Carry Me Away

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Última atualização: 11/02/2021

Prólogo

Ele estava no centro de um palco bem estruturado com uma orquestra, sua banda e jogos de luzes frenéticos que endossavam a atmosfera que sua música proporcionava aos seus fãs. Sim, ele tinha fãs, milhares deles.
Um sorriso discreto apareceu no canto de sua boca assim que terminou mais uma de suas músicas e uma calorosa onda de aprovação, tidas como aplausos e alguns gritos, pareceram abraçá-lo. Ele captou os acordes da próxima música que seria tocada e um arrepio tomou conta de seu corpo: era a música dela.
A música que ele tinha escrito no auge da paixão mais intensa de sua vida.
Isso normalmente não era um problema, ele gostava de cantar músicas que eram escritas diretamente para alguém, ainda mais se a pessoa estivesse ali naquele exato momento. Seu olhar se voltou para a parte mais alta da casa de shows e então seus olhos se cruzaram com os dela, como ímãs, e mais uma vez, sua cabeça formulou a mesma pergunta: Como uma jovem mulher conseguia ter todo esse poder sobre um homem? Um homem, sendo que ela era só uma criança.
Bom, ela não era exatamente uma criança, nem mesmo uma garota, mas os imensos dezoito anos que separavam o nascimento dos dois o faziam se sentir assim.
Seus olhos transmitiam o real significado da palavra manipulação, uma doce manipulação.
Ele sentiu-se completamente desarmado quando os lábios atraentes da garota se curvaram para cima, formando um sorriso malicioso cheio de charme.
Desarmado, uma palavra muito boa para mostrar como ele se sentia em relação a ela.
A sensação que tomava conta dele é a mesma de quando se cai em queda livre, mesmo sabendo que pode sentir uma dor dilacerante ao chegar ao fim, você não perde a chance de aproveitar a sensação maravilhosa que é estar caindo... Pois nesses intensos momentos só há a sensação de liberdade e, mesmo com toda a impotência e vulnerabilidade, ele nunca havia se sentido tão bem dessa maneira.
Era assim que ele se sentia em relação a , caindo livremente, sem poder se apoiar em nada, ansiando quando ele chegasse ao fim da queda e, sem haver a possibilidade de voltar, finalmente se rendesse, chegando ao ápice da paixão fulminante que ela despertara nele.
Entretanto, toda essa paixão muitas vezes fermentava um sentimento em suas entranhas que trazia para sua garganta um gosto amargo de raiva unida a frustração.
Nenhum homem espera ou deseja ser completamente vulnerável aos encantos de uma mulher, ainda mais quando a mesma tinha tantos anos a menos de experiência romântica e ele, John, não fosse nem um pouco acostumado a sentir-se nas mãos de alguém.
Querem saber a mais cruel das ironias? Ela era filha de sua noiva, a mulher que qualquer homem gostaria de ter: independente, linda, sexy e o melhor, seu caso com ela não era considerado um grande escândalo.
Ele riu internamente, amargurado, enquanto forçou-se a voltar sua atenção para a plateia, pois mais alguns segundos e seus olhos chegariam às coxas da garota e o impacto disso, meus amigos, não seria aceitável em público.
Seu nome era John Mayer e ele era um dos maiores músicos de sua geração.


Capítulo 1

’s Pov

- Porra.

Murmurei antes mesmo de abrir meus olhos, instantaneamente irritada com o barulho do despertador, que cessou assim que minha mão bateu em cima do celular com força o fazendo cair ao chão. O barulho parou.
Uma preguiça inimaginável tomou conta de mim, porém, lembrei-me que hoje era o dia de folga da minha mãe e isso significava que a casa seria só minha.
Sorri e finalmente abri meus olhos, levando minhas mãos na altura dos mesmos, os massageando. Fiquei alguns minutos olhando para o teto, isso porque era sábado, diferente disso já teria ouvido a voz de minha mãe escandalosa dizendo que eu estava atrasada para a faculdade.
Franzi minha testa, por que afinal a porcaria do despertador estava ligado em um sábado? Eu estava com preguiça até de pensar.
Pulei da minha cama e fui direto para o banheiro. Fiquei indecisa entre a banheira e a ducha, porém optei pelo mais rápido. Despi-me preguiçosamente e liguei a ducha, entrando em seguida.
Demorei no mínimo meia hora, lavei meus cabelos com calma e fiquei um tempo apenas sentindo a água morna acalmar todo o meu corpo, me fazendo ficar com uma preguiça maior ainda. Saí do banheiro enrolando uma toalha no meu cabelo enquanto a outra secava meu corpo.
Peguei um short jeans curto e, me lembrando do meu querido padrasto, uma camiseta apertada, fazendo questão de colocar um sutiã que destacasse ainda mais o meu decote.
Penteei meus cabelos e apenas os bati, lembrando que depois eu poderia querer dar um pulo na piscina, então não faria sentido secá-los. Fui descendo a escada e ouvi risadinhas apaixonadas que instantaneamente embrulharam meu estômago.
Quando cheguei a cozinha minha mãe estava pendurada em John, beijando-lhe o pescoço e, assim que ele me viu, um misto de constrangimento e malícia eram percebidos em seus olhos.
Dei meu melhor sorriso sacana e passei a língua por toda a extensão de minha boca.
Por estar estático, agora com uma cara de pura incredulidade, minha mãe estranhou sua linguagem corporal e se afastou, finalmente me vendo parada na porta.

- Bom dia pombinhos - Ironizei.
- Ah, bom dia, minha querida - Minha mãe disse, soltando-se de John que agora me olhava sorrindo. Um ótimo ator! - Caiu da cama?

Eu ri de leve e então lembrei-me o porquê do despertador.

- Mãe, posso chamar umas amigas para vir aqui? Quer dizer, vocês vão sair, não é?

Era um ritual deles, John vivia constantemente ocupado com shows, turnês e tudo o mais, e minha mãe ocupada com a empresa, portanto, quando os dois tinham folga, saíam para uma curta lua-de-mel.
Nem preciso dizer meu contentamento com isso, certo?

- Na verdade meu amor, não dessa vez. Aconteceu uma emergência na empresa e terei que trabalhar.

O tom de desânimo na voz dela era evidente e me senti mal por ela, eu sabia o quanto minha mãe trabalhava, ela merecia um descanso. Porém... Eu lembrei que esse descanso seria em cima do John e minha empatia foi embora.

- Que droga mãe, sinto muito.

Usei meu tom mais doce e ela sorriu agradecida, depositando um beijo em John e vindo fazer o mesmo na minha testa, subindo em seguida, provavelmente indo se trocar.
Relaxei meus ombros suspirando e sentei-me na mesa central da cozinha, depositando calmamente um suco em meu copo e, após tomar um gole, olhei para John.
Ele me fitava num misto de raiva e excitação, a segunda provavelmente porque eu estava mordendo meus lábios descaradamente. Quem visse essa cena iria pensar: Nossa, essa garota é definitivamente uma piranha!
Porém, não me culpe antes de ouvir a minha versão. Não que essa me coloque em posição de estar certa, contudo, tente se pôr no meu lugar. Imagine aquele ídolo, aquele cantor/ator famoso que te faz suspirar, chorar e sonhar acordada, que está tão longe de você, inalcançável. Agora, imagine que você fez a melhor viagem da sua vida, um intercâmbio na verdade, que duraram seis meses, apenas seis meses, e quando volta, sabe aquele ídolo? Está namorando a sua mãe!
E você achando que essas coisas só aconteciam em filme...
Ele estava totalmente fora da minha realidade, ele era intocável, e agora mora sob o mesmo espaço que eu, na mesma casa.
Ninguém se recupera de um baque desses, o homem perfeito dos meus sonhos agora namora a minha mãe. E se já não fosse ruim o bastante, dois meses depois eles decidiram ficar noivos! Foi tudo rápido demais para a minha adaptação, não que eu achei que um dia fosse me adaptar a isso.
E agora aqui estou eu, na frente desse homem de olhos castanhos profundos, cabelos negros despenteados, boca irresistivelmente bem desenhada, músculos nítidos sobre a camisa branca de seu pijama e me olhando com um desejo contido.
Isso, nem de longe, parece justo não acham?

- Você pode chamar suas amigas se quiser, não irei atrapalhar.

Aquela voz, ah, aquela voz. Por mais que minha situação seja deplorável, eu agradeço todos os dias por poder ouvi-la tão perto de mim.

- Na verdade John, eu não ia chamá-las.

Ele arqueou uma sobrancelha, enquanto eu me deliciava com um pedaço de bolo de chocolate fresquinho.

- Então por que disse isso para a sua mãe?
- Por que ela não iria me deixar trazer um guitarrista desconhecido, sabe? Apesar de eu já ser adulta, minha mãe tem sérias regras sobre sexo embaixo do teto dela.

Respondi sem nem mesmo olhá-lo, ocupada demais em aproveitar o chocolate que estava em minha boca. Ouvi sua risada de descrença e o olhei a tempo de ver sua cabeça balançando negativamente.

- Amores da minha vida, eu já vou indo, aproveitem a tarde.

Minha mãe vinha apressada indo em direção a porta, seguida por John que foi levá-la até o carro, que meigo. Pelo menos um beijo que eu perderia.
Terminei meu café rapidamente e me pus a correr escada acima, eu queria aproveitar o sol lindo que estava lá fora. Cheguei ao meu quarto e fui direto para o closet, pegando o primeiro biquíni que eu vi. Sorri maliciosa assim que peguei o protetor. Tive uma ideia!
Desci as escadas calmamente me deparando com John sentado desleixadamente no sofá, agora de shorts e regata, deixando suas tatuagens no braço a mostra.
Respirei fundo e, assim que ele me viu, fiz a cara mais inocente que consegui. John me analisou minuciosamente e eu me senti satisfeita, já que seus olhos faiscavam.

- John, posso te pedir um favor?

Minha voz saiu manhosa e a cada passo que eu dava me aproximando dele, sentia seu desconforto aumentar. Eu adorava causar essa reação.

- Ah... Claro, eu acho.

Seu tom desconfiado e apreensivo me divertiu e depois de jogar a toalha em cima de outro sofá, me aproximei o bastante para me sentar ao seu lado, o encarando.
Nossos olhares estavam vidrados e eu sentia uma corrente elétrica inexplicável abater meus sentidos ao constatar como estávamos próximos, sua respiração quente chegando até meu rosto.
Sem quebrar o contato visual, fiz meus dedos percorrerem lentamente o meu ombro e, levando a minha mão até minha nuca, apanhei o laço que prendia a parte superior do meu biquíni e o soltei, fazendo John ofegar e instantaneamente fechar os olhos.
Eu estava me segurando para não rir enquanto esperava que ele me olhasse novamente. Quando o fez, suspirou de alívio ao me ver segurando a parte do biquíni que cobria meus seios.

- Passa protetor em mim?

Disse como se fosse algo casual e antes mesmo que ele respondesse me virei de costas, esperando seu toque ansiosamente. Ele estava demorando mais tempo do que o necessário para despejar o conteúdo em sua mão e isso só me divertiu mais.
Prendi minha respiração assim que senti o calor de suas mãos sobre as minhas costas, as tocando levemente, me fazendo morder os lábios para conter um instantâneo gemido.
Meus dedos se apertaram assim que eu senti o hálito dele bater na minha pele quente, provavelmente porque ele tinha se aproximado mais, e meu estômago se contraía em uma sensação deliciosa.
Seus dedos acariciavam minhas costas delicadamente e, enquanto eu sentia sua respiração cada vez mais próxima do meu ouvido, suas mãos foram descendo, cada vez mais firmes, chegando até minha cintura, onde ele parou por alguns segundos me fazendo ofegar.
Quando eu achei que não tinha mais jeito do meu corpo reagir, senti a boca do meu estômago borbulhar assim que suas duas mãos deslizaram até minha barriga me puxando para mais junto de seu corpo.
Completamente envolvida, eu agora sentia seus lábios molhados em meu pescoço. Gemi baixinho apertando ainda mais meu corpo contra o dele.
O resto da minha sanidade evaporou assim que um riso leve e rouco bateu no meu ouvido e uma de suas mãos descia para a parte interna da minha coxa.
O movimento pareceu durar uma eternidade e, quando ele estava perigosamente perto de onde minha expectativa esperava seu toque, eu ofeguei com o susto de uma voz alta que vinha da cozinha.
Eu não sei como, mas, no segundo seguinte, eu estava em pé a uma distância mais do que segura de John enquanto ele se arrumava no sofá novamente.

- Eu só vim avisar que eu estou indo embora.

Uma das funcionárias apareceu. Ela nos olhou desconfiada assim que me viu segurando meu biquíni, porém, antes mesmo que ela pudesse tirar alguma conclusão, me encaminhei até ela.

- Amarra pra mim por favor? O John é péssimo em fazer laços.

Eu disse descontraída, caminhando em sua direção e me virando. Ela amarrou e depois sorriu para mim.

- Pode ir querida, bom descanso.
- Obrigada senhorita . Bom final de semana.

Ela disse doce para nós dois. Quando ficamos sozinhos me obriguei a olhar para John, que me fitou sem expressão alguma e sem mais delongas saiu da sala.
Suspirei irritada. Sentindo um intenso calor percorrer meu corpo, me encaminhei para fora, eu precisava de uma água bem gelada para esfriar minhas frustrações.
Andei rápido até a parte exterior da casa, tentando ignorar a temperatura quase febril do meu corpo e, após colocar a toalha em umas das espreguiçadeiras, pulei de ponta na piscina.
A água em contato com o meu corpo causou uma sensação de extremo alívio.
Chegando ao fundo da piscina, estiquei meu corpo e mergulhei por toda a extensão da mesma. Fiz o caminho de ida e volta e, quando meu corpo implorou por oxigênio, nadei até a superfície.
Sobressaltei-me quando vi uma figura parada na beira da piscina. Ao tirar o olhar de seus pés, sorri descarada para John, que apenas me entregou o meu celular.

- Alô?

Sorri com a voz que soou do outro lado do aparelho. Era , o meu guitarrista delicioso, que estava muito ansioso e animado. Coitado, mal sabe que vai levar um fora.

- Oi amor. Então, não vai dar pra gente se encontrar hoje. É eu sei. Não, eu sei . Olha, se você for um bom garoto, semana que vem eu te retribuo – Disse maliciosa e olhei para John, que estava sentado em uma esteira perto da piscina com um olhar mal-humorado – Isso, você sabe do que eu estou falando. Ok, até semana que vem. Eu também.

Desliguei o celular e sorri, eu realmente gostava de , pena que o meu querido padrasto fazia qualquer lembrança dele ser apagada instantaneamente da minha cabeça.
Antes que John pudesse se levantar, dei um impulso na borda da piscina e saí dela, caminhando até ele.

John’s Pov

Eu devo ter feito muita merda na minha vida para merecer isso! É sério, muita merda mesmo!
estava caminhando lentamente na minha direção, seus olhos faiscando maldade e malícia, com aquele olhar que só ela sabe fazer, balançando todas as curvas deliciosas de seu corpo de maneira sincronizada e insinuante, com aquele biquíni preto que tampava somente o extremo necessário.
Se isso já não fosse sensual o suficiente, gotículas de água escorriam pelo seu corpo assim como no seu rosto, deixando algumas mechas grudadas em sua pele enquanto ela balançava o resto dos fios.
Tudo parecia em câmera lenta e eu sentia cada vez mais o ar se esvaindo do meu corpo.

- Obrigada por trazer meu celular! – Sua voz tão próxima me fez despertar do transe.

Recobrei minha consciência e sorri para ela, enquanto a mesma se deitava na espreguiçadeira do meu lado. Respirei fundo e fixei meu olhar em uma árvore do imenso jardim, qualquer coisa deveria ter extrema importância. Eu não podia olhar para o lado.
Eu estava indo muito bem na minha missão até que senti movimentos por parte dela, que ergueu seu tronco e apoiou seus braços para atrás.
Sentia seu olhar minucioso em mim e, já que eu não conseguia obrigar meu próprio corpo a sair dali, respirei fundo e tentei me lembrar que afinal de contas eu era o adulto daquele lugar.
Ela era só uma jovem brincando de provocar o padrasto, uma brincadeira que deve ser muito divertida nessa fase. Para ela é claro, já que para mim era perigoso e estúpido.
Consegui me distrair com uma facilidade não natural para mim, mas não tinha como ser de outra maneira, aquela casa parecia abrigar as melhores fases do céu que eu já vi. A manhã estava quente, o céu estava sem praticamente nenhuma nuvem e o sol irradiava seu calor.

- Lindo...

Franzi a testa e voltei meu olhar para ela.

- O quê?
- O céu. Está lindo.

Ela deu uma risadinha e eu me senti um idiota. Sorri de lado e juntei as minhas mãos em frente ao meu corpo respirando fundo.

- Não está com saudades da estrada? – estava distraída e, sem estar controlando seu tom de voz para parecer constantemente sexy ou petulante, ele soava extremamente doce.
- Sim, na verdade. Mas foram dois anos seguidos com quase nenhuma folga, vou ficar alguns meses sem viajar.
- Você não me parecia incomodado em trabalhar dois anos seguidos. O que houve?
- Sua mãe me mostrou que eu não preciso estar constantemente trabalhando.
- Ah, claro, porque ela é um exemplo nisso – Disse debochada e revirou os olhos.

Virei minha cabeça para olhá-la melhor. A relação entre ela e Amanda me intrigava sempre. Não era afetuosa como se espera da relação de mãe e filha que viveram parte da vida sozinhas. Elas eram distantes e eu poderia até notar certa amargura por parte de .
Algo devia ter acontecido e sem saber exatamente o porquê, estava virando quase uma obsessão descobrir o que era.

- Vamos John, levanta daí! – Subitamente animada, ela pulou da espreguiçadeira ficando na minha frente, me obrigando a levantar os olhos para achar seu rosto e não olhar para seu corpo – Vamos nadar! – Sorriu de uma maneira divertida e como não consegui achar segundas intenções naquele pedido, constatei que nadar seria uma ótima ideia.

Sem esperar a minha resposta, ela virou e correu até a beira da piscina pulando com as pernas flexionadas, levantando uma pequena quantidade de água quando caiu, me fazendo rir enquanto tirava a minha blusa.
Resolvi ficar com meu short e antes mesmo dela se recuperar da água que invadia seus olhos corri até a beira da piscina e pulei.

’s Pov

Meu coração estava disparado, eu esperei muito por esse momento e não importa como vai acontecer, mas ele vai ser meu agora.
John pulou na piscina e assim que emergiu senti meu corpo quase contrair de excitação. Ele sorriu divertido e passou as mãos pelos cabelos tirando o excesso de água, olhando pra mim em seguida.
Seu peito subia e descia calmamente, seus braços fortes aqueciam minhas fantasias e antes que eu soubesse o que estava fazendo comecei a me mover em direção a ele, meus olhos vidrados naquela boca maravilhosa.
Não me preocupei e nem me lembrei em checar como ele estava, apenas sabia que John permanecia imóvel e após alguns segundos encostei meu corpo no dele.
Pela primeira vez me atrevi a olhá-lo nos olhos, temendo uma repreensão, contudo, senti o resto da precaução se perder quando seus olhos negros só me mostravam o que eu mais queria que ele sentisse: desejo.
Meu corpo esquentou e no segundo seguinte nossas bocas se chocaram furiosamente em um beijo rápido e caloroso.
Agarrei com força seus cabelos enrolados, enquanto uma mão dele segurou minha cintura e a outra se espalmou em minhas costas. Levei minhas duas pernas em torno de sua cintura e John gemeu quando minhas coxas pressionaram sua intimidade.
Ele me apertava violentamente contra seu corpo e minhas mãos se perdiam em suas costas definidas, sentindo um imenso prazer em passar minhas unhas sem dó por seus músculos.
Instantaneamente nossos corpos já se movimentavam enlouquecidos e eu sentia o membro de John completamente evidente, arrancando um gemido de excitação do fundo da minha garganta.
Senti algo sólido bater em minhas costas e deduzi ser algum canto da piscina.
Eu sentia minha boca latejar e não percebi como estava sem fôlego até que ele desgrudou nossas bocas e começou a escorregar seus dentes pelo meu pescoço, me fazendo fechar os olhos e respirar descompassadamente enquanto meus pés empurravam o short que ele usava para baixo.
Eu não conseguia pensar direito, estávamos tão enroscados que era uma missão difícil descobrir como tirar a roupa dele, mas mesmo assim eu consegui. As mãos de John eram grandes, pesadas, e eu suspirei quando ele arrancou a parte de cima do meu biquíni.
Eu já estava quase no ápice apenas por beijá-lo daquela maneira. John levou suas mãos à parte debaixo do meu biquíni e, com a pressa de tirar, suas unhas me arranharam dolorosamente, algo que naquele momento me deu muito prazer.
Afastei minhas pernas de seu corpo para que o trabalho ficasse mais fácil e sem dar brecha para desistência, segurei seu rosto e voltei a beijá-lo.
Completamente nua, senti meu corpo tremer sob o dele. Minha pele estava quente e a água não fazia diferença, não refrescava, podia jurar que saia vapor de mim.
O beijo machucava nossos lábios, minhas unhas machucavam as costas dele e suas mãos machucavam minha cintura. Entrelaçados nessa loucura, John me penetrou em uma única estocada repentina e minha cabeça pareceu girar.
Soltei nossos lábios e apoiei minha cabeça em seu ombro, me movimentando sedentamente, eu queria tanto aquilo que sentia como se todo o meu sistema nervoso se voltasse inteiramente para os movimentos fortes e contínuos de John.
Começamos a nos movimentar em uma dança perfeitamente sincronizada. Minhas costas batiam desconfortavelmente sobre a parede da piscina, mas isso não importava, a única coisa que eu conseguia sentir era prazer.
Parecíamos dois animais, a força nos movimentos era evidente. Meu corpo parecia ter ensaiado aquele orgasmo minha vida inteira, e então, com um último suspiro... Ouvi um despertador tocar. Como? Um despertador?
E foi aí que a realidade trágica me deu um soco na cara: eu estava sonhando.
Bufei frustrada e um gemido parecido com um começo de choro escapou pela minha garganta. Amaldiçoei o mundo naquele momento.
Não era possível, mais uma noite inteira sonhando com o John. Gemi, completamente decepcionada.
O pior foi constatar o quanto eu fui afetada pelo sonho, meu corpo parecia pegar fogo e minha parte íntima formigava. Que situação frustrante.
Levantei empurrando com toda a raiva que habitava em mim a minha fina coberta e marchei em direção ao banheiro tomar um banho rápido e gelado, contudo, não tão rápido que não desse tempo de me satisfazer sozinha e abafar pelo menos um pouco do tesão que eu sentia.


Capítulo 2

Após uma ducha mais gelada do que eu estava acostumada e uma masturbação rápida, fui me secando com a toalha calmamente e depois enrolei a mesma nos meus cabelos. Respirei fundo e olhei meu reflexo no espelho.
Meus olhos refletiam para meu inconsciente as seguintes perguntas: Quando foi que minha vida ficou tão confusa? Quando foi que eu normalizei o fato de estar apaixonada e sedenta de tesão pelo noivo da minha mãe? Quando foi que o universo achou que seria pertinente transformar John Mayer em meu padrasto?
Eu havia tido inúmeros padrastos, nenhum que durasse tempo o suficiente para que eu me apegasse a eles de alguma forma.
Mas John... antes mesmo de estar aqui ele já fazia parte da minha vida.
Foi um dos primeiros artistas pelo qual eu realmente senti uma grande conexão com as músicas, com as letras. Eu o admiro tanto!
Se ele soubesse quantas vezes passei madrugadas inteiras ouvindo sua voz nos meus fones de ouvido, sonhando com ele, me conectando com suas músicas, sentindo que eu o conhecia.
Se ele imaginasse o quanto as músicas dele já haviam me ajudado em momentos nos quais eu me sentia completamente quebrada por dentro. Quebrada pela mulher que hoje ele chama de noiva...
Suspirei, sentindo um enorme peso em meu coração. Decidi parar com o devaneio e caminhei para fora do banheiro, completamente nua e tirando a toalha enrolada nos meus cabelos, começando a secá-lo.
Distraída, quando levantei meus olhos do chão o ar saiu dos meus pulmões e eu arfei alto, meu coração acelerando. , que era de fato um guitarrista maravilhoso que eu tinha como ficante, estava ali, sentado na minha cama.
Com o susto, senti minhas pernas formigarem e, lançando um olhar incrédulo para o mesmo, esperei uma explicação enquanto uma das minhas mãos apertavam meu peito em uma tentativa de acalmar meu coração.
sorriu de lado, esparramado na beirada da minha cama, com as pernas abertas e seus olhos faiscando malícia enquanto ele analisava meu corpo.

- , mas que caralho você está fazendo aqui? Eu já te disse para não escalar a janela! Minha mãe vai acabar pegando a gente e a situação toda vai ser ridícula! – falei sussurrando e fui chegando perto do mesmo, irritada.
- Sua mãe não descobriu até agora e eu tenho feito isso por semanas, eu não serei pego. E, além disso, você não tem o primeiro período de aula, então eu imaginei que poderíamos nos divertir um pouco.

O tom de voz sacana que ele usava, ainda mais nesse volume baixo e rouco por ele provavelmente ter acordado a pouco tempo, fez minha intimidade pulsar. Fui me aproximando, sentindo o cheiro delicioso de perfume masculino e banho recém-tomado. Céus, eu não estava em condições de dizer não para um convite desses!
Comecei a rir baixinho, balançando minha cabeça negativamente enquanto deixava a toalha cair nos meus pés. Ele sorriu e eu fui caminhando lentamente em sua direção
Quando eu já estava próxima o suficiente, agarrou minha bunda e me puxou delicadamente para perto, enroscando seu rosto na minha barriga, onde senti seus lábios úmidos depositarem beijos por toda a região, arrepiando cada pedacinho do meu corpo.
Tentando controlar os suspiros e gemidos baixos, emaranhei meus dedos no cabelo dele e o acariciava lentamente, dando uns puxões quando queria ajuda para manter minha boca fechada.
Ele foi descendo os beijos até chegar perto da minha intimidade, me fazendo arfar e jogar minha cabeça para trás, apertando ainda mais meus dedos nos seus fios. Por estar sentado e querendo livre acesso a mim, levantou uma das minhas pernas até que ela se apoiasse na sua, o fazendo enterrar seu rosto entre minhas coxas na altura perfeita para iniciar as carícias.
Com uma perna só sustentando o meu corpo, me inclinei o máximo que pude para cima dele, sentindo sua língua quente me invadir de uma só vez. Soltei um gemido longo de prazer, não tão baixo quanto eu gostaria, mas não tão alto que pudesse me entregar.
Como precisávamos ser rápidos não perdia tempo, lambendo minha intimidade inteira, umedecendo o máximo sua boca e causando o mesmo efeito em mim.
Já estávamos juntos há algumas semanas e ele era um esmero aprendiz, pois sabia exatamente onde colocar aqueles lábios e aquela língua deliciosa, chupando delicadamente o clitóris e apertando minha bunda para que meu corpo grudasse mais nele.
sabia o que fazia e eu já estava totalmente entregue ao momento, esquecendo completamente a irresponsabilidade da situação e as consequências se caso fôssemos pegos. Se dando por satisfeito pela umidade que proporcionou, saiu do meio das minhas pernas, me olhando e passando seu dedão pela boca, limpando o excesso de líquido do seu rosto.
Senti um fogo tomar conta de mim quando ele colocou o dedão de volta na sua boca, chupando meu gosto do seu dedo.

- Você é deliciosa demais.

Sorri, me sentando em seu colo e encaixando minhas pernas perfeitamente em torno dele, encostando minha vulva no volume de sua calça. Começamos a nos beijar intensamente, sua língua invadindo a minha boca com violência. Minhas mãos puxavam seus cabelos sem dó nenhuma e meus quadris se movimentavam em círculos em cima do membro dele.
passava suas mãos por todo o meu corpo, me puxando para mais perto.

John’s Pov

Após sair do banho, percebi que Amanda já não estava mais na cama. Devia ter descido para tomar seu café da manhã ou atender uma ligação de emergência da empresa. A verdade é que o acordo entre nós dois de diminuir a carga de trabalho não estava sendo nem um pouco recíproco. Suspirei irritado.
Me troquei e comecei meu caminho para o andar de baixo, entretanto, no silêncio da manhã, ouvi alguns ruídos estranhos vindo do quarto de . Ruídos esses que formaram uma frase bem clara: você é deliciosa demais.
Essa, com certeza, não era a voz da garota.
Meu coração vacilou. Por que eu ficara tão nervoso de repente?
Com desconfiança e certa curiosidade, me encaminhei com os passos mais leves que consegui para o corredor da lateral e cheguei até sua porta, analisando uma leve abertura na mesma que me dava certa visão da cama dela.
E o que eu vi, meus amigos, me fez perder o chão por um momento.
estava montada no colo do rapaz que a levava para a faculdade às vezes, completamente nua, com os cabelos úmidos e rebolando no colo do mesmo. Atônito e confuso, pisquei várias vezes para ter certeza do que eu estava vendo.
Fascinado, senti minha respiração ficar mais densa e acelerada.
Eu via quase todos os dias há meses, ela com certeza era uma jovem mulher muito atraente, entretanto, nunca havia imaginado a ver dessa maneira. Sua pele estava úmida e eu podia sentir o cheiro delicioso do seu banho recém-tomado. Eu mentiria se dissesse que nunca tinha reparado em como ela era linda, contudo, nesse momento, ela parecia divina.
Suas pernas eram grossas, com coxas volumosas, provavelmente herança dos traços brasileiros do seu pai. A bunda deliciosamente arredondada, agora pressionada e agarrada pelas mãos do rapaz, parecia tão macia.
Seu corpo se movimentava de maneira intensa, hipnótica, deslumbrante, os movimentos precisos enquanto ela se pressionava cada vez mais no corpo dele. Ela jogou sua cabeça para trás e aquela feição de êxtase, enquanto sorria como uma menina levada, acompanhou vários dos meus sonhos posteriormente.
O rapaz sugava um de seus seios e , mordendo seu lábio inferior, parecia uma pintura, os olhos fortemente fechados.
Me forcei a sair do transe em que eu me encontrava.
O racional seria, com toda a certeza, ir em direção a Amanda e contar pra ela, era claro que minha noiva nunca aprovaria uma situação dessas e, obviamente, era responsabilidade dela.
Contudo, e essa foi uma decisão que me assombrou em muitas madrugadas, a única coisa que consegui fazer foi ficar parado, com os olhos fixos nela e nos seus movimentos.

- ... eu preciso de você – o rapaz sussurrou, sôfrego.

Tive que vergonhosamente admitir que estava, decididamente, com inveja do garoto. parou seus movimentos e o olhou, dando o sorriso mais incrivelmente sacana que eu já havia visto em toda a minha vida. Ela se aproximou do rosto dele e sugou seu lábio inferior.
Levantou as curvas maravilhosas do seu corpo e, em pé, começou a tirar a calça do cara. Eu não conseguiria pontuar, nem mesmo se eu quisesse, o quanto isso era errado, o quanto eu estava sendo inconsequente, sujo...
Mas aquele sorriso, aquele olhar, aquelas curvas. Eu não conseguia me mexer.
Assim que, com a ajuda dele, o rapaz havia ficado nu na parte inferior, se ajoelhou entre as pernas dele e, me sentindo a própria escória da humanidade, o olhar dela e aquela posição fizeram com que o meu membro começasse a se sentir muito apertado dentro da minha calça.
Em nenhum momento ela cortou a conexão visual dos dois, colocando o pênis do rapaz dentro de sua boca, lentamente, fazendo movimentos circulares com as mãos. Acho que o ouvi gemer, mas meu olhar estava vidrado apenas no rosto dela.
O oral não durou muito tempo, já que o garoto a puxou pelos cabelos e ela ria solta, se divertindo com a avidez dele.
Com uma habilidade que arrepiou minha nuca completamente, sentou novamente no colo do rapaz, o encaminhando com a própria mão até a entrada de sua intimidade, forçando seu corpo para baixo. Agora ele gemeu mais alto. Os dois se movimentavam em sincronia enquanto se perdiam entre beijos, apertões e mordidas.
Enquanto eles se movimentavam juntos, gemendo baixo e soltando suspiros excitados, houve um momento em que o rapaz, tão hipnotizado quanto eu deveria estar, colocou uma mão na nuca dela buscando o olhar de .
Eu conhecia aquele olhar, já havia o protagonizado várias vezes: ele estava completamente apaixonado. Ela o olhou e, dentro de toda aquela luxúria, sorriu de maneira doce, encantadoramente inocente, encostando sua testa na dele e beijando levemente os lábios do mesmo.
Senti algo e adoraria dizer que havia sido na minha calça, mas a sensação tomou o meio do meu peito fazendo meu coração se retrair. Saí dali transtornado, caminhando em passos leves de volta para o meu quarto.
O que diabos estava acontecendo? O que eu estava sentindo?
Entrei no banheiro, nervoso, passando as mãos pelos meus cabelos e bufando jatos de ar pelo cômodo, como se eles pudessem tirar toda a tensão que eu estava sentindo dentro de mim.
Era como se um véu tivesse caído em frente aos meus olhos e , a filha da minha noiva, houvesse se tornado a mulher que eu amaria ter, mas que nunca teria.
O olhar dela, o sorriso, o carinho mesmo em um momento de pura luxúria me fizeram bater de frente com uma verdade que eu não queria aceitar: o que eu estava perdendo com Amanda.
A dura realidade é que depois de tantos relacionamentos com inúmeras mulheres, após ficar tantos anos na mídia e ter todo o tipo de atenção pública, julgamentos e muitos, inúmeros e gigantescos, erros da minha parte, eu havia desistido de entregar meu coração novamente.
No auge dos meus quarenta e quatro anos e com um hiato de quatro anos sem lançar nada eu só queria paz, e tinha aceitado minha limitação em não conseguir ter paz a não ser que eu estivesse em um relacionamento.
Era patético, eu sei. São para essas questões que existem terapia, e eu estou ciente desse fato, mas sou covarde demais para querer lidar com isso.
Amanda surgiu leve, apaixonada, independente, sem dramas aparentes, apesar da filha jovem e um marido falecido há muitos anos, e eu decidi entrar nessa, mesmo sem ter desenvolvido de fato algum sentimento especial por ela.
É claro que isso não era justo, mas já admiti que não gosto de lidar com minhas questões amorosas.
Contudo, nessa maldita manhã, parado na frente do espelho e encarando meu reflexo, percebi que não, eu não conseguiria viver o resto da minha vida sem que eu olhasse para alguém do jeito que aquele garoto olhou para . Eu precisava disso, nem que fosse uma última vez.
Entretanto, e essa conclusão foi ainda pior, meu coração começou a desejar, intensamente, que me olhasse daquele jeito também. Respirei fundo.
Ou isso vai acabar com a minha vida, ou vai me dar o álbum mais incrível da minha carreira.

’s Pov

Após uma segunda ducha rápida, apenas para que a água carregasse o cheiro de sexo de mim, me vesti rapidamente e estava pronta para finalmente sair do quarto quando meu coração vacilou por um segundo: minha porta não estava fechada.
Na verdade, tinha uma considerável brecha e essa dava direto para a minha cama. Ofeguei, em pânico. Mas não, eu não precisava ficar preocupada, afinal, ninguém interrompeu, então obviamente ninguém viu. Certo?
Quer dizer, minha mãe entraria como uma louca, os funcionários não estavam no andar de cima e John... Bom, eu não sei qual seria a reação dele. Passar reto e fingir que não viu nada?
Soltei o ar profundamente, meu corpo formigando pelo nervosismo, o medo de descer as escadas e uma recepção raivosa estar me esperando me fazendo vacilar.
Após um momento torturante de expectativa, resolvi descer respirando fundo, colocando em prática o meu treino mental de preparação para encontrar John cara a cara, ainda mais depois de um sonho tão deliciosamente explícito na noite anterior e a possibilidade de ele ter visto ou ouvido algo.
John e minha mãe estavam sentados lado a lado, comendo tranquilamente suas refeições e conversando frivolidades. Parei por poucos segundos na porta, mas, sem ser percebida, suspirei aliviada ao notar que ninguém ali realmente havia visto nada.
Murmurei um bom dia sem muita animação, me encaminhando para a senhora Alice, nossa cozinheira e governanta da casa.
Sim, eu faço parte dessa elite nojenta fruto de nossa sociedade capitalista, enfim, a burguesa safada.
A abracei por trás e dei um beijo em sua bochecha, perguntando como ela estava. Como eu amava essa mulher! No meu coração, ela sim era minha mãe.
Dando risada de algo que Alice disse, me virei para pegar um pão que ela havia deixado pronto para mim e meus olhos se encontraram com o olhar intenso de Mayer.
Não sei explicar o que era exatamente, mas esse olhar dele pareceu afundar meu estômago. Ele nunca olhou para mim assim. Era quase como se me visse pela primeira vez, ou como se estivesse me vendo de maneira diferente... Sustentei seu olhar por alguns segundos antes de covardemente desviá-lo e morder um pedaço de pão, sentindo que subitamente minhas mãos tremiam.
É claro que uma hipótese cortou meu pensamento, mas não, ele não poderia ter visto o que aconteceu a pouco no meu quarto, quer dizer, isso não faria sentido, ele teria contado para Amanda.
Ouvi a campainha tocar e sorri com alívio.

- Quem será a essa hora? – perguntou minha mãe.

Antes que Alice pudesse se mover para abrir a porta, eu a parei.

- É o , ele vai me dar carona para a faculdade hoje – falei casualmente, mas, quando olhei para John, percebi diversão em seu olhar. Céus, ele viu tudo!

Será que estou ficando louca?

- Hmmm... você e tem se visto com frequência, por que não o chama para entrar? Talvez um jantar em família?
- Não, muito obrigada. Quero que ele continue gostando de mim – Respondi sarcástica e olhei petulante para a minha mãe, que franziu o cenho e fez a cara de desgosto que ela adora fazer quando o assunto sou eu.

Sorri cínica, beijei novamente Alice e me encaminhei para a porta, me despedindo de todos. Quando estava enfim chegando perto da saída de casa, após passar por um número considerável de cômodos, uma mão grande e forte envolveu meu braço direito, me fazendo parar e olhar confusa para trás.
John me segurava com delicadeza, mas suas feições eram duras e ele não parecia estar nem um pouco de bom humor.

- Eu sei que não sou ninguém para te falar isso, mas, você deveria prestar mais atenção com quem traz para a casa, ou melhor, para o seu quarto – Ele parecia muito atento ao tom de voz que usava, como se não quisesse que eu percebesse algo, um nervosismo talvez? – Não gosto nem de imaginar o que aconteceria se tivesse sido sua mãe a presenciar aquela cena.

Minha nossa, ele realmente tinha visto. Mas, quanto?
A vulnerabilidade me atingiu como um raio, assim como o constrangimento ao imaginar a cena que ele havia visto e como eu estava nela. Céus!
Inclusive, me deixem explicar uma coisa.
Nos meus sonhos eu sou a que adoraria ser na realidade quando o assunto é John, mas é claro que não sou.
Para lidar com toda essa situação surreal o distanciamento me pareceu a melhor tática, nunca me deixei envolver muito na intimidade do casal. Ou seja, nunca, nunca mesmo, eu havia insinuado o mínimo de desejo por Mayer. Bom, pelo menos não propositalmente.
E agora, aqui estava eu me sentindo analisada pelo olhar daquele homem como se ele pudesse ver o que havia por baixo da minha roupa. Quer dizer, na verdade, acho que agora ele podia mesmo.
Não sei quanto tempo essa situação durou, pensei em mentir, me fazer de desentendida, mas obviamente isso não ia mudar nada. John, percebendo que ainda segurava meu braço, o soltou lentamente, distanciando nossos corpos. Puxei o ar fortemente, tentando encontrar minha voz.

- Eu... eu não sei o que dizer. Obrigada? Por não ter envolvido Amanda nisso. Tomarei mais cuidado.

Ele franziu a testa e pensei que outras palavras iriam sair de sua boca, contudo, ele apenas sorriu de lado e concordou com a cabeça.
Meu coração batia tão forte que achei possível que John pudesse ouvi-lo. Me dando um último olhar, novamente como se quisesse dizer algo, ele respirou fundo e foi andando pelo mesmo caminho que viera.
Fiquei paralisada, absorvendo a situação.
Antes que sua silhueta sumisse completamente pelo corredor, ouvi ele murmurar “boa aula, ”, sem olhar para trás. Ele nunca havia me chamado assim.
Mas o me chamou assim hoje.
Peraí, por quanto tempo ele ficou parado me assistindo fazer sexo?

John’s Pov

Eu não acredito que essas palavras realmente saíram da minha boca. Eu estava indo tão bem! Por céus John, haja como um homem de quarenta e quatro anos!
Provocá-la com o apelido que aquele garoto havia usado tinha sido uma burrice gigantesca demais para pontuar. Agora ela poderia supor que eu fiquei tempo demais observando a cena. Isso não vai acabar bem.
Tive ainda que admitir para mim mesmo que não consegui olhá-la sem lembrar de como ela era sem todo aquele tecido... Por Deus, isso só pode ser uma crise de meia idade, e era vergonhoso!
Voltei para a cozinha como se nada estivesse acontecendo, mesmo que meu interior estivesse borbulhando com inúmeras sensações conflitantes. Amanda e eu trocamos um longo beijo de despedida e fiquei sozinho com Alice. Terminei meu café, a agradeci e fui para o meu estúdio na casa.
Eu e Amanda estávamos noivos, foi mais uma animação do momento do que de fato a vontade de selar um compromisso, sendo assim, não temos previsão do casamento em si, apenas queríamos dar um passo à frente.
Por isso, ao ver que estava entrando em uma família já construída, decidimos morar juntos. Combinamos também que eu ficaria alguns meses em reclusão, sem fazer shows, dar entrevistas ou produzir músicas para lançar ao público.
Mas é claro que eu não parava totalmente de trabalhar, música era minha vida. Assim, eu e Amanda construímos um estúdio incrível em sua gigantesca propriedade, não achando que faria sentido nos mudarmos dali, até por causa de .
Claro que ela era uma adulta de vinte e sete anos e não é como se precisasse da estabilidade de uma criança, mesmo assim, Amanda achou melhor não comprar essa briga, a relação das duas era recheada de tensão e ela queria evitar mais um conflito.
Enquanto eu tocava distraidamente alguns acordes aleatórios, a relação de e Amanda passava em minha mente.
Quando começamos a namorar, Amanda ficou longas horas desabafando sobre sua filha. Me disse que ela tinha puxado para a família do pai, que havia falecido a muitos anos atrás e era alcóolatra, me explicando como havia puxado a sua tendência a vícios, dramas e súbitas crises de raiva.
Antes de conhecê-la, parecia uma menina mimada que tinha tudo na vida e não estava contente, descontando injustamente em sua mãe uma tragédia que a mesma não poderia ter evitado.
Contudo, preciso ser sincero, ao conviver com as duas percebi que esses traços nada condizem com ela.
Algo me diz que a visão de da história seria muito diferente de Amanda, pois vejo nela um esforço gigantesco para estar longe da própria mãe, as duas parecendo estranhas que moram sob o mesmo teto. Eu não sabia se sempre fora assim, mas era algo que me intrigava. .
Fiquei algumas horas no estúdio, iniciando o corpo de uma música que eu não tinha certeza de como ficaria. Em um momento de silêncio enquanto eu anotava em um pedaço de papel os acordes criados, ouvi xingamentos do lado de fora. .
- É sério ! Porra! Para de me ligar! Por favor, me desculpe, eu não posso fazer isso agora! Mas que merda! – gritava e como não ouvi outra voz supus que ela falava no celular.

É claro que eu deveria ficar sentado, na minha, mantendo minha postura de desinteresse e cuidando da minha vida, mas, obviamente, e isso estava se tornando irritante, meu corpo não me obedeceu e eu me encaminhei para fora do estúdio.
Essa casa tinha mais salas do que eu poderia contar e em uma delas Bia estava sentada em um gigantesco sofá, com as mãos na cabeça, escondendo seu rosto enquanto seu corpo se movimentava lentamente, ela tentava chorar baixinho.
Eu nunca fui muito bom em lidar com mulheres chorando, me parecia uma situação muito delicada, minha vontade era de abraçá-la. Eu deveria sair dali, mas estava me atraindo como um ímã e fui andando para mais perto dela.
Ela percebeu uma movimentação e levantou a cabeça.
Fiquei abalado ao constatar que seus olhos, tão lindos, estavam absurdamente vermelhos e inchados, ela com certeza já havia chorado muito. Os traços das lágrimas haviam marcado seu rosto e até sua boca estava inchada e vermelha. Meu corpo se retraiu em preocupação.
Ela rapidamente limpou o rosto e se aprumou no sofá numa clara tentativa de aparentar estar bem.

- John, me desculpe! Você estava no estúdio? Não sabia que estava em casa, não queria te atrapalhar.
- É nossa casa, você não precisa me pedir desculpas por estar nela – Usei o tom mais reconfortante que consegui, sorrindo para ela.

’s Pov

A última coisa que eu precisava era de John usando aquela voz linda para me consolar, as lágrimas começando a rolar livremente pelo meu rosto mais uma vez. Sendo bem sincera, eu não sou muito acostumada a receber carinho nesse tipo de situação, sempre me virei muito bem sozinha.
Ao me ver chorando ainda mais, John se aproximou rapidamente e sem questionar nada, sentou-se ao meu lado, passando as mãos pelo meu cabelo e puxando minha cabeça delicadamente para seu peito.
Meu coração acelerou violentamente e meu corpo esquentou.
Foram poucos meses de convivência, mas John nunca se aproximou de mim assim e eu não sabia o que fazer, minha vontade estava dividida entre abraçá-lo e me aninhar em seus braços, e em fugir dali.
Ele estava apenas sendo um padrasto legal e eu estava aqui com meu coração nas mãos pronta para dá-lo a ele. Claramente isso não ia acabar bem pro meu lado, mas, naquela situação, eu não tinha forças para me afastar.
Ele fazia um gostoso cafuné em minha cabeça e eu senti meu choro diminuir, meu corpo voltando a se estabilizar.

- , o que aconteceu? – John tinha um tom de voz doce, preocupado, meu coração se acelerando ainda mais ao ouvi-lo.
- Eu... Eu e tivemos uma briga, ãh, intensa. Eu normalmente não fico assim com brigas, mas acredito que estou na TPM, sabe como é.

John riu de leve nos meus cabelos e meu estômago se contraiu, as tão conhecidas borboletas tomando conta da minha barriga.
É muito bizarro o fato de eu simplesmente querer sentar em cima desse homem agora mesmo?
Com muita dificuldade, me afastei dele, limpando as lágrimas e jogando meus cabelos para trás em uma tentativa de ficar mais apresentável. Nossos olhos se encontraram, céus, estávamos tão próximos um do outro.
John me olhava fixamente, seu olhar indo dos meus olhos para minha boca, sua feição me mostrando muitos sentimentos ao mesmo tempo, como se ele lutasse contra algo.

- eu... posso te chamar de ? – ai meu coração.

Ouvir meu apelido, normalmente utilizado de maneira carinhosa por Alice e alguns poucos amigos, saindo daquela boca, fez com que um bem estar instantâneo me envolvesse. Dei um meio sorriso e assenti, adorando essa nova intimidade.
John se afastou um pouco e sentou-se de maneira mais confortável, cruzando uma perna e descansando um braço na parte superior do sofá.

- Eu sei que não chegamos a ficar muito próximos nesses últimos meses, mas, acredito que você saiba, eu tenho um bom arsenal de experiências românticas – soltei uma risada, é claro que eu sabia, minha mãe se encontrava em uma vasta lista de muitas mulheres lindas, a maior parte delas celebridades e artistas que eu amava.
Ele me olhou divertido, passando a mão no cabelo.

– Se quiser, é claro, poderia me contar sobre a briga, acho que posso ajudar.

Fitei o chão e minha boca secou. Respirei fundo e me aprumei no sofá. A verdade é que tudo era tão complexo, não sei se poderia explicar para John e ficar bem com o fato dele saber que eu sou emocionalmente... Como eu posso dizer? Danificada?
John colocou sua mão em cima da minha, dizendo de maneira reconfortante:

- Se não quiser falar sobre isso, está tudo bem, só, por favor, me diga que ele não fez nada contra você.

Franzi minha testa, confusa, e fitei ele. Ele estava sendo protetor?

- Não, nunca. O é um cara incrível, com um coração incrível, ele nunca faria nada contra mim.

Seu cheiro de perfume masculino invadia minhas narinas e meu corpo parecia tão atento, eu não conseguiria relaxar perto dele. Ele continuou me olhando, esperando que eu continuasse.

- Diferente de você John, eu não tenho um bom arsenal de experiências românticas – ele riu e eu sorri brincalhona – E ... bom – suspirei.
- Está apaixonado e querendo um relacionamento? – John pontuou e eu tive certeza, nesse momento, que ele havia visto muito mais do que eu imaginava do meu pequeno deslize matutino.
- Por que você supõe isso? – o fitei. Ele sustentou meu olhar e a tensão que invadiu o ambiente era palpável.
- Porque consigo ver qualquer um se apaixonando facilmente por você.

Eu não saberia dizer como estava minha cara, mas meu coração voltou a acelerar descontroladamente. Senti meu corpo se endireitar no sofá, subitamente eletrizado, meu estômago parecendo borbulhar.
John era conhecido por ser um gigantesco galanteador. Meu pai usava os termos cachorro ou cafajeste, muito comum no Brasil, e eles faziam mais sentido pra mim. Ele sabia conquistar uma mulher, aliás, sabia muito bem.
Eu sei que estou sim completamente apaixonada e podia sentir meu corpo esquentando sob o olhar dele, pronto para cometer uma loucura e acabar com a distância entre nós no segundo em que percebi que isso soava muito como uma cantada.
Contudo, como se um filme passasse em minha cabeça, eu consegui me ver envolvida nessa história.
Iríamos transar loucamente, John iria escrever uma música genial contando sobre a nossa história e, como um bom romance proibido, venderia milhões. Depois do sucesso e de me usar até não querer mais, ele continuaria com a vida dele e eu, antes mesmo de chegar aos trinta, teria meu coração completamente estilhaçado.
Ser a musa de um homem assim deve ser um sonho, mas eu consigo imaginar muito bem o que vem depois dessa sensação e minha autopreservação gritava para que eu não cruzasse essa linha. Se nem Katy Perry foi párea para ele, quem sou eu meus amores?

- Não sou tão facilmente apaixonável. Se quer saber, acho que é o tesão dele falando mais alto, muito mais do que um sentimento real por mim.

Nem pensei direito nas palavras, meu amor próprio querendo me proteger e tomando as rédeas do que eu dizia. Orgulhosa, sabia que havia conseguido dar uma indireta muito bem dada para Mayer.
Meu coração era dele, e ele não tinha culpa disso, claro. Mas eu seria burra demais em deixar meu corpo se envolver em algo no qual meu coração já estava. Isso iria explodir na minha cara e eu sabia.
John continuava me fitando, porém, consegui ver certa surpresa no seu olhar. Sorri para ele, querendo fugir dessa situação, as coisas repentinamente ficando intensas demais.
Sem deixar brechas para uma resposta, me levantei.

- Obrigada John. Por me ouvir. Se preocupar com os outros é algo inédito nessa casa.

Cutuquei mais um pouco, sem conseguir me controlar em ser passiva-agressiva sobre como as coisas eram com a minha mãe.
Me analisando como se quisesse me decifrar, John assentiu com a cabeça, sério. Enfim, mostrou um meio sorriso nos lábios. Meu coração bateu mais forte e eu tratei de sair andando dali o mais rápido que eu consegui.

John’s Pov

Fiquei algum tempo sentado, absorvendo aquele diálogo que implodiu tão rapidamente quanto durou. Respirei fundo. claramente achava que minha postura havia mudado porque eu desejava o corpo dela.
Não é como se ela estivesse errada, afinal, quem eu estava tentando enganar? Eu não a conhecia de fato, estávamos na mesma casa a meses sem que um interesse maior por ela tivesse sido despertado, pelo menos não o suficiente para que eu me colocasse mais em sua vida.
Agora, porque a vi no momento mais vulnerável e excitante que um ser humano pode estar, meus sentimentos viraram de ponta cabeça. Mas como explicar isso?
Aliás, eu não deveria nem estar tentando me aproximar dela, muito menos querendo explicar o que eu sentia para .
Ela é a filha da minha noiva. Daqui um tempo se tornará oficialmente minha enteada. Não há nenhum ângulo dessa história em que as coisas possam acabar bem, então por que estou me sentindo tão ofendido por ter sido alfinetado por ela? Por que me importava que ela pensasse isso de mim?
Puxei meus cabelos levemente, nervoso e, o mais estranho, excitado.
Não a ponto de estar duro, mas ter uma mulher batendo de frente comigo, com tanta maturidade sendo que ela era tão mais nova do que eu, pareceu acender uma chama em minha alma que eu não sentia a muito tempo.
Precisei deixar meus pensamentos de lado pela chegada de Amanda.
O resto das horas entre o final da tarde e o início da noite correram normalmente. Amanda me contou sobre seu trabalho, conversamos, Alice nos serviu o jantar e não compareceu. Fiquei o tempo todo desconfortável, imaginando que ela não havia descido para me evitar.
Anotei mentalmente que minha noiva não pareceu muito interessada na falta de sua filha.
Após um rápido sexo no chuveiro, em que eu não posso negar de ter me controlado para não pensar em , eu e Amanda estávamos deitados no sofá, abraçados e conversando.
Assistíamos a um documentário sobre música enquanto bebíamos vinho e ríamos julgando as pessoas que apareciam.
Amanda era dona de uma das maiores empresas do ramo musical, eles sendo responsáveis por serem donos de várias grandes gravadoras. A família dela já estava no ramo a anos, sendo assim, ela apenas continuava dando frutos a um império que já havia sido construído décadas atrás.
Claramente, foi assim que nos conhecemos. Não trabalhamos juntos, mas tínhamos muitos amigos em comum.
Tentando voltar minha atenção ao documentário e apesar de estar me sentindo muito confortável ali, minha cabeça viajava o tempo todo para o andar de cima, não havia descido por horas.
Contudo, alguns minutos depois, ouvi barulhos de salto vindo na direção do cômodo em que estávamos e meu coração parecia dar pulos. Eu estava nervoso para vê-la, essa era nova.
Achei que ia engasgar com o gole de vinho que estava em minha garganta quando meus olhos pousaram nela, estava a própria definição de pecado.
Os cabelos soltos, uma maquiagem bem feita, os olhos bem destacados e uma boca vermelha hipnotizante. Um vestido curto, muito curto. Suas coxas maravilhosas completamente a vista. Ela sempre ficava espetacular de salto, as pernas bem torneadas ficando ainda mais atraentes.
Seu vestido tinha um decote pequeno, sedutor, que apenas insinuava o volume de seus seios. Ela se virou para pegar algo e eu pude ver que suas costas inteiras estavam desnudas, a abertura do tecido chegando até bem perto do início da curva de sua bunda.
Eu jurava que nunca mais sentiria isso, mas minha boca ficou seca. Se eu não me cuidasse iria acabar babando, e isso era patético da minha parte.

- Mãe, eu vou sair. Vou pegar o carro branco tá? Não volto pra casa hoje.

Em nenhum momento ela cruzou seu olhar com o meu, falava apenas com a mãe. Amanda não parecia nada impressionada ou interessada em , a olhou de relance enquanto bebia um longo gole de vinho.

- Claro, querida. Boa festa! Cuidado hein? Não vá beber e dirigir – ela disse preocupada e doce, sorrindo, finalmente analisando a filha – Uau, você está linda! Mas parece que engordou um pouco, meu amor.

O tom de Amanda não era rude e nem tampouco mal educado, mas a frase não cabia bem ao momento. Vi os olhos de mudarem, como se tivesse sido atingida por algo. Ela sorriu. Um sorriso falso, desconfortável. Eu nunca havia reparado que Amanda falava assim com ela e me senti muito mal com a tensão que de repente preencheu o local.
Sem dizer nada, nenhuma palavra, nenhum adeus, girou seu corpo e saiu andando em direção a garagem. Fiquei observando alguns segundos os movimentos de seus quadris e a pele a mostra, mas voltei rapidamente minha atenção para minha noiva.
Ela continuava olhando o documentário e, após beber novamente o vinho, disse sarcástica:
- Viu? O mesmo gênio do pai.

’s Pov

Quando finalmente me sentei no carro, fiquei alguns segundos parada, segurando o volante. Imediatamente acolhendo a minha tão conhecida insegurança, me sentindo grande demais para o vestido que estava usando.
Analisei minhas pernas, minha barriga, meus seios. A sensação de estar mostrando demais, de sentir que todos me olhariam e pensariam que eu havia, de fato, engordado, atingiu minha cabeça como um soco.
Respirei fundo e lembrei da minha terapeuta. Minha mãe me atacava dentro de suas próprias inseguranças e eu não precisava ouvi-la. Eu estava me sentindo deliciosa a apenas alguns segundos atrás e sei que estou linda.
Repeti essas frases em minha cabeça como um mantra, até me sentir calma o suficiente para dirigir e recuperar parte de minha auto confiança. Ela fazia isso de propósito, e eu não era mais uma adolescente que se abatia facilmente com esses ataques.
Agora eu era uma mulher, e uma mulher maravilhosa.
Sorri para mim mesma e comecei a dirigir para a balada na qual marquei de encontrar algumas amigas. Deixando um pouco de lado essa situação toda com John e minha mãe, eu precisava pensar em .
Eu havia sido covarde e o magoado, mas não sabia como conversar com ele, como explicar tudo o que eu sentia.
Desabafando por horas com as minhas duas melhores amigas, decidimos juntas que eu precisava de álcool, dançar por algumas horas, colocar minha cabeça no lugar e a partir daí trabalhar com o que deveria ser feito.
Apenas uma hora depois, eu já estava na pista de dança, me sentindo levemente anestesiada pelas três doses de tequila que havia tomado. Eu era 50% brasileira meus amigos, era preciso de muito mais do que isso para que eu ficasse de fato bêbada.
Mas eu chegaria lá.
Minhas amigas e eu dançávamos na pista cheia de gente, rindo, brincando, fazendo passos iguais e nos divertindo. Por ter sangue brasileiro eu dançava realmente diferente da maioria.
Sabia mexer meus quadris sensualmente, rebolar, tinha ritmo e adorava ser o centro das atenções nessas horas.
Já havia passado das quatro da manhã quando eu realmente percebi que estava muito bêbada. Ria solto, tudo parecia tão leve e eu só me importava com o calor que meu corpo sentia ao dançar.
Contudo, a atmosfera mudou no segundo em que olhos brilhantes cravaram em mim e meu corpo se retesou.
cortava a multidão de corpos, andando diretamente até mim, as sobrancelhas em um ângulo que demonstravam que ele com certeza estava irado. Chegando perto de mim, ele me abraçou pela cintura e disse no meu ouvido “precisamos conversar”.
Ele era tão lindo, por que eu não poderia simplesmente amá-lo? Suspirei e assenti, deixando que ele me guiasse pela mão para fora da boate. Minhas amigas apenas me deram sorrisos reconfortantes e continuaram a dançar.
Chegamos à parte externa, após termos saído pela porta dos fundos e chegamos a uma parte da garagem, o local completamente vazio. A mudança brusca de temperatura fez meu corpo inteiro se arrepiar. me olhou, me analisando, seus olhos lindos parecendo satisfeitos com o que viam.
Rapidamente, como o cavalheiro que sempre era, tirou o blazer que cobria seus ombros e os colocou nos meus.

- Você tá linda , como sempre – sorriu para mim, seu olhar agora se tornando melancólico.
- ... eu não sei por onde começar, mas... me desculpa, mesmo, por ter saído daquele jeito da faculdade e por ter gritado com você quando me ligou.

Ele olhava para baixo, assentindo enquanto ouvia meus pedidos de desculpas. Me olhou novamente quando eu terminei de falar.

- Eu também preciso te pedir desculpas. Sério . Você não é obrigada a corresponder o que eu sinto por você, e eu não tinha o direito de te atacar como eu fiz, te pressionar – ele respirou fundo, se aproximando de mim – a verdade é que eu quero você, não importa como.

O encarei, o álcool fazendo minha cabeça girar, tudo parecendo muito excitante, mesmo que nossa briga tivesse sido muito séria.

colocou um braço na parede, me encostando nela, enquanto a outra segurava fortemente minha cintura. Ele cheirava a álcool, também estava bêbado.
Antes que eu pudesse responder algo, ele iniciou um beijo forte, cheio de vontade. Soltei meus dedos que seguravam o blazer e os enfiei nos cabelos de , deixando o tecido escorregar para o chão. Nos enroscamos, nossos corpos se esfregando enquanto ele enfiava as mãos por baixo do vestido e apertava minha bunda.
Eu estava extasiada, o álcool me levando a achar que fazia todo o sentido do mundo transar ali mesmo, em pé.
Contudo, a minha consciência ainda tinha voz e me lembrava o quanto havia ficado abalado hoje, sofrendo quando entendeu que eu não sentia o mesmo por ele. Não era justo, ele se odiaria amanhã. Ele podia até dizer que me queria de qualquer jeito, mas não é verdade, ele está sim apaixonado.
Com muita força de vontade diante daquele homem lindo e que sabia fazer com que o meu corpo quase explodisse de tesão, quebrei o beijo e segurei o rosto dele, olhando no fundo dos olhos excitados e agora confusos.

- , você está alterado... eu sei que quer transar, que está com tesão, mas hoje as coisas ficaram sim muito confusas, e eu tenho certeza que amanhã isso não fará sentido. Antes de continuarmos qualquer coisa, a gente precisa conversar direito, sóbrios.

Enquanto eu falava, percebia que ele não parecia me ouvir ou prestar atenção, encarando a minha boca. Busquei os olhos dele, mas não os encontrei, o olhar dele perdido em meu rosto. Assim, logo que eu terminei de falar, voltou a me beijar.
Frustrada, comecei a empurrá-lo para longe do meu corpo.
começou a beijar meu pescoço com força, sugando-o, enquanto uma mão sua tentava puxar minha calcinha para baixo. Ofeguei, meu coração rapidamente começando a bater mais forte e um desespero tomando conta de mim.
Ele não faria isso, não era possível.
Empurrei com mais força, sentindo todo o meu corpo se contrair diante dos músculos dele. O álcool parecia ter evaporado de mim, meus sentidos alertas e desesperados.
Ele continuava a me beijar, seu toque antes excitante me causando repulsa. com certeza deixaria marcas em mim, tamanha era a força que eu o empurrava e a que ele fazia para me manter presa. Quando parou de beijar meu pescoço e iniciou uma trilha de beijos que visavam alcançar meus seios, em uma tentativa de dar um fim nisso, trouxe meu joelho com toda a força para cima, acertando-o bem no meio das pernas.
arfou, me soltando violentamente e andando para trás, segurando seu membro com as mãos enquanto urrava de dor. O encarei, ofegante, machucada e me sentindo humilhada, além de raiva que tomava meu corpo todo.
Não esperei reação nenhuma dele, apenas entrei novamente na festa, andando furiosamente até a saída e pedindo meu carro na recepção. Atordoada, indiquei onde estava após contar para alguns seguranças o que ele havia feito.
Quando meu carro chegou, ignorei os funcionários que queriam chamar um táxi e velozmente segui para a rua.
Já dentro do carro, enquanto eu inconsequentemente fazia a besteira de dirigir em alta velocidade, meus olhos ardiam pelas lágrimas grossas, meu corpo sendo tomado novamente pelo efeito do álcool e me deixando tonta.
Respirando fundo, tentando controlar meu nervosismo e ignorar meus pulsos, braços e pescoço que haviam começado a doer, diminuí a velocidade. Chorando compulsivamente, fiz o caminho até minha casa no dobro do tempo que faria normalmente, tentando dirigir o mais devagar possível.
Sentia nojo, repulsa e tanta raiva de que amaldiçoei ele o caminho todo, sonhando que ele houvesse levado uma surra bem dada dos seguranças.
Parece que não podemos confiar em ninguém mesmo. E pensar que eu estava me sentindo culpada!

John’s Pov

Após a saída de , meus pensamentos eram levados a admirar o quanto ela estava linda hoje e o quanto aquela menina virava uma mulher tão repentinamente diante dos meus olhos... Eu refletia também sobre as palavras de Amanda direcionadas a ela.
Seria possível que Amanda era na verdade uma péssima mãe e eu não havia reparado? Suspirei frustrado.
Após algum tempo de televisão, decidimos ir deitar.
Minha noiva estava ligeiramente bêbada e eu sabia que ela ia querer fazer sexo novamente. Com muito pesar, tenho que admitir para mim mesmo que foi a transa mais sem vontade que realizei em muito tempo, me sentindo desconectado dela.
Mais do que isso, apenas consegui alcançar meu clímax quando pensei em . Como eu queria arrancar aquele vestido dela com a minha boca!
Amanda já dormia profundamente do meu lado enquanto eu não poderia estar mais desperto. Passei horas pensando no dia de hoje.
no colo do rapaz como se fosse a própria visão da luxúria, ela chorando, tão vulnerável e doce, e no minuto seguinte se tornando uma figura intensa e decidida, me colocando no meu lugar.
Ri sozinho. Como deixei passar o quão incrível era aquela mulher que vivia embaixo do mesmo teto que eu? Ela era um furacão de personalidade.
Entretanto, uma sensação amarga tomou conta de mim quando lembrei do olhar daquele garoto para ela, tão apaixonado, e a doçura com que ela o tratou... disse não estar apaixonada, mas saber que ela estava envolvida com outra pessoa me incomodava.
Eu nunca fui de sentir ciúmes, essa sensação era inédita e me deixava muito confuso. Busquei o celular, já passava das quatro da manhã. Eu não iria conseguir dormir de qualquer maneira, então levantei e me encaminhei para a cozinha.
O antigo John tomaria um bom copo de whisky, mas esse aqui, minha versão mais velha, preferia não piorar minha confusão consumindo álcool. Enquanto eu bebia água e procurava algo pra comer, levei um susto com o barulho do portão da garagem se abrindo.
Novamente, meu corpo reagiu com a possibilidade de encontrar e meu coração batia como louco. Respirei fundo, tentando controlar meu nervosismo e animação. Contudo, antes mesmo dela entrar em casa eu senti que havia algo de errado, afinal, ela tinha dito que não iria dormir aqui. Esperei em silêncio.
Ouvi passos e xingamentos, ela parecia tropeçar, mas também ouvi fungadas fortes e um som que parecia que Bia estava, novamente, chorando.
Quando abriu a porta e acendeu a luz da cozinha, se mostrando completamente para mim, meu coração quase pulou do peito.
estava com a maquiagem completamente destruída, o rímel escorrendo pelas bochechas enquanto lágrimas grossas desciam pelo seu rosto. A dor em seus olhos me deixou transtornado e, quando analisei melhor seu corpo, senti o meu próprio ficar em brasa.
Seus pulsos, braços, colo e seu pescoço, totalmente aparente agora porque ela havia prendido o cabelo em um coque, estavam com pequenos hematomas roxos, que com certeza ficariam piores e ainda mais aparentes depois.
Ela parou de chorar quando me viu, assustada, respirando rapidamente e parecendo prestes a passar mal. Praticamente joguei a garrafa de água que estava na minha mão na bancada da cozinha e andei rápido em direção a ela, a abraçando e sustentando o peso de seu corpo cansado e provavelmente frágil pelo o que quer que tivesse acontecido.
me abraçou com a força que conseguiu e começou a chorar fortemente no meu ombro, suas lágrimas molhando completamente minha camiseta. Respirei fundo, a puxando para mais perto, querendo fundi-la a mim e protegê-la.
Passei a mão em seus cabelos, tentando acalmá-la. Algum tempo se passou até que seu choro começou a diminuir.
deitou a cabeça no meu ombro, seus lábios virados para o meu pescoço, me fazendo sentir o hálito quente que saía de sua boca e encontrava minha pele, arrepiando meu corpo todo.

- Acho que o não era um cara tão legal assim... – Murmurou.

A fiz levantar do meu ombro e segurei seu rosto com as minhas duas mãos, a encarando profundamente, possesso em ver aqueles olhos tão lindos marcados por lágrimas novamente e por culpa do mesmo cara.

- Ele fez isso com você? – ela apenas assentiu, segurando o choro novamente. A abracei de novo.

Comecei a sentir minha respiração ficar mais pesada, tensa. Se eu encontrasse esse cara eu iria fazer uma loucura. Entretanto, não era isso que importava agora, eu precisava cuidar de . A afastei delicadamente de novo, olhando em seu rosto.

- , você precisa tomar um banho tá? Eu vou te levar lá pra cima, vem.

Deixei-a alguns segundos sozinha, encostada na mesa, apenas para pegar uma grande garrafa de água e algumas aspirinas na gaveta. Voltei até seu corpo e segurei ela fortemente pela cintura, dando suporte.
Ela já não estava mais de salto e, apesar de não ter a mínima ideia do porquê estava descalça, não perguntei. Subimos a escada e chegamos no quarto dela.
Deixei a garrafa e os remédios em cima de sua penteadeira e a levei até o banheiro. Coloquei-a sentada no vaso, calmamente, e quando seu olhar frágil encontrou o meu, sorri para ela.
Eu apenas queria que entendesse que eu estava cuidando dela agora, que não havia motivos para se preocupar.
Como ela estava fraca e eu não gostaria de arriscar ter que segurá-la nua no chuveiro, comecei a preparar a banheira, colocando-a para encher com uma água bem quente.

- John... – sua voz saiu tão fraca, tão vulnerável, que eu podia sentir meu coração se apertando no meu peito – ninguém nunca cuidou de mim assim.

Tirando a mão que eu estava usando para sentir a temperatura da água, a sequei com uma toalha próxima e caminhei até ela, me ajoelhando em sua frente.
Céus, como ela era linda. Mesmo com a maquiagem borrada, os olhos inchados e os cabelos bagunçados, eu ainda podia jurar que ela parecia uma visão de tão linda.
Busquei seus olhos, mas ela se recusava a me olhar. Pela primeira vez percebi que eu e , apesar da diferença de idade e de história de vida, tínhamos algo em comum, carregávamos muita dor em nós. O fato dela não ter se sentido cuidada assim todos os dias da sua vida me deixou com um gosto amargo na boca.
Segurei novamente seu rosto entre as minhas mãos e quando o olhar dela finalmente encontrou o meu, tive a certeza de que não poderia mais voltar atrás em relação ao que eu estava sentindo por ela.
Levei meus lábios lentamente até sua testa, beijando-a ali, tentando passar segurança.

- Mas agora eu vou cuidar – sussurrei e, dentro de mim, senti que aquelas palavras ressoarem como uma promessa. Ela fungou novamente.

Sorri para ela e levantei, constatando que a banheira estava bem cheia.

- Venha – apoiei seu braço no meu e a ajudei a se levantar – você precisa tomar um banho – ela apenas assentiu – consegue tirar seu vestido sozinha?

riu fraca e assentiu novamente, se divertindo com a situação. Ri pra ela e virei de costas, subitamente nervoso. Quer dizer, apenas agora me toquei que eu estaria no mesmo cômodo que ela, a mesma estando embriagada, nua e precisando de carinho.
Me amaldiçoando por pensar nisso, comecei a controlar minha respiração descompassada. Ouvi seu vestido cair no chão e soltei o ar pesadamente, captando o barulho de seus passos e depois dela entrando em contato com a água.

- Pronto – ela disse e eu não sabia o que fazer. Virar? Continuar de costas pra ela?
- John, me desculpa, mas... eu estou muito tonta. Acho que vou precisar de ajuda.

Me virei calmamente e me arrependi no mesmo segundo.
Eu não havia cogitado a possibilidade em colocar os sais que fariam espuma na banheira e isso, meus amigos, tinha sido uma burrice gigantesca. Os seios dela apareciam por cima da água, os tampava com as mãos, constrangida, mas o resto do seu corpo estava aparente demais, deixando bem livre minha visão sobre todas as suas curvas.
Voltei meu olhar para seu rosto e assenti, me aproximando e sentindo minha garganta se fechar. sorriu e tratou de ir para o meio da banheira, me mostrando apenas suas costas desnudas.
Respirando fundo e tentando controlar as várias sensações do meu corpo, comecei a lavar os cabelos dela. Soltei o coque e, com a mão apoiando sua nuca, afundou a cabeça para trás para molhá-lo inteiramente.
Olhei para o lado afim de evitar ver seu corpo todo embaixo da água. Quando ela subiu, lavei seus cabelos calmamente. Ela conseguiu alcançar o sabonete e começou a lavar seu rosto e corpo.
Em dado momento, quando estávamos quase terminando, o corpo de começou a tremer e eu ouvi o som lindo da sua risada. Sorri, pelo menos ela estava se sentindo melhor.

- Se alguém me dissesse que essa noite ia terminar com John Mayer me dando banho, eu não acreditaria de maneira nenhuma.

Ri com ela. Eu não acreditaria também, mas, sendo bem sincero, eu não mudaria nada.
Me virei de costas novamente depois de usar a toalha para tampar seu corpo enquanto a ajudava a sair da banheira. Ela então começou a se secar e eu saí do banheiro para pegar um blusão branco que ela disse que usava para dormir. Quando voltei, ela já estava com uma toalha no corpo e outra no cabelo.
Saí novamente e me sentei em uma poltrona do lado da cama dela, esperando. Ela saiu do banheiro e novamente meu corpo esquentou, minha garganta ficando seca pela décima vez.
estava apenas com um blusão branco que, provavelmente de muito uso, estava perdendo a cor e tornando-se quase transparente, seu corpo visivelmente marcado pelo pano.
Seus seios, sua barriga, quadris, coxas a até mesmo sua intimidade estavam a mostra. Me aprumei no sofá, desconfortável e odiando meu corpo masculino que não tinha noção nenhuma de controle.
apagou a luz, deixando a do banheiro acesa e criando uma atmosfera aconchegante de penumbra no ambiente. Com passos leves, ela se deitou na cama e me fitou. A encarei, deitada ao meu lado, parecendo um anjo pecaminoso pronto para acabar com a minha sanidade.
respirou fundo, parecia pensar em algo, como se quisesse decidir se agia ou não. Segundos depois, ela se levantou e ficou ajoelhada na cama, de frente para mim, nossos rostos próximos.
Sentindo que minha respiração começava a falhar, meu cérebro se tornou alerta e praticamente berrava para que eu saísse dali o que, sem muita novidade, não foi o que eu fiz, meu corpo anestesiado com a possibilidade de algo acontecer.
colocou suas mãos no apoio da poltrona, aproximando nossos rostos e, encarando-me o tempo todo, encostou nossos lábios.
Não sei quanto tempo ficamos assim, mas eu estava inebriado demais para agir, não me movendo para afastá-la, mas também sem mexer minha boca.
Senti seus lábios sorrirem sobre os meus e, para meu delírio, iniciou um beijo intenso, mas lento, sua boca se encaixando perfeitamente na minha, sua língua me invadindo deliciosamente. Suas mãos repousaram em minha nuca e me puxaram mais ao encontro dela.
Antes que eu perdesse o último resquício que havia sobrado do meu autocontrole, segurei as mãos dela e as tirei da minha nunca, quebrando o beijo e, com os olhos fechados em uma tentativa de controlar minha respiração, me afastei.
Isso não podia estar acontecendo! Ela estava claramente fragilizada, o álcool que eu senti em seu hálito com certeza guiava suas ações... Então, por que caralhos eu não conseguia agir como um adulto que sabe o tamanho da cagada que pode acontecer e sair dali?
Sentei direito na poltrona, meu coração perdido em batidas descompassadas. Ouvi os pés de tocarem o chão e abri meus olhos, encontrando-a parada bem na minha frente. Arfei.
Ela não parecia nem um pouco disposta a acabar com aquela interação proibida e, com um suspiro desesperado, senti seu corpo montar em cima do meu, delicadamente se sentando no meu colo.
Levei meus braços para o encosto da poltrona e apertei meus dedos ali, me esforçando para não a tocar. aproximou nossos rostos de novo.

- , por favor... eu não cuidei de você pra isso – sussurrei perto dos seus lábios, fitando seus olhos – você está bêbada, machucada e cansada, precisa dormir.

Ela suspirou, os olhos brilhando de tesão. Algo começou a crescer dentro da minha calça e eu me amaldiçoei de novo, sentindo que havia perdido o controle do meu corpo para a garota.

- John, por favor – sussurrou suplicante e meu corpo pulsava – eu preciso que você me mostre como um homem de verdade fode uma mulher.

Deus, isso é um teste?
Grudei meus olhos nos dela, meu corpo se perdendo em suas palavras e fazendo com que o pouco de autocontrole que havia em mim se desfizesse de uma só vez. Eu estava perdido, não tinha jeito, essa menina virou meu mundo de cabeça para baixo em um único dia!
No segundo seguinte colei minha boca na dela a beijando fortemente, ávido por sentir seu gosto, o desejo que havia me consumido por tantas horas sendo finalmente atendido.
Minhas mãos se moviam livremente por suas coxas, costas, braços e cabelos, alcançando finalmente o ponto auge do meu delírio, aquela bunda deliciosa.
Apertei-a com vontade a puxando para baixo, garantindo maior contato entre sua intimidade e o volume que crescia nas minhas calças. Ela gemeu sob meus lábios e essa foi a primeira vez que a fiz produzir esse som... Decidi, naquele exato momento, que eu só iria me dar por satisfeito quando a ouvisse gemer o meu nome. Inúmeras vezes.
começava a se movimentar intensamente sobre mim, mexendo os quadris, arranhando minha nuca e puxando meus cabelos com força, suas unhas invadindo minha pele.
Ela afastou nossas bocas e, apresentando aquele sorriso sacana que viraria minha sina, tirou por conta própria a blusa que a cobria, ficando completamente exposta sobre meus olhos.
Soltei o ar fortemente dos meus pulmões, produzindo um assovio de satisfação que a fez rir. Encostei-me na poltrona, querendo tomar certa distância para admirá-la melhor, analisando cada traço dos seus seios. Apertei suas coxas quando vi sua pele se arrepiar sobre o meu olhar, um sorriso orgulhoso dançando em seus lábios.
Entretanto, e me impressiona mais uma vez o quanto sentir isso por ela era natural, uma intensa sensação de ódio me atingiu no momento em que meus olhos reconheceram, mesmo a meia luz, os hematomas que haviam sido deixados na parte superior de seu colo.
Ofegante, quase me perdi em meus próprios devaneios raivosos. Contudo, percebi que levou seu próprio olhar para onde eu a encarava, com certeza estranhando a súbita mudança de humor.
Sem dizer nada, simplesmente colocou uma mão no meu queixo, puxando delicadamente meu rosto para encontrar com o seu e, se aproximando mais dos meus lábios, murmurou baixinho para mim, como se me confessasse um segredo.
- Ele nunca mais vai encostar em mim.
Senti meu corpo relaxar embaixo dela, me permitindo bloquear esse sentimento ruim e voltar a me extasiar com as sensações que ela estava causando, voltando a beijá-la delicadamente. Eu nunca permitiria que aquele filho de uma puta ficasse entre nós num momento como esse.
Além disso, fui surpreendido com a sensação de familiaridade daquele corpo sobre o meu, daquela boca sobre a minha e até mesmo de sua confissão, como se também entendesse que havia uma ligação que nos atraía como se fôssemos velhos conhecidos, mesmo que essa fosse de fato a primeira vez em que nós estávamos explorando um ao outro.
Impulsionei meu corpo para cima e ajeitei no meu colo, sustentando seu peso facilmente com as minhas mãos e, sem deixar de beijá-la em nenhum momento, nos levei para a cama, a deitando com todo o cuidado no colchão macio.
me encarou quando seu corpo alcançou a cama, ofegante, sua boca inchada e vermelha por causa de toda a força que usávamos para nos beijar. A observei por alguns segundos, deitada em minha frente, completamente nua e acessível ao meu toque.
Perigosamente, ela começou a abrir suas pernas para mim, aceitando meu olhar intenso sobre suas curvas, me dando uma visão perfeita de sua intimidade, se expondo completamente sob meu olhar.
Automaticamente comecei a tirar minha camiseta, os olhos vidrados nela, arrancando minha calça de qualquer jeito, chutando meus sapatos para longe, tirando minhas meias e minha boxer e as jogando em qualquer lugar.
Devidamente nu, voltei sedento para ela, pronto para tomar aquele corpo. Contudo, me parou, colocando um de seus pés no meu abdômen e forçando-me a travar o movimento, incapacitando-me de voltar para perto dela.
A fitei confuso, desesperado, quase delirando de prazer quando, após me fitar silenciosamente e passar a língua pelos seus lábios, umedecendo-os, levantou seu corpo, ficando com a cabeça na altura perfeita para encontrar meu membro totalmente enrijecido.
Ela me olhava tão intensamente que eu esqueci por alguns segundos que ela era tantos anos mais nova do que eu. Me perguntei onde ela conseguia esconder sua timidez por estar tão exposta naquele momento, ainda mais para um homem dezessete anos mais velho do que ela e que namorava sua própria mãe.
Se é que houvesse algum tipo de timidez ou receio nela... ia me deixar louco, eu podia ver isso claramente.
Suas mãos alcançaram a linha do meu abdômen e eu soltei o ar pesadamente. Muito lentamente, encostou seus lábios em mim, mas não onde eu queria e sim beijando toda a área em volta do meu pênis, sem encostar em nenhum momento nele, provocando-me.
Grunhidos abafados e frustrados escapavam da minha garganta enquanto minha cabeça se inclinava para trás e meus dedos apertavam com força a minha pele, evitando ceder ao impulso de colocar minhas mãos sobre sua cabeça e guiá-la para onde eu precisava senti-la.
Quando minha respiração já começava a parecer uma bufada de ar selvagem, segurou a base do meu pênis e o colocou o máximo que conseguiu em sua boca. Sem conseguir me controlar, levei uma mão até seus cabelos, soltando um gemido alto e rouco, um som de puro deleite e alívio. Me reprimi depois, suspirando, afinal, minha noiva dormia no quarto a alguns metros dali.
Olhei para baixo, me extasiando com a visão de me chupando devagar, com muita vontade, movimentando precisamente sua mão com movimentos lentos na base e chupando o resto com mais velocidade, sem tirar os olhos de mim. Sua língua dançava por toda a minha pele e ela fazia questão de me encarar a todo o momento.
Eu poderia gozar naquela hora, me sentindo novamente um adolescente no início da vida sexual, sem conseguir ter controle sobre o próprio corpo. Mas queria que eu a fodesse como um homem, então era isso que eu precisava fazer.
Deixei sua boca quente e úmida me chupar por mais algum tempo, aproveitando a sensação eletrizante daquela língua na ponta do meu pênis e daqueles lábios fazendo movimentos de sucção por toda a pele. Ela era um mestre nisso e eu não pude evitar de sentir ciúmes ao imaginar o quanto ela havia treinado.
Respirei fundo, utilizando toda a minha frustração ao imaginar aquela boca em qualquer outro corpo que não fosse o meu para afastá-la e começar a descer meu tronco para cima dela, colocando-a novamente na cama e retomando o controle da situação.
limpou lentamente sua própria boca, sorrindo maliciosa e me fazendo querer invadi-la por completo naquele exato momento. Contudo, ao invés disso, eu busquei seus lábios e a beijei intensamente de novo, movendo minhas mãos com agilidade para tocá-la onde quer que eu alcançasse, sedento.
Eu iria fazer ela sentir o que garoto nenhum havia conseguido, iria proporcionar todo o prazer que ela merecia e receber em troca meu nome saindo daquela boca, uma vez atrás da outra. Uma sensação de posse tomava conta do mim e eu precisei admitir que nunca havia sentido isso antes.
Afastei meus lábios, a olhando fixamente antes de afundar meu rosto no seu pescoço, puxando o ar fortemente, querendo gravar aquele cheiro.
O que a maioria dos homens demora muito para descobrir é que o prazer feminino é lento, complexo, e precisa de muito mais estímulo do que o prazer masculino. Quanto mais tempo durarem os beijos, os toques e as carícias, quanto mais você explorar o corpo dela com vontade, mais prazeroso será o ato em si.
Comecei a beijar seu pescoço lentamente, minha língua contornando as veias expostas de sua pele, minhas entranhas sendo acometidas novamente pela raiva enquanto reconhecia as marcas deixadas ali.
Beijei cada hematoma calmamente, acariciando-os com meus lábios, querendo tirar dali qualquer resquício do toque de outro homem. começou a se contorcer embaixo de mim, gemendo baixinho no meu ouvido e murmurando meu nome, meu corpo em êxtase por estar conquistando o que eu queria.
Fui descendo os beijos e fiz o mesmo processo com os hematomas de seu colo, se remexendo cada vez mais e sua pele completamente arrepiada me fizeram identificar que ela sentia muito prazer ali.
Quando captei um gemido longo, torturado, envolvi um de seus seios em meus lábios, o sugando com delicadeza, enquanto meus dedos apanhavam o outro e brincavam com o seu mamilo.
se contorcia, sedenta, soltando gemidos sôfregos. Ela estava começando a ficar impaciente, envolvendo minha cintura com suas pernas e pressionando nossas intimidades.
Soltei o ar profundamente, me controlando, e comecei a chupar o seu outro seio. Ela gemia e sussurrava meu nome, meu pênis doendo de excitação, mais do que pronto para invadi-la.
Quando soltei seus seios e me movimentei para baixo, soltou suas pernas, abrindo-se completamente para mim. Ergui minha cabeça e nossos olhares se cruzaram, sua testa franzida e seus olhos expressivos deixando claro que estava frustrada com minha demora. Sem me deixar abater, fui descendo mais os beijos até chegar em sua virilha.
soltou um grunhindo de desespero quando minha língua começou a trilhar rapidamente toda a extensão de sua pele, sem chegar de fato ao ponto principal.

- John, pelo amor de Deus... – sua voz deliciosamente desesperada formava uma melodia em meu ouvido.

Decidi ceder, meu próprio corpo sofrendo com a demora e com a expectativa de a presenciar perdendo o controle. Encaminhei dois dedos para a abertura de sua vulva, tocando seus lábios e os abrindo para os lados, invadindo seu interior com a minha língua.
soltou um grito afetado, rouco e ávido, curvando sua coluna e se contorcendo sobre a minha boca. Apurei meus ouvidos para qualquer barulho que pudesse indicar que Amanda poderia ter ouvido o som, mas, após algum tempo, calmamente percebi que não havia acontecido nada.
O gosto de invadindo a minha boca fazia com que meu pênis latejasse de necessidade, meu corpo pronto para montá-la, o calor que exalava dela deixando meus sentidos descontrolados de desejo.
Como eu pude deixar uma mulher dessas passar por mim sem cultuá-la da maneira correta?
Comecei a sugar seus lábios internos, alternando com os movimentos da minha língua, utilizando meus dedos para provocá-la enquanto me encarregava de iniciar a interação com seus clitóris, o chupando com cuidado, sentindo-o se expandir cada vez mais, inchando-se sobre minha língua.
Satisfeito com a umidade que escorria pela pele de , a penetrei com dois dedos lentamente, sem parar de sugar seu clitóris e recebendo em troca violentos puxões em meus cabelos, perdida na força que descontava nos meus fios.
Fazendo movimentos concisos e mantendo o ritmo, começou a rebolar sob meus dedos e minha boca, grunhindo baixinho e falando várias palavras confusas e ininteligíveis, perdida em seu próprio prazer.
Quando ouvi um suspiro mais pesado e senti a estrutura de sua vagina começar a se pressionar, saí de dentro dela, meus dedos se libertando do calor e minha boca também.
Ouvi soltar um “filho da puta” sôfrego, o tom da sua voz rouco e saindo como se fosse apenas um sussurro. Minha garganta produziu algo parecido com uma risada, me divertindo com aquela personalidade tão pungente, ela não se importava em mostrar todo o seu desejo e isso me excitava demais.
respirava pesadamente e buscou meus olhos, irada, como se procurasse uma explicação para o que eu havia feito.

- Apesar de querer sentir você gozando na minha boca, eu prefiro estar dentro de você de outra maneira – sorri sacana e começou a me devorar com um beijo.

Sem forças para prolongar a tortura, a puxei para mais perto de mim, levando meu pênis a entrada da sua vulva, extasiado com o que estava prestes a sentir. estava tão molhada que meu membro deslizou perfeitamente para dentro dela, fazendo com que nós dois desencostássemos nossos lábios para gemer.
Porra... essa mulher.
estava quente, úmida e apertada, demandando de mim todo o autocontrole conquistado em anos de relações amorosas para que meu próprio corpo não caísse na tentação de gozar em segundos.
Ela se movimentava comigo, unindo suas pernas em minha cintura novamente e forçando o máximo de abertura que conseguia, sedenta para que eu a invadisse o mais profundamente possível. Comecei a estocá-la devagar, indo até o fundo lentamente e voltando, querendo senti-la calmamente, explorando-a.
Porém, quando grudou suas unhas no meu rosto, me puxando para perto da sua boca e gemeu um “me fode de verdade”, meu corpo a obedeceu na hora.
Segurei sua cintura, inclinei meu corpo para cima e comecei a invadi-la com força e rapidamente. gemia baixinho, rebolava, alisava minhas costas, meus cabelos e até mesmo seus seios, perdida no momento.
Nunca, em quarenta e quatro anos de vida, eu tinha sentido tanto tesão por alguém.
Sabendo que, apesar de estar sentindo muito prazer, eu não conseguiria fazê-la gozar assim, travei meus movimentos por alguns segundos e a puxei para cima de mim, sentando-a no meu colo e girando no colchão, encostando minhas costas na cabeceira da cama.
sorriu, sentada em mim, me dando completa abertura para chupar seus seios novamente, a penetrando com força, mas com menos velocidade.
Rebolando aquele corpo delicioso, eu sabia que não conseguiria aguentar muito mais, então, após colocar meus dedos na boca dela, fazendo-a chupar enquanto eu analisava sua língua na minha pele, segurei sua nuca e seus cabelos com uma mão, enquanto com a outra afastava um pouco nosso corpo, utilizando meu dedão úmido para fazer movimentos circulares no clitóris dela.
me encarava, seus olhos sobressaltados por sentir aquele prazer. Sorri para ela, querendo invadi-la cada vez mais. nunca mais esqueceria dessa transa e eu estava determinado que fosse o melhor orgasmo da sua vida.
Me movimentando com estocada fundas e fortes, chupando seus seios e pescoço e mantendo os movimentos com o dedão na mesma velocidade sempre, senti começar a novamente me apertar dentro dela.

- John... eu vou gozar – ela sussurrou, com a cabeça jogada para trás, apertando cada vez mais meu cabelo.

Me segurei para não finalizar antes e apenas quando senti sua estrutura inteira me apertar, pressionando meu membro deliciosamente e ouvindo seus gemidos longos e sensuais, me permiti liberar toda a tensão que eu sentia, mantendo os movimentos até que ambos não tivéssemos mais força para nos mexermos.
Ficamos assim por um bom tempo.
Eu, sentado com as pernas desleixadas, segurando-a pela cintura, respirando fortemente no seu pescoço, tentando estabilizar meu corpo.
ainda me mantendo dentro dela, abraçada em meu pescoço e com o queixo encostado na minha cabeça, também tentando estabilizar a respiração. resmungou algo e se afastou de mim, procurando meu olhar.

- John... o que a gente fez? – ela não parecia arrependida, mas seus olhos eram temerosos, provavelmente com medo da minha reação.

Com o cansaço tomando conta do meu corpo e o tesão sumindo, eu só consegui sentir carinho por ela. Uma vontade gigantesca de dormir ali, abraçado, sentindo o cheiro maravilhoso que ela emanava e fazendo carinho em seus machucados até ela dormir tomava conta de mim.
Mas eu não podia.
Respirei fundo e encostei nossos lábios novamente, beijando-a levemente.

- Eu não sei ... só sei que estamos ferrados.

Ela me encarava e começou a rir, relaxando seus ombros, instantaneamente aliviada. Me deu um beijo rápido e começou a se movimentar para sair de cima de mim. Eu poderia ter ficado ali por horas, mesmo sabendo que não era possível, já deveria ser quase seis da manhã e, apesar de ser sábado e Amanda dormir até mais tarde, os funcionários chegavam cedo.
se jogou na cama, exausta. A fitei e me senti intrigado e encantado por não sentir nenhum resquício de culpa, apesar de saber que, moralmente, isso estava muito errado.
Ela era tão linda.

’s Pov

Deitada na cama, nua e completamente exausta, olhei para o teto. Meu corpo estava machucado, cansado, suado, o álcool ainda mexendo com meus sentidos e, mesmo assim, um bem estar enorme tomava conta de mim.
Meus dedos dos pés formigavam, assim como as pontas dos meus dedos das mãos, meu coração estava acelerado, minha respiração profunda e meu corpo todo parecia anestesiado. Fechei os olhos, tentando aproveitar cada sensação o máximo que eu podia, maravilhada.
Não me levem a mal, eu já havia tido orgasmos, tanto sozinha quanto com alguns caras. Mas a verdade é que eu nunca havia conseguido ter um durante a penetração, sempre achei que era porque os rapazes nunca duravam tempo o suficiente para que eu conseguisse chegar lá, só que Mayer me mostrou que não era isso.
Era habilidade. A habilidade que só um cara dezessete anos mais velho do que eu parecia ter... E eu não sei exatamente o porquê, mas essa diferença de idade me excitava pra caramba.
Suspirei, perdida nas sensações deliciosas que meu corpo sentia. Abri meus olhos vagarosamente, uma preguiça gostosa tomando conta. Sentindo os olhos de John em cima de mim, fui de encontro ao seu olhar e meu estômago se contraiu de nervoso.
Acho que pela primeira vez eu parei para pensar que eu estava completamente nua na frente do homem que já havia visto Katy Perry, Taylor Swift, Jennifer Aniston e tantas outras beldades na mesma posição. Sem contar a minha mãe, que no auge dos seus cinquenta anos deixava qualquer menina da minha idade no chinelo. Sim, minha mãe era mais velha do que Mayer, um marco entre seus relacionamentos se quer saber.
Provavelmente por que ela era especial, não é? Especial o suficiente para que ele quebrasse um padrão da vida toda e se envolvesse com ela.
Eu não queria sentir isso, não agora, mas minha insegurança tão explorada pela minha mãe durante todos esses anos arrebatou meu corpo, e eu comecei a sentir um pânico tomar conta de mim, como se de repente eu fosse inferior demais a ele. Mas que caralho!
John ainda estava sentado, as costas apoiadas na cabeceira da cama e as pernas esticadas no colchão. Parecendo completamente alheio a qualquer reação que meu rosto poderia estar mostrando, ele me deu o sorriso mais lindo do mundo e levou sua mão até minhas pernas, alisando-as, fazendo carinho.
Suspirei e ele deu uma risada baixa, fitando minha pele que já ficava completamente arrepiada pelo seu toque. Ainda alisando minhas pernas, Mayer se desencostou da cama e começou a se aproximar de mim, sentando-se no colchão e passando seus dedos subindo pelas minhas coxas, quadris, barriga, seios, pescoço e os pousou na minha bochecha.
Ele aproximou seu rosto do meu e de uma maneira muito especial aqueles olhos castanhos conseguiram desviar qualquer sensação de mal estar que eu estava sentindo.
John me olhava como se eu fosse uma obra de arte emoldurada, como se meu corpo fosse tudo o que ele desejava naquele momento...
Depois de me encarar por alguns instantes, ele aproximou nossos lábios e me deu um beijo calmo, lento, sua língua explorando minha boca vagarosamente.
Quando parou de me beijar, juntou nossas testas.

- Você está dificultando muito as coisas pra mim . Muito mesmo.

Senti seu hálito bater nos meus lábios, meu coração dando pulos dentro do meu peito. O que ele quis dizer com isso?
Abrindo os olhos, ele afastou nossos rostos e me encarou por um tempo. Eu não sabia como reagir, a insegurança que me atingiu tão rapidamente saía do meu corpo, não tinha como me sentir insegura com ele me olhando daquele jeito...
Após sorrir pra mim e me dar mais um beijo rápido, John se levantou, analisou meu corpo mais alguns segundos e se virou. Caminhou até o banheiro e eu o perdi de vista, mas ouvi o barulho de água, provavelmente estava se limpando.
Quando voltou, Mayer estava com sua calça novamente, mas seu tronco nu, forte, largo, e seus 1,90 de altura me deixaram acesa de novo.
Ele tinha uma pequena toalha na mão e, sentando-se ao meu lado, me fitou.

- Posso? – perguntou, me mostrando a toalha.

Eu não sabia exatamente o que ele queria fazer, mas como fiquei curiosa e confiava nele, apenas assenti, sorrindo. John se curvou um pouco sobre o meu corpo e começou a delicadamente limpar a parte interna das minhas pernas, passando pela minha intimidade e finalizando após passá-la na virilha, com muito cuidado.
Acompanhei todos os seus movimentos, a toalha umedecida fazendo um carinho gostoso na minha pele tamanha era a delicadeza que ele passava. Pensei em como eu esperava pouco de relacionamentos e nos caras horríveis que eu já deixei usar meu corpo sem terem demonstrado nada a mais do que respeito, enquanto existia um cara desses por aí...
Isso, minha gente, é realmente foder como um homem.
Mayer, após terminar, me beijou divertido, instantaneamente parecendo um menino com metade da idade que tinha e meu coração esquentou.
Eu estava perdida. Completamente perdida. Eu já podia entrar em pânico de novo?
Enquanto John voltou para o banheiro, eu decidi finalmente me mexer, preguiçosamente me movimentando para apanhar meu blusão e colocá-lo novamente. Percebi contente que o cheiro do perfume dele estava levemente impregnado no tecido.
Ele voltou, apanhou as aspirinas e a água que trouxera, me entregando. Sorri agradecida e tomei.

- , você realmente precisa descansar, agora é sério – disse em um falso tom de repreensão que me fez rir.

Engatinhei pela minha cama e deitei sobre meu travesseiro, deixando um espaço ao meu lado, esperançosa que ele ficasse ali mais um pouquinho, eu não queria que esse momento acabasse.
John sorriu com afeto e se aproximou, sentando-se ali. Coloquei minha cabeça em suas pernas, querendo que nossos corpos não se afastassem mais. Ele fazia um carinho gostoso em meus cabelos, mas eu podia sentir que estava analisando as marcas deixadas na minha pele.

- A gente precisa falar sobre isso...

Suspirei, sem saber muito bem o que eu estava sentindo em relação ao que acontecera com , a situação toda parecendo tão distante. A única coisa que eu conseguia sentir era meu corpo completamente inebriado pela presença de John.

- Eu sei, mas podemos esperar? Vamos curtir esse momento, não sabemos o que vai acontecer daqui pra frente.

Me analisando, ele assentiu, mudo, a realidade o chamando de volta também. Sorri, triste, e ele pegou minha mão pousada sobre sua perna a beijando delicadamente e sorrindo, como se quisesse me passar segurança.
Eu me sentia em um sonho e queria me perder nessa sensação pelo máximo de tempo que eu conseguisse, a crua verdade iria despedaçar tudo isso em algumas horas, mas, agora, John parecia querer verdadeiramente estar aqui comigo e era isso que me importava.
Fechei meus olhos, me aprumando no colo dele, aproveitando o carinho e sentindo o sono chegar.

- , eu não posso estar aqui quando alguém aparecer, mas vou ficar até você dormir, tá bom?

A voz dele era tão calorosa, encantadora e cheia de carinho. Respirei fundo e apenas mexi minha cabeça em concordância, o cansaço de tudo o que aconteceu me atingindo completamente.
Não sei quanto tempo demorou, mas o carinho de John embalou um sono profundo e, quando eu acordei, já estava sozinha no quarto, a luz do sol querendo invadir o cômodo pelas cortinas pesadas.
Minha cabeça latejava, mas a dor não era intensa, provavelmente por estar medicada. Abri meus olhos preguiçosamente, meu cérebro trabalhando a mil por hora e meu corpo sentindo um turbilhão de emoções.
Em um momento, o cara que eu estava completamente envolvida havia se mostrado um filho da puta, e meu padrasto, que não havia entrado na minha vida nos últimos meses, tinha virado meu coração de ponta cabeça.
Perdida, exausta e sem força para encarar a realidade de que eu havia tido a melhor noite da minha vida com o único homem na face da Terra que eu com certeza não poderia ter. Fiquei na mesma posição por muito tempo, impossibilitada de reagir.
Foi apenas quando ouvi uma batida leve na porta que pareci voltar para a realidade. Alice, querida como sempre, pediu licença para entrar, com uma bandeja de café de manhã. Sorri pra ela e a chamei.

- , minha querida, como você está? O senhor John veio me contar em segredo que você não voltou bem ontem, e que ele estava preocupado.

Suspirei. Então, todo aquele carinho que eu senti por parte dele ontem não havia sido mentira ou exagero das minhas memórias. Havíamos realmente tido uma noite de paixão e afeto... E, apesar de achar que eu poderia até me permitir sentir certo grau de satisfação pelo que aconteceu, lágrimas começaram a sair dos meus olhos.
Alice colocou a bandeja em um dos balcões que havia no meu quarto e se sentou ao meu lado, me abraçando.
Apesar de ter motivos parar chorar, afinal havia me machucado ontem, eu sabia que as lágrimas não tinham nada a ver com ele, e sim com John e a química incrível que compartilhamos a algumas horas.
Contudo, ele não era meu, ele era da minha mãe. E mesmo sabendo exatamente onde eu estava me metendo quando tudo aconteceu, a verdade ainda doía bastante.

- , minha linda, quem fez isso com você?

Alice analisava minha pele, muito preocupada. Contei para ela tudo o que aconteceu, me divertindo enquanto a senhorinha xingava e resmungava maldições. Ela era a pessoa mais doce que eu já havia conhecido, e vê-la perder a compostura era muito engraçado.
Conversamos por muito tempo, enquanto ela me fazia comer o café da manhã cheio de cuidado que ela tinha preparado. Quando terminei, Alice começou a passar um remédio caseiro para os hematomas, ela tinha remédios caseiros para tudo, eu adorava.
Quando estava terminando, minha mãe adentrou a porta sobressaltada, pronta para dar o show dela. Alice me encarou, dando o olhar que nós duas usamos para nos comunicar sobre minha mãe.

- Ah, filhinha! O que aconteceu? Quem fez isso com você?

Ela se sentou no lugar de Alice, passando a mão delicadamente sobre minha pele, os olhos cheios de tristeza. Uma falsa tristeza se quer saber, mas vocês não estão prontos para essa conversa agora.
Meu coração começou a bater mais rápido quando vi John parado na porta, quieto, sem entrar no quarto. Ele sorriu pra mim, um sorriso cheio de significado.

- Tá tudo bem mãe, a Alice já cuidou dos machucados.
- Não dá pra confiar nesses meninos minha filha! Por Deus, olha o que ele fez com você, deveríamos denunciá-lo!
- Eu vou pensar no que fazer mãe, sério, mas por enquanto eu só queria descansar.

Ela assentiu, se levantando preocupada. Alice começou a levar a bandeja para fora e John deu espaço a ela, ainda me encarando.

- Sabe querida, eu te disse, você precisa tomar mais cuidado. Bebendo e usando aquele tipo de roupa, é um perigo mesmo.

Sua voz era doce, mas eu sabia que ela estava jogando toda a culpa para cima de mim. Estava tão acostumada com esse tipo de ataque oculto que apenas concordei, minha mãe fazendo um carinho em minha bochecha.

- A culpa não é dela, Amanda. Não importa como ela estava, nenhum homem tem o direito de se forçar pra cima de nenhuma mulher.

John, usando um tom de voz autoritário e seco respondeu, ainda parado na porta. Não virei minha cabeça para olhá-lo, minha mãe segurando minha bochecha e mantendo seus olhos em mim, como se procurasse uma resposta para a reação dele.
Ela encontrou algo, pois, no segundo seguinte, os dedos que estavam em minha pele começaram a apertá-la, não a ponto de machucar, mas com certeza com a intenção de me passar uma mensagem.
Abaixei minha cabeça e ela se voltou para John.

- Mas é claro meu amor! A culpa é completamente daquele rapaz! Apenas quis dizer que , sendo uma menina tão linda quanto é infelizmente acaba sendo um alvo muito fácil. É uma pena que uma mulher tão querida tenha que passar por isso – minha mãe voltou a me olhar, sorrindo.

Segurou meus cabelos e deu um beijo na minha testa, saindo do quarto e me pedindo para descansar.

- Se precisar de algo, nos chame – John disse, cuidadoso, e eu sorri sem muita emoção para ele, subitamente apavorada pela ideia de minha mãe suspeitar do que havia acontecido.

John’s Pov

Eu tentei, de verdade, não voltar para o quarto da . Já foi inconsequente o suficiente pedir ajuda para Alice, mas, quando Amanda encontrou os saltos de Bianca jogados na garagem eu precisei comentar que a havia encontrado na noite anterior.
Obviamente, escondi todos os detalhes que realmente importavam.
Quando minha noiva subiu as escadas, indo para o quarto dela, tentei com todas as minhas forças não ir junto, agir com desinteresse, mas é claro que meu corpo não me obedeceu.
Para piorar, ver Amanda insinuando que tinha alguma culpa do que aconteceu ontem fez meu sangue ferver, e como um bom imbecil, acabei falando o que não devia. Agora estamos a sós, eu e minha noiva, em nosso quarto, e a tensão está palpável.

- John... – ela começou, o tom de voz cuidadoso – eu sei que nunca falamos claramente sobre o seu papel na vida de , então, por que não fazemos isso agora?

Graças a algum ser de luz por aí eu estava de costas para ela nesse momento, caso contrário ela veria o pânico que começou a tomar conta de mim.
Vasculhei em todo o meu corpo e cérebro até achar o John de alguns anos atrás, o Mayer que faria algo assim e acharia graça da situação.
Sim, eu já fui um homem de caráter muito duvidoso.

- Se você sentir necessidade, querida, podemos falar disso sim.

A olhei solícito, sorrindo, chamando-a para sentar do meu lado.

- Sabe, não é a primeira vez que volta pra casa naquele estado, sendo bem sincera, ela passou a adolescência inteira pulando de um cajeste para o outro – suspirou, como se lembrasse de dias ruins – eu infelizmente não achei que fosse necessário ter essa conversa contigo. Não imaginei que ela fosse entrar nesse ciclo novamente.

Respirou fundo e me olhou com os olhos tristes, buscando apoio. Peguei suas mãos e as beijei, assentindo em entendimento.

- Eu sei que minha fala não parece ser muito compreensível, mas a sabe. Eu já estive nessa situação mais vezes do que possa imaginar, todas as vezes buscando ajuda, querendo denunciar esses garotos, conseguir justiça... só que ela nunca deixou e fazia um escândalo se eu comentasse sobre isso – com lágrimas nos olhos, Amanda buscou meu olhar, parecendo muito cansada – é tão difícil cuidar dela, eu queria muito que ela entendesse o quanto a amo.

Chorando, ela me abraçou fortemente, buscando conforto. Não vou mentir, uma sensação muito estranha arrebatou meu corpo em relação ao que ela havia falado, além de não reconhecer mais em mim nenhuma sensação boa ao ter Amanda nos meus braços, como se o lugar dela não fosse mais ali.

- John, espero que você não fique chateado comigo, mas, se puder não se envolver nessas questões eu agradeceria muito. Não quero que nosso relacionamento sofra pelas inconsequências da minha filha.

Depois de nos beijarmos e ela se acalmar, Amanda saiu para encontrar algumas amigas e almoçar fora, apesar de eu saber que ela provavelmente iria se encontrar com alguém do trabalho e estava omitindo isso por ser sábado. Um incômodo gigantesco me corroía a alma. Primeiramente, estava sendo muito difícil lidar com tantos sentimentos relacionados a . Tudo o que aconteceu parecendo um sonho, algo não concreto.
Eu poderia, realmente, sentir tudo isso por alguém com apenas uma noite de sexo?
O meu corpo se eletrizar de tesão toda vez que eu penso nela gemendo o meu nome, ou rebolando em cima de mim e sorrindo sacana, eu até entendo. O problema era a necessidade quase dolorosa que eu estava sentindo de me juntar a ela e cuidá-la, abraçá-la e depois ir atrás daquele filho de uma puta e descontar nele toda a raiva que eu sentia.
Eu nunca havia sido violento, ou protetor, diga-se de passagem. Carinhoso sim, é algo inerente quando gosto de alguém, mulheres conseguem tão facilmente despertar a necessidade de um homem de fazer suas vontades e lhes dar atenção.
Mas a vontade de jogar tudo para o alto e simplesmente levar Bia para longe dali era algo novo. Além disso, algo muito estranho tem acontecido em relação a Amanda.
É como se tendo apenas um vislumbre da personalidade e da pessoa que é tudo o que minha noiva já havia comentado, todas as nossas conversas sobre os anos como mãe solo, todos os problemas que ela já havia passado com a filha agora pareciam fatos estranhamente inverídicos.
Ou, a verdade é que talvez eu estivesse tentando colocar o caráter da mulher com quem eu me comprometi em jogo, para poder aliviar o peso da minha culpa nessa situação. Suspirei.
Apesar de tudo ter feito tanto sentido ontem, de como ter o corpo da no meu, da nossa química incrível e da sensação de familiaridade que sentimos um com o outro ter sido, provavelmente, a melhor noite de sexo da minha vida, isso, claramente, não poderia acontecer de novo.
Eu não queria magoar , e o limite que nós cruzamos ontem vai deixar tudo muito confuso e perigoso, mas não tinha outro caminho.
merecia um homem, da idade dela, que pudesse se entregar de corpo e alma e iniciar uma vida com a mesma, uma linda jornada. Ela tinha tanto a viver e eu já havia vivido três vidas em uma.
Tenho cicatrizes, traumas e contradições em mim que não deveriam ser repertório para uma garota de vinte e sete anos lidar. Sem contar minha carreira. Amanda de muito bom grado aceita toda a atenção que recebe, é madura o suficiente para entender a paixão descontrolada de algumas fãs e os longos períodos de distância que podem acontecer.
seria intensa, como o fogo, e eu não poderia lidar com isso agora. Eu sabia o que tinha que fazer, mas meu coração já doía apenas com a possibilidade de dizer isso a ela.
Afastá-la, voltarmos a ser estranhos morando na mesma casa, agir como se eu não soubesse como era o gosto dela e que meu corpo ansiava por mais, ia ser com certeza a coisa mais difícil que eu iria fazer em muito tempo...
Caralho John, como você conseguiu cagar sua vida mais uma vez?


Capítulo 03

Depois que minha mãe e John saíram do meu quarto, fiquei cogitando em minha mente vários cenários prováveis, e outros nem tão prováveis assim, do que poderia acontecer daqui em diante.
Estabelecer um caso tórrido de paixão com o futuro marido da minha mãe não era nem de longe uma opção acessível... Pelo menos até eu lembrar da sensação de Mayer dentro de mim, daí parecia de longe a melhor escolha.
Ri sozinha e levei meus dedos ao meu pescoço, massageando fortemente a tensão que se encontrava ali, tentando controlar as reações que me atingiram ao ter flashes de Mayer entre as minhas pernas.
Poderíamos fingir que isso nunca aconteceu e abafar lá no fundo da nossa alma qualquer resquício de sentimento, ou tesão, que eu acredito ser o que comandava as ações de John, e continuarmos com nossa vida normalmente. Isso seria possível?
Sendo bem sincera, apenas pensar na possibilidade de nunca mais tocá-lo era excruciante. Uma agonia gigantesca assolava meu coração e eu sentia um grande incômodo físico, como se meu corpo tivesse sido apresentado a uma nova droga e ficar sem ela não fosse uma opção.
Suspirei, deixando a automassagem de lado e me jogando novamente na cama.
Além de não conseguir colocar em ordem meus próprios pensamentos e sentimentos, ainda havia tantas outras pontas soltas nessa história toda... Havia o lado de John e a sua perspectiva sobre o que aconteceu, os seus sentimentos e seus insights sobre tudo isso. Não vou mentir que tentar imaginar o que ele pensava de mim era uma tortura e me deixava em pânico.
Ainda, havia minha mãe, o lado da confusão que mais me aterrorizava. Se ela descobrisse o que aconteceu com certeza iria... Sabe, não consigo nem imaginar o que minha mãe seria capaz de fazer, mas com certeza seria muito, muito ruim.
Sem dar muita importância para as horas que iam passando, fiquei jogada na minha cama por muito tempo, perdida nos meus pensamentos. Quando finalmente tive coragem de sair da cama, peguei meu celular e fiquei assustada com o tanto de mensagens e ligações que havia de . Meu coração se apertou no peito, os hematomas parecendo voltar a arder.
Eu não sei o que havia acontecido, era, de longe, o rapaz mais querido que eu já havia conhecido. Não apenas como namorado, e sim como pessoa mesmo, como amigo.
É claro que eu consegui interromper toda a situação antes que ela pudesse escalar para algo pior, sendo assim, não tenho como saber se eventualmente ele teria parado. Entretanto, não é como se fosse plausível esperar e pagar para ver o que aconteceria, até porque, mesmo que não tenha sido pior, ele tinha mostrado um lado dele que contradizia assustadoramente tudo o que tínhamos vivido nos últimos meses.
Comecei a ler algumas mensagens por cima e ouvir os milhões de áudios que ele havia mandado. O tom de voz desesperado dele me pegando desprevenida e causando uma pontada de dor em mim.
Eu não devia nada a ele, nem mesmo uma conversa antes de exclui-lo completamente da minha vida. Porém, a gente se encontrava praticamente todos os dias na faculdade e nosso círculo de amizade era o mesmo muitas vezes, não é como se eu fosse conseguir fugir de prováveis encontros.
Se eu fosse ser sincera comigo mesma, acusá-lo de agressão e tentativa de estupro, além de prestar uma queixa, era uma opção muito dolorosa, afinal, sabemos muito bem que a aplicação dessas punições pela lei é uma palhaçada para nós mulheres, não importa em qual país!
O processo se arrastaria, o desgaste mental e emocional seria imenso e , apesar de talvez ser submetido a uma ficha criminal, conseguiria levar sua vida normalmente, utilizando todo o privilégio em ser um homem branco e de classe alta para sair impune. E ele sairia, não tenho dúvida disso.
Seria minha palavra contra a dele e, apesar de também ser privilegiada financeiramente e com grandes possibilidades de influência, numa guerra entre homem e mulher perante a lei sabemos muito bem quem ganha.
Estiquei o meu corpo, me alongando. Resolvi deixar para decidir depois o que aconteceria, já que ainda havia dois dias para nos encontrarmos frente a frente. Eu precisava ponderar entre deixar isso para trás e cortá-lo completamente do meu convívio, ou me vingar e garantir que ele nunca mais fizesse isso com alguém... Se vocês me conhecessem, saberiam que a segunda opção será provavelmente a minha escolha.
Quando finalmente saí do quarto, a gigantesca propriedade se encontrava em movimento e os funcionários ocupados em suas funções mantinham os ambientes agitados. Fui cumprimentando todos pelo caminho até chegar na quadra de tênis que havia na parte exterior da nossa casa. O esporte era uma das poucas atividades que eu havia aprendido com o meu pai e que eu mantinha na minha rotina até hoje.
Tenho um professor particular, mas como era sábado eu estava jogando apenas por diversão. Ou, sejamos sinceros, para descontar toda minha confusão mental. Fiquei uns bons noventa minutos rebatendo a bola a partir de uma máquina de treino, que jogava o objeto em direções diversas, me fazendo treinar minha agilidade e mobilidade. Correr de um lado para o outro e ter que focar muito bem no objeto para que não me acertasse era exatamente o tipo de distração que eu precisava.
Quando terminei, meu corpo havia suado apenas o suficiente para expiar um pouco da tensão, os anos de treino fazendo com que aquele tempo de atividade não causasse muito desgaste. Enquanto bebia minha água e descansava na sombra, a saudade que eu sentia do meu pai se aproximou como se fosse uma faca atravessando o meu coração. Eu tentava fazer tudo o que era possível para mantê-lo vivo e presente na minha vida, mas ficava cada vez mais difícil.
Decidi caminhar até o escritório dele, o meu refúgio ali e o motivo da minha briga mais intensa com a minha mãe, já que ela queria mudá-lo completamente. Contudo, depois de muita, e bota muita, luta e uma grande porção de drama e escândalo, eu consegui fazer com que ela desistisse da ideia. Somente eu e Alice acabamos tendo acesso ao cômodo, ela é a única que eu confio porque sei que não trocaria nada de lugar e eu me importava muito em deixar a essência dele intacta.
A melhor parte daquele escritório era a biblioteca. Meu pai sempre foi muito inteligente e estudioso, apesar de não fazer o tipo intelectual, e tinha profunda curiosidade sobre todos os assuntos. Eu havia puxado isso dele. Sendo assim, havia inúmeros livros de todos os gêneros que você possa imaginar, dispostos apenas para meu uso particular. Então, quando eu queria me distrair, era para lá que eu ia, me perdendo nas inúmeras leituras que eu fazia e me conectando com a energia dele enquanto estava ali.
Após me sentar em sua gloriosa cadeira de couro, comecei a ler algumas páginas de um livro de mistério de Agatha Christie, tentando distrair minha mente com algo que não fosse relacionado a romance ou a relacionamentos. Perdi a noção do tempo novamente, entretida, até ouvir uma leve batida na porta.

- Entre Alice, só estou lendo.

Nem me incomodei em tirar os pés de cima da mesa ou até mesmo de olhar para quem entrava. Contudo, quase caí da cadeira quando uma voz masculina melodiosa chegou aos meus ouvidos.

- , me desculpe incomodar. Se quiser eu posso sair... É só que a Alice me disse que você provavelmente estaria aqui.

Ofeguei, assustada, tirando com pressa os pés da mesa e fechando o livro, me arrumando na cadeira e tentando controlar o descompasso do meu coração. Olha, eu tenho que dizer, acho incrível como vejo John todos os dias a meses e, mesmo assim, ele consegue ser mais lindo cada vez que coloco os meus olhos nele. Ainda mais agora que consigo saber claramente o que tem embaixo de toda aquela roupa.
Não consegui evitar que meus lábios se curvassem em um sorriso esperto ao me lembrar da noite anterior.
Mayer vestia uma calça jeans em um tom caramelo, um marrom bem clarinho, uma camisa preta lisa e um coturno marrom, um pouco mais escuro que sua calça. Seus cabelos estavam despojadamente arrumados, dando aquele ar sexy de quem não se preocupa com sua aparência.
Ele me olhava parado na porta, esperando uma reação para que pudesse entrar completamente no cômodo, e eu só conseguia pensar em derrubar todos os livros e transar ali mesmo, em cima da mesa.

John’s Pov

Após o susto inicial, me analisava parado na porta enquanto eu esperava sua permissão para entrar. Um arrepio tomou conta da minha nuca quando consegui enxergar desejo naqueles olhos, além de um sorriso malicioso, me deixando instantaneamente excitado ao imaginar o que se passava na cabeça dela. Se recompondo, ela se arrumou na imponente poltrona de couro e sorriu para mim.

- Claro John, pode entrar, eu só estava lendo. E me desculpe o susto, é que quase ninguém vem aqui.

se levantou e caminhou em minha direção, saindo de trás da mesa e parando perto dela, me dando uma visão de seu corpo inteiro. Ela vestia uma saia branca rodada e curta, curta o suficiente para que eu pudesse analisar aquelas coxas deliciosas abaixo do pano. Uma camiseta branca bem apertada cobria o seu tronco, deixando o volume de seus seios aparentes e suas curvas muito bem-marcadas.
Não consegui evitar de encarar suas pernas desnudas por alguns segundos, voltando minha atenção para o seu rosto a tempo de vê-la arquear a sobrancelha ardilosamente, tendo com toda a certeza visto o caminho que meus olhos faziam. Pigarreei, minha garganta instantaneamente se sentindo incomodada pela proximidade com ela... É, acho que eu nunca vou me acostumar com a quantidade de sensações que vem despertando em mim.

- Alice me avisou que ninguém vinha aqui, além de vocês duas, então, achei que seria um lugar bom para conversamos... claro, se você se sentir à vontade.

Eu queria passar certa segurança, afinal, tinha decidido o rumo que ia levar a conversa com ela. Contudo, não contei com o fato de que só por estar sozinho com meu corpo e minha mente se concentravam em imaginar todos os lugares disponíveis ali no qual eu poderia pressioná-la enquanto invadia o meio das suas pernas, tornando meu plano de ter uma conversa clara e definitiva com ela uma situação quase impossível.
Respirei fundo, tentando distrair meus pensamentos.

- Ãh... claro John. A gente precisa conversar, obviamente – ela riu meio nervosa, se sentando em uma poltrona menor e apontando uma para mim, e eu optei pela opção de me sentar o mais longe possível.

Devidamente confortáveis, me encarou, seus olhos cintilando um brilho de conflituosos sentimentos.

- Antes de conversarmos sobre, bem... nós – me arrumei na poltrona com desconforto, analisando a reação dela que também me pareceu subitamente mais tensa – , eu preciso que você me conte o que aconteceu ontem.

A verdade é que eu passei a maior parte da tarde do meu sábado pensando em mil maneiras nas quais eu poderia arrebentar aquele garoto. Eu precisava saber o que tinha acontecido. respirou fundo e pousou suas mãos fortemente nas coxas, apertando-as como se quisesse buscar força para falar. Não me olhava, o que só me deixou ainda mais nervoso.

- John, não foi nada mais sério... Eu estava em uma boate com as minhas amigas, me chamou para conversar e fomos para o lado de fora do lugar. Era um estacionamento vazio e começamos a nos beijar...

Percebi que minha respiração havia ficado mais lenta e densa, meus dedos se apertando um contra o outro, aquela raiva, agora já conhecida, subindo pela minha garganta.

- estava bêbado. Muito bêbado. E quando eu tentei afastá-lo, dizendo que precisávamos conversar melhor antes de continuar qualquer coisa entre nós, ele... – ela respirou fundo novamente, finalmente colocando seus olhos em mim – Não parou.
- ... ele – me levantei, sem controle da fúria que acendia meu corpo e caminhei até ela – abusou de você?

Claramente desconfortável com minha reação e proximidade súbita, ela se remexeu desconfortavelmente na poltrona, ajeitando sua blusa no corpo.

- Não, ele não conseguiu fazer nada comigo. Eu dei uma joelhada em... Bom, você sabe onde, e consegui fugir. Mas isso não evitou que ele deixasse algumas marcas até eu entender o que estava acontecendo.

A descarga de ódio que eu sentia começou a se esvair enquanto eu imaginava dando uma joelhada muito bem dada no meio das pernas daquele filho de uma puta, com toda a força que eu sabia que ela tinha feito. Afinal, essa garota era um furacão e aquele rapaz era um infeliz de ter tentado algo contra ela.
Sabia que, com toda a certeza, não precisava que eu a protegesse, tinha feito isso todos esses anos muito bem sozinha, obviamente. Inclusive, eu simplesmente nunca tinha entendido essa necessidade masculina de proteger uma mulher, como se elas de fato precisassem de nós para isso. Homens... sempre perdidos em uma ridícula sensação de auto importância.
Contudo, nesse exato momento, atento ao olhar raivoso, mas assustado de eu entendi que, por ela, eu seria preso de bom grado após ter quebrado a cara de quem sequer cogitasse a possibilidade de tentar machucá-la. Respirando fundo e fortemente, fazendo meu corpo trabalhar com aquela raiva toda e com aquele súbito alívio ao ouvir de sua própria boca que não havia acontecido o que eu mais temia, me ajoelhei na frente dela, sem pensar muito bem no que fazia.
Meu rosto e o de ficaram na mesma altura e eu podia sentir toda a tensão sexual que acontecia entre nós sugar o ar do local e transformar a atmosfera. me encarava, perdida.
Eu, sendo o homem que sou, imaginei que chegaria aqui, descobriria o que havia acontecido na noite anterior, resolveria isso e conversaríamos sobre nossa intensa noite, afirmando a ela que não aconteceria de novo. Entretanto, agora, ajoelhado na frente dela e perdido em seus olhos, a única coisa que meu corpo fez foi enfiar uma mão em sua direção até alcançar sua nuca, grudando a boca de na minha e descontando toda a minha fúria naquele beijo, querendo prendê-la ao meu corpo e não soltar mais.

’s Pov

Céus, eu estava terrivelmente e completamente de quatro por esse homem. E querendo ficar de quatro para ele também, se é que vocês me entendem. Senti a mão de John, quente, firme e forte na minha nuca, e, no segundo seguinte, seus lábios volumosos grudaram sua boca na minha, com urgência. Minha garganta soltou um ruído confuso, um gemido de prazer envolto de surpresa.
Os lábios dele se movimentavam sobre os meus sem deixar nenhuma brecha para indecisão, a língua invadindo minha boca com violência enquanto a mão de John apertava minha nuca contra o seu rosto, forçando-me a ele.
Senti meu corpo esquentar e se deliciar com um formigamento generalizado, meus sentidos todos atentos a presença de John. Sem pensar muito, levei minhas mãos aos cabelos dele, puxando-os com energia e atendendo a pressão que ele fazia no meu corpo contra o seu. Cegamente, Mayer colocou seus dedos em minha cintura me puxando para fora da poltrona e me fazendo cair em seus joelhos, me arrumando em seu colo e perdendo seus dedos em minhas costas por baixo da blusa.
Completamente arrepiada pelo seu toque, o beijei com ainda mais vontade, causando um atrito tão intenso entre nossas bocas que comecei a sentir meus lábios doerem de tanta pressão. Eu apertava os ombros dele pela blusa, meus quadris já começando a se mover de maneira inconsciente contra aquele volume que eu tanto queria de novo.
Eu já estava prontíssima para tê-lo dentro de mim quando John travou seu corpo e seus movimentos, tirando suas mãos de mim e fechando os olhos com força, jogando sua cabeça para trás e gemendo frustrado. Surpresa com o movimento, apenas afastei um pouco meu corpo e o fitei, tentando buscar o oxigênio que parecia inexistente nos meus pulmões no momento.
John abriu os olhos e me encarou profundamente, fitando meus lábios e depois meus olhos, colocando suas mãos em seus próprios cabelos e os bagunçando, nervoso e irritado. Sem saber o que fazer, ou dizer, apenas continuei o encarando com as mãos em cima de minhas próprias coxas e ainda muito ofegante.

- , pelo amor de Deus, o que você tá fazendo comigo?

Seus olhos castanhos escuros pareciam querer invadir a minha alma, sua respiração pesada e ofegante batendo em meu rosto enquanto seus lábios entreabertos estavam levemente inchados. Me arrepiei da cabeça aos pés.
Abaixei meus olhos, o olhar dele subitamente intenso demais para que eu pudesse lidar. O que eu estava fazendo com ele? Bom, eu não sei, mas sabia muito bem o que ele estava fazendo comigo. Quando pensei que poderia formular algo, qualquer resposta que fosse, John envolveu meu rosto com suas mãos e se aproximou mais do meu rosto, murmurando sobre meus lábios.

- Puta merda ...

Então puxou meus lábios para si novamente, me apertando como se eu fosse o oxigênio que o manteria vivo, sua língua invadindo minha boca e suas mãos descendo avidamente sobre meu corpo. Atordoada e perdida naquele furacão de sentimentos e sensações, apenas me deixei guiar, sem compreender de fato o que John sentia, sem me importar que nós iríamos cometer mais uma vez outra loucura proibida dentro de uma casa cheia de pessoas.
Mayer começou a subir minha saia, alisando minhas coxas e minha bunda. Com muita destreza e rapidez, forçou seus braços novamente embaixo de mim e me levantou, fazendo com que eu enrolasse minhas pernas em volta da sua cintura para me sentir mais segura. Com apenas uma mão, ele se levantou um pouco e rodou nossos corpos, me colocando delicadamente sobre o tapete, deitando seu corpo em cima do meu.
Soltei minhas pernas de sua cintura quando seus lábios saíram da minha boca e encontraram meu pescoço, sugando a pele e descendo com rapidez, passando por cima dos meus seios e indo em direção a minha barriga, por cima da roupa. Eu apenas conseguia gemer baixinho e soltar o ar com força, enquanto John continuava descendo seus beijos pelo meu corpo. Seus dedos fortes levantaram minha saia completamente, deixando-a meio embolada sobre minha barriga e, sem hesitar, arrancou minha calcinha a jogando longe.
Exposta novamente para John, busquei seu rosto. Ele encarava minha intimidade com os olhos escurecidos de tesão e um leve sorriso sacana nos lábios. Suspirei, completamente excitada ao ver o quanto Mayer me desejava, o quanto ele realmente parecia sentir necessidade, mesmo que fosse só do meu corpo. Após um olhar rápido até meu rosto, John posicionou seu tronco no meio das minhas pernas, colocando rapidamente seu rosto perto da minha vulva e encostando seus lábios nela, dando beijos úmidos por toda a extensão.
Perdida em tesão, soltei um gemido alto, sofrido, abrindo ainda mais minhas pernas para ele, completamente entregue a tudo o que Mayer quisesse fazer comigo. Diferente da primeira vez, ele não me torturou por nenhum segundo, penetrando sua língua inteira em mim, enquanto seus dedos afastavam meus grandes lábios para que ele pudesse ter ainda mais espaço. Sua língua subia e descia com pressão e seus lábios vez ou outra chupavam a carne.
Os movimentos que ele fazia eram intensos, rápidos, minha vagina ficando tão úmida que eu podia sentir o líquido que descia pela minha pele, escancarando o quanto ele me deixava excitada. Quando se deu por satisfeito, ele parou os movimentos e se posicionou de joelhos, abrindo com rapidez e impaciência o cinto de sua calça, empurrando o pano para baixo junto com sua roupa íntima, apenas uma quantidade suficiente para que seu membro aparecesse, duro de tesão.
Sem dizer nada, John praticamente voou para cima do meu corpo novamente, apoiando um braço ao lado do meu rosto enquanto a outra mão ficou para trás, utilizando dois dedos para invadir minha intimidade. Gemi novamente e apertei o braço que estava próximo a mim, pressionando minhas unhas em sua pele. Ele aproximou nossos rostos o suficiente para que meus gemidos e suspiros fizessem ar em sua boca, mas não me beijou, apenas encarava seriamente meu rosto atento a todas minhas expressões.
Se eu não estivesse com tanto tesão, provavelmente teria ficado envergonhada, tamanha era a intensidade com que ele me analisava, como se pudesse se alimentar do meu prazer.

- Você vai me deixar louco ... – gemi, deixando meus olhos serem sugados pelos dele – e eu não gosto de perder o controle.

Sentenciou com a testa franzida, como se de repente sentisse ódio de mim. No segundo seguinte, sua boca grudou-se a minha novamente e, após sentir seus dedos saírem de mim, ele me invadiu com força. Se não estivéssemos nos beijando, eu provavelmente teria gritado, tamanho foi o ímpeto de prazer que eu senti, mas os lábios de John abafaram o som e ele saiu apenas como um grunhido.
John se movimentava com força e rapidez, pressionando seus dedos em minha cintura com violência, buscando manter meu corpo o mais parado possível para que conseguisse me penetrar da maneira que ele queria. O pano entre nós me incomodava, meu corpo desejando sentir a pele dele em contato com a minha. Abri os olhos para analisar como a feição de John se distorcia de prazer e desespero, os olhos fortemente apertados, a testa franzida e as gotículas de suor que se formavam ali.
Eu não sei o que estava acontecendo dentro dele e nem quais eram os sentimentos que ele lutava contra, mas a força com que me penetrava me fazia sentir como se Mayer quisesse me partir ao meio, descontando toda a frustração em estar ali, me comendo dentro da casa da sua futura esposa. Pela segunda vez. Ele disse que não gostava de perder o controle, mas pelo jeito já o havia perdido.
Se John estava com dificuldades para se afastar de mim, eu iria fazer de tudo para que isso continuasse acontecendo. Sorri maldosa, uma luxúria nunca sentida envolvendo meu corpo ao constatar que eu tinha sim poder sobre esse homem que eu tanto quis, mesmo que ele próprio lutasse contra isso.
Com força, enfiei meus dedos nos cabelos de John e puxei com violência sua cabeça para trás, com tanta violência que ele abriu os olhos assustado, parando de se movimentar dentro de mim. Me beneficiei de sua confusão para sorrir, enquanto levava minha mão para nossas intimidades e tirava lentamente John de dentro de mim, gemendo enquanto sentia o seu membro se mover e vendo que Mayer fechava os olhos com força e soltava o ar.
Atônito e provavelmente com medo do que isso significava, ele afastou um pouco seu corpo do meu, me dando abertura para tirar minhas pernas debaixo dele e puxá-las para cima. Utilizei minhas mãos para forçar meu corpo a se levantar e, após ficar de joelhos, aproximei meu rosto do dele, puxando seu lábio inferior com os meus dentes e lambendo-o em seguida.
Ainda sorrindo, engatinhei pelo tapete, levantando meu corpo e ficando de joelhos novamente, agora a alguns passos de John. Levei meus dedos em direção a minha saia e a puxei de novo para cima, deixando minha bunda mais uma vez desnuda.
Após lançar um último olhar, me abaixei ficando de quatro para ele, esperando sua reação enquanto jogava meus cabelos para trás.

- , ... – sua voz murmurou, felina, baixa e rouca – você não sabe com quem está mexendo.

Meu estômago se contraiu deliciosamente, um arrepio arrebatador tomando conta de mim, minhas unhas cravadas no tapete macio para descontar a onda eletrizante de tesão que percorreu meu corpo todo. Antes que eu pudesse me preparar, John já estava se roçando em minha entrada, enquanto suas mãos se encaixavam na base da minha cintura, apertando-a e trazendo meu quadril com violência para trás, fazendo com que ele me invadisse novamente, com mais força do que antes.
Sem os lábios de John contra os meus, soltei um grito rouco jogando minha cabeça para trás e sentindo minha coluna se contorcer. Meus ouvidos captaram um “aaa” de alívio saindo da boca dele, juntamente com uma risada sacana, enquanto ele tirava totalmente seu pênis de dentro mim apenas para estocá-lo novamente com força, arrancando mais um gemido alto da minha garganta. Mayer fez esse movimento cinco vezes e a cada vez eu sentia que meu corpo poderia de fato se partir ao meio.
Suspirando, gemi mais uma vez quando John usou uma de suas mãos para enrolar meus cabelos, puxando minha cabeça ao encontro dele com força o suficiente para que meu tronco subisse um pouco e ele conseguisse pressionar nossos corpos, segurando meu queixo com a outra mão e colocando dois de seus dedos na minha boca.

- Eu preciso que você fique quietinha – sussurrou próximo ao meu ouvido e eu senti minha intimidade pulsar.

Após John começar a me penetrar novamente, comecei a chupar, lamber e morder seus dedos numa tentativa de controlar meus gemidos descontrolados. Utilizando meus cabelos como apoio, Mayer voltou a me preencher com força, rapidez e intensidade, meu corpo batendo em seus quadris produzindo um som estalado. Eu sentia minha nuca toda se arrepiar pelas puxadas que ele dava em meus cabelos, perdida na minha luxúria por esse sexo tão violento, tão diferente da nossa noite de ontem.
Sem querer perder o controle recém-conquistado, comecei a rebolar meus quadris, fazendo com que minha bunda se unisse melhor aos movimentos dele e minha vulva ficasse ainda mais aberta para recebê-lo.
Me sentindo vitoriosa ouvi John gemer, gemer de verdade, um urro rouco saindo do fundo de sua garganta. Ele tirou rapidamente os dedos da minha boca e soltou meus cabelos, levando suas mãos novamente para minha cintura e, pressionando fortemente as mãos ali, começou um movimento de vai e vem ainda mais forte.
Eu sentia Mayer sair e entrar do meu corpo com tanta intensidade que minha vulva começou a arder, se contraindo em volta dele. Querendo fazê-lo gozar muito, mas rapidamente, joguei meus cabelos para o lado e voltei meu pescoço para trás. Como era esperado, John sentiu meu olhar e se voltou para mim. Sua testa agora pingava suor, a boca semiaberta soltava murmúrios desconexos e seus olhos pareciam querer me comer junto com o seu corpo.
Sorri da maneira mais safada que consegui para ele, abrindo ainda mais minhas pernas e pressionando meu corpo em direção ao seu movimento. Alguns segundos depois John jogou sua cabeça para trás e grunhiu, continuando os movimentos dentro de mim por mais algum tempo, até começar a diminui-los, tremendo inteiro e jogando seu corpo para cima do meu usando minhas costas como apoio.
Sentindo seu peso, ouvindo sua respiração ofegante e algumas resmungadas que não se transformavam em palavras compreensíveis e ainda com ele dentro de mim, meu corpo parecia comemorar em êxtase. Eu não havia gozado, mas com toda a certeza não conseguiria nem se ele continuasse, tamanha era a ardência e cansaço que eu sentia.
John começou a se mover muito lentamente, virando sua cabeça sobre minha pele apenas para depositar alguns beijos por ali. Esse homem quase havia divido meu corpo no meio durante o sexo, mas ainda assim conseguia ser carinhoso como nenhum outro já foi, vai entender...
Sorri para mim mesma, produzindo um som parecido com uma risada, mas que se perdeu ao sair de minha garganta exausta. Mayer se moveu para fora de mim e eu ouvi um baque surdo, provavelmente porque ele tinha se jogado no chão. Meu corpo inteiro começou a tremer, uma completa exaustão arrebatando meus músculos, afinal, treinar por mais de uma hora e depois ter um sexo desse tinha drenado minha energia.
Respirando com dificuldade e ainda tentando controlar as inúmeras sensações que eu sentia, fui puxando minhas pernas para frente até me sentar nas mesmas, colocando as mãos nas minhas coxas e analisando o quanto elas tremiam.
Rindo de leve novamente, um riso cansado e sem muito som, mexi nos meus cabelos completamente desgrenhados e os puxei para cima, formando um coque frouxo. Após passar as mãos no meu rosto, sentindo minha pele quente e úmida, me movimentei para encostar minhas costas na poltrona atrás de mim, me sentando no chão e finalmente me atrevendo a olhar para John, que já me encarava.

John’s Pov

seria minha perdição, ela destruiria minha vida e de quebra ainda me faria agradecer por toda a confusão tamanho era o ímpeto que eu sentia em estar completamente entregue as suas vontades e desejos...
Jogado no chão com meu corpo exausto, minha pele úmida e fervendo, minhas calças arriadas até metade dos meus joelhos como se eu fosse a porra de um adolescente de dezessete anos, analisei cada movimento dela, vidrado naquela mulher.
Quando ela finalmente se sentou perto de mim e me procurou com seu olhar, senti que a vida que eu antes conhecia, e até gostava, se perdia nos seus olhos. Eu não sabia explicar como ela era apaixonante! Em um segundo havia ficado de quatro para mim, me encarando da maneira mais obscena que eu já tinha presenciado uma mulher fazer, utilizando seu corpo todo em prol do meu prazer como se fosse a porra de uma profissional do sexo.
Agora, após toda essa loucura, ela parecia uma menina de novo. Sentada com as mãos em cima de suas pernas, abaixava a saia com os dedos, como se subitamente mostrasse pele demais e seus olhos me analisavam mostrando muita vulnerabilidade, a performance sensual dando espaço para sua doçura. Sem querer deixar que meus olhos entregassem toda a paixão que eu sentia borbulhar no meu peito, desviei nossos olhares, voltando-me para a missão de colocar minha calça novamente, sentindo um extremo desconforto quando o tecido envolveu meu membro sensível.
Após colocar o cinto, as mãos trêmulas dificultando a simples ação, voltei para ela. agora olhava para baixo, seus dedos remexendo-se desconfortavelmente em cima das suas pernas, seus pés se balançando. Ela realmente parecia uma menina. Respirei fundo, olhando para frente e voltando minhas mãos aos meus cabelos completamente bagunçados, puxando-os, sentindo-me subitamente muito frustrado por não conseguir ter tido autocontrole nenhum.

- – minha voz saiu trêmula e nada decidida – não podemos mais fazer isso.

Senti que minha respiração ficou presa dentro de minha garganta enquanto eu a olhava e esperava uma reação. não parecia surpresa com a minha constatação, mas percebi seu corpo se enrijecer de tensão, os dedos parando de se mover e sua testa se franzindo.
Esperei alguns segundos que sinceramente pareceram horas, mas nada saiu da boca dela, nem um som, nem um gesto. Suspirei e me aproximei, envolvendo seu corpo com os meus braços e a puxando para cima, fazendo com que nós dois nos sentássemos no sofá de couro sinuoso que havia perto das poltronas onde estávamos sentados anteriormente. Não consegui soltar suas mãos, a pele quente dela causando um formigamento na minha que me impedia de desenlaçar nossos dedos. Busquei seus olhos, covardemente amedrontado com o que ela poderia estar pensando.
Quando finalmente encontrou meu olha senti minha garganta se fechar, seus olhos brilhavam em fúria e eu podia sentir o fogo que ardia dentro dela.

- Quer dizer então que você vem me procurar – frisou a palavra, o som saindo entre dentes, uma ironia pesada consumindo o tom doce da sua voz – se mostra extremamente preocupado com o que havia feito comigo, me come de quatro no chão, com tanta força que chegou a me machucar, e a primeira coisa que você diz depois de tudo é que não podemos mais fazer isso?

Ela me encarava a cada palavra, a menina de segundos atrás se perdendo mais uma vez, uma mulher magoada atravessando sua linguagem corporal e seus sentimentos. Arfei. Cada uma dessas palavras soava como se facas minúsculas atravessassem cada músculo do meu corpo, uma dor gigantesca me alcançando o coração.

- ... – comecei, minha voz se perdendo no meu desespero – eu machuquei você?

Senti uma revolta tão grande pelo meu próprio corpo que beirava a nojo. Quarenta e quatro anos de vida e eu não tinha tido a capacidade de desenvolver autocontrole suficiente para não machucar uma mulher durante o sexo? Ela não merecia isso.
Claro que havia despertado um desejo que eu nunca tinha sentido antes por ninguém, mas isso não era aceitável de jeito nenhum. Para minha surpresa, soltou uma risada cheia de malícia, tirando suas mãos da minha e voltando a grudar seus olhos nos meus.

- Não se preocupe John. Eu gosto da ardência e da força – sorriu lasciva, meu corpo automaticamente voltando a se eletrizar, apesar do cansaço – o que eu não gosto é da covardia.

Ela se levantou no segundo seguinte, irada, me deixando atordoado.

- Do que merda você tá falando? – infelizmente, meu ego masculino não estava nem um pouco acostumado a receber ataques, ainda mais de uma menina tão nova. Fechei minhas mãos, os punhos travados. Uma súbita onda de irritação tomando conta do meu corpo quase anestesiado.
- Estou falando que você é um covarde! – voltou-se para mim, altiva, encarando-me com petulância – Um cara que faz sexo comigo duas vezes, dentro da casa da própria noiva e que, só agora, quer pagar de bom moço, só pode ser um covarde. Ou pior – seus olhos brilharam mais, como se lágrimas estivessem prontas para aparecer – um mentiroso da porra!

Me levantei, caminhando em direção a ela, perdido diante de tantos ataques. Como isso havia acontecido? Como essa situação tinha escalado para algo tão ruim? Matei a distância entre nós e segurei os braços dela com as minhas mãos, como se quisesse prendê-la ali até fazer com que ela entendesse como as coisas estavam sendo para mim.
Não que eu soubesse exatamente o que sentia, mas sabia muito bem que com certeza não era aquilo.

- Eu não sou covarde porra nenhuma ! – minha voz saía mais alta do que eu planejara – O que você quer que eu faça? Saia daqui agora e conte tudo pra sua mãe? Hein? – provoquei, os olhos dela brilhando sobre os meus – E você acha que eu menti sobre o que? Sobre ter sido completamente arrebatado por você e desde então não conseguir controlar meu próprio corpo, é sobre isso que eu estou mentindo? Sobre o fato de que eu não consigo ficar longe de você?

Ela parecia tão pequena e vulnerável nos meus braços, meus dedos apertando-a em desespero. ficou alguns segundos me encarando, a boca entreaberta soltava rápidos jatos de ar, seu peito subindo e descendo.
Com força se debateu sobre meu toque e eu a soltei, seu corpo se afastando do meu e virando-se de costas. Eu estava destruído por dentro. Tinha vindo aqui com a intenção de não complicar ainda mais essa relação, de não arriscar fazê-la sofrer, ela era tão nova, tão inexperiente!
Eu já havia alcançado o limite da minha cota de corações quebrados... Eu não podia fazer isso com ela. Não com .

- Quer saber? Você tem razão... A gente não pode mais fazer isso – ela disse, sem se virar para mim, sua voz trêmula.

Sim, eu estava certo, mas isso não evitou que meu corpo se resetasse, um gigante aperto envolvendo meu coração. Virando-se para mim, o rosto dela não demonstrava raiva ou tristeza, nem a fúria que seus olhos haviam me mostrado alguns instantes atrás. Na verdade, seus olhos brilhavam de um jeito diferente, um sorriso sapeca brincava em seus lábios discretamente enquanto ela se aproximava do meu corpo de novo.
chegou bem perto de mim, a diferença de altura gritante foi diminuída após ela ficar nas pontas dos pés alcançando meu queixo, meu rosto instantaneamente indo de encontro ao dela, aproximando-nos novamente. Ela esparramou suas mãos sobre meu peito e eu senti minha pele desmanchando-se sobre seu toque, inerte novamente as suas vontades.

- Não podemos, John. Isso é um fato – falou baixinho, sussurrando perto da minha boca – mas eu quero ver você conseguir ficar longe de mim.

Sentenciou, sorrindo confiante, um toque de malícia e maldade lhe enfeitando os lábios e um sorriso inebriante tomando conta daquela boca perfeita. Antes que eu pudesse responder, já havia se afastado de mim, andando até sua calcinha jogada no chão, apanhando-a e se encaminhando para a porta, me olhando uma última vez.

- Não esquece de fechar a porta, por favor – sorrindo como se não tivesse acabado de jogar uma bomba na minha vida, se colocou porta afora, sumindo da minha vista.

Soltei todo o ar preso em meus pulmões, meu corpo se contraindo em tensão. Era impressão minha ou havia acabado de decidir que iria brincar comigo?

I want someone to make some trouble
Been way too safe inside my bubble, oh
Take me out and keep me up all night
Let me live on the wilder side of life



Continua...



Nota da autora: Gente. Socorro. Primeira vez na vida mandando uma fanfic para o site e já começo com uma restrita e que será cheia de temas polêmicos. Que vocês me ajudem! Hahaha
Fiquem atentas que o próximo capítulo já começará deixando sua temperatura lá em cima. Obrigada pela sua leitura!

Eu não escrevo essa fic, apenas a scripto, qualquer erro de layout somente no e-mail.


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