Finalizada em: 28/12/2023

Chef Tenebrae

“A única regra na cozinha do chef é: Nunca se apaixone por ele.”
Essas foram as palavras da senhora Gilbert, a gerente, quando estava me entrevistando para a vaga de cozinheira aprendiz. Naquela época, eu ainda estava no quarto ano de gastronomia, extremamente desmotivada e sentindo que jamais conseguiria chegar ao final do curso com pelo menos 80% de aproveitamento. Foi quando o professor Cherie me enviou ao Deli Bistrô, com uma carta de recomendação e um pedido para que seu melhor ex-aluno, null Tenebrae, lhe fizesse um favor.

Tinha que admitir, o esforço que o professor fazia para acreditar no meu potencial era maior que o meu esforço em continuar. Talvez, lá no fundo ele visse algo em mim, que estivesse oculto aos meus olhos. Contudo, nem mesmo precisei esperar dois dias para a resposta, pois a obtive no mesmo instante em que o próprio chef, o tal ex-aluno, após ler a carta do nosso professor em comum, ligou para o mesmo a fim de se certificar da veracidade do conteúdo.

— Hum… — resmunguei sentindo um dolorido em minhas costas, havia passado o dia anterior com a tarefa de cortar todos os legumes que seriam servidos nas refeições daquele dia — Que dor.

Estava sendo uma surpresa até para mim, completar seis meses como aprendiz na cozinha mais famosa e invejável de Gramado. Parte disso se deve a paciência e gentileza do chef para comigo, e a forma em que ele conduzia sua equipe com disciplina e bom humor. Tirando claro, os momentos em que sua concentração se eleva ao nível hard, fazendo-o perder a percepção de tempo e espaço, esquecendo-se que existem outras pessoas trabalhando com ele. E é nesses momentos que toda a equipe se mobiliza para não cruzar seu caminho e sempre deixar tudo em mais perfeita ordem em seu devido lugar. Pois, curiosamente, ele sempre sabia onde estava cada objeto em sua cozinha.

— Senhorita Silva, posso saber o que faz despencada no chão do vestiário feminino? — indagou a senhora GIlbert, ao adentrar o lugar e ver meu estado deplorável.
— Não sinto minhas costas. — reclamei com razão — Menos ainda a ponta dos meus dedos, nunca imaginei que descascar legumes fosse tão devastador assim.
— Bem, há males que vem para o bem. — disse ela, segurando o riso e me olhando com empatia — Pelo menos agora, a senhorita pensará duas vezes antes de fazer qualquer aposta com os meninos.

Ela passou por mim e se dirigiu até o reservado dos sanitários. Por mais que eu não quisesse, tinha que admitir, eu jamais apostaria novamente com aqueles brutos. E por falar neles, de forma óbvio, toda a equipe da cozinha, garçons e faxineiros, todos eram homens. E já se contavam três anos que a senhora Gilbert era a única mulher da equipe, até eu aparecer. Por um motivo. Todas as garotas que anteriormente trabalharam no Deli Bistrô, no cargo de recepcionista, se apaixonaram pelo chef Tenebrae, e lhe causaram muitos problemas quanto a isso. E descobri isso da forma mais inimaginável possível. Isso mesmo que devem estar pensando.

Por meio de uma aposta.

Os meninos da cozinha não esperaram nem mesmo uma semana da minha contratação, e já iniciaram suas apostas para saber em quanto tempo a aprendiz desastrada se apaixonaria pelo chef Tenebrae. O pior de tudo, é que quanto mais eu achava ridículo a regra e a situação, mais eu observava a forma em que pacientemente o chef Tenebrae me ensinava na prática, macetes da culinária que nem em teoria na sala de aula, eu aprenderia. E quanto mais próximo eu via dele, mais o meu coração foi acelerando de forma involuntária.

Será que é amor? Tem se tornado tão difícil de esconder.

Às vezes acho que até a senhora Gilbert já percebeu, e somente eu tenho me enganado. Soltei um suspiro cansado me levantando do chão e voltei meu corpo para o escaninho com meu avental e uniforme, após me trocar, segui para a cozinha lá estava ele, concentrado em mais uma receita que havia inventado recentemente. Me aproximei da bancada em que trabalhava, ficava de costas para a bancada dele, permaneci em silêncio, ouvindo meu coração já pulsando mais forte.

— Espero que seu namorado não esteja querendo me matar. — brincou o chef, ao perceber que eu estava no ambiente.
— Meu namorado?! — indaguei sem entender, olhando-o confusa.
— Sim. — ele riu de leve mantendo sua atenção nos ingredientes que manipulava, então se voltou brevemente para mim — Eu a fiz passar o dia cortando verduras e ainda ficou depois do expediente… Eu vi quando ele veio te buscar de moto.
— Ah… — por um curto espaço de tempo eu havia me esquecido deste detalhe.

Uma de minhas estratégias para obter de fato a vaga e abafar o assunto da aposta, foi inventar um relacionamento que não existia. E agora, meu irmão que sempre me buscava quando eu saía tarde, havia se transformado em meu namorado fake. Suas suposições me fizeram refletir em meus pensamentos por alguns minutos.

null?! — a voz dele me despertou de meus devaneios — Está tudo bem?
— Hum?! — assim que o olhei, girei meu corpo com leveza e sem perceber, bati a mão no vidro de azeite ao lado.

Mesmo com os bons reflexos dele, o vidro foi ao chão e se esparramou em alguns pedaços. O que me ocasionou um breve susto.

— Me desculpe, chef Tenebrae. — disse ao me abaixar de imediato para pegar os cacos, não lhe dando espaço para reagir e me repreender.

Meu rosto corou levemente de vergonha. Pois há pouco mais de dois meses, vinha me sentindo ainda mais desastrada que normalmente eu era, principalmente quando estava ao seu lado. Não sabia se era pelo nervosismo de tê-lo tão perto de mim, ou pelas aceleradas batidas do meu coração que não me deixava em paz nem mesmo quando estava longe do Bistrô. Seu olhar, aquele sorriso gentil e a voz rouca e grossa, me perseguiram em minha mente, dificultando ainda mais a minha vida.

— Ai! — disse ao pegar um dos cacos de forma descuidada, por meu nervosismo, me cortando em seguida.

No impulso da dor, levei o dedo à boca, sentindo o sangue do corte.

— Solte isso. — disse ele, com suavidade na voz, pegando os cacos da minha mão e colocando em cima da bancada — É apenas um vidro de azeite.

Chef Tenebrae me fez levantar, mantendo o olhar sereno para mim, o que deixava meu emocional ainda mais abalado. Se existia saúde mental em mim, estava respirando por aparelhos.

— Senhor… — sussurrei tentando me desculpar novamente.
— Já disse que é somente um vidro de azeite. — reforçou ele, ao segurar minha mão machucada e olhar para o corte em meu dedo — Vamos cuidar disso agora, para não infeccionar.
— Mas… — tentei argumentar, sem saber como.
— Deixe que a equipe de limpeza arrume isso. — ele manteve o olhar sério e preocupado, mas com o rosto suave e a voz doce.

Como não se apaixonar? Ele sempre me tratava da forma mais singela e atenciosa possível, talvez por saber dos meus problemas de dislexia e déficit de atenção. Porém, o mais curioso, é que ele sempre conseguia manter meu olhar nele, sempre que estava me ensinando.

— Está aqui em algum lugar. — sussurrou ele, ao entrarmos no escritório aos fundos, para fazer o curativo.
— O que está procurando? — indaguei, observando-o abrir algumas gavetas.

Ele não respondeu, até que finalmente me mostrou o que tanto buscava. Uma caixa de primeiro socorros, que colocou em cima da mesa e abriu para retirar o que precisava. Segurar a minha mão, limpar o corte e colocar o curativo, foi a parte mais leve de tudo, meu delírio se atacou quando ele me olhou de forma aliviada com um sorriso no canto do rosto.

Ao mesmo tempo que meu coração acelerava, sentia um frio na barriga e minhas pernas mais trêmulas. Minha mente seguia em colapso e externamente eu apenas o encarava, focando naquele sorriso que me arrasava.

Então é isso que o amor faz? Nos deixa sem saber como agir?

— Chef Tenebrae… — eu sussurrei respirando fundo.
— O que?! — ele mantendo a serenidade no olhar, deixou sua face mais séria.

Em um lapso de insanidade e ousadia, dei impulso e o beijei de surpresa. Acelerando ainda mais meus batimentos, com a doçura dos seus lábios, me deixando ainda mais rendida, por ele consentir e retribuir adicionando uma pitada de intensidade. Com suas mãos suaves em minha cintura, arrepiando meu corpo.

Eu estava flutuando…

Até ser puxada pela gravidade para a realidade e me dar conta que minha imprudência, havia confirmado as desconfianças de todos, além de finalmente encerrar a aposta. Contudo, minha ação apenas indicava uma coisa: Minha carta de demissão.

— Me desculpe. — sussurrei ao me afastar dele no susto e sair correndo.

Com o rosto queimando de vergonha.
O que eu tinha feito?
Que surto havia sido esse?


Corri pelas ruas sem entender para onde estava indo, só queria ficar o mais longe possível do Bistrô. Quando cheguei em casa, passei pela sala em lágrimas, tentando não chamar a atenção do meu irmão que assistia a reprise de um jogo de basquete na tv a cabo.

null?! — disse ele, ao perceber minha presença — O que faz aqui a essa hora? Não estava no estágio?
— Não tenho hoje. — gritei ao me trancar no quarto.

Nem mesmo me lembrei que estava com a roupa de cozinheira. Mais uma vergonha vivida, correr pelas ruas de uniforme e deixar meu celular no armário do vestiário. Por um lado, foi positivo, afinal, eu não iria atender a nenhuma ligação.

— O que eu faço agora?! — sussurrei para mim mesma, me sentindo uma boba — Quando foi que comecei a gostar dele?

Será que você sente tudo o que eu sinto por você?
Provavelmente não.

Respirei fundo e fechei meus olhos, em meio às lágrimas, acabei caindo no sono. As horas se passaram e assim que acordei, ouvi o barulho da tv ligada no canal do youtube, meu irmão estava ouvindo os clássicos do Linkin Park, sua playlist favorita para arrumar a casa.

Mas aquela hora da noite?

Assim que cheguei na sala peguei o controle e pausei o vídeo, estava na música Somewhere I Belong, sua favorita.

— O que está fazendo, Rafa? — indaguei a ele, procurando-o pelo apartamento.
— Não está vendo? — ele se levantou e finalmente pude vê-lo de avental, com um esfregão na mão.
— Faxina a essa hora? — indaguei em choque.

Só havia dois motivos que faziam meu irmão faxinar a casa à noite com música alta: ou ele estava estressado pelo trabalho, ou ele havia brigado com sua namorada. E eu sabia que o primeiro não era, já que ele tinha o trabalho dos sonhos, na sua opinião.

— Me deixa. — disse ele, se abaixando novamente para continuar esfregando o piso da cozinha.
— Posso entrar nesse rolê? — perguntei, ao demonstrar que eu também precisava extravasar.
— Eu ainda não cheguei no banheiro. — disse ele, já entendendo a minha necessidade.
— Posso incluir algumas músicas nessa playlist? — perguntei já pegando o controle para digitar o que eu queria.
— Não sendo Sandy & Junior. — de imediato ele queria vetar minhas preferidas.

Logo soltei uma gargalhada maldosa, pois também eram as favoritas da minha cunhada Sophia. E para acabar com minha dignidade de vez, a primeira música a tocar foi Olha o que o amor me faz. Se eu estava na cova mesmo, bastava apenas jogar terra em cima.

— O que está acontecendo, irmãzinha? — perguntou Rafa, ao abrir a porta do banheiro e me pegar sentava na tampa da privada chorando — null?!

Ele entrou e se abaixou para me olhar mais de perto.

— O que aconteceu? — insistiu ao segurar minha mão, com um olhar empático.
— Eu beijei ele. — confessei meus pecados, me sentindo horrível por ter ultrapassado os limites da insanidade.

Eu e Rafael sempre fomos muito próximos, desde crianças confidentes, e agora morando juntos após nos mudar de Campinas para a cidade de Gramado, nossa amizade de irmão havia se fortalecido ainda mais. Então, ele era o único com quem tinha falado abertamente sobre o sentimento proibido que andava cultivando sem poder.

— Irmãzinha. — ele ergueu seu corpo e me puxou para um abraço aconchegante — Se aquele chef metido não perceber que você é uma garota maravilhosa, então ele não merece o que está sentindo por ele. E não se sinta culpada por isso.

Eu não queria gostar dele, não queria me apaixonar ou amá-lo, afinal, já sabia do histórico de problemas com as outras funcionárias. Eu apenas queria aprender com o melhor aluno do professor Cherie, apenas queria ser uma chef que consegue finalizar a confecção de um prato sem quebrar dois no processo ou colocar fogo na cozinha.

Eu amava gastronomia!

— Obrigada, por ser o melhor irmão do mundo. — sussurrei para ele.

Ele riu baixo, assentindo com a cabeça.

— Agora, pare de chorar, pois ainda temos um cesto cheio de roupas para lavar. — disse ele, se afastando e voltando para a cozinha — E quero lavar as janelas também.
— Em vinte minutos eu termino o banheiro. — garanti a ele, rindo de leve.
— Ah, antes que eu me esqueça… — ele apareceu no meu campo de visão da sala — O chef Gusteau veio aqui enquanto estava dormindo, e trouxe seu celular. — ele prendeu um sorriso maquiavélico, usando o personagem de Ratatouille para referenciar o chef Tenebrae — Deixei em cima do sofá.
— Hum?! — fiquei estática por uns segundos assimilando a informação, até que corri até o sofá e encontrei o aparelho entre as almofadas.

Assim que peguei e desbloqueei a tela, me deparei com várias chamadas dele, o que me fez sentir meu coração ainda mais acelerado. Abri a conversa do whatsapp, não me importando se ele iria ou não ver que visualizei, e tinha um áudio:

null, espero que esteja bem…
Lhe darei o dia de folga…
Deixarei seu celular com seu namorado.

Um misto de prazer e agonia ao ouvir aquela voz.

--

Na manhã seguinte, meu irmão me encorajou a encarar de frente as consequências dos meus atos, e se fosse para ser demitida, eu preferia pedir essa demissão antes. Então, com o resto de insanidade que ainda tinha dentro de mim, escrevi uma carta com pedido de demissão de próprio punho, não tinha mesmo para onde fugir.

Foram várias contagens de um a dez, respirando fundo, para ter coragem de entrar no Bistrô, e quando o fiz, todos os olhares vieram em minha direção. Por mais que todos tentavam ser discretos, os cochichos iam surgindo a cada passo meu até a senhora Gilbert.

— Bom dia, senhorita Silva. — disse ela, com seu habitual tom debochado — A senhorita se sente melhor hoje.

Assenti com a cabeça.

— Eu vim trazer minha carta de demissão. — disse num tom baixo, quase em sussurro.

A senhora Gilbert iniciou uma risada espontânea, porém a reprimiu logo em seguida.

— Senhorita, não fui eu quem a contratou, então entregue-a pessoalmente ao chef deste lugar. — disse ela, estendendo a mão para a direção da porta que dava para a cozinha.

Meu coração acelerou ainda mais, sentindo um pânico interno.

— Mas… — tentei argumentar sem palavras.
— Então?! — instigou ela, visivelmente avaliando minhas expressões.

Assenti com a cabeça, me dirigindo para a porta. Assim que entrei, todos os cozinheiros pararam o que estavam fazendo para me olhar, entretanto, o chef continuou com sua atenção em seu sketchbook que estava em cima da bancada. Parecia fazer algumas anotações.

— Deixe-nos a sós. — pediu ele, ao perceber que a paralisia de todos era por minha presença.

Engoli seco, após todos saírem e pairar um silêncio denso naquele lugar.

— Eu vim apresentar minha… — respirei fundo, reunindo coragem — Carta de demissão.

Ele parou o que estava anotando e depositou sua caneta em cima das folhas soltas ao lado do sketchbook, então voltou-se para minha direção com o olhar sereno de sempre.

— Carta de demissão?! — ele riu de leve, pareceu confuso inicialmente — Você me beija, pede desculpas, eu descubro que seu namorado é seu irmão, e agora me pede demissão…
— Eu… — mantive meu olhar abaixado — Quebrei sua única regra…

Sim, confessei de cara que estava apaixonada.

— A cada dia que trabalhamos juntos, desperta ainda mais a minha curiosidade. — comentou ele, com naturalidade como se não tivesse ouvido o que eu disse, e pude notar suas bochechas levemente coradas, mas o olhar impressionado para mim.

A passos suaves e lentos, ele se aproximou de mim, parando em minha frente, desviando seu olhar para a folha dobrada em três em minha mão, a pegou e começou a ler. Quando terminou, apenas sorriu de canto e rasgou o papel, o jogando na lixeira ao lado, como se não tivesse nenhuma importância, me deixando perplexa.

— Coloque o avental, preciso te mostrar uma receita nova. — disse ele, em seu sutil tom de ordem.

Mais uma vez me peguei sem saber como reagir, apenas assenti ao pegar um dos aventais que estava pendurado ao lado da porta e me aproximar da bancada.

Com o coração acelerado, ansiando pelo que viria depois do expediente.

Oh-oh, olha o que o amor te faz
Te deixa sem saber como agir
Oh-oh, quando ele te pegar
Não tem pra onde você fugir.
- Olha o Que o Amor Me Faz / Sandy & Junior


Amor: Um dia me disseram que o sorriso é uma forma de mostrarmos o quanto gostamos de alguém. Hoje me perguntaram se eu gostava de você, e eu apenas sorri.” - Pâms



FIM?!



Nota da autora:
Hello gente, mais um ficstape, com essa música maravilhosa, uma das minhas faves de Sandy & Junior.
Bjinhos...
By: Pâms!!!!
Jesus bless you!!!




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