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Última atualização: 01/09/2021

Capítulo 1

O último ano em Hogwarts estava começando para . Era uma mistura de alívio e ansiedade com o futuro. Em menos de um ano, ela precisaria decidir qual profissão seguir, e, principalmente, se daria as costas de vez para o mundo trouxa. Sete anos atrás descobriu o porquê era diferente. Pouco antes de receber a carta de Hogwarts, ela se sentia estranha, sem entender porque acidentes aconteciam o tempo inteiro à sua volta.
Foi então que conheceu Severus Snape, um garoto da sua idade que também sabia levitar objetos e frequentemente sofria acidentes. Porém, Snape era o que conheceria mais tarde como uma família puro sangue, enquanto ela era uma nascida trouxa, tratada como aberração pela irmã e os pais.
Mas, apesar disso, ela ainda não estava pronta de deixar tudo para trás. No trem para Hogwarts, sua última vez indo para o primeiro dia de aula, a deixara pensativa. Severus tinha se tornado seu melhor amigo, apesar disso, eles eram de casas diferentes. Enquanto vestia com orgulho as cores vermelho e dourado da Grifinória, Snape parecia cada vez mais sombrio com seus cabelos negros e o verde escuro da Sonserina.
A comunidade bruxa sempre prezou pelos seus status. Se você pertencia a uma das famílias tradicionais, era convidado para festas, reuniões e diversas regalias. Por outro lado, se como , você fosse um nascido trouxa, precisaria se esforçar o dobro para conquistar respeito. também era amiga de Esther Scamander. Neta do famoso bruxo Newt Scamander, Esther era o oposto do que esperavam dela e, logo nas primeiras semanas em Hogwarts, se aproximou de justamente porque a garota não tinha ideia de quem era seu avô.
Agora, , Esther e Severus estavam juntos na cabine no trem. Deixando para trás uma Londres agitada e se preparando para mais um ano letivo.
— Eu não acredito que estamos no último ano. — Esther comentou assim que se sentou de frente para . O sol que batia na janela deixava a pele bronzeada da garota ainda mais em evidência.
— Ainda bem que está acabando. — Snape, já vestido com seu uniforme de Hogwarts, estava com a cara emburrada como sempre, mas parecia mais agitado do que no ano anterior.
— Severus, você está bem? — , ao lado do garoto, repousou a mão em seu braço. Um gesto de carinho que foi recebido com repúdio pelo garoto da Sonserina.
— Estou sim, .
Ela sabia que não estava, mas o garoto nunca foi de se abrir com ninguém. Às vezes escolhia para desabafar, mas ainda assim, era uma pessoa fechada. Esther nem sempre conseguia entender porque andava com o garoto. Para ela, ele era sinal de mau presságio. Mas tinha uma gratidão de anos com Severus e não seria capaz de deixar o garoto sozinho nos corredores de Hogwarts sendo alvo dos Marotos.
— Eu vou me trocar e acho que vou comprar um sapo de chocolate na volta. Querem algo? — Esther perguntou segurando as vestes com detalhes em vermelho e amarelo.
— Não, obrigada. Na volta me conta se o banheiro está vazio. — respondeu enquanto Esther abria a porta de correr do trem, permitindo que o barulho de diversos alunos adentrasse a cabine.
Assim que a porta fechou, mudou de acento se virando de frente para Severus.
Okay, o que está acontecendo? E não venha me dizer que é apenas porque você odeia Hogwarts.
— Eu não odeio Hogwarts, odeio os Marotos que fazem com que Hogwarts seja um inferno.
Os Marotos era o grupo de alunos da Grifinória liderados por James Potter. O apanhador do time de quadribol da casa de era famoso pela sua habilidade, mas também era o responsável pelas maiores pegadinhas e travessuras da escola. Se algo acontecia em Hogwarts, com certeza era responsabilidade de James Potter, Sirius Black, Remus Lupin ou Peter Pettigrew. Geralmente, os quatro estavam envolvidos.
Severus não era o único alvo dos Marotos. via como eles agiam na sala comunal da Grifinória, especialmente James. O garoto sempre usava na sua influência para pedir que outros alunos fizesse as suas tarefas, e, se algum dever de casa fosse esquecido, usava o quadribol para se safar. James era um bajulador. O charme somado a habilidade esportiva e inteligência o fazia perigoso.
Um perigo que , aos 17 anos, odiava admitir, mas lhe chamava atenção.


Já estava escuro quando o trem finalmente chegou à Hogwarts. Os alunos do primeiro ano foram direcionados para as balsas enquanto e seus amigos sentavam na carroça que andava sozinha. Esther tagarelava sobre o seu verão com o avô, que tinha sido convidado a dar um curso em Castelo Bruxo, a escola de Magia e Bruxaria no Brasil.
— Eles têm o ano escolar totalmente diferente do nosso. Acredita que nunca ouviram falar do Torneio Tribruxo? Fiz alguns amigos de São Paulo e eles prometeram vir visitar no Natal. Vovô ficou encantado com as criaturas que eles têm. Cobras aquáticas que parecem basiliscos de tão grandes, porém…
— Você teve coragem de voltar para Hogwarts, esquisito? Será que esse ano você muda ou vai continuar o ser estranho de sempre? — Pettigrew interrompeu Esther passando na carruagem ao lado.
— Deixa ele em paz, Pettigrew! — retrucou vendo Severus se encolher ao seu lado. Ela sabia que o garoto queria reagir, defender a si mesmo, mas quanto mais ele ficava calado, mais os marotos pegavam no seu pé.
— Defendendo o namorado, ? Você poderia fazer melhor, hein? — James piscou para a garota por trás dos óculos antes deles se distanciarem. sentiu seu corpo reagir à James e respirou fundo. Odiava se sentir tão atraída por ele. Odiava que, de todos os garotos de Hogwarts, tinha sido justo James Potter que ela se interessaria.
Mas também prometera a si mesma que ninguém saberia disso. Era só mais um ano. Depois disso, não precisaria ver o garoto nunca mais.



O salão estava lotado quando chegou para o jantar que iniciava oficialmente o ano letivo em Hogwarts. Ao longe, ela viu Severus na mesa da Sonserina conversando com outros alunos que ela não sabia o nome. Ou melhor, conversando não era a palavra certa, estava mais para escutando o que os dois sonserinos à sua volta discutiam de forma intensa. Ela desviou o olhar e seguiu para a mesa da Grifinória, sentando-se ao lado de Esther que continuava contando sobre seu verão.
raramente se sentia deslocada, mas o mundo bruxo não era sua casa durante as férias. A viagem mais emocionante que havia feito durante seus anos em Hogwarts foi para Disney, escutando a sua irmã a chamar de aberração durante toda a estadia nos Estados Unidos. Ela também não recebia presentes de Natal da sua família quando não ia para casa e, mesmo quando voltava, não estavam na estação King Cross para recebê-la e ela pegava um táxi para casa.
Essas pequenas coisas a fazia questionar sempre se voltaria ao mundo trouxa em maio do ano seguinte. Deixar a magia para trás não era uma opção. Era parte de quem ela era e ignorar seria ignorar ela mesma.
— Ei, ! Como está sua grade esse ano? — Remus Lupin perguntou quando os Marotos se sentaram à mesa. James e Sirius em sua frente se serviam de uma quantidade absurda de comida. Ela revirou os olhos e se virou para responder Remus. O garoto de cabelos cor de palha e olhos assustados segurava um pergaminho com uma letra rebuscada. Dos quatro, Lupin era quem mais gostava. Ele entrava nas pegadinhas de James, porém sempre estava preocupado em ajudar outros alunos. Além disso, Remus e mantinham uma disputa amigável pelas melhores notas da turma.
— Esther está me obrigando a fazer Trato de Criaturas Mágicas de novo. Minha semana começa ali e em seguida uma aula de Transfiguração.
— Ei, também estou em Transfiguração no segundo horário da segunda. — James entrou na conversa exibindo o seu pergaminho com uma letra bem mais ilegível do que a do amigo. — Pelo visto você terá que me aturar toda segunda-feira, .
— É…
Por sorte de , o diretor de Hogwarts, Alvo Dumbledore, começou o seu tradicional discurso de início de ano letivo. Primeiramente dando boas-vindas aos alunos veteranos e recebendo os alunos do primeiro ano para seu teste do Chapéu Seletor. ainda se lembrava do seu ano. Ela e Severus já se conheciam, e, quando ela foi para Grifinória e ele para Sonserina, o garoto ficou algumas semanas sem conversar com ela.
Em um mundo novo que ela ainda não compreendia, aquele primeiro mês ainda era uma lembrança confusa para ela. Felizmente, Esther tinha se aproximado dela na sala comunal da Grifinória e não a abandonara desde então. Os Marotos não concordavam com a amizade de com o menino sonserino, mas também gostavam de , principalmente Remus. Os dois sempre disputavam quem era o melhor nas aulas, somando pontos para a Taça das Casas.
Naquela noite, ela foi para a sala comunal com os amigos, sem se despedir de Severus. O garoto apenas a observou indo embora sem olhar para trás. Talvez Evan Rosier e Kevin Parkinson estivessem certos e estava na hora dele deixar sua amiga ir.


Capítulo 2

James estava sentado em um dos sofás da sala comunal da Grifinória no primeiro sábado à noite em Hogwarts. O livro de feitiços estava aberto em seu colo, mas sua atenção estava para a janela que refletia alunos de diversas idades colocando conversa em dia, jogando xadrez bruxo ou apenas colocando em dia os deveres de casa da semana. Seus amigos conversavam sobre os planos para o ano seguinte, mas James só conseguia pensar que mais uma lua cheia se aproximava.
Ainda em seus primeiros anos de Hogwarts, os Marotos descobriram que Lupin era um lobisomem. Condenado a se transformar em uma besta toda noite de lua cheia, Remos Lupin quase não pôde se matricular na escola. Entretanto, o Professor Dumbledore autorizou a matrícula do garoto que se trancava na casa dos gritos todo mês, aguardando ansiosamente a transformação indesejada.
Porém, James, Sirius e Peter não queriam deixar o amigo sozinho. Depois de horas na biblioteca, revirando infinitos livros de feitiços, James teve uma ideia que parecia absurda, mas que, por sorte, seus amigos o acompanharam. Eles se tornaram animagos.
Como simples alunos, eles não poderiam estar fora da cama após o toque de recolher, entretanto, se não fosse visto como alunos, não poderiam ser punidos por Filch. Porém, isso não significava que poderiam dar bandeira. Em uma véspera de Natal que o grupo passara na escola, Sirius Black teve uma ideia que solucionaria não apenas as saídas noturnas, como também seria útil para atividades acadêmicas alternativas: um mapa mágico com todo o território de Hogwarts que marcava onde cada pessoa estava na propriedade. Com o tempo, eles passaram a chamar o mapa de Mapa do Maroto, e ele jamais deveria ser usado para nada menos que atividades pouco tradicionais.
Os Marotos sempre tentaram colocar fogo na escola, tanto figurativa quanto literalmente, mesmo que Peter jurasse que o pequeno incêndio na sala de Poções que deixou o cabelo de Severus Snape chamuscado no quinto ano tenha sido acidental. E, sempre que saíam escondidos e completavam uma missão, eles confirmavam dizendo “malfeito feito”.
Dessa forma, o Mapa do Maroto teria dois comandos: juro solenemente não fazer nada de bom para visualizar o mapa e malfeito feito para apagar o conteúdo do pergaminho e confundir desavisados.
— Terra para James! — Remus passou a mão na frente do rosto do garoto de cabelos escuros — Tá tudo bem, cara?
— Ah, sim. Estava pensando que é quase lua cheia de novo.
— E nada que você precise se preocupar. Não é como se não tivéssemos feito isso antes.
— Eu sei. É só… Fiquei pensando como vai ser ano que vem. Quando não estivermos mais em Hogwarts.
— Acho que esse é o maior dilema, né? — Petter Pettigrew era um garoto pequeno, sempre com feições animalescas e um cabelo ralo, mas, justamente por isso, passava despercebido nos corredores da escola — Passar no NIEM’s parece ser fácil comparado a essa escolha.
— Eu quero ser professor. — Lupin tinha uma firmeza na voz que poucos adolescentes de 17 anos teriam. — Não sei como e se Dumbledore vai me aceitar, mas quero dar aulas.
— Combina com você. — Sirius afirmou com um sorriso no rosto.
— Eu quero ser auror. Mas também penso em seguir jogando quadribol. — James sabia que queria fazer algo grande, mas gostava de muitas coisas para perseguir uma só.
— Ainda tem tempo. Você vai se decidir. — Remus apertou o ombro do amigo antes de voltar para o dever de casa.
James voltou a se concentrar no seu pergaminho. Existia tantas coisas além dos muros de Hogwarts e ele não via a hora de conhecer cada uma delas. Um burburinho vindo do dormitório das meninas chamou atenção dos Marotos, e James levantou a cabeça no momento em que entrava na sala comunal. O cabelo ruivo com a franja presa em duas tranças finas e os olhos verdes analisando cada centímetro do ambiente. James quis chamá-la para sentar com eles, uma tentativa falha de se aproximar dela mesmo sabendo que, na verdade, rejeitava tudo que os Marotos significavam. Mas antes que ele pudesse abrir a boca, a garota optou por se sentar perto da lareira com alguns alunos que estavam mais interessados do dever de casa do que ele.
Então James percebeu que ainda tinha muitas coisas interessantes dentro do muro de Hogwarts, e faria aquele ano valer a pena.



Na segunda-feira seguinte James se arrastava até a aula de Transfiguração. Era a única aula que não dividia com o restante dos marotos, e também a sua pior matéria. James Potter poderia não ser um aluno brilhante como , nem se interessar pelos estudos como Remus, mas ele era inteligente o suficiente para passar com uma nota razoável que o deixasse escolher uma profissão bruxo confortável, mesmo que dinheiro não fosse um problema para os Potter.
Sua parte favorita de Hogwarts era o quadribol. James roubava a cena como apanhador da Grifinória, tendo conquistado a taça por três anos consecutivos. Ele gostava da sensação do vento no rosto enquanto a vassoura voava em alta velocidade, da adrenalina em disputar uma parte e da concentração que ele precisava ter para apanhar o pomo de ouro.
Transfiguração, por outro lado, não era as suas melhores notas. James era o tipo de aluno movido pela conveniência. Por causa de Remus, James, Peter e Sirius haviam se transformado em animagos, um feitiço que dava a habilidade para bruxos e bruxas se transformasse em animais. Era um feitiço complexo, que Sirius tinha executado com maestria e orientado Peter e James. Mas, aparentemente, Potter conseguia se transformar em um veado durante as noites de lua cheia, mas uma caixa de sapato se tornar um abajur era um assunto complicado. E, para piorar, os trabalhos e provas teóricas desmotivavam o garoto.
Mas ele tinha prometido a si mesmo aproveitar o seu último ano em Hogwarts. Por isso, ao entrar na sala da Professora Minerva McGonagall, James escolheu um dos assentos na primeira fileira. A professora entrou na sala na sua forma de gato, e os alunos não se assustaram quando uma senhora de nariz pontiagudo e um chapéu apareceu na frente da turma.
— Bom dia, alunos! Espero que vocês estejam animados para esse novo ano de muitos aprendizados. A disputa da Taça das casas estará ainda mais acirrada e as notas de vocês irão influenciar no resultado final. — a professora, responsável pela Grifinória, olhou bem para James, o principal culpado em perder pontos para a casa — Nossas avaliações este ano também serão diferentes. No próximo ano, muitos de vocês estarão entrando para o Ministério e outros lugares em empregos que possuem exigências muitos maiores do que veem em sala de aula. E, para isso, muitas vezes precisarão trabalhar em equipe. Um bruxo pode conhecer diversos feitiços, mas, no mundo real, não basta saber executar um feitiço da maneira correta.
Alguns alunos começaram a se encarar, já pensando em parceiros e as horas que passariam na biblioteca mais conversando do que estudando em si. Mas, antes que alguém pudesse se levantar e transformar a sala de aula em uma zona, Minerva buscou um saquinho verde escuro, que deixou James especialmente intrigado.
— Para formar nossas duplas, eu vou fazer um sorteio. Potter, o senhor poderia me ajudar? — James se levantou, indo sem graça até a professora. — Você vai pegar uma pedrinha e ler o nome que está escrito nela.
A primeira pedra tinha um formato ovalado e esverdeada, dentro, escrito no que parecia ser um grãozinho de arroz, tinha um nome. Cada vez que o garoto sorteava uma pedra, um formato diferente saía dali, até que os formatos começaram a se repetir, formando as duplas sem que os alunos pudessem escolher.
A pedrinha com o nome de James era um cubo azulado, e, a cada pedrinha que ele tirava do saquinho, mais ansioso ele ficava em descobrir quem seria a sua dupla. Desejava que Sirius estivesse naquela disciplina, mas o maroto cursava as aulas avançadas de transfiguração, tendo dominado a arte muito mais jovem do que a maioria dos bruxos.
A dupla de James foi justamente a última pedra a ser sorteada. Com o coração batendo forte, entregou para a McGonagall ler o nome da garota, mesmo que por exclusão, James soubesse muito bem quem seria a sua dupla.
e James Potter.

Capítulo 3

saiu da sala com o coração acelerado. Ela sentia seu rosto ficando vermelho, mas não saberia dizer se era de raiva ou apenas pela presença de James Potter.
. — Ela escutou o garoto a chamar, mas simplesmente continuou andando sem olhar para trás. Certo, ela teria que trabalhar com ele naquele ano. Mas talvez se ela conversasse com McGonagall ela conseguisse trocar de dupla. Era isso que ela faria, conversaria com a professora.
! — Potter continuava gritando pelo corredor, alcançando a garota antes dela subir as escadas que levavam a sala comunal da Grifinória. Ela pensou mesmo que poderia fugir dele? — Olha, eu sei que você não gosta de mim, mas preciso melhorar minhas notas esse ano. Eu não vou te decepcionar.
Por um segundo se perguntou se aquelas últimas palavras eram apenas por causa do trabalho ou teriam outro significado. “Foco, ”, pensou.
— Não se preocupe, Potter. Eu posso fazer o trabalho e coloco o seu nome. Suas notas não vão ser prejudicadas.
Ela deu as costas mais uma vez e, se permitindo sumir entre os demais alunos que iam em direção ao Salão Principal, se afastou. James colocou os óculos no lugar, apenas observando a garota se afastar, sem saber como poderia mostrar para ela que ele não era o babaca que ela pensava.
segurou os livros contra o peito e começou a sentir sua respiração ficar curta. Ela odiava quando essa sensação vinha. Todos olhavam para e pensavam que ela tinha toda a autoconfiança do mundo. Mas a verdade era que a garota se questionava todos os dias. Se questionava porque nascera diferente, o que a levava até aquele mundo tão longe da sua casa. Ela amava magia, amava Hogwarts, mas constantemente se sentia errada em estar ali, como se fosse uma intrusa em um mundo que não era seu.
! — Ela olhou para trás quando ouviu seu nome. Parou de andar quando viu Severus a alcançando. — , o que aconteceu?
Ela não queria conversar sobre isso, mas sabia que não poderia fugir do garoto que, por muitos anos, fora seu melhor amigo. Ela puxou o garoto para um corredor menos abarrotado e olhou em seus olhos escuros, tão familiares e ainda assim distantes.
— Eu nunca falei isso para ninguém e se você contar, direi que estava sobre uma maldição.
— O que foi, ? Você está me assustando.
— Eu estou apaixonada por James Potter.
falou aquelas palavras em um único fôlego. O alívio que sentiu em finalmente admitir seus sentimentos pelo apanhador da Grifinória não parecia real. Severus, por outro lado, não conseguia processar aquela informação. Encarava a garota com uma expressão impassível em seu rosto.
— Severus? Fala alguma coisa, por favor!
, você não está apaixonada pelo Potter.
— Então como você explica as borboletas no estômago que sinto todas as vezes que ele se aproxima? Eu odeio isso.
— Ele é um babaca.
— E você acha que eu não sei? — Ela levantou uma sobrancelha, começando a ficar irritada com o amigo.
Ela sabia que Severo Snape e James Potter não se davam bem. Mas o amigo da sonserina não dava bem com quase ninguém na escola e, ainda assim, nunca saiu do seu lado. Mesmo quando os colegas de casa dele implicam com ela por ser nascida trouxa.
— Você não está apaixonada por ele, . É impossível. — Snape falou tão baixo que a garota quase não ouviu. Ele começou a se afastar, ainda em choque.
A reação do melhor amigo não ajudou em nada no sentimento ruim que a grifinória sentia. escorou na parede e decidiu ir atrás de McGonagall. A professora iria trocar a dupla dela. Não tinha a mínima condição dela passar o seu último ano em Hogwarts ao lado de James Potter.



lia um livro para o dever de poções ao lado de Esther, que não parava de reclamar sobre a quantidade de dever de casa ainda na primeira semana de aula. Era sexta à noite e, ao invés de irem para Hogsmeade, elas estavam colocando os deveres em dia. Esther não queria estar ali, , por outro lado, estava agradecendo os professores por deixar sua mente ocupada. Exceto Minerva McGonagall.
A garota tentou convencer a professora que James não seria uma boa dupla. Que ele iria atrapalhar o seu desempenho na disciplina e que não era justo estragar um currículo brilhante no último ano dela na escola.
A professora, entretanto, tinha sido categórica: o sorteio das duplas não poderia sofrer alterações e ela precisaria aprender a trabalhar com James Potter.
— Oi, ! — Remus sentou-se ao lado da ruiva, ele mesmo abrindo seu pergaminho.
— Oi, Lupin! — agradeceu mentalmente a interrupção por Esther ter ficado quieta. A garota sempre se encolhia quando os marotos estavam por perto. Esther era uma bruxa maravilhosa, mas tinha interesses peculiares. Não que alguém fosse esperar algo diferente da neta de Newt Scamander. — Muito dever?
— Mais do que eu gostaria. Fiquei sabendo que você deu um fora no Potter. — se sentiu enrubescer, mas Remo sorria em uma expressão travessa. — Tô brincando, ! James contou que vocês saíram juntos no projeto de transfiguração. Eu sei que você deve estar com receio, mas Potter é muito melhor do que ele se mostra nesta matéria.
— Eu só acredito vendo.
Lupin sorriu e piscou para a garota. Ele tinha certeza que, se ela visse, daria mais valor para o apanhador. E, como se alguém tivesse feito um feitiço convocatório, James Potter entrou na sala comunal na companhia de Sirius Black. A imagem dos dois grifinórios juntos era um contraste: James exibia uma energia brilhante, marcada por seus olhos claros e um sorriso sarcástico que não saia de seus lábios. Sirius, por outro lado, tinha os cabelos escuros nos ombros e os olhos sempre pareciam esconder algum segredo e, aos olhos de , o rapaz sempre tinha essa presença constante e quieta na sala. Quase como se não quisesse chamar atenção. Esse papel era todo de James Potter.
, Scamander. — James puxou uma cadeira para o lado de e a virou para apoiar os braços no encosto.
— Potter. — fechou o rosto, tentando esconder a reação que seu corpo traidor tinha toda vez que James estava presente. Ela escutou os garotos conversando com Esther, mas não estava prestando atenção. Sentiu o olhar de James sobre ela enquanto encarava o seu pergaminho tentando, sem sucesso, se concentrar.
— Fiquei sabendo que McGonagall não aceitou trocar as duplas. Pelo visto você vai ter que se contentar comigo. — James falou em um tom mais baixo, para que apenas ouvisse e ela arrepiou o corpo inteiro. Ela odiava o quanto que aquele garoto a afetava, odiava que permitia que James fizesse isso com ela, odiava em saber que ele não era o garoto certinho que ela sempre pensou que se apaixonaria.
Por que tinha que ser James? Remo Lupin seria uma escolha muito mais fácil. Eles eram amigos, ele também gostava de estudar e raramente chamava a atenção para si. Mas não, de todos os garotos em Hogwarts tinha que ter sido justo James por quem se apaixonaria.
Justo o único garoto que ela não poderia ter.
— É… — Ela começou a juntar suas coisas e se despedir dos amigos. Aquele dia já tinha dado o que tinha que dar.
— Então, quando podemos começar? — James saiu atrás dela quando se afastou.
Ela respirou fundo e se virou para olhar em seus olhos. Ela sabia que os dois eram a atenção de toda a sala comunal da Grifinória. Ela sentia o peso do olhar das garotas que queriam um pedacinho de James para si. Sentia o olhar dos garotos, curiosos sem entender o que e James Potter faziam juntos. até mesmo viu uma das garotas se sentando em uma das poltronas mais próximas fingindo ler um livro para tentar ouvir o que eles conversavam.
— Amanhã, às 7 da manhã na biblioteca.
— Mas tem treino de quadribol. — James tentou argumentar. Ele não se importaria de acordar cedo para passar mais tempo com , mas a primeira partida contra a Sonserina se aproximava e James sabia que o time precisaria de muito treino se pretendiam levar a taça. E James não iria se formar sem conquistar mais uma taça para sua casa.
— Você é o capitão. Se vira.
E deixando a última palavra no ar, segurou seus livros e subiu em direção ao dormitório das garotas. Seu coração batia em uma velocidade que ela não achava que fosse possível. E, com a imagem do rosto de James Potter consternado, ela se deitou, ansiosa para o dia seguinte.

Capítulo 4

James acordou sem saber aonde estava. Tinha tido sonhos estranhos durante a noite, imagens sem nexo e um grito agudo o tinha feito acordar. Buscou seus óculos na cabeceira e viu que estava no seu dormitório. Lupin, Sirius e Peter dormiam tranquilamente e James se lembrou que aquela seria a última noite em paz na semana. O calendário lunar pendurado no quarto dos garotos mostrava que aquela sexta-feira seria a primeira lua cheia que os marotos estariam em Hogwarts. Seria um longo dia e uma noite mais longa ainda.
Por sorte, James viu que o sol começava a nascer ainda. Ele teria alguns minutos antes de ir para biblioteca encontrar e, por sorte, conseguir pegar o final do treino de quadribol. James confiava em Sirius, mas não seria um bom capitão se não saísse dele as iniciativas de mudanças na equipe.
Trocou de roupa em silêncio, vestindo o uniforme de quadribol por baixo da capa. Mesmo que perdesse o treino, James treinaria manobras sozinho. Era seu programa de sábado à tarde todo fim de semana que não tinha jogo. Mas era claro que teria outras ideias de diversão para o fim de semana.
O corredor em direção a biblioteca ainda estava escuro, o sol fraco não chegava até ali. Poucos alunos andavam no corredor, cedo demais para irem a qualquer lugar que não fosse o salão comunal. James sentiu o estômago roncar mas sabia que, quando antes terminasse o trabalho, mais cedo poderia se preparar para noite que viria a seguir.
Sentada em uma mesa distante, o garoto viu os cabelos ruivos da colega grifinória presos em um laço de fita delicado. parecia concentrada no livro a sua frente, alheia que fosse apenas sete da manhã.
— Sabe, estudar tanto assim não deve ser saudável. — James falou ao puxar a cadeira na frente da garota.
tomou um susto e enrubesceu ao perceber o garoto a sua frente. James exibia o sorriso arrogante de sempre. era a garota mais bonita da escola e a única que James tinha certeza que nunca olharia duas vezes para ele. Apesar de serem da mesma turma e da mesma casa, James acreditava que fosse de outro universo.
E, de certa forma, ela era.
— Bom dia, Potter. — a garota o cumprimentou com uma expressão fechada em seu rosto, logo voltando seu olhar para o material a sua frente. — Eu já separei alguns livros que vamos precisar e pensei em dividirmos as leituras. Para o desafio criativo no final do semestre eu estava pensando em algo desafiador, mas
— Um animago. — James ajeitou os óculos assim que os olhos verdes de encontrou com os seus. Os lábios rosados levemente entreabertos e James odiou que uma das enormes mesas da biblioteca estivessem entre eles.
— Não podemos nos transformar em animagos sem autorização do ministério, James. Esse é o tipo de coisa que você saberia se prestasse atenção nas aulas.
— Se você diz. — James deu de ombros e sorriu.
Ele tinha certeza que se soubesse o que ele e os amigos fariam naquela noite, ela pensaria duas vezes antes de seguir as regras.
— Como estava falando, eu quero muito pensar em algo desafiador e legalizado para o trabalho final. — colocou uma mecha atrás da orelha e estendeu um pergaminho — Pensei em algumas opções, mas até agora minha melhor ideia foi modificar um livro da sessão restrita como um livro trouxa.
— Isso é idiota.
James! — Seu nome na voz da garota, mesmo que o tom tenha sido negativo, fez o garoto se sentir mais nervoso do que antes da final de quadribol.
, você é inteligente. Eu sou criativo. Tenho certeza que podemos pensar em algo melhor do que um livro.
— Tá bom. — Ela recostou na cadeira cruzando os braços. — Quais são as suas sugestões?
James olhou ao redor para ter certeza que estavam sozinhos. Ainda estava cedo para alunos estarem na biblioteca, porém todo cuidado era pouco. Se inclinou sob a mesa e sussurrou para a garota.
— Eu sou um animago. Não é tão difícil assim e, eu sei, você não faria algo ilegal e correr o risco de perder sua varinha, porém podemos pensar em algo com o mesmo princípio. — olhava para James surpresa. De todas as coisas que ele poderia ter dito a ela, jamais pensou que seria um segredo desse tamanho.
— Como? — a voz dela estava fraca e James podia ver em seus olhos que ela tentava processar o que ele tinha dito. Porém ignorou sua pergunta e contou sua ideia.
— E se disfarçarmos um animal como um objeto ou pessoa?
— Não é verdade. — foi a vez dela ignorar a pergunta dele. James era o pior aluno em transfiguração. Como ele poderia ser um animago?
— Se você diz. — Ele deu de ombros. — Podemos voltar para o trabalho?
Ele deu um sorriso pela ironia.
— Ok. Vera Verto é algo do segundo ano, James. — se recordou do simples feitiço que James sugerira.
— Sim. Mas não um animal em pessoa.
— Você não está pensando em transformar a pobre da Madame Noora, né?
— Olha, eu estava pensando em algumas das corujas da escola, mas agora que você falou talvez transformar a gata em uma namorada para o Filtch não seja uma má ideia.
James! o repreendeu. Justo quando ela achou que estavam chegando a algum lugar. — Esquece essa ideia. Vamos pensar em algo que nenhum bruxo ou animal saia modificado.
James sorriu para e a garota começou a gargalhar. O rapaz logo a acompanhou. Nenhum dos dois sabiam o exato motivo que estavam rindo, mas era impossível parar.
— Silêncio! — a bibliotecária chamou a atenção dos dois, apesar de ainda estarem sozinhos.
pediu desculpa quando eles finalmente pararam de rir. James ainda secava as lágrimas em seus olhos quando escutou seu estômago roncando.
— Acho que podemos encerrar por hoje. — entregou uma das pilhas de livros para James — Adiante essas leituras e conversamos durante a semana.
— Combinado. — James segurou os livros, pensando que ainda dava tempo de buscar sua vassoura no dormitório e ir para o treino.
— James. — o chamou quando ele começava a se afastar. — Bom treino.
Ela sorriu e voltou para o pergaminho em que estava trabalhando. James sorriu e saiu da biblioteca mais leve. causava nele sensações que não sabia explicar, mas, sobretudo, ela lhe trazia paz.
E ele faria tudo que pudesse para ter aquela paz em sua vida.

...


— Eu não acredito que você contou para a , Prongs. — Padfoot andava à frente do grupo pelos canteiros de Hogwarts. Já estava começando a escurecer e os Marotos precisavam chegar à Casa dos Gritos antes que a lua nascesse.
Moony estava calado como sempre ficava em noites de lua cheia. Ele odiava o que ele era, a dor que era obrigado a sentir, as mentiras que precisavam contar. As leis que seus amigos quebravam todo mês para não o deixar sozinho. Parecia idiota escutar Padfoot e Prongs discutir por causa de uma garota, mesmo que essa garota fosse .
— Foi sem querer! — Prongs ajustou os óculos apressando o passo para encontrar Padfoot. — A gente estava discutindo a tarefa e deixei escapar.
— Nós dois sabemos que não foi sem querer. Tudo que você mais quer é impressionar .
— Eu honestamente não sei o que vocês veem naquela garota. — Wormtail levava uma quantidade de comida exagerada que havia buscado na cozinha. Moony nunca entendeu a necessidade do amigo comer tanto, principalmente porque ele era o menor deles: tanto como bruxo quanto como animago.
— É porque você nunca se apaixonou, igual nosso amigo Prongs está apaixonado. — Moony se junto a conversa, tentando rir do amigo que estava nitidamente sem graça.
— Eu não tô apaixonado. — Prongs não hesitou em responder.
— Não, eu quem estou. — Padfoot respondeu e Moony de repente se sentiu nervoso.
— Será que a gente poderia parar de falar da e pensar em quais as estratégias para hoje à noite? — Moony já estava nervoso o suficiente com a primeira lua cheia do ano letivo para pensar em outra coisa.
Os garotos entraram no Salgueiro lutador, tomando cuidado para não serem vistos mesmo com a vigia de Prongs e sua capa da invisibilidade. O caminho pela passagem secreta não era longo, mas a escuridão deixava ainda mais denso a passagem. Nenhum dos quatro marotos conversavam, escutando apenas os passos e o barulho de Wormtail mastigando. Às vezes o garoto fazia jus a sua forma animaga.
Entraram na casa por em alçapão no chão da sala. As janelas e portas eram lacradas com feitiço e Prongs era o responsável por isolar aquela entrada também. Na maioria das noites, os garotos conseguiam manter Moony preso na casa, mas eventualmente eles se perdiam na floresta na forma animaga, buscando não deixar o amigo sair do controle.
Eles se sentaram no chão da sala, Wormtail entregando muffins de blueberry para cada um dos amigos. Prongs e Padfoot jogavam uma partida de xadrez bruxo, único artefato que tinha na casa, e aguardaram.
Como sempre, Moony ficava em silêncio. Aguardava a lua subir no céu se questionando se aquela seria a noite que ele teria sorte e não se transformaria. Mas, infelizmente, a sorte ainda não estava ao seu lado.
— Está vindo. — Moony falou em uma voz grossa, já sentindo a transformação se iniciar.
Wormtail e Prongs rapidamente usaram a varinha para assumir suas formas animagas, um rato e um cervo, respectivamente. Padfoot ainda ficou um tempo apenas olhando para Moony.
— Vai ficar tudo bem. — disse olhando nos olhos amarelados do amigo.
E, o olhar escuro de Padfoot se transformando em um belo cachorro escuro foi a última coisa que Moony viu antes de sentir a maldição tomar conta do seu corpo.

Capítulo 5

Todo sábado em Hogwarts era um alívio para James. Adepto a postergar as suas atividades escolares até o último minuto possível, os sábados sempre era regados de brincadeiras, quadribol e encontros sem compromisso em Hogsmeade.
Naquele sábado em especial James estava eufórico. Iria passar a manhã na sala comunal com Sirius discutindo jogadas para o jogo da tarde e então chegaria a hora do apanhador da Grifinória brilhar.
A estreia do time de quadribol seria contra a Sonserina e, se tinha algo que James gostava mais do que ganhar um jogo, era ganhar contra o time da casa rival. Desde que os Marotos haviam entrado em Hogwarts, as duas equipes disputavam a Taça. Nem sempre elas levavam a taça das casas, tendo a Lufa Lufa ganhado duas vezes e a Corvinal uma ao longo dos últimos seis anos.
Porém, no ano anterior a casa de Salazar Slytherin tinha conquistado a Taça das Casas. Aquele seria o último ano de James em Hogwarts e ele queria a dobradinha: Taça de quadribol e a Taça das casas. Para isso, ele sabia que precisava motivar os alunos mais novos a terem boas notas e garantir uma performance impecável no campo.
— Ouvi que eles estão com um apanhador novo. — Sirius comentou por cima do croissant que estava esquecido no seu prato.
— O garoto deve ser do segundo ou terceiro ano, não? — James tomou um gole do seu suco de abóbora. O garoto era conhecido por comer mais do que aguentava durante os banquetes de Hogwarts, porém em dias de jogo ele tinha uma rotina que seguia rigorosamente: acordar, calçar suas meias antes do uniforme, limpar o óculos na pia esquerda do banheiro masculino do segundo andar, tomar apenas um suco de abóbora no café da manhã e ir para o vestiário sem falar com ninguém. Apesar de Potter ser o capitão da equipe, era Sirius que sempre fazia o discurso de incentivo aos colegas.
Por fora James era um garoto animado, sempre fazendo piada nos momentos certos — e às vezes nos errados também, um sorriso constante no rosto e uma língua afiada. Porém, o garoto era cheio de manias, nunca acreditava em si mesmo — apesar de fingir bem — e podia ser um pouco metódico. Poucas pessoas conheciam de fato quem era James Potter, e entre elas estavam Sirius Black e Remo Lupin.
— Eu não estou gostando nadinha da forma que eles estão olhando para cá. — Lupin, que estava sentado ao lado de Sirius, se aproximou do garoto tentando se esconder dos olhares furtivos dos alunos da Sonserina.
James se virou para encarar Carrow, o capitão do time da Sonserina que nem sequer disfarça que estava fuzilando o garoto. James deu de ombros e voltou para seu suco de abóbora.
— Eles nunca me intimidaram antes, não vai ser agora que eles vão começ… — Potter não terminou de falar, pois escolheu esse momento para entrar no salão principal.
O sábado estava ensolarado e, como nos fins de semana os alunos poderiam deixar as vestes do uniforme no malão, a garota ostentava uma regata florida por baixo de um macacão de calça preto que contrastava com seus cabelos castanho avermelhados. James poderia não se intimidar com os colegas de quadribol, mas ele sentiu seu coração perder uma batida ao ver a garota se aproximar.
— Bom dia, Lupin! — Ela se sentou ao lado do amigo e foi só então que James reparou que não estava sozinha. O amigo lycanthrope também estava mais arrumado do que deveria para um jogo de quadribol.
— Oi, ! Tudo certinho para nosso passeio?
— Sim! Esther vai encontrar com a gente no caminho. Ela foi à casa de Hagrid ajudá-lo com alguma criatura que solta fogo. Ou seria pus? De qualquer forma, ela vem depois.
— Aonde vocês estão indo? — Black perguntou, para o alívio de James que lutava em controlar sua curiosidade e ansiedade.
quer uma ajuda no dever de Defesa Contra as Artes das Trevas e como vocês tem jogo, eu me ofereci de cobaia. — Lupin recebeu um olhar assustado dos amigos. James estava boquiaberto e Sirius mantinha as duas sobrancelhas erguidas. Ele sabia muito bem o que eles estavam pensando, mas Remo estava gostando de se divertir à custa dos amigos.
— Cadê o Peter? — olhou em volta procurando pelo quarto maroto e só então que Black e Potter perceberam a falta dele.
— Não vejo o Peter desde ontem. — Sirius franziu a testa e James mais uma vez deu de ombros. Ele também não se lembrava de ter visto Peter na hora de dormir, mas tinha um jogo para focar. Encontrar Rabicho seria uma missão para mais tarde.
— Estranho, Severus também não está na mesa da Sonserina. — apertou os olhos tentando ver na mesa mais distante do salão.
— Meu irmão também não está ali. — Black comentou, se referindo a Regulo, o caçula dos Black.
— Eu não acredito que vocês não vão ao jogo. — E da mesma forma que o assunto tinha surgido, o sumiço dos garotos foi esquecido pela voz ansiosa de James.
— Tem coisas mais importantes na vida do que quadribol, Potter.
— Tem coisas mais importantes na vida do que estudar, .
e James ficaram se encarando, a tensão entre eles intensificando e uma disputa silenciosa de quem perderia o jogo estava jogada ao ar. Lupin trocou um olhar com Sirius que se levantou da mesa chamando os demais jogadores do time da Grifinória e apressando seu capitão.
No caminho para o vestiário, James voltou a ficar em silêncio. E, enquanto Sirius pensava aonde Regulo teria ido, James só conseguia lembrar de deslumbrante em seu macacão escuro e regata florida desejando que ela tivesse se arrumado para ele e não para o amigo.

O grito das torcidas mudou o humor de James. Ele estava sentado no seu canto do vestiário, de olhos fechados, apenas visualizando o pomo do ouro no campo, percorrendo mentalmente todo o trajeto que em breve ele faria em sua vassoura. Porém um certo sorriso e olhos verdes o distraía da bolinha dourada.
James poderia mentir para si mesmo, mas não tinha um dia que ele não pensava em . A garota era irritante, andava com as pessoas erradas, sempre o criticava e desprezava tudo que ele fazia. Mas ainda assim era nele que ele pensava todos os dias antes de dormir e assim que acordava.
E também sabia que ela seria a última, ou talvez a única, garota de Hogwarts com quem ele jamais teria chance.
Potter sempre achou que acabaria ficando com Severus, que ela fosse perceber quanto o garoto era obcecado por ela e arriscar, porém ele estava feliz em saber que ela estava saindo com Remo. O amigo era tão inteligente quanto ela e, se era para perder para outra pessoa, que fosse alguém que ele confiava.
— Cinco minutos! — Madame Hooch gritou do corredor que separava as duas tendas que funcionavam como vestiário.
James se assustou com o aviso, percebendo que pela primeira vez em sete anos, ele não tinha conseguido focar seus pensamentos no jogo. Sirius se levantou para o tradicional discurso, mas Potter fez sinal que hoje, ele quem iria falar.
— Sei que esse é o último ano de muitos de vocês e que terminar o ano com a Taça de Quadribol nas mãos seria fechar o ciclo que é Hogwarts com chave de ouro. Porém, há mais coisa na vida do que o quadribol. Maiores até do que Hogwarts! E, apesar de também querer vencer, eu quero que vocês se divirtam. Cheguem naquele campo e voem com um sorriso no rosto. Marquem com vontade, defenda com uma risada e não deixem que os jogadores da Sonserina te irritem. Esse é apenas o primeiro jogo de um longo ano que temos pela frente.
Sirius sorriu pelo capitão e se levantou, motivando sua equipe a pegar as vassouras e seguir para o campo.
— Que seja um grande jogo, pessoal! — Black e Potter eram os últimos na tenda. James olhou para Sirius que tinha um leve sorriso no rosto.
— O que foi? — A ironia na voz de James não passou despercebida por Black.
— Nada. To só observando você todo irritadinho porque a resolveu sair com o Moony.
— Eles não estão saindo! Lupin falou que ela pediu ajuda com dever de DCAT. Só isso. — James pegou sua vassoura e deu as costas para o amigo que continha uma risada.
— Se você está falando… — Black saiu atrás de James pela pequena porta da tenda e quase esbarrou no amigo que parou abruptamente. — O que…
— Carrow.
— Potter. Está preparado para perder?
— Não tanto quanto você. — James se aproximou do capitão da Sonserina, o punho direito fechado pronto para se defender. Era proibido usar magia contra outro aluno e James já tinha ganhado o número de detenções o suficiente por isso, porém ele não apanharia sem se defender.
Por sorte, o restante do time da Sonserina saiu do seu vestiário e levou o capitão para o campo.
— Régulo? — Potter escutou a voz de Sirius e se virou para ver o Black mais novo com o uniforme de quadribol da sua casa.
— Oi, Sirius. James.
— O que você está fazendo? — Sirius olhava para o irmão como se ele fosse um ser extraterrestre. Em todos esses anos o garoto não demonstrou a mínima vontade em jogar quadribol e preferia passar o seu tempo estudando feitiços e alquimia.
— Sou o novo apanhador da Sonserina ou, como Carrow gosta de chamar, sua arma secreta. — Ele sorriu para o irmão antes de se virar para o capitão da grifinória. — Nos vemos no campo, Potter.
James e Sirius ficaram parados olhando o Black caçula se encontrar com seu time na porta do estádio.
— O que eu preciso saber sobre as habilidades de voo de Régulo?
— Que eu saiba, Régulo só subiu em uma vassoura para passar nas aulas de voo.
Os amigos se encararam, Potter tentava revisar todas as jogadas que tinha combinado com sua equipe e reavaliar o que seria possível com um novo apanhador que conhecia a sua equipe melhor do que ele desejava. James sabia que provocar Sirius não era difícil e que, se seu amigo reagisse contra o adversário, era o fim da competição que nem tinha começado.
— Potter! Black! Vocês vão ficar ai parados ou vão vir jogar? — Hooch gritou e James e Sirius correram para entrada do estádio que os grifinórios se concentravam.



James levantou voo assim que o apito soou. Como sempre, ele deu uma volta no campo, apenas alguns metros mais acima que os outros jogadores, observando não só o pomo de ouro, como também a dinâmica de seus jogadores.
Não demorou para Sirius marcar um gol, entretanto um dos atacantes da Sonserina estava atento e logo empatou. James confiava na sua equipe, mas tudo que ele queria era pegar o pomo e acabar logo com o jogo. A imagem de com Lupin não saía da sua cabeça e ele estava começando a ficar com raiva de como mexia com ele.
Por um segundo ele se distraiu, e então viu Régulo se movimentando com maior velocidade ao leste do campo. Não era possível que ele já tivesse avistado o pomo. Ainda estava muito cedo. James se aproximou ainda com alguns metros de distância do apanhador sonserino, forçando as vistas para enxergar o pomo mas ele teve quase certeza que a pequena bolinha voadora não estava ali.
— Tá tudo bem aí? — Potter gritou, se aproximando do garoto.
— Nada que você precise se preocupar.
Regulo saiu de perto e começou a dar voltas no campo como James fazia antes. O capitão da Grifinória olhou em volta, repetindo os movimentos do sonserino sem chegar a nenhuma conclusão. Mas, assim que olhou para frente, viu Severus Snape segurando sua varinha e olhando assustado para Potter. Geralmente Snape tinha raiva em seus olhos, especialmente quando se tratava dos Marotos, mas naquele dia parecia mais. Como se ele estivesse fazendo algo errado.
James deu de ombros e voltou para o jogo. Já estava distraído demais para se preocupar com mais um drama que não era seu. Assim que ele tomou altura novamente, a Sonserina marcou um gol se colocando à frente do placar. James xingou e escutou a risadinha de Régulo ao seu lado.
— Cuidado para não ser acertado por um balaço. — Gritou para o Black mais novo que parecia apenas assistir ao jogo de um lugar privilegiado.
— Cala a boca. — O som saiu como um rosnado, uma raiva que James não conseguiu compreender vindo de Régulo.
Porém Potter não teve tempo de refletir mais sobre isso. O apanhador da Sonserina avistou o pomo a poucos metros do gol da Grifinória, arrancando com sua vassoura e James acelerou atrás. O pomo de ouro era rápido, e ambos os apanhadores começaram a perseguir a bolinha, dando encontros entre si. Regulo quase caiu da vassoura e James aproveitou o desequilíbrio do adversário para sobrevoar a torcida e esticar a mão para pegar o pomo.
Assim que sentiu seus dedos na fria superfície do objeto, se viu a centímetros de olhos verdes tão conhecidos. Enquanto a torcida da Grifinória comemorava a vitória e o final do jogo, James e se encaravam, ele ainda em cima da vassoura.
— Bom jogo, Potter.
— Feliz que você veio, . — , não . James fez questão de chamar a garota pelo nome sem conseguir segurar um sorriso. Ele piscou para ela e se afastou, indo comemorar a vitória com seus companheiros de equipe.



ficou parada, sentindo as bochechas vermelhas e sorrindo ao ver James abraçar Sirius.
— O que foi isso? — Esther perguntou, olhando de para Lupin com uma interrogação na sua testa.
— Nada. — respondeu ao escutar a risada de Remo.
O garoto sabia muito bem o que tinha sido aquilo e ele não via a hora de ganhar a aposta com Sirius, que tinha dito que jamais ficaria com James. Remo Lupin era mais observador. Porém, não era preciso de muito para entender que e James Potter estavam se apaixonando um pelo outro.

Capítulo 6

A sala comunal da Grifinória estava abarrotada de alunos comemorando a vitória do jogo contra a Sonserina. James e Sirius eram ovacionados e Esther havia se juntado a Remo para comemorar com os amigos. , por outro lado, estava sentada em uma janela apenas observando seus colegas enquanto tentava, sem sorte, ler seu livro de poções.
Ela não esperava estudar e também sabia que a festa iria tomar conta do lugar, porém, mesmo feliz com o resultado, se sentia estranha. De longe, ela via James aceitando caricias e beijos no rosto de metade das alunas no sexto e quinto ano. Ela tentou se concentrar no seu livro, porém, pela primeira vez, os estudos avançados de poções não pareciam tão interessante.
Desejou que Lupin ou Esther fossem lhe fazer companhia, mas o garoto estava em uma conversa intensa com Sirius enquanto Esther abraçava o atacante da Grifinória. Se tivesse prestado um pouco mais de atenção, teria visto que Lupin olhava para a amiga de forma intensa, como se estivesse com raiva do contado dela com Black. Sirius, por outro lado, mal tinha percebido Esther ao seu lado, atento a conversa do amigo.
Ou talvez, tivesse visto os olhos azuis de James vidrados nela. Ele conversava com os demais alunos, parabenizava os colegas, mas sempre voltava os olhos para a ruiva escondida atrás do livro. Ele teve vontade de ir até ela, retirar o livro de suas mãos e chamá-la para participar da festa. Ela era a única pessoa com quem ele queria comemorar. Mas também a única que não se importava.
James queria saber de porque ela disse que não iria ao jogo, se no final ela tinha estado presente. Ele quis perguntar a Remo o motivo dele também ter mentido, mas ao procurar os amigos preferiu se manter afastado.
— Prongs! — Peter pulou em cima do amigo. — Que jogada maravilhosa foi aquela!
— Pettigrew! — James chamou a atenção do garoto por ter usado o apelido secreto deles na frente dos outros.
— Desculpa. Mas é sério, a forma como você enganou Régulo. Fantástico.
— Obrigado? — Potter queria ser sincero, mas não conseguiu esconder o seu tom de pergunta. — Engraçado que eu não te vi em nenhum lugar no jogo.
— Ah, eu cheguei atrasado. Slughorn passou uma tarefa extra e tive que ir a sua sala antes de ir para o estádio.
— Sei. — James não estava convencido. O nariz arrebitado de Peter Pettigrew estava mais empinado do que normalmente, o que só acontecia quando o animago mentia. Mas Potter sabia que aquela não era hora de questionar.
Porém, a pequena conversa com o Maroto menor tirou James do seu foco em Evans. Quando ele voltou a procurar a garota ela não estava mais perto da janela e mais em nenhum outro lugar da sala comunal.



A noite já começava a esfriar para início de outubro e se xingou por não ter buscado um suéter. Ela sabia que não deveria estar fora da sala comunal tão tarde e que, se fosse pega, não encontraria nenhuma desculpa. Ela se lembrou de como tinha medo de andar pelos corredores à noite quando chegou na escola. Parecia uma vida de distância. Uma vida em que ela não precisava se preocupar com ameaças fora da escola, com as notas que lhe dariam um emprego ou se ela voltaria ao mundo trouxa deixando os últimos anos da sua vida para trás.
quis conversar com a antiga garotinha de cabelos castanhos avermelhados que recebeu uma carta a convidando para uma aventura e, que garota de 11 anos recusaria uma aventura. Porém não era mais criança. Ela tinha crescido, hoje era uma das melhores bruxas do seu ano e havia conquistado méritos que sua família nem fazia ideia do que eles significavam. Com o livro de poções abraçado contra si, ela teve uma ideia: Entrar na sala do mestre de poções, afinal, ser parte do Clube do Slughorn tinha suas vantagens.
Andou silenciosamente pelos corredores de Hogwarts, mas antes que chegasse na sala de um dos seus professores favoritos ela escutou vozes. Cogitou dar meia volta e fingir que não tinha escutado nada. Porém, um nome lhe chamou atenção.
— Severus. — A voz grave de um garoto sussurrava para o amigo. Um tom que intrigou , especialmente por Snape estar tão estranho desde que entraram no Expresso.
— Não, Black. Eu não vou fazer isso.
— Você precisa. Ele não suporta desertores.
viu Snape passar a mão nos cabelos escuros, claramente nervoso. O outro garoto, também de cabelos pretos, porém mais curtos e espessos, esticou o braço e levantou parte da veste.
— Isso tem um significado, Snape. Não se esqueça disso.
arregalou os olhos. Ela sabia o que significava uma marca no braço, só não conseguia acreditar que tinha alunos em Hogwarts infiltrados para você-sabe-quem. Quando o outro garoto se afastou, Evans conseguiu ver que era Regulo Black, irmão mais novo de Sirius e o novo apanhador do time de quadribol da Sonserina.
De repente a nova nobre posição do garoto no estádio fez todo sentido. Regulo Black trabalhava para Lord Voldemort e, por algum motivo, queria que Severo Snape fosse com ele. Ou, se não tivesse entendido errado, Severus já era um dos novos recrutas do Lorde das Trevas.
Ela sempre soube que o amigo flertava com a artes das trevas, mas nunca pensou que ele fosse atrás do maior bruxo das trevas ainda vivo. Snape era um mestiço. Não fazia sentido na cabeça de o amigo ser aceito no seleto grupo regado a dita pureza de sangue que Voldemort estava construindo.
sabia que mais da metade da família de Sirius estava apoiando o bruxo, mas ela sabia como os Black fazia questão da pureza de sangue. Sirius havia contado da prima Andromeda que havia sido deserdada no ano anterior por se casar com um trouxa e como que agora era como se a garota não existisse.
Evans não teve tempo de se esconder antes de Snape esbarrar nela.
! — A voz do garoto estava alguns decibéis mais alta do que deveria.
— Severus. O que você está fazendo? — Os olhos verdes da garota expressavam decepção e medo. Decepção porque sempre soube o quanto Severus era inteligente e jamais pensou que o amigo fosse ser atraído para a magia das trevas. E medo por saber o que poderia acontecer com ele.
Snape abriu a boca algumas vezes, mas não conseguiu encontrar palavras para conversar com . Então fez o mesmo que estava fazendo o resto do ano: correu para longe dela.
— Severus! — ainda chamou o garoto, as lágrimas se formando em seus olhos. Ele era o único que sabia seu segredo sobre James Potter. Naquele dia, ela pensou que a reação do amigo havia sido apenas de preocupação, ou até mesmo ciúmes. Agora, ela se questionava se havia algo mais. Um segredo que o garoto tinha medo de revelar. não era idiota e ela percebia a forma que Snape olhava para ela, um tom de admiração, paixão e talvez até mesmo obsessão.
Esther já havia perguntado para a amiga várias vezes porque ela não dava uma chance para o sonserino. E, mesmo que seus sentimentos por James Potter não existissem, tinha medo.
Ela conhecia Severus Snape há tempo demais para saber que o garoto não era o mais seguro de si quando se tratava de emoções. Snape poderia aparentar tranquilidade, mas ela sabia ser explosivo, grosseiro e grotesco. Ele era inteligente demais para seu próprio bem. sabia que o futuro dele poderia ser brilhante, como também poderia ser sua ruína. E, vê-lo com Régulos Black só mostrava o quanto ela estava certa sobre a segunda opção.
foi trazida para realidade ao escutar passos no corredor. Ela secou as lágrimas teimosas e virou-se em direção à sala de Slughtorn. Porém, não deu dois passos e escutou Potter chamando seu nome.
— Evans! — James se aproximou, esticando a mão para colocar uma mecha do cabelo de atrás da orelha. — Está tudo bem? Vi Snape sair correndo.
— Tá. Está sim. — A voz da garota estava mais trêmula do que ela imaginou. Por sorte, Potter não insistiu. Pelo contrário, ele tomou uma atitude que jamais pensou que faria: Ele a puxou para seus braços, a aconchegando em um abraço carinhoso e confortável.
quis contar o que tinha acabado de ver para James, mas ela queria conversar com Severus antes de espalhar para escola que Hogwarts havia sido infiltrada por um exército mirim de comensais da morte. Isso parecia exagerado até para o Lord das Trevas. Ela se perguntou se Dumbledore suspeitava de algum aluno. Não eram poucos filhos de comensais da morte conhecidos que frequentavam o castelo.
— Vem. Vamos para Sala Comunal. — James a abraçou pelos ombros e deixou-se ser levada, ainda atordoada. — Aliás, por que você saiu correndo da festa?
— Eu não estava em clima de festa.
James apenas assentiu mesmo sabendo que aquela era uma justificativa incompleta. Porém, se ele queria que confiasse nele, ele precisaria confiar nela. Quando ela estivesse pronta, ela contaria para ele. Ou Lupin. Contanto que não estivesse sozinha, James aguardaria.
Assim que passaram pelo quadro que dava abertura para sala comunal, agora mais vazia, James deu um sorriso para e colocou seu braço na nuca, claramente sem graça. até mesmo achou charmoso ver James Potter com uma certa timidez.
— Sabe, eu sei que não é hora nem dia. Mas, você gostaria de sair comigo qualquer dia desses?
tentou se segurar, mas, assim que as palavras saíram da boca de Potter, ela esqueceu o ciúmes que sentira mais cedo, a conversa que escutara no corredor e até mesmo o trabalho de transfiguração que ela e o capitão do time de quadribol da Grifinória teriam que entregar no fim do semestre. Era claro que ela queria sair com James Potter, mas, ao invés de dizer isso, ela riu.
— Poxa, não precisava zoar também, né? — James cruzou os braços, tomando de volta para si sua postura orgulhosa.
— Ai, James, é engraçado pensar que você, justo você, que não perde uma oportunidade de me zoar, venha perguntar se eu quero sair com você. Nem nos seus sonhos, bonitinho.
Ainda rindo e deixando James confuso, subiu para o dormitório das meninas, se preparando para ter, enfim, um domingo de paz.


Capítulo 7

Sirius estava com o rosto entre as mãos escorado na mesa da Grifinória no Salão Principal. Ele murmurava algo que James não conseguiu ouvir enquanto abria o Profeta Diário, atento a nomes de eventuais amigos e parentes.
— Aqui, você vai se sentir melhor. — Remo colocou uma caneca de café na frente de Sirius e recebeu um grunhido de Black. — Não adianta você reclamar comigo. A escolha de ter acompanhado a Marlene na bebida foi sua.
— Olha para ela, cara. Ela bebeu tanto senão mais do que eu, e continua com aquele rostinho lindo. — Sirius levantou o rosto para apontar a garota de cabelos castanhos que estava sentada a alguns metros à frente.
Marlene era amiga de e Esther, apesar de há alguns anos não andar tão próximas das garotas. Ela e Sirius já tinham tido um caso no ano anterior, mas não foi para frente porque o garoto não sabia se comprometer, nas palavras dela. Ele, por outro lado, tinha receio de se aproximar de qualquer um naqueles dias. O sobrenome Black não estava trazendo bons agouros ultimamente.
— Você é um idiota, Black. — James retrucou, olhando por cima dos óculos.
— Ah, cala a boca, Prongs. — Lupin olhou feio para Sirius enquanto James apenas riu.
— Alguém que a gente conheça? — Remo enfim perguntou, ignorando a ressaca do amigo ao seu lado.
— Não nos desaparecidos, mas há uma nota sobre o casamento da sua prima, Sirius.
— Qual delas? — O garoto fez uma careta ao tomar um gole do café amargo.
— Belatrix. Pelo visto conseguiram que ela aceitasse se casar com o Lestrange. Isso não pode ser algo bom. — James fechou o jornal, guardando-o na mochila. — A guerra está piorando.
Sirius e Remo assentiram, sem saber direito o que dizer. Os três sabiam que eventualmente eles teriam que lutar, mas não faziam ideia de como graduandos de Hogwarts teriam chance contra bruxos adultos que dominavam artes das trevas.
E, enquanto isso, as aulas de DCAT estavam mais interessadas em explicar a função de artefatos mágicos do que de fato em ensinar os alunos a se defenderem. James sentia que ainda tinha muito o que ele precisava aprender antes de entrar na guerra. O teste para Auror seria logo na semana seguinte da graduação e ele estava longe de se sentir preparado. Bem, ele tinha oito meses para aprender.
— Moony, você anima treinar no clube de duelos depois da aula? — Potter se serviu um pouco de chá, buscando um pouco de cafeína para o dia que viria a seguir.
— Animo. Estou mesmo querendo treinar uns feitiços novos que inventei. — Lupin deu de ombros, abrindo um livro de feitiços que pegara na biblioteca no dia anterior.
— Eu vou dormir. — Sirius reclamou para ninguém específico, ainda encarando Marlene.
— Por que o clima de velório? — Peter finalmente se sentou ao lado de James para o café da manhã.
— Onde você estava? Te vi saindo da sala comunal junto com a gente. — Potter questionou o amigo chegando para o lado e ajeitando a mochila entre suas pernas.
— Precisei deixar uma tarefa de poções que estava atrasada.
James franziu o cenho, achando estranho aquela justificativa afinal poções seria a primeira aula do dia. Mas precisou deixar passar quando Dumbledore se levantou, chamando a atenção dos alunos para si.
— O primeiro bimestre está se encerrando em breve e nossa semana de provas se aproxima. Eu sei que muitos de vocês têm preocupações que extrapolam os muros dessa escola, mas quero que saibam que aqui vocês estarão seguros. Nós reforçamos os feitiços de proteções e temos aurores por perto, caso necessário. Aqueles alunos que desejarem ir para casa, podem me procurar em algum horário livre. Sei que o Natal está a algumas semanas de distância, mas muitos de vocês estão aguardando respostas dos seus pais sobre as Festas. Nada será cancelado e tenho certeza que em breve teremos respostas do nosso Ministério sobre o retorno após o fim de ano.
— O que isso significa? — Sirius perguntou enquanto franzia a testa após mais um gole de café amargo.
— Significa que o Ministério está interferindo em Hogwarts. — Remo comentou fechando guardando seu livro na mochila.
...

— ... vamos aprender a poção Vigor. Em uma batalha ela...Sr. Potter, você finalmente nos deu a honra de aparecer? — James estava ofegante. Ele deu um sorriso amarelo para Slughorn e se sentou na mesa de sempre, ao lado Remus, Sirius e Peter.
Não passou despercebido o olhar que os amigos lhe deram. Muito menos a forma como lhe encarava da mesa ao lado. Ele ajeitou os óculos e abriu o seu livro de estudos avançados de poções.
— Ei, o que ele falou mesmo? — James sussurrou para Lupin.
— Poção Vigor, página 247.
James virou as páginas e começou a ler as instruções, como sempre ignorando o que o professor dizia. James não era um mal aluno, ele só odiava prestar atenção nas aulas e preferia aprender sozinho. Talvez isso viesse da forma como ele cresceu. Sem muito o que fazer em casa, ele visitava a biblioteca do pai com frequência, sempre folheando livros e aprendendo coisas que os muros de Hogwarts não iria lhe ensinar.
Esse era mais um dos problemas escolares de James Potter. Ele só se interessava por coisas que não eram obrigações. Manobras de quadribol que sempre aperfeiçoava com Sirius durante os horários vagos? Ele sabia de cor. A forma certa de usar uma mandrágula? Ele havia esquecido em algum teste do segundo ano.
— Então vamos começar? Peguem seus caldeirões. Ingredientes extras na mesa.
O burburinho da sala aumentou enquanto caldeirões e cadeiras eram arrastados. Remo e Peter foram buscar os ingredientes que eles precisariam enquanto James tentava continuar entendendo o que o livro queria dizer.
— Ei, Prongs, onde você estava? — Sirius sussurrou para James, ignorando totalmente o caldeirão na sua frente.
James ainda não havia contato para os marotos o que ele e descobriram após a festa de vitória da Grifinória. Não era surpresa para ninguém que Régulos seguiria o caminho de todo Black mais velho, porém James não sabia como dizer para Sirius que seu irmãozinho já havia abraçado seu destino mais cedo do que ele pensava.
Potter se atrasara porque, no caminho para aula, viu Régulos entrando no banheiro da Murta, porém o sonserinos lançou algum feitiço na porta que James não conseguiu abrir. Ele pensou em contar para antes de falar com os Marotos. Ela sabia tanto quanto ele, senão mais. Talvez Snape tivesse confessado alguma coisa a ela.
E James não estava confiando em Peter. O garoto estava escondendo algo. Mas ele também sabia que se contasse para Sirius ou Remo suas suspeitas, os amigos iriam rir dele. Era absurdo pensar que qualquer um dos Marotos esconderia segredos.
Mas ali estava James mesmo escondendo um.
— Precisei ir ao banheiro. — Foi tudo que falou para Sirius. O amigo começou a falar algo sobre problemas intestinais, mas James não estava mais prestando atenção. Seu olhar estava preso em . Em como a garota havia prendido o cabelo ruivo em com coque frouxo, discutindo com Esther e Marlene sobre a tarefa. Severus estava ao seu lado, mas o sonserinos parecia abatido, mais pálido do que o normal e os cabelos ainda mais oleosos. Snape estava de costas para e aquilo fez James franzir o senho.
— O que foi? — Remo perguntou assim que ele e Peter se sentaram à mesa.
— Snape. Tem algo errado com ele. — Remo e Sirius levantaram o olhar para a mesa onde estava o sonserino, mas Peter apenas abriu a essência de lágrimas de morcego que entraria na sua poção.
— Ele levou mais um "não" da , nada além disso. — Os marotos se viraram para Wormtail sem dizer uma palavra. James, Sirius e Remo se entreolharam e Potter sabia muito bem o que seus amigos estavam pensando: nunca havia demonstrado o mínimo interesse pelo sonserino para ser esse o motivo da sua aparência.
— Garotos, eu sei que a conversa deve estar interessante, mas essas poções não vão terminar sozinhas, hein? — James e Sirius tomaram um susto com a aproximação do Professor Slughorn. Os garotos rapidamente puxaram seus livros para perto e começaram a jogar ingredientes no caldeirão.
James queria poder dizer que ele tinha concentrado, mas sua atenção estava toda na mesa ao lado. E em como parecia nervosa, irritada e tentando se manter o mais longe possível de Severus.
— Psiu, Padfoot. — Potter cutucou o amigo. — Me dê cobertura.

(N/A: quem quiser, coloquem Highway to Hell do AC/DC aqui. Prometo que vai dar todo um tom diferente para cena)

Sirius assentiu enquanto Remo revirou os olhos, já se preparando para a próxima asneira que James iria fazer. Potter esperou que Slughorn se virasse de costas e andou até a mesa de , sentando-se entre a garota e Snape, puxando o livro do garoto para si.
— Essa poção é complicada, né? — James teve tempo apenas de ver vários rabiscos no livro antes de Severus puxar o objeto de volta.
— O que você está fazendo, Potter? — perguntou, olhando com as sobrancelhas franzidas para ele.
— Nada, . Vi seu amigo aqui concentrado e achei que ele estivesse com dificuldades já que vocês estão deixando-o de fora da rodinha de fofocas. O que aconteceu? Finalmente perceberam como Severus não é tão brilhante como o dizem?
— Eu não preciso da sua ajuda, Potter. — Snape segurava seu livro contra o corpo e não passou despercebido à James a forma como ele e se encararam. Potter estava certo, havia acontecido algo entre eles antes dele chegar na noite anterior.
— Ah, qual é, Snape! É simples olha, você primeiro corta...
— Eu. Não. Preciso. De. Sua. Ajuda. — Snape levantou a varinha para James que ergueu os braços e se aproximou de .
— Eita. Calma, cara. Eu sei que você é o famoso mestre das poções, só queria saber se estava tudo bem. — James começou a se levantar quando viu Slughorn parado na frente da mesa.
— Sr. Potter, o senhor deveria estar menos preocupado com o Sr. Snape e mais preocupado com sua poção. Volte para sua mesa. — O professor estava alisando o grosso bigode encarando o grifinório.
— Que isso, Professor. Vi um colega precisando de uma ajuda e vim ajudá-lo. Já estou indo. — James se levantou dando uma piscadela para Severus que ficou vermelho.
— Boa, James. — Sirius estende a mão para cumprimentar o amigo, porém o clima festivo da mesa dos marotos não dura muito quando eles veem Snape levantando a mão.
— Professor, Potter pegou as minhas anotações. — James sabia que aquilo era mentira, mas o rosto frio de Severus não deixou dúvida para o professor de poções.
— Não peguei não! — Retrucou inutilmente o garoto.
— Ah é? Então o que é esse papel que você acabou de passar para Black?
Sirius e James se entreolharam, sem entender como o pergaminho com a letra de Snape tinha parado na mesa deles. Os dois sabiam que era inútil discutir e apenas escararam Severus com uma ameaça silenciosa quando Horácio Slughorn tirou vinte pontos da Grifinória e mandou os dois para a detenção naquela noite.
...

James sentia todo o seu corpo doer. Depois da aula de poções, ele e Sirius não conseguiram falar de outra coisa a não ser o que fariam com Snape se pegassem o garoto sozinho. Remo estava com a cabeça doendo de tanto revirar os olhos, mas ele não tinha coragem de ir contra os garotos. Peter, por outro lado, havia passado a tarde estimulando as ideias de Potter.
Faltando meia hora para às seis horas, Remo chegou na sala comunal da Grifinória com sanduiches para os amigos, sabendo que eles iriam perder o jantar. Porém, assim que entrou na aconchegante sala, percebeu que o grupo de amigos estavam parados vendo James e discutindo.
— Como você ainda tem coragem de defendê-lo? — James tinha as orelhas vermelhas de nervoso, olhando para uma com os olhos cheios de lágrimas.
— Você não o conhece, Potter! Ele tem mais problemas do que você imagina.
— Claro, e isso justifica ele te chamar de... te chamar de.. Eu não consigo nem falar essa merda! — James levou às mãos nos cabelos. Tudo que ele queria era abraçar e a levar para longe de toda a bagunça que havia se tornado a sala comunal.
A maioria dos alunos tinham assistindo a briga nas escadas, quando tentou conversar com Severus e ele a chamou de sangue-ruim. James escutou e brigou com o rapaz pela segunda vez naquele dia, falando tudo que ele tinha vontade desde a aula de poções. Sirius havia segurado o capitão de quadribol da Grifinória, e só por isso James não estaria encarando mais horas de detenção do que as que ele já iria enfrentar.
— James, fica fora disso. Por favor. — Ele voltou seu olhar para . Ela quase nunca o chamava pelo primeiro nome e aquilo fez com que ele respirasse fundo, em seguida a puxando para seus braços. se permitiu ser abraçada, ignorando que era o centro das atenções dos amigos.
— Ele não pode te tratar assim e você ainda o considerar um amigo. — James falou no ouvido da garota, acariciando de leve seus cabelos. apenas assentiu, sem ter forças de falar nada contra o que Potter a havia pedido.
Severus Snape havia feito a sua escolha e ela não poderia mais lutar por ele.
...

James e Sirius ficaram em silêncio enquanto iam em direção às masmorras. O corredor estava mais escuro agora e Potter sentiu um calafrio. Algo não estava certo. O ar gélido fez Sirius apertar a jaqueta de couro e olhar por cima do ombro, sentindo que estava sendo observado.
Os marotos se olharam. Estava longe da Lua Cheia ainda, mas isso não significava que James Potter e Sirius Black não iriam sair do castelo em sua forma animaga e descobrir o que estava acontecendo. Porém eles ainda teriam pelo menos duas horas com Slughron antes de se aventurarem fora dos terrenos da escola.
— Sr. Potter, Sr. Black, fico feliz que ao menos uma vez na vida tenham sido pontuais. — O professor de bigode grosso estava sentado na mesa da frente, com uma garrafa de whisky de dragão do lado e um pacotinho de batata chips do outro. — Temos mais um aluno para chegar antes de... Ah, que ótimo, ele já chegou.
James e Sirius se viraram para a porta em que haviam acabado de passar para verem Snape adentrando à sala. Potter pensou que o sonserinos estava ainda mais pálido do que mais cedo. Quase transparente se não fosse pelos cabelos escuros. Eles se encararam por alguns segundos e Sirius segurou James para que o amigo não pulasse no rival e ganhasse um castigo pior.
— A tarefa de vocês será simples, mas precisarão trabalhar em grupo para ser feita. — Slughorn colocou oito caldeirões na frente dos garotos. Cada um tinha um cheiro pior do que o outro, uma mistura de enxofre e bosta de cavalo. James franziu o nariz e arrumou os óculos sobre o nariz. — Em cada um desses caldeirões há poções que deram errado. Algumas delas, em contato com a pele, podem causar graves ferimentos. A única forma de limpá-los é usando uma mistura de álcool, bicabornato e pó de pena de Fenix, uma mistura corrosiva que deve ser manuseada com cuidado. Não tentem usar magia. Não vai funcionar e ainda pode ter efeito contrário. Vocês têm até às dez da noite ou quando terminarem. Se colaborarem uns com os outros, mais rápido irão embora.
O professor pegou sua garrafa e o Profeta Diário que estava na mesa e os deixou sozinhos. James com os braços cruzados encarando Snape que procurava luvas para começar a limpeza.
— Vocês vão ficar parados aí? — O sonserinos arqueou a sobrancelha, jogando dois pares de luvas. — Potter, você segura e Black me ajuda a fazer a solução.
— E por que você acha que a gente escutaria você? — James franziu a testa.
— Porque sem Lupin vocês dois são inúteis em qualquer matéria que não envolva força física e eu não vejo a hora de dar o fora daqui. — Snape coçou seu braço esquerdo e isso não passou despercebido por James.
— Sirius você segura, eu preparo a solução. — Potter puxou a embalagem com álcool e começou a misturar o bicabornato. Nenhum dos três se encarava, ou sequer diziam uma palavra, mas pelo menos por um momento, eles haviam aceitado uma trégua.
Porém, quando estavam no último caldeirão, Severus sentiu uma dor aguda no antebraço e deixou a mistura corrosiva cair no braço de Sirius que, por sua vez, soltou o caldeirão no chão soltando um grito e criando uma mancha com a poção desconhecida e a solução de Slughron.
— Mas que porra foi essa? — James gritou com Severus que já estava dando as costas, se caminhando para porta. — Volta aqui seu idiota!
James pulou em cima de Snape, puxando as vestes do garoto pelo capuz. Os olhos de Severus estavam desfocados, quase como se ele estivesse em algum tipo de transe e, antes que James pudesse se defender, o sonserinos acertou um soco em seu olho esquerdo. Quando Potter e Sirius conseguiram parar de sentir dor, Snape já estava longe, deixando a porta da sala aberta e os grifinórios sem ideia do que tinha acontecido.
Slughorn voltou à sala após o barulho e fez os garotos irem à enfermaria, onde Sirius teria que passar a noite cuidando da ferida. Ao deitar na cama naquela noite, James Potter não conseguiu explicar o que havia acontecido. E sua raiva por Severus Snape agora era uma questão pessoal.

Capítulo 8

tinha acabado de tomar um gole de suco de abóbora quando James chegou ao salão principal. Ela engasgou ao ver o olho roxo no rapaz. Instintivamente ela olhou para a mesa da Sonserina em busca de Severus, porém o garoto não estava lá.
— O que aconteceu? — Esther perguntou assim que James se sentou na frente das garotas. Lupin estava com um jornal aberto e apenas arqueou uma sobrancelha para o amigo.
— Seu amigo. — James encarou que também fechou a cara quando parou de tossir.
— Tenho certeza que não foi sem ser provocado.
— Claro, fala isso para Sirius que vai passar o resto da semana na enfermaria. — A ironia na voz de James assustou a garota.
— O que aconteceu, James? — Esther perguntou, desviando o olhar rapidamente para Lupin pedindo ajuda pro garoto que apenas deu de ombros.
— Snape estava na detenção também. Slughorn passou uma tarefa com poções corrosivas e o amiguinho da resolveu não levar à sério.
— Eu não acredito! Por que você sempre tem que falar assim dele? Sempre nesse tom de ironia como se ele fosse menos do que você?
— Eu não entendo como você pode defender ele, . — A voz de James estava um tom mais baixo do que o habitual. Mesmo que a expressão no seu rosto estivesse fechada, talvez pela dor que o hematoma lhe causava, as palavras atingiram como se ela tivesse levado um tapa. Havia uma delicadeza ali, apesar da entonação mal humorada.
— Você fique longe dele. — Ela se levantou, franzindo o cenho e cruzando os braços antes de das as costas a ele.
— É? Acredite, depois de ontem eu não quero ver esse garoto nem pintado de ouro. E, se eu fosse você, também ficaria longe. — não se deu o trabalho de responder, apenas foi andando para fora do salão comunal segurando as lágrimas que teimavam em descer.
Ela odiava discutir com James, especialmente quando ele estava certo. Já tinha semanas que sabia que Severus estava agindo estranho. Escondendo algo dela e de Esther e andando cada vez mais com os Sangue Puros sonserinos. Poderia não ser nada, mas algo dizia a ela que ele havia escolhido seu lado. E ela não fazia mais parte dele.
...

— Precisava falar com ela assim? — Remus cutucou James.
— Não enche. — Potter mordeu um pedaço do pão, sentindo o bolo descer entalado na garganta.
— Você já foi ver o Sirius? — Lupin achou melhor mudar de assunto. sempre era um assunto delicado para Prongs.
— Fui. Ele ainda está dopado e deve ficar assim até amanhã.
— Foi tão grave assim? — Esther arregalou os olhos.
— Sim. Com certeza vai ficar com uma cicatriz. — James não conseguiu encarar os amigos. Seus olhos fixos no copo de suco de abóbora a sua frente fizeram com que ele vagasse sua mente. O grito de Snape, a força com que Sirius mordeu o lábio, a raiva nos olhos de . Tudo parecia estar acontecendo rápido demais e ele odiava ficar tão sem rumo. Hogwarts parecia pequena e ainda faltavam meses até que o ano escolar terminasse.
— Régulo já está sabendo? — Remo olhou para a mesa da Sonserina notando a ausência do Black mais novo. Seu cenho franzido mostrava para James que o amigo, sempre em busca de uma paz interior, estava fazendo um esforço triplicado para permanecer calmo.
— Não sei. Mandei uma carta para meu pai. Se ele vai falar com os Black eu já não sei.
— Ou se vão se importar. — Foi a vez de Esther encarar os pratos a sua frente. James assentiu e os três terminaram o café da manhã em silêncio.
Eles tinham um período livre do qual James iria usar para um treino de quadribol. Por mais que odiasse, ele precisava substituir Sirius. Não que tivesse algum jogador melhor do que Black. Esther, por sua vez, se despediu dos amigos para procurar . Nenhum dos três falou, mas não precisavam discutir para ter certeza que concordavam: A explosão de não tinha nada a ver com James. Ou com Sirius. Por mais que Potter fosse odiar admitir.
Lupin, por sua vez, tinha outros planos. Ele sabia que James havia dito que Sirius estava dopado, mas isso não o impediu de ir até a enfermaria. Ele ajustou a franja para o lado antes de aprumar o corpo e bater na porta.
— Sr. Lupin? Está precisando de algo, garoto? — Madame Ponfrey abriu a porta para que ele entrasse.
Lupin sabia que não precisava de nenhuma desculpa para ver o amigo. Ponfrey não iria pensar quais as suas motivações para estar ali e, se pensasse, com certeza não iria pensar em nada diferente que não na amizade que eles tinham. Porém, o nó no estômago de Remo o fez mentir.
— Estou com um pouco de dor de cabeça. Você teria alguma poção?
— Claro, filho. Pode se sentar que já venho. — Ela apontou para um banco ao lado da porta.
Remo deixou a sua mochila onde a curandeira havia apontado, mas assim que ela deu as costas, ele saiu em busca de Sirius. Ele pensou que James o havia preparado, mas estava completamente enganado. Lupin se segurou no pé da cama ao ver o amigo todo enfaixado. O rosto estava pálido e os cabelos escuros desarrumados. Se ele não conhecesse de cor todos os traços de Black, talvez nem sequer tivesse reconhecido o garoto.
— Sr. Lupin aqui... Garoto! — Ponfrey se virou para dar bronca no grifinório, mas se impediu quando viu o garoto secando as lágrimas do seu rosto.
— Ele vai ficar bem? — A voz de Remo era quase um sussurro. Ponfrey deixou a poção em uma mesa e se aproximou do garoto, apoiando sua mão em um de seus ombros.
— Vai sim. Ele está se recuperando muito bem, considerando a queimadura...
— Qual poção era? James não me falou. — Lupin enfim encarou Ponfrey. A curandeira não tinha permissão para dar detalhes da situação de saúde de Black a não ser que fosse para a família. Mas os olhos assustados de Lupin a fez perceber que o garoto era muito mais família do aluno deitado na maca do que sua família de sangue.
Vipera aspicidum¹. Não faço ideia do porque Professor Slughorn deixaria uma poção tão perigosa a alcance de alunos, mas você não precisa se preocupar. Black vai sim ficar com cicatrizes, mas amanhã as feridas já vão ter desaparecido. Por sorte, o tecido da roupa o protegeu de danos mais profundos e consegui conter a penetração na pele. Ele está sedado para evitar sentir dor. Nada fora do protocolo.
Remo assentiu. Ele poderia pensar em alguns motivos pelos quais o professor da Sonserina pudesse ter aquela poção em Hogwarts, mas não permitiria que sua mente tão afeiçoada a teorias da conspiração assustasse a curandeira.
— Eu posso ficar aqui? Só... um pouco.
— Claro! Você ainda precisa da poção para dor de cabeça?
Remo assentiu ao se sentar do lado de Sirius. De repente, sua dor de cabeça imaginária havia se tornado uma muito real.
...

virava as páginas do livro à sua frente enganando a si mesma que estava estudando. Fazia duas horas do horário que combinara com Potter de se encontrarem na biblioteca e o garoto não havia aparecido. Ela sabia que tinha dito que faria o trabalho sozinha. Seria mais fácil colocar o nome dele e McGonnagal jamais saberia que James não ajudou.
Porém, ela tinha que ter escutado o belo discurso de Potter que ele iria ajuda-la. James era inteligente. Isso ela não contradizia. Mas nem todo tipo de inteligência era usada para deveres escolares e naquele momento ela precisava de uma dupla, não de alguém que simplesmente desaparecia.
Ela poderia dizer que era apenas por causa do trabalho que estava chateada, mas estaria mais uma vez mentido para si mesma. O nó no seu estômago era a prova que sua decepção com James não tinha nada a ver com a nota final de Transfiguração.
Estava cada dia mais difícil de esconder o que ela sentia por James Potter. Mais difícil de desviar o olhar quando ele a pegava o encarando. Mais difícil de não rir com suas piadas. Mais difícil de não concordar com ele sobre Severus. Ver o olho roxo de James naquela manhã tinha sido a prova que ela precisava decidir: Ou ela continuava amiga de Severus e desistia de James ou ela se permitia deixar seus medos de lado, encarar James Potter e nunca mais conversar com Snape.
Parecia difícil, mas sabia que só havia uma escolha possível e não era voltar para casa dividindo uma cabine no Expresso de Hogwarts com Severus Snape.
? — Ela olhou para cima encontrando Lupin na sua frente. O garoto vestia um sobretudo bege, quase da cor de seus cabelos, e segurava um livro contra seu peito como se fosse um artigo mágico poderoso.
— Oi Remo! — Ela tentou sorrir, mas não conseguiu. As lágrimas começaram a descer em seu rosto sem que ela tivesse controle sobre elas.
— Ei, calma! — Remo puxou a cadeira ao lado de para que pudesse abraçar a garota. Ele era péssimo em lidar com sentimentos alheios, mas sempre fazia o que podia por seus amigos. — O que aconteceu?
— Potter! Ele deveria ter chegado aqui duas horas atrás. Por que ele nunca leva nada à sério, Remo? Eu sei que ele está preocupado com Sirius. Todos vocês estão. Mas não é desculpa para ele simplesmente não aparecer. Poderia até mesmo ter mandado uma coruja dizendo que iria se atrasar ou que não estava se sentindo bem para vir. Eu iria entender! Mas por que ele tem que ser tão distante? Uma hora vem contando piadas, abraçando, arrumando a maior cena na sala comunal e na hora seguinte ele simplesmente finge que eu não sou relevante? Que ele não se importa? Como uma pessoa consegue ser tão tão tão...
— Confuso?
— SIM! Confuso, contraditório, relapso. Eu nunca consigo entender o que James quer.
Lupin segurou uma risada, não passando despercebido por .
— O que?
— Me parece que você não está preocupada com o trabalho e sim em passar tempo com James.
— O que?! — quase gritou e recebeu algumas reclamações de alunos que ainda tentavam estudar. — O que? — repetiu mais baixo.
— Você está apaixonada pelo Potter, ?
A garota começou a gargalhar, olhando para Lupin sem saber o que responder. Remo era um dos melhores amigos de James, mas também era um dos seus melhores amigos.
— Eu não sei.
...

Novembro chegou junto com uma neve inesperada. Sirius ainda se recuperava do acidente, não havia voltado a jogar quadribol, mas estava de volta às aulas e se estressando com os amigos. Desde que saíra da enfermaria Lupin não saía do seu lado. Ele fingia que não tinha reparado, e agradecia à companhia do garoto, mas nada tirava de sua cabeça que tinha algo que Remo não estava lhe contando.
Era quarta de manhã, os dois andavam em direção às masmorras para a aula de poções. James havia saído logo cedo da sala comunal e nenhum dos dois o vira desde então. Sirius estava começando a ficar incomodado como James o estava deixando no escuro. Eles sempre contaram tudo um pro outro e, de repente, Potter o estava ignorando. Sirius sabia que não havia feito nada.
— Prongs se culpa do acidente? — Black falou em voz alta, sem querer.
— O que? — Remo escutou, mas queria ter certeza.
— Hã, ah nada.
— Não Padfoot, Prongs não se culpa pelo acidente. Você sabe muito bem quem é o culpado. — Lupin franziu o cenho, parando no corredor para olhar Sirius. Estavam atrasados, mas não tinha importância, eles não iriam ter aquela conversa em sala de aula.
— Então por que ele está se mantendo distante? Não é possível que ele esteja tão ocupado assim com os trabalhos. Ou com quadribol. — Sirius passou uma das mãos no cabelo escuro, jogando-o para trás. Lupin percebeu um olhar triste nele quando falou do jogo favorito. Remo conhecia Black o suficiente para saber que o amigo estava louco para subir em uma vassoura novamente. Era aquilo que fazia Sirius se sentir vivo e Remo só queria fazer algo para ajudá-lo.
— Você não percebeu mesmo? — Remo levantou uma sobrancelha.
— Perceber o que?
— James e estão apaixonados.
— O que?! Eles estão namorando e James não falou nada? Mas eu vou matar o Prongs, eu.. — Remo mordeu o lábio ao ver Sirius agitado.
— Não! Eles não estão namorando. Na verdade, eu tenho certeza que eles nem sequer ficaram.
— Mas... — Foi a vez de Sirius franzir o cenho.
— James é louco com a desde o terceiro ano. Nós dois sabemos disso, certo?
— Sim. — Sirius odiava como Lupin às vezes sentia que precisava explicar as coisas para ele como se fosse uma criança, mas ele não tinha coragem de pedir para o amigo ser direto quando aparecia aquela ruguinha de empolgação em sua testa.
me contou que está gostando de James. Prongs não sabe e eu tenho certeza que eles seguem discutindo sem parar usando aquele trabalho de transfiguração como desculpa. — Remo abraçou o livro contra seu peito.
— Interessante... — Sirius tocou seu queixo.
— Ah não, eu odeio quando você faz essa cara.
— Que cara?
— Essa! De quem está planejando algo.
— Muito simples meu caro Mooney: Nós vamos ajudar nosso amigo. — Sirius passou um braço nos ombros de Lupin que tentou ignorar o arrepio que sentiu.
— Eu estava com medo que você dissesse isso.
Os dois se viraram para seguir para a aula. Talvez Lupin conseguisse evitar uma detenção se dissesse que Sirius ainda estava sentindo dores. Slughorn passou as últimas semanas tratando os marotos com mais paciência do que ele normalmente tinha.
— O que foi isso? — Sirius escutou um barulho atrás deles, se soltou de Lupin e saiu correndo.
— Padfoot! — Remo gritou, indo atrás dele.
— Shii. — Lupin bateu nas costas de Sirius que havia parado abruptamente. — Snape está conversando com alguém.
Lupin se espremeu ao lado de Black para observar a cena. O garoto da Sonserina tinha a veste levantada no braço esquerdo, mostrando-a a alguém a sua frente. Os marotos não conseguiam ver dali quem era a segunda pessoa.
— Foi o mesmo braço que Snape coçou no dia da detenção. — Sirius sussurrou e Remo assentiu.
Não era a primeira vez que ele via Snape ter um comportamento estranho. James tinha certeza que o sonserinos estava envolvido com magia das trevas, mas Remo gostava de ter provas antes de acusar os outros. Ainda mais considerando a inimizade que Prongs tinha com o garoto. Mas eles não poderiam mais ignorar que tinha algo de muito estranho acontecendo.
Principalmente quando eles viram quem estava com Snape.
— Esconde isso! Ele vai te matar se pensar que você estragou o plano.
Régulos Black saiu detrás da pilastra segurando a varinha com força. Snape a afastou do seu rosto depois de descer a manga.
— Não sou eu quem preciso me provar. Ele está com o diadema. Você já encontrou o medalhão?
— Eu não te devo satisfação. — Régulos fechou a cara e saiu andando para o outro lado do corredor. Não demorou para Snape segui-lo.
— O que está acontecendo? — Lupin encarou Sirius. O rosto do garoto estava completamente vazio. Encarava o lugar onde o irmão mais novo tinha estava com um vazio no peito maior do que ele deveria sentir.
— Ela não tinha o direito. — Foi tudo que Sirius respondeu antes de sair correndo atrás dos Sonserinos sem que Lupin pudesse fazer algo para impedi-lo.

Nota: ¹Vipera aspicidum: poção ácida extraída do veneno de uma víbora. Usada como método de tortura contra bruxos na Idade Média, Slughorn a estudou em busca de um antídoto caso Comensais da Morte comessem a usá-la para torturas. Não há registro que ela foi usada durante a Primeira Guerra Bruxa. Nem que Slughorn tenha conseguido desenvolver um antídoto.


Continua...



Nota da autora: Quem é vivo sempre aparece, ops, escreve! (aparentemente esse é minha nova bio nas redes sociais). Meus planos para essa att temática eram outros, mas a vida adulta bateu na porta e escrever está sendo algo raro. Não desistam de mim! As fics não estão abandonadas. Mas me digam, o que vocês acharam do capítulo? Confesso que esse era um capítulo que estava bem ansiosa desde que escrevi no roteiro por motivos muito simples: hello wolfstar! Obviamente veremos mais desse casal em breve.
Ps.: A poção citada na fic foi inventada por mim no intuito de fazer sentido para a história.
Me siga nas redes sociais para saber quando essa e outras fanfics vão atualizar.

Fanfics em Andamento:
Illicit Affairs (Restrita +18/Gêmeos Weasley)
From the Dust (Restrita +18/ Originais)

Outras Fics:

I Found Peace in your violence (Shortfic +14/Drarry)
Halloween is just a night (Restrita +18/Esporte)
The Last Malfoy's Christmas (Shortfic - +12/Draco Malfoy)
Perfeita Simetria (Long/Finalizada - Restrita +16/Original)


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