Finalizada em: 18/04/2021
Music Video: Reason Living - SCREEN mode

Capítulo Único

Spin-off de Business III
Uma breve história sobre Ichiro Ito, o herdeiro Mori
.


Após ajudar na fuga de , minha irmã mais velha, do poder da Máfia, eu fui jurado de morte por eles. No mesmo dia da fuga dela, Ren, o capanga da Máfia e o cara que me odeia, conseguiu me pegar e me bater, mas eu consegui escapar dele. Minha sorte foi ele estar sozinho e eu ser mais ágil e esperto que ele.
Alguns dias se passaram e eu ainda sinto dores da surra que Ren me deu. Sem contar o golpe daquela maldita adaga que ele carrega para cima e para baixo, o ferimento ainda sangra e está me preocupando um pouco. Inconscientemente, acabei me lembrando do dia em que Ren sequestrou o meu cunhado, , que na época eu nem sabia que era meu cunhado, pois não fazia ideia da existência da minha irmã. Eu tinha quase sete anos de idade quando foi sequestrado e torturado por Ren a mando do Katsuo, que queria sequestrar a e obrigá-la a casar com ele.
Eu me arrependo amargamente de ter armado para a minha própria irmã. Hoje vejo que ela não teve culpa do pai escroto que o senhor Mori foi para mim. Na verdade, nem coragem para ser meu pai aquele cretino teve. Mas não tem culpa de nada, ela até tentou me ajudar, se aproximou de mim com toda a boa vontade, mas eu fui muito mesquinho e nem dei ouvidos a ela.
Por um lado, eu quero procurar minha irmã e pedir perdão pela emboscada em que a meti. Entreguei minha própria irmã para a Máfia de Yokohama. Isso realmente não se faz. Mesmo que eu não tenha tido uma convivência com ela, eu não tinha esse direito. Mas, por outro lado, eu não quero dar meu braço a torcer e admitir que preciso da ajuda dela. Nem sei se ela ainda vai querer me ver depois de tudo que fiz e falei para ela. Nem eu sei se mereço atenção da .

[...]

Consegui roubar uma farmácia em um bairro periférico de Yokohama. Bairro esse que a Máfia ainda não teve coragem de dominar, pois as pessoas aqui já são comandadas por uma organização criminosa bastante forte. Tenho amizade com eles, pois minha mãe, antes de morrer, viveu aqui. Mesmo eu não me lembrando, pois só tinha dois anos, as pessoas daqui conheciam minha mãe e sua história. Quando me viram e souberam meu sobrenome, logo me acolheram. Hoje, quando voltei ferido pela Máfia, eles não fizeram perguntas ao me ver vagando pelas ruas, mas também não quiseram se meter diretamente e me dar abrigo. Simplesmente deixaram eu roubar algumas coisas da farmácia e me abrigar em um local abandonado.
Gazes, ataduras, esparadrapo, analgésicos e alguns energéticos para me manter acordado. Tudo isso foi o suficiente, por ora, para me manter seguro. Invadi uma loja abandonada, aparentemente um salão de beleza, vide os móveis que ainda têm aqui. Nos fundos tem um quarto pequeno, onde tem um sofá, uma TV quebrada e uma mesinha. Parece ser um antigo local de descanso dos funcionários.
Mesmo sendo um bairro onde as pessoas me conhecem e não fazem perguntas, para não se envolverem com a Máfia, eu prefiro me manter em alerta. Foi uma das coisas que aprendi ao ser jogado obrigatoriamente na Máfia por Katsuo, atual chefe de lá.
Limpei minha ferida, segurando meu grito de dor, e joguei um pouco do remédio que roubei da farmácia. Ardeu muito, mas acho que por ora deve resolver. Enfaixei o local e me entupi de analgésicos e energético. Essa combinação certamente não dará certo, mas irei arriscar.
Eu não posso dormir.

[...]

Quase um ano se passou e eu ainda estou sendo perseguido pela Máfia.
Os moradores do bairro onde nasci e vivi com minha mãe por dois anos sempre me informam sobre os passos da Máfia. O velho Katsuo jamais irá me perdoar pela traição que cometi.
Quando eu tinha dois anos de idade, minha mãe ficou muito doente e foi internada. E eu? Bom, fui parar num orfanato. Ninguém na cidade sabia onde meus avós moravam, só sabiam ser em outra cidade, mas não tinham o contato deles. Imagino serem do campo e provavelmente não têm telefone. Em poucos dias, minha mãe faleceu e eu continuei no orfanato até o dia em que o velho Katsuo me adotou e me criou para odiar o meu verdadeiro pai.
Por anos eu nutri um rancor e ódio muito grande pelo meu pai e sua família. Após conhecer a minha irmã mais velha, notei que não fazia o mínimo sentido eu odiar ela ou sua mãe, afinal, aquele que me abandonou é quem merece toda minha raiva.
Seguindo esse novo raciocínio, decidi que devo me aproximar de minha irmã. Não só pelo fato de hoje ela ter influência na Organização que comanda Tóquio e sobre meu cunhado, presidente da Organização, mas também porque sinto ela muito parecida comigo, quero conhecê-la melhor. Se eu não sentisse nada por ela, nem a teria ajudado a fugir naquela vez.
Mas é claro que nada na minha vida é fácil.

[...]

Acordei respirando profundamente e sentindo meu peito doer. Não só meu peito, mas inúmeras partes do meu corpo doem agora. Abri os olhos e logo vi que o esquerdo não se abriu por completo por estar inchado. Aposto que está parecendo uma beterraba: redondo e roxo.

— Decidiu acordar, princesa? — a voz desprezível de Ren me fez olhar em sua direção. Minha expressão de desprezo tomou conta de mim — Awn, você está bravo por me ver, Ichiritinho? — eu odeio esse apelido.
— Já disse para você parar de me chamar assim, Ren-san! — a morte para o Ren é ser tratado como um senhor que ele já é. Afinal, está muito velho. — Seu velho maluco! — gritei, irritado, me debatendo.
— Escuta aqui, moleque! — ele se aproximou e segurou forte meu rosto, me erguendo um pouco mais. Eu estava acorrentado, com os braços para cima e em pé. — Sua irmãzinha ou o idiota do marido dela não estão aqui para te ajudar. Ninguém vai te ajudar. Nem mesmo o seu papai. — sibilou ele e passou a maldita adaga em meu rosto, só parando quando chegou em minha garganta. — Até ele quer te ver morto. — concluiu Ren com um sorriso macabro no rosto. Ele é a pessoa mais sádica que conheço, mas eu não tenho medo dele.
— Pois diga a seu chefe para ele vir me matar, caso tenha coragem. — Ren riu descontrolado e apertou meu rosto novamente.
— Você não está em posição de exigir nada, moleque. — ele soltou bruscamente meu rosto, se afastando em seguida. De repente, ele voltou desferindo um golpe de adaga em meu rosto. Urrei de dor. — Vamos começar o show, herdeiro Mori!

Entraram dois capangas por uma porta lateral do lugar onde eu estou. Parecia ser uma cela, tem uma grade com uma portinha que está trancada. É bem escuro e fedorento aqui. Pelo eco, o local parece estar vazio.
Daqui para frente, houveram inúmeros golpes desferidos em mim. Chutes nas pernas, cabeça, peito. Todos muito fortes e seguidos. Ren adicionou seu toque pessoal e só me golpeava com a maldita adaga dele, mas apenas golpes superficiais. Conhecendo bem ele, como infelizmente conheço, ele quer me torturar.
Eu preciso me manter calmo para não surtar e morrer rápido. Eu não posso morrer, não sem antes pedir perdão à minha irmã.
Minha onee-chan*.

*Onee-chan é uma forma de se referir à irmã mais velha.

[...]

Acordei e preferia estar morto.
As dores que eu sentia antes de desmaiar se multiplicaram por mil, com um toque de muito sangue coagulado. Acho que pela quantidade de golpes que levei, tenho mais feridas internas do que externas. Eu notei rapidamente que não estava mais acorrentado, me jogaram no chão e me largaram aqui. O silêncio do local parece ter aumentado.
Me levantei com dificuldade e consegui ficar de pé. Percebi, ao pisar no chão, que meu tornozelo está doendo. Já vi isso antes, já senti isso antes. Uma vez, Ren me pediu para comprar o almoço de todos na Máfia, mais de quinze marmitas das pessoas que estavam ali no momento. Era a primeira vez que eu fazia isso. Inocente, com apenas 9 anos de idade, eu fui e voltei com as quinze marmitas. O problema foi que, como eram muitas, eu não conseguia carregar direito e o conteúdo pode ter misturado um pouco. Ren desconsiderou qualquer fator adverso e se concentrou no fato de sua comida estar misturada. Resultado: ele me deu um chute tão forte nas pernas que me fez cair de joelhos, foi aí que ele chutou meus tornozelos. Foi a pior dor que senti na vida.
Ouvi uma movimentação vinda do lado de fora da grade. Me encostei na parede, me arrastando até ela, onde estava mais escuro. Um dos capangas do Ren que me bateu veio andando e parou de costas em frente à grade, sem olhar para ver se eu ainda estou aqui. Novatos.
Sorrateiramente, eu me aproximei dele e passei o braço pela grade até seu pescoço, enforcando-o. Eu apertei muito forte. Esse ato está atiçando meus ferimentos a doerem mais, mas eu tenho que sair daqui.
Finalmente o cara desmaiou e caiu. O barulho das chaves batendo umas nas outras me fez sorrir. Peguei o molho que provavelmente tem a chave que abre essa grade. Tentei uma a uma até abrir. Passei desconfiado pela portinha e olhei para os lados. Está muito fácil. Mesmo assim prossegui.
Passei por um corredor mal iluminado e cheguei até uma sala. Lá encontrei uma surpresa nem tão surpreendente assim. O outro capanga me esperava, provavelmente ouviu o barulho da grade se abrindo. Não esperei o primeiro golpe, parti para cima dele e começamos a trocar socos e chutes. Ele me ergueu, quando me distraí, curvando-me de dor pelo chute que recebi, me jogou no chão e me chutou. Agarrei a perna dela e puxei com força. Àquela altura, eu não ligava mais se doía, eu só quero sair daqui. Eu preciso sair daqui.
Após finalizá-lo com uma chave de braço, eu corri mancando até a suposta saída. Aqui não é tão grande como pensei que fosse. Subi as escadas que me pareciam ter mais degraus do que de fato têm. Parece até que é uma escada rolante inversa: descendo ao invés de subir.
Já no topo da escada, tentei abrir a porta que é metade de vidro e metade de madeira. Obviamente está trancada. Peguei as chaves que roubei e tentei abrir, mas não deu certo. Sem opções e com pouco tempo, resolvi arrombar essa merda. Já estou todo ferido mesmo. Uma dor a mais não fará diferença.

[...]

Eu já estou a caminho de Tóquio.
Roubei o carro que vi estacionado na frente da casa abandonada onde eu estava antes. Tem uma arma aqui que me será útil caso alguém resolva me perseguir. Tenho apenas 16 anos, mas já sei dirigir. OK, as dores que sinto estão afetando minha direção, mas eu estou me virando bem com isso.
Já na entrada de Tóquio, consegui sinal telefônico para ligar para a minha irmã. Já anoiteceu e, pelo pouco que conheço de minha irmã, ela já deve estar se preparando para dormir. Arrisquei ligar, mas ela não atendeu. Eu lembrava vagamente onde era o endereço da minha irmã, mas também não seria difícil de achar, já que ela faz parte de uma das famílias mais poderosas de Tóquio.
Estacionei o carro em uma rua próxima. Pela pouca movimentação nas ruas pelo caminho, já deve ser mais de 22h. Desci do carro e trouxe o celular comigo, ainda tentando falar com minha irmã, mas ela não atende a droga do celular. Estou começando a me irritar com isso. Cheguei à rua da mansão dela e já notei uma movimentação estranha. Acho que viram eu me aproximar pelas câmeras de segurança.
Cercado e cansado demais para brigar, eu me rendi. Não queria, mas me rendi.
Cerca de cinco seguranças me levaram para dentro da propriedade dos e me levaram para uma espécie de calabouço. Mas para que diabos minha irmã tem um lugar desses embaixo da propriedade? Ah, isso deve ser coisa do meu cunhado, o , aposto. Os seguranças me jogaram no chão e me acuaram num canto do calabouço, até que uma voz conhecida os interrompeu.

— O que está havendo aqui? — era bom ouvir a voz da minha irmã novamente. Por sua voz e as roupas que usava, ela já ia dormir. Os homens que estavam ali se viram assustados com a presença dela. — O que estão fazendo?
— Senhora ! — disse um deles e se curvou em desculpas, todos fizeram o mesmo. — Nos perdoe, senhora. Encontramos um suspeito nos arredores da propriedade. — explicou ele e apontou para mim. Minha irmã ainda não me viu, pois eles tampavam sua visão.
— Quem? — perguntou , ela estava com sua arma na cintura, pude ver a silhueta dela se contrapondo ao corpo de minha irmã, por debaixo do roupão que usava por cima do pijama de renda azul.
— Este, senhora. — o rapaz apontou para mim, que estava no chão acuado, meu rosto ferido pelos socos e pontapés que levei durante esses dias de tortura nas mãos do Ren. Ao me ver, arregalou os olhos e notei uma tremedeira dela. — Ele estava rondando a casa, senhora. Resolvemos trazer ele para averiguar.
— So-Soltem ele. — falou ela, quase sem ar.
— Senhora, ainda não sabemos se...
— Eu disse para soltar ele! Está surdo? — o outro engoliu em seco e assentiu, soltando minhas mãos antes atadas. aproximou-se de mim e agachou, seus olhos já cheios de lágrimas. — Ichi-Ichiro! — disse ela, muito emocionada ao me ver depois de todo esse tempo.
— Oi, onee-chan. — eu disse, um pouco envergonhado e dolorido pelos meus ferimentos. Gemi de leve. sorriu ao me ouvir chamá-la assim. Acho que é a primeira vez que a chamo de irmã sem ironia na voz.
— Que bom que está vivo! — não se contendo mais, me abraçou com força, mas com cuidado para não me machucar. Os seguranças não entendiam o que estava acontecendo. Acho que eles são novatos, pelo jeito como me trataram. Se soubessem que sou irmão da , certamente me tratariam com o mínimo de respeito. Não que eu esteja merecendo, mas...
— Me desculpe por...
— Depois falamos disso. Venha, vamos para dentro. Deixe sua onee-chan cuidar de você, está bem? — ela disse, carinhosa. Eu corei e assenti. Estou muito aliviado que minha irmã não está irritada comigo. Agora, pela primeira vez, eu senti que havia de fato uma razão para viver: minha irmã.

Antes de seguir para dentro da mansão comigo, ordenou aos seguranças que checassem se eu não havia sido seguido. A segurança de todos, não só a minha, estava ameaçada caso alguém da Máfia tivesse me seguido. Nós dois temos muito o que conversar. A noite será longa.

[...]

me levou para um quarto de hóspedes para cuidar de mim. Eu não conseguia olhar direito para ela, mas eu queria demonstrar estar arrependido de tê-la entregado para a Máfia. Desde que eu dei as chaves daquela caminhonete para ela fugir com os outros que eu não falo com ela. Nós dois, literalmente, havíamos acabado de nos conhecer. Foi naquele dia, mais cedo, que ela foi até Yokohama para me encontrar, para saber mais sobre mim, para me conhecer de verdade. Apesar de eu estar receoso e na defensiva com ela, eu sabia que ela não me queria mal. Sabia que as intenções dela eram as melhores possíveis, pude ver em seus olhos.
Ao terminar de cuidar de meus ferimentos, sorriu e segurou minhas mãos. Vi seus lábios tremendo.

— Que bom que está aqui comigo, Ichiro. — a voz embargada dela fez minha garganta dar um nó.
— Me perdoa, onee-chan. Me perdoa por eu ter sido tão idiota! Eu não deveria ter despejado em você toda minha raiva pelo senhor Mori.
— Hey, Ichiro! — me interrompeu e apertou minhas mãos. — Está tudo bem, eu estou bem. Não se preocupe com o passado, OK? — o olhar dela era totalmente acolhedor. Pela primeira vez na vida, eu me senti seguro de verdade. Eu queria ter tido esse acolhimento antes. Sinto tanta falta de minha mãe...
— Tu-tudo bem, . — falei, ainda envergonhado.
— Pode me chamar de “onee-chan”, meu irmão. — ela disse num tom doce. Eu assenti e ela sentou-se na cama ao meu lado, me dando um abraço apertado.

Passamos mais alguns minutos conversando até o momento em que eu não aguentei mais e adormeci no colo dela, enquanto ela me fazia cafuné. Posso estar ficando louco, mas, por alguns instantes, eu me senti sendo mimado pela minha mãe. Nesses minutos de conversa, me contou que teve outro filho, o Fuyuki, que hoje tem um aninho. E pensar que ela passou por toda aquela confusão com a Máfia estando grávida do Fuyuki. Isso só faz com que eu me arrependa ainda mais de ter feito o que eu fiz. Mas eu já me decidi: irei me redimir pelos meus erros. A começar pela minha irmã. A partir de hoje, me dedicarei a ela e à sua família.
Inteiramente.

"Para se livrar dessa sujeira...
Procuro uma saudade, uma saudade, viva
Esta resposta não será respondida ontem
Uma nova página
Razão para viver"

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FIM



Nota da autora: Oláá!! Mais um spin-off de Bussines, mds era para ser só um kkkkk
Então, essa cena do jovem Ichiro eu havia pensado, mas não pretendia escrever sobre, seria apenas citado na história principal. Porém, quando vi esse MV eu PRECISEI atrelar ele à história do Ichiro que é tão sofrida, tadinho.
Enfim, espero que tenham gostado e, se você ficou perdido e quer saber mais sobre o universo "Business", te convido a ler aqui no FFOBS! <3
Todos serão bem-vindos!
Beijinhos





Outras Fanfics:
Little Sister
In
New FBI
Business


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