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Última atualização: 04/03/2017

Prólogo



Aquele deveria ser somente mais um simples trabalho, porém as vezes contratempos acontecem na vida de todos e os planos traçam outros rumos. Era uma madrugada estrelada em Manhattan, eu estava há duas quadras de Wall Street, entrando pelo estacionamento de um edifício empresarial.

Eu havia conseguido driblar os dois vigias do estacionamento, estava disfarçada de mecânica e disse a eles que eu estava ali para avaliar o sistema do elevador, uma vistoria de rotina. Pensei que seria difícil acreditarem, mas para minha sorte meu sócio já havia desenrolado uma história e notificado a equipe de segurança que teria um técnico no local, tenho que admitir em segredo que meu sócio sempre pensa em tudo, todos os detalhes.

Entrei no elevador e desci até o subsolo, passei pela casa de máquinas sem problemas e entrei na sala onde o sistema o elevador ficava, retirei toda aquela roupa de disfarce, o boné e os esquipamentos, deixando todos jogados no chão ao lado da porta, ficando somente com uma regata branca e um short preto que estava por baixo da roupa de técnico. Peguei minha pistola Taurus PT 100, que estava na caixa de ferramentas e saí da sala, caminhei pelos corredores atirando nas câmeras de seguranças, não deixando que registrassem meu rosto nas filmagens.

Quando cheguei no final do corredor, guardei minha arma na bota e peguei o cartão de identificação no bolso da calça que roubei de um dos seguranças. Passei o cartão e abri a porta, desci mais um lances de escadas e me deparei com mais uma porta, a abri de leve e vi bem ao fundo da sala em cima de uma escrivaninha, o meu objeto de desejo atual, um atraente notebook branco que continua as informações que eu havia sido contratada para roubar.

Tirei um saquinho de dentro da bota e abri, peguei um pouco de farinha que estava dentro e soprei de leve. Observei por um momento, checando se estava tudo tranquilo, então entrei na sala tranquilamente indo até o notebook o abri e liguei, retirei do bolso meu celular e liguei para meu sócio.

— Entrei. — disse para ele.
— Muito bem Little Thief. — brincou ele me chamando pelo apelido que tinha inventado para mim — Agora vamos passar todos os dado para o pen-drive que te enviei.
— Ok. — retirei o pen-drive do meu bolso e pluguei — Conectado, agora é com você, faça sua parte.
— Let’s go Little Thief.

Em exatos dois minutos, através do vírus que estava no pen-drive, ele entrou no software do notebook e transferiu todos os dados que precisávamos para o pen-drive. Eu desliguei o celular e o taquei na parede, pisei um pouco mais o quebrando, o peguei novamente retirando o cartão de memória e o joguei na lixeira que tinha ao lado.

Coloquei o pen-drive no bolso e o cartão de memória joguei dentro de um jarro de flores que estava com água dentro. Saí da sala tranquilamente e voltei pelo mesmo corredor, quando cheguei na parte superior do subsolo, seis seguranças já estavam armados me esperando. Levantei as mãos lentamente olhando para eles em silêncio, sorri de canto caminhando bem devagar olhando para o chão.

Um deles se aproximou de mim, e quando foi pegar em meu braço, girei meu corpo lançando minha perna direita em seu rosto o jogando no chão e peguei minha arma rapidamente aturando no segundo. O terceiro atirou primeiro e eu desviei atirando nele, o quarto veio para cima pegando em minha arma, soquei sua cara com força com minha mão esquerda e soltando minha arma, segurei no terno dele para sustentar meu corpo e o rodei lançando minha perna direita sobre o quinto homem.

Vendo isso o sexto homem atirou e virando novamente o corpo do quarto homem o deixei ser atingido, peguei minha pistola e atirei no sexto homem. Sem pesar em mais nada saí correndo pelo corredor até o elevador, como estava demorando, abri a porta de saída de emergência e comecei a subir uns lances de escadas, até que vi que outros seguranças estavam descendo.

Minha sorte é que eu já estava no andar que queria, entrei no saguão do térreo e caminhei tranquilamente em direção a porta da frente, ao segurar na maçaneta e abrir. Olhei para trás e lá estavam mais outros seguranças todos trajando seus ternos preto e devidamente armados, saindo dos corredores em minha direção. Saí do prédio e corri até o outro lado da rua, subi na moto que havia estacionado dei a partida e acelerei.

A perseguição continuou por muito tempo, eu em minha moto desviando dos carros na avenida principal da cidade e vários carros esportivos preto atrás de mim. Eu olhei de relance para o painel da moto e percebi que a gasolina estava acabando, droga! Justo naquele momento eu realmente iria começar a ter má sorte? Entrei com minha moto em um beco estreito e sem saída, estacionei desligando ela e desci, olhei para trás e os carros estavam parando aos montes com aquele homens saindo vindo em minha direção.

Eu subi em cima de uma grande lixeira que havia lá e pulei a parede de alvenaria, caí de mal jeito sentindo uma leve dor no meu braço direito, mas ão podia perder tempo com aquilo, então eu corri mais um pouco tomando impulso e pulei segurando no último degrau de uma escada suspensa que havia na lateral do prédio. Com certa dificuldade consegui subi na escada e rapidamente erguendo meu corpo subi correndo os degraus já recebendo vários tiros em minha direção.

Senti a escada balançar um pouco, olhei de relance para baixo e vi três homens subindo atrás de mim, quando cheguei no topo pulei novamente me agarrando ao beiral do terraço e me esforçando joguei meu corpo para dentro. Senti logo uma me puxar pela perna me derrubando no chão, eu olhei para trás e lancei minha outra perna na cara dele chutando seu rosto, me livrando dele. Me levantei e corri novamente pelo telhado, quando cheguei no final olhei para trás e os outros dois que estavam atrás de mim já se aproximavam.

Respirei fundo tomando fôlego, eu já estava ali e não desistiria de terminar meu trabalho. Dei alguns passos para trás e corri pulando em direção o telhado do prédio ao lado, me agarrei no beiral da janela do último andar que por sorte estava aberta, eu entrei rapidamente e me abaixei já sentindo os tiros acertarem a parede ao lado da janela. Fiquei alguns instantes ali parada tentando pensar como eu conseguiria sair daquela situação, quando olhei pela janela novamente vi os homens entrando no prédio onde eu estava.

Me levantei rapidamente e corri pelo corredor novamente até chegar no final dele, saí pela outra janela e comecei a me locomover minunciosamente pelo estreito beiral e me agarrei na janela ao lado, quando olhei para dentro da janela era um quarto. Não pensei nos possíveis detalhes e me joguei dentro do quarto tentando não fazer nenhum barulho.

Nesta altura eu já não sabia mais o que faria naquela situação, eu não sabia onde estava nem sabia como eu conseguiria sair dali, e se eu conseguiria sair viva. Dei alguns passos pelo quarto observando todo o lugar, ouvi algumas vozes vindo da sala, abri bem devagar a porta do quarto e andei pelo corredor sem fazer sequer um barulho.

— Então hyung é tão bom poder ficar aqui por uns dias, acho que já estava pirando naquela casa. — disse a primeira voz, era masculina, porém um tanto complicada de distinguir, com certeza era a voz de um adolescente ou algo parecido.
— É por isso que saí de casa e vim morar sozinho, pelo menos agora não tenho mais nosso appa querendo controlar minhas escolhas. — a segunda voz era mais grossa e concentrada, senti um leve arrepio ouvindo ela, fiquei curiosa para saber como seria o dono daquela voz tão atraente à minha primeira impressão.

Logo o barulho de pessoas batendo na porta, eu deveria ter previsto que aqueles homens iriam entrar em todos os apartamentos. Voltei cautelosamente e mais que depressa para o quarto que entrei, dei algumas voltas sem saber o que fazer e como sairia dessa, quando olhei para a mesa ao lado da cama. Tinha um porta retrato, peguei e vi que na foto tinha quatro pessoas, um casal que aparentava ter seus cinquenta anos, um jovem com cara de colegial e um homem um tanto chamativo e bonito, com certeza o dono da voz atraente.

Quando coloquei o portarretrato no lugar, notei que tinha um celular, peguei e desbloqueei de forma prática de fácil, olhei rapidamente seu álbum de fotos e vi que em todas ele estava sozinho. Isso era bom e havia me dado uma ideia, aquela seria a primeira vez que faria aquilo para fugir de uma centena de homens furiosos e armados.

sua louca. — sussurrei para mim mesma.

Eu era realmente louca, sempre fui, mas o que eu estava fazendo ia além de loucura, eu retirei minha blusa e meu short jogando-os no chão, permaneci somente de lingerie, lancei meu olhar para a porta ouvindo vozes no corredor, sem pensar em mais nenhuma consequência do que estava prestes a fazer, desarrumei a cama e me deitando fingi que estava dormindo. É isso mesmo, eu iria me passar por namorada ou algo do tipo daquele homem na foto, aquilo era a coisa mais perigosa que eu estava fazendo em toda minha vida até aquele momento.

Eu definitivamente estava deixando minha vida nas mãos de um desconhecido.



“Você vai se machucar! Fuja ou você vai se machucar!
Às vezes ser corajoso demais pode ser ruim.”

— Face / Nu'Est




Capítulo 1



* POV — *


— Então hyung é tão bom poder ficar aqui por uns dias, acho que já estava pirando naquela casa. — disse Sam se espreguiçando na poltrona.
— É por isso que saí de casa e vim morar sozinho, pelo menos agora não tenho mais nosso appa querendo controlar minhas escolhas. — eu ri de leve me lembrando das cobranças do meu pai, olhei para janela, estava começando a amanhecer.

De repente bateram fortemente na porta gritando para que abríssemos. Eu me levantei do sofá meio assustado com tanta agitação vindo do lado externo do apartamento. Quando abri a porta quatro homens armados e aparentando ser seguranças entraram bruscamente olhando para os cantos do apartamento.

— Teremos que revistar este apartamento. — disse um dos homens me olhando.
— Por que? — perguntou Sam se levantando.
— O que estão procurando? — perguntei não gostando daquela invasão — Estão aqui a mando de quem?
— Nada de perguntas. — o outro homem meio ruivo subiu um pouco a manga do seu terno mostrando sua tatuagem em forma de dragão com cinco estrelas ao redor — Vamos olhar todos os cômodos.

Respirei fundo assentindo, eu não sabia o que aqueles homens queriam e nem quem eles procuravam, mas sabia para quem eles trabalhavam, os Chang. Meu pai lutou no passado para selar a paz com esta família, uma das cinco famílias mais poderosas de Xangai, eles controlavam China Town de New York. Não seria eu que quebraria essa paz entre minha família e os Chang, então resolvi cooperar.

Enquanto os outros dois foram checar na cozinha e no banheiro juntamente com Sam, o ruivo e o outro robusto foram em direção ao meu quarto comigo. Ao girar a maçaneta e abrir a porta, tive alguns segundos e paralisia total, tanto dos meus músculos quanto do meu cérebro. Havia algo a mais no meu quarto que eu não sabia como havia parado ali, respirei fundo e entrei no quarto acompanhado dos dois, ainda estava absorvendo aquela cena.

Uma mulher de lingerie deitada em minha cama, com metade do seu corpo, incluindo o rosto tampados pelo cobertor, fingindo estar dormindo, suas roupas no chão e algumas minhas também, só havia uma resposta para aquilo, aquela mulher era o que estavam procurando, e estava ali deitada em minha cama dependendo da minha ajuda. Naquele momento eu tinha duas opções, a primeira era entregar ela e deixar que a levassem, porém, a segunda me interessava mais, eu entraria no personagem e levaria aquela cena adiante, estava curioso para saber quem era aquela corajosa mulher.

— Quem é esta? — perguntou o ruivo.
— Minha noiva. — eu disse num tom sério e olhei novamente para ela, observando suas curvas — Tivemos uma noite longa.
— Imagino. — o robusto a olhou fixamente — Meus parabéns amigo. — elogiou ele.
— Acho que o que procuram não está aqui, não ouvimos nenhum barulho. — eu disse caminhando discretamente até minha cama.
— Muito bem, vamos procurar em outro apartamento. — disse o ruivo saindo juntamente com o robusto.

Eu esperei eles saírem, juntei suas roupas e as coloquei no cofre do meu armário, caminhei tranquilamente até a cama e me debrucei de leve aproximando meu rosto e sussurrei no ouvido dela:

— Agora você me deve sua vida. — eu me afastei aos poucos vendo os pelos do seu corpo se arrepiar, segurei o riso e sai do quarto indo em direção à sala, precisava ter certeza que aquele homens realmente tinham ido embora.


* POV — *


Assim que ouvi o barulho da porta se fechando novamente, consegui voltar a respirar direito, ainda não sabia se aquele meu arrepio era de alívio ou por causa daquele sussurro dele, sua voz me deixava um tanto admirada. Ergui meu corpo lentamente, passei a mão em meu cabelo de leve respirando fundo.

— Não acredito que fiz isso. — sussurrei para mim mesma — , você é definitivamente louca.

Me levantei da cama e olhei para o chão, percebi que faltava algo, minhas roupas não estavam mais lá. Olhei em minha volta tentando não me desesperar, vasculhei entre as roupas que ainda estavam no chão e minhas peças realmente não estavam lá. Caminhei até seu guarda-roupa abri e comecei a procurar sem muito sucesso, parei por um momento e me lembrei que quando ele se aproximou de mim, eu havia sentido que suas mãos tinham algo.

— Filho da mãe. — fechei meus olhos, sentindo uma raiva imensa crescer dentro de mim, respirei fundo pensando com calma no que iria fazer.

Peguei uma blusa de moletom cinza dele que encontrei em uma das gavetas e uma calça preta um tanto larga, mas que possuía uma liga regulável e me vesti rapidamente. Me aproximei da janela com cautela e olhei entre a cortina, alguns homens ainda estavam pelo perímetro me procurando, eu não sabia quanto tempo iria durar aquilo, mas tinha em mente que não poderia sair daquele apartamento tão cedo.


* POV — *


Após os homens saírem, Sam ficou me olhando ainda sem entender, eu o olhei de forma preocupada, estava pensando se contaria ou não para ele sobre a mulher estranha na minha cama. Foi quando ouvi o barulho da porta do meu quarto se abrir.

— Quem está aqui com você? — perguntou meu irmão um tanto surpreso pelo barulho — Você não me disse que estava acompanhado hyung.
— Eu… — ainda escolhia as palavras, que insistiam em fugir de mim.
— Onde estão minhas coisas? — perguntou ela ao aparecer na porta do corredor, estava usando minhas roupas, aquilo era interessante, era a primeira vez que eu estava gostando daquela blusa de moletom cinza que ganhei da minha avó no natal passado.
— Quem é ela hyung? — meu irmão a olhou meio boquiaberta.
— Eu sou a noiva do seu hyung. — ela respondeu de imediato me olhando de forma ousada e fixa.
— Então, era essa a surpresa que eu tinha para nossos pais. — eu disfarcei concordando com ela, era uma boa ideia não envolver meu irmão mais novo naquela loucura que estávamos embarcando.
— Uau. — Sam ainda estava meio abobalhado olhando para ela — E qual o nome da noona que conquistou meu irmão?
— Pode me chamar de . — ela sorriu de leve, um sorriso meio angelical que eu não imaginava que uma mulher como ela pudesse fazer.
— Prazer. — disse Sam meio empolgado — Não sei se o hyung falou sobre mim, sou o Sam, o maknae da família, filho mais novo.
— Ah, sim. — ela caminhou até mim com naturalidade — Ele me falou um pouco sobre você.
— Se eu soubesse que estava acompanhado hyung, não teria vindo. — Sam me olhou inocentemente.
— Sam, poderia nos deixar à sós? — perguntei a ele.
— Claro. — ele se afastou indo em direção ao corredor — Preciso mesmo descansar.

Tanto eu como ela, permanecemos em silêncio até ouvirmos a porta do quarto de Sam se fechar, ela voltou seus olhos para mim e ficou me encarando por um tempo.

— Você não me respondeu. — insistiu ela.
— Sobre?
— Onde estão minhas coisas? — sua face séria estava com uma faísca de fúria, me parecia que ela queria bem mais que suas roupas, eu havia visto um objeto no bolso do short.
— Está assim pelas roupas? Ou pelo pen-drive? — sorri de canto debochadamente.
— Onde está? Onde o colocou? — ela se aproximou de mim.
— Não se preocupe. — eu ri de leve — Você terá de volta, assim que responder algumas perguntas minhas.
— Acha mesmo que vou cair em chantagens? — ela me olhou com desprezo.
— Não sei, mas acho que aquele pen-drive é muito importante para você. — me aproximei ainda mais dela — Eu conheço aqueles caras que estavam atrás de você, o que roubou deles?
— Não lhe interessa. — ela deu de ombros e se virou olhando a janela.
— Tenho amigos que podem descobrir sobre isso. — insisti a olhando — Você trabalha para quem?
— Porque quer saber de mais? — ela me olhou — Isso pode te matar um dia.
— Isso o que?
— Sua curiosidade. — ela se sentou no sofá — Agora me devolva o que é meu.
— Não.
— Como? — ela se levantou novamente, pude sentir sua raiva.
— Como eu disse antes, você me deve sua vida, só irei te devolver suas coisas depois que me fizer alguns favores.
— Você acha que eu sou o que? — ela bufou indignada.
— Ou você me ajuda, ou nada de pen-drive.
— Tudo bem. — ela desviou seu olhar para a porta engolindo seco — O que você quer?
— Preciso me livrar de uma garota, e você irá me ajudar com isso, minha noiva. — eu sorri de canto.

Ela me olhou de imediato como se tivesse entendido o que eu estava querendo dizer, assentiu com o olhar e logo deu um sorriso gentil.


“Você realmente existe? Você parece apenas fantasia
Estou vagando entre sonhos e além?”

— Black Pearl / EXO




Capítulo 2



* POV — *


Eu só conseguia pensar no prazo que tinha para enviar aquele pen-drive ao meu sócio, e em como conseguiria minhas coisas de volta. Agora que eu sabia seu nome tudo ficaria mais fácil, ou pelo menos eu poderia investigar mais sobre ele e sua família.

tinha me deixado dormir em sua cama naquela noite, enquanto dormia no chão, um tanto cavalheiro de sua parte. Logo pela manhã quando eu acordei, me espreguicei de leve em sua cama macia e abri meus olhos, ele não estava mais no quarto, me levantei e olhei de relance para a cadeira ao lado da janela, minhas roupas estavam lá.

Me aproximei e peguei, mas ao procurar nos bolsos do meu short, meu pen-drive não estava lá, mais é claro que ele esconderia o que eu mais queria, aquele homem estava brincando com sua vida. De repente ouvi um barulho vindo da sala, abri a porta do quarto lentamente e ouvi algumas vozes vindo da sala, estava falando com uma garota, de voz bem enjoativa por sinal.

Eu fechei a porta e logo me lembrei do nosso acordo, será que aquela garota era a mesma que ele queria se livrar? Eu estava começando a ficar curiosa para conferir isso.


* POV — *


Eu havia deixado dormindo em minha cama, saí do quarto em silêncio para não acordar ela e fui diretamente para cozinha, preparei o café e me concentrei em ler meu jornal como de costume. A campainha tocou minutos depois que terminei de me alimentar, achei estranho, pois meu irmão já tinha a chave, então quem estaria me visitando aquela hora da manhã?

— Oppa! — disse Tiffany com empolgação ao quase pular em meu pescoço me dando um abraço de surpresa — Quando soube que tinha voltado para Manhattan não acreditei.
— Oh, é você. — eu disse me soltando dela de forma rápida, tentando ser gentil ainda. — Eu não te esperava aqui.
— Vim ver como estava. — ela entrou olhando em sua volta — Este apartamento não combina muito com você oppa.
— Preferi ficar em algo que eu possa pagar com meu próprio dinheiro. — expliquei a ela o motivo do meu apartamento ser pequeno e simples.
— Ah, sim. — ela me olhou — Sua estratégia de independência dos seus pais, pelo menos o bairro é um tanto tranquilo.
— Sim. — eu a olhei meio sem jeito, queria fazê-la ir embora, mas não tinha coragem que dizer.
— Amor?! — ouvi uma voz vindo do corredor.

Senti meu corpo arrepiar na hora, quando virei meu rosto a mesma paralisia repentina que tinha tido no dia anterior havia voltado. estava encostada na porta do corredor de braços cruzados, estava de lingerie usando somente uma camisa minha com o segundo botão abotoado. Eu a olhei de baixo para cima, deixando meus olhos um pouco mais em suas pernas, respirei fundo tentando voltar ao meu nível normal de raciocínio.

— Oppa, quem é ela? — Tiffany me olhou sem entender.
— Desculpe atrapalhar, não sabia que estava com visitas. — caminhou em minha direção sinuosamente — Mas você estava demorando tanto para voltar para cama. — ao chegar perto de mim, ela me beijou de surpresa.

No início fiquei um pouco desnorteado em sem saber como reagir, mas meu corpo entendeu a mensagem antes mesmo do meu cérebro e eu retribui o beijo de forma espontânea e sutil.

— Oh. — Tiffany se encolheu.
— Hum. — se afastou de mim e a olhou com superioridade — Me desculpe, não me apresentei, sou a noiva de , pode me chamar de .
— No..Noiva?? — Tiffany gaguejou um pouco e olhou para mim — Eu não sabia que… Eu tenho que ir, tenho outros… — ela parecia mais desnorteada do que eu naquilo tudo — Foi um prazer te rever e conhecer sua no… noiva.

Eu ainda não conseguia ter nenhuma reação depois daquele beijo, nem mesmo consegui dizer um adeus à Tiffany. passou por mim e fechou a porta entre risos, deu alguns passos até o sofá e se jogou nele.

— Então, devo presumir que essa era a garota que queria se livrar? — perguntou ela pegando o controle e ligando a tv..
— Sim. — eu a olhei, minha mente ainda estava absorvendo tudo aquilo.
— Hum, até que ela era um pouco bonitinha. — brincou trocando os canais da tv — Mas você realmente tem que ter um pouco mais de coragem para dar um fora em uma garota.
— Infelizmente, eu sou cavalheiro de mais para isso. — retruquei a olhando.
— Entendo. — ela respirou fundo — Onde está seu irmão?
— Correndo pelo quarteirão.
— Hum… — ela se levantou indo em direção à cozinha — Enfim, quando você estiver pronto, me devolva meu pen-drive.
— Ah. — eu a olhei, trato era trato, mas eu ainda queria saber mais sobre ela.

Assenti sem nenhum problema e voltei para meu quarto, abri o armário ao lado da porta e destravando o cofre, peguei seu pen-drive, quando me virei para o lado, ela já estava na porta me olhando com uma maçã em sua mão direita meio mordida.

— Só mais uma coisa antes de devolver. — eu disse.
— Diga.
— Seu verdadeiro nome. — fui direto e preciso.
— Por que quer saber? — ela me olhou intrigada — Acha mesmo que pode investigar quem sou eu?
— Bem, eu preciso saber um pouco mais sobre minha noiva misteriosa. — brinquei a fazendo rir.

Ficamos parados nos olhando por um longo tempo, até que nossas respirações estavam em sincronia com a profundidade dos nossos olhares. Parecia que ela ainda estava relutando em responder aquilo, ela sabia meu nome graças ao meu irmão, nada mais justo que eu soubesse o verdadeiro nome dela também.

— Sei que vou me arrepender depois. — ela se aproximou mais de mim e pegando suavemente o pen-drive da minha mão — Meu nome é .

Ela pegou sua roupa que estava na cadeira e saiu do quarto ainda vestida com minha camisa. Fiquei alguns minutos parado no quarto olhando para porta, talvez eu devesse ir atrás dela ou não, no impulso saí do quarto e fui até a sala.

!? — eu gritei, mas ela já havia ido embora.
— Hyung?! — disse Sam entrando — Oh, acabei de esbarrar na descendo as escadas.
— Escadas?! — eu me desviei dele e saí do apartamento.

Desci as escadas correndo um pouco desesperado, e saí do prédio. Andei de um lado para o outro na rua, tentando ver a direção que ela foi.


* POV — *


Eu fiquei por um tempo dentro da lavanderia do outro lado da rua vendo me procurando, peguei a jaqueta de um cara que estava distraído, quando mexi no bolso logo um sorriso apareceu em minha face, tinhas umas chaves que pareciam ser da sua moto. Eu coloquei o capacete enquanto ele estava distraído paquerando uma garota e saí vestida com a jaqueta.

Subi na moto e dei a partida, parei no semáforo por um tempo e olhando para o meu lado, lá estava ele ainda me procurando, segurei o riso e acelerei quando o sinal abriu. Minha próxima parada seria em uma agência dos correios. Estacionei a moto em frente a agência combinada, desci e entrei, peguei a senha e logo fui chamada por um funcionário.

— Bom dia senhorita, em que posso ajudar. — disse a moça sorridente de cabelos castanhos.
— Caixa postal 77, código Little Thief. — disse a ela.
— Um instante por favor. — a moça se afastou do balcão e entrou em uma sala.

Dois minutos depois, um homem engravatado veio e minha direção.

— Bom dia. — ele possuía uma voz grossa, levantou a suas mãos e mostrou uma caixa — Bem, estávamos à sua espera senhorita. — ele abriu a caixa.
— Ouve alguns contratempos, mas aqui está a encomenda. — eu coloquei o pen-drive na caixa.
— Seu pacote chegará ainda hoje. — informou ele.
— Bom saber. — eu olhei para a caixa sendo fechada e selada — Alguma coisa para mim?
— Sim. — ele retirou um papel do bolso e me deu juntamente com um recibo a agência.
— Obrigada. — disse de forma séria pegando o recibo e o papel.

Saí da agência e caminhei pela rua, a esta altura o dono da moto estaria procurando por ela. Parei no semáforo esperando o sinal fechar, um homem parou ao meu lado, eu virei minha face de leve e descendo meu olhar para seu bolso, de forma rápida e suave retirei seu celular do bolso, quando sinal abriu eu deixei que o homem seguisse em frente e continuei caminhando na mesma calçada que estava.

Destravei com facilidade o celular e liguei para meu sócio, após alguns toques ele finalmente atendeu.

— Pacote enviado. — eu disse.
— Ah! Como é bom ouvir sua voz, Little Thief. — disse ele demonstrando empolgação.
— E meu pagamento? — perguntei a ele olhando algumas vitrines de lojas que estava passando em frente.
— Depositado. — respondeu ele — Não vá gastar tudo em sapatos. — brincou ele.
— Para de implicar. — eu ri de leve parando em frente a vitrine de uma loja de sapatos. — É somente um hobby.
— Não sabia que comprar sapatos é um hobby. — retrucou ele rindo.
— Quando se tem dinheiro, o que você quiser pode se tornar um hobby. — tombei um pouco a cabeça olhando um scarpin azul marinho, parecia que o sapato estava me chamando.
— Preciso desligar agora, me contate novamente quando chegar em casa.

Após ele encerrar a ligação, eu entrei na loja, imediatamente uma vendera super simpática veio me atender. Após algumas horas experimentando alguns modelos, acabei escolhendo o scarpin azul marinho que namorou desde o início, uma bota de cano longo e uma sandália dourada.

— A senhora vai pagar em espécie ou cartão? — perguntou a vendedora.
— Bem, estou sem meu cartão e não trouxe dinheiro, mas posso ligar para meu banco e autorizar uma transferência. — respondi a ela.
— Claro, como quiser. — a moça sorriu e logo pegou o telefone.

Não demorou muito tempo até que a transação foi feita, saí da loja carregando três grandes sacolas e com um largo sorriso no meu rosto. Parei um táxi, entrei e segui em direção ao condomínio onde morava, no bairro Upper East Side. Para minha sorte o vigia que era muito simpático comigo, estava no seu turno e pagou o táxi para mim.

Caminhei por um longo tempo pela rua até chegar na minha pequena e luxuosa residência, era a casa mais distante do condomínio, eu gostava de tranquilidade e privacidade total. Era uma casa de dois andares muito bem arquitetada, uma mistura de concreto e vidro que deixava a parte interna clara e bem iluminada pela luz natural, em volta da casa tinha um jardim contínuo, uma vegetação que eu podia admirar a todo momento que abria as persianas da casa. A garagem onde eu guardava meus carros era subterrânea, a piscina era interna, onde a passagem dava através da parede lateral do escritório.

No primeiro andar, tinha minha ampla sala de estar com pé direito duplo, uma cozinha digna de master chef, a sala de jantar, um lavabo para visitas e uma pequena biblioteca que havia criado recentemente ao lado do escritório. No segundo andar, tinha um quarto de hóspedes, apesar de nunca ter nenhum, e minha suíte master imperial. Eu costumava apelidar assim, além do amplo espaço do quarto e o banheiro clássico e sofisticado, eu tinha dois closets, um para roupas e outro exclusivo para meus sapatos.

Quando entrei em casa, coloquei as sacolas ao lado da porta, olhei para o corredor que dava para sala de jantar e lá estava ele, meu lindo cachorro, um dobermann adulto e muito bem treinado.

— Olá Cronos. — eu disse ao olhar para ele com um sorriso. — Sentiu falta da mamãe?

Ele correu até mim colocando suas patas dianteiras em mim, e latindo forte.

— Sim. — eu concordei como se soubesse o que ele estava falando — Também senti sua falta, espero que não tenha dado trabalho a Stephanie.

Ele se sentou e ficou me olhando, eu olhei para o lado e peguei as sacola, subi as escadas sendo seguida por ele, Cronos era uma boa companhia para mim, eu o tinha ganhado de presente do meu sócio, quando ainda era filhote. A única pessoa que ele teoricamente obedecia além de mim, era minha empregada Stephanie.

Quando entrei e minha suíte fui direto para o closet de sapatos e coloquei meus novos pares em seus lugares de direito. Retirei minha roupa no quarto e caminhei em direção ao banheiro, tomei um relaxante banho, estava mesmo precisando passar horas na minha banheira de hidromassagem.



“Você brilhou radiante em um curto período de tempo como um relâmpago
Você iluminou o mundo por um instante
Como se o mundo inteiro me pertencesse
Você me mostrou e partiu.”

— Thunder / EXO





Capítulo 3



* POV — *


Assim que acordei pela manhã, troquei minha roupa e caminhei pelo condomínio com Cronos, fazia tempos que não passeava com ele, p ercebi alguns rostos novos durante minha caminhada, com certeza alugaram a minha outra mansão que ficava mais no início do quarteirão que eu estava alugando.

Na hora do almoço resolvi testar meus dotes culinários, havia feito um curso de gastronomia italiana pela internet, cozinhei um spaghetti ao molho branco com bacon e brócolis, até me dei ao luxo de jogar queijo prato por cima quando fui comer. Até que não estava nada mal para uma primeira vez, porém quando olhei para a cozinha após terminar de me alimentar, parecia que um furacão havia passado ali.

Eu ri de início, olhando aquelas vasilhas sujas amontoadas na pia, minha empregada me mataria se visse aquilo, então me animei e organizei tudo deixando a cozinha limpa como estava. Era divertido fazer aquilo com certa frequência, minha vida era tão diferente que quando me ligava em fazer esses tipos de tarefas domésticas, me sentia uma pessoa comum.

Saí da cozinha e caminhei pela casa até a sala de tv, liguei minha ostentação no lugar de televisão e comecei a ver um filme que estava em minha lista de favoritos no Netflix. Me joguei no sofá retrátil, Cronos sentou a meu lado e ficou prestando atenção na televisão, logo meu celular tocou, eu retirei do bolso e atendi colocando no viva voz.

— Boa tarde para o melhor sócio do mundo. — eu ri de leve, pausando o filme.
— Boa tarde Little Thief. — ele riu do outro lado da linha — Sabe o motivo da minha ligação?
— Estou de férias. — adverti — Esse último serviço me sugou muita energia.
— A culpa não é minha se teve um contratempo. — retrucou ele — Mas eu sei que sempre dá espaços de tempo entre um serviço e outro, então só irei alertar para onde vai desta vez.
— Quer preparar meu psicológico? — eu ri — Me surpreenda desta vez.
— Vegas baby, desta vez será em Vegas.
— Interessante, soube de uma loja da Prada em Vegas que estava mesmo querendo ir.
— Foco Little Thief. — repreendeu ele rindo de mim — Sapatos são diversão e diversão vem após o trabalho.
— Eu sei disso. — respirei fundo — E terei que roubar o que?
— Um cassino, mas não direi tudo agora, na próxima semana te enviarei todas as informações, só preciso que me diga seu preço para ajustar o valor para nosso novo cliente.
— Assaltar um cassino, para ter um preço preciso saber o que vou roubar.
— É algo valioso, porém sem valor financeiro.
— Odeio seus enigmas, vou desligar pois preciso terminar meu filme, à noite te envio uma mensagem com meu possível valor.
— Vou esperar.

Eu desliguei o celular e coloquei em cima da mesa de centro e retornei ao meu filme, conforme o tempo passava eu continuava pensando quanto cobraria por aquele serviço, um cassino não era tão fácil de entrar quanto uma empresa no meio do centro financeiro de Manhattan. Eu teria que forjar um álibi, um disfarce, uma entrada e saída triunfal, mas não iria me preocupar com isso agora, iria tirar as minhas três semanas habituais de recesso entre um trabalho e outro e descansar com a companhia do meu lindo cachorro.


* POV — *


Havia passado duas semanas que ela havia entrado e saído da minha vida como um relâmpago, e seu rosto ainda estava nítido em minha mente e seu sorriso me tirava o foco no trabalho. Não era tão complicado ser um vendedor em uma livraria no shopping, mas eu tinha que manter atenção aos clientes. Minhas lembranças dela em minha cama na primeira vez que a vi estavam afetando tanto minha mente, que pensei tê-la visto andando pelos corredores do shopping há dois dias.

Era sexta e eu estava saindo mais cedo, meu irmão já havia retornado para casa e eu estava sem companhia para aquela noite, resolvi ligar para um amigo e combinei de ir à um pub com ele. Saí um pouco mais animado, pois não terminaria minha sexta sozinho em meu apartamento, quando cheguei ao pub meu amigo já estava na parte interna me esperando.

Ao entrar o lugar já estava um pouco cheio e algumas pessoas se divertindo na pista de dança, eu caminhei até ele e sentei no banco ao seu lado.

, finalmente. — disse ele ao me ver.
— Sim, hora do rush é complicado o trânsito. — eu olhei para o barmen — Vou querer uma garrafa de Soju, por favor.
— Sempre com sua cerveja coreana, estamos na América, . — ele riu de mim.
— Costumes nunca mudam. — eu esperei o homem me servi e pegando a garrafa tomei um pouco — Me faz lembrar de casa.
— Sei. — ele riu — E como vai as novidades, soube pela Tiffany que está noivo.

Eu que estava bebendo, quase engasguei, respirei fundo e o olhei meio sem resposta. Não imaginava que Tiffany espalharia para todos aquele leve fato ocorrido no meu apartamento e agora o que eu iria fazer, confirmar ou não?

— É. — eu tentei disfarçar um pouco — Pode-se dizer que sim, mas vamos falar sobre outra coisa e você continua com a Mary?
— Terminei, agora estou aproveitando a vida de solteiro. — ele riu um pouco me fazendo rir também.
— Vida de solteiro é um lado bom e obscuro ao mesmo tempo. — olhei para o lado de relance e vi um rosto conhecido.

Senti meu corpo gelar no mesmo instante, seria mesmo ela? estaria naquele mesmo lugar que eu? Me levantei tentando ver direito e sim lá estava ela no canto sendo cortejada por um homem, paralisei de início ao olhar para seu rosto, n ão sabia se estava feliz ou boquiaberto com a coincidência. Eu percebi que ela estava tentando se livrar do homem, mas ele se mostrava insistente, eu me levantei e fui em direção a eles.

— Oi amor, desculpe a demora. — eu disse ao me aproximar dela, toquei de leve em sua cintura e lhe deu um beijo de leve.
— Oh, que bom que chegou. — ela me olhou surpresa em me ver lá — Hum, Kyle seu nome não é? — ela olhou para o homem e depois me olhou dando um sorriso — Este é meu noivo .
Eu a olhei sentindo meu corpo se arrepiar, era estranho senti aquilo, mas cada vez que falávamos aquilo eu começava a acreditar ainda mais. O homem pediu desculpas rapidamente e se afastou de nós, ficamos nos olhando por um tempo até que ela começou a rir de leve.

— Parece que você me salvou de novo, aquele cara não estava querendo entender que eu não queria nada. — explicou ela.
— Parece que você me deve novamente. — ri um pouco — Mas pode pagar agora mesmo.
— Como? — ela me olhou meio em reação.
— Preciso que continue sendo minha noiva esta noite. — eu segurei em sua mão sem que ela pudesse dizer qualquer outra coisa, e a guiei até onde eu estava com meu amigo.
, me virei e tinha sumido. — disse meu amigo e descendo seu olhar viu que eu estava segurando a mão dela — Hum, presumo que seja sua noiva.
— Sim, é Joe esta é . — ele me olhou — , este é um amigo meu Joe.
— Prazer. — disse ela meio surpresa.
— Uau, bonita sua noiva. — elogiou ele — Diferente de todas as namoradas que já teve.
— Espero que seja num bom sentido. — ela disse de forma suave.
— Com certeza é. — eu a olhei, fazendo-a olhar para mim.

Ficamos algumas horas lá, dançamos um pouco até que ela resolveu desaparecer quando supostamente foi ao banheiro feminino. Fiquei preocupado por ela não ter retornado e quando cheguei na porta do banheiro feminino uma senhora que parecia ser uma funcionária me entregou um bilhete.

Eu ri de imediato quando li, era um recado dela me agradecendo pela ajuda e dizendo que estávamos quites. Não acredito que ela havia desaparecido novamente, voltei para meu apartamento com o dia clareando, aquela noite havia sido surpreendente para mim e eu estava feliz por ter visto ela naquele pub.

As horas se passaram e quando eu consegui acordar já no final da tarde estava com uma ressaca forte, de repente meu celular começou a tocar, senti como se fosse martelada na minha cabeça, não queria atender, mas a ligação era de casa, e eu já sabia que quando me ligavam de lá é porque alguma coisa importante tinha acontecido.

falando. — eu disse.
— Filho. — sua voz estava um tanto desesperada — Que bom que atendeu, aconteceu algo grave.
— Como assim mãe, algo grave? — eu me levantei da cama ainda me sentindo tonto — O que aconteceu?
— Seu pai filho. — ela parou por um momento, pude perceber que estava chorando — Seu pai, sofreu um infarto repentino.
— Mãe. — eu me sentei novamente — Mas como ele está agora?
— Bem, felizmente, porém ainda hospitalizado, mas os médicos disseram que seu quadro está estável, filho estamos com tantos problemas na empresa, e seu pai sempre teve problemas com o colesterol alto.
— Não se preocupe mãe, enquanto o papai estiver se recuperando eu vou assumir os negócios da família. — eu respirei fundo — Só não sei por onde começar.
— Vão ligar para você da matriz informando tudo. — ela parou por um momento novamente — Querido seu pai acordou, e está me chamando, terei que desligar.
— Sim omma.

Eu desliguei o celular e me levantei, caminhei até o banheiro e lavei meu rosto, fui até a cozinha e fiz um café extraforte para melhorar. Minutos depois me ligaram da empresa para relatar toda a situação, estávamos tendo um problema com os funcionários em uma das filiais e eu como filho e agora no lugar do meu pai teria que resolver.

Fiquei um pouco em saber como iria tomar a frente da empresa que um dia quis sair para ser independente, mas estava ajudando minha família e era o que importava. Arrumei minhas malas logo à noite, pegaria o vôo pela manhã cedo, meu destino Las Vegas.


* POV — *


Finalmente havia chegado o dia da viagem, passaporte e passagens estavam prontas e separadas dentro da minha bolsa, minha mala organizada e com minhas roupas devidamente selecionadas, eu havia deixado as ordens com Stephanie para os cuidados com a casa e Cronos.

Havia reservado aquela uma semana antes da viagem para repassar todos os detalhes da minha operação, pois cada um deles era crucial para o sucesso do meu trabalho, até mesmo o hotel onde ficaria e a pessoa que receberia a encomenda estava acertado.

Enfim eu embarcaria num vôo após o almoço, tentei me concentrar ao máximo durante aquelas horas no avião, ouvindo músicas. Eu sentia bem lá no fundo que meu próximo trabalho em Vegas seria surpreendente.


“Eu não preciso de um mapa, meu coração me leva a você
Mesmo que o caminho seja perigoso, eu não posso parar agora
Eu nunca me esqueci de você por apenas uma hora
Se eu só posso vê-la no final do horizonte distante.”

— Black Pearl / EXO





Capítulo 4


* POV — *


Já fazia uma semana em Vegas e o ritmo da empresa estava acabando comigo, eu não imaginava que seria tão estressante e cansativo resolver todos os problemas no lugar do meu pai. Eu estava um tanto desacostumado com os negócios da família e nem me lembrava mais como funcionava tudo na transportadora, confesso que nunca fui o aluno destaque na faculdade de logística, mas teria que colocar em prática meus estudos da Universidade de Oxford.

Eu estava concentrado olhando algumas planilhas que a secretária havia deixado para mim em cima da mesa, quando novamente a imagem dela naquele pub invadiu minha mente, constantemente ela invadia meus pensamentos me roubando a atenção mesmo estando longe. Não sabia como, mas eu queria vê-la novamente, a mulher estranha que invadiu minha casa e se tornou minha noiva.

. - eu sussurrei voltando a realidade — Preciso parar de pensar em você.

Continuei analisando as planilhas até que bateram na porta.

— Entre. — eu disse jogando a pasta na mesa olhando para porta.
— Ah. — John abriu a porta e entrou — Ainda está aqui?
— Sim, estou tentando entender o ponto inicial do problema, mas não chego nele.
— Então deixe para terminar após o almoço. — ele riu — Se ficar mais tempo nessa sala vai acabar enfartando como seu pai, com todo respeito pela brincadeira.
— Pior é que você tem razão. — eu ri me levantando da cadeira e indo até a porta — Vamos almoçar.

John era o diretor regional das filiais dos Estados Unidos, ele controlava o fluxo de todos os portos e aeroportos do país, ele estava ali para me ajudar a entender como funciona e como resolver aquele problema que estávamos tendo com algumas entregas e a insatisfação de alguns funcionários antigos.

Fomos almoçar em um restaurante perto do edifício que ficavam as salas da filial, era estranho estar e Vegas à trabalho, de todas as vezes que estive nesse lugar era diversão ou fuga da minha família. Engraçado como as coisas são, mesmo no trabalho eu estava sentindo que iria ser surpreendido por alguma coisa boa, eu realmente queria que algo bom acontecesse ali.


* POV — *


Assim que desembarquei segui direto de táxi, para o hotel que meu sócio tinha reservado para mim. Dean era um ótimo sócio que havia me ajudado quando eu perdi minha família em um acidente de carro aos 14 anos, ele havia me ensinado tudo que eu sabia e me treinado com perfeição.

— Finalmente vou poder pensar melhor. — sussurrei de leve olhando em minha volta, o quarto ela confortável com um toque clássico.

Coloquei minha mala ao lado da porta, e peguei meu notebook, caminhei até a mesa que estava na varanda, coloquei o notebook em cima já ligando e abri os arquivos que Sam havia me enviado. Continuei analisando toda minha rota de entrada, o tempo que teria para agir e minha rota de fuga, calculando todos os detalhes e fragilidades possíveis no meu plano. Eu só tinha aquela tarde para deixar tudo em ordem, pois à noite colocaria em prática. De repente ouvi meu celular tocando.

— Little Thief na linha. — disse ao atender.
— Chegou bem? — perguntou Dean.
— Perfeitamente bem, agora estou repassando meus passos dentro do cassino. — eu respirei fundo olhando a planta no notebook — Todos os contatos estão notificados?
— Sim querida, só esperando seu momento te agir.
— Ok, ligo para você após a conclusão de tudo. — eu desliguei meu celular e me levantei da cadeira me espreguiçando.

Senti meu corpo um pouco cansado por causa do voo, caminhei até o banheiro, enchi a banheira de espumas e me deitei nela, fiquei alguns minutos de olhos fechados relaxando um pouco minha mente, deixei o celular tocando algumas músicas calma dos anos 90, aquele era meu momento de concentração total.


* POV — *


As horas se passaram e finalmente eu poderia me livrar daquele escritório, graças a John, consegui resolver os últimos detalhes no novo cronograma de trabalho dos funcionário e todas as cargas paralisadas já estavam em ordem para o transporte.

?! — disse John entrando na sala.
— Não me diga que ainda temos trabalho a fazer. — protestei já rindo.

— Não. — ele riu de leve — Tenho algo melhor para este final de noite. — Surpreenda-me.
— Vamos ao Cassino Royal, como esta será sua última noite aqui em Vegas, deixei o melhor para agora.
— Hum, agora me interessei. — me levantei da cadeira, peguei minha maleta e as chaves do carro que tinha alugado.

Demorou alguns minutos até que chegamos ao Cassino, para os clientes mais vip o estacionamento era na parte subterrânea do edifício, estacionei um pouco mais ao fundo e subi pelo elevador especial.

vou te deixar por uns instantes, tenho que encontrar uma pessoa. - disse John já se afastando de mim.
— Espera, John. — eu tentei ir atrás dele, porém minha atenção se voltou para uma funcionária que estava um pouco ao longo.

Ela estava com sua face abaixada, carregando algumas bandejas em sua mão, tinha a aparência de uma senhora, algo me dizia que tinha coisa errada naquela senhora, imprevisivelmente eu reconhecia aquela forma de andar. Eu tentei segui-la por um tempo até que ela entrou pela porta da cozinha, planejei continuar ali esperando para que ela retornasse, eu iria mesmo pará-la e olhar em sua face.

Já não sabia que era somente coisa da minha cabeça perturbada pelas imagens de , ou se realmente eu queria que ela estivesse ali, meu coração a queria naquele momento.

oppa. — disse uma voz feminina vinda de trás de mim.
— Hum?! — eu me virei — Tiffany, o que faz aqui?
— Estou a trabalho oppa, a revista está fazendo um editorial de moda aqui neste cassino, estou feliz por estar aqui.
— Ah. — fiquei um tanto chocado em vê-la ali, não era bem aquele tipo de surpresa boa que eu esperava encontrar em Vegas.
— Sua noiva veio também? v perguntou ela olhando em volta.
— Não, eu somente vim à trabalho Tiffany, estou aqui com um amigo.

Em um momento desviei minha atenção de Tiffany, vi a senhora saindo pela porta da cozinha e entrando no elevador. Eu tentei ir até ela, porém Tiffany me pegou pelo braço dizendo que queria me apresentar à uns amigos que poderia ser possíveis clientes para a transportadora.


* POV — *


Eu já estava em total sincronia com meu plano, dentro do elevador e seguindo para a cobertura do cassino onde se localizava o cofre. Desta vez eu iria roubar uma ficha especial que somente alguns jogadores conseguiram conquistar, a ficha Premium, folheada a ouro 24 quilates com cristais cravejados em sua borda. Para as pessoas normais era somente mais uma ficha, porém para um jogador profissional ou um viciado em poker, aquela ficha representava ostentação e status. E o cliente que havia me contratado queria ardentemente essa ficha, afinal ele não era tão sagaz no jogo para vencer a banca do cassino.

Assim que o elevador parou segui em direção a sala de segurança que ficava também na cobertura, quando entrei dei a desculpa que estava ali para a limpeza leve do local, os seguranças assentiram e me deixaram entrar. Caminhei até o vestiário deles empurrando o carrinho de limpeza e entrei no banheiro, me olhei no espelho e segurei um pouco o riso, aquele disfarce de senhora da limpeza estava um tanto engraçado.

Retirei a roupa do disfarce e a peruca branca, assim como aquela maquiagem que envelhecia minha pele, joguei tudo dentro do vaso sanitário fechei a tampa. Finalmente eu estava como queria, vesti minha blusa regata e meu short preto, retirei o sapato de salto que havia levado para meu disfarce da fuga e coloquei, juntamente com um casaco cinza de tecido fino e maleável. Olhei para o teto e subi na tampa do vaso, me estiquei um pouco até retirar o bloco do forro do teto e o coloquei delicadamente no chão, tomei impulso e pulei me agarrando ao teto, com muito esforço consegui entrar no tubo de ventilação e engatinhando comecei a caminhar pelos dutos na direção que havia traçado para sala das fichas.

Havia sido complicado memorizar aquela planta, mas eu havia conseguido, quando cheguei ao ponto certo, retirei as grades do duto de ventilação e entrei na sala. O espaço parecia uma sala bem luxuosa de uma casa, pela descrição de Dean, aquele lugar era realizado as partidas mais importantes de poker do hotel, as partidas onde somente os jogadores que possuíam a ficha Premium jogava.

Dei alguns passos até a bancada que ficava as fichas, haviam 4 delas todas dentro de uma pequena redoma de vidro. Pequei uma e joguei no chão, logo os cacos de vidro se espalharam, retirei um fino decido de linho do bolso e peguei a ficha com ele embrulhando-a e colocando no bolso novamente. Me virei de leve e vi um boné jogado ao lado da bancada, reconheci o emblema do hotel, com certeza era de um dos seguranças.

Colocando o boné, me virei caminhando em direção a saída, olhei para porta de saída, a maçaneta virou de repente, senti meu corpo congelar no mesmo instante, a porta se abriu e era um segurança. Eu me virei de imediato e abaixei minha cabeça, ele não podia ver meu rosto.

— Ei, moça, não pode estar aqui, é um lugar restrito. — gritou ele.

Eu permaneci em silêncio pensando no que faria para sair daquela situação, ouvi ele relatando algo no rádio, de imediato eu peguei uma pequena escultura que tinha na mesa de centro e lancei na direção da cabeça dele, o homem caiu devido ao impacto, me certifiquei que ele estava bem, e por minha sorte só o tinha desmaiado. Saí da sala tentando manter minha face o mais coberta possível com o boné.

De repente ouvi movimentação de algumas pessoas e olhando para trás alguns seguranças havia virado o corredor, eu entrei rapidamente pela saída de carga dos funcionários e comecei a descer aqueles lances de escadas. Era um pouco mais complicado fugir de salto, mas valeria a pena no final, entrei em um dos andares e vi mais seguranças correndo em minha direção, para minha sorte o elevador de carga se abriu ao meu lado e entrei.

Deixei que descesse até o subterrâneo onde meu carro já estava esperando, quando cheguei saí do elevador e caminhei até um vaso de planta que tinha ao lado da porta, abri a porta de saída para as escadas e vi que vários seguranças estavam descendo, voltei para o hall, retirei o casaco e o boné, jogando-os ao lado do elevador e remexi o vaso da planta.

— Aqui está! — suspirei de alívio pegando o pequeno controle do carro.

Saí no estacionamento e ativando o controle, meu carro começou a se locomover no piloto automático, eu já havia arquivado na memória do piloto a rota que ele faria, aquela seria minha distração para fugir dali sem ser pega. Mas o que eu não sabia era como eu sairia dali de fato, minha alternativa era roubar um carro.

Foi neste momento que ouvi vozes vindo da direção do elevador, guardei o controle no bolso e virei minha face de relance e há poucos metros vi um rosto conhecido mexendo no celular. Pela primeira vez meu coração havia acelerado ao ver um homem, era ele, meu anjo da guarda por acaso, .

— Oi amor. — disse de forma sinuosa me aproximando dele.

Assim que ele levantou sua face, pude ver a surpresa em me ver no seu olhar, e sem que pudesse reagir eu o beijei de forma intensa e doce, ele retribuiu de imediato envolvendo seus braços em minha cintura. Senti meu corpo se arrepiar, estava com medo de que aquele beijo era realmente pelo disfarce ou se eu queria aquilo de fato.



“Mas toda vez que eu procuro uma saída
Acabo entrando sem querer na sua vida.”

— Quem de Nós Dois / Ana Carolina





Capítulo 5


* POV — *


Aquele havia me deixado aquecido, eu estava gostando do fato dela aparecer naquela hora, aquele era a surpresa que eu estava ansiando durante aqueles setes dias em Vegas, estar perto dela me deixava mais vivo e meu coração acelerava com tudo aquilo. Eu me afastei um pouco e fiquei a olhando por um tempo, permanecemos em silêncio até que alguns homens apareceram.

— Casal. — gritou um dele.
— Sim. — eu segurei na mão dela e olhei para o homem — Algum problema?
— Bem senhor . — disse o homem que parecia me reconhecer — Uma pessoa invadiu o hotel e estamos atrás dela. — ele virou seu olhar para .
— Estou aqui com minha noiva e não vimos ninguém passar por aqui. — eu olhei para ela — Vamos querida.
— Vamos.

Eu olhei para o segurança e vi ele se comunicando no rádio com outro homem.

— Foi avistado pelas câmeras um carro em alta velocidade saindo do cassino, temos que ser rápidos. — o homem olhou para mim — Desculpe-nos o incômodo senhor, desejo uma boa noite.

Esperamos até eles se afastarem e desaparecerem, ela me olhou demonstrando não entender uma parte do nosso teatro.

— Senhor ?! - disse ela dando um sorriso de canto — Então este é seu sobrenome?!
— Sim, e agora você sabe. — eu olhei para o carro e suspirei fraco — Posso saber porque eles estavam atrás de você?
— De mim não, sou sua noiva. — ela riu indo até o outro lado do carro e entrando nele.
— Yah. — eu entrei no carro e a olhei — Você sabe do que estou falando.
— Estava em um trabalho.
— Estava roubando o cassino. — eu dei a partida e olhei para frente.
— É o meu trabalho. — ela riu um pouco — Já te disse que te devo minha vida?
— Sim, esta é a terceira vez. — eu sorri de canto conduzindo o carro para fora do cassino — Ainda estou curioso para saber o que roubou desta vez.
— Uma ficha. — ela respondeu num tom desinteressado.
— Você invadiu um cassino para roubar uma ficha? — eu a olhei de relance não acreditando.
— Sim. — ela virou a face para rua olhando os carros.
— Ficha Premium?! — conclui.
— Conhece sobre?
— Meu pai tem uma.
— Meu cliente tem uma agora também. — ela riu baixo.
— Bem, já que te salvei pela terceira vez, preciso que faça algo para mim.
— Hum, o que seria? — ela me olhou.
— Meu irmão acidentalmente disse aos meus pais sobre você, agora preciso te apresentar para eles.
— O que? — ela tossiu um pouco como se estivesse se engasgando — Como? Você poderia ter dito que não estamos mais juntos.
— Eu até pensei nisso, mas meu pai está com problemas de saúde e como ele ficou animado com essa coisa de noiva vindo de mim.
— Entendi. — ela suspirou — Não me custa nada, já que você me salvou pela terceira vez.
— Agradeço.
— Posso saber como eles sabiam quem era você?
— Como eu disse, meu pai tem prestígio aqui, é um dos jogadores vip e amigo do pai dono do cassino.
— Interessante. — ela respirou fundo — Sabe, eu acho que você está me seguindo.
— Acho que é o contrário. — eu ri — Estou em Vegas há uma semana.
— Hum.

Eu estacionei em frente ao hotel que eu ficava, ela desceu do carro e se virou em direção à rua, eu me posicionei ao lado dela e fiquei a olhando, tentei disfarçar um sorriso, mas acho que não consegui.

— É aqui que nos separamos. — disse ela se virando.
— Espera.
— Sim?! — ela se virou e me olhou — Vou para Londres amanhã, queria que fosse comigo.
— Acho que terei uma folga depois que concluir meu trabalho. — ela respirou fundo — Estarei aqui amanhã à tarde, pode ser?
— Não. — eu já não sabia o que estava dizendo, mas não queria que ela fosse — Vamos jantar juntos, tenho certeza que depois de muita adrenalina precise recarregar as energias.
— Acho que posso demorar um pouco mais. — ela sorriu gentilmente.

Seu sorriso me deixava encantado de uma forma inexplicável, entramos no hotel nos dirigindo ao restaurante, quando chegamos nos deparamos uma pequenas festa acontecendo, o gerente se aproximou de nós com um largo sorriso.

— Bem vindo novamente senhor , vejo que está acompanhado.
— Sim, esta é minha noiva. — expliquei a ele.
— Prazer senhorita. — disse ele.
— Igualmente. — ela olhou em sua volta — O que estão comemorando?
— Estamos promovendo um baile a fantasia no restaurante, convido ambos para participarem.
— Ah, não, não tenho boas lembranças com bailes à fantasia. — recusei de imediato.
— Vamos adorar participar. — disse ela segurando em minha mão.

Aquele pequenos gestos vindos dela me deixavam tão desnorteado, me faziam acreditar que era real nosso falso noivado. Após me convencer a participar daquilo, escolheu uma fantasia para mim e outra para ela, era divertido ver aquele lado espontâneo dela, um lado que me atraía ainda mais.

— Então como estou? — disse ela com empolgação.
— Sexy. — respondi de imediato sem saber que outra palavra a definia — Está vestida apropriadamente para seu trabalho.
— A mulher gato sempre foi uma heroína-vilã favorita. — ela riu olhando para a jaqueta preta que estava vestindo.
— E eu como estou? — perguntei meio sem jeito.
— Se o capitão Jack Sparrow te visse, ficaria com inveja. — ela sorriu de canto me olhando.

Nós sentamos numa mesa bem ao centro do lugar e fizemos nossos pedidos. A cada momento que eu olhava para ela sentia meu coração pulsar mais forte, pelo modo como ela agia, a certeza de que não sentia o mesmo por mim era grande. Jantamos bem e conversamos um pouco sobre assuntos variados, ela deixou escapar que tinha um cachorro, isso me arrancou um sorriso de leve.

— Ladys and gentlemans, couples aqui presentes, em instantes realizaremos o casamento coletivo do hotel. — anunciou o gerente.

Eu olhei para ela, estava sem saber como reagiria.

— Estou entendendo seu olhar. — disse ela antes que eu pudesse dizer algo.
— Como assim? — eu ri sem graça.
— Estamos em Vegas não é mesmo?! — ela se levantou me olhado sinuosamente — Quer se casar comigo?

Fiquei ainda mais em choque e sem saber o que responder, eu me levantei e continuei a olhando.


* POV — *


— Vou considerar seu silêncio como um sim. — eu ri de leve, já imaginava que fosse reagir daquela forma, ele ainda era um tanto tímido quando se tratava de mulheres.
— Não sei o que dizer. — disse ele desviando seu olhar para o chão.
— Então não diga. — eu dei um selinho de leve nele e segurei sua mão o puxando para perto do pequeno palco onde seria realizado o casamento coletivo.
— Oh, teremos mais um casal. — anunciou o gerente ao nos ver aproximando — Sejam bem vindos, a todos os casais aqui, existe uma lenda no hotel que diz que todos os casamentos realizados aqui são eternos.

Os casais que estavam lá gritaram como emoção, eu ri um pouco e olhei para .

— Ele diz isso porque não conhece nossa relação. — eu disse.
— Verdade. — ele retribuiu o olhar — Mas com todos estes encontros inesperados, talvez esta lenda se realize em nossas vidas.
— Seria interessante. — eu desviei meu olhar para o palco.
— Atenção, atenção, agora vamos para o momento mais importante. — o gerente segurou o riso — As noivas aceitam estes noivos sem preconceitos e arrependimentos?
— Sim. — eu disse juntamente com as outras rindo de tudo aquilo.
— Aos noivos a mesma pergunta.
— Sim. — respondeu ele junto com os outros rindo também.

Foi divertido me casar em Vegas, a cada momento que olhava para , ele estava olhando para mim, pelo que conhecia bem de sua forma sem jeito de agir com as mulheres eu estava desconfiando que ele estivesse se apaixonando por mim e pela forma como me olhava, eu descuidadamente estava conquistando ele.

Pouco antes do final da comemoração no restaurante, eu saí sem que ele percebesse, tinha meu compromisso para finalizar. Quando cheguei no hotel que estava, me aproximei do gerente e lhe entreguei a ficha embrulhada no tecido como combinado, fui para meu quarto descansar, meu corpo precisava relaxar e minha mente também. Pela manhã esperei na porta do hotel que ele estava como o combinado.

. — disse ele ao se aproximar de mim — Como desapareceu ontem, pensei que não viria.
— Sempre cumpro minha palavra, eu disse que iria com você, não disse?! — sorri para ele e olhei para a rua — Acho que podemos ir então.
— Já finalizou seu trabalho?
— Sim, estou à sua disposição.

Ele sorriu sem jeito e entramos no táxi que nos esperava, assim que chegamos ao aeroporto embarcamos rumo à Londres, sem planejar nada eu iria conhecer um pouco mais da vida de , e isso me deixava ainda mais curiosa.



“Oh sim! Vamos lá!
Não tenha pressa
Por alguma razão meu coração palpita.”

— Love Me right / EXO






Capítulo 6


* POV — *


Assim que o avião aterrissou em Londres, recebi uma mensagem do meu sócio, me afastei de indo até o banheiro. Ele estava preocupado por eu ter viajado sem dizer o roteiro, enviei outra mensagem a ele dizendo onde estava e com quem estava, a essa altura da situação, Dean já sabia de toda a história maluca que rolava entre e eu.

Quando voltei do banheiro, já estava acompanhado do seu irmão mais novo Sam, respirei fundo e entrei no personagem.

— Demorei muito? — perguntei ao me aproximar.
— Oh, não. — sorriu meio sem jeito — Nossas malas já estão no carro, vamos?
— Claro. — me virei para Sam — Que bom te ver novamente.
— Igualmente, cunhadinha. — ele sorriu de leve.

Caminhamos até o carro e deu a partida, combinamos dele me deixar no hotel onde ficaríamos e seguir para a empresa do pai. Não me importava de passar a tarde sozinha, tinha mesmo que fazer minhas ligações para o meu sócio Dean. Quando entrei na suíte presidencial reservada para nós, me surpreendi com o luxo do quarto, sua decoração clássica e sofisticada eram fascinante.

Little Thief na linha. — disse ao atender meu celular, encostada na porta que dava para a varanda.
Agora você pode me explicar essa história de férias em Londres? — disse Dean ainda desacreditando da minha loucura.
— Já expliquei, passarei algumas semanas aqui em Londres conhecendo a família dele.
Você não está se arriscando demais? — ele tossiu um pouco, estava resfriado — Não o conhecemos para ter este tipo de confiança e até mesmo ligação.
— Fique tranquilo, está tudo sob controle. — eu dei alguns passos para dentro do quarto e olhei para as malas no chão — Sabe que sei me proteger.
Sim, mas sempre vou me preocupar com você. — ele permaneceu em silêncio por um momento — Mas esta sua viagem para Londres pode ser muito bem aproveitada.
— Surpreenda-me. — eu suspirei fraco já imaginando mais trabalho pela frente.
Eu soube por fontes seguras que daqui duas semanas vai acontecer uma exposição surpresa no Alexandra Palace, que reunirá as maiores joalherias do mundo, somente a elite e celebridades serão convidadas e…
— O que devo roubar? — perguntei já o interrompendo.
Já enviei para seu e-mail o catálogo com algumas peças que serão expostas e posteriormente leiloadas, nosso alvo é um raro diamante rosa que estou carinhosamente apelidando de Pink Panter. — ele riu.
— Como no filme? — eu ri junto já imaginando que não seria fácil.
Basicamente, já temos contato dentro da organização do evento, então dentro de dois dias receberá a planta do lugar.
— Você adora me dar este tipo de serviço.
Um ponto positivo, já confirmei a lista de convidados e sua nova família está nela.
— Então já temos meu álibi. — conclui.
E sua rota de fuga também, logo terá todas as informações que necessita, entrarei em contato novamente dois dias antes da exposição.
— Posso saber se já temos um comprador?
Quer saber quanto vai ganhar? — ele riu.
— Querido, minha cabeça vai estar a prêmio neste evento, tenho certeza que outros também vão tentar roubar.
Fala de Caius?
— Aquele traidor sempre desejou ter meus roubos, mas vamos ao ponto, depois que analisar tudo lhe mandarei meu valor.
Ficarei a espera.
— Muito bom, agora vou desligar, preciso descansar e me preparar para esta noite, vou conhecer meus sogros.
Ainda não acredito que se casou em Vegas.
— Nem eu. — eu ri desligando o celular.

Peguei minha bolsa e ajeitei meu cabelo ao me olhar de relance no espelho, saí pelas ruas de Londres olhando as vitrines até que parei em frente à loja da Prada, os pelos do meu corpo se arrepiaram no exato momento em que meus olhos fixaram em um sapato preto de solado vermelho, acho que minhas pupilas até dilataram na hora.

Respirei fundo tentando me controlar e entrei na loja, uma vendedora se aproximou, demorei alguns minutos para finalizar a compra, pois outros dois sapatos estavam me namorando desde o momento em que entrei na loja, não me importava muito com que roupa eu iria, mas o sapato teria que ser arrasador.

Quando retornei ao hotel, deixei meus pacotes em cima da poltrona ao lado da cama e caminhei em direção ao banheiro. Aproveitaria o máximo daquela banheira cheia de espumas, fechei meus olhos e deixei meu corpo relaxar.


* POV — *


Assim que a deixei no hotel, fui para a empresa, Sam voltou para casa de táxi. Meu pai já estava à minha espera em sua sala. Ao entrar o vi falando ao telefone, mal havia tido alta do hospital e já estava no trabalho, tinha receio que sua saúde piorasse.

— Ah, . — ele me olhou ao desligar o telefone — Que bom que chegou, estava conversando com John, ele me contou sobre como resolveu os problemas em Vegas com precisão.
— Aprendi com o senhor. — eu sorri de canto o olhando — Mas não deveria estar aqui pai, ainda está se recuperando.
— Eu sei, mas tinha que vir se não enfartaria novamente sem notícias.
— Não se preocupe pai, estou aqui para resolver tudo.

Nós conversamos um pouco e ele afirmou estar empolgado em conhecer minha “noiva”, dei um suspiro fraco na hora. Saímos da empresa e o levei para casa, ao entrar na mansão, fui recebido com um abraço pela minha mãe, ela estava feliz em me ver e com saudades de mim.

— Estou tão contente por estar de volta em casa. — ela me apertou um pouco mais em seus braços.
— Mãe, assim não consigo respirar.
— Deixa de ser fracote. — brincou Sam.
— Yah, mamãe é muito forte. — eu ri.
— E sua noiva? Não veio? — perguntou ela.
— Calma mãe, ela virá logo mais à noite. — eu respirei fundo e olhei para ela — E como estão os preparativos para o aniversário de casamento do casal?
— Tiffany está me ajudando. — ela suspirou fraco — Fico triste que você não esteja com ela, mas tenho certeza que sua noiva deve ser tão gentil quanto.
— Desde quando Tiffany está aqui? — eu achei estranho, pois havia visto ela no cassino.
— Ela estava aqui em Londres me ajudando nos preparativos, mas teve que ir para Vegas por causa do pai ou algo do tipo, mas ela estará no jantar.
— Ah, entendi.

Ficamos conversando por um tempo, relevei um pouco as brincadeiras de Sam sobre minha “noiva” e de como eu era sortudo por uma garota bonita como ela querer ficar comigo. Minha mãe nos fez um lanche para o café e ao final da tarde voltei para o hotel, tinha que tomar um banho e trocar de roupa para o jantar.

Quando entrei na suíte do hotel que tinha nos hospedado, me paralisei ao vê-la ao lado da porta que dava para varanda, com um vestido preto básico que valorizava um pouco suas curvas e um sapato preto, ela se virou para mim e ficou me olhando.

— Boa noite. — disse ela dando um sorriso presunçoso.
— Boa noite. — respondi quase sussurrando.
— Está um pouco atrasado. — ela riu.
— Me dê dez minutos.

Era engraçado quando agimos daquela forma sozinhos, deixava tudo mais real em nossas vidas. Eu me dirigi para o banheiro, tomei uma ducha rápida e coloquei o terno que havia reservado para mim. Em poucos minutos eu já estava estacionando o carro em frente a mansão, respirei fundo ao sair e olhei para ela novamente, sabia que depois daquela noite teria que supostamente terminar tudo entre nós dois, mas não queria, eu estava me apaixonando por ela.

— Pronto para mais uma atuação? — ela riu de leve.
— Prometo que será a última. — eu desviei meu olhar para a porta.
— Que pena, eu estava me divertindo tanto. — ela riu, deixei escapar um sorriso de canto.

Assim que nos aproximamos da porta, minha mãe a abriu de imediato com um largo sorriso.

— Boa noite mãe. — eu sorri de leve — Esta é .
— Oh, é um prazer te ver. — minha mãe a abraçou no impulso — Estava curiosa para te conhecer.
— Ah. — ficou meio paralisada — Digo o mesmo senhora.
— Não, não me chame de senhora. — ela sorriu — Pode me chamar de Mary.
— Como preferir. — me olhou, percebi um pequeno brilho em seus olhos.

Entramos e meu pai veio em nossa direção, após alguns elogios para ela, dizendo que sua beleza era um tanto única e que não se parecia com as minhas ex-namoradas, fiquei um pouco constrangido por isso. Logo minha mãe a puxou para o fundo da sala para apresentar as suas amigas, senti um pouco de ciúmes na hora, afinal a partir daquele momento teria que dividir a atenção dela com minha família.


* POV — *


A mãe de era simpática e muito meiga, eu estava me sentindo à vontade entre aquelas pessoas, era a primeira vez que estava em uma festa de família, me sentindo uma pessoa normal. Porém estava me sentindo um pouco incomodada também, havia um homem me observando de mais, eu desviava meu olhar para ele às vezes cautelosamente como se estivesse procurando . Aquilo me preocupava um pouco, o rosto daquele homem misterioso era familiar para mim, porém não me lembrava de onde eu o conhecia.

— Posso roubar minha noiva por um instante? — disse ao se aproximar.
— Não demore muito, estávamos em uma conversa muito agradável. — disse minha mãe.
— Omma, a noiva é minha. — ele pegou em minha mão e me puxou em direção a saída para o jardim de inverno na lateral direita da mansão.

Eu não sabia o que ele estava tramando, mas estava feliz em sair das vistas daquele homem misterioso.

. — eu o olhei.
— Aqui está mais tranquilo, pensei que você fosse surtar com tantas perguntas e fofocas delas.
— Sua mãe e as amigas dela são bem simpáticas. — eu sibilei um pouco escolhendo minhas próximas palavras.
— Pelo pouco que te conheço, está parecendo preocupada.
— Não é nada. — eu respirei fundo — Mas obrigada por me trazer aqui, este jardim é lindo.

Ficamos nos olhando por algum tempo até que seu celular começou a tocar, ele me deixou por um instante para atender a ligação. Não demorou nem dois minutos para que o homem entrasse no jardim com uma taça de champanhe na mão direita me olhando.

— Olha quem está novamente cruzando meu caminho. — ele sorriu de canto.
— Me desculpe senhor, o que disse? — eu o olhei me fazendo de desentendida.
— Não seja tão sínica, depois de muito tempo, te encontrei, justo aqui. — ele colocou a taça na mesa que estava perto da porta e se aproximou de mim — Agora poderá me devolver o que tirou de mim.

Senti meu corpo congelar na mesma hora, não sabia o que fazer e nem como reagir aquela acusação, se eu o enfrentasse colocaria tudo a perder, se eu negasse poderia ser pior, eu estava me lembrando do seu rosto, mas não me lembrava o que havia roubado dele.

— Eu não sei do que está falando. — dei um passo para trás.
— Sabe sim. — ele segurou forte em meu braço — Vai me devolver tudo, ou eu acabo com você Cassie.

Cassie, eu me lembrava daquele nome, era o nome que eu usava em alguns roubos específicos, tentei empurrá-lo para longe de mim, começando a pedir desesperadamente que me soltasse, porém a cada tentativa ele me segurava ainda mais forte me machucando ainda mais.


“Não posso dar um passo para trás nesse caminho sem fim
Woo woo woo, não se abale
Não posso cair nesse momento de confusão
Woo woo woo, há somente uma chance.”

— One Shot / B.A.P





Capítulo 7


* POV — *


Não poderia me desesperar naquele momento, pensei até que não conseguiria me salvar, mas então, uma mão empurrou ele para longe de mim, era meu anjo. o socou agressivamente, o derrubando no chão e segurou minha mão em seguida.

— Nunca mais toque nela. — disse ele num tom alterado e agressivo.
— Me desculpe, eu a confundi com uma outra pessoa. — o homem limpou o sangue que estava escorrendo com a mão direita e me olhou como se não estivesse convencido.
— Vamos , só foi um mal-entendido. — estava aliviada por ter continuado com minha representação e por ele ter aparecido bem na hora.
— Está avisado Davi. — ele entrelaçou nossos dedos e me puxou consigo para fora do jardim.

Permaneci em silêncio, não sabia nem mesmo como agradecer ele, estava aliviada demais para pensar nestes detalhes.

— Depois conversaremos sobre isso. — sussurrou ele num tom sério.
— Como quiser. — sussurrei de volta assentindo com a face de leve, eu não devia nenhuma explicação para ele, mas queria me explicar.

O restante da noite foi um pouco tranquilo, Davi ainda me olhava de longe como se estivesse marcando minha face em sua memória, Tiffany também apareceu um pouco antes do jantar ser servido, Sam deixou escapar que ela era a preferência de Mary para se casar com , me senti desconfortável ao ouvir isso. O jantar foi muito saboroso e a senhora Mary me convenceu a me sentar ao lado dela, suas amigas continuaram contando algumas histórias do passado de , e seus amigos de infância que estavam presentes também.

No final da noite resolveu que ficaríamos na mansão, após todos se recolherem, fomos para o quarto dele. Ficamos nos olhando por um momento, eu estava evitando aquela conversa que me fora prometida, acho que ele estava escolhendo as melhores palavras para que eu não fugisse da resposta.

— Sei o que está pensando. — disse a ele.
— Não, você não sabe. — ele cruzou seus braços e se encostou de leve na escrivaninha ao lado da cama.
— O que aconteceu hoje está no meu passado. — expliquei a ele sem rodeios e detalhes.
— Não tenho nada a ver com seu passado, mas só estas palavras não são suficientes para mim. — seu olhar estava sério e sua voz amarga.
— Isso está parecendo até uma DR de casal. — passei a mão direita em meus cabelos desviando meu olhar para janela — Há cinco anos roubei uma senha de um cofre de Davi, me parece que ele gravou meu rosto, ou alguma característica minha.
— O que você roubou dele?
— Uma fórmula de um remédio, que futuramente renderia milhões para ele. — eu respirei fundo e o olhei, sua face continuava séria — Como eu já lhe disse antes, este é meu trabalho, você sabe que eu não sou uma garotinha inocente.

Ele desviou seu olhar para o chão, permanecendo em silêncio, não sabia mais o que dizer, nem acreditava que estávamos passando por aquele clima de casal em briga, não tínhamos que dar satisfação um ao outro, mas estávamos tão envolvidos que realmente parecia real nosso relacionamento.

— Você já me salvou de diversas formas diferentes, devo minha vida a você, e por isso não vou mais te colocar, nesta situação. — me virei em direção a porta, estava tomando coragem para sair daquela mansão naquele momento.
— Espera. — ele segurou em meu braço me virando para ele — E se eu quiser estar nessa situação?
— Seria louco. — desviei meu olhar para janela, não queria encará-lo.
— Sempre fui. — ele me beijou de surpresa, envolvendo seus braços em minha cintura.

Aquela poderia ter sido uma noite memorável de consumação do nosso eventual casamento em Vegas, porém uma ligação do meu sócio interrompeu todo o nosso clima. Eu deveria me focar no meu próximo trabalho e seria mesmo uma distração que eu estava disposta a encarar.


* POV — *


Ela estava certa, eu sabia quem ela era e o que fazia, não tinha direitos de ter ficado daquela forma, mas algo positivo consegui tirar de tudo aquilo, pela primeira vez ela tinha sido sincera comigo de uma forma espontânea. Passei a noite em claro vendo ela conversar com seu sócio misterioso, me parecia concentrada em algo muito importante, possivelmente mais um roubo.

As horas se passaram, o gerente do hotel mandou nossas malas a meu pedido, iríamos ficar na mansão com meus pais. Era divertido ver o quanto minha mãe se entusiasmava com , estava feliz por que até meu pai havia se animado mais em seus dias de recuperação.

Mais dois dias se passaram e curiosamente mexi no notebook de que estava aberto em cima da cama. Era um arquivo em pdf com um catálogo de joias, naquele momento entendi o que e onde seria o próximo roubo dela.

— Não sabia desse seu lado . — disse ela ao entrar no quarto segurando duas xícaras de chá em suas mãos.
— Deixe-me adivinhar, diamante rosa? — a olhei.
— Está tão óbvio assim? — ela esticou uma xícara para mim.
— Será a peça mais cobiçada da noite. — peguei a xícara.
— Vai me ajudar? — ela se sentou na cama tomando um gole do chá.
— Por que eu deveria? — sorri de canto.
— Acho que mereço um presente de casamento. — ela riu com malícia.
— Seu nome já foi incluído na lista dos convidados se é isso que queria.
— É claro que sua noiva não poderia ficar em casa. — ela tomou mais um pouco mantendo seu olhar em mim.
— Como pretende roubar aquilo, o evento vai estar com o dobro de seguranças.
— Se contar não vai dar certo, não conto nem mesmo para meu sócio.
— E por falar em seu sócio, que dia vou conhecê-lo?
— Está com ciúmes? — ela abaixou a xícara, seu olhar era de uma predadora.
— Por que estaria? Tenho motivos? — sorri de canto e me aproximei mais.
— Ah. — disse minha mãe ao entrar pela porta — Estou atrapalhando?
— Não senhora, quer dizer Mary.
— Ah, que alívio, quero te mostrar algumas fotos.
— Vou adorar ver.

saiu do quarto rindo, demonstrando empolgação com tudo aquilo, ela tratava minha mãe com gentileza e simpatia, e seu sorriso estava sempre natural. Passaram as semanas e a cada momento ela se envolvia ainda mais com minha família, até mesmo minha avó havia gostado dela, inacreditável como ela representava bem, ou não tão bem assim, pois haviam momentos que parecia verdadeiro.


* POV — *


Finalmente havia chegado o dia do evento, estava em frente ao espelho me preparando psicologicamente para o que eu iria fazer e fisicamente também, teria que sair tudo minunciosamente perfeito como eu tinha imaginado. Dean havia descoberto que mais dois ladrões estavam de olho no diamante e eu não deixaria que eles pegassem antes de mim. Meu plano era um pouco complexo, mas bem estruturado, faria de uma forma que ninguém iria descobrir um roubo. Desta vez cheguei pela porta da frente, ao lado de e sua família, fiquei os primeiros vinte minutos andando pelos corredores dos estandes com Mary, tinha que ser vista com ela para meu álibi funcionar.

Foi neste momento que meus olhos encontraram um sapato todo cravejado de cristais Swarovski, meu coração acelerou na hora, eu teria que obter aquele sapato para mim, de alguma forma aquele sapato seria meu. Fechei meus olhos me concentrando, instantes depois aproveitei que Mary estava distraída olhando uma gargantilha de esmeraldas e me afastei dela cautelosamente em silêncio, fui mais que depressa em direção a área dos funcionários. Precisava ser rápida com tudo aquilo, pois já tinha avistado um concorrente meu no meio dos convidados.

Entrei em uma das portas onde estava o ponto cego da câmera mais próxima e caminhei até o vestiário masculino. Dean havia conseguido uma chave de um dos armários para mim, troquei minha roupa em menos de cinco minutos e coloquei um boné e um bigode para completar o disfarce e coloquei o vestido dentro do armário para meu retorno. Antes sair do vestiário, peguei uma caixa de ferramentas que estava ao lado da porta, caminhei até a sala de preparo onde organizariam as peças a serem leiloadas em pequenas caixas de vidro.

Haviam algumas pessoas trabalhando no local, me desviei de algumas seguindo em direção a sala onde estava o Pink Panter. Disfarçadamente peguei o cartão de acesso do bolso de um dos seguranças quando esbarrei nele e segui direto pelo corredor até a sala, quando cheguei em frente, lá estava meu primeiro concorrente, sorri de canto olhando aquele patético cheio de instrumentos tecnológicos tentando descobrir como abriria a porta.

— Por que não deixa uma profissional fazer isso? — disse a ele com um sorriso de canto debochado.
— Hum. — ele se virou, estava surpreso em me ver ali — Little Thief.
— Fish, está muito longe da água. — começamos a nos tratar pelos nossos nomes de profissão, Fish era um antigo aprendiz de Dean.
— E você da escola. — ele olhou para trás e viu que vinha dois seguranças.
— Ei você. — um dos seguranças gritou para Fish.
— Senhor, ele está tentando entrar à força. — engrossei a voz de leve gritando para eles.
— Você me paga. — Fish juntou suas coisas e saiu correndo.

Os seguranças acionaram a central, eu me comprometi a ficar até que o responsável chegasse, enquanto eles foram atrás de Fish. Aproveitei o momento para passar o cartão roubado na fechadura eletrônica da porta e entrar. No meio da sala estava o cobiçado diamante rosa. Eu teria que ser precisa neste momento, pois ele estava ligado a um alarme de segurança, respirei fundo retirando uma relíquia perfeita e fiel ao formato e cor do diamante do bolso e em milésimos de segundo fiz a troca, prendi a respiração no susto pensando que o alarme tocaria, mas deu certo minha troca.

Coloquei o diamante verdadeiro no bolso da calça e saí, ao fechar a porta e me virar dei de cara com uma ex-amiga que também estava lá pelo diamante.

— Sabia que estaria aqui hoje Little Thief. — disse ela num tom esnobe — Presumi que Fish não conseguiria ganhar de você e esperei que fizesse o trabalho sujo.
— A quanto tempo Sery. — lancei meu olhar — Foi bom te ver, mas tenho que ir.
— Não tão fácil assim, este diamante sairá daqui comigo.

Respirei fundo, sabia que não seria fácil, assim como eu e Fish, Sery também havia sido treinada por Dean, porém como eu era a melhor, ela havia sido dispensada. Ela avançou partindo para cima de mim, me desviei no susto e começamos a lutar, ela estava um pouco mais rápida e habilidosa pelo que eu lembrava de nossos treinos juntas. Talvez fosse por minha causa que certamente estivesse praticando mais, afinal, de todos os sete aprendizes de Dean, eu sempre me destacava mais.


* POV — *


Eu a estava procurando há um tempo, tinha certeza que já estava praticando seu roubo, de repente o alarme de segurança começou a tocar, senti um frio na espinha pensando que haviam pegado ela. Meus olhos percorreram a multidão até que avistaram quem eu tanto procurava, ela estava parada em um canto olhando fixamente para um sapato, seus olhos brilhavam com intensidade, sem que percebesse me aproximei dela e fiquei ao seu lado.

— Finalmente me encontrou. — disse ela num tom previsível como se soubesse que eu a estava procurando.
— Então sabia minha posição. — eu ri baixo.
— A profissional aqui sou eu. — ela olhou para as pessoas confusas pelo alarme.
— Temos que sair daqui. — a adverti.
— Tenho mais um objeto de desejo em vista. — ela voltou seu olhar para o sapato.

Em uma fração de minutos as coisas começaram a sair de controle no salão, pois um homem apareceu correndo no meio da multidão fazendo com que todos os seguranças se concentrassem naquele lugar. Eu peguei ela pela mão e a puxei comigo, tentou se soltar, certamente ela aproveitaria a confusão para roubar o sapato que tanto queria, porém eu a retirei do lugar antes que pudesse pensar em como se livraria de mim.


“A resposta é você
Minha resposta é você
Eu te mostrei tudo de mim
Você é o meu tudo, eu tenho certeza
Eu serei mais cuidadoso e te protegerei
Então o seu coração nunca será machucado
Eu nunca me senti assim antes
Como se minha respiração fosse parar.”

— My Answer / EXO






Capítulo 8


* POV — *

Mantive silêncio todo o caminho, estava tão chateada por não ter conseguido pegar o sapato que tanto queria, não conseguia nem olhar em seu rosto pela raiva. Mantive minha atenção na rua todo o caminho, antes de voltarmos para casa, passamos em uma banca de jornais que funcionava 24 horas, aquele era meu endereço de entrega do pacote, não dei muitas explicações para , estava zangada com ele.

— Boa noite senhor. — disse ao me aproximar da banca.
— Little Thief. — disse o senhor.
— Aqui está o pacote desta noite. — retirei o tecido embrulhado e entreguei a ele — Diga ao Dean que espero a ligação dele.
— Claramente senhorita. — ele pegou o tecido embrulhado com o diamante e colocou em um caixinha de madeira.

Eu me despedi do contato e voltei para onde estava o carro de , seguimos para a casa dos seus pais.

— Não vai mesmo falar comigo? — perguntou ele assim que entramos no quarto.
— Não. — caminhei até a janela e mantive minha atenção na rua.
— Está tudo bem? — ele insistiu.
— Não. — eu respirei fundo pedindo a Deus para ele não dizer que era somente um sapato.
— Esta noite eu dormirei no sofá, como fazem os casais normais?

Eu o olhei séria e inexpressiva, não conseguia ficar com raiva a ponto de jogar ele pela janela, mas ninguém além de mim entendia meus sentimentos pelos sapatos que tanto me despertava interesse. Resolvi não dizer nada e desviei minha atenção para rua. Ele saiu do quarto sem insistir mais.

Eu não podia ficar chateada com ele com tanta intensidade, e nem deveria, comecei a rir ao me lembrar da sua pergunta sobre dormir no sofá. Gostaria de saber quando que nosso relacionamento falso chegou a este nível de realidade, era engraçado aquilo tudo. Depois de alguns minutos ele entrou novamente no quarto com uma sacola, colocou em cima da cama e encostou na parede cruzando os braços, me olhando.

— O que é isso? — eu olhei para a sacola.
— Abra e veja. — sua voz parecia provocativa e sinuosa.
— Hum. — eu andei tentando não demonstrar curiosidade, olhei de leve tinha uma caixa, me paralisei por um instante e retirando, abri a caixa — Não acredito. — meus olhos brilharam ao ver aquele sapatos cravejados de cristais Swarovski, que eu havia desejado durante toda aquela noite — Você comprou os sapatos.
— Presente de casamento. — ele sorriu de canto caminhando em minha direção e me beijou com um pouquinho de intensidade.

Aquele beijo havia me pegado de surpresa, era uma sensação intensa que foi interrompido pelo toque do meu celular, era meu sócio Dean, saiu do quarto para me deixar mais à vontade.

Little Thief na linha. — disse ao atender, colocando no viva voz.
— Encomenda entrega pontualmente, depósito concluído. — ele tossiu um pouco — Você foi espetacular como sempre.
— Obrigada, três semanas desta vez. — eu ri — Preciso de um tempo para mim.
— Pretende aproveitar a lua de mel? — ele riu.
— Não foi real.
— Me parece muito real. — ele tossiu um pouco — Mas, sobre as três semanas.
— Nem continue essa frase. — eu respirei fundo — Assim que soube que eu vim para Londres me jogou o Pink Panter.
— Você está na Europa e o cliente ofereceu o dobro do valor para operações urgentes. — ele explicou — Posso te garantir que este é mais fácil que os últimos.
— Onde e o que?
— Está interessada? — ele riu — É a melhor e sabe que só dou para você as melhores missões.
— Claro, de todos os sete só te sobraram dois e seu primogênito não tem tanta destreza assim. — eu suspirei — Quanto ao grau de interesse, depende da sua resposta.
— Será em Portugal, seu alvo uma medalha escondida no templo dos antigos cavaleiros templários.
— Terei que ser caçadora de relíquias desta vez também? — eu ri.
— Por isso dobrei o valor.
— Desta vez envie as informações para meu tablet, quando devo embarcar?
— Amanhã à tarde.
— Te ligo do aeroporto então.
— Seu voo já está reservado.
— Só mais uma coisa, eu encontrei Fish e Sery no evento, acho que eles estão trabalhando juntos, apesar de eu ter encontrados eles separadamente.
— Como assim?
— Não sei explicar, mas pensando mais claramente acho que Fish estava lá para causar distração. — respirei fundo.
— Enquanto Sery pegava nosso diamante.
— Basicamente.
— Conversaremos sobre isso depois.

Eu desliguei o celular e sentei na cama, só desejava pelo menos trinta dias de descanso, mas Dean em geral nunca permitia mais que duas semanas, olhei para a porta e lá estava me olhando de braços cruzados, ele ficava mais charmoso naquela pose.

— Está aí a muito tempo? — perguntei.
— Quer saber se ouvi a conversa toda?
— Não exatamente, mas... — eu ri de leve — Interprete como desejar.
— Eu não pretendia ouvir nada, mas esqueci meu celular na escrivaninha então, ouvi a parte sobre Portugal.
— Hum. — eu me levantei da cama — Bem, como ouviu, partirei amanhã.
— Então acho melhor descansar. — ele se virou e saiu do quarto.

Parecia um pouco dramático seu tom de voz e seu olhar triste, mas era meu trabalho e não tínhamos nada real mesmo, não me deixaria sentir culpada por ir tão cedo.

* POV — *

Não queria que ela fosse tão cedo, mas como o combinado ela estava ali para conhecer meus pais, já tinha cumprido com o combinado e não me devia mais nada afinal. Porém isso não diminui o fato que eu não aceitava que ela fosse assim tão rapidamente, desci as escadas e entrei no escritório, para minha sorte estava vazio, me deitei no sofá e fechei meus olhos.

A imagem dos olhos de brilhando ao ver o sapato logo veio em minha mente, eu sorri de leve espontaneamente, em pouco tempo aquela mulher havia se tornado alo significativo em minha vida, mesmo nosso relacionamento não sendo real, eu conseguia sentir uma pequena verdade naquilo tudo sempre que estávamos perto um do outro.

— Sem sono meu filho. — perguntou meu pai da porta.
— Pensando. — abri meus olhos e o olhei — E o senhor?
— Tomando meu remédio. — ele riu — Sua mãe nunca me deixa esquecer.
— Isso é bom. — eu me levantei me sentando e ele se sentou ao meu lado.
— Sabe filho, tenho pensado muito esses dias, vendo você com sua noiva me fez perceber que meu segundo filho cresceu e se tornou um homem.
— É o que parece. — eu desviei meu olhar para o chão, sempre ficava sem saber como reagir quando inseriam a nos assuntos, era uma falsa realidade que me preocupava.
— Gostaria que seu irmão tivesse seguido pelo menos uma parte deste caminho e não se jogado em um hospital por mais de 24 horas seguidas.
— Ele gosta da sua profissão e ser médico não é tão ruim assim. — eu sorri de leve — Eu estou aqui agora pai, como prometi vou cuidar dos assuntos da família.
— Até que eu me recupere. — senti um pouco de tristeza em sua voz.
— Talvez até depois disso, eu gostei do que fiz em Las Vegas, no porto, talvez tenhamos que mudar algumas coisas na empresa, mas acho que não será tão ruim assim seguir seus passos.
— Você não imagina o quanto me deixa orgulhoso de suas palavras. — ele me olhou — Estou feliz que tenha encontrado uma mulher como , ela me parece uma boa moça, é educada e bonita, conquistou a simpatia de sua mãe.
— Sim.
— Querido. — disse minha mãe ao chegar da porta — Vamos dormir, você precisa descansar, tivemos momentos turbulentos nas últimas horas.
— Sim. — ele se levantou — Boa noite filho.
— Boa noite. — eu olhei para minha mãe que sorriu de leve para mim.

Eu também estava feliz por ter em minha vida, só não sabia até quanto ela iria permanecer, mas eu iria tentar aproveitar cada segundo ao seu lado. Na manhã seguinte assim que acordei ouvi alguns barulhos vindo do banheiro, ela já estava acordada se arrumando, suas malas fechadas ao lado da porta e sua bolsa em cima. Ela saiu do banheiro já com a roupa trocava e inteiramente agasalhada.

— Seu vôo não seria à tarde? — perguntei.
— Foi antecipado, já conversei com seus pais dizendo do meu imprevisto de trabalho.
— Trabalho? — eu me levantei meio assustado, não imaginava o que ela tinha inventado a eles — O que disse?
— Calma, não precisa ficar assim. — ela riu — Eu disse a eles que trabalho como fotógrafa para uma editora americana, do tipo que viaja bastante atrás de boas fotos para editoriais de viagens.
— Fotógrafa? — ele parecia mais surpreso ainda.
— Sempre achei interessante essa profissão e foi a primeira que me veio a mente. — ela parou por um momento e olhou para a mala — A primeira que teria lógica viajar muito.
— Quer que eu te leve ao aeroporto?
— Se for incômodo. — ela sorriu de leve.

Peguei suas malas e levei para o carro, após tomarmos o café da manhã com meus pais e Sam, eu a levei ao aeroporto. Ao chegarmos eu a acompanhei até o balcão de informações, ela pegou sua passagem já trocada os horários com a coordenadora responsável. Esperamos alguns minutos até que anunciaram seu vôo, a levei até a plataforma onde embarcaria e me despedi, parecia que nunca mais iria vê-la novamente.

“Acredito que ainda podemos voltar
Agora, um, dois, nós contamos os segundos, como medimos a distância.”

— Thunder / EXO



Capítulo 9


* POV — *

Assim que desembarquei no aeroporto, recebi uma ligação de Dean, eu já havia lido todas as informações recebidas. Ele ainda estava preocupado com minha aproximação de , mas como eu sempre dizia, estava tudo sob controle.

Fiz o check in no hotel reservado para mim e descansei um pouco no quarto. Para Dean era um trabalho fácil, mas não seria tão fácil assim encontrar uma pequena medalha perdida nas paredes daquele templo. Dormi um pouco antes das dez da noite, tinha que relaxar e manter minha concentração. Acordei um pouco antes do amanhecer para revisar o mapa do templo, meu destino era o Castelo de Almourol no distrito de Santarém, o castelo que era o templo dos cavalheiros no passado, ficava em um pequena ilha em um ponto do rio Tejo.

A localização era fácil e a vista do lugar era linda. Dean havia me inscrito em um grupo de turistas, seria meu álibi para entrar e sair sem despertar qualquer tipo de suspeita, o grupo era um pouco grande então minha ausência não seria muito notada. Assim que entramos analisei todas as câmeras que da entrada e das laterais, eu me senti incomodada no início, pois havia um homem que sempre passava por mim me olhando como se estivesse analisando meus movimentos, eu tentei disfarçar e assim que este misterioso homem desviou sua atenção para o guia, eu me afastei do grupo e entrando pelos corredores.

Não tinha a localização exata da medalha, só uma imagem dela no celular enviada por Dean e a certeza que estava em alguma parede do castelo, meu maior desafio naquele trabalho não era habilidade e nem velocidade e sim a sorte de encontrar a medalha antes do final da expedição do grupo de turistas.

Andei um pouco em círculos tentando não me desesperar, por duas vezes um guarda me parou para perguntar se eu estava perdida. Eu estava começando a ficar meio desesperada e sem motivação para concluir aquele trabalho, não conseguia ligar para Dean, pois meu celular não dava sinal.

— Senhorita? — um guarda se aproximou de mim.
— Sim? — eu me virei para ele.
— Está tudo bem? Está perdida?
— Bem, acho que sim, eu estava procurando um lugar que tivesse água e me perdi do grupo.
— Ah, eu te mostro onde pode beber água.

O guarda me acompanhou até a lateral leste do castelo onde tinha os banheiros públicos para os visitantes, eu me afastei dele até o bebedouro e tomei um pouco de água, olhei de relance para o lado, tinha uma fresta do que parecia uma passagem secreta. Olhei para trás e aproveitando que o guarda não estava caminhei até a fresta e empurrei de leve, era uma porta velha e enferrujada. Entrei no corredor, estava um pouco escuro então liguei a tela do celular para iluminar um pouco meu caminhou, fiquei olhando atentamente nas paredes até que em um movimento espontâneo com a mão, meu celular iluminou alguma coisa que refletiu em meu olho.

Me abaixei e olhei com mais cuidado, parecia algo folheado a ouro, sorri de leve e pegando um chave de fenda que tinha escondido na bolsa raspei um pouco a parede e consegui desgrudar o objeto, analisei por alguns minutos e o limpei na barra da calça. Era a medalha que eu estava procurando, a guardei no bolso da calça e retornei pelo mesmo caminho. Para minha sorte quando cheguei na lateral, havia algumas mulheres do grupo entrando no banheiro, aproveitei para entrar junto e me limpei um pouco. Assim que saí do banheiro disfarcei meu olhar na direção do homem estranho que ainda me observava com naturalidade, achava mesmo que eu não tinha observado que ele estava me analisando ou vigiando.

Mantive minha naturalidade e fotografei um pouco os lugares que era permitido fotografar, passaram alguns minutos a mais até que o guia nos organizou para a nossa volta, assim que retornamos para a agência de turismo, o gerente se aproximou de mim.

— Senhorita, espero que tenha se divertido com o nosso passeio. — o homem era alto de cabelos grisalhos e voz suave.
— Ah, sim. — eu sorri de leve — Foi uma ótima oportunidade para minhas fotos e obter mais conhecimento do passado. — levantei minha câmera profissional de leve.
— Posso pedir que me envie estas fotos para que eu possa colocar em nosso mural.
— Ah, claro, com prazer. — eu respirei fundo pensando em como faria aquilo — Só me passar seu cartão.
— Aqui está. — o gerente retirou o cartão do bolso e me entregou.

Ao pegar o cartão eu o virei e lá estava escrito Little Thief, neste exato momento percebi o que ele estava querendo dizer, ele era meu contato para finalizar o trabalho, eu olhei disfarçadamente para o homem que me observava da porta e virando meu corpo ficando de costas, retirei cautelosamente a medalha do meu bolso e colocando em baixo do cartão de visitas do gerente, peguei a caneta que estava em cima da bancada e escrevi um número qualquer lá.

— Aqui, este é meu número, peça a sua assistente para me ligar, se eu ficar com seu cartão não vou lembrar de enviar as fotos e tenho certeza que o cartão vai se perder na minha bolsa.
— Entendo. — o gerente pegou com cuidado e logo colocou no bolso do terno — Foi um prazer ter conosco uma pessoa tão gentil como a senhorita.
— Igualmente, adorei o passeio.

Eu me retirei da agência e peguei um táxi que estava parado na porta, peguei o celular e liguei para Dean, estava preocupada com o fato daquele homem misterioso estar me observando tanto.

— D na linha. — disse ele ao atender.
Little Thief ligando. — eu brinquei — Pacote entregue com sucesso.
— Recebi a mensagem há um minuto. — ele riu.
— Antes que eu diga que quero férias e você me negue novamente, tenho algumas preocupações que quero compartilhar.
— Diga.
— Um homem estava me observando de mais hoje, ele estava entre os turistas do grupo que acompanhei.
— Não seria por sua beleza? — ele riu.
— Não estou brincando Dean, ele estava bem focado em mim.
— Continue agindo naturalmente e descanse.
— Se você me der três semanas eu irei descansar tranquilamente.
— Três semanas? — ele respirou fundo.
— Dean, estou há cinco anos sem férias, sabe quantas coisas já fiz, e muitas quase levaram minha vida.
— Está querendo férias para descansar mesmo ou quer voltar para sua falsa família?
— Não acredito, está mesmo me fazendo essa pergunta?
— Ainda não confio neste .
— Eu já lhe dei o sobrenome dele, faça sua pesquisa e me deixe ter minhas férias, até meu cachorro está cansado das minhas viagens.
— Para demonstrar que me importo com você e que eu não estou com ciúmes, tenho uma proposta definitiva.
— Já estou percebendo que não terei minhas férias.
— Você terá que fazer mais cinco serviços para mim, cinco que não posso entregar para outra pessoa.
— Hum. — eu respirei fundo pensando — Tudo bem, mais cinco serviços e depois quero quatro meses de férias.
— Você que manda Little Thief, transferência concluída.

Eu desliguei o celular ainda contrariada, mas não iria brigar com Dean, ainda mais que ele estava fazendo aquilo tudo para realmente me manter longe de . Pedi ao taxista para me deixar na avenida comercial de Lisboa. Para retirar todo o estresse somente fazendo compras, e depois de alguns passos olhando as vitrines das lojas meu olhar foi em direção a um all star branco de renda, confesso que minha preferência era sempre sapatos de saltos, mas eu também me sentia atraída pelo conforto dos tênis.

Ao contrário das críticas do Dean sobre meu closet de sapatos, eu não gastava todo meu dinheiro neles, mas sempre encontrava algumas solitários nas vitrines que merecia ir para casa comigo. Quando voltei para o hotel, assim que entrei no saguão me esquivei direto para o elevador, aquele homem de mais cedo estava conversando com o gerente do hotel, consegui entrar no elevador sem que ele me visse e chegar ao meu quarto com segurança, mas não sabia como eu iria sair do hotel da mesma forma.

Estava tão preocupada que decidi nem sair do quarto e pedi para enviarem meu jantar, liguei novamente para Dean e o alertei, passamos a madrugada em claro pesquisando sobre este homem, ao amanhecer Dean recebeu uma mensagem de um amigo que reconheceu o rosto do homem. O nome do sujeito era , ele era um importante agente da Interpol, que obviamente estava ali por minha causa.

— Dean, se ele está aqui é por que ele me quer, ele quer a minha cabeça.
— Calma, Little Theif, ele não vai te pegar, não tem provas contra você.
— E Davi? Ele me reconheceu, pode ser uma testemunha.
— E você tem um álibi. — ele tossiu um pouco — Uma família e um emprego de fotógrafa.
— Ah, sim, o álibi que você não confia. — eu bufei — Dean, minha cabeça deve estar a prêmio, e tem pessoas no nosso meio que me odeia.
— Continue fazendo o que você faz de melhor, da sua segurança eu cuido, não se preocupe, está tudo sob controle.
— Vou confiar em você, como sempre. — respirei fundo — Espero que melhor desse resfriado. — desliguei o celular antes mesmo que ele pudesse dizer mais algo.

Arrumei minhas malas e coloquei meu all star novo, eu tinha certeza que ele me daria sorte naquele momento de adrenalina. O motorista do hotel me levou até o aeroporto e assim que peguei minha passagem no balcão, senti uma pessoa me pegar pelo braço.

— Cassie. — disse uma voz masculina.
— O que? — eu me virei, era o homem misterioso, , o agente da Interpol — Me desculpe, mas está me confundindo com outra pessoa.
— Não estou. — ele sorriu de canto — Tenho suas fotos espalhadas pelo meu apartamento, e agora você virá comigo.
— Você tem algum mandado oficial? — aquela voz vinda de trás de mim, a voz que fez meu corpo arrepiar, voz do meu anjo da sorte.
— Quem é você? — perguntou .
, sou o marido dela. — ele pegou em minha mão me afastando do agente, senti meu coração paralisar naquele momento — Seu nome é , ela não é esta Cassie que tanto procura.
, irmão, o que está acontecendo aqui? — um homem se aproximou de nós e logo reconheci seu rosto, de alguns anos atrás.
— Um pequeno problema , que estou resolvendo. — olhou para o agente — Então oficial, acho que temos um engano aqui.
— Que engano. — olhou mais atentamente para mim, sua reação pareceu estar em choque — Oh, .
— Oi, . — eu olhei meio sem graça, nos olhos sem entender como eu conhecia seu irmão e seu irmão me conhecia e sabia meu verdadeiro nome.
— Bem. — engoliu seco tentando manter a calma — Eu devo ter me enganado então, são mulheres muito parecidas.
— Acontece com as melhores pessoas. — eu sorri de leve para ele, não ia deixar passar aquela oportunidade.
— Espero que me desculpem o mal entendido. — lançou um último olhar de vingança e se afastou.

Eu respirei fundo e olhei para , seu olhar estava confuso de alguém que queria respostas, estava surpreso de me ver ali e o mais louco como esposa do seu irmão.

— Eu poderia perguntar o que estão fazendo aqui, mas o meu vôo vai sair em cinco minutos.
— Não se preocupe, teremos muito tempo para conversar, vamos no mesmo vôo que você. — me olhou sério, senti um calafrio na hora.

Me mantive em silêncio em todo o momento, classe executiva, minha poltrona ficava em frente a deles. sempre desviava seu olhar do livro de medicina que estava lendo para mim, já mantinha seus olhos fixos em mim todo o tempo. Queria poder ouvir seus pensamento por um minuto apenas.

* POV — *

Não conseguia parar de olhá-la, dentro daquele avião, a única coisa que passava em minha mente era como e desde quando ela conhecia meu irmão mais velho. Será que ele sabia do lado criminoso da vida de , ou pior, será que ele tiveram algo íntimo no passado deles?

“Vou lutar e procurar você todo o tempo
Eu nunca acreditei nas coisas que são para sempre
Mas se houver você, eu realmente quero acreditar.”

— Black Pearl / EXO





Capítulo 10


* POV — *

Desembarcamos no aeroporto de Londres ao pôr-do-sol e voltamos para a casa dos meus pais, eles ficaram felizes quando entrou primeiro, minha mãe o abraçou forte e bateu em seu ombro, estava feliz por sua volta e triste por ele ter ficado tanto tempo longe de casa.

— Yah, seu filho ingrato. — ela reclamou — Por que me deixa tanto tempo longe de você?
— Desculpa mãe, mas não foi somente eu que fiquei longe de casa. — me olhou.
— Yah, não jogue para cima de mim, eu voltei a mais tempo. — sorri de canto.
— Oh, só não brigo com você , porque quando voltou trouxe uma garota maravilhosa. — minha mãe se aproximou de e a abraçou — Que bom que resolveu voltar querida.
— Sim, terei alguns dias até retornar para Manhattan e minhas fotografias foram rápidas. — explicou retribuindo o abraço.
— Ah, que bom, ficará mais tempo com nossa família. — minha mãe sorriu e olhou para — E quando você nos trará uma garota tão gentil quando ?
— Prometo me casar antes do Sam, satisfeita? — ele de leve.
— Moleque. — meu pai bateu em seu braço direito — Olhe como responde sua mãe.
— Nós vamos subir primeiro. — eu peguei na mão de e subi carregando sua mala na outra mão.

Quando entramos no quarto, tranquei a porta para que ninguém, ou melhor , não nos interrompesse. Eu coloquei sua mala ao lado da porta, e encostei na parede a olhando, encostou na janela e me olhou.

— Está curioso para saber de onde conheço seu irmão? — ela tinha uma forma sinuosa de falar que me deixava maluco.
— Vai me contar? — cruzei meus braços.
— Há cinco anos atrás, meu sócio tinha, como posso explicar, foi o momento em que eu me joguei a fundo nessa profissão, antes eu só era auxiliar de fuga para um outro profissional, então foi na minha primeira missão que conheci seu irmão.
— Na universidade?
— Sim. — ela olhou para a rua e depois para o céu — Eu tinha que pegar algo que era guardado em uma fraternidade onde seu irmão era membro, o alarme assoou e na minha fuga ele me ajudou.
— Devo saber como? — eu a olhei sério.
— Da mesma forma que você, eu entrei no quarto dele por engano achando que era um corredor de acesso a cozinha, estava tudo escuro e não tinha muito tempo para mudar a rota do meu caminho, então vi ele dormindo, retirei parte da minha roupa e deitei ao seu lado e fechei meus olhos cobrindo a cabeça.
— Então sua loucura vem de tempos. — desviei meu olhar para o chão.
— Sim, acho que foi por isso que me senti meio atraída a fazer a mesma coisa quando entrei no seu quarto.
— Presumo que ele te ajudou.
— Sim. — ela respirou fundo — Quando entraram no quarto dele, ele assentiu que estava ocupado e descobriu minhas pernas para mostrar que estava acompanhado. Todos engoliram exceto o vice líder da irmandade, então tivemos que disfarçar um curto namoro, até que eu me transferi para a Universidade de New York.
— Hum. — eu resmunguei e me virei para sair do quarto, ela veio até mim e segurou em meu braço.
— Espera. — ela me olhou — Está tudo bem entre a gente?
— Por que não estaria. — eu me soltei de leve dela — Não existe nada real entre nós.

Eu saí do quarto no mesmo instante, não sabia o que pensar ou o que sentir, o que ela havia me dito tinha acontecido há anos, mas o fato de ter acontecido com me deixava um pouco desconfortável.

— Pensando coisas inoportunas? — perguntou ao se aproximar de mim no escritório.
. — eu o olhei — Por que essas palavras?
— Sobre , não tivemos nada muito profundo.
— Ela me contou tudo. — eu desviei meu olhar para porta.
— Tudo, tudo? — ele tossiu um pouco — Até a parte do trabalho dela?
— Se está falando do fato dela ser uma ladra, foi assim que nos conhecemos. — eu o olhei — Da mesma forma que vocês dois.
— Na sua… — ele segurou o riso — Ela é mesmo muito aventureira.
— Sim. — tive que concordar.
— Mas pelo que pude ver, vocês levaram mais adiante isso.
— Para dizer a verdade estamos em um acordo que beneficia ambas as partes, e eu me transformei no seu álibi perfeito.
— E quando foi que você se apaixonou por ela? — ele me olhou de forma séria.

Aquela pergunta tinha me deixado sem reação, apesar de saber a resposta.

* POV — *

Acidentalmente eu havia ouvido aquela conversa, não acreditava, ou melhor, confesso que já imaginava o interesse dele por mim, e como a forma como ele agia nos últimos dias parecia ciúmes, eu não sabia como reagir aquilo.

— Incomodo? — disse ao entrar.
— Não. — me olhou — Você está com fome?
— Sim. — assenti me encostando na porta.
— Vou preparar algo para nós, quer também ?
— Sendo assim com tanta boa vontade, aceito.

saiu tranquilamente, parecia que ele queria mesmo que eu e ficássemos sozinhos. Eu respirei fundo olhando para que retribuía o olhar segurando o riso.

— Então Little Thief, a quanto tempo. — ele sorriu de canto.
— Sim. — eu caminhei até ele e o abracei — Não imaginava te ver novamente.
— Nem eu, principalmente com meu irmão. — ele me olhou — Então ele sabe também.
— Sim. — eu ri — Acho que sou muito atraída pelos homens da sua família.
— Se atraiu tanto que nos conheceu exatamente da mesma forma. — ele brincou — Será que desta vez vai permanecer para sempre, ou pretende sumir novamente?
— Curioso, mas não sei, não gosto de me apegar. — desviei meu olhar para porta.
— Em outras palavras, Dean não confia em ninguém. — ele segurou em minha mão — Mas e você, o que sente ao estar aqui com minha família?
— Porque você não especifica dizendo o nome adequado? Está com ciúmes do ?
— Eu deveria? — ele me olhou de forma profunda — Acha que ainda sinto algo por você?
— Estou correta em achar que sim? — o olhei retrucando.
— Se for assim, se for. — ele respirou — Como reagiria ao saber que os dois irmãos que te protegeu estão apaixonados por você?
— Está falando por outra pessoa. — eu ri e encostei na mesa que tinha próximo a parede da porta.
— Tenho certeza e acho que você também já percebeu. — ele me olhou sério, eu realmente percebi — Não em respondeu.
— Minha resposta é como eu, puro mistério. — eu sorri de canto — Vamos estou com fome.

Eu sai indo em direção a cozinha, assim como disse a , esta resposta estava se tornando um mistério até mesmo para mim. era um passado que eu fugi para não me apaixonar mais por ele e era um presente que mesmo com medo de se tornar real, e eu insistia em manter em minha vida. Não acreditava que estava começando a viver um dilema, logo eu que nunca tive dúvidas de nada.

? — disse .
— Hum?! — eu o olhei.
— Está tudo bem? — sua face havia preocupação.
— Sim, só pensando nas minhas férias.
— Dean vai te deixar ter férias? — perguntou — Finalmente?
— Sim, depois de longos cinco anos de trabalho duro. — eu sorri.
— Você conhece Dean? — o olhou mais surpreso ainda.
— A história é um pouco mais longa do que parece, mas aos poucos você vai descobrindo que é uma caixinha e surpresa. — ele sorriu de canto e me olhou.

Confesso que sabia de mais segredos meus que e que nossa história foi além do período que mencionei a ele mais cedo. Os pais deles estavam no quarto e Sam havia saído com seus amigos, nos sentamos à mesa e saboreamos os sanduíches que tinha feito para nós. Estava silencioso até que meu celular tocou em meu bolso, retirei e fiquei olhando por um tempo.

— Aposto que é o Dean, mande um abraço para ele por mim. — sorri e levou seu copo de sua a boca, estava um tanto engraçado ver ele meio que mostrando a seu grau de intimidade comigo.
— Pode deixar. — eu me levantei e atendi o celular caminhando para o escritório — Little Thief falando.
— Olá LT, como estamos? — perguntou ele — Alguma novidade?
— Consegui escapar, mas algo me diz que você tem a mão inteira envolvida nisso.
— Eu meio que mudei a rota do avião que estava seu marido. — ele riu — Acho que já deve ter esbarrado em .
— Sim, como soube dele?
— Google é tudo minha criança. — ele riu mais alto — Pesquisei um pouco mais sobre a família de e xeque mate.
— Não vejo graça Dean, como fez para o avião deles… — eu ainda ficava sem entender como Dean conseguia realizar as proezas que realizava.
— Seu marido foi buscar o irmão dele em Paris, fiz o avião se desviar para Portugal.
— Parabéns, funcionou, no aeroporto o nosso querido queria me levar presa me acusando de ser Cassie.
— Hum, a traiçoeira Cassie, sua irmã gêmea que não existe. — ele riu — E por falar em avião.
— Nem continue, já entendi. — eu respirei fundo — Qual minha próxima parada?
— Marrocos baby. — ele tossiu um pouco — Teremos uma missão delicada que envolve sentimentos familiares no meio, uma briga entre irmãos.
— Acho que entendo um pouco sobre isso. — me virei e olhei a porta, lá estava os dois de braços cruzados me olhando, desliguei o celular.
— Outro trabalho? — perguntou .
— Qual o lugar desta vez? — me olhou curioso.
— Só porque sabem um pouco sobre mim, não significa que devem saber tudo. — eu dei um sorriso de canto — Não vou avançar nosso grau intimidade garotos. — eu pisquei de leve e passei por eles na porta, pegou em minha mão.
— Posso subir com você? — sua face ainda séria.
— Ainda somos casados? — retruquei com outra pergunta irônica, soltei minha mão da dele e olhei para — Boa noite, estou mesmo feliz por você aqui.

Eu me afastei em direção as escadas e subi para o quarto, era meu defeito ser enigmática e inexpressiva às vezes, mas adorei deixá-los sem reação.

“Pode até parecer que eu não tenho nenhuma preocupação,
Mas na verdade eu tenho muito a dizer,
A primeira vez que te vi, me senti tão atraído por você.”

— My Answer / EXO





Capítulo 11


* POV — *

Entrei no quarto me espreguiçando, só naquele momento senti sono e um pouco de cansaço em meu corpo, tirei um conjunto de moletom da minha mala e caminhei até o banheiro. Tomei uma ducha quente para relaxar meu corpo, fiquei alguns minutos ali pensando nos meus próximos passos, tinha mais cinco serviços para chegar as minhas férias e agora a volta de a minha vida. Ainda mantinha minha preocupação naquele agente da Interpol, precisava ser ainda mais cautelosa em meu trabalho, definitivamente não me via sendo presa.

— Ah, você precisa se focar mais. — sussurrei para mim mesma voltando para o quarto já vestida.
— Está preocupada? — perguntou , estava sentado na janela me olhando.
— Também, mas não importa agora. — me sentei na cama tranquilamente e peguei meu tablet dentro da bolsa — Imagino que tenha mais milhares de perguntas em sua mente agora.
— Percebi que sua ligação com meu irmão não é tão simples quanto me fez acreditar mais cedo. — ele mantinha seu olhar fixo em mim.
— Como eu disse, eu e seu irmão tivemos que conviver por um tempo. — desviei meu olhar para o tablet, tinha que analisar todos os arquivos enviados por Dean.
— Vai ficar mais quanto tempo?
— Dois dias. — respondi já abrindo o arquivo principal e olhando os relatórios de Dean sobre o que eu roubaria.
— Posso te fazer uma pergunta?
— Não. — eu me levantei da cama e caminhei até ele enquanto segurava o tablet — Não quero ser rude com você, menos ainda ser ingrata por sua ajuda, mas o que temos não é real, então não se sinta no direito de me fazer perguntas.

Antes que ele pudesse reagir a minha resposta eu saí do quarto, apesar de estar me divertindo com todo aquele clima e gostar do fato dele estar interessado em mim, não podia deixar que tanto ele quanto me tirasse o foco e minha concentração. Apesar de ser a melhor no que fazia, a imagem daquele agente da Interpol começou a invadir meus pensamentos constantemente.

— Preciso mesmo de férias. — sussurrei ao sair para o jardim e me sentar em uma cadeira de balanço, voltei a analisar os arquivos de Dean.

Eu teria que me infiltrar em uma festa de um Sheik em Marrocos e roubar uma túnica importante de família, algo simples para mim que já roubei muitas outras coisas mais admiráveis, porém a túnica era especial, pertencia ao pai do Sheik que havia dado a outra pessoa, porém usurpado por ele. E é aí que a insinuação de Dean entra, meu cliente era a outra pessoa, o irmão mais novo que tinha ganhado a túnica do pai e foi traído pelo irmão.

— Noite propícia para se perder o sono. — comentei ao sentir uma pessoa se sentar ao meu lado.
— Sim, ainda mais quando se tem uma pessoa que não vê a muito tempo em sua casa. — riu de leve mantendo seu olhar no jardim.
— Ironias do destino, misturada a ações de Dean.
— Aí explicamos o desviu do avião, tudo começou a fazer sentido depois que te reconheci no aeroporto. — comentou ele — Estava curioso para conhecer a noiva do meu irmão e saber sobre a saúde do meu pai e acabo me surpreendendo.
— A vida é mesmo uma caixinha de surpresas. — sorri de canto mantendo minha atenção no tablet — Quem diria que em um momento de tensão apareceria para me ajudar e de surpresa você estaria para confirmar meu álibi.
— Então aquele agente é o motivo dessas expressões preocupadas em sua face? — ele se virou para mim — Não tente negar, o pouco que convivi com você consegui aprender muita coisa ao seu respeito.
— Em cinco anos nunca estive tão perto de ser pega. — apesar de não sermos tão próximos, eu tinha uma afinidade com vindo de nossos momentos do passado, sabia que poderia desabafar sobre isso com ele — Agradeço por acrescentar a Cassie em minha vida.
— No final minha ideia de um nome falso não foi tão ruim assim como Dean achou que seria. — ele riu um pouco mais — Mas o que ele pensa sobre esse agente?
— Disse para continuar tranquila e agir naturalmente. — respirei fundo desligando meu tablet e olhei para ele — Este é o preço para uma vida de aventuras.
— Como sabemos você é a melhor no que faz. — ele sorriu de canto — E quanto ao ?
— Por que está perguntando sobre isso novamente. — desconversei.
— Por que estou curioso para saber como inventaram a ideia do noivado. — seu olhar estava mais sereno do que o normal — Foi no momento em que ele te achou na cama dele ou depois?
— Não acredito nisso. — eu ri um pouco alto — Mias um sinal de ciúmes devo presumir?
— Curiosidade não é ciúmes. — retrucou ele.
— Pelo que me lembro foi em um momento em que estavam invadindo o apartamento dele e eu enrolada nos lençóis da sua cama fingindo estar dormindo, acho que foi nesse momento. — olhei para o céu fingindo estar pensando.
— Uau. — ele riu — E quando será o casamento?
— Está desatualizado. — eu o olhei — Nos casamos em Vegas.
— Vegas? — ele riu ainda mais — Sabemos que o que acontece em Vegas fica em Vegas.
— Acho que a outra parte disso está levando muito à sério. — afirmei.
— Então ele está mesmo apaixonado pela Little Thief.
— Se está ou não, não tenho tempo para isso agora. — me levantei e o olhei — Mais fiquei curiosa para saber como você desviou sua direção e acabou parando em medicina.
— Segui seu conselho em fazer algo que me deixaria realizado. — ele sorriu de leve.

Eu sorri de volta e entrei na casa, voltei para o quarto em silêncio, quando entrei estava deitado na cama, respirei fundo segurando o riso malicioso que me veio ao imaginar os dois interessados em mim. Mesmo preocupada com meu trabalho, com aquele agente intrometido e minhas férias, eu não iria deixar de me divertir com aquela situação de triângulo amoroso que estava vivendo.

Me deitei ao lado de e me aninhei ao seu braço direito, eu percebi que ele estava acordado mesmo com os olhos fechados e a respiração tranquila, consegui arrancar um sorriso de sua face ao me deitar ao seu lado. Será que minhas ações acenderia ainda mais algum sentimento no coração dele? Seria interessante, porém eu já sabia do seu leve problema em se relacionar com as mulheres, quando o conheci não conseguia nem mesmo dar um fora em uma garota.

— Bom dia. — disse ele ao abrir a cortina.
— Quem disse que eu queria acordar cedo? — resmunguei cobrindo minha cabeça.
— Não vai mesmo aproveitar o dia? — insistiu ele.
— Por que está tão animado com o dia de hoje? — perguntei descobrindo minha cabeça e o olhando.
— Por nada. — ele riu — Levante, vamos tomar o café.

* POV — *

Eu a deixei no quarto e desci em direção a cozinha, minha mãe estava cantarolando alguma coisa enquanto tinha a ajuda de para colocar os pratos e copos na mesa. Me encostei na porta cruzando os braços e fiquei olhando ambos se movimentarem sincronizadamente na cozinha.

— Não quer nos ajudar? — perguntou minha mãe.
— Ah, não, não quero atrapalhar. — rindo me aproximei sentando na cadeira — E além do mais, deve pagar pelos meses que esteve longe.
— Olha só quem fala. — ele me olhou segurando o riso — O rebelde da família.
— Yah, pelo menos eu voltei antes de você.
— Bom dia família. — disse Sam entrando com nosso pai.
— Olha quem acordou, milagre estar tão cedo acordado. — comentou se sentando.
— Onde está ? — perguntou minha mãe.
— Acordada, graças a . — ela apareceu atrás de Sam com um sorriso meigo nos lábios — Bom dia a todos.

Era impressionante como ela conseguia se comportar tão natural e espontânea quando estava perto de todos da minha família, era aquele momento em que eu me desligava de tudo e acreditava que era real nossa relação. Ela se sentou entre eu e , internamente entre nós três estava um clima obscuro de triangulo amoroso, era visível meu interesse por ela e parecia que ainda não tinha finalizados seus assunto do passado também. Os sentimentos se eram enigmáticos como sua vida e seus olhares, não era uma pessoa bipolar, mas mudava frequentemente suas reações quanto a nós dois, parecia uma forma de esconder e camuflar seus sentimentos.

— E como foi seu trabalho em Portugal, ? — perguntou Sam com curiosidade.
— Foi fascinante. — respondeu com tranquilidade ao pegar seu copo de suco — E a paisagem era linda.
— E para onde foi? — minha mãe estava com um olhar curioso.
— O castelo de Almourol, foi de guerreiros templários, vai render um editorial incrível para revista de turismo. — explicou ela de forma rápida e um pouco detalhada.
— Já estive visitando este castelo em minha juventude, um lugar muito bonito mesmo. — comentou meu pai.
— Uau, estou muito curiosa para ver as fotos. — minha mãe tomou um gole do café de sua xícara.
— Posso te mostrar depois do café, algumas ficaram meio insatisfatórias, porém consegui muitos enquadramentos bons. — ela estava tão segura no que falava que me deixou impressionado, olhei para e pelo seu olhar também estava surpreso, a postura de era de uma profissional.
— Ah, quero muito te apresentar a um amigo, ele é fotógrafo profissional também, está iniciando uma exposição em uma galeria de arte em Paris. — minha mãe a olhou com um brilho nos olhos — Você poderia ir conosco a essa exposição.
— Nossa, vou adorar. — se mostrou mais animada ainda para minha surpresa.
— Então vamos todos para Paris. — comentou com um sorriso presunçoso — Mas e seu trabalho em Marrocos?
— Dependendo da data, terei tempo para passar em Paris. — respondeu .
— Ah, que notícia boa. — minha mãe se levantou — Fiquei tão animada agora, por que não saímos para fazer compras, precisamos de um momento de garotas. — brincou ela.
— Oh, claro. — concordou um pouco admirada com o convite da minha mãe se levantando — Vai ser divertido.

Ela olhou para mim sorrindo espontaneamente e depois desviou seu olhar para de forma breve, minha mãe a pegou pelo braço a levando junto. Meu pai riu de leve com aquela cena, realmente vaziam tempos que minha mãe não se animava tanto com eventos e uma visita.

— Me parece que sua… — tossiu um pouco — Noiva, conquistou nossa mãe com falicidade.
— Ah, isso é porque noona é muito gentil e divertida além de bonita. — explicou Sam na minha frente.
— Exatamente. — eu ri e terminei de tomar meu café.

Meu pai e Sam saíram em direção a garagem, eles iriam assistir a uma corrida de Fórmula 1 que aconteceria na cidade aquela manhã. tomou o último gole de suco que estava em seu copo e me olhou segurando o riso.

— Confesso que estou surpreso. — disse ele começando a rir — Desde quando ela surgiu com essa coisa de fotógrafa?
— A pouco tempo, segundo ela é uma profissão promissora que serve como explicação para suas viagens repentinas. — respondi rindo também.
— Uau, ela pensa em tudo. — ele se espreguiçou na cadeira — Ainda me surpreendo com essa garota, mesmo a conhecendo um pouco.
— Gostaria de conhecê-la mais. — reclamei de leve, invejada um pouco o passado de com ela — Ela realmente é uma caixinha de surpresas.
— Verdade. — concordou rindo.
— Como pode ser tão natural, nunca imaginei ela indo fazer compras com nossa mãe.
— Eu nunca imaginei ela agindo como uma pessoas normal. — ele levantou da cadeira indo em direção a porta — Me parece que esses cinco anos a deixou mais madura e concentrada o suficiente para sair de situações perigosas.

Era estranho ter uma pessoas falando com tanta certeza sobre perto de mim, me fazia me sentir no escuro como seu não conhecesse nada além daquela garota que sorria naturalmente perto dos meus pais. Eu queria mudar isso, queria me fixar na vida dela como , queria conhecê-la e conquistá-la.

Eu quero ser o seu único campeão
Tudo o que passa pelos caras que estão tão mais ou menos
Eu sou um pouco diferente deles, baby o que você quer?
O que você queria? O que você sonhou?

- Ace / Taemin



Capítulo 12


* POV — *

Meus dias de análise, preparação e algumas diversões passaram rápido e eu já estava desembarcando no aeroporto internacional de Casablanca em Marrocos. Meus plano tinha algumas fases distintas, eu tinha que entrar, me disfarçar, chegar até meu alvo e sair de forma silenciosa e precisa. Dean tinha alguns contatos fortes na Interpol e monitorava cada passo do agente que estava me vigiando, era uma preocupação em vista, porém minha concentração era maior.

Assim que cheguei no hotel onde ficaria, joguei minha mala ao lado da cama e peguei minha câmera dentro da bolsa, iria aproveitar aquela tarde para tirar algumas fotos. Imprevisivelmente eu tinha mesmo me interessado por fotografia e nos momentos vagos estava estudando sobre o assunto e técnicas de enquadramento fotográfico. Acho que estava começando a ter mais um hobby que futuramente iria tirar meu tédio em momentos de calmaria.

— Bom dia senhor, consegue entender o que digo? — perguntei ao me aproximar de um turista que também estava passeando pelo Parque da liga Árabe.

O homem se curvou de leve fazendo um sinal que não me entendia, eu agradeci como pude e continuei em minha caminhada pelo jardim principal, a cada direção que eu seguia era proporcionada por mais paisagens e muitas fotos. Parei por um momento para chegar as últimas fotos que tinha registrado e senti uma pessoas se aproximar de mim, senti um frio na espinha e pedi aos céus que fosse um dos dois homens que disputavam minha atenção, porém para a ironia da minha sorte, era a pessoa que eu menos queria perto de mim.

— Ficaram admiráveis suas fotos. — comentou aquela voz que passou a me aterrorizar em poucos dias.
— Você. — virei minha face com suavidade e o olhei um pouco surpresa — Veio me acusar novamente?
— Não. — ele sorriu de canto — Difícil de acreditar, mas é pura coincidência te encontrar aqui.
— Ah, deixe-me adivinhar, está a passeio com a namorada e o cachorro?! — minha voz soou como um deboche, tentava deixar meu olhar suave, mas não conseguia me manter calma internamente perto dele — Ou seria namorado?
— Seria namorada, porém não possuo. — ele segurou um pouco do riso — Mas o que faz aqui sozinha, onde está seu noivo?
— Bem, temos nossa vida profissional a parte. — respondi como uma incógnita.
— E devo presumir que está aqui a trabalho. — ele direcionou seu olhar para a câmera — É fotógrafa?
— Sim.
— Um bom motivo para se viajar tanto, estou começando a ficar ainda mais curioso sobre você.
— Não está pensando em me acusar novamente não é? — eu abaixei minha mão que estava com a máquina e ajeitei minha bolsa transversal no ombro — Posso te processar desta vez.
— Não. — ele respirou fundo — Como uma forma de me redimir, gostaria de te convidar para tomar um café.
— Como sabe, sou comprometida. — o relembrei, adorava quando utilizava daquele lindo e perfeito álibi.
— Oh. — ele segurou de leve em minha mão, estava mesmo me analisando com seu olhar fixo — É somente um café, representando minhas desculpas por minha falha.

Assenti com um pouco de receio, afinal em teoria quem não deve não teme, essa era uma oportunidade para conhecer de perto meu inimigo, seria natural e original como sempre, porém com uma ponta de cautela para não deixar nenhum fio solto da minha vida. Ele me levou na cafeteria muito apreciada chamada Venezia Ice, sua decoração simples porém muito harmônica nas cores e moderna me fizeram tirar algumas fotos de registro, claro que não perderia a oportunidade de tirar algumas dele sem que percebesse.

Nos sentamos em um ponto que proporcionava uma vista incrível do mar, e isso me levou mais algumas fotos para a coleção, incrível mais por dentro estava empolgada pelas fotos, pois teria o prazer de mostrar a mãe de . Pedimos dois expressos e uma sobremesa que era a indicação da casa, brownie com sorvete, foi uma excelente decisão de nossa parte, senti meus hormônios vibrarem com aquela explosão de chocolate e sabores maravilhosos.

— Você foi muito eficaz me fazendo dizer o motivo de estar em Marrocos, porém não compartilhou o seu motivo. — instiguei o olhando atentamente.
— Sim. — ele sorriu de leve — E você muito atenta percebeu isso.
— Sou uma fotógrafa, atenção e observação são nosso lema. — eu comi uma colherada do sorvete tranquilamente mantendo meu olhar nele — Mas sua resposta.
— Estou de folga. — ele respirou fundo, parecia procurar as palavras certas — Depois do incidente no aeroporto meu superior me mandou para cá, precisava colocar minha mente em ordem.
— Hum. — eu imaginava que metade daquelas palavras era verdadeiras — Ele fez um bom trabalho, você quase prendeu uma inocente.
— Acho que já posso ter suas desculpas agora. — sugeriu ele.
— Talvez, um homem ganha muitos pontos com uma mulher quando lhe dá algo como chocolate. — eu ri de leve.
— Devo presumir que você gosta de chocolates? — perguntou.
— Entenda como quiser. — eu desviei meu olhar para a xícara de expresso e a peguei tomando um gole — Porém.
— Porém?
— Também fiquei curiosa sobre a mulher que tanto confundiu comigo. — eu fiz cara de desentendida — Ela é tão bonita quanto eu?
— Uau, uma mulher nada modesta. — comentou ele dando um sorriso enigmático.
— Como todos dizem isso de mim, me deixo ter esta autoestima. — sorri de volta com maus leveza — E novamente você fugindo da minha resposta.
— Bem, como um agente não posso detalhar muitas coisas para civis. — explicou ele.
— Acho que tenho o direito, já que quase fui envolvida nisso. — insisti.
— Uau, você é muito persistente.
— Você ainda não viu nada.
— Digamos que a mulher que procuro fez algumas coisas erradas aos olhos da lei e o fato de você ter a mesma postura que ela quando andam, me fez achar que era ela.
— Hum, acho que estou sendo seguida então, fiquei com medo agora. — brinquei de leve o fazendo rir um pouco.
— Não se preocupe, te vendo agora de perto, realmente não há nenhuma chance de ser comparada novamente a Cassie. — afirmou ele.
— Então fico mais aliviada.

O clima entre nós dois era de muitos mistérios e desconfianças, nossos olhares afirmavam isso de alguma forma, algo me dizia que ele não acreditava em mim assim como eu não acreditava nele, porém como provar que eu era Cassie. Todo o álibi já havia sido montado por Dean e para todos os efeitos Cassie poderia ser minha irmã gêmea dada como morta na maternidade, eu amava o meu trabalho.

Ficamos mais alguns minutos conversando e claro que pedi mais sobremesa para mim, assim que terminei de saborear aquela maravilha da culinária moderna, ele pediu a conta e de forma cavalheira e calculista me levou para o hotel onde tinha me hospedado. Outra jogada rápida do meu sócio foi me hospedar em nome da falsa empresa que eu trabalhava, uma surpresa para mim era que Dean tinha criado uma editora de revistas online só para ser meu mais novo álibi, eu realmente tinha uma vida normal aos olhos da sociedade.

— Não. — disse Dean ao telefone — Ainda não acredito que você fez isso.
— Sim. — eu me joguei na cama rindo — Eu fiz.
— Você é louca? Se arriscou demais. — questionou ele.
— Eu precisava conhecer mais o inimigo, a melhor defesa é o ataque, além o mais ele tinha tantas informações sobre Cassie, eu. — respirei fundo — Pelo menos todo aquele medo que estava dele caiu por terra com essa nossa conversa casual.
— Ainda te acho louca.
— Para sua despreocupação eu tirei algumas fotos dele e vou te enviar depois. — eu ri de leve batendo meus pés na cama — Deveria ter visto nossos olhares misteriosos um para o outro, foi divertido e ainda comi uma sobremesa tão maravilhosa.
— E com toda esta exposição o que descobriu?
— O que eu temia, ele não acredita em nenhum dos meus álibis, porém para nossa sorte não tem nenhuma prova.
— Isso é bom, mas o que pretende fazer agora?
— Fazer meu trabalho com perfeição e mais uma vez deixar ele a dois passos de distância de nós.
— Boa garota. — ele pareceu vibrar do outro lado da linha — Gosto de ver você assim, segura e tranquila.
— Apesar de ter se arriscado e passado o dia com um estranho inimigo. — ele parecia ainda relutante a aceitar o que eu tinha feito.
— Hum, falando assim vou considerar isso muito mais que somente preocupação profissional.
— O que está insinuando?
— Você sempre reclama quando homens se aproxima de mim.
— Isso é cuidado. — explicou rapidamente.
— Conheço por outro nome. — eu ri de leve — A conversa está boa, mas vou desligar agora, amanhã será um dia longo e cheio de surpresas.
— Tenha cuidado e aproveite a festa. — brincou ele mesmo sendo num tom sério.

Desliguei o celular e fechei meus olhos, precisava de uma noite tranquila e relaxante, para minha sorte tive. Na manhã seguinte depois de um café reforçado em meu quarto, me preparei para mais aquele trabalho, meu nível de concentração tinha que ser mais elevado que o normal. Pois para minha não surpresa, aquele agente bonitão estava me vigiando dentro de um Chevy 96 prata do outro lado da rua.

Não seria fácil sair sem ser vista, porém nada é impossível. O habitual seria realmente seria sair pelos fundo escondido, mas nada me garantiria que teria um parceiro dele para me pegar em flagrante, então resolvi ser nada convencional e sair pela porta da frente como minha cara de turista e a vista dele. Entrei no táxi que o hotel chamou para mim e pedi para me levar ao Anfa Palace Shopping Center, era um lugar grande, moderno, movimentado e fácil de se perder dentro.

Mesmo não podendo perder o foco do meu propósito naquele lugar que era distrair e me livrar dos olhos dele num bom sentido, não consegui deixar de notar alguns solitários sapatos gritando por meu nome nas vitrines da loja. Desesperador não poder comprar nenhum, mas respirei fundo e segui em frente, entrando e saindo de várias lojas percebi mais duas pessoas me seguindo, realmente minhas desconfianças eram válidas e precisas.

Minha direção final foi no cinema, em meio a escuridão a sala eles me perderam de vista e consegui ficar em um lugar privilegiado olhando os três olharem ao redor me procurando. Uma etapa concluída, tinha a outra entrar em uma festa de casamento, segui de táxi até o endereço que Dean me passou. A rua estava em festa com o início da cerimônia do casamento, o noivo era o filho do dono da túnica que eu roubaria, era o início da segunda fase do meu plano.

“Quando olho, parece um labirinto,
Quando pego é como areia e o tempo passa
Na minha mente, como uma névoa,
Como peças espalhadas de um quebra-cabeças, enigmático.”

- Danger / Taemin



Capítulo 13


* POV — *

Não sabia como Dean conseguia selecionar com tanta rapidez as pessoas que me ajudariam ao longo das minhas missões, eu sempre contava alguns pontos cruciais dos meus planos que exigia ajuda externa, mas ele nunca sabia mais do que isso e sempre conseguia as melhores para me ajudar na execução. E nesse momento não foi diferente, assim que fiquei em uma posição próxima do cortejo uma mulher me pegou pelo braço me arrastando para dentro da casa que era da noiva, de onde todos estavam saindo.

Ela fez sinal de silêncio e eu assenti de imediato, me dando um uniforme de cozinheira mostrou onde poderia me trocar, para minha sorte estávamos num pais onde a mulher esconder a face era parte da cultura e eu poderia utilizar disso para me favorecer. Não poderia demorar muito, pois aquele seria somente meu primeiro disfarce para entrar na festa, me misturei no meio dos outros empregados do buffet contratado e seguimos até a casa do noivo.

Minha preocupação com o tempo era instável, o cortejo circularia algumas ruas da cidade até irem para a casa do noivo, percebi alguns seguranças da família atentos aos movimentos de todos os funcionários do buffet, eu sabia que para adentrar ainda mais na casa não poderia permanecer com aquele disfarce. Levei alguns minutos ajudando ali na cozinha para disfarçar e aproveitei nosso trabalho de levar as caixas de alimentos para dentro para contar quantos seguranças tinham e o total de câmeras espalhadas pelo jardim.

Observei alguns pontos cegos que poderia utilizar, mas cautela nunca é demais, olhei para o céu e já era início da noite, o cortejo longo chegaria e eu tinha que mudar minha estratégia, aí entrou a terceira etapa do meu plano. Assim que o grupo de dançarinas o ventre chegou para a animação da festa, me infiltrei entre elas, a organizadora do grupo aparentemente era conhecida de Dean, pois assim que me aproximei ela me deu uma roupa de odalisca na tonalidade amarela, que tinha uma etiqueta escrita Little Thief.

Só não estava surpresa, porque nada mais que vinha de Dean me impressionava, vesti a roupa e fiquei treinando alguns movimentos de improviso com uma das dançarinas. Assim que o organizador do evento na casa anunciou a chegada dos noivos, respirei fundo e me preparei para me infiltrar no meio dos convidados pegar a chave do quarto onde estava a túnica e finalizar a noite com perfeição.

Seria fácil? Não, claro que não, eu teria que roubar a chave do dono da casa, pai do noivo e aquele que estaria rodeado de pessoas. Assim que a música foi surgindo pelos cantos da casa, eu e as outras mulheres começamos a dançar livremente entre os convidados, meu alvo estava com sua esposa recebendo os votos das pessoas ao lado dos noivos. Mantive meu olhar nele durante longos minutos enquanto dançava, até que uma certa mão segurou em meu braço me puxando para a lateral da sala.

. — meu suspiro de alívio era nítido.
— Calma. disse el eme olhando com preocupação.
— Você me asssutou. — recuperei meu fôlego — O que está fazendo aqui?
— Acredite ou não, sou amigo do noivo, fizemos faculdade juntos. — ele riu de leve — Até tinha me esquecido desse casamento, me lembrei dele quando ouvi que estava vindo para Marrocos.
— Estou feliz que seja você. — admiti sem vergonha.
— O que ouve? Aquele agente está aqui também?
— Sim. — desviei meu olhar para o meu alvo novamente — Está me seguindo sem a menor preocupação.
— Se está aqui é por que vai roubar algo daqui.
— Óbvio. — assenti.
— Quer ajuda? — perguntou ele.
— O que você acha?
— Como nos velhos tempos. — comentou ele.

Era óbvio que precisava de uma ajudinha para chegar mais rápido até meu alvo, e ele seria a distração perfeita, ou o contrário. Expliquei a as partes mais importantes e que precisava daquela chave a qualquer custo, ele entendeu de imediato e se aproximou dos noivos para cumprimentar seu amigo e entregar uma caixinha que seria o presente aos noivos, aproveitei para causar a distração.

Chamei mais duas dançarinas que estavam perto e começamos a dançar em uma sincronia inacreditável, aos poucos as outras se aproximaram e começaram a se harmonizar com nossos movimentos, se não fosse eu no meio daquele improviso diria que haviam ensaiado muito para aquele número. Resultado esperado, a atenção de todos estavam em nós, sem exceções, até os seguranças nos olhavam, meus olhos estavam nos movimentos de que estava muito próximo do nosso alvo.

Ele ainda se lembrava de algumas coisas que tinha aprendido comigo, assim que me certifiquei do sucesso de sua ação, fiz com que as dançarinas se dispersassem novamente entre os convidados. Algumas pessoas se arriscavam a dançar juntos, no meio de tanta euforia, disfarçadamente me dirigi em direção aos quartos, entendeu a mensagem e me seguiu. Assim que chegamos no corredor certo dos quartos tinha que encontrar a porta certa, e não poderia perder muito tempo em encontrar pois o dono da chave poderia dar falta dela a qualquer momento.

Em um movimento louco e involuntário sentindo a chegada de alguém, me beijou de surpresa com uma estranha intensidade. Não tive como reagir e logo retribuir, era um pouco estranho beijar ele novamente, não pelo fato de ser irmão de , mas pelo tempo que estive afastada dele. Confesso que há cinco anos quando o conheci me deixei apaixonar por ele, mas escolhi meu trabalho ao invés do amor, beijá-lo novamente me trazia aquelas lembranças e não era uma boa hora lembrar do passado.

— Nossa. — disse me afastando de leve dele para recuperar o fôlego.
— Eu não conto se você não contar. — ele sussurrou dando uma piscada rápida e um sorriso malicioso.
— Oh, me desculpem. — disse o segurança se retirando.
— Continua rápido. — comentei pegando a chave da mão dele — Eu assumo a partir de agora.
— Você que manda. — concordou.

Eram algumas porta, então resolvi contar com minha parceira sorte e escolher uma, e como ela nunca me abandona era exatamente a porta certa. Entramos em silêncio e eu fui diretamente ao closet do casal, como imaginava tinha um cofre eletrônico que certamente abrigada meu objeto de desejo do momento. Precisava agora de um telefone, olhei para e peguei o celular que estava em seu bolso, para minha surpresa ele ainda mantinha o número de Dean registrado na memória.

Little Thief na linha. — disse sem rodeios.
— Uau, o que está fazendo com o telefone do ? — perguntou ele surpreso.
— Acredite ou não ele apareceu na festa e agora estamos aqui diante de um cofre, fale a senha sem demora.
— Bem. — ele parecia meio atrapalhada no momento.
— Dean foco. — disse num tom sério e firme.
— Ok, nosso cliente deu algumas possíveis senhas e teremos que testar.
— Não acredito que não tenha nada certo. — reclamei.
— Calma, já temos um álibi para o caso das coisas saírem do controle.
— Vá falando as senhas, antes que eu perca meu controle.

Estava um pouco furiosa com aquele deslise de Dean, não acertar a senha colocaria em risco todo o meu trabalho e o meu pescoço também. Para minha felicidade na sétima tentativa o cofre abriu e para meu desespero eu tinha menos de dez segundo para fechar antes que o alarme tocasse. Foram os dez segundo de maior adrenalina da minha vida, quando fechou o cofre e eu olhei para a túnica que estava em minha mão, meu suspiro de alívio veio em seguida.

— Então este é o objeto da vez? — perguntou .
— Sim. — eu respirei fundo dando uma última conferida para ter certeza se era realmente aquilo.
— E agora?
— Preciso sair daqui com essa túnica. — respondi objetivamente.
— Como?
— Não sei. — eu me levantei — Dean me tirou a concentração e me esqueci do meu plano de fuga.
— Vem comigo. — ele pegou em minha mão — eu serei seu plano de fuga.

Antes de sairmos do quarto eu coloquie a chave em cima da escrivaninha com um pequeno bilhete que tinha guardado no sutiã, era um recadinho do meu cliente para o dono da casa. me levou para o quarto da casa onde estava hospedado, como amigo do noivo ele realmente era convidado de honra da família.

— Ainda não acredito. — disse me sentando na cama — Conseguimos.
— Do jeito que ficou com o Dean ao telefone, achei que o mataria se ele estivesse aqui pessoalmente. — ele riu enquanto guardava a túnica no fundo falso de sua mala.
— Ele se descuidou e contou com a sorte. — bufei de raiva — Nunca mais o deixo fazer isso de novo.
— Está tudo resolvido agora. — jogou suas roupas na mala novamente e a fechou — Passo no hotel amanhã para te buscar e entregamos a túnica.
— Obrigada por me ajudar hoje. — me levantei da cama.
— Não precisa agradecer, essa adrenalina. — ele se espreguiçou — Estava com saudade disso, disso e de você.
— Não vamos começar com isso. — me desviei indo em direção a porta.
— E para onde vai? — perguntou cruzando os braços.
— Tenho que voltar para o meu hotel, esqueceu que tem uma pessoa me vigiando.
— Espera. — ele foi até a cadeira e abriu sua bolsa lateral masculina retirando uma câmera semi profissional de dentro — Tire algumas fotos antes de voltar, álibi perfeito um editorial de casamento marroquino.
— Hum. — eu caminhei até ele e pegando a câmera — Estava com saudades desse seu lado, sempre pensando nos detalhes.
— Detalhes são tudo. — sussurrou ele no meu ouvindo fazendo meu corpo arrepiar.

Agora estava explicado por que a voz de havia me atraído tanto, ambos tinham uma intonação que me deixava sem reação. Sorri de leve e saí do quarto com a câmera na mão, passei pela sala disfarçadamente até chegar novamente na cozinha. A moça que me ajudou mais cedo estava lá, tinha guardado minhas roupas, me troquei rapidamente, peguei minha bolsa e voltei de táxi para o hotel.

Não era surpresa o agente estar no saguão me esperando, eu passei por ele tranquilamente como se não soubesse de nada, entramos no elevador juntos, curiosamente ele apertou o botão do meu andar. Segurei o riso o máximo que pude, ainda estava com a câmera nas mãos, aproveitei minha deixa para jogar meu álibi na cara dele sem utilizar nenhuma palavra, comecei checar as fotos que tinha tirado da festa.

Assim que fechei a porta do meu quarto desabei em risos, inacreditável como eu tinha feito ele de palhaço. Esperei até amanhecer e chegar, ele veio diretamente em meu quarto, não perdi a oportunidade de contar sobre o agente, minutos depois da entrada dele bateram na porta, era uma camareira e meu contato, do lado de dentro da manga da blusa do seu uniforme tinha escrito Little Thief.

— Serviço concluído. — disse ao fechar a porta após a camareira sair.
— Sim. — concordou ele rindo, com curiosidade ele pegou a minha câmera e começou a olhar as fotos que tinha tirado no dia anterior — Interessante.
— O que? — eu o olhei.
— Desde quando é amiguinha do agente? — disse ele virando a câmera para mim e mostrando a foto que tinha tirado de .
— Desde ontem. — respondi naturalmente o olhando.
— E diz assim?
— Ah não. — eu comecei a rir — Você não.
— Eu o que?
— Quando é que os homens da minhas vida vão parar de se sentirem no direito de ter ciúmes de mim?! — perguntei em um desabafo pessoal.
— Não é ciúmes. — ele desviou o olhar — É cuidado.
— Você andou muito tempo com Dean. — me virei desviando minha atenção para o relógio que estava na parede.
— Me desculpa. — ele segurou em minha mão me virando para ele — Se quiser posso manter segredo do seu maridinho.
— Senti a ironia na palavra maridinho. — comentei rindo — Está triste por seu irmão ter chegado a este nível.
— Chegar não é o mesmo que permanecer. — retrucou ele.
— Hum, então posso presumir que ambos lutarão pelo meu coração?! — agora tinha uma ponta de deboche em minha voz.
— Quem sabe.
— Um belo álibi para finalizar a falsa relação. — sibilei pensando — Estou tentando imaginar como sua mãe reagiria ao saber que um filho pegou sua noiva na cama do outro filho.
— Seria embaraçoso. — comentou ele rindo — Mas enquanto não resolvemos nossa vida.
— O que tem? — olhei para ele.
— O álibi da dançarina desaparecida da festa temporariamente está seguro.
— O que aconteceu? — estava curiosa.
— Como você disse, assim que o pai do meu amigo percebeu o que tinha acontecido, colocaram a culpa em você, por ter sumido das câmera e dos olhos de todos, porém....
— Porém?!
— Nosso segurança tendo nos visto no corredor saiu em sua defesa sem que eu precisasse tomar partido, então só precisei confirmar e dizer que estávamos junto no quarto.
— O resto eles presumiram.
— Ah, sim, sem nenhum problema.
— E no final do dia, saí como a mulher infiel. — eu brinquei automaticamente começando a rir e fazendo ele rir também.

Sendo falsa ou não, minha relação com sem dúvidas sempre entraria em todos os assuntos possíveis e agora com este assunto divertido renderia muito mais.

“Não ligo se é veneno, tomo tranquilamente
Nenhuma tentação pode ser mais doce ou forte que você.”

- Last Romeo / Infinite



Capítulo 14


* POV — *

Eu ainda estava com aquela história do passado de e em minha mente, quanto mais tentava não pensar em ambos, mais eu pensava. Tinha que me concentrar para uma reunião importante na matriz da empresa, já que eu tomaria a frente dos negócios da família. Meu pai com toda a sua euforia me acomodou na sala que era dele, como as coisas poderiam mudar tanto em um curto espaço de tempo, eu que não queria nada relacionado a empresa da família agora estava atrás de uma mesa dirigindo o nosso império no ramo da transportação.

— Nem preciso repetir que estou impressionado por estar à frente de tudo. — disse James rindo enquanto sentava na cadeira em frente à minha mesa.
— Até eu estou impressionado comigo mesmo. — suspirei fraco — Mas não deixaria nas mãos de terceiros tudo que meu avó conquistou em anos e meu pai lutou para manter.
— Olha, suas palavras são dignas de orgulho meu amigo. — ele sorriu de canto e olhou para janela — E essa história de noiva é mesmo séria?
— Porque a pergunta? — eu o olhei como se fosse mesmo verdade.
— Ah, não se faça de desentendido, você sempre foi uma negação quando o assunto era mulheres, tudo isso por causa da Taylor.
— Precisa mesmo tocar nesse passado que está morto e enterrado? — desviei meu olhar para a janela.
— Só estou curioso para saber como superou o passado e se sua noiva é bonita.
— Ha... ha... ha... — eu suspirei fraco — Não se preocupe, se você for na exposição do François em Paris, irá conhecer ela.
— Uah, eu estava desanimado para rever aquele convencido, mas agora até me interessei em ir. — ele riu um pouco — Porém tenho compromissos familiares.
— Ok, agora vamos falar do futuro. — eu me espreguicei um pouco da cadeira — Como estão as negociações para a compra do novo espaço no porto de Los Angeles?
— Na fase das negociações de preço, a empresa que detém o espaço está em processo de falência e o espaço está em poder do banco, mas John me disse que está tratando desse assunto pessoalmente.
— E vai demorar quanto tempo para resolver tudo? — perguntei.
— Segundo ele mais algumas pressões e conseguiremos por um preço satisfatório a nossa empresa.
— Isso é bom, quanto menos forem os gastos maior será nossa possibilidade de investimento.
— Assim será. — ele se levantou da cadeira — Seu modo de agir nos negócios é semelhante do seu pai, estou impressionado.
— Devo levar isso como um ponto positivo para a empresa? — perguntei me levantando da cadeira.
— Claro. — ele se levantou também rindo — Afinal, a forma como seu pai sempre trabalhou ajudou a fazer essa empresa crescer em pouco tempo.
— Minha meta é somente manter o que meu pai fez. — eu caminhei até a porta e abri rindo — Vamos almoçar?
— Você paga? — ele riu um pouco mais.
— Yah, deixe ser mesquinho, seu salário dá para pagar o almoço de todos desse andar e ainda sobra para a sobremesa.
— Tenho uma esposa com um filho a caminho, sabe o quanto isso é dispendioso. — explicou ele saindo da sala na minha frente.
— Todos do nosso grupo de amigos dissemos para não se casar tão cedo. — eu o segui rindo.
— Olha só quem fala, o próximo na fila do altar.
— Pelo menos minha noiva tem uma profissão. — pensei por alguns instantes sobre ser fotógrafa, mas depois me lembrei que aquilo não era real.
— Está viajando nos pensamentos aí, ou só preocupado com os custos do casamento após o altar. — ele riu apertando o botão do elevador.
— Não, só me perdi um pouco em meus pensamentos. — eu estava mesmo tão perdido naquela mentira que por uma fração de segundo me esqueci que era uma ladra e eu o seu álibi.

 

* POV — *

— Então, suas malas estão prontas? — perguntou ao se levantar da poltrona ao lado da janela do quarto.
— Nossa, seu tom foi tão preocupado que até parece que tenho bagagens extras para despachar. — eu ri de leve — Só trouxe uma mala, minhas outras coisas estão em Londres.
— Você realmente se fixou na casa da minha família. — ele me olhou serenamente se encostando na parede.
— Digamos que aquela casa está me servindo muito bem aos meus propósitos profissionais, além do mais foi ideia da sua mãe eu passar algum tempo com vocês.
— Minha mãe está animada com seu relacionamento com . — seu olhar ficou sério — Isso me preocupa, já que é uma mentira e minha família já foi abalada várias vezes por causa de mentiras.
— E se por acaso se tornar realidade? — eu o olhei atentamente, observava cada expressão facial e corporal.
— Ficaria triste e ao mesmo tempo feliz. — ele desviou seu olhar para janela — Devo levar suas palavras de suposição a sério?
— Está preocupado se ainda tem chances comigo? — eu caminhei até ele e toquei de leve em sua face o fazendo olhar para mim — Se realmente tivesse a possibilidade de ficar com você, acha que seus pais lidaria bem com isso?
— Eu roubar a noiva do meu irmão? — ele arqueou a sobrancelha direita com um olhar pensativo como se tivesse considerando aquela possibilidade — Não seria a primeira vez que isso acontece.
— Hum. — agora eu estava intrigada, pensava que era a primeira a causar essa louca disputa entre ambos, mas parecia que essa história já está repetida na vida deles.
— Mesmo não perguntando consigo ver seu olhar de curiosidade.
— E eu devo saber sobre o passado dos meus pretendentes? — brinquei de leve com a situação que aos olhos de uma pessoa comum era embaraçosa.
— O nome dela era Taylor. — disse ele tranquilamente — Ela foi uma ambiciosa mulher que conseguiu namorar nós dois ao mesmo tempo.
— Bem. — eu me aproximei um pouco mais dele e sussurrando em meu ouvido direito — Pelo menos comigo, nenhum dos dois está sendo enganado.
— Sim. — assentiu ele.

se moveu poucos milímetros de forma estratégica e sem que eu pudesse reagir ele me beijou como sempre fazia, um gosto doce e enigmático que arrepiava meu corpo. Aquilo em tese não era bom para meu momento de foco profissional, mas aquela parte de distração estava se tornando minha válvula de escape para experimentar como era uma vida “normal”. A parte de ambos estarem apaixonados por mim não era bem normal, mas o que seria dos romances sem um triângulo amoroso clichê.

— Acho melhor irmos, se não perdemos o vôo. — eu me afastei um pouco dele — E acho melhor você se afastar um pouco, sou uma mulher comprometida.
— Suas palavras soaram com um pingo de ironia.
— Essa sou eu. — sorri de canto para ele e peguei minha bolsa — Tenho certeza que como um cavalheiro, meu cunhado carregará minha mala, enquanto eu tiro algumas fotos para meu projeto pessoal.
— Projeto pessoal? — ele me olhou curioso.
— A exposição do amigo da sua mãe me deu uma ideia.
— Não me diga que... — ele riu de leve como se já tivesse captado minha ideia.
— Sim, vou fazer algumas fotos conceituais e montar um acervo para uma exposição em uma galeria de Manhattan.
— Depois eu é que sou obcecado por detalhes. — ele riu pegando minha mala.
— Aprendi com o melhor. — retruquei rindo junto.

Acomodada na poltrona, com nossas malas guardadas e esperando o avião decolar com ao meu lado. Foi estranho não ver a cara do agente quando saí do hotel e por todo o caminho nenhum sinal dele, estava preocupada com isso, não sabia se era melhor ele longe ou por perto, pelo menos quanto mais perto mais saberia seus passos contra mim.

— Seu olhar é de preocupação. — comentou com sua atenção fixa em mim.
— Odeio ficar perto de pessoas que me conhecem, não posso nem mudar minha expressão facial que percebem. — respirei fundo direcionando meu olhar para ele.
— Meu novo amigo está desaparecido de minhas vistas e isso me preocupa um pouco.
— Tente não deixar isso te afetar, Dean já disse que está tudo sob controle.
— Acha mesmo que vou confiar depois do que ele me fez naquela festa? — eu ri baixo e olhei para a janela do avião — Mesmo confiando, nunca devo dar cem por cento da minha confiança, ele mesmo me dizia isso.
— Por isso persiste em ser tão inacessível? — perguntou ele.
— Se eu fosse mesmo assim, você jamais saberia de tudo que sabe, nem .
— Você ainda possui muitos segredos encobertos.
— E estão melhores assim. — eu suspirei fraco — Afinal, segredos foram feitos para serem guardados.
— Existem alguns que se pode compartilhar com outras pessoas.

Permaneci em silêncio, não queria render aquele assunto e nem dar espaço para perguntas que não teriam respostas, tombei de leve minha cabeça deitando no ombro dele e fechei meus olhos. De alguma forma estava feliz pela curiosidade profunda de e , mesmo que eu não quisessem ambos já era parte da minha vida, mesmo que fosse por interesse profissional e talvez amoroso.

— Chamamos um táxi ou ligamos para seu marido? — perguntou num tom de brincadeira ao desembarcarmos.
— Qual seria a melhor opção? — perguntei mantendo minha atenção em um segurança que me olhava demais.
— Ainda com a preocupação de estar sendo vigiada? — perguntou ele desviando sua atenção para o segurança também.
— Sei que tenho que ser menos paranoica, mas não terei meus álibis para sempre.
— É uma previsão do futuro próximo ou distante?
— Uma hora terei que sair da vida de vocês definitivamente. — eu o olhei séria e inexpressiva.
— Ou você pode escolher se fixar na vida de um de nós.
— Não vai mesmo desistir e abrir caminho para seu irmão?
— Não acredito em coincidências, se está aqui é porque de alguma forma a vida quer me dar uma segunda chance. — respondeu ele com certa convicção.
— Muito bem. — eu toquei de leve do bolso da calça dele e deslizando minha mão de leve peguei seu celular — Eu ligo para meu noivo.
— Não era marido?
— Não foi você que disse que o que acontece em Vegas fica em Vegas?

Eu sorri maliciosamente e digitei os números, ficou surpreso em ouvir minha voz no celular do seu irmão. Em minhas condições profissionais eu sempre mudava de número e na maioria das vezes jogava o celular contra parede ou na água. Em menos de trinta minutos estacionou eu carro em frente à entrada do aeroporto, o ajudou a colocar nossas malas no carro. Seguimos pela rua principal até o trânsito ficar um pouco engarrafado, o clima de silêncio estava tomando conta do carro até que meu aparelho de celular que estava na bolsa tocou, de certo era Dean que havia arrumado outro número para mim.

LT falando. — disse ao atender.
Como o som da sua voz soa como música aos meus ouvidos. — disse ele como se tivesse recitando aquelas palavras.
— Isso não vai passar a raiva que estou de você. — retruquei num tom sério e áspero, riu do banco da frente.
Devo desculpas, sei disso, mas tenho uma notícia importante e agradável aos seus ouvidos.
— Uma notícia agradável aos meus ouvidos seria minhas férias.
Estamos à quatro roubos para o descanso merecido. — ele riu — Mas minha notícia, é que meu informante da Interpol me disse que nosso amigo foi transferido de caso.
— Por que? E como?
Hum, estava ficando interessada nele Little Thief?
— Não, mas se ele foi mudado, é óbvio que outro pode entrar no lugar.
Não, não vai. — ele tossiu um pouco — Porque um cliente em que você fará o trabalho para ele daqui algumas semanas é um tanto influente neste meio e fez algumas ligações.
— E isso nos custou algo a mais?
Não, só a conclusão do trabalho, mas como sabemos que você é a melhor, não irá custar nada.
— E que trabalho seria?
Não posso dizer agora, uma coisa de cada vez.
— Tudo bem, quando a hora chegar saberei, agora tenho que desligar.

Encerrei a ligação e olhei para frente, ambos estavam atentos a minha conversa com Dean, seus olhos cheios de curiosidade eram nítidos, eu sorri para eles de forma debochada e olhei para rua. Não demorou muito até que estacionou em frente à casa deles, saí tranquilamente pela primeira vez olhei ao meu redor para as casas que tinham na vizinhança. Toda vez que voltava para aquela casa me dava uma sensação de complemento, talvez porque nunca tive de fato uma família, e Dean era o único que considerava um pouco mais próximo de mim.

— Mãe, pai, Sam, chegamos. — gritou entrando com sua mala.
— Acho que ainda não chegaram. — estava com minha mala em sua mão direita — Vou colocar sua mala no quarto.
— Como quiser amor. — minha voz estava um pouco mais irônica que o normal, deu um sorriso de canto como se não importasse, mas gostasse das minhas palavras.

Senti uma respiração funda vindo de que estava trás de mim, ele deixou sua mala no pé da escada e se dirigiu em direção a cozinha, era de se esperar que ele não gostasse daquela brincadeira. Eu respirei fundo e subi as escadas até o quarto onde ficava com , quando entrei olhei para o lado e minha mala estava ao lado da porta do banheiro.

— Tomei a liberdade de guardar suas coisas no closet, acho que quando for voltar para Manhattan terá que comprar mais duas malas. — disse ele parado perto da janela olhando a rua.
— Agradeço por ceder um pouco de espaço para uma intrusa. — brinquei de leve mantendo minha atenção nele.
— A melhor intrusa que entrou em minha vida.
— Você quer mesmo que eu fiquei indefesa com esse olhar profundo? — eu ri de leve, mas ele manteve sua face séria, mas com uma serenidade espontânea — E essa voz chamativa?
— Talvez. — ele sorriu de canto sem menor remoço se eu iria ou não me deixar levar por isso.

Fiquei me perguntando qual seria os pontos positivos e negativos em escolher no final da disputa, era a primeira vez que pensava na possibilidade em entrar mesmo para aquela família. Mesmo que sua voz fosse atraente como a de , tinha algo a mais em seu olhar, algo que de alguma forma mexia comigo intensamente. Eu virei em direção ao banheiro, mas fui interrompida ao se puxada levemente pelo braço por , nossos rostos ficaram próximos por um tempo com a respiração sincronizada, até que finalmente ele me beijou.

 

“Vou lutar e procurar você todo o tempo
Eu nunca acreditei nas coisas que são para sempre
Mas se eu houver você, eu realmente quero acreditar.”
- Black Pearl / EXO



Capítulo 15


* POV — *

Era noite e estava no quarto deitada na cama mexendo em alguns arquivos no meu tablet, quando meu celular tocou, era Dean e com certeza meu próximo alvo.
— Diga. — disse meio desanimada olhando para o tablet.
Sua voz demonstra desânimo. — observou ele.
— Só agora depois de um banho quente meu corpo sentiu o cansaço.
Pense que está mais perto dos tempos de calmaria. — aconselhou ele.
— Não é só fisicamente, mentalmente estou cansada também. — respirei fundo — Mas consigo aguentar firme.
Então, tenho uma notícia que vai te deixar mais aliviada e animada.
— Surpreenda-me.
Seu próximo alvo está na mesma galeria em que irá visitar uma certa exposição.
— Você realmente não dá um ponto sem nó. — observei rindo de leve.
Pode parecer proposital, mas coincidências acontecem.
— Assuma, é proposital. — retruquei.
Ok, desta vez foi mesmo, este cliente está na fila de espera há um tempo querendo este objeto e agora que surgiu a oportunidade não podemos perder.
— Se você diz, espero que nestes últimos objetos esteja cobrando trinta por cento a mais.
Não se preocupe, sua conta estará recheada no final de tudo isso.
— Então, o que terá minha atenção na galeria? — assim que acabei de perguntar entrou no quarto e se dirigiu em direção ao banheiro, me mantive concentrada em Dean.
Um quadro de Debret, mas você deve agir de forma sutil e discreta.
— Ou seja, irei fazer uma substituição.
Sim. — confirmou ele.
— E como eu vou tirar um quadro de uma galeria sem chamar atenção em meio a uma exposição? — perguntei.
Sei que fará seu melhor. — ele riu de leve — Vou desligar agora.

Aquilo era normal e rotineiro, Dean sempre me dava os trabalhos mais difíceis e eu tinha que me virar para conseguir executar com perfeição, desta vez teria que estudar muito bem meu plano para que nada saísse do percurso em que eu traçaria. Tantas preocupações e minha mente insistia em não querer funcionar, meu cansaço era tão visível que até a mãe de notou, ela passou aqueles dias me perguntando frequentemente se eu estava mesmo bem para ir a exposição, caso eu não estivesse disposta ela entenderia. Mas o fato de eu ir não era mais um capricho do meu lado normal da vida, e sim mais um álibi para minha verdadeira vida.

— Não precisa ir se não quiser. — disse ao sair do banheiro enrolado na toalha — Minha mãe vai entender. 
— Hum. — eu fiquei olhando por um tempo para aquelas pequenas gotas que escorriam pelo seu abdômen, comecei a cogitar a ideia de ser proposital da parte dele, eu ri de leve — Não é somente por sua mãe.
— Ah. — ele riu de leve — A ligação do Dean, seu próximo objeto está em Paris.
— Sim. — assenti sem menor preocupação.
— Posso me arriscar a cogitar a ideia de que estará na galeria da exposição?
— Aprende rápido. — eu sorri tranquilamente e me levantei da cama — Minha vez de tomar banho.

Entrei rindo para o banheiro, desta vez eu me rendi aos encantos da banheira que tinha no banheiro dele e enchi de espumas me jogando dentro, finalizei com uma ducha bem quente em minha costas e quando voltei para o quarto ele já não estava mais lá. Eu tinha a opção de descer e desfrutar de um jantar em família com olhares enigmáticos entre eu, e , mas definitivamente minha mente estava pedindo por um daqueles momentos de silêncio de paz que só a minha casa e me proporcionava. Foi uma longa, revigorante e tranquila noite de sono, parecia que não existia mais mundo fora daquele quarto, quando abri meus olhos pela manhã me deparei com uma bandeja de café ao meu lado onde era o lugar de . Fiquei impressionada a primeiro momento, tanto que poderia afirmar que as pupilas dos meus olhos dilataram ao sentir o saboroso aroma daquele cappuccino de chocolate.


— Bom dia. — disse aquela voz grossa vindo da janela.
— Bom dia. — eu sorri de leve erguendo um pouco meu corpo ficando sentada.
— Não quis te acordar e como imaginei que acordaria com fome, então te trouxe isso. — ele estava sentado na janela me olhando com suavidade, seu jeito natural de agir comigo contribui para dar mais realidade a nossa relação falsa.
— Um marido como você, é até pecado não ser real. — sibilei um pouco, aquelas palavras arrancaram um sorriso disfarçado no canto dos lábios dele.
— Vou levar como um elogio, já que sei que não quer se envolver. — ele manteve seu olhar fixo em mim.
— E se eu mudar de ideia? — perguntei curiosa pela reação dele.
— Seria surpreendente. — ele desviou seu olhar para a rua por um momento e voltou a me olhar.
— Ouvi um nome um tanto sugestivo de . — comentei desviando minha atenção para a bandeja começando a escolher o que comeria primeiro.
— E qual seria?
— Taylor. — minha voz estava suave e tranquila, como se aquele nome fosse um qualquer.
— Se ouviu então sabe de quem pertence. — ele se levantou da janela — Está preocupara quanto a isso?
— Fiquei decepcionada em saber que não sou a primeira nesta brincadeira. — respondi desviando meu foco de atenção.
— Sei. — ele sorriu de canto — Não se preocupe, com você está mais divertido.

Disfarcei um sorriso e voltei para minha bandeja que estava saborosa, me deixou sozinha no quarto, eu já me sentia tão à vontade que para mim era normal. Tirei aqueles dias para me concentrar em como e quando eu trocaria os quadros e pegaria o verdadeiro, planos loucos e surreais eram comigo mesma e inacreditavelmente sempre davam certo. Enfim no dia anterior ao início da exposição, desembarcamos no aeroporto internacional de Paris, ficamos acomodados no Le Bristol Paris, a vista do quarto em que fiquei com era linda e inspiradora para um casal apaixonado, segundo a sua mãe.
Mesmo em meu esquema de concentração para o dia seguinte, aceitei o convite da minha querida sogra para dar uma volta pelo centro comercial e visitar a loja de sapatos de uma amiga. Eu realmente não conseguia resistir à tentação ao ver aqueles sapatos me olhando e quase gritando meu nome, acabei comprando dois da marca Prada de modelos diferentes. Mary ficou extremamente feliz por tê-la acompanhado e por ver que eu estava mais disposta do que nos dias passados, paramos em uma cafeteria para comermos algo e depois voltamos para casa.

— Vejo que o passeio rendeu bem. — comentou ao me encontrar no corredor na porta do meu quarto.
— Sim, sua mãe conhece bem as ruas de Paris. — eu sorri de leve.
— Estou vendo pelas sacolas. — ele riu de leve — Ainda tem seus encantos por sapatos?
— Pode se dizer que sim. — eu abri e porta e entrei no quarto sendo seguida por ele.
— Soube de um certo sapato cravejado de cristais que ganhou do meu irmão. — parou ao lado da porta encostando-se à parede.
— Segundo ele foi presente de casamento. — eu ri de leve colocando as sacolas em cima da escrivaninha ao lado da janela.
— Então este casamento é mesmo sério?
— Já te disse que tudo que me envolva pode ou não ser sério. — eu me virei para ele tranquilamente.
— Sim, você é uma caixa de mistério. — ele riu de leve dando alguns passos em minha direção — Gostaria de poder ver o que se passa em sua mente por pelo menos dez minutos.
— Só isso? — eu o olhei surpresa.
— Tenho certeza que dez minutos é o suficiente para descobrir o que eu quero.
— E o que você quer? — perguntei curiosa.
— Saber por quem seu coração bate. — respondeu ele tranquilamente se aproximando ainda mais de mim.
— Se descobrir, por favor compartilhe com os irmãos. — disse aparecendo da porta.
— Me desculpe rapazes, mas este é um segredo que não será tão fácil descobrir. — eu ri de leve caminhando em pouco em direção a porta, parando ao lado de .
— Fala assim porque não sabe ou está dividida? — virou sua face e me olhou sério.
— Não vou negar que é divertido, mas sempre irei pensar em vocês dois como meus álibis a primeiro momento.
— O trabalho vem em primeiro então? — perguntou .
— Ao contrário de uma outra pessoa, quero que este nosso joguinho seja limpo.
— Hum. — riu — Ainda está com a Taylor na sua cabeça?
— Tem certeza que não está com ciúmes? — completou com um olhar enigmático.
— Tenho um roubo para me preocupar, acha mesmo que vou ter tempo para ciúmes?
— E se eu disser que ela vai estar na exposição? — retrucou com aquele sorriso de canto malicioso.
— Hum. — se virou para porta lançando seu olhar para o irmão — Interessante, como soube disso?
— Ouvi alguns comentários sobre a lista de convidados. — respondeu ele tranquilamente.
— Ah... — eu ri de leve dando mais alguns passos em direção à porta — Não gosto desse tipo de quarteto amoro. — parei ao lado de e respirando fundo dei mais alguns passos para fora do quarto — Posso até achar interessante, se a quarta pessoa fosse um homem e tivesse interessado por mim.
— Suas palavras... — riu um pouco — Está parecendo mesmo que está com ciúmes de nós.

Ambos ficaram da porta rindo enquanto eu esperava o elevador, segurei o riso permanecendo séria. Seria mesmo ciúmes que eu estava sentindo deles? Era engraçado aquele sentimento, mas não deixaria que isso colocasse em risco minha concentração para a próxima noite. As horas passaram rápido e pontualmente às sete da noite de uma calorosa sexta feira, deu-se o início da exposição fotográfica do amigo de Mary, aproveitei o momento para usar um dos sapatos que comprei, combinado ao vestido que havia me dado de presente.

O lugar estava todo iluminado, tinha dois andares e uma fachada de vidro bastante luxuosa, era uma das mais visitadas galerias de arte, eu não tinha estado naquela galeria, porém Dean havia me enviado as plantas baixas para que eu pudesse analisar com cuidado cada passo dentro do lugar. Assim que entrei ao lado de , o fotógrafo veio em nossa direção para nos cumprimentar.

— Oh, que bom que vieram. — disse ele com um sotaque francês um pouco engraçado — Estou feliz por estarem aqui.
— Sim, eu disse que não deixaria de vir. — Mary sorriu de leve, ela estava de braços dados com seu marido — Quero te apresentar minha nora, ela também em fotógrafa.
— Oh, estava curioso para conhece-la você me falou tanto sobre ela. — disse o fotógrafo ao sorrir para mim.
— Me parece que já está famosa neste meio. — Sussurrou ao parar ao meu lado.
— Mais um álibi para mim. — disse em um sorriso disfarçado.
este é François, um dos melhores fotógrafos da França. — disse Mary em um sorriso de satisfação.
— É um prazer conhecer o senhor.
— Digo o mesmo, está entrando para uma bela família. — comentou ele.
— Ou não. — sussurrou em risos.
— Estraga prazeres. — sussurrei de volta — E se eu quiser?!

riu de leve, pois tinha ouvido tudo aquilo, eu me afastei um pouco deles, sendo levada pela senhora Mary e François para o segundo andar. Foi uma boa conversa técnica e artística sobre ângulos, enquadramento de câmera e sentimentos a serem passados através do olhar do fotógrafo. Depois disso eu nem precisava fazer um curso de aperfeiçoamento, estava entendendo por que ele era realmente um dos melhores.

 

* POV — *

Eu havia me perdido dela por um momento, tinha certeza que aquela noite ficaria ao lado de minha mãe em todo o tempo, o quase todo o tempo, já que ela teria um trabalho naquele lugar. Estava curioso para saber o que era e como ela iria roubar sem ser notada, acabou encontrando alguns amigos em um dos corredores. Me distanciei dele e fiquei olhando as fotografias que estavam expostas no térreo da galeria, até que parei em frente a foto de uma família na praia ao pôr do sol.

— Pensando em quando terá a sua? — disse uma voz feminina e sinuosa vindo de trás de mim.
— Ainda tentando saber meus pensamentos? — disse mantendo minha atenção a fotografia — Soube que seu nome estava na lista, mas não achei que tivesse coragem de aparecer.
— Digamos que eu estava com saudades dos meus velhos amigos. — disse ela dando mais alguns passos até parar ao meu lado.

Eu ri de leve, aquelas palavras pareciam irônicas com um toque de sarcasmo que me faziam lembrar . Virei minha face para o lado e a olhei com naturalidade, fisicamente Taylor ainda era a mesma mulher linda e atraente que brincou com o sentimento de dois irmãos. Porém ela não era mais a mulher que me atraía, ficamos nos olhando por um tempo e quando eu ia tomar a frente e iniciar a conversa a luz apagou de repente, deixando todo o lugar em completa escuridão.

Eu deveria achar estranho, porém naquele mesmo ambiente tinha uma mulher incomum que certamente estava iniciando mais uma de suas peripécias.

 

“Pode até parecer que eu não tenho nenhuma preocupação,
Mas na verdade eu tenho muito a dizer
A primeira vez que te vi, me senti tão atraído por você
Andando sem rumo, Não pude dizer uma palavra.”
- My Answer / EXO




Capítulo 16


* POV — *

Com toda a energia desligada, eu tinha exatos cinco minutos para executar meu plano até que o gerador reserva ativasse automaticamente, cinco minutos que poderiam passar como segundos. Retirei meus óculos noturnos da bolsa de mão e os coloquei, caminhei diretamente onde meu objeto de desejo estava, olhei em minha volta e tinha algumas pessoas por perto se apoiando nas paredes. Não me preocupei mundo e me voltei para meu trabalho, meu plano consistia em trocar os quadros, o verdadeiro ficaria comigo e o falso ficaria no lugar para não levantar suspeitas.

Era um trabalho minucioso, pois poderia ter algum alarme com energia extra atrás do quadro que poderia me denunciar, mas para minha sorte não tinha nenhum. Com certa dificuldade retirei o quadro da parede e com cautela fiz a troca ali mesmo, era sim algo de risco já que apesar de todo o lugar estar escuro, tinha muitas pessoas espalhadas pelos corredores. Mas meu foco estava ao máximo e com agilidade e destreza realizei aquela troca e coloquei o quadro falso no lugar, enrolei o verdadeiro com cuidado e coloquei no tubo de folhas que estava comigo.

Exatamente quando o cronômetro do meu celular apitou dentro da bolsa de mão encerrando os cinco minutos, as luzes voltaram, eu abaixei a face e retirei o óculos rapidamente o guardando novamente, disfarçando estar com minha visão incômoda pela luz repentina. Quando levantei minha face novamente estava ao meu lado me olhando com seriedade, ele desviou seu olhar para o quadro que estava na parede e depois para o tubo que estava em minha mão. Dando um sorriso de canto disfarçado ele voltou seu olhar para mim e ficou em silêncio como se esperasse alguma explicação de mim.

— Ah, , graças a Deus você está aqui. — disse Mary ao se aproximar de nós. — Fiquei preocupara com você.
— Ah, eu estou bem. — disse a ela dando um sorriso disfarçado.
— Oh, você não levou o tubo para o carro ainda? — perguntou ela surpresa em ver o objeto em minha mão.
— Bem, como as luzes se apagaram tão de repente, eu fiquei com receio de descer as escadas e acabar me machucando, então resolvi ficar aqui parada até tudo voltar ao normal. — era uma desculpa muito lógica e convincente de minha parte.
— Ah, que bom. — ela sorriu para mim e olhou para — E você? Onde estava?
— Com uns amigos que encontrei, até vir procurar pelas duas. — ele olhou novamente para o tubo — Mas o que está aí dentro?
— O François resolveu dar uma fotografia de presente para , um meio de motivar ela a se especializar ainda mais. — explicou a minha mãe — Para dizer a verdade eu estava interessada em comprar como presente meu, mas você conhece o François.
— Sei, conheço sim. — elevou seu olhar e me olhou nos olhos, havia algo como “que garota de sorte”, em seu olhar, me fazendo sorrir disfarçadamente.
— Bem, agora que tudo voltou ao normal, tenho que colocar isso no carro.
— Vou com você. — disse num tom autoritário.
— Agradeço a companhia. — eu sabia que não tinha como recusar já que a curiosidade estava saltando de seus olhos.

Nós descemos pela escadaria secundária e saímos pela segunda porta lateral, o carro dele estava estacionado em próximo da entrada, assim que chegamos em frente ao carro abriu o porta-malas em risos, eu me segurei para não rir junto e o olhei tentando ficar séria.

— Do que está rindo?
— Da sua cara quando me viu. — ele riu mais um pouco — Foi como uma criança sendo pega pela mãe fazendo travessuras.
— Seu bobo. — eu ri de leve e coloquei com cuidado o tubo no porta-malas — Tenho que disfarçar melhor minhas expressões faciais então.
— Para falar a verdade é divertido quando consigo finalmente ver nos seus olhos o que está sentindo. — ele fechou o porta-malas e me olhou novamente — Então, estou curioso, era aquele quadro seu objeto de desejo?
— Não mais. — eu ri de leve o fazendo perceber que o roubo estava concluído.
— Garota surpreendente você, e quando foi que minha mãe entrou no seu plano? — perguntou ele intrigado.
— Bem, eu precisava de um lugar para transportar tudo e quando ela disse que queria me dar uma das fotografias especiais de presente, vi uma oportunidade.
— Sua sorte é admirável. — ele deu um sorriso simples mas fofo — E devo presumir que uma impecável falsificação está no lugar do original neste momento.
— Digamos que sim. — eu sorri de volta para ele — Pensei que a troca seria a parte difícil, mas encontrar uma cópia é que foi a pior parte.
— Só uma dúvida, caso eles descubram que é falso o quadro, como ficaria suas digitais, já que não usou luvas? — perguntou curioso.
— O papel que está a falsificação possui uma resina especial muito difícil de detectar, essa resina impede que as digitais fiquem marcadas no objeto. — eu sorri de canto com satisfação por me preocupar com cada detalhe de meus serviços.
— Hum... Como sempre tudo termina perfeitamente como planeja. — ele estendeu seu braço me olhando tranquilamente — Vamos voltar para a exposição?
— Sim. — eu segurei de leve em seu braço — Acho que agora posso aproveitar como se deve.

Voltamos para a galeria entre risos e alguns comentários de sobre minha sorte excessiva em meus trabalhos, assim que entramos pela porta da lateral meu sorriso se desfez automaticamente ao ver conversando com uma mulher alta, ruiva e com um corpo que parecia ser de uma modelo. Percebi que acompanhou meu olhar ao ver que minha face havia ficado séria, senti que ele havia engolido seco, talvez ele não estivesse assim preparado para ver aquela mulher. Será que era a tal Taylor?

— Então finalmente encontramos você. — disse ao nos aproximarmos deles — E vejo que está acompanhado.
— Bem, fui deixado por minha família e acabei encontrando uma velha amiga pelos corredores. — explicou lançando seu olhar para mim.
— Então, como tem passado Taylor? — perguntou espontaneamente se mantendo sério e frio em relação a presença dela.
— Bem, minha vida só não tem andado tão agitada assim. — ela desviou seu olhar para mim — Você deve ser a .
— Talvez. — eu me afastei de dando um sorriso presunçoso — Vai depender do que ouviu a meu respeito.
— Ouvi que é uma amiga família. — disse ela num tom provocativo.

Ambos os irmãos deram um sorriso disfarçado, talvez fosse uma provocação de intencionada a ver minha reação, tanto ele quanto queria que eu me decidi entre eles e não deixar suas vidas, eu iria jogar aquele jogo em grande estilo e sem deixar meu lado misterioso ser afetado.

— Quem sabe eu seja bem mais que isso. — eu olhei para com um sorriso malicioso o fazendo sorrir de volta e voltando meu olhar para ela — Vou ver onde minha querida sogra está.           

De cabeça erguida e andar sinuoso me afastei deles, por fora parecia normal, mas por dentro estava rindo. Encontrei a senhora Mary com o pai deles e Sam conversando com François logo na entrada principal, eles falavam sobre o sucesso que a exposição estava sendo.

— Ah, encontrei vocês. — disse ao me aproximar deles de forma natural.
— Querida, que bom que chegou, François estava me dizendo de um curso de aperfeiçoamento para fotos noturna que vai começar em uma escola especializada em Milão.
— Nossa, parece interessante.
— Uí. — concordou François — É somente para profissionais recomendados, como sou muito amigo do dono da escola, posso te colocar na lista.
— Sério? — aquilo havia me deixado surpresa.
— Seríssimo, tenho certeza que você vai adorar.
— Já estou adorando só de ouvir. — eu sorri de leve.
— Sabia que você iria gostar. — Mary me olhou com os olhos brilhando.
, você já se encontrou com a ex dos meus irmãos? — perguntou Sam curioso.
— Aish, menino. — Mary bateu de leve no braço dele — Pare de fazer perguntas inoportunas.
— Ai, omma. — ele se encolhei de leve — Doeu.
— Se está falando da Taylor, sim eu a conheci há alguns minutos. — respondi tranquilamente.
— Ah, querida. — Mary me abraçou de leve, era bom o carinho dela por mim, sentia como o carinho de uma mãe — Não queria te tivesse passado por isso.
— Não se preocupe, estou bem. — disse a tranquilizando.
— Aquela garota, nunca gostei dela. — comentou o pai deles num tom frio — Não é como você, ela não tem princípios.
— Concordo querido. — Mary me olhou com carinho — Estou feliz que nosso filho tenha te conhecido.

Eu sorri agradecida pelo carinho deles, mas lá no fundo estava sentindo um pingo de remorso, tinham uma boa imagem de mim e mal sabiam eles quem eu era de verdade. Ficamos mais alguns minutos conversando com François até que Mary decidiu voltar para casa, ela iria no carro do marido com Sam. Eu resolvi esperar por meus álibis, pois ainda tinha um serviço para terminar, fiquei encostada em frente ao carro de esperando eles saírem da galeria. Assim que ambos saíram acompanhados da tal Taylor mantive minha face despreocupada e meu olhar sínico de quem não se importa com eles.

— Estávamos te procurando. — disse ao se aproximar acompanhando de .
— Agora encontraram. — disse naturalmente ao olhar para Taylor entrando em seu carro que estava poucos metro à frente.
— Devemos pedir desculpas por ter nos esperado tanto. — perguntou .
— O que? — eu ri de leve vendo a concentração deles em analisar minha reação — Não acredito, acha mesmo que estou aqui por causa de vocês dois?
— E não está? — retrucou .
— Óbvio que não. — continuei com meu olhar sereno — Tenho um objeto de desejo no seu porta-malas, então deve imaginar que vocês dois seriam a última coisa que eu me preocuparia nesta noite.
— Então você realmente efetuou a troca durante o apagão. — concluiu .
— Claro. — eu ri novamente — Ah, vocês me conhecem a tempo o suficiente para saberem que esse tipo de situação que tentaram provocar hoje, jamais iria me fazer voltar minha atenção para o que não é necessário para minha vida.
— O que está tentando dizer? — perguntou de forma seca e amarga.
— Que em nenhum momento, por menor que fosse eu senti ciúmes de vocês.

Minha voz soou de forma tão natural, leve e convincente que até eu por um breve momento acreditei que não estava mesmo com ciúmes dessa tal Taylor, porém infelizmente aquele sentimento estava bem aceso dentro de mim. Eles permaneceram em silêncio, tinham acreditado em minha declaração certamente, passamos todo aquele tempo em silêncio até que estacionou em frente a uma cafeteria 24hrs. Meu destinatário estava sentado no banco ao lado da porta com um tubo de folha na mão do mesmo tamanho que o meu.
Em poucos minutos retirei a fotografia que tinha ganhado do meu tubo e entreguei ao homem pegando o que estava na mão dele. Era certo que eu não poderia sumir ou deixar que meu presente fosse degradado, eu havia gostado de ganhar aquela fotografia e como Mary havia previsto aquela exposição tinha me deixado ainda mais encantada por aquela profissão que seria meu novo hobby.

* POV — *

Assim que voltamos para o hotel, se dirigiu para o elevador sem se importar comigo ou , nós ficamos parados no hall a olhando de longe. Eu não teria coragem de entrar naquele quarto junto com ela, e já imaginava isso, após entrar no elevador, meu irmão me arrastou para o bar do hotel.

— Não acredito. — disse olhando para seu copo.
— O que está falando agora? — perguntei.
— Não acredito que ela não tenha sentido nada. — desabafou ele em um suspiro fraco e cansado — Tenho certeza que ela ama um de nós dois, ou os dois na pior das hipóteses.
— Não acho que conseguiria viver isso novamente. — desabafei também — Não quero dividir ela com você.
— É recíproco de minha parte. — ele me olhou — O que deu na sua cabeça de dizer que ela era amiga da família?
— Queria ver a reação dela. — respondi pegando a garrafa de soju e tomando um gole — Mas acho que neste jogo ela sabe jogar melhor.
— Ela sempre foi assim, boa demais para esconder o que sente. — ele suspirou novamente — Tão boa que a gente até acredita.
— Posso te fazer uma pergunta?
— Faça.
— O que você sentiu ao ver a Taylor?
— Não sei, raiva talvez? — ele me olhou — Por que?
— Não sei, eu acho que senti alívio, se não tivesse acontecido isso talvez eu não tinha conhecido a .
— Agora fiquei com mais raiva ainda.
— Por que?
— Porque sem você na vida da , eu teria cem por cento de chance.

Nós começamos a rir do nada, dois bêbados novamente apaixonados pela mesma mulher.

 

“Há curiosidade em seus olhos,
Você já está apaixonada por mim
Não tenha medo, o amor é o caminho
Meu amor, eu entendi
Você pode me chamar de monstro.”
- Monster / EXO



Capítulo 17


* POV — *

Já entrei no quarto me espreguiçando e tirando o sapato, precisava de uma noite de sono cheia de silêncio e descanso, afinal ainda tinha mais três roubos antes das minhas merecidas férias. Coloquei o tubo na escrivaninha e comecei a ouvir um barulho estranho vindo da minha bolsa de mão, era o celular vibrando.

LT na linha. — disse atendendo a ligação.
Pelo seu tom de voz, não me parece nada bem. — já comentou ele, Dean me conhecia mesmo.
— Problemas pessoais. — expliquei sem detalhes — Objeto entregue.
Sim, estou abrindo a mensagem de confirmação agora mesmo. — confirmou ele — Mas ainda vou querer saber a causa de sua voz estranha.
— Minha voz não está estranha. — retruquei.
Está com um tom de irritada. — insistiu.
— Ok. — assenti alterando um pouco o tom da minha voz — Estou mesmo irritada.
E posso saber qual a parte do problema pessoal que te deixou irritada? ou ?
— Ambos. — respirei fundo indo até a janela e olhando a rua — Estou ficando louca.
Isso é só por não conseguir se decidir entre um deles? — Dean riu de leve, pude ouvir por um momento o som dele digitando no teclado do computador.
— Não é isso, se fosse estaria mais tranquila, só que apareceu alguém do passado deles.
Uma garota?
— Sim. — eu sentei meio esquinada na janela e olhei para o céu.
Você sabe que a definição deste sentimento é ciúmes, não sabe? — dava para perceber que ele estava segurando um pouco o riso.
— Não importa a definição, não quero sentir isso. — suspirei forte — Estava indo muito bem sem eles, quero voltar ao que era antes.
Pequena T, nunca será como antes, agora que já provou do amor dos dois.
— Não está me ajudando. — recriminei ele de leve.
Só estou sendo sincero, e por falar em sincero, você já sabe por qual dos dois está com ciúmes, ou seria pelos dois? — e rindo — Bigamia é crime querida, e não é bem visto pela sociedade.
— Não teve graça nenhuma.
Teve sim. — ele riu um pouco mais — Não fique assim, estes sentimentos são naturais quando se sente algo por alguém.
— Só quero que tudo isso acabe, para que eu possa me afastar dessa família logo.
Está se apegando de mais a eles.
— Pior. — eu olhei para a porta e vi a maçaneta se mexer — Já estou apegada.

A porta se abriu, era , assim que ele estrou tentando se manter de pé eu desliguei o telefone. Ele se apoiou na parede e ficou me olhando, em sua face dava para perceber que parecia arrependido de ter ficado bêbado, seu olhar era de cachorro sem dono, segurei o riso e me afastei da janela. Segui alguns passos em sua direção e quando passei por ele, me pegou de leve pela mão me fazendo parar.

— Não era minha intenção. — sussurrou ele.
— Está falando do que?
— Taylor. — ele me olhou profundo nos olhos, acho que queria que eu visse o quanto estava sendo sincero comigo.
— Já disse que isso não me interessa. — dei um passo para continuar, porém ele segurou um pouco mais forte em minha mão.
— Quero que ouça uma coisa.
— O que?
— Isso. — ele me puxou para mais perto dele colando nossos corpos, com suavidade ele tocou em minha cabeça me fazendo encostar em seu tórax — Está ouvindo?
— Seu coração? — eu suspirei fraco — Sim.
— Que bom, por que ele só bate por você. — sussurrou ele de forma doce.

 

* POV — *

Eu não acreditava que tinham me afastado do caso da Cassie e pior com uma desculpa de férias, alguma coisa estava errada nessa decisão dos meus superiores e eu precisava que descobrir por que. Tinha acabado de tomar uma ducha, assim que saí do banheiro com uma toalha enrolada em minha cintura, percebi uma movimentação suspeita em meu apartamento. Peguei uma das armas que escondia embaixo da escrivaninha ao lado da porta a caminhei lentamente pelo corredor até a sala.

— Oi amor. — disse Louise ao fechar a geladeira com a garrafa de suco em suas mãos — Não sabia que tinha voltado de viagem.
— Ah. — eu suspirei aliviado por ter mantido a arma abaixada e colocando-a em cima da bancada a olhei sério — Poderia ter entrado anunciando.
— Desculpa. — ela me olhou fazendo cara triste.
— Segundo meus superiores eu preciso de um tempo para minha vida pessoal. — expliquei indo em direção a ela.
— Hum. — ela sorriu de leve — Traduzindo, mais tempo para mim?
— Me desculpe, mas não estou conseguindo imaginar isso. — eu envolvi meus braços em sua cintura de leve e a beijei.
— Bem que poderia. — ela ficou me olhando por um tempo fazendo biquinho — Ando muito enciumada, não é fácil para mim namorada um homem que tem fotos de outra garota espalhadas pelo seu apartamento.
— Sabe que é parte do meu trabalho. — relembrei fazendo-a se aninhar ainda mais em meus braços.
— Sim. — ela concordou — Mas não quer dizer que seja fácil.
— Eu até estava chegando a um lugar, mas agora estou paralisado pelo sistema.
— Talvez você possa fazer isso de forma anônima. — sugeriu ela.
— Anônima? — a olhei surpreso, não tinha pensado sobre isso.
— Já que está tão empenhado.

Eu me afastei dela e caminhei até minha mesa de trabalho, olhei superficialmente todas aquelas fotos de Cassie espalhadas na mesa com as várias pastas de informações abertas.

— Qual o nome dela? — perguntou Louise parando ao meu lado e pegando uma das fotos — Até que não é feia.
— Aparentemente achei que fosse Cassie, mas agora tenho minhas dúvidas.
— Por que? Ainda acha que é a garota do aeroporto?
— Talvez. — eu respirei fundo — Seria muita coincidência não ser ela, mais as histórias de ambas não batem.
— Toda pessoa que vive em contravenção precisa de um álibi. — Louise continuou a olhar a foto.
— Sinto que está muito ansiosa para que eu termine minhas investigações. — eu a olhei demonstrando estar desconfiado.
— Claro que sim. — ela colocou a foto na mesa e me olhou — Se você finalizar este caso essa fotos desaparecerão daqui e talvez você vai ter olhos somente para mim, até que o próximo caso chegue.
— Ah, sua boba.

Eu sorri de leve para ela e a beijei novamente, de repente meu celular tocou e me afastando atendi. Era Peter, um amigo de confiança que trabalhava em um setor administrativo da Interpol, eu havia pedido para ele descobrir que pessoa tinha pedido para me afastar do caso da Cassie, sabia que não era mesmo uma ideia do meu chefe. A ordem havia vindo de alguém estritamente superior, alguém do governo americano que curiosamente queria que este nome Cassie fosse apagado dos registros, eu iria encontrar esta pessoa.

Peter concordou em descobrir quem era esta pessoa do governo, ele sempre dava um jeito de encontrar tudo que eu pedia para ele procurar, no fundo seu desejo era ser um agente de campo como eu. Antes de desligar eu precisava confirmar a localização de uma pessoa, que para minha surpresa estava tão perto de mim, troquei de roupa rapidamente, organizei alguns arquivos que iria precisar para dar continuidade as minhas investigações, verifiquei o pouco dinheiro que havia em minha carteira e peguei minhas chaves.

Estava mesmo disposto a não desistir de descobrir a verdade, antes de saí abri de leve a porta do banheiro, Louise estava tomando uma ducha, a fiquei observando por um tempo, ainda não sabia se tinha feito o certo contando tudo sobre meu trabalho para ela. Fechei a porta do banheiro e ouvi o chuveiro sendo desligado, sorri de canto e caminhei até a sala.

— Acha mesmo que vai ir sem me dar um beijo de despedida? — perguntou ela enrolada na toalha.
— Claro que não. — eu sorri de leve e caminhei até ela.

Louise apresar de se mostrar delicada era intensa quando queria provar que me amava, estávamos junto há dois anos e parecia bem mais que isso. Peguei um táxi até a estação e pouco mais de quatro horas de trem cheguei a Paris, as coordenadas eram exatas, porém não iria me mostrar diretamente, afinal a vida é feita de encontros casuais. E aquele seria muito mais que casual, desta vez aquela mulher não iria fugir de mim como em Marrocos, não com tanta facilidade.

— Oh, me desculpe. — disse ao esbarrar nela propositalmente, estava parada na porta de uma loja de sapatos olhando a vitrine.
— Não foi... — ela parou por um momento parecia surpresa em me ver — Nada.
— Você parece um pouco mais surpresa do que deveria. — comentei enigmaticamente, se ela fosse realmente Cassie, esperaria mesmo não me ver.
— Bem, Paris é uma cidade grande, mas ironicamente parece que o mundo é pequeno. — seu olhar ficou um pouco mais seguro e sereno, como se ela conseguisse se recompor sob qualquer situação com rapidez.
— Tenho que concordar, já que estamos sempre nos esbarrando agora. — eu sorri de canto, queria muito que ela perdesse aquela sua compostura, mas era admirável seu controle diante de mim.
— Surpreendente. — sua voz passava firmeza e ao mesmo tempo malícia, talvez fosse divertido para ela estar naquela situação com uma pessoa que quer muito acabar com sua vida de crimes.

Mesmo que não fosse realmente Cassie, havia algo nela, uma áurea de mistério que me puxava como ímã, eu precisava urgentemente saber quem ela era de fato. Se era mesmo a ladra profissional Cassie, ou somente uma mulher atraente e misteriosa que havia sido confundida com outra pessoa.

— Já que nos encontramos novamente, posso te convidar para almoçar? — perguntei meio presunçoso.
— Você sabe que sou uma mulher comprometida. — respondeu ela vagamente como esperado.
— Um almoço entre amigos, . — eu intensifiquei meu olhar — Só quero te conhecer um pouco melhor.
— Posso aceitar, com a condição de te conhecer melhor também. — ela sorriu de canto, sabia que era recíproco a curiosidade de um sobre o outro.
— Com prazer.

Eu a levei ao 58 Tour Eiffel Restaurant, a vista da torre era linda e seria um lugar tranquilo para conversarmos. parecia mais atraída pela vista e paisagem, logo ela retirou sua câmera profissional da bolsa e começou a fotografar, eu fingi estar distraído, mas sempre a observava com atenção em suas poses de fotógrafa procurando pelo melhor ângulo, ela parecia mesmo uma profissional experiente.

— Aqui é realmente lindo. — disse ela ao se sentar na cadeira — Dizem que Paris é a cidade do amor, e com esta vista seguido do seu convite, muitas mulheres ficariam desconfiadas e pensariam outra coisa.
— Tem minha palavra que minhas intenções são honestas. — eu sorri de leve.
— Vou acreditar. — ela sorriu de volta, estava um pouco mais espontâneo de inocente aquele sorriso, algo mais natural saindo dela.
— Posso tirar uma curiosidade?
— Talvez.
— Por que sapatos?
— Não entendi. — ela desviou seu olhar para a vista proporcionada pela torre.
— Por que compra tantos sapatos?
— Mais uma de suas investigações?
— Talvez. — eu continuei a olhando, analisando com cuidado suas expressões faciais e corporais — Afinal eu não disse que queria te conhecer.
— Esta é uma pergunta um pouco inesperada. — ela parecia estar sem resposta, ou pelo menos parecia não saber o que responder.
— Posso responder ela depois? — perguntou rindo de leve — Por que eu realmente não sei como formular esta resposta.
— Uau. — eu estava admirado — Mas posso ver que gosta muito de sapatos.
— Sim, que mulher não gosta de sapatos.
— Posso então pedir para ser convidado para seu casamento? — perguntei tranquilamente — Já que está noiva.
— Hum, claro. — ela me olhou serenamente — Me dê seu endereço que envio o convite — Quem sabe assim você se convence realmente que eu não sou ela.
— Ah, ainda acha que estou te perseguindo? — perguntei dando um ar de ofendido.
— Entenda como quiser. — seu sorriso malicioso e chamativo havia aparecido novamente, logo seu olho se desviou de mim para alguém que estava atrás de mim.

Me virei e era um rosto conhecido, acho que o homem tinha alguma relação com o noivo dela.

— Boa tarde. — disse o homem ao se aproximar de nossa mesa — Espero não estar atrapalhando.
— Claro que não. — respondi de imediato.
este é , acho que deve se lembrar dele. — disse ela ao olhar para mim novamente.
— Ah sim, o agente do aeroporto, prazer sou o irmão do noivo dela.

“O jeito que você chora, o jeito que sorri
O quanto isso significa para mim?”
- Sing For You / EXO




Capítulo 18


* POV — *

Foi divertido ver como agia e reagia perante a presença de , eu tentava disfarçar a intensidade do meu olhar quando me olhava, mas acho que conseguiu perceber que estávamos quase que conversando por telepatia. O tempo passou e após a sobremesa maravilhosa de morango com chocolate que degustamos, recebeu uma ligação que parecia importante e se despediu de nós. A parte legal é que ele pagou nosso almoço antes de ir embora, ficou me olhando por um tempo, curioso para saber qual seria minha explicação da vez.

— Nada de ciúmes querido. — disse rindo um pouco — Sua cara agora está muito engraçada.
— Imagino, mas não muda o fato de estar curioso sobre isso.
— Digamos que desta vez até eu fui pega de surpresa. — admiti respirando fundo, tinha mantido minha pose superior todo aquele tempo, temendo não conseguir manter.
— E desta vez o que ele queria?
— Para minha não surpresa, me conhecer melhor.
— Você não disse que ele estava de férias? — relembrou .
— Sim e ele está. — eu olhei para a paisagem — Segundo ele, desta vez foi mesmo uma coincidência, já que ele mora da na cidade de Lyon, perto do prédio da Interpol e veio visitar um amigo aqui em Paris.
— E como ele te achou? — parecia tão preocupado quanto eu e tinha razão, mesmo Dean afirmando que estava tudo bem.
— Trombamos na rua.
— Nossa, muito proposital isso. — insinuou ele em um tom irônico.
— Também achei, pelo menos ele sabe que não está brincando com uma amadora.
— Mas no fundo senti que você estava um pouco desconfortável. — seu olhar estava sério e preocupado.
— Eu sei me cuidar. — pisquei de leve para ele e sorri — Acho melhor assim, manter os amigos perto e os inimigos mais perto ainda.
— Onde aprendeu isso?
— O que acha?
— Dean.

Levantamos da mesa e saímos da Torre em risos, sempre com seu lado divertido agia naturalmente comigo como no passado, parecíamos um casal de namorado no meio da rua. Eu tentava me afastar um pouco dele, às vezes tirava mais algumas fotos da cidade para disfarçar, mas em alguns momentos tinha uma sensação estranha de estar sendo vigiada, mas ele sempre me fazia relaxar um pouco e esquecer aquela parte chata e cautelosa da minha vida. Mais que um homem que era apaixonado por mim há um tempo, ele tinha um lado amigo que me fazia ficar mais tranquila e segura que o normal, mas claro que eu não admitiria para ele que sua companhia me mantinha calma.

— Hum, chegamos bem na hora. — disse quando nos aproximamos do sofá em que sua família estava reunida na área de estar vip do hotel.
— Estávamos mesmo falando de vocês. — disse Mary dando um largo sorriso para mim — Então , conseguiu encontrar o sapato que estava procurando?
— Espero que tenham falado bem de nós. — brincou se encostando na coluna que havia ao lado da poltrona em que seu pai estava sentado.
— Ah, encontrei sim, mas não deu tempo de comprar. — respondi tranquilamente me sentando ao lado de , guardando minha câmera na bolsa transversal que estava comigo — Encontrei um velho amigo na rua e ele me convidou para o almoço.
— Que amigo? — perguntou ao me olhar.
. — respondeu segurando o riso.
— É. — desviei meu olhar para nos encontrou e almoçou com a gente.
— Foi interessante. — reforçou rindo baixo.
— Imagino. — desviou seu olhar para o lado suspirando fraco, mais um reocupado comigo sem motivos.
— Bem, existe uma coisa que eu queria perguntar. — disse Mary demonstrando empolgação.
— Fique à vontade. — retribui com um sorriso curiosa.
— Vocês já escolheram a data para o casamento?

Nesse exato momento, eu, e começamos a tossir juntos, era de se esperar que aquela pergunta pegasse a nós três de surpresa. Eu tentei manter meu olhar longe dos dois, não sabia o que responder para ela, não sabia nem mesmo o que responder para os dois sobre o que sentia por eles, ou melhor lá no fundo eu sabia, mas negaria até a morte.

— Mãe. — tentou se recompor — Está muito cedo para falarmos disso.
— Ah, é que eu não sei a quanto tempo vocês estão juntos e queria tanto organizar a cerimônia, e você sabe que nossa família é tradicional.
— Mãe, por favor. — disse num tom baixo — Não acho que aqui seja apropriado.
— Espera, quando diz tradicional?? — perguntei sem entender a expressão.
— Bem, eu e meu querido não queríamos ter netos com vocês ainda noivos.
— Netos?! — dizemos eu, e juntos e tossimos um pouco mais.
— Sim. — ela sorriu de leve com uma naturalidade.
— Nós aceitamos estes relacionamentos modernos de hoje em dia. — disse o pai deles desviando seu olhar para mim — Mas o sonho de todos pais é verem seus filhos com ótimas esposas e muitos netos pela casa.
— Não está muito cedo para a noona te dar netos pai? — perguntou Sam rindo no canto com sua atenção para o celular, parecia estar jogando.
— Ah, vocês são jovens e cheios de energia. — Mary me olhou com carinho — Tenho certeza que já pensaram em ter filhos.
— Hum?! — eu já não estava mais conseguindo raciocinar direito com aquela conversa toda de tradicional, netos e relação moderna.
— Omma, appa?! Estão assustando a . — reclamou , com certeza ele não estava gostando de tudo aquilo.
— Tenho que concordar. — num tom baixo se levantou — Mesmo sendo modernos não teremos filhos e não esperem por um casamento.

Ele se dirigiu para a porta e caminhou seguindo para o hall, eu continuei em silêncio tentando colocar minha mente em ordem, também saiu da sala, parecia mais decepcionado ainda. Mary se levantou da poltrona que estava sentada e se sentou ao meu lado, pegando minha mão com um sorriso doce.

— Querida, me desculpe se te deixamos desconfortável.
— Só desconfortável?! — Sam riu de leve — A senhora quase jogou ela no altar agora, isso é necessidade de desencalhar o hyung?
— Yah, menino, fique quieto. — reclamou ela.
— Não precisa se desculpar. — eu sorri para ela de leve — Eu só fiquei surpresa, não imaginava que realmente a senhora tinha me aprovado.
— Tenho a imensa certeza que você é a mulher certa para meu .

A sinceridade era nítida em seu olhar e isso me fazia me sentir ainda mais mal, meus planos era não me apegar a eles e Mary era um dos motivos para que eu quisesse mesmo entrar para aquela família. Mary era a mãe que eu nunca tive e gostaria de ter pelo menos uma vez na vida, mas me sentia mal por mentir para ela, não somente para ela como também para o senhor Hwang, ambos me acolhiam como filha deles, até mesmo Sam me tratava como uma irmã.
Após um longo abraço de Mary, eu me levantei do sofá e fui atrás dos dois irmãos, estavam mesmo frustrados com aquela pequena reunião de família, ambos no bar do hotel com seus copos na mão.

— Uah, então é aqui que vocês dois terminam? — brinquei me sentando na banqueta que estava entre os dois.
— Aceita?! — disse levantando um pouco seu copo para mim.
— Não obrigada, tenho que manter minha saúde, segundo seus pais terei muitos filhos. — não consegui deixar de rir.
— E já escolheu o pai? — me olhou sério.
— Seria errado querer ter um filho de cada? — brinquei ainda mais, eu sabia como deixá-los irritados fácil.
— Não tem graça. — olhou para frente — Bigamia é crime.
— Não é a primeira pessoa que me fala isso. — eu ri de leve, arrancando um riso baixo deles.
— Você gosta mesmo desse jogo. — comentou .
— Não se preocupem meninos, daqui três serviços terão sua carta de liberdade.
— O que?! — disseram juntos e olharam para mim.
— Isso mesmo. — olhei para e depois para — Daqui mais três serviços terei minhas férias e...
— Você vai embora. — concluiu .
— Talvez não. — retruquei — Mas prometo a vocês dar uma resposta após meu último serviço.
— Uma resposta? — tomou o último gole que estava em seu copo.
— Sim, ficando ou partindo, vocês terão uma resposta. — eu me levantei da banqueta.
— Devemos mesmo esperar? — perguntou .
— Façam como quiser. — respondi enigmaticamente como de costume.

Me afastei deles e saí caminhando, entrei no orquidário do hotel e retirei a câmera da bolsa, passei algumas horas ali dentro fotografando. Aquele novo hobby era como uma terapia para mim, algo que me mantinha minha mente relaxada e ao mesmo tempo focada, não me deixando pensar em problemas ou situações de riscos. Estava começando a achar que tinha mesmo um certo dom para fotografia, se não fosse ladra profissional talvez essa poderia ser minha profissão.

Não vi a hora passar e quando retornei para o quarto, já estava deitado na cama lendo um livro. Continuei em silêncio a primeiro momento e deixando minha bolsa e a câmera na escrivaninha, entrei no banheiro, após uma ducha rápida e relaxante, entrei no closet coloquei um pijama e voltei para o quarto. Peguei minha câmera novamente e sentando na cama ao lado dele, comecei a olhar as fotos que tinha tirado naquele longo dia.

— Está mesmo gostando deste novo hobby. — comentou ele desviando sua atenção para minha câmera.
— Digamos que sim. — eu sorri espontaneamente enquanto passava as fotos e excluía algumas que estavam ruins.
— Está melhorando a cada dia. — elogiou ele — Vai mesmo fazer o curso que o François recomendou?
— Claro, estou pensando seriamente nisso.
— Tenho certeza que vai gostar. — ele suspirou fraco — Pelo menos ainda terá um álibi quando tudo isso terminar.
— Falando assim parece até que vou me aposentar. — eu ri e olhei para ele — Só vou sair de férias.
— Você sabe o que eu quis dizer. — ele me olhou fixamente, mesmo triste seu olhar ainda mantinha aquela intensidade que me deixava desnorteada.
— Você, sempre querendo antecipar minhas ações. — eu voltei minha atenção para a câmera e continuei passando as fotos.
— Hum. — murmurou ele ao ver uma foto de — Seu velho amigo me pareceu bem à vontade com sua sessão de fotos.
— Verdade, achei até estranho ele me deixar fotografá-lo. — eu ri de leve e passei mais algumas até chegar as que tinha tirado de — Mas seu irmão também é muito fotogênico.
— Estou vendo. — ele desviou deu olhar para o livro que estava em sua mão — Me parece que você encontrou bons modelos pessoais.
— Tem razão. — eu posicionei a câmera e tirei duas fotos dele em ângulos diferentes.
— O que está fazendo? — ele me olhou.
— Fotografando mais um modelo pessoal meu. — respondi tranquilamente — E se servir de consolo, você é bem mais espontâneo.
— Apaga isso, nunca fui fotogênico. — ele empurrou de leve minha mão que estava na câmera.
— É porque nunca encontrou uma profissional como eu. — posicionei novamente a câmera e tirei outra foto dele.
, não. — ele colocou a mão na frente — Não gosto.
— Ah, reclama que tiro foto de outro e não quer ter uma sua?
— Vou apagar isso.
— Não vai mesmo.

Ele tentou pegar a câmera da minha mão, nossa brincadeira acabou nos derrubando um pouco, terminamos comigo deitada e ele em cima de mim, nossos olhares estavam fixos um no outro e nossa respiração em sincronia. Meu coração acelerou um pouco e sem entender o porquê, meu olhos se fecharam, talvez estivesse esperando algo acontecer e realmente depois de um longo instante, ele me beijou com suave da e doçura no início, deixando a intensidade e malícia para o final. Meu corpo de aqueceu de forma rápida, senti suas mãos acariciarem meus cabelos, aquele momento estava ficando profundo até que meu celular tocou.

— Eu... — ele se afastou um pouco de mim — Acho melhor atender.
— É... — eu olhei para o lado procurando o celular — Também acho.

Eu me levantei da cama e peguei o celular dentro da minha bolsa, olhei para a tela, mais uma vez era meu querido sócio estragando o clima que parecia bom.

LT na linha. — disse recuperando um pouco o fôlego.
Espero não estar atrapalhando. — disse ele tranquilamente.
— Não, não está. — respirei fundo — O que deseja?
Preciso de você em casa.
— Como assim em casa? — perguntei sem entender.
Em Manhattan. — explicou ele.
— O que aconteceu? — estava um pouco apreensiva.
Fique tranquila que ele está sendo cuidado.
— O que aconteceu com o Cronos? — perguntei tentando não me desesperar, já imaginava que fosse com meu filhote.
Seu cachorro só teve um leve momento de depressão e não estava se alimentando direito.
— Não acredito, a culpa é sua. — disse com minha voz um pouco alterada — Se tivesse me dado as férias, fico longe dele e isso acontece, Dean de alguma coisa acontecer com o Cronos.
Calma LT, você vai pra casa fica uma semana com ele e vai ficar tudo bem.
— Assim espero.
Seu vôo está marcado para amanhã às sete.
— Ok.

Eu desliguei o celular e o joguei na cama, respirei fundo passando a mão em meus cabelos, não acreditava que aquela rotina longe de casa estava afetando negativamente o ser que eu mais amava.

— Você parece um pouco nervosa. — disse ao se aproximar de mim — Quem é Cronos? O que ele tem?
— Cronos é meu cachorro. — eu respirei fundo — Ele está doente e eu tenho que voltar para Manhattan amanhã cedo.
— Nossa, eu lamento. — ele parecia não saber como reagir a situação. — Já tem um vôo reservado?
— Sim, vou às sete. — suspirei fraco — Uma semana em casa, foi o máximo que consegui.
— Vejo que se preocupa muito com o Cronos.
— Sim, ele me entende. — eu sorri de canto.

me abraçou de leve, parecia querer me consolar ou algo do tipo, seu abraço era confortável e bom.

“Você é linda, minha deusa
Mas você está fechada, sim, sim
Eu vou bater, então, você irá me deixar entrar?
Irei te dar uma emoção escondida”
- Monster / EXO




Capítulo 19


* POV — *

As horas se passaram comigo em claro arrumando minhas malas, fiquei impressionada quando percebi que o número tinha se multiplicado, de uma mala para três, seria sim uma oportunidade de levar para casa todas as coisas que tinha comprado e ganhado. Meu sapato de cristais e a fotografia estavam muito bem guardados na terceira mala, além de outras coisas que tinha comprado para mim ao longo desse tempo que estava em Paris. Foi estranho me despedir assim tão cedo de Mary, havia mesmo me apegado a ela como uma mãe, a parte divertida foi Sam dizendo que eu estava fugindo para não ter que dar netos a eles em um tom de brincadeira, que acabou deixando e mau-humorados.

Despedidas costumam ser tristes, mas esta foi um tanto engraçada e animada, acomodou minhas malas no carro e me levou no aeroporto, foi junto com a desculpa que estava pegando carona até o centro da cidade. Passamos todos o caminho em silêncio, eu estava preocupada demais com Cronos para dar atenção a eles.

— Não quer mesmo a companhia de um de nós? — perguntou inocentemente.
— Acha mesmo que esta LT vai nos levar até sua casa?! — riu um pouco — Claro que não.
— Que bom que sabe. — eu sorri gentilmente — Não se preocupem garotos, eu ficarei bem.
— Desejamos melhoras ao Cronos. — disse com sinceridade no olhar, ele parecia mesmo preocupado.
— Estão tão acostumados comigo por perto que nem conseguem esconder o olhar de saudades. — eu ri — E eu nem embarquei ainda.
— Agora percebe a influência que está causando em nós?! — desviou o olhar dando um sorriso de canto.
— Vou agora, hora do embarque.

Deu um abraço um pouco demorado em cada um, não era costume meu agir com tanto afeto assim, só com o Cronos. Desembarquei horas depois, um táxi particular já estava à minha espera, assim que o carro parou e frente à minha casa, saí correndo. Stephanie estava lá assim que me viu disse que Cronos estava em meu quarto, pedi que ela pegasse minhas malas com o taxista e subi correndo para meu quarto. Assim que entrei, vi meu cachorro deitado em minha cama com uma blusa de moletom minha ao seu lado, escorreu uma lágrima no canto do meu olho, ele estava mesmo sentindo minha falta.

— Oh, Cronos. — caminhei até a cama vendo ele me olhando com aquela carinha meio triste, meio alegre — Bebê da mamãe, não sou uma miragem. — me deitei ao seu lado e comecei a acariciar sua cabeça — Vim correndo para cuidar de você, não fica triste.

Ele resmungou um pouco, parte daquilo era mesmo culpa minha por deixar Dean me explorar e me deixar tanto tempo fora de casa. Mas nada importava naquele momento, eu iria bajular e cuidar do meu filhote, seria uma semana em casa, mas certamente aquele cretino do Dean não me deixaria parada por isso. Fiquei alguns minutos deitada conversando com Cronos, era loucura sim contar para ele tudo o que tinha feito enquanto estava longe de casa, mas para mim já havia se tornado normal, eu passava tanto tempo somente com a companhia dele que para mim não era apenas um cachorro, mas minha família.

— Senhorita LT. — disse Stephanie da porta — Posso colocar suas coisas no lugar?
— Sim, separe as roupas sujas e coloque o resto no closet, por favor. — eu desviei meu olhar para as malas que ela colocava ao lado da porta — Ah, tem um tubo de folha, quero que deixe ele na mesa de centro da sala, é uma fotografia que pretendo emoldurar e colocar na parede da sala.
— Como desejar senhorita. — ela assentiu sempre com seu sorriso fofo e começou a levar as malas uma a uma para o closet.
— Ah. — eu me levantei da cama e caminhei até o closet — Por acaso o veterinário prescreveu alguma coisa para o Cronos?
— Não senhorita, ele somente disse que Cronos deveria ficar o mais perto possível de algo que lembrasse a senhorita até que pudesse voltar.
— Então vou dar uma volta pelo bairro com ele. — disse pegando na prateleira a coleira de passeio do Cronos.
— A senhorita deseja que eu prepare algo para o jantar?
— Não precisa se preocupar com o jantar, assim que terminar com as malas, pode tirar o resto do dia de folga.
— Sim senhorita, agradeço.
— Eu que agradeço por me aturar Stef. — ri do meu comentário.
— Magina, melhor do que trabalhar para o senhor Dean. — ela riu também.

Saí do closet e coloquei a coleira no Cronos, aquele dobermann enorme nem para mais que havia passado um tempo depressivo, já estava dando aquele pulos de animação e altos latidos. Antes de sair troquei a blusa que estava usando, coloque o celular no bolso, peguei as chaves da casa e fomos para nosso passeio. Senti alguns olhares estranhos vindo em minha direção enquanto caminhava pela rua principal do condomínio, era um fato que de tanto eu estar fora de casa não conhecia nenhum vizinho, somente o porteiro por ser uma pessoa legal e educada.

Ao sairmos do condomínio, senti uma leve sensação de estar sendo vigiada e Cronos também, ele parou por um momento e ficou olhando para um homem que estava com um jornal na mão enquanto rosnava. Será que era algum informante do meu amigo agente? Seria interessante se fosse, rindo acalmei Cronos e voltamos nossa caminhada, fiquei mais empolgada ainda e decidi levá-lo ao Central Park, aluguei o disco de um senhor que estava na entrada e comecei a brincar com Cronos. Nos divertimos muito até que eu fiquei com fome, comprei dois hot-dogs, uma para mim e outro para ele, e nos sentamos em um banco. A vista era linda como sempre, pessoas caminhando, crianças correndo, seria um belo dia para um encontro, se Cronos fosse um homem.

— Ah, , no que está pensando. — olhei para Cronos sentado ao meu lado — Não acredito que estou com saudade dele.

Oh, eu falei no singular? Será que estava finalmente escolhendo um lado? Balancei minha cabeça, não podia ocupar meus pensamentos com ou , tinha outros planos para minha vida e não acreditava que uma família estava incluído. Ficamos um longo tempo ali até que uma pessoa conhecida se aproximou de mim, fiquei um pouco surpresa por vê-lo.

— Olá LT. — cumprimento ele com um sorriso de canto presunçoso.
— Carl. — eu cruzei as pernas de leve colocando minha mão sobre o banco como sinal para Cronos ficar alerta, porém quieto — Há quanto tempo.
— Sim, desde que começamos nossos trabalhos sozinhos. — ele desviou seu olhar para Cronos por um momento — Curioso, desde quando gosta de cachorros?
— Sempre gostei, Dean é que não me deixava ter um.
— Independência é uma coisa magnífica. — ele riu — Dean sempre nos impedia de ter muitas coisas.
— Para ele iria desviar nosso foco, e tem razão, algumas coisas nos tiram o foco.
— Como seus sapatos?! — ele riu mais, era um dos prodígios que mais implicava com meu hobby.
— Bem, hoje ele tem que engolir meu closet só para sapatos. — eu ri junto — Mas a que se deve sua visita a Manhattan, por que andei sabendo que estava associado ao Tanaka em Tóquio.
— Sim, temos uma parceria muito sólida. — ele suspirou um pouco — Mas não está sabendo? Eu não sou o único que estou aqui na cidade.
— Tem algumas coisas que eu deveria saber? — sibilei um pouco achando aquela resposta estranha demais.
— Dean enviou um convite para um jantar a todos os prodígios, estou admirado dele não ter falado nada para a sua favorita. — comentou ele num tom irônico.
— Eu estava ocupada demais trabalhando. — eu em levantei e Cronos acompanhou meu movimento pulando do banco se colocando de pé ao meu lado — Bem, a conversa está muito boa, mas tenho que ir.
— Bom revê-la LT. — ele sorriu mantendo seu olhar em mim.
— Igualmente.

Agora eu estava além de surpresa, mais irritada ainda com Dean, como ele teve a coragem de convidar os prodígios sem nem me contar, aquilo era como uma traição de sua parte. Assim que cheguei em casa, tirei a coleira de Cronos e peguei meu celular do bolso, minha ligação tinha um destino certo.

Dean na linha.
— Você poderia me explicar o significado de jantar e prodígios em uma mesma frase? — disse sendo o mais direta possível.
Eu ia te contar. — disse ele como um daqueles maridos infiéis — Eu juro que ia.
— Quando? Talvez na hora da sobremesa? — agora eu estava sendo irônica.
Desculpa pequena Thief. — ele respirou fundo do outro lado da linha — Você sabe que de tempos em tempos eu gosto de celebrar, e como meus prodígios voltaram para o lar, tenho que celebrar a união desta família.
— Como assim voltaram para o lar? — perguntei sem entender mais nada.
Todos eles voltaram a trabalhar para mim. — respondeu ele naturalmente — Acho que viram que você estava na frente deles em tudo, modéstia à parte eu sou o melhor no ramo.
— Acho que estou entendendo o motivo de aceitar tão rapidamente minhas férias.
Não misture as coisas LT.
— Isso vai mudar alguma coisa para mim? — perguntei.
Claro que não, você sempre será a melhor e minha preferida.
— E eu terei que comparecer nesse jantar?
Pare de perguntar o óbvio, espero você linda e com aquele sapato de cristais Swarovski que disse ter ganhado do seu noivo.
— Você tem sorte de eu não querer te matar.
Eu também te amo. — ele riu.
— Só mais uma coisa, minha vinda para Manhattan não era somente pelo Cronos, não é?
Você sabe que eu sempre tenho mais de dois propósitos para cada coisa que faço.

Não me dei o trabalho de responder e encerrei a ligação, estava ainda mais nervosa, irritada e exaltada, não estava nenhum pouco preparada para rever meus “irmãos”. Dean estava planejando alguma coisa com tudo aquilo, ele não dava nenhum passo em falso ou sem pensar em como poderia se beneficiar. Eu estava muito surpresa por eles terem voltado a trabalhar com Dean, afinal cinco saíram por inveja e ciúmes de mim, já que eu sempre fui a favorita do “papai”.

 

* POV — *

Deitado em minha cama olhando para o teto, estava imaginando o que ela estaria fazendo naquela hora, era de se esperar que eu pensasse uma coisa dessas. Ela havia permanecido tanto tempo perto de mim que não a queria longe, mesmo que não fosse comigo, eu a queria perto de mim e da minha família. Ouvi alguns toques na porta, desviei meu olhar para o lado, era .

— Te atrapalho? — perguntou ele entrando.
— Não. — ergui meu corpo ficando sentado na cama — Só estava pensando.
— Nela. — concluiu ele.
— Óbvio, não é!? — ri.
— Conviver com ela esses dias me fez relembrar o passado, o que vivi com ela na universidade.
— Foi algo profundo? — perguntei meio receoso.
— Em partes sim, mas ela sempre tentava me afastar de alguma forma, até que um dia desapareceu completamente. — ele suspirou um pouco — Me deixando em um quarto de um hotel em Dubai.
— A história de vocês deve ter sido interessante. — comentei imaginando a cena.
— Tudo que envolve ela é interessante. — completou.
— Posso perguntar uma coisa?
— Pergunte. — ele encostou na parede e colocou a mão nos bolsos da calça.
— Como conheceu o Dean?
— Só o vi uma vez e ainda sim estava disfarçado. — ele desviou seu olhar para o chão — Era o segundo serviço profissional dela, estava tão assustada por ter me envolvido no primeiro, não sabia o que faria para me afastar.
— E certamente Dean a fez te usar para adquirir experiência. — conclui o óbvio.
— De fato sim, foi louco para mim me imaginar em uma situação criminosa assim, mas quando percebi o que ela roubava, comecei a entender esse universo que ela pertencia.
— E devo saber quais foram os primeiros objetos de desejo dela? — estava curioso sobre isso.
— O primeiro foi o brasão da minha fraternidade, ela invadiu o prédio da Fênix e eu nem acredito que a ajudei, eu traí meus amigos, por uma garota.
— Vamos admitir, ela não é qualquer garota. — eu ri o fazendo rir junto.
— Verdade. — um breve suspiro ele continuou — E o segundo foi a fórmula de um cosmético.
— Davi?! — perguntei.
— Você o conhece? — me olhou surpreso.
— Sim, é o filho de um dos acionistas da empresa. — desviei meu olhar para a janela — Então foi por isso que ele reconheceu a .
— Ele a reconheceu?
— A chamou de Cassie, mas eu intervi.
— Que bom. — ele respirou aliviado — Cassie foi um nome falso que inventei para ela, assim poderia se preservar caso acontecesse algo mais sério.
— Uma ideia que certamente a salvou muitas vezes. — comentei.

 

“Passando por cima do tempo, eu estou olhando para você
Embora possa ser diferente agora, o princípio é o mesmo
Acredito que ainda podemos voltar
Agora, um, dois, nós contamos os segundos, como medimos a distância.”
- Thunder / EXO



Capítulo 20


* POV — *

Dois dias se passaram, minha mente estava tão descansada e relaxada, sem pensar em problemas, estresses e curtindo meus dias de folga. Estava jogada no sofá retrátil da sala de televisão, as cortinas fechadas, tudo escuro num clima de conforto comigo vendo um filme básico na Netflix, Cronos deitado ao meu lado. Se era a vida que eu estava merecendo? Sim, e queria aproveitar mais daquele momento, até que meu celular tocou, minha primeira reação era jogar na parede, porém atendi.

LT na linha. — disse num suspiro fraco e cansado.
Estou atrapalhando? — perguntou Dean já rindo.
— Sim, estava no meio do meu filme.
Hum, que vida boa, vendo filme a esta hora da manhã.
— O que você quer?
— Estou enviando os dados para sua nova missão, daqui quatro dias. — respondeu ele já num tom mais sério.
— E o que seria meu objeto de desejo desta vez? — perguntei um pouco curiosa.
— Um container. — de forma bem natural e despreocupada.
— O que?!
— Isso mesmo.
— Como você espera que eu consiga manipular isso? É um container.
— E?
— Dean? Como acha que eu vou conseguir?
— Não sei, mas sei que vai, afinal você é a melhor.
— Eu te odeio. — desliguei na sua cara.

Não acreditava naquilo, como eu iria fazer um container desaparecer sem que ninguém percebesse? Sou a melhor, é a única desculpa que ele dá. Bufei revoltada e desliguei a televisão, levantei do sofá e olhei para Cronos, ele já estava dormindo, ri de leve e saí em direção a sala onde tinha deixado meu tablet. Peguei o aparelho e caminhei até meu escritório, sentei na cadeira abrindo os arquivos, comecei a ler todas as informações. Meu objeto de desejo, um container enorme que estava no porto de Singapura, o terceiro maior do sudeste asiático e com um fluxo intenso de transportes.

— Ah, Dean, você ainda diz que minha parte é a mais fácil. — suspirei fraco — Filho da...

Eu não poderia me desesperar, tinha quatro dias não por causa da minha folga, mas porque certamente este container sairia daquele local em quatro dias. Dean era esperto, inteligente e maquiavélico, o suficiente para não deixar nenhum detalhe perdido. Transferi os arquivos para meu computador e começar a pesquisar mais sobre a área, rotina das empresas que compõem o quadro de tráfegos, precisava me atentar a todos os detalhes assim como meu mentor.

— Senhorita?! — chamou Stephanie da porta — Deseja algo especial para o almoço?
— Não, Stef leve o Cronos para passear por algumas horas e depois tire o resto o dia de folga.
— Sim senhorita. — ela sorriu e saiu fechando a porta que era de vidro.

Eu olhei ela caminhando em direção a cozinha, aquela era a melhor parte da minha casa ser quase toda de vidro, combinada a algumas paredes em concreto, arquitetura moderna, eu conseguia ver todos os ambientes de um ambiente só. Voltei minha atenção a minha pesquisa de campo, como Dean pensava em tudo, já tinha uma lista de contatos anexada aos arquivos, facilitaria meu reconhecimento de terreno assim como a enorme planta do local. Acho que se fosse engenheira civil me daria bem, eu havia aprendido a ler plantas baixas tão facilmente, mais meu querido mentor sempre mandava as maquetes em 3D para minha felicidade.

Não adiantava eu me enganar, depois de um dia inteiro analisando todas as informações que ele havia me mandado, a resposta de como eu iria fazer um container desaparecer naquele porto era a mesma. Era sim difícil para eu admitir, ainda mais louco será quando eu contar a Dean, ri por um tempo até olha para a porta. Cronos estava sentado me olhando, eu sorri para ele, meu cachorro não estava mesmo acostumado comigo por tanto tempo em casa. Me levantei da cadeira, contornei a mesa e caminhei até a porta.

— Estava me esperando para o jantar? — assim que passei por ele, Cronos se colocou de pé e começou a me seguir até a cozinha — Vamos ver o que teremos para o jantar hoje.

Abri a geladeira e fiquei olhando por um tempo o que tinha dentro, até que lembrei de Stephanie tinha feito uma lasanha vegetariana e deixado no congelador. Retirei a pequena travessa e coloquei no microondas para esquentar, enquanto isso peguei a tigela de ração de Cronos e coloquei em cima da mesa, enchi com um pouco da ração e voltei para o microondas para pegar minha lasanha. Assim que me sentei à mesa, Cronos se sentou na cadeira ao meu lado, meu cachorro além de treinado, muito educado, sempre fazia as refeições junto comigo.

— Bom apetite Cronos. — eu sorri para ele.

Cronos me olhou e latiu como se tivesse me respondendo, nosso jantar foi tranquilo, assim que terminamos, coloquei as vasilhas sujas no bojo da bancada da pia e retornei ao meu escritório, peguei meu celular que estava em cima da mesa e fui em direção ao meu quarto. Entrei no closet troquei minha roupa e me deitei, Cronos imediatamente se deitou ao meu lado e ficou me olhando, passei um tempo olhando para o teto até que peguei no sono completamente.

Na manhã seguinte quando acordei, Cronos não estava mais ao meu lado, me levantei espreguiçando, tomei uma ducha fria para acordar de vez e coloquei uma roupa mais confortável, quando desci vi ele na sala brincando com Stephanie. Eu sorri de leve e me direcionei para o escritório, assim que entrei fechei a porta e liguei para Dean.

Dean na linha. — disse ele ao atender.
— Bom dia. — disse num tom animado.
Uau, para estar assim tão alegre, deve ter conseguido encontrar algum meio para ser próximo trabalho.
— Como você disse, sou mesmo a melhor. — ri de leve — E sim, encontrei mesmo a resposta, meu plano será bem simples.
E posso saber qual esta resposta?
— Adivinha quem é a pessoa que conheço que a família é dona de uma transportadora?
Não. — ele riu alto do outro lado da linha — Vai usar a família do seu álibi?
— Corrigindo, vou usar a empresa dele. — confirmei naturalmente.
E ele já sabe disso?
— Ainda não, mas logo saberá. — me sentei na cadeira ligando o monitor do computador — Andei pesquisando a fundo sobre as empresas que controlam aquele porto, a da família dele estava na lista e como sou uma mulher de sorte, nosso container está no bloco ao lado do bloco deles.
Realmente, uma mulher de sorte. — ele riu — Poderia dividir com os amigos.
— Ha... Ha... — respirei fundo — Eu devo saber o que tem dentro deste container?
Não, nem eu sei, mas o cliente frisou que era importante e deveria ser manipulado com cuidado.
— Hum. — respirei fundo desviando meu olhar para a porta.
Nem pense em abrir aquele container LT.
— Não estou pensando em nada ainda. — ri um pouco — Vou desligar, preciso fazer contato com meu álibi.
Seja cautelosa, eu ainda não confio naquela família. — Dean desligou.

Coloquei o celular em cima da mesa e fiquei pensando nas palavras dele, desde quando eu conheci , Dean não gostou da ideia naquela época e me parecia que continua a mesma coisa. Será que ele tem medo de eu desistir de tudo e querer uma vida normal com essa família? Inclinei meu corpo um pouco encostando minhas costas no encosto da cadeira e fiquei olhando por um tempo o monitor do computador, estava aberto no arquivo sobre a empresa da família . Ergui meu porco me espreguiçando da cadeira, me levantei e peguei o celular novamente, seu número já estava gravado em minha memória e no celular, disquei aqueles números sem pressa e esperei chamar.

Little Thief. — disse ele ao atender, aquilo havia arrancado um sorriso de mim já que eu nunca havia ligado para ele do meu celular.
— Como sabia que era eu? — perguntei meio curiosa.
Número restrito, quem mais seria? — ele riu baixo, me fazendo rir também, havia me esquecido que tinha ativado essa função no celular — Mas se está ligando é por um motivo sério.
— E se eu dissesse que queria ouvir sua voz? — retruquei num tom malicioso e sério, poderia ser verdade se não fosse eu, ou melhor era meio verdade, segurei o riso.
Com essa voz acreditaria facilmente, mas se tratando de você, acho que já estou seduzido o bastante. — ele suspirou fraco — O que deseja de mim?
— Sua empresa. — direta e nenhum pouco detalhista.
Porque será que isso um dia aconteceria? — ele riu — E o que te faz pensar que eu ajudaria desta vez?
— Não preciso pensar em nada, sei que vai me ajudar. — respirei fundo — Te mandarei as informações que precisa.
. — disse ele.
— Te vejo em Singapura. — desliguei o celular antes mesmo que ele pudesse dizer algo mais.
            Se ele me ajudaria ou não, era uma incógnita, mas eu tinha certeza que ele ficaria muito curioso para saber o que eu queria em Singapura.

 

* POV — *

Acordei assustado no meio da noite, estava chovendo, me virei para o lado e olhei para Louise com carinho, ainda não estava acostumado com a presença dela no meu apartamento, afinal só tinha seis meses que estávamos morando junto. Às vezes tinha medo em envolver ela ainda mais na minha vida, mas tinha um carinho especial por ela, acariciei de leve seus cabelos e me levantei com cautela para não acordá-la. Peguei meu celular no criado mudo ao lado da cama e caminhei até a sala, parei em frente minha mesa de trabalho, como sempre as fotos de Cassie espalhadas, toda com ela disfarçada e de costas.

Havia algumas fotos de também, não queria que se transformasse em obsessão minhas desconfianças com ela, mas ambas eram tão parecidas e aquele olhar dela não saia da minha mente. Me voltei para a cozinha e fui preparar um café, Louise estava de folga do seu novo emprego e a teria em casa o dia inteiro, era um pouco diferente namorar uma aeromoça, mas nosso relacionamento estava sobrevivendo há dois anos. Não tinha o que reclamar já que eu viajava sempre também.

— Acordado a essa hora? — perguntou ela aparecendo na porta do corredor de braços cruzados.
— A chuva me acordou. — desviei meu olhar para ela — E você?
— Senti que estava faltando alguém do meu lado. — ela sorriu de leve caminhando em minha direção — Que pessoa normal toda café às três da madrugada?
— Eu não sou normal. — sorri de canto deixando a xícara em cima da bancada e envolvendo meus braços na cintura dela — E você?
— Estou aqui, então não devo ser normal também. — ela riu e me beijou suave.
— Quando acaba sua folga?
— Hoje após o almoço, tenho um vôo para Manhattan. — respondeu ela.
— Bem, então acho que deveríamos aproveitar as próximas horas. — eu a beijei com mais malícia que o normal, aquele café realmente aumentou meus batimentos.

E sim, aproveitamos muito bem em nosso quarto, Louise estava mais animada que o normal e nossas horas foram quentes e proveitosas, ela ainda mantinha a mesma paixão e interesse por mim mesmo com tantos desencontros por causa do nosso trabalho e sempre ver foto de pessoas espalhadas em meu apartamento. Acordei pouco depois da hora do almoço, ela já tinha ido e deixado um bilhete embaixo da minha xícara de café favorita.

“Te vejo na volta, te amo.”

Sorri ao ler, me sentia um pouco chateado por meu sentimento por ela não ser tão profundo para se chamar de amor, mas ela me fazia sorrir, já era alguma coisa. Olhei para o lado na bancada meu celular estava vibrando, tinha me esquecido que ele estava no silencioso, era uma ligação de Peter e eu atenderia de imediato.

— Peter. — disse ao atender.
— Ah, que bom que atendeu, estou há horas te ligando. — disse ele numa voz meio apressada.
— O que aconteceu? — perguntei ficando um pouco preocupado.
— Houve uma movimentação um tanto suspeita. — disse ele — Lembra que antes de aparecer a Cassie estávamos investigando cinco outras pessoas que supostamente poderiam ser os Prodígios?
— Sim, me lembro, me tiraram desse caso e bloquearam meu acesso as informações dele, ainda tenho minhas desconfianças sobre eles estarem singularmente ligados a Cassie.
— E suas desconfianças têm fundamento. — ele deu um tempo, parecia esperar por alguma coisa — Os cinco supostos prodígios desembarcaram em Manhattan na há dois dias, Caius, Sery, Fish desembarcaram primeiro de manhã, Carl e Tanaka no final da tarde.
— Interessante, será que farão uma reunião de família? — sibilei um pouco imaginando essa possibilidade, se eu estivesse nesse caso poderia bolar uma prisão conjunta — Ainda quero descobrir quem é o chefe deles.
— Certamente é alguém bem influente e poderoso, para criar seis prodígios muito bem treinados e habilidosos. — ele riu de leve — Mas você não vai adivinhar a parte final e mais interessante ainda.
— O que?
— Adivinha quem desembarcou em Manhattan também? Ainda teve um lindo passeio no parque com seu cachorro?
— Não me diga que ela saiu de Paris? — eu desviei meu olhar para a janela o céu estava meio nublado e tinha parado de chover, senti meu coração acelerar — Ela está em Manhattan?
— Sim e foi vista conversando com um dos prodígios, Carl. — ele suspirou — Te mando as fotos ainda hoje.
— Eu sabia, por isso estou tão atraído por ela, é a Cassie.

 

“Ela está me deixando louco
Por que o meu coração está acelerado?”
- Monster / EXO



Capítulo 21


* POV — *

Finalmente sexta-feira apareceu, e também o dia do tão esperado jantar do Dean, não estava muito animada para aquele evento, mas a preferida tinha que estar presente de alguma forma, e estava com saudades do Tanaka, o único que sempre foi legal e amigável comigo. Além de uma básica curiosidade para saber como estavam os outros, eu já tinha esbarrado com Fish e Sery no roubo do Pink Panter, mas estávamos em lados diferentes e eu saí vitoriosa.

— Ah Dean, você adora me colocar em situações indesejadas. — disse me espreguiçando ainda deitada na cama.

Logo ouvi alguns latidos vindo da porta, olhei e era Cronos, eu sorri e assenti com a face para que ele viesse, e correndo ele deu um pulo na minha cama e mais alguns latidos.
— Meu baby. — acariciei ele suavemente e logo ele se deitou na cama como se estivesse se sentindo relaxado por meu carinho — Você está ficando muito mal acostumado com a Stef, vive querendo carinho na barriga.

Ri um pouco quando ele fez carinha de inocente e me levantei da cama, ele se virou e ficou me olhando deitado, ignorei de leve sua cara de tristeza, se eu continuasse ali não faria mais nada aquele dia só ficaria dando carinho para ele. Entrei rindo no closet e troquei de roupa colocando um conjunto de moletom de tecido fino e pegando minha bolsa joguei o celular dentro, peguei as chaves da minha Mercedes-AMG GT C Roadster preta. Daria uma voltinha sozinha, precisava encontrar o look certo para o jantar, um que se encaixaria perfeitamente no meu sapato de cristal.

Deixei Cronos com Stephanie como sempre, não voltaria antes do almoço então ela poderia passear com Cronos como sempre fazia na minha ausência. Passei na frente de algumas lojas famosas e conceituadas, até que parei em frente a loja da Prada, uma das vendedoras me conhecia muito bem e sabia meu gosto para roupas e sapatos. Não demorei muito até encontrar um macacão estilo social preto que prendeu meu olhar de uma forma incomum, experimentei de imediato e me olhando no espelho constatei que caia muito bem ao meu corpo.

Pensei que minhas compras parariam ali mesmo, porém a vendedora me mostrou a nova linha de sandálias que tinha chegado, não resistia mesmo a uma novidade e acabei comprando duas. Passei no restaurante de um conhecido na hora do almoço, era um bom dia para rever rostos conhecidos, no final da tarde meu carro estava cheio de sacolas e em meu rosto um sorriso suave de viver um dia normal fazendo compras como uma pessoa normal.

— Stef, ainda está aqui? — disse ao chegar em casa colocando as chaves do carro do lado do vaso de bromélia amarela, em cima da mesinha que tinha ao lado da porta.
— Senhorita LT. — ela apareceu na entrada da porta da cozinha que dava para o jardim — Estava com Cronos no jardim.

Cronos apareceu atrás dela e latiu forte, como se estivesse confirmando o que ela tinha dito.

— Não precise se preocupar com o jantar, estarei fora esta noite e talvez não volte até amanhã de manhã.
— Sim senhorita, se quiser posso levar Cronos para casa comigo.
— Boa ideia, assim ele não fica sozinho. — assenti com um sorriso desviando meu olhar para ele — Não esqueça de ligar o alarme ao sair.

Ela assentiu com a face, me virei e subi as escadas até meu quarto, tomei um banho demorado e relaxante de espumas, depois uma ducha quente e rápida, coloquei meu macacão que tinha comprado e o tão mencionado por Dean sapato de cristais, além de jogar um casaco bege por cima. Aquela seria uma noite arrebatadora e movimentada, antes de entrar na Mercedes, deixei mais algumas recomendações com Stef, ela estava na cozinha alimentando Cronos antes de levar ele para a casa da sua família. Assim que entrei no carro dei a partida, passei o caminho todo me preparando emocionalmente, mentalmente e psicologicamente para esta noite, enfim encontrar seis pessoas onde cinco superficialmente me tratavam bem, não seria fácil. Parei o carro em frente ao portão da mansão de Dean, era estranho estar de volta “em casa” e mais estranho ainda com todos lá.

Abaixei o vidro da janela para que a câmera captasse o meu rosto e assim que o grande portão se abriu, dei a partida para entrar, estacionei em frente a mansão, havia mais cinco carros estacionados ao longo da entrada. Havia duas hipóteses, ou alguém ainda não chegou ou alguém pegou carona, desliguei o carro e saí, Dean imprevisivelmente estava na porta me esperando, sua recepção foi um tanto calorosa demais com um abraço.

— Vejo que realmente seguiu meu conselho sobre os cristais. — disse se referindo ao meu sapato.
— Sim, já que eu não tinha outra escolha. — suspirei fraco desviando meu olhar para a porta — Já estão todo aqui?
— Por que não veja por sí mesma. — ele sorriu de canto — Seja bem-vinda de novo a nossa casa.

Devolvi aquele sorriso com outro e entrei, era como se todo o meu passado voltasse, todas as lembranças da infância e adolescência ali com os outros. Logo a governanta se aproximou de mim tirando meu casaco e pegando minha bolsa para guardar.

— Olha quem acabou de chegar. — anunciou Carl num tom alto e debochado — A favorita do Dean.
— Boa noite família. — devolvi com um olhar superior, já que eu era mesmo a melhor entre todos e favorita — A quanto tempo.
— Então a caçula que ficou com o Dean. — observou Sery ao me olhar de cima para focando seu olhar no meu sapato — Eu me lembro desses cristais, são Swarovski não é mesmo?!

Assenti com o olhar, mas é claro que se lembrava, eram da mesma feira que eu dei uma surra nela, sorri de canto audaciosamente.

— Ah, olha a nossa caçula favorita. — disse Tanaka ao adentrar na sala com Cauis — Olha como está crescida e linda. — continuou vindo em minha direção.
— Agora entendo porque ela ama sapatos. — brincou Cauis ao parar perto da poltrona onde Dean sempre sentava — Está mesmo maravilhosa LT.
— Não tanto quanto eu. — resmungou Sery enquanto despejava um pouco mais de vinho em sua taça.
— Não liga para ela. — Tanaka me abraçou de leve e sussurrou — É inveja.
— Eu sei. — pisquei para ele enquanto ríamos — Mas está faltando alguém aqui.
— Sim. — concordou Fish que estava jogado na chaise que havia embaixo da janela principal, sua voz estava estranha — Falta a princesinha francesa.
— Hum, pensei que todos já estivessem aqui. — dei de ombros e olhei para Tanaka novamente — E como vão os negócios em Tóquio?
— Prosperando. — respondeu ele tranquilamente enquanto colocava suas mãos no bolso — É tranquilo trabalhar com Carl e agora com a ajuda de Dean será ainda mais fácil.
— É mesmo complicado sobreviver sem ele. — comentei desviando meu olhar para Sery que não parava de me encarar.
— Sim, ainda mais tendo você no caminho. — disse Sery ao tomar um gole do vinho.
— Minhas crianças, não comecem a brigar, não hoje. — interviu Dean ao entrar rindo.
— Você está mesmo muito feliz por hoje não é?! — Sery desviou seu olhar para ele — Nos colocando todos juntos aqui.
— Não serve para vocês minha felicidade em ter todos novamente? — retrucou ele indo em direção sua poltrona.
— Pensei que sua favorita lhe bastasse. — em voz alta Fish abriu seus olhos e ergueu de leve seu corpo — Você, LT. — ele desviou seu olhar para mim — Tirou aquele diamante de mim.
— Me desculpe, mais só fui um pouco mais esperta. — sorri de canto.
— Confesso que eu sabia, e disse para ele não ir atrás. — Tanaka se afastou de mim indo em direção ao Fish — Imaginei mesmo que você iria roubar ele LT.
— Vou sobreviver. — Fish me olhou com certa amargura — Ainda terei minha revanche.
— Quando quiser Fish. — ri de leve e olhei para Dean lançando um olhar de quero conversar à sós.

Assim Dean se levantou e se direcionou para o escritório, eu o segui sem cerimônias, precisava mesmo conversar com ele, após entrarmos ele fechou a porta e me olhou de forma tranquila.

— Pode falar, o que é este olhar irritado para mim? — disse ele, sua voz suave como sempre e um olhar atento.
— Senha do cofre, Cronos, jantar, agente, está tudo uma bagunça na minha cabeça. — respirei fundo desviando meu olhar para a parede ao meu lado.
— Posso acrescentar seu álibi nisso? — brincou ele dando uma risada rápida — Estou começando a achar que suas férias são mesmo necessárias.
— Álibi, sim. — suspirei fraco — Eles estão mesmo mexendo comigo.
— Sempre sendo a última a assumir alguma coisa. — ele estalou os dedos por um tempo — Já sabe de quem está sentindo mais falta?
— E isso seria relevante? — o olhei sem entender.
— Sim, seria sua resposta final.
— Faz sentido. — mais eu estava sentindo falta mais do ou de ?
— Mais não é somente isso, quanto a senha daquele maldito cofre, eu juro que não vai se repetir, mas me senti aliviado em ouvir seus xingos depois de concluído. — ele riu novamente — Quando ao Cronos, sinto muito, mas agora você terá mais tempo livre para ele.
— Sei, agora a família está reunida novamente. — disse ironicamente.
— Não fique assim, pelo menos agora estamos livres daquele agente. — ele respirou fundo desviando seu olhar de mim para a parede, parecia querer me contar algo a mais.
— Continua.
— Continuar o que?
— Papai eu te conheço. — disse num tom debochado e sarcástico.
— Mais tarde, após o jantar te contarei o que descobri e porque aceitei eles novamente, ou quase todos.
— Sinto que teremos uma breve reviravolta futuramente. — suspirei mantendo meu olhar nele — Tem a ver com o agente não tem?
— Você nem imagina o quão profundo é o que vou te contar. — ele se virou para a porta e a abriu — Vamos, temos um jantar para aproveitar.

Permaneci em silêncio, por mais que eu odiasse a forma enigmática que Dean gostava de tratar as coisas, era complicado tentar entrar em sua mente e descobrir o que estava pensando e o que sabia, Dean sempre estava dois passos a frente de todos nós, até mesmo de Carl que sempre se mostrou mais esperto e inteligente. Voltamos para sala, Carl e Tanaka estavam rindo de uma piada que Cauis contava para eles, Fish continuava na chaise com uma garrafa de Heineken ao lado, ele parecia mesmo muito irritado comigo, afinal quase o fiz ser preso. Já Sery estava com a taça de vinho na mão encostada na parede ao lado da janela olhando para fora. Dean se sentou novamente em sua poltrona de estimação, seu olhar de satisfação em nos ter ali era visível mesmo. Caminhei até os meninos e me coloquei ao lado de Tanaka, eles estavam mesmo se controlando nos risos.

— Foi uma boa história. — disse Carl recuperando o fôlego — E você LT? Alguma história a nos contar?
— Não, nenhuma tão engraçada como a de Caius. — olhei com tranquilidade para ele.
— Soube que conseguiu escolher um álibi. — comentou Tanaka — Caius nos contou.
— Contou? — agora estava curiosa sobre o que Cauis tinha contado a eles.
— Ser fotógrafa foi uma boa ideia. — Tanaka continuou — Devo presumir que está encantada por isso.
— Ah, sim, é uma bela e proveitosa profissão. — sorri de leve — Não tão ostentadora como um colecionador não é mesmo Caius?!
— verdade. — ele riu — Colecionar é uma arte maravilhosa, todos aqueles leilões recheados de preciosidades.
— Por isso Dean nunca me mandou para algum. — eu ri desviando meu olhar para Dean — Você é mesmo muito esperto em ter se especializado em uma coisa só.
— O mais sábio de todos. — Carl desviou seu olhar para Caius.
— Sim, acho que fui mesmo. — ele riu — E vocês dois? — Caius olhou para Carl — O que realmente fazem em Tóquio?
— Trabalhamos com um vasto sistema de roubos de informações. — explicou Tanaka se espreguiçando um pouco — Temos muitas famílias da máfia como clientes.
— Hum, está com sono, ou sentindo o fuso horário? — brinquei com ele, por bocejar algumas vezes.
— Com certeza é o fuso horário, não estou conseguindo dormir bem desde que cheguei aqui.
— E por falar em chegar, aquela francesinha está demorando demais.
— Daqui a pouco ela aparece com alguma desculpa. — comentei dando de ombros — Eu sou a favorita, mas ela é quem sempre causa tumulto e nunca leva a culpa.

Eles riram do meu comentário, mas ela era realmente assim, passamos alguns minutos a mais conversando sobre os roubos louco que fazíamos até que a convernata adentrou a sala avisando que a última pessoa tinha chegado. Dean se levantou e foi até a porta, um bom “pai” sempre recebe bem sua família. Assim que ele abriu ela entrou com toda soberba que tinha dentro de si, para mim ela era o prodígio mais repulsivo que Dean tinha, e sempre fomos inimigas declaradas.
Qual a diferença entre a francesinha e Sery? Sery era extremamente sincera e verdadeira, enquanto ela te derrubada pelas costas como uma cobra. Assim que Dean fechou a porta e a governanta recolheu suas coisas para guardar, ela nos olhos um a um, permanecendo mais tempo em mim.

— Bonsoir. — disse com aquele sotaque francês ridículo dela — Desculpem a demora família.
— O que importa é que chegou. — disse Sery não demonstrando nenhum interesse.
— Antes tarde do que nunca, não é mesmo. — Dean sorriu de canto lançando um olhar para mim — O que importa é que estamos todos reunidos agora e que Louise também é muito bem-vinda em nossa casa.

Aquelas últimas palavras era minha deixa para ligar os pontos, conhecendo aquele olhar de Dean para mim como conheço, e suas palavras enigmáticas no escritório, de alguma forma louca e estranha eu estava começando a associar Louise ao agente . Será isso que Dean estava para me contar?

“You can call me monster.”
- Monster / EXO



Capítulo 22


* POV — *

Era de se esperar que eu fosse embargado de todos os modos possíveis, além das férias forçadas eu não poderia nem mesmo viajar. Já estava cansativo e óbvio todo aquele esquema da interpol de me deixar longe do trabalho, ainda mais sabendo que as ordens era de um dos diretores mais graduados. Bufei um pouco ao desligar o telefone, era minha quinta tentativa de comprar uma passagem aérea para Manhattan, se eu soubesse que iria para lá, teria pedido ajuda para Louise me camuflar em seu voo.

— Não acredito que vou perder essa oportunidade. — disse num tom raivoso — Ah, , eu vou pegar você, nem que isso custe meu emprego.

Estava mais que determinado a prender não só todos os seis prodígios, como também a pessoa responsável por eles. Me sentei na cadeira e fiquei analizando as fotos que estavam espalhadas sobre a mesa, a cada foto minha certeza só aumentava sobre ser Cassie, respirei fundo, não poderia de deixar ficar obcecado por isso. Logo uma mensagem chegou ao meu celular, era de Peter, avisando me alguns arquivos tinham sido enviados para mim.

Peguei o notebook e entrei no email, era toda a relação de viagens que tinha feito nos últimos quatro meses, além de algumas imagens de vídeo de câmera de segurança. Para todos eu estava fora da jogada, porém Peter era um ótimo hacker e conseguia muitas informações de fora da Interpol para mim, sem muita dificuldade. Já que eu não poderia sair por enquanto, eu iria reunir minhas provas contra ela, da forma que poderia.

— Sim. — disse ao atender a ligação.
— Você deve estar cansado de ver minhas ligações. — brincou Peter.
— Para dizer a verdade, estou adorando. — eu ri — A cada ligação você me traz novidades quentes.
— Bem, isso é um fato. — ele riu junto.
— E o que me trás agora? — respirei fundo tentando não ficar ansioso — Me diz que é algo bom.
— Não sei se é bom, mas descobri uma passagem comprada em nome de para Singapura.
— Será que seu próximo roubo será lá? — presumi de imediato.
— Não sei, mas a viagem está marcada para daqui dois dias. — Respondeu ele.
— De qualquer forma continue monitorando os passos dela. — pensei por um momento — Monitore também os passos do seu noivo e do irmão , eles me pareceram muito suspeitos.
— Já estou fazendo isso, descobri que pediu transferência para estagiar no Lenox Hill Hospital, me parece um pouco suspeito, já que tem moradia na cidade.
— Ainda me pergunto se tem algo a mais na relação deles, que somente de cunhados.
— Quer saber a novidade principal? — ele riu do outro lado.
— Diga.
— Por coincidência descobri que conheceu na universidade de Harvard, eles namoraram por um tempo. — disse entre risos.
— E posso saber como soube disso?
— Me lembrei dele assim que vi sua foto, éramos colegas de fraternidade, era bem popular na universidade.
— Mundo pequeno. — sibilei um pouco ao pensar que e se conheciam a tempos.
— Não lembro porque ambos terminaram, mas me lembro dele com uma garota parecida com ela.
— Me pergunto agora se foi somente um golpe de sorte ela conhecer , ou já foi premeditado, já que agora ela teria uma família para ser seu álibi.
— É algo a se pensar, estarei reunindo as informações novas e te mandarei em alguns minutos.
— Vou aguardar. — suspirei fraco — Só mais uma pergunta, como anda os arquivos dos prodígios no sistema da agência.
— Como da última vez, tudo bloqueado. — ele riu — Todos os acessos estão sendo permitidos somente para pessoas autorizadas, isso me dá uma depressão.
— Mas você consegue entrar, não consegue?
— Tentei recentemente, são cinco senhas e duas contra-senhas só para começar, para conseguir hackear, talvez eu devesse tentar acessar de um lugar mais elevado.
— Está falando em invadir a sala dos graduados?
— Bem, eu nunca consegui ir até o topo desse prédio, talvez a vista da sala deles seja mais inspiradora. — brincou ele.
— Só toma cuidado, eu prometi a sua mãe que não te deixaria entrar em encrencas. — o adverti.
— E olha a encrenca que você me meteu, Interpol. — ele riu de leve.
— Estarei torcendo para que consiga as informações que precisamos. — eu ri junto — Antes que me esqueça, assim que conseguir meus documentos de disfarce me avise, se não posso ir para Manhattan, vou antecipar a jogada dela.
— O que pretende fazer?
— Vou para Singapura.

Desliguei meu celular e voltei minha atenção para o notebook, estava sabendo de mais coisas sobre que poderia me ajudar no futuro. Me espreguicei da cadeira, e voltei a atenção para os arquivos que chegavam para mim, passei o dia concentrado em analisar todos os vídeos, até que ao anoitecer senti uma necessidade de sair daquela apartamento. Me troquei colocando uma roupa casual e sai sem direção pela rua, parei em frente a um pub modesto e pequeno, não seria uma má ideia tomar algo, precisava esfriar a mente e relaxar um pouco.

— Uma Heineken, por favor. — disse ao barman ao sentar na banqueta.
— Um momento. — o barman pegou a garrafa e colocou em cima da bancada.
— Duas. — disse um homem ao sentar ao meu lado, fazendo o barman colocar outra garrafa na bancada — Noite quente.
— Um pouco. — desviei meu olhar para o lado — ?!
— Por que a surpresa? — ele riu de leve após tomar o primeiro gole — Paris é uma cidade de encontros e desencontros.
— Verdade, mas não imaginava que frequentasse lugares assim.
— Irmão errado. — ele riu — Não sou o bom moço da família.
— Nem o bom moço e nem o comprometido. — comentei pegando minha garrafa e tomando um gole — Isso me deixa curioso.
— O que o deixa curioso? — perguntou ele.
— Como sua ex-namorada virou noiva do seu irmão. — fui direto ao ponto.
— Está sabendo muito sobre mim. — brincou ele — Vai me acusar de algo agora?
— Não. — ri novamente — Ossos do ofício, não consigo evitar.
— Sei.
, a quanto tempo. — disse uma mulher de azul ao se aproximar de nós.
— Barbie. — ele sorriu para a garota — Sim, muito tempo.
— Ainda sabe dançar? — perguntou ela.
— Claro. — ele riu e olhou para mim — Como eu disse, não sou o bom moço.

Ele piscou de leve e se afastou com a mulher, suas palavras soaram forte como se fosse um enigma, eu poderia imaginar naquele momento, que ele soubesse da vida criminosa de .

* POV — *

Não era a primeira vez que ela me usaria como álibi em seus roubos, não sabia se seria a última, mas estava ansioso para quem sabe ajudá-la, além de curioso para saber o que seria seu novo objeto de desejo. Dei uma olhada rápida nas informações que ela tinha me enviado, para minha surpresa não era muita coisa, claro que a perfeccionista Little Thief jamais contaria seu plano completo.

— Você é uma caixinha de segredos . — sussurrei ao conferir o número do container que ela queria — Vejamos, eu vou ou não te ajudar?

Ri baixo enquanto pensava que aquela pergunta era meio óbvia, abri os arquivos da empresa e avaliei superficialmente a planta do porto, para nossa sorte o suposto container estava em um lugar de fácil acesso, bem ao lado da linha de divisão dos blocos, acho que era proposital aquele pedido de ajuda.

— Filho. — disse meu pai ao entrar no meu quarto.
— Sim. — o olhei tranquilamente.
— Está tudo bem entre você e a ? — aquela pergunta tinha me pegado.
— Por que a pergunta?
— Sei que ela ficou desconfortável pelo que eu e sua mãe falamos. — ele encostou na porta me olhando sério.
— Ah, aquela coisa de casamento e filhos. — eu ri rapidamente — Está tudo bem, ela sabe que é preocupação de pais.
— Mas estávamos sendo honestos sobre isso.
— Eu também, não haverá casamento. — respirei fundo — Não agora.
— Mais uma pergunta, por que quer ir para Singapura?
— Bem, estou a frente a empresa agora, preciso conhecer todas as filiais. — era uma boa desculpa.
— Estou orgulhoso por ter voltado, principalmente por estar em meu lugar.
— Eu queria viver minha vida independente por um tempo, assim aprenderia a ter responsabilidade como um adulto. — o olhei — Isso me ajudou a voltar e assumir seu lugar.
— No início, não conseguia ver sua ideia de sair de casa com bons olhos. — ele riu — Mas ouvindo os motivos agora, estou feliz por ter tomado essa decisão.
— Obrigado pai.
— Espero que te tenha uma boa viagem.

Assim que meu pai saiu do quarto, soltei um suspiro de alívio, me levantei da cadeira e caminhei até o banheiro, já estava de noite e não tinha visto a hora passar, tomei uma bucha quente para relaxar meu corpo, assim que voltei para o quarto vestido somente com minha calça do pijama, estava na porta do meu quarto.

— Interessante, é assim que que você fica com sua noiva presente? — ele riu fechando a porta.
— Ciúmes? — eu ri junto — Não deveria, a noiva é minha.
— Engraçadinho. — ele fez uma careta e sentou em minha cama.
— O que faz em casa? Você não ia sair? — perguntei sem entender o que ele fazia em casa.
— Querido irmão, já viu quantas horas? — ele riu — São quase onze da noite.
— Não vi a hora passar. — ri junto — Mas o que te trás no meu quarto?
— Adivinha quem eu esbarrei no pub?
— Se você disse que foi com a ...
— Não. — ele riu — Foi com o amiguinho agente dela.
— Deveríamos ficar preocupados?
— Talvez. — ele tomou seu corpo deitando na cama — Ele sabe sobre meu namoro com a .
— Agentes, aposto que ele já levantou a ficha da nossa família.
— Ou pelo menos de nós dois. — ele suspirou — Gostaria de saber o que mais ele sabe sobre nós, sorte a minha que apresentei ela com o nome original.
— O que tem?
— Imagina se eu tivesse falado que seu nome era Cassie na universidade? — ele ergueu o corpo novamente e me olhou — Ele iria ligar os pontos agora.
— Dean não deixaria. — mesmo não querendo eu estava me preocupando além do normal — Já que ela é a preferida dele.
— Também espero que ele faça algo.

“O mundo tem medo de mim, sou o homem intocável
Mas, no final, você não pode me rejeitar,
Você vai se esconder e roubar olhares meus.”
- Monster / EXO



Capítulo 23


* POV — *

Enfim estávamos todos reunidos, os Sete Prodígios. Tentei disfarçar meus olhares para Dean, que sempre sorria, mantive minha atenção na conversa de Tanaka e Caius. Louise deu alguns passos até Carl, ambos tinham um romance assumido desde nossos tempos de aprendizes, me perguntava como ela falsa como ela conseguia ter sentimentos verdadeiros por alguém.

— Pensei que os dois já tinham terminado. — comentou Caius desviando seu olhar para o casal.
— Nem entendo como começaram. — segurei o riso — Louise só pensa nela própria.
— Acreditem ou não, ambos estão mais firmes do que imaginam. — Tanaka riu — Ela nos ajudou a pouco tempo com um trabalho.
— Sério? Então a miss hacker está na ativa? — por aquela eu não esperava.
— Como hacker não sei, mas precisávamos invadir o sistema de segurança sul-coreano, ela conseguiu sem esforço.
— Louise sempre se interessou por esse assunto, sempre querendo aprender mais com o Dean sobre programação e coisas do tipo. — Caius tomou um gole de whisky que estava em seu copo.
— Hum.

Mesmo não gostando dela, tinha que admitir que Louise era a melhor hacker que conhecia, superado até mesmo nosso mestre Dean. Era útil conhecer essas coisas, ainda mais quando se consegue invadir o banco de informações do governo de algum país. As peças estavam mesmo começando a se encaixar em minha mente, Será que Louise teria tido acesso a informações da Interpol?

— Então irmãos, andei com saudades. — disse Louise ao se aproximar de nós.
— Digo o mesmo. — Tanaka sempre gentil — Mas não faz muito tempo que nos vimos.
— Sim. — concordou ela — Foi bom trabalhar com você e o Carl.
— Poderia se fixar em nossa parceria. — Carl a abraçou por trás envolvendo seus braços na cintura dela — Seria proveitoso para todos.
— Eu não vejo problema algum. — Tanaka sorriu — Você poderia conseguir boas informações para nós de forma mais objetiva.
— Quantos servidores vocês querem que eu invada? — perguntou ela rindo — Não sou um robô.
— Mas é a melhor no que faz. — elogiou Carl — Nesse quesito, nem mesmo a preferida consegue te superar.
— Cada um com sua área de especialização. — senti a indireta dele.
— Verdade. — Louise desviou seu olhar para meus sapatos e depois para meu rosto — Eu jamais conseguiria realizar com perfeição roubos complexos como ela.
— Agradeço por admitir a realidade. — dei um sorriso meio falso — Gostou dos meus sapatos? Vejo que está olhando tanto para eles.
— São mesmo muito bonitos, agora entendo seu amor por sapatos. — comentou ela — Roubou de algum lugar?
— Para surpresa de todos, este foi um presente. — respondi.
— Hum, anda ganhando presentes do papai? — Sery me olhou com amargura.
— Não. — Dean se levantou ao ver a governanta no corredor — Foi de um admirador dela.
— Olha, LT com admiradores. — Tanaka brincou — Vai roubar o coração do da pessoa também? Ou já roubou?
— É uma pergunta ou uma encomenda? — eu ri ao brincar de volta — Brincadeira, digamos que essa pessoa não é tão significativa para mim.
— Verdade, seu coração pertence a um certo Cronos. — Cauis concordou comigo, ele não sabia nada sobre os irmãos .
— Eu invejo vocês. — Fish se levantou — Todos tem um foco, eu nem consigo saber qual é minha especialidade.
— Pequeno peixe, um dia você consegue se descobrir. — disse Louise fazendo todos rirem.
— Cuidado para não se descobrir de mais. — brincou Carl.
— Desagradável você. — Fish fechou a cara — Que tal eu me especializar no seu ramo e te deixar sem clientes.
— Que isso Fish, você consegue ser melhor que isso. — Sery o olhou — Roubo de informações é tão...
— Ei, acha mesmo que roubar jóias consegue ser melhor que nosso ramo? — Tanaka a olhou sério — O que seria do mundo sem informações querida.
— Gente, vocês vão mesmo brigar? — Louise ri — Assim nosso pai nos coloca de castigo.
— Tenho que concordar. — eu ri junto — E para encerrar a discussão, eu posso roubar tudo que vocês roubam com perfeição.
— Exceto quando o assunto é hackear uma senha. — retrucou Louise, sempre querendo ser melhor que eu.
— Não me subestime, afinal, todos evoluímos. — a olhei com ar de superioridade.
— Uhlll, garotas, não precisam disso. — Tanaka sorriu de leve e me deu um beijo no rosto — Mas você realmente é a melhor.
— Cada um com sua opinião. — Carl virou Louise e a beijou.
— Tanaka só disse a verdade. — retruquei não dando importância ao beijo deles.
— Ah, parem com isso. — Sery fez careta — Você dois me dão enjoo.
— Isso tudo é inveja? — Louise a olhou.
— Há, o Carl nem é tudo isso. — sery colocou a taça vazia na mesa de centro.
— É porque nunca provou. — Carl riu dela.
— Você não faz meu tipo. — Sery deu de ombros desviando seu olhar para o corredor — Olha o papai voltou.
— Crianças, vamos nos reunir à mesa, o jantar está pronto. — anunciou Dean ao voltar da cozinha.

Seguimos até corredor até a sala de jantar, nos sentamos todos em volta da grande mesa redonda, Dean de sentou ao meu lado direito e Tanaka do outro. O cardápio era especial, comida mediterrânea, a favorita de Dean, comemos muito bem e o sabor estava maravilhoso.

— Ah, me esqueci de como a Carmem cozinha bem. — comentou Fish — Estava sentindo falta disso.
— Só voltou pela comida? — brincou Carl.
— Você está muito chato hoje. — reclamou Sery — Deixa ele ser feliz, e não disse nada de errado, Dean tem a melhor cozinheira do mundo.
— Você defendendo tanto o Fish, devemos acreditar em algo além da amizade? — insinuou Louise com um sorriso debochado.
— Para você tudo tem sempre segundas intenções. — retrucou Sery de imediato.
— Não liga Sery. — Fish sorriu de canto e voltou sua atenção para o prato.
— Acho que até disso eu sentia falta. — comentou Caius — As alfinetadas.
— Verdade. — Tanaka riu desviando seu olhar de mim — Você é quem não deve sentir falta daqui.
— Engano seu. — eu o olhei — Não venho aqui com muita frequência.
— Não vem porque não quer. — retrucou Dean.
— Não venho porque não tenho tempo. — retruquei novamente.
— Não importa, vamos apreciar este momento. — Dean deu de ombros desviando sua atenção para Sery — Não fiquei tão mal-humorada assim, você é bonita demais para isso.
— Estou de tpm. — explicou ela.
— Te entendo. — a olhei segurando o riso — Quando tenho isso, sinto que vou matar alguém.
— Mulheres e seus momentos de explosão. — brincou Tanaka nos fazendo rir.

Terminamos o jantar saboreando a sobremesa especial, creme brulée de chocolate com framboesa, feita pelo próprio Dean, esse era um de seus álibis e maior paixão, gastronomia, em especial a francesa. Estava realmente muito saboroso, ele tinha o dom para culinária, principalmente na parte de confeitaria, Dean tinha uma linha de restaurantes, e que ajudava a reforçar ainda mais seu disfarce.

— Nunca comi algo tão maravilhoso como isso. — comentou Fish ao terminar pela terceira vez mais uma porção da sobremesa.
— Você realmente se superou papai. — disse Louise ao se levantar — Este creme brulee estava impecável.
— Quando se trata de gastronomia ninguém o vence. — brincou Caius num tom meio sério — Dean é fascinado por isso.
— Agradeço os elogios. — Dean estava mesmo feliz pelo sucesso tanto do jantar quanto da sobremesa.
— Estava mesmo muito bom Dean. — concordei — Melhor que da última vez que comi.
— Você já comeu? — Tanaka me olhou — Não disse que estava afastada daqui?
— E estou, mas ele enviou para minha casa. — eu ri — Queria que eu provasse para avaliar, era sua décima tentativa.
— Como assim? — Fish o olhou — Como tem coragem de fazer só para ela?
— Não reclame garoto, vocês estavam afastados de mim. — Dean riu — Seus quartos estão arrumados para que passem a noite aqui.
— Como nos velhos tempos, dormindo na casa do papai. — comentou Louise.
— É para dormir cada um no seu quarto. — reclamou Sery — Não quero acordar com os gritos do quarto ao lado.
— Hum, está mesmo muito invejosa hoje. — sibilou Louise ao segurar na mão de Carl.
— Deixe ela, está assim porque não é tão atraente assim.
— Ha... Ha... — ela deu de ombros — Como se eu precisasse mesmo.
— Por que não voltamos para a sala, ainda temos muita noite pela frente — disse Dean seguindo para o corredor.

Nós o seguimos novamente, ficamos mais algumas horas entre risos e conversas, um pouco divididos, mas sempre entrávamos nas conversas um do outro. Fish ficou perto da chaise com Sery, eles conversavam sobre uma viagem que ela tinha feito em Dubai. Eu, Tanaka e Cauis começamos a falar sobre alguns dos serviços mais difíceis que fizemos nos últimos meses. Louise e Carl ficaram num canto da sala trocando carícias e risos, de certo estavam debochando de alguns de nós, quando o assunto era ridicularizar alguém, o casal ganhava de certo, seus alvos eram sempre eu e Fish, por sermos os mais novos.

Já Dean estava sentado em sua poltrona nos observando, seus olhos orgulhosos em nos ver reunidos, ele estava feliz, mas ainda tinha algo nele que o preocupava. De certo era o que ele estava para me contar, nossa conversa no escritório tinha que se finalizar de algum modo. Assim que todos se recolheram para seus quartos, ouvi algumas batidas na porta do meu, já imaginava quem seria.

— Fiquei com receio que estivesse dormindo. — disse Dean ao entrar.
— Não conseguiria com tantas teorias da conspiração, martelando em minha mente. — fechei a porta de imediato e o olhei — Não acha que alguém possa nos ouvir?
— Não se preocupe, seu quarto foi projetado de forma especial, paredes acústicas estão em sua volta.
— Hum, gostaria de saber porque eu sempre sou a mais privilegiada. — sorri suavemente.
— Porque você é a mais leal de todos.
— Isso é verdade. — concordei — Mais não foi para falar de mim que veio.
— Sim, não foi.
— Então, o que tinha para me contar? — perguntei tentando controlar minha curiosidade.
— Descobri recentemente, por um dos meus informantes que nossa querida Louise anda fazendo amizades com pessoas interessantes. — iniciou ele com sua mania enigmática de conversar — Sabe que nada passa, sem que eu saiba.
— Sei, sempre soube que não era a única que você mantinha vigilância.
— Nunca deixei de acompanhar os passos de todos, principalmente os que se desgarraram.
— Vamos direto ao ponto, odeio seus rodeios. — bufei.
— Louise mantém um relacionamento com nosso agente de estimação.
?! — por essa eu realmente não esperava, não essa ligação tão íntima — Mas ele me disse que estava solteiro.
— Chegou a ter este tipo de conversa com ele?
— Foi em um momento de deboche de minha parte.
— Ele mentiu para você minha LT.
— Se Louise está com ele, não temos o que temer então, ela pode monitorar tudo de perto.
— Não é tão perfeito quanto imagina. — ele sorriu de canto — Nossa querida Louise é a parte desleal da família.
— Como? — sentei em minha cama meio chocada com as palavras dele.
— Eu ainda não tinha parado para analisar novamente os arquivos que a Interpol tem sobre os prodígios. — ele encostou de leve na janela e cruzou os braços — Foi há alguns meses que descobri que todas as informações sobre Louise tinham sido deletadas, sem direito a backup.
— Então é como se ela não fosse um prodígio?! — estava começando a entender o raciocínio dele.
— No lugar da própria ficha, ela colocou as informações sobre você, foi muita sorte eu ver isso antes daquele agente. — ele suspirou um pouco — Louise fez algo tão bem feito, que o sistema me impediu de colocar o nome dela no lugar do seu novamente, assim tive que colocar a Cassie em ação.
— Por isso me chamou de Cassie, tinha meus dados porém o nome errado. — respirei um pouco mais aliviada — Obrigada Dean.
— Sempre vou proteger quem é leal a mim. — ele piscou de leve — Isso me deixou irado, eu fiz de tudo para que nenhum registro sobre você aparecesse, sua ficha estava limpa até ela alterar tudo.
— Não entendo, sabendo disso tudo, você ainda a convidou para voltar? — era confuso.
— Mantenha os amigos perto e os inimigos mais perto ainda.
— Então você tem um plano?
— Sim. — ele sorriu — Louise se aproximou desse agente para acompanhar as investigações dele, se ela foi capaz de tirar o nome dela da lista, certamente é capaz de ajudá-lo indiretamente a nos prender.
— Faz sentido, com todos fora do caminho, a princesinha francesa reinará sozinha. — conclui.
— Não desta vez, o aprendiz não irá superar o mestre.
— E qual é a sua jogada papai? — o olhei tranquilamente.
— Vou virar o feitiço contra a feiticeira. — ele riu um pouco — De alguma forma, farei nosso querido agente descobrir quem é Louise.
— Não vai adiantar muito ele saber que Louise é um prodígio, só vai aumentar o número de pessoas na lista dele. — retruquei não muito convencida que daria certo.
— E quem disse que eu quero que ele saiba que são sete? — o olhar de Dean estava sereno porém com uma ponta de brilho incomum.
— E o que pretende fazer?
— Como eu disse, sempre protejo quem é leal a mim. — ele ergueu seu corpo mantendo seu olhar fixo em mim — Farei ele acreditar que Louise é a Cassie.

Agora aquela notícia estava me agradando.

“Agora, todos estão olhando para nós com pipoca na boca,
Esperando para ver o que vai acontecer com nós dois.”
- Lotto / EXO




Capítulo 24


* POV — *

A noite passou lentamente, certamente porque não consegui dormir, a história de Louise e estava martelando em minha mente, ao mesmo tempo que senti alívio pela solução que Dean estava armando, para limpar minha ficha, estava com uma raiva enorme de Louise. Infelizmente não podia remoer aquela história por muito tempo, ainda tinha um roubo para efetuar com precisão.

— Bom dia. — disse descendo as escadas, após sair do quarto.
— Bom dia. — Dean estava voltando da cozinha acompanhado de Sery — Acordou cedo, está com fome?
— Um pouco. — desviei meu olhar para ela que estava com um copo de suco na mão — Bom dia Sery.
— Bom dia. — sem se importar com minha presença, ela passou por mim e subiu as escadas.
— O que ela tem?
— Nada. — Dean riu — Ela vai ficar aqui em Manhattan por alguns dias a mais.
— Só ela?
— Não, Fish também ficará. — seu olhar estava tranquilo como sempre — Acho que ambos precisam trabalhar juntos para aperfeiçoar suas habilidades, e farão isso com minha supervisão.
— Desde quando Fish tem alguma habilidade? — deveria ter saído como uma brincadeira, mas meu tom era irônico.
— Não diga isso, ele só não sabe o que quer, mas vou ajuda-lo. — ele respirou fundo — Quanto a Sery, ela precisa ser mais paciente e delicada.
— Acho que vou voltar para casa. — sibilei um pouco.
— Não antes do café. — Dean pegou em minha mão e me puxou para a cozinha.
— Tem como dizer não?
— Não. — ele riu.

Não mesmo, se tratando de café da manhã, Dean preparava muito bem, principalmente aquelas tortas doces, se eu ainda morasse com ele, morreria de overdose de glicose. Após terminar o café, peguei minhas coisas, entrei na minha mercedes, antes de arrancar o carro, Dean me disse para tomar cuidado. Mesmo com todos seus planos para me manter no anonimato, ainda tínhamos Louise na jogada e prevenção nunca é demais.

Assim que cheguei em casa, troquei de roupa colocando algo mais leve, coloquei a coleira de passeio em Cronos e saí para um volta matinal. Era complicado passear com ele, por causa do meu trabalho, sempre estava fora, então em momentos oportunos sempre mimava um pouco ele. O condomínio onde eu morava era tranquilo, tinha até uma pequena praça, onde os moradores se exercitavam ao ar livre, soltei Cronos e fiquei jogando disco para ele, um cachorro daquele porte tinha que se exercitar muito.

Quando voltamos para casa, tomei uma ducha relaxante e vesti meu conjunto de moletom habitual, voltei para a cozinha e preparei algo para almoçar, tanto eu como ele estávamos famintos, caminhei até a sala de tv e me joguei no sofá, com a companhia de Cronos, seria um dia de folga fazendo maratonas de filmes de Johnny Depp, enrolada nas cobertas. Caí no sono na metade do terceiro filme, mesmo aqueles dias em casa, não serviram para descansar meu corpo, acho que era psicológico, sempre que tinha um novo trabalho, sentia meu corpo mais pesado e cansado.

Quando acordei, já estava escuro, no meu celular algumas mensagens de Dean, com as informações finais que eu precisava, sobre o container. Eu odiava quando ele enviava os arquivos em partes, era sempre uma novidade em forma de dificuldade, que me fazia querer esganar ele. Passei algumas horas ajeitando o planejamento do roubo, memorizando as fases e analisando todos os detalhes, mesmo sendo a melhor e meus planos dando sempre certo, eu sempre tinha um plano alternativo em mente. Em meus anos como aprendiz, Dean sempre me dizia que a prevenção é o melhor plano para quem estava naquela profissão.

— Senhorita LT. — disse Stef ao entrar no meu escritório.
— Ah, Stef, está aqui ainda? — estava surpresa por ver ela ali.
— Estava esperando a senhorita acordar. — ela olhou para o lado, era Cronos se sentado na porta — Preciso saber se posso levar Cronos hoje, ou não.
— Não. — olhei para Cronos e sorri o chamando com a mão — Hoje estarei em casa, Cronos dormirá comigo, mas amanhã terei que viajar cedo, então não demore para chegar aqui.
— Estarei bem cedo aqui. — ela sorriu de forma delicada e se retirou.
— Então meu amor. — acariciei o alto da cabeça dele — Terei que te deixar de novo, culpa do malvado do Dean.

Cronos latiu para mim, como se estivesse reclamando, sorri de novo para ele e o abracei, era bom receber o carinho dele. Me afastei um pouco e voltei minha atenção ao monitor, ele se deitou ao meu lado, sabia que eu ainda tinha muito que trabalhar. Como tinha dormido a tarde toda, minha noite e madrugada foi em claro, logo pela manhã como prometido Stef chegou cedo. Arrumei minha mala, não levaria muita coisa, peguei minha bolsa e assim que o táxi chegou, me despedi de Cronos.

— Para o aeroporto, por favor. — disse assim que entrei.
— Sim, senhora. — para minha surpresa era uma mulher no volante.

Era legal, quando eu pegava um táxi com uma mulher, ela sempre tinha uma história para contar, casos de passageiros, aquilo me fazia parecer normal, já que minha vida era um tanto diferente. Ao chegar, me sentei em um sofá na sala de embarque, tinha um homem dormindo do meu lado, aproveitei e peguei o celular dele, mandei uma mensagem a Dean, avisando que estava para embarcar, apaguei os vestígios do meu envio e coloquei o celular no bolso do homem novamente.

Após mais de vinte e três horas de vôo, finalmente desembarquei no aeroporto Internacional de Changi, em Singapura. Dean tinha contratado uma guia para me ajudar a locomover pela cidade no primeiro dia, assim eu iria memorizar todos os pontos que precisasse, era uma estudante do ensino médio, simples e um pouco falante, imagino como ele tinha encontrado ela para me guiar.

— Chegamos. — disse ela assim que o motorista parou o carro — O hotel onde a senhorita vai ficar hospedada.
— Interessante. — olhei para a fachada o hotel, era bonita e muito bem projetada, parecia um daqueles cinco estrelas — Agradeço por ter me mostrado tudo que eu precisava.
— Não precisa agradecer, senhorita. — a garota sorriu — Se precisar de algo a mais, tem meu número.

Assenti de leve com a face e saí do carro, logo um funcionário do hotel veio até o táxi e retirou minha mala.

— Senhorita ? — perguntou ele para confirmar.
— Sim.
— Senha LT?
— Sim. — sorri de canto, certamente ele era um contato do Dean.
— Seu quarto já está reservado, siga-me, por favor.
— Agradeço.

O segui pelo saguão, entrei no elevador tranquilamente de costas para a porta, pouco antes da porta se fechar, vi de relance no espelho do elevador, um rosto conhecido. Fiquei imaginando se realmente era quem eu pensava que era, respirei fundo, tinha que começar a me concentrar, para meu serviço. Assim que fechei a porta do meu quarto, retirei da bolsa o celular que tinha pegado discretamente, da senhora que sentou ao meu lado no avião. Liguei para Dean, tinha que repassar algumas coisas.

— D na linha. — disse ele ao atender.
— LT falando, cheguei no hotel. — me sentei no beiral da janela olhando a vista da cidade.
— Você não sabe mesmo ter seu próprio telefone? — brincou ele — Sempre me perco quando aparece um número desconhecido.
— Já deveria estar acostumado, ter um celular é muito comprometedor. — expliquei não dando atenção para suas reclamações.
— Já que está bem instalada, queira saber que seu noivo desembarcou poucas horas antes de você.
— Então era mesmo ele. — sussurrei para mim.
— Você já o viu?
— Foi de relance, achei que pudesse não ser ele, mas como pedi sua ajuda... — sibilei um pouco.
— Isso explica então, ele vai te ajudar. — ele riu — Está tudo pronto?
— Sim, assim que for concluído, te ligo.
— Tenha cuidado.
— Pare de me dizer isso sempre, sei que está preocupado, mas onde está seu otimismo?
— Está na minha vingança.
— Dean, quero morrer sua amiga. — eu ri um pouco.
— Não precisa ser minha amiga, apenas seja leal a mim. — sua voz estava áspera e forte.
— Sempre serei. — desliguei o celular.

Era um fato que aquela descoberta sobre Louise, tinha mexido muito com ele, Dean prezava a lealdade acima de qualquer coisa, aquela era a lei suprema dele, ser leal até o fim. Fiquei olhando para o celular por um tempo, apaguei o registro da ligação, retirei sua bateria e joguei as duas partes pela janela, em direções diferentes. Me espreguicei um pouco indo em direção o banheiro, retirei a roupa e tomei um banho de espumas, relaxante e estimulador. Pensei por um momento em descobrir que quarto meu “marido” estava, ri por um tempo, aquela situação entre eu, e , era um tanto inusitada, porém divertida.

— Ah, , você precisa de um pouco mais de foco, pare de pensar nele. — suspirei fraco, será que eu já estava fazendo minha escolha?

Era bom ter em minha vida novamente, graças a ele, eu tinha Cassie e minha identidade sempre esteve a salvo, até agora, mas por outro lado tinha , o conheci praticamente da mesma forma que o irmão, porém nosso envolvimento se tornou ainda mais intenso, mais do que eu imaginava. Saí da banheira, tomei uma ducha quente e coloquei uma roupa confortável, peguei meu tablet da bolsa e comecei a redimensionar o tempo que gastaria para cada parte do meu plano, até mesmo para os imprevistos.

Ainda era manhã, tinha que esperar até anoitecer, abri meu e-mail e enviei uma mensagem simbólica para meu “marido”, em minutos ele me enviou uma resposta, não ia dizer onde estava, mas queria alguém para conversar e passar meu tempo.

“Como está o Cronos?”
“Bem, após me ver, ficou mais feliz.”
“Acho que estou doente também, preciso te ver. Kk”
“kkkkkkkkkkkkk....”
“Estou falando sério.”
“Imagino.”
“Já está em Singapura?”
“Não posso dizer.”
“Pediu minha ajuda e nem para me dizer sobre isso.”
“Segundo Dean, cheguei algumas horas depois de você.”
“Então, ele está me vigiando.”
“Somos casados agora, kk”
“Somos?”
“Neste caso sim.”
“Sempre seu álibi.”
“Um dia isso acaba”
“E se eu disser que não quero que acabe?”
“Já imaginava isso”
.”
“Sim?”
“Onde está agora?”
“Pare de querer saber tudo.”
“Quero mesmo te ver.”
“Eu sei, e você vai, hoje à noite”

Fechei a aba e deixei o tablet na mesa ao lado da janela, liguei para a recepção e pedi um lanche, além de mentalmente, meu físico tinha que estar preparado para minha noite, após comer, deitei na cama, mantendo meu corpo levemente inclinado, acho que dormir um pouco para passar a hora não seria tão ruim assim.

“O mundo tem medo de mim, sou o homem intocável
Mas, no final, você não pode me rejeitar,
Você vai se esconder e roubar olhares meus.”
- Monster / EXO




Capítulo 25


* POV — *

Eu estava em Singapura, hospedado em um albergue, segundo as informações de Peter, ela havia desembarcado poucas horas depois de mim, outra novidade era o nome do seu noivo, na lista de passageiros do vôo em que eu estava. Sorte a minha, que Peter conseguiu identidades falsa, poderia viajar com mais liberdade, e sem que meus superiores soubessem. Para todos eu ainda estava preso em casa, com meu apartamento sendo vigiado constantemente.

— Ah, Cassie, ou melhor , desta vez você não me escapa. — sussurrei para mim enquanto olhava sua foto no meu celular.

Sabia que esta minha obsessão por ela era perigosa, mas tinha certeza que passaria no momento em que eu aprendesse. Me sentei na cadeira ao lado da janela e abri meu notebook, olhei os arquivos que Peter havia me mandado, fiz um backup geral de todas as informações sobre o caso, colocando tudo em um pen-drive e apagando o que estava no hd do notebook. Foi quando meu celular tocou, era uma ligação de Louise, sorri de imediato, ela sempre me ligava para saber se eu estava me alimentando direito.

— Bom dia. — disse ao atender.
— Bom dia, amor. — sua voz continuava doce como sempre — Liguei para saber como estava, seu celular estava desligado.
— Ah, estava descarregado. — eu não ia contar que estava em Singapura — E você? Quando volta para casa?
— Hum, me escalaram para o outro voo, daqui vou para Boston e depois para Sydney.
— Que pena, estava pensando em te fazer um jantar quando retornasse.
— Você terá oportunidade, só espere por mim.
— Claro que vou, preciso desligar agora.
— Hum, está se alimentando direito?
— Claro que estou, te amo. — desliguei o celular antes que ela pudesse me fazer o mesmo interrogatório de sempre.

Era legal vê-la se preocupando comigo, e até mesmo demonstrando um certo ciúmes, mas aquela era minha vida, ter fotos de pessoas espalhadas pela minha casa e estar sempre atendo a criminosos como os prodígios. Desliguei o notebook e troquei de roupa, só estava esperando Peter me mandar o endereço do hotel que tinha se hospedado. Assim que que recebi a mensagem, peguei as chaves do carro que tinha alugado e saí do quarto, passei pela recepção tranquilamente e entrei no carro, ficaria em frente ao hotel vigiando ela.

— Sim?! — disse ao atender o celular — O que me trás desta vez, Peter?
— Acabei de fazer um backup, com todas as informações que venho juntando sobre a Cassie. — ele suspirou um pouco — Não posso te enviar, ultimamente tenho sido vigiado, por isso estou montando um dossiê com tudo o que tenho, algumas coisas vou imprimir, e apagar do servidor.
— E? Encontrou algo que ainda não me contou?
— Sim. — ele tossiu um pouco, esperou alguns minutos para terminar de falar — Davi, foi a primeira vítima dela.
— Parece que temos uma testemunha. — conclui.
— Sim, acho que ele poderá nos ajudar, soube que ele perdeu muito dinheiro por causa da Cassie.
— Como você fica sabendo dessas coisas?
— Tenho meus contatos.
— Seu hacker, conte a verdade.
— Eu conheço uma garota, que conhece uma garota, que para minha sorte conhece uma garota que já foi namorada dele.
— E?
— Me parece que essa namorada pegou ele a traindo com a nossa querida Cassie, e me parece que nesta mesma noite a Cassie roubou uma fórmula do cofre particular dele.
— Hum, interessante. — mantive minha atenção para a entrada do hotel — Nossa Cassie é um tanto ousada.
— Consegui levantar algumas informações sobre este Davi, e chegamos a mais uma novidade.
— Surpreenda-me.
— A família dele tem algumas ações na empresa da família dos álibis.
— Não brinca. — um sorriso de satisfação logo apareceu no meu rosto — Então, ele deve ter esbarrado com a .
— Se esbarrou eu não sei, mas estou te enviando o endereço dele, acho que você pode fazer contato após vigiar nossa garota.
— Vou, precisamos desta testemunha. — quanto mais informações você conseguir, melhor.
— Tomei uma decisão, soube que hoje os graduados terão uma reunião mais tarde, então pensei em dormir na empresa.
— Já disse para tomar cuidado.
— Não se preocupe, sou bom em me esconder. — ele riu — Como sabe, a partir de agora não poderei de enviar mais nenhuma informação, então tudo que eu descobrir, colocarei no dossiê.
— Tudo bem, só não me deixe às cegas.
— Se eu souber de mais alguma movimentação, de mando por código.
— Ok. — respirei fundo desviando meu olhar para o céu, estava começando a escurecer — Só mais uma coisa.
— Sim?
— Os prodígios? Já saíram de Manhattan?
— Alguns. — ouvi ele digitando alguma coisa do outro lado — Tanaka pegou um voo para Tóquio, Carl acabou de embarcar para Boston, Sery e Fish foram vistos em uma joalheria da 5ª Avenida, já Cauis, soube que participaria de um leilão de quadros em Madri.
— O que eu não daria para saber quem é o chefe deles. — suspirei fraco — Queria tanto descobrir isso.
— Tenho certeza que um dos graduados sabem, essa pessoa deve ser muito influente.
— Desta vez eu terei que concordar com sua teoria da conspiração. — tinha mesmo — Ando pensando que esta pessoa pode sim ser da Interpol, mas enquanto não temos provas para chegar nela, continue tentando entrar nos arquivos dos prodígios.
— Com todo prazer. — ele riu e desligou o telefone.
— Vamos ver quando você irá atacar, Cassie.

Passaram mais algumas horas, até que eu a avistei saindo pela porta da entrada, estava vestida com uma calça jeans rasgada e jaqueta preta, seu andar ainda me atraía um pouco, e me fazia acreditar ainda mais que ela era realmente Cassie. Assim que entrou no táxi, liguei o carro, dei a partida e segui o carro da forma mais discreta possível, mantive uma certa distância para não chamar atenção.

Fiquei um pouco surpreso, quando o táxi parou em frente a entrada, do porto de Singapura. Comecei a pensar no que ela poderia querer ali, ou se era uma simples forma de desviar a atenção se caso estivesse sendo vigiada, é claro que ela não iria deixar de prever essa hipótese, já que me encontrou em alguns lugares de seus roubos.

 

* POV — *

Desembarcar em Singapura, estava sendo um pouco estranho para mim, era minha segunda vez na cidade, a primeira eu só tinha sete anos, era um fato que mais cedo ou mais tarde, teria que ir na filial do país, mas neste momento era por causa dela. Por que eu estava fazendo isso? Ajudando ela? Sinceramente não sei a resposta, talvez, porque eu tenho sentimentos verdadeiros por ela, e mesmo sabendo que seria algo errado ajudá-la, eu queria ajudar.

? — disse Mike, o diretor geral da filial de Singapura — Está tudo bem?
— Hum?! — eu o olhei — Me desculpe, estava pensando em outra coisa.
— Espero que esteja gostando do quarto que reservamos para você.
— Sim, muito confortável, soube que este hotel era o melhor da cidade. — comentei desviando meu olhar para a porta do hotel.
— Ah, cinco estrelas com elogios de muitas celebridades que já se hospedaram aqui.
— Isso é bom. — meu coração paralisou por um momento ao ver um rosto entrar.

Naquele momento, eu estava meio fora de órbita e nem conseguia prestar atenção no que Mike falava, estava passando por mim, com sua atenção no celular e acompanhada por um funcionário que carregava suas malas. Ela já estava na cidade e no mesmo hotel que eu, minha primeira reação seria ir até ela, meu coração acelerado, mas não faria isso. Assim que ela entrou no elevador, disfarcei meu olhar e fiquei em um lugar que daria para ela me ver, mesmo que de relance, queria que ela soubesse que eu estava lá.

Olhei para o elevador, após a porta se fechar, respirei fundo e voltei minha atenção para Mike, mesmo perdendo tudo o que ele tinha falado, a única coisa que entendi foi sobre uma reunião que teríamos em alguns minutos. O acompanhei até o carro que nos esperava na entrada, o prédio da filial ficava há cinco minutos do porto, quando chegamos, já tinha alguns outros membros da diretoria nos esperando no hall do prédio.

Tomamos um breve café da manhã primeiro, oferecido por Mike, e nos trancamos na sala de reuniões. As primeiras uma hora e meia foram monótonas com eles falando sobre expandir a rota de navegação dos barcos de Singapura e acrescentar mais objetos a nossa lista de transportes terrestres. Homens de negócios e ambiciosos falando na minha cabeça, estava começando a achar que ainda não estava preparado para aquilo, foi quando uma mensagem chegou no meu celular.

“Olá querido, como está seu dia?”

Era de , um sorriso apareceu em minha face, fiquei me perguntando se ela tinha me visto mesmo. Hesitei um pouco para responder, mas quando percebi meus dedos já estavam digitando a resposta, acho que era automático reagir a ela.

“Está melhor agora.”
“Sério? O que aconteceu?”
“Você acaba de me salvar de uma reunião chata.”
“Reunião? Olha, você deveria estar atento, os negócios da sua família são mais importantes.”
“Fala como uma sábia esposa. Kkkk”
“Tenho que fazer isso às vezes kkkkkk”
“Como está o Cronos?”
“Bem, após me ver, ficou mais feliz.”
“Acho que estou doente também, preciso te ver. Kk”
“kkkkkkkkkkkkk....”
“Estou falando sério.”
“Imagino.”
“Já está em Singapura?”
“Não posso dizer.”
“Pediu minha ajuda e nem para me dizer sobre isso.”
“Segundo Dean, cheguei algumas horas depois de você.”
“Então, ele está me vigiando.”
“Somos casados agora, kk”
“Somos?”
“Neste caso sim.”
“Sempre seu álibi.”
“Um dia isso acaba”
“E se eu disser que não quero que acabe?”
“Já imaginava isso”
.”
“Sim?”
“Onde está agora?”
“Pare de querer saber tudo.”
“Quero mesmo te ver.”
“Eu sei, e você vai, hoje à noite”

Fiquei um pouco ansioso por isso, ver ela. Claro que eu jamais mencionaria que já tinha a visto mais cedo, e já imaginava que ela não me falaria nada sobre onde estava hospedada. Comecei a cogitar a ideia de estarmos no mesmo hotel, uma breve coincidência arquitetada por Dean, afinal já tinha descoberto por , que ele sempre pensava em tudo.

— Então, , o que acha? — perguntou Mike.
— Sobre? — eu não tinha mesmo prestado atenção na reunião.
— Sobre o que conversamos. — explicou ele.
— Bem, acho melhor mandarem um relatório com a proposta para mim depois, por mais que eu esteja à frente da empresa agora, ainda devo satisfações ao meu pai.
— Você tem razão. — concordou ele — Que tal conhecer nosso espaço no porto? Fica alguns minutos daqui.
— Seria muito bom.

Seria perfeito, já que eu estava ali por causa do porto e para ajudar uma certa Little Thief, que insistia roubar minha atenção mesmo longe dos meus olhos.

“Agora você quer brincar comigo
Você tem tudo que eu quero
Você foi feita perfeitamente
Amor frio e artificial.”
- Artificial Love / EXO




Capítulo 26


* POV — *

Acordei do meu sono, ainda com vontade de dormir mais, olhei para o lado e peguei meu tablet, já marcava sete da noite, já estava na hora de me preparar. Levantei me espreguiçando e troquei de roupa, peguei minha câmera profissional para meu álibi e liguei para a recepção pedindo um táxi. Antes de sair do quarto, mandei uma mensagem a , dizendo que estava a alguns passos dele, meio enigmático.

— Senhorita, seu táxi a aguarda. — disse o funcionário assim que eu saí do elevador.
— Agradeço, caso tenha algum recado para mim, se certifique que somente você saberá a mensagem. — se aquele funcionário era contato direto do Dean, somente ele poderia cuidar dos meus recados.
— Sim, senhorita. — ele me seguiu até o lado de fora do hotel — Tenho mais uma coisa.
— O que?
— Um carro do outro lado da rua, está parado lá desde alguns minutos após sua chegada.
— Agradeço a informação. — assenti olhando disfarçadamente para o carro enquanto entrava no táxi.

Pedi ao motorista para me levar até o porto de Singapura, porém defini que seu trajeto fosse o mais longo e cheio de curvas possível. Se aquele carro estava na porta do hotel por minha causa, eu iria me certificar disso com este trajeto, não poderia interferir no meu trabalho, mas tinha tempo de sobra para brincar um pouco com meu vigilante.

— Será que é meu agente preferido? — perguntei para mim num tom baixo, rindo um pouco — Bem que poderia ser, mas como ele está viajando? Será que... Bem, devo me concentrar no meu trabalho, deixo o Dean cuidando dele.

Como eu pedi, o motorista foi preciso em sua rota até o porto, e quando eu desci do carro, constatei que estava mesmo sendo vigiada. Respirei fundo, tinha que estar preparada para qualquer eventualidade, me aproximei do segurança que estava no portão principal e pedi algumas informações, dentre elas, qual era o bloco que pertencia a empresa de . Minha desculpa era sempre a mesma, a noiva que estava ali para encontrar seu amado.

— Agradeço, tenho certeza que não vou me perder.
— Se precisar de qualquer informação, sempre terá um segurança por perto. — disse o homem robusto que me atendeu.
— Sim. — assenti me afastando.

Para minha sorte, estava ali no porto, e pelo que entendi estava fazendo uma pequena visita nas instalações. Me desviei do caminho que o segurança me indicou e segui minha própria rota, já tinha todo meu trajeto em mente e precisava ser rápida. Me desviei de todas as rotas com câmeras, andaria nos pontos cegos do lugar, foi demorado até que consegui chegar no bloco onde se localizava o meu objeto de desejo.

Meu próximo passo, fazer a troca, e como eu iria fazer isso? Ainda estava planejando, por incrível que parece aquela parte do plano, ainda não estava formulada e seria no improviso. Ouvi algumas vozes vindo em minha direção, entrei em um corredor estreito entre os containers, estava escuro, ninguém me veria. Eram duas pessoas e pareciam estar conversando sobre um container específico, logo imaginei que pudesse ser meu objeto de desejo.

— Como sabe, este com o número 277 será realocado em alguns minutos, ele deve ser levado para o transporte de imediato. — disse um homem com a voz rouca.
— Sim senhor, o responsável já está vindo com o guindaste. — disse uma voz meio feminina.
— Lembre-se que a manipulação deve ser com o máximo de cuidado, o cliente dono desse container deixou muitas recomendações.
— Não se preocupe senhor, nosso funcionário sabe sobre isso.

Eles trocaram mais algumas frases sobre o destino do container, Dubai. Eu teria que ser o mais rápido possível então. Esperei que eles se afastassem e corri até a sala de controle, tinha que descobrir qual era esse funcionário e tomar seu lugar, o lado positivo era conseguir reconhecer o uniforme dos funcionários daquela empresa, minha lição de casa estava feita, não tinha só pesquisado sobre a empresa de . Até aquele momento eu estava me aproveitando dos acessos menos iluminados, porém ao passar por um container que recebia mais iluminação, senti uma mão segurar meu braço, logo meu corpo congelou, desviando meu olhar para a pessoa, imaginei que seria meu fim.

— Onde vai com tanta pressa, . — era , e sua voz estava sinuosa demais.
— Você. — desviei meu olhar para trás e vi o tal funcionário, manobrando o guindaste, meu coração certamente parou com aquilo.
— Procurando alguém? Ou alguma coisa? — insistiu ele ainda segurando meu braço.
— E você? — tentei me recompor, mantendo minha voz firme, e agora, como eu me livraria dele e completaria meu roubo? — O que faz aqui?
— Estou a passeio, um amigo trabalha aqui, vim o convidar para beber um pouco.
— E não o encontrou? — meu olhar estava no funcionário e minha atenção no container, a cada minuto meu desespero interno aumentava.
— Encontrei algo bem melhor. — seu olhar para mim foi tão intenso que atraiu o meu.
— E? O que?
— Você. — seu tom de voz que fez arrepiar, será que ele estava ali para me prender? Será que Louise tinha me delatado? — Você parece um pouco preocupada.
— Impressão sua. — tentava não deixar minha voz falhar, desviei meu olhar novamente para o container que estava desaparecendo do meu campo de visão.
— Estou me perguntando, porque tanto interesse naquele container. — seu olhar continuava em mim.
— O que? — minha vontade era de matar ele naquela hora, mas tinha que manter meu disfarce — Mais uma de suas teorias contra mim?
— Não, mas seu olhar parece mesmo preocupado.
— Digamos que estou esperando uma pessoa, e me parece que ela já se foi. — eu tinha um álibi, então o usaria.
— Fala do seu noivo? — seu olhar era mesmo profundo, como se tentasse ler minha mente.
— E quem mais seria? Ele me disse que estaria aqui. — assenti de imediato.
— Deve ser difícil para você. — ele desceu seu olhar para minha câmera — Uma simples fotógrafa, noiva de um homem de negócios.
— Não me envolvo na vida profissional dele, nem ele na minha. — eu se soltei do braço dele — Acho que você deveria procurar pelo seu amigo.
— E deixar uma dama sozinha, em um lugar tão escuro como esse? — retrucou ele.
— Ela não está sozinha. — disse aquela voz da salvação vinda atrás de mim, logo senti suas mãos na minha cintura, me envolvendo — Boa noite querida, desculpa a demora. — ele beijou de leve meu pescoço.
— Boa... — não sabia se estava aliviada ou se arrepiava com aquele beijo — Noite.
— Agente, a que se deve sua presença aqui? — a voz de estava firme, séria com um tom de soberania, e me deixando desnorteada — Estou começando a me chatear com suas aproximações casuais, sou um homem muito ciumento.
— Imagino. — que estava com seu olhar em , desviou para mim — Com uma noiva como , era de se esperar, fico imaginando como é sua relação com seu irmão, você tem ciúmes dele também?
— Do que está insinuando? — me fiz um pouco de ofendida e segurei a mão de , ele parecia um tanto irritado pelas palavras de .
— Não me importa, o passado dela com . — ele deslizou seus braços se afastando um pouco de mim e segurou em minha mão — O que importa é que agora ela é minha, e sempre será. — eu nunca tinha visto ele falar com tanta segurança.
— Estou vendo. — o olhou, parecia acreditar, era novidade.
— Se nos der licença, temos outro lugar para estar.

se afastou, indo em direção ao bloco que pertencia a empresa dele, me puxando junto com ele. Eu me mantive em silêncio, estava tão estática com tudo que tinha acontecido, que quando voltei ao normal, logo a imagem do container invadiu minha mente. Assim que nos afastamos ao máximo de , tentei me soltar de , voltaria ao meu plano inicial e procuraria o barco que estava com meu objeto de desejo.

— Não. — disse me segurando com mais força.
— Me solta. — tentei me desprender dele.
— Já disse, não. — ele impulsionou meu corpo para o corpo dele e me beijou de surpresa, eu tentei me soltar, com dificuldade — Você não está pensando direito.
— Você que está me atrapalhando. — retruquei tentando me soltar dele — Tenho que continuar o que comecei.
— Pare de tentar fugir. — seu tom estava mais sério que o normal, ele envolveu seus braços em minha cintura me puxando para mais perto ainda — Ele ainda está nos vigiando.
— O que? — por aquilo eu não esperava.
— Isso mesmo o que eu disse. — ele rodou de leve nossos corpos para que eu pudesse ter uma visão de — Agora se concentre no seu álibi.
?! — sussurrei sem entender.

Ele me beijou novamente, desta vez com meu consentimento, envolvi meus braços no pescoço dele e retribui o beijo. Aquele parecia o beijo mais real que já tínhamos dado, tão real que me senti até um pouco zonza e sem fôlego quando terminamos, permanecemos daquele jeito, nos olhando por um tempo.

— Não se preocupe, seu objeto de desejo está seguro. — disse ele dando um sorriso de canto.
— Como? — eu não estava entendendo aquilo.
— Posso não ser o , mas acho que consigo fazer algo por você. — ele desviou seu olhar para o lado — Recebi um recado do Dean, uma hora antes de você sair do hotel, fiz as trocas pessoalmente.
— Não consigo acreditar. — por aquilo eu não esperava — Como você trocou?
— O container que você queria, estava exatamente de costas para uma pilha de containers vazios, e como o bloco fazia divisa com o meu, foi fácil fazer a troca.
— Então aquele que estava com o funcionário...
— Sim. — assentiu ele — Trocamos as placas de informação também.
— Posso ver? — perguntei de imediato.
— Imaginei que quisesse. — ele se afastou um pouco segurando minha mão — Não se preocupe, nosso agente não poderá nos seguir agora.
— Como sabe?
— Somente pessoas autorizadas conseguem entrar no bloco da minha empresa.
— Vejo que a segurança aqui é muito boa.
— Eles são bem treinados, e desde que vocês chegaram, minha equipe está monitorando seus passos.
— Devo presumir que sua família tem alguma ligação com mafiosos? — a cada palavra uma surpresa maior.
— Não. — ele riu — Esta empresa só é considerada a mais segura no ramo do transporte, só isso.

Sorri de leve, não só , mas até mesmo sua empresa era surpreendente, ele me levou até o galpão de carga e descarga. Quando entramos tinha somente dois funcionários devidamente uniformizados e portando o crachá de identificação, que vigiavam o container. pediu para que eles saíssem por alguns minutos, me aproximei mais do meu objeto de desejo, um desejo forte de abrir começou a fluir em mim.

— Hum, tem certeza que é isso mesmo? — confirmei.
— Sim, 277. — assentiu ele — Quer abrir?
— Você pergunta a uma criança se ela quer sobremesa? — retruquei sorrindo.
— Então, vamos abrir. — se aproximou e girando a alavanca principal, destrancou, demorou um pouco para abrir todas as outras fechaduras, então ele abriu.
— Hum. — senti meus olhos brilharem ao ver aqueles carros.
— Uau. — disse ele impressionado — Tanto trabalho...
— Não são quaisquer carros. — entrei no container e comecei a avaliar, eram quatro Ferraris, edição limitada — Estou começando a ter um desejo.
— O que? — ele me olhou sem entender.
— Meu objeto de desejo mudou. — alisei uma Ferrari amarela, mordendo meu lábio inferior.
— No que está pensando? — perguntou ele.
— Em um pequeno desvio. — o olhei — Você teria outro container sobrando?
— Você vai pegar um para você? — ele parecia não acreditar — Vai roubar seu próprio cliente?
— Um preço justo, quase fui pega e perdi meu objeto de desejo. — desviei meu olhar para o carro novamente — Vai ou não me ajudar?
— Já estou afundado nisso mesmo.

Ele respirou fundo e saiu do galpão por um instante, assim ele voltou com mais quatro funcionários, levou um tempo para separar o carro que eu queria dos outros e colocar no outro container. Peguei o celular de um dos funcionários de emprestado e liguei para Dean, precisava das novas coordenadas para entrega.

Dean na linha. — disse ele ao atender.
— Preciso das coordenadas.
Conseguiu? Ele conseguiu?
— Sim, e ainda quero entender esse seu plano alternativo. — não estava chateada, mas frustrada por ter feito tudo no meu lugar.
Bem, quem o envolveu desde o início foi você. — ele riu — E vamos combinar que, aquele agente estava na sua cola, então não daria para ser você.
— Não era você que cuidaria disso? — retruquei.
E estou cuidando, tenha mais paciência.
— Eu não terei meu álibi para sempre. — retruquei novamente.
Está pensando em divorciar? — brincou ele.
— Você sabe o que eu quis dizer. — respirei fundo vendo se aproximar de mim — As coordenadas.
Vou mandar por mensagem para o celular dele. — Dean hesitou um pouco — Só mais uma pergunta, você não abriu, abriu?
— É claro que não abri, estou tão preocupada em finalizar isso logo, terei mesmo cabeça para fazer isso? — claro que eu não contaria agora.
Coordenada enviada, vou desligar.
— Até. — assim que desliguei o celular do funcionário, apaguei o registro da ligação e entreguei a .
— Você realmente mente bem. — disse ele pegando o aparelho.
— Digamos que existem coisas que ele não precisa saber. — eu ri de leve — E essa é uma delas, as coordenadas foram mandadas para você.
— Hum. — pegou seu celular e olhou a mensagem.

Ele pessoalmente preencheu a ficha de envio dos containers, os três carros iriam para as coordenadas enviadas por Dean, já o meu desejo em forma de carro iria para Manhattan. Peguei o celular de e enviei uma mensagem para Stef, ela iria se encarregar de pegar meu pacote, um suspiro de alívio veio assim que os containers foram colocados no barcos que os transportariam.

— Está mais tranquila agora? — perguntou ao se aproximar de mim.
— Digamos que sim. — desviei meu olhar do barco para ele — Seus funcionários...
— Não se preocupe, eles são muito discretos e de confiança. — seu olhar estava sereno, me passava segurança.
— Acho que te devo um agradecimento.
— Hum, um agradecimento? Só isso? — ele deu um sorriso malicioso.
— Desde quando você ficou tão tranquilo perto de uma mulher a ponto de sorrir assim? — eu não estava o reconhecendo mais.
— Desde o quando me apaixonei por você. — só conseguia sentir sinceridade vindo dele, junto com um olhar intenso.
— Acho que posso fazer bem mais que só agradecer, já que você é meu “marido” — sorri de canto me aproximando mais dele e o beijei com certa malícia.

“Em nossas mãos unidas
Não tem calor
Mas por que não somos capazes de deixar o outro ir
Ao mesmo tempo
Nós simplesmente não podemos deixar ir.”
- Fast Pace / SEVENTEEN




Capítulo 27


* POV — *

Felizmente aquele meu serviço estava concluído com sucesso, foram vários suspiros de alívio dentro do carro de , passamos em uma cafeteria para comer alguma coisa antes de voltarmos para o hotel. De certa forma eu estava admirada em ver como ele tinha evoluído, de um homem que não sabia nem dar um fora em uma garota chata à um homem que dizia com toda convicção que meu passado não importava. Aquilo fazia meu coração acelerar um pouco.

LT, na linha. — disse ao atender meu celular assim que entrei no quarto, sendo seguida por .
— Como é bom ouvir sua voz. — disse Dean dando um suspiro de alívio — Como você está? Depois de toda aquela adrenalina?
— Irritada e com raiva, ainda quero saber como aquele agente saiu de Paris. — respondi me sentando na cama, fechou a porta e ficou encostado na parede me olhando.
— Não é somente você que quer esta resposta, mas eu vou cuidar disso pessoalmente. — assegurou ele.
— Vai sair de Manhattan? Você? — eu ri — A quanto tempo que isso não acontece.
— Situações extremas, pedem medidas extremas. — explicou ele — Fique tranquila e tire dois dias para respirar, logo enviarei as informações do seu penúltimo roubo.
— Hum, até que enfim, estou a dois passos do descanso. — eu ri — Vou desligar, se souber de algo a mais.
— Eu te aviso assim que o container chegar ao nosso cliente.
— E quanto ao meu pagamento? — perguntei de imediato.
— Já foi depositado antecipadamente.

Eu desliguei o celular e estiquei para , ele pegou e continuou me olhando, a curiosidade estava estampada no seu olhar. Mas isso já não era novidade para mim.

— Mais um serviço? — perguntou ele.
— Sim e não, Dean me deu dois dias de folga. — respondi — Mas é meu penúltimo serviço antes das férias.
— Sempre que você fala dessas férias eu sinto um frio na barriga, como se nunca mais fosse te ver. — disse ele colocando o celular no bolso.
— Bem, é uma possibilidade a se pensar. — me espreguicei um pouco.
— Devo continuar tendo esperanças? — ele cruzou os braços.
— Talvez. — eu ri me levantando da cama — Mas agora preciso dormir, sinto que minha energia foi sugada por aquele agente.
— O Dean não sabe mesmo como ele veio parar aqui? — perguntou ele.
— Parece que não, mas fiquei curiosa, gostaria de saber como o Dean sabia que ele estava aqui e não me disse nada.
— Ele não disse nada nem para mim, só pediu que eu fizesse a troca antes de você chegar.
— Devo agradecer de novo? — sorri de leve e abri a porta — Boa noite.
— Vai me agradecer assim? Me expulsando do quarto?
— Hum. — eu ri — Estou com saudade do tímido com as garotas. — respirei fundo — Preciso descansar, mas acho que posso te agradecer melhor te pagando um café amanhã.
— Vou cobrar. — ele sorriu de canto e saiu do quarto.

Fechei a porta e bocejei um pouco, meu corpo estava pesado e fadigado, tomei uma ducha quente e rápida, coloquei o pijama e me joguei na cama. Minha noite seria em um longo e relaxante sono, dormi muito bem que até acordei pouco antes do almoço. Troquei de roupa e desci para o restaurante do hotel, já estava me esperando sentado em uma mesa ao canto.

— Devo presumir que sua noite foi confortável. — brincou ele enquanto olhava o cardápio.
— Sim, admito que não dormi e sim desmaiei naquela cama. — eu ri me sentando na cadeira — Mas sinto que minhas energias voltaram para mim.
— Está pronta para outra? — ele riu desviando seu olhar para mim.
— Pode se dizer que sim, estou. — olhei para o cardápio.
— Ok, então como agradecimento, acho que você pode pagar o almoço.
— Pensei que você fosse cavalheiro. — o olhei segurando o riso.
— Eu sou, mas foi você que me prometeu pagar o café, já que não o fez, pode se redimir pagando o almoço. — ele sorriu.
— Olhando por esse ângulo, você até tem razão. — suspirei de leve — Pagarei o almoço então.
— Você vai ficar mais tempo aqui?
— Não sei, ainda não sei para onde vou, mas não quero gastar meus dois dias de folga dentro de um avião. — o olhei meio intrigada — E você? Vai ficar até quando?
— Eu só vim por sua causa, não tenho muito o que fazer na filial da empresa.
— Hum, quer dizer que posso ter um programa de casal com meu, ainda fico confusa em te classificar.
— O que? — ele riu — Porque?
— Noivo ou marido. — eu ri — Ou amigo.
— Me classifique como quiser. — ele desviou seu olhar para o garçom que se aproximava.

Sua voz parecia um pouco frustrada, não me importei muito e escolhi no cardápio o que iria comer. A comida estava saborosa e após a sobremesa, me convidou para dar uma volta pela cidade, eu já tinha visto alguns pontos turísticos com a minha guia, porém visitar novamente na companhia dele era bem mais interessante.

Era difícil não comparar meus momentos com e meus momentos com , ambos eram diferentes e ao mesmo tempo sabiam como despertar minha atenção para eles. Porém havia algo que que me puxava ainda mais para , eu tinha sentimentos por ele, o que existia entre nós dois não era somente atração física. E eu estava começando a perceber isso, ou melhor estava começando a admitir para mim mesma, a forma como ele me olhava com carinho e serenidade, seu sorriso singelo e chamativo, sua gentileza, suas qualidades se destacavam ainda mais.

Apesar de eu conhecer a mais tempo, eu não conseguia sentir isso quando estava perto dele. Por mais que soubesse que ele ainda estava interessado em mim, não podia afirmar se era algo mais do que somente atração física. Acho que era isso que mais diferenciava os dois, sempre foi sedutor e não media esforços para conseguir a mulher que queria, já tinha aquela timidez que o fazia se sentir deslocado perto de uma mulher, e justo a sua timidez me fez ficar encantada por ele.

Passamos toda a tarde passeando, até que ao anoitecer entramos no shopping Plaza Singapura, não sei se foi proposital dele, mas a primeira loja que olhei naquele lugar era de sapatos. Senti meu corpo arrepiar, assim que coloquei meus olhos em um sapato de jeans com salto fino, parecia ter sido feito sob medida para mim.

— Vai ficar só olhando? — disse ele segurando o riso.
— Foi proposital? — perguntei num tom irônico mantendo meu olhar no sapato.
— Talvez. — ele sorriu de canto, pegando em minha mão me levou até dentro da loja.
— Espero que não esteja brincando com meu fetiche por sapatos. — dei de ombros mantendo meu olhar no meu novo objeto de desejo.
— Te conheço tempo suficiente para entender que não é somente um fetiche, vou esperar o quanto quiser. — ele se sentou na poltrona do hall da entrada da loja me olhando com tranquilidade — Não se contenha, apenas se sinta à vontade.

Neste momento meu olhar já estava fixo nele, não sabia o que falar, estava sem reação por suas palavras e ações. Eu sempre tentava esconder minha verdadeira personalidade das pessoas, vestia máscaras para e me blindava o máximo que podia para manter todo mistério sobre mim. Mas tinha dito algo com tanta convicção, parecia que ele conseguia ler minha alma, como se todo aquele tempo que estávamos perto um do outro, ele fosse se adaptando ao meu jeito e me desvendando em partes.

Respirei fundo, mantendo minha postura normal e natural, eu não iria demonstrar nenhuma fraqueza ou sentimento, nem mesmo para ele, uma das coisas que Dean havia me ensinado desde criança. Logo uma vendedora se aproximou, simpática e muito educada, me atendeu da forma mais objetiva e instigante possível, graças a ela comprei além do sapato de jeans, duas sapatilhas florais e uma sandália anabela com o salto em xadrez.

— Está com fome? — perguntou ele segurando duas sacolas para mim.
— Não muito, mas aceito o convite. — brinquei rindo.
— Nossa. — ele me olhou rindo — Vou te levar a um lugar legal.
— Aqui? — perguntei meio curiosa.
— Não. — ele riu seguindo em direção a rua — Primeiro vamos passar no hotel para nos trocar.
— Hum. — entrei no táxi vip que estava a nossa espera — E será algo formal?
— Não, apenas vista algo leve e descontraído. — ele riu de leve. — Senhor o que anda tramando? É um encontro?
— Talvez. — ele desviou seu olhar para a rua mantendo um sorriso de canto malicioso.

Permaneci em silêncio, segurando o riso, desviei meu olhar para o outro lado, ao chegarmos ao hotel, ele me ajudou a levar as sacolas para meu quarto. Após alguns minutos nos encontramos novamente no hall do hotel, ele tinha alugado um carro para nos locomovermos melhor pela cidade. Para minha surpresa, me levou a um restaurante mexicano chamado Margarita's Dempsey Hill, o lugar era bonito e muito bem decorado.

Nos sentamos em uma mesa que ficava na varanda da lateral do restaurante, tinha uma vista privilegiada e cercado da vegetação que compunha a decoração do lugar. Fomos recebidos pelo próprio gerente, que por acaso conhecia o pai de , após ele se afastar e o garçom anotar nosso pedido, fiquei um pouco distraída olhando para a rua.

— Está pensativa. — disse ele — Ainda preocupada com o agente?
— Não, desta vez não estou pensando nisso, estou mantendo minha mente despreocupada até voltar a ativa. — respirei de forma mais suave desviando meu olhar para ele — Desde quando está tentando me decifrar?
— Decifrar? — ele se fez de desentendido.
— Sim, sempre me observando, tentando saber o que estou pensando.
— Bem. — ele riu de leve mantendo seu olhar em mim — Eu tentar saber mais sobre você te incomoda?
— Um pouco. — desviei meu olhar para a rua novamente — Não gosto de pensar que as pessoas estão me lendo, e você faz isso quando me olhar muito.
— Existe tanta coisa sobre você que não devo saber? — insistiu ele — Ou você tem medo que eu possa descobrir algum lado frágil seu.
— Eu não tenho ponto fraco. — resmunguei dando de ombros.
— Não é o que eu acho. — ele tocou minha face de leve me fazendo olhar para ele — Todos temos um ponto fraco, você está se tornando o meu.

Senti meu corpo arrepiar, aquilo eu não iria admitir, ele não seria nenhum ponto fraco meu, mantive meu olhar fixo nele, minha face suave e minha voz firme.

— Eu não tenho ponto fraco. — repeti com segurança — Mas me sinto lisonjeada por ser o seu.
— Você é mesmo um enigma difícil de resolver. — afirmou ele sorrindo com naturalidade — E está me fazendo ficar ainda mais motivado a te decifrar.
— Boa sorte. — disse sorrindo também.

 

“Oh, ela me quer
Oh, ela me têm
Oh, ela me machuca
O que poderia ser melhor que isso?
- Overdose / EXO



Capítulo 28


* POV — *

Ela era mesmo um mistério em forma de mulher, conseguia me deixar louco sem fazer o mínimo de esforço, minha vontade de conhecê-la melhor, saber o que tinha em seus pensamentos, só aumentava a cada vez que olhava em seus olhos. Eu conseguia imaginar algumas coisas sobre seu passado, com base em comentários de e em meus momentos te observando.

Passar um dia inteiro com ela, sem ninguém para nos atrapalhar, principalmente sem meu irmão, havia sido incrível. Mas minhas preocupação ainda persistia em invadir meus pensamentos, era muita coisa em minha mente, perguntas que ela não responderia, acontecimentos que me faziam temer pelo pior. Uma certa explosão de pensamentos que me consumiam em breves momentos.

Complicado não pensar que com seu último trabalho, viria sua decisão final, ela tinha se encontrado por acaso com em Marrocos, e isso me fazia imaginar o que poderia ou não ter acontecido entre eles. O que me doía ainda mais, era que nosso relacionamento era falso, então eu não tinha motivos ou direito de ficar com raiva ou ciúmes. Mas droga, eu estava com raiva do meu irmão e ciúmes dos dois, ela tinha mesmo que ter conhecido justo ele no passado? Não podia ter sido outro cara?

sempre foi mais popular e mais sedutor que eu, no passado foi ele que Taylor escolheu, após descobrirmos que estávamos namorando ela ao mesmo tempo. Ele sempre se destacou mais que eu, principalmente com as garotas, um dos motivos que me fazia imaginar que escolheria ele. E esse pensamento me fazia querer aproveitar cada momento que eu poderia ter com ela.

— Agora você que está em silêncio. — comentou ela ao tomar um gole do vinho.
— Me desculpe, estava perdido em meus pensamentos. — sorri de leve.
— Ao contrário de mim, você é extremamente transparente. — disse ela — Aposto que estava pensando em mim.
— Você sempre ganha. — ri de leve — Sempre estou pensando em você.
— Claro, que marido não pensa na esposa?! — seu olhar natural me arrepiava.
— A naturalidade de como fala, parece até real. — respirei fundo.
— E não é? — ela sorriu com certa malícia, se levantou de leve dando um passo, ficando em minha frente — Afinal, você não me ama mais?!
— Que pergunta é essa? — respirei fundo me levantando.
— Então você me ama de verdade? — ela suavizou ainda mais seu olhar, o que me deixava um pouco zonzo.
— O que você acha? — segurei meus instintos por um momento, mas não resisti aquela tentação chamada .

A beijei com o máximo de intensidade que aquele ambiente público permitia, envolvendo minhas mãos em sua cintura, controlando meu fôlego e sentindo meu coração acelerado. Após o beijo, fiquei a olhando fixamente por um tempo, senti seu olhar se desviar para a rua e depois para mim novamente, ela se aproximou um pouco mais encostando meus lábios no meu ouvido, senti meu corpo arrepiar.

— Você é o melhor álibi do mundo. — sussurrou ela com uma voz doce e envolvente.
— O que?! — aquilo tinha me deixado desnorteado.
— Estamos sendo seguidos, desde que saímos do hotel para dar uma volta pela cidade, e agora neste momento, tem um homem do outro lado da rua, tirando fotos de nós, de uma forma bem discreta. — ela dei um beijo de leve no meu pescoço, me fazendo segurar firme no seu braço — Acho que hoje, você terá que dormir comigo.
— O que? — eu me afastei mais e a olhei assustado — Como?
— Continue natural. — ela sorriu de canto — Obrigada por me amar.

Eu não sabia se estava sem fôlego pelo beijo, desnorteado por estarmos sendo seguidos, ou com raiva por ela me usar sem nenhuma cerimônia ou remorso, imaginar que a única coisa que eu seria para ela, era seu álibi me deixava em fúria. Mas como eu conseguiria brigar com ela? Só de olhar para aquele sorriso, já sentia meu corpo arrepiar. Como eu me apaixonei por uma mulher como a ? Uma pessoa o oposto de mim.

 

* POV — *

Tinha que admitir que brincar com era divertido, mas ao mesmo tempo era perigoso para mim, quanto mais eu o fazia se apegar a minha, mais eu poderia me apegar a ele também. Isso me fazia perceber que o amor era uma via de mão dupla, uma espada de dois gumes, algo que fere ambos os lados, porém não estava preocupada com isso.

Terminamos nosso jantar tranquilamente, foi descontraído o suficiente para eu descobrir que gostava que alguns cantores mexicanos como Luís Miguel. Assim que voltamos para o hotel, como eu previ a pessoa que nos seguia era um hóspede, e como estava no meu cronograma, foi para meu quarto comigo, o que o deixou um pouco desconfortável, estranho pois isso nunca tinha sido problema para ele.

Para minha surpresa, decidiu dormir no sofá que tinha ao lado da porta para o banheiro, talvez ele estivesse com raiva por ter usado ele mais uma vez. Ossos do ofício, quando ele caiu nessa história, já sabia as consequências, meu trabalho estava acima de tudo.

— Bom dia. — disse me espreguiçando ao acordar — ? — abri os olhos, olhando em minha volta, mas ele não estava lá — ?!

Me levantei da cama, no sofá estava a coberta dobrada e um bilhete em cima, pequei e comecei a ler, parecia que alguém estava mesmo com raiva, era divertido aqueles momentos de DR em nosso falso relacionamento.

“Espero ter sido mesmo o melhor álibi do mundo.”

— Ah, nem um eu te amo no final? — ri da minha ironia e rasguei o bilhete e joguei no vaso dando descarga — Estou sem meu noivo, o que vou fazer hoje?

Tomei uma ducha sossegada, achando mesmo que aquele dia eu estaria de folga e descansada, porém uma ligação de Dean iria desviar todos os meus planos para aquele dia.

LT na linha, o que houve desta vez?
Você precisará partir agora mesmo para realizar seu próximo roubo. — disse ele diretamente de forma bem objetiva.
— Ei, calma, posso saber qual a pressa?
Seu próximo objeto de desejo está correndo risco de ser muito bem escondido e nunca mais achado. — explicou ele.
— E qual é meu objeto de desejo?
Abra seus arquivos no tablet.
— Ok. — peguei meu tablet na bolsa e abri, demorei dois minutos para raciocinar novamente e absorver que aquilo era a foto de um bebê — Não. — disse na mesma hora.
Sim. — retrucou ele.
— Não, Dean você sabe que tem duas coisas que eu não roubo, pessoas e animais.
Me desculpa LT, mas isso não é questionável, você terá que fazer.
— Por que?
Porque sua liberdade depende disso. — sua voz estava de frustração — Me desculpe.
— Comece a falar tudo que você sabe sobre isso e como estou com a corda no pescoço?
O cliente que está querendo este bebê é alguém muito importante na Interpol, importante a ponto de manter muitas pessoas fora do nosso caminho. — explicou ele.
— Dean, você disse que iria resolver nosso problema e não trazer mais. — retruquei querendo esfolar ele vivo.
Acredite, não foi algo combinado, mas tive que passar ele na frente e colocar como penúltimo roubo, não tive mesmo escolha. — ele respirou fundo — O bebê é filho do nosso cliente, ironicamente com a filha do maior narcotraficante da argentina, chamado Raul Pérez, agora a filha dele Camillia está ameaçando nosso cliente.
— E eu tenho mesmo cara de agente do serviço secreto para resgatar uma criança? — bufei um pouco — Como pode me pedir isso? Praticar suicídio?
, eu juro que não foi intencional, mas você precisa fazer isso, ninguém pode saber que esta criança existe, nessas circunstâncias.
— E o que vai acontecer com o bebê?
Não posso dizer. — sua voz falhou um pouco.

Eu já imaginava coisa pior, estava sem saber o que fazer, se negasse minha cabeça estaria a prêmio para o meu querido agente colocar na guilhotina, mas se aceitasse, a vida de um inocente poderia estar em risco, não sabia o que fazer, mas não deixaria aquele bebê nas mãos de pessoas que queriam usá-lo para benefício próprio.

— Tudo que eu preciso saber está aqui? — perguntei.
Sim. — assentiu ele.
— e quando será minha oportunidade?
O bebê, terá alta do hospital amanhã à tarde, se pegar o vôo agora chegará a tempo para executar a tarefa.
— Ligo quando terminar.

Desliguei o celular respirando fundo, precisava pensar no que fazer, em como fazer, eu iria possivelmente enfrentar o maior narcotraficante da américa latina, iria roubar ele. Suicídio? Não sei, mas estava sendo melhor do que me imaginar em uma penitenciária. Então pensei em ligar para uma pessoa tão louco quanto eu, mas que tinha certeza que me ajudaria.

. — disse assim que ele atendeu.
?! — ele parecia surpreso — Posso entender o que, porque está me ligando?
— Preciso de você na argentina e dos seus conhecimentos médicos.
Pra quando?
— Pra ontem. — respondi já pensando minha mala e saindo do quarto.
Já entendi o nível da urgência, te encontro no aeroporto de Ezeiza em Buenos Aires.
— Fechado. — desliguei o celular e entrei no elevador.

Como não poderia recusar, tinha que encarar essa como mais um serviço, porém meu cuidado seria redobrado e cheio de cautela, meu plano era não chamar a atenção até me distanciar o máximo possível com o bebê. Enviei algumas informações de coisas que eu precisava para providenciar, já que por coincidência ele estava em uma conferência no Uruguai e chegaria antes de mim. Peguei o vôo que já estava reservado por Dean, classe executiva, cabine individual, eu passaria todo aquele tempo traçando as rotas do meu pequeno e eficaz plano.

Tinha que considerar todos as variáveis naquele meio tempo, quando cheguei no aeroporto de Ezeiza, já estava lá me esperando, seu olhar curioso era visível. Ele já tinha adiantado muita coisa, assim como informar ao Dean que estava no esquema comigo, ele alugou um carro para nosso conforto e segurança, então fomos diretamente para a maternidade da cidade onde o bebê estava, a Clínica y Maternidad Suizo Argentina.

Dean sempre me dizia que ter contato era tudo para nossa profissão, e ele estava realmente certo, meu contato era , e o contato de era uma antiga amiga da universidade que tinha se formado para obstetrícia. Não era novidade que essa antiga amiga, dra. Rosalie me pareceu bem íntima dele a primeira vista, o que poderia ser algo a meu favor.

Ela nos levou até o vestiário dos enfermeiros, trocamos de roupas e colocamos falsos crachás de identificação, que tinha arrumado com outro amigo dele. Queria entender como e Dean arrumavam tantos amigos nessas horas, eles sempre conseguiam tudo que eu precisava em um curto espaço de tempo.

— Chegou a hora, está pronta? — perguntou ele.
— Sim, estou. — respirei fundo me olhando no espelho — Temos que ser rápidos, precisos e silenciosos.
— Não se preocupe, seremos. — ele segurou em minha mão me virando para ele — Dean vai estar nos monitorado pelas câmeras do hospital, vai apagar nosso rastro daqui e das câmeras de segurança da rua.
— Então vamos, tenho um objeto de desejo para adquirir. — respirei fundo desviando meu olhar para ele, estava preparada e concentrada para mais um serviço.

 

“Depois minha respiração
Acelera e eu me sufoco
Eu sinto um arrepio
E depois um suspiro.”
- Overdose / EXO



Capítulo 29


* POV — *

A amiga de iria monitorar toda a movimentação das enfermeiras, o bebê estava ficando em um quarto isolado com em uma incubadora individual, sendo cuidado por uma enfermeira específica. Meu trabalho era substituir essa enfermeira, e foi o que fiz de imediato, assim que a senhorita entrou no banheiro, entrei atrás dela. A desmaiei e coloquei acomodada em um reservado do banheiro, uma pequena placa de interditado para facilitar.

Saí do banheiro com meu disfarce, uma máscara muito bem encaixada, peruca trivial e o crachá de autorização da enfermeira desmaiada. Assim que me aproximei do quarto, fui barrada por dois seguranças que estavam na porta, eles me perguntaram porque eu estava ali e onde estava a outra mulher.

— A outra enfermeira teve que se ausentar, mas eu vim para substituir ela. — disse ao segurança mais charmoso — Se quiser posso chamar a dra. Rosalie para confirmar.
— Bem, Juan, vá até a doutora e confirme isso. — disse ele para o segurança mais robusto.
— Porque eu? Logo agora que iria comer algo, estou com fome. — ele bufou — Os outros já deveriam ter chegado.
— Deixe de ser esfomeado, e vai logo, sou eu que estou no comando.
— Ah. — o outro saiu espraguejando um pouco.
— Hum, então é você o chefe? — perguntei dando um sorriso — Adoro homens que mandam.
— Bem, eu sou sim, adoro mandar. — disse ele abrindo a porta — Vamos.
— Você vai ficar aqui dentro comigo? — perguntei ao entrar — Estou com medo de me desconcentrar.
— Nossa. — ele parecia um pouco vergonhoso por meus elogios — Me desculpe pelo meu charme.
— Eu largo serviço às sete, poderíamos ir a algum lugar depois daqui. — mordi o lábio inferior desviando minha atenção para a incubadora.
— Será um prazer. — ele sorriu de canto.
— Ah, enfermeira... Onde está a enfermeira Jones? — disse a dra. Rosalie ao entrar.
— Ela precisou sair para comer algo, acho que estava passando mal por não se alimentar direito. — disse de forma convincente como já havia combinado com ela — Eu estou aqui para substituir ela.
— Você está a muito tempo no hospital? — perguntou ela fingindo não me conhecer.
— Sim, estou no meu terceiro mês de estágio. — respondi com segurança.
— Ok. — ela olhou para o segurança — Você está aqui, vim examinar o bebê pela última vez e assinar a alta dele.
— Dra. Rosalie, minha patroa vai vir em uma hora pegar a criança.
— Eu já sei. — ela o olhou — Agora poderia por favor se retirar para que eu possa fazer meu trabalho.
— Como quiser. — o segurança me olhou novamente — Te vejo mais tarde.
— Até mais tarde. — sorri para ele o olhando até que saísse e fechasse a porta.
— Ufa. — Rosalie respirou aliviada e sussurrando — O que pretende fazer agora?
— Isso.

Eu peguei a bandeja de metal que estava na mesa ao lado da incubadora e bati na cabeça dela, peguei seu corpo antes que caísse e coloquei cautelosamente no chão. Me voltei para a incubadora e abri, fiz um emaranhado de lençóis e panos para colocar o bebê, e após encaixá-lo com precisão, amarrei em meu corpo de forma segura, minha loucura me faria sair daquele quarto de forma mais imprópria possível. Minha sorte era que o quarto estava localizado na região sul do prédio, sem vista para a rua ninguém me veria saindo pela janela.

Respirei fundo reunindo forças e coragem, saí pela janela da forma mais lenta possível, passo a passo fui seguindo pelo beiral até que cheguei na janela do quarto ao lado. já estava me esperando, eu retirei todo aquele pano e coloquei o bebê em cima da cama, fui até o banheiro que tinha no quarto e retirei todo o meu disfarce, joguei no vaso.

— E agora? Qual a segunda parte do seu plano? — perguntou ele olhando para o bebê.
— Vou para o andar de baixo pelo lado externo, enquanto isso você leva o bebê. — o olhei vestido de faxineiro — No cesto de roupas sujas que você trouxe.
— e esse bebê não vai morrer com falta de ar? — perguntou ele.
— Não. — peguei o bebê e o coloquei o cesto, ajeitei os lençóis de forma que só o nariz ficasse para fora de forma discreta — Eles não vão te parar, agora me encontre na lavanderia do hospital, temos que ser rápidos.
— Tudo bem.

Voltei para a janela, sozinha eu teria mais mobilidade para me agarrar e pular para qualquer lugar e foi o que fiz, me agarrei ao beiral e balancei o meu corpo até conseguir encaixar minha perna na janela de baixo. Torci meu corpo de leve e agarrei a janela, após um leve impulso joguei meu corpo para dentro do quarto, caí no chão derrubando uma cadeira que estava ao lado.

Respirei fraco retomando meu fôlego e me levantei, saí do quarto correndo e entrei pelo acesso de funcionário, assim que cheguei na porta de saída de emergência, entrei e comecei a descer as escadas correndo. Já havia me esquecido o quanto era horrível descer escadas correndo, mas era preciso naquele momento, cada minuto era precioso, pois quando soubessem do sumiço, o hospital ficaria perigoso para mim.
Assim que cheguei no subsolo, encontrei com os lençóis embolados no bebê, eu tinha outra fase para iniciar, como sair com um bebê sem ser vista. Seria muita loucura me passar por gestante? Não, e era isso que eu faria, coloquei outro disfarce que já estava preparado para mim, e também colocou outro, seríamos uma família feliz de pessoas normais.

— Como sempre, haja naturalmente. — disse a ele que estava com o bebê na mão.
— Boa sorte para nós. — ele sorriu de canto — E depois, vou querer algo em troco, já me deve um favor.
— Já te paguei com um beijo e uma suposta noite de amor. — o olhei com desdém — Mas posso te pagar o café.
— Não sou meu irmão. — ele riu — Mas vou aceitar.
— Eu sabia, agora vamos.

Ele me seguiu rindo, apertamos o botão e entramos no elevador, assim que se abriu no térreo, já vimos que o caos estava instalado pelo hospital. ajeitou o bebê nos braços, eu me apoiei me leve para ele segurando minha barriga de leve, tinha duas crianças que aparentava ter seis e oito anos sentadas nas cadeiras de espera. Elas vieram a nosso encontro me abraçaram.

— Papai, mamãe. — disseram eles em coral.
... — sussurrei movendo meu olhar para ele.
— Nossa família feliz, você não queria? — ele sorriu de canto — Vamos para casa.
— Vamos. — assenti, não imaginava como ele tinha arrumado aquelas crianças, mas a ideia era maravilhosa e assustadora ao mesmo tempo.

Não conseguia não imaginar se fosse verdade, eu com e mais quatro filhos, complicado não pensar que esse poderia ser meu destino se o escolhesse, divertido já que ele parecia amar crianças. Mas assustador para mim pensar em ter filhos naquele momento, eu estava no auge da minha profissão, balancei a cabeça voltando a realidade. Eu estava quase agindo como se fosse real e estivesse mesmo grávida dele.

Passamos por muitos seguranças, todos loucos procurando por todos os cantos, estava me sentindo mal pela dra. Rosalie, mas ela disse que sabia se defender, ela era noiva do irmão do tal Raul Pérez, e não se importava de trair a família dele, já que sabia que o bebê seria usado para fins ilegais. Ela tinha conquistado meu respeito com aquela atitude de me ajudar a salvar um inocente.

Assim que chegamos no estacionamento, entramos no carro e deu a partida, paramos em uma cafeteria de um conhecido da família de , para deixar as crianças e pagamos aos pais por sua ajuda. Eu retirei meu disfarce novamente junto com ele, queimamos nossas roupas e colocamos outras mais quentes e que cobriam quase todo o nosso corpo. Agasalhamos o bebê também e partimos para um pequeno aeroporto particular da família dele, seguimos de jatinho para Porto Alegre, no Brasil.

— Será uma hora e meia de viagem. — disse ele ao se sentar em minha frente.
— Obrigada por ter arrumado tudo isso em pouco tempo. — disse olhando para o bebê que estava em uma incubadora portátil que tinham instalado no jatinho.
— Me agradeça quando o bebê já estiver em segurança longe daqui. — ele sorriu gentilmente — Já sabe onde vai deixá-lo?
— Sim, com alguém confiável. — respirei fundo desviando meu olhar para a janela.

Usaria aquele tempo para descansar e pensar em como me livraria de por algumas horas, para levar o bebê até o seu lugar de segurança. Para minha surpresa eu dormi durante aquele tempo, acordei com o choro do bebê, foi então que eu percebi que durante todo aquele tempo ele não tinha chorado ou feito barulho, era mesmo meu dia de sorte.

— Oh, você está com fome? — perguntei ao me aproximar de , que estava com ele nos braços.
— Sim, acho que está. — respondeu — O que vamos fazer.
— Preciso ir a um lugar, lá encontrarei alimento para ele. — o peguei nos braços — É aqui que nos separamos.
— Mas e meu café? — ele me olhou com cara triste — Pensei que estaríamos juntos até o final.
— Me desculpe, mas existem coisas sobre mim que não vou deixar que saiba. — me afastei dele — Mas quanto ao café, podemos tomar em uma cafeteria que conhecemos bem, ela fica em frente ao Cristo Redentor.
— Posso mesmo te esperar lá? — perguntou ele duvidoso.
— Te ligo quando chegar. — me virei peguei minha bolsa e desci do jatinho — Já tinha um táxi me esperando.

Pedi ao motorista que me levasse até o centro da cidade, desci do táxi e entrei em outro, claro que não daria pistas para saber onde iria. O segundo táxi parou em frente a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, tinha uma pessoa naquele lugar que eu considerava muito, a única que eu confiava inteiramente. Desci com o bebê ainda chorando e comecei a procurá-la pelos corredores do lugar, então ouvi um voz ao longe me chamar.

?! — ainda conseguia reconhecer depois de tanto tempo.
. — disse ao me virar e ver ela.
— O que faz aqui? — perguntou ela sem entender e confusa pelo bebê.
— Me ajuda. — pedi fazendo cara de criança sem família.
— E eu conseguiria não fazer isso? — ela pegou o bebê em seus braços o fazendo se acalmar — Calma, vai ficar tudo bem.
— Eu acho que ele está com fome. — expliquei.
— E da onde você tirou esse bebê, não diga que é seu e do Dean.
— Não. — disse — Isso jamais aconteceria.
— Sei, como se o papai jamais fosse interessado em você.
— O nunca o vi dessa forma, agora temos outras coisas para nos preocupar, precisamos de leite.
— Claro. — ela saiu rindo na minha frente — Me segue.

era o meu maior segredo, meu maior ponto fraco, era minha irmã mais nova que me tratava como se fosse mais velha que eu. Tínhamos três anos de diferença, ou melhor toda a nossa vida e nossos caminhos eram diferentes, o único que sabia da existência dela era Dean, nem mesmo os prodígios sabiam disso. Era de se esperar que Dean soubesse o ponto fraco de todos os seus “filhos”, principalmente o meu.

Andamos alguns corredores até que encontramos uma amiga dela, a mulher estava com um bebê no carrinho, entendi um pouco o que aconteceria a seguir. Enquanto estava cuidando da alimentação do bebê com sua amiga, eu estava de longe bolando alguma desculpa para dar a ela sobre a origem daquela criança. E quanto mais eu pensava, mais eu imaginava que não iria conseguir convencer ela, sempre sabia quando eu mentia.

— Ele estava mesmo com fome. — disse ela ao retornar com o bebê no colo — É um lindo menino.
— É mesmo. — mantive meu olhar no bebê, evitava olhar para ela — Um lindo menino.
— Como me achou aqui? — perguntou ela.
— Coloquei rastreador no seu chaveiro. — fui direta e honesta.
— Imaginei. — ela suspirou — e esse bebê, qual a origem dele?
— Podemos falar em outro lugar?
— Já estava saindo daqui mesmo. — ela balançou a cabeça negativamente — Vamos para a minha casa.

caminhava na frente, com o bebê no colo ninando ele, enquanto isso aproveitei para esbarrar em um aluno e pegar discretamente seu celular que estava no bolso. Assim que cheguei ao lado dela, me olhou séria como se soubesse o que eu tinha feito, sorri de leve e acenei para o táxi.

Dean na linha. — disse ele com uma voz de sono.
— LT falando. — disse me identificando.
Porque está me ligando do Brasil? — perguntou ele confuso — O ponto de encontro era em Santiago no Chile.
— Primeiro, liguei para dizer que está concluído, segundo, para dizer que eu mudei de ideia, não vou entregar o pacote.

virou sua face para mim, a indignação estava realmente estampada na sua cara, mas não podia fazer nada quanto a isso, já estava feito.

Você está louca? — ele gritou do outro lado — Você vai ter duas pessoas poderosas atrás de você.
— Eu sei, mas não vou arriscar a vida dessa criança, agora entre em contato com o cliente e diga que vou cobrar o triplo do que cobro para casos graves, pois neste caso eu vou esconder o pacote.
O que? Está pensando em ficar com a criança? — ele estava mais que nervoso comigo.
— Já disse, não vou arriscar a vida de um inocente. — desliguei o celular, apaguei a ligação e joguei para fora da janela do carro.

permaneceu em silêncio, mantendo sua atenção voltada para o bebê, após alguns minutos chegamos em frente o prédio onde ela morava, um bairro tranquilo e pouco movimentado. Subimos alguns lances de escada, ela morava em um apartamento no terceiro andar, simples e organizado como ela, já fazia muito tempo que eu não entrava naquele lugar.

Ela foi até seu quarto e ajeitou o bebê na cama de forma segura, quando retornou se sentou no sofá me olhando séria, eu até engoli seco me sentando no puff que tinha em frente a janela. Estava com medo do que ela pudesse falar ou fazer, se ela não me ajudasse quem me ajudaria?

— Vai começar a falar? — perguntou ela.
— Juro que dessa vez sou inocente. — já me pronunciei — Ando meio enrolada em minha vida, tive que roubar esse bebê, passei por cima de todos os meus princípios, mas decidi que daria um destino melhor para esse inocente.
— Imagino que para quebrar suas próprias regras, é porque é sério, só por isso vou te ajudar. — ela suspirou fraco — Mas como eu vou ficar com um bebê na minha casa?
— Não se preocupe, mandei uma mensagem a um conhecido, os documentos já estão sendo preparados.
— Documentos?
— Sim, você será a mãe dele. — respondi tranquilamente.
— O que? — ela me olhou embasbacada.
— Por favor, adote essa criança.

Eu estava contando com ela para isso, e iria ajudar da melhor forma possível, era a melhor coisa que poderia acontecer para aquele bebê, literalmente a melhor coisa.

 

“Agora eu não posso voltar atrás,
Isto é claramente um vício perigoso,
Tão ruim, ninguém pode pará-la.”
- Overdose / EXO



Capítulo 30


* POV — Peter *

Eu estava na minha sala, era a segunda leva de relatórios que me mandava fazer, acho que estavam querendo me manter ocupado, assim não teria tempo para fazer minhas investigações pelo sistema. Era legal ser um hacker, mas ao mesmo tempo era chato, ainda mais quando se estava sempre sendo vigiado pela empresa onde trabalhava.

As horas foram passando, até que no final da tarde me ligou revoltado, seu plano tinha dado errado, ainda me perguntava porque ele nunca me escutava. Como ele conseguiria prender alguém sem provas? Mas aquele cabeça dura nunca me escutava.

— Diga suas frustrações. — disse ao atender o telefone.
Tem certeza? — perguntou ele com uma voz amargurada — Tenho muitas.
— Eu disse para você ter cuidado e esperar, agora ela sabe que está mesmo atrás dela, quem quer esteja protegendo ela vai te caçar até o final da terra. — repeti o que já tinha dito dias atrás.
Agora mais do que nunca, preciso da sua ajuda, preciso desse dossiê que está confeccionando. — retrucou ele.
— Vai ter que esperar, ainda não consegui nada muito comprometedor. — me espreguicei um pouco — E como já avisei, não posso te enviar mais nada, terá que esperar eu reunir tudo.
E o que vou fazer até você terminar? — ele parecia ainda mais frustrado.
— Não sei, você é o agente. — pensei por um tempo — Ah, temos uma testemunha, vá atrás desse tal Davi, já te passei o endereço.
Boa ideia, vou ter uma significativa conversa com esse tal Davi, talvez posso ter mais pistas sobre como associar a Cassie.
— Te desejo sorte e me deseje sorte também.
O que está tramando?
— Hoje vou invadir o sistema oculto da Interpol, hoje terei acesso aos arquivos dos prodígios.
Tome cuidado e boa sorte de novo.

Desliguei o telefone e olhei para o monitor do computador, estava adiando demais minha investigação, e iria aproveitar aquela noite para realizar meu maior feito como um hacker profissional. Deixei a hora passar até terminar meus relatórios, desliguei tudo na minha sala e peguei meu tablet, só iria precisar do programa dentro dele para quebrar todas proteções do sistema.

Esperei a maioria das pessoas irem embora e me tranquei no banheiro até a madrugada, abri o forro do teto e fui seguindo pelo duto de ar até o escritório do diretor geral da Interpol, era um dos membros mais importantes e de maior influência. Eu tinha certeza que ele escondia alguma coisa, abri o forro e desci, retirei a lanterna do meu bolso e fui até a mesa. Assim que liguei o computador e conectei meu tablete nele, iniciando a infecção do sistema com um vírus que tinha criado, aquilo iria me ajudar a passar por todas as senhas e contra senhas que teria no sistema e chegar até os arquivos ocultos.

— Ah, acho que agora eu consigo o que estou procurando. — sussurrei para mim mesmo.

Assim que o vírus se completou, comecei acessar o arquivo oculto, havia muitas pastas sobre muitas missões e investigações sigilosas, e após procurar dentro de pastas e mais pastas, encontrei a dos prodígios. Foi um suspiro grande de alívio, fiz uma contra cópia oculta enviando para meu tablet, havia uma pasta reservada somente com informações sobre Cassie e . Aquela pasta que fazia todos as nossas suspeitas se concretizaram, tinha todas as provas que poderia ser uma ligação de com Cassie.

— Achei. — sussurrei de leve.

De repente, ouvi um barulho vindo do lado de fora, fechei todas as pasta e desliguei o computador, assim que voltei para o duto de ventilação, deixei o forro entreaberto para ver quem entraria na sala. Minutos depois finalmente a porta se abriu, era o diretor Marx.

— Você vai me desculpar sr. D, mas o que a LT fez foi um insulto. — disse ele com voz áspera — Ela deveria me entregar o pacote.
— Você já deve saber que ela não pode ser domada, não posso fazer mais nada quanto a decisão dela, minha prodígio já passou por cima dos seus princípios para atender seu pedido. — disse uma voz firme porém suave, não conseguia ver a face do homem.
— Princípios? — ele riu — Não sabia que uma mera criminosa tinha princípios.
— Meça suas palavras.
— Estou pagando por isso, senhor D. — retrucou ele.
— Pagando? — ele riu — Você ameaçou a minha criança. — o homem se aproximou do diretor e pegou no colarinho de seu terno — Se eu pedi que ela completasse esta missão, não foi por causa da sua chantagem, proteger a imagem da LT não é um pagamento, é sua obrigação.
— O que está fazendo? — o diretor parecia um pouco assustado naquele momento e atordoado — Como ousa falar assim comigo? Com que direito?
— Tenho muito mais direito do que você imagina, e você me deve muito mais do que imagina, nunca mais ouse usar a LT para conseguir o que quer, ela só pegou aquela criança, porque seria vantajoso para mim, e não por sua reles causa. — o homem soltou o terno do diretor e lhe deu um soco o fazendo cair no chão — Ah, só mais uma coisa Marx, jamais se refira a LT como uma mulher qualquer, ela vale mil vezes mais que qualquer agente idiota que você tem aqui, ou melhor, cada fio de cabelo dela vale muito mais que você.

O homem se afastou e saiu da sala, engoli seco vendo tudo aquilo, o diretor Marx era um cliente da LT e pior, ele conhecia o chefe dos prodígios, será uma bomba quando eu contar para .

 

* POV — *

Não seria fácil mesmo convencer a ficar com aquele bebê, mas depois que expliquei toda a história em detalhes, desde o início me escondendo no quarto de , até aquele momento com me ajudando a roubar aquele bebê. Ela ficou sem reação por alguns minutos, e até ignorou o fato de eu estar envolvida com o irmão do , e pior eu usar ele tranquilamente com um álibi.

me deixou no apartamento sozinha e saiu por alguns minutos, quando retornou estava com algumas sacolas em suas mãos, tinha algumas coisas para o bebê, inclusive leite especial para dar a ele. Fiquei com medo de perguntar se ela aceitaria ficar, ou me expulsaria de lá com meus problemas e confusões, mas minha irmã era muito legal comigo.

— Me desculpe por trazer minhas loucuras para você. — disse pegando algumas das sacolas da sua mão e colocando em cima da mesa.
— Irmãos são pra isso, não é? — ela me olhou respirando fundo — Não vou dizer que estou feliz com a vida que você leva, mas tenho que agradecer porque foi através disse que hoje somos livres e sobrevivemos.
— Não precisa dizer com essas palavras. — eu a abracei apertando um pouco — Também te amo.
— Só disse a verdade, graças a você posso fazer faculdade e ter uma profissão digna, quando olho para o nosso passado, não dava para vermso um futuro bom. — sua voz continha tristeza, mas ao mesmo tempo alívio por estarmos melhor — Devo agradecer ao Dean por isso também?
— Acho que sim. — suspirei um pouco — Então, eu sei que pode ser perigoso, mas preciso manter essa criança a salvo, longe de muitas pessoas.
— Eu deveria dizer não, mas também não deixaria um inocente desamparado. — disse ela me olhando com sinceridade — Você sabe que ser mãe é uma responsabilidade e tanto?
— Por isso que tem que ser você, me desculpa por estragar sua vida acadêmica. — disse fazendo cara triste.
— Seu olho de criança abandonada não me convence, . — ela riu — E quanto a faculdade, estava mesmo pensando em mudar de curso e de cidade.
— De quanto você precisa? — perguntei já pensando na grana que daria para que ela se instalasse em algum lugar legal.
— Ainda não sei, mas quanto aos documentos do bebê?
— Acho que ficarão prontos em dois dias, serão entregues aqui.
— Tudo, tipo tudo? Porque até mesmo para um registro terá que ter aquelas coisas de médico para provar que eu estive grávida.
— Quanto a isso não se preocupe, esse meu amigo é muito bom em forjar evidências.
— Tudo bem. — ela respirou fundo — Enquanto esperamos, eu dou um jeito de organizar minha vida aqui.
— Já sabe para onde vai? — perguntei meio curiosa.
— Estava pensando em fazer gastronomia em São Paulo, o que acha?
— Você sempre gostou de cozinhar. — sorri de leve — E por falar em comida, minha barriga está vazia.
— Imaginei. — ela riu indo em direção a cozinha — Que tal spaghetti a la carbonara?
— Uah, comida italiana, já amei! — eu ri indo atrás dela — Estava com saudade da sua comida.
— Imagino, e como está o Cronos?
— Bem, passou por uns momentos de depressão por causa da minha ausência, mas está recuperado!
— Que bom. — ela riu abrindo o armário — Ainda não acredito que está em um relacionamento.
— É falso. — afirmei.
— Mas seus olhos dizem que é real. — ela me olhou — Se fosse o até entenderia, você me disse que vocês era só físico, mas consigo perceber que quando fala desse , seu coração bate mais forte, seus olhos brilham quando fala o nome dele.
— Bobagem sua. — dei de ombros não querendo admitir.
— Eu te conheço minha querida irmã! — ela riu de novo — Agora vá ver como está seu sobrinho.
— Nossa, mamãe.

Eu fui até o quarto rindo e olhei como estava o pequeno bebê, era mesmo bonito e muito quieto, a menos que esteja com fome. Voltei para a cozinha e continuei a conversar com sobre o futuro da criança, de todo o modo somente eu saberia o segredo dela, eu e minha irmã. Iria esconder até mesmo do Dean, não deixaria que ele se aproveitasse da oportunidade, afinal quando eu digo não, é realmente não.

Os dois dias se passaram, como previsto recebemos um pacote com todos os documentos que eu precisava para dar ao bebê uma nova vida, e tivemos o prazer de escolher um nome para ele. Seu nome seria Joseph e sua mãe oficialmente seria , a família não estava completa e eu iria providenciar isso mais tarde, porém já era suficiente dar a um inocente a chance de não ser usado, não pelo menos por outra pessoa que não fosse eu, sua salvadora.

Ajudei a organizar as coisas para a mudança, não levaria muita coisa, apenas as roupas do corpo e objetos pessoais. Seria uma vida nova em São Paulo, compramos um apartamento no bairro Liberdade, em um edifício com boa vista e vizinhos que não cuidam da sua vida. A rua era pouco movimentada, tinha boas escolas particulares perto e era próximo a parte mais comercial do bairro, uma localização perfeita para recomeçar.

passaria os primeiros meses cuidando exclusivamente do pequeno Joe, depois ela iria se matricular no curso de gastronomia na USP, e dinheiro não seria problema para mantê-los confortável e realizar o sonho da minha irmã. Assim que terminamos de arrumar parte das coisas no apartamento dela, recebemos uma visita inusitada e nada esperada.

— Dean?! — disse assim que abri a porta pensando ser o síndico.
— Boa tarde LT. — disse ele parado me olhando.
— Quem é . — veio do quarto com Joe no colo e parou estática no meio da sala — Senhor D.
— Posso entrar? — perguntou ele de forma natural.
— Claro. — me afastei para ele passar — O que faz aqui? Como você?
— Encontrei vocês? — ele sorriu de canto — Sabe que nada passar por meus olhos, sempre sei dos seus passos .
— O senhor aceita alguma coisa? — perguntou tentando não gaguejar.
— Não, obrigado. — ele direcionou seu olhar para Joe — Fico feliz que o pacote esteja bem e que esteja ajudando sua irmã.
— Irmãos são pra isso, ajudar. — confirmou ela.
— Devo imaginar algo a mais sobre isso? — ele se virou para mim.
— Esse bebê não vai sair daqui. — afirmei me mantendo firme.
— Eu sei, jamais passaria por cima da sua vontade. — ele sorriu novamente — Soube que está no Rio a sua espera.
— Minhas malas ficaram com ele, tenho que ir buscar. — expliquei.
— Entendo, mas acho que será bom o encontro de vocês. — ele suspirou um pouco — Podemos conversar em outro lugar.
— Claro. — me virei para — Eu volto mais tarde.
— Tudo bem. — ela assentiu mantendo sua atenção em Dean.

Eu estava mesmo surpresa por ele estar ali, mas só confirmou que eu jamais sairia das vistas dele, uma vez prodígio sempre prodígio. Dean sempre seguiria meus passos em qualquer lugar que eu fosse, isso era um fato. Entramos no táxi e seguimos para um lugar tranquilo e calmo, ele me levou ao Parque do Ibirapuera, caminhamos um pouco até chegar numa parte mais elevada, fiquei olhando para o céu do final da tarde, formava um colorido bonito. Era raro esses momentos normais que eu me atentava para as coisas simples da vida.

— Pare de me olhar e diga logo o que quer. — disse voltando meu olhar para ele — Porque veio aqui.
— Para falar do seu último roubo. — disse ele.
— Se não quis tratar disso pelo telefone, é porque é sério. — sibilei um pouco imaginando o que poderia ser.
— Sim, algo que talvez você possa não aceitar, mas é a única que conseguirá fazer.
— Direto e preciso. — respirei fundo — Diga então, qual é meu último serviço.
— Você terá que roubar seu álibi.

O que? Pensei comigo mesma o olhando.

 

"Someone call the doctor."
- Overdose / EXO



Continua...



Nota da autora:
(29.03.2016)
Uma mistura de ação e romance, fiquem à vontade para aproveitar dessa fic com seus bias/preferidos de outros grupos.
Esta é a minha primeira fic em um projeto novo, um pseudônimo em conjunto com a Pri minha unnie linda,
Pâms e Prissiton formando o PM², esperamos que gostem!!!
Ask PM², Grupo Pâms Fictions e Fanfic's University

Minhas fics no FFOBS:
Cold Night
Crazy Angel
Destiny's
Electrick Shock (Especial Challenge #18)
Genie
I Am The Best (mixtape Girl Power)
I Need You... Girl
My Little Thief
Piano Man (mixtape Girl Power)
Photobook
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Smooth Criminal
The Boys (mixtape Girl Power)
TVXQ: Tohoshinki




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