Última atualização: 03/05/18

Capítulo 1

Pontualidade nunca foi o forte de , lidar com horários era algo que a mulher nunca teve grande habilidade, estava sempre atrasada ou fazendo alguém a esperar, mas com a chegada de sua primeira filha, Fiorella, responsabilidade não foi a única novidade em sua vida; Teve que aprender a enfrentar seus medos sem a ajuda de ninguém. Aprendera do pior modo que uma simples gravidez poderia mudar todo o seu destino.

não só não imaginou que aos 24 anos estaria criando uma filha sozinha, como também não pensou que em uma simples ida a uma loja de brinquedos, em busca do tal super herói que a filha tanto queria, resultaria nela num quarto de hotel com um completo estranho, embora fosse um estranho muito gostoso.

Sentia falta de sair para se divertir ou de cometer alguma loucura, como ir a festas às onze da noite chegando em casa às seis da manhã, mas depois do nascimento de sua princesa ficou praticamente impossível conhecer um cara legal que não fugisse na primeira menção de Ella. E era por isso que agora ela se encontrava às três da tarde encarando o desconhecido ao seu lado, que além de possuir um corpo que lhe causava arrepios só de olhar, era ainda extremamente atencioso na cama.

Suspirou cansada e um pouco decepcionada por saber que ele seria mais um em sua vida que sequer lhe daria chances se soubesse de toda sua história, mas com os anos aprendera que, apesar de tudo, era só ver um sorriso ou um olhar de Ella que fosse que todo o resto deixava de ser importante. Sua filha era sua razão de viver e se até então não tinha conhecido nenhum homem que se importou o suficiente para conhecer a melhor versão de si mesma, ela que não queria alguém como eles em sua vida.

Reparou que o rapaz ao seu lado ficava ainda mais bonito enquanto dormia, seus cabelos bagunçados lhe davam um ar de menino, mas a barba que preenchia seu rosto mostrava que de menino ali não tinha mais nada, ainda mais que se fechasse os olhos ainda podia senti-la raspando por todo o seu corpo, lhe causando sensações que há muito não sentia.

Tateou a cama em busca de seu celular e arregalou os olhos ao ver que já eram 3h30, Ella estava saindo da escolinha naquele instante e estava há pelo menos vinte minutos de distância. Se levantou apressada sem a menor preocupação se estava ou não fazendo barulho demais, nunca tinha atrasado antes e lhe doía o coração em pensar em ver sua princesa sozinha lhe esperando.

- Você vai mesmo fugir assim? - ouviu a voz sonolenta do rapaz e se virou para ele ainda tentando fechar o sutiã às pressas - Eu te ajudo. - ofereceu se sentando na cama, sem fazer a menor menção de levantar, sorriu ao reparar que ele parecia realmente cansado e se permitiu imaginar se era daquela forma linda e fofa que ele acordava todas as manhãs.
- Desculpe, eu estou atrasada pra... Pra um compromisso - apressou-se até a cama e sentou de costas para o rapaz deixando que ele terminasse de fechar sua lingerie, enquanto calçava os sapatos - mas obrigada.
- Por? - ela virou a cabeça vendo um sorriso provocante surgir em seu rosto.
- Por isso, por essa... loucura. - riu ainda desacreditada do que tinha feito
- Foi um prazer, literalmente... Er, qual o seu nome mesmo?
- . para os que já me viram nua - disse dando uma piscadinha para o rapaz que lhe retribuiu com uma risada gostosa.
- , prazer.
- O prazer eu já tive - comentou divertida, se virando para o rapaz - Agora só tenho pressa mesmo. Me desculpe, mas realmente preciso ir. - finalizou dando um beijo rápido no rapaz a sua frente, que não contente a puxou de volta, lhe dando um beijo molhado e uma última mordida em seu lábio inferior. Sabia que quando se olhasse no espelho seus lábios estariam inchados de tanto que ele parecia ter gostado de sua boca.
- Sem problemas, - sorriu ao falar o apelido da mulher a sua frente, o achara tão bonito quanto ela - Nunca mais olharei uma loja de brinquedos da mesma maneira.
- Nem eu. - deu uma risadinha já na porta que fez se lembrar o motivo pelo qual havia se encantado pela mulher - E há quem ainda use o Tinder. - finalizou dando uma piscadinha pro rapaz seguido de um aceno rápido, antes de bater a porta.
- Que loucura! - exclamou sozinho se jogando na cama, ainda sem acreditar que realmente tinha ido pra cama com alguém que conheceu numa loja de brinquedos, devia estar realmente ficando maluco.

encarava confusa diversos super heróis quando ele se aproximou para escolher um presente para Jr., seu filho de apenas três anos. Não tinha pensado muito na pessoa ao seu lado, até que ela se abaixou para pegar uma figura do Capitão América e ele pode reparar quão justa a calça jeans que ela usava era. Sem resistir, a analisou por completo e gostou do que viu, mas sentiu-se realmente balançado quando ela tirou uma mecha de cabelo da frente do rosto e ele pode ver seu perfil.

A mulher parecia ter sido desenhada por um artista, e, num impulso, se viu oferecendo ajuda para a desconhecida, que o encarou com os olhos mais expressivos que ele já se lembrava ter visto, mas acabou nem reparando tanto neles, pois logo seu olhar desceu por seu rosto parando em seus lábios. Ali soube, não se perdoaria se fosse embora sem antes provar daquela boca.

Ainda sorrindo sozinho da tarde inusitada que tivera, ouviu seu celular vibrar. Tateou a cama a procura do aparelho e deu uma gargalhada gostosa ao encontrá-lo ao lado da calcinha esquecida pela mulher. Segurou a peça em suas mãos, antes de apertar o botão do aparelho, arregalando os olhos ao ver o horário.

- Fudeu!



diminuiu a velocidade ao entrar na rua da guarderia de sua fillha, “The British Nursery”, paga por seu pai, já que nem se tivesse dois empregos conseguiria dar uma educação tão boa e ainda por cima bilíngue a sua princesa. Entrou apressada pelos portões da escola e respirou fundo assim que viu Ella brincando no playground

- Estou me sentindo horrível, Ramona. - se pronunciou assim que viu uma das recreadoras da escola - Acabei ficando presa no trabalho, me desculpe mesmo pelo atraso. - terminou enquanto ajoelhava-se para dar um beijo na testa da filha que já estava agarrada nas pernas da mãe - Ella, meu amor, a mamãe sente muito. - disse pegando a menina no colo.
- Nem se preocupe Dona , a senhora nunca se atrasa, mas isso é algo que acontece bastante com as outras crianças.

Ramona encarou a professora que tentava acalmar um menino que parecia ter a mesma idade de sua filha.

- Querido, eu tenho certeza que seu pai já vai chegar. Vamos lá para dentro? A tia Jade precisa ir para casa, mas alguém fica brincando com você.

A resposta veio em murmúrio manhoso de negação, pode reparar que a expressão no rosto da criança era de quem começaria a chorar a qualquer minuto Desde que sua filha veio ao mundo, seu coração apertava só de ver uma criança ficar triste, e sabia bem que Jade, mesmo sendo uma professora amorosa e cuidadosa, ainda não era mãe.

- Oi, Jade. - acenou para a professora - Ele é coleguinha da Fiorella?
- Sim, estão na mesma classe, o pai dele atrasa bastante, mas já estamos acostumadas, ele paga extra para a escola para ficarmos com esse príncipe aqui. - disse cutucando o menino para ver se a cara de choro ia embora, mas foi em vão. - Mas hoje ele realmente tá bem atrasado.
- Eu posso tentar? - disse olhando para o garoto que tinha o rostinho enfiado no pescoço da professora.
- Todo seu, eu já tinha que ter ido embora faz tempo. - sorriu para - Bom te ver, a Ella realmente tem a quem puxar, hein?
- Você que é uma linda, Jade, ainda precisamos combinar nosso café.
- Eu te mando uma mensagem. - disse já entrando pela grande porta da escolinha.
- Ei. - encarou o menino de cabelos cacheados que a olhava prestes a abrir o berreiro - Não chora não, pequeno, seu pai já está vindo, tá? - sorriu lhe fazendo um afago - Você quer brincar ali no escorregador? - o menino negou ainda a encarando desconfiado.
- Mama - Ella se jogou contra suas pernas - Tô com sede.
- Ai, princesa - encarou a garrafinha vazia na mochila - Vamos esperar o pai do seu amiguinho chegar primeiro e aí a gente vai lá dentro pegar um suco.
- Eu levo ela, Dona . - Ramona se ofereceu, já dando a mão para Fiorella - Já voltamos.
- Tudo bem. - concordou sorrindo, vendo o menino começar a fechar os olhinhos - Ah é sono, entendi agora. - falou sozinha forçando a cabeça do menino contra seu ombro e começou a cantar uma música para ele de ninar.



- Desculpa, desculpa - ouviu uma voz apressada atrás de si e logo sabia que era o pai do menino que dormia em seu colo. - Eu perdi a hora e...
- Ah não se… ? - o encarou com os olhos arregalados.
- ? O que você tá fazendo aqui? - a encarou bastante surpreso, imediatamente sua feição tornou-se dura e fria - Com meu filho no colo?
- O quê? - questionou com um gritinho agudo, tentando não acordar o menino. - Ele é...seu filho? - retrucou chocada.
- Você só pode estar de brincadeira, vai dizer agora que não sabia? - falou soltando uma risada sarcástica - Me dá meu filho. - ordenou pegando o menino com um pouco mais de força que o necessário, o fazendo acordar - É o papa, filho - disse dando um beijo no garoto, o envolvendo em um abraço protetor.
- Ei, não precisa desse drama todo não - bradou firme - Quase machuca o menino.
- Não acredito que tem mulher no mundo igual você, já vi vários truques, mas... Loja de brinquedos? Até onde as pessoas vão por um minuto de fama? E eu trouxa ainda acreditei.
- Minuto de fama? Do que você está falando?
- Como se você não soubesse…
- Mama, mama. - teve sua atenção tomada pela pequena que vinha correndo gargalhando em sua direção. - Ganhei Mona.
- É... É sua filha? - a cara que fazia era impagável.
- Não, tô roubando também. - respondeu grossa, antes de abrir um sorriso e pegar Ella no colo.
- Oi, Sr. , boa tarde - Ramona se aproximou dos dois, um pouco tímida, pois viu de longe que pareciam discutir.
- Oi, Ramona, desculpa o atraso além do normal, pede desculpas por mim à diretoria, e avisa que nunca mais irá se repetir. - falou firme encarando .
- Sem problemas, ele geralmente fica bem com a gente, mas hoje nada o fazia feliz, então a Sra. , mãe da Ella, chegou e se ofere…
- Tá tudo bem, Ramona, não se preocupe, eu já estou indo e você também deve estar cansada, até amanhã.
- Até, tchau crianças. Boa noite! - acenou para os dois e foi embora ainda olhando de rabo de olho para o casal.
- Da próxima vez é melhor perguntar pra alguém antes de pegar o filho dos outros, o não dorme depois da escola, agora não vai dormir a noite.
- Não é minha culpa se você chegou atrasado, ele estava cansado.
- Ah sim, aposto que você chegou bem na hora, né?
- Você sabe muito bem que não. - retrucou dura e , apesar de puto da vida, a achou incrivelmente sexy naquele momento.
- Que irresponsabilidade! - disse num desabafo, só não sabia se aquela frase era para , para ele, ou para ambos.
- Bom, não sou eu que pago uma taxa a mais para que cuidem da minha filha enquanto eu estou, sei lá, pegando desconhecidas que conheci em uma loja de brinquedo - diminuiu o tom de voz ao pronunciar a última parte - Essa foi a primeira e pode ter certeza que a última que me atraso, faço questão de nunca mais trombar com você. Grosso!
- Não te ouvi reclamar de nenhuma grossura ou tamanho horas atrás, muito pelo contrário, parecia bem mole com o meu toque.
- Ah, só eu né? "Assim, ai, faz de novo isso".
- Fazer o que mama? - a mulher então pareceu voltar à realidade, lembrando que as duas crianças escutavam a conversa.
- Nada, meu bem. O que acha de irmos para casa assistir um filme?
- Ebaaa, quero Frozen, mama, tchau . - Ella acenou para o coleguinha, tímida devido à presença do mais velho. O menino acenou de volta, logo escondendo o rosto no pescoço do pai, que encarava com uma feição de deboche.

Revirando os olhos, caminhou em direção ao seu carro, confusa e irritada pela situação que havia acabado de passar, a mudança na personalidade de foi algo que a deixou incomodada, ela só não imaginou que essa sensação a deixaria desconfortável e curiosa pelas próximas duas semanas.



desligou o carro reparando que havia chegado cinco minutos adiantados, como sempre, aproveitou para checar se não havia recebido nenhuma mensagem de sua chefe, logo guardando seu telefone de volta na bolsa. Colocou seus óculos escuros e saiu do carro, vendo que parecia finalmente ter conseguido chegar pelo menos uma vez na hora, já que ele carregava o filho portão afora. Estranhou ao vê-lo vestido com roupas esportivas, mas antes que pudesse pensar em qualquer outra coisa sua atenção foi desviada quando a mãe de um dos coleguinhas de Ella a abordou.

- , quanto tempo! - falou abraçando a mulher.
- Oi, Dulce, como vocês estão? - perguntou sobre o grupo de mães que costumava se reunir todas as semanas para fofocar e se divertir.
- Você precisa vir a mais de nossas reuniões, sabemos que está sempre ocupada com o trabalho, mas você faz falta, sempre damos muita risada quando você aparece.
- Realmente, o Ben e a Ella vêm me tirando todo o tempo livre, mas vale a pena. - a mais velha sorriu carinhosa, sabia o quanto trabalhava para dar tudo de melhor a sua filha - Hum, Dulce… será que você sabe me dizer quem é aquele homem?

apontou discretamente na direção de , que fazia a volta no carro após ter colocado o filho na cadeirinha de segurança. O homem parecia ainda mais bonito e por um momento quase a fez esquecer o quanto estava chateada com ele e sua grosseria.

- O moreno bonitão? - brincou se abanando - Ele é pai de um menininho que estuda aqui, está na classe da Ella se não me engano.
- Ah sim, eu o tenho visto ultimamente. Você sabe o que ele faz da vida?
- Se eu sei?! - a outra riu como se soubesse os números da loteria - Meu marido quase pirou quando descobriu que o Juan estuda com o filho de um jogador do .

Jogador. Do . De repente tudo começou a fazer sentido para , o modo como o homem havia agido, as coisas que tinha falado, até a experiência que parecia ter na cama, deveria ser o maior mulherengo e ela tinha sido mais uma idiota a cair em sua lábia. E o maldito ainda a tinha chamado de interesseira. O único interesse que tivera naquele dia era de saber o que tinha por debaixo de suas roupas e mais nada.

Assim que viu Ella, saiu correndo para surpreender a filha e se agachou para lhe dar um abraço apertado, não podia passar dez minutos longe da pequena que já morria de saudade. Ao atravessar a rua, já com a menina em seu colo não reparou que o carro de ainda estava parado na vaga e menos ainda que era observada de longe. riu sozinho do jeito da mulher andar, tão linda e cheia de atitude.



Capítulo 2



- Não, não, não. - olhava o horário na tela do celular se odiando, estava muito mais do que atrasada para buscar Fiorella na escola e nem teve tempo de ligar para avisar que demoraria a chegar.

Como teve Ella quando ainda era muito nova, não teve chances de terminar a faculdade que começara e na busca por um emprego que pagasse as contas, mas que também a permitisse participar do crescimento da filha, acabou conhecendo Cora, filha de um senhor adorável chamado Benjamin e há três anos cuidava dele todos os dias enquanto a filha estava na escolinha. Quando ela estava indo embora chegava a enfermeira, que passava a noite com o senhorzinho, já que ele precisava de cuidados mais específicos para dormir.

Sabia que não era nenhuma profissão que poderia ficar rica e que muitas mães na escola torciam o nariz para ela por conta disso, mas se orgulhava de poder manter o próprio apartamento e pagar todas as contas sem precisar pedir a ajuda do pai, que já fazia o bastante pagando a mensalidade de Fiorella.

- Mama! - a pequena gritou em alegria ao ver a mãe cruzar os portões do playground.
- Oi, meu amor, me perdoa, o vovô Ben não estava se sentindo muito bem e a mamãe teve que ficar lá esperando o médico chegar. – disse, olhando Ella com cuidado para ver se a menina tinha chorado.
- Não tem poblema mama, o tio cuidou de mim. - disse toda alegre e arregalou os olhos para o que a menina tinha falado.
- Oi, . - a mulher se levantou rapidamente, girando o corpo para dar de cara com a olhando divertido.
- ! Vo...você ficou me esperando? Eu atrasei muito hoje! - disse consciente que devia estar horrível, passou as mãos nos cabelos, tentando ajeitá-los enquanto olhava para as roupas que vestia; Era oficial, estava morrendo de vergonha de estar daquela forma ao lado do jogador.
- Eu te devia uma, está tudo bem? Você parece agitada.
- Sim, está. - sorriu tentando disfarçar e deu a mão para Ella, dando um oi para Jr. que já estava de mãos dadas com o pai. - Tive alguns problemas no trabalho e acabei atrasando, mas nunca aconteceu isso antes, quer dizer, só uma vez.
- Fiquei sabendo, “mamãe do ano” - disse dando uma cotovelada de leve na mulher lhe tirando uma risada - Elas disseram que algo de muito grave deveria ter acontecido para você atrasar assim sem avisar, fiquei preocupado com a Ella e decidi esperar.
- Obrigada, de verdade, . - falou enquanto caminhavam para fora do playground num silêncio confortável - Jogador de futebol, huh? - dessa vez foi quem lhe deu uma cotovelada de leve.
- Me stalkeando? - o jogador disse contente por ela ter falado alguma coisa.
- Achei que depois de ser acusada de querer alguns minutos de fama eu deveria descobrir que fama era essa - falou brincando com o jogador.
- Me desculpa por aquilo. - disse olhando para o chão um pouco nervoso - Não seria a primeira vez, sabe? E o
- Não precisa falar nada, eu sou mãe também... Foi apenas uma enorme coincidência.
- Bota enorme nisso.
- Eu vou indo, ainda preciso saber se está tudo bem no trabalho. - falou chamando Ella, que andava na frente com o menino. - Nos vemos por aí?
- Ei, , podemos trocar telefone? Você sabe, se alguma coisa acontecer…
- Sei. - disse desconfiada, mas anotou seu número mesmo assim no celular dele. - Obrigada de novo, .
- Tchau, Super-Ella. - disse fazendo continência para a menina que deu uma gargalhada fofa, tirando outra dos adultos.

Naquela tarde, em ambos os carros, seus ocupantes sorriam sozinhos lembrando de uma certa tarde numa cama de hotel.



- Eu não acredito que estamos assim de novo. - estava deitada de lado, encarando . Tinha apenas o lençol cobrindo seu corpo nú.
- Eu não acredito que demorou tanto para te ver assim de novo, isso sim. - falou dando um beijo demorado na boca da mulher, mordendo seu lábio inferior.
- Qual sua fixação com a minha boca? - perguntou divertida, colocando um tanto do cabelo do homem atrás de sua orelha, embora fosse quase em vão.
- Você já se olhou no espelho? - disse passando o dedão nos lábios da mulher - Essa boca, eu quero pra mim. - falou antes de puxar a mulher para si e a beijar pela centésima vez naquela manhã.
- Do jeito que está indo vou ter que deixar ela com você e comprar outra. - comentou brincando ao ter seu lábio puxado mais uma vez e se virou para ver o horário.
- Não estamos atrasados dessa vez. - disse dando risada. - Ainda é cedo.
- Eu sei, é que eu preciso visitar um amigo no hospital antes de buscar a Ella e estou calculando quanto tempo ainda posso ficar aqui. - estava acostumada a ser vista como inferior por muitos quando contava o que fazia da vida e não queria que fosse mais um a tratá-la diferente.
- Eu sinto muito, , espero que esse seu amigo melhore.
- Obrigada. E você, vai fazer o que hoje?
- Concentração. - falou animado - Busco o , levo ele pra casa da mãe e vou pra Valdebebas, amanhã tem jogo no Bernabéu. Você gosta de futebol? - perguntou ansioso para que a resposta fosse positiva, mas notou fechar o sorriso e desviar o olhar do seu por um segundo.
- Só de ver os jogadores sem camisa. - a mulher o encarou novamente, abrindo o sorriso que o havia conquistado algumas semanas atrás. - Principalmente um tal de . - riu se deitando sob o corpo do jogador. - De começo ele até pode achar que você está atrás da fama dele, mas depois percebe que você só quer abusar do corpo dele mesmo.
- Você é linda. - o jogador disse abraçando a mulher, sentindo sua respiração bater em seu pescoço - Eu já tinha visto a Fiorella algumas vezes e ficava me perguntando quem seriam os pais dela, provavelmente um casal de modelos, e vendo vocês duas juntas não tem nem como negar que não é sua. Ela tem algum traço do pai?

Desde quando trocaram telefone queria contatar a mulher, mas não sabia o que dizer. Agora que sabia que os dois ainda se veriam muitas vezes, precisava tomar cuidado para não estragar nada e acabar resultando em algum desconforto na escola do filho. Foi por isso que se aproveitou do fato de que iria atrasar, de novo, para pedir que ficasse com seu filho até sua chegada. Sabia que a escola tinha a obrigação de ficar com o menino até ele chegar, mas os avisou que poderia ficar com ele naquele dia e foi assim que conseguiu convencê-la a tomar café da manhã com ele no dia seguinte. O que a mulher não sabia, era que ele pretendia fazer dela a sua primeira refeição.

tinha os olhos fechados, até achou que tinha demorado para o assunto “pai da Ella” ter sido abordado, respirou fundo e puxou de sua mente o discurso que sempre fazia.

- Os cabelos - falou se jogando de volta na cama, encarando o teto - Aquele tom de loiro é totalmente do pai, o jeito alegre de ser e a paixão por esportes. Eu e o pai da Ella não temos nenhum contato, eu não gosto de falar no assunto, me desculpe. - disse sincera, respirando fundo antes de encarar os olhos negros do homem ao seu lado.
- Eu que peço desculpas. - o jogador a puxou para os seus braços, tentando de certa forma reparar o que tinha feito - Eu tenho uma ótima relação com a mãe do , esqueço que não é assim pra todo mundo.
- Não tem problema, eu adoraria ainda ter algum contato com ele, mas quem sabe um dia... - falou alheia, encarando a janela que mostrava mais um dia lindo em Madrid.
- Eu estava pensando... - o jogador disse depois de um tempo que ficaram os dois em silêncio, apenas contemplando a presença um do outro - Aquela banheira aparenta ser tão atraente pra mim quanto pra você?
- Eu achei que nunca fosse perguntar. - falou brincalhona lhe dando um beijo rápido, antes de pular da cama do hotel e ir correndo para o luxuoso banheiro.

observou a mulher correr nua, fechando a porta atrás de si e logo ouviu o som de água correndo. Fechou os olhos por um segundo, queria guardar aquela imagem pra sempre.



terminava de lavar a louça do jantar com o pensamento ainda em Ben. O tinha visitado todos os dias no hospital e já sabia por Cora que ele iria para casa no fim de semana, mas era inevitável não se preocupar com ele, o tinha como seu próprio avô e Fiorella amava passar os sábados ao seu lado. Como não tinha como deixar a menina com ninguém, a levava todos os finais de semana em que trabalhava. O combinado eram dois sábados no mês por meio período, mas por amar seu trabalho, quando era necessário ficava até mais tarde ou ia quando não precisava de fato.

Nos seus dias de folga gostava de levar Fiorella para passear pela cidade ou, quando estava muito cansada, ficavam em casa assistindo desenhos e brincando. Gostaria de poder ver seu pai mais vezes, além das visitas mensais que ele lhe fazia, mas infelizmente desde que se descobriu grávida sua mãe não aceitou muito bem a novidade e lhe virou as costas no momento em que mais precisava da família. Era inconcebível para , agora que tinha Ella, como uma mãe poderia fazer isso com a própria filha, quando ela mesmo era ainda uma menina.

Sem poder contar com o pai de Ella e os próprios pais, se viu perdida e sozinha pela primeira vez na vida. A sua sorte era que tinha comprado com a ajuda deles um pequeno apartamento pouco antes de engravidar e, apesar de passar dificuldades, conseguiu se manter em parte com benefícios oferecidos pelo governo e em parte com a ajuda de um dinheiro que lhe caiu do céu, caso contrário não sabia como teria feito para sobreviver aos nove meses de sua gravidez. Certo dia, quando estava tendo um dia particularmente ruim, sem esperança de que as coisas um dia fossem melhorar, seu pai apareceu em seu apartamento e sem nada falar a abraçou chorando e pedindo perdão por não ter se feito presente antes.

Naquela noite, pai e filha puderam colocar tudo o que vinham sentindo pra fora e ele lhe contou que tinha brigado com a esposa no dia em que ela lhe virou as costas e desde então vinham dormindo em quartos separados. Quando ela pediu que ele voltasse a ser seu esposo, ele disse que apenas com uma condição: se pudesse ficar ao lado da filha, mesmo que ela não o fizesse.

Depois de quase 4 anos, já estava acostumada com sua situação, ao menos sabia que podia contar com seu pai todos os dias de sua vida. Ele sempre largava o que fosse se ela pedisse, mas não gostava de importuná-lo porque, além de já ser de idade, morava em Toledo. Eram nessas horas que sentia falta de ter alguém em que pudesse se apoiar.

- Mama, mama. - Fiorella corria descalça pelo pequeno e aconchegante apartamento onde as duas moravam, a tirando de seus pensamentos.
- Que foi, meu mini furacão? - disse enquanto terminava de prender o cabelo em um rabo de cavalo.
- Quero pintar! - falou se aproximando da mãe com uma carinha de pedinte.
- Agora, filha? - olhou o relógio vendo que já estava quase na hora da menina dormir - Tudo bem, mas só um pouquinho sem fazer muita bagunça, tá? A mamãe vai preparar a mesa.
- Ebaaaaa! - gritou toda animada, subindo na cadeira da sala de jantar - Posso pintar um quadro bem bonito pro vovô?
- Claro que pode, princesa. - sorriu ao ouvir a pergunta da filha, colocou na mesa algumas folhas de papel e o pequeno conjunto de tintas aquarela, o que dava menos trabalho de arrumar quando Ella fosse dormir. - Tenho certeza que ele vai amar.
- Eu vou fazer o Capitão América e a Princesa Ella pra ele, mama.
- Nossa, que legal! - a mulher sorriu observando a menina fazer gestos exagerados na folha de papel. - Está ficando lindo.

se culpava muito por às vezes ter que recorrer aos eletrônicos para entreter a menina, principalmente quando precisava de alguns minutos de descanso após um dia puxado, mas sempre que podia a incentivava a fazer coisas produtivas, como pintar, cozinhar e quando dava organizava pequenas caças ao tesouro para a menina no parque próximo a sua casa. Adorava os momentos que passavam a sós e fazia questão de registrar cada um deles. Não se aguentou ao ver a menina com um coque no cabelo que ela mesma havia feito para que não ficasse cheio de tinta e tirou algumas fotos para enviar ao seu pai no dia seguinte.

Uma ideia veio em sua mente e se pegou mordendo o lábio inferior em dúvida se o que estava prestes a fazer era o certo.

Riu de si mesma, dando de ombros, antes de anexar a foto a conversa de :


💋 : Como dizer não à um pedido desse, mesmo sendo quase hora de dormir?


Nem entendia como tinha esse dom, mas estava atrasado. Pra variar. Mas pelo menos dessa vez não era sua culpa, havia saído do treino o mais rápido possível para ter tempo de passar na doceria que vendia o bolo que seu filho tanto gostava, mas quando chegou lá ainda não estava pronto. Adorava sempre que podia fazer um mimo para o menino, pois imaginava o quanto deveria ser difícil para uma criança pequena ter pais separados, ainda mais depois que sua agenda acabou se tornando ainda mais inconstante e nunca sabia quando teria tempo de fazer algo com ele, além de buscá-lo na escola sempre que podia.

Tinha sorte por ter uma ex-namorada que era bastante parceira, desde que se separaram combinaram que Jr. viria sempre em primeiro lugar e conseguiram conservar o respeito e amizade, mesmo depois do término da relação. Ela também entendia sua profissão e sempre o ajudava quando tinha mudanças em seus planos de última hora, não reclamando nenhuma vez.

Já dentro de seu condomínio, finalmente entrou em sua rua, onde pôde ver sua casa e o carro de Victoria estacionado na entrada da garagem. Desceu do carro, acomodando a mochila nos ombros e a caixa do bolo nas mãos.

- Sinto muito, mais uma vez. O bolo demorou pra ficar pronto e o trânsito não ajudou muito. - beijou a bochecha da mulher, pegando de suas mãos a mala que continha algumas coisas de Jr., logo abaixando-se para dar um abraço no filho.
- Já falei que não precisa se preocupar. Ele tem alguns trabalhinhos da escola para fazer durante o final de semana, pouca coisa, mas seria legal se você ajudasse ele.
- Pode deixar! - observou a mulher entrar no carro - Eu vou deixar ele na escola na segunda, você busca?
- Busco sim. Tchau, meu amor, a mamãe te vê na semana que vem, tá? - a mulher disse se ajoelhando para se despedir do menino.
- Tá bom, mama, eu vou ficar com saudade. - disse todo fofo, fazendo os pais o olharem ainda mais apaixonados.

Após pai e filho passarem a tarde toda jogando bola e brincando na piscina, foram tomar banho e preparou seu jantar enquanto o menino escolhia um filme para assistirem, mas o pequeno estava tão cansado que mal conseguia manter seus olhos abertos.

- Acho que alguém está com sono, uh? - olhou para o menino já todo largado no sofá, lutando para se manter acordado - Vamos para a cama, campeão? - a resposta veio em um aceno de cabeça e os bracinhos levantados para que o pegasse no colo.

Caminhando em direção ao seu quarto, observava o menino o encarar e não tinha palavras para descrever o quanto amava passar um tempo com o filho, fosse uma hora ou um final de semana. Sentia-se orgulhoso quando o menino de apenas três anos de idade conseguia dar um chute certo na bola, para logo sair correndo em sua direção para comemorar. Mesmo quando chegava em casa exausto depois de um dia inteiro treinando, só de ficar deitado observando o filho dormir sentia o cansaço desvanecer, seu dia tornar-se mais feliz, e sabia que no final tudo valia a pena se significava ter a pessoa que mais amava no mundo dormindo ao seu lado.

Um barulho o tirou de seus pensamentos e logo pegou seu celular notando a mensagem que havia chegado, mordeu sem perceber os lábios ao ver que era , eles vinham se falando esporadicamente depois de terem ficado juntos pela segunda vez, e sorriu ao ver a foto que ela havia mandado. Ella estava adorável vestindo um macacão rosa, pintando na mesa de onde parecia ser a cozinha da mulher. Abriu a própria galeria, escolhendo uma foto que tinha tirado algumas horas antes para lhe enviar.

A verdade era que tinha a mulher na cabeça mais vezes do que gostaria e se pegava sorrindo sozinho quando dirigia de casa para o centro de treinamento, relembrando os momentos que tiveram na banheira do hotel. Já tinha transado três vezes com e ainda assim queria mais, muito mais.



⚽ : capotou depois de passar o dia jogando bola e brincando na piscina! Esse é o meu final de semana com ele 😍😍😍

💋 : Que coisa mais linda, eu estou morta de cansaço, mas essa daqui tá com energia de sobra, já sei que vou acabar dormindo tarde e acordando cedo 😩

⚽ : Se você estivesse aqui te faria uma massagem 😏


O jogador sabia que estava sendo abusado, mas era sexta à noite, seu filho já estava dormindo e jamais perderia a chance de ter a atenção da mulher para si.

💋 : Só se envolvesse essa barba no meio das minhas pernas. 😉

, após arregalar os olhos, teve que se segurar para não gargalhar alto ao ler o conteúdo da mensagem que tinha recebido, interessante.

⚽ : Você gosta, uh? Injusto falar isso quando estou longe de você e da sua boca.
⚽ : Que tal nos encontrarmos semana que vem de novo?

💋 : Eu adoraria. Xx




observava andar por sua casa com um sorriso no rosto, não via mais motivos para que se encontrassem em um hotel, se ambos sabiam quem o outro era e de certa forma confiava na mulher, sabia que não era nenhuma maluca. Quando ela lhe enviou uma mensagem dizendo que teria folga na terça, ele prontamente aceitou e agora se encontrava ali, fascinado com a visão da mulher num vestido curto de ombros de fora e de um tecido tão leve que deixava sua bunda ainda mais deliciosa.
- Sua casa é linda! - disse quando o jogador lhe mostrou todo o local - Com certeza se a Fiorella estivesse aqui já estaria tirando toda a roupa pra entrar na piscina.
- E a mãe dela, não quer tirar também? - abraçou a mulher por trás, tirando seu cabelo do pescoço, depositando um beijo cheio de segundas intenções, antes de dar uma mordida de leve em sua orelha - Você está linda nesse vestido, mas fica ainda mais maravilhosa quando não usa nada. - sussurrou em seu ouvido, enquanto uma de suas mãos deslizavam por sua coxa, entrando por baixo da saia de seu vestido.
- Ainda bem que temos a mesma opinião sobre o outro. - respondeu se virando para o jogador, passando seus braços por sob os ombros do homem. - Oi!
- Oi! - abriu um sorriso enorme, antes de encarar os lábios da mulher.
- Acho que você me deve uma massagem. - falou, aproximando seu rosto ainda mais do homem, lhe dando um beijo rápido. Sorriu ao vê-lo suspirar quando se afastou.
- Sou todo seu. - disse antes de voltar a beijá-la, ao mesmo tempo em que desfez o nó do laço que prendia seu vestido nos ombros, fazendo com que caísse por sob seu colo, deixando a mostra os seios da mulher.



O jogador tinha os braços descansando atrás de sua cabeça e um sorriso tímido no rosto, estava em sua cama enquanto usava o banheiro. Aquela mulher era incrível na cama, toda vez achava que se sentiria finalmente satisfeito, mas mal tinha se recuperado da primeira rodada e já estava pensando na próxima. Ouviu a porta se abrir e franziu o cenho ao notá-la já vestida.

- Er, você viu minha calcinha por aí? - falou um pouco tímida colocando uma mexa de cabelo atrás da orelha - Já esqueci uma aquele dia no hotel…
- Aqui. - pegou a peça que estava no pé da cama, se levantando para entregá-la - Você precisa ir? - disse segurando em sua mão quando ela a estendeu para pegar sua lingerie.
- Eu achei que...não sei, pra ser sincera, estamos na sua casa.
- Você precisa ir? - perguntou novamente, vendo-a negar - Então que tal voltar pra minha cama? Eu não tenho nada planejado pra hoje a não ser ficar em casa e gostaria muito que fosse com você... Saímos juntos para buscar o e a Ella?
- Tudo bem. - disse sorrindo, colocando a calcinha de volta.
- Não precisa perder seu tempo, eu pretendo tirá-la de novo. - o homem disse tirando uma gargalhada da mulher - Inclusive, tá aqui a outra esquecida por você aquele dia.
- Não acredito. - riu ao vê-lo tirar a peça do gaveteiro. - É algum tipo de fetiche? Guardar lingerie dos seus casinhos?
- Só das que eu conheço em lojas de brinquedos e não consigo tirar da cabeça. - disse dando uma piscadinha antes de se deitar na cama novamente, puxando a mulher consigo.
- Você já está pronto pra outra, jogador? - questionou ao cair por cima dele.
- Preciso de mais uns minutos, mas nada me impede de tirar esse seu vestido de novo e ficarmos deitados aqui enquanto você me conta mais sobre você.
- O que você quer saber? - o olhou desconfiada, mas se levantou para desfazer o nó em seu vestido.
- O que você quiser me contar. - respondeu se movendo na cama de forma que a mulher pudesse se deitar ao seu lado.

Assim que se deitou, abriu o braço para que a mulher se encaixasse ali e nem percebeu que sorriu quando ela encostou a cabeça em seu peito e ele automaticamente passou seu braço pelo corpo dela. O jogador teve uma leve suspeita de que tê-la em seus braços estava se tornando uma de suas atividades favoritas.


Capítulo 3

- Você planeja fazer algo hoje à tarde? 😬

tinha seu dedo posicionado em cima da tecla enviar do WhatsApp, ainda em dúvida se deveria convidar e seu filho para sair. Enviou a mensagem repetindo em sua mente que para aquela atitude não seria preciso pensar tanto, na maioria das vezes, desde o nascimento de Ella, pensava muito mais que duas vezes, tanto que foram raros os homens que tiveram a chance de conhecer sua princesa e tinha se arrependido em todos, mas era apenas um convite bobo, sem nenhuma pretensão, com o pai de um coleguinha da filha. Ao menos era o que ela dizia a si mesma.

Sua atenção voltou à tela do celular quando o mesmo apitou com a resposta de , afirmando que estava com o filho naquele dia, caso contrário, seria todo dela. A mulher riu quando notou que achava que o convite vinha com um tom malicioso.

💋 : Na verdade estava pensando se vocês não gostariam de participar de uma caça ao tesouro acompanhado de um piquenique? Está um dia lindo e tem um parque ótimo do lado da minha casa.

⚽ : Sim, por favor, acho que posso deixar para assistir Toy Story pela décima quinta vez para mais tarde. Me passa o endereço e horário.


Seria a primeira vez que os quatro sairiam juntos, algo que o jogador poderia encarar como uma cobrança da parte dela, mas sorriu ao ver que ele, assim como ela, sabia separar as coisas. Logo enviou o endereço com o horário em que se encontrariam.

- Meu amor, o que você acha de irmos ao parque com o e o Junior? - encostou-se no batente da porta, observando a filha que brincava no tapete da sala com peças de lego.
- Ebaaaa! Vai ter piquenique?
- Sim, senhora! Quer me ajudar a fazer um bolo?

💋 : Dá pra acreditar que agora estou levando ordens? Deus me ajude com essa mini chef.



⚽ : Devo me sentir culpado por comprar algo no mercado enquanto vocês estão cozinhando? 😬




A mulher gargalhou alto quando viu a foto.

💋 : Não se preocupe, o que vale é a intenção! Sorte que você até que é bom de cama 🌝

⚽ : Estou me sentindo um pedaço de carne…. Eu sei que você tá mais interessada na minha barba roçando por todo esse seu corpo... Além da minha ótima “massagem” 👅

💋 : Não nego 🔞🔞🔞
💋 : Agora realmente preciso ajudar aqui. Ella manda, mas quem mexe no forno sou eu, nos vemos mais tarde! 😘


Após colocar o bolo no forno, foi ajudar Fiorella a trocar de roupa, a menina usava um vestidinho branco, leve e ideal para o tempo quente e ensolarado que fazia em Madrid. Assim que ficaram prontas e o bolo cresceu, mãe e filha foram caminhando até o parque.

Enquanto esperava o jogador, estendeu a toalha no chão e logo sentaram aguardando a chegada dos meninos. A mulher só percebeu o quanto havia se distraído admirando a filha brincando com uma folha na árvore, no momento em que levou um susto ao sentir mãos em sua cintura.

- Quer me matar? - disse brincalhona, se virando para o jogador.
- Só se for de prazer. - deu uma piscadinha divertida para a mulher - Que foi? - o jogador perguntou depois de alguns segundos, já que o encarava com um olhar pensativo.
- Você cortou o cabelo e aparou a barba?
- Não gostou?
- Ficou ainda mais lindo - sorriu dando um beijo na bochecha dele, antes de se abaixar para cumprimentar Jr. - Pronto pra brincar?
- Pronto sim!
- Caça ao tesouro, mama, caça ao tesouro!

riu baixo da menina que chegava a dar pequenos pulos de animação, já seu filho olhava para curiosamente.

- Ok, a brincadeira funciona assim: o primeiro que encontrar uma pedra redonda tem que trazer ela para mim. Vamos ficar esperando vocês aqui e nada de ir pra longe, hein? Tem que ser aqui ao nosso redor.

Enquanto as duas crianças saíram correndo atrás do objeto, e sentaram-se na toalha para organizar o que ambos haviam trazido, sempre de olho nos filhos. Os dois se pegaram olhando os próprios filhos com carinho e riram de si mesmos.

- É um amor que não dá pra explicar, né?
- Com certeza. - disse tirando o suco da sacola.
- E como andam os treinos?
- Maravilhosos. Nos últimos meses estou tendo mais espaço no time como titular, fico triste que isso só aconteça porque um amigo está lesionado, mas não posso deixar de aproveitar a oportunidade.
- Mas é nessas horas que você deve mostrar que é um substituto a altura, não dá pra perder uma chance dessas mesmo. Tenho certeza que é uma pena ver um colega de trabalho machucado, mas é assim que você mostra que é bom e merece estar na equipe principal. Mesmo porque jogador está sempre se machucando, não? Se o time souber que pode contar com você, mais e mais vão te colocar como titular.
- Nossa, até parece que entende de futebol. Obrigado, .
- E por que não entenderia? Tá tentando me dizer que futebol é só pra homem? - fingiu estar zangada, assustando , mas assim que ele tentou se desculpar a mulher deu uma gargalhada da cara dele, jogando um saquinho de m&m's no jogador.

A conversa dos dois foi interrompida quando as crianças chegaram gargalhando com as mãozinhas cheias de pedras, discutindo quem tinha ganhado aquele desafio.

- Olha só, quanta pedrinha! Por que vocês não nos deixam decidir quem pegou a mais redonda enquanto procuram uma flor amarela? Mas não a arranquem, quando acharem nos chamem que vamos até vocês.
- Não arrancar? - encarava a mulher curioso.
- Não quero ensinar minha filha que ela pode sair pegando tudo que a natureza oferece sem pensar duas vezes!
- Cada dia que passa você consegue me impressionar ainda mais, sabia? - ficou tão surpresa ao ouvir aquelas palavras de , que virou o rosto envergonhada, sentindo as bochechas pegarem fogo.
- É um dom para poucos - disse brincando, tentando disfarçar.
- Nossa, achei que nunca fosse conseguir te deixar sem graça - disse com um sorriso lindo que a cada dia que passava encantava ainda mais - Tão bonita toda envergonhada.
- Pode parar, por favor? - pediu colocando as mãos no rosto.
- Desse jeito fica bem difícil não beijar essa sua boca, pena que estamos em público.
- Tia, ! Achamos a florzinha, vem, vem!
- Tia, ?? - a mulher disse encantada com a forma que Jr. a havia chamado - Ai que amor! A Tia vai sim. - disse sorrindo e pegando a mão que o menino havia estendido para ela. - Pelo visto esse sorriso fofo e irresistível é de família.
- Vamos, papa?
- Ah, agora lembrou que eu estou aqui, né? - o jogador se fingiu de ofendido, logo se levantando e dando a outra mão ao menino. Ella corria na frente em direção às flores.
- Semana que vem tem apresentação da classe deles, você vai? - perguntou curiosa ao homem, depois que tiraram algumas fotos das crianças ao lado das florzinhas. obviamente achava tudo que Ella fazia lindo, mas a cara que Jr. fez para a foto quase derreteu seu coração.
- Victoria vai levar ele, eu tenho jogo, mas minha mãe vai com ela. Não perde nada do neto, sua mãe também é assim com a Ella?

sabia que em algum momento eles entrariam nesse assunto, só não achava que viria tão de repente, gostava de como a conversa fluía de maneira natural com e de como havia sido fácil tornarem-se íntimos em tão pouco tempo. Mesmo que seus encontros fossem, em sua grande maioria, apenas sexuais, ainda assim conversavam muito e pareciam ter ideias bastante parecidas. Desde o pai de Ella que não se via tão tranquila ao lado de um homem, mas mesmo assim ainda se sentia insegura em se abrir sobre a “relação” que mantinha com a mãe. parecia ter uma família linda e unida, até com a ex ele tinha um convívio ótimo, enquanto ela tinha apenas o seu pai e Ben. Suspirou tentando não demonstrar muita coisa, mas já era tarde, o jogador já tinha percebido que alguma coisa estava errada.

- Ela não vai não, será só eu mesmo, o meu pai disse que vai tentar vir, mas não sabe se vai conseguir. - disse dando de ombros - O que você acha de darmos uma pausa nessa caça ao tesouro e você me mostrar se joga mesmo futebol uh? - , apesar de curioso e até um pouco triste, entendeu que tinha tocado em alguma outra ferida interna da mulher e resolveu não insistir, talvez se os dois continuassem a se ver da forma que estavam fazendo ela se sentisse mais livre para desabafar com ele seja lá sobre o que fosse.
- Eu e Ella contra você e ? Sabe como é, preciso te dar uma chance. - o jogador riu ao pegar a bola que tinha trazido.
- Pode deixar que eu e minha filha vamos mostrar que o não sabe o que está perdendo sem a gente naquele time. - riu ao tirar o tênis para fazer de gol. imitou seu gesto, rindo do jeito da mulher…



- Caramba, a Ella joga muito bem.
- Eu disse, não disse? É um talento de família. - a mulher falou de um jeito convencido, pois sabia que era péssima no esporte.
- Eu tô falando sério, ela tem talento de verdade, se fosse menino ia arranjar um teste pra ela lá no clube.
- É uma pena que o futebol feminino não seja tão reconhecido quanto o masculino, a Fiorella adora esportes "de menino". Eu sempre digo pra ela que não tem nada de menino e menina, se ela quiser jogar futebol ela vai, se ela quiser ser skatista também. Acho que você lembra bem o que eu estava fazendo naquela loja de brinquedo.
- Podemos combinar de nos encontrar um dia lá no clube e eu peço pra ela treinar com os meninos, o que acha?
- Se não for proibido, tenho certeza que ela vai se divertir.
- Mama, tô com fome.
- Eu também papai.
- Pra ser sincero, eu também. - disse de uma maneira tão fofa que queria mais que tudo beijá-lo naquele momento.
- Venham, crianças, vamos comer então.

havia adormecido depois do almoço e ficou com dó de acordá-lo, imaginava que o tanto de exercício físico que os jogadores faziam devia ser bastante exaustivo. As crianças, pelo contrário, pareciam ainda mais animadas depois de comer e os levou para dar uma volta pelo lago para que pudessem ver os cisnes que ficavam por ali. O jogador acordou assustado, nem tinha percebido que tinha dormido e se preocupou ao não ver ninguém ao seu redor. Levantou apressado, mas logo viu do outro lado do lago os três passeando e dando risadas e se acalmou.

Se aproximou da beirada e ficou observando a mulher e as crianças se divertindo e sorriu, lembrou da primeira vez que tinha ido em sua casa e do tanto que conversaram e riram das mais diversas coisas. Adorava a forma de ser da mulher, apesar de nova, parecia muito mais madura e independente do que ele. A admirava muito por cuidar de Fiorella sozinha e ainda conciliar trabalho e vida pessoal.

Apesar de distraído com seus próprios pensamentos, viu quando caiu ao tentar sair correndo de Fiorella e preocupado se colocou a correr em direção a eles, mas antes que sequer cruzasse parte do caminho, parou. havia pego o menino no colo e o abraçava e falava alguma coisa para ele com a mesma preocupação que ela tinha com sua filha. A mulher limpou as lágrimas do menino e viu o momento que o filho levantou a perna, provavelmente mostrando o machucado que tinha feito e o jogador não saberia dizer o que foi aquilo que o tomou quando viu depositar um beijo no joelho do menino, para então colocá-lo sob os ombros e um sorriso feliz surgiu no rosto do filho, quem o visse naquele momento nem imaginaria que segundos atrás parecia inconsolável.

Sem conseguir se controlar tirou uma foto dos dois antes que fosse pego no flagra.

- Tá tudo bem, filho? - perguntou quando os três apareceram em seu campo de visão.
- O chão machucou eu, papai - disse abrindo os braços para ir pro colo do jogador - A tia falou que ele era feio e bobo, mas já deu um beijinho pra sarar.
- Agora a gente vai por um band-aid do Batman, tio, eu tenho um montão.
- Ah, se for do Batman amanhã já vai ter sarado. - respondeu aos dois rindo, dando um beijo na cabeça do filho. - Obrigado.
- Não precisa nem agradecer, né? Pelo menos dessa vez não levei uma bronca.



e vinham se encontrando esporadicamente há dois meses. Desde que tinham se conhecido na loja de brinquedos, ansiavam pela companhia um do outro sem nem se dar conta que pararam de se interessar por outras pessoas. já não queria conhecer a amiga da prima de Marco e rejeitou o convite do pai para que ficasse com Ella para que ela saísse com as amigas, ao invés disso os três tiveram uma noite de cinema em família.

Embora todas as vezes que e se vissem, acabassem juntos na cama, passaram a conversar sempre que dava por mensagem, iniciando uma “amizade” cheia de brincadeiras e segundas intenções, mas que ao mesmo tempo não tinha nenhuma cobrança. Se ela demorasse a responder sabia que estava ocupada no trabalho ou com Ella. Já com o jogador, a mulher sabia que ele tinha suas obrigações com o time e que muitas vezes não poderiam se falar por um dia inteiro e estava tudo bem.

Apesar disso, se via ansioso em receber as fotos que mandava com as marcas que ele as vezes deixava em seu corpo por não se aguentar quando estava com ela nua sob si, tão linda que acabava a apertando mais do que deveria. A mulher lhe deu um castigo, que a cada marca que ele deixasse nela, ele ficaria lhe devendo um orgasmo e adorava pagar cada.um.deles. amava como ele sempre se despedia dela com um “Boa Noite, delícia 😋”, sentia-se bonita, desejada, gostosa; Não a mãe que estava sempre cansada, com o cabelo preso, ajudando um senhor a se movimentar pela casa e lhe servindo o almoço.

Após toda a dor e sofrimento que passou com o pai de Ella, não sabia se já estava pronta para um novo amor, gostava muito de , ele era lindo, atencioso, engraçado e ainda por cima estava na mesma que ela. Era visível o quanto amava o filho e sempre se via sorrindo quando ele demonstrava um carinho enorme por Fiorella. A menina parecia estar se apegando ao homem e isso a deixava preocupada. Quando saíram durante a semana com os pequenos para irem ao parque, percebeu que sem querer pareciam uma família, quem visse de fora veria um pai e uma mãe brincando com seus dois filhos pequenos e isso, junto ao fato que o jogador começara a lhe fazer perguntas pessoais, a fizeram dar um freio nos encontros semanais.

murchou quando disse que naquela semana não teria nenhuma folga, os encontros semanais com a mulher eram uma certeza e isso o fez perceber que não eram nada, apenas dois pais solteiros que encontraram no outro alguém para se divertir de vez em quando. Já tinha a mulher na cabeça mais vezes que o normal desde o dia que se conheceram, mas a ida ao parque havia mudado algo para ele, a forma que ela havia cuidado do seu filho quando se machucou o fez ter vontade de ver mais cenas como aquela acontecendo. E, por isso, ao ver sua mensagem a realidade caiu para o jogador. O que ele sabia de ? Muito pouco. Nunca tinha ido a casa dela. Não sabia qual o problema que ela tinha com a mãe e muito menos o porquê do pai de Ella ter abandonado as duas, se recusado a fazer parte da vida da filha. Se o homem ao menos soubesse como era grande o amor que um pai tinha por um filho, com certeza não teria abandonado a menina. O amor podia acabar pela mulher, assim como ele e Victoria deixaram de se amar, mas só de pensar em não fazer parte da vida de Jr. seu coração se partia, e talvez fosse esse o motivo de não se abrir completamente com ele.

Naquela semana se viram de longe, estava entrando no carro quando chegou na escola para deixar o filho, deram apenas um tchau e um sorriso que não dizia muita coisa.



- Mama! - Ella quase atropelou o jogador quando ele abriu a porta.
- Ah, princesa, que saudade - disse se abaixando para falar com a filha - A Tina demorou pra chegar e eu não podia deixar o Benjamin sozinho. Você me perdoa?
- Simmm, eu fiquei brincando com o , mama, a casa dele é muito grande, vem ver. - disse puxando a mulher sob os olhares atentos do jogador.
- Oi. - conseguiu segurar seu mini furacão por um segundo para aceitar o beijo no rosto que o jogador veio lhe dar.
- Oi, delícia. - disse em um sussurro no ouvido da mulher, fazendo os pelos de seus braços arrepiarem.
- Obrigada, , eu liguei pra Dulce e pra Maria, mas elas já tinham buscado as crianças, não queria te atrapalhar.
- Pra você, qualquer coisa, sempre. Tina trabalha com você e seu chefe, é isso?
- Sim, ela…
- Ela cuida do vovô Ben de noite e mamãe de dia. - franziu o cenho e encarou confuso.
- O que você faz?
- Eu… - sorriu desanimada, Ella tinha a mania de responder as coisas por ela e agora se via sem escapatória - Princesa, vai buscar suas coisas que a gente já vai, tá?
- Tá bom, mama, vou trazer o desenho que fiz pra você.
- Então? - pediu curioso
- Quando eu engravidei, eu ainda estava na faculdade e com o pai da Ella, mas quando entrei no segundo trimestre ele foi embora e eu me vi sem dinheiro, sem ajuda de quase ninguém, foram raras as pessoas que me deram a mão. Pra me sustentar, consegui um emprego de recepcionista num asilo, eles estavam desesperados e me contrataram mesmo eu estando grávida, mas quando tive a Ella foi difícil, se eu mal tinha dinheiro pra pagar as contas, como que eu ia pagar pra alguém ficar com ela? Eu tinha ajuda do governo e um pouco de dinheiro guardado, mas estava acabando. Certo dia, a Cora, mãe do Benjamin, um senhor que sempre ficava conversando comigo lá no asilo, me procurou. Ela queria levar o pai pra morar com ela, mas trabalhava o dia todo e me chamou pra cuidar dele de dia, disse que eu podia levar a Fiorella e colocou um berço lá num quartinho. O salário não é dos melhores, mas consigo pagar todas as contas e ainda ficar com a Ella. Meu pai que paga a escola dela, senão provavelmente ela iria para alguma escola pública.
- Entendi. - se virou de costas, buscando algo na geladeira e a mulher não sabia de onde tinha vindo a onda de tristeza que tomou conta de si.
- Eu estaria estudando, sabe?! - completou rapidamente, envergonhada - Se eu tivesse tido apoio talvez tivesse terminado a faculdade e hoje seria uma designer de interiores, que foi sempre o meu sonho, mas… Sei que não é grande coisa passar o dia sendo babá de um senhor de 83 anos...
- . – a mulher olhou pra frente e viu o jogador se aproximar com dois sucos na mão e, se ela não estivesse enganada, os olhos dele pareciam marejados - Por que não me disse antes? Eu pensei que você fosse assistente numa empresa…
- Seu filho estuda na escola da Ella, você é um jogador de futebol do … Não seria a primeira vez que me olham estranho por fazer o que faço, tem algumas mães naquela escola que podem ser bastante preconceituosas.
- Você é incrível, sabia? - disse, colocando os copos na bancada e levando uma de suas mãos ao rosto da mulher - A Fiorella tem sorte de ter uma mãe tão maravilhosa quanto você, que passou por tanta coisa antes dela nascer e mesmo assim se reergueu e luta dia após dia para dar tudo do melhor pra ela. Eu não sei o que aconteceu com sua mãe, com o pai da Ella e se você não está pronta pra me contar, eu entendo, mas nunca tenha vergonha de me dizer nada. Vergonha deveria ter eu por ganhar tanto pra chutar uma bola de um lado pro outro, enquanto há pessoas como você fazendo o impossível para dar uma vida melhor para seus filhos. - a mulher encarou o jogador surpresa, seus olhos se encheram de lágrimas, mas se recusava a chorar, logo colocou sua outra mão no rosto dela, a puxando para um beijo que ambos sentiam falta e, naquele momento, necessidade.
- Eu não pretendo fazer isso pra sempre… Eu ainda quero voltar a estudar.
- O mundo é seu, , eu tenho certeza que só coisas boas estão guardadas pra você, vem cá. - o jogador abraçou a mulher com força, queria que ela sentisse ali naquele abraço que ele estava ali por ela, para ouvir tudo que ela quisesse lhe contar.

Quando ela começou a explicar o que fazia sentiu uma queimação na garganta aparecer, ali estava ele com todo dinheiro que precisava e mais um pouco, enquanto ela passou dificuldades para se manter durante a gravidez. Ao invés de apenas se preocupar em amar a filha, teve que trabalhar para conseguir manter as duas bem o suficiente até o fim da gravidez.

O aperto no peito de foi tão forte que ele sentiu vontade de chorar, sabia que milhões de pessoas passavam pelo mesmo no mundo, mas aquela era a , ele não queria admitir, mas era sua , uma mulher incrível que não merecia nem metade do que tinha passado e mesmo assim nunca desistiu de lutar. Com vergonha de suas próprias emoções, se virou de costas para a mulher, não conseguia entender como ela o achava interessante, mas, quando percebeu que quem tinha vergonha de contar o que fazia era , precisou agir, não se perdoaria se ela pensasse que ele tinha qualquer coisa que não fosse orgulho dela.

naquele momento sabia: ele estava se apaixonando por .


Capítulo 4

⚽ : Se você ver um tigre por aí, toma cuidado!! Ele é muito feroz. 😝🐯



💋: Eu poderia morder esse tigre, ele está um amor!!
💋: Minha bailarina quis se arrumar sozinha, não está uma princesa? 😻💞



⚽ : Com uma mãe dessa 😻😻😻. Mordia as duas 💙
⚽ : Queria estar aí com vocês 😿…me manda o vídeo da apresentação da Super Ella, prometi que veria.


sorriu, guardando o celular no bolso após a conversa com , sentia falta da presença dele. Viu o momento que Victoria entrou com a mãe do jogador e sentiu-se nervosa, mesmo sabendo que não se conheceriam, queria causar uma boa impressão. Riu de sua própria estupidez e decidiu procurar um lugar para sentar, antes que o local lotasse.

Jr. fez uma apresentação com todos os meninos da classe vestidos de animais selvagens, que fez com que se emocionasse, o pequeno estava adorável em sua fantasia e acenava para a mãe e avó o tempo todo. Tirou algumas fotos para mostrar para , mesmo sabendo que ele provavelmente já estava sendo inundado por elas. Mas foi quando Ella entrou no palco, que a mulher não conseguiu mais conter as lágrimas, sua pequena estava virando uma mocinha e aquilo lhe partia o coração na mesma proporção que a enchia de alegria.

Ver sua filha feliz e saudável era a única coisa que lhe importava na vida, e o sorriso que Ella manteve por toda a apresentação foi mais do que suficiente para encher o peito de de alegria. Teve a certeza que estava fazendo um bom trabalho.

Ao final de todas as apresentações, houve uma pequena confraternização no fundo do ginásio da escola, onde as crianças podiam se encher de pipoca e doces. Ella corria com algumas das outras crianças quando se assustou ao sentir algo agarrar suas pernas.

- Tia , você viu eu? - a mulher abriu um sorriso ao ver o pequeno tigre a encarar com o sorriso mais sapeca do mundo.
- Claro que vi, príncipe - ela se ajoelhou para ficar da altura do menino - Fiquei morrendo de medo quando você fez o barulho do tigre, você pode me mostrar como é?
- Roaaar - o menino rugiu fazendo gestos com a mão e , apesar de rir internamente, fingiu estar com medo. - Meu Deus! Achei que tinha um tigre aqui de verdade agora. – falou, tirando uma gargalhada do menino.
- Não precisa ficar com medo, fui só eu, tia. - falou de uma forma tão adorável, que acabou o puxando para um abraço.
- Júnior, você saiu correndo para longe da vovó sem avisar.
- Deculpa, abuelita, vim falar com a tia e a Ella.
- Ah, finalmente vou conhecer a famosa Ella - a senhora de aparência jovem se aproximou de , estendendo a mão. - Prazer, ...Tia . - comentou fazendo com que a mulher abrisse um sorriso. - Fiorella, vem aqui com a mamãe. - pediu e Jenny, mãe de , se impressionou quando viu a garotinha prontamente a atender.
- Ella, essa é minha abuelita. - disse todo atrapalhado pegando na mão da menina, que ficou um pouco tímida.
- Ah, você estava linda em cima do palco, a bailarina mais bonita que já vi. - a mulher disse, tirando um sorriso de - Vocês já querem sair correndo para brincar mais. - constatou ao ver que não tinha mais a atenção das crianças.
- Siiii, podemos, mama?
- Podem, mas só mais um pouquinho, já temos que ir embora, ok? - falou em vão, já que os dois já tinham saído correndo, fazendo as duas se olharem e darem risada.
- Sua filha é linda e um encanto. O Jr. tem falado muito dela e de você ultimamente. Ele me contou de uma caça ao tesouro que fizeram no parque?
- Ah, os dois pegaram uma amizade forte recentemente. - disse um pouco incerta do que falar. - E eu acabei convidando ele e o para essa brincadeira que faço aos finais de semana com a Ella.
- O pai da Ella também não pôde vir? - a morena perguntou, curiosa.
- Somos só nós duas mesmo. - disse simplesmente, encarando o chão por um momento.
- Desculpe, eu não quis…
- Tá tudo bem. - assegurou para a mais velha com um sorriso - Você não tinha como saber.
- Bom, eu preciso ir, foi um prazer conhecer você e a Ella.
- Igualmente. - sorriu, observando a mais velha chamar o menino e se aproximar de Victoria.


Madrecita: Agora entendi essa "amizade" do Júnior com a Ella. Conheci a .

: Não sei do que você está falando 😝 O realmente é amigo da Ella.


Alguns minutos depois, Jenny gargalhou ao receber uma nova mensagem do filho.

: ...o que você achou da ? 🙈


- Minha mãe te adorou. - dizia enquanto fazia carinho nas costas nua de
- O que ela falou? - a mulher perguntou, curiosa, levantando o rosto para encarar o jogador, que não resistiu e lhe deu um beijo, que fora prontamente retribuído.
- Que você e sua filha são lindas, mas isso eu já sabia. - sorriu ao ver a careta que a mulher fez. - E que entendeu essa "amizade" da Ella com o neto.
- Ai meu Deus, ela sabe?
- Suspeita, não confirmei, quis deixar ela um pouco curiosa. - deu de ombros - Ela achou a Fiorella bastante educada e isso com certeza é um ponto ao seu favor.
- Que vergonha!
- Não precisa disso. - o jogador disse, apertando a mulher ainda mais para si.
- Eu vi seu jogo. - soltou com um sorriso, sabendo o que viria a seguir.
- Mentira?! - se movimentou no sofá, fazendo com que ela risse e se sentasse para observá-lo - O que achou?
- Que seu time tá cheio de jogador gato. - falou séria, vendo o sorriso do homem à sua frente se fechar. - Eu tô brincando, bobo, quer dizer, não estou, tá cheio de homem lindo mesmo, mas uau, você foi muito bem, , estou oficialmente impressionada. Você é muito mais do que um rostinho bonito mesmo. Te vi correr por todo o campo e quando o jogador do outro time te derrubou... Nunca vi alguém levantar tão rápido e continuar a jogada como se nada tivesse acontecido.
- Não é à toa que me chamam de mágico. - o homem abriu um sorriso metido tão grande, que foi impossível não contagiar a mulher.

não conseguiu conter sua alegria, vivia pedindo para que assistisse um de seus jogos, não sabia o porquê, mas queria que ela o visse fazendo o que mais amava. Que ela soubesse que apesar de ser jogador de futebol, ele era muito bom no que fazia. Nunca imaginou que ela finalmente assistiria a uma partida e ficou feliz que foi em uma que ele fora titular, e mais, que ele tinha realmente se destacado com sua performance. A opinião de importava cada vez mais e mesmo percebendo que ela não sabia muito bem quais termos usar, conseguiu explicar direitinho o que tinha achado.

Desde que sua mãe havia conhecido , ele parecia ter ganho um ânimo a mais para tentar fazer as coisas darem certo, e saber que ela também parecia disposta a isso, o fazia feliz.

tinha ido para a casa de poucas horas antes da saída das crianças da escola, Cora havia a liberado mais cedo e prontamente ligou para o jogador para saber se ele estava livre, não era sempre que conseguiam conciliar os horários e aquela era a primeira vez que ficavam juntos três vezes numa mesma semana.

O mais assustador nisso tudo, era que a saudade que sentiu de era ainda maior do que antes, mesmo tendo o visto no dia anterior. Isso a assustou, mas ao mesmo tempo a tranquilizou, o jogador parecia ser realmente diferente dos homens que tinha conhecido e se pegava fazendo planos para as semanas seguintes de forma a conciliar com os dias em que estivesse livre.

estava tão distraída, que acabou se assustando quando ouviu as batidinhas na janela de seu carro, abaixou o vidro revirando os olhos ao escutar a risada de , mas acabou cedendo e riu junto com o homem, ele era adorável demais quando sorria daquela forma.

- Tudo bem, guapo? - perguntou observando o rosto do homem à sua frente.
- Tudo sim, eu tenho um convite! O que acha de ir lá pra casa assistir um filme?
- Assistir um filme? Você já foi melhor nisso, . - direcionou ao homem um sorriso malicioso, soltando uma gargalhada ao reparar que o mesmo havia corado.
- Falando sério, tá livre agora? Vamos lá para casa com as crianças? Eu tô com saudade - pediu de um jeito tão fofo e atraente, que fez se derreter.
- Vamos sim! - respondeu saindo do carro, quando ouviu o sinal que indicava o fim das aulas para os pequenos - Espero que não seja Frozen mais uma vez.
- Ou Toy Story. - os dois riram e colocou as mãos no bolso para conter sua vontade de segurar na mão da mulher.

Enquanto esperava Ella sair do prédio junto com , percebeu que Dulce a encarava, e assim que a outra recebeu sua atenção, fez um sinal de positivo com o dedo, indicando que aprovava a companhia do homem. rindo, pediu licença ao jogador, avisando que já voltava e logo caminhou em direção a mulher.

- Dá pra ser um pouco mais discreta? Vou começar a ficar envergonhada.
- Desculpa, só não consigo disfarçar minha empolgação - Dulce riu, olhando carinhosamente para a mais nova - Eu sei que o é um cara legal, tenho certeza que ele só fará bem a você, além de ser um gato. Ah se eu fosse mais nova!
- É mesmo, não? Mas... Estamos indo devagar, sabe? Ainda não é tão fácil para mim.
- Querida, vá no seu tempo, não deixe homem nenhum ou ninguém apressar você. - tocou o braço de gentilmente - Agora mudando de assunto, estamos pensando em reunir todas as mães em uma sexta feira à noite. Discutir sobre dias letivos e atividades extras para os pequenos, além de, claro, degustar um vinho sem nenhuma criança pedindo para ir ao banheiro. - riu quando a mais velha deu uma piscadinha sapeca.
- Eu acho ótimo, Dulce! Me envia uma mensagem sobre o horário, que vou fazer o máximo que der para ir!
- Pode deixar, e vai lá que tem alguém que não tira os olhos de você - a mais velha riu e voltou para onde tinha deixado , que a encarava não tão discretamente.

- Tio , vocês têm pipoca? Pra assistir filme tem que ter pipoca! - Ella cruzou os bracinhos, mandona, para o espanto da mãe.
- Ella! - repreendeu a filha e logo escutou a risada de .
- Temos sim, Super-Ella, - bagunçou o cabelo da menina com a mão - Onde já se viu filme sem pipoca? - disse tirando um sorriso da cara da menina - Por que você e o Jr. não esperam aqui, enquanto nós dois fazemos a pipoca?

Após acomodarem as crianças na sala, o casal caminhou em direção à cozinha, começando a preparar o lanche para os pequenos, sempre de olho nos dois para que não fizessem nada errado ou se machucassem.

- Peço desculpas pela Ella, às vezes ela pode ser um pouquinho indiscreta.
- Você tá brincando? Gosto quando ela interage assim comigo, parece que estamos mais afeiçoados, confesso que tinha ciúmes do meu filho te chamando de Tia , agora eu também sou o Tio . - disse todo orgulhoso e soltou uma gargalhada gostosa que não se aguentou e a prensou na bancada, mordendo o próprio lábio. - Você me deixa louco.
- As crianças estão ali, . - disse preocupada, mas não negou o beijo rápido que trocaram.
- Você não precisa se preocupar nem um pouquinho, Ella é uma criança muito educada. Aliás, eu até aceitaria umas dicas porque tem dias que nem Deus me ajuda com aquele projeto de gente. Tão pequeno, mas cheio de opinião.
- !! - a mulher exclamou e riu em seguida, sendo surpreendida por mais um beijo do jogador, mas esse teve fim em questão de segundos, ao escutarem gritinhos e expressões assustadas.
- Eca, papa!
- Que nojo, mama, você tava beijando o tio . Ele tem barba, pinica tudo! - trocou um olhar com o homem à sua frente, sentindo as bochechas pegarem fogo.

O apito do microondas informando que a pipoca estava pronta acabou por salvar os dois adultos, já que distraiu as crianças do momento constrangedor por tempo o suficiente para que voltasse a ouvir seu coração bater. Sem nada dizer, os dois terminaram de preparar os baldes de pipoca e carregou a bandeja com as bebidas e acabaram por ficar em silêncio durante todo o filme, presos em seus próprios pensamentos com o que tinha acabado de acontecer.

Assim que os créditos apareceram na televisão, e trocaram um olhar cúmplice e preocupado, sabendo que o momento da conversa havia, enfim, chegado.

- Princesa, Jr., vocês podem nos escutar por um minutinho? Precisamos conversar.
- Eu não fiz nada papai, juro!
- Eu sei que não. Não é bronca. - o homem riu do pequeno desespero do filho - Vocês sabem que eu e a tia ultimamente viramos muito amigos.
- Igual eu e o , mama.
- Isso, princesa, igual vocês dois, mas de uma forma um pouquinho diferente.
- Amigos que gostam muito da presença um do outro. - disse olhando , tentando deixar bem claro o quanto gostava da presença dela.
- Quando dois adultos se gostam, eles demonstram diferente do que vocês crianças.
- Com beijo na boca! Ew! - Ella interrompeu, fazendo os adultos rirem da inocência e pureza vinda dos dois.
- Mas a gente só faz isso quando gostamos muito de outra pessoa e só dessa pessoa, não é qualquer um que beijamos, entende?
- O papai só beija a Tia e a… - parou no meio da conversa, fazendo erguer a sobrancelha.
- A Tia também só beija o Tio . - respondeu para as crianças, mas com a garganta apertada, morrendo de vontade de olhar para o homem ao seu lado, que apertou sua mão em resposta, aliviado.
- Tão namorando? - Jr. perguntou, fazendo os dois se entreolharem assustados.
- Não, meus amores. - falou tão rápido que perdeu o olhar que a lançou. - Estamos, por enquanto, só saindo juntos, mas q...
- Papai e tia tão namorando! - as duas crianças começaram a rir e pular no sofá, ignorando completamente a mulher, soltando corinhos de “tá namorando” em meio a gargalhadas.
- Bom, acho que foi melhor do que esperamos, certo? - disse aliviado pela conversa, mas um pouco chateado por desmentir rapidamente um possível namoro.
- Muito. - ela respondeu, abraçando , e os dois acomodaram-se no sofá observando as crianças.

estava aflita, não imaginou que seria justo naquele dia que sua filha a veria com um homem pela primeira vez na vida, sentiu-se acuada, mas ao olhar nos olhos de , percebeu que aquilo era o certo, que os dois estavam construindo algo aos poucos, mas tão bonito, que não tinha necessidade de ter medo. O jogador parecia realmente gostar dela na mesma intensidade que ela gostava dele, e talvez ele não fosse embora, não a deixaria sozinha, como Carlos havia feito.

estava feliz pelo que tinha acabado de acontecer, sabia que era mais um pequeno passo no que gostaria de ter com a mulher, mesmo chateado com sua resposta. Mas enquanto pensava no assunto, percebeu que nunca tinha deixado claro para que o que sentia por ela era sério, e sabendo do pouco que sabia da vida da mulher, entendeu que ela precisava se sentir segura o suficiente para se abrir, e foi ali então que o jogador começou a pensar em como a pediria em namoro.

- Querido, não sei se a mamãe vai poder buscar você hoje na escolinha. Mas o papai ou a abuelita vão pegar você. - Victoria olhava pelo retrovisor para o filho.
- Não tem poblema, mama, a tia pode ficar comigo também!
- Tia ? - a mulher perguntou, curiosa, conhecia todas as mães dos amiguinhos de e não lembrava de nenhuma .
- A mãe da minha amiga, Ella.
- Ah, a ! - Victoria assentiu em entendimento, não sabia que a mulher era chamada de e muito menos que o filho a chamava assim.
- Isso, mama, a namorada do papa!

Victoria quase freou o carro, tamanha a surpresa da notícia. Não por ciúmes de saber que o pai de seu filho estava com alguém, mas sim por ter sido pega completamente despreparada com a naturalidade do filho ao falar sobre o assunto, sinal de que aquilo não era algo novo.

Após deixar o pequeno na escola, a mulher dirigiu em direção à casa de .

- Podemos conversar? - perguntou assim que o homem abriu a porta de casa.
- Tenho treino daqui uma hora, tá tudo bem?- deu espaço para a mulher adentrar o local.
- Na verdade, não. - se virou para , que a encarou preocupado - O Jr. me contou sobre a tia Sua namorada. E antes de qualquer coisa, sei que o que você faz da sua vida particular não é da minha conta, mas a partir do momento em que envolve meu filho eu preciso saber mais sobre o assunto e se posso ficar tranquila. - o homem a encarou surpreso, achava que Victoria iria passar um sermão por ter dado doce para o filho antes de jantar.

Não que a mulher não estivesse certa, ele realmente deveria ter conversado com ela quando as coisas começaram a ficar sérias entre ele e , mas a verdade é que por muitas vezes nem ele mesmo sabia o quão firme estavam. Foi só depois de serem pegos pelos filhos se beijando e ter a confirmação que, assim como ele, não estava com mais ninguém, que percebeu que finalmente estavam na mesma página.

- Vic, entendo sua preocupação, eu devia ter te procurado antes, mas a verdade é que não estamos namorando, ainda. As crianças se precipitaram um pouco – acrescentou, para a surpresa da mulher - Eu conheci a fora da escola e só depois descobri que ela era a mãe da Fiorella, eu nem sabia se daria em alguma coisa e não quis te preocupar à toa.
- Eu sei, , mas de qualquer forma, além de envolver uma mãe da escola, queria estar preparada para o dia que meu filho fosse falar de outra mulher com carinho, além de mim. – confessou, fazendo o jogador a encarar surpreso. - Você já pensou como vai se sentir quando um homem começar a fazer parte da vida dele como padrasto?
- Você tem razão, eu deveria pelo menos ter contado que tinha conhecido alguém, pra te preparar. Sei que o Jr. também é seu filho e você tem todo o direito de querer saber mais sobre a pessoa que estará presente na vida dele. - suspirou fundo - O que tenho com é sério, eu não me sinto assim há muito tempo, não confiaria nosso filho se não planejasse levar esse relacionamento para frente, ela é uma mulher incrível e uma mãe maravilhosa.
- Tudo bem, eu só a conheço de vista, mas ela me parece ser uma boa pessoa. Só me mantém informada, ok?
- Não se preocupa, Vic, você é a melhor mãe que ele poderia ter, ele te ama. A é só a Tia .

Desde que Ella e Jr. haviam pego os dois aos beijos no sofá da casa de , as coisas pareciam mais transparentes entre o casal. O jogador se sentia mais à vontade para pegar na mão de ou então beijá-la rapidamente quando estavam em público. Os próprios colegas de time estavam curiosos em saber quem era a mulher misteriosa que o fazia sorrir feito tonto quando recebia uma nova foto ou mensagem. A verdade era que sorria, pois parecia confiar cada vez mais nele e pouco a pouco aprendia mais da mulher que havia mexido com ele como há muito tempo não acontecia.

Quando Victoria apareceu para conversar sobre , se viu nervoso, para ele era importante que a mãe de seu filho gostasse da mulher por quem estava se apaixonando. sabia que ainda tinham um longo percurso a correr, não sabia quase nada do passado de , mas estava disposto a lutar pelos dois.

terminava de se arrumar com um sorriso leve no rosto, adorava quando tinha os domingos livres para que pudessem se ver, sem hora para ir embora. Já tinham combinado de se encontrar no parque próximo à sua casa e Fiorella terminava de colocar o tênis.

- Filha, tem certeza que quer colocar all star com esse vestido? Não prefere uma sandália? - perguntou vendo a menina colocar a meia toda desajeitada.
- Tenho, mama, fica mais legal e ainda dá pra jogar bola com o tio . Você sabia que ele é jogador de futebol, mama?
- Eu sabia sim, princesa, outro dia quando você já tinha ido dormir eu vi um jogo dele na TV, ele é muito bom.
- Eu também quero ver. - pediu fazendo um biquinho.
- Por que a gente não pergunta pra ele hoje quando vai ter algum jogo, de repente podemos assisti-lo no estádio, o que você acha?
- Ebaaaaa!
- Vou entender isso como um sim. - sorriu terminando de amarrar o cadarço da menina.
Mãe e filha faziam o já conhecido caminho para o parque. perguntou se ela queria que ele as buscasse, mas era literalmente duas quadras de distância e preferia não incomodá-lo, as coisas entre os dois pareciam estar cada dia melhores e a cada tempo que tinham a sós, ela se abria mais e mais com ele, mas ainda não tinha coragem o suficiente para lhe contar tudo, e levá-lo à sua casa era abrir uma ferida para a qual ainda não estava preparada. Adorava a forma que se importava com ela, tivera aquilo por um bom tempo com o pai de Fiorella, e acordar e saber que teria alguma mensagem a esperando, a fazia se sentir com esperança. Algo que havia morrido com ela quando ainda estava grávida de sua princesa.

- Vocês ficam mais lindas a cada dia, não é possível. - o jogador disse quando as duas se aproximaram. Com um grande gesto, entregou um algodão doce para Ella, que causou o exato efeito que esperava, um abraço apertado da pequena.
- Fizemos questão de nos arrumar para passar o dia com vocês. - disse passando a mão na barba do homem, o puxando para um beijo rápido. - Só acho que o filho ter vindo vestido de pai não vai ajudar com a nossa tentativa de anonimato. - disse sorrindo ao ver o menino com o uniforme do time do jogador, ocupado demais em terminar seu algodão doce.
- Eu tentei - disse dando de ombros - Chorou quinze minutos porque queria usar essa roupa.
- Vendo ele desse jeito, lembrei que temos um pedido para fazer a você… E espero que tudo bem. - estava com um pouco de vergonha de pedir algo para , mesmo que estivessem "não-oficialmente" juntos.
- Pode falar - o homem pediu curioso, enquanto roubava um pedaço do algodão doce do filho, logo recebendo um olhar de desagrado do mesmo.
- Então, eu e a Ella estávamos conversando hoje sobre o quão bom jogador você é - não pôde evitar rir quando o homem fez uma cara de convencido - E ela não ficou muito feliz quando disse que já tinha te visto jogar sem ela. Daí pensei sobre o quão legal seria se nós pudéssemos assistir a um jogo seu…
- Você tá falando sério? - tinha o maior sorriso de alegria no rosto, há tempos queria convidá-las, mas tinha medo da resposta.
- Se não for um incômodo, claro.
- , eu ficaria muito feliz de jogar sabendo que as duas estarão lá me assistindo. Já vou pedir os ingressos e reservar o box para acomodar vocês no melhor lugar.
- Você é demais! - a mulher abraçou e deu um beijo rápido em , ainda tinha dificuldade em se expor daquela forma.
- Agora que eu marco cinco gols. - disse ainda mais metido, rindo da careta que lhe devolveu.
- Ei, o que acham de brincar de se esconder? Eu e o contamos e esperamos vocês se esconderem para achar vocês?

O casal observou as duas crianças, que tinham o rosto todo sujo de algodão doce, sorrirem e levantarem animadas para brincar. Cuidando para não perdê-los de vista, e esperaram eles se esconderem para começar a procurá-los.

- Realmente precisamos ensinar eles a serem um pouquinho mais discretos. - o jogador disse rindo, porque assim que anunciaram que começariam a procurá-los, as crianças começaram a rir alto em seus "esconderijos".
- , não fala assim - se fingiu de brava - Eles só têm três anos de idade… E não é como se todo mundo tivesse esse seu tamanho, que em qualquer buraco se esconde. - finalizou abrindo o sorriso ao ver o jogador a olhar chocado.
- Sério? Mal assumimos um relacionamento e você já tá fazendo piada sobre meu tamanho?
- Desculpa, não consegui resistir. - confessou recebendo um beijo do jogador - Agora vamos, temos que fingir procurar duas crianças.

e também se levantaram e foram na direção onde Jr. havia se escondido, já que ele na verdade estava doido para ajudar a encontrar Ella. Após disfarçarem um pouco, fingindo que não estavam conseguindo achá-lo, os dois o "encontraram" e o menino gargalhou alto ao ser atacado por cócegas.

Os três foram juntos procurar por Ella, mas quando chegaram perto de onde ela estava, sentiu seu coração parar ao ver que a menina não estava mais ali.

- , ela não tá aqui. - disse já sentindo o pânico tomar conta de si.
- Calma, ela estava aqui agora pouco, pode ter mudado de lugar. Vamos achá-la. - tentou acalmar a mulher, que agora já estava com os olhos marejados.
- Eu sou uma irresponsável, quem deixa a filha de três anos sozinha por mais de um minuto em um parque?! - exclamou olhando por todo o local rapidamente, para ver se conseguia encontrar sua princesa.
- , você não é uma irresponsável, apenas se distraiu, ela estava aqui segundos atrás. Vamos procurar a Ella e tenho certeza que vamos achá-la, só preciso que você mantenha a calma, ok? - sentia seu coração bater rápido, mas sabia que em nada se comparava com o que deveria estar sentindo, por isso se manteve calmo, para não piorar ainda mais as coisas. - Tenho certeza que ela está bem, vou com o Junior procurar por esse lado e você procura por aqui. - viu a mulher assentir e se dirigir apressada aos arbustos que tinham no local.
- Papai, tá tudo bem? - o menino perguntou quando o homem o pegou no colo.
- A tia tá nervosa porque não conseguimos achar a Ella, mas vai ficar tudo bem, ela só deve ter se escondido num lugar bem difícil - notou que o filho estava assustado com o que tinha acontecido e logo tratou de o acalmar.
- Mas vamos achar ela né, papai?
- Claro que vamos, meu amor, claro que vamos. - disse em voz alta, tentando convencer a si mesmo.

Após poucos minutos procurando entre as árvores e os arbustos floridos, achou a menina parada em frente a um enorme arbusto de flores, a poucos metros de onde tinham a visto pela última vez. Por conta da altura dos arbustos e caminhos que as flores faziam, comparado com o tamanho de Fiorella, entendeu como a perderam em questão de segundos.

logo tratou de chamar , que estava um pouco mais distante, e pai e filho seguiram em direção à pequena. Foi só quando chegaram perto de Ella, que notou que uma senhora simpática estava falando com a menina.

Quando chegou e viu quem era a senhora que estava com sua filha, sentiu seu mundo cair. O que ela estava fazendo ali?

- Ella! - chamou a menina, com lágrimas nos olhos - Nunca mais faça isso, filha, já falei pra nunca ir pra longe da mamãe e muito menos falar com estranhos. - disse primeiro verificando que estava tudo bem com a menina e voltou seu olhar frio para a mulher, que se levantava.
- … - a mulher tentou dizer em vão, tão nervosa quanto a outra.
- Nunca mais chegue perto da minha filha. - gritou ao pegar Fiorella no colo, para o espanto de .
- Calma, , ela está bem, foi só um susto - encarava a mulher assustado, parecia que ia explodir, tamanho o nervosismo dela. - Me desculpe. - ele disse para a senhora que parecia chorar.
- Eu vou embora, eu que me desculpo, não deveria... - a senhora disse abatida e olhou para Fiorella uma última vez, antes de dar as costas.
- … - procurou pelos olhos da mulher, tentando entender o que tinha acontecido ali. - Ela só estava ajudando.
- Não estava. - disse não conseguindo mais segurar as lágrimas, ao abraçar ainda mais forte sua filha, que estava assustada com tudo que tinha acontecido. - Essa mulher... Ela… Ela era minha mãe.
- O quê?! - voltou seu olhar para onde a outra estava segundos atrás e finalmente tudo pareceu se encaixar - Ah, . - foi a única coisa que ele disse, antes de abraçá-la com força da forma que deu, já que estava com seu filho no braço.

As crianças estavam ocupadas jogando no iPad de , enquanto ele tentava acalmar , ela não tirava os olhos da filha e ele entendia completamente o que ela estava sentindo.

- Mama, você desculpa eu? Eu vi uma boboleta e quis mostrar ela pra você.
- Princesa, a mamãe achou que tinha te perdido pra sempre, lembra o que sempre te falo? Nós podemos ir aonde você quiser sempre, só me avisa antes.
- Deculpa, mama, eu fiz sem querer.
- Eu sei que foi, meu amor. - abraçou a menina com força. - Vamos pra casa? - disse para todos, já se levantando.
- , eu não quero te deixar sozinha.
- Eu não quero ficar sozinha. - confessou olhando o homem, e o que viu a fez querer sorrir, um olhar que ela há muito não via.
- Dorme lá em casa vocês duas?
- Tem certeza?
- Absoluta, vamos pra sua casa e você pega o que precisar e seguimos pra minha.
- Não! - a mulher disse rápido demais - Eu vou, você pode ficar com a Fiorella? Eu te mando uma mensagem com o endereço certinho e você me busca com o carro?
-
- Eu preciso ficar sozinha um pouco. - pediu vendo o homem assentir - Princesa, a mama vai fazer uma mala pra irmos pra casa do tio , eu vou andando e você fica com ele, tá? Não larga da mão dele.
- Tá bom, mama.

se via sem chão, ainda estava com o coração acelerado com o breve sumiço de Fiorella, nunca tinha passado por algo igual e os breves minutos que perderam o contato visual com a menina foram o suficiente para ele perceber o quanto já estava apegado a pequena.

O caminho para sua casa foi silencioso, as crianças exaustas dormiam e estava presa em seus pensamentos, mas mesmo assim ele sorria, porque durante todo o caminho suas mãos foram entrelaçadas.


Naquela noite, quando foi se deitar, se deparou com dormindo abraçada a Fiorella e Jr., um de cada lado. Ali ele teve a certeza que só queria três coisas no mundo, e elas estavam logo ali à sua frente.





Continua...



Nota da autora Carol: Oi meninas (se esconde), ainda tem alguém aqui?
Sabemos que demoramos pra caramba, foi algo bem atípico, mas quando a Mia podia escrever eu não, e depois ela entrou em provas intermináveis e todo mundo sabe como é né?
Enfim, vamos ao que interessa!!!!! Esse casal maravilhoso e esses filhos mais lindos ainda!
Chegamos na metade da fic e vamos fazer de tudo e mais um pouco para não demorar tanto para a próxima atualização.
Nos contem o que acharam e se alguém tem alguma teoria do que está por vir.
Beijos,
Carol e Mia
ps: Alguém aqui gosta do Asensio? 🌚





Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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