Fanfic Postada em: 28/03/2021

UM


O professor de geografia insiste que aprender sobre planícies é o que vai garantir o futuro de seus alunos, mas é claro que não é o que acha e não é o que ela quer, ela quer pular direto para a hora de ir embora daquela tortura diária, chamada escola. está no auge dos seus dezessete anos e mesmo assim, ainda vive naquele looping infinito de casa para escola e da escola para casa. A única vez em que teve uma folga da sua vida monótona e sem graça, foi na semana anterior, onde ela fugiu de sua casa e foi para uma festa de sua melhor amiga. As festas de Melanie são inesquecíveis, mas não gosta muito delas e também ela nem pode ir, uma vez que seus pais a mantém em rédea firme. Naquela festa, ela o conheceu, um garoto de cabelos desarrumados e que andava com um skate embaixo do braço. A tatuagem no pescoço chamou sua atenção no momento em que ela pôs os olhos nele, mas o que mais chamou sua atenção foi que ele tinha um sorriso triste nos lábios e o sorriso de alguém que esconde muita tristeza.

nunca se relacionou com garotos, ela nunca teve muito interesse nisso, ela quer ficar longe de emoções fortes e relacionamentos, pois, sabe que no momento em que beijar algum garoto, terá seu coração partido. E foi bem isso que aconteceu, quando beijou naquela festa, logo depois ele partiu e a deixou sozinha, sem nem ao menos se despedir. Ele sumira de sua vida, deixando apenas as lembranças de uma festa que ela jamais pensou que poderia lhe trazer tantas emoções assim. se apaixonou no seu primeiro beijo, mas o seu coração fora partido pelo garoto de tatuagem no pescoço, então desde aquela festa ela fechou o seu coração para o amor.

Pretendendo deixar ele assim para sempre, ela segue sua vida, sempre focando nos estudos enquanto tenta esquecer que o garoto que partiu seu coração, agora está ali, sentando a duas carteiras de distância da sua. O sinal toca e anuncia que mais um dia de tortura acabou, os alunos são liberados e como é sexta feira, provavelmente todos irão a velha fábrica abandonada, para começarem as festas de final de semana. Claro que para isso não é uma possibilidade, ela tem que ir direto para casa, ajudar sua mãe a fazer cookies para receber suas tias que vem para o aniversário do seu pai. odeia que a tratem como se ainda fosse uma criança, indefesa e intocada, ela só quer um pouco de paz, pelo menos por um dia de sua vida, ela quer decidir por si própria. Ela arruma sua mochila e segue pelos corredores da escola, indo em direção ao carro de sua mãe que já está estacionado, no mesmo lugar de sempre. passa pela enorme porta da escola, quando sente alguém segurar seu braço e no mesmo instante ela vira-se, encontrando a bendita tatuagem que ela jurou ter esquecido.

— Oi. — A voz dele soa como música em seus ouvidos.
— Olá, . — Ela responde sem o mínimo de empolgação.
— Posso saber porque você me encarou tanto durante a aula? — Um sorriso irônico se forma nos lábios perfeitos dele.
— Impressão sua, nem percebi sua presença. — balança os ombros e desvia o olhar.
— Eu vi que você ficou me encarando, não só naquela aula, mas em todas as outras. — levanta o dedo e toca o nariz dela.
— Pode ser, até pode ser que eu tenha encarado sim, mas e daí? — Ela gira a cabeça para o lado.
— Eu gosto de ter você me encarando. — Ela escuta a voz dele, bem próxima ao seu ouvido.
— Isso não vai se repetir, pode ter certeza. — Ela balbucia e vira o rosto, encontrando o dele, bem próximo.
— Posso perguntar porque você não me ligou, depois daquela festa? — Ele pergunta.
— Quem sumiu da festa foi você, . Quem tinha que me ligar era você, mas como você sumiu, eu achei melhor esquecer. — Ela sacode os ombros outra vez.
— Eu precisei ir embora, mas eu pensei que ia ter pelo menos uma mensagem sua, eu fiquei esperando por vários dias. — Ele confessa, olhando para as mãos dela.
— Pensou errado, . Agora me deixa, preciso ir.
— O nosso beijo foi tão ruim assim pra você? — Ele a questiona, pegando sua mão.
— Não, mas acontece que eu cometi alguns erros naquele verão e um deles foi você. — responde e em seguida se vira pra ir embora.
— Eu não sou nenhum erro, saiba disso. — É tudo que ela ouve, antes de sair correndo e entrar no carro de sua mãe.

segue o caminho para casa em total silêncio, não quer responder as perguntas de sua mãe insistente, então ela opta por se manter calada durante o trajeto. O carro de sua mãe vira em mais uma esquina e logo as duas chegam a casa amarela de frente para rua, no meio da quadra. segue para dentro de casa ainda em silêncio, ela sabe que a partir do momento em que falar qualquer coisa, sua mãe vai lhe encher de perguntas sobre o tal garoto que ela conversava na saída da escola e sabe que a mãe vai encher o seu saco por estar conversando com garotos. Ela sobe para o seu quarto, larga a mochila na poltrona e se joga na cama, totalmente cansada da vida regrada e chata que seus pais a submetem. Por um instante, ela vira a cabeça e seus olhos encontram o porta—retratos com a foto de seu irmão mais velho, o qual lhe foi tirado quando ela era ainda muito nova. suspira triste enquanto encara o teto branco de seu quarto. Ela se levanta e caminha até a sua coleção de Cds, que lhe foi dada de presente por seu irmão, dentre todos ela escolhe o American Idiot, álbum da banda Green Day. coloca o Cd para tocar na faixa favorita do seu irmão, intitulada de Extraordinary Girl. dança de um lado a outro no seu quarto, no exato momento em que ouve seus pais iniciarem mais uma discussão de final de semana. Aumentando o volume no último, ela se joga em seu mundo particular e pensa nele, que nesse exato momento deve estar com seus amigos na fábrica abandonada, curtindo a vida como um adolescente normal. Então, enquanto ouve a música favorita de seu irmão, ela toma a decisão mais arriscada de sua vida: fugir de casa para encontrar e os seus amigos.


DOIS


consegue fugir, enquanto seus pais aumentam o tom da discussão, ela desce pela enorme trepadeira que tem embaixo de sua janela. Com a mochila nas costas, ela segue o caminho de trás de sua casa, em direção a velha fábrica abandonada. O pôr do sol que se anuncia no céu, a deixa mais corajosa para levar a diante seu plano maluco de fugir de casa. Enquanto caminha até onde seus amigos estão, ela repassa toda sua vida, pensa em como seria se o seu irmão mais velho ainda estivesse com ela, pensa em como ele teria orgulho de toda a coragem que ela tem em viver a sua vida, indo contra todos os pensamentos rígidos de seus pais. sente o celular vibrar em seu rosto e antes de virar na rua que leva ao seu destino, ela abre a mensagem e sorri.

"eu sabia que você viria me encontrar. aliás, você é tão linda. beijos, "

rola os olhos e guarda o celular em seu bolso. Ela ergue o rosto e o encontra, parado ele a encara do alto da colina que leva a velha fábrica de papel abandonada. Ignorando completamente o fato de que ele sumiu e agora apareceu como se nada tivesse acontecido entre eles, ela segue pela parte lateral até onde Melanie está com o seu namorado, a esperando. suspira assim que encontra Melanie já agarrada com o menino que ela namora tem um tempo, os dois estavam no maior amasso quando ela os encontra então, se sente completamente deslocada. Ao fundo, um certo grupo de garotas a encara como se ela fosse uma alienígena naquele lugar. ajeita a mochila nos ombros e volta sua atenção a Melanie, que expressa com os olhos uma alegria enorme em ter sua melhor amiga se divertindo em uma sexta-feira.

— Olha só, a princesinha de cristal, resolveu aparecer. — Um garoto alto e loiro fala, enquanto está abraçado com uma daquelas meninas.
— Eu odeio que me chamem assim, . Eu não sou nenhuma princesa. — Ela frisa o nome do menino, demonstrando que ela o conhece.
— Ah, não é? Você nunca aparece em nenhum dos nossos rolês aqui, você vive em sua torre de princesinha, intocada e evitando se misturar conosco, simples mortais. — O garoto balança a cabeça e olha direto para ela.
— Deixa ela em paz, . Vai procurar sua turma. — escuta a voz de no meio daquela conversa sem sentido.
— Eu não preciso que me defendam, . — o encara, enquanto rola os olhos e sai do lugar com a menina pendurada em seus ombros.
— Vem, vamos conversar, por favor? — pede, enquanto olha em seus olhos.
— Não sei se é uma boa ideia... — percorre o lugar e não acha Melanie. — Tá bom, vamos. — Ela concorda, enquanto pega sua mão e os dois caminham para uma pequena colina que tem ao lado de fora.

precisa conversar com alguém antes que seu coração exploda, ele sente que se não falar nada para ninguém, sua vida não terá mais sentido. Quando ele chegou na cidade, ele tinha sido transferido de sua última escola por vender drogas e agora aquela cidade, se tornou sua chance de se formar na escola e garantir um futuro para ele e sua família. O que não conseguiu adivinhar, é que ele ia se encontrar com aquela garota tão maravilhosa e tão diferente dele, mas que isso daria a ele uma nova vontade de viver. Em muitos momentos, pensou em desistir, achando que não valia a pena tentar, mas desde que seus olhos encontraram , ele sentiu que precisava conhecê-la.

— O que você quer conversar? — pergunta.
— Quero te contar minha história, . — senta-se ao lado dela e olha para frente.
— Porque? — Ela o questiona.
— Porque eu preciso contar a você e porque eu preciso de você, enquanto ainda tenho tempo. — pega sua mão e suspira.
— Você tá me assustando, . — diz, sentindo algo apertar seu peito.
— Antes de tudo, eu não tenho numa doença e não vou morrer, não. Acontece que, a qualquer momento eu posso ir embora e eu quero aproveitar meu tempo aqui, com você. — sorri e coloca uma mecha de seu cabelo, atrás da orelha.
— Eu sinto que você vai me magoar de uma maneira absurda, mas eu estou pronta para arriscar. — sorri e os dois se olham no mesmo instante.
— Você pode cometer o mesmo erro outra vez, . Alguns erros merecem ser cometidos. — A voz de ecoa desafiadora.
— Você vai me contar sua história ou não vai? Estou ouvindo! — diz, colocando a mão no ouvido.

Os dois se ajeitam por ali mesmo, abrem uma garrafa de vinho e começam a conversa mais importante de suas vidas. É um desafio para contar sua história para alguém, mas com , ele se sente mais a vontade e sabe que pode confiar. Horas de conversa e os dois sentem que se conhecem de uma outra vida. Duas pessoas tão diferentes, mas tão únicas e que se encontraram um no outro. ouve cada parte da história de vida de , que por sinal é uma história bem triste e ao mesmo tempo, inspiradora. é filho único de pais separados, até aí tudo bem, pois, a maioria dos amigos dela eram filhos de pais separados, mas o ponto chave da história dele, é que aos seis anos de idade, a casa dele pegou fogo e aquele acidente matou sua mãe. Hoje ele vive sob a tutela do estado, sempre indo de um lugar para outro, nunca fincando raízes em um único lugar. A história de é triste e sente uma pontada em seu peito, quando o mesmo diz que ele já tentou cometer suicídio, logo após a morte de sua mãe. confessa a ela, que muitas vezes sente que não vale a pena viver. percebe que ele precisa de alguém e naquele momento, ela decide que ela será o seu alguém, uma vez que conhece bem a dor de perder alguém que ama.

TRÊS


Uma semana, uma semana que está de castigo desde que decidiu realizar a grande fuga, naquela noite de sexta-feira. Quando ela voltou para casa, seu pai estava a esperando e no exato momento que ela colocou os pés em casa, seu castigo veio como um flash de luz. Ela foi obrigada a ficar em casa, todos os dias daquela semana, perdendo dias de aula e tudo isso, por que seus pais não conseguem entender que tudo que ela quer, é viver a sua adolescência como uma menina normal. em breve iria para a faculdade e isso é o que acalma seu coração, uma vez que na faculdade, seus pais não vão poder controlar sua vida. Em seu quarto, mergulha novamente nos cds que ganhou do seu irmão, pois, aquela é a única coisa que a deixa feliz e que a permite ser ela mesma. fica preocupada por estar perdendo tantas aulas e pensa em todo o conteúdo perdido, aquilo será importante para sua entrada na faculdade. Ela sabe que mesmo que não goste da escola, aquilo é importante para o seu futuro.

A garota está dançando em frente ao espelho, quando o som de uma pedra na janela, chama sua atenção. Imediatamente, veste uma blusa e caminha até a janela, lá de cima, ela vê a figura de , parado ao lado da caixa de correio. A garota sorri boba, jamais imaginou que ele pudesse aparecer assim em sua casa, ela estava há uma semana sem aparecer na escola, mas não achou que tivessem notado sua ausência. Pelo jeito, o garoto percebeu que ela não tinha aparecido por uma semana inteira e agora ele está ali, esperando ela abrir a sua janela e sair ao seu encontro. A garota sorri e com os dedos, orienta a subir sua janela, o garoto balança a cabeça e em seguida, sobe pela cerca viva para encontrá-la. abre a janela e em segundos, ele pula para dentro de seu quarto.

— Realmente, o tinha uma certa razão, quando disse que você era uma princesinha! — exclama, assim que pula para dentro do quarto.
— Eu não sou nenhuma princesa, eu já disse que odeio esse rótulo que me deram. — vira o rosto e cruza os braços.
— Calma, desculpa, eu não disse por mal. É que eu me senti um príncipe enquanto subia aqui, me senti praticamente o Romeu da Julieta. — brinca e a abraça por trás.
— Eu posso ser a Julieta, gosto dela, mas sem o final trágico, por favor. — sussurra ao sentir os braços de envolta de seu corpo.
— Tudo bem, minha Julieta. — Ele sussurra e beija a curva de seu ombro.
— Não esperava que você fosse aparecer aqui. — torce os lábios e ele aperta os braços em volta de seu corpo.
— Você sumiu por uma semana inteira, fiquei preocupado. — confessa, enquanto a vira de frente e encara seu rosto.
— Meus pais, meus pais superprotetores e caretas, me deixaram de castigo. — Ela torceu os lábios e suspira.
— E porquê? — a questiona, erguendo a sobrancelha.
— Por que eu fugi de casa, aquela sexta feira eu fugi daqui para ir na fábrica. — rola os olhos e responde.
— Eles acham o que, que você vai passar a vida toda trancada em casa? — insinua e os dois riem.
— Eu não acho, eu tenho certeza! Eles não me deixam fazer nada, eu odeio isso! — diz e se senta na beira da cama.
— Mas, isso não é verdade, você fugiu uma vez e pode fugir de novo! — senta-se ao lado dela.
— Posso, mas se eu fugir mais uma vez, vou ganhar mais três de castigo. — Ela balança a perna e olha para ele.
— Eles não vêm que isso vai afetar seu desempenho escolar? Eles não podem te afastar da escola assim, isso só vai te prejudicar. — diz e segura a mão da garota.
— Pior que eles sabem, mas eles não ligam pra nada, muito menos pra mim. Eles só querem que eu fique trancada em casa, longe do mundo exterior. Eles não ligam se eu vou me dar mal na escola. — solta os ombros e uma lágrima cai de seus olhos.
— Você é uma menina tão inteligente, tão esperta e decidida. Você merece o mundo todo, . — diz e a garota sorri com o comentário.
— Obrigada por se preocupar comigo, pelo menos alguém liga pra mim. — Ela desabafa e deita a cabeça no ombro do menino.
— Eu vou estar aqui pra você, sempre. Mesmo que eu não esteja, eu estarei aqui. — Ele afaga o cabelo da garota, enquanto sorri.
— Você é puro mistério, mas eu gosto disso! — levanta a cabeça e encara os olhos do garoto.

Os dois ficam abraçados mais algum tempo, os pais de já dormem tem algumas horas, o que permite que eles fiquem tranquilos. Aproveitam o momento e conversam sobre tudo, sobre os seus sonhos e medos, sobre os planos para o futuro. conta sobre o acidente que lhe tirou o seu irmão mais velho, o garoto foi servir no Iraque e uma bomba explodiu, tirando sua vida na hora. Ela conta que o irmão morreu muito novo, nem chegou aos vinte anos e que depois disso, seus pais entraram em um abismo escuro e decidiram que escondendo a filha mais nova em casa, ela estaria protegida de tudo que poderia tirar sua vida. escuta toda a história que conta, sentindo que assim como ele, ela também foi quebrada por dentro e que agora luta para sobreviver no meio a proteção exagerada que seus pais a submetem.

QUATRO


Depois daquele momento em que e compartilharam seus medos, inseguranças e sonhos, a vida de mudou completamente. Ela se vê totalmente apaixonada pelo menino problemático com a tatuagem de tigre no pescoço e aquilo não é nada bom pra ela. é envolvente, esperto, misterioso e determinado, assim como ela. Os dois se encontraram em meio a um furacão de sentimentos e aquilo lhes traz um certo momento de paz, pelo menos quando estão juntos, eles sabem que nada pode os atingir. sabe, no fundo de sua alma, ela sabe que aquele garoto, uma hora ou outra irá partir seu coração, mas há essa altura de sua vida, ela está disposta a correr riscos, pois, se não os cometer agora, talvez não tenha outra chance. Só se tem dezessete anos uma vez e só vive as loucuras do primeiro amor, uma vez na vida. sempre soube, que a partir do momento que ela conheceu , ela teria seu coração partido, aquele sempre fora o seu destino. Mas ela não lutou contra isso, muito pelo contrário, ela se jogou de cabeça naquele sentimento, mesmo sabendo das consequências.

O fim de mais um ano escolar, é anunciado em uma quarta-feira monótona e sem graça, o céu está nublado e as flores nas árvores, tem um tom esquisito de laranja pastel. A última aula do ano letivo é com a professora de biologia, que se despede dos alunos com grande estilo, dando a eles a chance de passarem os últimos minutos de aula, no laboratório, estudando cadeia genética. faz par com Melanie, o que não é nenhum segredo, já que as duas são mais grudados do que chiclete em cabelo. Os amigos de , acham que aquele romance vai destruir a amiga, quando a hora dele ir embora chegar. Nunca foi segredo pra ninguém que vivia sobre a tutela do estado e que em qualquer momento ele poderia ir embora. Mas, , pela primeira vez, tomou as rédeas de sua vida e assumiu o risco de se apaixonar por . Melanie, é a única que apoia as suas decisões, pois, esse é o seu papel como melhor amiga.

Já de volta a sala de aula, a professora resolve iniciar uma conversa mais descontraída, enquanto os orienta sobre como vai ser o futuro deles na faculdade. No final da conversa, ela pega uma enorme pasta, onde estão os trabalhos de conclusão escolar, que foram feitos há uma semana. sente seu corpo todo enrijecer, aquele fora de longe o trabalho mais difícil que ela fez, tendo em vista que ficou vários dias longe da escola. Se aperta na carteira e fixa o olhar em um ponto qualquer, enquanto a professora caminha em sua direção, ela fica em total silêncio. apenas aguarda sua sentença, que provavelmente vem seguida de uma nota C ou D.

— Meus parabéns, ! Seu trabalho de conclusão escolar, foi um dos melhores que eu já recebi em toda minha carreira! — Audrey, a professora de biologia a elogia, enquanto entrega aos alunos os trabalhos recebidos.
— Obrigada, professora! — agradece e pega o seu trabalho em mãos, ela não consegue acreditar que realmente tirou aquela nota A.
— Você é a aluna mais inteligente, mais criativa e dedicada que eu conheço. Você merece essa nota A. — Audrey sorri enquanto volta para sua mesa.
— Além de princesinha é melhor aluna, isso é fascinante! — se inclina sobre a sua cadeira e sussurra em seu ouvido.
— Me deixa, , que saco! — Ela resmunga e o garoto ri.
— Não deixo, eu gosto de implicar com você! — sussurra outra vez e dá um peteleco em sua orelha.
— Eu tenho namorado, sabia? — diz irritada, virando um pouco o rosto.
— Por enquanto, quando ele for embora e te deixar, eu ainda vou estar aqui, princesinha . — sussurra o sobrenome dela e se arrepia toda.

Por sorte, antes que ela possa dizer alguma coisa, o sinal toca e a sala toda se levanta animada, o fim das aulas agora é oficial. Nos corredores, os convites da festa de encerramento do ano letivo, organizada pelo time de basquete da escola, correm de mãos e mãos. Um dos convites chega a Melanie e o namorado Noah, que imediatamente sorriem e olham para , que bate os pés de maneira ansiosa. Naquela manhã, antes mesmo da primeira aula, a inspetora chamou na sala da diretoria e desde então o garoto não voltou mais para as últimas aulas. Ela mandou uma mensagem para ele, mas o garoto apenas respondeu que depois falaria com ela, na festa. já sabe daquela festa, na verdade todos sabem que terá uma festa de encerramento, só não sabiamm quando e nem onde seria, até agora. concorda e diz que vai aparecer naquela festa, mesmo que ainda esteja receosa com o que seus pais possam fazer se descobrirem que a menina foi há uma festa daquelas, uma vez que as festas do time de basquete são agitadas e cheias de coisas ilegais.

só espera que nada tenha acontecido com e espera que ele apareça na festa mais tarde, como a prometeu. A menina está ansiosa para beijá-lo outra vez. Em sua cabeça, traça um discurso para convencer os seus pais de que vai sair e ir em uma festa e novamente, ela espera que nada aconteça e que a impeça de ir aquela festa. Primeiro seus pais e depois o , esse é o seu plano.

CINCO


Depois de muito falar e usar todos os seus argumentos, consegue convencer os seus pais a deixarem ir aquela festa. A menina promete que voltará para casa em um horário razoável e que estará com a Melanie, então seus pais não acham tão ruim deixar a menina se divertir pelo menos um pouco, uma vez que a menina se comportou bem e nunca mais mentiu, ou fugiu de casa. Portanto, os pais de , decidem dar um voto de confiança a filha e deixam a filha ir na festa, mas pedem ou melhor suplicam que a filha fique em segurança, não aceite bebidas de estranhos e não vá a nenhum lugar escuro com ninguém que não conheça. Naquele momento, ela percebe que o cuidado que os pais tem com com ela é porque, ela é a única que ainda não foi tirada deles. Todo aquele cuidado, mesmo que um pouco perturbado, nada mais é que amor. Ela agradece pelo voto de confiança, diz que ama os pais e que vai fazer tudo que os pais lhe pediram.

Quando o relógio marca seis e meia, liga para Melanie e pede para a amiga a encontrar na frente de sua casa em vinte minutos. A menina vasculha o armário atrás de alguma roupa que não a faça parecer uma nerd ou alguém deslocada, então o vestido xadrez azul e vermelho lhe chama a atenção e ela o escolhe, sem pensar duas vezes. O cabelo é preso em duas tranças embutidas, o que deixa seu pescoço a mostra, de uma maneira até bem sexy para uma menina que nunca usa nada além de camiseta e calça. Alguns minutos se encarando no espelho e ela decide que está pronta, no mesmo instante, seu celular vibra e Melanie anuncia que já está esperando a melhor amiga. Antes de sair, manda uma mensagem para e diz que está ansiosa para o encontrar, o mesmo responde logo em seguida e diz que está a esperando na festa. ainda diz que está louco para beijar novamente os lábios de sua menina.

— Nossa, tudo isso é pro ? — Melanie aponta para , assim que a amiga entra no carro.
— Talvez sim, talvez não. Resolvi mudar um pouco, afinal hoje é dia de festa. — pisca e as duas amigas caem na risada.
— E como foi, com seus pais? — Melanie pergunta, enquanto da partida no carro e liga o rádio.
— Eles até que aceitaram bem a ideia de que vou em uma festa, o que é mesmo surpreendente. — sacode os ombros e coloca o cinto de segurança.
— Eu sempre disse que seus pais não tem nada de errado, eles só têm medo de perder a outra filha. — Melanie gira o volante e o carro vira em uma rua.
— Hoje eu sei disso, mas antes era bem difícil, você lembra bem das fases sombrias que a minha família passou. — suspira, enquanto olha para a rua pelo vidro do carro.
— Eu sei muito bem né , sou sua amiga há mais de dez anos. Mas hoje é dia de se divertir, os problemas ficam pra amanhã. — Melanie vira em mais uma esquina.
— Você tem total razão e o que importa, é que eles me deixaram ir na festa. — relaxa os ombros e então o carro de Melanie se aproxima de um enorme portão de fazenda, onde as luzes de néon anunciam o lugar da festa.
— Hoje você vai se divertir bastante, beber bastante e beijar muito aquele gato do Armstrong. — Melanie sorri e estaciona o carro junto aos outros que já estão ali.
— Vê se não bebe muito, você é minha carona pra casa e eu preciso estar em casa às onze e meia. — sorri e pede a amiga, antes das duas saltarem do carro.
, parece que você não me conhece, eu não bebo, você esqueceu? — Melanie sorri e pega a sua bolsa.
— Desculpa, me esqueci do alcoolismo de sua mãe. Desculpa, Mel. — entorta os lábios.
— Não precisa pedir desculpas, agora vamos. — Melanie salta do carro e as duas seguem o caminho até todo mundo.

A fogueira acesa no meio do campo é enorme, tem mesas com comida, bebidas alcoólicas e não alcoólicas, marshmallows e ponche de morango pra todo mundo. A decoração é com o tema "o futuro dos garotos de Hill Valey". Fotos tiradas durante o ano letivo, estão penduradas em cordinhas que contornam o lugar todo. logo avista , que está parado perto a mesa de doces e os dois trocam olhares imediatamente. Ela caminha até , que abre o maior sorriso do mundo ao vê—la assim tão linda.

— Atenção, atenção! — sobe em uma cadeira e sua voz grossa chama a atenção de todos. — Que tal se a gente fizer algo para animar as coisas?
— E aí, , qual a ideia? — Um menino ruivo levanta o copo e pergunta.
— Temos duas opções, verdade ou desafio e beija ou assopra? Qual vocês querem? — levanta as mãos e pergunta.
— Beija ou assopra!!! — O grito é uníssono.
— Então que seja feita a vossa vontade e a verdadeira diversão comece! — diz e seu olhar cai diretamente em .

SEIS


Todos formam uma roda ao lado da fogueira e em segundos, o papelzinho branco começa a rolar de boca em boca. e estão sentados lado a lado, enquanto do outro lado de , uma garota ruiva espera sua vez. O papelzinho começa a circular, alguns beijam e outros assopram, afinal esse é o intuito daquela brincadeira. passa os olhos e em seguida chega sua vez, por sorte do destino, está sentado do seu outro lado e ela não corre o risco de ele querer se engraçar. O garoto que está ao seu lado, assopra o papelzinho, uma vez que o menino parece ser gay. Quando o papelzinho vai passar por ela e , algo acontece e ela assopra, o que não é o que ela quer. segura o papel e na boca da outra menina, o papel cai e dos dois iniciam o maior beijão. Naquele instante, sente o olhar de todos em cima dela, como se ela fosse algum espetáculo de circo. Ela arregala os olhos e encara a cena de beijando a outra garota, enquanto dentro de seu peito, algo se remexe, uma vez que aquele era pra ser o seu momento beijando o namorado e não o momento dele, beijando outra garota. não suporta todos os olhares direcionados para ela e se levanta correndo, fugindo de qualquer um que a olhasse como alguma coitada.

corre o mais longe que consegue enquanto, tenta ignorar todos que a chamam de volta para a brincadeira. Depois de correr, ela para embaixo de uma velha árvore e sente as lágrimas atingirem em cheio seu rosto como uma cachoeira, ela odeia chorar, mas naquele momento, ela chora como se fosse uma criança abandonada. joga a cabeça para trás, respira fundo e seca as lágrimas com o punho, afastando todo e qualquer sentimento de tristeza. Quando o seu corpo está mais calmo e ela já não ouve mais as pessoas que estão longe, ela sente alguém se aproximar atrás dela e vira o rosto, encontrando a pessoa que lhe causou aquele momento vergonhoso. rola os olhos e cruza os braços, tentado ao máximo ignorá-lo, uma vez que foi ele quem lhe causou o momento mais constrangedor de toda sua vida. Para ela, naquele momento, não existe dor maior no mundo que se iguale a ver quem se ama, beijando outra pessoa.

— Eu posso explicar! — se aproxima, mas ela o ignora.
— Frase típica de homem, , não tem o que explicar. — descruza os braços e o encara bem nos olhos.
— Isso é só uma brincadeira estúpida, , o beijo não significa nada. — diz, olhando piedoso para a garota.
— Você diz isso, porque você não é uma garota que viu o namorado no maior beijão com outra. — tenta conter as lágrimas de novo.
— Vamos embora daqui e a gente conversa melhor. — encara seu rosto e tenta se aproximar de novo.
— A gente não tem o que conversar. Você pode imaginar o que eu senti ao ver você beijando aquela menina? — respira fundo.
— Me desculpa, eu sou um idiota. Mas por favor, vamos esquecer isso? — tomba a cabeça e esboça um sorriso
— Que bom que nisso você concorda, você é mesmo um idiota. — volta a cruzar os braços e ignorá-lo.
, por favor. — levanta as mãos e tenta tocá—la.
— Não, ! Não chega perto! — empurra ele com as mãos.
— Meu deus, , por favor, me desculpa vai?
— Vai embora, ! Me deixa em paz! — sente as lágrimas novamente em seus olhos e seu coração aperta.
— Depois não diz que eu não tentei me desculpar! — ergue as mãos na altura do ombro, sai andando e deixa completamente sozinha.

respira fundo mais uma vez e então seus olhos avistam a enorme mesa de bebidas, totalmente abandonada. Ela ajeita o vestido e caminha até lá, parada em frente ao enorme barril de cerveja, ela pega um dos copos vermelhos de plástico e enche até em cima, bebendo tudo em um único gole. O líquido desce em sua garganta fácil, causando uma sensação momentânea de alívio e o primeiro copo de esvazia bem rápido. suspira e enche mais um copo, repetindo a ação de antes. Dois copos de cerveja depois, ela pode sentir seu corpo mais leve e seu coração menos apertado, na verdade, agora ela sente o mundo girar e todos seus problemas desaparecem. Já sentindo falta do líquido em sua boca, ela o enche mais uma vez, só que antes de beber qualquer gole, uma mão surge em seu campo de visão e pega seu copo.

— Ei ei ei, vai com calma, princesinha! — escuta a voz grossa de em seus ouvidos.
— Me deixa, eu quero beber! — Ela resmunga e tenta pegar o copo de volta.
— Nem pensar, você não tá acostumada a beber, eu não vou te deixar ficar bêbada! — joga o líquido fora do copo.
— Que saco, , me deixa ser feliz! — bate os pés e cruza os braços.
— Você pode ser feliz de outras maneiras, não precisa ficar bêbada pra isso! — se aproxima um pouco mais.
— Você viu o que ele fez comigo? Eu só quero esquecer o que ele me fez. — diz com a voz um pouco chorosa.
— Ei, por favor, não chora! — Ele ergue o polegar e toca seu rosto.
— Porque, porque comigo? — treme toda.
— Seu namorado é mesmo um babaca sem noção, mas você não precisa encher a cara por isso! — esboça um sorriso e a garota sente um arrepio.
— Porque você tá aqui? — Ela o questiona.
— Por que você vale a pena, . — Ele sorri e os seus olhares se encontram.
— Não preciso que tomem conta de mim, mas obrigada! — Ela tomba a cabeça e sorri.
— Vem, vou te levar de volta pro seu castelo, princesinha. — segura sua mão.
— Você vai me chamar assim até quando? — o questiona, enquanto os dois caminham em direção ao estacionamento.
— Pra sempre! — Ele sussurra no ouvido dela e os dois caem em uma risada bêbada.

SETE


Agora é oficial, o primeiro dia das férias de verão chega na velocidade da luz. Naquela manhã ensolarada que se inicia na costa da Califórnia, o sol bate quente nas janelas de todas as casas, fazendo com que todos acordem bem a tempo do início da temporada de praia. Pela primeira vez, em muito tempo, pode aproveitar suas férias despreocupada, já que seus pais estão mais receptíveis e menos rígidos. Todos os seus amigos vão para a casa de verão de Melanie, uma casa na beira da praia que é perfeita para eles passarem os dias que antecedem a ida pra faculdade, em paz. consegue que seus pais a liberem para ir também, o que deixa Melanie bem feliz.

e se acertam, ela decide dar mais uma chance a ele, afinal de contas, tudo aquilo foi mesmo uma brincadeira idiota e sem sentido, então ela ouve seu coração e deixa aquele incidente do beijo de lado. Mesmo que ainda peça desculpa por aquilo, de cinco em cinco minutos, a garota está tranquila com sua decisão e naquelas férias de verão, ela está se sentindo livre e feliz pela primeira vez, em muito tempo. Ao todo, naquela viagem iriam oito pessoas, , , Melanie, Noah, Yasmin, Theo, e Peter, ou seja, todos os amigos.

está mais despreocupada, não só pelo fato de seus pais estarem mais receptivos, mas também porque ela já tinha enviado as cartas para as faculdades e ela tem a total certeza de que será aceita em pelo menos uma delas. A garota escolheu, Stanford, UCLA e Berkeley, todas faculdades muito bem conceituada e que possuem um ótimo programa de bolsa de estudos. As respostas chegarão na quarta-feira, então até lá, precisa achar algo que distraia sua mente ansiosa. Sua distração, portanto, tem o nome de , o garoto que ela adora beijar sempre que precisa acalmar e se distrair de sua ansiedade.

O carro de Melanie encosta na calçada de , exatamente as oito horas da manhã, o que é muito cedo para ela. A menina se dobra em duas para arrumar as malas, enquanto no andar de baixo de sua casa, sua melhor amiga anda de um lado a outro, impaciente. cata de seu armário, todas as roupas leves que possui e que podem ser usadas na praia, uma vez que ela não está acostumada com isso. A garota portanto, não tem muitas opções em seu catálogo de vestuário. Ela cata alguns vestidos mais leves, alguns shorts, camisetas e alcinhas, seu chinelo dos Simpson, uma alpargata perky e um tênis, caso os seus amigos inventem alguma trilha ou algo parecido.

joga tudo em sua mochila de costas, penteia os cabelos rapidamente e antes que Melanie roa as madeiras de carvalho de sua escada, ela está prontamente em sua frente, fazendo uma careta engraçada ao ver a melhor amiga tão ansiosa.

— Então, , antes que a gente siga viagem, temos uma questão. — Melanie diz a amiga, enquanto as duas caminham em direção ao carro estacionado.
— Ih, o que foi dessa vez? — faz uma careta e a questiona.
— O me ligou agora a pouco e disse que ele não vai poder ir com a gente, ele tem umas coisas pra resolver, não entendi direito. — Melanie sacode os ombros e destrava o porta—malas do seu carro.
— E por que ele não me ligou? Eu sou a namorada dele, mas que saco! — resmunga e seu olhar ganha um tom triste.
— Aí, eu não sei , só sei que como eu planejei a viagem com quatro pessoas, eu tive que chamar outra pessoa. — Melanie diz a amiga, forçando um sorriso.
— E se ele não aparecer? Tenho medo do estar bravo comigo ainda pelo que aconteceu aquele dia, na festa. — diz com a voz um pouco trêmula.
— Ele vai aparecer, foi só um imprevisto. Ele me disse que só vai ter que ir um pouco mais tarde, mas ele vai ainda hoje. — Melanie coloca a mão sob o ombro da amiga e sorri.
— Eu gosto tanto dele, apesar de tudo. — joga a cabeça para o lado um pouco e dá um suspiro.
— Eu sei disso, acho que todo mundo sabe que vocês se gostam. O que acontece é que o tem muitos problemas na vida dele, mas fica tranquila. — Melanie tenta confortar sua amiga.
— Só espero que ele não me faça de idiota e apareça, eu tô contando com isso. — força um sorrisinho nos lábios.
— Bom, se ele não aparecer, eu mesma vou atrás dele. — Melanie diz, tocando o nariz da melhor amiga.
— Se ele não vai com a gente, quem vai? — a questiona.
— Primeiro de tudo, eu peço que me perdoe, mas foi minha única opção! — Melanie aponta para atrás dela com as chaves do carro.
— Eu não acredito nisso, Melanie! — gira a cabeça e assim que seus olhos vêm aquela pessoa, ela coloca as mãos na cintura e repreende a amiga.
— Me desculpa! — Melanie ergue as mãos na altura do ombro e responde.
— E aí, quer dizer que a princesinha vai mesmo com a gente dessa vez? — A voz irônica de chega aos ouvidos de .
— Bom dia pra você também, ! — responde em um tom ríspido.
— Bom dia, luz do dia! Dormiu bem em sua torre? — caminha tranquilo ao lado de Noah, enquanto direciona sua voz a ela.
— Nossa, sem princesinha dessa vez? Muito bem! — diz e bate as mãos em forma de palmas.
— Tenho muitos outros apelidos pra você, princesinha, só estou guardando pra depois! — passa por ela e a olha direto nos olhos.
— Não acredito que você vai viajar com a gente. Eu te mato, Melanie! — olha diretamente para a amiga que balança a cabeça.
— Vou sim, para minha felicidade e para sua também! Agora, coloca minha mochila no porta malas, vai. — ri e aponta a mochila para que rola os olhos.
— Não vai cair sua mão se você mesmo colocar. — resmunga para ele que faz uma careta divertida.
— Não vai mesmo, mas quero ter a chance de te ver segurando a minha mochila nas mãos, pelo menos por enquanto. — Ele se aproxima e sussurra no seu ouvido. — Em breve, espero que você segure outras coisas.
— Vai sonhando, , vai sonhando! — resmunga mais uma vez e o afasta.
— Seu desejo é uma ordem, princesa, vou sonhar e muito com você! — exclama enquanto caminha para o porta-malas.
— Bom, então como estamos todos aqui, o vai no banco de trás com a e o Noah como é meu namorado, vai no banco da frente. — A voz de Melanie ecoa no meio daquela cena toda.
— É sério isso, Mel, mais isso agora? — olha direto para a melhor amiga, que não para de rir.
— Essas viajem vai ser muito boa mesmo! — ouve a voz de ecoar no ambiente, enquanto o mesmo dá a volta e entra no carro.
— Eu vou te matar, Melanie, te matar! — diz com a voz um pouco irritada, enquanto seus olhos estão fixos em sua amiga.
— Entra logo, não temos o dia todo, princesinha! — bate as mãos no banco do carro e a chama.
— Pronto, estou aqui. E você não tente nada, eu tenho namorado, nem se aproxime de mim, ouviu? — entra no carro, fecha a porta e coloca o cinto de segurança.
— Namorado, cadê ele? Não tô achando ele aqui. ? — faz uma cara divertida enquanto finge procurar por .
— Vou te ignorar. — pega o seu iPod e coloca os fones de ouvido.
— Por enquanto. — sussurra muito baixo.
— Isso é culpa sua né, Mel? — Noah, no banco da frente, questiona a namorada.
— Relaxa, amor, eu sei muito bem o que estou fazendo. — Melanie responde, olhando pelo espelho lateral, ela liga o carro e a viagem começa.

OITO


Por sorte, a viagem segue tranquila e todos chegam vivos a casa de praia de Melanie. No carro que veio atrás, Yasmin, Theo e Peter também estacionam assim que Melanie vira e entra na rua que dá o acesso a casa principal. Todos descarregam o carro, pois além do convencional, o carro de Theo veio lotado de cervejas e comidas, tudo que é necessário para se ter uma ótima viagem de férias. Melanie orienta que no andar de cima da casa, tem três quartos, sendo um de casal e dois com beliches de solteiro. Então, diz que vai para a casa da piscina, já que ela espera por chegar e mesmo que eles não tenham feito nada ainda, ela não quer dormir sozinha em um dos quartos, uma vez que Yasmin e Theo ficariam em um dos quartos com os beliches. Peter e provavelmente ficarão no outro. não quer dividir quarto com nenhum casal e nem quer ficar no mesmo quarto que o , até porque ela é namorada do e não daquele garoto, insuportável.

— Poxa, eu realmente achei que a gente ia dividir o mesmo quarto, princesinha! — Enquanto pega sua mala nas mãos, vira o rosto e encontra os olhos de sobre si.
— Você acha muita coisa, . Mas, eu tenho namorado e já cansei de te dizer isso! — Ela diz com sua voz irritada e abaixa o porta malas do carro de Melanie.
— Tudo bem, , eu sei quando estou sobrando em alguma coisa. — balança os ombros e ela gira os pés até o caminho que leva a casa da piscina.
— Que bom que você sabe disso, estamos entendidos? — Ela o questiona uma última vez.
— Por enquanto, princesa. Eu sei esperar e quando ele for embora, eu vou estar bem aqui. — dá um passo e sussurra perto de seu ouvido.
repetindo suas falas, achei que fosse mais criativo. — enrijece o corpo e direciona seu rosto ao dele.
— Não estou repetindo, princesa, estou apenas te lembrando do seu destino, ou seja, eu. — sorri e por trás de seus ombros, ele beija sua bochecha.

Depois de muita arrumação, uma vez que a casa de veraneio da família Gibbs esteve fechada por meses, os amigos se reúnem na beira da enorme piscina que tem na área externa. Instalando o barril de cerveja em um canto, não consegue tirar os olhos de , mas afasta qualquer pensamento com ela, pelo menos por enquanto. Sentadas, com os pés mergulhados dentro da água, as amigas,
Melanie, e Yasmin, conversam entre si, enquanto os garotos agilizam as bebidas e preparam alguém aperitivos com os pacotes de Doritos e creme cheese.
O céu está limpo e o sol bate forte em suas cabeças, o que anuncia que já deve ser perto do meio dia. O tempo naquele dia está bem mais quente do que habitual, o que não condiz nenhum um pouco com os verões anteriores. Os meninos pulam com tudo dentro da piscina e o aquilo molha as meninas, que continuam sentadas no mesmo lugar de antes. Theo mergulha e depois surge ao lado Yasmin, sendo seguido por Noah que o imita e surge ao lado de Melanie. Naquele exato momento, os olhos de e se encontram, mas nenhum dos dois faz alguma coisa, pois, no segundo seguinte, Peter bate as mãos na água e corta o clima.

— Eu pensei de a gente fazer alguma coisa diferente, pra animar as coisas! — Dessa vez, quem sugere alguma coisa é Noah, que de todos é o mais quietinho.
— Qual sua sugestão? — pergunta de dentro da água.
— Eu pensei em algo diferente, nada dos convencionais verdade ou consequências, eu nunca, sete minutos no paraíso e nem beija ou assopra. Tivemos uma experiência horrível na última vez. — Noah diz e olha para que balança os ombros.
— Não por mim, eu tô de boas com isso! — ri e mergulha na água.
— Então, qual vai ser a brincadeira, amor? — Melanie pergunta, colocando a mão no ombro do namorado.
— Esconde—esconde. É uma brincadeira gostosa e divertida! O que acham? — Noah diz, passando os olhos em todos os presentes.
— Eu acho uma ótima ideia, Noah. — que está na água responde e todos concordam.
— Vamos ter algumas regras. Uma pessoa conta e as outras se escondem, aí o primeiro a ser achado, procura o próximo e assim por diante, o que acham? — Noah sugere.
— Gostei das regras, Sanders. — surge ao lado do garoto na beira da piscina.
— Então, quem vai contar? — Melanie questiona o namorado.
— Eu conto! — Peter levanta a mão, enquanto volta do barril de cerveja com um copo.
— Então vamos logo! — diz e segue para fora da piscina.
— Que os jogos comecem! — exclama e assim que vê sair da piscina ele sente seu corpo esquentar.

NOVE


A brincadeira começa com Peter contando até cem em uma pilastra lateral da casa, igual faziam quando eram crianças. Na verdade, aquele sempre foi o mesmo grupo, desde que todos tinham apenas seis ou sete anos. O único intruso no grupo é , que só entrou para a galera por que namora com a , tirando isso, sempre foi o mesmo grupo de sete. Apesar de todas as diferenças que os separam algumas vezes, uma vez que a vida escolar é sempre desleal e competitiva, eles sempre acabam juntos de novo, fortalecendo toda vez o laço que os une em nome daquela amizade de pessoas estranhas e diferentes. Enquanto Peter faz a contagem, todos se espalham e procuram lugares distintos e inusitados para se esconderem. corre pelo lado de fora da casa, avistando os barcos de pesca da família de Melanie ela logo decide que aquele é o melhor lugar para se esconder, já que os barcos ficam estacionados nos fundos da casa e são altos, o que a permite se esconder muito bem. Ela caminha até lá e se abaixa um pouco, enquanto escuta a voz alta de Peter terminar a contagem. fica um pouco mais atrás de modo que ela tem um ponto privilegiado, onde a permite ver toda a extensão da casa.

— Não acredito, o que você está fazendo aqui? — A voz de sai em tom de sussurro e ao mesmo tempo irritada, quando vê aparecer em seu "esconderijo".
— Aqui é um bom lugar pra se esconder e eu achei que estaria vazio. — se agacha e vai até ela.
— Deixa pra lá, vou procurar outro lugar. — sussurra se levanta para sair dali, mas uma voz chama sua atenção.
— Prontos ou não, aí vou eu! — Peter grita de onde está e o vê caminhar pelo gramado.
— Se abaixa, , ele vai nos achar. — sussurra, ergue a cabeça e a olha nos olhos.
— Tá bom, mas ele vai achar a gente rapidinho! — vai falar mais alguma coisa, quando os dedos de tocam seus lábios.

Com um aceno de cabeça, Araon mostra para ela que Peter está bem próximo deles. Disposta a ganhar a brincadeira, se encolhe e ao lado de , os dois se escondem em silêncio e observam Peter seguir para o outro lado do gramado. Melanie é a primeira ser encontrada, logo depois Theo e Yasmin e por último Noah, que se escondeu atrás de uma árvore, óbvio demais para alguém tão inteligente como ele. e continuam escondidos no mesmo lugar, mas aí um barulho perto os chama atenção e em seguida, o olhar de Peter está sobre eles.

— E aí, achou mais alguém? — Melanie pergunta enquanto caminha pelo gramado.
— Na verdade não, não sei onde estão e . — Peter esboça um sorriso maroto e encara os dois de forma divertida.
— Vamos procurar na casa da piscina, quem sabe a está lá! — Melanie sugere e Peter balança a cabeça, concordando.
— Ele deixou a gente aqui, mas por que? — vira o rosto e olha para .
— Peter é um garoto esperto, acho que ele entendeu que a gente pode se divertir um pouco mais aqui. — respira fundo ao sentir o rosto de próximo ao seu.
— Essa brincadeira já perdeu a graça, . — engole algo e vira o rosto na direção contrária.
— Na verdade, a gente pode deixar as coisas bem mais divertidas. — diz e coloca o cabelo dela pra trás do ombro.
, o que você vai fazer? — sussurra, enquanto os olhos dele estão presos em seus lábios.
— Mas e aí, cadê o povo dessa casa??? — Uma voz conhecida chama atenção de e , acabando totalmente com o clima entre eles.
— Porra, ! — resmunga, no mesmo instante que se levanta e sai do esconderijo.

sente seu coração esquentar assim que vê o namorado, parado a sua espera. Ela corre até ele e pula em seu colo, beijando seus lábios em seguida. rodopia ela no ar e corresponde o beijo, largando a mochila no chão os dois protagonizam uma cena pra lá de romântica, iguais aos filmes teen adolescente que está acostumada. Assim que solta a namorada e a mesma para em sua frente, os olhos dele cumprimentam que aparece logo atrás deles, com a maior cara de enterro. Yasmin e Theo, aparecem também e fazem uma rodinha em volta do casal. Melanie e Noah apenas o cumprimentam com um aceno de cabeça. Já Peter, simplesmente o ignora e segue para dentro da casa.

— Eu não gosto desse cara, ele é bem esquisito! — Peter diz a Melanie, assim que os dois passam pela porta.
— Se tem consola, acho que ninguém gosta dele, mas fazer o que. — Melanie balança dos ombros.
— Por mim, esse cara podia nem ter aparecido, saco! — resmunga e se joga no sofá da sala, agarrando a almofada.
— A gente sabe muito bem disso, ! — Noah aparece e dá um peteleco na orelha do garoto.
— Só desvira essa cara, , se não a vai se ligar que você não tá nem um pouco feliz com a presença do namorado dela. — Melanie põe as mãos na cintura e olha para ele.
— Quero mais é que se foda, não devo nada pra ninguém e muito menos pra esse esquisito do . — resmunga mais uma vez e soca a almofada.
está apaixonado? É isso mesmo? — Noah abre a boca em sinal de espanto.
— Apaixonado por quem? — A voz de ecoa pela sala, assim que ela chega, abraçada a .
— Ninguém! — Todos respondem, mas gira a cabeça e olha para , que simplesmente se vira de lado e ignora sua presença.

DEZ


A noite, os amigos resolvem se reunir na beira da praia, para beberem e esperar o amanhecer do sol. Aquele é o último fim de semana antes da ida para a faculdade, então todos estão bem nervosos e ansiosos para a nova vida que os espera. Se fosse em algum passado distante, talvez aquela amizade não tivesse sobrevivido aos percalços da adolescência. Foram inúmeras diferenças, caminhos diferentes e decisões singulares que muitas das vezes os afastavam, então se alguém dissesse que hoje eles estariam ali, tão unidos e esperando o futuro chegar, a pessoa provavelmente estaria mentindo. Eles são amigos desde crianças, mas quando chegaram na adolescência e no ensino médio, alguns se dividiram, criaram novos grupos de amigos e até namoraram outras pessoas, mas no fim das contas, os garotos perdidos da Hill Valey sempre acabavam juntos outra vez. Melanie e são amigas desde os cinco anos, logo depois, Noah e Theo entraram para o grupo, uma vez que seus pais eram do conselho de moradores. Yasmin e o irmão Peter, chegaram um ano depois, quando eles tinham seis anos. entrou no grupo, quando seu pai se tornou diretor do colégio infantil em que eles estudavam, sendo assim o mais velho e o último a completar o círculo de amizade.

Quando a adolescência chegou, Melanie e Noah engataram o namoro mais fofo do mundo, onde ele pediu a mão de Melanie no primeiro baile de primavera. Yasmin e Theo também engataram um namoro logo depois, formando a dupla de casais mais invejada da Hill Valey High School. Peter e ficaram como os solteiros do grupo, apenas pegando uma menina aqui e outra ali, sem nada sério. , logo após a morte do irmão Thomas, acabou se tornando a isolada do grupo, vivendo sempre em casa, escondida do mundo. Melanie e Noah foram os primeiros a entender, que por causa do luto dos pais dela, a menina foi praticamente obrigada a se afastar. Com o tempo, não se misturava com mais nenhum dos seus amigos. Ela viveu intensamente o luto do irmão, uma vez que a morte de Thomas pegou todos de surpresa.

Ela se afastou, não ligou mais e simplesmente sumiu das festas, dos encontros de final de semana e das viagens, mergulhando profundamente na tristeza que tomou conta dela, depois da perda do irmão mais velho. Quando o luto se tornou mais suportável, os pais de a impediam de sair, de procurar os amigos e a faziam ir da casa para escola e vice-versa, então ela passou a se isolar por completo, ignorando todos aqueles que um dia foram seus amigos. Fora a partir daí, que começou a chamar de princesinha, pois, se teve uma coisa que ele nunca entendeu, era o porquê de viver isolada em seu quarto, sem nenhum contato com os velhos amigos e ignorando aqueles que um dia foram seus melhores amigos. A única com quem ela manteve contato, foi Melanie, que desde sempre era sua melhor amiga.

Peter e Theo entraram para o time de Basquete da escola, mergulhando em um mundo completamente diferente. Yasmin, virou líder de torcida por causa do namorado e , que sempre foi inteligente e esperto, se tornou presidente do grêmio estudantil. usou seu isolamento para se tornar a melhor aluna da sala e ao lado de Melanie se tornaram as representantes de classe. O grupo se dissolveu ao longo dos anos, cada um para um lado, mas tudo que eles fizeram, eles fizeram pra sobreviver nos corredores do colégio e assim garantir os seus futuros, cada um em uma faculdade. E mesmo depois de tantas pedras no caminho, de separações repentinas, os amigos estavam todos reunidos outra vez.

O único que não participava da história de amizade deles, era . O garoto apareceu um ano antes, mas nenhum deles conseguia confiar e gostar do garoto novo, mesmo que ela parecesse a melhor pessoa do mundo, o seu olhar escondia muita coisa, coisas que nem a namorada conseguia decifrar. entrou para o grupo dos amigos, pelo único e exclusivo motivo de estar namorando . Nenhum deles conseguia engolir aquela imagem mau vendida de badboy melancólico e na real, os amigos não conseguem é aceitar muito bem pessoas novas no grupo. está apaixonada, encantada pelo mistério que envolve os olhos de e esse é o único motivo pelo qual os meninos suportam aquele garoto novo. No fundo, todos sabem que ele é muito estranho e que está longe de ser o príncipe romântico que a pequena merece, mas optam por respeitar a decisão de namoro da melhor amiga deles. Todos menos , ele é o único que não suporta a ideia daquele garoto namorar a sua princesinha. De todos, Melanie, Noah e são os únicos que escolhem a mesma faculdade, os outros garotos, mesmo que fosse triste, ampliaram seus horizontes e mandaram cartas para universidades no país todo. Eles sabem que em breve suas vidas vão mudar, mas sabem que depois daquela viagem, a amizade estará mais forte e não importa onde eles estejam, eles serão amigos para sempre.

ONZE


Pouco antes do sol amanhecer, os amigos sentam-se lado a lado, para enfim contemplar a mais linda aurora de toda a Califórnia. São exatos 6h19 quando na linha do horizonte, o sol começa a apontar, causando a eles a melhor sensação de liberdade que se pode existir. Eles se aconchegam entre eles e suspiram, assim que toda a cor amarela do sol em contraste com o azul do mar, se transforma em um tom que nenhum deles viu antes.

— É gente, em breve a gente vai estar na faculdade! — Melanie suspira e se aconchega nos braços de Noah.
— Eu quero pedir uma coisa, por favor, vamos fazer desse momento aqui hoje, nossa principal lembrança. — Yasmin gruda as mãozinhas e sorri.
— Nossa amizade vai ser eterna! Tenho absoluta certeza. — É a voz de que ecoa agora.
— Muito obrigada por vocês existirem, sério! — diz e em seus olhos, algumas lágrimas de acumulam.
— Pra quem ignorou a gente por quase um ano inteiro, você tá falando super bem, princesinha! — se mexe e encosta no ombro dela.
— É sério , deixa minha namorada em paz! — resmunga e olha para o garoto, com uma expressão esquisita.
— Se você não aguenta as piadinhas do com a , acho que você tá no grupo errado! — É a vez de Peter se manifestar.
— Na boa, cansei dessa melancolia barata! Vem , vamos lá pra dentro. — se levanta e estica a mão para , que olha em volta e em seguida vai com ele.
— Eu sinceramente não acredito que ela ainda dá bola pra esse esquisito do ! — resmunga e chuta a areia.
— Calma, , logo ela vai ver que o é passageiro e você não. — Melanie diz e coloca a mão do ombro do amigo.
— Pelo jeito, alguém não tem mesmo sendo de humor. — Yasmin torce os lábios e suspira.
— Eu ainda não sei como que a gente aceitou esse cara no nosso grupo. — Theo bate nos joelhos e se levanta.
— Foi pela , só por ela que a gente aceitou esse cara aqui. — Noah diz e direciona o olhar para Theo.
— Eu não entendo, o não falou nada de mais, ele chama a assim desde sempre, pelo que eu me lembro. — Yasmin se manifesta outra vez.
— Eu acho, que o cara é tão inseguro que tá morrendo de medo de perder a pro e eu se fosse ele, teria medo mesmo. Pronto falei. — Peter diz e sua risada ecoa pelo ar.
— Contanto que ele não machuque minha melhor amiga, o que ele acha ou deixa de achar não me interessa. — Melanie sacode os ombros.
— Se esse cara machucar a , eu mesmo acabo com ele. Ninguém machuca a princesinha. — diz e em seguida se levanta, olhando todos os amigos.
pra sempre! — Yasmin diz e todos olham curiosos para ela.
— O que caralhos é isso? — Noah a questiona.
mais , junção dos nomes. — Ela balança os ombros e responde.
— Taí gostei! — sorri para Yasmin e corre em direção ao mar, pulando na água, ele mergulha de cabeça. adota mergulhos matinais, pois, é o único momento em que consegue organizar suas ideias e pensamentos.

Já de volta a casa, os amigos se reúnem na cozinha e decidem fazer um reforçado café da manhã. Com tudo que eles tem direito, o dia lá fora começa a ensolarado, mas a brisa gelada que vem do oceano, anuncia que não é bem assim que vai ser. Melanie e assumem o fogão, fazendo panquecas, waffles e ovos mexidos com bacon, enquanto Noah prepara o café e as vitaminas. Alguns minutos depois de muita conversa, música alta e brincadeiras, a mesa é posta e todos se sentam, atacando a comida. A cena é típica de um bando de amigos famintos que estão curtindo seus últimos dias de férias em uma paisagem maravilhosa como a costa da Califórnia. Sentado no sofá da sala, com os pés estirados na mesa de centro, assiste algum jogo de futebol enquanto todos comem, totalmente aleatório aquela reunião. se sente culpada pelo namorado estar tão deslocado e então vai até ele, se sentando ao seu lado, ela enrosca o braço ao dele e em seguida beija sua bochecha. que está sentado na ponta da mesa, observa a cena com entojo e decide fazer mais algumas de suas provocações, uma vez que elas são inevitáveis.

— Eu acho que a princesinha ainda gosta de waffles com geleia de cereja, não é? E um café com três gotas de leite e duas colheres de açúcar, não é? — direciona a voz para .
— Isso mesmo, . — simula um sorriso e então o garoto se levanta da mesa, com um prato de waffles com geleia de cereja e uma xícara de café, ele caminha até ela.
— Aqui princesa, bom apetite! — Ele entrega o prato a ela que sorri ficando vermelha. não diz nada e apenas observa a cena com a maior cara enojada do mundo.
— Trata bem a princesa que ela gama. — A voz de Peter ecoa enquanto ele come as panquecas.
— Peter! — o repreende e Noah lhe dá um peteleco no ouvido.
— Só estou sendo sincero, me desculpem se algumas pessoas não aguentam minha sinceridade. — Peter diz enquanto direciona o olhar para , que se levanta e sai pela porta, caminhando até a casa da piscina.
— Poxa, vocês podiam pelo menos fingir que gostam dele né? — larga o prato na mesinha de centro e se levanta.
— Aí na boa, amiga, você merece coisa muito melhor que esse esquisito metido a emo do . — Yasmin se manifesta, enquanto se serve de mais waffles.
— Vocês não acham que isso é decisão minha? — coloca as mãos na cintura e repreende todos.
— Quando ele partir seu coração, , você vai lembrar de cada palavra que a gente te disse! — A voz de Noah ecoa séria e fica calada. Ela olha mais uma vez para todos e sai pela porta, indo atrás de .

DOZE


Na casa da piscina, está sentado à beira da cama de casal, com as mãos entre os Armstronglhos e a cabeça baixa. entra sorrateiramente e caminha até ele, sentando-se ao seu lado, ela pousa a mão sobre um de seus ombros. está calado e nenhuma palavra é dita em segundos, até que um suspiro triste ecoa de seus lábios, causando uma sensação estranha dentro do peito de . Ele está chorando, o que no mesmo instante faz se sinta a pessoa mais horrível do planeta, uma vez que ela sente responsável por fazer seu namorado chorar. odeia que qualquer pessoa chore por sua causa, ela conviveu com isso quase que sempre, desde a morte de seu irmão, onde seus pais sempre choravam quando viam a menina pela casa. Portanto, não aguenta ver pessoas chorando, nem quando é ela mesma.

— Me desculpa, os meus amigos são assim mesmo! — Ela coloca a mão na perna dele e diz.
— Não me sinto à vontade na presença deles, . Vou ficar aqui, se você quiser pode ir lá com eles. — vira o rosto e olha para ela.
— Não, vou ficar aqui com você, que é o meu namorado. — diz e encosta a cabeça no ombro do garoto.
— Sabe, eu preferia quando você não era amiga deles, você não precisa deles pra nada, , você é maravilhosa sem eles. — As palavras de atingem em cheio seu coração.
— Eles são meus melhores amigos, desde a infância, . — Ela suspira e olha para um ponto à frente deles.
— Você pode ter amigos novos, não precisa se prender a esse bando de sem noção. Em principal aquele insuportável do , o cara ridículo. — diz e segura a mão da namorada.
— Você tá com ciúmes, do ? — Ela ergue a sobrancelha e o questiona.
— Estou, ele faz essas piadinhas, como se tivesse intimidade com você e eu não gosto. — leva a mão ao cabelo de e faz um carinho.
— Quem tem que gostar de alguma coisa sou eu e você sabe que eu não gosto das brincadeiras dele. — firma o tom de voz e reage ao carinho, segurando a mão de .
— Então porque você deixa que ele continue? — a questiona.
— Porque o é inofensivo, ele adora provocar qualquer um. — diz e seu lábios formam uma linha fina.
— Eu só o vejo fazer esse tipo de brincadeira com você e o pior disso, é que os seus amigos concordam. — A voz de sopra mais perto de seu rosto. — Você precisa entender, , eu te amo e é por isso que eu não gosto de todas essas insinuações e brincadeiras idiotas. — confessa a ela, quase em um sussurro.
— O que você disse? — diz e sua voz soa trêmula.
— Que eu te amo. — repete.

fica em silêncio, enquanto seu peito processa as palavras que foram ditas com tanta intensidade a ela.

— Eu te amo, e eu sinto muito em dizer, mas você vai ter que escolher. — Novamente a voz de ecoa sozinha na conversa.
— Escolher o que? — consegue falar, mas ainda soa um pouco nervosa.
— Entre eu ou seus amigos? Infelizmente, não vamos poder continuar namorando, se os seus amigos me tratam desse jeito. — diz e então foca o olhar no rosto de .
— Eu... Eu preciso ficar sozinha agora, preciso pensar. — Ela bate as mãos no Armstronglho e se levanta. — Por favor não venha atrás de mim. — É só o que ela responde, antes de sair pela porta e caminhar em direção a praia.

Já na beira da praia, encara a imensidão azul diante de seus olhos e respira fundo. O tempo começa a querer mudar e a brisa gelada que sopra do mar contra seu corpo, traz um tremor momentâneo, então ela cruza os braços na altura do peito e chuta algumas pedrinhas na areia. Está tão absorta em seus pensamentos, confusa e cheia de questões, que aqueles longos segundos sozinha na beira do mar, fazem com que ela perceba que sua vida é tão bagunçada quanto a mistura da areia com a água salgada. Os cabelos de começam a voar de acordo com a direção do vento, mas ela continua encarando o horizonte diante de seus olhos. As palavras de e aquele pedido de escolha dele, a pegaram de surpresa, mas ela ainda está confusa demais para decidir alguma coisa. Por um lado, ela ama e quer ficar ao lado do namorado, mas por outro, ela passou tanto tempo longe de seus melhores amigos que agora que ela está com eles outra vez, não quer abrir mão disso, nem mesmo pelo .

Durante toda sua vida, seus amigos estiveram do seu lado, nos melhores e piores momentos, até quando ela os ignorava, eles não desistiram dela. respira fundo mais algumas vezes, que nem percebe alguém se aproximar.

— Você tá bem? — escuta a voz de se aproximar.
— Uau, pela primeira vez você tá falando direito comigo. — força um sorriso e se vira.
— Eu sei ser uma pessoa legal, . — se aproxima e os dois se encaram.
— Você lembrou desse apelido, nossa. — ri e os olhos de brilham.
— Mas você não me respondeu, você tá bem? — Ele pergunta outra vez.
— Estou sim, foram só algumas questões com o . — Ela balança os ombros.
— Olha, eu acho que você sabe a minha opinião sobre isso e de todos os seus amigos também. Mas saiba, que vamos tentar ficar numa boa com ele. — diz e um sorriso se forma em seus lábios.
— Obrigada. — É tudo que ela responde.
— Olha, , a gente tá muito feliz com sua aproximação do grupo outra vez. A gente sentiu muita sua falta nesse ano. — diz e coloca uma mecha de seu cabelo atrás da orelha.
— Eu sei, eu fui uma babaca. — Ela responde, entortando os lábios.
— Você não foi, você passou por uma barra e a gente entende. — diz, colocando o dedo em seu nariz.
— Vocês são os melhores amigos do mundo, .
— Olha, a gente vai tentar ficar numa boa com o . A Melanie já o chamou e pediu desculpas, eu também pedi. — diz a ela, enquanto os dois se olham.
— Muito obrigada por isso. — Ela agradece.
— Agora vem, vamos voltar lá pra dentro, você se acerta com ele, seja o que for que tenha acontecido e todos ficamos numa boa. O que acha? — a questiona.
— Eu acho uma boa ideia, tá começando a esfriar um pouco. — se aperta contra o corpo e a abraça.
Os dois seguem de volta para casa e naquele momento, decide que não vai escolher. Ou o a aceita com os melhores amigos, ou não aceita. passou muito tempo longe dos melhores amigos para os abandonar outra vez.

TREZE


É quarta-feira, o dia em que as cartas de respostas a faculdade foram enviadas para os alunos escolhidos. Uma das alunas escolhidas é . Ela e Melanie, estão sentadas no topo da escada da varanda, enquanto aguardam os correios com as cartas. O moço vestido do uniforme chega na casa de e as duas prontamente pegam as correspondências, correndo em seguida para o quarto de . As duas abrem as correspondências e lá está, o envelope em papel timbrado da universidade de Berkeley.

Melanie e Noah já tinham abertos suas cartas e os dois foram aprovados para a mesma universidade, a Berkeley. Agora só falta saber se também foi aceita ou não. A menina sobe em cima da cama, seguida da melhor amiga, as duas abrem a carta e lá está, as letras piscando feito luzes na árvore de natal.

"Cara senhorita Edwards, nós da Universidade Berkeley, temos o prazer em informar que você foi aceita em um de nossos programas de bolsas de estudos. Contamos com sua presença em nosso time, nos vemos na sexta—feira para a sua matrícula."

termina de ler as palavras que mudaram o se futuro bosta sempre e as duas amigam pulam, se abraçando.

— Nem acredito que vamos para a mesma universidade, ! AAAAH! — Melanie grita e inicia uma dança esquisita.
— Eu também não, Mel. Nosso maior sonho, estudar juntas! — diz e se junta a amiga, pulando sobre a cama.
— Você vai contar pro que você tá indo para o outro lado do estado? — Melanie senta-se na cama e olha para a amiga.
— Sim, vou passar na casa dele daqui a pouco. — diz e se senta ao lado da amiga.
— Então vai lá amiga, eu vou aproveitar e vou pra casa do Noah, precisamos arrumar tudo pra viagem, temos só dois dias. — Melanie torce os lábios e olha para a amiga.
— Verdade né, Mel, bom então eu vou lá e te encontro no Noah depois.
— Isso! E boa sorte amiga. — Melanie põe a mão no ombro da menina e sorri.
— Vou precisar amiga, obrigada. — abraça a amiga e se despede.
Ela tem um importante assunto para resolver, precisa achar um jeito de contar ao que ela vai para uma universidade do outro lado do Estado e que eles terão que manter o relacionamento a distância, uma vez que ela não sabe para qual universidade ele foi aceito.

pega o celular e pede um Uber, informando ao motorista o endereço de destino, a casa do . O endereço que ele lhe deu, fica em uma rua próxima a ponte principal da cidade. O Uber vira na rua estreita, de casas combinando e para no final da rua, em frente a uma casa branca, de número 776. torce os lábios e sente algo estranho, aquela casa está fechada e parece não ter ninguém morando ali. Ao questionar o motorista se o destino está correto, ele mostra pelo celular o endereço e ela confirma. Sentindo—se estranha, ela pede ao motorista que aguarde um pouco, enquanto ela procura saber sobre os moradores da casa com algum vizinho. O motorista concorda e ela sai do carro.

— Com licença, senhora? — diz, assim que vê uma velha senhora entrando na casa ao lado.
— Sim. — A senhora se vira e responde.
— A senhora sabe me informar que horas os moradores dessa casa voltam? — aponta para a casa vizinha.
— Olha moça, eu acho que ninguém vai voltar não. — A senhora diz e torce os lábios.
— A senhora tem certeza? Um amigo meu me deu esse endereço como sendo o dele. — diz, disfarçando o nervosismo.
— Oh minha querida, o menino que morava aí, o , foi embora hoje mais cedo. Um carro encostou e ele foi. A assistente social dele veio ontem e pelo que ouvi da conversa, ele seria transferido pra outra casa temporária. Eu lamento! — A senhora diz e coloca a mão nos braços de .
— Tudo bem, muito obrigada. Vou tentar o celular dele. — agradece a senhora, que em seguida entra em sua casa.

Ela pega o celular e disca os números de , mas o celular cai direto na caixa postal. Tenta mandar mensagem, mas o WhatsApp dele não recebe e a foto do perfil não existe mais. respira fundo e tenta conter as lágrimas que se formam em seus olhos, depois daquele momento bizarro em que ela recebe a notícia que foi embora e nem se preocupou em se despedir daquela que um dia ele chamou de namorada, ela sente-se a abandonada e sozinha.

dispensa o motorista do Uber e manda uma mensagem para Melanie, dizendo que precisa caminhar para pensar um pouco no que acabou de acontecer. Pede para amiga esperar que logo elas se encontram na casa de Noah. Melanie responde à mensagem e pede que a melhor amiga fique bem.

Com o coração doendo e cada parte do seu parto se desfalecendo em pedacinhos, ela segue a rua e caminha em direção a ponte que fica logo a frente. Aquela é uma ponte famosa da cidade, conhecida como o lugar de encontros e desencontros ao longo dos tempos. Ela chega na ponte e olha para o horizonte a sua frente, igual fez naquele dia em que ela e brigaram na casa da praia. respira fundo, se apoiando na grade da ponte, ela deixa que as lágrimas corram por seu rosto, de modo que ela nunca se permitiu antes e promete a si mesma, que aquela será a última vez que vai chorar, pois, ela está cansada de tanto chorar. Fechando os olhos e respirando fundo mais uma vez, ela ouve ao fundo um som de motor bem conhecido por ela. Ela conhece aquele som desde quando era criança. abre olhos, gira a cabeça e então vê o jipe do pai de estacionar.

salta do carro e vai ao seu encontro, no seu rosto o semblante sustentado, é um semblante diferente e ela pode até adivinhar que ele está feliz. Ele se aproxima e os olhares deles se encontram.

— Melanie me disse que eu te encontraria aqui. — coloca a mão nos bolsos da bermuda xadrez e para ao lado dela.
— Sim, aqui estou eu. — respira fundo e aponta a si mesma com o dedo indicador.
— Ele foi embora, não foi? — a questiona e pela primeira vez ele tem um tom menos irônico nas palavras.
— Foi. Ele foi embora e nem se despediu de mim , porque? — sustenta uma careta triste em seu rosto.
— Todo mundo sabia disso, . O nunca fez questão de dizer que ficaria. — diz, enquanto tira uma das mãos do bolso e encosta na dela.
— Ele disse que me amava, . Ele me fez promessas, não acredito que ele simplesmente foi embora e me deixou aqui, sozinha. — joga a cabeça para trás e chora outra vez.
— Me desculpa dizer, mas a gente te avisou, todos nós avisamos que ele ia embora e que ia partir seu coração. — A voz de soa perto de seu rosto.
— E eu devia ter ouvido vocês, me desculpa. Agora eu tô aqui, sentindo cada parte do meu coração se quebrar em mil pedacinhos. — vira de lado e encara de frente.
— Deixa eu consertar o seu coração? — pergunta e olha para suas mãos juntas sob a grade.
— Como assim, ? — Ela ergue a sobrancelha e o questiona.
— Eu vim aqui por um único motivo. Vim te dizer, que você nunca mais vai estar sozinha, . — pega um papel do bolso da bermuda e entrega a , que abre o papel e lê as palavras em voz alta.
"Caro senhor Scott, nós da Universidade Berkeley, temos o prazer em dizer que você foi aceito em nosso programa de estudos..." olha para , que se afasta um pouco e volta a colocar as mãos no bolso. — Você se inscreveu pra mesma Universidade que eu e não me falou nada? — Ela o questiona.
— Eu quis te fazer surpresa. Eu escolhi a Berkeley porque quero ficar perto de você, pra sempre, .
— Isso, isso é muito mais do que eu mereço, . Nem sei o que dizer. — Ela esboça um sorriso linear.
— O que você acha da gente, levar toda essa nossa implicância eterna para os corredores da Berkeley, princesinha? — Ele ergue o rosto e olha para ela, arqueando a sobrancelha.
— Eu acho que você vai ter que me dar outro apelido, ursão. - inventa um novo apelido e os dois caem na risada.
— Eu tenho uma lista de apelidos novos pra você, . — Ele se aproxima de novo e coloca a mão em sua cintura.
— O que você tá fazendo? — Ela o questiona, sentindo seu corpo todo tremer.
— Eu posso te beijar, princesinha? Tem tempos que eu quero muito beijar essa boca maravilhosa. — diz, encarando os lábios rosados da garota.
— Ainda não, . Quando for o momento certo, você vai saber. Por enquanto, vale me abraçar? Tô precisando. — diz e torce os lábios.
— Claro que vale. Vem cá, saiba que eu sempre vou estar do seu lado, pronto para o que você precisar, princesinha. Eu esperei até aqui, consigo esperar mais um pouco. Porque eu sei que quando a gente se beijar, vai ser o melhor momento de nossas vidas. Eu te amo, . Vou amar pra sempre, não importa o que serei seu, o que me importa é ser seu. — escuta a declaração de e em seguida se envolve no abraço dele.

Os dois se abraçam, de um modo carinhoso e singular. Naquele momento, sente cada célula do seu corpo corresponder aos toques de e sente pela primeira vez, que ela está no lugar certo com a pessoa certa.

E agora, os corredores da Berkeley que aguentem as eternas provocações entre e a Princesinha.

BÔNUS


A Aula de inglês termina e então todos os alunos seguem para os corredores, como é a última aula, todos se preparam para o final de semana. sai da sala 12 e segue para o refeitório da faculdade, ela precisa de uma bebida gelada, antes que seu corpo todo derreta naquele calor infernal que está fazendo. Encostada no balcão do refeitório, enquanto aguarda sua bebida ficar pronta, ela sente uma respiração bater em seu rosto.

— Me diz logo o que você quer? — gira o rosto e encontra a feição debochada de Karolyne Fox.
— Como vai o ? — A loira pergunta e sente seu sangue esquentar.
— Vai muito bem, obrigada. — responde, pegando o copo de suco de uva gelado.
— Realmente, ele é muita areia pro seu caminhão. Acho que ele precisa de uma namorada nova. — Karolyne joga o cabelo para trás e encara .
— Primeiro que ele não é meu namorado, eu e o vamos além dos rótulos tradicionais e segundo, me deixa em paz. — ergue a sobrancelha e olha para a loira.
— Fique sabendo, que eu não vou desistir até conseguir ficar com ele. — A loira resmunga em tom de desafio e rola os olhos.
— Você pode até tentar, mas saiba que, você jamais será a princesinha dele. O só tem olhos para mim, a sua princesinha. — suga o líquido pelo canudinho e encara o rosto de Karolyne.

A loira vai responder algo, mas gira os calcanhares e seus olhos avistam vindo em sua direção. O garoto sorri e passa o braço pelo ombro de e os dois caminham para fora do refeitório, enquanto ao fundo, Karolyne continua encarando o casal.

— O que houve lá dentro? — pergunta assim que eles deixam o refeitório.
— Nada não, eu apenas coloquei uma cobra de volta ao habitat natural dela. — sorri e beija a bochecha de .
— Essa é a que eu conheço, minha aluna favorita de Biologia. — diz a que abre uma risada gostosa.

Os dois caminham juntos de volta aos dormitórios, na manhã seguinte eles irão viajar para a casa da família de . Será a primeira vez que ele vai apresentar uma garota para os seus pais.



FIM



Nota da autora: Essa música foi um grande desafio para mim, eu juro que cheguei a pensar que não ia sair nada. Fiquei realmente surpresa quando vi que tinha saído essa fanfic maravilhosa e convenhamos que, essa música merecia uma história a altura. Por fim, quero dizer apenas que, muito em breve sairá uma continuação com o foco no nosso casal maravilhoso.

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