Contador:
Última atualização: Fanfic Finalizada.



Capítulo Único



Napa, Califórnia


Era oficial.
Cassie estava ficando louca.
Enquanto seguia a recepcionista pelo imenso salão do restaurante em direção à mesa reservada, Cassie Dewell tentava racionalizar as razões que a trouxeram até ali. Ela não sabia por que havia concordado com aquilo.
Os olhares na sua direção eram justificados, não estava vestida para um encontro, muito menos em um restaurante tão caro como aquele. O piso era forrado com madeira escura; o teto, preenchido com luminárias redondas na cor dourada. Tapetes vermelhos e flores nas mesas, o lugar valia cada uma das 5 estrelas.
Não pretendia ir àquele encontro às cegas, estava decidida a ligar para sua amiga Denise e dizer que surgiu um imprevisto, mas quando a mesma enviou o endereço do restaurante sentiu-se culpada em cancelar uma reserva que muitos passam o ano inteiro tentando conseguir.
Denise era uma alma generosa, ela foi uma das primeiras clientes de Cassie quando começou a trabalhar em Napa e a mulher mais velha tornou-se uma figura presente na sua vida. Seu único defeito era não aceitar que Cassie fosse solteira e estava sempre com planos mirabolantes de cupido.
Você é uma mulher linda e inteligente, tenho certeza de que é perfeitamente capaz de encontrar alguém sozinha, mas prefere a solidão.
― Denise, obrigada de verdade por se preocupar comigo, mas nós já discutimos sobre isso antes. Kai é minha prioridade no momento. Eu não tenho tempo para sair com ninguém.
― Então deixe-me cuidar disso para você. Não se preocupe com nada, você só precisa aparecer no dia e hora marcada.

Cassie desejava do fundo do coração que as pessoas ao seu redor parassem de achar que ela estava deprimida ou que não era feliz de alguma forma. Ela tinha um filho lindo e saudável e era dona do seu próprio negócio, que prosperava sem parar. Nada lhe faltava. Seu trabalho duro estava valendo a pena. Sua vida social, no entanto, não existia.
É verdade que ela estava sozinha há muito tempo, mas ela não estava procurando por um relacionamento, não tinha tempo para isso. Ela duvidava que qualquer homem que Denise conhecesse poderia fazê-la perder o foco. Mesmo assim, não teve coragem de desmarcar e talvez estivesse um pouco curiosa em saber quem era o misterioso homem que a amiga disse ser um par perfeito para ela, mas não iria admitir em voz alta.
― Aproveite o seu jantar, senhora.
A viagem até a mesa foi mais rápida do que esperava. O lugar escolhido era provavelmente o melhor de todo o restaurante, uma bela vista para o jardim. A lua cheia brilhava tão forte aquela noite, iluminando o verde das palmeiras da grama e o colorido das flores. Aquilo acalmou Cassie por alguns segundos.
― Oi? Você deve ser o Robert? ― Perguntou tirando as mãos dos bolsos da jaqueta.
O homem sentado à mesa à sua frente a olhou e Cassie pôde ver a surpresa se formar nas suas feições, tendo certeza de que seu próprio rosto mostrava a mesma reação.
Ele levantou-se imediatamente e ela foi completamente sugada por aqueles orbes azuis que a fizeram prender a respiração. Ele era uns bons quinze centímetros mais alto que ela, os ombros largos a fizeram se sentir um pouco menor.
― Sim, e você deve ser Cassie. ― Ele estendeu a mão para ela, suas pupilas claramente dilatadas.
Cassie tentava manter a calma, mas seu subconsciente já tentava memorizar cada detalhe no rosto daquele homem tão lindo à sua frente. Ele usava uma camisa branca de botões, que parecia simples, enfiada no jeans, mas o blazer preto que completava o visual lhe dava um ar sofisticado.
O homem segurou sua mão um pouco mais longamente, seu olhar de cílios loiros estudando sua figura.
― Por favor, sente-se. É ótimo conhecer você, finalmente.
Robert a olhava intrigado com um pequeno sorriso no rosto, ele não parecia chocado ou constrangido com a sua aparência despojada.
― Desculpe-me, eu acabei de sair do trabalho e vim direto para cá.
Cassie respirou fundo e, antes que o homem pudesse respondê-la, ela continuou com seu discurso ensaiado.
― Serei completamente sincera com você agora, Robert. Eu não queria vir. Isso tudo foi ideia de Denise, ela insistiu muito para eu tentar. Não preciso de um encontro às cegas para arranjar um relacionamento, porque não estou à procura de um. Realmente não tenho tempo para isso. Tenho um filho de seis anos e preciso trabalhar muito para criá-lo, então não posso entreter a ideia de um relacionamento agora, ou em um futuro próximo.
Se Robert fosse um babaca, provavelmente a xingaria agora e iria embora, encerrando essa noite mais cedo. Cassie teve sua quota de homens desagradáveis nos últimos anos. Homens que não aceitam serem rejeitados, então estava acostumada com o tipo.
― Wow! ― ele disse e riu um pouco. ― Se importa de me dizer por que você veio, então? ― Perguntou, a voz embebida em simpatia e curiosidade. Os olhos azuis ainda a encarando intensamente.
Cassie ajeitou-se na cadeira e levantou o queixo.
― Me senti culpada, é muito difícil conseguir uma reserva nesse restaurante. E também acredito que você merece a verdade sobre como me sinto sobre tudo isso.
― Obrigado pela consideração! ― Disse sorrindo e gesticulou para que o garçom se aproximasse da mesa.
― Deseja realizar o pedido, senhor?
― Eu não posso demorar. ― Cassie apressou-se em deixar claro que não ficaria muito.
― Ok. Qual o prato mais rápido que você me recomenda?
O garçom pareceu surpreso por um momento, mas respondeu rápido.
― Frango à Kiev, senhor.
― Quanto tempo?
― Trinta minutos, no máximo.
Robert virou-se para Cassie, levantando as sobrancelhas.
― Por mim, tudo bem.
― Está decidido, então. Pularemos a entrada e a sobremesa. Obrigado.
O garçom, claramente confuso, olhou para os dois uma última vez e saiu em direção à cozinha.
― Aceita uma taça de vinho?
Seus lábios se curvaram em um sorriso que lhe tirou o fôlego, fazendo-a desistir do plano de se levantar e ir embora.
― Sinto muito, mas estou dirigindo. ― murmurou apressadamente.
― Tudo bem, eu moro aqui perto, vim andando.
Cassie piscou algumas vezes, um pouco surpresa com a tentativa do outro de iniciar uma conversa. Por que aquele homem ainda estava ali sendo tão simpático como se não tivesse acabado de levar um fora de uma desconhecida?
― Temos trinta minutos até que a comida chegue. Prefere ficar em silêncio?
Robert cruzou os braços na frente do peito, tentando parecer sério, mas o brilho em seus olhos o denunciava. Cassie suspirou, ajeitando-se novamente na cadeira para ficar confortável, já que ficaria ali por mais um tempo.
― Desculpe por essa situação, mas eu realmente não estava preparada para vir.
― Não precisa se desculpar. E o que você faz para viver, Cassie?
Cassie mordeu os lábios. Não sabia como lidar com essa situação. Estava preparada para dar meia volta e ir para casa após seu desabafo sincero, mas Robert estava agindo como se nada tivesse acontecido.
― O que Denise contou sobre mim?
― Apenas seu nome e sua idade. Cassie Dewell, trinta e um anos.
― O mesmo comigo. Robert Pattinson, trinta e três anos. ― Ele sorriu e Cassie notou que ele tinha um sorriso muito bonito. Sem dúvidas, Pattinson era um homem atraente.
― Sou investigadora particular. Divido um pequeno escritório com um sócio no centro da cidade, não muito longe daqui.
― E é isso que você sempre quis fazer?
Normalmente, Cassie teria considerado todas aquelas perguntas como invasão de privacidade. Não costumava contar tanto sobre si para pessoas que acabara de conhecer.
― Sim, desde pequena eu sabia que acabaria fazendo algo assim. E você? O que faz da vida?
― Nada tão interessante quanto o que você faz. Sou fotógrafo, tenho uma galeria e um estúdio em São Francisco, mas moro aqui. Dirijo todas as manhãs para lá.
― Por que está aqui, Robert?
― O que quer dizer?
― O que um homem como você faz em um encontro às cegas?
― Um homem como eu? ― ele sorriu de lado, olhando-a vagamente divertido antes de tomar um gole da sua taça de vinho. ― O que isso quer dizer, exatamente?
Cassie tentou não sorrir.
― Sim, um homem como você. Você é provavelmente rico, bonito, educado. Aposto que não faltam opções, caso você queira se envolver com alguém.
Estudou-o um pouco mais por cima da mesa. Robert exalava uma calma que ela nunca havia experimentado na presença de outra pessoa. Ele parecia ser tão leve. E, claro, não dava para ignorar aquele sotaque sensual ou o cabelo loiro cuidadosamente desarrumado, como se ele tivesse acabado de transar com alguém.
― Eu não diria isso.
― Fala sério! Tenho sido sincera com você desde que cheguei. Aposto que tem mulheres lindas se jogando aos seus pés.
Cassie tentava ler aquelas íris azuis que a fitavam tão profundamente, mas ele mantinha uma calma invejável.
― Não acho que me gabar de ter mulheres se jogando aos meus pés é algo legal para se dizer em um primeiro encontro.
― Isso não é um encontro.
― Claro que não, como pude esquecer disso? ― Ele soltou um risinho irônico. ― Tem razão. Antes de você chegar, pelo menos duas mulheres tentaram flertar comigo.
Cassie sorriu vitoriosa.
― Eu sabia. E então? Por que está aqui?
― Não tive nenhum relacionamento realmente duradouro desde que me divorciei há três anos. Meus amigos dizem que preciso conhecer mulheres de verdade e ficar longe das modelos. Não tenho paciência para aplicativos de namoro, não acho que encontros online são para mim. Decidi deixar uma amiga procurar alguém que ela considerasse apropriada.
Cassie sentiu-se mal por ser a pessoa que ele conheceu na sua tentativa de algo novo. Ela não estava disponível para um relacionamento sério. Não podia negar que aquele homem a deixava intrigada, mas os dois não tinham nada em comum. Não tinha tempo para se envolver com ninguém, muito menos com ele.
— Vamos encarar a realidade, Robert. Nós dois fomos atraídos para cá porque temos uma amiga em comum que acredita que sabe o que é melhor para nós, quando é óbvio que somos pessoas muito diferentes.
Cassie conseguiu observar no rosto dele que suas palavras foram duras o suficiente para machucar um pouco, mas ele não perdeu a postura.
― Talvez, mas você deveria saber que, às vezes, duas coisas diferentes podem funcionar muito bem juntas.
Os olhos dele brilharam, depois se desviaram dos dela, parecendo constrangido por um momento. Cassie colocou alguns cachos do seu cabelo atrás da orelha. Não sabia mais o que dizer para provar-lhe que não estava interessada em namorar, esperava ter sido clara o suficiente. Sabia que todo o discurso de não ter tempo ou vida social para fazer mais nada soava patético, mas não se importava. Provavelmente não o veria outra vez depois daquela noite, mas apesar disso precisava admitir que Robert Pattinson era uma figura interessante.
Certamente, ele não estava tentando seduzi-la para uma noite de sexo sem compromisso. Com aquela aparência ela duvidava que ele algum dia teve que seduzir uma mulher. Cassie não queria ser seduzida. Seu corpo estivera congelado por anos, não se sentia atraída por ninguém de verdade há bastante tempo, não era como se não tivesse feito sexo desde que deu à luz, mas a última vez fora há mais de um ano e não foi agradável.
Nesse momento, um garçom se aproximou.
― Posso lhe servir mais uma taça de vinho?
Ele assentiu. Era difícil ler no seu rosto o que ele estava pensando e eles ainda tinham que ficar ali naquela situação por mais alguns minutos até que a comida chegasse e eles pudessem usá-la como desculpa para não falar.
― Hum! Eu já volto.
Sem olhar para ele, Cassie levantou-se e caminhou em direção ao que acreditava ser os banheiros do restaurante.
Lavou o rosto com água fria e encarou o espelho por alguns instantes. Estava bonita, parecia cansada, mas sua aparência ainda estava boa depois de um dia inteiro de trabalho. Alguém que não a conhecia apenas enxergava a pele negra saudável, os olhos expressivos e os lábios carnudos. Mas por dentro não era tão bonita assim. Tinha muitas mágoas, feridas abertas e uma dificuldade enorme em abrir o coração.
Saiu do banheiro controlando a vontade de passar direto para a saída, olhando para frente, sem fazer contato visual com o cara até estar fora do restaurante. Não podia fazer isso, não era covarde, decidiu ficar e encarar aquela situação como uma adulta até o fim. Sentou-se à frente dele na mesa novamente e teve que conter o riso quando o homem a olhou surpreso, ele provavelmente não acreditava que ela fosse voltar.
— Você nasceu aqui? — A voz de Robert soou calma enquanto seus lábios tocavam a taça de vinho.
Cassie olhou-o curiosa, não pensou que seria ele novamente a quebrar o silêncio constrangedor.
— Los Angeles, mudei para cá depois que…
Parou antes de revelar ser viúva, não achava necessário dar esse detalhe de sua vida para alguém que provavelmente não veria novamente. Por outro lado, isso com certeza o assustaria de verdade. Sua história era triste demais para compartilhar, não gostava do olhar de pena que recebia sempre que precisava contar essa parte. Cassie queria acreditar que seu passado trágico não a estava perseguindo e influenciando todas as suas decisões, mas não podia ignorar esse pensamento que voltava ocasionalmente.
Cassie visitava o pai, que conheceria o neto pela primeira vez, quando recebeu a notícia. Seu marido morreu em uma explosão de bomba no Afeganistão. Foi horrível. Cassie ficou sozinha para criar seu filho recém-nascido, e teve que se virar. Podia sentir seus olhos arderem, não conseguia evitar ficar emotiva com as lembranças. Eventualmente desistiu da academia de polícia um pouco antes da formatura e se mudou para viver com seu pai em Napa. A ajuda dele era essencial, ele amava o neto e faria tudo por ele, mas, assim como Denise, ele insistia para ela tirar algum tempo para si mesma. Cassie não se sentia pronta para isso.
— Depois que meu filho nasceu, acreditei que seria melhor criá-lo em uma cidade mais calma. E você?
— Blackpool — Respondeu sucinto, desviando seus olhos azuis para a grande janela de vidro que tinha vista para o jardim. — Mudei para Nova York quando terminei a faculdade, algum tempo depois, Los Angeles, depois São Francisco e, finalmente, Napa.
― E o que o trouxe para a América? Você se mudou bastante.
Cassie agora estava realmente curiosa, não tinha vergonha de admitir. Estava explicado a origem do sotaque britânico sedutor, mas não o porquê ele estava tão longe de casa.
― Vida nova. ― Ele a encarou de repente com aquelas íris azuis tão intensas.
Uma resposta vaga e misteriosa. De um jeito estranho, isso a fez sentir um pouco de frio na barriga. O cara era legal o suficiente para que ela continuasse a conversar com ele, então por que a ideia de continuar a perguntar sobre sua vida a deixava nervosa? O interesse não era romântico e, sim, puramente profissional. Ele poderia ser um exercício para o seu trabalho de investigadora.
O restaurante estava lotado, mas o barulho das conversas nas mesas não era o suficiente para distraí-la naquela hora. Robert ainda a observava. Balançou a cabeça para ver se colocava alguma razão em seus pensamentos e respirou fundo.
― Por que Napa? São Francisco e Los Angeles são cidades bem mais agitadas.
― Eu me apaixonei pela cidade.
― Não parece bom para seus negócios. Não deveria ficar perto da agitação? Tipo baladas, modelos, gente rica?
― Me aposentei da animação. Tive minha cota de aventuras, acredite. A galeria vai muito bem sem eu precisar estar fora de controle todas as noites.
— Fora de controle, hum? Como assim?
— Não quero te dar uma má impressão de mim no nosso primeiro não encontro.
Robert abriu um sorriso bonito, tomando outro gole do seu vinho. E Cassie não pode evitar sorrir-lhe também. Sentindo a garganta seca, ela fez o mesmo com a taça de água à sua frente.
— Certo. Então me conte sobre você e o seu trabalho. Quero saber um pouco mais, parece muito interessante.
— O que quer saber?
― O que você faz exatamente? É como o trabalho da polícia?
— Não, meu trabalho é mais contido, a polícia não quer civis se metendo onde não devem. Geralmente sou contratada para realizar o trabalho que a polícia não quer fazer.
— Você passa seus dias seguindo maridos infiéis?
— Por incrível que pareça, não recebo muitos casos de mulheres traídas.
Finalmente o garçom se aproximou e serviu a mesa com o prato escolhido e seus acompanhamentos. Cassie esperou que aquilo fosse tirar o foco da conversa de si mesma, mas, quando os dois ficam sozinhos novamente, Robert retomou o assunto.
― Dá para notar que seu trabalho é muito importante para você.
— E você? Por que fotografia?
— Sempre foi a minha coisa. Desde criança.
Disse antes de começar a comer.
― Uau, obrigada por compartilhar tanto.
Robert deu uma risada. E novamente Cassie riu com ele.
― Você tem um sorriso lindo.
Ele a encarou enquanto mastigava e engolia.
Cassie desviou o olhar para seu prato sem saber como reagir ao elogio repentino. Ele estava tentando flertar com ela?
Depois disso, os dois comeram em um relativo silêncio. Mas era um silêncio confortável. Nos dez minutos seguintes, ele falou brevemente sobre a comida, mas a deixou comer sem puxar assunto novamente. Ele abriu um sorriso quando o garçom chegou para limpar a mesa, e continuou em silêncio até que terminasse.
Quando a conta chegou, ela deixou que ele pagasse por tudo. Não parecia justo, já que ela não lhe ofereceu nenhum tipo de entretenimento durante aquela última hora, mas, mesmo sem conhecê-lo o suficiente, ela tinha certeza de que ele não permitiria que ela pagasse metade do valor total.
Em frente ao restaurante, lado a lado, os dois esperavam o manobrista trazer o carro de Cassie. O que ela deveria dizer para se despedir? Certamente aquela situação era estranha, mas o jantar não havia sido ruim, ela conseguia imaginar como aquela noite poderia ter sido bem pior.
― Bom, isso não foi tão ruim como eu pensei que seria quando resolvi ficar.
Ele riu.
― Sério? O que estava esperando?
― Após ter lhe dado um fora tão diretamente no exato momento que te vi, eu imaginei que você me xingaria por fazer você perder seu tempo sem nem ao menos se dar bem no fim da noite.
Ele ergueu as sobrancelhas.
― Você foi estranhamente compreensivo com toda a situação, e não é isso que costuma acontecer. Os homens conseguem ser muito babacas. Sem ofensas.
Seus lábios se curvaram de novo.
― Não fiquei ofendido. ― Os olhos dele escanearam seu rosto ― Posso ser sincero com você, Cas?
Ela ficou surpresa com o apelido, que pareceu tão natural para ele como se os dois se conhecessem há anos.
― Claro.
― Entendo e respeito que você não esteja à procura de um relacionamento, mas você é uma mulher linda e qualquer homem que disser que não se sente atraído por você após alguns minutos na sua presença estará mentindo.
Cassie sentiu-se envergonhada pela segunda vez naquela noite. Sua mente estava uma bagunça. De repente, a proximidade deles a deixou ansiosa por algo que ela nem mesmo sabia o que era. Ele enfiou as mãos no casaco e olhou para frente em direção à rua, não parecia esperar alguma resposta. Assim, de perfil, seu rosto era perfeito. Distraída, não percebeu que ele agora olhava para ela.
Antes que pudesse dizer algo, seu carro já estava pronto para ir. Recebeu as chaves da mão do manobrista e agradeceu antes de virar-se novamente para Robert, que ainda a encarava.
― Me desculpe novamente por tudo isso.
― Não tem nada para se desculpar. Eu tive uma noite muito agradável. Boa noite! Cas. Se cuida.
Sem esperar que ela respondesse, Robert caminhou em direção à rua.
― Boa noite!
Respondeu baixinho.
Observou ele caminhar pela rua por alguns segundos antes de entrar no seu Jeep Renegade e dirigir para casa.

***


Passava das 22 horas quando Cas entrou em casa e encontrou seu pai na sala de estar, distraído com um livro no seu colo.
― Oi, pai! ― disse trancando a porta atrás de si.
O homem parecia não ter notado que ela entrara, mas abriu um sorriso assim que a viu.
― Oi, Cas! Você demorou. Muito trabalho?
― Não. Na verdade, eu estava em um encontro. Um encontro às cegas, para ser mais específica.
Ela riu e sentou ao seu lado no sofá. Seu pai não disfarçou a surpresa, fechou o livro e virou-se para ela, ansioso por mais detalhes.
― E como foi?
Cas tirou a jaqueta, deixando-a de lado. Ignorou o como a resposta para aquela pergunta era tão fácil.
― Surpreendentemente, não foi ruim.
― Isso significa que...
― Não significa nada, pai. Não existe espaço para outro amor na minha vida por enquanto. Por falar nele, Kai está dormindo?
― Deveria estar. Coloquei-o na cama uma hora atrás.
Sob o olhar preocupado do seu pai, andou em direção às escadas.
― Obrigada. Vou dar uma olhada nele e depois vou para a cama. Boa noite, pai!
Ela subiu as escadas segurando os longos cabelos cacheados no alto da cabeça, enrolando-os em um coque bagunçado. No quarto ao lado do seu, Kai dormia profundamente ainda segurando seu tablet. Sorriu para si mesma, ajeitou o cobertor sobre ele e debruçou-se, beijando sua testa.
Seu coração se apertou, tinha tanto amor pelo filho e pela pequena família que eles tinham. Ela realmente acreditava ser suficiente. Tinha que ser. No seu quarto, ela abriu a janela de vidro para que um pouco de ar entrasse. A noite de março estava fria em Napa. Ela respirou fundo, a lua cheia alta brilhando ao longe. A solidão bateu. Ela estava tão cansada.
Pensou em Robert mais uma vez. No fundo da sua mente, desejava que ele não a esquecesse. Desejava que aquela noite estranha ficasse na sua memória por alguns dias. Nem que fosse como a lembrança do pior encontro que ele já teve.

São Francisco, Califórnia

Presa no trânsito de São Francisco, Cas mal podia acreditar que estava mesmo indo atrás de Robert Pattinson 6 meses depois daquele encontro às cegas.
O cliente que a procurou aquela manhã era de uma família rica e pediu urgência e confidencialidade no seu caso. Quando começou a estudar as pistas no seu intervalo na hora do almoço, descobriu que elas levavam até uma galeria de arte e fotografia em São Francisco e, com uma rápida pesquisa no Google, descobriu que ela pertencia ao famoso e prestigiado fotógrafo Robert Pattinson. Isso era, com certeza, uma coincidência muito estranha.
Agora que sabia quem ele é, estava surpresa por ele não ter se mostrado, ele tinha motivos de sobra para contar vantagem, mas aparentemente ele não era assim. Apesar de rico, atraente e o ar de confiança e a calma que ele emanava, ele não era arrogante. Ele não parecia ser do tipo que queria apenas dar uma rapidinha com uma mulher bonita. Ele também não disse nada para Denise sobre o encontro, não pediu seu telefone ou foi atrás dela depois daquela noite, ele respeitou sua vontade de estar sozinha.
Seria uma grande mentira dizer que não pensou em Robert nos dias que se seguiram ao encontro. Pensou nele no dia seguinte, quando Denise apareceu no escritório perguntando detalhes da noite passada. Pensou nele novamente quando, alguns dias depois, passou em frente ao restaurante. E alguns dias depois, na solidão escura do seu quarto, se pegou pensando: por que não? Por que não terminou a noite na cama com aquele homem?
Nos minutos finais daquele encontro ele deixou claro que se sentia atraído por ela, mas durante toda a noite havia sido um perfeito cavalheiro. E se não fosse o caso? E se ele tivesse sido ousado e a convidado para ir à sua casa? Ela teria aceitado? Provavelmente não. Não estava pensando em sexo naquele momento. Naquela noite não havia se dado conta do quão havia ficado atraída por ele. Estava muito concentrada em deixar claro que não queria se envolver com ninguém.
Os dias passaram e a memória dele foi ficando mais fraca, e agora, meses depois, ela estava dirigindo até ele. Apertou a direção do carro entre os dedos, precisava manter tudo isso no campo profissional. Era um cliente importante e estava pagando muito bem, não podia deixar seus pensamentos confusos por aquele britânico estragarem tudo.
Sem problemas. Ela saberia lidar com ele.

***


Depois de mais alguns minutos no trânsito, finalmente estacionou a alguns metros do prédio da galeria. Não havia ninguém no balcão de entrada além do segurança mal-encarado. Decidiu andar pelo lugar e não demorou muito para que uma mulher de cabelos cor de fogo e olhos muito verdes viesse em sua direção com um sorriso simpático.
― Boa tarde! Posso ajudá-la?
― Estou procurando o dono da galeria, Pattinson?
― Oh! Rob? Ele está em algum lugar por aqui ― a ruiva olhou em volta por um momento ― Ele gosta de falar com as pessoas. Por que não tenta o andar de cima? Siga este corredor até o final e você verá a escada.
― Vou fazer isso. Obrigada!
A galeria era maior do que parecia do lado de fora. Pessoas admiravam as obras em algumas salas e era possível ver pequenos grupos divididos e concentrados.
Distraída, quando virou uma esquina, Cas bateu com força em um peitoral masculino musculoso.
― Ai, meu Deus! Desculpe! ― Exclamou e ergueu os olhos.
― Não, eu que peço desculpas… ― o homem começou a dizer com ela.
Seus olhares se encontraram e ficaram em silêncio por um momento, até que se deram conta.
― Cassie Dewell!
Robert estava ali muito próximo dela, lindo como da primeira vez que o viu.
― Eu mesma.
Cas olhou para baixo para observar o resto do corpo dele. Como não havia reparado na primeira vez que o viu? O homem era todo musculoso, provavelmente tinha um peito definido e quase dava para ver através da camisa azul bebê que ele usava com as mangas enroladas no antebraço.
Quando seu olhar voltou a encontrar o dele, seu sorriso ficou mais largo. Cas deu um passo para trás tentando colocar alguma distância entre eles.
― Que bom ver você outra vez. Como você está? O que faz aqui?
Ele parecia genuinamente feliz em revê-la. Ela não sabia como interpretar aquilo.
― Oi, Robert!
― Por favor, me chame de Rob.
― Rob. Me desculpe aparecer assim, mas estou aqui a trabalho. Será que podemos conversar em particular?
Sua postura mudou e Cas sentiu uma ponta de arrependimento em ter que desmanchar aquele sorriso.
Ele a guiou até seu escritório, uma grande sala com janelas de vidro e sofás de couro. Conseguiu olhar ao redor rapidamente, prestando atenção na decoração moderna. Não havia uma mesa para reuniões, ou cadeiras como nos escritórios que ela estava acostumada a frequentar, tudo era bem minimalista. Cassie observou o homem se sentar em uma elegante poltrona de cor vermelho-vinho e sentou-se à sua frente ainda um pouco intimidada.
― Seu olhar está me deixando nervoso.
Ele cruzou as pernas, apoiando o tornozelo no joelho.
― Que olhar?
Rob torceu os lábios.
― Você está muito séria. Disse que era algo relacionado a trabalho? Posso te ajudar em algo?
― Não é nada tão sério assim. Recebi um caso hoje e acredito que você possa me ajudar.
Cas tentou fazer um bom trabalho resumindo o seu novo caso. Um casal de uma família bem tradicional da cidade estava à procura da filha mais nova de 22 anos, que fugiu da faculdade com o namorado há dois meses e se recusava a voltar para casa. A polícia não podia fazer nada, já que ela é adulta e não foi sequestrada. Cas precisava rastrear a herdeira para que seus pais pudessem ter uma chance de persuadi-la a voltar para sua vida.
Rob a ouviu com atenção, esperando para entender em que ele poderia ser útil em todo aquele drama familiar. A jovem fugitiva havia sido vista por alguns conhecidos naquela galeria duas semanas atrás, mas não havia nada nos gastos do cartão de crédito que indicasse que ela havia estado na cidade. Cas precisava ter certeza.
― Claro que posso ajudar. Não vou questionar se isso é ilegal ou não. ― ele sorriu ― Você é uma amiga pedindo um favor e eu fico feliz em ajudar.
Ela tentou ignorar o estranho incômodo que sentiu ao ser chamada de amiga por ele.
― Muito obrigada!
― Se você tiver uma foto dela e uma data exata, posso pedir a alguém que verifique as câmeras de segurança.
Rob agiu rápido, chamou alguns funcionários e passou instruções.
― Já que isso vai demorar um pouco, aceita tomar um café enquanto esperamos?
― Café?
― Sim, você toma café? ― Ele riu.
Ela ficou calada. Ele a estava convidando para sair? Não poderia ser isso.
― É só café, Cas, a cafeteria fica ali do outro lado da rua. Não há nada além de duas pessoas conversando. Minha companhia é tão desagradável assim?
― É claro que não. Nós podemos ir.
― Ótimo, por aqui, por favor.
Os dois caminharam em silêncio por alguns metros. O lugar estava movimentado naquele fim de tarde, a decoração grunge era bonita e, mesmo que ela soubesse que a intenção era fazer o lugar parecer acessível, tudo ali era possivelmente bem caro para seu bolso. Estava feliz por decidir colocar seu melhor jeans e botas novas.
Sentaram-se em uma mesinha nos fundos, um pouco distantes da aglomeração.
A garçonete se aproximou, rindo para Rob como se estivesse vendo uma estrela de cinema.
― O que vão querer?
― Cappuccino, obrigada.
― Um americano para mim, por favor.
Cas não sabia bem aonde aquela conversa iria, mas decidiu que, por educação, deveria ser a primeira a falar.
― Sua galeria é muito bonita. As fotos são incríveis.
Rob a encarou em silêncio por um momento, então lentamente abriu um sorriso sexy.
― Muito obrigado. Fico feliz que tenha gostado.
Por um segundo, ela ficou olhando para ele como uma boba sem saber como continuar aquela conversa.
Sentar frente a frente com Rob dessa vez não era nada como a primeira. Agora ela não podia negar o efeito que ele causou nela da primeira vez. Rob era um homem atraente e Cas sentia-se atraída por ele.
― Realmente não acreditei que a veria outra vez, Cas, então me desculpe se estou agindo um pouco estranho. Mas, vamos lá, me diga, você está bem?
De certa forma era bom saber que ele também não esperava por aquele reencontro. Os dois partiram naquela noite como estranhos ou duas pessoas que se conheciam de vista e não tinham nada em comum.
― Sim, estou bem. Trabalhando bastante. Não tenho muito tempo para outras coisas esses dias. Nada mudou na minha vida. E você, como está? Ainda não desistiu de viver em Napa?
― De jeito nenhum. Meu apartamento ficou pronto, finalmente. Agora tenho um estúdio completo onde posso trabalhar nos dias em que eu não queira vir até aqui.
― Isso acontece muito?
― Bastante, ultimamente. Às vezes preciso ficar sozinho para trabalhar.
Um sorriso preguiçoso se formou em seu rosto bonito enquanto ele passava a mão por seu cabelo de fios desalinhados que faziam a mão de Cas coçar com vontade de tocá-los. Era difícil não encarar cada movimento dele.
Ela se ajeitou na cadeira.
― Fico feliz que não tenha ficado nenhum ressentimento entre nós depois daquela noite. ― ele continuou ― Foi um bom jantar, apesar das circunstâncias. Conversei com Denise e pedi que parasse com a operação cupido, por enquanto.
Isso significava que ele ainda estava solteiro?
― Não fiquei brava com ela, e muito menos com você, que também não sabia de nada. Tenho certeza de que você pode encontrar alguém legal sem precisar de ajuda.
A garçonete se aproximou e serviu as bebidas rapidamente.
― Tem razão. Não preciso. Mas, se quer saber, eu fiquei feliz que você tenha aparecido, foi bom conhecer você. No meu primeiro e único encontro às cegas eu conheci alguém como você. Chamo isso de sorte.
Por que o coração dela estava batendo com tanta força? Ele estava flertando com ela? Uau, fazia tempo que ela não se sentia tão atraída por alguém a ponto de querer flertar de volta. Cas perdeu a capacidade de falar, e ele continuou tomando seu café, parecia que ele sabia exatamente o que causou. Enquanto isso, seu cappuccino estava intacto.
― Também tive uma noite muito agradável.
Decidiu dizer por fim. Não sabia se aquilo era flertar de volta, mas tentou ser sincera.
Durante a meia hora seguinte, a conversa continuou, e um café acabou virando um delicioso pedaço de torta de maçã. Conversar com Rob era mais fácil do que Cas gostaria de admitir. Ele era um ouvinte fantástico e estava sempre interessado no que ela tinha para contar e respondia ou fazia comentários no momento certo.
― Alguém já lhe disse que você tem um sorriso lindo? ― Rob perguntou.
Cassie foi pega de surpresa pelo elogio.
― Obrigada. Posso te perguntar uma coisa? ― Ela disse.
― Tenho a sensação de que você vai perguntar de qualquer jeito.
― Você está flertando comigo?
Rob levantou uma sobrancelha e seus ombros ficaram tensos. Um momento de constrangimento se estabeleceu entre eles.
― Depende.
― Depende do quê?
― Você ficou desconfortável?
Cassie pensou por um momento. Ela estava ciente do efeito que ele vinha causando em seu corpo desde que se chocou contra ele na galeria. Não fazia sentido mentir agora.
― Não.
O telefone dele tocou, tirando os dois daquela tensão sexual que pairava pesada sobre eles. Rob limpou os lábios com um guardanapo antes de enfiar a mão no bolso da calça e tirar o aparelho.
― Parece que encontraram o que você precisa. Podemos ir?

***


Napa, Califórnia

Cassie apertou o play no controle remoto, fechou o seu notebook e alcançou a longneck de cerveja. Era sexta-feira à noite, ela podia beber um pouco mais. Seu pai havia levado Kai para pescar e ficariam o fim de semana inteiro fora. Ela tinha dois dias para beber cerveja barata e assistir a última temporada de 90 Dias Para Casar sem ser julgada. Perfeito, depois de uma semana de trabalho duro envolvendo muito drama familiar ela finalmente estava pronta para o descanso merecido.
De banho tomado e vestindo nada além de um short velho de pijama que mal cobria sua bunda e uma camiseta estampada com uma foto de Jimi Hendrix, ela se acomodou no sofá da sala. Ela amava aquele silêncio apenas interrompido pelo som baixo da TV e pelo seu celular, que estava vibrando bastante nos últimos 15 minutos. Ela sabia quem era. Estava conversando com ele desde a hora do almoço. Uma imagem de Robert passou pela sua cabeça. O que havia nele que despertava tanto interesse nela? Aquele homem era perigoso para sua paz de espírito.
O celular vibrou novamente e dessa vez não parou. Pegou-o, checou o identificador de chamadas e apertou o botão.
― Alô!
― Boa noite, Cassie!
A cadência sexy daquela voz britânica sempre a pegava desprevenida.
― Estou começando a me arrepender de ter te dado meu telefone.
Ele riu.
― Sério? E eu achando que você estava muito grata pela minha ajuda no outro dia ― ele fez uma pausa. ― Você me agradeceu. Não estava sendo sincera?
Sério? Aquele homem sabia como deixá-la sem palavras.
― Claro que estava sendo sincera. Realmente agradeço sua ajuda, e fiquei te devendo uma, mas…
― Então venha jantar comigo. Apenas jantar, Cassie. Duas pessoas conversando enquanto aproveitam boa comida. E dessa vez nada de restaurante Michelin.
Ela ficou calada por um momento.
― Não acho que seja uma boa ideia.
― Você acabou de dizer que me deve uma pela ajuda que te dei, e o que eu quero em troca é só isso, que você venha jantar comigo amanhã.
O coração dela disparou. Não podia fazer isso, mas queria tanto que a vontade de vê-lo novamente a assustava.
― Estou sozinha em casa esse fim de semana e queria descansar…
― Perfeito. Te pego na sua casa, nós vamos comer e te levo de volta a tempo de dormir cedo.
― Obrigada pelo convite, Rob, mas não posso…
― Vou buscá-la amanhã, por favor, me mande seu endereço por mensagem.
Cassie suspirou alto e ficou em silêncio por um momento. Estava horrorizada em constatar que queria muito dizer sim, mas também não queria ceder tão facilmente.
― Cassie?
― Estou pensando.
― Tudo bem, eu posso esperar. Podemos falar sobre outra coisa enquanto você pensa. Como foi o seu dia?
Ela levou uma das mãos à cabeça e esfregou a têmpora.
― Bom… Ótimo. Muito trabalho. Não faz muito tempo desde que cheguei em casa e estava prestes a pedir comida quando você ligou.
― E o que você vai comer, Cas?
― E para que você quer saber, Rob?
― Para eu aprender o que você gosta.
Ela suspirou novamente. Decidiu que seria melhor relaxar um pouco e suavizar o tom da voz. Não queria parecer estar sempre na defensiva.
― Pizza ou hambúrguer com fritas. Talvez os dois. A verdade é que estou faminta.
Robert riu do outro lado da linha.
― Então amanhã tomaremos cervejas e comeremos carne em algum lugar.
― Ei, eu nunca disse que ia sair com você ― ela fechou os olhos ― Eu disse que iria pensar.
― Mas você vai. Não vai, Cassie?
A voz dele mexia com ela de um jeito inexplicável. Mesmo pelo telefone, sem vê-lo, ele conseguia deixá-la completamente desnorteada. Por que ele não podia ser igual aos outros e simplesmente desistir dela?
― Você está me matando. ― Resmungou no telefone.
Ele riu e o som da risada dele a fez sorrir.
― Isso é um sim?
― Ok! Vou sair com você, Robert Pattinson.
― Perfeito. Vou buscar você às dezenove horas, me mande seu endereço por mensagem. Preciso ir agora. Vou deixar você se alimentar. Boa noite, Cassie Dewell.
Mais tarde, enquanto se ajeitava na cama para dormir, no escuro, repassou mentalmente a conversa dos dois. Ela tinha um encontro marcado com um homem e não conseguia entender como aquilo estava acontecendo.

***


O Blue Moon Bar e Grill era o novo lugar mais badalado da cidade. Não era necessário fazer reserva com meses de antecedência, mas era preciso sorte para conseguir uma boa mesa em um sábado à noite. Ou, no caso de Robert Pattinson, um sorriso bonito também ajudava.
Sentado atrás de um prato de churrasco, Robert estava lindo com seu habitual cabelo desgrenhado e seus olhos azuis atentos a cada movimento que ela fazia. Não havia constrangimento dessa vez, conversar com ele era natural e agradável. Ele conseguia flertar e deixá-la envolvida em tensão sexual, mas também conseguia esfriar a conversa falando sobre arte e marcas de cerveja que ele gostava.
― Diga-me algo sobre você, Cassie. Sinto que ainda há tanto para descobrir.
― O que você quer saber?
Cassie quase conseguia ver as engrenagens na cabeça dele girarem, ele estava curioso sobre alguma coisa.
― Posso saber por que cria seu filho sozinha? Não lembro de você mencionar um divórcio.
Cassie espetou um pedaço de carne com um garfo e tomou um gole do seu chopp.
― Meu marido morreu quando Kai tinha menos de dois meses de nascido.
O sorriso dele se desmanchou imediatamente. Ele parecia mortificado.
― Me desculpe, Cassie, eu não fazia ideia. Sinto muito mesmo. Não devia ter…
― Está tudo bem. ― ela o interrompeu ― Você iria saber de qualquer jeito mais cedo ou mais tarde.
Graças a ela, o clima divertido foi destruído. Observou-o por um segundo. Ele parecia desconfortável com a direção da conversa, mas não tinha a mesma expressão de pena que estava acostumada a ver nas pessoas quando esse era o assunto.
― Eu sinto muito. Isso deve ser difícil de lidar. Mas sinto que agora te entendo um pouco melhor.
― É bem difícil, sim, mas o pior já passou, nós estamos bem.
Cassie sorriu com a lembrança do sorriso feliz do seu filho. Rob sorriu para ela do outro lado da mesa e então ele mudou de assunto.
Todo o nervosismo que sentiu mais cedo enquanto o esperava ainda em casa havia desaparecido. Sentia-se tão à vontade na sua presença, como se aquela não fosse apenas a terceira vez que o via.
― Na próxima vez, vou cozinhar para você.
Ela levantou uma sobrancelha. Estranhamente, a ideia de uma próxima vez não foi o que a deixou surpresa.
― Você cozinha?
― Por que isso é tão surpreendente? ― Ele riu. ― Você ainda vai descobrir muitas coisas sobre mim.
Ela pegou uma batata frita e apontou para ele.
― Ainda não consigo acreditar que me convenceu a sair com você.
Ele se inclinou e mordeu a batata frita dos dedos dela. Aquilo fez todos os pelos do seu corpo se arrepiarem.
― Você não parece arrependida de ter vindo. Quero conhecer você melhor, Cassie. Mas estou em uma posição difícil aqui. Sei que você não está procurando por um relacionamento, e quero respeitar sua vontade, mas, ao mesmo tempo, a menos que eu tenha entendido errado todos os sinais, você sente algo por mim também. Consigo ver uma chama nos seus olhos. Me diga se estou maluco.
Seus olhos se encontraram com os dele. Robert estendeu a mão e pegou a dela. Cassie respirou fundo antes de colocar as cartas na mesa.
― Não quero um relacionamento, pelo menos não agora. Mas também não me sinto mais na idade para sexo casual.
― Não desejo você apenas por uma noite, Cassie.
Ela riu daquela situação. Estava confusa, não sabia se deveria se jogar em seus braços ou correr para bem longe dele. Notando que não receberia uma resposta, ele soltou sua mão e continuou a conversa, mudando novamente de assunto. Permaneceram na mesa por um tempo mesmo depois de comerem, a conversa fluindo naturalmente. E assim o encontro seguiu tranquilo.
Cumprindo o que prometeu, Robert a levou cedo para casa. Os dois saíram do bar de mãos dadas, e ela não fazia ideia de como aquilo aconteceu. Ele dirigiu devagar pelo trânsito e abriu a porta para ela descer. Segurando sua mão, ele permaneceu perto olhando para ela e Cassie podia jurar que ele iria beijá-la. Mas, em vez disso, ele se inclinou até ela poder sentir a respiração dele no seu rosto. Com a boca dele tão perto do seu ouvido, ela não conseguia pensar em mais nada além do perfume masculino delicioso que ele usava.
― Então. Quando posso vê-la de novo, Cassie?
Ela queria tanto que ele a beijasse, e se odiava um pouco por se sentir assim. Robert soltou sua mão e deu um passo para trás. Com o corpo quente por estar tão perto dele, ela precisou de alguns segundos para acalmar seu coração.
― Me liga amanhã. Preciso pensar e não consigo fazer isso agora com você tão perto.
Ele olhou para baixo antes de mostrar seu sorriso torto e arrogante que sempre a derretia.
― Boa noite, Cassie.
Ela sorriu de volta para ele e se virou em direção à casa, mas antes que chegasse muito longe seus pés a levaram de volta na direção do carro. A atração era mais forte que ela. Andando a passos largos, chegou até ele e Robert agiu depressa. Segurou suas bochechas e, antes que ela percebesse, suas costas estavam encostadas no carro. Colou seus lábios nos dela e, sem perder tempo, mergulhou a língua na sua boca. Seu beijo era intenso e gentil ao mesmo tempo. Ele inclinou a cabeça, aprofundando o beijo, e ela gemeu com a sensação daquele corpo firme pressionado contra o seu. Cassie envolveu as costas dele com os braços e cravou suas unhas ali quando sentiu-o agarrar sua bunda. Os dois se tocaram, desesperadamente perdidos naquela sensação.
Quando o beijo terminou, os dois estavam ofegantes. Cassie foi a primeira a falar, ainda tentando controlar a respiração.
― Uau!
― Deus, eu quis fazer isso a noite toda.
Ela sorriu.
― Eu me diverti muito, Rob. Por favor, me ligue amanhã.
Ela caminhou depressa, lutando para se afastar dele, e entrou na casa, batendo a porta com força e se apoiando contra ela. O que diabos estava fazendo?
Cassie fizera uma lista de motivos para não se envolver com aquele homem, mas nada daquilo fazia mais sentido. Rindo para si mesma ela subiu as escadas em direção ao seu quarto. Não sabia se aquele beijo podia virar algo mais, mas depois de tantos anos ela sentia uma vontade enorme de fazer algo totalmente impulsivo. Não era ingênua de acreditar que seria fácil, ainda tinha seus problemas e não sabia se um dia conseguiria superá-los. Os dois com certeza teriam um longo caminho pela frente se decidissem ficar juntos. A sensação de ser desejada não só fisicamente por alguém era maravilhosa e também assustadora. Mas mesmo assim mal podia esperar para ver aquele britânico outra vez.




Fim



Nota da autora: Olá, tudo bem com vocês? Essa é minha primeira fanfic no site. Fazia um tempão que não escrevia nada que não envolvesse kpop. Essa história surgiu da minha obsessão com Robert Pattinson após assistir The Batman e a PP é inspirada em uma personagem de uma série que gosto muito. Se gostarem, comentem! Xoxo



Nota da beta: Oi! O Disqus está um pouco instável ultimamente e, às vezes, a caixinha de comentários pode não aparecer. Então, caso você queira deixar a autora feliz com um comentário, é só clicar AQUI.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


comments powered by Disqus