You don't understand, you don't understand
What you do to me when you hold his hand
We were meant to be but a twist of fate
Made it so we had to walk away


Não aguentava mais ver tantos papéis em minha frente. O bolo já se formava na lateral na mesa e a única coisa que conseguia imaginar era o momento onde eu finalmente ergueria os braços e agradeceria por tudo aquilo ter acabado.
A única coisa boa era o conforto daquela sala e a vista que tinha. Poltrona de couro, ar condicionado perfeitamente em uma temperatura agradável, café à vontade acompanhado com um dos melhores pães locais.
New Orleans sempre foi um dos meus locais favoritos para se curtir umas férias, jamais pensei que voltaria aqui a trabalho. Foi nisso que deu aceitar a proposta de assumir a gerência da gravadora do meu pai, naquele momento, ao invés de curtir a bela cidade, que se encontrava a poucos quarteirões, estava assinando papéis e checando qual a melhor proposta para um novo sucesso.
Tomei mais um gole do meu café expresso, o sentindo esfriar. Aquilo tinha que me manter vivo. Duas batidas foram ouvidas na porta e percebi a maçaneta girar. entrou, com sua gravata frouxa em seu pescoço e as mangas da sua blusa social dobradas nos cotovelos.
— Achou o novo astro do sucesso? — caminhou até minha mesa, parando em seguida e cruzando os braços.
— Acha mesmo que se eu tivesse encontrado estaria com quase cinquenta centímetros de papéis empilhados em minha mesa?
, meu amigo, qual é! — apoiou sua mão direita em cima da papelada. — Você sabe que no final sempre consegue alguém que vai parar no top dez da Billboard.
— Mas não na base do estresse! — passei minhas mãos pelos meus cabelos, o sentindo um pouco úmido. Esse ar não estava funcionando?
— Vamos então passar para outra base — ele disse calmamente.
— Que outra base? — falei, cruzando meus braços com uma das sobrancelhas erguidas.
— Na base da cachaça — ri alto. — O que um belo whisky não faz? Estamos em New Orleans, em plena sexta-feira! Bebidas, festas, mulheres... Isso relaxa a mente, te leva a outro mundo!
— O mundo das ressacas, eu sei.
— Uma noite não mata ninguém, vamos lá. Amanhã prometo que você encontrará seu novo astro pop, do rock ou sei lá do que seja — ri novamente com seu último comentário. era um cara totalmente sem noção e ainda tentava entender como ele conseguiu o emprego na gravadora.

havia me puxado do escritório direto para uma boate, no centro da cidade. A vida noturna realmente não parava. Eram tantas festas que ficamos perdidos em saber qual escolher.
Mulheres e homens dançavam por todos os lados, em cima da mesa, no balcão de bebidas, era uma loucura. Pedimos um Black Label para começar a noite e após uns goles comecei a sentir o efeito do local e da bebida.
Merda, deveria ter passado no hotel para pelo menos ter trocado de roupa. Camisa social não combinava com New Orleans, muito menos com balada. De acordo com , esse tipo de vestimenta atraía as garotas.
Meus olhos rodavam por todo local enquanto meu amigo conversava com a garçonete, até que minha visão parou em um ponto fixo.
A garota dançava como se não houvesse amanhã, seu corpo se requebrava conforme a música e seus movimentos eram totalmente provocantes. Alguns homens pararam ao seu redor, enquanto a mesma subia em um palco onde um aparelho de pole dance estava fixo. Claro que haveria homens ali. Sua roupa, seu movimento, a beleza, tudo chamava a atenção. Mas não poderia ser ela... Claro que não.

Flashback ON
, o jantar vai esfriar! — minha avó gritou.
— Já estou indo — a respondi, ainda na sacada da casa. O sol já estava se pondo, mostrando um céu alaranjado com alguns tons de rosados. A rua estava completamente vazia, se não fosse pelo casal que havia chegado.
A senhora estava conversando com sua filha na porta de casa, enquanto o marido retirava as bagagens do porta malas. O senhor, encostado na cerca de madeira branca pintada a mão, ria como se tivesse ouvido a melhor piada de todas, enquanto ela e seu acompanhante se juntavam na risada.
Ela. Com aquele mesmo sorriso, o jeito carismática de ser. Ainda usava seu velho all star preto, que havia se transformado em um cinza abatido. Cabelos longos, totalmente s. Ao meu ver, ela continuava a mesma menina de quando havia partido, mas agora ela tinha ele. De mãos entrelaçadas, como se houvesse um imã. Ainda sentia a dor. A angústia de vê-los tão felizes. A saudade do toque dela, dos beijos... Mas tudo havia se perdido no tempo, ou melhor, ficado no passado.
Flashback OFF


Se fosse a mesma mulher que eu havia namorado anos atrás, com certeza gostaria de saber a fórmula que a deixou tão sexy, destemida e atraente. Meus olhos se fixaram em sua imagem durante todo seu show. Quando os aplausos se cessaram e a mesma saiu de cima da plataforma, fui em sua direção. Seu olhar surpreso rapidamente parou em mim. Ela não andava mais, estava estática no mesmo local, no meio daquelas pessoas, segurando em sua mão uma pequena toalha, que se encontrava minuto atrás em cima do palco.
Entretanto, antes mesmo de chegar perto, um homem alto, loiro e musculoso a puxou com toda força pelos braços. Estranhei por ela ter ido tão facilmente. Enquanto ele a guiava até uma sala seu olhar ainda permanecia em mim.

Depois daquele dia, passei a frequentar aquele local quase todas as noites. estanhou o motivo por eu ter ido tanto ali, tive que aguentar suas piadinhas, alegando de que eu havia encontrado um amor e estava perdidamente apaixonado. Paciência, paciência.
Eu não queria ir logo de cara, vai que não era a doce menina de tempos atrás? Poderia ser uma garota com a mesma semelhança que ela, não queria correr o risco. Mas continuava observando a suposta .

Cause we're on fire, we are on fire
We're on fire now
Yeah we're on fire, we are on fire
We're on fire now


Alguns anos não haviam sido suficientes para apagar o rosto de de minha memória. E ele continuava praticamente o mesmo.
Eu já não aguentava mais vê-lo indo ali como quem não queria nada. Mas eu sabia muito bem que ele ia apenas para me ver, já que ele nunca gostou de lugares assim. Parecia que a peste havia decorado os horários das minhas apresentações. Porque ele só aparecia lá nos dias que eu dançava. Eram quase todos, aliás.
Exatamente por ele nunca ter aprovado aquele tipo de “trabalho”, ele jamais poderia ter certeza de que era eu. Já quebrei seu coração uma vez, e repetir um erro por mais de uma vez era uma burrice enorme, que não fazia o meu feitio.
Mas era óbvio que ele desconfiava que a famosa “Dixie” era, na verdade, a adorável , de Farmeville, aquele interiorzão que não tinha nem quatro mil habitantes e eu não suportava ficar lá por um dia sequer. E eu odiava com todas as forças aquele nome ridículo que Mike inventou para mim. Só não odiava o nome mais do que eu odiava ele próprio.
Desci do palco e senti as mãos de Mike em meu braço, puxando-me com certa força, que machucava e sempre deixava algumas marcas, mas eu fazia questão de cobri-las com maquiagem. Na verdade, era necessário que eu fizesse aquilo, pois não podia transparecer para os clientes que nós sofríamos nas mãos do “chefinho”, e infelizmente, meu namorado.
Por obrigação; diminuir a dívida com o pai dele.
— Infelizmente, você arrumou um cliente rapidinho — sussurrou em meu ouvido, tentando inutilmente ser sexy. Ele até podia ser para as outras, mas não para mim. Por ele eu só sentia nojo. Enquanto puxava os dólares que o público colocou na borda da minha calcinha, estalou um beijo na minha bochecha. Odiava aquele bafo de álcool. — Mas assim que o tempo dele acabar, você já sabe pra qual cama ir — infelizmente, a dele. Eca.
Eu me arrepiava completamente.
Pisquei teatralmente safada. Ele riu e estalou outro beijo nojento em meu rosto. Quando terminou de pegar todos os dólares, me arrastou até “meu quarto”, onde o cliente estaria. Segundo ele, ele me tratava com carinho. E as outras meninas morriam de inveja, porque ele conseguia ser mais delicado comigo do que com elas.
Eu não via delicadeza alguma naquilo.
Ele me largou na porta do quarto, piscou e deu meia volta.
Não aguentava mais aquela vida. Eu só queria ficar livre daquela dívida.
Levei a mão de uma vez à maçaneta e a porta abriu-se de súbito. O cliente estava de costas para mim, observando a paisagem lá fora pela janela. Ele se assustou e deixou sua bebida cair no chão.
Parabéns, querido. Um mal entendido e aquilo iria para minha conta. E tudo que eu não precisava era de mais uma dívida com o pai de Mike.
Bufei. Ele ficou sem reação e procurou por auxílio comigo.
— M-me desculpe... — sussurrou. Suas mãos agarraram alguns fios de cabelo e os puxaram. — Espero que isso não seja um problema para você. Posso conversar com eles e...
— Não. Tudo bem — sorri falsamente. Só queria acabar com aquilo logo.
Ou não, pensando que depois eu deveria ir ao encontro de Mike.
Ele mantinha a cabeça abaixada, olhando para seu pequeno descuido. Caminhei vagarosamente até ele e comecei a fazer algumas carícias pelo seu tronco.
— Você não precisa fazer isso, .
Puta que pariu.
.
Com a porra do apelido que ele me deu quando éramos crianças.
Será que não havia nenhum cliente melhor do que meu ex?
Eu não podia transparecer nada. Ele não podia saber que era eu, por mais que estivesse estampado em sua testa que ele tinha absoluta certeza.
Engoli em seco e mudei de posição.
— Deve haver algum engano — olhei no fundo de seus olhos, para deixá-lo convicto daquilo. Desde criança ele dizia que eu era uma boa mentirosa, e nunca sabia se eu estava falando sério ou não. — Mas não sou . Meu nome é Dixie.
— Ah, qual é — ele riu sarcasticamente. — Não sou tão imbecil quanto você pensa, . Já que “” não resolveu — ergueu as sobrancelhas, tentando me intimidar.
Funcionou? Claro. Ele só não precisava ficar sabendo.
— Olha, moço, é serio... — vesti a melhor cara de pau que eu tinha. — Mas não há nenhuma aqui. Você deve ter me confundido...
— Ok, Dixie. — implicou.
— Obrigada.
— Ah, qual é?! Para de me enrolar, !
— Moço — levei os dedos à uma de minhas têmporas, fazendo um teatrinho para ajudar a convencê-lo, ou ao menos desistir daquilo. — É sério... Nenhuma das garotas se chama . Tem a Amy, a Hannah... Você deve estar fazendo alguma confusão — dei de ombros. — Ah, e meu nome é realmente Dixie — pisquei safada. Ele não podia saber quem era eu, mas eu não podia negar que ele tirou minha virgindade e me proporcionou os melhores orgasmos ever. Com ele, eles aconteciam até com uma frequência maior.
— Fala sério. Dixie é um nome artístico — , querido, você não deveria ficar abusando da minha paciência, por mais que você fosse fofinho e tudo, uma hora ela se esgotava.
— É sério! Está na minha certidão e tudo — dei de ombros e ele torceu o nariz. — Fazer o quê. Eu também não gosto, mas depois que eu quitar minha dívida eu até posso tentar juntar algum dinheirinho para oficialmente mudá-lo — realmente, eu merecia um prêmio por minha atuação. Mas eu a-m-a-v-a o meu nome. Não o trocaria por nada.
— Tudo bem, Dixie — seus ombros caíram e eu morri de dó, mas precisava manter a pose. — Olha, você não precisa fazer isso, ok? Só fica com uma gorjeta — enfiou uma nota em minha mão e saiu do quarto de uma vez.
Filho da puta.
Mike me mataria por um cliente não ter ficado até o final. Pareceria que não o satisfiz, o que era péssimo para meu bolso.
Para o do chefinho, aliás. Eu só servia para pagar dívida.

I don't care what people say when we're together
You know I want to be the one who holds you when you sleep
I just want it to be you and I forever
I know you wanna leave
So come on baby be with me so happily

— Então quer dizer que sua namoradinha de infância é uma dançarina de puteiro? — falava enquanto andava de um lado para o outro. Aquilo estava me dando nos nervos, por que ele simplesmente não sentava e ficava quieto?
— Aquilo não é um puteiro, — tomei um gole do suco que havia pedido.
— Sério? Ok, se aquilo não era um puteiro, era o que? Uma casa de animação? Se liga, . Sua namorada te deu um fora, não explicou o motivo, te trocou por um mauricinho e se tornou uma dançarina de putei... — o repreendi com o olhar antes mesmo dele completar a frase. — Casa de animação e você se tornou um rico empresário, produtor, que breve assumirá do cargo do seu pai. Cara, eu não te trocaria por nada — gargalhou alto.
— Obrigado por relembrar mais uma vez os fatos que eu desejava ter esquecido — ele deu um sorriso sem jeito.
— Tá, e o que isso mudou na sua vida? Não me diga que está apaixonado por ela e que quer ajudá-la — o encarei por alguns segundos. — Ah não, . Não seja idiota. Não dê uma de super-herói agora, isso não existe.
, tem algo por trás disso. Ela não estava feliz, ela... Ela nem ao menos tinha vontade de fazer aquilo.
— Se ela não tivesse vontade, não estaria ali, e outra, virou aqueles magos que leem a mente das pessoas, foi? — sinceramente, estava trabalhando com um cara de vinte e cinco anos, mas com mentalidade de treze. Dai-me santa paciência. — Ela nem ao menos falou o nome verdadeiro dela. Como sabe que era ?
— Pelo amor de Deus, né. Eu namorei aquela garota por anos. Ainda me lembro de todas suas manias. Que ela prefere cappuccino ao invés de café. Que ela ama quando alguém a abraça quando dorme...
— Ok, sem momento nostalgia! No que posso ser útil?

Retornamos naquele local, porém mais cedo. Provavelmente aquela era a hora onde as meninas estavam ensaiando. Adentramos na boate, dando de cara um grupo de garotas em cima do palco, fazendo algum número de apresentação. Nada dela. Nos direcionamos ao bar, onde um cara alto e forte, o mesmo que havia pegado pelo braço, estava limpando alguns copos.
— Estão perdidos, senhores? — ele perguntou, com um copo na mão.
— Na verdade, não. Somos representantes da boate... — mentia com confiança. Aquele cara deveria ser ator, jamais conseguiria mentir tão bem. — Privilege. E estivemos aqui dias atrás e uma de suas dançarinas realmente nos surpreendeu. Gostaríamos de oferecer... Um... Acordo com vocês e com ela, é claro — seus olhos se arregalaram naquele momento e percebi um certo brilho. Ele realmente tinha caído naquela história.
— E quem seria?
— Dixie — falei.
— Ah, sim, claro! Uma das melhores aqui. Vou chamá-la, um minuto — antes mesmo de sair, ele voltou rapidamente. — Quais são seus nomes, senhores? — engoli seco. Será que ele conhecia algum representante?
— Jon Flanders e Eddy Syed — falei. Ele nos analisou um pouco e logo após estendeu sua mão para um cumprimento.
— Prazer, Mike Melville — apertamos sua mão e o mesmo foi às pressas chamar a , ou melhor, Dixie. Avisei ao que se ela me visse ai, provavelmente não iria conosco. Então preferi esperar no lado de fora, enquanto dava uma de ator e explicava que tínhamos que conversar em outro lugar. Aproveitei e coloquei um óculos de sol e um boné, afinal, não queria que ela me reconhecesse de cara.
Fiquei esperando dentro do carro na parte do motorista. Minutos depois eles chegaram, e a vi entrando na parte de trás. Dei partida e seguimos para meu escritório. não nos acompanhou até o andar, deu uma desculpa alegando que precisava fazer uma ligação. Assim que entramos na sala, tranquei a porta e tirei meu disfarce.
— Ah não — ela disse, cruzando os braços. — Você novamente, cara? Isso aqui não é uma reunião de acordo, né?
, pode parar. Não estamos mais na boate, não tem câmeras aqui.
— Olha, pela última vez; Eu não sou essa tal de que você tanto fala! — se aproximou da porta tentando abrir. — Poderia abrir essa porta? — arqueei a sobrancelha e cruzei os braços. Tadinha, havia caído na própria mentira.
— Como sabe o sobrenome da , Dixie? — dei ênfase em seu último nome. Dixie começou me encarar, abrindo e fechando a boca várias vezes.
— V-você me falou — gaguejou um pouco.
— Não, eu não falei — disse de um modo firme. — Agora, para com essa porra de atuação e seja aquela mulher destemida que eu vi em cima do palco. Ou a nossa querida se tornou alguém fraca? — fechando os olhos por um segundo, suas mãos começaram a passar rapidamente pelos cabelos, demonstrando puro nervosismo. Bingo! Cheguei onde eu queria.
— O que você quer comigo, ? Como me achou aqui? — seus olhos ainda permaneciam fechados e sua voz ainda continuava controlada.
— Eu não fui atrás de você, nos encontramos por um acaso — relaxei meu corpo.
— E por que insiste tanto em falar comigo? — agora seu olhar estava em mim.
...
— Dixie — falou com seus dentes cerrados. — não existe mais.
— insisti, vendo a mesma revirar os olhos. Como ela era difícil! — Por que você se tornou isso?
— Porque a vida quis que eu me tornasse isso, . Se me der licença agora... — apontou para a porta, que ainda se mantinha fechada.
, me responda. Por que você se tornou isso?
— Longa história! — disse impaciente.
— Eu quero a porra da resposta — alterei a voz. Merda, onde esta mulher estava me levando.
— Pra quê? Para você sair espalhando para todo mundo? Eu quero minha vida em sigilo. Estou feliz assim.
— E você terá. Eu só quero te ajudar.
— Eu não quero sua ajuda, não sou uma coitada! Você não tem direito de chegar assim e exigir essas coisas! O que tivemos, acabou!
— Você fala isso como se não tivesse sofrido. Não sabia que tinha um coração tão de pedra — me dirigi a porta, abrindo-a. — Eu quero conversar, esclarecer tudo o que houve e te ajudar, porque ainda me preocupo contigo. Mas se você quer ser grossa, rude, então saia. Não quero ser insistente ou te forçar a nada — falei com frieza. Ouvi seu baixo suspiro. Caminhou lentamente em minha direção, mas acabou sentando no sofá ao lado.
— Feche — disse calmamente, sem olhar para mim. A obedeci. — No dia em que terminamos, foi uma das piores manhãs que eu já tive. Não tinha coragem de conversar com você cara a cara e contar que eu iria morar com meu pai. A decisão foi de última hora, pois minha avó teria que passar um tempo com minha mãe, para se tratar. Não tinha como namorarmos à distância. Eu não voltaria mais para lá. Então, na nova cidade, conheci o Vincent. Começamos a namorar e tudo caminhou bem, até que um dia meu pai avisou que minha avó tinha chegado. Esperamos minha mãe ir nos buscar para visitá-la e Vicent acabou comigo. Juro que naquele momento eu queria muito ir te ver, matar a saudade, mas não podia. Os anos se passaram e acabei descobrindo que meu pai tinha uma dívida com o Caleb, pai do Mike. Estávamos em crise, meus pais tinham se separado... Eu precisava fazer algo. Então me mudei para cá e fui até o Caleb, para saber como eu poderia pagar aquela dívida. A quantia era enorme e até hoje não sei o que meu pai fez para dever tanto. Ele me ofereceu o emprego e disse que retiraria metade do meu salário para poder quitar na dívida. Até que Mike fez uma proposta tentadora, dizendo que, se eu dançasse, ganharia o dobro e pagaria mais rápido, só que as coisas saíram do controle. Mike não me trata como uma namorada e sim uma escrava — uma lágrima escorreu pelo seu rosto. — Implorei para sair daquele posto, mas eles negavam e... — ela derramou em lágrimas. Sentei-me ao seu lado, tentando uma aproximação. A abracei de lado, sentindo toda sua dor naquele choro.
— Vou te tirar de lá — sussurrei em seus ouvidos.
— Não — levantou rapidamente. — Eu não posso, tenho que pagar o restante...
— Eu pago.
— Não, ! Está maluco? — ela se levantou apressadamente. — Eu nem deveria ter vindo aqui — falou, enquanto secava as lágrimas. — Espero que essa conversa não saia daqui e, por favor, não me procure mais. Aviso ao Mike que vocês entrarão em contato em breve ou qualquer coisa do tipo — caminhou até a porta, mas antes mesmo de tocar na maçaneta, segurei seus em braços.
— Aceite minha ajuda — supliquei.
— Eu não posso. Foi muito bom te rever, mas preciso ir.

It's 4am and I know that you're with him
I wonder if he knows that I've touched your skin
And if he feels my traces in your hair
I'm sorry lord but I don't really care

— O quê você ainda está fazendo aqui? — Escutei Mike esbravejar ao adentrar o estabelecimento. Pobre fosse a alma da pessoa a quem ele se dirigia.
Minha curiosidade foi maior e passei para frente do pole, para ver quem era a pobre coitada.
Quase morri quando percebi que era eu. Ele estava à milímetros de mim, com uma fúria enorme, que eu nem duvidei que ele via sangue nos olhos.
— Como assim? — engoli seco e me espremi contra o pole, adquirindo certa distância dele.
— Te compraram. Você vai pra Ibiza, pelo visto — deu de ombros. — Pegue suas coisas logo e vá — indicou a porta dos bastidores com a cabeça.
— Ibiza? — não estava entendendo nada, ainda estava um pouco chocada.
— É — rolou os olhos. — Para Privilege — que porra era aquilo? — Um clube famoso de Ibiza — explicoum após ver o questionamento estampado em minha cara. — Anda, vai logo. Aproveita, porque pagaram sua dívida também — me empurrou pelo braço. Sai dali encolhida feito um cachorrinho medroso.
Talvez fosse uma brincadeira sem graça, ou realmente fosse uma salvação.
— Ah, meu Deus! Parabéns! — uma das meninas pulou em meu pescoço assim que cheguei ao quarto das garotas, que era mais parecido com uma espelunca. Ela me deu o abraço mais apertado que eu me recordava ter recebido nas últimas décadas.
... — tentei afastá-la assim que a reconheci. Uma vontade enorme de chorar me assolou ao perceber que a deixaria para trás.
— Por que você está chorando? — ela questionou e se afastou.
Levei as mãos aos olhos e afastei as lágrimas. Eram muitas.
— Não quero te deixar para trás!
— Deixa de ser boba! Vá e aproveite!
— Aproveitar como, ? A única diferença é que eu não terei mais dívida com algum chefe nojento, mas eles continuam existindo. E não terei você também! — a intensidade do meu choro só aumentava. Pensei um pouco melhor, e descobri que talvez fosse muito pior sair dali do que ficar.
— Ela está certa, — alguma garota disse. — São todos farinha do mesmo saco — chorei ainda mais. Não podia ficar pior...
— E Dixie não tem escolha, não é mesmo? — outra menina deu a voz. — Mas, se joga, gata. É Ibiza! Curta por mim!
Eu sequer reconheci quem falava o quê. Agarrava com todas as minhas forças. Ela era minha única amiga verdadeira, eu não podia deixá-la ali.
... — maldito o dia em que eu a contei o apelido que me deu. — Vamos lá... Eu acompanho você. As meninas já arrumaram suas coisas, Mike havia mandado — dei de ombros. Quanto mais tempo eu ficasse ali chorando por ela, mais eu sofreria depois.
Ela pegou minha malinha e saímos dali. Dei um tchau geral para todas, já que elas não tinham uma ligação comigo feito . Mas se pudesse, levaria todas embora dali. Talvez Ibiza fosse melhor. Pelo menos algumas estariam felizes só por causa do local.
Lá fora, um homem pegou a mala da mão de e a pôs no porta-malas. Ela o agradeceu e me abraçou rapidamente. Ainda bem, já que tudo que eu queria era diminuir a dor. Murmurei um tchau e levei minhas lágrimas comigo para dentro do carro.
Um carro conhecido, devo ressaltar.
— Porra, — xinguei toda a sua geração ao reconhecê-lo no banco do motorista. Não acreditava que ele fez aquilo. — Eu mandei você não se meter!
— Você não manda em mim, . Deixa de ser orgulhosa! Eu só queria ajudar — replicou na mesma altura.
— Eu sequer consigo acreditar que você tem um clube em Ibiza! — continuei gritando, mas mudei de assunto. Não precisava de ninguém jogando defeito meu na minha cara. — Você odeia isso!
— Eu não tenho, porra! Eu tenho uma gravadora! — ele esmurrou o volante. O quê? Como assim? — Inventei aquilo só para ele aceitar te vender, de outro jeito aquilo não aconteceria. E, fique tranquila, você está livre. Vá — apontou para o lado de fora. Por mais uma vez naquele dia, eu simplesmente não quis ir.
— Não tenho para onde ir — sussurrei. Senti meu rosto queimar.
— Além da sua liberdade, você quer mais alguma coisa? — ele me ignorou e continuou gritando. — O que você disse?
— Não tenho um lugar para ficar — repeti e ele aumentou a força que agarrava ao volante. — Droga — bufou. — Estou indo para a final do The X Factor hoje à noite — Ele disse após muito tempo, enquanto eu morri de medo e roí as unhas. — Pretendo fechar um contrato com quem ficar em segundo... — ele dizia aos poucos e eu cheguei a arrepiar de medo. Ou ansiedade. Ou os dois. — Quer vir comigo?
Olhei para o lado de fora, a fachada do cabaré de Mike. Não havíamos movido sequer um milímetro desde o momento em que eu entrei no carro.
Aquele lugar não era pra mim.
E eu não ia pra Ibiza. Não dessa vez...
Eu não tinha escolha, tinha?
Se eu pudesse voltar no tempo, jamais teria namorado com .
— Vou — falei antes que mudasse de ideia.
— Deseja mais alguma coisa? — perguntou impaciente, mas eu sabia que ele comemorava por dentro. Ele ligou o carro, olhei pela última vez para o cabaré.
Droga.
Eu desejava muito aquilo.
Contei para ele. Ele riu descrente, mas ao notar a minha seriedade, desligou o carro e saiu para voltar ao cabaré.
Gargalhei. Eu tinha aquele homem na palma da minha mão.

Cause we're on fire, we are on fire
We're on fire now
Yeah we're on fire, we are on fire
We're on fire now

— Eu nunca me imaginei em um show, sabia? — ela disse sorridente. Não era exatamente um show, mas dava para o gasto. A felicidade explodia em seus olhos.
Não fui eu exatamente quem fez aquilo, mas fiquei contente por todas as oportunidades que ganhamos nas últimas vinte e quatro horas.
— Eu nunca me imaginei nos bastidores de um show musical — corrigi propositalmente. Porque vivíamos indo em apresentações. Nossos próprios shows no velho cabaré, que ficou no passado.
— Porra, , esse seu namorado é muito foda!
— Ex — corrigi, enquanto observávamos a tensão dos finalistas próximos a nós. — Não tenho mais nada com .
— Se você não liga mais pra ele, me candidato ao cargo de namorada. Ele é um deus, !
— Se ele é tão foda assim, vai lá e fica com ele. Não vou fingir nada só porque ele nos tirou do cabaré, .
— Ele te tirou. Só me levou junto porque você quis. Claro que sou infinitamente grata, Imagina, só em dívidas minha e sua, ele gastou quase uns trinta mil dólares naquele buraco. Se eu tivesse aquele dinheiro, eu não faria aquilo. Viajaria ao redor do mundo e realizaria todos os meus desejos. Aliás, ele faz tudo que você quer, percebeu?
Nesse momento ele chegou e me entregou uma coca cola diet.
Claro que eu percebi.
Não tinha coca nenhuma por ali, ele foi sabe-se lá aonde e comprou uma.
, ... Talvez eu pudesse voltar a gostar de você...

I don't care what people say when we're together
You know I want to be the one
Who holds you when you sleep
I just want it to be you and I forever
I know you wanna leave
So come on baby be with me so happily


Fim.



Nota das autoras:

Berrie: Pra quem sentiu falta de Próximo Passo, aqui estamos nós duas de volta \o/
Gente, me segurem pfvr! Saí do controle e peguei três fics nesse ficstape pra ajudar a May a completá-lo n_n (já contei lá no grupo que não sou directioner né? SHUAUHUHSHUSUHS) Mas ai deu o prazo e muitas fics não foram enviadas :(
A ideia inicial era apenas Story of my Life, mas daí, nos 46 do segundo tempo, eu broto com duas parcerias com as lynas Mandie e May. E não me arrependo de nenhuma, pois estou apaixonada com ambas! nem mesmo da correria que a gente arrumou ora escrever tudo isso em pouquíssimos dias, eu não me arrependo mesmo.(aproveitem para ler SOML -minha- e BSE -com a May-que entrou nesse ficstape!)
Obrigada por terem lido mais uma história louca. Créditos da ideia todos para a Amanda, porque inicialmente eu só faria uma cena restrita entre os pps, mas acabou que eu não vi clima pra isso *moony face*
Espero vocês em minhas atuais (e futuras) fics. ;)

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Minhas histórias:
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Beijos mil,
Berrie.

Mandie: Hellou! Ai minha querida amiga Berrie, chega quase uma semana antes do prazo de entrega, me pedindo ajuda na ficstape. GENTE, escrever uma ficstape em uma semana, é como se sentir no “se vira nos trinta” ou naqueles desafios onde o tempo corre a solta! Mas foi muito bom ter escrito minha primeira ficstape com a Berrie (outra história haha) e espero de coração que vocês tenham gostado (estou super apaixonada por esse pp). Estou super viciada também nessa música — não sou Directioner por motivos de… eu não sei hahaha, mas eu super curto as músicas deles, o sotaque (amosou) e eles — e é isso <3

Caso queiram falar comigo, aqui estão os meus contatos:
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Outras fanfics:
Game Of Fame — Outros/Em Andamento
Last Kisses — Outros/Finalizadas (Shortfic)
Próximo Passo, com Berrie — Outros/Em Andamento (HIATUS)

Beijooocas, até as próximas!
xoxo Mandie.





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