Postada: 20/12/2017

Capítulo Único

Perdido nunca foi uma palavra para definir , mas, ultimamente, ele se sentia um calo na vida de todos a sua volta.
Ele era o vocalista de uma banda em ascensão. Tinha fãs em todos os cantos do mundo. Por que ele pediria por mais se ele tinha tudo que ele precisava? Mas até grandes estrelas não ficam satisfeitas com suas vidas. Até mesmo podia ter problemas.
- Ei, - seu roadie, Lionel, o seguiu do palco até o camarim assim que percebeu que ele havia saído do local. - Você está bem? - perguntou, preocupado, vendo que ele tinha uma feição não tão boa. sabia o quanto isso era ruim, transparecer seu estado mental no palco, porque nem podia imaginar se seus fãs percebiam aquilo. Tinha medo de entrar no seu twitter e ver todos reclamando de sua má presença no palco, suas falhas constantes na voz e, pior, de ver seus fãs deixando de ser seus fãs.
- Oi, Lion! - ele falou sorrindo, tentando fazer o jovem não perceber que não, não estava nada bem. - Acho que estou bem - sentou-se na pequena mesa que tinha por ali e procurou uma garrafa de água para se refrescar, já que era a única coisa que o ajudaria naquele momento. Nos últimos dias tudo que ele precisava era de sua cama, pizza e netflix. O que chegava mais próximo disso eram seus momentos sozinhos, o que era realmente difícil já que ele estava em turnê e só pararia dali a um mês.
- Tem certeza? - Lion perguntou assim que percebeu o quão distante estava. Parecia que ele tinha ido para outro planeta em pensamentos.
- Tenho sim - levantou de supetão, sorrindo para mostrar que estava em perfeito estado. Tivera a ideia de dar uma caminhada por ali e tentar não ser notado para ver se relaxava um pouco. Com isso, esperava descobrir o que o incomodava tanto, já que ainda não havia descoberto. - Vou dar uma caminhada, tudo bem? Avise aos meus outros bandmates que estarei de volta daqui a pouco para irmos pro hotel ou pra onde eles quiserem - sorriu mais abertamente e Lion quase se convenceu que o vocalista estava bem.
saiu do camarim e seguiu pela volta que o local do show fazia, já que tinha uma parte oval como estádios, mas não era exatamente um. Percebeu a face de umas pessoas se virando, notando que quem estava passando por elas era nada mais, nada menos, que o vocalista da banda principal do dia. Por um milagre de Deus, ninguém o fez parar para pedir autógrafos e fotos e ele foi eternamente grato àquilo. Talvez eles realmente percebessem o quão desgastado e cansado ele estava após fazer o show, mas não sabia se achava aquilo bom ou ruim.
Sem querer, o homem começou a pensar se aquele era o motivo pelo qual ele tanto se depreciava. Se ele estava na carreira certa, pois às vezes sentia-se distante não só de seus fãs como também de seus amigos de banda. Mas, então, quando ele lembrava da sensação de estar em cima de um palco junto com as pessoas que mais o apoiavam no mundo, sendo admirado e sendo a inspiração de todas aquelas pessoas que o assistiam, tudo aquilo, toda aquela dúvida, sumia. Talvez o mal dele era pensar demais.
Quando se deu conta, já tinha dado uma volta inteira na casa de show e precisava voltar pro camarim, pegar suas coisas e procurar seus amigos. Tinha na memória a imagem de , o vocalista da banda de abertura, lhe acenando e ele fazendo aquilo de volta, mas realmente não se lembrava de ter passado por ele. Sua cabeça havia começado a lhe pregar peças ou ele estava tão aéreo que não percebeu quando passou pelo colega?
Correu para o local de encontro pensando naquilo e tentando não chamar muita atenção dos outros, e viu que seus colegas de banda ainda estavam pegando suas coisas também. Todos o notaram no local e ele se sentiu novamente a grande estrela do pop rock que ele era.
- Que foi, gente? Perderam algo em mim? - perguntou incomodado com todos os olhares em cima dele e viu todos voltarem a fazer o que faziam antes. Bufou com aquela cena e deixou pra lá. Se fosse se importar com tudo que acontecia à sua volta, ele ficaria louco.
Aproveitou que todos estavam ocupados e foi fazer o mesmo. Pegou seu celular, uma blusa limpa e uma toalha pequena. Se enxugou, caso ainda estivesse suado, trocou de blusa e ficou checando o celular enquanto os roadies pegavam o resto das coisas.
- Já está pronto, ? - Ben, o baixista de sua banda, se aproximou sorrateiramente e ele quase levou um susto.
- Tô sim… Eu acho - falou olhando pros lados como se tivesse procurando pessoas que precisassem de ajuda. Ele já havia terminado de se arrumar e seus amigos ainda estavam lá, ajudando os roadies a colocar as coisas no lugar e tirando as sujeiras que eles haviam feito. não era de fazer bagunça, na verdade ele estava numa fase ainda pior onde ele mal estava comendo e mal fazia diferença na vida dos outros a sua volta. Até na hora de ajudar ele não sabia por onde começar e nem se devia fazer aquilo, já que tinha medo de atrapalhar; então nem tentava dar uma de altruísta quando, na verdade, podia ser interpretado erradamente.
- Tudo bem com você? - o baixista notou a feição perdida do vocalista e deu um sorriso de lado sacana, tentando tirar uma informação de que o amigo, com certeza, nunca daria.
- T-tudo - falou e começou a se sentir claustrofóbico naquele lugar. Precisava sair dali logo e ir para o hotel. Já não se importava com o que seus amigos iriam fazer depois, ele sabia que teria de seguir outro caminho. - Vou esperar vocês aqui fora, ok? Preciso pegar um ar - apontou demonstrando onde ele estaria e Ben sentiu o olhar de Lionel sobre . Ele sentia que havia dado a mesma desculpa para Lion vários minutos atrás, mas resolveu não implicar com o amigo. Ele estava passando por algo e não queria contar para ninguém. E não seria Ben que o forçaria a falar sobre algo que não gostaria.
Assim que saiu do local, uma vontade imensa de correr e fugir tomou posse do corpo de . Um vinco apareceu em sua testa e seu peito queimava com vontade de sair dali, fugir para outro lugar onde pudesse fazer nada o dia inteiro. Mas ele tinha uma agenda a cumprir, pessoas que não podia deixar na mão e uma carreira para continuar. Resumindo, ele não faria aquilo. As responsabilidades estavam na sua frente e ele não poderia abrir mão delas.
O homem acabou se lembrando da época onde tudo que ele queria era dar o próximo passo. Era buscar por algo ainda maior do que ele já tinha. E nem fazia tanto tempo. Foi um mês atrás e, naquele momento, ele havia parado num limbo com dúvidas de sua existência em pleno auge de sua carreira. Ele ainda ia crescer mais. Ele ainda tinha muito que conquistar. E ele queria aquilo. Mas sabia que nada seria possível se não conseguisse escapar de seus próprios demônios.
Todavia, ainda era cedo demais. Ele precisava sumir apenas por um dia. Para sentir tudo que ele sentia no início de tudo. E finalmente voltar a se sentir ele mesmo.

⚓️⚓️⚓️

A verdade é que tentou fugir.
Foi na segunda semana da turnê. Ele não aguentava mais a pressão, nada mais o fazia ter vontade de correr atrás. Quando ele achava que o medo de enfrentar o que a vida lhe impunha estava indo embora, a vontade de sumir voltava e ele queria se jogar no desconhecido.
sentia-se necessitado de experiências novas, a voltar a ser o cara que todos olhavam e tinham vontade de ser. Ele tinha vontade de voltar a ser ele mesmo.
Na noite daquele sábado, ele foi o responsável pelo ônibus da turnê, devido ao revezamento que a turma fazia quanto ao volante - mesmo ele não estando incluído, pois “o vocalista não deve fazer muito esforço”, como o manager, Mac, dizia. Mas , obviamente, não o escutava.
Ele então, num surto de adrenalina, tentou fazer uma loucura ao afundar o pé na roda e se desviar do caminho que eles deviam ir. A estrada já estava escura e tinha começado a garoar, e logo que Mac percebeu isso, correu para o assento perto do motorista e, firme em sua posição de “dono da turnê”, tentou deixar acordado.
- Tudo bem por aí? - perguntou ao praticamente irmão mais novo, vendo a expressão séria do homem.
- T-tudo - tentou falar, mas acabou gaguejando. Se Mac percebesse que ele havia saído do caminho a ser contornado, ele estava ferrado. Era melhor ele falar mais para distrair o homem, pensou. - E lá atrás? Tudo às ordens?
- Sim, sim - Mac respondeu dando uma olhada pras nuvens pesadas, fazendo ficar ainda mais nervoso. - Tá chovendo ou é impressão minha? - o homem chegou mais perto da grande janela e o coração de parecia querer saltar pela boca.
- Tá. Chuviscando - falou monotonamente. Agora ele tinha vontade de parar de vez o que estava fazendo e dar uma desculpa pra voltar ao trajeto pré-definido para viagem. Mas ia demorar pra fazer aquilo. Teria de dirigir por mais de quatro quilômetros até achar o retorno, dar mais duas voltas por dentro da cidade e então pegar a estrada certa. E que diabos seria a desculpa que ele daria?
- Vou pegar um casaco. Aqui tá frio - Mac falou se levantando e olhou para que tinha cara de assustado. - E você? Não tá com frio? Posso pegar seu casaco, se quiser.
- Pode ser! - falou rápido e mais tranquilo só de pensar que teria o manager da banda um pouco longe dele e até sorriu. Mac não entendeu nem um pouco a mudança repentina do humor do amigo, mas apenas deu de ombros e saiu do local.
aproveitou para acelerar de leve o ritmo do carro, fazendo a viagem ficar mais rápida. Aproveitando que Mac estava demorando, , assim que viu logo o retorno, deu uma virada quase brusca demais, o que acabou trazendo Mac de volta para frente.
- Era pra ter dado essa volta aqui? - falou colocando o casaco do amigo por cima dos ombros do mesmo enquanto já tinha o seu grudado ao seu corpo. Sentou novamente trocando o olhar de pra estrada, da estrada para , esperando pela resposta.
- Era sim. Acho que peguei sem querer a estrada errada - falou sem graça coçando a ponta do nariz. Nem pra fugir ele servia. Nem pra isso! - Peguei o retorno.
- Ahn… Ok - Mac falou apenas assentindo, mas, no fundo, desconfiado. Havia algo de estranho com e ele não foi o único a perceber, já que lembrara de quando Ben veio falar sobre isso com ele. - Você precisa de ajuda? Podemos trocar de lugar, você pode dormir, jogar carta com os caras ou…
- Não, Mac, me deixa - o vocalista falou, rude. - Eu gosto de dirigir e faz tempo que não faço isso, ok? - tentou se recompor e viu o homem dar de ombros.
Demorou para se ver longe do manager, que só saiu do lado dele após quinze longos minutos. Apenas depois de uma hora de estrada, agora na correta, que ele parou o ônibus, pois precisava dormir. Já era quase duas da manhã e ele, assim como os seus amigos de banda, deviam descansar para o show do dia seguinte.
Assim que ele deitou em seu beliche, sentiu a escuridão tomando conta de seu corpo novamente. O medo, que havia se tornado em adrenalina enquanto ele estava no volante, havia voltado. Como era torturante viver daquela forma!
Quanto mais ele fugia, menos medo ele sentia. Mas quando ele voltava à realidade, tudo era motivo pra ele ter medo de enfrentar. Tudo era complicado demais.
sentiu seus olhos pesados e adormeceu. Ultimamente seus sonhos estavam se tornando cada vez mais confusos. Mas naquele ele pôde ver com clareza a sombra que aparecia nos outros. Era… ? O que fazia em seu sonho?
Eles não eram tão próximos, apesar de já ter pensado em se aproximar do amigo da banda de abertura. Ele parecia ser um cara sensacional, de bom humor e que tinha poucos problemas, enquanto era totalmente ao contrário. Na verdade, estava totalmente ao contrário. Ele não era daquele jeito. Aquilo era um estado de espírito que, se seus deuses quisessem, ele iria se livrar.
Quando o sonho parecia estar no fim, as falas de bagunçadas sumiram e foi deixado na escuridão novamente. Algo foi se aproximando dele, algo que ele não conseguia ver, apenas sentir, e ele despertou bruscamente quando viu seu próprio rosto diante de seus olhos. Um rosto cansado, de quem não dormia há séculos, com bolsas enormes debaixo dos olhos, a pele num tom de verde e noutros tons de roxo mostrava que ele parecia ter acabado de sair de um ringue de luta. Saía sangue de um dos lados da sua boca. Aquela imagem dele daquela maneira não ia sair tão cedo de sua cabeça.
se levantou em busca de água para acalmar seus nervos e ao chegar no frigobar do grande ônibus, abriu a geladeira e teve um insight. Que dizia que ele tinha de conversar com . Talvez fosse aquela a mensagem do sonho. , com certeza, teria algum ensinamento para lhe passar e era exatamente o que precisava naquele momento.

⚓️⚓️⚓️

- Você precisa relaxar, meu caro - falou ao se sentar ao lado de , sorrindo de orelha a orelha como se um mero conhecido não tivesse acabado de falar que estava sendo assombrado pelos próprios demônios. O mais inexperiente tinha dois grandes copos de café da Starbucks nas mãos, entregando um a . Ambos estavam diante do local do show do dia, sentados no meio fio, aproveitando que o tempo ainda estava agradável, já que a previsão era de pancadas de chuvas para a noite.
tomou uns goles do café antes de até pensar no que falar, olhando pro outro lado da larga avenida. Começou a refletir brevemente e apenas soltou um…
- É… Você tem razão - bateu seus dedos contra a parte debaixo do copo e então perguntou ao colega. - Mas o que você acha que seria uma boa solução pra isso? Digo, eu tenho tentado de tudo, já pensei até em fugir! - riu do desespero do homem e percebeu que mesmo sendo o inexperiente deles dois, era o que estava mais são no momento. - Pensado não, minto. Eu já tentei fugir. De verdade. Mas, como sempre, amarelei na última hora.
balançou a cabeça em negação, rindo do que ouvia, e lembrou de quando seu amigo de banda, Kevin, também passou por uma época parecida com a de . Seu tempo ajudando o amigo e o apoiando foi tão grande que qualquer mero conselho que desse a , ele tinha certeza que seria eficaz.
- Fugir nunca é a solução, - falou, já pensando numa forma de ajudar o amigo. - Parece que o medo vai embora, não é? Mas ele vai voltar uma hora - deu uma pausa, sentindo-se sábio o suficiente para trazer uma carga dramática àquela conversa. - Nós temos que enfrentar tudo. Tem como evitar, tangenciar, fazer tudo com nossos problemas para enrolar que eles sejam solucionados. Mas não dá para fazer isso pra sempre. Infelizmente - ele riu pensando em como ele mesmo era um grande de um procrastinador. - Ou felizmente? Aliás, precisamos tirar algum ensinamento das coisas, certo?
pensou que curtiria mais aquela conversa, mas sentiu que o outro vocalista só diria frases genéricas e não lhe daria nenhuma dica de como fazer sua sanidade melhorar. Iludido foi ele em pensar que um sonho o ajudaria em alguma coisa.
, por outro lado, não parava de pensar no que falar para que teria realmente algum efeito. Algo que mudaria a forma dele de pensar… Talvez ele precisasse entender melhor o que se passava com o novo amigo.
- Você não tem mais nada a me dizer que possa me ajudar a te ajudar? - falou cerrando os olhos, bebendo um pouco de seu café, e esperando falar mais alguma coisa.
- Eu só queria… Sabe… - ele não sabia nem o que falar! Era tanta coisa que resumidamente nunca teria o mesmo efeito do que se passava na sua cabeça… - Voltar a ser quem eu era antes! Voltar a ser uma pessoa comum! Não um astro da música que precisa ensinar tudo pros seus fãs - se sentiu culpado pela fala na mesma hora que a disse, corrigindo-se rapidamente. - Quer dizer, eu amo ensinar coisas aos meus fãs. Amo ser a inspiração deles. Mas eu também sinto isso ter uma carga tão grande em mim, sabe? Por que eu sou responsável por tudo isso? Eu não sou como eles também? Procurando ser alguém melhor, procurando uma inspiração e…
Foi naquele momento que assimilou uma ideia. Enquanto se punha a falar e falar, percebeu uma coisa que estava na cara de . Literalmente.
- Quando foi a última vez que você esteve em um show? - cortou e esperou não ter soado rude por isso. Mas precisava perguntar.
- Ahn… - , com sua linha de pensamento cortada, percebeu que fazia meses que ele não assistia um show. Que ele não se misturava na plateia e tentava ser apenas um mero espectador. - Eu… não sei?! - respondeu sentindo algo crescer dentro dele. apenas fez sorrir, percebendo que era exatamente aquilo que o amigo precisava.
- É isso! Você vai assistir hoje ao show da minha banda - rapidamente pegou a mão de na sua e a balançou, como se tivesse fazendo um acordo. levantou uma sobrancelha, tentando entender o que o colega havia acabado de falar, já que não fazia sentido.
- Mas eu já assisto. Todos os dias - ele riu baixinho percebendo que a ideia de foi falha.
- Não! - protestou. - Tô falando que você vai literalmente assistir. Na plateia - sorriu tentando passar confiança pro homem.
sentiu algo estranho em seu peito e não mais o questionou. Talvez a ideia de não fosse tão ruim… Aliás, estava na hora dele voltar a ter suas próprias experiências, certo?
Então, quando chegou à noite, na hora do show, ele saiu de fininho do camarim, para seus colegas não o encontrarem, e foi tentar arranjar um lugar na plateia onde as pessoas não o incomodassem. E se alguém o visse, ele também não estava ligando. Apenas queria curtir o show do jeito que havia lhe dito.
Faltava ainda cinco minutos para começar quando ele conseguiu um lugar tranquilo um pouco distante do palco, mas perto da lateral. Se ficasse no meio de todo mundo, seria pior.
Quando o show começou, ele tentou se entregar ao momento, mas ele não conhecia todas as músicas e sentia a necessidade de cantar para extravasar. Então assim que chegava alguma mera música que ele sabia o refrão, ele cantava como se não houvesse amanhã. Sentiu até alguns olhares sobre ele, mas, pela primeira vez em meses, não queria saber de mais nada além daquilo que ele estava participando.
Quando o show foi chegando ao fim e as músicas mais conhecidas eram tocadas, , esperando pela última música que era sua favorita, escutou no palco interagindo com a multidão.
- Bom, o show está chegando ao fim… - houve uma sequência de “ah” tristes e caras de choro, o que fez sorrir ao ver que todos estavam amando o show, o que realmente significava para ele já que a banda dele era apenas a banda de abertura. Então ele voltou a falar. - E hoje… Hoje eu tive uma conversa com um amigo e disse pra ele… “Sabe, cara, quando você está com problemas e precisa esquecer de tudo, recomeçar uma nova etapa da sua vida ou apenas querer voltar a ser aquela pessoa que você não é mais… Você tem que ir à um show!” - os fãs começaram a gritar com a última frase empolgada. - E, olha, eu espero que ele tenha me escutado. Espero que ele esteja nessa plateia agora, porque essa música agora é pra ele!
Todos começaram a gritar com a dedicatória e sentiu seu peito queimar de alegria. realmente era um menino de ouro e ele torcia muito para que ele e a banda tivessem muito sucesso ainda. Todos mereciam.
Assim que a batida da música começou, o vocalista voltou a falar.
- Agora, eu quero que vocês sintam essa música! Todo mundo, respirem fundo, eliminem tudo de ruim de suas respirações e cantem comigo.
fez o que o amigo pediu e, quando inspirou, sentiu um peso sendo jogado pra fora de seu corpo. Ele reconheceu a música pelos acordes e deu um sorriso quando a cantoria começou. Essa ele sabia algumas palavras e adorava a melodia da música.
- When I come home, when I come home… Oh, I hear you washing in the shower… - cantava de olhos fechados assim como estava no momento, sentindo a música. - Mirages of you, mirages of you… Even steam pouring through the crack at the floor.
A segunda parte da música começou e repetia os versos, mesmo que embolado, rindo dele mesmo; de qualquer forma, ele estava se divertindo.
- I won’t lose it, I won’t lose it, I won’t lose it, I won’t lose it, I won’t lose it… - havia uma pausa e ele aproveitou para respirar fundo. - Hold it steady, hold it steady, hold it steady, hold it steady, hold it steady…
então deu uma pausa antes do refrão e pediu o que ele sempre pedia quando chegava àquela parte.
- Por favor, coloquem suas mãos pra cima. Joga pra cima. Isso! - ele imitou o que as pessoas faziam e continuou. - Agora eu quero que vocês repitam isso durante o refrão, liberando todas as energias negativas que perturbam vocês. E cantem, quem sabe cantar!

All by myself
(I can lift a car)
All by myself
(I can lift a car)
I can lift a car up all by myself

All by myself
(Up all by myself)
All by myself
(Up all by myself)
I can lift a car up all by myself

sorriu enquanto fazia o que pediu e pensou o quanto ele estava perdendo enquanto não havia visto um show da banda do amigo ainda. O clima era totalmente diferente do seu show. Por mais que ele gostasse do clima pesado, pelas músicas com significado demais, e da alegria que seus fãs transmitiam a ele enquanto estava no palco, enquanto cantava, ele sentia que nada poderia tocar nele. Nada poderia derrubá-lo novamente. I Can Lift a Car tinha um efeito sobre ele que que nunca esperaria que teria.
- So very nice, so very nice… My grandpa’s leather jacket and goggles. So you kiss me… On the futon. Oh, I hope you like it in Chicago…
Ele se prendeu ao sentimento do momento, cantando os versos que agora sabia e, assim que chegou o refrão, sentiu a música tomando seu corpo e o fazendo dançar sem ao menos perceber. Jogava as mãos pra cima com raiva, deixando escapar seus medos, suas angustias e suas dúvidas todas por entre seus dedos.
- Did ya, did ya, did you know that… I can lift a car up all by myself? Well, no misunderstanding, I’m not saying that you came, but you did, I can lift a car up all by myself… - abriu seus olhos, que até o momento estavam fechados e sorriu vendo que o encontrou na plateia. Os dois sorriam felizes e sentiu que era aquilo que ele precisava. Se conectar com pessoas novas, se jogar no desconhecido… Da maneira correta.
Assim que a música acabou, foi engatada na penúltima música do show, que sabia de cor e salteado, e o homem pulou, bateu palmas, berrou, como se não houvesse amanhã.
E quando o show acabou, ele ficou feliz porque ainda teria a oportunidade de ver novamente ao show de e sua banda pelo resto da turnê, que acabaria dali uma semana e meia.
- We’re gonna rattle this ghost town… - ficaria com Anna Sun pro resto da noite na cabeça e foi daquela forma, cantando a última música do show, que entrou no camarim, fazendo seus amigos levarem um susto pela alegria do homem. - Que foi? - perguntou vendo todos parados olhando para ele.
- Estávamos te procurando, ué - Ben falou preparando-se para sair do local. - Temos um show para fazer, ! Onde você estava?
- Vendo o show. Resolvi fazer algo diferente hoje - falou normalmente se arrumando em frente ao espelho e sorriu para seu próprio reflexo, notando que seu sorriso era muito bonito. Devia fazer isso mais vezes.
- Você tá bem, cara? - o baterista de sua banda perguntou rindo da expressão dele.
- Eu tô ótimo! - foi na direção dele e deu um tapinha nas costas dele. - Vamos pro palco ou não? - perguntou olhando pros seus outros amigos de banda. Eles deram de ombros e fitaram os roadies que também não entenderam o que se passava com .
O show daquela noite parecia ter uma nova aura. podia se sentir contagiado ainda pela nova positividade que ele estava sentindo e fez tudo soar como novo. Parecia estar em outro planeta. Podia sentir uma luz emergir de seu corpo e seus dedos formigarem contra o microfone, enquanto o segurava, de adrenalina. Aquela que faz você se sentir vivo. Que fez ele se sentir dono do próprio corpo e vida novamente.
Ele sabia que aquela foi apenas uma batalha ganha. Sabia que teria de lidar com seus demônios todos os dias. Mas, sim, ele estava contente de ter dado o primeiro passo. De ter feito uma nova amizade. De ter mostrado que sim, ele pode continuar sonhando.
E ao cantar sua música preferida, que era exatamente o que ele passava no momento, ele sentiu seu corpo transcender. Ele tinha tanto a conquistar. Tantas portas e janelas para abrir… E parecia que tudo tinha acontecido na hora certa.
agora podia virar a página e começar um novo capítulo. Sabendo que teria força e garra para qualquer que fosse o desafio a seguir.
Ao final do show, olhando nos olhos não só do seu público, mas também nos de seus amigos de palco, ele descobriu o que ele tanto queria descobrir. Que o palco era sua casa. Que as casas de show eram onde ele sempre iria querer estar. E, por isso, fazia tanto sentido porque ele estava recuperando seu eu verdadeiro.


Fim.



Nota da autora: Mais uma fanfic prontíssima e mais uma vez sobre amizades e a famosa crise que todos sofremos pelo menos uma vez na vida. Nosso pp dessa vez só ganhou uma batalha, mas tem uma guerra toda pela frente. Nossos demônios é uma coisa que temos de combater todos os dias… E com um amigo ao nosso lado fica um pouquinho mais fácil!
Foi difícil escrever essa fanfic, mesmo também estando em crise, mas consegui hahaha. Espero que todos gostem! Eu só tenho a agradecer por ter escrito uma das minhas músicas favoritas desse álbum e espero ter feito jus a ela. E agradeço também a Anny por ter reservado esse álbum maravilhoso. Tô aqui torcendo pra que Imagine Dragons venha pro meu Rio de Janeiro ano que vem também, que bandão da p*rra!
HAHA, agora chega! Deixem um comentáriozinho se tiverem gostado, pode ser?
Beijinhos ♥





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Nota da beta: Os melhores dias da minha vida foram dias em que fui em show’s de artistas que amo e que me fizeram ter forças pra continuar nesse mundinho difícil que é o nosso. Então entendo perfeitamente nosso PP. E obrigada mesmo, Tham, por fazer parte desse ficstape lindo comigo e tô só no aguardo pra nossa banda vir pro Brasilsão e podermos seguir os passos do nosso PP aqui.
E obrigada você que leu essa fic também, não esqueça de deixar um comentário pra nossa autora amada e de ir ler as outras fics do ficstape EVOLVE que estão maravilhosas! Xx-A

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.

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