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Última atualização: 03/05/2021

Capítulo 1

saía, apressada, empurrando a porta giratória da sede da revista Cosmopolitan Korea, sentindo o frescor gelado daquela manhã. A garota estava agitada, havia acabado de terminar seu estágio e mal poderia parar para tomar um café já que teria que voltar correndo para sua faculdade e terminar um dos trabalhos finais daquele semestre.
A verdade era que ela amava o que fazia. sempre soube o que queria da vida desde pequena quando ganhou uma daquelas câmeras de brinquedo e queria tirar foto de tudo o que via. Ou pelo menos tentava. Quando mais velha, ganhou sua primeira Canon semiprofissional de aniversário e se inscreveu em um desses cursos de fotografia no centro da cidade. Desde então, sempre soube da sua vocação e não queria saber de outra coisa.
Isso tudo aconteceu quando ela ainda morava no Brasil. Viveu no Rio de Janeiro sua vida toda e, ao terminar o ensino médio, viu a oportunidade na frente de seus olhos. Resolveu se inscrever em uma das melhores faculdades que oferecia o curso de Fotografia na Coreia, a Universidade Nacional de Seul. Havia ficado nervosa mesmo sabendo que seu coreano um pouco arranhado poderia ajudá-la a conseguir. A garota sempre se interessou na cultura local, portanto sempre praticava quando podia.
Não demorou muito para que a resposta saísse e, um mês após, a mesma já embarcava com suas coisas para passar quatro anos na Coreia do Sul com toda a cara e coragem. sempre foi assim. Se ela podia arriscar, por que não o fazia?
E então, fazia acontecer.
Parada ali, na movimentada avenida esperando algum táxi, se permitiu sorrir um pouco pela primeira vez naquele dia.
Era seu penúltimo ano na faculdade e sabia que, no mais tardar, estaria de volta ao seu país de origem. Por um instante, um aperto invadiu seu coração. Iria sentir tanta falta daquele lugar, dos costumes e, principalmente, das pessoas que havia conhecido.
Não se deixou levar por aqueles pensamentos, havia aprendido tanto!
Com um pouco mais de impaciência, ouviu seu telefone tocar dentro da enorme bolsa que carregava. O nome da melhor amiga brilhava no display.
Girl! Onde você está? Não aguento mais esperar. exclamou do outro lado.
— Eu acabei de sair da empresa, estou esperando um táxi. Juro que não é por querer. — a garota fez um biquinho involuntário ao observar o tráfego. — Ah! O que acha de comermos um pouco de kimchi mais tarde? Eu pago!
soltou uma gargalhada e suspirou.
Você sabe muito bem como me ganhar. Vem logo, temos que conversar sobre esse fim de semana ainda.
— Tudo bem. Te vejo daqui a pouco.
Enquanto aguentava sua mochila nas costas, a bolsa de lado e a outra bolsa em que carregava seu material de trabalho junto a câmera, a garota soltou um longo suspiro. Conheceu na primeira semana na universidade, a garota cursava Psicologia. Não tinha nada a ver com o seu curso, mas se deram bem logo de primeira. Desde então, não se desgrudaram mais, acompanhava sua melhor amiga em todas as loucuras em que se enfiava e o que iria acontecer naquele fim de semana seria uma delas.
jogou o celular de volta na bolsa e se espantou ao ver um táxi se aproximar depressa, estendeu o braço, atraindo a atenção do motorista que logo parou próximo à calçada.
— Para a Universidade Nacional, por favor.
Cumprimentou o motorista e se ajeitou junto das suas coisas no banco, batendo a porta do carro em seguida. Só que no mesmo momento que sua porta bateu, a do seu lado também fez isso.
O motorista olhou pelo espelho retrovisor tentando entender o que estava acontecendo. fazia o mesmo.
Encarou o rapaz que havia acabado de entrar e sentar ao seu lado. O mesmo trajava roupas pretas, boné e óculos escuros pretos, bem como uma máscara que tapava seu rosto.
— Taxista, pode ir! Por favor!
Um grande vinco se formou em sua testa já que o rapaz não ousou olhar para o lado e aparentemente tentava se afundar no banco do carro.
— Esse táxi já está ocupado. Pode me dar licença, por favor? — disse até de uma forma educada. Ele a olhou rapidamente, notando que ela estava ali e se virou para a janela. Parecia preocupado.
— Você não poderia liberar o carro para mim? — perguntou como se não fosse nada. Faltou pouco para a garota o empurrar dali.
— Não. Eu chamei o táxi primeiro e você está me atrasando. — apontou para o relógio em seu pulso.
O rapaz respirou fundo e olhou através do vidro novamente.
— Eu preciso muito dessa corrida. Podemos compartilhar? — perguntou. Pelo seu tom de voz, parecia eufórico.
ainda o olhava, incrédula. Ela já estava atrasada e de jeito nenhum compartilharia a corrida com um cara que mal conhecia. Isso só atrapalharia seus planos.
— Olha, eu tenho algo muito importante para fazer. Se puder sair, por fav...
— Motorista, pode ir! Rápido. — cortou o comentário da mulher ao seu lado e olhou suplicante para o motorista.
— Ei! — a morena exclamou, apontando o dedo para ele. O rapaz se virou, tentando entender o que ela tentava dizer. — Esquece. Desde que não me atrase, tudo bem.
rolou os olhos e, discretamente, olhou para o lado. O rapaz ajeitava a máscara no rosto de forma incomodada e seus cabelos estavam bagunçados pelo que pode ver, fora do boné. Notou que ele se encontrava suado e agitado, como se estivesse fugindo de algo.
Por um momento quase perguntou o que estava acontecendo, mas não importava, ela não o conhecia.
Antes que o taxista entrasse na avenida em direção ao destino, ela percebeu algumas pessoas correndo pela calçada. Eram garotas. Gritavam e falavam alto, procuravam por alguém.
Balançou a cabeça, passando os dedos em sua testa. Era cada coisa que presenciava.
Passaram todo o caminho em silêncio, os três. , o motorista e o estranho ao seu lado. A garota já estava ficando incomodada, até porque o homem ao seu lado mal havia dito para onde estava indo. Só parecia querer sair de onde estava.
Um pouco mais a frente já podia avistar a Universidade e, em seguida, o carro estacionando.
— 4500 wons. — o taxista informou.
, ao seu lado, rapidamente notou que o rapaz ao seu lado levou as mãos ao bolso na calça jeans que usava e procurou algo, suspirando em seguida. Fechou os olhos e virou o rosto em direção à mulher, fazendo ela balançar a cabeça negativamente.
Sem mais uma palavra, pagou o taxista e saiu do táxi percebendo que o rapaz havia feito o mesmo, ficando próximo a ela na calçada.
— Posso te ajudar em mais alguma coisa? — perguntou de certa forma irônica.
Ele ajeitou os fios de cabelo que escapavam do boné em sua testa e olhou nos olhos da menina. Parecia perdido. Respirou fundo e coçou a nuca.
— Você poderia me emprestar seu celular? Se não for pedir muito. Sei que já abusei demais pegando o mesmo carro que você. — sorriu, se sentindo um idiota ao perceber que estava de máscara.
não poderia acreditar no que estava acontecendo. Ela já estava atrasada e sua cabeça estava estourando, mas o rapaz à sua frente parecia tão perdido. Não custava nada tentar ajudá-lo, certo?
Esticou a mão para pegar o aparelho em sua bolsa novamente e ele começou a vibrar, fazendo a garota rolar os olhos. Atendeu de imediato.
, você não vai acreditar! — falava praticamente gritando do outro lado da linha.
, eu já estou indo. Espere um...
Um grito foi ouvido e a morena fechou os olhos com força.
— Você não faz ideia de quem do BTS...
— Agora não! — falou rapidamente e desligou o aparelho ao perceber que o rapaz a encarava de forma curiosa e podia jurar ouvir um risinho saindo da sua boca.
— Pode pegar. — o entregou.
Percebeu o rapaz se distanciar para fazer sua chamada, o que não demorou muito para que ele entregasse o aparelho à mulher. Agradeceu devidamente e a olhou por alguns segundos.
— Desculpe a intromissão, mas eu ouvi sua amiga falar sobre BTS ao telefone. — comentou, desviando o olhar para a rua. — Você gosta?
Estranhou a pergunta do rapaz antes de se virar para ir embora e o encarou, dando de ombros em seguida.
— Não sou muito fã. Ouço uma música ou outra, nada demais. — ajeitou a bolsa em seu ombro e olhou para a universidade. — Olha, não faço ideia de quem você seja, mas vai ficar bem, aí?
Ele balançou a cabeça, assentindo.
— Você pode esperar um instante? Olha, já estão vindo.
franziu o cenho e olhou para onde o rapaz apontava. Um enorme carro preto estacionou ao lado dos dois e ela começou a se sentir um pouco incomodada. Aquilo era estranho. E se fossem fazer algo com ela?
Preparava-se para correr naquele exato momento, até perceber outro rapaz sair do carro, entregando algo para o de máscara ao seu lado.
— Onde é que você estava? Ficou louco? — o menor falava com ele de forma exasperada, se limitou a rolar os olhos e virar.
— Pronto. Acho que agora estamos quites.
Estendeu sua mão, entregando um valor até maior que o valor cobrado pela viagem. A mulher piscou os olhos, tentando entender.
— Não precisa me pagar. Já estamos quites.
Fez sinal de que iria embora e, antes de se virar, o rapaz puxou sua mão, depositando o valor ali. se assustou com a puxada, mas logo se recompôs engolindo em seco.
— Obrigado. Quem sabe não nos vemos novamente. — deu uma piscadela, deixando assim seus olhos fechadinhos e a olhou por mais alguns instantes antes de entrar no carro e sumir pela rua, deixando-a ali, parada e atordoada antes de ouvir seu celular tocar pela terceira vez.

Capítulo 2

naye jeolmang kkeute
(No final do meu desespero)
gyeolguk naega neol chajasseumeul ijjima
(Não se esqueça que no final eu te encontrei)
Magic Shop — BTS


Os passos ressoavam no corredor da faculdade até a sala onde se encontrava. não queria nem pensar em como estava atrasada e isso era algo que detestava, até porque, claro, não gostava quando faziam isso com ela. A mulher não era o tipo de pessoa que deixava alguém esperando por muito tempo e isso não era mesmo de seu feitio, e, bom, só de pensar que estava fazendo aquilo com , ainda mais ela estando com fome... Lhe dava calafrios. Sua amiga irritada não era a melhor pessoa de todas.
Não havia atendido à ligação insistente de seu celular mais uma vez, achava melhor andar o mais rápido possível antes de parar para atender o aparelho. Na medida em que caminhava em direção ao local, se praguejava mentalmente ao se lembrar que a amiga estava fazendo um favor a ela, isso sabia, e era exatamente aquele o motivo de toda a pressa para encontrá-la. Claro que também sabia que nunca cobraria, nem mesmo reclamaria, mas não queria se aproveitar somente por conta da amizade.
Respirou fundo antes de colocar uma das mãos na maçaneta e empurrou a porta de madeira com o corpo, encostando o mesmo na porta agora fechada atrás de si.
— Caramba, o que foi que aconteceu?
apareceu na visão de , balançando a cabeça de forma negativa enquanto depositava a mão livre em sua própria cintura.
A que se encontrava ainda descansando sobre a porta transpareceu um pequeno sorriso sem graça, se desculpando com o olhar.
— Eu sei, me desculpe. Acabei tendo um enorme contratempo. — se aproximou da mesa central da sala de estudos e depositou seus pertences, um de cada vez. Em seguida, se espreguiçou, sentindo um alívio enorme tomar conta de seu corpo ao tirar a mochila pesada de suas costas. — Aparentemente um cara maluco resolveu entrar no mesmo táxi que eu e ainda tivemos que compartilhar a viagem até aqui.
franziu o cenho ao ouvir a amiga, pressionando os lábios no mesmo instante, achando estranha aquela situação. Sabia que não era o tipo de pessoa que, em um momento de pressa, deixaria alguém a atrasar daquela forma.
— E você deixou? Já estava toda estressada antes e quando fica assim, sai enxotando qualquer um que esteja na sua frente. — fez uma careta e deixou uma risadinha escapar com o comentário da amiga.
Não podia negar, era realmente verdade.
— Vai por mim, ele parecia bem mais desesperado e estressado do que eu. — mencionou, dando de ombros.
A outra abriu a boca para dizer algo e a fechou, desistindo de tentar entender o que havia acontecido com a amiga. Balançou a cabeça, voltando a olhá-la.
— O kimchi ainda está de pé, não é? Eu nem tomei um café decente hoje. — apoiou a cabeça nos braços que estavam na mesa, vendo sua amiga ajeitar seus pertences em cima dela.
— E eu nem tive tempo de parar para sentir o cheiro do café. — resmungou alto. — Eles estão pegando pesado nesse final de semestre, parece uma eternidade.
assentiu concordando, sabendo o quanto a amiga estava se esforçando na faculdade, seu estágio e o trabalho para continuar ali, no lugar que ela tanto amava. chegava em casa às tantas da noite, ainda na mesma correria do final de seu turno, e às vezes só conseguia cochilar depois de estudar as matérias que precisava para alguma prova ou seminário. Sabia como era uma rotina realmente puxada para a amiga.
— Eu tenho certeza que você vai conseguir, você é uma faz-tudo. Acho incrível toda essa força de vontade que você tem. — soltou uma risadinha fraca, admirando a amiga. — Você consegue tudo! Olha só tudo o que você conquistou desde que chegou a Seul até agora!
— Ah, ... Obrigada pelo seu apoio, mesmo. Não sei o que seria de mim se não tivesse você por perto. — disse chorosa, soltando um beijinho de longe para a amiga em seguida. — Mas agora, que tal revisar esse artigo comigo? Eu não vejo a hora de almoçar!
correu para o lado da amiga, sabendo que logo sua barriga começaria a roncar, já que tão corrida quanto a vida de , também estava a sua com o final do curso de Psicologia. Então, era bom terminarem aquilo o quanto antes se quisesse comer seu tão esperado kimchi.

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O Mugyodong não estava tão cheio naquele horário, mesmo sendo o pico do almoço em que todas as pessoas aglomeravam o centro de Seul. e conversavam animadas ao caminhar pela calçada do local, adentrando o mesmo em seguida, conseguindo ouvir o barulhinho do sino da entrada evidenciar a chegada delas. Assim que foram recepcionadas, seguiram em direção a uma mesinha mais afastada, mas com uma iluminação incrível próxima à janela, se acomodando ali.
Não demoraram muito para fazer seus pedidos já que as duas no momento só conseguiam sentir a barriga doer de fome e se praguejaram ao mesmo tempo por não terem tomado um café da manhã reforçado. havia saído corrida para a clínica em que também estagiava logo após , que sempre saía de manhã cedinho para conseguir pegar o metrô em direção a seu estágio que não era tão perto como gostaria.
Claro que sempre estavam puxando a orelha uma da outa em relação à alimentação em meio à rotina que tinham, mas não podiam falar muito já que não seguiam à risca toda aquela preocupação e sim, sabiam que não era o certo a se fazer, e, mais uma vez, tentariam prometer uma à outra que mudariam naquele quesito.
— Eu vou pensar em um jeito de mudar nossa alimentação. Talvez preparando algo antes de dormir? Não sei... — dizia mais para si mesma do que para a amiga, fazendo soltar uma risadinha fraca.
— Tudo bem. Depois pensamos nisso, agora vamos comer, por favor. — choramingou, observando o garçom colocar os pratos na mesa. De imediato, sentiu sua boca salivar só de sentir o cheiro do tempero e ao observar a acelga apetitosa em seu prato. Ao dar a primeira bocada e soltar um resmungo de satisfação, arqueou a sobrancelha se lembrando de algo. — Ah, o que é que você queria me contar quando ligou gritando mais cedo? — a morena perguntou, dando uma pequena risada ao lembrar o ataque de histeria da amiga e a olhou, curiosa.
— Oh, meu Deus! Como pude esquecer! — deu um leve tapinha em sua testa enquanto ajeitava o hashi em cima da mesa. — Sabe o BTS? Claro que sabe, você sempre ouve quando eu coloco para tocar.
Yolo, yolo, yolo, yo! cantarolou a primeira música que se lembrava, a única parte, claro, fazendo uma dancinha engraçada ainda sentada. — O que tem?
— Hoje pela manhã estava tendo um Fansign bem aqui no centro de Seul. Pelo que entendi, começou perfeitamente bem, mas ao final... Claro, deve ter sido alguma falha de segurança, mas parece que as fãs invadiram o local onde os carros dos meninos estavam estacionados. Não conseguiram entrar e a primeira coisa que fizeram foi sair correndo. — falava como se realmente não acreditasse em nada daquilo. A única reação que conseguia ter era a do cenho franzido, tentando imaginar a situação. — Parece que se espalharam e se perderam. Bom, foi o que fiquei sabendo.
A morena deu outra bocada, tomando um pouco do suco que havia pedido em seguida, esperando a amiga terminar.
— Nossa, que loucura. Mas como é que conseguiram se perder assim, logo no centro de Seul? — soltou uma risadinha mais para si mesma, balançando a cabeça de forma negativa. — Não é possível que realmente não conheçam a cidade.
fuzilou a amiga com o olhar pelo comentário e a outra fez uma careta ao se lembrar que sua amiga não gostava mesmo quando falavam algo do tipo de seu grupo favorito.
Em seguida, o que pôde se ouvir foi um suspiro leve.
— Eu não sei, fico com pena... Deve ser muito difícil viver com tanta gente em cima de você desse jeito sabendo que qualquer passo que está dando está sendo vigiando pelo mundo inteiro. — fez um bico ao comentar na pequena pausa, voltando a comer sua comida. — Você não acha?
a olhou por alguns segundos, piscando levemente ao ver a amiga realmente chateada pela situação.
— Ah, amiga... É complicado, mas eles são famosos, afinal. Não é como se tivessem colocado uma faca no pescoço de cada um, os obrigando. — a menina à sua frente concordou, enfiando mais um pouco de kimchi na boca e isso fez rir mais um pouco. Como um pequeno estalo, outra coisa brilhou em sua mente, mais uma vez. — Ah, mais uma coisa.
— O quê? — falou embolado pela boca cheia.
— O que você queria conversar, pela décima vez, sobre esse fim de semana? — rolou os olhos. — Já não tínhamos tudo combinado sobre o show que você tanto quer ir? O que aconteceu agora?
soltou uma risadinha nervosa, pousando o hashi ao lado do prato mais uma vez e colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha, olhando para de canto. estreitou os olhos, sabendo que para aquela reação da amiga, tinha algo a mais. Não agia assim sem mais nem menos.
— Acontece que eu estou ficando nervosa, você sabe. — levou uma das mãos até o copo, bebericando um pouco de suco. — Sabe que que já fui a alguns shows deles, mas esse vai ser diferente. Eu sempre fiquei lá trás e dessa vez vamos ficar tão pertinho...
suspirou, levando as mãos no rosto, afagando as próprias bochechas.
— Eu realmente queria muito ficar em casa, ... — começou, sussurrando. — Você sabe como tem sido minha rotina e o único fim de semana que tenho livre... Quer mesmo ir tanto assim?
abriu a boca em um “O” perfeito, pensando seriamente em como começar aquele sermão na amiga. Não deixou a mesma continuar, sabia que faria de tudo para convencê-la.
— Nós já conversamos sobre isso, . Eu já até comprei seu ingresso para a grade. A grade, ! Não me deixe chateada, . Você concordou.
arregalou os olhos brevemente com o tom de voz usado pela amiga e ainda mais por ela ter usado seu nome e sobrenome completo em apenas uma frase. Sabia que sempre fazia aquilo quando realmente estava começando a se irritar.
Respirou fundo ao ouvir o que a amiga dizia e abaixou o olhar, pensando no que diria. estava tão cansada, na verdade, mais do que isso. Exausta, completamente esgotada. Suas semanas estavam sendo tão cansativas que a única coisa que realmente queria e pensava era em se afundar naquela cama macia no seu quarto no escurinho que ficava quando fechava suas cortinas.
Pensou um pouco mais e ergueu o olhar, podendo ver resmungando de forma dramática um “Eu fiz questão de comprar a premium para ela e ela ainda não quer...”.
Fez uma careta, rolando os olhos.
— Tudo bem. — se rendeu, colocando as mãos para cima. — Só não espere muita animação da minha parte, no máximo vou cantar aquela música que conheço. Yolo alguma coisa.
— Eu não estava contando com isso mesmo. — deu língua, sorrindo alegre em seguida. — E é Go Go. Pode deixar que até lá você vai saber cantar mais do que uma música.
— Você fala como se o fim de semana tivesse muito longe e eu tivesse tempo de sobra.
— Isso não é problema. Temos a madrugada! — mencionou, levantando as mãos e quase engasgou ao ouvir as palavras da amiga. só podia estar brincando ao dizer aquilo, com certeza estava.
Depois do pequeno susto que havia passado e da empolgação evidente no agir e no olhar de , as duas continuaram a conversar e a comer até que estivessem saciadas por completo. Não era como se realmente precisassem arrumar algum assunto, surgia de forma leve entre as duas, assim como havia sido no começo, quando haviam se conhecido na universidade. Elas haviam decidido morar juntas no segundo ano da faculdade, ao estarem íntimas o suficiente para fazerem as contas do mês juntas e percebem como o gasto para uma só pessoa estava sendo enorme em um apartamento em Seul. Desde então, não se desgrudaram mais em momento algum. A amizade das duas havia sido instantânea e realmente eram gratas pela companhia uma da outra.
Assim que terminaram a refeição, decidiram voltar logo para casa e aproveitar para descansar o restinho do fim de tarde. já sabia que não conseguiria fazer aquilo, mesmo precisando e mesmo tendo folga no trabalho naquela noite, mas aproveitaria para descansar suas pernas enquanto terminava seu artigo, ou pelo menos tentava revisá-lo.
Não demorou muito para que pegassem o táxi e estivessem em frente ao apartamento, chegando em casa de forma afobada, e com isso, tiravam os sapatos, os deixando ali mesmo na entrada. correu em direção ao sofá de canto na sala e se jogou ali, soltando um resmungo alto, provavelmente pela preguiça. só conseguiu rir naquele momento.
— Parece até que eu fiz muita coisa hoje. Nem foi tão cansativo assim, mas aparentemente... — continuava a resmungar consigo mesmo, com a voz abafada pelo rosto encostado no sofá macio. — Eu queria mesmo um doce agora.
caminhava em direção ao seu quarto ao ouvir sua amiga dizer alto, como se realmente fosse para chamar sua atenção.
— Eu não sei para onde vai isso tudo, de verdade. Que fome é essa? — arregalou os olhos fingida e sorriu em seguida. Não teve muito tempo para ouvir o que iria dizer, a única coisa que conseguiu escutar foi mais um resmungo alto da garota antes de adentrar seu quarto, deixando o corpo se aliviar de imediato ao vislumbrar seu cantinho precioso, mesmo desarrumado. Ao observar seu quarto, o único pensamento que rondou sua cabeça foi o de desejar o dia inteiro estar em casa, na sua cama, descansando como precisava. Nada naquele momento parecia ser melhor do que sua cama, mesmo bagunçada, porém aconchegante.
Resolveu por não pensar em muita coisa, logo acomodou suas coisas em cima da escrivaninha e tratou de arrumar tudo antes de tomar um banho e relaxar devidamente.
Foi impossível não deixar o corpo cair sentado na cama ao sentir o corpo livre de todo o peso que carregava e parada ali, focando o vazio, deixou alguns acontecimentos daquele dia passarem por sua mente, percebendo o quanto havia sido corrido e que realmente estava cansada. Ela se doava tanto para o estágio, a faculdade e o trabalho de meio período, nunca havia questionado e era muito agradecida pelo que tinha conseguido, mas também nunca parou para pensar o quanto isso a deixava exausta no final do dia, afinal, era só o que ela fazia, de segunda a sexta e, variavelmente, aos sábados também. Era como um ciclo: ela estudava, estagiava e trabalhava. Nada mais que aquilo. sempre pensou que não havia tempo para mais nada, e parando para pensar novamente, seu dia a dia não permitia qualquer outra coisa.
Colocou uma das mãos em seu rosto, o massageando levemente, e sem pensar muito, seguiu em direção ao banheiro, se despindo o mais rápido possível para poder sentir a água morna cair sobre seu corpo. Aos poucos o box ia embaçando pela fumaça que saía de seu chuveiro e aos pouquinhos deixou sua mente vagar novamente para o comecinho daquela tarde agitada que tivera. Aquele dia em questão havia sido completamente estressante em seu estágio e pensar que logo depois teria que estar em sua universidade para revisar seu artigo junto a , ao invés de poder descansar a mente, era de enlouquecer. Achava que realmente conseguiria fazer tudo a tempo e não esperava que se atrasaria na Cosmopolitan, mas ao ver os minutos passados em seu celular, tentou pensar de forma positiva até descer no térreo e correr para a calçada à procura de um táxi.
Não demorou muito para que pegasse o próximo táxi, apesar de sua irritação crescer aos poucos ao perceber os segundos se passando. A mulher só não esperava pela breve companhia que teria até o caminho de sua universidade.
Piscou algumas vezes, se lembrando do rapaz que havia entrado em seu táxi pela manhã, completamente desesperado e eufórico. O que será que estava acontecendo para ele estar tão agitado daquele jeito? Precisava admitir que não parecia nem um pouco normal e isso, mesmo que não quisesse admitir, havia a deixado curiosa. Não conseguiu observá-lo muito bem já que estava bem ocupada em fazê-lo sair daquele carro o quanto antes para se adiantar, só pôde reparar na máscara, no boné e nos óculos em seu rosto. Parecia mesmo querer se esconder de algo ou alguém.
Bom, pensou que talvez ele também estivesse com pressa para ir a algum lugar assim como ela. E se fosse outra coisa, pelo menos esperava que o mesmo tivesse conseguido se acalmar.
Balançou sua cabeça, tirando o excesso de água de seus cabelos e colocou suas roupas após acabar, abrindo a porta do box ao puxar a toalha para enrolar seus cabelos. Quando saiu em direção ao corredor, conseguiu ouvir a risada de vindo da sala das duas. olhou em direção a seu quarto e retornou o olhar para sala, se dando por vencida e indo em direção à amiga. Não faria mal ver o que ela estava fazendo, certo?
No local, estava sentada com o corpo encostado ao sofá e com o notebook em cima da mesa de centro, onde suas pernas permaneciam esticadas embaixo da mesma.
— O que é que você está fazendo? Consegui ouvir sua risada do corredor. — perguntou indo em direção à geladeira para beber um pouco d’água antes de dormir. a olhou, animada.
— Como se o corredor fosse longe assim... Adivinha? Vai ter uma live do BTS agora no V Live. Parece que vão explicar o ocorrido de mais cedo no Fansign. — dizia olhando a tela do computador e olhou para , que não entendia nada do que ela dizia. — Vem cá, assiste comigo.
— Ah, não! Eu já vou descansar. Já está na minha hora. — fez uma careta e depositou o copo de água na bancada. — Acho que você devia fazer o mesmo, nossa semana ainda não terminou.
A mulher já iria retornar para seu quarto, mas levantou rapidamente, se jogando em direção à mão da amiga, puxando-a até o sofá.
— Para de ser chata. Só um pouquinho, juro que não vai demorar e não vai atrasar seu sono.
resmungou alto, deixando bem clara sua cara de poucos amigos e se sentou de qualquer forma ali, sabendo que não conseguiria prestar atenção e logo estaria em seu tão desejado sono. Pôde sentir seu corpo relaxar instantemente com a maciez e observou acessando um site em uma nova aba de seu navegador. Pressionou os olhos, tentando enxergar com clareza o que ela fazia, só então notando que seu sono chegava aos poucos.
— O que é V Live? — perguntou, tentando mostrar que estava um pouco interessada. a olhou rapidamente e virou apontando para a tela.
— É uma plataforma onde eles conseguem fazer live para todo o fandom. É bem interessante, volta e meia eles aparecem fazendo algo diferente.
Não demorou muito com a tela sendo carregada, a mesma ficou completamente preta em seguida e logo mostrou o que parecia ser o fundo de um estúdio. Com isso, aos poucos iam aparecendo alguns garotos, um de cada vez, ocupando boa parte da tela no notebook.
deu um leve gritinho, fazendo com que desse um pequeno pulo, espantando o sono que tomava conta dela aos poucos, e soltou uma pequena risadinha com a reação da amiga.
Pelo que ela conseguia ver e pelo que conseguiu contar, os sete conversavam entre si antes de começarem o assunto da transmissão e um deles tentava ajeitar a câmera de forma correta, o que só a fazia entortar ainda mais.
e ficaram ali por alguns instantes, esperavam para que de fato o grupo começasse e enquanto isso, tentava entender sua amiga explicando sobre cada um que ali estava. Dizia de forma lenta para que entendesse seus nomes e tentasse pronunciar, o que sinceramente, parecia completamente difícil para ela. Até mesmo tentava explicar sobre algumas músicas, quais foram as de mais sucesso e quais as mais recentes.
Com o cenho franzido, a garota apenas concordava com , tentando realmente memorizar alguma coisa, sabendo que com o sono e o cansaço que estava, era completamente uma tentativa falha.
Armys! — um deles gritou, fazendo com que a atenção das duas fosse voltada para a tela e abrisse os olhos um pouco mais. — Olha quanta gente temos aqui.
Ela notou um rapaz mais alto, com seus cabelos claros arrumados para o lado. Notou seus traços marcados e as covinhas não tão evidentes em seu sorriso.
— Esse é o . Não é uma graça? — colocou uma das mãos no rosto e virou para ver a reação da amiga. se limitou a assentir balançando a cabeça e continuou observando o que eles estavam fazendo no momento. — Ele é o líder do grupo, mas não é como se realmente agisse como um.
As duas voltaram o olhar para a tela do computador, onde os sete estavam encaixados e ela não poderia negar o fato de que cada um ali tinha sua beleza singular e tinham seu jeito de falar. Realmente eram bonitos.
— É, tenho que concordar com você quando fala que são bonitos. Até demais. — comentou, olhando rapidamente para , que soltou um sorrisinho com a reação da amiga. — Eu não sabia que eles faziam tanto sucesso assim, até porquê nunca ouvi falar.
— Isso porque você é desinformada e desatualizada, como sempre. Não julgo, ainda mais vindo de uma pessoa que gosta de sertanejo. — empurrou a amiga de leve, a fazendo rir. — Eles são um grupo antigo, mas bombaram mesmo de um tempo para cá. São incríveis e merecem tudo o que estão recebendo agora.
— E quem disse que sertanejo é ruim, ? — tentou achar ruim com a amiga, mas a mesma não a respondeu e realmente não fez questão de saber sua resposta, já que, sim, estava achando interessante saber sobre eles.
apenas balançou a cabeça, concordando com o que o tal do dizia sobre se sentirem bem de estarem ali naquele momento, podendo dizer abertamente sobre o que havia acontecido.
Os outros ficaram ao seu redor, na maioria sérios, mas aos poucos iam se soltando e até mesmo soltavam algumas piadinhas entre uma conversa e outra.
Acho que vocês estão doidos para saber o que realmente aconteceu hoje ao final do Fansign, certo? Estamos aqui para explicar melhor para vocês. — deu um sorriso e olhou para o lado, em direção aos amigos. — Primeiro eu gostaria de dizer que vocês foram maravilhosos. Adoramos ver cada um de vocês lá, bem perto.
Amamos vocês! — atrás dele, um rapaz gritou. Pelo que havia comentado, se lembrava de ser e a mulher achou graciosa a forma como ele sorria. Pôde notar que os olhos da amiga brilhavam ao ver o sorriso aberto que o rapaz tinha nos lábios.
se virou e o que pôde reconhecer como deu um tapa de leve no braço de .
Deixa ele terminar.
Os demais sorriram.
Continuando, gostaríamos de explicar que houve uma pequena falha de segurança em nossa equipe e queríamos deixar claro que não foi culpa de nenhum de vocês. juntou as mãos, quase como se quisesse deixar aquilo bem claro.
Ficamos sabendo que alguns fãs se culparam por ter acontecido o que ocorreu. Não se culpem, coisas assim acontecem. Vocês estavam animados e é normal que aconteça alguma coisa. comentou, dando um sorriso de lado, de uma forma que julgaria como fofa.
— Ah, eles não poderiam ser melhores! — dizia boba enquanto encarava a tela do computador e apontou novamente para eles. — Devem ser uns amores pessoalmente, não?
— Acho que sim. — murmurou notando que seu sono estava começando a sumir aos poucos. O que ela não fazia pela amiga, não?
Colocou uma das mãos nos joelhos, os segurando.
Nós estamos bem, não aconteceu nada que seja preocupante. Nos desencontramos também, mas acho que realmente faz parte. voltou a falar, concordando com o anterior. — Ficamos preocupados com nosso aqui. — puxou o amigo pelo ombro que parecia um pouco sem graça. — Mas está tudo bem, estamos bem.
abaixou a cabeça tentando conter o sorriso que estava surgindo nos lábios e balançou a cabeça, assentindo com o amigo a seu lado. Deu um pequeno pigarro, indicando que começaria a falar.
Inclusive. — iniciou. deixou a cabeça cair para o lado, observando o olhar do rapaz sobre a tela de forma curiosa. De forma vagarosa, analisou cada expressão que o mesmo fazia, mostrando cada traço delicado e os cabelos em uma tonalidade clara. Não sabia porquê, mas tinha a leve impressão de que o havia visto em algum lugar. Talvez porquê, claro, ele era um famoso e deveria estar estampado em algum lugar, pensou consigo mesma. — Tive uma pequena ajuda hoje de manhã para ficar a salvo e conseguir chegar em segurança. Gostaria de dizer a você que me ajudou que estou muito grato. De verdade.
Oh! levantou a mão, surpresa. — Quem será que ajudou o ? — perguntou para si mesma, se virando agitada para que tinha a expressão pensativa, também olhando a amiga. — Já pensou se a pessoa que o ajudou nem sabe quem ele é? — deu uma risadinha. — Que pecado!
deixou uma risadinha fraca escapar de seus lábios e sorriu com os pensamentos da amiga sobre aquilo, não deixando de concordar com ela. Achou que realmente seria engraçado alguém esbarrar com ele sem ao menos saber que o rapaz era alguém famoso.
Deixou o corpo um pouco mais ereto, prestando atenção no que falavam e precisava admitir que eles eram engraçados em cada coisa que falavam e sabiam mesmo divertir seus fãs. Não os conhecia, mas quem sabe estava passando a se interessar por conta daquela live? Claro que não daria o braço a torcer e sabia que talvez aquele pensamento fosse somente um surto pela falta de descanso e acúmulo de sono em seu corpo.
Por mais alguns instantes, ficaram olhando o que eles faziam na live até que ela se encerrasse. não pretendia ficar até o final, mas acabou acompanhando a amiga até que se despedissem. Só então percebeu o quanto precisava mesmo de um descanso e que mal havia percebido a hora passar daquele jeito quando olhou o relógio na parede da sala. Quando a amiga abaixou a tela do notebook, foi como se todo o seu sono que havia se dissipado voltasse com tudo, fazendo seus olhos arderem.
— Obrigada por ter me acompanhado, . Espero que isso te anime um pouco mais para o show. — piscou para a amiga, soltando uma risadinha. franziu o cenho, ainda a olhando.
— Então quer dizer que isso foi uma estratégia para eu não mudar de ideia? Você não presta. — apontou para a amiga e bocejou em seguida, passando uma das mãos no rosto. — Mas vamos deixar para discutir amanhã, agora vou dormir. Boa noite!
— Boa noite, unnie*.
Deixou a amiga na sala com toda a diversão e retornou para seu quarto, sem pensar duas vezes ao se jogar em sua cama completamente macia. Antes que fechasse os olhos completamente, deixou um pequeno sorriso transparecer em seus lábios ao se lembrar vagamente de tudo o que havia vivido até ali e realmente ela não poderia reclamar. tinha tudo o que precisava e era agradecia por isso, mas será que as coisas realmente poderiam melhorar como tanto sonhava e almejava?
Piscou algumas vezes, sentindo os olhos pesados.
Ela torcia muito para que sim e pensar naquilo a fazia se animar um pouquinho mais, mal imaginando que tudo só estava começando.


Continua...



Nota da autora: Oi, pessoal! Tudo bem com vocês? Primeiro de tudo, gostaria de pedir desculpas pela demora em atualizar, mas em minha defesa acabei entrando em alguns ficstapes hahahah Mas, agora como estou mais livre, as atualizações vão vir com mais frequência, prometo! E já tô doida pra saber o que vocês vão achar desse capítulo, espero que gostem, de coração <3



Outras Fanfics:
Em Andamento:
Weast Coast
Bold As Love

Shortfics:
I Kept It All For You

Fictapes:
01. Naive
04. Can We Dance
11. Lost Boy
18. Mr. Brightside

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