Última atualização: 09/11/2021

Prólogo

Las Vegas, NV, EUA. Sábado.

sentia uma adrenalina tão intensa correndo por seu corpo que sequer se importava com a ardência e o sangue que escorria de seu supercílio, resultado do soco de Krista. A mulher loira e alta sorriu debochada mesmo com o protetor bucal e sentiu raiva crescendo em seu interior — aquele mesmo sorriso já tinha sido direcionado a ela diversas vezes. Murphy juntou sua força e técnica, se aproveitando do leve afastamento da adversária, girando e dando um chute com o calcanhar na têmpora da alemã que caiu desacordada. Tudo aconteceu em questão de segundos, algumas pessoas estavam até surpresas por ter acabado tão rápido. Um paramédico foi até a mulher caída enquanto o juiz finalizava a luta e o locutor gritava o nome de , que gritava, subindo na grade da arena, comemorando.
Alguns minutos depois, quando Krista Becker já estava de pé novamente, o juiz entre as duas segurou um dos braços de no alto, mostrando que a vitória era dela. E ao mesmo tempo o apresentador Bruce Buffer gritava no microfone:
Ladies and gentlemen, Murphy, the storm!
Foi-lhe entregue o cinturão que estava ali defendendo. A multidão à volta do octógono gritava e xingava a plenos pulmões, a maioria comemorando junto a . Ela tinha de admitir, se sentia uma rainha com todas aquelas pessoas felizes com ela, até se esquecia das baixarias que ouvia do restante das pessoas. Sorriu, se sentindo emocionada enquanto levantava o cinturão.
Murphy continuava sendo a campeã.


***


New York, NY, EUA. Sexta-feira.

— New York, temos mais uma música para vocês esta noite! — Mike gritou para o estádio lotado, que gritava de volta.
— Obrigado por estarem aqui hoje! — Ashton gritou.
— Cantem o mais alto que puderem! — Calum completou.
Logo em seguida, pôde ser ouvido o início da música e Luke começou a cantar:

Stop digging in your heart ‘cause tonight is on me
Tonight is on me
Stop trying so hard is what you said to me
What you said to me


Todo o estádio cantou junto, fazendo Calum se arrepiar e sorrir, cantando sua parte logo depois do refrão. Já estava acostumado com tudo aquilo, mas sempre era especial de alguma forma. As milhares de pessoas ali cantaram alto junto deles do início ao fim.
Quando Empty Wallets acabou, os quatro saíram do palco ao som de gritos, aplausos e assobios. Foram para o backstage correndo, estavam exaustos.
Mais uma turnê tinha chegado ao fim.


Capítulo 1

Las Vegas, NV, EUA. Domingo.

sentiu a cabeça doer antes mesmo de abrir os olhos. Sabia que acordaria de ressaca, mas não imaginou que seria tão avassaladora. Semicerrou os olhos, observando onde estava, agradecendo mentalmente ao reconhecer a antessala do quarto de hotel onde estava hospedada. Podia ser o tipo de bêbada que terminava a noite cheia de novos “amigos”, mas não era do tipo que virava uma pervertida e ia para casa com qualquer um. Sentiu uma pontada nas costas, percebendo que acabou dormindo no pequeno sofá que havia ali. Foi se acostumando aos poucos com a pouca claridade no ambiente, parecia que ainda não tinha nem amanhecido e tentou se lembrar do quanto bebeu na noite anterior, mas havia um vazio em sua mente; sua última lembrança era estar sentada numa das mesas do clube onde foi comemorar sua vitória, Niall Horan e Taylor Swift estavam junto dela. O lugar era conhecido por ser um dos mais caros de Las Vegas e estava lotado de artistas e milionários. não gostava de admitir, mas conhecia grande parte dos presentes e não ficava vinte minutos sem cumprimentar alguém. Depois de virar vários shots de Tequila e experimentar drinks que lhe eram sugeridos, Murphy se levantou para ir ao banheiro e foi naquele momento que tudo rodou e sua memória foi completamente deletada.
Sentou-se no sofá e observou em volta, encontrando o celular no chão, próximo à blusa que usava na noite anterior. Pegou-o com o pensamento de observar as notícias, se tivesse feito alguma besteira, a essa hora já estaria em toda internet. Ao mesmo tempo em que ficava amigável com absolutamente todos, bastava um “A” mal-entendido para partir para cima de alguém.

06:30pm

Era o que brilhava na tela do celular, junto de várias notificações.

Se essa é hora que eu acordei, não quero nem ver a que cheguei!

Pensou, abrindo o aplicativo de mensagens, vendo quem tentou falar com ela. Tinha mensagens de sua mãe, sua avó Alma, algumas pessoas com quem ela acabou encontrando na festa, seu treinador, o grupo da família e um grupo totalmente diferente que lhe chamou a atenção. O nome do grupo era um emoji de duas cervejas, um capetinha safado, um gorila, uma berinjela e dois emojis de foguinho. abriu a conversa curiosa. Havia várias fotos, mais de 25, mas não foram baixadas. E depois três áudios de um número salvo como "Crystalover".
"— Já chegou ao hotel, ?" — uma voz feminina e arrastada perguntou e nos segundos restantes não tinha nada além de ruídos.
"— , fala se tá viva! Você tava muito doida!" — uma voz masculina e risonha disse, a primeira voz completou: "— Avisa se tá tudo bem... Saudades já!”— Ambos riram no fim do áudio.
“— Avisa a gente quando chegar a LA! Você precisa conhecer todo mundo! Temos que cumprir o combinado!" — era o que o homem dizia no último áudio.
ficou sem saber o que pensar. Olhou o outro contato no grupo, salvo como “Mikelangelo”, sua foto de perfil era com dois cachorros. No outro, a foto era a silhueta da mulher numa paisagem, não tinha a mínima ideia de quem eram essas pessoas. Colocou as fotos das mensagens para serem baixadas, mas a internet móvel era horrível dentro do hotel.
Enquanto esperava, abriu a câmera pra ver seu estado, sentia o supercílio arder. Levou até um susto quando viu o próprio rosto. O delineado, o rímel e o lápis de olho que passou na noite anterior estavam todos borrados, manchando toda a volta de seus olhos de preto. O cabelo estava uma bagunça e parecia estar melado, com certeza alguma bebida foi derrubada ali. Abaixo da sobrancelha, onde tinha levado quatro pontos, estava sujo com um pouco de sangue seco, mas não chegara a abrir de novo.
Obrigou-se a levantar, sentindo-se fraca, mas dando graças a Deus por não ficar enjoada. Podia falir um bar que ainda assim não tinha enjoos. Foi direto para o banheiro e tomou um longo banho, lavando o cabelo e tirando toda a inhaca de bêbada que parecia impregnada em sua pele.
Tinha que descobrir qual era o combinado com aquelas pessoas, já que os emojis no nome do grupo eram sugestivos para besteiras — tirando o gorila, que não fazia sentido algum. E já era domingo a noite, no dia seguinte tinha um voo às 9h de volta para Los Angeles, onde, ao que parecia, encontraria seus novos amigos.


***


Sydney, NSW, Austrália. Segunda-feira.

Calum estava na casa dos pais na Austrália e, por mais que quisesse ficar com a família, ainda não estava completamente descansado. Depois do último show em New York, enquanto Michael e Crystal foram direto para Las Vegas para sabe-se lá fazer o quê, Calum, Luke e Sierra foram para o hotel descansar e no dia seguinte viajar para ver a família. No sábado pela manhã, estavam todos no avião, que fez uma parada de 1h em Hong Kong, e aterrissou no aeroporto de Sydney, por conta do fuso, às uma da manhã de segunda. Ashton e Kaitlin decidiram continuar na cidade e conhecer alguns lugares juntos.
Calum se sentia esgotado, depois de — mais uma vez — a banda ficar na estrada por tanto tempo. Era maravilhoso sair em turnê, poder ver como para a música não existem fronteiras, como em cada lugar a recepção dos fãs é diferente, mas o carinho e a animação é a mesma, ou pelo menos muito parecidas.
Ver como o amor do público pela música era tão forte quanto o seu próprio por essa arte tão expressiva e apaixonante.
Ele como cantor, compositor e músico não poderia querer outra coisa. E, mesmo assim, era cansativo. Em todos os países, as mesmas coisas, programas de TV, entrevistas... Era compreensível que Calum ficasse tão aéreo nessas ocasiões.
E principalmente estava triste por ter deixado Duke num resort pra cachorros em LA. Geralmente, todos levavam seus animais de estimação nas turnês e dessa vez não foi diferente, mas depois de alguns meses na estrada, quando fizeram uma breve parada na Califórnia, Calum decidiu deixar seu bichinho num lugar que tivesse tudo do melhor pra ele, onde ele recebesse atenção o tempo todo. Michael e Luke decidiram fazer o mesmo. Tinha até pensado em ir para casa primeiro para buscá-lo e depois vir para Sydney, mas seria ainda mais cansativo. E os funcionários do lugar mandavam fotos e vídeos de Duke praticamente todos os dias, o que ajudava Cal a ficar mais tranquilo. Sabia que ele estava sendo bem cuidado e logo estariam juntos.
Estava deitado na cama, vendo o vídeo feito na tarde de domingo e que recebeu pela manhã. O vídeo mostrava Duke correndo junto de vários cachorros diferentes, Calum o reconheceu nos primeiros segundos, ficando pra trás na corrida por ter as perninhas curtas. Ele foi o último a entrar na piscina rasa onde os outros já brincavam. Sorriu feito um bobo vendo-o brincar na água, quando ouviu uma batida na porta.
— Querido, tudo bem? — Sua mãe colocou a cabeça para dentro do quarto, vendo-o assentir. — Venha, vamos jantar! Fiz o seu preferido!
— Obrigado, mãe! Já vou — Calum respondeu, já se levantado, estava morrendo de fome, passou o dia dormindo.
A única parte ruim de passar um tempo com os pais era que voltava mal acostumado. Sua mãe fazia de tudo para agradá-lo.
Saiu do quarto e desceu as escadas, indo até a cozinha, onde seus pais já estavam se servindo sentados à mesa.
— Desse jeito, não vou querer ir embora nunca! — Calum disse, ao se aproximar e sentir o cheiro de comida.
Passou atrás de sua mãe e a abraçou ao ver que o prato era vegetariano, costume que ele adquiriu há não muito tempo e sua família sempre respeitou, mesmo não seguindo também.
— Sua mãe não ficaria nem um pouco incomodada, filho! E nem eu! — David o respondeu.
Calum sorriu, se sentando também e se servindo. Fazia tanto tempo que não ficava na casa dos pais assim. Sentia falta de tê-los por perto. Mas tinha se acostumado com a vida em Los Angeles e não estava em seus pensamentos ficar permanentemente na Austrália tão cedo. O jantar seguiu leve e divertido, os homens na mesa adoravam fazer piadas e Joy só sabia rir, feliz demais por Cal estar visitando-os.
Mais tarde, Calum tirou a mesa e lavou a louça. Insistindo muito para que seus pais subissem e o deixassem ajudar.
Trocou algumas mensagens com Ashton e voltou para o quarto para dormir.


Capítulo 2

Los Angeles, CA, EUA. Sexta-feira.

Três meses depois.


A banda estava reunida desde o final de janeiro, quando todos voltaram para LA, e os dias desde então não podiam ter sido mais produtivos. Já tinham postado dois videoclipes e seus respectivos BTS, assim como os vídeos com a letra; a versão acústica de Best Years na voz de Luke; a letra e um vídeo especial de Wildflower feito por Calum; e hoje estava sendo liberado no YouTube o áudio oficial do restante das músicas, junto do álbum nas plataformas musicais. Os quatro estavam juntos como sempre e dessa vez na casa de Luke para comemorar o lançamento e ouvir o álbum junto de suas respectivas namoradas; Karen e Liz também estavam presentes, assim como Mali-Koa e Andy.
— Esse é o melhor, não é? Temos que admitir! — Mike falou, depois de algumas músicas e muitas cervejas.
— Com certeza o melhor, nem parece nosso! — Luke riu e Sierra, ao seu lado, negou.
— É maravilhoso, sim, e é o marco de uma nova fase para a banda. Mas, mesmo assim, é a cara de vocês.
— Apesar de ser maravilhoso, é a nossa cara... Obrigado, Sierra! — Calum riu e, antes que ela pudesse se corrigir, ele continuou. — Shiiiu. Ouçam a melhor do álbum!
Wildflower tocava alto na sala de estar e Calum cantava junto consigo mesmo de forma exagerada, fazendo os amigos rirem.
Todos ouviam com atenção e expressavam suas opiniões, mesmo que já tivessem ouvido algumas antes. Eles estavam trabalhando nelas há um bom tempo.
— Essa sim é a melhor música! — Luke falou alto como era de seu feitio quando Best Years começou em seguida. Ele sorriu para a namorada enquanto cantava junto.
— Essa com certeza vai tocar no casamento de todos nós — Michael falou risonho, olhando para Crystal.
— Eu amo a ideia! — A mulher sorriu de volta.
— Eu posso providenciar isso! Posso cantar para todos vocês, vou cobrar baratinho! — Cal falou sério.
— A sua função como padrinho é fazer isso de graça cara! — Ash riu alto, apontando a expressão fechada de Michael.
O moreno, agora tingido de loiro, fingiu não ouvir e bebeu um gole de cerveja.
— Esse álbum já é sem dúvidas o meu preferido! — Kay, ao lado de Ashton, sorriu.
— O meu também! — Mali falou, quando a música seguinte começou.
— Estou tão orgulhosa de vocês, meninos! — Karen falou, abraçando Mike e Calum sentados um de cada lado seu, mas olhando para todos. — É lindo, está tudo lindo!
— Verdade. E eu amei as fotos também! — Liz comentou, dando um sorriso para Andy, que agradeceu. — Está tudo perfeito!
As outras quatro músicas também foram ouvidas e elogiadas. Eles estavam tão felizes com o que fizeram. Era o trabalho do qual eles tinham mais orgulho sem dúvidas. E seria o mais diferente também, já que a ideia era fazer a divulgação toda online, fazendo aparições apenas em programas e rádios em LA mesmo. Eles precisavam de um descanso. Quando High terminou, puderam ouvir a risada de Crystal.
— Olha, amor, fez um vídeo reagindo ao álbum. Ela acabou sucumbindo de tanto você mandar o link para ela!
— Meu Deus, até que enfim! — Michael riu junto, ficando mais perto para ver a tela do celular.

Red Desert tocava numa altura em que podia ser ouvida a voz da mulher também.
— Eu gosto do ritmo. Você estranha no começo, mas depois se acostuma... Não sei explicar, mas é contagiante. — Ela se balançava de olhos fechados .— É muito boa! Só não entendo a que está se referindo...

Red, red desert
Heal our blues
I'd dive deeper for you
What a blessing to feel your love
Twilight moments with you


Ela já conseguiu cantar junto no segundo refrão. Ela “tocava” uma bateria imaginária, acompanhando as batidas da música.
— É muito boa! — falou, no fim da música, e No Shame começou. — Parece calma... — ficou parada, prestando atenção, a parte mais animada começou, fazendo-a sorrir, tentando cantar junto. — Eu gosto muito mais agora!
A mulher dançava no ritmo da música e só conseguia cantar “Got no shame, I love the way you're screaming my name”, sorrindo a música toda. Ela olhou para o notebook onde ouvia o álbum e anunciou o nome da próxima.
— Old Me, terceira música. — Ela a ouvia com atenção. — Esse cara tem mesmo uma bela voz... Eu gosto dessa também! — Ela assentia com uma expressão engraçada no rosto. — Eu gosto do que diz! — Ela só balançava a cabeça enquanto sorria, até o fim da música. Nos refrãos, ela se animava mais e dançava. — É realista!
Easier começou e ela arregalou os olhos.
— Eu conheço essa!

Is it easier to stay? Is it easier to go?
I don't wanna know, oh
But I know that I'm never, ever gonna change
And you know you don't want it any other way


Ela cantou o início.
— Essa eu já conhecia. Amo essa... Batida? — Riu antes de trocar para Teeth.
— Eu também conheço essa! Gosto do som do baixo! — Sorriu convencida para câmera do celular e cantou junto até o refrão. — Michael, querido, eu escuto a guitarra, mas cadê sua voz? — Fez uma carinha triste, mudando para a próxima e levando um susto com o início de Wildflower. — Essa voz é nova e bonita... Eu gosto! Parece um anjo! — dançava, acompanhando as batidas com um sorriso. — Essa é a minha preferida, sem dúvidas! A música é animada, mas a voz é suave! É a combinação perfeita!
Ela dançava e fazia as paradas da música rindo quando voltava a dançar.
— My wildflower... Wildflower — ela cantou no final, fazendo bico por ela ter acabado.
Best Years começou e manteve uma expressão neutra.
— É uma bela música de amor, tenho que dizer... É linda! — Trocou mais ou menos no meio da música e Not In The Same Way começou. — Essa é mais a minha cara! — falou, quando ouviu “Drink all night, never sleep” e riu. — Brincadeira! Eu gostei dessa também! Os falsetes são minhas partes preferidas.
Ouviu a música toda e depois Lover of Mine pôde ser ouvida.
— Eu gosto do piano! Essa tem muitos sentimentos... — falou, depois de algumas estrofes. — Deve significar muito para quem escreveu. — Ela sorriu, assentindo e apreciando a música. — Queria ter esse talento... É linda!

I don't feel your love
But I don't ask too many questions
The words, they are too much
When you show me my reflection

When the Sun goes down, we all get lonely
Watch me as I disappear
These empty sounds and endless stories
So tell me what I wanna hear (thin white lies)


— Thin white lies... — cantava junto às vozes de fundo na música seguinte. — Eu gostei dessa também... Por que tudo soa tão bem?
Lonely heart começou a seguir e ela prestava atenção na letra, em silêncio.

Such a lonely heart, oh woah
Such a lonely heart, oh woah (oh woah)


— Eu amei isso! — Sorriu no refrão.

Lonely, it ain't nothin' new
Nothin' new to me, nothin' new to yo (oh woah)
Lonely, it ain't nothin' new
Nothin' new to me, nothin' new to you


— Isso é a perfeição! — Ouviu até o final. — Também é uma das minhas favoritas!
High começou a tocar em seguida.
— Esse iniciozinho é você, Mike? — sorriu para o celular. — É realmente boa também, ele tem uma voz linda para cacete! — Ela também ouviu até o fim. — Mas a minha preferida continua sendo... — Ela olhava o notebook à sua frente, procurando a música e Wildflower voltou a tocar. — É isso, gente! Esse é CALM, o novo álbum do 5 seconds of summer... — ela falava, dançando. — Vocês ficam pedindo para eu aparecer mais e cá estou eu, juntando o útil ao agradável, para provar a Michael Gordon Clifford que eu ouvi o álbum! Acreditem, ele já me mandou o link em todos os lugares possíveis e foi lançado hoje! Estou até esperando a minha cópia chegar pelo correio, porque tenho certeza de que ele mandou uma! — Riu nasalado. — Me digam qual música vocês mais gostaram nos comentários. Quero saber se nossos gostos são parecidos, sem mentiras, eu saberei! — Apontou para a câmera como uma ameaça. — Vou deixar esse vídeo salvo para vê-los depois, também vou marcar o chatão e o perfil da banda... Antes que digam que eu não gosto dos outros membros, eu não os conheço, ok? E antes que digam que eu tenho alguma coisa com o Michael, porque sei que vão dizer — ela fez uma careta —, se fosse para roubar alguém do casal, sem nem hesitar, seria a Crystal. Ela é uma deusa! — A mulher sorriu. — Também vou deixar o link do álbum no Spotify... Não é publi, foi uma forma que encontrei de aparecer fazendo algo que eu já faria sozinha... E o álbum é foda, podem dizer! Eu me surpreendi, não conhecia a banda pelo nome, mas já tinha até ouvido, como vocês puderam ver. Vocês sabem que comigo não existem mentiras! — Ela sorriu novamente, antes de jogar um beijo para a câmera. — Espero que tenham gostado de me ver por aqui! Los amo! Adiós!


— Não acredito que ela vez uma live só para provar que ouviu! — Mike riu alto.
— Você sabe como ela é! — Crystal riu junto.
— Quem é essa? Ela é engraçada — Karen, a única que conseguiu ver o vídeo junto do casal, perguntou.
— Eu não sei quem é, mas tem muito bom gosto. Temos de admitir, a mais sensata presente! — Calum falou sério, mas claramente bêbado como a maioria.
— Só que ela não está presente, gênio! — Ashton riu da cara dele.
— É a , a conhecemos em Vegas. Temos nos falado direto, ela é ótima! — Crystal respondeu a sogra.
— Nós a convidamos para vir aqui hoje, mas ela achou que seria muita intrusão — Michael explicou. — Outro dia vocês vão conhecê-la!
— Mas ela está certa, minha voz é linda para cacete! — Luke repetiu, rindo.
— Minha voz parece a porra de um anjo, esqueça, Luke! — Cal rebateu convencido.
— Calum Hood e seu grande ego. Ainda vai chegar o dia em que não caberemos no mesmo ambiente que vocês! — Ashton falou e todos acabaram rindo.


***


Los Angeles, CA, EUA. Sexta-feira.

já tinha finalizado a live no Instagram há alguns minutos, quando recebeu a notificação de que Michael a tinha compartilhado, assim como Crystal, e em seguida recebeu mensagens do homem no grupo que eles tinham mantido.
🍻😈🦍🍆🔥🔥
Michael, Crystal

Michael:
Sabia que você ia gostar, eu avisei!

Michael:
Você deveria ouvir mais os outros, Murphy!

Michael:
Fico feliz que tenha gostado!

Michael:
Obrigado por ouvir, sei que foi sincera.


sorriu, realmente tinha gostado. Respondeu-lhe:

🍻😈🦍🍆🔥🔥
Michael, Crystal

Michael:
Sabia que você ia gostar, eu avisei!

Michael:
Você deveria ouvir mais os outros, Murphy!

Michael:
Fico feliz que tenha gostado!

Michael:
Obrigado por ouvir, sei que foi sincera.

Eu sempre sou sincera!

Eu já conhecia algumas, viu?

Eu adorei, e com certeza vou ouvir outras!

Vocês são muito talentosos!



Bloqueou o celular e fechou todas as janelas abertas no notebook, inclusive o Spotify, onde ainda tocava Wildflower no repeat, e desligou o aparelho. Já era noite e ela ainda não tinha tomado nem banho, passou o dia todo de pijama, tinha colocado apenas um moletom mais arrumadinho para fazer o vídeo. Olhou à sua volta no quarto, tudo estava arrumado e organizado, como ela sempre deixava. Se tinha alguém que gostava das coisas em seu devido lugar, era , sentia até pena de desarrumar a cama perfeitamente alinhada.
Tomou coragem de se levantar da pequena poltrona em frente à escrivaninha e foi até o closet, escolhendo um pijama limpo e quentinho. O inverno — infelizmente e felizmente — já estava perto de acabar. Adorava o frio, mas ficava muito preguiçosa.

10:41pm

Era o horário que o relógio no criado mudo mostrava quando voltou ao quarto. Estava morrendo de fome, só tinha almoçado e não cozinharia nada essa hora. Pegou o celular novamente e pediu uma pizza de pepperoni no delivery 24h, junto de uma pizza doce. Eles rapidamente confirmaram, já que o endereço estava salvo no sistema, demoraria meia hora para a entrega. Ela separou o dinheiro e foi finalmente para o banho.
Às vezes ficava sensível e se sentindo sozinha, e — mesmo que não fosse possível — ela sempre justificava a si mesma como TPM, apesar de ser apenas um pouco de carência. Como naquele momento em que deixava a água quente correr por seu corpo, se sentindo triste por não ter com quem dividir as pizzas, coisa que ela dava graças a Deus por não precisar em dias comuns. Não fazia sentido, gostava de ficar sozinha, mas às vezes o silêncio a incomodava tanto... Arrependeu-se de ter parado a música. Talvez fosse a falta dos latidos e da bagunça de Pandora... Não sabia ao certo, mas ir até a casa de Michael e Crystal — mesmo que o homem só chegasse quando ela estava quase indo embora — a fazia bem. Não tinha amigos com quem podia simplesmente jogar conversa fora, ficar junto e tomar algumas cervejas ou vinho. Conhecia muitas pessoas e tinha seus colegas de bebedeira, com quem podia dançar e encher a cara, mas não eram seus amigos. Talvez tivesse encontrado. Sentiu o coração ficar quentinho ao pensar nisso.


Capítulo 3

Los Angeles, CA, EUA. Sábado.

Uma semana depois.


— Qual o nome dela mesmo? — Ashton quem perguntou.
— É ! — Crys respondeu animada. — Vocês vão adorá-la! Ela é um doce!
— Não parece, mas é! — Mike sorriu.
Kay, Luke, Sierra e Calum também estavam ali na casa do casal. Agora que toda a correria do novo álbum tinha chegado ao fim, poderiam apresentar para o grupo.
— Como ela pode ser um doce? Vocês disseram que ela é lutadora de MMA. — Luke pareceu confuso.
— Ela pode ser as duas coisas! Olhem para... Calum por exemplo. — Michael apontou o amigo sentado numa poltrona longe dos casais. — Parece o tipo sensível? Não! Com esse cabelo loiro, o corpão e as tatuagens, está parecendo um gangster... Mas é um doce! Por isso, ele e combinam tanto, vocês vão ver! — terminou, falando alto.
— Agora entendi do que isso se trata! Você está tentando me juntar com alguém de novo. — Calum nem estava surpreso.
— Você quem vai querer isso no momento que colocar os olhos nela! — Crystal defendeu o noivo.
Quando outras conversas já tinham surgido e os meninos falavam sobre algum acontecimento engraçado nas gravações do último videoclipe, Moose e South se levantaram do colo de Calum e Sierra respectivamente, indo até a porta.
— É ela! — Crystal falou, sorrindo. — Eles já conhecem até o barulho dela chegando!
Segundos depois, todos ouviram a campainha tocar e a mulher de cabelos loiros foi abrir a porta.
— Hey, Crys! — falou animada.
— Hey! Como você está? — As duas se abraçaram.
— Espero que enganada. Diga que errei o dia do jantar! — respondeu, se abaixando para fazer carinho nos cachorros, “conversando” com eles e dizendo que tinha sentido saudades.
Todos na sala ouviam o que elas falavam e riram da voz que ela fazia, mas pelo hall ter uma parede, não conseguiam vê-las.
— Por quê? — Crystal sorriu, vendo South tentando pular na mulher já de pé novamente.
— Você parece que vai para a porra do Oscar. Você não fica feia nunca? — apontou o vestido rose de Crystal, de mangas compridas e saia plissada.
Quem estava na sala viu Mike rir alto e responder.
— Nunca! Ela está sempre linda!
Todos ouviram as risadas das duas e segundos depois elas apareceram na sala.
— Percebi. Essa mulher não foi feita para esse mundo! — falou, olhando para Mike. — Boa noite! — Acenou para todos antes de abraçá-lo.
— Não mesmo, ela foi feita para mim — o homem respondeu por cima dos cumprimentos dos amigos, a abraçando de volta e sorrindo para a noiva atrás dela. — Achei que não ia vir mais!
— Sabe como é, a vida está muito corrida, cheia de compromissos!
— Você está aqui praticamente todo o dia quando eu chego, que vida corrida é essa? — ele rebateu, rindo.
— Ok, digamos que eu acabei cochilando feito uma velha e perdi a hora — confessou, dando de ombros, os fazendo rir.
— Faz sentido, você voltou a treinar essa semana. Deve estar cansada, desacostumou com a rotina — Crystal falou compreensiva.
— Esse é o problema, eu não deveria ter relaxado! Vocês são péssimas influências! — Apontou, rindo.
— Vou fingir que não ouvi isso! — Michael sorriu e a abraçou pelos ombros, guiando-a para o centro da sala de estar. — Pessoal, essa é a . , esses são Ashton e Kaitlin. — Ele apontou para a ponta mais distante do sofá, onde o casal estava sentado, e ela foi até eles cumprimentá-los.
Calum ficou admirado com a beleza da mulher assim que a viu. Sequer ouvia o que eles falavam, ocupado observando-a. Seu cabelo ondulado era lindo e ia até a altura dos seios, negro como carvão, contrastando perfeitamente com a pele dourada de sol e os olhos tão verdes quanto os de Michael e Crystal. Achou graça da camisa que ela usava, preta com uma capetinha segurando uma xícara escrito abaixo “The angels protect me. The demons respect me.”, e por cima dela uma jaqueta de couro também preta. A calça jeans destroyed era clara e justa, dando para notar o quão definidas eram suas pernas. E nos pés ela usava um par de coturnos pretos com salto alto. Calum não conseguia desviar os olhos dela.
Mas, mesmo assim, nem reparou quando a recém-chegada estendeu a mão para cumprimentar Ashton e Luke, em respeito às namoradas que ela abraçou sem hesitar; o primeiro fez uma falsa careta de nojo, a abraçando, e o segundo apenas deu um tapinha em sua mão, a abraçando também.
Ele só percebeu que chegara sua vez de ser apresentado porque Michael colocou uma mão em seu ombro, o despertando do transe.
— E esse é o Calum, o solteirão do grupo.
— Prazer! — falou, o abraçando quando ficou de pé. Percebeu que ele não gostou da piada e continuou. — Mike não entende que existem pessoas que gostam de ficar sozinhas ou apenas não encontraram a pessoa certa.
— Exatamente! Obrigado! — ele falou, quando já tinham se separado.
— Tá vendo? Vocês já descobriram algo em comum! Talvez sejam a pessoa certa um do outro. — Michael riu alto, se sentando na poltrona ao lado de Cal, que bufou rolando os olhos.
— Está explicado por que você está solteira — Sierra chamou sua atenção, indicando o espaço entre ela e Kay na curva do sofá em L. — Só querendo ficar sozinha mesmo. Você é linda!
— Obrigada! — sorriu. — Você também é linda! Para falar a verdade... Estou me sentindo até perdida com tanta beleza nessa sala. — Gesticulou. — Já custei a me acostumar com esses dois, agora mais isso? Se eu agir feito uma idiota, é porque fiquei desconsertada com tanta beleza!
Todos na sala riram alto, dizendo que não era para tanto.
— Conte-nos, — Luke falou curioso, por cima dos comentários. — Como você conheceu esses dois? Eles se recusam a nos contar, mas não param de falar de você.
— Sendo sincera? Eu não me lembro! E eles também se recusam a me contar, então entrem na fila! — riu.
— Como você não lembra? — Kay perguntou confusa.
— Eu bebi muito naquela noite, e eles também até onde eu sei. Então acredito que eles também não se lembram e falam que sim só para zoar com a minha cara!
— É possível, eu faria isso! — Ash deu de ombros.
— A gente lembra sim! — Crys, sentada no colo de Mike, defendeu-se.
— Então conta! — Luke pediu.
— Ou não. Depende. — riu nervosa. — Se for muito ruim, não contem! É minha primeira vez com seus amigos, tenho que causar uma boa impressão.
, nada do que você tiver feito irá assustar esse povo. Eles com certeza já fizeram pior! — Sierra a tranquilizou.
Michael e Crystal a olhavam, assentindo.
— Tudo bem, mas só porque eu também estou curiosa!
Todos olharam para o casal e Michael começou a contar:
— Na verdade, não tem nada de mais... Nós fomos para Las Vegas para ficar sozinhos antes do Natal e curtir um pouco. Crystal postou um story que acabou mostrando onde estávamos e o Bennett me mandou mensagem dizendo que também estava por lá, nos convidando para ir para esse clube. — Deu de ombros. — Nossa intenção já era sair para beber, então nós fomos. Chegamos um pouco tarde lá porque tínhamos coisas melhores para fazer, é claro. — Sorriu safado e Crystal no seu colo tampou o rosto com as mãos, sem graça. — Nós o encontramos lá, encontramos Alex e Jack, o Niall... — lembrou animado.
— Que horas foi isso? Eu estava sentada com ele — interrompeu, querendo saber logo onde estava na história.
— Era umas onze e pouca, meia noite talvez — Crystal quem respondeu. — Ele estava sozinho.
— Nós fomos para o bar e bebemos um pouco, depois fomos dançar. Você sabe como é ali, né, tem aquelas mesas e sofás na altura da pista?
— Sim, aquilo é uma péssima ideia! Já vi várias pessoas caindo em cima da mesa dos outros.
— Foi mais ou menos isso que aconteceu. — Mike riu. — Crystal tropeçou e quase caiu em cima de você, mas eu a segurei e só a bebida dela caiu.
— Isso explica por que meu cabelo estava cheirando a vodca. — acabou rindo junto.
— Você se levantou, pedimos desculpas e você pediu outra rodada para nós. Ficamos conversando a noite toda. Bennett se juntou a nós, já que vocês já se conheciam — Crystal finalizou.
— Bennett Sipes? Ele é um puta cara legal. Bem implicante, mas legal. Sempre nos encontramos em festas! — sorriu. Gostava do cara, só se viam nessas ocasiões e bebiam bastante juntos, principalmente em LA.
Calum ficou surpreso por eles terem outro conhecido em comum e nunca ter ouvido falar dela.
— Mas foi tudo numa boa então? — perguntou desconfiada e a amiga assentiu. — Esquisito, acho que por muito menos eu teria arrumado confusão.
— Você disse que derrubar bebida nunca era de propósito, porque era muito desperdício — Michael explicou e todos na sala riram.
— Ao menos uma bêbeda consciente! — apontou.
— Muito! Teve um cara que veio para cima de você, querendo te beijar, tentando te agarrar. Um médico sei lá de onde. Você acabou com ele!
— O soco mais certeiro que um bêbado já deu! — Michael riu alto. — E o chute também!
Todos na sala riam. não se sentiu nem um pouco envergonhada. Se o cara veio agarrá-la, mereceu.
— Temos uma encrenqueira entre nós, então? — Ashton perguntou, rindo, mas todos viram o sorriso de sumir.
— Não gosto dessa palavra — apontou com um tom mais sério. — E socos e chutes são o que eu faço para ganhar a vida! — Deu de ombros.
— Sobre isso — Luke falou um pouco sem fôlego de tanto rir —, você não parece lutadora.
— Muita gente diz isso! Acho que porque não sou tão malhada... — Murphy o respondia pensativa. — Eu não tomo essas porcarias que muitos tomam, e força não se resume a tamanho.
— É um pouco esquisito, você parece tão delicada! — Sierra sorriu.
— Sou, mas nem sempre. — Sorriu, tirando o celular de um bolso interno da jaqueta, em seguida tirando-a do corpo. — Sou como todo mundo, tenho meus momentos!
Já era primavera e estava bem fresco, principalmente dentro de casa, já estavam sentindo calor.
Todos notaram com um pouco de surpresa as tatuagens nos braços de . Calum ficou admirando o quanto ela ficava mais bonita a cada coisa nova que descobria. No antebraço esquerdo, tinha a tatuagem de uma sereia com traços delicados e ao mesmo tempo marcantes, foi a primeira que chamou sua atenção. era exatamente como uma sereia. Assim que a viu, ficou preso como num feitiço, tinha tudo a ver com ela. Encantadora como uma sereia. Tinha várias outras tatuagens menores, mas ela estava longe, então não conseguia enxergar. No antebraço direito, era uma serpente, também delicada e bem destacada. Cal não soube o porquê, mas a tatuagem tinha uma sensualidade absurda — coisa que a de Ashton não tinha. Mais acima, próximo à manga da camisa, havia a silhueta de duas pessoas se abraçando, dava para ver que era um homem e uma moça, mesmo que só o desenho da mulher estivesse colorido, em tons de rosa avermelhado, como se sangrasse; o homem no abraço não passava de uma sombra. Calum entendeu que era alguém que ela tinha perdido. Ficou triste por ela mesmo sem conhecê-la.
— Fala mais sobre você, ! — Kay quem pediu animada, tirando Calum de seus devaneios.
— Me perguntem o que vocês querem saber que eu respondo!
— Onde você fez suas tatuagens? São fodas! — Ash.
E daí a conversa fluiu. A mulher respondia tudo que lhe era perguntado com muita educação, incluindo a todos e fazendo perguntas também. Logo todos estavam rindo e se entrosando. Calum era o que menos falava. Michael fazia piadinhas sobre ele e sempre que tinha uma brecha, o que o deixava sem graça e emburrado. Sierra só sabia rir das palhaçadas que os outros diziam. Ashton fazia seus comentários a todo o momento, o que rendia muitas risadas. Luke também estava bem falante e acabou se dando muito bem com . Crystal e Kay faziam alguns comentários aqui e ali, mas estavam mais quietas.
— Gente, não queria falar nada... Mas estou com fome! — riu quando um breve silêncio reinou na sala.
— Eu até me esqueci de que viemos jantar! — Sierra riu também.
— Eu também me esqueci! — Crystal se levantou. — Que bom que deixei as tortas no forno para não esfriarem. Podem ir se sentando.
Todos se levantaram e foram para a sala de jantar, onde Ashton se sentou em uma das cabeceiras da mesa com Luke, seguido de Sierra de um lado e Kay do outro, seguida de dois lugares vazios. e Calum acabaram ocupando-os.
Michael trouxe as tortas junto a Crystal, e ambos ainda voltaram à cozinha para buscarem vinho e cervejas. Mike sentou-se de frente para Ashton e Crys, no último assento disponível.
— Ora, Calum, vejo que você está começando a mostrar interesse... — Michael brincou, assim que notou perto de quem ele estava e todos na mesa deram uma risadinha, exceto , que acenou negativamente em sua direção, já estava chata a situação. A mulher achava até engraçado, mas percebeu que Calum já estava de saco cheio.
— Vocês parecem estar na porra do 5º ano! — Hood exclamou sério, começando a se servir.


***


Depois de longos minutos e muitas risadas, todos estavam de volta à sala. Dessa vez, quem se sentou na poltrona ao lado de Calum, deixando os casais juntos no sofá. Todos seguravam uma garrafa de cerveja, exceto ela e Kay, que teriam que voltar dirigindo e deixando cada um em sua casa, já que Ashton estava bem alegrinho e todos vieram juntos.
— So nah nah honey, I’m good, I could have another but I probably should not. — Ele era o único de pé e cantava junto à música country que tocava, imitando um sotaque caipira mesmo que o próprio cantor não o tivesse, fazendo todos rirem com o exagero na performance
já se sentia em casa com eles, parecia conhecê-los há anos. Ficou feliz que Kaitlin e Sierra a receberam tão bem, geralmente as mulheres não gostavam muito dela, principalmente por ter mais facilidade em conversar com homens. As duas eram muito simpáticas e educadas, exatamente como Crystal descreveu. Ashton era extremamente engraçado, com suas piadinhas atrevidas e desaforadas — sem ser mal-educado —, não parava de rir perto dele. Luke também fazia várias piadas, a maioria de tiozão, mas eram tão bobas que a faziam rir da mesma forma. Ele e Sierra lhe deram muita atenção, mesmo que fosse apenas para falar de como a torta de legumes estava gostosa. Calum foi quem menos interagiu com ela, ele estava mesmo incomodado com as brincadeiras de Michael. Não gostou de ver o rapaz assim, o casal falou tanto sobre ele ser engraçado e brincalhão... Não parecia a mesma pessoa que descreveram a ela.
— Cal, meu amigo, até a Moose tem mais atitude que você! — Michael riu alto quando viu a cachorrinha no colo de lamber seu rosto. Ele estava ainda mais bobão pela bebida.
O homem não disse nada, apenas se levantou, indo até a cozinha pegar outra cerveja. esperou Mike se distrair com um novo assunto qualquer e se levantou, indo atrás de Calum. Tinha que falar alguma coisa, afinal ela tinha certa culpa na história.
Ao entrar, viu o homem encostado na ilha no centro do cômodo, com uma nova garrafa em mãos. tinha de admitir, ele era sexy e muito bonito. Mesmo completamente coberto, com a calça jeans escura — que lhe caía muito bem — e o moletom cinza da Santa Cruz, dava para notar como ele era forte — mesmo que ela já soubesse disso, e também as tatuagens que a roupa escondia, já que Michael tinha lhe enviado umas 300 fotos dele sem camisa. Mesmo tendo quase 1,70 de altura mais o salto, acabava se sentindo pequena próxima dele, o que ajudava a fazê-la se sentir ainda mais atraída. Não era à toa que seu eu bêbada concordou com Mike bancando o cúpido. Aquele era o bendito combinado, afinal.
— Você não deveria levar as coisas que ele fala para o coração! — Viu o rapaz se sobressaltar, levando um susto, e riu.
— Você não deveria chegar assim! — ele falou rabugento.
— Foi mal, me desculpe.
Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos. A mente de trabalhava de forma rápida, pensando no que poderia dizer, mas nada surgia.
— Me desculpe também. Não é de você que estou com raiva — ele suspirou.
— É... Eu percebi que você não está gostando das brincadeiras... — deixou a frase no ar, um pouco incerta se estava começando bem, fazendo Calum olhá-la. — Você conhece o Michael melhor do que ninguém... Sabe que ele só continuou com isso porque viu que está te irritando, né?
— Eu sei! Mas é extremamente irritante, não consigo evitar!
sorriu ao ouvir seu sotaque bonito soar mais carregado. Sua voz já era linda nas músicas, mas não era nada comparada a ouvi-lo pessoalmente.
— Ele vem fazendo isso desde que todos estão namorando. Aonde quer que a gente vá, ele fica arrumando pessoas para me apresentar — bufou e continuou exasperado. — E agora te traz aqui, como se fosse um tipo de mercadoria para eu conferir... Isso está errado!
— Se te serve de consolo... — Ela se aproximou, se sentando numa das banquetas da ilha. — Eu quem vim conferir a mercadoria que me está sendo oferecida.
— Você já sabia que essa era a ideia dele então? Nos juntar? — Ele estava completamente surpreso. A mulher apenas assentiu com um sorriso. — E você não liga?
— Não. Ele pode nos apresentar e zoar à vontade, Calum... Se alguma coisa vir a acontecer, será porque a gente quis. — Deu de ombros, vendo-o se sentar ao seu lado. — A melhor coisa a fazer, se te incomoda, é ignorar. Ele vai perder a graça.
Calum ficou em silêncio, pensativo. Ela tinha razão, não tinha por que ficar tão irritado. Ele empurrou a garrafa sobre o mármore, oferecendo para ela.
— Acho que fiquei mais irritado quando te vi — falou, sem pensar, se virando de frente para ela. — Não queria confessar o quanto te achei atraente.
Ela sorria em sua direção com o rosto apoiado em uma das mãos. Endireitou-se no lugar e bebeu um gole da cerveja antes de dizer.
— Você também não é de se jogar fora! — Ambos sorriram. — Está vendo? Você fica até um pouquinho mais bonito quando sorri.
Ele ficou sem graça, mas não conseguiu desviar os olhos. Notou que ela não usava maquiagem alguma, o que a tornava mais bonita em sua opinião. Percebeu com um sorriso que ela tinha pequenas sardas no rosto, quase imperceptíveis de tão suaves... Achou fofo. Seu rosto era tão delicado que só lembrou sua profissão quando notou uma cicatriz em cada supercilio e uma perto da boca, não gostava muito da ideia de vê-la machucada. Viu que ela usava um par de brincos dourados de serpente, talvez fosse pela tatuagem, mas achou que combinava e muito com ela. A observou tomar outro gole da bebida e lhe empurrar a garrafa de volta.
— Já bebi demais por hoje, tenho que chegar em casa viva!
— Onde você mora? Talvez seja no nosso caminho... Certeza que Kay não se importaria.
— Não precisa, eu levo menos de trinta minutos daqui. — Ela sorriu e Calum assentiu.
Assim como ele, também o observava com um sorriso. Agora Calum mexia a garrafa de cerveja de um lado para o outro na bancada, como se estivesse nervoso, e a mulher demorou longos segundos para conseguir desviar os olhos de suas mãos grandes e bonitas. Olhando melhor seu rosto, reparou as duas pintinhas em sua bochecha, perto de sua boca bem desenhada e cheinha. Era até um certo charme... Os olhos um pouco puxados lembravam os de asiáticos, mas já sabia que sua descendência era escocesa e neozelandesa. — Michael frisou bastante isso para ela. Era engraçado como ele tinha sobrancelhas grossas e escuras e seu cabelo estava pintado de loiro. Reparou que sua barba estava começando a crescer e seu rosto parecia um pouco queimado de sol. Ele era ainda mais lindo de perto.
— Então... Dessas pessoas que o Mike te apresentou, de quantas você se aproveitou? — perguntou, voltando a olhar suas mãos, os dedos longos já a faziam pensar besteira.
— Nenhuma. — Arregalou os olhos. — Por quê?
— Por nada...
— Vamos, Calum? Já está tarde e Ashton está quase dormindo no sofá. — Kay entrou na cozinha, interrompendo-a.
— Eu também já vou. — se levantou, ignorando o olhar curioso que Hood lhe dava, acompanhando Kaitlin para a sala. Ele ainda ficou sentado algum tempo, pensando no que ela diria antes de ir também.
Quando saiu dali, todos já estavam do lado de fora, se despedindo com acenos e desejos de boa noite. Calum estranhou não ver outro carro parado ao lado do de Ashton e sim uma moto grande, preta e chumbo da BMW, muito robusta e que parecia ser bem rápida.
— Até outro dia, então! — dizia, enquanto amarrava o cabelo num coque baixo e colocava o capacete que até então estava no guidão. — Agora que estão mais tranquilos, vou me organizar direito para vocês irem lá em casa! — terminou de falar, fechando a jaqueta e subindo na moto.
— Quero só ver, parece que você não gosta de visitas! — Mike falou alto e todos ouviram a mulher rir.
— Não gosto mesmo, mas vou abrir uma exceção para vocês! Boa noite, gente! — ela falou alto também e saiu acelerando. Sumiu na rua vazia em questão de segundos, depois de buzinar duas vezes.
Calum tinha a boca aberta, não achava que seria possível ela ficar mais sexy.
— Cuidado, Cal, a baba vai escorrer! — Crystal riu perto dele.


Capítulo 4

Los Angeles, CA, EUA. Quarta-feira.

Já era quase uma hora da tarde e Calum ainda estava deitado na cama junto de Duke que dormia em cima das cobertas. Estava com tanta preguiça que nem tinha se levantado para tomar café, comeu apenas os biscoitos do pacote que deixou em cima da mesa de cabeceira. Estava no celular desde que acordara. Já tinha respondido as mensagens mais importantes, como as de sua mãe, e olhado as redes sociais, quando viu mensagens chegando ao grupo de nome esquisito que antes tinha apenas Mike, Crystal e , e agora tinha todos os oito. Sierra tinha acabado de mandar uma foto tomando sol com Luke e Petúnia, causando uma reação em cadeia, já que todos mandaram uma foto do que estavam fazendo. Ashton mandou uma de Kaitlin distraída no celular e ela mandou uma bem tremida de Ash sorrindo descabelado; Crystal mandou uma no sofá com Mike, South e Moose junto dela; Calum acabou mandando uma dele e de Duke bem de pertinho, já que ele tinha acordado com seu riso; Calum já tinha fechado o grupo, quando mandou uma foto também. Era seu reflexo numa porta de vidro, num aeroporto. Até sem muita nitidez ela ficava bonita, foi o que Calum pensou ao ver sua roupa de moletom mais largada. Kay mandou logo em seguida:
“— Onde essa princesa está indo?”
E respondeu em áudio:
“— Essa princesa aqui já chegou a tão tão distante, sua cidade natal, para visitar a família.” — Ela ria no final.
“— Eu quero presentes do México!” — Michael mandou.
“— Você sabe que tão tão distante é do Shrek, né, princesa?” — Ashton riu debochado.
“— Não é presente se você pedir!” — Luke mandou, respondendo a mensagem de Mike. — “Até porque se fosse para pedir algo, eu pediria a melhor tequila que pudesse encontrar... Mas só se eu estivesse pedindo algo”. — Dava para ouvir a risada de Sierra no fundo antes do áudio acabar.
“— Claro que eu sei, por isso que é perfeita! Eu sou uma ogra presa no corpo de uma princesa!” — Ela riu, respondendo Ash. — “E eu não prometo nada a ninguém, mas vou pensar com carinho” — ela disse, por fim, em um segundo áudio, respondendo Luke.
As conversas eram o dia todo. Eles mandavam piadas, músicas, fotos, memes, vídeos... Era bom todos interagindo.
Calum já tinha percebido que não era americana, mas ficou surpreso ao saber sua nacionalidade. Ela não tinha sotaque nenhum. Pensando em como não sabia muito sobre ela e mesmo assim a mulher não saía de sua cabeça, acabou entrando no instagram novamente e procurando por ela depois de responder o grupo com risadas. Não gostava de stalkear as pessoas, mas já tinha se segurado por tempo demais. Abriu o primeiro perfil verificado.

Murphy — The Storm
Atleta
Champion twice! 😜💪
Mexicana mi amor 🔥
• San José del Cabo, Baixa Califórnia Sur, México.
• Los Angeles, Califórnia, Estados Unidos.


Era sua bio. Viu que todos já a estavam seguindo e começou a segui-la também, não se sentindo mais o maior doido. Não havia muitas postagens e sim muitos destaques; os títulos deles variavam: Family, Pandora, Parties, Fights, Workouts, Tattoos, Fans. Como eram muitos, Calum deixou para olhar depois.
A última foto postada no feed era a mesma do perfil, de um ensaio fotográfico, onde usava um vestido longo e preto com um belo decote, um cinturão em cada ombro. Ela sorria para a câmera e sua postura era perfeita. Mesmo usando bastante maquiagem, continuava linda. Era uma rolagem de quatro fotos e na segunda ela estava sentada com as pernas à mostra por conta das fendas do vestido. Os dois cinturões estavam no chão aos pés dela. Ela usava saltos pretos e uma coroa dourada brilhante. Nesta, ela estava séria e apoiava uma das mãos onde estava sentada e a outra no rosto. Na terceira era apenas ela, mostrando a língua e dando os dois dedos do meio. Na última, ela usava um top preto brilhante onde, em vez de UFC, estava escrito “MURPHY” em dourado e um short preto curto, ela segurava os dois cinturões no alto, mostrando os bíceps não tão fortes. sorria convencida para a câmera e em seu braço esquerdo podia ser visto perfeitamente — o que era a ideia — “Beware, I’m the storm!” tatuado. No outro braço, na mesma posição, ele pôde ver “1977” e “2017”, um em cima do outro, separados por um pequeno coração entre duas luas do mesmo tamanho.
Ela era uma mulher e tanto. Tudo que via só o fazia ter mais certeza de como ela era foda. Olhou mais fotos e sua maioria eram de lutas, imagens pegas no momento exato dos golpes — o que Cal tinha de admitir, o surpreendeu e o deixou até um pouco assustado. O que não gostou de ver foi com o rosto machucado ou inchado. Havia muitas fotos dela em frente ao espelho num closet todo claro, usando roupas diferentes.
Ela fica bem com tudo. E com certeza sem nada também.
Ficou sem graça com seu próprio pensamento, sentindo seu rosto ficar quente, as várias fotos dela na praia — tanto em LA quanto na cidade de San José, e vários outros lugares, como no Rio de Janeiro e até na Austrália — não ajudavam seus pensamentos. Mas, vendo essas fotos, Calum pôde notar outras tatuagens cobrindo seu corpo — o que mudou seu foco —, como as duas borboletas em seu ombro direito e a tornozeleira de flores amarelas e delicadas no pé do mesmo lado. Em uma foto que ela estava de costas, pôde ver “I’m the hero of this story. I don’t need to be saved”. tatuado bem no meio dela; e em sua costela esquerda a frase “Dedícale más tiempo a lo que te hace feliz!”, que ele teve que colocar no Google para ter certeza do que dizia. Conseguiu finalmente descobrir quais os outros desenhos em seu braço próximos à sereia, todos bem pequenos; havia uma garrafa de tequila com um copo de shots, um coração em sua forma anatômica, um disco voador abduzindo uma pessoa, uma tartaruga toda colorida, um globo sendo rodeado por um avião, um pitbull, um fantasma segurando uma xícara, um querubim, um pequeno panda de costas, uma abelha menor ainda, um astronauta e a silhueta de uma mulher se abraçando. Mas uma das que mais chamou sua atenção ganhou um post junto com um desenho claramente feito por uma criança, era uma das poucas postagens que tinha algo na legenda além de emojis: “Obrigada, Noelle e Audrey (@kinkink), por realizar o sonho da minha querida Micaela de ter seu desenho tatuado em mim! Ela diz que quer ser tatuadora também. 🥰😊”. Era o estúdio onde ela disse ter feito todas as suas tatuagens e a em questão era uma das poucas coloridas bem perto do ombro, um perfeito quadrado pequeno e cor de rosa com um monstrinho que parecia ter vários braços e em cada um deles saía um bichinho diferente. A tatuagem era muito parecida com o desenho, mas muito mais bonita é claro. Na segunda foto do post, estava com uma menina em seu colo que parecia ter uns cinco ou seis anos, as duas sorriam para a câmera, enquanto a menina morena tinha os braços levantados, tentando abraçar o pescoço de . Calum achou a atitude fofa, mas não entendeu qual seria seu parentesco com a menina.
Recebeu a notificação de que ela havia o seguido de volta e sorriu bobo para o celular, como se fosse grande coisa.
Ficou muito tempo ali, olhando tudo, vendo todos os detalhes das fotos e descobrindo mais coisas, como quem era sua mãe, Paulina — pelo post em homenagem ao Dia das Mães, já que a única semelhança das duas era o sorriso e o tipo de cabelo, sendo o de Paulina mais claro e mais longo. Sua pele era mais morena e os olhos eram castanhos. Ela parecia nova e lhe era muito familiar. Ao entrar no perfil dela, descobriu o porquê, ela era atriz. Nas fotos mais recentes, sua mãe era a mais presente. Também viu algumas outras pessoas, mas não soube dizer quem era quem. Nas fotos mais antigas, soube quem era seu pai sem esforço. Os dois eram muito parecidos, tanto na cor do cabelo quanto dos olhos, no formato do rosto e até o nariz. Soube o porquê de ser “alta”, seu pai deveria ser mais alto que Calum, e Paulina também não era nenhuma baixinha. Os dois pareciam muito próximos e pelo que Calum pôde ver, ele tinha muitas tatuagens como a filha tinha hoje. A última foto com ele era em Agosto de 2018, os dois davam língua para a câmera e ambas estavam azuis, dava para ver que a foto tinha sido tirada num dia de verão e a legenda dizia: “Há um ano que sofri o golpe mais doloroso de toda a minha vida. Ainda tento me acostumar com a falta que você me faz todos os dias... Sempre vou te amar, pai, daqui até a lua, indo e voltando dez bilhões de vezes! 🌕❤🌕”.
Calum conseguia imaginar criança dizendo a última frase para o pai todos os dias antes de dormir. Se deu conta de que a tatuagem do abraço era para ele, assim como a outra com os anos. Não conseguia nem imaginar o tamanho da dor da mulher. Sentiu seu próprio coração apertar, pensando na tristeza que ela deveria sentir. E como se fosse um sinal para mostrar a ele que ela estava bem, viu que estava ao vivo e entrou na live para assisti-la.


***


San José del cabo, BCS, MX. Quarta-feira.

Do Aeroporto Internacional de Los Cabos até a casa dos avós na Costa Azul, e seu avô demoraram cerca de meia hora por conta do pequeno trânsito. Dário não era um homem de muita conversa, por isso contou apenas algumas novidades e no restante do caminho insistiu que escolhesse as músicas que tocavam. Ele fez questão de ir buscá-la mesmo que fosse para ficarem quietos enquanto ela mexia no celular, era sua primeira neta afinal.
Quando chegaram, o restaurante da família já estava fechado por conta de sua chegada, mesmo que hoje, diferentemente da época em que sua mãe era adolescente, houvesse vários funcionários. Na varanda da casa, logo ao lado do estabelecimento, estava sua mãe, sua avó e sua tia a esperando. Assim que o carro parou, todas as três desceram os degraus correndo. No meio do caminho, Alma empurrou as duas filhas, uma para cada lado, sendo a primeira a abraçá-la.
— Senti saudades, minha querida! — Ela a abraçava apertado. — Você não pode ficar tanto tempo sem vir aqui!
— Eu sei, abuela, eu sei! — ria, balançando de um lado para o outro, abraçada a ela. — Já era para eu ter vindo mesmo!
— Ok, mãe, já deu, é minha filha, né — Paulina falava, observando a cena.
Alma ainda beijou as duas bochechas da neta antes de soltá-la e ir até o marido, que já tinha tirado a única mala do carro. A mãe de parou à sua frente com um grande sorriso e os braços abertos, fazendo-a rir, antes de se aconchegar no abraço.
— Senti saudades, filha! — Paulina acariciava seu cabelo.
— Ninguém mandou a senhora ficar aqui quatro meses e me deixar largada na Califórnia. — A mais nova fingiu estar chateada.
— A senhorita sabe muito bem como é difícil ir embora daqui! — sua mãe falou baixinho como se fosse um segredo.
— Não tinha ninguém te segurando! — Alejandra falou alto, empurrando a irmã, que já tinha se afastado de , e a abraçou apertado. — Já você, muito pelo contrário, eu vou acorrentar ao pé da cama para não ir embora!
— Sai fora, tia! — riu, se soltando do abraço. — E que história é essa que o Javier arrumou uma namorada? Talvez eu fique aqui mesmo, mas para colocar ordem nessa casa! — falou séria e viu sua tia ficar sem graça.
— São só crianças, eles só ficam de mãos dadas!
— Mentira! — Paulina apontou para a irmã. — Eu vi os dois cheios de beijos no portão da escola quando fui buscar as crianças ontem!
— Meu Deus, tia, já já a senhora vai ser avó! — riu alto e todos a acompanharam, exceto Alejandra.
— Ele só tem 13 anos!
— Eu fui mãe aos 16! Está pertinho... — Paulina debochou da irmã.
— Ela tem 12!
— As crianças estão cada vez mais precoces, tia! — A mais nova ria ao lado da mãe.
— Meninas, por favor — Alma começou a falar séria. — Eles só estão juntos há um mês, vamos fazer as piadas quando der pelo menos uns três!
Todos explodiram em risadas e até Alejandra acabou rindo junto.
— Vocês não prestam!
— Ninguém aqui presta! — a corrigiu alto, depois de finalmente conseguir pegar a mala de couro das mãos de seu avô, depois de tanto insistir que poderia levá-la.
Todos já começavam a adentrar a casa. não conseguia parar de sorrir, esse sim era seu lar. Sua parte favorita do ano sempre foi o período em que ficava em San José. Olhou para o outro lado da rua, para areia branquinha e fofa e para imensidão em belos tons de azul. Esse lugar era o motivo de gostar tanto de praias. Inspirou fundo a brisa marinha e expirou, sentindo-se em paz por estar ali. Olhou para o restaurante da família fechado, não se lembrava de como ele era antes das reformas que seus pais ajudaram seus avós a fazer, mas se lembrava da bagunça em que tudo ficou durante o processo. Suas maiores lembranças já eram na casa nova comprada exatamente ao lado da antiga. Não se lembrava dos quartos aos fundos do restaurante e da pequena cozinha que ligava tudo, mas se lembrava perfeitamente de tudo dentro do grande chalé de madeira. Estava de pé na varanda, quando sua mãe e sua tia passaram por ela, dizendo que iriam ao mercado; as duas avisaram que seus avós foram descansar e que ficaria no quarto de Javier, que era seu antigo quarto, já que seus primos e sua tia moravam ali agora.
Murphy subiu rapidamente, sem precisar pensar para onde ia, conhecia tudo como a palma de sua mão. Entrou em seu antigo quarto e viu o quanto estava diferente. A cama de casal no centro do cômodo era a mesma, mas a colcha agora era do Superman e as paredes estavam pintadas de azul e não mais no tom de amarelo claro. Os outros móveis também eram os mesmos, o guarda-roupas claro de madeira estava no mesmo lugar e, ao abri-lo, percebeu que todas as roupas que tinha deixado ali estavam do mesmo jeito. Guardou a mochila e a mala de mão depois de pegar uma muda de roupa. A cômoda que ela nunca gostou de usar estava no mesmo lugar perto da janela e provavelmente era ali que as roupas de Javier estavam. A escrivaninha era a única coisa nova, sobre ela havia um computador e na frente uma cadeira gamer grande e de rodinhas. não ficou chateada, sabia que tinha um motivo para eles estarem morando ali, e ela não se importaria de dividir o quarto com ele ou com Micaela.
Foi para o banheiro no final do corredor e tomou um banho rápido, voltando para o quarto e começando a se organizar. Ao pegar sua mochila novamente e tirar o notebook de dentro dela, encontrou a lista de perguntas que fez durante o voo, pegando os comentários da live de dias atrás. não era o tipo de pessoa que aparecia contando tudo de sua vida, nunca teve o costume de ficar fazendo stories contando sua rotina ou lives, mas desde que reagiu ao álbum da banda, muitas pessoas pediram para ela fazer algo parecido novamente. Ela não sabia se sua quantidade de seguidores era por conta do que fazia, por sua mãe que era tão famosa quanto ela ou por seus avós paternos, também bem conhecidos. Ou ainda se as pessoas a seguiam por algum outro motivo, como o fato de aparecer com muitos artistas ou se envolver em algumas confusões aqui e ali. Ou apenas para verem suas fotos, como já viu algumas pessoas comentarem. O máximo que fazia era mostrar seus treinos e fotos normais como todo mundo, interagia de vez em quando, mas só isso, então não sabia muito bem o que fazer, por isso selecionou algumas perguntas.

2:13PM

Era o horário no seu celular, ainda no fuso da Califórnia, então já eram 3:13PM. Ainda ia demorar um pouco para as crianças chegarem e não estava fazendo nada mesmo. Posicionou-se em frente à escrivaninha e ligou seu notebook, colocando uma música para que não ficasse um silêncio excruciante quando ficasse quieta. Iniciou a transmissão ao vivo quando já tinha se organizado. Ficou apenas se encarando por algum tempo e se surpreendeu por aparecerem tantas pessoas, muito mais do que ela pensava.

— Heey, heey, heey — repetia, olhando as pessoas entrando para assisti-la. — Só estou esperando aparecerem mais pessoas... — Reconheceu o user de Calum, a quem começou a seguir no caminho pra casa, subindo na tela pouco tempo depois e sorriu feito boba. — Ora ora, olha quem temos aqui. — Ela olhava para câmera como se pudesse vê-lo e riu. — Fico feliz em vê-los aqui e... Bom... Oi, né, gente? Antes de qualquer coisa, já me perdoem, eu não tenho a mínima ideia do que estou fazendo! Apareci de novo, sim, duas vezes em menos de três semanas. Milagres acontecem... — Viu as mensagens das pessoas a cumprimentando de volta e já viu perguntarem onde ela estava.
— Eu estou no México! — Levantou-se, pegando o celular do seu apoio improvisado, trocando para a câmera traseira e indo até a janela do quarto. — Quando vocês se perguntarem o porquê de eu sempre vir para cá, pensem: LA tem uma praia dessas, gente? Não tem. — Mostrou a praia com alguns turistas e adolescentes, a Costa Azul era linda. Se lembrou de alguns comentários do vídeo anterior quando começava a voltar para o seu lugar e acabou virando a câmera para o espelho no guarda-roupa, falando debochada. — Essa sou eu sendo blogueira! — Fez um V com os dedos, rindo por estar de meias e chinelos, shorts jeans e um moletom azul surrado de Berkeley que era de seu pai. — Estilo é comigo mesmo! — Mostrou o quarto em seguida ao ver alguns comentários na tela. — Como podem ver, meu quarto foi tomado de mim. Ao que parece, quando se tem mais de vinte anos, você não tem mais direito a um quarto na casa dos avós! — Fez uma voz ofendida e parou a imagem na colcha da cama. — Na minha época, tínhamos super-heróis de verdade por aqui. As meninas superpoderosas arrasavam nesse quarto!
Riu de suas próprias piadas e voltou para a escrivaninha, mudando a câmera de novo.
— Eu vou responder algumas perguntinhas aqui hoje, ok? Se você não tem interesse em saber, é só sair! Evite ser bloqueado, xingado ou qualquer merda do tipo. — Ela fez sinal de positivo com os polegares. — Eu separei algumas que eu achei interessantes, mas estou de olho no chat também... Bom, vamos lá.
Sorriu e olhou sua lista.
— “Você esteve em São Francisco, fez novas tatuagens ou pretende fazer novas?” Sim e sim. Eu fiz, sim, uma nova, mas ela ficou num lugar um pouco escondido, por isso eu não postei a foto. É uma frase bem no início da coxa e ela termina mais na virilha... A minha ideia é fazer algo na coxa do mesmo lado, pegando um pouco na bunda também... Por isso eu quis bem para o canto, mas acho que ficou demais. — Riu. — Ainda não sei o que eu vou fazer... Mas quero algo um pouco maior, talvez a Medusa ou... Uma fada, não sei ainda. Minhas meninas já estão providenciando, elas sabem do que eu gosto!
Piscou para a câmera e olhou o chat, rindo de alguns comentários.
— Eu não vou tatuar o rosto de ninguém! E eu pensei em outra serpente ou outra sereia, porque eu acho que combinam muito comigo e eu realmente gosto, mas acho que vai ficar esquisito repetir! — Continuou olhando as mensagens à procura de alguma pergunta. — É uma bela frase, vou deixar vocês tentarem adivinhar. Próxima. — Riu, voltando a olhar a lista. — “Cadê a relíquia Harley?” e “Com qual moto você está agora?” Então... A relíquia se tornou apenas lembrança. Eu tive um pequeno acidente no meio do ano passado, por bobeira minha mesmo! — explicou. — A moto acabou e não valeria a pena consertar... Eu não sei nem como, mas eu só tive alguns arranhões — falou depois de ler um comentário perguntando se ela tinha se machucado muito. — Acredito que porque minha abuela reza e muito por mim. Ela odeia motos e, por ela, eu nunca mais teria. Mas, para o desespero dela, comprei logo duas. Fiquei o resto do ano sem e fiquei na dúvida por muito tempo entre um modelo novo da BMW e um da Harley... A da BMW é bem mais potente e seria a escolha mais óbvia, eu sei disso, mas gosto muito da Harley. Não consegui escolher. É uma BMW R1250 GS e uma Harley Low Rider S, meus bebês.
Respondeu por fim, olhando o chat em seguida e depois voltando para a lista.
— “Qual a sua bebida preferida? Você tem cara de que bebe muito.” — riu. — Eu gostaria de me sentir ofendida com esse tipo de comentário, mas não dá. Minha bebida preferida é tequila, com toda a certeza! Sim, bem pinguça mesmo!
Riu alto lendo os comentários.
— Gostaria de dizer que sou bem madame, bem delicada e fina que só bebe vinho, mas seria uma mentira deslavada. Eu gosto mesmo é de cerveja, cachaça... — Foi enumerando nos dedos. — Eu gosto de drinks, até bebo vodca... Mas tequila é meu ponto fraco!
Finalizou com um sorriso e mudou de assunto:
— “Fala sério, mostra o que você ouve de verdade.” — revirou os olhos lendo sua folha. — Se tem uma coisa que eu não sou, é mentirosa! — Pegou o celular, trocando a câmera novamente e mostrando a tela do notebook, onde o Spotify estava aberto e desceu um pouco. — Olhem aqui. — Apontou com o dedo o Tocado recentemente, onde se via uma playlist chamada Today’s Top Hits, que era a que tocava, seguida de uma feita por com o nome 5SOS, depois Daily Mix 2 e o perfil do artista Niall Horan. — Isso deixa claro? Espero que sim
voltou a posicionar o celular onde estava e olhou os comentários, a maioria já acreditava nela antes, outros diziam que também gostavam da banda e perguntavam sua música preferida. Mas alguns focaram num nome em especifico.
— Não, eu não namorei o Niall — respondeu, revirando os olhos. — Quem o conhece e já o viu responder sobre isso em várias entrevistas sabe que o que aconteceu entre nós foi alguns beijos. Vocês já o viram? Somos muito diferentes. Nunca daria certo! — brincou, tentando não soar grosseira. — Somos só amigos!
Viu alguns outros comentários citando 5 Seconds of summer e leu um:
— “Reage aos clipes da 5sos, vai ser muito mais engraçado.” E isso nos leva a “Reage a outras músicas da banda.” “Reage a outros álbuns”... Isso não será possível! — Ela fez uma expressão triste. — Nos últimos dias, eu fiz uma maratona de 5 seconds of summer. Eu escutei todas as músicas disponíveis no Spotify e as que não estão também, os tesouros perdidos! Zerei o canal deles no YouTube. Não tem mais ao que reagir! Eu já me sinto o quinto membro da 5SOS gente, só estou esperando o convite e se precisar fazer uma prova, eu tenho todas as respostas na ponta da língua!
“Ok então.”
“Quem é o membro mais lindo? Uma dica: começa com C.”

leu os comentários dele em voz alta.
— Esse é o Calum, com certeza! — respondeu, rindo. — Não precisava nem de dica, até porque eu não diria o nome dos comprometidos.
“Fuck ya, você passou no teste.”
“Você aceita fazer parte da 5SOS? Nós podemos dividir o cargo de membro mais lindo!”

riu ao ler alto seu comentário.
— Eu aceito! — a mulher falou com um grande sorriso, amando a brincadeira. — O único problema é que eu não sei tocar porra nenhuma! Então a partir de hoje 5SOS tem 5 vocalistas, sendo dois deles guitarristas, um baterista, um baixista e uma dançarina, que é o que eu posso fazer! — Riu alto e leu o comentário de Calum mentalmente.
“Por mim está ótimo, sempre achei que precisávamos de uma. Tudo combinado!”
— Eu estou numa banda agora! — Sorriu para a câmera. — Isso é ótimo, vou poder...
Uma batida na porta foi ouvida.
— Essa é minha deixa, meu tempo acabou! — assentia em direção à porta, onde sua mãe a sinalizava para descer. — É isso. Terminamos com essa super notícia, finalmente o nome da banda faz sentido! — brincou. — E agora eu posso concordar com os comentários de que os meninos são todos incríveis... Agora conheço e gosto de todos! — explicou, como já era sua intenção. — Bom... É isso! Até a próxima, gente! Foi bom conversar um pouco... Eu adorei! — Ela se levantou com o celular na mão. — Até a próxima! Los amo! Adiós!


Finalizou a live e a salvou como a última. Desligou o notebook e jogou a folha no lixinho aos pés da escrivaninha. Antes de descer para o andar de baixo, foi até o direct e procurou o nome de Calum, mandando para ele:

Calum Hood

Heey, mate.

Não quero nem saber, hein. Quando chegar a LA, já quero o contrato na minha mesa!

Não dá mais para voltar atrás, tem várias testemunhas.



riu sozinha, saindo do quarto e deixando o celular em cima da cama.


Capítulo 5

Los Angeles, CA, EUA. Quarta-feira.

Calum respondeu as mensagens de um segundo depois:

Murphy

Heey

Isso não vai ser um problema, eu praticamente decido quem entra e quem sai mesmo!

Que dia você volta? Vou providenciar a papelada! HAHAHA



Ele perguntou, fazendo graça e um pouco curioso, sabia que ela não ficaria muito tempo lá e assim que ela voltasse, seria o almoço na casa dela. Estava ansioso para vê-la novamente. Alguns minutos se passaram e ele percebeu que ela não responderia mais. Se sentiu um pouco idiota por respondê-la tão rápido, mas agora não tinha mais volta.
Como tinha tomado coragem de se levantar, deixou o celular de lado e deu uma geral na casa. Arrumou a cama, recolheu todas as roupas sujas espalhadas pela quarto e colocou no cesto, guardou tudo que estava fora do lugar, como o notebook, seu caderno, o violão e alguns casacos limpos, entre outras coisas. Todas as embalagens de biscoitos e doces que encontrou foram para o lixo, junto das cinzas do cinzeiro na sala e das latas de refrigerante e garrafas de cerveja vazias que estavam na cozinha. Calum não era bagunceiro, mas tinha um pouco de preguiça de estar sempre organizando as coisas. Arrumou as almofadas no sofá, em seguida abriu a porta que levava ao quintal para entrar um ar e sorriu, vendo Duke correr para fora.
Quando terminou, pensou por algum tempo no que mais deveria fazer, e como ainda era muito cedo para preparar algo para jantar, foi para o banheiro tomar banho.
Seus dias costumavam ser bem tranquilos. Quando não estava em casa, como hoje, estava no estúdio com os meninos ou na casa de algum deles. Após o álbum ser lançado, estava tudo calmo até demais em sua opinião. Calum gostava de passar o dia no estúdio, fosse gravando, fosse compondo ou apenas conversando, tentando criar algo. Os quatro já tinham feito algumas lives e algumas entrevistas online para divulgar o álbum, mas apenas isso. A turnê referente a ele seria só no ano que vem, então estavam indo com calma, mas já tinham tido um bom retorno. Os fãs da banda eram incríveis, disso nenhum deles tinha dúvidas.
Perdido na música que tocava na caixa de som e em seus próprios pensamentos, só se deu conta de que estava há tempo demais embaixo do chuveiro quando a bateria da caixinha acabou. Desligou o chuveiro e logo se vestiu.
Se deitou no sofá da sala e ligou a TV num desenho qualquer que passava. Tinha momentos que não só ele, mas todos os meninos e até Sierra, Kaitlin e Crystal pareciam crianças de 10 anos. Lembrou-se das piadinhas de fundamental que fizeram sobre ele e no sábado — ele não gostou e isso foi nítido pra todos —, mas se o alvo fosse outra pessoa, teria rido e participado das piadas a noite toda como os outros. Alguns poderiam achá-los infantis e imaturos pelas brincadeiras e o jeito de agir quando estavam juntos, mas ele gostava dessa leveza em suas amizades. E quando era preciso, todos sabiam ser sérios e responsáveis.
Ficou ali um bom tempo junto de Duke e quando já estava escurecendo, preparou pad see ew vegetariano, prato em que estava até um pouco viciado, deveria ser seu preferido no momento. Não demorou para que ficasse pronto, já tinha todos os ingredientes a mão e conseguiria prepará-lo até de olhos fechados. Voltou para frente da TV com um prato grande e bem cheio.
Viu a tela do celular acessa e o desbloqueou, vendo que a mulher o tinha respondido e curtido sua última mensagem.

Murphy

Assim que eu gosto! 😹😹😹

Eu volto na quarta-feira

Pode ficar tranquilo, não vou ficar longe de vocês por muito tempo, não vou deixá-los em paz nunca mais

Todos vocês estão fodidos

Não acho que você vá ouvir reclamações, bem difícil alguém não gostar da sua companhia



Logo que Calum respondeu, se arrependeu, não podia soar mais besta. Ficou pouquíssimo tempo a sós com ela, mas já gostava de tê-la por perto, ela passava uma energia boa. Quando ia apagar a mensagem, ela já a tinha curtido.

Murphy

Você também não vai me ouvir reclamando 😜



Calum sorriu feito um idiota. Estava mesmo fodido, mas por outro motivo.

***


San José del cabo, BCS, MX. Sábado.

— Ok, já estamos saindo! — praticamente gritou derrotada ao ver a fila de crianças emburradas querendo entrar no pula-pula.
Micaela, a aniversariante, era a primeira da fila, dizendo que eles deveriam sair porque já tinha passado e muito do tempo.
— Podia ir, mimadinha! — Javier debochou, passando pela irmã.
Ele era maior e mais velho que as outras crianças e não podia ir com elas, então esperou o momento em que , sua mãe e Paulina foram para o pula-pula para ir também. No início, as duas mais velhas acharam graça da cara emburrada de e de Javier, doidos para fazer escândalo no brinquedo, mas depois acabaram cedendo à vontade de ir também. Os quatro fizeram a maior algazarra, rindo alto e derrubando uns aos outros a todo tempo, ficaram lá muito mais de quinze minutos mesmo.
— Ai, eu já passei da idade de fazer isso! — Paulina riu ainda meio ofegante, se sentando à mesa em que seus pais estavam. — Minhas costas já estão até doendo...
— Nossa, irmã, você está ficando um bagaço mesmo, hein? — Alejandra riu, se juntando a eles.
— Olha quem fala. Eu ouvi você reclamando de dor nas pernas, tá? — A mais velha deu língua feito uma criança.
— Eu sou bem mais novo e fiquei cansado para caramba! — Javier riu, depois de um longo gole de refrigerante.
— Isso que dá quererem brincar feito crianças! — Dário riu das filhas.
— Gente, o que importa é ser feliz. Eu matei a minha vontade! — falou, por fim, ao lado de Alma, que concordava com a neta.
O assunto na mesa mudou e olhou à sua volta, algumas crianças dançavam com a música animada que tocava e outras, assim como os adultos, se serviam das comidas na mesa do outro lado do salão de festas. Além do pula-pula, já tinham tido várias brincadeiras, como a dança das cadeiras e até a de acertar a piñata — a pedido de Micaela, já que era algo comum do Natal — havia confete espalhado pelo chão logo abaixo da metade da estrela de papel. O tema da festa era fundo do mar e combinou perfeitamente com a fantasia de sereia que Micaela estava doida para usar.
sorriu, vendo a prima saindo do pula-pula aos risos junto às amiguinhas da escola e correndo em direção à mesa, onde estava o bolo e vários doces, os quais elas roubaram alguns, achando que estavam sabendo disfarçar.
Riu, pegando o celular sobre a mesa e olhando as notificações. Havia várias, mas acabou abrindo o Instagram, onde tinha mensagens de Calum. Ele respondeu ao story de , uma selfie postada com os familiares mais cedo.

Calum Hood

OMG

Você é adotada, sabe disso, né?

Eu tenho que confessar que se não fosse tão parecida com meu pai, também acharia isso!

😹😹😹

HAHAHA

Mas sua família é muito bonita.

Todos se parecem entre si.

Você é a única intrusa

Você é muito abusado, Hood

Já me arrependi de ter te dado confiança.

Que ultriz!

Ultriz?

O que é ultriz?

Uma ofensa, ué, você está me caluniando.

ULTRAJE

Você quis dizer ULTRAJE

😹😹😹😹😹😹



“— Ah, , vai à merda, você entendeu!” — ele respondeu em áudio, rindo no final.
Riu alto. Calum era engraçado, gostava de conversar com ele. Se falaram praticamente todos os dias desde quarta-feira, apenas palhaçadas.
Ele mandou até a foto de uma folha de caderno com várias especificações escritas em sua caligrafia bonita, detalhando seu “contrato” e o respondeu: “Não vou mais poder assinar, fiquei até com vergonha. Minha assinatura vai estragar o contrato. 😹” E depois de muita insistência por parte dele, ela acabou mandando uma foto de sua agenda, onde dava para ver seu garrancho. “É, tem razão, melhor deixar para lá! HAHAHAHA”. “Como você consegue se entender, mulher?” Foi o que ele disse, em seguida, fazendo-a rir.
Na conversa de hoje, o respondeu apenas com risadas, voltando a prestar atenção no salão. Os garçons andavam de um lado para o outro, distribuindo bebidas e as comidas servidas quentes. Viu Javier perto da mesa do bolo, conversando com sua namoradinha que acabara de chegar, nem percebeu que ele tinha saído dali. Sorriu, vendo o primo tentando tranquilizá-la e trazê-la até a mesa, mas ela parecia estar morrendo de medo de conhecer o resto da família. Começou a se levantar para ir até eles, quando seus olhos caíram sobre Miguel — o queridinho das moças da vizinhança — entrando pela porta do salão com a irmã mais nova. Assim que viu o homem moreno sorrindo e acenando em sua direção, olhou em volta, pensando para onde poderia ir, mas, quando olhou novamente, ele já estava bem na sua frente.
— Oi, , quanto tempo! — Ele a abraçou animado. — Não achei que fosse conseguir te ver... Como está?
— Oi, Miguel, estou bem. — deu um sorriso fechado e viu de rabo de olho sua avó repreendendo-a. — E você?
— Ah, estou bem, mas melhor com você por aqui... Você faz falta na Costa Azul! — Ele riu charmoso.
A mulher riu um pouco forçado, desviando os olhos para a sua família, a quem ele cumprimentava agora. Miguel era bonito e muito charmoso, mas era o comedor da região desde a adolescência — e desde a mesma época tentava ficar com em todas as suas visitas à cidade.
Murphy não era nenhuma santa e até mesmo sua família sabia disso, mas Miguel não fazia nem de longe o seu tipo. Apesar de ser o desejo de todas as garotas da sua idade, o achava baixo demais para ela e bombado demais, do tipo que com certeza tomou algo para chegar àquele ponto. E deixando o físico e o rostinho bonito de lado, ele não tinha mais nada a oferecer. Era apenas uma mente vazia.
Ela não era do tipo que procurava a pessoa perfeita para ter um pouco de diversão, mas simplesmente não se sentia atraída por ele e sabia que se um dia fizessem algo, San José toda saberia, quem sabe até todo o México.
Percebeu que sua avó conversava com ele, mais por educação do que qualquer outra coisa, e saiu dali disfarçadamente, sem nem pedir licença para não chamar a atenção dele, cruzou o salão rápida como nunca e foi até o lado de fora pelos fundos.
Encontrou uma garçonete do bufê contratado fumando um cigarro, encostada numa árvore. A moça se assustou com a presença de , e sabendo quem ela era, já ia se desculpar, escondendo o cigarro, quando a lutadora disse, sorrindo para tranquilizá-la:
— Você tem um para mim?


Capítulo 6

Los Angeles, CA, EUA. Domingo.

Uma semana depois.


— Chegamos!
Michael parou na entrada de carros que levava à garagem. Aquela era a última casa da rua, toda branca e com a porta da frente pintada de amarelo, exatamente como descreveu. Não tinha nenhuma cerca ou muros e eles conseguiam ver uma BMW branca e duas motos paradas na garagem que estava com o portão aberto. Antes mesmo de descerem do carro, ouviram o quão alta a música eletrônica que vinha de dentro da casa tocava.
— Os vizinhos devem odiá-la! — Ashton riu, enquanto caminhavam em direção à porta pelo caminho cimentado.
— Deve ser por isso que a outra casa é tão longe. — Sierra apontou o grande espaço entre as duas propriedades, caberia até outra construção ali.
— O pior é que pode ser exatamente por isso! — Crystal concordou ao lado do noivo, que batia na porta repetidas vezes e com bastante força.
— Você vai acabar quebrando a mão! — Kay disse, fazendo-os rir.
Mais algumas batidas depois e a porta se abriu, revelando com um sorriso culpado e o celular na mão, abaixando a música.
— Heey, gente! Foi mal... Me empolguei!
— Você me ouviu batendo na porta? — Mike perguntou surpreso com sua força.
— Claro que não, Hood mandou uma mensagem avisando que chegaram. — Ela riu, balançando o aparelho e todos olharam para trás, vendo o homem fazer o mesmo com o seu próprio. — Bem-vindos à Murphy’s Cave! falou, fazendo-os voltarem a olhá-la e deu espaço para que entrassem.
Todos sorriram em sua direção conforme iam passando por ela. Calum foi o último a entrar, reparando nela enquanto fechava a porta.
A mulher estava descalça e suas unhas do pé chamavam atenção, pintadas de preto, usava shorts jeans e uma blusa simples e grande, na cor lilás. Seu cabelo tinha duas tranças e Calum conseguiu ver que o pingente de seus brincos era um picolé azul bebê. Sorriu com o detalhe.
— Vocês chegaram na hora certa, terminei de preparar tudo agorinha! — ela falou, indo para o meio da sala.
— Que bom, estou morrendo de fome!
— Quando você não está com fome, Mike? — Luke debochou, fazendo o grupo rir.
Os colegas começaram a elogiar a organização e o bom gosto da mulher. Calum também olhava em volta, prestando atenção nos detalhes e notando que a sala era até grande pelo tamanho que a casa aparentava por fora. Na parede ao lado da porta, que também era amarela por dentro, tinha vários ganchos de ferro, onde reconheceu a jaqueta que usou no outro dia pelas várias frases em branco. Pendurada ao lado, estava sua mochila amarela de couro, uma bolsa esportiva da Adidas e um corta vento rosa bebê. Do outro lado da porta, tinha um aparador de madeira escura e sobre ele um bonsai com flores cor-de-rosa; ao lado dele, estavam várias chaves e uma carteira preta e delicada. Bem acima do móvel, havia um espelho redondo — onde Calum não resistiu se encarar, arrumando seu chapéu que estava um pouco torto e amassado — e quase colado ao lado dele tinha um grande sofá cinza claro que cobria todo o resto da parede. Várias almofadas estampadas em cinza claro e escuro, preto e branco, arrumadas perfeitamente sobre ele. A manta de lã no braço do sofá era branca como o tapete felpudo que cobria o chão todo. Na parede de frente para onde estavam parados, havia duas janelas de vidro de onde, pelas cortinas abertas, adentrava toda a iluminação. Todas as paredes eram brancas, exceto a de frente para o sofá, que era toda preta e deixava a televisão grande “camuflada”. Ao lado e abaixo dela tinha várias prateleiras de vidro.
— Antes que façam alguma piadinha sobre o porquê de eu não trazer ninguém aqui ser pelo fato da casa ser pequena... — olhou especialmente para os meninos. — É exatamente o contrário, a casa é pequena justamente para não haver possibilidade de ficar trazendo gente aqui!
— Você não presta! — Ashton acabou rindo junto dela.
— Como podem ver, aqui é a sala! Ali à esquerda é o banheiro. — Apontou um pequeno corredor com duas portas e brincou: — Cuidado para não se perderem!
Uma versão reggae de All about that bass da Meghan Trainor começou a tocar e todos olharam esquisito para .
— Eu sou eclética, gente, algum problema?
— Nenhum, mas estava parecendo uma rave aqui e muda assim do nada? — Sierra riu e a mulher apenas deu de ombros.
— E a nossa playlist, já tocou? — Calum perguntou risonho.
— Essa toca todas as manhãs! Já é como café para mim, não faz sentido começar o dia sem!
Brincou, passando pelo batente que levava para a cozinha, acenando para que eles também viessem.
— Eu sabia que você ia gostar! — Michael repetiu convencido.
— E por falar nisso... — sorriu para ele. — Eu amei o clipe de Wildflower. Não sei o que inspirou vocês a fazer daquela forma, mas combinou tanto com a música. Continua forte como minha preferida!
— Me pergunto o porquê... — Crystal deu uma risadinha irônica, olhando da mulher para Calum.
— A mesa já está posta lá fora. — sorriu para a amiga, não ligando para o comentário e apontou o deck pela porta de vidro aberta. — Hoje nós temos comida mexicana para combinar com a melhor tequila que pude encontrar!
— Acho que eu te amo, ! — Luke falou alto em sua direção, fingindo estar emocionado e depois sorriu triste para Sierra. — Desculpe, baby!
A mulher apenas riu, abanando o ar com as mãos.
— Espero que gostem... Mike e Crystal eu sei que adoram! — falou, indo para trás do balcão tirar algo do forno.
— Da comida, não da tequila! — Michael fez questão de dizer com uma careta.
A cozinha era pequena e bem aconchegante, na opinião de Calum. As paredes eram claras, os móveis e os detalhes em madeira escura, brancos e pretos. Acima da pia, tinha uma grande janela, ao lado da bancada de café da manhã era a porta de vidro e próxima a ela uma mesa de quatro lugares, redonda. Cobrindo toda a parede da esquerda, próxima à mesa, tinha uma cristaleira e adega de madeira — bem cheia, diga-se de passagem... Na parede contrária, perto da geladeira, tinha uma porta que levava à lavanderia.
— Você fez tudo isso para nós? — Kay perguntou, vendo as bancadas cheias de travessas. — Não precisava ter tanto trabalho, !
— Não foi nada. E muitas coisas eu estava com vontade de comer!
— Você chegou de viagem há alguns dias, não precisava mesmo disso! — Crystal reafirmou.
— Parem de besteiras. Eu já não trago ninguém aqui, quando trago, vou deixar comer mal? Por favor, né? — Revirou os olhos. — Podem se sentar lá fora, eu já vou levar as outras coisas.
— Deixa a gente te aju...
— Podem saindo!
...
— Eu já estava levando tudo!
— Mas nós...
— Eu falei para irem andando! Podem ir!
Todos saíram um pouco contrariados e começaram a se sentar à mesa quadrada de ferro e madeira, toda arrumada e até com um pequeno buquê de flores brancas no centro. O deck era enorme, deveria ser do tamanho da casa toda; era todo cercado e no final dele dava para ver um pequeno portão também de madeira que dava na areia da praia. Além da porta pela qual eles saíram, havia outra praticamente na outra ponta da casa, e encostado na cerquinha perto dela, tinha um sofá bem colorido e grande para espaços externos com uma mesinha de ferro ao lado. A metade do deck em que esses móveis estavam era toda coberta. Mas mais à frente, onde não tinha cobertura, Calum conseguiu ver uma hidromassagem tampada que parecia não ser muito usada, e entre ela e o portãozinho, um chuveirão.
— Hood, anda logo! — o chamou.
Nem a tinha visto trazer o que faltava. A mulher o esperou se sentar e começou a apontar as travessas, pratos e tigelas sobre a mesa conforme ia citando.
— Nós temos nachos e tortilhas. Os nachos é só mergulhar e as tortilhas a gente recheia... Para isso, temos: creme de queijo; chilli, que é de carne, feijão, molho e pimenta; e temos de frango com tomate, coentro e vegetais. — Ela sorriu. — Os burritos são a mesma massa, mas são enrolados, por isso já tem alguns prontos aqui. E... Ah, esse aqui é o sour cream. — Ela apontou um creme branco. — É de queijo cremoso, creme de leite, iogurte e limão. A guacamole, que vocês já devem conhecer ou ter ouvido falar... eu particularmente não gosto, por causa do abacate, mas imaginei que se não conhecessem, gostariam de experimentar...
terminou de falar e ia se sentando, quando olhou para Calum logo à sua frente.
— AH, já ia me esquecendo. — Ela se levantou num pulo, indo para dentro da casa e voltando com outra tigela. — Esse é um recheio vegetariano... É de arroz cítrico com cogumelos e algumas outras coisinhas. Eu ia colocar queijo, mas não sabia se você comia... — olhava para Cal, que sorria bobo por ela ter se preocupado com ele. — Espero que goste, eu gosto bastante...
— Obrigado! — ele falou realmente agradecido. — Tenho certeza de que está uma delícia!
— Eu não sabia que já estavam nesse ponto! — Michael riu, já se servindo, adorava comida mexicana.
Tanto quanto Calum fingiram não ouvir, também se servindo.
— Espero que não tenha ninguém sensível à pimenta. Eu dei uma boa maneirada, mas sem nada de pimenta não teria graça nenhuma! — falou, depois que todos já estavam experimentando algo.
Ela estava feliz até demais, era como se estivesse recebendo sua própria família — os únicos que realmente sabiam onde ela morava e vinham visitá-la, mesmo tendo que ir embora ao fim do dia ou dormir apertados e amontoados na sala e no quarto dela. Sorria feito boba, vendo seus novos amigos experimentando comidas que tinham tanta importância para ela. Os elogios a faziam sorrir até um pouco sem jeito, mesmo não sendo de seu feitio. Queria mesmo agradá-los, principalmente Crystal e Mike, que a receberam tantas vezes em sua casa e sempre a trataram tão bem. Conhecendo-os há tão pouco tempo, não esperava que gostasse tanto de todos, até os que lhe foram apresentados há quinze dias já tinham ganhado sua afeição. Por ela, realmente se manteria por perto, eles a faziam bem como há muito não sentia.

***


A anfitriã começou a fazer os drinks algum tempo depois, para que ninguém começasse a beber de barriga vazia. Fez uma rodada com cada um e agora faria os preferidos de cada um para mais uma.
— Eu vou querer outra Margarita! — Crystal pediu e Sierra concordou.
— Mojito! — Kaitlin levantou a mão junto de Ash.
— O que era aquele último? — Luke.
— Foi o meu preferido — Calum. — O que tinha nele?
— Se chama Michelada. É de cerveja com limonada e pimenta — explicou. — É um dos meus favoritos também!
— É o que eu quero! — os dois disseram juntos.
— Aquele que você disse que não é com tequila, qual é mesmo? — Michael. — O bem docinho...
— Piña colada. É com rum. — Ela riu da careta que o homem fez. — Vou fazer!
Todos se levantaram também e começaram a tirar a mesa. Tudo que ela havia preparado acabou. Eles comeram os molhos até com pães quando as tortilhas e os nachos acabaram. Não sobrou nada.
— Estava tudo uma delícia, minha barriga está até doendo! — Michael resmungou, levando alguns pratos e arrotando no caminho.
— Que deselegante, Clifford! — Ash falou sério, enquanto lavava a louça, os fazendo rir.
Ashton tinha um tom muito específico, um jeito de fazer suas piadas de uma forma mais séria e ao mesmo tempo debochada que deixava tudo mais engraçado ainda.
— Eu também acho que comi demais! — Calum murmurou, colocando várias travessas perto da pia. — E bebi também!
Luke, que trazia vários copos — quase os deixando cair —, concordou. tinha lhe dado duas garrafas de uma tequila azul que era uma delícia. Ele e Calum foram os que mais viraram shots da bebida, acabando com uma garrafa e deixando-os bem alegrinhos.
— Vocês são muito fraquinhos! — debochou, colocando as duas Margaritas sobre a bancada, fazendo as outras bebidas.
— Quantos shots você aguenta sem ficar ruim, então, fodona? — Ash perguntou no mesmo tom.
— Depende... Bebendo só tequila? Uma garrafa toda, talvez duas, mas bem espaçados. Minha abuela diz que 15 shots seguidos podem te matar! — respondeu séria.
— E você acredita? — Kay veio do deck, trazendo mais copos.
— Claro que sim, por isso só tomo 14.
— Você é um pouco louca, sabia? — Calum riu ao seu lado, vendo-a terminar de preparar os dois Mojitos e deixar junto aos outros drinks.
— Vocês gostam! — Ela piscou.
Cal ainda a observou fazendo a piña colada e três drinks de cerveja, enquanto as meninas traziam o restante das coisas que ficaram do lado de fora.
— Agora acabou. — Crystal e Sierra colocaram as últimas tigelas na pia.
— Eu também acabei! — sorriu, saindo de trás do balcão já bebendo sua Michelada. — Deixa isso aí, Ashton, depois eu lavo! Vocês trouxeram protetor solar? — Mexeu as sobrancelhas, tomando outro gole.
— Eu sabia que estava esquecendo alguma coisa! — Crys bateu na própria testa.
— Vou pegar para vocês, se não teremos queimaduras de terceiro grau! — apontou para Michael. — Levem o cooler para areia, por favor! Eu já vou.
Ela se referiu à caixa térmica — igualzinha a um freezer, mas bem menor e com duas alças nas laterais —, que há pouco tinha reabastecido com cerveja, refrigerante e água. E saiu da cozinha, indo para a sala e virando no pequeno corredor.
— Ela é tão mandona! — Ash falou alto, fingindo choque.
— Estamos aqui sujando a casa dela! — Sierra deu de ombros.
Eu estava lavando o que sujamos! — Ashton quase gritou, apontando para a pia, fazendo-os rir.
— Não acho que ela seja mandona... — Crystal ponderou, quando já estavam de volta ao deck. — Ela só gosta das coisas do jeito dela!
— E ela pediu por favor. — Luke riu.
— Ela manda fazendo parecer que está pedindo um favor — Ash explicou, não achava isso de verdade, só queria provocá-la, uma pena que ela não ouviu.
Os meninos tiraram a camisa, ficando apenas de bermudas — exceto Michael —, deixando os pertences sobre o sofá ali fora, assim como as bolsas das meninas, que tiraram os vestidos, shorts e camisetas, ficando de biquíni.
Ashton e Luke já iam em direção ao portão, levando o cooler para a praia, as namoradas os acompanhando. Mike foi logo atrás, depois de esperar Crystal, que tirou uma colcha da enorme bolsa que trazia.
Calum ficou para trás. Antes de saírem da cozinha, roubou alguns biscoitos que estavam sobre a mesa, foram eles que tirou do forno quando chegaram. Por mais que sentisse sua barriga cheia, o cheiro do biscoito o deixou salivando. Se sentou novamente à mesa e colocou um dos biscoitos na boca, apreciando o sabor. Lembrava um pouco os biscoitos americanos com gotas de chocolate... Mas eram muito mais gostosos! Eram completamente de chocolate, sentiu um pouco de canela e uma pontinha apimentada no final. Uma delícia!
Percebeu a música que estava tocando baixinho e aumentou para que pudessem ouvir da areia. Quando chegaram, ela tocava no sistema de som da casa toda — por isso a mulher nunca os ouviria —, depois que se sentaram a mesa, apenas no deck podia ser ouvida. Escutou a voz de , em meio à música, cantando junto e enfiou o último biscoito na boca para que ela não visse.
— Who the hell? Who the hell? Now you know who… — Ela parou ao vê-lo ali sozinho. — O que houve? Vai dizer que está com raiva do Mike de novo?
Calum, que não tinha terminado de mastigar nem o segundo biscoito quando pôs o terceiro na boca, apenas negou com a cabeça, sem olhar pra ela.
— O que houve então, está se sentindo mal? — ela perguntou, vendo-o negar novamente, indo para a sua frente.
Ele quase engasgou ao vê-la só de biquíni tão de perto. O tecido amarelo que cobria apenas o necessário ficava lindo na pele bronzeada e cheia de tatuagens. Cal continuou a negar com a cabeça, tentando engolir.
— O que deu em você, Hood? — tinha as sobrancelhas franzidas e aproximou o rosto do dele, desconfiada.
Ficou nervoso como se nunca tivesse ficado tão perto de uma mulher antes, sem saber o que fazer, mas ela apenas inspirou próxima à sua boca, sentindo o cheiro que tanto conhecia.
— Seu ladrãozinho! Você roubou meus biscoitos, é isso mesmo? — Ela fingiu estar brava, colocando as mãos na cintura. — Eu abro as portas da minha casa para você, e é assim que você retribui?
— Desculpe! — Ele finalmente conseguiu dizer ainda com a boca um pouco cheia. — O cheiro estava tão bom...
— Espero que o gosto também, já que pela sua cara você comeu todos!
Não, eu roubei apenas três! — a corrigiu alto, mas, ao vê-la rir, percebeu que estava apenas zoando com a sua cara. — E estava, sim, uma delícia. Agora que sei, roubarei o resto mais tarde.
— Que bom que eu já enchi dois potes com as fornadas anteriores! — sorriu, vendo-o arregalar os olhos. — Sou viciada neles! Se você gostou dos meus, deveria experimentar os da minha abuela... São mil vezes melhor!
Calum a observou puxar uma cadeira e se sentar de frente para ele, o protetor já estava sobre a mesa, assim como o celular e o copo vazio dela. Por ter colocado os óculos escuros, não percebeu como ele a olhava, mas não podia ser mais descarado.
— Não é possível que exista melhor! — Calum disse, mas não era no biscoito que pensava. — Tem alguma coisa que você faça que não seja gostoso, ?
— Acho que não existe, Hood. Mas aos poucos você vai experimentando e me diz se estou certa... — Ela sorriu sacana, olhando o corpo de Calum, sem se importar em ser discreta.
Encarou seu peitoral um bom tempo, prestando atenção nas tatuagens e em como seu corpo era mais forte e muito mais bonito pessoalmente, mas perdeu a noção do tempo, notando o volume em sua bermuda. Chegou até a sorrir, voltando o olhar para seu rosto.
Calum estava a ponto de um ataque cardíaco. Não tinha como negar que também estava interessada. Seu olhar dizia tudo... Estava prestes a fazer uma piadinha sobre o que ela disse, quando a ouviu pigarrear e mudar de assunto.
— Agora eu já posso dizer que sou fã e quase fiz parte da banda. Vou precisar de um chapéu desses. — Ela apontou o que Calum usava de oncinha. — Você vai ter que me emprestar, ele combina perfeitamente com o meu biquíni!
— Eu tive que comprar, compre um para você! — Cal falou um pouco sem graça, sem entender o porquê da mudança repentina.
— Vai Hood... — Ela riu. — Só para eu tirar uma foto, vou te devolver!
Ele apenas suspirou, tirando-o e entregando a ela.
— Está vendo? Combinou perfeitamente! — Ela se olhava na câmera do celular, mas não tirou foto alguma. — Obrigada, sim?
Se levantou e começou a caminhar para a saída do deck. Calum se distraiu, encarando sua bunda, tão à mostra e tão bonita, até mesmo com as marcas esbranquiçadas que alguns julgariam feias. Perfeita. Se pudesse, a encheria de mordidas. Riu com seu próprio pensamento, bebeu o último gole de seu drink e se levantou também, dando passos rápidos a alcançando no portão.
— Desculpe, mas acho que fica melhor em mim. — Pegou o chapéu de volta, colocando em si.
ficou parada por alguns segundos, chocada, mas ao vê-lo na metade do caminho para chegar ao grupo, correu, dando um pulinho ao seu lado para alcançar o chapéu, tomando-o novamente.
— Eu não poderia discordar mais!
Ela lhe deu um empurrão, quase o derrubando e voltou a correr. Ao passar por Crystal, Luke e Sierra sentados na colcha, jogou o celular e o protetor ali. Calum, correndo feito doido atrás dela, quase tocou seu braço, mas ela foi mais rápida e pulou por cima da caixa térmica, na qual ele quase tropeçou.
A mulher não sabia se ria ou se aumentava o ritmo da corrida. Calum, que jogou o celular para Luke, estava disposto a derrubá-la na areia. Já estava decidido, quando estivesse próximo o suficiente, pularia em cima dela.
Os que estavam sentados observavam a cena rindo, os dois pareciam crianças. Kaitlin, que saía da água, balançava a cabeça negativamente com um sorriso no rosto. Ashton, que estava prestes a entrar no mar, parou para assisti-los com a certeza de que um dos dois acabaria caindo de cara no chão. Michael, que tinha se afastado apenas para molhar os pés na água, se viu no meio da situação.
ficou atrás dele, segurando-o pelos braços, o empurrando para os lados e o mais para frente possível para manter Calum, que se esticava para alcançá-la, logo à frente dos dois, o mais longe que conseguisse. Eles giraram, mantendo Mike entre eles e Calum tentando achar uma brecha para alcançá-la.
— Eu não tenho nada a ver com isso, me solta, sua doida! — ele gritava, rindo.
— Fica quieto, Michael, minha vida depende de você agora!
— Depende mesmo, porque quando eu te pegar, vou matar você! — Calum falou sério, tentando não rir.
Viu Ash se aproximar das costas de e tirar o chapéu de sua cabeça, jogando para cima da colcha. Ela soltou Clifford na hora, pronta para empurrar Ashton para longe, mas ele segurou seus braços. Calum já ria alto quando agarrou as pernas dela.
— Eu juro que vou matar vocês! Me coloquem no chão, porra! — ela avisou, conforme iam se aproximando do mar. — HOOD!
Calum só conseguia rir da cara dela. Os dois a balançaram algumas vezes ao som de seus gritos, a água batia em seus joelhos quando a soltaram. Eles riam tanto que já estavam ficando sem ar.
A mulher emergiu da água, emburrada, mas sem nem tossir, tinha prendido a respiração a tempo. Já eles, não teriam a mesma sorte. Ficou de pé, sem demonstrar que faria qualquer coisa. Deu os passos que a distanciavam de Ash e tocou seu ombro, rindo, para que ele não desconfiasse.
— Você deveria ter visto a sua ca... — Ele nem conseguiu completar, lhe deu uma rasteira ao mesmo tempo em que empurrava seu ombro, o derrubando.
Eiii — Calum gritou, levantando as mãos para empurrá-la de volta para a água.
A mulher segurou seus dois pulsos e fez a mesma coisa, lhe dando uma rasteira e empurrando-o para trás. Se afastou rapidamente e viu os dois voltarem para a superfície com segundos de diferença, ambos vermelhos e tossindo por terem bebido água.
— O que foi isso? — Ash tossiu alto.
— Vingança, pequeno gafanhoto! — Ela piscou, dando as costas para os dois e indo se sentar ao lado de Crystal.
O grupo todo ria da cena, principalmente ao verem as expressões de Calum e Ashton.
— Nem acredito que consegui filmar isso! — Crys riu ainda mais, com o celular em mãos.
— Me deixa ver!
assistiu ao vídeo que ia desde o momento em que passou a segurar Michael até ela saindo da água.
— Eu vou precisar da permissão de vocês para postar, o mundo precisa ver isso! — olhou para os dois, que vinham se sentar também. Eles apenas reviraram os olhos ainda de cara feia. Ashton passava as mãos no cabelo comprido, tentando tirar um pouco da água e deixá-lo no lugar. Calum chacoalhava os óculos escuros, tentando secá-lo, quase os tinha perdido quando foi derrubado no mar.
Ele se sentou ao lado de Murphy ao som dos comentários dos amigos. Olhou em volta e viu o chapéu jogado atrás de Michael, se esticou para pegá-lo e colocou em , que o olhou confusa.
— Você não tirou a foto que queria! — Deu de ombros com um sorriso.
— Você é inacreditável! — Ashton praticamente gritou a última palavra, causando risadas.
A mulher sorria para Calum também. Pegou o celular que Crystal segurava para ela e abriu a câmera, pediu que ele tirasse uma selfie onde todos aparecessem, e vários cliques depois, Cal a devolveu o aparelho. Ao invés de tirar algumas sozinha, ela esticou o braço para que ele aparecesse também; ele sorriu sem mostrar os dentes, ficou sério e fez careta para a câmera. E só depois ela tirou selfies sozinha para exibir o chapéu.
Ashton ainda olhava com um pouco de raiva para Calum, que não dava à mínima, só sabia beber mais cervejas, indo dar um mergulho nos intervalos. Luke e Sierra riam de qualquer coisa que dissessem, ela porque já era risonha e ele por estar bem bêbado; quando entraram no mar juntos, quase se afogaram umas três vezes de tão abobados que estavam. Kaitlin — que entrava no mar apenas para fazer companhia para o namorado — agora questionava se ela sabia fazer comidas de outras culturas. Crystal com Mike como fotógrafo tentava tirar algumas fotos com o mar de fundo, ambos ainda estavam secos, não tinham molhado mais que seus pés.
, você já mora aqui há quanto tempo? — Michael perguntou, quando voltava para o grupo com a noiva ao seu lado.
— Nessa casa já faz uns quatro ou cinco anos... — ela respondeu incerta. — Por quê?
— Você já pulou de lá? — Ele apontou as várias pedras à esquerda de onde estavam, e ela assentiu. — Eu duvido!
— Você já deveria ter aprendido a não duvidar de mim, Michael! — A mulher se levantou, virando o restante da garrafa de cerveja num só gole. — Não aprendeu a lição ainda?
— Estou certo de que dessa vez você não vai conseguir!
— O que está acontecendo? — Kaykay quem perguntou confusa.
— Já faz um tempo que eles estão com essa palhaçada... — Crystal começou a contar conforme via indo em direção às pedras e começando a escalá-las com grande facilidade. — Toda vez que Michael vê algo difícil de fazer ou escuta a dizendo que fez algo difícil, ele duvida dela ou a desafia... E Murphy é muito orgulhosa e teimosa, como podem ver!
Crystal apontou a mulher no ponto mais alto das pedras, bem na beirada. Ela ainda olhou na direção do grupo, jogando um beijinho no ar antes de fazer poses como se estivesse prestes a fazer um salto ornamental. Ficou na ponta dos pés, levantando os braços e olhando para a água, esperando o momento certo para pular de acordo com as ondas. Segundos depois, pulou, mergulhando de cabeça no mar.
— Se ela se machucar, você vai ver, já falei para pararem com essas brincadeiras! — Crystal olhou para Michael, que ainda estava de boca aberta.
Olha! — Sierra apontou o corpo dela boiando, saindo de trás das pedras.
tinha as orelhas quase completamente fora d’água e quando conseguiu ouvir os gritos de Michael, não se aguentou, começou a rir e teve que ficar de pé.
VOCÊ É LOUCA, QUASE ME MATOU DO CORAÇÃO! — Mike gritou, com as mãos no peito.
Você mereceu! Já te avisei para não duvidar de mim! — ela respondeu alto, arrumando o biquíni embaixo d’água para nadar de volta e caminhar para a areia sem mostrar o que não deveria.
— Vocês vão acabar se matando por conta dessa brincadeira. Imagina se ela desafia você, tenho certeza de que não conseguiria — Ashton falou sério para o amigo.
— Eu não preciso que ninguém me desafie ou duvide de mim, e nem tentarei provar o contrário, caso o façam. Eu também tenho certeza de que não conseguiria! — Michael riu, fazendo os outros o acompanharem, inclusive , que já tinha chegado ali.
— Você é definitivamente louca! — Calum falou sério e em seguida olhou para Ash com as sobrancelhas erguidas.
O mais velho entendeu na hora e assentiu, os dois se levantaram num pulo e saíram correndo em direção às pedras, numa aposta silenciosa de quem chegaria primeiro.
— Ao que parece eu me encaixo perfeitamente nesse grupo específico de loucos... — Ela sorriu, observando-os escalar as pedras, trocando algumas provocações.
esperou para ver Calum, que chegou ao topo primeiro, pular e logo depois Ashton. Ao emergir, o vencedor comemorava aos risos, vendo a careta do amigo.
— Hoje não é seu dia, baby! — Kay gritou da areia.
Murphy riu, indo em direção à casa. No chuveiro do deck, tirou a areia do corpo e se secou numa das toalhas que deixou sobre a hidromassagem, entrando em seguida. Foi até o banheiro, reparando em como o caminho até ele — por mais que tivesse pedido que fizessem o mesmo que ela antes de entrar na casa — estava todo molhado e com areia, assim como o banheiro ainda mais bagunçado. Sabia que era impossível a casa permanecer limpa com tantas pessoas entrando e saindo, assim como sabia que não dormiria tranquilamente se não fizesse uma limpeza quando todos fossem embora. Suas manias de organização e limpeza às vezes chegavam a ser um defeito. Era muito perfeccionista.
Saiu do banheiro pensando em levar os biscoitos e as conchas mexicanas para os outros, como um lanche ou sobremesa. Já tinha passado mais de duas horas do almoço. Antes de entrar completamente na sala, viu Calum de pé em frente aos porta-retratos ao lado da TV, sua bermuda pingava no tapete da sala e sem nenhuma surpresa viu biscoitos em suas mãos.

Calum entrou na casa — seguindo porcamente as ordens de — pelo que parecia ser a quarta ou quinta vez, apenas para roubar mais biscoitos enquanto se forçava a ir ao banheiro para manter o disfarce. Dessa vez ele estava ocupado — pela própria , como ele bem sabia —, então ficou na sala, esperando sua vez.
Acabou se distraindo com as fotos ao lado da TV, sete porta-retratos no total. O primeiro da primeira prateleira era de e uma pitbull toda branca com uma coleira rosa, Pandora — como viu no Instagram —, estavam na praia, mas parecia estar frio, pela blusa de lã clara que usava e como seu cabelo — bem mais curto que atualmente — estava no alto pelo vento no momento em que a selfie foi tirada. A mulher sorria grandemente e a cachorrinha estava com a língua para fora. Logo ao lado estavam e sua mãe, ambas fantasiadas de pirata, a foto era mais recente, era do último Halloween; estavam mais parecidas pelas roupas praticamente iguais que usavam.
Na segunda prateleira, eram três porta-retratos; o primeiro tinha muitas pessoas e no centro da foto ainda adolescente, usava um vestido de festa verde-água, o cabelo enorme batia quase em sua cintura e ela ainda não tinha nenhuma tatuagem visível. Sua mãe, também mais nova, estava ao seu lado, a abraçando com um sorriso tão grande quanto o da filha. Ao lado de Paulina, a avó de , Alma, sorria carinhosa com o rosto um pouco vermelho, como se tivesse chorado ou estivesse prestes a chorar. Abraçando-a carinhosamente, estava Dário, com um sorriso pequeno, mas claramente emocionado também — Calum ficava até surpreso com como o avó de era exatamente o estereótipo que passavam dos homens mexicanos, bem moreno e de cabelos e olhos pretos, um grande bigode e bem gordinho. Do outro lado de , estava seu pai, como um perfeito galã, o mais alto e o mais bem apessoado. Ele sorria exatamente como a filha e a abraçava de lado, conseguindo alcançar a esposa também. Ao lado dele, pareciam ser seus pais, os avós paternos de — foi o que Calum pensou por ser o mais óbvio —, uma senhora muito elegante e a única com cabelos claros, os olhos verdes e brilhantes, seu sorriso era mais contido, mas era visível sua felicidade. Ao lado dela, um senhor que parecia ser o mais velho na foto sorria com elegância e imponência; era bem alto e os cabelos negros como os do filho e os da neta começavam a ficar grisalhos. Eram duas famílias bem diferentes, Calum conseguia notar pelas roupas e pela postura. Na segunda foto, sorria como se fosse explodir de felicidade. Seu cabelo num corte pixie, que a deixava com uma aura bem rebelde, a tatuagem de sereia já podia ser vista. Ela segurava uma medalha entre seus pais, igualmente felizes e com camisas com seu rosto e seu sobrenome estampados. — Assim como seus pais, os dela também a apoiavam, ficou feliz por ela, isso era importante. — Na foto seguinte logo reconheceu a tia Alejandra e Javier ambos sorrindo. Micaela ainda estava bebê no colo de , que também sorria. As duas fotos tinham sido tiradas na mesma época.
Na última prateleira, eram apenas duas fotos de novo. Na primeira, sorria já com o cabelo num corte chanel; seu pai estava ao seu lado, também sorrindo. Os dois estavam bem agasalhados e elegantes, abraçados em frente à Torre Eiffel. Na última foto, o sorriso que Calum dava — desde o momento em que começou a olhar as fotos enquanto apreciava seus biscoitos — passou a mal caber em seu rosto. A foto tinha sido tirada de cima e que deveria ter cerca de seis ou sete anos sorria banguela, com os cabelos esparramados no travesseiro. Pandora, ainda filhote, estava deitada ao lado da garotinha e a câmera pegou o exato momento em que a pitbull lambeu a bochecha dela. Era a foto mais fofa que já tinha visto.
— O que você tanto olha, Hood?
Ouviu a voz da mulher, fazendo-o dar um pulo de susto, tinha se esquecido de que ela estava no banheiro.
— Você tem que parar de fazer isso! — falou, com uma mão no peito enquanto ela gargalhava.
— Você é muito fácil de assustar! — Parou ao lado dele. — Além de ladrão de biscoitos, você também gasta seu tempo fazendo bagunça na casa dos outros?
Calum franziu as sobrancelhas e ela apontou o rastro molhado e o lugar onde ele estava de pé no tapete com uma roda molhada e areia.
— Desculpe! — Sorriu sem graça. — Nem me dei conta...
— Eu percebi. — sorriu de volta, demonstrando que estava tudo bem. — Você não me respondeu... O que tanto olha, Hood?
— Você — falou rápido demais e acrescentou. — A sua família. E você tem razão, não tem como ser adotada, você e seu pai eram muito parecidos...
Ele apontou a foto dos dois, dando a entender que sabia que ele não estava mais entre eles. Viu dar um sorriso triste para a foto, mas segundos depois se transformar num sorriso zombeteiro.
— Eu sempre tenho razão, Hood, vá se acostumando! — Seu sorriso mudou novamente, dessa vez para um agradecido por ele não fazer perguntas sobre seu pai.
— O que houve com você? Aqui você parece uma garota tão legal... — Ele apontou a última foto. — Quando ficou tão convencida?
abriu a boca e arregalou os olhos em choque, fazendo-o rir.
— Você é mesmo um abusado, Hood!
— Por que você fica me chamando assim? Já repetiu Hood umas mil vezes só hoje.
— Eu gosto! — Deu de ombros. — Você prefere que te chame de quê? Bonitão?
— Para mim isso serve.
A expressão debochada de Calum a fez rir.
— E depois eu quem sou convencida...
— Você quem disse, só estou concordando.
Ele deu de ombros e os dois ficaram em silêncio, um silêncio confortável. Depois de tantas mensagens trocadas, Calum já se sentia próximo da mulher e gostava disso.
— Bom, Hood... Ou melhor, Bonitão... Eu sei que sou linda e minha família também, mas acho que já deu de encarar as fotos. Estou ficando assustada com você! — ela debochou, empurrando-o com o ombro.
Ele apenas riu sem jeito, mas percebendo o olhar dela sobre si novamente, brincou:
— Eu sei que sou lindo, mas acho que já deu de encarar meu corpo, Murphy. Estou ficando assustado com você!
Calum sorriu ao vê-la sem resposta e completou, indo em direção à porta do banheiro:
— Vou até sair de perto, parece que a qualquer momento você vai me comer vivo!


Continua...



Nota da autora: Sem nota.

Nota da beta: Como não shippar esses dois? Eles são a coisa mais fofa e divertida. Eu to AMANDO demais!
Já quero mais. ♥

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