Finalizada em: 02/04/2017

Capítulo Único


A última coisa que esperava era provar do próprio veneno, mas e estavam dispostas a isso.
havia fingido ir no banheiro e ele, como um bom cavalheiro que não era, não estava mais lá quando ela voltou, havia decidido não esperá-la. Mesmo que a atitude, de forma alguma, a surpreendesse, a garota revirou os olhos antes de sair sozinha do cinema, abraçando a si mesma quando o frio da noite lhe atingiu, procurando por ele.
fumava em um canto e ela torceu o nariz, porque claro que além de tudo ele ainda tinha que fumar. O cara era o tipo todo errado e se perguntou pela milésima vez como alguém poderia querer qualquer coisa com ele. Claro, era bonito, alto, corpo definido, pose de galã, mas nada disso compensava todos os seus defeitos e eram tantos que ela jamais conseguiria nomear todos. Não fazia qualquer sentido que ele tivesse todas as menininhas aos seus pés, mas assim que o pensamento lhe ocorreu a resposta veio junto. Ele só conseguia as menininhas. Por isso dava certo para ele.
A contra gosto, ela se aproximou e ele soltou a fumaça sobre ela, a fazendo tossir. Sem que pudesse evitar, o xingou mentalmente mais uma vez. Ela não via a hora daquilo terminar. Duas semana e o cara já lhe dava nos nervos, mas sorriu apesar de tudo.
- Vamos? – ela perguntou animada e ele concordou, apagando o cigarro antes de jogar a bituca no chão, mesmo com um lixo exatamente ao seu lado.
Mais uma vez na noite ela precisou conter o ímpeto de revirar os olhos e apesar do cheiro tão incomodo do cigarro em sua roupa, ela se grudou em seu braço, fingindo ser a boba totalmente na sua que ele esperava que ela fosse.
Mal sabia ele o quanto estava enganado.
abriu a porta do carro para que ela entrasse, mas isso apenas porque ela o guiou até a porta do passageiro. Falsamente agradecida, brincou, fazendo uma reverência e riu em resposta. Sem dizer nada, ele fechou a porta, dando a volta no carro para entrar do lado do motorista.
Ela sabia que ele, muito provavelmente, pararia em algum lugar no caminho para tentar comê-la mais uma vez, exatamente o que ele tinha feito em todas as outras vezes que haviam saído. Claro, não ia funcionar novamente, mas ela deixaria que tentasse.
- Adorei a noite. – falou, virando-se para encará-lo enquanto dava partida no carro. Era mentira, a única coisa que haviam feito fora se beijar, mas pelo menos para aquilo ele ainda servia. Chocada, notou que ele talvez fizesse alguma coisa certa, como tomar banho, escovar os dentes e beijar bem, mas jamais teria aceitado fazer aquilo, por mais nobre que fosse a causa, se o cara não fosse pelo menos limpinho.
- Eu também. – ele respondeu apenas, focando-se na estrada a sua frente. – Podemos fazer isso de novo, lá em casa da próxima vez, o que acha? – perguntou e ela sorriu travessa enquanto mordia o lábio inferior, ficando satisfeita com a própria encenação.
Tinha escolhido o curso errado, seu dom era o teatro.
- Acho uma ótima. – disse ela, recebendo um sorriso dele em resposta.
- Domingo? – sugeriu ela fez bico, fingindo estar decepcionada com aquela data.
- Domingo? – repetiu, manhosa. – Mas por que não amanhã? – perguntou, mesmo ciente da resposta. não admitiria que já havia marcado com sua irmã, mas não tinha problema, sabia disso tanto quanto .
- Amanhã não dá, gata. – ele respondeu com o apelidinho xulo que provavelmente usava para não confundir o nome de “suas garotas”, tocando sua coxa enquanto isso. – Tenho umas coisas da universidade para fazer, trabalhos, já marquei com alguns amigos.
Trabalhos, certo.
Ela suspirou, fingindo se conformar com a resposta.
- É uma pena. – deu de ombros, como se estivesse muito chateada, e ele riu.
- Mas ainda tem a festa no sábado. Eu te busco as nove. – falou e ela sorriu animada. Se tinha uma coisa boa em tudo aquilo era, definitivamente, o recém talento que descobrira para ser totalmente dissimulada.
- Mas me liga amanhã, né? – perguntou como uma boba apaixonada, como as menininhas com quem costumava a sair, mesmo sabendo que ele jamais ligaria apesar de ter concordado.
- É claro. – respondeu e ela voltou a se acomodar no banco, satisfeita com a resposta.
Para sua surpresa, no entanto, dessa vez não a levou para um lugar qualquer. O carro parou, de fato, em frente a sua cara e nem mesmo seu dom recém adquirido foi o suficiente para conter sua expressão de choque com a atitude. Ele riu por isso.
- Você quer ir devagar, então eu respeito. – ele falou docilmente e quase riu em deboche.
Respeito não existia em seu vocabulário, mas deixaria que ele pensasse que havia acreditado. Aquele era o objetivo afinal.
- Você é totalmente um amor. – ela o respondeu com um sorriso, mas ao olhar para o lado de fora do carro franziu o cenho, confusa. – Mas o que estamos fazendo aqui exatamente? – ela perguntou. Estavam no lugar certo, mas confundí-lo era exatamente o ponto da brincadeira. e eram gêmeas e já que se achava bom o suficiente para dar conta das duas sem que nenhuma soubesse, bom, teria que fazer direito. Não que elas pretendessem facilitar. – É a casa da minha mãe, como você sabe?
a encarou um tanto quanto apavorado e ela precisou dar tudo de si para não rir por isso, por vê-lo cair direitinho na armadilha. Para ele, as irmãs se odiavam, não possuíam qualquer contato e moravam separadas por serem filhas de pais separados. Essa última parte, sobre os pais, era verdade. Mas apenas isso.
- E... eu...? – começou, incerto, mas voltou rapidamente para a pose confiante de antes como o bom manipulador que pensava ser. - Você me disse, . Ontem.
Negou após fingir pensar por alguns breves instantes, desconfiada.
- Eu tenho certeza de que não conversamos ontem. – ela respondeu. Outra mentira. Haviam conversado. Não sobre aquilo, obviamente, e ele deveria achá-la muito idiota se esperava que fosse cair nessa. Viu fazer uma careta por ter errado novamente, nervoso, e decidiu que talvez não fosse uma boa ideia pressioná-lo tanto de uma vez, não tão perto da última cena do espetáculo. – Posso até ter te falado sobre minha mãe, mas o endereço, não estou lembrada. – lhe deu uma chance para escapar da enrascada.
- Sim, você me falou! – ele exclamou, sem que pudesse se conter, e ela quis rir mais uma vez com seu alívio tão obvio. Ele era péssimo naquilo, céus. – Ahn... quer dizer... Sim, disse, e você realmente pretende passar o resto da vida sem falar com ela? – tentou e quase ergueu uma sobrancelha para ele pela abordagem que havia decidido tomar, limitando-se apenas em cruzar os braços para demonstrar seu descontentamento.
pegou suas mãos, aproximando-se dela em um momento que ele provavelmente esperava ser romântico.
Uma pena que estivesse apenas tentando se safar da bagunça que acreditava ter criado, confundindo as duas irmãs com quem vinha saindo simultaneamente.
- Não vou falar com ela. – respondeu, soltando as mãos das dele.
- É sua mãe, não pode passar a vida sem falar com ela. – disse ele e a garota pegou sua cabeça entre as mãos.
- , eu aprecio mesmo o gesto, mas isso não vai acontecer. Você não sabe de toda a história.
- Só quero dizer que ficaria muito feliz se pudesse ter outra chance com minha mãe. – disse ele e precisou lutar com a surpresa. Ele havia mesmo acabado de matar a mãe? Aquilo não podia ser mais irônico.
O cara vivia totalmente as custas dela. Ele morava com ela, a chamava de mamãe, mas havia preferido matá-la do que pensar em uma desculpa decente.
Precisando manter o papel, deixou o choque tomar conta de sua face.
- Ah, meu Deus, , eu sinto muito! Eu não sabia! – falou, o puxando para um abraço e passou os braços ao seu redor, escondendo o rosto em seu pescoço.
- Não gosto muito de falar sobre isso, por isso não tinha dito nada. – respondeu e revirou os olhos para seu fingimento, se perguntando como ele esperava manter aquela mentira para as duas irmãs quando não conseguia lembrar nem mesmo onde cada uma das duas moravam.
Bom, não era totalmente verdade já que ele havia sim acertado, mas a questão era que não sabia que havia acertado.
- Eu entendo, é terrível. – ela o respondeu e ele concordou, afastando-se.
- Por isso achei que podia ser uma boa ideia.
- Obrigada pela preocupação, de verdade, mas não estou pronta para isso ainda. – respondeu ela e ele suspirou, fingindo ainda estar abalado com o assunto.
- Mas pense sobre isso. – ele falou, voltando a dar partida no carro para levá-la até a casa “certa” e ela meneou positivamente com a cabeça.
- Vou pensar, mas não acho que consiga tão cedo. – respondeu e ele apenas concordou mais uma vez antes de acelerar o veículo até a casa de seu pai, há três quadras dali.
Assim que chegaram, soltou o cinto e se inclinou em sua direção, mas lhe deu apenas um selinho, fugindo dele antes que aprofundasse o beijo para correr até a casa onde a esperava com a irmã mais nova e Maggie, amiga dela e inspiração para todo aquele plano um tanto quanto diabólico.
O cara, de dentro do carro, reclamou algo em tom de brincadeira e riu, mesmo ciente de que ele, muito provavelmente, odiara a atitude.
Mas aquilo era outra coisa que se divertia em fazer, lhe incomodar com atitudes que sabia que o incomodariam, mas que ele teria que fingir que não se ainda pretendesse comê-la como queria.
A vingança nem era dela, mas se sentia ótima em participar, não só pela diversão, mas como também em poder colocá-lo em seu devido lugar depois do que tinha feito com Maggie.
Viva o poder feminino.

???


Depois de deixar , que morava com a mãe, na casa do pai onde morava, foi buscar no lugar errado. Depois do dia anterior, na cabeça dele, é que morava com a mãe, mas quem encontrou lá foi ao invés disso.
A garota saiu de casa vestindo apenas um short de pano e um cropped, roupas que usava em casa, mesmo sabendo que provavelmente iria para lá buscar a irmã. O viu franzir o cenho ao vê-la vestida daquela forma, provavelmente confuso, mas o encarou animada ao invés disso, seguindo em sua direção rapidamente para abraçá-lo.
- , você veio, afinal! – comemorou, jogando os braços ao redor do seu pescoço.
- É, eu... vim. – falou, definitivamente confuso e dessa vez ela não precisou conter a risada, fingindo que o único motivo era o fato dele ter ido lhe fazer uma surpresa.
- Poderia ter me avisado, eu teria pelo menos me vestido melhor! – exclamou e ele desceu o olhar para seu corpo.
- Eu... queria te fazer uma surpresa. – respondeu devagar, como se ainda tentasse entender o que estava acontecendo e se perguntou, mentalmente, o que ele pensava da vida. Talvez, na cabeça dele, fosse como uma comédia ruim, onde ninguém notaria que ele estava tão claramente sem jeito falando daquela forma.
Seu ego deveria ser enorme para que ele se quer acreditasse que ela não notava, mas continuou a encenação ainda assim.
- Foi uma ótima surpresa! – ela lhe roubou um selinho e ele sorriu, decidindo atuar como ela apesar de tudo. Não que ele soubesse. Estava brincando com as duas irmãs. Não podia questionar e correr o risco de estragar tudo. Restava a ele apenas aceitar mesmo que não entendesse o que estava acontecendo.
E adorava ver sua expressão quando isso acontecia.
- É, eu estou indo para a casa do meu parceiro de grupo. Sabe, o trabalho que te falei ontem. – falou e ela concordou, dizendo que se lembrava, e ele continuou. – Decidi passar para te ver antes. Estava com saudades.
Ela sorriu com a resposta e deixou que ele se aproximasse para beijá-la. a trouxe para mais perto, subindo a mão por suas costas mesmo dentro da blusa, mas ela não se incomodou de verdade com o toque. podia ser a pior pessoa do mundo, mas naquilo até conseguia ser bom. Não conseguia ver qualquer razão para evitar que ele a tocasse e se sentia até mesmo satisfeita por estar usando ele exatamente como fazia com todas as menininhas com que brincava, fazendo com que se apaixonassem por ele antes de terminar tudo depois de conseguir exatamente o que queria, sexo.
Sexo era tudo que caras como ele queriam, mas sinceramente, ela não se importaria se fosse só isso. O que o fazia odiá-lo era a necessidade que tinha de brincar com o sentimentos de garotas que se entregavam para ele antes de terem seus corações destroçados. Isso ela não podia aceitar.
se afastou dele, sorrindo ao romper o beijo mesmo que o pensamento recente a tivesse feito sentir nojo dele.
- Acho que você tem que ir. – disse e ele concordou enquanto descia o olhar para seu corpo mais uma vez antes disso. A garota riu, o empurrando pela atitude. – Vai logo, . – falou e ele concordou, finalmente dando a volta no carro para ir embora, mais precisamente, para a casa de .
Assim que deu partida, acenou, pegando o celular na mão assim que ele deu partida.
“Deu certo. Ele acabou de sair daqui”, escreveu para a irmã, sorrindo satisfeita consigo mesma antes de guardar o celular novamente no bolso para entrar em casa.

???


A casa de era uma completa bagunça, mas a sala ainda era melhor que seu quarto e por isso se agarrava com ele no sofá. Ela sabia muito bem o que estava fazendo quando arranhou as costas dele com as unhas, por baixo de sua camisa, mas fingiu ser um ato totalmente inocente e impensado.
Também estava totalmente ciente da mão dele, subindo tímida por sua barriga para que ela não notasse até que estivesse em seu seio. Ela conhecia muito bem os caras como ele, e mesmo assim deixava. Sabia até onde podia ir e se ele queria usá-la, nada a impedia de fazer o mesmo.
puxou seu lábio inferior com os dentes, sorrindo para ele como se estivesse orgulhosa da atitude, mas antes que pudessem continuar a porta foi aberta sem qualquer aviso e ambos se afastaram em um pulo. agora irritada por aquilo.
Sabia que ele morava com a mãe, alguém precisava ter contado aquilo a para que ela soubesse afinal, mas ele se agarrar com ela ali sabendo que a mulher podia voltar a qualquer minuto, era demais pra ela.
- Oh, ! – ela exclamou espantada, olhando para uma completamente sem jeito e envergonhada no sofá. Riu tão sem graça quanto a garota. – Não sabia que você tinha companhia, querido. – falou ela e ele revirou os olhos para a mulher, na cara dura.
reprovou a atitude em proporções inimagináveis.
- É, foi mal. – falou apenas, não parecendo nenhum pouco arrependido e decidiu usar aquilo como sua deixa para ir embora. Não ia ficar ali com a mãe dele.
- Bom, de qualquer forma, vim só chama-lo para a festa amanhã. – falou, vendo fazer uma careta para o convite. Ele já tinha planos com , sabia disso.
- Amanhã não vai dar. – respondeu e se deixou murchar, mesmo já esperando aquela resposta.
- Mas por que? Vamos, vai ser ótimo.
- Não se recusa o convite de uma garota, filho. Ainda mais uma tão linda. Vá com ela. – sua mãe interferiu e sorriu para ela, concordando imediatamente.
- Isso, vamos.
- É que... – ele parou por um instante, como se pensasse em uma desculpa. – Estou sem dinheiro. Sabe como é...
- Mas você nem me falou nada. – a mãe dele disse e franziu o cenho. – Eu te dou, quando precisa? – perguntou e precisou fazer um enorme esforço para não encará-lo chocada, mesmo que, talvez, devesse fazer sentido. estava no último ano da faculdade e não trabalhava. Até onde sabia, na verdade, a questão era que ele simplesmente não parava em um emprego, o que nem era uma surpresa.
Aquele cara era, definitivamente, ridículo.
- Problema resolvido, então! – falou animada apesar de tudo e não pode negar, concordando com a cabeça nenhum pouco animado enquanto comemorava, batendo palminhas mesmo que aquilo não fosse típico dela, jamais. – Me pega as nove? – perguntou e ele negou rapidamente.
- Ah, não. As... oito e meia. Está bom?
- Sim, ótimo! – disse animada. – Vamos embora? – perguntou e ele concordou, levantando-se do sofá junto com ela.
pegou em um canto da sala uma jaqueta sua jogada sabe-se lá desde quanto e, disfarçadamente, a cheirou antes de vestir, conferindo se estava suja e revirou os olhos.
E ainda achava que ele pelo menos era limpo. Parece que não, pensou consigo mesma antes de acenar animadamente para a mãe dele, afastando-se para seguir até a porta em seguida.

???


- Sim, ele cheirou a blusa! – exclamou, voltando-se para a tela do notebook ao seu lado. Ela conversava com as irmãs e a amiga por Skype antes da festa enquanto arrumava o cabelo em frente ao espelho. Já era oito horas da noite, mas ela se quer havia se trocado ainda, arrumando-se na maior calma do mundo. havia marcado com ela as oito e meia e com as nove. Garantiria que ele perdesse o horário com a irmã, exatamente como o planejado.
As outras meninas riram da sua fala, exceto por que entortou o nariz. Não precisava de mais um motivo para ter nojo dele, mas aparentemente, havia encontrado mais alguns em uma tarde.
Pelo menos já havia acrescentado aquilo no vídeo.
- Céus, eu perdi a virgindade com esse babaca. – Maggie falou apesar dos risos. Ela, como tantas outras, havia se entregado para o cara que sumiu no dia seguinte. A garota não tinha nem dezoito ainda, estava na escola e talvez devessem denunciá-lo a polícia, mas optaram por algo mais humilhante e divertido. Ele merecia aquilo depois de tê-la feito chorar.
- Relaxa, todo mundo tem uma transa ruim. – falou enquanto se maquiava, muito mais adiantada que a irmã apesar de ter marcado com mais tarde. era assim, certinha e controlado enquanto era totalmente maluca e destrambelhada. Completamente opostas. tinha certeza que esse era o motivo pelo qual seu desprezo e nojo por eram ainda maiores.
- Todo mundo virgula. – retrucou e revirou os olhos do outro lado da tela.
- Se não teve ainda vai ter. – devolveu, mas discordou.
- Minha lista é bem maior que a sua e está tudo okay até agora.
- Justamente por ser maior e menos criteriosa é que vai. – insistiu, fechando um dos olhos para fazer o delineado.
- Você precisa procurar fora da bolha, . As opções serão maiores e menos decepcionantes. Posso te ajudar se quiser.
- Dispenso. – respondeu, fazendo as outras, que acompanhavam a conversa, rirem.
- Então, voltando ao assunto, tudo certo para hoje? – Amélia perguntou e parou o que fazia para encará-la na tela, desacreditada.
- Meio em cima da hora para não estar, você não acha? – perguntou e a caçula das irmãs riu.
- Só estava tentando me garantir.
- Está tudo certo. – respondeu. – O vídeo está com o Drew. É só falarmos com ele ou com o DJ antes de irmos para a parte final. Vão abaixar o som quando estivermos discutindo para que todos ouçam. – explicou e sorriu animada.
- Estou louca para ver a cara dele! – exclamou e as outras não demoraram a concordar.
- E acabar de uma vez com isso. – falou e ela concordou prontamente.
- Essa é com certeza a melhor parte. – confessou e pensou por um instante, fazendo arregalar os olhos.
Quando notou a reação da irmã, riu.
- Gostaria de ver como ele é na cama. – deu de ombros. – Não preciso gostar do cara para transar com ele. É o que ele faz afinal, não é?
- Na verdade, se ele fizesse só isso, não teríamos um problema com ele. – Amélia retrucou, desacreditada com a irmã. – , qual é!
riu com sua reação exagerada.
- Vocês precisam sair mais da bolha. Sexo de uma noite é ótimo.
- Venho repetir o que a Amélia acabou de dizer. Se ele fizesse isso, não teríamos um problema com ele.
- Certo, certo. Eu já entendi. – ela respondeu, ouvindo o celular notificar a chegada de uma mensagem em seguida. Ela pegou o aparelho na mão, mesmo já imaginando do que se tratava e riu ao constatar que estava certa, virando para a tela do computador para que as amigas vissem antes de atender, colocando a mão em frente a boca em um pedido de silêncio.
- Oi, já chegou? – perguntou ao atender, colocando o celular no viva voz.
- Sim, estou aqui na porta te esperando. – ele respondeu. – Vai demorar?
- Ah, , desculpa. Acabei me atrasando. Pode me dar mais uns dez minutinhos? – perguntou, mesmo que todas soubessem que demoraria o dobro do que aquilo. Não que alguém estivesse reclamando, aquele era o objetivo.
- Certo, dez minutos eu espero. – falou. Não parecia satisfeito de verdade, mas aceitou ainda assim.
- Obrigada, você é o melhor! – disse empolgada, desligando em seguida.
Elas riram assim que finalizou a ligação.
- Daqui a pouco é com você ai, mana. – voltou a falar, agora para a irmã, e concordou empolgada. As nove em ponto estaria ligando para saber onde ele estava já que perderia completamente o horário marcado.

não conseguia, de forma alguma, esconder a impaciência quando chegaram a festa, as dez horas da noite. Deveria ter pego há uma hora atrás, mas graças ao atraso exagerado de , havia perdido a hora.
A garota não podia estar mais satisfeita com sua reação, mas fingiu não notar nada errado, pulando em seus braços assim que chegaram.
- Vamos dançar! – exclamou, mas apesar de sorrir, se afastou dela.
- Vai indo, vou pegar algo para bebermos antes. – falou, mas a garota não deixou que ele o fizesse, dando as costas para ele. Segurou as mãos de para colocá-las em sua cintura e rebolou junto a ele, sentindo a respiração do garoto em seu pescoço.
Ela sorriu satisfeita, quanto mais o atrasasse, melhor. já havia ligado milhares de vezes soltou suas mãos para levá-las até seus cabelos, sem parar de dançar. desceu uma das mãos por suas coxas, a trazendo para mais perto e sentiu o celular dele, no bolso, vibrar em sua bunda, fazendo com que ele se afastasse bruscamente ao se lembrar de .
- Vou buscar uma bebida. – repetiu e riu satisfeita ao concordar, jogando-se animada na pista de dança, enquanto balançava os quadris de um lado para o outro no ritmo da música.

???


já estava pronta há horas, mas relia “a culpa é das estrelas” despreocupada, jogada em sua cama com um pacote de M&Ms do lado. Estava com o celular sobre o peito, no viva voz, e apertava o botão de rediscar hora ou outra para que o aparelho ligasse novamente para .
Quando ele atendeu, tomou um susto simplesmente porque não esperava por isso e pegou o celular na mão imediatamente, tirando do viva voz para falar com ele.
- Onde diabos você está?! – perguntou, soando irritada. – Estou te esperando desde as nove, .
- Eu sei, me desculpa, me desculpa. – ele pediu. – Estou virando agora a esquina, já pode até descer se quiser.
- Onde você estava? – insistiu ela, mas já levantava, desamassando o vestido antes de correr para frente do espelho, conferir se estava tudo okay. Quando se convenceu, pegou a bolsa e saiu do quarto, largando o livro e os M&Ms sobre a cama.
Se não fossem os planos para o final da festa, ela estaria totalmente decepcionada em ter que sair. Ficar em casa era sempre seu melhor programa para os finais de semana.
- Eu tinha emprestado o carro para um amigo meu. – falou sem vacilar e soube que ele viera o caminho inteiro preparando aquela desculpa. – Ele disse que me entregaria antes das oito, mas isso não aconteceu. Você deve ter notado.
- Ah, certo. E seu telefone você esqueceu no carro? – ela perguntou, irônica, enquanto descia as escadas e riu nervoso.
Era exatamente aquela desculpa que ele pretendia usar. soube imediatamente e quase riu também.
- Foi bem isso, na verdade. – admitiu sem jeito e ela revirou os olhos.
- E por que não ligou para mim assim que pegou o carro? – perguntou. – Estou te esperando há horas!
- Sabia que você estaria brava, preferi ligar quando estivesse chegando. Como agora. Cheguei. – disse, no exato instante que ela abria porta, vendo o carro dele estacionado em frente a casa.
Sem dizer nada, desligou o telefone, abrindo a porta do carro emburrada.
- Eu tenho certeza de que você poderia ter me mandado uma mensagem nem que fosse no Facebook para dizer que atrasaria mais de uma hora e meia. – disse imediatamente e ele suspirou.
- Já pedi desculpas, . – reclamou, como se não fosse ele o errado e ela não conteve a vontade de revirar os olhos dessa vez.
- Só estou dizendo que poderia ter me avisado. Fiquei preocupada. – mentiu e ele concordou.
- Eu sei, desculpe. – repetiu e ela suspirou, voltando, no entanto, a sorrir logo depois ao se voltar para ele.
a encarou de canto de olho ao notar sua súbita mudança de humor.
- Ouvi dizer hoje que minha irmã vai estar lá com o namorado. – falou, fazendo um esforço sobre humano para fingir indiferença quando arregalou os olhos sem se conter.
- O quê?! – perguntou, um pouco mais alto do que o esperado e ela riu.
- Essa foi exatamente a minha reação. – respondeu, como se não soubesse o verdadeiro motivo para seu espanto. – Podemos ser iguais, mas ela é tão... Argh. Essa eu pago pra ver. Aliás, faço questão de ver. – provocou, se divertindo com o pavor estampado na cara dele enquanto tentava olhar dela para a rua a sua frente. – Poderíamos procurar por ela, conhecer o cara.
- C... conhecer o cara? – ele perguntou, espantado, mas tentou esconder sua reação exagerada na próxima fala. – Quer dizer... porquê? Vocês se evitam para não brigarem, tem certeza que quer fazer isso?
fingiu pensar sobre o assunto por alguns instantes.
- Tubo bem, talvez procurar por ela seja um pouco demais. – respondeu, antes que o rapaz ao seu lado tivesse um ataque cardíaco aos vinte e dois anos. – Mas não vou dizer que não vou torcer para encontrá-la. Pago pra ver com qualquer um.
- Eu acho que deveríamos nos divertir. – desconversou, mas desviou o olhar para o próprio bolso quando o celular vibrou em sua calça e não era como se qualquer um dos dois não soubessem quem era. – Sabe, se encontrarmos, tudo bem, mas procurar por isso? – continuou, claramente incomodado com o celular e desviou o olhar pra lá propositalmente, para que ele notasse que havia escutado, mas ele ignorou. - Vocês não se entendem, então vamos só aproveitar a noite. – tentou e sorriu para ele, fingindo não ter se incomodado com o toque ao se inclinar no banco para abraçá-lo, mesmo que o garoto estivesse dirigindo.
Ele riu quando ela beijou sua bochecha de forma estalada, orgulhosa do próprio empenho em convencê-lo.
- Você é demais. – mentiu enquanto o toque do celular cessava. – Não sei o que faria sem você. – disse e ele segurou seus braços enquanto parava o carro no começo da rua onde a festa rolava, a música já se fazendo ouvir mesmo de longe.
Ele virou o rosto para beijá-la, mas como se não tivesse notado nada, se afastou rapidamente, puxando de seu bolso o celular que voltava a vibrar.
- , o que está fazendo?! – ele perguntou sem conseguir conter o descontentamento. Tentou puxar o aparelho de suas mãos, mas animada como uma criança, ela abriu rapidamente a porta do carro para sair, o vendo fazer o mesmo em seguida. – , que porra! – ele reclamou enquanto ela ria, ainda sem olhar para a tela simplesmente porque sabia quem era.
- Por que não quis atender? – perguntou, divertindo-se com a clara irritação dele quando deu a volta no carro para encontrá-la. Somente quando se aproximou, olhou para a tela, franzindo o cenho quando ele, bruscamente, puxou o aparelho de sua mão.
- ? Como minha irmã? – quis saber e ele revirou os olhos.
- Como minha irmã. – respondeu, irritado. – ainda não é um nome único.
- Sua irmã também se chama ? – perguntou, desconfiada, e guardou o celular novamente no bolso antes de se voltar para ela, claramente irado.
- Não se atreva a fazer isso de novo, está me ouvindo? – disse em tom de ameaça e precisou se conter para conseguir manter o papel. Nenhum homem lhe ameaça, especialmente um como ele que se quer podia ser chamado disso.
- Por que é que você não quis atender sua irmã? – perguntou ao invés disso, ignorando seu tom e bufou descontente.
- Eu te fiz uma pergunta. – insistiu e ela revirou os olhos, cruzando os braços emburrada para manter a pose de menina inocente, como se não tivesse notado nada de errado em sua atitude.
- Eu também. – disse simplesmente e ele bufou.
- Também não nos damos muito bem. – respondeu, aproximando-se dela. – Você, me, ouviu? – perguntou, pausadamente e foi a vez dela de bufar.
- Ouvi, ouvi. Não seja ridículo. – acenou como se não ligasse, tomando o braço dele para andarem colados como normalmente fazia. – Agora vamos dançar de uma vez, eu quero dançar. – falou, o puxando para dentro. não se opôs, deixando que ela o guiasse até a pista de dança, mas olhava para todos os lados paranóico, temendo esbarrar em sem querer.
ganhou a noite só por isso e não pode evitar a ansiedade para o que estava por vir. Ele teria o que merecia.
- Eu vou buscar algo para beber. – tentou se afastar assim que chegaram, mas o puxou de volta, fazendo com que ele se aproximasse para dançar junto com ele. Colocou as mãos do garoto em sua cintura como havia feito, mas se manteve de frente para ele ao rebolar no ritmo da música. Temendo ser pego, ele se afastou rapidamente, olhando para os lados mais uma vez. – Eu já volto, depois fazemos isso.
- , não. – ela insistiu, o segurando novamente enquanto parava de dançar. - Está realmente bravo comigo pelo celular? – começou, divertindo-se em contê-lo ali quando sabia que ele já havia deixado esperando por tempo demais. Quanto maior fosse o tempo, maior a briga que poderia encenar com ele.
- , eu só estou com cede. Vou pegar algo para nós. – quando ele tentou, pela terceira vez, dar as costas, ela o segurou pela manga.
- Não. – repetiu, o vendo bufar impaciente ao se voltar para ela. Se o plano final não fosse para essa noite, duvidava que ele fosse lhe aguentar por mais tempo de qualquer forma. Provavelmente seria a única garota que deixaria de lado sem comer e ela se divertiu com o pensamento, em saber que estava fazendo um ótimo trabalho em ser totalmente irritante. – Eu sei que está bravo. Me desculpa. – pediu.
- Certo, certo. Desculpas aceitas. – respondeu, soltando o aperto dela de seu braço. Ele respirou fundo, como se buscasse por paciência antes de sorrir para ela. , aparentemente, não era a única atriz ali. – Eu vou buscar algo para beber e quando voltarmos, dançamos a noite toda, está bem? – falou com mais calma e ela sorriu, dando-se por satisfeita ao concordar com a cabeça.
- Volta rápido voando? – perguntou manhosa e ele concordou.
- Rápido voando. – a frase havia sido ridícula até para ela e riu ao ouvi-lo repetir aquela idiotice, deixando que ele se afastasse para encontrar enquanto voltava a dançar, agora sozinha.

???


preferia estar dançando, mas em nome do papel que tinha a manter, estava parada em um canto, com o celular nas mãos enquanto discava para sem parar. Havia pedido para enrolá-lo o máximo que pudesse, mas sinceramente, não tinha paciência para isso e só então de seu conta. Esperar era um saco, queria logo chegar a parte final do plano. Isso sim seria sensacional.
Quando finalmente apareceu com as bebidas, guardou o celular na bolsa, erguendo os braços impaciente como se perguntasse onde diabos ele havia se metido.
- Por que você não ficou na pista de dança? – ele perguntou, se fazendo de inocente. – Eu estava te procurando.
- Estava me procurando? Me procurando, ?! – ela exclamou, irritada. - Fui eu que te procurei por toda parte! Você desapareceu!
- Eu estava aqui o tempo todo, . – insistiu. – Fui buscar as bebidas, não te achei quando voltei e sai pra te procurar.
- , eu dancei sozinha por mais de meia hora antes de começar a te ligar. Por que diabos você não atendeu? Se tivesse atendido, saberia onde eu estava, podia ter perguntado.
- O quê? – se fez de desentendido. – Me ligou? – fingindo confusão, ele deixou um dos copos de lado para procurar pelo aparelho e ela não viu qualquer motivo para esconder que estava totalmente descontente, revirando os olhos. – Ah, está desligando.
- É, porque você desligou depois da terceira chamada. – ela respondeu. – Eu não nasci ontem, . Estava tocando até cair na caixa postal, depois que você desligou é que parou de chamar.
- , ... – ele falou, aproximando-se dela lentamente e a garota se manteve no lugar, olhando para o outro lado apenas para demonstrar seu descontentamento. – A bateria deve ter acabado e caramba, pode me culpar por não ter escutado o toque no meio dessa barulheira? – perguntou, passando os braços ao seu redor, mas ela não descruzou os seus, os mantendo em frente ao peito.
- Quem é ela? – quis saber. – A outra garota com quem você estava, quem é?
Ele riu, como se aquilo fosse um absurdo.
- , eu não estava com ninguém. – tentou confortá-la, soltando sua cintura pra segurar o rosto dela em suas mãos. – Eu juro que fui pegar as bebidas e só não te encontrei mais. Só nos desencontramos.
- Podia ter me ligado. – insistiu, soltando as mãos dele se seu rosto, mas as segurou de qualquer forma, não permitindo que se afastasse.
- Eu nem pensei nisso, me desculpa. – pediu, passando os braços dela ao seu redor para voltar a abraçá-la. – Eu juro que é só você. – mentiu, na cara dura, e se perguntou como ele podia ser tão totalmente dissimulado. – Você é especial, a única que me importa. – ele disse e tendo que fingir que acreditava, ela sorriu, concordando com a cabeça antes de beijá-lo rapidamente.
- Nós podemos dançar agora? – perguntou, já segurando uma de suas mãos para arrastá-lo até a pista, onde provavelmente havia sido deixada, mas ele se soltou para entregar a ela o copo ao invés disso. aceitou e mesmo já tendo reconhecido a cerveja apenas pelo cheiro horrível, levou o copo até a boca, fazendo uma careta de nojo mesmo sem de fato beber um gole. – Droga, , o que é isso?
- É... Cerveja. – falou, incerto, mas pela careta que ele mesmo fez em seguida soube que só então ele se lembrou de que ela odiava aquilo. gostava de cerveja, não ela, e nem precisaram fingir dessa vez. – Esqueci que não gostava, desculpa. – disse ele. – Posso ir pegar outra coisa...
- Não, deixa. – ela deixou o copo de lado, voltando a puxá-lo em direção a pista de dança. – Só vamos dançar. Estou há tempo demais aqui parada.
Ele concordou apesar do claro nervosismo, mas como se tivesse sido invocada, viu a irmã passar por eles logo a frente. Ela fingiu não ver nada, mas não pareceu ignorar, puxando de qualquer jeito para o outro lado ao qual seguiam e quase a derrubando por isso no percurso.
- ! – ela reclamou, se soltando dele ao parar onde estavam. Preocupado, ele olhou pra os lados e o beliscou por isso.
- Ai, ficou louca?! – ele reclamou e ela o encarou desacreditada.
- Ah, eu?! – devolveu. – De quem está se escondendo, ?!
- Me escondendo? Do que é que você está falando?! – perguntou, chocado.
- Disso, do que você está fazendo! – ela insistiu, batendo o pé.
- , o que é que eu estou fazendo? Eu já nem estou mais entendendo!
- Ah, não? Coitado dele, não é mesmo? – ela ironizou e ele a encarou totalmente confuso, fazendo com que revirasse os olhos.
- Quer saber, me poupe, . – disse simplesmente, saindo de perto dele para se afastar.
olhou dela para o lado por onde havia seguido e decidindo que uma era melhor do que perder as duas, pegou mais uma vez os copos de cerveja e seguiu até , a encontrando sem muita dificuldade, perambulando atrás dele, provavelmente.
- Estava te procurando. – sorriu, lhe entendendo a bebida, e ela franziu o cenho desconfiada.
- Você demorou. – disse e ele riu mais uma vez para disfarçar. – A cozinha estava lotada, tive que brigar pra conseguir pegar alguma coisa.
Ela tomou um gole da cerveja e assim como havia feito, fez uma careta.
- Isso é cerveja? – perguntou, com certo nojo e o viu estreitar os olhos, já deduzindo o que havia acontecido. Ele já testara a cerveja com e ela já havia digo que detestava, mas não era como se a situação não pudesse facilmente ser resolvida, especialmente quando estavam próximos do momento chave.
- Ah, desculpa. Você não gosta, né? Esqueci. – falou inocente e ela se surpreendeu por ele ter, finalmente, sido esperto, mesmo que um pouco, mas não era o bastante quando ambas haviam passado tanto tempo planejando aquilo.
riu, tomando mais um gole em seguida.
- Desde quando não, ? Ficou louco? – brincou, o puxando pela mão em seguida para que fossem dançar.
- Por que fingiu que não gostava? – fez com que ela parasse e o encarou como se não entendesse o porquê da pergunta.
- Era uma brincadeira, . – ela riu, voltando a puxá-lo, mas o garoto a impediu, fazendo revirar os olhos. – Mas o que foi dessa vez?
- Por que fez justo essa brincadeira?
- , do que você está falando? Está me confundindo com sua irmã?
- Minha... irmã? - perguntou, totalmente confuso. Aquela era ideia. Na verdade, fazer com que ele percebesse era a ideia, mas não pareceu surtir o efeito desejado por mais óbvio que tivesse sido. – Como ela veio parar aqui...? Por que está falando dela? – quis saber, agora ainda mais desconfiado apesar de achá-lo um tanto quanto idiota por não ter percebido tudo ainda, depois de tudo. Viu , logo atrás dele, acenar em sinal positivo. Estava tudo pronto e ela só deixou que ele continuasse. – ...
- ? – perguntou, soando totalmente chocada. – ? Por que está me chamando de ?
- O... quê?!
- . – falou e ele negou com a cabeça, como se não tivesse a menor ideia do que estava acontecendo. Qualquer um já teria entendido, mas ele, aparentemente, também era mais idiota do que o normal e desceu o olhar para o corpo da garota, conferindo as roupas que ela vestia. segurou seu queixo, fazendo com que erguesse o olhar para ela. – Por que está me chamando de ? – quis saber novamente.
- Por que estou te chamando pelo seu nome?
- Meu nome? – ela perguntou descrente e quis rir só de imaginar a bagunça que estavam causando da cabeça do garoto. Ele já estava começando a entender, mas o fato de não ter verbalizado ainda suas suspeitas era a prova de que ele não tinha assim tanta certeza sobre o que, de fato, acontecia. Essa era a melhor parte. – , meu nome é . Porra, . Você só pode estar de brincadeira.
- Não. – ele falou, mas soava mais como uma pergunta e ela não conseguiu conter a risada. O máximo que conseguiu foi fingir deboche no tom. – não sabe sobre minha irmã. – falou, deixando o entendimento finalmente passar pela sua expressão.
Já era hora afinal. estava dizendo que se chamava , o mesmo nome que ele havia dito ter a irmã que não existia. Por Deus, não dava para ser assim tão idiota. sorriu, vitoriosa, e a ficha de finalmente caiu, não tendo tempo de dizer nada quando , a verdadeira, se aproximou.
- Vadias. – xingou enquanto as duas se abraçavam de lado, olhando sorridentes uma para a outra.
- Ops. – disseram juntas.
- Estavam brincando comigo esse tempo todo! – exclamou, desacreditado e apesar do divertimento, as irmãs trocaram olhares irônicos antes de se voltarem para ele.
- Espera, deixa eu ver se entendi bem, . – começou, mas olhou ao redor quando uma luz caiu sobre os três, no meio da pista de dança e a música diminuiu. – Ele podia sair com nós duas ao mesmo tempo sem que soubéssemos e agora está ofendido porque, na verdade, sabíamos. – fez bico antes de se voltar para ele, que mantinha os dentes cerrados enquanto as pessoas começavam a prestar atenção na conversa.
- Ele acha que é o único que pode brincar. – deu de ombros. – Como está se sentindo agora? Sabendo que foi feito de idiota?
Algumas pessoas ao redor riram, mesmo sem entender direito o que acontecia e urrou, irritado com a atenção que haviam gerado.
- Ninguém me faz de idiota. – respondeu, irado, e as irmãs riram por isso.
- Nós já fizemos, querido. – respondeu convencida enquanto lhe encarava satisfeita e orgulhosa, de ambas. – E quer saber de uma coisa, é por isso que você nunca consegue sair com mulheres da sua idade. Você tem a mentalidade de uma criança. Idade de um homem, mas se porta como um moleque.
Algumas pessoa ao redor riram, outras bateram leves palmas enquanto algumas simplesmente assoviaram ou soltavam alguns “ow” em provocação. A música, antes apenas baixa, havia cessado totalmente para que todos pudessem prestar atenção no espetáculo.
- Chega a ser ridículo você pensar que teria chance com qualquer uma de nós. – completou satisfeita, ciente de que ele havia usado aquelas palavras com Maggie quando a chutou, achando que era muito mais do que ela poderia ser, superior.
Estava totalmente enganado e ela amou poder dizer aquilo em voz alta, para que todos pudessem ouvir.
- Vadias. Isso que vocês são. Duas vadias. – ele devolveu sem qualquer argumento melhor do que aquele e as duas apenas riram mais uma vez.
- Está bem, se isso é tudo que tem a dizer, nós vamos pedir que olhe para a tela agora. - falou, apontando para um ponto atrás de e ele se virou para a direção indicada. Um telão que não estava lá antes havia descido.
- Temos uma última mensagem pra você. – falou, passando um dos braços por seus ombros.
- Aliás, não exatamente nossa. – repetiu o gesto e ele olhou de uma para a outra, ligeiramente preocupado.
- Acho que você vai reconhecer alguns rostos. – voltou a dizer. - Você brincou com todas aquelas garotas, mas saiba que chegou a sua vez.
se soltou das duas, dando um passo para frente no exato momento que uma música mais alta começava a soar, um ritmo animado. e começaram a dançar, divertidas, enquanto Maggie surgia na tela, com seu nome e idade no canto inferior esquerdo. Dezessete anos.

Call your mama mommy | Chamar sua mãe de mamãe
(You gotta not!) | (Você não pode!)


Sophia, dezoito anos:

Askin' her for Money | Pedir dinheiro para ela
(You gotta not!) | (Você não pode!)


Megan, dezoito anos:

Never keep your house clean | Nunca arrumar sua casa
(You gotta not!) | (Você não pode!)


Rachel, dezessete anos:

Wearin' dirty laundry | Usar roupa suja
(You gotta not!) | (Você não pode!)


Maggie novamente:

Is that what you call flirtin'? | Você chama isso de flerte?
(You gotta not!) | (Você não pode!)

You ain't even workin' | Você nem trabalha
Go and get a job | Vá arrumar um emprego
And baby when you wanna start growin' up | E querido, quando você começar a crescer
We can boom, boom, boom | Nós podemos boom, boom, boom
Maybe fall in love | Quem sabe nos apaixonar

Divertidas, as irmãs se abraçaram logo atrás do garoto, dançando enquanto cantarolavam a letra já conhecida. As pessoas, ao redor, não sabiam se faziam o mesmo e entravam na dança, se riam de ou se o encaram espantados. A maioria ali o conhecia, um homem saindo com meninas jovens demais para ele. Certamente um caso de polícia, mas as meninas preferiram aquela outra forma de vingança.
Mais nomes apareceram enquanto a música continuava. Kate, Alisha, Amy, Kisten... A mais velha tinha dezenove, mas apesar de todas estarem naquela faixa de dezessete e dezenove anos, havia também Zoe com apenas quinze, para a surpresa de todos que se voltaram enojados para ele. Até mesmo seus amigos.
olhou para os lados, olhares reprovadores em sua direção e deu as costas para a tela, tentando fugir. As irmãs se adiantaram, segurando cada uma um de seus braços e o fizeram olhar novamente para a tela quando elas apareceram ali, para o refrão.

I need a man | Eu preciso de um homem
A man who can act like a man | Um homem que aja como um homem
So hear me now | Então me escute
I don't get paid to babysit no one | Eu não sou paga para ser babá de ninguém
I'm out here lookin' for the one to love | Eu estou procurando alguém para amar
See I need a man | Olha, eu preciso de um homem
So hear me now | Então me escute

Nah, nah, nah, nah, nah...


As meninas voltaram a lhe soltar para cantar a próxima parte, dançando, e não foi necessário que elas o segurassem quando tentou fugir novamente. Foram as pessoas, ao redor, que o impediram de escapar. “Seja um homem, lide com o que fez”, alguns diziam e as irmãs decidiram, o plano não podia ter dado mais certo.
“Seja um homem”, aquela era a mensagem e ao longe viram Maggie com Amélia, as duas se divertindo com cena enquanto tentava lidar com os próprios amigos que haviam se voltado contra ele enquanto o final da música se repetia:

I need a man | Eu preciso de um homem

Era bom que ele tivesse entendido agora.




Fim.



Nota da autora: Yeeeey! Fim! Olha, eu não estava muito empolgada com essa música, mas confesso que amei o final. Espero que também tenham curtido.
Quem quiser conhecer meus outros trabalhos, segue abaixo links de todos eles.
Bjão!





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