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Última atualização: 09/12/2021

Prólogo

Já passava das duas da manhã quando chegou ao local do crime, na região nobre de Detroit. Em dias como aquele, ela se questionava sobre o motivo de ter escolhido aquela profissão. Seria pedir muito ter mais de uma hora de descanso entre um caso e outro?
Ao seu redor, todos os agentes pareciam querer entender aquele crime que mal ocorrera e já estava em todas as mídias, fazendo com que milhares de vozes pudessem ser ouvidas ao mesmo tempo. respirou fundo antes de cruzar a faixa amarela da polícia que isolava o local. As fotos que recebera assim que seu chefe ligou, alguns minutos atrás, já não eram por si só muito animadoras, mas, assim que cruzou a faixa e se aproximou do corpo, percebeu que a realidade era muito pior.
À sua frente, um corpo feminino se encontrava. A mulher, que não devia ter mais de 25 anos, tinha os cabelos loiros amarrados em um coque perfeitamente arrumado, apenas com a franja levemente solta, e seu corpo era coberto por um vestido de cetim azul claro. Uma gargantilha preta adornava seu pescoço e o modo como seu corpo se encontrava, perfeitamente alinhado, com as mãos perfeitamente cruzadas sobre o abdômen... aquela cena fora perfeitamente montada para condizer com uma história muito conhecida por e a prova disso era um sapato deixado a poucos centímetros de distância do corpo, que reluzia quase que como se feito de cristal.

- Cinderela, minha linda, não é sobre o “felizes para sempre” com o amor da sua vida, que vai lutar por você acima de tudo. – Nancy, a babá de , falava, depois de ter lido a história para a menina, em mais um de seus momentos de história para dormir. adorava aqueles momentos, pois a babá sempre terminava a história com alguma explicação sobre a moral do conto e aquilo fazia com que a história ganhasse um significado totalmente novo para a garotinha. – É sobre perdão. Cinderela tinha todos os motivos para se vingar da madrasta e das meias-irmãs, ainda mais com o príncipe ao lado dela, mas preferiu esquecer tudo aquilo e ser feliz com o amor da vida dela. Às vezes, o maior “castigo” que podemos dar a alguém é o perdão; e ele, ao mesmo tempo, é a maior libertação que podemos dar a nós mesmos.
A garota concordou de leve com a cabeça, sentindo os olhos pesarem cada vez mais. Não demorou muito até sentir o beijo de Nancy em sua testa. Quando a luz do quarto foi apagada e a porta fechada após a saída de Nancy, já se encontrava imersa em seus sonhos.


Balançando de leve a cabeça, a mulher se cobrou a voltar à cena do crime. Retirou um par de luvas plástica do bolso traseiro da calça e as colocou, logo em seguida se abaixando para se aproximar do corpo. Como de costume, começou sua análise mais minunciosamente, primeiro pelo cabelo. Apesar da boa aparência dos fios, eles possuíam um brilho diferente, mais intenso, o que chamou a atenção de e a fez logo constatar que se tratava de uma peruca. Assim que levantou a franja, a agente pode observar os pontos, realizados com uma linha transparente, quase como a de pesca... a peruca havia sido costurada ao couro cabeludo. Ao constatar aquilo, sentiu seu jantar voltar com certa força e teve que respirar fundo e desviar o olhar por alguns segundos. Como alguém podia ser capaz de tal ato? Deixando os julgamentos de lado, ela seguiu a linha e pode perceber que sua utilização tinha sido proposital, para que a estética não fosse afetada, já que os pontos eram grosseiros, como que feitos às pressas (o que provavelmente era verdade).
O cadáver usava maquiagem, mas não se importou muito com isso, uma vez que provavelmente fora feita para o evento social do qual participava. Continuando sua análise, a agente chegou ao pescoço, onde pode constatar, em uma linha quase que invisível de tão fina, a marca da causa da morte: estrangulamento; e, a julgar pela marca, provavelmente por algo semelhante a um arame. A posição da marca era proposital, logo no início do pescoço, camuflada pela sombra do queixo e maxilar. Aquilo era parte de um modus operandi, ela tinha certeza.
Em um salto, ela se afastou do corpo e virou para o agente mais próximo, removendo rapidamente as luvas e as enrolando como recomendado em treinamento, antes de guardá-las em um saco plástico específico.
- Ligue para as delegacias da região, pergunte se há algum crime semelhante a esse, com ambiente de história infantil criado e vítima estrangulada.
- Já o fiz. A polícia de Chicago reportou um crime há pouco menos de 24h, com vítima morta onde há uma mulher loira, vestida de rosa, com uma rosa vermelha na mão e uma torre deixada ao lado. – O agente respondeu, verificando o celular em busca das imagens enviadas pela outra delegacia.
- Bela adormecida... – falou baixo e o agente concordou com um aceno.
- Peruca costurada também. Anne Hoock foi estrangulada e a perícia custa a aceitar que foi por um arame, mas também não chegou a muitas outras opções, considerando-se a marca.
A mente de não parava. Inúmeras perguntas estavam sendo feitas, mas pouquíssimas possuíam respostas.
- Ligue para a agente Jareau e diga que temos um caso para a UAC – A agente se ouviu dizer, quando percebeu que talvez não fosse capaz de lidar com aquilo sozinha.


Capítulo 1

Reid passou pela porta da sala de reuniões da UAC a passos lentos, seu cabelo estava despenteado e seu corpo exausto. Fazia menos de um dia que haviam retornado de um caso em Idaho com um imitador e toda a equipe estava contando muito com a folga que deveriam estar tendo, especialmente ele, que se sentia esgotado mentalmente depois de tantas análises realizadas; imitadores sempre eram casos extremamente exaustivos.
A caneca em suas mãos exalava um cheiro reconfortante de café e ele se sentia grato por possuir aquele companheiro de tão longa data e de tantos casos com quem contar. Ao notar que todos já se encontravam na sala, se aproximou da mesa e se sentou na cadeira vazia mais próxima.
- Sinto muito tê-los chamado aqui, mas o caso é realmente um dos nossos. – JJ começou a falar, dando um sorriso sem graça e logo em seguida apertando o botão no controle em suas mãos para que as imagens enviadas pela polícia de Detroit e Chicago pudessem ser exibidas.
- Santo Deus! – Garcia soltou em choque, piscando uma série de vezes, como se tentasse aceitar que as imagens eram reais.
- Parecem bonecas – Emily comentou, enrugando a testa e inclinando levemente a cabeça para a direita.
- As polícias de Detroit e Chicago nos enviaram essas fotos há uma hora. Anne Hoock, de 23 anos, – A loira apertou mais um botão no controle e duas fotos de uma mulher morena apareceram na tela, a primeira de seu documento de identidade, e a segunda tirada pelo legista. – foi encontrada morta em uma rua do campus da Universidade de Chicago. – A loira apertou novamente um botão no controle em suas mãos e as fotos dão lugar a outras duas fotos de uma mulher loira. – Emma Johnson, de 32 anos, foi encontrada morta pela polícia de Detroit na rua lateral a um salão de festas. Ao que parece, Emma estava na festa, na região nobre de Detroit. Nossa unidade foi acionada devido às peculiaridades dos crimes. Em ambos os casos não houve notificação de desaparecimento, as vítimas foram vistas em eventos públicos horas antes de serem mortas.
- Estranho, geralmente os elementos sentem prazer em torturar suas vítimas de alguma forma – Emily comentou.
- E não é só isso... Em ambos os casos, toda cena foi montada para parecer com alguma história infantil. – JJ apertou um botão do controle e as imagens mudam novamente. – Temos Bela adormecida – Ela disse, assim que as fotos do corpo de Anne e o entorno da cena do crime aparecem – e Cinderela – Finalizou, assim que as fotos mudam para as do caso de Emma. – As vítimas foram estranguladas pelo que a polícia está considerando ser arame – JJ deu zoom em uma das fotos que exibia a marca quase invisível no pescoço das vítimas. – e o cabelo é falso, costurado com uma espécie de linha de pesca, mesmo para Emma, que já era loira.
- Ninguém consegue matar alguém com arame, é extremamente maleável, precisaria de uma força muito grande. – Derek comentou.
- Parece um caso de colecionador – Emily disse.
- Claramente todo o contexto é importante para o elemento. Olhem as roupas, o alinhamento dos corpos no chão, todo o entorno... é como se fosse uma música para ele, onde o crime é toda a melodia, que deve estar perfeitamente alinhada com a letra. Quem fez isso é meticuloso, frio e perfeccionista. – Reid expôs suas deduções.
- Estamos lidando com uma mulher? – Rossi perguntou e Spencer concordou.
- Possivelmente.
- Estejam prontos, decolamos em trinta. – Hotch falou, reunindo os papéis do caso novamente e indo em direção à saída da sala.

- Por que acha que é um caso de colecionador? – Reid perguntou, se aproximando de Emily que observava pela janela do avião as nuvens passarem rapidamente.
- Todo o contexto meticulosamente pensado... é como se fosse uma criança brincando de boneca. – Emily falou calmamente, a voz levemente embargada de sono.
- Mas, se for, não faz muito sentido, pois o elemento não passa muito tempo com as vítimas, não têm tempo para admirar sua coleção... – Spencer rebateu, sentido as engrenagens de sua mente funcionarem a todo vapor.
- E se o elemento se considerar um artista. Ele cria sua coleção, suas obras de arte e as deixa para serem apreciadas.
Reid não respondeu, começando a pensar segundo a linha de raciocínio de Emily.

📍 Departamento de Polícia de Detroit, 10:36
- , UAC chegou - O agente Martinez abriu a porta do escritório de e falou da porta, retirando a agente de seus pensamentos e fazendo-a se levantar em um salto e caminhar rumo à entrada do prédio.
- Bem-vindos, sou a investigadora , a responsável pelo caso. – se apresentou, esticando a mão cumprimentar a equipe.
- Sou o agente Hotcher – Hotch se apresentou, apertando a mão de – e estes são os agentes Morgan, Prentiss, Garcia, Rossi, Jareau e o Doutor Reid. – Disse enquanto apontava para cada um.
- É um prazer tê-los aqui. – sorriu. – Separamos uma sala, com o quadro branco e seis cadeiras, conforme solicitado. Se quiserem me acompanhar, mostrarei onde fica... – A agente disse, enquanto começa a caminhar pelos corredores do DP, sendo seguida por Hotch e sua equipe. – A maioria aqui é policial de patrulha, sem muita experiência em crimes que não envolvam a Narcóticos, portanto precisei solicitar ajuda para esse caso estranhamente peculiar. – comentou, assim que chegam à sala reservada para a equipe e param à porta.
- É seu primeiro caso desse porte? – JJ perguntou e deu de ombros.
- As coisas por aqui geralmente são mais comuns, a maioria das mortes está relacionada a briga de gangues e disputa de territórios para o comércio de drogas....
- Por acaso havia câmeras no local do crime? – Penélope perguntou, enquanto todos entram na sala e começam a se organizar.
- No salão onde o baile estava ocorrendo não, é um local conhecido por eventos da alta sociedade e pelo sigilo de seus eventos, mas encontramos uma filmagem da rua do incidente e ela se encontra no pen drive – respondeu, apontando para o pen drive sobre a mesa de centro da sala. – Preciso dizer, se me permitem, que a cada nova pista esse crime me parece mais estranho.
- Ficamos felizes em ajudar. – JJ falou, dando um sorriso reconfortante para . – Há testemunhas em algum dos crimes?
- Apenas as que realizaram as denúncias. Vou pedir para chamar a que nos ligou, mas a de Chicago é de responsabilidade da outra jurisdição. – respondeu e JJ concordou com a cabeça, antes da investigadora sair da sala.
- Garcia... – Hotch deu o aval para que a agente começasse a reproduzir o vídeo do pen drive, assim que todos se encontravam devidamente preparados para o início das análises do caso.
No vídeo era possível observar Emma Johnson correndo para fora de um prédio, provavelmente o local do evento. Ela estava com o cabelo loiro, que vai até a metade das costas, solto e usa um vestido midi vermelho. Enquanto corre, a vítima olha para todos os lados, especialmente para trás, por cima do ombro esquerdo, como se fugisse de algo ou alguém, mas não há nenhum sinal de estar sendo seguida. Em questão de segundos, ela desaparece, com o ponto cego da câmera de vigilância favorecendo totalmente a ação do elemento.
- Garcia, meu amor, é possível dar um zoom no rosto dela enquanto corre? – Morgan perguntou, debruçado sobre a mesa, tentando captar a maior riqueza de detalhes do vídeo.
- O que você não me pede sorrindo que eu não faça, meu galã? – Penelope respondeu, mexendo no computador para que o zoom pudesse ser aplicado à filmagem.
- Congela, por favor, Garcia – Morgan pediu e a técnica assim o fez. – Esse olhar... O que o resultado da autópsia falou? Alguma substância encontrada?
- Hum… nada convencional. Os exames deram quase normais e os técnicos ainda estão realizando exames mais aprofundados, devido à alta concentração de adrenalina. – JJ respondeu.
- Adrenalina é produzida por uma série de fatores: medo, luta, fuga, excitação... O simples fato dela estar correndo já é motivo o suficiente para os níveis de adrenalina aumentarem. – Reid comentou.
- Não sei, ela me parece fora de si... – Emily comentou – e não estou dizendo isso pelo simples fato de estar correndo como que com medo.

A equipe continuou por mais algum tempo sua análise, com muitas perguntas sendo feitas e poucas sendo respondidas. A peculiaridade do caso o torna ao mesmo tempo óbvio e único, o que faz com que os agentes fiquem divididos entre qual caminho seguir.
- JJ, veja com a investigadora sobre a testemunha e parentes e vizinhos de Emma, quero conversar com todos. Garcia, quero que consiga a maior quantidade possível de informações sobre as duas vítimas, onde frequentavam, se possuíam algo em comum... Reid e Morgan quero que investiguem a cena do crime de Chicago; Prentiss e Rossi a de Detroit. Como foram cenas ao ar livre, temos pouco tempo antes de serem alteradas. O elemento pode estar perseguindo a próxima vítima a essa hora e precisamos divulgar o perfil o quanto antes. – Hotch passou as instruções e logo todos estavam saindo da sala.

- Esta é Amelia Jones, foi ela quem encontrou o corpo de Emma – JJ se aproximou, com uma mulher de cerca de 35 anos em seu encalço e a apresentou para Hotch, que estava sentado na sala de interrogatório.
- Prazer em conhecê-la, senhora Jones, sou o agente Hotcher, chefe da equipe responsável pelo caso. Por favor, sente-se. – Hotch falou e a mulher assentiu, se sentando na cadeira do outro lado da mesa. – Poderia, por gentileza, nos descrever o que vi naquela noite?
- Eu estava passeando com meu cachorro quando ele começou a ficar agitado e a me puxar em direção a um canto meio escuro do quarteirão. No começo, tentei contê-lo, por achar que ele estava apenas agitado, mas ele não parava, então decidi deixá-lo me conduzir. Foi quando eu vi o corpo. De imediato, liguei para a polícia. Moro naquela região há 15 anos e nunca sequer fiquei sabendo de algum crime ali, até furtos são raros.
- E a mulher, Emma, já a havia visto na região? – Foi a vez de JJ perguntar.
- Sim, Emma era membro do nosso clube de ginástica. Ela não morava ali, mas estava sempre por perto e nas festas mais badaladas. Conversamos poucas vezes e ela sempre me pareceu alguém tranquilo, não entendo por que alguém iria querer matá-la. – Amelia falou e abaixou o olhar.

O interrogatório continuou por mais algum tempo, antes de JJ sair com a mulher e retornar com um rapaz.
- Este é James, melhor amigo de Emma, eles dividiam apartamento. – JJ apresentou o rapaz para Hotch, que o cumprimentou com um aperto de mão.
- Prazer em conhecê-lo, sou o agente Hotcher. Emma estava diferente nos últimos dias, James? Comentou algo sobre achar que estava sendo seguida ou algo do tipo? – Hotch iniciou o pequeno interrogatório, tentando criar todo o cenário por trás da morte da mulher e esclarecer algumas perguntas.
- Não, não. Emma e eu éramos muito grudados, então, se fosse o caso, imagino que eu teria sido seguido também.
- Ela não possuía nenhum inimigo?
- Não, Emma sempre foi um amor de pessoa, sociável e companheira.
- Você considera que Emma tinha uma rotina previsível? Seria fácil saber onde estaria agora, por exemplo?
- Mais ou menos, quer dizer, era fácil saber onde ela estaria caso estivesse tendo algum evento no salão perto de onde a encontraram, ela adorava as festas que tinham ali, não faltava uma.
- E Emma fazia o uso de drogas e alucinógenos?
- Santo Deus, não! Ela era ‘super natureza’, vida saudável, yoga e coisa e tal. Sem a menor chance de consumir algo que fosse corromper o estilo vida que tinha.

Assim como o primeiro, o interrogatório continuou por mais algum tempo. Hotch e JJ tentavam a todo custo entender as circunstâncias por trás do fato, mas se viam cada vez mais com perguntas sem respostas.
Algumas horas depois, Emily e David voltaram da análise do crime e ficaram reunidos na sala com Hotch e Garcia. JJ havia sido chamada para atender alguns repórteres e não devia demorar.
- Os resultados que faltavam da autópsia chegaram, vocês devem querer ler. – apareceu na sala, com alguns papéis em mãos e os entregou a Hotch. – Ao que parece, as vítimas foram drogadas com alucinógenos fora dos conhecidos pela perícia.
- O elemento é detalhista, ele sabe o que quer que vejamos e o que não quer. – Emily comentou.
- Esse alucinógeno não seria detectado pela perícia de rotina. – Foi a vez de Rossi falar. – Se a investigadora não tivesse questionado o alto nível de adrenalina e pedido exames complementares, provavelmente nunca teríamos percebido.
- Tem razão, obrigado, agente . – Hotch agradeceu e apenas acenou com a cabeça.
- Liguei para Morgan e Reid e pedi para voltarem o mais rápido possível. – JJ falou, entrando apressadamente na sala. – A polícia de Indianápolis ligou, eles possuem outro caso lá que parece ser do nosso elemento.


Capítulo 2

estava sentada em sua mesa com uma caneca ao seu lado e a cabeça enfiada nos inúmeros papéis do caso.
- Alexander King disse uma vez: “A necessidade básica do coração humano durante uma crise é uma boa xícara de café quente”. – Reid disse, se aproximando de e indicando sua caneca com a cabeça.
- No meu caso, é caneca de chá. Preciso de calmaria para minha mente inquieta e não o oposto. – A agente brincou, assim que o leve susto provocado pela presença repentina do analista passou, e fez sinal para que ele se sentasse na cadeira à sua frente.
- Tenho 3 PhD’s, um QI de 187 e leio 20.000 palavras por minuto graças à minha memória eidética. Acho que nunca saberei qual a sensação de ter uma mente calma. – Ele brincou, sem jeito, se sentando.
- Não consigo imaginar como deve ser para você, doutor.
- Vamos apenas dizer que os efeitos pós caso que todo agente sofre, eu sofro constantemente. Porém, também é o que sou, não consigo me ver de outro modo. E, por favor, me chame de Spencer ou Reid. – Ele diz, dando de ombros e lhe oferecendo um sorriso gentil.
- Apenas se me chamar de . – Ela retribuiu o sorriso e ele concordou com um aceno. – Se me permite dizer, dou... Spencer. – O tratamento quase saiu automaticamente, mas conseguiu contornar a situação. – Acho que sua genialidade é o que lhe torna único e especial. Qualquer mulher teria muita sorte por tê-lo consigo. Que mulher não gostaria de um gênio para chamar de seu?
- Você ficaria surpresa. Conviver com um gênio diariamente não é uma tarefa muito fácil. – Ele diz, com sinceridade.
Houve um período em silêncio enquanto Reid não sabia ao certo o que mais dizer – nunca fora bom com emoções humanas fora dos casos que investigava – e bebia um pouco de seu chá.
- Qual a sua opinião sobre o caso? – Reid perguntou, tentando focar em algo que realmente se sentia bom o suficiente para debater sobre.
- Acho que além de uma mulher, estamos lidando com um farmacêutica ou química. A formulação do alucinógeno foi cuidadosamente pensada para passar pelos exames habituais da polícia. A pessoa sabe exatamente o que está fazendo, como tentar nos enganar e, o mais importante, aonde quer chegar. Ela planejou esses crimes há muito tempo e tem tudo perfeitamente organizado. As vítimas não são ocasionais e elas as conhece bem o suficiente para que até a menor alteração em suas rotinas não afete seu planejamento para seu crime. Não me surpreenderia se, enquanto esperamos as informações de Indianápolis, ela já não estivesse com outro crime em execução.
Spencer ouviu cada argumento da agente e quase podia enxergar as engrenagens de sua mente funcionando, tão rapidamente quanto as dele.
Ao fundo, Hotch ouvia a opinião da investigadora, esperando que terminasse antes de interrompê-los:
- Garcia achou alguns detalhes em comum entre as vítimas e as fotos de Indianápolis chegaram. – O chefe da investigação disse, fazendo com que Reid se levantasse rapidamente e ameaçasse voltar a encarar seus papéis. – Seria pertinente sua participação, investigadora.
A policial se levantou rapidamente, sentindo-se feliz apenas por poder participar da reunião com eles e poder expor sua opinião aos demais, e se apressou em segui-los.
Com todos reunidos na sala, JJ voltou a exibir algumas fotos, dessa vez do caso de Indianápolis, onde era possível notar uma mulher de cabelos pretos lisos, traços ocidentais e veste vermelha, ao lado de algumas Magnólias. não precisou ver muito mais para saber que se tratava da história de Mulan, outra de suas histórias favoritas quando criança.

- Por que esse apego tanto a essa história, criança? – Nancy perguntava em tom divertido, depois da menina pedir para que lesse aquela história para dormir, pela terceira vez na semana.
- Gostaria de ser como ela um dia. – A pequena respondeu, com o peito estufado e um sorriso decidido no rosto, o que fez a babá quase rir, dividida entre a fofura do momento e a leve graça do sorriso sem os dois dentes frontais de . Se existia criança mais fofa que aquela, Nancy desconhecia.
- É uma história sobre coragem, determinação e amor. É preciso muita coragem para enfrentar as regras e mais ainda para enfrentar quem se ama. E tudo isso só é possível ter e manter com muita determinação. Claro que o amor dela pela família dela era maior que qualquer medo que pudesse ter, mas a determinação de ter continuado a lutar mesmo depois de ter sido descoberta, essa, se duvidar, era maior ainda. Desejo que você seja igual ela um dia, criança, linda, corajosa e determinada. – Nancy disse, dando um sorriso para e começando a ler a história.

- Para mim o elemento é um homem, é necessária muita força para estrangular alguém assim. – Prentiss falava, quando voltou a si e à reunião.
- Todo o apego aos detalhes contradiz esse ponto. O que temos aqui é uma colecionadora com habilidade em trabalhos manuais, talvez uma artesã ou costureira. – Morgan disse, tentando contribuir com mais detalhes para o perfil.
- Garcia, o que conseguiu? – Hotch perguntou, dando o aval para a técnica assumir a fala.
- As vítimas possuem estilos de vida bem diferentes. Anne Hoock era estudante de Literatura e instrutora de Yoga, a maioria dos gastos em seu cartão são em lojas de produtos naturais. Emma Johnson adorava um evento social e há uma lista infinita de gastos em bares no cartão de crédito. Ainda estou trabalhando nas informações da terceira vítima, mas uma coisa me chamou a atenção: Anne e Emma receberam dois pacotes no dia que desapareceram: um de uma rede de lojas chamada Nancy’s e outro de uma floricultura que fica a exatos 57 km de Detroit e Chicago.
- Deixe-me adivinhar, também fica a 57 km de Indianápolis. - Morgan falou, em leve tom de brincadeira.
- Santo Deus, sim! - Garcia respondeu e choque, após cruzar algumas informações.
- Uma florista tem habilidade manual o suficiente para montar todas as cenas que já vimos. - Prentiss sugeriu.
- Uma rede de lojas é algo muito abrangente até para essa nossa colecionadora. Ao menos que todas tenham comprado na mesma unidade. Garcia? - Rossi comentou e logo se ouviu barulho das teclas do computador da técnica.
- Não, cada uma realizava compras em uma unidade diferente.
- Garcia nos envie o endereço da floricultura. - Hotch ordenou.
- Em um piscar de olhos. - A técnica respondeu, enquanto todos, exceto JJ, se levantavam às pressas.
- Por que tenho a sensação de que algo para você não está completamente respondido? - Reid falou, enquanto se aproximava de . Ao contrário da equipe, ele manteve certa calma enquanto se dirigiam em direção a um dos carros.
- Já teve a sensação de que o caso é mais do que aparenta ser?
- Algumas vezes. Por quê?
- Quando achamos o corpo de Emma, eu fui tomada por uma sensação de que aquilo tudo era para mim, era um caso meu, onde a peça principal e mais necessária seria eu mesma. Agora, com três corpos onde a colecionadora apresenta as minhas histórias favoritas quando criança, eu passo a ter cada vez mais certeza de que o planejamento dela inclui até a mim na investigação do caso.
- Não pude deixar de ouvir isso, investigadora . - Hotch falou, se aproximando dos dois já na frente da delegacia. - Acho que sabe qual o procedimento nesse caso…
- Sim, ficarei aqui. - falou, colocando as mãos nos bolsos da calça.
- Tudo bem se eu ficar também? Nós sabemos que sou melhor em análises do que em campo. - Reid falou, surpreendendo a Hotch e a .
O chefe da UAC concordou com um aceno e foi em direção ao carro onde Rossi estava.
- Obrigada. - A agente disse, recebendo um sorriso singelo de Reid enquanto ele, imitando a agente a sua frente, também coloca as mãos no bolso e ambos voltam lado a lado para dentro da delegacia.


Continua...



Nota da autora: Oiee!

Quero começar falando que quem ainda não está no grupo do whats está perdendo, pois rolou até spoiler lá hahaha Caso queiram entrar, é só clicar no icon abaixo que ele redireciona.

Soltei bastante pistas nesse capítulo e adoraria conhecer as teorias de vocês, então, me contem haha
Comentários são sempre bem-vindos, eu leio todos e respondo com carinho S2


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