500 Days in London
The Second Act

por Gi Castro
Última atualização: 27/05/2021

Prólogo

Dos corredores do estádio de Wembley, vi Danny empolgado, bebendo cerveja (quente, acho eu) na companhia de alguns amigos. Eu não ia conseguir chegar até ele tão rápido. Seriam lances e lances de escada e corria o risco de perder meu emprego. Peguei o celular do bolso e digitei “Oi, moço bonito, consigo te ver. Me espera depois do show?”. Danny era lerdo demais para responder mensagens, mas comigo era diferente. Até Georgia sabia disso e ela costumava contar nos churrascos de fim de semana como Danny era atencioso com a star girl dele. Não tinha um pingo de ciúme naquele comentário, era carinho. Como o esperado, meu celular vibrou, e continuou vibrando até eu ATENDER a ligação. As vezes ele não se conformava com mensagens, tinha que telefonar.
– Como assim você está aqui e não vai me ver?
– Danny, nesse exato momento estou no corredor D e não existe a mínima possibilidade...
, fica aí. Vou descer.
– Danny, não precisa...
– ME ESPERA!
Seguido de uma gargalhada muito típica de Danny Jones, escutei a ligação cair.
Eu ia ficar lá, certo? Por Deus, o show ia começar em trinta minutos!
– Hey, Star Girl!
Aquele “stá gâl” típico britânico, somado a um sotaque pesado de Bolton.
Danny correu desajeitado pelo corredor D, com um sorriso de rasgar o rosto, e me pegou pela cintura, rodopiando meu corpo na frente de centenas de pessoas. Algumas notaram, outras nem se deram ao trabalho de olhar. Me agarrei ao pescoço dele e comecei a rir, meio de desespero e felicidade.
Danny era intenso, e mesmo convivendo com ele por quase sete anos, ainda não tinha me acostumado com tamanha excentricidade.
– Oi, meu amor! – Ao ser colocada no chão, tirei os cabelos da cara e sorri para ele. – Não precisava vir até mim, disse que podíamos nos encontrar depois do show.
– E não te dar um beijo de boa sorte? – Dito isso, ele me deu um beijo molhado na bochecha – Panic! At the Disco em Wembley, ! Meus parabéns!
– Obrigada, obrigada de verdade. – Eu estava NAS NUVENS. – Dougie ainda está bravo comigo?
– Por causa dos ingressos? – Danny riu. – De jeito nenhum, acho que ele conseguiu para outro dia.
– Mas eu prometi backstage, é que na hora azedou tudo.
Love, impossível ele ficar bravo com você, fica tranquila. Estamos de boa.
– Okay, fico mais calma. – Sorri – Então, seu lugar é bacana? Consegue ver bem o show? Acho que consigo te colocar na frente, é que não quero abusar da minha sorte.
– Está ÓTIMO! O bar fica a quatro passos de onde estou; melhor, impossível.
– Perfeito. Bom, já que vai beber, quer uma carona na volta? Imagino que não veio dirigindo.
, eu te AMO! – E mais um beijo molhado, na outra bochecha dessa vez – Aceito a carona, ia pegar um Uber, mas sua carona é bem melhor.
– Combinado. Avisa a Georgia que vou levar o marido dela são e salvo para casa, para ela dormir tranquila.
– Vou falar. – Danny olhou para o palco e percebeu uma movimentação – Vou te deixar em paz, star girl. Boa sorte hoje, vai dar tudo certo.
– Vai sim – sorri empolgadíssima –, obrigada por estar aqui.
– Sempre e para sempre.
Disparei pelo corredor até chegar ao palco e encontrar Zack com a cara séria, mas quando me viu, sorriu com os lábios fechados. Ok, eu não estava tão encrencada assim.
– Zack, me desculpa! Encontrei um amigo meu aqui e fiquei conversando...
, respira, está tudo bem. Vamos colocar a contagem regressiva agora no palco. Vai tomar uma água, relaxa, o Brendon quer dar uma palavrinha com você antes do show.
– Ele está no camarim?
– Sim, mas vai agora porque ele está quase saindo.
– Tudo bem, tudo bem.
Zack me deu uma garrafinha de água e lá vamos de novo colocar as pernas para fazer exercício físico.
Brendon Urie. Vocalista do Panic! At the Disco e meu atual patrão. Ele detesta quando o chamo de “boss”, é muito sério, muito diferente do ambiente de trabalho que ele gosta. Ele me achou pelo meu Instagram profissional, e na cara dura enviou uma DM perguntando se eu estava disponível para fotografá-lo, como se fosse um teste. Óbvio, eu aceitei. Três dias depois estava em Los Angeles, totalmente perdida, no meio da equipe dele, rodeada por americanos. Logo eu, que passei os últimos cinco anos na Inglaterra.
O ensaio fotográfico foi na própria casa de Brendon, com sua esposa Sarah e seu cachorro. Literalmente para me testar, e eu passei no teste. Uns dias depois eu assinava o contrato para fotografá-lo pela Turnê Pray for the Wicked na Europa. Visitei lugares incríveis como Amsterdã e Paris, mas meu coração se aqueceu quando voltamos para a Inglaterra. No caso, eu voltei. O McFly em peso achou um absurdo eu fotografar o Panic!, fui considerada – na brincadeira – traidora. Como eu ousava cuidar de outra banda emo que não fosse o McFly? E desde quando McFly é emo? Só o Dougie, ou a fase Wonderland...
Apesar da implicância saudável, os meninos do McFly e suas respectivas famílias abraçaram o projeto comigo e ficaram radiantes. Mais dinheiro, mais fama, mais fotos, mais crescimento. Eu precisava de um trabalho importante e essa uma grande chance. Todo mês correr atrás de alguma coisa para conseguir pagar o aluguel é foda, não consigo pensar em outra palavra. O Tom me ajuda com a grana, o que me deixa muito puta! Mas, se não fosse por ele, não sei onde estaria. Carrie, sua irmã, alugou o antigo apartamento dela para mim, e por um preço ridiculamente baixo. Quando preciso de dinheiro, Carrie e Tom me arrumam trabalho do nada, desde fazer umas fotos das crianças até fotografar a Carrie no teatro. Eles são a minha família aqui, devo tudo aos Fletchers.
E a também.
Mas isso fica para depois.
A , o , o , o , o ...
É, fica para depois.
– Brendon, quer falar comigo? – Abri a porta do camarim e o vi tomando um shot de alguma coisa com o pessoal da banda.
, chega mais! – Ele me ofereceu a bebida – É para dar sorte.
– Posso beber antes do show? – Perguntei ao entrar no camarim e me aproximar deles.
– O quão fraquinha é você? – Ele começou a rir.
– Quase nada. – Sorri e peguei o copinho de shot.
Merda, era vodka.
Eu detesto vodka!
– Seguinte – Brendon estalou os lábios e os dedos –, geralmente em grandes estádios a gente costuma deixar o Jake na frente, mas o palco aqui em Wembley está gigante. Vou precisar de você na frente também.
– Okay, como ficam as panorâmicas?
– Tem uma equipe do próprio estádio, a gente se vira com isso depois.
– Hoje você vai fazer a death walk?
– Vou, e hoje você é a escolhida.
– Ai, Brendon... – Fechei os olhos e os cobri com minhas duas mãos.
, você consegue. – Jake, o outro fotógrafo, apoiou umas das mãos no meu ombro e apertou de leve. – Segue o fluxo. Zack vai estar com vocês, então não se preocupe com as fãs, foca no Brendon e tudo vai ocorrer bem.
– As pessoas estão falando bastante isso para mim hoje.
– O que?
– “Tudo vai ficar bem” – suspirei –, pareço tensa?
– Mais tensa que em Paris – Brendon disse –, e lá nós estávamos bem lotados e você cuidou de tudo perfeitamente.
– O lugar era muito pequeno. – Respondi e todos concordaram.
– Enfim, o papo está bom, mas temos um show a fazer. – Brendon esfregou as duas mãos e todos, eu inclusa, nos preparamos – BOM SHOW, PORRA!
Bom show.


I – I’m all panic and no disco

– O CARA VOOU NUMA PLATAFORMA ENQUANTO TOCAVA PIANO! Fletcher, nós precisamos fazer isso numa próxima turnê.
– Que turnê? – Estiquei meu pescoço e ouvi a risada alta de e . – Vocês ouviram turnê? Eu ouvi mente o Danny falar TURNÊ!
– Turnê do McFly? Para de beber, Jones. – Tom fez um gesto com as mãos e ignorou o surto de todos.
– Vocês já voaram em cima de uma plataforma, Danny, e foi em Wembley. – Comentei.
– Aquilo foi diferente, vocês também fizeram isso, não é, ?
– Sim, mas tinha cinco pessoas na plataforma, dava um certo equilíbrio.
– EXATAMENTE MEU PONTO! – Danny bateu na mesa e espalhou batata assada no colo de todos – Brendon estava SOZINHO com apenas o PIANO em uma PLATAFORMA! Eu gravei o vídeo, olha só...
– Nós já vimos, querido. Várias vezes, por sinal. – Georgia apareceu com um pano para limpar a bagunça do marido.
– Quer ajuda? – Me levantei na direção de Georgia, mas ela sorriu e negou com a cabeça.
, você deve estar exausta. Três dias consecutivos de trabalho, sente-se e descanse. Só peço desculpas pelo meu marido, está mais surtado que nunca.
– Não sabia que ele era tão fã assim de Panic! at the Disco. – Comentei rindo – Deixa eu te ajudar com alguma coisa, você também não parou desde que chegamos.
– Imagine...
– Georgia, deixa essa mulher fazer qualquer coisa, nem que seja lavar um copo! – me abraçou por trás e nós rimos – Eu juro que ela tem virgem no mapa astral, e um pouco de capricórnio também. Que chata, meu Deus!
– Tudo bem, eu não quero que se incomode, mas se quiser arrumar a comida na cozinha...
– Arrumo! – Exclamei.
Vi rolar os olhos, isso significava que ela também iria arrumar a comida na cozinha. Apesar dos anos convivendo com o McFly, ela não se sentia tão à vontade com eles. Eu passava muito tempo com eles, e o também, mas vivia em outra vibe agora. Mais caseira, focada na própria arte. Ela se aventurou em pinturas abstratas e conseguiu abrir um ateliê minúsculo, mas bom o suficiente para pagar as próprias contas. Não, ela e não moram juntos, mas estão juntos.
Era comum nos reunirmos na casa de Danny ou Tom aos finais de semana, quando eles estavam disponíveis, óbvio. Houve um período de afastamento, período esse que me aproximei mais de Tom do que dos outros membros, porém, picuinhas do McFly à parte, eles estão bem. E eu também.
Não perdi minha amizade com , mesmo durante meus anos no Brasil. Dois anos no total. Ela me ligava sempre, torcia muito para que eu pudesse voltar, e me ajudou de várias maneiras, desde entregando meu currículo até indo ao Brasil por um mês. Ela e ficaram firmes e fortes, para surpresa de todos.
Mesmo após o fim da banda.
Incrível.
Me mantive próxima a e . Perdi contato total com e aparece esporadicamente no meu Instagram, deixa um comentário ali, outro cá. Mas não conversamos pessoalmente há anos, talvez por ele ainda ser muito próximo ao .
.
– Então, como vai ficar agora? Seu contrato acabou? – perguntou enquanto colocava carne assada em um pote de vidro.
– Brendon gostou bastante do meu trabalho, disse que se precisar de mais alguma coisa, vai me ligar. Tem a Billboard aí daqui a pouco, eles estão avaliando meu portifólio.
– Billboard, premiação? – arregalou os olhos. – Amiga, isso é grande.
– Eu vou ser mais uma fotógrafa no meio de vários gigantes, mas quem sabe.
– Brendon vai se apresentar?
– Sim, duas vezes, mas ainda é segredo.
– Duas vezes?
– É segredo, .
– Bom, é bem certeza que ele vai te colocar lá no meio, o cara te adorou.
– Espero que sim, preciso muito de uma boa renda para respirar pelos próximos meses.
– Esse trabalho agora não foi bom?
– Foi, sim – suspirei e joguei o pano de prato por cima dos ombros –, é que é foda contar nota por nota todo mês, sabe? E não é com o aluguel, é com as compras em casa, comprar novos materiais. Precisei vender uma lente há umas semanas atrás.
, por que não me disse?
– Você ia comprar, mulher? – Comentei rindo. – , eu me viro por aí, consegui um dinheiro bom, pelo menos.
– Quando for assim, fala comigo. Eu não tenho muito, mas a gente divide o que tem.
– Você já fez muito por mim, amiga. – Sorri e encostei a cabeça em seu ombro – Além disso, sei muito bem que você e o pretendem morar juntos em breve, então...
– QUEM DISSE ISSO? QUEM TE CONTOU?
Payne. – Comecei a rir – Caralho, , quando você ia me contar isso?
– Em breve, eu juro. – Ela fez bico – É que... Bom, eu tenho uma outra coisa para te contar. Pelo menos ESSA o não contou.
– MEU DEUS, VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA? – Arregalei os olhos e fiz menção em abrir os braços para abraçá-la.
– Claro que não, credo. Ainda não, desse forno não vai sair NADA enquanto eu não tiver um anel AQUI! – Ela apontou para a barriga e depois para o dedo anelar esquerdo.
– Bom, minhas expectativas caíram por terra agora. – Fechei os braços e fiz bico – O que tem para me contar?
– É sobre a minha mudança com o . – Ela limpou a garganta e piscou algumas vezes. Péssimo sinal, . – Nós queremos fazer uma pequena reunião entre amigos, sabe? Para falar da novidade, a gente sabe como que todos vocês estão torcendo por nós e, ah, já enrolamos demais para juntar nossos travesseiros.
– Acho ótimo, qual o problema?
– Pequena reunião, – ela sorriu com os lábios fechados –, com nossos amigos.
– Essa é a deixa para eu entender que não vão me chamar? – Ri de nervoso – E daí, ?
, amigos.
– Entendi. Ou não?
– Amigos do . – Ela insistia em algo que, honestamente, eu não entendia.
– Eu sou amiga dele, não sou?
– Você e... – Ela suspirou – .
– Oh...
Oh... Entendi.
Percebi que minha boca estava aberta em um mediano “O” e me vi puxando a cadeira da mesa central da cozinha e sentando-me nela.
Não era a primeira vez que ele surgia em nossas conversas, muito menos que e tinham que escolher entre me chamar ou chamar ele. não perdeu contato com nenhum dos meninos, e ia por tabela. Por respeito, ela não comentava nada sobre mim para e vice-versa, mas nós sempre nos encontrávamos em um impasse: quem vai? Eu ou ele?
Cinco anos desde nosso último encontro e nós nunca mais nos vimos.
Bom, nunca é uma palavra meio forte.
Raramente. Com exceção daquele dia em maio...
– Amiga, dessa vez não tem como fazermos duas festas, entende? Então, assim, como posso dizer?
– Eu entendi, . – Suspirei e segurei em suas mãos, visto ela estar sentada à minha frente – Fica tranquila, não vai acontecer nenhum climão entre nós dois na sua festa. – Limpei a garganta – Ele sabe que eu vou?
– Se eu falar que foi ele quem perguntou de você vou ser muito filha da puta?
– Vai, na verdade, já foi. – Eu e ela rimos – Você não fala dele para mim, lembra?
– Acabei de descumprir minha promessa. – Ela jogou a cabeça para trás – Amiga, me desculpa te falar isso, mas puta merda, como vocês são ridículos! Sinceramente, cinco anos nessa novela, você fica com essa cara de bosta quando falo dele, ele fica com cara de desiludido quando eu falo de você...
– Você fala de mim para ELE? , qual nosso combinado?
, eu sou fofoqueira. A fofoca habita em mim há mais de vinte anos. Acha mesmo que vou segurar minha língua?
– AMIGA! – Arregalei os olhos – O que... Como assim?
– Nada demais, eu só informo o básico.
– Qual básico? O SEU nível de básico ou o meu?
– Coisas da vida, .
Levantei da cadeira e fui em direção a pia da cozinha.
Apoiada ali, com as duas mãos segurando firme na pedra de mármore, suspirei fundo algumas vezes, aproveitei para jogar um pouco de água em meu rosto e pescoço.
O quanto sobre mim sabia? E como isso era injusto? Eu não sabia dele, não da vida pessoal, não mais do que todo mundo que acompanha sua carreira.
Não que eu acompanhasse a carreira dele, ou soubesse que o primeiro álbum solo foi um sucesso e eu achei um absurdo ele não ser indicado ao Grammy. Não isso, mas todo mundo sabia. Era um consenso geral. E eu também sabia para quem era a música Two Ghosts, mas isso também era consenso geral.
Palhaço.
– Está brava comigo? Amiga, eu juro que não falei nada demais, nem tem muito o que falar...
– Eu juro que estou a ponto de ficar muito chateada com você... Oi? Como assim não tem muito o que falar de mim? , francamente, eu preciso rever nossa amizade. – Bufei.
– Não é isso, é que você é de boa, sabe? Continua focada nos seus trabalhos, é muito boa no que faz, todo mundo que te conhece te adora, mas você nunca teve nada estrondoso, como “Nossa, sabia que a perdeu uma perna?”, entendeu?
perdeu uma perna? – Perguntei sarcasticamente.
– Não, – ela respondeu baixinho – mas vai estar na capa da Vogue mês que vem.
– Porra, !
– Vocês dois vivem de formas diferentes, é isso. – Ela suspirou – Quando ele pergunta de você eu sempre digo que está bem, ótima, linda, plena, trabalhando horrores, entendeu? E você nunca pergunta dele, aí não tem como eu te falar que ele vai sair na Vogue e talvez na Rolling Stone... – Ela terminou de falar meio se encolhendo, como se não pudesse me dar aquela informação – E, hm, ele sempre acha que você vai fazer parte do time de fotógrafos.
– Ele o quê?
Ok, eu achei que ia conseguir levar essa conversa de forma leve, mas não dá.
Talvez ela devesse ter parado de falar há três minutos, e eu ia reter pouca informação. Ia ter pouco material para surtar, para perder o sono. Agora eu tenho demais, informação demais.
– Que história absurda é essa? , isso não faz sentido, eu não trabalho mais com fotos em estúdio.
– Eu sei disso, ele não sabe.
– Ótimo, pelo menos essa parte você não contou ao .
– Só não contei por que confesso que acho engraçado como ele fica nervoso com as fotos. Ele tem certeza que vai te encontrar, e nunca encontra. Aí ele volta decepcionado, sabe?
– Desde quando você sabe dessas coisas? – A cada nova informação, eu sentia meu coração afundar mais, cada vez mais. E minha pressão cair.
Não era nada disso, não era coração afundando nem pressão caindo.
Era saudade. Saudade dele.
, você está com a boca roxa.
– Preciso de álcool. – Passei a língua nos lábios e fui em direção à geladeira pegar uma cerveja. Danny sempre tinha cerveja.
– Você precisa de água, ou ar. Sua pressão caiu?
– Sei lá, – abri a cerveja e tomei uma golada de uma vez só – minha cabeça está girando.
– Ótimo, e você está bebendo.
... shhhhhh.
Encostei a cabeça na geladeira e fechei os olhos. Uma só imagem apareceu, apenas uma.
13 de maio de 2017, The Garage. O show secreto. O show de lançamento do novo álbum.
Eu não sabia desse show, foi tudo tão rápido.
Nesse dia eu estava em Oxford fazendo um curso de especialização na Christ Church. Não paguei nada, era só um módulo interessante, oito horas no dia, supertranquilo. Meu coração estava inquieto, lançou seu primeiro álbum solo no dia anterior e o mundo inteiro só falava nisso. Todos estavam ansiosos pela estreia solo de , e eu me desviava de todas as notícias igual soldado desvia de bala no meio de um tiroteio. Tentava focar na aula, mas minha mente voava para as fotos esteticamente tão agradáveis dele em uma piscina com água rosa. Quem fez as fotos? Quando foi? Como foi?
Então ouvi o murmurinho de algumas alunas atrás de mim, dizendo que ele ia fazer um show secreto hoje em algum lugar em Londres, o ingresso custava dez libras. Dez ridículas libras para ver ao vivo. Achei incrível, assim como tudo o que ele sempre faz é incrível. Confesso que cheguei a entrar no site de vendas dos ingressos, mas em questão de minutos estava tudo esgotado. Ótimo, certo? E por que me senti mal? Por que eu queria tanto vê-lo? Fiquei mal ao ver algumas pessoas ao meu redor felizes por terem conseguido um ingresso.
Tentei não pensar no assunto durante o dia, até desliguei o celular.
Era bizarro morar na mesma cidade que ele e não o ver com frequência. Ouvia sua voz de vez em quando, quando falava com ele ao telefone por viva-voz, ou em outros momentos por uma mensagem de voz. A voz rouca, pausada e a risada arrastada me destruíam, eu queria tanto saber dele. Mas podia? Eu devia? Eu que terminei tudo, eu que fui embora (de novo), eu que pedi para ele não me procurar porque eu nunca, nunca seria capaz de superá-lo. E superar o que, ? Um amor infantilizado pela mídia, e por muitos de meus amigos, até mesmo minha família. Não era para ser, e não foi.
O curso acabou no horário previsto, perto das 20h.
Era muito fácil retornar a Londres, um ônibus e uma hora e meia bastavam. Ignorei meus pensamentos e fechei os olhos, fracamente marejados. Apertei meu cachecol ao redor de meu pescoço (ou, devo dizer, o cachecol dele) e repeti em minha mente que tudo estava bem, tudo ia ficar bem. Estava feliz por ele, óbvio. Ele merece isso. Pois bem, eu errei em apenas uma coisa: não ligar a merda do celular.
Desci em St. Pancras e fui para a King’s Cross pegar o metrô em direção a minha casa. Nessa época eu morava perto da estação Cross Street, e eu só conseguia pensar que tinha que passar no TESCO para fazer as compras do fim de semana e antes disso parar no KFC e comprar frango frito. Essa ia ser a minha janta.
Sabe o que eu fiz? Nada disso. Foi estranho, apesar da minha fome gigantesca e da necessidade de comprar algo para comer, não quis parar em lugar algum, só pensava em ir para casa. Foi nesse caminho, assim que desci na estação de Cross Street, que liguei meu celular. Demorados os segundos para ele funcionar normalmente, ele não parou de apitar. E vibrar.
Era mensagem atrás de mensagem, ligações perdidas, a grande maioria de , algumas de e até do Tom. Ao passar meu Oyster Card pela roleta da estação, acompanhei as notificações se multiplicarem. Saí correndo, desesperada, com o coração na boca, imaginando que algo tinha acontecido com algum dos meus amigos. Era o único motivo para tal desespero.
Da estação até minha casa era catorze minutos, e eu fiz em cinco. Foi então que entendi, eu finalmente entendi... E me arrependi amargamente por não ter parado para ler ao menos uma mensagem. Uma mísera mensagem. Ali, na Highbury Corner, a poucos metros de onde era meu apartamento, eu entendi tudo.
A aglomeração não era tão grande, acredito que o show já tivesse terminado há um bom tempo, eram quase 23h e eu via alguns pais buscando suas filhas. Elas estavam chorosas, mas em total êxtase, felicidade plena. Deve ter sido incrível.
, o show do É NA SUA RUA! – .
THE GARAGE, THE GARAGE! – .
, sério, por que você não lê as mensagens? –
Vem pra minha casa depois do curso, . – Tom.
ATENDE ESSA MERDA DE CELULAR. –
Você vai encontrar o hoje, não diga que não avisei. –


? – Ali, parada em frente ao meu prédio e observando as pessoas, sem nem ao menos ter coragem de entrar em minha própria casa, agarrada a uma patética esperança de vê-lo, liguei para minha melhor amiga.
– Graças a Deus, onde você está?
– Cheguei em casa, bom, na rua de casa.
– Ele está aí? Você o viu?
– Não, – suspirei e percebi que na verdade, eu chorava – só as fãs.
– Amiga, vai para sua casa, por favor. Quer que eu vá dormir com você?
– Não precisa, eu vou ficar bem. Acho que devo agradecer ao universo por ter me tirado de casa hoje.
– Vou concordar com você, – ela riu – que cagada, !
– Deu tudo certo, nenhum dano.
– Amanhã a gente se fala, sem falta! Me liga, ou vem aqui direto. Quer tomar café da manhã comigo? Ou almoçar?
– Te ligo assim que acordar e decidimos tudo, combinado?
– Combinado, – percebi que sua voz era de alívio – te amo, boa noite.
– Boa noite, amiga.
Era para eu ter ido dormir.
Era para eu ter entrado.
Mas não, não fiz nada disso.
The Garage só tinha uma entrada, a principal, e se ele ainda estava ali, ia sair por aquela portinhola.
Nunca imaginei ver se apresentando num lugar como esse, é desconexo, surreal. Eu, irritante demais na adolescência, que sonhava em visitar o CBGB em Nova Iorque, por ser o berço do punk rock, vejo agora , meu ex bonequinho namorado, se apresentar em uma casa foda de shows.
O mundo capotou demais!
Me aproximei das fãs, como quem não quer nada, e, apesar de ter me dado tão mal com fãs do no passado, dessa vez ninguém pareceu se incomodar com a minha presença. Suspirei de alívio e caminhei bem devagar em direção a porta, só para espiar como estavam as coisas por lá. Dei uma espiadinha, inclinei meu corpo e ri de como eu parecia estúpida. Me afastei e fiquei na calçada, esperando não sei o que! Só sei que não queria sair de lá. A movimentação das fãs, as camisetas rosas com a capa do álbum, o álbum em mãos, vozes roucas de tanto gritar, as conversas paralelas de como ele tinha mudado, estava diferente, como que era estranho vê-lo sozinho no palco. Tanta coisa, tanta parte de mim ali naquelas conversas, naquelas frases. Parte de mim que não existe mais, que eu não faço mais parte.
Comecei a me sentir como uma intrusa, como quem não pode e não deve estar ali.
Respirei fundo e virei a cabeça uma última vez ao local onde, horas antes, estava. Sorri e desejei boa sorte, com todo o carinho que ainda sentia por ele.
E então...
– Moça? Moça?
– Pois não? – Virei minha cabeça para a voz que aparentemente me chamava.
– Você veio ao show? – Era staff do . Identifiquei pelo cordão em seu pescoço.
– Ah, não. – Dei de ombros e sorri – Moro aqui do lado, só vim saber o que estava acontecendo.
– Okay, é que você parecia curiosa. – O cara sorriu e eu também. Curiosa não é a palavra certa, mas ok – E menos histérica que as outras meninas.
– É que elas acabaram de sair do show, – ri sem graça – qualquer pessoa fica histérica com . – Apontei para o poster do show colado em uma das paredes. – Hm, ele já foi embora?
– Eu não posso te dar essa informação. – O staff levantou os ombros e começou a rir – Me desculpe.
– Claro, eu entendo totalmente, eu que peço desculpas. – Dei novamente uma olhadinha de leve para dentro do local, e o staff (que acredito chamava-se Marlon, ou Marloon) gargalhou. – Se eu falar que conheço o moço do poster, você deixa eu entrar?
– Quantas meninas falaram isso hoje para mim? – Ele colocou a mão no queixo, pensativo – É, você vai ter que ser mais original que isso.
Deixa comigo.
Então, eu namorei o em 2012, assim que a One Direction estourou. Eu fiz algumas fotos do encarte do Take Me Home, mas eu nunca levei os devidos créditos, pois nós terminamos em dezembro de 2012 e então eu fui arrancada da vida dele. Ah, também tem o show no Brasil em 2014, nosso último encontro, e eu tive que escolher entre ele e Eddie Vedder. Olha que loucura, não é mesmo?
Não falei nada disso, óbvio que não.
Parece fanfic, mas aconteceu comigo.
– Moça, você parece ser bem legal e muito mais calma que as outras que vi hoje por aqui. Se esperar cinco minutos, eu consigo um poster autografado, pode ser?
Ai, Marloon ou Marlon. Sinceramente!
– Deixa quieto, moço. Acredito que você está bem cansado, não quero dar mais trabalho. Eu vim aqui de curiosa mesmo, e já matei minha curiosidade.
– Ai, caramba... Moça, espera aí! – O staff parecia comovido (ou agoniado) e nervoso com a minha presença. Como se me devesse algo – Um autógrafo, eu consigo isso para você, afinal, você perdeu o show e mora aqui do lado, não é mesmo?
– Os ingressos acabaram rápido demais. – Dei de ombros.
– Espera, cinco minutos. – Ele virou as costas e eu comecei a rir de nervoso – Só uma coisa, qual seu nome, por gentileza?
Mentir? Não mentir?
Sandy, Lorenna, Amber, Marina, Cristina, Jennyfer, Kate, Emma, Abby...
, – minha voz falhou e eu limpei a garganta – .
, ok. Eu já volto.
Cruzei os braços e me encostei na parede do The Garage. Maio era muito quente em Londres, e mesmo assim eu sentia arrepios em meu corpo, de cima para baixo, rápidos demais. Olhei para a rua, que se esvaziava, e para meu prédio, logo ao lado. Se eu saísse correndo, chegaria em dois minutos e essa noite não ia terminar em tragédia. Por que infernos eu fui abrir minha boca e falei meu nome verdadeiro? Se bem que, quem disse que ele vai se lembrar de mim?
Para de ser idiota, óbvio que ele vai lembrar.
Ai dele se não lembrar.
Eu vou embora, eu vou...
? – Me assustei e vi o staff voltando com o poster autografado.
Ele não se lembrava?
Caralho, sério? Eu virei isso? Um nome num poster?
– Ele assinou! – Tentei colocar um pouco de alegria em minha voz, mas o que eu queria mesmo era ir tomar satisfação com . Que porra é essa, querido? – Que legal.
– Hm, isso vai parecer estranho e desde já peço desculpas por essa pergunta, mas, por acaso, você é brasileira? – O staff parecia confuso, e eu ligeiramente aliviada e nervosa.
– Ele pediu para você me perguntar isso?
– Pediu, – o staff riu – vocês se conhecem de verdade, não é? – E ele gargalhou – Meu Deus, me desculpe.
– Olha, qual seu nome?
– Maicon.
– MAICON! – Falei alto e ele se assustou. Lembrete pessoal, procurar oculista – Fique tranquilo, nós não nos vemos há anos e eu nem esperava que ele fosse se lembrar de mim.
– Mesmo assim, ele pareceu bem surpreso quando disse seu nome.
– Surpreso bom?
– Sim, sim, muito bom. – Maicon enfatizou o bom – Escuta, ele só pode sair por essa porta, e enquanto a rua não ficar mais vazia, não tem como. Você quer, não sei, falar um oi? Eu acho que ele escreveu alguma coisa para você no poster, em algum lugar. – Maicon me entregou o poster autografado e, no canto inferior estava escrito, bem pequenininho “gênio”. Sorri escancaradamente – É você mesmo.
– Como assim? – Ergui minha cabeça, tentando afastar meus olhos da grafia de e do nome peculiar que ele sempre me chamou.
– Ele disse que você ia reconhecer essa palavra, só disse isso.
– É... – Continuei sorrindo como uma idiota. – Eu só estou surpresa, eu não esperava...
– Gênio?
Minha frase foi interrompida, e por uma voz tão conhecida por mim e que agora era uma lembrança.
Um sonho antigo que, aparentemente, estava mais uma vez à minha frente. Era ele.
Meu corpo amoleceu e pensei que fosse cair na calçada, na frente de todos. Na frente dele. A voz surgiu por trás de Maicon e eu conseguia ver sua silhueta muito mais alta e perfeitamente definida. A iluminação não era das melhores, e isso o transformava numa sombra com calça rosa cintilante. Calça rosa?
– É você, não é? – A pergunta, acompanhada de uma risada baixa e quase rouca, me desmontou.
– Oi, .
Não houve resposta, só alguém me puxando pelo braço para dentro do The Garage. Fui sufocada em seu abraço úmido e quente pós show, que meu eu adolescente era tão acostumada. Timidamente, apavorada em fazer algum movimento brusco, envolvi meus braços ao redor do seu corpo, muito maior e diferente do de 19 anos. Ele viu isso como uma permissão para apertar mais o abraço e nos deixar sozinhos naquele momento. Não falamos nada, só respiramos juntos. E é isso o que lembro desse dia. De nós dois, do cheiro dele, dele mais uma vez comigo. Depois veio conversa fiada, nós estávamos meio desconexos, como dois estranhos, a gente não sabia para onde olhar, ou se podia se abraçar de novo. Eu bloqueei o que aconteceu depois, porque o abraço foi essencial, e é nessa lembrança que eu corro até hoje quando penso nele. Em como ele tem o melhor abraço do mundo.
Limpei os olhos e virei a cabeça para encontrar me encarando assustada.
Devo ter apagado – EM PÉ! – com a cerveja na mão em plena cozinha de Danny Jones.
– Amiga?
– Desculpa, acabei mergulhando a cabeça onde não devia.
– Para onde você foi?
– The Garage, – respondi com uma risada embrulhada num choro – foi a última vez que falei com ele, mesmo.
– Teve uns encontros depois, não teve?
– Coisa rara, amiga. – Funguei e limpei o nariz – Ele saindo de um bar, eu entrando, o aniversário do , ele indo embora mais cedo porque eu ainda estava lá, mas nós nunca mais conversamos, sabe? Acho que ficou bem claro que não somos mais compatíveis.
– Que besteira é essa, ? Vocês se completam totalmente.
– Nessa vez, no The Garage, foi bom e estranho, sabe? – Beberiquei a cerveja e a coloquei em cima da mesa da cozinha – Eu não lembro do que conversamos, mas foi bizarro. Era como se eu quisesse falar tanta coisa, mas não saía nada de bom da minha boca. E ele estava num momento totalmente diferente, amiga. Eu tinha acabado de voltar pra Londres, sem um puto no bolso, contando as moedas para comprar comida congelada no TESCO e ele lá, iniciando o segundo ato da carreira dele. Ali, de novo, sendo jogado na minha cara “, olha só, vocês não têm nada em comum, tá bom, amiga? Desencana, supera, esquece o boy”.
– Sabe que eu tenho uma outra lembrança desse dia? – Ela sorriu para mim de uma forma tão genuína e quase maternal. Até estranhei – Já que colocamos as cartas na mesa, vou te contar. – Ela riu graciosamente, bem a de dezessete anos que eu lembrava – Ele ligou para o , por vídeo.
?
– Sim, – ela sorriu – depois desse encontro, que na sua cabeça você acha desastroso, para ele foi a melhor coisa que podia acontecer. A cereja do bolo do show, como se fosse um sinal que tudo ia dar certo.
– Ele disse isso? – Senti meu corpo esquentar, poro por poro.
– Amiga, ele ficou tão feliz. Assim como você, ele também não soube explicar o que aconteceu depois do abraço. Se não me engano, a palavra que ele usou foi “atordoado”.
– Eu o deixei atordoado? – Comecei a rir.
– Ele até perguntou para uns amigos dele se todo mundo tinha visto você, porque pareceu uma visão. Mas muito rápido, você foi embora meio correndo, não foi?
– Acho que sim, eu não lembro, amiga.
– Acho que ele disse isso, que você estava inquieta e queria ir embora. Ele até ofereceu carona e você disse que morava no prédio ao lado.
– Eu disse onde eu morava? Como não me lembro disso?
– Não sei, mas acho que ele passou na sua rua alguma vezes, uma eu sei que foi com o . Você não tem ideia de como ele ficou aliviado quando soube que você mudou de bairro.
– Lá era meio estranho mesmo, eu tinha um pouco de medo.
– Ele também, nós todos, mas ele mais. – Ela mordeu os lábios e batucou na mesa – Posso falar uma coisinha? De leve?
– Fala, .
– Eu acho que vocês deviam tentar de novo, – ergui meu rosto e ela já começou a negar com a cabeça e com as mãos – não, não um relacionamento amoroso, não é isso. Uma aproximação, uma amizade.
– Eu e , amigos? Amiga, você sabe que não vai dar certo.
– Por que não? É bem óbvio que vocês se gostam, que tem carinho um pelo outro, porém há muita mágoa também. , ele fala de você até hoje, e eu só não te conto por que você escolheu não querer saber.
– Por que ele fala de mim? – Joguei minha cabeça para trás e soltei um gemido – Ai, garoto!
– Amiga, pensa nisso, por favor. Por mim, pelo , e por todos nós que queremos fazer apenas uma festa e não duas porque não podemos colocar e no mesmo ambiente. – Ela riu com gosto e eu fui obrigada a concordar. Nós dávamos muito trabalho.
– Eu prometo que vou pensar com carinho.
, francamente!
– Pensar em ser amiga dele, mas, essa frescura de não ficarmos no mesmo ambiente vai passar, prometo. Não vou mais fazer isso.
– Que bom, uma batalha vencida.
– E quanto a sua festa...
– Ele vai, você vai, todos nós vamos e vai ser maravilhosa. Uma hora dessas o já deve ter contado a novidade ao Danny e ao Tom, e provavelmente estão discutindo onde vai ser nossa celebração.
– Tom vai querer que seja na casa dele, quer apostar quanto?
– Lá é maior mesmo, ótimo espaço para você sair correndo e se esconder do , se necessário.
– Há-há, gracinha. – Mas sim, essa era uma opção. Sair correndo e me esconder – Eu estou muito feliz por você e pelo seu pumpkin.
– Eu sei, . – veio até mim e me deu um abraço apertado – E eu vou ficar muito feliz por você e pelo seu... Seu...
– Nós nunca tivemos apelidos. – Comecei a rir.
– Tudo bem, então pelo seu .
– Ele não é meu.
– Seu amigo, .
– Amigo.
– Melhor amigo, – ela abaixou a cabeça e disse baixinho – com benefícios.


Continua...


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Nota da autora (13/05/2021): Valei-me Deus, SENHOR! O que eu estou fazendo aqui? Não faço ideia, não sei se isso vai continuar, não sei se vai dar certo, mas aqui estou. Após quase oito anos da conclusão da primeira parte de 500 Days in London, estou aqui descumprindo a minha MAIOR promessa: de não fazer a parte II. Mas, sabem como é, Harry Styles tá por aí, ganhando Grammy e sendo lindo com roupa da Gucci, não teve como eu fugir. Essa é a terceira versão da segunda parte (eu deletei as duas primeiras), e ela pode ser modificada e alterada a qualquer momento de loucura dessa autora que vos escreve. Nunca se sabe o que vai acontecer, eu posso, de novo, detestar tudo e começar do zero. A responsabilidade é gigante e o pavor de desagradar vocês, também. Gente, não tenho muito o que falar agora, só espero que gostem. E Abby, mais uma vez, OBRIGADA PARCEIRA! Comentem muito, por favor, e me procurem no Twitter pra gente conversar sobre essa volta (e pra rolar um incentivo, gente, por favor).
Se cuidem, fiquem em casa (se puderem), usem máscara, álcool em gel. Cuidem de quem vocês amam, não aglomerem. É isso, beijos de luz no coração de vocês. Gi x


N/B: Erros? Enviem para mim por email, não usem a caixa de comentários, por favor. Lembrando que esse email NÃO é da autora. xx Abby



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