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Última atualização: 21/03/2021

Chapter 1


La Rose R.


Não tinha nem uma semana que havíamos chegado em Bristol, e parecia que aquele homem já conhecia todo mundo na cidade e ficava me apresentando a todos. A maior parte do tempo eu ficava apenas calado ouvindo tudo, e só abria a minha boca quando algo era perguntado diretamente a mim. Ralph, meu pai, dizia que era bom para os negócios conhecer muitas pessoas, e por isso era ele quem organizava sempre tudo, porque eu não tinha a menor paciência para me socializar, mas às vezes era obrigado a fazer isso. Ainda mais quando era com seus sócios.
Ralph tinha conseguido arrumar amizade com um dos caras que tinha vários imóveis na cidade, Robert Castles, além de mexer com algumas coisas ilegais. Mas meu pai não se importava com isso quando só precisava de um lugar para o nosso Clube da Luta particular, onde eu era o seu lutador favorito e ele sempre fazia suas apostas em mim quando havia me treinado sempre para ganhar. De qualquer forma, isso não importava muito quando eu permanecia invicto. O que estava realmente me incomodando agora era o fato de ir em uma festa que seu sócio estava dando em seu clube, meu pai queria que eu causasse boa impressão para que Castles investisse dinheiro em mim nas lutas. Isso era um saco.
Eu era teimoso demais, meu pai sempre falava isso, e ele tinha total razão. Apesar de Bristol ser pequena, eu consegui me perder quando virei a rua errada. Para variar, a porra do meu iPhone tinha descarregado, e nem dava para usar o GPS do carro porque tinha esquecido de baixar o mapa da cidade, além de ter esquecido também o carregador em casa, só para variar um pouco.
Consegui chegar na maldita festa depois de uma hora rodando pelas aquelas ruas perdido, e não tinha ninguém para pedir informação. Parecia que do nada a cidade tinha ficado deserta. Estacionei o carro em um lugar um pouco longe por não querer chamar atenção, mas, antes de descer, olhei meu cabelo no espelho, puxando os longos fios cacheados para trás, não tinha muito que eu pudesse fazer para os deixar no lugar quando tinham vida própria. Então eles só caíram para o lado e eu deixei daquele jeito. Peguei meu cigarro e isqueiro zippo do Constantine, que era o meu bem mais precioso, e saltei do carro. Puxei as mangas longas da minha camisa para baixo, vendo se estavam bem fechadas em meus pulsos, e estava perfeitamente preto. Coloquei o cigarro e o isqueiro nos bolsos da frente da minha calça jeans.
Andei apressado pela calçada em rumo ao clube Castle’s e só de olhar aquela fila enorme já me irritou. Odiava filas e ainda mais esperar por algo. Então dei a volta no lugar e subornei o segurança para entrar pelos fundos. Gostava de como algumas libras podiam fazer literalmente portas se abrirem. Adentrei o lugar e fui passando por entre as pessoas, até que vi Robert e Allie, uma das garotas que trabalhavam com ele, Ralph disse que aquela mulher era osso duro.
Não acenei e nem nada, apenas fui andando na direção dele até o balcão e, quando estava me aproximando, alguém me esbarrou muito forte, vi que era uma garota morena. Isso me fez unir as sobrancelhas já puto, e ela nem pediu desculpas por aquilo.
— Bela educação que você tem — falei irritado com aquela merda e dei as costas.
— La Rose! — Robert falou de forma saudosa levantando um de seus braços para fazer um toque de mãos.
— Castles — disse forçando uma emoção totalmente falsa pegando sua mão.
— Pensei que não viria — comentou dando uma pequena risada.
— Não ia perder uma festa — respondi e me virei no balcão pedindo uma bebida.
Meu pedido não demorou muito para chegar. Dei um gole em meu drink enquanto escutava Castles e Allie conversando sobre alguns negócios. Como não gostava de conversar, a maior parte do tempo fiquei calado mesmo ouvindo os dois. Estava totalmente distraído quando senti algo molhado ensopar minha camisa social.
— Aí. — Ergui minha cabeça e vi a morena que tinha esbarrado em mim quando cheguei. O cheiro de cerveja invadiu meu nariz. Ela estava com a mão na boca, sem jeito. — Além de ter uma bela educação, eu tenho belos pés esquerdos. — Sorriu piscando diversas vezes.
— Tá de sacanagem? — berrei com ela querendo enforcar aquela garota, e, como não podia bater nela, joguei simplesmente minha bebida em sua cara. — Aí. — A imitei forçando um pouco a minha voz. — Acho que molhou um pouco aqui. — Passei o indicador em seu rosto e peguei sua mãozinha colocando meu copo vazio nela. — Não cruza a minha frente de novo — falei em seu ouvido e sai andando, fazendo questão de esbarrar em seu ombro, precisava dar um jeito naquilo.
— Não cruza a minha frente de novo. — Ouvi sua voz imitando como uma criança faria.
Castles me puxou para dançar com ele e Allie, certamente prevendo que daria merda, e eu poderia cometer um assassinato em seu clube. Não falei nada, apenas fui mesmo todo molhado de cerveja. Foda-se, daqui a pouco aquela merda secava mesmo que fosse ficar fedendo, e aquilo seria uma desculpa ótima para me fazer ir embora, mas meu pai iria ficar me enchendo a paciência por isso. Então apenas decidi ficar.
— Hey, idiota. — Senti alguém bater em meu ombro, então parei, vendo que ainda era aquele projeto de gente.
Aquela garota ainda não tinha entendido que não era para cruzar comigo ou será que ela era uma babaca sem noção mesmo? Quando fui reclamar, ela enfiou o copo na minha boca. Tirei aquilo na mesma hora respirando fundo. Aquilo só podia ser a filha de Lúcifer!
— Estava procurando um lixo, como não achei, vai você mesmo, lindinho. — Sorriu e saiu andando.
Eu a fuzilava com o olhar. Olhei por cima de meu ombro encarando Castles, que tinha um olhar preocupado. Por mais raiva que estivesse, não iria fazer nada contra aquela garota, então apenas suspirei, e deixei que ela fosse embora. Fechei meus olhos e respirei mais algumas vezes. Me virei e voltei até onde Castles estava.
— Desculpe a demora — disse pegando a bebida que tinha em sua mão e dando um gole. — Você se importa se eu fumar aqui dentro?
Castles sorriu e negou com a cabeça. Então peguei sem cerimônia um dos meus rolinhos pretos. Coloquei o cigarro entre meus lábios e acendi, dando uma tragada longa.
— Valeu. — Coloquei o isqueiro de volta em meu bolso.
Fiquei fumando mais tranquilo com Castles e Allis enquanto dançávamos, até que o loiro disse que já voltava. Então o segui com o olhar quando saiu rapidamente e me espantei momentaneamente quando vi com seus cabelos ainda mais claros na luz negra. A mulher estava apenas de calcinha dentro do clube. Aquilo sim me fez rir, ela era louca demais, e aquele ato me fez gostar um pouco mais dela, quando já tinha simpatizado antes quando eu e meu pai fomos visitar o Madam Simmons, uma boate na cidade onde ela trabalhava de dançarina. E sem que percebesse tinha ficado com um sorriso pequeno em meus lábios, então percebi que Allis olhou para a mesma direção, e ela riu também. Meu olhar desviou para a mulher na minha frente.
Um cara apareceu falando com Allis, e isso foi a minha deixa para sair dali. Me sentei em um sofá e acabei de fumar aquele meu cigarro. Fiquei ali por um tempo e até falei com algumas pessoas que se sentavam ali puxando assunto, mas a verdade é que aquela festa estava um saco. Acho que já tinha socializado o suficiente e já podia ir embora.
Levantei e fui para a porta, a festa estava lotada, e estava até mesmo difícil sair do lugar. Depois de uma luta quase sem fim, cheguei do lado de fora sentindo a brisa de Bristol acertar meu peito e gelar a minha camisa, me dando um pequeno arrepio. Parei na porta do clube e apalpei os bolsos procurando meu cigarro para fumar de novo, até que vi com seu celular na mão saindo do Castle’s. A olhei por alguns segundos e mordi de leve minha boca por dentro. Não sabia se deveria falar com ela, e muito menos se lembrava quem eu era. Umedeci meus lábios e peguei meu cigarro. Era melhor fumar.
— Quer uma carona, boneca? — ouvi um cara se aproximar dela e a mulher o encarar no mesmo momento com uma expressão de nojo. Uni as sobrancelhas de leve. Ele não ia tocar nela, ia? Seu olhar voltou para o celular e ela simplesmente o ignorou. — Não está vendo que estou falando contigo? Posso te mostrar umas notas e provar que não vai ser nada de graça. — Aquele babaca estava mesmo falando aquilo ou eu estava escutando errado?
— Umas notas? Nem por diamantes, meu caro — ela respondeu com a voz ríspida, e aquilo me fez dar um pequeno sorriso gostando mais um pouco dela. — Só pela carona, depois o apelidinho sujo e me oferecer apenas umas notas, eu sei bem que seria preferível estar no hospital do que estar vendo seu pau, que deve ser minúsculo. Agora me deixe em paz! — seus olhos entediados voltaram a tela de seu celular.
— Vou mostrar o que é minúsculo para você, vadia. — O sujeito rosnou e a pegou pelo braço fazendo ela derrubar o celular pela forma como a puxou.
— Solta ela. — Mandei com a voz baixa e rouca, fumando meu cigarro e me aproximando agora.
— Não se intromete, cara. — Me olhou feio e vi os olhos de me encarando agora.
— Solta. Ela. — falei mais pausadamente para ver se aquele quadrúpede entendia agora. — Estou pedindo com educação, você não vai querer ver a falta dela.
Então a mulher deu uma baita joelhada no meio das pernas dele e um tapa na cara dele, conseguindo se soltar. Mas ele mesmo assim conseguiu puxá-la pelo cabelo, grunhindo de dor. Joguei meu cigarro no chão e minha mão fechada passou pela lateral do rosto de acertando o nariz do sujeito, fazendo com que soltasse ela na mesma hora. Me desviei da mulher, pegando a mão do cara que estava no chão se contorcendo de dor, e ajoelhei em seu peito fazendo com que não se levantasse, e comecei a quebrar dedo por dedo para ele nunca mais tocar em ninguém daquele jeito.
— Da próxima vez que só de passar pela sua cabeça que acha que tem o direito de colocar a mão em alguém, espero que você lembre o quanto isso pode doer. — Então apertei seus dedos quebrados, o ouvindo grunhir alto. — E isso aqui é cortesia minha. — Peguei sua outra mão e quebrei seu pulso em um movimento seco e rápido. — Oras, não sabia que você podia chorar. Geralmente babacas como você não fazem isso, mas eu acho que estava enganado. — Levantei calmamente e olhei para , que tinha um sorriso divertido nos lábios ao assistir aquilo. — Você está bem?
— Um segundo. — Ela pediu para mim, então chutou de novo o saco do cara no chão e depois esfregou suas palmas como se estivessem sujas. Eu ri fraco daquilo. — Estou perfeitamente bem — respondeu, voltando a me olhar com um sorriso maior. — É La Rose, certo? — concordei com a cabeça.
— Me desculpe me meter na sua briga, sei que é deselegante fazer isso, mas ele me irritou — expliquei olhando para o homem que chorava no chão gemendo. — Cala boca. — Chutei de leve sua perna. — Não vê que está atrapalhando a conversa com esses gemidos infernais? — perguntei o olhando feio e ouvi ela rir.
— Pois saiba que eu achei extremamente elegante a forma como você quebrou os dedos dele. Como faz isso? — ela apontou para o cara indicando os dedos e me olhava curiosa, me tirando outro pequeno sorriso. — Valeu mesmo por isso. A festa inteira só valeu a pena por ter assistido essa cena. Não é todo dia que se vê alguém quebrando os dedos e o pulso de um babaca. — Seu sorriso fechado aumentou e então olhou para o homem com um certo desprezo.
— Vem cá que te mostro. — Acenei com a cabeça para vir até onde o homem estava e peguei sua mão que tinha quebrado o pulso, ela se aproximou no mesmo instante com o olhar intrigado. — Tem duas formas. — Comecei a falar. — Segura a mão dele assim e você pode pressionar o dedo dele para baixo em cima da dobra dessa forma. — Mostrei como fazer ouvindo o estalo que tinha feito, vendo ela morder seu lábio inferior e seus olhos brilharem. — Ou assim. — Peguei outro dedo o envolvendo com força e o puxei para trás, ouvindo outro estalo ignorando totalmente o sujeito urrando. — Você tem alguma coisa para enfiar na boca dele? — perguntei unindo as sobrancelhas e ela ponderou com a cabeça. — Quer tentar? Eu prefiro o primeiro, mas precisa de mais força, e seu dedo também pode escorregar e acabar se machucando. Toma cuidado nisso — avisei. — Por nada. — Sorri de leve.
— Certo, quero tentar sim — respondeu bem animada até, pegando a mão do cara em seguida. — Antes de tentar…Tenho algo sim para tampar a boca dele. — Riu baixinho e abriu sua bolsa, tirando um pau de borracha de dentro dela e então simplesmente enfiou na boca do cara. Aquilo conseguiu me tirar uma risada que eu não soltava tinha algum tempo. — Aposto que é maior que o seu, docinho. — Piscou para o cara e então me olhou. — Seu sorriso é bonito — disse para mim, e ele sumiu no mesmo instante. Seus olhos voltaram para os dedos do cara e ela seguiu a segunda instrução, puxou o dedo do cara de forma rápida para trás como eu havia feito e então ouvimos o estalo. O homem se engasgou com o pau de borracha quando gritou. — Isso é ainda melhor do que chutar sacos! Adorei! — soltou bem animada, dando uma risadinha. Segurei o sorriso e concordei com a cabeça.
— Vem, tenta do outro jeito, eu te ajudo. — Ofereci, porque dependendo de sua raiva ela conseguiria fazer aquilo com facilidade. — Posso? — perguntei em relação a tocar sua mão e ela me olhou um pouco surpresa por aquilo, mas balançou a cabeça rapidamente em afirmação. Então toquei de leve nela, e coloquei seu dedo na forma correta na dobra do dedo do sujeito, com o meu por cima. — Força agora — pedi com a voz calma e suave, vendo ela assentir e respirar fundo. Seu dedo forçou o do cara e eu a ajudei, aplicando força sobre o seu, até ouvir o estalo, então a soltei em seguida. Ela virou seu rosto e olhou em meus olhos, abrindo um pouco mais os seus e eu pude ver satisfação em seus tons claros.
— É definitivamente bem melhor do que chutar sacos mesmo! — soltou de novo, rindo um pouco e olhou para o sujeito no chão. — Pode ficar com o pau para você brincar — falou com o cara até de um jeito doce.
— Aposto que ele vai se divertir horrores, né? — olhei para ele lhe dando uma piscadinha. — Quando alguém te segurar pelo cabelo daquela forma você pode tentar acertar com uma cotovelada na costela. Pisar no pé da pessoa é uma ótima saída. Se estiver de salto vai ser ainda melhor — falei me colocando de pé e olhando para a agora.
— Na parte debaixo tem o nome da loja, caso você queira um maior — sugeriu para o cara, levantando os ombros em sinal de dúvida. — Já tentei a cotovelada uma vez e não deu muito certo, quase tive o braço torcido — contou, fazendo uma careta. Torci o nariz por causa daquilo. — Mas o pisão no pé é uma ideia ótima mesmo. Eu vivo de salto alto mesmo devido ao Madam Simmons… — gesticulou a mão em sinal de que eu já sabia onde ela trabalhava.
— Geralmente quando a pessoa te pega por trás ela fica na defensiva já esperando um ataque seu na região do tronco ou nos braços. Já o pé eles geralmente esquecem, e dá tempo de você correr. Mas usar um taser seria ótimo também. Será que tem um em formato de pau? — perguntei com certo humor na voz e ela soltou um riso nasalado.
— Vim para uma festa e estou tendo aula de defesa pessoal. Obrigada pelo convite, Castles! — disse como se ele pudesse ouvir e sorriu de leve para mim. Ri nasalado com aquilo. — Ah, eu tenho um taser, mas realmente esqueci de trazer hoje. No MS somos meio que obrigadas a saber usar esse tipo de defesa mesmo porque é óbvio que homens idiotas acham que podem nos tocar só porque tiramos a roupa toda noite. — Rolou seus olhos ao falar isso. — Geralmente eu andava armada, mas eu não confio muito na minha raiva e sei que não pensaria duas vezes para estourar os miolos de um filho da puta desses. — Torceu de leve seu nariz. Ponderei com a cabeça.
— Ao seu dispor. — Fiz uma pequena reverência. — Não sabia disso. Mas é ótimo. Homens não têm muita noção das coisas, se forem héteros, então, pior ainda. — Rolei meus olhos também, eles me cansam demais, não tinha a menor paciência para lidar com esse tipinho de gente. — O taser é mais seguro, não acho que seria bom você ser presa por causa dessas merdas. — Olhei de novo para o cara, que pelo menos ainda estava respirando, mas meu olhar foi atraído quando ouvi o som de sirenes de ambulância e polícia. — Vem! Vamos sair daqui — falei já dando uns passos apressados para trás.
— Muito obrigada. — Agradeceu, abrindo mais o sorriso. — Pior raça. — Fez uma careta de nojo, e eu concordei veemente. — Por isso eu torço pelo dia em que matar de TPM seja legalizado — comentou, juntando suas mãos como se fosse rezar e então começou a se afastar também, olhando em volta e pegando seu celular do chão rapidamente.
— Por nada, madame — falei que nem aqueles lordes de antigamente fazendo outra reverência e vi o sorriso dela ficar ainda maior. — Pode contar que nesse dia eu vou pedir para você matar umas pessoas para mim. — Pisquei um olho para ela que soltou uma risada. — Você quer uma carona? Meu carro está para lá. — Indiquei a direção. — Ou eu posso tentar arranjar um táxi contigo, esperar um uber, ou chamar alguém para isso. Uma das meninas que estavam comigo — ofereci enquanto andávamos rapidamente agora para sairmos dali antes que os canas chegassem.
— Só me dizer o nome e como quer que a pessoa morra, fechamos os negócios. — Piscou seu olho, rindo baixinho. — Seria muita folga minha aceitar sua carona depois do que você fez… — deu um sorriso triste. — Mas eu sou folgada. Então, eu aceito a carona sim. — Estalou a língua no céu da boca, dando de ombros.
— Fechado! — exclamei com empolgação. — Certo, você só vai ter que me guiar pela cidade, eu não sei onde fica nada aqui — expliquei torcendo de leve o nariz. Antes de conseguirmos chegar no meu Land Rouver, um carro de polícia já entrou na rua. — Por aqui — chamei entrando entre um prédio e outro e me encostando na parede, vendo ela fazer o mesmo e então esperamos a viatura passar junto com a ambulância. — Vem — falei mais baixo e seguimos para meu Evoque preta. Tirei a chave do bolso e já destravei as portas, entrando no lado do motorista.
— Pode deixar. Sei imitar certinho a voz da mulher do GPS, se quiser — respondeu de uma forma divertida. — Achei que seria só mais uma festa sem graça e olha só que noite divertida, quebrei dedos, chutei sacos e fugi da polícia. — Brincou ao entrar do lado do passageiro e fechar a porta.
— Aceito. Acho super sexy a voz da mulher do google. Em duzentos metros vire à direita. — Brinquei tentando imitar aquela voz mecânica, mas claramente que ficou uma merda. Ouvi ela soltar uma risada mais alta, então a olhei por um momento gostando do som. — Realmente, a noite só ficou boa nessa parte. — Tive que concordar com isso, ela tinha praticamente me salvado do tédio.
— Já dá para você mandar currículo para o Google — falou como sugestão mesmo, mas sorriu querendo segurar a risada. — Estou vendo que você adorou a festa. — Sua voz saiu em tom de ironia e ela negou de leve com a cabeça.
— Será que vão me contratar? — perguntei de forma pensativa, negando com a cabeça em seguida. — Está falando do meu cheiro de cerveja? — e naquele momento percebi que estava conversando com ela mais do que eu deveria ter feito o mês todo. Então joguei a chave no porta copos do carro e apertei o botão de start.
— Você tem o meu apoio total. Tenta sim, aposto que vão! — ela falou dando mesmo a maior força e riu nasalado logo depois. Então concordei como se fosse mesmo enviar o currículo. — Ah, estava só me referindo da parte que só ficou boa depois que você saiu da festa. Mas já que mencionou…Que cheiro adorável! — debochou no final e riu fraco em seguida.
— Essa parte realmente foi a melhor. A que saí daquela festa. — Confirmei e ela fez um biquinho. — Vai, me fala para onde eu vou. — segurei o volante.
— Com a temperatura sempre fria da cidade gelada do interior da Inglaterra, não esqueça de pegar seu casaco quando sair de casa. Então, ligue os faróis e a seta, vire à próxima esquerda com cuidado porque é via de mão dupla — disse exatamente com a voz da mulher do GPS, mordendo sua bochecha para não rir. Eu a olhei com um ar de riso, mas me contive também, aquilo estava ótimo. Então fiz exatamente o que disse. — Agora siga reto nessa avenida e cuidado com senhoras atravessando a rua sem o semáforo fechar. — Brincou, dando um sorriso divertido. — E a dica de hoje é tomar um chocolate quente ou uma taça de vinho… Será que não existe o modo delas falarem umas sacanagens? — perguntou curiosa e pensativa. A encarei por um segundo querendo rir alto daquilo.
— E a senhora está sem casaco! Vai pegar um baita resfriado — avisei, já que estava sentada no banco do carona vestindo apenas seus saltos e uma calcinha que não era muito grande. — Se realmente estiver com frio, tem casaco no banco de trás — ofereci, porque realmente a brisa estava gelada ao ponto que eu tinha sentido frio quando saí do Castle’s. — Odeio velhinhas, vou atropelar todas se passarem na minha frente. — Brinquei com um ar de riso em minha voz e ela soltou mais uma risada alta. — O que custa esperar o semáforo fechar? Não vai doer mais a coluna delas. — agora falei em tom de reclamação mesmo. — Chocolate quente seria ótimo mesmo — comentei, pensando que tinha ficado meio enjoado por causa daqueles drinks que tomei. — Olha, aposto que algum tarado já conseguiu essa proeza — falei pensativo sobre aquilo enquanto dirigia pelas ruas de Bristol, ouvindo ela rir daquilo.
— Eita, porra! Até esqueci que estava quase pelada. Foi mal. — Bateu na sua testa e então tirou um vestido amarrotado de sua bolsa que era absurdamente fino e o vestiu rapidamente. — Olha, se toda vez que eu ficasse pelada eu pegasse um resfriado eu estaria desempregada — comentou em tom divertido. — Obrigada por oferecer o casaco, mas eu realmente me acostumei com o clima de Bristol. E eu adoro o frio, adoro sentir o vento batendo em meu rosto e de como a sensação dele praticamente ser de cortar sua pele é tão forte, mas mesmo assim ele ser apenas um clima, apenas o vento. — Seus olhos foram para a janela enquanto ela falava e tinha um sorriso pequeno em seus lábios. — O senhor acabará cumprindo uns dez anos na condicional se ultrapassar o sinal vermelho, mas ninguém se importará com a morte das velhinhas. — Brincou com a voz da mulher do GPS ainda e riu em seguida. — La Rose, claro que vai doer mais as costas delas. Elas são velhinhas, né? — fez um biquinho e depois sorriu de novo. — Chocolate quente com pipoca — comentou, sorrindo ao ponderar com a cabeça sobre aquela ideia. — Pode virar à direita agora. — Indicou.
— Tudo bem. — Dei de ombros. De qualquer forma eu nem tinha olhado para o corpo dela ou coisa parecida. Não me incomodava e nem nada do tipo, na verdade, não atraía o meu olhar. — Então eu tenho uma coisa para você — falei e apertei o botão que abria o teto solar todo, fazendo o vento entrar e ela me deu outro sorrisão por isso. — Se você quiser pode ir lá em cima sentir o vento na sua pele — ofereci a olhando rapidamente e ela ergueu uma sobrancelha, olhando para cima em seguida. — Ok, sem ultrapassar o sinal vermelho. — Fiz uma nota mental. — E você acha que eu ligo para elas?! Que esperem o sinal fechar! — rebati como se estivesse bem indignado com aquilo, com as velhinhas abusadas que queriam morrer logo atravessando a rua quando não deveriam. riu um pouco alto disso, negando com sua cabeça. — Pipoca de chocolate — disse com um tom divertido e virei à direita.
— Está liberado só o amarelo, ok? — apontou o dedo como se fosse outro lembrete que eu deveria anotar. — Por isso e por muitos outros motivos que eu não dirijo — contou, estalando a língua no céu da boca. — Com calda em cima — respondeu no mesmo tom e sorriu de leve. — Continua reto e então na rotatória você pega à esquerda, então meu prédio vai aparecer piscando e brilhando para você. — Sua voz saiu em um tom infantil e então ela levantou no banco e realmente foi olhar a rua pelo teto solar. Olhei para cima vendo seus fios voando ao vento de um jeito bonito, e aquilo me tirou um sorriso.
— Certo, certo. No amarelo. — Balancei minha cabeça e ela fez um joinha com seu polegar. — Eu só dirijo porque odeio depender de qualquer pessoa para fazer o que eu quiser. Porque isso aqui me deixa mais estressado do que já sou naturalmente — contei soltando um suspiro longo. — Pare, mulher! Estou ficando com vontade de comer pipoca doce com calda! — reclamei a olhando feio agora. Eu teria que achar um lugar para comprar pipoca e calda de chocolate agora. — Ok — respondi seguindo suas instruções.
— Adorei mesmo o seu humor — comentou, rindo um pouco, mas continha sinceridade em seu tom de voz. Ela não podia estar mesmo falando sério. Eu era estressado, brigão e calado, apesar de estar falando muito com ela naquele momento. Então a olhei por um segundo e vi ela devolvendo o olhar, me dizendo através deles que ela falava sério. Prendi meus lábios em uma linha reta e assenti com a cabeça, voltando a prestar atenção na rua. — Manda o endereço da sua casa que eu te envio a pipoca. Não existe melhor que a minha, a Saph sempre diz isso — contou de um jeito gentil, sorrindo de leve. Então concordei, ia mandar mesmo, porque agora eu queria pipoca. — Ei, — ouvi ela me chamar lá de cima, ergui minha cabeça olhando para . — você poderia acelerar só um pouquinho? — pediu com um sorriso arteiro nos lábios, e meu pé afundou no acelerador enquanto eu a olhava de uma forma séria, vendo seus cabelos dançarem ainda mais ao vento. Ela riu de um jeito leve e feliz, tentando colocar suas mechas atrás da orelha enquanto voavam de formas desconexas por todo seu rosto. — Isso é como voar, La Rose! — ela soltou, rindo ainda mais e abriu seus braços, e eu pude sentir como se meus olhos estivessem brilhando naquele momento vendo aquela cena tão linda.
— Então voa, — falei mais alto para ela me ouvir olhando para frente acelerando um pouco mais.
— Estou voando e nem preciso de asas! É como ser a própria liberdade! — falou em voz alta muito empolgada, aquilo só me fez sorrir ainda mais, e a olhei de novo, vendo sua cabeça jogada para trás.
— Você é a sua própria liberdade — disse para que me ouvisse, a olhando ainda. Então ela abaixou a cabeça e me olhou de volta, sorrindo para mim e deixando seus olhos presos nos meus por alguns segundos enquanto segurava seu cabelo para trás. Sorri de lado e voltei a olhar para a rua, vendo o prédio realmente piscando. Então diminuí a velocidade e parei. Ela voltou a se sentar no banco no instante seguinte. — Está entregue, senhorita . — Usei um tom cortez.
— Terás para sempre a minha eterna gratidão, caro e respeitadíssimo senhor. — Fez uma reverência, jogando um pouco seu cabelo para frente e quando voltou o jogou para trás, sorrindo de forma divertida.
— Gratidão coisa nenhuma, você está me devendo uma pipoca. Pode me passar seu número para que eu te mande meu endereço… Na verdade. Anota o meu número e me manda mensagem, o meu celular está sem bateria. — Me lembrei daquele empecilho.
— Oras, é verdade! Minha memória anda horrorosa, até esqueço que estou pelada hoje em dia. — Negou com a cabeça, rindo um pouco. — Você prefere calda de caramelo ou chocolate? — perguntou de forma séria enquanto pegava seu celular, então me entregou o iPhone para eu anotar meu número nele.
— Isso é coisa de gente velha, está ficando senil. Tem que tomar remedinho para isso — falei segurando o pequeno riso que quis sair. — Chocolate — respondi pegando o aparelho e anotando o meu número, e colocando o nome do contato de “Quebra Nozes”. — Quando eu colocar o meu celular na carga, eu te respondo caso tenha me mandado mensagem. — Lhe estendi seu iPhone de volta.
— Meu cabelo já está até branco e eu ainda aceitei carona de um cara que mata velhinhas. Santo Deus! — arregalou seus olhos e levou a mão no rosto. — Boa escolha — respondeu sobre a calda e então soltou uma gargalhada quando olhou a tela do celular. — Não tinha nome melhor, devo dizer. — Brincou, rindo um pouco mais, e então abriu a porta do carro. — Não responde para ver! Fica sem pipoca — disse em tom de bronca, mas sorriu em seguida. — A gente se vê por aí, Quebra Nozes. — Piscou seu olho para mim e saiu do carro.
— Olha que perigo, eu poderia ter te jogado do carro em movimento. — Arregalei meus olhos com aquilo, e segurei o pequeno riso que quis vir. — Achei que iria combinar. — Dei de ombros sobre o nome que coloquei em seu contato. — Claro que vou responder! Quero minha pipoca com chocolate! — disse unindo as sobrancelhas com indignação. — Mas é sério agora. Se precisar de qualquer coisa pode me ligar, ok? — fui sincero com ela quanto a isso enquanto meus olhos encaravam os seus.
— Eu tenho que parar de ficar sofrendo esses riscos. Que perigo mesmo! — continuou me olhando assustada, neguei com a cabeça de leve. — Combinou mesmo. Vai salvar meu nome como no seu? — perguntou em tom divertido. — Você vai ter. Juro juradinho — falou, balançando a cabeça afirmativamente. — Obrigada, La Rose. — Sua voz era mais baixa agora, seus olhos sérios e intensos em mim, então soltou o ar e sorriu de leve. Assenti. — Boa noite. — Acenou com a mão e fechou a porta, se afastando do carro.
— Ainda não sei. Vou pensar — contei com um pequeno semblante de sorriso em meus lábios, olhando para ela e pensando em como poderia chamá-la. Ela assentiu com um sorriso leve nos lábios. — Boa noite, . — desejei em um tom baixo, vendo ela se afastar.
Fiquei olhando até ela entrar no prédio e ter certeza que estava segura agora, sem nenhum louco surtado tentando estuprar ela só por achar que tinha esse direito. Eu deveria ter arrebentado mais aquele filho da puta, mas foi satisfatório ver aquela mulher quebrando os dedos dele e ainda enfiar um pau de borracha em sua boca para ficar quietinho. Aquilo definitivamente foi perfeito, só não conseguia vencer dela no teto solar se sentindo bem e livre com o vento soprando seus fios dourados daquela forma tão bela.
Eu não sabia o que tinha, mas ela conseguiu fazer o que muitos nunca ao menos chegaram perto, e com extrema facilidade, ela me fez sorrir novamente.

Welcome to my dark side
We're gonna have a good time

Chapter 2




Aumentei a música no quarto e estiquei os braços para cima, jogando minha cabeça para trás e me alongando conforme ia pisando naquele chão gelado com meus pés descalços. Estalei a língua no céu da boca, pendendo a cabeça para o lado e depois para o outro enquanto ouvia Dua Lipa cantar Scared to be lonely. Movi meu quadril lentamente conforme a melodia ia entrando por dentro da minha pele e abraçando minha alma. Fechei meus olhos, os forçando, e soltei o ar que segurei. Impulsionei meu tronco para frente e dei uma estrela no chão, mas deixei meu corpo no chão mesmo, levantando apenas as pernas para cima, as balançando exatamente como as paradas da música, e consegui erguer meu quadril também.

Is it just our bodies? Are we both losing our minds?
Is the only reason you're holding me tonight 'cause we're scared to be lonely?


Sorri de leve com aquela parte, cantando mentalmente, e joguei minhas pernas para trás, apoiando meus pés atrás da minha cabeça mesmo. Dei uma cambalhota lenta e levantei jogando meu cabelo de um lado e depois para o outro. Levantando meus braços no ar e os movimentando de leve como se eu tivesse tocando em algo imaginário, era como se eu estivesse tocando as notas daquela melodia que pareciam coloridas para mim. Sim, eu realmente sentia minha alma conversar com as músicas quando eu dançava. Então aquela mesma sensação que estava sentindo naquele instante era o que senti na noite com o La Rose, em seu carro e sentindo o vento bater no meu cabelo. Foi como sentir a liberdade batendo contra o meu rosto.
Então lembrei do que mandei para ele: "Quebra-Nozes, preciso saber do seu reino para enviar a pipoca de chocolate.” E ri daquilo. Voltei a balançar meu quadril, jogando de um lado para o outro, enquanto meus braços se moviam de forma sincronizada e lenta no ar, indo para o lado e para a frente, até eu erguê-los por completo e descer a minha mão esquerda pelo direito, deslizando meus dedos até chegar em minha cabeça, então passei pela minha nuca, puxando minhas mechas para a frente.

Do we need somebody just to feel like we're alright?
Is the only reason you're holding me tonight 'cause we're scared to be lonely?


Deixei minha mão deslizar pela lateral do meu corpo todo até chegar na minha coxa e então ergui aquela perna para cima e depois a dobrei e deixei meu pé apoiado na minha outra coxa, como pose de bailarina, e girei com força, usando ela mesma para dar impulso e força ao giro e depois a coloquei no chão de novo, jogando o cabelo para o lado esquerdo. Vi meu celular apitar, olhei a tela e vi que era a resposta de La Rose.

O meu reino fica do outro lado do rio, atrás do reino do seguidores de Madonna


Ri um pouco alto daquilo e neguei com a cabeça, desbloqueando a tela e aproveitando para beber um pouco de água, e digitei a resposta: “Acho que gostei mais do seu reino do que do meu, sabia?”. Então apertei para enviar, terminando de beber água e me mover pelo quarto de forma mais sutil e cantarolando a música.

Você pode vir ao meu reino sempre que desejar. Será muito bem-vinda, além de saber que seria uma ótima conselheira também.


Li aquela mensagem e abri um sorriso, mordendo de leve minha bochecha internamente e então girei mais algumas vezes no quarto, ainda cantando a música e testando alguns passos com o pé enquanto digitava: “Como você sabe que sou uma ótima conselheira? kkk E vai ser uma honra poder te visitar e conhecer melhor seu reino também.

— Mamãe! Mamãe! — ouvi os berros de Saphira pelo apartamento e depois entrando no meu quarto feito um furacão. Seu cabelo loiro estava impecável com os dois coquinhos perfeitamente penteados, mas seu rosto tinha bastante glitter.
— Saphira, você roubou o glitter de quem agora? Do Julian ou do meu? — coloquei as mãos na cintura, sentando na cama.
— O primeiro que eu vi. — Deu de ombros com aqueles ombrinhos super pequeninos e eu quis apertar ela demais. — Quero brilhar na escola. Tio Juju disse que eu nasci para brilhar e pisar nas piranhas — falou toda confiante e eu arregalei meus olhos.
— O que eu falei sobre ficar repetindo as coisas que o Julian fala, hein? — cruzei os braços na frente do corpo e ela fez um biquinho toda manhosa, então meu celular vibrou e eu sorri de leve de novo ao ver a resposta dele.

Porque eu vi isso em seus olhos. Iria me sentir honrado em ter a companhia de vossa majestade em meu humilde reino.


— Posso levar aquele negócio de chocolate do tio Ju para a escola? — neguei rapidamente com a cabeça para ela na mesma hora e digitei:

Estou bem longe de ser uma majestade, rainhas não costumam ficar sem roupas por aí. Eu acho, pelo menos. Mas a honra seria toda minha, sério. E eu fiz sua pipoca de chocolate, foi uma receita nova e eu adoraria que você fosse sincero quando comesse.

Enviei a mensagem e fui tirar um pouco de glitter do rosto de Saphira, e vesti um shorts por cima daquela camiseta larga, então peguei ela pela mão e saímos do apartamento juntas. Assim que passamos pela recepção, sorri para um dos motoristas que trabalhava do MS e que nos levava para os lugares mais em segurança, ainda mais quando estava com ela. Entramos no carro e ele já começou a dirigir em direção à escola.

Existem muitos tipos de rainha e você é a de Bristol, com ou sem roupa. Estou te esperando aqui então para provarmos essa pipoca juntos.
Aposto que está deliciosa.


Dei outro sorriso largo com aquela mensagem, porque era mesmo difícil pensar em mim como uma rainha, apesar da Saph dizer que eu era uma princesa e que logo eu encontraria meu príncipe.

Já que o Quebra-Nozes está dizendo, vou concordar e aceitar. Adoraria ser uma rainha mesmo kkkk. Então me manda a sua localização que eu levo aí mais tarde, pode ser?

Puxei Saph para o meu colo, a enchendo de beijinhos e ouvindo sua risadinha ecoar pelo carro todo e seus pézinhos balançarem no ar enquanto ela tentava fugir para contra-atacar. Saphira era bem dessas. Ela adorava se proteger até arranjar a brecha e atacar. Nunca vi uma garotinha com uma personalidade tão forte e sabia o quanto eu era julgada por criá-la sendo quem sou, com o que eu trabalho e ainda mais por criá-la junto do meu coreógrafo gay maravilhoso. Eu também não via problema algum em ela conhecer o pessoal que trabalhava na boate, porque eram todos excelentes pessoas. As únicas que me acolheram como parte da família mesmo.

Isso. Não discorda. Kkk. Pode sim.


Sorri de leve com sua resposta e vi que ele me enviou a localização logo em seguida. Apenas mandei que o avisaria quando saísse de casa, então deixei Saph me encher de beijos de volta até chegarmos em sua escola, a levei até a porta e senti olhares em mim. Aqueles mesmos olhares que eu procurava sempre ignorar e fingir que não era comigo. Foda-se! Era o que eu sempre pensava. Nenhum deles pagava as drogas das minhas contas. Então eles que me olhassem feio mesmo.

[...]


Saphira estava na casa de uma amiguinha da escola. Julian estava trabalhando e eu tinha saído do Madam Simmons com um acompanhante. Eu não era mais prostituta, só que eu sentia falta de sexo como meu corpo sentia falta do oxigênio praticamente. Como muitos diziam, parecia que eu tinha nascido transando já. O sexo tinha sido péssimo, o cara tinha sido um escroto e eu não sabia nem o porquê de ter trazido esse filho da puta pra casa hoje. Eu não trazia desconhecidos pra casa. Ele tomava banho e eu controlava minha vontade de quebrar o crânio dele no vaso sanitário.
Peguei o cigarro do lado da cabeceira e traguei profundamente, sentindo minhas mãos tremerem de ódio. O cara desligou o chuveiro e saiu do banheiro apenas de toalha. Revirei meus olhos e quis berrar de tanto ódio de mim mesma e dele.
— Essa sua boceta é uma delícia mesmo — ele disse de uma maneira bem porca.
Isso foi a gota d’água pra mim, odiava esses escrotos. Joguei o cigarro no cinzeiro e levantei da cama, pegando o calibre 39 embaixo do travesseiro.
— Sai daqui, agora! Sai da porra do meu campo de visão antes que eu atire nessa merda que você chama de pau. — Apontei no pau dele e o cara arregalou os olhos. Ficou desesperado, pegando suas roupas, mas eu não deixei. — Pelado. Sem a toalha, esse algodão é caro demais pra você, seu pedaço de lixo. — Destravei a arma como se fosse realmente atirar.
Ele imediatamente soltou tudo e inclusive a toalha, saindo correndo do quarto e do meu apartamento. Joguei a arma na cama, ajeitando a lingerie preta rendada que eu usava, soltando meus cabelos quase prata enquanto caminhava até a carteira dele, bufando por ter apenas cem libras ali.
— Merda, — murmurei para mim mesma, batendo na minha testa com muita muita raiva. Senti toda aquela merda de raiva se explodir enquanto eu pegava o primeiro vaso na minha frente e jogava contra a parede, berrando e grunhindo de ódio. Peguei outro vaso e acertei no vidro da sacada, estourando ambos. — Filho da puta! — e dessa vez joguei o salto alto contra o espelho.
Peguei meu celular e fui até o banheiro. Liguei o chuveiro e me enfiei debaixo dele com a lingerie mesmo. Disquei o número do La Rose, estava com o sangue fervendo, sem nem saber porque estava ligando para ele. O garoto bonito de olhos verdes tinha me dito que eu podia confiar nele, ele já tinha me ajudado com um desgraçado esses dias atrás. Ele era bom em dar uns socos. Isso me fez criar uma certa confiança nele que eu geralmente não criava com ninguém. Eu era péssima em confiança, mas com ele tinha sido diferente.
A ligação tinha caído na caixa postal, mas resolvi deixar a mensagem mesmo assim:

Eu preciso de você. Deu merda.


Então desliguei, jogando o celular pra fora do box e deixando meu corpo escorregar entre a parede molhada e escorregadia. Sentindo a maquiagem escorrer em minhas bochechas, fechei meus olhos com força e fiquei batendo minha testa em meus joelhos. Estava furiosa por ter trepado com outro lixo sendo que eu não precisava mais disso. Qual era a porra do meu problema? Não era possível que eu precisasse mesmo dar para aqueles lixos.

Eu era e não precisava de ninguém. Não precisava ser tratada daquela forma nunca mais. E não seria mais. Não mais. Nunca mais.

Ouvi o celular vibrar contra o mármore, mas ignorei. Já pensando o que eu tinha na cabeça pra ligar para o La Rose naquele estado? Rolei meus olhos com raiva, frustração, sentimento de me sentir perdida. Aquele mesmo sentimento que a adolescente sentia no meio daqueles jovens normais. Engoli a seco, secando meus olhos, nem sabendo o que era lágrima e o que era água do chuveiro. A água estava quente, mas o meu corpo estava frio. Passei as mãos em meus cabelos molhados, então reparei em meus dedos, que estavam pretos, talvez pela maquiagem que agora provavelmente tinha espalhado pelo meu rosto.
Só queria estar mais calma pra me levantar, pegar o celular e dizer ao La Rose que estava tudo bem mesmo que não estivesse, queria poder colocar uma música e acabar com outra garrafa de vinho, mas não queria nada disso. Abaixei minha cabeça, a colocando entre meus joelhos, deixando as lágrimas caírem ali em uma mistura com a água mesmo, engolindo a seco. Ouvi alguém entrar no banheiro e eu sabia quem era, sabia porque ele tinha me dito que eu podia confiar nele e eu confiei, eu confiava.

Em um completo estranho, mas eu confiava. Era bizarro, mas eu confiava.

, sou eu, La Rose. — Ouvi sua voz e tremi ao sentir seu toque em minha canela, levantei aos poucos minha cabeça, mas não o encarei, olhei para o vidro do box, encostando minha cabeça na parede atrás de mim. — Você está ferida? — perguntou preocupado.
— Eu sempre estive ferida, aquelas feridas incuráveis. Sabe? — minha voz era baixa, um tanto fria e ressentida. — Claro que você sabe — respondi antes dele, sorrindo morbidamente. — Você e eu temos uma conexão, não sei como e nem porquê, nunca sentamos para contar sobre a vida um do outro. Nem queremos isso. — Olhei à minha volta, mas não o encarei. — Você tem uma ferida incurável também dentro de si, como eu também tenho. Sempre teremos. E por isso confiamos um no outro, por isso você está aqui por mim mesmo sem nem saber que tipo de monstro eu sou. — Então encarei seus olhos, mesmo estando escuro eu consigo ver o verde se sobressaltar ali. — Eu transei com um filho da puta escroto, não foi o primeiro e acredito que nem será o último. E estou me sentindo o lixo que eu sou. Nada de novo — contei a ele, passando as costas das minhas mãos embaixo dos meus olhos, limpando o rímel que tinha se escorrido. — Não queria ter feito você perder seu tempo comigo. — Então desviei meu olhar dele, fechando meus olhos e sentindo a água molhar meu rosto.
Gostei de que La Rose me ouviu, sem intromissões, sem fazer a expressão de pena que costumavam fazer desde sempre, aquela cara de “Pobre menina bonita e quebrada”. Não precisava que ninguém me dissesse que eu era quebrada, eu sabia que era e isso me parecia o suficiente, eu mesma me lembrava todo santo dia sobre isso. Ele era um desconhecido, mas eu sentia esse elo entre nós desde a primeira vez que bati os olhos nele. Não queria saber o motivo e sabia que nem ele e nem eu iríamos pentear o cabelo um do outro e contar todos nossos segredinhos sujos, mas nossos olhos já conversavam mais do que nós mesmos. Era como se eles fossem amigos íntimos que compartilhavam nossos segredos um para o outro e nós dois não podíamos fazer nada.
— Monstros não são como nós — comentou e me olhou agora, encarando meus olhos de volta.
— Não são? — perguntei de volta, esfregando o rímel que tinha escorrido embaixo dos meus olhos.
— Não. Eles não tem piedade. Você tem vida no olhar, o monstro tem apenas o vazio. — Meus olhos passearam pelas gotas que escorriam pelo vidro ao ouvir o que La Rose tinha me respondido sobre os monstros. Eu tinha conhecido muitos desses monstros e talvez até tinha me comparado com eles pela tamanha convivência, um deles tinha sido minha mãe, meu pai e o escroto pai da minha filha.
Suspirei baixinho ao permitir esses pensamentos, odiava lembrar de cada um deles, mas eles existiam dentro de mim e provavelmente nunca me deixariam.
— Você tá certo. Um vazio eternamente apavorante. — Retraí os lábios, não me permitindo mais lembrar de nenhum monstro, chega por hoje.
Os olhos dele me transmitiam um certo tipo de conforto, eu costumava confiar no espelho dos olhos desde a minha infância. As pessoas sempre se mostravam o que eram pelos olhos, eles sempre me diziam a verdade. E os de La Rose me mostravam algo que eu via nos meus próprios. Ele tinha seus demônios como eu também tinha e isso parecia nos unir.
— Quem nunca transou com um babaca e se sentiu na merda por isso? — perguntou com um humor no tom de voz e eu soltei uma risadinha amarga com o que ele diz, podendo olhar em seus olhos ao ver ele tirar uma mecha de cabelo do meu rosto. — Você não precisa se sentir assim por causa de alguém que não mereceu seu tempo. Estou aqui agora e podemos fazer algo para que esqueça o que acabou de acontecer. Momentos bons podem apagar momentos ruins. — Beliscou meu braço de leve com a ponta de seus dedos. Comecei a secar ou limpar meu rosto com as costas da mão, ouvindo ele me fazer sentir um pouquinho melhor, menos lixo do que minutos atrás. — Você não sabe o que é perder tempo, então. — Isso fez meus olhos encararem os dele em agradecimento, mesmo que eu não conseguisse dizer em voz alta ainda.
Eu era um porre em demonstrar sentimentos bons para as pessoas. E isso eu culpo minha infância de merda mesmo, uma delícia. Senti os olhos dele presos nos meus naqueles segundos que pareceram até ter parado o tempo, então vi o quanto seus olhos me disseram que tudo ficaria bem. Droga, eu confiava mesmo naquele cara bonito de olhos intensos.
— Acho que todo mundo precisa de uma fossa, certo? — dei de ombros, tentando deixar meu tom de voz mais leve pra soar como uma brincadeira porque era mesmo e ele entenderia que era. — Eu topo fazer qualquer coisa pra esquecer o sexo de merda que eu tive — murmurei baixinho, até soando como uma menininha inocente querendo sorvete depois de ter aprontado e aceitado a surra que levou. — Ah, eu sei sim. Não consigo nem te enumerar o tanto que eu já perdi meu tempo com babacas e não foi na época que eu recebia para isso, hein. — Tinha soado outra brincadeira, mas não era dessa vez.
— Te faz mais forte — ele respondeu sobre a fossa, e eu não podia discordar. — Podemos colocar um saco de cocô em chamas na frente da porta dele se você quiser — sugeriu, e eu mordisquei meu lábio inferior pela sugestão dele, sorrindo maldosamente por realmente ponderar aquilo. — Podemos fazer o que você quiser. — Sorri por aquilo mesmo minimamente. — É melhor não contar e pensar que isso serviu para você ver o quão bosta as pessoas podem ser.
— Sim, a cada merda que passamos é uma muralha que construímos. — Soltei o ar pesadamente, desviando meu olhar dele para as gotas que ainda escorriam no vidro e faziam uma dança praticamente. — Seria glorioso, confesso. — Aprofundei meu olhar e deixei o sorriso crescer ao imaginar a cena que seria triunfante mesmo. — Logo logo eu penso em algo — respondi, deixando aquela poeira abaixar um pouquinho dentro de mim pra poder pensar em algo que pudesse me fazer melhor naquela noite de merda. — É, elas podem ser bem bostas mesmo. E eu não me tiro dessa lista aí porque eu mesma já fui perda de tempo para muitas pessoas. — Soltei uma risadinha amarga porque era a pura verdade.
— Uma vez me falaram uma coisa. — Seu olhar intenso e profundo voltou para frente, desviando dos meus. — Que, quando eu estivesse triste ou mal com alguma coisa, era para me lembrar de algum momento bom. — Vi ele fechar seus dedos com certa força. Permaneci o olhando e absorvendo o que ele me contou, achando interessante aquilo. Poderia funcionar de fato, era óbvio que a alegria era mais forte que a tristeza. Um sorriso espontâneo era melhor do que chorar. — Conta um momento bom seu. — Enchi um lado da minha bochecha de ar e o soltei ainda pensando no que ele me tinha me pedido.
— Todo tempo que eu passo com a Saphira é um momento bom para o show de horrores que é minha vida — contei a ele, sorrindo levemente ao lembrar da minha princesa. — Mas quando eu comprei esse apartamento foi um momento espetacular na minha vida, sabe? Eu tinha deixado de ser a adolescente rebelde que vivia no teto dos meus pais que me odeiam. Tinha conseguido minha independência com muito muito custo mesmo, tinha me sentido livre e completamente feliz. Eu poderia ser eu mesma, poderia fazer o que eu quisesse, poderia ser a mãe que eu nunca tive. Era uma chance de recomeçar. , a piranha sem coração de Bristol, tinha conseguido sua liberdade e poderia incendiar a cidade — Sorri de canto ao dizer a última parte, me sentindo melhor por lembrar da minha euforia naquele dia espetacular.
Então voltei a encará-lo em silêncio, segurando sua mão em um sinal de que eu estava imensamente agradecida por ele ter feito aquilo. Seus olhos caíram para nossas mãos e senti ele fazendo um carinho em meu polegar com o dele, mas logo a soltou e esticou suas pernas.
— Para uma piranha sem coração, você está se saindo com um coração e tanto. Aposto que a Saphira tem sorte em ter uma mãe como você. — Aquilo que tinha me feito um bem danado e ele não fazia ideia, talvez agora ele poderia ter uma ideia, meus olhos mostravam aquilo.
— Obrigada, é muito bom ouvir isso com sinceridade. Eu criei um coração por ela e só por ela, porque ela vale a pena — disse com sinceridade, era minha menina apesar de tudo. Ela fazia valer a pena cada sexo de bosta que eu tive pra pagar as nossas contas, cada perrengue horrível e todas as merdas que eu fazia.
— Acho que uma parte do seu plano falhou. A cidade ainda não foi queimada. — Ele olhou para os lados ao dizer isso, e eu ri fraco.
— Eles arrumaram meu estrago, mas um dia eu queimo de novo. Quer me ajudar nisso? — balancei as sobrancelhas em sugestão. — Me conta algum momento seu. Algo engraçado. Algo bom. — pedi.
— Hmm. — Então ponderou com a cabeça, pensativo. — Há uns anos, quando conheci o Ralph, ele me ensinou a lutar. Estávamos treinando e apareceu um babaca com o dobro do meu tamanho que sou hoje, na época ele era três vezes maior — comentou e voltou a me olhar. Encostei minha cabeça na parede e abracei minhas pernas novamente, ouvindo ele me contar sobre seu treino e me deixando intrigada a cada parada que ele dava. — Ele me empurrou e disse que eu era um merda, que nem deveria estar lá. — Umedeceu seus lábios e respirou fundo. — Então Ralph se meteu e disse que poderíamos resolver aquilo de forma fácil. Se eu merecesse ficar, eu tinha que lutar com o cara e ganhar. Aquilo era loucura, logo pensei que iria morrer ali, mas estava com tanta raiva que topei na mesma hora. — Uma espécie de riso saiu dele, como um sopro entre seus lábios e um balanço de cabeça. Aquilo me fez sorrir e o olhar com mais curiosidade esperando ansiosamente que ele tenha dado uma surra no babaca gigante. — Sempre fui um idiota. Eu tive a audácia de falar que o cara era grande, mas não era dois. — Ele pausou e passou a língua entre seus dentes. — Nunca apanhei tanto na minha vida, mas eu deixei porque sabia que, por ser grande, logo se cansaria, e ele se cansou. Ralph, antes de me ensinar a lutar, ele me fez criar uma resistência absurda, porque assim poderia apanhar e não me machucaria tão fácilmente, isso sempre seria minha vantagem. — Seus olhos vieram até mim e ele me encarou. — Então eu levantei e soquei aquele filho da puta até ele implorar para que eu parasse, e parei quando o nocautiei com um gancho de direita. — Ergueu a mão que tinha a tatuagem da Rosa. — Então começaram a me chamar de La Rose por isso. Porque o babaca tinha beijado a rosa. Nunca tinha me sentido tão bem em toda a minha vida como naquele dia — me explicou. O sorriso aumentou quando ele contou que tinha socado o cara, encarei sua mão com a tatuagem da rosa ali e voltei a olhar seus olhos, entendendo por que o chamavam assim.
— Eu me sentiria bem pra caralho se fosse comigo também. Socar babacas deve ser uma delícia! — comentei, olhando para cima e imaginando como deveria ser prazeroso fazer isso com bastante frequência. — Combina contigo. — Apontei a tatuagem e quis indicar com o nome também, tinha sido um momento bom pra cacete e condizia com o nome perfeitamente.
— Quer pedir uma pizza? — Abri um sorriso pequeno com aquela sugestão.
— Com certeza, eu quero com muito queijo e bacon! — revirei meus olhos de fome e me levantei rapidamente, desligando o chuveiro e saindo dali, pegando uma toalha pra mim e outra pra ele. — Uma piroca de chocolate do Julian seria perfeito também — comentei, rindo baixinho por isso.
— Se você está falando, vou confiar — disse se levantando e segurando a toalha, mas não a puxou de minha mão. Seus olhos verdes ficaram nos meus por alguns segundos, onde podia ver claramente um único aviso “estou aqui contigo agora”.
E eu acreditei que ele estaria mesmo comigo.
Não eram apenas palavras ditas, mas sim o que seus olhos prometiam aos meus.
E não dizem que os olhos são a janela da alma?


Continua...



Nota da Sereia: Queria contar que essa cena deles no chuveiro foi a PRIMEIRA cena deles, acreditam? Não tínhamos jogado com eles antes e lembro bem de falar pra Jaden para gente fazer uma cena de pegação estilo o clipe de Under You do Nick Jonas. Então fomos feitas de palhaças porque saiu essa cena aí kkkkkkkkkkkkkkkk. Eles tem vida própria, como falamos no outro capítulo. Enfim, obrigada por lerem e não esqueçam de comentar o que estão achando, por favor.
E obrigada, Lara, por ser uma beta incrível!! Te amamos demais.



Nota da Jaden: Olá, meninas! Tudo bem? O que falar desses dois? Hm? Nossa. Essa conversa do banheiro acabou comigo! Lembro de quando pedi para a Sereia essa cena porque eu queria testar uma coisa. Era para ser uma pegação bem que nem o clipe do Nick Jonas, mas acabou sendo eles dois sentados no chão do box tendo essa conversa que mexeu demais com meu coração. Bem, espero que tenham gostado, logo vem mais por aí! Beijos, até mais.




Nota da beta: Nossa, eu já amo tanto eles (e vocês, é claro!)!!!! Ela toda durona, nem parece que ficou super bobinha respondendo às mensagens do La Rose! Eu amo esse início de amizade despretensioso e essa conexão surreal que eles têm e que vocês conseguem super traduzir pra nós, meros leitores. É reconfortante ver essa relação deles crescendo aos poucos, imagino o conforto que a deve estar sentindo, apesar de todas as coisas ruins que aconteceram/acontecem com ela. E mais um diálogo maravilhoso pra coleção esse do banheiro, fiquei emocionada com eles contanto coisas boas e se descobrindo! Quero maaaaaaaaisss!!!! <3<3<3

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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