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Última atualização: 21/07/2021

Prólogo.

Harry se deitou em sua cama no quarto de hotel após escrever a segunda música naquela noite. O show fora incrível, como sempre, mesmo que ele soubesse que sua distração não havia passado batida perante os fãs. As vezes ele não era tão bom ator quanto deveria ser. Ele estava jogado na cama e uma garrafa de whisky se encontrava na mesinha de cabeceira, juntamente com um copo, agora vazio, que outrora se encontrava em suas mãos. As letras de músicas e rabiscos estavam espalhados por todo canto mas a cama continuava fria e vazia, em um lembrete claro de que ela não estava ali.
Estava cansado.
Não dos fãs, não da carreira ou da correria das turnês.
Estava cansado de se sentir triste. Estava cansado de escrever tantas músicas sobre ela e sobre o que aconteceu, expressando seus sentimentos sobre aquele assunto. Ele queria poder voltar cinco meses atrás e retirar tudo o que disse. Ou melhor, o que não disse. Queria ter o poder de apagar tudo o que havia acontecido.
Os dedos trêmulos de Harry discaram o número o qual ele havia decorado. Ele sabia que ela não o atenderia caso visse o nome dele brilhar na tela, então o único jeito foi colocar o número para privado, mesmo sabendo também que sua identidade não ficaria escondida quando a garota atendesse, o que não demorou mais do que o terceiro toque.
— Coucou!* — saudou com a voz rouca e o coração do rapaz parecia saltar do peito.
Naquele momento ele não queria ser famoso, ele não queria ter milhares de fãs, ele não queria nem mesmo todo aquele dinheiro que tinha em sua conta bancaria. Ele só queria ela ali. Ao seu lado. Rindo de uma forma escandalosa, chorando por causa de uma comédia romântica, fazendo amor ou trocando pequenos carinhos e, até mesmo, implicando com ele.
— Você sempre me perguntou porquê eu nunca escrevi uma música sobre você. — ele começou com a voz tremula. — É impossível compor sobre como os seus olhos sorriem quando você fala sobre algo que você gosta. É impossível descrever a sua risada alta ou como o seu cabelo fica uma completa e linda bagunça quando você acorda; É impossível falar sobre como o seu cheiro faz com que eu me senta em casa, ou como sua mão encaixa na minha.
— Harry. — a francesa reconheceu, sentindo sua garganta fechar e lágrimas subirem aos seus olhos. — Por favor, não faz isso...
— A verdade, , é que eu não posso e não consigo te escrever apenas uma música. — ele continuou, ignorando o pedido da garota. Sabia que precisava falar tudo que estava pensando, e teria que ser rápido antes que começasse a chorar de novo. — Eu acabei de escrever mais uma sobre você e achei que talvez você quisesse ouvir... Você pode desligar a hora que quiser, está tudo bem também.
Todos os dois estavam machucados. , ao contrário de Harry, não conseguiu segurar e estava chorando em alto e bom som, e aquele era o pior som que o rapaz poderia escutar. Ouvir a voz dele depois de vários meses era como queimar, e ele sentia o mesmo. Ele detestava ter machucado ela.

Don't you call him "baby"
(não o chame de amor)
We're not talking lately
(nós não estamos nos falando ultimamente)
Don't you call him what you used to call me
(não o chame pelo que você costumava me chamar)

I, I confess I can tell that you are at your best
(eu, eu confesso que você está no seu melhor)
I'm selfish so I'm hating it
(eu sou egoísta, então eu estou odiando isso)
I noticed that there's a piece of you in how I dress
(eu percebi que tem um pedaço de você em como eu me visto)
Take it as a compliment
(leve isso como um elogio

Don't you call him "baby"
(não o chame de amor)
We're not talking lately
(nós não estamos nos falando ultimamente)
Don't you call him what you used to call me
(não o chame como você costumava me chamar)

I, I just miss
(eu, eu só estou com saudades)
I just miss your accent and your friends
(eu sinto falta de você e dos seus amigos)
Did you know I still talk to them?
(você sabia que eu ainda falo com eles?)

Does he take you walking 'round his parents' gallery?
(ele te leva para passear na galeria dos pais dele?)


— Me desculpe se ficou ruim... ainda falta alguns ajustes e definir a melodia, mas... — ele se apressou a falar, se deitando na cama e parando a si mesmo quando sentiu seus olhos transbordarem e as lagrimas cairem deliberadamente, assim como as da garota do outro lado da linha. — Não se esqueça de mim, ...
sabia o quão nervoso ele ficava ao mostrar suas músicas não ouvidas. Ela sabia também que era uma das únicas pessoas a ouvir antes do lançamento, sendo ela a única a ouvir antes dos ajustes. Mas todas essas observações não fizeram com que ela se sentisse melhor. Muito pelo contrario;
— Eu sinto muito, Harry. — ela se desculpou com a voz fanha, e ambos sabiam que ela falava a respeito do que tinha acontecido com a relação dos dois.
— Eu amo você... — ele sussurrou e ela sentiu vontade de gritar.
Ela queria ouvir aquilo há sete meses atrás, quando ele estava dirigindo por Londres para deixa-la em casa. Queria gritar que estava fingindo estar na melhor fase dela, que estava fingindo seguir em frente. Quis dizer que ela estava se sentindo péssima ao deitar na cama e ter outra pessoa ao lado dela. Outra pessoa que não fosse ele. Dizer que sentia um gosto amargo na boca ao chamar outra pessoa de mon cheri*, mas que ela precisava fazer isso. Ela se sentia como um fantasma ao trocar de roupa porque ele estava presente em tudo que ela fazia. E o mais importante; dizer que ainda o amava e que seria impossível esquece-lo.
Mas ao invés disso, ela desligou a ligação.

Significado da(s) palavra(s)/frase(s) em francês usada(s) no capítulo:
*“Coucou!” = olá
*“Mon cheri”
= querido/amor.


1. O pop star em ascensão.

A Range Rover preta para na frente da chácara, e se apressa a sair do carro ao visualizar através do vidro fumê. A amiga estava vestida com um vestido de alcinhas e uma jaqueta por cima, e seus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo alto.
— Eu senti tanto sua falta! — se adianta a falar, envolvendo a amiga em um abraço.
— Estava me perguntando por quanto tempo você aguentaria sem mim. — disse e logo se afastaram, deixando livre para mostra-la o dedo do meio.
— Eu estou cansada demais para poder te responder a altura. — resmungou segurando a mala e andando lado a lado com . — Obrigada por ter me indicado para o cargo de fotógrafa, não poderia ter tido oportunidade em um melhor momento.
A chácara era um lugar lindo. O caminho com cascalhos levavam até a área central, que era altamente sofisticada e silenciosa.
— Harry e Jeff ficaram loucos com o seu portfólio. Nós teremos uma confraternização para que a equipe se conheça melhor, então já é melhor começar a se arrumar. — alertou ao entrarem no elevador.
— Esse lugar é enorme.
— Você não viu nada! O estúdio em que o álbum vai ser gravado é o mesmo em que o Drake e a Rihanna gravaram. — contou admirada e saindo do elevador. — O primeiro andar é o térreo, onde fica a piscina, área de lazer, sala de jogos, barzinho e tudo mais. Segundo andar é onde ficam os quartos e o terceiro andar é do Harry.
— Que complexo de narciso desse cara. Ficar em um andar enorme sozinho sendo que tem mais de duzentos quartos aqui em baixo.
— Para de implicar, , ele é um artista em ascensão. — repetiu a frase de Jeff, e a francesa revirou os olhos.
— E daí? Nós, meros mortais, não merecemos o prazer da companhia dele?! — disse crítica. — Eu não gosto dele desde a época da One Direction.
— E então porque veio trabalhar com ele? — perguntou a amiga, virando-se para olha-la.
— Não é como se eu fosse rica o suficiente para negar uma proposta de emprego, e que paga relativamente bem. Eu estava desempregada a meses, você sabe disso. — explicou categórica.
— Ele é uma pessoa muito gentil, se quer saber. A ideia de fazer uma festa apresentando os convidados foi dele.
— Que horas vai ser o happy hour? — perguntou interessada.
— Ás 20h. — informou parando a frente da porta do quarto 234. — Esse é o seu quarto. O meu fica um pouco mais a frente, é o 236.
— Ok, eu me viro para achar o lugar, quero chegar mais tarde para fazer um suspense. — avisou.
— E é o Harry que tem uma crise de narciso? — perguntou retórica e a amiga sorriu, dando de ombros e entrando no quarto. — Não demora muito pra descer senão venho te arrastar pelos cabelos, garota.
— Deixa comigo, vou causar uma boa impressão. — encerrou e fechou a porta após se despedir da amiga.

***

O rapaz puxou os cabelos para trás em forma clara de perturbação e nervosismo. Era típico de Camille deixa-lo assim, levemente irritado.
— Eu não ficar na Jamaica, Harry! Daqui há alguns dias terei uma participação na nova edição da Vogue, não dá para colocar minha carreira de lado para priorizar a sua. — disse a garota loira enquanto tentava tirar os cabelos do rosto, que estavam rebeldes pelo vento da noite.
Os dois estavam caminhando para o lugar em que aconteceria a confraternização da equipe, quando o assunto veio a tona. Aquela conversa já estava perdurando uma semana, e depois do sexo maravilhoso que tiveram, não pôde mais ser adiada.
— E o que você quer que eu faça, Camille? — perguntou tentando parecer paciente. Tendo uma discussão era a ultima coisa que ele queria estar fazendo.
— Que venha embora comigo para Londres. Você pode gravar o álbum aqui e até mesmo em Paris, seria melhor para nós dois. — disse com o sotaque francês carregado, fazendo com que Harry risse irônico.
— Então você não pode ir comigo porque não quer abdicar da sua carreira mas eu tenho que mudar o lugar de gravação do álbum por sua causa? Você está falando sério? — perguntou e viu a mulher se aproximar. — Toda a minha equipe está movendo céus e terras para poder vir para aqui, Camille. Eu, definitivamente, não vou fazer isso com eles.
— H, você paga o salário de todos aqui, eles são seus empregados. Você manda, e eles obedecem, esqueceu? — perguntou arrogante e abraçou o rapaz pelo pescoço, deixando um beijo no maxilar rijo do cantor.
— A resposta é não. — encerrou se desvencilhando dos carinhos da francesa. — Quando eu for para Paris na semana de folga nós podemos ficar juntos, mas eu não vou com você.
— Eu não vou ficar esperando você. — rugiu e Harry apertou a fonte do nariz, respirando fundo.
— Esse é o motivo pelo qual a nossa relação é aberta. — explicou e a garota mostrou o dedo do meio. — Muito maduro, Camille.
— Va te faire foutre*, Harry! — vociferou e saiu do jardim onde estavam, marchando para o bar dentro da chácara onde seria o happy hour.
Os dois haviam chegado na Jamaica há três dias e estavam hospedados na chácara. A equipe estava a todo vapor e deveria ter cinquenta funcionários ali, estando dentre eles o produtor Jeff Azoff, os parceiros de banda, alguns profissionais da Columbia Records, os staffs para a montagem de som e de todo ambiente, operadores de filmagem e som, e por fim o resto da equipe que chegara hoje, com a nova fotógrafa e o produtor musical.
E por mais que o tempo passado com Camille trouxesse benefícios para ambos, tanto na carreira quanto na cama, ele não mudaria o rumo de tudo por conta de um capricho da garota. Ele gostava a companhia dela, não podia negar. Mas os comportamentos que ela tinha perante as outras pessoas eram completamente desgostosos para Harry. Ele havia tentado conversar com ela a respeito disso, mas quando estava perto de pessoas sem tanto dinheiro, a educação dela se tornava muito escassa. O fazia querer ficar longe.
Harry levou uma das mãos até a ponte do nariz, apertando e fechando os olhos com força. Ele ainda podia jurar que estava ouvindo o sotaque francês chamar por seu nome, passava tanto tempo com a garota que o sotaque estava impregnado nos ouvidos e na mente do cantor....
O som de saltos batendo contra o assoalho foram o suficiente para Harry.
— Camille, eu já disse que não vou... — começou e passou uma das mãos pelo cabelo, deixando o braço erguido ao se virar.
Péssima ideia.
Tudo aconteceu muito rápido, estava indo para o lobby para pedir informação de onde seria a festa, mas viu o cantor e resolveu se apresentar antes, além da curiosidade que sentira ao ouvir a discussão do casal. Já Harry estava tão fulo com o comportamento de Camille que mal percebeu que quem quer que seja que viera falar com ele, se aproximou mais do que o suficiente, de forma ao abaixar o braço e virar de forma bruta, o ombro do jovem se conectou diretamente com o rosto da garota, que se curvou ao sentir o impacto doloroso no seu nariz.
— Merde!* — grunhiu em francês e Harry continuou em pé com a mão fechada em punho na frente da boca, tentando entender o que aconteceu. — Putain!* Caralho!
— Eu acho que não consigo lidar com outra francesa agora... — o cantor murmurou com o olhar fixo na garota ao ouvir os palavrões, mas aparentemente não falou baixo o suficiente, fazendo com que ela se calasse ao ouvir as palavras e erguesse o rosto, tirando a mão do nariz ensanguentado. Era notório a raiva que transbordava nos olhos da francesa.
— Que caralho você esta falando? Fils de pute!* — a garota vociferou ofendida, sem se importar com o tom alto ou com a mistura que fazia do inglês com o francês, atraindo a atenção de um dos seguranças que passavam por ali.
Naquele momento ela não estava preocupada com o emprego ou em estar gritando e xingando o homem que era seu mais novo patrão. E também não pareceu se preocupar com o segurança que se aproximava, já que sua próxima ação foi erguer a mão em punho e acerta-la no rosto de Harry.
O segurança não hesitou em agarra-la pela cintura, tirando-a de perto do cantor, que segurava o nariz que agora também sangrava.
— Quel votre problème? Enculé!* Você nem sequer pediu desculpas! — continuou brava, misturando os dois idiomas enquanto tentava se desvencilhar do segurança que pedia para que ela se acalmasse.
— Eu iria pedir antes de você me socar! — Harry respondeu ofendido.
— Va te faire foutre!* — repetiu a frase antes usada pela outra francesa, desistindo de lutar com o segurança que a segurava.
Para Harry todos aqueles xingamentos eram reconhecíveis, já que Camille fazia questão de dizer as mesmas coisas quando os dois brigavam. Filho da puta, idiota e a ultima e mais usada era vai se foder... mesmas palavras mas ditas por francesas diferentes.
Alguns minutos se passaram e os dois estavam sentados lado a lado no meio fio a espera da enfermeira. Ambos com um lenço estancando o sangue incessável que escorria deliberadamente pelos narizes machucados, separados apenas pelo segurança, que insistia em ficar no meio para evitar que mais socos fossem distribuídos. Harry queria perguntar se todas as francesas tinham um gênio forte, mas se conteve, sabendo que aquilo iria deixar a garota mais nervosa ainda.
— Você quer que eu acione a polícia, senhor? — o segurança perguntou ao ver a mulher de branco se aproximar com uma caixa de primeiros socorros e a garota levantou revoltada.
— A polícia é para ele, não é? — perguntou e Harry riu, fechando o sorriso logo depois ao sentir o nariz dolorido.
— Não, obrigada, mas já está tudo sobre controle. — disse calmo, se levantando e o segurança fez o mesmo.
— Tem certeza, senhor? Você pode denuncia-la por agressão. — insistiu e a garota olhou chocada.
— Tenho sim, obrigada. — Harry encerrou com um sorriso de canto pela revolta da garota.
Ao ver o segurança sair, ela bufou, e voltou a se sentar quando a enfermeira mais velha pediu para que ela o fizesse.
— Qual seu nome, querida? — a mulher que aparentava ter sessenta e poucos anos perguntou.
— É, qual seu nome? — Harry perguntou também, parecendo interessado.
— Cala a boca. — a francesa desconhecida disse, franzindo o cenho para ele. — Meu nome é , senhora.
— Podem me chamar de Charlotte. — se apresentou terna. — O que aconteceu com seu nariz?
— Ele me bateu. — disse acusadora e viu o olhar indignado da velha enfermeira. — Mas foi sem querer.
— E você, querido? — perguntou se dirigindo para o cantor.
— Meu nome é Harry, e ela me bateu porquê quis. — se apresentou.
— Ele foi um escroto! — revelou e a senhora riu, assentindo e terminando o curativo.
— Será que eu posso ficar com um curativo menor? Eu tenho fotos amanhã. — disse e olhou para ; o rosto dela era familiar demais para Harry, e ele tinha certeza já ter observado aquele nome em um dos inúmeros currículos e portfólios avaliados. — Espera, você é a minha fotografa?
— Provavelmente amanhã eu seja demitida quando Jeff souber que eu soquei o cantor pop em ascensão. — disse chateada. Era o primeiro emprego que ela conseguia depois da trágica saída da produção da Gucci e provavelmente seria o ultimo. Afinal, quem contrata uma fotografa que distribui socos por ai no primeiro dia de trabalho?
— Não se preocupe com o curativo, amanhã vocês já podem tirar. É só para estancar o sangue. — explicou Charlotte e ambos assentiram.
— É só nós não contarmos o que aconteceu de verdade. — Harry propôs ao ver a enfermeira se despedir depois de terminar o curativo dele. — Para todos os efeitos meu nariz começou a sangrar enquanto eu iria para a festa e acabei parando na enfermaria, por isso o curativo. E você acabou adormecendo antes de ir para a festa, por isso não apareceu por lá.
— Por que você faria isso? — questionou e direcionou um olhar desconfiado para Harry.
— Eu não sou uma pessoa ruim, . Não deixarei você ser demitida por um erro de nós dois. — explicou e se levantou, estendendo a mão para a garota, que aceitou e foi puxada para ficar em pé.
— Obrigada. E o meu nome é . — avisou e largou a mão dele, marchando para o quarto e deixando Styles para trás.



GLOSSÁRIO:
*“Va te faire foutre” = vai se foder
*“Merde!” = merda
*“Putain!” = porra
*“Quel votre problème?” = qual o seu problema?
*“Enculé!” = cabrão


2. Sexo casual.

— VOCÊ FEZ O QUÊ? — a amiga gritou incrédula.
e viraram amigas na faculdade. Enquanto optou por cinema e audiovisual, iniciou em fotografia, e a pequena distinção dos dois cursos as fizeram ficar mais próximas ainda.
Após a conclusão da universidade, demorou alguns anos para que conseguisse o emprego na tão sonhada Columbia Records, mas uma vez empregada, todos adoravam o trabalho que a garota fazia. Já , essa estava desempregada há alguns meses, e não porque seu trabalho era ruim, já que a garota trabalhou como fotografa da Vogue em algumas propagandas até alguém muito influente dentro da marca pedir a demissão da garota.
As duas dividiam um apartamento na cobertura na parte luxuosa de Londres, tendo uma linda vista da cidade. Se distanciaram há apenas algumas semanas, já que teria que fazer a produção do documentário na Jamaica, mas a garota não hesitou em indicar a amiga para o cargo de fotógrafa, dando um jeito de trazê-la para perto de si.
A intimidade entre as duas já havia se tornado algo espontâneo, então quando entrou no quarto de pela manhã e a encontrou dormindo com um curativo no nariz, o interrogatório logo começou.
— Em minha defesa, ele me bateu primeiro. — explicou, se olhando no espelho na tentativa de verificar se o nariz havia ficado torto ou se ainda estava no lugar.
— Você vai ser demitida... E dessa vez por justa causa, custava ter esperado ele pedir desculpas? — a amiga perguntou, se escorando na soleira da porta do banheiro e encarando a mulher pelo espelho. — Jeff vai comer meu fígado por indicar alguém que distribui socos no próprio patrão... Você pode ser processada, sabia disso?
— Relaxa, eu não vou ser presa e ninguém vai perder o emprego. — a mulher pede, retirando o baby doll para entrar no banho. — Harry falou que não contaria para ninguém sobre o que aconteceu.
— Esse homem é gentil demais para ser verdade, não é possível! — a amiga exclama, e dessa vez recebe a concordância de . — Já mudou de opinião sobre ele? Vocês ficaram? Rolou algum clima?
— Ok, , uma pergunta por vez. — pediu entrando na banheira que já estava cheia a espera da mulher. — Não, ainda acho que ele tem uma crise de narciso fodida, mas reconheço que ele parece ser alguém legal.
— Desembucha as respostas das outras duas perguntas.
— É óbvio que a gente não ficou! Eu estava puta da vida e ele estava preocupado demais em fazer o photoshoot de hoje com um curativo. Inclusive, eu achei que teríamos o fim de semana de folga, hoje ainda é sábado. — explicou paciente.
Deus, aquela banheira estava divina! Era tudo que ela precisava no momento; relaxar. Mas parecia mais interessada no ocorrido da noite passada.
— E teremos, as fotos dele são agora pela manhã com a fotógrafa antiga, ela precisou sair de licença maternidade, e essa vai ser a despedida. — disse, se sentando no chão ao lado da banheira em que a amiga estava. — Você teria ficado com ele se não fosse isso? O cara é lindo!
— Sim, ele é lindo, mas é meu chefe e tem uma namorada, sem contar que eu ainda estou me recuperando do termino com o Dylan. Recente demais para ficar com alguém. — listou categórica.
Ao receber a proposta para trabalhar na equipe de produção, há dois meses atrás, decidiu terminar o namoro de três anos com Dylan, seu primeiro namorado. O rapaz garantiu que a esperaria o tempo que fosse preciso, mas não era justo sair para uma aventura nas estradas do mundo, enquanto o rapaz continuaria preso em Londres. Seriam raros os momentos em que teriam a chance de se verem, e com o tempo regrado, já que mais cedo ou mais tarde ela teria que voltar para o trabalho.
O rapaz havia sido seu primeiro namorado e o primeiro e único com quem a mulher havia tido relações, mas era para o bem de ambos. Há algumas semanas, Dylan já havia superado e começado a ir em noitadas. já esperava algo assim, afinal ele tinha que conhecer outras pessoas, mas mesmo assim não deixou de machucar.
Já estava se acostumando com a ausência do ex, e só ajudava, já que fazia questão de introduzir a amiga em qualquer tipo de programa, não deixando a menina ter tempo de ficar sozinha para pensar sobre o assunto.
— Oh, doce e inocente , quando você experimentar o sexo casual, nada mais vai te fazer parar. — a amiga falou de forma dramática, fazendo a menina rir.
— Obrigada pelo aviso, mas por agora eu passo. — disse, voltando a fechar os olhos e encostar a cabeça na borda da banheira.
As vezes queria ser mais como . Livre. Fazer o que queria, transar com quem queria. E talvez um dia ela até conseguisse, mas o ex namorado ainda abrandava o pensamento da menina no recente término.
— Seria bom você ir assistir o photoshoot para saber como ele gosta de tirar fotos. Saber o que fazer na hora. — recomendou e recebeu um muxoxo em resposta.
— A única coisa que me tiraria dessa banheira agora séria uma bela garrafa de vodka... — divagou.
— Ótimo! Hoje a noite nós iremos a um pub que tem aqui perto, você vai amar, é em frente a praia. — informou enquanto batia palminhas animada.
— E sua ressaca? Você estava em uma festa ontem a noite. — perguntou rindo da animação da amiga.
— Voltei cedo e nem aproveitei. — justificou. — Bati na sua porta mas ninguém respondeu, ai achei que você já tinha dormido, sendo que na verdade você estava a solta por ai dando uma de Van Damme.
— Onde você vai? — perguntou ao ver a amiga se levantando do chão.
— Eu não sou tão desocupada como você, preciso checar algumas coisas e deixar tudo certo para começarmos as filmagens. Te encontro no corredor as 19h, e por favor, não distribua socos em mais ninguém. — pediu sarcástica enquanto saia do banheiro.
— Não prometo nada. — brincou, elevando a voz para que ouvisse, e de longe a viu levantar o dedo do meio como resposta.
***

Eu poderia ter ficado na chácara e ter assistido a mais um episodio de Orphan Black naquela sala de cinema maravilhosa. – era o que pensava.
Não que sair com fosse ruim. Não era.
era o tipo certo de amiga que você chama quando esta na lama e precisa se animar. Ela é aquela amiga pra cima que faz qualquer palhaçada para te arrancar um sorriso, e não podia ser mais grata por isso.
Pórem, também tinha necessidades. Necessidades sexuais. E ela não recusava um sexo casual.
Alguns minutos depois de chegarem no bar, a garota comentou que estava de olho em um homem que estava na mesa de sinuca. E não esperou nem um minuto a mais para ir conversar com ele, uma conversa bem intima, que incluía línguas e troca de saliva.
Mesmo sabendo que a amiga só queria beber, apresentou um amigo do rapaz, que não demorou em se sentar ao lado de no balcão, e tentou a todo custo puxar assunto.
Enquanto fingia ouvir sobre o quão inteligente o rapaz era, e em quantas faculdades havia passado antes de escolher medicina, e bebia o tanto de vodka que parecia aguentar, Harry e seus companheiros de banda adentraram o bar, passando despercebido por todos os senhores bêbados que estavam ali enchendo a cara de cerveja.
Ao ver o cantor entrar no bar, não hesitou em se soltar do rapaz com quem estava agarrada, e se direcionar a , que tinha uma cara de tédio e mesmo assim sorria para o rapaz que não havia parado de falar durante um segundo.
— Hey, seu amigo esta chamando você. — mentiu para o rapaz e um olhar aliviado tomou conta do rosto de quando o rapaz se levantou e saiu, mesmo prometendo não demorar para voltar. — Ok, já pode me agradecer.
— Como se não tivesse sido você que mandou ele falar comigo. Nunca mais saio com você, Isa. — avisou nervosa, virando o resto da dose que estava em suas mãos.
— Você pelo menos sabe o nome dele? — perguntou enquanto segurava o riso.
— Alguma coisa com J... Ele deve ter dito junto com as trezentas informações totalmente desnecessárias sobre quantos livros ele leu, ou quantos cursos já fez. Cara, se sexo casual precisar dessa biografia, eu não vou querer nunca! — disse revoltada.
— Você provavelmente vai me matar, mas o Harry chegou há uns cinco minutos e não para de olhar para cá. — informou sorridente enquanto apontava com a cabeça para uma das mesas espalhadas pelo local.
— Você convidou ele? — perguntou enquanto acompanhava o olhar da amiga.
— Ele é Harry Styles, não precisa de convite. — justificou sínica, recebendo um olhar raivoso de . — Ok, convidei, mas em minha defesa, eu não poderia ter uma noite de sexo selvagem com aquele gostoso e deixar você aqui sozinha. Fiz isso para o seu bem.
— Você é uma péssima amiga, ! — acusou inconformada.
— Como se você não desse um jeito de me tirar de casa todos os fins de semana para transar com o Dylan. Eu te fiz um favor, agora aquele chato vai sair do seu pé e você vai poder ter uma noite maravilhosa de sexo casual com o Harry. — ditou feliz enquanto dava pulinhos de animação.
— Eu não vou ter uma noite maravilhosa de sexo casual com ninguém! Você esqueceu tudo que te falei hoje de manhã? — perguntou se forçando a ficar séria. Estava na etapa da bebida em que tudo é engraçado.
— Ele é uma ótima pessoa, você vai adorar conhecê-lo. — a garota informou convicta. — Só seja simpática com ele.
— Impossível! Ele quase arrancou meu nariz ontem. — relembrou.
— Você já teve tempo de ficar brava com isso, agora sorria porque ele está vindo em nossa direção. — avisou. — E não se esqueça de me agradecer depois.
não teve tempo de questionar e não precisou virar novamente para conferir a informação; o cheiro do perfume caro chegou antes, avisando que ele já estava ali.
Após anos convivendo com a melhor amiga, a mulher já entendia todos os trejeitos da amiga e, naquele momento, o olhar de era claro. Se ela pudesse dizer mais alguma coisa, com certeza seria “desfaça essa cara de cu”, mas a presença do cantor a impedia de verbalizar tais palavras.
Não era necessário reafirmar que ele estava lindo, mas mentalizou assim mesmo. A blusa preta e calça skinny caiam como luva no corpo do rapaz, e o ar se tornou escasso quando se deu conta que não havia notado na noite passada o quão bonito ele era.
— Styles! — saudou. — Graças a Deus que você chegou! A está levemente bêbada e eu tenho um gato ali me querendo durante essa noite, você pode cuidar dela, por favor? Obrigada!
E saiu antes mesmo que Harry ou pudessem protestar. De longe pode ler a amiga balbuciando um pequeno “use camisinha!”, mas se limitou a revirar os olhos.
— Ok, de zero a dez, o quão bêbada você está? — perguntou gentil enquanto sentava em um dos bancos do bar ao lado da menina.
sabia que só tinha duas opções; dizer que estava muito bêbada e ir embora para a chácara, ou confessar que estava bem e ficar ali no bar. A primeira opção pareceu totalmente válida quando a francesa viu o rapaz com quem estava conversando antes se direcionar novamente para o bar.
— Sete! Estou totalmente bêbada! — afirmou se colocando de pé. — Me leva para casa?
— Ok, vamos. — chamou calmo, se levantando.
— Calma. — pediu, se esticando pelo balcão e pegando uma garrafa de vodka, deixando uma nota de cem no balcão. — Para a viagem.
Harry gargalhou e a menina deu de ombros, assistindo o cantor fazer o mesmo com uma garrafa de whisky.
— Vamos. — chamou novamente, sorrindo cúmplice.
assentiu sorrindo e caminhou a passos largos até a porta de saída, sendo seguida por Harry.
É... a noite seria longa.


3. Chelsea boots.

— Por quê vocês terminaram já que você gosta tanto dele? — Harry perguntou com o cenho franzido em direção a mulher bêbada ao seu lado.
Estavam andando pela areia da praia enquanto brincavam de eu nunca. O assunto sobre o ex surgiu quando tropeçou em uma garrafa de cerveja e se recordou do quanto Dylan gostava de beber. Era o primeiro porre que tomava após o termino do namoro, e desde então a garota vinha falando para Harry, o qual ela percebeu ser um bom ouvinte, o quanto sentia saudades do antigo namorado.
— Bom... Eu não podia deixar ele me esperando enquanto eu estava nas estradas com um astro do rock. Não é justo! — contou entre soluços e seus olhos já começavam a marejar.
— Pop-rock. — corrigiu enquanto tentava segurar a risada. — E você poderia ter rejeitado o emprego.
— Ele adorava me dar camélias... Mesmo eu preferindo girassóis. — divagou com a voz chorosa, ignorando o cantor, que não conteve a gargalhada.
— Ok, vamos continuar a brincadeira, não quero você chorando. — pediu enquanto se sentava na areia. — Eu nunca fiquei com alguém só por uma noite.
A garrafa de vodka estava quase no fim, assim como a de whisky. Ambos estavam bêbados, mas a consciência de Harry o avisava que ainda tinha que levar a garota para a chácara, por tanto, seu nível de sobriedade ainda estava maior que o da menina. , por outro lado, estava tão bêbada que agora considerava Harry um bom e velho amigo, esquecendo da opinião formada sobre o narcisismo do rapaz.
Sem pensar duas vezes, a francesa jogou o seu corpo na areia, ao lado do cantor, dando um pequeno muxoxo ao receber o impacto.
— Por quê todo mundo já fez sexo casual? É uma regra para quem solteiro? E por quê todo mundo resolveu falar disso hoje? — perguntou cética após ver o rapaz tomar um gole da garrafa.
— Você nunca? — perguntou calmo. Não queria que ela pensasse que ele estava julgando-a.
— Não. Perdi minha virgindade com o Dylan, e logo depois nós começamos a namorar, não tive tempo de sair fazendo sexo com todos os homens de Londres. — contou, se deitando na areia e virando de lado para encarar Harry, que fez o mesmo.
— Não é uma regra de solteiros, você faz se quiser, se sentir vontade. — explicou.
— É bom? — perguntou em um tom baixo. — Quero dizer, fazer sexo com estranhos?
não era ingênua, longe disso, na verdade. Já havia experimentado de várias coisas nesses três anos com Dylan, e adorava sexo, mas passar muito tempo dentro de um relacionamento a fazia desconhecer os atributos da vida de solteira.
— Não precisa ser exatamente com um estranho. — ele falou e ela continuou encarando, esperando para que ele continuasse. — Sexo casual é quando você quer transar com alguém mas não quer que isso se torne um relacionamento, então pode ser com um amigo, com alguém que você acabou de conhecer, com um colega de trabalho... E sim, é bom fazer sexo na hora que quiser.
— É para isso que existem os namorados. — a menina disse em uma comparação, fazendo com que Harry negasse.
— É, mas sexo casual se torna melhor que namoro quando você não precisa rotular.
— Esse não é seu lugar de fala, você namora uma Kardashian, pelo amor de Deus. — disse incrédula, caindo na realidade e voltando a se sentar.
Ela mal conhecia o cara e estava falando de sexo com ele? Ela não falava sobre sexo nem com Bella, e olha que a garota tentava a todo custo saber das experiências sexuais da francesa.
— É Jenner e eu tenho quase certeza que você pesquisou o ano errado. — disse zombeteiro.
— Eu não pesquisei sobre você! Bella me disse que você namora, então eu deduzi que fosse com ela. — disse revoltada, tomando um longo gole da vodka em sua mão direita.
— Não pesquisou mas andou perguntando sobre mim? A mesma coisa, , sua fonte só foi uma pessoa ao invés de uma ferramenta da internet. — disse rindo, sabendo que irritaria a francesa.
Harry não era tão egocêntrico para pensar que ela buscaria sobre ele, e conhecia Bella o suficiente para saber que ela deveria ter trazido o assunto ‘ele’ a tona, mas irritar havia se tornado divertido; ela ficava vermelha por alguns milésimos de segundo, depois bufaria alto e diria algum insulto em francês. Havia irritado a garota o suficiente noite passada para saber as reações que ela tinha, e eram sempre as mesmas, principalmente quando chamada pelo nome errado.
Va te faire foutre*, Harry, eu já falei que meu nome é ! E acalme o seu ego de cantor porquê eu... — xingou mas refreou a fala ao ver Harry segurando o riso. Ele estava gozando com ela. Mas ela estava bêbada demais para se manter séria, então acabou acompanhando o riso do rapaz. — E então, agora quem é a namorada da vez?
— Nenhuma. — disse sincero, e sorriu ao ver a garota levantar a sobrancelha em forma de julgamento. — Olha, nós posamos para a mídia juntos mas não é um namoro de verdade... Ela é uma pessoa maravilhosa na maioria das vezes, mas nós assinamos um contrato para ficarmos juntos durante um tempo, e mesmo trazendo benefícios para ambos, continua sendo só uma jogada de marketing.
— Oh... Deve ser uma merda.
— Até que não... Acho que já esqueci a ultima vez em que eu tive que realmente me esforçar para pedir alguém em namoro, ou leva-la para conhecer minha família. — sorriu triste. — Ainda assim, eu não posso reclamar. É a consequência da fama.
— Eu sinto muito por você. — disse calma enquanto olhava as ondas calmas do mar. — Sério. É incrível se apaixonar, mesmo que ás vezes não acabe bem. No final sempre vale a pena.
— Talvez. Mas mesmo assim eu não teria o direito de ter algo normal, sabe? Levar em um dos meus restaurantes favoritos na Itália, ou ir em um passeio calmo na praia, leva-la para dançar... Sempre teria fãs e paparazzi. — disse quieto, bebericando o whisky.
— Você escolheria não tê-los? Escolheria ficar fora dos palcos e se tornar uma pessoa “normal”? — pergunta encarando o rapaz, que nega na mesma hora.
— Não. Estar no palco e encontrar com eles é totalmente incrível. — disse sincero.
— Então você pode aproveitar as coisas mais simples. Cozinhar em casa, ir a praia em uma época que não seja alta temporada, assistir um filme... — mostrou.
Ela ainda tinha a mesma opinião sobre ele, e talvez a imagem que tinha do cantor demorasse a se dissipar em sua mente, mas ela já havia feito algo que nunca havia imaginado; conversado com ele sobre coisas que não havia falado para ninguém. Amanhã ela certamente colocaria a culpa na bebida, então poderia fazer qualquer coisa que quisesse hoje.
Sentia muito por Harry. Sabia que como famoso, ele não poderia fazer algumas coisas que pessoas fora da mídia faziam. Sabia que a liberdade e privacidade dele era limitada, mas queria mostrar para ele que tudo bem, que tinham outros meios, coisas bobas que ele poderia se divertir fazendo. Então não pensou duas vezes em se levantar e estender a mão para ele, que a direcionou um olhar de interrogação, fazendo-a rir.
— Prometo que não vou te matar e jogar no mar. — disse sorrindo e sentiu o rapaz segurar sua mão e se levantar.
— O que nós vamos fazer? Roubar alguém? — perguntou ao vê-la depositar o celular na areia, em cima dos saltos pretos que havia retirado dos pés assim que chegaram na areia.
— Não, bêbados demais para isso, não conseguiríamos correr e acabaríamos presos. Quero que sua experiência seja simples, mas não tão decadente quanto ir parar em um camburão da polícia. — apontou erguendo a mão para pegar o celular do rapaz, e Harry gargalhou ao imaginar a cena, entregando o aparelho.
— E então? — tornou a perguntar ao ver o seu celular tomar o mesmo destino que o da francesa.
— Nós vamos dançar. — avisou, arrastando o rapaz sorridente e confuso pela mão.
— Sem música?
— Não seja chato, use a sua imaginação, Styles! — pediu enquanto sorria zombeteira, fechando os olhos em seguida. — Só sinta.
O corpo dançante da menina começou em um balanço aleatório, mas Harry logo percebeu que ela tinha jeito para a coisa, e tratou de fazer o mesmo, de uma maneira mais desajeitada e menos original, já que o rapaz seguia no mesmo ritmo da francesa.
Quem visse de longe teria duas opções para deduzir; uma era que eles eram apenas amigos que estavam se divertindo de uma forma original, a outra, e mais realista, era que eram dois bêbados em uma dança sem música.
Para , era algo normal, já que ela sempre partilhava desses momentos com os amigos. A única coisa que fazia diferença, era um cara que ela malmente conhecia e que dançava desengonçadamente ao seu lado, fazendo-a espiar de vez em quando e lutar para segurar a gargalhada.
Para Harry era um dos raros momentos em que ele estava sem medo de ser fotografado, e caso aparecesse uma fã no local, a sua maior reação seria chamar para a diversão. Era uma das primeiras vezes em que ele se sentia tão normal. Tão não-ele. Um momento em que ele não era Harry Styles, ex integrante da banda one direction. Naquela hora, ele só era... Harry.
A dança não durou por muito tempo, e logo Harry se jogou de volta na areia, levando o corpo da francesa junto com o seu e a deixando deitada por cima dele. Os dois demoraram algum tempo se encarando, ofegantes, até quebrar o contato visual e encostar a cabeça no peito do tatuado.
— Obrigada por tentar fazer com que eu me sentisse bem. — agradeceu após alguns minutos em silencio, tentando controlar a respiração descompassada.
— Funcionou? — a menina perguntou, voltando a olha-lo. — Quero dizer, por hora.
— Funcionou. Sabe, eu só tenho esses momentos com os meus amigos, e ainda assim são poucas pessoas que conseguem me deixar a vontade... Você conseguiu, . Quero dizer, a gente mal se conhece e... — falou olhando o céu, mas parou a si próprio quando a menina levantou em um pulo. — O quê? Falei alguma coisa errada? Desculpa.
Pediu se aproximando da francesa, que mantinha as mãos em um pedido mudo para que ele não se aproximasse.
Ignorando aquele detalhe, Harry continuou, segurando a mão dela e a trazendo para perto, tentando olhar o rosto dela, mas os cabelos indomáveis pelo vento forte não o deixavam ver.
, fala alguma coisa! — pediu desesperado, ela estava tendo um ataque? Que diabos era aquilo?
— Eu... — tentou, mas foi interrompida quando o vomito saiu de sua boca, indo parar nas botas chelsea de Harry, sujando os pés cobertos do cantor, que não hesitou em segurar os cabelos da francesa, assistindo-a vomitar violentamente.
Maldita vodka. – era o pensamento que abrandava a mente dos dois jovens.
Em uma hora lá estava ele, abrindo seu coração sobre o quão difícil é ser famoso, e em outra, estava tendo suas botas chelsea da Saint Laurent soterradas por vomito. Mas aquilo não parecia incomodar o rapaz, que se mantinha firme esperando a mulher terminar de colocar tudo para fora.
Após terminar, levantou o rosto, limpando a boca com as mãos.
— Você está bem? — perguntou preocupado vendo o olhar desnorteado da menina.
— Estou, obrigada. — agradeceu sincera, mas logo o tom sarcástico tomou conta do seu olhar. — E o meu nome é .
— Melhor voltarmos para a chácara agora. — disse e recebeu um aceno da garota. — Acho que tive experiências normais demais por hoje.
— Meu Deus! Eu vomitei em você! — disse alarmada após alguns segundos olhando o horizonte. — Puta que pariu, essas botas devem custar um mês do aluguel do meu apartamento!
— Relaxa, amanhã eu compro novas. — disse sorrindo do desespero momentâneo da garota. Caminhou até a lixeira mais próxima e se desfez das botas, que realmente estavam um nojo, e se voltou para a menina, que tinha um semblante aflito. — Eu volto descalço, só precisamos andar mais algumas casas, é logo ali.
— Eu vou comprar botas novas para você, eu prometo. — disse quando os dois começaram a andar na direção apontada. — Meu Deus, que vergonha...
Iriam pela areia para que Harry não corresse o risco de machucar o pé, já que não haveriam mais desculpas para que o cantor aparecesse todo o dia com um machucado novo, feitos por ; a desastrada.
tudo bem, . — tentou tranquiliza-la e a menina conteve o impulso de corrigir o seu nome dito de maneira errada, mas se conteve.
— Pelo menos você esta se sentindo normal agora. — tentou brincar, mesmo que ainda estivesse morrendo de vergonha. — Aposto que ninguém nunca vomitou em você.
— É, hoje foi a minha primeira vez... Só não deixe seu ego te levar muito longe. — confessou e ambos riram, continuando o caminho em silêncio.
Não demoraram muito para chegarem, na chácara, que se encontrava deserta o suficiente para facilitar o caminho dos dois para o quarto de , que abriu a porta e deu passagem para o rapaz.
— Você pode usar o banheiro, se quiser. — ofereceu sem graça e Harry assentiu, indo para o lugar que havia sido apontado.
Deus! Que noite! Longe do esperado, óbvio, já que nem Bella preveria que ao ficar sozinha com um gato daqueles, a coisa mais intima que teriam, seria o vomito da francesa nos pés do rapaz.
se jogou na cama, se aconchegando nos lençóis e esperando por Harry, que não deve ter demorado cinco minutos no banheiro, mas que ao voltar já encontrou a menina adormecida.
Suas mãos pegaram o bloquinho de anotações ao lado da cama, escrevendo uma pequena nota.
“Obrigada pela noite. Foi uma das mais normais que tive, claro, sem contar com o vomito nos meus pés. Te vejo amanhã, .
H. Xx.”

Após depositar o pequeno bilhete junto ao caderninho, no mesmo lugar que havia encontrado, Harry logo tratou de sair do quarto, mas não sem antes dar uma ultima espiada no rosto adormecido da menina, deixando o cômodo com um sorriso incrédulo nos lábios. Que noite. Ele queria uma experiência normal, e tivera o que a garota podia oferecer; uma dança sem música no meio da praia e uma vomitada nos pés.
Estava de bom tamanho para ele.




Significado da(s) palavra(s) em francês usada(s) no capítulo: *"Va te faire foutre" = vai se foder


4. Azuis da cor do mar.

As unhas grandes tamborilavam na mesa enquanto ela encarava descaradamente o croissant em sua frente. O bilhete em sua mesa de cabeceira ecoava em seus pensamentos desde o momento que havia lido da primeira vez. Havia flashes em suas lembranças, contando brevemente o que ocorreu noite passada; e, infelizmente, a cena do vomito era a mais vivida.
Com que caralhos pagaria uma bota fodidamente cara?
Era hora do café da manhã e todos da equipe e da banda estavam espalhados pelas mesas da área gourmet, como um enorme restaurante ao ar livre. Harry também estava ali, há algumas mesas de distância da que estava, enquanto encarava descaradamente a nuca da francesa, que queimava em um alerta de que alguém estava observando-a.
Havia acordado disposta aquela manhã, mesmo com a ressaca física e moral, sua cabeça estava a todo vapor para começar logo a fotografar. Acordar ao som de Ed Sheeran era sempre uma boa maneira de começar o dia, mesmo noite passada tendo sido um desastre.
não havia dado as caras desde a última noite e aquilo já estava começando a deixar agoniada; quando a amiga ficava muito tempo sem dar noticias, ela estava aprontando algo.
A intuição da francesa não falhou, e seu corpo murchou na cadeira ao ver o furacão adentrar o ambiente.
! chamou alto, atraindo olhares para a mesa em que a garota estava.
Para não faria muita diferença ter atenção ou não; ela já era amiga de todos ali, já que aquela viagem havia começado algumas semanas antes de chegar; mas se havia algo que a fotógrafa odiava, era ser o centro das atenções, mesmo que isso se aplicasse apenas para quando ela não estivesse em meio aos amigos, que era a questão do momento.
— Que caralho você pensa que está fazendo, )? — sibilou para a amiga ao ver o corpo esguio da morena chegar na mesa.
— Você desapareceu ontem! — continuou, fazendo a amiga se endireitar na cadeira e acenar envergonhadamente para algumas pessoas, que pareciam conter as risadas.
— Você pode sentar e parar de gritar? — perguntou ruborizando ao encontrar os olhos de Harry, que já sorria abertamente com a cena e conteve o ímpeto de mostrar-lhe o dedo do meio. A amiga obedeceu e os olhares foram se dissipando conforme os minutos passavam.
— Rolou alguma coisa? — tentou em um tom mais brando.
— Eu tive um imprevisto, okay?! Imprevisto esse que conteve a participação brilhante do seu cantor. Inclusive esse seu favoritismo está me dando nos nervos, sério, 'tô começando a achar que você quer alguma coisa com ele. — alfinetou enquanto beberricava o suco de laranja.
— O que aconteceu agora? Você deixou alguma cicatriz nova? — perguntou sorrindo cinicamente.
— Não. Na verdade, dessa vez eu vomitei nele. — confessou e escondeu seu rosto com as mãos.
— Como assim você vomitou nele? , pelo amor de Deus...
— Eu sei, ok? Eu sei. — disse derrotada. — Mas se me permite dizer, que porra você pensou em me deixar sair com ele? Eu estava bêbada, o que poderia ter acontecido?
— Sexo bêbado é ótimo. — esclareceu enquanto roubava um pedaço do mamão em sua frente.
— Exatamente, sua ninfomaníaca, eu estava bêbada! Ele poderia ter abusado de mim ou algo assim.
— Era mais fácil você ter abusado dele. — deu de ombros. — Teve algum momento em que ele cruzou a linha?
— Não. — murmurou.
— Então estamos bem. Se ele desse em cima de você, você provavelmente saberia. Ele costuma ser direto nesses assuntos. — explicou e franziu o semblante.
— Ele já deu em cima de você? — perguntou com um sorriso de lado.
— Não, infelizmente. Ouvi dizer que ele prefere francesas. — alfinetou e mostrou o dedo do meio, entendendo a provocação. — Por falar nisso, nós vamos a praia hoje.
— Hoje é segunda-feira, não estamos mais de folga, caso você tenha esquecido. — relembrou, dando uma garfada no croissant.
— É, eu sei. Mas Jeff quer fazer um teste antes que você assine o contrato, então você é encarregada pelas fotos de hoje. — explicou calma.
— E as fotos serão na praia? — perguntou retorica. — Mal posso imaginar de quem foi essa ideia.
— Culpada. — disse rindo, fazendo com que negasse incrédula. — Não faça essa cara, Soph. O Harry adorou a ideia, se quer saber.
— Ok, que horas? — perguntou, olhando o relógio no celular. Eram 09:56am.
— As 10:15am. — disse rindo ao ver os olhos da menina se esbugalharem. — Não é minha culpa, Harry definiu o horário, achei que ele havia avisado.
— Não. Ele não avisou. — falou entredentes, se levantando da cadeira. — Vou colocar um biquíni, onde encontro vocês?
— Na estrada de cascalhos, perto da recepção. Não se atrase. — informou e riu, ao ver a amiga pegar o celular e correr escada a cima.
Seus olhos logo se cruzaram com o de Harry, e deu um leve aceno na direção do cantor.
Ele e fariam um belo casal juntos. Conhecia a amiga bem demais, e aquela fossa pelo termino do namoro já estava indo longe demais. Pelo amor de Deus, Dylan começou a festejar após dois dias de termino, tendo fontes seguras que informavam que ele já havia dormido com metade de Londres, enquanto a francesa se recusava a ficar com outras pessoas, suspirando pelos cantos e sonhando em acabar o trabalho para poder voltar correndo para o ex.
Sabia que não poderia forçar nada entre os dois, mas poderia facilmente se deixar manusear pelo destino, dando uma pequena ajudinha. No mínimo, o que poderia acontecer, seria uma amizade, o que não seria nada mal também.
No andar de cima, fuçava a mala em busca dos biquínis; tinha certeza que havia colocado algumas peças na mala, mas o único que encontrou foi um cortininha, branco. Revelador demais para um dia de trabalho, mas visto que todos os outros pareceram sumir, não havia outra opção.
Degolar estava no topo da lista de prioridades agora. Desconfiava que o plano da amiga era despertar o interesse dela em outros homens, principalmente em Harry, e vê-lo sem camisa ajudaria no processo. Não havia pedido por ajuda, mas já que estava ali, também não iria reclamar. Afinal, que mal teria dar uma espiadinha?
All in a girl’s life is work.
Após colocar o biquíni e um vestido de alça por cima, se focou em arrumar a parte profissional; câmeras e equipamentos.
Sabia que haveriam mais dois fotógrafos por lá — fotógrafos os quais não chegou a conhecer por conta do incidente com Harry no seu primeiro dia, mas, por ser a única em fase de teste, daria o seu melhor. Ficaria encarregada da equipe caso passasse no teste, então estava fora de cogitação falhar. Precisava daquele emprego.
Com esses pensamentos, não hesitou em pegar o seu mais novo amor; Canon 5D Mark IV, própria para natureza e paisagens. As fotos seriam na praia, então aquela belezura supria todas as suas necessidades. Havia ganhado de seus avós após contar a novidade que seria a nova fotografa da HS1. Já havia feito alguns testes bobos, mas aquele seria o primeiro trabalho com a nova câmera, e estava totalmente segura. Quem precisa de uma arma quando se tem uma belezura daquelas em mãos?! Se sentia mais segura do que uma Kardashian quando estava por trás das lentes fotográficas.
Levaria também a sua pequena e fiel companheira GOPRO para caso precisasse entrar na água; jamais arriscaria a fortuna que seus avós gastaram na nova Canon.
O relógio na pequena mesa de cabeceira contava que faltavam cinco minutos para o horário combinado. Pegou a pequena mala, pendurando em seus ombros, e saiu do quarto.
Após alguns minutos rodando pelo térreo a procura do local marcado, ouviu a voz de ao longe, e se apressou a ir em direção a amiga, que rosnou quando viu a francesa se aproximar.
— Está atrasada! — grasnou trazendo a atenção para a garota, que corou.
Tinha apenas nove pessoas ali e ela conhecia todos, por quê diabos estava corando?! — a mente da francesa ralhou, e ela apenas revirou os olhos.
— Eu sei! Quase me perdi, isso daqui é enorme! — reclamou, começando a caminhar e sendo acompanhada pelos outros. — Cadê a sua equipe? Achei que fariam algumas filmagens para o documentário.
Ali só estavam Mitch, Sarah, Clare, Harry, Adam, os dois outros fotógrafos e . A praia não era longe, de forma que bastava apenas atravessar a rua. Jeffrey Azoff, o administrador da carreira de Harry, havia entrado em contato com algumas pessoas e alugado cinco lotes ao redor do lugar onde fariam as filmagens, eliminando o risco da localização do cantor ser divulgada.
— Nós iremos fazer, mas queremos algo mais amador, então você fará. — explicou e todos pareciam beber as palavras que a produtora dizia. — Queremos que pareça um momento de diversão, não algo programado. A ideia inicial era, realmente, apenas o Harry e os amigos no dia de folga dele, mas então pensamos em colocar um pouco disso no documentário. Não queremos só que o Harry apareça compondo e cantando, ele quer um momento relaxado para que os fãs se sintam mais próximos dele...
— Espera, espera, espera! — interrompeu incrédula, mas tinha um quê de brincadeira em seus olhos. Já sentia o cheiro de mar em suas narinas. — Você ‘tá me chamando de amadora?
— Oh, cale a boca! — cortou, rindo e sendo acompanhada por Soph, que a abraçou por cima dos ombros. Os outros já haviam voltado a conversar entre si, mas os fotógrafos ainda prestavam atenção. — Ao trabalho, pessoal!
***

podia sentir seu pulmão protestar a cada vez que mergulhava, mas estava encantada demais para querer emergir para puxar folego e perder aquela vista gloriosa dos corais. A GOPRO estava em sua mão direita, enquanto acompanhava Harry nadar e se apoiar na prancha. Cedeu ao que seu corpo implorava e foi atrás, repetindo o ato e ficando de frente para o cantor, que a encarava com um sorriso.
Todos pareciam totalmente dispersos. Mitch ensinava Sarah a subir na prancha, enquanto Adam e Clare conversavam distraidamente. e os outros dois fotógrafos haviam ficado em terra firme, já que não trouxeram equipamentos para água, e a outra alegava que a agua estava fria demais para o bem dela.
Havia sido apresentada aos outros fotógrafos, uma mulher, que logo descobriu se chamar Helene, mais uma francesa, e a nacionalidade em comum cumpriu o seu papel, fazendo com que as duas se dessem bem logo de cara. O outro, se chamava Robert, natural da Califórnia, e estava apenas começando o seu estágio, conseguindo um emprego daquele porte após ser indicado por Helene. Seria uma ótima equipe.
— O quê? — Soph perguntou sorrindo de volta, abaixando a câmera.
— Seus olhos são lindos, . — elogiou e ela sorriu em agradecimento. — Azuis da cor do mar.
Harry havia conhecido há três dias, mas não dera muita bola. Era bonita, mas não havia parado para reparar nos detalhes, — pelo menos não até agora. A noite passada deve ter tido alguma influência naquilo. A forma com que ela parecia graciosamente a vontade ao lado dele, ou a forma como esquecia os filtros na hora de falar, como se ele realmente fosse um amigo. Harry estava encantado sobre como ela podia ser tão mulher, e ao mesmo tempo ter um espirito de menina travessa, deixando o ambiente mais leve.
Mas era só isso. Uma garota linda, com uma personalidade encantadora, — pelo menos até onde ele conhecia. E parecia ser uma profissional e tanto, não só pelo portfólio, mas por como se portava ao segurar a câmera, como se ela lhe trouxesse algum poder. Era, no mínimo, intrigante.
E para Harry, que estava levemente curioso, aquilo era um combustível para querer conhecer mais a fundo a francesa.
Ele observou a mulher rodear a prancha, nadando até ficar ao seu lado, e ergueu novamente a câmera, rindo baixinho ao ver o cantor voltar o olhar para frente novamente, mascando o chiclete.
Harry deu um impulso, se deitando na prancha de surf com a barriga para cima e fechando os olhos. Podia ouvir as vozes dos amigos conversando, o que o fez sorrir, ouvindo também a movimentação na água, denunciando que ainda estava por perto, provavelmente filmando os momentos. Estava feliz. Pela primeira vez em algum tempo, se sentia leve. Não havia porque ter pressa, e ele sentia que podia fazer as coisas no seu próprio ritmo. Se sentia como novo, e mais empolgado do que nunca para compor.
— Harry! Vamos! — ouviu Mitch gritar.
Abriu os olhos em placa, se sentando. , agora com a câmera desligada, conversava animadamente com Adam e Sarah, enquanto nadavam para fora da água. Mitch e Clare esperavam por ele.
— Harry, anda logo, a gente vai morrer de frio aqui! — dessa vez Sarah gritou, já da areia, enquanto agarrava em uma tentativa de se esquentar, e a outra ralhava, gritando que a menina estava molhada feito um pinto.
Não foi necessário outros gritos, já que os três que faltavam, logo se puseram a nadar para a areia. O sol estava fraco, quase sumindo no céu, e o relógio marcava 18:00pm. Foi um dia produtivo, mas aparentemente não acabaria por ai. Harry sentia como se um caminhão de inspiração estivesse passado por cima dele, de forma que passaria algumas horas compondo antes de dormir, mas preferiu não comentar; queria fazer aquilo sem câmeras em cima, pelo menos por hoje.



5. A verdade nua e crua.

O plano anterior não havia dado muito certo. Harry precisava da ajuda de Mitch na hora da composição, e o guitarrista poderia muito bem assumir o papel de uma vizinha fofoqueira quando queria, de forma que Harry, Mitch e acabaram presos no estúdio, com uma filmadora acompanhando os momentos. Era como havia dito; — não sabiam quais seriam as filmagens inseridas no documentário, mas não podiam arriscar perder o momento.
Após algumas horas ali, a garota acabou cochilando, voltando a acordar somente quando Harry a chamou, avisando que haviam encerrado por hoje. se levantou em um pulo, voltando a ligar a câmera e seguindo o cantor até o terceiro andar.
— Conte-nos o que você fará agora, Harry. — pediu, enquanto filmava o rapaz se dirigir ao seu quarto.
— Vou assistir uma comédia romântica no meu quarto, e depois vou dormir... — contou, entrando no quarto e deixando a porta aberta para que a garota entrasse.
O quarto era bem amplo, assim como o terceiro andar em si. Ao passar pela porta que dava acesso ao cômodo e o separava do resto do andar, havia uma suíte, um closet, e mais a frente, uma cama king size que ocupava uma boa parte do quarto. As paredes brancas estavam decoradas com variadas artes plásticas. Uma escrivaninha se encontrava na outra extremidade do quarto, com diversos papeis em cima da mesa, papeis que mais especificamente, eram partituras e composições, mas, por não estarem prontas, a câmera foi desviada para mais perto, mostrando uma poltrona que se encontrava próximo a escrivaninha.
— Achei que você fosse assistir Netflix... — comentou ao ver o cantor se sentar e puxar uma maquina datilografia, recarregando-a com papel.
— Eu vou, mas antes preciso anotar uma ideia. Você pode ir, se quiser, não vou demorar. — explicou, começando a escrever o que quer que seja. Parecia concentrado, e a garota não queria arruinar o momento, então permaneceu calada, filmando por mais alguns minutos.
Um detalhe sobre Harry é que ele parece se perder em um mundo paralelo quando começava a compor. Era gostoso de apreciar. O mundo ao redor parecia desaparecer, e ele parecia ficar alheio a tudo o que estava acontecendo. Poderia explodir algo, ou o mundo poderia acabar; ele só veria após acabar o que estava compondo. Era como se ele pudesse ligar e se desligar em um pequeno interruptor mental. E foi exatamente o que aconteceu, poucos minutos depois. estava sentada, olhando, com a câmera ainda ligada, e ele parou, retirando o papel enquanto parecia analisar algo, mas depois desviou o olhar para ela e sorriu;
— Terminei. Pode ir dormir, nada de interessante vai acontecer hoje. — brincou e a garota sorriu, desligando a câmera.
— Boa noite, Hazz. — desejou, dando um pequeno beijo nos cabelos do cantor, que agradeceu com um sorriso. — Não durma muito tarde, teremos reunião com Jeffrey amanhã de manhã.
O rapaz concordou com um aceno de cabeça, e observou a garota se direcionar para a porta do quarto, indo embora. Harry estava cansado fisicamente, mas sua mente parecia ligada em uma tomada, e ele sabia que se deitasse, demoraria a pegar no sono.
Sem contar o fato que ele realmente queria assistir um filme.
Colocou as partituras e composições todas juntas, arrumando o pequeno escritório, e agarrou no celular, saindo do quarto.
Quando as pessoas diziam que aquele andar era absurdamente grande para uma só pessoa, elas não estavam exagerando; O lugar, o qual todos chamavam de chácara, era como um resort que havia sido alugado por completo. O primeiro andar era a área de lazer, o segundo era onde ficavam os quartos, e o proprietário, que havia se mudado, morava no terceiro com sua família. Jeffrey, o empresário, fez questão de alugar um lugar enorme, para que a privacidade e o conforto estivessem presentes, tanto para Harry, quanto para os funcionários, que não eram poucos.
Mesmo adorando ter momentos sozinhos e privados, era solitário ter aquilo se tornando constante. Pensou em chamar Mitch ou Sarah... Cogitou até mesmo ir procurar , mas rejeitou as ideias, se conformando com a própria. Seria bom, por um lado, já que teria tempo para pensar enquanto fingia assistir algum filme que ainda não havia decidido qual.
Naquele andar, absurdamente enorme, tinha uma sala de cinema, a qual havia sido descoberta recentemente pelo cantor, e era o lugar para o qual ele estava indo agora. A mão encostou na maçaneta e ele abriu, relevando o espaço em um total escuro, se não fosse pela luz da tela plana e as luzes de led no piso, que iluminavam o local. O ambiente era totalmente aconchegante, com tons de cinza e amarelo. Podia ouvir claramente o som do piano soar, e conhecia aquele filme bem demais para saber que era La La Land sendo reproduzido. Antes que pudesse estender a mão para acender a luz, algo o antecipou, — algo que, agora com a luz acesa, se mostrou ser alguém.
estava encolhidinha nos lençóis, assistindo ao seu filme preferido, quando uma movimentação na porta a fez saltar no lugar e se esticar para apertar o interruptor. Quando chegou da praia, tomou um banho relaxante, lavando os cabelos e subiu, na intenção de assistir algo; já havia assistido a primeira temporada completa de Friends enquanto tomava sorvete, quando resolveu rever La La Land. Era o filme favorito da fotógrafa, e mesmo tendo todas as falas decoradas, parecia que nunca se cansava de assisti-lo. Era o que sempre a salvava quando estava ansiosa ou nervosa, e naquele dia, as emoções dela atingiram o pico, deixando-a nervosa para a reunião que teria amanhã.
Harry e se encararam durante um tempo, o piano de Sebastian tocando musicas de natal ao fundo, até que a francesa tomou o impulso de levantar ao mesmo tempo em que Harry entrava, encostando a porta.
— Você pode ficar, , eu não mordo. — brincou, contendo o ímpeto de soltar uma piadinha a mais, e viu a garota endireitar a postura. Estava linda; seus cabelos estavam levemente encaracolados e ainda estavam molhados, evidenciando o recente banho tomado. Um suéter azul marinho realçava os seus olhos claros, e a calça de moletom evidenciava suas coxas fartas.
— É . — corrigiu e voltou a deitar no sofá, dessa vez sendo acompanhada pelo cantor, que se colocou ao seu lado. Próximo, mas não muito, de forma que havia um espaço entre os dois.
Na enorme tela, Mia adentrava o bar em que Sebastian estava, logo após ele ser despedido, e se dirige até ele, tentando puxar conversa. O protagonista ignorou e esbarrou na garota, deixando-a falando sozinha enquanto saia do bar.
— Rude. — Harry classificou, olhando para a tela. Já havia assistido aquele filme algumas vezes com Gemma, e sabia o que acontecia, mas não conseguiu refrear o comentário.
— Bem, poderia ser pior. — tentou, dando de ombros.
— Ele a ignorou categoricamente, como isso poderia ser pior? — perguntou, voltando o olhar para a menina, que deu um sorriso irônico, devolvendo o olhar.
— Ele poderia ter batido no nariz dela. — alfinetou e Harry riu, revirando os olhos e pegando no celular, encerrando o assunto.
Ao abrir as mensagens, avistou logo o contato de Anne, que perguntava como estavam as coisas. Precisava urgentemente fazer um Facetime com a mãe; havia se passado uma semana desde a última vez em que se falaram, e com tantas coisas sobre o álbum novo para resolver, acabou se atolando em trabalho e esqueceu completamente de ligar para a progenitora. Adicionou um lembrete mental para liga-la amanhã, logo após a reunião. Fechou o aplicativo de mensagens e se direcionou ao Instagram, sorrindo ao imaginar a loucura que seria se os fãs soubessem que ele estava online.
Enquanto isso, prestava atenção no filme, como se fosse a primeira vez que assistia, mas recitava as falas baixinho, em um murmúrio.
Harry não precisou olhar muita coisa para encontrar o que não queria; Camille havia postado uma foto com outro alguém, mas a foto borrada não o deixava ver quem era. Suspirou frustrado, jogando o celular em cima do sofá, enquanto esfregava o rosto em forma de agonia. Um dia longo, definitivamente.
Tantas coisas para resolver, e agora mais essa...
— Acho que alguém roubou a sua garota. — a outra francesa comentou após olhar de relance a tela do celular, que continuava pausada na foto da modelo.
— Ela não é a minha garota. — pelo menos não ainda, adicionou mentalmente.
— Então por que está chateado? — perguntou, voltando o olhar para a tela enorme da televisão, não querendo pressiona-lo a responder.
Harry parou por um instante, pensando na pergunta. Não conhecia direito, não sabia se era alguém que poderia confiar; se era alguém para quem ele podia abrir o coração e contar todas as merdas que se passavam em sua cabeça.
Queria dizer que daqui há alguns meses teria que assumir, abertamente um relacionamento com a modelo, e ela não deveria postar fotos com outras pessoas, porque eles deveriam estar se conhecendo. Queria dizer que precisava ficar um tempo com a modelo para o bem de ambos, e que o contrato já estava assinado. Apesar de não conhecer , Harry sentia que deveria ser honesto e pela primeira vez, era o que ele mais queria.
— Eu sou muito egoísta, . — resumiu, após algum tempo pensando no que ia falar.
A mulher levantou as sobrancelhas, em surpresa e exasperação; não esperava que ele ainda fosse responder, e, por Deus, ele nunca aprenderia que o nome dela era ?!
Nota-se. — murmurou em resposta. Harry riu ao ouvir, se voltando para encarar a garota, que mordia a bochecha enquanto assistia o filme.
— Escute, por que você não gosta de mim? — perguntou com o sorriso ainda brincando nos lábios.
— Você é meu patrão, eu não vou te falar isso. — negou, olhando para o cantor com descrença.
— Eu sei que você não gosta de mim, percebi isso logo depois que você me bateu e depois vomitou em mim. — disse neutro.
Para ele era engraçado o fato que ela nem se esforçava para tentar esconder a antipatia em relação a ele.
— Eu não vomitei em você de propósito. — contou. — E você acha que eu não gosto de você, eu nunca confirmei nada.
— Mas também nunca negou. — pontuou e ela ficou calada. — Olhe, eu lhe dou quinze segundos para você falar o que pensa de mim, sem se preocupar sobre eu ser o seu patrão.
olhou, desconfiada, e após alguns minutos pensando, concordou com um aceno.
— Ok, é meio que uma birra que eu tenho... — começou, tentando escolher as palavras.
— Uma grande revelação. — Harry ironizou, fazendo ela revirar os olhos.
— Eu ainda tenho dez segundos. — lembrou, erguendo a sobrancelha em um aviso mudo para que ele não interrompesse. — Eu te acho arrogante, prepotente e você tem uma crise de narciso que me irrita. Eu não quero nem mencionar que você quase arrancou meu nariz, caçoou da minha nacionalidade com aquele papo de “não sei se consigo lidar outra francesa agora” e fala meu nome errado a cada oportunidade que tem só pra me irritar.
Nenhum dos dois havia reparado, mas ambos estavam se aproximando fisicamente; havia se colocado sentada, mas seu corpo estava inclinado na direção de Harry, que havia se aconchegado mais no sofá, se aproximando mais da garota, também de forma imperceptível. As coxas da francesa, cobertas apenas pelo moletom, estavam roçando levemente na mão esquerda do cantor, que agora podia sentir o cheiro do perfume adocicado da mulher.
Harry tinha o cenho franzido e um sorriso leve nos lábios rosados, enquanto estava enumerando os fatos nos dedos, mas tinha um quê de riso na sua expressão.
— Por quê eu sinto que você está com a opinião formada sobre isso? — perguntou rindo. Não sabia porque estava rindo, ela estava insultando ele e dizendo abertamente que não gostava dele, mas o sorriso parecia não querer sair de seus lábios.
— Porque eu realmente estou. — disse, se deixando vencer e sorrindo também.
— E não vai me dar a oportunidade de mostrar que eu não sou só um filho da puta arrogante? — perguntou calmo.
— Não me leve a mal, Harry, você aparenta ser uma boa pessoa. Mas eu sei o que acontece com pessoas que se deixam envolver por essas covinhas e esses olhos verdes brilhantes. — disse, dando tapinhas leves no ombro dele, como se fossem amigos de longa data.
— E o que acontece?
— Você sabe o que acontece; terminam apaixonadas. Não estou com animo e nem sei se consigo passar por isso de novo. — confessou, se levantando. Sentia o clima pesar e não queria que aquilo acabasse em uma discussão.
— Pare de olhar pelas experiências dos outros, eu desafio você a tentar e tirar suas próprias conclusões. — Harry tentou. — Nós podemos ser só amigos, como eu sou com , com Sarah e com Clare. Garanto que nenhuma delas está apaixonada por mim.
— Não sou de negar desafios, mas esse eu passo. — encerrou. — Você pode até ser um ótimo amigo, Harry, mas não estou pronta para arriscar minha sanidade em troca disso. Então ficamos assim, pelo menos por hora; eu sou só sua fotógrafa e você é só o meu patrão.
— Por hora então. — concordou, por fim.
sorriu, concordando, e saiu da sala de cinema, deixando um cantor confuso e um pouco inconformado para trás.



6. Revelações e tentações.

Após toda aquela tensão, voltou para o segundo andar. Sua cabeça parecia que iria explodir a qualquer momento, e uma pontada de arrependimento já começava a querer transparecer, mas foi esquecida no momento em que a francesa sentiu os lençóis de algodão em baixo do seu corpo, se entregando a um sono tranquilo.
Pela manhã não foi nada fácil encarar Harry, mas o cantor parecia muito confortável com a situação, diferente da fotógrafa;
E se ele pedisse a demissão dela? Nem havia assinado o contrato ainda e já seria demitida por falar demais. Bom, pensou ela, se fosse para ser demitida, já deveria ter sido no momento em que deu o soco no nariz do rapaz. E se ele parasse de falar com ela? Por um lado seria bom, já que ela quase pediu por isso na noite passada, mas agora, estando sentada de frente para ele...
— Por quê está com essa cara de quem fez merda? — sussurrou enquanto Jeffrey discutia algumas coisas com Harry.
— Talvez eu tenha feito... — murmurou, mas a outra foi impedida de responder quando o empresário se voltou para .
— Então, , pelo que Harry me disse, ele adorou o seu profissionalismo e vocês se deram bem. — Jeffrey começou, fazendo a menina franzir o cenho e olhar para o cantor, que se limitou apenas em dar uma piscadela. — Nós dois já havíamos avaliado o seu portfólio antes, e gostamos muito do que vimos. Já sabíamos que queríamos você para trabalhar conosco, o teste foi mera formalidade.
— Então eu estou contratada? — a francesa perguntou desconfiada.
— Sim, se você aceitar os nossos termos. Estão escritos nesse documento, e você poderá ler com calma, mas para pular a parte da burocracia, você deverá estar disponível pelos próximos dois anos, onde você se tornará nossa fotógrafa exclusiva, tanto na produção e promoção do álbum, quanto em tour. — explicou. — Qualquer trabalho remunerado causará a sua demissão e você ainda terá que pagar uma multa. O mesmo se aplica para caso você queira quebrar o contrato antes do prazo. O valor da multa está no rodapé da página número quatro, em letras garrafais.
Ao olhar o valor, engasgou. Deus, ela tinha certeza que aquilo era mais dinheiro do que o valor de um rim! E tudo aquilo por uma quebra de contrato... Não era atoa que Harry era rico.
— Nem se eu vendesse todos os meus bens... — murmurou, levando um pontapé de e fazendo com que Harry risse levemente. — Tudo bem, é só isso?
— Sim, por enquanto. Você pode me entregar o contrato a noite, depois de ler as cláusulas. — concluiu e assentiu. — Agora precisamos falar sobre o documentário, sim? Harry?
esperou que ele finalmente surtasse e dissesse que não queria ela na equipe; mas, felizmente, o surto não veio. Ele apenas falou o que queria do documentário, e anotava cada vírgula em sua caderneta para repassar para o resto da equipe. Também foi colocado em pauta as possíveis fotos de capa do álbum, mas nenhuma pareceu agradar o cantor, de forma que era um assunto ainda em aberto.
Pelo que foi dito, as canções iam de vento em polpa; algumas escritas por Harry, outras por Mitch e a maioria escrita por ambos. Os dois faziam uma boa dupla, além da amizade que parecia ser de longos anos, e não de apenas alguns meses.
Havia se passado mais alguns minutos e a reunião ainda perdurava. murmurava a letra de uma música francesa enquanto olhava o tampão de mármore da mesa, desenhando coisas aleatórias com a ponta do indicador. Não que a reunião estivesse realmente um tédio, mas não era um assunto direcionado a ela. Estava tomando coragem para pedir licença e se levantar, sabendo que o olhar indiscreto de Harry, — que estava pousado nela durante toda a reunião, — acompanharia seus movimentos.
Deus, não queria correr o risco de tentar agir naturalmente, como se aquele olhar não a afetasse, e tropeçar em algum canto. Imagine se...
Os pensamentos logo foram espantados ao soar do toque do celular. Murmurou um desculpa, e olhou o nome na tela, sorrindo instantaneamente. Não reparou no olhar curioso de Harry ou nos outros olhos voltados para ela. O próximo passo foi pedir licença e sair da sala de reuniões, marchando alguns passos até se sentar em uma espreguiçadeira na beira da piscina, ficando de costas para a sala em que anteriormente estava.
— Coucou! — saudou e seu sorriso aumentou ao ver a irmã do outro lado da tela, não se importando com os funcionários que passavam por ali, já ninguém pararia para espiar uma conversa em francês.
Como assim você está trabalhando com Harry Fucking Styles e a mamãe só me contou agora?
— Olá, para você também, Amélie. — disse sarcástica, erguendo a sobrancelha para a menina. — Você me tirou de uma reunião, então espero que não seja para brigar.
Por quê não me contou? Sabe o quanto ele é importante para mim... — murmurou, agora com uma expressão chateada.
— Eu percebi isso quando te levei a cinco shows da One Direction e você chorou em todos. — relembrou, rindo de leve, fazendo a menina desmanchar o bico.
A Maika vai surtar quando souber disso! — exclamou, esquecendo a chateação anterior e fazendo suspirar, sabendo a onde aquilo daria. — Você precisa me levar para conhecer ele! Ou melhor, você podia trazê-lo aqui e nós podíamos...
— Amélie... — procurou pelas palavras. — Amie, não dá! Foi por isso que não quis te contar, sabia que você ia acabar se empolgando.
Como assim?
— Me escuta, ‘tá? E você não pode ficar chateada, ok? — perguntou, ouvindo um murmúrio em resposta e vendo o sorriso da menina se fechar. — Amie, esse é o meu trabalho... Eu vou assinar um contrato que pede total sigilo dos projetos do Harry, então isso não pode vazar de jeito nenhum, ok? Você precisa me prometer que não vai comentar com a Maika ou tweetar algo sobre isso. Pelo menos não por agora.
Ok... — confirmou pausadamente, e revirou os olhos, sabendo o que teria que fazer.
— Prometo que levo você em um show da tour, caso você não conte. Com acesso aos bastidores. — prometeu, ouvindo um grito soar do outro lado e o celular dar de cara com o tapete felpudo branco que havia no quarto da garota, fazendo-a rir. — Certo, agora vamos conversar. Sei que você está cheia de perguntas, então pode começar.
Ele é feio como você dizia? — atirou e gargalhou.
Deus, se Amélie soubesse que isso era a ultima coisa que pensava ao olhar para Harry...
— Não. Na verdade, ele é... interessante. — resumiu, vendo a menina erguer a sobrancelha e sorrir.
Então você admite que ele é gostoso?
— Talvez... — tentou, ouvindo os protestos e o olhar indignado da garota. — OK! Ele é gostoso.
Deus, preciso gravar isso! Fale de novo, com todas as letras; “eu acho Harry Styles gostoso”. — pediu, recebendo uma resposta negativa logo em seguida. Mas Amélie sabia muito bem como dobrar e faze-la de gato e sapato, então bastou apenas algumas insistências....
— Eu acho Harry Styles gostoso. — murmurou de má vontade, olhando em volta para garantir que ninguém prestava atenção.
Vamos lá, , você faz melhor que isso. Mais alto e com força de vontade, ande! — forçou, e suspirou, sabendo que aquela pirralha não desistiria tão fácil assim.
— Eu acho Harry Styles gostoso! — falou normalmente, se esforçando para deixar a voz límpida e fluida. — Amélie, se você mandar eu repetir essa merda de novo, eu retiro a promessa sobre o show e o backstage.
Não precisa, agora ficou bom. — afirmou rindo, mas logo parou, arregalando os olhos para algo atrás de . — Puta que pariu!
— Se a avó ouvir você falando palavrões, vai acabar sobrando pra mim. — ralhou, mas a menina não se moveu. — O quê?
Acontece que Harry havia chegado há alguns segundos atrás, tempo o suficiente para ouvir dizer aos sete cantos do mundo que o achava gostoso. Aquilo vindo de qualquer outra pessoa, o deixaria totalmente desconfortável, mas se surpreendeu ao perceber que não havia se importado. Não havia soado pejorativo, e poderia arriscar dizer que achou sexy.
virou para trás, já sabendo quem era a única pessoa a conseguir uma reação daquela vindo de Amélie. O sorriso presunçoso denunciava que ele havia ouvido tudo, fazendo com que ela suspirasse derrotada.
Bom, não havia choro para o leite derramado, então o único remédio era fingir que nada havia acontecido.
— Bom, se quer saber, ele continua não sendo o meu preferido. — disse, agora em inglês, mas a menina não parecia ouvir mais, vidrada em Harry, que apenas acenou, fazendo-a começar a pular pelo quarto. — Ok, Amie, agora tenho que ir. Te ligo depois.
Os protestos da garota ainda foram ouvidos, mas foram completamente ignorados.
— Então eu sou... chaud*? — pronunciou, alargando o sorriso e se sentando ao lado de , que revisou os olhos, prendendo um sorriso que queria brotar em seus lábios.
— Ninguém te ensinou que é falta de educação ouvir conversas alheias atrás da porta? E desde quando você fala francês? — pergunta, sentindo suas bochechas esquentarem. Droga, aquela não era a hora mais oportuna para corar.
— Primeiro que você fez questão de falar o meu nome, então eu não estava espiando. Fui chamado. — explica. — E eu nunca disse que não falava em francês. Tenho aulas três vezes na semana, assim como italiano.
— Desde quando? — perguntou, dando corda para tentar fazê-lo esquecer o assunto anterior.
— Desde o fim da One Direction, meados de dois mil e dezesseis, ano passado. Mas estou sem professora agora, já que estamos longe de Londres. — comentou, se distraindo. — Você poderia ser a minha professora.
— Não poderia, não. — disse rindo nasalado, mas parando ao ver que ele falava sério. — Não, eu sou fotógrafa, não sou pedagoga.
— Eu pago. — ofereceu, vendo-a levantar.
— Desculpe, mas a escolinha está fechada. — disse sarcástica, fazendo-o gargalhar.
— Ok! — se rendeu, se levantando também. — Jeffrey quer conversar com você sobre o seu estúdio. Pediu para que eu viesse te chamar.
— Claro, e você, como ótimo menino de recados, não pensou nem duas vezes. — provocou rindo.
— Jamais perderia a oportunidade de ver você me chamando de gostoso. — piscou, fazendo com que o sorriso dela se fechasse. — Prometo não contar a ninguém. Vamos, antes que venha nos puxar pelos cabelos.
revirou os olhos, mas não tornou a falar, passando pela porta de vidro e adentrando novamente a sala de reuniões. No fim, tudo o que Jeffrey queria, empolgadamente, contar, era que o mais novo estúdio da garota, equipado para edições e revelações das fotos, era no terceiro andar, perigosamente perto do quarto do cantor, que a encarava com um sorriso lateral, deixando as irresistíveis covinhas ainda mais evidentes.
Parecia que a tarefa de se manter longe da tentação seria mais difícil do que o esperado.


GLOSSÁRIO:
*“Chaud” = traduzido ao pé da letra significa quente, mas é usado como elogio para chamar alguém de gostoso.


7. A desastrosa noite do vinho.


O dia passou mais rápido que o esperado. Após a reunião, Clare e Sarah decidiram que não iriam ficar naquele lugar enorme sem nada para fazer, o que fez todos se animarem para sair, exceto por Harry, que mesmo emburrado por ser o único a ficar, estava tentando manter a descrição da sua localização.
A noite não tardou a chegar e todos estavam arrumados, sentados no sofá da sala, localizada no térreo, enquanto olhavam, através da parede de vidro, a forte chuva cair. As expressões eram um misto de exasperação, indignação e tristeza. parecia que iria chorar, mas tinha um leve sorriso nos lábios vermelhos, e Clare pareciam que tinham levado uma bolacha, já Mitch e Sarah estavam abraçados no canto do sofá, enquanto conversavam distraidamente sobre algo. E Harry... Bom, verdade seja dita, ele estava radiante; não ficaria mais sozinho, e tentava a todo custo esconder o sorriso gigante que queria brotar em seu rosto.
Era possível enxergar a piscina transbordar, tamanha quantidade de chuva, de forma que a saída teria que ser adiada. A primeira a se contentar com isso foi , que retirou os saltos, se deitando no sofá. Um murmúrio de desaprovação foi ouvido, mas todos sabiam que não teria mais jeito, de forma que após alguns minutos, começaram a se colocar a vontade, tirando sapatos, brincos e até mesmo jaquetas.
estava realmente considerando dormir ali mesmo, se sentia cansada, olhos pesados...
Mas o movimento abrupto de ficando em pé, a fez despertar.
— Ok, chega. — falou após subir em cima do sofá, batendo palmas para chamar atenção. — Nós não iremos sair, mas tem uma adega enorme na casa dos fundos, então pelo menos vinho e licor nós podemos beber.
— Claro, agora me diga... Quem, em sã consciência, vai levantar daqui e ir naquela adega? Não sei se você esqueceu, mas tem uma parte descoberta e está chovendo. — Clare protestou.
— É por isso que existe zerinho ou um. As duas pessoas que perderem vão lá e pegam. — concluiu simples.
— Quero só ver o que você vai fazer quando perder. — sorriu, voltando a fechar os olhos.
— Eu não jogo, sou a juíza. — ditou e logo o falatório começou.
sempre era uma ladra em qualquer tipo de jogos. Ela sempre dava um jeito de se safar, e as vezes chegava a ser engraçado a cara de pau e a tranquilidade com que ela falava. só ria, enquanto segurava a barriga, ainda deitada no sofá. A discussão se resumia a Mitch, Clare, Sarah e , já que Harry também ria descontroladamente e Adam estava conversando com os filhos pelo FaceTime, no quarto, e nem se dera o trabalho de descer.
A discussão ainda durou alguns minutos antes que pudesse se recuperar e levantar, pedindo para todos ficarem quietos.
— Eu me ofereço como tributo! Agora parem com essa discussão ridícula. — pediu, tentando esconder o sorriso. — , você sempre foi uma ladrona de merda.
A cara indignada da produtora e amiga a fez sorrir e sair correndo, ao ver a garota jogar uma almofada com toda a força.
O arrependimento atingiu a francesa assim que a porta de vidro se fechou. O vento e a chuva fria colidia contra o corpo esguio da garota, que corria descalça pela grama verde. riu ao pensar na ironia de como aquela cena parecia um filme.
A mocinha correndo na chuva em busca do seu amor, que naquela situação, se tratava de garrafas de vinho e licor.
Riu ao finalmente alcançar a adega, entrando no local. O lugar era escuro ao inicio, e após algumas tentativas falhas, a sua visão se adequou a luz fraca que vinha do lado de fora. Não teria como escolher vinhos com aquela luz mínima, de forma que pegou três garrafas aleatórias, abraçando-as e voltando a tatear as paredes em busca da porta, a qual ela tinha certeza que havia deixado aberta.
Seus dedos finos passaram a dedilhar uma superfície mais delicada e macia, porem também rígida... Havia cortinas ali? Bem, não importava, o destino era a porta de saída.
Um pigarreado foi ouvido, assustando a garota, que gritou e derrubou uma das garrafas que estava em seus braços, sentindo seu pé descalço ficar húmido após a pancada.
— Merde!* — praguejou baixinho. Esperava que aquele vinho não fosse de todo tão caro. — Quem está ai?
— Machucou? — a voz soou, agora com um tom aflito. Sentiu a sombra se afastar e logo as luzes se acenderam.
Os olhos azuis da francesa ainda demoraram alguns segundos para se adequarem a qualidade, mas após isso, seus olhos se focaram em Harry, fazendo-a revirar os olhos ao vê-lo caminhar para perto dela novamente.
— Você me assustou... quebrei uma garrafa. Você paga, a culpa foi sua. — acusou, tentando sair da redoma de vidro e vinho tinto. Não dava para enxergar se havia se cortado, mas sentia uma dor alucinante no peito do pé.
— Ninguém vai precisar pagar nada. — disse calmo, segurando no braço livre dela enquanto se abaixava. Diferente da menina, ele estava calçado, de forma que não correria risco de cortar o pé.
— O que você está fazendo? — perguntou desconfiada ao vê-lo abaixado. Seus cabelos batiam na altura do umbigo dela, em um lembrete de quão alto o cantor era.
Os braços fortes passaram por trás dos joelhos da francesa, tirando-a do chão e fazendo-a guinchar ao ser erguida do chão. Harry não falou nada, apenas a colocou sentada em uma mesa ali perto, tirando a blusa de frio e vestindo na garota, que não protestou. A mão firma do cantor segurou o pé da mulher, que olhava atentamente para os movimentos fluidos dele.
— Você é médico? — implicou, balançando o pé.
, fique quieta. — a menção do nome da garota, pela primeira vez pronunciado da forma certa, fez com que ela se calasse. Cinco minutos olhando o pé da mulher foi o suficiente para que Harry constatasse que não havia cortado, apesar da pancada ter feito inchar um pouco. — Sabe, quando você quiser passar a mão descaradamente pelo meu corpo, você só precisa pedir. — a voz rouca soou, junto com uma risada baixa.
— Va te faire foutre*, Harry. — resmungou, se soltando e descendo da mesa. A dor ao colocar o pé no chão a fez recuar um pouco, mas logo se equilibrou em um pé só. — Olhe, você pode levar as garrafas? Não tenho muito equilíbrio em um perna só, e piora se ainda tiver que carregar essas coisas. Ande, segure. — mandou mas Harry sorriu, saindo do campo de visão da mulher, que ficou com um olhar indignado.
Não demorou para que voltasse, com mais duas garrafas de vinho, totalizando quatro, e um pano húmido na mão. Colocou as garrafas na mesa e voltou a colocar a menina sentada, puxando seu pé novamente para o colo.
— Primeiro eu vou limpar o seu pé e ver se realmente não tem nenhum corte. Avise se arder ou doer no lugar em que eu tocar. — pediu, começando a passar o pano pelas panturrilhas da francesa, que estavam tomadas pelo líquido do vinho. — Então, me conte sobre a menina com quem você estava falando no celular. É sua amiga?
bem que tentou ouvir o que ele havia dito, mas tudo se tornou inaudível quando sentiu a mão firme tocar em sua perna. Sua pele logo se arrepiou, e por estar sem sutiã, apertou mais a blusa contra seu corpo, ocultando o peito eriçado. Estava sensível devido a tanto tempo sem contato direto com um homem, e o seu ciclo menstrual a deixava com a imaginação mais fértil que o normal...
? — chamou e a menina grunhiu com o nome dito errado, mas sustentou o olhar, como se esperasse que ele repetisse a pergunta. — A garota com quem você estava falando, é sua amiga?
— Ah, não. É a minha irmã. — contou e Harry olhou, dando indícios que ela deveria continuar. respirou fundo e se preparou para falar. —Posso confiar em você, Harry?
— Sempre. — afirmou, sem se exaltar com a pergunta, abrindo um sorriso caloroso. — Duvido que você se lembre, mas confiei em você na praia. Mais do que já confiei em outras pessoas.
— Sim, eu lembro. — disse cerrando os olhos e mostrando a língua, enquanto as mãos do cantor passavam para a outra perna. — Bom, minha família nunca foi rica, então o único luxo que eu e minha irmã teríamos, era o de ir para boas faculdades, graça a poupança que nós tínhamos para o futuro. Quando meu pai morreu, a minha mãe havia completado nove meses. Eu tinha sete anos, e logo a Amélie nasceu.
— Sinto muito pelo seu pai. — lamentou e deu de ombros, oferecendo um sorriso.
— Eu também. — disse calma, vendo o moreno se afastar e escorar na parede, encarando-a. — Bom, One Direction surgiu e Amie era completamente alucinada pela banda. Nós dividíamos o quarto e eu nunca fui capaz de dizer não para aqueles olhos azuis brilhantes, então posters, CD’s e bonecos tomaram conta do cômodo. Eu era mais velha, tinha dezessete anos e estava na época de querer levar garotos para o meu quarto, mas não chegava a me incomodar porque eu via o quão bem ela ficava com todas aquelas coisas e notícias sobre vocês.
— Foi ai que surgiu o seu ódio pela banda? — perguntou sorrindo de lado, fazendo gargalhar.
— Não, eu não odeio vocês. É só implicância para te deixar curioso. — disse ainda rindo, fazendo Harry levantar as sobrancelhas, mas se manter calado. — Alguns anos se passaram, e quando completei dezoito, na noite do meu aniversario, nós precisamos levar Amie para o hospital. Ela não sentia fome, estava emagrecendo, se cansava subindo cinco degraus, sentia tontura na maior parte do tempo, sangrava pelo nariz, se machucava facilmente...
suspirou, analisando o olhar verde esmeralda, mas ao contrario de todas as pessoas para quem ela contava aquela historia, não havia pena no olhar dele.
— Leucemia. Não pensamos duas vezes em começar os tratamentos. A médica havia dito que quanto mais cedo, melhor resultado teria. Tudo estava correndo bem e nós estávamos radiantes com os pequenos avanços, mas ela não. Descobrimos que haveria um show da One Direction em Paris e conseguimos leva-la. Cadeira nível três, longe da confusão e mais barato, mas também mais longe do palco. Ela não se importou. Chorou durante todo o show, chorou mais quando chegou em casa e se emocionava sempre que lembrava. Disse que aquilo havia dado forças para que ela continuasse. Depois disso veio a radioterapia e até hoje ela faz o tratamento. Não vencemos ainda. — concluiu sorrindo murcho, desviando o olhar para Harry. — Então não, eu não odeio a One Direction. Nem um pouquinho.
— Queria conhece-la. — falou quando se calou.
— Você vai. Prometi leva-la em algum dos seus shows para que ela não contasse que eu estava trabalhando com você. — contou e Harry riu, se aproximando. — Bom, precisamos voltar agora antes que apareça aqui.
— Segure. — pediu, colocando as outras duas garrafas no braço da menina, que reclamou. — Não solte e não se assuste de novo.
ia protestar pelo peso dos vinhos, mas se calou ao ser pegada no colo. Harry tinha um de seus braços por baixo das pernas da garota, e o outro segurava firmemente o seu tronco. Estava sendo carregada no estilo noiva.
— Tudo bem? — o cantor perguntou, encarando o rosto da francesa, que se encontrava perigosamente perto do seu. se limitou apenas a assentir, se deixando levar para fora da adega.
A chuva havia dado uma trégua, de forma que apenas serenava. Pela primeira vez parou para analisar a situação, e tudo só parecia piorar a medida em que inspirava o perfume de Harry. Ele definitivamente cheirava como alguém rico. Não haveria outra descrição. Poderia jurar que era um dos perfumes do Tom Ford, mas não sabia identificar qual. Sentia vontade de esconder o rosto na curva do pescoço do rapaz, só para poder aspirar o cheiro mais de perto, mas para evitar o ato falho, recuou mais o seu pescoço, fugindo da tentação.
Não demoraram a alcançar a sala, atraindo olhares do grupo.
Harry delicadamente pousou no sofá, pegando as garrafas que estavam em seus braços.
— Tenho medo de perguntar o porquê ela precisou vir no colo. — soltou, beberricando o seu copo de whisky quase vazio.
— Você conseguiu ficar bêbada durante o tempo em que eu fiquei fora? — perguntou, ignorando o comentário da amiga e vendo Harry sentar no sofá em frente a ela.
— Você conseguiu foder durante o tempo que ficou fora? — perguntou em um sussurro.
— Cale a boca, o seu amigo quase me deixa sem o pé e teve remorso. — disse alto, fazendo com que Harry risse. — Onde você achou esse whisky? Poderia ter me poupado o trabalho.
— Vocês demoraram, achei que ficariam por lá, então assaltei o escritório de Jeff. — explicou. — Inclusive, nós estávamos falando sobre você e sobre os seus talentos...
— Do que você está falando? — perguntou, rindo levemente ao ver tentando pegar o gelo com a língua. — Você está bêbada, chega de bebidas por hoje.
— Estou falando da sua dança. — esclareceu, se desviando das mãos da francesa, que agora parecia congelada no lugar, com os olhos esbugalhados.
, que caralhos você contou? — rosnou e todos da sala pareciam segurar a risada, exceto por Harry, que parecia confuso.
— É, aquela dança sensual que você faz... Como é o nome? — tentou, se esquecendo da palavra.
— Strip tease? — Sarah perguntou mas negou.
— Pole dance? — Clare tentou e recebeu outra negativa em resposta.
— Lap dance*? — Harry tentou, agora entendendo o assunto abordado, fazendo com que olhasse desconcertada para ele, que sorria.
— ISSO! É isso. — confirmou rindo, ainda lambendo a pedra de gelo.
parecia que iria ter uma sincope a qualquer momento. Seu rosto estava tomado por um tom vermelho forte, tornando explicito o desconforto em ter aquilo aberto daquela maneira. Iria matar amanhã, já que hoje ela não parecia se importar com isso.
Havia tido algumas aulas de Lap Dance* em uma tentativa de apimentar o namoro com Dylan, mas não chegou a utilizar, visto que terminaram antes que ela pudesse por em prática.
— Eu vou esquartejar o seu corpo e desovar no banheiro de uma boate qualquer. — ameaçou baixo, vendo todos rirem.
— Isso me lembra uma vez em que você e seu ex, que o diabo o tenha, estavam de sacanagem no banheiro do botequim e o dono nos expulsou. — lembrou fazendo com que a gargalhada aumentasse.
— Sacanagem? — Mitch perguntou, vermelho pelo riso.
— É, daquelas bem feias. — acusou, segurando o riso ao ver se levantar do sofá.
— Inútil, — chamou, cutucando Harry de leve, que cessou o riso e olhou.
— Seu servo. — saudou e sorriu irônica.
— Você quebrou o meu pé, agora você me leva até o quarto.
— Hmmm, sacanagem com Harry... — alfinetou, recebendo o dedo do meio em resposta.
— Nem pense que você vai ficar ai, . — disse ao se apoiar nos ombros de Harry. Deus, aquele perfume... — Você vem com a gente.
, desculpe. — pediu séria e esperou. — Não curto muito a três. Já tentei e foi um desastre, sou possessiva demais.
, ande logo! — grasnou enquanto Harry ria. A risada dele quase a fez sorrir, quase.
No fim, após toda aquela confusão, Harry teve que levar uma bêbada e uma com pé machucado para seus respectivos quartos. Mitch não fez nem menção de levantar, e ficou na sala com Sarah. Clare resolveu subir também, mas não se disponibilizou a levar nada além dos sapatos e bolsas. Após deixar e Clare, a última encomenda era o quarto de .
— Está entregue, . — disse, deixando-a na porta.
— Obrigada por me ouvir. — agradeceu sem graça, esticando a mão para bagunçar o cabelo dele, que riu.
— Sabe, eu não sou um cachorro. — Harry avisou se referindo a forma com que ela fez carinho. — Está me agradecendo por qual parte? Quase cortar o seu pé?
— Claro, pelo que mais seria? — brincou mostrando a língua, mas voltou a ficar séria, pigarreando. — Obrigada, Harry.
— Sempre que precisar. — assentiu, depositando um beijo na testa da francesa. — Você sabe onde me encontrar.
sorriu, entrando no quarto e fechando a porta ao vê-lo sair.
Bom, no fim das contas ele não era tão filho da puta quanto ela imaginava. Que mal tinha ser amiga de um pop star? Querendo ou não, ambos já haviam criado laços de confiança, então não havia motivos para a hesitação. A certeza estava ali, só estava demorando de aceitar.
Após um banho rápido, tudo parecia mais claro.
Amanhã ela falaria com Harry Styles.


GLOSSÁRIO:
*“Merde” = porra.
*"Va te faire foutre" = vai se foder.


*Lap Dance = Lap dance ou dança no colo é uma dança erótica, comum em clubes de striptease, onde a(o) dançarina(o) move-se sensualmente com ou sem roupa, chegando a sentar no colo do parceiro(a).


8. Recomeço e ciúmes.

A noite para havia sido no mínimo, inquieta. Se sentia hesitante para conversar com Harry e pedir desculpas por ter sido rude tantas vezes consecutivas. Com esse pensamento, caminhou em direção a área da piscina, com um pote de sorvete nas mãos e duas colheres, avistando o cantor de longe. Esperava que o sorvete funcionasse como um pedido digno de desculpas do mesmo jeito que sempre funcionava com .
Balançou as duas colheres, pensando se deveria realmente ir até lá, mas ignorou categoricamente o seu orgulho e o diabinho sentado em seu ombro dizendo que ela não deveria perder seu tempo com aquilo. Ouviria o seu lado sensato dessa vez.
Caminhou em passos leves pela grama, tendo uma melhor visão de Harry, que se encontrava dentro da piscina e com o rosto apoiado na borda, com o semblante pensativo. O que mudou drasticamente, a carranca dando lugar a um sorriso, quando a fotografa pigarreou ao chegar mais perto.
— Esse sorriso é porque não precisei amputar o pé? — perguntou implicante, fazendo Harry rir. A francesa se sentou na borda, ao lado do cantor, colocando as pernas descobertas para dentro da água.
— Não, é porque eu vi o sorvete. — brincou, fazendo-a estreitar os olhos, entregando-lhe a colher. — Devo agradecer ou você vai me pedir algo em troca?
— Por enquanto vou ser boazinha e deixo você agradecer. — piscou e o cantor riu, abrindo o pote e pegando a primeira colherada.
— Bom, muito obrigada. — agradeceu e assentiu, sorrindo de lado enquanto desviava o olhar para seus pés balançando na água.
Esperou um pouco antes de introduzir o assunto, abrindo a boca algumas vezes quando tomava o impulso de falar mas acabava se refreando. Não sabia o que dizer, mesmo tendo feito um roteiro enorme na cabeça antes de chegar até ali.
— Ok... O que você quer? — Harry perguntou após observa-la fazer aquilo pela quinta vez. — Não precisa ter receio de conversar comigo, , já passamos dessa fase.
pigarreou antes de começar a falar. Era sempre fácil conversar com Harry, mas pedir desculpas era algo que ela ainda estava trabalhando, então era completamente estranho.
— Desde que nós nos conhecemos, o que já faz uma semana, eu venho sido... hostil com você. — começou, escolhendo as palavras, e Harry levantou uma sobrancelha. — Ok, eu venho sendo uma completa escrota na maioria das vezes. E eu queria pedir desculpas por ter te julgado desde o começo, e por nunca ter me dado a chance de realmente te conhecer. Vou parar de ser uma vadia.
— Então por isso o sorvete? — sorriu de lado e revirou os olhos. — Nós sempre podemos recomeçar. Eu sou Harry. — Disse, estendendo a mão.
— Meus amigos me chamam de . — repositou, sorrindo e apertando a mão do cantor em forma de comprimento.
— Então somos amigos agora? — perguntou.
— Acho que sim. — respondeu ainda tendo sua mão segurada por Harry, que deu um sorriso arteiro, fazendo-a perceber a intenção do cantor antes mesmo de poder evitar o ato.
Harry gargalhou enquanto puxava a mão da garota, fazendo-a soltar um grito estridente antes de entrar em contato com a água.
— Você é extremamente irritante! — a garota resmungou, mesmo com um sorriso querendo brotar nos seus lábios.
— Falando em irritante, esse não seria o momento em que apareceria e perguntaria se nós já transamos? — Harry perguntou, tomando um gole do seu whisky e oferecendo para , que não contestou e deu um gole longo, fazendo uma careta antes de tomar impulso pra responder.
— Provavelmente, mas ela decidiu se auto dar folga, alegou que cansou de insistir em nós dois. — explicou, dando pulinhos até a borda da piscina, saindo da água e se esticando para pegar a toalha. — Foi almoçar com o carinha do bar e vai vir com ele aqui de noite, para apresenta-lo.
— O mesmo carinha do dia em que você vomitou em mim?
— É, Harry. — revirou os olhos. — Você nunca vai esquecer isso?
— Nunca. — afirmou, sorrindo. — Onde você vai? — perguntou, vendo-a se enrolar no pano.
— Você conhece a . Tudo é motivo para festa e isso não vai passar só como uma apresentação, ainda mais que nós não conseguimos sair ontem. — avisou e Harry assentiu. — Ah, e espero que você arrume outra toalha, essa acabou de ficar encharcada.
— Você é inacreditável. — negou rindo, ao vê-la depositar a toalha molhada em cima da espreguiçadeira.
— Obrigada, mon chéri*. — piscou e saiu, rumando de volta para chácara.
***

estava completamente certa.
fez da introdução do rapaz, uma pequena festa. Consistia nos membros da banda, Harry, , o carinha do bar – que havia sido introduzido como Leo, e uma amiga antiga de , Candice.
não gostava da garota desde a época de escola, já que por onde passava, a garota chamava atenção com seus cabelos loiros e olhos verdes, sentimento facilmente apelidado de inveja, mas ela nunca diria em voz alta. Se sentia horrível por detestar uma garota que nunca lhe fez mal, mas o sentimento passou junto com a boa educação no momento em que a loira deu em cima de Harry descaradamente.
Mas não era ciúmes, tinha certeza que não.
A francesa, infelizmente, não podia bufar alto e mostrar descontentamento por ter aquela garota se enturmando com os seus amigos, afinal, não estava em seu direito para tal, portanto se contentava em beber.
Leo havia conversado com a fotografa há alguns minutos e ela adicionou uma nota mental de recordar o quão gentil o rapaz era, e totalmente educado. Apesar do que estava sentindo por Candice, se sentia radiante por estar se dando tão bem com alguém e por esse alguém não ser um completo babaca.
— Nós poderíamos fazer alguma brincadeira para nos conhecermos. — Candice sugeriu, e sorriu irônica, contendo o ímpeto de revirar os olhos.
Sabia muito bem quem ela queria conhecer, não seria mais fácil ter digitado o nome dele no google antes de vir?
— É possível brincarmos dessas coisas sem parecermos adolescentes escrotos do ensino médio? — Sarah perguntou acida, e lhe ofereceu um high five mentalmente.
Antes de Harry chegar no ambiente, a garota havia se insinuado para Mitch, coisa que Sarah não havia gostado nenhum pouco, mesmo que também estivesse jurando mentalmente que não era ciúmes.
— Qual, Candy? — perguntou doce, tentando amenizar o tom da amiga e o olhar cínico de .
Deus, o que havia dado naquelas duas hoje?
— Eu nunca. Todo mundo sabe como funciona. — disse e revirou os olhos, bufando audivelmente. — Algum problema, querida?
Sairia dali sem as orbitas caso continuasse com as reviradas de olhos.
— Tirando o fato que voltamos para o nono ano, nenhum. — disse, rindo bêbada ao final da frase.
— Vamos lá, vai ser legal! Bom que nós descobrimos mais coisas sobre você, . Se não fosse por , nós morreríamos sem saber sobre os seus dons dançantes. — Mitch disse, fazendo apertar os olhos na direção dele.
— E era melhor não terem sabido mesmo! — falou errado, soluçando no final da frase e arrancando risos dos amigos. — Vai, vamos jogar logo isso.
Não foi uma boa ideia.
O jogo girou completamente em torno de alfinetadas entre Harry e Candice, o que fez os outros se recolherem em grupinhos para darem privacidade aos dois, que pareciam estar em uma bolha que exalava sexo.
ficou indignada, e não conseguia mais disfarçar a carranca. Metade da indignação era por estar tão incomodada com aquilo, e a outra metade era... não tinha outro motivo. A garota não hesitou em se levantar da cadeira, ainda um pouco zonza por conta da bebida, mas sóbria o suficiente para seguir seu destino até sua cama.
Não disse uma palavra durante seu trajeto e respondia as perguntas com um simples aceno, logo saindo do ambiente. Parou nas escadas ao ouvir a voz de .
— Está tudo bem, ? — perguntou paciente, olhando para a amiga como uma mãe olha para a filha que está fazendo birra. — É por causa da Candice?
— Aquela garota mal chegou e já está se sentindo intima de todo mundo. — reclamou cruzando os braços, e tentando reprimir um soluço.
— Então é isso? Ciúmes. — falou e arregalou os olhos, negando rapidamente. — Está com ciúmes sim.
— Vai se foder, . — vociferou. Obvio que ela não estava com ciúmes, aquilo era ridículo.
— O que?! Harry ficou louco por você desde que vocês se trombaram e você o evita sempre que pode, agora que ele quer se divertir com outra pessoa, você fica se remoendo. — disse incrédula. Não estava com um pingo de saco para lidar com bêbada, não depois do papelão que ela havia feito no meio de todos. — Quer saber, ? Vai dormir, amanhã você vai sentir vergonha dessa birra de criança que você está fazendo.
observou calada se virar e voltar para o salão. Talvez a amiga estivesse certa, ela só precisava de uma noite de sono para perceber o quão rude havia sido aquela noite. E talvez, só talvez, ela realmente estivesse com ciúmes.
GLOSSÁRIO:
*“Mon chéri” = querido/baby.


9. Gemma Styles.

A cabeça da garota latejava veementemente, lembrando-a de que hoje teria que trabalhar com uma ressaca infernal. As batidas na porta só pareciam piorar seu humor, e ela não faria questão de atender se não soubesse que era alguém chamando-a para alguma reunião.
se embolou no lençol da cama após conferir que só estava de calcinha e sutiã, e amarrou o pano branco em volta do seu corpo, abrindo a porta enquanto tentava conter seus cabelos desgrenhados em um coque.
Se arrependeu no momento seguinte.
Harry estava ali, todo pomposo e era impossível que ele acordasse lindo daquele jeito. Era um anjo ou algo assim? Parou de analisá-lo apenas para perceber que ele fazia a mesma coisa com ela.
Ótimo, deveria estar chamando-a de maluca por atender a porta naquele estado. Pelo menos não era um motivo válido o suficiente para ser demitida.
— O quê? — perguntou mal humorada.
— Desculpa, é que nós temos uma reunião em cinco minutos para decidir sobre o clipe e sobre o photoshoot. — Harry explicou e ela assentiu. — Você está bem?
— Sim, obrigada. Vou só colocar uma roupa e desço. — avisou e Harry concordou, com o cenho franzido, saindo dali.
fechou a porta, estreitando os olhos com o barulho. Ótimo, estava de ressaca e com um mal humor ridículo.
— Então é isso? Ciúmes. — Está com ciúmes sim. A voz de ecoou, fazendo com que o assunto retornasse.
É. O mal humor não era devido a ressaca, e talvez a dor de cabeça também não fosse, visto que ao pensar nesse assunto, sentiu sua caneca latejar.
Mas esse assunto teria que ficar para depois, tinha uma reunião e precisava tomar um banho urgente antes de ir, escovar os dentes e ficar apresentável, tudo isso em menos de quatro minutos. Não daria tempo e Jeff a comeria viva, mas valia a pena tentar.
***

Quando chegou na sala de reuniões, já havia começado ao que parecia ser alguns minutos, o que a fez receber um olhar zangado de Jeff, que prestava atenção no que falava.
O único lugar vago era ao lado de Harry, e talvez aquilo fosse um sinal do universo para que ela parasse de pensar tanto no assunto e para que deixasse de ser uma vadia escrota.
Puxou a cadeira, se sentando silenciosamente e abrindo seu caderno de anotações, pegando superficialmente algumas informações, até descobrir que se tratava do novo clipe, Sign Of The Times.
Aparentemente seria na Escócia, mas não conseguira deduzir o lugar específico, já que não tinha pegado essa parte. Harry falou suas ideias para e Jeff, enquanto os outros produtores escutavam e anotavam milimetricamente cada vírgula.
Aquele não era o trabalho de , então ela se dispersou, começando a rabiscar o caderno. Sua mão logo começou a traçar a imagem de um par de olhos ali. Era sempre a mesma coisa quando ela estava distraída, começava um desenho que terminava em olhos. Sentiu pares reais, e esverdeados, em cima do seu desenho, e logo desviou o foco para quem estava observando.
— Você é muito boa! — Harry sussurrou impressionado, fazendo-a rir um pouco da eu expressão.
— Obrigada. Ás vezes é involuntário. — disse enquanto continuava os traços delicados.
— É lindo. Você deveria me desenhar algum dia desses. — Styles continuou o sussurro, agora já totalmente disperso da discussão sobre seu novo clipe.
— Eu não sou o Jack, Harry. — alertou rindo baixo.
— Eu posso ser uma de suas garotas francesas se você quiser. — brincou enquanto fazia uma pose estranha, fazendo-a gargalhar um pouco mais alto, recebendo um olhar feio de , que a fez se calar.
— Claro, qualquer dia eu te aviso. — deu continuidade a brincadeira e Harry sorriu, assentindo. — Me desculpe ter sido rude mais cedo. Minha ressaca está acabando comigo.
— Achei que nós voltaríamos com aquelas provocações. — confessou olhando-a, e sorriu sem graça.
— Não voltaremos com aquelas provocações, só de vez em quando porque é divertido. — confessou e Harry riu, os dois recebendo um olhar bravo de Jeff, o que os fez pararem com a conversa, e obrigou a se voltar para o desenho inacabado.
A reunião não demorou mais para acabar, já que Jeff precisou sair para resolver algumas coisas e garantiu a e Harry que não demoraria a voltar para conversarem sobre as fotos. O resto da equipe se dispersou para fora do cômodo, só restando os dois.
O celular de Harry tocou, fazendo com que olhasse e fizesse menção de levantar para dar privacidade, mas o cantor atendeu sem hesitar, dizendo que ela podia ficar.
— Hey, Gemm. Como estão as coisas aí? — saudou e o sotaque britânico foi ouvido do outro lado da linha também. Era bem mais forte que o de Harry, e a voz era incrivelmente gostosa.
Oi, irmão. — correspondeu com a voz cansada. — Mamãe está ok, e Robin parece ter apresentado uma melhora, então está tudo bem. Chloe está aqui, estamos meio que uma reunião em família.
— Exceto por mim. — disse fazendo biquinho, e apesar do tom de brincadeira, podia jurar que era verdade. A francesa desviou o olhar de Harry e continuou a rabiscar.
É, exceto por você. — a garota respondeu. — Onde você está?
— Estava em um reunião com Jeff, então estamos esperando ele voltar. — suspirou cansado, puxando o cabelo para trás.
Pergunta formulada errada. Quem está ai com você? — a garota brincou e Harry sorriu observando levantar o olhar ao ouvir sua menção.
— É a nova fotógrafa da equipe. O nome dela é . — disse e olhou pra mim. — Vem dar oi.
— Harry! Não! — sibilou com o rosto corando.
— Vem, , eu já conheço sua irmã, nada mais justo que você conhecer a minha. — contrapôs e Sophie suspirou, revirando os olhos.
Oi, ! — a voz soou pelo telefone e cerrou os olhos para Harry, que gargalhou.
— Oi! O meu nome é , todo mundo me chama de . O Harry está só me provocando. — a francesa saudou, aparecendo na câmera enquanto olhava para a garota.
Ela era fodidamente linda. Seus cabelos curtos eram de um tom loiro claríssimo, que combinavam com seu tom de pele e com seus olhos escuros. Ela parecia com Harry em tantos níveis, e não só no sotaque.
Oh, desculpe, . — pediu educada e sorriu. — Eu sou Gemma, irmã desse garoto feio aí do seu lado. Pode me chamar de Gemm.
— Gemma, ela enxerga muito bem, sabe que eu sou irresistível, não é, ? — Harry interviu e olhou para ele com olhar de deboche, fazendo ele revirar os olhos e a risada da irmã soar do outro lado. — Gemm, olha como ela é super talentosa.
Harry se esticou por cima da mesa, pegando no desenho de , que sorriu tímida ao ver o rapaz mostrando o desenho para a câmera.
Eu adorei! — Gemma elogiou e agradeceu. No fundo foi possível ouvir gritos chamando pelo nome da loira, que respondeu. — Bom, eu preciso ir agora antes que a Chloe mate todo mundo por causa daquele maldito jogo de tabuleiro. , me liga qualquer dia desses, quero que você me desenhe e por favor, nos faça uma visita aqui em Holmes Chapel, tenho certeza que minha mãe vai adorar de conhecer.
A francesa assentiu, se despedindo de Gemma e observando Harry fazer o mesmo.
— Vocês se parecem tanto. Chega a ser assustador, ela é uma versão mais educada de você. — implicou e Harry riu.
— Quando eu te levar lá, duvido que você aguente ela por mais de duas horas. Estou falando sério. — Harry riu e sorriu com o som, refreando a si mesma assim que percebeu que estavam fazendo planos de uma possível viajem para conhecer a família dele.
Ok, é só uma brincadeira, não é como se fosse realmente acontecer.
Ou talvez fosse.


10. Só para experimentar.

Harry se aproxima tranquilo vendo estirada na espreguiçadeira, aparentemente pegando um bronze, mas não parecia surtir efeito já que a garota era completamente branca e seu corpo parecia gritar para que ela passasse um protetor solar.
— Eu consigo ouvir seus passos e seu perfume já te denunciou, Harry. — a garota disse, ainda de olhos fechados.
— Você vai pegar uma insolação, deveria entrar na água. — avisou, balançando o frasco de protetor solar entre seus dedos e se sentando na espreguiçadeira ao lado. — mandou você passar isso.
A relação de e havia ficado um pouco abalada depois do episódio do jantar, mas as duas escolheram ignorar a situação e não falar mais sobre aquilo, de forma que as coisas foram forçadas a voltarem para seu devido lugar.
— Estou tentando ficar bronzeada. — tentou enquanto fazia biquinho, mas se rendeu, pegando o protetor da mão do rapaz. — Não está funcionando, não é?
— Não. — disse rindo enquanto via a garota tentar passar o protetor nas costas desajeitadamente. — Sabe, sua boca não vai cair se você pedir ajuda.
— E você não precisa sempre esperar que eu peça. — sorriu amarelo mas acabou rindo, se deitando de bruços enquanto via o rapaz se sentar ao lado dela e começar a espalhar o protetor. — Cuidado onde você passa essa mão.
As mãos firmes do cantor passavam suavemente pelas costas da francesa, em uma massagem discreta, enquanto se continha para não soltar um gemido de aprovação. Deus, aquilo era bom!
— Você deveria entrar na água. — sugeriu ao terminar, fazendo-a suspirar em descontentamento.
— A água deve estar congelando. — resmungou manhosa.
— Não está. — Harry mentiu após verificar. A água estava terrivelmente gelada, mas a garota estava com a pele irritada pelo sol agressivo daquele horário, precisava entrar na piscina de qualquer jeito.
observou desconfiada, e se levantou, entrando de vez na piscina enquanto soltava gritinhos ao sentir a água entrando em contato com o seu corpo.
— Você é um filho da puta mentiroso! — exclamou enquanto seu queixo tremia de frio.
— Desculpe, baby. — Harry pediu cínico enquanto sorria.
— Entra comigo. — pediu olhando para trás enquanto fazia olhinhos pidões.
— Não estou com roupa de banho. — apontou para o short e a blusa, totalmente inapropriados para a entrada na piscina.
— Não seja chato. — insistiu, fazendo com que ele parasse, ponderando sobre o assunto. — Vamos, H.
Harry suspirou, assentindo e puxando a blusa por cima da sua cabeça. Entraria de short então.
— Vem, me dá a mão, deixa eu te ajudar. — ofereceu gentil. Harry sorriu mas aceitou, aquela nem parecia ela. — Vingança!
Aconteceu assim como da primeira vez, mas diferente da outra, Harry se agarrou ao braço de , fazendo-a afundar com ele.
— Não foi dessa vez. — Harry provocou ao imergir.
— Teremos outras oportunidades, mon chéri*. — Sophie avisou, se agarrando as costas do cantor enquanto tentava afunda-lo.
Ficaram nessa brincadeira durante uns bons minutos; tentava a todo custo afundar o cantor, que fazia o possível para tirar a garota de suas costas, mas a risada fazia com que ele perdesse a força.
passou pela parte mais distante do jardim, vendo os dois na piscina. Seu primeiro instinto foi achar que estava realmente tentando assassinar Harry, mas ao ouvir a risada dos dois, sorriu e negou, balançando a cabeça. Sabia exatamente onde aquilo daria, mas não ficaria ali para ver. Sophie contaria a ela quando chegasse a hora.
Não demorou também.
Em uma das tentativas de Harry de tirar de suas costas, a garota acabou de frente para o rapaz com as pernas entrelaçadas em seu tronco, enquanto suas mãos estavam em seu pescoço. Harry sentia seu coração bater fortemente contra seu peito, e podia jurar que os batimentos estavam se confundindo com os da garota agarrada a seu corpo.
As mãos firmes e calejadas do rapaz seguraram as pernas macias da garota, que suspirou, encostando sua testa com a de Harry.
Nenhum dos dois sabia como ou o que estava acontecendo, mas era bom. O calor parecia terrivelmente familiar, mesmo que ambos nunca houvessem se tocado daquela maneira tão íntima.
sentia sua intimidade latejar contra o pano do biquíni, e indiretamente, contra o pau de Harry, que já se encontrava protuberante.
Mas aquilo parecia tão errado, mesmo que ao mesmo tempo fosse tão gostoso.
Ao sentir os lábios macios do cantor se tocarem superficialmente contra os dela, então se reconectou.
Era por isso que parecia tão errado, aquele era o seu patrão e haviam outros funcionários por ali durante todo o tempo, presenciando todo aquele contato.
Deus! Aquela não era ela, ela não beijava por beijar ou se agarrava com qualquer um, mesmo que no íntimo ela soubesse que Harry não era qualquer um.
— Não. — a francesa murmurou baixinho, enquanto se soltava do cantor e saia apressada do lugar, deixando um Harry confuso para trás.
Mas ele não era o único confuso por ali.
***

Lá estava ela. Harry nem estava procurando, mas ali ela estava. Parecendo um pecado prestes a ser sucumbido. Por que diabos ela não poderia simplesmente beija-ló como as pessoas normais faziam? Era só beijar, certo? Não precisava de muito para isso.
Mas sim, Harry procurou por cada cômodo da chácara em que ela poderia estar, e após procurar na piscina e no quarto, logo pensou no estúdio, descobrindo que não havia errado ao vê-la usando apenas um camisão branco quase indecente.
O quase era apenas porque ela parecia totalmente angelical com o cabelo preso em um coque desarrumado, e focada no que estava fazendo. A blusa estava suja com algumas cores e ela tinha um pincel nas mãos.
Ali estava mais uma curiosidade que Harry não sabia. Ela pintava.
— Não sabia desse seu dom. — disse calmo, sorrindo ao vê-la dar um pequeno pulinho no banco.
— Você vem descobrindo muitas coisas sobre mim esses dias. — completou, voltando seus olhos para o desenho na tela, e viu pelo canto de olho o rapaz se aproximar, fazendo sua pele arrepiar automaticamente.
— Por que nunca me disse? — se colocou atrás dela, observando o quadro. — Você pinta, desenha e é extremamente talentosa nos dois.
— As pinturas só saem bonitas quando preciso me expressar. Na maioria das vezes quando estou confusa, triste ou muito feliz.
— Qual das três opções você está agora? — perguntou, se encostando no balcão que havia atrás dela e vendo as mãos da garota se moverem quase premeditadamente.
— Extremamente confusa. — confessou, soltando um suspiro frustrado enquanto largava o pincel, passando as mãos pelo rosto.
— Você sabe que não precisa estar. — Harry disse. — Adultos beijam, transam e se divertem. Qual o problema?
— Nós não nos beijamos. — contrapôs pausadamente, virando o banco para ficar de frente para Harry, se arrependendo no momento em que percebeu que isso os deixava ainda mais próximos.
— Sim, porque você saiu correndo. — lembrou, passando o polegar no rosto dela, no lugar onde estava sujo de tinta.
— E aquilo de ter uma amizade igual a da , Clare e Sarah? Vai beijar todas elas também? — perguntou, controlando o impulso de deitar seu rosto contra a mão do rapaz.
— Não. — Harry disse sorrindo de lado.
— Do que você está rindo?
— Você começou a considerar a possibilidade, conjugou o verbo no futuro. — apontou, fazendo-a revirar os olhos.
— Va te faire foutre*, Harry. Você virou professor? — perguntou cínica.
— Olhe, , eu não estou te pedindo em namoro e nem pedindo pra você trepar comigo agora aqui nesse estúdio. — explica, e se arrepia. — Só quero que você entenda que casual não é um bicho de sete cabeças. Se você me disser que não quer, eu vou embora e não toco mais nesse assunto.
Os dois ficaram quietos por um instante. Ele esperando uma resposta que já sabia qual era, e ela tentando se manter forte, mesmo sabendo que estava falhando miseravelmente.
— O que você propõe? Que eu dê pra todos da equipe? — perguntou mal humorada.
— Não. Proponho que você experimente ficar com alguém só por ficar. Se gostar, é por sua conta e risco e ai sim, você vai poder dar pra todos da equipe, se quiser. — explicou rindo e levou um tapa fraco, mas ela também estava divertida e visivelmente mais a vontade com a possibilidade.
— Uma tentativa. — tentou, puxando o rapaz para mais perto e abrindo um pouco as pernas para que Harry se encaixasse ali.
— Apenas uma. — Harry concordou, segurando o rosto da garota.
— Um beijo. — sussurrou contra os lábios do cantor, que sorriu, ainda olhando nos olhos azuis da francesa.
— Só pra experimentar. — encerrou, acabando com os mínimos centímetros que os separavam.
No início foi só o toque superficial. Os lábios dele eram totalmente macios, assim como os dela. Conhecendo um ao outro. Depois, explodiu em uma briga territorial de espaços. Parecia que os dois se fundiriam ali.
Harry sentia seu corpo vibrar, havia esperado e desejado aquilo por tempo demais para conseguir ter controle de algo, e só pareceu piorar ao sentir os dedos finos de puxarem seus fios de cabelo.
parecia renovada. Aquilo parecia exatamente certo, encaixando no lugar que parecia pertencer desde sempre. Sentia seu ventre se apertar a cada segundo que se passava.
Os dois se beijavam com volúpia, parecendo declamar algo que já deveria ter sido tomado há muito tempo. Não havia paixão, mas havia um desejo palpável de ambas as partes, e nenhum dos dois poderia negar.
Harry tinha um gosto de whisky que parecia ter sido recém tomado, mas nada que incomodasse. Estava misturado com algo doce o qual não conseguia identificar, mas naquele momento não importava. Era viciante. E se perguntassem, ela não iria querer parar de beija-lo nunca, mesmo que ela não fosse dizer em voz alta.
E ... Bom, tinha gosto de chiclete de melancia, sem contar com o gloss de morango que ainda restava em seus lábios.
Ambos estavam perdidos. Não ouviam nada, e sentiam o desejo sucumbir cada pedaço dos corpos. Era êxtase. Era certo...
E continuaria sendo certo, se a voz de Mitch não houvesse soado, chamando o nome do cantor e fazendo que os dois se separassem bruscamente.
— Você deveria ir agora. — pigarreou, empurrando-o pelo braço.
— Precisando é só chamar. — Harry disse descarado, fazendo-a rir.
— Vai logo! — impôs ainda sorrindo, levando-o até a porta.
Harry deu uma piscadela para a menina, e saiu, indo de encontro a Mitch. poderia ouvir a voz dos dois conversando ao longe, mas não se deu trabalho de tentar saber o que era, apenas se encostou na mesa e tocou os lábios. Ela havia experimentado algo diferente, e pior...
Ela havia adorado.
GLOSSÁRIO:
*“Mon chéri” = querido/baby.
*“Va te faire foutre” = vai se foder.


11. O primeiro sim.

[+18]
N/A: ESSE CAPÍTULO CONTÉM CENAS DE SEXO, CASO NÃO GOSTE OU NÃO SE SINTA CONFORTÁVEL, SINTA-SE LIVRE PARA PULAR ATÉ OS TRÊS ASTERÍSCOS (***) QUE SINALIZAM A QUEBRA DE TEMPO.



Depois do episódio com Harry, voltou para o seu quarto e bem que tentou trabalhar na edição das fotos, mas seus pensamentos pareciam desligados, de forma que ela não conseguia focar no trabalho que deveria ser repassado para Jeff e na manhã seguinte. Sempre fora muito responsável com os seus compromissos, mas seu corpo parecia não receber os comandos, fazendo com que ela se sentisse tenta e sobrecarregada, mesmo sabendo que o trabalho ali mal havia começado.
Desistiu no momento em que falhou na edição da terceira foto.
Não estava conseguindo concentrar, então o melhor a se fazer era distrair a mente e tentar de novo mais tarde.
Procuraria alguma coisa para comer, respiraria um ar fresco, e depois voltaria quando se sentisse melhor. E assim como todas as outras vezes, o destino continuava com o seu trabalho de interferir.
estava sentada no balcão localizado no meio da cozinha, comendo algumas cerejas. Estava tão dispersa nos pensamentos desconexos que nem reparou no rapaz entrando no cômodo e se servindo de um copo de água. Harry, por outro lado, reparou muito bem na francesa, como sempre. estava vestindo uma camisola de seda preta, que deixava muito pouco para a imaginação, mesmo que Harry só estivesse observando as costas da mulher. Era possível ver as suas pernas balançando de uma maneira quase infantil, fazendo com que ele sorrisse.
— Você está bem? — o rapaz se pronunciou, fazendo a mulher dar um pulinho com o susto, virando seu tronco o suficiente para que seus olhos avistassem o corpo sem camisa do outro lado da cozinha.
— Não consegui dormir, acho que estou tensa com o trabalho. — explicou, dando um meio sorriso. Seus olhos azuis correram levemente o corpo tatuado de Harry e ela fez o melhor para disfarçar o quanto aquela vista a agradava.
— Notei a partir do momento em que você entrou e não implicou comigo. — o cantor tentou brincar e rui de leve, mordendo a cereja. — As cadeiras existem por uma razão.
— Eu tenho 1,75, Harry, eu sou alta. A bancada é um dos únicos lugares em que eu consigo ficar sem meus pés tocarem no chão. Eu gosto, ok? — a francesa decidiu retrucar, revirando os olhos logo em seguida. — Mas você não veio aqui só para me provocar, por mais divertido que isso pareça.
— Realmente, não é o meu propósito de hoje. — concordou, dando um sorriso de lado.
— Não vou ficar com você. — cortou, fazendo o rapaz rir.
— Ninguém falou sobre isso. — Harry negou, se aproximando e ficando de frente para ela, em uma distância que ela julgava segura.
— Eu conheço esse olhar, você fez a mesma coisa ontem, sinto dizer mas não vai rolar. — a mulher riu, saltando do balcão e se virando para colocar a louça na pia.
Sairia dali o mais rápido possível, antes que seu corpo se rendesse.
— Está me chamando de previsível, baby? — Harry questionou se aproximando, mantendo a distância de alguns centímetros.
— Nunca, ma cherié*. — ironizou ao sentir a presença atrás de si, se mantendo estática.
— Sabe o que é bom para aliviar a tensão? —O rapaz perguntou retórica mente, fazendo com que a francesa olhasse por cima do ombro, levantando uma de suas sobrancelhas como quem dizia “eu sabia”. — Antes que você reclame, eu estou falando de uma boa massagem. — Harry riu um pouco quando viu a expressão da mulher, que suspirou audivelmente com o contato das mãos dele nos ombros quase nus, se não fossem as alças da camisola.
— Desde quando você sabe fazer isso? — a voz esganiçada de soou, enquanto ela fechava os olhos e tentava reprimir um gemido de satisfação.
Deus! Styles realmente sabia o que estava fazendo.
— Gemma fez alguns cursos de massagem e eu acabei aprendendo. É bom? — Harry perguntou mesmo já sabendo da resposta.
— Maravilhoso. — gemeu baixinho em aprovação, e ela podia jurar que conseguiria sentir o sorriso narcisista que se encontrava no rosto do rapaz.
Harry realmente sabia fazer boas massagens e tinha consciência que eram boas, já que não era a primeira vez que ele ouvia aquele elogio. Soou diferente no entanto, e ele tentou ignorar o arrepio que sentiu ao ouvi-la dizer e gemer em apreciação.
não estava muito diferente. Sentia que sua excitação estava quase escorrendo pelo meio de suas pernas, e tentou aliviar discretamente enquanto apertava suas coxas uma na outra. Sua mente também não estava ajudando ao recordar o beijo que ambos partilharam algumas poucas horas atrás, e que se perguntassem, ela não negaria que estava louca para repetir, sentir aqueles lábios rosados e macios se movendo em conjunto com os seus. Nada parecia estar ajudando naquele momento, mas na verdade era só um empurrãozinho para que as coisas acontecessem.
As mãos firmes de Harry desceram pela espinha, e o rapaz se manteve focado na lombar da mulher enquanto tentava manter seus pensamentos longe dali. O espaço parecia ter diminuído drasticamente, quando em uma de suas tentativas discretas de aliviar sua excitação, acabou colando seu corpo ao do rapaz, fazendo com que ambos suspirassem audivelmente.
— O que você está fazendo? — Harry sussurrou apenas pra que ouvisse, o que não precisou de muito, já que o rosto do rapaz se encontrava perto da sua orelha, de forma que ela poderia ouvir até a sua respiração pesada.
— Eu quero te beijar. — retribuiu o sussurro, mordendo os lábios e mantendo seus olhos fechados durante todo o tempo.
— Você pode fazer isso. — Harry concordou, sorrindo um pouco com a confissão. Era maravilhoso vê-la se permitindo.
— Não posso porque não vai passar de um beijo, e você não está se controlando. — resmungou, rebolando a bunda contra a ereção do rapaz apenas para provar um ponto, causando um gemido de satisfação em ambos.
— Você está se esfregando no meu pau, não é como se eu tivesse algum controle sobre ele. — Harry reclamou em um sussurro, fazendo com que gargalhasse, virando de frente para ele, que não perdeu nem um segundo antes de grudar os lábios nos da francesa.
Parecia que havia anos em que eles não se beijavam, mas na verdade foram apenas algumas horas atrás. Diferentemente do beijo de antes, o qual era totalmente novo e inesperado, esse era mais urgente e ambos os corpos não demoraram a se reconhecer. Harry abraçou a cintura da mulher enquanto a erguia e colocava sentada no balcão, lugar onde ela anteriormente estava sentada, fazendo ambos ficassem da mesma altura, que mesmo sendo parecida, ainda restavam poucos centímetros de diferença. O beijo tinha um delicioso gosto de cereja.
A camisola subiu com o esforço, o que só facilitou para que Harry se encaixasse perfeitamente no meio das pernas de . As mãos firmes do rapaz permaneceram segurando as coxas da mulher, que suspirou entre o beijo, perdendo o resquício do sorriso que ainda restava em seus lábios.
— Harry, o que você quer? Alguém pode chegar e... — começou quando sentiu as mãos do cantor subirem por suas coxas, parando em cima da renda da calcinha.
Shh. — Harry interrompeu, colocando seu dedo indicador na frente da boca da mulher, que obedeceu. — São duas da manhã, baby, os únicos esfomeados que vem para a cozinha a essa hora somos nós dois. Você já comeu, agora é a minha vez.
prendeu a respiração enquanto seu cérebro achava alguma maneira de sair daquela situação. O problema era que ela não queria sair. Queria ficar e descobrir todos os outros significados daquela frase, que mais parecia uma promessa. Era um dilema entre algo que ela queria muito, mas não sabia se deveria. Harry podia ver a indecisão nos olhos da fotografa, o que o fez se afastar um pouco, deixando sua mão na bochecha da mulher em um símbolo de carinho, já sabendo que aquilo era difícil para ela, principalmente com a sequência de menos de vinte e quatro horas para processar os últimos acontecimentos.
, você sempre pode dizer não. — Harry avisou terno, continuando com o carinho no rosto da mulher.
sabia que ele não faria nada de ruim, e essa informação prevaleceu ao ouvi-lo pronunciar seu nome corretamente, coisa que só acontecia quando o assunto era sério, exatamente como no dia em que ela quase quebrou o pé com a garrafa de vinho.
Ela queria. Desesperadamente.
O corpo e a excitação responderam antes mesmo que ela pudesse formar uma frase. inclinou o rosto contra a mão de Harry, não hesitando em colocar o polegar do rapaz dentro da sua boca, dando a confirmação que Harry precisava, por hora. O cantor não conseguiu controlar o sorriso descarado que brotou em seu rosto, deixando um aperto na cintura da mulher quando sentiu a língua quente rodear o seu dedo.
Harry já havia presenciado outras facetas de ; com raiva, com dor, tensa, atenciosa, curiosa... E essa era nova para ele. A francesa nunca havia agido descaradamente como estava fazendo agora, desde quando o cantor sentiu a bunda redonda da mulher procurar contato contra sua ereção recém formada, há alguns minutos atrás, e agora, enquanto chupava o seu polegar com a expressão mais pornográfica que poderia existir.
E ele poderia dizer que adorou.
— Quer sentir os meus dedos tocando você? — Harry perguntou em um tom tão descarado quanto as ações de , que assentiu com a cabeça, ainda mantendo a boca ocupada. — Você precisa dizer, baby.
Sim. — a mulher sussurrou quando sentiu o polegar deslizar para fora de sua boca, a qual ela manteve prontamente aberta, a espera da próxima ação do rapaz.
Harry, delicadamente, inseriu seu dedo indicador e do meio de volta na boca de , que aceitou de bom grado, tragando-os até quando seus lábios atingiram os anéis que estavam ali.
Harry não demorou muito a se desviar do rosto da mulher, descendo sua mão pelo pano que ainda cobria o corpo de , parando por leves segundos na barra da calcinha rendada, mas continuou rapidamente ao notar que não houve nenhum protesto. Os dedos molhados de Harry deslizaram contra o clitóris da mulher, que gemeu em apreciação, enquanto os olhos verdes do rapaz continuavam concentrados no rosto em sua frente, que agora tinha uma expressão de prazer em seus traços.
Não seria necessário a saliva nos dedos de Harry, já que a intimidade de estava totalmente lubrificada com as brincadeiras anteriores, e o cantor pode sentir isso ao descer seus dedos para a entrada, onde inseriu o indicador.
pode sentir o calor de seus dedos contrastarem com o metal frio do anel, fazendo com que ela gemesse mais alto dessa vez. Ao abrir os olhos, os quais nem sentiu se fecharem, sua visão se encontrou com a de Harry, que tinha o resquício de um sorriso em seu rosto. Os olhos verdes agora estavam mais escuros por conta da pupila dilatada pelo prazer, e os olhos dela não estavam muito diferentes.
A francesa não se conteve em rebolar contra a mão do cantor, procurando por mais contato enquanto mordia os lábios para não gemer. Harry obedeceu o pedido mudo da mulher, movimentando seu indicador enquanto sentia o interior úmido e quente, pronto para ele. O rosto do rapaz se aproximou da nuca de , enquanto sua mão livre segurou os cabelos soltos com firmeza, liberando o espaço que ele queria para grudar a sua boca ali. Com a distração, Harry aproveitou para inserir outro dedo, movimentando os dois lentamente.
A cabeça de se inclinou para trás, sendo segurada apenas pela mão de Harry.
— Você é tão gostosa, baby. Está tão quente ao redor dos meus dedos, tão molhada... Era isso que você queria, não era? — a voz rouca perguntou perto do ouvido da fotografa, que gemeu ao sentir a boca úmida do rapaz sugar o seu lóbulo.
Era exatamente aquilo que ela queria.
Em forma de resposta, sorriu levemente, segurando nos cabelos bagunçados de Harry, puxando os fios entre seus dedos e ouvindo um grunhido vindo dele. A palma da mão do rapaz foi pressionada no clitóris da francesa, enquanto seus dedos continuavam entrando e saindo, tocando exatamente nos lugares desejados.
Harry exalava sexo e sensualidade por onde passava, e havia notado isso desde os inúmeros shows que frequentou com a sua irmã, porém nunca iria admitir em voz alta. Haviam várias adolescentes com o mesmo pensamento, então ela só seria mais uma com tesão platônico. A teoria foi comprovada quando o viu pessoalmente em seu primeiro dia na chácara, antes de toda a briga, sangue e soco. Ele estava com uma camisa preta de botões e calça skinny, e não estava fazendo nada demais, mas mesmo assim continuava gostoso como um inferno. Agora ela estava ali, com Harry entre suas pernas, seus dedos correndo por toda sua intimidade molhada e sua boca beijando seu pescoço.
O tesão não era mais platônico, era totalmente real.
Harry podia sentir ficar cada vez mais molhada e apertada, denunciando que ela estava terrivelmente perto. O incomodo na calça de pijama do rapaz estava quase insuportável, mas ver a francesa totalmente entregue a ele era impagável, e os gemidos da mulher o fazia esquecer o pau latejando contra o tecido da calça.
não havia sequer pensado que toda tensão sobre o trabalho e o beijo fosse ser aliviada apenas com um orgasmo.
A mão do rapaz saiu dos cabelos da mulher e desceu para um de seus seios, o qual Harry apertou sem nenhuma hesitação, enquanto não pareceu nem um pouco consciente do seu ato ao cravar suas unhas nas costas do cantor, que gemeu com a dor gostosa que havia se instalado ali.
A francesa podia sentir sua intimidade pulsar ao redor dos dedos de Harry, agora mais rápidos e mais firmes.
A ereção do rapaz estava colada com as coxas de , que não hesitou em mexe-las de forma que aumentasse o contato, fazendo com que Harry gemesse baixinho com a sensibilidade, movendo-se quase como se seu membro estivesse dentro da mulher.
— Vai ser ainda melhor quando for a minha boca. — Harry provocou, dando uma pequena mordida no ombro da mulher, que recostou sua cabeça entre o pescoço do rapaz, suspirando e fazendo com que a pele se arrepiasse. — Quando eu estiver inteiro dentro de você...
A voz rouca continuou sussurrando safadezas, tragando-a para o ápice com a mistura de sensações; os dedos tocando-a, sua outra mão estimulando os seus seios, sua ereção tão presente apenas por estar ali, tocando-a. Foi demais para que prolongasse o momento, por mais que quisesse.
— Harry... — A francesa gemeu, mordendo o ombro do rapaz.
Ali, na bancada da cozinha, as emoções de explodiram juntamente com seu ápice, o qual Harry prolongou até onde pode, ouvindo o gemido alto da mulher como se fosse uma das mais incríveis melodias.
O rapaz se afastou após esperar alguns minutos para que a mulher pudesse se recuperar, retirando seus dedos cuidadosamente de dentro dela e se apoiando na mesa, encarando o rosto corado da francesa, enquanto lambia seus dedos descaradamente, sentindo o gosto de por sua língua.
A mulher não conteve o ímpeto de descer da bancada, se aproximando do rapaz e grudando os lábios dele contra os seus. Harry estava surpreso, mas não demorou muito para corresponder, beijando-a de volta enquanto sua língua pedia passagem que logo foi cedida.
A surpresa do cantor não foi por estar sendo beijado, mas sim porque aquele foi o primeiro beijo iniciado por , o que, de alguma forma, o deixou feliz.

GLOSSÁRIO:
*“Mon chéri” = querido/baby.


12. O som do paraíso.

O beijo foi lento, sem nenhuma urgência dessa vez, e a mulher pode sentir seu gosto prevalecer na boca de Harry. Foi quase como um agradecimento, durando alguns segundos para que se afastasse, mantendo seu rosto ainda próximo, o verde intenso encarando seus olhos.
— Você está bem? — Harry perguntou atencioso, mantendo suas mãos na cintura da mulher, deixando pequenos afagos ali.
— Sim. — respondeu, assentindo. — Você precisa de ajuda? — ela perguntou, apontando com a cabeça para a ereção ainda presente entre os dois, fazendo Harry sorrir.
— Não, estou bem. Você estava tensa e eu tentei ajudar, hoje foi sobre você. — o rapaz frisou e a mulher assentiu, se afastando e caminhando em direção a geladeira, pegando um pouco de água.
Harry assistiu o cenho franzido da mulher enquanto ela bebia o conteúdo do copo, ficando de costas para ele em seguida.
— Ok, hm... Boa noite. — a francesa se despediu rapidamente, coçando a cabeça em seguida.
Estava pronta para sair e se trancar no quarto juntamente com seus pensamentos, mas foi parada quando a mão de Harry segurou sutilmente seu antebraço, forçando-a a ficar de frente para ele.
— Estamos bem? — Harry perguntou e assentiu, evitando encara-lo. — Você se arrependeu?
— O que? Não! Claro que não! — Ela respondeu, olhando-o nos olhos enquanto sentia sua bochecha queimar.
— Está com vergonha? — O cantor perguntou, tentando não sorrir. revirou os olhos e tentou sair, mas foi impedida. — , vamos lá! Você não precisa ter vergonha de mim. Nunca!
— Corta essa, Harry, você é meu patrão. Não sei você mas nenhum patrão enfiou os dedos em mim, pelo menos não até hoje, então eu não sei como lidar. — a francesa disparou desbocada, fazendo Harry rir.
— Nenhum patrão enfiou os dedos em mim também, mas fico feliz em ser seu primeiro de alguma forma. — o cantor brincou e arqueou a sobrancelha, fazendo-o parar a brincadeira. — , esquece a relação patrão e empregado, eu também sou seu amigo. A única diferença é que eu vou estar aqui quando você quiser fazer algo além de conversar.
— Você quer dizer sexo? — perguntou e Harry a abraçou por cima dos ombros, levando-a para fora da cozinha.
— A única coisa que você precisa é dizer, esse “sim” foi o primeiro de muitos. — o rapaz sorriu cafajeste, deixando um beijo nos cabelos da mulher, que riu. — Agora vamos dormir porque amanhã Jeff não vai nos dar folga.
— Sim, garotão, dormir. Eu no meu quarto e você no seu, boa noite! — a francesa ditou, se desfazendo do abraço e caminhando em direção as escadas.
— Onde você vai? — Harry perguntou alto enquanto se distanciava.
— Vou pelas escadas para não correr nenhuma tentação. — A mulher respondeu sem olhar para trás e Harry riu.
— Vou levar isso como um elogio. Boa noite, cherry*. — o cantor brincou, indo na direção oposta, e sorrindo ao ouvir o resmungo distante da mulher;
— É chéri*, seu idiota!
seguiu seu caminho até seu quarto, onde entrou e se jogou na cama. O que aconteceu naquela cozinha foi de longe a coisa mais maluca que ela já se permitiu fazer após terminar seu relacionamento, mas não estava nem um pouco arrependida. Muito pelo contrário.
Não iria conseguir trabalhar, já que por mais leve que estivesse se sentindo, as horas passaram voando e seu relógio apontava poucos minutos antes da quatro da manhã, e ela precisaria estar de pé ás oito. Terminaria as edições logo pela manhã e garantiria a Jeff a entrega das fotos até a noite, afinal, algumas horas não fariam tanta diferença para o empresário. Após se limpar no banheiro, não precisou de muito para que fosse tragada em um sono merecido.
Seu corpo exausto parecia sentir que amanhã seria um longo dia, e que precisava repor energias para o que estava esperando-a.

***


havia acordado de bom humor. Mais leve que o normal, era como ela descreveria. Não sabia que ter um orgasmo a tiraria um peso tão grande das costas, e poderia dizer que pela primeira vez, passaria o dia sem reclamar.
E foi exatamente isso que estranhou ao encontrar a amiga sorrindo pelos corredores.
— Bonjour, mademoiselle!* — a francesa saudou animada dando uma mordida no sanduiche que estava em sua mão esquerda.
— Você transou? — disparou direta, entrelaçando o braço com o da amiga.
— Você é extremamente indelicada. — rebateu rindo. — Não, eu não transei, só acordei feliz.
— Isso de onde eu venho, se chama orgasmo. Mas tudo bem, vou aceitar seu bom humor porque são raros os momentos em que isso acontece. — comentou sorrindo cínica. — Sei que você vai me contar quando se sentir confortável.
— Vou ignorar seus comentários. Hoje nós vamos decidir a capa do álbum, certo? — Soph perguntou, terminando de comer o sanduíche.
— Sim, mas somente eu e você, depois que a ideia estiver formada nós passaremos para Harry e Jeff e esperamos a aprovação. — confirmou. — Hoje vai ter que ser no estúdio porque Harry quer mostrar a música do clipe para a equipe de filmagem ter uma ideia de qual cenário escolher.
concordou, entrando no estúdio, que já se encontrava com mais algumas pessoas da equipe, e claro, Harry. Não foi tão desconfortável quanto achou que seria. Na verdade, foi estritamente profissional se ela ignorasse o sorrisinho de lado que recebeu quando seu olhar se conectou com o do cantor.
As duas amigas se sentaram no sofá de frente para o rapaz e os dois produtores, e não perdeu tempo em introduzir o assunto a ser discutido, fazendo com que se empolgasse. A produtora começou a filmar alguns momentos da composição da musica, com a câmera virada para Harry, apoiada em um tripé enquanto ela e discutiam sobre o photoshoot.
— Lembra quando eu estava no final do curso de fotografia e tirei umas fotos minhas na banheira para a aula de autorretrato? — a fotografa perguntou e assentiu, arregalando os olhos ao entender a ideia da amiga.
— Sabe, se você queria ver o Harry pelado, era só pedir. Ele não se importaria, muito pelo contrario. — A produtora brincou, sinalizando o cantor para a amiga, que revirou os olhos antes de olhar.
Não se sabia muito bem o que Harry e os produtores estavam conversando, mas pode ver perfeitamente bem quando Styles se levantou da poltrona e começou a se desfazer das peças de roupa enquanto todos riam.* não conseguiu expressar nenhuma reação, ainda mais pela tensão sexual que exalava dos dois desde o primeiro beijo. conferiu que a câmera estava gravando e voltou para o assunto com , que continuava vidrada.
— Nós podíamos fazer isso com aqueles seus sais de banho, ouvi dizer que o nome do álbum vai ser PINK. — a produtora tentou continuar mas só se desfez do transe quando Harry a direcionou uma piscadela, fazendo-a corar e voltar seu olhar para a amiga, que sorris sugestivamente. — Limpa a baba antes que você transforme isso daqui em uma piscina.
— Você é insuportável, mulher! — a francesa ralhou, mas conferiu discretamente seus lábios só para se certificar de que estava realmente brincando.
— Eu amo o fato que você não admite o seu crush por ele. Incrível! — a amiga caçoou, fazendo revirar os olhos.
— Deve ser porque não tem crush nenhum! — a fotografa frisou, puxando o notebook para seu colo. — Vamos falar sobre o projeto porque eu ainda tenho que revisar algumas fotos antes de sair daqui.
— Como você queira, madame!
O tempo passou sem mais delongas, e a ideia do photoshoot foi bem aceita entre todos, principalmente pelo cantor, que não demonstrou nenhum desconforto ao ouvir que teria que ficar de cueca em algumas partes.
sabia que isso não seria um problema, já que Harry, desde o primeiro dia, se mostrou um exibicionista com o próprio corpo. A francesa entendia, era impossível se envergonhar de um corpo daquele, afinal, o rapaz era completamente atraente e tinha plena consciência sobre o seu físico.
Todos haviam saído do estúdio gradativamente, conforme cumpriam seus afazeres ali. deixou de prestar atenção quando o assunto do clipe foi inserido, já que aquela parte não era relacionado ao trabalho da francesa, que se limitou a continuar editando as fotos da noite passada. A fotografa ainda teria mais algumas seções de fotos para fazer com Harry, uma delas sendo para a escolha da capa do álbum, e outra pelas ruas da Jamaica, para ajudar na divulgação do documentário, quando este estivesse devidamente pronto.
não tinha o que reclamar do seu trabalho ali, embora a pressão de entregar sempre o melhor estivesse presente por cada ensaio e edição que a mulher fazia. Sabia que tinha que dar o melhor de si, e não era tão difícil, já que por ser a sua paixão, a dedicação sempre estaria ali. A pressão de agradar a todos era a única que a deixava de cabelo em pé e a fazia virar noites e noites checando se estava tudo na mais perfeita ordem.
A fotografia era para a mesma coisa que a musica era para Harry. Os dois se sentiam completamente desligados do mundo quando estavam trabalhando, e esse foi o fato que fez com que ambos ficassem sozinhos no estúdio sem realmente notar a presença do outro.
O fato só foi evidenciado quando a mulher fechou o notebook e largou seu corpo no sofá, suspirando audivelmente e trazendo a atenção de Harry para si.
Os cabelos da francesa estavam caindo como cascatas pelo sofá, e ela mantinha seus olhos fechados enquanto seus dedos finos massageavam seu couro cabeludo.
Ela estava fazendo cafuné em si própria? — Harry riu baixinho ao perceber que aquilo parecia totalmente involuntário, o que realmente era.
A pequena risada de Harry a fez despertar do transe, franzindo a testa em confusão.
— A quanto tempo você ‘tá ai? — a mulher perguntou com a voz rouca ao direcionar o olhar para o cantor sentado no sofá em frente ao que ela estava deitada.
— Desde quando você chegou com há algumas horas atrás. — Harry comentou, desviando o olhar para a letra que acabara de compor.
— Acho que a gente não percebeu quando todo mundo foi embora. — Soph comentou casualmente, vendo o olhar de Harry fincado na caderneta em suas mãos. — O que você está fazendo?
— Terminando uma música, mas não sei se ficou bom. Não sei se a melodia vai encaixar com a letra. — o cantor comentou distraído, ainda prestando atenção na letra.
sabia o que queria que ele fizesse, e tinha certo receio que aquilo fosse intimo ou invasivo demais, mas Harry sempre poderia negar o pedido.
— Me mostra um pedaço. — ela pediu antes que pudesse se refrear, fazendo com que o rapaz a encarasse enquanto ela sentava no sofá com as pernas cruzadas.
— Eu não gosto de mostrar a música sem estar pronta. — ele falou, receoso que aquilo pudesse ofende-la, mas a expressão facial da mulher se manteve intacta.
— Não sou muito boa com música, entender partitura ou tocar instrumentos, então não vou te julgar. — tentou novamente.
Harry queria que ela ouvisse e se pegou levemente ansioso para saber o que a mulher acharia da música, mas por outro lado, ninguém nunca havia ouvido suas músicas antes de estarem realmente prontas e gravadas, exceto pelos produtores musicais, claro. Não era algo que ele estava acostumado a fazer, mas também já havia confiado nele o suficiente para mostrar um de seus desenhos.
— Você pode sempre dizer não, mas você não precisa ter vergonha ou receio de mim. — ela deu um sorriso terno para ele, notando que havia citado, indiretamente, as mesmas palavras que ele havia dito a ela ontem a noite. desviou o olhar e pegou no seu celular, não querendo pressionar Harry a fazer algo que ele não estava tão confortável.
Não faria mal mostrar que também confiava nela.
— Eu vou mostrar uma parte mas você não pode elogiar só para aumentar meu ego, ok? — ele perguntou desconfiado e sorriu, largando o celular em algum canto do sofá.
— Eu seria a última pessoa a fazer isso, seu ego já é elevado o bastante. — a francesa disse, dando uma piscadela para ele, que riu.
— Ok, aqui vai. Não está terminada ainda então desculpe se estiver ruim, lembre-se que você que pediu. — Harry se desculpou, tentando camuflar seu nervosismo com uma brincadeira.
Já havia performado para milhares de pessoas e não havia ficado tão nervoso assim.

Just let me know I'll be at the door, at the door
(Apenas me avise e eu estarei na porta, na porta) Hoping you'll come around
(Esperando que você apareça) Just let me know I'll be on the floor, on the floor
(Apenas me avise e eu estarei no chão, no chão) Maybe we'll work it out
(Talvez resolvamos isso)

I gotta get better, gotta get better
(Eu tenho que melhorar, tenho que melhorar) I gotta get better, gotta get better
(Eu tenho que melhorar, tenho que melhorar) I gotta get better, gotta get better
(Eu tenho que melhorar, tenho que melhorar) And maybe we'll work it out
(E talvez resolvamos isso)

We don't talk about it
(Não falamos sobre isso)
It's something we don't do
(É algo que não fazemos)
'Cause once you go without it
(Porque assim que você seguir em frente)
Nothing else will do
(Nada mais restará)


A voz de Harry soava suavemente, sem nenhum instrumento disputando espaço. Era melodiosa e incrivelmente linda, e pode sentir a pelugem de seu corpo se arrepiar com o sentimento que havia naquela letra.
Então era assim que o paraíso soava?
Harry terminou, fechando o caderninho em suas mãos e olhando para com certa expectativa.
— E então? O que achou? — o rapaz não pode evitar perguntar.
De repente a opinião dela em algo tão simples se tornou urgentemente necessária. Estava ansioso para ouvir o que ela tinha a dizer.
— Qual o nome da música? — a mulher perguntou, tentando não evidenciar o misto de sentimentos em seu peito.
— Meet Me In The Hallway. — Harry contou, ainda esperando a resposta da sua pergunta.
— Acho que é a minha mais nova música favorita. — Ela finalmente deu voz aos seus pensamentos, fazendo com que os dois sorrissem.
— A minha também.

GLOSSÁRIO:
*“Cherry” = cereja.
*“Chéri” = querido/baby.
*“Bonjour, mademoiselle!” = bom dia, senhorita.
*“Styles se levantou da poltrona e começou a se desfazer das peças de roupa enquanto todos riam.” = cena retirada do documentário Behind The Album.


13. De volta á estaca zero.


Harry estava sentado no tapete do estúdio, com suas costas escoradas no sofá enquanto tinha a cabeça deitada nas coxas do rapaz, enquanto uma das mãos dele fazia pequenos carinhos no cabelo da mulher, que tinha seus olhos levemente fechados, quase dormindo.
Ficaram conversando durante mais algum tempo após Harry mostrar a sua música, e de alguma forma, acabaram ali. Quando questionou o rapaz sobre aquilo, a resposta foi que amigos também podiam fazer cafuné um no outro. E realmente podiam.
— Posso perguntar uma coisa? Pode soar um pouco pessoal. — a voz rouca do cantor soou baixinho, e ouviu um murmúrio em resposta. — Por que você fica fazendo cafuné?
demorou um pouco para entender a pergunta, franzindo o cenho e abrindo os olhos para encarar Harry. O rapaz entendeu seu olhar de confusão com a pergunta que havia sido feita, e umidificou os lábios antes de continuar o seu raciocínio;
— Mais cedo, quando você estava deitada no sofá, você começou a fazer carinho em você mesma... Acho que nem você percebeu. — ele completou, os olhos verdes intensos analisando-a com cuidado.
— Eu não sei... nunca parei para pensar sobre isso. Talvez seja só um mecanismo. — ela murmurou, fechando os olhos novamente enquanto se aninhava no colo de Harry.
Mas no fundo ela sabia muito bem o que era, só não se sentia pronta para conversar sobre. Era um assunto intocado.
passava tempo demais sozinha durante seu namoro, já que Dylan estava sempre focado no trabalho e não tinha tanto tempo sobrando para abraçar e trocar carinhos singelos. Com o passar do tempo, inconscientemente começou a fazer cafuné e acariciar a própria bochecha quando se sentia triste ou sozinha, coisa que acontecia quase sempre.
Parecia estranho, mas era até fofo quando visto de longe.
Harry se limitou a assentir, mesmo sabendo que ela não poderia ver. Sabia que havia algo errado porque falava demais, sempre e sobre qualquer assunto. Ela não deixaria o sono impedir de dar voz aos pensamentos, a não ser que aquele assunto fosse algo delicado demais para conversar sobre.
Mas o rapaz não insistiria, ela falaria sobre quando chegasse a hora e ele continuou ali, fazendo carinho na mulher, até quando foi levada pelo sono, acordando alguns minutos depois.
Harry assistiu a francesa levantar do seu colo nervosamente, com as bochechas coradas.
— O que houve? — o cantor perguntou, ainda se mantendo na mesma posição ao vê-la se colocar de pé.
— Uh- nada! Vou procurar alguma coisa para comer, você quer? — ela perguntou atrapalhada, pegando o seu notebook em cima do sofá e deixando um beijo nos cabelos de Harry, que sorriu e negou.
— Não, obrigado. Vou terminar mais alguns ajustes na música. — ele respondeu, se sentando no sofá.
concordou e saiu do estúdio, com os pensamentos ainda fixados em como aquela relação com o rapaz havia evoluído; um mês atrás estava odiando até mesmo estar na presença dele, e agora estava deitada no colo do cantor enquanto recebia o seu primeiro cafuné após algum tempo.
E o sonho que havia tido com ele alguns poucos minutos atrás, fazia questão de estabelecer esses dois extremos.

***


havia acabado de sair do banho quando seu celular apitou com a notificação de uma mensagem de , fazendo com que seus olhos se arregalassem um pouco.

Uma amiga maravilhosa:
Você deveria descer aqui.
Agora.
Estamos na sala de jogos.



A francesa não perdeu tempo em vestir o primeiro moletom que encontrou, saindo do quarto logo em seguida. não costumava mandar muitas mensagens; sempre conversava com pessoalmente, ou quando necessário, fazia um FaceTime.
A preocupação da francesa ganhou um nome assim que ela adentrou a sala em que todos estavam. E com todos ela quis dizer , Mitch, Sarah, Clare, Adam, sentados nas cadeiras ao redor do bar que havia ali, e Harry, que tinha ninguém mais e ninguém menos que Camille Rowe sentada em seu colo. Naquele momento se estapeou mentalmente por estar usando um moletom três vezes maior que ela, e ter seu cabelo amarrado em um coque totalmente desgrenhado.
Camille, por outro lado, parecia ter saído diretamente de uma capa de revista. Seus olhos estavam sem muita maquiagem e seus lábios tinha um resquício de batom vermelho que alguma hora esteve ali. Estava vestida com um short que deixava suas pernas pálidas a mostra, enquanto seu torso era coberto por uma camisa masculina, que coincidentemente parecia a mesma que Harry estava usando mais cedo, quando estava com ele.
Todos pareciam desatentos a presença de , que fora notada apenas por Harry, onde ouve uma rápida troca de olhares antes que puxasse a mulher para perto do resto do grupo.
— Essa eu não conheço. — a voz da modelo soou, chamando atenção de .
bem que esperou por alguns segundos, esperando alguma reação de Harry, que nada fez.
— Essa é . — apresentou. — Ela também é francesa.
O olhar de Camille passeou pelo corpo de com um sorrisso amarelo em seus lábios, parando a analise quando seus olhos se chocaram com o da fotógrafa.
— Prazer em te conhecer. Sou Camille, a namorada do Harry. — a modelo se apresentou em francês, estendendo a mão para a mulher, que sorriu.
— Eu sou só a fotógrafa. — se limitou a responder, também em francês.
não sabia muito bem o que as duas estavam falando, mas estava feliz que estava ali. Não sabia se estava acontecendo algo entre Harry e ela, mas aparentemente sim, já que o olhar da amiga denunciava algum outro sentimento além de neutralidade.
— Nós estaremos indo embora semana que vem para gravar um clipe, você vai ficar aqui para ir com a gente? — perguntou, se intrometendo na conversa que apesar do tom amigável, não parecia estar boa.
— Não, vim só para matar um pouquinho a saudade. Estarei indo embora pela manhã. — Camille conta, desviando seu olhar para a produtora.
— Nosso trabalho por aqui está acabando e a equipe vai se dividir para a tour após o recesso. — Sarah comentou. — O quão triste e melancólico isso é?
— É realmente uma pena, precisamos passar mais tempo juntos. — Clare disse, dando continuidade ao assunto.
, ao contrário de todos, havia parado de acompanhar há alguns minutos atrás, quando Camille se apresentou como namorada de Harry. Seu cérebro estava em uma mistura de confusão e raiva, e ela precisava sair dali antes que a sua boca grande falasse o que não deveria.
— Bom, eu só vim dar um oi, mas preciso voltar para o quarto e terminar alguns trabalhos. — a fotografa mentiu deslavadamente, se desencostando de , que levantou ao ouvir a amiga. — Foi bom te conhecer, Camille. Vejo o resto de vocês pela manhã.
Todos acenaram, se despedindo da garota que havia passado menos de quinze minutos ali. , por outro lado, foi atrás da amiga, sabendo que havia algo errado.
pode ouvir a outra dar alguma desculpa fajuta para sair dali também, mas não prestou atenção, refazendo o caminho de volta para seu quarto.
A produtora pode assistir a fotografa entrar no quarto e se jogar na cama, cobrindo o rosto com as mãos enquanto sua cabeça ficava pendurada para fora da cama, exatamente como fazia quando queria desabafar.
— A gente ficou. — contou com sua voz sendo abafada pelas palmas das mãos, mas audível o suficiente para que a amiga pudesse escutar.
— E por que você está chateada? — a outra perguntou, sabendo que um beijo era pouco para que pudesse se apaixonar.
— Eu estou com vergonha porque ontem nós estávamos dando uns amassos enquanto ele fodia a minha buceta com aqueles dedos incríveis, e agora tem uma mulher linda lá embaixo que me disse com todas as letras que é a namorada dele. — a francesa falou, retirando as mãos do rosto.
caminhou calmamente até a cama e se colocou na mesma posição que , deixando seus cabelos dançarem de encontro ao chão enquanto encarava a parede do outro lado do quarto.
— Ele já havia falado dela?
— Já.
— E o que ele disse?
— Que era um relacionamento para a mídia, de fachada, e que eles transavam ás vezes. Parece um namoro para mim. — resmungou, fechando os olhos emburrada.
— Eu acho que você precisa conversar com ele. — a amiga sugeriu.
— É impossível conversar com aquele homem, , ele exala sexo! — a mulher exclamou, massageando as têmporas. — Eu provavelmente transaria com ele antes que nós pudéssemos conversar sobre qualquer coisa.
— Primeiro, não me chame de , parece que você está brigando comigo. E segundo, o que você sugere? Você trabalha com ele, não é como se pudesse fugir. — a amiga riu, sentando em cima da barriga de com uma perna de cada lado, entrelaçando a mão com a dela e fazendo a amiga rir fraquinho. — Seja o que for, estou nessa. Se você quiser, eu posso até ficar no quarto com você para garantir que vocês não irão se agarrar como neandertais.
— Eu preciso sair e preciso de vodka, depois eu penso no que fazer. — decidiu.
— Então amanhã iremos sair! — aceitou prontamente, fazendo sorrir.
E que venha o amanhã.


14. Economizando água.


Enquanto declarava aos quatro ventos o quanto se divertiu, resmungava no banco da frente do carro e Leo, seu ficante, estacionava o carro na garagem da chácara, rindo das duas mulheres.
Tudo na vida tem dois lados e ambos poderiam estarem certos;
A primeira perspectiva era a de , que saiu para o bar visivelmente chateada, tanto pelo decorrer do dia de ontem, quanto por não poder ter a companhia de Harry, mesmo estando chateada com cantor, que não pode ir por não querer sua localização divulgada. Ao chegar no bar, a francesa recorreu a droga mais lícita e mais eficaz que havia ali; álcool. Ainda se permitiu flertar com uma mulher que havia ali, algo que visivelmente não foi muito a diante.
Não demorou muito para se embriagar, forçando a virar babá.
O que nos leva ao lado de da história, que levou a amiga para sair, visando também aproveitar a noite com Leo fora dos muros da mansão que estavam hospedados. O plano havia sido visivelmente frustrado, e isso era o suficiente para explicar a feição chateada da produtora.
pediu para o rapaz espera-la no quarto enquanto levava e se certificava que ela não desmaiaria no banho ou sufocaria com o próprio vomito, ouvindo até um protesto da fotografa o qual o casal ignorou.
— Sabe, eu gostei daquela mulher. — continuou com seu monólogo quando sentiu a porta do carro ser aberta, tendo o auxílio de para descer do veículo.
— Então você tem um gosto bem parecido com o do seu pop star. — a amiga não se conteve em alfinetar, vendo o rosto confuso da francesa, que a fez revirar os olhos. — Eles ficaram antes de você chegar aqui, ele até escreveu uma música para ela.
Ficaram, ficaram ou só ficaram? — perguntou, dando ênfase a pergunta.
Bêbados! pensou, suspirando.
— Não sei o que você intende com “she feels so good”, mas isso me parece com ficaram, ficaram. comentou, se controlando para conter a risada que queria se fazer presente ao notar o biquinho que a amiga tinha nos lábios.
— Como ele teve tempo de ficar, ficar com ela e ainda escrever uma música sendo que ele só estava aqui há três dias? — a francesa perguntou, se deixando levar na direção do seu quarto.
— Eu não sei direito quando aconteceu, mas ele já vinha aqui durante alguns meses com os produtores musicais e a banda para compor e depois voltava para casa, nós que chegamos nos quarenta e cinco do segundo tempo.
— Pelo menos alguém ficou, ficou com ele. — a mulher resmungou emburrada.
— Chega de ficar, ficar. Nós somos crescidas o suficiente para falar trepar, foder, sexo, transar. — reclamou.
— É que não sei qual usar. — confessou, gargalhando alto e tendo sua boca calada pela palma da mão da amiga.
! Tem gente dormindo!
— Desculpa. — a fotografa pediu, ainda tendo a fala abafada pela mão da outra, que se afastou ainda vendo o ar de riso no rosto da mulher.
— De qualquer jeito, acho que você deveria conversar com ele sobre Townes. Ele vai te dar as respostas que você quer. — aconselhou, entrelaçando o braço com o da amiga, caminhando para o fim do corredor.
— Quem? — perguntou entre soluços.
— A mulher da música, que é a mesma do bar, e que é a mesma que ele ficou.
— Eu não vou perguntar sobre quem ele fode! O que eu deveria dizer? “Olha, Harry, sabe aquela mulher que você ficou e que foi tão bom a ponto de você escrever uma música sobre? Então, eu conheci ela no bar.”
— É, isso séria estranho. — a amiga concordou, alcançando a porta do quarto da fotografa.
— Muito! — reforçou ainda soluçando, enquanto se abaixava para retirar o salto, vendo abrir a porta do quarto. — Eu odeio soluços.
freou o seu impulso de entrar no quarto, fazendo , que estava se apoiando na amiga para retirar a sandália, cair sentada no chão. A francesa não conteve a gargalhada ao sentir o impacto no chão, fazendo se abaixar para tapar a boca da mulher novamente, como havia feito minutos atrás.
O motivo do espanto da produtora fora o corpo masculino tatuado que estava sentado na ponta da cama, olhando para as duas quando a porta abrira. só veio reparar no cantor quando a sua gargalhada cessou, seu rosto antes descontraído, agora se transformando em uma carranca.
A francesa revirou os olhos, se levantando do chão e marchando para dentro do quarto, com uma sandália na mão enquanto a outra ainda se encontrava em seu pé.
— Oi, Harry. — saudou o cantor com um sorriso, o qual foi retribuído. — Ela está bêbada.
— Eu percebi. — o rapaz riu, passando os dedos entre seus cabelos. — Pode deixar que eu cuido dela.
— Certo, mas não saia antes que ela durma, não quero que ela vomite. — pediu, colocando a bolsa da amiga em cima da cama.
— Certo. — Harry garantiu.
— Te vejo amanhã, ma chérie*. — a amiga se despediu, recebendo um olhar enfurecido da outra como resposta por abandona-la ali. — Eu também amo você!
revirou os olhos, se direcionando para a mesa que havia no cômodo, começando a retirar seus brincos e o colar, ouvindo apenas a porta do quarto ser fechada, indicando que já havia se retirado e que só restara Harry e ela.
— Não sabia que você tinha um urso. — Harry começou e não precisou olhar para saber que ele estava falando de Bear, seu pelúcia.
Mesmo que seu tom não fosse provocativo ou irônico, a mulher ignorou completamente, começando a se livrar do seu outro salto e do vestido, ficando apenas de lingerie e ignorando a presença do rapaz.
— O que você está fazendo? — Harry tentou novamente, ainda sem receber nenhuma resposta. Ele respirou fundo e continuou; — Olha, eu sei que você está chateada mas eu achei que havia ficado claro que nós não teríamos compromisso e...
— Você está falando sério? — se pronunciou, virando-se na direção de Harry para que pudesse confirmar se ele estava brincando.
— Que? — o rapaz perguntou, confuso com a interrupção.
— Você acha que eu estou chateada por você ficar com outra pessoa? — a mulher continuou.
— Você não está? — ele devolveu a pergunta, vendo-a exclamar em exasperação.
— Não, seu arrogante filho da puta, eu estou com ódio porque você simplesmente esqueceu de me avisar que ela era sim sua namorada! — rugiu entredentes, jogando a blusa que anteriormente estava em suas mão na direção de Harry, que desviou.
— Mas eu não...
— E também estou com ódio de mim porque uma mulher deu em cima de mim e eu quis muito ficar com ela mas eu fiquei com medo do que os outros iam pensar, e eu realmente achei que esse receio já havia sido superado com a sua ajuda, mas aparentemente não foi. — continuou, interrompendo o cantor, que agora a olhava com a sobrancelha erguida, prestando atenção no que ela falava. — E depois eu descubro que a mulher que eu fiquei a fim, foi a mesma mulher que você já havia transado e até escreveu uma música sobre. Então sim, eu estou com ódio e aparentemente todos os motivos envolvem você, mas não são os mesmos motivos que você acha.
retirou o sutiã, vendo Harry desviar o olhar, e vestindo uma blusa masculina que estava no meio da sua cama, segurando o sorriso que queria nascer por conta da ação do rapaz.
— Blusa bonita. — Harry elogiou, decidindo que a mulher estava bêbada o suficiente para ser capaz de continuar a conversa.
— Obrigada. — agradeceu irônica, e tomou impulso para falar novamente, mas sentiu a bile subir por sua garganta, com o gosto da vodka queimando.
Harry assistiu o rosto da francesa se transformar na mesma feição que ele presenciou logo no começo da relação dos dois, quando estavam bêbados na praia. O rapaz sabia exatamente o que iria acontecer, então se colocou de pé, carregando a mulher pela cintura o mais rápido que pode, levando-a na direção do banheiro.
Ao chegarem lá, não demorou a se ajoelhar na altura da privada, colocando para fora toda a bebida que havia ingerido durante a noite enquanto Harry segurava seu cabelo e afagava suas costas pacientemente.
Quando acabou, o rapaz assistiu a mulher escovar seus dentes e se encaminhar de volta para o quarto, entrando debaixo das cobertas.
— Não achei que você dormisse com camisas masculinas. — o cantor continuou, tentando desviar o assunto, o que deu certo.
Harry se deixou ao lado de , por cima dos lençóis e a francesa dispensou o convite, se aconchegando no peito do rapaz que a aceitou de bom grado.
— Achou que eu dormisse com camisolas e babydoll’s de seda? — ela perguntou, sorrindo fraquinho e sentindo os dedos de Harry começarem um carinho em seu cabelo.
— Sim. — ele confessou, sorrindo.
— Normalmente eu durmo de calcinha, mas não posso ir na cozinha usando só isso, então coloco os de seda. — ela disse, traçando algumas tatuagens do braço do rapaz com a ponta dos dedos.
— E as blusas? Você não usa? — o rapaz se forçou a desviar o assunto, forçando sua mente a não pensar em uma só de calcinha em sua cozinha.
— Uso, mas se torna um pouco estranho usa-las em público quando elas pertencem ao seu ex-namorado. — ela disse, rindo sem humor.
Ambos ficaram calados, em um silêncio que não havia nada de constrangedor. Era totalmente confortável.
e Harry sabiam que aquele assunto estava longe de ser resolvido, e ambos tinham ciência que haviam mais coisas a serem faladas, mas não era a hora certa.
A francesa não demorou de adormecer e Harry ainda ficou por mais alguns minutos, certificando-se de que ela realmente estava bem para ficar sozinha, e se retirando do quarto ao ter certeza que ela não acordaria quando a respiração da mulher se tornou pesada.
Amanhã era outro dia e eles precisariam resolver alguns assuntos pendentes, então nada mais justo que uma boa noite de sono para enfrentar o que quer que viesse pela manhã.

***


O som de batidas na porta ecoaram pela suíte e sabia muito bem quem era.
Se lembrava perfeitamente da noite de ontem, mesmo com a ordem dos fatos um pouco embaralhada, mas não era nada que fosse muito confuso. A mulher sabia que Harry apareceria por ali a qualquer hora para terminar a conversa de ontem, por isso, quando acordou e se descobriu uma bagunça ao olhar no espelho, resolveu tomar um banho rápido para se livrar dos vestígios da noite passada.
O tempo não fora suficiente, já que seu banho havia sido interrompido pelo rapaz, fazendo-a se enrolar na toalha e correr para atender a porta.
Seus olhos logo encontraram o do cantor.
Harry não conseguira dormir muito bem á noite por conta do assunto pendente, e lutou a todo custo contra o seu orgulho que gritava para que ele esperasse procura-lo. O relógio marcava 14:00pm quando o rapaz resolveu que iria atrás dela, saindo as escondidas do estúdio para que ninguém o visse.
O que ele não esperava era uma recepção como aquela, com uma de cabelos molhados e com apenas uma toalha cobrindo seu corpo. Por mais que seu corpo implorasse para que ele analisasse a mulher, Harry manteve seus olhos grudados no da francesa, querendo evitar que ela se sentisse desconfortável.
— Podemos conversar? — Styles se forçou a falar, assistindo quando a mulher deu espaço para que ele entrasse. — Eu posso esperar você tomar banho e se vestir.
— Não é necessário, você pode falar. — negou, se apoiando em uma das paredes para ficar de frente para ele, que se sentou na cama.
Harry assentiu enquanto puxava seus cabelos em sinal de nervosismo.
— Ok. — o rapaz concordou, umidificando os lábios antes de tomar o impulso de falar. — Eu não namoro com ela. Nós ficamos, sim, mas nosso relacionamento é totalmente aberto, exceto para a mídia. Assim como eu fico com outras pessoas, Camille também fica. Você tem todo o direito de ficar chateada porque eu não esclareci isso antes.
— Ela me disse. Com todas as letras.
— O que ela disse? — Harry perguntou paciente.
— Ela fez questão de se apresentar como sua namorada.
— Bom, eu não posso controlar as coisas que ela diz. O nosso namoro ainda não é oficialmente público e para a mídia nós ainda estamos nos conhecendo. — o cantor tentou explicar.
A mulher esperou, analisando os olhos verdes que se encontravam conectados com os seus. não conhecia Harry muito bem, e não sabia se ele estava mentindo para continuar o que quer que aquilo entre os dois fosse, mas por outro lado, ela não conhecia nada sobre Camille.
— Essa é a única explicação que eu tenho. — Harry se desculpou, dando de ombros e caminhando em direção a porta.
não sabia o que estava fazendo e poderia ser a maior enrascada que já havia se metido, mas não podia negar que estava adorando passar algum tempo com o cantor; não queria que aquilo acabasse. Também não deixaria de tentar descobrir se aquilo que ele lhe falara era verdade ou não, mas todos mereciam o benefício da dúvida até que fosse provado o contrário.
Harry parou de andar ao ouvir a voz da francesa;
— Então é isso? — ela perguntou fazendo biquinho enquanto caminhava na direção do rapaz.
— Isso o que? — Harry se virou para ela, assistindo quando a fotografa enlaçou seus braços no pescoço dele.
— Eu vou aceitar a explicação fácil assim? Onde fica a minha pose de orgulhosa? — perguntou sorrindo, encaixando seu rosto na curva do pescoço de Styles, depositando algumas mordiscadas ali.
Harry riu audivelmente, sentindo seus pelos se eriçarem com a respiração leve da mulher.
— Você pode aceitar a explicação e se fizer você se sentir melhor, eu posso deixar você dizer que eu te seduzi. — o cantor brincou, circulando seus braços na cintura da mulher.
A francesa levantou o rosto na direção dele, ainda com o sorriso presunçoso em seus lábios, retirando suas mãos do pescoço do rapaz.
— O que você está fazendo? — Harry perguntou sorrindo de lado ao sentir as mãos delicadas de puxarem sua camisa para fora de seu corpo.
— Nós vamos economizar água. — a mulher falou brincalhona.
Styles gargalhou enquanto se deixava ser levado pelo cós da calça até o banheiro.
Estava ali uma bela maneira de fazer uma reconciliação. GLOSSÁRIO:
*“Ma chérie” = querida/baby; Feminino de "mon chéri".


15. Chuveiro e receios.


[+18]
N/A: ESSE CAPÍTULO CONTÉM CENAS DE SEXO, CASO NÃO GOSTE OU NÃO SE SINTA CONFORTÁVEL, SINTA-SE LIVRE PARA PULAR ATÉ OS TRÊS ASTERÍSCOS (***) QUE SINALIZAM A QUEBRA DE TEMPO.


sempre achou que fosse confiante o suficiente sobre seu corpo, e ela realmente era. Mas estar ali, despida na frente de um cantor mundialmente famoso, e que obviamente já havia ficado com outras pessoas, a deixou um pouco acanhada e insegura, mesmo que a ideia toda houvesse partido dela.
Harry estava encostado na parede, enquanto se encontrava do outro lado, os dois se encarando. O rapaz pode notar o receio no olhar da mulher e a forma como seus braços não hesitaram em cobrir os seus seios.
O cantor sabia que certas coisas a seu respeito poderiam deixa-la desconfortável na presença dele, ainda mais em uma situação tão intima. E ele faria o possível para retira-la de todos aqueles pensamentos os quais ele sabia que estavam presentes.
— Você sabe que não precisa se esconder de mim, não é? — o rapaz perguntou, abaixando o braço da mulher calmamente com a sua mão, não encontrando nenhuma resistência. Harry parou alguns segundos analisando o corpo feminino em sua frente, sorrindo ao notar as bochechas coradas de . — Você é linda, baby.
A francesa sorriu tímida com o elogio, e permitiu seus olhos curiosos a analisarem o rapaz; o corpo bronzeado e definido, com as inúmeras tatuagens espalhadas pelo seu torso, braços e coxa. O que ela poderia dizer? Ele parecia alguém enviado diretamente dos céus. Seu cabelo estava levemente bagunçado e puxado para trás, seus olhos verdes agora eram de um tom escuro e estavam cheios de luxúria, seus lábios ainda mais rosados por conta dos beijos que haviam sido compartilhados e agora continham um pequeno sorriso de lado, como se ele soubesse exatamente o que estava fazendo e o efeito estava surtindo. já sentia sua intimidade pulsar apenas pela presença inebriante do rapaz nu em sua frente.
— Eu não posso dizer o tempo todo por conta do seu ego, mas você também é. — a francesa confessa, estendendo a mão para o rapaz, que não hesitou em agarrar, e trazendo-o para perto de si, onde a agua do chuveiro caia como cascata entre os dois.
Harry riu, aceitando a provocação. Seu sorriso não ficou por muito tempo, e foi dissipado pelos lábios de , que iniciaram um beijo ardente. As duas lingues lutando bravamente por domínio de espaço, enquanto as bocas pareciam querer se fundir uma na outra. O ar do ambiente não era mais envergonhado e desconfortável, agora era possível sentir a tensão sexual presente, e os dois poderiam garantir que era até mesmo palpável.
— Sabe que eu ainda te odeio, certo? — a voz rouca da mulher ecoou pelo box do banheiro, sendo abafada pelos lábios do rapaz.
— Eu consigo lidar com isso. — o rosto de Harry se desviou para o pescoço de , onde beijos chupados foram distribuídos, traçando uma linha perigosa até o vale dos seios da fotografa, que grunhiu. — Me diz o que você quer hoje, baby, minha boca ou meus dedos?
A francesa arfou com a pergunta, sentindo sua intimidade ficar ainda mais molhada após ouvir a voz do cantor sussurrar. Falar obscenidades nunca foi algo que ela havia testado com Dylan, era sempre os gemidos de forma básica para que ambos entendessem o que o outro estava sentindo, mas com Harry era um sentimento diferente. queria gritar, queria gemer o mais alto possível, queria ouvi-lo falar safadezas e queria que ele sentisse a mesma coisa que ela sentia quando ele o fazia; prazer.
E mesmo que a voz no seu interior gritasse que aquilo era extremamente sem pudor, ela ignorou e fez o que mais fazia quando estava perto de Harry, se deixou experimentar.
— Os dois. — retribuiu o sussurro, sorrindo e empurrando o rapaz para que ele ajoelhasse em sua frente.
Harry riu levemente ao notar que a mulher estava finalmente sendo ela mesma e se permitindo, e deixou uma mordida leve na cintura dela, antes de segurar uma de suas coxas e coloca-la em seu ombro, fazendo se equilibrar apenas na sua perna direita. Os olhos verdes do rapaz ainda levaram mais alguns longos segundos analisando toda a extensão do corpo da mulher, desde os seus seios eriçados onde anteriormente foram atiçados pela boca de Styles, até a sua intimidade molhada.
quase não acreditava que fosse a mesma pessoa de alguns minutos atrás, a qual se escondia de qualquer olhar que o rapaz lhe dava. Agora ela estava ali, rendida e pronta para gozar quantas vezes ele quisesse. Era impossível sentir alguma coisa além de excitação com aqueles olhares famintos que Harry estava lhe dando.
O gemido alto ecoou pelo cômodo quando a língua do moreno entrou em contato com a intimidade da mulher. A sua boca parecia abrir caminho para dentro dela, alternando entre lambidas e sucções, circulando o clitóris sensível em decorrência da excitação, brincando com a pequena bola de nervos e se deliciando com os gemidos em resposta.
Harry era bom no que fazia, e as suspeitas de foram confirmadas cada vez mais, e era mil vezes melhor do que ela esperava.
O rapaz não conseguia tirar aquela cena da sua imaginação desde quando a beijou pela primeira vez. Estava desesperado para sentir o gosto da mulher, gosto aquele que ele se questionou como seria várias vezes, e agora estava deliciado com ele.
pode notar o jeito esfomeado como Harry a lambia, e não conteve o pequeno grito ao senti-lo deslizar a língua pela sua entrada, invadindo-a com uma habilidade indescritível, limpando com a língua qualquer vestígio do líquido, apenas para que ela se derramasse mais ainda contra a boca do cantor. Os quadris da mulher logo criaram vida, rebolando contra o rapaz que parecia se divertir ao vê-la tão desesperada por ele.
Styles sentia seu pau latejando e gritando por algum contato, e ele não se conteve em descer uma de suas mãos que seguravam no lugar apenas para se permitir um pouco de alívio, se tocando enquanto sua boca continuava explorando a buceta molhada da mulher. abriu os olhos encontrando o olhar dele totalmente negro, assistindo o braço tatuado se tocar bem ali, exposto para que ela pudesse ver. A mulher não conseguiu conter o próximo gemido, tanto por estar assistindo-o, quanto por ter a sua boca percorrendo-a incansavelmente.
A francesa conseguiu ouvir um pequeno barulho vindo do quarto, mesmo tendo seus ouvidos zunindo de prazer, o que a fez segurar os cabelos do rapaz, afastando-o da parte sensível de seu corpo, enquanto fazia sinal para que ele não falasse nada e nem fizesse barulho.
? — a voz de soou no cômodo ao lado, fazendo e Harry arregalarem os olhos enquanto se encaravam. — Você está tomando banho?
— Responda. — Harry mandou, sabendo que daria muito bem para ouvir o barulho do chuveiro, mas ao contrário do que pensou, Harry não se afastou.
— O-oi! ‘Tô tomando banho! — a francesa se forçou a responder, sentindo sua respiração ficar presa ao sentir os lábios de Harry beijando a parte interna da sua coxa, perigosamente perto da sua intimidade.
— Você está atrasada para o ensaio da capa do álbum, estava marcado para ás 14:30pm. Não precisa se preocupar muito porque por mais incrível que pareça, o popstar também sumiu. — falou alto para que a amiga pudesse ouvir, se encostando do outro lado da porta. — Você o viu?
— O que? Não, eu não. Eu- Ah! — tentou falar, gritando ao sentir dois dedos invadirem sua entrada, enquanto a boca do rapaz grunhia contra seu clitóris.
, ‘tá tudo bem? — perguntou, considerando entrar no banheiro, mas parando ao ouvir a voz da amiga.
— Sim, é- a água ficou fria, mas ‘tá tudo bem. — a francesa gaguejou, mordendo os lábios e olhando furiosa para Harry, que tinha um ar risonho em seu rosto. A mulher poderia sentir os dedos do cantor se movimentarem rapidamente, trabalhando em conjunto com a sua língua, tragando-a para perto de seu orgasmo.
— Certo... Eu vou estar te esperando no estúdio, então, por favor, não demore! — a produtora pediu pelo outro lado da porta, o cenho franzido enquanto fazia seu caminho para a saída, encontrando uma blusa masculina largada no chão, fazendo-a rir. Poderia claramente fazer uma piada sobre aquilo, mas não queria quebrar o clima da amiga mais uma vez, então apenas se retirou do quarto.
se permitiu jogar sua cabeça contra o azulejo do banheiro, gemendo cansada ao sentir seu ápice se aproximar cada vez mais. Harry também notou, mantendo sua língua focada no clitóris da mulher, se deliciando com os gemidos. Ele poderia até dizer que conseguiria gozar apenas com aquela cena, admirando os cabelos da francesa se transformarem em uma bagunça enquanto ela clamava por ele.
A mulher sentiu que estava muito perto e que não poderia segurar por muito mais tempo; estava totalmente rendida a quão delicioso aquele homem poderia ser. gritou o nome do cantor, quando seu clímax veio, e o rapaz continuou beijando sua intimidade durante alguns minutos, limpando a bagunça que havia sido feita ali com a boca. o puxou para um beijo sôfrego, sentindo o próprio gosto nos lábios do rapaz enquanto sua mão segurou firmemente o seu membro, fazendo Harry grunhir com a sensação da mão delicada em contraste com a dureza de seu pau.
Harry deixou a mulher manusear como queria, e ela sabia o que estava fazendo, assim como ele ao chupa-la. O gemido do rapaz veio ao sentir a mulher passar o dedão levemente na cabeça rosada de seu membro, enquanto o olhar dos dois continuava conectado. A mão de apertava-o na medida certa, e ele pode imaginar como seria quando estivesse dentro dela, sendo tragado cada vez mais pela intimidade pulsante da mulher.
pode assistir o pau de Harry engrossar um pouco mais; as veias em evidencia enquanto sua glande liberava o gozo aliviado. Os jatos pararam diretamente na mão e na barriga da mulher, que sorriu descarada ao ouvir Harry grunhir.
Os dois ficaram ali por mais algum tempo, ambos recuperando a respiração. Após isso, o banho realmente ocorreu sem mais delongas; Harry fez questão de limpar qualquer vestígio do corpo de , que estava exausta para poder protestar. Os dois saíram do banheiro enrolados nas toalhas, e começaram a se vestir. Harry terminou primeiro, quando a mulher ainda penteava os cabelos.
— Sabe, se nós formos ter uma reconciliação como essa todas as vezes, eu vou adorar brigar com você sempre. — brincou, sorrindo para Styles enquanto se olhava no espelho.
— Eu também iria adorar que você brigasse comigo mais vezes. — o cantor continuou, rindo um pouco antes de se direcionar para ela, dando um selinho nos lábios da mulher.
— Te vejo daqui a pouco. — se despediu, assistindo Harry se dirigir a porta do quarto.
— Pode apostar que sim. — o cantor ofereceu um sorriso de lado, antes de se retirar, deixando a francesa sozinha.

***


A tarde passou de forma tranquila e relaxada, fazendo jus ao momento que os dois tiveram mais cedo. ignorou redondamente os comentários de duplo sentido e os olhares maliciosos que ofereceu para ela, fingindo que nada havia acontecido.
Harry foi um pouco mais maleável durante a sessão de fotos, mesmo que seu bom humor chegasse a ser irritante quando ele queria. Passou todo o ensaio tirando do sério com brincadeiras que a desconcentravam, como, por exemplo, não deixa-la tirar fotos, sair do lugar que ela o colocava, contar piadas totalmente sem graças, dentre outras coisas.
Apesar da fachada de séria quando estava trabalhando e se mostrando estritamente profissional, adorava as facetas de Harry. Ele poderia ser brincalhão, safado, fofo e insuportável ao mesmo tempo.
Depois de várias tentativas, a equipe conseguiu as fotos necessárias, tanto para a premiere do álbum, quanto para a capa, de forma que encerraram a sessão.
estava no quarto, deitada na cama enquanto Harry estava ao seu lado. A mulher estava tentando editar uma parte das fotografias para que não acumulasse tanto trabalho depois, mas a presença do cantor estava fazendo-a falhar miseravelmente.
Styles tinha sua cabeça deitada em um dos ombros da fotografa, assistindo o que ela fazia no computador. Harry estava extremamente quieto agora, depois de receber algumas broncas de por ficar atrapalhando e cutucando o ouvido da mulher com alguns fios de cabelo dela.
Um álbum do Fletchwood Mac tocava aleatoriamente no fundo, e Harry quase teve uma sincope ao achar as músicas no celular da francesa, que havia cedido o aparelho dela para que Harry pudesse ficar quieto, o que não teve muito efeito, já que o rapaz se encontrava entediado e inquieto após alguns minutos vasculhando o telefone móvel.
— Sabe aquilo que você falou ontem de noite? — a voz rouca do moreno soou.
sabia exatamente o que seria tema daquela conversa, mas preferiu usar o caminho mais fácil que encontrou; negar.
— Nós falamos sobre várias coisas ontem de noite. — a mulher tentou se esquivar.
— Sobre a mulher que você encontrou no bar, e sobre você querer ficar com ela mas ter tido medo. — ele relembrou, fazendo o possível para que seu tom não fosse agressivo.
— Podemos não falar sobre isso? — perguntou nervosamente, suspirando ao sentir a cabeça do rapaz levantar do seu ombro.
— Você pode conversar comigo quando se sentir confortável.
— Não é como se você fosse entender, Harry. — se limitou a responder, recebendo um olhar confuso do rapaz ao seu lado.
— Por que?
— Porque você não é o tipo de pessoa que se prende a o que os outros pensam. — ela continuou, fechando o computador e afastando-o de si apenas para deitar de frente para o cantor.
Baby, eu estou em matérias o tempo todo. — Harry falou, sorrindo amarelo para a mulher. — Seja tendo minha sexualidade especulada ou por qualquer outro motivo, mesmo que eu ache que todos os meus fãs já entenderam que eu não me rotulo, que eu gosto de pessoas, sendo elas homens ou mulheres.
— E o que você faz?
— Nada. — ele disse, dando de ombros. — Não é como se tivesse muito a ser feito sem ser aceitar.
— Exato! Você aceita e você lida com isso, eu não. Eu me escondo. — confessou.
— Eu me escondo em certos aspectos, ainda estou tentando trabalhar com alguns deles. — Harry admite, vendo o olhar curioso da francesa. — Olha, um exemplo disso é que eu adoro pintar as unhas. Não sei se porque a minha mãe costumava brincar comigo e com minha irmã sobre vestirmos algumas roupas mais extravagantes quando pequenos. Gemm odiava mas eu realmente gostava, e gosto até hoje. Assim como brincos, colares e algumas outras coisas.
— E por que você não usa? — perguntou, fazendo Harry rir um pouco.
O motivo dos dois era o mesmo; receio. Harry pode ver a compreensão passar pelos olhos de após alguns segundos sem resposta.
— Nós não somos tão diferentes assim, .


16. Exatamente como as estrelas.


As estrelas se destacavam no céu azul escuro.
sempre adorou observa-las, mesmo que não entendesse nada sobre qualquer coisa relacionado a astronomia. Era um dos assuntos os quais ela adorava ouvir sobre, e mesmo que tentasse, nunca conseguia aprender a diferenciar as constelações. Podia parecer até ignorante, mas para ela, as estrelas estavam apenas misturadas e os desenhos que todos diziam ver, eram apenas um cubo mágico complexo demais para resolver.
Estava deitada na espreguiçadeira, após conseguir uma pausa das edições de fotos durante a noite, com um moletom que parecia caber mais alguma outra pessoa ali dentro, mas fazia com que ela se sentisse extremamente confortável.
Após a conversa de ontem a noite, alguns minutos depois, o cacheado se retirou do quarto da mulher e foi em direção ao seu, mesmo que o coração dos dois pedisse para que apenas se abraçassem e dormissem juntos.
Harry queria. também.
Mas ambos achavam uma intimidade e um passo muito grande, então mantiveram os pensamentos para si mesmos. Uma intimidade maior até do que ver o outro sem roupa e partilhar experiências sexuais.
A francesa ainda se permitiu aninhar no travesseiro que anteriormente estava sendo usado por Harry, respirando um pouco do perfume dele.
Agora, entretanto, quase vinte e quatro horas depois, o clima havia pesado drasticamente para a mulher, que se encontrava em um estado de espirito mais tristonho; algo totalmente diferente de em seus outros dias. Dessa vez não se dava pelo fato de que não havia visto o cantor nenhuma vez desde a noite anterior, ou até mesmo sobre o estupido termino de quase dois meses atrás.
Era tão notório que Harry sentiu a mudança de humor ao se aproximar da espreguiçadeira, onde a mulher estava aninhada em uma pequena redoma que ela havia feito com o seu próprio corpo.
— Procurei você durante um tempo até me lembrar que esse é um dos lugares que eu mais te encontro. — O rapaz saudou, se aproximando e tomando o assento ao lado da francesa.
— Não sou uma boa companhia agora, H. — ela avisou, evitando olhar para o moreno.
Pelo canto do olho ela pôde vê-lo assentir e mesmo tendo escutado o que ela disse, se aconchegou ao seu lado.
Os dois ficaram em silêncio durante alguns minutos, apenas estando ali, existindo. Era notório que algo havia acontecido, e mesmo que sua curiosidade gritasse, Harry não entraria no assunto; ela falaria quando se sentisse bem para isso, quando se sentisse a vontade. Ele só não queria que ela se isolasse ou ficasse triste, fato que já era denunciado pelos olhos vermelhos de um choro ainda recente.
— O nome da minha mãe é Anne. O do meu pai é Desmond, e eles se separaram quando eu tinha sete anos. Foi o meu primeiro contato com o divorcio e só alguns anos mais tarde eu entendi que mesmo que haja amor, ele não dura para sempre em alguns casos. — desviou o olhar das estrelas para finalmente encarar Harry, franzindo o cenho mas refreando a fala ao vê-lo com o olhar focado na agua da piscina. — Em 2013, minha mãe casou com o nosso vizinho, Robin. Eu fui um dos padrinhos, e Rob é uma das melhores pessoas que poderia ter casado com ela. Ele é gentil, amoroso e olha para ela como se estivesse olhando o sol.
Harry respirou fundo. Piscando algumas vezes para afastar a ardência em seus olhos.
— Recentemente nós descobrimos que meu pai está com câncer. — o cacheado fez uma pausa, mexendo nos anéis em seus dedos. — É uma das primeiras vezes que eu quero tanto uma coisa e que nem todo o dinheiro do mundo pode comprar, a saúde e o bem estar dele. Sinto que ele está fazendo o melhor, só não sei se vai ser suficiente. Acho que você conhece o sentimento.
— Conheço até mais do que deveria. — a francesa concorda, segurando a mão de Harry, que estava agora depositada entre os dois. — Por que está me contando isso?
— Não sei... Você parece um pouco sobrecarregada e eu queria te distrair. — ele respondeu, fazendo com que um meio sorriso brotasse nos lábios de , sumindo alguns segundos depois.
respirou fundo algumas vezes, sem saber exatamente o que falar ou fazer, então ficou apenas fazendo carinho na mão de Harry, entrelaçando-a com a dela. O dedão da mulher percorria suavemente a tatuagem de uma pequena cruz que o rapaz tinha em sua mão esquerda.
Naquele momento teve certeza do que queria; ela queria Harry. Queria o corpo, a gentileza de tentar fazê-la esquecer sobre qualquer coisa que ela estava pensando, mesmo sem nem saber o que era, o fato de aceitar estar do lado dela mesmo quando a própria já havia dito que não seria uma boa companhia, e até mesmo por se abrir tanto com um assunto delicado por livre e espontânea vontade.
— Eu estava em ligação com a minha irmã alguns minutos atrás. — a francesa começou, a voz um pouco rouca e quebradiça, denunciando que o motivo das lagrimas estava, de alguma forma, relacionado ao telefonema.
— Como ela está? — perguntou Harry, ouvindo uma risada sem humor em resposta.
— Dizer que está péssima parece até diminuir o que quer que ela esteja sentindo. — parou, umidificando os lábios enquanto sentia os dedos longos de Harry se firmarem ao redor dos seus, demonstrando apoio. Os dois desviando os olhares para que não se encarassem. — Ela teve que cortar o cabelo novamente. Todo. O médico avisou que reiniciaria o tratamento da quimioterapia e ela decidiu que não iria aguentar ver os cabelos caindo pouco a pouco, então resolveu fazer de uma vez.
Não tinha mais o que se dizer. Harry não sabia o que falar para consolar, e não esperava ouvir mais nada, então Styles apenas circulou um de seus braços ao redor da mulher, e a trouxe para se aconchegar em seu peito, fazendo cafuné nos cabelos longos que agora estavam derramados em seu braço e fazendo cosquinha em seu queixo.
— Quero te mostrar uma coisa. — Harry murmurou, sem querer estragar o momento, e se mexeu o mínimo possível, o suficiente apenas para alcançar o celular em seu bolso, retornando a posição alguns segundos mais tarde. — Você me disse que essa era a sua favorita até agora, e hoje eu consegui finalizar todo o álbum, então queria saber se você quer ouvir...
— Posso ouvir o álbum todo? — perguntou, levantando o rosto e encarando Harry pela primeira vez naquela noite.
— Por que eu sinto que você está trapaceando só para ser a primeira a ouvir? — o cantor perguntou com um sorriso brincalhão querendo brotar em seus lábios.
— Porque eu estou. Por que eu teria amigos famosos se não pudesse tirar uma casquinha? Vamos lá, H, o mundo todo estaria dando até mesmo os pulmões para estar no meu lugar.
— Você está massageando o meu ego. — Harry brincou, fazendo revirar os olhos.
— Como se você precisasse. — ela continuou, abaixando o rosto e mordiscando o peito dele, que deixou uma gargalhada alta sair. — Me deixa ouvir!
— Ok! — ele exclamou, se rendendo. A verdade é que ele mostraria para ela mesmo que ela não pedisse, a aprovação dela sendo extremamente necessária por algum motivo ainda não descoberto por ele.
Mesmo com algumas notas mudadas, reconheceu a melodia de Meet Me In The Hallway assim que começou a soar, sendo a primeira musica. Sign Of The Times veio em seguida, sendo relembrada por conta do clipe que gravariam ao fim da semana.
Harry foi citando os nomes das músicas na ordem em que estavam sendo tocadas, mesmo sabendo que seria pouco provável que se recordasse de algo depois.
Assim que foi anunciada pelo cantor e que as letras começaram a fluir, conseguiu perceber que Carolina era mesmo sobre a mulher que ela havia encontrado no bar alguns dias atrás, a qual informou que havia estado com Harry.
Two Ghosts, Sweet Creature, Only Angel e Kiwi vieram logo em seguida.
Ever Since New York fez com que se questionasse se aquela música era por conta de Des e da historia a qual Harry lhe contou agora a pouco, ou se seria apenas uma coincidência, mas a francesa optou por não questionar.
Woman foi a próxima, e o álbum foi fechado com chave de ouro quando From The Dining Table tocou.
— Eu amei, Harry! Isso ‘tá incrível! — falou eufórica, apoiada em um de seus braços. — Meet Me In The Hallway continua sendo a minha favorita.
— Para quem não gostava das músicas que eu cantava na One Direction, me sinto lisonjeado que você tenha amado. — Harry implicou, vendo mostrar a língua em um ato infantil.
— Cala a boca ou eu retiro o elogio. — a francesa ameaçou. — Você gostou de escrever? É a primeira vez que faz isso sozinho, ‘né?
— Não completamente sozinho. Mitch me ajudou na maioria das músicas. — Harry contou, guardando o celular e puxando de volta para o seu peito. — Mas, sim, eu gostei. Na banda nós fazíamos músicas no meio da tour, dentro do ônibus ou em qualquer lugar que conseguíssemos equilibrar uma folha e uma caneta, então acabava sendo loucura. Uma pressão que as vezes deixava de ter aquela euforia gostosa, sabe?
— Foi diferente dessa vez? — perguntou, adorando ouvir Harry falando enquanto seu coração martelava bem embaixo do seu outro ouvido.
— Totalmente. Jeff não me apressou em nenhum momento, e eu consegui escrever dez músicas em apenas seis dias. Carolina foi a última porque a batida não estava como eu queria, mas eu sinto que agora está bom o suficiente.
— O suficiente? — perguntou incrédula. — H, as músicas estão incríveis! Todas!
Harry sorriu, feliz e orgulhoso por ouvir aquilo.
Claro que ele não precisava da reafirmação de ninguém, mas o sentimento de orgulho fica maior quando tem outra pessoa que está pensando o mesmo que você.
— Estou orgulhosa de você, mon chéri.
— Obrigado, baby. — Harry respondeu, depositando um beijo na cabeça da mulher.
Two Ghosts está no meu segundo lugar.
— Espero que você não me diga qual é a sua menos favorita, seria uma facada no meu ego.
— Eu nunca faria isso com você, querido. — provocou, rindo de leve.
Harry começou a divagar sobre algumas partes da composição, contando como eram as coisas enquanto ele estava na banda.
Ouvir Harry falar era exatamente como observar as estrelas; quando os termos técnicos surgiam, se sentia perdida. Mas ao se desprender dos detalhes, era totalmente lindo ouvir a voz rouca e o sotaque britânico. O peito vibrando enquanto ele contava detalhes como se não fosse tão fácil encontrar tudo aquilo apenas jogando o nome dele no google.
Harry Styles soava exatamente como as estrelas, e estava decidida a aproveitar cada constelação que ele pudesse proporciona-la.

17. Mile High Club.

[+18]
N/A: ESSE CAPÍTULO CONTÉM CENAS DE SEXO, CASO NÃO GOSTE OU NÃO SE SINTA CONFORTÁVEL, SINTA-SE LIVRE PARA PULAR O CAPÍTULO.

O restante da semana passou rápido, assim como os dois meses em que estava na Jamaica.
Uma parte da equipe de produção, e de fotografia já havia se despedido do restante, já que agora, apenas as pessoas essenciais para o andamento do mais novo clipe estariam presentes. O mesmo serviu para Mitch, Clare, Sarah e Adam, que tiveram a oportunidade de férias mais longas.
O trabalho de , de Harry e de , ao contrário dos outros, ainda seriam requisitados naquela etapa. Além dos três, havia também uma pequena equipe de apoio e os empresários, todos agora localizados na Escócia para a filmagem.
Sign Of The Times seria o primeiro clipe lançado, anunciando o primeiro álbum solo de Harry, e as filmagens aconteceriam na Ilha de Skye, na Escócia. A paisagem ali era de tirar o fôlego, de forma que a proposta para o clipe seria incrivelmente perfeita.
Falando em tirar o fôlego, a amizade de e Harry estava indo de vento em poupa. Os dois não haviam trocado mais caricias por conta dos trabalhos que ainda estavam pendentes e precisavam ser finalizados antes de saírem da Jamaica. A aproximação fora superficial durante esse tempo, mas a tensão sexual ali chegava a ser palpável após tanta negligência de ambas as partes. Os corpos imploravam por atenção e os dois faziam o possível para ignorar, tentando suprir a falta de contato com alguns amassos pelos corredores da mansão. Não era bem o que precisavam, mas era a única coisa que estava podendo ser feita com tão pouco tempo entre os intervalos de trabalho.
Harry estava impossível. Seus sonhos eróticos e suas lembranças da francesa gemendo, o rondava em qualquer hora do dia, sem nenhum aviso prévio, o deixando sempre com uma ereção que beirava ao ridículo.
A fotografa não estava muito diferente, já que passava horas do dia com suas pernas cruzadas e suas coxas apertadas, tentando aliviar a humidade em sua calcinha, a qual ela não duvidava que poderia até escorrer pelas suas pernas. A imagem de Harry se masturbando enquanto a chupava era deliciosa demais para ser esquecida.
No dia seguinte a chegada da equipe na Escócia, a filmagem foi feita. Harry fez até um molde do seu rosto para caso precisasse de um dublê o substituindo nas cenas em que precisava ser elevado por um helicóptero, mas o cantor recusou veementemente. Apesar do frio excruciante, tudo correu na mais perfeita ordem e agora era responsabilidade da equipe de edição.
O trabalho ali havia acabado, e agora todos estavam em um avião, voando de volta para Londres para gravar as últimas cenas na Abbey Road e após mais alguns dias, assistir o resultado final do documentário.
— Eu adoro suas tatuagens. — a voz de interrompeu os pensamentos de Harry, que estavam flutuando entre os compromissos da sua agenda durante a semana; para ele, voltar para a Inglaterra, ao mesmo tempo que trazia o conforto do lugar mais familiar que ele possuía, também era sinal de muito trabalho.
Harry havia acabado de tomar um banho quando bateu em sua porta e logo em seguida se acomodou na cama que havia ali, na área privativa. A mulher estava com o notebook em seus braços, alegando que tinha feito o download de um filme para passar o tempo em que estariam presos no avião.
O cantor deitou ao lado dela, e a puxou para perto, fazendo-a apoiar a cabeça em seu peito desnudo. Styles estava coberto apenas com um short amarelo, exibindo também suas pernas.
podia confessar que nunca havia reparado nas coxas de um homem, não era muito bem a primeira coisa que chamava sua atenção; mas como sempre, as coisas com Harry eram diferentes. O rapaz tinha coxas torneadas, e até um pouco definidas, por conta de exercícios físicos. Era uma delícia olhar e admirar, e agora poderia muito bem passar a mão onde quisesse, já que eram próximos o suficiente para a liberdade do toque.
Seus dedos finos corriam pelo abdômen do rapaz, refazendo os traços das tatuagens.
— Eu achava que você não gostava de tatuagens. — ele comentou, ainda prestando atenção no filme – que diga-se de passagem, era Meu Malvado Favorito 2, e fez Harry rir por alguns minutos após a revelação do título.
— Por que? — A mulher perguntou, contornando agora os traços da borboleta que havia no centro de sua barriga.
— Porque você não tem nenhuma. — Harry explicou, dando de ombros.
— Isso não me impede de gostar de tatuagens, — contrapôs, abrindo um sorriso antes de continuar. — e eu tenho uma.
— Você tem? Onde? — o cantor perguntou espantado, levantando suas sobrancelhas em surpresa; olhava para o tempo inteiro, ele deveria ter reparado em alguma tatuagem.
levantou sua cabeça que estava pousada no peito de Harry, olhando para ele e segurando o cabelo, expondo um dos lados de sua nuca. Havia uma tatuagem bem pequenininha, escondida atrás da sua orelha.
— É meu número da sorte. — informou enquanto sentia o dedo indicador do rapaz passar por ali, enviando arrepios pela pelugem do seu pescoço. — É bem idiota, na verdade. Eu estava bêbada e queria fazer alguma coisa legal, então me veio isso. estava comigo, foi o meu primeiro ano em Londres. Quando voltei para casa para visitar minha mãe, fiquei uma semana de castigo.
Harry estava um pouco pasmo com as informações. Se sentia sempre um idiota quando contava sobre suas aventuras e pequenas rebeldias. Ele sentia que não conhecia nada da mulher com quem estava passando a maioria do tempo, e tentava a todo custo engolir o egoísmo que subia por sua garganta como bile, o fazendo desejar ter participado de cada um dos momentos. era uma caixinha de surpresas, e Styles sentia que nunca a conheceria o suficiente.
A voz dela, mais uma vez o trouxe de volta dos devaneios, assim como a cabeça da fotografa, que voltou a posição inicial em seu peito, e os dedos retomaram seu caminho, agora desbravando um lugar mais intimo que fez a respiração de Harry ficar mais pesada.
— Sabe qual a minha favorita? — perguntou, a voz agora também mais baixa, quase em um sussurro. Seus dedos traçando uma das folhas que ficavam desenhadas no quadril do rapaz, o desenho terminando perto do cós do short que ele usava. — Essas duas aqui.
Ninguem ali queria mais saber sobre Gru, Agnes, Edith ou Margo – os personagens da animação. Ou em como Gru precisava recuperar alguma coisa que ninguém lembrava mais o nome, e até mesmo a voz fina dos Minions havia sido esquecida.
Eles estavam agora em uma pequena bolha, pela primeira vez em algum tempo sozinhos e sem nenhuma ocupação que precisasse ser resolvida.
— Quer saber o por quê? — continuou, a alteração do coração de Harry fazendo-a sorrir, ouvindo os batimentos bem perto de seu ouvido. O rapaz deu um pequeno murmúrio de concordância, fazendo-a continuar, — É como o arco-íris... Essa tatuagem mostra o caminho para o tesouro.
A gargalhada de Harry explodiu pelo comodo, o peito vibrando na cabeça da mulher, que acompanhou o riso.
— Isso foi péssimo. — Harry comentou entre risos, respirando fundo para parar de rir quando enterrou o rosto em seu pescoço.
—Eu vi no Google. — ela confessou com a voz abafada pela pele do rapaz, gerando mais uma risada alta.
— É horrível, baby, sinto muito. — Styles disso, com um sorriso enorme no rosto, encarando a francesa em seus braços.
— Acho que você gostou... — sussurrou, descendo a mão despretensiosamente até a ereção recém-formada, fazendo Harry fechar o sorriso quando entendeu as intenções agora explicitas.
— O que você está fazendo? — a voz de Harry saiu entrecortada.
— O que parece que eu estou fazendo, H? — perguntou, fazendo mais pressão no carinho ainda por cima do short, ouvindo um murmúrio o rapaz após pronunciar o apelido.
— Nós não estamos sozinhos, ... — ele alertou, usando todo o seu esforço para que sua voz saísse um pouco normal, o que não funcionou.
— Quer que eu pare? — questionou, parando os movimentos e encarando os olhos verdes do rapaz, que agora parecia ainda mais escuros por conta das pupilas dilatadas.
A resposta veio quase de imediato, quando Harry a puxou para um beijo faminto, esquecendo qualquer coisa que havia acontecido antes daquilo.
As pernas de ficaram uma de cada lado do corpo do cantor, enquanto ela sentava em cima dele. Um grunhido foi ouvido de ambas as partes quando suas intimidades se friccionaram uma na outra, tornando o beijo ainda mais agressivo.
Deus, como eles queriam aquilo.
Estavam esfomeados, e foi automático quando Harry agarrou a cintura da mulher, incitando-a a se mover sobre ele, aumentando o contato ainda por cima de tantas camadas de roupa.
Não importava quem estava ali, os dois estavam completamente perdidos um no outro para parar...
Pelo menos até o som estridente do telefone soar mais alto que os ofegos.
— O meu ou o seu? — perguntou, desgrudando os lábios dos de Harry e sentindo-o se desviar para seu pescoço, dando pouca importância ao chamado de quem quer que fosse.
— Não sei. — ele murmurou.
— Nós devíamos atender... — ela sugeriu, com os olhos fechados enquanto desfrutava de pequenas mordidas que estavam sendo distribuídas em sua pele.
Harry deu outro murmuro em concordância, mas os dois ignoraram até o telefone parar de tocar...
E começar a tocar novamente.
— Foda-se. — xingou se desviando um pouco de Harry, que soltou um muxoxo e voltou a se deitar, observando a mulher se esticar até a pequena mesinha ao lado da cama. estava pronta para pegar o celular e silenciar, mas parou o seu trajeto quando viu que era o celular de Harry tocando, e que o nome 'Mãe' brilhava na tela. — É a sua mãe.
— Merda. — o cantor praguejou, aceitando a ligação. — Oi, mãe.
prendeu o sorriso e balbuciou que iria ao banheiro, querendo dar privacidade ao rapaz, que assentiu e continuou a conversa. A fotografa poderia muito bem ir ao banheiro que havia no quarto, mas tinha certeza que era muito perto e ela acabaria por ouvir a conversa de todos os jeitos, então saiu do quarto, se encaminhando para o banheiro que havia ali no corredor, logo ao lado da divisão comunitária.
Nem queria ao menos ir ao banheiro, mas em todos os tempos que estivera perto de Harry, a sua mãe o ligava quase todos os dias. Era algo íntimo e ela não queria arruinar sendo uma completa inconveniente.
vislumbrou e mais algumas pessoas da equipe sentados nas cadeiras do avião. O lugar não era tão grande quanto parecia; era dividido em duas áreas, a comunitária, que era basicamente um avião normal, com poltronas, uma parte para preparar e servir alguns aperitivos, e o banheiro. A privativa era apenas uma suíte para que Harry pudesse ter um pouco mais de privacidade.
A que chegara ali há dois esses atrás, acharia aquilo um ultraje. Chamaria o cantor de soberbo e qualquer outro nome ofensivo que aparecesse em sua mente, mas a que estava encarando o espelho do banheiro agora, sabia que não era nada disso. Afinal, o cantor não ficava no quarto, preferia se juntar com o resto do pessoal e jogar conversa fora. O quarto ficava disponível para qualquer um que quisesse dormir um pouco ou descansar, palavras do próprio Harry.
molhou a nuca e se encostou na parede para esperar alguns minutos antes de voltar ao quarto.
Os planos foram interrompidos quando os olhos da francesa observaram o cantor entrar no espaço pequeno do banheiro e agarrar a cintura da fotógrafa, trancando a porta, e colocando o corpo de sentado em cima da pequena pia que estava ali.
— O que você está fazendo? — suspirou, sentindo os lábios de Styles atacando seu pescoço.
— Eu quero você, baby. — Styles murmurou, se posicionando entre as pernas da mulher, que gemeu com o contato.
— Por favor, Harry... — a francesa pediu e o sotaque carregado só fez com que o membro latejasse ainda mais.
— O que, ? Me diz o que você quer que eu faça. — Harry pediu, encarando o rosto da fotógrafa, que agora estava levemente ruborizado.
Para já estava claro desde quando se beijaram pela primeira vez, e a conversa de algumas noites atrás simplificou ainda mais as coisas para ela; ela queria Harry. De todos os jeitos e todas as maneiras que fosse possível uma mulher querer um homem.
— Eu quero você. — sussurrou, se inclinando para deixar uma mordida na mandíbula do rapaz, ambos sabendo que uma marca vermelha surgiria ali após alguns minutos. — Quero que você me foda.
Harry gemeu, se apressando em retirar a blusa da mulher.
— É assim que vai funcionar; eu vou comer você, rápido porque nós dois estamos com pressa, e por mais que eu adore os seus gemidos, preciso que você fique quieta porque não estamos sozinhos. Entendeu? — ele perguntou, e ela balançou a cabeça em sinal de concordância. — Se nós vamos fazer isso, preciso ouvir o seu consentimento, baby.
precisou morder a boca para conter um grunhido de apreciação por conta do tom mandão, mas o dedão do rapaz desprendeu o seu lábio, querendo ouvir o que a francesa iria dizer.
Algumas pessoas poderiam até achar essa parte de consentimento verbal um pouco forçada e até mesmo algo que arruinasse o momento, mas esse claramente não era o caso dos dois.
podia sentir sua intimidade latejando, e não apenas pelos amassos que os dois haviam dado no quarto mais cedo, mas também por Harry fazer questão que ela falasse o que queria, querendo deixá-la confortável e não forçar nada que ela também não quisesse.
Consentimento verbal definitivamente a deixava com tesão. E para Harry o sentimento era o mesmo.
— Faça o seu melhor, Styles. — provocou, fazendo Harry sorrir de forma pretensiosa.
Após isso, não desperdiçaram mais nenhum tempo.
Harry atacou os seios da francesa, que estavam livres de sutiã, algo que ele havia percebido algumas horas antes, assim que ela entrara no quarto. fazia como Harry havia dito; tentava a todo custo segurar os gemidos. O rapaz já estava livre da camiseta, de forma que a única peça no caminho era a bermuda e a cueca, que tomaram o mesmo rumo da camiseta dela, todas as peças perdidas pelo chão da estreita cabine do avião.
A mão da mulher se fechou em torno do membro de Harry, que suspirou alto, jogando a cabeça para trás enquanto aproveitava o contato com a mão macia de .
— Achei que não era para fazer barulho. — a mulher sussurrou, passando a língua por um dos mamilos do cantor, que mordeu o interior da bochecha para conter um sorriso.
Aquela era uma provocação clara, um chamado para um jogo que só tornava as coisas ainda mais interessantes; o primeiro a fazer barulho perdia. Nenhum dos dois sabia o que aquela aposta seria, e qual o premio ou consequência, mas a provocação se tornava mais perigosa e mais excitante.
soube que Harry havia aceitado a brincadeira quando os dedos ágeis do rapaz foram em direção aos botões do short jeans apertado que ela estava usando, se livrando da peça em apenas alguns segundos.
A única coisa no caminho era a renda fina da calcinha preta que a francesa estava usando, e quando ela fez a menção de retirar o pequeno pedaço de pano, a voz de Styles a parou;
— Tem certeza? Não quero que você se sinta pressionada para fazer alguma coisa que não queira. — ele perguntou novamente, se certificando de que ela não se arrependesse quando os dois terminassem.
apenas sorriu e pegou uma das mãos do rapaz, levando em direção a sua intimidade. Harry praguejou baixinho ao sentir a umidade em seus dedos; tão quente, pulsando por ele.
— Isso responde sua pergunta? Caso ainda tenha duvida, eu tenho um vocabulário extenso de algumas línguas as quais eu sei dizer sim. — a mulher brincou, rindo um pouco.
— As coisas que eu faria com essa sua boca suja... — Harry falou, gemendo. — Mas depois. Vamos cuidar desse problema aqui primeiro, está fazendo uma bagunça nos meus dedos. Fique com a calcinha, eu gostei dela.
apenas assentiu, e dessa vez Harry não questionou.
Estavam cansados de conversar; o tesão falando mais alto do que tudo naquele momento.
Harry alcançou uma gaveta na parte debaixo da pia, pegando um pacotinho prateado e abrindo-o com os dentes. Se não estivesse tão molhada, aquela cena a deixaria pingando. Aquele homem conseguia ser sexy até mesmo abrindo a porra de um preservativo.
Styles se desviou da pequena renda e se posicionou na entrada da mulher, não sem antes passar seu pau por toda a extremidade da buceta de , fazendo com que arrepios percorressem ambos os corpos.
A mulher retirou uma de suas mãos da nuca do rapaz, e se desviou em direção a bunda de Harry, a qual ela deixou um leve beliscão antes de trazer para perto de si, fazendo com que o pau de Harry entrasse em um movimento fluido. Os dois mordendo o lábio com força, ambos lutando contra a vontade de gemer o mais alto que seus pulmões permitissem, sem querer dar o braço a torcer.
Harry se manteve parado durante alguns segundos, para que pudesse se acostumar com o membro dentro de si. Styles se colocou totalmente para fora, apenas para se enterrar dentro de de novo;
jogou sua cabeça para trás, apoiando-a no espelho atrás de si, o cabelo caindo pelos seus ombros enquanto seu corpo balançava no mesmo ritmo que Harry se arremetia contra ela. O seios agora esmagados contra o peitoral do cantor, que estava com o cenho franzido e os olhos fechados, tentando se adaptar a intimidade da mulher, que o comprimia.
— Caralho, , — Harry grunhiu, — você é tão apertada, Jesus.
sorriu, encarando Harry antes de segurar a mandíbula do rapaz e trazer a boca rosada em direção a sua, em um beijo desesperado e agressivo, que se seguiu por alguns longos segundos até a francesa sentir a mão do rapaz entrar em contato com seu clitóris, massageando a pequena bola de nervos.
suspirou em protesto ao sentir a sensibilidade em sua buceta, intensificando as sensações. Os quadris de Harry rolaram, atingindo um ponto em especial dentro da garota, que fez com que ela gemesse alto.
— Eu disse para ficar quieta, baby, — Harry alertou, uma de suas mãos tapando a boca da mulher, e cerrando os dentes para não ceder aos gemidos. — nós dois sabíamos que você iria perder essa.
revirou os olhos, sorrindo levemente e contraindo sua intimidade ao redor do pau de Harry, fazendo-o gemer também. A mão de Harry não deixava que ela falasse nada, então ela apenas sorriu e levantou uma de suas sobrancelhas, como se estivesse provando um ponto.
— Você gosta disso, não é? Esta pulsando ao meu redor, doida para gozar. A ideia de alguém ouvindo você te agrada, não é? — Harry perguntou, tirando sua outra mão do clitóris da mulher apenas para segurar em uma de suas pernas, colocando por cima de seu braço. — Se é assim que você gosta, eu dou a você.
Styles continuou arremessando seus quadris em direção a , dessa vez mais forte do que as outras e a mulher sabia que estaria dolorida assim que acabasse, mas isso não impedia a diversão. Ela gostava assim, firme e forte, assim como ele, e aquilo estava saindo melhor do que ambos haviam imaginado.
Agora, os gemidos já saiam mais descontrolados e livres da boca de ambos. Os de ainda abafados por conta da mão de Harry. E o cantor, por mais que tentasse conter os gemidos e suspiros, ainda soltava vários palavrões.
A cabeça de Harry se encostou no ombro de , libertando a boca da mulher enquanto deixava mordidas leves e alguns chupões pelo colo dela, assim como fora feito com ele anteriormente.
A mão do rapaz voltou a se pressionar no clitóris da mulher, que tentou conter um grito estrangulado enquanto os dedos de Harry circulavam firmemente sobre ela, de forma sincronizada com as estocadas.
— Harry- Ah! — tentou falar, sendo interrompida por um gemido. — Eu vou gozar.
— E você vai gozar como uma boa garota, quietinha, ou você prefere que eu faça você ficar quieta? — Harry perguntou, sorrindo ao ver tirar a mão de sua perna e posicionar na boca dela. — Goza para mim, baby. Me deixa sentir você gozando ao meu redor e me apertando ainda mais.
E obedeceu, vindo fortemente ao redor de Harry, apertando-o e tragando-o para o seu próprio orgasmo. mal pode ouvir Harry gemendo o nome dela, perdida demais em seu próprio clímax para notar qualquer outra coisa acontecendo ao seu redor. Os movimentos e as respirações de ambos abrandaram após alguns minutos. Harry saiu devagar de dentro de , os dois sensíveis demais.
— Você está bem? — o cantor perguntou devagar, a voz soando mais rouca que o normal e as pupilas ainda dilatadas.
— Estou ótima, — assentiu, sorrindo de lado. — Só um pouco trêmula.
tentou levantar da bancada mas foi parada por Harry;
— Me deixa te ajudar a se limpar. Vou ser gentil.
Por mais que quisesse protestar, ela apenas assentiu, sabendo que estava dolorida demais para fazer movimentos bruscos. Harry, assim como prometeu, fora gentil, vestindo a blusa na mulher, e limpando-a com uma toalha que encontrou embaixo da pia.
— Ninguém nunca fez isso antes. — tentou brincar, mas recebeu um olhar serio do cantor. Os dois sabiam que ela estava falando de Dylan, mas preferiram não falar o nome.
— Então você deveria repensar com quem está indo para cama. Isso é o mínimo, . — ele tentou, procurando palavras para não soar rude e abotoando o short da mulher, que agora estava toda vestida.
assentiu e alegou que precisava fazer xixi, então Harry saiu do banheiro, dando um beijo casto nos lábios da mulher antes de se retirar da cabine, voltando para seu quarto e avisando a que estaria esperando por ela caso ela ainda quisesse terminar o tal filme ou tomar um banho.
A francesa ainda ficou um bom tempo se olhando no espelho e sorrindo como uma boba, antes de seguir o caminho de Harry para fora da cabana, mas sem se dirigir ao quarto.
estava sentada em uma das poltronas, agora sozinha com um livro na mão, e logo tomou o lugar no assento ao seu lado, suspirando alto e fechando os olhos.
— Você transou? — abordou em um sussurro gritado ao olhar para a amiga, que riu.
— E o que te disse isso? Meu cabelo bagunçado de nove horas de voo? — perguntou cinicamente.
— Não, você está com uma cara de quem foi muito bem comida, coisa que não acontece há um bom tempo. — a amiga continuou, voltando os olhos para o livro.
— Va te faire foutre, . — xingou, rindo de leve.
É... Viajar de avião nunca foi tão bom.




Continua...



Nota da autora: Oi, safadinhas, como estão? Obrigada por esperarem, por comentarem e, principalmente, por não desistirem da fic!
Na vida real é o Robin (padrasto do H) que teve problemas com a saúde e veio a falecer em 2017. Graças a Deus, pelo que sabemos, o pai do Harry está completamente bem. Não me senti confortável usando o Robin porque não quero parecer desrespeitosa, então como isso aqui é uma fanfic, recorri a nossa arma mais usada; a ficção. Também não irei entrar em detalhes do tipo de câncer, com exceção ao da irmã da Soph, porque não quero falar bosta. E FINALMENTE ESSE HOT ACONTECEU, CARALHO!! Deus é bom e o diabo não presta! Não sei se tá muito bom porque como já disse antes, esse é o primeiro sexo que escrevo em um tempo, então me desculpem qualquer coisa e lembrem-se sempre de fazer xixi depois de gozar/dar. Amo vocês e até a próxima, que vou tentar não demorar tanto. <3
Ps.: Fiz um grupo no facebook para vocês ficarem por dentro das atualizações e também receberem alguns spoilers dos próximos capítulos, estarei esperando vocês!
TPWK, Ílary.
Xx.



Sobre os comentários: O Disqus (plataforma de comentários do site) está instável, mas mesmo assim quero pedir para que vocês tirem uns dois minutinhos para comentar. Me deixa muito feliz e inspirada, e é assim que eu sei se vocês estão gostando, é MUITO importante! É bem fácil, só precisa clicar AQUI.



Outras Fanfics:
M.O.N.E.Y (em andamento - Harry Styles)
Teenage Dirtbag (ONE SHOT)

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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