Enviada em: 20/04/2019
Contador:

Capítulo Único

“- Mamãe, mamãe! - e apareceram correndo, chamando pelas mães ao mesmo tempo, os dois de mãos dadas. - Feliz Ano Novo!
- A gente fez igual vocês adultos fizeram. Foi nojento. - contou, fazendo uma careta.
, ao seu lado, fingiu que ia vomitar. Natalie e Anne franziram o cenho, um pouco confusas.
- Fizeram o que?
- A gente beijou assim, na boca. - contou e levantou os braços para o alto, um pouco indignada. - Foi ideia do .
- Não foi, não! - Ele soltou a mão dela e cruzou os braços.
- Foi sim! - retrucou, mostrando a língua para ele.
- Vocês beijaram? - Foi Anne quem perguntou.
De repente, Natalie explodiu em um ataque de risos, chamando a atenção do restante dos adultos que estavam por ali.
- O que aconteceu? - Harry perguntou ao se aproximar da namorada, abraçando-a lateralmente.
- Esses dois deram um beijo! - Anne contou, fingindo indignação.
- Na boca! - e contaram mais uma vez, fazendo caretas de nojo.
- E vocês gostaram? - Harry questionou, segurando o riso. - Não. Blé. - respondeu, fingindo, novamente, estar com ânsia de vômito.
- Eca! - revirou os olhos. - Nunca mais vou beijar ninguém.
- Nem eu! - cruzou os bracinhos. - Vamos brincar?
- Vamos!
Os dois saíram correndo de mãos dadas, jogando areia para cima. Natalie, Harry e Anne se entreolharam e caíram na risada. Esses dois eram impossíveis.
- Meu Deus. - Natalie comentou, ainda envolvida pelos risos.
- Por que eles saíram correndo desse jeito? - Mark questionou assim que se aproximou.
- Vocês viram o que os filhos de vocês fizeram? - Louise perguntou a Natalie e Anne, aproximando-se com Philip, Richard e Claire.
- Sim, já estamos sabendo. - Anne riu, abraçando seu marido de lado. - Quando eu digo que esses dois vão crescer e ficar juntos...”

A Place to Call Home

HOJE

- Então, posso confirmar com o buffet? É esse o cardápio que vocês querem? - A cerimonialista perguntou aos noivos e ambos balançaram a cabeça em confirmação. - Perfeito! Agora falta pouco tempo, pombinhos!
- Não temos mais nenhum ajuste ou escolha a fazer? - questionou, enquanto recebia, em sua mão, um carinho leve de seu noivo, que estava sentado ao seu lado.
- Mais nada! - Ela respondeu, animada. - Posso confiar que as últimas provas de vestido serão feitas corretamente, né, ?
- Claro. Minha mãe e Angelina estão indo comigo. - A mulher assegurou. - E a prova do terno também, né, amor? Tudo tranquilo.
- Tudo perfeito. - Ele respondeu, sorrindo brevemente para a noiva.
- Certo, então, agora só precisamos esperar a data chegar. Nos três dias que antecedem o casamento volto a entrar em contato pra confirmar algumas informações, mas nos veremos somente no grande dia!
- Perfeito, Mary. Muito obrigada! - agradeceu e se levantou, assim como o noivo.
Os dois cumprimentaram a profissional e se despediram, saindo de mãos dadas do escritório dela.
- Tá ansiosa? - Ele questionou e ela riu, um pouco nervosa, mas balançou a cabeça em confirmação. - Eu também. - O homem a puxou, grudando seus corpos. Levou sua mão até o rosto dela e acariciou sua pele levemente. - Logo, logo, estaremos casados. E eu não poderia estar mais feliz.
não conseguiu olhar em seus olhos, mas respondeu com um grande sorriso, não tão verdadeiro como gostaria que fosse. Ele não percebeu, como sempre, e depositou um pequeno beijo nos lábios da noiva para depois guiá-la até o carro que os levaria para casa.
Dentro do automóvel, enquanto Peter contava a ela como havia sido seu dia no trabalho, a mente da mulher voou para alguém que ela gostaria de ser capaz de esquecer por completo.
Alguém que, por mais que quisesse, nunca se afastaria de sua vida, e tampouco sairia de seu coração.
tinha sentimentos por Peter, é claro que sim. E é óbvio que estava feliz com o fato de que se casariam em poucas semanas, afinal, ele era um ótimo homem.
Os anos de namoro e todos os momentos que passaram e ainda passam juntos eram incríveis. Ele a tratava muito bem, a respeitava como mulher e a apoiava na carreira que queria seguir. Peter gostava da família dela, e o sentimento era recíproco, com exceção de sua irmã, que não gostava nem um pouco do cara. Apesar disso, ele era ótimo. E, o mais importante de tudo, ele a amava.
Peter a amou desde o princípio. Talvez tenha sido esse o principal motivo de ter se entregado a ele da maneira que fez. Talvez ela também estivesse apaixonada por ele. Com certeza o sentimento não era tão intenso e verdadeiro quanto o dele por ela, mas, sim, o amava.
Só havia um detalhe, um pequeno detalhe, muito importante, que perseguia desde a sua infância e continuaria a perseguir, provavelmente, pelo resto de sua vida.
Peter era, sim, incrível.
Mas, ele não tinha o cheiro que ela gostaria que tivesse. Seu toque não era tão macio e tão intenso como ela queria. Ele não a fazia sentir borboletas no estômago ou suspirar de paixão somente ao olhá-lo. Não era o sobrenome dele que ela gostaria de carregar pelo resto de sua vida.
Ele não era seu melhor amigo.
Ele não era quem ela amava incondicionalmente.
Ele não era .

ONTEM

O som que preenchia o ambiente estava causando dor de cabeça em . Unindo isso ao fato de que sua companhia a havia abandonado para ficar com outra menina, era certo dizer que a sua noite estava sendo uma bela de uma bosta. Suspirando, a garota desviou o olhar de seu celular, arrependendo-se no momento em que viu abraçado com a menina. Ela falava algo em seu ouvido enquanto o garoto ria, abraçando-a pela cintura.
Tudo que queria era estar no lugar da desconhecida.
Como se soubesse que estava sendo observado, os olhos de varreram o local e logo se cruzaram com os da amiga. Ele sorriu, fazendo sinal para que ela se aproximasse, mas negou com a cabeça e se levantou, apontando o banheiro, avisando-o que iria até lá. Antes de afastar o olhar, porém, ela viu o exato momento em que a garota puxou o rosto de para si e o beijou, tendo seu corpo envolvido pelas mãos dele. suspirou alto e seus olhos se encheram de lágrimas no mesmo momento.
Foi então que decidiu ir até o bar.
Ela não tinha idade para beber e, para falar a verdade, nunca tinha colocado uma gota de álcool na boca. Contudo, naquele momento, estranhamente, uma bebida alcóolica era tudo o que ela sentia que precisava.
Se esgueirou pela multidão de adolescentes bêbados e andou até chegar no local onde as bebidas estavam. Na dúvida do que consumir, observou enquanto alguns jovens misturavam vodka com suco ou refrigerante, e decidiu por essa bebida. Pegou um copo e abriu a garrafa, virando um pouco do conteúdo transparente no copo.
- Aqui. - Um garoto ofereceu a ela o suco e ela prontamente aceitou, estendendo seu copo para ele servir. - Você gosta forte?
- Não sei. Nunca tomei... - encolheu os ombros, um pouco envergonhada.
- Ah! - Ele riu, enchendo um pouco mais o copo dela. - Mais forte é mais gostoso.
- Ahn... - Ela sorriu incerta em agradecimento. - Valeu.
- Tá sozinha por aqui? - Ele perguntou, tomando um pouco da própria bebida.
- Acho que sim. - Preferiu responder, mesmo que não fosse totalmente verdade. - Não conheço quase ninguém, sou de outra turma.
- Você pode ficar comigo, se quiser. - Ele ofereceu. - Meu nome é James.
- . - Ela se apresentou, sorrindo para o garoto antes de beber um pouco de sua bebida.
Ela fez uma careta ao sentir o líquido descer por sua garganta. Então era esse o gosto do álcool? Por que as pessoas gostavam tanto? Não conseguiu entender de imediato, mas, conforme foi tomando mais alguns goles da bebida, a sensação de queimação diminuiu, e começou a relaxar. Depois de um copo veio outro, e outro, e mais um... As risadas já saíam de maneira mais fácil, e, sem nem perceber, ela e o garoto já estavam mais próximos, e já contava sua vida para ele.
- E aí ele tá com essa outra garota. - Ela disse um pouco alto, abrindo um sorriso triste, em meio as lágrimas teimosas que nem percebeu que estavam descendo por seu rosto. - Mas não é como se ele soubesse o que eu sinto, né... Já que eu nunca falei. Só que eu queria q...
- . - Ele rolou os olhos e a interrompeu, soltando seu copo e se aproximando dela desajeitadamente. - Deixa o pra lá.
- Mas eu não quero deixar ele pra lá. - riu de maneira exagerada e depois limpou seus olhos, tentando esconder sua confusão, e franziu o cenho ao notar o quão próximo ele estava.
Ela não estava sóbria, mas conseguiu identificar o momento em que James apoiou um de seus braços na mesa da cozinha, praticamente prensando seu corpo contra o dela. O garoto a encarava intensamente, como se a qualquer momento fosse agarrá-la.
O ambiente que antes era agradável, agora parecia muito apertado e extremamente cheio. A música que soava já não era mais tão gostosa de ser ouvida, e a cabeça dela já estava começando a doer devido a tontura.
Essa era a sensação de estar bêbada? “Que bela bosta”, pensou.
- Por que falar dele quando você pode aproveitar o momento comigo? - A voz de James soou novamente.
A garota engoliu em seco, começando a ficar nervosa. Mesmo sabendo que não era a melhor ideia, ela levou o copo até a boca e virou o resto do conteúdo, soltando-o na bancada em seguida. Sua cabeça girou mais uma vez e ela teve que apoiar as mãos no móvel para não se desequilibrar.
- Eu tô bem assim, James... Não quero... Eu preciso de água. Você consegue água pra mim?
- Você não precisa de água. - Ele riu, balançando a cabeça em negação. - Você precisa de mim. Sei que você quer. Todas querem. - James aproximou o rosto do dela e fez uma careta, sentindo o conteúdo de seu estômago se revirar. - Qual é, , só um beijo!
- Eu não quero. - Ela repetiu, tentando se desvencilhar dos braços dele, que agora seguravam sua cintura. Um sentimento de pânico começou a tomar conta de si, e ela pensou em gritar, mas não o fez. - James, por favor...
- Eu fiquei aqui te ouvindo desabafar e chorar até agora. Sério que você não vai me dar nem um beijo?
Ela riu descrente ao ouvi-lo, mas logo se calou ao ver o olhar que ele a lançou.
- Sério. Eu realmente n... - tentou mais uma vez, mas o tom de voz dele a fez estremecer e ela se calou.
- Ah, qual é! - Ele gritou, segurando nos punhos dela quando ela tentou se desvencilhar dele. se assustou e logo já estava chorando novamente, sem nem perceber. - É só um beij...
- Eu já falei que não, James! - Ela falou um pouco alto, atraindo a atenção de algumas pessoas que estavam por ali.
- Ô James, ela disse que não, cara! - Outro garoto falou, aproximando-se dos dois.
- Não enche, Brad. - James disse, sem tirar os olhos de . - Não é da sua conta.
engoliu a seco, o nervosismo tomando conta de seu corpo. Ela mordeu seus lábios, tentando impedir que mais lágrimas rolassem, mas, foi em vão. James abriu um sorriso para ela e, assim que começou a se aproximar, uma voz soou, interrompendo o momento.
- Mas é da minha conta, James.
O garoto mal teve tempo de se virar e um soco atingiu seu rosto. arregalou os olhos e fez uma careta de dor, balançando sua mão para tentar aliviar a sensação. James se levantou e olhou feio para , fazendo menção de revidar, porém, foi afastado por outros garotos que estavam ali e pôde, enfim, respirar aliviada. Assim que o fez, porém, sentiu sua cabeça rodar e soltou um gemido baixo, atraindo novamente a atenção de .
- Você tá bem? - Ele questionou ao se aproximar da amiga, segurando nos ombros dela.
- Você deu um soco nele! - gritou, surpresa demais para falar outra coisa.
- Sim, , eu dei. Você tá bem? - questionou mais uma vez, levando as mãos até o rosto da garota, levantando-o. Ele notou os olhos vermelhos dela e, assim que ela abriu a boca para respondê-lo, o hálito de bebida bateu contra seu rosto. - Você bebeu?
- Tô ótima! - Mentiu, tentando fazer uma expressão inocente, mas rolou os olhos, pois era claro que ela estava mentindo.
- Mas que droga, ! - Ele bradou, falando um pouco alto, fazendo-a se encolher. - Eu não teria te trazido se soubesse que você ia encher a cara!
- Não precisava me trazer! Aliás, , eu fiquei sozinha. Você - ela bateu o dedo contra o peitoral dele, lágrimas escorrendo por seu rosto - me deixou sozinha pra ficar com aquela... aquela... aquela garota que eu não sei o nome!
- Agora a culpa é minha? Nem vem, ! - Ele revirou os olhos e esticou o braço para pegar um copo e enchê-lo com água da torneira. Entregou-o a ela e observou enquanto ela bebia o líquido. - Tia Nat vai brigar comigo, era pra eu ser responsável por você! E agora porque a bonitinha resolveu beber, vou ter que ir pra casa mais cedo e deixar a...
- Você não precisa deixar sua namoradinha, ! - falou um pouco alto, desequilibrando-se ao afastar o corpo da bancada. - Eu vou embora sozinha, e dep...
Ela começou a andar, mas pisou em falso e se desequilibrou, quase caindo no chão. a segurou, parecendo um pouco irritado.
- Que saco, garota! Por que foi beber desse jeito? - perguntou, perdendo a paciência. - Eu nunca mais te trago nessas festas!
mordeu seu lábio ao ouvi-lo falar. Ela queria muito chorar, mas não o faria na frente de . Não de novo. Não quando estava bêbada. Não quando podia abrir a boca e falar mais do que deveria. Tudo que queria era ir para casa, e aí sim poderia chorar em baixo das cobertas, no conforto de sua cama, protegida pelas paredes de seu quarto, na companhia de Panqueca.
- Eu vou sozinha pra casa e aí você pode aproveitar a festa. - voltou a falar e novamente se desvencilhou dele, começando a andar para fora da casa em passos desequilibrados. - Me deixa, !
- Até parece. - Ele rolou os olhos e apressou o passo, passando o braço pela cintura dela. - Eu não gostei disso, mas não vou te deixar ir embora sozinha. Você ainda tá bêbada e apesar de ser um mês mais velha, o responsável aqui sou eu. Não fui eu quem bebi, fui?
ficou quieta, porque sabia que ele tinha razão. Deixou que a guiasse para fora da casa e aguardou, sentada em um banco, para tentar amenizar a sensação de tontura que estava sentindo. Enquanto isso, chamava um uber. cruzou seus braços enquanto observava o garoto que amava, suspirando baixo ao sentir uma lágrima escorrer por seu rosto. Estava irritada, estava triste, estava frustrada e até meio puta. Não sabia dizer qual era o sentimento predominante.
- Mas que droga. - Resmungou para si mesma. - Nunca mais venho nessas festas e...
- Eu duvido. - riu, guardando seu celular no bolso. - O que deu em você?
Ciúmes? Tristeza? Coração partido? Eram muitas as respostas que poderia ter dado, mas preferiu apenas encolher os ombros e cruzar os braços.
- Não interessa. - Ela foi ríspida, olhando para a frente. - Por que você não volta pra festa com a sua namorada e me deixa em paz?
respirou fundo, encarando a amiga, começando a se irritar com a atitude dela. Mesmo assim, ele se sentou ao lado dela, a tempo de vê-la contorcer o rosto em uma careta um tanto quanto enjoada.
- Se for vomitar, vomita aqui. Nada de vomitar no uber!
- Eu não vou vomit... - Foi só começar a falar, que a sensação imediatamente se fez presente na boca de seu estômago.
teve tempo somente de se virar e segurar o cabelo dela enquanto o vômito saía por sua boca. Ela gemeu baixo ao terminar, esfregando as lágrimas que insistiram em descer.
- Fica quietinha. - Ele pediu, passando o braço pelo ombro da amiga. - Já vai passar. Eu vou lá dentro pegar água pra você, e...
- Não! - praticamente gritou, olhando para ele com os olhos um pouco arregalados. - Não, , por favor, eu... Não quero ficar sozinha.
suspirou, mas concordou. Olhou para frente a tempo de ver um carro parando e se levantou, puxando a amiga junto consigo. Passou o braço pela cintura dela e foram juntos até o carro, mesmo a contragosto, já que , apesar de querê-lo por perto, não queria ajuda.
- Fica quieta, ! - pediu assim que abriu a porta do carro. - Andar de carro costuma piorar a sensação, já aviso...
- Eu não quero sua ajuda! Eu não preciso. - se sentou no banco e virou o rosto, encostando a cabeça no vidro.
- Não foi o que pareceu quando James tentou te beijar. - disse depois de confirmar o endereço com o motorista, olhando preocupado para ela, que tinha aberto o vidro e parecia estar um pouco mais calma ao sentir o vento bater em seu rosto. - ... - Ele chamou, suspirando em seguida, porém, foi ignorado. - ...
- Me deixa, . - Ela pediu, sem olhar para ele.
O garoto revirou os olhos e pegou seu celular para ligar para a tia e avisar que ele estava levando para casa. O caminho até lá não foi muito longo, e, por sorte, a garota não vomitou novamente. Assim que o carro parou em frente a casa, Natalie já esperava por eles na porta.
- Você ligou pra minha mãe? - praticamente gritou, empurrando o amigo assim que ele a ajudou a descer do carro.
- Você queria que eu fizesse o quê?! - Ele retrucou, andando um pouco atrás dela.
Assim que se aproximaram da porta, entrou e sumiu casa adentro, sem nem se despedir de . O garoto suspirou, recebendo um olhar preocupado de sua tia.
- O que foi que aconteceu, querido? - Natalie perguntou, cruzando os braços para tentar aquecer o corpo já que vestia apenas um pijama.
- Ela bebeu, tia. Me desculpa, a culpa foi minha, de certa forma, eu deixei ela sozinha, e...
- Ei, ei. - Ela disse, tocando o ombro dele. - Tá tudo bem. Eu vou conversar com ela. - Natalie assegurou. - Ela bebeu muito?
- Bom, ela vomitou, então...
- Foi muito. - Nat suspirou e passou as mãos pelos cabelos. - Dorme aqui, . Eu aviso sua mãe. Pode ser?
- Não, tia, eu vou pra casa, pode deixar...
- Tem certeza? - Ela perguntou e só então notou que o uber ainda esperava por ele em frente a casa.
- Sim. O uber vai me levar.
- Tudo bem. Me avisa quando chegar, tá? - Natalie pediu, aproximando-se para dar um beijo no rosto dele. - E desculpa pela ...
- Tá tudo bem, tia, de verdade. - Ele sorriu, colocando as mãos nos bolsos antes de começar a descer as escadas. - Diz pra ela que eu a amo, por favor.
Natalie riu, e balançou a cabeça em confirmação.
- Ela sabe disso. - Ela assegurou, porém, estranhamente aquela afirmação não tranquilizou .
Natalie ainda o viu sorrir para ela antes de entrar no carro, e só então ela fechou a porta de casa, respirando fundo ao saber que precisaria lidar com sua filha adolescente bêbada. Subiu as escadas rapidamente e foi em direção ao quarto de , encontrando-a jogada na cama, com a mesma roupa, tinha apenas tirado os sapatos que usava.
- Ursinha? - ouviu Natalie chamar.
- Hmm. - Ela resmungou em resposta, escondendo o rosto no travesseiro. - Mãe, por favor, eu n...
- O que foi que aconteceu? - Natalie ignorou a filha e se sentou ao lado dela na cama, levando sua mão até os cabelos dela, acariciando-os. - Conta pra mim.
- Não quero. - disse, sua voz saindo bastante embargada.
- Tudo bem. - Nat mordeu o lábio, preocupada, e decidiu então, mudar a abordagem. - O disse que você bebeu, filha... Por quê?
A garota não respondeu, mantendo seu rosto escondido enquanto chorava de maneira silenciosa. Pacientemente, Natalie respeitou o tempo da filha, deixando-a saber que estava ali apenas com o carinho que fazia nos cabelos dela.
- Mãe? - finalmente quebrou o silêncio, virando-se na cama e dando a sua mãe uma visão de seu rosto inchado pela primeira vez. - Por que dói tanto ver quem a gente ama com outra pessoa?
Natalie suspirou, tendo suas suspeitas confirmadas.
- Você viu...?
- Eu vi o beijando outra menina e doeu, doeu muito. Ainda tá doendo e eu... - soluçou e escondeu o rosto nas mãos, voltando a chorar.
Natalie não pensou duas vezes e se esgueirou na cama, puxando a filha para si e envolvendo-a em um abraço.
- Chora, meu amor. Chora tudo que precisar.
- Eu amo ele tanto, mãe... - confessou, apertando-os os braços de Natalie contra si, como se quisesse ficar no abraço de sua mãe para sempre.
- Eu sei, ursinha, eu sei... Ele também te ama, só não percebeu isso ainda.
- Como você sabe? - ergueu o olhar, encarando Natalie de maneira curiosa, seus olhos, mesmo cheios de lágrimas, exibindo um pequeno brilho de esperança.
- Eu apenas sei, ursinha...
- Isso passa? - Ela voltou a perguntar, não sendo convencida pela resposta da mãe.
- Passa. - Natalie sorriu, tocando o rosto da filha para secar suas lágrimas. - Agora, vem, eu vou te ajudar a tomar banho e depois deito com você até dormir, pode ser?
sorriu e balançou a cabeça em confirmação. Natalie se levantou e ela fez o mesmo, seguindo a mãe rapidamente, porém, arrependendo-se imediatamente ao sentir a tontura voltar a tomar conta de seu corpo.
- É isso, mãe. Eu juro que nunca mais vou beber.
- Ah, filha... - Natalie balançou a cabeça, pois sabia que isso era impossível.
beberia mais uma, mais duas, mais três vezes...
E nenhuma delas seria capaz de confortar a dor de um coração partido.


HOJE

- Então, a gente se vê quando eu voltar. - Peter disse a noiva, enquanto tinha as mãos na cintura dela. - Vou sentir saudades.
- Eu também, amor. - respondeu, tocando o rosto do noivo levemente. - Mas dez dias passam rápido, e quando você voltar, já estará bem próximo do nosso casamento.
- Desculpa te deixar sozinha justo agora, ... - Ele pediu, torcendo a boca em um sorriso triste. - Não tinha ideia que mudariam a data do evento.
- Tá tudo bem. Eu tô bem assessorada aqui em casa, você sabe disso. - Ela sorriu tentando transparecer tranquilidade. - Agora, vai, antes que você perca seu vôo!
- Eu ainda preciso passar em casa. - Ele riu, dirigindo-se até a porta. - Te aviso assim que chegar. - Peter tocou o rosto dela com as mãos e envolveu seus lábios em um beijo. - Te amo.
- Eu também. - disse e sorriu para ele, enquanto o observava andar até seu carro.
Assim que Peter sorriu e entrou no automóvel, fechou a porta, e encostou o corpo na madeira, suspirando pesadamente. Depois, contorceu o rosto em uma careta, um pouco aliviada por ter, finalmente, um momento a sós para colocar suas ideias no lugar. Ela precisava de um tempo para si mesma, principalmente agora, com o casamento tão próximo.
não esperava desenvolver um amor intenso pelo futuro marido à essa altura do campeonato. Ela tinha plena noção disso e, talvez, se alguém soubesse da história a fundo, poderia até chamá-la de maluca por casar dessa maneira. A verdade é que ela sentia que estava pronta para isso, que precisava dele em sua vida e esperava que, com isso, passasse a amá-lo incondicionalmente com o tempo.
- Você é ridícula. - A voz de sua irmã mais nova, Angelina, soou, tirando-a de seu transe.
arqueou as sobrancelhas em questionamento e se afastou da porta, ajeitando sua roupa.
- Desculpe? - Perguntou assim que se aproximou da irmã.
- É muito ruim te ver assim, . Essa situação é ridícula. Eu juro que não entendo como e nem porque você vai levar isso a diante e....
- Angie, por favor... - tentou a interromper, mas foi em vão.
- ...não sei o motivo pelo qual insiste nisso. Você o ama?
- Amo. - respondeu imediatamente e seguiu para a sala, acompanhada pela irmã.
- Ama de verdade? - Angie questionou novamente, encarando a irmã incisivamente, certa de que ela estava mentindo.
Dessa vez a resposta não veio de imediato. parou, encarando o nada por alguns momentos, antes de finalmente abrir a boca.
- Eu o amo, Angelina... - Começou, afirmando mais uma vez, mentindo para si mesma.
A fala de morreu no ar e Angie permaneceu a encarando, esperando que ela concluísse. Impaciente, Angelina revirou os olhos e sentou-se no sofá, fazendo sinal para que se sentasse ao seu lado.
- Mas?
A mais velha a encarou, encolhendo os ombros.
- Não tem mas. - Mentiu mais uma vez.
- Qual é, ! - Angelina exclamou, virando-se para ficar de frente para . - Mamãe e papai não estão aqui. Você sabe que pode falar comigo.
- Mas eu não tenho nada pra falar.
- Ah, jura? - Angie perdeu a paciência. - Você tem certeza? Porque eu posso apostar que você ainda ama o Nich...
- Não! - negou prontamente, sem deixar a irmã terminar sua fala. - é passado. - Ela engoliu em seco ao mentir, seus olhos ameaçando arderem. Respirou fundo e, sob o olhar repreensivo da irmã, repetiu, pausadamente, a palavra que mais lhe doía pronunciar. - Passado.
- Qual a vantagem de mentir e se enganar? Porque eu te conheço, talvez até melhor que você mesma. Sou mais nova, mas não sou burra. - Angelina acusou, cruzando seus braços. - Eu sei que você sente algo por Peter, mas sei que não é tão intenso quanto gostaria que fosse. Mesmo que você negue, , sei que ainda tá no seu coração, e um amor como o de vocês é muito difícil de ser esquec...
- Angelina. - a cortou mais uma vez, aquela conversa se tornando dolorosa demais para que pudesse suportar. Respirou fundo e levantou do sofá, sem desviar o olhar do da irmã. Ela evitou, a todo custo piscar, caso contrário, as lágrimas que estava tentando impedir de rolarem, desceriam soltas por seu rosto. - Eu sei que você se preocupa comigo. Mas eu amo o Peter, nós vamos nos casar e seremos muito felizes.
- Eu não duvido que você tenha sentimentos por ele, , e eu, acima de qualquer pessoa, desejo te ver muito, muito feliz. - Angie se levantou e tocou o ombro da irmã. - Eu só não quero que você se arrependa no futuro. Odiaria ver isso acontecer porque você preferiu não ouvir seu coração. - Angelina abriu um sorriso terno, acariciando o ombro dela. - Eu te amo, . Pensa nisso, tá?
- Também te amo, Angie. - sorriu, puxando a irmã para um abraço. - Obrigada por ser tão incrível. Você é meu presentinho.
- Sei disso. - Angelina concordou, orgulhosa. - E você n...
- Meninas? - A voz de Natalie se fez ouvir, interrompendo a fala da mais nova.
Elas trocaram um olhar, dando o assunto por encerrado, antes de gritarem para os pais, avisando-os que estavam na sala. Bóris, Leia e Panqueca, que estavam deitados em suas caminhas no canto da sala, se levantaram, seguindo ao encontro dos dois mais velhos assim que eles entraram na sala.
- Oi, mãe. - disse antes de receber um beijo da mãe e um abraço do pai. - Oi, papai.
- Muito trabalho hoje? - Angie questionou, desviando o olhar de um para outro.
- Alguns projetos e problemas pra resolver, mas nada demais. - Natalie contou, apoiando o corpo no batente da porta ao observar o marido com as filhas.
- Consultório lotado, mas não tenho do que reclamar. - Harry sorriu, puxando as duas filhas para um abraço lateral. - Senti saudade de vocês.
- Vimos as fotos da palestra. Você mandou bem, tava um gato! - Angelina disse, fazendo-o rir.
- Obrigado, querida. - Ele sorriu, dando um beijo na bochecha dela. - E vocês? Como foi a faculdade, Angie? E o trabalho, ?
- Mesma bosta de sempre. - Angelina foi sincera, e gargalhou ao ouvir a irmã. - Eu não aguento mais! Maldita hora em que decidi fazer direito. Culpo tio Ian pela influência.
- Já falamos sobre isso, coelhinha. - Natalie relembrou, encarando a filha. - Falta pouco tempo pra terminar, você já chegou no último ano. Assim que finalizar o curso, pode fazer o que quiser.
- O problema é que eu ainda não sei o que quero fazer. - Angie suspirou, um pouco frustrada.
- Você pode ir trabalhar na clínica comigo enquanto não encontra a sua vocação. - sugeriu. - Eu iria adorar ter sua companhia todos os dias no trabalho.
- É uma ideia. Vai que eu descubro na veterinária um amor? - Angelina riu e concordou, gostando da ideia. - Mas, falamos sobre isso outra hora! Eu tô morrendo de fome, e preparei um jantar pra gente.
- Ótimo, filha, porque eu também tô com fome! - Natalie comentou e riu, andando até as filhas e Harry.
Os quatro seguiram lado a lado - ainda fazendo comentários sobre como foi o dia de cada um - até a cozinha, e depois jantaram juntos, como sempre faziam: em família.

ONTEM

desligou o telefone e suspirou de maneira desanimada. Era a terceira ou quarta vez que ela convidava para fazer algo e ele dizia que não podia porque precisava estudar. Tudo bem que as notas de não eram tão boas quanto as dela, mas eram suficientes para fazê-lo passar de ano, então, não, a garota não entendia a necessidade repentina que o amigo tinha de estudar tanto.
Primeiro, ela o chamou para vir até sua casa, assistir a um filme e comer o bolo que Natalie sempre fazia para os dois. Depois, o convidou para ir ao cinema assistir a um filme novo que havia lançado, e ele também disse que não podia. Também o chamou para ir até a livraria comprar livros novos, já que havia recebido sua mesada e não via a hora de gastá-la. E hoje, em sua última tentativa, perguntou se ele gostaria de passar a tarde na piscina, já que o dia estava muito bonito.
Para todos os convites, ela recebeu um não.
Sabia que não tinha motivos para desconfiar de , ele nunca havia mentido para ela. E, tudo bem, por mais improvável que fosse, poderia realmente estar estudando, mas, mesmo quando estava ocupado, ele nunca deixou de arranjar tempo para passar com .
Duas batidas na porta se fizeram ouvir, tirando de seus pensamentos.
- ? É tia Call. Posso entrar?
- Pode, tia. - Ela respondeu, desanimada demais para levantar de sua cama.
- Tudo bem, gatinha? - Callie se aproximou e finalmente levantou a cabeça para olhar para a tia.
- Tudo. Sábado tedioso. - resmungou e Call sorriu, compreendendo. - E você?
- Eu tô bem, meu amor. Ian levou Thomas e Sam para passar a tarde no clube, e eu tô precisando de um dia só pra meninas. E aí lembrei que sua mãe vai trabalhar o dia inteiro hoje, e vim perguntar se minha sobrinha preferida não quer ir ao shopping comigo?
- E a Angie? - arqueou as sobrancelhas, querendo rir.
- Ela também vai junto, mas não precisa saber que minha preferida é você. - Callie riu e a acompanhou. - O que me diz?
- Eu só preciso trocar de roupa. Dez minutos. Você espera?
- Claro que sim, gatinha. - Call piscou e se dirigiu a porta do quarto. - Vou avisar a Angie e a gente se encontra na sala.
Ela sorriu mais uma vez antes de sair do quarto e só então se levantou, não demorando a se vestir. Colocou uma calça jeans, uma t-shirt básica, e um tênis preto nos pés. Prendeu seu cabelo em um rabo de cavalo e passou rímel nos olhos, assim como um batom nude na boca, só para dar uma cor ao rosto. Por último, pegou sua bolsa e saiu do quarto, encontrando sua mãe, Callie e Angelina esperando-a na sala.
- Aqui, ursinha. - Natalie se aproximou da adolescente e a deu um pouco de dinheiro. - Pra caso queiram comprar alguma coisa. Não fica pedindo as coisas pra tia Call, por favor.
- Pode deixar, mãe. Obrigada. - sorriu, depositando um beijo no rosto de Natalie.
- Obrigada por isso, Callie. Angie estava me pedindo pra levar ela ao shopping há algum tempo, mas...
- Eu entendo, amiga, estamos com muitos projetos de interiores. - Callie sorriu e passou a mão na cabeça de Angelina, que estava parada ao seu lado e segurava sua mão, animada. - Então, prontas?
- Siiiim! - Angelina respondeu, não contendo sua animação.
- Obedeça a sua tia Call e , tá? - Natalie pediu e a menina concordou com a cabeça.
- Eu não tenho mais nove anos, mamãe. Já tenho dez. - Angelina respondeu.
- Sei disso, coelhinha. - Nat riu, piscando para a mais nova. - Mas, mesmo assim, elas são responsáveis por você.
- Eu já sou quase uma adolescente!
- Quase, pirralhinha. - riu e bagunçou a cabeça da irmã. - Eu estou mais perto de ser uma adulta do que você de ser uma adolescente.
Callie e Natalie se entreolharam, segurando o riso. só tinha quinze anos, apesar de ser uma adolescente super madura, ainda faltavam alguns anos para que se tornasse, de fato, adulta. E mal ela sabia que a vida adulta não era tão maravilhosa assim...
- Certo, vamos? - Callie perguntou, retomando o assunto. - Até depois, amiga.
- Até. Obrigada mais uma vez. - Natalie sorriu, dando um beijo no rosto dela.
As duas meninas se aproximaram da mãe, abraçando-a e se despedindo antes de saírem de casa com a tia.
O caminho até o shopping foi tranquilo, não demoraram muito a chegar. Passaram com calma por várias lojas, já que Callie queria encontrar um presente para Natalie, mesmo que o aniversário dela só fosse dali a alguns meses.
- Vocês acham que a mãe de vocês vai gostar desse? - Callie colocou um vestido em frente ao seu corpo para que as sobrinhas pudessem responder.
- Mamãe vai ficar linda! - Angie afirmou enquanto também olhava algumas roupas.
- É lindo, tia Call. - sorriu. - Acho que ela vai amar. Esse é o mais bonito que vimos.
- É, né? Vou levar esse. - Call decidiu, colocando o vestido na bolsa que a loja dava para carregar os produtos. - E vocês, querem olhar alguma coisa?
- Eu tenho uma festa pra ir semana que vem. Um vestido novo seria uma boa também. - comentou, arqueando as sobrancelhas animadamente para a tia.
- Perfeito. E você, Angie?
- Eu não tenho festa nenhuma, mas sempre é uma ótima ideia comprar roupas novas. - Ela abriu um sorriso esperto.
- Você sabe das coisas, garota. - Callie riu, piscando para a sobrinha mais nova. - Vamos procurar primeiro um vestido para , e depois escolhemos algo pra você, pode ser?
- Sim! - Angelina concordou, e então as três seguiram em direção a seção teen da loja.
Não demoraram a encontrar um vestido que gostasse, já que o estilo da menina era uma mistura de peças básicas e também despojadas. Angie também escolheu um vestido, mas, diferente do de , o que ela preferiu era para ser usado no dia a dia.
Pagaram pelas peças, e então tia e sobrinhas seguiram para a próxima loja, e depois para outra e mais outra. Depois de comprar presentes para seus filhos e marido, resolveram ir até a praça de alimentação para tomar café da tarde. No caminho até lá, passaram em frente ao cinema e Angelina quis se aproximar para ver quais eram os filmes que estavam sendo exibidos.
- Podemos ver esse? - Ela pediu a , que balançou a cabeça em negação.
- Esse ainda não estreou. E você prometeu a papai que viria ao cinema com ele para ver aquele outro filme, lembra?
- É verdade. - Angie concordou e sorriu, olhando ao redor. Depois, franziu o cenho. - Olha, o ! Quem é aquela com ele?
não saberia dizer o que doeu mais. Ver no shopping, quando ele disse que iria estudar, ou ver com outra garota.
Ao seguir o olhar da irmã, algo dentro de si revirou.
estava na fila do cinema, segurando a mão da menina que agora sabia se chamar Diana. A garota riu quando ele falou algo em seu ouvido e depois deixou um breve beijo nos lábios dela.
mordeu seu lábio e, antes que pudesse se dar conta, já estava sendo arrastada até os dois por Callie e Angelina.
- ! - Ouviu a voz da tia falar e congelou no lugar, permanecendo a alguns passos de distância do mais novo casal.
- Tia Call! Angie! - Ele as cumprimentou, arregalando os olhos assim que as viu. Depois, seu olhar pousou na melhor amiga. - . - Dessa vez a voz dele saiu mais baixa, mas ela foi capaz de ouvi-lo da mesma maneira.
- Tudo bem, querido? Trouxe as meninas pra comprar algumas coisas. - Callie falou, tocando o ombro dele enquanto olhava de maneira curiosa para Diana. - E essa é...?
- Diana, tia. - Ele respondeu, mas seu olhar ainda estava grudado em , que parecia uma estátua.
- Prazer, Diana. - Callie cumprimentou a garota. - Sou tia de . E essas são Angelina e .
Só então se viu obrigada a se aproximar. Ela sorriu forçadamente para Diana e fechou a cara para .
- O prazer é meu. - A menina foi educada. - eu já vi pela escola, né? E você e são muito amigos, ele fala muito de você.
É bom que fale mesmo, pensou.
Um silêncio um pouco desconfortável se instalou, enquanto e se encaravam, os dois sem saber o que falar.
- , eu... - Ele começou a falar, mas a garota o cortou imediatamente.
- Angie, vamos comer? - Ela se virou para a irmã mais nova, recebendo um animado sim como resposta. - Tchau.
nem olhou para os dois antes de se afastar, deixando Callie extremamente confusa.
- Er... - Callie riu, tentando disfarçar o clima estranho. - Eu vou com elas. Bom filme pra vocês, se cuidem, viu?
- Pode deixar, Tia Call. - respondeu um pouco desanimado.
- Tchau. - Diana se despediu.
Callie então se afastou, apressando o passo para alcançar as sobrinhas.
- Certo, alguém vai me explicar o que foi aquilo? - Ela questionou assim que se aproximou delas, as três agora andando em direção a praça de alimentação.
- Aquilo o que? - se fez de desentendida, mas seu olhar não mentia.
- ... - A tia a repreendeu.
- mentiu pra ela, tia Call. Disse que ia passar o dia estudando. - A mais nova contou e a fez uma careta.
- Angelina! - Ela bradou, cruzando os braços. - Que parte do “não conta pra ninguém” você não entendeu?
- Achei que isso era só sobre você gostar del... Ai, meu Deus! - Angie cobriu a boca com as mãos, percebendo imediatamente que tinha falado demais.
- Obrigada por nada, Angelina.
apressou um pouco o passo e se sentou em uma mesa vazia na praça de alimentação, cruzando os braços e afundando o corpo na cadeira. Callie se virou para a sobrinha mais nova, que tinha os olhos cheios de lágrimas.
- Ela nunca mais vai me contar segredos! - A pequena disse, esfregando os olhos. - Eu não devia ter falado, tia Call, ela me pediu!
- Querida, calma. - Callie disse, abaixando-se para ficar na altura dela. - Essas coisas acontecem e, além do mais, eu não vou contar pra ninguém.
- Eu sei, mas eu odeio quando fica chateada comigo. - Angie explicou, fungando baixo.
- Ela não tá exatamente chateada com você, gatinha. Ela tá chateada com . Ele mentiu pra ela, não foi?
- Foi. - Angie balançou a cabeça em concordância.
- Então, meu amor. - Callie fez carinho nos cabelos dela. - Fica tranquila, quando vocês chegarem em casa, você conversa com ela, tá bem?
- Tá bem. - Angelina concordou e estendeu a mão para a tia.
Callie deixou Angie na mesa com a irmã mais velha e saiu a procura de algo para comerem. Voltou com dois sucos e um café para ela, além de três pedaços de bolo. A adolescente estava quieta, mas não deixou de devorar o enorme pedaço de bolo de chocolate que sua tia comprara. Depois disso, foram, finalmente, para casa.
O caminho até lá foi rápido e tranquilo, assim como a ida. Na hora de descer do carro, porém, Callie disse a Angie que fosse na frente e pediu para que esperasse um pouco.
- Querida... - Call começou, abrindo um sorriso terno para a sobrinha. - Sei que você tá triste e sei que o fato de ter mentido não foi legal. Mas tenta não descontar na sua irmã, tudo bem?
- Eu sei. - sorriu tristemente. - Eu vou conversar com ela. Não consigo ficar brava com a pestinha. – Assegurou. - Tia? Não conta pra minha mãe sobre o .
Callie franziu o cenho, mas concordou, mesmo sabendo que Natalie sabia dos sentimentos da filha por . Era óbvio, aliás, todos sabiam. Só que, até o momento, achavam que o sentimento podia ser recíproco, o que, pelo visto, não era.
- Não vou contar. - A tia concordou. - Mas não deixa isso te afetar. Sei que você tá chateada e brava, mas não vale a pena ficar guardando as coisas pra você. Então, quando se sentir bem, conversa com ele, tá?
- Não prometo. No momento eu não quero ver ele na minha frente. - confessou e Callie riu. - Obrigada pela tarde, gostei muito!
- De nada, gatinha. - Call sorriu, piscando para a sobrinha antes de se aproximar para abraçá-la. Vamos repetir qualquer dia desses, viu?
- Acho ótimo. - sorriu e saiu do carro.
Antes de entrar em casa, ainda acenou para a tia. Gritou em cumprimento aos seus pais e seguiu para o seu quarto, batendo a porta. Não queria ter que explicar nada a nenhum dos dois, então torceu mentalmente para que a deixassem sozinha pelo menos por alguns minutos.
- Ei, Panquequinha. - Ela disse ao encontrar o gato deitado em cima de sua cama. - Me dá um espacinho aí.
Ela levantou o gato e se deitou, soltando-o na cama ao seu lado. O gato ronronou e se aproximou, esfregando o fucinho na menina antes de se aconchegar e deitar próximo a ela. sorriu e pegou seu celular, franzindo o cenho ao encontrar algumas mensagens não lidas enviadas por .
Seu coração bateu um pouco mais forte, mas, apenas por hoje, ela o ignoraria.
Bom, era o que ela achava.
o ignorou durante uma semana.


HOJE

- Pronta? - A atendente pediu assim que terminou de fechar o vestido em . - Já aviso que você tá deslumbrante. Esse vestido é realmente perfeito pra você!
sorriu e confirmou com a cabeça, tendo certeza de que ela falava isso para todas as noivas que passavam por ali. A atendente abriu as cortinas e e estendeu o braço para que se apoiasse nela ao caminhar. Assim que se viraram e se aproximaram da área de prova, ouviram suspiros vindos de Natalie e Callie, que acompanhavam a mais nova na prova do vestido.
- Meu Deus! - Natalie exclamou assim que a filha subiu no pequeno tablado e, nervosa, encarou o espelho que ainda estava coberto em sua frente.
- do céu! - Callie disse, levantando-se junto com a amiga para ir até a mulher. - Você tá, literalmente, vestida igual a uma princesa!
- Filha... - Natalie sorriu, fungando baixo ao deixar algumas lágrimas escaparem.
abriu um sorriso para as duas, o nervosismo começando a tomar conta de si.
- Vamos lá? - A atendente perguntou.
A noiva finalmente se virou de frente para o espelho, sua mãe e tia paradas atrás de si, prontas para observar a reação dela ao se ver na versão final de seu vestido de casamento.
Assim que a cortina que cobria o espelho foi retirada, prendeu a respiração ao enxergar seu reflexo.
Era como ela imaginava.
Exatamente como havia sonhado.
Extremamente perfeito.
O tecido branco que cobria seu corpo se moldou perfeitamente nele. Os pequenos e discretos detalhes em renda que preenchiam a barra do vestido e diminuíam gradativamente conforme subiam em direção ao corpo, davam a peça de roupa um toque elegante. As mangas, feitas de tule, também possuíam aplicações em renda. Pequenos pontos de luz estavam distribuídos por todo o vestido, o que dava um detalhe mágico e delicado, o toque final perfeito para uma princesa.
Mas, então, por que ela se sentia tão deslocada?
Por que ela sentia que aquele vestido, aquele tão perfeito vestido, a estava sufocando?
E assim, de repente, não conseguia respirar.
Um soluço saiu por entre seus lábios e ela levou as mãos a barriga, começando a chorar copiosamente.
Natalie e Callie se entreolharam, bastante confusas e preocupadas com a reação repentina da mais nova. A mãe se aproximou da filha imediatamente, enquanto Callie dispensava a atendente e pedia a ela para lhes dar um tempo a sós.
- Filha, o que foi? - Natalie questionou, tentando fazê-la se acalmar, mas era em vão. - Ursinha, por favor, fala comigo...
- ? - Call chamou, segurando um copo d’água nas mãos. - Bebe isso.
A mulher pegou o copo, tomando uma pequena quantidade, que foi suficiente para ajudá-la a se acalmar. A mãe, então, segurou na mão da filha e a guiou até o sofá. As três se sentaram, esperando que se acalmasse o necessário para só então questionar o motivo do choro.
- Eu tô muito feliz. - mentiu, abrindo um sorriso que não enganou nenhuma das duas mais velhas.
- Conta outra. - Callie disse, encarando a sobrinha, preocupada.
- Esse choro é de tudo, filha, menos de felicidade. - Natalie pontuou e então soube que não haveria como escapar.
- Eu só... Tô um pouco insegura. - Confessou, encolhendo os ombros. - Eu amo o Peter, mas eu tô me dando conta de que é definitivo, sabe? Essa coisa de casamento, e tal. Eu...
Ela suspirou, sem saber como continuar. Balançou a cabeça em negação e deitou-a para trás, se apoiando no sofá.
- Você ainda sente algo por . - Natalie afirmou.
- O quê?! - se sobressaltou, arregalando os olhos. - Não! Claro que não. Não, não. - Negou rapidamente, repetindo várias vezes, provavelmente tentando convencer a si mesma.
- ... - A mãe a repreendeu, trocando um olhar preocupado com Callie.
- Não. - Ela novamente disse, balançando a cabeça em negação. - O que eu e tivemos ficou no passado. Nós somos só amigos agora, e...
- O que restou da relação de vocês não pode nem ser chamada de amizade, . - Foi Call quem apontou, e soltou um suspiro um pouco alto.
- Ok, nós dois nos afastamos. Mas o carinho continua, e...
- E você ainda o ama. Não adianta negar. - Natalie disse, segurando as mãos da filha. - Meu amor, ninguém, e quando eu digo ninguém, eu realmente quero dizer ninguém, vai te julgar caso você queira desistir desse casamento.
- O quê?! - Ela ergueu um pouco a voz, extremamente surpresa. - Isso nunca passou pela minha cabeça, mãe! Eu amo o Peter!
- Querida, nós não duvidamos disso. - Callie pontuou, também se aproximando da mais nova. - Mas sabemos que você nunca deixou de amar o . E não tem problema ter dúvidas, é normal.
- Nós não queremos que faça algo que possa se arrepender depois, ursinha. - Natalie disse, observando a feição desanimada da filha. - Pensa nisso, tá?
- Vou pensar. Mas, sério, esqueçam isso. Eu e o ? Sem chance. Eu amo o Peter e vou me casar com ele. - foi incisiva e firme, mesmo que por dentro estivesse desmoronando.
- Certo, tudo bem. - Natalie disse, erguendo as mãos em rendimento.
- Agora, vamos falar desse vestido ma-ra-vi-lho-so? - Callie perguntou, mudando de assunto.
agradeceu mentalmente pelo assunto encerrado e se levantou. As três então seguiram para o espelho e a atendente logo retornou para acompanhá-las.
Dessa vez, ao encarar seu reflexo no espelho, respirou fundo e abriu um sorriso enorme, porque, apesar de um pouco confusa, ela realmente estava linda, exatamente como uma princesa.
O vestido tinha sido feito especialmente para ela, sob medida.
Nada mais justo do que aproveitar cada momento dentro dele.

ONTEM

- Meu Deus, ! - exclamou assim que abriu a porta do banheiro e encontrou o amigo ao lado do vaso sanitário, vomitando tanto que ela teve certeza que ele estava colocando até sua alma para fora.
A menina se aproximou e se abaixou, parando ao lado dele. Colocou sua mão no ombro do amigo, mostrando que estava ali caso precisasse. Mais alguns segundos e finalmente parou de vomitar, voltando seu olhar para ela.
- ! - Ele riu exageradamente, passando a mão pela boca. Depois, apoiou as mãos no vaso para se levantar e acabou tocando no próprio vômito. - Mas que bosta! Quem foi que vomitou aq...?
Antes que pudesse terminar de falar, outra ânsia veio e ele se abaixou para colocar tudo para fora, mais uma vez. suspirou pesadamente, levantando-se para pegar uma toalha no armário - o dono da casa que a desculpasse. Molhou a toalha com um pouco de água e voltou até , que agora estava sentado no chão, com as costas apoiadas na parede. Aproximou a toalha do rosto dele e passou por toda a região ao redor da boca, limpando sua pele. Depois, pegou papel higiênico e o molhou, antes de tapar o próprio nariz e limpar porcamente o vaso, apenas para tirar o grosso da sujeira. Deu descarga, lavou as mãos e finalmente se sentou ao lado do amigo.
- ! - Ele disse mais uma vez, rindo e balançando a cabeça. - Ah, eu tava com tanta de saudade de você! - jogou os braços ao redor dela, deitando a cabeça em seu ombro.
- , você tá muito bêbado. - Ela pontuou, pegando os braços dele e afastando-o. - Por que bebeu tanto?
- Ah, ... - Ele suspirou, mas depois abriu um sorriso triste e seus olhos se encheram de lágrimas. - Eu sou idiota. Você me desculpa?
O coração da menina deu um pulo e seu estômago revirou ao ouvi-lo.
- Não tenho pelo que te desculpar.
- Tem, tem sim! Por favor, , me desculpa! Eu não... - Ele parou de falar para esfregar o rosto. - Eu te deixei de lado, deixei minha melhor amiga e...
- , não precisa...
- Tá vendo? - Ele se exaltou, tentando se levantar logo em seguida. - Você nunca me chama de !
- Mas esse é seu nome. - pontuou, perdendo um pouco da paciência que tinha.
- Ugh. - resmungou, deixando o corpo deslizar pela parede, praticamente deitando no chão.
- , levanta daí. Vamos. - revirou os olhos ao vê-lo e se levantou, estendendo a mão para o amigo. - Vou te levar lá fora, vamos tomar um ar pra ver se você melhora.
- , você me ama? - Ele perguntou de repente, olhando curiosamente para a amiga quando apoiou o corpo no dela.
- , você tá bêbado. - preferiu responder, já andando com o amigo para fora do banheiro.
- Meu Deus, tá tudo girando... - comentou e rolou os olhos.
O som alto invadiu os ouvidos dos dois, atrapalhando a comunicação entre eles. andou com certa dificuldade, já que além de estar praticamente carregando , ela precisava desviar dos adolescentes que estavam tão bêbados quanto seu amigo. No meio do caminho, passaram pelo local onde Diana estava com seus amigos, e teve que segurar para impedi-lo de ir até lá e tirar satisfações, já que não seria uma cena bonita de se ver.
Quando finalmente saíram da casa, a calmaria e o ar fresco os atingiu em cheio, acalmando-os. Foram até o meio fio e se sentaram ali. imediatamente encostou a cabeça no ombro de , soluçando baixo devido a quantidade de álcool que ingeriu. Ela, por sua vez, pegou seu celular e solicitou um uber.
- ? - Ela ouviu o garoto chamar e resmungou em resposta. - Me desculpa, por favor.
- Já falei que n...
- Por favor. - Ele implorou, sua voz saindo embargada.
Ela não soube dizer se era pela bebida ou se ele estava prestes a chorar.
- Tá. - Foi só o que ela respondeu, orgulhosa e ainda magoada demais para ceder.
Os dois ficaram em silêncio, não ousou falar mais nada. O uber logo chegou e, com a ajuda do motorista, conseguiu colocar o amigo para dentro do carro.
- Onde estamos indo? - perguntou com a cabeça deitada no banco.
- Pra casa.
- Minha mãe! - Ele arregalou os olhos imediatamente. - Não, ! Não podemos ir pra lá e...
- Sua mãe vai te matar se te ver desse jeito, vou te levar pra minha casa. - Ela o tranquilizou. - Relaxa.
- Ai, , eu não sei o que eu faria sem você! - Ele riu e estendeu a mão para tocá-la, mas acabou batendo sem querer no rosto dela. - Desculpa, . - Ele afastou a mão e depois arregalou os olhos. - Mas a tia Nat não pode contar pra minha mãe!
- Minha mãe também não vai ficar sabendo. - confessou, olhando um pouco irritada para ele. - É por isso que, quando chegarmos lá, você precisa ficar de bico fechado.
sorriu orgulhoso e passou os dedos pelos lábios, sinalizando que ficaria quieto.
O que ele realmente fez.
O resto do caminho até a casa de foi rápido e tranquilo, já que o amigo caiu no sono e ela teve que acordá-lo para saírem do carro.
- , me ajuda! - Ela pediu, praticamente arrastando-o até a porta. - Você é pesado, colabora comigo!
- Desculpa. - riu, passando a andar com mais atenção, mesmo que isso fosse muito difícil para ele no momento.
Os dois pararam em frente a porta de casa e rapidamente pegou a chave dentro de sua bolsa, abrindo a porta, entrando e puxando-o para dentro em seguida.
- Tá escuro! - Ele falou um pouco alto e a garota revirou os olhos.
- Fala baixo, lembra? - pediu e ele rapidamente se calou.
Os dois andaram de mãos dadas no escuro, o caminho sendo iluminado apenas pela luz vinda do celular de . Subiram as escadas em meio a tropeços, principalmente de , que não estava se esforçando nem um pouco para ser silencioso. Assim que chegaram no quarto de , ela suspirou aliviada. Fechou a porta atrás de si e empurrou o garoto até a cama.
- Deita aí e vê se fica quieto. Vou buscar água e algo pra você comer. - Ela avisou e saiu novamente do quarto, não sem antes se certificar de que o garoto não iria a lugar algum.
Desceu as escadas rapidamente e foi até a cozinha, enchendo duas garrafas de água e pegando um pacote de bolachas - a primeira coisa que viu em sua frente. Voltou para o quarto e encontrou praticamente babando em sua cama, exatamente do jeito que ela o deixou.
Se aproximou e sentou na beirada da cama, tocando o ombro do amigo. Ele abriu os olhos rapidamente e se levantou, aceitando a água que ela lhe oferecia, mas negando a bolacha.
- Dorme aqui comigo? - Ele pediu depois de se deitar novamente.
- Eu vou dormir. No colchão que tá embaixo da cama. - Ela disse, já se levantando para pegar o colchão, mas foi impedida pela mão dele. - Não quero que você vomite em mim, .
O garoto fez uma careta, mas acabou rindo baixo.
- Eu tô melhor. Não é incomum eu vomitar, eu costumo melhorar logo em seguida. - Ele deu de ombros. - Ainda tô um pouco bêbado, mas...
- Você tá fedendo a álcool, isso sim! - disse. - Não vou dormir com você. - Assim que a frase saiu de sua boca, percebeu o duplo sentido e se arrependeu no mesmo momento. - Quer dizer, você entendeu. Deus, não. Eu não vou dormir com você em nenhum dos dois sentidos, , eu... Pelo amor de Deus.
escondeu o rosto nas mãos. Eles tinham quase dezesseis anos, por Deus! A menina ainda era virgem e não pensava em dormir com alguém tão cedo - mesmo se esse alguém fosse , seu melhor amigo e garoto que ela amava. Não, seria virgem até que encontrasse alguém que se sentisse da mesma maneira que ela se sentia. O sentimento precisava ser recíproco, era sua única exigência.
- , só deita aqui. - Ele pediu. - Por favor. Eu quero saber se ainda tenho minha amiga, já que a namorada eu perdi. - Ele comentou e franziu o cenho, um pouco confusa. - Eu vi Diana beijando o babaca do Dean.
arqueou as sobrancelhas, bastante surpresa. Como aquela garota teve coragem de fazer isso?
- Eu sinto muito. - Foi o que ela disse, e, bom, estava sendo sincera.
- Não sente não. - Ele riu, novamente deitando a cabeça no travesseiro e virando o corpo, empurrando-a para o lado. - Desculpa. - endireitou o corpo e encarou a amiga. - Eu sei que você não gostava dela.
- Agora eu não gosto dela. - disse, encolhendo os ombros e finalmente se sentando ao lado dele. - Antes eu só não simpatizava, mas ela nunca tinha feito nada pra mim ou pra alguém que eu amo.
- Você me ama? - perguntou, abrindo um sorriso abobalhado, fazendo o estômago dela se revirar.
- Sim... - respondeu, um pouco receosa. - É claro que eu amo, você é meu melhor amigo, né?
Por mais que quisesse ouvir a confirmação para aquela pergunta, sabia que não ficaria feliz em saber que, como da última vez, não sentia nada mais que amizade por ela.
- Claro. Seu melhor amigo. - Ele sorriu, puxando-a para deitar com ele. - Agora deita aqui que eu tô com sono.
se aconchegou contra o corpo dele, e sorriu ao sentir o braço de envolver seu corpo. A respiração dele bateu contra a nuca dela, fazendo-a se encolher levemente. Os dois permaneceram em silêncio por mais alguns momentos e não pode deixar de se sentir feliz por estar nessa situação com , levando em conta o quão estremecida a relação dos dois estava nos últimos meses. Ali, nos braços do garoto que amava, ela voltou a ter esperanças sobre um futuro com . Foi por isso que as palavras a seguir saíram de sua boca:
- Eu amo você. - Ela disse, entrelaçando seus dedos nos dele. - Eu amo muito você. Mais do que como amiga. Eu amo você como... Como minha mãe ama meu pai. Como o Ron ama a Mione. Como Leia ama Han. Já faz tempo, eu só... - respirou fundo, reunindo coragem para continuar. - E, bom, qualquer garota que ficar com você é extremamente sortuda somente por ter a chance de te ter por perto. Espero que nossa amizade não mude por isso. Desculpa, eu... Eu precisava falar, . Não muda comigo, por favor?!
O silêncio que se seguiu foi, de certa maneira, ensurdecedor.
- ?
Nada. Nenhuma resposta.
Ele havia dormido.
As palavras que falara, depois de muito tempo sem coragem para dizê-las, foram ditas para o silêncio, se perdendo na imensidão e solidão que ele envolvia.

HOJE

O barulho da campainha foi o que o acordou. Assim que abriu os olhos, percebeu que era cedo demais para estar acordando em um sábado. Levantou da cama rapidamente e calçou seus chinelos, vestindo a primeira camiseta que viu em sua frente. Andou em direção ao banheiro para rapidamente escovar os dentes e lavar o rosto. A campainha tocou novamente e ele bufou, um pouco impaciente com a pressa da visita inesperada. Caminhou em direção a porta e, assim que a abriu, deu de cara com sua mãe e sua tia, segurando uma sacola da Starbucks e cafés.
- Bom dia! - As duas cumprimentaram ao mesmo tempo e ele riu, abrindo caminho para elas. - Te acordamos, meu amor?
- Sim. - afirmou, depois de receber um beijo da mãe e da tia. Os três seguiram para a cozinha. - A que devo a visita à essa hora da manhã em um sábado?
Anne e Callie se entreolharam, como se perguntassem quem começaria a falar primeiro.
- Hmm... - Anne enrolou, abrindo a sacola da Starbucks e retirando alguns muffins e sanduíches de dentro. - Só quis vir tomar café com meu filho, e sua tia veio de metida, mesmo.
- Ei! - Callie riu, balançando a cabeça em negação. - Ok, talvez parte disso seja verdade.
estreitou os olhos, olhando desconfiado para as duas.
- Eu sinto saudade, tá bom? - Anne disse, encolhendo os ombros. - Desde você saiu de casa e sua irmã foi estudar em Birmingham, a casa tá muito vazia...
- E Ian saiu com Harry e os meninos, foram ver carros. - Callie contou, tomando um pouco de seu café.
- Sim, mãe, mas eu te conheço. - Ele disse depois de dar uma mordida em um dos sanduíches. - Não foi só pra isso que vocês duas vieram.
As duas mulheres suspiraram. Sabiam que não conseguiriam enganar , sempre tão esperto e atento a toda e qualquer situação a seu redor.
- Filho... - Anne começou, puxando um banco e se sentando. - Sei que já conversamos sobre isso, mas agora é dif...
- Ah, não... - bufou, já começando a perder a paciência. - Mãe, esse assunto de novo não...
- Só escuta o que sua tia Callie tem pra dizer, por favor. - Ela pediu, praticamente implorando com o olhar.
- O que ela pode ter pra dizer que você já não me disse antes, mãe? - perguntou, encarando a mãe em repreensão. - Não tem novidade. Eu a amo, ela não me ama, eu não vou atrapalhar nada e...
- Menino! - Callie falou um pouco alto, rolando os olhos. - Fica quieto e me deixa falar, por favor? - e Anne olharam um pouco espantados para Callie, mas fizeram o que ela pediu. - Obrigada. - Ela agradeceu, sentando-se na mesa ao lado da irmã. - tá... Confusa. Bastante confusa.
Imediatamente o olhar de mudou.
Um brilho, mesmo que pequeno, se fez presente em seu olhar.
Sua atenção, que antes não estava totalmente presa em sua tia, focou apenas no que ela tinha para dizer.
Algo dentro dele se acendeu.
Esperança, talvez?
- Eu conheço aquela garota, tão bem como conheço você, não se esqueça disso. E eu afirmo, com toda certeza, que ela ainda sente algo por você. - Call explicou, tamborilando as unhas de maneira ansiosa na mesa. - Ela não ama Peter como ama você. Mesmo que ela minta, que tente nos enganar... Eu sei. Natalie e Harry sabem. Por Deus, todo mundo sabe! E eu sei que você, no fundo, também sabe. - Call fez uma pausa, esperando alguma reação do sobrinho, mas, ao não receber nenhuma, voltou a falar. - Ela teve um momento bem intenso comigo e com Natalie quando foi provar o vestido pela última vez, e, ... Só a simples menção do seu nome faz a postura dela mudar. Não deixa ela escapar, por favor...
permaneceu em silêncio, digerindo o que sua tia disse.
Seu coração batia muito rápido e seu estômago revirava com as novas informações que acabara de receber.
Pelo visto, havia uma pequena chance de que , a mulher que ele amava, ainda sentisse algo por ele. Mesmo depois de anos, mesmo depois de ela ter dito em sua cara que havia desistido não só dele, mas também do amor que sentia por ele...
balançou a cabeça, um pouco descrente, não só por tudo que sua tia tinha acabado de falar, mas também pelo que ela e sua mãe estavam propondo que ele fizesse.
As duas lhe encaravam com calma, mas com bastante expectativa no olhar.
- Vocês têm o mínimo de noção do que estão me falando? - Ele perguntou, finalmente quebrando o silêncio, um pouco nervoso. - Se eu fizer algo, eu posso acabar com esse casamento... Falta o que, uma semana? Pelo amor de Deus, suas malucas! Todo o dinheiro que já foi gasto, tio Harry vai me matar!
- Ah, pelo amor de Deus, garoto! - Callie revirou os olhos, perdendo a paciência. - Ninguém liga pra isso! - Anne e Harry arquearam as sobrancelhas em questionamento. - Tá, todo mundo liga pra isso. - Ela balançou as mãos, impaciente. - Mas ninguém quer que vocês dois sejam infelizes, ainda mais conhecendo ambos como a gente conhece. Nós somos família, vocês dois cresceram juntos, acompanhamos tudo, lembra? Tenho certeza que Natalie e Harry querem, acima de qualquer coisa, ver a filha feliz.
- Filho... - Anne estendeu a mão para segurar a dele. - Tá em cima da hora, mas é sua chance. Talvez seja a última. Não vale a pena arriscar?
Ele pensou por alguns segundos, tentando chegar a uma decisão.
Será mesmo que, depois de ter se machucado tanto, ainda tinha espaço para em seu coração?
Ele queria muito acreditar que sim.
E talvez... Não, talvez não.
Com certeza valia a pena pagar para ver.
E estava disposto a isso.
Era por isso que, horas mais tarde, ele se viu parado em frente a porta da casa dos Hayes, criando coragem para tocar na campainha.
Porém, não foi preciso.
Assim que levantou a mão para apertar, a porta se abriu e Angelina o encarou de maneira confusa, porém, divertida.
- ? - Ela perguntou, não escondendo sua surpresa.
- Oi, Angie. - sorriu e coçou a cabeça, um pouco sem jeito. - Eu... - Ele riu de maneira nervosa.
- Ela tá lá em cima. - Angelina disse, abrindo espaço para ele entrar em casa. - Nossos pais não estão, então... Caso queiram aproveitar, sabe... Pra fazer aquele sexo que...
- Angelina! - a cortou, suas bochechas corando instantaneamente. - Você... Ugh.
- Eu tô brincando, relaxa. Afinal, ainda é comprometida, né? - Ela piscou, finalmente saindo de casa. - Não sei exatamente o que você veio fazer, mas... Eu sou totalmente Team , tá?
- Hm... Obrigado? - Ele riu, sem saber exatamente o que falar. - Eu vou... - apontou para as escadas e Angie sorriu em expectativa. - Me deseje sorte.
- Toda a sorte do mundo. - Angelina bateu palmas, animada. - Nos vemos outra hora.
E então ela saiu e fechou a porta, deixando sozinho. Ele respirou fundo, criando coragem para subir as escadas em direção ao quarto de , lugar que costumava frequentar bastante há alguns anos.
Deu os primeiros passos e subiu a escada mais rápido do que pretendia, a ansiedade tomando conta de seu corpo. Parou em frente a porta tão conhecida, que ainda continha as marcas de tempo, exatamente como se lembrava. Respirou fundo mais uma vez e finalmente bateu na porta.
- Pode entrar, Angie, eu tô arrumando minhas coisas. - A voz de soou.
sorriu instantaneamente. Não era como se não ouvisse a voz dela há anos, já que por serem praticamente da mesma família, ainda frequentavam os mesmos eventos, porém, o simples fato de estar tão próximo a depois todo esse tempo, fazia seu coração bater mais forte.
- Não é a Angelina. - avisou, preferindo não abrir a porta, esperando que ela o fizesse, afinal, ele não invadiria o espaço dela.
Dentro do quarto, ao ouvir aquela voz, aquela tão conhecida voz, praticamente congelou no lugar. Derrubou os objetos que segurava e arregalou os olhos, virando o corpo para a porta imediatamente. Suas mãos começaram a suar e ela se amaldiçoou silenciosamente por estar reagindo daquela maneira.
O que diabos estava fazendo ali?!
- Só um minuto. - Ela finalmente respondeu, virando-se novamente e correndo até o espelho.
Soltou seus cabelos, ajeitando-os sob seus ombros. Encarou seu reflexo, bastante nervosa. Não tinha ideia do que ele poderia querer, e era isso que mais a deixava aflita. Era uma visita completamente inesperada, com certeza.
Respirou fundo e foi, finalmente, abrir a porta. Aproximou-se da maçaneta e a girou.
Deus, como ele estava lindo. Tão lindo quanto ela se lembrava, tão lindo quanto... Sempre esteve. Como era possível ficar cada dia mais bonito, ela não sabia. A única coisa que sabia era que não deveria, de maneira alguma, estar sentindo tantas emoções só de vê-lo em sua frente.
- O que faz aqui? - perguntou, tirando-o do transe em que se encontrava.
a observou, tentando gravar em sua mente todos os detalhes do rosto da mulher que amava - como se fosse necessário. Seria sua última chance, a última oportunidade de dizer a ela tudo o que sentia. De tentar, finalmente, mostrá-la como se arrependia pelo passado, de tentar fazer com que ela entendesse que, apesar de tudo, eles ainda tinham chance de serem felizes juntos.
- Eu... Bom. - Ele riu de maneira nervosa e coçou a cabeça. - Tudo bem?
- Tudo... - franziu o cenho. - E você?
- Tudo certo... - colocou as mãos no bolso, e os dois permaneceram com o olhar fixo um no outro por alguns segundos, até que ela quebrou o silêncio.
- Entra. - Ela pediu, dando espaço para que ele passasse pela porta e assim ele o fez.
Para ambos, foi impossível evitar as lembranças que os atingiram. Memórias de todos os momentos que passaram juntos naquele quarto que, apesar de não estar exatamente como no passado, ainda era o mesmo.
deu alguns passos pelo quarto, observando alguns objetos que se lembrava muito bem, e prestando atenção em alguns novos. Sob o olhar atento e um pouco nervoso de , ele andou até a escrivaninha da mulher, parando em frente ao mural de fotos. Não foi surpresa alguma para ele encontrar várias fotos de e Peter, pelo contrário, era bastante óbvio que elas estariam ali.
Não.
A surpresa foi encontrar uma foto, uma única foto, dele e de .
- Eu lembro desse dia. - comentou, apontando para a fotografia. - Você tinha ido muito mal em uma prova...
- A única prova que fui mal na vida, preciso dizer. - Ela riu, interrompendo-o.
- Sim. E eu fiz de tudo pra te animar. Lembro que fomos na sua lanchonete preferida...
- E pedimos todos os itens do cardápio. - sorriu ao lembrar. - Tive uma dor de barriga histórica depois.
- Não foi só você. - a acompanhou na risada.
Os dois se encararam, ambos envolvidos pelas memórias. Eles continuaram a rir, mas logo a graça se esvaiu e ele voltou o olhar para as fotos. suspirou baixo, mordendo seu lábio antes de quebrar o silêncio que havia se instalado.
- ... - Ela o chamou. - Nós dois sabemos que você não veio aqui pra jogar conversa fora, né?
- Não vim. É verdade. - Ele confessou, encolhendo os ombros. - Eu tenho algumas coisas pra falar, e eu preciso que você escute. Por favor.
Ela mordeu o lábio interiormente, encarando-o com atenção. Seu coração batia forte, tamanha era a ansiedade que havia se apossado de seu corpo. não estava diferente. Havia ensaiado várias vezes seu discurso, e as palavras que antes ele achou que seriam as melhores para expressar tudo o que sentia, agora pareciam insuficientes.
- Talvez eu não devesse estar aqui. Talvez eu não tenha direito algum de fazer isso, mas eu preciso. Eu realmente preciso. - começou, apoiando o corpo na escrivaninha, olhando para baixo ao invés de encarar a mulher. - Posso até soar um pouco egoísta ao falar isso, mas, ... Você tá prestes a se casar e a única coisa que eu consigo pensar é em como eu gostaria de estar no lugar de Peter. Ele é um ótimo cara, não me leve a mal. Mas ele não... Bom...
deu alguns passos em direção a ela, fazendo com que a mulher congelasse no lugar, devido a proximidade dos dois. o encarava intensamente, seu lábio doendo devido a força que ela estava aplicando enquanto o mordia. Apesar de não ter certeza de qual era o objetivo dele com aquele discurso, ela tinha uma boa ideia. E, no momento, era certo dizer que ela estava com medo do rumo que aquela conversa podia vir a tomar.
- Não é ele que você ama de verdade, é?
Ela engoliu em seco. Tê-lo ali, em sua frente, dizendo todas aquelas palavras, praticamente confessando que gostaria de se casar com ela... não sabia o que pensar, não sabia o que responder. Seu coração estava acelerado, seu cérebro estava uma bagunça...
- Eu te amo. - voltou a falar, quebrando o silêncio, fazendo a mulher arregalar os olhos. - Eu te amo! Meu Deus, como é bom falar isso em voz alta. - Ele riu sozinho, bagunçando os próprios cabelos enquanto dava alguns passos pelo quarto. - Eu te amo de verdade. Te amo como... - fez uma pausa, como se estivesse lembrando de alguma coisa. - Te amo como minha mãe ama meu pai. Como Ron ama a Mione, como Leia ama o Han.
O coração de deu um pulo e ela arregalou os olhos, tomada pela surpresa e confusão.
- O que foi que você disse?! - Ela perguntou, sua voz saindo um pouco esganiçada.
- Que te amo. - Ele franziu o cenho.
- Não. Você disse... Como minha mãe ama meu pai. Como Ron...
- Ama a Mione. Como Leia ama o Han. - completou, parando em frente a ela novamente. - Eu sonhei com isso uma vez, e... Na verdade, eu sonhei que você me dizia isso. - Ele riu, um pouco nervoso. - E eu nunca esqueci.
- Não foi um sonho.
- Hm? - questionou, bastante confuso.
- Não foi um sonho, . - confessou, suspirando baixo. - Eu realmente disse isso. Você tava bêbado e... Achei que não tivesse ouvido.
- Você me falou isso?! - Ele perguntou, ainda com o cenho franzido. - Eu não...
- Eu não era nada mais que sua melhor amiga, na época. - Ela pontuou, cruzando os braços. - , olha...
- Não, . - Ele balançou a cabeça em negação, interrompendo-a. - Eu ainda não terminei. Me deixa terminar, por favor. E depois eu vou embora, faço que você quiser, só... Por favor.
Ela encarou os olhos dele, encontrando neles o desespero. Desespero para ser ouvido, para ser compreendido, para ser... amado.
- Como eu disse antes... Eu sei que pode soar egoísta te dizer tudo isso agora, me declarar dessa maneira, mas eu não podia perder essa chance. É muito provável que seja o último momento em que eu possa te dizer isso, então... - Ele respirou fundo, novamente se aproximando e parando exatamente em frente a ela. pôde ver as lágrimas dentro dos olhos dela, teimosas e tão ansiosas para rolarem por seu rosto. - Eu te amo. Sincera e verdadeiramente, eu te amo. Desde a infância, durante a adolescência e até hoje, eu te amo. Demorei, sim, a perceber. Te fiz sofrer e por isso, por esses momentos tristes, eu só posso pedir desculpas, do fundo do coração.
ficou em silêncio, talvez esperando que falasse algo, mas, ela não conseguia. Seu olhar estava tão perdido no dele, ela estava tão imersa em lembranças... Dentro de si, um turbilhão de sentimentos tornava muito difícil a luta contra suas próprias lágrimas. O que ela queria de verdade era agarrá-lo, beijá-lo e depois estapeá-lo muito, para fazer com que ele sentisse pelo menos um terço da dor que ela sentiu durante esses anos todos. Mas, contendo todas essas urgências, apenas o encarava, sem esboçar reação alguma. E foi isso que fez voltar a falar.
- Eu acho que no fundo, eu sempre soube, mas sentia muito medo. Sua amizade sempre foi a coisa mais preciosa e importante que eu tinha, arriscar perder ela por conta de um romance que podia não dar certo, estava fora de cogitação, na época. - Ele suspirou, balançando a cabeça em negação. - Só não imaginei que o meu medo me faria perder não só a sua amizade, mas você também. Mas, , não interessa o que falem, ou quanto tempo passe... Você ainda é minha melhor amiga. Nunca tive ninguém como você, e provavelmente nunca terei.
Ele arriscou se aproximar ainda mais, levando uma de suas mãos até o ombro dela e a outra até seu rosto.
Assim que sentiu o toque dele em sua pele, perdeu a luta contra suas lágrimas. Ela piscou, apenas uma vez, e isso foi suficiente para fazer com que começassem a rolar livremente por seu rosto. , ao perceber que ela estava chorando, suspirou baixo, mas não se afastou, pelo contrário, ele intensificou o carinho e, com o polegar, acariciou a bochecha dela levemente. inclinou um pouco a cabeça para o lado, apoiando o peso na mão de , mantendo seus olhos baixos. Porém, assim que ele voltou a falar, ela fez questão de olhar nos olhos de seu melhor amigo.
- Bom, eu não pretendo mudar sua cabeça ou seu coração. Como eu disse antes, eu sou egoísta. Eu vim apenas para abrir meu coração e te deixar a par de tudo o que sinto. Você tá prestes a se casar, com outro homem, e eu não posso fazer nada a não ser tentar, uma última vez. Não tenho intenção de fazer você mudar de ideia... - disse, mesmo que, no fundo, não fosse verdade. Depois, abriu um sorriso triste. - Eu desejo, , do fundo do meu coração, que você seja muito feliz. Eu tenho certeza que você será a noiva mais linda do mundo. Aliás, você já é.
Finalmente ele se afastou e se virou, sem olhar para trás. Não porque não queria, e sim porque não podia. Se ele a olhasse mais uma vez, uma única vez, seria impossível ir embora. Com passos lentos e pouco esperançosos, se dirigiu até a porta. Já estava certo de que não receberia resposta alguma quando, em um tom de voz muito baixo, ela perguntou:
- Você não vai ao casamento?
Ele respirou fundo, criando coragem para terminar de quebrar o coração dela. Apoiou sua mão no batente da porta e abaixou a cabeça, escolhendo as palavras certas para dizer.
- , eu não poderia, nem que eu quisesse... - Respondeu, ainda parado na porta, sem ousar virar o olhar para ela. - Eu espero que você entenda, e que possa me perdoar um dia. Por tudo.
Mesmo já imaginando que a resposta seria essa, não pôde evitar o sentimento de tristeza que se apossou de si assim que se deu conta de que seu melhor amigo não iria ao seu casamento.
E então, antes que ela percebesse, se foi, deixando-a completa e totalmente desnorteada, perdida em tantos pensamentos e sentimentos que, nem se quisesse, seria capaz de expressá-los.

ONTEM

- , não! - A garota pediu entre as risadas, implorando para que o amigo parasse de fazer cócegas em sua barriga. - Ahh!
Já fazia algumas semanas que a relação dos dois tinha voltado ao normal. Estavam próximos novamente, saindo juntos, indo ao cinema, parques, restaurantes... Exatamente como sempre havia sido.
Era por isso que estavam agora, na casa de , cuidando de suas irmãs mais novas, Angelina e Jenna, e de seus primos, Thomas e Sam, para que os adultos pudessem ter uma noite livre de crianças. Os pequenos estavam no chão da sala, jogando algum jogo que eles desconheciam, enquanto os dois adolescentes estavam no sofá, assistindo a um programa qualquer na televisão.
Quer dizer, estava tentando assistir ao programa enquanto fazia cócegas em sua barriga, causando um ataque de risos na menina.
- Pelo amor de Deus, para! Eu imploro! - Ela pediu mais uma vez, revirando-se no sofá.
finalmente atendeu ao pedido da amiga e se afastou, ainda rindo. Ela se ajeitou no sofá e arrumou seus cabelos. Depois, pegou uma almofada e jogou nele, ouvindo o reclamar e rir em seguida.
- Ok, eu mereci. - Ele riu, erguendo as mãos em rendição. - Tô com fome. Tem algo pra comer?
- Hm... - pensou por alguns segundos, e depois deu de ombros, se levantando. - Pestinhas! - Chamou pelas crianças, e todas a olharam imediatamente. - Alguém quer pipoca?
Imediatamente vários “eu quero!” se fizeram ouvir e ela riu, balançando a cabeça.
- Sei nem porque eu pergunto. - Se voltou então para . - Vem me ajudar, por favoooor?
- Você que tem a ideia, e eu que preciso fazer? - Ele revirou os olhos, mas se levantou e seguiu com ela até a cozinha.
- Salgada ou doce? - Ela perguntou, erguendo os pacotinhos para ele.
- Ah, não. Não... Não, não! - balançou a cabeça em negação, exagerando bastante na reação. - Você faz uma pipoca doce incrível e quer vir com essa de pacotinho pra cima de mim? Nem a pau, !
- Ah, eu tô com preguiça... - Ela fez um biquinho e ele riu, aproximando-se dela com mãos de cócegas mais uma vez. – Tá! Tá bom. Eu faço. Mas sem cócegas, por favor!
sorriu orgulhoso, pegando os pacotinhos de pipoca salgada da mão dela.
- Vou fazer as salgadas enquanto você faz a doce na panela. - Ele disse, já abrindo duas embalagens para colocar no micro-ondas.
concordou e pegou tudo o que era necessário para fazer sua famosa pipoca. Conversaram e deram risadas enquanto faziam, e aproveitou também para fazer um suco para servir aos menores.
Não demorou muito e os dois logo estavam de volta a sala, distribuindo o lanche para as crianças. Depois disso, voltaram ao sofá.
- Põe um filme aí pra gente ver. - pediu, esticando seus pés e apoiando-os na mesinha de centro, enquanto comia algumas pipocas.
- Folgado. - disse e o garoto riu, mostrando a língua para ela. - Escolhe aí.
Ela entregou o controle a ele e imediatamente começou a zapear pelos canais, procurando algum filme que atraísse os dois. Não demorou a encontrar, e então os dois se acomodaram. deitou a cabeça no ombro de , e ele passou o braço ao redor dela, mantendo o corpo da menina junto a si.
Em certo momento da noite, Angelina veio pedir a que arrumasse algum lugar para que eles pudessem dormir, já que os mais pequenos estavam morrendo de sono. A mais velha foi até o segundo andar e pegou alguns travesseiros e cobertas. Com a ajuda de , trouxe também dois colchões. Montaram, no chão da sala mesmo, uma espécie de acampamento, o que animou muito as crianças, e não demorou nada para que todos estivessem em um sono profundo.
De volta ao sofá, a televisão já transmitia o segundo filme da noite quando sentiu, em sua nuca, um carinho diferente, vindo de . Ela se surpreendeu e virou lentamente o rosto para ele, como se perguntasse o que ele estava fazendo. O garoto encolheu os ombros, sustentando o olhar dela, e intensificou o toque, o que fez com que se arrepiasse levemente.
- ... - Ela chamou, e os olhos dele desceram para os lábios dela.
- Hm? - Ele resmungou em resposta, ainda passando os dedos pela nuca dela.
- O que você tá fazendo? - Questionou, afinal, mesmo que estivesse gostando, mesmo que receber aquele tipo de toque de fosse tudo que ela queria, ainda assim, ela sabia que ele não sentia nada mais que amizade por ela.
- Eu... - começou, parecendo um pouco confuso e sem saber realmente o que responder. - Eu... Não sei. Você quer que eu pare?
- N...Não. - respondeu, finalmente.
Então ele abriu um pequeno sorriso, e virou levemente o corpo para ela. Sua mão, que antes apenas tocava a nuca dela, agora se entrelaçou em seu cabelo. sentia seu estômago dar voltas e voltas, as famosas borboletas fazendo a festa dentro de si.
O olhar de voltou para a boca da amiga, e ela mordeu o próprio lábio ao perceber o que realmente estava prestes a acontecer. Foi só quando finalmente diminuiu a distância entre os dois que ela teve a confirmação de que tudo aquilo era real. Os lábios dele tocaram os dela, dando início a um beijo que ela nunca esqueceria, nem que quisesse.
A cada novo toque, a cada roçar de lábios, um novo sentimento despertava dentro de .
Não que ela já não soubesse antes, mas, foi ali, naquele momento, com os lábios nos dele e envolta por seus braços, que ela teve absoluta certeza de que era e sempre seria seu primeiro, único e verdadeiro amor.


HOJE

Era, finalmente, o tão esperado dia.
O dia do casamento.
O dia em que ela e Peter finalmente se tornariam um só, para passar o resto de suas vidas juntos. Fariam juras de amor um ao outro, comprometendo-se a amar e respeitar, independente das diferenças e dificuldades que pudessem vir a encontrar durante o caminho.
Era um grande passo e, por incrível que pareça, estava ansiosa.
Não saberia dizer se pelos motivos certos, mas, estava.
Desde que havia aparecido em sua casa e lhe dito todas aquelas coisas, a mulher havia entrado em modo automático. Imersa demais em pensamentos e sentimentos que há muito havia guardado, nos últimos dias, ela fez tudo de maneira mecânica, seguindo o protocolo e o roteiro estabelecido pela cerimonialista do evento, agindo da exata maneira que esperavam que uma noiva agisse.
Natalie, Harry e Angelina, porém, haviam percebido que algo estranho estava acontecendo com ela, mas preferiram manter a boca fechada, para lhe dar o tempo e espaço que precisava. Eles sabiam da visita de e, mesmo sem ter conhecimento de tudo que ele havia falado, já que não havia aberto a boca para ninguém, os três tinham uma boa ideia do que havia acontecido.
Ali, sozinha no quarto de hotel que havia sido reservado para ela, encarou seu reflexo no espelho. O vestido envolvia seu corpo perfeitamente, como era esperado. A maquiagem leve em seu rosto, o penteado que havia sido feito em seu cabelo...
Impecável.
Ela estava impecável.
Talvez realmente fosse a noiva mais linda do mundo, assim como disse que ela seria.
Passou lenta e levemente suas mãos pelo vestido, percorrendo todo o tecido, sentindo o roçar leve e delicado da renda em seus dedos. Depois, levou suas mãos até seu rosto, fazendo o mesmo em sua pele, que parecia um veludo, de tão bem-acabada e preparada que estava. Roçou os dedos pelo seu cabelo, enrolando levemente os poucos fios que haviam sido deixados soltos para dar um toque despejado e especial.
Soltou um suspiro pesado.
Estava realmente linda.
E, apesar de estar pronta, não era assim que se sentia.
Desviou o olhar de seu reflexo e foi até a grande janela do quarto, observando a grande cidade de Londres. Os carros se movimentavam, as pessoas andavam para lá e para cá, cada uma imersa em seus problemas e afazeres pessoais, totalmente alheias ao fato de que ela se casaria em pouco menos de uma hora.
Era bastante curioso e interessante como, mesmo em um mundo tão grande e tão cheio de pessoas, as vidas de muitas se cruzavam em algum momento, fosse pelo mesmo motivo ou não. Estavam todas na mesma cidade, no mesmo bairro, em um alcance pequeno e, mesmo assim, os motivos que as levavam a estar ali eram total e completamente diferentes.
suspirou, balançando a cabeça para afastar os pensamentos de sua mente e encostou sua mão no enorme vidro, os momentos das últimas semanas agora vindo à tona.
Era fato que não conseguiria, nem se quisesse, esquecer de tudo que dissera. O discurso dele havia mexido muito com ela, as palavras ainda ecoavam em sua mente. não fazia ideia de tudo que sentiu no passado e do que sentia até hoje. E, apesar de saber que não lhe ajudava em nada, não conseguia evitar pensar nas probabilidades. E se tivesse se aberto antes? E se ele tivesse dito tudo isso a ela antes de Peter pedi-la em casamento? E se eles tivessem namorado e ficado juntos? E se... E se fosse ele no lugar de Peter? E se fosse ele, assim como o mesmo dissera, o noivo? E se... Eram muitos os cenários e infinitas as probabilidades, mas, nenhuma delas era real.
A única coisa real era o fato de que ela estava prestes a se casar com Peter, o cara que, nos últimos anos e até hoje, a fazia extremamente feliz.
Peter era, como já dito, incrível. Um homem respeitoso, romântico, amável. Trabalhador, também. Com visão de futuro, familiar e que com certeza seria um ótimo pai. Ele a fazia bem, a respeitava, e despertava nela sensações que pensou que nunca sentiria. Foi com ele que teve sua primeira vez, foi com que ele que passou seu primeiro dia dos namorados, foi ele que a ensinou como era amar e ser amada. Com Peter, tudo havia sido recíproco, desde o primeiro momento. E ela o amava. De seu jeito, mas amava.
suspirou mais uma vez, desviando o olhar da janela. Andou pelo quarto brevemente antes de voltar a parar em frente ao espelho.
Ela poderia, sim, continuar fingindo que estava tudo bem, que sua mente e seu coração estavam em total sincronia em relação ao que fazer. Mas, seria mentira. E estava cansada de mentir, de fingir, de se enganar. Ela precisava encarar seus sentimentos, lidar com suas escolhas e arcar com suas decisões.
não era mais uma criança, muito menos uma adolescente.
Ela já era uma mulher adulta.
Era hora de agir como uma.
E, finalmente, ela estava pronta.
Pronta para dar o passo que definiria como seria o resto de sua vida.

ONTEM

A menina encarou seu reflexo no espelho, as lágrimas rolando livremente por seu rosto. Um soluço escapou por entre seus lábios e ela suspirou, cruzando os braços de maneira a se abraçar, para confortar a si mesma, tentando afastar pelo menos um pouco dos sentimentos de decepção e tristeza que a envolviam.
Se tivessem dito a ela, dias atrás, que seria o motivo de suas lágrimas hoje, ela riria na cara da pessoa.
Impossível, diria.
Mas, não era.
A família toda estava reunida na casa de Claire e Richard, pais de Harry e Ian, para o jantar que costumavam realizar todo mês, cada vez em uma residência. Estavam todos ali, na sala, conversando e rindo, quando o mundo de veio abaixo.
Assim que viu chegando, com Diana como sua acompanhante, o coração da garota foi parar praticamente em sua garganta.
Ela não pôde acreditar no que seus olhos estavam vendo.
Desejou, a todo custo, que fosse um pesadelo horrível.
Mas, novamente, não era.
Era a mais pura realidade, nua e crua, esfregada em sua cara, bem de baixo de seu nariz.
Compreensível a reação de , afinal, a relação dois estava, até o dia anterior, incrível.
Depois que trocaram o primeiro beijo, muitos outros vieram. Os momentos carinhosos e românticos entre eles aumentaram, e estava, literalmente, vivendo um sonho, afinal, conviver dessa maneira com era tudo o que ela queria, já há algum tempo.
Poderia dizer, com toda a certeza, de que os últimos dois meses foram os melhores de sua vida.
Estar apaixonada era incrível, e ter o garoto que ela gostava retribuindo esse sentimento - pelo menos era o que pensava até aquele momento - era... Revigorante.
Então sua reação era, sim, mais do que compreensível.
Ver de mãos dadas com Diana, apresentando-a para a família, quando no dia anterior era ela quem ele beijava, quebrou seu coração em incontáveis pedaços. não acreditava que ele era capaz de tal coisa, mas, novamente, a provou o contrário.
E dessa vez, não de uma maneira positiva.
“Essa é minha namorada, Diana”, ele disse ao apresentá-la aos familiares.
congelou no lugar, sua mãe e suas tias olhando para ela de maneira surpresa e também confusa, sem entender o que estava acontecendo.
Mal sabiam elas que ela entendia muito menos.
trocou um olhar com a garota, mas ao contrário do que sempre acontecia, o olhar dele não disse nada a ela, pelo contrário, a confundiu mais ainda, e era por esse motivo que agora ela estava trancada no banheiro do segundo andar, chorando sem parar, já há alguns minutos.
Decidida a passar o restante do jantar escondida em um dos muitos quartos da casa de seus avós, ela abriu a torneira para jogar uma água no rosto. Porém, desistiu assim que ouviu alguns passos no corredor, do lado de fora.
- Pode me explicar o que significa aquilo lá em baixo? - Era a voz de Anne, e grudou o rosto na porta para ouvir melhor.
- Ela é minha namorada, mãe... - A voz de respondeu, e pode ouvir Anne bufando.
- E sua relação com ? Não! Não adianta negar. Eu sei, aliás, todo mundo sabe que vocês estavam ficando, mesmo que tentassem esconder. - Anne fez uma pausa.
- A gente só estava ficando, exatamente isso que você disse. Mas sabe e sempre soube que eu gosto mesmo é de Diana, e...
- ! - Anne cortou o filho, sua voz saindo um pouco alta. - Você não pode brincar com o coração das pessoas desse jeito, filho!
- Mas eu não fiz nada! é minha melhor amiga, nada mais que isso! - ouviu ele responder e, depois disso, tudo se tornou um borrão.
Ela voltou a chorar e, quando se virou, derrubou sem querer algumas coisas que estavam na bancada, causando um barulho. A conversa do lado de fora cessou, e tão rápido quanto eles vieram, ela ouviu passos indicando que estavam se afastando. Encostou então o corpo na parede, novamente abraçando a si mesma, e deitou a cabeça para trás, deixando que as lágrimas rolassem livre e incessantemente por seu rosto.
Não saberia dizer quanto tempo ficou assim, até que ouviu batidas na porta, e a voz preocupada de seu pai chamou por ela. não se deu ao trabalho de lavar o rosto, ou esconder que chorava. Seria inútil. Então, abriu a porta e assim que o corpo de Harry entrou em seu campo de visão, ela jogou os braços ao redor dele, escondendo o rosto em seu peito, chorando sem parar.
- Shh... - Harry pediu ao abraçá-la, tocando suas costas levemente. - Vamos pro quarto de visitas, tá? Se acalma, bonitinha, por favor.
deixou que o pai a guiasse para o quarto. Os dois se sentaram na cama e ele a puxou para um abraço, posicionando a cabeça de em seu peito, enquanto acariciava os cabelos dela com cuidado. Ficaram assim por alguns minutos, ambos em silêncio, até que o choro de foi finalmente diminuindo. Ela se afastou e passou as mãos pelo rosto, limpando-o. Depois, encarou seu pai, que a olhava de maneira preocupada.
- Mais calma? - Ele perguntou, e balançou a cabeça em confirmação. - Quer conversar sobre?
- Ah. - Ela começou, encolhendo os ombros. - Eu e , nós... A gente... - suspirou, sem saber muito bem como contar a ele. - Nós...
- Vocês ficavam. - Harry a ajudou, e ela o olhou, surpresa. - Todos sabíamos, bonitinha.
suspirou tristemente e colocou as pernas em cima da cama, abraçando-as. Deitou a cabeça nos joelhos e fixou o olhar em seu pai.
- Eu o amo muito. - Ela disse, mordendo seu lábio em uma tentativa de evitar que o choro a atingisse novamente. - Eu ouvi ele dizer pra tia Anne que eu sou só a melhor amiga, e que ele gosta mesmo da Diana, e... - balançou a cabeça em negação. - Ontem ele tava comigo e hoje... Ah, papai, eu não quero ser só a melhor amiga!
Harry suspirou alto e desejou, silenciosamente, que não fosse tão próximo da família para poder dar uns bons cascudos no moleque pela dor que estava causando a sua filha.
- Querida... - Ele começou, tocando o ombro dela. - Você ainda é muito nova, aliás, vocês dois são. E essa infelizmente não vai ser a primeira vez que você vai sofrer por amor. Mas você precisa decidir se vale a pena, e, acredite, nunca vale colocar nossa felicidade nas mãos de outra pessoa. Independente de quem seja.
- Mas ele é o , pai... - argumentou e Harry sorriu em compreensão.
- Eu sei disso, bonitinha. Mas não vai ser a única pessoa que vai quebrar seu coração. E apesar de vocês serem melhores amigos, certas coisas não valem o sofrimento. - Harry pontuou, e tocou no cabelo dela. virou o rosto, encarando o pai tristemente. - Você precisa se colocar em primeiro lugar. Sempre, . Sempre. Se você não o fizer, querida, ninguém vai.
- Me colocar em primeiro lugar. - A garota repetiu, pensando por alguns segundos. - Posso fazer isso. Mas... Eu não posso mais ser amiga do ?
- Você pode o que você quiser, bonitinha. - Ele sorriu, explicando-a. - Só precisa, como eu disse, ponderar se vale a pena. Se te fizer sofrer, não vale. E eu acredito que não vai ser fácil ver ele com a namorada, querida. Então, talvez seja melhor se afastar...
- E guardar o que eu sinto por ele no fundo do meu coração? - perguntou, sorrindo de maneira triste e desanimada para o pai.
- É. - Harry concordou e passou os braços pelo corpo da filha, puxando-a novamente para um abraço. - Faça o que for melhor pra você.
Eles ficaram em silêncio por alguns momentos, absorvendo os conselhos que Harry havia lhe dado. Parecia fácil, na teoria. E ela estava disposta a tentar colocar todos em prática.
- Mamãe que devia estar me falando essas coisas. - riu, quebrando o abraço e olhando-o nos olhos.
- Sua mãe tá bebendo champagne, um pouco alegre, sem condições de te dar conselhos amorosos no momento. - Harry riu, fazendo carinho nos cabelos da filha. - Nós vamos descer, e você vai tentar agir normalmente, tá?
- Tá. - Ela sorriu, limpando seus olhos mais uma vez. - Muito obrigada, papai.
- De nada, bonitinha. Eu amo você.
- Também te amo. - concordou e, juntos, os dois saíram do quarto rumo ao andar de baixo.
Ela faria exatamente o que o pai disse.
Guardaria seus sentimentos por no fundo de seu coração, à sete chaves, e seguiria sua vida.
Certas coisas e pessoas não valiam a pena.
E ela descobriu isso da pior maneira.


HOJE

A bebida desceu queimando por sua garganta, mas ele não se importou. Na verdade, nada importava no momento, além de encher a cara e esquecer toda e qualquer coisa que o fizesse se lembrar do fato de que a mulher que amava estava, nesse momento, se casando com outro homem.
Encheu o copo mais uma vez e se jogou no sofá, esticando suas pernas, apoiando os pés na mesinha de centro. Ligou a televisão, tentando encontrar um programa qualquer que fosse capaz de distrair sua mente e prender sua atenção.
Mas foi em vão.
Nada parecia suficiente.
Nada chegava perto de ser suficiente.
Nada nunca seria suficiente.
Não enquanto estivesse tão presente dentro de seu coração.
Ou seja, isso provavelmente duraria para sempre.
E para sempre era, definitivamente, muito mais tempo do que ele gostaria.
bufou, um pouco frustrado. Virou então o restante da bebida, fazendo uma careta ao senti-la queimar, mais uma vez. Soltou o copo em cima da mesa e se levantou, decidido a tomar um banho para ver se ajudava.
E, é claro, não ajudou.
Ele pensou que, ao sentir a água quente batendo em sua pele, o líquido levaria para longe seus pensamentos, limpando sua mente e aliviando seu coração.
Mas, pelo contrário, a sensação de solidão piorou.
Ele sentiu seu coração se apertar e antes que percebesse, estava chorando, como há muitos anos não fazia. Apoiou uma das mãos na parede, soluçando baixo e colocando tudo para fora.
Só saiu do banho depois de alguns minutos, quando sentiu que finalmente tinha conseguido aliviar um pouco da dor que sentia. O vapor quente que envolvia o banheiro logo o atingiu. pegou a toalha e secou seu corpo, enrolando-se no tecido antes de andar até seu quarto para se vestir. Escolheu a primeira roupa que viu, uma calça de moletom e uma camiseta qualquer. Depois, passou a toalha por seus cabelos e secou-os de qualquer jeito.
Voltou para a sala e estava prestes a encher seu copo mais uma vez, quando ouviu a campainha tocar. Franziu o cenho, já que não tinha ideia de quem poderia ser. Sua família inteira estava no casamento da mulher que amava. Pensou, então, que deveria ser sua vizinha, a senhora simpática do andar de baixo, que estava, novamente, precisando de ajuda com alguma coisa em seu apartamento. Caminhou até a porta calmamente, sem pressa alguma, já que não estava nem um pouco afim de ajudá-la em qualquer coisa no momento.
Assim que abriu a porta, porém, a confusão tomou conta não só de seu rosto, como também de seu corpo, ao mesmo tempo que uma pequena pontada de esperança encheu seu coração.
Ela estava em sua frente, vestida de noiva.
Tão bonita. Tão incrível. Tão... Perfeita.
Exatamente como ele sabia que seria, ela era, sim, a noiva mais linda do mundo. E, mesmo que imaginasse o que ela estava fazendo ali, suspeitava que aquilo pudesse ser uma peça pregada por seu coração, ou até por sua mente conturbada devido ao efeito do álcool que estava ingerindo há pouco tempo.
Não era possível que ela tinha feito o que ele pensava que tinha, era?
- Eu posso entrar? - A voz dela soou, o tirando de seus pensamentos.
Ainda sem falar nada, agiu no automático, abrindo espaço para que a mulher entrasse, pela primeira vez, em seu apartamento.
olhou rapidamente ao redor, mas não se demorou, sentindo o olhar penetrante de em cima de si. Ela se virou, encontrando os olhos dele, tão confusos, tão perdidos, tão... Esperançosos.
- Você é maluca? - Ela finalmente ouviu a voz dele pela primeira vez, suas sobrancelhas se franzindo em confusão. - O que você tá fazendo aqui? , você... Tá na hora do seu casamento, você não pode se atrasar pro seu próprio casam...
- Posso, posso sim. - respondeu, dando alguns passos em direção a ele. - Eu posso me atrasar, sim, aliás, eu não preciso nem ir, se eu não quiser.
A compreensão finalmente atingiu .
- Você fugiu?! - Ele perguntou, bastante espantado com a atitude da mulher. - Seus pais vão te mat...
- Eles me ajudaram, relaxa. - Ela sorriu, aproximando-se ainda mais dele. - E eu preciso muito q...
- E o Peter? ! - bradou.
revirou os olhos.
Como se ele realmente estivesse preocupado com o ex noivo dela.
- , você pode, por favor, calar a boca? - Ela o cortou, e o homem engoliu em seco, finalmente dando a ela o silêncio necessário. - Como eu ia dizendo, eu preciso muito que você me escute, ... Porque eu preciso dizer, eu finalmente preciso dizer, ... - Ela se aproximou, tocando o rosto dele com as duas mãos. - Eu preciso dizer o quanto eu te amo, o quanto eu sempre te amei. Deus, eu nunca deixei de te amar! - Ela riu de maneira nervosa, fazendo carinho levemente no rosto dele. - É ridículo que eu tenha precisado me colocar nessa situação, vestida de noiva, pronta pra me casar com outro homem, pra finalmente perceber que o que eu realmente quero pro resto da minha vida é você.
abriu um sorriso genuinamente verdadeiro ao ouvi-la dizer, finalmente, as palavras que sempre quis ouvir.
- Eu te amo. - Ela repetiu, abrindo um sorriso tão grande quanto o dele. - Eu te amo, , é você, sempre foi você e sempre vai ser você... Não importa quanto tempo passe, não interessa o que aconteça... Desde a infância, durante a adolescência e até hoje, eu te amo. - repetiu a frase que ele disse a ela há alguns dias, olhando diretamente nos olhos marejados dele. - É você, , é você... Sempre.
Um riso baixou escapou pelos lábios de , e ele finalmente a envolveu com suas mãos, tocando o rosto dela com uma e deslizando a outra até a nuca, dedilhando a região com cuidado para não estragar o penteado tão bonito que estava em seus cabelos.
Os dois se encararam intensamente, ambos imersos na imensidão dos olhos um do outro, querendo aproveitar e viver aquele momento, aquele tão esperado momento, onde finalmente ficariam juntos.
riu, expressando sua felicidade, e fez o mesmo, acompanhando-o. Ele acariciou a bochecha dela com o polegar levemente, e ela sorriu, mordendo levemente seu lábio. O olhar dele desceu para a boca dela e, no momento seguinte, a distância entre os dois foi findada.
Assim que os lábios de encostarem nos seus, sentiu uma imensidão de borboletas fazerem a festa em sua barriga, exatamente como havia acontecido na primeira vez que se beijaram.
, por sua vez, não conseguia disfarçar as emoções, segurando a mulher contra si como se sua vida dependesse daquilo, como se a qualquer momento pudesse acordar e perceber que tudo não passara de um sonho.
Mas, não.
Não era um sonho. Estava acontecendo, era real.
Era como se todos os momentos que passaram separados, todo o sofrimento, toda a tristeza, tudo, tivesse acontecido apenas para que os dois pudessem ficar juntos naquele momento, exatamente daquele jeito.
O encaixe entre eles era perfeito.
Depois de anos, pertenciam, de maneira completa e intensa, nos braços um do outro.
Encontraram o caminho de volta para casa.
e estavam, finalmente, completos.

As vezes há uma chance de que aquela pessoa, a pessoa certa para você, é aquela que já está ao seu lado desde sempre.


Fim



Nota da autora: E terminei! Nossa! Eu finalmente escrevi essa história tão linda. Contar um pouco mais sobre Elissa e Nicholas sempre esteve nos meus planos, eu só não sabia muito bem como seria a história... E posso dizer que estou muito satisfeita com o resultado, completamente apaixonada pelo final, e envolvida mais ainda com esses dois, que amo tanto!
Eu espero, de coração, que vocês gostem tanto quanto eu gostei!
Vejo vocês nas minhas próximas histórias, e, por favor, não deixem de comentar! É MUITO importante pra mim!
Ah, e se por acaso você chegou até aqui e ainda não leu A Place to Call Home, tá esperando o quê pra se afogar nessa história maravilhosa? Haha!
Um beijo, meus amores, e até a próxima!





Outras fanfics:
Finalizadas:
Above It All [Atores - Finalizadas - Chris Evans]
A Place to Call Home [Restritas - Originais]
Em andamento:
Against All Odds [ Atores - Em Andamento]
All We Can Become [Restritas - Atores - Em Andamento]
Dear Roommate [Restritas - Originais - Em Andamento]
Outer Space [Restritas - Originais - Em Andamento]
Shorfics:
Sixth Sense [Originais – Finalizada]
9/11 [Originais – Shortfic]
Ficstapes:
01. On The Loose [Ficstape Niall Horan - Flicker - Restrita]
02. Halo [Ficstape Beyonce - I Am… Sasha Fierce]
02. Tell Me You Love Me [Ficstape Demi Lovato - Tell Me You Love Me]
02. Revenge [Ficstape Pink - Beautiful Trauma]
05. Stereo Soldier [Ficstape Little Mix - DNA - Restrita - Trilogia: Parte III de III]
07. Hot as Ice [Ficstape Britney Spears - The Essential - Restrita - Trilogia: Parte I de III]
08. Stay [Ficstape Miley Cyrus - Can’t Be Tamed]
10. Almost Is Never Enough [Ficstape Ariana Grande - Yours Truly]
12. Better Left Unsaid [Ficstape Ariana Grande - Yours Truly]
12. Keep Holding On [Ficstape Avril Lavigne - The Best Damn Thing]
12. Only The Strong Survive [Ficstape McFLY - Radio:ACTIVE]
15. Outrageous [Ficstape Britney Spears - The Essential - Restrita - Trilogia: Parte II de III]
Especiais:
Endlessly [Especial Dia dos Namorados - Equipe]


comments powered by Disqus