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Última atualização: 10/12/2021

Prólogo

Palavras não eram o suficiente para descrever o quanto estava maravilhada com a vista à sua frente. Sequer conseguia tirar os olhos do metal longo e brilhoso que se formava após o contato de seu sangue com a chama ardente do fogo primordial.
Não sentia o ardor causado pelo corte profundo – feito para que o sangue fluísse por seu pulso recém-aberto –, tampouco sentia a ardência que o fogo deveria causar por estar chamuscando sua pele.
Seus olhos verdes, sempre tão claros, estavam escuros como musgo e marejados devido à magnitude da arma, que terminava de possuir uma forma. Levaria a espada, sua espada, para o vilarejo. A mostraria para todos os reles mortais miseráveis que tinham duvidado dela. Morgana não errava. Nunca!
Deixou com que a espada caísse no chão ao ser finalizada. Precisava fazer uma poção para curar o corte em seu braço imediatamente, ou não possuiria força o suficiente para empunhar a espada contra os bárbaros, que tentavam dominar seu território.
Aquele era o seu lar, a sua terra, e não deixaria que ninguém tirasse dela.
Segure-me…
Morgana arregalou os olhos ao ouvir o tom de voz rouco e fraco soar tão próximo a si, que parecia estar dentro de sua mente. Analisou todos os cantos do pequeno cômodo, porém a única pessoa ali era ela.
Sentiu o pulso arder pela primeira vez, encarando rapidamente a linha aberta nele, que ensopava sua pele com o vermelho vivo. As pernas fraquejaram, acabando por jogar o corpo feminino para a frente, fazendo com o que Morgana tropeçasse em seus próprios pés na busca pelo controle de seu corpo.
A vista embaçou, deixando um claro sinal de que logo perderia a consciência.
Cura…
A voz rouca soou mais alta em sua mente, e, mesmo com a visão escurecendo, Morgana poderia jurar que a espada à sua frente parecia brilhar em um tom amarelo tão dourado quanto o ouro que a monarquia possuía. Porém, aquilo era um sinal: a espada estava falando com ela.
Arrastou-se até a espada com dificuldade, já que todo o seu corpo parecia pesar toneladas. Não conteve o gemido de dor ao esticar o braço machucado para pegá-la, entretanto sabia que precisava segurar a arma com a mão suja de sangue.
Acreditava ser apenas um delírio de sua mente fraca devido à perda de sangue. No entanto, a verdade era que uma voz sussurrava no fundo de sua mente o que ela deveria fazer.


Capítulo Um

...
, me encontre...

A princesa saltou da cama em um pulo.
Seu coração batia de modo acelerado, tornando impossível a missão de escutar qualquer outro som que não fosse o eco de seus batimentos cardíacos. Se o pai presenciasse a sua postura, ela escutaria por um longo tempo sobre a necessidade de mais aulas sobre defesa pessoal.
Não poderia negar que estava um caos, que todas as técnicas de combate lhe tinham sumido da cabeça, e, em sua situação atual, aquilo poderia ser fatal.
Estava suando frio, as pernas tremiam levemente e as mãos trêmulas estavam em posição de defesa, postas à frente de seu corpo. Seus olhos, em fendas, encaravam todo o aposento com atenção, em busca do intruso que a tinha acordado.
Tinha alguém em seu quarto.
Acordou com seu nome sendo pronunciado e ecoando por todo o aposento. Alguém estava ali e desejava falar com ela, ou, pior ainda, ansiava por matá-la. O tremor em seu corpo intensificou-se, e podia jurar que até mesmo o invasor – onde quer que estivesse naquele quarto – conseguia ouvir seus batimentos descompassados.
A brisa fria do dia que começava a nascer adentrou pelo quarto, arrastando a cortina para frente, de modo que o tecido desenhasse perfeitamente a forma corporal magra parada próxima à enorme janela de sua sacada. A jovem princesa prendeu a respiração no momento em que seus olhos se arregalaram, permanecendo parada no mesmo local – sem conseguir mexer sequer um músculo – e com o olhar fixo na intrusa.
Ouviu batidas ecoando na madeira da porta de seu quarto e seu nome foi chamado suavemente, atraindo a atenção de para a entrada de seus aposentos. A criada entrou, dando alguns passos na direção de , mas parando logo em seguida ao notar que, além da princesa já estar de pé, uma feição assustada estampava sua face.
— Vossa Alteza, algo lhe importuna? — Eydis tornou a aproximar-se da princesa, tocando suavemente em sua face, na forma de descobrir se a mais jovem se encontrava em estado febril e delirante.
abandonou o olhar terno que lhe era dirigido, retornando para a sacada e encontrando nada além das cortinas, dessa vez sem que nada estivesse atrás.
— Um sonho tormentoso. — contentou-se em murmurar, disposta a não falar sobre o incidente de mais cedo.
Afinal de contas, não sabia se realmente alguém tinha estado em seu quarto. Não seria a primeira vez que sua mente traiçoeira a enganaria, então para que não comprometesse ainda mais sua lucidez, manteria aquilo guardado para si.
— Precisas tornar a beber os chás, Vossa Alteza, sabes que eles lhe ajudam. — Eydis retrucou, sabendo que a mais nova apenas ignoraria novamente. — Agora devemos arrumá-la, o rei não tolerará atrasos.
buscou no fundo de sua mente para o que não devia se atrasar, entretanto não conseguia se lembrar o que era.
— Atrasos para... — deixou que a frase morresse no ar, sabendo que seria respondida por Eydis.
— A chegada do novo cavaleiro, Pendragon. Vossa Majestade encontra-se buliçoso o mês inteiro aguardando este dia. — Eydis não conteve o tom de voz alegre, afinal, não possuía uma só vida dentro daquele castelo – com exceção de – que não estivesse ansioso para conhecer o último remanescente da linhagem Pendragon.
A princesa franziu o cenho, questionando-se internamente se seus pensamentos estavam corretos.
— Pendragon? — murmurou, cólera. — Como o antigo Rei Uther Pendragon, que quase acabou com nosso reino?
Eydis deixou que a expressão assustada refletisse em sua face. Sua pele encontrava-se tão branca que poderia jurar que a criada tinha visto um fantasma. A mais velha engoliu em seco – arrependendo-se da escolha de suas palavras –, mas se até os serviçais do castelo sabiam sobre a linhagem do mais novo cavaleiro que se juntaria ao reino, como ela adivinharia que a própria princesa não saberia?! — Perdão, Vossa Alteza, julguei que Vossa Excelência havia lhe informado. — desculpou-se rapidamente. — Já perdemos longos minutos cruciais de sua preparação, devemos tentar recuperá-los.

Urd não compreendia o motivo de tanta comoção vinda do Rei Lewis – principalmente tratando-se apenas de um mero cavaleiro, que, ainda por cima, era o último da linhagem Pendragon –, mas não podia negar que adorava as vestimentas que era obrigada a usar sempre que possuía algum evento importante no castelo.
Uma singela e fina coroa de ouro repousava em seus cabelos, o par de cordões de ouro – que ganhou do pai ao completar seus dezesseis anos – enfeitava o início do vestido branco com fios dourados de decote reto, que tampava inteiramente seu colo. As mangas coladas da roupa seguiam assim até seus cotovelos, nos quais alargavam-se e entendiam-se para baixo, deixando que um tecido mais fino seguisse colado até o pulso da princesa. O corte reto do vestido seguia até seus pés, e o único outro elemento era o cinturão de ouro, que pendia largo em seus quadris.
Era um pouco mais exagerado do que costumava usar em seu dia a dia – e um pouco mais desconfortante também –, mas a princesa não conseguia negar que, de fato, gostava da vida dentro das paredes do castelo.
E o sorriso aberto em seus lábios naturalmente rosados comprovaram isto.
— Bom dia, minha querida. Estás magnífica. — o rei sorriu abertamente, caminhando em sua direção.
— Bom dia, pai. — retribuiu o sorriso, mesmo sabendo que seu pai não o enxergaria, já que o mesmo depositava um beijo em sua testa. — Não possuo intenção de ser inoportuna, mas acredito ser necessário questioná-lo sobre nosso desjejum.
O rei riu baixo, tornando a ocupar o lugar anterior próximo à sua unigênita.
— Ocorrerá normalmente, por volta do horário usual. Apenas desejei sua presença mais cedo no dia de hoje para que possamos receber . — contentou-se em concordar positivamente com a cabeça.
Não questionaria seu pai sobre o verdadeiro motivo para que o antigo herdeiro do trono estivesse ali, tampouco o motivo para que o recebessem com deveras comoção. Seu pai era o rei, e se ele fiava-se de que estava tomando as melhores decisões para o reino, apenas creria plenamente nele.
Em um passado não tão distante, apenas alguns anos atrás, seu pai construíra o reino quase que inteiramente após a sequência de desastres ocorridos em um espaço de tempo tão pequeno.
— Vamos, querida? — meneou a cabeça em direção a grande porta do salão. — Nosso convidado chegará a qualquer átimo, não devemos deixá-lo esperando por nós.
— Claro. — respondeu simplesmente, por mais que a pergunta do pai fosse retórica.
Os costumes que aprendera ao longo dos anos a impediam de não responder. Uma boa princesa sempre deveria responder quando estavam dirigindo-se a ela.
Seguiu os passos de seu pai, andando atrás dele – seguindo a distância correta e necessária. Agradeceu com um aceno de cabeça ao passar pelos guardas em seus postos, que abriram as enormes portas do salão, fazendo com o que piscasse algumas vezes devido ao contato com a claridade da área externa.
Deram mais alguns poucos passos, parando de costas para a porta já fechada e de frente para a singela escadaria, que ligava o caminho de pedras até a enorme portão de ferro interligado à ponte levadiça.
Galopando por esse caminho de pedras que o levaria até o castelo, um cavalo branco – tão claro quanto as nuvens no céu em uma manhã de verão – já podia ser avistado, mas a distância ainda atrapalhava a conseguir enxergar com perfeição o homem que conduzia o corcel.
sentia o desassossego presente em si transparecer em seu cavalo, que galopava em trotes rápidos e fora do qual ele tentava manter o ritmo. Suas mãos seguravam as rédeas com tamanha força que pressupôs que, ao largá-las, o alto revelo ficaria marcado em suas mãos.
Possuía motivos para se encontrar em tamanho desassossego, possuía mais motivos do que desejava.
Nunca fizera devidamente parte da família Pendragon e de toda a nobreza. Era, sim, filho de Uther Pendragon, mas era apenas consequência do relacionamento do antigo rei com uma criada do castelo. Era o filho bastardo do rei, o erro do grande impiedoso Rei Uther, e o primeiro na linha de sucessão, para imenso desgosto da Rainha Devin, esposa de seu pai.
Cresceu no castelo entre uma dualidade que uma criança nunca deveria passar. Possuía sangue real o suficiente para que não fosse apto a aproveitar o final do dia com as crianças do vilarejo, já que devia permanecer dentro das paredes do antigo castelo, mas possuía pouco sangue real para que se comportasse apenas como herdeiro, precisando trabalhar no castelo junto aos outros serviçais.
Não reclamava do trabalho braçal, até mesmo o preferia em vez da monotonia da vida nobre, mas, infelizmente, não cabia a ele escolher. Sabia que não herdaria o trono, a rainha nunca deixaria que isto acontecesse, porém treinava desde sua juventude para que se tornasse o melhor cavaleiro de todo o reino.
Alcançou o que desejava, contudo, ao mesmo tempo, assistiu de perto a queda de seu pai e o fim — quase que completo — da linhagem dos Pendragon, deixando-o desamparado.
Até que recebeu a proposta do Rei Lewis, e agora encontrava-se ali, a poucos metros de distância do homem que mudaria seu futuro.
Possuía novamente a chance de se tornar o melhor cavaleiro, como sempre desejou, e agora ao menos estaria lutando em uma causa justa e decente.
Desmontou do cavalo ao parar próximo à escada à sua frente, entregando as rédeas do cavalo ao serviçal parado próximo a si. Agradeceu-o pouco antes de se pôr a andar na direção da realeza.
Limpou o suor de suas mãos na calça de lavagem escura que usava, aproveitando para arrumar a blusa clara de linho, levemente bagunçada pela estabilidade do cavalo, que cavalgara segundos atrás.
Subiu a pequena escada que o separava do rei e de sua herdeira, parando de frente para o Rei Lewis.
— Vossa Majestade, Vossa Alteza. — cumprimentou-os cordialmente ao fazer a reverência.
Rei Lewis acenou com a cabeça, parando a mão aberta em frente ao seu corpo, com a palma virada na direção do mais novo.
— Não será preciso toda essa formalidade. — o rei falou, deixando os dois jovens confusos. — Sei que passou sua vida inteira acostumado a chamar Uther de rei e que, após todos os acontecimentos dos últimos anos, pode ser que ainda não tenhas se habituado com esta mudança. — explicou, sem esperar que o jovem o questionasse – o que provavelmente não faria – o motivo. — Fico feliz que tenhas aceitado meu convite para que se juntasse ao meu exército. Sei que treinasse a vida inteira para isto.
— Podes crer que me habituei com a nova monarquia, mas se preferes que eu não use a formalidade, assim farei. — recebeu um aceno de cabeça positivo do rei. — Eu quem agradeço pela chance que estás me dando ao deixar com o que eu retorne para a guarda-real.
Cruzaram um olhar sério, falando entre si mais do que suas palavras poderiam dizer. Aquilo causou um estranhamento em , que observava tudo em silêncio.
, fio-me de que ouviras falar de , minha unigênita. — o tom de voz orgulhoso estava presente em sua voz.
aproximou-se ao ser apresentada, parando próxima a seu pai e fazendo uma mera reverência ao segurar os lados do vestido, abrindo-os suavemente ao dobrar as pernas. era o verdadeiro herdeiro do trono. A realeza dos Pendragon corria por aquelas terras há mais tempo do que a linhagem dos Urd, mas a queda de Uther levou consigo toda a glória da família.
A resistência estava presente. Os fiéis seguidores de Uther teimavam em tentar reviver a linhagem nobre, não aceitavam a unificação de duas potências para que um rei que não os representava tomasse o lugar do antigo.
— É um prazer conhecê-la, Vossa Alteza. — buscou a mão livre da jovem ao terminar a reverência, depositando um beijo casto pouco acima dos nós de seus dedos.
Empenhou-se em não perder longos minutos admirando a jovem herdeira da coroa, mas era impraticável que não usasse seu mero tempo agraciado com a beleza de Hasnha. Os comentários sobre a jovem princesa voavam por toda a Nova União. Qualquer um que vivesse no reinado dos Urd – e acreditava que até em algumas potências vizinhas – conheciam a comoção em volta da beleza de Urd.
Mas nem todos os elogios que ouviu sobre a beleza da jovem o prepararam para a beldade à sua frente. Ela era linda de um modo que provavelmente nem conseguiria ser descrito em palavras.
Os cabelos de cor avelã alcançavam até a altura de seu busto – não possuindo uma forma definida, transitando entre o liso e o encaracolado –, e emolduravam seu marcante, destacando a pele branca – quase tão clara quanto o corcel que eu cavalgava – e os olhos tão verdes como as folhas em plena primavera.
Conseguia visualizar com perfeição a forte princesa que já ouvira relatos sobre, mas também observava o brilho inocente nos olhos de quem não sabia o que o mundo preparava para si.
— Encantada. — contentou-se em responder, sentindo o formigar em sua pele ao não ter mais o contato dos lábios de .
De fato, encontrava-se encantada. Estava no auge de sua juventude e não poderia negar a beleza do homem à sua frente.
O cabelo castanho – com singelos reflexos mel devido ao contato com o sol – não era aparado como os dos outros cavaleiros do castelo, possuindo leves ondulações que quase formavam cachos nas pontas dos fios. Os olhos azuis – claros e cintilantes como o azul do céu no decorrer da aurora – eram profundos e analíticos, encarando-a com uma certa curiosidade e um brilho desconhecido no olhar. O bigode e a barba ralos, alguns tons mais claros que a cor de seus cabelos, eram um charme que, até então, acreditava não ser a favor.
Mas não podia negar que, em , formavam um ótimo conjunto.
— Deves estar com fome, considero demasiadamente longa a viagem que realizaste. Para que chegasse aqui pouco após a aurora, matinou nas estradas. — o rei dialogou sozinho. — Mostrá-lo-ei o castelo eu mesmo, mas, primeiramente, carecemos de ingerir o desjejum.


Continua...



Nota da autora: Sem nota.



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