Perfect For Us

Última atualização: 04/01/2022

Capítulo 1



"Srtas. Santiago e Martins.

Gostaríamos de dizer que assistimos ao vídeo da peça de teatro que vocês encenaram e enviaram para nós.

Constatamos o grande talento que vocês demonstraram durante toda a apresentação. Por esse e vários outros motivos, seria uma honra para nós se vocês aceitarem fazer um teste para uma série de televisão que estamos produzindo.

Será um grande prazer. Vocês têm grandes chances de conseguirem.

Sem mais delongas,
Agradeço desde já.

Diretor Francis Lawrence."



! A gente vai pra Hollywood! — grito pulando em cima do sofá.
— Porra! Por que me acordou? — grita de volta enquanto aparece no topo da escada.
— Você ouviu o que falei? — pergunto meio sem acreditar — A gente vai pra Hollywood!
— Partiu! — diz descendo as escadas e já vai indo para a porta.
— Amiga! Você está de pijama! — Falo rindo.
— E? Sair de pijama é super aceitável!
— Você está confundindo o país, eu acho. O máximo que pode te acontecer, se alguém for amante da moda, é você receber uma tomatada na cara por estar com uma roupa de ursinhos azuis.
— Ah, normal. É só a pessoa jogar um limão junto que eu trago para casa e faço uma salada gostosa — Ela diz, começando a andar de novo para o quarto. — Mas tá. Só consegue um voo para amanhã e avisa o… o que a gente vai fazer em Hollywood?
— Rodar bolsinha, quem sabe? — Ela revira os olhos para mim — Fazer teste para uma série.
— Quem é o diretor?
— Francis Lawrence — Falo dando de ombros e a vejo arregalando os olhos.
— O quê? Santiago, você vai agora arranjar o número do Francis e falar que a gente aceita e que vai chegar lá hoje. Já vai vendo qual é o primeiro voo para lá. Agora! — grita me fazendo cair na gargalhada.
— Quem dera fosse assim, né? — pergunto fazendo ela me olhar confusa.
— Com outras meninas foi assim!
— Lógico que foi. Não se esqueça que a mãe dessas meninas não é a minha mãe! Sem contar que essas meninas trabalham. Agora me fala, qual é a chance da minha mãe me deixar ir para Hollywood com dezesseis anos de idade? Ela não ia deixar eu sair de casa nem com dezoito, esqueceu? — Falo, sentando no sofá derrotada.
— A gente fala com ela — Ela me olha suplicante.
— Moleza. Ela com certeza deixa.
— Para de ser pessimista, porra! Você perguntou para a sua mãe? Não perguntou! Sei que ela é meio super protetora com você e seu irmão, mas ela sabe que é um sonho seu. Não custa nada tentar. Se quiser eu falo com ela.
— Você? Falar com a minha mãe? Você quase se borra nas calças quando minha mãe abre a boca — Falo abrindo um sorriso.
— Isso é meia verdade — Diz ela retribuindo o riso — Mas é um sonho nosso , então faço esse sacrifício.
— Que sacrifício? — pergunta a minha mãe, entrando com o meu pai e meu irmão, carregando as sacolas da padaria.

Olho para a e a vejo engolindo em seco. Solto um riso.

— Ah, um sacrifício aí, mãe — Digo tentando ajudar.
— Sei — Diz sorrindo e colocando as coisas em cima da mesa — Eu conheço vocês, falem logo. Sei que querem pedir alguma coisa.
— É complicado... — começo a dizer, mas meu pai me interrompe.
— Eu ouvi a palavra complicado? Olha mô, você se vira com elas aí porque minha vida já é uma complicação total. A começar pelo... Lençol todo desarrumado — Diz subindo as escadas. — Fui! Depois me conta o que elas queriam e qual foi a desculpa do porque você não deixou.

Minha mãe bufa e olha para nós.

— Então, tia...
— Olha mãe, eu vou falar logo de uma vez. O diretor Francis Lawrence chamou a gente para ir para Hollywood fazer um teste para uma série. Talvez eu vá passar a temporada lá, ou não se a gente não conseguir. Eu preciso da autorização dos meus pais para poder ser emancipada, viajar sozinha e conseguir morar lá sem a supervisão de um adulto. E sim, é tudo pago pela produção. Mãe, pelo amor de Deus eu te imploro, me deixa ir. Sempre foi o meu sonho! — Falo sem respirar.
— Você é louca? Não! — Minha mãe já vira dando o assunto por encerrado.
— Tia, por favor. Pensa que é uma chance da sua filha mudar de vida e ser alguém que ela sempre sonhou em ser. Eu vou junto também e pode apostar que vou cuidar dela mesmo tendo quase a mesma idade. Se tiver alguma dúvida, tem o número do diretor no e-mail. Por favor, só pense com carinho. E… o mais rápido possível também. — fala, já entregando o notebook para minha mãe.

Minha mãe pega o notebook e senta na cadeira colocando o computador na mesa. Ela lê o e-mail com cuidado. Depois sobe o olhar para nós com a expressão intrigada e pergunta:

—Vocês mandaram um vídeo para lá? E não avisaram ninguém? !
— Eu não mandei vídeo para ninguém, mãe! O e-mail só apareceu aí — respondo sabendo que foi a quem enviou.
?! — Minha mãe levanta uma sobrancelha.
— Eu não mandei nada não, tia! Achei que tinha sido a que tinha mandado sem avisar.

Minha mãe nos olha confusa.

— Se não foi você e nem a que mandou o vídeo…. Quem foi?

Eu e nos encaramos e descobrimos a resposta ao mesmo tempo:

— Davi!



Caralhooo! Eu vou para Hollywood!
Não estou acreditando... Isso é loucura! Ir para outro país, deixar a família, os amigos, as paixões, deixar tudo para trás só para tentar fazer uma coisa que não temos certeza se vai dar certo. Tudo bem que não tenho muito a perder no quesito amizade e paixões, porque minha melhor amiga vai comigo para os States e meu crush é um imbecil que só me liga quando precisa. Isso vai ser DEMAIS!
Quem sabe eu faça novas amizades, conheça meus ídolos e tenha um novo romance. Romance não. Vou fazer o que meu pai disse: namorar só com 18, casar com 30 e não ter filhos.
Minha mãe me deixou ir facilmente porque ela já sabia que eu fazia teatro para conseguir ir para os Estados Unidos. Ela também me botou a força em um curso de inglês quando eu tinha somente 10 anos porque caso tivesse essa oportunidade já falaria inglês fluente. Dito e feito, graças a esse curso filha da puta, eu falo inglês fluente. Então, está na hora de testá-lo.
O meu pai também deixou, mas, na verdade, eu iria mesmo sem ele deixar. Entretanto, ele é legal e me entende, sabia que isso era importante para mim. Sem contar que foi o meu irmão que mandou o vídeo para o Francis, então, ele deveria saber de alguma coisa. Se não sabia, foda-se, já foi!
Minha mãe, meu padrasto, meu pai e minha madrasta deixaram facilmente. Agora os pais da ... Meu Deus! Demoraram um milênio para decidir se deixariam ou não ela ir e olha que eu tenho mais gente para autorizar se eu vou ou não. A mãe dela teve que ligar para o Francis, e depois da tradutora dele implorar muito, ela finalmente deixou. O pai dela foi mais fácil, ele falou que não era para ela voltar para a casa drogada e nem sem emprego, então, foi bem mais fácil.
Estou acabando de arrumar minhas malas, nós vamos amanhã de madrugada e meu pai acabou de passar aqui para assinar a papelada autorizando minha saída do país. Pego meu celular no bolso da calça e faço uma ligação.
Chamada on:

: Fala, filha!
Eu: Oi! Já está pronta??
: To quase, daqui a pouco estou ai!
Eu: Ah dona ! Sempre atrasada!
: Eu não estou atrasada! Só estou hmmm um pouco enrolada.
Eu: Ata. Então não estava dormindo até agora né?!
: Eu?! Dormir?! Nunca durmo!
Eu: Ok. Então termina de arrumar suas coisas aí e vem para cá, okay?!
: Tá bom, mandona! Beijos até daqui a pouco!

Chamada off

Graças a Deus acabei de arrumar a mala, a já deve estar chegando. A minha mãe vai levar a gente até o aeroporto amanhã de manhã.

🎥🎥🎥


"I grew up memorizing all the cracks in the wall
Staring up at the ceiling watching particles fall
See I prayed every day for a change to be made
And I'd wait to be saved, oh no
Up at night, hiding under covers found my escape
Shut my eyes and let the bass buzz into my brain
See I knew I was destined for bigger and better but never said a thing

I assumed there was only room for
My dreams in my dreams so I'd sleep and repeat 'til the moon went home
And I didn't know where it'd take me but made me so crazy in love with it"

Alessia — Four Pink Walls


Acordo meio passada e percebo que meu despertador ainda toca. Ele sempre parecia estar tão longe. Levanto e pego meu celular ao lado da cama que eu e estamos.
4:30 da manhã.
Pulo em cima da , para fazê-la acordar e ela dá uma gemidinha de dor.

— Não precisava pular! Acordei com a bosta desse despertador! Por que por uma música tão agitada assim? — pergunta ela sem acreditar.
— Sei lá, me anima. Agora vai tirar essa cara de cu mal lavado da cara, porque vamos para Los Angeles! — pisco animada para ela.
— Ok! — Ela sorri um pouco mais animada.

Vou para o banheiro e penteio meu cabelo, passo um rímel e escovo meus dentes. Aproveito para passar batom e volto para o quarto para pôr a roupa. estava vestindo uma saia curta e soltinha branca, uma blusa de manga comprida preta de gatinho e uma sapatilha também, ela vai direto para o banheiro quando sai. Comecei a me trocar com a roupa que separei ontem de noite, uma camiseta de ombro caído que aparece um pouco minha barriga, com a estampa dos Beatles, um short jeans claro e um vans estampado azul.
Vamos para a cozinha, minha mãe e Marquinhos já estão lá. Sinto o cheiro de café e instantaneamente me sento na mesa para comer. Pego meu celular e verifico a hora, 5:20, falta quase 1 h:30 para nosso voo sair.
Como pão com manteiga e uma xícara de café puro, enquanto converso sozinha com minha família porque não sabe nem o que está fazendo no mundo de tanto sono que está. Acabamos de comer e vamos para o quarto novamente, escovamos o dente e descemos nossa mala.
5:35. Olho para fora e vejo meu padrasto colocando nossas malas no carro, minha mãe amarra minha irmãzinha na cadeirinha. Só falta a !
Olho ao redor e não a acho. Subo as escadas novamente e vejo minha amiga babando na minha cama. AH FILHA DA PUTA!

SUA VACA! LEVANTA DESSA PORRA AGORA! — berro em sua orelha e ela pula da cama com o susto. — Vamos logo eles estão nos esperando! Seguro ela pelo pulso e desço as escadas, rindo de sua reação pela reação dela de como a acordei. —Preparadas meninas!? — Minha mãe pergunta sorrindo, mas com os olhos cheios de lágrimas. —SIM! Essa vai ser a melhor viagem de todas! — Eu e respondemos juntas. Entramos no carro e vamos em direção ao nosso sonho ou melhor até o caminho de nossos sonhos.


Capítulo 2

:

Nós finalmente chegamos! Ainda não estou conseguindo assimilar que estou em solo americano.
Olho para com expectativa e tudo o que conseguimos fazer é dar risada. Até o meu celular apitar feito louco por eu ter conseguido algum sinal.
Estamos esperando nossas bagagens passarem pela esteira. Dou uma última olhada para ver se já estão chegando e se a precisará de ajuda. Quando constato que ainda não, pego meu celular e vejo que horas são agora. 6:50 p.m. Doze horas de voo. Olho pela barra de notificação para ver quem me mandou mensagem, minha mãe, Leo e Bruno. Respiro fundo e abro cada uma.

Mãe: Filha?? Tudo bem?? Já chegaram?? Como estão?? Foram bem recebidas?? O pessoal que disse que estaria aí para receber vcs, estão de fato?? Não me deixe sem respostas e me ligue assim que possível!! Eu e seu pai já estamos morrendo de saudades!!!

4:59 p.m



Leo: A mãe está quase tendo um treco!! Não para de dizer que aconteceu alguma coisa, que vai ligar para você, que estão demorando muito para chegarem. Eu ia sair hoje, mas não vou mais. Primeiro que ela não deixou e segundo que tenho que acalmar os nervos dela porque senão ela não vai parar de te ligar! Fica me devendo uma, hein, maninha? Beijos!!

2:15 p.m



Respondo a todas as mensagens com um sorriso no rosto. A mala da chega e a ajudo a puxá-la para fora. A minha vem logo atrás, pego ela e as colocamos no carrinho. Minha amiga também mexe no celular com muita atenção. Torço para ser qualquer pessoa, menos quem estou pensando. Caminhamos a passos lentos e olho de volta para o meu telefone. Uma única mensagem. Estou tentando evitar ela o quanto posso.

Bruno: ?

11:40 a.m



Bruno: ??

11:41 a.m



Bruno: ??

11:41 a.m



Bruno: , porra!!!

11:42 a.m



Bruno: É assim então? Não vai me responder mesmo?

4:00 p.m



Bruno: Tudo bem, eu tenho meus meios!!!!!

4:00 p.m



? Ô caralho, acorda! Está tudo bem? — pergunta , me olhando meio preocupada ao me ver encarando o horizonte sem motivo aparente.
— Hã? — volto para a realidade — Falou alguma coisa?
— Eu disse que acabei de ver uma mulher segurando uma placa com os nossos nomes — existe uma certa expectativa em sua voz — Algum problema?

Na verdade, tem. Bruno é o meu namorado há algum tempo. Há uns oito meses, se eu não me engano. Nós brigamos feio há poucos dias atrás e estamos sem conversar desde então. Com a velocidade que tudo aconteceu, eu não comentei nada sobre a viagem com ele. Talvez isso fizesse com que nos separássemos. Eu sei que, se o amor for forte de verdade, nada separa, nem mesmo a distância, mas nunca se sabe. De qualquer modo, estaria mentindo se dissesse que não estou preocupada com a última mensagem.

— Não, problema nenhum! — Digo dando um sorriso sincero. Do mesmo jeito que não quero que ela se comunique com uma certa pessoa, ela também não quer isso para mim. Digamos que ela não é muito fã do meu namorado, mas não fica contra mim — Vamos nessa!

Ela sorri de volta e caminhamos em direção à mulher que havia citado anteriormente. Sinceramente, meu coração está batendo acelerado demais. É apenas um teste ainda, eu sei, mas vai que dá certo.

— Vocês são Martins e Santiago? — pergunta em português a moça de cabelos castanhos toda sorridente e assentimos. É a mesma mulher que falou com minha mãe no telefone. Reconheço sua voz. Devo minha vida a ela desde ontem — Ah, que bom. Como foi de viagem?
— Fomos bem — responde com um sorriso de orelha a orelha. — Um pouco exaustivo, mas bem.
— Entendo totalmente — Diz ainda sorrindo. — Como imaginei que chegariam cansadas, eu me prontifiquei a alugar um apartamento para vocês. Ele será bem útil até que consigam uma casa ou um apartamento ao gosto de vocês.
— Assim espero — falo e ela me direciona um olhar confuso. — É que nós estamos em fase de teste ainda, então caso não der certo, teremos que voltar para o Brasil e…
— Ah sim, claro, mas posso confessar uma coisa? — assentimos e ela se aproxima mais de nós — Acho que vocês têm grandes chances, viu?! O Sr. Francis ficou tão admirado com a performance das duas que acho que dificilmente não vão aceitá-las.

Eu e nos olhamos e sorrimos ainda mais. Isso vai ser tão legal que só de imaginar o meu coração está saindo pela minha boca. Não estou brincando!

— O que você pode nos contar sobre a série? — pergunta tentando controlar ao máximo um “caralho” que está preso em sua garganta.
— Bom, ela irá se chamar “Isso é Real?”. É uma nova ideia que eles tiveram para trazer o pessoal dos filmes para esse mundo das séries.
— Eu li sobre alguma coisa assim — comento. — Fizeram isso com Big Little Lies, não? Gostei bastante da ideia.
— Eu também — A moça fala sorrindo. — Exatamente, fizeram isso com essa série e gostaram tanto disso que, dessa vez, resolveram até usar o diretor que mexe na área de longa metragem. Já temos algumas pessoas escaladas para o casting, mas o Sr. Francis não estava conseguindo achar atrizes para o perfil que ele queria, que era o descrito no roteiro. Coincidentemente, as personagens para as quais vocês irão fazer o teste são brasileiras, eles decidiram ter essa aproximação maior com o povo brasileiro, que dão sempre suporte e são um dos grandes consumidores de séries americanas. Quando aquele vídeo chegou no e-mail dele, foi meio que uma salvação. Que outra maneira de ter essa verdadeira aproximação do que com, talvez, duas legítimas brasileiras?

Demos risada. Imaginando que aquela apresentação traria uma oportunidade tão grande quanto essa. Eu nunca mais pararia de agradecer o Davi por isso.

— Você não pode falar quem são os atores que talvez contracenem conosco e nem qual é a história, né? — Digo com um sorriso meio envergonhado.
— Por enquanto não, só se vocês passarem. Mais por uma cláusula de segurança mesmo, até estar tudo certo para vocês fazerem o teste. Aí sim, vocês receberão ao menos um trecho da história — Ela sorri. O sorriso dela era lindo. — Mas vamos parar de falatório, não é? Sinto que vocês almejam por um banho, acertei?
— Com certeza! — gargalha.
— Posso te perguntar só mais uma coisa? — estou quase esperando ela mandar um não de tanto que eu estou enchendo o saco.
— Claro!
— Qual é o seu nome? — Eu risada, ela e me acompanham.
— Serena — Ela diz de modo abrasileirado. — Mas como estamos nos Estados Unidos, é um jeito um pouco diferente, então não estranhem.
— Não vamos. Gossip Girl nos ajuda bastante nessas horas — fala sorrindo ainda.
— Verdade né, acho que é por isso que nem um brasileiro estranha mais, mas sempre bom avisar, né. Calma, eu tinha me apresentado para a mãe da . Desculpa, mas.
— Sou eu — levanto um pouco a mão sorrindo. Esse sorriso não vai sair da minha boca tão cedo, acho. — Foi com a minha mãe que você treinou sua arte de persuasão.
— E pelo visto ela está ótima, não é?
— Graças a Deus! — junto as mãos em sinal de oração e olho para cima — Mas nem deu tempo de saber seu nome quando falou com ela. Minha mãe só me deixou ouvir algo como “tradutora e intérprete do diretor Francis Lawrence, bom dia, com que eu falo?” e foi para o quarto, não me deixando segui-la para saber de mais coisas.

Elas gargalham e vamos para fora. Entramos no carro de Serena, conversamos ainda e saímos daqui.

🎶🎶🎶


“In my bedroom thinking of you
Your pictures in my private folder
I know one day that I will hold her
I'll make my move when I get older
Make my move when I get older

She told me to meet her there
I can't afford a bus fare
I'm not old enough for her
I'm just waiting till I'm 18

You got me waiting in a queue
For a bar I can't get into
I'm not old enough for you
I'm just waiting 'till I'm 18

I'm so sick of waiting till I'm
Eighteen”


? — A chamo enquanto a ouço cantar no banho.

Chegamos no apartamento ontem e não deu para fazer nada. Apenas entramos, tomamos banho, ligamos para os nossos pais e dormimos.

— Eu? — Ela responde, interrompendo a cantoria e desligando o chuveiro
— É isso mesmo que eu ouvi? Você está cantando uma música do 5 Seconds of Summer?
— Five quem? — pergunta saindo do banheiro com uma toalha enrolada no cabelo e outra no corpo.
— 5 Seconds of Summer! Você sabe quem são — Digo deitada na cama enquanto a mesma se troca. — É uma banda que está fazendo muito sucesso agora, mas que eu acompanho já faz muito tempo pelo youtube.
— Ah sei, aqueles meninos que você vive falando e que eu “conheço” um até agora — termina de colocar a última peça de roupa em si mesma e pega a toalha para levar para secar. — Luke não sei das quantas.
— Luke Hemmings — vou atrás dela. — E não finge que não conhece não, porque você estava cantando Eighteen agorinha mesmo.
— De verdade, eu ainda não conheço a banda — Diz sendo sincera, virando-se para mim. — Só sei desse Luke porque é quem você mais fala. E sobre a música, não é a que você estava ouvindo em casa anteontem toda hora?
— É, pior que é verdade — digo lembrando.
— Viu, depois não quer que eu fique com a música na cabeça e cante ela — fala, indo até a mini lavanderia que nós temos, me fazendo rir. — Mas até que ela é legal, me descreve um pouco, de uma certa forma.
— Te descreve? — pergunto meio confusa.
— É! — estende a toalha — Não vejo a hora de fazer dezoito anos!

Gargalho.

— Mas não precisa dessa pressa toda, não é? Você é uma garota emancipada agora.
— Pode até ser — Diz indo para cozinha, pega um salgadinho, vai para a sala e senta no sofá. — Mas se não der certo aqui, você aposta quanto que minha mãe vai me obrigar a voltar para lá?
— Ou não, né? — pisco para ela apoiada no batente da porta da cozinha de braços cruzados
— Ou não — sorri ainda comendo.
— Que bom que conseguimos uma casa mobiliada, né? — pergunto mudando de assunto.
— Ainda bem! Compraram até comida! Graças a Deus só precisamos colocar nossas roupas no armário.
Concordo sorrindo. Viro-me para pegar algo para comer e escuto o celular da tocar. Deve ser a mãe dela.
— Alô? — atende meio despreocupada.
? — Chama uma voz masculina no viva voz.

Ah não!

— D-Danilo? — ouço a voz dela gaguejar e tremer um pouco.

Vou correndo até a sala, sento ao seu lado e lanço um olhar mortal na direção do telefone. Não que isso adiante de alguma coisa.

Oi, sumida! Tudo bem? — pergunta ele com uma voz um tanto quanto aliviada.
— Estou bem sim Danilo, e você? — Minha amiga tenta não deixar a voz vacilar.
Estou bem também!

Sinto vontade de arrancar o celular dela e falar poucas e boas para ele. “Ah, , mas porque toda essa raiva por ele? Afinal, é só um garoto, não?”. Pode até ser, mas para mim ele é o moleque que fez minha amiga sofrer e iludiu ela da forma mais baixa de todas dizendo que estava ficando apaixonado por ela. Quando foi se declarar, ele disse “também gosto de você, mas só como amigo”. Eu shippava muito esse casal antes, sério mesmo, mas depois desse vacilo e de alguns outros, que nem vale a pena citar, passei a odiá-lo. A questão é: porque ele está ligando para ela?

— É... aconteceu alguma coisa? — pergunta levantando a mão, impedindo-me de falar qualquer coisa.
Não, por quê? — pergunta na maior cara de pau.
— Não, é que faz tanto tempo que a gente não se vê, não é? Achei estranho, só isso.
Ah sim.... é que, sei lá, bateu uma saudade.
— Isso é falta de opção, isso sim! — falo não aguentando mais e recebo um olhar repreendedor da minha amiga.

Apenas ergo minhas mãos em sinal de rendição e pego um pouco do seu salgadinho.

Quem está aí com você? — pergunta Danilo, confuso.
— Ah, é a responde sem jeito.
Oi , tudo bem? — pergunta ele animado após o susto.
— Estava até você ligar — respondo sendo curta e grossa. — Já acabou? Agora deixe a minha amiga em paz. Obrigada!

Pego o celular da mão dela e desligo o telefone na cara dele. Ela apenas me encara sem reação por alguns segundos.

— Nós viemos para os Estados Unidos! — Digo devolvendo o seu celular e me defendendo — Conseguimos o que sempre sonhamos, então, a partir de hoje, é vida nova. E convenhamos, esse garoto só te procura quando precisa e depois te joga fora como se você fosse um nada.
— Eu ia brigar com você, mas você está certa — suspira. — A partir de hoje, vida nova.

Pisco para ela. Seu celular toca de novo e já reviro os olhos.

— É ele de novo, não é? Me dá isso aqui que vou falar umas verdades...
— Não, — interrompe-me, mostrando a tela do seu celular. — É o Bruno.

Minha garganta fecha na hora.

— Ele te liga com frequência? — por favor, diz que sim, por favor, diz que sim.
— Não! — exclama e depois de alguns segundos de silêncio, ela atende — Alô?
CADÊ ELA? — grita, fazendo-me assustar.
— Ei, não precisa gritar, não sou surda! — reage de imediato.
Cadê ela? — Se controla ao máximo.
— Ela quem? — faz de desentendida com extrema cara de tédio.
QUEM? QUEM, RAFAELA? A BIANCA, PORRA! ONDE ELA ESTÁ? TENTO LIGAR PARA ELA, MAS ELA NÃO ME ATENDE!
— VIAJOU, CACETE! FOI PARA BEM LONGE DE VOCÊ!
O QUÊ? SEM ME AVISAR? — grita mais alto, se é que é possível.
— É, CARALHO! PELO O QUE EU SAIBA, OS DOIS ESTÃO BRIGADOS, NÃO ESTÃO?

Ele respira fundo:

Quando ela volta?
— Dependendo das coisas aqui, talvez a gente não volte nunca mais! — fala e eu arregalo os olhos.
COMO É QUE É? ENTÃO VOCÊS ESTÃO JUNTAS AÍ, NÃO É? FAZ O SEGUINTE, JÁ QUE VOCÊ É MELHOR AMIGA DELA, AVISA QUE TEM UM NEGÓCIO ENTALADO NA MINHA BOCA A MUITO TEMPO! ACABOU! EU NÃO NAMORO MAIS A BISCATE DA SUA AMIGUINHA! AVISA ELA PARA MIM, OK? NÃO SUPORTO MAIS ELA! PARA MIM JÁ DEU! OBRIGADO! TCHAU!

Ele desliga o telefone e a me encara com os olhos arregalados. O meu estômago dá um nó tão forte que eu quase vomito. Sinto que a minha garganta está trancada de uma tal maneira que engulo em seco para que essa sensação suma logo. Eu não posso e não vou derramar nem uma lágrima por ele. Pelo menos não aqui.

— Amiga, eu…
— Eu deveria ter escutado você, não é? — falo me mantendo forte — Eu aprendi dessa vez, eu juro. Ele não me merecia, certo?
— Certo... — Ela abre a boca para falar mais, mas a interrompo.
— Então ótimo! Como eu disse, vida nova — levanto do sofá e vou para cozinha — Eu estava olhando aqui e não tem leite condensado, creme de leite e uva. Eu vou comprar, está bem?
— Para que tudo isso? O que você quer fazer? — pergunta intrigada.
— Eu não, você! confusa — Ela me olha confusa — Bombom de travessa
— Ah sim! — Seus olhos brilham de expectativa — Eu vou com você.
— Não, deixa eu ir sozinha — franze as sobrancelhas para mim.
— Você não conhece a cidade!
— Você também não — Ela concorda com a cabeça. — Me deixa ir sozinha, só para espairecer um pouco. Por favor, amiga!

Ela cruza os braços um pouco e concorda um pouco relutante.

— Está bem, mas qualquer coisa, me liga. Não se esqueça de voltar antes das duas. Temos uma reunião com o Francis Lawrence.
— Pode deixar! — Dou um beijo em sua bochecha, pego a bolsa, o celular com os fones e saio de casa.
Desço o elevador e peço ajuda ao porteiro. Ele me dá as instruções e eu agradeço. Saio seguindo as instruções dele.
Começo a lembrar de tudo o que o Bruno disse: “avisa ela de um negócio que está entalado na minha boca a muito tempo”. Quer dizer então que esse último mês que ele estava estranho comigo era porque queria terminar? Ele não me suportava mais? Por quê? O que eu fiz? Eu o amo tanto. Não quero ser trouxa, mas... ah droga! Já estou chorando!
Não entendo o motivo. Será que foi a viagem? Não, ele já ia terminar comigo antes. Mas pela ? Ele sabe que ela está comigo viajando, era só pedir para passar o telefone para mim… Me deixo levar pela emoção.
Abro o aplicativo e volto a última música que estava ouvindo. Infelizmente, ela se encaixa perfeitamente com o meu estado agora.

Never Gonna Change —
Broods


“You're pushing down on my shoulders and emptying my lungs
An in a moment I'm older
In a moment, you've won
And you will escape me
Like it's nothing
Like words that never should have said
Now the stress comes to the surface
But all of the heroes are dead

And I hate that I can't say your name
Without feeling like I'm part of the blame
And it's never gonna feel quite the same
But it's never gonna change
And I hate that I'm always so young
Have me feeling like you are the one
And it's never gonna like it's time
Cause it's never gonna change
Never gonna change...”


Tropeço em algo e começo a cair para trás. Fecho os olhos, esperando sentir o impacto do chão, mas ele não chega. Abro os olhos e vejo um rosto.
— Tudo bem com você? — pergunta o cara me segurando para não cair.

Olho para ele sem reação alguma. Nos encaramos por um bom tempo, até eu me mexer e ele me ajudar a ficar em pé. Não posso negar que ele é muito bonito. Seu cabelo loiro é curto e está coberto por uma touca verde, usa uma blusa xadrez vermelha por cima de uma camisa preta com a estampa de um cavalo branco. A calça é rasgada no joelho e veste um tênis preto qualquer. Olho em seu rosto e vejo que tem um piercing de argola preta na lateral esquerda da sua boca, a qual ele morde insistentemente.

— Ah, estou bem sim — Dou um sorriso parando a música, tirando os fones e ele sorri de volta. Ele tem covinhas — Obrigada por, você sabe, ter impedido que eu passasse vergonha.
— Imagina, estou aqui para isso! — Ele sorri ainda mais, mas logo franze as sobrancelhas preocupado — Você estava chorando. Aconteceu alguma coisa? Se machucou?
— O quê? Não, não me machuquei não, não é nada demais, fica tranquilo. Mas obrigada pela preocupação — Sorrio e ele assente.
— Agora me conta, como você caiu? — Tem um brilho divertido em seus olhos.
— Pior que nem eu sei. Acho que… — Olho para o chão à procura de algo — Tropecei na minha sandália.

Ele gargalha.

— Meu Deus! Sinto que você é daquelas meninas bem estabanadas, né? — Ainda está rindo muito.
— Pode ter certeza que sim — Dou um sorriso meio envergonhada.

Ficamos alguns segundos nos encarando em um silêncio extremamente constrangedor e analiso melhor o seu rosto.

— Engraçado, parece que eu te conheço de algum lugar....
— Todos aqui me conhecem! — Dá um sorriso de lado com um falso ar de superioridade.
— Ah, nem um pouco convencido, não é? — Ele dá risada — Deve ser só impressão mesmo. Mas, de qualquer forma, obrigada, de verdade.

Passo por ele e começo a andar de volta ao meu curso.

— Ei! Mas você nem me falou seu nome ou quando podemos nos encontrar de novo? — “grita” para mim, fazendo-me virar em sua direção.
— Se nós tivermos que nos encontrar de novo, nós iremos! — pisco para ele sorrindo e, antes que eu veja qualquer reação sua, vou embora.



Ainda estou deitada no sofá da sala, me controlando para não retornar a ligação do Danilo. Eu sei que ele não me merece, mas é inevitável, toda vez que ele tenta falar comigo meu coração dispara e tudo o que eu quero é ficar com ele de novo. Quer saber?! Foda-se! Vou ligar para ele.
Olho para nossa foto como perfil do contato, meu dedo vacila sob ela. Será? E se eu estiver fazendo a coisa errada?! Não sei se é certo ou errado se não tentar. Clico para ligar, vou até a cozinha e coloco o telefone na orelha, com o coração na boca.

— Amiga? — abre a porta do apartamento.

Desligo a chamada rapidamente. Se ela souber que estou ligando para o Danilo ela vai surtar comigo, pode até me bater e eu não vou tirar a razão dela.

— Oi, estou aqui na cozinha! Traz as coisas aqui.

Ela aparece na cozinha com duas sacolas na mão e os olhos meio vermelhos, o que quer dizer que ela chorou. Eu não a culpo, o Bruno foi um idiota fazendo aquilo com ela. COMO ODEIO ESSE GAROTO! Há algo em seu sorriso e em seu olhar que me faz perguntar o que aconteceu.

— Ai amiga, um menino muito bonito me ajudou e ele foi tão simpático — Diz ela com um sorriso tímido na boca.
— Já se apaixonou de novo?
— NAO! É só que deu a impressão de que conhecia ele de algum lugar, mas acho que isso é impossível porque ele é americano — Minha amiga fala perdida em pensamentos tentando saber a resposta.
— Me fala como ele era, quem sabe você deu a sorte grande de ter visto um artista?
— Meio difícil, né?! Mas tudo bem, ele era loiro, de olhos azuis, alto, com um piercing no lábio. Calma…
— Enquanto você descreve ele, só me veio uma pessoa na cabeça, aquele moleque da banda que você ama 5 seconds of summer, sei lá
— AI MEU DEUS! — Ela pega o celular da bolsa que estava em cima da mesa com as sacolas, entra na galeria e fica com um olhar espantado. — AMIGA DO CÉU! EU ENCONTREI O LUKE HEMMINGS NA RUA! — grita toda empolgada, mas do nada ela murcha. — Ai, amiga, eu sou uma anta!
— Por que, amiga?
— Ele perguntou meu nome e eu vim com o maior papo furado sobre destino. Agora já era, não vou ver ele de novo nunca! EU NEM ACREDITO EM DESTINO!
— Você é realmente uma burra!
— Obrigada pelo apoio, era tudo o que eu precisava agora!
Nós duas rimos juntas. Amo esses momentos nossos que nos deixam realmente para cima quando está tudo desabando.


Capítulo 3

:

Meu Deus! Eu realmente estou em Los Angeles! Como vim parar aqui mesmo? Não… isso não é possível! Deve ser só um sonho, vou virar para o lado e vou estar em casa, com minha estante de livros ao meu lado. Ah, mas se isso foi um sonho, foi o melhor sonho que eu já tive, e não quero acordar…
Tá, vamos lá, virando em 3,2,1… AIIII! Não, é realmente verdade! Eu estou em Los Angeles. Estou nessa cidade há uma semana e não consegui me acostumar ainda. Isso parece surreal demais para mim.
Me levanto do chão — sim, eu caí no chão — e começo a descer as escadas do nosso pequeno apartamento. Pego meu celular que tinha esquecido em cima do balcão da cozinha e vejo o dia e a hora, para me localizar: 07 de julho - 10:15am. É cedo ainda.
Olho para o lado e vejo uma carta embaixo da porta, pego e abro.

“Prezadas Srtas. e ,

Conforme discutido através do e-mail que enviamos junto com o roteiro, gostaríamos de recebê-las hoje, às 01:30 p.m para que realizassem as audições para série “Isso é Real?!”
Se não puderem comparecer no dia solicitado, favor nos comunicar com no mínimo de três horas de antecedência. Mas, de qualquer forma, nos liguem para que possamos passar o endereço do local do teste.

Agradecemos desde já.
Equipe ABC.”



Porra! Preciso acordar a AGORA! Calma , só são dez horas ainda,vocês tem bastante tempo! Calma? Sério? Não! SÃO DEZ HORAS! A ESTÁ DORMINDO AINDA E NÃO TEMOS COMIDA! OU SEJA, VAMOS DEMORAR UMA HORA PARA SAIR DAQUI, UMA HORA PARA COMER E UNS QUARENTA MINUTOS PARA ACHAR O LUGAR

! Acorda! — grito e começo a subir as escadas pulando, cantando bem alto.

Abro a porta de seu quarto em um solavanco. Ela nem se mexe. Vou até a pequena janela de e a abro, deixando a claridade entrar, mas ela só se vira para o outro lado.
Pego meu celular, coloco uma música do AC/DC e coloco na orelha dela. Ela se mexe na cama e tampa os ouvidos com o travesseiro.

— Juro que não queria fazer isso amiga, mas você não me deu escolha. — Jogo-me em cima dela e ela bufa. Agora sim, finalmente acorda!
— Sério isso, ? Caramba! Porque você é tão chata assim?
— Também te amo, amiga! — saio de cima dela e vou até a porta — Levanta daí agora e se troca! Vamos sair. Não me faça voltar aqui, , está bem?
— Tá bom, mãe! Agora, VAZA!

Saio de seu quarto e vou direto para o meu. Preciso achar uma roupa linda para ir no teste. Pensando bem, eu tinha que ter acordado mais cedo, vou demorar uma eternidade para me arrumar; decidir a roupa, tomar banho, arrumar meu cabelo e fazer a maquiagem, quando eu terminar vai ser uma da tarde. Estou fodida!
Depois de vinte minutos para achar a roupa certa, vou até o banheiro — que fica no corredor— e ouço o chuveiro sendo desligado. Pelo menos ela se levantou. Espero por mais alguns minutos com a toalha na mão e nada da sair do banheiro.

— Amiga! — Soco a porta gritando — Eu estou esperando e nós temos hora! Sem falar que vamos ter que sair para almoçar!
— Calma! Eu estou me trocando, cinco segundos — fala, já destrancando a porta do banheiro e saindo dali vestindo uma calça jeans escura e uma blusa branca felpudinha. — Aliás, essa pressa toda é para quê? Onde nós vamos?
— Hoje é o dia do teste, lembra? — digo-me, virando-me para ela antes de entrar no banheiro.
— Caraca, é verdade! — A vejo entrar em desespero, procurando algo feito louca — Que horas são?
— Onze horas — falo, já fechando a porta do banheiro.
— Meu Deus, eu estou muito atrasada! — a escuto correr pelo quarto e dou uma risada, enquanto ligo o chuveiro.

Perco-me em meus pensamentos enquanto tomo banho. Esse teste precisa dar certo. Não quero ter que voltar para o Brasil, não agora que estou tão perto de conquistar o que sempre sonhei. E também, porque não tem mais nada que me prenda por lá. Nada e nem ninguém.
Termino ali e desligo o chuveiro, indo para o meu quarto me arrumar. Visto uma calça jeans rasgada nos joelhos, uma blusa bege um pouco rasgadinha nos ombros e que mostra um pouco minha barriga e um tênis branco. Deixo meus cabelos soltos e naturais, faço uma maquiagem leve com um batom vermelho.
Saio do quarto e vejo saindo do dela também. Ela colocou uma bota cano curto marrom. Seus cabelos estão soltos com as partes laterais deles se encontrando para trás, no meio, levemente retorcidos. Está com uma maquiagem leve também.

— Pronta? — pergunta animada, colocando a pasta que contém o seu roteiro em sua bolsa.
— Sim! Vamos realizar nossos sonhos, amiga — digo com um sorriso grande no rosto, ao qual ela retribui com um maior ainda. — Mas primeiro vamos sair para almoçar, porque não tem nada para comer nessa casa.

🎥🎥🎥


— Vocês que são Martins e Santiago? — pergunta um cara de cabelo loiro, aparentando uns quarenta anos, aproximando-se de nós junto com uma mulher morena com um leve sorriso.
— Isso mesmo, e — respondo apontando para cada uma de nós respectivamente, pois percebo que a entrou em seu modo extremamente tímida.
, me acompanhe, por favor — diz o homem olhando para mim e assinto. — , você pode acompanhar a Sarah que ela lhe mostrará onde será realizado o seu teste, está bem?

Minha amiga assente e aperta minha mão em sinal de apoio. Aperto de volta e ela sai com a tal Sarah, enquanto acompanho o homem loiro em silêncio.
Percorremos um longo corredor até chegarmos em uma porta branca.

— Só entrar aqui que logo você será chamada. — Ele abre a porta e vejo mais algumas meninas com mais ou menos o mesmo perfil que o meu sentadas decorando o roteiro. — Boa sorte.
— Obrigada. — Vou em direção a um sofá meio afastado que tem naquela sala e me sento ali sussurrando logo em seguida — Vou precisar.

Pego o roteiro que está em minha bolsa e dou uma última revisada. Por favor, que isso dê certo!

Martins? — Um cara moreno chama abrindo uma outra porta que tem aqui nessa sala, à minha direita.
— Oi, sou eu — digo, levantando do meu lugar.
— Pode entrar, por favor.

Assinto e vou até aquela porta respirando fundo. Entro ali e me deparo com um espaço enorme e paredes pretas. Do lado direito está uma mesa onde tem várias pessoas sentadas e, no meio delas, encontra-se o Francis Lawrence.
Faço de tudo para não surtar. Eu estou na frente do diretor de Jogos Vorazes! O meu filme preferido da vida! Eu admiro muito o trabalho dele, assim como sou fissurada nos atores desse filme.

— Boa tarde — os cumprimento, indo até o centro da sala tentando fingir costume e também sendo o mais formal possível.
— Boa tarde. — Francis sobe o olhar para mim e um sorriso cresce em sua boca. — Ei, você é uma das meninas do Brasil que está no vídeo que nos foi enviado, não é?
— Exatamente! Prazer, . — Vou em sua direção e estendo minha mão para cumprimentá-lo, a qual ele atende prontamente.
— Saiba que ficamos muito impressionados com o que vimos e esperamos que você e sua amiga consigam fazer um bom trabalho nessas audições — fala, apontando para as outras pessoas ao lado dele, o que imagino que sejam os produtores da série.
— Eu agradeço! Prometo dar o meu melhor — sorrio e volto para o centro da sala.

Caralho, estou até estranhando o quão formal eu estou sendo. Isso não sou eu não, mas vale tudo para conseguir passar nesse teste.

— Bom, o papel que você está realizando o teste é o da Gabriella Monroe, uma menina brasileira que vem com sua irmã postiça para os Estados Unidos. Além de te testar especificamente, precisamos testar a sua química com o par romântico da personagem, então pode entrar por favor.

E entra na sala segurando um copo de água ninguém, ninguém menos do que o Logan Lerman! A teria o maior surto da vida dela se estivesse aqui. Talvez Deus saiba o que faz, porque se além de tudo o que estamos passando, a ainda desse de cara com o ator favorito dela, talvez ela não iria conseguir segurar a barra. Talvez não, eu tenho certeza disso!

— Olá, tudo bem? — Logan me cumprimenta apertando a minha mão com o sorriso.

Porra, o olho dele é realmente lindo.

— Oi, tudo sim e você? — respondo sorrindo também e tentando me tranquilizar, enquanto ele me responde balançando a cabeça confirmando, por estar bebendo água.
— Bom gente, vamos lá? — pergunta Francis e Lerman deixa seu copo em cima de uma mesinha pequena que tem ao lado da grande mesa em que as pessoas estão sentadas. — , está pronta?
— Estou sim — sorrio, deixando minha bolsa de lado e indo para a minha posição.

Fazemos a cena do roteiro que me foi entregue, onde o personagem do Logan, que se chama John, coloca Gabby contra parede e a faz confessar que está apaixonada por ele.
Terminamos e sorrio. Estar fazendo isso está sendo uma experiência única que não tenho como descrever. Caralho, eu nunca me senti tão viva! Isso é definitivamente o quero fazer o resto da minha vida.
Olho para Francis e ele está pensativo. Ai meu Deus, será que eu fiz algo errado? Será que eu não fui tão bem quanto achei e não vou passar?

— Rose, você pode entregar esse roteiro para ela, por favor? — ele entrega umas folhas para tal da Rose e ela vem em minha direção — , foi muito bom, mas eu gostaria de testar uma outra coisa, tudo bem?
— Claro, sem problemas — sorrio nervosa e Rose me entrega as folhas. — Obrigada.
— O que eu vou pedir é que você faça a cena da Samantha com o John. A Samantha é a irmã postiça da Gabriella, aquela com quem ela irá viajar. Gostaria de ver algo. Você pode falar suas falas lendo o roteiro mesmo, não tem problema, só dê o seu melhor. Logan, você pode fazer aquela primeira cena de conversa entre Sam e John?
— Com certeza — ele sorri e pega uma cadeira, se sentando na mesma, já se preparando para fazer o que tem que fazer.

Respiro fundo, leio por cima e faço.

— Ei! Por que você está assim? — aproximo-me dele, de uma forma meio cautelosa.
— Você não entenderia — ele bufa, colocando os braços em suas coxas e balançando a cabeça.

Pego uma outra cadeira que tem ali e coloco ao seu lado.

— Tenta explicar — dou um pequeno sorriso.

Logan olha para mim perdido e olha para frente em seguida, encarando um ponto fixamente.

— Gabby está apaixonada por mim.

Meu sorriso se transforma em um outro com ar notório.

— Eu sei — olho para frente também.
— Ela te contou? — vira o rosto bruscamente para mim.
— Ah, não. Não estamos lá ainda.
— Então como… — começa a perguntar com as sobrancelhas franzidas, mas o interrompo, como é pedido do roteiro.
— O jeito que ela te olha, John — o encaro de forma significativa. — Basicamente diz tudo.
— Por que vocês nunca me contaram?
v — Porque você tem uma namorada — olho para ele e viro meu rosto para frente. — E embora eu não goste dela, assim como todo mundo aqui, a gente te respeita. Assim como a Gabby também respeita.

Ele assente meio atordoado por alguns segundos, mas logo vira seu rosto em minha direção de forma brusca e surpreso.

— Vocês não gostam dela?
— Você sabe que não! E só finge não saber para ser mais fácil para você — o encaro de volta, determinada. — Mas esse assunto é para outra hora.

Ele assente abaixando a cabeça e curvando os ombros.

— Eu não sei o que faço!
— Diga a verdade a ela.
— Qual verdade? — olha-me em súplica.
— Que você gosta muito dela, mas só a vê como amiga.
— Eu não sei se essa é realmente a verdade — ele fala balançando a cabeça totalmente perdido.
— Você está muito confuso, John. — Coloco a mão em seu ombro como modo de conforto. Isso não está no roteiro, mas espero que tenha se encaixado. — Para resolver essa história, primeiro você terá que resolvê-la dentro de si mesmo e depois falar com a Gabriella.
— Eu sei… — ele suspira pensativo e olha para mim novamente com um olhar agradecido — obrigado.
— De nada — sorrio para ele.
— A gente nunca teve uma conversa tão longa assim — ele fala, pensando.
— Verdade! — constato também, como é mandado.
— Você até que é bem legal, Sam.
— Eu sei — dou risada.
— Você acha que sabe bastante coisa, né? — dá uma pequena risada.
— Eu não acho, eu tenho certeza — ele sorri. — Mas sério, saiba que pode contar comigo sempre que precisar, está bem?

Ele assente agradecendo. Sorrio e me levanto da cadeira, me afastando dele. Logo paro no meio do caminho e me viro para ele.

— Sabe de mais uma coisa que tenho certeza? — ele nega com a cabeça me olhando com uma certa expectativa para que ajude em seus questionamentos — Você também é apaixonado pela Gabby, só não percebeu isso ainda.

Ele me encara com um misto de perdição e confusão. Sorrio e me viro, me afastando mais um pouco.

— Corta — Francis fala alto e paro, olhando para ele com expectativa. — Minha dúvida foi sanada já. Você foi muito bem, . Muito obrigado.
— Eu que agradeço — retribuo o sorriso dele.
— Logo entraremos em contato com você. Vamos terminar as audições, mas já deixo claro que gostei bastante de você — vejo os outros produtores concordarem.
— Fico feliz. — Meu sorriso cresce.
— Por favor, como foi dito no contrato que você assinou, nada do aconteceu aqui poderá ser vazado, está bem?
— Claro, pode deixar! — assinto séria.

Logan Lerman vem se despedir de mim, agradecendo e parabenizando meu teste. O respondo sorrindo ainda, despeço-me de todos ali, pego minha bolsa e saio da sala.
Saio da empresa e solto o que estava preso em minha garganta:

— Porra! Eu consegui! Não acredito que deu certo! — grito

Escuto um som de uma leve risada atrás de mim e me viro, vendo o segurança segurando o riso. Fico sem graça e sussurro um pedido de desculpas.
Logo sai também, com um sorriso gigante no rosto.

— E aí? — Vou em sua direção, extremamente empolgada.
— Amiga… essa foi uma das melhores coisas que eu fiz na minha vida! — pula em animação — Por favor, eu quero muito que dê certo! E você, como foi?
— Vai dar certo, eu tenho certeza! — sorrio ainda mais — Eu acho que de verdade vou conseguir.

grita e me abraça apertado. Retribuo feliz. Acho que nunca fiquei assim em toda minha vida.

— A gente precisa comemorar — solto-me dela, determinada.
— Mas onde? — responde, entrando na minha.
— Balada! — reajo, com um sorrisinho significativo.
— Mas amiga, você só vai fazer dezoito em agosto! Nenhuma balada vai deixar a gente entrar.
— Eu já fiz minhas pesquisas — pisco para ela. — Tem algumas baladas aqui que são para dezesseis anos. Eles só usam um carimbo que proíbe os menores de vinte um pegar bebida alcoólica.
— Ah, então tudo bem — ela respira aliviada, enganchando seu braço no meu e começamos a caminhar à procura de um táxi.
— Mas isso não vai me impedir de beber — sorrio maliciosa.
— Ai meu Deus… não me faz ser deportada não. — Olha para mim com súplica e gargalho.

🎥🎥🎥


— Cara, eu nunca pensei que minha primeira balada da vida seria aqui — fala animada, enquanto esperamos para entrar.

Segundo as minhas pesquisas, essa balada é uma das melhores em Los Angeles e ainda permite a entrada de pessoas da nossa idade. A música Mmm Yeah de Austin Mahone com Pitbull acaba de começar, soando alta e abafada dentro do local.

— A gente merece, amiga — digo, avançando um pouco mais na fila.
— Eu não queria criar expectativas, mas não consigo controlar — fala sorrindo.
— Vai dar certo, confia!
— Próximo! — escuto o segurança falar alto e me aproximo dele — Identidade?

A mostro para ele e o mesmo pede o meu pulso. O estendo meio a contragosto e ele faz um carimbo ali. Realmente vai ser difícil conseguir beber aqui, mas vou dar meu jeito.
Espero a ser carimbada também e entramos juntas. O lugar está repleto de gente, parece um formigueiro quase. Gostei.
Andamos até a pista de dança, desviando das pessoas e avisto meu objetivo.

— Tudo bem, vou para o bar — falo, já indo em direção a ele, mas agarra meu braço.
— Não senhora! Você vai dançar comigo. — Faço cara feia. — Por favor , só essa música! Ela daqui a pouco acaba e aí eu te deixo ir para lá, embora eu ache que você não vai conseguir nada.
— Eu dou meu jeito! Mas tudo bem, só essa música — ela comemora agradecendo.

Dançamos o resto da música que começou antes de entrarmos. Confesso que está sendo bem divertido. Não está me dando margem para pensar em besteira.
Ah caralho, por que eu fui lembrar? Preciso tirar esse merda da minha cabeça urgente!
A música acaba e Dear Future Husband da Meghan Trainor começa.

— Pronto, amiga, estou liberada? — pergunto gritando para ser ouvida.
— Está sim, obrigada — sorri para mim — Vai lá! Boa sorte e tome cuidado, pelo amor de Deus!
— Está bem, mãe, relaxa que vai dar certo — pisco para ela e saio dali.

Vou direto para o bar enquanto fica na pista de dança. A área dela é lá e a minha é com certeza onde estou indo agora.
Sento na cadeirinha que tem ali e peço uma bebida. O barman olha para o carimbo em meu pulso e depois para mim com um olhar significativo. Bufo entendendo o que isso significa. Porra! Ninguém deixa eu afogar minhas mágoas direito, mano, que merda! Eu deveria ter carimbado o pulso que poderia ser coberto pela manga do vestido, mas ao invés disso, carimbei o outro. Eu coloquei esse vestido de um ombro só justamente por conta disso. Que burra.

— Olá! — Um menino de cabelos marrons meio avermelhados, levemente espetados e olhos verdes vem em minha direção com um sorriso no rosto e se senta ao meu lado. Apenas o encaro e ergo minhas sobrancelhas rapidamente como forma de cumprimentá-lo de volta e me viro para frente de novo. — Meu nome é Michael, e o seu?

Olho para ele de novo, o examinando e lhe dou um sorriso de canto.

— Problema.

Ele apenas me encara e sorri logo depois.

— Bonito o nome. — Entra na onda comigo. — Então, eu…
— Você tem quantos anos? — pergunto, o interrompendo e já formulando uma ideia na minha cabeça.
— O quê? — Surpreende-se com a pergunta.
— Você tem quantos anos? — insisto.
— Dezenove — responde, com as sobrancelhas unidas.

Não entendo muito bem o porquê dessa reação, já que foi ele quem veio até mim, mas tudo bem.

— Ai caralho! — reparo finalmente no carimbo em seu pulso e me debruço sobre o balcão — Não vai ser hoje que vou conseguir beber.
— Você quer bebida? — escuto ele perguntar e viro meu rosto para ele novamente, com uma sobrancelha levantada, para expressar que isso era óbvio — Espera um pouco aí que eu acho que posso resolver seu problema.

Ele se afasta, indo em direção a um menino encostado na parede. Continuo examinando a cena, tentando entender o que vão fazer.
Tem uma rodinha em volta deles composta pelo menino de cabelo espetado, o cara encostado na parede, um menino de cabelo castanho escuro, abraçado a uma menina de cabelos cacheados e um menino loiro.
O menino loiro não tira os olhos da pista de dança por um bom tempo, até que toma a decisão e se afasta deles, enquanto todos tem um debate com o menino na parede. Eles olham para mim e desvio o olhar. Seja lá o que o tal do Michael está tentando fazer, parece que não vai dar certo.
Começo a descer do banquinho, já desistindo, quando vejo o tal menino da parede se aproximando. Ele tem os cabelos em um castanho bem claro que estão envoltos em uma banana preta e é poucos centímetros mais baixo que o amigo que veio falar comigo.

— Olá — cumprimenta-me um pouco tímido.
— Oi — respondo, colocando a alça da minha bolsa em meu ombro, o examinando.
— Mike disse que você queria bebida — assinto com a cabeça e ele olha o carimbo em meu pulso. — Mas você não tem a idade legal daqui para beber, não poderia estar bebendo.
— Tem tanta coisa na vida que a gente não pode, né? — falo, não querendo ouvir sermão — Já que não tem ninguém para pegar para mim, estou indo embora.
— Não — fala, fazendo-me parar de andar e olhar para ele. — Qual você quer?
— O quê? — pergunto confusa.
— Qual drink você quer? — reforça a pergunta.
— Gin com energético.
— Eu pego para você.

Fico surpresa, mas assinto. Ele vira para o barman e me afasto um pouco para o cara não ver ele me entregando a bebida e complicá-lo depois. Ele a pega e vem em minha direção, estendendo-me a mim.

— Como vou saber que não está batizada? — pergunto, cruzando os braços.

Ele está me ajudando, eu sei, mas não custa prevenir.

— Você é bem desconfiada, né? — Um sorriso começa a surgir no canto de sua boca
— Prefiro ser assim do que aparecer morta em uma vala ou coisa pior.
— Justo — ele gargalha, concordando com a cabeça e retirando o canudo do copo, dando um pequeno gole na bebida logo em seguida. — Convencida?

Assinto com um mínimo sorriso e ele devolve o canudo ao copo, entregando-me o drink em seguida e eu agradeço.
Dou um gole na bebida e examino seu rosto com mais calma. Tenho que confessar que ele é realmente muito bonito. Seus olhos cor de avelã me olham com uma certa expectativa, o que, de um certo modo, é fofo.

— Gostei da sua camisa — digo, referindo-me a sua camiseta do Kurt Cobain.
— Ah, obrigado. — Dá um largo sorriso, o que faz aparecer suas covinhas.

Eu preciso ter consciência das minhas atitudes, pois eu poderia muito facilmente me foder com esse sorriso.



— Oi! — Alguém cutuca meu ombro e grita, para que eu possa escutar além da música alta.
— Luke? Luke Hemmings? — pergunto desacreditada e gritando de volta ao olhar para o loiro de olhos azuis uma segunda vez em menos de uma semana.
— Olha só! Ao menos agora me reconheceu! — Dá aquele sorriso de lado.
— Eu já tinha te reconhecido, eu só...— suspiro e sorrio, desistindo — Desculpa, não lembrei de você na hora, só depois quando cheguei em casa. Embora eu seja uma grande fã da sua banda.

Ele levanta uma sobrancelha.

— É sério, pode perguntar para a ! Aliás, cadê ela? — começo a procurá-la ao ver que ela não está mais onde deveria estar.
?
— É minha amiga — pouso os meus olhos em um ponto um pouco afastado do bar. — Ah, ali está ela. Espera aí! Aquele cara perto dela é o Ash?
— É sim. Eu vim com ele e com os meninos comemorar o aniversário dele — ele aponta para a ponta direita do bar e consigo ver Michael, Calum e mais uma menina morena olhando para minha amiga e o garoto ao seu lado dando risada. — Então, será que eu posso saber o nome da loira que tropeça sozinha na rua?
— "Loira que tropeça sozinha na rua"? — dou um sorriso, confusa.
— Eu tinha que dar um nome para você se eu quisesse falar sobre o que aconteceu. Isso pelo menos até eu saber o seu nome.
— Você falou sobre o que aconteceu? — sorrio mais ao pensar na possibilidade.
— Digamos que sim — coça a nuca envergonhado.

Suspiro feliz e estendo minha mão.

. Santiago!
— Muito prazer em conhecer você! — aperta minha mão de volta com um sorriso no rosto.

Meu coração acelera um pouco e sorrio de volta para ele. Olho para e Ash. Mudo o olhar para Calum, a morena ao seu lado e Mike. Isso não vai prestar!


Continua...



Nota da autora: Bem vindos a minha primeira história! Espero que vocês gostem dessa história assim como estou gostando muito de escrever ela! Beijoos ❤



Eu não escrevo essa fic, apenas a scripto, qualquer erro de layout somente no e-mail.


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