Politicamente Amor

Última atualização: 24/10/2021

Capítulo 1


1° parte — O começo de muitas dúvidas
Uma vez li que quando a morte conta uma história, você tem que parar para ouvi-la ou lê-la. Se pensarmos bem, a morte pode ser entendida como o rompimento contínuo de algo, na maioria dos casos, de uma vida. Igualmente trágico é quando você se desconecta de alguém ainda vivo, seja um amigo ou familiar. A mentira pode ser o pivô de todo esse afastamento, mas, particularmente, sempre prefiro acreditar que as pessoas, na verdade, estão com medo. Sim, medo de assumir, às vezes até para si mesmos, seus sentimentos. Não que eu esteja aqui para defender ninguém, acontece que…
Pessoas.
Nos perguntamos: por que fazem o que fazem, mesmo sem saber ao certo o que estão fazendo? Amamos alguns e nos questionamos sobre outros.
Afinal, não existem pessoas boas ou más, heróis ou vilões, deuses ou demônios. Existem eu, você, o agora e as interpretações e consequências disso. Ainda assim, tudo dependerá do contexto, de quem estiver contando a história e de quem a estiver ouvindo.


02/02/2022 – Quarta
Maya

Mais um dia normal após o trabalho na penitenciária, voltando para casa em um carro de transporte compartilhado. Geralmente eu não converso com ninguém, nem mesmo com o motorista. Não é por mal, eu apenas sou uma pessoa mais na minha, também não sou tímida, porque expresso bem minhas ideias quando estou entre várias pessoas.
Observo os últimos raios solares dessa tarde atingirem minha pele, ressaltando ainda mais a cor de ébano. Ao focar na janela, a paisagem mostra pessoas indo e vindo. O que prende sempre minha atenção e me faz refletir são as diversas pessoas que vivem em situação de rua. Queria ter alguma ideia de como lhes proporcionar uma qualidade de vida realmente significativa. Às vezes, sirvo sopas à noite junto de uma ONG focada em auxiliar essas pessoas, porém gostaria de poder fazer mais. Ontem foi um desses dias, servimos em alguns pontos principais aqui em Brasília, como na Igrejinha, Rodoviária e no Banco Central. Essas experiências sempre fazem com que eu me sinta mais conectada com meu eu real e que estou entendendo de verdade valores como compaixão, fraternidade e companheirismo.
— Vocês viram que um ex-senador, aqui do Distrito Federal, foi indicado para o posto de embaixador do Brasil na Itália? — Indagou o motorista, me tirando do devaneio.
Tinha mais uma mulher no carro, sentada no banco da frente. Eles até falaram comigo no início da viagem; não desenvolvi nada, apenas os respondi enquanto soltava meus cachos curtos do elástico que os prendia o dia todo.
— Aquele ex-senador que a família é dona de uma das maiores construtoras da região? — Perguntou a passageira. Forço minha memória para lembrar, e, se bem me lembro, existem muitas construtoras aqui. Decido apenas me atentar à conversa.
— Esse mesmo. — O motorista pronunciou, ainda focado na avenida barulhenta por causa do horário de pico. — Fiquei sabendo que o filho dele assumiu a empresa ao lado da mãe, com apenas vinte e sete anos.
— Tão jovem e tão inteligente. — A mulher fala como se fosse de seu filho.
Abaixei um pouco o rosto para olhar meu celular que vibrou em uma nova mensagem: é Mateus me chamando para ir à casa dele sexta depois do meu trabalho. Também contive a revirada de olhos com os assuntos. A verdade é que eu estou zero animação para ir seja lá onde for. Eu só quero chegar em casa, tomar um banho e relaxar na minha cama.
— Já era de se esperar. Ele foi um ótimo senador, com certeza será ainda melhor como embaixador. — O motorista fala com um sorriso no rosto.
Não me contenho e nego com a cabeça. Volto o olhar para meu aparelho e decido ignorar momentaneamente meu contatinho fixo. — Na verdade, eu nem sei o que um senador faz, mas se é ele quem está no cargo, com certeza fará um ótimo trabalho. — A passageira explica.
Isso é tão ridículo.
Sei que muitos falam sobre o quanto ele era um ótimo senador e teve uma vida exemplar na política. Mesmo assim, acho errado endeusar alguém. Não é como se eu acompanhasse essas coisas de política, pelo menos não mais. Até participei bastante na época da faculdade, porém meu foco agora é outro. Hoje sou uma pessoa muito desiludida com essas questões, por mais que entenda a importância, prefiro me abster de um conhecimento completo. Me estressa ver todas as nossas lutas sendo realizadas e saber que estarei minha vida inteira engajada em algo que talvez ninguém escute enquanto eu estiver viva, porque o poder está nas mãos de poucos. Apoio muito toda a luta por direitos sociais, entretanto, prefiro fazer apenas o que estiver ao meu alcance. O que também me deixa muito desinformada sobre tudo é minha inatividade nas redes sociais. Passo dias sem abri-las.
Minha ideia e a da Rally, minha amiga, era morar em Brasília apenas para fazermos a faculdade, depois voltaríamos para nossa pequena cidade, Pirenópolis. Meus pais e os de Rally fundaram uma pequena loja de materiais de construção juntos. Mesmo tendo sido minha mãe quem comprou o terreno e custeou a maior parte das coisas, tudo é dividido igualmente. Nós somos herdeiras desse pequeno “império”, como diz Rally em tom de brincadeira. A loja, na verdade, é só uma forma de angariar clientes para que meu pai e o tio Carlos consigam mais trabalho como pedreiros e em construções. Eles são bons em muitas coisas como casinhas de animais, móveis e afins.
Acontece que, no ano retrasado, 2020, minha amiga ainda tinha um ano de faculdade para terminar. Já que eu sou um ano mais velha, comecei a estudar antes. Como eu queria muito cursar um mestrado, que dura dois anos, e a Rally conseguiu ser efetivada em seu estágio ao passar na OAB (Ordem dos Advogados no Brasil) no final da sua graduação, pude iniciá-lo em 2021, e já estou na metade. Talvez ainda fiquemos durante o início do próximo ano, caso eu tenha de resolver alguma coisa do mestrado, depois voltaremos para nossa cidade. Três anos a mais que o previsto, mas tudo bem. Minha amiga é ótima com números, nós trabalhamos e regramos bem nossos salários, logo, não passaremos fome e tudo ocorrerá bem. Não dependemos mais da ajuda financeira de nossos pais, que foram muito úteis no início de nossa moradia aqui.
Não somos ricas. Eu trabalho como psicóloga exclusiva de detentos, ganho apenas o suficiente para ter uma vida estável. Já a Rally é advogada em uma empresa de contabilidade e recebe muitíssimo bem. Temos um apartamento aconchegante e bem localizado, presente de nossos pais para nós. Também realizamos alguns investimentos desses que todos fazem pela internet com R$50 ou R$100, mas isso tudo é coisa da Rally; eu não entendo muito bem de números, infelizmente.
Assim que voltarmos para Pirenópolis, nossa querida cidade, finalmente nossos pais vão se preocupar apenas em curtir a aposentadoria e as filhas cuidarão de suas conquistas de quando mais jovens. Quero dizer, quase isso, pois a irmã da Rally nunca saiu da cidade, só terminou a escola e já administra a loja. Por sinal, temos muito a aprender com ela nos próximos anos. Acredito que minha amiga ainda continuará exercendo sua profissão nas redes sociais, não sei se atenderá apenas de modo voluntário ou se cobrará por isso. Já eu… não sei, e não gosto de pensar muito sobre.
Quando chegar em casa ainda tenho algumas coisas para estudar, começarei assim que tomar um banho, mesmo que meu desejo seja me jogar na cama. O mestrado são apenas dois dias de aula, terças e quintas, porém exige bastante de mim. Escolhi isso para minha vida, poderia apenas ter voltado a morar com meus pais, contudo, amo o que faço e continuarei apesar de qualquer cansaço físico.

...


Abro a porta de entrada do meu apartamento, Rally grita da cozinha pedindo para que eu ajude a arrumar as compras do mês. Minha amiga deve ter saído um pouco mais cedo do trabalho, às vezes isso acontece e também ela tem carro, o que agiliza as coisas. Eu demoro na vinda para casa por causa do trânsito e das paradas dos motoristas para pegar passageiros. Deixo minha bolsa no sofá da sala que fica ao lado da porta e em frente a TV, me lembrando da nossa tradição de ver um episódio de qualquer série antes de dormir. Fui até a cozinha que é a primeira e única porta à direita no corredor. Noto que a plantinha ao lado da janela no final da sala está gritando por água.
Fiz uma nota mental de regá-la quando sair do banho, após ajudar minha amiga, claro.
— Você deveria fazer as compras do mês no fim de semana. — Protesto na porta da cozinha.
— Ah, deixa de reclamar, Maya. Pelo menos tem comida em casa. Agora me diga, animada para sexta? — Ela falou com um sorrisinho de criança traquina, levantando as sobrancelhas sugestivamente.
Já sei sobre o que está falando. Rumei para a pia para lavar minhas mãos e ajudá-la.
— Ah, meu Deus, de novo isso? Você está fissurada nesse caso, não é? — Brinco, negando com a cabeça ao rir e enquanto pego as embalagens de arroz para empilhar no armário.
— E é plausível, né? — Suas palavras escorrem deboche por causa da obviedade. — É um caso bem complexo. — Alongando a última sílaba. Com os olhos de canto, inclinou o pescoço que estava abraçado por um de seus colares da sua aldeia indígena, com miçangas grandes vermelhas e amarelas. Seus fios intensos como a noite e estirados até quase bater na bunda pousam sobre o ombro.
— Não entendo essa sua fascinação. — Foco em nosso fogão que está sujo. Gosto de manter a casa limpa porque não temos dinheiro para contratar uma zeladora.
— Como você nunca se questionou sobre essa prisão dele? Um cara tão inteligente, sem ex-esposas, filhos, família — enumera nos dedos —, que cuidava de toda uma comunidade e ainda era chefe de gangue... — Pausa sua fala apressada. — Claramente ele foi preso por querer! Você é analista e amiga dele, não percebeu isso ainda?
— Amiga? — Ergo a sobrancelha, descrente.
— Vocês conversam sempre sobre muitas coisas fora das sessões, então, sim! — Falou confiante.
Quem trabalha na penitenciária almoça lá, eu gosto por não me dar mais despesas, e conversar com as pessoas me deixa entusiasmada. Às vezes, eles contam sobre coisas tão aleatórias que eu fico “hm, isso não faz sentido”, mas quando terminam eu concordo que eles talvez tenham um ponto.
— Eu não sou “amiga” dele. — Faço aspas com as mãos. — Roger, de vez em quando, me chama para conversar com os amigos enquanto eles almoçam. É só pra, sabe, os amigos dele perceberem que psicólogos são confiáveis. Abre um espaço de conversa segura. Vantagens… — Constatei, de forma mecânica, sem ao menos pensar direito antes de formular algo.
Conversávamos enquanto guardávamos as compras.
— Tá, tá, legal. Mais detentos conversando com as psicólogas, um mundo melhor, que lindo. — Ela me corta, apontando o pote de azeitonas em minha direção. — Agora aos fatos: ele te considera, Maya! Você é péssima analisando as pessoas fora do consultório ou está em negação? — Seus olhos cerrados me avaliavam. Não acho que eu esteja em negação como a Rally sempre fala, eu só evito as coisas que não me agregam muito. Isso é evitar estresse.
Neguei com a cabeça, pegando algo sem perceber ao certo o que era para guardar.
— Eu só estou dizendo que ele é um chefe de gangue, então, sim, a prisão dele não é questionável pra mim. — Justifico fechando levemente o corpo. — Pode ser até dita como justa, não?
— Justiça? Isso é o Brasil, Maya. Não é questão de justiça em casos assim. — Sua leveza ao falar era presente.
As percepções de justiça para Rally eram: educação de base para não gerar pessoas problemáticas. Ela entende que pessoas devem ser castigadas, entretanto, é contra nosso sistema de conduta social. Em partes concordo com ela, todavia, geralmente prefiro apenas me manter calma com as possibilidades do agora.
— Ok, sua teoria é… — Faço sinal com a cabeça a incentivando a continuar.
— Acho que ele tem algum tipo de "cuidador" — ela faz aspas com a mão — para seus negócios aqui fora. Deve ser algum jovenzinho que administra todo o sistema de gangues e tal. Mas minha maior dúvida, mesmo, é: quem está por trás desse jovem?! Quem é o braço direito dele fora da prisão?
— Isso não é um dos casos do tribunal, Rally. — Falo rindo. — O caso dele já foi fechado e…
— Maya, eu mesma analisei o caso dele, por querer, eu sei disso e muito mais. Não esqueça! — Me cortou.
— Então, o quê?
— Não percebe que ele é como uma incógnita? Uma incógnita muito interessante… — Ela fala mais baixo a última parte.
Revirei os olhos, movendo a cabeça levemente de um lado para o outro.
— Acho que você tá caçando chifre na cabeça de cavalo, isso sim!
— Você só não percebeu ainda ou não quer assumir. — De costas para mim, ela termina de organizar o armário de comida. Rally sempre foi muito organizada, então é ela quem cuida de coisas como dinheiro e alimentação da casa.
— Tá, que seja. Isso ainda não muda o fato de que ele era um criminoso e está na cadeia agora. — Pego as coisas da mesa e apenas vou passando pra ela.
— Você fala como se os criminosos fossem pessoas desprezíveis. — Ela faz cara de nojo quando vira para pegar o próximo produto da minha mão.
— Quê? Claro que não. — E eu falava a verdade. - Entendo como funciona nosso sistema social miserável, o qual não dá oportunidade, educação, lazer e cultura aos nossos. E ele cometeu erros. Então estou apenas dizendo que é pelo fato de ele ser um criminoso que ele ainda está na cadeia. Não entendo aonde quer chegar com suas análises.
— Pobrezinha de você, querida. — Fechou o armário após guardar tudo. — Não vê que a vida é muito mais do que certo e errado? — De novo, sua risadinha é frouxa e está debochando de mim ao se aproximar, tocar meu ombro e negar com a cabeça.
— Ah, sai pra lá! — Tiro sua mão do meu ombro, rindo. — Sei que você só tá falando isso porque quer que eu pergunte algo para ele.
Ela me olha com os olhos brilhando.
— Talvez eu já tenha até uma lista. — Soou arteira. — Mas sei que você nunca faria isso. Vai contra a ética do seu trabalho.
— Ainda bem que você entende. — Falo com o olho no canto da órbita.
— Mesmo assim, sem sabermos a verdade sobre ele, eu ainda estou orgulhosa de mim. Consegui pensar tanto em um caso que, com certeza, não teve esse tipo de olhar. — Constatou de suas intromissões em casos aleatórios públicos, Rally adorava fazer isso.
— Eu também sou muito orgulhosa da minha amiga 'inteligentona'. — Aperto suas bochechas como de um bebê e sorrio. — Agora vou banhar e estudar porque tenho que te alcançar na inteligência também, né? — Ela ri enquanto digo isso e saio da cozinha.
— E vê se não esquece que temos que ver nosso episódio. — Grita.
— Nunca! — Respondi em mesmo tom, rindo.


03/02/2022 – Quinta
Maya

Passei a tarde sozinha estudando para o mestrado, já que Rally trabalha. Não é como se fosse um tempo livre porque tenho que analisar os casos que atendo, fazer trabalhos e coisas assim, mas é bom.
Já estava anoitecendo quando saí do terceiro quarto da casa, usado apenas para estudos, e me direcionei até a cozinha. Tenho que preparar algo para jantar. Definitivamente é uma função que não me anima. Sou péssima cozinhando, porém Rally fez compras ontem, espero que tenha alguma coisa industrializada para comer.
— Procurando industrializados? — Meu corpo pula, eletrizado pelo susto ao ouvir a minha amiga falar na porta da cozinha.
— Oi, fiscal. — Brinco. — Posso pegar alguns para abastecer meu corpo com energias não saudáveis? — Pergunto, forçando seriedade. Ela ri, em negativa.
— Não comprei! — Ela vai até o forno e tira uma vasilha pequena com a embalagem simples do restaurante. — Aqui tem um caldo de perto do trabalho. Já comi minha parte. — Ao lado da pia temos nosso único armário, é até ele que ela se direciona para pegar uma colher e me entregar.
— Humm. — Digo, forçando animação para comer, e pego o que ela me estende. Ao sentar na mesa, ela me acompanha. — Não é que eu ame comidas industrializadas, mas sinto falta, Rally. — Mentira, eu amo sim. — Você cuida muito bem da nossa alimentação. — Faço cara de brava, enquanto janto.
— Você reclama de barriga cheia. E se deixar, você vicia nessas porcarias, por isso é melhor evitar. — Sua determinação em ser a pessoa mais responsável dessa casa me deixa grata e com saudades de comidas de qualidade duvidosa.
Mas sim, de certa forma, é verdade. E se tratando de meus vícios é sempre melhor me manter distante. De qualquer forma reviro os olhos.
— Que horas chegou do trabalho? — Tiro a colher da boca e analiso o ambiente. Gosto muito de simples sem muitas coisas. Odiaria ter que limpar vários móveis que mal usamos.
— Umas cinco. Liberaram mais cedo hoje. Sabe o que eu acho? — Olho curiosa, incentivando-a continuar. — Devíamos ir em um barzinho. — Reviro os olhos em resposta. — Ah, Maya, qual é? Desde o ano passado você vive para trabalhar e estudar. Achei que esses três anos a mais aqui seriam aproveitados de outras formas também. Ainda somos tão jovens, deveríamos sair um pouco.
Minha amiga não estava errada. Desde que o mestrado começou, me desliguei um pouco da minha vida social. Sim, eu sei que é errado, mesmo assim ainda me vejo muito presa ao comodismo cotidiano, exceto pelo meu treino matinal de yoga por trinta minutos.
— Suas amigas da faculdade ou trabalho? — Tento dar uma solução. Ela revira os olhos e bufa.
— Eu quero sair com minha amiga de infância. A garota que me chamou para morar na cidade grande, que me incentivou a ser advogada, mesmo não tendo nenhuma ligação com o que estava planejando para minha vida. Poxa, Maya, você já foi um pouco mais divertida.
— Estou tão cansada, Rally. — Resposta genérica de sempre, posso ouvir os pensamentos da minha amiga gritarem apenas pelo modo que me olha. — Marcamos outro dia, pode ser?
É cansativo trabalhar e, ao mesmo tempo, cursar um mestrado; as consultas, as supervisões, os trabalhos, as aulas… tudo. Mesmo amando, às vezes é algo que me consome sem que eu ao menos perceba.
— Isso é o que você sempre diz. — Ela sai da mesa e não parece brava, mas sim chateada.
Entendo a vontade de minha amiga. Somos jovens e nunca mais aproveitamos para sair juntas. Por mais que toda noite a gente assista um episódio de alguma série, mesmo que aleatória, a saudade se torna inevitável para minha amiga.
Enquanto terminava meu caldo, decidi que Rally estava certa. Faz muito tempo que não saio com ela e nem com meus amigos. Talvez deva mesmo marcar esse rolê.
Eu podia chamar meu amigo Gael para sair conosco, faz tempo que não nos vemos por causa de nossas rotinas. O conheci assim que cheguei em Brasília, no curso de psicologia I. Ele é muito divertido e acho que o único amigo real que fiz aqui. Entrou na faculdade para adquirir conhecimento, assim ele me contou, e não só para cursar uma única coisa. Gael é um artista nato. Cursava artes, mas acredito que passou uns dez anos naquele campus, pois frequentava todas as aulas que queria. Hoje ele é um artista plástico incrível.
Mandei uma mensagem para marcamos de ir na quinta-feira em duas semanas. É o tempo que organizo minha vida. Não tem nada de importante no trabalho ou no mestrado para acontecer esses dias mesmo. Fácil assim, meu amigo aceitou. Como um bon vivant que é, nunca diria não a uma ida ao bar. Não convidarei Mateus, ele nunca faz questão de ir quando o chamo e nunca saímos juntos mesmo. Agora só era avisar Rally; fiz isso depois que me banhei, estudei um pouco e reguei a plantinha. Ela pulou de alegria ao saber, enquanto escolhi um episódio aleatório de Friends porque eu e minha amiga não tínhamos nenhuma outra série em mente para assistir.
Era sempre bom estar com Rally, apesar de todo o cansaço.




Continua...



Nota da autora: Sem nota.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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