My Romance

Última atualização: 30/06/2021

Prólogo

Viajar com um membro da realeza era definitivamente diferente de tudo que ele já havia feito antes. O avião particular mais parecia um hotel de luxo ou um teatro de grandes produções: tinha detalhes dourados, que possivelmente eram de ouro, com assentos de couro branco e fotos do Elton John. Era estranho isso, estar usando avião privado de um dos maiores cantores do mundo, mas lá estava ele. Sir Elton, quando soube que e Lola iriam retornar à Inglaterra, fez questão de mandar seu avião particular para buscá-los em Nova Iorque. Ele adorava Lola - e quem não adorava? - e era seu padrinho. Bem, pelo menos padrinho de consideração, já que Lola nunca teve um batizado ou algo do gênero. Mas Sir Elton a adorava e não deixaria sua afilhada de consideração voar em um avião comercial, de jeito nenhum.
Era muito mais fácil viajar desse jeito. já havia feito milhões de viagens no seu tempo como ator, voando de set a set em aviões desconfortáveis, esperando horas na imigração e segurança. Ele odiava tudo aquilo, então gostava das vantagens de viajar desse jeito. A segurança funcionava para eles e por eles: eles nem tiveram que tirar os sapatos e casacos. Uma breve inspeção de rotina foi feita apenas por protocolo e logo eles foram liberados para embarcar. Um carro os levou até o avião e toda a documentação necessária para viajar foi cuidada por um assessor da realeza.
Ele estava tomando uma taça de vinho branco enquanto Lola dormia, assistindo às nuvens que ficavam mais espessas conforme eles se aproximavam da Inglaterra. Era uma mudança de cenário, definitivamente. No último ano, ele e Lola ficaram na casa de seus pais, em Middletown, uma cidade do interior de Nova Iorque, que ficava há duas horas da capital do estado. Era uma vida tranquila que eles levavam - tomavam sorvete de iogurte na frente do mercado, caminhavam pelo centro da cidade sem seguranças os seguindo, passeavam no parque e jantavam em família na varanda. Era uma boa vida, uma vida tranquila, mas não podia durar para sempre.
Tinha sido um acordo entre e a família de Lola. Eles passariam um ano longe, para o bem da garota. precisava de apoio para cuidar da menina e só poderia ter isso em sua casa, com seus pais o ajudando. Por mais que os avós de Lola fossem carinhosos e prestativos, as coisas eram muito mais complicadas quando se vivia num castelo com a maior autoridade da monarquia atual.
Então, aceitou a chance assim que lhe foi dada e voltou para os Estados Unidos, sentindo como se aquele tempo em casa pudesse curá-lo. Mas não pôde. Nem todo tempo no mundo poderia resolver a bagunça que ele estava.
Ele fez o que pôde com o que tinha. Ainda estava fragilizado e mal conseguia dormir, e cuidar de Lola era definitivamente um desafio. Mas ele tinha a ajuda dos pais, que largaram tudo para ajudá-lo a criar a filha por aquele ano. Agora que voltava para a terra natal de Lola, ele estava assustado demais, morrendo de medo de como tudo seria. As coisas eram complicadas com a família real e todo mundo sabia, ele sabia quando se meteu naquilo tudo. Mas não se arrependia, de forma alguma. Não trocaria o que tinha por nada naquele mundo.

- Senhor - Uma aeromoça chamou sua atenção - Estamos prontos para aterrisar. Existe mais alguma coisa que posso fazer pelo senhor? - O loiro balançou a cabeça negativamente e a aeromoça sorriu ao se afastar.

Logo, tudo seria diferente. Toda a sua vida estava prestes a mudar mais uma vez e ele não sabia se estava preparado para lidar com tudo aquilo. Mas ele sabia que não tinha muita opção, então apenas respirou fundo e se ajeitou na cadeira de couro extremamente confortável. Quando ele abrisse os olhos, teria uma nova vida. Pelo menos, ele não estava sozinho nessa loucura toda.


Capítulo 1

- Foi uma merda! - falou ao se jogar na cama, soltando um murmúrio de cansaço - Desculpe.
- Eu já disse que não precisa me pedir desculpas toda vez que você fala palavrão - Jon resmungou e ouviu uma risada de - Não é como se eu fosse te pedir para fazer uma penitência ou algo assim.
- Você é um padre legal - disse em tom de risada e logo o irmão concordou.
- Eu sou um padre legal - Jon repetiu, mas logo mudou o tom da conversa - Mas agora me diz, o que pode ter acontecido de tão errado desde que eu te vi 24 horas atrás?

fechou os olhos, recordando o dia que estava finalmente chegando ao fim. Ao chegar ao Palácio, teve aquela visão que era sempre esplêndida e o deixava meio embasbacado conforme o carro atravessava os portões. Ele viu Lola se endireitar na cadeirinha, tentando ver mais do palácio e abriu um sorriso com aquilo.
Logo estavam estacionados no portão principal e a loucura começou. Diversas pessoas apareceram, todas em ordem, para pegar as malas com rapidez e perfeita organização. Não deu nem tempo de se esticar para tirar Lola de seu assento, pois logo uma mulher - que ele reconheceu como a babá que cuidou da menina quando ela nasceu - surgiu, tirando Lola dali com maestria. A porta ao seu lado foi aberta por um rapaz que aparentava ser jovem demais para estar trabalhando e logo ele saiu do carro, sentindo o ar gelado do verão londrino. Apesar da onda de calor que invadia o país, aquele dia parecia um pouco mais gélido do que esperado. usava uma blusa de manga comprida em um tom de cinza escuro e calça jeans - e ele se arrependeu de ter guardado seu casaco na mala de mão.

- Senhor - Um dos milhares de homens que usavam ternos pretos falou. Todos eram iguais e acenou educadamente - Por favor, me acompanhe.
- Lola, vamos - Ele estendeu a mão para a filha, que já estava de mãos dadas com a babá. A garotinha sorriu, andando em seus passos desengonçados até o pai - Obrigado - Ele agradeceu e a mulher acenou, se juntando à linha de homens e mulheres que havia se formado para recebê-los.
- Vossa Alteza Real Príncipe Albert e Vossa Alteza Real Duquesa Renée estão à sua espera no salão 1844.

Eram 775 cômodos naquele palácio e sempre se via perdido quando adentrava. Por mais que tivesse morado lá por quase um ano e aquela fosse ser sua residência por algum tempo, era tudo muito imponente: A decoração vitoriana era cheia de ouro e pompa e provavelmente um tapete daquele lugar valia mais do que sua casa em Middletown. Lola ficou cansada de andar antes mesmo da metade do caminho e a carregou no colo pelo restante do percurso até o salão 1844. Era ali que as fotos de Natal eram tiradas e que as reuniões oficiais aconteciam, mas era também a onde a realeza marcava os encontros. Talvez por ser o local mais conhecido do palácio, talvez por ser um dos maiores e mais fáceis de encontrar, ele não sabia direito - e nem ia perder tempo perguntando, se não ia ganhar uma aula de doze horas sobre a história do palácio do avô de Lola.
Assim que pisaram no salão 1844, um homem anunciou:

- Vossa Alteza Real Lourdes e Senhor - Ele sempre achava engraçado quando se referiam a Lola como Lourdes e como a chamavam de Sua Alteza Real. Ela nem tinha três anos ainda e tinha um título desses! Era algo surreal. logo voltou à realidade e abriu um sorriso quando viu os avós de Lola se aproximando.
- Lourdes, minha querida - Renée falou, se abaixando para receber um abraço da neta, que foi prontamente posta no chão e correu para os braços da avó. Por mais que ela não visse essa parte da família há um ano, ela ainda falava com eles diariamente pelo telefone e se lembrava, pelo menos, dos avós - Minha nossa, como você cresceu! Está enorme, veja isso, Albert.

reverenciou o príncipe e a duquesa com um aceno simples, porém formal. Era estranho ter que voltar a fazer essas coisas fora de um filme de época, mas tudo bem, ele iria se acostumar com isso em algum momento.

- , querido, como vai? - Renée disse com um sorriso no rosto, segurando a neta em seu colo - Você parece ótimo.
- Eu estou bem, duquesa. Muito obrigado pela recepção e por ter nos trazido de volta.
- Aquilo tudo foi sir Elton - Foi a vez de Albert falar - Ele mal pode esperar para ver vocês. Olá, meu docinho, como você está?
- Meeeoww - Lola respondeu, causando risadas nos avós e fazendo o pai sorrir meio envergonhado. O fato da garota decidir se comunicar como um gato no reencontro com seus avós da realeza não era lá muito empolgante. Eles provavelmente implicariam com isso depois.
- Agora em inglês - falou e a menina apenas riu. Aquelas bochechas rosadas que envolviam um grande sorriso sempre derretiam o coração de . Lola era um presente, definitivamente. Ela era especial e doce, derretia o coração de todos.
- Ela está igualzinha à - Renée falou com um sorriso entristecido no rosto. Ele pôde ver o pesar no olhar da mulher, mas logo ela pareceu afastar aqueles sentimentos - , você deve estar exausto da viagem. Se quiser se retirar até a Majestade estar pronta para te receber.
- A majestade gostaria de me ver? - Ele engasgou, um tanto nervoso.
- Sim - Renée respondeu - Ela gostaria de discutir a questão da sua moradia e da educação de Lourdes.
- Sim, claro, com certeza - Falou, nervosamente. A duquesa sorriu e se virou para brincar com a neta - Até mais tarde, alteza.
- Bem vindo de volta, rapaz - O príncipe falou - Estamos todos muito felizes em ter vocês de volta.

respondeu com um sorriso e logo foi guiado para seus aposentos. O quarto que ficaria era maior do que seu apartamento em Nova Iorque e tinha enormes janelas com pesadas cortinas brancas. Suas poucas malas já estavam ali e em breve ele sabia que seriam desfeitas e arrumadas perfeitamente nos armários. Ele não sabia por quanto tempo ficaria no palácio, afinal, a rainha queria discutir sua moradia. não tinha pensado muito nisso antes, ele simplesmente achou que ficariam no palácio. Por algum motivo que ele não sabia, Albert era o único filho da rainha que ainda morava no palácio de Buckingham. Todos os outros tinham residências em Surrey ou moravam em outros palácios pela Inglaterra. Albert trabalhava lado a lado da rainha, apesar de ser o oitavo na linha de sucessão ao trono - ficando atrás do irmão mais velho, dos sobrinhos e dos sobrinhos netos. Ele era o terceiro filho da rainha, o segundo homem, e nasceu sendo o segundo na linhagem ao trono - mas foi perdendo o posto com a chegada dos novos membros da realeza. Lola era a décima na linhagem para o trono, o que era absurdamente estranho. Sua filha era da realeza e ele nunca ia entender como ele havia entrado nesse filme distópico da Disney onde as fadas não existiam, mas os monstros eram muitos.

- Então você falou com a rainha? - Jon perguntou, se sentindo um pouco angustiado pela situação do irmão. Ele também ficaria bem nervoso se tivesse que falar com a rainha da Inglaterra. Provavelmente, não saberia o que falar e isso era algo raro de acontecer, pois ele sempre sabia o que falar.
- Sim. É tão estranho isso. Eu literalmente acabei de falar com a rainha - contou entre risos nervosos - Eu tinha me esquecido como isso tudo é surreal.
E tinha sido realmente surreal. foi chamado por volta das cinco da tarde para tomar chá com a rainha em um aposento perto do jardim. Lá dentro era tudo tão calmo que era fácil esquecer que aproximadamente oitocentas pessoas moravam lá. Ele podia sentir sua respiração falhar enquanto caminhava até a sala, pensando em todas as possibilidades que o rumo da conversa poderia tomar. A rainha era uma mulher imprevisível. Nas muitas vezes que havia tido a honra de encontrar-se com ela, a Rainha Elizabeth sempre fora muito calma e simpática. Sorridente, segurando sua bolsa e com cabelos perfeitamente penteados, ela tinha aquela presença imponente, mas era apenas uma pequena senhora adorável. Porém, ele já tinha escutado histórias sobre o temperamento forte da monarca e preferia sempre estar em seu agrado.

Quando sua presença foi anunciada, a rainha desviou seu olhar da janela para e ele sentiu seu corpo congelar. Se ela era uma reptiliana ou não ele não sabia, mas, definitivamente, ela tinha um olhar que podia matar qualquer um do coração. a reverenciou e ela estendeu a mão direita para um aperto de mão. Duas balançadas, olhando diretamente nos olhos da rainha, ele podia sentir sua alma saindo do corpo.

- Como vai, senhor ? - Ele tinha trinta e seis anos, era absurdamente estranho ser chamado de senhor, mas ele apenas sorriu.
- Excelente, vossa majestade - Ela apontou para a poltrona a sua frente e logo sentou. Com um aceno chá foi servido para ele, que agradeceu a gentileza. Era tudo muito rápido por lá.
- Ótimo - A Rainha sorriu - Estamos radiantes com a chegada de Lourdes ao palácio. Porém, tenho algumas preocupações que gostaria de discutir com você. - Claro - Ele segurou as mãos, que estavam suadas, e ficou preocupado se a rainha tinha percebido que suas mãos pareciam manteiga. - Não houve nenhuma melhora, como você sabe - assentiu pesarosamente - E eu estava pensando, junto a Albert, que talvez fosse melhor vocês irem para alguma de nossas residências no campo. Nós providenciaremos tudo, obviamente, para que vocês tenham todo conforto. Quando Lourdes chegar na idade escolar, quem sabe, vocês poderiam retornar para Londres. Mas talvez agora a melhor coisa para vocês seria ficar em um ambiente mais sereno. O que você acha, Senhor ?
- Eu… Eu acho incrível, vossa majestade. Não queremos dar trabalho.
- Ora, não será trabalho nenhum. É um prazer ter a pequena Lourdes por aqui, mas não consigo imaginar uma criança crescendo em tais circunstâncias atualmente - Ela deu de ombros e sorriu. Logo trocou a bolsa que carregava de lado e soube que era hora de partir.
- Muito obrigado, vossa majestade.
- Espero ver o senhor e Lourdes mais tarde no jantar. Convidei William, Catherine e as crianças para recebê-los. Eles ficaram muito alegres ao saber do seu retorno.

agradeceu novamente e reverenciou a rainha mais uma vez, antes de ser escoltado para fora do salão. Ele nem tinha tocado no chá que lhe fora servido, mas era melhor assim, pois, além de odiar chás, ele queria realmente sair da presença da rainha para poder respirar normalmente.
A notícia foi boa. Seria um alívio não ter que morar naquele lugar com tanta gente, tanta informação. Ele gostava do campo, seria um bom ambiente para Lola crescer. Poderia criá-la com mais liberdade. Ainda que, se os avós de Lola fossem morar com eles, as coisas acabariam sendo quase iguais as no palácio, seria melhor do que viver no centro da monarquia moderna.
Então, quando ele se deitou na cama, se sentiu aliviado. Despediu-se do irmão e ficou olhando para o teto por algum tempo, pensando no dia que tivera e na vida que ia levar dali em diante. Ele sempre soube que seria difícil, mas nunca pensou que fosse ser tão difícil assim.
Foi então que, finalmente, ele tomou coragem de fazer aquilo que mais precisava. Respirou fundo ao levantar-se da cama, sentindo todo o seu corpo arrepiar; aquele nervoso que fazia parecer que aquela seria a primeira vez que a veria. Mas era como se fosse a primeira vez, de qualquer jeito. Ele sempre se sentia assim, com o estômago revirado e com as mãos suadas, quando atravessava o corredor em direção ao quarto.
Abriu a porta, sendo tomado pelo ar gelado do cômodo. Apesar de ter a mesma decoração vitoriana, aquele quarto não era como os outros do palácio. Ele sentou-se na cadeira ao lado da cama e abriu um sorriso, apesar de seu coração estar totalmente partido.



Capítulo 2

They've managed to get rid of me
I'm gone without a trace,
But sear the soul and leave a scar
No treatment can erase.
They cut away the cancer,
But forgot to fill the hole;
They moved me from your memory
I'm still there in your soul.
Aftershocks - Next to Normal


e Lola chegaram ao salão um pouco suados depois de atravessar o que parecia ser o palácio inteiro. Ele não sabia como a Rainha, em seus 94 anos de idade, conseguia fazer tudo aquilo e continuar viva. Provavelmente, existia um elevador ou uma passagem secreta apenas para ela e para o duque de Edimburgo usarem. Se ele, nos seus 36 anos, se sentia exausto e dolorido depois de subir as escadas, nem podia imaginar como a Rainha se sentia.
Logo que entraram foram anunciados - Senhor e Vossa Alteza Real Lourdes - e os acenos e cumprimentos começaram. teve que segurar a filha um pouco mais apertado, para que ela não saísse correndo para os braços dos avós ou fosse direto brincar com os primos. Se era chato para ele ter que falar com tantas pessoas, imagine para uma criança daquele tamanho?

- , como vai? - Príncipe William, que estava perto da porta, foi o primeiro a falar. Ele estendeu a mão para , que logo retribuiu, e os dois sorriram um para o outro - Como foi a temporada nos Estados Unidos?
- Ah, foi excelente - disse, tentando parecer calmo. Ele estava à frente do futuro rei da Inglaterra e ele parecia mais calvo do que da última vez. só conseguia olhar para suas entradas evidentes - Lola, digo, Lourdes adorou - Ele corrigiu rapidamente, pois apelidos não eram comumente permitidos entre a realeza. Claro que alguns passaram, como Harry e , mas não era muito comum. Por ser tão extremamente de fora da realeza, preferia manter as normas para não ter nenhum problema.
- Nós estivemos nos Estados Unidos recentemente - William falou - Fomos a um jantar na casa branca. Aquele homem definitivamente é algo fora do comum - soltou uma risada - Para não dizer completamente pirado. Não conseguia olhar para ele sem ter vontade de rir.
- Ele definitivamente é…
- , como vai? - A duquesa Catherine disse, interrompendo a conversa com seu enorme sorriso - Lourdes, querida, como você cresceu!

gostava muito de Will e Kate. Eles eram quase pessoas normais, apesar de serem perfeitos e educados demais para serem humanos. Eram sempre muito simpáticos e solícitos, com seus sorrisos largos e conversas agradáveis. Uma coisa que o confortava era saber que Lola iria crescer com seus primos, os filhos de Will e Kate, e não ficaria totalmente sozinha e isolada nessa vida absolutamente louca de realeza. Mesmo que se eles se mudassem para o campo, eles ficariam um tanto afastados, mas não era nada que o desesperasse tanto - como todas as outras coisas que o deixavam completamente maluco.

- Grande! - Lola falou toda empolgada. Kate pediu para segurá-la no colo e logo a menina se juntou aos primos mais velhos.

Logo, o príncipe Philip, o príncipe Charles e o príncipe Albert se juntaram numa conversa agradável sobre polo, que não entendia bem. As mulheres, incluindo Lola e a rainha, estavam sentadas perto da janela. Lola ria ao falar com a bisavó e só pode sorrir, desejando tanto que estivesse ali para ver como as coisas tinham dado certo. Como tudo tinha ficado bem. Seu coração se encheu daquele sentimento esquisito que nunca passava, era como se todo o seu corpo estivesse sendo tomado por um vazio, como se ele estivesse sendo engolido vivo por um buraco negro. Suas palmas das mãos estavam suadas e logo ele sentiu um tremor invadir seu corpo. Ele tentou agir como se nada estivesse acontecendo, mas sabia que estava.
sorriu por todo o jantar, sentindo aquele vazio se expandir a cada segundo. A conversa desinteressante o mantinha ali. Ele prestava atenção em cada palavra para não focar no que estava sentindo. Sua cabeça parecia pesar e o ar lhe faltava. Quando a Rainha colocou os talheres, dando a entender que o jantar havia terminado, se sentiu aliviado. Despediu-se de todos o mais rápido que pode, sendo o mais educado possível, com um sorriso amarelado e testa suada. Levou Lola até seus aposentos, onde uma babá a esperava e informou que colocaria a menina para dormir. Era tudo muito estranho, pois ele estava acostumado a ter aquela rotina com Lola, colocá-la para dormir e ficar com ela por algumas horas ao seu lado, apenas a olhando, até que ele conseguisse relaxar o suficiente para dormir. Mas naquela noite, na primeira noite de volta ao palácio, ele decidiu seguir pelas regras. Despediu-se da filha com um abraço apertado, que lhe trouxe lágrimas aos olhos, e foi o mais rápido possível para seu quarto.
Suas mãos estavam tremendo mais do que ele gostaria de assumir. Seus olhos ardiam e aquele vazio já não consumia apenas o seu peito, mas sim todo o seu corpo. Sua garganta estava seca e faltava-lhe ar.
Ele deitou na cama, olhando para o teto, tentando focar sua visão no lustre. Era um belo lustre, deveria ser bem caro. Será que estava limpo? Ele não sabia, mas precisava saber. De repente, ele se sentiu inquieto, uma onda de adrenalina o invadindo, e ele começou a revirar o quarto em busca de coisas que podia usar para limpar o lustre. Ele nem conseguia alcançar o lustre, apesar de ter tentado, e aquilo lhe causou tremenda frustração.
Antigamente, quando ele se sentia frustrado ou abatido, ele cantava. Era um grande fã de música pop. Sempre descontava suas frustrações em canções da Taylor Swift enquanto dirigia de um ponto a outro em Midtown. Gostava de ouvir os clássicos, como Frank Sinatra e Elton John, e às vezes se pegava ouvindo um pouco de country por influência de seu pai. Mas ele sempre voltava para os showtunes. Amava as canções da Broadway com todo o seu coração. Elas o transportavam para outro mundo, para outro universo. Era como se vivesse uma vida dentro de sua própria vida.
Mas agora, enquanto estava abalado e abatido, ele não conseguia pensar em música. Sua cabeça ecoava. Fazia tempo que não ouvia nada, que não pensava em música. Nem cantar para Lola ele cantava mais. Nunca pensou que fosse chegar ao ponto de enjoar de música, mas ele havia enjoado. Não se sentia mais capaz de usar a sua voz, era como se sua garganta estivesse fechada.
Então, agora, enquanto seu corpo parecia falhar e ele ia se sentindo mais perdido e fraco, tudo que ele podia repetir era um mantra que havia lido em algum lugar: Você não quer morrer essa noite. Você não quer morrer essa noite. Era tudo que ele podia pensar e repetir. Você não quer morrer essa noite.
Era o único jeito de afastar aqueles pensamentos, que tão sorrateiramente invadiam sua mente. Ele tinha que se agarrar a algo de qualquer jeito, qualquer coisa que o fizesse continuar já era o suficiente.
fechou os olhos. Sua mente o traía, o levando para lugares sombrios. Mesmo em seu pior pesadelo, em seus pensamentos mais pessimistas, ele jamais havia pensado que chegaria aquele ponto. Mas, quando se está no fundo do poço, tudo que você pode fazer é cavar para ir mais para o fundo. Então se levantou, tomou seus remédios prescritos por um médico judeu com problemas de audição e deitou-se no chão. Era frio ali, apesar do carpete, mas era melhor do que na cama. Deixou os remédios fazerem seus efeitos, sentindo seu corpo relaxar, mas nunca totalmente.

Você não quer morrer essa noite foi seu último pensamento antes de dormir.


Capítulo 3

But baby, you gotta believe me when I say
I'm helpless without you
Love has flown
All alone, I sit, I wonder why
Oh, why you left me?
Sandy - Grease


- Como você está? - Jon perguntou assim que o irmão atendeu a ligação. Ele estava preocupado, obviamente. Quem não estaria? Jon, apesar de ser cinco anos mais novo que , sempre cuidou do irmão. Era Jon que o consolava por papéis perdidos em filmes e peças; era Jon quem o ajudava a se recuperar do coração partido; e agora era Jon quem ajudava a botar sua cabeça no lugar. Podia ser sexto sentido de irmãos, mas Jon normalmente sabia quando não estava bem, o que ultimamente era mais frequente do que ele gostaria de assumir. E aquele era um desses dias.
- Ótimo - disse com sua voz mais convincente. Ele podia estar enganando as pessoas daquele castelo, afinal, elas não lhe davam muita atenção. Era como se fosse parte do papel de parede do castelo. Eles podiam saber de sua presença, mas não percebiam que ele estava lá. Ele comparecia aos jantares e tomava chá da tarde com duques e princesas, mas como não fazia parte da família real, não tinha um trabalho ou algo assim. Era um agregado, basicamente.
Ele acordava cedo, antes de baterem à sua porta para avisar que o café da manhã havia sido servido. Tomava um banho longo e bem gelado para espantar tudo que estava sentindo na noite anterior. Depois, ia até Lola e quebrava os protocolos, ajudando a garota a se preparar para o dia. Os dois tomavam café da manhã juntos, às vezes acompanhados do príncipe Albert e da Duquesa Renée, às vezes sozinhos, dependia muito dos compromissos da família naquele dia. Depois, Lola era levada por tutores, que a ensinavam coisas básicas e muito maduras para uma criança de um ano e quatro meses. Ela tinha aulas de etiqueta e até mesmo já sabia reverenciar a rainha - o que achava a coisa mais adorável e precoce do mundo. Ela estudava francês, como todos os membros da realeza. Tudo era ensinado por tutores que realmente se importavam com ela e, para Lola, tudo aquilo era uma grande brincadeira. Às vezes, podia ficar e ver as aulas, mas na maioria dos dias não era permitido, então ele ia correr pelos jardins da Rainha. Fazia isso algumas vezes por dia e estava na melhor forma que um dia já esteve, até mais do que quando tinha que subir e descer um bilhão de escadas em Next to Normal, ou dançar por horas a fio em Wicked.
Depois do almoço, ele passava um tempo com Lola. Brincavam nos jardins, pintavam e dançavam juntos. ficava impressionado com o quanto a menina estava crescendo e se desenvolvendo bem. Ela era uma criança muito engraçada e divertida, sempre fazendo graça e se exibindo para todos ao seu redor. Ria de tudo e para tudo; adorava os cachorros da rainha e seu conto de fadas favorito era o da Branca de Neve.
Ao entardecer, boa parte da família real que morava no castelo se reunia para tomar chá e comer biscoitos, juntos aos cachorros e às crianças. Lola, no começo, corria sem parar de um canto a outro, rindo e falando alto, mas agora já estava se comportando mais nos padrões da realeza, o que para era uma pena. Ainda assim, ele sabia que era melhor ela ir se adaptando aos moldes da família real, já que aquela era sua família, e seu futuro era ali, com eles.
Depois, levava Lola para dormir e seguia para o quarto no fim do corredor. Ficava lá por algumas horas, lendo ou falando com os amigos por mensagem. Quando era hora de dormir, ele apenas se despedia e voltava para seu quarto, tomava seus remédios e tentava dormir o mais rápido possível.
Havia muitas regras a serem seguidas e tentava entender e respeitar todas. Ele tentava, na maioria das vezes, em vão se encaixar naquele mundo. Mas não conseguia e aquilo pesava mais nele do que gostaria de assumir.
Mas aquilo era o de menos. Ele podia lidar com a apatia monarca facilmente se não se encontrasse na situação que estava.
Desde que chegou no palácio, tudo havia ficado mais confuso. Nos tempos em que esteve na casa dos pais era mais fácil esconder sua dor. Ele cuidava obsessivamente de Lola e aquilo ocupava sua mente. Mas, agora, nesse lugar onde tudo era feito para ele, seus pensamentos facilmente iam para aquele lugar sombrio.
E, além do mais, tudo lhe lembrava . Aquele palácio lhe trazia tantas memórias, tantas lembranças tão boas, que ele se via perdido nelas mesmo quando não percebia. E isso estava afetando seu emocional - e seu corpo - mais do que ele conseguia colocar para fora em palavras.
Suas mãos estavam sempre tremendo e não era por causa do clima da Inglaterra. Estava sempre enjoado e tinha dores de cabeça bem fortes. Nunca estava se sentindo bem, ou ao menos confortável. E Jon sabia bem disso.
- Sua voz mudou - Jon comentou calmamente. Não queria assustar o irmão ou pressioná-lo, mas sabia que aquela conversa não seria lá muito agradável - Mal parece você.
- Não seja ridículo - falou - Minha voz está a mesma. Talvez eu esteja ficando um pouco resfriado.
- Você sabe que pode voltar para casa se quiser, não é?
- E deixar a Lola sozinha? - Sua voz, dessa vez, mudou. Ficou um pouco mais trêmula. Não era como se ele não pensasse nisso todos os dias. Tudo que queria era poder voltar para casa e fugir daqueles fantasmas que o assombravam, que agora estavam mais perto do que nunca.
- Não é como se você fosse um prisioneiro, - Jon disse - Eu aposto que se você conversar com a Rainha, ela vai entender.
- Ela já quebrou regras demais me deixando ficar esse ano longe - Ele falou pesarosamente - Eu tenho que ficar aqui, eu tenho que estar com ela.
- Você realmente acha que é isso que iria querer para ela? Pra você?
- Como eu vou saber o que ela iria querer, Jon?- Seu sangue pareceu ferver e ele sentiu seus olhos queimarem, falando mais alto do que deveria. Apesar de estar bem afastado no jardim, ele estava com uma governanta enquanto Lola corria alegremente pelo vasto campo verde. A governanta olhou para ele e tudo que pôde fazer foi acenar para ela, o que provavelmente pareceu falso demais - Ela não está aqui pra me ajudar nessa.
- Eu sei, eu sinto muito por isso, mas…
- Não tem mas nenhum, Jon. Eu tenho que me virar nessa bagunça, sozinho.
- Você não está sozinho…
- Eu sei, eu tenho Deus - se ajeitou no banco, respirando fundo. O irmão riu.
- Sim, claro. Mas não é sobre isso. Talvez mamãe possa ir passar uns tempos com você…
- Jon, não sei se você entende, mas não funciona assim. Eu tenho que ficar aqui e eu tenho que fazer isso sozinho.
- Tudo bem, . Mas você sabe que não precisa necessariamente ser assim. Eu li que a princesa Kate tem ajuda dos pais quando viaja. E eu posso pedir um afastamento e ir ficar com você.
- Você acabou de conseguir seu ministério, Jon. Eu não seria louco de te pedir isso. Mas obrigado por tentar, de verdade. Eu vou ficar bem, eu só preciso de algum tempo para colocar minha cabeça no lugar - Repetiu a frase que vinha falando no último ano para todos que lhe perguntavam como ele estava.
- Você tem todo o tempo do mundo. Não deixe isso te matar, cara. Não foi sua culpa. desligou a ligação se sentindo mais lixo do que nunca. Ele podia saber que não havia sido sua culpa, mas mesmo assim isso não tornava nada mais fácil. Quanto mais ele pensava no que tinha acontecido, mais culpado se sentia. E a culpa era algo pesado demais para ele carregar.


Capítulo 4

Every now and then
A madman’s
Bound to come along.
Doesn't stop the story-
Story's pretty strong.
Doesn't change the song…
The ballad of Booth - Assassins


Era um jantar oficial para comemorar o fim do maldito verão que trouxe uma onda de calor absurda para a Inglaterra. Todos estavam de péssimo humor devido ao calor, apesar de terem dias lindos e quentes, ninguém realmente aguentava mais aquela temperatura quente. O outono estava chegando, trazendo os Pumpkin Pie Lattes e as folhas caindo. Lola estava empolgadíssima com aquela festa de fim de verão nos jardins da Rainha. Usava um lindo vestidinho de mangas rosa com detalhes em renda e seus poucos cabelos ruivos estavam adornados com um lacinho da mesma cor. A festa, que aconteceria durante a tarde, teria os membros da família - que já eram suficientes para encher um auditório! - e as melhores comidas que a Inglaterra podia oferecer. Não era lá um churrasco americano com cachorro-quente e salada de batata, mas era o mais próximo de reunião familiar que Lola teria durante um tempo.
O jardim já estava cheio, todos bem arrumados com suas taças de champanhe e seus perfumes caros. foi andando, timidamente, entre as pessoas. Cumprimentava uma ou outra quando era reconhecido - para muitos, ele ainda era o ator americano que havia invadido a família real. Logo, ele avistou príncipe Albert conversando com príncipe Harry, que, como sempre, foi muito simpático ao vê-los.
- Lola, como você está enorme! Venha cá, minha companheira de cabelos! - Harry falou, abrindo os braços para a prima. sorriu com a cena, pois era sempre bom ver que Lola era querida pela própria família.
- Ruivo! - Lola contou a palavra que tinha aprendido essa semana, impressionando o pai, que só faltava se derreter pela menina.
- Bate aqui! - A garota o fez, causando risadas em - Como vai, ? Se adaptando à vida no palácio?
- Ele já está se enturmando. Só falta aprender a jogar squash - Albert contou, apesar de não ser muito verdade. Ele nunca tinha convidado para jogar squash.
- Excelente! - Harry comentou - Aliás, qual é o seu time de futebol?
- Dallas Cowboys - Falou, sem nem perceber, e Harry começou a rir - É mais forte do que eu.
- Com tanto time no mundo… - Harry falou - Você precisa aprender a torcer pelo nosso futebol. Estamos marcando de ir ao jogo do Arsenal contra Real Madrid essa semana, você gostaria de ir?
- Wow, claro! - respondeu, um tanto surpreso - Eu tenho amigos no Real Madrid, na verdade. Vai ser ótimo.
- Então, está combinado! - Harry sorriu antes de pedir licença e se retirar.
- Bom trabalho, garoto - Albert disse, dando dois tapinhas no ombro de , que estranhou, mas ficou quieto. Logo, o mais velho se retirou, deixando e Lola sozinhos no meio do gramado.
Um sorriso amarelado estava em seu rosto e seus olhos ardiam. Suas mãos tremiam, mas ele não deixaria Lola notar qualquer coisa. Logo, a garota viu seus primos e foi até eles, deixando sozinho ali. Aquele sentimento que sempre vinha o deixou tonto e ele precisou sair dali para buscar ar, por mais que estivessem em ambiente aberto.
Ficou sozinho por algum tempo, suas mão trêmulas, tentando respirar melhor. Nem percebeu quando o futuro Rei da Inglaterra - isso é, se Elizabeth um dia fosse descer do trono - chegou até ele.
- Espero não ter te assustado - Príncipe Charles falou com um sorriso no rosto - Como vai, rapaz?
- Bem, vossa alteza - Disse ao reverenciar o homem.
- Faz tempo que não te vejo. Você estava na América, não é mesmo? - assentiu positivamente - E como anda a situação? Nenhuma melhora?
- Nenhuma, senhor.
- Não é melhor simplesmente desligar os aparelhos? Eu nem imagino o sofrimento que isto causa a ela e ao meu irmão.
ficou sem saber o que falar, pois essa possibilidade nunca lhe passou pela cabeça e apenas a ideia dela o deixava com falta de ar. Precisou de alguns segundos para se recompor e o príncipe percebeu.
- Não quero me meter onde não devo, obviamente. Mas essa situação claramente já se estendeu por tempo demais. Talvez seja melhor começar a pensar nisso, pois mais cedo ou mais tarde vai acontecer - O príncipe falou e abriu um sorriso - Boa noite, rapaz.
não sabia o que dizer. Estava com raiva. Que atrevimento! Ele podia ser o futuro rei da onde fosse, mas ele não tinha o direito de falar aquelas coisas e sair como se nada tivesse acontecido. Como se não fosse nada.
A cada dia, ele acreditava mais que aquelas pessoas não entendiam o que estava acontecendo, ou acreditavam que a situação fosse ser contornada. Parecia que só ele continuava acreditando e isso o deixava louco.
Teve que se retirar. Não tinha jeito, ele tinha que sair dali. Lola ficaria bem, estava com os avós, tios e primos. Ele precisava dela, precisava vê-la, precisava ter certeza de que ela estava ali e que nada mudaria isso.
Foi andando em passos longos e rápidos até o quarto no fim do corredor, onde a realeza ficava. Não pediu licença, não esperou ser recepcionado, ele apenas entrou e segurou sua mão. Não conseguia falar, tinha um bolo em sua garganta e ele apenas podia chorar. E chorava muito, não conseguia parar nem para respirar. Estava guardando aquilo desde que havia chegado e o peso estava o deixando louco. E foi aí que ele sentiu algo, um toque dócil, mas firme, que o fez se afastar no susto. Sua cabeça estava lhe pregando peças e aquela era a mais dolorosa delas. Mas quando sentiu o aperto firme novamente em sua mão, não conseguiu conter o riso de surpresa e admiração.
Príncipe Charles podia enfiar aquela ideia no rabo.




Continua...



Nota da autora: Aaaa olá. Não tenho muito a dizer além de que sinto que a fic está finalmente começando. Eu sou apaixonada pela família Tveit, eles são uns fofos e eu amo o Jon demais! Então continuem lendo e pfvr dê um coraçãozinho. xx bru



Nota da beta: Eu amo essa história com todo meu coração, a Lola é a coisinha mais fofa desse planeta e eu vou daqui até Marte pra proteger ela e o Aaron! Eu tô é LOUCA pra ver o encontro deles com a Addie, de verdade! Tu manda muito, Bru <3 Caixinha de comentários: O Disqus está um pouco instável ultimamente e, às vezes, a caixinha de comentários pode não aparecer. Então, caso você queira deixar a autora feliz com um comentário, é só clicar AQUI.



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