Última atualização: 28/10/2021
Music Video: The Purge - Within Temptation



OBS: Como nenhum dos jogos de Elder Scrolls possui tradução oficial em português e é de nosso interesse ficar o mais canon (parecido com o material de origem) possível, na fic usaremos diversos termos em inglês para nos referirmos a raças, nomes de lugares, armas, missões, etc.
Portanto, para melhor entendimento da história, clique aqui antes de começar a leitura.


Interlúdio


Neve. Neve. Neve.
Desde que havia começado seus estudos no Colégio de Winterhold, a neve parecia se acumular nos joelhos de Fanis toda vez que praticava seus feitiços do lado de fora. Ela também se perguntava se era a neve que estava atrasando a entrega de suas cartas. Já era o terceiro mensageiro que retornava, dizendo que não havia encontrado em lugar algum, e fazia pouco mais de um mês desde a última correspondência. Fanis sabia que ela havia ido para a caverna próxima da fronteira com The Reach e Haafingar, mas o que poderia causar tanta demora?
Fanis rabiscou um pedaço de papel enquanto pensava. Capturada por Renegados? Não, era cuidadosa demais. Atacada por um animal selvagem? Claro que não, sabia se comunicar com eles. Na prisão? Fanis não conseguiu pensar em um único crime que poderia cometer — bem, talvez um assassinato para salvar alguém? Mas se fosse o caso, com certeza ela receberia uma carta de algum Jarl sobre o assunto, já que era uma das poucas pessoas que dizia conhecer. olhou para o papel que rabiscava, chegando à conclusão que não adiantaria mandar mais outra carta. O barulho da porta de madeira a tirou de seus devaneios: sua colega de quarto, a elfa negra Brelyna Marion, entrou com sua animação habitual. “Já pegou sua túnica e seu capuz?”, sua voz alta fez com que Fanis levantasse os olhos do papel e se virasse para ela. “Do que está falando?” Brelyna vestiu uma túnica preta sobre sua roupa e jogou um capuz para Fanis. “Ora, você já sabe: túnicas e capuzes são algumas das roupas que nos ajudam a recuperar nossa energia mágica mais rápido.” Antes que pudesse responder, ela continuou: “Esqueceu que todos nós vamos fazer uma excursão com Mestre Tolfdir? Arrume-se, vamos para Saarthal!”
desceu as escadas em caracol enquanto ajustava o capuz de magia sobre sua cabeça, enquanto tentava alcançar Brelyna, que já corria para o Salão dos Elementos, onde os demais estudantes novatos aguardavam. O clima do lado de fora estava até que agradável para os padrões da região de Winterhold: a neve chegava nos calcanhares do grupo e o vento não estava muito forte, era até possível ver boa parte do caminho que seguiam.
Pouco mais de cinco horas de caminhada e um urso-das-neves raivoso os levaram até seu destino: uma antiga ruína nórdica no sopé de uma montanha, escavada em meio à neve e às pedras, com tábuas recentes de madeira que levavam a grandes portas de pedra, como era típico daquele estilo arquitetônico. Havia até mesmo um pequeno acampamento ao redor da ruína e algumas áreas estavam cercadas com madeira, o que não devia fazer parte da estrutura original e fez pensar que se tratava um local de pesquisa exclusivo do Colégio, e suas suspeitas se confirmaram quando Tolfdir se dirigiu aos estudantes. “Meus caros alunos!” Ele levantou os braços para o alto, e a animação era clara nas rugas de seu rosto envelhecido. “Como alguns de vocês devem saber, Saarthal foi um dos primeiros assentamentos dos Nords em Skyrim, e também foi o maior deles. Saqueado pelos elfos na infame Noite das Lágrimas, não se sabe muito sobre o que aconteceu com Saarthal. Esta é uma excelente oportunidade para nós, na qual poderemos estudar uma civilização tão antiga, e as magias que usavam...” Quando ele pronunciou aquelas palavras, algo pareceu despertar dentro da maga. É claro, a Noite das Lágrimas... como pude me esquecer? Não foram quaisquer elfos que destruíram Saarthal, foram os elfos da neve, os habitantes originais de Skyrim. Ela cerrou um punho e começou a preparar um feitiço na outra mão. Pode ser que aqui eu encontre a chave das origens dela. E disse, à meia-voz, sem que nenhum de seus colegas pudesse ouvi-la: “Não posso procurá-la agora, querida . Vou tentar encontrar as respostas que você tanto precisa... por outros caminhos.”


Capítulo I: Dentro do Abismo


De fato, a caverna fazia jus a seu nome. A subida que levava à entrada da caverna logo se tornou uma descida íngreme, e adiante havia apenas escuridão. tropeçou algumas vezes antes de conjurar uma chama na palma de sua mão, o que lhe ajudou a enxergar o caminho e lhe mostrou cogumelos brancos nos cantos, bem como lhe fizeram chutar algumas caveiras, nas quais havia tropeçado alguns minutos antes. Conforme ela caminhava e descia o que parecia ser um labirinto escuro, começou a ouvir o barulho de água corrente — havia uma pequena cachoeira à sua esquerda.
Depois de se livrar de uma aranha congelante, o caminho ficou mais escuro e mais confuso, e nem mesmo a chama a ajudava a ver o suficiente. Percebeu que estava perdida quando seu peso fez uma ponte bamba despencar, e ela caiu em um rio gelado, de correnteza rápida, empurrando-a para baixo, e ela começou a se debater, lutando para respirar, lutando inutilmente contra a água que a arrastava. Ela caiu de uma pequena cachoeira com tanta força que suas costas doeram, e ela sentiu o impacto ao cair sobre um curto leito rochoso.
se levantou frustrada, e ficou tropeçando no escuro, tateando as paredes e tentando seguir em frente, cortando qualquer coisa que se movesse com sua espada. Foi só ao tropeçar em um corpo que pode enxergar alguma coisa, pois havia uma tocha acesa ao seu lado. Era uma mulher Breton. lembrou-se de Fanis de imediato, mas não se preocupou, pois sabia que aquele corpo provavelmente estava ali há muito mais tempo do que elas se conheciam. Exausta, se arrastou até um saco de dormir jogado ao lado do corpo e se deitou de qualquer jeito, esperando que o descanso curasse suas costas.
As luzes de algumas velas bruxuleavam na taverna semi-iluminada. Àquela hora da noite, poucos clientes restavam, comendo seus últimos pedaços de queijo ou de ensopado. Uma mulher corpulenta em um avental manchado saiu de trás do balcão, deixando duas garrafas de cerveja e uma hidromel em uma mesa em um canto escuro, com apenas uma vela iluminando a mulher loira que sentava ali. A mulher corpulenta se sentou em frente à loira, relaxando seu corpo sobre a cadeira estreita, vendo com desgosto que a outra apoiava suas pernas em outra cadeira ao lado.
“Já decidiu o que vai fazer?” perguntou em voz baixa enquanto a outra mulher abria a garrafa de cerveja, bebendo um longo gole antes de responder. “Vou ter a criança.” Ela arregalou os olhos cansados. “E sem o pai? Você acha que as pessoas daqui entenderiam, Sylgja? Você nem ao menos me contou para onde foi naquela longa viagem, ficou quase um ano fora, e quando por fim voltou...”
“Ora, Dagur, você sabe que parei de me importar com a opinião alheia quando me juntei à Guilda dos Ladrões.” A loira deu um sorriso convencido, não obstante a expressão preocupada da amiga. “Eu não planejo ficar em Winterhold. Como sabe, para mim não há futuro aqui. Você e Haran construíram esta taverna do zero. Vocês não vão conseguir prosperar com alguém como eu morando aqui. Quanto à criança, eu quero lhe dar a chance de viver...”
“Para quê? Para que ela seja rejeitada quando crescer? O que ela poderá conseguir na vida sendo filha de uma ladra?” Dagur não parou de falar mesmo quando a expressão de Sylgja fez menção de interrompê-la, com raiva no olhar. “Sempre respeitamos a sua escolha e isso não afetou nossa amizade. Mas agora você está sendo egoísta. Está condenando uma inocente a uma vida de sofrimento. Eu e Haran não queremos ver nossa amiga sofrendo, muito menos seu filho ou filha. E para onde você iria? Ao menos estava consciente quando conheceu o pai?” O rosto de Sylgja se suavizou, e foi a vez de Dagur beber um gole da cerveja.
“Minha melhor aposta seria Riften. Aos poucos estamos conseguindo trazer os ladrões de volta à sua verdadeira glória, Dagur, e eu sei que em alguns anos morarei em uma daquelas mansões de pedra de Riften, como é de direito dos líderes da Guilda dos Ladrões.” Então ela levou uma das mãos à barriga protuberante. “Quanto ao pai, não posso dizer o nome dele. Seria muito perigoso para vocês.” Dagur balançou a cabeça. “Há magos e curandeiros que podem te ajudar com isso. Você não precisa carregar esse peso, não é obrigada a ter essa criança.”
“Não vou tirar a criança. Já tomei minha decisão e nada do que você diga vai me fazer mudar de ideia.” Sylgja bateu a garrafa vazia na mesa e abriu a garrafa de hidromel. “Mas o que posso te dizer é que tudo ocorreu...”

acordou de supetão, sentindo suas costas estalarem, respirando rápido. Ainda cansada, ela se levantou, andando rápido, sem querer admitir o que aquilo significava. “Me deixe em paz, Vaermina! A Caveira já voltou para Oblivion, o que mais você quer?” Ora, eu não quero nada. ouviu aquela voz pela primeira vez desde Dawnstar. Só estou mostrando-lhe algumas memórias que encontrei em minha coleção. “Saia de dentro da minha cabeça!” vociferou, e seu grito acabou chamando a atenção de um troll, que rugiu na direção dela.

betagem acima feita por Lara.



Com a interferência da príncipe daédrica, a viagem de se tornou muito mais difícil. O cansaço era extremo, pois Vaermina fazia questão de lhe mostrar uma memória de sua mãe cada vez que parava para dormir. Por dias ela vagou, perdida, sem saber se estava enxergando ou se tinha ficado cega de tão escuro que estava, e dormia sobre o sangue seco que manchava o chão ou em meio a restos humanos. Exausta, não tinha mais energia para usar o pouco de magia que sabia, então continuava tropeçando no escuro. Ela só enxergava o que estava fazendo quando conjurava fogo para afugentar os trolls que, às vezes, atacavam, e acabava comendo a carne deles quando os matava. Ela já não aguentava mais ouvir a risada de Vaermina dentro de sua cabeça, ou sua voz lenta, deleitando-se com seu sofrimento.
Por fim, ao final de mais um dia, tateou pela parede até encontrar uma corrente e puxá-la para baixo, a qual abriu uma passagem na caverna alguns corredores abaixo. Ela chegou à uma grande área aberta da caverna, onde a água chegava em seus calcanhares e havia um pouco de luz, além de vários pilares de rocha. Mesmo com seus passos pesados, conseguiu se esgueirar pela câmara, escondendo-se de dois trolls que se arrastavam em um canto. Ela prosseguiu com cuidado na direção oposta à deles, dando passos curtos dentro da água até chegar ao outro extremo da caverna, onde podia ver um acampamento simples e improvisado na frente de uma construção que parecia um... telhado?!
saiu da água e foi se aproximando do acampamento, até que algo fez seu coração bater acelerado. Ali, em frente ao acampamento, estava um elfo pálido, de cabelos brancos e curtos, usando uma armadura completamente branca. Assim que pôs os olhos nele, sentiu a presença ameaçadora de Vaermina se dissipar de sua mente. Imediatamente sentiu-se mais tranquila. “Prossiga. Você não tem nada a temer”, ele disse em uma voz suave, e a expressão simpática que tomou conta do rosto dele ao vê-la a fez pensar que não podia ser seu pai. Ao menos, o elfo a sua frente não se parecia com o elfo das lembranças de Sylgja. Mas, sem dúvida, era um elfo da neve. se aproximou. Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, ele continuou falando.
“Sou o Cavaleiro-Paladino Gelebor. Seja bem-vinda à Capela de Auri-El.” Antes de responder, olhou com mais atenção para a construção atrás dele. Não era exatamente um telhado, e sim uma estrutura com seis lados e uma espécie de sol em seu topo. Ela nunca havia visto algo do tipo em todas as suas viagens por Skyrim. “Esta caverna é um templo para Auri-El?”, perguntou, sentindo-se ignorante, voltando a olhar para ele. “Auriel, Auri-El, Alkosh, Akatosh... tantos nomes diferentes para o soberano dos elfos da neve”, ele respondeu com naturalidade, como se estivesse acostumado a ser questionado. mordeu o lábio. Aquilo realmente estava acontecendo.
“Não entendo o que é essa ‘Capela de Auri-El’ que você mencionou. Você é algum tipo de monge ou religioso?"
“Não no sentido estrito do termo, mas tenho um dever sagrado para com Auri-El. Esse local é, ou foi, o epicentro de nossa religião. A maioria dos elfos da neve cultuava Auri-El. A capela foi construída perto do início da Primeira Era para fornecer um retiro para aqueles que desejavam se tornar iluminados.”
“Não entendo porque escolheram uma caverna tão perigosa, mas conte-me mais sobre os elfos da neve e os Falmer.” Pediu, resistindo à tentação de abaixar seu capuz e revelar sua identidade. Gelebor pareceu ignorar sua crítica e manteve sua polidez. Ele fez um sinal para que ela se sentasse no saco de dormir próximo deles. “Se quer saber de tudo, precisará ouvir-me por um longo tempo”, ele lhe ofereceu água, que usou para lavar seu rosto, e também lhe deu um pouco de comida. Ele se sentou ao lado dela e começou a falar.
“Aquelas criaturas distorcidas que você chama de Falmer, eu chamo de Traídos. Meu povo foi um dia uma sociedade rica e próspera de Skyrim. Infelizmente, estávamos constantemente em guerra com os Nords, que reivindicaram a terra como seu lar ancestral”, tentava imaginar como tudo teria acontecido há milhares de anos. Imaginou grandes cidades, muito iluminadas e edifícios com as cores da armadura de Gelebor. “Então os Nords venceram?”, perguntou. Talvez ali estivesse a razão de seu povo ser tão orgulhoso. “De certa maneira, sim. Sempre mantivemos uma aliança instável com os anões que viviam no subsolo e, quando passamos a enfrentar nossa possível extinção, pedimos ajuda a eles. Surpreendentemente, eles concordaram em nos proteger, mas exigiram um preço terrível... a cegueira de nossa raça. É claro, alguns grupos dissidentes resistiram ao acordo e outros buscaram alianças alternativas. Mas esses elfos foram massacrados, desapareceram ou desistiram e aceitaram a barganha dos anões.”
“Mas como os elfos da neve se tornaram os Traídos? Eles são completamente... sanguinários.” falou enquanto se empanturrava de comida. “Eu sempre me perguntei exatamente a mesma coisa”, Gelebor disse e fitou o chão. “A cegueira de minha raça foi supostamente conseguida com uma toxina, mas não acho que tenha sido o suficiente para transformá-los nesses seres. A Capela é bastante isolada, então demorou algum tempo para que a notícia da oferta dos anões chegasse até aqui. Quando o pacto foi concluído, era tarde demais para sequer tentarmos intervir.”
“Então é por isso que você ainda enxerga”, concluiu, ao que Gelebor assentiu. “Éramos poucos, então nem os Nords nem os anões sabiam de nossa presença aqui. Ironicamente, nossa ruína veio de nosso próprio povo: os Traídos invadiram a Capela em grande número até que fomos completamente subjugados. Presumo que meu irmão, o Arqui-Curato Vyrthur, foi corrompido por eles quando encontraram uma maneira de violar o Santuário Interno. Infelizmente, nós dois somos os únicos elfos da neve que restam”. O coração de quase parou. Gelebor era seu tio! Ela queria falar com ele, explicar tudo e mostrar-lhe que também fazia parte dos elfos da neve, mas sua garganta estava seca. E além disso, como ele poderia acreditar em uma desconhecida alegando ser sua parente?
Se Gelebor percebeu a hesitação de , não se importou. Em vez disso, ele lhe fez uma pergunta: “Porém você está aqui para recuperar o Arco de Auri-El, não é verdade? Por qual outro motivo alguém viria até aqui?”. Sem saber o que responder, apenas disse que sim, embora nunca tivesse ouvido falar do tal arco.
Ele se levantou e o seguiu até perto de uma tenda, de onde Gelebor tirou uma jarra decorada, e depois foi em direção à estrutura arquitetônica. “Este é um dos cinco santuários, uma parte importante da peregrinação dos devotos. Cada santuário representa os passos que os Iniciados davam em seu caminho de iluminação, e antigamente eram usados para meditação e transporte. Veja!” Para a surpresa de , uma das mãos de Gelebor brilhou com uma luz branca, a qual ele jogou em direção ao santuário. No mesmo minuto, o santuário se ergueu do solo, revelando uma estrutura de arquitetura intrincada feita de pedra branca e traços geométricos. “O arco fica dentro do Santuário Interno. Para chegar lá, você deve mergulhar esta jarra em cada uma das pias cerimoniais e seguir até chegar ao Santuário Interno. Uma vez lá, derrame os conteúdos do jarro às portas do templo e você poderá entrar.”
olhou para dentro do pequeno santuário, maravilhada com seus detalhes, antes de responder. “Mas como vou fazer isso nas cavernas escuras?” Afinal, se tinha sido difícil chegar até ali, como ela conseguiria continuar carregando um jarro cheio de água?


Continua...



Nota da autora: Sem nota.

Qualquer erro no layout dessa fanfic, notifique-me somente por AQUI.


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