Pulsos Presentes e Simétricos

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Última atualização: 19/11/2021

Pulso: expansão e contração alternada de uma artéria após a ejeção de volume de sangue na aorta com a contração o ventrículo esquerdo do coração. A palpação concomitante dos pulsos faz parte do exame físico geral.
De acordo com a semiologia médica, Pulsos Presentes e Simétricos (PPS) indica boa circulação cardiovascular.



“Fortuna, fama, tudo podes perder, mas a felicidade do coração, ainda que por vezes esteja obscurecida, torna a vir enquanto viveres. Enquanto puderes erguer os olhos para o céu, sem medo, saberás que tens o coração puro, e isto significa felicidade”.
- O Diário de Anne Frank


Prólogo

(n/a: quem já leu o ficstape do Kings of Leon – Walls - 04. Find Me, pode pular o prólogo)

“Finalmente juntos!
Jensen Ackles e Amélia dos Santos flagrados em encontro
nada secreto numa pista de patinação de Dallas, Texas.
Enfim a amizade virou romance!”


Ele riu nasalado, nem um pouco surpreso com a manchete que estampava mais uma das revistas de fofocas na banca. Era evidente que cedo ou tarde os dois perceberiam o que realmente sentiam um pelo outro, e, com isso, uma bela história de amor se iniciaria. Quem sabe uma das poucas histórias de amor que fosse durar dentro do mundo dos famosos.
Apesar do orgulho ferido, Charlie estava feliz pela médica brasileira. Uma mulher especial como ela merecia ser amada e cuidada, uma pena que ele não fora o escolhido para desempenhar esse papel. Deu de ombros e afastou-se da banca apenas alguns passos, o suficiente para encarar o céu pouco estrelado de Londres. Não era tarde, mas também não era cedo, e o ator desejou poder ter alguém para compartilhar aquela caminhada noturna.
- Deve doer um bocado ver sua ex nos braços de outro estampada em cada banca de esquina.
Charlie girou o corpo, procurando pela dona da voz feminina, mas a neblina da noite fria impedia de ver mais do que a silhueta de uma mulher parada a poucos metros.
- Acredito que isso não te diz respeito. – respondeu, apertando os olhos numa tentativa de melhorar a visão.
Mas tudo o que ele conseguia ver, mesmo com a luminosidade fraca, era a forma de um corpo, vestindo um sobretudo pesado, botas de salto, cabelos crespos e um óculos grande moldando o rosto. Deu um passo em sua direção, e ela recuou dois.
- Para alguém que já foi machucada por você, posso dizer que é gratificante saber que você tem um coração pulsando dentro do peito, e que ele é vulnerável como todos nós.
Ele franziu o cenho, confuso com as últimas palavras que ela proferira. Se conheciam? Ou ela seria apenas mais uma fã que imaginara uma relação e encontrou a dura realidade? Resolveu dar outro passo em sua direção, e, desta vez, a mulher permaneceu parada. Um poste de luz afastado aumentou suas sombras na calçada, mas ela logo se perdeu pela névoa que se intensificava com o esfriar da noite.
Poderia descrever aquele encontro como surreal, parecendo encontrar uma personagem de uma dimensão imaginária no meio de uma cidade com elementos que deixavam a atmosfera abstrata e sem forma definida. Os cabelos crespos balançaram com o vento frio, e Charlie viu os lábios dela moldarem-se em um sorriso torto.
- Você não faz a mínima ideia de quem eu sou, não é? – ela disse, com as mãos dentro dos bolsos frontais do sobretudo bege.
- Desculpe, mas nós nos conhecemos? – questionou, confuso.
Seu rosto feminino era bem desenhado, e uma voz em sua mente parecia reconhecê-la, mas quem era? Um arrepio percorreu seu corpo ao olhar novamente para os lábios carnudos, presos naquele sorriso misterioso. Sim, ele a conhecia. Seu corpo reconhecia aquele olhar desafiador, mas não conseguia lembrar de onde.
- Nós nos conhecemos há algum tempo, Charlie Hunnam. – ela disse, dando de ombros e recuando um passo. – Mas vejo que não signifiquei muito para você, caso contrário já teria se lembrado de mim.
- Qual é o seu nome? – perguntou, agora agoniado por não conseguir se lembrar dela.
Seu sorriso alargou-se, mas antes que pudesse lhe dar uma resposta, um toque de celular interrompeu aquele clima ilógico entre eles. Com cuidado e estudando todos os seus movimentos, Charlie observou-a atender a ligação e depois guardar o aparelho no mesmo bolso frontal.
- Preciso ir, Hunnam. Foi bom revê-lo depois de todos esses anos. – disse, assumindo um semblante divertido.
- Não vai me dizer quem você é? – questionou, irritado com a situação. – E como você me encontrou?
- Vou te dar uma dica... – ela disse, sinalizando para um táxi do outro lado da rua. – Meu pseudônimo é Nick Davies¹.
Antes que Charlie pudesse perguntar mais alguma coisa, ou se aproximar para impedi-la de ir, a mulher entrou no carro, abanando para ele pela janela traseira e desaparecendo em poucos metros, coberta pela escuridão e pela neblina.

♦♦♦

Levantou-se na cama e caminhou até o batente da porta de sua sacada. O céu ocidental de Londres estava cinza, quase chumbo, indicando que uma tempestade estava por vir. Mas o clima ruim era o menor de seus problemas, porque há dias sua mente estava presa em olhos penetrantes e em um sorriso torto, que dia após dia, assombravam seus pensamentos.
Nick Davies fora a pista que ela tinha lhe dado, e não foi preciso de muito esforço para descobrir que este era o pseudônimo de um dos melhores repórteres investigativos da Grã-Bretanha. O mesmo repórter que tinha descoberto o escândalo dos grampos e da corrupção da imprensa britânica. Ele só nunca imaginara que o tal repórter renomado e prestigiado pelo seu caráter correto fosse, na verdade, sua namoradinha de infância, seu primeiro amor.
Como ela o tinha encontrado depois de todos esses anos? Será que ela sempre o estivera procurando? Ou será que eles apenas tiveram um encontro casual no meio de uma avenida londrina em uma noite de inverno? Independente do que fosse, Charlie queria, precisava, revê-la e descobrir onde ela esteve durante esse período, por que nunca mais tinham se visto e como ela estava atualmente. Bem-sucedida? Solteira? Teria realizado todos os seus sonhos? E que sonhos eram esses? Era como se ele não pudesse escapar mais dela agora que ela o tinha encontrado, já que em cada esquina parecia sentir sua sombra, procurando-o, vigiando-o, instigando-o a retomar o contato.
Novamente seus olhos focaram-se no horizonte, a tempo de ver um relâmpago preencher o céu. Dias cinzas e nebulosos tinham um novo significado para ele, e Charlie não descansaria até reencontrá-la.

¹ Nick Davies (1953 – atual) é um repórter investigativo e autor de 5 livros, destaque para o livro Vale-tudo da notícia. Já recebeu prêmios de Reportagem Especial, Repórter do Ano e Jornalista do Ano do British Press Awards, além de ter sido agraciado com outras 8 honrarias pela cobertura do escândalo das escutas telefônicas. Atua hoje como correspondente especial do The Guardian.


Capítulo 01

O INÍCIO

Nove de julho de dois mil e nove
Londres

Os cabelos crespos e negros moviam-se como uma melodia suave a cada passo dado pelas ruas cinzas e frias de Londres, enquanto os olhos azuis-esverdeados atentavam-se à tela do celular, lendo cuidadosamente a notícia do The Guardian e, a cada nova linha lida, os lábios carnudos crispavam-se em um sorriso maroto, misterioso – lábios que sabiam de um segredo adorável. Desviando automaticamente das outras pessoas da calçada, com uma harmonia única, Siadve caminhava com autoridade em direção ao trabalho, tentando conter a vontade de sair correndo, pulando e gritando de alegria por ser a pessoa responsável por expor uma rede de crimes, intimidação e troca de favores entre a imprensa, a Scotland Yard e o governo britânico.

“Jornais de Murdoch pagaram 1 milhão de libras para calar vítimas de escutas ilegais

Os jornais do New Group, de Rupert Murdoch, desembolsaram mais de 1 milhão de libras em acordos para encerrar disputas judiciais que ameaçavam revelar provas de como seus jornalistas se envolviam com frequência com métodos ilegais para obter informações que usariam em suas reportagens.
Os pagamentos visavam garantir o sigilo dos acordos extrajudiciais em três processos que ameaçavam expor as evidências de que os jornalistas de Murdoch empregaram investigadores privados que invadiram as caixas de mensagens de voz de celulares de várias figuras públicas ilegalmente, bem como tiveram acesso ilícito a dados pessoais confidenciais [...]”¹.

Com um jumpsuit bege e pedrejado, uma camiseta cinza escrita SAVAGE sobre a parte de cima e um cinto de couro preto finalizando o look do dia, empurrou a porta da sala de redação do The Guardian, ouvindo o som de uma, duas e depois dezenas de palmas enquanto cruzava a entrada. Enfim deixando que seu sorriso correspondesse com o de seus olhos, guardou o aparelho dentro da bolsa verde musgo e desfilou entre as mesas em direção ao seu editor.
Há alguns anos, uma filha de imigrantes sudaneses jamais seria recebida dessa maneira ao entrar em um recinto tão renomado e conservador quanto o jornal britânico, mas o mundo estava finalmente mudando, e ela merecia cada uma daquelas palmas e daqueles parabéns. E os racistas, preconceituosos, conservadores e patriarcas teriam que engoli-la, gostando ou não, porque com apenas vinte e seis anos ela tinha apresentado ao mundo as podridões da mídia britânica.
- Você, garota, acabou de se tornar uma lenda! – Jeff, o editor-chefe, anunciou, apontando em sua direção à medida que ela se aproximava. – A partir de hoje sua vida mudou para sempre!

Dez de julho de dois mil e nove
Los Angeles

Ele estava sentado no banco que continha seu nome e, de acordo com as regras do set, nenhum aparelho eletrônico além dos instrumentos de trabalho eram permitidos no local, por isso, seu celular estava abandonado em algum canto de seu trailer do lado de fora do estúdio. Charlie, contudo, divertia-se vendo as gravações do oitavo episódio da segunda temporada de Sons of Anarchy e admirava-se com a atuação de Kate Sagal e Bellina Logan.
- Está bem longe de casa, querida. – Kate falou, interpretando Gemma
- Sim, eu estou. – respondeu Bellina.
- Por quê?
- Eu estava preocupada com ele.
- Poderia ter mandado flores.
- Apenas precisava vê-lo, Gemma².
A cena, em questão, era o diálogo entre as duas mulheres no quarto de hospital onde Chibs, personagem de Tommy Flanagam, estava se recuperando.
- Por que não estou surpreso com todo esse esquema ilegal da mídia britânica?
A voz de Ron Perlman, o intérprete de Clay, o fez tirar os olhos da gravação e mirá-los para o colega, que se sentava no banco ao lado do seu com um jornal em mãos. Rapidamente o britânico reconheceu o jornal e o aceitou quando o amigo lhe ofereceu. A manchete do The Guardian havia chocado o mundo e, cada dia a mais, novas intrigas e esquemas eram expostos. Charlie correu os olhos para uma das frases, ainda incrédulo com o que tinham desvendado:

“[...]o The Guardian revela detalhes da supressão de provas, o que pode abrir caminho para centenas de outras ações judiciais movidas por vítimas do News of the World e The Sun, além de provocar investigações policiais dos repórteres envolvidos e dos CEOs sêniores responsáveis por eles [...]”¹.

Ele tornou a fechar o jornal, deixando-o sobre o colo enquanto refletia sobre o escândalo.
- Você pode não estar surpreso, Ron, mas eu estou. – revelou, por fim. – Sempre soube que a nossa mídia era uma bosta, só não imaginava que meu próprio governo estivesse envolvido nos esquemas.
- Realmente, esse foi o grande furo de todos. E a Scotland Yard também! Quem diria?!
- Se eu não estranhasse tanto os costumes americanos, consideraria me mudar para cá. – brincou.
- Charlie, quem você quer enganar? – Ron zombou. – Você é um legítimo gentleman, jamais se enquadraria a nossa falta de boas maneiras.
Os dois riram da brincadeira, sabendo que aquelas palavras eram verdadeiras.
- Mas preciso admitir que esse repórter... – Ron voltou a pegar o jornal, lendo o nome assinado na notícia. – Nick Davies³ tem culhões. O tanto de merda que ele jogou no ventilador... tem que ter muita coragem mesmo.
- É verdade. – Charlie concordou. – Só de pensar no assédio que ele deve estar sofrendo com tudo isso, fico até com pena.
- Mas pelo menos prova de que vocês têm jornalistas de bom caráter, se é que isso ainda é possível nos dias de hoje.
- Gosto de pensar que sim. – disse, secando as gotas de suor que escorriam pela testa com o dorso da mão.
Embora fosse verão e, teoricamente, eles deveriam estar de férias, o elenco e a produção entraram em um acordo para começarem as gravações dois meses antes do usual, assim os atores ficariam disponíveis para outros projetos que estavam interessados. Era um quebra-cabeça gigante tentar organizar a agenda de todos, mas, com paciência, tinham conseguido, e, por isso, ele estava em Los Angeles ao invés de estar em casa acompanhando em primeira mão a mídia britânica ruir.
O que Ron tinha dito, de fato, era verdade. Nick Davies acabava de entrar em um mundo que exige muita coragem e força de caráter, e, secretamente, ele torceu para que o jornalista não se corrompesse e perdesse o rumo.

Dez de abril de mil novecentos e oitenta e nove
Newcastle

- Charlie, querido, venha até aqui, quero lhe apresentar nossos novos vizinhos. – Elizabeth, uma senhora de roupas excêntricas rosas e cabelos grisalhos com mechas alaranjadas, puxou o garoto de nove anos para longe de seus amigos em direção a um casal negro com uma garota entre eles, segurando com ambas as mãos as dos pais.
Charlie bufou irritado, deixando-se ser conduzido pela avó até os convidados recém-chegados. Olhou com desinteresse para o casal e não ouviu uma palavra do que eles lhe diziam, uma vez seus olhos logo focaram-se na menina não muito mais nova que ele de saias florais e cabelos crespos presos em dois coques. Ela sorria sem jeito, sem largar dos pais. Emburrado, ele revirou os olhos e lhe deu um meio sorriso após um leve empurrão de sua avó, encorajando-o a falar alguma coisa.
- Bem-vindos e obrigado por virem. – murmurou em seguida e quando a mãe da menina lhe estendeu um embrulho disse: – Puxa, obrigado!
- Espero que goste, Charles. – a mulher falou carinhosamente, e ele sentiu as bochechas corarem em vergonha. – Foi quem escolheu.
Seus olhos repousaram novamente na garota, que agora escondia-se atrás das pernas do pai, olhando-o com apenas a parte de cima da cabeça aparecendo, como se estivesse com medo de sua reação. Curioso e sem jeito, ele rasgou o papel e viu sua animação murchar, afinal não era um novo brinquedo que tinha em mãos, mas, sim, um livro de capa dura.
- Que legal. – mentiu, sorrindo forçadamente e sinalizando que iria guardar o livro junto com os outros presentes recebidos.
- É minha história favorita. – a voz fina e feminina de chamou sua atenção, e ela tinha reunido um pouco mais de coragem e expunha-se um pouco mais por trás das pernas do pai. Aquela timidez dela o irritou profundamente, afinal eles podiam ter a mesma idade, então por que ela se comportava como se tivesse quatro anos? – Feliz aniversário.
- Obrigado. – respondeu educadamente, mas o grito de um de seus amigos chamando-lhe tirou-lhe o foco dos novos vizinhos e, sem dizer mais nada, apenas acenando com a cabeça, afastou-se deles e correu para a roda de meninos.
Embora estivesse começando a segunda infância, era bastante observadora e não deixou de notar a forma como Charles simplesmente jogou o livro sobre uma das mesas do quintal enquanto corria na direção dos amigos. Magoada com a atitude do garoto, decidiu que, a partir daquele momento, não gostaria de seu novo vizinho de olhos azuis e que jamais tentaria ser sua amiga.

Vinte e sete de dezembro de dois mil e dezesseis
Londres

Seus lábios, segundos antes moldados em um sorriso confiante enquanto acenava ironicamente para Charlie Hunnam e seu coração partido, murcharam, refletindo seu verdadeiro humor. Não queria tê-lo reencontrado depois de todos esses anos, ainda mais nas atuais circunstâncias. Lembrava-se muito bem da infância que compartilharam, da forma como o namorico infantil terminou e, mais ainda, lembrava-se da dor lancinante que sentiu quando viu as fotos dele com a brasileira na premiação meses antes. Nem mesmo quando soubera de seus casamentos falhos, sentiu-se tão arrasada como ao vê-lo ao lado da neurocirurgiã.
Charlie podia não ter declarado verbalmente ao mundo o que tinha sentido pela mulher, mas quem o conhecia bem sabia reconhecer em seus olhos e gestos o que ele tentava disfarçar. E, infelizmente, para a excelente repórter investigativa que era e antiga conhecida – deveriam se chamar assim ou nomear o que tiveram na infância de outra forma? –, decifrou em milésimos de segundos o amor que ele nutriu pela médica.
Enquanto o carro a conduzia para longe daquela esquina e de seu primeiro amor, puxou o iPhone de dentro do casaco e abriu o bloco de notas, desligando-se das suas emoções e colocando o cérebro para trabalhar, afinal Nick Davies³ tinha uma reputação a zelar.

¹ Trecho do livro “Vale Tudo da Notícia” e, de fato, trecho da reportagem publicada no The Guardian em 08 de julho de 2009.
² Diálogo retirado do episódio número 8 “Potlatch” da 2° temporada de Sons of Anarchy.
³ Nick Davies (1953 – atual) é um repórter investigativo e autor de 5 livros, destaque para o livro Vale-tudo da notícia. Já recebeu prêmios de Reportagem Especial, Repórter do Ano e Jornalista do Ano do British Press Awards, além de ter sido agraciado com outras 8 honrarias pela cobertura do escândalo das escutas telefônicas. Atua hoje como correspondente especial do The Guardian.




Continua...



Nota da autora: Enfim o primeiro capítulo! Não irei falar muito porque quero que vocês me digam o que acharam da nossa principal e de tudo o que especulam para esses dois. Vejo vocês no próximo capítulo, ou em alguma outra fic pelo site. Lembrem-se de comentar e beijo grande! 🍀




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