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Última atualização: 13/07/2021

I. Lovely

"Walkin' out of time
Lookin' for a better place
Something's on my mind
Always in my headspace"

- Lovely, Billie Eillish



A vida é mesmo uma coisa doida. Com todos os meus séculos de vida e tudo que já presenciei, nunca imaginei que chegaria a esse momento. Nunca pensei que encontraria em minha antiga casa, castigada pelo tempo, as respostas que tanto procurei. Meus pais me deixaram cedo de mais. Você deve estar pensando “como assim cedo?” Bem, hoje faz 150 anos que perdi meus pais tragicamente. Nesse momento, estou aqui, sentada no chão do sótão da minha casa. Cômodo este que desconhecia a existência até 5 minutos atrás.
Meus pais sempre foram muito amorosos, mas tinham também muitos segredos - esse é o motivo de terem sido brutalmente assassinados – e, aparentemente, o local em que estou abriga todos eles. Pego em minhas mãos a caixa de madeira com meu nome, já está muito deteriorada pelo tempo, mas está inteira. Nota-se que pensaram com antecedência em deixar tudo que eu precisaria um dia. Todas as minhas respostas estavam aqui? Só há um jeito de descobrir.
Com delicadeza, abri a caixa. Há uma leve camada de poeira dentro do compartimento. Junto com duas cartas e dinheiro. Uma caixa tão trabalhada para ter apenas isso dentro dela? Abro uma das cartas, prestando muita atenção ao que parecem ser as últimas palavras de meu pai.

, se está lendo essa carta, é porque eles nos encontraram. Estamos mortos e você está sozinha no mundo para entender os seus poderes e controlar sua natureza. Tenho velhos amigos que poderão te ajudar, no verso desta carta está o nome do líder do Clã. Espero que consiga encontrá-los apenas pelo nome dele. Como fazem décadas desde que nos encontramos pela última vez, não tenho ideia de onde podem estar residindo. Eles são como eu, então não representam nenhum perigo para você. Leve essa carta como você quando encontrá-los. Sabemos que vai conseguir, confiamos em você, . Não deixe que eles te achem, lembre-se disso. Somos parecidos, sei o que está sentindo, você quer vingança. E terá, mas não agora. Tenha paciente, treine, se aperfeiçoe. Você não veio de onde veio em vão. Seus genes são poderosos, e por isso que não pudemos ficar com você por muito tempo. Você é valiosa demais que ter o mesmo fim que nós. Não se esqueça de viver. Chore, sorria, viva e, principalmente, ame. Espero que encontre o seu prometido, como eu e sua mãe nos encontramos. Pode não gostar da ideia, mas não resista a ela mais, pare de bloquear a magia. Deixe-a fluir, não sabe o que está perdendo. Permita-se amar e ser amada, assim como nós amamos você.
Fique bem.
- Com amor, papai.

Terminei de ler a carta com lágrimas nos olhos, que logo secam.
- Ótimo Bjorn, me deu várias informações, hein, muito obrigada. - Digo para o além, afinal, estava sozinha naquela casa. Deixei a carta de lado, para poder procurar na internet em que lugar aquele homem estava, esperando que, quando fosse ao seu encontro, ele me aceitasse e me ajudasse a treinar. Deixo a carta de lado e vou para a segunda, ela é breve, está mais para um bilhete do que uma carta em si.

Olá, filha, acredito que já tenha lido a carta de seu pai. Só queria te dizer que eu me orgulho muito da mulher que se tornou. Você é forte, é guerreira, herdou e muito, diga-se de passagem, os genes do seu avô. Fico feliz em saber que consegui passar para você, pelo menos essa parte, uma vez que você é uma cópia de seu pai. Tenho apenas um conselho para te dar: Lembre-se quem é, de onde veio. Você pode muito mais, pode unir os dois mundos. Seu nome não foi dado ao acaso, você sabe de suas origens. Minha terra natal sempre será o seu lar, chegou a hora que ir atrás de suas origens. Saberão quem você é quando chegar lá, a magia é muito forte. Lembre-se das histórias que te contei. Provavelmente, no século em que estiver lendo essa carta, elas não passaram de lendas. Está na hora de voltar para casa , ficaremos bem.
- Amo você, mamãe.

Peguei o dinheiro que estava na caixa e coloquei em minha mochila - como se eu fosse precisar, meus pais conseguiram acumular uma quantia exorbitante no decorrer dos séculos. Aparentemente, eles estavam se preparando para o pior há muito tempo. Minha casa está muito destruída, só vou conseguir reunir informações em uma biblioteca, não tem internet aqui. Acho que está na hora de me despedir de vez desse lugar. Começo a arrumar minhas malas, pego o máximo de roupas que consigo, até encher minhas malas. A cada roupa que dobro cuidadosamente e guardo, sinto como se um pedaço do meu coração se despedaçasse. Sempre vivi aqui, então ainda não superei.
Pego a caixa e percebo um fundo falso, sem muita dificuldade abro-o, fazendo mais uma carta cair. Ela tem a caligrafia de minha mãe. Confusa e curiosa, começo a ler a carta. Não consigo imaginar o que minha mãe pode ter escrito aqui.

A magia ainda vive, ela está adormecida no momento, mas sei que nosso povo conseguirá acordá-la. Por enquanto, não deixem que saibam o que você é, isso pode causar represálias, ainda mais por conta do que fiz. Mostre-se apenas quando for preciso. Não deixe que a peguem. Sinto muito não poder ter treinado você do jeito que esperava, mas fiz o meu melhor. Em minhas viagens, acabei descobrindo algumas coisas muito interessantes. Se, em sua jornada, precisar de ajuda e não souber em quem confiar, confie nos Black. Confio em você, una a todos, sei que consegue.
- Tala Uta

Essa carta me deixou muito confusa, quem são essas pessoas? Eu nem mesmo sei onde ficam nossas origens, ela nunca me disse. Tala sempre foi assim, cheia de mistérios. Não a culpo, ela já sofreu muito em sua vida. Sua mãe se sacrificou para ajudar sua aldeia. Seu pai, enlouqueceu com a perda de seu grande amor e saiu vagando pelo mundo, nunca mais sendo visto. Ao encontrar meu pai, se odiaram no início, não aceitando a magia que os rondava. Quando finalmente ficaram juntos, demoraram séculos para conseguir me ter, tanto que sou filha única. Eles nunca conseguiram repetir tal feito.
Depois de um longo tempo, termino que arrumar todos os meus pertences e começo a colocar as malas em meu carro. Preciso saber ainda hoje se vou precisar deixar meu carro para trás ou se vou poder ir dirigindo, caso estejamos no mesmo continente. Entro em meu carro e vou em direção à biblioteca.
Com a carta de meu pai em mãos, começo a procurar pelo nome da pessoa que vai me ajudar. Fico horas procurando, uma vez que tenho apenas nome e sobrenome, mas não encontro nenhuma informação. O que faz sentido, uma vez que, sendo quem é, não é muito seguro ter informações na internet. Vejo vagamente que atualmente reside nos Estados Unidos. Ótimo, são vários quilômetros, mas poderei ir com meu carrinho. Gosto de dirigir, posso pensar no que direi para ele quando chegar. Procuro um hotel em uma cidade próxima, uma vez que a que ele reside é minúscula. Assim que tenho tudo pronto, vou em direção ao meu carro. Está na hora de ir para o meu destino, aprender a controlar minhas naturezas.


II. Runnin

Ain't runnin' from myself no more
I'm ready to face it all
If I lose myself, I lose it all

- Runnin, Naughty Boy


Segundo meu GPS, demoraria pouco mais de dois dias. Durante o caminho, vou pensando no que falar. Não posso simplesmente chegar e fala “Oi, tudo bem? Meu pai disse que você poderia me ajudar”. Preciso chegar com calma, explicar as coisas. Só preciso acostumar-me com o cheiro, afinal estou há muito tempo sem conviver com eles. Sei que vou precisar ficar por muito tempo com eles. Nesses anos, eu só desenvolvi as minhas outras habilidades, sendo que uma delas eu nem sei se funciona, já que eu estava sozinha todo esse tempo.
Depois de muito dirigir, chego em meu destino. Como já havia reservado um hotel para ficar, vou direto para ele, deixando grande parte de minha bagagem no carro, uma vez que o hotel é minúsculo e pretendo alugar uma casa para ficar, caso ele aceite me ajudar. Assim que estou no quarto, vou direto tomar um banho demorado para poder relaxar. Coloco uma roupa quente para poder sair, por mais que não precise disso. Saio do hotel e vou na lanchonete que fica em frente ao mesmo, afinal uma parte de mim precisa comer comida. Como rapidamente e volto para o hotel; preciso dormir para acostumar com o fuso, por mais tenha sido poucas horas de diferença.

--------------

No dia seguinte, acordo por volta das 9 horas de manhã. Gostaria de ter dormido mais, mas estava muito ansiosa e nervosa pelo encontro com o amigo de meu pai. A cidade em que residem é bem nublada e pequena. Pelo que aprendi em minhas pesquisas, a cidade tem menos de quatro mil habitantes e é extremamente nublada e chuvosa. Perfeito para eles, penso. Escovo meus dentes e meus cabelos. Coloco uma calça jeans, uma blusa branca de gola alta e manga comprida, com um sobretudo marrom (tenho que disfarçar o frio) e um coturno preto. Entro em meu carro e vou em direção ao hospital local, afinal ele trabalha lá. O que é levemente estranho, levando em conta a natureza deles.
Chego no hospital e estaciono meu carro do outro lado da rua. Respiro fundo, criando coragem para encarar essa nova fase, e depois pego a carta de meu pai, colocando-a no bolso do agasalho e caminho até a recepção do hospital. Ao entrar, me deparo com uma recepção super vazia, tendo apenas a recepcionista e eu no local. Ela deve ter cerca de 25 anos, lê uma revista de moda que não tive curiosidade de ver qual é. Ao notar minha presença, levanta o olhar levemente.
- No que posso ajudar? - Pergunta ela com um tom de voz entediado, não deve existir muitas emergências em uma cidade tão pequena.
- Gostaria de falar com o Doutor Carlisle Cullen, ele está?
- Está sim, vou chamá-lo. Qual o seu nome?
- , . - Respondo. A recepcionista assente e vai atrás do médico. Nossa vai ser fácil assim? Essas pessoas tem que ser um pouco mais curiosas. E se eu fosse uma assassina de aluguel e estivesse aqui para matá-lo? Fico alguns minutos na recepção esperando o Cullen chegar, o que não demora muito.
No final do corredor, avisto a mulher voltando, sendo seguida por um homem extremamente pálido. Ele devia ter quase 1,80 de altura, com uma aparecia de no máximo 30 anos, cabelos loiros penteados cuidadosamente para trás. Não podia negar, ele era bonito. Todos são, é o charme do predador. Olho para seu rosto e não posso deixar de notar seus olhos. São extremamente caramelo, mais claros que os meus até porque essa é 100% da formação deles. Ele usava um sapato social preto, calça chino também preta, uma camisa social azul com uma gravata também azul. Por cima da roupa estava com seu jaleco branco e um estetoscópio em volta do pescoço. Quanto mais perto ele chega, mais consigo sentir o cheiro doce que só eles têm. Preciso me controlar para não torcer o nariz, afinal, 150 anos sem conviver com vampiros é muito tempo.
- Senhorita ? - Assinto. - Estava a sua espera, me acompanhe, por favor. - Oi, ele me esperava? Ou isso é apenas para ela não desconfiar? Ele mostra o corredor com uma de suas mãos, esperando eu ir na frente. Assim que o faço, andamos juntos e em silêncio até o final do corredor, entrando em uma porta à direita. Ele mostra a cadeira em frente à mesa do consultório enquanto senta-se na cadeira do outro lado da mesa.
- Desculpe vir assim sem avisar, você nem sabe quem sou eu. - Disse enquanto sentava na cadeira. - Meu pai me deu o seu nome e disse que você poderia me ajudar. O nome dele era Bjorn . - Nesse momento ele pareceu recordar de meu pai e me olhou com curiosidade.
- Pai? - Assinto. - Você diz, filha biológica? - Pergunta, curioso. - Nós somos amigos de longa data, tem cerca de 200 anos que não o vejo. Não sabia que tinha uma filha, mas... - Ele para de falar, como se as peças estivessem encaixando. - Você é muito parecida com ele para... e eu coração bate. Como você é humana e tem pelo menos 200 anos?
- Eu tenho 169 anos. - Dou de ombros. - Sou uma híbrida, eu fui gerada como uma criança normal. - Entrego a carta que meu pai fez para Carlisle. Como não era endereçada a mim, não li a carta, afinal, privacidade é bom e eu gosto. O médico leu atentamente a carta, parecia interessante pois ele franzia as sobrancelhas conforme seus olhos passavam pelo papel.
- Certo, o que seu pai disse é no mínimo interessante. Então os Volturi descobriram que seus pais estavam juntos. - Assenti, essa história ainda era muito complicada pra mim. Só de pensar nisso, meu ser era tomado por um ódio indescritível. - E, por conta disso, você tem pouquíssimo treinamento de seus dons, por conta de sua natureza. - Assenti novamente.
- O único que eu tenho total controle são as viagens espirituais, se é assim que posso chamar. Se eu me concentrar bem, meu espírito deixa meu corpo e posso vagar para o lugar que eu quiser. Foi assim que vigiei aqueles assassinos por 150 anos. - Digo com raiva e sinto meu corpo tremer, preciso me controlar, não é a hora que me mostrar, por mais que ele provavelmente saiba por conta da carta.
- Entendo, seus dons são muito poderosos. Compreendo completamente o medo de seu pai.
- Posso perguntar umas coisas? - Ele assente. - Quando disse que estava a minha espera. Você disse isso apenas para não levantar suspeitas da recepcionista, não é?
- Não, eu sabia que você viria. Óbvio que não sabia o porquê, nem nada, mas sabia que você me procuraria. - Respondeu ele calmamente.
- Mas, como?
- Não sei se sabe, mas não vivo sozinho. Eu tenho uma família, claro, todos vampiros, até hoje não sabia que um ser como você poderia existir. Então, uma das pessoas que moram comigo prevê o futuro. Ela viu que você viria. Foi com dificuldade, era como se estivesse borrado, ela diz. Mas conseguiu saber que alguém viria me procurar. E aqui estamos.
- Entendo. Outra coisa, dessa vez eu paro: seus olhos, não são vermelhos. Sangue animal? - Pergunto, praticamente já sabendo a resposta.
- Sim, e suponho que mantenha a mesma dieta. Não se alimenta de sangue humano?
- Bem, isso depende da minha outra forma. Se eu me manter humana por muito tempo, eu sentirei sede como qualquer outro vampiro. Se não, sinto fome e sono como um humano normal. É como se uma natureza balanceasse com a outra, dependendo da situação.
- Certo, isso é muito interessante, claro que vamos aprender mais, já que espero que fique conosco. - Disse ele, enquanto pegava o celular e digitava alguma coisa. - Claro que vou ajudá-la.
- Eu não sei como agradecer, eu não saberia nem por onde começar a treinar sozinha sem ajuda. - Respondo, aliviada. Escrevo meu número em um papel e entrego a ele. - Esse é meu número, quando pudermos nos falar melhor, me ligue, gostaria de treinar o mais rápido possível.
- Certo. - Diz ele enquanto salva meu número em seu celular. - Gostaria de conhecer minha família, Alice está louca para te conhecer. - Quem?
- Mas, e o plantão? - Digo enquanto me levanto, não gostaria de ser incomodo a ninguém.
- Está muito tranquilo ultimamente, garanto que a doutora Sullivan dá conta do plantão de hoje. - Respondeu ele, enquanto guardava seus materiais em sua mala, cuidadosamente. - Vamos? - Assinto. Sigo-o para fora do hospital, enquanto ele avisa para a recepcionista que iria resolver um problema de família e depois vai em direção ao seu carro.
- Só tem um problema, eu vim de carro para cá, e agora? - Aponto para o meu Mini Cooper vermelho.
- Vai me seguindo então, assim não deixa o carro na rua. - Assinto e vou até meu carro. Logo ele dá a partida, começando a dirigir até sua casa. Logo eu estava dirigindo, em direção à casa do Dr. Presas.


III. Feeling Good

It's a new dawn
It's a new day
It's a new life
For me
And I'm feeling good

- Feeling Good, Nina Simone


Ao chegar na residência dos Cullen, não pude deixar de notar o quão arejada e transparente a casa era. No meio da floresta, não precisavam se esconder, o sol poderia entrar sem se importarem com a exposição ao mundo humano. A casa era realmente muito bonita, a arquitetura moderna que mesclava o concreto com a madeira de forma harmoniosa era realmente impressionante. A casa era tão grande que não era possível ver se havia movimentação.
Ao sair de seu carro, Carlisle vem em velocidade vampírica, abrir a porta do meu carro. Saio do mesmo, ainda olhando maravilhada para a casa. Ele rapidamente abre a porta da grande casa e me convida a entrar. Deixo meu sobretudo no carro, afinal, não preciso fingir sentir frio aqui. Assim que entro na casa, sou recebida por 6 vampiros que me olham com curiosidade. É como se soubessem que eu vou e o que estou fazendo aqui. Senhor o cheiro... Se controle, , não é a hora de se mostrar, penso. Fazendo com que o vampiro de cabelos bronze olhasse para mim com curiosidade. Saia da minha cabeça, digo enquanto faço um grande esforço para bloquear minha mente, realmente vou precisar de ajuda para treinar. Quando seu olhar fica confuso, percebo que consegui. Sorrio de lado com esse feito.
- Pessoal, essa é , ela é filha de um velho amigo meu. Ele deixou uma carta para mim, pedindo para que cuidasse dela caso acontecesse alguma coisa. E de fato aconteceu, os Volturi descobriram seus pais. Ela é extremamente especial. Ele a descreve como Única de sua espécie. - Introduziu ele. - essa é minha família. Esme, minha esposa. Alice e Jasper, eles são casados. Emmet e Rosalie, também estão juntos. Por último temos Edward. - Assenti e dei um sorriso tímido a eles. Não posso negar, mas que família bonita, claro, é charme de vampiro. Mas, principalmente Rosalie e Edward são extremamente bonitos.
- Quando você diz filha... - Começa Jasper, deixando a frase no ar.
- Biológica, sim. Acho que dá para ouvir meu coração batendo. - Digo dando um sorriso sem graça enquanto coço a cabeça.
- Isso é muito legal! - Diz Emmett animado, recebendo um tapa no ombro de Rosalie. - Ei! Isso é legal mesmo, nunca achei que vampiros pudessem ter filhos.
- Ok, mas isso não explica o porquê você se incomodou com nosso cheiro. - Diz Edward, atraindo todos os olhos caramelo para mim, menos Carlisle, que já sabia o motivo da leve repulsa.
- Lê mentes? - Ele assente. Bufo, vou ter que aperfeiçoar esse dom sozinha aparentemente. - Bem, isso é porque, minha mãe é uma loba. - Eles ficaram calados esperando eu continuar. - Bem, eu não esperava falar isso de cara, não sabia que vocês tinham dons também. - Jasper ia falar alguma coisa, mas eu o interrompi antes de fazê-lo. - Eu vou explicar tudo. Isso não pode sair daqui, pois envolve o segredo de mais pessoas, eu não os conheço, mas sei que existem. Não estou preparada para lidar com duas naturezas ao mesmo tempo. Vou aprender a controlar os meus dons e depois eu penso no que fazer com a outra parte. Mas, enfim, eu sou meia vampira, meia humana. Eu sou metade vampira e metade metamorfa.
- Como assim? Eles não deveriam querer que se matar? - Perguntou Emmett, confuso como os demais. Menos do chefe do clã, provavelmente em sua carta, meu pai explicou tudo.
- Minha mãe e meu pai se apaixonaram à primeira vista, como se isso realmente pudesse acontecer - Sim, pode acontecer, infelizmente. - Eles foram inimigos mortais, brigaram muito e tentaram resistir, mas acabaram ficando juntos. Anos depois, eu nasci. Foi uma gravidez rápida, uma vez que eu sou metade vampira; pelo que eles falaram, foi uma gestação de aproximadamente 4 meses. É isso, quando Sr Cullen disse que sou única, e é verdade. Pelo que sabemos e procuramos, sou a única híbrida que existe. - Terminei de contar minha história, todos ficaram calados. Estava pronta para represálias e julgamentos, mas quando Emmett soltou uma gargalhada e começou a falar algo sobre ter um cão de guarda, levando um tapa de Rosalie, fazendo todos rirem da situação, suspirei aliviada.
- Então, quais dons você tem? - Perguntou Jasper e pude notar um ar de curiosidade em seu olhar. - Me proponho a te treinar com todo prazer. - Dou um sorriso de alívio. Eles me olham de um jeito tão amistoso que já me sinto em casa.
- Olha, eu tenho alguns, meus pais achavam que isso se deu por conta da mistura de raças. Eu consigo bloquear meus pensamentos. - Pisquei para Edward. - Crio ilusões na cabeças das pessoas, posso fazer você pensar que algo aconteceu, sendo que você só viveu isso na sua cabeça; controlar sentimentos, por exemplo, posso fazer uma pessoa deixar de gostar da outra e vice-versa; e o melhor de todos, consigo apagar memórias. - Todos me olharam assustados. - Claro, que não sei fazer isso direito, só fiz duas vezes, foi um leve treinamento com minha mãe. Eu consigo fazer elas voltarem, caso eu queira.
- E como foi isso de você ser meio vampira? Como foi o crescimento? - Perguntou Carlisle dessa vez.
- Eu parei de crescer quando atingi 10 anos de idade. Não envelheço desde então. Além disso, eu me transformei em lobo pela primeira vez aos 17 anos. E sigo assim.
- E como se alimenta? - Dessa vez foi Emmett. - Aliás, quantos anos você tem? - Dou uma leve risada com a segunda pergunta.
- Isso depende do meu modo de vida. Caso eu fiquei muito tempo sem me transformar, sinto sede com qualquer vampiro. Sono eu sinto independente do que eu fizer. Ah, tenho 169 anos. - Faço um esforço e desbloqueio minha mente. Quase 170 anos e estou muito gata. Edward olhou para mim assustado. Dou de ombros.
- Então você come? - Pergunta Esme. Assinto. - Vou poder estrear minha cozinha finalmente. - Completa ela animada. Oi?
- Nossa, vamos fazer várias compras, ver muitos filmes juntas. - Diz Alice animada, tirando um sorriso tímido de Rosalie.
- Mal posso esperar para começar a treinar você, aposto que consegue evoluir rapidamente. - Disse Jasper.
- Você vai morar aqui, né? Podemos decorar o seu quarto hoje mesmo. - Disse Alice novamente, dando pulinhos. - Rose é maravilhosa decorando, podemos fazer isso rápido. - Gente, o que está acontecendo? Em todo esse tempo, todos falavam menos Edward, ele apenas me olhava com curiosidade.
- Calma, gente, calma. , você gostaria de morar aqui? Imagino que esteja ficando em um hotel. A casa é grande, temos quarto de sobra. E como vamos treinar você, ficaria mais fácil de você sair de casa sem levantar suspeitas, sabe como é, cidade pequena.
- Como assim?
- Nós somos vistos como um casal que adotou vários adolescentes porque a esposa não pode ter filhos. Estava pensando em dizer que você era filha de um casal de amigos nossos de longa data e que seus pais morrem em um acidente de carro, onde só você sobreviveu. - Ele conta a história. Parece colar, já que eu não me pareço em nada com os vampiros que me encaram. Pondero por uns instantes. Esses rostos desconhecidos me passaram uma segurança que nenhum lugar conseguiu me passar em muito tempo. Acho que vai ser uma boa, como meus pais me aconselharam, eu precisava viver. Dessa vez, de verdade.
- Eu topo. - Disse dando um sorriso sincero para todos, sendo retribuída imediatamente. Pela primeira vez em mais de 150 anos, eu me sentia em casa.


Continua...



Nota da autora: Olá olá olá!
Bom dia, boa tarde, boa noite!
Venho apresentar a vocês minha nova fic. É a minha segunda de Crepúsculo. A ideia dela veio do nada enquanto eu assistia a saga pela milésima vez. A história vai se passar desde Crepúsculo, vou dar algumas alteradas na história, mas a essência será a mesma. Claro, qualquer crítica é bem vinda, só não xingar a coleguinha ok? Ok.
A história é uma song fic. Cada Capítulo terá o nome de uma música e o trecho que inspirou o capítulo. Espero que gostem desse formato.
Acho que é isso.
Não esqueçam de comentar hein, isso me ajuda bastante.

Até mais,
XOXO, Mari.

Outras Fanfics:
She Wolf


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