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Última atualização: 14/10/2021
Music Video: Night Changes - One Direction

PRÓLOGO

A raridade de encontrar os dez amigos reunidos depois que a vida se encaminhou de tornar seus rumos diferentes era o motivo da energia contagiante no local. Não precisava de muito para concluir que as risadas eram ouvidas até mesmo na esquina do quarteirão.
A One Direction havia acabado, é verdade. Mas depois de anos sem se falar e de toda a confusão envolvendo a Modest e o Simon ser finalmente resolvida, os garotos — que já não eram mais tão garotos assim — resolveram deixar toda a mágoa e os desentendimentos de lado. Sentiam falta uns dos outros, e de estarem exatamente como agora.
O cheiro de carne assada era predominante, a música tocava ao fundo em um volume não tão alto para não atrapalhar as conversas, as crianças brincavam na piscina animadas enquanto os adultos conversavam na mesa da área de lazer da casa dos Paynes.
— Ei Z, você que tá mais perto da geladeira pega uma cerveja pra mim? — pediu Niall e então todos os outros, com exceção de e , que não estavam bebendo por ambas estarem grávidas, pediram por latinhas também.
— Os anos passam, mas o Niall continua folgado. — Zayn fez uma cara feia engraçada para o amigo, mas pegou as duas levas de quatro latinhas.
— Concordo! — levantou a mão e recebeu um olhar indignado do marido. — O que? Você é folgado sim… Não mais que o Louis, mas é.
— Ei! Virou show de ofensas agora? — Louis parou de rir no momento que fora citado e virou-se para a noiva que também ria. — Essa sua prima é uma dissimulada, amor!
— Sou só uma grávida sincera e cheia de hormônios como todas as outras, Tommo. — ergueu sua latinha de coca em um brinde silencioso. — Vou chamar as crianças para comer.
— Vamos, eu te ajudo! — se prontificou, ajudando a amiga a se levantar e a acompanhando até a piscina.
Depois de alguns minutos na função de convencer os mais novos de que poderiam voltar para a água depois do almoço, as duas finalmente voltaram com as quatro crianças: Grace, a filha mais velha de Niall e que tinha quase seis anos; Anne e Luke, os filhos de Liam e com respectivamente cinco e três anos; e Daisie, filha de Harry e com apenas dois anos.
— Esses dias e eu estávamos lembrando da brilhante ideia de ter nossos primeiros encontros no mesmo dia. — Harry contou, e as risadas já pareciam querer explodir pelo lugar. Aquele de fato era um dia para se recordar e para rir.
— Eu ainda me espanto em como não foi algo combinado. — Liam comentou enquanto pegava Anne no colo.
— Que história é essa, pai? — questionou Grace, enquanto se sentava ao lado de Niall.
— Essa nós nunca te contamos, filha. — respondeu pelo marido enquanto secava os cabelos da filha com a toalha.
— Conta pra gente, tia! — implorou Luke.
As crianças fizeram um pequeno coro implorando e assentiu, pelo menos eles ficariam distraídos a ponto de não notar nem reclamar do tempo da digestão para voltarem para água.
Os adultos, por outro lado, não hesitaram em concordar também. Afinal, era uma história engraçada que simbolizava o início do que todos têm hoje. Algo como o ponto de virada para todos os casais ali presentes.
Seria uma boa tarde de histórias.



UM

Onde Liam Payne se esforça pelo encontro perfeito.


— Acho que seus pais podem começar a contar, meu amor. — sugeriu a Luke, sorrindo para o afilhado. As quatro crianças gritaram animadas e riu, lançando um olhar significativo para o marido. Liam não discutiu, sabia que ela contava histórias melhor do que ele, então só a admirou sorrindo e começando a falar.

🌙💫☀️


odiava poucas coisas na vida com tanta intensidade e a principal delas era se sentir ansiosa ou nervosa por algo que não deveria estar. E era exatamente assim que se sentia naquele momento enquanto batia os pés no chão e olhava seu guarda-roupa como uma equação realmente complicada.
Parte dela se condenava por estar nervosa e a outra tentava simplificar ao máximo a situação para não se apavorar mais.
Tudo começou quando Ava, mãe de , comentou com a mãe de Liam sobre a mudança da filha mais nova para a capital. O garoto, que estava em turnê — afinal, agora era um cantor conhecido mundialmente —, não pensou duas vezes antes de enviar uma mensagem para a amiga de infância e ver se ela estava se saindo bem sozinha em Londres.
Eles conversaram por semanas, retomando a intimidade e sintonia que tinham quando mais novos. , que sempre alimentou uma paixonite pelo amigo, quase tombou para trás quando ele disse que estava retornando e que queria encontrá-la.
— Não é um encontro, é só… O Liam, o seu melhor amigo de Wolverhampton por quem você sempre foi a fim. Está tudo sob controle! — murmurou tentando convencer a si mesma enquanto procurava por uma touca que a protegesse do frio cortante da noite lá fora.
Mas já estava atrasada, o táxi estava a caminho e nenhuma touca fora encontrada nos últimos vinte minutos de busca. Campbell soltou um suspiro de fracasso, varrendo o quarto com o olhar uma última vez e então deparou-se com um chapéu jogado em cima de uma das caixas de livros que ainda não fora desempacotada da mudança.
Bem, não era um gorro. Muito menos estava na moda, visto que era a mesma coisa de sair com óculos escuros a noite. Mas ainda assim era melhor do que acabar com uma crise de sinusite ou até mesmo com um resfriado.
A buzina do lado de fora da casa foi o suficiente para tirar a garota de seus devaneios e fazê-la correr enquanto ainda ajeitava o chapéu na cabeça.
O caminho foi rápido, visto que cada vez mais se sentia pertencente aquele lugar. Já reconhecia algumas poucas ruas, sabia onde costumava ter mais engarrafamento e até mesmo o ritmo mais apressado de andar na rua dos pedestres fazia mais sentido.
Ela desceu do carro, já sentindo a energia animada graças às luzes coloridas e a música ambiente típica de parques de diversão. Liam havia mandado uma mensagem avisando que estaria esperando por ela na frente do carrossel. Campbell continuava nervosa, mas queria acreditar que suas mãos só não suavam por conta do vento gélido, então continuou andando em direção ao enorme brinquedo cheio de crianças animadas.
Faziam muitos anos desde que vira Liam pela última vez, mas parou de andar assim que viu sua silhueta parada à sua espera. Ele vestia um sobretudo bege claro e parecia muito mais forte do que quando tinha dezesseis anos, mas Campbell simplesmente sabia que o reconheceria mesmo coberto de lama para se camuflar.
Payne pareceu sentir o olhar da garota sobre si e então se virou, com um sorriso lindo e segurando duas maçãs caramelizadas. Parte dele tremendo por estar na frente da garota cujo seu coração nunca conseguira esquecer enquanto seu exterior esbanjava tranquilidade.
e Liam estudaram juntos desde o jardim de infância, suas mães eram amigas e acabavam sempre despejando suas expectativas de que eles realmente virassem um casal um dia e no fundo, ele também queria. Passara anos se martirizando por nunca ter tomado atitude e isso só piorou quando ele saiu de sua cidadezinha para o mundo e nunca mais seu tempo fora o mesmo, não conseguiu encontrá-la e muito menos teve a oportunidade de dizer tudo que sempre sentira.
Ao vê-la ali, sorrindo tímida, sentiu como se nunca tivessem se distanciado. Como se tudo passara em um piscar de olhos. Liam prometeu a si mesmo que não esconderia mais seus sentimentos, que daria a o encontro perfeito que sempre quis lhe proporcionar.
! — ele caminhou até ela, erguendo uma das maçãs e dando-lhe um abraço desajeitado. sentiu sua postura se enrijecer, ele precisava mesmo ser tão cheiroso? Que inferno!
— Oi! — ela murmurou com um sorriso tímido — Obrigada pela maçã do amor.
— Eu vi o vendedor na hora que cheguei e lembrei que você gostava de comer quando saíamos da escola. — Liam lhe ofereceu um olhar cheio de ternura. — Contei pra minha mãe que te encontraria aqui e ela ficou toda animada.
— Sério? — Campbell sentiu-se mais confortável quando riu — Eu não disse nada pra minha. Do jeito que ela é ela ia pedir uma foto pra mandar para ela e...
Liam ergueu o celular em sua direção fazendo com que ela se calasse, mostrando a última mensagem de Karen que pedia exatamente a mesma coisa.
— Bem, não posso negar um pouco de alegria pra minha mãe em um sábado à noite. — e então passou a mão pela cintura da garota, aproximando seus rostos e sorrindo para a câmera. — Ela te adora e eu também.
— A recíproca é completamente verdadeira. — sorriu enquanto eles começavam a caminhar pelo parque. — Você está muito diferente, digo… Quase não te reconheci.
Mentira. Mas ele não precisava saber disso.
— Você também mudou bastante, está ainda mais bonita se me permite dizer. Fiquei feliz de saber que está fazendo o que sempre sonhou.
sentiu os olhos brilhando, embora não tivesse certeza de que fora causado pelo elogio ou pelo fato dele ter mencionado sua carreira.
— Sempre soube que você conseguiria. Doutorado é algo muito foda! — ele continuou sorrindo orgulhoso e falando com empolgação.
— Obrigada, Liam! Eu soube no momento que você cantou naquela primeira ligação quando éramos mais novos que você seria um cantor famoso um dia. — ela comentou alisando os braços com as mãos para se esquentar.
— Senti falta de cantar para você dormir. — confessou rindo e ela o acompanhou, bastaram poucos minutos e eles conversavam como antes, compartilhavam memórias da infância e trocavam olhares repletos de significado. Como os bons melhores amigos que costumavam ser. — Ei, olha só! Uma barraquinha de tiro!
Liam a encarou com um olhar idêntico ao de seus alunos depois das histórias contadas no final das aulas de reforço de matemática e então segurou em sua mão gelada para arrastá-la até a barraquinha.
— Você tá congelando… — constatou Payne, tirando o cachecol do próprio pescoço com prontidão e fazendo o mesmo nó no pescoço de Campbell, que só recebera um “shh” como resposta quando tentou contestar. — Vem, vou te conseguir um urso gigante agora.
sorriu, antes de acompanhá-lo. O senhorzinho que tomava conta da barraca sorriu ao vê-los se aproximando.
— Olá, belo casal. Vão querer tentar acertar o alvo?
— Quantos pontos tenho que acertar para conseguir o urso para minha bela dama aqui? — não soube ao certo o que fazer, sentia-se como a garota bobinha de dezesseis anos, mas decidiu parar de se recriminar e deixar com que a magia da noite lhe contagiasse por completo.
— Tem que acertar o centro do alvo. — explicou o mais velho — Uma ficha dá direito a três tentativas, quantas você vai querer?
— Acho que vou conseguir com uma ficha só. — sorriu para o mais velho, lhe entregando as cinco libras e piscando para com uma expressão convencida. Ele se concentrou com o dardo nas mãos e então arremessou. O dardo bateu na extremidade do alvo, mas não se fixou e caiu em seguida.
Campbell ficou roxa de tanto rir da expressão de Liam ir de total confiança para desapontamento total.
— Eu posso tentar se você quiser… — ofereceu ela, limpando a umidade da parte inferior dos olhos antes que estas se tornassem lágrimas incontroláveis.
— Não! — ele disse rápido — Eu vou conseguir esse urso pra você, todos os caras em encontros assim nos filmes conseguem! Não deve ser assim tão difícil...
— Então isso é um encontro? — ela sussurrou, embora sua vontade fosse de continuar rindo de alegria e da irritação do garoto. Mas achou fofa a determinação dele, o que a fez dar-lhe um beijo rápido na bochecha. — Tudo bem, você consegue!
Liam fez uma expressão engraçada e então jogou o dardo acidentalmente quando lançou seu olhar para ela.
— Caralho! Você conseguiu mesmo! — ela bateu palmas enquanto ele parecia acordar de um transe. Seu olhar fora de para o alvo e então seus olhos se arregalaram enquanto via o dardo fincado no centro do alvo e o senhor erguendo o urso gigante em sua direção chateado. Certamente esperava que ninguém conseguisse para conseguir dinheiro de jovens desastrados sem a parte de perder seu prêmio mais caro. Liam aceitou o urso ainda atordoado e então caminhou até a direção de , que sorriu e lhe deu um abraço forte.
— Espero que isso compense os anos que passamos distantes.
— Isso foi demais, mas você sabe que não precisa de muita coisa para me impressionar. — ela exclamou animada e Liam a abraçou pela cintura, aproximando mais seus corpos. — Mas obrigada por se dedicar tanto para um encontro perfeito e por ter conseguido o urso. Acho que você merece um prêmio…
ergueu-se na ponta dos pés, nivelando sua altura a dele e então selou seus lábios. Era como se todo o barulho das crianças gritando e da música animada tivesse se dissipado, como se só existissem os dois ali. Eles se sentiam extasiados, não era como se pudessem esquecer todos os anos de distância em um único beijo, mas a certeza de que teriam mais e mais beijos para recompensar isso era reconfortante como chegar em casa depois de um longo tempo de viagem.

DOIS

Onde Harry Styles salva o dia…


— Isso foi legal, mas eu não consegui achar engraçado como vocês disseram que seria, tia … — murmurou Grace impaciente e então voltou a beber seu suco.
— Essa é só a primeira parte da história, Gracie. Antes de tudo começar a desandar. — riu enquanto ajudava Daisie a comer.
— Certo, acho que é minha vez de contar como transformei o dia ruim da sua tia em no melhor de toda a vida dela. — Harry olhou da sobrinha para a esposa, que lhe ofereceu uma careta debochada.
— Menos, Styles. Bem menos…
— Você sabe que é verdade, docinho.
— E lá vamos nós de volta ao passado… — murmurou rindo enquanto encostava a cabeça no ombro do noivo.
— Na verdade acho que eles nunca deixarão de ser assim. — constatou enquanto observava os Styles em uma discussão.
— Tio, eu quero sabeeeeeer! — Luke pediu impaciente e então os dois adultos trocaram um último olhar repleto de farpas.
— Certo… — começou Harry.

🌙💫☀️


— Você tem certeza que vai ficar tudo bem? — questionou , pela milésima vez antes de deixar a amiga sozinha.
sorriu, embora sua paciência já tivesse desfrutado dias melhores; ela reconhecia o esforço da amiga em tentar ajudá-la. Faziam mais de três anos que elas dividiam uma casa e, desde então, tornaram-se unha e carne.
— Vai, amiga. — prometeu Austen. — Pode ir devolver essa bola de pelos pro Niall, eu não aguento mais ele!
— Não fala assim do Colin... — Arminger a olhou feio, defendendo o cachorro — Ele é um ótimo amigo, tá?
— Ele comeu meus sapatos, !
— Todo mundo erra… — ela deu de ombros — Mas é sério, tenta relaxar. As coisas dão errado por um motivo, sempre tem algo maior e melhor reservado pra nós…
encarou a amiga com uma sobrancelha erguida até que ela levasse as mãos em rendição.
— Tá, eu não sou a pessoa mais coach motivacional ou otimista do mundo. — fez uma careta — Mas só estou tentando ajudar...
Austen sorriu pela primeira vez depois do dia péssimo que tivera. Desde a época dos estágios da faculdade fora contratada por um dos melhores escritórios de advocacia de Londres, assim que se formou fora promovida e permanecera em uma trajetória ascendente até então. Tudo parecia ir de acordo com o planejado, até o momento em que começara a namorar Tyler, seu chefe e filho do dono do escritório. Quer dizer, deu certo até o momento em que ela encontrara algumas irregularidades em papeladas que poderiam tranquilamente destruir a reputação da empresa além de, é claro, reduzir o diploma dela a nada.
Quando ela perguntou a respeito para Tyler, o rapaz desconversou e até mesmo quis ameaçá-la, mas, depois de uma extensa e calorosa discussão, chegamos ao atual momento: onde termina o dia sem emprego e sem namorado.
— Veja pelo lado bom… — recomeçou depois de alguns segundos — Pelo menos você foi mandada embora sem justa causa e vai receber um dinheirinho pra reorganizar a vida. E, de brinde, você ainda se livrou do ser humano desprezível, arrogante e pé no saco que é o Tyler. Só vi vantagens até aqui!
não conseguiu conter a risada com a sinceridade da amiga. Tava para nascer alguém na vida que odiasse Tyler mais que , e não era como se Austen não soubesse que ela tinha razão.
— Tá, agora vai antes que o Colin coma meu cachecol e eu mate você e o Horan antes mesmo de virarem um casal. — a garota rosnou enquanto tentava tirar a peça de tecido da boca do cachorro.
— Primeiro, você sabe que ele só faz isso pra chamar sua atenção, não sabe? E segundo que eu e Niall somos só amigos e você sabe muito bem disso… — disse enquanto acariciava a cabeça de Colin, sem encarar a amiga.
— Sei… — até pensou em mencionar algumas das inúmeras provas de que Arminger estava completamente apaixonada pelo amigo, mas talvez até o fim daquela noite a própria amiga chegaria à mesma conclusão.
— Promete que vai me ligar qualquer coisa?
— Eu não quero atrapalh… — cruzou os braços e a fulminou com o olhar — Tá legal, prometo!
saiu com Colin e então pôde, finalmente, se afundar — ainda mais — entre seus travesseiros e lençóis quentinhos. Não havia chorado ainda. Mesmo que sentisse a vontade presa em sua garganta, a garota odiava demonstrar seus sentimentos na frente das pessoas. No fundo ela sabia que era um livramento, bem como a amiga a dissera, mas não deixava de doer mesmo assim.
amava sua rotina de trabalho, amava as oportunidades que o nome do escritório lhe concedia e, mesmo que não amasse Tyler, ela gostava de estar com ele. Não era nada fácil descobrir que seu namorado era um homem mentiroso além de ser um profissional antiético, ainda mais para uma pessoa tão honesta e firme a seus princípios como Austen.
Quando a primeira lágrima ousou cair, a campainha soou fazendo com que a advogada desse um pulo da cama e secasse seu rosto com pressa.
— Quer ver que a esqueceu a chave de novo? — murmurou a morena para si mesma, fungando devido ao início do choro malsucedido, enquanto se dirigia à porta da casa.
Pronta para xingar a amiga, assim que Austen abriu a porta ela sentiu seu sangue congelar; só não sabia ao certo se era pela corrente de ar frio que se chocara com o ar aquecido de dentro da casa ou se era pelo fato de Harry Styles estar parado em sua frente com o habitual sorrisinho cafajeste de sempre.
— Oi… — ele disse depois de alguns minutos, ainda o encarava confusa — Achei que precisaria de alguém pra te animar hoje.
A relação dos dois estava entre o que a maioria gostava de classificar como amor e ódio, mas não era como se eles se odiassem de fato. As provocações eram divertidas e no fundo eles até se consideravam algo próximo de amigos. Mesmo que através de brincadeiras, Harry sempre deixara suas intenções mais do que claras e, por mais atraente que ele fosse, preferia pensar que tinha uma vida melhor sem ter milhares de adolescentes a odiando. Por mais tentadores que fossem, nenhum beijinho sequer valia sua saúde mental.
— Eu já encarreguei The Vampire Diaries pra isso, obrigada… — ela deu de ombros com um sorrisinho forçado.
— É sério que você prefere ver série, se entupir de sorvete e chorar pelo traste do seu ex do que sair comigo?
ponderou mordendo os lábios.
— É uma comparação meio injusta… — ela começou, vendo um sorrisinho prepotente nascer nos lábios de Styles — Mas não tem como não preferir, Haz… Você já viu o Damon Salvatore?
Mesmo que fosse um dos piores dias no ranking de toda sua vida, a cara fechada de Harry de alguma forma fez o dia de , que gargalhou alto.
— Eu realmente agradeço sua intenção, mas não tô no clima pra sair. — ela deu de ombros e sorriu fraco.
— Eu planejei algo legal pra te animar, Austen. — o rapaz tentou convencê-la — E, além do mais, a quase desistiu de ir encontrar o Niall pra ficar aqui com você. Eu até ensaiei os motivos pra você deixar eu te levar pra sair enquanto dirigia até aqui.
lutou contra si mesma para não deixar escapar nenhum sinal de que achara aquilo adorável.
— E eu posso saber quais seriam esses motivos?
Harry endireitou uma postura e fingiu ser um mensageiro medieval enquanto enumerava os motivos com os dedos.
— Primeiramente, seria uma pena se eu tivesse fodido minha coluna ajudando o Niall a arrumar a casa e a lareira para criar um clima pra eles atoa. O segundo é que você sabe como ela deve estar se sentindo uma péssima amiga e, do jeito que a é, provavelmente vai ficar pensando nisso a noite toda. Em terceiro lugar: eu prometi pra ela que ia cuidar de você hoje e, por último, talvez eu tenha perguntado um dos itens da sua lista de coisas pra fazer antes dos vinte e cinco anos para conseguir realizá-lo hoje à noite…
Austen riu enquanto analisava a feição tensa do rapaz, talvez ele estivesse certo e se distrair não fosse assim de todo ruim.
— Entra aí, eu vou me arrumar.
Assim que a garota virou as costas e deu passagem, Harry soltou um murmúrio de aprovação enquanto fazia movimentava o braço ligeiramente para baixo com o punho cerrado em uma pequena e discreta comemoração. O que ele não esperava era que a garota se viraria bem naquele momento para presenciar seu momento vergonhoso.
— Ok… — ela arregalou os olhos enquanto prendia o riso — Estarei pronta daqui há dez minutos, mas antes preciso dizer duas coisas.
— Estou todo a ouvidos, Austen. — Harry se sentou no sofá, encostando a cabeça no encosto do mesmo para vê-la.
— Primeiro: você jogou sujo! Usar a e a minha lista contra mim foi muita sacanagem, mas devo confessar que também foi muito inteligente.
Ele agradeceu com um aceno de cabeça.
— E segundo: isso não é um encontro!
— Se isso é o que te conforta… Ok. — Styles sorriu despreocupado.
mordeu os lábios para esconder um sorriso e semicerrou os olhos enquanto dava as costas e subia para se trocar. Logo ela estava de volta, devidamente agasalhada e seguindo Styles até o carro.
— O que vamos fazer? — perguntou ela assim que ele deu partida no carro.
— Você vai saber quando chegarmos… — ele riu, olhando-a de relance.
— É sério, Styles. Pra onde vamos? Qual item é? — insistiu, virando para encará-lo.
Harry virou para olhá-la brevemente, conforme o trânsito permitia, e negou com a cabeça.
— Pra quem não queria ir você tá bem empolgada, Austen.
cruzou os braços e virou o rosto.
— Eu só estou curiosa… Seu idiota. E se… E se for um sequestro?
— Claro que eu ia te sequestrar e avisar sua amiga onde planejava te levar. — ele riu e então ergueu sua mão para apertar uma das bochechas dela. — Agora sossega aí pra não estragar a surpresa, nós vamos chegar rápido. Eu prometo.
Ele soltou a bochecha dela e ergueu o mindinho, recebendo um tapa como resposta. Assim como Harry havia prometido, não demorou para que eles chegassem e a garota o olhasse espantada.
— Isso é…?
— Surpresa? — o rapaz deu de ombros enquanto sorria ao vê-la admirando o local.
De todos os itens da lista, Harry escolhera o mais simples e significativo. Havia a levado até uma pista de patinação, um sonho bobo de criança que fora adiado inúmeras vezes pelos contratempos da vida. O céu noturno dava um contraste belíssimo para as luzes de Natal penduradas por toda parte e o ambiente era gélido, mas sentia-se aquecida ao ver inúmeros casais e crianças tão felizes. Algumas pessoas comemoravam por conseguir dar simples passos, outras riam das quedas de seus companheiros e até mesmo de si mesmos, enquanto alguns patinavam com maestria e outros apenas guiavam seus filhos ao segurá-los pelas mãozinhas.
Era simplesmente encantador.
— Vem, vamos escolher nossos patins. — fora despertada de seu momento de introspecção quando Harry a puxara por uma das mãos até o espaço onde eram vendidos os bilhetes e escolhidos os patins.
Eles pagaram pelos bilhetes — depois de uma breve discussão onde a garota insistiu por pagar o próprio ingresso, dando pouca (ou nenhuma) chance de relutância para Styles — e seguiram rumo ao local onde os patins ficavam expostos.
— Qual o seu número? — perguntou ele, enquanto rondava brevemente o local com os olhos.
— 36.
Ela o seguiu por entre as categorias perfeitamente organizadas em ordem crescente até o número que costumava calçar. Harry olhava com atenção para todos os pares, enquanto a garota parecia tentar entender o porquê de tanta demora.
— Eles não são todos iguais? — questionou ela, ameaçando pegar um par qualquer e sendo devidamente impedida por ele.
— Não, tem uns que estão mais gastos e podem escorregar com mais facilidade. — ponderou enquanto olhava a lâmina de um par de patins branco. — Esse aqui está perfeito, o que acha?
Ele os ergueu na direção dela, sorrindo e Austen achou aquela cena tão preciosamente adorável que fora impossível não sorrir junto.
— Eu nunca patinei então acho que tudo que você disser tá ótimo. — ela confessou, fazendo-o rir. — Agora deixa eu ver se aprendi e escolher os seus… Número?
— 42. — Harry respondeu e abriu caminho para que a garota pudesse procurar os patins. Ela os observou por um tempo e então ergueu um par de patins de couro preto.
— Esses aqui eu acho…?
Ele os olhou sem tanta atenção e assentiu.
— Estão ótimos. Agora vem, vamos colocar lá fora.
Os dois saíram em direção ao banquinho e ela ergueu a mão pedindo o par que Harry ainda segurava.
— Senta aí, Austen. — ele disse enquanto se ajoelhava na neve. — Eu te trouxe então não aceito menos que a experiência completa, vou colocá-los em você.
A garota rolou os olhos, mas obedeceu sem relutar. Aquilo era fofo e ela ponderou por alguns segundos se saberia mesmo colocá-los corretamente. Harry tirou as botas dela e então calçou os patins com delicadeza, finalizando a amarração com laços perfeitamente firmes e oferecendo-a um sorriso ao finalizar. Ele estava se esforçando para animá-la e ela definitivamente não queria ser estraga prazeres.
Ele calçou os próprios rapidamente e logo estava de pé no gelo, no entanto fora devagar, receando terminar com a cara no chão logo no primeiro passo.
— Vem! — ele ergueu a mão, ajudando-a a se equilibrar. — O segredo é ter certeza que vai cair e não ter medo disso.
— É reconfortante, realmente. — Austen murmurou sarcástica.
— Nós vamos começar pelos cantos da pista, assim você pode segurar a barra até se sentir mais preparada. — Harry a soltou, mantendo-se atrás dela para tentar evitar acidentes. — Tente não se equilibrar para trás nem olhar pro…
Ele fora interrompido assim que tentou alertá-la para não olhar para o chão, mas fora exatamente o que ela fizera antes de cair ajoelhada no gelo.
— … Chão. — Styles prensou os lábios, tentando conter uma risada, mas não conseguiu quando a própria começou a rir.
— Acho que agora que caí o medo realmente diminuiu. — ela sorriu — Suas dicas são realmente boas.
Harry sorriu presunçoso, mal sabia ela que as dicas eram fruto de uma boa e velha pesquisa no google apenas para impressioná-la e, pelo jeito, estava dando certo. Ele a ajudou a se levantar e logo estavam patinando devagar pela pista — ela segurando nas barras e ele ao lado pronto para evitar qualquer outro acidente.
Amelie era realmente uma boa aluna, visto que, alguns minutos depois ela já patinava devagar sem o auxílio da barra.
— Eu confesso que fiquei um pouco confuso quando a me falou sobre esse ser um dos itens da sua lista…
— Ah… — sorriu triste. — Essa é uma longa história.
— Não é problema, acho que teremos um bom tempo pra você me contar… — zombou enquanto apontava para os lentos passos que ela dava no gelo e ela o acompanhou dando-lhe um leve soquinho no braço.
— Quando eu tinha cinco anos meu avô foi diagnosticado com um câncer nos pulmões e em uma de suas últimas internações ele me prometeu que assim que ele saísse do hospital ele ia realizar esse meu sonho.
O sorriso dela se desfazendo fora o suficiente para que Harry se arrependesse de ter tocado no assunto.
— Eu sinto muito… Eu não devia…
— Tá tudo bem, Harry. — ela parou e sorriu pra ele — Meu avô faleceu e eu acabei adiando e adiando… Por conta da vida mesmo, sabe? Acabei estabelecendo prioridades que no fim nem eram tão importantes assim... Eu sabia que não poderia esperá-lo, mas eu queria enfrentar isso. Essa não foi a forma que eu imaginei, digo sem planos e em um dia ruim como esse foi, mas de certa forma ter vindo aqui significou muito pra mim.
— Não foi um dia ruim se significou pra você. Acho que, na verdade, foi uma forma de você repensar como tudo andava na sua vida, se você estava realmente feliz e agora poder recomeçar de uma forma que tenha espaço para realizar suas vontades. Não como uma lista, mas como uma meta de vida mesmo…
— Você tem razão… A vida é curta demais pra não realizar nossas vontades idiotas.
olhava para Harry distraída pela profundidade da conversa quando dissera aquilo, não prestando atenção na leve curva que a pista tinha logo à sua frente. O rapaz tentou segurá-la, mas já era tarde. A garota apenas tentou se segurar no casaco dele, mas só conseguira fazer com que ele caísse em cima dela.
Os dois passaram tantos minutos rindo que nem se tocaram da proximidade de seus rostos. queria não ter percebido isso tarde demais, agora sentia que estava completamente perdida nas orbes verdes e atentas de Harry. Um pequeno floquinho de neve caíra nos cílios de Austen, e o rapaz o soprou com delicadeza, sentindo-se fraco perto do efeito que ela tinha sobre ele.
— Talvez eu tenha uma vontade idiota agora. — ela disse, olhando para os lábios dele. — E talvez isso aqui seja mesmo um encontro.
Sem pensar muito, findou a pouca distância que restava entre eles, colando seus lábios. E fora estranhamente mágico quando ela sentiu todo seu corpo se aquecer mesmo estando deitada em uma grossa camada de gelo.
Harry sentia-se patético em pensar que aquela fora a melhor coisa que escutara em todo o dia depois, é claro, dela ter aceitado a proposta. Os olhos escuros dela o encaravam com atenção, antes de chegarem ali eles pareciam cansados e ele não esperava nada diferente depois de tudo que a moça enfrentara naquela tarde. Mas agora eles estavam acesos, como uma lareira quentinha depois de um frio e decepcionante dia cansativo, como o arco-íris depois de uma tempestade. Depois de tanto tempo desejando tê-la por perto era como vencer uma corrida de São Silvestre depois de tanto preparo.
E aquele beijo, tão inesperado que sempre fora desejado por ele, fora como o começo de algo que nenhum deles sabia explicar como nem porque sentiam que seria o começo de algo.
E, de fato, foi.





Continua...



Nota da autora: Olá!!!
Eu demorei, mas voltei com essa fofura de capítulo sobre os Styles. Volto em breve com o desfecho de tudo isso. Não esqueça de me dizer o que achou e também de quem você acha que é o próximo capítulo nos comentários ou nas redes sociais. Até a próxima!
Com amor, Ju ❤️



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