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Última atualização: 19/09/2023

Capítulo 1

San Diego, CA.
Julho, 2018.


— Como é que vocês não ficam nervosos? — a garota perguntou, dentro do elevador, junto a Jensen Ackles e Misha Collins. Os três astros de Supernatural estavam indo para o evento nerd mais famoso e movimentado do mundo – a Comic Con.

, mais conhecida como , estava no mundo da televisão desde que era bebê, pois seus pais também eram da área do entretenimento. A garota sempre fez papéis menores em algumas séries e filmes, no entanto, foi em Supernatural que ganhou fama mundialmente.
A série, atualmente, estava em sua quarta temporada de sucesso.

— Nós ficamos, mas não falamos tanto assim. — Jensen falou, após colocar o celular no bolso de trás da sua calça jeans. — Aliás, acredito que já estamos acostumados, faz... — pensou.
— Anos. — concluiu Misha, e o elevador finalmente abriu as portas. No saguão do hotel, encontraram Eliza Peters, a assistente que ficaria com eles o dia todo para passar informações e ajudá-los em qualquer coisa que fosse necessária.
— Olá, Supernatural. — os chamou daquela forma e os três riram. — O painel de vocês começa às 10h30 e temos ainda duas horas até lá. Todavia, precisamos chegar ao local da Comic Con com pelo menos uma hora de antecedência. Vocês já desceram para o café? — os indagou.
— Acho que não consigo comer. — falou, após fazer uma careta.
— Você precisa comer. — Misha falou, em um tom sério, mas sorriu.
— Vou tomar um café. — a atriz sorriu fechado.

O trio caminhou para o interior do hotel onde era o restaurante e havia algumas mesas ocupadas, já que ali era hospedagem da maioria dos famosos que vinham para o evento naqueles quatro dias.
— Vou me sentar naqueles sofás ali na frente. Vejo vocês depois. — pegou o seu copo de café e caminhou, deixando Misha e Jensen para trás depois de acenar. Adorava aqueles eventos em que podiam conversar com fãs, falar sobre a nova temporada e mostrar vídeos divertidos de bastidores – até bloopers, mas ficava sempre com um embrulho no estômago.
Aproximou-se dos sofás e viu uma garota sentada no que estava ao lado do seu, percebendo que ela era apenas alguns anos mais velha. Sorriu de leve de um jeito simpático antes de se sentar.
— Calma. — falou, para si, e respirou fundo ao encostar a cabeça no encosto do móvel.
— Tá tudo bem? — ouviu a garota no sofá ao lado perguntar, com uma expressão confusa. Ela tinha um sotaque diferente.
— Sim! — respondeu, rapidamente, ao olhá-la e sorriu. — Eu fico um pouco ansiosa, por mais que ame esses eventos, mas me dá um embrulho no estômago. — riu e colocou o copo de café na mesa de centro.
— Ah, eu também. — sorriu em compreensão. — Até porque nunca tinha vindo a um evento desses. É uma loucura, não é?
— Sim, mas você vai amar. Acredita em mim. — as duas riram de leve e ficou olhando, pensando de onde a conhecia. — Desculpa, mas de onde te conheço? Netflix? — riu, sem saber ao certo o que dizer.
— Dark. — apontou para si e riu de um jeito tímido.
— Meu Deus! Eu amo Dark! — juntou as mãos e falou, de um jeito empolgado. As duas riram.
— E eu amo Supernatural. — a mais nova falou, sorrindo. — Só não quis dizer nada antes para não parecer um pouco maluca.
— Imagina. — riu e esticou uma das mãos. — Sou .
— Lisa. Prazer.
— Você está sozinha ou... Alguém do cast veio com você?
— O Paul e o Louis vieram comigo. Não sei se conseguiria passar por isso sozinha. Vão ter muitas perguntas, né?
— Vão. — meneou a cabeça positivamente, enquanto ria. — Mas, como disse, vocês vão amar. Os fãs são muito incríveis e a série de vocês rende altas teorias. Devo dizer que eu — apontou para si. — Tenho algumas. — fez bico.
— Verdade? — Lisa estava empolgada.
meneou a cabeça, do mesmo jeito empolgado.
, não quer mais nada? — Misha se aproximou de onde as duas estavam e perguntou, educadamente.
— Já peguei meu café. — curvou-se e pegou o copo. — Misha, essa é a Lisa. Ela faz parte do elenco de Dark. — a apresentou. — Lisa, esse é o Misha. Ele faz...
— Eu sei. — Lisa sorriu e se colocou de pé para cumprimentar o ator com um aperto de mão. — Castiel. Prazer. — os dois riram.
— O prazer é meu. — Misha sorriu. — Você não quer nada? — ofereceu.
— Não, obrigada. Eu acordei bem cedo hoje e já tomei café da manhã. Como chegamos ontem da Alemanha, ainda estava perdida no fuso horário. — fez careta.
— Que pena. Viagens longas são ruins por isso. — foi compreensivo. Voltou-se para . — Vou apressar o Jensen. Com licença, meninas.
— Você namora? — Lisa indagou a mais nova, quando a viu sentar-se de forma mais confortável no sofá e beber de seu café.
— Eu? Não. — riu de si mesma e bebeu mais um gole. — E você? O seu par romântico na série, talvez?
— O Louis? Não mesmo. Ele é um irmão para mim. Você entende, né? É da mesma forma com Misha e Jensen. — sentou-se.
— Entendo. Entendo muito. — concordou com a cabeça e ao mesmo tempo pensou em como amava os dois mais do que tudo. Nesse tempo todo de Supernatural, haviam se tornado uma família.
— Chegamos! — Paul falou, um pouco mais alto ao se aproximar e chamou a atenção de ambas. — Louis não acordava.
— Não acredito que vocês dividiram um quarto. — Lisa riu e se levantou, do mesmo jeito que . — Meninos, essa é a . Ela faz Supernatural e vai estar lá na Comic Con conosco. — sorriu. — , esses são Paul e Louis. — os apresentou.
— Prazer. — ela apertou a mão de ambos e voltou a se sentar.
— Você faz aquela série que os irmãos caçam demônios? — Paul indagou, e riu.
— Exatamente essa. — falou, rapidamente, e riu do mesmo jeito.
— Vocês gravam aqui em San Diego? — perguntou Louis.
— Não, nós gravamos lá em Vancouver, no Canadá. Onde chove todos os dias. — a atriz fez uma expressão de tédio, os fazendo rir.
— Tipo Winden, então. — o ator falou, e ela concordou imediatamente.
— Sim! Igualzinho! — riram.
— Então, , como é essa Comic Con? — Paul perguntou, um pouco relutante.
— Vão gritar, querer tirar fotos com vocês, abraçar, fazer mil perguntas e vocês vão adorar e rir o tempo todo. — sorriu ao contar. — É maravilhoso, mesmo. Nós, além da Comic Con, fazemos pelo menos duas vezes ao mês uma Con só de Supernatural em cidades norte-americanas e é muito legal.
— Imagina se pudéssemos fazer isso com Dark? — Louis olhou para Lisa e Paul, que estavam sentados ao seu lado no sofá.
— Acredito que nem seja culpa do Bo e sim da Netflix mesmo, porque é ela quem sabe como vai divulgar as suas séries, não é? — Lisa pensou alto.
— Ela ter nos trazido para cá já é um milagre. — riu Paul.


Cerca de uma hora depois, Eliza aproximou-se de onde estava com Oliver, Lisa e Louis, junto a Jensen e Misha.
— Supernatural e Dark — falou, com os trios. — Vamos todos juntos em uma van, ok?
Todos concordaram e, alguns minutos após, já estavam dentro da van rumo à Comic Con.
— O tempo de trajeto é cerca de vinte minutos e passaremos por alguns pontos turísticos da cidade. — Eliza mencionou, em pé, quando todos já estavam sentados. — Pessoal de Dark, vocês preferem que eu fale em alemão ou inglês está bom? — os olhou.
— Tá ótimo. — Paul concordou, sorrindo de leve.

O céu estava azul naquele domingo de verão em San Diego, por isso o percurso até a Comic Con foi bem aproveitado pelos integrantes das duas séries. No subsolo, quando a van estacionou, foi a primeira a colocar-se de pé, já que estava sentada no corredor assim como Louis.
— Eu estou muito empolgada, socorro! — disse a atriz.
— Você ainda não terminou esse café? — Misha indagou, ao sair da van.
— Tá me mantendo mais calma. — riu e bebeu.
Lisa, que descia da van, tropeçou em suas próprias pernas e esbarrou em , fazendo com que o café caísse na camiseta branca da mais nova.
— Meu Deus, , me perdoa! — a alemã falou, rapidamente, em sua língua de origem.
— Eu só entendi o ... — a atriz a olhou e depois para a própria camiseta. Riram. — Tudo bem, essas coisas acontecem. — deu de ombros.
— Eita que deu merda! — Jensen foi o último a descer e riu.
— E agora? — Misha perguntou, ao colocar as mãos nos bolsos da calça jeans.
— Eu não trouxe nenhuma blusa para poder trocar. — fez uma careta rápida.
— Não sei se ajuda, mas eu tenho uma camiseta reserva. — Louis falou, e todos olharam para ele. O ator retirou o agasalho da cintura e entregou para a mulher uma camisa de manga comprida xadrez.
— E-eu não posso aceitar.
— Por favor. — pediu.
olhou para Lisa e viu que a mais jovem quase implorava para ela aceitar com a expressão. Então sorriu.
— Certo, mas eu te devolvo depois, ok? E obrigada. Mesmo. Você salvou meu dia.
Ele apenas sorriu fechado e concordou fazendo um aceno com a cabeça.
— Vamos? — Eliza apareceu perto deles, sorrindo empolgada.
Os outros começaram a caminhar enquanto colocava a camiseta que Louis havia lhe emprestado. O cheiro do alemão junto ao seu perfume entraram pelas narinas da atriz e fizeram com que ela sorrisse sem ao menos perceber.
— Vocês ficam aqui e esperam o anúncio, ok? — a coordenadora falou, com , Jensen e Misha, que estavam lado a lado, próximos a uma escada, esperando para serem chamados e irem ao painel.
— Boa sorte! — Lisa falou, a uns dois metros do trio, e acenou para . — Nos vemos depois lá no hotel? — perguntou, mesmo de longe.
— Peraí. — falou, com os dois, e se aproximou da alemã. — Oi. Mais fácil. — riu.
— Você vai embora hoje? Poderíamos jantar os quatro. O que acha? — ela sorriu. — Claro, se Misha e Jensen quiserem ir também...
— Eu vou embora só amanhã depois do almoço porque vou para a casa dos meus pais aqui perto, em LA. Misha e Jensen vão hoje por causa da família e das crianças. O jantar seria ótimo. — falou, empolgadamente, os quatro riram juntos e por um momento sentiu que uma amizade nascia ali.
— Seria bom se a gente trocasse números, então. — Lisa tirou o celular do bolso de trás da calça jeans e esticou para . — Marca na agenda, por favor. — entregou o aparelho.
— Tá tudo em alemão. O que é agenda? — perguntou ela, de um jeito divertido, os fazendo rir.
— Meu Deus! — Paul gargalhava com as mãos na barriga.
— Você vai ver, eu vou falar uma palavra em inglês diferente e não vai entender. — brincou a atriz de Supernatural, enquanto Lisa abria a agenda em seu celular e lhe devolvia o aparelho.
— Por favor, não faça isso. — ainda ria. — Qualquer coisa, o Louis traduz para mim, afinal, ele é muito bom no inglês.
— Você é, Louis? — riu, após marcar seu número, e olhou para o rapaz.
— Modestamente, sim. — ele fez uma careta e deu de ombros de leve.
— Seu sotaque é muito fofo. — ela disse, ao notar como o falar dele tinha um tom britânico no inglês.
— Obrigado! — os dois sorriram para o outro.
! — gritou Eliza, próxima a Misha e Jensen.
— Eu já vou. — olhou para ela. — Falo com vocês à noite. — Riu ao menear a cabeça e se aproximou correndo de seus companheiros.
— Se preparem que vocês já vão entrar. — falou a coordenadora, com o fone de ouvido com microfone, próximo a eles.


— COMIC COM, VOCÊS ESTÃO PRONTOS? — o apresentador do painel de Supernatural começava a agitar a plateia, que estava intensamente ansiosa pelos acontecimentos que seguiriam. — NÓS VAMOS RECEBER AQUI PARTE DO CAST DE SUPERNATURAL, MAS O TRIO QUE VOCÊS AMAM. — olhou para a ficha em suas mãos. — PRIMEIRO AS MULHERES: , JENSEN ACKLES E MISHA COLLINS. — o auditório explodiu em gritos ensurdecedores, os três foram entrando e acenaram para os fãs antes de se sentarem lado a lado, sorridentes e animados com o que aconteceria a seguir. — Bem vindos. — sorriu o apresentador.
— BOM DIA, SAN DIEGO! — gritou , e todos imediatamente responderam, fazendo com que a atriz sorrisse.


Uma hora de painel. Uma hora que passou voando. Uma hora que responderam às perguntas dos fãs. Uma hora que ouviram e discutiram as teorias do que aconteceria nas próximas temporadas da série. Uma hora que passaram os bloopers.
— Eu preciso de um cheeseburguer! — falou , com os companheiros de cena, no momento em que colocaram os pés nos bastidores.
— Ok, Dean! — brincou Misha, e os três gargalharam juntos.
— Isso que dá, né? Pular o café. — riu o mais velho.
— Mas vamos. — o puxou pelo braço. — Um cheeseburguer, por favor. — falou as duas últimas palavras em português.
— Combinado! — Jensen sorriu. — Mas você sabe que ainda temos coisas a fazer aqui.
— Ah, é verdade. Os autógrafos! Como me esqueci? — bateu na própria testa.


No horizonte, o sol já se punha, trazendo uma coloração laranja para o céu californiano. estava sentada na poltrona de frente para a enorme janela de seu quarto, observando aquelas cores maravilhosas que compunham o ambiente. O toque anunciando uma nova mensagem a tirou de seus pensamentos. Correu em direção à cama e pegou o aparelho.

Lisa
online

Já arranjamos uma mesa. Você vem?



sorriu ao pensar em como gostava de Lisa em tão pouco tempo.

Lisa
online

Já arranjamos uma mesa. Você vem?

Claro, estou descendo.



Pegou seu Converse e o colocou nos pés, dobrando a barra da calça jeans que usava e deixando a meia à mostra. Pegou a camiseta xadrez emprestada, seu celular e o cartão que dava a entrada no quarto e saiu em disparada até o restaurante. Ao chegar, já avistou sua mais nova amiga com Louis e Paul em uma mesa para quatro pessoas.

— Vocês têm que me contar tudo. — disse, empolgada, ao se sentar após cumprimentá-los. — Como foi? Ah, espera. — tirou a camiseta de Louis e esticou para ele, que estava sentado à sua frente enquanto Lisa e Paul estavam ao lado. — Muito obrigada. — agradeceu, sorrindo.
— Não há de quê. — sorriu de volta e pegou a camiseta.
— Você vai querer comer algo? — Lisa perguntou, no momento em que os pratos dos três chegavam.
— Comer sim, nossa. — olhava os pratos deles e sentiu sua barriga doer. Quando viu a garçonete servir os três, falou. — Também vou querer um cheeseburguer com fritas e Coca, por favor. — ela concordou com a cabeça e saiu. — Agora me contem! — os olhou.
prestava atenção no que os três lhe diziam. Ria em alguns momentos e permanecia séria em outros quando entendia que, por ser o primeiro painel deles, eles não tinham muita experiência, mas logo as histórias foram se transformando em momentos engraçados e disso ela entendia.
— Foi aproveitável, então. — ela concluiu, rindo.
— Bem divertido. — Paul riu antes de beber um gole de sua água.
— Os fãs são bem doidos nas teorias, né? — Lisa comentou, enquanto comia da sua salada com tiras de frango.
— Assim que é bom, vai. — falou . Ela olhou para Louis, que estava à sua frente, mordia o hambúrguer e ficava com a boca suja, os dois riram de leve. — Aqui. — pegou os guardanapos que estavam sob a mesa e entregou nas mãos do ator. — Mas vocês vão embora amanhã? — fez bico.
— Sim. — Paul concordou, com um aceno de cabeça.
— É muito rápido, né? — Lisa estava triste.
— Também acho. Quando venho com Supernatural, é sempre o painel e depois já vamos embora. Principalmente, os meninos, que tem família, filhos e tal.
Logo o prato de chegou e os quatro continuaram conversando enquanto devoravam o jantar. O lugar estava cheio, mas eles conversavam e riam juntos.

— O que acham de um sorvete? Tem um aqui perto que é ótimo. — a atriz de Supernatural os convidou.
— A companhia e a conversa estão ótimas, mas eu estou tão cansada e com tanta cólica. — Lisa fez bico. — Vocês se importam se eu for me deitar? Desculpa mesmo.
— Não! Claro que não. — se apressou a dizer, entendendo o lado de Lisa. — Nunca.
— Eu subo com você, Lis. — Paul a olhou em consideração.
— Tá tudo bem? — Louis olhou para a amiga de um jeito preocupado.
— Só cólicas. — ela fez careta e se colocou de pé, se aproximando de onde estava sentada. — Deixa eu te dar um abraço.
— Claro né, boba. — brincou a atriz, ao se levantar, e abraçou fortemente a mais velha. — Eu amei te conhecer. — sussurrou, em seu ouvido.
— Eu também. Podemos ser amigas? — riu ao se afastar.
— Já somos.
As duas sorriram ao se afastar e Lisa se aproximou de Louis, o beijando na cabeça.
— Vejo você amanhã, cabeção. — riu.
— Tá tudo bem mesmo? — estava preocupado e a apertou de leve na cintura, a atriz riu.
— Tá sim, eu só preciso tomar remédio e me deitar. — e assim Lisa saiu do restaurante junto a Paul, os deixando sozinhos.
Eles ficaram em silêncio por alguns segundos e , que sabia puxar assunto sempre que desejava, naquele momento estava sem saber o que dizer.
— Então... — os dois falaram, ao mesmo tempo, e riram.
— Fala você. — falaram, e riram novamente.
— Tá, eu falo. — riu . — O que acha de sorvete de baunilha? — estava empolgada.
— Acho ótimo!
Os dois se levantaram e saíram juntos do hotel, andando lado a lado e falando de assuntos aleatórios como em como estava calor mesmo sendo tarde.
— Você está na Califórnia. — respondeu .
— Como é o verão aqui? — ele a olhou.
— Quente. Lá não faz calor? — riu e o olhou.
— O calor lá é uns vinte e cinco graus. — sorriu ao falar, a vendo sorrir de volta e sentiu seu coração palpitar. Já ficara de olho nela durante todos os momentos que estavam juntos, no entanto, o sorriso da garota mexia com ele.
— Chegamos! — ela falou, tirando o rapaz de seus devaneios. Entraram na sorveteria, que estava aberta naquele horário da noite, mas era San Diego.

***


e Louis andavam de volta ao hotel por uma enorme calçada. Era madrugada, mas a cidade não dormia. Haviam passado por um grupo de adolescentes que pediram fotos e ambos atenderam prontamente. Ela passou as mãos pelos braços descobertos no momento em que sentiu uma rajada fria.
— Aqui. — ele prontamente colocou a camiseta xadrez sobre os ombros dela, fazendo com que parte do tecido caísse pelos braços.
— Obrigada. — ela sorriu ao olhá-lo, gostando daquele gesto. — Que ótima ideia! — comentou, ao deliciar-se com o seu sorvete. — Não acha?
— Bem normal sorvete às... — Louis olhou em seu pulso. — Duas horas da manhã!
— Ai, vocês europeus... — brincou.
— Quando você for a Berlim, também vamos fazer algo assim de sair pela madrugada. — comentou, ao lamber o sorvete da sua casquinha.
— Já recebi um convite para passar uns dias em Berlim, oba!

Conversaram sobre várias coisas no caminho de volta ao hotel, enquanto terminavam seus respectivos sorvetes. Ao entrarem pelo saguão e se aproximarem dos elevadores, os dois ficaram em silêncio como se estivessem tristes porque iriam se separar ali.
— Que horas vocês vão? Falaria amanhã, mas já é hoje... — riu ao apertar o botão do 12º andar.
— Pelo que a Lisa falou, temos que estar no aeroporto até às dez horas da manhã. — Louis checou rapidamente o seu celular e viu algumas mensagens perdidas da amiga que atuava com ele.
— Para qual andar? — a atriz o olhou.
— Ah, nossa. — riu de sua própria distração. — 18º, por favor. — falou, de forma educada.
— Tenho que ir. — falou, no momento em que o elevador parou no seu andar e, sem pensar duas vezes, o beijou no rosto delicadamente. — Obrigada por hoje, foi muito legal. — e finalmente saiu, o deixando sozinho com os seus pensamentos enquanto a porta do elevador fechava.


— Louis? Louis? Louis?
Ele tirou os olhos da janela do avião e olhou para Lisa, que se sentava ao seu lado, após colocar a mala de mão no bagageiro.
— Tá tudo bem? — perguntou ela, carinhosamente.
— Sim. — respondeu ele, com o tom de voz calmo.
— Cadê o seu agasalho? Você sabe que no avião eles sempre ligam o ar condicionado.
O ator pensou por alguns instantes e a amiga arqueou uma das sobrancelhas.
— Ficou com a ? — a risada dela saiu e ele apenas sorriu de leve e voltou a sua atenção para a janela do avião, este que começava a se mover.
— “Bom dia, senhores passageiros com destino a Berlim. O tempo de voo estimado é de 11 horas. Sugerimos que apertem os cintos porque decolaremos em breve. Obrigada pela escolha. Tenham um bom voo.” — a comissária de bordo terminou o seu recado e deu um sorriso simpático.


Capítulo 2

Vancouver, Canadá.
Setembro, 2018.


Quase dois meses haviam se passado desde a volta de para Vancouver e a volta das gravações de Supernatural. Tudo estava bem corrido, no entanto, era da forma que ela gostava. Havia se tornado bem próxima de Lisa, trocando mensagens com a atriz alemã quase todos os dias e se divertindo muito com ela.

Em um dia nublado, o que era normal para Vancouver, a garota ia saindo do seu trailer com o cabelo já pronto para gravar as próximas cenas. Seu celular encontrava-se no seu bolso do agasalho e apitou o recebimento de uma nova mensagem.

@louishofmann curtiu a sua foto.
Ela sorriu e lembrou-se de como estavam sendo os últimos meses desde que o conhecera, com os boatos que circulavam na internet a respeito da amizade dos dois mesmo sem terem postado nenhuma foto juntos. Os comentários dos fãs eram os mais diversos, mas alguns deles eram bem atentos aos detalhes e comentavam coisas que deixavam surpresa.

@supernaturalfan: Vocês não perceberam? A tá usando a camiseta xadrez do Louis Hofmann, de DARK.
@jensenackles4ever: Eles seriam muito fofos juntos!
Parou de andar por um instante e destravou a tela de bloqueio, acessando a rede social. Riu ao ver que ele havia curtido uma foto em que ela mordia um hambúrguer.

— Entendi a referência — falou sozinha e riu novamente, lembrando que meses atrás os dois comeram hambúrguer no dia da Comic Con.

Ela abriu o perfil dele do Instagram enquanto sorria e viu algumas fotos. Pensou em curtir, no entanto ficaria muito feedback da curtida dele. Passeou por algumas fotos e abriu a mensagem privada.

Louis Hofmann

Oie. Tem uma camiseta xadrez aqui comigo que pertence a alguém...



Riu de si e guardou o aparelho em seu bolso novamente. Se aproximou para entrar nos sets, mas deu de cara com Misha.

— Ai que susto! — Colocou a mão no peito e riu.
— Susto? Comigo? — brincou ele ao rir. — Vou ao banheiro e já volto.
— Tá certo. — Foi entrando no local.
Entrou nos sets, encontrando câmeras espalhadas, fios pelo chão e o cenário de sempre da casa do Bobby, personagem vivido por Jim Beaver.
— Cadê o Misha? — Jensen perguntou para quando a viu se aproximar.
— Banheiro — respondeu a atriz ao sentar-se. — Jensen, posso te perguntar algo besta? — Quando se sentou em outra mesa o olhou.
Ele, que estava sentado com os pés em cima do móvel, os colocou para baixo a olhando.
— Qualquer coisa.
— Quando uma pessoa curte a foto de outra numa rede social quer dizer o quê?
O ator parou para pensar e fez bico.
— A foto era atual? — indagou.
— Não, era antiga.
Jensen riu.
, talvez você até já saiba o que significa.

A atriz sentiu seu coração bater um pouco mais forte. Ela e Louis haviam flertado em Julho na Comic Con, mas a garota não imaginou que algo passaria daquele mês, levando em conta a distância na qual os dois viviam. Lembrou-se dos momentos que passaram juntos, nas risadas e olhares que compartilharam.

— Terra chamando ? — Jensen estralou os dedos em frente ao rosto dela e riu.
— Hã? — Ela saiu do transe e balançou a cabeça. — Sim, talvez eu saiba o que significa.
— ESTOU PRONTO! — Misha entrou no local, falando alto.
— Graças a Deus! — Jensen tombou a cabeça pra trás.
— Não seja chato. — Bateu na testa de Ackles com uma das mãos.
— Você lavou isso? — Se moveu na cadeira rapidamente para olhá-lo.

riu daquilo e balançou a cabeça negativamente. Era daquele jeito. 100% do tempo enquanto gravavam era marcado pela zoação, risadas e brincadeiras entre eles e a equipe da série.
A atriz havia sido muito bem recebida pelos atores e a equipe da série após a saída de Jared Padalecki, no fim da primeira temporada. O ator, que optou por construir uma família com Genevieve Cortese, voltaria para a quinta e última temporada.
Quando começou a gravar Supernatural, a mulher passou por alguns momentos de turbulência internos, levando em conta que Jared era adorado pelos fãs e Sam Winchester insubstituível. Ela tinha receio de que os fãs não gostassem de sua personagem, mas não foi isso aconteceu. A maioria dos fãs a recebeu muito bem. Sabrina, sua personagem, era filha de John Winchester, mas o único parentesco que possuía com os meninos era paterno.

— Ei, vamos parar e vamos trabalhar — pediu em meio às risadas de todos que estavam ali.
— Mais cinco minutinhos e gravamos — Kripke disse atrás das câmeras.
viu que Jensen e Misha conversavam baixinho e pegou o celular, desejando momentaneamente que Louis já tivesse a respondido, mas não foi isso que aconteceu, então lembrou-se do fuso horário de Vancouver com Berlim.

Berlim, Alemanha.


Louis estava em uma parte que era fora dos sets de DARK e olhava para o céu estrelado, com o seu celular nas mãos e uma garrafinha de água. Ouviu um barulho e virou a cabeça, vendo Lisa se aproximar. Sorriram um para o outro.

— Nessa cena as minhas falas são iguais a zero, mas trouxe mesmo assim — ela disse ao se aproximar rindo e mostrou o script. Ele riu e ficou a olhando.
— Você está certíssima. — Concordou com a cabeça.
— O Bo já veio chamar?
— Ainda não. — Abriu a garrafinha e tomou um gole da água. Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos, mas logo Louis falou. — Eu fiz uma coisa.
— O quê? — Lisa indagou com medo, mas Louis riu. — Você me assusta, sério.
— Eu curti uma foto dela — falou ele rapidamente. Lisa riu, já sabendo de quem ele estava falando.
— Antiga?
— Sim!
— Você sabe que isso é um flerte, né? — Gargalhou rápido a garota.
— Queria ter curtido outras. — Fez uma careta, a fazendo rir.


— ATORES, VAMOS! — Baran apareceu, os assustando e riu.
Baran Bo Odar juntamente à sua esposa, Janjte Friese, eram roteiristas e co-roteiristas, respectivamente, da série Dark. Bo, além de roteirizar, também dirigia a série alemã.
— Desculpa. Vamos. — Usou seu tom de voz normal e entrou no set onde seria gravada a cena. Os dois foram atrás e entraram no cenário que era o quarto do Jonas. — Tá tudo bem? Vamos ficar com pouca gente aqui porque é uma cena difícil e tal — os explicou.
— Sim, eu acho — Lisa respondeu um pouco apreensiva enquanto recebia maquiagem no rosto e deixavam seu cabelo molhado para representar suor.
— Vamos ficar em poucos aqui, pessoal. A cena é delicada, vocês sabem — explicou o produtor e logo os maquiadores terminaram o seu trabalho e saíram. Restaram apenas dois produtores, o diretor Baran Bo Odar e o casal de atores. — Nós vamos com calma nessa cena de sexo, ok? Quando vocês estiverem prontos. E, Lis, se você preferir, pode deitar e esperar o Louis deitar em cima de você e aí tira a blusa, ok? Não vamos filmar muito detalhadamente, mas precisamos que você fique sem a parte de cima. — Sorriu em compreensão.
— Ok. — Ela meneou a cabeça positivamente e olhou para o seu companheiro de cena, que até momentos atrás também recebia maquiagem em seu rosto e cabelo. — Vou deitar e você deita depois, tá? Aí eu tiro a blusa. Acho mais fácil.
— Tudo bem, sem problemas. — O ator levantou-se, usando apenas tapa sexo para a cena que fariam. Viu a amiga se deitar usando uma calcinha e deitou-se sobre ela, encaixando-se entre as suas pernas e se apoiou no colchão com as mãos. Lisa tirou a camiseta rapidamente e a jogou em um canto qualquer do quarto.
— Tá tudo bem? — Ela o acariciou no rosto carinhosamente e sorriu.
— Sim. É só um pouco, hum, constrangedor? — Os dois riram.
— Concordo.
— VAMOS LÁ! — o diretor gritou e olhou para a câmera. — Cena 07: Dia 25! Atenção. Vamos. Atenção. GRAVANDO! — gritou.

Louis aproximou seus lábios delicadamente dos de Lisa e a beijou lentamente de início, logo transformando em um beijo mais intenso, cheio de luxúria. Seus personagens se amavam e sentiam muito desejo um pelo outro. Começou a mover seu quadril em movimentos lentos e ofegou como se aquilo estivesse lhe dando prazer real, querendo passar aquilo para as pessoas que assistiriam a série. Beijou o canto da boca da amiga enquanto ela entreabria a boca para gemer mais alto. Lisa tinha uma das mãos no braço de Louis e essa mesma mão correu pelo ombro, chegando ao pescoço do ator, o acariciando lá. Ele a mordeu no lábio inferior enquanto seus movimentos de quadril diminuiriam e os dois se olhavam nos olhos profundamente ao mesmo tempo em que ele a acariciava nos cabelos suados.
“Nós somos um par perfeito. Nunca duvide disso.” — E voltou a beijá-la.
— E... CORTA! — gritou novamente o diretor no encerramento da cena. — Foi ótimo, gente. Ótimo mesmo. Não vamos precisar fazer uma segunda tomada. Ótimo — elogiou com seus fones. Virou-se para falar baixo com um dos produtores.
Louis caiu ao lado de Lisa na cama e a atriz pegou sua camiseta que estava no chão e a vestiu.
— Uh, pra nossa primeira cena de sexo, fomos muito bem. — Fechou o punho para tocá-lo, ele fez o mesmo e os dois riram.
— Muito bem. — Usou palavras que ela havia usado.
— Venham ver como a cena ficou — chamou o diretor.
Os dois se levantaram de forma ansiosa, ele pegou a calça jeans que estava no chão e a colocou antes de ir para onde todos estavam.
— Acho que não precisaremos mudar nada — mencionou Baran ao reproduzir a cena feita anteriormente no monitor. Os dois reviram e deram algumas opiniões. — Amanhã à tarde tenho duas cenas pra gravar com você, Louis. Você está com o roteiro?
— Sim. Está comigo. — Balançou a cabeça positivamente. — Vai ser a cena de 2053, né?
— Exato. Duas cenas de 2053. Enfim, estão dispensados. Descansem e eu vejo você amanhã. Lisa, você só volta na sexta e aí vamos conversar sobre algumas coisas.
— Combinado. — Ela sorriu.

Após passarem no camarim e trocarem de roupa, Lisa e Louis foram saindo juntos, indo em direção ao estacionamento. A amizade dos dois era de longa data, já que com 14/15 anos ambos trabalharam em um projeto menor.

— Vejo você quando? — Lisa indagou quando os dois se aproximaram de onde seus carros estavam.
— Acho que sexta, né? Eu vou estar aqui. — Deu de ombros, se aproximou da amiga sorrindo e a beijou na bochecha. — Se precisar de algo, me manda mensagem.
— Você lê as suas mensagens, Louis? — a garota brincou.
— Eu vou ler agora quando chegar em casa. Estava trabalhando — o ator falou um pouco mais alto, já que se aproximava do seu carro. — Beijo, Lis. — Acionou o alarme.
— Beijo. — Ela sorriu fechado e acenou ao vê-lo entrar no carro.

Louis adentrou seu apartamento já procurando pelo interruptor e acendendo as luzes da pequena cozinha. Tirou os sapatos, os deixando de lado, como era costume em seu país. Fez o mesmo com a sua mochila e as chaves do carro, juntamente à carteira. Pegou seu celular no bolso de trás da calça jeans que usava e viu algumas notificações:
Mãe (1), Lisa (Uma Nova Mensagem), Max (Uma Nova Mensagem) e (Uma Nova Mensagem) com o ícone do Instagram. Desbloqueou o celular, acessando a rede social e abrindo a mensagem de .

Oie. Tem uma camiseta xadrez aqui comigo que pertence a alguém...



Ele riu lembrando-se do rolê da sua camiseta xadrez.

Oie. Tem uma camiseta xadrez aqui comigo que pertence a alguém...

Posso esperar você a trazendo pra mim?



Riu de sua própria mensagem, mas enviou. Mordeu o lábio de leve ao ficar olhando para o local como se aquilo fosse fazer com que respondesse mais rápido. Suspirou e deixou o aparelho de lado, em cima de uma pequena mesa que tinha por ali, e caminhou em direção ao quarto com a finalidade de tomar um banho. A banheira estava sendo algo muito convidativo naquela noite fria e cansativa que estava tendo. A encheu, logo colocando alguns sais de banho que comprara sabendo que aquilo lhe faria bem.

Cerca de algum tempo depois, o rapaz caminhava em direção à cozinha, após aproveitar o banho, apenas com uma toalha branca em volta de sua cintura. Abriu a geladeira, pegando um copo tampado com salada já pronta e ouviu o celular de longe lhe avisar de uma mensagem recebida. Deixou o copo sob a bancada e pegou o aparelho com ansiedade.

Oie. Tem uma camiseta xadrez aqui comigo que pertence a alguém...

Posso esperar você a trazendo pra mim?

Isso é um convite, Hofmann?

O convite já foi feito lá em San Diego. Só resta saber quando você vai vir.



Louis ficou olhando os três pontinhos aparecerem anunciando que ela estava digitando uma mensagem. Seu coração batia de um jeito diferente.

O convite já foi feito, é? Você poderia refazer.



O ator riu ao ver que no fim da frase ela enviava um emoji com a língua pra fora.

O convite já foi feito, é? Você poderia refazer.

Você gostaria de vir até Berlim, ? Prometo que eu, Lisa e o resto da turma seremos uma ótima companhia.



A garota estava sentada na escadinha que dava para o seu trailer, bem agasalhada e sentindo o vento bagunçar os seus cabelos enquanto olhava para o celular com um sorriso bobo no rosto. Mordeu o lábio, pensado na possibilidade de, futuramente, tirar uns dias de folga e visitá-los.

O convite é tentador. Prometo que vou ver, tá?

Você já tem até onde dormir. Aqui no apartamento tem cama pra você.

Não a minha cama. Outra cama, meu Deus.



riu de Louis, imaginando que ele deveria estar vermelho naquele momento. Tentou se controlar pra poder digitar.

O convite é tentador. Prometo que vou ver, tá?

Você já tem até onde dormir. Aqui no apartamento tem cama pra você.

Não a minha cama. Outra cama, meu Deus.

Ótimo! E vai ter comida, né? Você sabe cozinhar?



A química que possuíam ficou evidente durante toda a conversa. De ambos os lados dos aparelhos tinha sorrisos, risadas e corações que estavam batendo de um jeito diferente um pelo outro.


Capítulo 3

Vancouver, Canadá
Novembro, 2018.


não podia acreditar no que seus olhos viam naquele fim de manhã chuvoso e frio quando entrou nos sets, estranhando o silêncio e a falta de pessoas que sempre estavam por ali. Levou uma das mãos que não segurava o celular à boca, em sinal de surpresa. Havia balões, uma faixa com os dizeres “HAPPY B-DAY, ” em dourado, uma das suas cores favoritas, e uma mesa cheia de comidas com as pessoas que eram a sua família no Canadá atrás, cantando parabéns aos gritos.

— Gente? — ela murmurou emocionada com a lembrança e homenagem.
— Não não. Hoje não é dia de chorar. — Jensen se aproximou a passos rápidos dela, a abraçando fortemente. — Compramos todas as suas comidas favoritas e a Dan mandou cachorro-quente! — Sorriu ao olhá-la.
— Eu te amo. — O abraçou novamente, com lágrimas nos olhos.

Mesmo emocionada e muito grata pela festa, abraçou a todos e agradeceu pelo empenho e a dedicação. Tudo estava tão lindo e aproveitariam juntos.

— Conseguiu postar? — Jensen indagou a ao se aproximar. A garota estava sentada na escadaria do cenário da casa de Bobby. Levantou a cabeça para olhá-lo.
— Quase. Pensando numa legenda... — Fez um bico com o celular nas mãos.
— Sou péssimo nisso. — Apontou pra si e a deixou sozinha, rindo do que dizia.
olhou para o celular em suas mãos e a foto que havia tirado com todo elenco e equipe da série. Sentia uma enorme nostalgia ao lembrar-se dos seus primeiros dias ali e como fora difícil se acostumar com uma cidade tão fria, mas com pessoas tão maravilhosas.

“Família Supernatural. Todos vocês são muito importantes pra mim e cada um do seu jeito. Obrigada por tudo. Amo vocês.”

Deixou que seu coração falasse mais alto e escreveu o que saiu dele.
Ficou algum tempo com o seu celular nas mãos, observou as curtidas aumentarem com o passar dos minutos e sorriu com comentários que recebia. Aquilo deixava o seu coração quentinho.

— Prometo que quando chegar em casa vou entrar na hashtag que vocês fizeram e curtir tudo. Prometo — falou sozinha, rindo de si.
Foi bloquear o celular e curtir a festa quando recebeu uma notificação:

Louis Hofmann

Não tenho nenhuma foto com você pra postar em um dia tão especial assim, .

Parabéns. Você é uma garota cheia de luz. Onde está arranca sorrisos das pessoas. Você é muito especial.

Espero que esteja aproveitando muito o dia de hoje. Quando você vier pra Berlim, te dou um abraço — atrasado, né.



Ela sorriu com aquelas mensagens e as leu várias vezes enquanto mordia o lábio inferior de leve. Louis havia se tornado muito próximo de nos últimos meses. Conversavam quase todos os dias, levando em conta o fuso horário de Vancouver para Berlim (a Alemanha estava 8 horas à frente do Canadá), e isso fazia com que quando estava saindo dos sets de Supernatural, Louis dormia há algum tempo.

Louis Hofmann

Espero que esteja aproveitando muito o dia de hoje. Quando você vier pra Berlim, te dou um abraço — atrasado, né.

Não sei nem o que te dizer depois dessas palavras tão lindas.

Primeiramente: obrigada. 🤓🤓🤓

Estou aproveitando bem. Acredita que ganhei uma festa surpresa nos sets? Tem muita comida. Vocês deveriam viajar no tempo e vir pra cá, já que aqui são oito horas a menos do que aí. 🤯

Mas sério, Louis, é muito bom conversar com você. Sempre que dá. Você tem se tornado uma pessoa muito especial. E me arranca muitas gargalhadas, sabe disso.

Os seus áudios com gargalhadas são a melhor coisa.

Peraí, você disse comida?

Comida americana? Cachorro-quente? Pizza? Vou colocar meu casaco amarelo e tô indo.



gargalhou alto e tombou a cabeça pra trás enquanto ria.

Louis Hofmann

Comida americana? Cachorro-quente? Pizza? Vou colocar meu casaco amarelo e tô indo.

Eu queria que vocês estivessem aqui.



Após mandar a mensagem, sentiu uma dor em seu coração, sabendo que aquilo, obviamente, não aconteceria tão cedo. Desejou que pudesse ver Lisa e Louis, que eram mais próximos dela. Bloqueou o celular e se levantou, colocando o aparelho no bolso do agasalho que usava, indo em direção a uma das mesinhas onde parte do elenco e da equipe comia, bebia e conversava.

Tivera um dia bem aproveitável com sua Família Supernatural. Após as festividades, se dirigiu ao seu trailer, onde recebeu maquiagem e cabelo, levando em conta que a tarde e parte de noite seriam dedicadas às gravações da série. Nesse meio tempo, seus pais, que moravam em sua cidade natal, Los Angeles, fizeram uma videochamada.

— Deveria ser proibido trabalhar no aniversário — a atriz murmurou em sua posição para voltar a gravar quando o diretor foi para trás das câmeras.
— Deveria ser proibido diretor ter que ficar ouvindo reclamações o dia inteiro — respondeu Kripke, fazendo com que risse e Jensen, que estava ao lado da mulher. — Vamos gravar que só falta uma cena! Uma! — Levantou as mãos pra cima.

Berlim, Alemanha.
Dezembro, 2018.


— MAIS UMA TOMADA — gritou a diretora.
Louis encontrava-se nos sets do seu mais novo filme, Prélude, e gravavam a maior parte das cenas em Berlim. Olhou para o piano à sua frente e esperou que a diretora dissesse que poderia começar a sua cena. Fechou os olhos e tentou se concentrar.
— MAIS UMA SÓ, LOUIS. ATENÇÃO. Vamos lá... AÇÃO! — gritou.
E assim deu início a uma música que possuía uma melodia calma e ao mesmo tempo triste. Sorriu. Seu personagem encontrava-se passando por diversos problemas, no entanto, quando estava em frente ao piano, era como se tudo de ruim que acontecia desaparecesse.
— E... CORTA! — ela gritou novamente.

Palmas foram ouvidas pelos sets, uma vez que era uma das últimas cenas que filmavam naquela semana.

— Obrigada, Lou. — Sabrina, a diretora, se aproximou do ator, que ainda estava sentado na cadeira do piano. — Combinamos pra sexta os últimos detalhes?
— Está combinado — ele respondeu sorrindo e feliz pelo rumo que as filmagens tomavam.
— Certo então. — Ela o acariciou nos cabelos e voltou para trás das câmeras.

Ele rapidamente rumou em direção aos camarins com a finalidade de tirar a roupa de seu personagem e colocar algo mais pesado pelo frio que fazia em Berlim. Ao entrar no local, percebeu que estava vazio, encostou a porta atrás de si e logo começou a desabotoar a camisa azul marinho que usava.

— Toc toc? — uma de suas companheiras de cena, que tinha a mesma idade que ele, bateu e falou. Ele se virou para a porta e parou de desabotoar a sua camisa.
— Oi, Liv. — Sorriu.
— Oi. — A mulher se aproximou e mordeu o lábio inferior de leve. — Meu Deus, eu não canso de olhar. Você é muito bonito.
— Obrigado — respondeu ele com o tom de voz baixo e um pouco incomodado com a invasão de espaço. Acompanhou ela esticar os braços e começar a desabotoar a camisa que usava.
— Se lembra de uma cena que gravamos há algumas semanas? — Grudou ainda mais os seus corpos e aproximou seu rosto do dele, falando em seu ouvido. — Você estava no meio das minhas pernas e foi tão bom. — O mordeu no lóbulo.
Ele fechou os olhos e não soube dizer de onde tirou forças para dar um passo para trás.
— Eu tenho que ir agora. Preciso tomar banho e colocar uma roupa quente. Nos vemos outro dia — falou tudo rapidamente e se aproximou de um sofá que tinha por ali, pegando um agasalho, colocando-o de qualquer jeito e pegando sua mochila da mesma forma. — Tchau. — Saiu a passos rápidos.

Entrou em seu automóvel com a respiração ofegante e deixou tudo que carregava no banco do motorista, colocando logo as mãos no volante e tentando de todas as formas fazer com que o ar entrasse em seus pulmões mais lentamente. Um pouco mais calmo, o ator alcançou seu aparelho celular e procurou pela primeira pessoa em sua agenda. Não se importou em ser uma ligação internacional. Nem pensou que o entardecer já se iniciava na capital alemã.

Ei, Hofmann — ela o chamou pelo sobrenome e ele riu, sentindo-se imensamente melhor só naqueles primeiros segundos de ligação. — Que grata surpresa.
— Oi, . Te atrapalho?
Nunca — a ouviu responder imediatamente e sorriu. — Aqui são 10h da manhã ainda e eu estou esperando no meu trailer pra gravar. Pode me contar os babados — brincou.
— Eu só. — Louis fechou os olhos momentaneamente e lembrou-se da voz dela pessoalmente, o som de sua risada, o cheiro de seus cabelos e como ela possuía um sorriso lindo que contagiava a todos. — Só queria ouvir a sua voz.
sentiu o seu coração palpitar e os batimentos cardíacos aumentarem, mas ainda assim brotar um sorriso em seus lábios.

Vancouver, Canadá.
Dezembro, 2018.


Cerca de alguns dias depois, era a noite de cinema que e sua melhor amiga, e companheira de apartamento, faziam para relaxar.
— Finalmente! — olhou em direção à porta e viu a amiga se aproximar de onde estava sentada no sofá, debaixo de cobertas devido ao frio do outono canadense. — Deixa que eu te ajudo. — Colocou-se de pé e pegou o balde da pipoca recém preparada.

e se conheciam desde sempre. Suas mães eram melhores amigas e ex-colegas de quarto nos anos que estudaram em Harvard e a partir dessa amizade fizeram uma promessa que suas filhas seriam melhores amigas da mesma forma que elas. E foi o que aconteceu.
era sete meses mais nova do que , por isso as duas sempre diziam que se conheciam desde a barriga e as mães de ambas possuíam provas que comprovavam esse fato.
sentia seu coração apertado a cada dia que passava e se aproximava do momento em que voltaria à sua terra Natal, já que estava no Canadá apenas estudando para a faculdade de Cinema.
Os pais de , assim como a garota, eram dinamarqueses e viviam no país nórdico. A mais nova havia se mudado exclusivamente pela faculdade.

— É a sua noite de escolher o que vamos ver. — entregou o controle para a mais nova, de apenas alguns meses, e a tv se encontrava conectada à Netflix.
— O que acha de vermos o último episódio da primeira temporada de Dark? Eu ainda não vi, você sabe, estava ocupada com as provas finais da faculdade de Cinema. — Fez bico como se aquilo fosse ajudá-la a convencer mais rapidamente.
— Você acha que fazer esse bico vai me convencer? Querida, já me convenceu quando falou que vamos ver Dark. Coloca aí.

Era noite e a sala se encontrava em um breu completo, a não ser pela luminosidade da tv. Ambas relaxaram no sofá com os edredons, a pipoca quentinha e o logo da Netflix logo aparecendo, dando a entender que a série começaria em sequência. Cerca de alguns minutos depois e as duas com os olhos vidrados na série, colocou uma pipoca na boca e ouviu sussurrar:

— O que você sente, ? — indagou logo que uma cena com o personagem de Louis começou.
— Quê? — A atriz riu do que a amiga perguntava, não entendera a pergunta.
— Vocês estão conversando há meses. Ele foi fofo com você no seu aniversário, você foi afetuosa quando ele ganhou um prêmio lá em Berlim. Vai, nós somos amigas desde a barriga quase — brincou.
riu e alcançou o controle, pausando a série. Suspirou antes de começar.
— Eu me sinto muito bem conversando com ele, sabe? O Louis é uma pessoa muito agradável. Em tudo. Só em estar falando com ele, seja por mensagem ou por voz, ele enche o ambiente como se estivesse presente realmente. — Sorriu ao comentar.
sorriu ao ver como a amiga sorria ao falar e foi continuar, no entanto, notou o olhar da estudante.
— Que foi?
— Você não percebe, mas fala sobre ele com um sorriso nos lábios e os olhos brilhando.
— Gosto muito da amizade dele, tá? Aliás, não só dele. — Riu. — da Lisa também.
— Sei.
— Larga de ser boba. Quando estiver, e se estiver, rolando alguma coisa, você vai ser a primeira a saber. — Se acomodou no sofá novamente, da mesma forma que a amiga.
— Eu já estou sendo a primeira a saber. Inclusive antes de você. — Apontou o dedo e revirou os olhos.

Enquanto o episódio continuava a passar e o alemão enchia os seus ouvidos com um sotaque gostoso e palavras, que, pra ela, se não existisse a legenda, nunca saberia o significado, pensou em como seu coração se enchia de alegria ao falar com Louis e o carinho e preocupação dele por ela ficava muito evidente em suas conversas. Naquele momento, ela compreendeu o que falara há instantes, visto que um sorriso brotava em seus lábios durante aqueles pensamentos.

Atlanta, Estados Unidos.
Dezembro, 2018.


Além de participarem todos os anos da Comic Con de San Diego, que era uma das mais importantes do mundo, Supernatural possuía a sua própria convenção que era chamada de SupernaturalCon, onde fãs e atores se encontravam para uma manhã de perguntas, respostas e autógrafos.
Aquela estava sendo a última de 2018 e o estado da Georgia havia sido o escolhido.

estava ao lado de Jensen e Misha no camarim e terminava de receber maquiagem leve nos olhos, levando em conta que era Inverno e suas bochechas já estavam coradas pelo frio.
— E aí, tá pronta? — Ouviu a voz de Jensen ao seu lado quando abriu o calendário de seu celular para anotar alguns compromissos para a próxima semana.
— Pronta! — Rapidamente terminou e olhou para o companheiro de trabalho. — Devo dizer que estou extremamente feliz pelo clima da Georgia, tá? Achei que fosse estar mais frio.
— Tá uma delícia mesmo — Misha concordou um pouco mais distante dos dois.
— Vamos lá, cast de Supernatural.

Os três subiram ao palco juntos e no mesmo instante um barulho ensurdecedor de gritos e palmas foi ouvido por todo o salão, vindo da plateia. se surpreendeu pela quantidade de pessoas, no entanto ela tinha plena convicção do sucesso da série e como os fãs eram apaixonados. Sentaram-se lado a lado em banquetas e receberam microfones da produção da convenção.

As perguntas eram as mais variadas possíveis, mas a maioria delas relacionadas ao show e a momentos fora dele. havia acabado de responder à pergunta de uma fã muito simpática sobre como ela aguentava, de brincadeirinha, contracenar com Misha e Jensen o tempo todo.
Uma outra fã com cabelos cor de fogo pegou o microfone e olhou para a atriz.

— Oi, . Minha pergunta é pra você. Aliás, bom dia — brincou, fazendo com que todos rissem e respondeu imediatamente sorrindo. — Primeiramente, quero dizer que tenho uma conta no Instagram pra você. Somos um fansite. E nós te acompanhamos desde que entrou na série, temos muito orgulho de você, de todo o girlpower da sua personagem e como você leva isso pra vida real. Você é uma inspiração.
— Oh, meu Deus! Que lindo. Obrigada — agradeceu levemente emocionada. — Eu fico muito feliz em ouvir essas palavras, ao saber que a minha personagem não é só uma personagem, ela consegue levar o a mais aos fãs e isso faz com que meu trabalho valha a pena.
— Nós amamos a Sabrina e a forma como você a interpreta, mas a minha pergunta não é em relação a isso. — riu. — Queria saber o que acontece entre você e o Louis Hofmann.

sentiu seu coração bater tão forte ao ouvir o nome de Louis que não achou que aquela sensação fosse possível. Riu, sentindo suas bochechas corarem ao ouvir gritos vindos da plateia e notou como as pessoas a olhavam ansiosas pela sua resposta.

— O Louis é apenas meu amigo — respondeu, já sentindo seus batimentos cardíacos diminuírem e riu ao ouvir um coro de “Ahhh!” em desânimo. — Ele é uma pessoa maravilhosa e um ator foda pra caramba. Opa, desculpa. — Sorriu e mordeu o lábio ao falar palavrão. — E ele merece todo o reconhecimento do mundo, sério. Nós conversamos, mas somos amigos. Bons amigos.

Eram quase duas horas da tarde quando o trio de Supernatural adentrou a van rumo ao aeroporto, diante de uma Atlanta nublada, no entanto não tão fria. Haviam passado as últimas horas dando autógrafos e tirando fotos com os fãs, aproveitando pra discutir mais a fundo como seria o rumo da temporada a qual estavam gravando.

— Dormirei no voo, pois temos 8 horas até Vancouver. — Jensen colocou seus óculos escuros após sentar-se na janela.
— Graças a Deus! — Misha agradeceu do outro lado da van, erguendo as mãos pra cima.
riu e ao sentar-se também próxima a janela, colocou a mochila no colo, procurando pelo celular e os fones de ouvido nos bolsos. Quando encontrou, conectou-o rapidamente, a fim de relaxar, visto que as convenções eram incríveis, porém cansativas.
Ao desbloquear o aparelho, viu várias mensagens na tela do celular, algumas de , da sua mãe e Louis. Franziu o cenho ao ler o que ele havia escrito:

Louis
online

Então quer dizer que eu sou um ator foda pra caramba?



Ela riu da mensagem do rapaz e apressou-se em abrir o aplicativo de troca de mensagens instantâneas.

Louis
online

Então quer dizer que eu sou um ator foda pra caramba?

E uma pessoa maravilhosa.



Assim que enviou a mensagem, pensou se Louis iria entender aquilo como um flerte, mas ao mesmo tempo não se importou. Notou que ele havia lhe mandado aquela mensagem há uma hora e calculou mentalmente o fuso horário entre os dois países.

Por sorte, conseguiu um lugar no voo de volta para casa sem ninguém ao seu lado e agradeceu mentalmente por aquele fato. Estaria sozinha pelas próximas oito horas e, por mais que fosse uma pessoa extrovertida, naquele momento ela só desejava algumas horas de sono.

Ouviu o barulho de uma nova mensagem chegando e quando tirou o aparelho do bolso de trás da calça jeans, viu que era a resposta de Louis à mensagem anterior.

Louis
online

Então quer dizer que eu sou um ator foda pra caramba?

E uma pessoa maravilhosa.

Uma pessoa maravilhosa? Uau!

Obrigado!

Você é incrível. ❤️



sorriu com a cor do coração usado por Louis e sabia que aquilo dava margem para diversas interpretações, sendo romântica ou apenas uma amizade. Considerou responder, mas logo ouviu a voz do piloto e decolariam em alguns minutos. Bloqueou o celular após colocá-lo em modo avião e relaxou.

Berlim, Alemanha.
Dezembro, 2018.


— Terminamos.
10 dias para o Natal. 5 para o término das filmagens em 2018. Eram números que Louis mantinha em sua mente, uma vez que estava no auge da exaustão mental.
Ouviu a maquiadora anunciar que havia terminado a maquiagem em seu pescoço, sendo que seu personagem sobrevivera a um enforcamento e as marcas eram nítidas em sua pele.
— Ficou incrível. — Ele olhou no espelho à sua frente, dentro do camarim, e levantou um pouco o pescoço para ver melhor. Sorriu para a mulher que estava atrás de si. — Obrigado, Carly. Você é um gênio — falou de um jeito sério.
— Nós vamos ganhar todos os prêmios — ela disse e o ator gargalhou rapidamente. — Aliás, todo o elenco, mas você e a Lisa merecem todos os prêmios.
Ele sorriu fechado, ficando com vergonha dos elogios dela.
— O que vocês falam? “Nós somos um par perfeito. Nunca duvide disso” — os dois sussurraram o quote da série juntos.
Ouviram batidas na porta e olharam um Baran, diretor e produtor da série, aparecer com um sorriso empolgado.
— Carly, você terminou o Louis? Precisamos gravar.
— Tá lindo, Bo. — Apontou com a cabeça para o rapaz sentado na cadeira à sua frente e todos riram de leve.
— Vamos então, jovenzinho — o chamou daquela forma.

Louis pegou o agasalho amarelo característico de seu personagem, antes de sair com Baran pelos sets da série alemã. Enquanto andavam, trocavam ideias a respeito da cena que seria gravada a seguir.
Entrou no cenário onde se remontava a casa dos Kahnwald e sentiu um arrepio lhe percorrer o corpo com a força quase sobrenatural que habitava aquele lugar.
Desde os seus 10 anos de idade, Louis sabia, de certa forma, que queria ser ator. Era algo que ele simplesmente amava fazer.

Ao subir as escadas e entrar no quarto que era de seu personagem, uma nostalgia gigantesca predominou em seu coração, sabendo que dali em diante tudo mudaria completamente. Olhou para o lado, vendo Baran com Sebastian, o ator que interpretava o seu pai na série, discutindo alguns detalhes e colocou o agasalho amarelo. Tateou pelo lado do casaco e sentiu que havia esquecido seu celular ali e, quando o retirou do bolso, viu uma mensagem que fez com que um sorriso enorme brotasse em seus lábios imediatamente:

: Acredita em milagres de Natal? Estarei aí em Fevereiro.


Capítulo 4

Vancouver, Canadá.
Janeiro, 2019.


Em um início de noite fria na cidade litorânea, empurrava o carrinho em um dos seus supermercados favoritos da cidade, o IGA. Era um local de tamanho médio, com prateleiras baixas e ela agradecia por conta de sua estatura. Caminhava apoiada no carrinho e com o celular nas mãos, checando o Instagram de forma distraída, quando olhou para o lado e notou que estava na seção que gostaria.
— Xampu e condicionador, extremamente necessários em viagens — falou consigo e colocou o aparelho no bolso do casaco que usava, perdeu alguns minutos escolhendo o que achava ser melhor para o seu cabelo e seus pensamentos foram imediatamente levados para o outro lado do continente, enquanto olhava atrás do frasco a respeito do “modo de usar”.
Sua viagem para Berlim seria em 2 dias e ela sentia-se inteiramente feliz, nervosa e ansiosa. O último predominava de um jeito que não sentia há tempos, tanto que a atriz estava tendo dificuldade para dormir, sendo que seu cérebro começava a imaginar mil cenários quando ela encostava a cabeça no travesseiro.
As conversas com Louis, após o Natal e Ano Novo, se tornaram mais rotineiras e, quando podiam, ambos passavam certo tempo a mais no celular do que o normal, o que fez com que tomasse broncas de Kripke por se atrasar às vezes para algumas gravações de Supernatural. No entanto, a garota não tinha arrependimento nenhum, visto que, por morarem tão longe um do outro, era o único jeito de sentirem-se conectados.
Seus devaneios de como seria a viagem foram interrompidos pelo tocar de seu celular e ela o atendeu prontamente após ver no visor o nome de Lisa em uma videochamada, sua amiga e colega de trabalho de Louis na série que faziam.
— Ei, Lis.
! — A alemã sorriu abertamente. — Onde você está? — Franziu o cenho ao conseguir ver pessoas passando próximas à amiga.
— No supermercado. Vou viajar e acabaram umas coisas essenciais. — Fez uma careta rápida, fazendo com que Lisa sorrisse. — Tudo bem? — Preocupou-se.
— Comigo, sim — respondeu rápido. — Te liguei porque vou ter que ir pro interior ao aniversário do meu avô. Sabe como é. Família.

— Sério? — parecia chocada. — Eu entendo. É assim mesmo. Temos obrigação de ir. — Riu no fim da frase.
— Sim. E é sempre tão legal ver a família — foi debochada e as duas riram juntas. — Parto amanhã à tarde, acho. Você se importa em ficar com o Louis? Te encontro assim que voltar.
sentiu um arrepio momentâneo lhe percorrer a espinha e suas bochechas esquentarem. Sabia que estava vermelha.
— Será que é bom eu ir ainda, Lis? Você...
— Pelo amor de Deus, não ouse pensar isso. — Lisa fingiu estar brava e riu. — Você fica com ele por alguns dias e quando eu voltar você vem aqui pra casa. Vai ser bom. Você vai poder julgar quem é o melhor anfitrião.
Ela riu do que a amiga dizia e concordou com a cabeça rapidamente.
— Fechado. Mas se ele fizer comida pra mim, vai ganhar alguns pontos, você sabe. — Deu de ombros de brincadeira.
— Eu vou fazer seu prato favorito. Já ganhei. — Foi a vez dela dar de ombros.
— Meu Deus, já ganhou. — Sorriram. — Enfim, você avisa o Louis?
— Mandei mensagem antes de te ligar, mas ele já deve estar dormindo. Amanhã eu ligo.
— Combinado, então. Te vejo em alguns dias.
Despediu-se de Lisa carinhosamente, ansiando pelo momento em que veria a amiga dali a alguns dias. Colocou o aparelho novamente no bolso do agasalho e voltou a empurrar o carro com a mentalidade que os próximos dias passariam rapidamente.

Berlim, Alemanha.


Louis despertava aos poucos, com um barulho que de início não soube distinguir o que era. Com dificuldade para abrir os olhos, ele se mexeu no local onde se encontrava e lembrou-se que havia dormido no sofá mesmo após chegar das gravações, tomar um banho e comer. Tentou assistir a qualquer coisa na TV, mas o sono o pegou imediatamente. Quando o barulho aumentou de intensidade, o ator sentou-se ainda com os olhos fechados e bufou ao perceber que aquele som vinha da sua porta. Era alguém batendo.
— JÁ VOU! — gritou. Foi para se colocar de pé, mas notou que estava usando apenas uma calça de moletom cinza, então alcançou a manta que usava para dormir. Em passos lentos, com bocejos e coçadas de olho, o alemão se aproximou da porta, a destrancando com ansiedade já que não aguentava mais aquele barulho.
— Finalmente. Você tá com alguém pra demorar tanto pra abrir assim? — Lisa sorriu, carregando dois cafés no apoio.
— Sim. Estou acompanhado do sono. — Ele entrou na brincadeira dela e abriu mais a porta para que a amiga entrasse. Ao passar, recebeu um beijo na bochecha e observou enquanto ela se aproximava da bancada da cozinha e deixava o café.
— Você não vai gravar hoje? — a mulher indagou, ao vê-lo se sentar na banqueta.
— Depois do almoço. — Louis alcançou o copo de café e bebeu um gole, logo passando as mãos pelo rosto de um jeito cansado.
— Não me leve a mal, mas parece que você tá de ressaca. — Pegou dois pães de fôrma e colocou na torradeira.
— Ontem eu gravei de novo com o Sebastian e as cenas com ele mexem comigo mais do que deveriam, eu acho — sussurrou e sorriu de leve, bebendo mais um gole do líquido quente.
— Só fico pensando como vamos gravar a 3ª temporada. Você vai chorar em todos os episódios.
— Até parece que você não, Lisa. — Os dois riram juntos.
— Então, eu vim aqui pra te contar — começou a falar e atraiu a atenção do amigo. — Vou ter que ir ao interior hoje ainda. Minha mãe está me obrigando a comparecer ao aniversário do meu avô. Diz que eu estou muito distante da família.
— E você adora a sua família — falou o óbvio, mas com ironia.
— Sim! — A morena revirou os olhos e riu levemente. — Falei com a ontem, ela chega amanhã e vai ficar com você, tudo bem?
Em questão de milésimos de segundos, o rapaz imaginou como seria ter a garota como companheira de apartamento por apenas alguns dias. Conversar o tempo todo com ela pessoalmente, dividir refeições e risadas. Dormir e acordar com ela estando tão perto.
— Louis? Tudo bem? — Lisa já passava a geleia na torrada e olhava ao mesmo tempo para o amigo, com o cenho franzido.
— Tu-d-do! — Disfarçou o nervosismo, bebendo um gole rápido do seu café. — vai ser ótimo tê-la por aqui.


***


piscou várias vezes ao sair pelo desembarque do Aeroporto Internacional de Berlim. Carregava uma pequena mochila nas costas com seus pertences mais importantes e iria em direção à esteira para retirar a sua enorme mala. Não tinha delimitado dias exatos para aquela viagem, no entanto, sabia que, em questão de uma semana ou quinze dias, teria que voltar para Vancouver e as gravações de Supernatural estariam veementes.
Permaneceu a uma distância razoável de um casal com um bebê de colo que retirava as malas da esteira e pegou seu celular de dentro do bolso do agasalho, sabia que Berlim era fria naquela época do ano, mas a garota sentia frio mesmo usando algumas camadas de roupa.
Enquanto desbloqueava o aparelho e abria o aplicativo de mensagem instantânea para avisar Louis que chegara, a atriz olhava em volta, vendo pessoas se reencontrando com abraços, choros e sorrisos. Ela então avistou algo que fez com que um sorriso brotasse em seus lábios.
Graças a Deus! Pensou, após pegar a mala de rodinhas e caminhar a passos apressados até a cafeteria que havia visto. Chegou ao local, fazendo um pedido simples de café puro e foi em direção à saída do aeroporto, sentindo-se ainda mais feliz com o líquido descendo pela sua garganta e aquecendo seu corpo.
— E você já conhecia Berlim antes? — a motorista questionou em seu inglês carregadíssimo de sotaque alemão, fazendo com que a atriz, no banco de trás, risse de leve e bebesse mais um pouco do café.
— Primeira vez. — Sorriu simpaticamente para a moça que a olhava às vezes pelo retrovisor.
Seu celular vibrou e deu um toque avisando uma mensagem nova, e , enquanto ouvia a mulher falar de diversas coisas que podiam ser feitas pela capital alemã, desbloqueou o aparelho e sorriu de leve ao ler a mensagem.

Louis
visto por último hoje às 16:35

Que bom que chegou e fez uma ótima viagem, fico feliz. Faz o que combinamos e, assim que eu for dispensado, te encontro. E fica à vontade, . Como se o apartamento fosse seu.



Cerca de meia hora depois, sentiu o carro parar, ouvindo a mulher avisar que chegaram ao destino que passara anteriormente. A atriz olhou para o lado e abaixo do céu nublado da capital alemã tinha o prédio que pensava ser onde Louis morava.
— Vou te ajudar com as malas. — Ouviu a motorista dizer e isso foi a deixa para que ela também saísse do carro e ajeitasse a mochila em suas costas, sem conseguir por breves segundos tirar os olhos do prédio à sua frente. Ele tinha um tom de amarelo claro, sabia que era antigo, mas muito bem cuidado. Com grandes janelas postas na vertical e sacadas de um só lado do edifício. — Você fica bem sozinha? Ou quer ajuda pra subir? — Foi tirada de seus pensamentos.
— Não precisa. Eu vou encontrar meu amigo e ele me ajuda. Muito obrigada. Você já fez muito por mim. — Sorriu de um jeito carinhoso.
Ao se aproximar da porta de entrada, olhou para cima como se aquilo fosse ajudá-la a controlar um pouco mais a sua ansiedade. Respirou fundo e pegou o seu aparelho, procurando pela mensagem que trocara com Louis no dia anterior a respeito do apartamento vizinho do ator que estava com a chave para ela entrar no apartamento.
— Oi, , eu já estou indo aí. Espera. — Ouviu uma voz que ela não conhecia falar em um inglês perfeito, sorriu com aquilo e respondeu que aguardaria. Segundos depois, um rapaz, aparentemente com a idade dela ou alguns anos mais velho, apareceu, usando um sobretudo preto por cima de pijamas brancos com listras pretas.
— Desculpa, eu não queria incomodar...
— Não é incômodo nenhum, garota. — Ele riu e passou as mãos pelos seus cabelos um pouco enrolados, pretos e já bagunçados. — Vamos, vamos, vamos. Está frio demais nessa cidade. — Não tirava o sorriso dos lábios e a atriz teve uma boa sensação ao conhecê-lo.
Quando adentraram o elevador, o notou apertar o botão do segundo andar e colocar as mãos nos bolsos do sobretudo.
— De onde você conhece o Lolo?
Saíram do elevador e ela o seguiu, chegando rapidamente à porta do apartamento 203.
— Lolo? — A garota não conseguiu evitar uma risada leve. — O Louis eu o conheci na Comic Con ano passado. A minha série tinha um painel. A dele também.
— Amo esses eventos nerds. Então, Winchester — a chamou pelo sobrenome de sua personagem na série, — você está entregue. — Colocou as chaves do apartamento nas mãos dela. — Sou Petrus e moro no andar de baixo. No 102. Qualquer coisa, me chama, tá?
— Obrigada, Petrus. — sorriu verdadeiramente agradecida. — Temos muito o que conversar quando der porque preciso saber se você assiste a minha série.
— Amada, nós temos sim. — Sorriu ao girar a chave do próprio apartamento no dedo indicador e dessa forma rumou em direção às escadas imediatamente as descendo.
A garota se sentia ansiosa e um pouco nervosa. Sabia que Louis não estava, dessa forma não o encontraria no momento, no entanto, só de saber que em algumas horas o veria fazia com que seu coração batesse de forma descompensada.
Quando abriu a porta, seu campo de visão foi tomado por um apartamento amplo e bem arrumado. Deixou sua mala próxima à bancada e examinou a pequena cozinha com uma bancada para que duas pessoas se sentassem. Por se tratar de um ambiente aberto, a sala de TV estava posta um pouco mais à frente e logo a sacada com a porta entreaberta, fazendo com que a cortina balançasse em função do vento mais forte.
O imóvel possuía apenas dois quartos e um banheiro que se localizava em um pequeno corredor, não fazendo parte de uma suíte. lavou as mãos na pia, agradeceu a água quente do banheiro e admirou uma banheira vitoriana branca naquele ambiente clean.
Louis disse que eu poderia me sentir em casa. Cogitou, e dessa forma rumou até a mala, sabendo que o ator demoraria algumas horas.

Louis caminhava em direção ao seu automóvel no estacionamento. Enquanto uma das mãos alcançava as chaves, com a outra segurava o chá fumegante que estava bebendo em um copo e na mesma mão um texto que Baran havia pedido para que ele lesse antes da mesa de leitura do dia seguinte.
No entanto, seus pensamentos estavam em sua mais nova visita. Ele e se conheceram há seis meses, mas os dois diziam com frequência que pareciam anos. As conversas por meio de mensagens ou até mesmo por voz duravam horas e nunca tinham hora para terminar. A ansiedade pelos dias que se seguiriam estava presente no corpo do rapaz e sua mente vagava imaginando como seriam, o deixando inteiramente inerte do mundo, tanto que não ouviu seu nome sendo chamado.
— Consegui te pegar aqui ainda. — Ela se aproximou dele, sorrindo e mordendo o próprio lábio inferior.
Pela primeira vez em tempos, Louis não sentia nada. Viu Stella, sua ex-namorada, se aproximar completamente e sorriu de leve de uma forma simpática. O namoro deles terminara há mais de ano, no entanto, ela fazia parte da turma e estava sempre por perto.
— Já terminou de gravar? — Stella riu e uma rajada de vento mais intensa fez com que seus cabelos loiros e compridos fossem pra frente.
— Você diz a série? Ainda não. — Riu. Na maior parte do tempo, o namoro do ex-casal foi com muito respeito, amigável e cheio de sentimentos, todavia, em uma viagem a trabalho em outro país, Stella acabara beijando e dormindo com um ex-caso, fazendo com que a relação dela e Louis se tornasse inviável. — Você veio a trabalho? — questionou, após guardar a bolsa no banco do motorista e deixou o copo sobre o capô.
— Vim. O Bo não te falou? Vou fotografar com ele algumas coisas nos sets — respondeu animadamente. Louis sabia que Stella era a melhor em seu trabalho como fotógrafa, por isso apoiava o que fazia mesmo não estando mais juntos. — Achei que você fosse ficar. Eu ia te chamar para beber alguma coisa.
— Eu já estou bebendo. — Apontou com a cabeça de um jeito para indicar o copo. — Na verdade, preciso ir pra casa. — Se limitou a dizer.
— Você tem algum compromisso? — ela insistiu, ao se aproximar um pouco mais.
Os próximos movimentos dela foram tão rápidos que o ator só foi notar que a fotógrafa estava com os braços em volta de seu pescoço quando sentiu o perfume tão característico invadir as suas narinas. Olhou pra baixo e notou que estava encurralado ao reparar que não tinha como sair dali.
— Vai. Fala a verdade. Você não sente nenhum pouco de saudade? — Stella sussurrou aquelas palavras com os lábios próximos ao rosto do loiro. Constatando que ele não se afastava, deu mais um passo, aproximando-se ainda mais e mantendo seus corpos grudados.
Desde o término e pela forma que foi, Louis se limitou a pensar somente em seu trabalho, que ocupava um bom tempo do seu dia e, quando estava livre, sua mente era preenchida por assuntos referentes aos seus amigos.
Entretanto, foi depois da Comic Con do ano anterior que o alemão teve seus pensamentos abarrotados por uma simples e simpática atriz com a qual trocou mensagens e telefonemas nos últimos seis meses.
No entanto, seu corpo possuía memória curta e as últimas lembranças eram de Stella junto a ele, grudada, com sua temperatura, cheiro e gosto de acordo com o seu. A mão da garota foi parar debaixo da camiseta branca que ele usava e um arrepio lhe percorreu dos pés à cabeça ao sentir as unhas dela passarem por sua pele. Seus lábios se moldavam entreabertos e uma ofegada saiu entre eles.
Encontrava-se naquele momento em uma disputa acirradíssima entre seu corpo, que desejava mais contato vindo da garota que estava grudada em si, contra seu coração e mente, que gritavam que tudo aquilo era muito errado. Suas mãos a apertaram na cintura com o intuito de empurrá-la, mas Stella colou ainda mais nele e, de olhos fechados, procurou seus lábios.
— Você lembra o quanto nós nos divertíamos? — sussurrou ela com os lábios roçando nos dele e sorriu ao sentir as mãos do ator lhe apertarem na cintura firmemente. — Lembra como era gostoso quando acordávamos de madrugada, após uma noite intensa de sexo e — o mordeu no lóbulo sensualmente — repetíamos?
Uma das mãos de Hofmann ligeiramente correu da cintura da mulher até a nuca, enrolando os dedos em seus fios loiros e lisos, logo acabando com qualquer distância entre eles. A mordeu no lábio inferior com vontade, deixando que o desejo momentâneo vencesse a sua razão, que dizia que aquilo não era certo. Stella ofegou, abrindo a boca e o rapaz a beijou intensamente, fazendo com que suas línguas se encontrassem e um arrepio forte percorreu a espinha do rapaz. Sua razão fora acionada e seu corpo reagiu partindo o beijo imediatamente.
— Não. Eu não posso.
— É claro que pode. Nós já fizemos isso antes. — A loira sorriu e se aproximou para um novo beijo, no entanto o rapaz se esquivou ao virar o rosto e tentou não ser grosso.
— Eu tenho muito respeito por você, Stella, mas não dá pra simplesmente deixar pra lá tudo o que você fez. E tenho que ir. — Louis mordeu o lábio inferior ao falar e notou a expressão confusa no rosto da garota, ela afastou seu corpo do dele e o ator teve espaço para pegar seu chá, entrar no automóvel e rumar em direção ao apartamento.
A distância dos sets onde gravava Dark até a sua casa era a mesma todos os dias. Naquele dia em questão, a sensação parecia a de que o destino não chegaria nunca. O trânsito se encontrava estranhamente caótico, sua mente da mesma forma com tudo que acabara de acontecer. Agradeceu mentalmente quando avistou seu prédio e com sorte encontrou uma vaga disponível. Ao estacionar o automóvel, apoiou a cabeça na direção e respirou fundo.
Seus pensamentos foram interrompidos pelo tocar do seu celular. Com o coração na boca, o ator demorou um pouco para encontrar o aparelho, visto que estava perdido no banco do motorista com alguns casacos pesados por cima.
— Seu celular estava perdido, né?
Ele não conseguiu evitar um sorriso quando ouviu a voz de Lisa.
— Acertou. Eu acabei de estacionar. Cheguei em casa. Tá tudo bem?
— Apenas suportando a minha família — a atriz bufou, fazendo com que Louis risse. — Ei, você já falou com a ? Queria saber como vocês estão.
— Ainda não, Lis. Só falei por mensagem, mas já vou subir.
— Vou parar de te enrolar, então. JÁ VOU. EU ESTOU NO TELEFONE! — gritou. — Louis, tenho que ir. Ligo pra vocês mais tarde. Diz pra ela que mandei um beijo, tá?
— Eu falo. — Riu da forma que ela falava. Despediram-se carinhosamente e ele se apressou para sair do veículo. Segundos depois, subia as escadas em passos rápidos e sentia seu coração bater forte, não sabendo ao certo se era pelo esforço físico feito anteriormente ou pelo fato de que a veria depois de longos meses.
Ao girar a maçaneta e entrar no apartamento, foi como se o rapaz tivesse sido levado a uma nova realidade. Tudo que acontecera lá fora ficara pra trás, uma sensação boa de que os próximos dias seriam incríveis acometeu seu coração. Deixou as coisas que carregava sobre a bancada da cozinha, assim como as chaves do carro e viu as malas de .
? — chamou pelo nome da atriz e não obteve resposta de imediato, franziu o cenho e o pensamento de que, talvez, ela tivesse ido à farmácia ou ao pequeno supermercado ali perto brotou em sua mente. — ? — aumentou o tom de voz e não obteve resposta alguma. Dessa forma, tirou o casaco, caminhou em passos lentos, passando as mãos pelos cabelos ao fazer isso, e se dirigiu ao banheiro.
Pelo tamanho do apartamento, era a primeira porta à direita. Em poucos passos, Louis tinha uma das mãos na maçaneta e a abriu ansiosamente. Seu corpo travou imediatamente com a visão que teve quando seus olhos se direcionaram à banheira e viram debaixo de muita espuma, com seus cabelos em um coque alto, alguns fios caindo em seu rosto e seus ombros molhados à mostra. Seu choque foi tamanho que o ator não conseguiu se mexer e nenhum som saía pela sua garganta, contudo, quando seus olhares se encontraram, a atriz arregalou os olhos assustada e pegou a toalha mais próxima. Sem pensar duas vezes e ao mesmo tempo não entendendo o porquê de tal ato, ela se colocou de pé, enrolando o tecido no corpo molhado e colocando seus pés pra fora, mas estes entraram em contato com o chão levemente molhado e a queda pra frente foi inevitável.


Capítulo 5

Berlim, Alemanha.

Sem pensar duas vezes e ao mesmo tempo não entendendo o porquê de tal ato, ela se colocou de pé, enrolando o tecido no corpo molhado e colocando seus pés pra fora, mas foi surpreendida quando seus pés vacilaram ao entrar em contato com o chão levemente molhado e a queda pra frente foi inevitável.
Seus joelhos se chocaram fortemente com o chão do banheiro e a atriz ainda apoiou as mãos para que pudesse amortecer a queda e as coisas não ficassem tão intensas — mais do que já estavam. se encontrava com os cabelos bagunçados, as bochechas coradas, de toalha e com o corpo levemente molhado, caída em frente a um rapaz com o qual ela havia conversado, e se aproximado, nos últimos seis meses. Seu coração batia fortemente tanto que o verbo falar era desconhecido por ela naquele momento.
!
Merda, pensou.
Mil vezes merda.
Ao olhar pra frente, notou que ele estava com os joelhos apoiados no chão e uma expressão preocupada. Encontravam-se próximos de forma que não estiveram nos últimos meses.
Próximos fisicamente, a mente dela tagarelou.
— Tá tudo bem? — O ouviu questionar.
— Sim. Tudo. Me ajuda a levantar?
foi puxada ao encontro do corpo de Louis e, quando deu por si, estava ofegante e com uma das mãos no peitoral do rapaz. Suas bochechas ardiam, podia adivinhar a coloração delas, e ainda usava toalha. T o a l h a.
— Oi — sussurrou, visto que não havia falado uma palavra sequer.
— Eu te ajudo a caminhar até a sala. Você se machucou?
Sentia-se perdida na coloração dos olhos dele. Não conseguia desviar o olhar e nem abrir a boca para responder uma pergunta tão fácil. Fez uma careta rápida e riu de si.
— Bati meus joelhos, talvez... Não sei. — Outra careta brotou em seu rosto, fazendo com que uma risada leve saísse da garganta dele.
sentiu as batidas do seu coração triplicarem quando Louis pegou um dos seus braços e passou pelo próprio ombro, a ajudando a andar e não apoiar o pé com força no chão, visto que o joelho doía. Uma das mãos dele estava posta na cintura da atriz e ela não conseguia parar de pensar que usava somente toalha. Seu corpo inteiro encontrava-se arrepiado.
Soltou um gemido baixo de dor quando foi colocada sentada de forma delicada no sofá, grudou a mão imediatamente na barra da toalha, a puxando pra baixo, uma vez que suas coxas estavam à mostra, e bufou ao notar a coloração roxa em seu joelho.
Que merda, pensou.
Olhou para o lado e notou que Louis variava entre seu rosto e joelho, fazendo com que a sensação de que suas bochechas ainda permaneciam em uma cor forte não passasse. Viu o ator pedir para que esperasse um instante e logo ele estava de volta com algo nas mãos.
— Faz 5 minutos que nós estamos nos vendo pela primeira vez depois de meses e eu já cai no seu banheiro, te dei trabalho me trazendo pra cá e agora você teve que procurar por essa pomada. Desculpa. — Negou com a cabeça ao fazer um bico.
— É, nesses últimos meses eu não imaginei que as coisas seriam tão emocionantes assim — Louis falou de um jeito sério e gargalhou rapidamente, sabendo que ele estava brincando. — A pomada.
O som da gargalhada dela fez com que sorrisse espontaneamente. Por um instante, perdeu seu olhar na pessoa ao seu lado que passara os últimos meses conversando pelo celular, e teve uma vontade arrebatadora de unir seus lábios nos dela quando a viu morder o lábio inferior após gargalhar. O cheiro que emanava do corpo e dos cabelos da garota o deixava desesperadamente entorpecido. A verdade é que não era nada fã de tecnologias. Celular? Em último caso. Mensagens instantâneas? Também. No entanto, algo era diferente. Diferente com ela. Fez com que a cada toque de seu aparelho anunciando uma mensagem nova um sentimento de felicidade dominasse seu corpo.
E foi assim ao longo dos meses. Era constantemente zombado pelos amigos com quem trabalhava: “Louis no celular de novo? O que está acontecendo? É uma garota?”, porém não ligava. Tudo que compartilhavam fez com que uma amizade crescesse entre ambos.
— Deixa que eu te ajudo — acrescentou prontamente, ao vê-la tendo dificuldade para abrir a pomada, uma vez que suas mãos tremiam. Ela concordou com um aceno rápido e lhe entregou a pomada.
Torceu no seu íntimo para que ele não tivesse percebido a ofegada que saiu por entre os seus lábios com o toque primordial em sua pele, enquanto com os dedos espalhavam a pomada em movimentos circulares.
— Tá doendo? — A olhou. ligeiramente negou com a cabeça, sabendo que uma frase decente não sairia. Engoliu seco e, por breves segundos, o silêncio predominou no ambiente, mesmo não gostando de estar naquela situação com quem fosse. Pigarreou e tentou puxar assunto.
— Qual cena você gravou hoje? — perguntou, do nada, com um sorriso tímido formando em seus lábios.
— Não sei se posso te contar.
— Pelo amor de Deus, né? — Riram juntos.
— Enfim. O Jonas está em um ano que não posso te contar qual é e conhecendo alguém que ele não imaginou conhecer.
— Então ele conheceu alguém mais velho de quem ele havia conhecido antes?
— Ou mais novo. — Deu de ombros.
— Você sabe manter o mistério, hein? — Ela o empurrou de leve pelo ombro, enquanto riam e trocavam olhares. suspirou e olhou para o próprio joelho quando ele se afastou, finalizando o processo. — Obrigada pelo trabalho, doutor. Ficou ótimo.
— Não há de quê.
— Eu vou trocar de roupa, pois nesse momento me dei conta realmente de que ainda estou de toalha — mentiu, mas seu rosto corou novamente, demonstrando seus verdadeiros sentimentos, no entanto, agradeceu por já estar de costas, a caminho do quarto e o ouvindo rir.
Louis não conseguiu não olhar para o corpo de sumindo diante dos seus olhos. A toalha branca abraçava suas curvas, as deixando perfeitamente destacadas ao mesmo tempo que sua bunda recebia certo destaque. Se pegou mordendo o próprio lábio inferior e sentindo um arrepio lhe percorrer o corpo.
Ao adentrar o quarto, a mulher trocou a toalha por pijamas quentinhos. Sorriu quando estava mais confortável com as suas vestes e dessa forma rumou até a sala, que possuía conceito aberto com a cozinha.
— Você come macarrão com brócolis? É um dos meus pratos favoritos.
— Muito — aprovou rapidamente ao se sentar e o ouviu rir. constatou que gostava daquele som e era muito melhor pessoalmente.
O silêncio perdurou no local, no entanto não por muito tempo. A atriz franziu o cenho ao ouvir um barulho distante que segundos depois pareceu clarear a sua mente em vista do que era. Seu maldito celular. Trocou olhares com Louis e se aproximou da sua mochila, que estava posta no chão. Agachou para pegar o aparelho em um dos bolsos sem lembrar do joelho, mas imediatamente um gemido brotou entre seus lábios.
— Que merda, meu joelho! — ofegou, ao olhar no visor, vendo quem era e deu mais um suspiro naquele dia.
— Tudo bem? — o ator questionou apressadamente, ao ouvir um xingamento sair da boca dela, mas ao mesmo tempo achou engraçado.
— Meu joelho tá tudo bem. É minha mãe. E é uma chamada de vídeo, caralho — xingou novamente. — E se eu deixar cair na caixa postal?
— Se fosse minha mãe, eu deixaria. — Riu ao colocar a massa crua dentro da água que fervia. — Mas como você se dá bem com os seus pais, acho que deve atender.
franziu o cenho com o comentário de Louis a respeito da mãe, visto que durante suas conversas nos últimos meses ele não fez muitas menções em relação à família. Sua curiosidade aflorou, mas o aparelho não parava de fazer barulho em suas mãos, a deixando irritada.
— Você tem razão, até porque ela não desiste fácil. — A atriz passou o dedo pela tela do aparelho, atendendo a chamada, e deu seu melhor sorriso. — Oi, mãe.
Louis alcançou uma panela menor para que pudesse cozinhar os brócolis, enquanto ouvia a conversa de mãe e filha ao celular. Pegou o vegetal da geladeira e o deixou de lado, pronto para o uso. Sua mente vagou por um momento pelos acontecimentos do dia, nas conversas com Bo nas gravações da série, o que havia acontecido com Stella no estacionamento e a presença de na última hora. Tinha o desejo de ficar olhando pra ela a todo momento e nunca se cansaria.
Reparou que ela passava uma das mãos pelo rosto de um jeito cansado ao falar para a mãe o porquê de não ter ligado antes, sendo que estava ocupada.
Lembrou-se dos seus pais. Especialmente de sua mãe e de tudo que acontecera com eles nos últimos cinco anos. Se Louis contasse, iria parecer que tudo saiu de um belo roteiro de uma produção hollywoodiana. A verdade é que o ator não gostava de pensar no passado. Se concentrava no agora. No presente. E no que estava por vir.
?
— Oi, mãe? — A atriz parecia cansada daquela conversa.
Você levou, né? Levou camisinha para a viagem?
abriu a boca para responder, mas nada saiu. Seu rosto queimou e ela sabia que a coloração vermelha tinha voltado. Todo o frio que fazia na cidade, e por mais que a temperatura dentro do apartamento fosse agradável, parecia ter sumido. Do nada, beirava os quarenta graus.
Louis sorriu sozinho e comprimiu os lábios para que uma risada sem querer não saísse, no entanto, a coloração das bochechas de por estar envergonhada faziam com que ele sorrisse.
— Mãe! — ralhou com ela. — Olha, eu tenho que ir, tá bom? Preciso comer. Ainda não comi direito e a comida está esfriando. Te ligo ou mando mensagem. Boa palestra amanhã. Te amo.
A atriz encerrou a chamada sem esperar por uma resposta, logo depois que mandou um beijo para a câmera. Deixou o celular com a tela virada para baixo na bancada e escondeu o rosto com ambas as mãos enquanto Louis não aguentou e soltou uma risadinha leve.
— Bem que você falou da sua mãe em algumas ligações.
— Eu não exagerei.
— Não. — Ele ainda ria e negou de leve com a cabeça.
— Qual é o seu problema, Hofmann? — questionou séria, mas de brincadeira.
— Sua mãe é sexóloga, não é? É normal que ela vai falar essas coisas. E outra, ela é a sua mãe, é claro que se preocupa. — O ator se virou para ela para que pudesse se explicar. — E é camisinha. É algo normal.
— Mas ela está insinuando que eu vou fazer sexo — retrucou apressadamente.
— E se você fizer? — Sem saber se era um sorriso tímido ou provocante, viu algo nos lábios dele e aquilo fez com que seu corpo se arrepiasse como no banheiro.
Porra, pensou. Não era muito de falar palavrões, contudo naquele momento era a sua mente ganhando uma batalha e fazendo com que ela falasse sem pensar, mas não significava que não era verdade.
Sustentaram o olhar por alguns segundos, até que o mesmo toque de anteriormente fizesse com que pegasse seu celular novamente.
— É a Lisa.

Os minutos se passaram enquanto Hofmann e aproveitavam o jantar que ele havia preparado, rindo e conversando sobre assuntos aleatórios. Se tinha algo que ambos gostavam na amizade que compartilhavam, era a capacidade de nunca ficarem sem assunto. Qualquer acontecimento virava assunto. Até uma mensagem: “Hoje o céu está azul” era suficiente para que ele risse e mandasse uma foto com o céu de Berlim no mesmo instante, se possível, dizendo: “Aqui tá nublado, olha!
— Já volto — ele falou, ao terminar de comer, e o olhou com o cenho franzido, como se perguntasse o que aconteceu. — Menos de um minuto. — Saiu, a deixando sozinha.
Colocou mais macarrão com brócolis em seu prato em virtude da comida estar deliciosa e ela ainda com fome. Sua mente foi tomada por pensamentos alegres ao imaginar como seriam os próximos dias e não pôde evitar um sorriso.
— Seu presente de aniversário — voltou a falar, quando se aproximou completamente e esticou o embrulho na direção dela. — Tenho certeza de que você vai pirar. — Sorriu e mordeu o lábio inferior de leve.
— Meu Deus? — Pegou o pacote que fora embrulhado cuidadosamente e riu ao olhá-lo. Rasgou com certa ansiedade, o ouvindo rir de leve, seus olhos não acreditaram no que viram e abriu a boca em tom de surpresa.
— Você mencionou várias vezes o quanto gostava de ficção cientifica.
— É um dos meus gêneros favoritos. — Passou as mãos pela capa dura do livro e por cima das letras em vermelho, que diziam “Matéria Escura” e uma pergunta era feita embaixo, deixando ainda mais intrigada com o livro: “Você é feliz em sua vida?”.
— Fico feliz que tenha gostado.
— Gostado? Eu amei! — Em um pulo, colocou-se de pé e o abraçou sem pensar duas vezes, fechando os olhos ao fazer. Louis teve o mesmo instinto sem que ela soubesse, mas, ao fechar os olhos, cheirou os cabelos da atriz e a acariciou carinhosamente nas costas. Então o beijou na bochecha em agradecimento, mas resolveu dizer as palavras mágicas. — Obrigada.

Uma hora mais tarde, a sala estava em um completo breu, a não ser pela TV ligada em um episódio de Black Mirror. e Louis se encontravam sentados lado a lado no sofá, com um cobertor dividido para ambos com a finalidade de esquentar suas pernas.
— Esse episódio é insano.
— Essa série é insana. — O ator apoiou o cotovelo no encosto do sofá para que pudesse segurar a cabeça ao olhá-la, sorriram.
— É verdade. White Bear é um dos meus episódios favoritos.
— Gosto desse, mas The National Anthem é de explodir a cabeça pra mim.
— Meu Deus, sim! — concordou ligeiramente e os dois riram levemente e notaram que os créditos passavam. Louis deixou que a cabeça tombasse e apoiasse no encosto do sofá, fechou os olhos ao sentir as mãos da atriz em seus cabelos, fazendo carinho. — Ah, não! De onde vem esse cabelo macio? — O olhou e gargalhou rápido.
— De um xampu da farmácia da esquina — respondeu ele, de olhos fechados e baixinho.
gargalhou novamente e Hofmann abriu os olhos, vendo como ela fechava os olhos quando ria de um jeito gostoso. Sorriu com aquele gesto. Ele tinha isso com ela. Alguns atos dela faziam com que risse sem que ela soubesse.

— Precisamos dormir. O que acha?
— Tá muito bom aqui — resmungou, com as pálpebras pesadas, mas se esforçando para manter os olhos abertos. riu.
— Acho que o meu carinho no seu cabelo não está ajudando muito.
— Tá ajudando, sim — sussurrou. Seu riso tomou conta do ambiente novamente e, de um jeito espontâneo, deu um beijo entre os cabelos do ator.
— Vamos! — o chamou, ao se levantar. Pegou o controle da TV e desligou o aparelho fazendo com que o ambiente ficasse em escuro total. Riu de si.
— Calma que tem uma almofada no chão. — A pegou, logo jogando-a no sofá, mas tal ato foi feito com tanta força que acabou por acertar um vaso que estava posto ao lado do móvel. O barulho alto ao cair foi inevitável.
— Cacete, que susto! — a atriz falou, após ter tampado a boca com as mãos pelo grito que havia dado.
— Desculpa.
— Não tem problema.
Os dois iniciaram uma risada descontrolada que simplesmente não cessava. chegou a sentir a sua barriga doer e colocou uma das mãos no local.
— Um dia você me mata, Hofmann. — Ainda ria, ao se aproximar da porta do quarto onde ficaria. — Então, boa noite.
— Boa noite. — O ator sorriu ao se aproximar da atriz e beijá-la na testa. — Descansa.
— Pode deixar.

***


O estrondo durante a madrugada foi daqueles que a sensação era de que o céu iria se partir ao meio. acordou assustada com o coração na boca. Começou a tremer tanto que achou que passaria mal. Ela ainda não tinha superado. As sessões de psicoterapia estavam a ajudando, e muito, mas, no íntimo, a atriz sabia que o medo era totalmente irracional, visto que esse era o diagnóstico.
Fora diagnosticada quando pequena. Além dos seus pais, apenas , sua melhor amiga, sabia da sua condição. Puxou a coberta pra cima, comprimindo seus dedos ao redor do tecido com muita força, a fim de cobrir todo seu corpo e se sentir mais segura, mas tal gesto nunca adiantava. Um relâmpago iluminou o quarto, porém foi seguido de um breve trovão que fez com que soltasse um gritinho de susto.
No minuto seguinte, indo contra todos os seus medos, colocou-se de pé, com o cobertor em volta do seu corpo e protegendo a sua cabeça. Foi em direção à sala e, pela cortina ser escura, não veria mais os relâmpagos e pensou que aquilo a ajudaria a se acalmar. Seu coração batia forte em seu peito quando se sentou e tentou respirar fundo para manter a calma. Apurou a audição, esperando que outro trovão pudesse ecoar a qualquer momento, fato que não ocorreu.
— Um. Dois. Três. Quatro. Cinco — sussurrava, de olhos fechados. Aquela técnica era usada por médicos durante momentos tensos em cirurgias complicadas. Havia aprendido com a sua psicoterapeuta. Às vezes funcionava. Às vezes não.

Quando Louis tirou a camiseta branca que usava e colocou a cabeça no travesseiro para finalmente dormir, o sono que estava sentindo na sala, somado ao pesar de seus olhos, simplesmente sumiu. Rolou de um lado para o outro dezenas de vezes, até que achasse uma posição confortável e seu coração se acalmasse para poder descansar. Minutos se passaram e ele ainda estava desperto, com o olhar perdido em algum ponto da parede do quarto e com pensamentos a mil.
As últimas horas foram melhores do que ele poderia ter imaginado. O nervosismo por recebê-la o consumia desde o dia que Lisa contara sobre a estadia de em sua casa A felicidade por ela estar ali enchiam seu peito como noites de véspera de Natal. Desde pequeno, Louis tinha o dia vinte e quatro de dezembro como a sua noite favorita do ano — mais do que o seu aniversário. A curiosidade e excitação que emanavam pelas suas veias antes de abrir os presentes. Ele amava sentir aquilo. Somando aquelas duas sensações, o resultado era felicidade.
Como uma nuvem escura que surge do nada em um dia de Verão, pensamentos referentes à sua ex-namorada invadiram a sua mente. De novo. Uma careta brotou em seu rosto e o ator massageou as têmporas como se aquilo fosse lhe dar uma futura dor de cabeça.
Então virou de lado na cama, tentando de todas as formas dormir, visto que em algumas horas acordaria e o dia seria cheio, porém sua mente possuía outros planos.
Não sabia se haviam passado minutos ou uma hora, mas quando um trovão mais forte ecoou, foi abruptamente tirado de seus devaneios. No trovão seguinte, pareceu ouvir um grito vindo do quarto onde estava. Não aguentando mais ficar daquele jeito, decidiu ir até a cozinha e arrumar algo que o ajudasse a dormir.
? — Quando chegou à sala, franziu o cenho ao ver a mulher sentada no sofá, abraçando os próprios joelhos e com o cobertor sobre os ombros. A luz do corredor estava acesa, causando uma estranheza em seus olhos. Em passos rápidos, se aproximou, logo agachando. Podia notar o corpo dela tremer e a dificuldade para respirar. — O que houve? Me conta. Está com frio? Teve um pesadelo? — Não sabia ao certo o que pensar e a preocupação predominava em sua voz.
Ela negou com a cabeça ligeiramente e o olhou nos olhos.
— É Brontofobia — murmurou com o tom de voz baixo.
— Brontofobia?
— Medo de trovões.
O barulho de outro trovão ecoou e constatou quando gemeu de medo e fechou os olhos, fazendo uma careta logo depois. O sentimento imediato que prevaleceu no coração de Louis foi de proteção. No mesmo instante, foi para o lado da atriz no sofá e a puxou para os seus braços, a beijando no topo da cabeça enquanto a acariciava nas costas. Ela o abraçou de volta, passando seus braços ao redor do corpo dele descoberto e o abraçou fortemente para si.
— Tudo bem. Respira fundo. Eu não vou sair daqui enquanto não acabar — acrescentou rapidamente, sentindo o corpo da atriz tremer junto ao seu. Naquele momento, o ator queria ter superpoderes para que pudesse extrair toda a sensação ruim do corpo dela para si. No entanto, ele fez o que pôde e a abraçou apertadamente.
— Obrigada — sussurrou, após alguns segundos de silêncio. sentiu, pela primeira vez desde que a sensação ruim havia começado, que não estava sozinha e passaria.
— Eu posso cantar se for fazer você se sentir melhor.
— Por favor — suplicou e os dois riram de leve juntos.
Louis pigarreou e uma única música de suas cantoras favoritas veio à sua mente, conforme sentia o bater do coração de junto ao seu. Fechou os olhos antes de começar, aspirando o cheiro que vinha do cabelo dela.
Definitivamente chocolate, pensou.
Estava tão embriagado pelo odor que efluía, ao passo que o silêncio entre suas últimas palavras e o começo da música foi amplo.
“Baby, I'm so into you. You got that something. What can I do?”
A chuva estava forte e, com o acréscimo do vento, o barulho era ouvido nas janelas além dos trovões mais leves. Louis sentia em seus braços e com as batidas do coração ficando mais calmas, ainda sim, percebia o corpo dela tremendo de leve quando um trovão ou outro ecoava. Cantou mais uma parte até chegar a um trecho específico.
“Everytime you look at me. My heart is jumping, it's easy to see.”
“You drive me crazy. I just can't sleep” — a atriz cantou junto, soltou uma risada nasalada e logo acrescentou. — Você tem bom gosto pra música, Hofmann.
— De fato, devo concordar. Você está se sentindo melhor? — Seu tom de voz ainda era preocupado.
— Não tem como eu não ficar com Britney Spears.
Os dois riram juntos, enquanto Louis mantinha uma das mãos nas costas de , fazendo carinho, notando que aos poucos os batimentos cardíacos dela se normalizavam. Olhou pra baixo, verificando se ela já havia dormido, mas os braços da mulher ainda o apertavam envolta de sua cintura mesmo de olhos fechados.
? — sussurrou.
— Hum?
— Precisamos ir pra cama — falou rapidamente, sem pensar.
— É assim? Sem um jantar, nem nada? Cerveja? — Afastou um pouco seu corpo do dele para olhá-lo nos olhos. Riram juntos, sem mostrar os dentes.
Assim saíram em direção ao quarto, Louis ajudou a se deitar debaixo das cobertas e a ajeitou carinhosamente quando se sentou próximo ao corpo dela.
— Você tá bem? — questionou de forma ansiosa, a vendo menear a cabeça positivamente. Seu coração batia de forma descompassada e respirou fundo. — Promete, se precisar, me chamar?
— Prometo.
— Mesmo? — Mostrou o dedo mindinho, fazendo com que ela risse de um jeito gostoso e não conseguiu não rir. O som era bom demais. — Tem que prometer mesmo.
— Meu Deus, as coisas aqui na Alemanha são diferentes. Eu prometo, Hofmann. — E então entrelaçou seu dedo no dele em símbolo de uma promessa que não poderia de jeito nenhum ser quebrada.
O ponteiro dos segundos andou pouco, mas foi o suficiente para que nenhum dos dois conseguisse tomar a iniciativa e falar um simples Boa Noite. Olhavam-se ainda com os dedos entrelaçados e um trovão mais brando fez com que ela se estremecesse de leve.
— Eu vou ficar bem. Prometo. — sorriu de leve, tentando tranquilizá-lo.
— Certo. — A beijou no dorso da mão carinhosamente quando se levantou. — Boa noite. — Sorriu da mesma forma.
— Boa noite.
mordeu o próprio lábio inferior logo que a porta do quarto foi encostada e o breu predominou. Um sorriso leve moldou em seus lábios.

Louis se jogou na sua cama, afundando-se no colchão e respirando fundo. Na ocasião, sentiu o perfume leve e característico dos cabelos de em suas narinas. Ele já encontrava dificuldade para dormir anteriormente e sabia que com aquele estímulo a sua mente não desligaria tão cedo.


Capítulo 6

— Você poderia ao menos contar para onde estamos indo? — suplicou a atriz, de forma ansiosa.
e Hofmann andavam lado a lado pelas calçadas movimentadas de Berlim, com a cidade sendo perfeitamente caótica naquela metade da manhã. O dia estava com um céu azul lindo, porém frio, e ela sabia que suas bochechas se encontravam em tom de vermelho por conta do vento gélido, que fazia seus cabelos ficarem bagunçados por baixo da touca preta.
, é surpresa! — O tom dele era sério, contudo, ela sabia que estava brincando, por isso facilmente foi ouvida uma gargalhada que saiu entre seus lábios.
Enquanto andavam, ele a explicava alguns pontos importantes da cidade pelos quais passavam. A arquitetura da cidade era algo simplesmente de encher os olhos. Na capital alemã, principalmente naquela região, não existiam prédios altos, a altura era mediana, fazendo com que o visual da cidade não ficasse ofuscado.
— A maioria dos prédios aqui são reformados ou foram tombados?
olhou para Louis ao questionar e percebeu como ele estava perto, daquela pequena distancia, dava para sentir perfeitamente o cheiro do perfume que exalava dele. Não era forte, mas algo que lhe agradava. As primeiras palavras ditas, respondendo à pergunta dela, foram completamente ignoradas, no entanto, não por maldade.
— ... e algumas pessoas foram diretamente contra o governo e eles aceitaram não derrubar, mas sim reformar.
Fala qualquer coisa.
Sua mente travou. Quando foi para, finalmente, abrir a boca e responder, algo fez com que ela se sobressaísse. Um cachorro de grande porte passou correndo pelas pernas de , fazendo com que se desequilibrasse instantaneamente e caísse para o lado onde estava o ator. A queda foi evitada, pois, no mesmo momento, Louis segurou pela cintura fortemente, mas não impossibilitando que seus corpos se chocassem. O cheiro do cabelo dela pareceu entrar pelo nariz indo diretamente em seu coração, que palpitou fortemente. Se encontrava com as mãos na cintura da garota e a atriz tinha uma das mãos apoiadas de um jeito firme no ombro do rapaz.
O ator não sabia o que fazer naqueles milésimos de segundos devido à proximidade de ambos. Ainda a segurava como se fosse protegê-la de qualquer coisa ruim que poderia vir a acontecer e não possuía controle nenhum perante seus olhos, que fitavam a boca de . A respiração ofegante dela pelo susto e quase queda faziam com que pensamentos borbulhassem em sua mente de como queria ouvir ofegadas com gemidos. Gemidos intercalados com o seu nome. Um arrepio tão intenso lhe percorreu o corpo que duvidou que eram tão fortes.
Institivamente, em resposta ao que sentia, a apertou na cintura mesmo por cima das vestes e sentiu ela fazer o mesmo em seu ombro.
Ele não conseguia tirar os olhos da boca dela perfeitamente coberta pelo batom. Ansiou beijá-la desesperadamente. Morder seus lábios. Sentir suas línguas brincando uma com a outra. O gosto dela em sua boca.
— Tá tudo bem? — questionou, sentindo a garganta seca.
sabia que suas bochechas estavam vermelhas. Agradeceu a temperatura baixa e o vento frio que batia em seu rosto. A mão dele ainda estava em sua cintura e fazia com que ela sentisse seu corpo queimar. Algo que nunca havia sentido com ninguém. Com ninguém. Tais sensações eram novidade para a jovem atriz. Em contrapartida ao frio intenso, suas palmas das mãos se encontravam molhadas pelo nervosismo e demorou um pouco para que o cérebro processasse as palavras vindas da boca dele, mas logo saiu de seus devaneios.
— SIM! — gritou, logo reparando no tom que havia usado. Pigarreou. — Sim, desculpa. — Riu de leve. — Hum, obrigada por me salvar.
— O prazer é meu. — Piscou antes de voltarem a andar.
Com seu cachecol nas mãos e tendo sua mente abarrotada de pensamentos referentes há alguns minutos, pararam de andar e de forma confusa olhou para Louis, que riu de sua expressão.
— Chegamos!
— Ah, não.
ofegou ao olhar para a fachada do local e ouviu uma risada ao seu lado. As letras com o nome da loja estavam em caixa alta e na cor azul: BUNTE SCHOKOWELT. Em cima um segundo andar. Embaixo do letreiro quadrados de todas as cores formavam uma combinação bonita, juntamente aos banquinhos da mesma cor, ao lado de fora.
— É chocolate, meu Deus. É chocolate — murmurou praticamente pra si, o ouvindo rir ao seu lado e um sorriso se formou em seus lábios, lindo por sinal, pensou ele. — Cara, eu te beijaria agora!
No segundo seguinte, pensou no que havia dito. Era um dos defeitos dela — ou qualidade? Em determinados momentos, a sua boca não possuía respeito aos seus pensamentos. Já perdera a conta de quantas vezes se meteu em situações constrangedoras por causa disso.
Mas não se culpava. Não naquele instante. Seu córtex frontal, responsável pela criação dos pensamentos, produzia muitos. E alguns deles envolviam seus lábios grudados.
— É assim? Sem um jantar, nem nada? Cerveja? — repetiu as palavras dela da noite anterior, quando disse que precisavam ir para a cama. A mulher fez uma careta com um bico, que foi retribuída por ele.
— Podemos entrar? — questionou ansiosamente, ainda com vergonha do que havia dito.
— Abro pra você. — Foi à frente com a finalidade de ajudá-la.
O cheiro de chocolate atingiu a atriz intensamente. Com um sorriso nos lábios, fechou os olhos e deixou que aquela sensação lhe afogasse o coração. A loja era enorme e possuía um piso de madeira belíssimo, os chocolates estavam postos em enormes prateleiras grudadas na parede que iam até o teto. Uma bancada do lado direito era o local em que os viciados no doce faziam seus pedidos para que provassem da delícia imediatamente preparada. Um quadro na língua de dizia: “Crie seu próprio chocolate. Aproveite e experiencie chocolate em várias maneiras.”
Isso aqui é o céu, pensou.
— E aí, o que você achou?
se puniu imediatamente, visto que se encontrava tão atordoada e petrificada com tudo que, por milésimos de segundos, se esqueceu dele. Seu olhar passeava pela loja e podia ver no rosto das pessoas que degustavam do doce a felicidade ao fazê-lo. No fundo, notou uma escada em espiral que levava para o andar superior.
— Eu posso morar aqui? — O olhou.
— Tá insinuando que aqui é melhor do que o meu apartamento? — Arqueou as sobrancelhas.
— Aqui é melhor do que o meu apartamento.
Louis a viu ir em direção às prateleiras menores e explorar os diversos sabores de chocolate que tinham por ali. A expressão no rosto dela a cada descoberta lhe despertava uma risada fraca. Os olhos da mulher se arregalavam, a boca se entreabria em um O perfeito e ela fazia um murmúrio carinhoso daqueles quando encontrava um cachorrinho na rua.
O andar superior era tão incrível quanto o inferior. Mesas espalhadas para que as pessoas pudessem consumir as delícias que eram preparadas. Uma enorme bancada, assim como a do andar debaixo, separava funcionários que serviam os pedidos dos clientes imediatamente. As paredes brancas compunham imagens com vários tipos de barras de chocolate, dando água na boca.
— Obrigada — agradeceu, quando Louis sentou-se à sua frente após colocar duas canecas grandes com chocolate quente fumegante. Passou os olhos rapidamente pelo lugar e viu casais de namorados, famílias e pessoas sozinhas aproveitando aquele momento. — Acho que não tenho palavras pra te agradecer. Talvez nem gestos, mas esse aqui pode mostrar 1% do que eu estou sentindo. — Fez então um coração com os dedos e identificou certo rubor nas bochechas de Louis após ambos gargalharem.
— Fico feliz que tenha gostado, de verdade. — A olhou e os lábios da mulher com a cor de destaque e impecável se moldaram em um sorriso que fez com que ele sorrisse da mesma forma. Uma alegria intensa tomou conta de seu coração.
— Depois de tudo que aconteceu nessa madrugada, isso aqui é um jeito dos bons de liberar endorfina. — Riu e bebeu um gole do chocolate quente, se sentindo pronta para qualquer coisa.
...
Em um gesto rápido, Louis colocou a sua cadeira ao lado da dela e respirou fundo antes de começar a falar. Os batimentos cardíacos aumentaram consideravelmente dentro do corpo da atriz. Verificou o casaco posto atrás da cadeira e mordeu seu próprio lábio inferior tão levemente ao vê-lo usando apenas uma camisa preta de manga comprida. A cor combinava tão bem nele como hamburguer e batata frita.
— Se tiver algo que eu possa fazer, te ajudar, o que precisar.
— Você já está fazendo. E já fez ontem à noite, de verdade. Se não fosse por você, acho que não teria conseguido me acalmar e dormir direito.
— Olha. — Suas mãos tocaram as dela, que estavam sobre a mesa, e o ator sentiu algo predominar novamente em seu corpo, todavia tentou soar normal. — O que você precisar e quiser pode falar comigo, tá bom? De verdade.
sentiu a mesma coisa da noite anterior quando estava de toalha e Louis foi ajudá-la com a pomada no joelho. O toque das mãos quentes dele nas suas fez com que se sobressaltasse, todavia ela agradeceu mentalmente ao constatar que ele não havia percebido.
— Obrigada. — Sorriu.
Se sentiu meio idiota por não conseguir pensar em mais nada pra falar, no entanto, a proximidade dos seus corpos e o cheiro dele a deixavam com uma sensação boa em seu coração. Com ele sentia-se em casa.
— Se eu precisar, te falo. Prometo.
— Mesmo? — Ela sorriu de leve com o questionamento dele.
— Prometo. — Mostrou o dedo mindinho em tom de promessa, relembrando o que aprendera na noite passada e mordeu o próprio lábio ao vê-lo rir.
Um barulho ecoou entre os dois. viu Louis se afastar ao retirar o celular do bolso do agasalho e o sorriso que habitava seus lábios ir sumindo aos poucos ao olhar a tela.
— Tudo bem? — perguntou preocupada, após beber mais um gole do seu chocolate quente.
— Tudo. Tudo sim. — Sorriu de leve quando devolveu o celular ao bolso.
— Nós precisamos ir?
— Quando você quiser ir. Sem pressa.
— Você pode ir até o seu apartamento e trazer as minhas coisas? Quero ficar aqui.
— Percebo que você está aflita pra se livrar de mim — brincou.
— Sim, o mais rápido possível. — Entrou na dele e riu de leve ao murmurar. — Vou buscar uma fatia de bolo. Como falo obrigado em alemão? — questionou baixo, ao se levantar, mas curvou-se para poder falar mais próxima dele.
— Danke! Ou você pode dizer Vielen Dank que é a variação de Danke e quer dizer muito obrigado — explicou. piscou várias vezes, como se fosse ajudá-la a compreender aquela frase.
— Como é que é?
— Danke tá ótimo — respondeu ele, entre risos, após a reação da atriz.
Não conseguiu tirar os olhos de enquanto a via trocar breves palavras com o funcionário e apontar para algo que estava em demonstração. Seus pensamentos em como as últimas horas com ela estavam sendo divertidas e aproveitáveis foram interrompidos pelo tocar, novamente, do seu maldito celular. Dessa vez, ao retirar o aparelho do bolso do sobretudo, o ator desligou a fim de não ter mais interrupções.


***


A atriz fechou os olhos por um breve instante ao sentir a pouca luz Solar transcender o para-brisa do automóvel em movimento e alcançar sua pele. Era uma sensação divina, somada à janela aberta e o acréscimo do vento frio a essa equação. Ao abrir os olhos, virou seu pescoço e observou Louis dirigir, um sorriso espontâneo se formou em seus lábios. Tal fato acontecia com muita frequência, ela simplesmente não ficava sem sorrir ou rir quando se encontrava próxima a ele. Notou o tom quase ruivo dos cabelos dele quando os raios o atingiram.
— Então quer dizer que você é realmente fã de Britney Spears — comentou, ao rir de leve, voltou a atenção para o livro recém-aberto em seu colo.
— Culpado! — Ele levantou uma das mãos rapidamente e ambos compartilharam uma risada. — Mas vamos concordar que não tem como não gostar.
— Concordo. — Seus cabelos soltos incontroláveis por conta do vento se moviam e a mulher tentava deixá-los longe do seu rosto, fazendo uma careta rápida que não passou despercebida por ele.
— Quer que eu feche o vidro pra você?
— Não precisa. Tá tudo bem. Eu gosto de vento no rosto. — Sorriu ao olhá-lo e Louis pôde notar as bochechas de levemente coradas, gostou daquilo.
— Vou aumentar a temperatura aqui dentro então, tá bom?
— Certo. Então, o que preciso saber antes de conhecer os seus amigos?
— Eles são pessoas incríveis que falam demais — falou, ao rir. — Mas estão ansiosos pra te conhecer.
— Espera! Eles sabem de mim? — Ao questioná-lo, reparou a tonalidade das bochechas dele mudarem para um rosa claro, quis acreditar que era pelo entrar do vento pela janela. Segurou um sorriso.
— Claro! Eu e a Lisa falamos de você pra eles.
Ambos se olharam e sustentaram aquele momento por longos segundos. Foi a vez da atriz sentir seu corpo começar a esquentar e logo fechou o livro em seu colo, o colocando de volta à mochila quando viraram em uma rua menos movimentada.
— Já estamos chegando.
Aquelas palavras fizeram com que a frequência cardíaca da mulher aumentasse consideravelmente. O local era belíssimo, tomado por árvores por toda a parte e flores de tipos e cores diversos compunham o ambiente.
— Pronto. Preparada? — brincou ele, ao desligar o carro e olhá-la.
— Sim, eu acho.
No instante em que colocou os pés para fora do carro, tocando o chão pela primeira vez com seu All Star amarelo, respirou fundo, deixando que o ar frio adentrasse em seus pulmões. Girou o corpo, notando as árvores, folhas caídas no chão e grama, muita grama. Os prédios eram compostos por fachadas de tijolos e janelas de vidro enormes.
— Aqui parece campus de Universidade.
— Sim. Nós nos sentimos um pouco inteligentes. — Riu ao se aproximar. Colocou o crachá em volta do pescoço dela, que caiu em frente de seu corpo. Acompanhou o olhar dela pra baixo. — Isso é necessário caso você queira explorar por aí. — Piscou.
— Então quer dizer que eu posso explorar por aí? — questionou ela, ao olhá-lo quando começaram a andar lado a lado.
— Claro. Você pode ficar entediada lá.
— Eu já te contei que trabalhamos com a mesma coisa? Eu nunca ficaria entediada.
Sorriu agradecida quando ele abriu a porta pra que entrassem no enorme complexo onde a série era gravada. Passaram por catracas, usando o cartão que Louis possuía e, alguns passos depois, se encontravam em frente ao elevador.
— Topa ir pelas escadas? Acho que esse elevador vai demorar — a questionou, quando apertou novamente um dos botões.
— Quatro lances de escadas? Só se a gente subir rápido.
— Ótima ideia!
O próximo gesto dele foi tão rápido que o corpo dela não teve reação imediata. Ele pegou em uma das mãos de e entrelaçou os seus dedos para que pudessem subir as escadas no mesmo ritmo. Ela sentiu seu coração bater forte um tempo depois, mas sorriu de leve tentando não demonstrar o que sentia. Alguns lances depois, somadas a ofegadas e os pés de ambos batendo com força no chão, chegaram ao último lance, no entanto, antes de enfrentá-lo, ouviram um pigarreado e uma voz.
— Finalmente!
Ele estava no topo da escada e não o reconheceu de início. Notou quando Louis olhou na mesma direção, visto que o ator fazia uma careta rápida com o que acabara de ouvir.
— O Bo perguntou por você e falou o seu nome três vezes. Quase a mesma coisa que acontece com Bloody Mary. — Olhou para a atriz e sorriu de um jeito simpático no instante que ambos subiram os degraus que faltavam.
— Então você assiste. — Não resistiu em falar. Ela tinha aquilo, gostava e sentia algo bom vindo de alguém que nem fora apresentado e na maioria das vezes acertava.
— Se eu assisto? Sou grande fã. — O rapaz com os cabelos castanhos escuros esticou uma das mãos para que finalmente se cumprimentassem. — Prazer, . Sou Max.
Apertou uma das mãos do rapaz posto à sua frente, que vestia roupas não pertencentes a esse século, pensou então que estivesse no personagem. Sua curiosidade se encontrava a mil e sabia que teria que controlá-la.
Olhou para o lado, notando as dependências na qual se encontrava, percebendo que o local era grande. Ainda restavam alguns lances de escada para que chegassem ao último andar e era cheio de corredores.
Em contrapartida, a atriz lembrou dos seus primeiros dias gravando Supernatural. Como estava ansiosa, nervosa e com medo do seu futuro na série e em sua carreira como atriz, que estava começando com um papel maior. Algo tomou seu coração, o sentindo apertado mesmo com os batimentos cardíacos acelerados. Era saudade.
O abraço, o beijo na testa e as palavras: “Você é muito talentosa. A sua carreira vai ser incrível”, vindas de Jensen Ackles, lhe davam força e ela sabia que seria assim para sempre.
? — A mão de Louis apertou a sua levemente e pôde sair de forma súbita dos seus pensamentos.
— Oi. Desculpa. — Olhou para ambos ao seu lado, que riram. — Eu estava pensando como aqui é grande. Mais alguma série ou filme são gravados aqui também? — indagou de forma curiosa.
— Mais ou menos — Max começou a falar, no entanto algo chamou a sua atenção, fazendo com que seu olhar fosse para o corredor. percebeu isso e acompanhou.
Seu coração palpitou imediatamente. O diretor se aproximou de onde eles estavam com um sorriso simpático em seus lábios, que imediatamente retribuiu. E por ser grande fã da série, a atriz não soube o que dizer de início quando ele esticou uma das mãos para cumprimentá-la.
, que prazer te conhecer. Fez boa viagem?
Ela abriu e fechou a boca algumas vezes, até que respirou fundo.
— Sim, fiz. Obrigada por perguntar. Ótima. Longa, mas foi legal. — Riu das suas próprias palavras, pois falou tudo rápido demais. Fez uma careta e respirou fundo.
— Que bom. Fico feliz. — Ele sorriu sincero, a mulher correspondeu. — Bom, você quer conversar um pouco sobre a série? Soube que você é fã, então pensei que poderíamos conversar.
— Mentira? — Foi a primeira coisa que saiu de sua boca, ela riu e concordou com a cabeça imediatamente. — Claro, seria ótimo.
Ouviu o diretor falar alguma coisa em alemão com os dois atores e sorriu com aquela cena, mas logo seu olhar caiu em Louis, em como a mão dele ainda estava dada a dela e se eles não tivessem que se separar dali a alguns segundos, ela não o soltaria.
Sentiu certo carinho em sua mão e sorriu fechado enquanto o olhava, ele se despediu com um aceno e ela fez o mesmo para Louis e Max, que iam para outro caminho.
— Acho que esse é o momento que você me conta o que está acontecendo. — Max riu de leve, ao olhar para o amigo e suas mãos foram parar dentro do bolso da calça.
Louis fez uma careta pra ele, não querendo contar tudo que havia acontecido nas últimas horas, tendo em vista que os momentos com pareciam muito seus e dela, e ele gostaria de manter assim. Ao entrar no camarim, as maquiadoras que trabalhavam com eles desde o primeiro dia de gravação da série estavam sentadas em um sofá, conversando.
— Oi pra vocês. — Louis foi tirando o casaco e sorrindo para ambas.
— Ah, não! Desembucha! — Max resmungou e quase bateu os pés no chão feito uma criança birrenta
Elas responderam ao ator e já foram se levantando para que pudessem começar o trabalho, uma vez que teriam um dia cheio de gravações externas e internas.
— O que o Max quer que você desembuche? — uma delas questionou, quando o ator se sentou na cadeira para que pudesse começar a montar o seu personagem.
O cômodo era grande e espaçoso, o lado esquerdo onde ele se encontrava era composto por uma enorme parede coberta por espelhos e bancadas as quais auxiliavam as maquiadoras a fazerem o seu trabalho. Fotos de todo o elenco estavam grudadas no espelho e eles às vezes passavam boa parte do tempo olhando aquelas fotografias e lembrando das histórias por trás delas.
Do lado direito, próximo à janela, uma mesa para seis pessoas estava posta, ao seu lado o sofá que usavam para descansar entre uma gravação e outra. O ambiente se tornava muito familiar. Era muito fácil passar o dia ali.
— Cacete, era hoje! — Louis se levantou em supetão e a maquiadora fez uma careta, sendo que começaria a mexer em seu cabelo. O rapaz riu e pegou o papel que tinha sido grudado no espelho e trouxe pra mais próximo de si. — O almoço de hoje vai ser todo mundo junto tipo um piquenique. Esqueci completamente! O que vocês trouxeram? — Ele fez um bico e as olhou de forma curiosa.
— Nós só contamos na hora, lembra? É a nossa regra mais boba.
Todos riram e Max também acompanhou, já sentado no sofá com o script em seu colo.
— Eu vou pedir um yakisoba vegetariano pra mim e pra .
Imediatamente, o rapaz sentiu os olhares das mulheres sobre si. Ele quis rir, mas pressionou os lábios e voltou a se sentar.
— Quem? — uma delas finalmente perguntou, com um sorriso nos lábios
O ator deu de ombros enquanto a olhava pelo reflexo do espelho.
— Vocês vão conhecê-la. Na hora do almoço.
— Cheio dos mistérios. Parece Dark — a outra concluiu, ao dar de ombros, riram novamente.
Enquanto sentia o seu cabelo ser tomado por uma mistura de alguns componentes que faziam com que seus fios ficassem com a aparência suja, viajou para horas mais cedo quando estava com na loja de chocolates. O sorriso dela ao adentrar o local fazia com que ele sorrisse da mesma forma e sentisse seu corpo ser preenchido por uma sensação de felicidade imensa.
Ele gostava de fazê-la sorrir. Ele gostava de fazê-la feliz.
A parte mais chata de ser maquiado como um rapaz que vivia no século 19 e no meio rural nem era o cabelo, uma bela lavada depois e tudo estava perfeito, mas deixar seu corpo parecendo com alguém que não tomava banho há dias o deixava ligeiramente incomodado.


***


amava o que fazia. Em momentos como aquele, rodeada de outros atores e pessoas que trabalhavam por trás das câmeras, que a garota tinha mais do que certeza que estava no caminho certo e que gostaria de atuar para o resto da sua vida.
Os últimos dias podiam ser considerados uma bagunça gostosa. Toda aquela viagem pensada e executada no primeiro mês do ano lhe rendia ótimos momentos, os quais ela iria guardar para sempre. Estar com Louis era um palpitar diferente do seu coração a todo instante em que ela o olhava e notava nos olhos do rapaz o quanto ele gostava da presença dela.
— O que tá achando?
Seus devaneios foram interrompidos pela pergunta dele. Sentaram-se lado a lado na mesa de madeira colocada fora dos sets, em um local coberto. O olhou e sorriu brevemente com as sardas no rosto dele que estavam tão evidentes misturadas com a maquiagem suja.
— Da comida ou... — ela brincou, fazendo com que ele risse brevemente.
— Da comida com certeza — respondeu ligeiramente, ainda rindo. Ficaram presos um no olhar do outro por alguns segundos.
— O Yakisoba está fantástico. Esses brócolis então.
Correspondeu ao sorriso dela quando a viu comer um brócolis e dar um sorriso fechado. Mordeu o interior da sua bochecha ao olhar pra frente e tomar um gole de água como se ganhasse tempo até as suas próximas palavras.
— O que acha de sairmos pra jantar hoje? — convidou, ao virar novamente e olhá-la.
usou uma das mãos para apoiar o seu rosto e olhá-lo à medida que sentia seu coração bater mais forte ao ouvir aquelas palavras vindas dele.
— Um encontro? Seria ótimo.


Capítulo 7

!
A atriz, que estava na cozinha e acabava de colocar uma forma de brownie para assar, ouviu seu nome ser chamado e franziu o cenho. Saiu em direção ao interior do apartamento e se aproximou da porta do banheiro entreaberta.
— Louis, nós ainda não temos intimidade pra que eu te veja tomando banho — disse ela, de forma divertida, e acabou rindo fraco ao pensar em suas próprias palavras. Tentou focar seus olhos no rosto do ator.
Ela conseguia, né?
O cheiro que vinha de dentro do banheiro era o melhor possível, e se sentia curiosa pra espiar, mas controlou-se e logo ele apareceu, colocando apenas o pescoço entre a porta, e riu da fala dela.
— Você poderia pegar a minha toalha? Esqueci em cima da cama — Louis pediu educadamente.
Ela apenas riu, concordando com a cabeça e andou até o quarto. Era próximo, então a ida e volta foi rápida.
— Sabe, o apartamento é seu. Você pode correr até o seu quarto sem roupa. Eu não iria me importar. — Piscou marotamente ao rir.
Entregou a toalha nas mãos do jovem ator, mas não teve total controle ao reparar como ele estava com o rosto, cabelos e braço molhados. Foi tudo que conseguiu ver, no entanto, já foi o bastante para que um calor subisse pelo seu corpo.
Merda, pensou.
Deu um sorriso e saiu dali em passos ligeiros, pensando no que havia acabado de dizer e, ao mesmo tempo, rindo de si. Voltou à cozinha e se sentou no chão em frente ao fogão a fim de acompanhar o progresso do doce, todavia a sua mente estava em outro lugar.
Tapou o próprio rosto com as mãos e suspirou pesadamente.
Ótimo, , parabéns.
Dentro do banheiro, Louis entrou debaixo da ducha e pegou um xampu que usava sempre. Despejou uma quantidade generosa nas mãos e passou pelos fios e, enquanto fazia, sua mente foi levada ao olhar que recebera há instantes da atriz, e principalmente à forma como ela falou com ele.
Desde sempre, ambos brincavam de flertar um com o outro, foi algo que aconteceu em San Diego, por mensagens, telefonemas e agora pessoalmente. Será que estavam subindo de nível e ele deveria fazer algo a respeito?
Desligou o chuveiro sem pensar muito, pegou a toalha que havia trazido e enxugou o corpo de qualquer jeito, apenas vestindo roupas íntimas e uma calça de moletom que guardava por ali.
olhava para o forno como se aquilo fosse ajudar os brownies a crescerem mais rápido.
?
Levantou a cabeça na direção em que ouviu o seu nome, o vendo se aproximar apenas com a calça de moletom e os cabelos ainda molhados. Franziu o cenho, mas os pensamentos foram completamente opostos.
Seus olhos passaram pelo corpo do ator. Se foi rápido ou não, se estava na cara ou não, não se importava. Focou o peitoral dele e em como as gotículas de água...
Puta que pariu!
Engoliu seco, pois seus batimentos cardíacos aumentaram, e pigarreou.
— Sim? — proferiu, no entanto, pensou que era melhor não ter falado nada.
Observou ele se aproximar e se sentar ao seu lado. O cheiro do sabonete tomou as suas narinas imediatamente e teve uma sensação de que tudo acontecia de maneira mais lenta. O movimentar do ator, a forma como ele a olhou.
— Eu estava pensando...
Louis passou a língua pelo lábio superior antes de continuar, mas manteve seus olhos nela. Na verdade, seus olhos desceram até os lábios da atriz, os fitando por longos segundos, até voltar a olhá-la novamente. Sentiu a sua boca ficar seca e certo nervosismo predominou em seu corpo.
...
Seu corpo pedia por mais contato, por isso ela, ao notar que seus joelhos estavam próximos, levou o seu dedinho até o joelho do rapaz e fez uma carícia de leve. Na cabeça dela, aquilo significava que ele poderia falar o que quisesse. Acompanhou com o olhar aquilo, mas voltou a olhá-lo nos olhos.
Não pensou mais. Não pensou uma, nem duas, nem três vezes. Fechou seus olhos, e, em um gesto rápido, aproximou o rosto do dela, imediatamente unindo seus lábios e os pressionando a princípio. Levou uma das suas mãos até a nuca garota, acariciando a região com as unhas e a mordendo de forma leve no lábio inferior. se sentia levemente tensa com a situação. Não que não quisesse, ou não esperasse, mas não sabia o que fazer.
Sentiu uma mordida fraca em seu lábio inferior e abriu a boca, permitindo que a língua dele tocasse a sua e, em resposta, um arrepio intenso percorresse a sua espinha. Resolveu tomar uma iniciativa com as suas mãos. As colocou de início nos braços do rapaz e a partir dali foi subindo aos poucos.
As línguas de ambos não se moviam em ritmo igual, apenas queriam contato a todo momento. Do nada, a atriz se afastou, partindo o beijo, e levou uma das próprias mãos à boca.
— Preciso tomar banho pra que possamos sair pra jantar — falou tudo tão rapidamente que mal entendeu. Fechou os olhos e os abriu, sem demora se colocando de pé.
Saiu da cozinha sem olhar pra atrás e entrou no quarto que estava ficando. Fechou a porta atrás de si, tapou o rosto com as duas mãos e suspirou pesadamente. Que raios havia acabado de acontecer? Era o que passava pela sua cabeça.
Andou até a cama, encontrando seu celular dentro da bolsa e abriu uma conversa com uma das suas melhores amigas.


visto por último hoje às 19:35

Oi, . Tá ocupada?



Mordeu o próprio lábio inferior com o aparelho nas mãos e esperou quase desesperadamente pela resposta da amiga, que veio quase um minuto depois, uma eternidade.


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Ocupada jantando. O que foi?



Imaginou que a amiga estivesse com o celular ao lado de um prato típico dinamarquês e isso fez com que ela sorrisse no meio de tantos sentimentos.


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Preciso fazer uma pergunta.



Enviou a princípio e voltou a suspirar.


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Preciso fazer uma pergunta.

Você já teve um beijo ruim com alguém que achava que daria certo?



Estranhamente as suas mãos estavam trêmulas.
Os três pontinhos apareceram e bateu o pé de leve no chão do quarto como se dissesse “Vai logo, !”.
Pontinhos.
Pontinhos.
Pontinhos.
Conforme eles apareciam, o nervosismo da atriz aumentava.


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Desculpa. Derrubei alguns brócolis, mas nunca aconteceu comigo. Aconteceu com você?



Aconteceu?
Agora era a sua vez de estar com os pontinhos piscando, pois não fazia ideia do que responder.
Engoliu seco e se sentou na cama, deixou o celular de lado por algum tempo. Fechou os olhos como se aquilo fosse ajudá-la a colocar os pensamentos em ordem e voltou a pegar o aparelho.


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Meio que aconteceu sim.



Novamente ficou em pé e foi até a sua mala, que estava em cima de um banco próximo à cama, a abriu e como decidiria agora qual roupa usar?
— Vai ser essa aqui mesmo. — Estava decidida quando pegou a peça de roupa.


***


Optou por roupas simples. Pensando bem, não havia pensado em nada muito surreal para trazer a Berlin. Apenas colocou um sobretudo preto por cima da roupa, já que estava frio.
Vê-lo depois de tudo que aconteceu foi um pouco estranho. Sentiu o seu rosto corar, reparou que o dele estava da mesma forma. Sentiu-se bem, afinal, estavam do mesmo jeito.
— Você se importa em andar? — Ouviu ele questionar, após algum tempo em silêncio.
— Não. — Riu ao olhá-lo e sorriu, colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha.
— É na próxima quadra. — Apontou com o braço um pouco mais distante de onde estavam.
Ela olhou para onde ele mostrava, mas logo voltou sua atenção pra ele.
— Tenho certeza de que vai valer a pena. — Levou as mãos para dentro da peça de roupa.
Tirou os olhos dele por alguns segundos e olhou adiante. A cidade era ainda mais bonita à noite, se possível. A rua tomada por carros, que às vezes buzinavam uns com os outros, pessoas andando pelas calçadas, luzes dos estabelecimentos abertos, o cheiro da comida por lugares que passavam. Aquela agitação a deixava animada.
...
— Eu gostei de conhecer seus amigos! — Foi rápida, e parou de falar ao perceber que tinham falado ao mesmo tempo. — Me desculpa! — Levou uma das mãos até a boca. — Fala você, por favor. — Atravessaram juntos a rua.
— Você realmente gostou de conhecer os meus amigos? — Franziu o cenho ao olhá-la e acabou soltando uma risada fraca.
Ela fez um bico rápido, que ele julgou charmoso, sorriu instantaneamente com aquilo e concordou com a cabeça. Desviou de um cachorro na coleira.
— Max é uma graça. Moritz também. A Gina uma fofa. Bom, um dia você precisa conhecer os meus amigos. — Apontou pra si.
— Seria ótimo, mas é o Jensen e o Misha? Acho eles um pouco intimidadores. — não resistiu e gargalhou. O rapaz rapidamente passou os olhos pela rua.
— Sério?
— Eles são como seus irmãos mais velhos. — Fez um bico, e foi a vez de ela julgar fofo.
— Nisso você tem razão.
Alguns passos à frente se encontrava o restaurante que Louis havia escolhido há semanas, quando confirmou a vinda para a Alemanha. Pelo menos ele tinha em mente em onde gostaria de levá-la. E assim que entraram, ele manteve uma das mãos no quadril dela, comportadamente, e dirigiram-se a uma mesa, que foi guiada pelo garçom.
A noite fluiu como se ambos se conhecessem há um bom tempo. Conversaram sobre os seus trabalhos, o que mais gostavam de fazer enquanto não trabalhavam, como começaram a atuar e o que gostariam de fazer no futuro. achava muito louco pensar no futuro, um futuro no qual Supernatural não estaria presente, afinal a série acabaria e isso a deixava com o coração apertado.
Comeram, riram, trocaram olhares o tempo inteiro, e, em determinado momento do jantar, a atriz sentiu sua mão ser segurada pela dele e gostou da sensação, era quente e sua pele gostosa. Quis ficar assim pelo resto da noite, por isso a segurou de volta.
— O que acha de um sorvete? — Louis sorriu ao olhá-la assim que saíram do restaurante.
Os olhos de passaram pelo céu e viram relâmpagos bem a diante, sentiu seu peito apertar de leve, mas tentou ignorar. Retornou seu olhar a ele.
— Seria perfeito! — Correspondeu ao sorriso dele.
Atravessaram a rua juntos e ela sentiu a sua mão ser tomada pela dele novamente, a sensação que se apossava do seu corpo sempre que acontecia era indescritível.
Aceitou prontamente a casquinha com massa de chocolate que o rapaz trouxe, sorriu com isso e imediatamente deu uma lambida.
— Perfeito! — Fez um sinal de positivo, fazendo com que ele risse.
O olhou e logo sua mente foi tomada pelo que aconteceu há algumas horas. Sentiu o gosto dos lábios dele nos seus, a forma como seu corpo se arrepiou e fingiu que aquele arrepio todo tinha sido pelo sorvete somado ao inverno europeu.
— Tá com frio? — Ouviu ele indagar, e de imediato negou com a cabeça.
— Não! — apressou-se em dizer.
tinha um lema em sua vida: se pensasse demais, não faria. Era sempre assim. E com ele seria do mesmo jeito, ainda mais agora que sabia que ele sentia alguma coisa, por mais que esse alguma coisa fosse algo que nenhum dos dois entendia, não ainda.
Aproximou-se dele, passou o braço que segurava o sorvete por cima do ombro do ator e fitou os seus lábios, fato que havia acontecido a noite toda. E novamente os uniu, só que dessa vez, diferente de antes, pareceu mais certo do que nunca. Seu coração palpitou, sentiu as pernas levemente bambas, no entanto continuou.
A mão dele foi parar em sua cintura, e ela agradeceu por isso, era como se ele tivesse a mantendo em pé, sã, diante de um momento daqueles. Foi a vez de pedir permissão com a língua para intensificar o beijo, precisava saber se havia sido apenas uma experiência ruim. E torceu para estar certa. Hofmann aceitou e levou suas mãos, quase desesperadamente, até as costas da mulher, subindo com calma e a puxando mais para perto de si, grudando seus corpos. O beijo fluiu de forma intensa enquanto suas línguas trocavam carícias entusiasmadas e era como se ambos tivessem esquecido o que aconteceu há pouco.
A mordida em seu lábio inferior fez com que se afastasse, soltou um arfar entre os seus lábios e os manteve próximos aos dele. Sorriu com o selinho que trocaram e acariciou os cabelos do ator com a mão livre. A mão ocupada estava...
Merda!
Louis franziu o cenho imediatamente e se afastou um pouco, pensando o que havia acontecido para ela falar um palavrão. A atriz notou a expressão no rosto do rapaz e se apressou.
— Não! Não! Não! — Riu fraco. — O merda foi porque encostei o sorvete no seu cabelo. — Mostrou a casquinha e fez uma careta rápida.
Ele não aguentou e acabou gargalhando tanto que sentiu a sua barriga doer. riu também, só que de um jeito fraco. Por um tempo, ela ficou apenas observando como o som da gargalhada dele era agradável.
A noite acabou como os dois desejavam: voltaram para casa conversando, rindo mais do que o normal pela quantidade de vinho consumida: 2 taças para cada um. No elevador, trocaram outro beijo intenso e chegava a parecer natural para eles, as bocas encaixavam mais facilmente e era como se tivessem lido o manual um do outro.
— Finalmente em casa — o ator cantarolou, assim que abriu a porta.
Deixou que ela passasse primeiro, a viu tirar as botas e deixá-las por ali, fez o mesmo com os seus sapatos e, ao passar, trancou tudo como sempre fazia. Ela esperou por ele e no momento em que colocaram os olhos um no outro, mais um beijo aconteceu.
Sentia-se inteiramente viciada nos lábios dele. Os queria cada vez mais perto, cada vez mais tempo grudados em seu corpo e em partes distintas. Ofegou, o que se transformou em uma arfada quando os lábios do ator tomaram o seu pescoço. Hofmann passou a língua, seguida de uma chupada mais intensa, e sabia que isso deixaria marcas, mas nem se importava. As mãos dele a apertavam com firmeza na cintura e os deixavam colados.
— ofegou o nome dela.
Lentamente afastou o rosto do dele, separando também seus lábios e sentindo seu coração bater forte. Muito forte. Pressionou seus lábios um no ombro e logo deu um sorriso.
Barulho.
Barulho.
Barulho.
Franziu o cenho e percebeu que era seu celular, anunciando mensagens de texto, no bolso do sobretudo.
— Desculpa, deve ser a . — Fez um bico rápido ao pegar o aparelho.
— Quer beber alguma coisa? — Foi indo até a cozinha.
— Não! — Deu um riso fraco e passou a língua pelos lábios. Olhou pro aparelho.


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Vai me contar o que está acontecendo? Você sumiu!

Me conta!

?



Eita, pensou.
— Algum problema? — Louis a questionou, depois de beber um copo com água. — A é aquela sua amiga que mora na Dinamarca?
— Não, nenhum, ela apenas... — Procurou por palavras ao olhá-lo. — Sim, ela é dinamarquesa. O namorado dela fez The Rain, sabe, a série...
— Eu adoro The Rain!
— É muito boa! — Sorriu.
Louis deixou o copo na pia e se aproximou um pouco mais dela. observou os seus movimentos com um sorriso nos lábios.
— Acho que deveria segui-lo no Instagram, sabe, pra conhecê-lo melhor.
— É capaz dele não dormir essa noite. — Deixou um riso fraco escapar.
Sentiu os lábios gelados dele, por causa da bebida, em sua testa, e fechou os olhos com isso. Tombou um pouco a cabeça pra trás ao abrir os olhos.
Estava esperando que a noite terminasse da forma como acontecia, de um jeito leve, que eles rissem, se divertissem e aproveitassem a companhia um do outro. No entanto, um barulho alto fez com que seu corpo se colocasse em alerta.
Era um trovão.
O coração batia forte dessa vez, mas não era uma sensação boa. Era ruim. Era medo. Insegurança. Calafrios percorriam a sua espinha e sentiu Louis tocá-la no rosto, pedindo para ela olhá-lo, pois sabia que seus olhos estavam perdidos.
— Eu to aqui e não vou te deixar sozinha, tá bom? Em nenhum momento. — Foi sério, e ela gostou da sensação que se apossou do seu corpo. Era o afago? A calma? A tranquilidade? A confiança?
Concordou com a cabeça e fechou os olhos bem ligeiramente.
— Você vai, troca de roupa, coloca um pijama e nós vamos nos deitar na sala e assistir uns episódios de The Rain e você vai me contar uns podres do .
— É estranho eu pedir pra você estar no quarto comigo? Você fecha os olhos, só pra eu... eu...
— Vou ter que fechar os olhos mesmo?
Acabou dando uma risada fraca, fazendo um bico e negando com a cabeça.
— Vai ter que fechar os olhos. — Foi séria, mas, no fundo, estava brincando.
Ele riu e foi a vez dele concordar com a cabeça.
— Se é nessas condições. — Deu de ombros, como se fosse de fato importante.
A acompanhou até o quarto e lá fechou os olhos, enquanto a atriz colocava um pijama quentinho. Os trovões ecoaram novamente e ela tentou de todas as formas ignorar, era o que mais queria, todavia, seu corpo agia de um jeito diferente.
Foi esperá-lo para que pudessem ver alguns episódios da série juntos e aproveitou para ir à cozinha pegar um prato e colocar alguns brownies. Voltou pra sala e sentou-se ali, respirou fundo e se sentia um pouco mais calma. Aquilo era bom. A noite foi tão aproveitável que na maior parte do tempo ela se esqueceu dos trovões e focou apenas no que importava: ele.


Capítulo 12 — Especial Dia Dos Namorados

, você pode me ouvir?
Assim que abriu os olhos, a atriz pôde ver Jensen parado próximo à sua cama. Aquilo lhe trouxe certa calma, misturada à confusão momentânea de não lembrar exatamente o que tinha acontecido. Sua última lembrança era de estar gravando uma cena com ele e Misha.
Piscou algumas vezes, acostumando-se com o branco do quarto e a iluminação, dessa maneira tentou mexer o braço esquerdo e notou uma tipoia. Estranhou. Viu Jensen acompanhar seu olhar para o local e logo cair nele.
— Você está bem — ele murmurou.
— Que merda é essa? — Quis gritar exacerbada, mas a sua voz saiu rouca.
— Eu vou te explicar. — Jensen possuía um tom de voz calmo e assim sentou-se na cama que a atriz estava deitada e pegou em uma das mãos dela carinhosamente. — Nós estávamos gravando no topo da escada quando você caiu, foram alguns degraus. Bateu com a cabeça. De acordo com exames, você está bem. O médico disse que não houve nenhum tipo de dano mais grave.
Ela o olhava com atenção e sentia seus olhos arderem, pois, naquele momento, memórias de um Jensen desesperado sobre si, gritando seu nome, invadiram a sua mente.
— E você trincou o osso do braço na queda.
levou uma das mãos até a testa, tocando o curativo e sentindo uma leve dor, que a incomodou um pouco, fazendo com que uma careta brotasse em seu rosto. Com certa dificuldade e com a ajuda de um só braço, se colocou sentada na cama, apoiando as costas no travesseiro. Ofegou com o esforço feito.
— Eu falei com a sua mãe. Ela não pediu, mandou que você ligasse assim que pudesse. — O ator riu ao lembrar-se do tom mandão da mãe de sua colega de trabalho. — Liguei para a também. Disse que chega amanhã à noite da Dinamarca.
— É a formatura dela daqui a alguns dias — sussurrou.
— E, ...
Jensen mordeu o próprio lábio inferior ao pensar em como suas próximas palavras afetariam a amiga. Viu a curiosidade brotar no belo rosto da jovem e apressou-se.
— Falei com o Louis.
— Espera, o quê?
Engoliu seco, sentindo a garganta quase doer, ao mesmo tempo que levava uma mecha de seu cabelo para trás da orelha nervosamente. Somado àquilo seu coração disparou. Foi tão abrupta a mudança de velocidade que considerou estar ouvindo os batimentos.
— E tem mais — Jensen soprou, ao colocar o dedo indicador sobre o próprio lábio.
— É claro que tem mais! — Sua voz saiu fina ao aumentá-la.
— Ele — o ator iniciou em um sussurro, mas ao notar o olhar tenso da amiga sobre si, continuou. Pigarreou. — Ele veio pra cá.
— Como assim ele veio pra cá?
Suas bochechas estavam queimando e seu coração batendo de forma descompassada. Agradeceu mentalmente por estar em um hospital.
Qual era a temperatura naquele quarto? Puxou várias vezes o tecido da roupa de hospital para que ventilasse.
— Eu falei com a Lisa pelo Instagram, deixei uma mensagem com o meu número, pra ela ligar se precisasse. Ele me ligou e, , esse garoto é teimoso igual a você.
Ela quis rir, no entanto comprimiu os lábios para que não fizesse. Viu Jensen se levantar e manteve a expressão séria, esperando que ele continuasse.
— Não foi minha ideia ele vir, juro.
— Tudo bem, eu entendo. — Riu fraco. O mais velho sorriu de leve ao vê-la rir.
— Posso te dizer uma coisa? — Seu tom era sério. Quando ela meneou a cabeça, ele continuou. — Eu só viajaria para outro continente atrás da minha esposa. Aliás, já fiz isso.
— Eu sei — sussurrou, ao ouvi-lo, sua atenção se encontrava no colega de trabalho, mas seus olhos em suas unhas, que começavam a descascar e ela ajudava com aquilo.
O silêncio perdurou entre os dois. Ela, por estar imersa em diversos pensamentos, e ele tentando ao máximo respeitá-la naquele momento.
Uma batida na porta fez com que os pensamentos de pausassem como se fossem um filme. A porta foi aberta e revelou um Misha sorridente.
— Você tem um tempinho pra mim?
— Até dois — brincou.
A atriz teve que segurar a sua respiração por alguns segundos ao ver Louis entrar atrás de Misha no quarto. Não esperava vê-lo tão cedo, depois de tudo que havia acontecido no mês anterior.
Não conseguia deixar de olhá-lo. Mesmo com Jensen e Misha junto a eles, era como se estivessem conectados por uma linha imaginária, que os mantinha presos um ao outro. Seu olhar era devidamente correspondido e certo burburinho assolava a sua barriga.
De todas as formas possíveis, o rapaz tentava decorar as feições do rosto da atriz, como se quisesse eternizar aquele momento. Há semanas não a via. Há semanas não olhava para ela e sentia tal paz. Suas pernas estavam bambas, mas tentava disfarçar.
— O que acha de irmos buscar aquele chocolate quente? — Jensen questionou mais alto, ao coçar a própria cabeça e sorriu brevemente com o que via. Trocou olhares conspiratórios com Misha, que concordou no mesmo instante.
Com Ackles apontando para os próprios olhos com dois dedos e depois para os dois, e Louis foram deixados sozinhos e a atriz suspirou.
Hallo — ela proferiu, após alguns segundos de silêncio incômodo.
O ator quis fechar os olhos de um jeito forte ao ouvi-la pronunciar uma simples palavra na sua língua nativa. Um arrepio intenso percorreu seu corpo inteiro. Naquele instante, o quarto parecia abrigar um aquecedor ligado nos 40 graus. Sua jaqueta jeans foi prontamente colocada na cadeira de descanso próxima à porta.
Wie geht’s?
sorriu, sentindo as bochechas esquentarem prontamente e sua mente foi tomada por lembranças de quando esteve em Berlim e o rapaz a ensinou algumas frases básicas.
— Me sinto bem, obrigada. — Olhou para as próprias mãos rapidamente e deu outro suspiro. — E você? — Finalmente o olhou.
— Preocupado com você. — Foi sincero ao assumir o que pensava. A dor que havia sentido em seu peito ao saber do acidente não podia ser comparada com nada. Mordeu o próprio lábio inferior de leve ao se aproximar da cama e se sentar. — , quando eu falei com o Ackles, não consegui pensar em outra coisa, sabe? A não ser vir pra cá e ver como você está.
Aqueles batimentos descompassados de novo.
Levou uma das suas mãos às dele, entrelaçando seus dedos e o vendo olhar ligeiramente para aquele ato.
Ao levantar o rosto para olhá-la, ambos ficaram presos um no outro, então o ator levou uma das suas mãos livres até os cabelos da atriz, colocando uma mechinha atrás da orelha. Tal fato fez com que ela fechasse os olhos, apreciando e sentindo o polegar dele lhe acariciar de um jeito gostoso.
Logo que abriu os olhos, notou que ele a olhava e oscilava entre seus lábios. Seus pelos se encontravam eriçados e passou a língua pelos lábios, os umedecendo.
— Quero que você me beije agora!
— Eu queria te beijar agora!
Ambos falaram ao mesmo tempo e franziu o cenho quando seu cérebro captou as palavras dele, assim como as suas, que eram quase as mesmas.
Risadas baixas foram ouvidas dos dois. No entanto, mesmo diante daquilo, não conseguiam parar de se olhar.
Louis diminuiu a distância, sentindo que seu próprio corpo aprovava em gritos aquele movimento. Uma de suas mãos, que ainda a acariciava no rosto, rumou até a nuca, fazendo carinho com os dedos e a unha. fechou os olhos, sentindo seu coração bater mais forte. O cheiro do perfume dele era tão característico e ela percebeu que sentia falta. De olhos fechados, Louis encostou seus lábios, os mantendo daquela forma por breves segundos. Era realidade que seu corpo respondia de imediato por toda e qualquer aproximação dos seus corpos. De modo lento, passou a sua língua pelo lábio inferior da garota, seu corpo se arrepiou de um jeito que quase se contorceu. Uma das suas mãos, que estava unida com a dela, a apertou fortemente, respondendo ao ocorrido.
A atriz então aumentou o contato entre eles, impulsionando seu corpo um pouco para frente, abrindo a boca e deixando que suas línguas se encontrassem. Enquanto fazia isso, soltou a sua mão que estava com a dele, a levando entre os cabelos do rapaz, o acariciando e puxando os fios à medida que o beijo aumentava a intensidade. Não resistiu em mordê-lo no lábio inferior, ouvindo um gemido entre seus lábios que quase a fez sorrir, sugando-o logo depois e voltando a beijá-lo.
O beijo tomou forma ávida. Seus movimentos com as cabeças mostravam que ambos não faziam aquilo há algum tempo e o desejo era inestimável. gostou da sensação que perdurou em seu corpo ao sentir as mãos de Louis a apertando fortemente na cintura, a abraçando em seguida.
Aos poucos foram diminuindo a intensidade, uma vez que precisavam respirar. Ela sorriu diante dos vários selinhos que recebeu e deu uma risada fraca ao receber um beijo carinhoso na ponta do nariz.
Ainda ofegante, escondeu o rosto no vão do pescoço de Louis e iniciou beijos delicados na região, sentindo que ele se arrepiava com aquilo. Em um gesto rápido, fez com que sua mão disponível entrasse por debaixo da camisa preta que ele usava, passando a unha de baixo para cima e vice-versa. As mãos dele, em resposta, a apertaram forte na cintura, indo parar no quadril.
— Eu preciso me afastar um pouco de você senão... — Deu um último selinho ao olhar para baixo, encontrando o sorriso perfeitamente moldado pelos seus lábios, refletindo em tudo que havia passado e em como estar com ela o fazia bem. — Você está sentindo alguma dor? — A olhou quando se sentou de lado, de costas para o travesseiro.
— Não, mas creio que é porque me deram alguma coisa. Esse braço vai doer. — Fez uma careta rápida, o fazendo rir.
— Eu trouxe duas coisas pra você. Uma delas foi o Bo quem mandou. A outra eu comprei. — Arqueou as sobrancelhas.
— Chocolate? — chutou, ao fazer bico.
— C-como? Como você consegue? Como?
deu de ombros antes de gargalhar de um jeito gostoso, tombando a cabeça um pouco para trás. Louis só conseguiu acompanhar aquele movimento da garota com um sorriso idiota nos lábios.
— Você é muito previsível, Hofmann. Quero deixar claro: não que eu não tenha gostado de saber do chocolate, pois gostei e muito. Agora, cadê?
— Aqui. — Entregou a pequena sacola branca com o emblema da loja que fora com ela há algum tempo para uma sorridente.
Com certa ansiedade, a atriz retirou uma das barras da sacola, abriu o doce e mordeu.
— Não sei se eu serei capaz de adivinhar a outra coisa — murmurou, ao engolir. — Dicas?
— Nenhuma. Você não vai adivinhar. — Riu e se sentou novamente.
Trocaram olhares enquanto sorriam de leve um para o outro.
— Voltamos! — Jensen abriu a porta, entrando no quarto enquanto segurava um copo de café. Misha vinha logo atrás, da mesma forma. — A enfermeira falou que já vai trazer o seu jantar, mas aparentemente você já está comendo. — Riu fraco.
— Chocolate não é jantar, é sobremesa. E eu posso inverter a ordem e comer primeiro. — Deu de ombros ao falar.
— Uau! Essa marca é maravilhosa. — Misha se aproximou da cama, olhando a sacola com os chocolates. — Saudades de Berlim.
— Você já esteve lá? — Louis o questionou de forma curiosa.
— A história sobre Berlim não — murmurou Jensen baixinho
riu de leve com o que Jensen dizia. Olhou para Misha e Louis e viu que ambos engatavam em uma conversa sobre acontecimentos do passado da vida do mais velho.


***


— E aí? — indagou ansiosa.

Para a felicidade da atriz, o dia seguinte, ao seu despertar, teve início com a sua alta.
Misha havia acabado de deixá-los no apartamento, no fim da manhã. No instante em que ela se acomodou no sofá da sala, se sentiu bem por estar em casa.

— Sem acreditar nessas medalhas! — Louis caminhava pela sala do apartamento, observando alguns detalhes e, ocasionalmente, a olhando.
O conceito aberto do pequeno apartamento era bem evidente. Logo na entrada, ao lado direito, se encontrava a cozinha com uma bancada que poderia comportar quatro pessoas. Para o lado esquerdo, a sala com um sofá confortável. A TV estava posta na parede.
— Como assim sem acreditar? — Se levantou de supetão, indo aonde ele estava, próximo à estante de livros, que possuía DVDs de alguns filmes e séries, Funko Pop favoritos, um copo enorme em acrílico transparente do Starbucks com ingressos antigos de cinema, algumas medalhas e placas decorativas. — Quando eu estudava, era a chata que participava de todos os clubes e consequentemente a melhor em tudo.
— Primeiro lugar de xadrez no campeonato entre escolas de Los Angeles.
— Sim, eu sou muito boa — afirmou. Ele riu.
— Vamos marcar um jogo.
— Sério? — Arqueou a sobrancelha surpresa com o que ele havia dito. — Hoje mesmo.
— Só acho que, se eu ganhar, faço um pedido. Aí se você ganhar, faz um.
Algo como uma risada rápida saiu entre os lábios da mulher.
— Você não vai ganhar.
— E se eu for muito bom jogando xadrez?
— Veremos mais tarde, então. Ei — pigarreou, ao mudar de assunto —, você quer tomar banho? Aí depois fazemos algo pra comer.
— Fazemos? — Louis sorriu, rindo.
— Você faz. Eu vou estar na cozinha dando apoio moral, prometo. Igual da última vez.
— Feito! — Pegou em uma das mãos dela, a acariciando. Alcançou sua mochila e colocou uma alça no ombro. — Então, onde posso tomar banho?


— Eu. Não. Estou. Acreditando!
olhava pasma para o Rei caído no tabuleiro que haviam montado no sofá da sala. Já jogavam há algum tempo, entre risadas e brincadeiras referentes às jogadas um do outro. A atriz não acreditava que tinha sido derrotada.
— Acho que você deve pegar aquela medalha e colocar no meu pescoço.
Seus olhos subiram até o rapaz, o olhando atentamente. Ele estava sentado com as pernas cruzadas, de lado, no sofá, de frente para o tabuleiro. Correspondeu no mesmo instante o sorriso que recebeu, seu corpo imediatamente mudou de temperatura em poucos segundos e não deixou de reparar nos olhos azuis do ator. Algo dentro de si gritava e seu coração disparou. O viu arquear as sobrancelhas como se esperasse uma resposta que não veio, não dialogando.

Derrubou todas as peças do tabuleiro, fazendo um barulho sobre a madeira e ligeiramente se jogou nos braços do ator. Suas pernas, instantaneamente, se encaixaram na cintura de Hofmann. Com a respiração ofegante e por consequência disso, seu coração aumentou as batidas. , em um gesto rápido, diminuiu a distância entre seus corpos, logo roçando seus lábios e os mantendo daquela forma por longos segundos. Sentiu os braços dele a envolverem na cintura, de um jeito mais brusco, fazendo com que ficassem ainda mais colados. Ofegou. Seu braço bom subiu e o acariciou delicadamente na nuca, enroscando seus dedos em alguns fios do cabelo do ator.
Em resposta, colocou as mãos por baixo do pijama que a mulher usava, sentindo a pele dela se arrepiar imediatamente, gerando um sorriso em seus lábios. Sentia seu coração bater mais aceleradamente em misto a uma excitação que começava a crescer desesperadamente. Curvou o rosto, necessitando de mais contato e a beijou embaixo da orelha. Seus lábios suaves, somados à pele da atriz fizeram com que ela se sobressaltasse, gesto que ela devolveu com um aperto em sua nuca e puxões nos fios. Assim que a apertou na cintura com firmeza, sua língua passou pelo mesmo lugar, fechando os olhos no instante e a ouvindo arfar. Um desejo demasiado tomou conta de seu corpo e Louis, em um movimento rápido, abaixou a alcinha do pijama de ansiosamente, deixando o ombro e parte do colo à mostra. Seus lábios tomaram a região com avidez, dando beijos, a mordendo, passando a língua e a sugando. A atriz gemeu, no entanto não sabia o que fazer com a volúpia que tomava conta de si, então deu início a movimentos lentos com o quadril, querendo mais contato entre os seus corpos. As mãos de Hofmann mantinham-se na cintura de , aumentando a velocidade do mover da mulher e consequentemente a fricção dos seus corpos. Seus lábios não paravam de explorá-la, descendo pelo colo e sentindo-se ainda mais excitado com as ofegadas que ela dava em seu ouvido.
A mulher não aguentava mais. Virou o rosto, a priori procurando pelos lábios do rapaz, mas a princípio o beijou no pescoço, mordendo e chupando com anseio, logo partindo para o queixo e o lambendo onde queria com certa impaciência. Sua língua foi sugada e um gemido sôfrego escapou entre seus lábios. Prontamente o mordeu no lábio inferior e permitiu que suas línguas se encontrassem e acariciassem uma a outra.
O beijo a teletransportava para um local que nunca havia ido antes. Era calmo, tranquilo e ao mesmo tempo cheio de sensações prazerosas que ele a proporcionava.
Foi tirada de lá abruptamente por um barulho. Um barulho que ela conhecia muito bem, mas naquele momento queria fingir que não sabia ao certo o que era. Com um murmúrio de negação, partiu o beijo, sentindo seu corpo responder tão logo. Ao abrir os olhos, viu seu celular, no braço do sofá, atrás de Louis, com a tela acesa.
— Eu pego pra você — ele falou rouco ao olhar para onde olhava, pigarreando e sabendo que seu corpo estava queimando. Alcançou o aparelho, que anunciou várias mensagens seguidas, e sem demora o entregou nas mãos da atriz.
— Eu vou matar quem é que seja — sussurrou, ao olhar as mensagens. — Puta que pariu, é a ! Ela disse que está no táxi com o e chega em 5 minutos. Preciso jogar água no rosto.
— Acho que não posso me levantar agora — murmurou baixo.
, que estava pronta para se levantar, riu ao ouvi-lo falar daquela forma. Não resistiu em beijá-lo nos lábios, enquanto ainda ria.
— Desculpa. A culpa é minha. — Mordeu o lábio inferior enquanto sorria.
— Você deveria se sentir culpada mesmo.
Ela uniu seus lábios novamente, sorrindo, e se levantou, indo em direção ao banheiro.

— Então, o que tem pra comer? — saiu da cozinha para a sala, parando no batente e sorrindo ao ver com e a amiga colocando na prateleira o presente que havia ganho.
— Eu e o Louis comemos todo o almoço — a atriz respondeu, mas seus olhos estavam concentrados no novo Funko da sua coleção.
— Você vai colocar o Rasmus do lado do Chucky? — questionou preocupado.
— Sim, senhor.
— Então não tem o que comer?
, você tem Batalha Naval!
Ela virou o rosto para Louis, sentado próximo ao móvel da TV, onde havia gavetas e ele acabava de guardar o tabuleiro de xadrez.
— Tenho. — Sorriu.
— Outro jogo pra eu ganhar de você. — O ator alcançou a caixa e começou a ler as instruções.
fez um bico e, antes de responder, ouviu a voz da amiga:
— Pera, a perdeu de alguém em algum jogo? — Caminhou até o sofá.
, eu sofri um acidente ontem. Acha mesmo que no meu juízo normal perderia pro Louis? — indagou apressadamente.
— Você não deveria mentir pros seus amigos, — a chamou pelo sobrenome, sem a olhar. A atriz sentiu seu corpo se arrepiar por completo e engoliu seco.
— O que vocês acham de pizza? — mudou de assunto repentinamente e olhou para o casal de amigos.
— Seria ótimo. — sorriu. — Amor, por que você não leva o Louis? O Theo’s fica na esquina. É pertinho.
— Pode ser — respondeu e os dois concordaram com um aceno.
— Então quer dizer que você joga xadrez? — Louis questionou, quando o outro abriu a porta para que saíssem. — Você, com certeza, pode ser um desafio maior do que a .
riu e Louis olhou para trás, sorrindo enquanto a atriz revirava os olhos com o que ele havia dito.
— O que aconteceu? — investigou ao rir.
— Onde?
— Ah, não! Entre vocês dois.
— Eu não sei se consigo te explicar. — Se jogou ao lado da amiga no sofá, mas gemeu de dor, passando uma das mãos pelo seu braço imobilizado pela tipoia.
— Tenta — pediu, com um sorriso.
Pensou em quais palavras usaria. Como contaria. O que contaria? Ela, de fato, não conseguia explicar. Seus sentimentos estavam confusos, ao mesmo tempo claros como um dia de Sol sem nuvens. Aquilo tudo era novidade.
— É estranho porque eu não consigo explicar algo que nunca senti.
— Não é que você não consegue explicar. Você tem medo, não tem? Ao mesmo tempo que as coisas estão claras, tudo parece confuso.
arregalou os olhos e riu.
— Relaxa. Pode ter certeza de que “do nada” — fez as aspas — esse medo e confusão vão passar. Vai ser assim. Vai virar uma chave.
, ele veio de outro continente. Eu fiz essa viagem recentemente. É muito longe.
, eu fiz essa viagem hoje!
As duas riram.
— O Jensen falou que só fez essa viagem pela esposa dele.
— Meu Deus! — Gargalhou rapidamente. — Mas ele tem razão. Não existe a possibilidade de alguém fazer uma viagem dessas por alguém que não sente nada.
A mulher engoliu seco.
— E ele veio porque ficou preocupado com você, . — A mais nova a olhou. — Já te disse que, tirando você, meus pais, meu irmão e o , não tem mais ninguém por quem eu faria uma viagem dessas. E ainda mais vivendo em um mundo que existe aquele negócio, sabe? Ah, sim. O celular.
— O Louis é completamente aleatório quando o assunto é celular. E rede social. E qualquer meio de comunicação moderno.
— Sério?
— Sério. — Concordou com a cabeça enquanto ria.
— Agora você vai ter que me contar o que vocês estavam fazendo antes da gente chegar. — Riu ao ver o rubor tomar conta do rosto da amiga.


***


colocou os pés pra fora da cama, com os cabelos bagunçados e os olhos pesados de sono. Notou, pela claridade que entrava pela janela, que provavelmente metade da parte da manhã já havia passado. Ouviu o barulho do chuveiro e lembrou-se da noite anterior em que, após comerem pizza, conversarem e rirem com e , ela pediu para que dividissem a cama por conta de o sofá não ser nada confortável.
Essa foi a desculpa que ela arrumou.
Dormir com o cafuné dele em seus cabelos foi uma das melhores coisas. Acordar com o cheiro dele entre os seus lençóis também.
De repente, sentiu uma vontade imensa de ir até o banheiro, mas algo a travou. Levantou, andou e parou no meio do caminho. Se dirigiu até a porta, voltou a querer ir até o banheiro, a porta entreaberta exalava um cheiro delicioso do seu xampu. Novamente caminhou até a porta e dessa vez saiu do seu quarto em passos firmes.
Andou pelo corredor, passando pela sala e indo em direção à cozinha. Quando chegou ao cômodo, pôde ouvir uma música e um de avental, de costas pra ela, arrumava algo na bancada próxima aos eletroportáteis.

— Essa música! — falou, ao se aproximar da bancada onde comiam. Tocava “Check On It” da Beyoncé no Ipod.
— Essa música! — Virou-se para olhá-la e apontou para a atriz, que fez o mesmo, assim riram juntos. — Quer torradas?
— Sim, senhor. Tem café? — Fez uma careta rápida.
— Touché.
Foi servida com torradas recém-saídas da torradeira, café e algumas fatias de bacon.
— A ainda está dormindo? — bebeu um pouco do café.
— Sim. Ela acordou diversas vezes à noite. Acho que vai dormir mais um pouco. — Apoiou-se na bancada para olhá-la.
— Que ela acorde antes da formatura. De resto, tudo bem. — Os dois riram.
— Ela falou de um restaurante italiano que tem aqui perto. Podíamos ir almoçar lá, o que acha?
— Acho ótimo. É muito bom. — Sorriu antes de morder a torrada. — Você vai gostar.
E pelos próximos minutos ambos engataram em várias conversas provenientes da vida fora e de dentro das respectivas séries que faziam. havia gostado de desde cara, quando o conheceu pessoalmente em Copenhague no último mês.
Colocou os utensílios dentro da máquina de lavar quando terminou de comer, sentindo-se satisfeita. Desligou a música subsequente, que ainda tocava, e dessa forma voltou para o quarto quando avisou que iria tomar banho e ver como a namorada estava.
Ao entrar em seu quarto, sentiu o cheiro do xampu novamente. Deu por si, breves segundos depois, que Louis se encontrava agachado próximo à sua mala com a toalha em volta da cintura. A atriz engoliu seco, sentindo seu rosto queimar e agradeceu por ele estar de costas, momentaneamente.
Guten Morgen! — falou, ao se jogar na cama, de costas, fechando os olhos ao fazê-lo.
Guten Morgen! — respondeu, no mesmo tom, ao olhá-la.
Se levantou, indo até onde ela estava deitada, colocou-se ao lado de na cama e assim a observou por alguns segundos, colocando uma mecha do cabelo da atriz atrás da orelha.
— Me beija logo!
Ele riu rapidamente com o pedido dela. abriu um dos olhos para observar a reação dele e sorriu entre um riso leve. Fechou os olhos novamente ao senti-lo lhe beijar na testa e depois nos lábios. A mulher levou a mão disponível até o rosto do rapaz, o acariciando, conforme o beijo se tornava intenso. Sentiu os fios dele molhados e desceu um pouco mais a mão, se arrepiando ao tocá-lo nos ombros e costas nuas.
— Preciso de uma ajuda — sussurrou, depois de receber um selinho.
— Até duas. — A beijou carinhosamente na ponta do nariz. Ela riu.
— Tenho que tomar banho, aí preciso tirar, pelo menos, a parte de cima. Pode me ajudar? — Fez um bico.
Louis engoliu seco, mas meneou a cabeça no mesmo instante, sem falar uma palavra sequer. De imediato, se sentou na cama e a viu fazer o mesmo.
tentou, ao máximo, focar no rosto dele. Se não, não teria concentração para fazer o que tinha que fazer.
Desse modo, levantaram-se e foram em direção ao banheiro. Lá, a claridade era um pouco mais forte, por conta do piso branco, que fez com que a mulher apertasse os olhos.
— Primeiro a tipoia, aí você me ajuda com a parte de cima do pijama.
Lentamente para não a machucar, Louis retirou a tipoia que mantinha o braço dela imóvel por conta do osso que estava em recuperação.
— Tá doendo?
— É só um incômodo. — Riu fraco. — Mas pode continuar.
O braço bom passou pela alça do pijama, logo passando pela cabeça de e por fim mais lentamente pelo braço que ficaria imóvel, mesmo sem tipoia. Os cabelos da atriz caíram pra frente, tapando parte dos seus seios, ela sentiu suas bochechas queimarem, mas ao mesmo tempo achava aquela situação toda muito engraçada.
— Meus olhos estão aqui em cima! — brincou, ao olhá-lo.
— Ahn, eu. — Pigarreou, ao olhá-la. — Estava olhando o seu braço. Parece muito bom.
O arrepio intenso lhe atingiu tão fortemente que o frio predominou em seu corpo, mesmo tendo acabado de tomar um banho quente.
— Sei. — A ouviu gargalhar de um jeito gostoso.
— Se precisar de mais alguma coisa, é só chamar. — Apressou-se para sair dali, mas ouviu a voz de .
— Obrigada, Hofmann.
A voz dela era tão delicada. Parecia afagar o seu coração. Concordou com a cabeça ao olhá-la, sorrindo fechado e assim a deixou sozinha para que pudesse tomar banho.


***


O salão onde acontecia a festa de formatura da turma de Cinema era gigantesco. As mesas haviam sido postas ao redor da pista de dança, fazendo com que familiares e amigos ficassem mais próximos de tudo que acontecia.
As luzes coloridas se misturavam umas com as outras e se moviam no ritmo que as músicas eram tocadas. Amigos e familiares dançavam com os formandos, enquanto parentes mais velhos apenas observavam rindo e comentando uma coisa ou outra.
voltava do banheiro e seu olhar imediatamente caiu na mesa que dividia com Louis, , e uma colega de classe da amiga que não tinha familiares na cidade. Viu o ator sozinho, ao passo que puxava para a pista de dança. Quis rir.
— Cadê o casalzinho? — perguntou inutilmente, já que sabia a resposta.
Ele olhou pra cima, a olhando, mas seu olhar caiu pela trigésima vez, e contando, pelo vestido preto impecavelmente abraçado pelo corpo da mulher. Suas curvas ficaram bem definidas e aquela cor combinava perfeitamente com ela.
— Foram dançar.
não pensou duas vezes e sentou-se de lado no colo de Louis. Era incrível que sentia seu corpo se adaptar ao dele tendo em vista que no mesmo instante ele já passou os braços pela cintura, a puxando mais para si.
— Você está linda hoje.
Ela se lembrou imediatamente do que havia dito na noite anterior. Que “do nada” a confusão e o medo sumiriam e dariam espaço ao entendimento. sorriu, sentindo seu coração palpitar, mas o sentimento que o preenchia era cheio de sensações boas. Únicas.
Sorriu em agradecimento, o acariciando no rosto e o sentindo beijar a sua mão de forma carinhosa. Por um momento, a atriz imaginou como ficaria quando ele fosse embora e uma dor estranha invadiu seu peito.
— Quando você vai? — sussurrou, triste.
— Hoje, mais tarde.
— Você ainda não decidiu o que vai querer, lembra? Você ganhou o jogo. Pode pedir o que quiser. E ainda não sei o que o Bo mandou pra mim.
— Bom, como dizem — sua mão foi parar no joelho de , comportadamente —, a noite pode ser longa.
A atriz sustentou o olhar intenso que ele lhe dava, devolvendo tudo o que sentia, pois era igual ou até um pouco maior a sua vontade de colocar em prática aquelas provocações.
— A noite pode ser longa.


Continua...



Nota da autora: Sem nota.



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