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Última atualização: 07/08/2021

Prólogo

Quando decidi ser fotógrafo, entrei de cabeça sem pensar em dinheiro, sem pensar em fama e muito menos em gerar nome. Acreditava que o dinheiro era apenas a recompensa daquilo que eu fazia com amor, por prazer e não com motivo de apenas tê-lo para me tornar alguém na vida.
Ao me jogar nesse universo das fotos, pratiquei a arte de eternizar sentimentos que são incapazes de serem ditos com palavras.
Experimentei e gostei, tive pessoas que me incentivaram e outras nem tanto, mas ao ver que conseguia aos poucos expressar o que estava querendo, fui ficando e semeando conhecimento sobre meus sentimentos, e um desses sentimentos é o amor que sinto pela minha família e filho.
Uma vez eu li que o amor nos deixa cego e acredito que tenha uma razão para isso: dopamina. Quando se ama muito algo, você fica excitado, querendo mais e mais, e não enxergando nada à sua volta, focando somente no assunto, sem se importar com a opinião de ninguém, fazendo daquilo uma motivação para momentos em que precisamos de alegrias.
Aos meus vinte anos, conheci uma garota de pele lisa, cabelo castanho claro e estatura alta na minha escola de fotografia quando, naquela aula, o professor de direção de modelos levou sua amiga para ser a nossa modelo. Nesse dia, eu senti algo novo em mim e que eu sabia que tinha que agarrar, só não imaginava estar na situação em que nos vejo atualmente.
Aquele sorriso ganancioso ficaria gravado em minha memória. A atitude dela em ficar do lado dele foi o que mais me feriu, jamais pensei que minha esposa fosse alguém tão baixa assim.
Ainda mais defendendo alguém que me feriu.
, para! — A amargura em seu timbre, cansado de me ver bater na pessoa que eu menos desejo bater e que nunca me imaginei fazendo tal ato, teve efeito contrário ao que ela esperava com esse tom, me motivou ainda mais. — , ele não teve culpa.
Eu deveria ter desconfiado e não ignorado todos os detalhes e avisos ao meu redor de pessoas próximas, mas como nós homens somos burros quando apaixonados, procuramos evitar opiniões de terceiros. Todos tinham razão sobre ela, minha mãe principalmente, dizendo que ela não era a pessoa certa e que uma hora outra eu ia notar isso, mas quando você ama alguém, espera ser correspondido. Era o que eu esperava.
Mas eu fui cego, mesmo com as pessoas que estavam bem de baixo do meu nariz. Seu toque foi sentido bem quando eu ia dar um outro soco no rosto do idiota, o que me distraiu por alguns segundos, ela sabe eu preciso recuperar o fôlego.
Olho meu irmão embaixo de mim cuspindo sangue, me olhando fixamente com a testa enrugada, está me analisando. Provavelmente querendo fazer com que eu mude de atitude, mas, dessa vez, eu tinha direito. Não é porque ele é mais velho que eu sempre vou baixar a arma para tudo que quiser. Sua dificuldade para respirar era bastante, mas nem por isso ele relaxou. Quando ia dar um dos últimos socos para dar o aviso que eu ia terminar o serviço mais tarde, ele reverte a situação, me acertando com um banco do meu bar em minha barriga, que devido à tamanha força utilizada, me jogou para as placas de vidros que compunham as paredes de minha casa, as quebrando com o impacto, me fazendo cair do lado de fora.
Agora noto que os anos em academia lhe fizeram bem, pois dessa vez quem tentava se acalmar era eu, tento puxar o ar dos meus pulmões mas minha visão me deixa agoniado, o que não resolveu, só piorou tudo!
Pisco algumas vezes mas só consigo sentir um soco em meu rosto e meu corpo sendo virado de costas no gramado, quando em meio a agitação vejo uma sombra distante caminhar até mim. Não consigo visualizar quem é, pois está tudo sem foco, o que me deixa nervoso, já que sinto que sou puxado para algum lugar.
Quando acordo, recupero aos poucos a visão, tentando compreender onde estou. Tinha algumas possibilidades, mas quero acreditar que a última não seja verdadeira.
— Até que enfim acordou, pensei que nunca ia acordar, donzela. — Balanço minha cabeça, piscando algumas vezes, e ao reconhecer a voz de Conrad, olho em sua direção.
Meu irmão está sendo na sua cadeira de escritório, com os pés em cima da mesa de vidro, o que o torna insuportável, ele se acha só pelo fato de nosso pai tê-lo dado a melhor sala da delegacia.
A cicatriz que deixei em seu rosto é o que me deixa mais calmo, apesar de saber que estou algemado e a vontade de o bater só aumenta.
— Sabe, nunca pensei que justo você iria se tornar alguém desse nível, o queridinho do papai em todas as revistas. — Ele faz uma cena esperando me impressionar ao pegar um dos exemplares. — “ , renomeado fotógrafo americano na área infantil, demonstra sua verdadeira face ao se meter em briga, que gerou violência na frente do próprio filho de um ano de idade. Internautas que o seguem nas redes sociais dizem que irão cancelar contratos com o fotógrafo, já que não admitem que seus filhos tenham esse tipo de influência.” O que me diz dessa reportagem, meu irmão? — Conrad fecha a bendita revista com seu olhar superior.
— Eu acho que...
— Você não acha nada, . — A voz do meu pai, Paul , surge atrás de mim. — Você está preso e acho que iria ficar feliz pelo o que conseguiu com essa movimentação toda. — Levanto a sobrancelha quando meu velho fica próximo de Conrad e troca olhares antes de voltar a mim. — Sua mulher foi embora e levou junto seu filho. Era o que tanto queria, não?
— Isso é mentira. — Grunhi enquanto falava. — Vocês só estavam esperando uma oportunidade para me ver fracassar e tudo isso por quê? Porque eu não segui seus passos, pai? Eu devia saber que quem está por trás disso tudo é você, já que nunca aprovou meu relacionamento com Ivy! E você, Conrad, ainda se orgulha de ser tão influenciável sobre a opinião de pessoas que esquece de ser quem é você?
Meu irmão se levanta, alterado, mas meu pai o segura pelo peito de uma forma dramática, o que me dá nojo.
— É, eu queria que tivesse seguido meus passos sim, mas como dizem por aí, sempre tem uma ovelha negra da família.
Acabo não reconhecendo o pai com quem eu cresci na infância. Paul sempre teve sua carreira levada a sério, sempre soube separar a vida pessoal da profissional, mas uma coisa que ele não sabia administrar bem era seu caráter como ser humano.
Ele só via vantagens em terceiros, e quando se tratava de sua própria família, ele renegava tudo. Quando eu comecei a ganhar algum dinheiro com fotografia, a primeira coisa que fiz foi sair de casa, pois não aguentava mais a pressão de ter que estudar para entrar em um concurso da polícia. Não, eu não queria ficar em um escritório, queria sair viajando para tirar o máximo proveito da minha câmera e mostrar ao meu filho como tudo era antes de nascer e o quanto alguém precisa evoluir para se tornar melhor.
Aparentemente, para meu pai, um filho saindo do ninho é perigoso e minha mãe sempre falou que ele agiu assim por Conrad ser adotado. Apesar de mais velho, ele não sabia disso e ela temia que ele se afastasse de nós quando soubesse, por isso me culpava por dar esse tipo de influência a Conrad.
— Tomar coragem de viver não é ser ovelha negra.
— Já chega, ! — O grito do mais velho nos fez tremer. — Conrad, pode ir dar uma olhada em como anda a situação lá fora? — Meu irmão esbarra em meu ombro quando passa por mim.
Ouvimos a porta ser fechada, agora o tormento começa.
— É sério que vai me prender por causa dele? Não acha que já está passando do limite?
— Ele abriu um boletim de ocorrência contra você. O certo seria ter todo o processo de depoimentos, mas você precisa aprender as consequências de seus atos, e tirar sua liberdade para mim é o suficiente, mas não o mandei sair daqui à toa. Quero falar sobre meu neto.
é um assunto meu, pai.
— Não quando a mãe dele resolve morar em outro país e levá-lo de você.
— Ela não pode fazer isso.
— Pode sim. Ela me informou sobre o motivo da discussão e eu sugeri que ela fosse morar com Conrad em South Beach.
Meu pai balança sem parar a caneta vermelha em suas mãos, sem deixar de fazer contato comigo, sem afastar o olhar. Tento demonstrar que não estou sentindo nada, pois tudo que ele quer é me afetar, mas na verdade meu mundo veio à tona.
Comigo tendo vinte e cinco anos, meu pai ainda se acha no direito de se meter na minha vida, mas isso não vai ficar assim. Se eu sair desse lugar, a primeira coisa que vou fazer é cortar relações totalmente com minha família, para mim já deu.
Essa atitude foi a gota-d’água.


Capítulo 1

~~ Dias atuais ~~
~~ ARIEL ~~

Meu coração travou.

Depois de sete dias, tudo o que eu conseguia sentir era aflição, amor, alívio e felicidade. Era o que poderia ser descrito quando, ao dar meu último grito de dor, conseguimos escutar o primeiro choro de minha filha ao respirar. O começo de sua história. Sorri ao ver meu namorado, o meu amor e pai da minha bebê, sorrir ao pegá-la no colo com a delicadeza de sempre em meios às lágrimas.
Eu sabia que era ele.
Mesmo com seus defeitos, mesmo com sua insegurança em ir ao baile de formatura, tinha tudo para ter ficado chateada, mas conhecendo , a raiva é o modo como ele demonstra seu medo e sei que tudo isso acontece por ele ser ansioso. E naquele momento ele tinha todo o direito de agir como agiu, visto que ele merecia subir no palco, e se fosse eu faria o mesmo, provavelmente até pior. Estávamos nos arrumando na casa dos nossos amigos quando tudo começou. Recebi um telefonema do professor Matt de última hora me pedindo para ser a oradora no dia seguinte, pois o líder do time não iria conseguir ir. Fiquei grata pelo convite, mas recusei, eu já não sabia falar bem em público e eu sabia que, apesar de fechado, é bem comunicativo, então perguntei se ele aceitaria. Ele ficou agitado como nunca vi antes, não aceitou o telefone que passei a ele, o quebrando, então saiu de perto de nós por sete dias, retornando para conhecer nossa menina.
Nossa menina era apressada, veio na época certa, mas não me deixou sair de casa. Como meu pai era filho de médicos (o que explicava nossa casa esbanjando riqueza e que eu detestava por todos os lados) chamou sua equipe até aqui. Enquanto os médicos me ajudavam com os procedimentos necessários após o parto, eu não conseguia tirar os olhos da minha pequena família que no momento estava em volta de uma esfera rodeada de amor, próxima à sacada de meu grande quarto.
— Ela é linda, Ari. — Seu tom de voz é baixo e rouco. Estava sem palavras pela nossa obra prima. — Quando seu pai me contou sobre como se sentiu ao ter você nos braços, eu duvidei muito do sentimento que ele disse que só quem é pai entende, achei que esse sentimento era coisa da cabeça dele, pois não tinha como eu amar alguém como eu amo você. — Sua ternura foi o que me atraiu. Como eu tive a sorte de achar alguém tão oposto a mim? Eu não sei. — E esse amor só aumentou agora que você realizou um sonho meu, de ser pai. Eu amo vocês até o infinito.
Maldito aparelho grudado em mim!
Os médicos riram ao ver que os sinais do monitor, eram pura emoção de eu ter tido a sorte de encontrá-los. Eu queria poder dizer isso ao cara que se dedicou nesses noves longos meses em que não saía do meu lado por nada.
Enquanto meu pai me culpava todos os dias por essa criança ter sido gerada, e Jamie me davam todo o suporte necessário.
Meu namorado não sabe, mas descobri o seu segredo, o que fez com que eu não levasse nossa briga adiante. Só Deus sabe como eu estaria agora se , com seu jeito fechado e sério, não tivesse ido me defender de umas garotas populares do colégio. Nessa hora provavelmente estaria em um buraco sem fundo se o menino de cabelos ondulados não me mostrasse a sua luz quando me lançou aquele tom de verde-água único de olhar pela primeira vez ao me tirar de dentro do armário onde as garotas tinham me colocado. Eu não era uma das meninas do grupo nerd, mas essas meninas achavam que mandavam em tudo por lá e principalmente nos alunos novos, que era minha posição! Aproveitando a minha baixa guarda, por motivos que merecem ficar guardados a sete chaves, elas escolheram o alvo naquele dia.
E foi o melhor que poderia ter me acontecido.
— Vocês já escolheram um nome para a bebê, jovens? Vou encaminhar essa princesa para tomar banho e poder vir lindona para o colo da mãe.
O médico mais de idade que realizou meu parto nos questionou, após dar ao meu namorado o segundo ataque do dia ao oferecer a tesoura para cortar o cordão umbilical que ainda mantinha nossa bebê ligada a mim e fazer nascer em mim uma mãe.
Uma mãe que provavelmente a filha não teria orgulho, mas que a amava demais.
— O que eu faço com isso, doutor? — tremia com o objeto em mãos, era nítido o seu receio em fazer algum mal à nossa princesa.
— Você vai dar a independência que sua filha precisa para poder respirar sozinha, meu jovem. Vai realmente mostrar para a sua bebê que está aqui e que ela não está sozinha, e que é seguro sair da zona de conforto para explorar esse mundo todo à sua espera. Venha, eu te mostro o procedimento.
Por mais nervosa e com medo do instante que iria encostar a tesoura no elo que me ligava ao meu passado e que eu trataria de esquecer quando aquela pequena e significativa corda se rompesse, tentei transmitir para ele a confiança que eu sempre tive nele, assim como ele fez comigo durante o parto.
Apenas eu sabia qual era o seu maior medo: não saber ser pai o suficiente.
Eu ainda me lembro de quando ele me fez aquela pergunta em nossas férias como amigos, onde eu o convidei para ir passar um final de semana comigo e os amigos de meu irmão, até para ele se enturmar, pois era muito fechado quando nos conhecemos no primeiro ano do ensino médio e eu adorava provocá-lo, o desafiando. Foi com nossa estrada até aqui em minha cabeça que escutei o click que separava de mim o serzinho que eu protegeria de tudo e todos, preenchendo seu espaço com um enorme vazio, me fazendo lembrar de coisas que eram para ser esquecidas, já que agora aquela pequena menina dependia de mim. Mas para eu esquecer, elas tinham que ser resolvidas e a parte mais difícil era contar a , e eu sabia que meu prazo estava acabando, que se eu não o fizesse, ele faria.
Por um breve instante, me desliguei dessas memórias e voltei para quando descobrimos que seria uma menina. chegou a desmaiar na sala do ultrassom, me fazendo ter uma das melhores lembranças que eu, uma garota rebelde e mimada, poderia ter. Essa conversa se baseou em fazermos uma lista para achar o nome da nossa filha, procuramos os significados dos nossos nomes, para que no futuro, quando contássemos a história original de como tudo se ligou por destino, sorríssemos ao lembrar dos nossos significados e ficássemos impressionados em como tudo ao nosso redor tem a ver com natureza e nossa cidade. O significado do nome do meu namorado significa O filho do oceano, e o meu, Ariel, significa Leão de Deus!
Observando os dois ali, naquela ligação, noto procurando os tons do cabelinho da nossa menina. Ao identificar que eram ruivos, eu soube exatamente o que estava passando
pela cabeça dele ao me olhar sorrindo abertamente enquanto se aproximava com nossa
bebê, gentilmente a colocando no meu colo para um breve primeiro contato. Ela era tão pequena, tão cheia de luz, que eu tinha medo de derrubar e fazer um estrago com essa joia que tinha que ser protegida. Ouvi um click, me fazendo olhar na direção do som. Meu amor estava com um celular que eu nunca tinha visto antes, registrando esse momento. Era novo?
A bebê estava chorando bastante, mas assim que a posicionei em meu peito, para ouvir meu coração, seu choro se cessou, fazendo com que ela parasse de balançar os bracinhos, e foi aí que se juntou a nós na cama, me levando para seu peito e posicionando nosso pedacinho de céu em seu colo para uma foto nossa nesse momento importante. Nossa filha saiu na foto agarrando a gola do roupão de hospital que a equipe de médicos levou até mim, me fazendo rir ao beijar sua cabeça. Demoro um tempo nesse ato, para um tempo depois sentir uma leve pressão no topo de minha cabeça e sorrio de boca e olhos fechados, sabendo que tinha me beijado e estava fazendo um carinho em nós duas.
Ali eu tinha um lar.
— Fizemos um belo trabalho. — Seus dedos bagunçam meu cabelo, me fazendo concordar.
— O nome dela vai ser Coral. — Anuncio contente, organizando os fios soltos no olhinho dela para o lado, enquanto agrada seus bracinhos.
— É um belo e raro nome. Felicidades, mamãe e papai, pelo nascimento dessa linda anjinha que veio trazer mais alegria. — Era visível o cansaço do médico, mas estava sorridente. — Eu sei que tudo o que mais querem é ficar a sós, curtindo esse momento importante, mas a
garotinha precisa ir para o banho e quero saber se o mais novo papai deseja ter esse primeiro momento pai e filha.
— Eu não quero sair do lado delas. — Sorri com a teimosia constante do pai de Coral.
Céus, vai demorar para me acostumar a chamar por esse título.
— Hey, está tudo bem. — Viro seu rosto para mim, lhe dando um beijo lento e calmo, sem pressa, do jeito que nós gostávamos. — Eu ainda vou estar aqui quando voltar, não vou a lugar nenhum, confio em você com nossa menina, você vai conseguir fazer tudo direitinho. Acredita em você, amor.
— Se você acredita em mim, eu sei que posso. — Meu amor entrelaçou seus dedos aos meus, erguendo-os brevemente para depositar ali um selinho cheio de significado e foi aí que eu notei aquele brilho do nosso primeiro encontro de volta.
Nosso amor ainda estava vivo, dentro de nós. Bem ali naquela cama, onde tivemos nossa primeira noite de amor e eu não queria que acabasse nunca.
— Eu preciso conversar com você antes de ir levar a nossa pequena, Ari.
Vi sua urgência em seus olhos, demonstrando que não sairia dali até conversarmos. Acredito que sei o motivo. Olhei para o doutor Patrick, pedindo com o olhar para que os deixassem aqui comigo um pouco mais de tempo.
— Eu não podia fazer isso, Ariel, mas como é filha de Thomas, tudo bem. Apenas cinco minutos e eu venho buscar essa garotinha.
Esperamos o médico sair e nesse meio tempo, se levantou, indo até a varanda de porta de correr branca, mas ele não abriu a porta, pois avisei dos riscos para nossa pequena.
— Então, de onde surgiu esse celular? — O pergunto enquanto resolvi dar de mamar para minha filha.
Ele precisava de um empurrão.
— Eu ganhei do professor Matt. — sorri ao saber disso. — Ele foi até minha casa tentar me convencer.
— Ele é incrível.
— Pois é, mas mesmo assim eu disse que não ia e parece que valeu a pena, nossa filha está aqui.
— Mas perdemos nossa dança. Como vamos mostrar a ela que tivemos nossa formatura?
Meu quarto começou a ficar desconfortável com o rumo que nossa conversa estava levando, não queria acabar com nosso momento. Antes de qualquer coisa, vi pegar seu celular mais uma vez e tirar uma foto de mim toda desajeitada, amamentando nossa pequena. Ri de seu jeito.
Quando eu ia falar a ele sobre como me senti no tempo em que ele ficou sem me ver, se adiantou.
— Eu menti, amor. — Essa frase saiu sussurrada em sua pronúncia. — Eu não sou quem eu disse ser.
Respirei fundo, porque eu não pensei que ele iria me contar o que eu já sei.
... — Ele me interrompe com um selinho rápido, mas cheio de significados.
— Droga, eu não sei se esse é o melhor momento para falarmos do meu passado, mas sinto que precisa saber para se decidir.

Eu já decidi, penso comigo.

Quando estava com medo, como agora, seus olhos o entregavam. Ele estava me analisando como se tentasse enxergar o que penso, e se ele descobrir o que eu escondo, ele vai perceber que morar em um abrigo é o menor dos seus problemas.
— Eu não sou filho de pais ricos, Ari, eu... Menti! — Ele baixa sua cabeça, arrependido, e eu sorrio com sua atitude sincera. — Eu fiquei atordoado na época em que você apareceu, pois ninguém naquele colégio fazia questão de se aproximar de mim, só por causa de minhas roupas, que apesar de serem de qualidade, eram inferiores às dos habitantes de lá. Mas aí aquelas meninas te prenderam no armário e você caiu exatamente no lugar a que pertence quando eu abri meu armário.
— No seu colo. — Rimos juntos e olhamos nossa pequena. — Amor, eu nunca liguei para dinheiro e nem para status social. Apesar de toda essa cobrança do meu pai em querer que eu siga seus passos, minha mãe me ensinou o caminho do amor e de viver. É nisso que eu foco e que você devia focar também. Eu não vou mentir para você, mas nosso professor me contou sobre você morar em um abrigo e isso não tem a menor importância para mim. Não vai mudar minha opinião sobre você.
— E qual sua opinião sobre mim?
Seu olhar foi intenso. Acredito que essa é a nossa primeira conversa sobre nossa visão de um e de outro. Sobre nós como casal. Não costumávamos conversar sobre, pois sempre que eu tentava falar com sobre isso, ele ficava rabugento. Mas, por algum motivo, ele pareceu ceder ao tópico hoje, o que me deixou sem fala. Ao abrir a boca depois de várias vezes tentando falar algo para não fazê-lo se sentir culpado, ia falar meus reais sentimentos, mas a porta se abriu, quebrando aquele clima com Doutor Patrick entrando.
— Vamos, jovem?
abaixou a cabeça e relaxou o corpo, rindo de uma forma dramática, como se não quisesse sair, mas sabia que Patrick não o deixaria em paz.
— Eu já volto. — Me deu um beijo na testa.
Doutor Patrick fechou a porta após sair com minha pequena nos braços, passados os cinco minutos mais longos da minha vida. Pego meu celular na bancada ao lado da minha cama, sorrindo ao ver tantas mensagens de apoio à nossa pequena nas redes sociais. Abro o WhatsApp, vendo de cara o contato de e rindo com o desespero dele ao responder os áudios que eu tinha mandado meu irmão enviar.
— Toc, Toc. — E falando nele. — Será que eu tenho um espaço no dia mais importante da minha irmã?
— Claro, pirralho. — Ele fechou a expressão, pois odiava que eu o nomeasse como caçula.
Jamie se jogou na minha cama ao meu lado, dando uma olhada no que eu via no meu celular.
— Como você acha que vai ser agora? — Ele me questiona. — Você sabe o que papai pensa sobre ela, tanto que nem quis vir ao...
— Eu sei meu irmão, mas eu já conversei com a mamãe. Eu vou me mudar para Los Angeles.
— O quê? Você ficou doida?
— Não! Eu vou conversar com sobre isso e ver se ele está disposto a vir junto.
— Eu estou nem aí para o , Ariel. Você vai me deixar com aquele velho nojento? — Os olhos castanho escuros de meu irmão ficaram ainda mais intensos. — Eu não aguento mais. Você precisa ficar aqui.
— Sabe que ele vai ficar ainda mais irritado se nós dois nos mudarmos junto. Eu prometo vir o mais rápido que puder, eu e a mamãe estamos vendo tudo.
— Como eu odeio ser o caçula. — Jamie se levanta irritado, indo para a varanda, a deixando aberta. — Eu queria que tudo isso acabasse, você não merece passar por isso, mana. Achei que fosse melhorar tudo e ele...
— Ele está fazendo tudo o que você esperava, me dando o carinho que é preciso, me deu até mais, sua sobrinha. Só que não somos só nós que temos problemas familiares.
— Como assim? Ele tem de tudo.
— Ele mentiu, Jamie.

~~ ~~


Um barco, as ondas do oceano, a escuridão da noite iluminada apenas pelas luzes da superlua e das estrelas bastou para me dar indícios de que naquele acontecimento, eu começaria a viver. Só não sabia que era realmente para valer e que me traria até o dia e lugar onde estou neste instante.
Dez de maio de 2020. Dia das mães.
Quando eu a olho, é como se fosse um filme dos últimos dois anos, percorrendo minhas lembranças, me fazendo sorrir instantaneamente ao segurar sua mãozinha tão delicada e pequeninha e ver que apesar de ser miúda, ela tem um imenso esforço em segurar meu dedo, como se fosse a coisa mais importante para ela no momento e com um pedido em seus olhinhos vermelhos pelo choro.
— Seu segredo está seguro comigo, filha. Papai nunca vai te deixar. — Beijo seus poucos cabelos ruivos.
— Está na hora de levar a princesa para o banho, vamos? O senhor pode ficar perto
para aprender alguns truques e registrar o momento.
— Adoraria.
A entrego para Patrick e assim que ela é colocada na banheirinha rosa, abre um bocão enorme, chorando. Meu coração acelerou, contudo, era necessário deixá-la passar por essa experiência.
— Filha, você tem que ficar limpinha, pacotinho. Colabora com o papai.
Peço permissão para o mais velho para terminar de banhar a minha ruivinha e ela se acalma na medida em que eu vou conversando e fazendo alguns carinhos no seu narizinho, escutando com todo cuidado a recomendação médica ao realizar os passos seguintes.
— Boa garota, estamos indo bem nessa tarefa, hein?
— Tenho que admitir, meu jovem! Você leva jeito com crianças.
Ao ver a intensidade com que me olha, resolvo ficar quieto e continuar a minha missão. Após alguns minutos ela está prontinha, devidamente vestida e protegida do frio. Ao segurar novamente minha filha nos braços, meu coração deu a largada para iniciar uma corrida do amor mais puro que existe, mesmo que relutante em derrubar minha joia mais preciosa do mundo.
— Hoje é o dia da sua mãe, mas você é o presente que veio para iluminar meus dias, Coral Wolf. A única coisa que peço para sua vida é que você viva intensamente, como eu não pude viver, e para isso acontecer, qualquer coisa de que você sinta medo, os braços do papai vão estar sempre aberto para protegê-la e, claro, fazer muitas artes para deixar seu avô maluco.
Recebo um sorriso pequeno da minha garotinha, que balança os bracinhos em meu colo e me olha dentro dos olhos, parecendo saber exatamente quem eu era. Ali, me deixei chorar de emoção, sem medo e nem vergonha do médico que se afastou em um canto daquele enorme banheiro, me deixando curtir aquele simbólico momento que se tornaria uma recordação que eu nunca, jamais esqueceria.
Estou com ela nos braços, mas ainda não consigo acreditar que eu sou pai. O tempo passa ligeiramente, nos deixando tão cegos para cumprir nossos objetivos de vida que esquecemos totalmente de desfrutar do presente.
E eu só me dei conta com ela aqui. Em meio a pensamentos, só voltamos ao presente quando a porta do banheiro abre rapidamente com um Jamie apressado.
— Doutor Patrick, minha irmã precisa de você agora. Ela começou a reclamar de dor de cabeça quando estávamos discutindo e tudo piorou quando começamos a gritar. — Patrick nem esperou meu cunhado terminar de responder, passou feito um jato pela porta, esbarrando em todos, enquanto meu cunhado só me olhava. — Isso tudo é culpa sua, seu traidor. Se acontecer alguma coisa com minha irmã, a culpa é sua!


Capítulo 2

~~ ~~

O som das ondas se quebrando na costa do oceano deveria ser um remédio e não um tormento como está sendo agora. Sentado sobre a beirada das longas pedras de cor preta, aqui estou eu.
Um jovem de dezessete anos, órfão, com uma filha para criar, além de ter que se preocupar em agradar as pessoas para ter um lar e não ir parar na rua para ser um batedor de carteira.
Sempre mudando de casa, minha vida nunca foi uma das melhores. Não ter um lugar fixo para se estabelecer não é o que um jovem quer, pelo menos não me sinto feliz nessa minha condição, ainda mais depois que ela se foi.
Sete longos dias que eu não ouço mais a sua risada, que não ouço mais sobre seus planos, sete longos dias que estou sem minha outra metade.
Foram no total, treze dias sem a sentir ao meu lado, compartilhando seus planos e fazendo das coisas mais simples as melhores. Eu sei que uma hora eu vou ter que aprender a lidar com essa dor, por minha filha, Coral. Contudo não vai ser fácil, pois não vejo mais cores em nada.
Minha fúria é tão grande, principalmente porque eu sei que é minha culpa. Jamie está certo em se sentir traído, afinal, ele era unha e carne com a irmã. Eu menti, fiz os dois de palhaços enquanto minha namorada descobria tudo sobre mim pelas minhas costas, com medo da minha reação.
Se você está com alguém, mentiras e segredos são obstáculos que devem ser levados em consideração. Caso contrário, você corre um grande risco de perder a sua pessoa.
Como eu perdi a minha.
Jogo uma pedra solta que faz um estrondo ao se encontrar com o mar, me fazendo levar um susto quando uma voz aparece do nada.
— Você não devia acusar o mar de suas frustrações, garoto.
— É? E quem é você para saber o que estou sentindo? — Depois de me acalmar do susto, viro de frente para a cidade para encontrar um homem com uma vara de pescar e um coller com materiais de pesca.
— Alguém que chegou aqui a pouco tempo e ouviu você chorar. Não foi preciso dizer nada. — ele volta sua atenção para a imensidão azul enquanto ajusta sua vara. — Uma coisa que me deixa bem em momentos assim é praticar a pesca. Você sabe pescar?

Que cara estranho.

— Não e nem gosto. — Começo a caminhar para me afastar.
Perfeito. Como eu esperava, ele não se importou. Coloco meus fones para voltar para casa, mas ao estar próximo de dar o play na última música, uma mão firme segura meu pulso, me fazendo reagir de imediato. Atingi um soco em seu rosto, como foi me ensinado nas aulas de autodefesa de Conrad. Nunca achei que ia precisar pôr em prática um dia, mas um cara aparecendo do nada não me deixando ir embora, meio que pede por isso.
Pensando que fosse o bastante para o cara me deixar em paz, ia dar o play novamente, mas surpreendentemente ele começou a rir ao se ajoelhar, me fazendo perder todo o meu autocontrole.
— Escuta aqui, qual é a graça? — Me aproximo, erguendo as mangas do meu moletom, pronto para outra.
O que me surpreende é que o idiota não se move, só fica rindo, parecendo esperar o próximo golpe. Por estar ajoelhado, fica muito mais fácil acertar um gancho no queixo do mais velho. Foi o que eu fiz. Mas me arrependi quando o pescador torceu meu pulso, me colocando de joelhos no chão, sempre me olhando nos olhos.
— Na vida, é preciso aprender a respeitar os mais velhos, garoto. Venha comigo, vou te ensinar uma lição.
Apesar de estar dolorido no pulso, eu o sigo até o local onde estão seus acessórios de pesca em silêncio, já que sua expressão realmente me mostrou que ele não estava para brincadeiras.
— Vou repetir a pergunta, você sabe pescar? — Dou sinal negativo com a cabeça, massageando meus pulsos. — Ótimo, vai aprender hoje.
— Sinto lhe informar, mas está ficando tarde e estão me esperando.
Vestindo um chapéu de palha, o adulto juntou seus pertences, realizando seu caminho até mim de forma tranquila mostrando que o que eu disse não interferia nas suas próximas horas do dia.
— Foi uma ordem.
Em choque pela sua fala, escuto seus passos pesados ficando cada vez mais distante enquanto permaneço de costas para a pessoa que acabei de conhecer. Posso dizer que apesar de ter bom senso, ele parece aquelas pessoas de coração bem frio.
— Estou te esperando, não tenho o dia todo.
Sem saída, vou em sua direção esperando encontrar um Jeep, mas minha boca vai ao chão ao ver seu carro luxuoso.
— Que belezura! — passo suavemente minhas mãos pelo seu capô. — Nunca tinha visto antes uma joia dessa.
— Pelo visto entende de carros. — Apoiado entre a porta aberta e a parte de cima de um jeito despojado, ele tinha um sorriso vitorioso no rosto. — Lição número um: assim como as melhores histórias vêm de livros de capas às vezes não chamativas, pessoas com as mais simples roupas são as que mais têm coisas interessantes para nos ensinar.
Capto a mensagem, entrando no carro logo depois do proprietário. Tenho que descordar, mas resolvo não discutir.
Normalmente não saio com estranhos assim, mas a necessidade de me distrair falou alto. Não estou pronto para voltar para casa e ver minha filha com dificuldade para mamar.
Quando ele souber de onde eu vim, vai ver que não existe nada de interessante para se impressionar. Não posso reclamar do que eu tenho, não é muito, porém eu sinto que não me enquadro ali. Mas também sinto que nunca vou ser cem por cento completo em uma família onde eles podem me deixar a qualquer hora.
Quando ele para o carro em uma rua sem saída e sem muitas casas ao redor, fico surpreso com o local para o qual ele nos trouxe. Penso que ele pode estar brincando comigo.
— Estamos aqui por qual razão? — me liberto do cinto de segurança. — Não me leve a mal, mas não sei o seu nome, por que devo confiar em você?
— Meu nome não importa, aquelas crianças ali sim. Olhe para elas. — Com muito custo olho na direção em que seu dedo indicador aponta atrás de mim. — Cada uma tem um brilho especial, ainda mais por estarem sem família. Eu tive a oportunidade de fotografar algumas delas ano passado e me surpreendi com as respostas de algumas nas perguntas que eu fiz. Uma delas era como elas cuidariam dos pais quando chegassem.
Com uma bola de neve se formando rapidamente em minha mente, analiso seu rosto tentando o lembrar se já o havia visto antes.
— Qual foi a resposta e aonde quer chegar com essa pauta? Não estou entendendo!
— Todas responderam que com respeito! Que apesar da dor de estarem sozinhas, elas sabiam que não podem desrespeitar quem lhes deu uma chance. Lembra que eu disse que você ia aprender a pescar?
— Sim.
— Então responda essa pergunta para mim: ao resolverem pescar num pesque e pague, o que muitas pessoas fazem com os peixes pescados?
— Jogam de volta para o rio, mesmo machucados, para poderem viver.
— É isso que você tem que fazer, garoto. Te ver sofrendo daquele jeito na praia me deixou agoniado. Ver alguém tão no início da vida chorar daquela forma em público, me fez ter a ideia de te mostrar que você tem a vida longa para ficar naquele estado, machucado e sozinho.
Está tão óbvio a forma como eu me sinto que até um estranho foi capaz de notar! Me deito desajeitadamente sobre o banco do carro olhando as crianças brincarem. Vendo de fora, elas até pareciam felizes, mas por tudo que elas passaram, ninguém faz ideia.
— Minha namorada faleceu, por minha culpa. Como eu deveria me sentir? — Não sei nem como a minha voz está saindo. — Assim como um peixe fica sem a parte da pele onde o anzol o pegou, meu mundo sem ela jamais será o mesmo.
— Você não pode se culpar pela morte dela para sempre.
Massageio ferozmente meu cabelo, ninguém entende.
— Cara, eu menti para ela e nem tive tempo de pedir desculpas! No dia em que ela morreu, completamos sete dias sem falar um com outro e tudo por um erro meu. Eu fui estúpido em não ir com ela na nossa formatura, tudo porque... — Ao vê-lo tão sério, prestando atenção no que eu digo, fico tensionado. — Quer saber? Esquece.
Minha intenção foi sair do carro, mas novamente ele interrompe minha vontade de pensar sozinho afirmando:
— Desabafar com um estranho é bem melhor do que com pessoas que estão em nosso convívio e você precisa disso, aliás... — O poderoso motor do carro laranja foi uma música para meus ouvidos. — Vou te mostrar uma vista que vai fazer você se sentir muito melhor. A dor não vai passar, mas às vezes precisamos de calmaria em meio ao furacão, e esse lugar é perfeito para termos essa sensação.

***

Impressionado por ter dado uma volta em um carro como aquele, fiquei em silêncio só curtindo a sensação de liberdade que a velocidade me trazia.
Apaixonado por carros desde pequeno, colecionei várias miniaturas dentro de um baú. A intenção era juntar o máximo que eu conseguisse para meu filho brincar. Acontece que a todo instante a vida me surpreende. E resolve me dar uma menina. Linda, perfeita.
— Aqui, chegamos.
Não demoramos mais que uns trinta minutos de trajeto do local onde antes estávamos. O surpreendente é como a cidade ficou um pouco distante, mas o mar ficou muito mais próximo.
— O que é aqui? — Com a curiosidade a mil, me atrevo a perguntar ao sairmos do carro. — É lindo, nunca vi nada assim antes.
A casa luxuosa com garagem subterrânea fica no alto de uma breve montanha e tinha acesso por um portão eletrônico de ferro preto. Consigo ouvir as ondas do mar quebrando na praia calma e a linha do horizonte toda reta, sem aquela poluição de pessoas aglomeradas. Essa vista é o que pretendo um dia ainda ter para mim.
Já com o carro estacionado, saímos do automóvel, e com o objetivo de ver o mar, vou até seu jardim bem cuidado ali por perto, enquanto o adulto vai para a porta que dá acesso à casa através do mini estacionamento.
— Respondendo à sua pergunta, aqui é o meu lar. — Sem o seu chapéu, o cara estranho da praia para ao meu lado, observando o paraíso à sua frente. — Prazer, garoto, meu nome é .




Continua...



Nota da autora: Como prometido, a reescrita está aqui, cheia de mudanças e emoções desafiadoras para nosso Dylan 🥰 venham surtar comigo aqui nos comentários haha
Abaixo segue o acesso para a playlist da fanfic no spotify, feita exclusivamente para vocês, com músicas que ajudaram na criação da história ❤️
Beijinhoooooos ❣️



Outras Fanfics:
You, Me and a Baby
Duas irmãs e os Winchesters

Nota da beta: Ai, gente, olha, tô no chão.
Bom, o Disqus está um pouco instável ultimamente e, às vezes, a caixinha de comentários pode não aparecer. Então, caso você queira deixar a autora feliz com um comentário, é só clicar AQUI.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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