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Última atualização: 11/04/2021

Prólogo

"Homeostasia é usado, pelos fisiologistas, para definir a manutenção de condições quase constantes no meio interno. [...] São os meios pelos as diferentes partes do corpo operam em harmonia. É o estado de equilíbrio entre as reações corporais”.


Agosto - 1991


Era manhã de uma sexta feira, quando Cedrico acordou sentindo o peso da irmã mais nova sobre si, abriu um olho tentando acostumar-se com a claridade, mas foi interrompido ao assustar-se com os gritos da garota.
— Minha carta, Ced! Eu vou pra Hogwarts! — Cedrico sentou e cobriu os olhos com as mãos, bufando irritado, mas logo bagunçou os cabelos da irmã e sorriu, fazia algumas semanas que a garota acordava antes de todos para ver se a carta dela havia chegado.
— Você grita mais que uma mandrágora, sabia?
— Ei! Eu vim te contar essa novidade incrível e você ainda me ofende? — a mais nova o olhou indignada arrancando-lhe risos. Sempre dramática. — É sério, Ced, você foi o primeiro que eu contei.
— Não é como se a mamãe e o papai não tivessem ouvido seus berros, . Estou feliz por você, finalmente não vai morrer de saudades de mim durante o ano todo.
— Não sei do que está falando… — fingiu não se lembrar do primeiro ano do irmão em Hogwarts, quando ela chorou dizendo que ele iria se esquecer dela e quis se esconder em um de seus malões.
Os irmãos Cedrico e Diggory eram melhores amigos desde sempre, nunca foram do tipo de irmãos que encrencam e brigam com o outro o tempo inteiro, até porque, Cedrico conhecia o jeito desaforado da irmã, e desarmava ela com seu carinho e gentileza. Mesmo com o irmão longe, mandava cartas e mais cartas, não tinha um dia que ela não falasse para os pais o quanto esperava que as férias ou o natal chegassem, para ver logo o irmão e ouvir tudo o que ele havia aprendido e todas as aventuras dele pelo castelo. E a recíproca era verdadeira, não havia ninguém entre os colegas de Cedrico que não conhecesse , visto que o garoto também falava muito dela.
— Que gritos são esses, o que houve? — Taís Diggory escorou na porta, ainda de camisola, com a mão no peito e ligeiramente assustada. Amos apareceu logo atrás, coçando os olhos. Logo a mulher sentiu pequenos braços rodeando sua cintura e em seguida, pegou o papel que a pequena chacoalhava.
— Prezada Srta. Diggory. Temos o prazer de informar que vossa senhoria tem uma vaga na escola de magia e bruxaria de Hogwarts…
— MINHA GAROTINHA VAI PARA HOGWARTS! — Taís não precisou terminar de ler para que Amos rodopiasse a menina no ar. — Tenho certeza que irá para a Lufa-lufa…
— Papai, eu não acho que… — começou a garota ao ser colocada no chão, mas foi interrompida por um "shh" do pai.
— Nunca subestime o chapéu seletor, querido. Não crie expectativas para não se aborrecer e aborrecê-la também. — Taís disse para o marido antes de abraçar a menina – Parabéns, filha! Estou muito feliz e orgulhosa de você!
— Bobagem… Todos nós fomos, porque ela não iria?
— Eu não consigo imaginar em qual casa cairá… Mas as possibilidades são bem amplas, pai. — Cedrico deu de ombros enquanto sorria. É claro que Amos não iria escutá-los, e criaria todas as expectativas possíveis.

Um - Hogwarts

Setembro - 1991


Os preparativos para o início do ano letivo passaram e logo os Diggory estavam na plataforma 9¾, levando, dessa vez, os dois filhos para embarcar no Expresso de Hogwarts. , metódica e falante que era, repassava pela terceira vez um checklist de seus pertences e materiais com a mãe, que já sentia no peito o aperto de saudade da filha.
— Por mais impossível que pareça por essa sua neurose, se você esquecer algo a mamãe manda pela Bilks, ! — Cedrico disse rindo da mais nova.
— Não acho que esqueci nada. — a garota deu de ombros e ouviu o apito do trem, arregalando os olhos de susto.
— Boa sorte, meu amor, sei que você vai se dar bem em Hogwarts, já estou muito orgulhosa! — Taís disse abraçando a filha e dando um beijo demorado no topo de sua cabeça. – E, por Merlin, não se meta em problemas!
— Tenha um bom ano, . — Amos disse somente, dando um beijo na testa da menina, que sorriu fraco e assentiu.
— Cedrico, cuide da sua irmã! — Taís pediu enquanto o ele riu concordando.
— Ei, eu sei me cuidar, ok? — fez uma careta arrancando risos dos outros três.
— Esse ano o quadribol é seu! — Amos apontou para o filho, que concordou e o abraçou empolgado. Logo o apito soou novamente, apressando os mais novos para entrarem no trem.
— Ei, Diggory! — um garoto magricela de cabelos castanhos claros, beirando um tom loiro e olhos escuros, gritou a algumas cabines de distância dos irmãos, chamando-os com a mão.
se sentia desconfortável, por não conhecer ninguém além de Cedrico, e em partes intrusa, por não conhecer os amigos do irmão, recordava pouco das coisas que o irmão a contava. Sem pensar em outra escolha cabível, a garota decidiu seguir o irmão.
Na cabine estava o castanho/loiro que havia gritado por Cedrico, um garoto de pele escura com cabelos escuros e curtos (e um sorriso bem bonito, diga-se de passagem) e dois garotos ruivos idênticos, que pareciam familiares para a garota.
— Finalmente vamos conhecer pessoalmente a famosa ! — o garoto de cabelos claros estendeu a mão para ela. — Sou Brian Cadwallader, esses são Jadrien Summers, Fred e Jorge Weasley.
— Eu sou o Fred e ele é o Jorge — o garoto, agora apresentado como Fred, explicou antes que questionasse quem era quem, apontando respectivamente para si e para o irmão, sentado em sua frente. — Tá tudo bem, até nossa mãe confunde.
— Weasleys, vocês são quase nossos vizinhos! — verbalizou alto demais quando se lembrou de onde se conheciam, suas bochechas ruborizaram e arrancou risadas dos garotos. — Desculpem, sou , irmã desse idiota aqui, mas acho que vocês já sabem…
— Que ele é idiota ou que é irmã dele? — Jadrien perguntou recebendo um soco no braço de Cedrico, que se sentou perto dele.
— Creio que os dois.
A conversa fluiu e logo os garotos e pareciam ser amigos de anos. A senhora que vendia doces passou e todos aproveitaram para comprar algo.
— Para qual casa acha que vai ? — perguntou Jorge.
— Claro que ela irá pra Lufa-lufa. — Brian disse como se fosse óbvio. riu enquanto separava os feijões por cor, uma mania estranha que a impedia de comer sem organizar antes. Brian parecia até seu pai falando, ela engoliu a seco só de pensar.
— Eu realmente não sei… Não sendo a Sonserina tá bom pra mim. — ela deu de ombros, sabia da fama da casa, não era isso que a influenciava, ela apenas achava que as características dessa não pareciam nada com ela, sabia que se irritaria com as pessoas hostis que Cedrico dizia ter lá.
— Eu aposto que ela vai ser da Grifinória. — Fred disse de forma engraçada por estar com sapos de chocolate na boca. — É a melhor casa!
— Bagman não teria apostado. — Jadrien disse rindo junto com Brian e Cedrico.
— Grifinória melhor casa? Poupe-nos! — Cadwallader gargalhava.
— Acho que vou trocar minhas vestes… — comentou baixo com o irmão, enquanto os outros quatro ainda discutiam, ela não tinha uma casa para defender ainda. O mais velho apenas assentiu.
demorou a achar uma cabine vazia, fechou a porta e as cortinas e se trocou logo, imaginando qualquer um podia entrar ali. Ao sair, deparou-se com uma garota de cabelos castanhos cheios, que também já usava o uniforme, claramente procurando por algo.
— Oi, com licença, está procurando algo? Se quiser posso ajudá-la. — ela chamou a atenção da menina que assentiu com uma expressão simpática. — Sou , Diggory.
— Hermione Granger. — elas apertaram as mãos — Um garoto chamado Neville Longbottom perdeu seu sapo, estou ajudando a procurá-lo, pode vir comigo se quiser. Vou começar a perguntar nas cabines.
— Claro, vamos.
já havia perdido as contas de quantas cabines haviam perguntado, até que escorou no lado direito da porta de uma cabine onde estavam dois garotos, um ruivo, que reconheceu como mais um de seus vizinhos e outro com cabelos escuros, óculos remendados com fita e os olhos verdes mais verdes que já vira na vida. Hermione encostou do lado oposto.
— Sol… — Weasley ia dizendo, quando se deparou com as meninas paradas o encarando, logo encarou de volta confuso, a garota de cabelos volumosos parecia varrer a cabine com os olhos, procurando por algo.
— Alguém viu um sapo? — perguntou — Um menino chamado Neville perdeu o dele.
— Não, ele passou por aqui e já dissemos. — o ruivo respondeu franzindo o cenho.
— Você está fazendo magia? — Hermione perguntou — Essa eu quero ver!
Ele pigarreou sob olhares atentos, parecendo desconfortável e começou.
— Sol, margaridas, amarelo maduro… Muda para amarelo esse rato velho e burro. — nada aconteceu, o rato continuava apagado, dormindo completamente.
— Tem certeza de que isso é um feitiço? — perguntou segurando o riso em respeito ao garoto.
— Parece que não é muito bom, não é? — Hermione disse com um sorriso debochado no rosto, o Weasley olhou para o amigo indignado, esse outro só observava a situação, parecendo confuso. — É claro que eu tentei fazer alguns, e não tive problemas.
A garota se sentou na frente do garoto de cabelos mais escuros e curiosa sentou-se ao seu lado.
— Por exemplo… Oculus reparo! — o garoto retirou seus óculos, que pareciam bem mais ajustados e concertados, olhou chocado para o amigo. — Bem melhor não acha? Nossa você é…
— Harry Potter. — concluiu ao ver a cicatriz em forma de raio, atraindo a atenção do garoto. – Perdão a falta de discrição, eu já ouvi falar sobre você e li sobre também… Sou Diggory.
E então o garoto deu um sorriso tímido e assentiu que a estimulou a sorrir de volta abertamente, ela não dava sorrisos singelos.
— Hermione Granger — a garota se apresentou e então a garota começou a dissertar sobre a chegada de sua carta, sua então, descoberta sobre o mundo bruxo e outros detalhes, quando terminou encarou o ruivo. — E você é?
— Ron Weasley. — disse de boca cheia, Hermione olhou indiferente e murmurou um "prazer", o garoto se virou para — Eu te conheço, você mora perto d’A Toca.
— Sim, me recordo de você também.
— Vão colocar logo suas vestes, eu acho que já estamos chegando. — Hermione levantou e virou-se para Ron — Tem alguma coisa muito estranha no seu nariz, sabia? Bem aqui — apontou fazendo com que o garoto esfregasse o local indicado. — Vamos , temos que encontrar o sapo!
Ao saírem novamente para o corredor, encontrou seu irmão, que provavelmente procurava por ela.
— Vejo que fez uma amiga, achei que tinha se perdido. — Ced disse sorrindo com as mãos na cintura, claramente aliviado por tê-la encontrado, a garota havia saído a cerca de uma hora atrás. Ele já estava preocupado, e os comentários maldosos de que a menina devia ter achado um namoradinho interessante e sumido com ele feitos pelos amigos só colocaram palha na fogueira de angústia de Diggory.
— Me desculpa pela demora, acabei encontrando Mione e ficando sem muita noção de tempo. Um menino perdeu o sapo dele, estamos ajudando. — ela se dirigiu para Hermione — Esse é meu irmão, Cedrico. Cedrico essa é Hermione Granger.
— Prazer em conhecê-la, Hermione — Cedrico sorriu e Hermione pôde notar as semelhanças dele com a irmã. Os cabelos castanhos claros, os olhos acinzentados e o sorriso aberto. Céus, sorrir demais é de família? A garota abanou a cabeça, tentando afastar os pensamentos e sorriu de volta. Os irmãos Diggory tinham isso, de tentar deixar as pessoas o mais confortável possível, os sorrisos abertos eram a maneira mais comum de transparecer isso.
— Igualmente, Cedrico. , creio que rodamos todas as cabines desse lado, Neville procurou do outro, ele já deve ter encontrado. Obrigada pela ajuda.
— Por nada, nos vemos no castelo? — perguntou e a outra assentiu rindo.
— Espero que sejamos colegas de casa!
— Eu também — riu de volta, era boa a sensação de conhecer alguém legal como Mione.
— Faltam uns 30 minutos para chegarmos ao castelo. — Cedrico disse enquanto eles seguiam pelo corredor em busca da cabine onde estavam. — Vocês do primeiro ano seguem com o Hagrid de barco, os outros alunos de carruagem.
— Tudo bem.
Ao verem os irmãos entrarem na cabine os garotos gargalharam, deixando Diggory irritado, mas logo se juntando a eles. Enquanto os olhava com o cenho franzido, sem entender.
— Riam mesmo, Weasleys, ano que vem a irmã de vocês chega, e vai deixar vocês de cabelos em pé! — Cedrico disse somente. E os garotos mudaram de assunto. deu de ombros, desinteressada em entender e sentou-se podendo, enfim, comer os feijõezinhos que havia organizado.

* * *


O trem parou na estação e acenou para o irmão e os meninos, indo na direção do homem grande e barbudo que gritava.
— Alunos do primeiro ano! Primeiro ano aqui! Tudo bem, Harry? — ele sorriu assim que viu o garoto, virou a cabeça um pouco rápido demais e sentiu-se idiota por isso, logo voltando a olhar Hagrid. — Estão todos aqui? Venham comigo.
Os alunos o seguiram pelo caminho que levava a margem do lago e logo se pode ouvir os alunos empolgados vendo pela primeira vez o castelo de longe.
— Só quatro em cada barco! — Hagrid gritou e os alunos seguiam para os barquinhos. sentou-se em um e logo esse foi ocupado por duas garotas e um garoto desconhecidos. Viu Hagrid devolvendo um sapo para um garoto, que julgou ser o tal Neville, sorriu por ele ter enfim encontrado o bendito bicho.
A vista que os poucos minutos no barco lhe proporcionaram era muito mais bela do que havia imaginado quando Cedrico lhe descreveu em seu primeiro ano. Abaixaram a cabeça ao passar pela cortina de hera e logo desembarcaram.
Logo ele os conduzia até uma professora com belas vestes verdes e cabelos negros, que foi apresentada por Hagrid como professora Minerva McGonagall.
— Obrigada, Hagrid. Cuido deles a partir de agora. — eles andaram até uma sala vazia ao lado do saguão. — Bem vindos a Hogwarts. O banquete de abertura vai começar logo, mas antes de irem para suas mesas serão selecionados por casas. A seleção é uma cerimônia importante porque, enquanto estiverem aqui, sua casa será uma espécie de família em Hogwarts. Elas são Grifinória, Lufa-lufa, Corvinal e Sonserina. Cada casa tem sua história honrosa e produziu bruxos e bruxas extraordinários. Os seus acertos renderão pontos a sua casa, enquanto os erros a farão perder. No fim do ano, a casa com mais pontos recebe a Taça das casas, espero que vocês sejam motivo de orgulho para a casa à qual vier a pertencer. A Cerimônia de Seleção acontecerá dentro de alguns minutos na presença de toda a escola, sugiro que se arrumem o melhor que puderem enquanto esperam. Volto quando estivermos prontos para recebê-los, por favor, aguardem em silêncio.
percebeu que os alunos em sua volta tentavam se arrumar como podiam Rony ainda tentava limpar o nariz e Harry tentava ajeitar os cabelos. Ela riu daquilo e voltou sua atenção a suas vestes, as alisando com as mãos tranquilamente. Dentro de alguns minutos a professora Minerva voltou ao salão.
— Vamos andando, a Cerimônia vai começar. Façam fila e me sigam. — notou que Hermione estava ao seu lado e atrás estava Harry.
Ao adentrar o salão, curiosa que era , ela varreu rapidamente o local com os olhos, identificando as mesas e dando um sorriso rápido para o irmão. Olhou também para o teto, suspirando encantada.
— É enfeitiçado para parecer o céu lá fora, li isso em… — Hermione cochichou e a interrompeu, também cochichando.
— Hogwarts: uma história. — completou e as garotas riram entre si. Logo os alunos pararam em frente do banco onde a professora segurava o chapéu seletor que era velho e sujo, logo um rasgo se abriu como uma boca e ele começou a cantar.
sentiu toda a agonia que estava tentando evitar ao olhar para o chapéu. Ela sabia que as chances dela não ir para a casa do irmão e dos pais era grande, nunca achou que se parecesse com os lufanos. Mas lá no fundo, a garota ainda tinha a vontade de despertar no pai o sentimento que ele tinha por Cedrico e não se cansava de falar: orgulho. Para Amos Diggory os feitos de não eram tão exaltados e elogiados como os de seu primogênito, seu garoto. Os alunos e professores aplaudiram a música cantada pelo chapéu, o que tirou a garota de seus devaneios.
— Assim que eu ler os seus nomes no pergaminho, colocarão o chapéu e se sentarão no banquinho para a seleção — Professora Minerva disse correndo os olhos na lista que tinha em mãos. — Ana Abbott!
A garota fez o que foi orientado e depois de uma pausa curta o chapéu declarou:
— Lufa-lufa! — a menina seguiu para a mesa sendo aplaudida.
— Susana Bones!
— Lufa-lufa!
— Terêncio Boot!
— Corvinal! — a mesa à esquerda aplaudiu enquanto o garoto se juntava a eles.
— Hermione Granger! — Mione sentou-se ansiosa no banquinho e alguns minutos depois…
— Grifinória! — anunciou o chapéu, a menina saiu correndo contente para a mesa que a aplaudia.
assistiu a Cerimônia angustiada, mas estava prestando atenção em tudo, como a seleção de Longbottom, que caiu a caminho do banco e foi inclusive, ajudado por ela a se levantar em meio aos risos no salão. Outro ponto que achou inusitado na noite foi à seleção do garoto chamado Draco Malfoy, que mal teve o chapéu encostado em sua cabeça e foi selecionado para a Sonserina.
— Harry Potter.
O burburinho se instalou no salão. "Harry Potter?", "O Harry Potter?", "Aquele que sobreviveu?". O garoto se sentou e o chapéu começou a analisar.
Harry e o chapéu pareciam se comunicar, visto que os olhos dele estavam fechados e ele negava com a cabeça. — Sonserina não… — foi o que conseguiu ouvir baixinho e então ele disse mais algumas coisas ao garoto, que foram inaudíveis para quem aguardava e decretou por fim — Grifinória!
A mesa da Grifinória gritava como se fosse o final de uma copa de quadribol, viu os gêmeos comemorando dizendo que haviam ganhado o Potter. gostava do entusiasmo, então riu ao ver a festa de longe batendo palmas, o que não passou despercebido por Harry, que lhe devolveu um sorriso fraco, parecia legal e foi inevitável não pensar como seria incrível se ela fosse para a mesma casa. A curiosidade durou pouco.
Diggory.
engoliu seco e rumou até o banco, tentando enxugar as mãos suadas nas vestes e logo em seguida sentando-se. Sentiu o chapéu ser colocado em sua cabeça e respirou fundo fechando os olhos.
Uma Diggory diferente… — murmurou o chapéu permanecendo alguns minutos em silêncio. Seis minutos e meio, precisamente falando. Os alunos já comentavam o fato da garota ser uma Empata Chapéu — Certamente tem qualidades que nenhum outro bruxo da sua família tem... Uma mente extraordinária e tem talento, ah se tem. Grifinória seria uma boa opção, mas sua sabedoria, criatividade e ousadia te levarão a grandeza na Corvinal!
A mesa aplaudiu e , ainda meio anestesiada, sorriu fraco e se sentou sendo cumprimentada pelos novos colegas. Ela sabia que a casa era tudo aquilo que ela sempre achou que condizia com sua realidade pessoal, estava feliz e lisonjeada pelas palavras proferidas pelo chapéu em relação a ela. Mas não conseguia deixar de pensar o quanto aquilo pareceria insuficiente para o pai, como tudo sempre era.

Dois - Bolota

Setembro - 1991


se sentia tão ansiosa com o primeiro dia de aula que mal conseguia dormir. Acordou antes das colegas de quarto, se arrumou com calma e ficou lendo o livro de poções que, dentre os materiais, era o que mais lhe chamava atenção. Observou Padma Patil e Mandy Brocklehurst levantarem primeiro, seguidas de Lisa Turpin e Morag MacDougal algum tempo depois.
— Vamos? — perguntou Mandy as outras.
— Lembrem-se do que o monitor disse ontem sobre pegar tudo que for necessário para o dia todo — lembrou Morag — no caso de ficarmos presas e sem materiais por não conseguirmos solucionar o enigma para entrar no salão comunal.
repassou o checklist mental e assentiu, não estava esquecendo nada e juntas as garotas saíram do quarto para o café da manhã.
— Já deu tempo de achar alguém interessante? — perguntou Lisa enquanto se aproximavam do Salão Principal, fazendo as demais rirem e arregalar levemente os olhos.
— Sentei na cabine com Córmaco McLaggen da Grifinória, ele é do segundo ano. Bem gentil e bem bonito, diga-se de passagem. — Morag riu cochichando, acompanhada de Padma.
— E o Ernest Macmillan? — Suspirou Patil — Ele é com certeza o garoto mais bonito do primeiro ano!
— Ouvi algumas veteranas no trem, elas falavam sobre um tal Cedrico da Lufa-lufa, já o viram? Elas diziam como não existe garoto mais bonito em Hogwarts... — riu com o comentário de Mandy visto que, ironicamente, seu irmão se aproximava delas com um sorriso no rosto.
— Bom dia, garotas. — pigarreou, controlando o riso.
— Meninas esse é meu irmão, Cedrico Diggory. Ced, essas são Morag, Padma, Lisa e Mandy. — disse enquanto apontava, Mandy parecia ter comido um dos diabinhos de pimenta, igualmente vermelha faltando apenas a fumaça fumegando da boca e das orelhas. As garotas cumprimentaram Cedrico, Padma parecia querer soltar a risada a qualquer momento.
— Prazer em conhecê-las. Posso falar com você rapidinho, ? — virou-se para a mais nova, que assentiu.
— Vamos nos sentar e guardamos seu lugar, ok? — Morag disse e acenou com a cabeça, as garotas saíram em direção à mesa da Corvinal, deixando os Diggory sozinhos.
— Como você está? Juro que sempre imaginei você na Corvinal, mas não fiquei surpreso, de qualquer forma. — Cedrico disse, fazendo com que a irmã suspirasse. Parte de seu sono havia sido perdido por esse motivo também, sabia que teria que enviar uma carta aos pais.
— Eu gostei da escolha, de verdade. Mas… — ela deu de ombros, não precisou dizer nem mais uma palavra, o irmão compreendia o que sua expressão triste queria dizer.
— Você sabe que o papai vai superar em algum momento... Ele deve estar ansioso esperando sua carta contando sobre tudo.
— Eu só não queria ter que ouvi-lo falar sobre como isso é decepcionante e tentar entender justificando com “defeitos” meus que não me levaram a Lufa-lufa, afinal, até o chapéu falou que sou a droga de uma Diggory diferente. — bufou imitando o chapéu o que fez o mais velho rir e bagunçar seus cabelos.
— Você sabe que não são defeitos e ser diferente não é uma coisa ruim. Papai é péssimo em expressar sentimentos, mas você sabe que ele te ama e tem certeza que será uma bruxa extraordinária, assim como eu e mamãe também temos.
— Eu sei, mas as coisas que ele fala machucam e a expressão… Ah a expressão dele, Ced! A decepção explícita no olhar… — cobriu os olhos com as mãos e abanou a cabeça para os lados.
— Achei que você gostaria de contar isso para eles, então não mencionei nada na carta que escrevi, mas se quiser que eu diga tudo bem também. Seja como for, , você precisa contar logo. Garanto que se sentirá mais leve assim que fizer isso. — ele sorriu tentando reconfortar a menor. — Estou aqui sempre e não pensarei duas vezes em intervir para aliviar as coisas pra você.
sorriu fraco assentindo e abraçou o irmão murmurando um agradecimento. Eles se despediram e logo ela caminhava em direção à mesa da Corvinal, indo de encontro com as colegas.
A mesa do café de Hogwarts era farta, não se lembrava de ter comido tanto assim sem ser no natal ou outras ocasiões especiais, tinham pães, sucos, tortas doces, tortas salgadas. Tudo parecia tão gostoso…
Diggory, nunca me senti tão envergonhada… Por Merlin! — Mandy disse causando risos entre as garotas.
— As garotas do trem realmente não mentiam, se me permite dizer, . — Padma disse suspirando, fazendo Diggory rolar os olhos rindo e com que ela pudesse prosseguir. — Ele é realmente o garoto mais bonito de Hogwarts!
As outras quatro concordaram e ela negou com a cabeça rindo, estava mais que acostumada a ouvir comentários desse tipo relacionados ao irmão. Logo a professora McGonagall passou pelas mesas, entregando os horários.
— A primeira aula é de Defesa Contra as Artes das Trevas, com a Sonserina — Padma fez careta.
— Herbologia e Astronomia são com eles também… — Mandy reclamou.
— Mas pelo menos temos mais aulas com a Lufa-lufa. — lembrou, querendo animar as colegas.
— Temos uma hora e meia até a primeira aula, que tal irmos caminhar um pouco? — perguntou Lisa ao notar que todas haviam terminado de comer. As outras três concordaram agitadas já se levantando.
— Preciso mandar uma carta para os meus pais, encontro com vocês depois. — disse. Então as garotas acenaram e saíram.
tirou um pedaço de pergaminho rasgado e a pena da mochila sem saber por onde começar. Bufou e decidiu não pensar muito, apenas fazer a droga da carta de uma vez.

"Papai e mamãe,

A viagem e minha primeira noite em Hogwarts foram como sempre imaginei: incríveis! É tudo muito encantador, ainda estou conhecendo as coisas aos poucos, mas creio que logo vou saber andar por aqui. Cedrico e os amigos dele me fizeram companhia a maior parte do tempo, e fiz algumas amigas também.
Fui selecionada para a Corvinal, e, por mais que não seja a Lufa-lufa como o esperado, creio que minhas qualidades serão bem exploradas e, bem, o chapéu seletor não comete equívocos. Estou imensamente feliz com a escolha e sei que respeitarão e ficarão felizes também, assim como eu.
Espero que estejam bem, já estou morrendo de saudades!
Afetuosamente,
."

Deu de ombros encarando a carta finalizada, até que não ficou ruim, pensou.
se levantou da mesa e caminhou em direção à saída, quando notou alguém pegando em seu ombro.
— Você anda rápido! — disse Hermione, pegando fôlego.
— Desculpe, Mione — riu ajudando a garota a se recuperar. — Estou indo ao corujal, preciso entregar uma carta para Bilks levar para os meus pais. Quer dizer, pretendo achar o corujal primeiro…
— Ela não veio com as outras corujas na hora do correio? A de Harry não trouxe nada, mas veio piar nos ouvidos dele.
— Eu não a vi.
— Tudo bem, eu sei onde fica. Estudei o mapa, mas caso aconteça algo carrego ele comigo pra tirar as dúvidas. — as garotas sorriram entre si e caminharam juntas por onde Hermione indicava. – Ah, , queria tanto que tivéssemos ficado na mesma casa… Foi por pouco, quase que o chapéu me manda para a Corvinal acredita?
— E eu quase fui pra Grifinória, poxa se tudo tivesse encaixado direitinho estaríamos juntas em uma das casas — riu ao lembrar-se do dilema do chapéu.
— Ainda tem isso! , você é considerada uma Empata Chapéu, sua seleção durou quase seis minutos e meio, isso é raro! Confesso que achei que ele estava em dúvida entre Corvinal e Lufa-lufa, visto que seu irmão é de lá.
— Meu irmão e toda minha família — arfou ao entrarem no corujal. Avistou Bilks e caminhou até ela — Bilks, leve para os meus pais, por favor. Te prometo uns biscoitos assim que voltar, ok? — dito isso a coruja piou baixinho abaixando a cabeça, como se concordasse e voou. As garotas então se colocaram no caminho de volta. — Estou contando a eles por essa carta, papai vai querer surtar, mas estou tentando não pensar nisso.
— Ah, … Eu sinto muito, quando quiser conversar sobre pode contar comigo. — Mione segurou a mão dela, passando-lhe segurança, o que a fez sorrir. Era bom ter alguém, além de Cedrico, para conversar e que lhe fizesse se sentir confiante.
— Obrigada, Mione, de verdade... Você viu que teremos aulas de Transfiguração e Feitiços juntas? – Diggory desconversou, falar sobre aquilo definitivamente não estava nos planos dela.
E logo as garotas estavam conversando sobre suas matérias preferidas e expectativas para as aulas que iriam começar em breve.
O primeiro dia foi cansativo, ainda não estava adaptada a rotina de Hogwarts e correr de uma aula para outra a deixou completamente morta, mas ainda assim, estava satisfeita com seu desempenho no primeiro dia: teve aula de Defesa Contra as Artes das Trevas com a Sonserina, Poções com a Lufa-lufa, Feitiços e Transfiguração com a Grifinória. Ela ainda tinha ganho cinco pontos para a Corvinal por executar a melhor poção para curar furúnculos e mais cinco na aula de Transfiguração, ao responder uma pergunta de Minerva corretamente. Depois do jantar, subiu cedo para o dormitório e dormiu quase no mesmo instante que se deitou.
No dia seguinte, ela foi, novamente, a primeira a acordar e uma hora depois saiu do quarto com Lisa e Morag, Mandy decidiu dormir um pouco mais e Padma já havia saído para encontrar a irmã. Assim que se sentaram para o café as corujas sobrevoaram o salão principal entregando as cartas. quase teve um colapso ao ver Bilks vindo em sua direção, ela ergueu o braço e a coruja gorducha pousou ali, entregando-lhe a carta resposta dos pais. A garota respirou fundo e a coruja bicou seus cabelos carinhosamente, como sempre fazia. concluiu que não tinha pra onde correr e a verdade era uma só: ela era da Corvinal, papai que ature ou surte, reclamar ele com certeza vai, sempre reclama mesmo. Abriu o envelope decidida, mas surpreendeu-se ao encontrar a caligrafia da mãe.

"Minha querida ,
Fico feliz que tenha tudo dado certo, aparentemente você não se esqueceu de nada. Comecei a sentir sua falta desde o momento que entrou no trem, a casa fica bem silenciosa sem você aqui. Não tenho dúvidas que está se saindo incrivelmente bem, logo vai se adaptar a rotina e se sentirá em casa.
Eu sempre soube que a Corvinal era uma forte candidata a ser sua casa, não me surpreendeu a escolha. Estou orgulhosa por você ser você, o chapéu realmente não erra e te colocou onde você irá crescer e se tornar uma bruxa incrivelmente talentosa.
Seu pai surtou, claro. Como imaginávamos… Mas ele supera! Não pense que isso faz com que ele te ame menos, você conhece seu pai, ele é péssimo em expressar seus sentimentos e, bem, às vezes perde a oportunidade de ficar calado. Logo ele esquece isso!
Eu te amo, filha, e não me canso de dizer o quanto você é incrível e especial e o quanto me orgulha. Se cuide e não se esqueça de me mandar notícias!
Com amor,
Mamãe."

Se Amos, com sua incapacidade de expressar seus sentimentos e inconveniência a deixava desconfortável ela não conseguiu se lembrar. Taís, entretanto, expressava os seus sentimentos muito bem, e a fazia se sentir tão amada que mal havia espaço para sentir o contrário.
Ao final da tarde, depois da última aula do dia no horário livre antes do jantar, procurava a biblioteca, havia combinado de fazer a lição de Feitiços com Mione, mas ao passar perto de uma sala vazia, assustou-se ao ver uma coisinha minúscula peluda e preta. Ao aproximar-se, notou que se tratava de um pequeno filhote de cachorro.
— Parece que você se perdeu por aqui… — olhou ao redor. — Vem, vou te tirar daqui antes que alguém malvado te encontre. — segurou o filhote que deu um latido fininho e fraco e abanou o rabinho. — Preciso que fique quieto.
pareceu incerta por alguns instantes, mas decidiu que ir até Hagrid era a melhor coisa a se fazer. Mesmo que nunca tivesse conversado com ele, sabia que ele poderia ajudá-la. Colocou a bolinha de pelos na touca do uniforme e jogou os cabelos para trás para tentar escondê-lo ainda mais. Não poderia arriscar ir atrás de Hermione, então decidiu que conversaria com ela depois. Correu o máximo que pode, chegando à casa de Hagrid afobada batendo na porta.
— Rúbeo! — chamou ouvindo latidos altos.
— Olá, é a , irmã do Cedrico, não é? — perguntou ao atender a porta ela acenou com a cabeça e Hagrid deu passagem para que a corvina entrasse. sorriu e confirmou ainda sem fôlego. — Entre, chegou na hora certa para tomarmos um chá!
— Me chame de , por favor. — sorriu — Eu vim aqui pedir sua ajuda… Estava indo para a biblioteca quando encontrei essa coisinha perto de uma sala vazia — tirou o cachorro do capuz — eu sei que os alunos não podem ter cachorros aqui, não faço ideia de como ele entrou, mas creio que tenha se perdido.
— Olha só! Que coisinha mais fofa! — Hagrid pegou o cãozinho das mãos da mais nova. – Ele deve ter vindo por uma das passagens para Hogsmeade, , acho que ele passou junto com alguém que tenha a usado. Vou verificar isso depois...
— Eu não sei o que fazer, Hagrid! Eu gostaria de ficar com ele, mas não posso cuidar dele no castelo.
— Posso cuidar dele!
— Ah, Hagrid, muito obrigada! Eu juro que ajudo no que for necessário e prometo que venho dar comida, banho se precisar, e brincar com ele também! Muito muito muito obrigada! — a garota pulava e tagarelava fazendo Rúbeo rir com a cena. Ela era uma menina com um coração bondoso e o guarda caça já havia percebido isso.
— Já deu um nome para ele? — ambos observavam a bolinha de pelos explorando a casa e se aproximando de Canino, que era aproximadamente umas cinco vezes maior que o filhote.
— Gosto de Bolota, combina com ele.
— Vamos dar água e comida pro Bolota então, e depois tomaremos o chá!
tomou o chá, mas recusou educadamente os biscoitos por conta do jantar. Bolota e Canino pareciam se conhecer melhor, depois que o filhote já tinha se alimentado de maneira rápida e eufórica, como se tivesse sentido fome por dias. Canino, apesar do tamanho e expressão assustadores, era um cão dócil que adorou receber afagos da corvina. Com a promessa de voltar logo, ela voltou ao castelo, depois de agradecer e abraçar Hagrid.
Ao entrar no salão principal, logo foi puxada pelo braço por uma Hermione preocupada e levemente furiosa.
— Por onde esteve? Fiquei te esperando na biblioteca e você não apareceu.
— Aconteceu um grande imprevisto e eu tive que ir à casa de Hagrid, saí correndo e nem pude te avisar, Mione, me desculpa.
— Imprevisto? Como assim? — ela ergueu uma das sobrancelhas. olhou ao redor incerta, segurando o braço de Hermione.
— Encontrei um filhote de cachorro. — sussurrou entre dentes. — Não podia entrar com ele na biblioteca, então corri pra casa do Hagrid.
— Mas ele estava bem? Ferido? Por Merlin, ! — desesperou-se a garota.
— Ele está bem, Hagrid vai cuidar bem dele. Pensei em voltar lá na sexta feira, temos a tarde toda livre, se quiser podemos ir juntas.
— Eu adoraria!
— Ótimo, combinamos isso depois. Estou faminta! — as garotas riram e então foi sentar-se à mesa da Corvinal. Viu Ced ao longe e acenou para o lufano, que logo sinalizou que gostaria de falar com ela depois, ela acenou com a cabeça e foi colocar seu jantar. Conversou e riu com Terêncio Boot, Antônio Goldstein e as garotas e ao terminar o jantar foi de encontro com o irmão.
, como você está? — Cedrico disse ao abraçá-la — Não te vi o dia inteiro, mamãe me mandou uma carta e disse que te respondeu também.
— Estou com ela aqui, pera ai. — a garota vasculhou a mochila e tirou a carta de lá dando ao irmão. — Mamãe fez com que eu me sentisse muito melhor… Mesmo estando preocupada com a opinião do papai.
— Ela deve ter falado algumas verdades e não deixou o papai falar nada. — Ced riu acompanhado da irmã, ele sabia bem quem a irmã havia puxado. — Fico aliviado que esteja melhor com isso, fiquei preocupado o dia todo.
— Estou bem, Ced, de verdade. Não pretendo ficar sofrendo por antecipação, um dragão por vez.
— Só não se meta em problemas, ok? Vi você correndo com um cachorro no capuz hoje… — Ele sussurrou a última parte cruzando os braços o que fez a corvina arregalar os olhos desesperada.
— Mais alguém viu? Ai, Merlin! Não quero causar problemas, ele estava perdido e eu quis ajudar…
, tá tudo bem — riu o garoto — ele estava bem escondido, eu que presto atenção demais. Fez bem em levá-lo para o Hagrid!
— Não me assuste desse jeito, ridículo! Quase tenho um treco!
Eles conversaram por mais um tempo até dar o horário de se recolher para os salões comunais. A semana passou sem mais surpresas, a rotina ainda exaustiva quando não estava nas aulas estava na biblioteca com Granger, mas logo a sexta-feira chegou com dois objetivos principais para a Diggory: ver Bolota com Hermione às 14h30 e terminar as lições da semana para poder descansar no sábado e no domingo.
Os três horários de História da Magia passaram se arrastando, mesmo sendo uma matéria interessante o professor Binns conseguia a tornar insuportável. fazia as anotações com uma expressão entediada e impaciente, largou a pena por alguns segundos e pode ver alguns colegas da Corvinal e outros alunos da Lufa-lufa adormecidos sobre os livros e pergaminhos, não os julgava, estava quase fazendo o mesmo. Os que estavam acordados ou tinham a mesma expressão que ela ou prestavam atenção nas janelas ou qualquer outra coisa mais interessante e olha, isso não era lá algo complicado de se encontrar.
Depois de recomendar uma leitura sobre a magia na sociedade celta e a realização de um resumo de pelo menos dois pergaminhos a respeito, pode-se ouvir o barulho da sineta que, finalmente, encerrava a aula. Foram audíveis os suspiros de alívio da classe, cortados apenas pelo barulho desses correndo para longe dali.
almoçou e ao terminar, encontrou-se com Hermione para irem à biblioteca. Estudar juntas, aos poucos, se tornava o passatempo preferido delas. Adiantaram algumas matérias e Diggory atingiu seu objetivo de terminar tudo. Às 14h20 as garotas saiam do castelo em direção a casa de Hagrid. Canino não latiu dessa vez, parecia já saber que era .
, não esperava que viesse hoje! Vamos, entrem! — deu passagem para as garotas.
Bolota, que estava num sono pesado após comer, despertou assim que ouviu o nome da garota, correndo em sua direção e pulando em suas pernas. Assim que a corvina o pegou no colo, ele lambeu seu nariz.
— Oi, Bolota! Também senti sua falta — a menina riu, afagando a cabeça peluda do cão. — Hagrid, esta é Hermione Granger.
— Prazer em conhecê-la, Hermione! — o grandão sorriu apertando a mão de Hermione. — Vocês se importam de esperar alguns minutos pelo chá? Harry virá por volta das três horas, aí comemos os biscoitos todos juntos.
— Harry Potter? — perguntou Hermione. – Se ele não se incomodar...
— Sim, o chamei para saber como foi a primeira semana. Harry é um garoto dócil e gentil, não teve muitos amigos na vida, então creio que ele não se importará de tê-las aqui para o chá também. Estou terminando de colocar os biscoitos para assar.
— Tudo bem, Hagrid, podemos esperar sim. Quer ajuda com os biscoitos? — perguntou já erguendo as mangas das vestes.
— Estou apenas colocando as gotas de chocolate, não precisa se preocupar. — Hagrid indicou que ela fosse dar atenção a Bolota e a garota assentiu.
— Ele é realmente muito fofo, ! Fez bem em trazê-lo para o Hagrid, ele é tão pequeno que provavelmente teria se machucado ou morrido de fome. — Mione disse enquanto estava sentada com Bolota no colo acariciando seus pelos pretos e recebeu um sorriso da amiga.
— Ele aprontou muito desde a terça, Hagrid?
— Quis comer meus sapatos com os poucos dentes que tem, se alimentou bem e fez amizade com Canino. Até dormem perto um do outro!
— O Canino é um amor, sabia que se dariam bem. Não é mesmo, amigão? — disse afinando a voz enquanto brincava com Canino. — Obrigada mais uma vez, Hagrid, não sei o que seria de Bolota sem você.
— Eu que te agradeço, , considero Bolota um presente.
Ao ouvir as batidas na porta — minutos depois -, Canino passou por quase a derrubando para latir para o desconhecido (não tão desconhecido assim, provavelmente seria Harry, já que Hagrid estava o esperando).
— Para trás, Canino! Entrem, garotos, fiquem a vontade. — Hagrid deu passagem enquanto ainda segurava Canino. Assim que Harry e Rony entraram, Hagrid soltou o cão, que pulou em Ron e começou a lamber suas orelhas, o que fez os demais presentes rirem.
— Este é o Rony — Harry disse a Hagrid, que arrumava as coisas na mesa. Ele acenou para e Mione, que acenaram a cabeça em resposta.
— Mais um Weasley? Passei metade da vida expulsando seus irmãos da floresta. Venham, meninas, já podemos comer.
, Hermione, Harry e Rony pareceram concordar mesmo sem trocar nenhuma palavra que os biscoitos de Hagrid poderiam, com toda a certeza, quebrar-lhes um dos dentes. Então eles fingiram gostar e começaram a falar sobre a primeira semana de aula. Bolota estava sobre o colo de e Canino descansava a cabeça nas vestes de Harry, babando-as completamente, a garota segurou o riso ao ver a cena. Depois que contou sobre como encontrou Bolota, eles comentaram sobre como a aula com o professor Binns era maçante, como Minerva era inteligente e como a aula de feitiços era interessante, embora engraçada.
— Snape parecia me odiar! — Harry dizia sobre como fora a aula de Poções.
— Ele odeia qualquer aluno que não seja da Sonserina. — Hermione completou e Rony olhou para Harry como quem dissesse “eu te disse!”.
— Acho que nem dos da Sonserina ele gosta tanto assim. — comentou dando de ombros. — Mas, mesmo que ele pareça não gostar de ninguém que respire, achei a aula interessante.
— Você é suspeita, , é ótima em Poções. — Hermione rolou os olhos e riu da amiga. Havia se surpreendido com a garota na biblioteca, ela tinha um conhecimento invejável nesta matéria, ajudando-a a entender o motivo de sua poção de curar furúnculos ter ficado com uma cor diferente do desejado. — Ele não costuma dar pontos assim, ainda mais no primeiro dia... E ele parecia gostar do Malfoy e dos outros alunos da Sonserina, sim.
— Mas vocês — Harry apontou para e Hagrid — não viram a cara que ele me olhou. Parecia realmente me odiar.
— Bobagem! Por que ele o odiaria? — Hagrid disse por vez e mudou de assunto completamente ao perguntar sobre um dos irmãos de Rony. Harry pareceu incomodado e prendeu sua atenção em um pedaço de papel, que logo reconheceu como sendo o jornal.
— Rúbeo! O arrombamento de Gringotes foi no dia do meu aniversário, talvez estivesse acontecendo enquanto estávamos lá! — exclamou o garoto, e dessa vez todos notaram como o homem pareceu querer desconversar. Enquanto Harry relia o papel, Hermione o pegou de sua mão e aproximou-se mais de , para lerem juntas sobre do que se tratava. Assim que terminou de ler, a garota passou o papel para Rony e voltaram a conversar sobre outra coisa. No caminho de volta para o castelo, cheios de biscoitos nos bolsos, pois eram educados demais para recusar, decidiu quebrar o silêncio enquanto andava ao lado de Harry, Hermione e Ron iam mais à frente, quietos.
— Acha que viu algo estranho durante a ida à Gringotes aquele dia?
— Eu não achava que era estranho até ver a reação do Hagrid hoje… — ele comentou — Nós fomos ao cofre dos meus pais, e depois passamos em um cofre que era de assunto e posse extremamente sigilosos para pegar um pacotinho.
— Isso é realmente estranho, pois a notícia falava que o cofre fora esvaziado naquele dia mais cedo. — lembrou e recebeu um aceno de cabeça.
— Eu teimo em pensar que não é uma mera coincidência, mas você viu, , Hagrid pareceu muito estranho!
— Também acho que não seja coincidência, mas até termos provas… — ela tombou a cabeça para o lado e assistiu o garoto assentir — De qualquer forma, se eu souber de algo te aviso.
— Certo, eu também te aviso se tiver novidades. — ele sorriu tímido e ela sorriu em resposta, mas fechou a cara ao parecer lembrar algo. Aquilo preocupou o Potter.
— Ah, e por Merlin, me chame só de . Parece até meus pais! — pediu com uma careta, que fez o garoto rir aliviado.
A Diggory era uma garota legal.

Três - Amigos?

Outubro de 1991


A quinta feira de Halloween havia finalmente chegado, e a festa que ocorreria a noite animava os alunos pela mudança na rotina monótona. não havia conseguido mais informações sobre o caso de Gringotes, assim como Harry. Eles ao menos falaram algo a mais do que “olá” ou “bom dia/tarde/noite”, além dos sorrisos e acenos de cabeça trocados. Hermione também não falava com eles, depois da aventura que ela, Harry, Rony e Neville tiveram à meia noite e por sorte não foram pegos. Entretanto, Granger não perdia a oportunidade de reclamar ou especular sobre o que os garotos deveriam estar aprontando para a Diggory, que, por outro lado apenas ria ou especulava coisas mais absurdas ainda para assustar a amiga.
Naquela manhã acordou no mesmo horário de sempre, mas ao invés de ficar lendo algum livro como sempre fazia, gastou os minutos livres fazendo um penteado no cabelo. Geralmente a garota apelava para coisas práticas como rabo de cavalo, coques, tranças ou simplesmente os deixava soltos, mas optou por torcer e prender a franja deixando os cabelos semi presos e o rosto bem evidente.
Esperou dar 7h30 para acordar as garotas, havia se voluntariado para ajudá-las nisso depois que Padma quase perdera o café em uma manhã, visto que sempre acordava mais cedo e era boa perturbando as garotas para tirá-las da cama. Com o passar dos dias, percebeu que havia se identificado mais com Lisa e Morag, Padma passava algum tempo com elas quando não estava com a irmã e Lilá, já Mandy havia feito amizade com algumas garotas mais velhas e parado, aos poucos de andar com as garotas do dormitório. As garotas conviviam bem e se respeitavam, claro, apenas não eram melhores amigas.
— Ah, , só mais dez minutos… — Patil reclamou, cobrindo a cabeça com o travesseiro.
— Isso, fica mais dez minutinhos deitada e depois fica reclamando que não tem tempo e escolhendo se toma café ou penteia o cabelo. — Diggory disse debochada tirando o travesseiro da colega. — Anda Patil, levanta logo.
— Não sei se te agradeço ou se te odeio! — ela levantou indo se arrumar, andou até a cama de Lisa e antes que falasse algo a garota levantou.
— Já tô indo, bom dia! — Turpin bocejou indo se arrumar também — Adorei o cabelo!
— Obrigada! — ela jogou um beijo no ar e foi até Morag e Mandy.
Depois que todas levantaram, esperou Lisa e Morag se arrumarem para enfim irem para o Salão Principal tomar café. O cheiro de abóbora assada pelos corredores fez com que as três corressem para a mesa da Corvinal, para aproveitarem as delícias típicas que o dia das Bruxas lhes reservavam. As três primeiras aulas do dia seriam de Feitiços, com a Grifinória, então caminhou com as colegas de quarto e com Hermione para a sala de aula.
— Sinto que hoje vocês estão preparados para começar a fazer os objetos voarem. — Professor Flitwick disse depois de cumprimentar a turma. — Vou dividir vocês em duplas para que possam praticar.
O professor separou pelas casas (exceto pelas gêmeas Patil, pois Flitwick achou que seria engraçado deixá-las juntas), então ficou com Antônio Goldstein que era um garoto legal, que conversava com ela direto por ter se tornando amigo de Cedrico. Lisa estava com Mandy e Morag com Terêncio. Hermione havia ficado com Rony, eles estavam sentados à sua esquerda, o que fazia segurar o riso toda vez que olhava para eles, não sabia dizer quem estava mais insatisfeito com aquilo. Harry, que estava sentado ao seu lado direito com Simas Finnigan, parecia notar o mesmo visto que ao olhar para ela, ambos caíram na gargalhada, parando apenas quando o professor se colocou novamente em cima dos livros para dar as instruções.
— Não se esqueçam do movimento com o pulso que praticamos! Gira e sacode e lembrem-se de dizer as palavras corretamente.
e Antônio tentavam, fazendo a pena apenas tremer, o que deixava a garota irritada. Simas parecia igualmente irritado, visto que colocou fogo na pena. Com medo de fazer o mesmo, respirou fundo, tentando manter-se calma.
— Você está dizendo o feitiço errado — ouviu a voz de Hermione e virou-se para observar, procurando salvação na amiga — É leviOsa, não leviosA.
— Diz você então, sabe tudo! — Weasley retrucou impaciente, observou Hermione suspender as mangas e sacudir delicadamente a varinha. Era isso, fez o movimento com pouca sutileza.
— Wingardium leviosa! — e então a pena voou. Voou tão alto que chamou a atenção do professor, que veio correndo eufórico.
— Muito bem! Olhem aqui, Hermione Granger conseguiu! — o professor disse batendo palmas. A corvina sorriu animada para ela, batendo palmas animada, porém sendo mais discreta que o professor.
Depois de muita insistência, a — maldita — pena de chegou a subir um pouco, mas ela ficou tão eufórica que se desconcentrou fazendo-a repousar na mesa novamente. Ao final da aula , Hermione, Lisa e Morag saíram para ir almoçar, mas pararam para esperar Lisa, que tinha esquecido seu livro. Não demorou para que ela voltasse, então as garotas voltaram a caminhar, logo atrás de Harry e Rony.
— Não me admira que ninguém suporte ela — Rony não pareceu notar que havia passado pelas garotas, visto que fizera uma imitação tosca de Granger — Francamente, ela é um pesadelo.
E então Mione passou correndo e esbarrando em Potter, que a olhou assustado, os garotos pararam de andar imediatamente.
— Acho que ela ouviu o que você disse. — disse ele a Weasley, escutava atenta.
— E daí? Ela já deve ter reparado que não tem amigos. — Diggory sentiu o sangue ferver.
— Ela ouviu sim. Se ela notou que não tem amigos? Não sei! Mas com certeza ela notou, assim como todos aqui, que você é um imbecil! — ela disse e então passou dando um tapa na nuca de Weasley voltando a caminhar, dessa vez, indo atrás de Hermione.
não a encontrou, Hermione também não apareceu nas aulas seguintes e ninguém da Grifinória parecia ter visto ela. Ao descer para a festa das bruxas, extremamente preocupada, a garota foi falar com sua última opção que não fossem Potter e Weasley: Parvati.
— Ei! — aproximou-se dela, que andava ao lado da irmã, antes de entrar no Salão Principal. — Você viu a Hermione?
— Ah, vi! Ela estava no banheiro feminino, não parecia nada bem… Mas quando perguntei ela pediu que eu a deixasse em paz. — ela disse, como se aconselhasse a fazer isso. Claro que Diggory não ouviu, e saiu correndo ao gritar um “valeu” — Ela que vá e receba as grosserias da Granger. Bem, pelo menos eu avisei né?
— Cheguei! Ela quem? — Lilá perguntou interrompendo Padma, que começaria a explicar algo. — Granger? Ela sumiu, faltou todas as aulas da tarde…
— Estava falando da Diggory, que veio perguntar por ela. — Patil explicou, despertando a curiosidade de Potter e Weasley, que vinham andando logo atrás. — Encontrei a Granger no banheiro das meninas, chorando. Quando fui perguntar se ela queria ajuda ela só disse para que eu a deixasse em paz. Falei isso pra Diggory agora, mas parece que ela quer receber uma patada, já que foi atrás.
— Elas são amigas, parecia preocupada, talvez ela consiga conversar com a Granger — Padma explicou, finalmente, recebendo um “aaaaaah tá” das outras duas.
Harry e Rony pareceram esquecer de Hermione e assim que entraram no Salão Principal, a decoração estava incrível e eles conseguiam pensar nas comidas que surgiram nas mesas. Foi quando os garotos começaram a se servir que o professor Quirrell entrou correndo aterrorizado.
— Trasgo nas masmorras — ele disse ofegante quando se aproximou da cadeira de Dumbledore e então desmaiou. Os alunos e professores entraram em pânico, só houve silêncio quando Dumbledore disparou algumas bombinhas com a varinha.
— Monitores, levem os alunos de suas casas de volta aos dormitórios imediatamente!
Enquanto Percy indicava o caminho para os alunos Harry parecia confuso.
— Como que um Trasgo entrou? — perguntou a Rony.
— Não sei, dizem que eles são burros… — Rony deu de ombros — Deve ter sido o Pirraça.
— A Hermione e a ! — Harry segurou o braço do amigo enquanto eles passavam por uma muvuca da Lufa-lufa.
— O que?
— Elas não sabem do Trasgo! — Harry disse e Rony suspirou, em dúvida. Uma provavelmente o odiava ainda mais e a outra poderia tranquilamente socar ele a qualquer momento.
— Tá legal — bufou —, mas Percy não pode nos ver.

×××


correu até o banheiro e ao entrar ouviu Hermione fungando do último box.
— Mione? — chamou
— Sai, , quero ficar sozinha!
— Não vou sair, fiquei te procurando um tempão! — esbravejou — Fiquei preocupada, sabia? Mas anotei as coisas da aula de Transfiguração pra você…
— Hm… Obrigada e desculpa por ter te deixado preocupada. — Granger destrancou o box e recebeu um abraço da menor.
— Nunca mais some assim! E não presta atenção no que o ridículo do Weasley diz. Eu sou sua amiga, se ele não consegue lidar com sua inteligência e fica mordido toda vez que você fala ele não merece sua amizade! Nem o Potter merece, acabou com Você-sabe-quem, mas na hora que eu bati no Weasley ficou com aquela cara de bunda e não falou nada para o amigo inútil dele! — Diggory tagarelou irritada.
— Você bateu nele? — Mione perguntou assustada segurando o riso.
— Não soquei como queria ter feito, ainda prezo pela minha permanência aqui... — disse colocando a mão no peito, ultrajada, mas cochichando depois com um sorriso travesso — Mas bati sim, se ele acha que pode sair por aí sendo um otário com minha amiga ele tá muito enganado!
— Às vezes me pergunto por que você não está na Grifinória... — Hermione riu verdadeiramente ao ver a amiga surtada.
— É que eu já sou louca, Mione, não preciso ir pra Grifinória aprender a ser mais ainda. — ela disse rindo junto com Granger — Assim como você não precisou ir pra Corvinal para se tornar inteligente, você já é!
— Está dizendo que estou na Grifinória para aprender a ser louca? — as garotas riram ainda mais.
— Não! Você me entendeu! — limpou as lágrimas de tanto rir — Digo que inteligência não é tudo, existem outras qualidades, como a coragem e a ousadia, que nos ajudam a lidar com a vida. Talvez sejam características que você desenvolverá com o tempo, ou já tem, mas nunca se fizeram presentes.
— Muito obrigada, ! — Granger a abraçou dessa vez.
— Você sabe que pode contar comigo. Agora pelo amor, vamos comer, pois estou faminta… — as garotas levantaram e caminharam em direção à porta, que foi aberta bruscamente por uma criatura enorme e fedida.
— Mione, é um trasgo! — murmurou chorosa. Mione murmurou de volta, elas então andaram de costas até encostarem-se em uma maldita parede. O trasgo começou a avançar para perto delas destruindo as pias com um bastão, Diggory sentiu os olhos encherem de lágrimas e então gritou, assim como Granger. Foi quando a porta foi aberta e elas viram Potter e Weasley jogando algumas torneiras que haviam caído para distraí-lo.
— Ei, cabeça de ervilha! — o trasgo pareceu não sentir a torneira atingi-lo, mas ouviu o grito de Rony e virou-se para encará-lo. Harry correu em volta e tentou puxar Diggory e Granger, que estavam paradas em pânico. Foi então que o trasgo avançou para Rony e Harry pulou, conseguindo abraçar o pescoço da criatura. não sabia se achava Harry corajoso ou idiota. E então Potter enfiou sua varinha no nariz do trasgo, que levantou seu bastão enfurecido.
Rony parecia não saber o que fazer, assim como as garotas que nessa altura, não tinham força nas pernas nem para estarem em pé. Então Weasley gritou o primeiro feitiço que lhe veio em mente.
— Wingardium leviosa! — o bastão subiu no ar e caiu na cabeça do trasgo, que caiu fazendo um enorme barulho.
— Ele está morto? — Hermione perguntou baixinho. Harry se levantou e Rony ainda estava parado, parecendo chocado com o que havia feito.
— Acho que só desmaiou. — ouviu sua voz dizer, não muito diferente da de Hermione.
Harry abaixou e puxou a varinha do nariz do trasgo, murmurando um “eca” ao ver a substância que veio junto.
— Meleca de trasgo — murmurou limpando a varinha nas vestes do trasgo.
Os quatro, ainda assustados, ouviram o barulho de passos e somente ali enxergaram no que haviam se metido. Minerva entrou no banheiro com Filch e Quirrell.
— No que estavam pensando? — nunca havia visto Minerva tão brava. — Poderiam estar mortos! Por que estão fora dos dormitórios?
— A culpa é minha, professora McGonagall. Eles vieram me procurar, sentiu minha falta, Harry enfiou a varinha no nariz dele e Rony o derrubou com o próprio bastão. Achei que podia enfrentá-lo sozinha, pois já li tudo sobre trasgos. Se eles não tivessem me encontrado eu estaria morta…
— Srta. Granger! Que bobagem! — enquanto a professora Minerva dava bronca em Hermione, não pode deixar de notar o professor Quirrell sentado, parecendo assustado e… decepcionado?
Harry e Rony estavam chocados, não esperavam que Hermione fingisse desrespeitar as regras para salvar a pele deles.
— Hermione Granger, a Grifinória vai perder cinco pontos por isso. Estou muito desapontada. Já vocês três tiveram sorte, vão ganhar cada um cinco pontos para sua respectiva casa. Vou informar Dumbledore, voltem para seus salões comunais. Os alunos estão terminando de festejar.
Os quatro saíram dali calados, os três pararam na frente da passagem para a torre da Grifinória e suspirou abraçando Mione.
— Talvez, eles não sejam tão idiotas assim e mereçam uma segunda chance. — cochichou, fazendo a amiga rir baixinho. parou um pouco à frente de Rony e o abraçou também. — Obrigada, Weasley, e me desculpa por mais cedo…
— Tu-tudo bem! — Rony parecia surpreso, não sabia se era pelo contato inesperado ou pelo pedido de desculpas. Não podia negar que pensou que a garota iria lhe bater novamente.
— Obrigada também, Harry. — ela travou quando percebeu o que faria a seguir, mas ficaria estranho se ela abraçasse aos outros dois e ele não. Então Diggory abraçou Potter de uma maneira desajeitada.
— Não há de que… — ele disse baixinho, assustado como Rony.
— Eu, bem, vou pro meu salão comunal… Boa noite! — sorriu acenando e correu o mais rápido que pode para longe dali.
Eles eram amigos agora, mesmo sem ter sido dita nenhuma palavra, afinal, ninguém derruba um trasgo por quem não gosta, não é?

×××

Novembro de 1991


Novembro chegou, trazendo o clima frio e uma animada. Se existia alguém mais animado para fazer aniversário no planeta, essa pessoa era ela. faria doze anos, havia esperado o ano anterior inteirinho para estar em Hogwarts e entrou prestes a fazer doze por conta do período letivo.
Os mais atingidos pela animação eram certamente Cedrico, Hermione, Harry, Rony, Lisa e Morag, que tinham que aturar a contagem regressiva da garota para o dia quatorze.
No sábado, quatro dias antes do aniversário de Diggory, aconteceria o jogo entre Grifinória e Sonserina e os amigos notaram o quanto Potter estava ansioso com aquilo, e claro, cansado pelos treinos puxados de Olívio Wood.
acordou um pouco mais tarde, como em todos os finais de semana. Se dava ao luxo de dormir até às 8h30. A única que já havia levantado era Mandy, que não estava ali e já tinha a cama arrumada. A garota tomou um banho quente e logo depois colocou uma calça jeans, uma blusinha fina de manga comprida, um suéter de lã creme e um casaco cinza. Soltou os cabelos os ajeitando com os dedos, notando as ondas que haviam se formado e então, em solidariedade ao amigo, colocou uma touca vinho.
— Meninas, acordem para não perder o café! — avisou, acordando às quatro colegas antes de sair para encontrar os amigos.
— Hey, ! — Rony gritou assim que avistou a amiga andando mais à frente no corredor.
— Oi, gente, tava indo procurar vocês. — ela sorriu.
— Bonita touca. — Mione elogiou apontando.
— É para torcer pro nosso número 7 aí. — ela piscou rindo com Mione, enquanto observavam um Potter escarlate.
— Logo seremos nós, ! — Rony disse dando um soquinho com as mãos de .
— Que posição quer tentar no futuro? — Harry perguntou a Diggory.
— Artilheira. Ced diz que sou péssima goleira e cega demais para ser apanhadora — fez careta rindo acompanhada dos outros três. Foi quando Snape passou por eles com uma cara feia — sim, mais feia que o habitual — e mancando.
— Fui à sala dos professores depois que voltamos para a sala comunal pedir o livro de volta. — estava com eles quando Snape tomou o livro de quadribol que Harry estava lendo no pátio, ela ainda tentou debater com o professor que acabou tirando pontos dela também. Diggory voltou sua atenção ao que Potter dizia cochichando — Ele não devolveu, mas estava com a perna sangrando e ficou desesperado para que eu saísse logo. Rony e eu achamos que ele tentou ir até o cão de três cabeças, com certeza quer o que ele está guardando. Não duvido que ele tenha deixado o trasgo entrar também.
— Eu não sei, Harry… — murmurou incerta — Ele não seria louco, Dumbledore confia nele.
— Tá vendo? pensa como eu. — Hermione fez careta para Rony, que retribuiu a imitando.
Eles entraram no Salão Principal e foram contagiados pela conversa animada pelo início da temporada de quadribol.
— Encontro vocês no jogo, boa sorte, Potter. — a garota acenou indo para sua mesa. Serviu-se com as salsichas e com um pouco de suco e conversou com alguns colegas. Viu o irmão ao longe conversando com uma garota da Lufa-lufa, que ela não fazia ideia de quem era, mas a Diggory caçula sorriu quando ele acenou na direção da mesa da Corvinal, para ela.
Às onze todos da escola estavam nas arquibancadas, conseguiu se infiltrar quietinha na torcida da Grifinória sentando ao lado dos amigos. Madame Hooch apitou e logo as quinze vassouras estavam no ar.
— A goles foi prontamente rebatida por Angelina Johnson, da Grifinória, ótima artilheira essa menina, bonita também… — Lino Jordan narrava a partida e teve a atenção chamada por Minerva. — Johnson passa para Alícia Spinnet, de volta a Johnson e… Ah, Sonserina tomou a goles, o capitão tomou a goles e saiu correndo. Marcos está vai marcar… Não marcou! Foi impedido pela intervenção excelente do goleiro Olívio.
observava Harry ao longe com o auxílio dos binóculos, sobrevoando o campo sem ter muito o que fazer, enquanto o pomo não era visto.
— Adriano Pucey é bloqueado por Fred ou Jorge Weasley… Enfim, bela jogada do batedor da Grifinória. Johnson tem a posse da goles novamente, o caminho dela está livre, ela desvia de um balaço veloz e as balizas estão logo à sua frente. Vamos, agora Angelina! O goleiro Bletchley mergulha, mas não dá tempo… PONTO PARA A GRIFINÓRIA! — a torcida toda gritou, inclusive o pessoal da Corvinal e da Lufa-lufa, todos odiavam o time da Sonserina.
— Vai mais pra lá… — Hagrid pediu a , que prontamente se apertou, assim como Rony e Mione para que ele pudesse se sentar. — Estava assistindo da minha casa, mas achei que daqui seria mais emocionante, com a multidão... Nada do pomo?
— Não, Harry não teve muito o que fazer até agora.
— Pelo menos não está machucado.
— Potter desvia do balaço, Sonserina tem a posse da goles. Pucey desvia de dois balaços, dos dois Weasley e da artilheira Bell voando para… Espera aí, é o pomo? — o artilheiro da Sonserina deixou a goles cair ao espiar o pomo que havia passado por sua orelha esquerda, recebendo murmúrios da torcida. — Potter mergulha em direção ao pomo, assim como o Higgs…
Assim como Lino e os artilheiros, a torcida também assistia em silêncio a disputa cabeça a cabeça dos apanhadores em direção ao pomo. Até que Potter assumiu a frente e foi bloqueado de propósito por Marcos Flint, quase caindo da vassoura.
— Que ridículo! — Hermione falava.
— ISSO FOI FALTA! — berrou inconformada assim como o resto da torcida. Madame Hooch dirigiu-se a Flint com uma cara nada boa e logo depois deu a Grifinória um lance livre.
— Ele deveria receber um cartão vermelho! — Dino esbravejou.
— Não tem como expulsar um jogador no campo de Quadribol, Dino, não é futebol. — Rony lembrou.
— Mas deveria, ele poderia ter derrubado Harry no ar — foi Hagrid quem disse dessa vez.
— Depois dessa desonestidade óbvia e repugnante… Desculpe, professora. Depois dessa falta clara e revoltante… Ok, professora! Depois que Marcos quase matou Harry, o que pode acontecer com qualquer pessoa, temos uma penalidade a favor da Grifinória, Spinnet bate, para fora. Grifinória ainda está com a posse da goles.
voltou a atenção de volta para Harry, que parecia ter problemas com a vassoura. Ergueu a varinha discretamente e murmurou um “protego”, mas Harry continuava parecer brigar com a vassoura descontrolada. Foi então que a Sonserina marcou e no meio da revolta da torcida da Grifinória tentou lançar novamente o feitiço, sem sucesso. Tinha algo muito errado ali.
— Não sei o que Harry está tentando fazer, mas se eu não entendesse da coisa diria que ele perdeu o controle da vassoura. — Hagrid comentou e então olhou ao redor, notando que outras pessoas também pareciam perceber apontando para o garoto que estava pendurado se segurando apenas com uma mão.
— Será que aconteceu algo quando Marcos o bloqueou? — perguntou Simas e Hagrid imediatamente negou com a cabeça.
— Nada pode interferir com uma vassoura a não ser uma magia negra muito poderosa, nenhum garoto poderia fazer isso com uma Nimbus 2000.
— É por isso que não funciona! — finalmente entendeu e cutucou Hermione agoniada — Estava tentando usar o feitiço Protego, mas não surtia efeito algum. Só pode ser isso, alguém está azarando a vassoura!
Mione arregalou os olhos e pegou o binóculos das mãos da corvina e começou a procurar na multidão.
— O que está fazendo? — perguntou Rony pálido.
— Eu sabia! É o Snape! — Mione entregou o binóculo para e Rony pegou o de Hagrid. Ambos puderam observar o professor, que mantinha os olhos fixos em Potter e murmurava algo sem parar.
— O que vamos fazer? — gemeu Rony angustiado.
— Deixa comigo. — Mione se esgueirou descendo da arquibancada e logo Rony e a perderam de vista. Fred e Jorge tentavam se aproximar, para que, caso Harry caísse, eles conseguissem apanhá-lo, mas a vassoura de Potter parecia subir mais ainda quando alguém chegava perto. Enquanto isso a Sonserina já havia marcado cinco vezes.
— Anda logo, Hermione… — Rony batia os pés, claramente desesperado. apenas sentia um frio percorrer por toda sua espinha, como se sua pressão estivesse caindo. Ela sentiu uma fraqueza e sentou-se na arquibancada. Foi quando na arquibancada da Sonserina, as pessoas próximas a Severo notaram a pequena chama se apoderando em sua capa, o tempo da confusão que aquilo causou foi o suficiente para que Harry conseguisse montar a vassoura novamente.
Pouco tempo depois ele voltava ao chão com as mãos na boca como se fosse vomitar. escondeu o rosto no casaco de Rony que ainda estava em pé, mas não por muito tempo, visto que ele a cutucou dizendo que ela podia olhar.
Diggory nem sabia expressar a felicidade que sentiu quando viu Potter mostrando o pomo no alto, apenas se levantou num pulo. Parecia que seu sangue tinha voltado a circular como um foguete lançado, rápido e de uma só vez. A fraqueza voltou fazendo-a cair sentada, novamente, só que dessa vez Hagrid percebeu e apoiou as costas da garota antes que se desequilibrasse e caísse para trás.
?
×××


— Não é melhor levá-la para a enfermaria? — perguntou Mione sentada ao lado da corvina, que bebia o chá ainda desorientada pelo susto. Eles quatro já estavam no casebre de Hagrid.
— Eu tô bem, foi só minha pressão que caiu. Foi só o susto… — a garota murmurou envergonhada.
O que diabos havia acontecido com ela? Não era o tipo de pessoa que se assusta fácil, havia apenas ficado preocupada com o amigo, assim como Rony, Neville e todos os outros… Por que só ela tinha quase desmaiado?
— Foi o Snape. — Rony disse a Harry. — Nós três vimos, ele estava azarando a vassoura.
— Não pode ser… — Hagrid começou, mas foi interrompido por .
— Tentei conjurar o feitiço Protego, mas não surtiu efeito. Com certeza era algum feitiço avançado, arrisco até que tenha sido magia negra… Nenhum aluno poderia fazer isso.
— Bobagem, por que ele faria algo do tipo? — os amigos se entreolharam.
— Descobri algo… — Harry decidiu falar a verdade — Ele tentou passar pelo cão de três cabeças no dia das bruxas. Levou uma mordida. Achamos que estava tentando roubar o que o cão guarda. — Hagrid derrubou o bule e empalideceu.
— Como vocês sabem do Fofo?
— Fofo? — Rony perguntou inconformado com a ironia do nome da criatura.
— Ele é meu. Comprei-o de um grego no ano passado e o emprestei ao Dumbledore para guardar a… — ele arregalou os olhos como se tivesse se dado conta que estava falando demais e abaixou para pegar os pedaços do bule no chão.
— O que? — perguntaram Harry e ao mesmo tempo.
— Não me perguntem mais nada. É segredo. — Hagrid retrucou de forma impaciente.
— Mas, Hagrid, Snape está tentando roubá-lo! — murmurou irritada, eles estavam apenas tentando ajudar.
— Bobagem! — ele disse novamente — Snape é professor de Hogwarts, não faria isso.
— Então por que ele tentou matar o Harry? — perguntou Hermione, dessa vez. Harry e Rony se entreolharam, finalmente ela e haviam se convencido que eles dois estavam certos.
— Vocês estão enganados! Snape não iria matar um aluno! — Hagrid dizia extremamente convencido. — Escutem bem, vocês quatro estão se metendo em coisas que não são de sua conta. É extremamente perigoso, esqueçam tudo o que sabem sobre Fofo e o que ele guarda, isso só diz respeito ao Professor Dumbledore e Nicolau Flamel!
— Nicolau Flamel? — Harry indagou com a sobrancelha arqueada. Hagrid pareceu irritado por ter dito o nome sem querer, era claramente a informação que faltava.

×××


sentiu braços abraçarem seu pescoço assim que se sentou na mesa da Corvinal, ela sabia que era o irmão e então tombou a cabeça para trás aproveitando a demonstração de carinho. Adorava receber abraços e ser mimada no dia de seu aniversário.
— Finalmente você vai parar de contar os dias! — exclamou Cedrico sorrindo, vendo a irmã cerrar os cílios, indignada. — Parabéns, pirralha, mesmo sendo insuportável eu amo você!
— Você não vive sem mim, Ced! — mostrou-lhe a língua.
— Vem, temos que ir em um lugar. — ele puxou a mão da irmã, quase a erguendo. Cedrico era alto e mil vezes mais forte que a irmã que era baixinha e magrela. se apoiou devidamente e colocou-se de pé seguindo o irmão
— Que inferno Cedrico, Diggory! Eu estou com fome! Papai e mamãe devem ter mandado meus presentes pela Bilks, eu quero veeeeer!
só parou de resmungar quando Hermione, Harry, Rony, Brian, Jadrien, Fred, Jorge, Lisa e Morag surgiram no jardim com um enorme bolo com morangos e muito chocolate gritando “surpresa!”.
— Pedi para que nossos pais enviassem o bolo de chocolate com morango da mamãe que você gosta. — Cedrico explicou, vendo que os olhos grandes e acinzentados da irmã marejaram.
— Vocês não existem! Eu nem imaginava...
— Não tinha nem como esquecer já que você lembrava todo dia, foi o mínimo. — Fred comentou fazendo todos rirem.
— Vocês se acostumam… — Cedrico disse e recebeu um tapa no ombro da caçula.
— Vamos comer! — disse enquanto ria, indo em direção a Lisa que segurava o bolo.
Depois que todos haviam provado o maravilhoso bolo da senhora Diggory e as tortinhas salgadas que haviam pegado da mesa do café da manhã, o pessoal começou a entregar os presentes.
— Mamãe providenciou assim que comentei em uma das cartas sobre a surpresa que faríamos. — Rony explicou entregando um embrulho. — É de nós todos.
abriu o embrulho entusiasmada, se deparando com um lindo cachecol azul celeste, a garota abraçou a peça fofinha e sorriu para os irmãos Weasley.
— Obrigada, meninos, eu amei! Agradeçam a senhora Weasley por mim.
— O próximo é o meu! — Mione entregou a caixinha azul. a abriu e se deparou com uma pulseira linda, que provavelmente tinha sido feita pela amiga. — Fui eu quem fiz, tenho uma igual. Nunca fui de ter amizades e nesses meses você foi tão importante, me ensinou tanta coisa… Ok, isso é extremamente brega falando em voz alta.
— Eu achei incrível! — disse com os olhos marejados abraçando a amiga — Obrigada, Mione!
Brian e Jadrien lhe deram doces que trouxeram da ida a Hogsmeade, Lisa e Morag lhe deram um livro sobre quadribol que ela ainda não tinha. Cedrico entregou a ela o maior embrulho.
— A ideia foi minha, papai e mamãe compraram, então é de todos nós. Tem também as cartas deles, depois você lê. — Cedrico apressou a irmã, logo as aulas do dia iriam começar e ela ainda tinha que levar tudo aquilo para o seu dormitório. quase caiu para trás, mas conteve-se em soltar gritinhos animados ao ver o kit para preparo de poções com ingredientes e instrumentos para fazê-las. Ele sabia que a irmã adorava praticar algumas em seu tempo livre, sempre pegava os utensílios dele.
— Sua irmã tem gostos peculiares… — Brian fez careta ao falar com Cedrico, arrancando risadas de todos.
— Realmente, cara, se meus pais me dessem um kit para poções eu iria chorar e me sentir ofendido… Mas ela amou! — Jorge disse agoniado, apontando para ela com uma careta, dessa vez até riu.
— Vamos, pessoal? — Lisa perguntou olhando a movimentação dos alunos para fora do salão principal.
pegou todos os presentes e ia seguindo os amigos quando ouviu Harry a chamando.
— Ei, ! — ele a alcançou, os amigos foram na frente deixando-os à sós no lugar que ocupavam antes. — Eu não tinha pra quem pedir para comprar um presente, acabei cometendo a burrada de pedir para os gêmeos e… bem… claro que eles iriam fazer alguma graça. Lamento por não ter sido algo mais legal… — Harry coçou a nuca, extremamente vermelho e estendeu a ela uma caixinha de chocolates decorados com formato de coração. arregalou os olhos surpresa, mas riu assim que pegou. Aquilo era constrangedor, e era a cara dos gêmeos Weasley. Eles tinham que tirar uma com a cara do Potter, claro.
— Não, Harry, imagina. — a garota sorria, o que fez com que ele se sentisse mais confortável, ela tinha entendido que não tinha sido a intenção, certo? — Eu entendo, tá tudo bem. Obrigada pela intenção, não se preocupe, eu adoro chocolate!
Eles ficaram se encarando por alguns segundos e depois de um tempo caíram na gargalhada, a cada dia pareciam se entender ainda mais e se tornavam ainda mais amigos.
— Bem, temos que correr pra aula… Ainda tenho que levar isso tudo. Obrigada pelos corações! — ela piscou e saiu rindo deixando para trás um Harry ainda vermelho e querendo se afogar no Lago Negro.
— Não sei se me afogo ou se afogo os Weasley… — respondeu a seus próprios pensamentos enquanto batia com a mão na testa.

Quatro - Quem Diabos é Nicolau Flamel?

Dezembro de 1991


Novembro e dezembro passaram voando com a correria das aulas, treinos e jogos de quadribol (para Harry, no caso) e nos tempos livres uma busca incansável pelo tal Nicolau Flamel na biblioteca.
Harry e Rony pareciam realmente envolvidos na causa, visto que todos os dias estavam lendo livros e mais livros, já para e Hermione aquilo parecia uma questão de honra, pois a Diggory afirmava sempre que podia que aquele nome lhe era familiar, essa sensação de saber e não se lembrar estava a deixando irritada, odiava quando isso acontecia e fazia questão de procurar ainda mais abastecida pela curiosidade, mas principalmente pela força do ódio.
A força do ódio também a guiava nas três aulas de História da Magia durante as manhãs de sexta-feira, por Merlin aquela aula era um saco! A parte boa era ter a tarde inteira livre depois da sessão de tortura.
Assim que o horário terminou, os alunos, como de costume, faltaram voar (certamente o fariam se tivessem vassouras próprias) para fora da sala e não foi exceção, indo diretamente para o Salão Principal, que estava fabuloso. Haviam festões de azevinho e viscos pendurados por todos os lados, além, é claro, de doze enormes árvores de Natal dispostas pelo salão, umas tinham brilhantes cristais de neve e outras eram iluminadas por velas. não via graça em todo o encanto da sociedade pelo Natal, costumava ser indiferente à essa época do ano, mas era a primeira vez que ela via de perto as decorações do Professor Flitwick e da Professora Minerva, que todos os anos, eram tão elogiadas por Cedrico. E então, parada na pomposa porta do salão, Diggory observava a cena com o coração repleto de admiração, certamente, algumas concepções mudaram ali.
Despertando completamente dos devaneios, a corvina caminhou até os amigos, que conversavam com Hagrid em um canto.
— Que tal nos dar uma pista? — rogava Harry a um Hagrid impassível — Nós já lemos o nome dele em algum lugar, você só nos poupará tempo…
— Não digo uma palavra. — sentenciou o guarda caça decidido. Logo ela pode deduzir o assunto.
— Nós vamos descobrir uma hora ou outra, Hagrid. — confirmou uma Diggory confiante, deixando Hagrid aborrecido.
— Vamos, , temos algum tempo antes do almoço. — Hermione segurou o braço da amiga e o quarteto rumou para a biblioteca. A busca se tornava difícil por não saber o que Flamel poderia ter feito para aparecer em um livro e, é claro, pelo tamanho da biblioteca e suas dezenas de milhares de livros. Eles decidiram se separar, Hermione foi verificar uma lista de assuntos e títulos que tinha decidido pesquisar, Rony começou a tirar vários livros aleatoriamente de uma prateleira qualquer, certamente esperando que a sorte estivesse a seu favor ou que um milagre acontecesse, lia um livro sobre os avanços recentes na magia e Harry optou por vagar até a Seção Reservada, o que funcionou por alguns minutos, até que foi pego.
— O que você quer ai, garoto? — Madame Pince contestou com uma cara feia.
— Nada… — e então ela lhe apontou um espanador de penas empoeirado.
— Então é melhor dar o fora daqui, anda! — Harry saiu correndo irritado consigo mesmo por não conseguir pensar em uma boa desculpa rápido o suficiente para se safar, tudo que eles precisavam era de uma longa busca sem serem interrompidos ou vigiados por Madame Pince.
O garoto se escorou em uma das paredes do corredor e cinco minutos depois se reuniu com os amigos, esperançoso de que eles tivessem tido mais sucesso que ele na busca, mas foi como levar um balde de água fria na cabeça quando os três, sem trocar palavra alguma, apenas negaram com a cabeça, colocando-se então a caminho do salão para o almoço.
— Vocês devem continuar a busca enquanto estivermos fora. — Hermione recomendou, recebendo um aceno de cabeça como resposta. Harry e Rony ficariam no castelo durante o feriado.
— Envie Edwiges caso encontrem algo, farei o mesmo com Bilks. — sugeriu a Harry que assentiu.
— Vocês poderiam perguntar aos seus pais sobre Flamel, não haveria perigo, certo? — Rony questionou.
— Não creio que seria de grande serventia, meus pais são dentistas, não saberiam responder. — Mione deu de ombros.
— Mas tem a desculpa perfeita, diga que está curiosa e perturbe eles, como sempre faz. Seus pais e Cedrico certamente não vão desconfiar! — Harry incentivou com um sorriso zombeteiro.
— Ei! — ela riu dando uma cotovelada no amigo. — Se papai não me enxotar de casa por não ter sido selecionada pela Lufa-lufa, com certeza farei isso.
Depois do almoço, foi até o dormitório e terminou de arrumar a mochila que levaria para casa no tempo que lhe restava antes de irem pegar o trem. O caminho de volta para casa foi divertido, ela, Hermione, Jadrien, Brian e Cedrico vieram parte do percurso jogando snap explosivo, a outra parte ela dormiu encostada na janela, extremamente receosa de ver o pai pela primeira vez depois que entrara em Hogwarts.
A única carta que ele enviou em todos esses meses foi a do aniversário dela, não que ele fosse de demonstrar tanto afeto assim, mas a Diggory caçula sentia falta do pai, vê-lo mandando cartas para o irmão e para ela não era horrível.
Assim que desceram na plataforma, e Cedrico logo avistaram a mãe ao longe procurando-os entre a multidão de alunos. Eles se despediram brevemente dos amigos e caminharam até a mulher que os aguardava ansiosa.
! Ced! Ah meus filhos! — a mulher os abraçou de uma só vez, os irmãos se olharam, constrangidos pela demonstração tão escancarada de afeto, mas retribuíram o carinho mesmo envergonhados. — Vamos logo pra casa, preparei batatas recheadas para o jantar.
— E o papai? — Cedrico perguntou enquanto caminhavam para a saída da estação.
— Ficou até mais tarde hoje, problemas no Ministério… — a mãe deu de ombros os guiando até o estacionamento. Os Diggory tinham um carro pequeno para esses tipos de ocasião. O caminho até Ottery St. Catchpole foi tranquilo, comentou brevemente sobre seus meses em Hogwarts e ficou calada pelo resto do trajeto, o que não passou despercebido por Taís e Cedrico.
Não era todo dia que uma tagarela como Diggory ficava calada.
Poucos minutos depois que Amos havia aparatado na sala, os três restantes entraram na casa.
— Meu garoto! — Amos saldou o primogênito com um abraço e tapinhas nas costas. Assim que eles se separaram, a expressão animada do Sr Diggory “murchou”, ele tentou sorrir e ir na direção dela para disfarçar, mas era tarde demais, os olhos da garota já haviam percebido, ela ergueu a mão para que ele parasse.
— É bom vê-lo também, papai. — murmurou somente virando-se para a mãe, os olhos cintilantes — Vou tomar um banho antes do jantar, tá?
— Tudo bem, querida.

×××


Ela não demorou a descer, por mais que quisesse, e encontrou os pais e o irmão entusiasmados em um assunto qualquer enquanto a esperavam para o jantar.
! Estava contando para mamãe e papai como foram os jogos de quadribol até agora…
— O da Grifinória contra Sonserina foi desesperador, mas o da Lufa-lufa contra Corvinal eu consegui assistir em paz e até apreciar a vitória. — ela sorriu ao se sentar na mesa.
— Realmente, Harry Potter é o novo apanhador da Grifinória, pai, ele quase caiu da vassoura, parecia ter perdido o controle dela — Cedrico contava, sentia agonia só de lembrar.
— Perdeu o controle da vassoura? Tem certeza de que ele é bom como você diz, filho? Ora… Se fosse, realmente, isso não teria acontecido. — Amos se servia, a voz carregada de escárnio.
— A vassoura estava sendo azarada, assim até o melhor apanhador do mundo se esfola no chão. — exclamou irritada, só se dando conta do que havia falado quando os outros três a olhavam chocados. — Digo, uns alunos da Sonserina fizeram algumas gracinhas com a vassoura. Harry me contou que a Professora Minerva descobriu depois, ela os puniu e não fez tanto alarde do caso, sabe como é… Eu nem deveria saber disso, então já sabe, né? — ela sorriu amarelo, olhando especificamente para o irmão, em um pedido mudo para que ele ficasse calado, que assentiu ainda chocado.
— Isso é um absurdo! Ora, não conheço um Sonserino que preste… Que barbaridade. — o pai comentava indignado enquanto a garota só concordava com a cabeça, ela achava a fala do pai completamente preconceituosa, mas só queria mudar de assunto e não se enrolar ainda mais na história que contava. — E como é ter aula com o famoso Harry Potter?
— É… Normal? — franziu a testa.
— Potter é um garoto aparentemente humilde. — Cedrico completou.
— Isso é ótimo, seria horrível se ele se vangloriasse por ter acabado com Você-sabe-quem, pois ele perdeu os pais no mesmo dia. — Taís disse pesarosa — Enfim, querida, conte para nós como está sendo as aulas? Sobre os amigos que fez...
— Ah, gosto de todas as aulas, menos a de História da Magia. — ela fez uma careta arrancando risadas da mãe — E meus amigos são legais, eles ajudaram o Ced com a surpresa no meu aniversário e nos divertimos juntos.
passa a maior parte do tempo dela na biblioteca, mãe, mal consigo encontrá-la nos corredores! — Ced sorriu para a irmã, notando que ela estava ficando menos desconfortável.
— E você esperava algo diferente vindo da sua irmã? — perguntou Taís sorrindo para a filha.
— Seria uma das melhores alunas da Lufa-lufa, assim como seu irmão… — Amos comentou sonhador.
— Eu posso ser a melhor onde estou também, pai. — ela suspirou tentando manter o controle — Não que eu precise disso, não preciso provar nada para ninguém, acho perda de tempo.
— Não é perda de tempo, . Você descende dos melhores, e deveria repensar se quiser ter um emprego bom no futuro, para isso tem que estar entre os melhores… Já que não foi para a mesma casa de todos os membros da família, pelo menos faça o melhor que pode onde está. — Amos sentenciou de maneira rude.
— Pode deixar… Vou fazer de tudo para não o envergonhar ainda mais. — ela retorquiu no mesmo tom ao se levantar. — Desculpa, mãe, o jantar está maravilhoso, mas eu perdi a fome.
E tudo que Taís e Cedrico observaram a seguir foi correr pelas escadas e em seguida, o barulho da porta batendo ecoou por toda a casa.
— Amos… — Taís começou com a cara fechada.
— Não começa, ela precisava ouvir algumas verdades. — ele continuou comendo, como se nada tivesse acontecido, sem remorso algum.
— Não, pai, ela não merecia. Você sabe muito bem que ela não tem culpa, não é como se fosse uma escolha dela! — Cedrico havia perdido a paciência também.
— Claro, claro… — ele murmurou de maneira irônica — Não entendo onde foi que erramos com ela, ora, veja só você, foi criado da mesma maneira e não é assim.
— AMOS DIGGORY — Taís gritou enfurecida. — Falar que você os criou da mesma maneira é ridículo… COMPLETAMENTE RIDÍCULO! Talvez tenhamos errado mesmo, nós dois, você por agir de forma COMPLETAMENTE MACHISTA e achar que Cedrico merece mais atenção por ser homem e mais velho e eu por permitir que isso acontecesse. ELA É UMA MENINA, AMOS! Uma menina que cresceu à sombra do irmão, invisível aos olhos do pai se sentindo deslocada! Excluída! SE SENTINDO MENOS AMADA! — a mulher colocou as mãos no rosto e em seguida massageou as têmporas tentando se controlar. — Cedrico, querido, suba para ver como está a sua irmã, já encontro com vocês.
— S-sim, senhora. — poucas vezes na vida o garoto havia presenciado a mãe gritar, ou presenciado uma discussão dos pais, e não podia negar a si mesmo que aquilo o assustava. Ele se levantou correndo na escada, ouvindo a mãe dizer por último.
é uma garota espetacular, se você não tem capacidade para incentivá-la e amá-la, POR FAVOR, NÃO ATRASE A VIDA DELA!
Cedrico sentiu-se inútil ao ver a pequena garota encolhida em sua cama, abraçada com um pelúcio de brinquedo que havia ganhado do pai quando mais nova, soluçando baixinho. Não sabia o que falar, nem o que fazer para que ela parasse de chorar. Sentia-se culpado, era visível a diferença da relação do pai com ele e com ela, mas nunca ouvira aquilo de sua mãe, nunca tinha percebido isso como algo que pudesse atrapalhar o desenvolvimento da irmã. Ele suspirou angustiado, ainda sem saber o que fazer, com medo de que a irmã não o quisesse por perto, afinal, ele era o motivo daquilo tudo também. Mas se sentou na cama, fazendo um carinho nos cabelos da menina.

— Tá tudo bem, Ced, eu não ligo. — ela se sentou e o encarou por alguns segundos, forjou um sorriso e tentou limpar as lágrimas de maneira desesperada.
— Me desculpa… — o irmão começou, com os olhos marejados.
— Isso não é sua culpa, Cedrico, de maneira alguma! Nunca mais pense isso! — ela pediu, chorando ainda mais, já bastava ela chorando ali, não ia aguentar ver o irmão sofrendo com um fardo que não era dele. — Vem cá...
A garota o puxou para um abraço e escondeu o rosto em seu peito.
— Você quer conversar? — ele assistiu a garota negar com a cabeça e deitando na posição anterior. — Quer que eu saia daqui? — novamente ela negou, o lufano deitou ao lado dela e a abraçou novamente em seguida. — Então vou ficar aqui, abraçado com a minha irmãzinha, como nos velhos tempos.
E então ele ouviu uma risada baixinha que o inundou de alívio, por ver que de alguma maneira, havia ajudado a melhorar o humor da irmã, a garota que, antes de qualquer namoradinha em Hogwarts, era a mais importante em sua vida.
Depois de uma discussão ainda mais pesada com o marido, Taís subiu para ver como estavam os filhos, em todos os seus anos como mãe e esposa, prezava por não desautorizar ou brigar com o marido na frente deles, se sentia péssima por ter feito Cedrico presenciar o começo caloroso, ela sabia que ele deveria estar assustado e a filha mais nova desolada. Mas tudo que ela encontrou foi a cena que seu coração precisava para se acalmar, os filhos abraçados e adormecidos, ainda tinha o rosto vermelho e inchado, mas estava com um sorrisinho preso no canto dos lábios.
A mulher sabia que tinha filhos de ouro, amava-os mais até que a si mesma. Com os olhos marejados e com o peito apertado pelos acontecimentos recentes, ela se aproximou cobrindo os dois com uma coberta e fechando a janela. Antes de sair, observou ainda mais a cena, guardando cada detalhe do que parecia ser a calmaria em meio ao caos.
Seus filhos estavam bem, ficariam bem. E se eles ficassem, ela também estaria.

×××



Durante o resto do recesso as coisas ficaram estranhas na casa dos Diggory, aquele fora, com certeza, o Natal mais silencioso que já presenciou. O Sr e a Sra Diggory cultivaram nos filhos algo que eles tinham de sobra: o amor pela música trouxa, todos os anos era quase que uma tradição nos feriados de final de ano a família dançar e cantar junto. Mas não naquele Natal, nem as músicas tocavam para cortar o silêncio constrangedor.
O ápice de interação entre ela e o pai foi quando ela conseguiu realizar uma poção Herbicida para que a mãe usasse no jardim e dois dias depois, conforme o tempo indicado no livro que ela pegara de Cedrico (já que era uma poção ensinada no terceiro ano), as ervas daninhas que incomodavam tanto Taís haviam sumido. A garota saiu correndo até a mãe e o irmão para contar que havia dado certo, o que acabou chamando a atenção de Amos, que lia o profeta diário sentado no sofá. A mãe rasgou inúmeros elogios para a filha, assim como Cedrico.
Depois que o filho deixou escapar que havia tido dificuldades em realizar a poção durantes as aulas e que adoraria que a irmã o ajudasse a entender o que havia feito errado, o único comentário que Amos fez foi um “parabéns filha” com a voz monótona e sem sequer tirar os olhos do jornal, sabia que, por ora, vindo do pai, aquilo era o máximo que iria ter.
Ela também não esqueceu que deveria perguntar aos pais sobre Nicolau Flamel, como havia combinado com os amigos, já que nos livros que eles tinham em casa ela não havia encontrado nada. Durante a noite da véspera de ano novo, quando os Diggory já haviam jantado e esperavam dar meia noite para assistir à queima de fogos no vilarejo trouxa perto dali, decidiu ir ao quarto pegar um dos doces que havia ganhado de Hermione no Natal e optou pelo Sapo de Chocolate. Ela não tinha muito apreço pelas figurinhas, sempre as entregava para o irmão que colecionava, mas ao ver a foto de um Dumbledore com aparência simpática interessou-se em lê-la.
“Alvo Dumbledore, atualmente diretor de Hogwarts. Considerado por muitos o maior bruxo dos tempos modernos. Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado Grindelwald, o bruxo das Trevas, em 1945, por ter descoberto os doze usos do sangue de dragão e por desenvolver um trabalho de alquimia em parceria com Nicolau Flamel. O Professor Dumbledore gosta de música de câmara e boliche.”
quase cuspiu o chocolate que mordia, mas arregalou os olhos e leu a figurinha pelo menos umas três vezes, ainda não acreditando no que via.

×××



A volta para o castelo foi eufórica, assim que mostrou a figurinha para Hermione, as garotas ficaram elétricas com a possibilidade de descobrir o que tanto havia lhes irritado nas últimas semanas. Hermione sabia exatamente o livro que devia procurar, mas havia o deixado no dormitório antes do recesso.
Assim que desceram das carruagens, as garotas correram até o Salão Principal para procurar Harry e Rony, mas eles provavelmente estariam na Torre da Grifinória.
— Como já já é o horário do jantar e eu tenho que ir lá pegar o livro de qualquer jeito, vou até lá, chamo os dois e nos encontramos no corredor.
— Ok, vou me arrumar pro jantar e deixar a mochila no quarto também. — disse ofegante enquanto Mione confirmava com a cabeça e em seguida, ambas correram em direções contrárias para seus respectivos destinos. Tempo depois, ao voltar ao local combinado, os três amigos a esperavam
— Ok, eu só preciso achar… — Mione folheava o livro ansiosamente.
— Certo, eu trouxe a figurinha pra vocês verem. — deu de ombros, entregando-a aos garotos.
— Eu não consigo acreditar… Tenho umas cinco dessas e nunca iria ligar os pontos. — Rony fez careta.
— Aqui! — Mione exclamou — Eu sabia!
— O que? — perguntaram os outros três angustiados.
— Nicolau Flamel é, ao que se sabe, a única pessoa que produziu a Pedra Filosofal… — sussurrou Granger.
— É isso! — exclamou agora dando pulinhos, mas parou quando viu que Rony e Harry olharam para ela e Hermione claramente confusos. — Gente, a Pedra Filosofal… Claro que é isso que Snape está tentando roubar!
— A o que? — os garotos questionaram.
— A Pedra Filosofal pode transformar qualquer metal em ouro e produz o Elixir da Vida, que torna quem o ingere imortal. — explicou brevemente.
— Francamente… Vocês não leem não? — Hermione murmurou inconformada entregando aos dois o livro. — Viram só? É isso que o cachorro deve estar guardando, com certeza Flamel pediu a Dumbledore que a guardasse em segurança, porque são amigos...
— E com certeza Flamel sabia que havia alguém atrás dela, por isso Dumbledore a tirou de Gringotes. — Diggory concluiu o pensamento recebendo um sorriso e um aceno de cabeça da amiga.
— Ser rico e imortal? Não me admira que Snape esteja atrás dela, qualquer um estaria! — Harry exclamou.
— Não me admira que não o tenhamos encontrado em Estudos dos avanços recentes em magia… O cara tem seiscentos e sessenta e cinco anos, se tem uma coisa que não é, é recente! — o comentário de Rony fez os amigos rirem completamente aliviados, finalmente.

×××



Os dias seguintes foram tranquilos, até chegar o sábado do jogo da Grifinória contra a Lufa-lufa. Rony, Mione e haviam bolado um plano para agir caso Snape tentasse algo contra Harry novamente. quase não conseguia disfarçar o receio que sentia de algo acontecer ao garoto e automaticamente lembrava de seu quase desmaio.
Para o alívio do quarteto, Dumbledore decidiu dar o ar da graça no jogo, ao ver a barba prateada iluminada pelo sol Harry quase deu uma gargalhada. Mas, por via das dúvidas, os outros três acordaram de ficar espertos quanto ao professor. se despediu brevemente dos amigos e foi até a arquibancada onde os alunos da Corvinal estavam, visto que era mais próximo de onde Snape iria apitar o jogo.
Para a felicidade dos grifinórios, o jogo não durou muito, menos de cinco minutos foram suficientes para Potter pegar o pomo e então Diggory pode caminhar lentamente, enquanto a multidão se dissipava, para perto de Ron e Mione. Correndo somente quando viu o amigo ruivo acertando o olho de Malfoy e logo em seguida Neville sendo acertado pelos capangas do loiro. Logo os três idiotas saíram correndo antes que fossem pegos.
— Por Merlin, o que houve? — perguntou ofegante para Hermione que olhava para Neville agoniada.
— Malfoy falando merda, eu o dando uma lição e o Neville sendo acertado por um, hm… erro de planejamento. — Rony explicou com uma careta ao olhar o amigo.
— Venham, temos que levá-lo a Madame Pomfrey. — correu em direção ao garoto desacordado, assim como os outros dois.
Depois que Madame Pomfrey os expulsou da enfermaria, assegurando que Neville ficaria bem logo, os três foram ao Salão Principal, para verificar se Harry estava lá. A mesa da Grifinória estava milagrosamente vazia, então a garota não viu problema de se sentar lá por alguns minutos com os outros dois.
— Ei, o que vocês ainda fazem aqui? E cadê o Potter? — Fred saudou cochichando, enquanto tinha os bolsos cheios de guloseimas da cozinha.
— Viemos jantar e procurar por Harry também. — Mione explicou com a sobrancelha arqueada, como se perguntasse o porquê.
— Certo, assim que o encontrarem venham até o salão comunal, Jorge e eu conseguimos algumas coisas na cozinha e vamos dar uma festa. — ele certificou que ninguém estava por perto — Damos um jeito de você entrar e aproveitar conosco, .
— Entrar ela até entra quando falarmos a senha, o problema é não ser dedurada por Percy. — Rony lembrou o irmão, que riu e debochou logo em seguida:
— Você acha mesmo que Percy vai sair do quarto um mês antes dos exames? Ele está trancado no dormitório, só sai na hora das rondas.
— É como todos deveriam estar… Estudando! Logo vêm as provas e... — Hermione revirou os olhos.
— Mione, você sabe que temos que ter equilíbrio, uma noite só não faz mal, precisamos nos divertir também… — cutucou a amiga e olhou para Fred sorrindo — Assim que acharmos o Potter nós vamos, ok?
— Ainda acho que te colocaram na casa errada… — Jorge comentou.
— Claro que não! Sou corvina até o último fio de cabelo! — exclamou com a mão no peito, como se estivesse ofendida.
— Sei… Sei… E está fazendo o que na nossa mesa mesmo?
— Só não te mando ir a merda porque você tem que correr daqui antes que seja pego surrupiando comida! — ela cochichou entredentes para o ruivo que saiu dali correndo e rindo.
— Vai dar problema se te pegarem lá, … — Mione tentou alertar, mas Rony a interrompeu.
— Mione, você esqueceu que Harry tem a capa da invisibilidade? Se alguém aparecer, acha mesmo que ele deixaria ser pega?
— Fica tranquila, Mione, é só dessa vez.
— Vou me lembrar disso, Diggory, talvez agora não tenha utilidade pra jogar isso na sua cara, mas no futuro… — Mione comentou a olhando com um sorriso convencido.
— O que está querendo insi…
— Harry! — Mione exclamou estridente, se livrando de explicar a teoria que tinha formado há alguns dias para a amiga. — Onde é que esteve?
— Vencemos! Você venceu! Nós vencemos! — Rony deu alguns tapinhas nas costas do amigo quando esse se sentou ao seu lado. — Eu deixei o olho do Malfoy roxo e o Neville tentou enfrentar Crabbe e Goyle sozinho! Ele tá na Madame Pomfrey… Desacordado. Mas ela disse que ele vai ficar bem logo, isso que é mostrar pra Sonserina! Todos estão te esperando no salão comunal, estamos dando uma festa, Fred e Jorge roubaram umas coisinhas nas cozinhas, até a vai! — tagarelou Weasley de uma vez só. Harry arregalou os olhos para a Diggory e suspirou.
— Deixem isso pra lá agora, vamos procurar um lugar vazio, vocês precisam ouvir isso…
Os amigos caminharam por um tempo até acharem, certificaram que Pirraça não estava lá e fecharam a porta.
— Tínhamos razão! Ouvi Snape e Quirrell falando sobre a pedra! Snape está tentando obrigar o Quirrell a ajudá-lo a roubar. Snape perguntou a ele se sabia como passar por Fofo e falou sobre as mágicas de araque dele ou algo assim. Imagino que haja outras coisas protegendo a pedra, um monte de feitiços provavelmente. Quirrell deve ter feito um que Snape não sabe o contra feitiço para entrar…
— Então a pedra só está segura enquanto o Quirrell resistir ao Snape? — perguntou Hermione aturdida.
— Isso quer dizer que na terça feira ela terá desaparecido… — Rony concluiu.
— E o que faremos? — perguntou Mione.
— Acho que o melhor é ficar em alerta e correr para avisar Dumbledore caso algo ocorra. Ninguém vai acreditar em quatro crianças sem prova nenhuma… Digo, é a palavra de Harry contra a de um professor! — exclamou alarmada.
— Tem razão… Vamos ficar atentos. — Harry concordou com a garota e em seguida os outros dois amigos também.
— Agora podemos ir? Estou com fome… — Rony sorriu amarelo, enquanto os outros assentiram rindo.
, vai mesmo com a gente? — Potter questionou surpreso, ainda não acreditava que a corvina teria concordado de bom grado quebrar algumas regras.
— Claro, vocês só vão ter que me ajudar a não ser pega!
— Isso é o de menos, depois te deixo no seu salão comunal com a capa e volto. — ele deu de ombros despreocupado, Mione observava a interação que endossava sua teoria, mas não podia negar que ainda estava preocupada com o risco que a amiga se colocaria.
Os quatro caminharam até o quadro da mulher gorda, Rony falou a senha e eles entraram. Todos foram encher um pouco o saco do Potter, então ninguém pareceu notar a presença de ali. A garota olhava para o local abismada, era bonito e aconchegante, mas nunca seria tão bonito quanto a comunal da Corvinal, e então a garota riu baixinho, lembraria de provocar os gêmeos com isso depois.
— O que vocês pensam que estão fazendo? — Percy apareceu assim que ouviu a algazarra de quando todos começaram a jogar Harry pra cima comemorando a vitória, ele olhou todo o salão, parecia que farejava que algo estava errado, então ele fixou os olhos na Diggory que sorriu quando viu que ele vinha em sua direção — O que ela faz aqui? Isso é…
— Você não deveria estar lá em cima estudando? — Fred surgiu tentando distraí-lo.
— Me respondam, o que uma aluna de outra casa faz aqui? — perguntou novamente.
— Ela veio aproveitar a festa, oras… — Jorge respondeu — Nós que convidamos.
— Eu vou chamar a Professora McGonagall agora mesmo. E os outros TODOS PARA CAMA! — e então os outros alunos vaiaram.
— Eu não faria isso se fosse você… — Harry começou — Seria sua palavra contra a nossa.
— Garanto que minhas colegas de quarto também fariam questão de comentar como eu estava lá no dormitório lendo meu livro de transfiguração. E ah, ainda tem Penélope, ela adoraria me fazer um favorzinho, sabe como é, ela e eu somos muito boas guardando os segredos uma da outra… — observou Percy empalidecer quando ela tocou no nome da monitora da Corvinal a qual ele beijava por aí sempre que tinha oportunidade, ele sabia do que ela estava falando.
— Só… Tente não ser pega. — o monitor declarou ainda desorientado.
— Claro, — sorria — vocês me viram aqui gente?
Ela obteve um coro de “não” de todos que estavam ali presentes, não tinha como não adorar ver alguém enfrentar Percy e toda sua arrogância. O monitor bufou e voltou ao dormitório, o que permitiu que a festa continuasse.
— Isso foi… — Fred começou.
— Fantástico! — Jorge completou rindo.
— Sabe como é né? — ela olhou para Fred — Os corvinos sabem aproveitar bem os limões que a vida dá, sempre fazem limonadas maravilhosas.
— Nunca duvidei, — ele ergueu as mãos como se rendesse, arrancando risadas dela.
— Certo, mas que segredo é esse? Adoraria saber pra poder jogar na cara dele assim também! — Rony quem disse, com a boca cheia, olhando a amiga abismado.
— Ah, Ron, como falei pra ele, sou realmente boa guardando segredos. — ela deu de ombros. — E, Harry, pelo amor, vai pegar a capa! Se a Minerva aparece aqui eu não tenho bons argumentos para usar com ela.
A festa seguiu, algumas meninas do quarto ano conseguiram fazer um rádio funcionar e começar a dançar animadas algumas músicas trouxas que faziam sucesso.
Mione e Ron jogavam xadrez de bruxo enquanto comiam alguns salgadinhos, os gêmeos sumiram para fazer sabe-se lá o que, Diggory viu que a melhor opção para se esconder caso desse merda era ficar sentada no parapeito e puxar as cortinas caso alguém entrasse, já que Harry ainda não tinha aparecido com a capa depois de pouco mais de uma hora. Certamente havia sido parado por alguém, afinal, ele era o fucking Potter que pegou o pomo em menos de cinco minutos, era o herói do dia e ela não queria atrapalhar a festa do amigo. Ele merecia o momento de glória.
Começou a tocar “Losing my religion”, uma música que havia sido lançada há alguns meses atrás e que ouviu enquanto estava em casa. Era boa decorando as letras, então aproveitou que estava sozinha e começou a cantarolar baixinho com os olhos fechados.
— I thought that I heard you laughing, I thought that I heard you sing, I think I thought I saw you try… CACETE, POTTER. — a garota berrou assim que abriu os olhos e deu de cara com o amigo, que agora ria da cara dela.
— Vim trazer a capa. — ele sentou do lado dela encarando — Não sabia que gostava de músicas trouxas… E nem que sabia cantar.
— Eu não sei cantar. — ela disse desviando o olhar — E, se tem algo que não consigo apreciar no mundo bruxo são as músicas…
— Sei como é, ouvi algumas e detestei também.
— Os trouxas têm os Beatles, não tem como superar os Beatles! — ela murmurou rindo e acabou se empolgando — Eu e minha família amamos as músicas trouxas, todo natal nós cantamos e dançamos juntos, é ridículo ver, mas eu particularmente amo estar ali passando vergonha junto! — e então o sorriso murchou quando ela lembrou do natal de semanas atrás.
— Tá tudo bem? Quer conversar? — Potter perguntou a olhando de maneira compreensiva.
— É que… Bem, esse Natal não foi como os outros. — não sabia se estava a vontade para falar, mas quando sentiu que choraria e recebeu um afago no ombro, ela entendeu que precisava conversar com alguém. Cedrico até a escutaria, mas se sentiria culpado e definitivamente ela não queria isso.
— A gente pode aproveitar que falta uma hora para as rondas começarem e ir lá fora… Pra você, hm, se sentir mais à vontade se quiser, depois aviso a Mione sobre seu sumiço.
— É melhor, se ela me ver chorando vai surtar. — a garota sorriu fraco e então eles saíram dali.
— O que aconteceu no Natal?
— Foi um pouco antes, para falar a verdade. Papai está bem irritado por eu não ter ido pra Lufa-lufa, como comentei antes. — ele assentiu se lembrando — Nossa relação sempre foi um pouco… Atípica. Ele trata meu irmão como “o garoto dele”, se orgulha e fala de tudo que ele faz, até quando Cedrico está errado ele dá um jeitinho de desconversar. É super carinhoso e atencioso… Mas comigo é como se nada nunca estivesse bom, nunca serei tão boa quanto meu irmão e, bem, não ter ido para a casa que ele, meus avós e todos antecedentes foram, foi mais uma prova de que não sou e nunca serei boa o suficiente como uma Diggory, como meu irmão é, como ele foi e etc. Ele fez um comentário bem desagradável no dia que chegamos para o recesso, mamãe e ele brigaram feio. Até o dia que voltamos eles ainda estavam estranhos um com o outro… Você já pode imaginar como foi o clima do Natal e dos dias seguintes.
— Desculpa, , mas seu pai é um idiota. — Potter exclamou indignado — Ele não conhece a filha que tem, você é uma das pessoas mais inteligentes que conheço e bem, nesse patamar só conheço você e a Mione… Você luta pelo que é certo, é humilde e honesta, bem eu poderia ficar a noite toda aqui falando sobre o quanto você é uma garota in… legal! — ele se tocou que estava falando demais — Você deveria, na próxima oportunidade, tentar mostrar pro seu pai como isso te afeta, ele é seu pai, tem que ser ele quem te apoia em primeiro lugar no mundo. Você já tentou falar isso com ele?
— Eu… Nunca tive coragem. — ela abaixou a cabeça, sentindo as lágrimas caírem — Mas mamãe falou um monte pra ele, nem assim ele demonstrou estar arrependido sobre o que disse. Mal me dirigiu a palavra esses dias todos.
— Acho que sua mãe ou Cedrico não podem falar exatamente como você se sente… Talvez isso tenha mais peso para ele quando você disser.
— Bem… Nunca tinha pensado por esse lado. Vou fazer isso quando vê-lo novamente.
— Agora, por favor, não chora mais! A gente pode voltar lá se você quiser, e dançar e cantar com os outros. Não vai ser como na sua casa, mas se te fizer se sentir melhor é um começo. — ele deu de ombros fazendo-a rir, estavam perto da torre da Corvinal.
— Obrigada, Harry, isso é muito gentil da sua parte, de verdade. — ela o abraçou rapidamente, a musculatura do garoto pareceu se enrijecer de susto e só aí ela notou o que tinha feito, dando um pulo para trás completamente envergonhada — Me desculpa, eu… é… Acho que não vou voltar, vou entrar e bem, pensar sobre tudo que me disse. Obrigada mesmo.
— Tá bom… De nada. B-boa noite então. — Harry coçou a nuca constrangido, céus, ela queria morrer.
— Boa noite Harry, você é um ótimo amigo. — ela frisou, para não parecer que, bem, para que ele não pensasse que ela gostava dele ou algo do tipo. Harry olhava de um lado pro outro acenando a cabeça.
E então ela correu até a entrada, rezando que o enigma da aldrava fosse fácil, já que com a cabeça atribulada não conseguiria pensar muito e corria o risco de dormir do lado de fora. Ela se surpreendeu ao ver que tinham mais uns três alunos lá, parados esperando que alguém viesse para solucionar a questão.
Lascou, se três tentaram e estão fora, vou juntar minhas trouxinhas com eles e dormir aqui. Tomara que algum deles seja conhecido, pelo menos… Ela pensava.
! — reconheceu Terêncio Boot desesperado, e logo ao lado dele estavam Goldstein e Mandy. Bom, pelo menos os três são conhecidos... — Estamos aqui há uns quarenta minutos tentando responder esse inferno!
— Aí céus… Vou tentar. — Diggory massageou as têmporas indo em direção a aldrava.
— O que quando está virado de lado é tudo e quando cortado ao meio não é nada? — questionou a aldrava, imponente como todos os outros dias. pensou por alguns instantes.
— A resposta é o número oito, quando virado ao lado é o símbolo do infinito e quando cortado ao meio é o zero…? — ela sentenciou incerta. Até quando os alunos tinham certeza ainda eram sujeitos a errar.
— Exatamente, muito bem observado! — a aldrava exclamou dando passagem ao salão comunal. respirou aliviada em poder descansar, ou simplesmente surtar de tanta vergonha do que acontecera minutos antes, em sua cama, assim como os outros três.

Cinco - Sonhos

Abril de 1992


Quirrell resistiu. Parecia acabado: estava mais magro e pálido, mas Fofo ainda rosnava na sala do terceiro andar, o que indicava que a pedra estava a salvo. e Mione começaram a surtar e revisar as matérias para os exames, que se aproximavam cada vez mais e acabavam arrastando Rony e Harry para a biblioteca. Logo a Páscoa chegou e inventou uma desculpa relacionada a correria para os exames e os deveres extras para não voltar para casa como Cedrico, que mesmo contrariado, encobriu a irmã.
, me fala três usos do sangue de dragão? — Hermione fazia uma espécie de chamada oral com os amigos.
— É curativo, limpador de fornos e ingrediente para algumas poções. — respondeu empolgada, sob olhares cansados dos dois garotos.
— Certo! — Hermione sorriu para a amiga e dirigiu seu olhar para Rony. — Rony, diga mais três.
— Eu nunca vou me lembrar disso. — o ruivo largou a pena e abaixou a cabeça entediado.
— Hagrid! — exclamou ao ver o gigante atraindo o olhar dos outros três.
— Rúbeo? O que faz na biblioteca? — Rony questionou.
Hagrid os olhou assustado e andou de fininho escondendo algo atrás de si.
— Só estou olhando… — seu tom inseguro logo tornou-se desconfiado — E vocês o que estão aprontando? Ainda estão procurando Nicolau Flamel?
— Ah não… Já descobrimos isso faz tempo! — Rony disse se gabando — Sabemos que o cachorro guarda a Pedra Filos…
— Shhh! Não saiam gritando isso por aí! — Hagrid falava olhando para os lados.
— Queremos perguntar algumas coisas pra você sobre as outras coisas que protegem a Pedra… — Harry começou, mas foi interrompido por Hagrid.
— Shhh! — fez novamente — Venham me ver mais tarde, não que eu vá contar algo, vejam bem, mas não saiam falando disso por aí, estudantes não devem saber disso, vão achar que fui eu quem os contei…
— Tudo bem, Hagrid, nos vemos mais tarde, então. — concordou e o gigante saiu com pressa.
— O que é que ele estava escondendo? — Hermione questionou pensativa.
— Será que tinha algo a ver com a Pedra? — devolveu Harry da mesma forma.
— Vou ver em que sessão ele estava… — Rony sugeriu, havia encontrado a desculpa perfeita para se afastar das incansáveis perguntas de Hermione. Ele voltou alguns minutos depois largando alguns livros na mesa. pegou um, olhando os dizeres “Do ovo ao inferno, guia do guardador de dragões” na capa.
— Dragões? — questionou ela em voz baixa.
— Rúbeo com certeza estava procurando coisas sobre dragões, olhe só esse outro: “Espécies de dragões da Grã-Bretanha e da Irlanda”... — Rony concluiu mostrando os outros livros.
— Rúbeo me disse que sempre quis um dragão na primeira vez que nos vimos… — confidenciou Potter, pensativo.
— Mas isso é ilegal, foi proibido pela Convenção dos Bruxos em 1709, todos sabem disso. Seria difícil os trouxas não repararem dragões sendo criados no quintal, além de ser perigoso domesticá-los. Vocês tinham que ver as queimaduras que Carlinhos recebeu de dragões selvagens na Romênia. — Rony disse, deixando uma Hermione surpresa, o que fez segurar o riso.
— O que será que Rúbeo está armando? — Hermione questionou.

×××


As cortinas da cabana estavam todas fechadas e fazia um calor infernal lá dentro, parte pelo calor natural que fazia aquele dia e parte pela lareira acesa. Bolota veio correndo alegre até a Diggory que fez um lembrete mental de vir mais vezes visitá-lo, a rotina de estudos para os exames estava fazendo-a perder a noção de tempo, precisaria administrar melhor isso.
— Você tá tão grande, carinha! — ele abanava o rabo e dava lambidas na bochecha da garota que ria com o carinho — Eu sei… Também senti sua falta!
Hagrid ofereceu um chá e alguns sanduíches de carne de arminho para os quatro que, apenas recusaram educadamente. Canino e Bolota dormiam com as línguas para fora, e Mione se abanavam discretamente sempre que dava e Rony tinha as bochechas tão vermelhas quanto o cabelo devido a temperatura elevada.
— Então, vocês queriam me perguntar alguma coisa? — Hagrid questionou enquanto colocava a chaleira na pia.
— Queríamos — Harry disse direto — Estivemos pensando se você poderia nos dizer o que protege a Pedra Filosofal além do Fofo.
— Claro que não posso dizer! — o guarda caça respondeu com a cara amarrada — Primeiro que nem eu sei e não diria mesmo que soubesse. Segundo: vocês já sabem demais! Aquela pedra está aqui por um bom motivo, quase foi roubada de Gringotes. Suponho que vocês já chegaram até essa conclusão… Fico até espantado que saibam sobre Fofo!
— Ah, Rúbeo… Talvez você não queira nos dizer, mas você sabe tudo que acontece em Hogwarts. — Hermione falou em um tom lisonjeiro, que funcionou, pois o gigante sorria — Só queríamos saber quem fez o feitiço de proteção, em quem mais Dumbledore confiou além de você, sabe?
Os amigos sorriram para Granger, não podiam negar que a garota era boa de lábia.
— Acho que não faria mal contar isso… Bem, ele pediu Fofo emprestado a mim e depois alguns professores fizeram os feitiços… A professora Sprout, o Flitwick, a professora Minerva — ele enumerava nos dedos — o Quirrell, o próprio Dumbledore também fez algo e… Ah, claro! Esqueci do professor Snape.
— Snape? — perguntou , tentando conter a reação exagerada.
— Vocês não continuam com aquela ideia, né? Como ele roubaria a pedra se ajudou a protegê-la? — Fingindo??? quis responder, mas sabia que Hagrid não escutaria, então apenas soltou um suspiro desanimado.
Na verdade, todos sabiam que deveria ter sido muito fácil, Snape provavelmente sabia dos outros feitiços, mas não sabia como passar por Fofo e nem o contra feitiço da proteção que o professor Quirrell fizera.
— Você é o único que sabe como passar pelo Fofo, né? — Harry perguntou a Hagrid. — E claramente não diria a ninguém, nem mesmo um dos professores certo?
— Somente eu e Dumbledore sabemos — Hagrid sorriu orgulhoso.
— Hagrid ,podemos abrir uma das janelas? — perguntou olhando Rony com compaixão — Mais um pouquinho e Rony vai assar!
— Sinto muito, mas não pode, . — disse somente e olhou para o fogo.
— Rúbeo o que é isso? — aquilo também havia chamado a atenção de Harry.
olhou rapidamente e encarou o ovo negro enorme confusa.
— Ah, isso… Isso é… Ah… — Rúbeo parecia nervoso.
— Onde foi que arranjou isso? — questionou Rony chocado — Isso deve ter custado uma grana.
— Eu ganhei. Na noite passada. Fui até a vila e entrei em um joguinho de cartas com um desconhecido… Ele parecia bem contente por ter se livrado do ovo.
— Mas e quando chocar? — arregalou os olhos enquanto acariciava um Bolota adormecido em seu colo.
— Andei lendo sobre isso… — Hagrid tirou um livro debaixo do travesseiro e o colocou na mesa para que os quatro pudessem ver — Diz para manter o ovo no fogo porque as mães sopram fogo sobre eles, sabe, e que quando chocar é para dar um balde de conhaque com sangue de galinha a cada meia hora. Ah, ainda tem como reconhecer os ovos… E esse é um dragão norueguês. São raros. — Hagrid parecia orgulhoso pelo dever de casa feito com êxito.
— Mas Rúbeo, você mora numa cabana de madeira… — Mione lembrou, mas o gigante parecia não ouvir de tão empolgado que estava ao mexer no fogo.

×××


Poucos dias depois, enquanto terminava o café em uma conversa animada com Lisa e Morag, saiu do salão e encontrou os amigos acenando para ela. Rony parecia eufórico, visto que abanava as mãos com afinco.
— Meninas, encontro vocês na aula de DCAT. — avisou acenando para as amigas, que concordaram e seguiram pelo caminho contrário. — Que desespero é esse, Weasley?
— É sobre isso… — Harry entregou a ela o bilhete que havia recebido de Hagrid, que avisava apenas que o ovo estava furando. Ela deu alguns pulinhos animada.
— Eu queria faltar a aula de Herbologia e ir direto lá para ver… — Rony começou sob um olhar ameaçador de Mione. — Ah, Hermione, quantas vezes na vida vamos presenciar algo do tipo? Não é, ?
Rony sabia que sempre os ajudava a convencer Hermione quando o motivo era plausível. Realmente era, mas o sorriso da garota murchou.
— Vocês não precisam matar aula, tem um intervalo depois… Eu só paro na hora do almoço agora! — murmurou derrotada — Duas aulas de DCAT e uma de Poções, não tenho nem como matar aula dessa vez…
— Além de que, isso vai nos meter em confusão, claro que nada comparado à Rúbeo quando descobrirem o que ele anda fazendo…
— Cala a boca — Harry cochichou entredentes para Hermione e apontou com a cabeça para trás, onde os outros três viram que Malfoy havia parado para ouvir o que eles falavam. o fuzilou com o olhar recebendo em troca apenas um sorrisinho debochado do loiro. Com certeza ele tinha escutado.
— Certo, qualquer coisa encontro com vocês lá na hora do almoço. — avisou aos três, antes de sair correndo para a aula.
Mas é claro que a corvina não conseguiu prestar atenção em uma só palavra que o professor Quirrell proferia sobre pogrebins, fazendo com que perto do início do segundo tempo ela desistisse de permanecer ali. Diggory inventou sobre estar passando mal e pediu para ir ao banheiro, o professor — desesperado com a ideia de a garota ter um piripaque ali mesmo — a dispensou e aconselhou que ela fosse se deitar, ou que procurasse a Madame Pomfrey.
Mentir não era um hábito comum para a Diggory caçula, mas a atitude não a fez sentir remorso. Quirrell não falava nada além do que ela encontraria nos livros depois, então, tudo bem.
Rony estava certo, quantas vezes pode-se presenciar um dragão raro nascendo?
desceu até a cabana de Hagrid tentando não chamar atenção e se camuflou como dava no bolinho de alunos da Grifinória que saía da estufa um.
Não foi difícil encontrar os três amigos desviando em direção oposta ao fluxo, o que a fez correr para alcançá-los.
— Ei! — exclamou um pouco mais alto tentando da melhor maneira possível ser discreta, funcionou, logo Harry a encarou confuso seguido de Rony e Mione — Me esperem!
— Pensei que não podia matar a aula, … — Rony começou.
— O Quirrell estava me irritando, eu não estava sendo produtiva e por mais que seja difícil admitir que você estava certo — ela brincou fazendo o amigo lhe mostrar a língua —, é um acontecimento raro e imperdível! Então vamos logo!
Assim que os quatro bateram na porta, um Hagrid eufórico os conduziu para dentro.
— Está quase furando! Venham! — Hagrid deu passagem permitindo que os quatro pudessem visualizar o ovo quase todo rachado em cima da mesa.
— Que barulhinho engraçado ele faz! — riu baixinho enquanto puxava a cadeira para observar melhor assim como os outros.
— Fica quieta, , vai que assusta ele. — Harry a cutucou. A garota rolou os olhos e apoiou a cabeça nas mãos, ansiosa, instaurando o silêncio que perdurou alguns minutos, mal podia se ouvir as respirações ali até que o barulhinho engraçado se intensificou e o ovo abriu.
O dragão bebê escorregou em cima da mesa, a corvina fez uma careta e percebeu que Mione não estava tão diferente dela. Tinha asas espinhosas e grandes contrastando com o corpinho preto e magricela, um longo focinho, pseudo chifres ainda em formação e os olhos alaranjados.
— Ele não é lindo? — Hagrid perguntou, as crianças se entreolharam e sorriram para o gigante.
Era medonho a princípio, mas ia ficando mais fofo e agradável aos olhos com o tempo.
— É sim… — concordou sorrindo amarelo e mentindo mais uma vez aquela manhã.
O bicho quase mordeu Rúbeo, que tentava a todo custo afagar sua cabeça.
— Olhem só! Ele conhece a mamãe! — exclamou animado cutucando Rony, que apenas concordava com os olhos arregalados e os lábios fechados formando uma linha fina.
— Rúbeo, o quão rápido um dragão desse cresce? — questionou Mione.
Hagrid não respondeu, ao invés disso ficou pálido e correu até a janela apontando-a.
— O que foi? — Harry o seguiu.
— Alguém estava nos espionando pela janela, um garoto! Está voltando para a escola! — Hagrid explicou com a voz tensa.
enrijeceu na cadeira arregalando os olhos enquanto Harry ia até a porta na esperança de ver quem era. Mas a corvina sabia.
— Foi o Malfoy! Com certeza ele me seguiu quando saí da aula!
O sorrisinho prepotente do sonserino durante a semana foi o suficiente para confirmar que a Diggory estava certa. Ela se sentia culpada, por não ter sido cuidadosa o suficiente, mesmo com os amigos (e até mesmo Hagrid) afirmando que ele teria vindo de qualquer forma, afinal, ele já os tinha escutado mais cedo naquele dia, seguir foi só a constatação dos fatos.
Os quatro passaram boa parte dos períodos livres na cabana, tentando arranjar soluções para que o dragão saísse daquilo tudo vivo e Hagrid sem danos.
— Deixe-o ir embora! — Harry pedia pela milionésima vez, tentando convencer o guarda caça.
— Ele é muito pequeninho! Morreria! — Hagrid negava com a cabeça.
— Soltá-lo é a melhor opção agora… — o confortou afagando-lhe os ombros assim que ele se sentou.
Hagrid não respondeu, continuava olhando pesaroso para o dragão, que já havia crescido consideravelmente desde seu nascimento.
— Decidi chamá-lo de Norberto… — confidenciou com os olhos brilhando — Ele sabe quem eu sou, vejam! Norberto! Onde está a mamãe, Norberto?
— Rúbeo, daqui a quinze dias ele será do tamanho da sua casa. — Harry disse alto
— E Draco pode falar com Dumbledore a qualquer momento. — Mione acrescentou vendo Hagrid ficar cada vez mais desconfortável.
— Não posso abandoná-lo… Sei que não posso ficar com ele, mas não posso largá-lo assim…
E então em um olhar compreensivo que lançou a Hagrid ela notou que Harry arregalou levemente os olhos na direção de Rony parecendo afobado.
— Carlinhos!
— Você endoidou também? Sou o Rony, imbecil!
— Não! Carlinhos, seu irmão! Ele não está na Romênia, estudando dragões? Podemos mandar Norberto para que ele cuide.
— Brilhante! — exclamaram Rony e juntos.
— O que acha disso, Rúbeo?
Hagrid concordou, não era como se eles tivessem opções melhores. E então Rony mandou uma coruja para o irmão, consultando-o. A semana seguinte pareceu demorar como meses, mas, quando finalmente a resposta de Carlinhos chegou eles puderam respirar aliviados.
O plano era: levar o dragão até a torre mais alta à meia noite para se livrarem de Norberto e consequentemente de Malfoy.
Mas é claro que as coisas não seriam fáceis assim, Rony levou uma mordida de Norberto e acabou indo para a ala hospitalar com a mão inchada, como se não bastasse, Malfoy inventou que tinha que pegar um livro com Rony para rir dele e, ao levar o livro de poções levou junto a carta de Carlinhos, que lá estava guardada.
A capa da invisibilidade solucionava parte, mas não todos os problemas. Não conseguiria esconder , Harry, Hermione e o caixote de Norberto, que crescia exponencialmente. Então ficou, já que teria que se expor para encontrar Harry no meio do caminho e com Mione eles já sairiam com a capa, se arriscando bem menos.
Por um lado, Harry e Mione conseguiram se livrar de Norberto, mas, por outro, Malfoy não foi detido sozinho ao esperar que Potter aparecesse com o dragão…
Hermione e Harry esqueceram a capa no alto da torre, foram pegos por Filch e ganharam uma detenção.
Assim como Neville, que também foi de brinde ao tentar ajudar os colegas de casa.
×××


Rony adormeceu em um dos sofás na sala comunal da Grifinória e esperava pelos amigos com a capa de Harry no colo (Essa que havia sido devolvida de forma misteriosa na noite anterior). Qualquer sinal de alguém ela sairia correndo dali. A detenção era na Floresta Proibida e mesmo que estivessem com Hagrid, aquilo deixou Weasley e Diggory aflitos.
Potter e Granger entraram correndo, o garoto tentou acordar o amigo adormecido e assim que conseguiu, colocou-se a andar de um lado para o outro tremendo.
— Snape quer a pedra para Voldemort… E Voldemort está na floresta esse tempo todo, atacando unicórnios e bebendo seu sangue para sobreviver.
— Não diga esse nome… — Rony sussurrou agoniado.
— Firenze me salvou, mas não deveria ter feito isso… Fazer isso foi algo como uma interferência no que os planetas anunciaram que aconteceria. Eles devem indicar que Voldemort vai voltar… Agouro acha que Firenze devia ter deixado Voldemort me matar… Isso deve estar nas estrelas também…
— Quer parar de falar esse nome? — Rony disse entredentes.
— O que? Firenze? Agouro? Quem são esses? — questionou confusa logo em seguida.
Harry continuava falando o que havia acontecido a pouco, não se preocupando em explicar, o que era feito por Hermione.
— Harry, todos dizem que você-sabe-quem tinha medo de Dumbledore, com ele por perto você-sabe-quem nunca poderá tocá-lo… — Hermione confortou o amigo, mesmo assustada.
— E bem, pode ser que não seja verdade, os centauros podem estar errados! — continuou, tentando suavizar o clima — Lembra o que a Minerva diz?
— Parece adivinhação, que é o campo mais inexato da magia… — Mione completou, recebendo um aceno de cabeça e um sorriso fraco.
E então Harry permitiu-se acalmar um pouco, o sol já teimava em aparecer quando eles foram se deitar.

×××


A semana dos exames pareceu tomar o foco dos acontecimentos na Floresta Proibida, aliás, tomou o foco de Diggory, Granger e Weasley, Potter parecia em outra galáxia, completamente alheio, nem sabia como havia conseguido realizar as provas e vez ou outra esfregava a cicatriz que ardia.
— Você deveria procurar a Madame Pomfrey… — aconselhou Hermione.
— Não estou doente… Isso parece um aviso, como se o perigo estivesse se aproximando…
— Harry, relaxa. A pedra está segura com Dumbledore aqui, e em todo caso não temos provas contra o Snape. — Rony tranquilizou o amigo.
— Vocês viram a hoje? — Mione desconversou, expondo a preocupação com a amiga.
— Eu a vi saindo da última prova dela, de poções, ela parecia exausta. O Snape deixa qualquer um nervoso durante as provas... — Rony comentou ainda olhando para Harry, que pareceu esquecer-se do assunto anterior por instantes.
Instantes.
— Aonde vai? — perguntou Rony ao ver o amigo dar um salto, ele parecia pálido.
— Lembrei de algo, temos que ver o Hagrid agora! — e então o garoto começou a correr pelo gramado.
— Mas por quê? — Hermione dizia ofegante ao correr para seguir Potter.
— Vocês não acham estranho que o que Hagrid mais queria na vida era um dragão e misteriosamente um estranho aparece com o ovo de um no bolso? Ainda mais quando isso é contra as leis… Que sorte encontrar Rúbeo não? Por que não percebi isso antes?
×××


Cedrico já havia rodado praticamente todas as partes comuns para todos do castelo atrás da irmã quando avistou Harry, Rony e Hermione correndo até o saguão principal.
Por que é que ela não estava com eles?
— EI! — o lufano gritou indo em direção a eles. — Vocês viram a ? Já procurei ela por toda parte.
— Eu a vi mais cedo, saindo da prova. — Rony comentou ofegante, Cedrico olhou para os outros dois que estavam da mesma maneira. E então notou que a cor do rosto de Hermione sumiu. Ele ia perguntar o que estava acontecendo, mas Harry o interrompeu eufórico.
— Ela deve estar no dormitório, Rony disse que ela parecia cansada. Desculpe-nos, Cedrico, mas precisamos falar com Dumbledore agora.
Diggory tentou argumentar, mas eles já haviam corrido. Inclusive Hermione, que parecia preocupada e deixou isso escapar apenas quando estavam bem distantes do lufano.
— Mas e se viu ou ouviu algo que não podia e corre perigo?
— Nós falamos com o diretor e depois vamos verificar se ela está bem, ok? — Harry tentou tranquilizar a amiga.
Claramente em vão.
×××


Naquela tarde após a prova de poções, sentiu-se completamente indisposta, como se sua cabeça quisesse explodir, como se algo a pedisse para deitar. Sabendo que era hora de respeitar os limites de seu corpo, assim ela fez e adormeceu sem muito esforço.

E como se abrisse os olhos, a segunda face fora revelada, os olhos vermelhos e gélidos, as narinas se assemelhavam às de uma cobra e o sorriso sádico ao ver Potter parado ali.
Mas a quem pertencia a primeira face?
Vamos, Potter, me entregue a pedra e una-se a mim. a voz dizia baixo, fraca como se precisasse ser arrastada com muito esforço para ser ouvida.
Nunca! decretou Potter em voz alta escorado em degraus.
Então sua mãe morreu em vão… sussurrou mais uma vez.
O dono do corpo caminhou em direção a Harry de costas para que Voldemort pudesse vê-lo, e ela pode notar o turbante de seda abandonado no chão. Ao longe, no reflexo do espelho a primeira face se tornou visível.
Mate-o!
Sim, senhor milorde… disse a primeira face, virando-se para executar a ordem.

sentiu os cabelos encharcados de suor, assim como suas costas que colavam o tecido fino da camisola. Não teve tempo de controlar sua respiração ofegante, ao acordar, calçou as pantufas e correu, não se importando em ser pega, ou com qualquer outra coisa. Naquele momento, em um súbito, Diggory soube.
Era Quirrell.
Harry Potter corria perigo e ela precisava encontrá-lo. Não precisava de mais nada, ela só sabia.
Era hora do jantar então foi fácil não ser vista correndo em direção ao terceiro andar e ao ver Quirrell caminhando em direção a porta do local que abrigava Fofo, seu sangue ferveu ao saber que poderia evitar tudo aquilo, poderia ela mesma tirar satisfações e contar tudo para Dumbledore.
— Está perdendo o jantar, professor? — Quirrell assustou-se ao ver a garota parada em sua frente apontando a varinha para ele.
— O-o-o que faz aqui, Digg-Diggory? É proibido…
— Sei o que pretende fazer.
— Saia daqui ago-o-ora! Estou lhe dando uma chance de sair daqui sem se meter em pro-problemas...
— Então era você todo esse tempo? Tentando matar Harry Potter a todo custo para trazer Voldemort de volta à vida? — ela ergueu uma sobrancelha o interrompendo. Quirrell sorriu com escárnio.
— Achou que o gaguinho não seria capaz?
— Acabou, Quirrell, Dumbledore saberá e…
— Garota tola! Tente! É sua palavra contra a minha, o que irá fazer?
— Petrif…
Estupefaça! — Quirrell fora mais rápido. A garota voou, caindo desmaiada na escada e rolando por mais alguns degraus abaixo. Não teria tempo de escondê-la, estava com pressa. A garota não era importante, precisava da pedra. Quando alguém a encontrasse ali, já teria a pedra filosofal, isso podia ficar para depois.

×××


Na Torre da Grifinória, o trio chegava repletos de desanimo e um tanto preocupados. Por dois motivos: 1) Dumbledore havia saído e Minerva não acreditou no que eles diziam e 2) Ainda não tinham notícias de , mesmo tendo procurado pelo castelo e tendo perguntado para suas colegas de quarto. Ninguém a tinha visto.
Harry tinha os olhos brilhantes e estava pálido, claramente aterrorizado com o que poderia acontecer.
— Vou sair daqui hoje à noite e tentar pegar a pedra primeiro.
— Você tá maluco? — Rony berrou.
— Você não pode! Ainda mais depois do que a professora Minerva e o Snape disseram… Vai ser expulso! — Mione cochichou indignada.
— E daí? Se o Snape pegar a pedra é trouxer Voldemort de volta à vida! Vocês não ouviram como tudo era na época que ele tentava conquistar o poder? Não vai haver Hogwarts para ser expulso! Acham que ele vai deixar a família de vocês em paz se a Grifinória ganhar a taça das casas? Ganhar ou perder pontos não importa mais agora! Se eu for pego antes de resgatar a pedra vou ter que voltar para os Dursley e esperar que ele me encontre lá. O que adianta? Esperar um pouco mais para morrer? Eu vou entrar naquele alçapão hoje à noite e nada que me disserem vai me impedir ou me fazer mudar de ideia! Ele matou meus pais, lembram? — Harry gritava transtornado. — E se ele pegou a ?
— Você está certo… — Mione disse baixinho.
— Vou usar a capa da invisibilidade, é uma sorte tê-la de volta.
— Mas nós três conseguimos nos esconder nela? — questionou Rony.
— Espera… Nós três?
— Você acha mesmo que vamos deixar você ir sozinho?
— Claro que não! — Mione parecia determinada. — Só é uma pena não estar aqui, tenho certeza de que ela também iria conosco.
— Vamos jantar, vai que ela já está lá… — Rony sugeriu.
Mas ela não estava, o trio esperou o salão principal esvaziar e nada da Diggory mais nova aparecer por ali.

×××


Fred e Jorge analisavam o mapa do maroto em um canto da sala comunal da Grifinória. Já tinham acabado o jantar e pretendiam roubar algumas tortinhas a mais da cozinha, naquela noite, foram os primeiros a sair do salão principal.
Fred analisava o terceiro andar quando avistou o nome de , lembrando-se imediatamente que Cedrico havia procurado por ela o dia todo e que ela não havia aparecido para jantar.
A garota estava parada perto da escada, Fred sinalizou aquilo pro irmão e eles esperaram poucos minutos para ver se ela sairia dali. A garota Diggory, entretanto, permaneceu parada.
— Acha que ela caiu ou sei lá? — questionou Fred.
— Vamos lá ver o que aconteceu. — Jorge sugeriu, e foi rapidamente apoiado pelo irmão. Os gêmeos foram até onde o mapa indicava e encontraram a Diggory desacordada ao pé da escada. Jorge ainda encarava a cena assustado quando levou um cutucão do irmão.
— Vamos, temos que levá-la para a enfermaria AGORA!
Os gêmeos apoiaram os braços da garota em seus ombros e seguiram com ela, o mais rápido que suas pernas permitiam.
— Céus, o que houve? — Madame Pomfrey os recebeu enquanto os direcionava para a maca que deviam colocar .
— Ela estava desmaiada perto da escada. — Jorge explicou.
Enervate! — Madame Pomfrey arriscou, como sempre fazia quando alguém chegava desmaiado, para depois procurar as causas específicas. Para a surpresa de todos na sala, a garota se sentou na cama ofegante e assustada.
— Dumbledore! Harry corre perigo… Quirrell… Voldemort! PRECISO FALAR COM DUMBLEDORE! — a corvina falava palavras desconexas.
— Nós deveríamos chamar o irmão dela? — questionou Fred a Madame Pomfrey, que estava assustada tentando acalmar a garota.
— Chamem a Professora McGonagall, pode estar delirando, mas mesmo assim, não é normal uma aluna receber um estupefaça por aí.
— Isso definitivamente não é normal. — a voz de Dumbledore se fez presente na sala.
— Professor… — murmurava agora com a voz fraca — Harry foi atrás da pedra, Quirrell está lá, tentando trazer você-sabe-quem de volta, eu vi, professor… — os olhos acinzentados da garota estavam marejados, Dumbledore se aproximou ainda mais da maca sob os olhares confusos dos restantes. — Por favor… Acredite em mim, eu vi… Harry está correndo perigo!
E então, antes que Dumbledore pudesse falar qualquer coisa, sentiu a cabeça doer e a sua visão embaçar novamente, até que tudo ficou escuro.

×××


A claridade da janela perto da maca fez com que a garota abrisse os olhos assustada. Ela inspecionou a ala hospitalar e pulou da cama quando notou que Potter estava desacordado na maca ao lado.
— Ele está bem. — Dumbledore se fez presente com a voz calma — Se não fosse a senhorita receio que não teria conseguido chegar a tempo de salvá-lo.
— Mas e o Quirrell? E Rony e Mione?
— Deite-se, senhorita Diggory, e tente se manter calma… — aconselhou o mais velho, que tornou a dizer quando a garota fez o que ele pedia — Ontem à noite, tempo depois que a senhorita me disse aquilo, o senhor Weasley e a senhorita Granger apareceram contando algo parecido. Consegui chegar a tempo, tudo está resolvido.
— Mas o sonho… E por que ele não acordou ainda? — a garota apontava para o amigo preocupada.
— Madame Pomfrey disse que ele pode demorar um pouco para acordar, mas nos garantiu que ele ficará bem. — o professor sorriu — Não pude deixar de notar que a senhorita mencionou um sonho, pode me contar mais sobre isso?
— E-eu não sei como, professor, mas fui me deitar porque não estava me sentindo bem e tive esse sonho, ou pesadelo… Não sei. Tinha um espelho, e o turbante do Quirrell escondia uma espécie de rosto. O rosto de você-sabe-quem dizia pra Harry se juntar a ele, eles discutiam e bem, ele ia pra cima para tentar matar o Potter… Eu sei que pode parecer besteira, e que poderia não ser verdade, mas eu fiquei com medo e com raiva, não pensei direito e… Fui.
— Não parece besteira, senhorita Diggory. A princípio, se não fosse pelo seu sonho, Harry talvez estivesse morto agora. — o professor observou se encolher e abaixar a cabeça. — Esses sonhos podem voltar em algum momento e se isso acontecer, peço que a senhorita me procure imediatamente, tudo bem?
— Tudo bem… Mas o que é isso, professor? Isso vai acontecer de novo?
— Ainda não tenho uma resposta concreta para te dar, minha jovem. Mas devemos ficar atentos… Vou pedir que chamem seu irmão, ele estava bem preocupado com a senhorita. Dormiu aqui e só saiu quando eu pedi.
— Eu… Certo, tudo bem. Mas, professor… — a corvina chamou quando o professor fez menção em sair. — Por favor… Não conte sobre isso do sonho para ninguém.
— Como quiser, senhorita Diggory. Melhoras!

×××


Já era noite quando Cedrico entrou na enfermaria com alguns pratinhos de comida e uma expressão preocupada, que se suavizou assim que viu os olhos grandes da irmã brilhando ao ver o que ele trazia.
— Céus, Ced! Já te falei que você é o melhor irmão do mundo hoje? Eu não aguento mais beber poção Wiggenweld! — a Diggory caçula fez uma careta ao se lembrar do gosto da poção para fortalecer que a Madame Pomfrey lhe entregava de hora em hora desde que ela acordou naquela tarde.
— Anda logo, se a madame Pomfrey vê você comendo esse peixe defumado ela vai te dar mais poções ainda. — ele cochichou para não acordar Potter, que ainda estava apagado na maca ao lado. — É bom te ver acordada, pirralha, me deixou preocupado!
— Foi só um tombinho, Ced, relaxa…
— UM TOM… — o lufano bufou diminuindo o volume da voz — Você foi atacada por um professor, rolou por alguns degraus e está toda machucada… E olha que você prometeu pra mamãe que não ia se meter em problemas.
— Eu fui idiota em achar que podia enfrentar o Quirrell sozinha… — não era uma mentira, porém também não era bem uma verdade, mas não queria que o irmão e os amigos achassem que ela era maluca com essa coisa do sonho. — Eu realmente dei sorte de não ter morrido, você-sabe-quem podia muito bem mandá-lo fazer isso pra me tirar do caminho.
— Que bom que sabe disso… Antecipou meu sermão e me poupou as palavras, obrigado. — Cedrico se sentou na cadeira ao lado da maca roubando um dos peixes do prato que a irmã segurava. fechou os olhos e esperou pacientemente o irmão terminar de mastigar para que ele pudesse falar, era óbvio que o sermão não tinha acabado — Mas é, você foi burra. VOCÊ PODIA TER MORRIDO! TEM NOÇÃO DE COMO EU FIQUEI PREOCUPADO? TE PROCUREI O DIA TODO!
— Shhh! Eu sei, Cedrico! Cala a boca, vai acordar o Harry. — ela ralhou observando o garoto adormecido, alheio a tudo aquilo e cheio de machucados. Cedrico não costumava perder a paciência com frequência, o que fez se sentir mal, ela sabia que ficaria do mesmo jeito se fosse o contrário. Constatar isso fez os olhos dela se encherem d’água. — Me desculpa… Não queria te irritar, eu… Passei muito mal naquela tarde e quando acordei não sei o que deu em mim…
— Vem cá, sua pirralha… — ele abraçou a menina que chorava — Por favor, não se coloque em risco desse jeito nunca mais. Tem noção de como eu ficaria sabendo que algo aconteceu com você e eu nem ao menos sabia para poder te ajudar?
— Eu sei… Ced, por favor, não conta pra mamãe que foi um professor que fez isso comigo… Você sabe como ela vai surtar e querer tirar a gente de Hogwarts e…
— Sim, eu sei. Não conto se você prometer que vai se manter longe de todo esse perigo.
— Prometo ser mais cuidadosa. — ela ergueu o mindinho ainda chorosa, o que fez o irmão encará-la com uma careta — Se não for de dedinho não vale!
O lufano bufou, mas logo riu ao unir o dedo com o da irmã.
— Você tá perdendo uma festança no seu salão comunal, sabe? — mudou de assunto e viu como o olhar de se iluminou mais animado.
— Não… Nós ganhamos? — Cedrico assentiu com um sorriso — EU NÃO ACREDITO QUE ESTOU EM HOGWARTS HÁ UM ANO E JÁ VI MINHA CASA SER CAMPEÃ DE QUADRIBOL!
— Fala baixo e você estava na enfermaria, não viu nada.
— Não importa hahahahaha pelo menos minha casa é campeã — ela mostrou a língua e continuou a rir — Dá vontade né, maninho? Quanto tempo o jogo durou? Mais de cinco minutos?
— Você sabe ser completamente irritante e debochada quando quer Genevieve.
— Ah não! O nome do meio não! Pegou pesado, Ced…
Cedrico gargalhou, finalmente aliviado. Sua irmãzinha estava bem, mas ele não podia fingir que não se sentia responsável pelo que havia acontecido. Ele havia prometido a si mesmo que manteria segura. Porém, mesmo com a promessa feita minutos antes, o Diggory mais velho sabia que as confusões simplesmente procuravam pela irmã caçula.
Mas não se ele desse um jeito de mantê-la longe delas.


Seis - Grifinórios são estranhos.

Agosto de 1992

As férias dos irmãos Diggory passaram voando, estiveram boa parte do mês na casa de praia dos avós maternos com a mãe, enquanto Amos trabalhava incansavelmente no Ministério. Por mais que amasse o pai, se sentia, em partes, aliviada por não ter que ficar ouvindo seus comentários inconvenientes ou suas comparações entre ela e o irmão.
Mesmo que em seus respectivos tempos, ambos também tenham pertencido a Lufa-lufa, Louise e Richard ficaram orgulhosos e encantados ao ver a neta tagarelando sobre como amava Hogwarts, seus amigos e como amava ser corvina. A pequena chegou até a se questionar algumas vezes, se um dia o pai teria orgulho dela como tinha de Cedrico. Mas a tristeza era passageira, logo ela estava correndo na areia e brincando com o irmão.
Mas, como tudo o que é bom dura pouco, duas semanas antes do início das aulas, Taís decidiu levar os filhos de volta à Londres, para se organizarem antes de começar novamente o ano letivo em Hogwarts.
havia trocado cartas com Hermione e Rony durante as férias, sentia falta dos amigos e haviam combinado de ir juntos ao beco diagonal para comprarem os materiais para o segundo ano. No entanto, a corvina estava preocupada, enviou várias cartas para Harry também, porém, nenhuma fora respondida. Aquilo havia levantado várias dúvidas na mente da garota, será que Harry estava com raiva dela? Será que havia acontecido algo na casa dos tios insuportáveis dele? Será que ele voltaria a Hogwarts?
Ela não sabia e aquilo a perturbava.
Naquela tarde de segunda-feira, estava jogada na cama do irmão lendo um de seus livros sobre Quadribol quando Bilks sobrevoou pela janela, aterrissando ao lado dela.
— Ei Bilks. — a garota acariciou as penas da cabeça da ave, que piou erguendo sua perninha e mostrando o envelope preso ali. — Ah, tudo bem menininha impaciente… Só queria te fazer um carinho. Mas muito obrigada, agora vai pedir os biscoitinhos pro Ced, você já acabou com o meu estoque.
A coruja piou novamente, dessa vez contente com a hipótese de uma refeição decente após dois longos dias de viagem, e saiu dali voando depressa.
riu brevemente de Bilks e voltou seus olhos para o envelope em suas mãos, abrindo um grande sorriso ao ver que era da melhor amiga Hermione.

Querida ,
Fico feliz que conseguiremos nos encontrar no beco diagonal essa semana!
Lamento tanto que o mundo bruxo, mesmo com toda sua grandeza, não conseguiu inventar algo mais rápido que as cartas para comunicação, ficar esperando as corujas irem e virem me deixa ansiosa. É horrível não poder falar com vocês todos os dias, principalmente depois de um ano nesta rotina, você também se sente assim?
Sinto sua falta, não vejo a hora de voltarmos para Hogwarts, tenho tanto para te contar sobre alguns livros que li… Prometo te emprestar todos, você vai amar!
Sobre o Harry, ele também não me respondeu e nem ao Rony, pelo que soube. Mas não precisa se preocupar, a menos que esteja com raiva de todos nós... Suspeito que seja relacionado aos tios dele, são bem implicantes, lembra?
Estou tão empolgada para o segundo ano... A lista de materiais está interessante, algo me diz que teremos professores novos, de novo. Mas estou otimista, creio que depois do que aconteceu ano passado poderemos ter um ano mais tranquilo!
Tente se distrair e não dar bola para o seu pai, se mantendo ocupada não terá tempo de se aborrecer com o que ele diz.
Nos vemos na quarta!
Com carinho,
Mione

A corvina não sabia dizer ao certo se se sentia mais aliviada ou mais preocupada com aquilo, mas preferiu seguir o conselho da amiga, se ocupar com outras coisas para o tempo passar mais rápido. O que pareceu ter funcionado, ao passo que quarta-feira não demorou a chegar.
— Vamos usar o pó de Flu, venham. — dizia Taís Diggory, apressando os filhos e chamando-os com as mãos para perto da lareira. — Já sabem como funciona não é?
— Mamãe são só 8h da manhã e você já está nessa pressa… — resmungou ainda esfregando os olhos de sono.
— Pensei que estivesse animada para ver seus amigos. — debochou a mãe, tirando um sorrisinho da filha, que parecera esquecer do sono que sentia. — Vai primeiro você, filho.
Cedrico pegou um punhado de pó de Flu no pote e se abaixou para entrar na lareira.
— Beco diagonal! — bradou ele, sumindo logo em seguida por entre as chamas esverdeadas.
— Sua vez filha. — a mulher empurrou levemente o ombro da filha — Fique perto do Cedrico e me esperem.
— Tá, mamãe, eu já sei. — a mais nova resmungou seguindo para a lareira — Beco diagonal!
As chamas esverdeadas deram lugar às ruas movimentadas do beco diagonal, adorava ver a imensidão e a diversidade de lojas e os bruxos de todos os tipos e estilos reunidos em um só lugar. A garota correu os olhos pelo lugar ao redor e encontrou o irmão parado e batendo os pés enquanto a esperava. Não demorou para que Taís aparecesse por ali também.
— Mamãe posso ir procurar meus amigos? — questionou , tentando alcançar a mãe que andava apressada. Seus olhos brilhavam na expectativa de andar pelas ruas do beco diagonal sozinha até encontrar os amigos.
— Ced vai com você. — e então olhou para o filho mais velho que assentiu recebendo um “ei” da garota. — Vou passar em Gringotes primeiro, encontro vocês daqui a meia hora na Floreios e Borrões ok?
— Mas mãe eu consigo andar sozinha, não sou mais criança, tenho quase treze anos!
— Não tem o que discutir, mocinha. Prefere ir com seu irmão ou ir comigo ao banco pra ficar chorando quando ver os duendes?
Cedrico riu baixinho sob o olhar assustado da irmã mais nova.
— Eu nem tenho mais medo deles… — ela deu de ombros brincando com a barra da própria blusa enquanto Cedrico e Taís se entreolharam cúmplices segurando o riso. — Mas tá, já que a senhora insiste taaaanto, tudo bem, vou com o Ced.

×××


Percy tagarelava algo sobre algo que um monitor precisa ter. Fred e Jorge tinham avistado Lino Jordan e conversavam de maneira entusiasmada, mesmo que baixa, para que ninguém escutasse. A Sra. Weasley e Gina iam a uma loja de vestes de segunda mão e o Sr. Weasley insistia em levar os pais de Hermione ao Caldeirão Furado para tomarem algo.
— Nos encontramos em uma hora na Floreios e Borrões para comprar o material. — Molly falou saindo apressada com Gina. Mas gritou, mesmo estando de costas para os gêmeos que já iam fazer exatamente o que ela proibiu. — Nada de ir para a Travessa do Tranco, estamos entendidos?
Ela, entretanto, provavelmente nem ouviu os muxoxos de reclamação dos filhos.
O trio começou a caminhar na direção contrária a que Molly e Gina seguiram, Harry sentia que todas aquelas moedas em seu bolso pediam para serem gastas e o dia estava ensolarado então, eles concordaram que seria justo ter como primeira parada a sorveteria.
— Quero um de alcaçuz. — disse Rony a atendente, que era uma senhorinha aparentemente muito simpática.
— Chocolate pra mim. — Mione ergueu o indicador apontando para o sabor mencionado.
— O meu pode ser de limão então. — Harry deu de ombros com um sorriso pequeno, não se importava tanto com o sabor, qualquer sorvete que tivesse ali seria melhor do que assistir Duda acabar com pelo menos três potes sem poder ao menos comer uma colher.
Os três tomaram seus sorvetes e assim que iam saindo, Harry avistou pelo vidro da porta e o irmão dela passando. Não demorou para correr até a dócil senhora.
— Vou querer mais um… De menta com chocolate.
— O que? Pra quê? — Rony franziu o cenho confuso, assistindo o amigo pegar apressado os sicles do bolso e em seguida arremessá-los para ele.
— Toma, paga aqui enquanto eu corro pra entregar o sorvete antes que derreta.
Dito isso, o garoto correu tão rápido que tudo que se pode ver com clareza fora seu vulto passando apressado pela porta enquanto a sineta presa nesta tocava.
— Mas…
— Por Merlim, Ronald, como você é sonso… — Mione rolou os olhos — Menta com chocolate é o sabor de sorvete favorito da .
Harry tornou a andar mais devagar quando se aproximou dos irmãos Diggory, mas se escondeu atrás de uma mureta quando viu eles pararem de caminhar. A conversa parecia séria, visto que encarava o irmão mais velho com uma expressão impaciente e tinha os braços cruzados.
— O que está querendo dizer?
— Você me entendeu, . Não vou permitir que corra perigo de novo esse ano! — disse Cedrico com a voz calma. O lufano não parecia querer brigar com a irmã.
— Seja objetivo, Cedrico. Vamos, onde quer chegar? — ela, entretanto, parecia bem à vontade com a hipótese de uma discussão.
— Não vou permitir que fique andando com o Potter. — Harry sentiu um bolo se formar em sua garganta, enquanto observava a amiga encarando o irmão de forma desafiadora. — Ou isso, ou conto pra mamãe o que aconteceu ano passado.
E então a expressão confiante de se desfez, Harry sentia seu rosto esquentar e suas mãos suarem. Tudo que pode ver, entretanto, fora dando as costas e sendo seguida pelo irmão. Não dando-lhe a chance de ouvir qual seria a resposta dela.
E se os pais dela quiserem tirá-la de Hogwarts por conta disso?
Eles não poderiam mais se falar de qualquer forma, Harry se sentia extremamente culpado e desconfortável por tê-la envolvido em toda aquela confusão no final do ano letivo anterior. Mas ele preferia que a amiga ficasse segura em Hogwarts do que longe ou até mesmo sem estudar.
Era o melhor, mesmo que não pudessem mais ser amigos, pelo menos ele ainda poderia vê-la andando e sorrindo pelos corredores.
Por ora, aquilo já bastava. Era o que ele faria, independente da escolha da Diggory.
E então, o que restava do sorvete de menta derreteu ao ponto de cair no chão.
Potter respirou fundo jogando a casca suja com o, agora, líquido verde na primeira lata de lixo que viu e seguiu, frustrado, para perto dos amigos, dando uma desculpa qualquer quando perguntaram da corvina. Sem contestar o desânimo do amigo, Rony e Hermione optaram por mudar de assunto, e então, seguiram para ver a vitrine da Artigos de Qualidade para Quadribol.

×××


chegou à conclusão de que o irmão só podia estar brincando, ou ele estava em um dia ruim, por isso estava falando aquelas coisas. Em todos os seus anos de convivência, Cedrico nunca havia bancado o irmão ciumento com ela, aquilo definitivamente não fazia o feitio dele. Então decidiu relevar e fingir esquecer, para, em outro momento, conversarem com calma.
Mas a corvina não podia negar que aquilo tinha a deixado magoada.
Quando chegaram na porta da Floreios e Borrões, Cedrico avistou Cadwallader e Summers os chamando.
— Ei Ced! — Brian e Jadrien cumprimentaram o Diggory mais velho com toques com as mãos e tapinhas nas costas.
— Oi . — Jadrien cumprimentou a caçula com um abraço, que a surpreendeu, mas ela sorriu para Summers e assim que se separaram ela acenou para Brian que também encarava o amigo confuso.
— Bem, eu… Vou procurar a mamãe lá dentro, Ced. — o lufano nem hesitou em concordar, querendo apenas que o idiota de seu melhor amigo ficasse o mais longe possível de sua irmãzinha, a garota sorriu e então acenou mais uma vez para os outros dois, se despedindo. — Foi bom ver vocês, nos vemos em Hogwarts.
Ela trocou um olhar rápido com Cedrico e então entrou na loja, varrendo o local com os olhos à procura dos cabelos loiros da mãe, o que foi uma ideia ruim, visto que a Floreios e Borrões estava entupida de gente.
caminhou devagar, enquanto fitava alguns livros atenta caso achasse a mãe ou alguém conhecido. E ela encontrou.
Não tão longe de onde ela estava, Rony avançava em direção a Draco Malfoy. A corvina correu e então ajudou Harry e Hermione a segurar Weasley pelas vestes.
— Sossega aí, Weasley! — murmurou assustando os amigos pela presença repentina — Não vale a pena...
— Rony! — Sr. Weasley apareceu com Fred e Jorge em seu encalço — Enlouqueceu? Vamos para fora, está muito cheio aqui…
— Ele estava nos provocando… — Rony explicou para a amiga baixinho enquanto se viravam para sair, no entanto uma figura com expressão apática e os cabelos brancos iguais aos de Draco surgiu.
— Ora, ora, ora, Arthur Weasley…
O Sr. Malfoy parou colocando a mão no ombro do filho. ainda segurava o ombro e Harry o braço de Rony, em uma tentativa de evitar que o amigo fizesse alguma besteira.
— Lúcio. — Sr. Weasley acenou com a cabeça a contragosto.
— Muito trabalho no Ministério, ouvi dizer. Todas aquelas blitzes… Espero que estejam lhe pagando hora extra! — Malfoy pai soltou um risinho curto e debochado enquanto vasculhava o caldeirão que Gina, a Weasley mais nova, segurava, tirando um exemplar antigo e bem detonado de um Guia da transfiguração para principiantes.
— Bom, pelo jeito não… — caçoou Lúcio — De que serve ser uma vergonha de bruxo se nem ao menos lhe pagam bem para isso?
jurou que o Sr. Weasley daria um soco no Sr. Malfoy. A corvina não se recordava de ter conhecido alguém tão hostil em seus quase treze anos de vida.
— Nós temos ideias muito distintas sobre o que é ser uma vergonha de bruxo, Malfoy. — Arthur disse somente, com uma calmaria estranha na voz, tendo em vista que seu rosto estava completamente enrubescido.
— Visivelmente, as pessoas com quem você anda, Weasley. — Malfoy pai desviou o olhar para os pais de Hermione, que só agora notara, que estavam ali e olhavam a cena apreensivos. — Eu pensava que sua família já tinha atingido o fundo do poço…
Tudo ocorreu muito rápido, o Sr. Weasley avançou na direção do Sr. Malfoy, derrubando-o contra uma prateleira e fazendo com que vários livros sobre soletração caíssem sobre sua cabeça.
— Pega ele, papai! — gritaram Jorge e Fred que receberam um olhar mortal e rápido vindo da mãe, que corria na direção do marido enquanto a multidão recuava.
— Não, Arthur! — a Sra. Weasley gritou desesperada.
— Senhores! Senhores! — o assistente berrava enquanto mais prateleiras eram derrubadas. — Por favor, cavalheiros, vamos parar com isso! Vamos, por favor!
E então Hagrid surgiu, caminhou em direção aos dois homens e, como se não fosse nenhum esforço, os separou. Ambos estavam machucados, Sr Malfoy tacou o livro de Transfiguração que ainda segurava na direção de Gina, sorrindo debochado.
— Toma seu livro. É o melhor que seu pai pode te dar… — o homem chamou o filho e então ambos saíram da loja.
! — Taís surgiu por entre a multidão, indo de encontro com a filha mais nova. — O que houve aqui, Molly?
— Malfoy, Taís. — a Sra. Weasley disse somente e a Sra. Diggory suspirou compreendendo, enquanto ouvia os pedidos de uma Molly que corria furiosa na direção do marido que ouvia um sermão de Hagrid.
— Mãe, as circunstâncias são ruins, mas esses são meus amigos Harry, Rony, Hermione e os pais dela. — apontou para eles que acenaram ainda assustados.
fala muito de vocês, é bom conhecê-los pessoalmente. — Taís sorriu simpática — Já peguei tudo que precisamos daqui, e vocês? Que tal sairmos dessa muvuca?
Os presentes concordaram e seguiram para fora da loja, os mais velhos à frente e os quatro mais novos atrás, conversando.
— Por onde esteve, ? — questionou Hermione.
— É, te procuramos por toda a manhã. Harry até achou ter te visto com o Cedrico, até te comprou um… — Rony começou, mas se calou de imediato quando foi fuzilado pelo amigo.
— Não… Não, me enganei. Não era ninguém.
— Eu estava mesmo com meu irmão, fiquei procurando vocês também… — a corvina franziu o cenho, olhando Potter que não a olhava de forma alguma e estava estranhamente calado demais. — O que tinha comprado, Harry?
Potter abriu e fechou a boca algumas vezes, as bochechas avermelhadas e os olhos perdidos em qualquer coisa que estivesse ao seu redor, menos na amiga parada exatamente em sua frente, com os braços cruzados. Então, ele observou Cedrico se aproximando deles e então bagunçando os cabelos da irmã, que o fuzilou com o olhar.
— Olá. — saldou o lufano, fazendo com que Harry sentisse sua musculatura enrijecendo. Tudo o que menos queria era dar problemas para , ou tê-la distante. — Lamento atrapalhar a conversa de vocês, mas a mamãe já está nos chamando para ir, .
— Tudo bem, nós também já vamos. — Harry disse rápido empurrando Rony na direção de seus pais.
— Tchau pra você também, estúpido! — a corvina bradou irritada, enquanto Mione assistia a cena confusa. O que diabos tinha acontecido para que o amigo agisse tão diferente? — Nos vemos no trem, então, Mione?
— Sim, . Vamos nos falando pelas cartas. — a grifinória sorriu, recebendo um abraço da melhor amiga.
acenou uma última vez, antes de sair correndo atrás do irmão na direção da mãe.
— Pronto, mãe, podemos ir. — sorriu e então viu a mulher olhando para o irmão.
— Por onde esteve, Cedrico? Sua irmã estava sozinha na loja em meio à uma confusão!
— Mas… — olhou brava para o irmão, que explicava calmamente para a mãe. Ele não havia dito que a mãe havia os chamado? Por que a mulher estava surpresa em vê-lo, então? Cedrico não podia ter inventado aquilo só para que ela parasse de falar com os amigos, podia?
Muitas perguntas rondavam a cabeça da pequena Diggory na volta para casa.
×××


A semana restante para o final das férias passou voando. Cedrico não havia tocado mais no assunto dito no Beco Diagonal. Mas a Diggory tinha tantas perguntas… Por que Cedrico estava fazendo aquilo? Por que Harry estava tão estranho com ela? Seria por causa das cartas? Será que ela tinha mandado cartas demais?
Em meio a sua própria tortura mental e as falas inconvenientes de seu pai, finalmente estava na Estação King’s Cross a caminho de Hogwarts novamente.
— Não se meta em confusões, ! — Taís repetia pela terceira vez naquele dia para a filha, que revirava os olhos enquanto empurrava o carrinho com os malões.
— Não se preocupe, mãe. Vou ficar de olho nela! — Cedrico falou num tom engraçado, mas a irmã riu nervosa, esperando que realmente fosse uma brincadeira.
— É tão bom ver que vocês confiam em mim… — ela soltou irônica atravessando a passagem de uma vez.
— É claro que nós confiamos, querida. — Sra. Diggory sorriu para a filha assim que parou ao seu lado e então a abraçou. — Entenda que é meu dever de mãe dizer isso. Eu te amo, tenha um bom ano e me deixe orgulhosa!
A mais nova sorriu, dando um beijo na bochecha da mãe.
— Bom ano Ced, volte campeão da Taça de Quadribol esse ano! — Amos deu um soquinho no ar e então abraçou o filho. Se separou para que a mulher pudesse abraçar o filho e para que ele pudesse se despedir da filha, que se mostrou surpresa quando genuinamente o pai lhe abraçou. — E você volte como a melhor aluna de seu ano, já que não…
— Sei, sei… Já que não estou na Lufa-lufa. Obrigada pai. — sorriu sem mostrar os dentes, debochada. Amos, entretanto, pareceu nem notar.
O apito do trem soou, sinalizando que faltavam poucos minutos para que esse partisse. Então os irmãos Diggory deram o último aceno para os pais e optaram por subir na locomotiva vermelha.
Depois de deixar as malas no bagageiro, os dois embarcaram e foram em busca das cabines.
— Que tal ficarmos juntos com o Brian, o Jadrien e os gêmeos como no ano passado? — Ced sugeriu, recebendo uma careta da irmã em resposta.
— Sabe, maninho — ela dizia brincando com uma das mechas do cabelo castanho — eu não estou me desfazendo da companhia de vocês, de forma alguma! Mas já combinei de me sentar com meus amigos.
— Mas
— Escuta Cedrico, já estou grande o suficiente pra decidir com quem eu falo ou não. Se quer me espionar para que eu não faça nada de errado, sente conosco na cabine então! — ela bradou irritada fazendo com que o irmão erguesse as mãos em rendição.
— Tudo bem, vamos procurar seus amigos então…
— Cedrico!
— O que é? — ele se fez de desentendido — Você que sugeriu!
A corvina bufou, dando-se por vencida e voltando a caminhar na frente em busca da cabine dos amigos. No entanto, a garota achou estranho quando encontrou Hermione sozinha.
— Ei Mione! — ela saldou se sentando. — Cadê os meninos?
— Não sei, . Eu jurava que eles chegariam junto com você. — Mione franziu o cenho.
— Eles devem estar vindo, fiquem tranquilas. — Cedrico disse despreocupado com um sorriso gentil que foi correspondido por um sorriso tímido de Hermione. , bem… lhe devolveu uma careta. E logo voltou a conversar com a amiga.
— Licença, posso ficar aqui com vocês? — uma garota desconhecida surgiu, ela tinha cabelos rosas que batiam um pouco abaixo de seus ombros, um sorriso tímido e um sotaque diferente — É que… Bem, todas as cabines estão cheias…
— É que estamos esperando nossos…
— Claro! — Cedrico interrompeu a irmã, que olhou para ele brava, a garota colorida pareceu perceber, retraindo os ombros.
— Olha eu não quero atrapalhar… Se estão guardando os lugares eu procuro outro sem problemas.
— Estamos guardando sim, mas creio que ainda assim não haverá problemas se você ficar. Tem espaço para todos… — Hermione sorriu, dando uma cotovelada discreta em , que desmanchou a carranca e sorriu para a colorida.
não queria passar uma impressão errada para a garota, de forma alguma. Só estava tentando evitar que Cedrico enchesse a cabine de gente para que ela não pudesse se sentar com os amigos. Era loucura, mas do jeito que as coisas andavam… Ela não duvidava nada. A corvina suspirou, tentando manter-se sociável o suficiente.
— Não tem problema algum… — cerrou os cílios, e então a garota notou que ninguém ali sabia seu nome, abrindo a boca e soltando um risinho sem graça.
— Madelyn O’Donnell… Sou aluna nova. Mas por favor, me chamem de Maddy. Acho meu nome comprido demais e bem, parece que tô levando uma bronca da minha mãe, sabe…
A garota, agora devidamente apresentada como “Maddy”, riu, sendo acompanhada por Cedrico. e Hermione apenas assistiam a cena, trocando olhares engraçados.
— Bem, esses são Cedrico, meu irmão e Hermione, minha amiga. — apontou para ambos e então para si mesma. — E eu sou , mas pode me chamar de .
— Maddy me desculpa a intromissão, mas não pude deixar de notar que você não parece uma aluna primeiranista… — Hermione comentou e então Maddy se sentou ao seu lado.
— Ah sim, realmente. Estou no terceiro ano. Fui transferida, vim de Beauxbatons.
— E seus cabelos…? — começou Cedrico, sentindo-se envergonhado por ser tão invasivo.
— Também tem isso… — Madelyn deu de ombros com um sorriso para o lufano e então seu cabelo assumiu um tom loiro bem claro. — Sou metamorfomaga.
Enquanto Maddy e Cedrico conversavam sobre sabe-se lá o que, o trem finalmente saiu, deixando as duas mais novas encabuladas.
Onde diabos Harry e Rony haviam se metido, afinal?
×××


Harry e Rony não haviam aparecido. A cerimônia já estava terminando e nada dos grifinórios. e Hermione se encaravam de minuto em minuto, preocupadas. Isso é, quando ambas não encaravam a porta na expectativa que os garotos simplesmente aparecessem no Salão Principal.
Gina havia sido selecionada para a Grifinória e Maddy para a Lufa-Lufa. aplaudiu atordoada e com medo pelos amigos.
Isso porque ela e Hermione haviam tanto cogitado sobre um ano normal…
Algo dentro dela dizia que se o ano já havia começado daquela forma, não teriam a sorte de ter um ano calmo. E aquilo fez todos os pelos de seu corpo se arrepiarem.
Tudo ficou ainda mais desesperador para Diggory e Granger quando a professora Minerva se retirou do Salão e, minutos depois, o diretor fez o mesmo.
— Vocês ficaram sabendo? — ouviu William Cadell, um corvino do quarto ano, cochichando com o artilheiro do time, Rogério Davies, que estava sentado ao lado dela. Ele negou com a boca cheia de frango. — Ouvi dizer que Potter e Weasley serão expulsos por baterem com um carro voador…
Os olhos da garota se arregalaram e ela lançou um olhar indignado para o dono do comentário.
— Olha, eu não sei… — Rogério respondeu com a voz branda, e então virou-se para ela — Pergunte a Diggory, já que ela é tão amiga dos dois e está tão interessada na nossa conversa.
— Claro que vou prestar atenção se dois idiotas estão falando mentiras sobre meus amigos… — rebateu afetada e irritada com a cara de pau dos garotos.
— Sinceramente, não sei como o Chapéu não te colocou na Grifinória logo. Vive mais lá na torre deles do que na da própria casa. — soltou o amigo dele.
Como ele sabia que ela já havia ido lá? E aquilo era uma mentira, visto que ela só pisara na comunal da Grifinória uma única vez.
— E por que isso seria da sua conta, Cadell? — ela questionou e então bebericou um gole do suco — Aliás, por que se incomoda com isso? Cuida da sua vida!
— Só não perca pontos para a Corvinal, Diggory. — Davies disse a ela, entredentes.
— Vão pentear um trasgo, inferno!
sentiu uma cutucada de Padma, que estava ao seu lado pedindo para que ela se contesse. E então voltou a olhar para Hermione, que negava com a cabeça do outro lado do salão.
O jantar acabou e foi imediatamente encontrar a amiga, para que pudessem conversar.
— Você ouviu os boatos?
— Sim, um horror… Até discuti na mesa, já. — Diggory fez uma careta e Hermione suspirou agoniada. — Vamos atrás deles.
— Não podemos bobear e nos meter em problemas também, . Você vai pra sua comunal e eu vou procurá-los na Torre da Grifinória, caso não estejam lá procuro pela Minerva.
— Mas Mione…
— Não inventa, garota! Vai logo, qualquer coisa dou um jeito de te avisar.
A corvina bufou, embora soubesse que a amiga estava certa, e saiu dali em passos firmes para a Torre da Corvinal.
desconversou quando as colegas de quarto — Morag e Lisa — perguntaram sobre o que havia sido aquilo na mesa, e então mudou de assunto, mencionando como era bom ter o quarto mais vazio do que no ano anterior.

×××


A noite tinha finalmente dado lugar ao dia quando a Diggory conseguira tirar um cochilo rápido, para que pudesse acordar e ir tomar café. Ou tentar. Diggory foi até o banheiro, jogando uma água no rosto para que pudesse se sentir mais acordada. Vestiu o uniforme azul escuro da Corvinal, acordou as colegas e seguiu rumo ao Salão Principal em busca de Hermione e torcendo para encontrar Rony e Harry com ela.
fora uma das primeiras a chegar para o café naquele dia, serviu-se do nada apresentável mingau de aveia e permaneceu por longos minutos mexendo o conteúdo da tigela de um lado para o outro.
A corvina ergueu a cabeça em direção à mesa da Grifinória e seu olhar cruzou com o de Hermione, que abanou com a mão sinalizando que estava tudo bem, embora seu rosto expressasse raiva. Diggory ergueu as mãos, e silabou um “o que?” que foi respondido com uma careta e um aceno em direção a grande porta, por onde Weasley e Potter passavam.
Foi inegável que uma onda de alívio percorresse por todo o corpo da garota, mas ao mesmo tempo, uma força interior a segurou para que não levantasse e enchesse os dois amigos de tapas na frente de todos ali.
Os dois grifinórios começaram a conversar com Neville Longbottom. suspirou, irritada por ter se preocupado à toa e finalmente começou a comer o mingau. Não demorou para que, além das conversas paralelas por todo o Salão pudesse se ouvir o rumorejo de asas e as inúmeras corujas voando em círculos perto do céu encantado enquanto deixavam cair cartas e pacotes.
A garota estava concentrada em ler a carta que a mãe havia enviado quando um grande estrondo se fez presente em todo o Salão, chamando a atenção de todos ali presentes para a mesa dos leões. Logo ela localizou o agente do caos nas mãos de Rony, o bendito envelope vermelho.
“EU NÃO TERIA ME SURPREENDIDO SE O TIVESSEM EXPULSADO, ESPERE ATÉ EU COLOCAR AS MÃOS EM VOCÊ…”
jurou que os talheres e tigelas postos à sua frente tremelicavam conforme, cada vez mais, a voz da Sra. Weasley atingia decibéis de volume mais altos. Logo a corvina levou a mão às têmporas, sua cabeça doía com tanto barulho, ou era somente o fruto da noite péssima de sono que havia tido, ela não sabia ao certo.
“...PENSEI QUE SEU PAI IA MORRER DE VERGONHA, NÃO O EDUCAMOS PARA ISSO, VOCÊ E HARRY PODIAM TER MORRIDO…”
Depois de mais alguns esculachos, ameaças ao filho e felicitações dóceis para Gina por ter sido escolhida para a Grifinória, finalmente o envelope pegou fogo e se reduziu a cinzas, deixando o ambiente no mais completo silêncio.
Enquanto alguns riam e o ambiente voltou a se tornar barulhento como antes, esperou pacientemente que a Professora McGonagall passasse entregando os horários para que pudesse seguir até a mesa dos amigos.
— Vocês enlouqueceram? — ela vociferou assim que se aproximou dos dois. Rony abaixou a cabeça comendo ainda mais mingau enquanto Harry parecia nem tê-la escutado. — Vocês podiam ter morrido, sido expulsos, serem vistos… Vocês têm noção do quanto Hermione e eu ficamos preocupadas?
— Nos diga algo que já não sabemos, Diggory. — Potter bufou afastando a tigela e se levantando. Já estava se sentindo culpado o suficiente pelo inquérito que o Sr. Weasley estava enfrentando no trabalho, ainda mais depois de tudo que fizeram por ele nesses últimos dias. Não precisava de berrando em seus ouvidos logo de manhã cedo, aliás, ela nem deveria estar ali, tão perto dele para início de conversa.
A corvina abriu e fechou a boca algumas vezes, cerrou os cílios e fechou os pulsos em ódio saindo do Salão com Hermione em seu encalço.
, espera… — a mais nova encarou a amiga, que respirava acelerado devido a raiva. levou as mãos aos cabelos e se sentou na mureta que dava para os jardins.
— Eu não entendo, Mione! Perdi uma noite de sono preocupada com esses dois retardados! E ainda sou tratada como se a errada fosse eu! — a corvina bradou irritada.
— Eu sei… Sinceramente estou completamente chateada com isso também. Vou falar com o Harry na aula de Herbologia, ele não tinha motivo algum pra te tratar desse jeito.
— Eu não sei o que fiz! Desde o dia do beco diagonal ele mal fala comigo. Ele está completamente estranho!
Foi quando ela percebeu que havia mais alguém ali perto, deparando-se, então, com a garota que vivia no encalço do Longbottom. Não sabia por que ela estava ali, nem ao menos sabia o nome dela. A garota de cabelos que batiam na altura dos ombros e com o uniforme da Sonserina apenas sorriu na direção dela e deu uma mordida na maçã que tinha em mãos.
— Não sei a situação, mas sei que você provavelmente não fez nada de errado. — ela soltou uma risada, obtendo um arquear de sobrancelhas de uma confusa. — Sou Charlotte. Charlotte Schiavone¹. E não se preocupe, com todo respeito — ela olhou para Hermione que deu de ombros — grifinórios são estranhos mesmo.
— Não sou estranha, eles são! — Mione rebateu, rindo com a sonserina. Já haviam se falado vez ou outra nas aulas de poções.
— Garotos são estranhos… — soltou uma risada triste sendo acompanhada pelas outras duas. Não via Charlotte como uma intrometida, não sabia exatamente por que, mas sua intuição dizia que aquela cena se tornaria mais e mais frequente. — Vejo que nos daremos bem, Schiavone.
— Eu sei que sim, Diggory.
×××


Os dias seguintes continuaram estranhos. Harry não dirigia a palavra de forma alguma a , que já estava completamente irritada com a imaturidade dele. Cedrico continuava com a paranoia esquisita dele, o que fazia com que a mais nova o evitasse o máximo que podia, ela não queria ter que discutir com ele.
Chegou o momento que simplesmente parou de insistir em resolver tudo aquilo, queria mais que Potter e o próprio irmão dessem as mãos e sumissem de seu campo de visão, focava sua atenção 101% nas aulas para não se irritar com o resto, e nas horas vagas, quando não estava com Hermione e Charlotte — esta última que estava se mostrando ser bem legal — estava na cabana de Hagrid brincando com Bolota e Canino.
Naquele sábado, a corvina se presenteou com o luxo de dormir até tarde. Parte para descansar e parte para não ter que dar de cara com ninguém. Os planos eram vestir uma roupa confortável, tomar um chocolate quente, comer os ovos com bacon e voltar para os deliciosos divãs espalhados pela comunal da Corvinal, para ler o livro de Astronomia que havia encontrado na biblioteca particular da torre dos azuis. Mas quando ia saindo do Salão Principal para voltar para a torre, fora alcançada por Hermione e Rony.
— Onde pensa que vai? — questionou Rony enquanto a corvina apenas arqueava a sobrancelha.
— Pra minha comunal, ué…
— Você vai passar um sábado lindo como esse trancada na torre da Corvinal? — Mione sorriu para a amiga, cutucando-a na altura da costela.
— Eu sei que você faria o mesmo, Hermione, nem vem. — apontou para a amiga que ergueu as mãos em rendição, ela realmente faria aquilo se Rony e ela não estivessem tentando fazer com que Diggory e Potter se resolvessem. — O que vocês planejaram?
— Viemos te chamar pra ir assistir ao treino de quadribol. — Weasley soltou.
— Ah não, nem pensar! Eu não estou com muita paciência hoje, por favor… — a corvina choramingou.
— Também estou sem paciência hoje, . Vamos logo.
Hermione apenas a segurou pelo braço, arrastando-a pelo pulso. Diggory encarou Ron que apenas deu de ombros sorrindo fraco e então ela não teve outra alternativa que não fosse caminhar para o campo de quadribol com os amigos resmungando por todo o trecho.
— Se o idiota do Potter vier com as grosserias dele pro meu lado vocês vão ter a Segunda Guerra Bruxa bem aqui! Hoje eu não tô pro diálogo, vou quebrar a cara dele! E eu avisei… — o discurso da Diggory completamente irritada se findou ao ver que a primeira batalha já acontecia entre o time da Grifinória e o da Sonserina. Logo os três atravessavam o gramado correndo para ver o que estava acontecendo.
— Que é que está havendo? — questionou Rony a Harry enquanto encarava Draco, que trajava as vestes de quadribol da Sonserina. — Por que vocês não estão jogando? E o que ele está fazendo aqui?
— Sou o novo apanhador da Sonserina, Weasley — disse Draco, repleto de presunção — O pessoal aqui está admirando as vassouras que meu pai comprou para o nosso time.
, Rony e Hermione direcionaram os olhares para as sete magníficas Nimbus 2001 diante deles.
— Boas, não? — Draco tornou a dizer, com a voz macia. Diggory rolou os olhos, impaciente. Mais um pouco e o ego de Malfoy os deixaria sem ar por preencher completamente o local. — Mas quem sabe o time da Grifinória pode levantar um ourinho e comprar vassouras novas também. Você podia fazer uma rifa dessas Cleansweep 5, imagino que um museu talvez queira comprá-las.
O time da Sonserina começou a gargalhar. Patético, o pateta mor e os palhaços de seu circo. A voz de Hermione surgiu, trazendo à tona o que todos ali, que não os verdes, pensavam.
— Pelo menos ninguém da Grifinória teve de pagar para entrar — ela rebateu áspera — Entraram por puro talento, mesmo.
— Ninguém pediu sua opinião, sua sujeitinha de sangue-ruim — xingou Malfoy.
Fora uma reação completamente involuntária, Rony lhe apontou a varinha e um estrondo forte ecoou pelo estádio. Enquanto o loiro começava a gargalhar de Weasley, que havia sido atingido pela própria azaração. nem sentiu quando sua mão se fechou em punho e ela foi para cima de Malfoy. Seus dedos ficaram a centímetros de socá-lo no nariz, teria acertado se braços não tivessem a puxado para trás.
… Para! Não vale a pena, para! — surpreendentemente, fora Harry quem impediu a garota de se meter em mais problemas, mas ela estava irritada o suficiente para nem se dar conta disso e continuar tentando se livrar de Potter para socar o sonserino que a encarava amedrontado.
— Fala mais, Draco! Não é só isso que você sabe fazer? Fala pra se sentir superior e, na maior parte das vezes, fala quando se sente com medo e corre pro seu paizinho, como um riquinho mimado que não sabe resolver os próprios problemas! O que você vai fazer agora? Contar pro seu pai que quase apanhou de uma garota? Fala pra ele, Draco! Ou vai me ofender também, já que não sabe argumentar como um bruxo decente?
, para! — Hermione quem disse, com a voz baixa e levemente chorosa. — Precisamos ajudar o Rony agora.
A grifinória apontou para o Weasley, que vomitava lesmas sentado na grama. suspirou, Draco já estava longe dali. Ela se soltou dos braços, agora mais frouxos, de Harry e o encarou. Ele conseguiu enxergar claramente a mágoa nos olhos da corvina e sentia-se terrível por ser o motivo principal deste, mas não podia mais falar com ela.
Se sentiria muito pior se fosse o motivo da garota se envolver em mais confusão.
Mas não demorou para que os olhos acinzentados de Diggory carregassem uma expressão preocupada e se direcionassem para Rony. se ajoelhou ao lado do amigo, assim como Hermione estava. Enquanto o time da Sonserina ainda gargalhava como hienas em bando. Com exceção de Draco que estava estático e amedrontado com as palavras da corvina.
— É melhor levarmos Rony para a casa de Hagrid, é mais perto — sugeriu Harry a Hermione, que concordou de imediato. Ambos ajudaram o ruivo a se levantar e os seguia, sobre a supervisão de Potter e Granger, que a censuravam quando ela lançava olhares severos e palavras nada educadas na direção de Draco e os demais sonserinos.
— O que aconteceu, Harry? Ele está doente? Mas você pode curá-lo, não? — questionava um garotinho da Grifinória que desceu correndo das arquibancadas e agora dançava em volta dos quatro. Rony deu um enorme suspiro e mais lesmas rolaram pelo seu peito. — Ahh! Pode mantê-lo parado, Harry?
O garoto parecia fascinado enquanto erguia a máquina fotográfica. Harry abriu a boca, para respondê-lo, mas a Diggory fora mais rápida.
— Você quer sua câmera aprender a voar e passar pelo gol ou vai fazer o gentil favor de sair da frente? — ameaçou , impaciente. O garotinho empalideceu, dando passagem para que os quatro atravessassem os jardins em direção à orla da floresta. Estavam a uns cinco metros da casa de Hagrid quando a porta de entrada se abriu, mas não foi Hagrid que apareceu. Gilderoy Lockhart, ou o insuportável novo professor de DCAT — como costumava chamar — vinha saindo.
— Depressa, aqui atrás. — sibilou Harry, arrastando Rony para trás de uma moita, sendo seguido por uma Hermione e uma que ainda praguejava Malfoy em voz baixa.
— É muito simples se você sabe o que está fazendo! — Lockhart dizia em voz alta a Hagrid. — Se precisar de ajuda, você sabe onde estou! Vou te dar uma cópia do meu livro. Estou surpreso que ainda não o tenha comprado: vou autografar um exemplar hoje à noite e mandar para você. Bom, adeus. — E saiu em direção ao castelo.
Os quatro aguardaram atrás da moita até que Lockhart desaparecesse de vista, então Harry puxou Rony da moita enquanto Mione e iam a frente, batendo desesperadamente na porta de Hagrid.
O gigante abriu na mesma hora, parecendo muito rabugento, mas seu rosto se iluminou quando viu quem era.
— Estive pensando quando é que vocês viriam me ver, entrem, entrem, achei que podia ser o Prof. Lockhart outra vez… Faz tempo que os quatro não aparecem aqui juntos...
Harry e Mione ajudaram Rony a entrar na cabana sala e quarto, que tinha uma cama enorme em um canto, uma lareira com um fogo vivo no outro. Hagrid não pareceu perturbado com o problema das lesmas de Rony, que Harry explicou em poucas palavras enquanto baixava o amigo em uma cadeira enquanto corria pela cabana atrás de uma bacia.
— Melhor para fora do que para dentro — disse Hagrid animado, assim que Diggory arranjou uma grande bacia de cobre e praticamente a jogou na frente do menino. — Ponha todas para fora, Rony.
— Acho que não há nada a fazer exceto esperar que a coisa passe — deduziu Mione ansiosa, observando Rony se debruçar na bacia. — É um feitiço difícil de fazer em condições ideais…
— Com a varinha quebrada então… — fez uma careta de nojo enquanto o amigo colocava mais lesmas para fora.
Hagrid ocupou-se pela cabana preparando chá para os meninos. Canino, fazia festas a Harry, sujando-o todo enquanto Bolota pulava animado ao seu redor, sem de fato alcançá-lo.
— Que é que Lockhart queria com você, Hagrid? — perguntou Harry, coçando as orelhas de Canino com uma mão enquanto segurava Bolota na outra.
— Estava me dando conselhos para manter um poço livre de algas — rosnou Hagrid, tirando um galo meio depenado de cima da mesa bem esfregada e pousando nela o bule de chá. — Como se eu não soubesse. E ainda fez farol sobre um espírito agourento que ele espantou. Se uma única palavra do que disse for verdade eu como a minha chaleira.
Não era hábito de Hagrid criticar professores de Hogwarts, e Harry olhou-o surpreso. Mione, porém, disse num tom mais alto do que de costume:
— Acho que você está sendo injusto. É óbvio que o Prof. Dumbledore achou que ele era o melhor candidato para a vaga…
— Convenhamos, Mione, — acariciou o ombro da amiga, com uma expressão risonha — ele é insuportável.
— E ele era o único candidato — disse Hagrid, oferecendo-lhes um prato de quadradinhos de chocolate, enquanto Ron tossia e vomitava na bacia. — E quero dizer o único mesmo. Está ficando muito difícil encontrar alguém para ensinar Artes das Trevas. As pessoas não andam muito animadas para assumir esta função. Estão começando a achar que está enfeitiçada. Ultimamente ninguém demorou muito nela. Agora me digam... — disse Hagrid, indicando Rony com a cabeça. — Quem é que ele estava tentando enfeitiçar?
— Malfoy chamou Mione de alguma coisa, deve ter sido muito ruim porque ele ficou furioso. — Harry franziu o cenho, confuso.
— Foi ruim — disse Rony, rouco. Ele tentou erguer-se até a superfície da mesa para explicar, mas o lançou um olhar de compaixão e ele tornou a vomitar.
— Malfoy chamou Mione de sangue ruim, Hagrid. — Diggory terminou a explicação, parecendo bastante incomodada.
— Ele não fez isso! — Harry assistiu Hagrid berrar indignado.
— Fez sim — confirmou Mione. — Mas eu não sei o que significa. Percebi que era uma grosseria muito grande, é claro...
— É praticamente a coisa mais ofensiva que ele podia dizer — ofegou Rony, voltando. — Sangue ruim é o pior nome para alguém que nasceu trouxa, sabe, que não tem pais bruxos. Existem uns bruxos, como os da família de Malfoy, que se acham melhores do que todo mundo porque têm o que as pessoas chamam de sangue puro.
Ele deu um pequeno arroto, e uma única lesma caiu em sua mão estendida. Ele a atirou à bacia e continuou:
— Quero dizer, nós sabemos que isso não faz a menor diferença. Olha só o Neville Longbottom, ele tem sangue puro e sequer consegue pôr um caldeirão em pé do lado certo.
— E ainda não inventaram um feitiço que a nossa Mione não saiba fazer — disse Hagrid orgulhoso, fazendo Mione ficar púrpura de tão corada.
— E é uma coisa revoltante chamar alguém de... — começou Rony, enxugando a testa suada com a mão trêmula — ... Sangue sujo, sabe. Sangue comum. É ridículo. A maioria dos bruxos hoje em dia é mestiça. Se não tivéssemos casado com trouxas teríamos desaparecido da terra.
Ele teve uma ânsia de vômito e tornou a desaparecer de vista.
— Se vocês tivessem deixado eu mesma teria azarado aquele oxigenado maldito! — murmurou desgostosa enquanto mastigava um dos quadradinhos de chocolate.
— Bem, não posso censurá-los por querer enfeitiçar Draco — disse Hagrid alto para encobrir o barulho das lesmas que caíam na bacia. — Talvez tenha sido bom a sua varinha ter errado, Rony e Hermione e Harry terem a impedido, . Acho que Lúcio Malfoy viria na mesma hora à escola se um de vocês tivesse enfeitiçado o filho dele. Pelo menos não estão em apuros.
Harry teria gostado de lembrar que o apuro não podia ser pior do que ter lesmas saindo da boca, mas não pôde; os quadradinhos tinham grudado seus maxilares.
— Harry — disse Hagrid abruptamente como se tivesse lhe ocorrido um pensamento repentino. — Tenho uma reclamação sobre você. Ouvi falar que andou distribuindo fotos autografadas. Como é que não ganhei nenhuma?
Furioso, Harry desgrudou os dentes. segurou uma risada.
— Não andei distribuindo fotos autografadas — reclamou o grifinório alterado. — Se Lockhart continua a espalhar este boato...
Mas, então, ele viu que Hagrid estava rindo.
— Só estou brincando — falou, dando palmadinhas amigáveis nas costas de Harry, fazendo-o enfiar a cara na mesa. — Eu sabia que não tinha dado. Eu disse a Lockhart que você não precisava fazer isso. Você é mais famoso do que ele sem fazer a menor força.
— Aposto como ele não gostou disso — comentou Harry erguendo a cabeça e esfregando o queixo.
— Acho que não — respondeu Hagrid, com os olhos cintilando. — E então falei que nunca tinha lido um livro dele e ele resolveu ir embora. Quadradinhos de chocolate, Rony? — acrescentou, ao ver Rony reaparecer.
— Não, obrigado — Rony negou, fraco. — É melhor não arriscar.
— Venham ver o que andei plantando — convidou Hagrid quando Harry, e Mione terminaram de beber o chá. Na pequena horta nos fundos da casa havia uma dúzia de abóboras enormes, cada uma tinha o tamanho de um pedregulho. — Estão crescendo bem, não acha? — perguntou Hagrid alegre.
Os três assentiram, ainda estranhando o tamanho da plantação.
— É para a Festa das Bruxas... até lá já devem estar bem grandes.
— Nesse passo teremos suco de abóbora até o Natal. — brincou, fazendo Rúbeo rir.
— Que é que você está pondo na terra? — perguntou Harry. Hagrid espiou por cima do ombro para ver se estavam sozinhos.
— Bom, tenho dado, sabe, uma ajudinha...
— Um feitiço de engorda? — perguntou Mione, num tom de quem se diverte e desaprova. — Bem, você fez um bom trabalho.
— Foi o que a sua irmãzinha disse — comentou Hagrid, fazendo sinal a Rony. — Encontrei-a ainda ontem.
Hagrid olhou de esguelha para Harry, a barba mexendo e a expressão divertida no rosto.
— Ela me disse que estava só dando uma olhada nos jardins, mas eu calculo que estava na esperança de encontrar alguém na minha casa. — e piscou para ele. Diggory franziu o cenho, não entendo a piada. — Se alguém me perguntasse, ela é uma que não recusaria uma foto...
Rony riu, Hermione lutava para não fazer o mesmo, enquanto olhava para uma repentinamente desconfortável.
— Ah, cala a boca — disse Harry. Rony deu uma risada abafada e o chão ficou cheio de lesmas.
— Cuidado! — rugiu Hagrid, puxando Rony para longe de sua plantação.
Os quatro permaneceram na cabana até que a hora do almoço se aproximasse. Mesmo que por um motivo inusitado, eles haviam passado mais tempo juntos naquela manhã do que em todos os dias letivos daquele ano e aquilo foi suficiente para deixar com um sorriso discreto nos lábios enquanto os quatro caminhavam até o castelo.
Harry e Rony iam a frente, enquanto e Mione caminhavam alguns passos atrás. Granger ainda segurava a risada, feliz por cada prova que surgia e comprovava sua teoria. estranhou, mas não pode evitar se sentir aliviada por ver que a amiga não se deixara abater com as palavras cruéis de Malfoy.
— Sabe … — Mione começou com a voz comedida para que os meninos não ouvissem — Vi que pareceu chateada quando Hagrid citou o fã clube do Harry, mas acho que se conversar com Colin e Gina quem sabe…
— HERMIONE! — a corvina gritou, indignada e desatou a correr atrás da amiga, que já estava alguns metros distantes quando percebeu que havia cutucado com uma vara curta demais.
— O que deu nelas? — perguntou Harry a Rony, enquanto avistava as duas correndo pela grama até o castelo.
— Depois de um ano inteiro você ainda tenta entendê-las? — Rony retrucou, negando com a cabeça.
O resto da tarde pareceu voar para . Ela almoçou na companhia de Lottie, Maddy e Mione, após um interrogatório vindo de Cedrico, cujo foi perfeitamente acobertada por Maddy, que, de uma maneira bem mais fácil do que realmente parecia, conseguiu despistá-lo. Eram cerca de oito horas quando Diggory adentrou a comunal de sua casa, não estava cansada para subir para o quarto, então optou por ficar ali e conversar com Lisa, até que essa fosse convidada para jogar xadrez bruxo por Morag.
até apreciava o jogo, de certo modo, mas preferiu ficar ali deitadinha confortavelmente em um dos divãs lendo o livro de Astronomia que pegara mais cedo naquele dia.
Davies e Cadell conversavam animadamente sobre a partida contra a Sonserina que jogariam em breve quando Will avistou a mais nova deitando-se no divã perto do parapeito onde ele e o amigo estavam com um livro em mãos. Seus olhos brilharam instantaneamente em expectativa, descobrira ao longo desses poucos dias letivos que irritar a Diggory era um de seus atuais passatempos preferidos.
— Você não está pensando em… — Davies começou, em tom de advertência, mas o amigo sorriu maroto antes de amassar um pedaço de pergaminho e jogar na direção da garota. A bolinha fez uma parábola perfeita até atingir a testa de Diggory, que sentou-se encarando Cadell com uma expressão mortal enquanto ele e o amigo riam.
— Desculpa aí, Diggory! — o maldito batedor sorriu, quis jogá-lo da torre — Estou treinando para uma vaga de artilheiro.
E então tornou a rir.
— Já podemos perceber que você é péssimo, então. — ela arremessou a bolinha acertando exatamente a boca de William, obrigando-o a parar de rir.
Davies tentou, mas foi impossível não rir da cara do melhor amigo, que agora encarava com raiva. Ela até riria, se arrepios não tivessem percorrido por todo o seu corpo.
Não arrepios bons como os causados por momentos bons e pessoas especiais, que mais pareciam cócegas do vento. Mas sim aqueles horripilantes, que gelavam até a alma e geralmente vinham acompanhados por coisas ruins.
Os olhos da corvina se arregalaram e ela deu um pulo do divã, colocando-se de pé, sob os olhares atentos e confusos dos colegas. Quando voltou a si, assustada demais para pensar em frases que necessitassem de mais atenção para formular, ela bufou apontando para Cadell.
— Treine mais seus arremessos, quem sabe assim ocupa a mente e esquece de me perturbar, hein?
Fora o suficiente para que Davies o zoasse pelo resto da noite, enquanto tentava de todas as formas dormir e ignorar a sensação ruim que tivera, sem ao menos suspeitar que do outro lado do castelo Harry fazia o mesmo após ouvir palavras gélidas sussurradas misteriosamente durante a detenção com Lockhart.
×××


olhou para os malões com o cenho franzido, o Dia das Bruxas havia chegado e com ele o frio que iniciava a temporada do fim de ano. As pessoas costumam levar presentes em aniversários de morte? Questionou a si mesma, mas deu de ombros, terminando de ajeitar a capa do uniforme. Sentiu o estômago roncar e então se dirigiu rapidamente para o Salão.
Nick Quase sem Cabeça havia a convidado para sua festa quando ela elogiara o chapéu que ele usava em uma manhã dessas. O fantasma parecia chateado com algo, então ela aceitou ir à festa para prestigiá-lo, e também seria legal conversar com outros fantasmas. Gostava bastante do Frei Gorducho, o fantasma da Lufa-Lufa, de Helena, a reservada fantasma de sua casa, cuja havia trocado algumas poucas palavras e até mesmo da Murta que Geme, que era bem engraçada quando não estava chorando. Hermione havia dito que ela e os meninos foram convidados, o que a motivou ainda mais, também seria legal estar perto dos amigos, afinal.
O plano era passar no Salão Principal para jantar rapidinho, afinal, ela não sabia que tipo de comida poderia ser servida em uma festa de fantasmas — isso é, fantasmas comem? Ela se questionou enquanto bolava o plano — e em seguida dizer ao irmão que vai ao banheiro para despistá-lo para, então, seguir até as masmorras.
As mesas estavam dispostas de uma maneira diferente do habitual, de maneira que os alunos podiam se sentar com os amigos de outras casas. A decoração estava linda, luzes e as abóboras gigantes de Hagrid enfeitavam o lugar. sentou-se com o irmão, Jadrien, Brian a princípio, e depois mudou-se para a mesa onde Neville, Charlotte e Madelyn estavam.
— A comida não vai fugir, . — Lottie riu enquanto dava tapinhas nas costas da amiga, que se engasgara devido a rapidez que engolia.
— Eu sei, desculpa pela falta de educação… — Diggory sorriu amarelo antes de bebericar o suco em seu cálice — É que eu tenho que ir a um lugar e hm, quero aproveitar que Cedrico não está filmando meus movimentos.
— Você que acha. — Maddy umedeceu os lábios segurando o riso depois de depositar o copo na mesa — Ele não para de olhar pra cá…
— Sei… — Lottie e se entreolharam e Maddy tornou a beber o suco de abóbora, enquanto Neville desistia de entender a conversa das garotas e se dirigia até os colegas de quarto, que também estavam ali por perto.
— Parece que não é para a que ele está olhando, Maddy… — Lottie lançou um olhar significativo para a lufana, que engasgou com o suco.
— Preciso que me ajudem… — sorriu e então O'Donnell lhe lançou um olhar sério.
— Por que tenho a sensação de que vou viver distraindo seu irmão pra te dar cobertura? — ela empurrou o ombro da corvina com o seu próprio e então Diggory lhe lançou um sorriso malicioso enquanto se levantava.
— Acho que deve ser pelo mesmo motivo que vai me fazer te chamar de cunhada. — ela cantarolou antes de correr, deixando uma Madelyn de cabelos roxos e com o rosto vermelho de vergonha e uma Charlotte rindo a ponto de entrar em uma crise de tosse.
O caminho até as masmorras demorou cerca de dez minutos, achou que tivesse sentido mais um daqueles arrepios terríveis, mas enquanto se aproximava mais do local marcado, não sabia se o arrepio era de pavor ou de frio.
Estava atrasada, ela concluiu quando viu que os amigos já pareciam entediados, como se o discurso que Nick fazia já tivesse começado há muitos minutos atrás.
— Perdi muita coisa? — questionou ela, aproximando-se dos grifinórios.
— Nada interessante. — Rony deu de ombros, Hermione fingia prestar atenção no discurso do fantasma e Harry parecia desconfortável. engoliu em seco, ele já estava daquela forma ou teria ficado assim devido a chegada dela?
— Nós já estávamos tentando arrumar um jeitinho discreto de ir embora, na verdade… — Mione sorriu amarelo, tentando amenizar o clima e quebrar o silêncio.
— Vou prestigiar o Nick e… — ergueu o olhar para onde cabeças começaram a voar como em uma partida de… Hóquei? — Bem, vou lá falar com ele rapidinho e arrumamos um jeito de sair.
Nick pareceu se animar quando Diggory o cumprimentou, mas era evidente que a partida de hóquei com cabeças o deixara chateado. Ela voltou depois de conversar alguns minutos com ele e então os quatro (vivos) saíram em direção à porta, acenando com a cabeça e sorrindo para todos que olhavam, e um minuto depois estavam andando depressa pelo corredor cheio de velas.
— Talvez o pudim ainda não tenha acabado — disse Rony esperançoso, em meio ao silêncio constrangedor que os envolvia, seguindo à frente em direção à escada do saguão de entrada.
E então parou, arregalando os olhos e abraçando a si mesma pelo frio que os arrepios intensos lhe causaram, enquanto Harry ouviu a voz gélida sussurrando enquanto se apoiava na parede de pedra: “rasgar... romper... matar...”.
sentiu as reações acontecendo com clareza em seu corpo, os batimentos cardíacos acelerados, as mãos suando, a adrenalina significativa correndo por suas veias… Tudo sinalizando o perigo ao redor em uma desesperada e primitiva reação de luta e fuga.
Os braços dela ainda faziam movimentos rápidos e repetitivos, em uma tentativa falha de aquecer-se, confortar-se, proteger-se.
Harry, por sua vez, parou de andar em meio a tropeços, apoiando-se na parede de pedra, escutando com toda a atenção, olhando para os lados, apertando os olhos para ver nos dois sentidos do corredor mal iluminado.
Era a mesma sensação que Diggory sentira no salão comunal, a mesma voz gélida e assassina que Potter ouvira na sala de Lockhart. não entendia como Harry podia estar escutando algo, o que aquilo era? Por que diabos ela se sentia tão esquisita?
— Harry, o que é que você...? — Rony arriscou, mas fora interrompido.
— É aquela voz de novo, fiquem quietos um minuto...
Mais uma corrente de arrepios percorreu pelo corpo da corvina, como uma energia negativa drenando suas forças, repentinamente Diggory sentiu-se enjoada, amedrontada.
— Ouçam! — disse Harry com urgência, e Rony e Mione pararam, observando-o. engoliu seco. Harry observava o teto com uma expressão assustada enquanto tentava ouvir a tal voz, mesmo que tudo que os outros três ouvissem fosse o vozerio na festa do Salão Principal ecoando pelo saguão. — Por aqui.
O grifinório gritou e então começou a subir correndo as escadas de mármore até o primeiro andar, com , Rony e Mione nos seus calcanhares.
— Harry, o que é que estamos…
Harry interrompeu Hermione, pedindo silêncio enquanto apurava os ouvidos. , que estava ao lado da garota, agarrou-se ao braço da amiga sentindo-se tonta. Granger até abriu a boca para verbalizar a preocupação assim que a mão gélida e trêmula de Diggory tocou a sua, mas o grito de Harry a impediu.
— Vai matar alguém!
Os três seguiram Potter ofegantes, sentia-se correndo para a própria ruína, mas continuava firme em seus passos apressados e preocupados com o que aconteceria a seguir. Não sabia como, muito menos o porquê, mas sabia que Harry estava certo. A sensação era ruim demais para ser um simples delírio, e assustadora demais para ser apenas uma coincidência.
Alguém estava correndo risco.
— Harry, do que é que você estava falando? — perguntou Rony, enxugando o suor do rosto. — Eu não ouvi nada...
encolheu os ombros, pronta para dizer que também estava sentindo que algo aconteceria ali, mas Mione soltou uma súbita exclamação, apontando para o corredor.
— Olhem!
Alguma coisa brilhava na parede em frente. Eles se aproximaram devagarinho, apertando os olhos para ver na penumbra. Alguém tinha pintado palavras de uns trinta centímetros na parede entre as duas janelas, que refulgiam à luz das chamas das tochas.

A CÂMARA SECRETA FOI ABERTA.
INIMIGOS DO HERDEIRO, CUIDADO.

— Que coisa é aquela, pendurada ali embaixo? – perguntou Rony, com a voz trêmula.
Ao se aproximarem, uma grande poça de água no chão quase fez com que Harry caísse. Os amigos o seguraram de prontidão e continuaram a avançar devagar até a mensagem, os olhos fixos na sombra escura embaixo. Os quatro logo perceberam o que era e deram um salto para trás espalhando água.
Madame Nora, a gata do zelador, estava pendurada pelo rabo em um suporte de tocha. Dura como um pau, os olhos arregalados e fixos. Durante alguns segundos eles não se mexeram, até que Rony sussurrou a melhor opção que tinham para não se meter em problemas:
— Vamos dar o fora daqui.
— Será que não devíamos tentar ajudar... — começou a dizer Harry, sem jeito.
— Rony tem razão… — murmurou com a voz baixa e assustada. — Não podemos ser encontrados aqui.
Mas era tarde demais.
Um ronco, como o de um trovão distante, informou-lhes que a festa havia acabado. De cada ponta do corredor onde estavam, ouviram o barulho de centenas de pés que subiam as escadas, e a conversa alta e alegre de gente bem alimentada que fora cessando aos poucos na medida que os alunos entravam pelos dois lados do corredor e viam a gata pendurada.
— Inimigos do herdeiro, cuidado! Vocês vão ser os próximos, sangues ruins! — a voz de Draco Malfoy irrompeu em meio ao silêncio macabro. Ele abriu caminho até a frente dos alunos, seus olhos frios muito intensos, seu rosto, diferente do habitual, estava corado, e ele ria diante do gato pendurado imóvel.


¹ Charlotte Schiavone é personagem das fanfics Undique e Aeternum.

Sete - A Câmara Secreta.

Outubro de 1992

O grito de Malfoy foi o suficiente para atrair Argo Filch até o núcleo da cena, onde sua gata estava pendurada imóvel. O homem imediatamente levara as mãos ao rosto de forma horrorizada e então a solução mais rápida fora a que , Harry, Rony e Mione já esperavam: culpá-los.
Afinal, as evidências estavam contra eles e nem mesmo a pessoa mais persuasiva no mundo poderia mudar o fato de que os quatro estavam na hora e no local errados.
Dumbledore concluiu que a pobre gata havia sido petrificada, por algo que, quatro alunos segundanistas nunca seriam capazes de executar. Mesmo com as acusações calorosas de Filch e um interrogatório interminável vindo de Snape, fora o diretor quem deu a palavra final, declarando Harry inocente até que se provasse o contrário.
não tivera a chance de dizer ao amigo que acreditava nele, já que Cedrico a esperava do lado de fora da sala, o que fez com que após um sorriso fraco lançado aos amigos ela simplesmente o seguisse em silêncio enquanto ouvia o sermão do mais velho.
Nos dias seguintes não foi diferente. Se antes Cedrico estava grudado nela, agora as chances dele se distanciar da irmã eram nulas, com exceção dos momentos em que essa estava no banheiro, nas aulas ou na própria comunal.
Ele a levava e buscava nas aulas, a acompanhava durante as refeições, na biblioteca e até mesmo nos tempos livres, o que a impossibilitava completamente de ir atrás dos amigos, que passavam um verdadeiro inferno nos últimos dias. Não se falava de outra coisa, alguns alunos cochichavam pelas costas do grifinórios enquanto outros nem tentavam.
havia até mesmo ouvido que um dos companheiros de casa do irmãos havia corrido de Harry quando este o cumprimentara. Aquilo era ridículo, e sentia-se péssima por vê-lo passando por tal injustiça sem poder fazer nada.
Tentara conversar com Hermione em um momento que a encontrou na biblioteca, mas a mesma pareceu não ouvi-la chamando. O mesmo aconteceu com Rony, durante certo dia que se encontraram momentaneamente no corredor quando ela voltava do banheiro para o Salão Principal. Eles estavam a ignorando e, em certa parte, ela até os entendia.
Provavelmente pensavam que era apenas mais uma que estava assustada e suspeitando que Harry fosse o responsável por tudo, quando ela apenas não havia tido a chance de se justificar.
suspirou profundamente quando entrou encarou Potter sentado do outro lado do Salão com um olhar distraído enquanto Rony lhe contava energeticamente sobre algo. As circunstâncias que a impediam de ir falar com os amigos deixavam-na extremamente desanimada, então a solução que lhe restava era ocupar a mente de outras maneiras. Sentou-se na mesa de sua casa para o café e então voltou o olhar para a página aberta de seu exemplar de Hogwarts: uma história.
“Desde os primórdios da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts uma lenda ronda anos e anos por entre os corredores, torres e masmorras. A história conta que antes de deixar a escola, por discordar dos demais fundadores sobre a importância da Pureza do Sangue e a aceitação dos nascidos-trouxas em Hogwarts, Salazar Slytherin criou uma câmara secreta subterrânea que abriga um monstro destinado a “limpar” a escola de todos os nascidos-trouxas que pode ser aberta somente pelo herdeiro de Slytherin. Ao longo dos séculos após a morte de Sonserina, muitos diretores conduziram buscas na escola para encontrar a Câmara. Nenhuma, no entanto, teve sucesso, e a Câmara…”
— O que está lendo? — Cedrico sentou-se ao lado da irmã, de repente, fazendo com que a mesma fechasse o livro com força devido ao susto e também porque tudo que ela menos precisava era o irmão censurando suas buscas.
Mesmo que toda a situação com os amigos a chateasse profundamente, não fora um empecilho para impedi-la de procurar por respostas sozinha. Afinal, as palavras marcadas na parede ainda deixavam muitas pontas soltas, sendo a principal delas a menção de uma câmara secreta. Diggory tinha certeza de que já tinha visto sobre essa lenda em algum livro, o que a fez buscar entre os livros que ela tinha no dormitório para então, se necessário procurar mais na biblioteca.
Não fora necessário ir tão longe, visto que tinha o livro no meio de suas roupas e pertences dentro de um de seus malões.
— Por Merlin! Quer me matar? — questionou ela, buscando controlar a respiração ofegante enquanto estapeava o braço do lufano.
— Calma aí, irmãzinha! — ele ergueu os braços em rendição, e então pegou um dos pãezinhos e o usou para calar a mais nova. — Você precisa tomar logo seu café, tenho que chegar mais cedo na aula de Poções porque o professor está fazendo a chamada assim que entra na sala.
— Eu não pedi que me acompanhasse. — rebateu com a boca cheia, continuando só após conseguir engolir o pequeno pão — Digo, você sabe que tenho pernas lindas e eficientes que podem muito bem me levar até a sala de Transfiguração… E pasme, querido irmão, mas além disso, eu também sei o caminho.
— Uau! — Cedrico levou a mão ao peito, fingindo admiração, mas logo fechou a cara — Não me convenceu, anda logo.
semicerrou os olhos na direção do mais velho, mas deu de ombros e continuou a comer.
— Eu não vou tomar meu café da manhã com pressa. Se não quiser que o Snape lhe dê falta, vá direto pra sua sala e me deixe em paz, folgado!
, por favor, colabore…
— Nós podemos acompanhá-la. — Cadell intrometeu-se, materializando-se de pé a frente dos irmãos Diggory com Davies ao seu lado, esse último com uma careta confusa.
— Eu estou na mesma sala que o Cedrico, como posso acompanhá-los? — Davies rosnou para o amigo. os olhou com uma careta enquanto Cedrico mesclava o olhar entre os colegas e a irmã. Cadell deu um sorrisinho sem graça e então deu uma cotovelada no amigo. — Mas com certeza você pode, com toda a certeza!
— Claro Cedrico, afinal, eu e sua irmã somos bons amigos. — William disse enquanto se sentava ao lado de .
— Não somos não. — ela tratou de dizer, enquanto ainda comia calmamente.
— Estou tentando te ajudar, tem como cooperar? — ele murmurou entredentes para que só ela escutasse. A garota bufou enquanto lhe lançava um olhar nada amigável.
— Satisfeito Ced? — ironizou olhando agora para o irmão — Arrumei outro guarda-costas. Agora anda, vai logo antes que o seboso te dê falta.
Cedrico se levantou, ainda olhando desconfiado de Cadell para a irmã mais nova, mas seguiu para fora com Davies lhe dando tapinhas nas costas.
— Você sabe que não precisa ir comigo, né?
— Você sabe que eu vou mesmo assim, né? — William a respondeu com outra pergunta, fazendo-a bufar. — Boa garota, agora come logo.
não o respondeu, apenas tornou a comer com a maior calma e paciência do mundo apenas para irritá-lo. Quando terminou, ambos caminharam em silêncio, lado a lado, pelos corredores e escadarias em direção a sala da professora Minerva.
Gina Weasley seguia a frente, reconhecida por graças a seus cabelos flamejantes e a estatura pequena, em passos rápidos e atrapalhados para o que a corvina deduziu ser uma aula para qual ela estava extremamente atrasada.
Da mochila desgastada, um caderno preto de couro caiu, fazendo com que os corvinos corressem um pouco mais para alcançá-la e devolver o objeto.
— Ei, Weasley! — gritou, fazendo com que a mais nova parasse de andar para encará-los. — Você deixou seu caderno cair…
O rosto de Gina empalideceu, para segundos depois tornar-se roxo e então escarlate. Ela tomou o caderno das mãos de de forma abrupta e desesperada, folheando-o rapidamente.
— Nós não o abrimos, ele acabou de cair. — Cadell disse calmamente — Pela sua reação parece algo importante…
A ruiva arregalou os olhos para então olhar de para William.
— Isso… Isso não é da sua conta.
E então desatou a correr.
juntou as sobrancelhas em confusão. Não havia trocado nenhuma palavra com Gina Weasley antes, apenas a vira de longe e recordava-se muito bem das pessoas se referindo a ela como alguém dócil e simpática, o que a fez relevar a primeira impressão.
Certamente não era um bom dia, ou se tratasse de algo muito pessoal e Gina estivesse pensando que William e ela fossem bisbilhoteiros invadindo sua privacidade. De qualquer forma, buscaria se desculpar depois pelo mal-entendido.
— Será que é naquele caderninho que ela declara todo o amor dela pelo Potter? — a voz de Cadell tirou de seus pensamentos, quando ela caiu em si, ambos já estavam na porta da sala de aula.
Diggory engoliu seco antes de dar um tapa no braço do colega.
— Ela perguntou e eu repito, isso é da sua conta? — ela disse entredentes e então sentou-se na carteira ao lado de Hermione, Harry e Ron logo à frente.
— Qual é, Diggory. — ele sorriu sentando-se na carteira atrás dela — Vai me dizer que também tem um diário onde escreve cartinhas de amor?
Harry, carteiras à frente, sentiu o estômago afundar sem nenhum motivo específico, virando-se ligeiramente para ouvir melhor a conversa dos corvinos.
— É melhor parar de falar comigo antes que eu o transforme em um capacho de porta. — ameaçou com o tom de voz dócil e aquilo foi o suficiente para que William mantivesse a boca calada pelo resto do período.
×××


O sábado da partida entre Grifinória e Sonserina chegou mais rápido do que imaginou. Seria esquisito não desejar boa sorte para Harry e não ficar na arquibancada dos leões na companhia de Mione e Ron. Ela havia até mesmo cogitado em não ir, ficar sozinha na comunal havia de ter algum benefício, afinal.
Mas era uma partida clássica que ninguém costumava perder, principalmente Diggory, amante assídua de uma boa disputa. A garota mal via a hora de poder aplicar para os testes no ano seguinte e se tornar parte do time.
Seguiu para a arquibancada onde os corvinos recebiam o time da Grifinória — que sobrevoava o campo — em expectativa de uma derrota esmagadora contra a Sonserina. Não exatamente por gostarem dos leões, mas com toda a certeza por serem contra o time das cobras e é uma unanimidade universal de que nada une mais os seres humanos do que a antipatia por alguém ou algo em comum.
Diggory se sentou e então observou Madame Hooch, a professora de quadribol, mandou Flint e Wood apertarem as mãos, o que eles fizeram, lançando um ao outro olhares ameaçadores e pondo mais força no aperto que era necessário. Com um rugido de incentivo das arquibancadas, os catorze jogadores subiram em direção ao céu carregado. Harry foi mais alto do que qualquer outro, apertando os olhos à procura do pomo por poucos segundos, até que Malfoy começasse a perturbá-lo.
rolou os olhos, mas então percebeu que um balaço vinha a toda velocidade na direção de Harry, ela se levantou erguendo as mãos até a altura dos cabelos, mas então ele o evitou por tão pouco que o balaço passou a milímetros de alcançar sua cabeça.
— Presta atenção, Potter! — ela esbravejou, com a respiração acelerada, mantendo-se de pé assim como toda a torcida.
Jorge deu uma forte bastonada na direção de Adriano Pucey, mas o balaço mudou de rumo em pleno ar e tornou a voar direto para Harry, fechou os olhos com força e então os abriu, revoltada. Potter mergulhou depressa para evitá-lo, e Jorge conseguiu atingir o balaço com força na direção de Draco. Mais uma vez, o balaço voltou como um bumerangue e disparou contra a cabeça de Harry, que imprimiu velocidade à vassoura e voou para o outro extremo do campo.
“Mas que inferno!” Diggory pensou apreensiva. Não era normal um balaço se concentrar em um só jogador, algo estava errado. Aquele balaço estava alterado.
Fred Weasley aguardava o balaço no outro extremo do campo, Harry se abaixou quando ele rebateu com toda a sua força, desviando-o do curso, fazendo a corvina soltar a respiração aliviada, o que não durou muito visto que o balaço saiu atrás de Harry outra vez, forçando-o a voar a toda velocidade.
Fred e Jorge agora voavam junto a ele, um de cada lado, como uma escolta sobre a chuva que se iniciara forte. Com certeza Harry não estava enxergando um palmo à sua frente com os óculos embaçados, muito menos o pomo.
Os gêmeos fizeram um sinal, que foi rapidamente entendido pelo capitão do time, e não demorou para que o apito de Madame Hooch soasse e Harry, Fred e Jorge mergulhassem até o chão, ainda tentando evitar o balaço.
O time da Grifinória discutiu por algum tempo, até que Madame Hooch veio andando em direção a eles. Eles deliberaram mais um pouco e então a professora reiniciou a partida em meio a chuva que agora estava muito mais forte. Harry deu um forte impulso para o alto ganhando cada vez mais altura, fez loops, subiu, espiralou, ziguezagueou e balançou, fazendo com que parte da torcida começasse a rir dele.
Que, então, começou a voar pela orla do estádio. Draco apareceu mais uma vez para desestabilizá-lo quando se aproximaram da torcida da Corvinal, Harry foi obrigado a dar uma volta ridícula em pleno ar para evitar o balaço e fugir, o balaço rastreando-o a pouco mais de um metro; e então, virando-se para olhar Draco, sua expressão se suavizou. apertou os olhos, tentando enxergar em meio aos grossos pingos de chuva que caiam, mas conseguiu com dificuldade avistar o pomo a centímetros da orelha do sonserino, que estava concentrado demais em rir de Potter para perceber.
Harry imobilizou-se no ar, sem ousar voar na direção de Draco, provavelmente com medo de que ele olhasse para cima e visse o pomo. Mas ele demorou demais, o que permitiu que o balaço o atingisse no cotovelo. A corvina fechou os olhos com força mais uma vez, mas logo sua ansiedade e inquietação a permitiram continuar assistindo ao jogo, mesmo em meio a preocupação.
Ele não havia parado, muito pelo contrário. Harry mergulhou na direção de Draco, que afastou-se dele de imediato, e tirou a mão boa da vassoura e tentou agarrar o pomo preso à vassoura somente pelas pernas, sabia que as arquibancadas faziam barulho quando ele rumou direto para o chão, mas nem mesmo seu próprio grito fora perceptível quando ela o observou bater no chão e rolando para o lado para desmontar da vassoura. Seu braço com toda certeza havia quebrado, mas mesmo varado de dor, ele focalizou o pomo seguro na mão boa, murmurou algo e desmaiou.
Claro que a proximidade que o garoto havia caído do lugar onde ela estava havia ajudado, mas era provável que mesmo do outro lado do campo a garota tivesse feito o percurso com a mesma velocidade. Fora a primeira a chegar ao lado do amigo desmaiado, seguida pelo time, Mione, Ron e alguns professores.
— Harry… — ela o chamou, chacoalhando levemente o braço que não estava machucado.
Sem resposta.
Ela repetiu a ação por alguns minutos até que ele abrisse lentamente os olhos verdes, posicionando-os imediatamente nela.
— Você não devia estar aqui, Diggory. — ele murmurou em meio a um gemido.
— E você não deveria se esforçar tanto. Como acha que eu o deixaria machucado e sozinho, seu idiota? — ela murmurou, observando um protótipo de sorriso aparecer em meio a sua expressão dolorosa.
— Senhorita Diggory, deixe isso comigo. — o professor Lockhart apareceu, fazendo-a revirar os olhos.
— O senhor tem certeza de que não vai piorar tudo? — ela rebateu, cruzando os braços. Mas Harry gemeu de dor mais uma vez, fazendo-a bufar e lhe dar espaço.
— Ah, o senhor, não — gemeu Potter mais uma vez, suficiente para que olhasse para o mais velho com a sobrancelha erguida, juntamente com os alunos do time encarando-os ansiosos.
— Ele não sabe o que está dizendo — falou Lockhart em voz alta. — Não se preocupe, Harry. Já vou endireitar o seu braço.
— Não! — exclamou o grifinório com rapidez — Vou ficar com ele assim, obrigado...
— Deite-se, Harry — mandou Lockhart acalmando-o.
— Professor, o senhor tem certeza? Acho que a madame Pomfrey...— mas Diggory fora interrompida pelo professor.
— É um feitiço muito simples que já usei muitíssimas vezes...
— Por que não posso simplesmente ir para a ala hospitalar? — questionou Harry com os dentes cerrados.
— Ele devia mesmo, professor – disse um enlameado Wood, que não pôde deixar de sorrir mesmo com o seu apanhador machucado. deu graças a Deus por alguém sensato aparecer para engrossar o coro de que aquilo daria errado — Grande captura, Harry, realmente espetacular, a melhor que já fez, eu diria...
Bom, não tão sensato assim.
— Wood por favor se não for ajudar não atrapalhe, ok? — ela esbravejou para o capitão que ergueu as sobrancelhas e os braços em sinal de rendição.
— Afastem-se — pediu Lockhart, enrolando as mangas de suas vestes verde-jade.
— Não... não faça isso... — murmurou Harry com a voz fraca, mas Lockhart agitava a varinha e um segundo depois apontou-a diretamente para o braço do garoto, que imediatamente caiu como uma gelatina.
— É, às vezes isso pode acontecer. Mas o importante é que os ossos não estão mais fraturados… — o olhou séria e então o professor pigarreou — Isto é o que se precisa ter em mente. Então, Harry, vá, dê uma chegada na ala hospitalar, ah, senhorita Diggory, senhor Weasley e senhorita Granger, podem acompanhá-lo? Madame Pomfrey poderá... Hum... Dar um jeito nisso.
colocou-se de pé e ajudou o amigo a fazer o mesmo para que ele se apoiasse em Rony, ela por sua vez seguiu passos à frente abaixando-se para apanhar a vassoura do amigo, até que Cedrico apareceu ofegante pela provável corrida.
, é melhor irmos agora. — ele sugeriu, mesmo com a irmã o olhando de uma forma nada feliz — Tenho certeza de que Rony e Hermione podem ajudá-lo, Madame Pomfrey não permitirá que todos vocês fiquem lá de qualquer jeito.
Ela fingiu não escutar, virando-se mais uma vez para os amigos, mas Rony a impediu de seguir.
— Pode ir, nós certamente conseguimos fazer isso sem você. — seu tom de voz esbanjava deboche e certa amargura. — Não é a primeira vez.
o encarou com os olhos marejados e engoliu seco antes de jogar a vassoura com força no gramado e dar as costas ao trio, passando como um raio pelo irmão e esbarrando com força no ombro desse.
Cedrico, ruborizado, por ser parte responsável da cena, respirou fundo e olhou para os amigos da irmã, antes de sair correndo atrás dela, dizendo apenas um:
— Melhoras, Potter.

×××


Harry foi deixado sozinho, sem nada para distraí-lo da dor horrível no braço inerte, restando-lhe como opção apenas pegar no sono, ou ao menos tentar. Não muito longe dali, esgueirava-se pelo corredor da enfermaria. Quando aproximou-se da porta, sentiu o mesmo arrepio novamente, fazendo-a apertar o passo e entrar sem mesmo verificar o movimento. Alguém corria perigo e ela precisava falar com Harry.
Diggory avistou o amigo deitado na última maca hospitalar, caminhou na ponta dos pés até que pudesse ver seus cabelos grudados na testa pelo suor resultante da dor que ele provavelmente ainda sentia, sua respiração melodiosa e os olhos fechados com força.
Espera, ponderou ela com cautela enquanto se aproximava mais dele, sentando-se na beirada da cama. Ninguém fecha os olhos com força ao dormir, não inconscientemente.
— Eu sei que você está acordado, Potter. — ela o cutucou no braço bom, impacientemente.
Harry suspirou profundamente antes de abrir os olhos e encarar a amiga, que tinha no rosto um misto de preocupação e desespero.
— Você está melhor? — questionou ela, enquanto observava o braço apoiado na tipoia.
— Meus ossos estão crescendo pouco a pouco, mas estou sim. — o grifinório sussurrou, ainda sem entender o que ela fazia ali — Você enlouqueceu? O que você faz aqui? Seu irmão deixou bem claro mais cedo que…
Shh! — Diggory levou o indicador até os lábios do garoto, que franziu o cenho — Eu precisava saber como você estava e… Precisava saber se você ouviu mais alguma voz agora a noite.
— Não ouvi, estava dormindo.
— Não estava, não. — ela rebateu — Anda Harry, por favor, estou com um pressentimento ruim…
Harry juntou ainda mais as sobrancelhas, confuso.
— Eu recebi uma visita antes de você chegar, mas não importa… Nada vai acontecer, . — ele disse enquanto segurava o braço dela com a mão que não estava machucada. — Se foi por isso que veio, por favor, volte. É perigoso sair andando pelo castelo à noite e…
— Até parece que eu nunca fiz isso antes. — ela soltou um riso irônico.
— Cedrico tem razão, não é como se eu fosse uma boa influência. — fora a vez dele de esbanjar sarcasmo. — Ele está certo em não deixar sermos amigos.
— Como você…? — a corvina se levantou cruzando os braços.
— Não temos mais o que conversar, . Por favor, volte pro seu dormitório. — Potter cochichou entredentes. A garota fez menção em dizer algo, mas passos apressados se fizeram presentes no corredor, fazendo com que ambos arregalassem os olhos.
— Tem alguém vindo! Se esconde!
assentiu desesperada, fechando o biombo do leito do amigo e escondendo-se na longa e empoeirada cortina que cobria a janela que havia ali. Pode-se ouvir vozes urgentes e então a professora McGonagall apareceu, seguida de perto por Madame Pomfrey, que vestia um casaquinho por cima da camisola. Dumbledore também estava lá, agora colocando alguém em um dos leitos, enquanto respirava resignado.
— Que aconteceu? — cochichou Madame Pomfrey para Dumbledore, debruçando-se sobre a estátua na cama.
— Mais um ataque — respondeu Dumbledore. — Minerva encontrou-o na escada.
— Havia um cacho de uvas ao lado dele — disse a professora. — Achamos que ele estava tentando chegar aqui escondido para visitar Potter.
Harry estava mesmo disputado no quesito visitas naquela noite, pensou enquanto se esgueirava um pouco mais para enxergar e logo em seguida levando uma das mãos aos lábios para evitar o ruído de choque quando avistara Colin Creevey com os olhos arregalados e as mãos erguidas segurando a câmera. O que diabos estava acontecendo?
Com os olhos marejados, trocou um olhar significativo com Harry, em uma forma muda de falar que ela havia sentido aquilo, que ela estava certa. Não de forma orgulhosa, para se gabar. Mas com medo do que viria a seguir, com o olhar de quem literalmente não sabe o que fazer.
— Petrificado? — sussurrou Madame Pomfrey.
— Está — respondeu a professora. — Mas estremeço de pensar... Se Alvo não estivesse descendo para tomar um chocolate quente... Quem sabe o que poderia...
Um curto período de tempo se seguiu até que Minerva tornasse a perguntar, ansiosa.
— Você acha que ele conseguiu bater uma foto do atacante?
estreitou melhor o olhar, Dumbledore não respondeu. Abriu a máquina.
— Meu Deus! — exclamou Madame Pomfrey. Um jato de vapor saiu sibilando da máquina e o cheiro acre do plástico queimado fez-se presente em todo o cômodo. — Todas derretidas...
— O que significa isto, Alvo? — perguntou a professora.
— Significa que de fato a Câmara Secreta foi reaberta.
Mais um período em silêncio, mesmo que pudesse sentir o choque e a angústia dos mais velhos, o que a fez fechar os olhos preocupada.
Madame Pomfrey seguiu com os procedimentos que podia realizar e logo Dumbledore e Minerva saíram da enfermaria para tomar mais providências. Assim que o silêncio anunciou que a curandeira havia saído dali, colocou-se para fora da cortina e cutucou Harry mais uma vez.
— Nós não podemos nos falar mais, . — ele disse rápido e sem olhá-la — Agora volta pro seu dormitório antes que se meta em problemas.
— Você está se ouvindo, Harry Potter? — riu incrédula.
— Cedrico tem razão e você fez bem em se afastar para se manter segura, sério.
— Eu me afastei? — ela semicerrou os olhos, as bochechas ganhando um tom corado, mostrando que ela estava enfurecida — Você está agindo de maneira esquisita comigo desde o começo do ano letivo e mesmo assim continuei tentando fazer com que as coisas parecessem normais como antes. Mesmo com toda essa baboseira que o meu irmão inventou eu estava sempre dando um jeito para me manter perto de você, Ron e Mione. Inclusive agora!
— Ninguém precisa se esforçar tanto para fazer uma amizade dar certo, Diggory.
sentiu os olhos arderem quando as lágrimas surgiram, mas tudo o que ela fez fora segurá-las e assentir.
— Você está certo.
Foi tudo o que ela disse antes de sair da enfermaria, arruinando com o resto de noite que ainda restava ao grifinório que não pregou mais os olhos até a manhã seguinte, depois de sentir cada osso seu ressurgindo.

×××


Na manhã seguinte acordou antes das colegas de quarto, bem mais cedo que o costume. Estava com dor de cabeça e com o nariz congestionado, por conta do choro que perdurou a noite toda e pela poeira da cortina, respectivamente, então ela rumou até o kit de poções que havia ganhado dos pais no ano anterior e preparou uma poção que sabia de cor e salteado graças às suas recorrentes crises alérgicas. A tomou e foi em direção aos malões para procurar roupas quentinhas e confortáveis para ficar jogada na torre da Corvinal durante o resto do dia. Quando já estava vestida para ir tomar café, já se sentia melhor graças ao efeito do líquido revigorante.
A comunal e os corredores estavam vazios. Graças a comemoração do dia anterior depois da partida, todos pareceram decidir passar horas a mais na cama naquele domingo frio e chuvoso. Ainda teria a excursão para Hogsmeade dos mais velhos, o que também explicava o motivo de alguns quererem descansar mais.
Só de lembrar suspirou aliviada. O irmão iria para Hogsmeade e ela teria o dia inteiro tranquila, sem ele em seu encalço. Devia agradecer Maddy depois, visto que ela fora a responsável por isso, após insistir tanto pela presença dele. Ainda assim, ela desejava que ambos tivessem um dia proveitoso e que conseguissem passar mais tempo juntos. Até um cego conseguia ver como eles se gostavam, afinal.
Quando já estava próxima do Salão Principal, avistou Hermione e Rony andando mais a frente e adentrando o banheiro feminino da murta. Ela arqueou uma de suas sobrancelhas e apressou o passo, indo na mesma direção. Os amigos sentaram-se assim que Hermione depositou um caldeirão velho no chão.
— Como está o andamento? — questionou Weasley a Granger que suspirou derrotada.
— Ainda falta um ingrediente que creio que terei que pegar no estoque particular do Snape.
— Qual?
— A pele de ararambóia. O chifre eu consegui pegar.
adentrou o banheiro devagar, o cheiro vindo do caldeirão só podia significar que eles estavam preparando uma…
— Uma poção polissuco? — arriscou ela, assustando-os com sua presença repentina.
, o que faz aqui? — Hermione tentou disfarçar enquanto cobria o caldeirão.
— Eu os vi andando até aqui e fiquei curiosa… — admitiu ela, sem graça. Era incômoda demais a sensação de pisar em ovos com seus amigos. — Sobre a pele…
— Tem que prometer que não vai contar para ninguém que nos viu aqui! — Hermione pediu, desesperada enquanto Rony assentiu. piscou algumas vezes, atordoada. Eles achavam mesmo que ela contaria algum segredo deles? Era como se ela fosse uma estranha…
— Eu… Claro. — o tom de desapontamento evidente, mesmo que ela se esforçasse ao máximo para disfarçar. — Desculpa por atrapalhar.
Ela deu as costas. A sensação horrível dos olhos voltando a encher de lágrimas e o embrulho no estômago que a fez perder a fome e correr até a mureta que dava para o gramado. apoiou as costas na pilastra enquanto abraçava as próprias pernas repousadas na mureta de pedra, ela chorou por longos minutos na companhia das gotas de chuva batendo no teto. Algumas chegando até a respingar nela vindas da parte descoberta graças ao vento.
?
Diggory ergueu o olhar choroso até Charlotte Schiavone, que a encarava preocupada. A sonserina sentou-se ao lado dela, levando uma das mãos até os cabelos castanhos da amiga.
— O que houve? Por que está aqui tão sozinha e chorando?
sorriu sem graça, ainda abraçando os joelhos. Os olhos acinzentados parecendo o mar em dia de tempestade.
— Eu estou cansada, Lottie. — admitiu a corvina sem conseguir olhar para a amiga. — Você já sentiu como se estivesse sempre sobrando? Como uma plena flutuando no ar, pairando sem se encaixar?
Charlotte olhou para a grama enlameada, identificando-se mais do que desejava com a fala de .
— Eu não sei se sabe, . Mas sou nascida-trouxa, meus pais eram jovens demais e me abandonaram quando completei seis meses, pouco tempo depois fui adotada por um casal de bruxos italianos que estranharam a fala de uma das funcionárias do orfanato sobre minha primeira manifestação de magia. Ambos vieram de famílias com ideais puristas e são idosos, mas acabaram tendo que se exilar por conta do preconceito que os cerca. É triste que mesmo no mundo bruxo exista preconceito com casais do mesmo gênero… — ela riu sem humor, mas prosseguiu — Eles nunca permitiram que eu me sentisse deslocada, mas é algo inevitável quando se sabe que seus pais biológicos não te quiseram por considerar você uma aberração.
a encarou com compaixão, Lottie falava não com um tom de mágoa, mas como se quisesse demonstrar que entendia, que estava ali para compreendê-la.
— Aí quando cheguei aqui no ano passado pensei, puxa! Estarei com pessoas como eu, da mesma idade que eu, finalmente poderei ter amigos e aí, bem... Eu fui selecionada para a Sonserina. — ela riu, o que tornou impossível que não Diggory a acompanhasse — Não me entenda mal, mesmo com tanta gente ruim lá, eu gosto muito da minha casa! Não me vejo em nenhuma outra. Mas confesso que me senti péssima quando parte do pessoal simplesmente passou a ignorar minha existência quando soube das minhas origens e quando ouviram meu sobrenome.
— Eu não vejo isso como algo ruim, Lottie. — sorriu para a amiga — Você não se beneficiaria com amizades assim, de qualquer forma.
— Ah, eu concordo! — Schiavone riu — Ganhei muito mais do que perdi. Agora me diz, quem ou o que a fez se sentir deslocada?
— É mais fácil falar o que não faz com que eu me sinta assim. — fez uma careta, arrancando mais risos da sonserina. — Sou a única da minha família que não foi selecionada para a Lufa-lufa. Mas isso foi só o estopim, meu pai sempre me tratou como o ponto fora da curva. E agora depois de todo esse desentendimento com Mione, Ron e Harry, eu sinto como se eu nunca tivesse pertencido ao grupo, entende? O próprio Potter disse que ninguém se esforça tanto para fazer amizades darem certo, isso me fez pensar…
— Já te disseram que você pensa demais, certo? — assentiu com uma careta e a sonserina tornou a falar — Eu entendo que as coisas estão meio esquisitas entre vocês quatro, mas é como você disse, não tem como se beneficiar com amizades que não nos querem. É só dar tempo ao tempo, . Sempre nos encaixamos nos lugares que pertencemos e se esse não for o seu você saberá.
A corvina assentiu, mais tranquila do que no início da conversa. E então abraçou Charlotte de mal jeito, devido ao espaço limitado na mureta, em um agradecimento silencioso.
— Ew! Alerta! Contato físico demais! — a garota resmungou enquanto a amiga a apertava ainda mais, rindo. Demonstrar seus sentimentos fisicamente não era a melhor das qualidades de Schiavone. — Mas assim, … Deslocados sempre se darão bem e sempre terão lugar uns para os outros. Garanto que Neville não se importará de ter mais uma desarranjada conosco.
Elas riram enquanto se separavam do abraço. Charlotte saltou da mureta, encarando a corvina com os braços cruzados.
— Agora tem como a senhorita levantar a bunda daí para que possamos comer? Estou faminta! — ela declarou em um tom sério e assentiu antes de seguir com ela para o café.
Se sentia melhor, afinal, era bom saber que sempre existiam pessoas como Charlotte Schiavone no mundo.
Depois de passar a tarde jogando xadrez bruxo e snap explosivo com Neville e Charlotte no Salão Principal, na hora do jantar parecia nem mesmo se lembrar da quantidade de vezes que havia chorado na noite anterior e naquela manhã. Tudo só melhorou quando Maddy a abraçou forte e entregou uma caixinha de chocolates de presente, alegando que não gostava de vê-la tão triste. Depois de comer os chocolates com os outros três e ouvir sobre o dia em Hogsmeade que a mais velha tivera, se despediu dos amigos para voltar para sua comunal.
Bilks a esperava na janela, em busca de petiscos. A mais nova sorriu antes de alcançar a embalagem dos mesmos em seu malão. não deixou de pensar nos amigos grifinórios quando esbarrou em seu kit de poções. Ela contornou a caixa com um dos dedos, refletindo se deveria ou não se meter nos assuntos que claramente não estava convidada a debater.
Mas quando pensou que provavelmente, mesmo sem saber qual era o plano deles, aquela poção podia ser parte da solução que buscavam para acabar com toda a loucura envolvendo a Câmara Secreta e os petrificados, simplesmente retirou o caixote o apoiando em sua cama.
Bilks piou impaciente por seus petiscos, mas Diggory apenas a pediu um minuto enquanto vasculhava o kit procurando a pele de ararambóia que havia conseguido pegar durante as férias. Assim que achou, despejou a pele picada em um envelope e o selou imediatamente com a cera azul escura da escrivaninha.
— Aqui, Bilks. — ela estendeu a mão com os petiscos para a coruja que piou satisfeita. acariciou sua cabecinha enquanto aguardava a ave terminar sua refeição. — Aqui, leve para Hermione Granger e por favor seja discreta, tudo bem?
A coruja piou mais uma vez, em concordância, enquanto segurava o envelope no bico.
— Boa menina. — sussurrou e então ela voou sentido a torre da Grifinória.

×××


Na manhã seguinte, depois de terminar seu café e antes de ir para a aula de Herbologia com a Sonserina, recebera um pequeno pedaço de pergaminho como resposta vindo de Hermione. Nesse palavras sucintas lhe davam a entender que era para ela encontrá-la imediatamente no banheiro feminino.
A corvina assim o fez, discretamente para não chamar a atenção do irmão, que conversava animadamente com Madelyn na mesa dos texugos. Seguiu em passos rápidos até o local combinado, onde deu de cara com uma Hermione mexendo o líquido espesso no pequeno caldeirão.
— Oi. — a corvina saudou baixinho, para que a amiga não se assustasse como da última vez. Mione parou de mexer o caldeirão, olhando para sem saber ao certo o que dizer.
— Olá . Eu te chamei para agradecer a ajuda… Sem a pele picada nós provavelmente não teríamos a poção no tempo que planejamos. — ela sorriu sem graça, assentiu com uma expressão não tão diferente da dela.
Desde quando ela precisava fazer cerimônia para conversar com a melhor amiga?
— Eu queria também me desculpar por tomar partido do Harry sem ao menos escutar seu lado. Nós achávamos que você estava com medo e que por esse motivo se afastou de nós, quando na verdade nós também não fizemos nada para evitar isso também…
— Cedrico tem andado com uma paranoia esquisita, com medo de que eu me machuque depois do que aconteceu no ano passado… Ele se sente culpado por não ter percebido antes que eu tinha me metido em problemas. Aí ele concluiu que grudar em mim como cola seria a solução. — fez uma careta ao mencionar a atitude do irmão e Hermione riu — Mas de qualquer forma, eu deveria ter contado isso e ignorado completamente…
— Não ! De verdade… — Granger suspirou antes de diminuir o fogo que preparava a poção polissuco — Não é como se nós tivéssemos te dado a oportunidade de explicar, sabe? Eu realmente sinto muito, não conversar com você tem sido horrível, por mais que eu tenha Harry e Rony eles nunca me entenderão como você…
— Está tudo bem… Me desculpe também. — murmurou enquanto abraçava a amiga. — Agora me conta como anda esse treco, posso fazer mais alguma coisa para ajudar?
— Agora é só esperar e coletar parte de quem queremos nos transformar. Eu acho que um fio de cabelo basta, na verdade. — Mione deu de ombros, mas percebeu que a amiga não estava por dentro do plano, o que explicava a sua expressão confusa. — Estamos desconfiados de que Draco possa ser o tal herdeiro de Slytherin, com a poção poderemos nos transformar nos amigos dele, entrar nas masmorras e interrogá-lo.
A corvina assentiu, enquanto apoiava-se em uma das pias.
— Quem exatamente vocês se tornariam?
— Eu pensei em Crabbe, Goyle, Bulstrode e Parkinson. Eu já consegui o meu, agora falta o de vocês.
— Como assim? Eu também vou? Mas e a poção…
— É claro que vai! — Hermione sorriu com a típica expressão que fazia quando pensava em tudo — Acha mesmo que eu não faria uma porção pra você?
abaixou a cabeça, com os olhos marejados.
Diggory você é parte essencial do time, nós nunca te deixaremos de lado! — ela rebateu com obviedade na voz. — Você vai, não é?
— Se Rony e Harry não veem problema nisso…
— Vocês vão se resolver.
— Como sabe disso?
— Eu só sei. — a grifinória deu de ombros convencida e então tornou-se a virar para a amiga — Agora como você pretende conseguir um fio de cabelo da Pansy?
Diggory ponderou por alguns segundos, mas logo uma ideia veio à sua mente. Ela sabia que Charlotte toparia ajudá-la nisso.

×××


não teve oportunidade de conversar com Harry e Rony, principalmente depois do ocorrido no clube de duelos, onde Harry demonstrou uma habilidade desconhecida para os amigos e suspeita para os demais alunos, que deu ainda mais voz aos boatos de que ele era o herdeiro de Slytherin: a ofidioglossia.
O que tornou a vigilância de seu irmão mais velho ainda mais rigorosa.
Naquela manhã a neve repentinamente surgira para alterar a paisagem e o clima, o que fez com que as aulas externas de DCAT, assim como as de Herbologia, fossem canceladas. Diggory aproveitou para revisar alguns tópicos de Transfiguração com Lottie na biblioteca antes da aula que viria a seguir. Até que em certo momento toda a calmaria comum ao ambiente se dissipou, uma rodinha de lufanos se juntou e uma discussão calorosa se iniciou.
— Só o que eu vi foi você falando em língua de cobra e o bicho indo para cima de Justino. — A voz trêmula e alta de Ernie Macmillan se sobressaiu na discussão.
— Eu não fiz a cobra ir para cima dele!
arregalou os olhos se levantando, ela certamente conhecia aquela voz, e então correndo na direção do grupo com Lottie em seu encalço.
— A cobra nem encostou nele! — continuou Harry. colocou-se ao lado dele, fazendo um sinal com o olhar e os ombros, como quem questionava o que estava acontecendo.
— Por pouco. E caso você esteja tendo novas ideias — acrescentou o lufano depressa —, é melhor eu informá-lo que pode investigar minha família por nove gerações de bruxos, e que o meu sangue é tão puro quanto o de qualquer outro, portanto...
— Não ligo a mínima para o tipo de sangue que você tem! — bradou Harry, furioso.
levou a mão no ombro do amigo, pedindo-o para se acalmar enquanto Lottie correu para buscar alguém para ajudar caso as coisas piorassem.
— Qual o seu problema, Macmillan? Não me lembro de ter ouvido alguém te perguntar isso! — a corvina falou pela primeira vez.
— Ei, ei! O que está acontecendo aqui?
Um grupo de alunos mais velhos apareceu para ajudar, dentre eles estavam Davies, Cadwallader, Summers, Cadell — que agora conversavam com Ernie — e Cedrico, que olhava sério para a irmã, esperando uma resposta.
— Estão acusando o meu amigo injustamente! — alegou ela, indicando Potter com a cabeça.
— E você não deveria estar em aula agora?
— Você também! — rebateu, brava.
— Ouvi dizer que ele detesta os trouxas com quem mora! — acusou o lufano, apontando para Harry do outro lado da seção de Invisibilidade. — Por que não atacaria o Justino?
Potter até mesmo pensou em rebater, mas fora impedido com a mão da amiga sobre a sua.
— Vamos, Harry. Deixe-os falando sozinhos, não vale a pena.
Mas Cedrico, em um reflexo rápido, segurou a mão livre da irmã.
— Você fica.
fechou a expressão imediatamente, cansada demais de toda aquela proteção exacerbada por algo que nem fazia sentido. Ela se soltou agilmente do irmão, aproveitando que esse a segurava sem força — provavelmente temendo machucá-la.
— A partir de hoje você não se mete mais nos meus assuntos, muito menos diz com quem posso ou não falar, Cedrico Diggory!
Antes que o mesmo pudesse responder, já ultrapassava a porta da biblioteca, arrastando Potter pelo braço. Eles só pararam de correr quando chegaram perto do corujal, com as capas úmidas pela neve que caía e a respiração ofegante pelo trajeto feito às pressas.
— Você está bem? — Harry perguntou a corvina, que apenas ergueu a mão, pedindo para que ele a esperasse terminar de restabelecer o padrão respiratório. — Você sabe que não deveria ter se metido nesse assunto, não é?
— É o que os amigos fazem, Potter. — ela deu de ombros indo até Bilks, sua coruja, mas ainda assim virou para olhá-lo com um sorriso verdadeiro — Sei que faria o mesmo por mim.
Harry não soube ao certo o que responder. Primeiro abaixou a cabeça para observar os pés batendo no chão de madeira cheio de penas soltas, constrangido demais para falar qualquer coisa. Ele sabia que havia negligenciado muito a amizade deles nos últimos tempos. Havia notado a amiga o olhando em vários momentos diferentes, a última vez que vira seus olhos acinzentados carregando tanta mágoa assim fora no ano anterior, quando ele a acompanhou até a torre da Corvinal e ela contou sobre a relação conturbada com o pai. Aquilo o fez engolir seco e sentir-se extremamente culpado, afinal o que ele fez para evitar vê-la daquela maneira?
, mesmo sob a supervisão constante do irmão, esteve com ele e os amigos durante vários momentos nos últimos dias. Enquanto tudo o que ele fez foi renunciar à amizade com ela, ignorá-la e dizer coisas que, na realidade, nem sentia com o intuito de afastá-la ainda mais. E, mesmo assim, ela ainda acreditava que ele estaria ali para ela da mesma forma, que ele faria o mesmo por ela caso fosse necessário.
E faria mesmo, só agora entendia que a amizade e a presença dela era parte necessária de sua rotina, que deveria ter tentado resolver ao invés de se afastar.
Poucas vezes na vida Harry Potter sentira-se tolo daquela forma, mesmo que habitualmente fosse considerado um.
— Me desculpa… — foi tudo o que o grifinório conseguira verbalizar, em um fio de voz. o olhou e ele pigarreou, continuando em meio a toda a vergonha que sentia — Eu não fui um bom amigo nos últimos meses.
A corvina não respondeu, embora estivesse altamente tentada a concordar, continuou brincando com Bilks de costas para o amigo, que, por sua vez, brincava com os próprios dedos.
— Na enfermaria eu te disse que ninguém se esforça tanto para fazer uma amizade dar certo. — Harry observou a amiga parar de brincar com a coruja, parecendo tensa. Aquilo havia realmente a chateado. — E eu nunca estive tão errado…
Ela finalmente virou-se para encará-lo e, no fundo, Harry desejou que ela nunca tivesse o feito, uma vez que os olhos dela pareciam um mar enfurecido, o que o deixava profundamente nervoso.
— Eu deveria ter me esforçado, realmente estou disposto a fazer isso por nossa amizade. — depois de uma respiração funda em busca de coragem, as palavras do garoto saíram como um sopro — Tanto que mesmo que seu irmão esteja me odiando agora, teoria que eu tenho quase certeza que procede, eu não me importaria nem um pouco, posso lidar com isso.
Diggory fez menção de falar, mas ele a interrompeu.
— Porque eu só consigo me preocupar com a hipótese de você me odiar. — ele riu nervoso enquanto cruzou os braços. — Isso seria péssimo.
— Você é idiota Potter? — ela gargalhou depois de um curto período em silêncio — Eu acabei de dizer que me meti na confusão com os lufanos porque sou sua amiga. É claro que eu não te odeio… Não acredito que isso possa sequer acontecer um dia.
A sinceridade nas palavras dela o fizeram sorrir e então ele soube que estava tudo bem, como se desentendimento algum houvesse acontecido.
— Cedrico também não te odeia. — continuou — Na verdade, acho que nunca o vi usando essa palavra com alguém. Ele só… Demonstrou sua preocupação de uma forma exagerada, peço desculpa por isso.
— Eu acho que o entendo na verdade. — Harry deu de ombros — Não é seguro confiar em mim agora, parece que estou sempre no lugar errado na hora errada.
ergueu uma das sobrancelhas em ironia.
— Por que não seria seguro? Vai me petrificar, Potter? — ergueu as mãos em rendição, sem conseguir conter a risada e sendo acompanhada pelo amigo até que o pulmão de ambos implorasse por ar. — Sei que vamos conseguir uma forma de mostrar que você é inocente.
Ele sorriu em forma de agradecimento.
— Eu só não entendo por que escuto o que está acontecendo…
— Sobre isso, na verdade… — mexeu-se de forma desconfortável e então coçou a nuca — Tenho que te contar algo.
Harry a encarou confuso e então ela continuou.
— É estranho, mas eu sinto quando a coisa vai fazer algo… Não ouvi no dia do Halloween, como você, mas eu também… Senti algo.
— Isso é bem esquisito, na verdade. Até entendo que essa coisa comigo possa ser algo envolvendo Voldemort, mas qual a relação que te envolve?
engoliu em seco preferindo manter-se calada. Se ele já achava isso estranho, talvez fosse melhor não falar nada sobre o sonho do ano anterior e todas as sensações que ela tinha quando estava preocupada com ele. Harry poderia achar que havia alguma conexão entre eles, ou pior, que ela gostasse dele e isso fosse um motivo para desacreditar das coisas que ela relatara e isso seria bem, hm, constrangedor.
— As pessoas dizem que os corvinos são sensitivos, deve ser por isso. — ela falou rápido demais, desconversando. — Acho que precisamos ir, logo iremos para a próxima aula…
— Ah, é verdade…
Quando já estavam próximos ao castelo, lembrou-se de que havia esquecido o cálice pedido por Minerva para a realização da prática do feitiço que fariam em aula.
— Que saco! — murmurou ela, revirando a mochila para ter certeza de que não estava enganada. Mas realmente o objeto não estava ali. — Vou ter que correr no meu dormitório para pegar o cálice.
— Quer que eu te acompanhe até lá? — o amigo perguntou, mas ela negou com a cabeça.
— É melhor você ir na frente para não se prejudicar, com certeza vou me atrasar.
— Tudo bem, vou guardar um lugar pra você então.
Diggory sorriu, desatando a correr em direção à torre enquanto Harry subia a escada batendo os pés. Mas enquanto a aldrava recitava o enigma para permitir a passagem, pareceu distante, sem conseguir ouvir ao menos uma palavra do que a águia de bronze falava.
Estava acontecendo de novo.
Aquilo a fez correr na direção que o amigo fora, ele poderia ter ouvido algo, ou até mesmo estar correndo perigo sozinho, mas tudo que encontrou foi seu irmão ajudando o professor Flitwick a levar Justino Finch-Fletchley para a enfermaria, petrificado e com uma expressão de choque no rosto. E, do outro lado, os monitores desviando a multidão e deixando Potter à sós com a professora McGonagall. Antes que Penélope, a monitora da Corvinal, a pedisse gentilmente para se retirar também ouviu claramente a professora dizendo de forma seca ao amigo:
— Isto não está mais em minhas mãos, Potter.
Aquilo bastou para que ela sucumbisse à preocupação.

×××


As coisas se acalmaram, diferente do que acreditou que aconteceria. O que antes eram cochichos e fofocas a respeito de Harry tornaram-se pavor, o que de certa forma era bom, visto que ninguém ousava encher o saco.
Houve quase uma corrida para reservar lugares no Expresso de Hogwarts que iria levar os alunos para casa no Natal, que se aproximava, e de certo modo ela agradeceu que não conseguira assinar a lista, já que precisaria ficar para que o plano para arrancar respostas de Malfoy desse certo.
Além do fato dela não estar falando direito com o irmão e não ter a mínima vontade de ver o pai, que já constituíam motivos suficientes para ela não querer voltar para casa, claro.
Pansy iria para casa, o que na realidade tornou tudo bem mais fácil, visto que ela só precisava da cobertura de Lottie para conseguir o fio de seus cabelos curtos e pretos e então, dizer aos colegas sonserinos que ela decidira ficar de última hora. Mione também havia conseguido os uniformes após uma ida furtiva à lavanderia, o que facilitava mais ainda.
Havia combinado com Schiavone de ir com ela depois da aula de DCAT que tinham juntas. A amiga aceitou ajudar depois de uma explicação breve de sobre o que precisava fazer, ela prometeu que não contaria nada e então não fez mais perguntas. As meninas caminharam até a porta de entrada das masmorras e então Lottie rolou os olhos antes de dizer a senha.
— Puro sangue. — murmurou ela impaciente. — Seja bem-vinda as masmorras, .
sorriu, observando o ambiente iluminado apenas pela luz esverdeada das águas do lago negro. Era um ambiente bem luxuoso, nada como a da Corvinal, mas certamente estava no páreo.
A corvina seguiu Charlotte pelo corredor que dava aos dormitórios femininos, até que elas chegassem na porta com a placa contendo os nomes “Charlotte Schiavone, Daphne Greengrass e Pansy Parkinson”.
— Não repara o cheiro doce, Daph tem um gosto peculiar para perfumes. — a sonserina disse, abrindo a porta e certificando-se de que as colegas não estavam lá, chamando a amiga, logo em seguida — Mas ela até que é legal, digo, perto da Pansy qualquer uma é…
— Ah, eu posso imaginar. — fez uma careta rindo enquanto adentrava o cômodo.
— Fique à vontade para pegar o que precisa. — Lottie sentou-se na própria cama apontando para o móvel da frente — Essa é a cama dela.
observou a cama e então a penteadeira ao lado, com uma escova de prata posicionada ali. Ela pegou o objeto, observando as serpentes desenhadas na parte de trás assim como as iniciais de Parkinson, observou as cerdas com cuidado e então pegou alguns dos fios pretos, colocando-os em um pequeno frasco que sempre deixava nos bolsos para caso encontrasse algo interessante para complementar seu kit de poções.
A corvina sorriu satisfeita, guardando novamente o frasquinho nas vestes.
— Acho que já tenho tudo que preciso, Lottie. — a sonserina saltou da cama, indo em direção a porta para que elas pudessem voltar para o almoço.
— É sempre um prazer, senhorita Diggory. — ela indicou a saída imitando um mordomo e então ambas caíram na gargalhada.
Era sempre bom estar na companhia de Charlotte, considerava a sonserina uma amiga leal e sua transparência, tão parecida com a dela mesmo, fazia com que ambas se entendessem apenas com o olhar.
— Eu estava falando com Neville sobre nos reunirmos mais para jogar xadrez e Auror, foi tão divertido! Ele disse que é engraçado nos ver competindo. — Charlotte comentou enquanto ambas caminhavam de volta para o Salão.
— Isso seria ótimo! — riu — Vamos fazer isso no final de semana?
Mas Lottie não respondeu, apenas arregalou os olhos e meneou a cabeça indicando a presença de uma terceira pessoa ali. franziu o cenho, mas sua expressão se fechou completamente quando ela avistou o irmão caminhando na direção das duas.
— Vamos, Lottie. — a corvina pegou na mão da amiga e então Cedrico parou na frente da irmã, a impossibilitando de passar.
, nós precisamos conversar, por favor…
— Eu não quero conversar com você, vai que você me acorrenta na torre para que eu não tenha mais contato com humanos? Tô fora.
Ela tentou passar, mas mais uma vez o lufano a impediu. Lottie sorriu amarelo enquanto soltava a mão da irmã e saia correndo dali acenando e murmurando um “foi mal!”. bufou enquanto cruzava os braços e esperava o irmão falar. Cedrico então ergueu a mão com uma caixa de sapos de chocolate.
— Se você acha que vou ser comprada por comida está muito enganado! — mas então ele ergueu mais uma caixa com bombons da Dedosdemel. — Estou realmente chateada com você dessa vez.
— Eu sei, por isso quis te agradar. Aceite os chocolates como uma promessa de que não vou mais agir como um babaca superprotetor — ele fez uma careta erguendo a mão direita enquanto o outro braço estava atrás do tronco, como quem fazia um juramento. Foi então que ela se deu por vencida, relaxando os ombros e aceitando os presentes. — Você está crescendo e nunca precisou de ajuda para se proteger, não sei o que deu em mim, na verdade.
— Eu não fui comprada, que fique bem claro. — ela disse enquanto abria a caixinha e pegava um dos chocolates — Só aceitei de bom grado porque você falou bonito, foi super bonzinho e porque eu odeio estar brigada sem poder rir da sua cara e roubar seus livros e casacos.
— Você não deveria comer chocolate antes do almoço, mocinha.
— Você acabou de dizer que não ia agir como um irmão superprotetor, Ced! — ela acusou rindo e então ergueu a caixa na direção dele — Eu sei que você quer um, vai.
Cedrico riu e então bagunçou o cabelo da mais nova, que reclamou de boca cheia de uma maneira engraçada enquanto o assistia pegando um dos bombons. Também odiava ficar sem falar com ela, com toda a sua sinceridade e transparência sempre o fazia dar risada, além de, é claro, ela ser uma de suas pessoas favoritas no mundo.
Era um alívio saber que agora estava tudo bem.

×××


O plano deu errado, no geral. Na verdade, para , Harry e Rony a porção dera certo, o que não aconteceu com Hermione, que se enganou e acabou virando uma espécie de gato híbrido por se enganar entre o fio de cabelo de Bulstrode e de seu gato. Agora ela estava na enfermaria, vomitando bolas de pelo.
Mas principalmente, não obtiveram êxito porque Draco não estava envolvido com os ataques, o que os deixou bem frustrados. Até Harry encontrar um caderno suspeito no banheiro da Murta, que se tornara alvo das atenções do quarteto desde então.
tinha a impressão de já tê-lo visto, mas ao investigarem mais sobre o dono ela teve certeza de que aquilo era apenas um grande engano.
Os ataques não aconteceram mais, o que contribuiu para que parte da tensão se dissipasse. Como uma injeção moral, o professor Lockhart teve a ideia (ridícula, na opinião de ) de tornar a manhã de catorze de fevereiro um evento.
O salão estava todo decorado, as paredes estavam cobertas com grandes flores rosa berrante, confetes caiam em feitio de coração do teto azul-celeste, as mesas estavam dispostas de modo que não houvesse divisão entre as casas, o que tornava mais animador para alguns e constrangedor para outros. não demorou para encontrar Harry e Rony sentados com cara de enjoo, e uma Hermione que não conseguia parar de rir.
— Céus parece que um unicórnio vomitou aqui. — fez uma careta, antes de sentar entre Hermione e Madelyn.
Na mesa dos professores, Lockhart gesticulava pedindo silêncio com vestes rosa berrante, certamente escolhidas a dedo para combinar com a decoração. Os professores, de cada lado dele, estavam impassíveis, provavelmente constrangidos demais para falar algo, concluiu a corvina.
Aquilo não deixava de ser engraçado.
— Feliz Dia dos Namorados! — exclamou Lockhart. — E será que posso agradecer às quarenta e seis pessoas que me mandaram cartões até o momento? Claro, tomei a liberdade de fazer essa surpresinha para vocês, e ela não acaba aqui!
Ele bateu palmas e, pela porta que abria para o saguão de entrada, onze anões entraram de cara amarrada usando asas douradas e segurando harpas.
— Puta que pariu. — Maddy soltou começando a rir alto. Seus cabelos mudaram para todas as cores possíveis enquanto a lufana se encontrava em uma crise de riso, seguida pelos amigos ao redor.
— Esses são os meus cupidos, entregadores de cartões! — o professor explicou sorrindo — Eles vão circular pela escola durante o dia de hoje entregando os cartões dos namorados. E a brincadeira não termina aí…
Ele continuou explicando, mas os cochichos se iniciaram de forma que quase ninguém prestava mais atenção no que o homem dizia. Logo todos seguiam para suas respectivas salas.
— Por favor, Mione, me diga que você não foi uma das quarenta e seis — perguntou Rony. A garota de repente ficou muito interessada em procurar na mochila o seu horário e não respondeu, aquilo fez Potter e Diggory segurarem as risadas.
— E você , enviou algum? — perguntou Harry, caçoando dela.
— Pro professor? — ela fez careta — Acho que só mandaria algo para ele em primeiro de abril, uma mandrágora talvez.
Aquilo fez os garotos rirem. Durante todo o dia os anões não pararam de invadir as salas de aula e entregar cartões, já sentia vontade de desenvolver um estilingue humano para arremessá-los um a um no lago.
Lockhart com certeza seria o primeiro a ser saudado pela Lula Gigante, embora a corvina suspeitasse que nem mesmo o animal o aguentaria.
No fim daquela tarde, quando os alunos da Grifinória e da Corvinal iam subindo para a aula de Feitiços, um dos anões alcançou o quarteto, chamando atenção de todos ao redor.
— Oi, você! Arry Potter! — gritou um anão particularmente mal-encarado, que abria caminho às cotoveladas para chegar até Harry. — Tenho um cartão musical para entregar a Arry Potter em pessoa
— Aqui não — implorou Harry, tentando escapar.
— Fique parado! — grunhiu o anão, agarrando a mochila de Harry e puxando-o de volta.
— Me solta! — rosnou o garoto, puxando. e Mione se entreolharam, especulando silenciosamente quem poderia ter mandado o cartão para o amigo.
Logo um grupo significativo de alunos esperava pelo cartão musical, entre risos de zoação e constrangimento.
— Enviou um também, Diggory? — a voz baixa de Cadell apareceu atrás dela, fazendo-a se assustar e logo em seguida sorrir sarcasticamente.
— Enviei sim, pra você. Espere sentado por ele, tudo bem? — ela deu um tapinha no ombro do corvino, que riu abertamente, voltando a olhar Harry. Mas o anão pareceu ter ouvido a conversa, olhando diretamente para .
— Então você é a senhorita Diggory? — ele questionou, segurando alguns cartões — Creio que fiz uma confusão com os cartões do seu irmão e os seus, mas felizmente consegui resolver.
Ele não parecia nada feliz, mas mesmo assim ergueu um bolinho de cartões para ela, que pegou embora sua vontade fosse, na real, cavar um buraco para se enterrar.
— Os Diggorys são certamente adorados por aqui. — o pequeno homem finalizou, voltando sua atenção para Harry, que tentou correr, mas acabou sendo agarrado pelos joelhos pelo anão, que o derrubou com estrondo no chão.
— Ah, tá… — disse em um fio de voz, enquanto Mione e Rony estavam roxos de tanto rir — Bom saber.
Perdendo a cabeça, Harry — Muito bem — disse ele, sentando-se em cima dos calcanhares de Harry. — Vamos ao seu cartão cantado. “Teus olhos são verdes como sapinhos cozidos, teus cabelos negros como um quadro de aula. Queria que tu fosses meu, garoto divino, Herói que venceu o malvado Lorde das Trevas
Fazendo um grande esforço para rir com os colegas, ele se levantou, os pés dormentes com o peso do anão, enquanto Percy Weasley fazia o possível para dispersar os alunos, alguns chorando de tanto rir.
— Vão andando, vão andando, a sineta tocou há cinco minutos, já para a aula!
Harry, erguendo a cabeça, viu Draco se abaixar e apanhar alguma coisa. Mostrou-a, debochando, a Crabbe e Goyle, e Harry percebeu que ele se apossara do diário de Riddle.
— Devolva isso aqui – disse Harry controlado.
— Que será que Potter andou escrevendo nisso? — disse Draco, que obviamente não reparara na data impressa na capa e pensava que era o diário de Harry. Fez-se silêncio entre os presentes. Gina olhava do diário para Harry, com cara de terror, arqueou as sobrancelhas, caminhando calmamente para perto da colega, já planejava conversar com ela pelo último mal-entendido, de qualquer forma.
— Está tudo bem, Gina? Você parece pálida…
— Isso… Isso, não é da sua conta. — ela respondeu rápido, com a voz carregada de algo que não soube bem explicar, antes de sair correndo.
Rony pareceu ouvir a conversa, aproximando-se da amiga logo em seguida quando a confusão já havia sido resolvida e os quatro entravam na sala para a aula em comum.
— Peço desculpas por ela, … — ele pareceu realmente chateado então assentiu de prontidão enquanto se sentava ao lado de Mione — Gina anda passando por alguns perrengues, por isso está tão esquiva.
— Magina, Ron. Eu… Entendo.
Mas aquilo era estranho. Como era
Tudo só se tornou ainda mais estranho no jantar, quando Harry chegou correndo e quando se sentou ao lado dos outros três amigos, revelou com pesar:
— Foi Hagrid... — cochichou — Hagrid abriu a porta da Câmara Secreta há cinquenta anos.

×××


Harry, , Rony e Mione sempre souberam que Hagrid tinha uma lamentável queda por criaturas grandes e monstruosas. Norberto, o dragão norueguês estava aí para provar. Era bem provável que o Hagrid de treze anos tentasse pôr uma coleira e uma guia no bicho, mas era utópico na mente de que Hagrid quisera matar alguém.
A próxima partida seria entre Grifinória e Lufa-Lufa, o que de certa forma motivou a animação dos alunos, visto que o último jogo fora histórico graças a vitória relâmpago dos leões.
O clima estava mais leve, comia tranquilamente seus ovos mexidos para depois ir falar com os amigos que estavam do outro lado do salão, quando novamente a sensação lhe atingira.
A corvina quase não se lembrava mais de como aquilo a fazia mal, como se fizesse parte daquilo. Seus olhos foram de encontro aos do melhor amigo, no outro lado, que tinha na face o mesmo nervosismo que ela.
Hermione correu dali, fazendo encarar os amigos confusa e decidir correr até lá, para ver o que estava acontecendo. Devido a pressa, acabou esbarrando na monitora de sua casa, Penelope.
— Me desculpe, Pen. — ela disse rápido e inquieta, esperando o aval da mais velha para voltar a correr.
— Cuidado aí, Diggory mini.
— Onde ela foi? — questionou , ofegante.
— Ela disse que entendeu algo e saiu correndo para a biblioteca. — Rony explicou.
— Mas por que ela tem de ir à biblioteca? — Harry questionou.
— Porque é isso que Mione faz — Weasley explicou, sacudindo os ombros. — Quando tiver uma dúvida, vá à biblioteca.
Os alunos agora vinham saindo do Salão Principal às suas costas, falando alto, dirigindo-se à porta da frente a caminho do campo de quadribol. Harry olhou rápido para a amiga.
— Você sentiu?
assentiu a cabeça com pesar.
— É melhor você ir andando — disse Rony ao amigo. – São quase onze horas, o jogo vai começar.
— Certo… Nos vemos depois. — Harry disse, ainda atordoado.
— Boa sorte, sete. — disse antes dele correr — Tome cuidado.
— Vamos indo para arrumar um bom lugar , certamente Mione nos encontrará depois.
E então eles seguiram para o campo. Fazia um dia bonito, a torcida estava animada e ela tentou esquecer do possível ataque para prestigiar o irmão e o melhor amigo, suplicando mentalmente que fosse um alarme falso da tal “coisa”.
Até que a voz da professora McGonagall se fez presente, por meio de um megafone, ela anunciava:
— Todos os alunos devem se dirigir às salas comunais de suas casas, onde os diretores das casas darão maiores informações. O mais rápido que puderem, por favor!
A multidão começou a dissipar, e Rony e fariam o mesmo, se não tivessem visto Minerva chamando Harry. Os amigos se entreolharam, correndo rapidamente pelo campo. Para a surpresa deles, a professora não fez objeção quando os viu se aproximando.
— É, talvez seja melhor vocês virem também, Weasley e Diggory…
olhou de Rony para Harry, apreensiva. Algo dentro de si alertando que algo estava extremamente errado. Os acompanharam a professora McGonagall de volta à escola e subiram a escadaria de mármore. Mas não foram levados à sala de ninguém desta vez.
— Vai ser um pouco chocante para vocês — explicou a mais velha, num tom surpreendentemente gentil quando se aproximavam da enfermaria. — Houve mais um ataque... Um ataque duplo.
sentiu seu estômago afundar ao imaginar o que poderia ter acontecido, torcendo para ser só mais uma ideia absurda em sua mente. Madame Pomfrey estava curvada sobre uma menina do quinto ano, de cabelos longos e crespos, que a corvina reconheceu de imediato, cobrindo os lábios com a mão pelo choque.
Mas nem mesmo o maior dos autores existentes no mundo bruxo ou trouxa poderia explicar o que sentiu ao ver que, na maca ao lado, sua melhor amiga se encontrava na mesma situação: absolutamente imóvel com os olhos arregalados e vidrados.
— Mione… — Rony murmurou baixinho. Enquanto Diggory sentia os olhos arderem de vontade de chorar.
— Elas foram encontradas perto da biblioteca — a professora contou — Suponho que nenhum dos três tenha uma explicação para isto. Estava no chão ao lado delas...
Minerva segurava um pequeno espelho circular, os três balançaram a cabeça, chocados demais para proferir alguma palavra.
E então ela os levou para suas respectivas comunais onde as novas recomendações de segurança, frente a situação que havia chegado ao descontrole, foram passadas para todos. não conseguira dormir naquela noite, conseguindo ao menos parar de chorar quando Charlotte conseguiu uma permissão especial do professor Flitwick para passar a noite com a amiga e passou horas acariciando seus cabelos até que o cansaço a vencesse.
A partir dali, não soube interpretar o que aconteceu com ela. Todo o seu corpo estava dolorido, ela parecia visivelmente cansada e ardia em febre. Depois de uma visita de Madame Pomfrey, ela concluiu que a garota provavelmente estava assim devido ao choque e a preocupação com Hermione, providenciando para ela algumas doses de Poção da Paz.
Cedrico, Madelyn e Charlotte revezavam entre si para fazer companhia a ela, visto que a enfermaria já estava cheia demais e precisava ficar em constante observação.
Mas nem mesmo a poção calmante conseguira fazer com que os pesadelos parassem. Noite após noite, Diggory presenciava o mesmo horror: a escuridão, o barulho de algo rastejando e então tudo se tornava sangue, muito sangue, até que um grito feminino chamando por Harry a acordava com mais febre e com os gritos assustadores até que a próxima dose de poção fosse imediatamente administrada.
Quando as febres se restringiam apenas ao período da noite, conseguiu finalmente voltar às aulas quando os exames finais se aproximavam. O pesadelo ainda era o mesmo, mas as amigas e o irmão haviam garantido que não tiveram mais ataques e que os petrificados acordariam em breve, visto que as mandrágoras já estavam praticamente maduras o suficiente.
Naquela noite, do primeiro dia de volta a rotina, dera falta dos amigos no Salão Principal e aquilo subitamente a preocupou. Mesmo que todo o mal-estar físico tivesse passado, ela continuava com aquela sensação ruim de que algo estava muito errado.
Assustada demais começou a pensar que toda essa situação dos últimos dias fora apenas seu corpo dando sinais de que algo aconteceria. Mas ainda nutria esperanças de que aquilo era apenas sua imaginação aguçada demais.
Cedrico a avistou de longe, mexendo o jantar no prato com o olhar fixo e perdido no cálice de suco de uva. Ele sorriu fraco, caminhando e sentando-se do lado da garota, que parecia ainda menor do que realmente era, como um cristal em uma beirada, prestes a quebrar caso ele não fizesse nada.
O lufano respirou fundo enquanto levava a mão aos cabelos castanhos da caçula e os bagunçando carinhosamente. Lhe partiu o coração ver que, mesmo com os olhos marejados, tentou sorrir para ele.
— Estou preocupada Ced… — disse ela simplesmente, brincando com o garfo em mãos.
— As coisas vão melhorar, .
Como em um paradoxo, apenas para contradizê-lo, a voz desesperada da professora Minerva soou por todos os lugares do castelo.
— Todos os alunos voltem imediatamente aos dormitórios de suas casas. Todos os professores voltam à sala de professores. Imediatamente, por favor.
A caminhada até a torre fora agoniante, planejava minuciosamente em sua mente como faria para encontrar com os amigos. Cedrico caminhava ao lado dela, quando chegaram, era evidente que a irmã estava tramando algo.
— Algo está acontecendo… Eu sabia! Ced eu preciso ir… — ela verbalizou, finalmente, em voz baixa.
eu não acho que… — a garota apenas o olhou, Cedrico ainda temia, mas sabia que não poderia impedi-la de qualquer forma, havia a prometido. — Tudo bem, eu te dou cobertura.
A mais nova assentiu, esgueirando-se para o corredor e saindo da multidão de alunos que andavam em direção a seus quartos em completo pânico. A primeira opção plausível que conseguiu pensar fora foi ir até a comunal da Grifinória, em busca dos amigos, mas não encontrou ninguém.
Naquela altura os burburinhos já haviam chegado até ela, sobre Gina Weasley estar morta. pedia silenciosamente que aquilo fosse apenas um mal-entendido, seu coração doía em imaginar como Rony e os irmãos estariam. Aquilo a motivou ainda mais para que continuasse procurando. Foi quando viu no final do corredor, Harry e Ron empurravam Lockhart até o banheiro da Murta, o que a fez segurar ainda mais firme a varinha e apertar o passo na direção deles.
— Onde foi exatamente que você viu os olhos? — Harry perguntou a fantasma, que apontou em direção a pia em frente ao boxe que ele se encontrava.
— Por ali — respondeu vagamente.
Harry e Rony correram para a pia. Lockhart ficou parado bem mais atrás, uma expressão de puro terror no rosto, o observou andando devagar para trás, provavelmente na expectativa de fugir.
— Não é uma atitude responsável deixar seus alunos correrem perigo sozinhos, professor. — empurrou a varinha nas costas do homem, que parou erguendo as mãos em rendição ao virar o pescoço e encontrar a corvina com uma das sobrancelhas erguidas, desafiando-o a se mover.
Harry e Rony olharam para a amiga, assustados, mas em certa parte aliviados por ser ela quem estava ali.
— Continuem, não podemos ficar aqui dando sopa. — ralhou ela e então eles voltaram a inspecionar a pia. empunhou a varinha com mais força nas costas do professor, obrigando-o a andar até os garotos. Eles examinaram cada centímetro, por dentro e por fora, inclusive os canos embaixo. E então Harry viu: gravada ao lado de uma das torneiras de cobre havia uma cobrinha mínima.
— Essa torneira nunca funcionou — disse Murta, animada, quando ele tentou abri-la.
— Diga alguma coisa, Harry. Alguma coisa em língua de cobra!
— Mas... — Harry se esforçou. As únicas vezes em que conseguira falar a língua das cobras foi quando estava diante de uma cobra real. Ele fixou o olhar na gravação minúscula, tentando imaginar que era real. — Abra.
Ele olhou para Rony, que sacudiu a cabeça enquanto o olhava com uma careta.
— Nossa língua. — murmurou Rony frustrado.
— Concentre-se, Harry, você consegue! — incentivou com um sorriso, mas logo fechou a cara novamente enquanto firmava a varinha nas mãos. Harry tornou a olhar para a cobra, desejando acreditar que estivesse viva e então murmurou algo parecido com um assobio.
Na mesma hora a torneira brilhou com uma luz branca e começou a girar. No segundo seguinte, a pia começou a se deslocar; a pia, na realidade, sumiu de vista, deixando um grande cano exposto, um cano largo o suficiente para um homem escorregar por dentro dele.
— Vou descer — anunciou.
Ele não podia deixar de descer, agora que tinham encontrado a entrada para a Câmara, não se houvesse a mais leve, mínima, imaginária chance de Gina estar viva.
— Eu também — e Rony responderam juntos.
Houve uma pausa.
— Bem, parece que vocês não precisam de mim — disse Lockhart com uma sombra do seu antigo sorriso. — Eu vou...
o olhou mais uma vez, apertando mais ainda a varinha em suas costas, enquanto Rony e Harry apontaram as varinhas, o encurralando à frente.
— Você pode descer primeiro — rosnou Rony.
De rosto lívido e sem varinha, Lockhart se aproximou da abertura.
— Meninos, que bem isto vai trazer? — perguntou em um fio de voz.
Harry, que agora estava mais perto, cutucou-o nas costas com a varinha. Lockhart escorregou as pernas para dentro do cano.
— Eu não acho... — começou a dizer, mas Rony deu-lhe um empurrão, e ele desapareceu de vista. Harry seguiu-o em silêncio. Baixou o corpo lentamente para dentro do cano e se soltou. Em seguida e Rony fizeram o mesmo.
Eles escorregavam por uma passagem escura, viscosa e que parecia não ter fim. Outros canos saiam para todas as direções, mas nenhum era tão largo quanto aquele, que virava e dobrava, sempre e ingrememente para baixo, para além das masmorras mais fundas.
E então, quando começavam a se preocupar com o que aconteceria quando chegassem ao chão, o cano nivelou e eles foram atirados pela extremidade com um baque aquoso, aterrissando no chão úmido de um túnel de pedra às escuras, suficientemente amplo para quem descesse conseguisse ficar de pé.
Lockhart estava se levantando um pouco adiante, coberto de limo e branco como um fantasma.
— Provavelmente estamos debaixo do lago — sugeriu Rony, apertando os olhos para enxergar as paredes escuras e limosas.
Os quatro se viraram para encarar a escuridão à frente.
— Lumus! — murmurou Harry para sua varinha que acendeu. – Vamos.
E então eles começaram o trajeto, seus passos chapinhando ruidosamente no chão molhado. O túnel era tão escuro que eles só conseguiam ver uma pequena distância à frente. Suas sombras nas paredes molhadas pareciam monstruosas à luz da varinha.
— Lembrem-se — disse Harry baixinho enquanto avançavam com cautela —, a qualquer sinal de movimento, fechem os olhos imediatamente...
Mas o túnel estava silencioso como um túmulo, e o primeiro som inesperado que ouviram foi o ruído de alguma coisa sendo esmagada quando Rony pisou em alguma coisa que descobriram ser um crânio de rato. Harry baixou a varinha para olhar o chão e viu que se encontrava coalhado de ossos de pequenos animais. Tentando, por tudo, não imaginar que aspecto teria Gina se a encontrassem, Harry, à frente, virou uma curva escura do túnel.
— Harry... Tem alguma coisa ali... — disse Rony rouco, e então agarrou o braço do amigo. Eles se imobilizaram, observando. Era possível ver apenas ver o contorno de uma coisa enorme e curvilínea, deitada atravessada no túnel. A coisa não se mexia.
— Talvez esteja dormindo — sussurrou e semicerrou os olhos, sentindo todo seu corpo trêmulo.
Lockhart tampava os olhos com as mãos. Harry se virou para olhar a coisa, o coração batendo tão forte que chegava a doer. Muito devagarinho, com os olhos o mais apertados possível, mas ainda vendo, Harry avançou aos poucos com a varinha erguida.
A luz deslizou pela pele de uma cobra gigantesca, colorida e venenosa, que se encontrava enroscada e oca no chão do túnel. O bicho que se desfizera dela devia ter no mínimo uns seis metros de comprimento.
— Droga — xingou Rony em voz baixa.
Ouviram então um movimento súbito às costas. Os joelhos de Lockhart tinham cedido.
— Levante-se — disse Rony com rispidez, apontando a varinha para ele.
O professor se levantou — em seguida atirou-se contra Rony, derrubando-o no chão. Harry deu um salto à frente e ergueu a varinha em prontidão, mas já era tarde — Lockhart já se erguia, ofegante, a varinha de Rony na mão e um sorriso radioso novamente no rosto.
— A aventura termina aqui, pessoal. Vou levar um pedaço dessa pele de volta à escola, dizer que cheguei tarde demais para salvar a garota e que vocês enlouqueceram tragicamente ao verem o corpo dela mutilado, digam adeus às suas memórias!
Ele ergueu a varinha de Rony, emendada com fita adesiva, acima da cabeça e gritou:
Obliviate!
A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba. Harry ergueu os braços para o alto e fugiu, escorregando nas voltas da pele de cobra. Enquanto , que estava próxima da pele, abaixou-se escapando do alcance dos grandes pedaços do teto do túnel que caíam com estrondo no chão. No momento seguinte, eles estavam sozinhos, contemplando uma parede maciça formada pelos destroços.
— Rony... — murmurou, assim que Harry a ajudou a se levantar.
— Rony! — gritou ele — Você está bem? Rony?
— Estou aqui! — respondeu Weasleys com a voz abafada, provavelmente estava atrás do entulho. — Estou bem, mas esse bosta aqui não está, a varinha acertou nele...
Ouviu-se uma pancada surda e um sonoro “ai!”. Parecia que Rony tinha acabado de chutar Lockhart nas canelas.
— E agora? — perguntou a voz de Rony, desesperada. — Não podemos passar, vai levar séculos...
Harry olhou para o teto do túnel. Tinham aparecido nele enormes rachaduras. O garoto nunca tentara cortar, com auxílio da magia, nada tão grande como essas pedras, e agora não parecia uma boa hora para tentar – e se o túnel inteiro desabasse?
Ouviu-se mais outra pancada e mais um “ai!” por trás das pedras. Estavam perdendo tempo. Gina já fora trazida para a Câmara Secreta havia horas... Harry olhou para os entulhos e então para , sabia que havia apenas uma coisa a fazer.
— Espere aí, Rony – gritou. — Espere com Lockhart. A vai ficar aqui e te ajudar com as pedras…
— Não vou, não!
… — suplicou, nervoso por estarem perdendo tempo e de forma que ela entendesse e não o seguisse — Eu vou continuar...
— Se você não voltar dentro de uma hora eu vou ir atrás de você! — ela o abraçou, com a voz firme, para que ele não negasse.
E então estabeleceu-se um período em silêncio cheio de significação. Harry entendeu que não havia como contrariá-la, então assentiu.
— Vou tentar afastar umas pedras — disse Rony, que parecia estar querendo manter a voz firme. — Para você poder... poder passar na volta.
— Harry… — ela murmurou, com os olhos marejados em preocupação. — Tome cuidado.
— Vejo você daqui a pouco, — Harry sorriu fraco, tentando passar segurança mesmo com sua voz trêmula. — ajude o Rony.
Ela assentiu e então o grifinório retomou sozinho a caminhada para além da pele de cobra.
×××


Haviam se passado exatamente trinta e dois minutos, já tinha cortes por toda a extensão das mãos, mas continuava tirando pedra por pedra enquanto Rony fazia o mesmo do outro lado, chamando-a sempre que o ambiente ficava quieto demais para verificar se ela não tinha ido atrás de Harry.
Tudo que ela conseguia escutar eram os barulhos das pedras sendo jogadas longe e da respiração cansada saindo por seus lábios. Até que grande quantidade de suor começasse a encharcar seus cabelos, e, repentinamente, sua visão escureceu e, mais uma vez, o pesadelo se repetiu. Dessa vez, o sangue vinha acompanhado de outro grito. O grito de Harry e então sua voz desesperada pedindo por ajuda, enquanto ele gemia de dor.
Logo em seguida ela reconheceu de quem era a voz feminina gritando todas as outras vezes, visto que o grito que escapou por seus lábios era tremendamente idêntico ao que lhe acordara durante as últimas noites. Quando seus olhos se abriram, enxergando novamente o entulho de pedras à sua frente, decidiu que era a hora de ir.
? — a voz de Rony parecia assustada com o grito dela, provavelmente não era a primeira vez que ele a chamava.
— Eu… Eu tenho que ir atrás deles.
Ela correu seguindo a pele de cobra até quando seu tórax ardeu implorando por ar, seu coração parecia bater na altura da garganta e o caminho parecia não ter fim. O fim do túnel chegou no momento em que o basilisco tombava para o lado, caindo morto no chão.
Harry escorregou pela parede. Uma das presas da criatura estava em seu braço, ele a puxou, mas sabia que era tarde, o veneno provavelmente já circulava em todo seu corpo. Mas ela não agiria com desespero, mesmo com os olhos marejados ela ainda poderia tentar ajudar Gina, precisava pensar.
Uma nesga de vermelho passou por ele, e Harry ouviu unhas baterem ao seu lado suavemente. Uma fênix. Diggory o observou tentar balbuciar algo, mas passos mudaram o foco da atenção dela.
— Você está morto, Harry Potter – disse a voz de um garoto, vestia uma versão provavelmente desatualizada do uniforme e parecia ter poucos anos a mais que eles. — Morto. Até o pássaro de Dumbledore sabe disso. Você está vendo o que ele está fazendo, Potter? Está chorando.
Harry piscou os olhos. A cabeça de Fawkes entrava e saía de foco. Lágrimas grossas e peroladas escorriam por suas penas de cetim. respirou aliviada, as lágrimas da fênix certamente fariam seu trabalho, enquanto ela precisava pensar em alguma forma de ir até Gina, que estava desacordada em meio a uma poça de água.
— Vou me sentar aqui e apreciar você morrer, Harry Potter. Pode demorar à vontade. Assim termina o famoso Harry Potter Sozinho na Câmara Secreta, abandonado pelos amigos, finalmente derrotado pelo Lorde das Trevas que ele tão insensatamente desafiou.
sentiu seu sangue gelar. Ele não podia ser…
— Você vai voltar para a sua querida mãe de sangue ruim em breve, Harry... Ela comprou para você mais doze anos de vida... mas Lorde Voldemort acabou por vencê-lo, como você sabia que ele faria...
Harry fez um pequeno movimento com a cabeça e lá estava a fênix, ainda descansando a cabeça em seu braço. Uma pocinha de lágrimas peroladas brilhava em torno do ferimento que tinha as bordas fechando até que esse sumisse completamente.
Harry levantou a cabeça. Riddle estava apontando a varinha de Harry para a ave. ergueu a varinha e um estampido como o de um revólver os distraiu, o pássaro levantou voo outra vez num redemoinho dourado e vermelho.
— Você só esqueceu que lágrimas de fênix tem um poder curativo, lorde. — a voz de soou enojada. O homem a olhou, erguendo a varinha na direção dela e dando a Harry o tempo necessário para se levantar.
Então num farfalhar de penas, Fawkes sobrevoou os dois e uma coisa caiu nas mãos de : o diário de Tom Riddle.
Por uma fração de segundo, Harry e Riddle, a varinha ainda erguida, olharam para o diário. Então, sem pensar, sem raciocinar, como se tivesse pretendido fazer isso o tempo todo, Harry agarrou a presa do basilisco no chão ao lado dele e arremessou para .
, DESTRUA O DIÁRIO! AGORA!
Riddle correu para a direção da corvina, mas ergueu a presa e em seguida a enterrou no livreto com toda a força que conseguiu. Ouviu-se um grito longo e cortante. Um rio de tinta jorrou do diário, escorreu pelas mãos dela e então inundou o chão.
Riddle parou, se contorcendo, gritando e se debatendo e então… Desapareceu.
A varinha de Harry caiu no chão com estrépito e em seguida fez-se silêncio. Silêncio, exceto pelo pinga-pinga da tinta que ainda escorria do diário. O veneno do
basilisco abrira a fogo um buraco no livro.
Com o corpo inteiro tremendo, Harry recolheu a varinha e o Chapéu Seletor e com um violento puxão retirou a espada que usara do céu da boca do basilisco. Em seguida, seguiu até , que ainda estava ajoelhada no sangue.
— Você deveria se manter longe dos problemas, Diggory. — ele murmurou, ajudando-a a levantar. o encarou com uma careta, tinha tantas perguntas rondando em sua mente.
Mas eles poderiam conversar depois sobre o que tinha ocorrido ali, então correu na direção de Gina, que gemeu fraco e se mexeu com dificuldade. Harry a seguiu, e então ajudou a ruiva a se sentar.
Seus olhos espantados foram do enorme vulto do basilisco morto, para Harry e e daí para o diário em sua mão. Ela inspirou profundamente, estremecendo, e as lágrimas começaram a rolar pelo seu rosto, antes que ela desperdiçasse sua energia falando, lhe deu um sorriso reconfortante.
— Teremos todo o tempo do mundo para conversar, mas primeiro precisamos sair para que vocês dois possam ir para a enfermaria.
Gina assentiu, com a expressão mais tranquila e então os três seguiram para fora dali, respirando aliviados por tudo aquilo ter finalmente acabado.

×××


Cedrico estava aliviado. Faziam dias que a irmã não dormia com tanta tranquilidade como fazia agora na cama da enfermaria. Provavelmente fora por isso que seu corpo simplesmente “desligou” assim que tudo foi resolvido. De alguma forma, ela deveria estar lá, ela deveria ajudar a resolver os problemas. E Dumbledore fora essencial para que ele enxergasse isso.
e Harry nunca poderão ser afastados, meu caro Cedrico. — o lufano lembrou-se das palavras calmas e serenas do mais velho — Além do belo e inquebrável laço de amizade, o futuro reserva muitos desafios para eles desvendarem…
Ele não entendeu muito bem o sentido daquilo, mas o diretor sempre sabia o que dizia, então definitivamente não questionaria.
Observou mais uma vez a irmã em um sono profundo enquanto ela fazia alguns barulhinhos quando respirava. Madame Pomfrey havia dito que ela poderia acordar a qualquer momento, mas que, por ora, ela deveria descansar pelo menos durante todo aquele dia para compensar as semanas mal dormidas.
Um barulho de uma das bacias de alumínio — que a curandeira usara minutos antes para fazer um curativo em um aluno do primeiro ano que havia caído — indo ao chão fez o olhar de Cedrico recair até de onde o som veio. Era Potter, com a face tão vermelha de vergonha que quase se assemelhava aos detalhes de suas vestes.
— Eu, ahn, não sabia que você estava por aqui… — ele disse, posicionando a bacia onde ela estava anteriormente — Vim ver se a já tinha acordado, mas eu volto depois…
— Não, Potter. — Cedrico sorriu sem mostrar os dentes — Pode ficar, eu queria mesmo conversar com você.
Harry engoliu seco, mas ainda assim se aproximou da cama onde a amiga estava enquanto o mais velho o olhava. Já esperava um sermão ou uma ameaça, mas tudo que recebeu fora uma mão estendida. Harry arqueou a sobrancelha, extremamente confuso.
— Te devo desculpas e um obrigado. — ele indicou a mão com a cabeça e então Harry a apertou. — Desculpa por ter tentado te afastar da minha irmã e obrigado por protegê-la e por ser um excelente amigo pra ela.
— Eu que deveria pedir desculpas por sempre arrastar ela para confusões e…
— Na verdade — Cedrico o interrompeu rindo baixinho e então lançou um olhar rápido para a irmã — sempre teve talento para se meter em problemas, então não é sua culpa.
Harry o acompanhou na risada.
— Espero que possamos ser amigos e deixar tudo isso que aconteceu de lado. — o lufano desejou sincero e Harry afirmou com a cabeça de prontidão e então eles decidiram sair dali para não perturbar o sono da corvina.
Ambos satisfeitos por resolver o assunto pendente e por, de quebra, arranjarem uma amizade inesperada.
×××


A claridade invadiu os olhos cinzas de de forma que ela levasse imediatamente as mãos ao rosto para cobri-los. Ela se sentou, percebendo que estava na enfermaria e então viu Dumbledore ao seu lado, como no ano anterior.
— Dizem que os olhos mais claros são mais sensíveis à luz… — sua voz calma soou como a prova de que precisava para processar as imagens da Câmara Secreta em sua mente. — A senhorita deveria arranjar óculos escuros.
— Para dormir? — fez careta, enquanto levava as mãos até a cabeça dolorida. Dumbledore sorriu — Eu me lembro de tudo, de termos ido até a sua sala e de toda a história…
— A senhorita desmaiou assim que saiu da minha sala. Algo como um apagão após uma grande quantidade de estresse.
— O senhor pediu para te contar se eu tivesse mais pesadelos, e bem, eu tive… — ela disse, observando-o assentir — O que está acontecendo comigo, diretor? Eu vivo passando mal e sentindo quando as coisas vão acontecer. Principalmente as coisas que envolvem o Harry!
Dumbledore pareceu impassível, mas tinha certeza de que, se ele fosse mais novo e menos sábio, teria desviado o olhar do dela. Ainda assim, ela sabia que ele escondia algo.
— Acredito que os sonhos são uma espécie de dom visionário, agora envolveram Harry, devido aos acontecimentos recentes e pela amizade de vocês, mas creio que pode envolver qualquer um…
Ela assentiu, mesmo não acreditando na fala do mais velho.
— Preciso ir agora, mas acredito que a senhorita estará liberada assim que a Madame Pomfrey voltar.
Dumbledore começou a se afastar, mas antes de passar pela porta, ele parou subitamente parecendo se lembrar de algo importante e então virou-se para Diggory novamente.
— Apenas por curiosidade, qual é a data do seu aniversário, ?
franziu o cenho, achando o assunto esquisito, mas respondeu mesmo assim.
— Novembro, senhor. Mais especificamente no dia catorze de novembro de mil novecentos e setenta e nove… Por quê?
— Por nada em especial, senhorita Diggory. — ele sorriu — Eu achei que fazíamos aniversário no mesmo mês, mas me enganei. De qualquer forma, melhoras.
E então, saiu deixando uma confusa para trás.



Continua...



Nota da autora: Nota da autora: Olá! Eu prometi e cumpri com essa atualização dupla e enorme! Finalizamos mais um ano em Homeostase depois desses dois capítulos intensos, com muitas descobertas e mais sinais da nossa profecia heheheh. O que vocês acharam dos personagens novos? A Lottie já era conhecida de vocês kkkk, mas agora vocês tiveram a oportunidade de conhecer um pouco mais da menina que se tornou uma mulher incrível. A Maddy terá mais momentos com nossa pp também, assim como o Will 👀.
Me contem suas teorias, opiniões e tudo mais aqui nos comentários ou lá no Instagram (@juscairp) onde sempre tem algum spoiler e alguns avisos também.
Espero que tenham gostado desses capítulos que fiz com muito amor (e sofrimento hahahaha).
O Disqus está um pouco instável ultimamente e, às vezes, a caixinha de comentários pode não aparecer. Então, caso você queira me deixar feliz com um comentário, é só clicar AQUI. Até a próxima!
Com amor,
Ju





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