Última atualização: 12/06/2021

Capítulo 1

Flashback on

Quando mencionou para que seu pai conseguiu uma promoção para trabalhar em Boston e, consequentemente, iria se mudar para lá, elas fizeram de tudo para realizar o sonho de infância de irem morar e estudar juntas numa escola americana.
— Não acredito que isso tá realmente acontecendo — exclamou para a melhor amiga, assim que ambas saíram do carro e encararam a nova casa.
— Tudo como a gente planejou — assentiu sem conter a animação. — O quarto da frente é meu — ela gritou e saiu correndo para dentro da casa, sendo seguida pela outra.
O resto do dia foi dedicado à arrumação, com direito a música alta e um pequeno show das garotas, apenas dando um descanso quando decidiram pedir comida. Após irem para seus quartos, acabou se distraindo enquanto tentava guardar o máximo de coisas possíveis e, ao olhar o relógio, que já anunciava 3:33 AM, seguido por um barulho vindo do lado de fora, imaginou, baseado nos filmes e livros de terror, que no mínimo poderiam ser gnomos de jardim assassinos.
— Mas que gnomo bonito. — Ela avistou um garoto de cabelos tão escuros que se mesclavam com a escuridão da noite subir a escadaria da casa ao lado e observou atenta a cada movimento dele.
Ao sair do Uber e se dirigir até sua casa, percebeu a luz da casa ao lado ligada e a sombra na janela, olhando naquela direção e parando seu olhar nos olhos castanhos de uma silhueta feminina, que, ao perceber que havia sido descoberta, saiu de seu campo de visão o mais rápido possível. Ele riu para si mesmo e entrou em casa, tendo uma recepção nada agradável de sua mãe.
, onde você estava a essa hora?— ela começou mais uma das diversas broncas já dadas ao garoto, com a voz um pouco mais alta do que o normal, não tanto para não acordar Reese, a filha mais nova, mas num tom já acostumado com a teimosia dele, tentando sempre fazer o papel de mãe, apesar da vida um tanto quanto corrida.
— Boa noite, mãezinha. Te amo também, viu. Eu estava estudando com os meninos, nada demais — falou calmamente, enquanto subia as escadas, esperando que a mulher não o seguisse.
— Garoto, você acha que eu sou o quê? Quem não te conhece que te compre...
— Mãe, tá bom, desculpa, não vou mais chegar tão tarde assim. Você já vai pegar fama de barraqueira para os vizinhos que acabaram de chegar — ele brincou e recebeu um olhar de desaprovação da mãe que, após mais uns minutos de bronca, dessa vez num tom mais baixo, o deixou ir para seu quarto.
adentrou o cômodo e, ao fechar a porta, seu corpo se encheu de curiosidade, o que o fez abrir a persiana para buscar pela nova vizinha, nem fazendo ideia de que tinha escancarado a janela ao escutar os “gritos” e agora se escondia embaixo dela, mas, sem nenhum sinal da garota, se jogou na cama e ligou para .
, que porra… acabei de chegar em casa dando uma de ninja para minha família não me escutar e você me liga assim?— Ele escutou uma voz chateada do outro lado da linha e começou a rir.
— Cara, minha mãe me deu o maior susto. Ela nem acreditou quando eu disse que a gente estava estudando.
— Fala pra mim, , por todos os nossos anos de amizade, que você não disse que a gente estava estudando! — fez uma voz de desapontamento e o garoto apenas permaneceu calado. — Você é uma decepção, vou contar pro .
— Tá bom, mãe... Tô indo, vou tomar um banho pra esfriar a cabeça.
Enquanto isso, , que permanecia escondida embaixo da janela, se assustou ao ver sua amiga entrando silenciosamente pela porta, a puxando para o mesmo esconderijo.
— O que cê tá fazendo aí criatura?
— Vizinho gato, quarto ao lado do meu. , todas as fanfics que eu li com esse tema estão se materializando agora — ela falou e levantou a cabeça lentamente para tentar ver algo.
— Se eu te disser que ele tá sem camisa agora você pira mais do que já tá pirando?— se levantou e viu em seus pensamentos a visão dos deuses, até a puxar de volta. — Tá louca? Tem um espelho na frente dele.
— Tem um espelho…? E por que você não me avisou?
— Porque se ele te visse, eu ia rir muito — ela falou e recebeu um tapa da amiga como protesto.
— É melhor a gente ir dormir, ou tentar dormir, amanhã tem muita coisa pra fazer.
— Inclusive providenciar uma cortina para esse seu quarto, esse garoto tem cara de ser taradão.
— Vai agachada, se não ele vai saber que a gente tava vendo ele.
— Amada, ele nem tá mais no quarto — se levantou e foi andando até a porta do quarto. — Boa noite, .


No outro dia, fez questão de acordar pulando em sua cama, o que a fez grunhir como resposta.
— Sai, eu só vou acordar de 10 horas.
— Já são 11, bonita. A gente vai sair pra fazer compras, temos um jantar com os vizinhos da casa ao lado, inclusive o garoto que você tava secando de madrugada vai estar.
— Ah é? Como você sabe?
— Ele morar lá já é uma boa resposta, vai se arrumar logo.
Ao chegarem à casa dos vizinhos, já se encontrava animada com a possibilidade da amiga perder a sanidade ao ficar em frente ao seu novo crush, que foi justamente quem abriu a porta, com um sorriso extremamente encantador na direção das duas.
— Boa noite… — Ele parou por um momento ao olhar para , se lembrando vagamente dos mesmos olhos castanhos se desviando de seu olhar na janela da casa ao lado na noite anterior. — Meu nome é , vocês devem ser o senhor e a senhora .
— Sim, mas sem formalidades, nós não estamos tão velhos assim — a mãe de brincou e sorriu em assentimento, se virando na direção das duas garotas logo em seguida.
— E vocês são…
… e essa é a…
. — A amiga lançou um olhar orgulhoso em direção à garota antes paralisada, que sentiu toda sua pele arrepiar ao apertar a mão do menino à sua frente.
os guiou até a sala de estar, onde seus pais e sua irmã se encontravam, e, durante a conversa, ele pôde reparar melhor nas duas garotas e em suas características excêntricas, parando ao perceber que seus pensamentos com já estavam chegando ao extremo do erótico e decidindo se levantar antes que o seu membro resolvesse se pronunciar sobre isso. Após o jantar, eles se despediram e os quatro vizinhos voltaram para casa, sem perder nenhum segundo de provocações silenciosas para a amiga, só parando quando fechou a porta de seu quarto na cara dela.
— Boa noite pra você também, criatura ridícula — ela respondeu rindo e automaticamente lançou um olhar para a janela da outra casa, onde conseguiu visualizar concentrado tocando violão.


Capítulo 2

Três semanas depois de se mudarem, e começaram a estudar na escola Liberty e foram cobiçadas pelos garotos, pois, como diziam, elas eram “exóticas”. A animação que isso trazia às duas no começo tinha se transformado num tédio de uma rotina, passadas mais algumas semanas. Porém, para , só bastava chamar a atenção de um garoto, que por um acaso também era seu vizinho, . Ela já havia ouvido rumores de que ele estava interessado nela, mas junto a esses foram surgindo mentiras e a fama dela e da amiga. Isso a fazia ficar extremamente nervosa só em se aproximar do garoto. Isso e o fato de que ela nunca tinha beijado, mas só quem sabia desse detalhe era , pois todos os outros alunos falavam de como elas ficavam com um diferente a cada semana. As provocações foram tantas que chegaram ao ponto de sair chorando de uma aula de educação física e, sem para xingar qualquer pessoa que ousasse encostar um dedo na sua protegida, foi parar em um banheiro do colégio ainda inexplorado por sua curiosidade, sem saber que estava sendo seguida pela capitã das líderes de torcida.
— Por favor, só me deixe em paz — ela disse, ainda com vestígios de lágrimas no canto das bochechas ao avistar a garota branca como a neve, com cabelos castanhos compridos, empurrando a porta de entrada do banheiro e sendo surpreendida após ela correr em sua direção e a abraçar logo em seguida.
— Eu sinto muito, mesmo — a menina falou, ainda a abraçando. Apesar de se lembrar de que nunca recebeu sequer um olhar estranho da garota, ela era uma delas, e isso a fez ficar extremamente confusa.
Mais algum tempo depois e, apesar de no começo se recusar a se aproximar da garota, pois, para ela, era “o estereótipo de vilã de filme adolescente”, o jeito doce e ingênuo da menina acabou a convencendo de que nem toda capitã das líderes de torcida era a típica menina malvada que se finge de boazinha.
— Você soube que o está querendo falar com você na hora do intervalo? — perguntou assim que chegou à mesa onde e já estavam sentadas. A ida da garota à mesa mais afastada do refeitório já estava se tornando frequente e, apesar de alguns olhares reprovadores das outras líderes de torcida, tinha vezes que ela passava o intervalo todo com as duas. Na verdade, para a garota, ela se sentia mais à vontade com as brasileiras do que com as outras companheiras.
— N-não… E quando é que ele vai falar comigo? — perguntou já nervosa. O garoto sempre era legal com ela, diferente de grande parte, mas já havia deixado claro que sempre há segundas intenções nas ações dos garotos.
— Provavelmente ainda hoje, mas como só vai ser amanhã, nós temos tempo para te preparar. — revirou os olhos ao perceber o semblante confuso da amiga. — Para o encontro, ué.
— ENCONTRO? — Ao perceber que havia alterado o tom de voz, fazendo com que grande parte do refeitório as encarasse, a puxou mais para perto e cochichou. — Só porque eu vou falar com ele no intervalo vai ser um encontro?
, sobre o que você acha que ele vai querer falar com você a sós? — , que não tinha dito uma palavra desde que havia sentado na mesa, se pronunciou. — Eu já falei pra você…
— Toda ação de qualquer garoto sempre tem uma segunda intenção — completou sem mesmo falar, o que gerou um sorriso orgulhoso na amiga.
— Se você ainda não descobriu essa segunda intenção, já está meio tarde, porque ele tá vindo aí. — bateu nas costas da amiga e se afastou, dando o espaço certo para , que havia acabado de entrar no refeitório com um pequeno grupo de meninos, ficar ao seu lado.
— Ei, — o garoto falou com um sorriso, após cumprimentar e . — Não sei se você se lembra, mas semana passada você faltou à aula de história e a professora passou um trabalho e me pediu para ficar com você… como dupla, ficar como uma dupla. — sentiu o nervosismo subir e o seu peito esquentar, pedindo aos céus para que ninguém tivesse descoberto e falado a que ele havia pedido à professora para fazer o trabalho com ela. Ao ver que ela assentiu com a cabeça, ele prosseguiu. — Queria saber se a gente podia fazer o trabalho amanhã no intervalo, porque já é para depois de amanhã e…
— Sem problemas. Podemos fazer sim — a garota respondeu com um ar de desapontamento.
— Ótimo, então te vejo amanhã. — Ele deu um sorriso e se despediu das garotas, deixando finalmente as três sozinhas.
— Por que você parece desapontada? , acorda! — chamou a amiga ao ver que ela se encontrava pensativa.
— Eu não tô desapontada, eu só… Vocês já vieram falando de encontro e ele só tava querendo fazer o trabalho. Eu avisei.
— Eu não comprei essa história da professora juntar logo vocês dois. — olhou para , que concordou com a cabeça. — E outra, ele mora do nosso lado, por que quer se encontrar logo no colégio? Sei não, isso tá parecendo muito errado…
— De qualquer forma, hoje eu vou para a casa de vocês e vamos resolver qual vai ser o seu look de amanhã. Agora eu tenho que ir para o treino. — sorriu amigavelmente antes de se afastar da mesa das duas.
No outro dia, ao entrar no quarto de para pular em sua cama e a acordar como de costume, encontrou a amiga parada de frente do espelho, com a roupa escolhida por elas no dia anterior.
— Eu to me sentindo estúpida. — Ela olhou para a garota, que lhe deu um olhar reconfortante e apoiou a mão em seu ombro.
— Isso é porque você é… Agora para de besteira, você tá linda e ele não pode fazer nada que você não queira.
— Esse é o problema, eu acho que quero. Mas não sei como… — Ela se deitou na cama, acompanhada pela amiga logo em seguida.
— Se isso for te fazer se sentir melhor, eu e vamos ficar escondidas caso você se desespere e tussa propositalmente. Aí aparecemos lá do nada e te tiramos de perto dele. —
Apesar do apoio das amigas, não conseguiu prestar atenção em nenhuma aula, fosse pelo que iria acontecer no intervalo, fosse pelas constantes percepções dos olhares de e alguns amigos do garoto a ela.
— Você vai querer comer algo antes, ou já podemos ir? — Ao término da aula de matemática, foi à mesa de , torcendo para que sua resposta fosse não, principalmente por estar sentindo uma sensação estranha na barriga. Sensação essa que ele só sentia quando chegava perto da garota. Ao receber uma confirmação dela, que ele não sabia, mas se encontrava nas mesmas condições que as suas, ambos andaram em silêncio até um local mais afastado do colégio. De longe, conseguiu avistar as amigas sentadas no chão, fingindo fazer alguma tarefa. acabou percebendo e a chamou para o canto, fazendo questão de se aproximar mais da garota sempre que mostrava algo do livro para ela. Eles acabaram por estender o tempo até perto da hora da saída e não sabia se as amigas se encontravam no mesmo local ou o que elas pensavam que eles estavam fazendo lá até agora.
— Agora só precisa imprimir e pronto. — Ela jogou o livro no chão cuidadosamente e se encostou na parede, botando a cabeça para trás logo em seguida.
observava cada detalhe dela sem deixar de perceber a pele da perna da garota à mostra por conta da saia que e haviam escolhido para a amiga. Ao perceber o olhar do garoto sobre ela, o encarou confusa e sentiu seu rosto esquentar.
— Desculpa, é que eu… estou um pouco nervoso. — riu sem graça, desviando o olhar da garota. — Não precisamos ir agora, as aulas já estão acabando, podemos ficar conversando… Ou o que você preferir fazer. — O garoto segurou sua mão ao vê-la se impulsionar para frente. O toque inesperado gerou um calafrio em , principalmente depois de puxar sua mão e a fazer sentar novamente, dessa vez um pouco mais perto dele.
— Você quer conversar sobre o quê? Eu posso te ajudar em algum conteúdo de história, sou muito boa… — Sem saber como continuar a conversa e ainda sentindo o toque quente dele em sua mão, o nervosismo de tomou conta e, como resposta, riu de leve.
, você é incrível… — A mão do garoto soltou a sua e foi em direção ao seu cabelo, tirando uma mecha que se encontrava mais à frente das outras e depois parando em sua bochecha.
, eu…— A garota pensou em lhe dizer que esse seria seu primeiro beijo, que nada do que diziam era verdade e que ela não fazia ideia do que fazer nesse momento, mas, após sentir sua respiração chegando cada vez mais perto, ela não conseguiu proferir uma palavra.
a puxou mais para perto, primeiramente depositando um leve selinho em sua boca, e olhou cada detalhe que ele só poderia perceber a certa distância dela, passando o polegar na parte inferior do local e selando seus lábios, finalmente sanando toda a vontade que estava sentindo desde a primeira vez que se falaram. , que até então se encontrava em choque, reagiu ao beijo e, desajeitadamente, apoiou uma mão em seu ombro e a outra na cintura do garoto. O beijo foi se aprofundando, apenas parando quando precisavam dar algum intervalo por falta de ar, mas que era substituído por leves beijos de ao redor do pescoço da garota. Até que, em um ato impulsivo, mordeu a boca do menino, o que, apesar de para ele ter sido bom, a fez acordar do transe e se afastar.
— Meu Deus, me desculpa… Ai meu Deus, tá sangrando. — Ela encarou a boca do garoto, que a olhava atônito e, antes que pudesse responder algo, foram surpreendidos pelo sinal e por gritos vindos de todas as partes do colégio. — Me desculpa mesmo… — Tudo que queria fazer era sair dali, e assim ela o fez, deixando para trás seu livro de história e um garoto completamente confuso.
— Finalmente. Onde vocês estavam? — perguntou, ao ver se aproximando dela e de , sem deixar de perceber a saia amassada e o cabelo bagunçado da amiga.
— Podemos ir embora? Por favor — ela implorou e as três passaram o resto do dia conversando sobre o que aconteceu naquela manhã, sem ter coragem alguma de abrir a cortina e olhar para a janela ao lado da dela.
A brasileira mal conseguiu dormir na noite anterior, se perguntando o que estaria pensando dela, principalmente depois que as amigas explicaram que era normal morder o lábio do outro durante o beijo. Ou pior, o que os outros alunos falariam dela, visto que sua reputação não era uma das melhores por conta das diversas mentiras inventadas sobre ela e a amiga.
— Vou falar com ele… Vou pedir para não falar sobre isso com ninguém, senão todos os outros vão falar coisas ruins sobre mim — ela falou no pé da cama de , que tomou um susto.
— Criatura, desde quando você tá aqui?
, foca. Se aquelas meninas descobrirem que eu e ele nos beijamos, eu vou ser destruída.
— Não se eu destruir elas primeiro. Relaxa, o não deve ser tão filho da puta a esse ponto, ele sabe o que elas fazem com você.
Infelizmente, se arrependeu de ter falado essa frase ao, no final das aulas, encontrar a amiga aos prantos após ter procurado ela por todo o colégio juntamente a .
— Todos já sabem. Assim que eu cheguei, ele e aquele grupinho escroto dele estavam conversando sobre isso e todos na sala começaram a me provocar. Sabem o que ele fez? Riu. Eu sou tão idiota. — se encontrava agachada, abraçando as próprias pernas. — E eu nem entreguei essa droga desse trabalho, vou ficar sem nota e com uma fama de puta até para a professora de história.
— Quem te chamou disso? — perguntou, cerrando os dentes.
— Você sabe o que eles acham da gente.
— Você tem certeza de que ele fez isso? O ? — se encontrava estática. Não acreditava que o próprio primo tivesse coragem de fazer algo assim, ainda mais com uma de suas amigas.
— Claro que foi ele, eu não tô louca, . — Todo e qualquer sentimento bom que sentia pelo garoto foi substituído pelo mais puro ódio e decepção.
— Eu não acredito que eu deixei aquilo me beijar, como eu pude ser tão burra?
— Para, o único burro aqui foi ele, que não devia ter feito isso. — ajudou a amiga a se levantar e a abraçou, sendo seguida por .
— A gente vai cuidar de você, não se preocupa — ela falou enquanto a guiava, juntamente a , por entre os diversos corredores da Liberty, em direção à saída.
estava encostado em um dos armários, conversando com seus amigos, apesar de seus pensamentos terem ficado em e no porquê da garota ter fugido no dia anterior e o evitado depois. Nem para a aula de história ela havia ido e o menino conseguiu convencer a professora de entregar o trabalho no outro dia ao falar que a garota estava passando mal.
— VOCÊ! — Ele se virou para o lado e viu apontando o dedo e correndo em sua direção, seguida por e , a qual ele percebeu que estava chorando.
? Tá tudo bem? — Antes que ele pudesse se aproximar da garota, o empurrou levemente contra os armários, atraindo a atenção de alguns outros estudantes que se encontravam no corredor.
— Claro que não tá nada bem, quem te deu o direito de fazer isso com ela? Você não passa de um covarde, . Você e seus amiguinhos de merda — ela proferiu as palavras com ódio, recebendo reclamações dos amigos do garoto como resposta.
— Calma aí, bravinha. Primeiro que a gente nem sabe o que tá acontecendo, explica aí. — , um dos melhores amigos de , faz menção de tocar no ombro de para tentar defender o amigo.
— Não encosta em mim, senão eu falo que você me assediou e ainda levo seu amigo junto! Eu não preciso explicar nada, é simples, fica longe dela. Se qualquer um do seu grupinho, incluindo você, se aproximar da , eu vou arrancar o pinto, e, se for garota, o cabelo. — cuspiu as palavras com ódio, finalmente se afastando do garoto, que buscava o olhar de sua prima para entender algo, mas essa permaneceu calada ao lado de . — O show acabou, pessoal, palmas para o maior palhaço da Liberty. — Ela apontou para , batendo palmas que ecoavam pelo corredor junto aos vários cochichos que haviam se formado.
— Era isso que você queria, né? — a garota finalmente falou algo, fazendo toda a atenção se virar para ela, que segurava o que pôde ver como o trabalho de história feito por eles ontem. — Toma seu trabalho. Nunca mais encoste em mim… Eu te odeio, . — Ela apenas o jogou em seu peito e falou rispidamente, deixando uma lágrima escapar antes de se afastar com as amigas, trocando um olhar com o amigo do garoto, que a encarava confuso.
— Como você pôde fazer isso? — chegou próxima ao primo, o olhando decepcionada e logo voltando a seguir as duas que se encontravam mais à frente.
Naquele dia, jurou para si mesmo nunca mais se apaixonar por ninguém ao jogar uma caixa de chocolates em formato de coração na lata de lixo que ficava na parte de fora do colégio, saindo logo após com o time de jogadores de futebol e algumas líderes de torcida para uma festa.

Flashback off


Capítulo 3

— Festa brasileira hoje à noite. — tirou uma pasta da bolsa e a jogou na mesa em que e encontravam-se estiradas, logo depois abrindo e tirando um papel personalizado com todas as informações necessárias do evento. — Eu soube que estavam organizando e decidi ajudar para nós termos passagens VIP e para prestigiar minhas melhores brasileiras.
— Nossa, como ela é fofa — falou sarcástica, mas agradeceu e deu um sorriso animado à amiga ao pegar o panfleto.
Elas falavam animadamente sobre qual roupa usar e as comidas brasileiras que precisava provar, até e sentirem uma fragrância masculina muito forte se aproximando delas.
— Festa brasileira, é? Deve ter muita gata lá. — se aproximou da mesa da mais baixa, a fazendo revirar os olhos em resposta.
— Não é como se você tivesse sido chamado para essa conversa — respondeu, sendo completamente ignorada por , que arrancou o panfleto de suas mãos. — Devolve agora — ela exclamou, se levantando para pegar o papel, mas sem sucesso, visto que, além dele ser mais alto que ela, ainda o botava para o alto.
— Vem pegar — ele respondeu num tom de deboche já conhecido pela garota, que começou a dar pulinhos para tentar alcançá-lo.
— Devolve, ou eu…
— Você o que, ? — perguntou desafiante e foi respondido com pequenos tapas e murros de , que ainda se inclinava para tentar pegar o panfleto de sua mão. Ele dava risadas com pequenos urros de dor, mas decidiu que já era o bastante e conseguiu segurar os pulsos da garota, que parou com os xingamentos nada agradáveis proferidos a ele, apenas o encarando.
— Dá pra vocês pararem de se comer com os olhos e deixarem a gente passar pelo menos? — reclamou com um sorriso irônico, fazendo ambos corarem. devolveu o panfleto a , que deu um olhar vitorioso e se voltou para .
— Vai à merda, Ackles — ela falou ironicamente, fazendo o garoto rir e bagunçar seu cabelo logo em seguida.
— Você tem que parar de dar corda para as provocações dele. — abriu a boca assim que os garotos se afastaram e deu um olhar de reprovação para a amiga.
O professor chegou e todos foram para seus lugares, se perguntando o porquê de sempre achar motivos para provocá-la. A verdade era que a relação dela com o garoto sempre teve diferentes fases durante os três anos de convivência. Ela passou de amor para ódio bem rapidamente, aos 15, e agora, aos 18, estava passando para a fase de provocações das partes de ambos. O que eles não sabiam, apesar do volume da calça de dizer oi em todas as vezes que ele tinha aproximações mais bruscas da garota, fossem elas propositais ou não, era da tensão que estava sendo formada entre os dois e que crescia a cada provocação.
Na hora da saída, foi em direção ao local em que sempre se encontrava com as amigas para irem juntas, esbarrando com o grupo de e sendo abordada por .
, espera aí — ele a chamou, atraindo a atenção de .
? Desde quando você a chama assim?
— Desde quando você começou a sentir esse ciúmes desnecessário? — rebateu o amigo, e, antes que avançasse para cima dele de brincadeira, pulou do muro onde estava sentado e surpreendeu a garota quando apoiou o braço em cima de sua cabeça. — Pensei que não ia falar comigo, tchau. — Ele entrelaçou os braços nas costas dela e a levantou, o que gerou um grito de desaprovação da garota. Ao se desvencilhar do abraço do amigo, percebeu diversos olhares sobre eles, fosse de , fosse das garotas com quem ele estava conversando.
— Nossa, , pensei que você escolhia melhor seus casinhos — uma das garotas exclamou, atraindo toda a atenção para ela, mas revirou os olhos, sem se importar, continuando ao lado de .
— Olha aqui, por que você não vai… — Antes que ela pudesse terminar a frase, o amigo a puxou pelo braço e a abraçou novamente. Apesar de ainda receber provocações, principalmente das amigas de , ela foi ganhando confiança suficiente ao longo dos anos para conseguir responder e ficar sem chorar em uma discussão besta.
— Shh. Já falamos sobre isso, pequena bomba. — Ele a soltou do abraço e beijou sua testa, a guiando para longe do grupo logo em seguida. — Te vejo na festa?
— Com certeza… Obrigada por me controlar. — Ela deu um último sorriso e se afastou.


Ambas saíram dos seus respectivos quartos ao mesmo tempo, com um vestido vinho de alcinha não tão colado no corpo, mas o suficiente para realçar suas curvas, e uma rasteirinha, e com uma calça jeans colada e uma cropped tomara que caia, além da bota de salto, o que já era de lei para a garota. As duas amigas já estavam no Uber a caminho da festa, após negar insistentemente ao seu pai que as levasse, combinando de se encontrar com no local. Ao chegarem, apesar da festa estar lotada, não foi difícil encontrar a amiga, que já estava enturmada conversando com todos à sua volta. Ela usava uma saia rosa e uma blusa branca, além de um salto bege, e assim que avistou e , as puxou para a pista de dança improvisada.
— Vamos, gente, eu tenho uns passos muito bons para ensinar a vocês. — A capitã das líderes de torcida se animou com a possibilidade de finalmente poder ensinar sua especialidade para as amigas, apesar do Funk estar passando no fundo.
, você sabe que não tem nada a ver música brasileira com ficar pulando e fazendo acrobacias aleatoriamente, né? — perguntou sarcástica, fazendo revirar os olhos.
— Então vocês me ensinam a dançar música brasileira.
— A dançando? Nem pensar — falou entre risos e recebeu um olhar sério, porém em tom de brincadeira, de como resposta.
No começo, sentiu dificuldade em acompanhar as amigas, mas depois pegou o jeito e conseguiu fazer um quadradinho de quatro certo. Como nunca havia sido muito chegada a essas músicas, ela e a amiga apenas seguiram os passos de , que, apesar de no começo estar um pouco tímida, após alguns goles da bebida oferecida a elas no começo da festa, mostrou saber dançar muito bem, balançando o corpo de acordo com a melodia.
— Vamos pegar mais bebida. Você vem? — perguntou a , que negou com a cabeça, observando as duas amigas sumirem em direção ao outro cômodo, e continuou dançando, já um pouco alterada pelo primeiro copo da bebida que estavam servindo, que com certeza tinha um teor alto de álcool.
— Você dança muito bem — uma voz masculina sussurrou em seu ouvido, o que a fez arrepiar de leve. Ela não recuou, então quem quer que fosse aproximou as mãos de sua cintura, os fazendo se movimentarem em sincronia de acordo com a música. Como um impulso, ela agarrou seu pescoço, o puxando para frente e sentindo sua respiração ofegante, seguida por leves apertos em sua cintura, a fazendo sorrir involuntariamente. — O que acha da gente terminar essa dança em outro canto? — Apesar da decisão parecer burra, ela apenas assentiu com a cabeça, não sabendo explicar o motivo daquela voz parecer tão familiar, até o momento em que a pessoa a virou, fazendo com que seus olhares se encontrassem.
— Você? — arregalou os olhos, tirando as mãos do peito de , que ainda apoiava as suas na cintura da garota possessivamente.
— Eu estou tão indignado quanto você — ele respondeu sarcasticamente, buscando esconder a surpresa em sua voz ao perceber em quem havia se tornado. Quer dizer, ele sabia que ela era bonita e que só de vê-la dançar, mesmo não sabendo que era ela, sentiu um formigamento nas calças, mas ele não suportava a garota. — Pensava que era outra pessoa...
— Uma de suas peguetes?
— Se você quiser, pode ser — ele provocou, se aproximando lentamente, mas foi interrompido.
, eu estava procurando vocês por todo canto. — surgiu ao seu lado e olhou para o primo, o envolvendo em um abraço. — !
— Oi! Eu estava justamente perguntando à sua amiga onde você estava. — Ele correspondeu ao abraço, olhando de canto para , que o olhou com desdém, ainda processando o que acabara de acontecer.
— Exatamente. Vocês sumiram do nada e eu acabei encontrando esse encosto.
— Do nada, não, que a gente te avisou que ia pegar alguma coisa pra beber. Mas aí a sumiu e eu vim procurar vocês aqui.
sumiu? Como eu vou voltar sem aquela maluca? — a garota perguntou ainda sentindo o formigamento que a respiração de havia causado em seu pescoço.
Enquanto isso, caminhava em direção à mesa de salgadinhos, enchendo as mãos de coxinhas, que não se igualavam às brasileiras, mas eram aceitáveis. — Hey. — surgiu ao seu lado, a fazendo quase se engasgar com a comida e tossir desesperadamente.
— Caralho, , você me assustou. Se eu tivesse morrido engasgada com essa coxinha, eu voltava só pra te matar — ela exclamou para o garoto ao se recompor, mas, logo após, ambos começaram a rir.
— Essas músicas brasileiras são bem animadas, né? — ele perguntou e assentiu com a cabeça. — E essas couquinhas são muito boas — continuou logo após botar o salgadinho na boca e começou a rir descontroladamente. — Não me culpe, é uma palavra difícil. — O garoto se apoiou na mesa e sorriu, um dos sorrisos mais encantadores que ela já havia visto. Era incrível a capacidade dele a fazer se sentir atraída com um simples sorriso, mesmo não sendo a sua intenção naquele momento. Apesar de que a relação dos dois, causada pela aproximação repentina de e , foi desde o início formada por flertes divertidos e sem propósito algum. Porém, naquele momento, com a ajuda do álcool, não podia evitar, mas apenas encarar a boca chamativa do garoto à sua frente.
— Tá tudo bem, é difícil mesmo. Se fala coxinha. — Ela ainda continuou tentando ensiná-lo algumas pronúncias corretas em português antes de ele ser chamado por alguém.
— Sabe onde a tá? — perguntou, antes de se desencostar da mesa.
— Eu estava com ela e a lá na pista.
— Certo, depois eu vou procurá-la. Te vejo por aí? — Apesar de no fundo não querer que o garoto fosse, assentiu com a cabeça e o assistiu ir, ficando sozinha, até avistar uma figura conhecida se aproximando.
— Se não é uma das brasileiras mais gatas da Liberty. — parou em frente à garota, a analisando de leve. sabia o motivo dele estar lá, afinal, depois de diversas provocações da parte de ambos, ele não perderia a primeira oportunidade de rolar algo entre os dois. E ela, será que perderia? — Eu estava pensando...
— Eu vou ao banheiro — falou impulsivamente, com uma voz convidativa, nem deixando o menino terminar a frase e recebeu um sorriso malicioso em resposta.
— Me dê cinco minutos — ele sussurrou em seu ouvido, o que a fez sentir um leve arrepio, e se afastou, deixando a garota sozinha novamente, logo após fazendo força para suas pernas funcionarem e a levarem até o banheiro.
A situação não poderia estar pior. O banheiro estava cheio de vômito e mijo, e não soube identificar o que o outro líquido era, tendo plena certeza de que esse não era um lugar bom para ficar com alguém. Ela encarou o banheiro por um tempo, até sentir alguém a cutucar.
— Quer uma carona até em casa? — perguntou, ao perceber o motivo dela não ter entrado no banheiro.
— Seria ótimo, deixa eu só falar com a … Você sabe, moramos na mesma casa — ela respondeu o garoto, que apenas assentiu com a cabeça e aguardou ao seu lado. mandou uma mensagem de texto para , explicando o motivo de não poder voltar com ela e recebeu uma resposta em caps lock da amiga, seguida por um emoji de brava e um ‘tô brincando, divirta-se.’ — Podemos ir. — Ela sorriu e segurou sua mão, a guiando até seu carro e dando duas batidinhas antes de adentrar o veículo.
— Vou te levar para um lugar primeiro.
Eles ficaram calados o caminho inteiro, até o menino estacionar em frente a uma paisagem um tanto quanto única, que só lembrava de ter visto parecido em filmes. Era um morro, cercado por um monte de árvores, onde dava para ver a cidade inteira e os pontinhos de luzes. Parecia tudo minúsculo dali.
— É lindo... Espera, é aqui que você leva todas as suas peguetes? — a garota perguntou decepcionada, mas foi surpreendida pelo toque inesperado em sua mão.
— Te garanto que não... Eu só venho aqui com os garotos. É o nosso lugar, e nós prometemos levar só alguém especial — falou, dando um sorriso reconfortante. Foi aí que se perguntou o porquê de estar vendo em vez de , mas prosseguiu.
— Alguém especial? Eu sou especial para você?
— Talvez... Eu gosto de você, menina bravinha... — se aproximou, mas tudo ficou borrado ao ser chacoalhada por alguém.
— Menina, você dorme que nem uma pedra. — riu envergonhado enquanto tirava o cinto e a garota encarou o nada à sua frente. — Chegamos.
— Onde a gente tá? — ela perguntou com um misto de raiva por ele a ter acordado na melhor parte do sonho e um pouco de culpa por estar sonhando com outro cara.
— Em um lugar longe do barulho e das pessoas. A única coisa que nós vamos escutar é o barulho da chuva. — Ele apontou para cima, se aproximando da garota, que percebeu que havia começado a chover desde que eles saíram da festa.
— E o que nós vamos fazer agora? — perguntou um pouco apreensiva, pensando se realmente devia fazer aquilo. Mas um sonho não significava nada. Ela queria aquilo, não queria?
— Eu tenho algo em mente... — a beijou e ela assentiu, logo se pondo no colo do garoto. E naquele momento ela percebeu que o queria. Afinal, eles eram adolescentes e estavam com os hormônios à flor da pele, o que tinha de errado nisso?


Capítulo 4

— É assim? — perguntou à amiga ao tentar reproduzir seus passos de dança, mas apenas começou a rir como resposta.
— Eu fui bem melhor — se vangloriou para o garoto, que antes havia declarado uma competição com ela para ver quem dançava melhor.
— Não é justo, a é muito mais flexível que eu.
— Não adianta achar desculpa, você me deve cinco pratas — ela respondeu, estendendo a mão e ele revirou os olhos antes de tirar o dinheiro da carteira e a entregar. — Ótimo, agora vou mostrar esse vídeo para todos — completou, mostrando em seu celular um vídeo onde se esforçava para rebolar e saiu correndo antes do garoto pegar o objeto, sendo segurado por , que o puxou para dentro da pista cheia de pessoas.
— Olha, eu amo essa música, vem dançar comigo — ela exigiu, movendo os braços do amigo para frente e para trás.
— Não dá, eu sou muito duro — reclamou, após o forçar a dar um giro. — Vem cá, a sumiu há um tempo, né? Achei que ela sabia onde vocês estavam.
— Ela já foi embora há muito tempo, com seu amigo — a garota respondeu e apenas assentiu com a cabeça, com um leve sorriso de desapontamento, mas logo voltou a prestar atenção na dança.
Alguns minutos depois, voltou à pista junto a mais algumas pessoas e eles começaram a conversar, até se virar para os amigos.
— Eu já vou. To extremamente cansada e prometi aos meus pais que iria chegar cedo em casa.
— Ei, qualquer coisa liga — avisou a amiga antes dela se distanciar do grupo de pessoas.
— Eu te acompanho. — se apressou, a puxando para fora da casa e, assim que se afastaram das outras pessoas, perguntou. — E aí? O que achou da pegada dele?
— Q-que pegada? D-de quem você está falando?
— De quem? Do único garoto que estava dançando colado com você, … Não se faça de desentendida.
, antes que você pense alguma coisa, eu não vi quem era e ele também não viu que era eu. Além disso, ele devia estar um pouco bêbado e...
— A gente se odeia e blá blá blá... Não perguntei isso, perguntei o que tinha achado.
— Ah, vai se foder. — dobrou os braços, tentando fazer uma cara de raiva, o que só gerou um riso alto da amiga.
— Você não tem noção do quanto isso é fofo — ela falou, apertando as bochechas da garota, que tentava fugir.
, quer uma carona? — surgiu na frente das duas, pondo um braço no ombro de .
— Já pedi um uber — falou, buscando pelo olhar de confirmação da amiga.
— Pediu?
— Sim, pedi.
— Ela não pediu. — sorriu para o primo, que respondeu com uma risada.
— E então? Vamos?
— Com você dirigindo? Desculpa, não quero morrer. — sorriu sarcasticamente, o lembrando de que ele havia bebido.
— Eu tô mais sóbrio que você. Deixa de frescura, eu só mordo se você pedir e nem cobro pela viagem. E você ainda vai ter o prazer de pegar uma carona com . — Ele fez questão de destacar a última parte, o que despertou uma risada alta em .
— Como se eu quisesse. Só vou porque é de graça. — Ela revirou os olhos, se virando para . — Me deseje boa sorte.
— Você está em boas mãos, mas acho que já sabe, né — a amiga provocou, deixando os dois corados durante um silêncio perturbador, até soltar um pigarro e ir à direção de seu carro, sem deixar de olhar para trás, esperando que o seguisse, e ela revirou os olhos, mas começou a seguir seus passos. Ele parou no lado esquerdo do carro e abriu a porta para a garota, que revirou os olhos novamente, agora com um sorriso sarcástico.
— Você revira muito os olhos, Babygirl. — riu e fechou a porta.
— Baby o quê? — perguntou, assim que o menino entrou no carro e ele a olhou surpreso.
— Você não sabe o que isso significa?
— Não, mas vindo de você não deve ser coisa boa… E não tente nenhuma gracinha.
— Posso só falar mais uma coisa? — ele perguntou em um tom brincalhão e tentou o repreender, mas sem sucesso, ao observar o garoto inclinar a cabeça em sua direção. — Eu sei outro motivo para você revirar…
— Cala a boca e dirige antes que eu saia do carro — ela o interrompeu antes mesmo de ele terminar a frase, mas com tempo suficiente para entender e sentir um calafrio ao visualizar a cena a qual ele estava tentando fazê-la imaginar.
— Eu tenho? — finalmente perguntou após um longo período de silêncio entre os dois.
— Tem o que, garoto?
— Uma pegada boa. — Ele posicionou uma mão na coxa de , alisando com o polegar logo em seguida, e ela sentiu uma sensação estranha partindo do local, como se fosse uma corrente elétrica que se estendia para todo o corpo da garota.
, PRESTA ATENÇÃO NA ESTRADA, CARALHO! — gritou, ao perceber que o veículo estava indo em direção a uma árvore, mas conseguiu desviar a tempo. — Eu falei que você tava bêbado, que saco!
— E eu falei que não tô, você que tá fazendo isso comigo. — Ele botou a mão na cabeça, enquanto encostava o carro no acostamento.
— O que eu tô fazendo? Você quase nos matou por uma atração besta por coxas.
— Ah, qual é, . Não seja tão dramática.
— Você tá realmente muito bêbado. Não sei você, mas eu me considero muito nova pra morrer e não é uma distração por corpos que vai me matar.
— O máximo que poderia acontecer era a gente bater o carro e ele quebrar. Não sei se você percebeu, mas aquilo era uma árvore.
— Dane-se o que era aquilo. O ponto é que você foi muito imprudente e eu me recuso a continuar no mesmo carro que você.
— O quê?
— Vou ligar para o e ele vai dirigir seu carro.
— Por que tudo pra você se resolve quando o chega? Eu consigo me virar sozinho, que saco.
— Talvez porque ele seja muito mais responsável que você. Eu não vou arriscar minha vida de novo. Abre essa porta, . Se você acha que consegue se virar muito bem sozinho, então faça isso, mas sem arriscar minha vida também.
— Você vai arriscar sua vida se sair desse carro, tá chovendo pra caramba. Não vou te deixar aqui sozinha.
— Ah, agradeço sua preocupação. Poderia ter pensado nisso antes de quase nos matar! Olha, , ou você abre essa porta agora, ou eu vou... — De repente, tirou o cinto e desligou o carro, atravessando toda a distância que estava entre ele e e ficando no mesmo lado do carro que ela, que acabou se encolhendo na cadeira.
— Vai fazer o quê? Perdeu a língua, ? — Ele aproximou sua boca da dela o suficiente para conseguir sentir a respiração da garota em seu rosto. A verdade era que ele só conseguiu isso com ajuda da bebida, do mesmo jeito que só teve coragem de beijá-lo por conta disso. Ele se ajeitou em cima dela ainda com seus lábios colados e a puxou pela cintura, aproximando mais seus corpos. Após um tempo o qual ambos não perceberam passar, finalmente se deu conta de quem estava beijando e tentou se afastar, falhando miseravelmente no processo e batendo com a cabeça na parede do carro.
— O que você pensa que está fazendo? — ela exclamou com a voz aguda, após soltar um gritinho de dor, mostrando sua indignação, apesar de seu rosto estar todo vermelho. Ele a encarou por milésimos de segundos ainda em cima dela, até que voltou a si e foi para o banco do motorista.
— Assistindo uma garota batendo a cabeça no meu carro… Será que amassou? Se tiver amassado, você vai ter que pagar o conserto.
— Eu to falando sério, seu idiota…
— Eu também… Meu carrinho — respondeu com uma cara de choro, o que fez perceber o vermelho predominante em sua boca.
— Não acredito que sua boca tá sangrando… — ela falou incrédula e o garoto olhou seu reflexo no espelho do carro. — Que nem na outra vez — completou, relembrando o momento em que mordeu a boca de durante seu primeiro beijo.
— Você sabia que não sangrou quando a gente se beijou naquela vez, né? Você fugiu e me deixou confuso.
— Como não sangrou se sua boca tava toda vermelha? Eu fugi e você riu da minha cara junto a todos os outros alunos.
— A culpa não é minha se a senhorita morde forte demais… Quero ver o que vão falar quando me virem com essa marca e descobrirem que você saiu comigo. — ignorou a última frase da garota enquanto analisava sua boca no espelho do carro. Odiava lembrar daquele momento e tentou mudar de assunto o mais rápido possível.
— Quero ver o que aquelas suas perseguidoras vão falar. Elas não podem nem saber que eu saí com você, imagine que você me beijou!
— Licença? Quem me beijou foi você, sua louca. Eu sei que sou irresistível, mas você devia ter pensado nas consequências antes de me morder. — Ele deu um olhar convencido em sua direção, o que só a fez ficar com mais raiva.
— Você vai dirigir ou eu vou ter que pegar o seu lugar de motorista? — perguntou, se tocando de que os dois estavam parados no meio do nada há provavelmente uns 10 minutos, se não mais.
— Eu preciso me acalmar primeiro... Você me deixa louco — disse com a voz um pouco rouca, aconchegando a cabeça no encosto do assento e fechando os olhos.
— Você me deixa louca também, . Louca pra te matar, seu filho da puta. — Ela desviou os olhos para a janela e avistou com certa dificuldade, por conta da chuva forte, algo se movendo do lado de fora. — Já deu o tempo de descanso, pode voltar a dirigir agora. — se virou para o garoto, percebendo que ele tinha acabado de cochilar, e começou a balançá-lo, que acordou furioso.
— O que foi, cace...
, aperta a porra do acelerador agora, antes que eu faça isso! — falou, tentando manter a calma, mas não conseguiu no momento em que olhou para a janela de novo, pois a chuva havia aumentado, se tornando impossível visualizar qualquer forma na parte de fora do carro.
— O que tá acontecendo?
— Eu vi algo lá fora. Não tenho certeza se é um animal ou outra coisa, mas eu sei que tem.
— Claro que tem — ele falou entre risadas. — Já procurou um psicólogo? Isso começou recentemente, ou você tem essas visões há muito tempo?
— Vai se foder, . Não me importa o que você pensa, só tira a droga do carro daqui.
— Não pensava que era tão medrosa assim.
— E eu não pensava que você era tão babaca… Espera, eu pensava sim.
— E além de maluca é ignorante. — Foi a última coisa que ele disse antes e depois de arrancar com o carro, resultando em um silêncio torturante até decidir ligar o rádio, percebendo que fez menção de protestar, mas acabou não falando nada. Ela começou a cantarolar as músicas que passavam na estação, recebendo alguns olhares do garoto, que se pegou sorrindo de lado cada vez que a via fechar os olhos para apreciar o momento da música.
Ao chegarem em casa, estacionou o carro e olhou para , que dormia encolhida em seu assento e, em um ato impulsivo, tocou sua bochecha, que já estava vermelha devido ao frio.
— O que você está fazendo?
— Só to te acordando, calma, estressadinha. — Ele se recompôs rapidamente e saiu do carro, logo em seguida abrindo a porta do lado de e tirando o seu casaco para a proteger da chuva. — Está entregue.
— Tô toda molhada — a garota reclamou enquanto buscava a chave da porta de casa em sua bolsa.
— É alérgica? — ele perguntou, a fazendo olhá-lo confusa. — À chuva. — riu cinicamente e revirou os olhos, ainda olhando para o rosto molhado do garoto. — Então não reclama, mimadinha, que eu tô mais molhado que você.
— Não pense que por causa dessa carona e desse seu ato romântico de botar o casaco em cima de mim minha raiva pelo que você fez hoje vai passar. — Ela falou enquanto ia em direção à porta.
— Estava escuro e a chuva atrapalhou sua visão. Não era nada e você sabe disso. Só não quer admitir porque é orgulhosa demais — o garoto respondeu assim que ela abriu a porta e, ao se virar para xingá-lo, não conseguiu ver mais nada além da chuva forte caindo.


Capítulo 5

No outro dia, e se despediram do pai da primeira e seguiram para a entrada do colégio, sendo surpreendida logo de cara ao encontrar o motivo de sua noite mal dormida escorado no armário, conversando com e mais três garotas. Seu olhar automaticamente foi à direção da boca do garoto e ela percebeu que ele havia passado protetor labial para esconder a marca que ela deixou na noite passada. se despediu da amiga, já que a primeira aula dela era diferente, e se afastou.
— Tá distraída com o quê? — abraçou a amiga de lado.
— Pensando na minha vida e em como ela é uma merda, apenas.
— Caralho, você nem bebeu tanto assim e tá toda acabada. — Ela deu um sorriso irônico e sentiu o olhar curioso de .
— Eu vou pra sala morrer até a aula começar. Adeus. — se despediu de , ignorando completamente , e foi em direção à sala.
— Por que não falou comigo? — A voz do garoto foi ficando mais alta à medida que ele se aproximava dela.
— Pelo que eu saiba, não sou obrigada a falar com você todas as vezes que nos vermos.
— Não percebeu que eu estava te olhando?
— Não tenho radar para me avisar ‘cafajeste me olhando’. Desculpa ferir seu ego, mas eu realmente não to com vontade de falar com você e preciso ir pra sala.
— Não vai se livrar de mim tão cedo, . Essa é a minha primeira aula também — ele falou, seguindo a garota e se sentou na mesa ao lado da dela.
— Vem cá, você não precisa retocar o seu batom não?
— É protetor labial. — falou indignado. — Se você quiser deixar outra mordida, eu retoco. — O garoto se aproximou dela, que se encontrava estática, mas voltou ao seu lugar ao ouvir a voz do professor dando bom dia e já iniciando a aula.
Como já era esperado, não conseguiu prestar atenção, pois, além de ter invadido seus pensamentos, a provocava sempre que podia.
— Ei, . — Ela olhou em sua direção e o garoto continuou. — Próxima aula é educação física… Não vejo a hora de ver você com aquele shortinho. — A garota arregalou os olhos e, sem pensar duas vezes, deu um tapa forte no braço de , que ecoou por toda a sala, atraindo a atenção de todos, inclusive do professor. — Mulheres, não conseguem se controlar — ele falou para a plateia, que agora encarava os dois.
— Homens, sempre uns babacas.
— Vocês dois só voltem para alguma aula minha depois que me entregarem um resumo de 2 páginas sobre divisão celular — o professor falou e, apesar da insistência de , os dois saíram da sala.
— Você só me traz problemas, — ela falou entre os diversos tapas que dava no garoto.
— Eu sou um problema ambulante, pensei que já tivesse percebido isso.
— Problema ambulante ou não, fica longe de mim. — A garota saiu na direção oposta da qual ia e ele começou a segui-la, a prensando na parede de um corredor deserto.
— Eu falei que você não ia se livrar de mim tão fácil.
— Tá a fim de levar outra mordida, ?
— Algumas consequências valem a pena — ele respondeu em seu ouvido, dando uma leve mordida no lóbulo da orelha da garota, e percorreu o caminho até sua boca, mas antes de avançar para o próximo passo, foi interrompido pela mão de .
— Não sei se você lembra do trabalho que o professor passou, mas, a não ser que ele se resolva sozinho, temos que fazê-lo… E com certeza depois que a gente terminar o trabalho, nos beijamos — falou em seu tom mais sarcástico após afastar a boca de da dela e recebeu um revirar de olhos do garoto.
Eles passaram o resto da aula de biologia na biblioteca fazendo o trabalho, tempo o suficiente para fazer esquecer do que tinha ‘prometido’ a ele. Ao terminarem, foi correndo para a aula de educação física e ela fez questão de entregar o trabalho ao professor sozinha para não correr o risco dos outros alunos verem eles chegando juntos à aula. Ao adentrar o ginásio, já trocada de roupa, foi abordada pela professora.
, atrasada de novo. Todos os times já foram formados, vai ficar de fora dessa para aprender e vai me ajudar a guardar os materiais no final da aula.
— Ótimo! — Ela bufou e se sentou de pernas cruzadas na arquibancada, observando os times jogarem futebol e revirando os olhos toda vez que fazia um gol e olhava pra ela em provocação.
A aula terminou e , que já havia avisado as amigas que iria se atrasar, ficou sozinha no ginásio, após a professora ter que sair para acudir um aluno que levou uma bolada sabe-se lá onde. Após ter que guardar todas as bolas e estar toda suada, sem nem mesmo ter feito a aula, ela foi em direção ao vestiário trocar de roupa. Assim que trancou a porta do local e virou pra trás, viu sentado num dos diversos bancos.
— O que diabos você tá fazendo aqui? — A garota perguntou, apoiando as mãos na cintura.
— Vim cobrar o que você me deve. — Ele se levantou e se aproximou lentamente de onde se encontrava parada.
— Não me lembro de ter pegado dinhe… — Antes mesmo de ela terminar a frase, o garoto a puxou pela cintura e selou seus lábios. Ela o empurrou, mas não o suficiente para se afastar de seus braços. — Porra, !
— Ninguém sabe que eu tô aqui e ninguém precisa saber. O que tem de mal nisso? Nós dois saímos beneficiados — falou convencido e deu um tapa em sua cara, só para depois continuar o beijo. Ele suspendeu a garota, apoiando suas costas na parede, e suas mãos foram parar em seu quadril.
— Ninguém vai saber? — Ela perguntou entre os beijos e ele assentiu com a cabeça. — Continuamos nos odiando — afirmou, não sabendo diferenciar o suor dela do de , devido à umidade do local.
— Continuamos nos odiando — ele repetiu a frase da garota, mordendo seu lábio logo em seguida.
Eles fizeram aquilo mais duas vezes durante a semana.


Capítulo 6

— Parece que elas se encontraram com o professor de literatura nessa festa e ele ficou bêbado e deu em cima de várias alunas — contou, enquanto se acomodava na poltrona. As três amigas haviam decidido dormir em sua casa nesse final de semana e agora se encontravam fofocando sobre a última festa que as líderes de torcida haviam dado. — E também teve aquele jogador do time do colégio que estava namorando duas meninas ao mesmo tempo. Muito babaca… Mas elas se juntaram e bateram nele, quase não saiu vivo… — Enquanto a garota contava tudo o que sabia, as outras apenas prestavam atenção em cada informação dada por ela. — Mas, e aí, vocês estão interessadas em alguém? — mudou de assunto drasticamente, assustando ambas.
— Qualquer garoto daquela escola não presta, tirando o respondeu, enchendo a boca de pipoca logo em seguida.
— Então por que você não fica com ele? — questionou.
— Eca, não! É meu melhor amigo, nunca vou levar ele pra esse sentido.
— Tá certo, eles podem até não prestar, mas tem uns gatos — ela insistiu e tirou o pote de pipoca da mão das amigas, recebendo um olhar de reprovação.
— Qual sua definição de gato? Porque a da é um problema… — cruzou os braços e se encostou na parede.
— Relaxa que eu tenho um gosto ótimo! Tem o Marcus.
— O quarterback? Ele parece metido. — negou com a cabeça.
— Tem o Noah, Josh, Dean... Espera, o Dean tá namorando a Lisa…
— Tem o também… — ao mencionar o nome, ambas olharam para , que respondeu com uma cara de nojo e pegou o balde de pipoca de volta. — Mas acho que tem que ter um limite de babaquice e ele ultrapassou todos. Sem ofensas, … Ah, e eu soube que todos esses são bons com a boca… Incluindo o seu querido odiado. — Ao ouvir isso, se arrepiou ao lembrar do toque da boca de em sua pele, mas não deixou transparecer para as amigas.
— Ah, tem o também! — exclamou, chamando a atenção das amigas, o que deixou aliviada por tirar o foco do assunto anterior.
— Nossa, eu fiquei com ele, mas ele não falou mais comigo, então dane-se — respondeu e comemorou por ter mais fofoca.
— Mas vocês ficaram só de ficar ou transaram?
— Transamos… Mas foi normal, não teve nada de inovador, nada que eu já não soubesse.
— Mas, e aí, ? Se você quiser, eu desenrolo um desses pra você… — voltou a propor para a amiga.
— Nem tenta, acho que ainda não tô pronta pra isso.
— Mas é só pra ficar… Você é virgem? — perguntou para a amiga, que assentiu com a cabeça. — Tá esperando o cara perfeito?
— Não, eu só acho que devo fazer isso quando me sentir segura, e ainda não estou.
— Mulher, eu já passei por isso! Eu era completamente insegura, mas isso se ganha com o tempo. Mas você acha que vai aparecer um garoto e te fazer sentir segura? — questionou e a garota deu de ombros.
— Eu não sei como vai ser, eu só sei que eu vou sentir… Eu acho né, vai que não acontece — falou pensativa e as amigas prosseguiram com a conversa até ela dar a ideia de assistirem a um filme do Scooby-Doo.

No começo da aula de segunda-feira, o professor entrou na sala animado e anunciou a abertura da gincana anual da escola, onde os alunos participariam de várias atividades propostas e poderiam ganhar pontos complementares em determinadas matérias. havia pensado em participar da peça, porém, ao ver que já estava confirmado como protagonista, o qual seria par romântico de sua personagem, decidiu manter distância do papel e, consequentemente, dos vários boatos que se formariam sobre os dois. A peça seria sexta-feira e, durante a semana, tentava abordar de todas as formas possíveis, mas ela o cortava toda vez que ele a puxava para um canto.
, eu tenho certeza de que você aguenta uma semana me tratando normalmente… Eu realmente preciso de ponto em física, então não enche o saco — a garota falou já irritada ao ser levada — à força — para uma sala pequena.
— Se quiser, eu posso te ajudar a estudar. Qual a velocidade no instante em que minha boca se encontra com à sua? — se aproximou da garota.
— Cantada super original, físico. — riu e, antes que ele tomasse o próximo passo, se afastou. — Eu realmente não posso me distrair e você não tá ajudando. Se continuar assim, vai ficar sem isso por mais tempo — ela provocou e o garoto riu convencido.
— Você fala como se eu não tivesse qualquer garota que eu quisesse.
— Fica enchendo meu saco a semana toda e ainda vem me falar isso? Então pega as que tão querendo e me deixa em paz — ela mudou o tom de voz e saiu da sala logo em seguida.

olhava a multidão enquanto eram feitos os últimos preparativos para a peça e foi abordado por e após um grupo de jogadores passar por ele e desejar boa sorte.
— Ainda não sei o motivo de você ter decidido fazer isso, mas qualquer coisa, olha pra mim que eu vou estar com o roteiro nas mãos — consolou o amigo e levantou o roteiro da peça que havia roubado mais cedo de um dos coadjuvantes. Para falar a verdade, só havia cogitado a possibilidade de participar da peça após uma das diversas brigas entre ele e em que disse para a garota que ela deveria participar por conta da sua incrível capacidade de fazer drama com tudo. Falando nela, a garota só dirigira a palavra a ele para falar sobre a aposta anual dos dois de quem ganharia mais pontos na gincana, o prêmio sempre se baseando no perdedor fazer qualquer coisa que o ganhador quisesse, mas ele nem se dava o trabalho de tentar conversar com a garota sobre outros assuntos para não receber olhares ríspidos dela. O resultado disso foi ele flertando com Gina, a sua parceira de cena e, consequentemente, par romântico, mas, apesar da peça ter uma cena de beijo, fazer questão de manter apenas no flerte e cortar qualquer aproximação brusca da garota.
— Depois que terminar isso, aqui a gente sai pra comemorar que finalmente essa droga acabou. — abraçou o amigo de lado e, após desejarem boa sorte, foram em direção à plateia. seguiu os amigos com o olhar e observou se afastando de e indo para o lado de , que, como de costume, estava com e sua prima. Ao avistar , a morena se levantou, o abraçou e os dois começaram a conversar animadamente.
A peça já estava chegando ao fim e temia perder a aposta, pois, infelizmente, estava atuando bem até demais. Ela se encontrava com a cabeça apoiada no ombro de enquanto lia o roteiro na mão do garoto e parou os olhos na cena em que o personagem de tinha que beijar a outra protagonista, levantando o olhar logo em seguida para encontrar a visualização exata da cena descrita no papel, seguida por gritos de aprovação da plateia, juntamente de várias palmas, o que a fez ter a mesma reação. Ao se afastar do beijo forçado por Gina, se virou para a plateia enquanto os outros alunos que participavam da peça se aproximavam para agradecer. Antes da cortina se fechar por completo, o garoto avistou batendo palmas como todos os outros. Ele queria ter visto sua reação na hora exata, queria saber o que se passava por sua cabeça quando Gina puxou seu pescoço e o surpreendeu com o beijo, assim como queria saber o porquê de estar tão preocupado com isso. Assim que foi liberado pelo professor e se desvencilhou de seus colegas que o parabenizavam, seguiu em direção aos amigos que se encontravam no meio do auditório.
— Nem precisou disso! — ergueu o roteiro e comemorou. — Agora a gente já pode tacar fogo e sair pra beber. Eu disse que vai ter uma festa massa saindo daqui?
— Não sei se tô no clima pra festa, tô extremamente cansado. — O garoto jogou a cabeça pra trás e o repreendeu.
— Como assim recusando uma festa? Aquele beijo sugou sua vontade de viver?
— Eu nem esperava por ele, pra falar a verdade. Mas ruim não foi né. — Ele riu e avistou sua prima um pouco mais à frente. Já sabendo quem estaria com ela, decidiu seguir em sua direção. — Eu encontro vocês lá fora, tá?
! Espera… — Antes de conseguir tocar no ombro de , Gina o puxou e deu um sorriso. — Eu devia ter te avisado que fiz algumas alterações no roteiro, né?
— Fica tranquila, foi uma surpresa boa. — Ele sorriu de lado e olhou para e as amigas se distanciando. — Sério, tá tudo tranquilo, mas preciso resolver um negócio agora…
— Tá bem, mas, se você quiser, a gente pode continuar isso outra hora. — Ela se aproximou e o garoto apenas sorriu e assentiu com a cabeça em resposta, se afastando logo em seguida.
— Ei, o que achou? — abraçou a prima por trás, que se virou e retribuiu o abraço.
— Arrasou demais, meu orgulho, apesar das burradas — ela brincou e o garoto se virou para as duas amigas dela.
— Parabéns, e que beijo, né — falou e olhou para , que mantinha um semblante tedioso.
— Nada demais, vai ser bem difícil ganhar essa depois desse beijo mixuruca, . — A garota deu de ombros e deu um riso alto de resposta.
— Você queria ter sido a protagonista, né, ? — ele provocou e recebeu um revirar de olhos da garota. Elas se despediram, mas, antes que pudesse segui-las, a puxou pelo braço e cochichou em seu ouvido. — Posso falar com você?
— Não já tá falando?
— Só queria esclarecer que eu realmente não sabia do beijo, a Gina me puxou do nada…
, você acha que eu me incomodei com isso? O mesmo cara que esfregou na minha cara que pode ficar com qualquer garota que quiser tá falando isso? Não somos nada, assim como eu não devo satisfação pra você, você não deve pra mim e não me importa com quem você vai ficar ou deixar de ficar. O que temos é estritamente físico…
— Tá, dramática. Eu só pensei que devia satisfação, mas desculpa se eu entendi errado… Falando em estritamente físico…
— Nem vem, tô puta com você ainda. Vai lá beijar as outras garotas que te querem. E não me chama mais enquanto a gente estiver em público, qual parte do segredo você não entendeu? — afastou o garoto com a mão.
— Vai ter troco, . Você que tá pedindo.
— Se você diz. — Ela deu as costas e deixou pensando no quão irritante podia ser e no quanto ela ficava mais atraente à medida que o tirava do sério.


Capítulo 7

— Achei! — pulou ao lado da amiga, que acabou deixando o jornal em sua mão cair. Já estava ficando frustrada pelos pais de , seus tios, como ela chamava, sempre fazerem questão de pagar tudo, apesar da boa quantia que seus pais lhe mandavam mensalmente, e decidiu começar a trabalhar. decidiu ajudar a amiga e agora se encontrava em volta de pilhas de jornais, buscando alguma oferta de emprego boa. — Atendente de lanchonete, 8 dólares por hora. Tá ótimo para um começo.
— Além de que eu vou te visitar toda hora, então me agradeça.
— Só não vai no primeiro dia que eu não quero que eles pensem que eu tenho uma melhor amiga psicopata que me vigia o tempo todo.
— Desculpa por ser uma amiga prestativa — falou enquanto recolheu os outros jornais e botou numa pequena pilha, arregalando os olhos e correndo para a porta logo em seguida.
— Esqueceu que tem que ficar de babá hoje, né?
— Sim, e a culpa é sua. — A garota fechou a porta e, após alguns passos, chegou à casa vizinha, onde foi recebida com um abraço pela matriarca da família . — Senhora , eu estava ajudando a a achar um emprego e acabei não me tocando do horário…
— Não tem problema, o John atrasou e só vamos sair daqui a pouco… e quantas vezes eu vou ter que falar que não é senhora?
— Desculpa, Myta. — sorriu sem graça e recebeu um olhar acolhedor da mulher, que logo se apressou e a guiou até a cozinha, onde sua filha mais nova, Reese, a esperava e a recebeu com um abraço. Apesar do ódio declarado de e , as duas famílias se gostavam muito e a garota sempre cuidava da menor quando seus pais pediam, evitando se encontrar com e, consequentemente, uma briga entre os dois.
— Eu e John só voltaremos amanhã de manhã, então você pode pedir uma pizza para as duas e esperar só até o chegar à noite… — A mais velha explicava enquanto prestava atenção ainda abraçada com Reese. — Só te peço para aguentar alguns minutos com ele, porque a Reese ama quando você a bota pra dormir — ela completou e a garota sorriu em resposta.
— O não sabe ler as histórias direito, ele nunca tem paciência. — Reese fez um semblante bravo, que logo se desfez ao ouvir a propaganda dos seus cereais favoritos passando na televisão.
— Não tem problema, eu consigo aguentar alguns minutos.

e Reese se encontravam jogadas no sofá, a mais nova já dormindo no seu colo após comer 3 fatias de pizza de pepperoni. Ela se levantou e apoiou a cabeça da menina em um travesseiro, recolhendo os pratos e indo em direção à cozinha logo em seguida. Assim que terminou de lavar os pratos e se virou, viu a observando no canto do cômodo.
— Que susto, quer me matar? Cadê sua irmã?
— Quero fazer outra coisa… Ela tá dormindo, nem percebeu que eu cheguei. — se aproximava cada vez mais, enquanto recuava em direção ao balcão.
— Eu já falei que não vai rolar nada, ainda tô puta com você… — A garota encarou sua boca, que ficava cada vez mais próxima.
— Eu não vou fazer nada, . Só tô te avisando que eu não vou deixar barato pra você…
? — Eles escutaram a voz sonolenta de Reese vindo da sala e se afastou imediatamente.
— Tô aqui! Vai escovar os dentes que daqui a pouco eu subo também.
— Tá bom… oi, . — Reese passou pela cozinha e abraçou o irmão antes de subir.
— Você já deixou bem claro que vai dar o troco, mas a única pessoa que tem o direito aqui sou eu — ela cochichou para assim que sua irmã saiu da cozinha e foi em direção às escadas.
já estava terminando de ler o livro para Reese quando percebeu que ela já havia dormido e se dirigiu para fora do quarto, se sentindo na obrigação de falar para que iria embora, mas se arrependeu no momento que entrou no quarto do garoto e o encontrou sem camisa.
— Já botou a Reese pra dormir? — ele perguntou com um sorriso brincalhão.
— Sim, e só vim avisar que eu tô indo. Boa noite. — se virou para ir embora, mas, antes que conseguisse, a puxou e a abraçou. — Carinhoso você, né? — Ela conseguiu se afastar e cruzou os braços em resposta, incomodada pelo toque inesperado.
— Só as vezes… Não que você mereça, eu te odeio, sai daqui — completou e imediatamente começa a empurrar para fora do quarto.
— Sua necessidade de encostar em mim só não é maior do que o seu mau caráter, . Quem me abraçou foi você, eu não pedi por nada… Ah, e tenta ser mais presente na vida da sua irmã, ela te ama, apesar de você ser um babaca.
— O que você tá dizendo?
— Tô dizendo que ela perguntou umas 5 vezes se você tinha chegado quando a gente estava na sala.
— Eu agradeço a ajuda, , mas eu sei como lidar com a minha irmãzinha — falou e se despediu com um sorriso sarcástico.
Ao chegar em casa, a garota parou antes de abrir a porta de seu quarto e foi em direção ao quarto de , botando a cabeça antes de receber uma confirmação da amiga para entrar por completo e se jogando na cama ao lado dela.
— Quer ver um filme e depois dormir juntas? — Ela olhou para , que respondeu com um semblante confuso.
— Problemas no trabalho?
— Não posso ficar com vontade de assistir um filme com a minha melhor amiga? — questionou indignada e a olhou com desconfiança.
— Claro que pode, para de ser besta. Só imaginei que o causador dessa vontade tinha nome e sobrenome.
— E tem, Santiago — a garota respondeu e sua amiga apenas revirou os olhos, sabendo que havia de fato alguma coisa errada, mas não iria a pressionar para falar sobre isso.


olhava para o teto de seu quarto, entretida em contar quanto tempo conseguia ficar sem fazer nada até se entediar completamente e, mesmo sem querer, olhava algumas vezes de escanteio pela janela, na esperança de ver alguma movimentação na casa ao lado. tinha ido trabalhar e iria chegar mais tarde para cobrir o turno de um colega, já seus pais, haviam tirado a tarde para passear pela cidade. Ela ouviu um barulho de porta batendo na casa vizinha e jurou para si mesma que se fosse , por mais ordinário que ele fosse, iria esquecer tudo o que havia acontecido nos dias anteriores e se distrair um pouco, mas seus pensamentos foram interrompidos ao ver a porta do quarto do garoto sendo escancarada e, logo em seguida, ele entrando agarrado com alguém.
— Então esse era o troco que ele tanto falava que ia dar. — Ela riu ao ver desviando o olhar da menina que se encontrava de costas para ela e pairando sobre , sorrindo com provocação. — Não é só você que sabe brincar, — a garota falou, indo em direção ao seu celular enquanto ele sentava no sofá que ficava de frente para sua janela e Gina se posicionava em seu colo.

...
Que quede claro
Si tú te portas bien, yo te lo voy a dar
Como nunca te lo han dado
No te equivoques
(Que fique claro
Se você se comportar bem, eu vou fazer com você
Como nunca fizeram
Não se engane)


se direcionou para a frente da janela e começou a cantarolar baixinho enquanto movia seu corpo lentamente no ritmo da música, fazendo um show particular para o menino à sua frente, que, ao perceber a movimentação na casa ao lado, desviou o olhar de Gina, que se esforçava bastante para mantê-lo entretido, e pairou sobre as pernas desnudas da garota.

Cuida el terreno
No sabes en lo que te estás metiéndo
Una vez que tú siembres en otro suelo
(Cuidado onde pisa
Você não sabe no que está se metendo
Se está explorando um solo novo)


Ao perceber que havia chamado sua atenção, virou de costas e rebolou de acordo com a batida e , que nem lembrava mais do motivo de não ter ido ao seu encontro, estava estático a encarando.
? — Ele voltou a atenção para a garota em seu colo e deu um sorriso amarelo.
— Desculpa, achei que tinha ouvido meus pais chegando… Agora, onde nós paramos? — tirou a blusa e puxou Gina mais para perto, depositando beijos em seu pescoço, enquanto olhava de relance para a garota dançando à sua frente.

Porque yo soy tu veneno
Controlando tu cuerpo
Tú me das lo que quiero
Soy tu veneno
Estás jugando con fuego
Cuidao', que te quemo
(Porque eu sou seu veneno
Controlando seu corpo
Você me dá o que eu quero
Eu sou seu veneno
Você está brincando com fogo
Cuidado, que te queimo)


— Mas que porra… — ele murmurou baixo para si, enquanto observava passear as mãos pelo corpo, notando quando a barra de seu blusão levantou de leve, deixando metade da sua bunda à mostra. Por um momento, ele se frustrou ao perceber que esse simples ato vindo dela foi capaz de o deixar mais excitado do que tudo o que Gina tentara fazer.
! — a garota protestou e ele a olhou confuso. — Eu perguntei onde tá a camisinha…
— Eu deixei em algum lugar aqui. — Ele procurou nos bolsos da calça, tirando um pacote logo em seguida e recebendo um olhar animado de Gina.

...
Aún no tienes claro
Que soy la que controla
Pero dale, vamos
Paso a paso que me va elevando el calor
Tu pantalón va guayando
Y ya te tengo pensando
(Você ainda não entendeu
Que sou eu quem está no controle
Mas vamos lá
Um passo de cada vez, que estou ficando com calor
Sua calça vai roçando
E eu já te tenho na minha)


já havia se virado e estava olhando diretamente nos olhos de , que já havia se esquecido novamente da garota em seu colo e analisava cada parte do corpo que ficava à mostra à medida que ela se movimentava mais.
— Já chega. Eu tô indo, quando você estiver com menos coisa na cabeça, me liga. — Gina saiu de cima dele e se ajeitou antes de ir em direção à porta do quarto.
— Gina, espera! Eu… Você não… — se perdeu nas palavras enquanto a garota saía do quarto e olhou na direção de , que havia se escondido. Ela entrou em seu campo de visão ao levantar-se e ele lançou um olhar furioso em direção à garota, que começou a gargalhar enquanto continuava dançando como forma de comemoração. — Gina, volta aqui… — ele saiu do quarto e deu um olhar vitorioso.
Com a música ainda rodando, ela continuou sua performance, pensando que provavelmente tentava consertar as coisas com a outra, mas sem sucesso. Até que, para a sua surpresa, o garoto escancarou a porta de seu quarto, a fazendo dar um gritinho de susto e, ao trancá-la, foi em sua direção.
— Que porra foi aquela, ? — perguntou com um tom de raiva em sua voz, enquanto se aproximava da garota.
— Como você entrou aqui?
— Isso é história pra outra hora. Me responde, o que foi aquilo?
— Eu falei que ia me vingar, . Você não tem o direito de vir aqui reclamar comigo, quando foi você que trouxe uma garota pra cá tentando me provocar. Tentativa essa que não deu muito certo.
— Se serviu pra você fazer essa dancinha, então talvez tenha dado. — Ele deu um sorriso convencido. — Você sabe que ela podia ter visto, né? E ia espalhar para a escola inteira!
— O pervertido que ficou me olhando dançar foi você. O corpo é meu, o quarto é meu, e eu danço onde eu quiser — respondeu, o provocando, mesmo sabendo que os boatos chegariam a ela independente do que acontecesse. Retomou sua dança, dessa vez ao seu redor, mas foi forçada a parar quando agarrou sua cintura e a puxou, a deixando de costas para ele.
— Eu espero que a sua greve tenha acabado, porque eu não tô conseguindo manter minha sanidade com você assim, — ele sussurrou no ouvido da garota, fazendo com que cada parte de seu corpo se arrepiasse. começou a se mover no ritmo da música com seu quadril colado ao de , que passou a mão por baixo do tecido de seu blusão e deu leves apertos em sua cintura enquanto acompanhava a dança.
— Não era pra ter acabado, mas por que caralhos você é tão gostoso? — Ela passou a mão por seus cabelos e puxou sua nuca, tentando acabar com o máximo de distância entre os dois.
— Eu me pergunto a mesma coisa. — a virou e os dois se encaram por um momento.
— Porque yo soy tu veneno… controlando tu cuerpo… tu me das lo que quiero… — sussurrou e sua boca roçou na dele.
— Tudo o que quiser, baby girl — respondeu no mesmo tom e selou seus lábios nos dela desesperadamente. o sentou na cama e ficou em cima dele logo em seguida, fazendo movimentos lentos, despertando gemidos roucos do garoto. Por mais que desejasse aquilo, ficou receoso em tentar o próximo passo, por ter sido barrado por ela em sua primeira tentativa, então, quando a garota começou a desabotoar suas calças, ele a olhou e deu um sorriso. — Sério?
— Sim, mas… eu… eu sou virgem — falou, sendo respondida por uma risada anasalada vinda de . — Claro que você não acredita, afinal, eu sou a garota que transou com todos do colégio, segundo boatos. — Ela revirou os olhos e o menino percebeu seu semblante sério, logo raciocinando o porquê de ela sempre estar recuando no quesito sexo.
— Eu achei que… bom, que você não fosse. Mas já que é, precisa de alguém como eu pra te ensinar — ele brincou e recebeu um revirar de olhos da garota.
— Sempre babaca. Ajudou muito. Obrigada, . — fez menção de se levantar do colo de , que segurou firmemente em sua cintura.
— Desculpa, eu admito, foi babaca… Mas falando sério agora, se você realmente quiser, eu tô aqui. Dessa vez sem a parte do babaca… Só . — Ele encarou os olhos castanhos da garota, que deu um leve riso e murmurou um ‘te odeio’, voltando a beijá-lo logo em seguida, dessa vez o deitando na cama, mas imediatamente ele inverteu as posições, ficando por cima dela. — Você tem certeza? — ele perguntou e a garota assentiu com a cabeça enquanto tirava o blusão com uma certa dificuldade, sendo ajudada por , que observava atentamente cada detalhe do seu corpo. — Eu falei que você era gostosa pra caralho.


Capítulo 8

— O que tem de errado com você? — perguntou a após perceber que a amiga estava sentando estranho pelos últimos dois dias.
— Cólica — ela respondeu simples. Apesar de por dentro querer falar para que havia perdido a virgindade, a pessoa com quem havia perdido não era a mais bem vinda nas conversas das duas garotas. Além disso, se a pedisse para explicar, ela não saberia falar de nada, ainda tentava assimilar cada sensação nova que a fez sentir naquela tarde. Que o garoto que ela mais odiava na face da terra a havia feito sentir, mesmo que durante ele parecesse o cara mais doce do mundo, não sendo o que ela conhecia e sim o que ela pensava que ele fosse quando tinha 15 anos. Sua confusão mental foi interrompida ao escutar batidas na porta. logo saiu correndo para atender.
— Surpresa! — surgiu do outro lado, abraçando e indo em direção a . — Ela me chamou. — Ele se sentou ao lado da amiga e apontou para a outra, que permanecia em pé próxima aos dois.
— Eu vi que você tava meio borocoxô e precisava de uma animada e decidi chamar seu amigo, parceiro, não sei mais o que, — a amiga continuou falando em português sem perceber e a lançou um olhar confuso, embora levemente atordoado pelo sotaque atrativo dela. Ele lambeu os lábios antes de responder:
— Eu não entendi nada do que você disse, mas vou ter que passar no depois e vim mais cedo pra ficar aqui. Você não sabe o quão difícil é ter dois melhores amigos que são inimigos mortais — o garoto brincou com uma expressão exausta e revirou os olhos, mas sem conter a risada. Sua amizade com foi algo inesperado, principalmente pelo histórico dela com o melhor amigo do garoto, e aconteceu da forma mais espontânea possível, apesar de ela sempre se perguntar como alguém tão legal e divertido quanto pudesse aguentar as babaquices de .
— E vocês aí, tá rolando alguma coisa? — perguntou, revezando o olhar entre os dois amigos, que já estavam acostumados e responderam apenas negando com a cabeça. se dirigiu à cozinha logo em seguida.
— Eu estava pensando em fazer pipoca, vocês querem? — ela perguntou já distante e ambos falaram que sim, não deixando de notar quando a amiga se levantou de forma estranha do sofá.
— Tá andando engraçado, né? — Ele apontou rindo e a garota apenas assentiu. — Mas e aí, entre a gente vai rolar alguma coisa? — frisou a segunda pessoa do plural, fazendo arregalar os olhos e dar uma risada de leve, logo após continuando com a brincadeira que o colega havia começado.
— Vai sim, gatão. Espera só nós ficarmos sozinhos entre quatro paredes.
— Mas já não estamos? — Ele se levantou, fazendo com que seus rostos ficassem num mesmo alinhamento, e se encaram por um momento, com sorrisos divertidos, até , que sempre cumpriu muito bem o seu papel de desastrada, quase cair da escada ao tentar pegar o pote de pipoca e gritar por ajuda.
Ao chegar à casa de , sua mãe o recebeu com um abraço, logo após avisando que o filho se encontrava no quarto. Ele adentrou o local, pulando na cama do garoto logo em seguida, que perguntou o motivo do amigo ter demorado tanto a aparecer, mas já imaginando que a razão se encontrava na casa ao lado. e não tinham se falado desde aquele dia, apesar de o garoto estar curioso para saber como ela estava se sentindo, e, ao ouvir a resposta de , se sentiu incomodado. Não era ciúmes, ele nunca se permitiria sentir ciúmes de , mas não entendia como fora capaz de se aproximar da única garota que o fez sofrer de uma certa forma, tirando quando Reese o forçava a participar do chá de bonecas por horas e horas e ele tinha que perguntar ao Sr. Bubbles se ele aceitaria mais cookies, ou se a quantidade de leite estava boa. Da mesma forma que não entendia como se sentia tão confortável com o amigo, mesmo sabendo que era um dos seus. Mas, obviamente, ele não iria questionar nenhum dos dois, não queria que parecesse que se importava ou que estava com ciúmes da relação do melhor amigo com a garota.
— Tava com a , ela não estava se sentindo bem e… Ah, a tava lá… Enfim, o que quer fazer? — No fundo , queria pedir para ele continuar, queria pedir para que contasse o que havia visto, mas, ao invés disso, decidiu apenas ignorar.
— Tava, é? — Ele olhou de lado para o amigo, que deu um sorriso bobo. — Que legal, né. Acho que é porque ela mora lá — brincou e logo após sugeriu que eles jogassem algo.

No outro dia, encontrava-se sentada na cadeira da sala, mexendo no celular enquanto a aula não começava, o que havia se tornado seu único passatempo sem a presença de e , muito menos de . chegou uns minutos antes do sinal tocar, com o grupinho de jogadores e líderes de torcida de sempre, incluindo , que falava animadamente com o amigo sobre como poderia ganhar uma bolsa como atacante de futebol americano numa das melhores faculdades de Boston. Esse sempre fora seu sonho e, após conhecer , sempre tentava convencer o amigo a conseguirem isso juntos, afinal, os dois formavam a melhor dupla de jogadores no time. Apesar disso, sempre sonhou em trabalhar com música desde criança, mas apenas sabia disso, após, em um momento vulnerável devido à bebida, revelar para o amigo.
— Ei, vocês dois! Vai rolar uma festa mais tarde na casa da Amber, querem ir? — um dos companheiros de time dos meninos chamou e recebeu uma confirmação animada de , porém não tem a mesma reação. — Qual é, vai estar cheio de gatas.
— Não vai dar, cara, minha irmã quer muito ir a um parque e eu vou com ela. — , que já mudara seu passatempo e acompanhava de longe a conversa, sorriu involuntariamente ao escutar a última parte, lembrando de quando pediu ao garoto para que este fosse mais presente na vida da pequena.
Ao fazer o caminho em direção a , se pergunta o porquê de ter aceitado a proposta da irmã.
— Ei, , a Reese quer ir a um parque de diversões que abriu há pouco tempo e me pediu pra chamar você, porque, diferente de mim, ela te adora. — Ao ouvir o nome da menor, sorriu.
— Que fofa, claro que eu vou… Mas só porque ela está me pedindo, não pense que vou ser legal com você por isso.
— Nem precisa fazer esforços. — Ele deu um sorriso cínico, se retirando logo em seguida. Ambos sentiam isso, essa sensação estranha de saberem o que acontecia — por trás dos holofotes, mas terem que agir completamente diferente em público, afinal, como sempre gostava de frisar, eles se odiavam e aquilo era estritamente físico, não tinha para que ninguém saber.
À tarde, a garota bateu na porta vizinha, sendo atendida por Reese, que se encontrava com um vestido adorável. apareceu logo atrás da irmã e olhou a garota de cima a baixo, de uma forma disfarçada para que a criança não percebesse. Eles foram de carro até o parque e, ao chegarem, Reese saiu correndo animadamente em direção a um dos diversos brinquedos espalhados pelo parque, sendo de cara repreendida por .
— Não combinamos de ficarmos juntos o tempo todo? — ele gritou, correndo na mesma direção que a irmã, deixando um pouco para trás, mas a garota conseguiu alcançá-los logo em seguida.
A brasileira nunca poderia imaginar que iria se divertir em uma tarde com , principalmente após o clima estranho que havia ficado entre os dois depois do sexo. Vez ou outra, quando Reese se afastava para ir a algum brinquedo com restrição de idade, ela sentia que o menino queria lhe falar algo, mas nem chegava a abrir a boca.
, vem comigo pegar algodão doce? — a menor perguntou com a sua melhor cara de pidona, estendendo a mão na direção de . — O sempre rouba pra ele quando vem comigo.
— Claro, pequena.
— Em minha defesa, eu sou maior e preciso me alimentar bem — o garoto falou antes das duas se afastarem e se pegou olhando de longe. De fato, após ela jogar em sua cara, ele percebeu o quanto havia se afastado da irmã, e pensar que o havia feito lembrar disso o surpreendia.
Após muita insistência de Reese, eles decidiram ir para a roda gigante, tentando não olhar para baixo assim que o brinquedo começou a subir, e o olha confusa.
— Ele tem medo de altura — Reese explicou para a mais velha, que arregalou os olhos em surpresa. — A gente sempre dá as mãos quando ele vem comigo em uma. Como a gente tá em três, cada uma dá a mão para o . — A menor surpreendeu ambos ao juntar as mãos dos dois e eles se encararam por milésimos de segundos antes de fechar os olhos e apertar sua mão contra a dela, devido ao movimento da roda gigante.
— Muito obrigada por essa tarde maravilhosa — disse ao estacionarem em frente à casa dos , abraçando Reese logo em seguida e olhando para com um sorriso fraco, afinal, ele havia sido razoável aquela tarde.
— Certo, mocinha. Agora vai lá pra dentro que eu já vou — avisou a irmã, que deu mais um abraço em e adentrou a casa. — E aí? Como tá? — ele perguntou assim que não viu sinal da menor na parte de fora da casa. — falou que você não tava muito bem, imaginei que podia ser por aquilo… você sabe.
— Ah, agora o tá espalhando nossas conversas? — Ao ouvir a frase, , de forma impulsiva, virou o rosto e tensionou a mandíbula. — O que, o sexo? Nada demais, só fiquei sem andar direito por uns três dias — ela brincou e o garoto riu como resposta, se aproximando um pouco e levantando as mãos.
— Culpado… Mas nas próximas vai se acostumando. Eu ficaria honrado em ser seu instrutor.


###########


— E eu não sei mais o que fazer, sabe? Eu sei que tá acontecendo alguma coisa, mas ela não fala comigo, não fala com a , eu não posso forçá-la — choramingou para enquanto tomava mais um gole da sua bebida batizada. observava de longe, não evitando sentir um leve incômodo quando um dos dois riam de algo.
! Viu a ? — surgiu ao lado do garoto e ele a respondeu apontando para onde os outros dois se encontravam. — E você tá assim por quê?
— Sei lá, eu… Não conta pra ninguém, só o seu primo sabe disso — começou e ela assentiu com a cabeça. — Ela é divertida e muito diferente das outras, você sabe… Não que você não seja, você é uma menina muito legal, tá? — ele continuou e riu em concordância.
— Ah, eu já passei por isso. Olha, pelo que eu sei, eles não têm nada. Mas ele é seu melhor amigo, não é mais fácil você chegar e perguntar?
— Se tiver rolando alguma coisa, eu não quero atrapalhar nada, quem chegou depois fui eu. Por favor, só não fale nada com ela, eu imploro.
— Você tá pedindo muito, mas vamos por partes. Primeiro eu descubro, depois a gente vê como fica.
Após se afastar do outro garoto, se aproxima com dois copos de bebida. — Ei, , viu a por aí? — ela perguntou ao oferecer um dos copos a ele. — Ah, ela acabou de ir pra lá te procurando. Se quiser, eu te ajudo a achar.
— Não precisa, eu já vou atrás dela… E aí, vocês tão ficando sério? Porque, cá entre nós, que vocês já ficaram eu sei, mas rolou mais alguma coisa? Se estiver rolando você presta atenção em como trata minha amiga, viu?
— A gente ficou naquela festa e ela é legal, mas é só amizade… Espera, por acaso você tá interessada em mim? — perguntou com um sorriso convencido e preferiu cortar na hora.
— Sai dessa, você ficou com a minha melhor amiga! Inclusive, vou lá procurar ela, adeus.
— Se mudar de ideia, avisa — ele responde enquanto a garota se afastava.


Bônus: Dia dos Namorados

Naquele dia, se permitiu acordar mais tarde do que o usual, sendo surpreendida pela mensagem inesperada em seu celular:

: Me encontra daqui a uma hora nesse endereço!

Ela se deitou novamente, dessa vez entrando só por curiosidade no Instagram, e encontrando várias declarações de amor em diversos posts no aplicativo, bufando ao lembrar da data temática. Era o famoso Dia dos Namorados. Todos os anos, ela comemorava da mesma forma: combinava com suas amigas de assistir um filme romântico, junto a baldes de pipoca e potes de sorvete.
vai passar aqui mais tarde para assistirmos A Incrível História de Adeline avisou, assim que a amiga desceu as escadas, e ela assentiu com a cabeça enquanto se dirigia para a geladeira e pegava a garrafa de leite, indo depois num dos armários para pegar cereal e fazendo a combinação clichê, mas muito gostosa de sempre. — Daqui a pouco vou ter que sair, mas eu volto a tempo do filme.
— Vai pra onde?
— Passear… Por aí.
, você não vai a um encontro às escondidas, né? Sabe que isso nunca termina bem, pode ser perigoso.—
— Não, sua louca, só vou andar pela cidade. — ela falou, rindo, logo após pegando mais uma colherada do cereal e recebendo um olhar desconfiado da amiga. Tecnicamente, ela iria sair às escondidas, mas não era um encontro e muito menos perigoso, podia ser tudo de ruim, mas perigoso é uma coisa que ele não era.
Após comer todo o conteúdo da tigela, foi correndo para o seu quarto, não podendo negar a euforia que o garoto despertara nela mais cedo. Ela provou diversas roupas, pensou em como se maquiar, tal qual um encontro, e percebeu que estava se preparando demais para encontrar o cara que mais a tirava do sério.
— É só o , não tem pra que eu me arrumar tanto — ela falou para si, disfarçando a curiosidade com suas palavras e um jeans rasgado e um moletom que decidiu vestir. Se despediu rapidamente de e pediu um Uber até o endereço enviado pelo garoto, chegando a um prédio enorme e dando o número do apartamento para o porteiro, que avisou que ela já estava liberada. A garota adentrou o local e se dirigiu ao elevador, apertando no botão do andar descrito no papel que havia anotado.
— Opa.— abriu a porta do quarto do oitavo andar e deu um sorriso de lado, olhando de cima a baixo. — Cinco minutos adiantada, tava ansiosa?—
— Tava curiosa… Me fala logo o que eu vim fazer aqui— a garota falou, analisando o quarto e não encontrando nada de interessante.
— Eu acho melhor mostrar. — Ele a puxou pelo braço,1 selando seus lábios com os dela. — Você me trouxe aqui para transar? Vai me pagar depois?— Ela interrompe o beijo, mas com seu rosto ainda próximo ao dele.
— Hoje é Dia dos Namorados, certo? — ela perguntou, após assentir com a cabeça, continuou. — Pensei em ‘comemorarmos’ de uma forma que namorados não fazem, já que não somos isso, mas aproveitar o dia de uma certa forma. — traça leves beijos ao redor da boca da garota, terminando com um selinho no local.
— Ah, é? Até que não é uma má ideia.— Ela fala entre os beijos, sorrindo contra os lábios do garoto, que encostavam nos seus, e se arrependendo de ter ido com uma roupa tão quente. — Podemos começar então. — Imediatamente, a puxa para a enorme cama, ficando em cima dela e posicionando a mão na extremidade do moletom, que saiu do corpo da garota
com a ajuda dela. Ele passa as mãos pelas costas de , parando no fecho de seu sutiã e o abrindo, enquanto beijava cada região do seu busto.
— Caralho…— ele sussurrou em seu ouvido ao sentir a mão da garota passando pelo volume em sua calça. se livrou de todo o tecido que atrapalhava seu contato máximo com a pele dela, lembrando bem de cada região do seu corpo. Ele tirou sua camisa com uma certa facilidade, e, antes de voltar ao que estava fazendo, pegou uma camisinha no bolso da sua calça, se livrando da peça e da que estava embaixo dela logo depois. Antes de penetrá-la, o puxou para si e inverteu as posições, ficando por cima do garoto, que a lançou um olhar safado. — Quer comandar hoje? — ele perguntou, apreciando a vista enquanto a brasileira assentiu e se encaixou em seu corpo, jogando todo o peso da cabeça e do tronco para trás quando começa a mover o quadril lentamente.
À medida que a velocidade de seu rebolar aumentava, os gemidos sedentos vindos dos dois também, e agarrou a cintura de , de forma que a garota ceda e impulsione seu corpo para frente de encontro com o dele, que ansiava por mais contato entre os dois. Eles iniciam um beijo selvagem e atrapalhado, com o objetivo de diminuir a altura do barulho, mas falhando miseravelmente. aperta com as mãos o quadril de , fazendo força para que o choque de seus corpos seja maior, já tendo plena consciência de que provavelmente aquele local ficaria marcado por alguns dias. Assim como seu pescoço, que já estava marcado de diversos chupões feitos por ela, que agora descia a boca para a região do seu tronco. Antes que pudesse continuar, ele a puxou para cima, direcionando sua boca para os seios da garota, circulando o local com a língua.
— Porra, . — Ela mordeu os lábios ao sentir o toque gostoso em seu mamilo, fechando os olhos para aproveitar o momento.
Até que, depois de algum tempo, ele a forçou a parar, sussurrando ofegante em seu ouvido: — Eu quero terminar de outro jeito, mas só se você aceitar.
A garota o olha confusa até ouvir sua sugestão e o responde falando que iria precisar de ajuda, então ele se sentou na extremidade da cama e tirou a camisinha, trazendo para seu colo. A garota não queria demonstrar o quão nervosa estava com aquilo, mas, ao sentir o toque da mão dele sobre a sua, conseguiu se acalmar, olhando em seus olhos ao iniciar, enquanto se surpreendia com a reação de para cada toque, que tentava manter a compostura enquanto a guiava para que ela fizesse movimentos de vai e vem em seu membro, mas era quase impossível, e vez ou outra era inevitável soltar gemidos roucos. decidiu aprofundar os movimentos e se desvencilhar das mãos de , que aproveitou para as posicionar na cintura da garota, apertando com força ao sentir o dedilhar dela na parte mais sensível do membro. Ele atinge seu ápice algum tempo depois e se joga para trás, deitando na cama, e fazendo com que deite em cima dele.
— Você aprende rápido, né? Mas também, eu sou um ótimo professor — ele falou após a respiração se normalizar.
— Convencido até agora? Você realmente não tem jeito. — A garota revirou os olhos, ainda deitada em seu peito, mas logo se virou para o lado de . — De quem é esse apartamento mesmo?
— Minha família, eu pedi pra fazer uma farra com uns amigos e eles me deram as chaves. Até agora não devolvi.
— Meu Deus… Vou dar um cochilo, já acordo. — Ela fechou os olhos e a observou e a cobriu com o edredom da cama, voltando a se deitar em seu lado logo em seguida. abriu os olhos lentamente e olhou ao redor do apartamento, achando ao seu lado na cama, assistindo um filme. Assim que percebeu que ela acordou, o garoto pausou e se inclinou na sua direção.
— Tava pensando em pedir pizza, você quer?
— Óbvio que não, . Isso é muita coisa que eu casal faria, nós não somos um.
— Tá bom então, eu só queria comer…
— Ai meu Deus, que horas são? — ela falou, arregalando os olhos ao lembrar do combinado com as amigas.
— Umas cinco da tarde… Por quê?
— Tenho um compromisso — respondeu, se levantando rapidamente da cama, só lembrando que estava completamente nua ao sentir o olhar de analisando seu corpo. — Dá pra parar? Não consigo achar minha calcinha — ela reclamou enquanto vasculhava o quarto todo em busca da peça, só sossegando quando ele a entregou.
— Quer carona?
— Não? Não podem saber que estivemos juntos. Vou pedir um Uber mesmo.
— Meu Deus, gênia, eu te deixo na esquina e você volta andando.
— Vai ficar pelado aí ou me levar pra casa então? — perguntou, já impaciente com o garoto, que se levantou preguiçosamente e se vestiu.
Ao chegar em casa, foi direto tomar banho para que tirasse todos os resquícios de perfume de , e, enquanto tirava a roupa, mais uma vez esquecendo de fechar a cortina, ouve um assobio do outro lado, se virando para ver o menino que não fazia nem cinco minutos que tinha visto.
— Mas você não me deixa em paz mesmo, hein, garoto.
— Se quiser fazer um strip tease, fica à vontade. — Ele se sentou no sofá de seu quarto, com os braços embaixo da cabeça e recebeu um dedo do meio de , que fechou a cortina e foi para o banheiro.
? Ótimo, a tá quase chegando aqui.— entrou em seu quarto e avisou a amiga, que assentiu.
Antes de entrar no chuveiro, se olha no espelho, analisando cada marca que havia deixado em seu corpo nesta tarde, e depois passando a mão em cima de cada uma, sentindo um flashback passar apor sua mente. Com certeza esse Dia dos Namorados tinha sido diferente de todos os outros.


Continua...



Nota da autora: Meu deus, quanta coisa aconteceu até esse último capítulo! O pp se achando no direito de dar o troco por uma coisa nada a ver. Homens, né kkkkkkkkk.
E essa dança exclusiva da pp pra ele, que surto, Brasiiil.
Sem falar nessa tarde no parque com a Reese. Ainda vai ter muito dela nos próximos capítulos! Mas e esse dia dos namorados juntinhos? Só eles não perceberam ainda, senhor… Enfim, espero que tenham se divertido lendo tanto quanto eu tive ao escrever essas novas etapas para a fic e novas atts em breve!



Nota da beta: Meu Deeeus quantas emoções! Mano, ela tentando esconder que ficou dolorida, tadinha kkkk. Eles podiam parar de birra de uma vez né? Shippo horrores.

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