para mim. Então Ravonna concordou comigo e decidiu poupá-la. Na verdade, a ideia foi dela de mantê-la conosco, já que eu precisava de gente na minha equipe.
. — Loki repetiu o belo nome, assentindo. — Ainda acho desnecessária a ajuda dela. Mas me diga… Qual crime ela cometeu?
— Isso não importa. — Mobius abriu a porta e indicou para o outro homem entrar e Loki assim fez, mesmo contrariado, reparando na garota sentada à mesa idêntica à da sala onde estava.

O analista deu um passo para dentro, contudo, nem se deu o trabalho de fechar a porta, pois sairia novamente.

— Olá de novo, .
— Sempre um prazer, Sr. Mobius. — Ela deixou as unhas de lado, as quais ela olhava com exagerada atenção, e observou os dois novos ocupantes da sala. Seus olhos recaíram diretamente em Loki, fazendo-a endireitar a postura.

Em seu pescoço, Loki percebeu, havia o mesmo dispositivo que ele mesmo havia usado antes de conseguir se livrar dele, o maldito aparelho que fazia seus poderes não funcionarem e o deixava sob o controle dos agentes. Surgiu em sua mente a dúvida se a mulher em sua frente também tinha algum tipo de poder que Mobius não havia contado. Seus olhos combinavam harmonicamente com seus cabelos . Já as tatuagens espalhadas pela pouca pele que não estava coberta pelo uniforme da AVT, eram um contraste a mais; algumas coloridas, outras apenas um contorno preto. Todas pareciam fazer parte dela desde sempre, como se a mulher tivesse nascido com aqueles desenhos. Loki já havia visto centenas de terrestres com tatuagens antes, mas era a primeira vez que ele realmente sentia prazer em vê-las.
Mobius pigarreou alto, tirando o trapaceiro do transe em que se prendeu. Não percebera que ficou encarando-a por tempo demais, mas não se deixou envergonhar, apenas cruzou os braços e aguardou que o outro homem falasse algo.

— Loki, esta é . , este é Loki Laufeyson. — Mobius os apresentou, mas nenhum dos dois se importou em dar um aperto de mãos. Ele apenas suspirou, prevendo a dor de cabeça que teria com eles. — Preciso ir até a minha sala por alguns segundos, eu volto em um instante. Nem tentem fugir ou matar um ao outro, tem seguranças lá fora.

Antes de sair, ele lançou um olhar significativo para cada um dos dois, como se suplicasse em silêncio para que não fizessem nada que fossem se arrepender depois. Quando a porta bateu, um silêncio se instalou no lugar. voltou a se encostar à cadeira, sentando-se de forma menos formal para dedicar-se a olhar suas unhas novamente. Loki ofendeu-se com tal desfeita. A mulher deveria estar se curvando ou ajoelhando-se aos seus pés, contudo, ela nem ao menos se importava em dizer algo para quebrar o silêncio e parecia não reconhecê-lo. Então ele se endireitou, estufando o peito e levantando o queixo o mais alto possível, aquela era uma de suas formas favoritas de mostrar superioridade e intimidação. Loki caminhou para a mesa redonda, ponderando se iria sentar ou permanecer em pé. Concluiu, por fim, que seria melhor olhá-la de cima.

— Então… , certo?

A garota o olhou com certo tédio, mas assentiu, cruzando os braços. Suas unhas não eram mais tão interessantes assim, mas ainda não havia decidido se queria conversar com aquele homem. Ela definitivamente não confiava nele, mas sentia bem no fundo que ele não era um estranho. Já o vira em algum lugar, mas sua memória estava deixando-a na mão.

— O que você fez para estar aqui? — Ele perguntou, andando lentamente de um lado para o outro, mas sem desviar o olhar. Aqueles olhos azuis, aqueles cabelos pretos… podia jurar que já o tinha visto antes.
— Não é da sua conta. — Ela respondeu, inclinando a cabeça e estreitando os olhos na tentativa de enxergá-lo melhor. — Eu te conheço de algum lugar...
— É claro que conhece! — Loki sorriu convencido, estufando mais o peito, se isso era possível. — Midgard certamente me adora.
— Oh, sim, eu sei quem você é! — A mulher se inclinou para frente, sorrindo para Loki. — Já te vi na televisão e nos jornais! Você é aquele cara que pensa ser um Deus.

Loki não entendeu a risada um tanto sarcástica que ela deu no final da frase. Mesmo assim, ele sorriu de forma afetada e balançou a cabeça.

— Eu não penso ser um Deus, eu sou um Deus.
— Ah, claro. — Ela riu novamente e aquele ato já estava dando nos nervos de Loki. A mulher, então, abriu os braços, como se indicasse o lugar em que estavam, ainda sustentando um sorriso. — Não aqui, querido. Não sei se já percebeu, mas aqui você é um mero mortal como qualquer outro. Você e seus amiguinhos alienígenas podem ter destruído Nova York, mas aqui você é apenas a escória, eu sinto muito.

Loki bateu com o punho tão forte na mesa que as latas de refrigerante voaram longe e explodiram ao se chocarem com o chão. nem ao menos piscou, sem se abalar com o ato ou com as gotas da bebida que respingaram nela; apenas continuou sorrindo. Já aguentou surtos de homens piores na sua cidade.

— Como ousa falar assim com…
— Loki! — O agente Mobius irrompeu com falsa animação pela sala, com suas típicas pastas recheadas de documentos embaixo dos braços. — Que bom que não se mataram enquanto estive ausente.
— Não foi fácil. — Loki murmurou, ainda com raiva, puxando uma cadeira em frente à mulher e cruzando os braços. Seus olhos estavam fixos nela.
— Para mim foi moleza. — Ela deu de ombros, ainda sorrindo, e se recostou na cadeira.

Loki queria arrancar aquele sorriso irritante com um soco bem dado, ao mesmo tempo que ele se pegou encarando aqueles lábios um tanto carnudos por tempo demais. A garota não era de se jogar fora, ele admitia, mas ainda não conseguia entender por que raios Mobius precisava da ajuda dela, se já tinham o próprio Loki para participar da missão. Não havia ninguém melhor, ou mais esperto, ou mais bonito, ou mais qualificado para tal função, senão Loki Laufeyson. Isso, é claro, na humilde opinião dele.
parecia ser uma mulher medíocre, ele não via como alguém tão banal poderia agregar à AVT.

— Puderam se conhecer melhor? — Mobius perguntou. — O que achou dela, Loki?
— Francamente? — O asgardiano respondeu, apontando para a mulher. — Como isso pode nos ajudar em algo?
Isso!? questionou com irritação. — Ora, Mobius, eu não aceitei te ajudar para ser avaliada por um homem, ainda mais ele! Se eu soubesse, eu teria ficado naquela sala para ser podada!
— Ainda dá tempo. — Loki retrucou, abrindo os braços como a garota fez a instantes atrás. — Temos todo o tempo do mundo aqui, não é, Mobius?
— Alguns minutos na sua adorável companhia e já entendi por que contam histórias sobre você para as crianças terem medo. — Ela retrucou. — Mas elas dão risada.
— Ora, sua…
— É realmente ótimo ver que estão se dando bem. — Mobius interrompeu com ironia, sentando-se na terceira cadeira e deixando seus documentos na mesa. — Mas peço que, ao menos, não se matem, ok? Preciso dos dois vivos.
— Você não precisa dela, caro amigo, eu sou o suficiente, acredite.
Amigo? — Mobius riu, balançando a cabeça. Ele suspirou alto. — Eu preciso dos dois, acredite. não é apenas uma garota…
— Sou uma mulher. — Ela o corrigiu.
—…comum. E , por incrível que pareça, Loki realmente é um Deus e mais tarde você entenderá por que ele é necessário. E, por mais que vocês não tenham se dado bem de primeira, é bom se acostumarem um com o outro. Estamos dando uma segunda chance a vocês e é melhor aproveitarem.

se remexeu em sua cadeira. Por mais insuportável que Loki fosse, ela tinha certeza que uma coisa eles concordavam: era loucura estarem ali. não gostava nada do fato de ter que ajudar o asgardiano, mas não podia negar que estava satisfeita em continuar viva. Se o preço a pagar pela liberdade fosse conviver algum tempo com aquele ser, então faria. Chegariam vivos até o final da missão? Bom, isso ela duvidava muito.

— O que quer que a gente faça? — Loki perguntou, parecendo igualmente inquieto em sua cadeira.
— Por hora, preciso que você — Mobius apontou para o asgardiano — estude e aprenda sobre a AVT e o que fazemos aqui.
— E ela? — Loki apontou para a garota em sua frente, sem realmente olhá-la.
— Já sei de tudo sobre a AVT, querido, estou aqui há… — A garota olhou para Mobius com confusão na face. — Há quanto tempo estou aqui?
— Há algum tempo, isso não importa agora. — Ele falou, agitando a mão com desdém. — Ela pode te ajudar nisso, se quiser, mas não darei muitas tarefas a ela por enquanto.
— Mas seria legal se você finalmente tirasse esse troço do meu pescoço, não acha? — questionou Mobius. O mais velho suspirou e assentiu, mexendo em seu TemPad em seguida.

sentiu um alívio instantâneo quando o dispositivo se soltou de seu pescoço. Ela arremessou o aparelho longe, ignorando o protesto de Mobius, e se levantou.

— Vamos? — Ela perguntou para os dois homens com certa empolgação e, risonha, completou: — Estamos perdendo tempo.

Loki a olhou como se ela fosse louca, mas Mobius gargalhou com a piada, dizendo que achou genial enquanto os guiava porta afora. O Deus da Trapaça não podia acreditar no que estava se metendo.

Capítulo II

A Nova-Yorquina não sabia por quanto tempo havia dormido, mas todo o cansaço que sentia sumiu como mágica quando ela acordou em seu cubículo que mais parecia uma cela de prisão. Ela olhou as paredes cinzas em volta, a agonia parecia lhe sufocar. Era horrível não saber quanto tempo havia se passado, quantas horas ou quantos dias ou semanas ela estava naquele lugar?
Também era horrível dormir naquela cama. Havia dormido ao menos duas vezes (que não ousava chamar de noites, já que não sabia que horas eram) e suas costas já estavam reclamando do colchão fino e duro. Nunca mais reclamaria do seu confortável e pequeno apartamento, ele era mil vezes mais aconchegante que aquele quartinho minúsculo. Contudo, também não podia reclamar muito de onde estava. conseguiu se manter viva por todo esse tempo em um lugar desconhecido e esquisito e ainda conseguia fazer Mobius acreditar que ela era extremamente necessária, mesmo com Loki dizendo o contrário.
A mulher bufou, passando as mãos pelos cabelos, ao lembrar-se que teria que grudar no tal “Deus da Trapaça” para ajudá-lo até segunda ordem. Arrependeu-se amargamente em concordar em ajudar Mobius na missão ao ficar sabendo de tal fardo, mas, novamente, ela não podia reclamar. Esse era seu novo mantra. Enquanto estivesse viva, não ousava reclamar. Ela poderia muito bem ter sido desintegrada, sabia disso com perfeição. Desde que Mobius a salvou, ela apenas respirava fundo e fazia o que a mandavam até poder dar o fora daquele lugar.
Mas Loki Laufeyson era um desafio e tanto. Antes de entrar na administração da AVT (era assim que a garota gostava de chamar o lugar, já que não a passavam informações suficientes), contou até 10, depois até 20 e ela já estava desistindo de entrar e ponderando procurar Ravonna Renslayer quando ouviu um barulho estranho vindo de dentro da sala. Espiando pela porta, viu Loki enrolar uma revista e tentar acertar a Srta. Minutos como se a coitada fosse uma mosca o incomodando. Bom, ela não podia tirar a razão do homem, a Srta. Minutos podia ser bem irritante quando queria e ela parecia querer sempre. Entretanto, o asgardiano estava apenas perdendo tempo: ela era um holograma, uma revistinha como arma não iria nem fazer cócegas.
Decidida a tirar uma com a cara dele, caminhou calmamente até onde Loki estava, no momento em que ele batia com a revista na mesa e a Srta. Minutos entrava no pequeno computador do Mobius e o chamava de otário. não conteve a gargalhada, chamando a atenção de Laufeyson. O homem a olhou surpreso e um tanto irritado. usava as roupas simples que os humanos usavam em seu planeta, calça cáqui e camiseta preta, um cinto e apenas isso. Por que ele, um Deus, tinha que usar o uniforme da AVT e ela podia usar roupas que deixavam seu corpo ainda mais belo?

— Finalmente acordou — ele retrucou com mau humor, balançando a revista na direção dela. — Eu já estava ficando preocupado — ironizou.
— Sentiu minha falta, é? — ela perguntou, recebendo uma virada de olhos em resposta. — Vejo que conheceu a Srta. Minutos. Adorável, não é?
— Não tanto quanto você, é claro — ele ironizou novamente.
— Eu sou sim adorável, Loki, você que é impossível! — A Srta. Minutos defendeu-se e sua cara indicava que ela não estava nada feliz.

se afastou aos risos, deixando o homem discutindo com a máquina como se fosse uma pessoa de verdade. Enquanto pegava suas anotações na mesa improvisada que Mobius arranjou para ela, sentiu alguém se aproximar com curiosidade. Loki deixara a Srta. Minutos falando sozinha e arrastou sua cadeira de rodinhas até a mesa da garota, ainda com a revista em mãos. Ela deu um longo suspiro, pronta para dispensá-lo, mas considerou que, se ficasse quieta e o ignorasse, ele voltaria para a mesa de Mobius. Não foi o que aconteceu.

— Você não acha estranho o Mobius ter uma revista sobre jet ski? Isso é uma coisa de Midgard!

o olhou, confusa.

— Ele deve ter visto em alguma missão e achado legal — ela respondeu com desdém, tentando, sem muito sucesso, ligar o computador. Estava acostumada com tecnologias avançadas que seu estágio nas Indústrias Stark lhe permitia usar, mas aquilo? Era tão antigo que mal podia chamar de computador. — O que raios é Midgard?
— É como chamamos o seu planeta. Agora, por que alguém faria isso? — Loki continuou questionando, batendo com o dedo na revista. — Jet skis? Por que não carros?
— Não sei, Laufeyson, talvez era a única coisa que tinha! — irritou-se .
— Está bem, mas por que eles nunca falam que horas são? Ou há quanto tempo estamos aqui? — Loki continuou indagando. — Por que tanto mistério? Isso não te incomoda, ?
? — ela perguntou, virando-se para o homem que a olhava como se suplicasse algo. — Não me chame assim, nós não somos íntimos, eu te conheci na noite passada.
— Ou manhã, ou tarde… O tempo realmente passa diferente aqui, não é?

A garota ficou em silêncio. Claro que aquilo a incomodava, ela perdeu a conta de quantas vezes perguntou para Mobius e outros funcionários quanto tempo estava ali e sempre lhe davam respostas rasas e sem sentido algum, mas nunca as que queria. Não julgava Loki pela confusão, contudo, quanto antes focassem no que Mobius pediu, mais rápido sairiam dali e ficariam livres um do outro. Então as perguntas de Loki estavam irritando-a profundamente, pois não iriam ajudar em nada no momento.
Por sorte, Mobius chegou a tempo de não precisar responder nada.

— Ah, que bom ver vocês trabalhando juntos! — o analista falou, animado. Os outros dois não retribuíram tal sentimento.
— Mobius, que horas são? — perguntou, em mais uma tentativa de obter respostas.
— Hora de passar algumas novas orientações para vocês — Mobius respondeu, desviando os olhos para a pasta que tinha em mãos sem reparar no olhar que Loki e trocaram. — A variante Loki foi vista em Wisconsin em 1985. Ele atacou uma feira renascentista, mas dessa vez foi diferente. A caçadora B-15 vai explicar melhor, então me acompanhem. Ah, e usem isso.

Mobius M. Mobius jogou uma jaqueta bege para cada um deles. Loki e se olharam quando Mobius deu as costas e apenas seguiu porta afora, ignorando completamente a pergunta da garota e não deixando espaço para mais questionamentos. Loki prontamente colocou a jaqueta, já , virou a roupa, observando cada detalhe. A palavra “VARIANTE” estampava as costas da jaqueta, sem deixar dúvidas do que eles eram ali dentro. O homem ao seu lado pareceu não notar a palavra, soltando um comentário de como a roupa era “elegante”, apesar de comum. Sem querer contrariar, ela também colocou a jaqueta e ambos seguiram em silêncio até uma das salas de vídeo onde outros caçadores já os esperavam.
Eles formaram um círculo onde todos os caçadores os observavam com certa superioridade no rosto. odiava isso tanto quanto Loki, apesar de ser por motivos completamente diferentes. Loki se incomodava com os olhares pois, para ele, o superior naquela sala era ele, o Deus da Trapaça. , por sua vez, não gostava dos olhares que lhe lançavam porque teve que conviver grande parte de sua vida com pessoas olhando-a de cima e dizendo que ela não era capaz, que não era nada. Lhe tiraram de sua realidade para fazerem o mesmo? Ah, não. Ela não iria permitir.
corrigiu sua postura, levantando a cabeça e sustentando o olhar duro que a Caçadora B-15 lhe lançava. Ignorando seu gesto, a mulher começou a falar sobre o ocorrido, detalhando sobre a missão que o grupo atacado saiu para fazer.

— C-20 e sua equipe silenciaram após saltarem para a ramificação de 1985 e tudo aponta para outra emboscada. Pegamos aura temporal suficiente para ter certeza que é nossa Variante Loki — B-16 falou a todos. — Mas é desconhecido qual o tipo de Loki.
— Do tipo inferior, para deixar claro — Loki intrometeu-se, colocando as mãos nos bolsos da calça.
— Isso não facilita muito as coisas, nesse caso pode ser você mesmo — sussurrou divertida para Loki, recebendo um olhar irritado em resposta.

Vendo a interação dos dois e irritada com o comentário de Loki, B-15 falou:

— Me deixem ver essas jaquetas.

, que relaxara após alguns minutos de conversa, endireitou a postura e não se moveu, encarando a caçadora em claro desafio, sabendo bem do que a mulher falava. Já Loki rodou em seu próprio eixo, sem entender o que ela queria, mas exibindo sua “elegante” jaqueta. Todos riram ao verem os dizeres “VARIANTE” nas costas dele, menos , que o puxou pelo braço para que parasse de se exibir. Ela apontou para as próprias costas e ele finalmente reparou no detalhe, não achando muita graça.

— Muito sutil, gostei. Como disse, muito elegante.
— Não quero que ninguém esqueça quem vocês dois são — B-15 afirmou, apontando para eles e olhando para seus companheiros.
— A esperança de capturar o assassino? — falou, cruzando os braços. Loki a olhou, orgulhoso, tentando segurar o riso.
— Não. Um erro cósmico — B-15 retrucou, o que fez o sangue de esquentar.
— Já chega — Mobius interviu com seriedade, mas parecendo achar graça da situação. — É o seguinte: chegando na ramificação, nós não vamos só procurar um Criminoso Temporal. Nós vamos procurar um Loki, uma variação desse nosso amigo aí.

Todos olharam para Loki, até mesmo , e ele não pareceu nada sem graça. Pelo contrário, pareceu adorar a atenção. Com o TemPad em mãos, Mobius começou a exibir pequenos hologramas de diversas variantes do Loki, com vestimentas e estilos diferentes do homem ao seu lado, mas muitos ainda possuíam suas feições.

— É um tipo que devemos estar familiarizados, porque a AVT já podou vários desses caras, mais do que qualquer outra variante — Mobius continuou, mostrando mais variantes.

Impressionada e curiosa, arregalou os olhos com a grande variedade de Lokis que existiam além do que estava estagnado ao seu lado. Quando uma variante com roupas esportivas e um troféu em mãos apareceu, ela não conteve a risada, tapando a boca um pouco tarde demais.

— Qual é a graça? — Loki perguntou, irritado.
— Você com roupas coladas de corredor — ela respondeu, risonha, sua risada sendo acompanhada pela de Mobius e alguns outros caçadores.
— Foco, — Mobius pediu, ainda risonho e impedindo que Loki respondesse algo. — Fiquem atentos à pequenas diferenças na aparência ou não tão pequenas assim; poderes diferentes que geralmente incluem mudar de forma, projeção de ilusão e meu favorito…
— Criação de duplicata — corrigiu Loki.
— Projeção de ilusão — retrucou Mobius, mas era visível que ele estava em dúvida.
— São poderes diferentes. — O asgardiano insistiu, impaciente.
— Como!?
— Projeção de ilusão é esculpir uma imagem da aparência da pessoa, perceptível ao mundo exterior, e a criação de duplicata implica recriar uma cópia exata de alguém na atual circunstância…
— Que atua como holográfico da estrutura molecular? — perguntou, um tanto impressionada. — Essa é a diferença?
— Exatamente — Loki respondeu, parecendo genuinamente impressionado, então apontou para Mobius e disse: — Mas você já sabia disso.
— Certo, respire! — Mobius balançou a cabeça, desacreditado, e voltou a falar com o resto do grupo. — Nos dividiremos em duas equipes, incluindo eu e o professor Loki. , você ficará sob responsabilidade da Caçadora B-15.
— Mas…
— Sem mas. Você não está em lugar de questionar, é uma Variante, não deveria nem ir com a gente — B-15 falou, dando um passo para frente. vacilou um pouco, mas logo levantou a cabeça novamente e o ato não passou despercebido por Loki, que passou a observá-la com mais atenção.
— Pega leve, precisamos dela — Mobius interveio, colocando-se em frente à caçadora.
— Por quê? — um dos caçadores perguntou. — Por que levar os dois?
— Quem quer que seja a Variante, não conseguimos encontrá-lo, nem descobrir como ele está viajando no tempo. — O analista indicou Loki e , que se entreolharam receosos. — Vamos levar especialistas.
— Estão falando da gente — disse um Loki animado e orgulhoso, fazendo revirar os olhos antes de seguir com o grupo para fora da sala.

Enquanto seguiam para se prepararem para a missão, o trio Loki, Mobius e andou lado a lado, com o primeiro tagarelando sem parar. estava começando a deixar de se importar com isso, já que Loki se mostrou muito mais inteligente e focado a alguns minutos atrás do que antes. Sua crescente curiosidade em saber mais sobre o Deus da Trapaça também era um fator que a impedia de reclamar do falatório. Já Mobius, parecia prestes a socar o homem, seu olhar suplicava para que fizesse algo, mas a mulher não estava com muita vontade em ajudar.

— Vou ganhar uma arma? — Loki perguntou com ansiedade.
— Não — o analista respondeu. Essa era a única resposta que ele estava dando às perguntas de Loki.
— Terei minha magia de volta. Ninguém está preocupado?
— Com o quê?
— Que eu traia vocês — ele respondeu, então inclinou-se para olhar . — Ou mate ela se me encher muito a paciência.
— Tente a sorte e verá a fúria de uma Nova-Iorquina do Brooklyn — a garota respondeu, mesmo sabendo que, provavelmente, não teria muitas chances contra ele. Mas Loki não precisava saber disso.
— Não estamos preocupados — Mobius falou com indiferença. — Porque vocês dois já sabem que podemos pegá-los se fugirem e, se nos trair, como isso irá te aproximar dos Guardiões do Tempo?
— Uma audiência com eles está em jogo? — Loki perguntou, eufórico. — Você sabia disso, !?
— Não, não sabia — ela falou, igualmente surpresa. Eles pararam de andar e cruzou os braços, sua testa se enrugou em desconfiança. — Está falando sério, Mobius? Não está nos dando falsas esperanças para colaborarmos e andarmos na linha, não é?

Loki ergueu uma de suas sobrancelhas e balançou a cabeça em concordância. Gostava da forma como a mulher pensava, mesmo que, por muitas vezes, discordasse dele.

— Claro que estou falando sério — ele falou, dando de ombros. — Agora vamos, não temos tempo a perder.


⊹⊱≼✯≽⊰⊹


WISCONSIN, RENAISSANCE FAIR, 1985.


Passar pelo portal foi uma sensação nova e muito estranha que experimentou. Sua curiosidade sobre como aquela tecnologia funcionava a fez tagarelar tanto quanto Loki, bombardeando Mobius com perguntas que o pobre analista não sabia responder. A garota estava impressionada demais, olhando tudo em volta com os olhos curiosos. As pessoas ao redor estavam com vestimentas da época renascentista, de fato, mas dava para perceber claramente a que época elas pertenciam. Sem celulares, sem selfies, câmeras antigas registravam a feira e olhares julgadores dos curiosos os encaravam com desdém. Por causa de suas vestes, quase foram barrados, o que apenas ignoraram e seguiram caminho até a cabana em que registraram a presença da Variante.

— Também tenho uma pergunta — Loki se manifestou quando desistira de questionar. — Por que não viajamos para antes do ataque, para quando a Variante chega aqui?
— Eventos nexus desestabilizam o fluxo temporal, a ramificação ainda está mudando e crescendo… — começou Mobius, gesticulando com as mãos ao falar.
— Então tem que ser em tempo real… — completou com certo pesar na voz, que Mobius entendia o porquê, mas Loki a olhou desconfiado.
— Viu só? assistiu aos vídeos de treinamento e você? — Mobius o questionou, já sabendo a resposta.
— Eu assisti até onde consegui aguentar — Loki respondeu, colocando as mãos nos bolsos da calça social. — A propaganda da AVT é exaustiva.
— Concordo — respondeu baixinho, olhando para o chão, ainda muito pensativa.
— E o que isso faz? — A caçadora B-15, que andava atrás deles, intrometeu-se. Ela levantou duas unidades de cargas de reset, olhando Loki com ar de desafio.
Ele suspirou.
— Cargas de reset, elas podam o raio afetado de uma linha do tempo ramificada, dando tempo para curar todas as feridas…
— É um jeito bonito de dizer “desintegrar tudo ao seu redor” — completou , sua voz deixando escapar a chateação ao lembrar que foi isso que fizeram ao seu pai e sua casa.
— Ok, ele entendeu — Mobius falou, fingindo estar impressionado antes de entrar na tenda.
— Eu disse que assisti aos vídeos — defendeu-se Loki. — Pelo menos alguns deles.

hesitou antes de entrar, ficando para trás e dando uma última olhada em volta com a testa franzida, seu cérebro ainda trabalhando para tentar adivinhar como raios estava ali, em 1985. Anos de pesquisa, mais anos trabalhando em seu maldito relógio, fazendo testes e arriscando sua vida e tudo o que fizeram foi passar por um simples portal. Aquilo a deixou mais curiosa ainda sobre como funcionava a AVT.
Sentindo a falta da sua presença, Loki virou-se para vê-la parada do lado de fora. Curioso e — jamais admitiria — preocupado, ele se aproximou.

— Você não vem? — ele perguntou, olhando para os lados. — Não está pensando em fugir, está? Porque se sim, não me deixe aqui com eles.
— Quê?! — olhou confusa para ele, balançando a cabeça. — Não é nada disso, é só que… — ela suspirou. Ela apontou para nenhum lugar em específico. — Estamos em 1985!
— Sim…? — Laufeyson retrucou, se aproximando mais. — Viagem no tempo, grande coisa...
— Para mim é sim grande coisa, ok? — A mulher olhou para longe, sua expressão entregava o quão perdida em pensamentos ela estava. — Até mesmo o meu ClockTraveler é limitado, ele só viaja até… — se interrompeu, olhando de soslaio para Loki e percebendo que havia falado demais. Colocou uma mecha de seu próprio cabelo atrás da orelha. —…o dia que eu nasci. Não posso viajar para antes disso.
— Espera, você fez uma máquina do tempo!? — Loki impressionou-se e, em resposta, ela maneou a cabeça. — E deu o nome de ClockTraveler? Patético.
— Dá um tempo, Loki, nem tive a chance de dar um nome melhor, a AVT me capturou antes disso.
— Então foi isso que a fez ser pega! — exclamou Laufeyson, maravilhado com a descoberta. — Para quando viajou? O que você fez?

engoliu em seco, cruzando os braços e mantendo o olhar em um ponto fixo, ao longe. Ela não iria entregar de bandeja para Loki o que a levou até a AVT, de forma alguma. Não sentia confiança nele, queria poder se fechar o máximo possível para o homem. Contudo, não foi necessário dizer nada, pois Mobius saiu um tanto desesperado da enorme tenda e parou a alguns passos, encarando-os com cara de poucos amigos e um traço de alívio por eles não terem fugido.

— O que estão fazendo aí!? — ele exclamou, chamando-os para se aproximarem. — Entrem logo, não temos tempo para ficarem flertando!
— Nós não… — começou a argumentar, mas o mais velho já havia entrado na tenda e Loki, lançando-lhe um sorriso ladino, o seguiu. Ela bufou, irritada e derrotada, e entrou atrás deles.

O que encontraram foi algo um tanto assustador. A tenda estava vazia, a não ser pelos caçadores estirados no chão, sem vida. A equipe que Mobius levou andava em volta, à procura de provas ou evidências de que a variante havia passado por lá. Além dos caçadores mortos, B-15 comunicou que a Variante levara mais cargas de reset e uma caçadora como refém, algo que a tal Variante nunca havia feito antes.

— Ele ou ela pode ter podado a caçadora — sugeriu, observando a bagunça que a variante havia feito no local. Mesmo assim, não deixara rastros que os levassem até ela.
— Um Loki não teria conseguido atacar a C-20 — a caçadora B-15 respondeu, ríspida.
— Acho que nos subestima, de verdade… — Loki retrucou.

Ignorando-o, a caçadora pediu para que os demais se espalhassem e procurassem por C-20 pelo festival. Ela olhou para seu TemPad para alertar que fossem rápidos pois faltavam apenas três unidades, ou seja, tinham pouco tempo para voltarem a AVT.
se abaixou ao lado de um dos caçadores desacordados, vendo o quão machucado estavam e, se tivesse algum vivo, seria um milagre. Em seguida, ela olhou para Loki, que conversava com Mobius e observava tudo com a mesma atenção e curiosidade. Ela pensou na convivência que havia tido com o homem desde que o conhecera, também puxou na memória as notícias que saíram nos jornais sobre o estrago que o mesmo havia feito a meses atrás em Nova York. Não o conhecia bem, mas era difícil acreditar que ele machucaria tantas pessoas. Porém, a prova estava ali em sua frente. Uma de suas Variantes havia feito aquilo, ferido vários caçadores inocentes e a troco de que, exatamente? Algo dentro da garota lhe alertou de que era melhor tomar cuidado ao lidar com Loki Laufeyson.
Livrando-se desses pensamentos, se levantou para acompanhar os demais na procura pela C-20.

— Esperem! — Loki exclamou, chamando a atenção de todos. — Se saírem da tenda, vão acabar como eles.
— Do que está falando? — o questionou.
— O que você vê? — Mobius também questionou, se aproximando dele.
— Eu vejo um plano — Loki respondeu. — E nesse plano, eu me vejo.

Loki olhou para Mobius, depois para , e então começou a caminhar pela tenda com uma calma impressionante, aproveitando a atenção que todos estavam lhe dando.

— Temos um ditado em Asgard — o homem falou ao se agachar, ainda olhando-os. — “Com orelhas de lobo ausentes, dos lobos eu sinto os dentes”.
— O que isso quer dizer? — perguntou, cruzando os braços com certa impaciência.

Loki suspirou, com a mesma falta de paciência.

— Significa estar ciente do entorno. — Loki se levantou e aproximou-se novamente de e Mobius, que se entreolharam com desconfiança. — Um absurdo, porque meu povo é, por natureza, ludibriável. Traço que eu, Deus da Mentira, explorei várias vezes simplesmente ouvindo.

Ele então se aproximou mais ainda de , sustentando o olhar fixo da mulher, que ergueu mais o queixo para continuar encarando-o, mesmo com os muitos centímetros de diferença. Loki apontou para a própria boca, dando um sorriso torto e nada forçado.

— Meus dentes são afiados — ele apontou para suas orelhas —, mas meus ouvidos são mais ainda.

Houve um longo momento de silêncio, no qual a caçadora B-15 olhava seu TemPad com impaciência e todos os outros olhavam Loki, que ainda sustentava o olhar de . Esta, por sua vez, refletiu o maldito sorriso que estava no rosto dele.

— Mobius, estamos ficando sem tempo! — A caçadora alertou, aflita.
— Dê uma chance a ele — Mobius retrucou, sem tirar os olhos de Loki.
— Vocês me lembram deles — Loki continuou, finalmente afastando-se de . Ela soltou todo o ar que segurava, sem perceber que havia feito tal coisa. — A Autoridade de Vigilância Temporal… E você também, é claro — ele apontou para a garota com desdém. — Vocês e os deuses de Asgard, a mesma coisa! Bêbados de poder, cegos para a verdade…

Loki voltou a se aproximar de , mas agora por trás. Ficando em alerta, pois sabia bem como o asgardiano funcionava, Mobius deu alguns passos para ficar ao lado da nova-iorquina, caso algo acontecesse à ela. Laufeyson percebeu, é claro, mas ele não tinha nenhuma intenção de machucá-la, pelo menos não agora. Sendo assim, aproximou seus lábios do ouvido dela, mantendo seu corpo em uma distância segura para que não encostasse nela. resistiu a vontade de se afastar ou, pior, fechar os olhos ao sentir a respiração do homem tão próxima de sua pele.

— Aqueles que subestimam vão devorá-los.
— Você não me assusta — ela falou, virando-se para ele. — Está blefando.
— Estou? — Loki levantou uma sobrancelha. — Vocês me subestimam, assim como subestimam esse “Loki inferior”. Por isso entram em uma boca de lobo atrás da outra!
— Duas unidades! — a caçadora B-15 exclamou, movendo-se em direção a saída da tenda. — Está desperdiçando nosso tempo! Precisamos procurar pela C-20!
— Encurte a história, Loki — Mobius pronunciou-se, colocando a mão no ombro de e a afastando para trás. Loki estreitou os olhos para tal ação.
— Isso é exatamente o que a Variante quer — ele finalmente falou. — É uma armadilha, ele está esperando lá fora.
— Projeto as cargas de reset? — Um caçador perguntou para sua chefe, que estava pronta para dizer sim, porém, foi interrompida pelo Deus da Trapaça.
— Não! Ele me quer, eu sou a chave do seu plano! Ele sabe que sou mais forte.
— Loki, já chega com isso — tentou argumentar, depois que B-15 anunciou que faltava meia unidade para resetarem tudo e voltar.
— Ele acredita que juntos podemos derrotar e derrubar a AVT! — Loki continuou insistindo.
— E é isso que quer? — o questionou, dessa vez ela quem se aproximou de Loki como ele fez a pouco.
— Claro que não! Eu tenho um novo propósito — ele se virou para Mobius, olhando fundo em seus olhos. — Sou um servo da Linha do Tempo Sagrada. E, sabendo o que agora sei sobre suas táticas, posso lhes entregar a Variante.

Loki inclinou-se em direção ao analista, que revirou os olhos. Para alívio de , era claro que Mobius não estava engolindo toda aquela ladainha. estava ficando cada vez mais irritada.

— Mas eu preciso de uma garantia — Loki finalizou com toda a seriedade do mundo, parando atrás do mais velho.
— É? — Mobius colocou as mãos na cintura, virando-se para Loki.
— De que não serei completamente desintegrado assim que o trabalho for concluído — Loki falou, então apontou para , que ergueu as sobrancelhas. — E ela também.
— Ah, valeu — resmungou, depois olhou preocupada para a caçadora B-15.
— Estão correndo mais perigo do que imaginávamos, principalmente você, que é só uma humana…

O rosto de ficou vermelho escarlate. Antes que pudesse responder algo, Mobius soltou uma risada anasalada e balançou a cabeça.

está certa, ele está apenas blefando. Não tem ninguém lá fora, podem resetar a linha do tempo.

Mobius se aproximou de Loki, que parecia um tanto decepcionado.

— Por um segundo — ele levantou o dedo indicador na cara do asgardiano —, eu quase acreditei em você.

Seguindo a Caçadora B-15 e sua equipe, Mobius se retirou da tenda enquanto as cargas de reset faziam seu trabalho do lado de dentro. marchava irritada atrás do grupo, tentando ser alcançada por Loki, que ficara para trás chamando-a até passarem pelo portal.


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SEDE DA AVT - CIRCA 2012


Mesmo quando chegaram à sede da Autoridade de Variância Temporal, continuou ignorando-o. Mobius, que parecia igualmente irritado e decepcionado, avisou que precisava falar com Ravonna, mas que era para ambos esperarem por ele do lado de fora da sala dela. sentou-se irritada no sofá de couro no corredor, olhando para o lado, pois sentia que poderia soltar raios lasers em Loki, se o olha-se com a raiva que sentia dele no momento. Já o asgardiano, não conseguia entender tal reação. Bom, ele fazia alguma ideia, poderia ser o mesmo motivo ao qual Mobius estava irritado, afinal, ela era, por algum motivo ainda desconhecido por ele, muito mais fiel à AVT que ele.
Com cautela, Loki sentou-se ao seu lado, ao passo que se afastou mais ainda, espremendo-se na ponta do sofá.

— Você está me ignorando — afirmou Loki.
— Parabéns, Sherlock — ela respondeu com ironia.
— Por que está tão surpresa, ? Você mesma disse que eu era um monstro, pois é isso que a gente faz, é assim que um Loki funciona!
— Mas não pensei que você fosse ser tão idiota, Loki! — finalmente virou-se para ele, seu rosto agora estampava chateação. — Você quase colocou tudo a perder!

Loki revirou os olhos.

— Não seja dramática, eles precisam da gente.
— De você — ela retrucou, apontando o indicador no peito do homem. — Eles podem a qualquer segundo decidir que eu sou inútil ou, como você disse, apenas uma humana, e se livrar de mim! Infelizmente, Laufeyson, estamos na merda do mesmo barco! Então as suas ações me afetam muito mais do que gostaríamos!
— Eu só quis…
— O quê!? Me ajudar!? — se levantou, irritada. — Você só pensa em si mesmo! E o que fez na feira apenas comprovou isso!
— Não espere que eu peça desculpas! — Loki elevou a voz e também se levantou, ficando próximo dela.
— Eu não espero absolutamente nada de você, essa é a questão! — deu um passo à frente para mostrar que não tinha medo dele. — Eu não acredito em nada do que diz, eu não confio em você e nada mudará isso!
— E eu não quero que confie! Você é inferior a mim, você não passa de uma… Uma...
— Uma o que, hein? — Ela cruzou os braços, desafiando-o a continuar. — Vamos, fale! Prove que estou certa!

Loki apertou os lábios, sua respiração acelerada fazia seu peito subir e descer no mesmo ritmo que o de , que estava tão ofegante quanto ele. Sentia-se exausta, física e mentalmente, e discutir com o homem só estava piorando as coisas. Ela soltou uma risada sem muito humor e se afastou dele, balançando a cabeça em negação.

— Você é um covarde — ela falou, com a voz muitos tons mais baixo.

Sem esperar por resposta, ela lhe deu as costas e foi embora, deixando um frustrado e irritado Loki para trás.
Ele sentou-se no sofá, passando as mãos pelos cabelos negros. Ele olhou para onde havia sumido de vista e suspirou, frustrado demais para o seu gosto. Não conseguia entender o sentimento que estava se formando dentro dele, este sendo algo novo e incômodo. Percebeu que não gostava de chateá-la, pois no fundo ela só queria o que ele queria: sobreviver e sair daquele lugar, que culpa ela tinha? Também não gostava do fato de não confiar nele. Certo, haviam se conhecido há pouco tempo, mas Loki Laufeyson tinha uma necessidade irritante de ter a aprovação de todos e com isso não seria diferente.
Trazê-la para o seu lado se tornou um dos objetivos de Loki.
Ainda estava pensando na tentativa fracassada de enganar a AVT quando Mobius saiu da sala e passou reto por ele, ainda com cara de poucos amigos. Loki tratou de se levantar e ir atrás do homem com seu melhor sorriso no rosto.

— Provavelmente está se perguntando o que aconteceu lá na feira — Loki se pronunciou, seguindo-o. — Essa foi sua primeira lição em pegar um Loki: espere o esperado. Parte da diversão do trapaceiro é saber que todos sabem que é trapaceiro, então, muitos dos truques vêm da exploração do fato de saber que…
— Cala a boca! — Mobius exclamou, mas continuou andando com Loki colado ao seu lado. — O que aconteceu com o cara que conheci no elevador que não gostava de falar, lembra dele? Agora estou com esse que não para de falar do que faz um Loki ser assim!
— Ora, não é por isso que estou aqui?
— Não! Eu não ligo para o que faz você ser assim, você está aqui para me ajudar a pegar uma versão superior sua! — Mobius retrucou, finalmente parando de andar e virando-se para o outro homem.
— Não sei se “superior” seja a palavra certa — corrigiu Loki, um tanto incomodado.
— Viu só?! Eu realmente acreditei, feito um completo idiota, que a necessidade de validação o motivaria a achar o assassino, não porque se preocupa com a missão ou com ser um herói, mas porque você sabe que essa variante é melhor que você e você simplesmente não suporta isso! — provocou Mobius, elevando a voz.

Sorrindo, Loki se aproximou de Mobius e segurou sua gravata, ajeitando-a.

— Muito bom — disse o asgardiano, ainda arrumando as vestes do analista. — Digo, é realmente adorável que você pense que é capaz de me manipular. Estou dez passos à frente de vocês, Mobius. Estou jogando o meu próprio jogo todo esse tempo!
— Vejamos... Tramar um jeito de chegar até os Guardiões do Tempo, enfrentá-los e conquistar o controle da AVT? — Mobius colocou as mãos nos bolsos, demonstrando que não estava surpreso ou, ao menos, impressionado. — Estou chegando perto? Uma traição do mentiroso mais confiável da história.
— Então por que está se arriscando por mim? — Loki perguntou, tentando esconder a frustração pelo analista ter adivinhado todo o seu plano.
— Vou te dar duas opções e você acredita em qual quiser: A) porque vejo um garotinho assustado, tremendo de frio, e meio que sinto pena dele; B) porque quero mesmo pegar aquela Variante e vou falar o que for necessário para te convencer a me ajudar.

Os dois entraram no elevador, a tensão ainda pairando sobre eles. Loki colocou as mãos nos bolsos, tentando levantar sua cabeça o máximo possível.

— Não preciso da sua empatia.
— Ótimo, porque ela está acabando — Mobius retrucou, irritado. — E não apenas a minha.

Sem muita paciência, Mobius saiu do elevador e foi seguido pelo Deus da Trapaça, que ainda não estava satisfeito com o rumo da conversa. Sua necessidade de ter a última palavra o fez continuar falando com o analista, mesmo que o outro claramente não estivesse mais a fim de conversar.

— Então agora é o quê? O próximo passo da manipulação?
— Na verdade, é o passo final, sua última chance.
— E o que a minha última chance exige? — Loki perguntou com descrença.
— Trabalhar — Mobius respondeu, sem parar de andar. — O que inclui se resolver com .
— Isso — Loki balançou o dedo indicador — fazia parte do plano, é claro. E sobre a conversa que tivemos, ela estava apenas sendo dramática!
— Ela estava certa. Para ela, Loki, é uma questão de vida ou morte. Você tem que entender que tudo isso aqui — Mobius indicou seu entorno, sem tirar os olhos do outro homem — é algo novo para e que ela deve estar muito assustada.
— Eu também estou! Não foi você mesmo que disse isso?

Mobius respirou fundo e nada respondeu, apenas continuou caminhando por entre os corredores com Loki ainda em seu encalço, igualmente impaciente.

— Para onde estamos indo?
— Sala de arquivos — respondeu o analista. — Quero que leia todos os arquivos dos casos da Variante e depois dê a sua… Perspectiva única de um Loki. Quem sabe deixamos escapar algo.
— São idiotas, claro que deixaram escapar e muito!
— Por isso temos a sorte de ter você aqui — Mobius retrucou com claro sarcasmo na voz. — está lá também.

Os dois viraram para um corredor que dava para a sala de arquivos, que mais parecia uma biblioteca aberta para o resto da AVT.

— Vou te deixar aqui — Mobius falou, pronto para se virar e ir embora. Antes disso, ele deu um passo para trás e disse: —Só uma dica: faça isso como se sua vida dependesse disso… Porque, na verdade, ela depende. Está vendo aquela garota?

De longe, eles já conseguiram ver a garota debruçada em uma mesa repleta de arquivos em volta, focada em fosse lá o que estivesse lendo.
— Ela já sabe disso e está fazendo a parte dela. — Ele deu um tapinha no ombro de Loki. — Vou comer um lanche.

Dito isso, Mobius refez o caminho e foi embora. Loki bufou, derrotado. Era a segunda vez que gritavam com ele naquele dia e não estava gostando nada disso. Contudo, as palavras de Mobius fizeram surgir mais um sentimento novo e incômodo dentro dele. Culpa? Não soube nomear, mas não gostava daquilo e soube, assim que começou a caminhar, que precisava se acertar com para que esse incômodo passasse. Odiava admitir, mas o analista Mobius M. Mobius estava certo, aquilo não o assustava tanto agora, se comparado a tantas outras coisas pelas quais já passou. Mas era uma humana normal que nunca experienciou algo como magia, por exemplo. Tudo era muito novo e, seja lá o que tenha feito, não havia sido algo terrível como o próprio Deus da Trapaça já havia feito por toda a sua vida. era irritantemente boa. Aborrecê-la era um tanto divertido, não podia negar, mas ela era mais uma aliada que uma inimiga ali dentro. Portanto, precisavam caminhar em paz, lado a lado, se quisessem sobreviver e voltar para suas respectivas linhas do tempo.
Receoso, Loki Laufeyson caminhou pela sala de arquivos. Ele não sabia do que era capaz, nem o quão brava ela estava, mas seus instintos lhe diziam para ser cauteloso com ela.
Quando ele a encontrou, ainda debruçada em cima de diversos arquivos abertos, ele respirou fundo para tomar coragem. Loki teria que fazer algo que não costumava fazer, chegando a lhe doer quase fisicamente quando fazia-se necessário tal coisa. Então, ele sentou na cadeira em frente a ela e deu seu melhor sorriso. nem se deu o trabalho de olhá-lo, continuou focada nos arquivos que pareciam mais interessantes que ele, contudo, estava mais que ciente de sua presença. Laufeyson achou isso um ultraje. Para chamar sua atenção, ele pigarreou alto.

— Sabe, — ele começou, incerto. — Às vezes, muitas vezes, as pessoas falam coisas sem pensar, apenas para provocar a outra. E, apesar de ser muito divertido, eu admito que posso ter passado dos limites.

Levemente curiosa para ouvir o que ele tinha a dizer, levantou os olhos o suficiente para ver o sorriso ridiculamente forçado que ele dava. A cara dele não vacilou um segundo enquanto ela esperava pelas palavras certas que não vieram. Sem dizer nada, voltou a olhar os arquivos, decepcionando-o.

— O que eu quero dizer é... — Loki engoliu em seco, forçando as palavras a saírem de sua boca. Céus, ele estava suando? Aquilo era mais difícil do que imaginava. — Me… Me desculpe. Pronto, é isso. Uau, como foi difícil! Aproveite, isso não é comum!

voltou a encará-lo, dando um longo suspiro. Ela então pegou um dos arquivos e jogou para ele, que encarou a pasta sem entender nada.

— Isso significa que estamos bem?
— Significa que quero que fique quieto e focado enquanto lê isso aí — respondeu com firmeza.
— Mas se vai continuar brava...
— Não estou brava, Loki — ela retrucou, seus ombros caíram lentamente enquanto seu rosto suavizou. — Só quero ir embora logo, apenas isso. Quanto antes pegarmos essa variante, antes saímos desse lugar estranho! Você pode estar acostumado com coisas esquisitas e lugares impressionantes e diferentes, mas eu não estou.

abaixou a cabeça, mordiscando o lábio inferior.

— Infelizmente você está certo, eu sou mesmo apenas uma humana que não faz ideia do que está fazendo aqui.

Loki arregalou os olhos, impressionado com o pequeno desabafo. Sentiu um pouco de pena, não pôde negar. Para ele também era estranho, mas como Mobius disse, ele realmente já se acostumou com coisas do tipo. Mas nunca vira magia de verdade ou mundos diferentes, até mesmo a tecnologia da AVT deixava a garota, uma das melhores estagiárias em física e tecnologia das Indústrias Stark, impressionada. Então ele tinha que pegar leve e ser justo, pois não sabia como era estar em seu lugar. Não podia negar, aquilo seria um desafio e tanto para ele. Empatia não estava na lista das suas maiores qualidades.

— Estamos no mesmo barco, — ele falou, repetindo o que a garota havia falado mais cedo. — Você não está sozinha.
— Mas estou com você, o que é pior — ela retrucou com um sorriso repuxando seus lábios. Loki sorriu em resposta, sabendo que isso significava que ela estava brincando.
— Eu já volto — ele anunciou, levantando-se em seguida.

Caminhando com todo o seu charme e sua elegância, Loki foi até o balcão onde uma funcionária de AVT mexia no computador com certo tédio no rosto. O homem se apoiou no balcão e deu seu melhor sorriso enquanto aguardava que a mulher lhe desse atenção, o que não aconteceu. Loki a cumprimentou e a mulher continuou ignorando-o. Ele então bateu o dedo no sino, voltando a sustentar o sorriso quando ela finalmente levantou os olhos para ele, ainda sem muito ânimo.

— Posso ajudá-lo?
— Sim. Estou com um assunto importante da AVT. Acompanhamento de missão, sabe como é, né? A ramificação vermelha chegando no ápice, enfim… Isso nunca é bom, não é?

O homem riu na intenção de descontrair, mas a mulher não mudou nenhum traço em sua feição. Ele então melhorou o sorriso que havia vacilado em seus lábios e continuou:

— Eu gostaria de olhar todos os arquivos que pertencem à criação da AVT.
— Esses são confidenciais — a mulher respondeu, voltando a digitar no computador.
— Ok, então eu quero os arquivos sobre o início dos tempos.
— Confidenciais — ela retrucou.
— Então os do fim dos tempos…
— Também são sigilosos.
— Certo, quais arquivos eu posso ter!? — ele perguntou com certa impaciência.

A mulher estreitou os olhos, observando-o desconfiada. Em seguida, suspirou e levantou-se, andando com Loki em seu encalço pelas várias estantes recheadas de arquivos. Quando passou pela mesa onde estava sentada, observando tudo com atenção, ele levantou os dois polegares e sorriu animado, indicando para ela que tudo estava indo como planejava. Contudo, seu ânimo se esvaiu quando a pilha de arquivos que a funcionária lhe entregou era menor do que esperava ser. Sua decepção foi maior ainda quando viu que a pasta era somente sobre ele.
Ao chegar na mesa, ele largou os arquivos com certa raiva e sentou do mesmo jeito, fazendo levantar os olhos das anotações que fazia.

— Não teve sorte, não é? — riu, balançando a cabeça.
— Ela me deu arquivos sobre mim! — Indignou-se, pegando uma das pastas nas mãos e abrindo-a. Depois, passou os olhos pela mesa bagunçada. — Como conseguiu tudo isso?
— Mobius — a garota falou simplesmente.
— Por que ele confia em você para ler tudo isso e não em mim?
— Essa pergunta é séria?! — o questionou, rindo indignada. — Vamos começar pelo fato de eu não ser a Deusa da Mentira.
— Justo — ele respondeu com um sorriso, voltando a ler o arquivo.

Os dois embarcaram em um silêncio de concentração, no qual apenas o barulho de papéis era ouvido. Após alguns longos minutos, a frustração já estava incomodando . Não importava quantos arquivos lesse, ela parecia não sair do lugar. Se estivesse em sua mesa nos Laboratórios Stark ou na biblioteca de sua faculdade, teria conseguido encontrar a Variante em segundos. Cansada, ela bufou, recostando-se na cadeira e passando as mãos pelos cabelos. Olhou para Loki, pronta para dizer que queria desistir, mas surpreendeu-se e ficou em silêncio quando o viu com lágrimas nos olhos, quase paralisado, lendo um dos arquivos que pegou.

— O que houve? — perguntou, com preocupação sincera na voz.

Os olhos azuis e marejados de Loki levantaram para encontrar o olhar preocupado de . Ele piscou, engolindo o nó que se formou em sua garganta e pigarreou, forçando um sorriso.

— Nada — negou, mas ainda era visível o quão abalado ele estava.
— Ok, Deus da Mentira — estendeu a mão e levantou as sobrancelhas. — Me deixe ver isso.

Relutante e ainda tentando espantar as lágrimas, Loki organizou os papéis dentro da pasta e entregou para a mulher, cruzando os braços em seguida e desviando o olhar. Em pouco tempo de convivência, sabia que era assim que Loki erguia seu muro quando, provavelmente, sentia-se vulnerável. Ela estava louca para saber o que deixou o homem daquela forma, mas, no instante em que começou a ler os documentos, tudo o que sentiu foi pena. Nos papéis continham informações sobre a destruição total do reino de Asgard por uma série de catástrofes naturais e guerras que, segundo os documentos, eram chamados de Ragnarök. Nenhum sobrevivente.
soltou o ar. Aquilo era demais até para ela, então conseguia imaginar o que Loki deveria estar sentindo ao saber que seu reino fora aniquilado. Se a Terra fosse destruída, bom… Ela nem conseguia imaginar como se sentiria. fechou os documentos em silêncio e devolveu a ele, que ainda não voltara a olhá-la.

— Eu sinto muito.
— Tanto faz — Loki retrucou, contudo, seu maxilar tenso entregava o esforço que ele fazia para não desabar.
— Loki, tudo bem se estiver triste…
— Não estou, será que podemos focar no que é realmente importante? Estamos perdendo tempo.

Loki endireitou-se na cadeira enquanto os ombros de se encolhiam. Frustração era um sentimento comum para a mulher quando ela via alguém claramente precisando de ajuda e ela não podia fazer nada a respeito, nem mesmo dar um abraço. Seus amigos diziam que ela era boazinha demais, que queria abraçar o mundo com seus curtos braços. Ela não ligava, achava isso uma ótima qualidade. Mas a frustração era a pior parte disso.
O homem parecia não estar aberto para conversar sobre aquilo.

— O que exatamente estamos procurando? — Loki perguntou depois de longos segundos em silêncio, procurando mudar de assunto.
— Ah… Bom, não sei bem… Algum padrão, um lugar onde a Variante possa estar se escondendo, um modus operandi...
— Achou algo relevante?

O tom de voz de Loki era sério e duro. sentiu como se tivesse dado alguns passos para trás em relação a ele quando tinham acabado de dar um passo à frente. Ela respirou fundo e soltou todo o ar, negando com a cabeça.

— Tem algo sobre uma Sylvie Laufeydottir, é sua irmã?
— Não — ele franziu a testa, puxando o documento que lia com atenção. — Impossível, eu só tenho o Thor como irmão. Quero dizer… Meio-irmão.
— Deve ser sua Variante — deu de ombros. — Sua versão mulher.
— Não seja ridícula — Loki retrucou, franzindo o nariz. — Se é tão inteligente, ele certamente tem minha aparência.
Certamente. ironizou, deixando escapar uma risada. — Enfim, esses documentos não parecem fazer sentido para mim… São apenas detalhes sobre eventos apocalípticos que nem ao menos causaram ramificações. Como este aqui…

puxou uma pasta sobre a destruição de Pompeia, apontando que nenhuma energia de variação foi encontrada. Loki pegou sua cadeira e deu a volta na mesa, sentando-se ao lado de , se aproximando para olhar melhor os documentos. Suas sobrancelhas se ergueram enquanto ele lia com atenção cada linha. Loki pegou novamente o documento de Asgard, lendo-o pela segunda vez.

— Viu? Zero. Eu não sei qual a relação disso tudo com a Variante...
— São apocalipses — ele a interrompeu, sua voz entregava uma surpresa enquanto seu cérebro raciocinava. — É isso, !
— Isso o que, exatamente?
— Ela está se escondendo em catástrofes exatamente porque nada pode ser alterado, não tem como captar energia de variância porque tudo vai ser destruído de qualquer jeito! — Loki a olhou com um sorriso enorme, embora não soubesse dizer se o brilho nos olhos dele agora eram de euforia ou ainda das lágrimas de agora pouco.
— Certo, você vai ter que me explicar isso melhor — ela respondeu, fazendo uma careta pela confusão que se formava em sua cabeça.
— Vem comigo!

Loki se levantou em um salto e agarrou a mão da mulher que não ousou protestar enquanto ele a arrastava para longe. Durante o percurso, Loki explicou seu raciocínio para , detalhe por detalhe, com uma empolgação contagiante. O mais estranho era que tudo fazia pleno sentido para a garota, que a cada palavra de Loki ficava mais e mais eufórica por finalmente estarem em algum caminho firme na procura da Variante. Enquanto caminhavam, ambos perguntavam aos funcionários o paradeiro de Mobius M. Mobius e, quando o encontraram, não hesitaram em correr até sua mesa, ainda de mãos dadas, surpreendendo o analista que quase engasgou com sua bebida ao ver a cena.

— Isso foi rápido — ele falou, limpando os lábios com um guardanapo. — Mãos dadas e tudo.

Os dois se olharam e perceberam que suas mãos ainda estavam entrelaçadas. Corados de vergonha, eles se soltaram na mesma hora, mesmo ambos não querendo realmente fazer isso.

— Encontramos algo — falou depois de limpar a garganta. — Quero dizer, Loki encontrou…
— Não, nós encontramos, se não fosse você…
— Falem de uma vez — pediu Mobius, intrigado.

Loki colocou alguns dos documentos na mesa e puxou uma cadeira, sendo imitado por , que sentou-se entre os dois. Mobius apenas suspirou e, antes que um dos dois falasse algo, ele disse com a boca cheia de salada:

— Eu fui claro aos dois: “Não me procurem até terem lido todos os documentos”.
— Nós lemos — falou, dando de ombros.
— Todos!? Principalmente os pertencentes a Variante?
— Sim! — Loki respondeu, impaciente. — As respostas não estão nos documentos, estão na Linha do Tempo!

Mobius estreitou os olhos e olhou para , que parecia estar extasiada. Ela foi contaminada pelo charme de um Loki, ele pensou, lamentando que havia perdido uma garota genial.

— Vá em frente — disse o analista após alguns segundos em silêncio.
— Ele está se escondendo em apocalipses.
— Mas qual apocalipse? — questionou Mobius. — Em qualquer tempo na história? Tem milhares deles!

O Deus da Trapaça lançou um olhar impaciente para , que apenas deu de ombros, sem poder fazer muito. Ele então puxou a pasta de documentos e a abriu na frente do analista.

— Ragnarok, conhece?
— Sim, a destruição de Asgard e toda a sua população… Sinto muito.

e Mobius olharam atentos e curiosos para ver qual seria a reação de Loki, a garota queria ver se os olhos dele entregariam o sentimento como lhe entregaram na sala de arquivos. Contudo, houve apenas alguns segundos antes de ele responder.

— Sim, muito triste… — disse sem muita emoção. — Enfim, isso me fez pensar…

e o analista se olharam novamente. Aquilo havia sido frio demais até para ele. Ou o Deus da mentira era realmente bom em esconder seus sentimentos (o que não duvidavam) ou ele realmente não sentira tanto a respeito de Asgard, o que seria assustador. imaginou se a Terra fosse aniquilada, sabendo agora que aquilo não era nada impossível, e a dor que sentiu em seu peito foi quase insuportável. Seu olhar para Loki agora era de pura desconfiança.

— Continue — Mobius falou, recostando-se na cadeira.
— Eventos Nexus acontecem quando alguém faz algo que não deveria ter feito, certo?
— Bom… É um pouco mais complicado que isso, mas sim.
— Ótimo! , sua vez.

A garota piscou, distraída, e pigarreou antes de falar.

— Ok, hum… Essa coisa que a gente faz, como eu salvar o meu pai, acaba causando vários outros acontecimentos em forma de cascata, alterando a linha do tempo até formar uma ramificação, certo?
— Alteração caótica de um resultado predestinado — Mobius disse com certo tédio. — Onde querem chegar com isso?
— Então, digamos… — Loki falou animado, puxando o pote de salada do Mobius para perto, junto com o sal e a pimenta.
— Espera, o que está fazendo?
—…que a sua salada seja Asgard nesse exemplo.
— Não é Asgard, é meu almoço! — Mobius exclamou preocupado, olhando para em busca de ajuda. Ela, novamente, apenas deu de ombros.
— É uma metáfora, presta atenção — ela falou com certa diversão na voz.

aproveitou para pegar a lata de refrigerante na mesa e tomar um gole. Era ridiculamente melhor que o da Terra e ela anotou mentalmente que levaria algumas latas consigo quando voltasse.

— Agora, imaginamos que eu vou para Asgard antes de Ragnarok causar a total destruição e eu possa fazer o que eu quiser, qualquer coisa! — Continuou Loki, pegando o saleiro. — Eu poderia, por exemplo, empurrar o Hulk da Ponte Arco-íris.

quase cuspiu seu refrigerante, primeiro por pensar que era provavelmente impossível combater o Hulk, pelo que já havia ouvido falar dele; segundo, por querer rir da tal Ponte Arco-íris. O asgardiano a ignorou e começou a jogar sal na salada aos protestos de Mobius.

— O sal é o Hulk? — perguntou risonha, dando mais um gole no refrigerante.
— Sim — Loki respondeu, ainda focado. — E eu também poderia colocar fogo no palácio.

Dito isso, ele virou o vidro de pimenta enquanto o sal ainda caía, jogando empolgado os temperos para ilustrar sua teoria. Mobius já estava sem paciência e lamentou por sua salada, mas a curiosidade o fez não interrompê-lo.

— O que ele está querendo dizer — se intrometeu , dando um último gole na bebida. — É que ele pode fazer o que quiser, não vai fazer diferença e não vai contra a regra da linha do tempo.
— Porque… — Loki começou a completar, mas se interrompeu quando pegou a lata de refrigerante e a encontrou vazia. — Sério, ?
— Não sabia que você ia usar, foi mal — ela respondeu com um sorriso amarelo.

Loki suspirou, reprimindo o pensamento de o quão adorável aquele sorriso era, e se levantou para pegar uma caixinha de suco na mesa ao lado. O dono da bebida olhou para eles sem entender nada, mas preferiu não enfrentar Loki naquele momento. O asgardiano sentou-se novamente, voltando a sua explicação.

— Como eu estava dizendo… O apocalipse está vindo, Surtur irá destruir Asgard, não importa o que eu faça!

Ele começou a virar o líquido dentro da salada, fazendo rir e Mobius exclamar um palavrão.

— Não faça isso! — ele resmungou, suspirando derrotado quando percebeu que não adiantava mais protestar.
— Este é o apocalipse — Loki falou, ainda despejando o suco.
— O suco Ragnarok dissolve o sal Hulk e a pimenta Palácio em Chamas e é como se nunca tivessem acontecido — explicou.
— Obrigada, — Loki agradeceu, sorridente. — É isso.

Mobius olhou incrédulo para um, depois para o outro, sua expressão era de pura confusão.

— O que foi isso?
— Foi uma metáfora meio boba, mas você entendeu o meu ponto — Loki respondeu. — Nada importa, pode ser qualquer apocalipse! Pode ser um tsunami, pode ser um meteoro, pode ser um vulcão, uma supernova…
— Um lunático destruindo Nova York… — brincou , segurando o riso.
— Hilário — Loki retrucou, sem achar graça alguma. — Mas aquilo não foi um apocalipse.
— Só queria te provocar — falou, orgulhosa, se endireitando na cadeira. — Mas como Loki estava dizendo, se tudo e todos em volta estão predestinados à destruição e ao fim iminente, nada do que fizermos ou falarmos irá mudar algo, ou seja, não fará diferença.
— A linha do tempo não irá ramificar — Loki continuou, voltando a jogar sal e pimenta na salada. — Porque tudo será destruído. Portanto, a Variante pode estar escondida em algum apocalipse, fazer o que quiser, e nunca iríamos saber!

Mobius assentiu com as sobrancelhas erguidas. Loki e se olharam empolgados, em seguida, olharam para Mobius em expectativa. Seria bom se, enfim, recebessem um elogio ou algum crédito, já que finalmente chegaram em alguma teoria boa. O analista suspirou e passou a mão nos cabelos.

— Nada mal… Mas ainda é apenas uma teoria, como vamos comprovar isso? — ele os questionou.
— Leve-me até Ragnarok e eu…
— Te levar até Ragnarok!? Em Asgard!? — Mobius o questionou, inconformado. — Acha que sou assim tão idiota para te levar para casa e te dar a chance de me esfaquear pelas costas e fugir!?
— Eu nunca esfaqueei ninguém pelas costas! — defendeu-se Loki, ofendido. — É uma forma muito chata e simples de traição…
— Loki, eu estudei cada momento da sua vida inteira e você literalmente esfaqueou pessoas pelas costas umas 50 vezes!
— Você fez isso!? — questionou Loki com os olhos arregalados, inclinando-se para frente a fim de olhá-lo nos olhos. O homem deu de ombros.
— Provavelmente, mas eu não fico contando — ele falou com desdém. — E eu não farei novamente, já ficou ultrapassado.

Mobius riu, ainda cético da fala do Deus da Mentira. Já analisava Loki com atenção enquanto seu cérebro trabalhava na tentativa de entender a situação. Acreditava, enfim, que Loki tinha certa razão em chatear-se quando o subestimavam. Ela fez isso e, naquele momento, começava a pensar que era um erro. Ele machucava pessoas e não parecia sentir remorso algum por isso.
Entretanto, provar aquela teoria significava que dariam um passo em direção à liberdade. não podia perder essa chance e não deixaria Laufeyson estragar tudo.

— Escuta, Mobius — ela começou a falar antes que Loki tivesse a chance. — Sabemos que não confia nele e eu não te culpo! Eu também não confio!
— Isso deveria me ajudar? — Loki resmungou.
— Cala a boca — sussurrou entre dentes. — Como eu estava dizendo… Eu não confio, mas veja bem: essa teoria é boa e fez sentido até para mim que estou muito perdida nisso tudo. Nós precisamos testar essa teoria, nem que tenhamos que colocar correntes de aço nesse cara.
— Não estou de acordo com a última parte — Loki afirmou, mas deu um sorriso ladino para a garota.

Mobius M Mobius estreitou os olhos para a garota, depois olhou Loki e, por fim, suspirou, esfregando os olhos. Cada vez mais se arrependia de ter juntado os dois.

— Se eu soubesse que fossem funcionar tão bem juntos… Chega a ser perigoso. — Mobius soltou o ar, voltando a abrir os olhos. — Está bem, falarei com Ravonna. Porém…

Ele apontou para Loki, que estava prestes a comemorar com a colega ao lado. Ele e se endireitaram e desmancharam o sorriso, voltando toda a atenção para o analista.

— Não vamos para Ragnarok de jeito nenhum. Temos que escolher outro apocalipse.
— Sabe...— começou , com um sorriso largo no rosto. Lembrou-se de todos os arquivos que leu e um em específico lhe chamou a atenção. — Eu sempre quis conhecer a Itália.

Capítulo III

POMPEIA, ITÁLIA - 79 d.C.


— Eu não acredito que estamos em Pompeia! — exclamou, animada, assim que passaram pelo portal.
— Shhh, fala baixo, ! — Mobius bronqueou, puxando a garota para as sombras. — Enquanto não comprovamos nada, temos que evitar fazer qualquer coisa que crie uma ramificação!

Loki revirou os olhos, impaciente. Já os grandes e olhos de olhavam tudo com as pupilas dilatadas em adoração. Por mais estranha que fosse a situação (afinal, dessa vez ela viajou muitos séculos antes de ao menos ter nascido), a nova-iorquina não conseguia conter a euforia e emoção por estar na Itália, mais especificamente, na bela Pompeia antes da tragédia. Laufeyson, não tão empolgado quanto ela, observava a garota com certa adoração. Jamais admitiria em voz alta — odiava-se por admitir para si mesmo —, mas ficava encantadora quando baixava a guarda e agia como uma humana normal. Aquele era um pensamento que estava tornando-se recorrente à medida que ia passando mais tempo com a mulher e Loki não podia evitar se preocupar com isso.

— Certo, e agora? — perguntou, voltando sua atenção aos dois homens.
— Temos que chamar atenção, mas algo simples — Mobius sussurrou e olhou para Loki. — Pode fazer sons de pássaro?
— O quê!? — Laufeyson o questionou. — Pássaros?
— É, sabe, assobios — explicou o analista como se fosse óbvio.
— Isso não vai adiantar, Mobius — pontuou, balançando a cabeça. Ela, então, sorriu, o sorriso que ambos sabiam significar que ela tivera uma ideia e isso os preocupava profundamente. — Eu tenho uma ideia.

Sem esperar pelos óbvios protestos que viriam, tirou sua jaqueta da AVT, jogou-a para Mobius e correu para o meio da praça, subindo em um caixote de madeira com a resistência muito suspeita. O analista olhou com certo desespero para Loki, esperando que o Deus da Trapaça fizesse algo a respeito, mas o homem apenas cruzou os braços e esperou pelo que estava por vir, murmurando “dê uma chance à ela” enquanto tentava segurar o riso.
A humana olhou em volta e balançou os braços acima da cabeça, gritando “hey!” para chamar a atenção dos moradores que passavam por ali com comidas, animais e utensílios para venda. Ninguém pareceu lhe dar muita atenção, apenas um ou outro pararam de frente à ela, curiosos. Então, fez algo que nenhum dos dois esperava: segurou a barra de sua camiseta e a levantou, expondo seus seios para quem quisesse ver. Mobius virou de costas na mesma hora enquanto exclamava um palavrão e reclamava o quão louca ela era. Já Loki, encantado com a visão, arregalou os olhos e não conseguiu desviá-los dela por nenhum segundo. Seu sorriso era largo e sua vontade era aplaudi-la. Esse era um lado de que estava adorando conhecer.
Porém, o plano da mulher não deu muito certo. Ninguém parecia realmente impressionado com o ato, os poucos que pararam para ver, já estavam voltando aos seus afazeres, decepcionando-a.

— Como está? — Loki perguntou a Mobius, sem desviar o olhar de , que ainda tentava chamar a atenção.
— Zero ramificações — o analista respondeu, balançando a cabeça com indignação. — Ela já abaixou a camiseta?
— Felizmente, não — Loki respondeu, risonho, caminhando em direção à garota. — , por mais prazerosa que seja essa visão… — As bochechas da mulher ficaram vermelho rubro enquanto ela abaixava a camiseta preta. — Não acho que esteja funcionando.
— Eles são assim tão sem graça? — ela perguntou, olhando para seus seios já cobertos.
— Oh, não! Eles são ótimos, acredite — Loki falou, assentindo com veemência a cabeça. Ele abriu os braços e sorriu. — Mas eles são romanos, estão mais do que acostumados com corpos nus.

bufou.

— Certo, então faça algo.
— É a minha especialidade, querida.

Dito isso, Loki se virou e correu para uma carroça que carregava cabras, abrindo a portinhola e as soltando aos gritos. Mobius, sem sair de onde estava, exclamava contidamente para que os dois voltassem aos seus lugares. Entretanto, estava adorando ver o show que Loki estava dando, sentindo-se privilegiada em estar assistindo praticamente de camarote. Ele pulava pela praça, falava em latim avisando quem o trio era e o que ia acontecer com eles, finalmente fazendo com que os cidadãos de Pompeia entrassem em pânico.
quase se desequilibrou em cima da caixa quando um homem, com uma cabra nos braços, passou correndo por ela. Bom, se tudo aquilo não tivesse criado uma ramificação, então a teoria estaria totalmente certa.
Quando Laufeyson terminou de anunciar aos habitantes sobre a erupção do vulcão Vesúvio, um som alto indicava que o apocalipse iria começar. virou-se apenas para ver a fumaça cinza sair de dentro do vulcão, causando mais pânico ainda.

— Mobius! — ela exclamou, acenando para ele. — Como está?
— Não acredito — ele falou, olhando para o TemPad. — Zero energia de variância, sem ramificações na Linha do Tempo.

Loki se aproximou do homem, sorridente.

— E a AVT jamais saberia que estivemos aqui. Se fosse eu, seria aqui que eu me esconderia — ele falou. — De nada.
— Está bem, você estava certo — Mobius respondeu, contrariado, voltando a olhar o aparelho em suas mãos. — Vamos embora.

A garota deu uma última olhada pelo local e se preparou para descer do caixote. Contudo, seu pé afundou na madeira desgastada, fazendo-a cair. A dor que sentiu em seu tornozelo a fez gritar um palavrão, mas o desespero lhe atingiu quando não conseguiu tirar a perna de dentro da caixa.

— Vamos, , não temos o dia todo! — Mobius exclamou, observando a fumaça se aproximar da cidade.
— Não consigo, estou presa! — ela gritou de volta, olhando com desespero para trás.

Loki bufou, mas foi em sua direção resmungando sobre como os humanos eram desastrados. Mas, quando tentou puxar a perna da garota, ela não saiu, pois sua calça estava presa em algo. Ele também ficou aflito, pensando no que fazer, enquanto a fumaça se aproximava mais ainda. Frustrado, o asgardiano conjurou uma adaga, assustando a garota.

— Não vou cortar sua perna — ele falou. — Só fique parada.

Com cuidado, o homem cortou o tecido grosso da calça jeans escura dela e, finalmente, conseguiu tirar sua perna. Para sua infelicidade, a garota gemeu de dor ao colocar o pé no chão. Ele, então, a pegou no colo e correu para o portal, a fumaça, que já estava a centímetros dos dois, esquentando-lhes as costas, o fez pular pelo retângulo dourado e se jogar com no chão, protegendo-a com seu corpo sem ter certeza se haviam conseguido passar ou não pelo portal.
O silêncio na sala de vídeo só era interrompido pelos sons de suas respirações ofegantes. abriu os olhos para encontrar Loki a olhando com preocupação.

— Você está bem? — ele perguntou com a voz baixa e rouca, seu rosto a centímetros do dela. engoliu em seco.
— Não, você é muito pesado — ela brincou, fazendo-o revirar os olhos antes de se levantar. — Estou bem, só estou com dor.
— Você quase nos matou — ele exclamou com raiva. — E ainda fica fazendo piadas!
— Claro, a culpa foi toda minha! Torci meu tornozelo de propósito, Loki — ela retrucou com ironia, sentando-se no chão e observando a calça rasgada. Ela gemeu em reprovação, nada tinha a ver com a dor que sentia. — Você estragou a única calça legal que eles tinham!
— De nada por salvar sua vida — ele retrucou, cruzando os braços.
— Obrigada, Loki, por mostrar um pouco de humanidade.
— Chega vocês dois! — Mobius exclamou, interrompendo-os. — Comprovamos a teoria, vocês deveriam estar comemorando e não discutindo!

Os dois se olharam, irritados, mesmo sabendo que o analista tinha toda a razão.

— Vem, , vou te levar à ala hospitalar.

O mais velho ofereceu a mão e a ajudou a levantar, fazendo-a se apoiar em seus ombros e caminhar mancando para a porta. Antes de passarem pela mesma, se virou para Loki e disse:

— Obrigada. De verdade.
— Achei que não falaria nunca — ele respondeu, sorrindo, seguindo-os porta afora.


⊹⊱≼✯≽⊰⊹


SEDE DA AVT - CIRCA 2012.


tentava não pensar na mão de Loki Laufeyson segurando-a com firmeza pela cintura enquanto a outra segurava sua mão, ajudando-a a caminhar mancando pelos corredores da AVT depois de saírem da enfermaria. O silêncio não era tão desconfortável assim, era até agradável depois de tudo o que passaram. Às vezes, a mulher sentia que sua cabeça iria explodir com tanto barulho. A ansiedade dos últimos dias (ou horas? Semanas? Era cada vez mais difícil saber) não deixava seu cérebro relaxar e, mesmo quando tentava dormir, não conseguia descansar direito.

— Chegamos — Loki falou, soltando-a, para o desagrado de ambos. — Quarto J-25.

tateou o bolso do casaco atrás da chave que lhe deram depois que Mobius a salvou. Assim que entrou, esperou que o asgardiano a acompanhasse, mas ele estagnou no corredor, olhando para os lados sem saber o que fazer. Loki arriscou olhar para dentro do minúsculo quarto, curioso para saber como era, já que não tivera o mesmo privilégio.

— Entra — ela falou, tirando o casaco.
— Acho melhor não, vou esperar o Mobius na sala dele — respondeu, dando de ombros.
— E aguentar a Srta. Minutos!? Por que você se odeia tanto? — ela brincou, fazendo-o rir. — Vem, eu não mordo.

Loki não tinha tanta certeza disso. Sabia também que ela não mordia, mas ele, dependendo da situação, poderia morder e até matar. Um arrepio percorreu sua espinha ao imaginar fazer algo assim com a mulher em sua frente. Ao fechar a porta, Laufeyson esfregou as mãos nas coxas em raro sinal de nervosismo. Seus olhos pareciam ter ímãs que sempre o faziam observar com muita atenção e curiosidade, tornando difícil desviar o olhar, mesmo quando a viu desabotoar a calça rasgada, pronta para tirar a peça.

— Estou aqui, — ele falou, virando-se de costas.
— Você viu meus peitos, Loki — riu , balançando a cabeça.
— Mesmo assim — ele retrucou, segurando-se para não se virar.

E permaneceu assim pelos segundos seguintes enquanto ela colocava a nova calça que a AVT lhe entregou, dessa vez essa era bege e mais parecida com a que ele mesmo usava. Quando ela anunciou que ele poderia se virar, já estava deitada na cama, apenas seu tronco estava levemente levantado, apoiado em confortáveis travesseiros.
Loki levantou suas pernas, tomando cuidado com a que estava enfaixada, e sentou-se na cama, apoiando-as em suas próprias pernas enquanto ele apoiava as costas na parede fria. O quarto era basicamente uma cama pequena e estreita, um pequeno gaveteiro vazio e uma escrivaninha intocada. Ele suspirou enquanto a garota também permanecia pensativa e novamente em silêncio.

— Sorte a nossa não sermos claustrofóbicos — ele brincou, arrancando, no máximo, um sorriso dela. — O que foi?
— Estava pensando — respondeu, olhando para o teto, depois para ele. — Eu não consigo entender porque eles me mantêm aqui. Sou inútil!
— Não diz isso…
— Mas é verdade! — ela disse, dando de ombros. — Quase matei a gente porque sou um completo desastre, não sou um Loki, então não penso como vocês. Você resolveu tudo sozinho! A AVT não precisa de mim.
— Você mesmo disse que não foi culpa sua e realmente não foi — Loki pontuou, apertando com delicadeza a perna dela. — E, se você não tivesse me mostrado os documentos, eu não teria chegado àquele raciocínio sozinho.
— Loki Laufeyson reconhecendo o trabalho de outra pessoa? — ela falou, erguendo as sobrancelhas. Ele apenas revirou os olhos. — Impressionante.
— Como eu ia dizendo — continuou o asgardiano, ignorando-a —, nós formamos uma bela dupla e a AVT precisa da gente. E, se não quiserem você, terão que aguentá-la de qualquer jeito.
— Por quê? — ela perguntou com a testa franzida.

Loki abaixou a cabeça, brincando com o tecido da nova calça da garota. Depois, a olhou com um sorriso envergonhado no rosto.

— Porque agora eu preciso de você.

arregalou os olhos, surpresa, e sentiu suas bochechas queimarem. Ela riu, igualmente envergonhada, e aconchegou-se melhor nos travesseiros. Fez um grande esforço para não levar aquelas palavras a sério.

— Céus, cadê aquele Loki que queria arremessar as latas de refrigerante em mim quando me conheceu?
— Estou passando tempo demais com você e o Mobius, estou ficando brega e mole — ele retrucou, fazendo uma careta de repulsa.

gargalhou, dizendo que não era culpa deles. Aquela risada foi o melhor som que Loki ouvira em muito tempo. Alguma coisa no jeito em que os olhos de se apertavam quando ela ria com vontade ou como as maçãs de seu rosto saltavam ao abrir um largo sorriso o traziam um conforto que apenas outra mulher lhe proporcionava: sua mãe.
O homem balançou a cabeça, sem conseguir evitar um sorriso.

—Ei — o chamou, cutucando o braço dele. — Obrigada por dizer essas coisas e obrigada, de novo, por me salvar. Eu realmente preciso parar de te agradecer tanto…
— Não, continue, estou adorando! — ele falou, fazendo-a rir novamente.
— Já que está aqui, posso te pedir uma coisa? — ela perguntou, receosa. Loki assentiu. — Me fala sobre Asgard?

Pego de surpresa com a pergunta, Loki se endireitou, ponderando se deveria acatar o pedido ou apenas ir embora. Seus olhos foram em direção à porta, demorando-se por alguns segundos nela. A mulher ao seu lado mordeu a parte interna da bochecha, pensando se havia passado dos limites ao perguntar de algo tão pessoal. Porém, ele virou o rosto em direção a ela e seu sorriso entregou que ele não havia se chateado.

— Era uma vez, um reino muito distante…

Sem resistir, riu novamente, achando graça da forma como ele começou a história. Mas logo tratou de ficar quieta e ouvir Loki com toda a sua atenção. Ele contou, não apenas as histórias que o ensinaram desde criança, mas suas próprias vivências, parte que mais agradou . Dos momentos difíceis com seu pai às diversões com Thor e as conversas com sua mãe, Loki não parecia querer deixar nenhum momento importante de fora. Mesmo alguns de seus erros ele acabou contando, evitando olhar para nesses momentos, pois não queria saber o que ela poderia estar pensando ou se o estava julgando. Mas ela apenas o olhava com certa admiração.
A mulher percebeu que os olhos dele ficavam marejados de tempos em tempos, mas ele tratava de piscar para espantar as possíveis lágrimas. Laufeyson adorava falar e ele falava bonito, contava as histórias como quem conta contos de fadas. E era difícil para pensar naquilo tudo como sendo a história da vida dele e não a história fictícia de um bom livro. Deuses, reinos, monstros e poderes… Ela já lera sobre isso em livros de fantasias ou história, mas Loki estava falando sobre a vida dele, sobre a realidade que ele conhecia. Tão diferente da Terra, que fazia sentir-se tão pequena.
Também sentia-se sonolenta. Os remédios fortes que deram para a recuperação rápida do seu pé estavam fazendo efeito. Suas pálpebras pesavam, mesmo que ela lutasse para mantê-las abertas, a voz grave do homem e seu sotaque delicioso estavam embalando-a para um belo sono.

— Mas Thor não sabia que eu era a cobra e ele adora cobras! — Loki pausou para rir, mas logo voltou a falar. — Então me pegou na mão e… — ele virou o rosto para olhá-la e interrompeu-se ao ver que a garota havia dormido, seu rosto entregando uma paz invejável.

O homem sorriu, sem chatear-se por ela ter dormido. Sabia que o sono era causado pelo cansaço — que ele mesmo estava sentindo — e não pela história que ela mesma pediu para ouvir. Com cuidado, Loki ajeitou-se de um jeito que pudesse apoiar a cabeça na barriga de e continuou falando sobre sua vida em Asgard, esperando que, dessa forma, ela pudesse sonhar com seu mundo, assim como sua mãe fazia com ele e sempre funcionava.


⊹⊱≼✯≽⊰⊹


Não foi surpresa alguma para Mobius M Mobius encontrar e Loki juntos em seu quarto, sua surpresa foi encontrá-los apenas dormindo. Parado à porta, ele se permitiu observá-los por alguns instantes enquanto refletia sobre ambos. Deveria festejar por vê-los se dando bem, contudo, o fato de terem deixado as intrigas de lado o preocupava profundamente. Eram uma ótima dupla, não podia negar, mas, talvez, eram ótimos até demais. Com toda a sua experiência em Lokis, ele nunca vira um deles tão confortável com outra pessoa como Loki estava com . Não sabia o que esperar, nem se aquilo era bom ou não, mas sentia que, talvez, fosse a hora de separá-los.
Sorrateira, Ravonna Renslayer parou ao seu lado à porta e espiou dentro do quarto, seu corpo enrijeceu na mesma hora.

— Eu te disse que isso iria acontecer — Mobius sussurrou, cruzando os braços. — E agora?
— Agora lide com isso — Renslayer sussurrou de volta, dando um passo para fora do quarto. — Faça-os se odiarem novamente, mantenha-os em uma distância segura. Sei que consegue. Só não podemos perder a garota, lembre-se disso.

Dito isso, Ravonna apertou o ombro do agente e se afastou, desejando-lhe boa sorte, mas sem esperar por uma resposta. Mobius suspirou e se aproximou dos dois, cutucando Loki, que apenas resmungou em resposta. Então, o analista o balançou com mais força, dessa vez tendo sucesso em acordá-lo.

— Ravonna nos autorizou a procurar a Variante em apocalipses, mas ela quer que tenhamos certeza de qual apocalipse ela está. Vamos ter que fazer mais pesquisas.

Loki esfregou os olhos e assentiu.

— Vou acordar a — ele falou baixo, pronto para tocar o braço da garota, quando Mobius o impediu.
— Melhor não — falou, olhando receoso para a garota adormecida. — Ela está machucada, precisa descansar.

Laufeyson estreitou os olhos. A verdade, que Mobius nem desconfiava, é que Loki estava acordado quando ele e Ravonna estavam conversando à porta e ouvira tudo. Concluiu que o analista estava mentindo e que estava muito enganado se achava que iria separar ele e Genevieve. Isso lhe deu um incentivo a mais para mantê-la ao seu lado.

— Ela tem ajudado bastante, não deveríamos deixá-la de fora — retrucou com um sorriso forçado, em seguida cutucou , que acordou com facilidade. — Boa notícias, , temos mais pesquisas para fazer!

se virou para os dois e acenou para Mobius com os olhos ainda pesados, resmungando em reprovação à notícia. Os remédios fizeram um ótimo trabalho em apagá-la e a história que Loki contava a ajudou a ter sonhos estranhos, mas que lhe trouxeram certa paz. Lembrando-se deles enquanto saíam do quarto, pensou no quão legal seria conhecer Asgard quando tudo acabasse (isso, se o reino ainda existisse).
De volta à sala de arquivos, Mobius pegou todos os documentos que já olharam e mais outros documentos de todos os apocalipses naturais que aconteceram nos últimos e nos próximos anos. A cada arquivo que lia, ficava com o coração pesado. Centenas de milhares de pessoas aniquiladas, cidades e planetas totalmente destruídos, e saber que a maioria das coisas ainda iriam acontecer (considerando que ainda estavam em meados de 2012) deixava tudo mais aflitivo ainda. Mas, depois de horas de leitura e conversa, ainda não sabiam dizer onde a Variante poderia estar se escondendo.
Ela se recostou na cadeira e alongou seu pescoço. Mobius folheava um arquivo, lendo-o com os olhos pesados. Um bocejo escapou de sua boca antes de virar mais uma página e olhar para frente, onde encontrou Loki dormindo tranquilo em cima dos braços. A garota ao seu lado já desistira de ler os arquivos e olhava o asgardiano com a mesma curiosidade. Um sorriso surgiu em seus lábios ao pensar no quão pacífico e frágil ele parecia naquele momento. Tinha algo de encantador em vê-lo vulnerável, sem toda a postura e o muro enorme que ele sempre erguia entre ele e os demais. Ali, dormindo com o cabelo bagunçado e a respiração lenta, ele era apenas um homem cansado.
Com cuidado para não acordá-lo, tocou uma mecha do cabelo dele que caía incômoda em seu rosto e a colocou atrás de sua orelha, depois ficou admirando seus belos traços mais de perto.

— Ele gosta de você — Mobius falou de repente, voltando a ler o documento.
— Não, não gosta.
— Acredite, ele gosta.
— Só estamos em uma trégua, ok? — ela falou, impaciente, puxando um novo documento para ler. Usando um tom carregado de ironia, ela disse: — Pelo bem da AVT.
, eu já estudei tanto sobre esses caras, que você pode me chamar de especialista em Lokis — Mobius retrucou, apoiando-se na mesa e se inclinando na direção dela. — Ele gosta de você.

olhou para o homem adormecido ao seu lado com menos encantamento que antes. Engoliu em seco, seu coração idiota bateu rápido demais naquele momento; não sabia dizer se era por satisfação ou medo, mas julgava – e desejava – que fosse pela segunda opção. Loki não era alguém por quem ela poderia se apaixonar e, certamente, não o queria apaixonado por ela.

— E, se eu fosse você, eu tomaria cuidado — Mobius falou, voltando a ler seu documento. — Mas acho que você já sabe disso.

A garota assentiu, sentindo um nó se formar em sua garganta enquanto abria o arquivo. Foi difícil se concentrar na leitura, pois o que Mobius disse ficou martelando em sua cabeça como se ela fosse uma maldita construção em obras. A pilha de arquivos, que nem haviam aberto ainda, não parecia diminuir nunca. Ela bufou, impaciente, e cutucou Loki para que ele acordasse.

— Podemos sair para comer algo? Sinto que vou surtar, se tiver que ler mais um arquivo — pediu para Mobius, levantando-se antes mesmo de ele concordar.

Os três foram para o refeitório em silêncio. Ainda pensando no que Mobius disse, tentou se sentar o mais longe possível de Loki, quase colando no analista enquanto comia sua maçã. O asgardiano percebeu que algo estava errado e arrependeu-se de realmente ter dormido dessa vez, ao invés de ficar acordado, ouvindo a conversa. Sentia, também, que o homem ao lado dela tinha algo a ver com isso.

— Sabe, Mobius, eu realmente queria saber sobre aquela revista em sua mesa — disse Loki, batucando os dedos na mesa. parou de comer sua fruta, curiosa.
— A de jet ski? — Mobius perguntou, tomando seu café com tranquilidade.
— Sim — Loki retrucou, apontando para . — Ela também viu. Ficamos nos perguntando… Por que você a tem?

Mobius riu, deixando sua caneca na mesa.

— Porque são incríveis! — ele respondeu.
— Suponho que sejam — Loki respondeu. — Já andou em um, ?
— Nunca — ela respondeu, dando de ombros e voltando a atenção à sua maçã.
— Algumas… na verdade, a maioria das coisas na história são bobas e tudo é arruinado eventualmente — Mobius falou. se mexeu desconfortável na cadeira. — Mas, no início dos anos 90, por um breve momento brilhante, houve uma bela união de forma e força que chamamos de jet ski.

não evitou dar uma gargalhada, balançando a cabeça. Era engraçada a forma como Mobius falava sobre tudo, como se recitasse uma poesia quando, na verdade, estava apenas falando de um jet ski.

— Por um instante, pensei que estava falando de mim — ela falou, ainda rindo. — Eu nasci em 1989.
— Forma e força é uma ótima definição de , com certeza — Loki ironizou, aos risos, recebendo um dedo do meio em resposta. — E você, Mobius, já esteve em um?
— Não, não… — o homem respondeu com certo desânimo. — Acho que um agente da AVT aparecendo com um jet ski criaria uma ramificação, com certeza.
— Mas seria divertido — comentou de boca cheia. — Não parece ter muita coisa divertida para se fazer aqui.
— E realmente não tem.
— Então, por que lê sobre eles? — Loki insistiu. Os outros dois o olharam com desconfiança.
— Me ajuda a lembrar pelo que estamos lutando. — Mobius deu de ombros, bebendo seu café. Em retrocesso, Loki balançou a cabeça.
— Você realmente acredita em todas essas coisas, não é?
— Loki, por favor… — falou, tomando as dores do analista. — Por que essas perguntas agora?
— Não, está tudo bem — Mobius retrucou, sorrindo para a garota. Em seguida, se voltou para o outro homem. — Eu não fico preso em acreditar ou não acreditar, só aceito o que é.
— Três lagartos mágicos… — começou Loki em tom de provocação.
— Guardiões do Tempo — o corrigiu, olhando em volta e se perguntando se os mesmos poderiam ouvi-los de alguma forma.
—...criaram a AVT e todos que estão aqui — Loki continuou a falar, ignorando-a. — Incluindo você?
— Incluindo eu — Mobius respondeu.

Dessa vez, o olhou com estranheza, prestando mais atenção à conversa e achando-a sem sentido algum. Odiava admitir, mas Loki tinha um ponto: aquilo não fazia sentido.

— Isso é loucura — ela comentou, distraída.
— Quando eu começo a admirar sua inteligência… — Loki falou, passando a mão no rosto com indignação. — Você diz algo assim!
— Quem fez a ? — Mobius retrucou com uma pergunta.
— Não acredito em Deus, então me tira dessa conversa — ela retrucou, desviando o olhar.
— Ok, então quem fez você, Loki?
— Um Gigante de Gelo de Jotunheim…
— E quem te criou?
— Odin de Asgard.
— Odin, Deus dos Paraísos! Asgard, reino místico além das estrelas…
— Ele tem um bom argumento — intrometeu-se, interessada novamente na história.
— Mas não é a mesma coisa! — Loki defendeu-se. — É totalmente diferente!
— É exatamente a mesma coisa. — tomou o lado de Mobius, que pareceu satisfeito com isso, ao contrário de Loki.
— Se pensar muito sobre como fomos criados, sobre quem realmente somos, parece ridículo. A existência é um caos! Por isso, não acredita em nenhum Deus.
— Porque nada faz sentido — concordou , deixando os restos de sua maçã de lado. — Então, sempre tentamos inventar um sentido para nos sentirmos melhor. A Terra tem as religiões e seus respectivos Deuses, você tem Asgard e o seu pai…
— E eu tenho sorte que o caos em que eu emergi me deu tudo isso — Mobius indicou seu redor. — Meu próprio glorioso propósito, porque a AVT é a minha vida e é real porque eu acredito que é real.

sorriu, satisfeita, quando o analista terminou de argumentar. Era bom formar uma dupla com Loki, mas era melhor ainda formar uma dupla com Mobius contra Loki e ainda ganhar o argumento. O asgardiano assentiu, mas não estava satisfeito em terminar a discussão daquela forma. Como sempre, ele queria ter a última palavra.

— Justo, você acredita que é real — ele começou. — Então, tudo está escrito: passado, presente e futuro. O livre arbítrio não existe.
— Oh — exclamou, erguendo as sobrancelhas. — Mobius, você está me perdendo aqui.
— Espera aí — Mobius falou. — Isso é uma simplificação excessiva…
— Na verdade, de certa forma… — Loki continuou, dando uma piscadela para . — Nós três, aqui na AVT, somos os únicos que estão livres.

Mobius suspirou, olhando em volta. Desejava que o Deus da Trapaça não tivesse essa necessidade irritante de sempre questionar tudo.

— Onde quer chegar com isso, Loki? — ele perguntou.
— Como é que tudo termina? — Loki respondeu com outra pergunta.
— É um trabalho em andamento…
— O que os Guardiões estão esperando? — questionou , empurrando a cadeira para mais perto de Loki. O ato o agradou, mas Mobius não pareceu feliz. — Por que esperar tanto? Parece preguiçoso da parte deles.
— Eles estão em sua câmara, trabalhando incansavelmente para desvendar o epílogo das milhares de ramificações enquanto nós, a AVT, defendemos tudo o que veio antes disso.
— E o que vem depois? — Loki continuou os questionamentos. — Quando eles acabarem.
— Ordem — Mobius respondeu. — Mais nenhum evento nexus, apenas ordem, e estaremos em paz no fim dos tempos.
— Isso soa como se fosse uma religião do meu mundo — falou, dando de ombros. — No fim das contas, todos vamos morrer e ir para algum lugar ou lugar nenhum. Ninguém nunca voltou para contar a história, mas todos acreditam no fim dos tempos, no céu e no inferno, no pós-vida…
— Totalmente diferente — Mobius suspirou. — Não acredito que te perdi para esse cara com péssimos argumentos!
— Ah, Mobius — Loki riu, balançando a cabeça. — Você me chamou de garotinho assustado, mas…
— Chamou? — riu com vontade, erguendo a mão para bater na de Mobius.
— De fato — Loki respondeu, tensionando o maxilar. — No entanto, ele está errado. Veja, eu sei de algo que crianças não sabem.

Loki olhou para com intensidade, a fazendo parar de rir na mesma hora. Seus olhos continuaram fixos nos dela enquanto falava.

— Ninguém mau é totalmente mau e ninguém bom é totalmente bom.

A mulher engoliu em seco e desviou o olhar, repentinamente incomodada por ele parecer estar falando pessoalmente com ela, apesar de sua conversa estar totalmente focada em Mobius.
Esse, por sua vez, mudou completamente sua feição enquanto pensava no que Loki havia dito a segundos atrás.

Garotinho assustado — ele repetiu, ainda pensativo. — Você é muito esperto!

Dito isso, ele se levantou repentinamente e saiu do refeitório apressado, sem esperar pelos dois ou sem dar explicação alguma, dando fim à discussão. e Loki se entreolharam, confusos.

— Eu sei — Loki falou, se levantando, em seguida, e indo atrás de Mobius.
— Claro, me deixem aqui sem nenhuma explicação! — a garota exclamou e nada lhe sobrou além de segui-los.

Apressado, Mobius guiou os dois de volta para a sala de arquivos, todavia, a prateleira a qual pararam de frente havia caixas e mais caixas com evidências coletadas nas missões externas da AVT no lugar de pastas de documentos. O analista pegou uma dessas caixas e, de dentro, retirou uma caixinha de balas. Ele explicou, ainda com pressa, que a Variante havia deixado aquela evidência para trás em um de seus ataques em uma catedral. A análise não havia encontrado nada. Nem Loki, nem estavam entendendo o que aquilo tinha a ver com a missão.

Kablooie — Mobius falou como se fosse óbvio.
— E o que seria isso? — Loki perguntou.
— Doce! Não tem doce em Asgard?
— Claro que tem — Loki defendeu-se enquanto se encaminhavam para uma mesa. — Passas, castanhas, amêndoas…
— Não é à toa que você é tão amargo — falou, tirando uma risada de Mobius. Já Loki, não achou tanta graça. — Kablooie… Eu nunca vi esse doce na Terra.
— Isso porque ele foi vendido de 2047 a 2051 — Mobius explicou, separando mais arquivos. — O que nos dá mais uma variável para filtrar nossa procura: desastres apocalípticos naturais que aconteceram entre esses anos.
— Genial — disse , já pegando algumas pastas para si e começando a folheá-las.

Então, os três embarcaram em mais uma procura, dessa vez com mais ânimo que antes. Terem chegado em tal raciocínio pareceu enchê-los de gás para continuarem lendo cada vez mais documentos. Loki e Mobius combinaram uma competição amistosa (a qual preferiu ficar de fora) para ver quem encontraria primeiro e aquela motivação estava fazendo efeito: ambos estavam lendo os arquivos com voracidade.

— Encontrei a extinção total da andorinha, isso é relevante? — Loki perguntou, sem desviar os olhos dos papéis.
— As andorinhas foram extintas!? — parou o que estava fazendo e perguntou com pesar na voz. — Caramba, eu odeio a humanidade!
— Bem-vinda ao clube — Loki retrucou, sorrindo de lado. Alguns segundos se passaram quando ele exclamou: — Ahá! Achei!

Mobius e voltaram sua atenção ao homem na mesma hora. Ele virou o documento para os dois lerem com um sorriso largo no rosto.

— Alabama, 2050 — Mobius leu, assentindo para Loki. — Bom trabalho! Sabe, você pode roubar meu emprego, se eu não tomar cuidado.

Capítulo IV

HAVEN HILLS, ALABAMA - 2050


— Ninguém pensou em trazer um guarda-chuva? — reclamou o mais alto possível para ser ouvida acima do barulho da chuva forte.
— Claro, porque um guarda-chuva ia adiantar muita coisa nessa tempestade, não é? — a agente B-15 retrucou, irritada, balançando a cabeça.

bufou quando ouviu Loki rir de sua fala e acelerou os passos para manter uma distância segura dele enquanto acompanhava o grupo para dentro do mercado Roxxcart. A agente B-15 não estava errada, afinal, a chuva que caía no Alabama era torrencial. O furacão não seria piedoso, a ventania que já acertava o território fazia o grupo andar com certa dificuldade até o enorme prédio onde ficava o hipermercado, o único com um abrigo que, na teoria, seria seguro e espaçoso o suficiente para os moradores que conseguissem se abrigar lá dentro. Mas, assim que entraram no mercado, percebeu como o clima era muito pesado lá dentro. Podia ser apenas por já saber o que iria acontecer com as pessoas que estavam ali e sentia pena deles, pois, na realidade, os mesmos estavam cheios de esperança de que iriam sobreviver dentro daquele abrigo e saber que não iriam e não poder fazer nada a respeito fazia seu peito apertar.
Antes de saírem da AVT, a agente B-15 explicou que a Roxxfort era uma enorme loja com uma igualmente enorme quantidade de seções espalhadas pelo grande prédio, onde a Variante poderia estar se escondendo. E havia também o galpão onde os civis estavam abrigados. A nova-iorquina não botou fé quando a agente falou que o apocalipse era classe 10, mesmo sabendo bem o que isso significava. Contudo, só foi acreditar em suas palavras quando enfrentou a tempestade forte e sentiu um enorme alívio ao entrar na loja. Novamente, as instruções da agente estavam corretas: o espaço enorme era preenchido por dezenas de corredores que, mesmo desertos, dariam um belo trabalho na busca pela Variante.
Enquanto olhava em volta, viu Loki pela sua visão periférica. O homem estava com as mãos nos bolsos, mas se remexeu em seu lugar e, no mesmo instante, seu corpo encharcado estava completamente seco. Ela arregalou os olhos e deu um pulo para o lado, assustada.

— Que merda foi essa!?
— Foi eu usando magia para secar minhas roupas — ele respondeu com divertimento. — Assim não vou me denunciar a cada passo barulhento, igual a vocês.
— Esquisito — retrucou com uma careta, que logo se transformou em um sorriso ladino. — Mas esperto.

A garota não podia negar que sentiu inveja, afinal, odiava ficar com as roupas molhadas e as mesmas lhe causavam tremedeiras por conta do frio. Arrepiou-se, mas nada tinha a ver com o frio e sim com mais um susto, quando as luzes principais do estabelecimento se apagaram. Loki sorriu quando a garota apertou forte o seu braço e segurou firme a mão dela antes de se juntar mais ao grupo para ouvir as orientações da Agente B-15, não deixando-a soltar seu braço – sem saber que ela não tinha a mínima vontade de fazer tal coisa. achava-se ridícula em sentir tanta segurança ao lado do homem.

— Leve a equipe e vasculhem o abrigo — a agente B-15 pediu a um dos funcionários, que prontamente obedeceu. — Loki e eu vamos olhar as estufas. , você fica com o Mobius.
— Não! — o trio falou ao mesmo tempo.
— Como assim não!? — B-15 retrucou, meneando a cabeça. — Vocês dois vão juntos e ponto final.
— E o Loki vem com a gente — insistiu, aumentando o aperto no braço dele. Loki lançou um breve olhar para a mão da garota, tentando decidir se o contato físico ainda lhe agradava ou não.
— Ele está sob minha supervisão — Mobius complementou na defensiva.
— E esta é a minha operação.
— Mas ele não é uma ameaça! — exclamou , dando um passo à frente.
— Claro que ele é uma ameaça! — B-15 retrucou, também dando um passo à frente. — Estamos literalmente caçando uma variante desse cara!

Rápida e instintivamente, Loki colocou-se à frente de , encarando a Agente em claro desafio. Irritado, Mobius entrou em uma discussão com B-15, tentando convencê-la, sem sucesso algum, a deixar Loki ir com eles. O Deus da Trapaça percebeu, então, que talvez fosse melhor para todos se ele obedecesse a mulher. Odiava o fato de ter que se separar de Mobius e da garota escondida atrás dele, mas sabia que a segurança deles dependia de sua obediência. Sabia também que, para ter a AVT em suas mãos, ele precisava da confiança de todos.

— Está bem! — Loki interrompeu a discussão, depois olhou para Mobius e . — Vocês podem confiar em mim, mas eu sei que a confiança deles eu preciso conquistar, então eu vou.

Ele se virou para , que ainda não soltara seu braço.

— Qualquer coisa, grita meu nome que eu vou correndo te encontrar. Eu prometo.

A contragosto, finalmente o soltou e fuzilou B-15 com os olhos quando os dois se afastaram. A promessa do homem martelou em sua cabeça e fez seu coração bater forte e rápido demais. Ela massageou a região do corpo ao começar a caminhar, tentando espantar o aperto que lhe incomodava. O analista ao seu lado manteve uma expressão no rosto que ela sabia que, se quisesse, ele diria “eu te disse” apenas para provocá-la. Contudo, os dois se mantiveram em silêncio enquanto caminhavam por entre os corredores. A baixa luminosidade não ajudava muito, o frio que sentia também não a deixava se concentrar. A cada passo, seus sapatos encharcados faziam o barulho que Loki disse que fariam, o que a fez xingá-lo mentalmente por estar certo mais uma vez.
Depois de longos minutos, Mobius parou de andar e mexeu em seu TemPad, puxando a garota para uma parte do corredor com mais sombra.

— Mudança de planos, vamos para o abrigo encontrar o resto da equipe — ele sussurrou, pronto para continuar o caminho, quando o impediu.
— Não aguento mais ficar com essas roupas — ela falou, seus dentes batiam de frio. — Eu vou procurar roupas secas e te encontro lá.
— Nem pensar! Não vou te deixar sozinha, acha que sou idiota!?
— Vamos, Mobius! Eu não estou comendo ou dormindo direito há sei lá quanto tempo, minha imunidade deve estar péssima, não vai precisar de muito para eu ficar doente e você certamente não quer isso — argumentou, amarrando os cabelos em um rabo de cavalo alto. — Eu não vou a lugar algum.

Mobius não pareceu convencido ao passar a mão em seus cabelos brancos.

— Não abuse da minha confiança em você, .
— Não estou abusando, juro — ela defendeu-se.
— E se a Variante te atacar?
— Então eu grito e vocês vão buscar meus restos mortais — ela brincou, mas o homem não pareceu achar graça. — Vai ser rápido, ele não vai ter tempo de me encontrar.

Mobius pressionou o osso do seu nariz, fechando os olhos enquanto tentava pensar o mais rápido possível. Um dos agentes passou pelo corredor e chamou a atenção dele, chamando-o para irem ao abrigo. Ele, então, respirou fundo e puxou o bastão preso em seu cinto, entregando-o a .

— Sabe como usar isso? — ele perguntou e prontamente assentiu, pegando a arma de sua mão. — Seja rápida e nos encontre lá.
— Ok — ela concordou, vendo-o hesitar antes de ir. — Confia em mim!

Então, Mobius seguiu o outro agente e seguiu o caminho contrário, entrando no enorme setor de roupas e acessórios. A intenção era ser rápida e realmente seguir para o abrigo onde o analista e o resto da equipe estavam, porém, a nova-iorquina ficou impressionada com a mudança na moda nos anos 2050. Eram apenas 38 anos de diferença, mas a mudança era notável e não a agradou muito. Os anos 90 voltaram?, perguntou-se, achando que a moda ficaria no passado, mas, aparentemente, não era o caso. As roupas tinham o estilo mais colorido e jovial da década de 1990, o que, certamente, não era seu estilo. Mas não podia reclamar, podia? Era o que tinha e sabia que, assim que voltasse para a AVT, ou melhor, para a sua realidade temporal, teria suas roupas decentes de volta. A mera possibilidade de voltar a deixou empolgada.
Ela pegou uma calça preta parecida com a que Loki havia rasgado em Pompeia, um par de Converse, meias secas e uma camiseta com os dizeres “Sweet Home Alabama”. riu com o fato de essa música ainda fazer sucesso em 2050, seu pai ficaria feliz em saber. Ficará, corrigiu-se, se permitindo, por um instante, fantasiar com um possível reencontro com Callum quando tudo isso acabasse.
Certificando-se de que estava realmente sozinha e cantarolando baixinho a música agora impregnada em sua mente, tirou suas roupas, secou-se rapidamente com uma toalha, soltou seus cabelos para secá-los também e colocou sua nova roupa, sentindo-se bem melhor que antes, pronta para encontrar a equipe. Porém, em seu caminho para o abrigo, parou de andar quando ouviu um som próximo. Com o bastão em mãos, ela o ativou e começou a andar mais devagar, atenta a novos sons. Ela prendeu a respiração com medo de o mínimo som lhe entregar, mas a vontade de chamar por Loki a fez sussurrar seu nome. Não teve sucesso, concluindo que não era ele. Mais um barulho fez seu coração saltar e ela se virou, tentando enxergar algo em volta. Não encontrou nada.
Sendo assim, continuou andando, a baixa luz dificultando cada vez mais seu caminho. Este que, novamente, foi interrompido quando tropeçou em algo. Seu coração acelerou mais ainda – se era possível – quando percebeu que o algo era, na verdade, alguém.

— B-15? — ela sussurrou para a mulher caída no meio do corredor, agachando-se para verificar se ela estava viva e, para seu alívio, estava.

balançou a agente, tentando acordá-la, sem obter sucesso. De jeito nenhum ela conseguiria carregar a mulher até o abrigo, então ela decidiu deixá-la ali e ir buscar ajuda, deixando de lado o pensamento de que B-15 ficava bem melhor desacordada do que desperta e enchendo-lhe a paciência. Então, recomeçou novamente seu caminho, esperando que, dessa vez, não parasse. Contudo, um barulho mais alto que os outros a fez parar novamente e apertar o bastão com mais força. Prender a respiração era inútil, ela sabia, mas não conseguiu evitar fazer isso antes de andar na direção do barulho. Ah, Mobius ia podá-la na hora que finalmente a encontrasse, pois estava fazendo o contrário do que ele pediu.
Mas o que poderia fazer? E se Loki estivesse em perigo e fora atacado, como B-15 claramente havia sido? Por um instante, um pensamento a incomodou: e se Loki fez isso com ela? Os nós de seus dedos doíam de tanto que apertava a arma, mas o suor em suas palmas a fazia temer que o bastão caísse e, além de entregá-la por causa do som, ainda a deixaria totalmente indefesa. Não queria acreditar naquilo, é óbvio, mas não podia negar que sempre teve – e provavelmente sempre teria – um pé atrás com o Deus da Mentira.
Enquanto andava, debatia mentalmente com si mesma se queria realmente encontrar Loki. Pensou várias vezes em dar meia volta e correr para o abrigo, mas a realidade é que estava perdida. Não se lembrava o caminho que fizera quando se separou de Mobius e a baixa luz dificultava para saber onde estava. A nova-iorquina respirou fundo e prendeu o ar, atenta aos sons. Conforme avançava devagar, o som de vozes ficava cada vez mais alto. Ela se encostou na lateral de uma estante e prestou atenção ao que falavam, tentando ver algo na lacuna entre alguns produtos de limpeza.

— Encontrei seu esconderijo fácil assim — Loki estalou os dedos, andando atrás da Variante. — Acredito que isso me faz o Loki superior, não é?

Agora não, Loki!, pensou, fechando os olhos para se concentrar melhor. O momento era o pior para que o asgardiano se vangloriasse. A outra pessoa deu um sorriso ladino e balançou a cabeça, sem parar de andar.

— Tão superior que trouxe uma amiguinha humana para te ajudar.
— Quem, a ? — Loki retrucou, rindo com desdém. — Ela não está comigo, está com eles.

A garota revirou os olhos antes de voltar a espiar para ver onde eles estavam. Se arriscou a dar mais alguns passos em frente, se escondendo em outra estante mais para frente. Não precisava ver muito para entender que a pessoa com Loki era sua Variante que, no momento, não parecia nada com ele. Tentou regular sua respiração, mas seu coração acelerado não a deixava respirar direito. Uma luz fraca e alaranjada chamou sua atenção na prateleira ao seu lado e logo reconheceu o objeto como sendo uma das cargas de reset roubadas.
No outro corredor, do outro lado da estante, Loki olhou para o objeto com a mesma preocupação de , em seguida, olhou para a garota com os olhos arregalados, nada satisfeito em vê-la ali tão perto da sua Variante. indicou o outro homem com os olhos, perguntando silenciosamente se aquele, de fato, era a Variante. Discretamente, Loki assentiu.

— Entendi — ele disse, tentando chamar a atenção do outro homem em sua frente. — Esse é o seu plano, certo? Atrair todos aqui para poder explodir o lugar.

andou de volta para onde estava e, abaixada, seguiu andando para se esconder atrás de grandes caixas de equipamentos eletrodomésticos. Do seu novo esconderijo, conseguia ter uma melhor visão do que estava acontecendo. Seu objetivo, agora, era entender de que lado o seu Loki estava. Fez uma careta assim que tal pensamento lhe ocorreu; Loki não era seu e jamais seria, corrigiu-se mentalmente.
Por um instante, a garota perdeu a Variante de vista e o mesmo pareceu acontecer com Loki. No entanto, a localizou no exato momento em que ele encostava em um outro homem, este sendo bem mais forte e alto que o outro. Não soube muito bem o que a Variante fez, mas, como um truque de mágica, como os que Loki fazia, trocou de corpo. tapou a boca ao ver o homem franzino caído no chão, desejando que o mesmo não estivesse morto. Não faria diferença, é claro, mas não queria presenciar nenhuma morte e esperava que estivesse bem longe do supermercado quando o furacão finalmente o atingisse.
Tão rápido quanto seu truque, a Variante andou com pressa para onde Loki estava e, sem dar chance de o outro se proteger, acertou-lhe com um chute tão forte, que o arremessou para longe, gargalhando em seguida. Antes que pudesse se impedir, sua voz ressoou alta pelo local.

— Loki! — ela exclamou, abaixando-se no exato momento em que a Variante Loki olhou em sua direção.

Apertou o bastão com força, ligando-o em seguida e se preparando para lutar. Contou até três e saiu de trás das caixas, contudo, não o encontrou. Ao invés disso, viu Loki se levantar e partir para cima de sua Variante, impedindo-a de ir atrás de . O outro homem era claramente mais forte que Loki, defendia-se e acertava o asgardiano com habilidade e facilidade, e mesmo ambos estando diferentes fisicamente, o humor era o mesmo. Loki e sua Variante trocavam provocações afiadas, que era uma característica marcante deles, o que comprovou que eram praticamente a mesma pessoa.
, caminhou determinada em direção à luta, pronta para podar aquele homem que era quase meio metro maior que ela e, definitivamente, mais forte. Quando a Variante jogou Loki para longe de novo, deixando-o realmente atordoado, gritou e avançou com o bastão apontado para ela. Sem dificuldade alguma, a Variante segurou o bastão e arremessou para longe, fazendo-a cair perto de Loki. Logo em seguida, ouviu um barulho de algo quebrando e seu bastão repartido ao meio caiu ao seu lado.

— Merda — murmurou ao se sentar.

Suas costelas doíam, mas sentiu-se aliviada ao perceber que nada parecia estar quebrado. Ao seu lado, Loki começava a se levantar, parecendo plenamente recuperado.

— Você é uma idiota mesmo — ele falou, olhando-a com raiva.
— Eu estava tentando te salvar, mal agradecido! — ela retrucou com o mesmo sentimento.
— Não tente mais — Loki respondeu, olhando-a dos pés à cabeça. — Você está bem?
— Melhor impossível — respondeu, levantando-se com a ajuda dele. Reprimiu um gemido de dor para não entregar que mentiu, mas o homem a olhava como se soubesse a verdade.

Os dois pararam lado a lado, procurando pela Variante. Encontraram-na agachada ao final do corredor, mexendo em algo que não conseguiam ver o que era. Loki olhou para , a raiva que retorcia seu rosto não era mais pela burrice da garota, mas, sim, pelo que sua maldita Variante havia feito com eles. Ele jamais trataria a si mesmo daquela forma.

— Fique aqui, eu vou pegá-la.
— Ah, claro — respondeu com ironia, começando a caminhar, ignorando o pedido dele.
— Você realmente quer morrer, não é? — Loki a questionou, andando apressado para ultrapassar a garota. A alguns passos de sua Variante, ele exclamou: — O que você quer de mim!? Do que isso se trata?

A Variante se virou, levantando-se e parecendo pronta para mais uma luta. Entretanto, ele apenas riu e se aproximou da dupla. não ousou ultrapassar Loki, permanecendo atrás dele a uma distância segura.

— Preparem-se, Loki e — o homem falou com sua voz grave, ainda rindo. Em seguida, seu enorme corpo caiu no chão, desacordado.

Loki suspirou, olhando-o decepcionado. Estava um tanto cansado daquele jogo de esconder, mas sabia que, no lugar da variante, faria o mesmo. Já havia feito tantas vezes antes, seria hipócrita se dissesse que não usava de tal artimanha.

— Para onde ele foi? — sussurrou, aproximando-se do asgardiano que apenas deu de ombros em resposta.

Então, os dois ouviram algo atrás deles, a voz de Loki repetia suas últimas frases para a Variante como um maldito disco riscado. Ao se virarem, a encontraram parada nas sombras, dessa vez parecendo estar em uma nova – talvez a verdadeira – forma. No escuro, apenas suas mãos emitiam uma luz verde que sumiu quando se virou, caminhando para fora das sombras, finalmente tirando seu capuz e revelando sua identidade.
arfou. A Variante era completamente diferente de Loki; seus cabelos eram loiros e curtos, seu rosto era uma bela mistura de traços firmes, mas delicados. Se não fossem suas vestes e seu jeito arrogante, seria difícil dizer que a mesma era uma variante do Loki.

— Isso não é sobre você — a Variante respondeu ao asgardiano.

O momento era o mais inapropriado possível, mas tudo o que conseguiu dizer foi:

— Eu disse que era uma mulher! — Estapeou o braço do homem, sem tirar os olhos da Variante.

Loki respirou fundo, sem saber a quem responder primeiro. Estava pronto para retrucar quando todas as luzes da loja se apagaram de vez, deixando-os em total escuridão. Por instinto, agarrou a mão de Loki, que não hesitou em entrelaçar seus dedos nos dela, indicando que não era para a garota soltá-lo. Ambos giraram para tentarem olhar em volta, mas tudo o que conseguiram foi chutar uma caixa jogada no corredor, pois não conseguiam ver nada. Finalmente, as luzes vermelhas de emergência se acenderam e, mesmo olhando envergonhados para suas mãos entrelaçadas, os dois não se soltaram. Observando em volta, perceberam que as diversas cargas de reset estavam sumindo em pequenos portais como os que usavam para viajar pelo tempo. Elas não estavam fazendo nenhum efeito no hipermercado. O fato fez a dupla perceber, em suas próprias mentes, que a teoria de Loki estava errada, pois o plano da Variante era, na verdade, ramificar a Linha do Tempo. O que não entendiam era o porquê.
A alguns metros de distância, a Variante se abaixou para pegar seu TemPad, usando-o para abrir um desses portais. Ela caminhou até ele, acenou para os dois e atravessou. e Loki se olharam, completamente perdidos; a garota estava assustada e sem saber bem o que fazer. Já o asgardiano, assim que ouviu a equipe da AVT se aproximar, soltou a mão de e deu alguns passos em direção ao portal, sendo impedido pela garota, que puxou seu braço de volta.

— O que pensa que está fazendo!? — ela o questionou, olhando aflita para os lados.
— Irei atrás dela ou iremos perdê-la! — Loki respondeu como se fosse óbvio. — Você vem ou não?

olhou para trás, na direção onde Mobius e outros dois agentes aproximavam-se correndo na direção da dupla, gritando seus nomes. Até onde sabia, aquele portal podia dar em qualquer lugar do universo, em qualquer período do tempo. E tinha também a possibilidade de ser morta pela Variante assim que o atravessasse. Mas, quando olhou para o homem ao seu lado, ela sabia que ele iria com ou sem ela. Algo dentro de a fez sentir que, talvez, o melhor era ir com ele, afinal, ela não tinha nada a perder.
Com o coração disparado, ela assentiu e, segurando novamente a mão de Loki, os dois correram até o portal e saltaram pelo mesmo, que se fechou logo em seguida, deixando um frustrado Mobius e seus agentes para trás.



Continua...



Nota da autora: Sem nota.





Nota da beta: Só uma coisa a dizer: Gen foi icônica mandando um "eu sabia que era uma mulher!" hahahahaha eu adoro essa pp ❤️


Outras Fanfics:

Crepúsculo:
➽ Moon Child (Longfic - Finalizada)
➽ Moon Child: A Year Without You (Longfic - Em andamento)

Harry Potter:
➽ 02. Like Nobody's Around (Shortfic - Finalizada)
➽ 07. Fix A Heart (Shortfic - Finalizada)
➽ 10. Sorry (Shortfic - Finalizada)
➽ 16. Wolves (Shortfic - Finalizada)
➽ Playing In The Snow (Shortfic - Finalizada)
➽ The Distraction (Shortfic - Finalizada)
➽ The Exchange Student (Longfic - Em andamento)
➽ The Gift (Shortfic - Finalizada)

Harry Styles:
➽ 15 Days Of Quarantine (Longfic - Finalizada)
➽ 08. Fireside (Spin-off de 15 Days Of Quarantine - Finalizada)

Originais:
➽ 09. Count On You (Shortfic - Finalizada)
➽ Noah's List Of Clichés (Longfic - Em andamento)


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