Contador:
Última atualização: 01/09/2021

Capítulo 1

Casa dos Black - 31 de agosto de 2006
A sensação de querer voltar no tempo era uma velha conhecida de Black, visto que todo dia desejava voltar para viver novamente as memórias que tinha da falecida esposa. Haviam se passado dez anos desde o dia que ela dera sua vida em troca da dele na batalha do ministério e, em todo esse tempo, não havia se passado um dia sequer que ele não sentisse a falta dela.
Era uma dor que parecia nunca passar, que o fizera, inclusive cometer vários erros. Não conseguia falar sobre com a filha ou com qualquer outra pessoa, a esposa era um assunto delicado que ele preferia manter única e exclusivamente dentro dos próprios pensamentos; o que fora fácil a primeiro momento, mas passou a ser inevitável na medida que Alya crescia.
Nada preparou Sirius Black para a sensação que era ver sua filha crescendo. Não tivera essa oportunidade com o afilhado, — que hoje já era um homem e tinha a própria família — então quando Alya recebeu a própria carta de Hogwarts sua primeira sensação foi ficar em choque, parado. Ontem mesmo aquela linda garotinha era um bebê! Era estranho demais desejar que o tempo voltasse e ele pudesse passar mais tempo com ela? Agora só a veria no Natal e nas férias… Céus, aquilo o dilacerava! E lá estava ele, novamente implorando para voltar no tempo.
Depois de todo o choque que fora perceber que ficaria longe da filha boa parte do tempo pelos próximos anos, Sirius se lembrou que os anos em Hogwarts foram os melhores de sua vida e todo o drama se dissipou e deu lugar a animação e expectativa. Mal via a hora de ouvi-la contando sobre sua rotina, seus amigos e sua nova vida. Amava Alya com absolutamente tudo, cada parte de si, e desejava que ela vivesse essa experiência com toda a magnitude e intensidade que ela merecia. Ela iria amar Hogwarts, e ele amava vê-la feliz, o que já fazia valer a experiência. A partir daí começaram-se então os preparativos típicos de início de ano letivo: a ida até o Beco Diagonal para comprar os materiais, a preparação das malas e a despedida.
— Está animada? — perguntou o mais velho enquanto entrava no quarto de Alya, que sorriu e deu alguns pulinhos enquanto arrumava as últimas coisas que faltavam em seu malão. — Acho que isso já responde à minha pergunta…
Sirius entrou no quarto e abraçou a filha enquanto ria.
— Pai, você sabe que não é como se eu fosse embora pra sempre né? — ela fez uma careta, tentando se soltar do aperto dos braços do pai.
— Que culpa eu tenho se te amo demais, pirralha? — ele a apertou ainda mais em provocação — Me deixa sentir sua falta, só um pouquinho…
— Tá, mas só porque eu te amo demais também. — Alya apertou a cintura do pai, retribuindo o abraço — O senhor vai se cuidar bem sozinho, não vai?
— Era eu quem deveria estar falando isso, mocinha. — Sirius arqueou uma das sobrancelhas fazendo-a rir. E então ele finalmente soltou a filha e passou a ajudá-la com as malas. — Eu vim dizer que quero te dar um presente para simbolizar essa nova etapa da sua vida.
Os olhos da mais nova brilharam em animação e aquilo mais uma vez o fez rir.
— Pode me pedir o que quiser.
— Posso te pedir qualquer coisa, pai? — Alya levantou uma das sobrancelhas enquanto dobrava o uniforme recém comprado.
Sirius assentiu, embora já se sentisse arrependido de tal proposta. Esperava que a filha pedisse uma vassoura que acabara de lançar no mercado ou uma quantidade exorbitante de livros. Naqueles poucos minutos que tivera em retrospecto, cogitou absolutamente todo tipo de possibilidade, mas nunca imaginou que, na verdade, o que Alya queria parecia bem simples, embora fosse extremamente difícil e doloroso.
— Eu queria muito que você me contasse as memórias que tem da mamãe. — ela pediu baixinho e receosa, mas o pai não podia negar, havia acabado de prometer que lhe concederia qualquer coisa que pedisse.
— Alya… Sabe que não gosto de falar desse assunto. — Sirius suplicou, cansado daquela discussão que já era mais do que frequente — É algo doloroso, filha, por favor... Peça outra coisa, qualquer coisa e eu te dou.
Doloroso? — a mais nova riu, ironicamente da mesma forma que a mãe fazia quando estava irritada. Seus olhos já estavam marejados e sua voz soara trêmula — Você não sabe como é doloroso saber que todos tiveram a oportunidade de conhecê-la, que todos tiveram um tempo com ela e que eu, filha dela, não.
Mas, diferente das últimas vezes, ela não insistiu. Apenas secou as lágrimas que teimavam em cair e continuou fazendo as malas enquanto o pai a assistia desolado.
— Se não pretende me contar nada, ao menos me deixe sozinha, por favor. — pediu com a voz ríspida. Sirius gostaria de repreendê-la, mas se retirou silenciosamente; ela estava certa em tratá-lo com tanto desprezo, quando aquilo era mesmo o tudo que merecia.
Black sentou na própria cama, suspirando resignado. Queria contar cada detalhe, cada memória que tinha de para a filha deles, Alya merecia conhecer a mãe com a única forma que lhe restara, merecia que ele lhe contasse tudo sobre ela. Enquanto sentia seus olhos se umedeceram, ele se levantou, indo até o porcelanato solto da parede que escondia um buraco onde a caixa com todas as coisas que tinha da esposa era guardada, aquele esconderijo que fora o único que a filha não conseguira cogitar nas inúmeras vezes que tentara encontrar algo no quarto dele.
Assim que abriu a caixa e viu uma foto de quando Harry vira Alya pela primeira vez, sua boca tornou-se amarga. Na foto, sorria enquanto observava com os olhos brilhando o sobrinho ninando a bebê no colo, fora inevitável para Sirius não passar o indicador em uma tentativa de carícia no rosto da mulher.
Quando a última coisa foi tirada da caixa — um caderno de textos que a mais velha havia escrito para a filha durante a gestação — Black finalmente se rendeu ao choro. Um choro amargo, incontrolável e repleto de culpa.
Culpa por ter sido o responsável pela morte da esposa, culpa por tê-la tirado do afilhado e da filha e principalmente por impedir a filha de ter acesso às memórias da mulher espetacular que sua mãe fora em vida. Quando sua dor o tornara tão egoísta a ponto de pensar que tudo que ele queria era não lembrar da esposa para que pudesse viver ao menos um dia sem sofrer e quebrava a promessa silenciosa que fizera a de que faria a filha deles feliz? E então, depois de tantos anos, ele se permitiu fechar os olhos e lembrar com saudade e carinho dela, não com dor e sofrimento como costumava ser. Quem ele era para não falar da esposa para a filha? Logo quando tudo que Potter Black merecia era ser lembrada.
Devia isso à Alya. Devia isso à ela, a mulher que tanto amava e que merecia muito mais do que ser apenas um fantasma em sua mente.

Capítulo 2

King’s Cross - 1º de setembro de 1971
A primeira memória que Sirius Black tinha de Potter era apenas um simples reflexo de sua relação intensa — para não dizer caótica — com a mesma. Lembrava perfeitamente dela se apoiando no batente da porta da cabine com os braços cruzados e aquele típico sorriso debochado enquanto o desafiava com o olhar.
Após acenar uma última vez para a mãe e para o irmão mais novo, Sirius finalmente entrou na locomotiva. Estava ansioso para conhecer Hogwarts, fazer amigos, jogar quadribol, visitar Hogsmeade e para todas as outras experiências que os próximos anos lhe reservavam. Black caminhou pelo estreito corredor até encontrar uma cabine que não estivesse lotada; nesta o único ocupante era um garoto que provavelmente também era primeiranista.
— Oi! — cumprimentou Sirius sorrindo sem mostrar os dentes logo em seguida — Eu posso ficar aqui?
O desconhecido piscou algumas vezes antes de assentir. Seus olhos eram azuis e os cabelos eram um tom entre loiro escuro e castanho claro; as roupas eram gastas e simples, ao contrário das de Black, e ele parecia ser extremamente introvertido.
— Sou Sirius, — Black ergueu a mão assim que se sentou no banco, bem à frente do garoto tímido — Sirius Black.
— Prazer em conhecê-lo, Sirius. Me chamo Remo Lupin. — o garoto, agora devidamente apresentado, respondeu e apertou a mão do Sirius.
Os dois não puderam trocar nenhuma outra palavra visto que o trem começou a andar e um baque fez com que a porta da cabine deslizasse e uma terceira pessoa caísse no chão. Era outro garoto, que tinha cabelos castanhos bagunçados e também parecia ter a mesma idade que eles; seus óculos arredondados voaram, caindo ao lado dos pés de Sirius. Logo atrás do desastrado, uma garota, cuja aparência era ligeiramente similar a dele, rolou os olhos ao vê-lo no chão.
— Você tem certeza que saiu do mesmo útero que eu, James? — ela encostou na porta da cabine com os braços cruzados — As pessoas que não vieram do lixão geralmente batem na porta.
O tal James quem rolou os olhos agora, aceitando a mão de Lupin para se levantar.
— Você podia ter batido na porta, cara… — Sirius disse primeiro, e entregou os óculos para o garoto. — Mas vou discordar da sua irmãzinha, sua entrada foi ótima. Eu diria até que foi respeitável…
A garota apertou os olhos castanhos, fulminando a ousadia do garoto em contradizê-la assim, de cara e sem ao menos conhecê-la.
— Eu caí quando o trem começou a andar. — explicou James, envergonhado. — Foi mal pela invasão.
— Não se preocupe, James. — Remo deu de ombros — Podem ficar conosco, se quiserem.
Black notou que a garota chegou a abrir a boca para dizer algo, e mesmo sem sequer saber seu nome, ele tinha a impressão que ela negaria, mas James fora mais rápido ao aceitar.
— Ficaremos sim. Sou James Potter e aquela é a cópia mais barata, barulhenta e chata de mim... — apontou para a irmã — As pessoas costumam chamá-la de , mas ela atende como magrela também.
deu-se por vencida e entrou na cabine, puxando a porta e passando pelo irmão. Mas não sem antes lhe desferir um soco audível e claramente dolorido nas costas, que deixou Remo e Sirius sem reação a primeiro momento, mas fora motivo de risadas altas segundos depois. A Potter também riu, mas fechou drasticamente a expressão quando se sentou perto da janela.
— Me chamem dessa forma se quiserem receber um soco mais forte. — aquilo foi o suficiente para que as risadas dessem lugar aos olhos arregalados — Caso contrário me chamem apenas de .
E então ela suavizou a expressão com um sorriso sincero, pegando um livro da mochila e começando a folheá-lo com atenção. Sirius trocou olhares engraçados com Remo e James, concluindo mentalmente que aquela garota era louca, mesmo que parecesse simpática e até mesmo indefesa agora. Se a intenção de era assustá-los, havia falhado miseravelmente e tinha ganhado apenas mais alguém para provocá-la.
Mal sabia Sirius Black que havia acabado de garantir inúmeros socos e tapas futuros, muito menos que havia ganhado amigos que fariam absolutamente qualquer coisa por ele e conhecido o amor de sua vida. Tudo naquela mesma manhã.

Capítulo 3

Hogwarts - 2 de setembro de 1971
Era oficialmente o primeiro dia letivo e Sirius nunca se sentira tão perdido e desorientado na vida. Sorte que James — seu colega de quarto — estava tão perdido e atrasado quanto ele, validando aquele argumento de que sempre é mais tranquilizador quando se está em problema na companhia dos amigos.
Amigos. Era esquisito intitular assim, mas sentia que podia falar absolutamente sobre qualquer coisa com James e Remo, haviam se dado extremamente bem e por sorte ainda estavam dividindo o mesmo quarto. James era exatamente igual a ele, até em termos de pregar peças nos outros; Remo era mais tímido e às vezes preferia ficar sozinho, mas ainda assim era um garoto legal também. Os três ainda estavam decidindo se gostavam de Peter, pois embora parecesse ter um bom coração, ele ainda era muito, muito, esquisito.
— Será que o professor Binns vai nos deixar entrar? — questionou Potter ofegante, enquanto corriam pelo corredor, pedindo a Merlin que estivessem no caminho certo.
— Ele não vai falar nada se não nos ver entrando. — Sirius deu de ombro erguendo as sobrancelhas e James concordou com a cabeça enquanto ponderava.
— Tem razão.
Assim que finalmente acharam a sala, esperaram que o professor fantasma se virasse para então correrem até os lugares vagos atrás de e Remo. O professor Binns, ou o que sobrara dele, não notou que os dois estavam atrasados; apenas continuou sua explicação lenta e maçante sobre a magia no Egito Antigo. Ao perceber os olhares entediados dos demais, Sirius até pensou se não seria melhor ter desistido de vir, minutos mais tarde ele estava completamente arrependido e implorando para que o tempo passasse mais rápido para que ele pudesse sair daquela tortura. Enquanto a imagem fantasmagórica continuava a falar sem parar, a cabeça de Black começou a vagar e eram nesses momentos que lhe ocorriam suas melhores ideias.
E é claro que naquele dia não foi diferente.
— Ei, Potter. — cochichou para o colega, que parecia tão entediado quanto. — Quer ver essa aula ficar mais interessante?
James olhou para o amigo interessado, estava tão farto de toda aquela falação quanto ele. Foi então que Black abriu sua mochila e apanhou da mesma quatro bombas de bosta, oferecendo a Potter duas delas. Os garotos se olharam, acenando brevemente com a cabeça e então esperaram que o professor se virasse novamente.
James jogou as suas primeiro, uma alcançando o centro da sala e outra atingindo caindo no livro de Lupin. Sirius jogou as duas bombas restantes, errando o alvo que planejara e acertando exatamente a mesa da Potter com uma delas. Fora tudo extremamente rápido, a garota se virou raivosamente para jogar a bomba em Black, enquanto Lupin jogara a sua para frente, tentando se livrar daquilo o mais rápido possível.
Remo só não contava que a bomba ultrapassasse o corpo do professor-fantasma.
— Senhor Lupin e senhorita Potter, creio que poderão se divertir mais ainda na sala da Professora McGonagall. Dez pontos a menos para a Grifinória para cada um. — aquilo fora tudo que puderam ouvir antes que o odor intenso se apoderasse da sala e acabasse com a aula, visto que o ambiente se tornara inabitável.
— Eu não acredito que já estou indo para a detenção no primeiro dia de aula… Isso é um absurdo! Eu nem fiz nada. — choramingou a Lupin enquanto se dirigiam para a sala de Minerva — Mamãe vai ficar decepcionada comigo, capaz de mandar um berrador e tudo.
— E Dumbledore? Ele confiava em mim… Ele vai me mandar para casa de novo e não terei a chance de estudar nunca mais… — disse Lupin, que estava tão chateado quanto a colega.
— Nós não seremos expulsos, Remo, eu prometo. Isso é tudo culpa do Black e do inútil do meu irmão… Espere só, vou acabar com aqueles dois.
Eles se sentiram muito piores quando a diretora da Grifinória os lançou um olhar frio e desapontado enquanto lhes dava um sermão.
— Eu esperava mais de vocês dois, Potter e Lupin. Como punição vocês terão que limpar a sala de aula e escrever uma redação pedindo desculpas ao professor Binns e que isso não se repita, estamos entendidos?
— Sim senhora. — responderam os mais novos em uníssono.
Embora houvesse prometido que não se meteria em confusões há poucos segundos, já pensava em inúmeras formas de torturar o irmão e o amigo irritante dele quando pegou o pergaminho em sua mochila para começar a redigir a carta. No entanto, o olhar da professora McGonagall na porta lhe chamou atenção.
— O que desejam senhor Potter e senhor Black?
— Com licença professora McGonagall. — pediu James baixinho, agora sob o olhar enraivecido da irmã. — Nós… É…
O garoto começou a gaguejar mais quando a professora arqueou a sobrancelha.
— Nós quem começamos a confusão na aula do professor Binns, e Remo só foram pegos na hora e momento errado. — admitiu Sirius finalmente, abrindo mais uma sessão de sermões.
— Há mais alguém metido nessa confusão ou posso levá-los até a sala? — finalizou Minerva, cruzando os braços enquanto os quatro negavam com a cabeça, não se atreviam a contradizer a mais velha. E então os quatro foram levados até a sala de História da Magia, onde o odor parecia mais fraco que antes, embora ainda fosse incômodo. — Limpem toda a sala sem usar magia e depois deixem a redação na mesa do professor.
Assim que os quatro foram deixados sozinhos, correu até o irmão e Black, puxando-os pela orelha até o balde e os panos.
— Eu não levanto dali, vou terminar minha redação. — ela disse com os dentes cerrados apontando para uma das carteiras. — Não vou limpar a sujeira de vocês!
não foi nossa intenção meter você e o Remo nessa furada… — James fora interrompido.
— Não me interessa, não vou ajudar a limpar algo que não sujei!
— Está tudo bem, podemos só limpar tudo e ir logo? — perguntou Remo impaciente, já com o rodo em mãos.
— Você também não vai limpar nada! — a garota apontou — Deixe de ser bobo, Lupin!
— Não é que eu seja bobo, . Mas quanto mais gente limpar, mais rápido terminaremos tudo e sairemos daqui. — explicou Remo erguendo o pano para ela. — Eles já admitiram a culpa, não precisa de tanto...
— Você deveria nos agradecer, Potter. Isso sim! — Sirius esbravejou massageando a orelha — Livramos vocês e o resto da turma dessa aula péssima.
cerrou os cílios em descrença.
— Muito obrigada Black, me sinto realmente lisonjeada pela ajuda. Vai fazer o que na próxima aula? Colocar tachinhas na cadeira para o professor sentar ou é tão burro que esqueceu que um fantasma não sente dor?
— Na verdade foi por isso que joguei as benditas bombas, por Binns estar morto e não sentir o cheiro achei que ele continuaria a aula sem problemas… — Sirius respondeu com tanta sinceridade que os quatro ficaram em silêncio por alguns instantes e então começaram a rir logo em seguida.
— A bomba do Remo atravessou o cara. — James lembrou rindo.
— E a da foi parar na cabeça daquele aluno da Sonserina… É Severo Snape o nome dele? — questionou Remo.
— Sim, ele é amigo da minha colega de quarto Lily. — explicou e Sirius riu alto.
— Bom, pelo menos agora ele será obrigado a lavar aqueles cabelos gordurosos. — Black pontuou e a Potter fez uma careta de nojo, rindo.
— Eu odeio vocês, sério. É só o primeiro dia e já nos meteram em furada. — ela resmungou, finalmente pegando o pano e começando a ajudar enquanto lançava um olhar sério para o irmão e Sirius.
— Prometo nunca mais te arrastar para a detenção, Potter. — Sirius ergueu a mão como demonstração de sua promessa e arqueou a sobrancelha, rindo desacreditada.
Mas definitivamente aquela não fora a última vez que eles passaram uma detenção juntos, não quando estavam sempre juntos demais para serem desvinculados das confusões um do outro.

Capítulo 4

Cabeça de Javali - fevereiro de 1974
— Você é um idiota, James. — Sirius disse enquanto se abaixava atrás do banco de madeira ao lado do amigo.
— Você também, é. Tá aqui por quê? — Potter ajeitou os óculos enquanto tentava enxergar a irmã e o corvino Alexander Gelles através do vidro do bar. — é minha irmã, preciso protegê-la de caras como o Gelles.
Sirius pigarreou, exasperado.
é minha amiga e, o principal de tudo, preciso me assegurar que você não vai fazer nenhuma besteira.
— Geralmente o encarregado de fazer merda na nossa relação é você, Six. — Potter cochichou.
— Vai se fod…
— Shhh, Black! Quer que ela perceba que estamos aqui?
Sirius bufou, permanecendo calado enquanto observava a amiga. parecia completamente interessada no que o corvino dizia. Súbita e inexplicavelmente, Black sentiu um calor atingir sua face, não precisava de um espelho para saber que estava rubro. Suas mãos nunca suaram daquela forma, muito menos sua respiração parecera tão acelerada e descompassada antes.
Mas nada pôde preparar o grifinório para o momento em que ele viu o corvino erguer sorrateiramente a própria mão por cima da mesa de encontro a dela, ele elevou o olhar galante para a garota, enquanto acariciava levemente a pele macia de sua mão esquerda com o próprio polegar.
imediatamente sorriu em resposta.
E ali, abaixado atrás do banco enquanto a espiava sorrindo para outro, que havia sido muito mais inteligente que ele, Sirius entendeu o porquê de querer sempre chamar a atenção dela, o porquê de estar sempre a provocando e o porquê de todos os movimentos dela o prenderem completamente. Estava apaixonado por Potter desde o dia em que a vira pela primeira vez e só agora, depois de quatro longos anos, havia entendido isso.
O choque da verdade fora tão grande e repentino que era como se tivesse levado um soco no estômago. Sirius jurou ter ouvido James xingar baixinho ao seu lado, mas não era como se ele estivesse em plenas condições para entender claramente o que ele dizia. Seus olhos estavam semicerrados e só conseguiam focar na garota de sorriso leve e brilhante de dentro do estabelecimento.
Não podia ser tarde demais. Parecia injusto que ele nem mesmo tivera tempo para digerir os próprios sentimentos ou para pensar em um plano suficientemente bom de como conquistá-la e ela já tivesse outra pessoa. Era claro para qualquer um — ela inclusa — que nunca teria um lugar exclusivamente seu no coração livre e ambicioso de Alexander Gelles, e ela definitivamente nem queria isso. Mas não era como se Sirius Black, o jovem desesperado e consciente de seus sentimentos pela melhor amiga há apenas dois minutos, soubesse disso. Ele já podia ouvir os sinos de uma igreja qualquer e sua garota nos braços de outro enquanto ele era consolado amarga e solitariamente por um copo — ou vários? — de uísque de fogo.
— Não! — ele verbalizou seus pensamentos desolados alto demais, chamando a atenção das pessoas ao redor. Inclusive os olhos confusos e curiosos da Potter, que se levantou de imediato com o susto.
— O que porra…? — James não terminou de falar, visto que um Sirius tomado por desespero o empurrou com uma das mãos, fazendo com que ele se desequilibrasse e caísse no chão em cima do próprio braço.
— Me desculpa, mas entra no jogo pra não parecermos idiotas. — suplicou Black enquanto socorria o amigo que xingava e urrava de dor enquanto encolhia o braço em direção ao tronco.
— Você quebrou meu braço, seu filho da puta! — Pontas resmungou alto.
— Você quem caiu errado, seu burro! — rebateu baixinho enquanto observava correr até eles.
— O que houve aqui? James! — ela se abaixou ao lado do irmão e não deu tempo para que ele falasse, ou choramingasse, apenas olhou para Sirius e meneou a cabeça para o mais velho, em um pedido de ajuda para levantá-lo dali.
Os dois correram de volta para o castelo em direção a ala hospitalar, onde Madame Pomfrey prestou os cuidados necessários a James que, depois de todo o sufoco, desfrutava de um sono tranquilo graças ao auxílio da poção que a curandeira lhe dera. Sirius e estavam sentados ao seu lado, em um silêncio inédito para eles, que sempre estavam se falando — seja para se provocar ou apenas em tréguas significativas e pontuais para lembrar que eram amigos.
— Você vai me contar o que realmente aconteceu, Black? — questionou a Potter enquanto cruzava os braços e o encarava com uma das sobrancelhas arqueada.
— Nós já dissemos no caminho, . — ele deu de ombros sem olhar diretamente para os olhos intimidadores dela — O burro do seu irmão tropeçou e caiu em cima do próprio braço.
— Isso foi antes ou depois de vocês resolverem espionar meu encontro?
Sirius, que até então encarava qualquer canto da enfermaria que não a garota, voltou seus olhos arregalados para ela.
— QUE? — a voz dele saíra fina e alterada — Eu não sei do que está falando.
apenas soltou uma risada longa e baixa.
— Vocês acham que sou burra para não perceber que estavam ali, escondidos atrás do banco o tempo todo, me espionando. — ela acusou com tanta certeza que Sirius engoliu seco, sem nenhum argumento bom o suficiente para se defender. — Mas na verdade eu devo a vocês um obrigado.
— O encontro não estava bom, Potter? — zombou ele, sentindo-se aliviado sem saber exatamente se era pelo fato dela não querer matá-los por espioná-la ou se era frente a perspectiva de não ter interesse algum em encontrar com Gelles novamente.
— Na verdade estava ótimo. Mas o Diggory estava entrando no bar quando o James “caiu” e... Bem... — a garota riu enquanto ajeitava a franja atrás da orelha — Digamos que eu esteja saindo com os dois e um não sabe sobre o outro, então, na verdade, vocês meio que me salvaram.
Mais uma vez Sirius arregalou os olhos na direção da garota. Por que diabos descobrira sua paixonite por agora que não podia tê-la? E por que diabos a sensação de peso no fundo de seu estômago lhe dizia que não seria nada fácil deixar de gostar dela?
Sentindo-se um idiota, mas com o gosto amargo do orgulho em sua boca, Sirius decidiu que não falaria nada para a amiga e tentou, ao máximo, se confortar de que não precisava tê-la quando podia ter qualquer garota que quisesse.
E bem, por ora, aquilo bastava.



Continua...



Nota da autora: Depois de toooodo sofrimento que foi In my soul decidi deixar o coração de vocês mais quentinho com todas as boas memórias que o Sirius tem da nossa Potter somado a alguns momentos fofinhos com a Alya.
Espero que tenham gostado, não esqueçam de comentar aqui embaixo ou pelo insta (@juscairp). Logo volto com os seis capítulos finais dessa história!
Com carinho,
Ju 🤍






Outras Fanfics:
In my head (Parte I)

In my heart (Parte II)

In my soul (Parte III)



CAIXINHA DE COMENTÁRIOS

O Disqus está um pouco instável ultimamente e, às vezes, a caixinha de comentários pode não aparecer. Então, caso você queira me deixar feliz com um comentário, é só clicar AQUI.


comments powered by Disqus