Contador:
Última atualização: 18/08/2021

Prólogo

A estrada escura e a chuva torrencial que caía dificultava ainda mais a visão da mulher atrás do volante. A música baixinha dentro do veículo amenizava o medo de raios e trovões tinha, fazendo com que ela não prestasse atenção neles, continuando atenta a estrada um pouco escura. A música foi interrompida pelo celular que tocava dentro de sua bolsa jogada no banco do carona vazio ao seu lado. Um, dois, três, quatro toques e o celular cairia na caixa postal, quem quer que fosse poderia retornar a ligação mais tarde. Olhou pelo retrovisor interno, Brandon, seu irmão de sete anos, distraído com o tablet enquanto olhava algum desenho de super-herói no aparelho. O celular ao seu lado voltou a tocar de novo, e de novo, e de novo. desviou a atenção para o celular, vendo cinco chamadas perdidas de Charlie, seu marido. Antes que pudesse largar, o aparelho começou a tocar novamente, decidiu por fim atender, colocando o aparelho no viva-voz.
- Ei gatinha. - Charlie estava bêbado, de novo. A mulher soltou um suspiro alto, olhou mais uma vez Brandon, mas o menino estava entretido demais e com fones de ouvidos. Ótimo, pois estava prestes a soltar alguns palavrões.
- Eu to dirigindo Charlie, depois te ligo.
- Não, não desliga. Eu to com saudade. - Charlie soltou uma risada, mas a voz arrastada denunciava que além de bêbado, ele também tinha fumado algum baseado. O que costumava fazer quando estava estressado.
- Você está bêbado e chapado. Tente manter a casa limpa pelo menos, Brandon está indo comigo.
- Eu prometo que vou mudar. - A mulher revirou os olhos, permanecendo em silêncio.
- Se fosse mudar não estaria me ligando essa hora. Não nesse estado. - Ela disse perdendo toda a paciência.
- A culpa é minha se aquele cara babaca ficou dando em cima de você? Eu só estava defendendo o que é meu. - Ele parecia não se importar.
- Não sou sua propriedade. - Charlie tinha ataques de ciúmes, o que acabava resultando em briga. Muitas delas desnecessárias.
- Eu achei que a gente ainda tinha salvação, mas percebi que não temos e nunca vamos ter.
- Quando você tiver as mesmas atitudes sempre que estiver bêbado, não vamos ter. - Alterou a voz, já perdendo o resto de paciência. - Eu preciso des….
Antes que Jena terminasse a sua frase, a luz forte do caminhão entrou no seu campo de visão, fazendo a mulher fechar os olhos com força. O baque dos dois veículos se chocando fez o pequeno carro sair da estrada, indo de encontro ao barranco logo ao lado, quebrando seus vidros. A mulher já estava desesperada ouvindo os gritos do irmão mais novo e gritando junto, sem conseguir protegê-lo. O carro girou mais algumas vezes, finalmente parando ao contrário do que deveria estar. Os barulhos das sirenes podiam ser ouvidos, mas antes que alguém chegasse a visão de foi escurecendo até finalmente apagar por completo.


Os corredores brancos tão conhecidos por se tornaram apenas borrões para os seus olhos quando ela recebeu a pior notícia de sua vida. Parou de tentar entender o que o médico falava assim que aquelas malditas palavras saíram de sua boca, chegando ao seu cérebro e virando sua mente de cabeça pra baixo, virando seu mundo do avesso. Sentiu os braços de sua mãe a segurarem firme, abraçou a mulher o mais forte que pôde, mas nada parecia amenizar a dor.
Seu irmão, seu pequeno irmão estava morto e a culpa era sua. Afinal era ela que estava dirigindo o carro, era ela que estava discutindo no telefone quando não viu o carro sair da pista e se chocar com um caminhão, era ela e apenas ela a culpada por tudo ter acontecido. Seu peito parecia querer explodir a fim de diminuir a dor que sentia, mas a verdade é que ela era capaz de fazer muito mais para que a dor parasse, ela queria que tivesse sido ela e não o seu irmão, tão jovem e cheio de vida pela frente. Se pudesse trocar de lugar com ele, não pensaria duas vezes antes de fazê-lo, mas não podia. Era tarde demais.


Capítulo 1 - I'd never wish for anyone to feel the way I do

O céu nublado denunciava a chuva que estava por vir, mas não se importava de ficar mais alguns segundos, minutos ou horas sentada ali naquele lugar tão conhecido por ela nos últimos meses. Ela sabia que não importava quanto tempo ficasse ali, a dor não sumiria de uma hora para outra, a dor nem sequer diminuíra com o passar do tempo, apenas aumentava e trazia as malditas lembranças à tona. A mulher de cabelos longos, soltos pelo seu rosto já que o vento bagunçava os fios ainda mais, e olheiras fundas, deixou mais uma rosa por cima da lápide, depois de tirar as folhas secas e murchas de cima da mesma e arrumar algumas flores bagunçadas que já estavam em cima da mesma. Respirou fundo mais uma vez e secou as lágrimas que ainda insistiam em cair pelo seu rosto, saindo por fim do cemitério com o aperto no coração maior do que quando entrou naquela manhã.
Preferiu pegar um táxi novamente, a ideia de tocar num volante era assustadora e não saberia dizer se um dia conseguiria voltar a fazer. O motorista do veículo pareceu não se importar por chorar o caminho inteiro e ela agradeceu por não ter de responder nenhuma pergunta, não responderia de qualquer forma. Agradeceu baixinho e entregou algumas notas ao motorista, pagando a corrida feita, assim que o mesmo parou o veículo em frente a sua casa.
A casa grande não tinha mais a mesma alegria de antes, o local tinha um ar pesado e melancólico. Como se qualquer coisa que tivesse que ser feita fosse demandar um enorme esforço, de fato demandava quando as duas pessoas que moravam ali dentro já não estavam dispostas a gastar mais energia para fazer qualquer coisa. Quando colocou seus pés na sala de estar, já subindo as escadas que davam acesso aos quartos, o barulho vindo do jardim pôde ser ouvido, junto de algumas vozes desconhecidas. ficou levemente alarmada, pois sabia que já havia tempo que outras pessoas não pisavam naquela casa, justamente porque ela não dava abertura e nem queria que alguém aparece por estar sentindo pena dela. Odiava qualquer olhar piedoso que recebia, odiava ainda mais quando esse olhar vinha de seus familiares e amigos. Caminhou em passos lentos em direção aos fundos da casa, onde ficava o jardim. Viu quando encontrou Charlie e seus amigos fazendo churrasco, como se a vida fosse bela e o dia estivesse lindo para farrear.
- Ei, , vem aqui tomar uma cerveja com a gente. - Scott, o mais inconveniente, gritou pela mulher, chamando a atenção de todos. O olhar de ficou preso no do marido. Charlie tinha um certo receio ao encarar os olhos tristes da esposa, murchou os ombros e virou de costas, voltando a prestar atenção no que estava fazendo na churrasqueira. A mulher apenas ignorou o chamado de Scott e subiu o mais rápido possível para o seu quarto, trancando a porta assim que adentrou o cômodo. Trocou de roupa, vestindo seu pijama confortável após tomar um banho quente, e se acomodou debaixo das cobertas. Sua cabeça pesada demais com o turbilhão de pensamentos a fez pegar no sono em seguida.
acordou no susto, com o corpo repleto de suor e a respiração ofegante. Toda a noite o mesmo sonho com o acidente dominava sua mente. Já se passaram cinco meses desde o fatídico dia, mas em nenhuma daquelas noites aquele sonho a abandonara. O quarto escuro mostrava que já havia anoitecido dessa vez a casa já se encontrava silenciosa novamente. Sentiu algo por cima de seu corpo ao tentar se levantar da cama, o braço de Charlie estava por cima de sua barriga. O homem cochilava tranquilamente ao seu lado, nem lembrava mais quando tinha dividido uma cama com o marido. Antes mesmo do acidente, eles já tinham decidido dormir em quartos separados e encontrá-lo ao seu lado a pegou totalmente de surpresa.
- O que está fazendo? - Perguntou baixinho, ela sabia que ele escutaria. Tinha o sono leve.
- Achei que podia passar essa noite com você. - Ele respondeu no mesmo tom de voz. analisou o homem, os cabelos levemente molhados indicavam que ele não estava deitado ali há muito tempo. - Precisamos salvar nosso casamento.
- Não sei se consigo. - Se sentiu culpada ao não estar confortável ainda na presença do homem. Homem este que já dividira aquela cama muitas e muitas vezes, mas que no momento parecia um total desconhecido.
- Eu não sei mais o que fazer, . Eu juro que estou tentando.
- Desculpa, eu só não consigo. - O peito de se apertava cada vez mais, mas ela ainda não estava pronta e estava sendo o mais sincera possível.
- Sabe o quanto é difícil estar disposto a te ajudar e você não me dar espaço? , eu estou há cinco anos tentando te ajudar. Cinco anos tentando te decifrar e fica cada vez mais difícil.
Nesses momentos de fragilidade, se esquecia totalmente da mulher que havia se tornado após o acidente, podia-se dizer que muitas vezes parecia um fantasma dentro da própria casa. Saía do quarto quando tinha certeza que Charlie estava no dele, para não ter que encarar o marido ou manter qualquer diálogo com o mesmo. Estava tentando sobreviver, se alimentando apenas o suficiente para não ter que parar num hospital. Não havia mais nenhum brilho em seu olhar, nem mesmo se lembrava de como esboçar um sorriso em seu rosto, não havia motivos para isso. Olhar para Charlie ali ao lado, tão perto e sentir seu perfume novamente era como voltar no tempo. Voltar num tempo que não havia preocupação. Lembrou de como se conheceram, se apaixonaram, decidiram morar juntos e se casaram, exatamente nessa ordem. Mas também lembrou de todos os problemas que tiveram após o casamento, de todas as crises de ciúmes de Charlie, de como ficou extremamente esgotada com as recaídas do marido com a bebida. Contudo, todas as lembranças acabavam caindo ao acidente e, consequentemente, a situação atual de ambos.
- Sabe, por todo esse tempo eu me culpei, te culpei também, por tudo que dado errado. Mas viver dentro dessa casa ‘tá fazendo muito mal pra nós dois. Estamos nos machucando cada vez mais. E nós sabemos que não há nada pra mudar isso, porque nós não queremos mudar. Só queremos que tudo fique bem logo, mesmo sabendo que não vai ficar. Não vai ficar hoje, nem amanhã e nem depois, porque essa dor nunca vai ir embora. Ela pode diminuir com o tempo, mas não vai deixar de existir.
Eu espero que você entenda, algum dia, e espero que você seja feliz também. Eu já desisti da minha felicidade, mas não posso ser mais egoísta a ponta de proibir que você seja. Sei que algum dia vai encontrar alguém que te faça feliz, feliz do mesmo dia que algum dia já fomos, porém, hoje não somos mais.
- ...
- Só deixe eu terminar, por favor. - estava sendo o mais sincera possível. - Sei que temos muitas coisas pra dizer ainda, talvez ainda nos machuquemos mais. Mas o melhor a ser feito por ora é acabar. Acabar enquanto ainda temos chances de reconstruir nossas vidas, correr atrás do quisermos, livre de mágoas. Eu ainda tenho muita raiva guardada dentro de mim e nada disso vai me ajudar a salvar nosso casamento, porque ele não existe mais, ele não tem salvação, Charlie. Eu quero o divórcio.
- Nosso advogado vai mandar os papéis. - O olhar de dor estava estampando no rosto de Charlie. Porém, ele sabia que tudo o que a esposa acabara de dizer era verdade. Era até injusto dizer que ela estava mentindo ou sendo egoísta, como muitas vezes costumava achar que ela estava sendo. A porta do quarto foi fechada, deixando a mulher sozinha no cômodo novamente. deixou que o choro dominasse o ambiente, era a única forma de deixar um pouco da dor se desprender do seu corpo e aliviar o sofrimento dentro do peito. Algumas horas mais tarde, a porta de entrada da casa foi batida também, naquele momento estava ciente que tudo tinha acabado. Um ciclo estava se encerrando, levando consigo todas as alegrias e mágoas que aquilo trouxe a eles. Não havia volta, ambos sabiam disso. Ambos queriam que aquilo não tivesse volta, ainda que tivesse se encerrado da pior forma possível, era o que precisavam. Ficar perto estava fazendo mal, desgastando cada vez a saúde mental de cada um e se machucando com palavras duras.


Capítulo 2 - Something New

Três anos depois

terminava de ajeitar a camisa lisa de cor branca em seu corpo quando ouviu o despertador da filha, no quarto ao lado, tocar pela quinta vez naquela manhã. A adolescente de treze anos, acordava quase em cima do horário. Ainda que ouvisse as reclamações de seu pai todos os dias, ela costumava ignorar tudo e sempre se arrumar correndo, quase não dando tempo de tomar café. Mas, aos finais de semana, logo pela manhã ela já estava em pé, como se seu corpo funcionasse totalmente ao contrário do que deveria durante a semana. Isso fazia repensar as decisões de sua vida que o fizeram ter filho, apenas por alguns breves segundos, já que não saberia viver sem sua princesa. Mesmo que ela estivesse se tornando uma adolescente um pouco rebelde.
- Dez minutos, Claire! - gritou para a filha, assim que a porta do banheiro que ficava no corredor foi fechada, anunciando que a garota acabara de entrar no banho. O homem logo voltou para o seu quarto e terminou de se vestir, colocando o blazer e o sapato preto, as peças que faltavam para ficar pronto. Desceu as escadas da casa, indo para a cozinha preparar o café da manhã.
- Ansioso para o primeiro dia? - Claire apareceu na cozinha logo após se vestir. Os cabelos ruivos num tom de cobre pingavam por suas costas. O que fez largar a chaleira no fogão e pegar uma toalha no banheiro, os secando em seguida. Claire estava crescendo, mas ainda parecia uma criança que não conseguia fazer certas coisas sem a ajuda do pai. Sentou-se na cadeira alta da bancada e esperou que o pai enxugasse seus cabelos, sabia que deveria ter secado antes de sair do banheiro, mas gostava quando o pai o fazia.
- Um pouco. Só espero conseguir o emprego. - Passou o pente pelos cabelos e os deixou soltos como ela gostava.
- Pai, você é o melhor. Vai conseguir. - Enfiou um pedaço de pão na boca e tomou um gole do café preto.
- E você comece a secar o cabelo. Já está grande o suficiente para fazer isso e pode esquecer essa história de namorado.
- Sai logo daí, Yoda! - Claire gritou para o gato que insistia em passear pela frente da televisão, atrapalhando a visão da garota. Todo dia era a mesma coisa, parecia até que o animal fazia de propósito.
- Psiu, Psiu. Vem aqui, seu danado. - balançou a tigela de ração do gato, chamando a atenção dele. O gato amarelo logo saiu da estante em que desfilava na frente da televisão, correndo para o seu pote já cheio com a ração e o seu sachê favorito. Fez um carinho de leve no bichano, mas logo voltou a sua tarefa na cozinha antes que o animal se esfregasse e assim enchesse sua roupa de pelos. Quando estava pondo seu sanduíche na mesa, seu celular vibrou, indicando uma nova mensagem. A mãe de tinha acabado de retornar das pequenas férias que passou em Paris e já dizia estar morrendo de saudade da neta. Sendo assim, não perdeu a oportunidade de pedir para passar a tarde com a mesma. Ele sabia que Claire não recusaria o convite da avó, então não precisou perguntar se a menina aceitaria ou não. Não demorou mais de vinte minutos para que os dois estivessem devidamente alimentados com a sua primeira refeição do dia e prontos para deixar a casa.
Assim que a porta da casa foi fechada por , a adolescente foi em direção ao carro do pai estacionado na garagem, escutou quando o homem desativou o alarme e abriu a porta ao lado do carona, se acomodando já com os fones de ouvido no volume máximo.
- Sua avó vai te buscar na escola. Se comporte e nada de pedir dinheiro emprestado para ela. - A garota revirou os olhos mais uma vez. sabia que era coisa de adolescente, então ignorava os gestos rebeldes da filha. Ele também era assim quando novo, na verdade, tinha sorte da filha ser bem mais calma do que ele era quando tinha a idade dela. Não demorou para que o mesmo estacionasse o carro em frente à escola da filha, se despediu com um beijo no rosto e deixou que a garota seguisse para o seu grupo de amigos. Todos com a mochila desajeitada nas costas e com feições mal humoradas logo pela manhã, riu ao ver a cena e balançou a cabeça em sinal de negação. seguiu em direção ao famoso prédio, com arquitetura impecável, entrando pela enorme porta de vidro e que seria bastante frequentado pelo homem de agora em diante. Hope saiu de trás da mesa redonda assim que passou pela porta, era a terceira vez que via o homem na empresa, tentando disfarçar o sorriso largo demais em direção ao colega de trabalho. Como combinado, levou o senhor até a sala do chefe executivo, Chris Decatur, responsável por montar as equipes quando haviam projetos grandes a serem realizados.
- Bom dia, senhor . - Hope disse enquanto caminhava ao seu lado.
- Bom dia, senhorita Preston. - observava o prédio conforme caminhavam por toda sua extensão. Já no terceiro andar, pôde observar, mesmo que por breves segundos, a parede toda de vidro. Permitindo que o máximo de luz entrasse no prédio e fosse possível admirar a bela vista da cidade. Hope deu duas batidas na porta, com o letreiro dourado indicando o nome do chefe executivo, e colocou a cabeça para dentro, avisando que o já estava no local, abrindo espaço entre a porta para o mesmo adentrar o cômodo.
- Chame a senhorita também, Hope. - A morena logo saiu da sala, fechando a porta e deixando os dois homens sozinhos. - Sente-se, , vamos aguardar a senhorita e podemos começar nossa reunião. - não questionou o pedido de Decatur, logo o atendendo. Não mais do que alguns minutos depois, foi possível ouvir duas batidas na porta e a mesma sendo aberta.
- Mandou me chamar, senhor Decatur? - entrou no escritório ficando de frente para o homem mais velho.
A voz firme e suave da mulher chegou aos ouvidos de , virou-se para olhá-la. estava parada, em pé, ao lado de sua cadeira e a figura que encontrara era totalmente diferente da que tinha imaginado quando escutou seu sobrenome. Primeiro, o que chamou atenção foi o jeito totalmente despojado que ela estava vestida, diferente de . A mulher usava uma camiseta preta básica, sem nenhuma estampa, junto de uma saia jeans escura de cintura alta com alguns botões na frente e um all star branco nos pés. Seus cabelos castanhos estavam presos num rabo de cavalo alto, deixando apenas sua franja solta no rosto, dando um toque mais jovial e destacando seus olhos verdes.
- , essa é . Nossa designer de interior, uma das melhores que temos aqui. , esse é . O novo arquiteto e vocês irão trabalhar juntos no próximo cliente que vocês irão visitar hoje. - Chris fez uma pausa olhando para o relógio em seu pulso. - Na verdade, encontrarão daqui uma hora. Seja bem-vindo, . vai te explicar tudo o que você precisa saber e qualquer dúvida pode falar com a Hope também. - Ele apertou a mão de o acompanhando até a porta. estava logo atrás observando os dois. Não importava quanto tempo passasse, Chris não conseguia ser tão receptivo quanto achava que era, muitas vezes assustando os novos empregados. Mas era só sair de sua sala que as pessoas conseguiam compreender a dinâmica do local.
- . - Ela estendeu a mão para o homem, já no corredor do prédio.
- . - retribuiu o gesto.
- Chris não é tão simpático. Mas é uma boa pessoa, não liga para o seu jeito meio doido. - não costumava falar muito, mas ainda mantinha um semblante confuso, como se estivesse se questionando se estava no lugar certo. Se ela se mantivesse em silêncio, com certeza, confirmaria todos os questionamentos que ele estava se fazendo. - Nós vamos dividir a mesma sala, enquanto Holy está de licença maternidade.
- Ok. - Foram as únicas palavras que saíram da boca de , o que fez entender que não adiantaria mais puxar qualquer conversa com o homem ao seu lado. O elevador se abriu e os dois seguiram para o quinto andar. A sala de era grande, com espaço para duas mesas e estantes para cada um usar suas coisas como bem entendesse. Era aconchegante também, não que fizesse muita diferença para ela, mas qualquer pessoa que entrasse ali gostaria de trabalhar naquele lugar.
- Nossa cliente enviou um e-mail com algumas informações básicas que precisamos saber. Ela e o noivo compraram a casa recentemente, mas ainda não se mudaram para lá, o que é ótimo para nós. Mas estão morando com os pais dela, ela está grávida e eles querem reformar todos os cômodos da casa.
- Querem uma obra grande e têm pressa pelo jeito. - balançou a cabeça concordando. - Pelas fotos é possível ver que vamos ter bastante trabalho, mas nada que seja impossível de fazer.
- Sim. O mais preocupante vai ser a fiação interna, se não tem nenhum vazamento, cupim ou amianto também. - pegou o ipad quando lhe entregou o aparelho, o colocando dentro da bolsa e, em seguida, colocou a alça da mesma em seu ombro. - Vamos. Nosso encontro está marcado num café aqui perto.
- Eu estou de carro.
- Não precisa, é na próxima quadra. - não entraria num carro com desconhecido. Ok, não era um desconhecido, mas um colega de trabalho. Colega esse que ela acabara de conhecer, ou seja, desconhecido.
Saíram do prédio um pouco depois das dez da manhã, o Grand Café Restaurant 1e klas não ficava longe dali, exatamente uma quadra depois do prédio em que trabalhavam como havia dito. O início do verão em Amsterdam deixava a cidade ainda mais bonita, as pessoas ficavam mais animadas, além de ter um aumento considerado de turistas nessa época do ano. O que para muitos significava férias, para significava trabalho. Ela gostava de trabalhar nessa época do ano, acordava mais disposta, fazendo seu dia render muito mais do que no inverno. Quando as pessoas mal conseguiam sair de casa devido às baixas temperaturas. A cafeteria não estava tão cheia àquela hora da manhã, sendo fácil para encontrar com Susan Flowers. A mulher de cabelos curtos e uma barriga já visivelmente grande estava sentada próxima da janela de vidro olhando a paisagem, enquanto tomava sua bebida. e se aproximaram, chamando a atenção dela.
- Bom dia, Susan. - foi a primeira a cumprimentá-la, sendo surpreendida por Susan com um beijo na bochecha seguido de um abraço.
- Bom dia, .
- Esse é o , vamos trabalhar juntos na reforma da sua casa. - Susan fez o mesmo com , mesmo que a sua barriga não deixasse ficarem muitos próximos.
- Estou ansiosa pelas mudanças e temos alguém aqui que não sabemos se vai poder esperar muito. - Apontou para sua barriga, alisando-a em seguida. A mulher sorria, mesmo com os pés inchados e a aparência um pouco cansada, ela conseguia se manter feliz com uma obra que não seria nada fácil.
- Então, Susan, o que precisamos saber? Coisas que não podem faltar e o que você espera também, é muito importante que nos fale mais sobre a casa para que possamos deixar do jeito que você quer. - começou a perguntar, indo direto ao ponto.
- Bom, como agora vai ter uma criança eu preciso de uma casa funcional, sabe. No qual todos os cômodos sejam de fácil acesso, principalmente cozinha e sala de jantar. Meus pais não moram aqui, então um quarto de hóspedes vai ser ótimo também. A casa é bem grande, mas quando visitamos já sabíamos que ela ia precisar de uma reforma.
- Você já sabe o sexo do bebê? Tem alguma preferência no quarto? - Foi a vez de , afinal os detalhes finais ficariam por conta dela.
- Não. Decidimos por não saber o sexo agora, então eu espero que você resolva isso. - Ela riu de forma simpática. De todos os clientes Susan era muito tranquila, óbvio que a maioria também era, até a reforma começar e os problemas também. - Como eu já falei no e-mail, estou morando com os meus pais e não tem muito espaço para nós na casa deles. Meu noivo está viajando, então não vai acompanhar a reforma. Quanto tempo vocês acham que a casa fica pronta? - e se olharam, pensando nas possibilidades de fazer tudo o mais rápido possível, mas também que fosse feito da maneira correta.
- Quatro semanas. É uma reforma grande, mas temos uma equipe qualificada.
- Mas é importante sempre deixar o cliente a par de todos os possíveis problemas e imprevistos que podem aparecer. Isso pode acabar atrasando a reforma muitas vezes.
- Mesmo contra vontade, precisava deixar Susan ciente de todos os riscos. O encontro não demorou muito mais do que uma hora para se encerrar, isso porque muitas vezes teve que intervir nas ideias e propostas, principalmente, quantos aos prazos de . Eram coisas quase impossíveis de serem feitas com o tempo e o orçamento fornecido. Não sabia quanto tempo de profissão ele tinha e nem sua real experiência, mas seria muita arrogância de sua parte querer fazer tudo sozinho sem ao menos consultá-la antes. Eles eram uma equipe, não eram só as ideias deles naquele projeto.
- O que pensa que está fazendo? - foi direto ao ponto assim que fecharam a porta da sala, que agora ela dividia com .
- O meu trabalho. - Despreocupado, se acomodou atrás da mesa. Sem nem ao menos olhá-la, começou a arrumar suas coisas.
- , você deu um prazo de quatro semanas para uma reforma de no mínimo dois meses. Você tem ideia do tamanho daquela casa?
- Eu trabalho desse jeito, .
- Mas não trabalha sozinho, .
- Eu percebi isso quando vetou todas minhas ideias na frente da cliente.
- Não sei como você trabalhava antes e, sinceramente, isso não me interessa agora. Espero que consiga manter o seu prazo de quatro semanas, Superman. - Saiu da sala batendo a porta. tentou ignorar o mau humor repentino da colega de trabalho, voltando a sua atenção para seu computador e os planos para o projeto que estava em suas mãos. Como era designer, a maior parte da reforma ficaria por sua responsabilidade. O que o deixava animado, já que não trabalhava alguns anos, devido a mudanças repentinas da sua vida, mas todos os trabalhos já feitos tiverem resultados extremamente satisfatórios. Ele sabia muito bem desenvolver o seu trabalho, por isso tinha tanta confiança em conversar com clientes e cumprir com tudo que prometia. Se não fosse ter vetado a maior parte de suas ideias, ele já estaria com o projeto pronto.
- Péssimo começo, . - Disse a si mesmo, respirando fundo mais uma vez naquela manhã.
Antes de ir para o intervalo, o qual tinha combinado de almoçar com sua mãe, deixou em cima da mesa de o desenho completo dos dois projetos e o novo design feito por ele mesmo, para a nova casa de Susan. Isso incluía os gastos, já com os possíveis imprevistos, e em ambos o orçamento fornecido era mais do que necessário. Tinha sido trabalhoso idealizar tudo de novo? Sim, mas ele faria de tudo para mostrar que era bom e sabia o que estava fazendo. O orgulho falando mais alto naquele momento fez ele odiar ter que trabalhar com , poderiam ter colocado ele com qualquer outra pessoa, mas foi cair logo com ela que já se mostrara tão irritante e mesquinha. Não poderia ter começado de um jeito pior. Isso o irritava mais, quando as coisas não saíam do jeito esperado e quando não podia fazer do seu jeito. Ela nem ao menos se deu ao trabalho de conversar e discutir os planos dele antes de qualquer coisa. Seu tom autoritário parecia com o de um comandante do exército, o fazendo sentir ainda mais repulsa. Entretanto, era a sua carreira em jogo, sua vida dependia disso e, principalmente, o que mais gostava de fazer. Não seria que estragaria logo o seu primeiro dia na MVRDV.
Naquela mesma tarde, logo após o almoço retornou para sua sala. Encontrando dessa vez uma mais sorridente, nem parecia a mesma mulher que havia saído dali irada com ele.
- Seu projeto foi aprovado pelo Decatur. - disse fingindo prestar atenção em algo no seu computador.
- Qual deles?
- O que você quiser executar. - Disse mesmo contra sua vontade.
- Pelo jeito eu não sou o único louco aqui. Deveria confiar mais no potencial dos seus colegas de trabalho, .
- Não o conheço para ter confiança, até porque você não me mostrou ainda do que é capaz.
- Então, quer que eu te mostre algo?
- Esteja amanhã às oito em ponto no endereço que te mandei por e-mail, . Quando terminarmos essa reforma eu digo se confio ou não no teu potencial.
- Eu adoro um desafio.
- Eu também.
O sorriso ladino ainda estampava o rosto de , mesmo que ele tentasse se controlar. Sabia que eram apenas provocações e não cairia no joguinho de , ela estava apenas o testando. Talvez, até, com ciúmes por ter visto que ele estava ali para trabalhar de verdade.



Capítulo 3 - She Moves In Her Own Way

- Joe, eu já disse tudo que você queria saber. Não sei mais o tipo de detalhe que você quer. - tentava ao máximo não pegar no telefone, enquanto pedalava em sua bicicleta.
- Quero saber detalhes como qual a cor dos olhos, se é casado, número de telefone. Essas coisas, , não se faça de boba. - Foi impossível controlar a gargalhada. Algumas pessoas olhavam para ela na rua com certa estranheza, mas não era algo que lhe preocupava.
- É por isso que eu atendo as suas ligações às oito da manhã.
- Eu sou demais, eu sei.
- É modesto também. - Ouviu um resmungo do amigo no outro lado da linha, ignorando-o totalmente. - Eu preciso desligar, espero que tenha sobrado algo para demolir nessa casa. Vinho lá em casa hoje à noite?
- O jeito que você gosta de quebrar coisas é diferente, . E sim, com certeza vinho, hoje à noite. Ah, quero fotos desse deus grego e não se atreva a me negar isso.
- Tchauzinho, Joe. - Desligou o celular e tirou os fones de ouvido quando chegou no endereço informado. Largou sua bicicleta no jardim de forma que não fosse atrapalhar a passagem de ninguém por ali. O barulho das ferramentas, de madeira se partindo ao meio e muita, mas muita poeira, eram as únicas coisas que podia ver e ouvir pelo lado de fora da casa.
A equipe já estava trabalhando desde cedo no local, visto que a cozinha toda já estava aberta. Sem os antigos armários nos seus lugares e uma parede parecia já ter sido destruída, fazendo entrar mais luz naquela parte da casa. ficou satisfeita com o resultado que encontrou logo no início da tarde, sinal de que a equipe tinha mesmo colocado a mão na massa.
- A janela da cozinha vai sair e vamos colocar uma porta que dá acesso ao jardim. A lareira da sala precisa ser refeita também, pode cuidar disso para mim? - Antes que pudesse adentrar um dos cômodos, escutou a voz firme de soar em seus ouvidos. Ele estava no quarto do casal, enquanto tirava o carpete do chão. A sombra de provavelmente o chamou a atenção, já que o mesmo se virou ao se sentir sendo observado. Não era para menos, a imagem que a mulher encontrou era tudo que ela não podia imaginar. de regata, mostrando seu braço e a panturrilha tatuados, bermuda de moletom e tênis. Aquilo era uma visão e tanto. Quase como se fosse outra pessoa da que tinha visto no dia anterior, vestido com terno e gravata.
- Só não deixe a baba escorrer. - A voz rouca e próxima demais do seu rosto, fez despertar dos seus pensamentos, nada adequados para o horário. Mas também, a visão que encontrara era tentadora demais.
- Há,há, que engraçadinho. - revirou os olhos, mas permaneceu parado ainda em sua frente. O que a fez levantar a sobrancelha como forma de questioná-lo, mas nada saiu da boca do homem. - Por que está me olhando assim? - Ela olhou para si mesma. Algo podia estar “fora” do lugar, não é mesmo? Talvez estivesse suja e não tinha se dado conta ainda.
- Nada. Achei que chegaria cedo também, mas já que está aqui fique à vontade para ajudar. Tem bastante coisa para fazer. - Ele voltou a puxar o carpete do quarto, o jogando no corredor sem dar atenção se ajudaria ou não com o serviço pesado.
resolveu colocar o óculos de proteção e foi para o quarto ao lado, onde seria o do bebê. Como esperado, o cômodo não tinha móvel algum, mas também haviam coisas que precisavam sair dali. As paredes, com certeza, seriam pintadas, o banheiro reformado facilitaria a vida do casal e a janela precisava ser trocada por uma nova. O novo assoalho seria lixado e pintado, aproveitando aquela parte pelo menos. Poderia pintar o quarto de amarelo ou, talvez, um verde, já que o casal não sabia o sexo do bebê. Quartos de crianças era de longe a reforma que menos gostava de fazer, mas ainda assim fazia. Por incrível que pareça, era a parte mais fácil da casa de resolver e já tinha tudo planejado em sua mente. Era o seu trabalho, a prioridade ali era a satisfação do cliente no final de tudo.
- O que está fazendo? - entrou no quarto em que estava. Ela já começava a tirar o azulejo velho do banheiro quando teve seu trabalho interrompido.
- Você disse “fique à vontade para ajudar” e estou fazendo isso. Na verdade, estou quebrando o azulejo para ser mais exata. Não acho que um azulejo branco e preto quadriculado combine com um quarto de bebê. - respondeu num tom óbvio, ainda sem encarar .
- Não, não combina. - Respondeu rápido, de forma automática pode-se dizer. - Isso eu sei. Mas a sua parte só começa quando a casa já estiver “pronta”. - Fez aspas com as mão, referindo-se ao trabalho pesado.
- Na verdade não. Eu não sou só designer, apesar de ser minha principal função. Então minha parte começa com tudo mundo, desde a demolição até a decoração.
- Mas...
- E demolir é o que eu mais gosto de fazer. - Respondeu com o cinzel e o martelo em mãos.
- Eu quero ficar com esse quarto. Com os dois, na verdade. - disse firme na sua escolha.
- Ótimo. - largou o cinzel e o martelo dentro da pia. - Eu fico com a cozinha, a sala de jantar e de estar. Não abro mão disso. - respondeu da mesma forma.
- Combinado.
- Boa sorte.
- Não vou precisar.
- Que bom. - Saiu do quarto, descendo as escadas já indo para a cozinha. – Ei, Sandy, quanto tempo. - O engenheiro, que estava de costas para mulher, virou-se para cumprimentar com um sorriso no rosto.
- Hello, . Bom te ver. - Abraçou-a por alguns segundos, sendo retribuído. - Arquiteto novo, é? - Ele levantou a sobrancelha, questionando.
- Estou bem também, obrigada por perguntar.
- Você está ótima. Amo como o fim do inverno faz muito bem para você. - A puxou pelos ombros caminhando junto para fora da casa. - Mas quem é o novo arquiteto?
- Deus, vocês parecem urubus em cima de carne podre. Nesse caso, a carne não tá podre, mas enfim. - Revirou os olhos vendo que Sandy esperava uma resposta dela. - , é o nome dele. Mas, se quer saber, conheço uma pessoa que você vai gostar.
- Não me diga que é aquele seu amigo Joe? Ele saiu com todas as pessoas que eu conheço.
- Você quer dizer que ele saiu com todos os homens que você conhece, né? E me diz uma coisa, desde quando isso é problema para você, Sandy? Quem não te conhece que te compre.
- É verdade, não é problema para mim. E pensando bem, ele até que é bem bonito.
- Sábado, no bar de sempre. Não aceito não como resposta. - Soltou-se do braço de Sandy, fazendo o mesmo caminho de volta para dentro da casa. - Vamos, essa cozinha precisa de muito trabalho.
Pelo menos naquela tarde conseguiu fazer tudo que precisava na cozinha. Sendo interrompida apenas quando precisava autorizar, junto de , alguma mudança ou reparo que precisaria ser feito em outra parte da casa.
gostava da parte de demolição, adorava observar o antes, durante e depois da reforma. Principalmente, quando começavam a quebrar as paredes, deixar os ambientes abertos. Trocar portas e janelas era ótimo, deixava o ambiente mais iluminado, quase irreconhecível com o antes. E era exatamente isso que ela estava fazendo com aquela área. Os armários velhos foram jogados fora, a parede que dividia o cômodo logo foi retirada e uma espécie de dispensa - que não fazia sentido nenhum, além de ocupar espaço - também acabou indo para o lixo. Agora, o que havia ficado ali era apenas o “esqueleto” da cozinha. A parte que ninguém gostava de ver, porque sempre duvidavam do jeito real que ela ficaria depois. Entretanto, para um primeiro dia aquilo estava ótimo.
- Não tenho boas notícias. - Sandy apareceu acompanhado de , o horário de ir embora estava quase chegando.
- Diga.
- Vocês odeiam essa palavra, mas vou ter que usá-la.
- Amianto ou cupim?
- Amianto.
- Ok. Quanto tempo vamos ter que ficar fora?
- Já falei com a equipe especializada, eles vêm amanhã cedo. Mas, para ter certeza que não vai restar nada aqui, vamos precisar de três dias.
- É muito tempo, não temos esse tempo de sobra. - disse, irritada. - Olha, eu sei que não temos o que fazer. Mas, por favor, assim que a casa for liberada já tente ver o quanto antes senão vamos ter problema de infiltração ou de cupim também. Qualquer um desses dois pode atrasar a nossa reforma.
- Já falei com a Susan, ela disse que qualquer imprevisto pode ser feito. O orçamento não é problema para ela. - disse com o celular em mãos.
- Pelo menos uma boa notícia. - respirou, aliviada. - Vamos embora então, nem era para gente estar aqui ainda. Sandy, espero notícias suas o mais rápido possível. Notícias boas. - soltou os cabelos, antes presos num rabo de cavalo firme, e pegou sua bicicleta no jardim. - Tchau, bom descanso a todos.
Se despediu de quem estava ali e, mesmo sem esperar resposta, saiu em direção a sua casa. Todos já conheciam o jeito da mulher, ela não estava sendo mal educada como poderiam pensar. Só não fazia sentido ficar ali quando, na verdade, todos estavam loucos para irem para suas casas.
- Ela é sempre assim? - se virou para Sandy, o moreno deu de ombros antes de responder.
- É um pouco maluca e mandona. Mas é uma ótima pessoa, vá se acostumando, . - Sandy logo pegou o caminho de sua casa, deixando apenas parado no jardim. Porém, quando o mesmo olhou o relógio se deu conta que já deveria estar a caminho de buscar Claire. Com sorte, ficaria no máximo para a janta e poderia ir para casa descansar. Seus pensamentos foram interrompidos quando escutou o toque de um celular tocando, não era o seu. Definitivamente, Beatles não era a sua banda favorita para se ter como toque de celular, encontrou o aparelho na grama do jardim. O nome “amorzinho” brilhava na tela, antes que se arrependesse acabou atendendo, ainda incerto sobre o que dizer.
- , meu amor, separa o vinho que eu estou chegando. - Uma voz séria soou do outro lado da linha.
- Er… ela não está com o telefone no momento. - achou engraçado a forma como a pessoa do outro lado da linha atendeu, mas tentou parecer sério enquanto falava.
- Como assim não está com o telefone? EI, QUEM É VOCÊ E POR QUE ESTÁ COM O TELEFONE DELA? - O grito que Joe deu foi tão alto que precisou afastar o telefone da orelha.
- Calma, ela deixou o telefone cair na frente da casa que começamos a reformar.
- Cadê ela? O que você fez com a ?
- Nada! - Disse exasperado. - Nós terminamos a demolição hoje, ela foi embora e deixou o celular cair. Só isso.
- Ok, mas se ela aparecer com algum arranhão eu juro que vou até o inferno atrás de você.
- Eu acredito, seja lá quem você seja.
- Me diz onde você está e eu vou buscar o celular. - Joe, com certeza, já estava mais calmo.
- Olha, eu tenho um compromisso agora e já estou atrasado. Mas amanhã o celular vai estar com ela assim que a chegar na empresa.
- Não sei se acredito em você.
- Você não tem escolha.
- É, não tenho mesmo. Ok, amanhã eu ligo para ela para saber se você realmente devolveu o celular.
- Ok, boa noite. - decidiu encerrar a ligação mais esquisita da sua vida, guardou o celular no bolso da bermuda e caminhou até seu carro. Sua mãe com certeza ia matá-lo por se atrasar tanto.



Capítulo 4 - Just a feeling

- Desculpa o atraso. - A porta se abriu com um Claire sorridente sendo acompanhada da sua avó logo atrás. - Boa noite para as duas mulheres da minha vida.
- Pai, você tá fedorento! - O grito de Claire foi motivo para abraçá-la ainda mais forte. - Vó, diz pro papai ir tomar banho. Ele só escuta a senhora.
- Ah, é assim, então? Se vendeu para o lado da sua avó. - soltou a menina, que logo saiu correndo de volta para a sala, e foi abraçar a sua mãe.
- , eu te amo. Mas vai tomar um banho, você está realmente precisando de um.
- Percebi que fizeram um complô contra mim. Já ‘tô indo. - Deu um beijo no rosto da mãe, a cumprimentando.
A casa da senhora era relativamente grande, mas o suficiente para viver com tudo que gostava já que ela morava sozinha. Após o falecimento de seu marido, a mulher não quis se mudar e, consequentemente, enfrentar toda a bagunça e cansaço de uma mudança, reforma e todas essas coisas que geralmente dão muito trabalho. Por isso, decidiu apenas mudar algumas coisas na casa e permanecer na mesma. e Claire sempre a visitavam, por morarem perto, e porque tinha uma relação muito boa com a mãe e queria que Claire tivesse a mesma relação com a mulher. Sobretudo, para Claire ter uma referência feminina que fosse próxima dela.
O quarto de hóspedes estava devidamente arrumado, como ele imaginava que estaria. Pegou uma roupa confortável e se dirigiu para o banheiro do mesmo, sem demorar muito no banho. Conhecia a mãe que tinha como a palma da sua mão e sabia que ela era capaz de entrar naquele quarto e puxá-lo pela orelha caso demorasse mais um minuto, depois de todo o atraso que já teve para chegar até a casa. Quando chegou até a sala de jantar, Claire já estava sentada, com o celular em mãos, e a avó na sua frente apenas esperando-o para começarem a comer.
- Então, mãe, como foi de viagem? - sentou-se ao lado de Claire. - Sem celular na mesa, Claire.
- Ótima. Mas confesso que já estava louca para voltar mesmo. Tenho mais uma semana de férias, então preferi voltar antes e passar esse tempo com vocês.
- Começamos uma reforma hoje, então vai ser bem complicado passar essa semana com a senhora, sinto muito. Aposto que a Claire vai adorar.
- Sim, eu amo passar o tempo com a senhora, vovó.
- Eu sei, meu amor. Mas se me chamarem de senhora de novo, eu coloco os dois para dormirem com os cachorros. - A mulher tentava parecer séria, mas a cara de espanto e os olhos arregalados da mais nova foi tão engraçado que ela começou a rir.
- Agora eu sei de onde vem o lado ogro do meu pai. - A língua afiada de Claire tinha sempre uma resposta pronta.
- Olha o respeito com a sua avó, vamos ser expulsos daqui a pouco. Eu, definitivamente, não quero dormir com os cachorros hoje.
O jantar não durou muito mais do que uma hora, ainda que a mãe de insistisse para que eles dormissem na casa dela, mas todos estavam cansados depois de um dia longo.
- Escove os dentes e coloque o pijama. Sem computador essa hora, já está tarde. - disse a Claire, assim que entraram em casa. A garota tinha momentos de muita independência e gostava disso. Contudo, tinha muitos momentos em que o pai precisava puxar a orelha, dar um sermão aqui e outro ali. Embora, ela também fosse totalmente determinada quando queria, isso lembrava muito a personalidade da mãe; porém, tentava ignorar essa última parte.
Claire era uma jovem adolescente, e às vezes rebelde, de treze anos. Com uma personalidade forte e uma língua afiada que combinava perfeitamente com os leves cabelos ruivos e as sardas espalhadas pelo rosto junto de seus olhos amendoados; iguais ao da mãe. tinha orgulho da filha e da incrível pessoa que ela estava se tornando, isso tudo graças a ele. Criar Claire sozinho não foi fácil, mas também não se arrependia de ter feito; mesmo que sua mãe tenha o ajudado, ele era orgulhoso demais para pedir ajuda a qualquer pessoa que fosse. Nisso a filha havia puxado muito bem dele, não podia negar. Embora ele achasse que não, a garota nutria o mesmo sentimento de orgulho pelo pai e escancarava aos quatro cantos sempre que podia.
- Pai... - Claire o chamou na porta do quarto. Logo saiu do banheiro vestido com o seu costumeiro pijama, composto por uma bermuda velha e uma camiseta qualquer que achou dentro do roupeiro.
- Deixa eu adivinhar, a cortina do seu quarto caiu de novo e você está com preguiça de colocar. Então aparece aqui, faz uma cara de gato do Shrek, eu fico com pena e vou arrumar para você e quando volto você está espalhada no meio da minha cama dormindo. Acertei? - Fez uma pose fingindo estar pensando. - Sinto muito, não vai funcionar hoje. Mas eu prometo arrumar a cortina amanhã. - A garota riu e balançou a cabeça de um lado para o outro. Sim, ela fazia isso mesmo.
- Não, a cortina não caiu. Ainda. - Abriu um sorriso, mas desmanchou o mesmo quando o olhar do pai caiu para as suas mãos. O álbum de fotos que ganhara da avó mais cedo naquele dia.
- O que é isso? - Ela se aproximou do pai, sentando-se na ponta da cama ao seu lado.
- A vovó me deu isso. Mas acho que deve ficar com você, até que possamos olhar juntos e você me contar mais sobre a minha mãe. - As palavras cuidadosas, escolhidas para aquele momento, pareceram assustar . Ele não gostava daquele assunto, dizia para si mesmo que já havia contado para Claire tudo que ela precisava saber.
- Eu já contei tudo o que você precisa saber, Claire. - Alice era assunto proibido naquela casa e na vida de . Não para a senhora , que sempre tentava trazer o assunto à tona de uma forma ou de outra.
- Eu sei que um dia você vai querer me contar mais sobre a minha mãe, vou esperar ansiosamente por esse dia. - Claire deixou o álbum de fotos na cama, deu um beijo no rosto do pai e voltou para o seu quarto.
continuou imóvel por mais alguns minutos, não esperava que Claire fosse usar aquelas palavras. Tentou imaginar o quanto estava sendo difícil para ela ter que lidar, mais uma vez, com a mesma desculpa de sempre. Mas naquele momento era a única coisa que ele podia fazer, usar a mesma desculpa de novo. Entretanto, quando teve coragem o suficiente para pegar o álbum em mãos, a coragem se esvaiu de seu corpo quando a sua mente cogitou a possibilidade de abri-lo. Por fim, guardou o álbum dentro de uma caixa com outras coisas sobre Alice, as quais ele não tivera coragem de se desfazer.
Mesmo após deitar na cama para descansar, a sua mente parecia querer lhe trair e as lembranças de alguns - bons - anos atrás começaram a voltar. Elas se misturavam, não sabendo se começavam a aparecer por ordem cronológica ou pela qual demandava maior carga emocional. No fim, a que conseguiu conquistar seu espaço foi a lembrança sobre a gravidez de Alice; não poderia estar mais feliz naquele dia.

- , por favor, entra na água logo! - Alice gritou quando a água bateu um pouco abaixo dos seus seios. O sol iluminava seu rosto, enquanto o vento fazia muito bem o trabalho de bagunçar seus cabelos ruivos.
Alice mantinha um sorriso largo no rosto, fazendo seus olhos automaticamente fecharem conforme se alargava cada vez mais. fazia o mesmo, já dentro d'água caminhando em direção a mulher.
- Eu já disse que você é a mulher mais linda do mundo? - abraçou-a quando chegou perto o suficiente, fazendo Alice soltar um gritinho de susto.
- Já, mas não me importo de ouvir de novo. - Entrelaçou o pescoço de com os seus braços, ainda sorrindo.
- Tenho que parar de alimentar seu ego, anda muito exibida.
- Nisso eu tenho que discordar. Gosto quando você me bajula.
- Não consegui resistir aos seus encantos antes e não consigo resistir agora. - Beijou-a docemente nos lábios, quem estivesse olhando a cena digna de filme de romance não teria dúvidas que eram dois apaixonados. Completamente apaixonados um pelo outro.
- Eu te amo.
- Eu também te amo. - Agora também sorria. A felicidade estampada no rosto de ambos.

O jantar oficializando o noivado de Alice e aconteceria dali uma hora, mas a jovem parecia nervosa demais para alguém que tinha apenas que se arrumar para ficar apresentável na frente de seus convidados. Olhou mais uma vez o vestido em seu corpo, ele a denunciava com toda certeza do mundo. Sentia suas mãos trêmulas e seus olhos marejados, prestes a deixar as lágrimas escorrer por suas bochechas e borrar toda a maquiagem feita nas últimas horas. Fungou mais uma vez, mas se arrependeu no minuto seguinte quando escutou bater na porta do banheiro.
- Aly, está tudo bem? - A voz preocupada de só aumentou o nervosismo de Alice.
Ela tinha acabado de se formar em direito, uma carreira brilhante pela frente e claro, tinha 22 anos. Sabia que e ela eram muitos jovens para se casarem, já estava acostumada com esse comentário. Mas filhos não estavam nos seus planos, afinal nem haviam conversado sobre isso ainda.
- Amor, o que aconteceu?
Depois de longos minutos sem resposta, abriu a porta do banheiro e encontrou Alice totalmente paralisada em frente ao espelho. A jovem ao perceber que o noivo estava no mesmo cômodo que ela, acabou levando um susto e deu um pulo seguido de um passo para atrás. Alice abriu a boca várias vezes, mas não conseguia emitir som algum ou, sequer, formular uma frase.
- Amor, você está me assustando. O que aconteceu? - Com medo do que pudesse falar, apenas entregou o teste de gravidez. Os segundos seguintes pareceram se arrastar, quase como uma cena em câmera lenta. olhou o teste por mais algum tempo, tentando acreditar se era verdade.
- Amor, vem cá. - Puxou com delicadeza Alice para fora do quarto e sentou-se na beirada da cama junto da mulher.
- , eu não sei o que fazer. - Ela falou rápido demais.
- Respira primeiro. Vamos lá, inspira e expira. - Fez o movimento junto de . Agora ela parecia mais calma, por mais que os olhos marejados continuassem ali. - O que você quer fazer?
Alice ainda estava assustada com a informação, sobretudo com a reação do restante de sua família ao saber da notícia. Mas, de repente, começou a imaginar como seria criar um ser tão pequeno e tão seu, e a ideia começou a lhe agradar. A verdade é que já agradava há muito tempo, só não tinha tido a oportunidade de falar antes. Infelizmente as coisas começaram a acontecer rápido demais que isso deixou de ser uma pauta importante na vida atual que levava.
- Eu quero ter. Quero ter essa criança. - Os olhos de brilharam de uma forma que jamais Alice tinha visto antes. tinha um sorriso que mal cabia em seu rosto.
- Então vamos fazer isso juntos. - O alívio percorreu todo o corpo de Alice ao ouvir aquelas palavras. - Eu sou o homem mais feliz do mundo ao seu lado, Alice.
- Eu achei que você ia querer terminar comigo. - Ela riu nervosa, mas quando soltou uma gargalhada alta teve certeza que deixou o seu medo falar mais alto.
- Nunca. Eu te amo ainda mais agora, amo vocês. - Passou a mão pela barriga da mulher, mesmo que a mesma mal pudesse parecer uma barriga de grávida.
Alice não imaginava que aquela noite pudesse se tornar ainda mais especial, se esquecendo que ao lado de tudo se tornava melhor como num passe de mágica. Eles ainda ficaram mais um pouco no quarto, sob os pedidos de para que pudesse conversar com aquela sementinha que crescia no ventre da noiva. Ambos sabiam que tinham feito a escolha certa quando decidiram ter uma vida juntas e, agora, poderiam criar um novo ser feito por eles do jeito que imaginavam e queriam.

A lembrança pegou de surpresa, o baque das memórias em sua cabeça foi tanto que ele nem se deu conta do momento em que deixou as lágrimas escorrerem silenciosamente pelo seu rosto. Caminhou rapidamente para o banheiro, lavou o rosto e a nuca com a água gelada a fim de afastar todos os pensamentos; afinal nem era para eles estarem ali, ainda tão vivos. Um arrepio passou pelo seu corpo ao ter contato com a água, mas o coração acelerado de tornava tudo ainda mais real, as memórias estavam mais vivas do que nunca. Mas, logo, daria um jeito de deixá-las guardadas no lugar que nunca deveriam ter saído.



Capítulo 5 - You used to call me on my cell phone

O pequeno e aconchegante apartamento de estava mais alegre aquela noite, tudo graças às gargalhadas altas de Joe. Conforme havia combinado mais cedo, ele agora se encontrava sentado no confortável puff velho e horroroso - como gostava de chamar aquela espécie de objeto decorativo, o qual não havia tido coragem para jogá-lo fora - com uma taça de vinho bem cheia em mãos.
- , se eu não estivesse no meu carro na hora que ele atendeu, eu com certeza ia parecer um adolescente com as pernas bambas. Eu poderia, facilmente, ter um orgasmo com aquela voz no meu ouvido. - Joe quase berrava enquanto bebia mais um pouco do vinho tinto.
- Bom, você perdeu a oportunidade então. - Ela deu de ombros, ainda sem se preocupar com o amigo. - Você trocou mais palavras com o hoje, do que eu já troquei nesses dias que estamos trabalhando juntos. Sinta-se privilegiado.
- Que pena, adoraria conversar mais com ele. De preferência, com a boca dele bem próxima da minha.
- Você não presta, Joe! - Deu um tapa no braço do amigo, sentando-se no sofá que ficava ao lado do puff.
- Sabe o que eu ‘tô pensando agora?
- Não? E tenho medo de saber.
- Eu fiquei esperando a foto o dia todo.
- Ainda bem que eu não tirei, né? Imagina só ele vendo foto dele no meu celular agora. Doido do jeito que é, capaz de aparecer com um processo na porta da minha casa.
- Se isso acontecesse comigo…- Joe parou para pensar, o encarou com medo de escutar a resposta do amigo. - Eu acharia exótico, em primeiro lugar; depois eu pensaria num motivo plausível para alguém tirar foto de mim; e por último, mas não menos importante, eu chamaria a pessoa para sair. A gente nunca sabe por onde anda o amor da nossa vida. - A gargalhada de ecoou pelo pequeno apartamento, o que fez Joe imitá-la.
- Sério, as vezes eu acho que você não existe. - Ela balançou a cabeça de um lado para o outro, ainda sem acreditar no que tinha acabado de ouvir. - Mudando de assunto rapidinho, hoje você dorme aqui. Preciso de um despertador e você faz isso muito bem.
- O que quer dizer com isso?
- Que faz barulho o suficiente para acordar a rua, se duvidar, o bairro todo pela manhã.
- Estou ofendido.
- Sei que não está. - A campainha tocou, anunciando que a pizza havia chegado. Joe adorava atender todos os entregadores de pizzas possíveis. Provavelmente, todos já o conheciam também. Mas não se importava, apenas interrompia quando percebia que a pessoa do outro lado da porta ficava constrangida demais com as investidas do amigo.
- O que você tem hoje? - Direto e reto, esse é o Joe.
- Nada. - Engoliu mais um pedaço de pizza, fingindo prestar atenção em mais um episódio de Dexter. - Cansada, só isso. Tivemos problemas na demolição hoje e a casa vai passar por uma inspeção, você sabe que eu odeio quando isso acontece.
- Sei mesmo. - A garrafa de vinho já estava quase no final quando Joe serviu, mais uma vez, a sua taça e a de . - Não dá para mudar de canal? Já vejo uma quantidade suficiente de sangue no meu trabalho, mais do que um ser humano normal pode suportar.
- Esse episódio nem tem tanto sangue, mas vou fazer esse favor. - colocou em outro canal, viu que era apenas uma comédia romântica, baixou o volume e voltou sua atenção para o amigo. - Tem plantão esse final de semana?
A pergunta de parecia ser inocente, quase como quem não quer nada, mas Joe sabia que ela estava pronta para dar o bote.
- Depende do que você tem em mente.
- Vamos no pub, no mesmo de sempre. O meu engenheiro vai estar lá e ele gostou da ideia de saber que você também vai.
- Opa, gosto da ideia também. Acho que consigo trocar com a Carmen, ela tá me devendo uns favores.
- É disso que eu gosto.
- Gosto quando você fala "o meu engenheiro", será que algum dia ouvirei "o meu arquiteto" também?
- Como você é ridículo. Eu deveria dizer ao Sandy que você é mais falso que nota de três, mas acredito que ele vá gostar ainda mais.
- Você sabe o que as más línguas falam, talvez seu amigo só esteja curioso para descobrir o que eu sei fazer em quatro paredes.
- Ah, por favor. Eu vou dormir, porque não sou obrigada a ouvir você se gabar. Boa noite, amorzinho.
se despediu com um beijo no rosto do amigo, ouvindo-o gargalhar, e foi para o seu quarto. A cama de casal no meio do quarto nunca foi tão tentadora quanto naquele momento.

O barulho do trovão fez sobressaltar sobre o assoalho de madeira do seu apartamento. O lugar ainda estava escuro quando , literalmente, pulou da cama com o barulho da chuva e quando os raios dos relâmpagos brilharam em sua janela. Acendeu todas as luzes da casa e fechou as janelas, barulho de chuva era última coisa que precisava. Uma xícara de chá quente também seria bom, assim podia tentar se acalmar, pois dormir seria uma tarefa mais difícil. O relógio marcava cinco e meia, ótimo. Uma hora e meia de sono perdida, era um jeito maravilhoso de começar o dia.
A xícara de chá quente não estava fazendo o efeito esperado, então decidiu tomar um banho e ir trabalhar para se distrair dos pensamentos nebulosos. Gostava de caminhar pela cidade quando ela ainda não tinha sido tomada pela enxurrada de carros, ônibus e todos os automóveis que eram permitidos circular na cidade e faziam um barulho terrível. Mas não podia continuar esperando que Amsterdam fizesse um dia de sol, nem o início da primavera escapava das chuvas, ou ela ficaria trancafiada em seu apartamento por um bom tempo.
agradeceu por, naquele dia, não ter nenhuma reunião marcada, mas ainda assim colocou uma calça jeans, uma blusa amarela com mangas até o cotovelos e a jaqueta jeans por cima combinando com o par de botas pretas que calçava. O guarda-chuva transparente foi o último acessório, depois da sua bolsa em cima do sofá, que pegou para sair do apartamento. Sentiu falta do celular, já que costumava escutar música enquanto ia para o trabalho, mas pelo menos a ajudou a chegar mais cedo no prédio. Não era longe, então conseguia fazer o trajeto da sua casa até a empresa a pé. Levava mais do que quinze minutos, mas não era exatamente um problema para .
- Bom dia, Hope. - A mulher acabava de sentar-se no seu lugar, atrás do enorme balcão da recepção, quando entrou no prédio.
- Bom dia, senhorita . - girou seus calcanhares e se apoiou no balcão, ficando de frente para Hope.
- Vamos combinar uma coisa, Hope? - A morena tomou um gole do seu café, enquanto esperava atentamente com os seus olhos castanhos voltar a falar. - Você me chama de e eu dou um jeitinho pro inconveniente do Josh te deixar em paz, ok?
- Ok, senh.. . - Se corrigiu, sorrindo ao ver fazer o mesmo. - Ah, o senhor Decatur falou algo sobre você fazer um desenho a mão para um cliente. Deixei o recado na sua mesa e encaminhei o e-mail que ele pediu.
- Ok, obrigada. - Entrou no elevador quando o mesmo parou no térreo. - Esse velho vai me enlouquecer. - Falou a última frase baixo o suficiente para que ninguém escutasse. Não demorou para que a morena estivesse dentro de sua sala que agora já nem era mais tão sua.
O silêncio aconchegante daquela sala era perfeito para começar o seu trabalho. Viu o e-mail do senhor Decatur e os recados deixados por Hope, respondendo-os rapidamente, então pegou as duas folhas e os lápis e lapiseiras necessárias para começar seu desenho. Ia tentar desenhar pelo menos o esboço até o horário do almoço, isso ia depender do seu grau de concentração quando todo o movimento do escritório começasse. Deixou a mesa livre, colocando alguns utensílios dentro do armário mesmo; só torcia para ninguém o abrir ou as coisas poderiam cair. Ok, ela iria arrumar mais tarde.
A porta rangeu anunciando a chegada de , mas parecia concentrada demais para prestar atenção. A mulher se encontrava sentada em cima da mesa - sim, estava literalmente em cima da mesa - com as pernas uma de cada lado enquanto cantarolava baixinho uma música do Springsteen. Não era a cena que esperava encontrar, com certeza não era. Na verdade, ele também havia chegado mais cedo então não esperava encontrar ninguém àquela hora.
- Bom dia. - Sentou-se em sua mesa, respondendo a enxurradas de e-mails e um recado específico de Josh. Quase como se fosse uma ordem e achou esquisito, já que o único chefe com quem conversava era o senhor Decatur e não ouvira falar em nenhum outro.
- Bom dia. - Ela respondeu sem tirar os olhos do papel.
Por estar ali, achou que já estava no horário do escritório começar a funcionar, mas se enganou quando o ambiente permaneceu em silêncio. O que para ela foi ótimo, facilitando ainda mais a sua concentração no desenho a sua frente. Uma pena o seu silêncio e sua concentração ir parar no lixo quando I need you dos Beatles começou a tocar, ecoando por toda sala. O aparelho parou de tocar por apenas alguns segundos, mas voltou a fazer o mesmo barulho no minuto seguinte.
- Você não vai atender ou desligar? - Levantou uma sobrancelha em direção ao aparelho, tentando controlar sua irritação com o som.
- Não. - Foi a única resposta que recebeu. “Respira fundo, ”, ela pensava enquanto fazia o movimento da respiração para se acalmar. Mas foi impossível se controlar quando a porcaria do aparelho voltou a vibrar e tocar ao mesmo tempo em cima da mesa. - , pode, por favor, colocar no silencioso?
- Não é meu o celular.
- Engraçado que esse aparelho só começou a fazer barulho quando você chegou, logo você é responsável por ele.
- É o seu celular.
- Não, não é. Eu nem gosto de Beatles e essa música é insuportável. - Desceu da mesa, desistindo de continuar o desenho àquela hora. - Falando nisso, Joe me disse que você achou meu celular. Poderia me devolvê-lo? - Na mesma hora o aparelho voltou a tocar, revirou os olhos ao escutar aquele som estridente e a batida melosa soar novamente.
- Acho um pouco masoquista da sua parte colocar, justo como toque, uma música que nem gosta. Mas o seu amorzinho realmente deve estar querendo falar com você. - caminhou até a mesa de , entregando-a o aparelho que ainda tocava. Não sem antes lhe lançar um sorriso satisfatório, indicando que ele estava certo sobre o celular ser dela. Enquanto, o rosto de podia pegar fogo a qualquer momento.
Joe, seu filho da puta!
- Joe Conklin, eu poderia facilmente arrancar suas bolas com as minhas próprias mãos e fazer você engolir tudinho agorinha mesmo. - O silêncio no outro lado da linha era sinal de que Joe estava muito, muito ferrado. - O você quer? Fala logo.
A copa daquele andar era o lugar mais afastado de sua sala, ainda silencioso, então preparar um café não seria uma má ideia.
- Viver com as minhas bolas, se possível. - Soltou um suspiro longo. - Fiquei preocupado, porque você saiu cedo e não deixou nenhum bilhete e nem avisou. Está tudo bem?
- Sim, estou trabalhando. Ainda bem que cheguei cedo, ‘tô tendo que resolver umas encrencas do Decatur. Ele não pode saber que estou em paz que acha um jeito de me atormentar. - Despejou o pó de café na cafeteira e deixou que a mesma fizesse o seu trabalho sozinha.
- Eu juro que se qualquer dia ele aparecer aqui no hospital eu dou um jeitinho nele.
- Credo, não é para tanto. Mas era só isso que você queria falar comigo?
- Sim. Ah, estou livre no final de semana.
- Que ótimo. - Lembrou-se que tinha marcado um encontro entre Joe e Sandy. - Vê se coloca uma coleira naquele homem.
- Minha filha, se alguém tem que usar coleira esse alguém sou eu. - Era impossível ficar de mal humor quando se tinha Joe para conversar.
- Você tem razão, mas eu te conheço. Não vai gostar muito desse acessório. - Ele riu do outro lado da linha, mas seu tom de voz voltou a ficar sério.
- Está tudo bem mesmo?
- Está, mas as coisas podem ficar feias para o seu lado se trocar o toque do meu celular de novo e colocar essa banda horrível.
- Eu te amo e faço isso para o seu bem.
- Você faz para me torturar. - A cafeteira chiou, anunciando que o café já estava pronto. nem gostava de café, mas sabia que precisava de um pouco de cafeína no sangue para se manter acordada. - Eu quase matei o tudo por culpa sua e o desgraçado ainda estava certo.
- Eu adoraria ouvir você falar sobre esse homem, porque depois de ontem eu tenho certeza que ele é um deus grego, mas o dever me chama.
- Bom trabalho, nos falamos no fim de semana.
- Tchau, te amo.
- Também te amo. - desligou o celular, voltando sua atenção para a xícara cheia do líquido quente. Estava de costas para a parede que separava o cômodo do restante do escritório e permaneceu assim durante toda a ligação, então quando se virou deu de cara com parado a observando.
- Então eu estava certo, é? Que engraçado.
- Escutando a conversa dos outros? Que feio, achei que já estivesse grandinho para fazer isso.
- Achei que você estivesse grandinha para ter uma babá, mas pelo visto nós dois nos enganamos.
- Quem?
- O Joe.
- Ah, ele não é minha babá. É só ele ver um rabo de calças e me larga rapidinho.
- Ele não é seu…
- Namorado? Não. Joe e eu gostamos da mesma fruta, se é que me entende.
falava rápido e demais. Isso era muito para a cabeça do , por mais que estivesse acostumado com as centenas de palavras que Claire conseguia falar em pouco tempo; muitas vezes o deixando confuso. Mas a voz da era incrivelmente sedutora e tudo nela saía de forma natural, como se nem se esforçasse, ela apenas falava. Mas, desde quando ele se importava com isso? É, não se importava com .
- Ok. - Então eles voltaram à estaca zero. entendeu que não conseguiria manter mais nenhum diálogo com . Se retirou do cômodo quando um silêncio desagradável tentou se instalar no meio dos dois. Porém, o prazo para entregar o desenho martelou em sua cabeça a tempo de voltar a sua sala rapidamente.



Capítulo 6 - Say goodbye to your bad habits

Dividir a sala com estava sendo um verdadeiro desafio para , a mulher não parava quieta um segundo sequer, apenas quando estava concentrada demais desenhando. O que tinha sido fácil para nos primeiros dias no escritório, mas durante o início daquela sexta-feira estava elétrica demais. Ele só queria um minuto de silêncio, e se realmente o tivesse seria por puro milagre. já tinha escutado a porta abrir e fechar, no mínimo, umas quinze vezes num curto período de tempo. Entretanto, agora ela se encontrava quieta demais sentada atrás de sua mesa.
- Eu andei pensando, na casa, e ela tem um porão incrível. Muito espaçoso, na verdade. E se fizéssemos uma área para os pais da Susan naquela parte? Tem espaço para um banheiro grande, uma sala e tem dois cômodos vazios. - tirou os olhos da tela do computador encarando , enquanto esperava uma resposta.
- É mais trabalhoso transformar aquela parte em tudo isso que você está falando. - Ele respondeu, mas pareceu não se importar em encarar a mulher de volta.
- É, mas em cima não tem espaço para um quarto para os pais e se não fizermos ela vai questionar onde que a gente enfiou o quarto que ela pediu. - Foi a vez de rebater.
- Eu dei um prazo de quatro semanas e pretendo cumprir. Já vamos ter que correr nesses dias que não estamos trabalhando nessa casa.
- Eu falei que era um prazo impossível para o tamanho daquela casa. - Ela respirou fundo antes que começasse a gritar devido a teimosia do homem. - Olha, se a obra atrasar eu assumo a responsabilidade. Deixa essa parte da casa comigo, eu dou um jeito. Só achei que seria interessante você saber que essa casa tem grande potencial para ser uma das melhores reformas já feitas.
A sala voltou a ficar em silêncio, enquanto os dois trabalhavam concentrados demais em suas tarefas. sabia que estava tendo um péssimo começo na empresa, isso tudo porque ele e não conseguiam concordar em muita coisa. Quase nada, para falar a verdade, e ele não aguentava mais essa situação. Era a primeira semana ainda, ter ido para a casa nova e começar a reforma tinha sido maravilhoso. Ele amava aquela parte e percebeu que a mulher também gostava daquilo, mas em nenhum dos dias conseguiu não discordar de suas ideias. Se a reforma toda fosse ser assim, ele torcia apenas que ambos saíssem vivos quando tudo aquilo terminasse. Pensando em toda a sua teimosia - ele sabia que discordava de propósito em alguns pontos, e sabia que era péssimo fazer isso -, resolveu deixar de lado o seu ego e se aproximou da mesa de .
- Qual a sua ideia para o porão? - não conseguiu esconder o sorriso que surgiu em seu rosto, mas o desmanchou logo quando percebeu que estava próximo demais. Mas antes que a mulher pudesse responder, seu celular vibrou indicando uma mensagem de Sandy, avisando que a casa já estava liberada.
- Podemos ir para lá agora, e eu mostro todas as ideias que tive. - Ela se levantou da mesa, animada com a ideia de voltar a reforma e colocar suas ideias em prática.
- Ok, vamos no meu carro. - esperou sair da sala primeiro, a mulher quase estava esquecendo de pegar seu guarda-chuva quando chegou na porta.
- Eu posso pegar um táxi. - Ela respondeu rápido.
- Está com medo de ir no mesmo carro que eu? - Talvez ela estivesse, mas não era exatamente a companhia que a assustava. Porém, a chuva ainda caía forte no lado de fora, não tinha muita opção senão aceitar a carona. Maldita chuva de verão que não parava nunca.
- Não, você não assusta ninguém, . - revirou os olhos, suspirando, derrotada. - Aceito a carona.
Seguiram para a garagem do prédio, onde o carro de estava estacionado, o percurso até a casa de Susan era curto, no máximo dez minutos dentro do carro e eles chegariam na casa. conseguiria aguentar dez minutos.
- Eu pensei em fazer tudo isso que acabei de falar, como eu pedi pro Sandy já dar uma olhada quando liberarem a casa, e ele já deve ter feito isso, talvez a equipe dele possa ir adiantando algumas coisas dessa parte da reforma. Eu sei que é muito serviço, mas temos uma equipe muito boa e eu sei o que estou fazendo. - disse durante o caminho.
- Eu sei disso, já vi seus trabalhos. E sei que viu os meus também. - É, eles tinham feito isso mesmo e de nada adiantaria falar o contrário, ela tinha dado uma boa olhada no portfólio de e ele era bom. Realmente bom no que fazia.
estacionou o carro em frente à casa, a equipe de Sandy já estava de volta ao trabalho e isso era ótimo para eles.
- Não tem mais nenhum problema aparente na casa. - Sandy esperava-os no jardim, após colocarem os equipamentos de segurança, e seguiram o engenheiro para dentro da casa. - Já dei uma olhada no porão e vai ficar ótimo.
- Por que o Sandy sabia disso e eu não? - Eles estavam descendo as escadas de acesso ao cômodo quando foi questionada.
- Porque Sandy está sempre aberto a ouvir minhas ideias, diferente de você. - deu um sorrisinho cínico lembrando da reação de mais cedo.
- Eu ouviria se tivesse me dito antes. - Ela balançou a cabeça como quem diz “aham, sei”.
- Do mesmo jeito que você fez mais cedo? Se for sempre dessa forma, eu prefiro contar de última hora mesmo.
- Se tivesse me contado antes minha reação seria outra.
- Não tenho tanta certeza quanto a isso.
Sandy pigarreou alto, atraindo a atenção dos dois, que nem ao menos tinham percebido que começaram uma discussão naquele momento.
- Querem um momento a sós ou podemos discutir sobre isso aqui? - O silêncio foi o suficiente para voltarem ao foco principal: a casa.
- Acha que conseguimos fazer tudo dentro do prazo? - também tinha essa preocupação no fim das contas.
- E alguma vez nós não cumprimos o prazo? - Sandy sorriu e deixou os dois sozinhos naquela parte da casa.
- Eu ajudo com essa parte quando acabarmos lá em cima.
- O quê? Acho que não escutei direito, pode repetir ? - colocou a mão na orelha, em sinal de deboche. - está dando o braço a torcer. - Ele balançou a cabeça em sinal negativo, sabendo do jogo dela.
- Você não vai ter esse gostinho de novo, .
- É o que veremos, .
Foi a vez de suspirar, derrotado. Voltaram para a parte superior da casa, cada um nos seus respectivos cômodos. com os quartos, como havia pedido, e com a cozinha e sala de jantar. Agora as coisas começavam a tomar forma de novo, mas trabalho era o que não faltava naquela casa.

- , vim ver se precisa de ajuda. - Sandy apareceu na porta do banheiro, levando um susto ao perceber que o colega já tinha tirado todo o azulejo sozinho. - Wow! Agora eu sei o porquê vocês estão trabalhando juntos.
não entendeu o que Sandy quis dizer.
- O que você quer dizer exatamente?
- Não leve a mal, mas a maioria dos arquitetos que eu conheço não fazem isso, eles mal quebram umas madeiras aqui e ali. Vocês participam da reforma de verdade, entende? Já cansei de brigar com a para ir para casa e deixar minha equipe trabalhar, porque ela estava fazendo demais.
- Acho que essa é a parte boa, como eu vou saber que o meu trabalho vai ficar do jeito que eu quero, e isso vai deixar o cliente feliz, se eu não tiver aqui e não ajudar?
- Cara, vocês são iguais e nem imaginam. Espero trabalhar mais vezes com você, .
- Vou ter que discordar da primeira parte, mas também espero trabalhar com você de novo.
- Ei, aparece amanhã no Waterhole. Não te garanto que eu vá estar bem, mas vai um pessoal legal do serviço e é bom para você conhecer o resto.
Aquela era uma das poucas conversas que estava tendo com Sandy, na verdade, não conversava com quase ninguém, caso não fosse sobre trabalho. E por mais que aquela conversa também envolvesse o seu trabalho, ele sabia que Sandy estava falando da , além de jogar na sua cara que era tão cabeça dura quanto a mulher.
estava pronto para dar a mesma desculpa de sempre, já pronta na ponta da língua, mas mais uma vez no dia atrapalhou seu sossego. No ponto de vista de , era mais fácil trabalhar sozinho, e essa era a forma como ele estava acostumado. Mas sabia que numa empresa nova as coisas não funcionavam do jeito dele, e ele precisava daquele emprego. Mais que tudo.
- Ah, vocês estão aí. - entrou no cômodo e ficou parada no meio do quarto.
O silêncio já começava a tomar conta da casa, visto que o expediente estava se encerrando. Sandy entendeu que não falaria mais nada, então ele resolveu se retirar antes de receber outro olhar de súplica da mulher. começou a guardar seus materiais e estava pronto para sair do quarto, mas ainda estava ali.
- Precisa de alguma coisa, ? - olhava algumas mensagens no celular.
- Vocêpodemedarumacarona? - falou tão rápido que nem ela conseguiu entender.
- O quê? - olhou-a, confuso.
- Você pode me dar uma carona? - As unhas da mão pareceram mais interessantes naquele momento.
- Achei que não queria entrar no meu carro.
- Eu não quero, mas deixei meu guarda-chuva no escritório e vim de carona com você. Sim ou não, ?
- É de açúcar, ? - estava parado na porta do cômodo impedindo que saísse, a mulher já começava a perder a paciência com toda aquela provocação. Era só responder sim ou não, no ponto de vista dela, não era uma tarefa tão difícil.
- Desisto! - bufou, irritada. - Vou a pé ou de táxi ou de qualquer outra coisa, é melhor do que estar no mesmo carro que você.
conseguiu sair do cômodo quando deu licença para ela passar, a passos largos e algumas bufadas, ela parou no último degrau da escada que dava acesso a sala de estar, logo na entrada da casa. Pegou sua bolsa e esperou sentada na escada mesmo. A chuva forte que caía do lado de fora não deixava a mulher dar um passo a mais sequer, conseguiu pedir um carro pelo aplicativo, mas o motorista estava tão longe que demoraria um pouco mais de dez minutos e ainda havia a probabilidade de ele cancelar.
- A resposta é sim, . - desceu as escadas e parou na frente da mulher.
- Não precisa, já pedi pelo aplicativo. - respondeu olhando o celular mais uma vez, pegou o celular da mão da mulher e cancelou a corrida, devolvendo o aparelho logo em seguida.
- Agora precisa. Vamos. - abriu a porta da casa e esperou sair primeiro. Como sempre, só restavam os dois ali dentro, o resto do pessoal, assim como Sandy, já tinham ido embora.
- Vou entender isso como sendo o seu dia de sorte para ter minha presença e aceitar a sua carona. - Foi a única resposta que conseguiu dar, ela não recusaria a carona de jeito nenhum.



Capítulo 7 - Just for tonight

- Você já separou sua roupa? - Joe perguntou quando saiu de roupão do banheiro.
- Você parece um velho falando assim, credo. E, sim, já separei minha roupa. O que você vai usar? - tirou a toalha da cabeça e começou a pentear os cabelos. - Se você trouxe aquele sapatênis velho horroroso se prepare, porque eu vou tocar aquele negócio no lixo.
- Você fala comigo como se eu não fosse um homem adulto de 35 anos que pode tomar suas próprias decisões. - Joe disse entrando no banheiro de .
- Às vezes você não é! - Ela gritou do lado de fora para que o amigo escutasse.
retirou seu vestido preto de alças finas de dentro do roupeiro, ele já estava separado desde o início da semana, quando a mulher tinha combinado com Sandy de ir ao bar. Pegou o par de botas de salto alto e puro brilho que havia ganhado alguns anos atrás e nunca usado, talvez essa fosse a noite que ela pudesse estrear aquele calçado.
- Wow! - Foi a única coisa que Joe conseguiu falar.
- Pode falar, estou pronta para elogios. - disse terminando de colocar a argola de prata que faltava.
- E quando você não está? - Ele disse dando de ombros.
- Eu já nasci pronta, meu bem. - Ela piscou caminhando até o banheiro que antes Joe estava usando.
- Você sabe quem vai estar lá? - Joe perguntou, guardando suas coisas de cima da cama da amiga.
- , eu sei. - passou o batom vermelho e decidia se deixava o cabelo preso num rabo de cavalo alto ou se deixava tudo solto. - Sandy tem uma boca de sandália, acho que por isso que vocês combinam.
- Solto. - Joe falou ao ver que a amiga não se decidia. - Mas você não veio de carona com ele essa semana? Não vejo problema nenhum de ele ir ao bar, até porque é público, .
- Não vê problema porque você está louco para saber como ele é. Já aviso, o desgraçado é lindo.
- Era isso que eu queria ouvir. Vamos, temos uma festa para aproveitar.
e Joe saíram do apartamento da mulher e caminharam pelas ruas de Amsterdam como se não tivessem pressa nenhuma, o que de certa forma era verdade, eles não tinham. Conforme se aproximavam do bar, era possível enxergar o aglomerado de pessoas que ficavam ali na frente, principalmente quem era fumante.
- Eu amo esse lugar. Já sabe, né? - apontou para o bar, pediu dois shots de tequila, uma para ela e outra para nós.
- Eu te amo. - virou a bebida de uma vez só e depois começou a rir do que o amigo tinha dito.
- Eu também te amo, mas hoje é você que vai me levar pra casa. - Ela pediu duas cervejas em seguida.
- , Joe! - Sandy estava em pé gritando numa mesa mais à frente.
- Eu sei quem vai me levar pra casa hoje, vai ter que arranjar alguém para você. - Joe pegou uma garrafa e saiu em direção a mesa.
- Você não presta, Joe Conklin. - Ela balançou a cabeça, rindo. - Oi, pessoal.
e Joe cumprimentaram a todos, a maior parte do pessoal era da equipe de engenharia de Sandy, pessoas que já tinham trabalhado com em algum momento. Eles estavam acostumados a terem esses encontros pelo menos uma vez por mês, mas o nível de álcool no sangue era tão alto que eles quase nunca lembravam do que acontecia.
- O que vamos apostar hoje? - Sandy perguntou a , a mulher o encarou com um sorriso no rosto. Ela estava pronta para responder quando foi interrompida pelo amigo. - , aqui!
- Eu ouvi ? Quero conhecê-lo logo.
- Ótimo. - olhou sugestiva para Joe, mas o mesmo deu de ombros.
Quando olhou para o lado que Sandy não parava de acenar, ela não estava preparada para o que veria. estava vestindo uma camisa de viscose preta com detalhes de folhas verdes desenhadas, o que dava uma cor na camisa, uma calça jeans preta e um all star branco.
Puta que pariu.
Foi a única coisa que pensou. O que ela não sabia, é que a cabeça de estava igual a dela quando avistou a mulher rindo com Sandy, os lábios destacados pelo batom vermelho e o vestido justo no corpo.
- Será que ele é hetero mesmo? Tá acompanhando, hein. - Joe cochichou no ouvido de , mas recebeu um cutucão da mulher.
- Não sei, mas o desgraçado tá lindo. Que ódio. - Ela cochichou de volta.
- Tá mesmo, eu devia ter passado meu número quando ele atendeu o seu telefone. - Foi então, que lembrou que era quase uma obrigação apresentar Joe ao , mas ela não queria fazer aquilo. Terminou de beber a cerveja, tentando ganhar tempo.
- Eu preciso dançar. - fez menção de levantar da mesa, mas foi impedida por Joe, que a puxou para baixo pelos ombros. - O que está fazendo? Quer me ferrar ainda mais?
- Você não pode fugir sempre, e eu quero conhecê-lo. Vamos, vai lá, me apresente. - Joe a empurrou, mas não foi preciso dar meio passo, pois quando olhou pra frente já estava parado com a cerveja em mãos e um sorriso um pouco maior do que ela estava acostumada a ver.
- Boa noite, . - Ele falou, sarcástico.
- Boa noite só se for para você, . - Ela voltou a sentar, dessa vez emburrada, parecendo uma criança.
- Ei, finalmente nos conhecemos, sou o Joe. - olhou rápido o amigo, um pouco surpresa com a atitude de Joe, mas nem tanto, já que sabia que ele era cara de pau o suficiente para fazer isso.
- Ah, Joe. Sim, finalmente nos conhecemos. - cumprimentou Joe com um sorriso no rosto, achando graça de toda aquela situação e por ter conseguido irritar .
- Eu sou o Kyle, mas já percebi que nossos amigos são educados o suficiente para não nos apresentar. Prazer, Joe. - Ele sorriu também, sentando no lugar vago ao lado de Sandy.
- Gostei dele. - Joe cochichou para , mas a mulher apenas deu um olhar de reprovação para ele. Não gostava de ser pressionada em situações fora da sua zona de conforto, e agora teria que aguentar a noite toda.
- Ok, e se a gente der uma trégua hoje? - se esticou na mesa, fez o mesmo e eles ficaram cara a cara.
- Por que eu faria isso? - Ela ergueu uma sobrancelha e sorriu de lado. tentava não desviar os olhos para a boca da mulher, mas ela percebeu quando ele desceu o olhar e subiu rapidamente, o que a fez abrir ainda mais seu sorriso.
- Porque estou cansado de irritar você, por incrível que pareça, isso demanda muito esforço. - bebeu a cerveja e foi a vez de descer o olhar para os lábios de , ele também ficou satisfeito com isso e sorriu largo.
- Ok, eu topo. - Ela respondeu rápido. Não tinha se dado conta de quando Joe saiu do seu lado e buscou outra cerveja, mas agradeceu quando a garrafa cheia e gelada escorregou para o seu lado.
não aguentava mais ficar sentada naquela mesa, ainda que estivesse se divertindo com todas as pessoas ali — ou quase todas —, ela precisava dançar, era o que mais gostava de fazer quando tirava um tempo para si mesma. E não perdeu tempo quando Heartless começou a tocar.
- Eu e você agora. - Ela olhou sugestiva para Sandy, Joe odiava dançar, e só fazia isso quando era obrigado.

I shouldn't rush it
Never need a bitch, I'm what a bitch need
Tryna find the one that can fix me
I've been dodgin' death in the six speed
Amphetamine got my stummy feelin' sickly
Yeah, I want it all now
I've been runnin' through the pussy, need a dog pound
Hundred models gettin' faded in the compound
Tryna love me, but they never get a pulse down

começou a mover o seu corpo junto com o de Sandy, na batida da música e isso só a obrigava a fazer movimentos cada vez mais sensuais e lentos, quase colando o seu corpo com o de Sandy. Quando o amigo colocou as mãos em seu quadril, ela não perdeu tempo e enlaçou os braços em seu pescoço. sorriu satisfeita quando percebeu que atraiu alguns olhares para si, por mais que não fosse a intenção, ela estava gostando.

Why?
'Cause I'm heartless
And I'm back to my ways 'cause I'm heartless
All this money and this pain got me heartless
Low life for life 'cause I'm heartless
Said I'm heartless
Tryna be a better man, but I'm heartless
Never be a weddin' plan for the heartless
Low life for life 'cause I'm heartless

Ela virou, ficando de costas para Sandy, rebolou de acordo com a batida e foi descendo até o chão mexendo o quadril e sorriu por cima do ombro. Satisfeita em poder aproveitar aquela noite do jeito que gostava.
Enquanto se divertia com Sandy na pista de dança improvisada, na mesa, Joe tentava não rir da cara de , já que ele nem conseguia disfarçar o olhar em cima de .
- Sabe, , me contou sobre você. - Joe começou a falar, mas só teve um resmungo em resposta. conseguiu sair de seu transe quando recebeu uma cotovelada de Kyle.
- O quê? - Ele piscou em direção a Joe, e o enfermeiro riu. Para tentar disfarçar, bebeu rapidamente o resto de sua cerveja, como se, de repente, sua garganta tivesse ficado seca.

Said I'm heartless
So much pussy, it be fallin' out the pocket
Metro Boomin turn this ho into a moshpit
Tesla pill got me flyin' like a cockpit
Yeah, I got her watchin'
Call me up, turn that pussy to a faucet
Duffle bags full of drugs and a rocket
Stix drunk, but he never miss a target
Photoshoots, I'm a star now (Star)
I'm talkin' Time, Rolling Stone, and Bazaar now ('Zaar)
Sellin' dreams to these girls with their guard down (What?)
Seven years, I've been swimmin' with the sharks now

- Você está se divertindo com isso, não está? - Sandy perguntou próximo do ouvido de , a amiga entendeu o que ele queria dizer com aquilo e entrou no jogo.
- Muito. E eu posso ser muito pior, Sandy, você sabe. - sorriu, puxando o amigo pela nuca com uma mão livre, ainda de costas para ele.
- Eu sei que pode, mas até eu já estou ficando com dó dele, . - Sandy tentou não rir, e o virou para que ele ficasse de costas para a mesa que estavam.
- Só mais um pouco e Joe se junta a nós, você sabe. Já vai se livrar de mim. - Ela sorriu quando Sandy não fez menção de parar de dançar no mesmo ritmo que , pelo contrário, ainda depositou um beijo no lóbulo de sua orelha.

Why? 'Cause I'm heartless
And I'm back to my ways 'cause I'm heartless
All this money and this pain got me heartless
Low life for life 'cause I'm heartless
Said I'm heartless
Tryna be a better man, but I'm heartless
Never be a weddin' plan for the heartless
Low life for life 'cause I'm heartless

- Não sei você, , mas eu vou fazer alguma coisa, porque sozinho eu não volto para casa. - Joe levantou da mesa, indo em direção aos amigos. Ele sabia que tudo fazia parte para provocar . era bem vingativa quando queria, e não ia deixar ele levar a melhor só porque ela ficou levemente atordoada ao vê-lo assim que chegou.
- Cara, ou você faz alguma coisa ou para de babar aqui na mesa. - Kyle falou, entregando outra garrafa para .
- Você está vendo a mesma coisa que eu? - Ele perguntou, atordoado, Kyle soltou uma gargalhada alta, sem se importar com a cara feia do amigo.
- Sim, é por isso que estou falando para você levantar essa porcaria de bunda daqui e fazer alguma coisa. - Ele respondeu. - Eu estou indo me divertir, pega um guardanapo aí.
- Pra quê? - respondeu, confuso.
- Pra limpar a baba que está escorrendo.
- Vá se ferrar, Kyle. - revirou os olhos, bebendo sua cerveja.

I lost my heart and my mind
I try to always do right
I thought I lost you this time
You just came back in my life
You never gave up on me (Why don't you?)
I'll never know what you see (Why won't you?)
I don't do well when alone (Oh yeah)
You hear it clear in my tone

- Eu te odeio, . - Joe agarrou a cintura da mulher, a puxando para junto de si e dançando. agarrou o amigo pelo pescoço, ainda balançando seu corpo.
- Você me ama, Joe. - Ela sorriu, agora rebolando contra o corpo de Joe e o amigo revirou os olhos.
- Ele está babando na mesa. - Joe comentou e Sandy riu alto.
- Eu falei, ela não quis acreditar. - Sandy comentou. estava no meio dos dois, e pegou as mãos de Sandy colocando-as em sua cintura.
- Eu não estou brincando, ele quis me provocar, agora vai pagar para ver. - Ela colocou o cabelo pro lado e olhou para Sandy de novo, dando um sorriso cheio de malícia para ele.
- Eu juro que se não soubesse que você era gay, estaria querendo pegar a agora mesmo. - Joe comentou para Sandy e apenas ria da conversa do dois.
- Joe, você sabe que se tivesse que acontecer algo entre eu e a já teria acontecido, mas apesar dela ser maravilhosa, eu não gosto da fruta. - Sandy beijou a nuca de , enquanto olhava para Joe a sua frente.

'Cause I'm heartless
And I'm back to my ways 'cause I'm heartless
All this money and this pain got me heartless
Low life for life 'cause I'm heartless
Said I'm heartless
Tryna be a better man, but I'm heartless
Never be a weddin' plan for the heartless
Low life for life 'cause I'm heartless

- Ele saiu da mesa, mas tá indo em direção ao bar. - Joe comentou.
- Ótimo, estou cansada. - relaxou o corpo e começou a rir. - Meu Deus, obrigada por isso, vocês são demais. - Ela piscou para eles, dando as costas para os amigos. A intenção era voltar para a mesa, mas foi parada por Kyle no meio do caminho.
- , certo? - Ele levantou uma sobrancelha encarando .
- , só seu amigo estressadinho me chama de . - Ela sorriu.
- É, eu sei. Ele fala muito de você. - Kyle riu, e o seguiu, já imaginava sobre o que ele falava.
- Reclamações, aposto. - Ela deu de ombros. - Eu vou pegar uma cerveja, Kyle, mas a gente se vê por aí.
- Espera. - Ele a chamou. - Meu amigo é bem estressadinho mesmo, mas ele tem seus motivos. Só que hoje, hoje você deixou ele louco, , mas vamos fingir que eu nunca te contei nada.
- Tudo que vai, volta, Kyle, ele deveria saber disso. Ah, se ele perguntar, eu nem te conheço. - Ela piscou para ele que sorriu, já caminhando para o bar, fazendo questão de ficar no lado contrário que estava. Pediu mais uma cerveja, e dessa vez fez questão de encarar os olhos azuis brilhantes de , ergueu a garrafa em sua direção, como se estivesse brindando, e tomou o líquido em seguida.
Já fazia mais de horas que estava sentada no bar, entre uma conversa e outra com o bartender, o qual ela nem lembrava mais o nome, a sua bexiga começou a dar sinal de vida, e foi até o banheiro quando não conseguiu mais segurar. Ela sabia que teria que enfrentar uma fila enorme, mas era aquilo ou teria que inventar uma desculpa para ir embora. Ela jamais iria embora por causa de um xixi.
Quando adentrou uma das cabines, na cabine ao lado estavam duas mulheres e uma parecia estar realmente mal, enquanto a outra estava ajudando a coitada.
- Por que você bebe desse jeito? - Uma delas esbravejou, mas continuou com a mulher.
- Para fazer coisas que eu não teria coragem de fazer sóbria. - A que estava passando mal respondeu, rindo. estava bêbada, mas não naquele estado, e prestando atenção naquela conversa. No fim, ela se parecia mais com a mulher que estava mal, então não a julgava.
Alguns minutos depois saiu da cabine, lavou as mãos e saiu do banheiro. De volta à pista de dança, ela percebeu que Joe e Sandy já estavam mais que se dando bem, não tinha tempo ruim para aqueles dois. Ela não queria voltar para a mesa e ter que encarar e Kyle, então pegou mais uma garrafa de cerveja, tentando não tropeçar nos seus próprios pés durante o trajeto.
Minutos depois, a garrafa de cerveja em suas mãos já estava vazia de novo. O diálogo que ouviu no banheiro estava martelando na sua cabeça, olhou ao redor e Kyle já tinha arranjado um rabo de saia. Para tentar se controlar, pegou mais uma cerveja e jurou ser a última antes de ir embora, ou então seria capaz de deixar o ego de lado e saciar seu desejo da noite.
- Você não precisa beber sozinha só porque Joe já arranjou companhia. - apareceu, tirando a cerveja quente das mãos de e entregando uma cerveja gelada para ela.
- Tirando Sandy, o resto da equipe não gosta de beber com quem grita com eles a semana toda. - Ela aceitou a bebida, e a companhia.
- Você grita comigo a semana toda e eu estou aqui bebendo com você. - riu alto, pela primeira vez viu um sorriso sincero no rosto da mulher e tinha sido por causa dele.
- Ok, isso é verdade. - Foi a vez de rir, o corpo de estremeceu com aquele som, ele poderia rir mais vezes que ela não se importaria.
- O que você disse ao Joe sobre mim? - perguntou, de repente.
- Eu não lembro nem do meu nome de tanto que eu já bebi hoje, mas eu conheço meu amigo o suficiente para saber que ele é um fofoqueiro do caralho.
virou o resto da bebida, rindo em seguida ao lembrar do que havia dito ao Joe mais cedo e anotando um lembrete mentalmente - o qual ela, com certeza, não lembraria mais tarde - sobre matar o amigo fofoqueiro.
- Você não me respondeu ainda, . - estava próximo demais, isso era um perigo.
- Eu disse que você é um desgraçado lindo demais. - Seus olhos passeavam entre o brilho intenso dos olhos de e a sua boca com um sorriso ladino estampado. Ela tinha razão, é um desgraçado lindo demais.
- Eu vou lembrar disso amanhã. - Ele sussurrou em seu ouvido.
mandou para os ares todo o seu autocontrole e selou seus lábios. Ela não lembraria daquilo, apenas se tivesse muita sorte. correspondeu na mesma hora, apertando a cintura de e colando ainda mais seus corpos. Ambos queriam aquilo desde o início daquela noite; queria desde o momento que viu se aproximar da mesa em que estava sentada, sabia que queria terminar aquela noite beijando aquela mulher. Por mais que odiasse admitir, conseguia arrancar toda sua atenção sem nem fazer esforço, ele viu a oportunidade de se aproximar quando ela não fez menção de voltar para a mesa em que estavam e não se arrependia de sua escolha.



Capítulo 8 - Now you're lost, lost in the heat of it all

A cabeça e o corpo de doíam, a resseca começava a se apresentar quando ele tentou abrir os olhos, mas se arrependeu ao perceber que não tinha fechado a cortina do quarto. A verdade, é que ele nem lembrava como tinha chegado até sua casa de novo. A noite passada era um verdadeiro borrão em sua mente, a única certeza é que depois de tanto tempo, ele tinha ingerido muito álcool de uma vez só. Começou a lembrar o porquê tinha saído, e a conversa com Kyle voltou a sua mente.

- , faz quanto tempo que você não sai? Até a sua filha mandou você se divertir um pouco. - Kyle tentava convencer o amigo a sair pelo menos aquela noite. Era sábado, o clima estava agradável e não estava fazendo absolutamente nada que o impedisse de levantar a bunda do sofá e pegar um ar fresco. Perfeito.
- Você sabe que não gosto de sair e fico bem sozinho. - respondeu, tentando parecer convincente.
- Você tá sozinho por tempo demais. Uma ova que goste de ficar dentro de casa, eu te conheço há anos, . - O amigo disse exasperado.
- E estou bem assim.
- Só hoje, eu juro que não te peço mais nada nunca mais. - Kyle juntou as mãos em frente ao rosto, era sua última tentativa.
- Hum, interessante.
- Você é tão irritante.
- Ouço isso com bastante frequência.
- Não vai mesmo? Bom, eu ‘tô indo.
lembrou da caixa guardada dentro de seu roupeiro, com as lembranças de Alice. Percebeu que ficando ali sozinho a chance de querer abri-la e deixar os pensamentos e sentimentos guardados atormentá-lo era grande. Era só uma saída com Kyle, como nos velhos tempos. Se não gostasse do local ou não se sentisse bem era só voltar para casa, simples assim.
- Tá, eu vou. Espera que eu vou trocar de roupa.
- É disso que eu gosto. Vou até me sentar aqui, mas não demora muito. - Esperou ir para seu quarto, trocar o pijama surrado por qualquer outra roupa que o deixasse no mínimo apresentável.
- Vamos de uber. Se for para sair, eu preciso beber.
- Eu posso até dizer que hoje é o dia mais feliz da minha vida. - Kyle, exagerado como sempre, abraçou pelos ombros.
O bar estava cheio, como de costume, afinal era um dos melhores e com a cerveja mais gostosa da cidade. O barulho dos copos batendo contra as mesas e as vozes se misturando no meio de todas aquelas pessoas, deixou um pouco apreensivo. Realmente, ele não estava mais acostumado com aquela realidade. Passou tanto tempo tentando ser o melhor pai para Claire, que acabou esquecendo de si mesmo; mesmo após todas as tentativas de Kyle fazê-lo sair de casa, essa era a primeira que estava dando certo.

Após repassar a lembrança da noite passada, não conseguia lembrar de mais nada além daquele momento, e duvidava muito que Kyle lembrasse de alguma coisa. Ele só torcia para que não tivesse feito nada de errado ou algo realmente constrangedor, ou pior, algo que fosse afetar o seu trabalho. Fazia tempo que não saía e essa não deve ter sido das melhores, por ele não conseguir lembrar do que aconteceu. Mas agradeceu por estar em casa sã e salvo, como ele não fazia ideia.
se levantou da cama, ainda que sua cabeça doesse, ele precisava urgente de um banho, afinal, continuava usando a mesma roupa da noite anterior. Tirou o tênis e as peças de roupa pelo quarto, enquanto caminhava até o banheiro, depois ele daria um jeito de arrumar tudo antes de Claire chegar. Optou por um banho frio, precisava tirar todo aquele cheiro de álcool do corpo e acordar de vez, e foi o que ele fez. Assim que saiu debaixo do chuveiro, escutou a porta de casa bater, então se vestiu rápido e juntou a roupa suja. desceu as escadas, tentando não derrubar aquelas peças de roupas sujas no chão e tentando ver quem acabara de entrar. Será que ele tinha trancado a porta ontem à noite?
- Claire? - Ele gritou, mas se arrependeu no segundo seguinte quando sua cabeça latejou.
- Oi, pai. O motorista da vovó já me trouxe, e pediu pra você se vestir rápido que ela está preparando o almoço para gente.
- Por que ela não mandou uma mensagem? - perguntou, mas tanto ele, quanto Claire sabiam exatamente o porquê da mulher não ter feito isso.
- Você ia fingir o dia todo que não viu a mensagem, ou que estava sem bateria no celular, ou qualquer outra desculpa para não ir até lá. Então, ela mandou eu vir aqui e te arrastar, porque você não vai negar almoçar com a gente, não é? - Claire fez a sua melhor cara de gato do Shrek. - Aliás, que cara péssima, pai. O que foi que o tio Kyle aprontou?
- Nada. - Ele respondeu, enquanto procurava algum remédio para dor de cabeça. - Espera aí então, vou colocar um tênis e a gente já sai. O Yoda deve estar com fome, coloca comida para ele.
Logo que o gato apareceu, se enrolando nas pernas de Claire a procura de carinho, o ronronar denunciou que era isso que ele queria, além do pote cheio novamente. Claire aproveitou para trocar a água do pote do gato, vendo que o pai não tinha feito isso desde sexta-feira, quando ela foi para a casa da avó. voltou para o seu quarto, colocando um tênis confortável e uma camiseta melhor, depois de perceber que a que ele tinha separado estava até manchada de tinta. Se ele aparecesse assim na casa de sua mãe, ouviria um sermão de vinte minutos sobre o quanto ele precisa se cuidar mais, e com a dor de cabeça ainda incomodando, ele não queria escutar nada.
- Pronto, vamos?
Claire foi a primeira a sair e trancou a porta de casa logo em seguida. Quando avistou o carro do motorista, cumprimentou o senhor Jeffrey e permaneceu o caminho em silêncio. Se pudesse, ficaria assim o resto do dia. Pouco mais de quinze minutos e eles estavam na porta de casa da mãe de .
- , o que aconteceu? Você está péssimo. - A reação da senhora foi tão assustadora quanto a de Claire, o que acabou sendo até um pouco engraçada.
- Isso é o efeito de uma noite fora com o tio Kyle. - Claire comentou, sentando na bancada da cozinha, observando a avó terminar de preparar o almoço.
- Kyle? Aquele seu amigo maluco? - Ela perguntou, arqueando as sobrancelhas e olhando para o filho, mas murchou os ombros quando ele concordou com um aceno de cabeça. - Que bom que ele conseguiu te tirar de casa, pelo visto aproveitou bastante.
- Não sei se posso considerar isso uma coisa boa. - comentou quando viu que a filha já tinha ido para a sala e prestava atenção na tv. - Não consigo lembrar do que aconteceu ontem, e minha cabeça parece que vai explodir.
- Bom, não é como se isso nunca tivesse acontecido antes. - A patriarca da família tentava não rir da cara de sofrimento do filho, mas ainda mantinha um tom sério quando voltou a falar. - Só lembre que você tem uma filha, não vou te dar nenhum sermão, mas não faça nada que possa se arrepender depois. - Ela passou a mão pelo braço do filho, o consolando.
- Mãe, você pode preparar um café para mim? - Ele pediu, um pouco envergonhado, e a senhora lembrou de quando ele fazia isso quando era adolescente. Ela sorriu e balançou a cabeça, não importava a idade, filhos nunca mudavam.

Eu fiz alguma coisa muito errada ontem à noite?

enviou uma mensagem para Kyle, ele precisava tirar aquele peso da consciência. Não sabia exatamente o porquê, mas precisava saber e só Kyle podia falar algo ou não. Bom, não era exatamente só o seu amigo, mas ele não queria ter que perguntar para Sandy ou Joe, ou, em último caso, para .

Kyle: Não sei, acabei de acordar, e não estou em casa. Mas pergunte a , vocês se deram muito bem ontem à noite.

- Droga! - Não era essa a resposta que queria.
Após jogar o celular no espaço vazio ao lado da cama, ele desistiu de tentar lembrar o que quer que tenha acontecido. Já era tarde, e no outro dia teria que acordar cedo e continuar a reforma. Só haviam duas coisas que se preocupava mais que tudo, Claire e o trabalho, apenas isso.



Capítulo 9 - No, baby, this is not an illusion

- Ai, minha cabeça. - resmungou, virou para o espaço vazio da cama como se a dor fosse passar mais rápido, e tentou pegar no sono novamente. Mas assim que escutou o barulho de algo quebrando na sala, abriu os olhos rapidamente, se arrependendo no minuto seguinte. - Joe, é você?
ainda cambaleava um pouco tentando chegar até a sala do seu apartamento, mas a visão que encontrou assim que chegou no cômodo, com certeza, não era a que ela esperava.
- AI, MEU DEUS, SANDY, COLOCA UMA ROUPA PELO AMOR DE DEUS! - gritou, o que fez ela e os dois amigos gemerem de dor. Num movimento rápido conseguiu pegar uma almofada de cima do sofá e tapou sua visão.
- , eu vou arrancar sua cabeça se gritar de novo. - A voz vinha do chão, da frente do sofá, e então percebeu que Joe também estava pelado, quando encarou o amigo por cima do ombro.
- Joe Conklin, eu não sou obrigada a ficar vendo saco alheio essa hora da manhã. Se vistam logo. - A morena disse, irritada, e voltou para o seu quarto. - Sandy, não sei o que você quebrou, mas pode limpar isso. - Ela gritou antes de bater à porta do seu quarto de propósito.
Os dois amigos se olharam e rapidamente começaram a se arrumar, não queriam ver uma furiosa logo no domingo, porque eles já tinham a deixado irritada. Alguns minutos mais tarde, saiu de seu quarto, agora já arrumada e de banho tomado, encarou Joe e Sandy sentados no sofá, devidamente vestidos. A cena era bem cômica, visto que ela conhecia aqueles dois como a palma da sua mão, e eles estavam sentados no sofá um ao lado do outro e em silêncio.
- O que foi? Eu não vou matar vocês, não mais. - comentou, assim que chegou na cozinha e colocou a água para ferver, todos ali precisavam de um café forte antes de tudo.
- Não tenho tanta certeza assim. - Joe foi o primeiro a falar.
- Bom, problema seu. - Ela deu de ombros, pegou três xícaras no armário e colocou em cima da mesa. - Venham tomar café, eu não vou expulsar vocês daqui. - Joe e Sandy logo sentaram na mesa junto de , os três ficaram se olhando por alguns minutos em silêncio, mas não aguentaram por muito tempo e começaram a rir.
- Aí, minha cabeça dói. - foi a primeira a falar.
- A minha também, e eu preciso trabalhar hoje. - Joe resmungou.
- Suas coisas estão aqui, pode ficar e se arrumar até a hora que tiver que sair. - comentou, bebendo mais um pouco do café forte. - Você também pode ficar aqui, Sandy. Aliás, por que você não faz aquela batata assada crocante que só você sabe fazer? - Os olhos de brilharam ao dar a ideia.
- Nossa, parece que estou vendo outra na minha frente. - Foi a vez de Sandy falar, e a mulher revirou os olhos, já conhecendo o drama do amigo.
- Quem não te conhece que te compre, Sandy. Por favor, faz aquelas batatas, eu nunca te pedi nada. - Ela juntou as mãos em frente ao rosto.
- E ainda fala de mim, falsa. - Sandy terminou de tomar o café. - Mas eu faço, ‘tô morrendo de fome.
- Credo, vocês vão passar mal e eu não vou levar ninguém para o hospital. - Joe comentou. - Ok, está na hora do resumo de ontem. Alguém sabe que merda aconteceu? Eu não sei como vim parar aqui, em minha defesa, apenas.
- Eu só bebi cerveja demais, tipo assim, muita mesmo. - comentou. - Eu voltei com vocês?
- Não, você voltou com o .
- É claro que não, por que raios eu voltaria com ele? - A voz de saiu um pouco aguda, havia uma pontinha de desespero ali presente após saber que estava junto do seu arqui-inimigo.
- Mas você parecia bem entretida com a boca grudada na dele ontem.
- O QUÊ? Não, não vou cair na sua brincadeira, sei que está me zoando. - Ela balançava a cabeça de um lado para o outro.

“Será que seria possível o que Sandy acabou de dizer ter mesmo acontecido? É claro que não, . Você só pode estar delirando.”

olhou mais uma vez para Sandy, mas o amigo apenas deu de ombros como se dissesse “acredite se quiser”. Ela não respondeu, mas sabia que ele não estava dizendo a verdade. Ela lembraria, certo? Bom, era o que ela pensava, pelo menos.
- Vai fazer a batata? - Ele balançou a cabeça e começou a pegar tudo o que precisava dentro da geladeira.
deixou os dois sozinhos na cozinha e deitou no sofá, ainda que tivesse tomado o remédio para dor logo após o banho, a dor não tinha desistido e ido embora, pelo contrário, permanecia ali e parecia que a cabeça de iria explodir a qualquer momento. Joe sentou ao lado da amiga no sofá, fez um carinho em seus cabelos e podia dormir ali mesmo.
- Você é um anjo na minha vida, sabia? - Ela falou baixo.
- Eu sei, é por isso que você me ama. - Ele comentou no mesmo tom.
- Convencido.

- Eu não queria ir embora, mas eu preciso ir trabalhar. Devia ter escutado minha mãe, se eu tivesse estudado mais um pouco, não teria que trabalhar no final de semana. - Joe comentou, após pegar sua mochila com as coisas que tinha deixado na casa de .
- Para de falar besteira, você é um enfermeiro incrível. Sei de vários relatos de pacientes que te adoram, ajuda a salvar vidas e, com certeza, salva a minha todo dia. - abraçou o amigo de lado, apoiando a cabeça em seu ombro. - Vamos, vou descer com você. Sandy, já volto aí.
- Tudo bem. - Sandy deu de ombros, sem se importar muito com a resposta. Caminhou até Joe e deu um selinho nele. - Bom trabalho. - ouviu ele falar baixo para Joe e voltou para o sofá, se atirando no mesmo.
- Por que eu fui apresentar vocês dois mesmo? Agora são dois folgados na minha casa. - esticou os braços para cima, fazendo drama, mas puxou Joe logo para fora da casa.
- E aí? - perguntou, cutucando o amigo, assim que entraram no elevador.
- O que você quer saber? - Foi impossível segurar a risada, ela viu quando o amigo desviou o olhar e até parecia envergonhado.
- Há, viu como é bom ser questionada o tempo todo? Tudo tem volta, Joe Conklin, eu quero saber de tudo, detalhes na minha mesa agora. - disse cutucando o amigo mais uma vez.
- Ah, , ele é muito legal. - Joe sorriu. - E muito gostoso, e beija bem, e faz outras coisas muito bem também.
- Joe! É por isso que eu te amo. - riu ainda mais, dessa vez sendo acompanhada por Joe também. - Eu espero muito que vocês deem certo, eu quero ser a madrinha do casamento, hein.
- Você sabe que eu não presto, não se iluda. - Conklin comentou, abrindo a porta do carro quando chegaram no subsolo do prédio. - Sobre ontem, o que o Sandy disse é verdade.
- O quê? - ficou séria, assim como Joe.
- Você sabe, sei que não esqueceu. Mas se você não lembra, talvez o também não. - Joe piscou, dizendo um relaxa logo em seguida e ligando o carro para sair da garagem.
- Ei, coloca o cinto. Se cuida. - bateu no vidro do carro antes de Joe arrancar com o carro.
- Te amo! - Joe gritou, e saiu do prédio assim que entrou no elevador novamente.
A cabeça de começava a ferver com a quantidade de informações que tinha recebido. Não, ela não tinha tirado mesmo da cabeça a ideia de ter beijado na noite passada, porque, sinceramente, isso era uma das coisas mais impossíveis de acontecer. Bom, era o que ela achava até então, e agora a situação começava a mudar. Mas ela não lembrava, e torcia para que também não, se isso realmente aconteceu, segundo Joe e Sandy. Balançou a cabeça, tentando afastar os pensamentos negativos que começavam a aparecer, e entrou em seu apartamento novamente. Sandy tirou uma fornada de pretzels do forno, amava aquilo e ele sabia. Após fazer as batatas assadas, ele tinha aproveitado para preparar o salgado.
- Você tá me mimando muito hoje, se é algo envolvendo o Joe, pode ficar tranquilo que eu apoio vocês dois juntos. - pegou um pretzel direto da forma. - Hum, que delícia.
Sandy colocou alguns num prato e serviu suco para os dois, colocando as coisas na sala para comerem enquanto assistiam tv. percebeu que o amigo apenas riu quando ela citou o nome de Joe, e logo pensou que havia algo de errado.
- Ih, você não gostou dele, foi? - Ela perguntou, com receio de ouvir a resposta.
- Na verdade, eu gostei, gostei muito. - Os olhos de Sandy brilharam e o sorriso no rosto de se alargou ainda mais.
- Ai, meu Deus, eu amo tanto vocês. - Ela sentou no sofá, animada. - Mas eu preciso deixar claro que se você machucar aquele homenzinho, eu acabo com você. Ele é tudo para mim, Sandy.
- Estou me sentindo trocado agora, mas eu sei disso. Não quero que ninguém saia machucado nisso, gosto muito de vocês dois, sério. - Sandy comentou, vendo balançar a cabeça e sorrir.
- Tá, esse assunto tá me deixando mais triste do que animada. Vamos assistir alguma coisa de comédia, só hoje, por favor.
- O que você quiser.
Era incrível como o destino tinha dado seu jeitinho de colocar pessoas incríveis no caminho de depois de uma terrível tempestade, ela seria eternamente grata por isso.



Capítulo 10 - Just want to feel (un)lost

e chegaram cedo naquela manhã de segunda-feira, a casa de Susan já começava a tomar forma, e eles ficaram contentes com isso. Parecia que o efeito do final de semana ainda não tinha passado, a equipe estava um pouco devagar e silenciosa, o que não era muito comum. e não falaram mais que o necessário, apesar disso não ser novidade para ninguém, os dois conversavam bem mais que algumas monossílabas normalmente, pelo menos quando estavam trabalhando.
- não falou nada desde que chegou. - Sandy comentou como quem não quer nada.
- E? - se fez de desentendida.
- Você acha que ele lembra de algo?
- Não sei, Sandy, mas não faz diferença para mim, tenho muito trabalho hoje. - deixou o amigo na sala. Ela normalmente deixava os problemas pessoais de lado e focava apenas em seu trabalho, se não fosse importante, então ela resolveria mais tarde.
- ! - A morena escutou chamá-la assim que pisou no segundo andar da casa.
- O quê? - Ela adentrou o quarto em que ele estava.
- Susan disse que é um menino. - parecia alegre com a notícia.
- O que é um menino? - Ela perguntou sem prestar atenção.
- O bebê.
- Ah, verdade. - Ela olhou ao redor do quarto, tendo algumas ideias para fazer ali, o problema é que tinha combinado com que ele reformaria aquele cômodo.
- Qual a sua ideia? - o encarou, ela estava mesmo tendo ideia e queria compartilhar tudo, foi bom que ele tenha dado o sinal verde para ela fazer isso.
- Eu tinha pensado em pintar de amarelo ou branco e fazer alguns animais desenhados na parede, tipo uma savana, sabe? Mas, ele seria um quarto útil apenas enquanto ele fosse pequeno. Nenhum adolescente quer um quarto com animais desenhados na parede, bom, até ir para a faculdade.
- Eu sei bem. - comentou, lembrando da filha adolescente.
- Então, podemos pintar de azul, colocar alguns adesivos de nuvens em uma parede, mas não muitos. Naquele canto podemos colocar um fraldário e em cima colocar uma prateleira, onde ela vai poder deixar fraldas, lenços, pomadas, essas coisas básicas.
- Naquele lado pode ficar o berço, eu pensei também em colocar tipo um baú e aí vai ficar espaçoso e vai ser útil para guardar os brinquedos da criança sem ter que utilizar o roupeiro ou outro cômodo da casa. - Foi a vez de comentar, o que ela achou bem útil e era basicamente o que tinha pensado também.
- Sim, ótimo. - concordou, conseguindo visualizar como o quarto vai ficar após a reforma e satisfeita com a ideia.
- Você quer me ajudar? - perguntou.
- Claro. - A resposta saiu tão rápido quanto a pergunta foi feita.
- Ok.
- Eu preciso ver o que eles estão fazendo na cozinha, só estou esperando trocarem a porta e colocar os armários nos lugares.
- Tudo bem. O quarto do casal está quase pronto, e ainda temos o porão.
- Vai dar tudo certo. - Ela falou, saindo do quarto em seguida.
Quando voltou ao andar térreo, estava tão distraída que sua mente travou automaticamente ao ouvir o barulho da porta de madeira caindo no chão e os vidros quebrando. O barulho foi tão alto que ela paralisou no meio da sala, sua cabeça fez uma pequena viagem no tempo e as lembranças do acidente voltaram com tudo. O barulho de vidro quebrado foi o estopim para que isso acontecesse.

- Brandon! - Ela gritava dentro do carro.
- ! Socorro! - O choro do menino se misturava aos gritos de pavor de ambos. Nenhum dos dois conseguia mover um músculo sequer do lugar que estavam. Brandon, de alguma forma, conseguiu soltar o cinto e segurar a mão da irmã, mas não foi o suficiente para se manter seguro, ou dentro do veículo. O barulho dos vidros se quebrando e da lataria sendo amassada era possível ser ouvido a cada capotada que o veículo dava, após sair da rodovia.
- Brandon, segura minha mão. - Ela tentou segurar a mão do irmão, mas o nervosismo misturado com a adrenalina e medo do momento fez isso não ser possível. Quando o veículo enfim parou, o menino já não estava ali dentro e a visão de começava a escurecer.

- Brandon! - sussurrou. Sandy estava parado em sua frente, tentando chamar a amiga há alguns minutos, mas parecia que seu cérebro tinha entrado em uma espécie de transe, não sendo possível ouvir nada mais ao seu redor.
- , estou falando com você, está tudo bem? - Sandy sabia que não, mas a mulher não respondia e nem movia um músculo do lugar. Ele estava realmente preocupado, a ponto de estar ligando para Joe naquele momento.
- Acho que preciso de um pouco de ar. - Saiu da casa, se afastando do local assim que pisou na calçada. Não se deu ao trabalho de responder às perguntas dos colegas de trabalho no meio do caminho. Se fosse em outro momento, ela teria ficado furiosa pelo o ocorrido, mas agora sua mente só pensava em lhe trair.
- . - Sandy foi atrás e abraçou quando ela parou embaixo de uma árvore mais afastada da casa. - Está tudo bem, estou aqui, ok? - Ele fez um carinho nas suas costas, enquanto ela relaxou a cabeça em seu ombro e fechou os olhos. Não sabia como reagir ao ocorrido, e nem sabia se queria reagir àquela situação.
- Eu não sei o que aconteceu, só lembrei do acidente. - Seus olhos ficaram úmidos e lágrimas molharam a camiseta de Sandy.
- Tá tudo bem, não precisa explicar. - Ela se sentiu grata, e continuou abraçada a Sandy. Ele sempre tinha boas palavras e era compreensivo. Mas sabia que precisava fazer algo para não voltar a acontecer, nem sempre Sandy estaria por perto e, se acontecesse de novo, talvez a reação de fosse pior. Ela não queria de forma alguma que aquilo acontecesse e atrapalhasse seu desempenho no trabalho. Era a única coisa que conseguia manter cem por cento de sua concentração e foco, mas agora não tinha tanta certeza sobre isso.
- Eu vou voltar para terapia, parei porque achei que estava bem. Isso provou que eu não estou. - Ela disse depois de longos minutos abraçada ao engenheiro.
- Você quer que eu vá com você? - Ele sorriu, encarando a mulher.
- Não, obrigada, Sandy. - Ela tentou sorrir, mas ainda tremia um pouco. - Eu vou ligar e tentar uma consulta para hoje mesmo.
- Faça isso. - Ele apertou o ombro dela com uma mão. - Eu vou entrar, se quiser ir para casa, está tudo bem.
- Você me conhece, sabe que não vou para casa. Daqui a pouco eu entro de novo.
- Teimosa. - Ele depositou um beijo em sua testa e a deixou sozinha, voltando ao trabalho.
encarou o ícone verde depois de ter discado o número do consultório da doutora Brown, sua terapeuta, ela sabia que era a coisa certa a fazer, mas não tinha tido coragem o suficiente ainda. Sem pensar muito, antes que desistisse, ela apertou o verdinho e esperou chamar.
- Consultório da doutora Brown, bom dia. - Stella, a recepcionista, atendeu no segundo toque.
- Bom dia, Stella, é a , tem algum horário para hoje?

chegou no consultório dez minutos antes do seu horário marcado. A vontade de sair correndo dali falava mais alto em sua mente, mas ela sabia que apenas pioraria sua situação. Depois do episódio de mais cedo, a primeira coisa que fez foi tentar um horário com a sua terapeuta, sabia que conversar, o mínimo que fosse com a doutora Brown, iria fazer bem. E entre se revirar a noite toda pensando no que aconteceu e conversar por uma hora, ela preferia ficar sentada ali e falar o que era necessário.
- Senhorita , a doutora Brown está te esperando. - Stella apareceu na sala de espera, mas demorou um pouco para levantar. - Está tudo bem?
- Sim, estou indo. - sorriu e entrou na sala.
- , que bom vê-la de novo. - A doutora Brown sorriu, e respirou aliviada ao pisar na sala. - Então, , como você está se sentindo? Faz um tempo que você não aparece. - Brown lançou um olhar de volta para , mas apenas deu um sorriso envergonhado.
- Eu acho que estou bem. Meu trabalho tem tomado maior parte do meu tempo, eu acabei me envolvendo demais com a reforma atual. Mas hoje… - As mãos em seu colo pareceram mais interessantes no momento.
- Hoje? - A doutora Brown insistiu, visto que não respondeu.
- Hoje aconteceu algo no trabalho, e eu quase surtei.
- Você quer me contar o que aconteceu? - Ela perguntou, carinhosa.
- Estou trabalhando numa reforma grande, é basicamente a casa toda. E eu fiquei responsável pelo andar de baixo, mas na hora de instalar a janela nova, o vidro quebrou. O barulho foi tão alto que me lembrou o acidente, sei que parece idiota, mas…
- Não é idiota, .
- É só que depois do acidente, a única coisa que me fazia esquecer, era o meu trabalho. E agora, não estou mais conseguindo separar as coisas, não é uma sensação muito agradável.
- É a primeira vez que isso acontece? Digo, que você tem lembranças do acidente durante o trabalho.
- Sim.
- , você sabe que esse acidente não vai sair da sua memória tão cedo, e a terapia é para te ajudar a superar essa questão. Você sabe que parou de comparecer às sessões porque achou que estava bem, mas vimos que essa questão ainda está presente na sua vida, certo?
- Eu sei, não me orgulho disso. Sandy estava comigo hoje, acho que foi por isso que não surtei, mas não ia aguentar ir para casa com aquilo na cabeça.
- Sandy tem sido uma boa companhia, não? E o Joe, também está com você?
- Sim. - sorriu, ao lembrar dos amigos. - Nós saímos no final de semana, aliás, eu fiz uma coisa nesse final de semana.
- O quê?
- Eu beijei um colega de trabalho. - Ela disse mesmo contra sua vontade.
- E tem alguma coisa errada nisso? Vocês estavam no trabalho, por acaso?
- Não, fomos num bar beber e as coisas saíram do controle, porque bebemos demais. O problema é que não gosto dessa pessoa.
- Ele te forçou a beijá-lo?
- Com certeza não foi forçado, Joe e Sandy viram, se fosse algo forçado, teria acabado em briga. Eu não perguntei nada para pessoa, como ele não falou nada sobre a festa, eu só deixei de lado. Mas já que estamos aqui, é melhor que eu não esconda nada de você.
- Isso é bom. - Brown sorriu. - É bom que você tenha vindo agora, e não coloque mais a culpa no trabalho por ter sumido. Vou estar sempre disponível, mas não vamos deixar que isso aconteça de novo.
- Desculpe por ter sumido. - disse, envergonhada.
- Você não me deve desculpas, estou aqui para ajudá-la a superar o que for preciso, e não cometer os mesmos erros. Isso inclui não deixar escapar das nossas sessões de novo. - Ela piscou para e sorriu.
- Eu prometo não faltar mais, sei que isso não me faz bem, e eu quero ter minha vida normal de volta.
- As coisas vão se ajeitando, .
Agora mais leve, se despediu da doutora Brown, já deixando marcada a próxima sessão de terapia. Ela sabia que ter parado de ir às sessões era errado, e mesmo assim não conseguiu evitar. Mas, então, o incidente de mais cedo foi o empurrãozinho que ela precisava para voltar ao consultório. À noite, quando chegou no seu apartamento, tomou um banho quente e preparou uma xícara de chá, só assim seria possível dormir mais tranquila e encarar o resto da semana de trabalho como vinha fazendo todo esse tempo.



Capítulo 11 - Where we start

- Claire, desce aqui, rápido. - gritou pela filha, o homem estava na cozinha terminando de preparar um bolo de chocolate, o favorito de Claire.
- O que foi, pai? - A menina terminava de secar os cabelos com a toalha, tinha desistido de pedir ao pai para fazer isso, ficou feliz quando viu.
- Qual você prefere? - Ele mostrou as duas fotos de cabelos, um rosa e outro azul. Há um tempo atrás, Claire tinha pedido para fazer algumas mechas coloridas no cabelo, mas vetou a ideia no mesmo minuto. Agora, com as férias escolares da menina se aproximando e depois de muitas conversas e um pequeno sermão da mãe, voltou atrás e decidiu que não faria mal algum a menina pintar as pontas do cabelo.
- Você tá falando sério, pai? - Claire sorriu, animada com a ideia, pegou o celular da mão de e analisou as fotos.
- Conversei com a sua avó, e não vejo tanto problema assim. - comentou, pegando o celular de volta. - Então, qual cor você prefere?
- Rosa! - Ela sorriu. - Mas espera aí, não é você que vai pintar, né? - Claire deu alguns passos para trás com medo que encostasse em seu cabelo.
- Não, claro que não. - Ele começou a rir da reação da filha. - Sua avó disse que conhece um salão muito bom, só estava esperando você escolher a cor para marcar um horário.
- Oba! Eu posso ligar para ela? - Claire perguntou e acenou com a cabeça, confirmando, não demorou muito para a menina sair da cozinha e pegar seu celular, animada para dar a notícia para a avó.
- Não demora, vem comer bolo depois. - Ele gritou de novo, quando viu a filha subir correndo para o quarto.
voltou a atenção para o seu telefone, terminando de fazer o planejamento da próxima semana. Sim, depois que ele se viu sozinho com Claire, teve que se organizar ao máximo para dar atenção à filha e ao trabalho, conseguindo manter seu emprego e sustentá-los sem muitas dificuldades. Agora, no emprego novo, as coisas não seriam diferentes, estava conseguindo mostrar seu potencial na nova reforma e ainda sobreviver às rebeldias de uma pré-adolescente dentro de casa.
A campainha tocou e só restou para atender a porta, já que Claire estava em seu quarto e não sairia tão cedo de lá, principalmente depois de contar a novidade para a mulher.
- E aí, desde quando você aperta a campainha? - Kyle fez uma careta, entrando na casa sem pedir. É, aquele era o Kyle que conhecia.
- Às vezes eu tento ser civilizado, mas você não me ajuda.
Kyle colocou em cima da mesa um fardo de cerveja e uma caixa de pizza, o que fez olhar torto para o amigo. Era quarta-feira, não era dia de pizza e ele sabia que Claire estava pronta para pedir um pedaço. Era uma luta perdida.
- Oi, tio Kyle! - Claire apareceu na cozinha segundos depois, como se sentisse o cheiro de queijo de longe.
- Oi, princesa, vim salvar você das garras do seu pai. - Ele abraçou a menina, bagunçando os cabelos um pouco rebeldes dela.
- Então corra, porque ele vai te matar com esse cheirinho gostoso de pizza. - Ela fechou os olhos ao sentir o aroma da possível janta. - Hoje não é dia de “besteira”. - Claire revirou os olhos.
- Ei, vocês dois, eu ‘tô aqui. - guardou o celular e pegou os pratos no armário com a ajuda da filha, enquanto Kyle sentou na mesa e esperou que o amigo fizesse o mesmo.
- Pai, posso comer na sala? Só hoje, por favorzinho. - Naquela noite já tinha esgotado toda sua energia para brigar com a filha.
- Só hoje, e não suja o sofá.
A garota sorriu, animada, serviu dois pedaços de pizza no prato, um pouco de suco de laranja e foi direto para o sofá da sala. Eram raros os momentos em que podia comer ali, então toda vez que o pai deixava, ela não perguntava duas vezes.
- Então, como anda tudo? - deu de ombros, depois da última vez que saíram juntos, eles quase não tinham conversado devido a correria do dia a dia.
- Tudo bem, tenho ficado bastante ocupado. E você? Não costuma aparecer durante a semana.
- Não queria ficar em casa hoje, só isso mesmo. - Kyle bebeu mais um gole de sua cerveja, e encarou o amigo.
- Fala a verdade, Kyle.
- Eu 'tô falando, .
- Ih, tá bom, não falo mais nada.
sabia que o amigo estava irritado ou nervoso quando o chamava pelo nome, isso era uma das características que reconheceu ao longo dos anos de amizade com Kyle.
- Eu ‘tô saindo com a mesma pessoa desde aquela festa. - Ele suspirou e apoiou os braços na mesa.
- Qual o problema nisso? - conhecia bem a fama do amigo mulherengo.
- Tá difícil hoje, ein. - Kyle se irritou. - Você me conhece, . Eu não saio com a mesma pessoa mais de duas vezes, e eu já ‘tô saindo com essa há mais de um mês.
- Todo mundo tem uma primeira vez, Kyle. E se tá saindo com ela, é porque tá gostando. Qual o problema nisso tudo? Acho que você está...
- Não diga apaixonado.
- Ia falar assustado, mas se você diz... - Ele deu de ombros, jogando a caixa de pizza vazia no lixo. - Como você me traz uma pizza pequena, Kyle? Claire, pede outra pizza para gente.
- Tá passando fome, é?
- Tio Kyle, o que você fez com o meu pai? - A garota apareceu na cozinha, tocando o rosto do pai como se ele estivesse com febre.
- Em minha defesa, eu ia fazer janta na hora que você chegou, mas agora deu vontade de comer mais pizza, ok? Não reclama que no final de semana a janta vai ser por sua conta. - Ele cutucou a barriga da filha, a menina permanecia abraçada ao pai.
- Ah, está pronto para comer o meu macarrão com especiarias ou o meu sanduíche com creme de avelã ou com o resto que tiver na geladeira também? São várias opções, só você escolher. - Claire disse, rindo, enquanto caminhava de volta para a sala com o telefone em mãos.
- Cara, ela tá crescendo tão rápido. - Kyle comentou.
- Eu sei, e tá cada dia mais parecida com a Alice. Às vezes, é assustador pensar que ela quase não se lembra da mãe, mas tem uns gestos muito parecidos ou iguais aos que Alice fazia.
- Até que você tá se saindo muito bem nessa coisa de ser pai. - Kyle cutucou o amigo, brincando. Sabia muito bem de todas as dificuldades que teve com Claire pequena e Alice doente, também esteve presente em muitos momentos em que o amigo quase desistiu de tudo.
- Eu não podia e não posso decepcioná-la. Tudo que eu faço é por ela.
- Eu sei, tenho muito orgulho de você.
- Ei, vamos beber essa cerveja que a gente tá ficando muito melancólico.
- Mudando de assunto, e a ? - enrugou a testa ao ouvir aquela pergunta.
- O que tem?
- Vocês se deram bem na festa, achei que poderia rolar alguma coisa daí.
- Eu nem lembro o que aconteceu e acho que ela também não. Somos só colegas de trabalho, não começa.
- Tudo bem. - Ele esticou as mãos na altura dos ombros, rendendo-se ao mau humor do amigo. - Vou lá assistir filme com a sua filha, ela é mais legal que você.

Na manhã seguinte, Claire já estava acordada antes mesmo do pai bater em sua porta, o que acabou pegando totalmente de surpresa. Talvez ela tivesse ficado animada com a notícia sobre pintar o cabelo ou talvez ela só estivesse ficando mais responsável mesmo, o que era algo bom. A obra ainda estava na metade, e faltava muita coisa para ser feita, por isso já tinha guardado o terno dentro do roupeiro e usava uma calça de moletom, uma camiseta velha e o seu tênis. Ele só cuidava para não usar as roupas mais surradas que normalmente usaria em casa, caso estivesse reformando a sua própria.
- Hoje eu vou te buscar na escola, então tente não demorar porque vou voltar para o trabalho ainda. - disse após colocar a mochila no banco de trás.
- Eu sei, pai. - Dessa vez, Claire não colocou os fones de ouvido e, sim, ligou o rádio do carro para que os dois escutassem. - Pai, o que minha mãe fazia?
Se não estivesse dirigindo, ele teria parado tudo que estava fazendo naquele momento; mas, por mais difícil, tentou manter a calma e responder aquela simples pergunta.
- Ela era advogada. Uma ótima advogada. - Claire sorriu, satisfeita com a resposta de sua pergunta e não com uma qualquer sempre que o pai tentava fugir do assunto.
- E como vocês se conheceram? - Esperta como era, aproveitou para tirar qualquer informação do pai naquele momento. riu ao perceber a tentativa da filha.
- Isso é um interrogatório ou você tá fazendo trabalho da escola agora?
- Um pouco dos dois. - Ela deu seu melhor sozinho para .
- Respondendo então sua pergunta, nós nos conhecemos na faculdade. Sua mãe era do grupo de teatro na época, não sei porque, ela nem gostava. Mas acabamos nos conhecendo mesmo em uma festa, depois de perceber que tínhamos amigos em comum.
- Quantos anos você tinha, pai?
- Dezoito, mas isso não muda o fato que você só vai namorar com trinta. - A garota soltou uma gargalhada ao ouvir a resposta do pai. Eles sabiam que isso não era verdade, mas era sempre engraçado quando mostrava seu lado protetor com Claire, o lado que ele raramente escondia. Ela era sua garotinha e sempre seria.
- Está entregue mocinha, e lembre de não se atrasar. - estacionou em frente à escola da garota, esperando ela entrar no local.
- Te amo, pai.
- Também te amo, filha. - Claire acenou para o pai vendo-o retribuir o gesto.
seguiu para o seu trabalho, mais um dia de reforma e agora ele já começava a ver todos os cômodos tomando forma, não eram só mais pedaços de madeira dividindo a casa, fios à mostra e muita sujeira pela casa. Porém, ao estacionar próximo da casa, ele não encontrou exatamente o que queria.
- Sandy, quem fez isso? A chaminé não ia cair do nada. - gritava com Sandy no corredor que dava acesso para os fundos da casa.
- , eu já expliquei o que aconteceu. - Sandy disse, calmo como sempre, mas estava com uma feição de quem gostaria de matar o amigo.
- Eu sei o que você disse, eu não sou burra, Sandy. Eu quero saber quem fez essa merda, porque vai subir no telhado agora mesmo e arrumar esse buraco. Tem um buraco no meio da minha sala. Obrigada, Sandy!
adentrou a casa sem esperar resposta alguma, ela estava a ponto de matar o primeiro que aparecesse. Primeiro a troca da janela, agora a chaminé, tudo que estava fazendo atrasava ainda mais aquela reforma.
- Semana difícil essa. - comentou com Sandy, o engenheiro soltou um suspiro longo.
- Quase uma missão impossível, mas vou dar um jeito nisso. Tá tudo certo lá no porão. - Ele avisou que logo entrou na casa.
foi direto para o porão, verificar se estava tudo certo e evitar que mais problemas aparecessem. Assim que desceu as escadas que dava acesso ao cômodo pôde ver a silhueta de , ela estava parada em uma das paredes e olhava ao redor.
- Bom dia.
- Bom dia, que bom que já chegou. - entregou uma folha dobrada para . - É só uma ideia do que podemos fazer aqui, mas se não quiser tudo bem. - Ela deu de ombros.
- É uma ótima ideia, é claro que podemos usá-la. - olhou para , ela ainda estava irritada com o incidente do telhado. - O que acha de ficarmos aqui hoje?
estreitou os olhos para , tentando perceber um resquício de brincadeira em sua voz. sabia que ele tinha visto ela gritar com Sandy, então talvez quisesse pregar uma peça nela. Péssimo dia para brincadeiras.
- Tudo bem. Às vezes não é tão ruim trabalhar com você, .
- Não é ruim trabalhar comigo, . - Ele deu de ombros, voltando sua atenção para as ferramentas que precisaria usar naquele momento.
e começaram a dar vida para aquela área. O lugar parecia ter sido usado como uma espécie de depósito pelos antigos moradores, então eles tinham bastante trabalho a fazer. As tarefas eram, basicamente, as mesmas do andar de cima, a única diferença é que tudo ficaria num único ambiente. Por sorte, o espaço era grande e com o planejamento de , seria possível deixar aquela área como um cômodo aconchegante para alguém querer ficar ali. Porém, eles ainda torciam para nenhum problema aparecer e acabar com todo o orçamento que restava.
odiava admitir quando estava errada, mas ela precisava admitir, nem que fosse para si mesma, que não era ruim trabalhar com . A verdade é que era ótimo, porque ele não se importava de pegar no pesado, de trabalhar de verdade. E ela sabia que em algum momento os dois seriam expulsos pela equipe de Sandy, porque Sandy também gostava de colocar sua equipe para trabalhar, era por isso que ele era o engenheiro favorito de .
- ‘Tava pensando em sairmos para comprar alguns materiais hoje, depois do almoço. Os móveis vão ser os últimos, então, quem sabe o piso, tinta, coisa assim? - Antes que conseguisse responder, sua barriga roncou tão alto que ela não conseguiu nem inventar uma desculpa plausível.
- Ops, acho que isso é um aviso para eu ir almoçar. - Ela foi sincera, estava trabalhando há algumas horas apenas com o café da manhã — nada reforçado — no estômago. - Mas acho uma ótima ideia comprar algumas coisas, eu só espero que arrumem logo aquele buraco na sala.
- Tudo bem, vamos então. - esperou que o seguisse, mas não foi isso que aconteceu.
- Vamos onde? - Ela enrugou a testa, confusa.
- Almoçar. - Ele respondeu como se fosse óbvio.
- Eu trouxe um sanduíche, mas te encontro depois, não se preocupe.
- Nem pensar! - Ele foi até onde estava parada, o que a deixou ainda mais confusa. - Você não vai comer só um sanduíche e trabalhar a tarde toda.
- Já fiz isso várias vezes, tenho certeza que irei sobreviver.
- Tenho certeza que você vai passar mal. - cruzou os braços, encarando fazer o mesmo.
- Não sou mais criança, .
- Então não aja feito uma. - Sem esperar resposta alguma, se abaixou um pouco, pegando pelos joelhos e colocando-a sobre seu ombro.
- , me larga agora! Não acredito que você fez isso, eu não vou almoçar com você.
- Eu não mordo, , fica tranquila.
- . Me. Solta. Agora. - continuou batendo nas costas de , por mais que soubesse que eram tapas totalmente em vão. Podia sentir seu rosto esquentar conforme todas as pessoas que trabalhavam naquela reforma paravam suas tarefas para olhar o que estava acontecendo.
- Prontinho. - Ele colocou sentada no banco do passageiro de seu carro, prendendo o cinto de segurança em seguida, exatamente como se ela fosse uma criança. - Espera só mais um segundinho.
fez a volta no carro, se acomodando no banco do motorista e trancando as portas, antes que cogitasse sair correndo. Ele sabia que ela era capaz de fazer isso, mas ao contrário do que ele pensava, estava tão atônica naquele momento, que suas pernas pareciam ter perdido os movimentos de repente.
- O que foi isso, ? Você enlouqueceu? - olhou para com um misto de irritação e surpresa. Afinal, eles não tinham um pingo de intimidade para ter aquele tipo de atitude.
- Talvez? Não sei, mas você ia ficar o dia inteiro com um sanduíche no estômago, . A gente trabalhou a manhã toda, existia uma grande chance de você passar mal.
- Você não sabe se eu ia comer só um sanduíche, .
- E você ia comer outra coisa, por acaso? - Ela se odiou por ser tão implicante, mas ele estava certo. Ela tinha levado apenas um sanduíche.
- Não. - Respondeu a contra gosto.
- Viu só. - Ele deu de ombros, sabendo que estava certo. seguiu o trajeto até a escola de Claire, já que não resmungou mais uma vez. Ela, por sua vez, respondeu algumas mensagens de Joe, as quais tinha esquecido de responder devido aos acontecimentos naquela manhã. Sem prestar atenção no caminho que eles faziam, levou um susto ao perceber que estava estacionado em frente a uma escola e buzinou assim que parou o carro.
- O que estamos fazendo aqui? - Ela perguntou, olhando para os adolescentes que saíam da escola.
- Combinei de almoçar com a minha filha, eu teria que buscá-la de qualquer forma.
- , por que você não me avisou? Eu ‘tô estragando o almoço de vocês. Pode me deixar aqui, eu chamo um táxi e prometo comer algo melhor que um sanduíche.
- , relaxa. Não tem problema nenhum você almoçar com a gente. - voltou a olhar para a entrada da escola, onde Claire conversava com um grupo de meninas. buzinou mais uma vez, conseguindo chamar a atenção de sua filha.
A cabeleira ruiva logo invadiu a visão de , e ela ficou ainda mais surpresa por Claire não ser parecida com . Pelo estado de , não foi difícil Claire perceber seu espanto, mas não se importou, pois logo se acomodou no banco de trás e colocou a cabeça entre os dois bancos da frente, curiosa.
- Oi, eu sou a Claire. - balançou a cabeça de leve, voltando a realidade.
- . . - Ela falou com certa dificuldade, mas aquilo não parecia dizer nada para Claire.
- e eu trabalhamos juntos, ela vai almoçar com a gente hoje. - explicou, e Claire abriu seu melhor sorriso.
- Isso vai ser interessante. - Ela voltou a se acomodar no banco de trás, dessa vez, colocando seus fones de ouvidos.
voltou sua atenção para o telefone, sem saber o que fazer. Eram surpresas demais na sua vida para um único dia, e ele só estava na metade. Resolveu se manter calada, com medo de que mais surpresas surgissem, afinal, estava conhecendo um novo naquele momento. Ela precisava urgentemente conversar com a sua terapeuta, mas no momento, se conteve em mandar uma mensagem para Joe.

Joe
visto por último hoje às 12:05

Por favor, leve uma garrafa de vinho hoje à noite.

Preciso de você.

É urgente.

O caminho até o restaurante não foi longo, fazendo se sentir aliviada quando pôde respirar um pouco de ar puro. Ela queria acender seu cigarro, mas preferiu não fazer. Também não gostava quando as pessoas a olhavam fumar com aquele olhar questionador e um discurso pronto na ponta da língua falando sobre os malefícios da nicotina. Ela não era criança, e sabia muito bem que aquela droga não trazia nada de bom para a sua saúde, mas ainda assim era um hábito que não tinha conseguido largar.
O restaurante ainda tinha alguns lugares disponíveis, conseguindo, por sorte, uma mesa próxima da janela. optou pelo prato do dia, mas seus pensamentos estavam tão confusos que não conseguiu prestar atenção na escolha feita por ou Claire.
- Eu já volto, se comporta, mocinha. - lançou um olhar sério para Claire, mas a garota deu de ombros vendo seu pai se afastar.
- Ele é sempre doido assim, é? - encarou Claire, assim que saiu da mesa.
- Eu não sei o que deu nele essa semana, mas ele tá mais doido que o normal. - A garota encarava atentamente cada detalhe em . Apesar de ela saber que o pai ia buscá-la na escola, não imaginava que levaria uma companhia também. era tão reservado que nem sequer tinha apresentado alguém à Claire esse tempo todo.
- Então...
- Então... - arqueou a sobrancelha, observando Claire.
- Você e o meu pai estão namorando?



Capítulo 12 - Mess is mine

- O quê? - quase engasgou com a pergunta, se sua garganta não estivesse mais seca que o deserto. Ela olhou em volta, à espera de que o garçom aparecesse com o seu almoço ou, até mesmo, que voltasse logo para a mesa. Talvez assim a garota fizesse menos perguntas, mas não conseguiu fazer nada mais além de rir. - Namorando? Céus, da onde você tirou essa ideia?
continuou rindo, dessa vez, mais contida. Ela também não queria parecer uma maluca no meio do restaurante, e muito menos assustar Claire.
- Olha, você é a primeira pessoa que meu pai aparece, em anos. - Claire enfatizou a última parte, então entendeu sua curiosidade. - Mas também não seria nenhuma surpresa para mim se vocês não estivessem juntos. Às vezes, acho que meu pai esqueceu como é namorar e… só, sei lá, não se envolve com ninguém.
conseguiu ver o desânimo estampado no rosto da garota, e por algum motivo, o qual ela desconhece, conseguiu se identificar um pouco com . Desde que chegou em Amsterdam, não se envolveu sério com ninguém. O seu último — e único — casamento tinha sido o suficiente para ela se manter longe de relacionamentos. Então, o trabalho foi sua válvula de escape, e estava dando certo até o momento.
- Claire… é Claire, né? - esperou a menina concordar para continuar a falar. - Quantos anos você tem mesmo?
- Treze, mas meu aniversário é mês que vem. - Ela sorriu, animada.
- Então, talvez seu pai só esteja ocupado com outras coisas, e namorar não seja exatamente uma prioridade. - Ela não sabia se deveria estar falando aquele tipo de coisa para Claire, mas pareceu o certo a se fazer.
- Tanto faz. - Ela deu de ombros. - Pelo menos, agora eu sei que você não será minha madrasta. - Claire estava jogando mais informações do que conseguia suportar. Mas assim que viu retornar para a mesa, nunca ficou tão aliviada com sua presença.

- Eu consegui trocar meu turno, mas vou ter que trabalhar no sábado, então espero que seja algo realmente urgente, . - Joe disse. abriu a porta do apartamento para a amiga, dando espaço para ele entrar no local.
- É por isso que você é o amor da minha vida, anjinho que caiu do céu. - Ela disse, abraçando o amigo.
- Bom, você, literalmente, caiu nos meus braços. - Joe comentou, relembrando o momento que eles se conheceram, e revirou os olhos. - Ah, o vinho tá aqui. Agora conta tudo, ‘tô pronto.
- Sofá, agora. - Ele se acomodou, enquanto correu até a cozinha para pegar duas taças.
contou todos os acontecimentos do dia, não querendo deixar que nenhum detalhe faltasse. Não havia outra pessoa no mundo em que confiasse mais do que Joe Conklin, e se ele estava lá para escutá-la, então, ela contaria tudo.
- Espera um minutinho. - Joe disse, tirando o celular do bolso. - Agora isso aqui faz todo o sentido. - Ele entregou o aparelho para , o que a fez ficar boquiaberta.
- Não acredito! - Ela ampliou a foto, mesmo tendo certeza que era ela mesma, no ombro de . - Sandy, maldito!
- Coitado, ele só estava me atualizando das fofocas. - balançou a cabeça, rindo ao lembrar da cena. Na hora tinha ficado com raiva, mas agora contando tudo para Joe, chegou à conclusão que tinha sido uma cena e tanto.
- Achei que era meu amigo, você está até defendendo o Sandy. - Ela explicou, fingindo estar irritada.
- Depois a gente discute essa parte, agora termine de contar a história. - Joe pediu, tentando controlar a risada.
voltou a contar como tinha sido o resto do dia ao lado de e Claire. No período da tarde, os dois foram escolher as cores das tintas e outros utensílios que eram mais urgentes para o momento da reforma, tinha sido agradável para a surpresa de . Afinal de contas, eles quase não discordaram em muita coisa.
- Joe, fala alguma coisa, por favor. - implorou ao amigo. Ele já estava tempo demais em silêncio, quando terminou de contar tudo. Aquilo era estranho demais para alguém como Joe Conklin.
- , eu não sei o que falar. - Ele bebeu o resto de vinho da sua taça. - me deixou sem palavras hoje. Foram muitos acontecimentos.
- Sim, é exatamente por isso que eu preciso que você me diga alguma coisa.
- Então, ele basicamente te arrastou para almoçar com ele e a filha, a pestinha perguntou se vocês estavam namorando e depois vocês foram fazer compras juntos?
- Ela não é uma pestinha, só curiosa, talvez. - defendeu a menina sem perceber, mas Joe sim e soltou uma risada.
- Você já está a defendendo, .
- Não estou não, só não a conheço o suficiente.
- E quer conhecer? - Joe encheu as taças com mais vinho.
- Não...sei. - virou-se de costas para Joe, prestando atenção na carne no fogão dessa vez. Como combinado, Joe havia levado o vinho, e ela ficou responsável por fazer a janta.
- , você já está se apegando.
- Não! Sério, eu nem a conheço direito. E você sabe que eu e não somos amigos.
- Ah, claro. Vocês só se beijam bêbados em festas, ele te arrasta para almoçar porque está preocupado demais que você vai comer só um sanduíche e ainda trabalham juntos. - Joe numerou com os dedos enquanto citou os fatos. - É, essa relação de vocês é bem confusa para serem amigos mesmo.
- Joe! - Por mais que tudo que Joe tivesse dito fosse verdade, não era para isso que tinha o chamado naquela noite.
- Tudo bem, desculpe. - Ele disse. - Só não deixe algumas oportunidades passarem por causa de traumas do passado, .
- Não estou deixando nada passar, Joe. - disse dura, encerrando o assunto.
Eram raros os momentos que os dois ficavam em silêncio, não porque sentiam a necessidade de estar sempre falando, mas pelo simples fato de que o pouco tempo que tinham juntos, não proporcionava tantos momentos em silêncio assim. Porém, naquela noite, e Joe jantaram em silêncio, assistindo televisão enquanto aproveitavam a companhia um do outro. Porém, por mais que sentisse saudade e gostassem da companhia um do outro, o silêncio, no entanto, não estava sendo nada agradável.
- Falar ou calar? - perguntou baixo, chamando a atenção de Joe.
- Falar. - Ele respondeu, depois de um tempo pensativo. - Se não tivesse acontecido o acidente, acha que teria se separado de Charlie? - virou o rosto rápido demais para Joe, surpresa por ele tocar naquele assunto.
- Não sei, mas acho que sim. As coisas já estavam complicadas antes do acidente. - Ela disse quase num sussurro.
Não era seu assunto favorito. Ainda que estivesse fazendo terapia para resolver suas questões, conversar com outra pessoa que não fosse a Dra. Brown, era um pouco esquisito.
- Mas onde quer chegar com esse assunto? - perguntou, curiosa.
- Não sei se vai adiantar de alguma forma, mas sinto que está fugindo do . Enquanto ele está te mostrando, aos poucos, que não é uma pessoa ruim. Não o conheço o suficiente, mas só não misture o que aconteceu entre você e o Charlie com essa loucura que você e o resolveram ter.
- Joe… - mordeu o lábio, pensando no que responder.
- Você não me deve nenhuma resposta, nem satisfação, nem nada, . - O amigo segurou sua mão, confortando-a. - Só quero que você pense mais em você e no que quer para a sua vida. Hoje você conheceu a filha dele, e tenho certeza que foi um passo e tanto para o arquiteto também.
- Acho que devo começar com um passo de cada vez. - Ela sorriu, entendendo o que Joe quis dizer com tudo aquilo.
- Bom, agora que você já me contou a loucura do seu dia. Eu preciso dizer que eu e Sandy temos um encontro no sábado.
- O quê? Vocês já são o meu casal favorito. - Foi a vez de servir mais vinho e arrancar cada detalhe que pôde do amigo.



Continua...



Nota da autora: Eu amo o Joe, e posso dizer que a parte de toda a sinceridade dele, vem de mim mesma hahaha. Além de que, às vezes, a nossa pp precisa de um empurrãozinho.
Até a próxima <3

Ah, não esquece de participar do meu grupo no Facebook e receber alguns spoilers.




Outras Fanfics:
Em Andamento:
» Girl Next Door [Bandas - McFLY]
» Hilding [Hoquei - LGBTQIA+]
» I’ll Stand By You [Bandas - McFLY]
» Last Mistake [Restritas - Originais]
» Threat Of Joy [Originais]


Ficstapes:
» 05. Too Much To Ask [Ficstape Niall Horan: Flicker]
» 06. POV [Ficstape McFly: Radio:Active]
» 12. Nothing Else Matters [Ficstape Little Mix: Glory Days]
» 16. Hoax [Ficstape Taylor Swift: Folklore]


Finalizadas:
» Close [Esportes - Fórmula 1 - Shortfic]
» I’m still In Love With You [Restritas - Originais - Shortfic]
» My Best Shot [Originais - Shortfic]
» We’ll All Be [Bandas - McFFLY - Shortfic]

Nota da beta: Ai, meu coração! Ela pelo menos está considerando dar um passo de cada vez... Vi um vislumbre de um possível casal surgindo, e eu estou prontinha para esse momento hahha! Amei essa relação da Claire com ela, e ansiosa pela continuação.

Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa linda fic vai atualizar, acompanhe aqui.


Caixinha de comentários: O Disqus está um pouco instável ultimamente e, às vezes, a caixinha de comentários pode não aparecer. Então, caso você queira deixar a autora feliz com um comentário, é só clicar AQUI.



comments powered by Disqus