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Última atualização: 16/03/2021

Prólogo

Hollywood estava em clima de estreia. A série tão esperada por todos estava começando a receber os convidados para seu lançamento. The Power era motivo de ansiedade para todos, principalmente para os fãs da febre do momento: One Direction, a inspiração da série.

Havia muitas pessoas na entrada do salão onde tudo iria acontecer, não só os convidados, mas muitos curiosos de plantão também. A noite estava linda, o céu limpo, a lua iluminada e ventava pouco. agradecia por isso enquanto descia do carro. Um vestido longo e preto vestiu perfeitamente suas curvas. O decote em V, bem à mostra, deixava os rapazes com o desejo de ver o que havia por baixo do pano restante. Ela era realmente muito bonita. Encantava qualquer um que colocasse os olhos nela.

Quem também chamava a atenção de todos eram os cinco garotos que haviam acabado de chegar. Os produtores fizeram questão que os rapazes britânicos mais desejados estivessem presentes nessa grande estreia.

O que fez todos ficarem mais chocados era que o casal principal da noite não era aquela dupla dos protagonistas da série. Sim, e Niall, que tentavam despistar todas as entrevistas e paparazzis desde que saíram as notícias sobre o possível romance entre eles.

Quando o loiro entrelaçou seu braço ao da moça foi como se a rainha Elizabeth tivesse chegado naquela festa. Paparazzis e entrevistadores corriam para tentar a chance de uma entrevista exclusiva com o possível casal, os fãs que estavam por ali na tentativa de conseguir uma foto com seus ídolos foram à loucura. Ninguém mais importava naquele momento, pois Niall Horan e finalmente estavam ali, lado a lado.

— Niall, , Niall, . — o casal escutou uma voz feminina vindo no meio de milhares de vozes masculinas. — Eu sou Heloisa Marechal, represento o programa da Ellen. Vocês estão juntos? — Eles não responderam, apenas posaram para as fotos e acenaram para alguns fãs.

As perguntas eram muitas, uma por cima da outra, algumas desrespeitosas, outras sem sentido algum, nenhuma que valesse a pena responder naquele momento. Por isso, quando acharam que já estavam ali fora por tempo suficiente, resolveram entrar no local onde possivelmente estaria mais calmo, ou eles pensavam que estava.

Assim que entraram, deram de cara com vários famosos andando pela casa de eventos. Todos do elenco da série, de produção, diretores, e claro, quem eles não gostariam de ver por nada. Simon Cowell.

O nojo do casal era explícito, quem havia chamado ele? Claro, ele era fundador da banda. Era óbvio que estaria ali.

, — , sua empresária e amiga do casal, chegou usando um vestido preto longo porém simples. — Finalmente te achei. Você precisa tirar foto com o elenco daqui a dois minutos.

— Tudo bem, eu já estou indo. — Respondeu a amiga sem conseguir desviar o olhar de repulsa do homem que mais odeia no mundo. — Niall, sabe que se ele está aqui... — Ele a cortou.

— É, eu sei, pode ser que eles estejam aqui também. — Disse, enquanto olhava de um lado para o outro tentando achar algo de estranho. Não vendo nada, se virou para ela colocando as mãos no seu rosto. — Escute, vá lá e tire as fotos, vou procurar os meninos e te encontro depois. Por favor, tenha cuidado. — Deu um leve selinho nos lábios da namorada — , você também — As duas concordaram e ele saiu a procura dos amigos enquanto elas faziam o caminho contrário.

O maior medo do grupo era que acontecesse alguma coisa na noite de estreia de , mas mesmo desejando que não tivesse nada, Niall e haviam planejado um plano perfeito para aquela noite, enquanto Liam e mexiam nas câmeras de seguranças do local.

— Descobriram alguma coisa? — o loiro perguntou assim que chegou perto dos amigos, que estavam mexendo no telefone apropriado para aquilo.

— Ainda não, — respondeu a morena. — O sistema deste local é muito complicado…

— Mas nada que a dupla imbatível não consiga. — Payne disse tranquilizando o amigo. — Fica calmo, não vai acontecer nada, Niall.

O tempo ia passando, e nada deles conseguirem invadir o sistema. Isso estava deixando todos angustiados. , por ser uma ótima atriz, conseguiu disfarçar o nervosismo nas entrevistas e na sessão de fotos.

— Niall, Liam, Louis, Harry, Zayn, estão chamando-os para tirar fotos com os protagonistas. — Mel chegou resmungando. — Eu tentei falar para ser em outra hora, mas eles fizeram questão que seja agora.

— Pode ir, Liam. — disse calma. — Eu vou conseguir.

A contragosto Liam concordou, entregando o seu aparelho para ela.

Todos estavam tensos, eles conheciam bem a maldade daquelas pessoas e não queriam deixar nada passar. Mas Liam confiava na amiga. sempre se mostrou a mais cabeça dura quando se tratava de conseguir o que queria. Certamente ela continuaria assim.

— Acha que consegue fazer isso rápido? — Perguntou para .

— Está um pouco complicado, mas sim, estou quase. Algum problema? — Perguntou ao perceber que algo afligia a amiga.

— Estou com uma daquelas sensações estranhas... — Confessou, deixando e tensas. Todos sabiam o quão sensitiva conseguia ser. Quando ela sentia que algo não estava certo, podiam confiar que alguma coisa estava para acontecer. respirou fundo, e voltou sua atenção novamente para o aparelho

— Eu consigo. — sussurrava para si mesma.

— Olá, garotas. Atrapalho? — Ao levantarem o olhar para a pessoa que as chamara, todas sentiram um arrepio na espinha. Simon estava ali, na frente delas, na maior cara de pau, com um sorriso lascivo olhando cada uma dos pés à cabeça.

— Claro que não, Seu Simon. — deu seu sorriso mais falso, ela conseguia controlar seu nervosismo por causa de anos estudando psicologia. — Como o senhor está?

— Estou bem, pequena . — Falou confundindo as gêmeas, era típico dele.

— Na verdade, — a verdadeira se pronunciou. — Eu que sou a , e é preciso levar o senhor para tirar foto com o elenco. Me mandaram chamar os meninos, então eu pensei: por que não chamar o criador? O senhor é bastante importante para isso tudo que está acontecendo, Seu Simon.

As meninas sabiam que o homem odiava ser chamado de “senhor” então faziam de tudo para provocá-lo e distraí-lo, enquanto pegava seu celular escondido e colocava uma escuta no seu lugar.

— Muito bem pensando, senhorita . Você me acompanha? — perguntou apontando com as mãos na direção de onde estava o elenco e os meninos.

— Sem a menor dúvida, senhor Cowell.

Abriu um meio sorriso fazendo o homem ir na sua frente, depois de ver um sinal da amiga dizendo que deu tudo certo.

— Vocês não irão conseguir escapar hoje, senhorita . — falou enquanto sorria para todos os convidados que passavam por eles.

— O que disse, senhor?

— Nada não.

Zayn foi o primeiro a perceber a aproximação da loira, fazendo sinal para todos os meninos, fazendo eles ficarem em alerta. Liam percebeu logo de cara que ele estava armando alguma coisa, conhecia bem o sorriso do empresário. E odiava ele.

— Mas o que esse nerd está fazendo com ela? — Payne soltou furioso para Louis que estava ao seu lado.

— Fica calmo cara, ela sabe se virar, no mínimo tá fazendo ele de bobo — disse com a voz calma, relaxando o amigo que estava tenso.

— É, você tem razão — responde ao perceber no olhar da namorada que ela estava até se divertindo ao enganar Simon.

Obviamente nenhum dos meninos se orgulhava em ter deixado as meninas entrar nessa com eles. O fato era que eles eram egoístas demais para deixá-las passar batido na vida deles.

já estava ali há mais tempo. Ela e Louis se conheceram ainda na adolescência, o que fez ela viver cada momento quando as coisas viraram essa loucura. Não tinha arrependimento nela, fizera tudo por amor, e continuaria ali por amor. Quando a modelo percebeu que poderia ajudar eles com sua inteligência, voltou a cursar informática, um curso que havia começado quando adolescente e nunca completado. Sempre gostou de tudo que fosse ligado a tecnologia, e, valia lembrar, ela era ótima no que fazia.

— Consegui! Porra, eu sabia que conseguia — Soltou animada, mas seu sorriso não durou muito. Nas imagens das câmeras era possível ver homens armados invadindo os fundos do local. — Vamos lá pra frente garotas, precisamos avisar os meninos.

Estavam no caminho onde todos se encontravam, mas, antes mesmo de chegar ao destino, um breu tomou conta do lugar, deixando apenas a iluminação da lua entrando pela janela.

— Merda! Eu sabia que alguma coisa não estava certa. — Exclamou .

— Fiquem calmos, irei resolver o que está acontecendo — o organizador da festa disse alto tentando acalmar todos. — O gerador já está começando a ligar. Peço a todos que fiquem parados para não causar nenhum acidente.

SOCORRO!


Capítulo 1 - The Beginning of Everything

Há um ano e dois meses


Era uma quarta-feira ensolarada na cidade de Los Angeles. corria atrasada pelas avenidas movimentadas da cidade e perguntava a Deus por que não mandou uma chuva para aquele dia. Mas não podia reclamar muito, pois, quando caía aquela chuva na cidade, era um estrago.

A garota sempre gostou da correria de seu trabalho, especialmente para o que estava indo fazer agora. Teste de elenco. Amava a adrenalina, o medo, a ansiedade correndo pelo corpo.

Quando finalmente achou o local em que aconteciam os testes, encontrou uma fila enorme para a protagonista. Agradecia a Deus por ter chegado a tempo, pois ela tinha certeza de uma coisa: Jane Wilson nasceu para ser dela.

Passaram-se horas desde que chegou no local, algumas mulheres entraram sorrindo e saíram com cara de choro. O nervosismo já estava começando a ficar presente pelo corpo da atriz, quando escutou a voz de sua avó vindo na sua mente, dizendo:

“Respira fundo e se acalma. Vai entrar naquele lugar, vai dar o melhor que você conseguir e vai arrasar porque, no fim, você é maravilhosa em tudo que faz.”

Sua avó era quem mais dava apoio para seguir o seu sonho, mas infelizmente por conta da idade, ela precisou partir para um lugar melhor. secou a pequena lágrima que caíra dos seus olhos, começando a prestar atenção no que as concorrentes estavam falando.

E agradeceu por começar a prestar nessa hora.

— Sim, eu tenho certeza. Escutei uma das meninas falar com a empresária que o Harry e o Liam estão lá dentro.

Ok, respirou fundo. A garota era fã da banda, esse era um dos motivos de querer tanto o papel da protagonista. Mas ela sabia que não podia fazer uma cena, pedir autógrafo, tirar foto. Então decidiu que iria fingir que os rapazes não estavam na sala, iria falar com eles só se eles falassem com ela.

Quando a última garota que estava em sua frente finalmente saiu da sala, caiu em si. Ela literalmente faria um teste na frente de dois dos seus ídolos. E se ela desmaiasse? Passasse mal? Não, conseguia ser mais profissional do que aparentava. Era uma pessoa forte e aguentaria até o final.

— Quem é a próxima? — Ouviu uma voz perguntar. Era a mesma mulher que chamava as outras concorrentes. Ela levantou a mão. — Ah, claro. , correto? — Perguntou, simpática.

— Isso mesmo — respondeu, no mesmo tom.

— Pode entrar, Srta. , estão lhe esperando — disse a mulher, dando passagem para que entrasse. — Aceita uma água antes de começar? Parece um pouco nervosa. — Ofereceu, compreensiva.

— Por favor — aceitou sem pensar duas vezes.

Enquanto a moça simpática pegava sua água, podia ouvir vozes conversando logo à frente. Ela ainda não tinha entrado na sala completamente, estava em um tipo de backstage, onde a única coisa que a separava do palco era uma cortina preta.

— Aqui, Srta. . — A moça entregou a água para a morena.

— Muito obrigada — agradeceu.

Ao terminar sua água, respirou fundo pela última vez. E, sendo encorajada pela mulher ao seu lado, finalmente atravessou o último obstáculo entre ela e os demais presentes que iriam assistir sua apresentação.

Ela se pôs em frente ao pedestal com o microfone e esperou pelas perguntas que sabia que viriam.

Logo à sua frente podia ver alguns produtores, o diretor responsável pelo elenco e o diretor geral responsável pela série. Olhando mais para trás, prendeu a respiração ao ver os dois garotos conversando baixinho enquanto olhavam alguns papéis, sendo despertados logo em seguida pela voz do diretor de elenco, que a chamou.

? — Perguntou, sério.

— Sim — concordou, a voz confiante.

— Ótimo... me diga, por que você escolheu o teste da protagonista? — Perguntou. não precisava nem pensar para responder aquela pergunta. Assim que havia lido os roteiros de cada personagem, percebeu que Jane Wilson era perfeita para ela.

— Me identifiquei com a personagem. Senti algo que nos conectava — disse suave e tranquila. — Jane Wilson é uma mulher bastante decidida e confiante. Gosto disso. — Sorriu.

— E você, Srta. , é decidida e confiante? — Perguntou o homem.

— Em grande parte do tempo, sim. Mas como qualquer um, tenho meus momentos de incerteza — respondeu com sinceridade.

— Entendo. Que bom que não mentiu, aliás, você foi a única, já ganhou um ponto a mais por isso. — A morena sorriu. — Mas então vamos ao que interessa. Você sabe o texto? — Ela concordou. — Ótimo. Mantenha a calma, tente não ficar nervosa e nem gaguejar. Comece quando achar que está pronta.

— Você não pode exigir que eu te chame de pai! — Começou a dizer já com sua voz embargada. — Nunca foi um pai para mim! Nunca esteve presente quando precisei. Não estava quando caí, quando levei meu primeiro tombo de bicicleta para me levantar. Você nunca foi a uma festa SEQUER dos dias dos pais. Ainda tem coragem de pedir para que eu me refira ao senhor dessa maneira? — Balançou a cabeça, deixando as lágrimas caírem. — Sinto muito, você gastou seu tempo com a pessoa errada.

Terminou secando suas lágrimas. O silêncio que se seguiu foi estranho, ela tinha certeza de que tinha ido bem. Mas por que ninguém mostrava reação?

Já estava ficando triste e perdendo as esperanças quando o diretor de elenco finalmente deu um sinal.

— É isso! Isso foi perfeito! — Exclamava animado para os outros que levavam um sorriso no rosto olhando a morena no palco.

— Com toda certeza é ela. Tem que ser ela — disse o diretor geral. — O que acharam, meninos? — Perguntou, se virando para Harry e Liam que estavam de queixo caído.

— Eu achei maravilhoso. Nenhuma das outras candidatas foi tão bem quanto ela — disse Liam com um sorriso encantador. estava feliz demais.

— Eu concordo. As outras meninas não mostraram emoção alguma nas falas. , você foi perfeita — Harry elogiou, deixando a garota com vontade de saltitar de tanta felicidade. Havia conseguido vencer o nervosismo. Sua avó estaria orgulhosa dela.

— Obrigada a todos vocês. — Deu mais um sorriso. — Obrigada por me darem essa oportunidade.

— Você não precisa agradecer, Srta. , — o diretor disse se levantando. — Nós que precisamos agradecer por dar essa chance de a assistir se apresentando. Pode ter certeza que entre dois a três dias iremos entrar em contato com você para oficializar tudo.

A morena apenas sorriu novamente, guardando o grito para quando chegasse em casa. Ela poderia muito bem comemorar assim que saísse por aquela porta, mas não queria tirar a felicidade das meninas que restavam para fazer o teste.

se despediu de todos com uma felicidade que não cabia dentro de si. E ao chegar em casa, finalmente soltou o grito que a estava sufocando. Ela seria Jane Wilson!

X


Passaram três semanas e o elenco estava fechado. Depois de uma semana inteira de trabalho e cansaço, Rony, o diretor, resolveu levar todos para um show.

— Você não vai falar para qual show vamos? — tentou tirar pela milésima vez no dia, fazendo o diretor rir balançando a cabeça. — Está bem.

Não era novidade que a garota estava ansiosa pelo tal show. Mesmo não sabendo de quem seria, já estava feliz pela diversão extra. Trabalhara duro durante aquelas semanas, tentando mostrar o melhor de si nos ensaios. E, valia sempre lembrar, ela havia arrasado todas as vezes.

— Tem alguma ideia de quem é o show? — Perguntou Thomas, seu parceiro de trabalho. suspirou.

— Nenhuma. Ele gosta de fazer suspense — disse frustrada. — E você, Tommy, sabe de algo?

— Tenho minhas suspeitas, mas prefiro esperar pra ver — disse dando de ombros.

Constataram que estavam chegando ao local, pois era possível ver uma multidão esperando do lado de fora.

— Tá de brincadeira com a minha cara! — Gritou um homem no final da van. — Vocês me trouxeram para um show de uma boyband? Eu pensando que ia ver várias mulheres gostosas.

Confusa, olhou pela janela, tentando encontrar o que denunciou os artistas que iriam tocar naquela noite. Seus olhos cresceram ao finalmente encontrar um cartaz gigante, que a fez se perguntar como não havia percebido antes. Cinco garotos tinham seus rostos estampados nele. E, como um clique em sua cabeça, entendeu o que estava acontecendo. Estava indo ao show da One Direction, sua banda favorita.

Desde que conheceu os meninos da praia, nunca havia conseguido assistir um concerto deles por motivos de trabalho. Ela era a única do grupo de amizades que faltava ir, porque , e haviam ido ao show da Itália.

Puttana, non posso crederci¹… — Quando a mulher ficava nervosa, começava a falar sua língua natal, o italiano. Quando percebeu o que estava falando, ficou roxa de vergonha, porque não sabia se alguém a entendia. — Desculpe. — Thomas, que estava ao seu lado, apenas riu balançando a cabeça. — E então, suas suspeitas estavam certas?

— Na verdade, não — confessou rindo. — Antes de me inscrever nos testes, eu pesquisei bastante sobre os diretores e essas coisas. Então eu descobri que o Rony é um grande apreciador de rock, daqueles bem pesados, sabe? — Ela concordou. — Eu nunca ia imaginar que ele nos levaria em um show de banda pop, mesmo que seja pop rock e essas coisas. — Ele riu. — Mas pensando bem, entendo porque ele escolheu justamente a One Direction. — Ao perceber que ainda não havia entendido, ele continuou. — A série é inspirada nos caras. — E então ela entendeu. Tudo continuava girando em volta do trabalho, porém de um jeito mais descontraído.

— Satisfeita, Senhorita ? — Perguntou Rony em tom de brincadeira. — Descobriu qual o show.

Antes de responder seu chefe, respirou fundo, fazendo a linha calma, se lembrando que, para eles, ela só havia pesquisado o básico da música para fazer o teste. Não queria que eles pensassem que era uma fã maluca, que participou das audições só para ficar perto da banda, como já escutou várias pessoas da equipe de atrizes falando pelos corredores.

— Sim, senhor. — Riu pelo nariz. — Vamos ver se esse show está na altura da equipe de The Power.

A menina queria ver até quando iria aguentar aquela pose de não estar nem aí para o show da sua banda favorita. Parou para pensar, não iria controlar quando o primeiro acorde da primeira música começasse. Ou então, quando visse o Niall — seu favorito — cara a cara.

— Rony! — Chamou um pouco alto para o diretor escutar, já que ele estava mais para frente. — Posso falar uma coisa com você?

— Claro, . — Sorriu amigável. — Aconteceu algo?

— Não, — suspirou. — Quer dizer, sim. Não quero que você pense que eu fiz isso só por causa da banda, mas preciso falar uma coisa. Eu sou fã dela desde que começou. E eu…— foi interrompida pela gargalhada do homem, fazendo-a não entender nada.

, — disse tentando parar de rir, — eu sei. Você acha que não pesquisei sobre você antes de contratá-la? Achamos seu antigo perfil no Twitter, sua conta no Facebook, no Instagram. Eu sei de tudo. Agora, vamos curtir essa noite?

— Posso ter meu momento fangirl? — Perguntou com os olhos brilhando, já que não precisava mais esconder de ninguém. — Vai Rony, foi difícil me controlar aquela vez que o Liam e Harry estavam lá. Por favorzinho!

— Pode, . — Revirou os olhos. — Só não faça o que eu faria, ok?

Não demorou muito para uma das auxiliares de Rony avisar que eles já estavam liberados para entrar. Pelo que ela havia entendido, ficariam em um camarote reservado apenas para eles, e, depois do show, passariam pelos bastidores e no camarim dos rapazes. A morena estava com o coração a mil. Não sabia explicar o que estava se passando no seu interior, mas sabia que estava apavorada no meio de tantos sentimentos confusos. Tinha medo de surtar e acabar passando vergonha na frente de todos, mas principalmente tinha medo de não passar uma boa impressão para os rapazes que finalmente iria conhecer.

Percebendo que a garota suava frio e não parava de estalar os dedos, Rony apertou o ombro da morena, tentando passar um pouco de calma para a mesma. Não sabia se havia funcionado, mas sentia que aquela noite seria maravilhosa independente de qualquer coisa.

Ao chegar no destino final, o camarote, foi para a grade, onde conseguiria ver tudo perfeitamente. Mal conseguia acreditar que estava mesmo ali.

— Então a nossa protagonista é fã da banda... Bem que eu desconfiei — disse Thomas chegando ao seu lado. Percebendo o olhar da garota, arrumou o que havia dito. — Calma, não estou te julgando, confesso que curto umas músicas também.

— Jura? Você? — Perguntou descontraída.

— Pra você ver que até caras como eu gostam do estilo deles.

— E que tipo de cara é você? — Deu corda para o colega.

— Um dia você descobre — disse e piscou pra ela, saindo dali logo em seguida.

O show começaria em alguns minutos. E enquanto isso resolveu pedir algo para beber junto com os colegas de trabalho, assim o tempo passaria mais rápido e ela não ficaria tão ansiosa.

Conversavam animados sobre assuntos aleatórios quando as luzes finalmente se apagaram, levando a multidão à loucura. Todos sabiam o que vinha a seguir, havia chegado o tão esperado momento. A introdução do show logo começou, e junto com ela, Josh, Sandy, Jon e Dan entraram no palco.

Os gritos eram ensurdecedores, e tudo se intensificou quando os cinco tão esperados garotos subiram no palco. Eles estavam estonteantes de tão lindos. quase teve um colapso nervoso ao ver Niall ali tão de pertinho.

E, como se ele sentisse seu olhar queimando-o de cima a baixo, o loiro olhou para a direção onde ela estava e acenou. Ela não podia afirmar que aquele aceno havia sido exclusivamente para ela, pois havia uma equipe inteira ali, inclusive Rony e pessoas da produção que os meninos provavelmente conheciam. Porém ela gostava de pensar que sim, havia sido para ela.

Apesar de estar se divertindo com a equipe, queria que suas amigas estivessem com ela. Com isso, resolveu mandar um pedaço da música que era cantada no momento para deixá-las com um pouco de inveja, já que fizeram isso quando a mulher não pode acompanhá-las na Itália.

Escutem isso
áudio


Bloqueou o celular após mandar a mensagem e o áudio, apenas curtindo o momento. Não deixava de reparar que Niall olhava toda hora para o camarote, dando o sorriso que a derretia por completo.

— É seu primeiro? — A morena deu um pulo de susto, fazendo o rapaz rir. — Desculpa, não queria que levasse susto.

— Acredito que sim, Thomas. — Revirou os olhos voltando a concentração para a apresentação. — Sim, é meu primeiro. Digamos que não tinha sorte toda vez que eles iam fazer show na minha cidade.

— Então hoje é seu dia de sorte. — Piscou. — Além de estar no show, irá conhecê-los.

engoliu seco com aquela informação, não havia passado na cabeça dela que aquilo poderia acontecer. Xingou-se mentalmente por não ter pensado naquilo.

— Relaxe, eles vão gostar de você. — Passou as mãos de leve no braço da mulher, como se estivesse fazendo carinho nela. — Agora, sorria e acene porque eles estão dando tchau para cá.

Depois de escutar o amigo falando, voltou o olhar para a direção do palco acenando para os cinco rapazes que estavam balançando as mãos iguais uns loucos para chamar a atenção do casal protagonista.

, vamos?

Escutou Andrew, o assistente do Rony, pedindo a sua atenção. A garota não havia percebido que o show tinha terminado. Ela estava anestesiada ainda com o que havia acabado de acontecer. Apenas afirmou com cabeça, seguindo na direção que todos do camarote estavam indo.

O coração da italiana disparou quando viu escrito Camarim da One Direction na porta que estava fechada.

Respira . Inspira, expira, inspira.

Andrew deu dois toques na porta e foi possível ouvir Louis gritando para esperar um pouco, pois Liam estava pelado.

Não demorou muito até a porta se abrir, revelando um sorriso travesso de Tomlinson e uma cara envergonhada de Payne.

— Me desculpem por isso, Louis é um pouco exagerado às vezes — disse vermelho e coçando a nuca como um tique nervoso.

— E então, vocês vão ficar aí na porta, ou vão entrar? — O moreno de olhos azuis perguntou, fingindo impaciência e foi como se tivesse saído de uma hipnose. Ela ainda não estava acreditando que estava ali, e quando finalmente viu uma cabeleira loira ao fundo, seu coração disparou e foi como se seu corpo tivesse ligado ao automático, pois a morena, sem vergonha alguma, andou até Niall como se ninguém estivesse a volta deles, parou à sua frente e suspirou.

— Se eu te pedir um abraço, você vai me achar louca? — Perguntou, direta e com o coração acelerado. O loiro demorou um pouco para raciocinar e então sorriu, abrindo os braços para ela.

— Essa menina só me faz passar vergonha — Rony falou alto, para a protagonista escutar, fazendo todos na sala rirem.

, que estava muito confortável nos braços de Niall, finalmente se afastou, rindo.

— Qual é, chefinho, você disse pra eu não fazer o que você faria. Provavelmente se jogaria nos braços deles sem nem pedir, eu pelo menos fui educada — brincou.

— Garota abusada — resmungou, segurando o riso e jogou um beijinho no ar pra ele.

— Mas então... só o Niall ganha abraço? — Louis perguntou fingindo chateação e a garota riu.

— Me desculpe, é que eu estava ansiosa por isso. Vem aqui, Lou. — Foi até ele e o abraçou, fazendo o mesmo com os outros logo em seguida. Eles já haviam cumprimentado todos menos ela.

estava mais do que feliz, estava radiante. Ela achava que quando essa hora chegasse, travaria. Mas eles irradiavam tanta humildade e simplicidade, que foi como se eles se conhecessem há anos.

Não tinha como o dia ter sido mais perfeito.

Vocabulário:
¹- Puta que pariu. Não acredito.


Capítulo 2 - History of the Nurse

Atenção, essa cena contém depoimentos de um namoro abusivo. Se você não se sentir confortável lendo, pode pular, iremos resumir ao longo da história

No outro dia, a movimentação na cobertura de começou mais cedo. Foi surpreendida por , uma de suas amigas, em frente à sua porta, olhos vermelhos e inchados de tanto chorar.
A atriz apenas abraçou a amiga suspirando, já imaginando o que poderia ter acontecido. Ficaram um bom tempo paradas na porta da casa da morena enquanto esperavam que a ruiva se acalmasse.
— Hey, tá tudo bem, , vai ficar tudo bem... — Disse baixinho, consolando a amiga.
— Acabou, ... e o pior de tudo é que vocês me alertaram. Como pude ser tão burra? — Se auto julgava ainda em prantos.
— Você estava apaixonada, amiga, e muitas vezes, quando estamos apaixonadas, ficamos cegas…— respirou fundo enquanto falava. — Vem, — puxou levemente os braços da amiga para dentro da sua casa — Você deve estar morrendo de fome. Nem pense em dizer que não, sei que precisa.
As duas mulheres foram em direção à cozinha, que já estava cheia de mantimentos em cima da mesa. Parecia que dona Nina havia acertado que iria chegar alguém que precisasse comer sua comida para se animar. Ela havia feito lasanha para o almoço, e, para a sobremesa, torta de morango.
— Dona Nina sempre se superando. — Disse a ruiva após provar a comida de seu prato já feito.
— Ela é incrível — respondeu do outro lado da mesa, onde montava seu prato.
O almoço seguiu em um silêncio confortável. entendia que sua amiga precisava de certo espaço e não queria ser inconveniente naquele momento.
havia conhecido Adam no hospital em que trabalhava. Ele era cirurgião geral e ela, enfermeira. No começo ele se mostrava uma pessoa maravilhosa e super apaixonada, porém isso não durou por muito tempo.
tinha quase certeza do que havia acontecido. Por vezes tentou alertar a amiga sobre o canalha que Adam era, porém a ruiva não conseguia enxergar. O homem conseguia ser tão abusivo e tóxico, que manipulava facilmente. Ela já havia desconfiado de suas traições, mas ele sempre dava a volta por cima e fazia ela acreditar que estava ficando paranoica.
Em uma das vezes que e as outras meninas interviram na relação de , Adam foi à loucura, ele passou a ameaçar as amigas da ruiva e a afastou de todas elas. Ninguém sabia afirmar se ele já havia agredido ela de alguma forma, mas todos desconfiavam, já que a mulher sempre aparecia com marcas roxas pelo corpo e, independente do calor que fazia, usava blusa de manga comprida e calça.
— Eu peguei ele na cama com outra. — Soltou subitamente. não se mostrou surpresa, ela já imaginava. — E então ele me culpou por aquilo. Nós brigamos e ele foi agressivo... De novo.
Disse pausadamente. Ela estava tentando não chorar de novo, queria ser forte, e não fraca. Para ela, já havia fracassado demais.
Devagar, levantou a manga da blusa que estava vestindo, revelando a marca exata de cinco dedos em seu pulso. Ela levantou a barra da peça até próxima aos seios, mostrando o enorme hematoma preto nas costelas.
! Meu Deus, , como você aguentou isso por tanto tempo? — correu até a amiga, não conseguindo controlar o choro por ver sua pele daquele jeito.
— Eu estava cega, , ele falava que ia mudar e eu acreditei. Eu fui burra, estúpida. — Soltou, voltando a chorar.
— Não, meu amor, você não tem culpa. Ele manipulou você, te usou, e você, apaixonada, acreditou nele. O único culpado aqui é ele. — Disse, abraçando a ruiva.
Enquanto as duas estavam abraçadas, passava-se um filme na cabeça de , todos momentos do seu relacionamento que durou quatro longos anos de sua vida.
Nunca havia desabafado com ninguém sobre os seus traumas. podia se considerar uma mulher guerreira, pois as dificuldades que ela passou, ela não gostaria de ver nem sua maior inimiga passando. Talvez tivesse chegado a hora de finalmente se abrir com alguém.
— Teve uma noite... a pior noite, . — Tentou falar, mas o choro nunca a deixava, apenas intensificava com as lembranças.
, não precisa falar agora se não quiser... — a corta.
— Eu preciso, amiga. Já guardei isso pra mim por muito tempo. — assentiu e esperou que a ruiva se acalmasse. Ela respirou fundo e continuou. — Teve essa noite, eu estava assistindo um filme quando ele chegou. Eu não tava muito bem, passei mal durante a semana toda e só queria ficar quietinha na minha. Ele não entendeu isso, . Não me deixou quieta. Tirou o meu shorts e me fez transar com ele. Mas não foi uma transa qualquer... Ele me machucou muito. Foi violento. E quando eu disse pra ele que tava doendo, ele disse "Foda-se".

soltava tudo de forma automática, as lágrimas nunca parando de escorrer pelo seu rosto enquanto ela olhava para um ponto qualquer da cozinha. Não conseguia encarar . Não queria ver seu olhar de pena.
— Quando finalmente terminou, ele foi dormir e eu fui tomar banho. Eu sentia dor, , uma dor que eu nunca havia sentido na vida... E depois do banho, eu fui dormir. Eu achava que quando acordasse eu ficaria bem, que aquela dor iria embora, mas eu estava totalmente enganada.
Ela suspirou fundo, criando coragem para falar aquilo em voz alta pela primeira vez depois de tanto tempo. estava tensa, não fazia a menor ideia do que fazer ou falar. Ver a amiga daquele jeito estava acabando com ela. Ela só não sabia que tudo iria piorar, quando soltou:
— Por volta das três horas da manhã, eu acordei sentindo uma pontada no ventre. Eu estava toda suja de sangue. De primeira eu não me toquei, achei que aquilo era consequência da brutalidade dele, e de certa forma era, mas não do jeito que eu pensava. Eu estava grávida, . Eu estava grávida e perdi o meu bebê... Ele me fez perder o meu bebê.
Desabou de vez nos braços de , que também chorava. Jamais imaginou que aquilo havia acontecido com a sua amiga. Se soubesse disso, teria arrancado de lá, teria denunciado aquele canalha e jamais deixaria ele se aproximar dela novamente. Ela não conseguia imaginar o tamanho da dor que a ruiva estava sentindo, mas, pelo seu choro tão intenso, sabia que aquilo jamais iria deixar de doer. Perder um filho é uma das piores dores que uma mulher pode passar. Ainda mais , que sempre sonhou em ser mãe
— Por que nunca me contou, ? Eu iria te ajudar. Todas nós poderíamos te ajudar — perguntou a morena.
— Eu não sei. Tive medo, amiga. Guardei tudo isso pra mim, nunca contei pra ninguém. Só pra ele. — se sentia arrependida de não ter procurado ajuda.
Adam não moveu uma palha para ajudá-la. Pelo contrário, continuou vivendo sua vida normalmente como se nada tivesse acontecido. Como se ele não tivesse perdido um filho também. Como se a dor dela, tanto física quanto psicológica, não fosse nada. demorou para perceber, mas olhando tudo agora sem uma venda nos olhos, ela sentia nojo daquele homem. O homem que dormia a seu lado todos os dias. E que, muitas das vezes, dormia a seu lado depois de ter transado com outra pela rua.
, promete pra mim que você não vai mais voltar com esse canalha. Me promete que não vai mais deixar ele manipular você e que você nunca mais vai esconder uma coisa dessas de mim. — concordou com a cabeça enquanto era abraçada pela amiga. — Meu Deus, como você conseguiu passar por isso sozinha, ? — Estava inconformada com tudo que havia escutado.
— Aí é que está, . Eu nunca passei por isso. Nunca passei pelo luto como deveria. Eu afundei tudo pra dentro de mim e nunca mais mexi. Foi muito pra eu aguentar sozinha. Eu queria contar, queria desabafar e chorar até não poder mais. Mas eu tive tanto medo de que ele fizesse alguma coisa com vocês se eu me aproximasse. Me desculpe, . — Pediu, olhando nos olhos da morena.
— Você não tem que se desculpar, amiga. Eu jamais vou te julgar por isso. Estou aqui por você como sempre estive, e, se você só se sentiu confortável de falar agora, tá tudo bem. Vai ficar tudo bem. — Encerraram a conversa com um abraço apertado e promessas de que jamais iriam abandonar uma a outra.

Enquanto tomava banho, separava as coisas necessárias para ajudar a amiga com os curativos pelo corpo.
era enfermeira, sabia fazer tudo sozinha, mas ela estava muito machucada, seu corpo doía de uma maneira intensa, como se seus ossos fossem se partir a qualquer momento. Ela estava exausta.
Quando a mulher saiu do banho, já estava mais relaxada, porém seu rosto continuava inchado pelo choro. Ela sentou na cama, enquanto , com todo cuidado do mundo, passava um antibiótico na costela ferida da mulher.
Ela sentia tanta dor, que nem reclamou da queimação que ocorreu quando o líquido entrou em contato com sua pele inflamada, apenas respirou fundo e esperou que sua amiga terminasse.
Mais tarde, quando os nervos das duas já estavam mais calmos, resolveram assistir um filme enquanto esperavam pela pizza que haviam pedido. não tinha gravação hoje e agradecia por isso, pois não gostaria de deixar sozinha.
A pizza chegou e as duas comeram enquanto lembravam de suas bagunças de quando se conheceram. Sentiam falta daquilo. Sentiam falta de todas as cinco amigas juntas. Mas isso com certeza mudaria dali em diante.

XXX

Passaram três dias desde o episódio em que descobriu sobre o que a amiga havia passado, prometendo para si mesma que Adam iria pagar por tudo que fizera com sua irmã de coração.
Havia deixado a amiga chorar por dois dias seguidos dentro do quarto de hóspedes, a ruiva só saíra de lá para comer, fazendo ficar se sentindo angustiada com aquela situação.
não queria deixá-la sozinha, já que hoje começaria uma etapa de gravações. Criando forças para bater na porta que a amiga estava hospedada.
, quero te fazer um convite — falou atrás da porta que ainda não havia sido aberta. — Quero que você vá assistir um dia de gravação. — A morena escutou um “não, obrigada” vindo do outro lado. — Por favor, não quero que você fique sozinha, — suspirou. — Depois que acabar, podemos comer no lugar que você escolher. E por minha conta. — Não demorou muito até finalmente ouvir a porta sendo destrancada.
— Fechado! Mas depois não reclama. — Disse a ruiva, com um sorrisinho travesso, fazendo a amiga revirar os olhos, rindo.

O caminho até o estúdio de gravações não era muito longo, o que fazia dar graças a Deus, pois assim evitava trânsitos longos e irritantes.
não estava muito animada por conta dos acontecimentos recentes e até mesmo os passados, mas gostava de ver a amiga atuar, já havia acompanhado em outros trabalhos e ela podia dizer com total sinceridade que a morena era incrível.
Após estacionar o carro na sua vaga, e a amiga entraram no estúdio. A correria estava grande, o que fez a atriz estranhar, pois sempre era tudo muito calmo, até mesmo para não desconcentrar os atores.
— Bom dia, Lucy, o que está acontecendo? Tá todo mundo eufórico aqui. — Perguntou a morena para uma das funcionárias da produção.
— Ah, é porque o Sr. Cowell e um dos rapazes da banda estão aqui hoje. Vieram para uma reunião com o Rony e aproveitaram para assistir a gravação.
— Qual garoto? — Perguntou, perplexa. Já tinha feito uma audição na frente de dois deles, mas nunca uma gravação inteira.
— Zayn Malik — disse a mulher, saindo apressada logo em seguida.
não sabia expressar o que estava sentindo, porém, ao olhar para , percebeu que ela estava até calma para aquela situação. A ruiva se encontrava em choque, com os olhos arregalados e pálida feito um papel sulfite.
— Amiga?
— Pelo amor de Deus, , é o Zayn Malik. Caralho, eu vou ver o Zayn Malik! — Disse, sem nem acreditar.
— É... achei que demorou muito depois que conhecemos os meninos. — Disse .
— Você conheceu os meninos? — Gritou , recebendo um tapa da morena. — Ai, garota.
— Não surta, ok? Mas sim, fui no show deles, não se lembra? E ainda o Harry e o Liam assistiram a minha audição. — Disse toda orgulhosa.
— Caralho. — Ela estava de boca aberta.
— Segura esse queixo e se prepara pra não dar uma de fã louca, porque você provavelmente vai ficar bem perto dele.
— Caralho.
— O disco tá ralado, hein? — Disse, zoando a amiga, e recebeu um empurrão em resposta.
— Cala essa boca e vamos logo. — E então as duas respiraram fundo e entraram onde as gravações realmente aconteciam.

não precisava se preocupar com muita maquiagem, já que sua personagem era de família simples. Então assim que chegou em seu trailer, já foi para a parte do cabelo, aquele sim precisava de tempo. Assim que acabou de arrumá-lo, foi em direção à maquiadora que só precisou passar uma base para esconder as marcas do rosto, olheiras, passou uma sombra fraca rosa e um batom clarinho, e estava perfeito. Ela era perfeita.
Enquanto a atriz era encaminhada para a frente das câmeras, sua amiga era levada para trás delas. Ela ainda não havia percebido, mas o moreno de olhos amendoados e expressivos estava bem ao seu lado.
Posso me sentar aqui?


Capítulo 3 - The Proposal

Posso me sentar aqui? — Zayn perguntou, apontando para a cadeira ao lado de . Puta merda. Foi o que a ruiva pensou, não conseguindo responder porque estava em estado de choque. Apenas afirmou com a cabeça enquanto encarava o moreno sem acreditar que ele estava ali na sua frente — Você está bem?
— E-eu... Ahm.. eu estou bem. — Disse atrapalhada. — Me desculpe, é que não é todo dia que Zayn Malik pede pra sentar ao meu lado. — Se explica, sem graça com a situação.
— É uma fã? — Pergunta, tranquilo. Zayn já estava acostumado com situações parecidas com essa.
— Sim. — Respondeu, ainda sem graça pelo mico. — Me desculpa mesmo por isso.
— Está tudo bem, não se preocupe com isso. — Disse, tranquilizando a ruiva. — É atriz também?
— Não, eu só vim assistir minha amiga. — Responde, olhando orgulhosa, a amiga gravando mais uma cena. Zayn seguiu seu olhar e sorriu.
— Ela é ótima! Bem que os meninos tinham falado.
— Liam e Harry falaram sobre ? — Perguntou empolgada, sabendo que a amiga iria amar saber de tal informação.
— Sim, eles falaram. — Sorriu. — E devo dizer que foram apenas coisas boas. Eles até queriam vir hoje de novo, mas Simon não deixou. Disse que causaria muito transtorno. — Disse, revirando os olhos.
Antes de um dos dois falarem algo, em uma televisão apareceu o aviso que era para fazer silêncio no set porque uma nova cena iria começar a ser gravada.

— Você tem que entender que eu te amo.
A menina respirou fundo passando as mãos pelo seu cabelo enquanto encarava seu... seu... ela não sabia o que ele era.
— Eu sei… — suspirou, andando pelo quarto em que se encontrava. — Eu também te amo, mas você irá se casar com outra! E sabe qual é o pior disso tudo? Você não teve coragem de me contar, Aidan. — seca uma lágrima sólida que escorreu em seu rosto. — Eu descobri da pior maneira, POR ELA! — Gritou. — Isso que você chama de amor?
— Amor…
— Não me toque. — Deu um passo para trás. — Estou com nojo de você. Aidan sempre esteve em seus pensamentos dos mais sóbrios para os mais impuros, com duas mãos sobre seu corpo, com seus dedos acariciando sua pele, e agora parecia que nada do que viveram era real.
Por tantos garotos que a morena poderia se apaixonar, ela se apaixonou logo por aquele que sua família odiava ter por perto. Suas famílias tinham uma rivalidade desde o tempo de seus ancestrais, fazendo-os terem um amor proibido.
Babe, por favor, não diga isso.
Não me chame de babe! — Gritou novamente.
A garota nunca havia entendido o motivo de todos seus familiares dizerem que aquele relacionamento não teria futuro, que Aidan iria fazê-la sofrer. E ele estava fazendo o que todos tentaram alertá-la.
— Estou indo embora. — Suspirou, pegando sua bolsa que estava em cima da cama. — Espero que nunca mais você me procure.
— Eu te amo.
— Infelizmente, nosso amor não foi o suficiente para você pensar só com a cabeça de cima. — Disse, fechando a porta com força.
Arrasada.
A mulher estava arrasada.

— Corta! — gritou Rony. — Isso foi maravilhoso! Vocês estão cada vez mais me enchendo de orgulho! , o que foi aquilo? Deu para sentir a dor dela aqui! Thomas, não tenho palavras para dizer o quanto você conseguiu transmitir a angústia dele.
Os dois apenas sorriram, era maravilhoso trabalhar com o diretor. Rony sempre fizera tudo para deixá-los confortáveis, não só com os protagonistas, mas com todo o elenco.
Após ver a prévia da cena que havia sido gravada, e Thomas seguiram em direção ao trailer para trocar o figurino e assim começarem uma nova cena.
, ao entrar no local, sentiu falta de sua amiga. Não a tinha visto durante a gravação, será que alguma coisa havia acontecido? Espantando todos os pensamentos negativos, sentou-se na poltrona, vendo sua cabeleireira e maquiadora vindo para ajeitar seu cabelo e retocá-lo.
— Você não vai acreditar! — entrou com tudo no trailer, dando um susto enorme nas mulheres que se encontravam lá. — Desculpa — disse sem graça.
— O que aconteceu?— perguntou rindo, enquanto as mulheres voltaram a se concentrar. — Aliás, por onde a senhorita estava?

sentou-se no sofazinho que havia no local, começando a dizer o que havia acontecido com ela, fazendo todos os presentes rirem do jeito que a ruiva estava contando a história.
estava contente por finalmente a amiga estar conseguindo dar um riso sincero, verdadeiro, pela primeira vez depois de algum tempo.
Depois de um bom bate papo com as meninas, uma pessoa da equipe chamou dizendo que já estava na hora da gravação. disse que dessa vez ela ficaria no trailer descansando, porque estava morrendo de sono. apenas deu ombros e foi com Andrew.

Após o expediente de ter acabado, ela cumpriu o que havia prometido à amiga, a levou para comer. Porém o arrependimento veio cedo demais, pois, enquanto a morena comia um lanche, comia dois, acompanhado de um copo de milk shake.
, como você consegue comer tanto e não engordar? — Perguntou espantada. riu.
— Também não sei, você sabe que eu odeio exercícios e essas coisas. — Deu de ombros.
— Eu fico chocada toda vez que te vejo devorando dois lanches em tão pouco tempo. — Disse, realmente chocada com o apetite da amiga.
— Xiu, estou em fase de crescimento, e isso aqui está muito bom.
— É, eu estou vendo — respondeu a morena, rindo da situação.
estava feliz em ver mais tranquila. Teve a certeza de que a ideia de tirar a ruiva de casa não havia sido em vão, pois a mulher dando sorrisos sinceros durante o dia todo havia sido um presente para ela, e, se ela tivesse que pagar uma fortuna para ver esses sorrisos por mais vezes, pagaria sem reclamar.
Porém, infelizmente, nem tudo que é bom, é para sempre. E, por mais que a morena não quisesse estragar o momento leve, ela não podia deixar todo o assunto cair no esquecimento.
— Amiga, desculpe tocar no assunto, sei que ainda é difícil pra você... Mas, você pretende denunciar o Adam, né? — Perguntou, cautelosa. Não queria reviver nenhuma ferida, muito menos deixar a amiga desconfortável, mas precisava saber. suspirou, mas não fugiu do assunto, sabia que uma hora ou outra teria que falar sobre.
— Eu não sei, ... não quero ter mais problemas pro meu lado, eu só quero esquecer tudo que aconteceu e seguir com a minha vida.
apenas balançou a cabeça em concordância voltando a comer seu lanche. Assim que ambas estavam satisfeitas com seus lanches, pediu um carro no aplicativo Uber enquanto ia pagar a conta, com o cartão da atriz.
A morena suspirou enquanto olhava para o lado de fora, sabendo que em breve essa paz iria acabar. Mas não reclamava, era seu maior sonho se realizando, não via a hora de ver o resultado do seu trabalho.

, quero você amanhã às 8:30 no meu escritório. Tenho uma proposta para você.

♡♡♡♡

No dia seguinte, estava tensa, não tinha a menor ideia do que Rony queria com ela, até porque ele tinha dado folga à mesma, alegando que, como tinham gravado muitas coisas no dia anterior, ela precisava descansar, pois logo teriam mais uma sessão longa de gravações.
— Você não sabe mesmo o que ele quer? — , que estava vendo a amiga se arrumar, perguntou enquanto segurava um pacote de biscoitos.
— Não tenho ideia, mas espero que seja algo bom. — Respirou fundo, e pegou os biscoitos da amiga pra si.
— Hey!
— Desculpa, eu estou nervosa, preciso descontar em alguma coisa, e eu amo esses biscoitos.
— Vou relevar só porque sei como você fica quando está ansiosa ou nervosa com alguma coisa. — Sorriu. — Mas fica calma, , está sofrendo por antecipação. Tenho certeza que vai ser coisa boa, confia.
— Vou confiar, você sempre acerta. -— Disse mais tranquila e piscou para a amiga.
Já na recepção do escritório de Rony, foi possível vê-lo pela parede de vidro que o separava da sala onde a mulher estava. Ele estava de cabeça baixa, concentrado nos papéis em cima de sua mesa. Ela não conseguia distinguir se sua expressão era de raiva, preocupação ou só de concentração mesmo e isso a deixava mais nervosa ainda.
— Bom dia, senhorita . Rony está à sua espera, fique a vontade. - A recepcionista falou antes mesmo da atriz abrir a boca. A morena sorriu, respondendo o bom dia e agradecendo à senhora baixinha e simpática, e então entrou na sala do chefe.
— Bom dia, , sente-se. — Apontou para a cadeira á frente de sua mesa.
— Bom dia para o senhor também. Obrigada. — Ela se sentou e cruzou as pernas tentando controlar a tremedeira.
— Está nervosa? — Perguntou o homem, percebendo no ar a tensão da moça.
— Confesso que um pouco. — Sorriu.
— Não precisa se preocupar, é uma coisa boa. Pelo menos eu acho que é. — Ele sorriu largando os papéis. — Você é quem vai escolher se aceita ou não, porém vai ser ótimo ter o seu sim. Só precisamos esperar mais uma pessoa chegar.
— Tudo bem. E quem é a pessoa? — Perguntou curiosa.
Rony ia responder a moça, mas, antes mesmo que ele abrisse a boca, foi possível ouvir duas batidas na porta e logo em seguida ela sendo aberta.
— Mil desculpas pelo atraso, o trânsito tá uma loucura do aeroporto pra cá. — mal acreditava em quem estava bem atrás dela, fazia semanas que não a via, apenas se falavam por telefone.
— Não acredito... ! Ai meu Deus, o que faz aqui? — Levantou, surpresa e animada ao mesmo tempo, ela abraçou a amiga e a ajudou com a mala que carregava.
— Bem, a culpa é minha. — É Rony quem fala. — A proposta que tenho pra você é de certa forma grande, e, como é sua empresária, achei melhor ela estar presente nesse momento. — sorriu entendendo.
— Por que não me avisou? Eu teria arrumado as coisas pra te receber.
— Bem, eu estava meio ocupada resolvendo algumas coisas sobre o seu antigo contrato na Itália e acabou que nem deu tempo de avisar. — Ela se sentou na outra cadeira. — Foi tudo muito em cima da hora também, tive que pegar o primeiro vôo pra cá.
— Tudo bem, eu te perdoo. — Disse, se arrumando na cadeira e respirando fundo. — Podemos começar logo? Estou curiosa.
— Certo, vamos logo com isso. — Rony arrumou sua postura e voltou com sua expressão séria. — Bem, eu andei observando você durante as filmagens, e fora delas também. Peguei você cantarolando pelos corredores do set de filmagens e confesso que gostei muito do que eu ouvi. Você tem uma voz bem bonita, . Então resolvi entrar em contato com . Eu sabia que além dela ser sua empresária, também era sua amiga, portanto perguntei a ela sobre esse seu dom e ela me mostrou algumas coisas que você fez apenas por hobby. Estou realmente maravilhado. — estava surpresa, jamais imaginou que alguém prestasse atenção enquanto ela cantava. Gostou de saber que alguém havia gostado, pois cantar era uma de suas paixões.
— Muito obrigada, senhor, eu fico realmente muito grata pelas suas palavras. Cantar é uma coisa que sempre gostei de fazer. Mas ainda não entendi onde o senhor está querendo chegar.
, você já pensou em cantar? Tipo profissionalmente? — A mulher estava de boca aberta. Esse sempre fora seu sonho, antes mesmo de se interessar pelo teatro.
— Na verdade, esse sempre foi o meu sonho. — Disse sorrindo de orelha a orelha.
— Isso é ótimo! Me deixa mais confiante para ouvir o seu sim. — Ele fez uma pausa dramática. já estava tremendo. Ela intercalava seu olhar entre o chefe e a empresária, que também sorria, pois já sabia o que o homem iria falar. — A proposta é a seguinte: você grava uma música para ser trilha sonora da série e, dependendo da resposta do público, você me deixa produzi-la não só no teatro, mas na música também.




Continua...



Nota das autoras: : O que acharam da história da Anna? Um pouco pesado não? Em breve iremos trazer outras histórias das meninas. ❤️

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