Pedra da Lua

Última atualização: 16/06/2022

Capítulo 1 - 3º ano

27 de fevereiro de 1974

- Mulciber ficou reclamando nos meus ouvidos, o que você fez? - Severus perguntou para que apenas revirou os olhos e seguiu lendo o próprio livro.
- Eles estavam atazanando uma garota como os idiotas que são e eu os coloquei para correr. Deveria ter azarado os dois. - Flint bufou e Severus soltou uma risada alta mesmo sob o olhar feio de Madame Pince - Você ri porque sabe que não era a sua querida Evans.
- Claro que não era, eles não são loucos para se meter com a Lily. - o garoto cerrou os punhos sem perceber - Sem contar que ela sabe mais feitiços que os dois juntos, provavelmente eles estariam num caixão agora. - Snape deu de ombros - Mas quem era?
- Delilah Saint-Laurent, ela está no nosso ano.
- Ah, a grifinória com quem você é educada. - Severus lembrou e viu a amiga assentir - Vão virar inseparáveis agora? - ele brincou - Minha mãe costuma dizer que tragédias unem as pessoas.
- Quem sabe. Delilah parece ser bem legal e as meninas da Sonserina me dão nos nervos, você sabe. Metade delas quer virar minha cunhada e se eu escutar mais um “Jacob já falou para você sobre mim?”, eu juro que me lanço um Avada.
- Não seria mais fácil lançar nelas?
- Sou bonita demais para Azkaban, Snape. - sorriu marota - Já deveria saber disso.

🐾🌕

Algum tempo mais tarde, já na hora do jantar, tudo estava transcorrendo da melhor maneira. O banquete já tinha começado, mas Delilah Saint-Laurent não tinha tocado na comida direito e, ao seu lado, Remus Lupin pareceu notar.
- Você tem certeza de que está bem? - ele perguntou em voz baixa para a garota aproveitando que os amigos estavam entretidos em alguma disputa sobre quem comia mais tortinhas. Delilah se assustou de primeira, mas não hesitou em balançar a cabeça em afirmação, mesmo que não convencesse ninguém com aquilo. Remus certamente não estava.
- Você sabe que pode conversar comigo se algo estiver errado, não sabe? - ele resolveu insistir e a garota lhe encarou, agradecida - Já falou com a Flint de novo?
- Por que quer saber? - Deli não conseguiu controlar a língua, mas mordeu um riso quando viu que ele tinha ficado constrangido.
- É só que eu ainda fico surpreso por uma sonserina ter agido assim. - o garoto deu de ombros - Foi muito gentil da parte dela e, sendo amiga do Snape, isso surpreende qualquer um.
- Acha que foi um plano dos sonserinos para me cobrar um favor depois? - a garota sugeriu e viu Lupin dar de ombros - Se você queria me animar com essa conversa, conseguiu. Essa foi a ideia mais descabida que eu já ouvi. - Deli riu baixo e viu que, mesmo de canto de olho, Marlene McKinnon lhe observava. Depois falaria com a amiga.
- Temos que estar sempre atentos aos movimentos deles, você sabe. - ele comentou, observando do outro canto do salão enquanto a menina conversava concentrada com Snape. O cabelo preto da garota fazia uma espécie de cortina para seu rosto, mas isso não impediu o pequeno maroto de achar bonito o sorriso que conseguiu captar.
- Disso você entende muito bem, né? - Delilah brincou e viu Remus lhe encarar com uma interrogação no rosto - Relaxa, Lupin. é uma boa garota. Uma hora ou outra você vai perceber isso. - a grifinória voltou a sua atenção ao caldo que tinha em seu prato, mas não perdeu nenhuma das vezes que o garoto levou sua atenção a morena sonserina que não fazia a menor ideia de nada.

15 de março de 1974

Flint estava acostumada a passar boa parte do seu tempo estudando. Já que seus talentos para o quadribol eram nulos - esses ela deixava para seu irmão gêmeo, Jacob, que tinha se transformado em apanhador da Sonserina naquele mesmo ano -, procurava compensar mantendo as notas o mais alto que podia. Normalmente ela contava com a companhia de Severus Snape, mas o garoto estava escorregadio demais nos últimos dias e queria manter suas tarefas em dia. Nos últimos dias, ela também estava passando bastante tempo conversando com Delilah Saint-Laurent e estava bem feliz com isso. Mesmo que seus pais não fossem aprovar a amizade. Se Jacob mantivesse a boca fechada sobre ela, ela podia fazer o mesmo por ele.
A sonserina estava tão imersa em seu exercício de História da Magia que não notou Delilah Saint-Laurent se jogando teatralmente na cadeira ao seu lado, mas ouviu quando a amiga bufou, desgostosa, procurando chamar atenção. Ainda que fossem de casas diferentes, gostava bastante da grifinória. Uma das únicas que realmente prestava naquele lugar, ela dizia muitas vezes.
- Que bicho te mordeu, Deli? - perguntou, sabendo que a grifinória não lhe deixaria terminar o exercício antes de desabafar - Problemas com a tal McKinnon de novo? - ela sugeriu e viu Saint-Laurent revirar os olhos.
- Marlene me tira do sério algumas vezes, mas dessa vez não tem nada a ver com ela. - a grifinória suspirou e começou a remexer na mochila, empilhando os livros na mesa - Eu preciso de ajuda com Poções, Hestia não conseguiu me ajudar e não tenho muitos amigos com quem contar.
- Sou sua segunda opção? Talvez terceira? - Flint questionou, falsamente ultrajada e Delilah lhe atirou uma pena enquanto ria baixo e negava com a cabeça - Eu não sou nenhum Snape, mas posso tentar te ajudar.
- Ainda bem que você não é o Snape! Acho que ele me mataria se eu sonhasse em pedir ajuda a ele. – comentou, estremecendo levemente
- E me chamaria para ajudar a esconder o seu corpo, com certeza. - riu, concordando - Mas vamos aos trabalhos.
As duas passaram as próximas horas estudando. O ano já estava se encaminhando para o final, então os professores estavam empenhados em passar todos os exercícios possíveis aos alunos.
Apenas quando os alunos ao redor começaram a sair apressados da biblioteca, as meninas começaram a perceber que talvez fosse hora do jantar. Na verdade, o ronco alto da barriga de Flint tinha dado uma ajudinha nisso. As duas estavam famintas.
Então, elas se puseram a juntar seus materiais e foram caminhando juntas até o Salão Principal. Antes que pudessem chegar à porta, sentiu um esbarrão que, se não fosse por Delilah, teria lhe levado ao chão. Sirius Black e James Potter vinham correndo para o jantar e não se preocuparam em olhar para os lados.
- Me diz por que esses idiotas não olham por onde andam? - perguntou a Delilah enquanto massageava o braço que doía depois do encontrão com um dos dois - ela não tinha ideia de qual deles, não fazia muita diferença - Não é possível que Potter seja tão bom na vassoura quanto dizem, mas não tenha senso de direção. - ela bufou.
- Na verdade, foi Sirius quem esbarrou em você. - uma voz disse às costas dela e virou rápido. Delilah fez o mesmo, mas sorriu quando encontrou o dono da voz.
- Justificar seus amigos não melhora a situação, Remus - Saint-Laurent riu sem humor e viu Lupin dar de ombros enquanto mantinha o olhar em que lhe encarava com curiosidade - Acredito que não conheça minha amiga, certo? Flint, Remus Lupin - Delilah apresentou rápido e viu a morena assentir levemente.
- ‘Tá tudo bem com seu braço? - Lupin quis saber já que a sonserina seguia com a mão ali.
- Claro, não é um grifinório que vai me derrubar tão fácil. - disse superior e Remus sorriu de lado - Nos vemos depois, Deli? - se virou para a amiga que assentiu e logo a garota estava entrando no Salão a passos apressados.
- Você deveria ser mais discreto, Lupin. - Delilah aconselhou quando viu o amigo observando de longe até que ela chegasse na mesa verde e prata.
- O que quer dizer, Deli? - Remus questionou e ouviu o riso da amiga.
- Sempre achei que você fosse o mais esperto daquele grupo, Rem - ela debochou e deixou o garoto sozinho enquanto andava para a mesa da grifinória e se sentava ao lado de Hestia Jones.

17 de abril de 1974

Os feriados não eram comemorados com tanto carinho na casa dos Flint, mas para manter as aparências, Margareth sempre fazia questão de encher os filhos com chocolates na Páscoa. Por esse motivo, e Jacob voltaram com um bom estoque de doces depois dos dias passados em casa.
A sonserina já tinha dado alguns a Severus quando o encontrou no trem e esperava dividir alguns com Delilah. Ela ainda era nova com isso de amizades entre as casas, mas as duas estavam se entendendo. Claro que ainda batia um medo da grifinória não aceitar, mas ela tinha boas esperanças.
O contato das duas no trem se limitou a um aceno de longe, já que Saint-Laurent estava acompanhada dos chamados marotos e Flint não se viu instigada a se aproximar. só conseguiu falar com a amiga quando elas se esbarraram uma semana depois da volta ao castelo, mas Deli não estava sozinha.
- ! - a garota acenou chamando a sonserina que não teve remédio a não ser chegar perto - Essa é a Hestia Jones, dividimos o dormitório.
- Então, você é a famosa Flint? - Hestia quis saber e dedicou um sorriso simpático à sonserina.
- Famosa? - a morena estranhou e encarou Delilah que também não sabia do que a amiga falava.
- É, eu ouvi os meninos falando sobre você outro dia. Remus disse que você parecia uma boa amiga para Deli aqui.
- Ele disse? - a sonserina reagiu rápido e revirou os olhos quando Saint-Laurent soltou uma risadinha - Bem, não importa. Eu tenho alguns chocolates por aqui. Vocês querem? - ela ofereceu tirando um embrulho da mochila.
- Algum deles, por acaso, tem algum veneno? - Hestia perguntou brincando e sorriu de lado.
- Só os que eu deixei pros outros grifinórios, fica tranquila. - a sonserina respondeu e viu as meninas rirem antes das três atacarem os chocolates. Era bom ter amigas.
🐾🌕

Remus estava penando para prestar atenção na aula de História da Magia. A voz do professor Binns ficando cada vez mais distante em seus ouvidos enquanto seus olhos teimavam em fechar.
- Aluado, acorda! - Sirius acotovelou o amigo e viu Remus dar um pulo na cadeira. Por sorte, o professor estava tão imerso na história dos sereianos que não lhes deu atenção - Se você não fizer anotações, como vamos estudar depois? - Black perguntou, brincando, mas a expressão de poucos amigos de Lupin foi o suficiente para que ele entendesse que havia algo de errado - Está se sentindo mal? - quis saber preocupado - principalmente porque a lua cheia do mês já tinha acontecido - e viu o amigo suspirar, negando com a cabeça. Remus arrumou a postura e voltou a olhar para o professor. Sirius entendeu que ele não queria assunto.
No entanto, os olhos de Lupin começaram a vaguear pela sala e se prenderam na cabeleira preta da sonserina sentada duas bancadas à frente. Flint estava sentada ao lado de Severus Snape e os dois trocavam sussurros vez ou outra, à medida que escreviam algo em seus cadernos. Desde que tinha reparado nela pela primeira vez, Remus não tinha parado de procurá-la pelos cantos. Ele não sabia muito bem, mas gostava de ver a garota sorrindo, mesmo de longe.
Quase como se estivesse sentindo que estava sendo observada, virou o corpo e passou os olhos pela sala procurando o motivo dessa sensação. A maioria dos alunos dormia durante a explicação de Binns, como seu irmão Jacob e a própria Delilah, e alguns poucos, ela e Snape incluídos, tentavam anotar o que o professor-fantasma falava. Assim que ela chegou ao espaço ocupado pelos grifinórios, seus olhos se encontraram com os de Remus Lupin e ela sentiu vontade de sorrir para ele.
Mas não o fez. Sentindo as mãos suarem, quebrou o contato visual e voltou à posição original. Agradeceu aos deuses por Severus estar imerso em suas anotações e não ter percebido sua inquietação. Nem ela sabia o porquê de estar nervosa assim.
A aula se arrastou por mais um tempo até que a sineta tocou acordando boa parte da turma e Flint se pôs a guardar o material. Severus, ao seu lado, comentava sobre o trabalho que precisariam fazer sobre os tipos de cantos dos sereianos. O professor Binns tinha pedido 30 cm de pergaminho para a próxima semana e a garota já se sentia exausta sem nem ter começado. A sonserina também seguia sentindo o olhar de Remus queimando as suas costas, mas tentava ignorar. Ela ia ignorar, certo?
- Vocês vão para o salão comunal agora? - Mulciber se aproximou, mas negou com a cabeça para o garoto.
- Eu tenho que passar na biblioteca para devolver alguns livros e depois vou ao corujal - ela se desculpou e viu Mulciber lhe encarar em escárnio.
- Você mente muito mal, Flint! - o garoto falou, desgostoso - Se misturar com aquelas sangues-ruins está te deixando assim - cuspiu e Severus se fez presente ao lado de e encarou o companheiro de casa com irritação.
- Você deveria se meter na sua vida, Mulciber. - ele disse perigosamente baixo e o viu retroceder um passo. O garoto era alguns bons centímetros maior que Snape e alguns bons quilos mais forte, mas sabia que não duraria nem um segundo em um duelo com Severus.
- Nos vemos depois, Sev. - tocou o braço do amigo e viu o garoto assentir, ainda que não tivesse tirado os olhos de Mulciber. Ela saiu da sala sem esperar e, desviando dos outros alunos, resolveu ir até a Torre do Relógio.
se aproveitou do fato de que poucas pessoas iam até ali para transformar aquele no seu refúgio. O barulho do pêndulo não lhe incomodava, pelo contrário. Era quase calmante. A sonserina levou alguns minutos para chegar até ali e se sentou no chão próxima a entrada da torre. Nos últimos dias estava se sentindo sufocada, sabia que as férias chegariam em poucos meses e que as coisas iam mudar.
Os pais da garota deixaram bem claro que eles tinham alguns compromissos inadiáveis para o recesso escolar e ela sabia bem o que isso significava: Lord Voldemort. só queria esquecer que aquilo ia acontecer. Ela podia fingir por alguns minutos, mas não ia adiantar muito.
- Atrapalho? - uma voz despertou a garota dos seus pensamentos e ela estranhou quando viu Remus Lupin, incerto, se entrava ou não na torre.
- O que você quer? - logo se levantou e sentiu a varinha arder em sua cintura. Se isso fosse mais uma emboscada dos tais marotos, ela estava preparada.
- Só queria saber se estava bem. - ele deu de ombros e coçou a nuca, envergonhado. Flint encurtou a distância entre eles e lhe olhou, desconfiada.
- Desde quando te interessa se estou bem? Nem nos conhecemos, grifinório!
- Eu achei que pudesse querer alguém para conversar, você parecia meio aérea quando cheguei. Ou talvez eu possa chamar Deli ou Hestia.
- Devo acrescentar espionagem às características da sua casa? - ela soltou, debochada e Remus sorriu de lado. Ele tinha seguido a garota até ali, claro que tinha. Alguma coisa nela lhe chamava, lhe preocupava, ele só não sabia como não tinha reparado nela antes.
- Todos os sonserinos são arredios assim? - ele ironizou e a garota revirou os olhos enquanto pegava a mochila para ir embora. Mas, para sair, precisaria passar por Remus.
- Será que …? - ela perguntou, indicando a saída, mas o garoto não se moveu - Além de me seguir, vai me prender aqui? - ela perguntou, descrente e Lupin riu, lhe dando passagem. Flint era adoravelmente estressada na concepção do maroto. Ele só não sabia se essa audácia toda tinha vindo dos seus sentidos lupinos que despertavam com ela por perto ou da aura que envolvia a garota.



Capítulo 2 - 4º ano - Parte I

- Eu sei que eles estão sendo legais, mas é um pouco suspeito, não acham? - Delilah insistiu e Hestia deu uma risada, sem tirar os olhos do Profeta Diário - Eu não sou louca, deve ter alguma pegadinha aí. Oh, Merlin, eu vou fazer papel de boba na frente de Hogwarts inteira.
As três meninas estavam curtindo um tempo na biblioteca e Potter e Pettigrew estavam sentados a poucas mesas de distância. Isso teria passado despercebido de se não fosse o fato de que, sempre que estava com as grifinórias, os marotos pareciam se dividir para estar por perto. Claro que ela, como uma boa sonserina, mantinha sua varinha sempre a postos para o caso de ser realmente uma brincadeira, mas também estava encafifada com a situação. Só que Delilah era o foco agora e ela precisava acalmar a amiga. Por isso, engoliu suas próprias desconfianças para falar.
- Para de se preocupar. Você sabe, eu não gosto deles. - começou. - Eles são barulhentos e às vezes é difícil fingir que não existem, especialmente o Potter, que vive se gabando sobre o quão maravilhoso ele é…
- Mas... - a encarou como se a amiga fosse louca.
- O quê? Era tudo o que eu tinha a dizer, não gosto deles.
- Você não está sendo de grande ajuda. - deu de ombros e sorriu, Delilah suspirou, frustrada, mas não conteve o sorriso. Ela olhou para Hestia. - E você? O que você acha?
- Honestamente? Eu não acho que Remus se envolveria se fosse alguma brincadeira de mau gosto. - ela colocou o jornal de lado - Quer dizer, sabemos que ele não é muito fã de bullying então eu não acho que ele concordaria com isso, seja lá o que eles supostamente estão tramando.
- Oh, certo. 'Tá me dizendo que Lupin é diferente dos outros três? - debochou e Delilah revirou os olhos. Hestia sorriu.
- Sim, ele é o mais responsável dos quatro. - ela apontou e Delilah assentiu.
- Tudo o que sei é que estão agindo estranho. - Deli voltou a dizer - Olha só o James e o Peter, o único motivo para eles não estarem sentados aqui é provavelmente porque a faz o Peter se cagar de medo. - Saint-Laurent apontou e as duas amigas olharam para uma mesa não tão distante dali. James e Peter estavam observando-as, logo eles acenaram e tentaram fingir que não estavam olhando durante todo aquele tempo. - Viram só?
- É, isso foi realmente esquisito. - Hestia concordou, mas deu de ombros, voltando a rabiscar em um pedaço qualquer de pergaminho. Nenhuma das duas pareceu se alterar quando Delilah se levantou para ir até os garotos, mas Jones logo quebrou o silêncio - Ainda é muito estranho para você se relacionar com grifinórios?
- Nah, vocês são bem legais, se é isso que quer saber. - deu de ombros e, suspirou, vendo a cara da amiga - Mas não é o que você está me perguntando, né?
- Não. - Hestia riu - Por que não gosta dos meninos?
- A pergunta é séria? - Flint riu, debochada, mas a expressão da grifinória não se alterou - Eles infernizam a vida do Severus há três anos. Você acha pouco?
- Snape não é nenhum santo. - Jones soprou como quem não quer nada.
- Eu sei que não, mas ele é meu melhor amigo. - a morena apontou - A gente briga, mas eu defenderia ele até o final e sei que ele faria o mesmo por mim.
- Ele dorme em um caixão, né? - Hestia perguntou baixinho e lhe jogou uma bolinha de papel antes de rir baixo.
- Severus não é um vampiro, criatura. Se controle!

07 de outubro de 1974

- Precisamos conversar, . - Jacob se jogou no sofá ao lado da irmã gêmea que lia um livro qualquer de romance trouxa que tinha conseguido emprestado com Delilah. Severus estava sabe-se lá onde e a garota estava apenas querendo se distrair - Será que dá para me dar atenção? - o menino pegou o livro das mãos da morena, mas antes que ele pudesse ler o título, já tinha o objeto em mãos outra vez.
- O que você quer, Jacob? - ela revirou os olhos e resolveu focar nele. Quanto antes ele falasse, mais cedo iria embora.
- Mamãe me mandou uma carta hoje falando sobre nós.
- E por que ela mandaria algo para você e não para mim, se isso me envolve?
- Talvez porque você não tenha respondido a última carta que ela mandou, ocupada com suas amiguinhas grifinórias. - ele acusou e bufou, impaciente.
- O que ela disse? Dá para ir direto ao assunto?
- Ela foi bem enigmática, na verdade. - Jake começou, meio incerto - Ela disse algo do tipo “vocês precisam começar a pensar sobre as amizades que constroem em Hogwarts”. - ele deu de ombros - Também comentou que se você quisesse, podia chamar Snape para nos visitar algum dia durante o recesso de Natal. Algo sobre ele ser um “bom partido, apesar de tudo”. - o garoto fez cara de nojo e precisou se controlar para não rir.
- Ótimo, meu casamento com Snape está certo até que ela me ache um puro sangue que seja de seu agrado. - ela retrucou e Severus apareceu como se estivesse sendo chamado. O sonserino olhava para os irmãos sem entender bem suas expressões - Vamos nos casar em alguns anos, Sev. Prepare seu traje de gala.
- Eu achei que precisaria pedir primeiro. - Snape brincou mesmo que não tivesse sacado.
- Olha o tipo de marido que minha mãe escolheu para mim, por Merlin. - se jogou para trás teatralmente fazendo os dois garotos revirarem os olhos - Mas, Sev, caso queira, está convidado para nos visitar durante o recesso de Natal.
- Vou precisar levar um anel de noivado?
- Apenas se for cravejado em ouro e com lindas esmeraldas.
- Como uma sonserina legítima. - Snape aprovou a escolha e os três engataram em outro assunto. Por mais que tivessem seus problemas, e Jacob também tinham seus momentos. Coisas de irmãos.

🐾🌕

A presença de no salão comunal da Grifinória se tornou frequente com o tempo, mesmo que ela chegasse lá escondida da Mulher Gorda e sem qualquer adereço muito gritante que entregasse sua casa. Delilah e Hestia não podiam fazer o mesmo indo até as masmorras, então a morena não se importava muito.
O trio estava jogando algumas rodadas de Xadrez Bruxo, que não sabia perder, quando Hestia surgiu com algumas revistas trouxas de adolescentes. Recuperada do choque inicial com as imagens que não se mexiam, Flint até passou a se interessar.
- Oh, Delilah. Você vai amar isso: Como conseguir a atenção de garotos. - conteve um sorriso e cutucou a amiga - Nós com certeza vamos ler isso. Bom trabalho, Jones.
- Eu não estou lendo isso e por que, de repente, você liga para chamar atenção de garotos? - Hestia deu de ombros, sabendo que aquela pergunta não era para ela e sim para . Flint tentou sorrir, mas não conteve o nervosismo que a fez responder, atrapalhada:
- Eu achei que seria divertido, - ela começou e Delilah cruzou os braços - você sabe, não estou familiarizada com essas revistas trouxas. E as revistas mágicas só recomendam poções do amor, é patético.
Ainda que Hestia tivesse engolido a resposta idiota, Delilah não tinha e isso deixava a sonserina nervosa. Por isso, quando a mesa virou para Saint-Laurent que explicava sobre seus casos amorosos, deu graças aos céus. Qualquer coisa que a deixasse menos constrangida.
- Você é uma deusa, fala para gente o segredo. - brincou e Delilah jogou uma almofada na amiga, fazendo Hestia rir alto e abafar o som do porta retrato se abrindo.
- Que segredo? - James perguntou, parando atrás do sofá e o sorriso morreu ao ver . - Ei, o que a cobrinha está fazendo aqui?
Antes que pudesse responder, Lupin apareceu logo atrás de James.
- Não começa, James. Elas são amigas. - ele sorriu e James concordou a contragosto - Olá, garotas.
e Hestia acenaram para o garoto, Hestia sorrindo amigável e voltando a ler em seguida. Alguma coisa em Remus lhe deixava nervosa, mesmo que eles nunca tivessem conversado mais do que naquele breve momento da Torre do Relógio ou quando Delilah os apresentou.
A sonserina ainda tentou se concentrar em sua leitura, mas vez ou outra pegava Remus lhe encarando. Quando isso acontecia, ele disfarçava e tentava olhar para outro lado do salão comunal. Algo nisso deixava animada e assustada ao mesmo tempo. Será que deveria mencionar isso com alguma das meninas ou com Severus? Não, provavelmente não.
Sirius chegou ao espaço pouco tempo depois tirando o foco de Remus da sonserina e fazendo o maroto ficar preocupado com o amigo, por isso quando ele chamou Peter para subir, resolveu ir junto dos dois. Por mais que quisesse ficar mais um tempo ali, Sirius parecia estar precisando mais dele.
- Bom, então vai ser um prazer guiar vocês com o manual Saint-Laurent para conseguir um namorado. - estava meio desligada do que acontecia, mas depois de ficar observando discretamente o lugar para onde Remus tinha ido, ela resolveu se envolver no papo de novo.
- Deli, você não tem um namorado. - comentou, James e Hestia não conseguiram conter as risadas.
- Odeio vocês. - Saint-Laurent reclamou, mas sorriu. até que gostou de estar em um espaço com Potter sem pensar em azará-lo. Severus que não escutasse seus pensamentos.
Passados alguns minutos e conferindo o próprio relógio, Flint resolveu voltar para as masmorras. Sabia que o caminho podia ficar mais perigoso e, por perigo, leia-se detenção com Filch e pegadinhas do Pirraça. Se bem que o Barão Sangrento parecia ter um especial apreço pela garota, então o poltergeist não lhe amolava muito.
O caminho até o salão comunal da Sonserina foi feito na espreita e foi só passar pela porta que já encontrou Severus lhe esperando com uma cara que se dividia entre preocupada e irritada.
- Se você demorasse mais alguns minutos, eu tinha ido lá te buscar. - ele ralhou, mas Flint apenas se jogou no sofá ao seu lado - Não sei por que você se arrisca indo até lá. Já pensou o que a sua mãe vai fazer quando descobrir da sua amizade com elas?
- É por essas e outras que eu não comento nada nas nossas cartas. - a morena deu de ombros e resolveu convocar o livro que o amigo lia para ver o título - Jura? Poções?
- Ué, você queria que eu lesse o quê?
- Não sei, talvez algo para conquistar a Evans. - ela jogou como quem não queria nada e riu da careta confusa de Severus - Eu deveria ter vindo com alguma das revistas da Hestia.
- O que elas andaram fazendo com você?
- É sério, Sev. Você deveria se apressar, sabe. Se quer que a Evans preste atenção em você. - suspirou e arrumou a postura - Sei que você gosta mesmo dela. - ela pensou seriamente em mencionar as escapadas de Snape para ficar com garotas, mas achou melhor deixar para outra ocasião. Nunca se sabe quando seria útil essa informação.
- E o que você me sugere?
- Ah, Severus. Prepare as anotações, vamos demorar algum tempo aqui. - Flint sorriu convencida e, mesmo criticando Delilah, estava fazendo pelo amigo o mesmo que ela fazia com James. Saint-Laurent não precisava saber.

28 de dezembro de 1974

O Natal nos Lupin não foi dos melhores. O pai de Remus, Lyall, seguia como em todos os anos: se culpando pela licantropia do filho. O que isso significava? O homem não conseguia olhar direito para o garoto ou encontrar um assunto bom o suficiente sem se perder e baixar os ombros, derrotado. A mãe dele, Hope, que era trouxa ficava sem saber como agir nessa situação. Não era seu mundo, mas ela tentava seu máximo para fazer seu menino se sentir bem.
Por isso, quando Sirius mandou uma carta a Remus naquele recesso perguntando se ele queria dar um passeio pelo Beco Diagonal, Lupin ficou aliviado de poder escapar de casa por algumas horas. Talvez isso significasse dar uma esticada até a casa de Peter, já que James estava visitando uma tia com os pais.
Os dois se encontraram no Caldeirão Furado e ficaram conversando com Tom, o dono, por longos minutos antes de resolverem ir tomar um sorvete na Florean Fortescue. Sirius estava mais cabisbaixo do que o normal e isso tinha o dedo, quiçá a mão inteira, de Walburga e seus planos de torná-lo um bruxo das trevas. Remus ouvia as lamúrias do amigo que se dividiam em criticar os pais e falar sobre como Regulus se parecia cada dia mais com os dois.
- Você está prestando atenção no que eu ‘tô dizendo? - Sirius perguntou duas vezes quando viu que Remus tinha se distraído com o olhar perdido para além dele. Black estranhou o comportamento e virou o corpo tentando ver o que o amigo observava, mas ele só encontrou Snape e Flint, a amiga de Delilah. “O Beco já foi melhor frequentado”, ele pensou antes de voltar a encarar Lupin e ver que ele parecia concentrado - É melhor que você esteja prestando atenção nas vassouras que eles estão olhando, Aluado, porque se você me disser que está interessado na cobrinha, vou precisar te internar no St. Mungus.
- Quê? - Remus voltou a encarar o amigo que revirou os olhos. O que estava acontecendo?
- Você estava olhando para Flint, né?
- Oi? O seu sorvete veio estragado, Black? - Remus se defendeu e se dedicou a prestar atenção em seu próprio sorvete - Acho que o inferno precisa congelar primeiro.
- Qual é, Aluado? - Sirius riu - Você estava todo pensativo olhando pro lado dos dois. O que mais seria?
- Talvez eu esteja pensando em alguma pegadinha com o Snape, nunca se sabe. - Remus deu de ombros e Sirius pareceu bem mais interessado.
- Sabia que a sua mente brilhante pensaria em algo bom para a volta às aulas. Me conte.
- Nada que você precise saber até o momento em que as aulas voltarem. - Lupin sorriu, enigmático, e Black pareceu aprovar e logo retornou ao foco da conversa. Sua própria vida. Por sorte, Sirius era egocêntrico o suficiente para que Remus pudesse escapar ileso nessa. Agora, ele só precisava pensar em uma peça para pregar em Severus até as aulas retornarem.

15 de janeiro de 1975

- Foi ao campo, os resultados do time saem no fim da tarde e ela disse que volta mais tarde com o James, vai ficar enrolando-o até alguém avisar que está tudo pronto para festa. - Remus avisou a Hestia quando a garota perguntou por Delilah. Ela estava com glitter até nos cotovelos e era a única a não receber ajuda, os garotos estavam cientes de que a caligrafia deles era impossível de ler e não muito bonitas para estar num cartaz. Lupin tinha certeza de que se James estivesse ali, Sirius e ele adorariam se sujar com aquele brilho todo.
- E se o James não passar? Estamos organizando uma festa surpresa sem saber se ele passou?
- Ele passou. King deu a notícia para Delilah ontem e ela deu a ideia da festa. - Remus disse e olhou para , que continuava apenas observando tudo - Flint, você se importa de ajudar a Hestia com os cartazes?
Era estranho falar com ela. Flint era uma incógnita e Remus sabia que aquela era a impressão que ela passava para todo o castelo. Lupin não sabia muito sobre a família de , apenas que o irmão gêmeo era aluno em Hogwarts e também era colega de casa dela. Fora isso, ele poderia passar por Jacob Flint e não saberia dizer. O mais estranho, no entanto, era vê-la tão à vontade na sala comunal da Grifinória. Fosse deitada no sofá, jogando conversa fora com Hestia ou ali, dando apoio moral para a amiga e ignorando os pedidos de ajuda.
- Não vou ajudar a organizar uma festa pro Potter. - Remus ouviu a resposta da garota e riu baixo, já sabendo da rivalidade entre James e ela - Ei, Evans! Vem ajudar na festa do seu namorado.
Remus olhou para Sirius, que já estava sorrindo ao perceber que Lily nem se incomodou com o fato de tê-la chamado de namorada do James antes de se juntar a Hestia. Black encheu mais uma bexiga e passou para Remus amarrar.
- Eu cansei, Aluado. Acho que a quantidade de bexigas está ótima – falou, olhando para as sete que haviam pendurado. Remus revirou os olhos, mas estava ciente de que nada prenderia Sirius ali. - Não tem um feitiço para isso?
poderia dizer que era o tédio, lhe convidando a observar Remus enquanto o garoto se dedicava a encher bexigas da cor da Grifinória.
- Deve ter, mas qual é a graça de organizar uma festa se vamos usar magia para tudo? - Lupin falou e Sirius deu de ombros - Ao menos vá até a cozinha ver se os doces ficarão prontos a tempo para festa.
De onde estava, discretamente se levantou e sentou ao lado de Remus. O garoto estranhou a aproximação, mas nada disse, muito menos fez alarde quando ela pegou uma certa quantidade de bexigas e começou a encher. Hestia certamente faria um escândalo, mas a chegada de Peter com alguns petiscos acabou por distrair a garota, porém não o suficiente para fazê-la esquecer a troca de olhares entre a amiga e Remus. Jones podia sentir um clima no ar e não era só a felicidade com a entrada de Potter para o time. Ah, bem que Delilah havia falado, Hestia lamentou não ter dado crédito a amiga antes.

🐾🌕

- Que festa, hein? - disse assim que Lupin e ela saíram a caminho da sala comunal da Sonserina. Delilah havia pedido que o garoto a acompanhasse até lá, receosa de que a amiga fosse flagrada andando no castelo após o horário. Remus deu um pequeno sorriso e assentiu - Aquele jogo não vai terminar bem, eu te garanto.
Por algum motivo, estava louca para falar com ele. Ela queria saber mais sobre Remus Lupin, entender o que o fazia tão diferente de seus amigos e qual era o segredo do garoto para atrair sua atenção e repentino interesse sem ao menos estar tentando.
- Eu espero que sim, Lily e James pareciam estar tendo algum avanço - ele suspirou e olhou para ela, que fez uma careta fingindo estar enjoada - Eu só não preciso, nem quero, passar o restante da noite consolando meu amigo de coração partido. - ele explicou, rindo, e acabando por contagiar a garota também - A parte ruim é que Delilah e Sirius não são bons em demonstrar o que sentem um pelo outro e vão acabar demorando mais que o esperado para ficarem juntos.
- Ah, nem me fale! Aquela tal de McKinnon está atrasando tudo. - reclamou, tomando as dores de Saint-Laurent - Mas eu tenho minhas dúvidas sobre a Evans e o Potter. Quero dizer, sem ofensas mas seu amigo é um idiota - ela comentou e Lupin riu, apesar de estar olhando constantemente em volta, para garantir que não fossem pegos por nenhum monitor - e eu tenho 78% de certeza que ele está começando a olhar diferente para Deli.
Os olhos de Remus se arregalaram por dois motivos e ao mesmo tempo: primeiro, por cogitar uma aproximação de Delilah e James de um modo além da amizade, e segundo pois havia escutado passos não muito longe de onde estavam. Com sorte, ele agarrou a mão da sonserina e correu com ela, entrando pela primeira porta que encontrou: um pequeno armário de vassouras.
O lugar era tão apertado que estava sendo pressionada contra uma parede cheia de prateleiras e Remus estava entre ela e a porta. Ele alternou seu olhar entre ela e a fresta debaixo da porta, antes gesticular para que ela fizesse silêncio. Flint conseguia ver a sombra de Madame Norra passando por eles, mas não entrou em desespero. Não quando ela estava se esforçando para respirar normalmente agora que estava tão próxima de Remus. Naquele momento, o zelador poderia fazer quantas rondas quisesse na frente daquele armário, Flint estava sentindo as tão faladas borboletas no estômago e ela sentiu que poderia ficar naquela posição com Remus pelo resto da noite.
Ele já havia notado a respiração um tanto irregular da garota durante a corrida até o armário, mas o que lhe chamou a atenção foi a quase ausência dela. estava com uma das mãos apoiada em seu peitoral, a única coisa entre eles no momento. Remus segurou a mão da garota e fez carinho ali, num repentino ato de coragem. Lupin queria beijá-la, desesperadamente.
E infelizmente, um outro pensamento veio à sua cabeça: ele não se sentia digno da atenção dela, não quando uma vez por mês ele se transformava em um monstro. Remus não queria se sentir daquele jeito sobre ela ou ninguém, ele não queria criar expectativas sabendo que, no fim, estaria sozinho novamente. Ironicamente, Sirius, Delilah e ele estavam na mesma página, exceto pelo fato de que ele nunca conseguiria ter um final feliz.
Ele desviou o olhar e deu um passo para trás, já abrindo a porta.
- Eu acho que ele já foi, precisamos nos apressar até às masmorras - ele saiu tão rápido que precisou de alguns segundos para absorver o que havia acontecido. Respirou fundo em frustração e o seguiu para fora. Ambos ficaram em silêncio durante todo o caminho.
Quando Remus voltou para a sala comunal da Grifinória, ainda havia alguns outros colegas de casa além de seus amigos. Sirius e Marlene estavam se beijando perto das escadas, Lily conversava animadamente com Mary apesar de seus olhos não abandonarem certo casal. Delilah e James estavam no sofá, os dois rindo de algo que Potter havia dito. Ao vê-lo, Saint-Laurent sorriu, mesmo estando com os olhos marejados.
- Ei, Remus! - ela o cumprimentou e sacudiu o ombro, onde James insistia em apoiar a cabeça. Lupin sorriu, observando a cumplicidade dos dois à sua frente. Até que eles fariam um bom casal. - Eu estava te esperando, só para garantir que esse aqui consiga chegar ao quarto - ela apontou para Potter, que prestava atenção nos dois. Remus tinha certeza de que ele estava tão aéreo que não ouviu uma palavra - Vamos lá, J. Hora de dormir.



Capítulo 3 - 4º ano - Parte II

09 de fevereiro de 1975

- Vamos mesmo precisar estar nos jantares a partir de agora? - perguntou enquanto se jogava na cama do irmão. Jacob estava se preparando para a partida de quadribol contra a Corvinal. Ele olhou para a irmã pelo reflexo no espelho. Apenas os dois estavam no quarto.
- Precisa mesmo que eu responda? - ele soltou uma risada amarga e meneou a cabeça e negou logo em seguida - Não temos muito para onde correr nesse mundo.
- Eu só não queria precisar me casar com alguém que sequer conheço direito. Você ainda tem escolhas, Jake.
- Talvez eles te ofereçam uma escolha também, você não sabe. Mamãe não parece querer que você passe pelo que ela passou.
- A escolha mais lógica, se fôssemos seguir a idade seria Sirius Black ou Stilimus Crabbe, mas depois que ele foi para Grifinória, papai acha que Black perdeu o encanto. - ela suspirou, cansada e sentiu um calafrio. Será que Sirius sabia que seus pais já tinham considerado juntá-los como um casal? Maldita mania de pureza de sangue.
- Já podemos tirar o traidorzinho de sangue da sua lista, irmã. - Jacob disse superior e fez questão de jogar uma almofada nele que se esquivou - O quê? Vai dizer que queria se casar com aquele garoto? - o garoto disse com nojo e revirou os olhos. Claro que não queria se casar com Sirius, que ideia. Mas se seus pais não aceitavam Black como possível marido, por que aceitariam algum outro que ela escolhesse?
- Só acabe com os corvinos, Jake. - a garota finalizou o papo e saiu do quarto antes que o irmão pudesse falar mais alguma coisa. Se ela não estivesse tão presa em seus próprios pensamentos que incluíam um armário de vassouras e Remus Lupin, teria visto um Severus Snape maquinando sobre o que faria nas férias daquele ano.

🐾🌕

A noite de lua cheia estava se aproximando, o que queria dizer que Remus ficava com os sentidos mais aguçados e com o humor mais instável. Faltava pouco mais de uma semana, mas ele já sentia seus efeitos. Ele estava sentado junto aos amigos que discutiam sobre a próxima pegadinha a ser pregada em seu alvo favorito, Snape, mas Lupin não estava muito afim de participar. Não quando tinha percebido que Flint sempre tomava o lado do amigo. Eles eram tão próximos que todo mundo duvidava que algo ainda não tinha rolado entre os dois.
- Já chega! - Remus se levantou abruptamente da mesa da Grifinória chamando bastante atenção para si, até mesmo de outras mesas. que antes conversava aos cochichos com Severus foi uma das que levou os olhos até ele.
- O que aconteceu, Aluado? - James perguntou, puxando o amigo para voltar a se sentar, mas Remus não tinha ouvidos para ele. Para ninguém. Ele apenas saiu da mesa depois de direcionar um olhar irritado a Flint que percebeu e não entendeu nada. O que tinha acontecido?
A garota até considerou se levantar, mas isso levantaria muitas suspeitas. Afinal, o que ela tinha feito e qual seria a sua relação com o grifinório?
- Está me ouvindo? - Severus chamou pela amiga pelo que parecia ser a terceira ou quarta vez e saiu do transe - O que houve?
- Só estava distraída - ela sorriu sem mostrar os dentes -, temos que arrumar uma roupa legal para a festa de Dia dos Namorados do professor Slug.
- Sério que estava pensando nisso? - ele rebateu, mas um olhar de bastou. Ela não estava pensando nisso, mas nada diria. Ele podia se contentar com aquilo.
- Vamos a Hogsmeade no final de semana para te conseguirmos um traje a rigor. Precisa combinar com meu vestido, claro.
- O que isso quer dizer?
- Quer dizer que eu vou te comprar um traje a rigor e que você vai agradecer. - a morena disse, finalizando o assunto. Ela chegou a ver o garoto revirar os olhos, mas não se importou e comeu outro pedaço de sua sobremesa favorita: bolo de caldeirão.
Os dias até o final de semana não demoraram a passar e logo Severus estava sendo arrastado por Flint até a Trapobelo Moda Mágica para que pudessem se vestir com perfeição. Os gêmeos Flint tinham garantido um espaço no Clube do Slug graças ao sangue que carregavam, mas se mantiveram devido aos seus talentos. Jacob como apanhador e por sua inteligência. E, como o velho Slug gostava de uma desculpa para uma festividade, por que não apreciar?
Indo para o clichê que realçava sua pele, desenterrou um vestido verde escuro sem mangas e que se moldava lindamente ao seu corpo. Mesmo que Snape tivesse ficado sentado e sem paciência a maior parte do tempo, a garota lhe fez experimentar um terno reto de uma cor um pouco mais fechada que seu vestido. Quando o amigo saiu do provador, a garota deu um sorriso de concordância. Estavam prontos.
Na noite do Dia dos Namorados, ainda estava se aprontando quando Severus bateu na porta de seu quarto. Ele parecia outra pessoa com os cabelos presos em um rabo de cavalo alinhado no final da cabeça e a garota bateu palmas de aprovação.
- Quanto tempo você ainda vai demorar? - ele perguntou, tímido pela recepção.
- Você pode ir na frente, sei que está louco para ver como está a Evans. - riu enquanto encarava o próprio reflexo e movimentava a varinha trocando o penteado - Te encontro lá.
- Tem certeza? Eu posso esperar.
- Vá, eu sei que você quer. - ela deu uma piscadela e voltou a se concentrar quando o amigo deu de ombros e saiu do quarto.
levou mais alguns bons minutos para resolver juntar seus cabelos negros em uma trança que começava no topo da cabeça e ia até o meio de suas costas. O vestido já estava posto, assim como os saltos e ela saia da Comunal da Sonserina com a certeza de que tinha gostado do resultado.
Slughorn costumava dar suas festas em sua sala nas masmorras, mas por alguma razão desconhecida, ele tinha mudado as comemorações para o segundo andar e era para lá que se dirigia.
Os saltos da menina no chão eram o único som que se ouvia nos corredores e ela mantinha a varinha em mãos junto com o convite para o jantar, antes que Filch aparecesse.
Lupin vinha descendo as escadas apressado por chegar logo ao térreo e correr para a Casa dos Gritos. Ele estava adiantado, mas alguma coisa fazia seu coração pular ansioso. Seus amigos ainda estavam fazendo estudos para que pudessem se transformar em animagos, então, por enquanto, ele ficaria sozinho. Como sempre.
Porém, ao chegar perto do segundo andar, um perfume lhe atingiu em cheio e ele ficou meio desconexo. Como se fosse o canto de uma ninfa, ele seguiu o cheiro até esbarrar com uma Flint bem arrumada e com um olhar assustado no rosto.
- Lupin? - ela estava meio incerta. O grifinório não tinha tirado os olhos dela e gravava cada pequeno detalhe da garota em sua memória - Está tudo bem? - perguntou de novo e dessa vez estalou os dedos na frente de seus olhos. Ele pareceu sair do transe.
- D-desculpe. - Remus engoliu em seco e viu a menina corar - Para onde você está indo? - ele tinha esquecido da pressa. Queria ficar ali mais um pouquinho, mesmo que não pudesse.
- Ah, para a festa de dia dos namorados. - ela deu de ombros - Clube do Slug, você sabe.
- Tinha esquecido que você faz parte. - ele sorriu, meio constrangido.
- Você não vai? - ela perguntou, analisando as roupas que ele levava e, repentinamente, Remus se sentiu muito envergonhado. Estava com o uniforme comum e levava uma mochila surrada nos ombros.
- Por que iria?
- Bem, você parece bem amigo da Evans e ela faz parte do grupo. - a garota começou a explicar, mas viu que Remus ainda não tinha entendido - Podemos convidar alguém para a festa. - foi mais clara e viu o grifinório compreender, mas logo negar.
- Você tem um par? - ele quis saber, genuinamente interessado e viu piscar algumas vezes sem saber o que falar - Claro que tem. É o Snape, certo? - ele arriscou meio amargo e viu a menina concordar - Os boatos são verdadeiros, então? - Remus soltou antes que pudesse se controlar e xingou a falta de senso pela pergunta. Ele ficava mais descontrolado quando estava próximo da lua cheia. Podia culpar o lobo interior, mas não sabia disso.
- Snape e eu? - a sonserina riu e negou com a cabeça - Severus não teria tanta sorte. - ela brincou e algo se acalmou dentro de Lupin - Bem, eu preciso ir, talvez você também deva ir para sua aventura antes que Filch apareça. - ela começou a andar na direção que seguiria.
- Flint? - ele chamou quando a garota estava a alguns passos de distância - Você está muito bonita. - elogiou antes que perdesse a coragem e saiu correndo sem deixar a sonserina responder. Quando entrou na festa do professor Slughorn, Severus veio depressa para o seu lado e estranhou o sorrisinho no canto dos lábios da amiga.
- Vou querer saber? - ele perguntou e viu sorrir com mais intensidade e negar. Isso ela queria guardar só para si.

04 de abril de 1975

- Oh não, o que vocês fizeram? - perguntou assim que viu Delilah e Hestia sendo escoltadas para fora da cozinha, Filch no encalço das duas com uma expressão nada agradável. A sonserina se perguntou se alguma vez o havia visto sorrindo. Enquanto Filch seguiu de volta para a cozinha, Delilah sorria com deboche, o que era muito incomum para , uma vez que a amiga sempre era simpática com todos no castelo.
- O velho me pegou no meio de um discurso sobre os direitos dos seres mágicos e nos expulsou de lá - Deli reclamou, fazendo rir e Jones balançar a cabeça, indignada. - Não importa, vou reunir material o suficiente para organizar um motim nesta cozinha e VÃO PRECISAR DE MAIS QUE UM VELHO COM UMA GATA PARA ME PARAR - Saint-Laurent gritou a última parte, provavelmente para o zelador escutar. Passos apressados até a porta fizeram com que Flint puxasse as amigas pelo braço, correndo de uma possível detenção.
Quando pararam de correr, já em frente ao salão principal, deu um tapa no braço de Deli. Flint estava com medo de que as amigas acabassem sendo expulsas ou algo do tipo. Achava a iniciativa de Delilah incrível, mas sabia que a amiga estava lutando pelos direitos de seres que não necessariamente queriam ajuda. Hestia deu um passo para trás, temendo ser a próxima vítima.
- Que violência é essa?
- Você está caçando uma detenção, garota? E você, Hestia! Achei que fosse ter um pouco mais de juízo que ela - reclamou, apesar de estar querendo rir dos atos de rebeldia das amigas - Por mais que eu queira ganhar a taça das casas, não quero vocês se metendo em confusão - alternou o olhar entre as duas grifinórias e parou novamente em Deli - Ainda mais quando os elfos parecem não ligar muito para toda a ajuda que você está dando.
- Nesse caso, tem razão, Deli - Hestia concordou e foi para o lado da sonserina. deu um tapa no braço da amiga que a olhou, horrorizada. - O que foi?!
- Nesse caso, Jones? Eu ‘tô sempre certa! - apontou e viu os marotos se aproximando, barulhentos como sempre. revirou os olhos. Ótimo, tudo o que ela precisava era ouvir as baboseiras de Potter agora. No entanto, a ideia de passar alguns minutos no mesmo ambiente que eles não era tão ruim, uma vez que Remus estava presente.
Hestia sorriu, acenando para eles. Apesar de serem mais amigos de Delilah, sempre foram educados com ela e . e o grifinório se encararam por alguns segundos, enquanto o grupo se aproximava. James parecia não gostar muito da sonserina, mas estava tentando ser mais simpático a pedido de Delilah.
- Olá, lindas. - James cumprimentou Delilah, colocando um braço sobre os ombros dela e beijou a bochecha de Saint-Laurent, um gesto que não passou despercebido. O garoto olhou para Hestia com um sorriso e tentou manter o mesmo ao olhar para que encarava o casal com uma expressão indecifrável - Oi, Flint.
- Isso é um sorriso, Potter? - debochou, fazendo o garoto revirar os olhos e fechar a cara - Bem melhor, eu estava temendo que fosse contagioso.
- Para a sua sorte, eu estou de bom humor - ele deu de ombros e Flint notou uma troca de olhares entre ele e a amiga. Ela já esperava que uma hora ou outra Potter notasse o quanto Deli era um bom partido, mas vê-lo daquele jeito com a amiga lhe dava náuseas - Bom, vamos comer logo. é o único momento em que a Flint não está por perto - James sorriu novamente, lembrando que a sonserina não comia na mesma mesa que eles.
- É sempre um prazer estar no mesmo ambiente que você - ela rebateu, sarcástica. Sirius entrou no salão antes deles, James o seguiu arrastando Deli e Hestia. Peter ia mais atrás e estava parada, Remus não havia dado sequer um passo.
- Eu que o diga - Lupin disse, olhando para a garota de cima a baixo e se afastou antes que ela pudesse dizer algo, indo direto para a mesa com os amigos. Remus poderia até tentar se convencer de que não havia nenhuma chance de acontecer algo entre eles e evitá-la a todo custo, mas bastava um segundo na presença de Flint e ele esquecia o principal motivo que o faria manter distância dela. A garota ainda ficou alguns segundos sem saber o que dizer e suas bochechas queimavam, enquanto ela tentava não sorrir.
Na mesa da Grifinória, Delilah sorriu ao ver Remus entrando e logo depois, a amiga com o rosto vermelho enquanto andava depressa até a mesa da Sonserina. Remus sentou ao lado de Deli e James. Sabendo que estava sob o olhar de Saint-Laurent, Remus começou a se servir e viu a garota rir. Todos da mesa olharam para ela que se desculpou e cutucou o ombro do amigo em seguida, aproveitando que todos estavam distraídos.
- Eu já sei o que você vai dizer - ele falou baixo, Deli sorriu, animada.
- Chama ela para sair! – sussurrou, animada, Remus revirou os olhos, mas riu - Foi exatamente o que você imaginou, né?
- Sim, e minha resposta continua sendo não - Lupin levou uma colher de purê à boca e mastigava lentamente, os olhos vez ou outra buscando certa sonserina do outro lado do salão. Deli bufou, tomando um gole de suco em seguida. Seu olhar pousou em , que já estava olhando para a mesa deles e sorriu sem graça, dando atenção à conversa de Severus numa tentativa de disfarçar por ter sido pega em flagrante.
- Mas vocês formariam um casal tão lindo - insistiu a garota - Ela até pode ter deixado escapar algo sobre você… - Delilah riu ao notar o olhar curioso de Remus, ansioso para que ela terminasse a frase. Remus não sabia se ela estava falando a verdade, uma parte dele tinha esperanças de que estivesse - Mas você sabe como é, né? Código de garotas. Não falo nada, assim como você e os otários dos seus amigos não me contam o motivo de se esgueirar para fora do castelo - alfinetou o garoto.
Ela ainda não sabia o motivo, mas tinha a sensação de que descobriria até o fim do ano. Ao menos se comprometeria a tentar. Enquanto sua consciência lhe dizia que o correto seria esperar Remus se sentir à vontade para se abrir com ela, Delilah também se preocupava e tinha medo de que o amigo estivesse em maus lençóis. Também duvidava de que Lupin pediria ajuda caso precisasse, e isso fazia Deli se sentir impotente.
- Você está blefando, ela não lhe disse nada - ele ignorou a tentativa dela de mudar a direção da conversa - E se começar esse assunto, vamos ter que falar sobre você e o Pontas. Tem certeza de que quer isso? – perguntou, vendo as bochechas dela ficarem vermelhas e a garota dar de ombros, voltando a comer, mas com a expressão emburrada. Remus sorriu, vitorioso, e olhou novamente para a mesa da sonserina, vendo desviar o olhar, completamente desconcertada.
Não era fácil. não costumava ser tão expressiva com outras pessoas, e lá estava ela: extremamente vermelha só de olhar para certo maroto, que claramente estava flertando com ela. Oh, se suas amigas soubessem, não a deixariam em paz.

🐾🌕

James e Sirius finalmente saíram do dormitório, após deixar Remus e Peter plantados na sala comunal por quase quinze minutos, os dois rindo em antecipação pela armadilha que haviam colocado na saída da sala comunal da Sonserina. Remus sorriu para os amigos e acordou Peter, que estava sentado numa poltrona, dormindo de boca aberta. Juntos, eles foram tomar café da manhã.
Lily e Marlene estavam bem no meio da enorme mesa, Delilah a alguns passos depois delas, provavelmente esperando Hestia para tomar café com ela. Sirius e ela viviam brigando, então Delilah passou a tomar café apenas com as amigas, às vezes passando um tempo com Remus, Hestia e na biblioteca ou no campo de quadribol com James. Aparentemente os marotos, com exceção de Sirius, estavam se revezando entre fazer companhia a Saint-Laurent e Black, porque colocar aqueles dois no mesmo cômodo era implorar por uma briga.
Mesmo assim, James sentou ao lado da garota, sorrindo para ela e estranhamente não notando a cabeleira ruiva próxima a eles. Remus sentou do outro lado, fazendo Deli ficar entre ele e James. De frente para eles, Sirius e Peter sentaram. Pettigrew logo começou a se servir, Sirius apenas olhava para qualquer coisa que não fosse Delilah.
Foi quando aconteceu.
Um grupo específico entrou praticamente voando em direção à mesa da Grifinória. Seus uniformes da Sonserina estavam cobertos de tinta rosa. Certo garoto parou em frente a eles, Remus observou a semelhança entre o garoto e a irmã, já que o rosto dela não saía de sua cabeça. Logo atrás de Jacob Flint, estavam Avery e Mulciber, exatamente as duas pessoas que eles esperavam ver cobertos de tinta. Na mesa da Sonserina, Lucius Malfoy agradeceu a Merlin por, apenas desta vez, não ter sido alvo daquela brincadeira estúpida. O salão inteiro estava rindo e rapidamente foi atrás do irmão, Severus a acompanhou. se colocou entre Jake e os outros, para garantir que ele não fizesse bobagem.
- Eu sei que foram vocês, seus idiotas! - Jacob disse alto, fazendo alguns alunos pararem de rir. James e Sirius iam comemorar quando estivessem com os amigos na sala comunal, mas diante de todo o castelo, a melhor opção era bancar os inocentes. Peter, por outro lado, parecia estar prestes a molhar as calças. O pensamento fez Remus rir, mais alto do que ele deveria, atraindo o olhar de Jacob para si. Se os olhos de Jake fossem laser…
encarou Remus, uma expressão de indiferença que não chegava a seu olhar, silenciosamente pedindo que ele não piorasse a situação. Jacob olhou em volta para garantir que ninguém além dos responsáveis por aquela palhaçada pudessem ouvir.
- Acha isso engraçado? Vocês são um bando de perdedores que pensam que mandam no castelo, mas quer saber? Em breve, apenas famílias de puro-sangue poderão frequentar Hogwarts, nada de mestiços imundos ou traidores de sangue como vocês. Marque minhas palavras.
James estava prestes a levantar e socar o rosto de Jacob, chegando a se desvencilhar da mão de Delilah que agora segurava seu braço, forçando-o a permanecer sentado. Os olhos dela, no entanto, encaravam Sirius, que parecia pronto para levantar e bater no sonserino, apenas para defender Remus. E Lupin, que sempre foi a pessoa mais esperta entre eles, de algum jeito se deixou levar pelas emoções e pensou que defenderia seus amigos. Então, uma parte dele estava com raiva dela.
Flint olhou para a amiga e Delilah assentiu discretamente, sabendo que não poderia escolher um lado.
- Claro, Jacob. Boa sorte com isso, colega - Lupin debochou e por um segundo, achou que ele estava prestes a pular na mesa e pegar Jake pelo pescoço. encarou o irmão gêmeo.
- Jake, por favor. Eles não valem a pena - avisou a ele, uma expressão dura em seu rosto, como muitas vezes sua mãe falava com os dois. - Vamos limpar isso, okay?
- É, Jake. Faça o que a mamãe disse - Remus debochou novamente e Jacob avançou bruscamente, pronto para bater no garoto. James e Sirius se levantaram na hora, prontos para o que viesse. No entanto, ao invés de receberem socos, se depararam com a presença da professora Minerva.
- Algum problema aqui? - a professora perguntou aos alunos da outra casa, mas não obteve resposta. Jacob bufou de raiva e deixou o salão, e Severus foram atrás dele.

🐾🌕

- Viu só? É por isso que não quero você andando com aqueles babacas - Severus disse para a amiga. assentiu, reconhecendo que os Marotos cruzaram uma linha perigosa com o irmão dela, algo que estava esperando que nunca acontecesse - A Saint-Laurent e aquela outra tudo bem, eu acho. Não são presunçosas e certamente não causam problema algum - "Imagina se ele soubesse dos protestos de Delilah na cozinha do castelo", ela pensou e sorriu. - Mas o Lupin e os amigos dele, você precisa cortar agora.
Às vezes, só às vezes, desejava socar a cara de Snape. E isso porque eles são amigos, então é normal. Severus sempre foi tão leal a quanto ela era leal a ele. Mesmo assim, ele era esperto o suficiente para saber que não seria ele a ditar as regras em sua vida.
- Okay, Severus. Eu entendo. - ela começou e ele cruzou os braços, se perguntando se entendia mesmo. - Eu sei que eles são idiotas, mas nenhum deles me machucou em momento algum. Agradeço a preocupação, mas não vou me envolver. Os alvos nem eram vocês, tá na cara que foi pro Avery, então tudo bem por mim.
- Tudo bem?
- Tudo bem? Eles são nossos colegas , - Severus quase gritou - Você diz que não quer tomar partido de nenhum dos lados, mas já está fazendo isso. E está escolhendo o errado.
- Ah, qual é, Severus. Você quer saber? Tudo bem defender você ou o Jake, mas eu nunca faria o mesmo por Avery e Mulciber. Você não sabe metade das coisas que eles fazem quando não estão por perto - ela se lembrou do que aconteceu a Delilah e suspirou - Eu te contei quando eles tentaram machucar a Delilah, Snape. No dia em que eu conversei com ela pela primeira vez, você lembra, certo? - disse, sendo um pouco mais dura quando o garoto pareceu desconfortável com a lembrança - A garota que sequer machucaria um inseto. Então, por favor, não me peça para defendê-los quando os dois juntos não valem metade da minha amiga.
Severus respirou fundo, notando que a garota estava dizendo a verdade. Ele nunca havia visto defender alguém além dele ou do irmão. Ela era uma ótima amiga.

🐾🌕

- Tá bom, que merda foi aquela? - disse assim que encontrou Remus sozinho na biblioteca. Os dois não costumavam conversar mais do que poucas palavras, mas o maroto sorriu, debochado, fingindo não entender do que ela estava falando - Não sorria para mim, seu charme idiota não funciona comigo.
- Então você me acha charmoso? - ele respondeu, ainda chateado por ela não ter defendido os amigos e ele. - Bem diferente de uma droga de grifinório mestiço.
- Olha, eu sinto muito por aquilo. Jacob não quis dizer aquelas coisas - ela começou a se desculpar pelo irmão, mas o olhar duro de Remus não comprava a história dela. - Okay, ele quis sim. Mas só para constar, eu não concordo com os ideais da minha família.
- Não foi bem o que pareceu. - ele soltou, ácido, e voltou a focar no livro que lia antes da interrupção. A sonserina tirou o objeto das suas mãos e Remus ia retrucar nada feliz quando viu a raiva estampada no rosto bonito dela.
- Eu vim aqui para me desculpar pelo idiota do meu irmão, mas vocês passaram dos limites. Achei que tinha mais noção das coisas, Lupin. - a morena foi dura e, contrariando o jeito de sempre, Remus deu de ombros e cruzou os braços em desafio - Vai continuar agindo como um idiota?
- Achei que fosse nossa amiga, Flint. Mas isso só parece acontecer quando os seus amiguinhos da Sonserina não estão olhando. É assim?
- Eu não posso lidar com isso agora, Lupin. - riu, sem humor - Você não sabe metade do que eu vivo para falar assim comigo.
- O quê? Andar com a Delilah e a Hestia publicamente já supre a sua cota de - como foi que seu irmão nos chamou? Ah, sim - mestiços imundos e traidores de sangue? - ele soltou, magoado.
- Você é um babaca, Lupin. - soltou o livro na mesa e deu às costas ao garoto que mordeu a mão para conter um grito de frustração. Não era assim que ele queria que as coisas ficassem com a garota.



Capítulo 4 - 5º ano - Parte I

1º de setembro de 1975

Depois de sair do vagão dos Grifinórios, resolveu caçar algum lugar para conseguir ficar por alguns minutos sozinha antes que a reunião dos monitores começasse. Ela não tinha muito tempo, mas encontrou uma pequena cabine vazia no meio do caminho. Entrou, baixou as cortinas, trancou a porta e sentou abraçando os joelhos. Flint tentava controlar a respiração.
O brasão dos monitores perfeitamente preso às suas vestes não significava nada quando uma guerra estava acontecendo fora dos limites do castelo. Seu pai era um comensal da morte, ela bem sabia. Não precisava ver a tatuagem no braço esquerdo do homem para ter certeza. Ele, assim como a mãe e o irmão levavam a supremacia de sangue bastante a sério. corria o risco de ser queimada da tapeçaria e expulsa da família se desse um passo em falso.
Uma lágrima escorreu e a morena logo secou. Ela não podia chorar agora, não quando precisava estar forte. Não quando precisava aproveitar até o último minuto antes de ser marcada como uma comensal também. Ela sabia que esse era o destino. Não havia escolhas se quisesse manter sua família viva e, tentar evitar, mesmo que às escondidas, que seus amigos mais próximos morressem também.
respirou fundo e tratou de afastar aqueles pensamentos pelo menos por algumas horas. Soltou e prendeu o cabelo novamente, passando a mão por ele para evitar qualquer fio fora do lugar. Olhou mais uma vez para o distintivo de monitora e suspirou. Pelo menos enquanto estivesse em Hogwarts, estava segura.
Levantou vagarosamente e conferiu no relógio de pulso que tinha pouco menos de dois minutos até o início da reunião. Ela se apressou entre os alunos e ficou aliviada quando deu de cara com Evan Rosier, seu companheiro de casa, que dividiria com ela a tarefa pela Sonserina.
- Já começou? - ela chegou perguntando, mas o garoto negou com a cabeça. Rosier era do tipo caladão. Os dois entraram e deram de cara com os outros novos monitores, além dos chefes de cada casa. não pode deixar de notar a presença de Lily Evans e Remus Lupin. Ela estranhou, não tinha percebido o brasão no garoto quando se encontraram há alguns minutos. Ele não estava usando?
- Que bom que se juntaram a nós, senhores. - a professora McGonagall disse enquanto apontava um espaço para os dois sonserinos que logo se sentaram - Como eu dizia aos seus colegas, o posto de monitoria requer bastante responsabilidade. Isso significa parar seus companheiros quando eles pensarem em quebrar uma regra - a mulher falou, olhando diretamente para Lupin e o garoto baixou os olhos, envergonhado. Flint mordeu os lábios, segurando uma risada - Existirão, claro, algumas regalias como acesso ao banheiro dos monitores no 5º andar e pequenas torres privativas próximas às casas, mas vocês poderão continuar em seus quartos com seus colegas.
A professora continuou falando por mais quinze minutos até que dispensou os alunos para que fizessem suas primeiras rondas como monitores. Evan e ficaram responsáveis pelos compartimentos da frente e foram caminhando, mas a garota sentiu o pulso sendo segurado e ao se virar, deu de cara com Remus Lupin.
- Posso ajudar? - ela perguntou, desconfiada e mantendo as aparências. Os dois não se falavam direito desde a discussão meses atrás. Percebeu que os passos de Rosier tinham parado e, sentia os olhos dele lhe observando.
- Você está bem? - Lupin ignorou o olhar de advertência que a morena mandava e externou a preocupação. Ele não sabia bem o porquê, mas mesmo dizendo para todo mundo que não iria atrás de Flint, acabava fazendo o contrário. Na verdade, desde que Delilah tinha lhe dado uma bronca sobre a forma como falara com a morena e contara mais sobre a família rigorosa que ela tinha - Estava estranha na cabine mais cedo e ficou assim durante a reunião. - ele resolveu se explicar e viu a sonserina assentir.
- Nada que modifique a sua vida, Lupin. Deveria parar de ser intrometido - ela disse em voz alta e de forma fria ao mesmo tempo em que seus olhos suplicavam para que Remus entendesse o tom por trás. Ele olhou discretamente por cima de , Evan Rosier os observava. O grifinório entendeu e apertou o pulso da garota de leve antes de soltar - Ótimo! - ela deu às costas e seguiu para onde o companheiro lhe aguardava.
Foi apenas quando o menino se distraiu que ela se virou para trás e viu Remus ainda no mesmo lugar. Sem emitir som, ela ergueu o dedo polegar como se dissesse que estava bem. Lupin assentiu e se foi provavelmente para procurar Lily Evans. voltou seu foco para as palavras de Rosier. Eles não estavam mais tão bravos um com o outro.
Mas, não estava realmente bem e nem ficaria, mas Remus não precisava saber disso agora. Talvez nunca.

17 de outubro de 1975

- ! - Delilah gritou, chamando a atenção da sonserina que entrava na biblioteca. Saint-Laurent estava sentada ao lado de Remus que estava visivelmente constrangido e nervoso - Que surpresa ver você aqui, vem cá sentar com a gente - olhou, desconfiada, para a amiga e para Lupin, que sorriu e deu de ombros, voltando para o livro. - O que você veio fazer aqui?
- Severus disse que ia me ajudar a estudar para a aula de feitiços, mas eu cheguei e ele está com a Evans – resmungou, estressada e Delilah sorriu. As bochechas de Remus ficaram vermelhas de imediato, aquele sorriso de Deli foi o suficiente para saber o que se passava na cabeça dela.
- Que pena, amiga. - a garota fez uma cara triste e Remus balançou a cabeça, indignado com a atuação dela - Mas olha que coincidência, Remus está estudando para feitiços também, apesar de ser ótimo nessa matéria. Por que não senta aqui e faz companhia a ele? Vocês podem trocar anotações.
olhou para Remus, vendo que ele realmente parecia estar estudando e deu de ombros, colocando seu material na mesa deles logo em seguida. - Bom, eu preciso ir. Hestia vai me ajudar a escolher a roupa para o próximo passeio a Hogsmeade. – avisou, fazendo revirar os olhos e agradecer por ter que estudar. Detestava escolher roupas e acessórios. Delilah deixou a biblioteca, um sorriso enorme em seu rosto.
- Parece que somos só nós dois, Lupin. - disse e sorriu, se esforçando para que o sorriso pudesse disfarçar o modo como a frase soou estranha - Você pode mesmo me ajudar? Se por acaso tiver outro compromisso, eu posso me virar.
Sorrindo, Remus aproximou um pouco mais a cadeira e colocou o livro na mesa, arrastando o material para perto da garota. - Não, tudo bem. Eu estou bem aqui. Vamos ver o que você precisa.
mostrou a ele que estava tendo dificuldades com feitiços de cura. Ela sabia lidar bem com poções desse tipo, mas se atrapalhava quando precisava memorizar um feitiço. Remus ouviu toda essa explicação imerso na forma como a garota brincava com a pena entre os dedos ou como movia os lábios delicados. Só quando ela parou de falar, ele se tocou de que ela esperava uma resposta.
- Hm - ele pigarreou e tentou se concentrar -, podemos começar comparando poções e feitiços. Talvez isso te ajude a se lembrar de como usar cada um deles.
- Ok. - ela disse, animada, e os dois passaram a prestar atenção nos livros e anotações, debatendo vez ou outra. Em alguns momentos, como em uma passada de página, suas mãos se tocavam e eles se olhavam, constrangidos. achava que já tinham passado desse ponto, mas pelo visto não - Por que aceitou me ajudar agora? - ela perguntou de supetão.
- Por que não ajudaria?
- Amiga do Snape, sonserina, puro sangue com uma família preconceituosa por trás, temos uma rixa enorme entre as casas, brigamos há alguns meses … você quer que eu continue? - ela enumerou, mantendo o clima leve. Remus riu de forma discreta.
- Eu não gostei da forma como te tratei daquela vez. Te julguei como os outros sem me dar ao trabalho de te conhecer direito - deu de ombros - Costumam fazer muito isso comigo. - ele adicionou baixo e engoliu em seco. Remus tinha algumas cicatrizes espalhadas pelo rosto e braços, mas isso não importava muito para garota.
- Fui criada para isso, sabe. Julgar as pessoas. Às vezes é só o jeito mais fácil de se proteger de algo.
- E você não me julgou quando me conheceu?
- Ah, claro que sim. - ela sorriu e ele acompanhou - Mas você parece o amigo da Deli com mais cérebro, mesmo apesar de tudo, então, posso te dar o benefício da dúvida por agora. Você não me julgou quando me conheceu? - devolveu a pergunta, esperta, e viu Remus ficar ansioso.
Se ele tinha julgado ela quando a conheceu? Claro! A briga deles foi sobre isso. Mas tinha ficado intrigado também e esses meses de olhares atravessados tinham sido horríveis para ele. era bonita demais pro próprio bem e parecia saber desse fato. Além disso, ela carregava uma aura que Remus não sabia bem definir. Ao mesmo tempo em que sentia, pela licantropia, que era o ser mais perigoso da sala, quando a sonserina estava presente, parecia que as coisas mudavam e que Flint estava no controle. Ela era mais perigosa.
- Das amigas da Deli, você é a mais sombria, cobrinha. - ele chamou pelo apelido que James tantas vezes usava e viu a morena revirar os olhos, mas sem deixar o sorriso enigmático morrer.
- E isso te assusta? - ela resolveu arriscar e Remus fixou seu olhar no dela antes de negar com a cabeça. Lupin não disse mais nada e não perguntou outra coisa além do que estudavam. Por enquanto, era suficiente.

🐾🌕

- Então… Você parece muito próxima do Remus - Hestia disse com um sorriso gigante. estava preocupada que o sorriso partisse o rosto da amiga. Delilah parecia igualmente animada.
- Nem começa - avisou, tentando, mas suas amigas não se importaram em esconder os sorrisos.
estava segurando inúmeros sentimentos, constantemente se preocupando com o que a esperava em casa e, agora, ainda tinha sentimentos por um grifinório. Pior ainda, havia se tornado amiga dele e de toda a gangue.
Oh, se sua mãe soubesse… Provavelmente iria deserdar num piscar de olhos. E tinha Severus, mas não é como se ela pudesse conversar sobre sua vida amorosa com ele.
Ela confiava nas meninas, realmente confiava. Mas aprendeu desde nova que não deveria expressar seus sentimentos. Amor era algo inalcançável para qualquer criança que nascesse numa família de puro-sangue que fizesse parte dos Sagrados Vinte e Oito. Flint não sabia como pôr seus sentimentos em palavras, nem se deveria. Para sua sorte, suas amigas não precisavam que ela desse uma resposta exata.
- Você é afim dele! - Hestia gritou e as bochechas de ficaram vermelhas. Merlin, desde quando ela corava tão facilmente? Flint riu, sem jeito, as outras duas se abraçaram e pulavam, animadas - Delilah estava certa o tempo todo - Tão rápido quando começaram a pular, Hestia parou. Assumindo uma falsa expressão de tristeza em seguida - Droga, você estava certa!
Delilah já sorria, feliz com a desgraça alheia.
- Acredito que você me deve algo - Deli brincou e esticou a mão para Hestia que tirou as moedas de ouro do bolso no mesmo instante, entregando a amiga - Sempre bom fazer negócios com você. - agradeceu e olhou para que a encarava, indignada. - Vamos lá, você sabe que eu ‘tô certa, agora só precisamos ouvir você dizer. Te garanto que você vai se sentir aliviada.
- Você sabe que pode confiar em nós, não sabe? - Jones perguntou, um pouco insegura e sorriu.
- Tudo bem, tudo bem. - respirou fundo e fez uma pausa dramática antes de dizer em voz alta - Eu estou muito afim dele.
E assim o quarto se encheu de gritos histéricos novamente, Delilah e Hestia voltaram a pular, abraçadas, desta vez colocando entre elas. Flint não conseguia parar de sorrir. E passaram a noite inteira falando sobre como Hestia achava que Remus e formavam um casal lindo e Delilah garantindo que Remus sentia o mesmo pela sonserina. Flint encontrou um refúgio em sua amizade com as meninas e com a guerra se aproximando, mesmo que talvez ela precisasse estar do outro lado, jurou a si mesma que faria de tudo para protegê-las.

25 de dezembro de 1975

A manhã de Natal estava bastante gelada, mas não se importou e foi logo pegando um de seus mais grossos casacos. A morena estava animada para a festividade como não ficava há bons anos. Provavelmente tinha a ver com as horas que passava estudando - ou só conversando - com Remus Lupin na biblioteca. O garoto também tinha ficado na escola durante o feriado.
Primeiro eles se viam apenas entre os livros, mas com a quantidade de sonserinos no castelo reduzida a poucos alunos primeiranistas, Severus e , os dois também passavam algumas horas conversando na Torre do Relógio.
Remus ainda tinha suas ressalvas sobre se aproximar da garota de outros modos, mas podiam manter uma amizade, certo? Sua cabeça dizia isso sempre que esbarrava com ela pelos corredores, mas seu coração batia forte quando estavam a sós.
já tinha admitido para si mesma - e para as amigas de forma forçada - que estava bastante interessada no grifinório. Lhe faltava um pouco mais de coragem para fazer algo a respeito. Será que o professor Slughorn lhe cederia um pouco de Felix Felicis?
Negando com a cabeça para afastar essas ideias, a garota apertou mais o casaco contra o corpo. Já tinha tomado café da manhã com Severus em sua sala comunal privativa que dividia com Rosier e agora andava até o lugar de sempre para ver se encontrava Lupin por lá. Os dois sabiam que não podiam ser vistos juntos, nem como amigos. Remus sabia bem que a família de era tão preconceituosa quanto a de Sirius, mas a garota, diferente do amigo, não tinha condições de se rebelar contra eles.
Quando Flint entrou na Torre, Remus estava sentado no chão enquanto lia um livro - ou pelo menos fingia ler, já que as palavras estavam embaralhadas há tempos.
- Posso? - ela chamou atenção para si, não que precisasse, pois o garoto já tinha sentido o seu perfume de longe. Quando Remus colocou os olhos nela, os dois sorriram e se aproximou, se sentando ao seu lado - Estudando no Natal?
- Só lendo uma coisa ou outra. - ele deu de ombros e notou que os dois estavam bem próximos. O grifinório engoliu em seco e tentou focar em outra coisa - Achei que só fôssemos nos ver de noite. Na biblioteca, para estudar. - ele fez questão de concluir o pensamento em voz alta, mesmo sabendo que tudo o que não queria era estudar. Não com ela.
- Está me expulsando? - a menina perguntou, irônica, e quando viu o pânico nos olhos de Lupin, riu, negando com a cabeça - Eu só achei que gostaria de ter seu presente ainda durante a manhã de Natal.
- Presente?
- É, bem, eu tomei a liberdade de comprar uma coisa para você. - ela ficou sem graça e tirou do bolso do grande casaco uma pequena caixinha bem decorada. Remus negou.
- Não posso aceitar, você provavelmente gastou uma pequena fortuna. - ele disse, estudando o embrulho e riu enquanto abria a caixinha com as próprias mãos.
- Comprei chocolates, Remus. - ela disse, mostrando a ele o conteúdo e chamando-o pelo primeiro nome como agora fazia. Vários bombons estavam dentro da caixa pequena - Imaginei que não aceitaria algo muito caro e como sei que você sempre carrega um pouco com você, achei por bem ajudar a manter o seu estoque. - ela deu de ombros e empurrou o presente para as mãos do grifinório que lhe olhava, surpreso.
- V-você reparou? - ele gaguejou e se odiou por isso. Mas não importava. Remus carregava chocolates para garantir um pouco de felicidade, mesmo que pequena, principalmente quando perto das transformações - Quero dizer, é tão óbvio?
- Que você gosta de chocolate? - a garota estranhou, mas assentiu - Se era um segredo, você é péssimo nisso.
- Não, não. Eu só não sabia que você sabia. - ele sorriu fraco e ficou pensativo por alguns segundos até que pegou na mochila antiga uma correntinha com uma linda pedra perolada em seu pingente. não tirou os olhos do objeto - Você me pegou de surpresa, mas eu gostaria que ficasse com ela. - ele ofereceu o cordão para a garota - Minha mãe é trouxa, você deve saber, mas ela tem muitas crenças e uma delas é em cristais. Essa é a Pedra da Lua, oferece proteção e sorte a quem a usar.
- Mas é um presente da sua mãe, não posso simplesmente aceitar.
- Eu estou estendendo a proteção da pedra para você, então, sim, você pode aceitar. - ele disse, deixando o colar na palma da menina sem tocar muito nela. Não seria forte para isso.
- Tem certeza?
- Absoluta.
- Obrigada, Rem. - ela sorriu abertamente e sequer se deu conta de que tinha chamado o garoto pelo apelido, mas Lupin notou e sentiu o coração acelerar.
- Feliz Natal, . - ele fez o mesmo e os dois ficaram se olhando até que Remus desviasse e puxasse algum outro assunto. ainda ia precisar de mais coragem para fazer o que gostaria.



Capítulo 5 - 5º ano - Parte II

05 de Janeiro de 1976

sabia exatamente o tamanho do problema que teria caso a vissem naquele momento: sentada ao lado de Remus Lupin, encarando-o com um olhar apaixonado que nem mesmo o garoto percebia. Seria um problema enorme, e por isso, ela havia sugerido que os dois se encontrassem escondido. E desde o Natal, o que mais queria era ficar a sós com ele.
Estava contando com a ajuda de Hestia para escapar sempre que Severus aparecia num passe de mágica. estava começando a achar que o amigo era adivinho, já que Snape surgia no exato momento em que ela ia de encontro a Remus. Por sorte, suas escapadas também lhe dariam a oportunidade de encontrar um presente para Sev, que faria aniversário em poucos dias.
Dentro da blusa, seu novo colar pendia em seu pescoço e ela sentia borboletas no estômago só de lembrar o dia em que foi presenteada com ele.
Queria contar para Delilah que estava passando mais tempo com Lupin mas não o fez. Saint-Laurent já encontrava dificuldades em conciliar a vida acadêmica e seu projeto para garantir os direitos dos elfos. Havia reparado que Deli estava triste e mal respondeu suas cartas no fim de ano, o que fez imaginar que algo havia acontecido, mas iria esperar a amiga se sentir à vontade para compartilhar o que sentia quando estivesse pronta. Hestia compartilhava da mesma preocupação, então combinaram que por enquanto apenas Jones ficaria sabendo dos encontros e ela estava mais do que empolgada em bancar o cupido.
— E essa serve para criar membranas, como um peixe. Alguma pergunta? — Lupin finalizou sua explicação e olhou para Flint, que tratou de olhar rapidamente para qualquer coisa que não fosse o garoto. Remus riu, achando engraçado o quão avoada parecia estar — Você parece confusa, quer que eu explique novamente?
— Não! — ela exclamou, já cansada de ouvir sobre herbologia, mas então lembrou-se que quanto mais ele falasse, mais tempo passariam juntos — Quero dizer, sim. Se não for pedir muito. Eu me perdi no início.
Lupin queria rir, mas Hestia o havia dito que estava com muitas dúvidas na matéria e que apenas ele conseguiria ajudá-la. O garoto não poderia estar mais contente, uma vez que assim ele nem precisaria inventar motivos para estar perto dela. Sorrindo, ele fechou o livro, e tomou coragem para dar fim aos assuntos acadêmicos - afinal, tiveram bastante tempo para isso durante o final do ano - e tentar uma conversa descontraída com a garota.
No entanto, assim que abriu a boca para expressar em voz alta um assunto qualquer, cuspiu uma frase que ela não esperava ouvir dele, mas aqueceu seu coração no mesmo instante:
— Eu gosto de você, — morrendo de vergonha, ele iria parar de falar, mas o toque suave de em sua mão e o olhar dela sobre si foram o empurrão que precisava para continuar — Sei que somos muito diferentes e você provavelmente não sente o mesmo. Mas eu sinto essa coisa, quando estou com você, eu não sei o que é, mas sei que está lá e é tão bom. Eu me sinto em paz, como nunca me senti. — suspirou, sem realmente conseguir olhar nos olhos da garota naquele momento — E sei que para você eu devo ser só um idiota da Grifinória e uma perda de tempo, mas eu precisava dizer. Eu precisava tirar isso do peito, porque é melhor receber um não do que ficar guardando isso e talvez nunca ter uma real chance.
Você sabe quando gosta de alguém, mas é tão inseguro por causa de suas próprias cicatrizes e tudo o que faz é afastar a pessoa? Esse era Remus Lupin, e suas cicatrizes eram mais reais do que alguém poderia imaginar. Por mais que seus amigos fossem leais a ele, em todos os momentos, até mesmo durante aqueles em que Remus não era um mero estudante de Hogwarts e sim uma fera incontrolável - ao menos uma vez por mês - que mataria o melhor amigo, Lupin não planejava se envolver com alguém em um modo romântico, pois sabia que nem todos lhe aceitariam por completo.
Mas Flint parecia ser um ímã, uma vez que a mente e corpo de Remus ousavam traí-lo toda vez que a garota estava por perto, às vezes até quando não estava. E isso estava o assustando demais. Era para ser o mais inteligente entre os marotos, então como diabos ele acabou naquela situação? Era tão idiota assim se apaixonar? Não, amar alguém não era burrice e sim um ato de coragem. Frente a frente com , escondidos em um lugar aleatório do castelo após uma partida da Grifinória versus Sonserina, Remus desejou ter tomado uma atitude antes, pois já não sabia mais quanto tempo aguentaria estando longe dela.
Seu corpo e mente lhe traíram, sim. Mas seu coração já o vinha fazendo a tempos e Lupin achava correto seguir com aquilo. Porque tudo com parecia correto.
nunca havia testemunhado alguém expor seus sentimentos de modo tão sincero. Apesar das constantes investidas e juras de amor de James Potter para Lily Evans, que normalmente vinham acompanhadas de uma Evans brava e um Potter frustrado, nunca havia visto algum gesto como aquele, não para ela. Seus pais não eram os mais carinhosos do mundo e a relação com o irmão gêmeo, apesar da cumplicidade, em sua maioria era de altos e baixos. Alguns sonserinos já haviam deixado bem claro que estavam afim dela, antes de começarem a achar que ela estava comprometida com Severus. Pobre, Severus. Mesmo assim, quando o faziam, eram sempre palavras rasas e não enxergava nenhum esforço deles em tentar conhecê-la e conquistá-la. Para eles, era prático: era de uma família tradicional e só por isso eles a viam mais como uma maneira de manter o puro sangue em suas gerações futuras. E por esse motivo, a confissão de Lupin a pegou de surpresa, porque nada era melhor do que saber que ele vinha sentindo o mesmo que ela. Puro sangue ou não, Flint também tinha sentimentos e isso se intensificava quando perto de Remus.
— Eu gosto de você também, Rem — ela sorriu, envergonhada, quando viu os olhos dele surpresos — Não quero e nem vou fugir disso, você sabe, não é? — ela perguntou, séria, atraindo o olhar dele, que procurava qualquer sinal de sarcasmo e desdém, mas não encontrou — Gosto de você, sendo da Grifinória, ou como você disse e eu discordo, uma total perda de tempo. Adoraria descobrir quem você é, porque já faz um tempo que gosto da parte que conheço e nada me faria mais contente do que conhecê-lo por completo. Vamos fazer isso, Lupin — ela sorriu em desafio e foi o empurrão que ele precisava para se aproximar da garota, finalmente unindo os lábios aos dela. E mais uma vez, parecia correto.
O modo como a mão de acariciava sua nuca enquanto ele aprofundava o beijo, além dos fogos de artifício e a sensação de estar em casa após uma longa viagem, fazia Remus lamentar não o ter feito antes. O sorriso no rosto dela ao se distanciar em busca de ar talvez fosse o mais bonito que ele já havia visto, e naquele momento estava tudo bem. E mal sabia Remus, mas ficaria tudo bem por um longo tempo.

🐾🌕

— Aluado, precisamos conversar — Remus foi surpreendido por James assim que deixava a sala vazia, por sorte havia saído minutos atrás, os dois adoravam ficar se ofendendo gratuitamente. Agradeceu mentalmente por James não estar com o mapa em mãos, ou logo saberia com quem ele estava. Potter franziu o cenho, tentando entender o que o amigo fazia na sala de aula em pleno sábado, mas sabendo que Remus era um pouco nerd, deu de ombros e continuou focando em seu “problema” — Eu estou começando a achar que a Evans está flertando com o Diggory.
— James, eu agradeço a informação. Certamente era o que eu vinha me perguntando desde o momento que abri os olhos hoje de manhã — debochou, suspirando em frustração quando James assentiu, não parecendo entender o sarcasmo. Lupin precisava encerrar aquele assunto, havia acabado de beijar a garota que gostava e nada deveria estragar seu humor, mas sentia pena de James naquela busca incessante por Lily.
— Certo? Eu vi os dois conversando hoje na biblioteca — o garoto ajeitou os óculos e fez uma careta, como se a cena estivesse se repetindo diante de seus olhos naquele exato momento — Eu não acredito que minha florzinha está fazendo isso comigo. E o Diggory? Quem ele pensa que é para roubar minha garota desse jeito?
— Tecnicamente ela não é sua garota, James — Lupin disse, trazendo o amigo de volta à realidade. Apesar de estar muito feliz com a confissão de e não querer acabar com as esperanças de James, precisava ser duro com o amigo para que Potter entendesse que nem tudo acontecia do jeito que ele esperava — E infelizmente você não pode se envolver nisso, ou vai apenas irritar a Lily e acabar com qualquer chance entre vocês dois. Além do mais, estragar o encontro da Delilah não adiantou e agora ela anda por aí com o King, isso não te fez aprender nada?
— Que eu deveria ter feito algo ao invés de apenas segui-los — James respondeu, contrariado, fazendo o amigo revirar os olhos.
— Honestamente, Pontas. Eu acho que você deveria parar de pedir conselhos se não pretende seguir nenhum — avisou, sorrindo, fazendo o outro bufar e estranhar seu bom humor — Vem, vamos procurar os outros.

🐾🌕

— Deli, espera! — chamou a amiga, praticamente correndo para alcançá-la. Saint-Laurent parou, esperando a sonserina — Ufa, quase não te encontro a tempo.
— Me desculpa, eu estava meio distraída — a garota se desculpou e deu de ombros, não realmente chateada por precisar gritar no meio de tanta gente, mas sim por não saber como fazer Delilah se abrir com ela. Hestia já havia falado sobre o quanto a garota ficava insegura em desabafar perto de , com receio de que a amiga fosse lhe achar chorona demais. Ainda assim, dessa vez nem mesmo Hestia sabia o que estava acontecendo.
— Não se preocupe. Eu estava com saudades e achei que poderíamos visitar Hogsmeade juntas — inventou a desculpa naquele instante e viu a garota ficar pensativa — Hestia também quer ir e eu preciso mesmo comprar um presente para o Sev.
— Seria bom comprar aquela coisa, você sabe… — Deli começou, prendendo o riso quando não entendeu o que estava por vir — Você sabe, o colar de alho e a loção de água benta — Saint-Laurent implicou. Por mais que estivesse usando um tom brincalhão, ainda estava com um pouco de raiva de Severus. Se não fosse por ele sendo enxerido e Sirius sendo um idiota, não teria mais uma vez usado o vira-tempo para acertar o destino de Remus. E agora que sabia que Lupin era um lobisomem, estava evitando as amigas, pois tinha medo de como iria reagir caso descobrisse. Não queria ter que escolher entre os dois — Dê uma foto autografada pelos marotos e ele ficará feliz, tenho certeza.
— Bom saber que preservou o seu humor só para mim, Saint-Laurent — a voz de Snape chamou a atenção das duas e sorriu para o amigo, enquanto Deli fez uma careta desgostosa — , tem lugar na carruagem para ir agora, você vem? Jacob também vai.
Antes que pudesse responder, sentiu a mão de Deli em seu ombro e viu a amiga forçar um sorriso. precisava fazer uma média com os alunos da Sonserina para agradar os pais e o irmão, mesmo assim ela abriria mão de ir para fazer companhia a amiga. Para sua surpresa, Deli não parecia muito relutante em dispensá-la.
— Ela é toda sua, Snape.

13 de Fevereiro de 1976

— Achou a pedra filosofal, Flint? — quase pulou no banco ao se dar conta da presença de Severus, corou e olhou para baixo, envergonhada, sem coragem para responder e isso fez o amigo ficar desconfiado — O que aconteceu?
— Nada — deu de ombros e involuntariamente buscou um certo par de olhos castanhos na mesa da Grifinória.
— Sua amiguinha veio perguntar sobre você hoje. — o tom de Severus referindo-se a Delilah não agradou , que retribuiu com um beliscão no braço e o encarou enquanto ele massageava a própria pele.
— Você deveria ter sido mais educado com ela, Snape! — ela o repreendeu, já imaginando que a conversa entre Delilah e ele não havia sido nada educada.
— Ela já foi fazer fofoquinha para você?
— Deli não precisou me falar nada, eu sei que você é um trasgo quando quer! Por isso, tenha modos!
— Vai me contar por que está sorrindo feito idiota? — Flint não sabia onde enfiar a cara quando ele voltou àquele assunto.
— Vai me contar quem lhe deu essa correntinha que você usa para cima e para baixo? — retrucou, sabendo que aquilo iria fazê-lo desistir de esperar uma resposta. Como havia previsto, Severus apenas desviou o olhar e ela sorriu — Imaginei que não.
— Eu posso perguntar ao Jacob o que aconteceu com você, com certeza ele sabe.
— Você não se atreveria a meter meu irmão nessa conversa, Snape — ela encerrou o assunto e voltou a comer. Sorrindo e levantando o olhar vez ou outra para a mesa do outro lado do salão, encontrou Remus também olhando para ela e suspirou, aliviada. Tinha certeza de que Severus não a comprometeria desse jeito. Ela era uma das poucas pessoas que tinha a sua lealdade.
Após as aulas, Remus já estava se sentindo muito mal e sabia que aquela noite de lua cheia não seria tranquila. Avisou aos amigos que iria ficar na Casa dos Gritos até a hora de sua transformação, e que preferia que eles o encontrassem mais tarde, para evitar serem pegos em plena luz do dia. Mesmo assim, James e Sirius saíram mais cedo do jantar e prometeram voltar logo após o horário permitido, eles tinham o mapa então não precisariam se preocupar com nada. Então ele comeu o que conseguiu e ficou deitado, esperando o momento em que se transformaria.
Para seu azar, os garotos estavam cabisbaixos, sendo levados até a sala da professora Minerva, graças a Severus. Quando já estava suando frio e notou que seus amigos não viriam, Remus trancou a porta e prendeu as correntes em seus pés. Naquela noite, ele enfrentaria seus demônios como não fazia há muito tempo: sozinho.

🐾🌕

Desde que os amigos haviam se tornado animagos para lhe fazer companhia nas noites de lua cheia, Lupin havia percebido que as transformações não eram tão ruins e suas noites eram menos violentas. E por esse motivo, após muito tempo, ter que passar por aquele processo sozinho mais uma vez foi torturante e a aparência de Remus entregava o quanto a transformação de dois dias atrás havia sido difícil.
As cicatrizes estavam visíveis demais, e mesmo com alguns feitiços para disfarçar, ele conseguia ver a culpa nos olhos dos amigos por não estarem lá. Mas além da culpa, havia ódio. Sirius e James estavam possessos e contaram que Snape havia armado para que eles fossem pegos por Filch naquela noite. Havia tentado convencer os amigos de que deveriam deixar o assunto de lado, mas quando Sirius e James resolveram dar o troco, Lupin estava muito cansado para impedir os amigos. Como monitor, ele deveria ter impedido tudo, porém, era difícil ajudar Snape sabendo que ele havia lhe prejudicado, mesmo que indiretamente.
viu o amigo no ar, de cabeça para baixo e num ato de desespero tentou todos os feitiços que conhecia, mas nada parecia adiantar. Quando o Liberacorpus parecia surtir algum efeito, Severus voltava a flutuar ainda mais alto. Todos se aproximavam para rir dele.
— Pare com essa idiotice! — Lupin a ouviu gritar para James e lançar nele um expelliarmus, que foi rebatido por Sirius no mesmo segundo.
— Você deveria sair do caminho, Flint! — Sirius riu e a garota só ficou mais enraivecida — Isso é assunto nosso com o Ranhoso!
— Então, me deixe descer para que isso seja justo, idiota! — Severus gritou, tentando não ficar enjoado com as piruetas que Potter ordenava que seu corpo fizesse.
Por mais que fosse amiga de Severus, ele não entendia como ela insistia em defendê-lo. Tudo bem que James e Sirius não davam trégua, mas Snape também não era um anjo. avançou, mas Sirius lhe mandou um estupefaça que foi logo combatido por um protego da garota. Remus se pegou admirando a postura da garota naquele “duelo”.
Pensou também em apartar a briga desde que Sirius atacara a sonserina pela primeira vez. Mas tinha certeza que ela gritaria com ele se lutasse por ela suas batalhas, gostava de poder se defender e ele não tiraria aquilo dela.
— Vai continuar a me atacar, Black? Seja homem! — ela gritou, fazendo as pessoas em volta torcerem para que eles continuassem a briga.
James finalmente largou Snape no chão aos risos e, enciumado, Remus assistiu correr para ajudar Snape e sussurrando algo para ele. Severus se levantou e os dois se postaram lado a lado, encarando Sirius e James que também estavam prontos para atacar. Peter estava junto aos incitadores e Remus estava um pouco mais atrás dos amigos, sem tirar os olhos de . A sonserina sabia que Lupin queria acabar com tudo, mas um olhar dela foi o suficiente pra que ele desse um passo para trás.
— Vai se esconder atrás da namorada, Snape? Só assim você consegue fazer algo, não é? — James zombou e desviou de um feitiço que Severus tinha mandado em sua direção. Remus foi empurrado levemente para frente quando as pessoas próximas se abaixaram para fugir e deram mais espaço aos quatro que se rodeavam.
— Como se você não fizesse isso ficando atrás de seus preciosos amiguinhos, Potter. — Severus cuspiu e foi a vez de ele desviar de uma azaração de James. tinha desarmado Black que corria para recuperar a varinha.
— Eu não saio por aí explodindo armaduras para culpar outras pessoas, Ranhoso. É isso que ensinam na Sonserina? Como ser um babaca? — Por um segundo, olhou para o amigo se perguntando se James havia dito a verdade, afinal, ela o conhecia muito bem e sabia que era a cara de Snape fazer algo assim para ferrar os garotos. Quando ele deu de ombros, ela teve sua resposta. Mesmo assim, não deixaria que ele fosse atacado daquele jeito, ainda mais estando em menor número.
Potter se aproximou ainda mais raivoso e Severus riu, deixando o grifinório possesso. Flint estava decidida a se manter vigilante apenas para o caso de Black agir de novo, seu olhar vez ou outra recaindo em um Remus ansioso.
— Chateadinho porque perdeu o jogo da Grifinória, Potter querido? — ouviu o amigo debochar e em seguida o garoto se abaixou para escapar de uma azaração. Snape definitivamente não sabia quando parar — Achou que ia se tornar intocado porque seu amigo virou monitor? — ele riu e acabou sendo atingido com um Pimentatus forte, ficando vermelho de imediato. correu para o amigo e ele segurou a barriga como se tivesse acabado de levar um soco. Segundos depois, viu Snape soltar bolas de fogo, como dragões.
— Vocês só podem estar de brincadeira! — a voz de Delilah sobressaiu toda a confusão e ela apareceu, empurrando as pessoas para conseguir chegar até o local da confusão — São idiotas ou o quê? — ralhou após convocar os pertences de Flint e Snape antes de se juntar aos dois para ajudar a amiga a levar Severus para a enfermaria — E você, Remus, muito me admira que tenha ficado calado sendo monitor. Achei que era o mais inteligente entre esses projetos de diabretes! — Remus ficou envergonhado, por saber que Delilah tinha razão e também por estar olhando para ele quando Saint-Laurent lhe deu bronca.
As garotas ampararam um Severus que seguia curvado, soltando bolas de fogo pela boca e suando. As pessoas simplesmente abriam espaço para os três que logo sumiram de vista e Remus estava certo de que aquela bronca não era nada comparada as que pensou que ainda viriam.

9 de Março de 1976

— Seu amiguinho está esperando lá fora — Deli se referiu a Remus enquanto apontava para a porta da sala comunal, fazendo olhar para lá enquanto Lily seguia até ele. Evans e Lupin se encontravam algumas vezes por semana para estudar, diferente dos encontros que o garoto tinha com a sonserina presente na sala comunal.
— Será que a Evans vai perdoar o Sev? — perguntou, fazendo Hestia rir.
— Eu não o perdoaria nem que me pagassem, Severus precisa aprender que certas palavras e ações machucam, não é um simples pedido de desculpas que irá resolver — ouviu Delilah dizer e logo soube que aquilo não era apenas sobre Snape.
— Você ainda está chateada com os meninos, não é? — Flint perguntou, vendo a amiga dar de ombros e Jones se aproximou de Delilah, abraçando a amiga de lado — Até mesmo a Evans já deixou isso para trás, não seja tão dura. Eles deram um tempo com as brincadeiras de mau gosto depois do esporro que você deu.
— Sem contar os milhares de pedidos de desculpas — Hestia acrescentou — Você não pode guardar esse rancor todo, não faz bem. Sabemos que sente falta deles.
— Talvez eu converse com o Remus, mas apenas porque amanhã é aniversário dele — Saint-Laurent avisou, não deixando de notar um quase sorriso no rosto de e uma troca de olhares entre ela e Hestia, era quase como se compartilhassem um segredo e Deli se sentiu deslocada, pois sabia exatamente o que era. Já estava ciente de que e Remus estavam se encontrando, percebeu no exato dia em que precisou dizer algumas verdades para Snape, mas não entendia o motivo de guardar segredo dela e contar apenas para Hestia. A garota se levantou devagar, se espreguiçando em seguida — Eu vou dormir, estou um pouco cansada.
— Está se sentindo bem? — Hestia perguntou e Deli assentiu. observou a amiga, mas não conseguia saber se ela estava mentindo ou não, ultimamente, nenhuma delas conseguia saber o que se passava na cabeça de Delilah e, por sua vez, Saint-Laurent estava se fechando até mesmo para as amigas.
— Só um pouco sonolenta. — Deli sorriu e Hestia concordou — Vejo vocês no café da manhã?
— Eu te acordo — Jones garantiu, tentando agradar a amiga e não demorou muito para Delilah sumir de vista.
— Ela não parece bem, — Hestia falou, preocupada — já contou sobre o Lupin e você?
— Não tive muito tempo — disse e Jones a encarou. Hestia viu a preocupação no rosto de , lembrando-se do quanto a sonserina era reservada no início da amizade e o quanto estava disposta a compartilhar segredos agora. Infelizmente, dessa vez era Delilah quem parecia esconder algo e as duas amigas temiam não conseguir ajudar.
— É sério, não sei se a Deli está apenas sentindo falta dos meninos, mas ela parece tão estressada em alguns momentos e tão dispersa em outros, acho que prefiro contar quando ela voltar ao normal.
— Tudo bem, tudo bem. Sem pressão.

16 de Abril de 1976

— Você tem certeza que ninguém vai nos ver aqui? — perguntou a Remus enquanto ele os guiava para o banheiro feminino do primeiro andar.
— Não se preocupe, ninguém vem aqui por causa da Murta — ele explicou e ela assentiu, mas travou assim que abriu a porta e viu uma garota sentada no chão lendo um livro. Os três se encararam por um breve momento e a sonserina deu um sorriso ao casal, como se os convidasse a entrar.
- Flint, estou certa? - a loira perguntou enquanto deixava a leitura de lado por alguns instantes - Sou Pandora Ariti, do quarto ano.
- Prazer, Pandora. - cumprimentou, mas ainda sem dar muito o braço a torcer. Seu rosto estava impassível e por dentro ela queria xingar as últimas gerações de Remus por ele não ter checado se o banheiro estava vazio - Estávamos fazendo uma ronda para a professora McGonagall, não deveria estar em aula? - a garota sugeriu tomando a postura de monitora e se afastando delicadamente de Lupin. O grifinório percebeu e a imitou, mesmo que tivesse magoado seus sentimentos aquela reação.
- Tenho um horário vago. - Ariti deu de ombros, mas se levantou - De todo modo, vou deixar vocês fazerem a sua ronda. - ela piscou, entendida e engoliu em seco enquanto a sonserina passava entre eles. segurou o pulso dela antes que se distanciasse. - Pode me obliviar se isso te fizer sentir mais segura, Flint.
- O quê? - se espantou, mas não soltou o pulso da loira e viu que a menina deu outro sorriso sereno. Remus às suas costas não sonhava em se intrometer na conversa.
- Não é da minha conta o que vocês vieram fazer aqui, eu só espero que não se matem. - Pandora se soltou de e foi em direção a porta. Antes que tocasse na maçaneta, no entanto, se virou lembrando de algo - Hoje Murta está em uma das festas dos fantasmas, mas eu não contaria com esse lugar. As torres são muito melhores. - ela deu de ombros e saiu antes que qualquer um dos dois pudesse falar alguma coisa. Assim que a porta foi fechada, Remus soltou uma gargalhada alta, o que fez com que se virasse para ele, incrédula.
- Do que você está rindo? - ela perguntou entredentes e Remus apenas lhe puxou pela cintura, aproximando seus corpos - Nós fomos pegos por uma sonserina, sabe o que isso significa? - a garota parecia estar a ponto de um colapso. Remus continuou rindo, agora de forma mais contida.
- Pandora é uma garota legal, não vai dizer nada. - ele disse, aproveitando para abraçar a garota, que estava emburrada.
- Como sabe?
- Você é monitora da Sonserina, amiga dos caras maus e bem assustadora quando quer. - ele enumerou - Acha mesmo que ela seria burra de falar alguma coisa?
- Me acha assustadora? - quebrou a postura e abraçou Remus pelo pescoço.
- A cobrinha mais perversa de todos os tempos. - ele piscou antes de capturar os lábios da morena em um beijo cheio de vontade.





Continua...



Nota da autora: Nosso casalzinho finalmente está junto e não estamos sabendo como lidar ♥️ O que estão achando desse spin-off? Contem pra gente :)

Vamos a ordem cronológica de leitura:
» Stars Above Us [Harry Potter - Em Andamento] por LOLA
» (In)desejada [Harry Potter - Em Andamento] por Mayra B.
» Nas Garras do Lobo [Harry Potter - Shortfic] por LOLA e Mayra B.

Universo alternativo:
» A nobre casa dos Black [Harry Potter - Shortfic] por LOLA



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Nota da beta: Ah, finalmente meu casal lindinho aconteceu, eles são tão fofinhos juntos!
Amei a discussão e o Remus não se metendo e admirando ela, entregaram tudo nessa cena! Confesso que estou ansiosa para saber como as coisas serão quando ela descobrir do segredo dele! Arrasam tanto, meninas, ansiosa pela continuação! 💜💜

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.
Para saber quando essa linda fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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