Última atualização: 25/05/2021
Music Video: Señorita - Shawn Mendes ft. Camila Cabello
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Capítulo 1


Cheguei na lanchonete quase arrancando minha roupa fora, porque eu estava atrasada como sempre. Não sabia nem como o senhor Harrison ainda me deixava trabalhar ali, certamente porque eu era um amor de pessoa, e ele gostava muito… da minha avó, obviamente. E outra, se eu não trabalhasse ali, ele sabia que seria difícil para que conseguisse em outro lugar, e isso complicaria o tratamento que minha avó tinha que fazer, então, conclusão fácil. Eu ainda estava ali, trabalhando por horas infinitas para ver se conseguia juntar o máximo de grana possível.
Entrei no salão jogando meu cabelo para frente, curvando meu tronco juntamente e fazendo um rabo de cavalo praticamente no topo da minha cabeça bem apertado para aquilo não ficar caindo depois. Levantei meu corpo, puxei alguns fios perto da liga para criar um certo volume e já caminhei até o balcão, pegando meu bloquinho de pedidos e passando pela portinhola para atender as mesas, vendo o olhar do senhor Harrison em mim. Sorri abertamente para ele e acenei como se não estivesse chego quase meia hora atrasada, e ele revirou os olhos. Dei um risinho tentando disfarçar, ou ele ficaria ainda mais furioso comigo.
Peguei alguns pedidos e os entreguei para os meninos da cozinha, e peguei outros dois que já estavam prontos ali esperando para serem servidos. Caminhei apressada com os pratos nas mãos, desviando de tudo que estava na minha frente com movimentos leves até chegar na mesa, e colocar na frente de cada cliente. Eles agradeceram e quando fui me virar para ir atender outra mesa, avistei .
Meus olhos se estreitaram ao ver aquele garoto ali, de novo, pela milésima vez na semana. Ok, nem tanto, mas ele ia sempre ali desde… sei lá, quando o Titanic afundou, talvez. De qualquer forma, ele era o cara que todas as garotas da cidade queriam, lindo, alto, forte, tinha uma moto, uma jaqueta de couro e um sorriso que poderia acabar com um juízo de qualquer um. Porém, era irritante, se achava, era briguento e tinha a capacidade de abrir a boca para me fazer querer enfiar minha mão dentro dela. E para a minha sorte, ou talvez tremendo de um karma, ele havia cismado logo comigo, claro, uma das únicas que não tinha se derretido toda apenas quando passava. Tinha quase certeza que era por isso que ficava no meu pé, eu não ficava sorrindo para ele, muito menos me rendia aos seus belos olhos. Sabe quando você quer o que não pode ter? Era exatamente essa a impressão que eu tinha com aquele . Ele me queria só porque eu não o queria. Teoria simples. O difícil atiçava seu juízo.
já tinha me chamado para sair umas três vezes, e por mais foras e cortes que eu dava quando falava uma de suas gracinhas, me recusando a sair para qualquer lugar que fosse, ele ainda tentava; aquele garoto voltava sempre e ele continuava insistindo em falar comigo. Eu nem sabia mais o que dizer, parecia que estava curtindo as minhas grosserias, e olha que não eram poucas. Deveria apenas ignorar e fingir que não existia, mas isso era meio difícil quando ele vinha e eu tinha que atendê-lo de qualquer forma, tirando a forma como ficava me encarando, e sabia que era para me tirar do sério, porque amava isso! Um ridículo, gato pra caralho, mas irritante.
Vendo que eu não falaria com ele, como de costume, o garoto levantou a mão como se quisesse fazer um pedido. Rolei meus olhos com aquilo e me virei como se não tivesse visto também, e Jules passou por mim indo atendê-lo rapidamente, afinal, ela era caidinha por ele. Isso me fez dar um sorrisinho de lado. Fui pegar os outros pedidos, e eu podia sentir os olhos de em mim, então me aproveitei disso e todo o momento que dava para inclinar um pouco meu corpo para frente e deixar meu quadril um pouco mais levantado para trás o para o lado, eu o fazia, e às vezes até olhava por cima do ombro apenas para provocar um pouco mais, e pegava seus olhos me secando por inteira, tirando mais uns risinhos meus; e eu podia ver que sempre ele estava com aquele sorrisinho safado no canto dos lábios, mostrando que estava mesmo apreciando a visão que estava tendo. Mas em nenhum momento se levantou ou fez menção disso, era como se quisesse dizer que ficaria ali por quanto tempo fosse. E aquilo me fez revirar os olhos. Ele não iria desistir até que eu fosse lá. Sabia disso. Como sempre, ele era um ser irritante.
Então peguei meu maldito bloco de pedido e fui até lá com o sorriso mais falso que consegui colocar em meus lábios e parei na frente da mesa.
— O que você quer? — perguntei logo sem muita paciência.
— Um encontro — respondeu simplesmente, passando a língua no lábio superior enquanto me secava com seus olhos.
— Acho que você tem um problema sério de entendimento. Aqui é uma lanchonete e não o Tinder. — Rebati descansando o peso do meu corpo em uma só perna, esticando a outra. — Você vai querer alguma coisa ou vai ficar ocupando a mesa o dia todo? — ouvi ele rir e estalar a língua no céu da boca. Eu quis bufar. Era impressionante como conseguia me tirar do sério, mas não iria lhe dar o gostinho.
— O Tinder? Não estou procurando ninguém, já achei quem eu quero — falou bem calmo, aumentando o sorriso para mim e depois descendo novamente seu olhar por mim. Se eu jogasse meu bloquinho de pedido na cabeça dele iria ser demitida? — Hum, vamos ver… O que você me sugere pedir? — bateu o indicador em seu queixo.
— Achou? — perguntei e olhei para os lados procurando o que ele tinha achado, e depois olhei para mim mesma e apontei com a caneta para meu peito. fez que sim com a cabeça, ainda com o sorrisinho nos lábios. — Não tem nada aqui para você. — Ergui minhas sobrancelhas e sorri abertamente, balançando de leve minha cabeça fazendo meu rabo de cavalo também balançar. — Pede o de sempre, batata frita com queijo. — Levantei de ombros. Ele poderia morrer com as veias entupidas, né? Poderia. Continuei sorrindo.
— Tem, sim. Você sabe que eu não vou desistir, . — Piscou seu olho, passando a língua no canto de seus lábios, sem tirar os olhos de mim. Travei meus maxilar e fiz um bico de puta irritação. Inferno de garoto! — Batata frita com queijo é coisa do meu irmão. Tá confundindo os — comentou, fazendo uma careta. — Você indica esses sanduíches naturais? Nunca vi ninguém pedindo, quer dizer, talvez o Arwen. — Fez um bico e esboçou outra careta. Ele estava enrolando, obviamente. Rolei meus olhos já perdendo a paciência que eu nem tinha.
— Você é louco ou gosta de irritar os outros, não pode ser. — Lambi meus lábios e bati com o bloquinho em minha coxa para não jogar ele em mesmo. Ele ponderou com a cabeça parecendo concordar com ambas opções. — Não vou sair contigo, porcaria. Tem um monte de garotas loucas para te pegar, vai atrás delas e me deixe trabalhar — mandei agora, balançando meu bloquinho no ar acima da minha cabeça. — Confundi? Tanto faz, vocês são tão parecidos. — Mentira. Para começo de conversa, o Ruel era loiro e mais alto, e não calava a boca nenhum momento falando um monte de besteira; o pelo menos não falava tanto, mas não anula o fato de ser irritante, e que eu pelo menos gostava do seu irmão. — O Arwen adora os sanduíches — informei mesmo não precisando, porque ele sabia disso, afinal era seu melhor amigo. — Falando nisso, cadê ele? Estou com saudades das conversas sobre buracos de minhoca.
— Não. Eu quero sair contigo e vou continuar tentando — falou bem determinado, até mesmo fazendo um biquinho. Acho que meu rosto estava começando a ficar vermelho de raiva. — Você não vai se arrepender, . — Voltou a sorrir com aquele ego que ele tinha. Rolei meus olhos. Não iria nem ao menos comentar nada. — Quase gêmeos idênticos. — Debochou, rolando seus olhos. Fiz uma careta com aquilo. — Provavelmente escrevendo algum artigo científico ou com meu irmão. Eles são inseparáveis também. — Rolou seus olhos mais uma vez com aquela informação.
— Eu falaria que você tem uma vida toda para continuar, mas aí percebi que iria desejar que você morresse logo, então a resposta vai continuar sendo não. — Dessa vez fiz questão de ser grossinha mesmo, para ver se ele se tocava. Só que lembrei que ele era o , ele não se tocava! — Pelo menos o Ruel é agradável, entendo a escolha do Arwen… então, batata frita com queijo, ou o quê? — ergui meu bloquinho de novo, fazendo uns rabiscos nele com a caneta vermelha.
— O não eu já tenho, mas nada me impede de continuar insistindo pelo “sim”. — Levantou o ombro, não dando a mínima importância se eu fui grossa ou não, pois o sorriso continuou intocável. Insuportável mesmo! — Se você acha o meu irmão agradável pega pra você, adota e leva pra casa. — Fez uma outra careta, falando até em resmungos. Acabei rindo fraco com aquilo. Achava ótimo como tinha ciúmes de qualquer pessoa com o Ruel. — Pode ser panquecas com café, por favor — finalmente pediu, fechando o cardápio em seguida e empurrando na mesa.
— Tanto faz, — respondi no final das contas. Não adiantava ficar debatendo com ele mesmo, o garoto era mais teimoso que uma mula. — Vou pegar mesmo — disse passando a ponta da minha língua pelos meus dentes dando um sorrisinho pretensioso e isso o fez erguer uma sobrancelha. — Ele é uma gracinha, inclusive. — Completei apenas para ver se irritava ele, mesmo que achasse que fosse difícil. — Ok. — Anotei o pedido pensando que poderia cuspir no café. — Mais alguma coisa?
— Tá escolhendo o errado — avisou, negando de leve com a cabeça e voltou a relaxar o semblante, voltando a sorrir de um jeito leve. Apenas ergui as sobrancelhas e fiz um biquinho como quem diz “Ah, é mesmo?”. — Claro que ele é uma gracinha, ele é meu irmão mais novo — falou confiante, dando um riso nasalado. Até nisso esse ridículo era irritante! Ah, vai se foder! — Sim, vou querer seu telefone também — pediu, aumentando o sorriso, querendo rir. Olhei para os lados vendo se todos estavam distraídos e vi que ninguém estava olhando, então dei o dedo do meio para , vendo-o rir agora.
— Seria ótimo se ele não tivesse um irmão mais velho. — Retruquei já cansada de falar com aquele garoto. — Vou fazer o pedido — avisei e virei, saindo dali antes que eu fosse demitida por causa do .
— Adoro esse seu ódio por mim. É tão sexy — comentou mesmo assim, em tom que eu pudesse ouvir. Respirei profundamente. — Você é a melhor, ! — falou, atraindo um pouco a atenção dos outros clientes. Soltei um grunhido baixinho fechando minhas mãos com força, sentindo minhas unhas afundarem em minha palma. Você não pode ser demitida, ! Fica de boca fechada! — Não estou mentindo, ela é a melhor mesmo — respondeu aos olhares, dando risada.
— Sexy vai ser eu quebrando sua moto com um pedaço de pau — resmunguei sem saber se ele tinha ouvido, mas esperava que sim.
— Agora eu vou saber quem foi, caso ela apareça quebrada. Não é assim que se faz as coisas — respondeu, mas continha humor em seu tom de voz.
Eu quebraria aquela moto que ele gostava de lamber com o maior prazer, aposto que teria um orgasmo até se fizesse isso, cada porrada iria ficar ainda mais molhada. Ai, que ódio que eu tenho desse garoto! Apenas dei de ombros no final para sua resposta e segui para a cozinha, arrancando o papel do pedido do bloquinho e colocando sobre o passa pratos.
— Tem como você colocar bastante sal nas panquecas, acho que o cliente tá com a pressão baixa — pedi e George riu fraco, pegando o pedido e vendo de qual mesa que era, me olhando de forma sugestiva. — Pimenta também, e queima essa merda. — O ruivo negou com a cabeça, ainda rindo, e foi fazer o pedido.



Aparentemente eu tinha conseguido me livrar de depois daquele pedido. Ele comeu e se mandou depois, e pude continuar trabalhando em paz. O expediente até que passou rápido, e quando dei conta já tinha passado até mesmo do meu turno, então tratei logo de sair, antes que o senhor Harrison reclamasse que teria que me pagar extra por causa disso. Fiquei com preguiça de trocar de roupa, logo eu estaria em casa mesmo.
Peguei minha bolsa e caminhei tranquilamente pensando no que iria fazer para comer quando chegasse. Passei a mão pelo meu rabo de cavalo, o arrumando e puxando alguns fios enquanto saía pela porta dos fundos da lanchonete, quando levei um susto ao ver sentado no banco que ficava ali do lado de fora. Garoto infernal mesmo! O olhei com as sobrancelhas unidas e rolei meus olhos, negando com a cabeça, então voltei a andar. No entanto, ele logo se levantou do banco rapidamente e veio atrás de mim.
— Deixa eu pelo menos te acompanhar até em casa — pediu, agora parando na minha frente. Aquilo me fez rir e abaixar a cabeça. Ele tinha algum problema muito sério comigo, não era possível. Olhei para cima, encarando-o.
, você é muito chato — comentei, ainda rindo. Ele riu com aquilo e levantou os ombros, concordando comigo. — Temos dezesseis anos de novo e voltamos para o colegial para você me acompanhar até em casa? — perguntei em um tom divertido.
— Você não aceita sair comigo, oras. Mas o que custa deixar que eu te acompanhe até sua casa, então? — abriu os braços e sorriu fechado, tentando parecer convincente. — Não é possível que você me odeie tanto assim, , nunca te fiz nada — comentou, fazendo um biquinho. Drama.
— Se eu não deixar, você vai andar do meu lado me enchendo o saco de qualquer jeito. Então, tá, pode me acompanhar. — Levantei os ombros, me dando por vencida, não querendo discutir com ele… de novo. — Você me irrita. Isso é o suficiente para te odiar — falei rindo daquilo, desviando dele e voltando a andar agora com ele ao meu lado.
— Não é bem assim. Se você não deixasse, não iria te forçar, não sou desses — respondeu com sinceridade, colocando as mãos nos bolsos de sua jaqueta de couro. — Só porque eu tento sair contigo eu te irrito? Poxa! — fez um drama forçado, dando um riso nasalado. Estreitei meus olhos e o encarei enquanto andava.
— Claro — disse como se ele já não tivesse ficado na lanchonete várias e várias vezes quase o dia todo. — Não é só por isso, e você sabe, não se faça de sonso.
— O que foi que eu te fiz para te ofender ou algo do tipo? Agora é sério mesmo. — Agora ele ficou com uma expressão totalmente perdida, parecendo confuso enquanto tentava se lembrar. — Posso ser um babaca mesmo, mas não lembro de ter sido contigo.
— Meu amor, se você tivesse me ofendido certamente teria perdido algum dente — contei rindo um pouco mais daquilo. Ele era grande? Sim. Era alto? Óbvio, mas não eram dois. Ele riu daquilo, balançando a cabeça. — Realmente, não me lembro de ter sido babaca. — Dei de ombros.
— Então, por que o ódio? — voltou na mesma tecla, me encarando com mais seriedade. Fiz um pequeno bico.
— Para que quer saber disso? Faz alguma diferença no seu ego enorme? — questionei, olhando para a rua à nossa frente, e pulando as linhas que tinha no cimento da calçada para não pisar nelas; uma mania que eu tinha desde quando eu era criança quando eu olhava para baixo.
— Faz, sim. Quero saber porque você me odeia tanto assim quando eu realmente nunca te fiz nada, de fato — respondeu calmamente, parecendo mesmo curioso quanto aquilo.
— Você quer sair comigo só porque não te dou ideia, e disse que não desde a primeira vez. Fica me provocando no meu trabalho, além de me irritar sempre quando me vê. Além de ficar me olhando às vezes como se eu fosse um frango na vitrine. Seu ego me incomoda. O seu jeito convencido de achar que todo mundo tem que ceder só porque tem um sorriso bonito é extremamente irritante. E você também implica comigo. Nunca fez nada para que eu te odeie, mas nunca fez nada para que eu goste de você. Está boa a resposta agora? — perguntei e segurei a alça da minha bolsa, o olhando agora.
— Meu sorriso é bonito, então? — foi tudo o que respondeu depois de tudo que eu disse e ainda sorriu. Rolei meus olhos com aquilo e voltei a olhar para frente.
— Você só ouve o que quer, — falei de forma cansada. Eu já tinha dito que o sorriso dele era bonito, não iria repetir aquilo.
— E o que você quer que eu responda? Você também me provoca, e também implica de volta. E não é de agora, . Sempre fomos assim e você falou de uma forma que pareceu que a culpa foi só minha, que eu que cheguei implicando contigo no primeiro “oi”. E sabemos que não foi bem assim — respondeu, negando com a cabeça. — Não acho que todos tem que ceder, estou tentando porque eu quero, não porque penso dessa forma. Você não me conhece e está me julgando, assim como todo mundo dessa cidade faz, só porque, como você disse, eu tenho um sorriso bonito, ando de moto, talvez minhas roupas, ou pelo fato que os sempre fazem tudo o que querem e sei lá mais o que esse povo idiota fala da gente. Mas é muito mais fácil julgar as aparência do que realmente conhecer. — Balançou a cabeça em concordância, dando um riso fraco.
— Ok, eu implico contigo porque o seu ego é irritante. Você chega todo convencido desde sempre na lanchonete, e antes disso. Chega em todos os lugares achando que é o rei do mundo e isso é irritante. Sim, eu sou infantil, e você também é, porque implica de volta. — Rebati que nem uma criança emburrada mesmo, porque eu não tinha defesa para aquilo, era o que eu sentia a respeito dele. — Certo, você está tentando sair comigo porque quer, e não porque eu nunca te dei ideia. — Balancei a cabeça em concordância mesmo que fosse difícil de acreditar naquilo. — Certo, . Você quer sair comigo? Está bem, eu saio contigo — falei por mim, porque pelo jeito seria a única forma de dar um fim naquilo. Ele veria que eu não tinha nada demais e iria desistir. Pronto.
— Ótimo. Então ambos implicamos um com o outro — concluiu por fim, dando de ombros quanto aquilo. — Exatamente. — Concordou com o que eu disse com bastante seriedade. — Perfeito. Que tal na sexta? — voltou a me olhar com a sobrancelha erguida e um sorriso nos lábios.
— Sexta só posso depois das dez — avisei, ignorando todo o resto e pensando que talvez não tivesse sido uma ideia tão boa apenas pelo sorrisinho que ele deu.
— Hum, tem uma festa na sexta-feira. Tá afim de ir? Ela começa às dez mesmo, então podemos chegar mais tarde — comentou, levantando um de seus ombros. Mordi a ponta da minha língua e continuei olhando para frente.
— Pode ser. Festa de quê? Só para saber que roupa que eu levo para o trabalho — falei e o olhei rapidamente, depois voltei a encarar a calçada, pulando as linhas.
— É só o Jen dando uma festa no bar dos pais dele, sabe? Costumam ser boas festas — comentou, umedecendo seus lábios e voltando a olhar para frente.
— Certo. Festa no bar dos pais do Jen — murmurei pensando no que iria vestir de forma distraída. — Nos encontramos lá ou você vai me buscar na lanchonete? — voltei a olhar para por um instante. Aquilo era estranho. O fato de que iríamos sair, no caso.
— Vou te buscar na lanchonete. Você não liga, não é? — perguntou até de um jeito “gentil”. Pisquei meus olhos, unindo as sobrancelhas de forma confusa. Aquilo parecia até uma cilada.
— Você vive lá. Qual diferença faria em me buscar quando eu saísse? — tentei não soar grossa, mas a pergunta em si era grosseira. Paciência.
— Ok. Às dez eu estarei te esperando — respondeu, demonstrando nem ter notado se eu fui grossa ou não.
— Dez e meia, eu preciso me arrumar — avisei para que não precisasse ficar me esperando por meia hora. Então parei de andar porque chegamos na minha casa. — Vou ficar aqui. — Apontei com o indicador, e ele olhou para a casa por alguns segundos, sorrindo fechado.
— Ah, certo. Dez e meia, então. — Balançou a cabeça, agora sorrindo de um jeito mais divertido. Céus, eu tinha aceitado sair com o filho do próprio Lúcifer? Eu estava mesmo com receio do que poderia acontecer naquele encontro. — Nos vemos na sexta, ok? — voltou a olhar para mim, ainda com o sorriso fechado. Mordi meu lábio inferior ainda com leve receio.
— Ok. Até sexta — falei e fui dando uns passos para ir para minha casa.
— Até sexta — respondeu, aumentando seu sorriso enquanto me olhava se afastar. — Boa noite, . — Piscou um de seus olhos para mim.
— Boa noite, — respondi rindo de leve e negando com a cabeça. era impossível mesmo.
Ele riu um pouco e deu um sorriso largo, até que se virou e começou a caminhar pelo mesmo caminho de antes. Deus, o que eu tinha acabado de fazer? Aceitei mesmo a sair com aquele garoto? Esperava sinceramente que sexta-feira eu não acabasse sendo pressa por cometer algum crime, tipo agressão ou talvez assassinato. Ainda não conseguia acreditar naquilo, e aposto que até sexta continuaria não acreditando. De qualquer forma, depois disso teria que aguentar o seu enorme ego por isso. Eu que lute.


Continua...



Nota da autora: Sem nota.





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