Enviada em: 01/03/2018
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Capítulo Único

Well it's good to hear your voice
I hope you're doing fine
And if you ever wonder
I'm lonely here tonight


Fazia o típico clima de uma noite depressiva: frio e chuva. Parecia que tudo e todos estavam contribuindo para que fosse uma péssima noite. As gotas de água que pingavam na janela ressoavam; o barulho que muitas vezes tinha um efeito tranquilizante, nessa noite, estava doloroso de ser ouvido.
No chão da sala, no meio de várias embalagens de chocolate vazias, um diário de lembranças, álbuns com fotografias e um cobertor enorme, estava . Ela já havia comido todo o chocolate que comprou no dia anterior, assistido a todos os filmes decentes sobre drama romântico que haviam na Netflix, lido todas as folhas de seu diário e visto todos os álbuns recheados de lembranças dos momentos que viveram juntos. Se lágrimas já tinham sido derramadas? Claro que sim, muitas. Mas, agora ela chorava por mais de um motivo. Não era só pela falta que sentia dele, e sim porque agora, de uma maneira ou outra, ela sabia que ele sempre estaria por perto.
Depois de pensar por vários minutos - ou será que foram horas? - respirou fundo e se esticou para pegar seu celular, que fora previamente arremessado para longe quando, mais cedo, ela viu uma foto dele rodeado de amigos em uma festa. Pelo visto quem estava sofrendo era só ela, então. Depois de alguns segundos, ela desbloqueou o celular e discou o número que não conseguia esquecer.
Primeiro toque.
Ela respirou fundo, afundando-se no cobertor.
Segundo toque.
deitou a cabeça para trás, olhando para o teto.
Terceiro toque.
Seu dedo estava em sua boca e ela mordia-o impacientemente.
Quarto toque.
Será que conseguiria reagir ao ouvir a voz dele?
Quinto toque.
Se acalme, , era o que ela repetia a si mesma.
Sexto toque.
Ainda nada.
Sétimo toque.
"Ei! Você ligou para... Ah, se você tem meu número, você obviamente sabe com quem quer falar. Deixe seu recado que eu retornarei quando puder.”
bufou e jogou o celular longe novamente, escondendo seu rosto entre as mãos. Seus olhos arderam e ela ameaçou começar a chorar novamente, mas respirou fundo, ajeitou seu cabelo em um coque mal feito e chutou o cobertor para longe, levantando-se em seguida.
- Óbvio que ele não vai atender. - Ela disse a si mesma, enquanto juntava as embalagens de chocolate. - Você terminou com ele, ele não reagiu e não veio atrás de você, além de agora estar em uma festa. Acho que isso já são sinais suficientes de que ele não sente sua falta! - Frisou a última parte assim que jogou as embalagens no lixo.

I'm lost here in this moment
And time keeps slipping by
And if I could have just one wish
I'd have you by my side.


Quando se levantou, porém, uma tontura a atingiu e a ânsia de vômito que vinha sendo sua companheira durante os últimos dias apareceu novamente. Rapidamente ela correu apartamento adentro, abrindo a porta do banheiro com pressa e abaixando-se no vaso sanitário, colocando para fora todo o chocolate que ingeriu nas últimas horas.
Assim que terminou, levantou e foi até a pia para lavar a boca. Ao se olhar no espelho e ver as olheiras fundas que haviam embaixo de seus olhos, um sentimento de medo e solidão a atingiu. O que ela faria? Como criaria um filho sozinha se mal era capaz de cuidar de si mesma? Ela nem poderia ter ajuda de seus pais, por Deus! Deveria contar a ele que estava esperando um filho seu?
Instintivamente, levou as mãos a barriga, acariciando-a calmamente. Qual quer que fosse o sexo do bebê que estava ali dentro, ela o amaria; tinha certeza disso. Mas realmente não tinha ideia de como conseguiria criar um filho! Ninguém sabia da gravidez, além de uma amiga do trabalho. Portanto, ainda tinha tempo para pensar no que fazer e se deveria, ou não, contar a ele.
Resolveu tomar um banho, como vinha fazendo sempre que vomitava, pois se sentia mais limpa. Abriu o box e ligou o chuveiro para que a água esquentasse. Rapidamente ela tirou a roupa e colocou-a no cesto de roupas sujas. Prendeu seu cabelo novamente e colocou uma touca, decidindo por não lava-lo, pois já era tarde da noite. Entrou no box e fechou a porta de vidro. Um passo e a água já estava escorrendo por seu corpo. fechou os olhos, aproveitando cada momento da sensação de paz que se apossou de seu ser, pois sabia que ela não duraria.
Ao abrir os olhos, segundos depois, seu pensamento anterior se confirmou. Ela sabia que deveria tê-la jogado fora há algumas semanas, mas não teve coragem. A escova de dentes dele estava ali, pois ele insistia em ter uma dentro do box para escovar os dentes durante o banho. "É uma maneira de economizar água e tempo", ele explicava. Seus olhos já ardiam e, mesmo com a água escorrendo por seu rosto, ela sabia que estava chorando. Como algo tão ridículo como uma escova de dentes podia faze-la chorar? Não era o objeto em si, e sim todo o significado por trás dela; sabia disso. Memórias de noites em que ele dormira em sua casa, banhos que tomaram juntos e até o dia em que ele trouxe a escova de dentes para sua casa vieram à tona. Ela aproveitou que estava no banho e deixou que as lágrimas escorressem livremente por seu rosto, certa de que não choraria mais assim que desligasse o chuveiro.
Depois de alguns minutos no banho, desligou o chuveiro e saiu do box, enrolando-se em uma toalha em seguida. Ela tirou a touca de banho, soltou seu cabelo e saiu do banheiro, andando em direção a seu quarto em seguida. Vestiu um pijama e, antes de se deitar, buscou um copo d'água na cozinha. Quando retornou, porém, parou no meio do corredor ao ver uma foto que tinha ela e seus pais em frente a casa de praia da família; casa essa que seus pais haviam deixado para ela, após morrerem em um acidente de carro, anos antes.
pegou o porta-retrato e passou a ponta dos dedos pela foto, sentindo-se saudosa. Se seus pais estivessem ainda nesse mundo, eles seriam os primeiros a apoiá-la com essa gravidez; tinha certeza disso. O sonho dos dois era ter um neto ou uma neta. E sempre deixaram isso muito claro. Eram peças raras, os melhores pais do mundo, por que não? Para , eles eram.
Em um estalo, teve uma idéia. Já sabia o que fazer. A casa era sua, por que não aproveitar? Acordar e olhar diretamente para o mar? O paraíso, sim! Ela se mudaria para lá, viveria em paz e criaria seu bebê sozinha, onde ela mesma fora criada quando criança. Arranjaria um trabalho em qualquer lugar na cidade e seria feliz. Qual o propósito de ficar em um apartamento onde só haviam lembranças dolorosas? Ficar ali só estava afirmando o que ela não queria aceitar, mas era a realidade: ela estava sozinha.
Dormiu com isso já decidido. Colocaria seu apartamento para alugar, pediria demissão de seu trabalho e iria embora durante a próxima semana. Só precisava decidir se falaria com ele antes de ir ou se simplesmente sumiria. Mas isso ela decidiria quando acordasse.

Oh, ho, I miss you
Oh, ho, I need you


encarou as caixas e malas a sua frente. Estava tudo pronto. Ela havia conseguido arrumar e empacotar todas as suas coisas em dois dias. Era com certeza um recorde para ela. Deixou seu corpo cair no sofá, exausta, e levou suas mãos até sua barriga.
- Bebê. - Falou olhando para o teto. - Vamos torcer para que eu consiga colocar um pouco de juízo na cabeça de seu pai. - Suspirou, mordendo o lábio. - Mas, se eu não conseguir, seremos só eu e você. - disse, ao mesmo tempo que uma lágrima escorreu por seu rosto. - Eu e você. - Repetiu mais baixo, tentando confortar a si mesma.
Ela permitiu que algumas lágrimas escorressem por seu rosto e, após alguns segundos, levantou decidida. Ajeitou seu cabelo e sua roupa e foi até o banheiro, passando um pó e um blush no rosto, para disfarçar as olheiras. Em seguida, colocou um casaco, um cachecol, pegou sua bolsa e saiu do apartamento, trancando a porta atrás de si.
O caminho até a casa dele não demoraria. Era perto, portanto optou por ir a pé. Sua bolsa, apesar de estar vazia, parecia pesar toneladas. Ali dentro, estava o exame de sangue que comprovava sua gravidez e também uma carta de despedida que ela tinha escrito no dia anterior. A ideia era conversar com ele e, caso não o encontrasse, a carta seria deixada na caixa de correspondências. Ela já estava quase tocando na campainha da casa dele, quando ouviu alguém lhe chamar.
- ? - Era Sra. Potter, a vizinha. - Querida, ele não está.
abaixou os ombros, frustrada. Teria mesmo que deixar a carta?
A senhora se aproximou dela com um sorriso terno nos lábios.
- Ele foi viajar, parece que volta amanhã a noite. Pediu para eu cuidar da casa. - Explicou a , que manteve o olhar baixo. - Está tudo bem, querida?
levantou seu rosto e mordeu o lábio, balançando a cabeça para os lados, negando.
- Venha, deixe-me lhe servir um chá e conversamos. - Sra. Potter passou o braço pelos ombros de , guiando-a para a casa ao lado, sem lhe dar chance de resposta.
- Eu realmente não quero incomodar, Sra. Potter. - Ela disse e a senhora sorriu maternalmente.
- Não é incomodo algum. Espere aqui, sim? Eu volto em um minuto. - A senhora respondeu assim que chegaram a varanda de sua casa.
Sra. Potter entrou em casa e aproximou-se de um banco, sentando-se.
Sra. Potter era vizinha dele desde antes de começarem a namorar. Vivia levando tortas e chás para eles, sem precisar de ocasiões especiais para agradá-los com um mimo. Era um amor de pessoa. Solteira, sem filhos ou netos. sempre gostou muito dela. Alguns minutos depois, ela retornou, entregando uma xícara de chá a e sentando-se ao seu lado.

And I love you more
Than I did before


- Vocês terminaram, não foi? - Sra. Potter perguntou, fazendo com que a olhasse surpresa. - Ele me contou, querida.
suspirou e olhou para a xícara em suas mãos.
- Eu quem terminei com ele. Eu não queria. Mas eu não estava mais aguentando, Sra. Potter!
- O que eu lhe disse sobre me chamar de Abby? - Sra. Potter perguntou, fazendo sorrir levemente.
- Eu não pedi por muito, sabe? Eu só precisava me sentir querida por ele, precisava saber que eu era importante. - Abriu um sorriso triste em meio a frase. - E ele é muito fechado. Em todo o tempo que ficamos juntos, apesar de suas atitudes me mostrarem, às vezes, nunca ouvi um "eu te amo" sair da boca dele. - contou e seus olhos se encheram de lágrimas. Abby suspirou em compreensão. - Ele esquecia de todas as datas importantes pra nós dois. Esqueceu meu aniversário. E mesmo eu já tendo conversado com ele sobre isso, as coisas não mudavam! - Ela disse um pouco mais alto, permitindo que as lágrimas escorressem livremente por seu rosto.
- Oh, querida. - Abby disse, pegando a xícara das mãos de e colocando na mesinha ao lado para depois abraçá-la de lado. - Nós, mulheres, gostamos de nos sentir amadas, não é mesmo? Um pouco de atenção, um agrado aqui, um elogio ali...
- Sim! Sim, era isso que eu queria, Abby. Só isso. - suspirou e separou-se de Sra. Potter, limpando os olhos em seguida. - E nas últimas semanas ele vinha chegando tarde em casa, estava muito envolvido com o trabalho e eu acabei ficando de lado.
Abby passou a mão pelo cabelo de , acariciando-o, enquanto a ouvia desabafar.
- A gota d'água foi quando eu disse a ele que precisava conversar, pois tinha uma novidade. Preparei uma janta, a senhora sabe que sou péssima na cozinha. - As duas riram baixinho. - Mas me empenhei e fiz tudo. Ele chegou bêbado, duas horas depois do combinado, porque ficou bebendo no bar com os colegas do trabalho. Eu não aguentei mais, Abby. Apesar de amá-lo muito, eu me amo mais. Acho que você me entende.
Sra. Potter balançou a cabeça em confirmação e abriu um sorriso em seguida.
- Você está certíssima, querida. Nós precisamos nos amar acima de qualquer coisa, não é? - Abby concordou. - Mas, se me permite dizer algo, , ele te ama, sim.
franziu o cenho e balançou a cabeça em negação. Como poderia ele amá-la? Apesar dos momentos bons que passaram juntos, as diversas risadas e carinhos que trocaram, ele nunca havia demonstrado. "Eu te amo"? nunca ouviu. Uma rosa? Ela nunca recebeu. Uma surpresa? Também não. Elogios fora de hora? Nenhum. Se ele a amava, por que nunca demonstrou quando podia?
- Antes que você pergunte, , ele não me disse. - Sra. Potter esclareceu e ela ficou ainda mais confusa. - Mas consigo ver nos olhos dele. Uma mulher com a minha idade entende um pouco das coisas, você não acha? - Perguntou e riu baixo, confirmando. - Quando ele veio me contar que você havia terminado com ele, duas semanas atrás, ele estava desolado.
- Mas... - Ela começou, confusa. - Não faz sentido. Ele nem argumentou para que eu não terminasse com ele, Abby!
- Querida. - Abby chamou, levando suas mãos até as mãos de e segurando-as. - Os homens são lentos. Claro que alguns se superam. - Ela riu e revirou os olhos. - Ele me disse que nunca amou ninguém. Você sabe que ele cresceu sem os pais, então não vivenciou amor dentro de casa e nem em lugar algum ao redor dele durante sua vida.
Isso era verdade, já que ele cresceu em um orfanato. Não foi adotado e foi só com dezoito anos que começou a viver sua vida. Conquistou tudo do zero. assentiu, prestando atenção em cada palavra que saía da boca da Sra. Potter.

And if today I don't see your face
Nothing's changed
No one could take your place
It gets harder every day


- Ele te ama, ele só ainda não percebeu isso. É difícil pra ele. - Abby disse, fazendo suspirar em seguida.
- Eu tentei, Abby. Tentei muito. - Ela disse, fungando baixinho. - E depois do término parece que meu amor por ele só aumentou! Ah, dói tanto... Ainda mais agora que... - se interrompeu e arregalou os olhos ao perceber o que ia falar.
- O quê, querida? - Sra. Potter perguntou, franzindo o cenho.
sorriu forçadamente para disfarçar e balançou a cabeça.
- Nada não. - Ela disse, levantando-se e Abby fez o mesmo. - Bom, eu preciso ir. Muito obrigada pelo chá e pela conversa, Abby.
- Se precisar de algo, estou aqui. Você sabe disso. - Sra. Potter disse, abraçando a de lado.
- Sei, sim. - confirmou.
Ela sorriu e abriu sua bolsa para pegar a carta que havia escrito para ele, porém, ao pega-la, o envelope do exame de gravidez saiu junto e acabou caindo no chão. Antes que pudesse pensar em se abaixar para pega-lo, Sra. Potter já estava com o envelope na mão.
- Exames, querida? Está tudo bem? - Ela perguntou, estendendo-o para que pegasse.
Ela o fez e o guardou na bolsa imediatamente, respirando aliviada em seguida.
- Exames de rotina, só. - disse, abanando o ar com a mão.
A mais velha permaneceu em silêncio, analisando para ver se captava alguma mentira. E então, ergueu as sobrancelhas em compreensão.
- Oh! - Abby comentou, levando as mãos a boca. - Você está grávida!
arregalou os olhos.
- O quê? Não! - Negou imediatamente, dando alguns passos para trás. - Claro que não.
- ... - Sra. Potter disse. - Eu sabia que havia algo diferente em você. Como não notei antes?
- Abby, eu não... - Ela começou, mas a senhora levantou a mão e pediu que ela parasse de falar.
- Você não vai contar a ele? - Ela questionou, estreitando os olhos.
soltou o ar pela boca, suspirando pesadamente. Ela balançou a cabeça em negação.
- Eu pretendia, foi por isso que vim aqui hoje. - disse, mordendo o lábio em seguida. - Eu ia contar a ele e também dizer que estou indo embora.
- Indo embora? Não, . Como assim? - Abby questionou.
- Eu tenho uma casa que meus pais deixaram pra mim quando faleceram. Fica no litoral, há algumas horas daqui. - deu de ombros. - Vai ser bom pra mim mudar de ares e ótimo pra essa criança crescer por lá.
- Você não pode esconder esse filho dele, querida... Não pode! - Abby disse, balançando a cabeça, indignada.
- Posso, posso sim. E a senhora não vai contar. - disse e a senhora abriu a boca para protestar, mas não conseguiu. - Não. É uma decisão minha. Você não tem direito de fazer isso, Abby.
Sra. Potter abaixou os ombros e suspirou, concordando com a cabeça em seguida.
- Tudo bem. Espero que saiba o que está fazendo. - Ela disse, aproximando-se de . A mais nova sorriu. - Se cuide, sim? E cuide desse bebê.
- Pode deixar. Muito obrigada por tudo, sempre. - disse, abraçando-a brevemente. - Só preciso de um último favor. A senhora pode entregar essa carta pra ele, por favor?
- Com certeza, querida. - Abby disse e pegou a carta que estendia para ela.
As duas deram um último abraço e então se afastaram. deu alguns passos e desceu as escadas, afastando-se da casa.
- Tchau, Sra. Potter. - virou-se e sorriu brevemente, acenando para ela.

No one could take your place
It gets harder every day
Say you love me more than you did before


não via a hora de chegar em casa. Essa viagem tinha acabado com ele. Seus amigos, ao ficarem sabendo que havia posto um fim no relacionamento dos dois, planejaram uma viagem só de homens para dali a alguns dias. Afinal, eles sabiam que, apesar de não demonstrar, era maluco por ela. fora seu relacionamento mais duradouro e seria péssimo se ficasse sozinho. Portanto, ele não teve muito tempo de pensar ou sentir qualquer coisa que fosse. Quer dizer, teve. Mas não o fez. Pois se manteve ocupado, e o pouco tempo que ficava sozinho, acabava por dormir, pois estava muito cansado. Já faziam três semanas, sim. Mas ele tinha trabalhado tanto que mal se deu conta de que os dias haviam se passado. E quando percebeu, seus amigos estavam na frente da sua casa, prontos para a viagem.
Se sentia falta dela? Sim. Se ele se arrependia de ter ficado quieto enquanto ela chorava e expunha seus motivos para terminar com ele? Muito. Se gostaria de ter dito que a amava? Com certeza. Todos os dias ele se perguntava qual seria a novidade que ela tinha para lhe contar naquela fatídica noite. Sra. Potter, sua vizinha com quem havia conversado sobre o término, sugeriu que provavelmente era algo sobre o trabalho, como uma promoção ou algo do gênero, mas ele duvidava. Sabia que não, pois odiava seu trabalho e dificilmente ficaria feliz com alguma notícia vinda daquele lugar.
Naquela noite, quando chegou na casa dela e viu a mesa de jantar posta para dois que ela havia arrumado, soube que havia pisado feio na bola. E ele sabia também que não havia sido a primeira vez nos últimos tempos. Por isso, quando anunciou que queria terminar o relacionamento deles, não foi exatamente uma surpresa para ele. Mas por que, então, que não reagiu? Por que ele não fez algo? Por que não a impediu? Por que ele não foi atrás dela, se a amava? Ele se perguntou isso durante vários dias. As respostas, contudo, só vieram durante a viagem que fizera com os amigos.
Ao sair com eles para um bar durante uma das noites em que estavam viajando, ele não tinha olhos para nenhuma mulher. Pelo contrário, em todas, ele tentou enxergar . Mas não conseguiu encontrar nenhuma que fosse meramente semelhante a ela. Fosse psicológica ou fisicamente. não saía de sua mente, porque já estava em seu coração. Ele a amava, e a amava muito! Só demorou a perceber isso, infelizmente.
estava acostumado a viver sozinho. Amor? Ele não sabia o significado dessa palavra, não conhecia o sentimento. Durante toda a sua vida, nunca teve ninguém. Não sabia quem eram seus pais - e nem tinha vontade -, já que tinha vivido em um orfanato até seus dezoito anos. Quando saiu, foi atrás de construir sua vida. Arranjou um trabalho e conseguiu pagar uma faculdade. Alugou uma casa e vinha conseguindo se manter muito bem com o salário que ganhava.
Quando ele e começaram a se relacionar, foi difícil. Ele demorou a se permitir sentir algo por ela, mesmo que não fosse amor, no início. Ela o encantou como nenhuma antes tinha feito. Os quase dois anos que ficaram juntos foram os mais felizes da vida de , e provavelmente de também. E agora ele precisava ir até ela, dizer que a ama de uma vez por todas. Afinal, antes tarde do que nunca, não é mesmo?
Finalmente ele estacionou seu carro em frente a sua casa. Quando desceu, foi até o porta-malas e tirou sua mochila, trancando o carro em seguida. Deu alguns passos até a porta e, quando estava colocando a chave na fechadura para entrar em casa, Sra. Potter apareceu, chamando-o.

And I'm sorry it's this way
But I'm coming home
I'll be coming home
And if you ask me I will stay
I will stay


- ! Querido! - Ela disse um pouco alto assim que se aproximou dele, abraçando-o rapidamente.
- Sra. Potter. O que foi? Está tudo bem? - Ele perguntou, estranhando a pressa da mulher.
- Abby, querido. - Ela corrigiu e abriu um sorriso para ele. - Está tudo bem, sim.
- Achei que tivesse acontecido algo, a senhora parece ansiosa. - respondeu assim que abriu a porta de casa e fez um gesto com a mão para que ela entrasse. - Fique à vontade.
- Obrigada, . - Sra. Potter agradeceu e passou por ele, entrando em casa. - Eu tive uma conversa muito interessante ontem.
soltou sua mochila no chão e virou-se para ela, curioso.
- Com quem? - Ele perguntou, sentando-se no sofá e encostando sua cabeça no encosto, olhando para o teto. Ela se aproximou e sentou ao lado dele.
- Com . - Abby respondeu, fazendo se virar para ela imediatamente.
- Onde? Como? Ela está bem? - Disparou a perguntar, fazendo a senhora rir e balançar a cabeça, confirmando.
- Ela veio até aqui procura-lo. - Sra. Potter respondeu calmamente, divertindo-se com a afobação dele.
- Me procurar? Pra quê? Ela disse? Será que aconteceu alguma coisa? - perguntou novamente, falando sem parar.
Abby riu e colocou as mãos nos ombros dele, acalmando-o.
- Calma, querido. Não aconteceu nada, só conversamos. - Ela tranquilizou-o e ele soltou o ar pela boca, aliviado. - Ela deixou algo pra você.
franziu o cenho em questionamento e Abby tirou a carta de de dentro de seu casaco. Ela mal havia estendido a carta e ele já puxou de sua mão, fazendo-a rir novamente.
- Leia com calma, está bem? - Abby pediu, levantando-se do sofá. assentiu para ela e se levantou também, os dois andando até a porta em seguida.
- Obrigado. - Ele agradeceu e a senhora abriu os braços, chamando-o para um abraço, o qual ele respondeu no mesmo momento.
- Sei que você a ama, está escrito em seus olhos. - Abby disse assim que quebraram o abraço. - Vá atrás dela.
Ele se limitou a sorrir para ela e fechou a porta assim que ela saiu. Voltou seu olhar para o envelope em suas mãos e, depois de encará-lo por alguns segundos, abriu-o com certa pressa. Assim que reconheceu a caligrafia delicada de , seu coração deu um pulo.

,

Se você está lendo esta carta, é porque infelizmente eu não te encontrei para conversarmos pessoalmente. Sei que seria melhor, mas eu não podia esperar. Eu certamente não vou conseguir escrever aqui tudo que eu queria te falar, mas prometo tentar.
Foi muito difícil para mim ter que abrir mão do nosso relacionamento, porque eu te amo. E sei que você sabe disso. Você me fez muito feliz, . Mas infelizmente faltavam algumas coisas, que já mencionei a você mais de uma vez. Nunca te pedi para me dar presentes caros. Não era isso que eu queria, ainda não é e nunca será. Eu só pedi por gestos carinhosos, surpresas, alguns mimos pequenos no dia-a-dia, um "eu te amo", talvez? Não acho que você entenda o quão doloroso é amar sozinha em um relacionamento, já que foi o seu primeiro. E a verdade é que eu amei por nós dois, .
Talvez você tenha essa dificuldade em amar por conta de toda sua trajetória - e eu não o culpo, quero deixar isso claro! Pelo contrário, sua determinação e força para construir sua vida me fazem ter muita admiração por ti, e posso dizer que você é, para mim, um dos homens mais fortes que conheço. Eu te agradeço, sim, e muito, por todos os nossos momentos juntos e por tudo que passamos. Cresci e aprendi muito com você. Muito obrigada por tudo.
Agora você já deve ter percebido que essa carta tem um "quê" de despedida, não é? Bom, eu estou indo embora. Não sei se é para sempre, não posso afirmar isso - não sabemos de nada sobre o futuro, não é mesmo? Coloquei meu apartamento para alugar e me demiti do meu emprego. Estou muito aliviada, confesso, você sabe como eu odiava aquele lugar.
Acho que consegui escrever quase tudo que eu queria te falar. Espero que você esteja bem e que fique sempre assim.
Ah! Para onde estou indo? Prefiro não dizer, por hora. Se você realmente quiser, saberá onde me encontrar. Caso contrário, saiba que não guardo e não guardarei mágoa alguma sua. Em meu coração, só há espaço para amor quando se trata de você. E tenho certeza que você estará sempre presente em minha vida, perto ou longe.

Um beijo com muito amor,
.”


Quando terminou de ler, teve que se sentar. Só percebeu que havia chorado quando uma lágrima pingou no papel que segurava. E foi só então que notou outras manchas deixadas por lágrimas que só poderiam ser de . Como assim ela tinha ido embora? Justo agora que ele conseguiu entender tudo que sentia por ela? Ele a amava, por Deus!
Ele deixou seu corpo cair para trás no sofá, esparramando-se, segurando a carta perto de seu peito. O que faria? Ela deixou claro que se ele quiser, poderá encontra-la. O que significa que provavelmente ela tem esperanças de que ele vá atrás dela. Será que ela já havia ido?
Levantou-se apressado, colocando seu casaco de qualquer jeito e saindo de casa sem nem trancar a porta, indo direto até seu carro. Destrancou-o e entrou, colocando o cinto e dando partida rapidamente. Em menos de cinco minutos, estava estacionando em frente ao prédio de . Assim que desceu e andou até a portaria, porém, o porteiro o impediu de entrar.
- Sr. ! - Ele cumprimentou, saindo de dentro da guarita.
- Boa noite, Tony. - disse. - está em casa? - Questionou, sem perder a esperança.
- Sinto muito, senhor. Ela foi embora ontem a noite. - Respondeu Tony, fazendo uma careta ao ver a expressão derrotada que tomou conta do rosto de .
- Obrigado, Tony. - Ele disse simplesmente, virando-se e voltando para o seu carro.
Assim que fechou a porta do carro, em um gesto frustrado, socou o volante várias vezes seguidas. Quando parou, encostou sua testa no volante e soltou o ar pela boca, bufando longamente.
- Merda! - Exclamou um pouco alto. - Mas que merda. Merda, merda, merda... - Repetiu, bagunçando os cabelos. - Burro, você é um burro, ! - Xingou-se, revoltado.
Respirou fundo algumas vezes e, quando finalmente voltou seu olhar para frente, enxergou algo que o fez reaver as esperanças. Escapando pela lateral do porta-luvas do carro, estava uma fotografia que fora tirada na casa de praia dos pais de . A primeira viagem dos dois juntos. Ela queria que conhecesse mais de seu passado, e levou-o até lá. A casa onde ela cresceu guardava muitas lembranças felizes, e ele tinha certeza de que ela havia se mudado para lá.

Well I try to live without you
But tears fall from my eyes
I'm alone and I feel empty
God, I'm torn apart inside


Estava quase anoitecendo quando desligou o fogo e tirou a leiteira do fogão, despejando o chocolate quente em uma caneca grande demais para ela. Pegou a caneca, saiu da cozinha e pendurou um cobertor enorme em seus ombros. Saiu de casa e desceu as escadas da varanda, sorrindo ao pisar na areia. Antes de começar a andar, desbloqueou seu celular, decidida a ouvir alguma música. Procurou por alguma que lhe chamasse atenção dentre as centenas que tinha, mas não encontrou nenhuma especial, optando por deixar no modo aleatório. Assim que um som animado começou a sair de seu celular, deu alguns passos, envolta em seu cobertor enquanto segurava sua caneca de chocolate quente em mãos para esquentá-las. Enquanto andava observando o mar a sua frente, permitiu que seu pensamento voasse para os últimos dias.
Era o terceiro dia em sua nova não tão nova casa. Ela já tinha arrumado e limpado tudo. Desempacotou toda a sua mudança, tirou tudo que tinha encaixotado, desfez suas malas e limpou cada cômodo, armário e prateleira da casa. Não fazia tanto tempo que tinha ido ali, mas como aquela casa agora seria seu lar, era bom que estivesse limpa, do jeito que ela gostava. Pensando nisso, mudou alguns móveis de lugar e arrumou o quarto principal, que agora seria dela. Seu quarto antigo, porém, permaneceu vazio, até que resolvesse enche-lo de mobílias infantis para o bebê que nasceria em alguns meses.
Ela tentou ao máximo não pensar nos últimos acontecimentos. O fato de ter arrumado e limpado a casa inteira ajudou, sim, e muito. Porém, era a noite, quando deitava em sua cama para dormir, que a realidade fazia questão de bater em sua porta. era forçada a lembrar de e lidar com o fato de que estava esperando um bebê dele. No fundo, ela realmente esperava que ele viesse atrás dela, mas suas esperanças eram pequenas. E, mesmo assim, ela temia pela reação dele quando descobrisse que estava grávida. Com certeza não pretendia esconder o filho ou filha pelo resto da vida, não. Ela só precisava de um tempo para lidar com isso. Com certeza adoraria ser pai, mas não agora. Ele mesmo já havia dito algo sobre isso, enquanto conversavam sobre o futuro dos dois.
Quando se aproximou de umas pedras que haviam na areia, resolveu se sentar. Colocou seu cobertor sobre a areia e encostado na pedra, de maneira que ainda poderia se cobrir. Se sentou, deu um longo gole em seu chocolate quente e deixou a caneca de lado, junto com seu celular, deitando a cabeça para trás, apoiando-se na pedra. Elevou seu olhar, permitindo-se observar o céu, que agora já estava mais escuro e extremamente estrelado.

I look up at the stars
Hoping you're doing the same
And somehow I feel closer
And I can hear you say


A música que agora tocava em seu celular era calma, diferente da anterior. Uma de suas preferidas: Stay, da Miley Cyrus. Parecia propícia para o momento, e quando começou a prestar atenção na letra, viu que haviam muitas coisas semelhantes com o que vinha passando. Ela fechou os olhos, perguntando-se o que estaria fazendo nesse momento. Será que já havia voltado de viagem e recebido sua carta? E Sra. Potter, conseguira manter sua boca fechada? Ela esperava que sim. A última coisa que queria era que tivesse motivos para odiá-la...
- Oh, ho… I miss you… - Cantarolou baixinho, ainda de olhos fechados. - Oh, ho…
- I need you. - Ouviu uma voz masculina completar e abriu os olhos, assustada.
Quando olhou para cima, teve que se esforçar para reagir de alguma maneira. estava parado ao seu lado, completamente lindo. Usava um suéter por baixo de um casaco cinza e suas mãos estavam nos bolsos frontais de sua calça. Seu cabelo perfeitamente penteado e seus olhos castanhos encaravam-na com extrema intensidade.
- O que você está fazendo aqui? - perguntou alguns segundos depois, quebrando o silêncio.
abriu um sorriso de lado, ao mesmo tempo que levantou, mantendo-se enrolada em seu cobertor.
- Por que não estou surpreso por você estar aqui fora, na areia, com um cobertor? - Ele perguntou, fazendo-a sorrir de leve. - Eu li sua carta, sabe... - Comentou, dando dois passos em direção a ela, parando em sua frente. mordeu seu lábio inferior, mantendo seu olhar fixo ao dele. - E tive que vir até aqui para respondê-la.
ajeitou sua postura, enrolou-se mais em seu cobertor - como se isso fosse possível - e permaneceu em silêncio, atenta a toda e qualquer palavra que viria a sair da boca de . Ele, por sua vez, deu um pigarro baixo e começou a declamar:
- , essas quase três semanas que passamos longe um do outro foram muito esclarecedoras pra mim. - Disse, fazendo uma pausa ao ver a careta de confusão que fez. - Tem algumas coisas que eu preciso te explicar.
"Sim, os motivos por trás de eu ter tido tanta dificuldade em me permitir te amar estão relacionados ao meu passado. O fato de eu esquecer algumas datas não era porque você não era importante pra mim, mas sim porque a vida toda eu fui sozinho, então, não aprendi direito como agir em datas especiais. Todos os meus aniversários, até os meus dezoito anos, foram comemorados sozinhos. O pessoal do orfanato, muitas vezes, nem me dava um abraço. Claro que, mesmo você me pedindo, eu não me esforcei pra mudar. E pra isso eu não tenho desculpa, nem explicação. Realmente fui um babaca, admito. Semana passada eu fui viajar com os meninos..."
abaixou os ombros, franzindo a testa por um momento ao observar a expressão de .
- Eu sei, eu vi algumas fotos. - Ela disse, abrindo um pequeno sorriso irônico, o qual ele retribuiu sorrindo verdadeiramente.
- Semana passada eu fui viajar com os meninos e foi essa viagem que me fez perceber. - Repetiu, dando outro passo na direção dela, que nem se mexeu.
- Perceber o quê? - questionou, erguendo as sobrancelhas.
- Que eu te amo, , que eu te amo faz tempo! - exclamou, um pouco alto e ela mordeu seu lábio inferior, contendo algumas lágrimas. - Eu fui tão burro, fui tão cego... Em todas os bares e boates que fomos durante a viagem, eu procurei encontrar você. Não queria nenhuma mulher que não fosse você. Em todas elas eu procurava alguma característica sua, e nenhuma era boa o suficiente, porque nenhuma delas era você. E foi aí que eu entendi.

I never want to lose you
And if I had to, I would choose you
You're the one that I hold on to
Cause my heart would stop without you


Ele se aproximou dela e colocou as duas mãos em seu rosto, uma de cada lado. Desviou seu olhar rapidamente para os lábios de e então voltou a olhar em seus olhos.
- Eu entendi que não adiantava eu te procurar, porque eu já havia te encontrado. Eu entendi que você não saía de minha mente, porque já estava em meu coração. Eu entendi, , que eu te amo, que eu já te amava há algum tempo, só não tinha conseguido entender esse sentimento ainda. - Ele fez uma pausa, passando seu polegar pela bochecha dela, secando algumas lágrimas. - E agora que eu entendi, , eu torço pra que você me perdoe. Isso que nós temos, o amor - que eu aprendi com você, aliás - é algo que eu quero pro resto da minha vida, mas tem que ser contigo. Eu te amo. Você me perdoa?
permaneceu com seu olhar fixo no de , esperando qualquer reação da parte dela. , por sua vez, levou suas mãos até os punhos de e afastou as mãos dele de seu rosto.
- Eu já te perdoei antes mesmo de você terminar de falar. - Ela disse, sorrindo para ele. - Eu também te amo, muito... Aliás, nós te amamos muito. - Finalizou, descendo as mãos para sua barriga.
Ele seguiu os movimentos com o olhar e levantou o rosto novamente para , com uma expressão confusa. Voltou seu olhar para a barriga de e depois para o rosto dela, repetidas vezes, até que ele finalmente pareceu entender o que estava acontecendo.
- Eu vou ser pai? Nós vamos ter um bebê? - Ele questionou, a emoção transparecendo em seus olhos.
limitou-se a balançar a cabeça, assentindo freneticamente. gargalhou e abraçou-a pela cintura, derrubando o cobertor que cobria seu corpo.
- Ah, meu Deus! Eu te amo, eu te amo, caramba! Como é bom dizer isso em voz alta! - Exclamou emocionado, enquanto girava no ar, fazendo-a rir.
Alguns segundos depois, ele colocou-a de volta na areia e franziu a testa, pensativo. cruzou os braços ao redor de seu corpo para se esquentar, e mordeu seu lábio inferior, já imaginando qual seria a próxima pergunta.
- Desde quando você sabe disso? - Ele perguntou, sua expressão séria.
- Quase um mês. - respondeu.
ergueu as sobrancelhas em surpresa e aproximou-se dela novamente.
- Você ia esconder de mim? - Questionou, sua voz saindo baixa.
mordeu o lábio e olhou para baixo, suspirando. não deixaria isso passar, era óbvio. Ela não pretendia esconder a criança dele para o resto da vida, claro que não. Só não queria contar agora, caso ficassem separados. Mas, agora que as coisas estavam se resolvendo, não tinha porque esconder. Como fazer ele entender isso?
- ... - Ela começou, levando sua mão até a dele e entrelaçando seus dedos. - Eu não ia esconder. Eu juro. - Prometeu, seus olhos já cheios de lágrimas. - Eu só não sabia o que fazer agora que não estávamos mais juntos. Entenda, você não me amava... Eu fiquei assustada.
Ele respirou fundo algumas vezes e, por fim, balançou a cabeça afirmativamente.
- Tudo bem. Acho que consigo entender... Mas nós vamos conversar mais sobre isso depois, certo? - disse, puxando pela cintura, grudando os corpos dos dois. - Agora eu só quero ficar com a mulher que eu amo, porque senti saudades.
abriu um sorriso imenso e passou os braços ao redor do pescoço de , grudando seus lábios nos dele imediatamente. Assim que suas bocas se encostaram, o mundo sumiu ao redor dos dois. Foi como se nunca tivessem passado esse tempo separados. Tudo estava como deveria ser, os dois estavam onde deveriam ficar: juntos.

And if you ask, I will stay
I will stay
I will stay



FIM



Nota da autora: Eu tô muito orgulhosa dessa fic, caramba! Amei ela do início ao fim. E espero que vocês também tenham gostado!
Obrigada a cada uma que leu. <3
Beijos!


   
   

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