Young Blood




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Última atualização: 01/03/2021

Prólogo

Eu andava impaciente de um lado para o outro na grande e bem decorada sala-de-estar do Sr. Bullock, mais conhecido como atual marido de minha mãe e, consequentemente, meu padrasto. Já havia estralado de todas as maneiras possíveis todos os dedos das minhas mãos, e perdi a conta de quantas voltas dei naquele sofá, mas a única coisa que me acalmaria naquele momento era mostrar para a minha mãe a verdadeira face do homem que lhe cedera o sobrenome, que por sinal era o mesmo homem que naquele exato momento estava a traindo no próprio quarto que dividiam como marido e mulher.

Eu finalmente desmascararia aquele desgraçado de uma vez por todas.

Ele era tão previsível, trazer uma das amantes para dentro de casa enquanto a esposa está no trabalho e o enteado em uma suposta viagem de lazer à uma cidade vizinha. Richard só não contava com o possível fato de eu ter mentido sobre sair da cidade justamente para pegá-lo no flagra. Eu sempre desconfiei dele, desde a primeira "ajudante pessoal" que aparecera em uma das manhãs que minha mãe viajara à negócios. Os minutos dele estavam contados, e acabariam assim que Anne colocasse os pés no andar de cima e o ouvisse gemendo para alguém que não era ela. Digamos que uma ligação dizendo que Richard estava passando muito mal foi o suficiente para tirá-la do seu posto de advogada e vir correndo para casa, socorrer o infiel marido e descobrir, assim, toda verdade.

Eu não pude controlar o sorriso maléfico que surgiu no canto dos meus lábios assim que a porta da frente foi aberta e dali surgiu Anne, com sua expressão inteiramente preocupada, a qual logo se transformaria em puro ódio.

─ Onde ele está?

Eu apenas apontei para cima em resposta, fazendo a mulher andar apressada até as escadas e começar a subi-las rumo ao fim do seu casamento. E é claro que eu não podia perder o grande espetáculo que seria Richard Bullock sendo chutado para fora de sua própria casa, então logo tratei de acompanhar os passos da minha mãe até o primeiro andar da casa. Quanto mais nos aproximávamos da porta que nos separava da crua e fria verdade, meu coração acelerava cada vez mais. Minha mãe não duvidaria mais dos meus ataques contra Richard, os quais ela sempre achou exagerados e sem fundamento, eu provaria para ela, e especialmente para mim mesmo, que eu estava certo desde o começo sobre o caráter daquele homem.

Assisti em expectativa quando a mão de Anne tocou a maçaneta de metal e a girou, empurrando a porta rapidamente e finalmente nos dando vista para o interior da suíte.

─ Querida? Voltou cedo hoje.

Confusão foi o que invadiu minha cabeça ao encarar a cena perfeitamente normal de Richard deitado em sua espaçosa cama, tranquilo, enquanto assistia ao jornal da manhã.

─ Você está bem? me ligou dizendo que estava passando mal.

A voz da minha mãe era apenas um plano de fundo enquanto minha mente trabalhava em vasculhar todos os cantos do quarto com os olhos e procurar qualquer resquício de que alguém esteve por ali. Porém não havia nada minimamente suspeito que pudesse ser utilizado para entregá-lo por seu ato infiel.

─ Cadê ela? ─ perguntei, interrompendo a conversa entre os dois.

Eu tinha certeza de que havia ouvido as risadas, os gemidos, as frases soltas. Eu não estava ficando louco.

─ Ela quem, ? ─ Richard questionou com uma atuação surpreendente.

Eu não pensei duas vezes em sair abrindo a porta do banheiro e a do closet. Se havia alguém ela devia estar por ali ainda, ou em algum lugar daquele andar de cima, já que eu ficara vigiando as escadas o tempo todo.

─ A mulher, porra.

─ Que mulher? ─ Anne me encarou, confusa, logo direcionando seu olhar também a Richard, que apenas deu de ombros. A cara de desentendido dele só estava me fazendo querer socá-lo ainda mais.

─ A mulher com quem você estava traindo a minha mãe! ─ falei, enquanto me agachava para olhar embaixo da cama. Nada.

─ O que? ! ─ O rosto da minha mãe se encheu de raiva, exatamente como eu havia previsto, mas diferente do que eu planejara, seus olhos furiosos estavam direcionados não ao seu marido, mas sim, a mim. ─ Eu não acredito nisso, essa foi a gota d'agua! Peça desculpas ao Richard agora!

Eu a encarei na mesma hora, indignado.

Não, na verdade, aquela era a gota d'água para mim, não para ela. Não sei quantas vezes eu tentei avisá-la do grande traste que era Richard, mas esse filho da puta sempre se safa e minha mãe sempre prefere acreditar nele do que em seu próprio filho.

, o que você tem contra mim? Eu sempre te tratei bem, te considero quase um filho. O que eu tenho que fazer para mudar a sua cabeça para que pare de pensar o meu pior? ─ Richard já estava em pé agora, ao lado de Anne, os dois demonstrando em seus rostos sua irritação.

─ Para mim já chega, . Se você não consegue viver nessa casa, talvez devesse sair ─ a mulher soltou a frase que eu nunca imaginei que algum dia sairia de sua boca.

─ Está me expulsando? ─ perguntei enquanto tentava compreender em que momento Richard havia feito uma lavagem cerebral na minha mãe. Aquilo não parecia ser ideia dela.

─ Você pediu por isso ─ o desgraçado disse, só me dando ainda mais certeza de que ele era o arquiteto de tudo aquilo.

─ Isso é coisa sua, né, seu filho de uma p... ─ Fui em direção a ele, mas minha mãe colocou-se em minha frente, me impedindo de continuar.

! ─ gritou. ─ Está decidido, você vai sair!

Eu me afastei, passando a mão nos cabelos e respirando fundo na tentativa de controlar a raiva que corria pura pelas minhas veias.

─ E para onde a madame pretende que eu vá? Você simplesmente vai desistir de mim por causa dele? ─ soltei as palavras com o tom mais repulsivo que consegui.

─ Talvez você deva passar um tempo com seus tios ─ completou.

Passar um tempo com meus tios? Querem me tirar de um inferno para me colocarem em outro? Eu já sou bem grandinho para isso, porra.


Capítulo 1

Aos 3 meses de vida eu e meu irmão Lou, que é alguns anos mais velho, fomos abandonados na porta de um orfanato em Los Angeles. E com a graciosidade do sistema de adoção Americano, nós passamos por um total de 5 famílias entre 2000-2010, foi o que eu chamo de uma verdadeira tragédia, até conhecermos Desmond e Christopher, o casal que nos salvou. Ambos nos acolheram da forma que estávamos, com todo o amor que nos faltava para oferecerem. Hoje, são as duas pessoas mais importantes da minha vida e eu passaria por tudo novamente, apenas para chegar aos braços acolhedores dos dois.

Todo meu processo agitado como criança, não parou por aí. Quando eu tinha 11 anos, meu apelido na escola era catapora, porque eu tinha alergia a cloro, então, todas as vezes que eu entrava em uma piscina com muito produto químico, ficava toda empipocada durante dias, foi apenas uma festa da Middle School necessária para que eu ganhasse esse codinome amigável. Todos passaram a me chamar dessa forma, incluindo um professor (que foi levemente processados por meus pais). Também tive muitos problemas com vôlei, basquete e garotas bonitas. Não que eu não fosse bonita, eu era, eu sempre fui, só não era unicamente tão importante para mim. Não tenho muito gosto de falar sobre meu passado turbulento e dramático, gosto muito mais de pensar em quem eu sou hoje. Porém, todos esses momentos me transformaram exclusivamente em quem eu sou hoje: inteligente, incrível, boa em quase tudo o que faz e linda, principalmente.

Me resumindo brevemente, as palavras chaves que me definem: festa, álcool, livros de estudo, cheer e, por último, a garota que você provavelmente não deveria se envolver, acho que vou decepcionar suas expectativas.

Estudo Biologia na University of California, em Irvini, localizada perto de NewPort Beach. E também sou a Capitã do time de Líder de Torcida, estando apenas no segundo ano, inacreditável. E, não, eu não moro em um dormitório, minha casa se encontra apenas a 20 minutos de distância da faculdade, não tinha necessidade alguma.

Normalmente, eu preferia andar na volta para a casa, assim, poderia passar pela praia e ficar por lá um tempo. O dia de hoje havia sido extremamente cansativo, pois tivemos treino às sete da manhã, antes da aula. Eu estava quebrada de tão cansada.

, você vai querer carona hoje? — Lou perguntou, enquanto tirava as chaves de seu carro do bolso.

— Não, ainda tenho que passar pela sala da Sra Garcia. — Revirei meus olhos, pensando no próximo sermão que estava por vir.

— O que você aprontou dessa vez? — Meu irmão riu, provavelmente esperando que eu teria bolado todo um plano complexo para demitir outro professor assediador.

— Não aprontei nada, Louis!

Ele cerrou os olhos e sorriu de lado.

— Ok, eu coloquei um sapo dissecado dentro da mochila de um garoto. — Passei as mãos pelo cabelo, sorridente. — Ele mereceu, estava ameaçando espalhar fotos comprometedoras de uma menina da sala, não podia deixar essa passar.

— Louis disse, gargalhando —, você precisa parar de fazer essas coisas, alguma hora vai ficar ruim para o seu lado.

— Eu duvido, o diretor me adora.

— Não, ele adora Desmond Twist — disse, sincero —, você é um bônus que ele tem que aturar.

— Ah, Louis, você é tão engraçadinho. — Eu reviro os olhos. — Eu sou incrível, só não vê quem não quer.

— É sim, . — Ele abre a porta do carro — Preciso ir, te vejo em casa, então.

— Tchauzinho! — Assopro um beijo pelo ar.

Meu irmão também estuda na UCI, porém, ele estuda Medicina e arruma tempo para fazer parte do time de futebol, não tenho ideia de como ele maneja todos esses compromissos. Louis é a pessoa mais importante da minha vida. Esteve comigo todos esses tempos, nos mais difíceis, nos mais felizes e no cotidiano, eu confiaria toda minha vida nele, sem pensar duas vezes. Ele é bem parecido comigo, olhos claros, estatura mediana, cabelos castanhos e também combinamos em alguns pontos de personalidade.

Segui pela extensão do campus, até a sala da professora de morfologia. Minha melhor amiga estava esperando em frente a porta, sentada nos banquinhos de madeira que estavam por ali.

— Achei que você fosse demorar mais — falei, deixando minha mochila próxima a ela.

— Hoje é sexta feira, não tenho tempo a ser desperdiçado — respondeu, sorrindo.

— Senhorita Twist — Sra. Garcia estava parado a porta, com a mão direta estendida, indicando que eu entrasse na sala.

— Senhorita Garcia — Sorri, acenando para , entrando na sala.

, você sabe por que está aqui, não sabe? — Ela se se assentou, repousando as duas mãos em sua mesa principal.

— Olha, se foi por causa do sapo, você deveria saber que Josh mereceu e...

— Sapo? — Indagou — Não sei do que está falando, senhorita.

— Pois então, também não tenho ideia de que sapo é esse.

— Ahm — raspou a garganta — estou falando sobre Sr. Malik.

Minhas mãos gelaram e eu pude jurar que ela conseguia ouvir as batidas do meu coração de onde estava. O que eu deveria fazer? Fingir que não sabia de nada? Jogar as cartas na mesa? Bancar a inocente?

— O que tem o Sr. Malik?

— Eu que te pergunto, .

Olhei para a janela, onde havia adolescentes andando para lá e para ca, procurando desviar o olhar preocupado da professora. No desespero, enviei uma mensagem para , pedindo que me ligasse e eu fingisse que era uma ligação de Desmond. Magicamente, meu celular começou a tocar no mesmo segundo.

— Só um segundo, Senhora. — Coloquei o celular no ouvido — Oi pai — mordi os lábios, nervosa — sim, eu já estou indo para a casa. Não, tive que passar na sala dos professores entregar um trabalho. Sim, está comigo. Ok, já estou indo.

— E então?

— Preciso ir, meu pai precisa conversar comigo sobre algo importante — disse, me levantando e indo em direção a porta.

— Nós vamos conversar sobre isso, .

— Não sei do que você está falando, Sra. Alma. — Repousei a mão sobre a maçaneta — te vejo na segunda.

Respirei aliviada quando fechei a maçaneta, olhou para mim com uma expressão preocupada e eu apenas fui em direção a minha mochila. Balancei a cabeça, procurando afastar todos aqueles pensamentos penosos que me rodeavam a cada segundo.

— O que ela queria? — perguntou, se levantando e acompanhando meus passos acelerados.

— Nada demais, queria saber sobre o sapo. — Sorri de lado. — Vamos, Desmond realmente quer que eu esteja em casa o mais rápido possível.

Amigos? Hum, essa é um pouco complicada. Eu tenho minha turma, como todo jovem normal. , Liam, Jake, Louis e Niall. Meus amigos, na verdade, são e Liam, Jake e Niall são amigos do meu irmão, mas nós estamos sempre juntos e tem sido assim desde que éramos crianças, esse é meu time. Se você me vir pelos corredores da faculdade, provavelmente me verá com eles.

, diferente de mim, estuda música, odeia qualquer tipo de esporte e é introvertida. De qualquer forma, ela é minha melhor amiga. Praticamente vive na minha casa, meus pais chegaram a comprar uma cama maior para que ela não precisasse mais dormir no chão.

— Como foi sua aula hoje? — perguntei.

— Ah, foi bem tranquila. Tive aulas de expressão e de cifras. — respondeu, despreocupada. — E as suas?

— Bem cansativas, quase pedi por socorro.

— Você parece cansada, vai ter pique para a festa de hoje à noite?

— Provavelmente, você me conhece. Não perderia por nada.

— Ouvi dizer que aquele Dj famoso vai estar lá.

— Ah, eu duvido, Jake odeia colocar Dj’s nas festas. — Dei de ombros. — Ele prefere bandas.

— Uma banda no meio da praia? — Ela olhou-me de forma estranha.

— Sim, por que não?

— Por que bandas são coisas de pubs.

— Não sei, só espero que Jake tenha amigos decentes — respondi, mordendo meu lábio inferior.

Andamos algumas quadras até chegarmos na orla da praia, aquele era meu ponto de paz. Todas as tardes eu passava por ali, algumas ficava mais tempo do que outras, mas sempre precisava ao menos vê-la. Minha casa ficava a apenas dois quarteirões da praia, era meu paraíso. Quero dizer, o paraíso era dos meus pais, eu só tinha sido sortuda demais.

Meus pais, não sei o que dizer sobre eles, porque eles são simplesmente os melhores pais que poderiam existir. Desmond Twist é inglês, um juiz renomado da região. Ele é um pouco rígido e bravo, totalmente dessemelhante de Christopher, que veio diretamente de Los Angeles, despreocupado, tranquilo, estiloso e chefe de cozinha. Ele possui um simples restaurante a algumas quadras daqui, acredito que não precise de muito mais que isso.

Abri a porta da frente e fui até a sala, onde todos estavam sentados em volta da mesa de centro, atípico demais para uma sexta-feira à tarde. Christopher olhava preocupado para Desmond, Desmond olhava para onde eu estava e Louis estava sentado com uma bola de futebol no colo.

Estou fodida? O que eu fiz dessa vez? Não há nenhuma forma de saberem sobre... A não ser que...

, sente-se, por favor — Chris pediu. — Oi, , você pode ficar se quiser.

Bom, me chamou de , provavelmente não foi algo que eu tenha feito.

— Como foi a aula? — Des perguntou, enquanto eu me assentava.

— Foi tudo bem, tenho um trabalho para terminar até segunda e treinei muito hoje. — Sorri, simpática.

— Então, nós precisamos falar com vocês dois sobre um assunto importante — Des continuou — antes de tudo, gostaríamos de saber se vocês estão 100% de acordo com o que vamos expor, porque esta residência também pertence a vocês e precisamos ter certeza de que todos estarão bem com a decisão tomada.

Louis e eu nos entreolhamos, já chegamos a nos perguntar se eles adotariam algum outro filho no futuro, mas esse pensamento foi descartado há anos atrás, quando Christopher e Desmond tiveram um problema com outro processo de adoção, eles decidiram não tentar mais. Nosso processo ainda não está completo por inteiro.

— Vocês se lembram da minha irmã, Anne?

— A que mora em Londres? — Louis perguntou.

— Exatamente. Se lembram que ela tem um filho?

— Infelizmente tenho lembranças sobre isso — soltei, revirando os olhos.

. — Christopher me repreendeu.

— Pois então... Anne nos pediu para que viesse passar um tempo conosco.

— Por mim tudo bem. — Lou disse, tranquilo.

— Por mim tudo bem, também. É fácil fingir que ele não existe por alguns dias — dei de ombros.

— Não serão dias, . — Des me interrompeu — Serão meses, não sei exatamente quanto tempo ele ficará aqui.

Engasguei ao tentar falar novamente. Eu já não tinha que lidar com problemas demais para aguentar a porra do vivendo no quarto ao lado? Qual meu problema com ele? Bom, ele fazia da minha vida um inferno quando éramos crianças e, eu fazia a dele, é claro. Mas do meu jeito. Aconteciam coisas como colocar trigo em meu travesseiro e eu colocar formigas na cama onde ele dormia, sempre fomos problema um para o outro. A última vez que o vi foi a três anos atrás, no natal em que fomos para a Inglaterra, e não foi nenhum pouco amigável. Não conseguimos ficar no mesmo como sem trocarmos palavrões e xingamentos.

— Olha, vocês sabem que eu tenho um carinho enorme por vocês e faria de tudo para manter essa casa em um perfeito estado de paz — balbuciei —, mas é extremamente complicado permanecer no mesmo ambiente que . Por meses.

, sei que vocês têm alguns problemas. Mas eles podem ser resolvidos — Chris disse, me olhando com sua expressão chateada. Droga, ele sabe que não posso dizer não. — precisa da nossa ajuda.

— Eu posso tentar cooperar — respondi, balançando as pernas —, porém não posso cooperar por ele. Vou fazer minha parte, espero que ele também faça a dele.

— Agradeço a tentativa, — Desmond falou, se levantando — espero que vocês possam se dar bem de alguma forma, seria interessante se vocês pudessem ser amigos.

— Caterpillar in the tree, can’t go far but you can always dream — repliquei, dando um sorriso amigável e uma risada sincera — Desculpe, não pude perder essa.

— Está vendo só, Christopher — Des o olha — nós damos amor, ensinamos frases motivadoras desde crianças, encorajamos e eles usam isso contra nós.

— Quanto drama, amor. — Ele ri, me acompanhando.

“Caterpillar in the tree, can’t go far but you can always dream” (Lagarta na arvore, você não pode ir longe, mas sempre pode sonhar) era a frase que eles nos falavam todas as noites antes de dormir, principalmente nos dias mais turbulentos devido ao processo de adoção.

— Quando ele vem, pai? — perguntei, respirando fundo.

— Amanhã, meu amor. — Chris respondeu.

— Oh, boy... — Bati a palma da minha mão na testa.

Definitivamente não estava preparada. Nada como encontrar o inferno no dia seguinte da ressaca. olhou para mim, rindo, fazendo uma joia com ambas as mãos, recebendo um dedo do meio de presente. Ela sabia o quanto esse moleque me irritava profundamente.

— Vai dar certo, . — Louis me disse, simpático.

— Poxa, acabei de me lembrar que a me chamou para passar o fim de semana na casa dela.

— Chamei? — ela me olhou, estranha

— Chamou — a respondi, brava.

— Jura? — Des nos interrompeu — Uma pena, . terá que ficar por aqui para receber , mas você é sempre bem vinda.

— Por que você me tortura dessa forma? — Encostei a cabeça em seus ombros.

— Por conta da história do sapo.

— Como você sabe disso?

— Encontrei os pais do garoto no mercado.

— Pelo amor de Deus, aquele banana não serve para nada mesmo. Precisa correr para os papais. — Revirei os olhos.

, você não tem mais idade para colocar sapos nas mochilas alheias.

— Ele mereceu! — Retruquei, indignada.

— Eu aposto que sim...

Christopher estava rindo da cozinha e Louis balançava a cabeça negativamente, olhando para o chão. Eu amo essa família com todas as minhas forças. De qualquer forma, o momento família terá que ser interrompido, pois eu tenho uma festa daqui a algumas horas.

e eu nos afastamos da sala, indo para o quarto. Chris nos disse que o jantar estaria pronto as 19:30, e que teríamos que comer antes de ir.

Abri a porta do quarto e a fechei com cuidado, para não fazer nenhum barulho. Minha amiga se jogou na cama, me olhando, esperando que eu a dissesse onde estava o que faltava para essa noite.

— Louis comprou bebida para mim, está no quarto dele. — Sorri, mordendo os lábios.

— Ótimo, já decidiu com que roupa você vai?

Sexta feira estava só começando.


Capítulo 2

Ela conseguia lembrar muito bem do que havia acontecido na noite anterior. Se lembrava de passar algumas horas enrolando as pontas de seu cabelo, fazendo uma maquiagem, escolhendo roupa e ajudando a fazer o mesmo. Saiu de casa por volta das 20:30, de carona com Louis, que por algum milagre arrumou um tempo para se divertir. Como ainda não podia beber, muito menos em público, pegou seu copo divertido de 1L, que comprou na semana anterior e misturou a vodka que Louis havia comprado, com um energético de morango, muito gelo e suco de limão. A própria bebida que a levaria ao blackout.

Nem havia saído de casa, mas já estava se divertindo. Louis passou na casa de Niall e iriam encontrar com Jake logo em frente à praia. A banda tocava tão alto que até brincaram, dizendo que a polícia estaria ali em questões de minutos, se alguém passasse pelo local vazio. Tudo estava tão lindo, as festas na praia eram sempre as melhores, tirando que ela sempre ajudava a pegar a bagunça quando acabasse, pois não suportava a ideia de deixar um lixinho se quer pela areia. Porém, dessa vez não foi assim. Ela não voltou para casa com Louis, se perdeu de e Jake, não avistava Liam em nenhum canto e o que sobrou foram a trocas de olhares com o professor de música.

Em qual horário ele havia chegado, que ela não tinha percebido? Qual foi o ponto da noite que deixou de prestar atenção em seu copo colorido e começou a perseguir o moreno tatuado de canto do olho? Deus, parece que ele a seguia, o encontrava nos corredores do departamento de biologia, o encontrava no Walmart, o encontrava nos bares aos finais de semana, shoppings... era como se algo os atraísse. E ia a loucura. Lembrava das suas noites sem dormir ao lado dele, as escapatórias do seu apartamento nas segundas-feiras de manhã e principalmente as quintas-feiras a noite, em sua sala. E como ela gostava desse jogo. Gostava da adrenalina de não ser pega e, em especial, de como ele a fazia as fincar unhas nas tatuagens de suas costas, sem que reclamasse nem um pouco.

E, num passe de mágica, estava dentro de seu carro, perdida nos olhos castanhos do professor, que se encontrava em cima dela. Ela estava tão bêbada que nem se importaria se algum policial notasse as balançadas do carro na rua escura em que Sr. Malik havia estacionado. Era errado, e, por isso, era perfeito. Perfeito para alguém tão confusa e atrapalhada como . Ela era assim. Bagunçou-se nos goles de whisky e tragos que roubava do homem, não se deu conta de que horas eram, nem se lembrou que deveria estar em certo ponto as duas e meia da manhã, como pediu Louis. Apenas, mais uma vez, se encontrava rendida pelo charme do professor, perdendo o rumo do presente, deixando-se levar pelo êxtase que ele a causava.

só se deu conta de que horas eram, quando seu celular começou a vibrar com uma sincronia diferente, indicando que seu pai estava a sua procura. Balançou a cabeça, assustada, acordando de seus pensamentos momentâneos e olhou para o visor, eram mais de quatro horas da manhã. Louis deveria estar uma fera, com certeza estava tentando apaziguar a situação e Liam estava à procura dela, é claro. Estava fodida. Mas ela sempre estava, como dito, era o que ela fazia de melhor: se foder.

Ignorou a chamada, mesmo sabendo que era o que seu pai mais odiava nesse mundo e apenas disse “tenho que ir”, procurando suas roupas pelo canto e deixando o carro o mais rápido possível. Correu em direção à praia, no local onde havia marcado com todos. Louis estava preocupado, andava de um lado para o outro com o telefone em mãos, esperando a hora certa de contatar seus pais sobre não ter dado nenhum sinal de vida. Mas sua expressão irada foi-se embora quando viu a irmã correndo em direção a eles, com o cabelo bagunçado, a blusa no avesso e as sandálias em mãos, ele logo entendeu seu desaparecimento. Desapontado, perguntou qual era a desculpa que ela havia arrumado para aquela vez e ela mandou dizer que havia perdido seu celular e que todos estavam procurando. Disseram que acharam o celular perto de onde estava com Sr. Malik, em caso de seu pai procurar o GPS ou algo assim. Então, passou o caminho todo levando sermão de Louis, que sabia exatamente com quem ela estava, porém, evitando pronunciar o nome para que ninguém que estivesse presente, soubesse.

chegou em casa e teve que elaborar a mentira para Christopher, confirmada por Louis e . Logo, foi para seu quarto, exausta. a olhava com o mesmo olhar de cedo, confusa, tentando ligar os pontos da vida misteriosa da melhor amiga. dormiu antes que ela perguntasse qualquer coisa.

[...]

— Bom dia, Jailson — disse, sentada ao lado direito da cama, enquanto abria os olhos. Esse era apenas um nome aleatório que ambas usavam por diversão.

— Adriele, vai dormir — errou o nome da amiga de propósito, desejando voltar a dormir.

— Não consigo, algum barulho de coisas batendo na escada me acordou.

— Hum, talvez meu pai esteja arrastando móveis, sei lá — bocejou — que horas são?

— Dez e alguma coisa, você não quer ir a praia?

— Pode ser, vamos comer alguma coisa, então.

Ela estava desconfortável, desviando de qualquer assunto que levasse ao seu desaparecimento de noite passada. Porém, eventualmente teria que contar a ela cada detalhe do que havia acontecido por baixo das cortinas nos últimos meses. Ao invés disso, colocou uma música que ambas gostavam e levantou-se para trocar de roupa, acompanhada por sua amiga. Lavou o rosto, tirando o resto de maquiagem da noite passada e, quando foi colocar seu biquíni, notou que haviam pontinhos roxos espalhados por seus seios, fazendo-a suspirar fundo. Decidiu, então, colocar uma blusa por cima de tudo, ato que normalmente não fazia. Não ligava de desfilar de biquíni pela casa, apenas vestia um short para ir até a praia, “o que é bonito é para ser mostrado”, pensava. Também colocou o short, mesmo antes de sair de casa, porque as marcas em seu quadril ainda estavam vermelhas demais para serem descobertas. Não se orgulhava disso. Mas não conseguia se segurar, era incontrolável. Estar perto do professor era incontrolável. Do professor de , o cara que ela mais odiava no mundo.

Elas saíram do quarto quinze minutos depois, seguindo até a cozinha, onde encontraram omeletes muito bem-feitas por Christopher, no micro-ondas. mexia em seu celular, evitando contato visual com a melhor amiga, que provavelmente estaria olhando-a com aquele olhar.

O caminho até a praia foi mais lento do que o normal. Foi passando protetor solar durante todo o trajeto, para conseguir chegar até lá pronta para encarar o mar. Pensou em muitas formas de contar para a amiga o que estava acontecendo em sua vida e como chegou a esse ponto. Mas foi surpreendida com a presença de Jake, Louis e Niall, segurando pranchas de surf, perto do quiosque próximo a sua rua. Não sabia se estava feliz ou desapontada, porque tinha sido salva pelo gongo, ao mesmo tempo em que tentava achar coragem para contar o que tanto desejava.

— Hey — Jake saudou, nós abraçando, seguido por Niall.

, — Louis se dirigiu a nós, sorrindo — achei que dormiriam até tarde, por isso não as acordei.

— Eu também, aparentemente não se pode mais dormir até meio dia aos sábados naquela casa — disse, revirando os olhos — Oi, meninos.

— Fui acordada por coisas batendo na escada, fiquei encarando a até ela acordar — respondeu, sorridente.

— Devem ter sido as malas do , também fui acordado pelo mesmo motivo.

— Ele já chegou? — Perguntou .

— Sim, mas estava dormindo quando sai.

— Oh, boy! — Revirou os olhos. — Eu não estou preparada para lidar com aquele demônio da tasmânia.

— De Londres, você quer dizer — Niall brincou.

— Olha aqui, loirinho, não estou para piadas.

— Você só está para desaparecer na madrugada e não dar satisfação, então?

— Como ousa, tenho certeza que você foi pego fazendo a mesma coisa! — apontou o dedo na cara do amigo, rindo.

— Droga, fui mesmo — ele colocou as mãos no rosto — fui pego em flagrante.

— Ew, Niall! Você estava transando em público? — indignou-se.

— Não! Estava no banheiro químico — respondeu, irônico.

— Eca! Nojento, nojento e nojento! — fez expressão de nojo, acompanhada por .

— Você acredita que eu fui mijar e dei de cara com a bunda branca dele? — Jake interferiu na conversa.

— E quem era, Niall? — arqueou sua sobrancelha, curiosa.

— Eu conto se você contar! — respondeu o loiro, sabendo que ela não contaria.

— Poxa, fica pra próxima — Riu, desconfortável.

e estavam indignadas com desgosto do que estavam ouvindo, porém, gargalharam quando Jake soltou sua última frase. Eles continuaram conversando, enquanto decidiu se afastar um pouco do grupo e ir para o mar. Entrou com toda a roupa que estava, deixando o irmão e a melhor amiga curiosos demais, como esperado. Aquele era o único momento possível para limpar a alma de todos os seus pensamentos turbulentos. Esquecer todas as encrencas que estava metida ou que já havia se metido ao longo da vida, talvez nunca fosse esquecer. A água estava congelante, como de costume, o pacifico dificilmente a trazia uma corrente quente, momentos extremamente raros por ali. As ondas estavam indo e vindo infinitamente e o sol queimava sua pele, onde suas roupas não cobriam. Aproveitou seus momentos na água sozinha, até seus amigos se juntarem a ela, com pranchas maiores que eles e piadas inacabáveis, precisou deixar seus pensamentos de lado para rir de Jake e Niall caindo entre as ondas e , mais uma vez, jurar que nunca mais tentaria surfar.

[...]

Toda a diversão foi interrompida por estômagos roncando. , porém, decidiu deixar os amigos na praia e ir para casa descansar. Ou melhor, checar o celular para ver se havia alguma mensagem perdida. Se despediu dos amigos e do irmão, dizendo que conversava melhor com ele quando chegasse em casa e seguiu, enrolada em seus próprios braços, pois havia esquecido de levar uma toalha ou uma canga e se deparou que nenhum dos carros estava em casa, pensou que a casa provavelmente estaria congelando por conta do sistema de ar interno e tirou a roupa molhada, torcendo-a no quintal de trás, após tomar uma ducha. Deixou o short e a blusa pendurados em uma cadeira e entrou em casa, dando de cara com a figura que menos suportava no mundo todo, olhando-a de cima para baixo.

— Perdeu alguma coisa, ?

A noite de havia sido péssima. Odiava aviões. Odiava para onde estava indo. Odiava não conseguir parar de pensar no inferno que seria viver ao lado de , sua não-tão-amada priminha. Procurou um milhão de motivos para ficar na Inglaterra, prometeu para sua mãe de pés juntos que sairia de casa em breve, mas ela não confiava em sua palavra e isso deixava irado, estava farto de duvidarem dele. O trabalho que teve para convencer a faculdade de fazer a transferência no meio do semestre foi imenso, ainda mais fazer a UCI aceita-lo, aconteceu graças ao Desmond.

Teve que encaixar toda a sua vida em duas malas de 23kg e uma mala de mão que foi substituída pelo seu violão. Seis cordas e dedilhados o faziam se sentir melhor, se ao menos pudesse toca-lo durante o voo, aliviaria metade da tensão. Passou o voo todo tentando convencer a comissária de bordo a dá-lo um copo de Whisky, mas não era permitido beber whisky na classe econômica.

Descer do avião foi a pior parte. O calor de Los Angeles invadiu sua camisa preta, fazendo-o transpirar por partes que ele nem lembrava que poderia transpirar. Estava exausto. A espera pelas malas parecia mais longa do que todo o voo, elas não chegavam nunca, só queria chegar em casa e dormir o máximo que conseguisse. Após as malas chegarem, foi mais uma vida para Desmond chegar com o carro, pois havia ficado preso no transito infernal da cidade dos Anjos.

Já estava enjoado das suas músicas, nem seu fone aguentava mais ficar parado em seu ouvido. Avistou o carro de Desmond ser estacionado na rua e soltou um suspiro aliviado ao ver seu tio descendo do carro.

— Olá, — Ele sorriu, arrumando os óculos escuros.

— Oi, tio Desmond.

O tio o abraçou rapidamente, nunca foi muito caloroso, diferente de Christopher. Os dois eram os pais que nunca teve, mas ele não quer falar sobre isso agora. Na verdade, acho que nunca estaria preparado o suficiente para falar sobre este assunto.

— Como foi o voo? — Pergunta, enquanto pega malas e coloca no porta-malas.

— Foi péssimo, não dormi nem uma hora — respondeu , bocejando.

— Sinto muito — Desmond disse, sincero.

Ao entrar no carro, se deparou mais uma vez com uma particularidade de seu tio: música clássica. Havia se esquecido do tanto que ele gostava e se surpreendeu quando ele ofereceu o bluetooth para conectar com a música que quisesse. Estava sendo simpático demais? Talvez quisesse agrada-lo, mas sem reclamações, apenas apontamentos. Ele não estava acostumado com esse tipo de coisa. Sua mãe Anne, era um anjo de pessoa, porém o oposto quando o assunto era homens, era seu ponto fraco e destruiu sua relação com o filho ao longo dos anos, o famoso dedo podre.

Dizem que a maça não cai muito longe da árvore, mas caiu bem longe. Ele era o fruto estragado. A pessoa que não conseguia — de forma alguma — manter uma relação estável, por conta do seu passado. E isso, o transformou em um jovem um tanto quanto complicado. As festas, as bebidas, os cigarros, e as mulheres e, o tornavam outra pessoa, completamente diferente do que carregava um violão, uma câmera e alguns livros para lá e para cá.

A paisagem da freeway o deixava nostálgico, passara bons verões pelas ruas quentes da Califórnia. A liberdade de se hospedar perto ao mar e caminhar durante as madrugadas vazias preenchia seu coração abalado, mesmo não sendo sua estação preferida, amava sentir a brisa noturna de ventos quentes e cheiro de mar.

[...]

Nem havia percebido que dormira no caminho e já estava em frente à casa de seus tios. Caralho, tinha como essa cidade ficar mais quente a cada minuto que passava? Sair do carro com ar condicionado foi, definitivamente, a pior parte da viagem toda. Como as pessoas viviam dessa forma? Com todo esse calor?

Christopher estava parado na porta da casa, encostado na madeira do hall. Ele tinha um sorriso no rosto e um copo com limonada na mão direita, indo na direção de assim que desceu do carro.

— Bem-vindo, ! — Ele se aproximou, o abraçando.

— Obrigada, Chris. — separou o abraço e foi ajudar Desmond a tirar as malas.

— Espero que tenha tido uma viagem tranquila, imagino que esteja cansado.

— Estou, preciso tomar um banho e dormir, o mais rápido possível — riu.

— Preparei uma omelete para você comer, como ainda está cedo — Christopher disse, levando o copo até a boca — eu tenho que ir para o restaurante daqui a pouco, mas Louis e estarão em casa se precisar.

— Você vai também? — perguntou a Desmond.

— Sim, vou ajuda-lo a limpar algumas coisas mais delicadas, mas volto assim que puder.

não respondeu, olhou de lado e deu um sorriso torto. Desmond e ele pegaram as malas e levaram até seu novo quarto, logo próximo a uma porta com alguns adesivos de animais colados pela madeira pintada. ouviu risadas saindo pelo pequeno espaço que separava a porta do batente, duas risadas diferentes, na verdade. Revirou os olhos, pensando que seria obrigado a conviver com isso pelos próximos x meses, bem ao lado, ainda por cima. Talvez Louis pudesse trocar de quarto com ele? Talvez pudesse construir um quarto ao lado de fora da casa?

Ambos entraram no quarto em silencio, observou o local, que possuía uma cama de casal logo abaixo da janela, um armário alto e de madeira branca ao lado direito da cama e uma mesa de escritório logo ao lado direito. O banheiro era localizado na porta da frente do quarto, próximo a porta de Louis e eles teriam que dividir.

— Obrigada pela ajuda, acho que posso ir me virando a partir daqui. Estou bem cansado — disse , abrindo uma de suas malas por cima da mesa.

— Entendo, eu vou deixar sua omelete em cima da cama, tudo bem? Apenas tome cuidado com o Bacon, ele pode te deixar sem comida em dois minutos.

— Não o vi — respondeu confuso.

— Ele deve estar com , só sai do quarto quando ela sai de casa — riu.

— Ah, sim — disse, sem mostrar muito interesse — obrigada, tio.

— Sem problemas, qualquer coisa só me mandar uma mensagem. — Desmond seguiu para a porta — Bom descanso.

assentiu com a cabeça e respirou fundo. Porra, ele odiava estar ali! Talvez duas semanas por ano fossem suficientes para a família perfeita funcionar de uma forma que a dele não funciona. Detestava se perguntar milhões de vezes o que havia feito para merecer tudo o que passou com seu pai e tudo o que passa recentemente com sua mãe e seu amado padrasto, traidor, manipulador e mau caráter! Amava seus tios, com todo o coração. Porém não suportava não entender porque as coisas boas não aconteciam com ele. Se sentia só. Se sentia abandonado.

A água gelada do chuveiro não era suficiente para o calor que sentia, mas estava tão cansado que quase dormiu por ali, ouvindo John Mayer, desconsiderando os sons de carros, pássaros e a luz do sol que batia bem em seu rosto esgotado.

Nem se lembra como, mas deitou na cama com a única peça de roupa que havia pego e dormiu, por horas.

[...]

acordou por volta das duas horas da tarde, coisa que não estava acostumado a fazer. A casa estava silenciosa e talvez vazia, do jeitinho que ele gostava. Colocou uma camisa qualquer, que estava jogada na mala e decidiu que iria arrumar toda aquela bagunça quando seu tio viesse reclamar, porque não estava nenhum pouco afim de arrumar aquilo. Estava cansado demais para deixar o quarto, mas seu estomago falou mais alto, indicando que precisava urgentemente de qualquer coisa que o satisfizesse. Deixou o quarto da forma que estava, pois a omelete não havia sido o suficiente e provavelmente já teria sido digerida, então, foi a cozinha, procurar algum pacote de salgadinho ou qualquer cereal que fosse. Não encontrava nada, somente coisas saudáveis, sem glúten, light, blá blá blá, como viveria nessa casa?

Depois de muita procura, encontrou um pacote de biscoitos recheados no fundo do armário e desejou que não estivessem vencidos. Por sorte, não estavam.

ia voltar ao seu quarto, quando se deparou com tomando uma ducha, pela janela que dava aos fundos da casa. Irreconhecível, pensou se aquela garota poderia mesmo ser sua “prima”, que aguentara por anos. Quer dizer, ela sempre foi bonita, mas parecia outra pessoa.

foi se aproximando a porta, retirando as peças de roupa por cima de seu biquíni e abriu a porta da cozinha, assustando-se com a figura que encontrara. a olhou de cima a baixo, um pouco desnorteado com o que vira ali. Talvez fosse seu corpo, ou talvez fossem as marcas espalhadas pelo seu peitoral, mas não conseguia tirar seus olhos curiosos, até abrir a boca.

— Perdeu alguma coisa, ?


Continua...



Nota da autora: OI OI OIOI LINDAS DA MINHA VIDA COMO VCS ESTAO NESTE DIA RADIANTEEEEEE???

EAI, O QUE ACHARAM DO CAPITULO? GOSTARAM? ESSA BEATRICE SAFADINHAAAAAAAAAAAAAAAAAA

COMENTEM BASTANTE POR FAVORRRR!!!!!!!!!!!!

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