Última atualização: 12/09/2021

Prólogo

Um dia, eu espero que seja uns oitenta anos após este no qual a observo dormir. Sua respiração continua calma, leve, fazendo-me deleitar em seu estonteante milagre. Ter você viva, ao meu lado, significa tudo para mim.
Querida , eu só consigo pensar em como eu a amo. É um feito impressionante! Nunca cogitei poder me envolver tão profundamente com alguém. Você foi a minha melhor escolha, mesmo que isso me levasse ao desastre.
Porém, aqui estou, sentado nessa velha poltrona de seu apartamento, divagando sobre o quanto me sinto grato por tê-la encontrado. Eu a amo, não porque era agradável! Você era completamente insuportável, !
Sua prepotência me deixava absolutamente louco! Somente ouvir sua voz fazia o dia mais ensolarado virar um dia de tempestade. Meu humor ficava sob a sua interação e como odiava estar volátil! Mas, veja: você não queria ficar ao meu lado! Você me repudiava, tal como eu.
Não precisava de alguém para me completar, assim como você! Nós éramos completos sozinhos, mas juntos... somos perfeitos! Você faz com que busque sempre ser uma versão melhor todos os dias, sejam os bons ou ruins! Minha felicidade não dependia de você, mas entendo que se não estiver ao meu lado, jamais poderei ser, pois não se trata de personificação ou qualquer coisa do gênero, mas se trata apenas de estarmos juntos.
Amo como seu sorriso expressa veracidade. Seus olhos iluminam e então há um leve repuxar em seus lábios, que assim revela apenas uma pequena fresta de seus lábios inferiores.
Sua gargalhada é sem precedentes! Quando acha realmente graça de algo, seu corpo parece estar tendo um colapso, enquanto um som estranho — mas encantador — escapa de sua boca. Dessa forma, consigo ver toda sua arcada dentária, porém, é esse sorriso que desejo sempre conquistar. Ele é o meu favorito!
Estou escrevendo isso para que sempre lembre que amo cada mínimo detalhe em você. São suas particularidades que me fizeram amá-la.
Desejei afoito conquistar sua confiança, porque uma mulher como você é difícil de merecer. Existe milhares de beldades, elas são fáceis de conquistar, mas você é a minha melhor escolha, não existe outra mulher que meus olhos fossem deleitar-se como agora observo fascinado seu peito subir e descer, seus cabelos estão cobrindo parte de sua face, enquanto abraça com força o meu travesseiro, parte dele recobre ao ponta de seu ombro, que desponta dos cobertores, sua pele desnuda abaixo do calor reconfortante. Ainda posso sentir a maciez sobre os meus lábios quando a provei.
Existe milhares de palavras que gostaria de dizer, porém, nenhuma delas exprimiriam a intensidade dos meus sentimentos. Três palavras parecem insuficientes em prová-la, porém, , nunca, em hipótese alguma, duvide que eu a amo.
Minha querida, volto a reforçar que espero que essa carta seja aberta quando estiver idosa, e eu, um velho caduca — quem sabe?! —, possa ter passado todos os meus dias ao seu lado.

Com amor,
Seu eterno amante,
Amigo e companheiro,

.


Meus olhos derramavam grossas lágrimas, enquanto abraçava àquela carta. Soluços altos ecoavam na sala de estar. Meus braços envolviam a mim mesma e aquele mísero papel, como estivesse o abraçando.
Desejava tê-lo bem ali! Mas os malditos terroristas palestinos cercaram a equipe de meu amado. A notícia de que ele havia partido para sempre me destruiu... era difícil demais crer em uma realidade que ele não faria parte.
Estava no posto de pacificação no Jordão e ele ainda estava com a equipe de campo patrulhando, então foi naquele dia em que nos despedimos com um breve beijo, que o perdi. Se eu soubesse que algo assim aconteceria, teria ficado... pedir para ele me seguir seria impossível! possuía ideais muito bem definidos! E não importava se eu fosse sua superior... oh, não! Sargento fazia suas próprias ordens!
Aquele maldito homem me envolveu com sua ousadia, comentários dúbios, mas aquele olhar... eram olhos de um guerreiro! Focados, sérios, preparado. A pele bronzeada demarcava seu longo período exposto ao sol, suas cicatrizes contavam histórias — cada uma delas demarcavam uma vida salva. era um homem sem precedentes!
As lágrimas caíam sobre o tapete, enquanto me encolhia o máximo que podia. O quarto estava iluminado apenas pelo abajur. Era sufocante estar em um lugar marcado por memórias...



Capítulo 1

Sete anos atrás...

O sol mal nasceu e já nos massacrava com seus raios escaldantes. Boa parte do esquadrão estava analisando o vilarejo, enquanto uma minoria mantinha os olhos atentos a qualquer movimentação — vigilantes e cautelosos. A atividade de grupos terroristas estava cada vez mais agressiva. Abaixar a guarda por um mísero segundo era condenação. Eles não brincavam quando o assunto era atingir seus objetivos.
Odiava não poder exterminá-los de uma vez — era obrigada a aturar idiotas prepotentes supondo que poderiam tomar o controle. Oh, não! Ledo engano subestimar uma . Éramos imbatíveis em tudo que fazíamos: meu irmão era o mais temível advogado, encará-lo numa corte era sempre uma condenação, Franco entrava numa batalha tendo a vitória como certeza. Minha mãe era governadora de Alsácia e meu pai um fuzileiro naval aposentado, que agora seguia minha mãe em tudo, dando-lhe toda atenção que não pôde por conta da marinha.
Meu irmão do meio, Pierre , manuseava qualquer objeto como uma arma, ele era criativo e nunca perdeu um criminoso. Ele caçava cada um deles e aniquilava qualquer um. Não havia nada que o assustasse, a não ser quando Amelise declarava greve. Oh, sim! Ele era uma cadelinha quando o assunto se tratava de Amelise Crawford , sua adorável e impetuosa esposa.
Seguir os passos do Almirante não foi nada difícil, meu pai era um homem inspirador! Apenas busquei criar meu legado numa área diferente.
Estava nas forças armadas, que trabalhava diretamente com casos difíceis. Vivíamos como cães farejadores na cola dos temíveis terroristas. Possuía um objetivo muito claro: ser a melhor para fazer do mundo um lugar mais seguro. Trabalhava para o meu país, porém, servia a humanidade. Não me importava com distinções, tais como homem/mulher, americano ou paquistanês... a única coisa que tinha em mente, era separar os bons dos maus. Havia uma linha de princípios que tracei para em hipótese alguma quebrar. Dessa forma, conseguiria manter a sanidade tendo minha cabeça valendo um preço muito alto!
Detestava as forças da inteligência americana, eles sempre me colocavam em perigo com seus joguinhos. O campo de batalha era muito diferente dos escritórios e assim tinha que bancar a babá para os engomadinhos não acabarem mortos, porque essa gente não tinha nenhum escrúpulo! Preferia um tiro na cabeça, a ser capturada com vida por eles. Como divas, eles faziam um espetáculo antes da execução.
Analisei cada pessoa por ali: as mulheres com suas burcas, homens com crianças... a tensão era palpável, porém, todo o pelotão estava atento. Minha equipe revistava as casas e entregava alimentos. Protegíamos a região de ladrões, enquanto caçávamos os terroristas, porém, de repente, em um fragmento curto de tempo, tudo foi pelos ares! Jane, Cole e Trash foram arremessados, enquanto me abaixava para não ser atingida pelas rajadas de tiros.
As explosões continuavam seguidamente sem um padrão. Havia gritos infindáveis de todos os lados, era um cenário caótico!
Não conseguia fazer contato visual com nenhum de meus homens e, para piorar a situação, o rádio encontrava-se mudo, tornando a comunicação impossível. A nuvem de poeira encobria tudo a minha volta, a poeira tornava difícil respirar. Minha visão turva não me auxiliava muito, assim como o zumbido irritante de meus ouvidos...
Fechei os olhos, recostando-me no muro, buscando me recuperar do ataque antes de reagir, teria de me tranquilizar e focar em meus sentidos, antes de realizar qualquer ação. Tomei longas golfadas de ar, clareando minha mente de modo a focar apenas no presente. Frieza e razão eram as características que me levaram ao comando, não poderia deixar as emoções e dúvidas me tomarem. Não era conhecida por reagir por impulso, mas, sim, analisando a situação. Portanto, analisei o cenário e todas as variáveis, tomando o cuidado de permanecer longe do campo de visão dos meliantes — executaria cada um deles.
Identifiquei o que os terroristas estavam fazendo, basicamente haviam atacado o local, porque estávamos lá; usariam mulheres e crianças para o show de horrores que amavam proporcionar!
Conferi o número de balas em meu fuzil e as munições que possuía, abaixei-me, rastejando pelo chão, de modo a obter o melhor local para atirar; apoiei o fuzil sobre a fenda do muro, apertando o gatilho a cada batida do coração — disparos limpos e certeiros! Desse modo, fui derrubando um a um os alvos, o ângulo que usava tornava confuso me encontrarem e a poeira ainda era um fator que me ajudava a me ocultar deles.
A luz do sol criava sombras fáceis de localizá-los, não poderia desperdiçar movimentos, vidas estavam em jogo e não havia tempo para erros!
Após derrubar os homens, locomovi-me para longe do muro que usava como esconderijo, sendo recebida por projéteis, que acertavam locais próximos de onde estava anteriormente.
Assim que cobri uma distância segura, lancei uma granada, escondendo-me abaixo do caminhão e antes que ela explodisse, ouvi um palavrão em árabe. Como um exército desorganizado, homens claramente aliados aos terroristas surgiram, seu número era maior do que meu pelotão, mas por sua falta de treinamento, seriam aniquilados.
Localizando minha infantaria, dirigi a eles alguns gestos, que os orientavam sobre os seus próximos atos. Cole e Trash cuidariam dos desgarrados que haviam pego os aldeões como reféns, enquanto lidaríamos com o restante.
— Sempre estou preparada para chutar as bolas desses malditos! — Com um sorriso travesso permeando meus lábios, segurei o fuzil, enquanto mirava em meus inimigos. — Obrigada pelo meu novo recorde em exterminar as suas fuças!

! — Meu sobrenome soou alto demais na aeronave, faces cansadas e acinzentadas tomava o avião, havíamos sido tirados daquela zona de guerra após derrubá-los.
Naquele conflito direto, havia perdido apenas cinco homens da minha infantaria, era um bom resultado, apesar das baixas. Minha opinião havia sido descartada, quando os avisei anteriormente que algo assim poderia vir a ocorrer... não importava qual o posto, uma mulher sempre seria questionada quando abrisse a boca.
Meus olhos sustentavam o olhar furioso do coronel Jung, ele era o principal culpado pelo ocorrido, devido a sua negligência quanto aos meus alertas.
— Sim, senhor. — Respondi-o, aguardando ordens, enquanto minha postura permanecia impecável.
Ele abrandou o olhar, após refletir em silêncio; minha face estava livre de qualquer emoção, enquanto ele a examinava em busca de algo.
Todos os que adentravam meu esquadrão sabiam que se manterem vivos era sempre prioridade, porém, escaparem vivos das missões não era uma tarefa fácil. A perda sempre constante nos amortecia diante muitas emoções ao longo dos anos, estávamos acostumados ao perigo, mortes, bombardeios... Seria estranho não estar!
Enquanto lutava por uma causa, minha família sempre buscava me levar de volta para a base ou qualquer lugar em que eu não enfrentasse riscos mortais. Estar segura não era algo que desejava, muito menos almejava tal coisa!
O perigo era o fator determinante de uma missão, quanto mais alto, maiores eram as chances de não sair viva, mas conseguir algo realmente valioso: uma aldeia livre, crianças libertas do medo, ausência de perigo para a vida dos habitantes... meu objetivo era salvar vidas evitando catástrofes, porém, pertencendo a uma família que detestava meu trabalho, sempre era colocada em missões razoáveis. No entanto, sempre conseguia nos levar a lugares que necessitavam de ajuda.
Escapar da supervisão alheia havia sido uma habilidade aprimorada ao longo dos anos servindo ao exército. Não era insubordinada, muito menos rebelde, apenas executava meu trabalho de forma brilhante, garantindo ao mundo a redução de criminosos, tornando as punições uma tarefa realmente difícil de ser aplicada.
“Caçava como um lobo atrás de alimento a escória da humanidade, a justiça era aplicada de forma implacável ao tê-los sob a mira do meu olhar.”
— Ficará responsável por treinar os novatos na base na zona fantasma. — Coronel Franz Jung me encarou pensativo, antes de prosseguir com sua fala: — O alto escalão está te recolhendo do campo por tempo indeterminado. — Ele resolveu revelar a origem da sentença.
Meus olhos permaneceram com o mesmo olhar vazio, embora internamente sentisse uma tempestade de emoções me tomar, enquanto o sangue fervia em minhas veias — não daria a satisfação ao imbecil, que me olhava sedento por qualquer fragmento de fragilidade.
O que recebia depois de tudo era uma punição! Acabar com os terroristas que eles estavam caçando havia três anos não serviu de nada. Minha família não entendia esse meu apreço em me colocar de lado em prol de vidas inocentes; eu poderia morrer no campo de batalha, satisfeita em fazer algo para mudar, no entanto, a influência de meus familiares impedia que seguisse com minhas ambições...
— Sim senhor. — Respondi-o, vendo a satisfação permear o olhar do coronel, ele mal sabia em que enrascada estava se metendo! — Porém, tudo será conforme as minhas exigências. — Um breve linear sorriso tomou meus lábios, enquanto via a irritação inundar as íris daquele velho.
Disparei a frase de modo despreocupado, enquanto seguia para o fundo da aeronave. Deitei-me sobre algumas cargas, enquanto colocava meu boneco sobre minha face, dormiria até que chegasse ao meu destino.
Franz Jung não ousaria discordar de mim, havia lhe dado os melhores soldados. Havia treinado inúmeros pelotões de homens de diversas idades, era implacável e meus métodos sempre resultavam em homens eficientes no campo de batalha.
Sempre com diligência e situações inesperadas, jogava os novatos no fogo. Eles eram moldados como espadas, diretamente no pior pesadelo de qualquer soldado. Não era nem um pouco amável, de certa forma, aplacava minhas frustrações naqueles que poderiam executar o que eu almejava... No entanto, sempre lhes tornava excelentes homens.

•••

— Bem-vindos à zona fantasma! — Gritei do mirante, enquanto fileiras de pares de olhos fixavam-se com dificuldade em minha figura. — Se foram designados a mim, é porque são um bando de maricas! — Segurei a corda com a mão esquerda, enquanto me lançava para fora da torre, caindo em frente aos soldados que deveria tornar dignos. — Não estão na colônia de férias. Alguns de vocês já estiveram no Afeganistão, outros no Paquistão, porém... — bradava, enquanto passava pelas fileiras.
Em minhas mãos, estava um bastão, e com ele, ajeitava a postura de infelizes que batiam continência erroneamente.
— Nunca tiveram de encarar o inferno.
Os meus auxiliares me olhavam confusos, enquanto seguia pelas fileiras de soldados, tomando notas mentais sobre os indivíduos que ali estavam. Muitos eram como livros abertos, suas expressões e olhares revelavam exatamente o que pensavam. Num cenário de conflitos, seriam dizimados por serem previsíveis. A vida não era fácil! Eles deveriam se qualificar para serem capazes de executar missões perfeitamente.
Em meio aqueles indivíduos, havia um peculiar e intrigante soldado, seus olhos possuíam um brilho incomum naqueles orbes castanhos. Notei como aqueles olhos fixavam-se em cada passo que dava, era como se estivesse me analisando, enquanto absorvia minhas crueis palavras dirigidas ao pelotão sob minha tutela. Seu porte físico esguio denotava sua agilidade, no entanto, minha intuição dizia que não deveria tomar conclusões precipitadas sobre aquele soldado.
E aqueles breves e certeiros pensamentos levaram meu alerta soar.
— Tenham em mente que são descartáveis. — Ofereci um sorriso frio àqueles homens, enquanto caminhava tranquilamente, ainda corrigindo a postura de alguns soldados. — Poderão conquistar a mais alta potente, mas isso não mudara o inegável fato: suas vidas não passam de números numa planilha do governo. Por conta disto, lembrem-se de fazer o melhor, não porque devem isso a vocês ou ao país... não sejam tolos! O sucesso de uma missão está diretamente ligado sobre o quanto serão capazes de se sacrificarem... Uma vez diante uma situação crítica, entenderão o que eu quero dizer. — Olhei-os com o mais frio olhar, eu realmente não me importava com aqueles pobres coitados; haviam tido a infelicidade de cair sobre o meu treinamento, eu os tornaria os melhores, mas não porque desejava, mas sim, porque devia isso à humanidade — a minha humanidade.
Dessa forma, dei início ao meu trabalho, separei-os por categorias: atiradores, linha de frente, retaguarda, auxiliadores, cobertura, etc. Meu esquadrão — o que restou da nossa última missão — reuniu estratégias para as primeiras semanas, alinhando pontos, de modo a descobrir os pontos a serem desenvolvidos daquele pelotão.

O treinamento encerrou-se com o despontar da aurora — estava testando a resistência daqueles homens, tendo o desprazer de concluir a inutilidade deles. Não estavam aptos a participarem de qualquer atividade cívica. Eram inúteis! Maricas, que vergonhosamente não passavam de covardes incompetentes.
Minha irritação excedeu o nível, que imaginei ser impossível atingir, por conta da missão de treinar inúteis...
Próximo das dez da noite, as princesinhas já estavam exaustas! No campo de batalha não haviam pausas. Não era possível pedir tempo para recuperar o fôlego!
O treinamento havia prosseguido com a luta de e sub esquadrões, uns contra os outros, com o objetivo de identificar os pontos fortes de cada time.
A torre me proporcionava um ótimo campo de visão, amplo e vasto, de modo ser possível avaliar pontos individuais e do time formado separadamente. No entanto, os imbecis se separavam e perdiam terreno, forças, eles não sabiam unir seus potenciais, de modo a agir como uma unidade. Poucos eram os soldados que possuíam certo nível de destreza, reconheciam as fraquezas e agiam de acordo com o que haviam planejado executar.
Minha equipe os reunia a cada hora, a fim de mudar estratégias, líderes, esquadrões. Reorganizava-os e os colocavam em diferentes espaços da base.
Haviam estruturas montada de modo a recriar cenários possíveis que aqueles soldados um dia enfrentariam, dentre eles, o pior era a água — a temperatura dela permanecia próxima dos 10°C para menos e ali, eles tinham que caminhar com uma mochila pesada, enquanto buscavam apoio em um terreno semelhante ao fundo de um rio.
Treinar cadetes era uma tarefa simples e fácil, eles eram inexperientes e absorviam o conteúdo com maestria, porém, treinar soldados que enfrentaram situações desagradáveis, sempre me dava dor de cabeça! Eles julgavam saber como enfrentar cada situação erroneamente. Deixavam emoções e instinto os guiar, quando a razão e lógica eram seus maiores aliados!
A base ficava numa montanha ao sudeste da França. Ela estava muito bem equipada para preparar não somente o físico dos soldados, mas, também, a mente deles. Os aparatos tecnológicos eram divertidos em usar nas simulações e cenários, porém, seu uso em excesso, transformaria os homens em máquinas. Desejava transformá-los em verdadeiros combatentes, soldados que fossem verdadeiramente humanos, de modo a terem empatia e não se importarem apenas pelos companheiros de farda! Em mais de uma ocasião, cruzávamos com exércitos que precisavam auxílio, desgarrados, sobreviventes... Era preciso ter um coração real para ajudar e era nisto que estabelecia boa parte do meu treinamento.
Estava sentada na sala de conferência com as fichas de cada soldado, até que meus olhos se fixaram nas lumes castanhas — o perfil sério, mas havia um sorriso quase imperceptível no canto de seus lábios. Era ele! O soldado que havia me intrigado com seu olhar desafiador.



Capítulo 2

Sete anos atrás...

Desde aquele dia, meus olhos mantiveram-se atentos ao soldado. Seus olhos possuíam um brilho sagaz ao analisar as opções, tomando decisões corretas. No entanto, havia algo nele que fazia meu instinto estar em constante alerta, ele me provocava arrepios, mas de um modo intrigante, instigando-me cada vez mais...
Meu batalhão preparava alertas falsos, fazia os recrutas agirem o mais rápido possível, testando todos os limites de cada indivíduo. Aquela base era uma maldita panela de pressão e aqueles soldados não haviam percebido que estavam sob constante testes; fazia testes e leituras a respeito de cada um.
Separávamos os que evoluíam e mostrava certo avanço dos sem futuro. Eu realmente dava o meu melhor para torná-los algo aceitável, porém, havia sempre a parcela de soldados que não servia para nada! Dispensava-os de seus serviços a cada semana, não suportava ver a face dos homens que não levavam aquele treinamento a sério. Prestava relatórios diretamente ao alto escalão a respeito dos homens naquela base — era uma tarefa entediante, embora necessária.
Minha família me ligava constantemente, porém os evitava. Permanecia ocupada com meus deveres, de modo a esquecer a frustração por eles causada. Esquecia-me da raiva latente, esforçando-me para tornar minha meta uma realidade: torná-los algo próximo de heróis; não me iludia com a possibilidade, no entanto, desejava que ao menos um deles pudesse ser o herói de uma das tantas vítimas dos confrontos civis. Eram massacres em séries por poder! Vidas ceifadas por interesses vãos...
“Já havia visto inúmeras crianças morrerem por falta de abrigo, meu coração não era feito de gelo! Fazia o máximo que podia para proteger os aldeões dos imbecis que causavam desgraça!”
Estava divagando em meus pensamentos, quando o vi. Seus olhos mantiveram-se neutros, sua face exibia um rubor, fruto do combate corpo a corpo operado por Broxvy — ex-combatente das forças especiais, melhor amigo de meu pai e, claro, meu vigia. Broxy, como carinhosamente o chamava, tinha seus olhos fixos no pelotão que estava provando suas forças.
Risquei alguns nomes, enquanto via os soldados caírem. Meus pensamentos irrompiam as imagens da minha última missão. Embora lutasse contra eles, não era exatamente algo agradável de recordar e muito menos o momento para tal.
— Major .
Estava focada, meus olhos esquadrinhavam o perímetro e cada soldado nele. Broxvy estava berrando ordens e palavrões eslavos, enquanto levantava ou chutava os boçais, sem paciência para tantos erros em alguns minutos. Era uma cena de fato cômica, no entanto, fui surpreendida com meu nome sendo pronunciado tão perto.
Ao me virar, encontrei o dono dos olhos desafiadores. Sua face era belamente esculpida, encontrava-se a poucos metros da minha em uma provocação sutil. Sua boca era bem desenhada e muito agradável de observar, possuía um sorriso de canto direito, sua maçã do rosto completava o conjunto belamente esculpido naquele soldado.
Ele era um homem belo, porém, aqueles olhos sagazes me lembravam o porquê de não deixar emoções e desejos frívolos controlarem minha mente — era preciso muito mais que beleza para me fazer perder o controle. O que me deixava confusa, no entanto, não era a beleza ou seu olhar! Havia algo nele que me obrigava a ficar distante. Repudiava-o por não conseguir decifrá-lo!
— Segundo sargento . — Saudei-o sem entusiasmo e com um leve sarcasmo despontando na fala.
O que provocou um leve repuxar nos lábios dele.
— Então sabe quem eu sou. — Sua fala soava quase ingênua, mas os olhos espertos brilhavam com um divertimento secreto.
— Gerencio o lugar, seria insensato desconhecer aqueles que abrigo neste lugar. — Revidei sem muita empatia, querendo finalizar o diálogo, enquanto deslizava a caneta sobre a ficha do soldado derrubado pelo amigo do meu pai.
— Seria de fato estúpido. — concordou, relaxando seus músculos, enquanto direcionava seu olhar em direção ao Broxvy. — O general mantém seus olhos atentos a qualquer movimento que faça. Desde o momento em que pisou aqui, seus olhos não perdem um movimento seu, enquanto lida com a classe. — Ele comentou com certa naturalidade, esperando colher informações.
— Deveria estar focado em desenvolver seu equilibro e resistência, . — Olhei-o por alguns minutos, antes de voltar minha atenção à prancheta que mantinha em meus braços.
Listava pontos negativos que necessitavam serem desenvolvidos dos homens que Broxvy treinava.
— Deveria compartilhar mais seus pensamentos. — Ele sussurrou em meu ouvido, atraindo a atenção de Broxvy.
Larguei a prancheta e irritada pela aproximação indevida, agindo pelo impulso, meus joelhos encontraram facilmente o estômago dele, enquanto meus pés o derrubaram com um simples rasteira.
— Saiba o seu lugar soldado ou o expulsarei sem piedade! — Cuspi as palavras, recuperando a prancheta.
As folhas impecáveis estavam manchadas pela lama. Não bastava a distração da figura caída ao meu lado, ainda teria que reescrever todas as anotações arruinadas!
— Vejo o porquê de subir rápido ao topo, ma chérie. — A voz de saiu baixa, mas repleta de enojo.
Seus olhos haviam perdido o brilho, porém, sua boca exibia um meio sorriso provocante, enquanto o brilho carmesim coloria seus lábios e dentes.
— Este é o motivo de permanecer onde está. — Indiquei a lama sobre a qual ele estava sentado. — Sua atitude egocêntrica o mantém na base da hierarquia, enquanto pessoas como eu sobem ao comando. — Ignorei as acusações, utilizando-me da frieza e indiferença.
— Seu sobrenome a colocou onde está. — cuspiu as palavras, recuperando a compostura.
— Eu fiz o meu caminho até o topo. Enfrentei boçais como você mais de uma vez, ma chérie. — Ergui o queixo dele despreocupadamente, após deixar uma risada sem humor escapar pelos meus lábios. — A diferença entre nós, é que me mantenho sempre de pé, mas já você... — soltei-o, endurecendo o olhar. — Sempre permanecerá exatamente onde está: na lama!
Sem deixar espaço para qualquer comentário, dei as costas para , enquanto caminhava ereta pelos soldados que haviam presenciado a cena.
Estava com um semblante límpido e inabalável, enquanto fervia de raiva abaixo da superfície de indiferença, poderia passar os próximos minutos socando aquele belo rosto, mas não aplacaria o que sentia.



Capítulo 3

Sete anos atrás...

Passei a noite reescrevendo minhas anotações e próximo à aurora desci ao subsolo — local em que havia a academia. Os soldados estariam adormecidos e enfim poderia tirar algum tempo para mim.
Haviam se passado semanas desde o incidente no Oriente, mas aquele ataque ainda me impedia de ter uma noite tranquila. Desse modo, estava mais uma vez diante um saco de areia, meus punhos os acertavam como estivessem acertando as faces de meus inimigos... a cada soco, era um rosto diferente que visualizava. Treinava também meus chutes, buscando manter meu treinamento diário.
A serotonina liberada pelo esforço físico me deixava nas nuvens, meus músculos relaxavam ao descontar todas as frustrações naquele saco.
— Não devia prosseguir a tortura contra seus pais, minha criança.
Um cálido e simplório sorriso despontou em meus lábios, ao identificar a voz de Broxy às minhas costas. Vire-me, encontrando-o encostado sobre o umbral da estrutura que dava acesso à academia. Seus olhos possuíam um olhar fraternal, ao fim, Broxy me considerava como a filha que ele nunca teve. Ele perdeu a esposa e filho num trágico incidente em alto mar — parte dele havia partido com os dois. Foram tempos sombrios trazê-lo de volta à ativa.
— Eu ainda estou de cabeça quente, temo dizer palavras cruéis a eles, enquanto tento compreender o lado deles, Broxy. — Comentei, enquanto me abaixava para pegar a garrafa de água.
— Pelo menos sabe que eles querem o seu bem, minha pequena terrorista. — Ele se aproximou com um sorriso divertido. — Agora me explica o que foi o incidente com .
— Soldados insubordinados devem ser postos em seus lugares. — Comentei evasiva, enquanto deixava a garrafa novamente no chão.
— Por que sinto fios brancos nascerem só de pensar nisso? — Broxy pegou dois bastões de bambu.
— Está pensando de mais... — aceitei o bastão, enquanto imitava a posição dele.
— Eu te via crescer, ! Não me venha com essas meias palavras, que eu sei quando está evitando o assunto! — Ele me derrubou, após quebrar meu apoio em uma sequência rápida de golpes.
— Não há nada para se preocupar, estou falando a verdade! — Ri ao aceitar a ajuda dele.
Era bom ter meu segundo pai por perto, sentia-me confiante apenas pela sua presença.
— Você está distraída, reforce sua base e não separe tanto suas pernas garota! — Ele riu, dando-me um olhar desacreditado.
— E você está falando demais! — Após terminar de falar, derrubei-o com uma rasteira.
Passamos algumas horas ali, entre risadas e um treino específico, enquanto buscava escapar das perigosas perguntas de meu segundo pai, afinal, Broxy era tão afiado quanto meu amado pai: Almirante !
Eu não fazia ideia do que exatamente a presença do segundo tenente me incomodava tanto, eu somente sabia que desejava que ele sumissem do meu campo de visão!



Capítulo 4

Sete anos atrás...

Despertei com o brilho do crepúsculo, havia deixado aquela semana de treinamento nas mãos de meu pelotão, enquanto resolvia alguns assuntos fora. Aproveitei o distanciamento para esclarecer os maus entendidos com minha família e tentar compreendê-los um pouco.
Broxy fez a viagem junto comigo até Paris, a casa em que cresci estava impecável como sempre, mas eu me sentia deslocada. Eu já não pertencia àquele ambiente, meu lugar era entre meus colegas de farda, assim quando retornei para meu quarto naquela base fora um alívio... Eu jamais pensei que sentiria falta de ouvir marmanjos resmungarem!
Vesti minha farda após um banho, os treinos haviam perdurado até tarde da noite anterior, sendo assim, os soldados estavam em seu momento de descanso. Havia alguns que corriam pelo campo com uma bola, enquanto outros nadavam, eles caminhavam tranquilamente pela base relaxados. Entre os inúmeros indivíduos mandados para aquele lugar, haviam algumas mulheres, mantinha os esquadrões femininos em uma área restrita exclusivamente a mulheres, homens, principalmente soldados, deixavam desejos carnais os controlarem, desse modo, havia estabelecido uma dura e rígida vigilância para que não houvesse nenhuma surpresa indesejada.
Enquanto caminhava pelos corredores, acabei encontrando a figura de treinando com seriedade, ao invés de tirar a noite de descanso. Sua figura exercitava-se nos equipamentos de projeção de realidade, enquanto carregava uma mochila com peso, de modo a equiparar o peso real de um companheiro ferido.
Observei-o em silêncio, enquanto ele se esforçava, ele não poderia me ver, mas mesmo assim permanecia ali, em silêncio, tomando notas sobre o condicionamento, evolução, etc... Em dado momento, desliguei o aparato tecnológico, ele se sentou, deixando-se recostar no canto da sala, enquanto retirava a mochila dos ombros.
— Você deveria seguir o exemplo de seus companheiros. — Pronunciei-me, atraindo o olhar dele.
— Vossa senhoria já retornara, pelo que posso ver. — Ele me respondeu sem qualquer diligência.
— Está esquecendo seu lugar na cadeia de comando?! — Repreendi-o sem qualquer gentileza.
— O que desejas de mim, MAJOR? — enfatizou minha patente.
— Soldado , está dispensado de seu trabalho por duas semanas; enquanto não compreenderes o foco deste lugar, seus serviços não serão necessários. — Estava prestes a deixar a sala, quando ele segurou meu braço.
Não foi uma ação muito prudente, visto que, por reflexo, o atirei contra o chão; o que não esperava, era cair de encontro ao tórax dele, tendo abaixo de mim.



Capítulo 5

Sete anos atrás...

Minha respiração estava ofegante comparada ao meu estado normal, eu poderia sentir cada célula minha ciente do calor do corpo do soldado . Nossos olhares se encontraram e eu pude jurar que houve um ofegar por ambas as partes, senti o calor se alastrar por toda minha face, enquanto me levantava de modo apressado; batimentos irregulares e a face corada?! Eu estava enlouquecendo!
Respirei fundo, colocando minha habitual máscara inexpressiva, ouvi se levantar às minhas costas. O som de sua respiração estava em um estado semelhante ao que eu exibi anteriormente.
Lancei um olhar de repreensão, antes de me pronunciar:
— Ficará responsável pela limpeza do alojamento por um mês. — Meu tom autoritário não revelava a instabilidade dentro de mim. — Não ouse se aproximar novamente. — Desse modo, parti tempestivamente.
Broxy estava distante demais para identificar meu estado, o que agradeci mentalmente. Seria complicado demais explicar algo que eu sequer conseguia processar — certamente era uma variável que jamais havia visto.

•••

Meus subordinados de confiança executavam a rotina de exercícios para que ao final do treinamento aqueles soldados fossem, no mínimo, excelentes. Durante todo meu período de ascensão, havia me deparado com mais desafios do que poderia pôr em palavras. Muitos naquela base julgavam apenas o status que minha família carregava e este era o principal assunto dos rumores que circulavam entre eles e, embora tivesse ciência deles, particularmente não me afetava — o desejo de encerrar logo a ordem de meus superiores era maior do que a fofoca de soldados.
Naquela semana em específico, havia tido o deleite de não ter a presença de um certo indivíduo; Broxy, no entanto, havia notado minha perturbação. Os treinos individuais que detinha com a figura do amigo de meu pai estavam sendo cada vez mais pesados, Broxy respeitaria meu espaço, mas ele não me pouparia de sua preocupação. Eu havia visto ele em ação, ele era incomparável!
— Sua mente não está presente. — A voz de Broxy me trouxe de volta à realidade.
— Me desculpe. — Aceitei a mão estendida de meu mentor e protetor.
— O que está a deixando agitada? — Ele me questionou, indicando para que arrumasse a postura, enquanto armava sua defensiva.
— Estou cansada de ser mandada para esse centro de treinamento toda vez que encontro algo pelo qual lutar. — Desviei de seu punho, evitando, em seguida, sua ofensiva.
— Você sempre foi uma criança inquieta. — Ele riu, esquivando-se de meus golpes. — Está abrindo demais sua guarda. — Ele me derrubou em seguida, mas de modo cuidadoso.
— Eu não posso evitar. —Acabei rindo, levantando-me novamente. — Eu não quero estar segura enquanto meu pelotão executa minhas ordens. — Apliquei uma sequência de golpes, conseguindo abrir um pouco a defesa dele.
— Relaxe mais seu tronco, você está deixando seu ataque travado, aplicando pressão demais em seu abdômen. — Broxy pegou meu braço, prendendo-o em minhas costas. — Seus movimentos estão fáceis de ler, não deixe tão óbvio. — Ele me soltou, seguindo em direção ao canto da sala em que havia nossas garrafas de água. — Eu sei que não, eu te vi crescer. — Ele riu, sentando-se com uma toalha em seu pescoço. — Seus pais querem apenas te proteger, . — Ele deu batidinhas o seu lado para que eu me sentasse.
— Eu sei que eles se preocupam, mas eu não posso evitar ficar irritada quando eles interferem em meu trabalho. — Peguei a garrafa antes de me sentar, sentia meus músculos aquecidos após o treinamento.
— Minha criança sempre tão faminta por ação! — Broxy riu, passando sua mão em meus cabelos os desgrenhando ainda mais. — Tenha um pouco mais de apreço por sua própria vida.
Hey! — Empurrei-o, deixando que uma risada escapasse de meus lábios.
— Aí está o sorriso da minha afilhada! — Ele voltou a bagunçar meus cabelos como um pai orgulhoso.
— Hey! Chega! — Tentei pará-lo, o que o incentivou a continuar me provocando.

Após o treinamento com Broxy, resolvi fazer a refeição com o restante dos soldados da base. Com os cabelos ainda úmidos após o banho depois do treinamento, peguei a bandeja, servindo-me com a refeição disponível. Segui em direção à mesa com meus companheiros de campo, suas expressões estavam relaxadas, enquanto alimentavam-se. Ouvia-os atentamente, enquanto podia sentir os olhares em minha direção.
— E então aquele soldado... — a voz de Trash esmoreceu quando ouvi meu nome ser sussurrado.
Sim, parece que a e o seu cão Broxvy estavam em um clima muito agradável...
O arrastar do banco em que estava silenciou o refeitório, havia me levantado esquadrinhando o ambiente atrás daqueles que haviam proferido tal absurdo. Cole, Trash e Jane também estavam de pé ao meu lado, poderia muito bem executar o responsável pela fofoca diante meu humor assassino. Broxy, por acaso do destino, não estava à vista, os olhares cuidadosos eram exibidos em faces marcadas pelo cansaço.
— Os responsáveis por tal atrocidade proferida se apresente! — Jane tomou a iniciativa, eu os analisava friamente atrás de vestígios.
— Isso não foi um pedido. — Trash cruzou os braços monstruosos com um sorriso predador, um grupo de pessoas ficou lívida.
— Não me importo com rumores sobre minha carreira, se eu sou intragável... — movimentava-me lentamente entre as mesas com passadas leves, observava-os com escárnio. — Eu não estou aqui para agradá-los, eu sei que soldados como vocês estão muito longe de estarem preparados... — parei no centro do local com um sorriso angelical em minha face. — Respeitar os superiores é o mínimo que vocês precisam executar! — Pronunciei como se não fosse nada, minha voz era o único som ouvido naquele lugar. — Poucos aqui sabem exatamente com o que terão de lidar, mas mesmo diante um treinamento extenuante, arranjam tempo para criarem rumores imperdoáveis. — Eu avistei a armadura de três soldados ao canto caírem, com um sorriso ferino, indiquei-os a Trash, Cole e Jane com um pouco menos que um aceno.
O grupo inteiro da mesa foi movido para perto de mim; as faces dos soldados, tanto mulheres, como homens, possuíam uma variedade de expressões que iam do medo à vergonha.
— Se tiver o mínimo de decência, admitam perante todos as mentiras narradas por suas línguas venenosas. — Estava agindo de acordo com a patente que carregava, adoraria ensinar-lhes o preço do absurdo narrado, mas não valia a pena gastar energia utilizando meus punhos, se eu poderia exercer meu poder como Major sem manchar minha reputação.
— Eu não... — um dos integrantes deixou sua voz esmorecer diante o olhar do restante do grupo.
Cole havia saído rapidamente, mas quando retornou, possuía um papel pré-preparado para casos assim. Sempre que precisávamos retornar àquele centro de treinamento, surgiam situações semelhantes, desde então, havíamos tomado medidas preventivas.
— Assinem esse documento de deserção, a partir de amanhã não serão mais soldados. — Trash distribuiu os documentos entre eles.
— Relatem tudo no espaço disponibilizado, após a assinatura, dirijam-se aos alojamentos para arrumarem seus pertences. — Cole prosseguiu.
— Eu não admitirei situações como essa, enquanto estiverem sob minha jurisdição; espero que tenham entendido o que ocorre aos covardes. — Não precisava gritar, já que o ambiente estava em silêncio, pronunciei todas as palavras num tom de aviso. — Dispensados.
Jane e Trash cuidaram dos soldados que ousaram inventar absurdos sobre mim e Broxy; uma investigação seria iniciada e dali para frente, os que haviam permanecido na base, pisariam em ovos depois desse incidente. Certamente meu irmão me ligaria por causa do processo que seria movido contra os infratores, seria um mês agitado e minha família estaria novamente em cima de mim.
Seguindo em direção ao terraço, mantive minha face inexpressiva, conversaria com o meu mentor, mas, naquele instante, desejava o silêncio.
— Eu te subestimei. — A última pessoa que desejava ver ousou iniciar uma conversa.
— Eu não estou no meu melhor humor, . — Não dirigi o olhar, enquanto o avisava num tom frio.
— Eu te julguei mal, admito. — Sua voz exibia um orgulho ferido, mas a honestidade era notável.
— Não preciso de desculpas, posso viver sem elas. — Mantive meus olhos no horizonte, havia um gosto amargo em minha boca, enquanto eu ainda podia sentir a raiva sob minha pele.
— Eu entendo que sou a última pessoa...
Interrompi-o.
— Soldado , se não quer sofrer nenhuma medida punitiva, além da vida qual foi incumbido, saia. — Meu olhar alcançou o dele, ao cruzar o meu olhar com o dele, encontrei uma certa satisfação presente nele.
— Não precisa afastar todos, Major. — piscou um olho, antes de prestar continência. — Quando quiser, estou às ordens, Major . — A ousadia dele me silenciou por alguns minutos, o que ele aproveitou para escapar.
— Maldito! — Acabei rindo desacreditada, enquanto me apoiava contra a estrutura de cimento às minhas costas.



Continua...



Nota da autora: Sei que o capítulo foi curtinho mas logo retorno com mais novidades e atualizações; enquanto isso aproveite para ler algumas das minhas histórias:

Outras Fanfics:

Longs em andamento:
At the End of Road
Não Diga que Me Ama

Coletânea Inesperados:
09. Write Your Name
08. Looking Up
My Sweet Lady
After Forever

Especial Anime:
Florescência
Enquanto Eu Te Amar
I Will Fight for You
Não Tenha Medo Esta Noite
E Se Eu Me Importar?
Flames in My Half Heart
Incandescência
Brilho Imutável
Void
Uma Combinação Desastrosa
Intragável Destino

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